Memória do Curso de Especialização em Ciências Documentais (1985-2003)
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1 Memória do Curso de Especialização em Ciências Documentais (1985-2003)
2 Memória do Curso de Especialização em Ciências Documentais (1985-2003) Fernanda Ribeiro * João Leite ** Maria Elisa Cerveira *** Introdução Em 25 de Julho de 1984, sob proposta do Prof. Doutor José Marques, foi aprovada pelo Conselho Científico da Faculdade Letras da Universidade do Porto (FLUP) a criação do Curso de Especialização em Ciências Documentais (CECD). Consciente das carências de profissionais qualificados nas bibliotecas, nos arquivos e em outros serviços de documentação/informação da zona Norte do País, atento às determinações legais reguladoras da formação universitária nesta área do saber e entusiasta desta causa, porque ele próprio havia obtido o diploma do Curso de Bibliotecário-Arquivista da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, o Prof. Doutor José Marques foi, incontestavelmente, o ideólogo e principal impulsionador da criação e desenvolvimento do CECD da Universidade do Porto. Nesta breve panorâmica sobre os dezoito anos de “vida” do CECD pretendemos, na medida do possível, deixar registo daquilo que consideramos mais relevante, ou seja: a caracterização dos discentes, a constituição do corpo docente, o elenco de matérias ensinadas, a produção técnico-científica dos alunos, as iniciativas de investigação, de formação contínua e de índole cultural promovidas pelo Curso, enfim, a incessante promoção de um “espírito de escola” e do desenvolvimento desta área científica na * Professora Auxiliar, Departamento de Ciências e Técnicas do Património, Faculdade de Letras da Universidade do Porto ** Director dos Serviços de Documentação e Informação, Faculdade de Letras da Universidade do Porto *** Assistente Convidada, Departamento de Ciências e Técnicas do Património, Faculdade de Letras da Universidade do Porto
3 FLUP, com o consequente aprofundamento teórico-prático indispensável à qualidade do ensino 1 . Os alunos Obtido o necessário enquadramento legal, através da Portaria nº 852/85, de 9 de Novembro (ver Anexo 1), que autorizou o funcionamento, na FLUP, do CECD criado por Decreto-Lei nº 87/82, de 13 de Julho (à semelhança das homólogas faculdades de Coimbra e Lisboa), o Curso iniciou a sua actividade no ano lectivo de 1985-1986, com um numerus clausus de vinte alunos (foram admitidos oito na opção “Arquivo” e doze na opção “Documentação e Biblioteca” 2 ). Na sua maioria, eram pessoas já colocadas em serviços de informação, mas sem uma formação específica que lhes permitisse a integração na carreira técnica adequada e uma profissionalização na área de trabalho em que estavam inseridas. Abrindo candidaturas apenas de dois em dois anos, o CECD viu crescer, progressivamente, o número de alunos – em 1989, o Senado da Universidade do Porto autorizou o aumento do numerus clausus para trinta vagas e, em 1999, para quarenta –, correspondendo à cada vez maior procura, que se verificava em cada nova edição do Curso. Registe-se, a título de mera curiosidade, que no ano de 1999 o número de candidatos atingiu o seu máximo, saldando-se em cento e sessenta e sete. Aos alunos admitidos para preenchimento das vagas estabelecidas pelo numerus clausus há que acrescentar, ainda, um pequeno, mas significativo número de discentes que ingressaram no Curso, quer por transferência (em todos os casos, provenientes da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra 3 ), quer ao abrigo de uma disposição aprovada pelo Conselho Científico da FLUP, em 13 de Janeiro de 1993, que autorizava a abertura de 20% de vagas supranumerárias para o ingresso de alunos provenientes dos Países de Língua Oficial Portuguesa 4 , quer ainda, nos anos mais recentes, de alunos que, 1 Neste sentido, é de salientar que, desde o início, o Coordenador do CECD e os diversos docentes procuraram incentivar a criação de um núcleo bibliográfico especializado, na Biblioteca Central da FLUP, o qual foi sendo enriquecido ao longo dos anos constituindo, actualmente, um conjunto inestimável de informação formado por monografias, publicações periódicas e importantes bases de dados de referência, em cd-rom. 2 Verificou-se, depois, uma desistência na opção “Documentação e Biblioteca”. 3 Desde o início do CECD foram admitidos 15 alunos, por transferência. 4 Ao longo dos anos, houve três admissões nestas circunstâncias.
4 tendo já obtido o diploma do CECD numa das suas opções (Arquivo ou Documentação e Biblioteca), foram autorizados a inscrever-se para fazerem as disciplinas necessárias à aprovação na outra opção 5 , ficando assim diplomados com as duas “variantes” do CECD e, por isso, com formação adequada para ocuparem lugares de técnicos superiores nos dois “ramos” da carreira BAD. O Gráfico 1 ilustra a evolução do ingresso de alunos ao longo das nove edições do CECD, comparando as admissões nas duas “variantes” do Curso. GRÁFICO 1 DISTRIBUIÇÃO DOS ALUNOS PELAS OPÇÕES: Arquivo e Documentação e Biblioteca 0 5 10 15 20 25 30 35 1º 2º 3º 4º 5º 6º 7º 8º 9º CURSOS Nº DE ALUNOS Arquivo Documentação e Biblioteca Ao longo dos seus dezoito anos de existência, o CECD contou com a inscrição de 283 alunos 6 , os quais, na sua maioria, eram oriundos da zona norte do País 7 . Verificando-se que uma percentagem de 97,2 % concluiu o Curso (ver Gráfico 2) e que desta, 91,3 % se encontram a trabalhar na área da Ciência da Informação (tradicionalmente designada área BAD - Bibliotecas, Arquivos e Serviços de Documentação) (ver Gráfico 3), procurámos cartografar a implantação no mercado de 5 Nesta situação encontram-se 12 alunos. 6 Não se contabilizam neste número os alunos que se inscreveram uma segunda vez para obterem aprovação nas disciplinas necessárias à conclusão da outra opção do Curso. 7 Registe-se, no entanto, que alguns alunos vieram de zonas bem longínquas do País, como, por exemplo, os Açores.
5 trabalho destes profissionais, quer no que respeita à zona geográfica em que estão inseridos (ver Quadros 1 e 2 e Mapas 1 e 2), quer quanto ao tipo de serviço/instituição em que trabalham (ver Quadro 3 e Gráficos 4 e 5). GRÁFICO 2 GRÁFICO 3 QUADRO 1 – Número de profissionais por localidade ALFANDEGA DA FÉ 1 MONÇÃO 1 ALIJÓ 2 OVAR 2 AMARANTE 1 PAÇOS DE FERREIRA 1 ANGRA DO HEROÍSMO (Açores) 1 PENAFIEL 3 AROUCA 2 PENAMACOR 1 AVEIRO 3 PONTE DE LIMA 2 BARCELOS 1 PORTALEGRE 1 BRAGA 8 PORTO 130 BRAGANÇA 5 PÓVOA DO VARZIM 5 CAMINHA 1 S.JOÃO DA MADEIRA 2 CELORICO DE BASTO 1 S.TIRSO 1 CHAVES 1 SANTA MARIA DA FEIRA 2 COIMBRA 2 TORRE DE MONCORVO 1 ESPINHO 2 TROFA 1 ESPOSENDE 2 VALE DE CAMBRA 1 ESTARREJA 1 VALENÇA 3 FAFE 1 VALONGO 1 FELGUEIRAS 1 VIANA DO CASTELO 4 FREIXO DE ESPADA Á CINTA 1 VIEIRA DO MINHO 1 GONDOMAR 1 VILA DO CONDE 5 GUARDA 1 VILA NOVA DE CERVEIRA 1 GUIMARÃES 5 VILA NOVA DE FAMALICÃO 7 LEIRIA 1 VILA NOVA DE GAIA 10 MAIA 3 VILA REAL 3 5% 4% 91% Não empregados na área de CI À procura de emprego na área de CI A trabalhar na área de CI 97% 3% Concluíram o curso Não concluíram o curso
6 MATOSINHOS 6 VISEU 1 MELGAÇO 2 OUTROS PAÍSES ANGOLA 2 MOÇAMBIQUE 1 QUADRO 2 Distribuição dos profissionais por distritos ANGRA DO HEROÍSMO 1 AVEIRO 15 BRAGA 27 BRAGANÇA 8 CASTELO BRANCO 1 COIMBRA 1 GUARDA 1 LEIRIA 1 PORTALEGRE 1 PORTO 168 VIANA DO CASTELO 14 VILA REAL 6 VISEU 1 MAPA 1 – Distribuição pelos Distritos
7 MAPA 2 – Distribuição dos profissionais no Distrito do Porto QUADRO 3 – Número de profissionais por tipo de serviço ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA 43 ARQUIVO DISTRITAL 11 ARQUIVO MUNICIPAL 31 ARQUIVO UNIVERSITÁRIO 6 BIBLIOTECA MUNICIPAL 58 BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA 41 ESCOLA BÁSICA/SECUNDÁRIA (professor) 34 INSTITUIÇÃO PRIVADA 17 PROFISSÃO LIBERAL 6 UNIVERSIDADE (docente em CECD) 4 Situação desconhecida 3
8 GRÁFICO 4 GRÁFICO 5 DISTRIBUIÇÃO POR ACTIVIDADE PROFISSIONAL 3 58 31 41 6 11 43 17 4 34 6 0 10 20 30 40 50 60 70 Situação desconhecida Biblioteca Municipal Arquivo Municipal Biblioteca Universitária Arquivo Universitário Arquivo Distrital Administração Pública Instituição privada Universidade (docente em CECD) Escola básica/secundária (professor) Profissão liberal Nº de alunos REPRESENTAÇÃO PERCENTUAL POR TIPO DE SERVIÇO 24% 12% 16% 2% 4% 17% 13% 1% 2% 7% 2% Situação desconhecida Biblioteca Municipal Arquivo Municipal Biblioteca Universitária Arquivo Universitário Arquivo Distrital Administração Pública Instituição privada Universidade (docente em CECD) Escola básica/secundária (professor) Profissão liberal
9 O corpo docente e os conteúdos curriculares Sendo a área das Ciências Documentais absolutamente inexistente no contexto académico português à época da instituição do CECD, o corpo docente que assegurou o funcionamento do Curso, nos primeiros anos, foi composto, maioritariamente, por técnicos de BAD. A dificuldade em conseguir, no Porto e na zona norte do País, técnicos qualificados para garantirem a docência da totalidade das disciplinas levou o Coordenador do Curso, com o apoio incondicional do Reitor da Universidade do Porto (na altura, o Prof. Doutor Luís de Oliveira Ramos) e do Conselho Directivo da FLUP (presidido pelo Prof. Doutor João Francisco Marques), a procurar apoios na Universidade de Coimbra. Com efeito, foi graças à colaboração dos docentes do CECD da Faculdade de Letras daquela Universidade, que se concretizou a abertura das aulas, em Janeiro de 1986. O elenco de professores vindo de Coimbra, que assegurou uma parte significativa das disciplinas, foi complementado por alguns técnicos nortenhos. Em particular, há a referir a colaboração do Bibliotecário da FLUP, Dr. João Emanuel Leite que, além de assegurar a docência de algumas disciplinas suportou a organização do Curso, nos seus primeiros tempos. A primeira edição do CECD contou, ainda, com a participação de docentes de Espanha e de Lisboa, sobretudo no que respeita às cadeiras da opção “Arquivo”. As disciplinas de “Arquivologia” e “Organização, Planeamento e Administração II” foram asseguradas pelo Prof. Doutor Pedro López Gómez 8 – na altura, Director do Archivo Histórico Provincial de Pontevedra –, docente que, aliás, continuou a colaborar no CECD até ao seu último ano de funcionamento, leccionando uma carga horária de vinte horas e seminários temáticos, integrados na disciplina de “Arquivologia”. Igualmente de Espanha, veio a Drª Maria Teresa Molina Ávila, do Centro Regional para la Enseñanza de la Informática, de Madrid, leccionar, na primeira edição do curso, a disciplina de “Informática para Arquivos”. A colaboração da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa esteve presente em todas as edições do CECD através do Prof. Doutor Aires Augusto do Nascimento que, ao longo dos anos, foi o docente responsável pela disciplina de “Codicologia”. Ainda de Lisboa, proveio o contributo da Drª Maria Isabel Pereira 8 Estas disciplinas tiveram a colaboração, em aulas práticas, do Dr. Manuel Luís Real, Director do Arquivo Histórico Municipal do Porto.
16 e funcionamento de serviços como Bibliotecas, Arquivos e Centros de Documentação – não esqueçamos que, quando em 1985 se iniciou o CECD, os sistemas de recuperação de informação utilizavam catálogos manuais ou sistemas um pouco mais sofisticados como o peek-a-boo que funcionou na Biblioteca da Universidade de Aveiro, e que, hoje, passados 18 anos, dificilmente encontraremos uma grande biblioteca que não tenha os seus serviços informatizados e o seu catálogo disponível na Internet. A utilização prática das novas tecnologias da informação só se torna uma verdadeira realidade depois da mudança para o novo edifício da Faculdade, em final de 1995. É nessa altura que se abrem horizontes completamente novos com a facilidade de acesso a novas infra-estruturas como as redes, a novos meios como a Internet, a novos e diversificados recursos ao nível do software de gestão documental, etc. Todas essas condições vieram repercutir-se nos conteúdos dos trabalhos, com o aparecimento de novas temáticas que passaram a fazer parte do leque até então existente. Temas como a edição electrónica, a Internet, o acesso à informação, a biblioteca digital, os interfaces WEB, a concepção de sites, etc., passaram a ser temáticas preferenciais, tendo, igualmente, ganho maior relevância as questões da indexação, dada a importância de que o acesso à informação em linha passou a revestir-se. A grande revolução nos conteúdos verifica-se, portanto, por volta de 1996, num período em que os assuntos atrás referidos começam a ganhar uma enorme preponderância, ao ponto de a relação da Biblioteca ou do Arquivo com esta nova realidade se tornar numa questão de sobrevivência. E é esta nova realidade que, nos últimos anos de funcionamento do CECD, nos é revelada com grande transparência nos trabalhos que constituem a colecção disponível na Biblioteca Central. Não cabe no âmbito deste trabalho, nem tão pouco constitui objectivo desta análise, proceder à avaliação de conteúdos; esta já foi, em devido tempo, efectuada pelos docentes das respectivas disciplinas. Não podemos, contudo, deixar de referir que, nas áreas mais inovadoras, ligadas às tecnologias da informação, muitos são os trabalhos que, pela sua originalidade, riqueza de conteúdos, profundidade no desenvolvimento dos temas e consistência técnico-científica em muito contribuíram para aumentar também os conhecimentos dos próprios docentes. Por ocasião do 10º aniversário do CECD, uma percentagem considerável de trabalhos reunidos pela Biblioteca, encontrava-se já tratada e disponível numa base de
17 dados local. A partir do momento em que se instituiu, no segundo ano do curso, a realização do estágio interno, foram os próprios alunos do CECD a desenvolver todo o trabalho de tratamento técnico desta documentação, contando com a orientação dos docentes e com o apoio sistemático dos técnicos da Biblioteca. Como resultado deste trabalho, pode a Biblioteca Central da FLUP disponibilizar uma base de dados com cerca de 1000 referências que correspondem à colecção a que nos temos vindo a referir, a qual desempenhou um papel importantíssimo para os alunos do CECD no apoio à investigação e à elaboração dos trabalhos académicos a apresentar às disciplinas cuja avaliação se baseava essencialmente na sua análise. Muitos podem mesmo ser considerados autênticas mini teses, quer pelo trabalho de investigação que exigiram, quer pela consistência científica que apresentam, sendo de realçar, em algumas áreas, a originalidade dos temas e a pertinência dos conteúdos. A esta colecção podemos, ainda, juntar os 70 relatórios de estágio, dos quais uma percentagem significativa se reveste de uma importância técnica considerável, por integrar um conjunto de trabalhos que, em termos de conteúdo, constituem preciosos contributos para correcção de índices de autores e assuntos, não só do sistema em que o trabalho de análise incidiu mas também de todos os instrumentos de pesquisa que utilizem esse tipo de índices para a recuperação da informação. Não podemos deixar de alertar aqui para aquilo que poderá, à primeira vista, parecer uma falha ou lapso da nossa parte, que se prende com o facto de tudo o que temos vindo a descrever neste capítulo ser aparentemente direccionado para disciplinas da Opção de Biblioteca e Documentação. Contudo, embora a maioria dos trabalhos respeitem a esta variante do Curso, convém assinalar que no primeiro ano não se verificava a divisão em duas variantes e, no segundo ano, algumas das cadeiras eram frequentadas por alunos das duas áreas (por exemplo Gestão de Informação, Fontes de Informação, Conservação e Restauro). Além disso, sabemos que em algumas disciplinas da Opção Arquivo também era utilizado o método de avaliação por trabalhos, mas os mesmos nunca chegaram a ser entregues na Biblioteca pelo que, obviamente, não puderam ser objecto da análise que efectuámos para a elaboração deste texto. Uma leitura mais clara e objectiva do trabalho realizado pelos alunos do CECD, ao longos dos dezoito anos de funcionamento do curso, poderá ser feita através dos
18 quadros que a seguir apresentamos, os quais ilustram de forma transparente a produção intelectual dos quase 300 alunos a quem a Faculdade concedeu o diploma de Especialização em Ciências Documentais. QUADRO 5 - Número de trabalhos por disciplina DISCIPLINA TRABALHOS BIBLIOGRAFIA 142 BIBLIOGRAFIA + METODOLOGIA DA INVESTIGAÇÃO 13 45 CONSERVAÇÃO E RESTAURO 23 FONTES DE INFORMAÇÃO 102 GESTÃO DA INFORMAÇÃO 33 INDEXAÇÃO POR ASSUNTOS 131 INFORMÁTICA DOCUMENTAL 168 METODOLOGIA DA INVESTIGAÇÃO 91 ORGANIZAÇÃO, PLANEAMENTO E ADMINISTRAÇÃO 34 SOCIOLOGIA DA INFORMAÇÃO 24 TECNOLOGIA DOCUMENTAL 109 RELATÓRIOS DE ESTÁGIO 70 Total de trabalhos entregues 972 13 Durante alguns anos foram elaborados trabalhos que, simultaneamente, constituíam elemento de avaliação para as duas disciplinas,
19 GRÀFICO 6 - Percentagem de trabalhos por disciplina GRÁFICO 7 – Número de trabalhos por disciplina BIB – Bibliografia ID – Informática Documental BMI – Bibliografia + Metodologia MI – Metodologia da Investigação CR – Conservação e Restauro OPA – Organização, Planeamento e Administração FI – Fontes de Informação SI – Sociologia da Informação GI – Gestão da Informação TD – Tecnologia Documental IA – Indexação por Assuntos RE – Relatórios de Estágio
20 QUADRO 6 - Número de trabalhos entregues por ano ANO Nº de trabalhos entregues 1986 16 1987 11 1988 8 1989 30 1990 41 1991 43 1992 61 1993 45 1994 83 1995 25 1996 47 1997 30 1998 35 1999 59 2000 58 2001 57 2002 82 2003 73 Data incerta 29 GRÁFICO 8 – Número de trabalhos entregues por ano 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 1986 1987 1988 1989 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 Data incerta
2 1 Actividades de investigação promovidas pelo CECD Os trabalhos práticos desenvolvidos pelos alunos, no ano de 1993, no Arquivo da FLUP, como componente curricular da disciplina de “Arquivologia”, permitiram perceber que era urgente uma intervenção mais sistemática para não se perder grande parte da memória institucional e para criar condições favoráveis a uma melhor gestão da informação administrativa que se continuava a produzir. Dado que o trabalho dos alunos do CECD era manifestamente insuficiente para atingir esse desiderato, o Coordenador do Curso propôs ao Conselho Directivo da FLUP a contratação de alunos, depois de diplomados, para continuarem o trabalho iniciado no “estágio”. Esta proposta concretizou-se, de facto, com a contratação a termo certo de um arquivista, o que representou o primeiro passo de um processo que teve uma abrangência mais vasta e se consubstanciou em intervenção e investigação aplicada no Arquivo da Universidade do Porto e em alguns dos seus subsistemas, os arquivos das Faculdades. O trabalho dos alunos no arquivo da FLUP também tornou evidente que não era possível o conhecimento rigoroso deste arquivo sem o estabelecimento de relações com a informação existente no arquivo da Reitoria da Universidade do Porto. Dada a escassez de meios para prosseguir o estudo e intervenção arquivísticos, o CECD candidatou-se, em 1995, a um concurso para projectos de investigação financiados pela JNICT, tendo obtido aprovação. O projecto, intitulado Gestão da Informação no Sistema de Arquivo da Universidade do Porto, que se desenvolveu no arquivo da Reitoria da Universidade do Porto e no arquivo da FLUP, entre Janeiro de 1996 e Janeiro de 1999, tinha os seguintes objectivos: criar um modelo de gestão do arquivo da Universidade do Porto; inventariar a documentação existente no Arquivo da Reitoria da Universidade; fazer o estudo necessário para proceder à avaliação e selecção documental; fazer um diagnóstico de situação da documentação de arquivo dispersa pelos vários serviços dependentes da Universidade do Porto, analisando com prioridade a existente na FLUP; produzir instrumentos de trabalho arquivístico para controlo e acesso à informação de arquivo; produzir estudos sobre a história da Universidade do Porto 14 . 14 Sobre este projecto pode-se ver: RIBEIRO, Fernanda - Gestão da informação no sistema de arquivo da Universidade do Porto : de projecto a realidade. Boletim - Universidade do Porto. ISSN 0871-7249. Porto. 7:31 (Set. 1997) 40-41.
22 O financiamento obtido (6.500 contos) não permitiu atingir, com plenitude, todas as metas apontadas, mas o trabalho desenvolvido foi fundamental para, por um lado, criar condições para a institucionalização de serviços de arquivo na Reitoria e na FLUP e dotar esses serviços de pessoal qualificado e, por outro lado, iniciar uma dinâmica de investigação numa área em que até então nada havia sido feito. Além disso, permitiu envolver no trabalho alunos do CECD, que ainda frequentavam o Curso ou recém-diplomados. Os resultados do referido projecto foram divulgados numa sessão pública, que teve lugar na FLUP, em 19 de Março de 1999. Na sequência do trabalho de investigação iniciado em 1996, o CECD candidatou-se a novo financiamento, da Fundação para a Ciência e a Tecnologia, com um segundo projecto de investigação, intitulado O Sistema de Informação Arquivística da Universidade do Porto: desenvolvimento da sua gestão integrada, o qual obteve aprovação no âmbito do Programa Praxis XXI. Este novo projecto decorreu entre Fevereiro de 1999 e Fevereiro de 2001 e abrangeu os arquivos da Reitoria da Universidade do Porto, da Faculdade de Arquitectura, da Faculdade de Belas-Artes, da Faculdade de Engenharia, da Faculdade de Letras e da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação. Os seus objectivos estabeleceram-se numa linha de continuidade do projecto anterior, mas tornaram-se mais amplos, visto que agora o campo de trabalho se alargara consideravelmente 15 . Tendo-se obtido mais do triplo do financiamento do primeiro projecto (20.036 contos), nesta segunda etapa foi possível avançar muito mais rápida e consistentemente nos vários arquivos. As intervenções realizadas, além de contribuírem para uma melhor gestão da informação nas várias instituições envolvidas no projecto, constituíram um campo laboratorial importantíssimo para o CECD que, à componente teórica das aulas, adicionou uma vertente de investigação aplicada, em que envolveu diversos alunos. 15 Sobre o segundo projecto de investigação conduzido pelo CECD, ver: RIBEIRO, Fernanda - O Sistema de informação arquivística da Universidade do Porto : desenvolvimento da sua gestão integrada. Boletim - Universidade do Porto. Porto. ISSN 0871-7249. 9:34 (Dez. 1999) 62-63; RIBEIRO, Fernanda; FERNANDES, Maria Eugénia Matos - O Sistema de informação arquivística da Universidade do Porto : potenciar o uso da memória informacional retro-prospectivamente. In Archivos universitarios e historia de las universidades. Ed. de José Ramón Cruz Mundet. Madrid : Instituto Antonio de Nebrija de Estudios sobre la Universidad, Universidad Carlos III de Madrid ; Editorial Dykinson, 2003. p. 279-299. (Biblioteca del Instituto Antonio de Nebrija de Estudios sobre la Universidad; 9). ISBN 84-8155-641-6. (Também publicado em: Páginas a&b : arquivos e bibliotecas. Lisboa. ISSN 0873-5670. 11 (2003) 79- -99).
23 Em 6 de Julho de 2001, numa sessão pública na FLUP, foram dados a conhecer os resultados do projecto e realizou-se o lançamento do livro Universidade do Porto: estudo orgânico-funcional 16 , também ele resultante da investigação levada a cabo. De par com a pesquisa realizada no contexto do sistema de informação arquivo da Universidade do Porto, o CECD integrou também um projecto de investigação internacional, desenvolvido no âmbito do Programa Leonardo da Vinci. Numa parceria com várias instituições universitárias europeias, do Reino Unido, Países Baixos, Alemanha, Finlândia e Itália, o CECD (em representação da FLUP) colaborou na concepção e desenvolvimento de um curso de formação contínua para arquivistas, administrativos e informáticos, com o objectivo de implementar estratégias de gestão e preservação a longo termo de informação electrónica. Este projecto europeu, designado pela sigla E-TERM (European Training in Electronic Records Management), decorreu entre 2000 e 2001 e teve como resultado a realização de cursos-piloto em três das universidades que integraram o projecto 17 . Num desses cursos participaram como formandos dois elementos da Universidade do Porto (uma arquivista e um informático). A ligação a contextos internacionais foi, desde cedo, uma das preocupações do CECD, tendo procurado estabelecer pontos de contacto para esse efeito. A sua admissão, em 9 de Abril de 1992, como membro do Conselho Internacional de Arquivos (categoria C), integrado na Section on Archival Education and Training, foi uma das vias para atingir esse objectivo. A adesão a este organismo internacional não só proporcionou a recepção de publicações e outra informação relevante sobre actividades no domínio da Arquivística, como possibilitou a divulgação do CECD em edições sobre a formação e o ensino à escala mundial. Refira-se, a título de exemplo, a inclusão do CECD na obra Ce que les étudiants en Archivistique apprennent: une bibliographie pour les enseignants 18 , editada em 1996 e posteriormente actualizada 19 ou, mais 16 RIBEIRO, Fernanda; FERNANDES, Maria Eugénia Matos - Universidade do Porto : estudo orgânicofuncional : modelo de análise para fundamentar o conhecimento do Sistema de Informação Arquivo. Colab. Rute Reimão. Porto : Reitoria da Universidade, 2001. ISBN 972-8025-12-2. 17 Sobre este projecto pode-se consultar: HORSMAN, Peter - E-TERM and beyond : project overview. In DLM-FORUM 2002, Barcelona - @ccess and preservation of electronic information : best practices and solutions : proceeedings. Luxembourg : European Communities, 2002. ISBN 92-894-4415-0. p. 320-330; RIBEIRO, Fernanda - Uma Nova perspectiva em formação: o projecto E-TERM (European Training in Electronic Records Management). Cadernos BAD. Lisboa. ISSN 0007-9421. 1 (2003) 22-40. 18 CONSEIL INTERNATIONAL DES ARCHIVES. Section pour l’enseignement de l’archivistique et la formation des archivistes = INTERNATIONAL COUNCIL ON ARCHIVES. Section for Archival Education and Training - Ce que les étudiants en Archivistique apprennent : une bibliographie pour les
24 recentemente, num inquérito intitulado Directory of Archival Education & Training Institutions, que o Conselho Internacional de Arquivos promoveu e divulgou em versão electrónica, aguardando-se a edição em suporte papel. No contexto nacional, merece ser relevado o facto de o Coordenador do CECD ter sido designado, por lei 20 , como membro do Conselho Superior de Arquivos, órgão consultivo do Ministro da Cultura, cargo que, de algum modo, lhe permitiu veicular posições no domínio da política, da formação e da actividade científica e técnica, em relação com os arquivos e a Arquivística. Actividades de complemento curricular, de formação contínua e de índole científico-técnica A importância do CECD não pode ser vista apenas pela quantidade de alunos que formou, pelos variados docentes que, ao longo de dezoito anos, se empenharam para imprimir uma marca de qualidade no Curso e pela investigação científica que promoveu. Com efeito, a acção do CECD não se esgotou na actividade pedagógicocientífica, mas estendeu-se a toda uma série de outros eventos de que foi o núcleo polarizador. Embora, numa primeira fase, as actividades promovidas pelo CECD tenham ocorrido de forma pontual e pouco consequente, visto que as suas infra-estruturas materiais e recursos humanos eram ainda limitados, houve sempre, por parte da Coordenação do Curso, um objectivo muito claro: promover uma ligação ao meio, através de pequenas acções de sensibilização, formação contínua ou actualização científica, direccionadas, em primeira instância, para os ex-alunos, mas extensivas a toda a comunidade profissional. Depois de Novembro de 1997, com a criação do Departamento de Ciências e Técnicas do Património, na FLUP, surgiu no seio desta nova estrutura científico-pedagógico a Secção de Ciências Documentais, o que permitiu desencadear uma dinâmica mais favorável à realização de actividades extra-curriculares. enseignants = What students in Archival Science learn : a bibliography for teachers. Ed. Theo H. P. M. Thomassen. The Hague : I. C. A., 1996. De referir que o CECD é o único curso português que integra esta publicação. 19 A 2ª ed., actualizada, foi publicada em 2000. 20 Decreto-Lei nº 372/98, de 23 de Novembro. Diário da República. 1ª série-A. Lisboa. 171 (23 Nov. 1998) 6.363-6.364.
25 Em estreita ligação com a docência estiveram, desde o início, as visitas de estudo a bibliotecas, a arquivos, a serviços de documentação, mas também a empresas de comunicações (jornais, televisões, correios e telecomunicações), de equipamento reprográfico e informático, de materiais para acondicionamento e preservação de espécies documentais, bem como a tipografias e a outras empresas de artes gráficas e de encadernação. Entre elas, devem salientar-se as que, em praticamente todas as edições do Curso, se realizaram à Biblioteca Nacional e ao Arquivo da Torre do Tombo. Mas os serviços de documentação universitários, como os da Universidade de Aveiro ou os da Universidade do Minho, os “arquivos históricos”, localizados na cidade do Porto (Arquivo Distrital do Porto e Arquivo Histórico Municipal do Porto) ou em outras zonas do norte do País (Arquivo Distrital de Braga, Arquivo Municipal de Guimarães, etc.), as novas bibliotecas da Rede de Leitura Pública (Guimarães, Vila Nova de Famalicão, Estarreja, Ovar e outras) ou as bibliotecas públicas tradicionais, de carácter mais patrimonialista, como a Biblioteca Pública Municipal do Porto, foram também, recorrentemente, objecto de visita por parte dos alunos do CECD. O interesse pelas mais modernas tecnologias, suscitou também visitas a outras instituições como, por exemplo, a Fundação Mário Soares (um dos poucos organismos que desde a sua criação procedeu à digitalização de documentos) ou o Arquivo Contemporâneo do Ministério das Finanças (onde são usados meios de instalação das espécies documentais muito evoluídos e tecnologia muito actual para o controlo da qualidade dos microfilmes). Para além destas visitas, também houve a possibilidade de levar os alunos a contactar com realidades de outros países. Por mais do que uma vez, realizaram-se visitas ao Archivo do Reino de Galicia, na Coruña, onde se deu particular ênfase ao serviço de restauro. De maior envergadura foram as viagens realizadas em 1997 e 2003 a Londres e à Itália, respectivamente, durante as quais foi possível realizar visitas de estudo especialmente preparadas para acolher os alunos do CECD e, como tal, com uma pormenorização muito acima do que é comum. Em Londres, os alunos visitaram a British Library, a Biblioteca do Victoria and Albert Museum, a Biblioteca Central da Universidade de Londres e a Biblioteca Pública de Croydon. Em Itália tiveram particular interesse as visitas ao Arquivo Secreto do Vaticano e ao Arquivo Histórico das Comunidades Europeias, no Instituto Universitário Europeu, em Florença.
32 Referências bibliográficas: BORGES, Maria Manuel Marques – Biblioteca digital : materialização e utopia. Revista da Faculdade de Letras. Ciências e Técnicas do Património. Porto. ISSN 16454936. 2 (2003) 653-664. CABRAL, Maria Luísa – As Colecções, o acesso e os utilizadores das bibliotecas : conferência proferida na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, por iniciativa do Curso de Especialização em Ciências Documentais. Porto : FLUP, 1996. 24 p. Conferência sobre arquivos universitários : 8 de Maio de 1997. Org. Curso de Especialização em Ciências Documentais, Arquivo Central da Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Porto : FLUP, 1999. 90 p. ISBN 972-9350-24-8. CONSEIL INTERNATIONAL DES ARCHIVES. Section pour l’enseignement de l’archivistique et la formation des archivistes = INTERNATIONAL COUNCIL ON ARCHIVES. Section for Archival Education and Training – Ce que les étudiants en Archivistique apprennent : une bibliographie pour les enseignants = What students in Archival Science learn : a bibliography for teachers. Ed. Theo H. P. M. Thomassen. The Hague : I. C. A., 1996. 102 p. Formação profissional na área BAD : mesa-redonda organizada pelo Curso de Especialização em Ciências Documentais da Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Porto : FLUP, 1996. 89 p. ISBN 972-9350-21-3. Guia do Estudante : Ciências Documentais – Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Porto. 1986-1999. HORSMAN, Peter – E-TERM and beyond : project overview. In DLM-FORUM 2002, Barcelona - @ccess and preservation of electronic information : best practices and solutions : proceeedings. Luxembourg : European Communities, 2002. ISBN 92-894-4415-0. p. 320-330. LOPES, Maria Cristina e Silva de Sousa - Catálogo de trabalhos dos alunos do Curso de Especialização em Ciências Documentais da F.L.U.P. (1988-1994): fontes de informação. Porto : FLUP, 1995.
33 PORTUGAL. Leis, decretos, etc. – Decreto-Lei nº 372/98, de 23 de Novembro. Diário da República. 1ª série-A. Lisboa. 171 (23 Nov. 1998) 6.363-6.364. Regulamenta o funcionamento do Conselho Superior de Arquivos. PORTUGAL. Leis, decretos, etc. – Despacho 77/SEES/89-X. Diário da República. 2ª série. Lisboa. 151 (4 Jul.1989) 6.592-6.595. Institucionaliza a especialidade de doutoramento em Ciências Documentais, na Faculdade de Letras da Universidade do Porto. PORTUGAL. Leis, decretos, etc. – Portaria nº 852/85, de 9 de Novembro. Diário da República. 1ª série. Lisboa. 258 (9 Nov. 1985) 3.763-3.765. Autoriza o funcionamento do Curso de Especialização em Ciências Documentais na Faculdade de Letras da Universidade do Porto. RIBEIRO, Fernanda – Gestão da informação no sistema de arquivo da Universidade do Porto : de projecto a realidade. Boletim - Universidade do Porto. ISSN 0871-7249. Porto. 7:31 (Set. 1997) 40-41. RIBEIRO, Fernanda – Uma Nova perspectiva em formação: o projecto E-TERM (European Training in Electronic Records Management). Cadernos BAD. Lisboa. ISSN 0007-9421. 1 (2003) 22-40. RIBEIRO, Fernanda – O Sistema de informação arquivística da Universidade do Porto : desenvolvimento da sua gestão integrada. Boletim - Universidade do Porto. Porto. ISSN 0871-7249. 9:34 (Dez. 1999) 62-63. RIBEIRO, Fernanda; CERVEIRA, Elisa; AZEVEDO, Ana Gonçalves – Curso de Especialização em Ciências Documentais - 10º aniversário : balanço e perspectivas futuras. Revista da Faculdade de Letras. História. Porto. ISSN 0871164X. 2ª série. 12 (1995) 477-501. Também publicado em: Formação profissional na área BAD : mesa-redonda organizada pelo Curso de Especialização em Ciências Documentais da Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Porto : FLUP, 1996. ISBN 972-9350-21-3. p. 11-42. RIBEIRO, Fernanda; FERNANDES, Maria Eugénia Matos – O Sistema de informação arquivística da Universidade do Porto : potenciar o uso da memória informacional retro-prospectivamente. In Archivos universitarios e historia de las universidades. Ed. de José Ramón Cruz Mundet. Madrid : Instituto Antonio de Nebrija de Estudios sobre la Universidad, Universidad Carlos III de Madrid ; Editorial Dykinson, 2003. p. 279-299. (Biblioteca del Instituto Antonio de Nebrija de Estudios sobre la Universidad; 9). ISBN 84-8155-641-6.
34 (Também publicado em: Páginas a&b : arquivos e bibliotecas. Lisboa. ISSN 0873-5670. 11 (2003) 79-99). RIBEIRO, Fernanda; FERNANDES, Maria Eugénia Matos – Universidade do Porto : estudo orgânico-funcional : modelo de análise para fundamentar o conhecimento do Sistema de Informação Arquivo. Colab. Rute Reimão. Porto : Reitoria da Universidade, 2001. 697 p. ISBN 972-8025-12-2. SILVA, Armando Malheiro da; RIBEIRO, Fernanda – Das "Ciências" Documentais à Ciência da Informação : ensaio epistemológico para um novo modelo curricular. Porto : Edições Afrontamento, 2002. 174 p. (Biblioteca das Ciências do Homem. Plural; 4). ISBN 972-36-0622-4.
35 ANEXO 1 Portaria nº 852/85 de 9 de Novembro Sob proposta da Universidade do Porto: Ao abrigo do disposto no nº 2 do artigo 2º e no artigo 5º do Decreto nº 87/82, de 13 de Julho: Manda o Governo da República Portuguesa, pelo Ministério da Educação, aprovar o seguinte: 1º (Autorização de funcionamento) A Universidade do Porto, através da Faculdade de Letras, ministra o curso de especialização em Ciências Documentais. 2º (Estrutura) O curso de especialização em Ciências Documentais da Universidade do Porto, adiante simplesmente designado «curso», desdobra-se em duas opções: a) Arquivo; b) Documentação e Biblioteca. 3º (Plano de estudos) 1 - O plano de estudos do curso é o constante do anexo I à presente portaria. 2 - Os alunos que se destinam à opção de Arquivo e que não sejam titulares da disciplina de: a) Paleografia das faculdades de letras e de ciências sociais e humanas, terão de obter aprovação nesta disciplina, devendo inscrever-se nela e frequentá-la no 1º ano do curso; b) Latim, ao nível do 11º ano do ensino secundário, ou seu equivalente legal, terão igualmente de obter aprovação na disciplina de Latim I da Faculdade de Letras da Universidade do Porto. 4º (Habilitação de acesso) 1 - Podem candidatar-se à matrícula e inscrição no curso os titulares de: a) Uma licenciatura pelas universidades portuguesas ou habilitação legalmente equivalente; b) Conhecimento de, pelo menos, uma das seguintes línguas estrangeiras, a definir pelo conselho científico: francês, inglês ou alemão. 2 - A apreciação de conhecimento da língua estrangeira será realizada por: a) Exibição de diplomas comprovativos; ou b) Realização de provas de apreciação, a organizar pelo conselho científico. 5º (Selecção de candidatos)
36 1 - A selecção dos candidatos à matrícula será realizada com base no seguinte conjunto de critérios: a) Classificação da licenciatura; b) Outros diplomas e graus académicos de que sejam titulares; c) Experiência profissional, nomeadamente no âmbito das ciências documentais; d) Situação profissional actual (ou previsível situação futura) em actividades ligadas às ciências documentais; e) Conhecimento de outras línguas estrangeiras para além da que se refere no nº 4º; f) Motivação expressa para o exercício da profissão no domínio das ciências documentais. 2 - A apreciação dos aspectos referidos nas alíneas c), d) e f) será realizada através de uma entrevista individual. 3 - A apreciação do conhecimento de outras línguas estrangeiras referido na alínea e) será realizada nos termos do nº 2 do nº 4º. 4 - A decisão terá igualmente em consideração uma satisfação equilibrada, sob o ponto de vista institucional e regional, das necessidades das diferentes instituições públicas e privadas em quadros com esta formação. 5 - A selecção a que se refere o presente número será feita pelo conselho científico, de cuja decisão não cabe recurso, salvo se arguida de vício de forma. 6º («Numerus clausus») 1 - A inscrição no curso estará sujeita a numerus clausus, o qual será fixado anualmente por despacho do Ministro da Educação, sob proposta da Universidade, acompanhada de um relatório comprovativo da existência dos recursos humanos e materiais adequados à sua completa concretização. 2 - Para a elaboração da proposta do numerus clausus a Universidade ouvirá obrigatoriamente o Instituto Português do Património Cultural e a Associação Portuguesa de Bibliotecários, Arquivistas e Documentalistas. 7º (Opções do curso) 1 - O acesso às opções em que se desdobra o curso referidas no nº 2º, pode ter limitações quantitativas, a fixar pelo conselho científico. 2 - A selecção dos candidatos às opções do curso é da competência do conselho científico, que fixará os critérios a que a mesma obedecerá. 8º (Disciplinas de opção) 1 - O elenco de disciplinas de opção será fixado anualmente pelo conselho científico. 2 - O conselho científico fixará o número máximo de alunos a admitir à inscrição nas disciplinas de opção. 3 - O número mínimo de alunos a admitir à inscrição em cada disciplina de opção é de 10. 4 - Exceptuam-se do disposto no nº 3 os casos em que: a) O docente assegure a regência da disciplina a título gratuito; b) O docente assegure a regência da disciplina para além do número máximo de horas de serviço de aulas ou seminários a que é obrigado por lei; c) Não existindo outro serviço para distribuir ao docente, este complete com a regência da disciplina o número de horas de ensino que por lei deva assegurar.
37 9º (Regime de frequência) 1 - O número de presenças em cada disciplina não pode ser inferior a 75% do número total de horas da mesma. 2 - Em casos excepcionais, devidamente justificados, poderá ser autorizado um número de presenças inferior ao fixado no nº 1, sem prejuízo do cumprimento pelos alunos das normas referentes à avaliação de conhecimentos. 10º (Regime geral) As regras de matrícula e inscrição, bem como o regime de avaliação de conhecimentos e de classificação para as disciplinas que integram o curso, serão as previstas na lei para os cursos de licenciatura, naquilo que não forem contrariadas pelo disposto na presente portaria e pela natureza do curso 30 . 11º (Propinas e outros encargos) 1 - A inscrição anual do curso está sujeita ao pagamento de uma propina de 6000$, a qual será liquidada em estampilhas fiscais no respectivo boletim, numa só vez, no acto da inscrição, ou em duas prestações, uma no acto da inscrição e outra no 5º mês do respectivo ano 31 . 2 - Os alunos deverão igualmente satisfazer antecipadamente o pagamento dos encargos resultantes das deslocações a realizar no âmbito das visitas de estudo eventualmente programadas. 3 - O não aproveitamento no curso ou em parte dele ou a desistência do mesmo não confere o direito de recuperar os pagamentos feitos nem liberta da obrigação de satisfazer os pagamentos ainda devidos. 12º (Certificado) Aos alunos aprovados será passado um certificado final, nos termos do modelo constante do anexo II à presente portaria. 13º (Início de funcionamento) A entrada em funcionamento do curso ficará dependente da reunião, pela Universidade do Porto, dos recursos humanos e materiais adequados à sua completa concretização. Ministério da Educação Assinada em 24 de Outubro de 1985 O Ministro da Educação, João de Deus Rogado Salvador Pinheiro. 30 A partir de 1999, o regime de avaliação do Curso de Especialização em Ciências Documentais ficou sujeito às normas de avaliação relativas aos cursos de pós-graduação do Departamento de Ciências e Técnicas do Património. 31 O valor das propinas foi progressivamente actualizado, de acordo com determinações da Faculdade de Letras da Universidade do Porto.
38 ANEXO I Curso de Especialização em Ciências Documentais QUADRO I 1º ano Disciplinas Tipo Carga horária Total Catalogação I Indexação por Assuntos I Informática Documental I Organização, Planeamento e Administração I Instituições e Documentos Sociologia da Informação Opção Tecnologia Documental Bibliografia Metodologia da Investigação em Bibliotecas e Arquivo Anual Anual Anual Anual Sem. 1 Sem. 1 Sem. 1 Sem. 2 Sem. 2 Sem. 2 60 60 50 40 30 30 20 20 40 20 QUADRO II Opção: Arquivo 2º ano Disciplinas Tipo Carga horária Total Organização, Planeamento e Administração II Paleografia Arquivologia Codicologia Legislação e Noções de Direito para Arquivos Opção Informática para Arquivos Diplomática Conservação e Restauro Opção Anual Anual Anual Sem. 1 Sem. 1 Sem. 1 Sem. 2 Sem. 2 Sem. 2 Sem. 2 20 90 90 20 20 20 30 20 20 20 QUADRO III Opção: Documentação e Biblioteca 2º ano Disciplinas Tipo Carga horária Total Catalogação II Indexação por Assuntos II Informática Documental II Organização, Planeamento e Administração II Fontes de Informação Opção História do Livro Conservação e Restauro Opção Anual Anual Anual Anual Sem. 1 Sem. 1 Sem. 2 Sem. 2 Sem. 2 60 50 60 60 20 20 30 20 20
39 ANEXO II Certificado final REPÚBLICA (a) PORTUGUESA F... (b), reitor da Universidade do Porto: Faço saber que ... (c), filho de ... (d), natural da freguesia de ... (e), concelho de ... (f), distrito de ... (g), concluiu na Faculdade de Letras o curso de especialização em Ciências Documentais, opção de ... (h), com a classificação de ... (i) valores, em ... (j). Pelo que, em conformidade com as disposições legais em vigor, lhe mandei passar o presente certificado final, em que o declaro habilitado com o referido curso. Porto, em ... (l). O Reitor, ... O Administrador, ... ________ (a) Emblema da Universidade do Porto (b) Nome do reitor da Universidade do Porto (c) Nome do titular do certificado final (d) Nome do pai e da mãe do titular do certificado final (e) (f) (g) Freguesia, concelho e distrito de naturalidade do titular do certificado final (h) Opção de Arquivo ou opção de Documentação e Biblioteca (i) Classificação final do curso (j) Data de conclusão do curso (l) Data de emissão do certificado final
40 ANEXO 2 Disciplinas do CECD 1º Ano Bibliografia (2º semestre) 1985-1986 – José Manuel Motta de Sousa + Lucília Paiva 1987-1988 – Ana Paula Sequeiros 1989-1990 – Fernanda Ribeiro 1991-1992 – Fernanda Ribeiro 1993-1994 – Fernanda Ribeiro 1995-1996 – Ana Maria Azevedo (1) 1997-1998 – Isabel Pereira Leite (1) 1999-2000 – Isabel Pereira Leite 2001-2002 – Isabel Pereira Leite Catalogação I (anual) 1985-1986 – Maria Elisa Cerveira 1987-1988 – Maria Elisa Cerveira 1989-1990 – Maria Elisa Cerveira 1991-1992 – Maria Elisa Cerveira 1993-1994 – Maria Elisa Cerveira 1995-1996 – Maria Elisa Cerveira 1997-1998 – Maria Elisa Cerveira 1999-2000 – Maria Elisa Cerveira 2001-2002 – Maria Elisa Cerveira Indexação por Assuntos I (anual) 1985-1986 – Maria Teresa Pinto Mendes 1987-1988 – Fernanda Ribeiro 1989-1990 – Fernanda Ribeiro 1991-1992 – Fernanda Ribeiro 1993-1994 – Fernanda Ribeiro 1995-1996 – Ana Maria Azevedo (1) 1997-1998 – Olívia Pestana (1) 1999-2000 – Fernanda Ribeiro 2001-2002 – Fernanda Ribeiro Informática Documental I (anual) 1985-1986 – Ernesto Figueiredo + João Leite 1987-1988 – João Leite + Domingos Magalhães 1989-1990 – João Leite 1991-1992 – João Leite 1993-1994 – João Leite 1995-1996 – João Leite 1997-1998 – João Leite
41 1999-2000 – João Leite + Vítor Pereira 2001-2002 – João Leite + Vítor Pereira Instituições e Documentos (1º semestre) 1985-1986 – José Amadeu Coelho Dias 1987-1988 – José Amadeu Coelho Dias 1989-1990 – José Amadeu Coelho Dias 1991-1992 – José Amadeu Coelho Dias 1993-1994 – José Amadeu Coelho Dias 1995-1996 – José Amadeu Coelho Dias 1997-1998 – José Amadeu Coelho Dias 1999-2000 – José Amadeu Coelho Dias 2001-2002 – José Amadeu Coelho Dias Metodologia da Investigação em Bibliotecas e Arquivo (2º semestre) 1985-1986 – Luís Adão da Fonseca 1987-1988 – João Leite 1989-1990 – João Leite 1991-1992 – Isabel Pereira Leite 1993-1994 – Isabel Pereira Leite 1995-1996 – Isabel Pereira Leite 1997-1998 – Isabel Pereira Leite 1999-2000 – Fernanda Ribeiro 2001-2002 – Fernanda Ribeiro Organização, Planeamento e Administração I (anual) 1985-1986 – Maria do Rosário Pericão 1987-1988 – João Leite + Maria Elisa Cerveira 1989-1990 – Maria Elisa Cerveira 1991-1992 – Maria Elisa Cerveira 1993-1994 – Maria Elisa Cerveira 1995-1996 – Maria Elisa Cerveira 1997-1998 – Maria Elisa Cerveira 1999-2000 – Maria Elisa Cerveira 2001-2002 – Maria Elisa Cerveira Sociologia da Informação (1º semestre) 1985-1986 – José Madureira Pinto + António Teixeira Fernandes 1987-1988 – António Teixeira Fernandes + José Manuel Motta de Sousa 1989-1990 – António Teixeira Fernandes + Dulce Magalhães 1991-1992 – Cristina Parente + Paula Maria Guerra Tavares 1993-1994 – Paula Maria Guerra Tavares + Maria Luísa Veloso 1995-1996 – Paula Maria Guerra Tavares + Ana Maria Azevedo 1997-1998 – Paula Maria Guerra Tavares 1999-2000 – Natália Azevedo 2001-2002 – Paula Maria Guerra Tavares
48 1994-1995 – Henrique Barreto Nunes 1996-1997 – Henrique Barreto Nunes 1998-1999 – Henrique Barreto Nunes 2000-2001 – Henrique Barreto Nunes 2002-2003 – Henrique Barreto Nunes Técnicas de Formação de Utilizadores 1986-1987 – Armindo Cardoso (1) Docentes em substituição de Fernanda Ribeiro, que usufruía de dispensa para doutoramento. (2) Disciplina do Curso de Licenciatura em História. (3) Disciplina oferecida como opção, mas que não funcionou por falta de alunos. (4) Disciplina do Curso de Licenciatura em Línguas e Literaturas Modernas. (5) Funcionou como opção para os alunos de “Documentação e Biblioteca”. (6) Funcionou como opção para os alunos de “Arquivo”. (7) Esta disciplina, embora tenha sido sempre oferecida como opção, raramente funcionou, por falta de alunos.