Componentes da Implementação de Estratégia de CRM - Análise da Implementação de CRM nas PME Excelência 2013 Portuguesas.
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COMPONENTES DA IMPLEMENTAÇÃO DE ESTRATÉGIA DE CRM - ANÁLISE DA IMPLEMENTAÇÃO DE CRM NAS PME EXCELÊNCIA 2013 PORTUGUESAS por Vítor Emanuel Oliveira Rio Dissertação de Mestrado em Gestão Comercial Orientada por Professor Vasco José de Castro Viana 2014
ii “Por vezes sentimos que aquilo que fazemos não é senão uma gota de água no mar. Mas o mar seria menor se lhe faltasse uma gota.” Madre Teresa de Calcutá
iii Nota Biográfica Vítor Emanuel Oliveira Rio nasceu a 12 de julho de 1984, na cidade do Porto. Em 2002 ingressou no ensino superior pela Universidade Portucalense Infante D. Henrique, tendo concluído a Licenciatura de Gestão de Empresas no ano de 2007. Em 2012 resolveu voltar aos estudos, adquirir novos conhecimentos, partilhar experiências profissionais e conhecer novas pessoas onde foi admitido no Mestrado de Gestão Comercial lecionado pela Faculdade de Economia da Universidade do Porto, tendo concluído a fase curricular no início de 2014 e do qual faz parte a presente dissertação. Desde cedo demonstrou espirito empreendedor, tendo em 2006 iniciado a sua atividade empresarial, como empresário em nome individual. No entanto, por força da conjuntura económica e pela oportunidade que surgiu em 2008 deixou a sua atividade empresarial para aceitar um novo desafio. Desde então, e até à data, é colaborador da Caixa Económica Montepio Geral.
iv Agradecimentos Este espaço é dedicado àqueles que de uma forma direta ou indireta contribuíram para que a presente dissertação fosse realizada. A todos eles deixo o meu profundo e sentido agradecimento. Ao Professor Vasco Viana, meu orientador, por todo o seu apoio, paciência, disponibilidade e coordenação para ultrapassar os obstáculos que foram surgindo durante esta longa jornada. A todas as empresas contactadas que se disponibilizaram para responder ao questionário submetido. Agradeço também ao meu núcleo familiar, amigos, colegas de mestrado e colegas de trabalho pela colaboração, motivação, disponibilidade e partilha de conhecimentos. Gostaria ainda de deixar uma nota especial de apreço a todos os meus amigos da Blues broThers Team que sempre me apoiaram, compreenderam e não se esqueceram da minha existência, durante o meu período de cativeiro. Por fim, agradeço incondicionalmente aos meus pais, Francisco e Fátima, e aos meus irmãos, Cristiano e Hélder, por estarem sempre presentes, nunca me deixarem desistir, tolerarem todos os meus momentos de mau humor e mesmo assim estarem sempre do meu lado, disponíveis para partilhar um carinho. A todos Muito Obrigado!
v Resumo A crescente competitividade dos mercados atuais é uma das principais preocupações das empresas. Para que estas possam sobreviver terão de adotar alguma estratégia que as ajude a evidenciar das restantes. Algo que as diferencie não só pelo preço, pelas características do produto ou pelo serviço prestado. Neste sentido, uma das fortes apostas verificadas pelas atuais empresas tem recaído pela sua diferenciação e identificação junto dos clientes através de uma aproximação e criação de relacionamento com os clientes. O marketing relacional apresenta-se como um paradigma centrado na construção de relações estáveis e duradouras com os seus clientes. Neste contexto surge então o Customer Relationship Management (CRM), como veículo para apoiar na resolução destas questões. A proposta de estudo apresentada consiste na identificação e análise do processo de implementação de uma estratégia de CRM nas pequenas e médias empresas (PME) Portuguesas, que foram condecoradas com o prémio de PME Excelência no ano de 2013. O principal objetivo será identificar se a estratégia de CRM adotada por estas empresas abrange todos os seus componentes identificados por vários profissionais de marketing e diversos investigadores como os componentes necessários para a obtenção de uma adequada implementação de estratégia de CRM. Para obter a informação necessária ao estudo apresentado recorremos à elaboração de um questionário que foi distribuído pelas PME Excelência de 2013, via e-mail e, este foi suportado pela plataforma “qualtrics.com”. O estudo foi realizado com base nas PME Excelência de 2013, uma vez que estas tiveram de cumprir com requisitos definidos pelas entidades competentes e, desta forma, as podemos considerar empresas que obtiveram sucesso no desenvolvimento da sua atividade no decorrer do ano de 2013. Palavras-chave: Marketing Relacional, CRM, Cliente, Organização, Fidelização, PME.
vi Abstract The increasing competitiveness of today's market is a major concern for the companies. So that, they can survive will have to adopt a strategy that helps to evidence the others. Something that sets them apart not only by price by the characteristics of the product or service. In this sense, one of the strongest investments verified by current companies has fallen by their differentiation and identification with customers through an approach and creates customer relationships. The relationship marketing presents as a paradigm focusing on the construction of stable and lasting relationships with their customers. In this context then there is the CRM, as a vehicle for supporting in addressing these issues. The proposal for study presented consists in the identification and analysis of the process of implementing a CRM strategy in small and medium enterprises (SME) Portuguese, who have been awarded the prize for SME Excellence in 2013. The main objective will be to identify the CRM strategy adopted by these companies covers all components identified by many marketers and many researchers as necessary to obtain proper implementation of CRM strategy components. To obtain the necessary information to the study presented resorted to drawing up a questionnaire that was distributed by SME Excellence 2013, via email, and this was supported by the platform "qualtrics.com". The study was carried based on the SME Excellence 2013, since they had to comply with requirements set by competent authorities and thus we can consider the companies which have succeeded in the development of its activities during the year 2013. Keywords: Relationship Marketing, CRM, Customer, Organization, Loyalty, SMEs.
vii Índice de Conteúdos Nota Biográfica .............................................................................................................. iii Agradecimentos .............................................................................................................. iv Resumo ............................................................................................................................. v Abstract ........................................................................................................................... vi Índice de Conteúdos ...................................................................................................... vii Índice de Tabelas ............................................................................................................ x Índice de Figuras ............................................................................................................ xi 1. Introdução ................................................................................................................ 1 2. Enquadramento da investigação ............................................................................ 4 2.1. Introdução .......................................................................................................... 4 2.2. Origem do CRM ................................................................................................. 5 2.3. Marketing relacional .......................................................................................... 7 2.4. Definição de CRM ............................................................................................. 9 2.5. Componentes do CRM ..................................................................................... 11 2.5.1. Visão de CRM ..................................................................................................... 12 2.5.2. Estratégia de CRM .............................................................................................. 13 2.5.3. CRM organizacional ........................................................................................... 13 2.5.4. Valorização da experiência do cliente ................................................................. 14 2.5.5. Processos de CRM .............................................................................................. 15 2.5.6. Informação de CRM ............................................................................................ 16 2.5.7. Tecnologia de CRM ............................................................................................ 16 2.5.8. Métricas de CRM ................................................................................................ 17 2.6. Necessidade da implementação de CRM ......................................................... 19
viii 2.7. Benefícios da implementação de CRM ............................................................ 20 2.8. Tipos de tecnologia de CRM............................................................................ 21 2.8.1. CRM operacional ................................................................................................ 21 2.8.2. CRM analítico ..................................................................................................... 22 2.8.3. CRM colaborativo ............................................................................................... 22 2.9. Importância do cliente ...................................................................................... 23 2.10. Gestão do ciclo de vida do cliente.................................................................... 24 3. Metodologia ............................................................................................................ 27 3.1. Introdução ........................................................................................................ 27 3.2. Definição do universo, processo e tamanho da amostra .................................. 27 3.3. Escolha do método de recolha de dados .......................................................... 28 3.4. Recolha e análise de dados ............................................................................... 30 4. Resultados do estudo exploratório ....................................................................... 32 4.1. Introdução ........................................................................................................ 32 4.2. Questionário ..................................................................................................... 33 5. Análise estatística dos dados recolhidos .............................................................. 34 5.1. Introdução ........................................................................................................ 34 5.2. Caraterização da Amostra ................................................................................ 34 5.3. Caraterização da implementação de CRM ....................................................... 40 5.3.1. Componente visão de CRM ................................................................................ 40 5.3.2. Componente estratégia de CRM ......................................................................... 42 5.3.3. Componente valorização da experiência do cliente ............................................ 43 5.3.4. Componente CRM organizacional ...................................................................... 45 5.3.5. Componente processos de CRM ......................................................................... 46 5.3.6. Componente informação de CRM....................................................................... 48 5.3.7. Componente tecnologia de CRM ........................................................................ 50
ix 5.3.8. Componente métricas de CRM ........................................................................... 51 6. Discussão dos resultados e principais conclusões ............................................... 53 6.1. Introdução ........................................................................................................ 53 6.2. Principais conclusões de investigação ............................................................. 53 6.3. Contributos alcançados com a investigação ..................................................... 57 6.4. Limitações da investigação .............................................................................. 58 6.5. Perspetivas de investigações futuras ................................................................ 59 6.6. Conclusões finais ............................................................................................. 59 7. Apêndices ................................................................................................................ 61 7.1. Questionário ..................................................................................................... 61 7.2. E-mail ............................................................................................................... 71 7.3. Relatório – “qualtrics.com” .............................................................................. 72 8. Referências Bibliográficas .................................................................................... 79
5 2.2. Origem do CRM O termo CRM surge em meados da década de 1990, através da comunidade de fornecedores de tecnologia de informação e no próprio seio dos comerciais (Payne, A. e Frow, P., 2005). Light (2001) defende que o conceito de CRM evoluiu a partir de processos de negócios, como marketing de relacionamento, e da maior ênfase na melhoria da retenção de clientes através da gestão efetiva do relacionamento com os clientes. Bull (2003) demonstrou que o CRM é uma combinação complexa dos aspetos relacionados com os negócios das empresas e dos meios tecnológicos disponíveis. Uma definição mais ampla de CRM considera todo um processo completo de adquirir, manter e desenvolver relações com os consumidores (Strauss e Frost, 2011). Sheth e Parvatiyar (2000) definem CRM como uma filosofia, uma estratégia global do processo de aquisição, fidelização e retenção de clientes. Este processo desenvolve-se em parceria com os stakeholders 5 de forma a acrescentar valor para a empresa e para o consumidor. Assim, podem-se identificar dois principais pontos de vista sobre as origens do CRM: um que se refere às atividades relacionadas com a utilização de informações relacionadas com os clientes ou a obtenção de informações essenciais para que a empresa esteja munida de soluções relevantes para oferecer aos seus clientes (Levine, 2000) e outro que enfatiza que o CRM é unicamente orientado para as tecnologias de informação, através de aplicações e sistemas informáticos (Sandoe et al., 2001). Perante esta dualidade de conceitos, as empresas começaram a entender a importância em montar estratégias que permitissem realizar uma análise global do cliente e com recurso às tecnologias de informação serem capazes de apresentar soluções para os seus clientes uma forma rápida e personalizada (Battista e Verhun, 2000). As estratégias indicadas devem ser apoiadas em componentes a quando a sua implementação. Neste sentido, foram oito os principais componentes de CRM identificados e estudados por Peelen (2009), que considera que uma empresa deve 5 Stakeholders são todos os elementos essenciais ao planeamento estratégico de um negócio, como por exemplo, acionistas, investidores, colaboradores, fornecedores, consumidores.
6 adotar na implementação de uma estratégia de CRM. Os mesmos serão analisados detalhadamente no capítulo 2.4. desta pesquisa, a saber: Visão, Estratégia, Organização, Valorização da Experiência do Cliente, Processos, Informação, Tecnologia e Métricas (Peelen et al., 2009). Em suma, CRM não é apenas uma solução de tecnologia de informação que é usada para adquirir e desenvolver relações com os clientes. CRM envolve também uma profunda visão estratégica, um entendimento organizacional com o objetivo de gerar valor para o cliente e consiste na utilização da informação apropriada pelas ferramentas de gestão (Adrian Payne e Pennie Frow, 2005). Desta forma podemos concluir que existe um continuum de CRM, conforme se pode verificar pela figura 1. Figura 1 – Continuum de CRM. Fonte: Journal of Marketing Vol. 69 (Outubro 2005), pp. 167–176 Mediante o tipo de atividade exercida pela organização, as soluções oferecidas aos seus clientes, a dimensão da organização e até mesmo a concorrência enfrentada no mercado onde se encontra inserida, a implementação de CRM pode ser estritamente definida de uma forma tática ou pode ser amplamente definida de uma forma estratégica. Assim, podem-se identificar diferentes estágios de implementação do CRM. Num estágio, a implementação de CRM poderá passar pela adoção de uma solução tecnológica especifica. Um outro estágio consiste na implementação de uma série integrada de soluções tecnológicas voltadas para o cliente. Ou ainda um terceiro, e consideremos este o ideal, quando a implementação de CRM apresenta uma abordagem generalista para
7 gerir as relações com os clientes e consequente criação de valor para o cliente e para a organização. A estratégia de CRM não terá obrigatoriamente de ser fixada em algum dos estágios apresentados. Esta poderá evoluir ou ser ajustada a cada um deles. O objetivo será de criar relacionamentos mutuamente rentáveis e de longa duração. Como já indicado, sendo CRM um conceito que evoluiu, entre outros, do marketing relacional, antes de apresentar uma definição concreta do CRM vai ser apresentada uma exposição do que o marketing relacional. 2.3. Marketing relacional O marketing relacional é essencial para o desenvolvimento das empresas nos mercados. Esta prática poderá ser aplicada tanto para a aceitação de novos produtos e serviços no mercado como para a obtenção da fidelização do cliente. A criação de relações sólidas e duradouras com os clientes não é tarefa fácil, mas são vários os autores que defendem que, num mundo em que o cliente tem imensas opções, mesmo em segmentos limitados, a relação pessoal é a única forma de manter a fidelidade do cliente. Para Gordon (1998) o marketing de relacionamento é um processo contínuo de identificação e criação de novos valores com os clientes. Isso envolve compreensão, concentração e gestão de uma contínua colaboração entre a organização e o cliente, de forma a alinhar os benéficos do cliente durante todo o seu ciclo de vida e as orientações da organização. O ciclo de vida do cliente poderá ser identificado na dinâmica das relações entre o cliente-empresa. Os recursos utilizados e as interações com o cliente irão variar de cliente para cliente, conforme o relacionamento cliente/empresa esteja numa fase de estabelecimento, manutenção, desenvolvimento ou mesmo de finalização. O dito ciclo de vida do cliente é composto por três momentos principais: o contacto inicial, onde ao potencial cliente, desconhecedor da oferta da organização, é despertado um interesse; o momento da compra, quando o potencial cliente sente uma necessidade que pode ser
8 satisfeita pela empresa; e o momento do consumo ou utilização, onde o cliente tem a oportunidade de observar a habilidade da organização apresentar soluções para as suas necessidades com qualidade percebida aceitável (Gummesson, 1979). No capítulo 2.11. haverá oportunidade para será apresentada a abordagem da gestão do ciclo de vida do cliente. O marketing relacional é capaz de reconhecer o papel fundamental que os clientes têm, não apenas como meros compradores ou destinatários dos produtos e serviços comercializados, mas também na definição de valor que desejam. Anteriormente esperava-se que as empresas identificassem e fornecessem esse valor a partir do que consideravam como produto ou serviço. Com o aparecimento do marketing relacional entende-se que o cliente ajuda a empresa a fornecer o produto ou serviço que o cliente mais valoriza. Assim, a criação de valor para os clientes é realizada com eles e não por eles. No entanto, o marketing relacional exige que a empresa, como consequência da sua estratégia de foco no cliente, planeie, alinhe os seus processos, altere políticas de comunicação, analise a tecnologia adotada e forme o seu pessoal de maneira a descobrir o valor que o cliente pretende. Desta forma, poder-se-á afirmar que o marketing relacional é um processo ininterrupto de aprendizagem, pelo qual a empresa adquire continuamente conhecimentos por meio das interações com o cliente e o mercado, de modo a adaptar-se e poder reagir de forma competitiva (Bogmann, 2000). Segundo Kotler e Armstrong (2012) pode-se distinguir cinco níveis diferentes de interações com os clientes, independentemente da natureza dos produtos comercializados ou serviços prestados, são os seguintes: Básico – a empresa vende o produto, ou presta o serviço, mas não realiza qualquer acompanhamento posterior; Reativo – a empresa vende o produto, ou presta o serviço, e incentiva os clientes a contactarem-na sempre que tiverem algum problema ou dúvida; Confiável – a empresa entra em contacto com o cliente após a venda do produto, ou prestação do serviço, para verificar se o produto satisfez as suas expectativas
9 ou se houve algum descontentamento. Pede também sugestões de melhoramento do produto, ou serviço, para ajudar a empresa a aperfeiçoar continuamente as suas ofertas; Pró-ativo – a empresa, periodicamente, entra em contacto com o cliente, apresentando sugestões para usar nas melhores condições o produto, ou serviço, ou para apresentar novas ofertas; Parceria – a empresa acompanha continuamente o cliente de forma a identificar meios de acrescentar melhor valor ao cliente. Após a apresentação e definição do marketing relacional, estamos em condições de avançar para a análise do conceito CRM, sendo este um conceito da gestão de relacionamento com os clientes. 2.4. Definição de CRM Se para alguns investigadores o CRM é o termo utilizado para descrever um conjunto de aplicações de tecnologia que automatizam os processos voltados para a satisfação do cliente através de estratégias de marketing, vendas e prestação de serviços (Payne, 2003), para outros trata-se da intenção da organização ser mais focada no cliente, colocando-o como o centro de todas as coisas (Lee, 2000). Ainda existem outros que associam o CRM à captura, análise e exploração dos dados relacionados com os clientes (Iriana e Buttle, 2007). Para Greenberg (2001) CRM é uma estratégia que reúne as mais avançadas tecnologias para a empresa se adaptar mais rápido às diversidades vividas nos dias de hoje. De certa forma CRM é uma estratégia de negócio que permite conhecer, descobrir, selecionar e gerir clientes e otimizar o seu valor a longo prazo. CRM exige uma filosofia de negócio centrada no cliente e uma cultura organizacional para apoiar processos de marketing, vendas e prestações de serviços. As tecnologias de informação de CRM podem propiciar a gestão eficaz do relacionamento com o cliente, desde que a organização tenha os restantes componentes de CRM bem definidos e compatíveis entre eles (Greenberg, 2001).
10 CRM pode ser definido como uma estratégia que tem como objetivo conhecer e satisfazer os clientes sendo, desta forma, classificados pelo seu potencial e rentabilidade esperada em circunstâncias de estabelecer uma relação duradoura de médio e longo prazo. A possibilidade da empresa apresentar uma pluralidade de canais de contacto (balcões de atendimento, webmail, webmaketing, call center, entre outros) aos clientes valorizará a estratégia, pois estará disponível para contactar, ou ser contactado, pela empresa utilizando o canal que lhe for mais favorável. Desta forma, a organização poderá incrementar o retorno esperado das vendas e consequente rentabilidade da organização. Kincaid (2003) define CRM como o uso estratégico da informação, processos, tecnologia e pessoas para gerir o relacionamento do cliente com a sua empresa (marketing, vendas, serviços e suporte) em todo o ciclo de vida do cliente. Assim que tentamos identificar e analisar as definições existentes para o conceito de CRM, tendo por base as empresas que comercializam tecnologias de informação de CRM, podemos concluir que existem tantas definições de CRM quantas forem as empresas que comercializam soluções que permitam essa aproximação com o cliente. Não existindo uma definição que seja consensual entre todos os investigadores, para o estudo apresentado vamos assumir que CRM é uma abordagem estratégica que se preocupa com a criação de valor para o cliente por meio do desenvolvimento de relações. Une o potencial das estratégias de marketing de relacionamento e das tecnologias de informação para criar relacionamentos rentáveis de longo prazo com os clientes. CRM oferece a oportunidade de extrair informação importante para entender os seus clientes e desta forma ser capaz de valorizá-los, sendo necessário uma integração interfuncional de processos, pessoas, operações e recursos que é impulsionado através de informação e tecnologia. Assim, pelas definições apresentadas e comparando o conceito de CRM com o marketing relacional pode-se verificar que o CRM é mais evoluído do que o marketing relacional. CRM é o compromisso da empresa em colocar a valorização da experiência do cliente no centro de suas prioridades e em garantir que sistemas de incentivo, processos e fontes de informação alavanquem o relacionamento conquistado pelo
11 marketing de relacionamento por meio da melhoria da experiência, conquistando a confiança e um senso de valor pessoal por parte dos clientes. Entendido o conceito abrangente que CRM pode assumir, dependendo da dimensão da organização, vamos então passar a analisar quais os principais componentes associados a uma implementação de CRM de sucesso, defendida e combinada com vários autores. 2.5. Componentes do CRM Como já verificado e identificado anteriormente, CRM é um conceito muito amplo. Desta forma e com base no estudo elaborado por Peelen et al. (2009) foi possível identificar os principais componentes associados a uma estratégia de CRM, nos quais se incluem, visão, estratégia, valorização da experiencia do cliente, colaboração organizacional, processos, informação, tecnologia e métricas. Peelen et al. (2009) definiram oito componentes de CRM conforme os indicados na figura (Figura 2). Figura 2 - Componentes de CRM. Fonte: Journal of Strategic Marketing Vol. 17, No. 6, (Dezembro 2009), pp. 453–471 Pelo esquema apresentado pelos autores, é possível identificar-se cada um dos componentes que consideram como a base do sucesso para uma implementação de CRM e é ainda possível identificar a relação existentes entre cada um dos componentes.
12 Para a elaboração da presente dissertação foram escolhidos os componentes que compõem o estudo dos autores identificados (Peelen et al., 2009), pelo motivo de apresentarem um framework que considero coeso, versátil, recente e adequado à realidade das empresas em análise. Além disso, o estudo elaborado pelos autores indicados baseia-se em diversas publicações e práticas utilizadas. Os componentes apresentados e defendidos, são transversais a todo o continuum de CRM, valorizam tanto a relação centrada no cliente como a importância das tecnologias de informação, além de constituírem um framework capaz de se moldar à dimensão ou tipologia de qualquer organização. Analisemos então, cada um destes componentes. 2.5.1. Visão de CRM A visão de CRM é o conceito de visão a 360º do cliente, sendo um dos componentes da estratégia de CRM para atingir os objetivos comerciais, a rentabilidade e fidelizar os clientes. Porém, a visão do cliente a 360º exige mudanças na forma como a empresa aborda o seu negócio, os seus clientes e os seus colaboradores. A organização como um todo precisa de articular ou rever a sua visão, relacionando-a com o CRM. Assim, a visão concentra-se nas metas que a organização terá definido e que se pretende que se traduzam em padrões adequados de comportamento de todos os funcionários. Define-se visão de CRM como um compromisso transversal a todos os colaboradores da empresa de foco no cliente como um caminho para o sucesso do negócio. É perante este componente que se conhecem e definem os diferentes segmentos de clientes e se idêntica as suas necessidades. Afinal será pela visão que se define o que a organização achar que é o valor para os clientes, em face das informações recolhidas. Glazer (1997) salienta também a importância da visão de CRM no alinhamento da tecnologia da informação e estratégia de marketing. A visão de CRM é fundamental para a sua tradução e comunicação em toda a organização, pois afeta de forma significativa a forma como a organização aceita e pratica CRM. Basicamente é definida como a primeira componente de CRM, uma vez que determina o alcance e direção do
13 CRM dentro da organização e, por conseguinte, afeta o desenvolvimento dos restantes componentes. 2.5.2. Estratégia de CRM A estratégia de CRM descreve a forma como a organização quer atingir a sua visão. Esta é a componente que define quais os meios a utilizar para que seja possível criar valor aos seus clientes. Sem esta estratégia a visão permanecerá sem o devido impacto sobre os outros componentes. O objetivo da organização é otimizar o valor dos clientes, fidelizar os clientes e através dessa forma otimizar a rentabilidade da empresa. Fá-lo, posicionando os clientes no centro das suas atividades, sendo este o meio que permite à empresa conhecer e identificar os seus clientes. Mais, a estratégia de CRM está atenta às necessidades do cliente para conseguir apresentar soluções que otimizem o valor da experiência do cliente. A estratégia transmite orientações para todas as partes da organização trabalhar em conjunto para alcançar resultados finais que equilibrem as receitas ou lucros da empresa e a satisfação e fidelização dos clientes. A função mais importante da estratégia é traçar o caminho de uma organização, desde o ponto de partida, para a realização de sua visão de CRM. 2.5.3. CRM organizacional A adoção da estratégia de CRM tem as suas implicações para o modelo organizacional. A estratégia da empresa tem de ser construída em torno do cliente e exige um papel de liderança para a gestão de cliente, ao contrário, por exemplo, da gestão da marca ou do produto. O sucesso da gestão de clientes será avaliado com base nos resultados e apreciações dos clientes, tais como a satisfação, fidelização e pelo aumento da rentabilidade do cliente para a organização. A reciprocidade é uma característica chave do CRM. Ela envolve a criação de empatia para o cliente e a habilidade para iniciar a interação com os clientes. Um sistema de recolha contínuo de informações do cliente vai ajudar a organização a aprender com eles e a responder às suas necessidades de forma pró-ativa. Para isso, será esperado que
14 todos os intervenientes da organização participem na partilha e interpretação da informação disponibilizada pelos clientes. O alinhamento da estrutura organizacional com o CRM confere uma fase determinante porque de nada adianta a empresa selecionar e aplicar um software acreditando ser a melhor solução para obter os melhores resultados se internamente ela não estiver preparada para eliminar as suas deficiências e limitações, que se constituem um entrave para o bom desempenho do CRM. É necessário conhecer o negócio analisando as operações, interações e influências do ambiente que afetam essas operações de forma a adequar as pessoas aos processos que garantem o êxito da iniciativa. 2.5.4. Valorização da experiência do cliente CRM deve resultar numa valorização da experiência com o cliente. Adrian Payne e Pennie Frow (2005) afirmam que o processo de criação de valor permite a implementação da estratégia de CRM. Nesta componente se introduz o conceito de proposta de valor que vai de encontro com as necessidades dos clientes identificadas na visão. Perante uma estratégia de CRM, o âmbito da organização já não se limita apenas à realização da transação. Torna-se mais abrangente e envolve o relacionamento com o cliente onde toda a experiência ao longo do ciclo de vida do cliente torna-se relevante. Os produtos, os serviços, a comunicação, o contexto e o preço devem igualar ou exceder as expectativas dos clientes. Deve apresentar um impacto positivo na sua fidelização, nos comportamentos de recomendação e no valor durante o ciclo de vida do cliente. Comunicar de forma eficaz e eficiente através de contatos presenciais, por telefone, internet ou outros meios de comunicação interativos permite à organização melhorar a sua acessibilidade aos clientes e a sua compreensão das suas necessidades e desejos. Os diferentes canais precisam ser integrados e geridos de forma a permitir um diálogo permanente entre o cliente e a organização.
21 numa única base de dados que esteja acessível a todos os intervenientes da organização, sem deixar esquecer que o cliente é o centro das atenções (Tohidi e Jabbari, 2012). As vantagens da utilização de estratégias de CRM resultam numa organização capaz de alcançar a satisfação do cliente e sobreviver em ambientes competitivos. Dessa forma, a organização é capaz de comunicar eficazmente com os milhares de clientes, na possibilidade de identificar o seu padrão de consumo e atraí-los de forma mais rápida e eficaz e numa melhor compreensão das suas necessidades, num crescimento de clientes fidelizados na organização ou até na capacidade de desenvolver planos de investimento estratégico pela criação de relações, mutuamente rentáveis e de longa duração (Peelen et al., 2009). 2.8. Tipos de tecnologia de CRM A tecnologia de informação, como já mencionada anteriormente, poderá ser considerada uma das componentes de sucesso na implementação de CRM, sendo muitas das vezes considerada por alguns dos autores como a única responsável pela sua implementação. No entanto, neste estudo consideramos as tecnologias de informação como um dos principais componentes, mas não exclusivo, à implementação de CRM. A tecnologia usada em CRM pode ser distinguida e dividida em três grandes categorias: CRM operacional, CRM analítico e CRM colaborativo. (Greenberg, 2001; Tohidi e Jabbari, 2012) Analisemos então cada uma dessas grandes categorias. 2.8.1. CRM operacional As atividades de CRM operacional consistem em todos os processos de comunicação com o cliente, desde a fase de comercialização até ao pós-venda e são assegurados por um único interveniente, mas é claro que todos os intervenientes da organização (desde a força de vendas até aos marketers) podem aceder à informação sem necessitar da intervenção dos restantes. É o uso primário do CRM e uma das suas facetas é a
22 integração eficaz com aplicações do tipo ERP 7 . A falha desta integração pode gerar o fracasso na implementação do CRM operacional. 2.8.2. CRM analítico Já o CRM analítico consiste nas iniciativas de CRM estratégico que contemplam as funções de análise do desempenho e da inteligência dos negócios. Neste caso, ferramentas e técnicas são utilizadas para analisar os dados obtidos a partir do CRM operacional e preparar o seu resultado para a gestão de desempenho comercial. É aqui que ocorre a captação, extração, armazenamento, processamento, interpretação e apresentação dos dados dos clientes. Com o CRM analítico é possível identificar os clientes e determinar de que forma cada um deve ser tratado. 2.8.3. CRM colaborativo Pelo CRM colaborativo toda a interação com o cliente é realizada através de contacto presencial (sucursais, escritórios de representação, balcões de atendimento, centros de informação, pós-venda, entre outros), contactos telefónicos, webpage, e-mail, gestão de reclamações, fax e cartas - a forma que for mais fácil e acessível para o cliente. Basicamente abrange todas as funções de CRM que provêm pontos de interação entre o cliente e o canal de comunicação. Desta forma, o CRM colaborativo fará com que o cliente facilmente volte a contactar e mantenha a associação à organização para futura satisfação de necessidades. As atividades do CRM operacional e do CRM colaborativo são guiadas pelas decisões tomadas no CRM analítico, mas para isso é necessário que todos os colaboradores da organização tenham uma visão única do cliente com dados consistentes. Sem esta visão e organização corre-se o risco de estar a oferecer ao cliente, ou potencial cliente, um produto ou serviço que já possui ou que nem sequer valoriza. O que se pretende é 7 Enterprise Resource Planning – sistema integrado de gestão empresarial, que corresponde a um sistema de informação que integra todos os dados e processos de uma organização num único sistema.
23 exatamente o oposto, ou seja, oferecer novos produtos e serviços de acordo com o seu perfil. Os dados devem ser armazenados e as informações recolhidas devem ser facilmente acedidas. O CRM analítico utiliza as informações recolhidas pelo CRM operacional, através de um data warehouse, de forma a permitir analisar as atividades dos clientes, os produtos ou serviços detidos e os seus dados pessoais. Possibilita a análise de correlações e tendências, verificando informações sobre o comportamento do cliente, classificando e segmentando de acordo com a sua utilização, frequência, perfil, entre outros indicadores e, desta forma, o potenciar na gestão das campanhas realizadas pela organização. Uma barreira na obtenção da informação dos clientes prende-se pela conciliação entre o conhecimento formal e o conhecimento tácito. É frequente, existir relutância, por parte dos colaboradores da empresa, em partilhar informação importante sobre os clientes. Embora os estudos indiquem que as tecnologias de CRM ajudam a aumentar a performance individual, existem funcionários renitentes em adotar esta estratégia. Nestes casos nem os gestores de topo nem os seus subordinados se empenham ativamente na estratégia de CRM e muito possivelmente este projeto falha. Com toda esta interligação e transmissão de informação, será então possível identificar o potencial de cada cliente, os que são mais rentáveis e devem ser mantidos e tratados de forma diferenciada, os que podem e devem ser desenvolvidos e os que devem ser reanalisados ou até mesmo descontinuados. 2.9. Importância do cliente Quando abordado o tema CRM, fica-se entusiasmado com os benefícios que tal estratégia pode significar para as organizações. Porém sabemos também que diversas vezes CRM é confundido com sistemas de informação e software, com automação comercial, com call centers, que são meras ferramentas de CRM e não CRM por si só. (Tohidi e Jabbari, 2012)
24 Além da confusão que muitas vezes acontece nas próprias definições e ferramentas para a implementação da estratégia de CRM, percebemos que uma grande parte dos autores que se debruçam sobre a matéria de CRM dá grande importância à implementação do CRM, às suas ferramentas, e esquecem-se da matéria-prima principal que é a razão de ser o CRM: os clientes. (Yean e Khoo, 2010) Se todos os colaboradores da organização, como por exemplo, os profissionais de marketing, os gestores de topo ou até mesmo a força de vendas, não pensarem nos seus clientes a quando a implementação do CRM e preocuparem-se apenas com o software ou as automações comerciais, obviamente que todo o esforço de implementação das diversas ferramentas de CRM será em vão e levará ao fracasso. Uma vez mais o continuum de CRM se encontra presente para identificar a importância, neste caso, dos clientes para a organização. Ao ser adotada uma estratégia definida de uma forma ampla e estratégica, colocando o cliente no centro das suas preocupações, a organização estará assumir a perspetiva que melhor se enquadra numa implementação de estratégia de CRM. Desta forma a organização estará habilitada a conhecer, descobrir, selecionar e gerir clientes e otimizar o seu valor a longo prazo. Esta relação de otimização de médio e longo prazo será favorável tanto para o cliente, por acrescentar valor pela correspondência das suas necessidades e consequente fidelização, como para a própria organização, por se conseguir valorizar e criar valor para os seus acionistas ou investidores. Desta forma e por se identificar a importância que deve ser deposita no cliente, este estudo realiza uma breve consideração sobre a gestão do ciclo de vida do cliente (CLM – Customer Lifecycle Management), na implementação de CRM, bem como na sua utilização eficaz no dia-a-dia das organizações. 2.10. Gestão do ciclo de vida do cliente A gestão do ciclo de vida do cliente (Customer Lifecycle Management – CLM) está muitas vezes associada ao CRM, sendo que ambos têm uma característica muito forte em comum: o cliente. Avalia o que um cliente representa para a organização tendo em consideração tanto o histórico do cliente como a previsão de transações e
25 acontecimentos futuros. CLM é muitas das vezes utilizada para apoiar na definição das estratégias de marketing e nos processos de tomada de decisão na medida em que se tenta identificar quanto a organização deve ou pode investir para produzir um maior retorno no seu investimento. O conceito da gestão do ciclo de vida do cliente é fundamentado em 5 fases essenciais (Yean e Khoo, 2010): 1) Segmentação de clientes: pese embora algumas das organizações comercializem produtos e serviços limitados e bastantes específicos, elas possuem clientes com diversos padrões de consumo. Para tal torna-se necessária a identificação de tais padrões pela segmentação, pois cada padrão de consumo ou comportamento possui o seu próprio “ritmo” no ciclo de vida, que merecerá especial atenção por parte dos marketers. 2) Aquisição de clientes: é identificado como o comércio tradicional, onde profissionais de vendas procuram clientes para os produtos e serviços das empresas. A contribuição da segmentação para este caso traduz-se na possibilidade de atrair clientes com os padrões de consumo da empresa, bem como trabalhar os argumentos de vendas de forma mais eficaz. 3) Rentabilização de clientes: após a devida conquista dos clientes, eis que chega o momento em que, de forma pró-ativa, os colaboradores da empresa expandem o relacionamento com os clientes e, de acordo com o consumo percebido pelas análises realizadas, propõem ofertas de up-selling 8 e cross-selling para, em cada segmento identificado, aumentar o consumo ou posse de produtos e serviços e, como consequência, a sua rentabilidade. 4) Retenção de clientes: os esforços aplicados na retenção de clientes devem ter igual ou maior relevância do que os aplicados na sua conquista. É já mais do que sabido pelos profissionais de marketing que reter um cliente é muito mais barato do que conquistar um novo cliente. Os clientes identificados nos diversos segmentos emitem alertas às organizações como sinal de que devem ser retidos. Muito importante é o trabalho de todos os colaboradores ao serem capazes de identificar esses alertas e conseguir atuar no sentido de os reter. Alguns 8 Up-selling consiste numa técnica de vendas na qual um vendedor tenta encaminhar o cliente a comprar bens mais caros, superiores, extras e outras opções de forma a produzir uma venda mais rentável.
26 comportamentos como a diminuição de consumo e o aumento de reclamações são alguns dos indícios da necessidade de retenção. 5) Recuperação de clientes: existe uma realidade que para a organização é, maioritariamente, encarada como um fracasso mas que não tem necessariamente de ser encarada dessa forma. O fracasso é a perda de clientes, esse sim, inevitável. Sabe-se que existem bons e maus clientes. Neste caso, a organização deve-se então concentrar e identificar os bons clientes perdidos e tentar recuperá-los. Para isso, será importante entender o que levou o cliente a abandonar a empresa e depois apresentar novas soluções que acrescentem valor ao cliente para o recuperar. Nestas cinco fases tem que se ter em consideração o relacionamento, aproximação e consequente fidelização do cliente. Só assim a organização será capaz de extrair informação útil que ajude a alcançar esse estágio. Para se alcançar a fidelização dos clientes, estes devem ser entregues ou envolvidos na criação de uma experiência que por eles seja valorizada. Os processos devem ser organizados em torno do ciclo de vida do cliente e as informações dos clientes devem estar disponíveis em todos os pontos de contacto com o cliente (Peelen et al., 2009). Assim, as empresas estão em contacto com os clientes, conseguindo recolher informação útil e atualizada sobre as suas necessidades ou hábitos. A partilha de informação entre a empresa levará a que todos os seus intervenientes tenham o total conhecimento sobre o cliente e ainda se apresentam disponíveis por via dos vários canais de comunicação que o cliente privilegie ou demonstre mais interesse em manter a sua relação com a empresa.
27 3. Metodologia 3.1. Introdução Depois de previamente analisado o tema do CRM, desde a apresentação das suas maisvalias até à identificação de algumas das suas lacunas, este estudo pretende investigar se as PME Excelência 2013 de Portugal executam, ou não, estratégias de CRM e se estas se revelam como fator de sucesso do seu negócio. Investigadores de CRM defendem a necessidade do investimento contínuo nesta área, com o argumento de que esta estratégia tem, a longo prazo, um maior impacto nas receitas da empresa do que propriamente nos custos, fator que as empresas valorizam em períodos de desaceleração económica, como os vividos atualmente. 3.2. Definição do universo, processo e tamanho da amostra Importa definir claramente o universo da pesquisa, para permitir perceber quais são os elementos e cujas características serão investigadas. Os universos serão então as pequenas e médias empresas Portugueses, das diversas áreas de negócio e diversas localidades do País, que no ano de 2013 foram classificadas como PME Excelência 2013 de Portugal. O IAPMEI distinguiu no ano de 2013, um total de 1.103 empresas com o estatuto PME Excelência 2013, sendo esta a dimensão do universo de presente estudo. A escolha do universo desta pesquisa recaiu sobre as empresas indicadas uma vez que, segundo o IAPMEI (2014), estas foram as empresas que obtiveram os melhores desempenhos económico-financeiros e de gestão no exercício do ano de 2012, e que conseguiram manter-se competitivas num contexto económico exigente, com crescimento e consolidação de resultados. De seguida, foi necessário definir os critérios quanto à amostragem. Estas escolhas são cruciais e dependem diretamente das restrições materiais, da análise dos dados a priori disponíveis e dos objetivos a atingir com a investigação.
28 Por conseguinte, optou-se por uma amostragem aleatória simples, sendo esta uma amostragem probabilística que confere a um conjunto de n elementos a mesma probabilidade de ser selecionado para fazer parte da amostra. Assim sendo, a amostra obtida resultou de todas as empresas PME Excelência 2013 que responderam ao questionário, enviado previamente através de e-mail. Uma das questões mais importantes numa análise estatística é determinar qual o melhor tamanho da amostra que devemos obter. Como a amostra tem, obrigatoriamente, um tamanho inferior ao total do universo, vamos acabar por assumir um certo nível de erro nos dados observados. É possível fixar este erro, num nível máximo, ao qual estamos dispostos a aceitar realizar a pesquisa. 3.3. Escolha do método de recolha de dados Neste estudo a recolha de informação foi realizada com base numa amostra representativa, através de um questionário fechado, distribuído via e-mail, para resposta em website específico, onde aos colaboradores, em representação das empresas onde operam, foram colocadas questões que deveriam ser respondidas diretamente na plataforma “qualtrics.com”, através do link indicado no correspondente e-mail. Os questionários realizados por website específico, são uma das formas de recolher informação e em muitos casos até são mesmos preferíveis a outros métodos convencionais. Consegue-se perceber esse fenómeno quando o universo da pesquisa está familiarizado com estas tecnologias ou o próprio objeto de estudo está com elas relacionadas. Nos questionários elaborados através de uma plataforma alojada em website é possível aplicar questões de validação, construir uma infinidade de tipologia de questões, construir caixas e botões de verificação, entre outas, sendo desta forma mais produtivo construir um questionário com as devidas precauções para que todos os fatores cruciais sejam validados. Pelos motivos indicados, mas também por conveniência, os questionários foram distribuídos via e-mail, para conseguir abranger todas as PME Excelência, visto estarem
29 localizadas por todo o território continental e insular. Além disso, facilita um maior envolvimento dos entrevistados e afasta possíveis problemas com agendamento de reuniões, para se realizar o questionário de forma presencial. No entanto, este método é também conhecido por apresentar uma taxa de abandono bastante significativa, o que prejudica bastante a obtenção de dados. Numa fase inicial estaríamos dispostos a assumir os parâmetros de erro, nível de confiança e margem de erro, para os valores de 95% e 5%, respetivamente. No entanto, após realizada a revisão bibliográfica, foi possível identificar que, para estudos idênticos, onde os dados são recolhidos através de questionários realizados via e-mail, a taxa de resposta é em média de 10%, no máximo 15%, dependendo de vários fatores como, por exemplo, acompanhamento via contacto telefónico ou a identificação da empresa com a temática. Assim sendo considerando um cenário otimista em obter uma taxa de respostas de 15% num universo de 1.103 empresas, o número espectável de empresas a responder ao questionário seria de apenas 165 empresas. Infelizmente, segundo a fórmula de cálculo, que permite identificar o número recomendado da amostra para um nível de confiança de 95% e uma margem de erro de apenas 5%, a amostra espectável estaria significativamente abaixo da amostra recomendada, que para os parâmetros indicados se cifra em 286 empresas. Desta forma, foram estabelecidos parâmetros mais prudentes e próximos dos valores mínimos para que a análise seja estatisticamente relevante. Desta forma, os parâmetros determinados passam a ser de um nível de confiança de 95% e uma margem de erro de 10%, sendo que para estes parâmetros o tamanho da amostra recomendada é de 89 empresas, tendo em consideração o mesmo universo de 1.103 empresas. O questionário determinado, como já indicado, é um questionário fechado, onde o entrevistador estabelece as questões, a sua ordem e as possíveis respostas, enquanto o entrevistado escolherá, das várias opções, a resposta que melhor se adequar à sua organização. Pretende-se, assim, realizar um estudo quantitativo, assente nos questionários a colaboradores de cada uma das organizações, que estejam inteirados sobre o tema de
30 CRM, de forma a ser possível obter informação sobre a que nível e de que forma podem as atuais PME Excelência de 2013 Portuguesas estar ou não a adotar estratégias de CRM. Para o sucesso do questionário elaborado, importa numa primeira instância verificar se o questionário traduz os objetivos da investigação, se a linguagem utilizada é a mais correta e percetível e verificar a relevância, eficácia e sequência das questões formuladas através de um pré-teste. O pré-teste foi realizado, por conveniência, a vários colaboradores de empresas que antecipadamente tinha conhecimento que realizam CRM e que não fazem parte do lote das PME Excelência de 2013. Desta forma, o pré-teste foi efetuado a colaboradores de empresas que, pela sua experiência, seriam as indicadas e as mais críticas sobre o tema abordado e, dessa forma, bastante úteis em sugerir os ajustamentos necessários. De salientar que a concretização deste estudo e a obtenção dos melhores resultados está também pendente da disponibilidade e sensibilidade das empresas selecionadas em colaborarem. 3.4. Recolha e análise de dados Relativamente ao método de exploração dos dados obtidos, estes serão analisados em dois momentos distintos e por aplicações distintas. Numa primeira análise serão apresentados e analisados relatórios e gráficos dos dados recolhidos pela própria ferramenta de edição e distribuição dos questionários “qualtrics.com”. Através da própria ferramenta foi possível realizar uma análise às tabelas e gráficos que fornecem informação estatística descritiva. Posteriormente os dados foram também tratados estatisticamente pelo software informático SPSS (Statistical Package for Social Sciences). Com esta aplicação pretendemos utilizar técnicas de análise estatística descritiva e efetuar comparação dos valores relativos e médias obtidas. Adicionalmente, foram também realizadas algumas análises de estatística descritiva com cruzamento de dados de forma a atingir informação mais conclusiva. Por último, foram realizadas correlações entre os vários
37 que, embora todas as soluções apresentadas como hipótese de escolha no questionário tenham sido selecionadas, é sobre o Escritório ou Loja que ainda recaem as preferências das empresas, isto é, 91% das inquiridas ainda mantém o espaço físico como forma de interagir com os seus clientes. De qualquer das formas não vamos deixar de considerar os 63% que já utilizam a Internet e/ou Redes Sociais, estando estas vias cada vez mais presentes nas empresas (relatório disponível para consulta no apêndice 7.3.). A caraterização da amostra quanto à sua dimensão foi também analisada quanto ao volume de negócios e quanto ao número de funcionários efetivos, relativamente ao ano em análise. Sem margem para dúvidas que, quanto ao volume de negócios, a maioria (62,9%) corresponde a um volume de negócios inferior a 2 Milhões de Euros, seguida de quase para metade (32,6%) das empresas com um volume de negócios entre os 2 Milhões de Euros e os 10 Milhões de Euros, apresentando apenas 4,5% das empresas que registaram um volume de negócios superior a 10 Milhões de Euros. Para o número de funcionários, curiosamente, é possível identificar uma analogia aos números registados sendo as percentagens relativas muito semelhantes às apresentadas quanto ao volume de negócios registado pelas empresas. Assim, 62,1% das empresas contaram com um número de colaboradores efetivos entre o intervalo de 10 até 49 colaboradores, outras 30,3% com menos de 9 colaboradores e as restantes 7,6% com mais de 49 colaboradores efetivos no ano de 2013. Se anteriormente foi indicado que a visão, um dos componentes de estratégia de CRM, estaria a ser considerada como válida, segundo o framework defendido pelos autores, desta vez a Estratégia de CRM peca pela baixa prestação da quantidade de colaboradores que tem contacto direto com os clientes. Na tabela 3 é possível verificar que apenas 15,2% das organizações mantêm contacto com os seus clientes com mais de 75% dos seus colaboradores. A maior percentagem incide ainda nas organizações que apresentam menos de 25% dos colaboradores em contacto com os clientes. Pela conceção do quadro base de componentes, para uma implementação de sucesso de CRM defendida pelos autores, esta tendência deverá ser alterada para que, deste modo, seja mais fácil e percetível a todos os colaboradores identificar as reais necessidades dos clientes e, dessa forma, conseguir antecipar e ajustar a oferta das organizações aos clientes.
38 Tabela 3 – Frequência dos colaboradores que regularmente contactam com os clientes. Frequency Percent Valid Percent Cumulative Percent Valid Até 25% 53 40,2 40,2 40,2 De 51% até 75% 30 22,7 22,7 62,9 De 26% e até 50% 29 22,0 22,0 84,8 Mais de 75% 20 15,2 15,2 100,0 Total 132 100,0 100,0 Da mesma forma que a estratégia de CRM fica aquém da base dos componentes de sucesso, também o componente informação de CRM ainda tem que alterar alguns princípios. Das empresas que responderam ao questionário ainda existem 52 (39,4%) que utilizam ainda a memória dos colaboradores como única fonte de armazenamento de informação relativa aos clientes. Este é um componente que, segundo os componentes definidos pelos autores (Peelen et al., 2009), deverá ser mudado, pois um dos fatores chave consiste na informação que deverá estar toda acessível a qualquer um dos colaboradores da empresa não correndo riscos de, por algum motivo, perder o colaborador, e por conseguinte, a informação detida por este relativa aos clientes ser também considerada perdida. No entanto, já 42,4% das empresas utilizam bases de dados centralizadas e outras tantas (47%) utilizam bases de dados e arquivos individuais. Este poderá ser um dos componentes mais difíceis de alterar para as organizações pois, embora a empresa até possa alterar toda a sua cultura e até criar meios que potenciem esta recolha de informação, vai sempre depender, e muito, da colaboração e resiliência dos colaboradores em se disporem a partilhar informação, que muitos deles consideram privilegiada. No capítulo da partilha de informação, e a título de curiosidade, no questionário realizado existia a possibilidade das empresas inquiridas, e que terminassem todo o questionário, indicarem um contacto de e-mail para posteriormente lhes serem transmitida informação sobre a pesquisa realizada. Das 132 empresas que responderam completamente a questionário, apenas 8 solicitaram ser contactadas para posteriormente
39 receber informação sobre a pesquisa à qual prestaram colaboração. Podemos daqui depreender o interesse das empresas em obter informação adicional sobre a evolução da implementação de uma estratégia de CRM. Para terminar este capítulo, e com base nos dados obtidos, resta-nos caraterizar a amostra relativamente ao seu conhecimento do conceito CRM e sobre a atual posição quanto à sua implementação nas organizações. Das inquiridas, 48 empresas (36,4%) mencionam terem perfeito conhecimento do que consiste o CRM. Ainda assim, 9,8% das empresas desconhecem por completo o conceito. Os restantes 53,8% têm uma ideia da temática mas desconhecem as suas particulares ou nunca tiveram a curiosidade de obter informação adicional. Já quanto à análise das empresas que atualmente apresentam uma estratégia de CRM (tabela 4), existem 35 empresas que têm a clara noção que detêm essa estratégia, outras cinco que à data da análise já se encontram em processo de implementação e mais 43 que consideram a hipótese de também adotar uma estratégia de CRM. Um ponto importante a considerar refere-se assim ao facto de se registarem 49 empresas que mencionam que não detêm estratégia de CRM e que nem sequer identificam qualquer vantagem com uma estratégia desta natureza. Tabela 4 – Frequência da implementação de estratégia de CRM. Frequency Percent Valid Percent Cumulative Percent Valid Não, nem identifico qualquer vantagem com essa estratégia 49 37,1 37,1 37,1 Não, mas está a ser considerado o estudo da implementação 43 32,6 32,6 69,7 Sim 35 26,5 26,5 96,2 Não, mas encontra-se neste momento em processo de implementação 5 3,8 3,8 100,0 Total 132 100,0 100,0
40 5.3. Caraterização da implementação de CRM De forma a caraterizar a implementação de CRM adotada pelas empresas inquiridas, procurou-se perceber se estas definem a sua estratégia de acordo com os componentes base defendidos pelos investigadores. Na tabela 4 identificam-se apenas 35 empresas que apresentam estratégias de CRM implementadas na organização. Assim sendo, doravante, as análises efetuadas terão por base as respostas obtidas por estas empresas, sendo que para as restantes empresas que responderam, no questionário, outra opção diferente de “Sim”, o questionário terminou, pois não faria sentido continuarem a responder a questões às quais não se aplicariam. Para encaminhar o estudo apresentado, o questionário foi elaborado para que cada um dos componentes da estratégia de CRM pudesse ser analisado individualmente. Desta forma, a segunda parte do questionário foi construída com 22 questões, em que cada uma delas tem a função de tentar analisar cada um dos componentes de CRM em estudo. A cada uma das questões o colaborador da empresa deveria responder com base na sua realidade e de forma a transparecer de que forma a sua organização estaria envolvida com o aspeto em análise. Para tal, bastaria apenas classificar cada uma das questões numa escala de 1 a 5, sendo que (1) corresponderia a “Discordo Completamente” e (5) corresponderia a “Concordo Completamente”. Nos próximos parágrafos será apresentada a análise individual de cada um dos componentes de CRM com base nas respostas obtidas aos questionários pelas 35 empresas que à data de análise detinham estratégia de CRM. 5.3.1. Componente visão de CRM À componente visão foram atribuídas as questões Q1, Q2 e Q3 de forma a obtermos informação útil e tentar perceber como as organizações abordam esta componente na implementação completa de CRM. Pela análise à tabela 5 podemos identificar que, todas as organizações apresentam uma visão de CRM focada em definir as suas orientações voltadas para os clientes, em
41 substituição dos produtos comercializados ou serviços prestados. Da mesma forma, a visão de CRM já é projetada para uma planeamento de médio e longo prazo. Ambos os pontos de análise obtiveram médias iguais, o que quer dizer que todas as empresas concordam que a definição dos seus objetivos terá em consideração os seus clientes e que aqueles são definidos a médio e longo prazo. Tabela 5 – Frequência média das questões Q1, Q2 e Q3. (Q1) A empresa define os objetivos tendo em consideração as orientações dos seus clientes e não os produtos/serviços prestados (Q2) A empresa define os seus objetivos com suporte num planeamento de médio/longo prazo (Q3) Todos os colaboradores da empresa apresentam soluções/alternativas de como a empresa pode atingir os seus objetivos N Valid 35 35 35 Missing 97 97 97 Mean 3,97 3,97 2,91 Relativamente à terceira questão em análise, as respostas já não foram tão lineares, Embora a média apresente um valor próximo de três, ou seja, uma indefinição de que, nem concordam, nem discordam, ao analisarmos graficamente podemos identificar que, na realidade, existe uma divisão de organizações que considera concordar, e outra que considera discordar, com a possibilidade dos colaboradores apresentarem soluções ou alternativas de como a empresa pode atingir os seus objetivos. Estes resultados podem estar a ser influenciados essencialmente pela dimensão da empresa. Muitas das vezes em organizações de pequena dimensão, quanto ao número de colaboradores, a responsabilidade e capacidade de tomar decisões está concentrada num pequeno grupo de colaboradores. Este fenómeno é também, muitas das vezes identificado, em organizações familiares. Para tentar esclarecer este assunto seria interessante tentar perceber a correlação que possa existir com este fator e com a dimensão da empresa. Por este motivo esta correlação foi realizada e será apresentada no capítulo 6., correspondente à discussão de resultados e principais conclusões.
42 Figura 5 – Frequência relativa da questão Q3. 5.3.2. Componente estratégia de CRM Para a identificação da componente estratégia foram desenhadas as questões Q4, Q5 e Q6. Estas três questões vão permitir-nos perceber alguns pontos estratégicos das organizações, mais concretamente se as organizações abordam todos os clientes do mesmo modo ou se realizam alguma segmentação, se as organizações focam os seus esforços no desenvolvimento de novos produtos ou serviços ou se preferem desenvolver as relações com os seus clientes, e se os objetivos das organizações são delineados tendo em consideração todos os meios de contacto com os clientes. Pela análise das respostas à questão Q4 podemos concluir que as organizações já tratam os clientes de forma diferente, já não os considerando todos iguais e já realizam a respetiva segmentação. A análise da tabela 6 mostra que 62,9% das empresas discordam com o facto de os clientes serem tratados todos da mesma forma, ou seja, sem realização de qualquer segmentação.
43 Tabela 6 – Frequência da abordagem dos clientes, sem realizar qualquer segmentação. Frequency Percent Valid Percent Cumulative Percent Valid Discordo Completamente (1) 6 4,5 17,1 17,1 Discordo (2) 16 12,1 45,7 62,9 Nem Concordo nem Discordo (3) 6 4,5 17,1 80,0 Concordo (4) 6 4,5 17,1 97,1 Concordo Completamente (5) 1 ,8 2,9 100,0 Total 35 26,5 100,0 Missing System 97 73,5 Total 132 100,0 Apesar disso, ainda existe uma forte aposta das empresas (80%) em apenas desenvolver novos produtos e serviços, conforme resultados apurados pela questão Q5. É lógico que este ponto deverá ser sempre considerado para que as empresas possam evoluir e apresentar uma oferta semelhante ao restante mercado no entanto, será uma questão que deverá ser analisada com alguma cautela, pois uma aposta forte no desenvolvimento de novos produtos e serviços pode ofuscar, ou até mesmo esquecer, o esforço que deverá ser canalizado para a aposta nas relações com os clientes de forma a perceber e antecipar todas as suas necessidades ou hábitos de consumo. Quanto à definição dos objetivos das empresas, considerando os meios de contacto disponíveis pelas mesmas, ou seja, quanto à questão Q6, pelos resultados obtidos não vai merecer qualquer análise, uma vez que a maioria das empresas apresentou a sua indecisão quanto ao tema. Por este motivo podemos assumir a existência de problemas na formulação da questão. 5.3.3. Componente valorização da experiência do cliente A componente da valorização da experiência do cliente foi também avaliada por três questões, a Q7, Q11 e Q15. Estas questões tinham como objetivo conseguir informação relativa à posição da empresa em apresentar propostas de valor acrescentado para os
44 seus clientes, quer pela iniciativa de contacto dos colaboradores da empresa, quer pelo acompanhamento realizado. Desta vez as questões analisadas obtiveram todas elas a mesma orientação, ainda que umas mais vincadas que outras. Tabela 7 – Frequência média das questões Q7, Q11 e Q15. (Q7) A empresa valoriza e apresenta propostas que beneficiam cada segmento de clientes (Q11) Os colaboradores raramente tomam a iniciativa de entrar em contacto com o cliente (Q15) A empresa dispõe de informação sobre a evolução das relações com os clientes N Valid 35 35 35 Missing 97 97 97 Mean 4,11 2,31 4,03 Tanto a questão Q7 como a questão Q15 apresentam média de respostas superiores a 4. Assim, podemos assegurar que em ambos os exemplos as empresas concordam, com tendência para concordarem completamente, em apresentar propostas que beneficiem cada segmento de clientes e que se preocupa em dispor de informação sobre a evolução das relações com clientes. Desta forma as organizações estarão mais próximas dos clientes, conseguindo mantê-los por perto e apresentando soluções que os clientes valorizam. Por sua vez, também as respostas à questão Q11 assumem a posição da importância de manter o contacto pró-ativo com o cliente. As respostas a esta questão situam-se em média próximas do valor 2, que corresponde a uma discordância das organizações em que os colaboradores não contactam proactivamente os clientes e permanecem à espera do contacto dos próprios clientes. Com esta proposta os clientes sentir-se-ão valorizados e perceberam que do outro lado existe uma empresa interessada em que o cliente se sinta bem e satisfeito. Este bloco de questões é um dos exemplos de que as perguntas realizadas para avaliar em conjunto apenas um dos componentes podem apresentar interpretações diferentes.
45 Esta construção de frases foi propositada para que desta forma fosse possível tentar detetar possíveis erros de preenchimento nos questionários. 5.3.4. Componente CRM organizacional O componente CRM organizacional é o componente que compreende o maior número de questões sendo assim bastante abrangente e que incumbe, essencialmente, responsabilidades apenas à organização sem depender de fatores externos. As questões colocadas à prova para analisar a componente organizacional foram as questões Q9, Q10, Q12 e Q14, com a intenção de recolher informação sobre o tipo de comunicação utilizada com os clientes, a possível valorização dos colaboradores da empresa por intermédio de recompensas, a possibilidade de formação aos colaboradores e sobre a comunicação interna da organização. O componente CRM organizacional é outro componente em que as organizações apresentam resultados, concordantes nas questões colocadas. Em termos relativos, todas as questões apresentam resultados superiores para a hipótese de concordância da organização com a questão colocada. No entanto, pela análise da tabela 8, identificámos que, em média, as organizações apresentam valores abaixo do nível 4, ou seja, de concordância. Todavia, tanto a questão Q9, relativa à adequação da comunicação com o cliente, como a questão Q12, relativa à disponibilização de formação da empresa aos colaboradores, apresentam médias muito próximas do nível 4. Em todos os casos é de realçar o esforço adicional que terá de ser realizado para que esta componente de CRM atinja resultados superiores, se tivermos em consideração o quadro de sucesso para os componentes de CRM com base nas investigações já realizadas por diversos autores (Peelen et al., 2009).
46 Tabela 8 – Frequência média das questões Q9, Q10, Q12 e Q14. (Q9) Os colaboradores preparam a sua comunicação em face das exigências do cliente, independentemente do meio de contacto (Q10) Os colaboradores que conseguem exceder as exigências/expecta tivas do cliente são recompensados (Q12) Aos colaboradores foi disponibilizada formação adequada para que o seu foco seja sempre o cliente (Q14) Os diversos departamentos da empresa conferenciam entre eles e/ou discutem assuntos relacionados com a implementação de CRM N Valid 35 35 35 35 Missing 97 97 97 97 Mean 3,91 3,20 3,60 3,31 5.3.5. Componente processos de CRM As questões Q13 e Q16, relativas à deteção da capacidade ou liberdade que os colaboradores possam ter para tomar decisões para recuperar uma falha ou lacuna num produto comercializado ou serviço prestado e ainda na possibilidade de todos os colaboradores puderem participar na definição das atividades de CRM, assentiram de que forma os processos das organizações possam estar organizados. Algumas organizações, por delinearem estruturas bastantes rígidas em que os colaboradores não têm a possibilidade de sugerir melhorias, muitas vezes pecam pelo tempo que possam levar, por exemplo, para tomar uma decisão. Esse fator pode ser o suficiente para o cliente perder o interesse ou até se sentir desconfortável e não tomar a empresa como uma referência numa próxima consulta ou opção de escolha. Por estes motivos, os investigadores desta temática, assumem que as organizações devem permitir flexibilidade aos colaboradores para puder preencher ou ultrapassar alguma lacuna ou falha de um produto ou serviço como forma de solucionar imediatamente o problema. Além disso, defendem que os mesmos devem ter a possibilidade de demonstrar os seus pontos de vista aquando da definição das atividades de CRM. São estas as pessoas mais indicadas, principalmente a força de vendas, pois são estes de lidam constantemente com as dificuldades ou objeções que possam estar a
53 6. Discussão dos resultados e principais conclusões 6.1. Introdução Neste capítulo de discussão de resultados e apresentação das principais conclusões procurar-se-á resumir os temas abordados, discutindo simultaneamente os resultados obtidos, através do estudo quantitativo apresentado. Seguidamente serão abordados os conhecimentos adquiridos através da investigação realizada, assim como identificadas as limitações verificadas no estudo. Serão finalmente abordadas perspetivas de investigações futuras, esperando que este trabalho possa contribuir de alguma forma para a modelação de uma base de implementação de sucesso de CRM e cooperar para que organizações empresariais se sintam confiantes a adotarem estratégias de CRM. 6.2. Principais conclusões de investigação Após a análise e caraterização de cada um dos componentes de CRM, inicialmente definidos como o framework para uma implementação da estratégia de CRM, é possível apresentar a figura 8 onde se podem verificar quais os componentes de CRM que foram validados e os que não se enquadraram, à luz da investigação realizada pelos autores adotados (Peelen et al., 2009). Figura 8 – Validação dos componentes base de CRM.
54 Pela avaliação da visão de CRM das PME Excelência de 2013 Portuguesas pode-se concluir que se encontra alinhada com a conceção da componente definida pelos autores. Como já identificado anteriormente têm em consideração as orientações dos seus clientes para a definição dos seus objetivos e também realizam um planeamento a médio e longo prazo. Apenas uma chamada de atenção para o facto de os colaboradores não apresentarem grande opinião quanto à definição desses objetivos. Para tentar esclarecer este detalhe foi realizada uma análise, pelo cruzamento dos dados recolhidos, entre o número de colaboradores afetos a cada uma das organizações e à possibilidade dos mesmos interferirem na definição dos objetivos das organizações. Tabela 13 – Número de colaboradores que apresentam soluções/alternativas de como a empresa pode atingir os seus objetivos * Número de colaboradores efetivos no ano de 2013. v) Indique o número de colaboradores efetivos na empresa no final do ano de 2013 Total Até 9 De 10 a 49 Mais de 49 Todos os colaboradores da empresa apresentam soluções/alternativas de como a empresa pode atingir os seus objetivos Discordo Completamente (1) 0 2 0 2 Discordo (2) 3 9 1 13 Nem Concordo nem Discordo (3) 0 7 0 7 Concordo (4) 3 9 0 12 Concordo Completamente (5) 0 0 1 1 Total 6 27 2 35 Pela análise da tabela 13, obtida pelo cruzamento dos dados, não é possível tecer qualquer comentário conclusivo sobre a problemática identificada pois praticamente a mesma quantidade de empresas, independentemente da sua dimensão quanto ao número de colaboradores, concordam e simultaneamente discordam sobre a possibilidade de todos os colaboradores apresentarem soluções ou alternativas de como a empresa pode atingir os seus objetivos.
55 Da mesma forma que a visão, a estratégia adotada pelas empresas também se encontra nivelada com as orientações base. As organizações têm o devido cuidado em segmentar os seus clientes, percebendo que, desta forma, conseguem realizar o seu acompanhamento de uma forma mais proveitosa. São, assim, capazes de ser mais incisivos para colmatar as necessidades dos seus clientes ou até antecipar as suas vontades. Apesar de os resultados mostrarem ainda uma preocupação em apostar no desenvolvimento dos produtos comercializados e serviços prestados, essa preocupação é considerada como tida em conformidade com as orientações dos clientes. A estratégia peca apenas pela percentagem de colaboradores que está em contacto com os clientes, não ser ainda muito significativa. A informação de CRM é um dos componentes de CRM com aspetos a considerar. Se por um lado as PME já se interessam e detêm meios e métodos capazes de recolher informações dos clientes, por outro lado esta informação fica inacessível aos colaboradores, não estando a mesma disponível aos seus colaboradores a quando a abordagem com os clientes. Assim sendo, de pouco ou nada, serve a recolha deste tipo informação. Além disso, verifica-se que existe ainda uma quota-parte expressiva de informação que fica apenas alojada na memória dos seus colaboradores. Por este motivo foi realizado um cruzamento de informação entre as organizações que utilizam bases de dados centralizadas, cumulativamente, com as que detêm a informação armazenada na memória dos colaboradores. Tabela 14 - Informações recolhidas pelo contacto com os clientes alojadas na memória dos colaboradores * Base de dados centralizada. Base de dados centralizada Total Não Sim Memória dos Colaboradores Não 33 47 80 Sim 43 9 52 Total 76 56 132
56 Pela análise da tabela 14 é possível concluir que, embora tenham sido identificas 52 empresas (39%) que recorrem à memória dos colaboradores como fonte de armazenamento da informação dos clientes destas, apenas 9 (7%) recorrem cumulativamente a bases de dados centralizadas. Ou seja, as empresas que detêm bases de dados centralizadas, na sua maioria, não recorrem ao armazenamento de informação dos clientes na memória dos colaboradores, e vice-versa. Este acontecimento pode explicar o que anteriormente foi evidenciado pelos autores (Peelen et al., 2009), ao indicar que as tecnologias de informação não terão de ter o mesmo peso em todas as organizações para que exista uma boa implementação de estratégia de CRM. Poderá ainda, o foco destas organizações estar direcionado sobre o relacionamento e a criação de valor dos seus clientes não estando, neste momento, ainda habilitada à recolha do conhecimento tático por via das bases de dados. A dimensão da empresa quanto à sua diversidade de clientes será uma das características das empresas que pode influenciar este componente. Também a componente tecnologia merece considerações a serem tomadas pelas PME. Até certo ponto, estando a tecnologia também associada à informação, é unânime entre as empresas analisadas que a tecnologia é essencial e crucial para a implementação de CRM; contudo, e possivelmente por ser tão vincada esta necessidade, ainda existe uma ideia errada, na maior parte das organizações que a implementação de uma estratégia de CRM consiste basicamente na adoção de uma boa tecnologia de informação. Por outro lado, é elucidativo o cuidado que as PME Excelência de 2013 Portuguesas demonstram em apresentar propostas de valor para os seus clientes e por se preocuparem em arrecadar e aproveitar informação sobre a evolução da sua relação. Estes aspetos revelam o enquadramento das empresas com a componente da valorização da experiência dos clientes. Ainda a acrescentar que se verificou também a atenção que as empresas têm em realizar contactos pró-ativos com os clientes para assim os acompanhar devidamente e lhes determinar o seu real valor. No mesmo sentido a forma como as empresas avaliadas se organizam revela enquadramento com a base de sucesso de CRM. Embora os valores médios, anteriormente analisados, revelem valores baixos, a verdade é que a maior percentagem de empresas está associada a valores muito próximos de 4, ou seja, que concordam e
57 estão a realizar recolha permanente de informação dos seus clientes, estão dispostos a valorizar os seus colaboradores por intermédio de recompensas, desde que devidamente merecidas, formam os seus colaboradores para que o seu foco seja sempre o cliente e facilitam a comunicação permanente entre os vários departamentos ou grupos de trabalho. Para terminar, os últimos dois componentes de CRM que merecem considerações são os processos assumidos e as métricas adotadas pelas PME. É evidente que as empresas ainda demonstram dificuldades em permitir aos seus colaboradores interferirem na gestão das empresas. Esta correspondência é verificada tanto pela impossibilidade de os colaboradores puderem participar na definição das atividades de CRM como na liberdade ou autonomia, que não é concedida para que os colaboradores possam tomar decisões para recuperar, no imediato, uma lacuna ou falha de um produto ou serviço. Também as métricas adotadas merecem ser consideradas, pois pela atual posição das PME analisadas, neste momento apenas são definidas métricas para avaliar a satisfação dos clientes. No entanto, não devem ser as únicas adotadas pelas organizações. Deverão existir métricas definidas para avaliar a evolução do processo de implementação de CRM, pois só assim a organização consegue ter a noção do patamar em que se encontra no processo de implementação de CRM e só assim consegue ter a perceção de se ainda existem componentes a melhorar ou alterar. Também não deverão ser esquecidas as métricas para ajudar a obter informação sobre a motivação dos colaboradores, até porque as mesmas empresas mencionaram que estão dispostas a valorizá-los. Só desta forma as organizações terão essa perceção. Estas métricas são também de especial relevância pois ajudam a perceber o quão envolvidos e motivados se encontram os colaboradores pois são eles um dos pilares do desenvolvimento de uma estratégia de CRM. 6.3. Contributos alcançados com a investigação Com a elaboração deste estudo pretendeu-se contribuir para a evolução do conhecimento teórico, através da sistematização de conceitos relacionados com o tema de CRM e pretendeu-se validar a um modelo de implementação de uma estratégia de
58 CRM, reforçada por vários investigadores e defendida principalmente pelos autores Ed Peelen, Kees van Montfort, Rob Beltman e Arnoud Klerkx. Os resultados e conclusões alcançados apresentam uma base de trabalho para o desenvolvimento de estratégias de implementação de CRM, ajustado às PME Portuguesas, com o objetivo de criar relações com os clientes, satisfazer as suas necessidades, fidelizá-los com as organizações e por conseguinte aumentar a sua rendibilidade, indo assim ao encontro dos objetivos de CRM (Tohidi e Jabbari, 2012). Para terminar, esta proposta de dissertação pretendeu desenvolver uma investigação específica de forma a esclarecer o panorama Português, em concretamente no seio das PME Excelência de 2013 Portuguesas, relativamente às práticas de Gestão de Relacionamento com os seus Clientes, temática que tem vindo a ser alvo de algumas investigações, onde se tem procurado identificar os seus fatores críticos de sucesso e validá-los com a realidade das PME. 6.4. Limitações da investigação Na conceção da parte prática da pesquisa realizada, ou seja, quanto à metodologia adotada, poder-se-á verificar uma limitação da investigação quanto ao facto de o estudo ser baseado na recolha de informação apenas com recurso ao questionário realizado em plataforma de webpage. Desta forma, o estudo fica muito dependente da vontade e disponibilidade dos colaboradores, essencialmente do departamento executivo, em colaborar no estudo. Uma recolha de informação presencial traria, muito provavelmente, outro tipo de informação também útil e complementar à investigação realizada. Uma possibilidade poderia residir na conceção de entrevistas presenciais, pois desta forma seria possível obter outro tipo de informação, perceber outras sensibilidades ou até mesmo dar a oportunidade das organizações poderem, por sua iniciativa, expressar a sua opinião, boas práticas e dificuldades. No entanto, esta hipótese não pode ser consumada devido à escassez de recursos, nomeadamente tempo e disponibilidade de deslocação a vários pontos do país, incluindo ilhas.
59 6.5. Perspetivas de investigações futuras Como perspetivas de investigação futura, esperamos que o presente estudo, possa contribuir para uma base mais sólida quanto à definição e modelação dos componentes base na adoção de uma estratégia de CRM para as empresas PME Portuguesas. No entanto, existirão inúmeras formas alternativas, e talvez melhoradas, de continuar a investigação desta temática. Seria interessante alargar o estudo a empresas que não as PME Excelência Portuguesas, principalmente às grandes empresas, onde a adoção de práticas de CRM poderá ser mais abrangente. Quero com isto dizer, que nessas empresas, poderá ser possível identificar uma maior quantidade de componentes de CRM validados com os enquadramentos teóricos, visto que algumas das considerações tidas nas conclusões surgem associadas à dimensão da organização, em termos de número de colaboradores, e pela gestão familiar das empresas que possa existir. 6.6. Conclusões finais A presente dissertação de mestrado possibilitou compreender e clarificar a necessidade da adoção de estratégias de CRM por parte das organizações Portuguesas analisadas, nomeadamente quanto à evidência que a organização deverá centrar o seu foco no cliente, desenvolvendo relações de forma a conhecê-lo, descobri-lo, selecioná-lo e gerilo, e otimizar o seu valor de longo prazo. Estas estratégias potenciam o acréscimo de benefícios tanto para a empresa como para o cliente. Pelos resultados apresentados, é de realçar que as organizações estudadas preocupam-se e apostam nos seus clientes, através da recolha de informação e na apresentação de propostas de valor; todavia, é evidente ainda a falha na disponibilidade da informação recolhida dos clientes e na forma de como essa informação não é utilizada como uma vantagem competitiva. Uma característica confirmatória desse apontamento identificase pelo facto de aos colaboradores ser vedada a possibilidade definir ou ajustar as atividades da estratégia de CRM bem como, de intervir nos processos de decisão da organização.
60 A estratégia de CRM é uma estratégia que, por norma, implica grandes mudanças na estrutura das organizações e, por esse motivo, não se torna simples a implementação. Das 132 organizações analisadas, 49 organizações não adotaram, nem identificam qualquer vantagem em adotar uma estratégia de CRM e apenas 35 apresentam uma estratégia de CRM. Desta forma consegue-se identificar as dificuldades em implementar uma estratégia com esta orientação. Pela pesquisa realizada é possível concluir que uma implementação de estratégia de CRM é um processo contínuo, que deverá ser ajustado ou moldado conforme as características de cada organização. Os vários componentes da estratégia de CRM deverão ser mais ou menos valorizados de forma a conseguir criar valor para os clientes e para as empresas, mediante as suas especificidades. Como já mencionado anteriormente, as empresas analisadas e que adotaram uma estratégia de CRM são maioritariamente de pequena dimensão, quanto ao número de colaboradores. Todavia, por apresentar estas características e por não ser consensual com todos os componentes defendidos pelos autores, não implica que a sua estratégia não seja valida. Para concluir, duas ideias parecem ser cruciais para a implementação de sucesso de CRM e que foram notórias nos resultados alcançados. Em primeiro lugar, ainda se mantém a ideia que CRM é apenas a adoção de uma ferramenta tecnológica, quando é uma estratégia bem mais ampla, conforme já indicado. Em segundo, e também em linha com a primeira ideia, é que as empresas que adotam estratégias de CRM não efetuam o devido acompanhamento da sua implementação. As empresas têm de entender que estes processos não são estanques e que existe sempre a necessidade de os estar sempre a ajustar, até porque os mercados e os clientes mudam.
61 7. Apêndices 7.1. Questionário
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71 7.2. E-mail
72 7.3. Relatório – “qualtrics.com”
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