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O desempregado da Profisousa: os caminhos do empreendedorismo para a sua (re)inserção profissional

Jorge Miguel Ferreira Coelho

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O desempregado da Profisousa: os caminhos do empreendedorismo para a sua (re)inserção profissional 1 INTRODUÇÃO O presente relatório é o corolário de um estágio curricular, realizado no Centro de Novas Oportunidades (CNO) da Profisousa em Paços de Ferreira. A investigação desenvolvida que suporta o relatório incide sobre dois objetos de estudo, que no caso se materializaram em duas encomendas feitas pela Profisousa. Por um lado, a instituição necessitava de uma análise e uma caracterização ao público que a procurava. Fruto das mudanças no mercado de trabalho, esse público alterou-se, passando de ativos empregados para ativos desempregados. Como tal sentiram a necessidade de conhecer melhor o seu “novo público”, em quase tudo diferente do anterior. Por outro lado, a instituição avançou com um projeto de fomento ao empreendedorismo, na forma de workshops denominado, “Ateliers de (Re)Inserção Profissional”, destinado a ativos desempregados que pretendessem criar o seu próprio posto de trabalho, como forma de reverter a situação de desempregado. Tendo em conta o pioneirismo do projeto, a instituição necessitava de uma avaliação a este projetopiloto de forma, a no futuro, poder disseminar o projeto pela rede de CNO`s caso esta o ambicionasse. O principal objetivo, que guiou o estudo das características do desempregado que recorre à Profisousa, foi contribuir para o conhecimento daquilo que são as suas atitudes, expectativas e motivações, assim como perceber qual foi o seu trajeto, tanto profissional como educativo. Numa primeira fase, foi necessário contextualizar o desemprego numa perspetiva territorial. Para tal, foi explorada a região do Vale do Sousa e o concelho de Paços de Ferreira, através da análise documental da informação disponível na Profisousa, na forma de documentos do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP). Para a concretização deste objetivo, foi igualmente utilizada uma metodologia extensiva que consistiu na realização de um inquérito por questionário a 132 indivíduos desempregados inscritos na Profisousa. O segundo objeto alvo de análise neste relatório, ou seja, os Ateliers de (Re)Inserção Profissional, tinha como objetivo, através de workshops, dar a conhecer ao seu público as instituições e figuras locais, capazes de ajudar a desenvolver, as ferramentas necessárias e indispensáveis para a criação do próprio posto de trabalho. O O desempregado da Profisousa: os caminhos do empreendedorismo para a sua (re)inserção profissional 2 fim último era a criação de um micronegócio, como estratégia de luta/ reversão da situação de desemprego. Para a concretização da avaliação deste projeto, optamos pela observação direta e participante sob a forma de uma avaliação on-going, com o objetivo final de realizar uma avaliação da execução. Como instrumento de observação, construímos uma grelha de observação a ser preenchida no final de cada um dos workshops/ sessões dos ateliers. O relatório de estágio apresenta-se, estruturado em quatro capítulos, devidamente articulados entre si. No momento inicial do relatório, começamos por encetar uma apresentação e contextualização da instituição acolhedora do estágio, bem como expomos as áreas de intervenção e caracterizamos a sua estrutura organizacional, com o intuito de elaborar uma perspetiva institucional do contexto de análise. Logo de seguida, apresentamos uma perspetiva territorial, e para isso caracterizamos o território alvo da ação da nossa instituição, ou seja, numa primeira fase o Vale do Sousa e posteriormente Paços de Ferreira. Ainda no capítulo 1, e tendo em conta que o grande “chapéu” temático que enforma o nosso relatório é o desemprego, elaboramos uma caracterização do desemprego do concelho de Paços de Ferreira, a partir dos dados estatísticos dos desempregados inscritos no IEFP em 2011. No segundo capítulo, apresentamos o corpo teórico, que elaboramos para a primeira encomenda realizada pela instituição, ou seja, a caracterização dos desempregados que procuram a Profisousa. Com efeito, desenvolvemos o conceito de desemprego como um fenómeno pluridimensional, recorrendo aos mais diversos teóricos existentes na literatura científica, sempre numa tentativa de complementar e confrontar diversas perspetivas teóricas. Seguidamente apresentamos um ponto onde desenvolvemos as vulnerabilidades que os desempregados enfrentam, fruto das vicissitudes da situação de desemprego que vivem. Posteriormente, neste mesmo capítulo elaboramos e apresentamos a estratégia metodológica que enformou a resposta à primeira encomenda da instituição, assim como apresentamos o objeto empírico alvo da nossa intervenção. Por fim, neste capítulo reservamos um ponto para a apresentação e análise dos resultados da pesquisa empírica. Com efeito descrevemos as características, assim como as expectativas e motivações dos desempregados, designados como o novo público que procura a instituição. O terceiro capítulo materializa o segundo objeto de estudo e respetiva encomenda realizada pela instituição. Como tal decidimos estruturar este capítulo seguindo a mesma linha estruturadora do capítulo anterior. Assim, inicia-se com um O desempregado da Profisousa: os caminhos do empreendedorismo para a sua (re)inserção profissional 3 ponto teórico onde exploramos o conceito de empreendedorismo como uma medida de combate ao desemprego, de modo a suportar teoricamente o projeto dos Ateliers de (Re)Inserção Profissional. Estabelecemos uma ligação entre os problemas do empreendedorismo de (re)inserção profissional com as estratégias pessoais de luta dos desempregados, tendo sempre em linha de conta que o empreendedorismo na figura da criação do próprio posto de trabalho é encarado como forma de luta e medida de combate contra o desemprego. Seguindo esta linha orientadora, apresentamos posteriormente, o projeto dos Ateliers de (Re)Inserção Profissional como tentativa concretizada de combate ao desemprego por via do empreendedorismo. A metodologia por nós adotada para encetar a avaliação pretendida neste projeto, assim como o objeto empírico alvo são apresentados de seguida. Por fim, delineamos uma descrição desta medida e o funcionamento da mesma, para posteriormente apresentar a avaliação por nós elaborada, tendo em conta o público e a metodologia utilizada. No quarto e último capítulo, procedemos à descrição e análise das principais atividades desenvolvidas ao longo do estágio. Este capítulo contempla as atividades por nós desenvolvidas, por um lado, aquelas que versam a concretização dos nossos objetivos, e por outro lado, aquelas que foram desenvolvidas no sentido de colaborar para o bom funcionamento e sucesso da instituição. Em algumas linhas conclusivas, anotamos que as duas encomendas, endereçadas pela Profisousa foram cumpridas. Por um lado, conseguimos caracterizar o atual público que procura a instituição, assim como conseguimos revelar algumas das suas particularidades, principalmente ao nível das suas expectativas e motivações face ao mercado de trabalho. Por outro lado, foi conseguida a avaliação transversal ao projeto Ateliers de (Re)Inserção Profissional até ao momento da sua paragem. Dessa forma deixamos registadas, as melhorias que devem ser incrementadas assim como, os pontos que se devem manter, de forma a tornar o projeto robusto e eficaz na nossa perspetiva. O desempregado da Profisousa: os caminhos do empreendedorismo para a sua (re)inserção profissional 4 O desempregado da Profisousa: os caminhos do empreendedorismo para a sua (re)inserção profissional 5 Capítulo I – A instituição e o território 1. Caracterização da Profisousa: uma perspetiva institucional A Profisousa 1 – Associação de Ensino Profissional do Vale do Sousa, é uma associação de direito privado sem fins lucrativos, criada a 30 de agosto de 1999, que surgiu, na sequência de um protocolo celebrado entre a Câmara Municipal de Paços de Ferreira e a Cooperativa Vértice, que participaram com um fundo social de 75% e 25%, respetivamente. Posteriormente, com o intuito de agregar a este projeto forças dinamizadoras da região, em março de 2001, foi endereçado convite à Associação Empresarial de Paços de Ferreira (AEPF) para participar neste projeto, formalizando-se em junho do mesmo ano, a sua entrada como membro associado efetivo. Esta associação atua sobretudo com o intento da diminuição dos defices de qualificações escolares e profissionais da população do Vale do Sousa e do concelho de Paços de Ferreira em concreto. O projeto Profisousa é um desafio à capacidade de intervir no desenvolvimento através da valorização dos recursos humanos, sobretudo ao nível da capacitação e aumento das qualificações escolares, uma vez que atua num território marcado por escassas qualificações dos indivíduos. A intervenção da Profisousa desenvolve-se essencialmente, em torno de três linhas estratégicas: i. atuação preventiva dos fenómenos de desemprego motivados pela escassa qualificação dos ativos empregados; ii. atuação precoce nas respostas aos problemas de desemprego; iii. atuação facilitadora da inserção social dos grupos expostos ao desemprego de longa duração. Em termos de objetivos gerais, a instituição apresenta-se: Como entidade direcionada para a promoção das qualificações escolares e profissionais de toda a população, a PROFISOUSA pretende ser uma entidade empenhada no desenvolvimento social da sub-região; 1 O capítulo foi constituído com base na consulta do site da Profisousa. Disponível em www.profisousa.pt acedido a 8 de novembro de 2011 O desempregado da Profisousa: os caminhos do empreendedorismo para a sua (re)inserção profissional 6 Enquanto entidade posicionada na linha dianteira do apoio ao desenvolvimento social do Vale do Sousa, coloca-se em rede com uma série de organismos que contribuem para o mesmo fim; No domínio mais específico da educação e formação, procura facilitar a constituição de dinâmicas de rede entre as várias instituições de ensino e formação, centrando as suas atividades na promoção da empregabilidade das pessoas e na melhoria do desempenho das organizações, em especial da modernização das empresas; Procura estreitar os elos de ligação e articulação com o meio empresarial, de forma a alterar a estratégia de recrutamento de mão de obra intensiva e desqualificada. No último ano, a Profisousa por força da crise de emprego no mercado laboral, tem recebido muitos desempregados encaminhados pelos Centros de Emprego, assim como indivíduos que beneficiam do Rendimento Social de Inserção e que são para aqui encaminhados pela Segurança Social. Este é o “novo público” da instituição, ou seja, ativos desempregados. No passado recente, o público da instituição era composto essencialmente por ativos empregados que procuravam aumentar as suas qualificações. A Profisousa coloca-se em rede com outros organismos que têm o mesmo objetivo. É a responsável pela gestão das atividades da Rede Territorial para a qualificação do Vale do Sousa, que é composta por 7 centros desta região. Ao nível desta rede, existe um diálogo e acompanhamento contínuo, materializado em 2 a 3 reuniões por ano onde se vai partilhando e planeando atividades e ferramentas, para que cada uma caminhe de igual forma, embora ao ritmo das suas capacidades. Ainda ao nível do trabalho em rede a instituição está representada no concelho, em dois grupos. A Rede Territorial para a Qualificação do Tâmega e Sousa tem vindo a desenvolver-se ano após ano, através de encontros Regionais e dos respetivos cadernos temáticos para cada ano. A Profisousa é a responsável pelo Caderno 7, subordinado ao tema (Re)Inserção profissional. De ressalvar que foi através deste caderno que surgiram os Ateliers de (Re)Inserção Profissional. Ainda relativamente às atividades que a instituição tem vindo a trabalhar, podemos destacar a presença nas sessões de júris conjuntos levado a cabo pela rede territorial. A Profisousa e a sua equipa pedagógica têm permitido que a instituição se caracterize pelo seu forte dinamismo. Como tal são várias as atividades e as iniciativas trabalhadas pela equipa e pelo centro. Sempre que possível, a equipa do CNO participa em sessões de formação que outras instituições proporcionam. A participação em O desempregado da Profisousa: os caminhos do empreendedorismo para a sua (re)inserção profissional 7 encontros Europeus, são uma realidade do centro, através do Programa de Aprendizagem ao Longo da Vida financiado pela União Europeia (UE). A Profisousa tem dinamizado, ao longo do tempo, várias atividades com o intuito de serem motivadoras e complementares ao processo de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências (RVCC). Para tal alguns grupos de desempregados, através destas atividades, têm sido elucidados para as realidades do Século XXI. Num plano interno, a Profisousa, criou o programa ProMais, cujo objetivo é despertar os adultos inscritos no centro para a formação ao longo da vida. Com o programa, criaram-se alguns “Workshops”, como por exemplo, de Primeiros Socorros, direitos laborais, um terceiro sobre Manipulação de Alimentos, e um último, que levou os adultos ao Centro de Triagem de resíduos da Limpor. A instituição tem ainda uma grande preocupação com a saúde dos seus adultos e como tal tem dinamizado projetos sobre “Saber a Saúde”, como forma de levar até aos adultos, os cuidados a ter com a saúde. Outro projeto trabalhado pela Profisousa, foi o de conciliação intergeracional de saberes e competências, que em parceria com a Escola Secundária, pretendia sensibilizar a população estudantil para a necessidade e importância do aumento das qualificações dos seus pais. No ano 2011 a Profisousa organizou a VII Convenção de CNO´s Norte, com o objetivo de proporcionar uma conversa pública sobre o passado, presente e futuro dos sistemas educação e formação de adultos em Portugal. Por fim, um projeto que está a ser desenvolvido atualmente e no qual recaem muitas expectativas é o Curso de Talha em Madeira que surge no âmbito do projeto transnacional, Ancient Renovation Techniques. O principal objetivo do projeto é recuperar antigas profissões típicas da nossa tradição e identidade, principalmente aquelas que tendem a ser esquecidas e conseguir introduzi-las de novo no mercado. 2. Caracterização do Vale do Sousa: uma perspetiva territorial O modo como se equacionam as questões da educação, formação e certificação de adultos na região do Vale do Sousa implicam a análise de um conjunto de fatores económicos, sociais e humanos. Assim, torna-se fundamental uma reflexão sobre a O desempregado da Profisousa: os caminhos do empreendedorismo para a sua (re)inserção profissional 8 dinâmica humana e social e sobre o tecido económico envolvente para se perceber a pertinência da qualificação dos recursos humanos do território. Para tal é necessário abordar a questão do território, pois este é um dos elementos condicionadores e determinantes das dinâmicas e das lógicas que os diferentes atores individuais e coletivos desencadeiam. “O espaço, embora não determine as práticas dos atores sociais, vai condicionar e influenciar as suas opções e ações quotidianas, no sentido em que se transforma numa referência cultural dos indivíduos” (Vilaça e Guerra, 2000: 86). Situando o Vale do Sousa no panorama nacional, esta região abrange 6 concelhos - Paços de Ferreira, Penafiel, Paredes, Felgueiras, Lousada e Castelo de Paiva, e 144 freguesias. Este agrupamento de concelhos insere-se na NUT III Tâmega 2 , uma das NUTS III de mais baixo nível de desenvolvimento em todo o Continente. Aparece confinado entre a Área Metropolitana do Porto (AMP), a Oeste, o Vale do Ave, a Norte, e a região Entre Douro e Vouga, a Sul. O Vale do Sousa é um território com 764 km2 (3.6% da área da Região do Norte de Portugal) e 337.644 habitantes 3 , encontrando-se situado numa zona de transição entre a AMP e o interior da região Norte. Apesar da proximidade à AMP, as acessibilidades tornaram até 2006 a região periférica, fator que constituía uma das debilidades do Vale do Sousa. A abertura de uma nova via denominada por A42/IC25, precisamente em 2006, tornou possível a ligação entre os concelhos da região e o Porto mais rápida. A maioria da população ativa do Vale do Sousa exerce a sua atividade profissional no setor secundário, assumindo a indústria um papel estruturador da economia regional. O setor dos serviços, assume maior relevância nos concelhos de Paredes, Penafiel e Paços de Ferreira (Moreira, 2008: 90). Seguindo de perto, a proposta caracterizadora do Vale do Sousa de Moreira (2008), percebemos que o setor primário da região caracteriza-se pela policultura tradicional, sendo efetuada em explorações de pequena dimensão, de forma intensiva e em regime de arrendamento. As explorações orientam-se sobretudo para a vinha, a produção de leite e a produção de hortícolas. As tarefas agrícolas são maioritariamente 2 Para além do Vale do Sousa, a NUT III Tâmega abrange o agrupamento de concelhos do Alto e Baixo Tâmega, a saber: Celorico de Basto, Ribeira de pena, Mondim de Basto, Cabeceiras de Basto, Cinfães, Resende, Baião, Marco de Canaveses e Amarante. 3 Segundo os Censos de 2011. O desempregado da Profisousa: os caminhos do empreendedorismo para a sua (re)inserção profissional 9 desempenhadas num contexto doméstico, essencialmente pelas mulheres e pelos mais idosos numa lógica sobretudo de auto-consumo (Moreira, 2008: 90). A estrutura produtiva da região do Vale do Sousa assenta predominantemente em atividades de trabalho intensivas e em pequenas e médias empresas, um grande número das quais marcadas por um fraco potencial de adaptabilidade, inovação e sustentação, por um recrutamento muito centrado em pessoal pouco qualificado e oferecendo reduzidas possibilidades de formação. A fraca capacidade concorrencial que marca a região é acentuada, pelas características da estrutura empresarial da maioria das unidades económicas existentes, que são sobretudo, “empresas de base familiar e artesanal, de pequena ou média dimensão, nas quais o empresário utiliza tecnologias produtivas de cariz tradicional e chama a si a generalidade das funções de chefia e gestão, não recorrendo a quadros médios ou a profissionais altamente qualificados” (Moreira, 2008: 92). Tratam-se de empresas, com importantes défices organizacionais e de gestão e com propensão à inovação (resistência à mudança), estando a sustentabilidade dessas empresas ameaçada ainda por previsíveis (e visíveis) problemas de sucessão ao nível da própria estrutura familiar (Gestluz, 2002). Segundo Moreira (2008), o modelo industrial que tem vindo a prevalecer no Norte-Centro Litoral do País, assenta frequentemente em indústrias de trabalho intensivas, orientadas predominantemente para a exportação, utilizando uma mão de obra pouco qualificada e auferindo salários relativamente baixos. Este modelo de industrialização que tem como expoentes o Ave, o Cávado, partes consideráveis do Entre-Douro-e-Vouga e uma boa parte do Tâmega (agrupamento de concelhos do Vale do Sousa), veio a constituir-se numa das partes mais vulneráveis do território nacional, sobretudo a partir do momento em que processos de intensificação tecnológica e a globalização vieram acentuar a sua fragilidade. É nestas regiões, em que se concentra parte considerável da população ativa na indústria, que se verifica atualmente perigo mais acentuado de intensificação do desemprego (desemprego mais industrial e não tão envelhecido como o que se encontra no interior, mas não necessariamente menos estrutural) (Moreira, 2008: 93). De ressalvar que a realidade atual em tudo se assemelha à data da tese de Moreira (2008). As dinâmicas de funcionamento social e institucional refletem o processo de crescimento económico de base industrial a que a região assistiu nas últimas três décadas, sem uma correspondência direta com a elevação dos níveis escolar e cultural. O desempregado da Profisousa: os caminhos do empreendedorismo para a sua (re)inserção profissional 16 3.2. Ganho médio Mensal Avançando para outro ponto de relevo, podemos consultar através do INE 5 , as disparidades dos ganhos mensais, para o país e respetivas regiões. Assim sendo, o ganho médio mensal do País é de 1034.2€, enquanto a região Norte se fica pelos 901.4€, dentro da região Norte o Tâmega, tem um ganho médio mensal de 722€ e dentro do Tâmega, o concelho de Paços de Ferreira um ganho médio mensal de 658€ no caso, o segundo valor mais baixo da zona Tâmega, só superado por Mondim de Basto com um ganho médio mensal de 616.7€ como sabemos os salários têm tendência para acompanhar a qualificação dos trabalhadores, ou seja, mais qualificação maior salário e menos qualificação menor salário, assim sendo somos levados a mencionar que possivelmente os baixos salários do concelho, refletem as baixas qualificações do mesmo. 3.3. Educação Uma vez que, vamos dar grande enfoque ao desemprego ao longo do relatório e tendo sempre em linha de conta as qualificações dos adultos da região estudada e o possível aumento dessas qualificações que a Profisousa pretende implementar, é de todo pertinente, os números que enformam a educação no concelho de Paços de Ferreira. A possível influência dos pais sobre o sucesso ou fracasso escolar dos seus filhos, tem sido uma questão muito preocupante, tanto para os políticos, como gestores escolares, e pesquisadores de diversos ramos das ciências sociais. O nível escolar dos pais é apenas, um dos múltiplos fatores por trás do fracasso escolar. No caso do concelho é do conhecimento geral que o nível escolar dos adultos da região Norte e do concelho de Paços de Ferreira em particular apresentam graves carências. Mas a reforma atual surge como a primeira vez em que, o tema está em destaque. O desvio entre a escolaridade obrigatória dos pais e agora das crianças está fixado num intervalo de 8 anos em média (GEPE, 2008). Bourdieu e Passeron trabalham a relação entre o “capital cultural e herança do conhecimento”, em que os principais resultados têm que ver com os recursos nãoeconómicos, por trás do desempenho das crianças nas escolas. De referir que a acumulação de capital cultural começa, dentro da família (GEPE, 2008). 5 Disponível em: http://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_destaques&DESTAQUESdest_boui=107941806 &DESTAQUESmodo=2 consultado a 31 de outubro de 2011 O desempregado da Profisousa: os caminhos do empreendedorismo para a sua (re)inserção profissional 17 Com base nestes pressupostos analisados, os dados do INE para o ano de 2010, relativamente a temática da desistência e retenção nos diferentes ciclos de ensino, que no nosso entender, poderá dar a conhecer como se encontra o tecido escolar jovem da região e do concelho de Paços de Ferreira na região Norte e Tâmega. A retenção, mas sobretudo a desistência podem explicar em certa medida a procura desse público pela Iniciativa Novas Oportunidades, sobretudo os jovens que desistem da escola antes de completarem o 3ºciclo de escolaridade e quando enfrentam o mercado de trabalho, as portas fecham-se pela carência dessa valência. Sustentamos que sobretudo no 3º ciclo do ensino básico a taxa de retenção e desistência no concelho é muito elevada (15.2%), ultrapassando a média Nacional (anexo 1, tabela 7). Através desta taxa percebemos que são muitos os jovens que ainda abandonam a escola sem completarem o ensino básico o que lhes causa sérios problemas no mercado de trabalho, uma vez que entram no mesmo, padecendo de uma falta de qualificação condizente com os pedidos do mercado. Relativamente a isto, Abrantes (2005) diz-nos que “os anos de escolaridade críticos [em termos de retenções] são o 2º, o 5º e o 7º. No 2º ano é compreensível dado não existir nenhuma retenção no precedente. Mesmo assim os níveis atingidos são muito preocupantes. Porém, as restantes retenções revelam as dificuldades dos alunos após a passagem de ciclo. Este dado corrobora a afirmação de um sistema de ensino com manifesta desarticulação entre os diferentes ciclos, com patamares de exigência claramente desnivelados e com eventuais problemas de desadequação após a transição". (ME/MSST, 2004, pp.5 in Abrantes, 2005: 36) No capítulo da transição/conclusão do Ensino Secundário 6 , o concelho de Paços de Ferreira apresenta uma percentagem superior à média Nacional, o que indica o bom desempenho escolar dos anos do secundário (anexo 1, tabela 8). Para o concelho de Paços de Ferreira, ou seja, o nosso território de intervenção percebemos que sobretudo ao nível do ensino básico, as taxas de desistência são ainda elevadas, o que não se coaduna com os pedidos do mercado de trabalho, pois embora o mercado de trabalho da região seja significativamente desqualificado, cada vez mais, é exigido no mínimo o 9º ano de escolaridade para poder concorrer para qualquer 6 Disponível em: http://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_destaques&DESTAQUESdest_boui=107941806 &DESTAQUESmodo=2 consultado a 31 de outubro de 2011 O desempregado da Profisousa: os caminhos do empreendedorismo para a sua (re)inserção profissional 18 emprego. Como tal ainda existe público jovem e obviamente adulto no concelho que necessitam inevitavelmente de concluir este grau de ensino. O desempregado da Profisousa: os caminhos do empreendedorismo para a sua (re)inserção profissional 19 Capítulo II – Desemprego e desempregados 1. Desemprego: um fenómeno pluridimensional 1.1. Definição e mensuração do desemprego O desemprego como geralmente é definido “corresponde, à condição dos trabalhadores que, embora disponíveis para o trabalho, num determinado momento da sua vida ativa estão involuntariamente privados de um trabalho” (Caleiras, 2011: 27). Desde a depressão de 1929, os Estados apressaram-se a medir o número de desempregados, entendendo que a condição de desempregado merecia ou carecia, em face da perda de rendimento salarial, da intervenção do poder público. Fazê-lo, no entanto, não tem sido fácil. Mas se os desempregados deveriam ser apoiados, então havia que os contabilizar e saber quantos existiam. Desde logo, uma questão básica emergia e que ainda hoje perdura: quem deve ser qualificado como tal e, portanto, contabilizado oficialmente? Numa tentativa de resposta, Freyssinet (1984) situa e descreve a população desempregada no quadro mais amplo da composição da população total. Seguindo esta linha argumentativa, a identificação dos desempregados, no conjunto da população total, resulta da resposta a duas questões basilares. A primeira consiste em saber se um trabalhador tem ou não um emprego. Se a resposta é positiva, esse trabalhador integra a população empregada. Ao contrário, se a resposta é negativa, então a segunda questão resume-se a saber se esse trabalhador procura ou não um emprego. Se não procura, é classificado como fazendo parte da população inativa, na qual também se inserem os reformados, os estudantes ou as domésticas, por exemplo. Se, por outro lado, procura emprego, então esse trabalhador integra a população desempregada (Freyssinet, 1984: 13-14). De acordo com o INE 7 , são considerados desempregados os indivíduos com idade superior a 15 anos que na semana anterior ao inquérito realizado se encontrem simultaneamente nas seguintes condições: (i) não ter trabalho remunerado ou qualquer outro; (ii) estar disponível para trabalhar de forma remunerada ou não; (iii) e ter procurado trabalho, isto é, ter feito diligências ao longo das últimas quatro semanas para encontrar um emprego remunerado ou não. 7 Fonte: http://metaweb.ine.pt/sim/conceitos/Detalhe.aspx?cnc_cod=1459&cnc_ini=07-04-2006 consultada a 2 de dezembro de 2011 O desempregado da Profisousa: os caminhos do empreendedorismo para a sua (re)inserção profissional 20 Um trabalhador desempregado mas que não tenha feito diligências para arranjar emprego no mês anterior ao inquérito realizado, ou que desenvolva trabalho não remunerado para ocupar o tempo, já não é considerado oficialmente como desempregado e, por isso, não consta nas estatísticas oficiais de desemprego. Portanto, para se ser considerado desempregado é necessário preencher simultaneamente as três condições. O Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP), cuja principal missão, diferentemente do Instituto Nacional de Estatística (INE), é a de intermediar a oferta e a procura de emprego, considera desempregado o candidato inscrito num Centro de Emprego (CE) que não tem trabalho, procura um emprego por contra de outrem, está imediatamente disponível e tem capacidade para o trabalho (IEFP, 2008). Com efeito, é de referir, que em Portugal, o desemprego é medido por entidades distintas, oficiais e credíveis, mas que utilizam metodologias diferentes. Temos o IEFP, onde se registam todos os sujeitos, que procuram um emprego e/ou pretendem beneficiar do subsidio de desemprego. Dentro da categoria de desempregados, são distinguidas duas situações, os indivíduos registados à procura de emprego que nunca trabalharam, ou seja, procuram o primeiro emprego e os indivíduos que já trabalharam e em virtude de terem deixado de o fazer por motivos de ordem diversa, procuram um novo emprego. No IEFP o desemprego é aferido de forma administrativa, mediante o registo dos indivíduos, INE mensura o desemprego através da aplicação do “Inquérito ao Emprego”, conforme normas estatísticas internacionais. Para além do IEFP e do INE existe ainda o Departamento de Estatística do Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social (MTSS) que através do “inquérito ao emprego estruturado” faculta informação sobre a mobilidade das pessoas ao serviço, número de empregos vagos, duração normal e efetiva de trabalho por trimestre. Ainda que esta informação seja apenas referente aos desempregados por conta de outrem (Dias, 2010: 14). 1.2. Abordagem sociológica do desemprego A sociologia assumiu o desemprego como objeto de investigação, não apenas porque se trata de uma categoria macrossocial configurada por construções institucionais e normativas ao longo do último século, mas também porque o desemprego, dada a crescente heterogeneidade de indivíduos que atinge, tende a ser O desempregado da Profisousa: os caminhos do empreendedorismo para a sua (re)inserção profissional 21 diferentemente vivido, ou seja, a desencadear consequências diferenciadas entre aqueles que o experimentam. Os primeiros trabalhos sociológicos sobre o desemprego surgiram em 1930, em que se destaca o trabalho realizado por Jahoda, Lazarsfeld e Zeisel a propósito da experiência de uma pequena comunidade austríaca – Marienthal – massivamente atingida pelo desemprego (Jahoda et al., 1971) e o trabalho de Wight Bakke sobre os trabalhadores desempregados em Greenwich (Loison, 2002). O período que se seguiu à Segunda Guerra Mundial, ao contrário do anterior, foi caracterizado pela prosperidade económica e por políticas de pleno emprego, no entanto nesta época surgiu uma obra de referência de Raymond Ledrut, Sociologie du Chômage (Ledrut, 1966). Com o fim dos anos gloriosos e a emergência de nova crise económica, em meados da década de 1970, o estudo das dimensões subjetivas e relacionais do desemprego é retomado. A este respeito, os trabalhos de D. Schnapper sobre a vivência do desemprego em França são ainda hoje uma referência (Schnapper, 1981). Mais recentemente, “os resultados do trabalho de Gallie e Paugam sobre a regulação social do desemprego ou do projeto europeu INPART (Inclusion Through Partici-pation. Inclusion and Exclusion in Social Policies and Everyday Experience in Central and Peripheral Areas) abrem novos campos de investigação sobre o desemprego” (Caleiras, 2011: 70). É difícil definir e medir o desemprego não apenas porque a condição de desempregado foi concebida por referência ao direito a um apoio público, ou porque há uma ambiguidade da categoria, que ora descreve uma relação com o mercado de trabalho, ora uma relação com o sistema de providência estatal. É também difícil porque franjas significativas de população se situam em posições intermédias entre emprego, desemprego e inatividade. Pela sua importância quantitativa e qualitativa, cinco situações merecem aqui destaque. São elas: o trabalho informal, o sub-emprego (trabalho parcial; voluntário ou involuntário), os inativos disponíveis, os inativos desencorajados e as medidas de emprego, em particular a formação. A figura seguinte mostra o diferente posicionamento destas categorias no mercado de trabalho. O desempregado da Profisousa: os caminhos do empreendedorismo para a sua (re)inserção profissional 22 Figura 1. Posicionamento face ao mercado de trabalho (MT) Fonte: Adaptado de Freyssinet, 1984:19 Relativamente ao trabalho informal, este é um domínio que evidentemente escapa aos registos estatísticos. Embora seja uma realidade empírica complexa, pode dizer-se, num registo simplista, que se trata de uma atividade profissional, única ou secundária, exercida à margem das obrigações legais, regulamentares ou convencionais, lucrativo e de forma mais ou menos contínua. Mais comum nos países da Europa do Sul, entre os quais Portugal, o trabalho informal inclui um conjunto muito heterogéneo de atividades, que vão desde o trabalho doméstico não remunerado, ao trabalho desenvolvido sem qualquer tipo de enquadramento legal perante o fisco ou a segurança social, passando ainda pelo trabalho não declarado que se junta ao trabalho declarado (Caleiras, 2011). De um ponto de vista lógico, a pertença do trabalhador informal à população ativa é indiscutível. Na verdade, ele trabalha. Mas na prática, se ao trabalho informal se junta trabalho declarado a situação parece simples: fruto da sua atividade declarada, o trabalhador é classificado como empregado. Se não, ele é classificado como inativo ou como desempregado, consoante procure ou não emprego. Se estiver inscrito no Centro de Emprego e procurar emprego será desempregado; se não procurar, é classificado como inativo. É neste sentido que o trabalho informal se situa uma encruzilhada, isto é, na interseção do emprego com o desemprego e a inatividade. Assim, o trabalho informal introduz uma nova margem de incerteza que não pode, na realidade, ser esquecida. Nas últimas décadas, houve uma deterioração do mercado de trabalho ao nível global. De acordo com Marques (2009), o desemprego representa o sinal mais visível de disfuncionalidade do mercado de trabalho, de ruturas de trajetórias profissionais e de vida. O aumento das taxas de desemprego em vários países e a diminuição das taxas de O desempregado da Profisousa: os caminhos do empreendedorismo para a sua (re)inserção profissional 23 emprego são reflexos consideráveis dessa deterioração. Este é considerado um problema social de grande complexidade e de difícil resolução, transversal a muitas sociedades. Sendo um fenómeno muito abrangente, o desemprego tem consequências na sociedade em várias áreas, nomeadamente na política, na economia e no domínio social, para além das consequências de variadíssima natureza para os indivíduos desempregados. No entanto, não podemos restringir a nossa leitura a um quadro ou afirmação circunscrita do que é o desemprego no seio da Europa. Considere-se que a “diversidade dos valores que assumem os indicadores sobre o desemprego entre os países exprime, a par e diferentes performances das dinâmicas económicas no sentido da geração e manutenção de emprego, a heterogeneidade dos respetivos mercados de trabalho em termos, por exemplo, das relações entre atividade, emprego e inatividade, das formas de emprego, dos níveis de qualificação escolar e profissional da mão de obra, das estratégias e práticas de flexibilização por parte dos empregadores, dos mecanismos de formação dos salários e da redistribuição da riqueza gerada, da configuração e das práticas das relações entre os atores coletivos representantes dos assalariados e empregadores, do enquadramento jurídicoinstitucional das relações coletivas de trabalho.” (Gonçalves, 2005:130). São vários os conceitos que devemos ter em mente para analisar o desemprego. É muito importante, identificar as mudanças estruturais do mercado de trabalho, produzidas pelas transformações da sociedade em geral. A evolução do mercado de trabalho deu origem ao desenvolvimento de novas formas de desemprego, como por exemplo, o desemprego de longa duração. O fenómeno do desemprego pode e deve ser visto através de várias perspetivas, uns estudos dão mais relevo a uns aspetos que outros, mas é importante termos uma ideia de todas ou quase todas as visões, inclusive para não adotarmos uma postura rígida perante o fenómeno. Existem inúmeras expressões associadas ao desemprego: “acima dos 50 anos”, ”longa duração”, “estrutural”, “ameaçados de exclusão”, “passivos”, “desencorajados”, “indecisos”, “inempregáveis”, “falsos desempregados” (Demazière, 2006). Estas expressões e outras fragilizam ainda mais os contornos deste conceito, contudo, permitem uma diferenciação entre os desempregados dando conta da diversidade social existente. Clavel (2004) conduz-nos por um desemprego a duas velocidades, isto é, um desemprego que ele denomina de transição e outro que denomina de exclusão. O desempregado da Profisousa: os caminhos do empreendedorismo para a sua (re)inserção profissional 24 O desemprego de transição “é de curta duração, entre dois empregos. O facto de se encontrar rapidamente um emprego permite não desligar do mercado de trabalho e da capacidade de voltar a trabalhar”. Os jovens permanecem menos tempo neste tipo de desemprego do que os outros, pelo facto de passarem mais facilmente de um emprego precário para uma nova situação precária. Esta precariedade crónica tem, como consequência, uma difícil e verdadeira inserção social e profissional. “A experiência mostra, que é capital, para aqueles que procuram emprego, reintegrar o mercado de trabalho nos três primeiros meses de desemprego. Para lá dos seis meses, a procura de trabalho torna-se cada vez mais problemática” (Clavel, 2004:72). A partir de um ano sem emprego, aquele que procura torna-se administrativamente desempregado de longa duração. A duração da situação de desemprego implica, uma linha temporal em que os sentimentos dos indivíduos se alteram. A experiência do desemprego produz sentimentos ora de humilhação e de crise identitária, ora de algo salutar e proveitoso. A ausência prolongada de trabalho ou a instabilidade constante do mesmo conduzem ao que Clavel (2004) designa por um desempregado de exclusão, na medida “em que se opera uma rutura progressiva, até mesmo definitiva, com o mundo do trabalho e com os modos de socialização que este último estrutura: a instalação na precariedade induz um duplo movimento de desconstrução e de reconstrução sociais e subjetivas de uma identidade estruturada por uma lógica de sobrevivência material e psicológica” (Clavel, 2004:72). A experiência do desemprego, não é vivida da mesma forma entre os sujeitos. Este é um fenómeno que se expressa de maneira seletiva face às características socioeconómicas dos desempregados, os apoios proporcionados pelo Estado divergem não sendo equitativos, as expectativas dos indivíduos também não são uniformes, ou seja, existe uma diversidade de maneiras de viver a situação do desemprego. Através da abordagem de Ávila (2008) concluímos que os indivíduos, tendem a associar a trajetória que seguiram ao grau de escolaridade que detêm: imaginam um percurso de vida (nomeadamente em termos profissionais), a partir da hipótese (não concretizada) de uma escolaridade mais prolongada. A principal associação que fazem é entre a qualificação escolar e o tipo de trabalho realizado. É face a esse alargamento do quadro de oportunidades profissionais que a progressão escolar surge associada a uma crescente autonomia: “poder dizer que não a O desempregado da Profisousa: os caminhos do empreendedorismo para a sua (re)inserção profissional 25 determinadas profissões depende fortemente dos recursos escolares alcançados” (Ávila, 2008: 313). O diploma escolar confere a quem o detém um determinado estatuto social e aqueles que não possuem podem desenvolver sentimentos de insatisfação, ou mesmo de privação relativa. É face à comparação com os outros, os mais escolarizados, que os indivíduos se sentem inferiorizados. Os indivíduos podem desenvolver de forma consciente, estratégias de ocultação do seu nível de qualificação escolar, evitando que o mesmo seja revelado no quadro da interação com os outros, em geral mais qualificados. A posse de qualificações escolares mais reduzidas do que as que são, num determinado contexto, consideradas socialmente desejáveis, e esperadas, pode afetar, por isso, fortemente a autoestima dos indivíduos. Neste sentido, os sujeitos “revelam uma consciência social profunda, não só da posição que ocupam no espaço social, como do lugar que poderiam e desejam passar a ocupar caso detivessem recursos escolares mais elevados, e sobretudo do que isso significaria ao nível do habitus incorporado” (Ávila, 2008: 314). A manifestação do desejo de incorporar um novo habitus, tomando por referência aqueles que já o detêm, revela, assim, a não conformidade, ou desajustamento, com o habitus incorporado. Pensar de outra forma, poder dizer mais qualquer coisa, ou fazer mais qualquer coisa constituem referências claras, à consciência das mudanças profundas que poderiam decorrer da progressão escolar. Tratam-se, de efeitos a nível cognitivo, estreitamente associados às capacidades e competências fundamentais para agir em sociedade. Ao nível do significado da posse de um certificado, este confere uma segurança acrescida. O certificado obtido é “válido e validado perante qualquer pessoa, qualquer entidade, e é por isso mesmo interpretado como uma espécie de passaporte que poderá permitir a entrada em circuitos que até aí se encontravam vedados: empregos diferentes, ou mesmo acesso a outras ofertas de educação e formação. Os indivíduos, “quando percecionam um saber como pertinente e necessário para fazer face a exigências que lhes colocam, evidenciam uma grande motivação e interesse. No entanto, quando não percecionam utilidade imediata ou se apercebem que o esforço necessário para concretizar a aprendizagem é demasiado elevado comparativamente aos dividendos que daí possam surgir, preferem não acionar estratégias e mecanismos no sentido de adquirir o novo saber” (Cavaco, 2002: 87). O desempregado da Profisousa: os caminhos do empreendedorismo para a sua (re)inserção profissional 32 De seguida pretende-se elencar e explicar quais as atividades que fazem os desempregados despender o seu tempo. Segundo Caleiras (2011) a família e a esfera doméstica são espaços privilegiados para atividades alternativas e, em certa medida, compensatórias dos custos gerados pelo desemprego. Se algum aspeto positivo pudesse ser associado à condição de desempregado, ele seria certamente a maior disponibilidade de tempo para a família e para realizar outras tarefas. As mulheres/mães despendem maioritariamente o seu tempo para tratar dos filhos. Entre os homens grande parte, relacionam o seu tempo com atividades agrícolas em casa e ainda à realização de obras na casa que pretendiam fazer mas não tinham tempo. Outra atividade em que os desempregados ocupam o seu tempo, assenta na troca recíproca, especialmente nos concelhos rurais onde existe uma rede de vizinhança e de relações sociais propicia a troca de serviços entre familiares, vizinhos ou amigos. Entre os desempregados mais jovens, a casa dos pais, funciona como espaço de acolhimento privilegiado. Seja para aqueles que continuadamente por lá se mantiveram, seja para aqueles que entretanto saíram, mas que agora, perante as dificuldades financeiras decorrentes da perda do emprego, regressaram. Ainda que esse regresso seja forçado, o acolhimento não é negado. No entanto, parte dos jovens não aceita este acolhimento passivamente, e tenta participar nas tarefas e contas da casa. Entre os jovens, embora reduzidas a uma frequência compatível com as menores disponibilidades financeiras, os consumos culturais persistem e, em geral, continuam presentes nos modos e estilos de vida dos mais jovens. É como se essas práticas “sobrevivessem” ao desemprego, contribuindo decisivamente para diminuir riscos de isolamento e conservar relações sociais. No entanto convém referir que nem todos os desempregados têm redes de relações sociais densas e alargadas (Caleiras, 2011). Em suma, “o desemprego é um processo em espiral de acumulação de desvantagens várias, tornando cada vez mais difícil o retorno ao mercado de trabalho. Mesmo o suporte social assegurado pelas redes nas quais participam os desempregados é frequentemente débil e não lhes garante o apoio psicossocial e material necessário (Gallie e Vogler, 1994 in Caleiras, 2011: 75). A degradação do nível de vida é uma consequência relevante do desemprego. Um dos aspetos mais importantes dessa degradação é o que correlaciona as dificuldades económicas com o stress psicológico, uma vez que a degradação do nível de vida tende O desempregado da Profisousa: os caminhos do empreendedorismo para a sua (re)inserção profissional 33 a ser vista pelos desempregados como causa de rutura nos seus planos e nas suas estratégias futuras. A nível demográfico, as profundas mudanças que enfrentamos terão impactos muito significativos na economia e na sociedade. O envelhecimento da população, a participação dos jovens no mercado de trabalho e o prolongamento da permanência dos mais velhos no emprego aconselham a que se “tomem medidas com vista a combater o abandono escolar precoce, melhorar as competências e qualificações dos ativos e explorar cada vez mais as potencialidades da educação ao longo da vida” (Miguéns in CNE, 2007: 12). “A imensa tarefa de combate à pobreza e à exclusão social tem um aliado perfeito na educação de adultos que pode contribuir de forma decisiva para travar a marginalização dos excluídos pelas baixas qualificações ou pelo desemprego” (Miguéns in CNE, 2007: 12), por exemplo, permitindo-lhes uma nova oportunidade e uma integração social e profissional de cidadania plena. O investimento na educação e formação de todos traz vantagens diversas ao nível da empregabilidade, da produtividade e da qualidade dos empregos. Não menos importantes, são os benefícios que podem advir para a participação cívica dos cidadãos, para o bem-estar, autoestima e realização das pessoas. A participação em atividades estruturadas, mas flexíveis, de aprendizagem ao longo da vida, com a oferta de uma segunda oportunidade aos que chegam à idade adulta sem qualificação, com o desenvolvimento de novas competências e o envolvimento em atividades cívicas, com o reconhecimento de qualificações e competências, promove o desenvolvimento pessoal e a melhoria do bem-estar dos cidadãos em geral (cf. Miguéns in CNE, 2007: 13). Portugal enfrenta hoje grandes e importantes desafios, em que temos de ultrapassar sob pena de ficarmos irremediavelmente atrasados, em relação aos nossos parceiros europeus. É urgente preparar as novas gerações, “dotando-as das competências necessárias e do espirito empreendedor, necessário para enfrentar esta realidade emergente, dominada pelo Conhecimento e pela Inovação” (Rafael in CNE, 2007: 42). A preparação para a nova realidade tem de passar pelo desenvolvimento dos aspetos pessoais que possibilitem uma atitude ativa e inovadora, nomeadamente, nos campos de análise, crítica, leitura e desconstrução dos problemas, criação de novos caminhos, estratégias de soluções e, finalmente, de concretização de objetivos (cf. Pacífico in CNE, 2007: 48). O desempregado da Profisousa: os caminhos do empreendedorismo para a sua (re)inserção profissional 34 As pequenas, micro e médias empresas são hoje um fator de esperança na luta contra o desemprego e na dinamização da economia, pois geram emprego, mas também eliminam postos de trabalho, num movimento constante de criação e desaparecimento de empresas e emprego. O modelo económico de um emprego para toda a vida, na mesma empresa ou na mesma área profissional ou setor de atividade está esgotado. Os ativos começam a tomar consciência que, no futuro, terão de mudar frequentemente de empregador, de setor de atividade ou até de profissão, sem que tais mudanças constituam, aos seus olhos como aos dos empregadores e da sociedade em geral, um fator de estigmatização pessoal, profissional ou social (cf. Castro in CNE, 2007: 52/53). Seguindo de perto a abordagem de Caleiras (2011) no que se refere, à vida quotidiana dos desempregados e como o tempo passado no desemprego é usado, parecenos importante reter que o regime jurídico de proteção social na eventualidade de desemprego, atualmente em vigor, leva a supor que a atividade principal e “obrigatória” que organiza a vida dos desempregados é a “procura ativa” de emprego 8 . Desta forma uma parte substancial do dia a dia deveria ser dedicada à procura ativa de novo emprego. Mas quase sempre isto não acontece. “Nem a vida dos desempregados que a compõem se limita a essa procura, nem esta é tão sistemática assim…”. Na verdade, a vida dos desempregados vai muito para além do tempo dedicado à procura de emprego. “…O tempo e o afinco dedicados à procura de emprego oscilam em função de fatores tão distintos como a situação financeira, o estado psicológico, as características do mercado de trabalho local” (Caleiras, 2011: 284). No nosso entender, a perceção que a comunidade tem para com os desempregados, embora seja atravessada por sentimentos negativos, aparenta não os estigmatizar. O reconhecimento da existência de um desemprego local de difícil superação, devido à fraca, ou mesmo nula, oferta de novos empregos, torna os desempregados menos permeáveis a rótulos. Os desempregados que procuram emprego não o fazem de forma sistemática nem como uma constante no tempo. A intensidade da procura varia em função de oportunidades que vão surgindo e num calendário mais relacional do que cronológico. A procura é desenvolvida, fazendo apelo preferencialmente a meios informais. O 8 O Decreto-Lei nº 220/2006, de 3 de novembro, estabelece a obrigatoriedade da procura ativa de emprego. A comprovação dessa procura deve ser feita pelo próprio desempregado subsidiado junto do Centro de Emprego onde se encontra inscrito, sob pena de perder o direito à prestação de desemprego que tem, e portanto, de deixar de ser apoiado pelas políticas públicas passivas compensatórias. O desempregado da Profisousa: os caminhos do empreendedorismo para a sua (re)inserção profissional 35 recurso ao inter-conhecimento, aos pares das suas relações ou a outras pessoas às quais se tem acesso é habitual entre os desempregados, no nosso entender. Entre os que procuram, nota-se que “as motivações subjacentes aos comportamentos são múltiplas e heterogéneas. Oscilam em função de variáveis tão distintas como a idade, o sexo ou as qualificações, a duração do desemprego ou o rendimento disponível, o estado psicológico ou a estrutura do mercado de trabalho local. Enredados entre si por nexos causais nem sempre evidentes, estes e outros fatores funcionam por mediações complexas, tornando difícil determinar a influência específica que cada um isoladamente exerce sobre o maior ou menor grau de atividade na procura de emprego” (Caleiras, 2011:290). Em suma, partilhamos com Caleiras (2011) a ideia que os comportamentos de procura são muito variados. No entanto, há três factos importantes a ter em conta. O primeiro é que a ideia, tantas vezes veiculada, segundo a qual os desempregados não querem trabalhar, não parece confirmar-se. O aparente desinteresse na procura de emprego não é mais do que isso. Em segundo lugar, os comportamentos de procura tendem a ser mais seletivos e direcionados entre os mais qualificados, em regra, os mais jovens, parecem ter mais confiança em si e nas suas capacidades. Entre os mais velhos, menos qualificados, a norma parece ser a de uma procura difusa e indiferenciada, procura essa que se acentuar com a pressão financeira sentida, e com o prolongamento da duração do desemprego. Em terceiro lugar, para entender os comportamentos é necessário também ter em linha de conta fatores externos que não dependem dos próprios desempregados, como por exemplo, fatores estruturais relacionados com o mercado de trabalho, onde escasseiam as ofertas e a desvitalização dos sistemas locais de emprego, sobretudo nos concelhos do interior que se, traduz na falta de postos de trabalho. A fraca ou nula procura de emprego está relacionada com dois grandes fatores. O primeiro tem que ver com a perceção da escassez das ofertas de emprego. A ideia de desesperança é frequente entre aqueles que já foram a entrevistas e não ficaram colocados ou não obtiveram qualquer tipo de resposta. O segundo grande fator tem que ver, com estratégias pessoais dos desempregados perante a escassez de oferta de empregos, alguns estão mais interessados em deixar passar o tempo, aguardando por uma eventual transição para a reforma antecipada. Importa ainda referir que o desinteresse na procura de emprego não significa uma resistência ao trabalho. Os desempregados não se afastam do universo do trabalho. O desempregado da Profisousa: os caminhos do empreendedorismo para a sua (re)inserção profissional 36 Em vários casos, o trabalho está presente, mas é informal, é exercido fora do mercado regular. É aí que, às vezes sem alternativa, buscam fontes de rendimento. 2. Estratégia metodológica de análise ao desempregado da Profisousa O presente ponto do relatório visa expor e justificar, as opções metodológicas que elegemos no sentido de alcançar uma resposta para o objetivo que nos propusemos com a caracterização do desempregado que procura da Profisousa. Ao longo do desenvolvimento do presente estudo, tivemos consciência que os instrumentos metodológicos não podem ser selecionados de forma independente das referências teóricas da investigação. Por conseguinte, é necessário conceber uma estratégia de recolha de informação que se traduz num “conjunto coordenado de métodos, de procedimentos e de técnicas consideradas pertinentes em relação ao objetivo perdeguido” (Ketele; Roegiers, 1993: 153). Esta estratégia implica o recurso a métodos de recolha de investigação que se definem como “um conjunto mais ou menos estruturado e coerente de princípios que devem orientar o conjunto dos procedimentos do processo no qual se inscreve (nomeadamente as técnicas utilizadas) ” (Ketele; Roegiers, 1993: 154). Este estudo é um estudo de caso, pois “é uma investigação que se assume como particularista, isto é, que se debruça deliberadamente sobre uma situação especifica que se supõe ser única ou especial, pelo menos em certos aspetos, procurando descobrir o que há nela de mais essencial e característico e, desse modo, contribuir para a compreensão global de um certo fenómeno de interesse” (Ponte, 2006: 132). Fenómeno de interesse, que neste caso, se materializa na tentativa e ambição de obter conhecimento sobre as particularidades do desempregado que procura/procurou a Profisousa, bem como identificar as suas pretensões sobre o que o futuro no mercado de trabalho lhe pode reservar, através da análise das expectativas e motivações que revelam. O carácter particularista da investigação relaciona-se com o facto de ser um fenómeno que ocorre mais ou menos pontualmente na vida dos sujeitos, e cujos contornos são bem delimitados Ou seja, apesar de o desemprego ser heterogéneo na população em geral, tem certas especificidades e características comuns entre todos os sujeitos. O desempregado da Profisousa: os caminhos do empreendedorismo para a sua (re)inserção profissional 37 Do conjunto de opções metodológicas que foram aplicadas ao longo desta fase da investigação, salientamos a análise documental da informação cedida pela Profisousa. A opção metodológica por um método de investigação quantitativo apresenta-se como um processo sistemático de colheita de dados observáveis e quantificáveis, conduzindo a resultados que devem conter o menor enviesamento possível. A objetividade, a predição, o controlo e a generalização são características inerentes a esta abordagem. Para atingir os objetivos anteriormente referidos, ou seja, conhecer as particularidades do desempregado da Profisousa, procedemos à conceção e aplicação de um inquérito por questionário (anexo 2) que, para Bravo, se apresenta como “um conjunto de perguntas, preparadas cuidadosamente, sobre factos e aspetos que interessam numa investigação sociológica” (1994: 305). Para o teórico, esta técnica funciona como uma ligação entre os objetivos da investigação e a realidade da população alvo de estudo (Bravo, 1994: 305). Por outras palavras, esta técnica permite inquirir um conjunto de pessoas representativas de uma população, face a uma série de questões relativas, nomeadamente, a sua situação social e profissional, o conjunto de pessoas em causa remete para a amostragem. As técnicas de amostragem usam-se para selecionar os elementos da população de forma a obter uma amostra que a represente. Existem várias técnicas classificadas em dois grupos: as técnicas de amostragem probabilísticas (ou aleatórias) e as não probabilísticas. As probabilísticas definem-se pelo facto de ser “conhecida à priori, a possibilidade de cada elemento da população pertencer à amostra. Neste tipo de amostragens, os elementos da amostra são selecionados aleatoriamente, ou seja, ao acaso, mas este acaso deve ser sistematicamente e rigorosamente planeado.” (Bacelar, 1999: 30). As não probabilísticas têm em comum o facto de não utilizarem o método de seleção aleatória para os elementos da amostra. Isto significa que não há garantia estatística de que a amostra selecionada seja representativa. De salientar, que garantia estatística significa simplesmente que ao contrário das técnicas aleatórias, não existe uma teoria estatística de suporte à obtenção de amostras representativas. É aqui conveniente sublinhar que a aleatoriedade não garante que a amostra a obter seja representativa, garante apenas que existe uma probabilidade significativamente elevada O desempregado da Profisousa: os caminhos do empreendedorismo para a sua (re)inserção profissional 38 de que a amostra possua esse qualificativo. Tal não implica que uma dada amostra, selecionada aleatoriamente, seja representativa. Trata-se apenas de um método que permite à priori, obter amostras representativas na maior parte dos casos (Bacelar, 1999: 37). A amostragem por quotas é uma técnica de generalizada utilização nas sondagens. Aparentemente semelhante à amostragem estratificada é de facto bastante diferente desta, uma vez que a seleção dos elementos da população não é aleatória. O objetivo desta técnica é o de tentar compensar as notórias insuficiências da amostragem acidental. A inclusão acidental de elementos da população na amostra produz por razões evidentes, uma forte deformação nesta, perdendo-se por completo qualquer similitude da composição entre amostra e população. Para ultrapassar este problema, define-se à partida um conjunto na população e procura-se respeitá-los na constituição da amostra, criando desta forma uma espécie de população em miniatura (Bacelar, 1999: 38). No nosso caso, optámos por uma amostra não probabilística e intencional, pelo que as conclusões do estudo, só se aplicam à amostra e não à totalidade do universo em virtude de não haver a garantia de que a amostra seja razoavelmente representativa do mesmo. Optamos pela amostragem por quotas tendo em consideração três variáveis, o sexo, a idade e a escolaridade. Através da plataforma SIGO, disponível no CNO da Profisousa, tivemos acesso a uma base de dados em formato Excel, onde foi possível recolher a informação que desejávamos, ou seja, todos os indivíduos que fizeram a sua inscrição no CNO da Profisousa, entre 01-01-2011 e 30-09-2011, num universo de 890 indivíduos entre os 18 e os 65 anos de idade. Dividindo o nosso universo pelas três variáveis anteriormente referidos, resultou a seguinte tabela, que caracteriza a população inscrita no CNO. O desempregado da Profisousa: os caminhos do empreendedorismo para a sua (re)inserção profissional 39 Tabela 2. População inscrita no CNO Sexo Masculino Feminino Total Grau de ensino Básico Secundário Básico Secundário Escalão Etário 18-28 46 39 50 36 171 29-39 107 16 104 35 262 40-50 127 12 121 25 285 51-65 99 5 61 7 172 TOTAL 379 72 336 103 890 Fonte: SIGO, Profisousa Numa análise à distribuição do nosso universo, percebemos que o público escolarmente desqualificado inscrito com o ensino básico representava 80% (379 homens e 336 mulheres) do nosso universo, enquanto o público com o ensino secundário (qualificado), representava apenas 20% (72 homens e 103 mulheres) do nosso universo. Desta forma, optou-se por uma amostra por quotas desproporcional, assente em critérios teóricos, isto é, na expressão das variáveis estruturantes e no equilíbrio nas quotas respetivamente. Por tais motivos, decidiu-se “dividir” o universo em duas subpopulações. A primeira engloba os indivíduos com o ensino básico. Aqui o público feminino representa cerca de 40% e o masculino também cerca de 40%, perfazendo os 80% mencionados anteriormente. A segunda mais pequena é composta por indivíduos com o ensino secundário, que representam cerca de 20% (10% homens e 10% mulheres). Desta forma, decidimos construir uma amostra, com 40 indivíduos com o ensino básico e 10 com o ensino secundário do sexo masculino e de igual forma 40 com o ensino básico e 10 no ensino secundário no sexo feminino, respeitando as quotas de 80% para o ensino básico e 40% para o ensino secundário. Desta opção resultou que a população alvo de análise quando aferida em função da variável “idade” é a que se encontra sistematizada na tabela 3. O desempregado da Profisousa: os caminhos do empreendedorismo para a sua (re)inserção profissional 40 Tabela 3. População alvo do inquérito a partir da amostragem por quotas Sexo Masculino Feminino Total Grau de ensino Básico Secundário Básico Secundário Escalão Etário 18-28 7 4 8 3 22 29-39 11 2 11 3 27 40-50 13 2 13 2 30 51-60 9 2 8 2 21 TOTAL 40 10 40 10 100 Fonte: o autor Tendo em conta tal raciocínio, construímos uma amostra de 100 indivíduos, no entanto, este número poderia e deveria ser aumentado, dependendo de condições favoráveis de aplicação. Tal foi realizado, tendo o intuito de reforçar as quotas onde tínhamos menos representantes, ou seja, sobretudo os indivíduos de ambos os sexos com o ensino secundário. O resultado final foi exposto na tabela 4: Tabela 4. População inquirida Sexo Masculino Feminino Total Grau de ensino Básico Secundário Básico Secundário Escalão Etário 18-28 10 5 12 4 31 29-39 15 5 16 4 40 40-50 13 4 14 4 35 51-60 9 5 8 4 26 TOTAL 47 19 50 16 132 Fonte: o autor O inquérito foi aplicado através de sessões individuais em sala, ou seja, depois dos indivíduos passarem pelo gabinete dos técnicos que os acompanham ou depois de saírem das sessões de avaliação a que são sujeitos, foram encaminhados pelo seu técnico para a nossa sala, preenchendo aí o inquérito. Relativamente aos indivíduos inscritos no secundário foram constituídos dois grupos e após um telefonema a pedir a colaboração dos mesmos no estudo, estes dirigiram-se à Profisousa e numa sessão coletiva realizaram o autopreenchimento do inquérito. O desempregado da Profisousa: os caminhos do empreendedorismo para a sua (re)inserção profissional 41 3. Caracterização do desempregado da Profisousa O presente ponto do relatório visa a apresentação dos resultados do inquérito aplicado à nossa amostra. Tendo em conta a tendência descritiva pela qual enveredamos no inquérito, os resultados são profundamente descritivos da população amostral. Para tal, utilizamos a análise univariada e uma análise bivariada onde realçamos sobretudo as diferenças entre sexos. 3.1. Retrato familiar do desempregado Iniciamos a análise e respetica caracterização do público da Profisousa pelo primeiro conjunto de perguntas do inquérito, intituladas “Caraterização pessoal da população” inquirida. Desde logo, percebemos que a nível do seu estado civil, a maioria, 69,7% dos inquiridos são casados, logo de seguida encontram-se os indivíduos solteiros, no caso, 22,7% do total. Ainda relativamente à variável estado civil, encontramos valores residuais para as restantes três opções que se materializam em apenas 10 inquiridos. Quadro 1 – Estado civil dos desempregados inquiridos Quando analisamos a dimensão do agregado familiar, percebemos que 1,5% dos inquiridos tem apenas um elemento no agregado. Com dois ou três elementos no agregado, encontramos 44,7% dos inquiridos. Com quatro ou cinco elementos no agregado, obtivemos como resposta 48,5% dos inquiridos. Com seis ou mais elementos, obtivemos um conjunto de 5,3% de respostas. Em suma, a grande conclusão que retiramos das respostas a esta pergunta, passa pelo facto, de 93,2% dos inquiridos viverem num agregado familiar com dois a cinco elementos. Estado Civil % Solteiro/a 22,7 União de facto/acompanhado/a 1,5 Casado/a 69,7 Divorciado/a ou separado/a 3,8 Viúvo/a 2,3 Total 100,0 (n) (132) O desempregado da Profisousa: os caminhos do empreendedorismo para a sua (re)inserção profissional 48 4.3. Retracto da trajetória educativa A idade com que saíram da escola é precoce: 48,5% dos inquiridos assinalaram que abandonaram a escola entre os 11-13 anos, 34,8% entre os 14-16 anos de idade, e apenas 6,8% assinalou ter abandonado a escola até aos 10 anos de idade. Conclui-se, que apenas 9,9% abandonaram a escola com 16 ou mais anos de idade. No que se refere ao motivo que originou a sua saída da escola, 32,6% dos inquiridos fizeram-no por carência económica familiar. O segundo motivo mais identificado foi o facto, de terem atingido a escolaridade obrigatória (29,5%). De seguida 19,7% dos inquiridos assinalaram que não tinham sucesso nem gostavam da escola. Já 12,9% mencionaram que conseguiram arranjar um emprego e por isso abandonaram a escola. Quadro 10 – Motivo de saída da escola dos inquiridos desempregados Sobre o seu nível de escolaridade dos inquiridos os resultados foram muito similares, tendo em conta que, 36,4% responderam ter como escolaridade o 2ºciclo de ensino básico, 32,6% responderam o 1ºciclo do ensino básico, 29,5% responderam possuir o 3ºciclo de ensino básico. As restantes opções assumiram valores residuais. Quadro 11 – Nível de escolaridade dos inquiridos desempregados Motivo de saída da escola % No momento tinha atingido a escolaridade obrigatória e decidi sair 29,5 Por motivos de carência económica familiar 32,6 Por imposição dos meus pais/ a minha família não valorizava a escola 1,5 Consegui arranjar um emprego e abandonei a escola 12,9 Não tinha sucesso escolar e não gostava da escola 19,7 Com o nascimento do(s) meu(s) filho(s) optei por abandonar a escola ,8 Outro motivo 3,0 Total 100,0 (n) (132) Escolaridade % Não sabe ler nem escrever ,8 Sabe ler e escrever sem grau de ensino ,8 1º ciclo do ensino básico (primário, 4ª classe ou equivalente) 32,6 2º ciclo do ensino básico (6º ano, 2º ano do ciclo preparatório ou equivalente) 36,4 3º ciclo do ensino básico ( 9º ano, antigo 5ºano do liceu ou equivalente) 29,5 Total 100,0 (n) (132) O desempregado da Profisousa: os caminhos do empreendedorismo para a sua (re)inserção profissional 49 Pretendíamos saber se os inquiridos já tinham frequentado algum curso de formação ou educação e no caso, 54,5% dos inquiridos não tinham frequentado nenhum curso e 45,5% tinham frequentado. Tentamos compreender, quais tinham sido os cursos de formação que os inquiridos tinham frequentado. Através da resposta compreendemos que os cursos de Reconhecimento e Validação de Competências (RVC) Escolar foram frequentados por 23 inquiridos. De seguida a opção mais assinalada foi o curso Educação e Formação de Adultos (EFA) de dupla certificação com 12 inquiridos a assinalarem a opção. A opção “outra” foi assinalada por 10 indivíduos. De referir que a totalidade dos inquiridos que assinalaram esta opção, se referiam a cursos na área das Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC). A “formação modular certificada na área tecnológica” foi assinalada por 9 inquiridos e por fim 6 inquiridos frequentaram cursos EFA Escolar. Quadro 12 – Formação frequentada pelos inquiridos Decidimos dar seguimento às questões sobre os cursos de formação, interrogando os indivíduos que tinham frequentado esses cursos, sobre o motivo que os motivou a realizarem o curso. Através das respostas a esta pergunta, ficamos a perceber que 18 inquiridos o tinham feito para poder “concorrer a empregos melhores” e 13 para poderem “progredir na carreira”. Já 11 por “encaminhamento dos serviços (RSI e Centro de Emprego) ”. Para poderem ter um certificado ou diploma 9 inquiridos fizeram cursos de formação, enquanto 4 inquiridos decidiram fazer o curso para aprender mais. Por fim 2 fizeram-no por “razões pessoais (autoestima; confiança; autonomia); 2 por “outro motivo” e 1 por “reconhecimento familiar/social”. 3.4. Retrato das expectativas e motivações Numa primeira fase, procuramos saber como é que o desempregado ocupa o seu tempo e verificamos que 31,% dos inquiridos responderam que se ocupavam das tarefas Formação que frequentou % RVC Escolar 38,3 Curso EFA Escolar 10,0 Curso EFA Dupla Certificação 20,0 Formação Modular Certificada na área Tecnológica 15,0 Outra 16,7 Total 100,0 (n) (60) O desempregado da Profisousa: os caminhos do empreendedorismo para a sua (re)inserção profissional 50 do lar, seguidos de 25,8% que assinalaram que ocupam o seu tempo a procurar emprego, enquanto 12,9% afirmavam trabalhar na agricultura em casa, cuidando do seu pequeno quintal. Já 8,3% dos inquiridos assinalaram que ocupavam o seu tempo a fazer formação e a mesma percentagem assinalou que fazia trabalhos artesanais para ocupar o seu tempo. Por fim 6,1% assinalou que ocupava o tempo a cuidar dos filhos. As restantes opções apresentaram valores pouco relevantes. Quadro 13 – Forma como os inquiridos desempregados ocupam o seu tempo Numa fase seguinte decidimos utilizar uma escala de licket 9 para perceber algumas vertentes relacionadas com o tipo de emprego que os desempregados procuram. Tendo em conta isto, perguntamos qual a posição hierárquica que pretendiam para um novo emprego e 69,7% dos inquiridos assinalaram que pretendiam um emprego com uma posição hierárquica semelhante à última, enquanto 28% pretendiam que fosse superior e 2,3% que fosse inferior. Quadro 14 – Posição hierárquica que pretendem ocupar num emprego futuro Relativamente ao salário 43,2% dos inquiridos pretendiam que fosse idêntico, enquanto 38,6% afirmavam que “tinha de ser superior ao anterior” de seguida 12,1% dos inquiridos afirmava que para eles lhes era indiferente, enquanto 8% afirmava que 9 Utilizamos nesta escala, quatro pontos. Como ocupa o seu tempo? % Ocupa-me das tarefas do lar 31,8 Cuido dos filhos 6,1 Tomo conta de crianças 1,5 Não faço nada 2,3 Trabalho na agricultura 12,9 Procuro emprego 25,8 Tenho feito formação 8,3 Faço trabalhos artesanais 8,3 Voluntariado 3,0 Total 100,0 (n) (132) Posição hierárquica… % Superior à anterior 28,0 idêntica à anterior 69,7 inferior à anterior 2,3 Total 100,0 (n) (132) O desempregado da Profisousa: os caminhos do empreendedorismo para a sua (re)inserção profissional 51 não se importavam que fosse inferior. Relativamente às respostas a esta questão, grande parte dos indivíduos que responderam querer um salário superior, assinalaram a opção, pois no seu último emprego, não ganhavam o salário mínimo atual, como tal, no emprego futuro, o salário mínimo que devem ganhar será automaticamente superior ao seu último salário recebido. Quadro 15 – Salário que pretendem ter num emprego futuro Relativamente à profissão, questionamos os indivíduos sobre se queriam que fosse idêntica da anterior, diferente da anterior, ou se lhes era indiferente, e os resultados foram os seguintes: 44,7%, 17,4%, 37,9% respetivamente. Quadro 16 – Área de trabalho que pretendem ter num futuro emprego Por fim, questionamos os indivíduos, sobre o seu grau de satisfação face à sua última profissão. Como resposta, 55,3% demostraram estar satisfeitos, enquanto 26,5% demostrou estar bastante satisfeito. Pouco satisfeitos com a última profissão, estavam 15,9% dos inquiridos e 2,3% estavam nada satisfeitos. Através das últimas quatro questões, percebemos que os inquiridos mantêm a coerência, ou seja, a maioria afirma querer manter todas as condições do emprego anterior, a nível de salário, de posição hierárquica e de setor de atividade, mostrando-se a mesma maioria satisfeita ou bastante satisfeita com a última profissão. Por aqui também percebemos que os inquiridos não se encontram preparados, ou não querem passar por uma mudança de profissão que lhes implique adquirir novos conhecimentos e funções. Salário… % Não me importo que seja inferior 6,1 Idêntico ao anterior 43,2 Tem de ser superior ao anterior 38,6 É indiferente 12,1 Total 100,0 (n) (132) Área de trabalho % Diferente da anterior 17,4 Idêntica à anterior 44,7 É indiferente 37,9 Total 100,0 (n) (132) O desempregado da Profisousa: os caminhos do empreendedorismo para a sua (re)inserção profissional 52 A pergunta seguinte questionava os indivíduos sobre o fator que consideravam ser mais importante para conseguir um novo emprego, verificamos que a opção de resposta mais assinalada foi o “gostar de trabalhar” com 42,4%. De seguida 17,4% assinalaram o “desenrascar-me em qualquer situação”, e por sua vez 14,4% assinalaram como mais importante “ter formação/educação profissional”. Num registo de menor incidência de resposta, 8,3% dos indivíduos assinalaram como o mais importante, “ter características que vão de encontro ao que o empregador quer”, 6,8% as “cunhas”. As restantes opções apresentaram valores residuais. Quadro 17 – Fator mais importante para se conseguir um novo emprego, segundo os inquiridos Questionamos os indivíduos sobre a formação que lhes poderia faltar e que lhes dificultava a obtenção de um novo emprego. Neste ponto, os resultados foram esclarecedores, com 45,5% dos inquiridos a afirmarem que precisavam de um grau de escolaridade superior, no entanto, logo de seguida 18,2% assinalaram que não precisam de nenhuma formação para conseguirem arranjar um novo emprego. Posteriormente os resultados dispersam-se um pouco, ou seja, 13,6% afirmaram que precisam de formação ao nível das TIC, 12,1% precisa de formação específica numa área profissional. Já 5,3% dos indivíduos assinalaram que necessitam de formação em expressão oral e escrita. Fator mais importante para conseguir um novo emprego % Gostar de trabalhar 42,4 Ter um curso superior 4,5 Ser inteligente 1,5 “Cunhas” 6,8 Desenrascar-me em qualquer situação 17,4 Ter características que vão de encontro ao que o empregador quer 8,3 Ter formação/educação geral 4,5 Ter formação/educação profissional 14,4 Total 100,0 (n) (132) O desempregado da Profisousa: os caminhos do empreendedorismo para a sua (re)inserção profissional 53 Quadro 18 – Formação da qual os inquiridos carecem para conseguir um novo emprego Afunilando ainda mais as questões sobre a obtenção de um novo emprego, decidimos enumerar uma série de características que muitos autores assinalam como sendo intrínsecas aos empreendedores e perguntamos qual delas, seria para os inquiridos, como a mais importante para a obtenção de um novo emprego. Como resposta, 25% dos inquiridos assinalou que ser “flexível e polivalente” é a característica mais importante para a obtenção de um novo emprego. Já 23,5% assinalou o “ter iniciativa”, de seguida 17,4% assinalaram o ser “criativo/inovador”, enquanto 15,9% assinalaram a “motivação”. Por fim, 9,1% assinalaram o ser “paciente/perseverante” e 9,1% assinalaram a determinação e a energia. Quadro 19 – Carateristica fundamental para obter um novo emprego segundo os inquiridos Num outro registo, era do nosso interesse perceber se os nossos indivíduos, já tinham pensado em alguma perspetiva de abrirem o seu próprio negócio e criarem o seu próprio posto de trabalho. A maioria respondeu que não (61,4%) enquanto 38,6% respondeu que já ponderaram essa hipótese. Formação necessária para um obter um novo emprego % Nenhuma 18,2 Preciso de um grau de escolaridade superior 45,5 Ao nível das TIC (informática) 13,6 Expressão oral e escrita 5,3 Matemática ,8 Formação específica na área em que trabalhava 2,3 Formação específica numa área profissional 12,1 Outra 2,3 Total 100,0 (n) (132) Para obtenção de um novo emprego é fundamental ser: % Empreendedor (ter iniciativa) 23,5 Criativo/ Inovador 17,4 Paciente/ Perseverante 9,1 Motivado 15,9 Flexível e polivalente 25,0 Determinado/a / Enérgico/a 9,1 Total 100,0 (n) (132) O desempregado da Profisousa: os caminhos do empreendedorismo para a sua (re)inserção profissional 54 Na prossecução da questão anterior, questionamos os indivíduos, sobre o motivo pelo qual não se estabelecem por conta própria, independentemente de já terem pensado nessa possibilidade ou não. À questão em causa, a resposta foi suficientemente esclarecedora, ou seja, 44,7% dos inquiridos responderam que não tinham financiamento como o principal fator para não se estabelecerem por conta própria. Neste seguimento, 19,7% responderam que tinham medo de arriscar, enquanto, 13,6% responderam que não viam oportunidades de negócio na região. Já 7,6% demonstraram que não se sentiam com competências para tomarem a iniciativa, e 6,8% não tinham qualquer ideia de negócio e não se sentiam com autonomia e responsabilidade para tal, respetivamente. Por fim com um valor residual, 0,8% afirmaram não ter um sócio/parceiro com competência como o principal motivo para não se estabelecerem por conta própria. Quadro 20 – Motivo pelo qual os inquiridos não se estabelecem por conta própria No seguimento da questão anterior, decidimos agora perguntar o que acham que é mais importante para se estabelecerem por conta própria independentemente do motivo pelo qual não se estabelecem. A esta pergunta 49,2% dos indivíduos afirmam que o financiamento é o fator mais importante para alguém se estabelecer por conta própria e de seguida 18,9% afirmam que o mais importante é dispor de uma ideia de negócio e de informação necessária. Depois destes dois fatores todos os outros apresentam valores muito baixos, senão vejamos, 9,8% afirma que o mais importante é não ter medo de arriscar, enquanto 5,3% assinala que o mais importante é ter competências de gestão. As restantes opções assumiram valores residuais. Porque não se estabelece por conta própria? % Porque não tenho qualquer ideia de negócio 6,8 Não tenho financiamento 44,7 Não tenho autonomia nem responsabilidade que me permitam 6,8 Tenho medo de arriscar 19,7 Não vejo oportunidade de negócio na região 13,6 Não me sinto com competências para isso 7,6 Não tenho sócio(s)/parceiro(s) com competência ,8 Total 100,0 (n) (132) O desempregado da Profisousa: os caminhos do empreendedorismo para a sua (re)inserção profissional 55 Quadro 21 – Fator mais importante segundo os inquiridos para alguém conseguir estabelecer-se por conta própria Num registo um pouco diferente, foi definido questionar os inquiridos sobre a sua maior dificuldade na obtenção de um novo emprego. A esta pergunta a resposta foi completamente esclarecedora pois a maioria (72,7%) não hesitou em assinalar que a maior dificuldade na obtenção de emprego é a falta de trabalho na região, enquanto, que apenas 13,6% assinalaram a idade como maior problema, seguido das poucas habilitações com 10,6%. As restantes opções apresentaram valores residuais. Quadro 22 – Maior dificuldade na obtenção de um novo emprego, segundo os inquiridos Os indivíduos foram também questionados se o desemprego lhes causava alguma dificuldade e perentoriamente 90,2% assinalou que sim, enquanto 9,8% afirmou que o facto de estarem desempregados não lhes causava qualquer dificuldade. Aproveitando a perguntar anterior, questionamos os indivíduos que assinalaram que o desemprego lhes causava dificuldade, sobre qual a maior dificuldade que sentiam. A falta de rendimento foi a dificuldade mais assinalada pela maioria dos inquiridos (67), Fator mais importante para se estabelecer por conta própria % Ter uma ideia de negócio e dispor de informação necessária 18,9 Ter financiamento 49,2 Ter autonomia e responsabilidade 7,6 Ter apoio familiar 3,8 Não ter medo de arriscar, sentir-me seguro/a 9,8 Dispor de parceiros 1,5 Ter competências de gestão 5,3 Ter competências técnicas 3,0 Outra ,8 Total 100,0 (n) (132) Maior dificuldade na obtenção de um novo emprego % Falta de trabalho na região 72,7 Idade elevada 13,6 Poucas habilitações 10,6 Deslocações ,8 Outra dificuldade 2,3 Total 100,0 (n) (132) O desempregado da Profisousa: os caminhos do empreendedorismo para a sua (re)inserção profissional 56 logo seguido da perda e confiança/motivação (27). Já 18 inquiridos assinalaram que o desemprego lhes causou a rutura do seu plano futuro, enquanto 3 afirmaram que a maior dificuldade materializou-se na diminuição dos consumos e 3 nos problemas familiares, enquanto apenas 1 assinalou que o isolamento dos colegas é a maior dificuldade causada pela sua situação de desempregado. De referir, que os indivíduos que assinalaram a opção, “rutura do plano futuro”, foram sobretudo os mais jovens. Foi nosso intuito ainda criar situações de cruzamento de variáveis, tentando essencialmente perceber, a diferença entre sexos na situação profissional atual dos inquiridos. Pelos resultados, percebemos que o desemprego de longa duração afeta mais as mulheres do que os homens, ou seja, 58,5% dos inquiridos do sexo feminino estão desempregados há mais de um ano, enquanto na mesma situação encontramos 46,3% de inquiridos do sexo masculino. Relativamente ao desemprego de curta duração, este é mais sentido nos desempregados do sexo masculino. Na nossa amostra são 53,7% os homens desempregados há menos de um ano e 35,4% as mulheres desempregadas há menos de um ano. Quadro 23 – Situação profissional dos inquiridos segundo o sexo Sexo dos inquiridos Total masculino feminino Atualmente, qual é a sua situação profissional Estou desempregado/a há mais de um ano 31 38 69 46,3% 58,5% 52,3% Estou desempregado/a há menos de um ano 36 23 59 53,7% 35,4% 44,7% Trabalho para a família sem receber salário 0 1 1 ,0% 1,5% ,8% Ocupa-me das tarefas do lar 0 2 2 ,0% 3,1% 1,5% Baixa médica 0 1 1 ,0% 1,5% ,8% Total 67 65 132 100,0% 100,0% 100,0% Continuando a utilizar a variável sexo como variável independente, queremos agora perceber as diferenças entre sexo, relativamente à idade com que começaram a trabalhar. Através do quadro 24, percebemos que, a maioria dos nossos inquiridos do sexo masculino, começaram a trabalhar até aos 15 anos de idade, enquanto os inquiridos do sexo feminino na sua maioria começaram a trabalhar a partir dos 13 de idade. O desempregado da Profisousa: os caminhos do empreendedorismo para a sua (re)inserção profissional 57 Analisando a variável “idade de abandono da escola” comparada entre sexos, conseguimos perceber, que entre os “11 e os 13” anos, são mais as mulheres a abandonarem a escola (53,8%), do que os homens (43,3%). Já entre os “14 e os 16” anos de idade são mais os homens (46,3%) do que as mulheres (23,1%) a abandonarem a escola. No entanto, são as mulheres que estudam até mais tarde, pois o abandono com “16 ou mais anos” apenas se fez sentir em 4,5% dos homens enquanto as mulheres foram 15,4%. Quadro 24 – Idade em que os inquiridos começaram a trabalhar segundo o sexo Sexo dos inquiridos Total masculino feminino Com que idade começou a trabalhar Até 12 anos 14 15 29 20,9% 23,1% 22,0% 13 - 15 36 25 61 53,7% 38,5% 46,2% 16 – 20 17 21 38 25,4% 32,3% 28,8% 21 – 25 0 3 3 ,0% 4,6% 2,3% 26 – 30 0 1 1 ,0% 1,5% ,8% Total 67 65 132 100,0% 100,0% 100,0% Relativamente à frequência de formação, os inquiridos do sexo masculino, frequentaram mais formação (50,7%) do que as mulheres (40%). Quadro 25 – Frequência de formação segundo o sexo Sexo dos inquiridos Total masculino feminino Já alguma vez frequentou algum curso de formação ou educação Não 33 39 72 49,3% 60,0% 54,5% Sim 34 26 60 50,7% 40,0% 45,5% Total 67 65 132 100,0% 100,0% 100,0% A forma como os inquiridos ocupam o seu tempo, é bastante diferente entre homens e mulheres. De ressalvar que 47,7% dos inquiridos do sexo feminino ocupam o seu tempo com “as tarefas do lar” enquanto, que apenas 16,4% dos inquiridos do sexo masculino se ocupam com esta tarefa. O desempregado da Profisousa: os caminhos do empreendedorismo para a sua (re)inserção profissional 64 O desempregado da Profisousa: os caminhos do empreendedorismo para a sua (re)inserção profissional 65 Capítulo III – Promoção da (Re)Inserção profissional: um projectopiloto 1. Empreendedorismo e Inovação/ Medida de combate ao desemprego A promoção de um espírito empreendedor e de inovação já não é apenas uma opção de Portugal. É assumida como uma necessidade no país no discurso político. A ideia é de que para promover o empreendedorismo no país, temos não só de perceber como promover as boas práticas, mas também de perceber a inovação e usá-la como uma ferramenta do empreendedor. “Inovação é muito mais do que crescer e tentar manter a posição no mercado. É sobre introduzir novos produtos ou processos ou romper com os existentes no mercado” (Sarkar, 2010: 12). Segundo Peter Drucker, “a inovação é a ferramenta específica dos empreendedores, o meio através do qual eles exploram a mudança como uma oportunidade para um negócio ou serviço diferente. Pode ser apresentada como uma disciplina, pode ser aprendida, pode ser praticada. Os empreendedores precisam de procurar decididamente as fontes da inovação, as mudanças e os sintomas que indicam oportunidades para inovações com sucesso. E eles precisam de conhecer e aplicar os princípios da inovação de sucesso” (Drucker in Sarkar, 2010: 16). O que os empreendedores fazem é aproveitar oportunidades, por vezes pequenas, que podem ser criadas por um vazio de um produto ou serviços. Depois exploram essa oportunidade para proveito próprio, fazendo nascer e/ou crescer empresas. É aqui que reside a principal diferença entre empreendedor e inventor: o primeiro o que faz é aproveitar todos os recursos que são necessários (capital, gestão, pessoal, e estratégia empresarial) e transformar uma invenção num produto, processo ou serviço inovador. A estratégia passa por riscos que são calculados ao se construir uma empresa que pode não dar em nada. O maior risco é financeiro. Mas fazer frente a uma cultura que não admite falhar pode ser outro obstáculo. É necessário mudar um pouco esta visão. Por um lado, levar os indivíduos a não terem medo de arriscar; por outro lado, fazer com que os falhanços sejam tolerados. O desempregado da Profisousa: os caminhos do empreendedorismo para a sua (re)inserção profissional 66 É unânime que “a criação de novas empresas tem um impacto positivo não só no emprego mas também na inovação, na produtividade e na renovação económica” (Sarkar, 2010: 14). 1.1. O conceito de empreendedorismo: suas origens A palavra, empreendedor tem origem na língua francesa (intrepreneur) e significa “alguém que empreende um projeto ou uma atividade significativa”. Esta palavra foi antes de mais associada aos indivíduos que estimularam o crescimento económico por encontrarem diferentes e melhores maneiras de fazer as coisas. A palavra descreve não o empreendimento que o indivíduo faz mas a postura, o comportamento e um conjunto de qualidades. Os empreendedores descobrem possibilidades para provocar mudanças. O economista francês do século XVIII, Richard Cantillon, terá sido o primeiro responsável pelo aparecimento desta noção, dando ao empreendedorismo uma conotação próxima da que tem hoje. Cantillon no seu ensaio “Essaisur la naturedu commerce engénéral” em 1755, descreve o empreendedor como uma pessoa que paga um determinado preço por um produto para vender a um preço incerto, tomando decisões sobre obter e usar recursos assumindo o risco empresarial. Também Adam Smith, no seu “WealthofNations” em 1776, faz uma referência aos empreendedores como sendo pessoas que reagem às alterações das economias, funcionando como agentes económicos que transformam a procura em oferta (Sarkar, 2010: 25/26). No século seguinte é John Stuart Mill (1848) que se refere ao empreendedorismo como sendo a base da empresa privada. O empreendedor é uma pessoa que corre riscos e toma decisões, que gere recursos limitados para o lançamento de novos negócios. Para Carl Menger, na sua obra “Principles of Economics” (1871), o empreendedor é aquele que transforma recursos em produtos e serviços úteis, criando oportunidades para fomentar o crescimento industrial. Mais tarde, Jean Baptiste Say (1803) refere que o empreendedor é o agente que transfere recursos económicos de um setor de produtividade mais baixa para um setor de produtividade mais elevada e de maior rendimento (Sarkar, 2010: 27). Entre os economistas modernos, quem mais se debruçou sobre o tema foi Joseph Schumpeter (1959) que teve grande influência no desenvolvimento da teoria e prática do empreendedorismo. O autor vê os empreendedores como os inovadores que dirigem o processo “criativo-destrutivo” do capitalismo que se mantém em marcha, na medida O desempregado da Profisousa: os caminhos do empreendedorismo para a sua (re)inserção profissional 67 em que os empreendedores como agentes do processo de destruição criativa criam novos produtos, novos métodos de produção, novos mercados, que implacavelmente se sobrepõem aos antigos métodos menos eficientes e mais caros. A função do empreendedor é reformar ou revolucionar o modelo de produção. Os empreendedores de Schumpeter (1959), com as suas atitudes inovadoras, interferem no equilíbrio ou inércia do mercado. São os agentes de mudança na economia. Drucker (1998), na sua tentativa de compreender o significado do termo, utiliza a definição de Say sobre empreendedores mas amplia-a para focá-la nas oportunidades. Na visão de Drucker (1987), os empreendedores não causam mudanças, mas exploram as oportunidades que as mudanças criam. Desse modo, o empreendedor procura as fontes de inovação e cria oportunidades: “O empreendedor procura sempre a mudança, responde a ela, e explora-a como uma oportunidade” (Drucker, 1987: 36). É preciso esclarecer que o sentido de “oportunidades” é o centro de muitas discussões das definições atuais de empreendedorismo, baseadas nas noções de Say, e significa mover os recursos económicos para áreas de grande retorno. Neste sentido, quando se fala em oportunidade, fala-se em criar valor. Para o mesmo autor, iniciar um negócio não é nem necessário nem suficiente para o empreendedorismo, afirmando “que nem todo o pequeno novo negócio é empreendedor ou representa o empreendedorismo” (Drucker, 1987: 28). Kirzner (1973, 1997) defende que os empreendedores colocam o mercado em equilíbrio e caracteriza-os como indivíduos que estão atentos às oportunidades de negócio lucrativas e utilizam a informação de que dispõem para formar juízos sobre a utilização eficiente dos recursos. O centro de empreendedorismo da Universidade de Miami define, empreendedorismo como: “o processo de identificação, desenvolvimento e captação de uma ideia para a vida. A visão pode ser uma ideia inovadora, uma oportunidade ou simplesmente uma forma melhor de fazer algo. O resultado final deste processo é a criação de uma nova empresa, formada em condições de risco e de uma incerteza considerável” (Sarkar, 2010: 31). 1.2. Os empreendedores: características e atitudes Não é surpresa que não haja uma única definição de empreendedor. Baumol (1993) descreve, dois tipos. Um, cria e depois organiza e faz funcionar uma nova empresa, independentemente de haver algo de inovador no ato ou não. O outro refere-se O desempregado da Profisousa: os caminhos do empreendedorismo para a sua (re)inserção profissional 68 ao empreendedor como um inovador, alguém que transforma invenções e ideias em entidades economicamente viáveis, independentemente se no processo, cria ou não uma empresa. Casson (2003), com uma abordagem económica refere que o empreendedor deve ter a capacidade de avaliar os recursos necessários e por isso, precisa de controlar o contexto onde a sua organização está inserida uma vez que, a economia nacional e também a local influenciam a forma como o empreendedorismo se desenvolve. Outros autores como Lowrey (2003), McClelland (1961), Birley e Westhead (1990), Hofstede (1980) ou Maslow (1954), apontam razões subjacentes às diferentes motivações que levam os indivíduos a criarem as suas próprias empresas. Razões como por exemplo: a necessidade de aprovação externa e de reconhecimento que os indivíduos possuem; a procura de independência; o desenvolvimento pessoal, associado ao desejo de ser inovador e de explorar oportunidades detetadas, a par da vontade de continuar a aprender; preocupações com o bem-estar do grupo a que se pertence, nomeadamente a comunidade ou família; o desejo de obtenção de maiores rendimentos, funcionando a empresa como um instrumento para aumento do património; o efeito de imitação ou de seguimento de outros indivíduos na sociedade, quer na continuidade de negócios familiares, quer ainda, porque existe uma forte valorização social do papel do empresário, pelo prestígio e bem-estar associados e pelo seu contributo económico e social (Sarkar, 2010: 40/45). De acordo com os investigadores Morris e Jones (1999), os empreendedores devem estar aptos a realizar cinco tarefas: identificar e avaliar uma oportunidade; definir um conceito de negócio; identificar os recursos necessários; adquirir os recursos necessários e implementar o negócio. Estes autores defendem também, que para se realizarem estas tarefas de forma efetiva, o empreendedor deve empregar o conhecimento do negócio em áreas como as vendas, marketing, gestão do trabalho, finanças, contabilidade e pensamento estratégico. Hood e Young (1993) enfatizam também estas tarefas assim como acreditam ser necessário para os indivíduos, desenvolver competências na apresentação oral, nas relações interpessoais e no planeamento dos negócios. Para além disto, os autores indicam ainda, outras áreas de capacidades/conhecimento dos negócios que são cruciais para o sucesso do empreendedor: liderança; comunicação (oral e escrita); relações humanas; gestão; negociação; raciocínio lógico e analítico; tomada de decisão e O desempregado da Profisousa: os caminhos do empreendedorismo para a sua (re)inserção profissional 69 definição de objetivos e preparação de um plano de negócios. (Hood;Young, 1993: 115136). Sarkar (2010) menciona que, este tipo características, mencionadas por vários autores, são as mesmas dos gestores e dessa forma o que diferencia um gestor de um empreendedor, é a capacidade do segundo “identificar uma oportunidade e implementar essa mesma oportunidade” (Sarkar, 2010: 74). A respeito da cultura empreendedora, acredita-se que apesar dos traços empreendedores prevalecerem mais em alguns indivíduos do que noutros, o empreendedorismo deverá ser promovido, onde os traços empreendedores podem florescer. Enquanto “uma cultura empreendedora permite o florescimento do empreendedorismo, dá-se a criação de um círculo virtuoso onde podem aparecer mais empreendedores” (Sarkar, 2010: 78). Desta forma, uma pequena parte das pessoas, nasce com capacidades empreendedoras inatas/intrínsecas, enquanto outra parte, pode ser influenciada pela educação e pela cultura, isto é, por fatores extrínsecos. A restante população é aquela que não será empreendedora. Assim a educação e cultura, podem fazer com que a fração de pessoas que se tornam empreendedoras aumente, mostrando que pode existir mais pessoas a serem influenciadas por fatores extrínsecos, favoráveis ao empreendedorismo. As influências externas, incluindo a exposição a uma cultura empreendedora, podem ter um papel forte na determinação de um individuo ser ou não empreendedor. Gibb (1987) identifica cinco etapas principais nas quais se pode adquirir influências externas: infância; adolescência; idade adulta; meia-idade e 3ª idade. Corroborando o argumento de Gibb, Sarkar (2010) menciona que “a presença de atitudes empreendedoras entre a população, pode ser um indicador importante das potencialidades dos empreendedores. Áreas com uma maior proporção de pessoas que estejam disponíveis para tomar riscos financeiros ou que pensam que pode ser fácil iniciar um negócio de sucesso, podem mostrar maiores taxas de criação de empresas simplesmente porque a região tem mais pessoas que estão dispostas a iniciar um negócio. Contudo, atitudes a favor do empreendedorismo são menores em áreas dominadas por grandes organizações (Sarkar, 2010: 82). 1.3. Do autoemprego ao empreendedorismo: conceção e investigação A taxa de autoemprego pode ser considerada um ponto de partida para qualquer estudo sobre a medição do empreendedorismo. Esta taxa pode ser definida como o O desempregado da Profisousa: os caminhos do empreendedorismo para a sua (re)inserção profissional 70 “número de auto-empregados sobre a população ativa ou o número de auto-empregados sobre o número da população empregada. É relevante salientar que não há consenso sobre o denominador quando calculamos a taxa de autoemprego” (Sarkar, 2010: 109). De acordo com “dados da OCDE (2007), os países Mediterrâneos (incluindo Espanha, Portugal e Grécia), a Coreia, Brasil, o México e a Turquia são os países mais empreendedores (…) note-se que, o estudo baseia-se nas Estatísticas da Força de trabalho (…) é interessante observar que, segundo esta medida, países como os EUA, a Dinamarca e a Alemanha, são pouco empreendedores” (Sarkar, 2010: 109). A utilização da taxa de autoemprego, como medida de empreendedorismo, devese ao facto de, os dados serem geralmente disponibilizados pela maioria dos países o que permite, uma comparação internacional. A OCDE define indivíduos como pertencendo ao autoemprego no caso de trabalharem com o intuito do lucro ou ganho familiar (incerto), enquanto os restantes indivíduos, trabalham para auferir um salário (certo). Deste modo, os proprietários-gestores de empresas ou grandes acionistas não são incluídos no autoemprego. O autoemprego, contudo, não nos permite tirar qualquer conclusão sobre o empreendedorismo no sentido Shumpeteriano, pois nada garante que um individuo classificado no autoemprego seja inovador e contribua para identificar novas combinações assim como, o modo como estas podem ser aplicadas na produção. Também não estão incluídos neste conceito os donos de grupos empresariais. A criação de autoemprego não nos permite avaliar sobre a dimensão do negócio, sobre o número de pessoas envolvidas, o grau de inovação, a sustentabilidade e o tempo de vida do negócio. O facto de um país apresentar uma elevada taxa de autoemprego, não significa necessariamente, que seja um país empreendedor visto que, muitas pessoas criam novos negócios, pelo facto de não surgirem melhores alternativas, e não pelo facto da descoberta de oportunidade de negócios lucrativas e inovadoras. O Global Entrepreneurship Monitor (GEM) 10 lançado pelo Babson College e pelo London Business School, é um programa de investigação que inclui avaliações anuais do nível de atividade empreendedora. Iniciou-se em 1999 com 10 países, em 2011 já cobria 54 países. Este programa baseia-se num modelo que contempla várias áreas, considerando o empreendedorismo como um processo holístico, abrange um conjunto de medidas que 10 Disponível em: http://www.gemconsortium.org consultado a 25 de janeiro de 2012. O desempregado da Profisousa: os caminhos do empreendedorismo para a sua (re)inserção profissional 71 pretendem descrever os vários aspetos do empreendedorismo em cada país, explorando a relação entre o papel do empreendedorismo e o crescimento económico. O GEM elabora relatórios por países e ainda alguns estudos sobre aspetos particulares do processo empreendedor. O GEM é atualmente, o principal projeto de investigação que pretende descrever e analisar o processo empreendedor num amplo conjunto de países. Tem três objetivos fundamentais: 1) Medir diferenças no nível de atividade empreendedora entre países; 2) Descobrir os fatores que determinam os níveis de atividades empreendedoras; 3) Identificar as políticas que promovem a atividade empreendedora. O relatório GEM reconhece dois tipos de empreendedores: os de necessidade e os de oportunidade. Estes últimos pretendem transformar uma oportunidade de negócio que surge no mercado, um nicho de negócio. Os empreendedores por necessidade surgem da falta de emprego sendo que para estes a criação de uma nova empresa é a única alternativa. É, por isso, que o relatório GEM une no empreendedorismo total, as oportunidades de empreendedorismo e a capacidade de empreendedorismo. Relativamente aos indicadores do relatório 11 , este revela que, a distribuição de idades dos indivíduos envolvidos na atividade empreendedora segue o formato de uma curva U invertida. Os negócios são mais frequentes na faixa etária entre os 25 e os 34 anos e os negócios já existentes na faixa dos 45 a 54 anos. No que respeita ao género, os homens estão em vantagem face às mulheres na criação de empresas em todos os países estudados. A maioria dos negócios é criada por trabalhadores no ativo, com experiência profissional. Quanto às qualificações, a maioria dos novos negócios, nos países de médio rendimento, é criada por indivíduos com o ensino secundário ou superior. De entre os países da EU, Portugal, aparece em 13º lugar. O relatório revela, uma dissonância de resultados no que concerne à motivação do empreendedor, por necessidade ou por oportunidade, entre países de renda alta e de renda baixa. Verifica-se que em média nos países de renda alta, para cada 9 pessoas empreendendo por oportunidade, um empreende por necessidade. Nos países de renda média, para cada 3 pessoas empreendendo por oportunidade, um empreende por necessidade. Em Portugal, 11 Disponível em http://www2.spi.pt/gem/docs/GEM2004Portugal-PublishedReport-Portuguese.pdf consultado a 25 de janeiro de 2012. O desempregado da Profisousa: os caminhos do empreendedorismo para a sua (re)inserção profissional 72 a relação entre os dois indicadores é de: em cada duas pessoas empreendendo por oportunidade, aproximadamente, um fá-lo por necessidade. Relativamente aos dados da taxa de descontinuidade, que se refere às empresas que encerram, interrompem ou desistiram do seu negócio nos últimos 12 meses. Nos países de renda média, a Hungria é o país que revela uma taxa mais baixa 1,1% sendo a Índia, o primeiro no ranking com uma taxa de 15%. Neste indicador, Portugal apresenta uma taxa de 4%. A nível nacional, cerca de 41% dos empreendedores, desistiram do seu negócio por este não ser lucrativo, o que é uma proporção quase do dobro da média dos países da EU. O acesso a financiamento é um problema para a generalidade dos empreendedores em qualquer parte do mundo. “Uma das maiores dificuldades para os portugueses criarem uma empresa deve-se à inexistência de apoio financeiro acessível. No entanto, a importância deste fator tem vindo a diminuir ligeiramente nos últimos anos” (Sarkar, 2010: 120). De acordo com o relatório GEM, os especialistas portugueses consideram o apoio financeiro em Portugal como não sendo suficiente nem insuficiente. Comparativamente com outros países da EU, Portugal apresenta valores inferiores à maioria. As razões apontadas pelos especialistas nacionais que explicam o fraco apoio financeiro ao empreendedorismo em Portugal são “a fraca disseminação de informação a potenciais investidores e o elevado nível burocrático, que retarda o processo para a utilização dos fundos disponíveis” (Sarkar, 2010: 121). 1.4. As vicissitudes do empreendedorismo: do planeamento ao sucesso/insucesso do projeto O planeamento prévio é apontado por vários autores como fundamental para conseguir o financiamento necessário, pois é um fator fulcral na compreensão do mercado, ajuda a reavaliar a oportunidade de negócio e a identificar a viabilidade futura da empresa. Assim sendo, é um veículo por excelência, determinante no arranque da empresa, na melhoria da eficiência quer em termos de tempo, quer em termos de capacidade de resposta a modificações do ambiente (Sarkar, 2010: 125). Um dos problemas na área de pequenos negócios é a mortalidade das empresas. A morte ou desaparecimento de uma empresa pode ser considerado como dissolução de uma combinação de fatores de produção, com a condição de nenhuma outra empresa O desempregado da Profisousa: os caminhos do empreendedorismo para a sua (re)inserção profissional 73 estar implicada no processo. Para a OCDE, uma das formas de descobrir que a empresa desapareceu tem vindo a ser a verificação de alguns itens, nomeadamente, se a produção está a zeros e se não existem empregados (OCDE, 2002: 36). É essencial destacar que a análise da sobrevivência de empresas em diferentes países tem em conta fatores diversos, tal como a idade e a dimensão da empresa, a intensidade de capital, a inovação, a produtividade e a estrutura de gestão da empresa por exemplo. Existe por exemplo, correlação positiva com o tempo, ou seja, as empresas mais novas têm revelado maiores hipóteses de insucesso nos primeiros anos, no entanto, se sobreviverem ao insucesso inicial há forte probabilidade de um crescimento rápido posteriormente (OCDE, 2002: 43/44). Outra variável que apresenta correlação positiva com a mortalidade das empresas é o setor de atividade 12 . Para compreender a mortalidade das empresas, é necessário conhecer os motivos pelos quais a empresa deixou de atuar no mercado. De acordo com Zacharakis et al. (1999), uma empresa pode encerrar atividade por uma combinação de fatores internos e externos. Os fatores internos englobam: i. Falta de habilidade em gerir; ii. Fraca gestão estratégica e falta de capitalização; iii. Falta de visão; iv. Falha no design do produto; v. Falha nas competências pessoais; vi. Fraca utilização de capital de terceiros; vii. Falha no tempo de fabricação de produtos. Entre os fatores externos destacam-se, a baixa cooperação dos acionistas e os problemas nas condições externas de mercado (fatores não controláveis). Os traços de personalidade têm influência no sucesso do empreendedorismo 13 . “Os empreendedores bem-sucedidos apresentam um comportamento marcado pela proatividade, orientação para a realização e compromisso com os outros” (Sarkar, 2010: 127). Além dessas características, são apontadas como determinantes de sucesso: a motivação para realizar, a persistência na busca de objetivos, a criatividade, a autoconfiança, a capacidade de assumir riscos, capacidade de delegar tarefas e decisões, 12 Ver Najberget al (2000). 13 Ver Miner (1997). O desempregado da Profisousa: os caminhos do empreendedorismo para a sua (re)inserção profissional 80 1.7. Análise de alguns tipos de financiamento disponíveis para os empreendedores em Portugal Apoios Estatais/Europeus Os fundos europeus de desenvolvimento regional constituem uma importante fonte de financiamento para as PME’s. A maioria dos sistemas de incentivos para a criação de empresas está englobada no Programa de Incentivos à Modernização da Economia (PRIME). O PRIME contempla várias medidas de incentivos, cujas linhas fundamentais são as seguintes:  Apoiar o investimento gerador de valor acrescentado nacional;  Fomentar o capital de risco;  Reforçar os capitais permanentes das PME´s;  Promover as empresas,os produtos portugueses e o Turismo;  Apoiar a inovação, a investigação e o desenvolvimento tecnológico;  Incentivar a qualificação dos recursos humanos nas PME´s. De acordo com o relatório de execução de 2006 do PRIME 17 , entre o ano de 2000 e o ano de 2006 foram homologados 9646 projetos referentes à criação de empresas. Para além do PRIME, existem vários sistemas de incentivo, tutelados por vários organismos, que pertencem a vários Ministérios. Em resumo, destacam-se a existência dos seguintes programas operacionais setoriais:  Saúde (Saúde XXI);  Educação (PRODEP III);  Agricultura e Desenvolvimento Rural (POAGRO);  Ambiente (POA);  Cultura (POC);  Acessibilidades e Transportes (POAT);  Emprego, Formação e Desenvolvimento Social (POEFDS);  Ciência, Tecnologia e Inovação (POCTI). Além destes apoios, ainda existem programas operacionais regionais, que apresentam medidas especificas para cada região. 17 Disponível em: http://www.prime.mineconomia.pt/PresentationLayer/ResourcesUser/Publicacoes/RelExecucaoPRIME_2004_vsfinal+.pdf consultado em 10 de janeiro de 2012. O desempregado da Profisousa: os caminhos do empreendedorismo para a sua (re)inserção profissional 81 Business Angels Para apoiar os empreendedores na fase inicial, existem por vezes investidores privados que através de capitais particulares e conhecimentos de gestão e/ou técnicos, financiam pequenos projetos. Negócios, que pela sua reduzida dimensão não são alvo de financiamento por parte do Capital de Risco, podem encontrar financiamento nestas pessoas. O problema é que em Portugal, este tipo de financiamento está muito pouco divulgado e de acordo com a Comissão Europeia, apenas existe em Portugal uma rede de Business Angels, cenário contrastante a outros países como França, Alemanha ou Reino Unido. Crédito Bancário O recurso ao crédito bancário continua a ser a principal fonte de financiamento externo, para os empreendedores, e de um modo geral, para todo o setor empresarial. Com as taxas de juro a níveis muito baixos, o problema para o empreendedor não é o custo do capital, mas a obtenção do capital. Quando os projetos apresentados à banca não possuem ativos e apresentam cash-flows estimados negativos para os primeiros anos de atividade, a banca tende a não financiar. Esmiuçada que está a temática do empreendedorismo e todas as vertentes por nós consideradas importantes para o presente relatório, segue-se o ponto em que acrescentamos ao relatório os “Ateliers de (Re)Inserção Profissional” como medida de combate ao desemprego por via do empreendedorismo . Do nosso ponto de vista, esta conjugação de temas é totalmente pertinente, uma vez que, o empreendedorismo podese revelar uma estratégia de luta contra o desemprego, aliás de agora em diante, o presente relatório tratará essencialmente do empreendedorismo como uma possível “arma” de luta contra o desemprego, na figura da criação do próprio posto de trabalho para quem se encontra desempregado, como tal acompanharemos um projeto que engloba em si este tipo de objetivos, como veremos mais adiante. Com efeito, o empreendedorismo pode ser transformado numa possível “arma” de luta contra o desemprego na figura da criação do próprio posto de trabalho e para tal, acompanhamos um projeto que permiti desenvolver essa estratégia de luta. Com efeito, o próximo ponto do relatório desenvolve esse mesmo projeto, denominado de “Ateliers de (Re)Inserção Profissional”. O desempregado da Profisousa: os caminhos do empreendedorismo para a sua (re)inserção profissional 82 2. Ateliers de (Re)Inserção Profissional como medida de combate ao desemprego por via do empreendedorismo O mundo do trabalho sofreu, uma mudança de paradigma, consequência de todas as mutações permanentes dos últimos 20 anos, comprometendo princípios laborais como a Segurança e Estabilidade no Emprego, o dito emprego para toda a vida findou. Portugal, tem-se caracterizado por uma estrutura empresarial, assente predominantemente em pequenas e muito pequenas empresas, um grande número das quais, marcadas por um fraco potencial de adaptabilidade, inovação e sustentação, por um recrutamento muito centrado em pessoal pouco qualificado e oferecendo reduzidas possibilidades de formação. Esta realidade relaciona-se com o tipo de inovação que se vem implementando no nosso país, que prioriza a maquinaria, em detrimento da inovação ao nível dos recursos humanos. Assiste-se, também, a uma grande centralização do poder, nas mãos de dirigentes pouco escolarizados que, vêm sistematicamente ignorando que um dos pilares essenciais da inovação organizacional é a aprendizagem que, não exigindo de si próprios, também não o exigem dos quadros superiores, médios e encarregados, todos interlocutores diretos da inovação organizacional. As recentes vagas de desemprego estrutural que afetaram Portugal nas duas últimas décadas têm sido acompanhadas de uma proposta feita aos nossos jovens em idade ativa, de desenvolverem uma atitude empreendedora como alternativa ao aumento dos desempregados à procura do primeiro emprego, à procura de novo emprego e desemprego de longa duração, traduzindo-se como alternativa a esta recessão. Tal, exige uma resposta numa perspetiva partilhada, envolvendo não só o próprio sistema de educação, o sistema de formação inicial e contínua, mas sobretudo a criação de novas organizações, baseadas no conhecimento e no investimento nas pessoas. No nosso entender, a baixa taxa de empreendedores em Portugal é agravada pela falta de preparação e formação orientadas para a difusão de valores do empreendedorismo. Paralelamente, não existe em Portugal uma estrutura financeira apoiada em políticas governamentais consistentes, levando os empresários a preferirem endividarem-se junto da banca ou dependerem dos subsídios estatais. O desempregado da Profisousa: os caminhos do empreendedorismo para a sua (re)inserção profissional 83 Tendo em conta o até aqui reproduzido, os “Ateliers de (Re)Inserção Profissional” têm como pressuposto, serem espaços para construção de pequenas iniciativas empresariais de base local apoiadas tecnicamente pelo CNO ao nível da capacitação técnico/empresarial dos promotores e disponibilização da logística-base para instalação do negócio. Os objetivos passam sobretudo, por proporcionar as condições materiais e imateriais para a instalação de micronegócios de base local e ainda dar notoriedade à microiniciativa empresarial de base local alicerçada no processo de aumento das qualificações e certificação escolar de adultos pouco escolarizados. 2.1. Metodologia de análise dos Ateliers A metodologia utilizada para a análise dos Ateliers de (Re)Inserção Profissional, passa por uma avaliação on-going do projeto, através do uso da técnica de observação direta e participante. Na ótica de Luís Capucha (1996), a avaliação surge como um processo que possibilita a monitorização sistemática de determinada intervenção formativa, recorrendo a padrões de qualidade de referência explícitos ou implícitos, com vista à produção de juízos de valor que suportem a eventual tomada de decisões. Estas, como outras definições, não esgotam as possibilidades de sentido que a avaliação de uma ação de formação pode encerrar. De facto, uma intervenção com caracter formativo, ao assumir e colocar em prática diversos itinerários/formatos, pode originar atividades de avaliação específicas e diretamente relacionadas com uma dada vertente formativa em particular. As possibilidades de definição do que é a avaliação da formação podem, desde logo, estar também aliadas a práticas de avaliação. A avaliação é benéfica e inevitável no processo de ensino e formação, e ainda mais quando estamos perante um projeto-piloto. É benéfico, porque possibilita a realização de intervenções em programas futuros, ajustando assim o projeto às suas potencialidades e diminuindo as suas falhas e limitações. É inevitável, porque o mero facto de se ser avaliado supõe a realização de apreciações e valorizações, assim como, um questionamento ativo e constante com base em determinados critérios estabelecidos à priori, que permite encaminhar a observação para uma avaliação mais eficaz. A avaliação é um processo amplo e complexo, que supõe a necessidade de recolher informação em diferentes momentos e a diferentes níveis, tendo em vista a melhoria do dispositivo de formação e dos seus resultados. Com efeito, para levar a O desempregado da Profisousa: os caminhos do empreendedorismo para a sua (re)inserção profissional 84 cabo um processo de avaliação importa, por um lado, levantar um conjunto de questões, saber nomeadamente aquilo que se quer avaliar, no sentido de estabelecer os critérios de escolha dos instrumentos de avaliação e as condições necessárias à utilização dos instrumentos de avaliação. Por outro lado, é importante observar os pontos-chave para construir um projeto de avaliação e ter a noção que é importante privilegiar a utilização de mais de um instrumento. Em termos de fases de avaliação, a literatura consagra três momentos: a avaliação “ex-ante”, a avaliação “on-going” e a avaliação “es-post”. Com efeito, no projeto a avaliar, propusemos realizar a mencionada avaliação ao longo das sessões/workshops realizados, num total de 7 sessões previstas. Como a avaliação se estende temporalmente ao longo dos momentos que preenchem o projeto, é apenas do nosso interesse, realizar uma avaliação “on-going” e dessa forma, metodologicamente, iremos apenas dissecar, as potencialidades desse tipo de avaliação Tabela 5: Tipos de avaliação Momento de avaliação Objetivos Avaliação “On-going” Para que serve? Analisar a intervenção, o esquema organizativo, a qualidade da monitorização… corrigir trajetórias, redefinir a intervenção. Centra-se no momento da execução da formação. Integra elementos da avaliação ex-ante e desenvolve-se em função dos aspetos a considerar na avaliação ex-post. O que avalia? Coerência interna e externa; eficácia e eficiência assim como fatores críticos. O que exige da equipa? Independência, relacionamento com equipa de gestão; exercício prospetivo, acerca dos resultados finais e da medida em que, os objetivos podem ser atingidos. Fonte: Parente, 1996 [adap]; Para conseguir realizar a avaliação do projeto, através da avaliação on-going, adotamos a técnica de observação direta nas sessões realizadas. Dessa forma, entendemos a observação direta como uma técnica de recolha de informação, que pode ter interferência do investigador, tornando-se numa observação participante no sentido restrito, que foi o caso da nossa observação que se realizou em contexto de workshops/palestras em sala. O desempregado da Profisousa: os caminhos do empreendedorismo para a sua (re)inserção profissional 85 O nosso objetivo era acompanhar e avaliar um projeto-piloto de empreendedorismo sobre o tema da criação do próprio posto de trabalho para adultos pouco qualificados e desempregados. Como já referimos, a metodologia adotada para o projeto foi o desenvolvimento de sessões em sala, na forma de workshops, promovidos por individualidades locais, difundindo as instituições locais capazes de auxiliarem este tipo de público na reversão do desemprego, materializado na criação do próprio posto de trabalho, através da criação de micro-negócios. Explorando um pouco mais esta metodologia, percebemos que a observação participante é uma observação direta que não procura evitar a transferência, há um envolvimento direto por parte do investigador que estará marcado por um conjunto de dimensões. Se a observação já é uma técnica de longa duração, no que diz respeito à observação participante requer que o investigador permaneça no local de investigação um período longo de tempo e numa atitude de saber estar. Este tipo de observação tem em si, um conjunto de características inerentes, pelas quais passamos no decorrer da nossa investigação e mais propriamente nos momentos de observação. Desde logo, implica a colocação do observador e do observado no mesmo lado da investigação, assim como, implica uma presença física do investigador que permite a criação de relações. Nos workshops através da colocação de perguntas participamos enquanto membro que se colocava ora do lado dos formadores, ora do lado da Profisousa criando uma ponte ente este público e o orador, e justificando em certa medida o nosso papel na observação direta e participante. Segundo Peretz (2000), a observação reúne várias fases e componentes para a sua realização. Por esta ordem, são: as relações do observador com o meio a observar; a entrada no meio; instalar-se no meio social; desenvolver relações; recolher dados; redigir notas; e analisar e apresentar dados. Nos passos a dar pelo investigador, fica bem claro que numa primeira fase do processo de observação, devemos elaborar mecanismo de anotações, onde devemos anotar toda a informação nova e importante para os nossos objetivos, para numa fase posterior, preencher a grelha de observação com os registos que criamos em forma de notas. Todos estes passos foram seguidos na nossa investigação, desde a integração no meio, até à recolha de dados e à análise e apresentação dos dados, para isso seguimos as diferentes fases do processo, ou seja, cada uma das sessões em sala, era o nosso O desempregado da Profisousa: os caminhos do empreendedorismo para a sua (re)inserção profissional 86 momento de observação, como tal nesses momentos, retiramos o máximo de notas possíveis para depois preencher a nossa grelha de observação (anexo 3), como forma de registar tudo o que ia acontecendo e essencialmente os progressos entre sessões, para no final poder redigir uma avaliação coerente e o mais próximo possível das reais necessidades de melhorias que o projeto em si enfrenta. 2.2. População dos Ateliers de (Re)Inserção Profissional O público a abranger pelo programa, são adultos pouco escolarizados e desempregados com vontade e capacidade de concretizar a sua ideia de negócio sob a forma empresarial, na tentativa de criar o seu próprio posto de trabalho como forma de reverter o desemprego. A seleção do público para o projeto, foi realizada através dos contactos estabelecidos pelos técnicos de RVC da Profisousa, a antigos ou atuais formandos da instituição que aumentaram ou estão a aumentar as suas qualificações. A condição base para este contacto e respetiva escolha, passou pela tentativa de formar um grupo de pessoas, que ao longo do seu percurso na instituição, tenham revelado aptidões ou determinação de criar a sua própria empresa e que tenham sido reconhecidos pelos técnicos como potenciais empreendedores. O grupo inicial era composto por 23 elementos. Com efeito, 23 responderam afirmativamente ao pedido de ingressar no projeto, no entanto, esse grupo rapidamente ficou restringido a 9 elementos devido a vários abandonos, como tal, iremos apenas identificar esses 9 como o objeto empírico do nosso projeto. Dissecando a caracterização da nossa população, percebemos que 6 indivíduos do nosso público são do sexo feminino, enquanto 3 são do sexo masculino. Relativamente à escolaridade, 2 possuem apenas o 1ºciclo, e 2 possuem o 2ºciclo enquanto 5 possuem o 3ºciclo como nível de escolaridade. Relativamente à idade, 2 indivíduos têm entre 30-35 anos; 1 tem uma idade entre os 36-40; 5 indivíduos têm idade compreendida entre os 41-50 anos e por fim 1 individuo têm idade compreendida entre os 51-55 anos de idade. Por fim, de destacar, que todos eles se encontram numa situação profissional de desemprego. 2.3. Descrição da medida e funcionamento Em suma, trata-se de um projeto centrado na remuneração do esforço individual para a superação das dificuldades individuais de acesso ao rendimento. Não pretende ser O desempregado da Profisousa: os caminhos do empreendedorismo para a sua (re)inserção profissional 87 um projeto que estimule, sob a forma clássica, o empreendedorismo devido sobretudo à sua pequena escala. Procura-se criar nos Centros Novas Oportunidades, concebidos como dispositivos de intervenção social para a qualificação das pessoas, contextos e espaços que facilitem a (re)inserção profissional de adultos pouco escolarizados num programa de valorização e capacitação individual para a gestão de um pequeno negócio. O programa teve o seu início, com o pedido que foi dirigido aos técnicos de RVC da Profisousa, no sentido de indicarem, alguns adultos que acompanham ou acompanharam, e que tivessem em si características de potenciais empreendedores, ou que estivessem na disposição de o serem, de forma a reverterem a sua situação de desempregados, através da possível criação de um negócio próprio/criação do seu próprio posto de trabalho. Depois de indicados os adultos que podiam ser enquadrados no projeto, os mesmos foram contactados e convidados a fazerem parte do mesmo. De referir que previamente foi realizada uma ficha técnica do projeto, para arquivo interno e posterior apresentação à rede territorial. No dia 27 de setembro de 2011 realizou-se a sessão de apresentação aos adultos convidados e que aceitaram fazer parte do projeto, num regime de voluntariado, uma vez que não existe qualquer tipo de compensação material pela frequência do mesmo. A sessão serviu, para desenvolver junto dos inscritos o programa e os objetivos, assim como, planear as atividades futuras. Foi ainda revelada a parceria com o jornal local “Gazeta”, parceria que pretende levar até aos munícipes as noticias sobre cada um dos workshops, mas mais do que isso, apresentar semanalmente, cada um dos inscritos, através de uma foto e de uma pequena entrevista, onde devem revelar o que os motiva a participar no projeto e o que pretendem ou pensam em apostar caso optem pela criação do próprio negócio. Entretanto realizou-se uma sessão prévia no dia 6 de outubro que se denominou “Um caso de sucesso – na forma de uma história de vida” e que contou com a presença de um empresário local, o Sr. José Mendes, que trouxe até ao público do projeto o seu caso enquanto empresário e os mecanismos que operou para conseguir obter sucesso enquanto empreendedor. A sessão contribui, para elevar os índices motivacionais do público e dessa forma encararem com confiança o futuro e o sucesso do próprio projeto para benefício próprio. O desempregado da Profisousa: os caminhos do empreendedorismo para a sua (re)inserção profissional 88 A sessão serviu ainda, como apresentação do projeto aos órgãos de comunicação social e como tal, estiveram presentes, a Presidente da Profisousa, a Dra. Alice Costa e o Dr. António Coelho, vereador do pelouro da Ação Social de Paços de Ferreira. Posteriormente foi construído pela equipa técnica um pequeno guião de sessões (workshops) que tinham o intuito de fornecer ao publico do projeto, ferramentas/instrumentos de criação de um negócio próprio, assim como lhes dar a conhecer as instituições e as entidades locais na forma de indivíduos que os podiam auxiliar, na árdua tarefa de criação de um negócio próprio, ou seja, o intuito inicial e o mais forte do projeto, é levar até aos indivíduos as entidades locais capazes de serem seus “parceiros” no momento de avançar com um projeto e no momento de se “estabelecerem” como empreendedores. A equipa do projeto, construí também, uma folha de presenças com os indivíduos inscritos, de forma a mensurar a assiduidade dos mesmos aos workshops que se iriam realizar, e para os quais seriam avisados através de um telefonema com antecedência. Foi construído, um inquérito denominado “Serei Empreendedor” (anexo 4) que pretendia funcionar, como uma espécie de diagnóstico de características empreendedoras, presentes nos indivíduos que pretendem criar o seu próprio posto de trabalho. O objetivo do inquérito passava, por perceber até que ponto, os adultos encontravam em si, características inerentes ao empreendedorismo, e mais do que isso, permitir à equipa técnica, fazer uma comparação, com a sua perceção inicial de cada um dos frequentadores dos ateliers, e os resultados obtidos por cada um dos mesmos no final do projeto. Com o mesmo intuito do inquérito, foi construído uma espécie de carta de motivação (anexo 5), que teria de ser preenchida pelos adultos, de forma a se poder obter os seus dados biográficos, assim como, lhes era pedido que dissertassem sobre o seu percurso pessoal e profissional, as suas expectativas para o projeto e competências que têm ou que procuram desenvolver ao nível de uma capacitação para o empreendedorismo. Por fim, era pedido que falassem sobre o seu projeto futuro, para que, com este instrumento, pudéssemos fazer a mesma análise final que pretendemos fazer com o inquérito. 2.4. Avaliação da medida O desempregado da Profisousa: os caminhos do empreendedorismo para a sua (re)inserção profissional 89 A primeira sessão/worskshop realizou-se, no dia 19 de outubro, nas instalações da PFR-Invest e incidiu sobre a temática do “Empreendedorismo”. A sessão foi ministrada pelo seu Presidente Executivo, o Dr. Rui Coutinho. A sessão foi de extrema importância, pois introduziu uma série de conceitos e características que foram aparecendo nas sessões seguintes. Serviu também, como meio de explicação, de como deve agir um empreendedor e quais os passos básicos para se dar início a um projeto próprio. Na sessão foram ainda entregues aos frequentadores, o inquérito e a carta de motivação que deveriam ser preenchidos em casa e devolvidos na sessão seguinte devidamente preenchidos o que acabou por não acontecer por parte de todos os frequentadores. Tendo sempre em linha de conta, os objetivos iniciais propostos para o projeto, nesta sessão, destacamos como pontos positivos, e logo a manter, os inúmeros exemplos dados pelo orador, a instituição, o tema abordado na sessão, o orador e a interação proporcionada pelo próprio com o público. Como aspetos a melhorar numa sessão futura, essencialmente se deve ter em conta a duração da sessão e encurtar o tempo que a mesma ocupa (anexo 6). A sessão seguinte realizou-se, no dia 9 de novembro nas instalações da Associação Empresarial de Paços de Ferreira. A temática em debate foi o “Marketing e a Comunicação para o pequeno negócio”. A sessão foi ministrada pelo Diretor do Departamento de Apoio às Empresas, o Dr. Carlos Adegas, que teve a preocupação no seu discurso, de incutir aos frequentadores do projeto, os princípios básicos do marketing como ferramenta de extrema importância no pequeno negócio, como forma de luta num mercado cada vez mais competitivo e concorrido, como tal tudo o que foi dito prendeu a atenção dos presentes. Relativamente à avaliação realizada durante a sessão, referimos que nos aspetos a melhorar, se deve ter em atenção, a disponibilização de mais exemplos ao longo da sessão, assim como, seria essencial a utilização das novas tecnologias como auxilio na apresentação do tema e conceitos e neste ponto referimo-nos em específico ao uso do powerpoint. Relativamente aos aspetos a manter, de realçar o domínio do tema por parte do autor, logo, deve ser mantido o tema e o orador, assim como se deve manter a instituição, que na sua plenitude pode trazer grandes benefícios aos frequentadores dos ateliers (anexo 7). O desempregado da Profisousa: os caminhos do empreendedorismo para a sua (re)inserção profissional 96 v. Redação de notícias: composição de um texto resumo, transformado em notícia para ser publicado no jornal local “Gazeta”, sobre as sessões realizadas nos ateliers; vi. Dossier Ateliers: elaboração de um dossier interno, onde se organizou todo o material produzido no projeto adjacente aos ateliers; vii. Acordo Ortográfico: estudo e aplicação do novo acordo ortográfico, em alguns documentos internos; viii. Profipédia: apoio na reformulação/construção de perguntas e lançamento on-line do passatempo Profipédia (passatempo mensal de resposta a perguntas sobre cultura geral, disponível no site da instituição); ix. Referencial de competências-chave: colaboração na reformulação das novas tabelas do referencial de competências-chave de nível básico, tabelas que são a base da correção realizada pelos formadores sobre os trabalhos dos formandos da instituição; Inquéritos de diagnóstico de formação: colaboração na construção e formatação bem como lançamento on-line de inquéritos de diagnóstico de necessidades de formação para público em geral e para empresas, disponibilizados pela Profisousa à Rede Territorial. Por fim, o balanço global do estágio que realizamos é bastante positivo. Ao longo deste período, desenvolvemos atividades de natureza profissional que envolveram a aplicação quer de conhecimentos, quer de competências que foram adquiridas ao longo da formação em Sociologia assim como competências que foram adquiridas ao longo do tempo de estadia na Profisousa fruto do trabalho profícuo elaborado por uma equipa multidisciplinar extremamente profissional, das quais destacamos, as competências de diagnóstico, análise, planeamento e de avaliação. O desempregado da Profisousa: os caminhos do empreendedorismo para a sua (re)inserção profissional 97 CONSIDERAÇÕES FINAIS Atualmente, a crise do emprego assume valores alarmantes, não se vislumbrando no horizonte saídas otimistas em termos de criação de emprego numa fase de recessão económica, apesar de todas as políticas de emprego e de formação que possam ser implementadas. Vivemos de facto, um período de forte descrença quanto ao processo de desenvolvimento económico e social do nosso país pela ausência de crescimento económico. As causas, as consequências e os mecanismos de combate ao desemprego não têm sido unívocos ou homogéneos, tal como a definição do próprio conceito em si. Através das várias leituras, pudemos concluir que as delimitações das definições dos conceitos de emprego, desemprego e inatividade estão a sofrer alterações, multiplicando-se assim as perspetivas diferenciadas em torna destas temáticas. Recordese que estes fenómenos não são fenómenos isolados e muito menos estáticos e que vão obrigando a alterar o significado dos próprios conceitos. Com efeito ao longo do estudo fomos tendo a certeza, que a formação se assume, cada vez mais, com uma importância sem precedentes na vida quotidiana dos trabalhadores, uma vez que tendencialmente os deixa menos vulneráveis e propensos ao desemprego. Vivemos numa sociedade volúvel onde a certeza de hoje é a incerteza de amanhã, isto é, de resto o produto das constantes e acentuadas mutações socioeconómicas e técnico-organizacionais (Gonçalves et al, 1996). Neste momento do relatório queremos relembrar que ao longo da nossa formação académica, foi-nos incutido que o sociólogo é um profissional que se deve despir de ideias pré-concebidas quando parte para uma investigação, e mesmo no decorrer desta. De facto isto foi aquilo que aprendemos. Mas na prática, no dia a dia, muito embora nos esforcemos por manter essas ideias à distância, elas acabam por estar presentes, e por dificultar o nosso ofício, enquanto portadores de um saber social. Por diversas vezes, tivemos dificuldade em manter a distância exigida ao objeto de estudo, mas julgamos ter conseguido vencer e ultrapassar os obstáculos epistemológicos e dessa forma conseguir a rutura epistemológica. Antes de avançarmos para a apresentação das principais conclusões deste relatório, vemo-nos obrigados a reconhecer a importância que o Código Deontológico do Sociólogo tem. A nossa permanência no terreno permitiu-nos uma grande O desempregado da Profisousa: os caminhos do empreendedorismo para a sua (re)inserção profissional 98 envolvência com os objetos de estudo, o que por um lado foi um grande contributo para o sucesso deste estudo, mas que por outro lado, foi também um obstáculo. Em primeiro lugar, reconhecemos que a proximidade e a envolvência com os objetos de estudo foram um grande contributo, na medida em que nos permitiu tomar conhecimento das dinâmicas da Profisousa, e também, que dada a obrigatoriedade de permanência no terreno, nos permitiu sentir verdadeiramente sociólogos, pelos métodos e técnicas que demos a conhecer e tentámos demostrar que seriam vantajosas para a instituição. Atendendo ao cerne do estudo agora terminado, consideramos pertinente tecer alguns comentários em relação aos objetivos a que nos propusemos atingir, assim como tecer alguns comentários aos resultados alcançados. Para o primeiro objeto de estudo, ou seja, a caracterização do “novo público” que frequenta a Profisousa, em grande medida “forçado” pelo Centro de Emprego ou pelos técnicos de RSI, como forma de manterem os rendimentos dos quais usufruem, percebemos, que este público é sobretudo desempregado de longa de duração, maioritariamente com um agregado familiar alargado, que procura emprego de uma forma “rudimentar”, isto é, de “porta em porta”, possuindo igualmente pouca mobilidade geográfica e não procurando emprego noutras regiões, sobretudo no caso das mulheres. A este nível é ainda de salientar, que embora afirmem que o principal problema na obtenção de um novo emprego é a falta de trabalho na região, estes desempregados continuam a procurar emprego na região correndo os arredores da sua habitação “batendo de porta em porta”. Este “novo público” da instituição, padece de baixas qualificações, abandonou a escola cedo, devido a carência económica dos pais e a grande maioria nunca frequentou formação após a saída da escola, o que dificulta a integração numa nova instituição de formação. Este público agora desempregado, afirma já ter tido mais de 2 ou 3 empregos, no entanto nunca tinha estado desempregado. Estava habituado a poder trocar de emprego em busca de melhores condições sem ter de passar pelo desemprego, realidade que agora se inverteu, o que os desmotiva, e os deixa constrangidos uma vez que nunca tinham passo por uma situação de desemprego. A maioria destes desempregados ainda está a receber o subsídio de desemprego, mas fruto do desemprego de longa duração que já enfrentam, muitos já sentem o final desse subsídio a chegar, o que os deixa numa posição de stress e grande pressão acumulada. O desempregado da Profisousa: os caminhos do empreendedorismo para a sua (re)inserção profissional 99 Estes indivíduos trabalharam quase sempre na indústria transformadora, numa posição hierárquica de executante dependendo de normas rígidas de trabalho, no entanto, as suas expectativas não são mais do que arranjar um novo emprego na mesma área, se possível na mesma profissão, na mesma posição hierárquica e com um salário semelhante ao último. Um ponto muito marcante, nestes indivíduos passa pelo facto de afirmarem que a característica que mais possibilita o encontrar de um novo emprego é “gostar de trabalhar”, no entanto, são desempregados de longa duração, ou seja, o seu gosto pelo trabalho não os impede de estarem no desemprego há longos meses. A maioria também afirma que lhes falta um grau de escolaridade superior, o que lhes facilitaria o encontro de um novo emprego, no entanto, nunca se disponibilizaram para fazer formação ao longo da sua vida. Por fim, afirmam que nunca pensaram reverter a sua situação de desemprego por via da criação do próprio posto de trabalho, devido ao facto de não possuírem financiamento. As dificuldades económicas são a principal dificuldade que destacam como consequência do desemprego que atravessam. Relativamente ao segundo objeto de estudo, ou seja, os Ateliers de (Re)Inserção Profissional, o seu público é composto por indivíduos desempregados, sobretudo mulheres, todos eles aumentaram as suas qualificações anteriormente na Profisousa, no entanto, ainda possuem baixas qualificações. Os objetivos do projeto visavam o incremento de ferramentas a estes indivíduos, como forma de os munir no futuro com a possibilidade de reverterem a sua situação de desempregados criando o seu próprio posto de trabalho. O principal ponto forte que destacamos na avaliação que decorreu durante longos meses, passa pelo pioneirismo do projeto na região e pelos objetivos propostos. Mais do que isso, podemos destacar as instituições e as figuras locais visitadas, como grande ponto a manter num projeto futuro, assim como, os temas tratados e os oradores convidados. Fruto da avaliação realizada, o projeto enfrenta, do nosso ponto de vista, potencial de mudanças e melhorias, para se tornar bem-sucedido, das quais destacamos, a alteração do formato de inscrição dos indivíduos interessados em participar. Da mesma forma, o melhor planeamento das sessões permitiria reduzir os erros do momento e sobretudo estabelecer um calendário fixo, que possibilitaria a redução do intervalo temporal entre sessões, o que tornaria o projeto mais denso e compacto, e O desempregado da Profisousa: os caminhos do empreendedorismo para a sua (re)inserção profissional 100 diminuía a tendência para a perda de concentração e motivação por parte dos desempregados frequentadores dos workshops. Por último, a maior criítica a tecer ao projeto, passa pela sua paragem e cessação num dos momentos mais importantes do mesmo, ou seja, a passagem da teoria para a prática. Verificou-se uma paragem na altura em que pressupostamente se passaria para o apoio à criação do próprio posto de trabalho por parte dos frequentadores do projeto, que ficaram assim um pouco desprotegidos e desguarnecidos nesta fase da sua batalha contra o desemprego. Antes de terminar é de salientar o potencial dos dois objetos de estudo relativamente complementaridade que os pode unir. Vejamos, que conhecendo as características do público da instituição e levando o projeto dos Ateliers até a um ponto de saturação das suas potencialidades, podemos preparar o desempregado que procura a Profisousa, através do aumento das suas qualificações e saberes, sempre com o objetivo de mais tarde os direcionar para o projeto dos Ateliers (caso queiram) como forma de “angariação” de ferramentas que lhes permitam contrariar a sua situação de desemprego através da criação do seu próprio posto de trabalho na figura e materialização de um micronegócio. O desempregado da Profisousa: os caminhos do empreendedorismo para a sua (re)inserção profissional 101 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ABRANTES, P. (2005) - As transições entre ciclos de ensino: entre problema social e objeto sociológico. Lisboa. Interações, No. 1, pp. 25-53. CIES/ISCTE ALMEIDA, João Ferreira de (1992) - Exclusão Social: Fatores e Tipos de Pobreza em Portugal. Oeiras: Celta Editora. ISBN: 972-8027-23-0 ÁVILA, Patrícia (2008) - Os contextos da literacia: Percursos de vida, aprendizagem de competências-chave dos adultos pouco escolarizados. Sociologia. Nº17/18, pp. 307-337 BACELAR, Sérgio (1999) – Amostragem nas Ciências Sociais. Porto. BANCO DE PORTUGAL (2006) - Custos de Legalização, Cumprimento de Contratos e o Sec-tor Informal. In Boletim Económico do Banco de Portugal. Primavera de 2006. BAUMOL, W. J. (1993) – Entrepreneurship, Management and the Structure of Playoffs, Cambridge, MA: MIT Press. ISBN: 978-026-202-360-3 BIRLEY, S.; WESTHEAD, P. 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O desempregado da Profisousa: os caminhos do empreendedorismo para a sua (re)inserção profissional 112 (7.5%) (45%) (20.1%) (13.2%) (9.3%) (4.7%) agosto 227 1678 778 518 566 202 (6%) (44%) (20%) (14%) (10%) (5%) setembro 274 1654 787 532 379 213 (7%) (43%) (20.5%) (14%) (10%) (5.5%) outubro 226 1653 747 532 383 205 (7.1%) (43.6%) (19.7%) (14.1%) (10.1%) (5.4%) novembro 260 1668 748 533 398 190 (6.9%) (43.9%) (19.7%) (14%) (10.5%) (5%) dezembro 273 1727 808 547 396 183 (6.9%) (43.9%) (20.5%) (13.9%) (10.1%) (4.7%) FONTE: IEFP TABELA 7: Taxa de retenção e desistência no ensino básico em % registado pelo INE em 2010. Taxa de retenção e desistência no ensino básico em % Área Total 1º ciclo 2º ciclo 3º ciclo Portugal 7.9 3.7 7.7 13.8 Paços de Ferreira 7.4 2.2 6.3 15.2 FONTE: INE TABELA 8: Taxa de transição/conclusão do Ensino Secundário em % registado pelo INE em 2010. Taxa de transição/conclusão do Ensino Secundário em % Área Total Portugal 80.7 Paços de Ferreira 82.6 FONTE: INE O desempregado da Profisousa: os caminhos do empreendedorismo para a sua (re)inserção profissional 113 Anexo 2 – Inquérito por questionário ao desempregado da Profisousa Data:___/___/___ (A preencher pelo investigador) Nº do inquérito:____ A. CARACTERIZAÇÃO PESSOAL Gostaríamos de começar por lhe fazer algumas perguntas de caracterização geral. 1. Sexo: * Masculino  (1) * Feminino  (2) 2. Idade: _______ anos. 3. Estado civil: * Solteiro/a  (1) * União de facto/acompanhado/a  (2) * Casado/a  (3) * Divorciado/a ou separado/a  (4) * Viúvo/a  (5) 4. Dimensão do agregado familiar: [incluindo o próprio] Nº de pessoas__________ 5. Tem filhos? [Se sim, assinale quantos] “DESEMPREGADO QUE PROCURA A PROFISOUSA: MOTIVAÇÕES E EXPECTATIVAS” Este inquérito faz parte de um projeto de estágio na UP sobre caracterização e reinserção profissional dos desempregados da Profisousa. O objetivo deste questionário é de caracterizar a população desempregada que procura a Profisousa e aferir quais as suas expectativas e motivações face ao seu futuro. COMO PREENCHER ESTE QUESTIONÁRIO? Pedimos-lhe que colabore neste projeto preenchendo o questionário, através da colocação de uma cruz (X) no quadrado correspondente à sua resposta ou responda por extenso sempre que lhe for pedido. O inquérito é anónimo, por isso não escreva o seu nome. INQUÉRITO POR QUESTIONÁRIO O desempregado da Profisousa: os caminhos do empreendedorismo para a sua (re)inserção profissional 114 * Sim  (1) Quantos?_________ * Não  (2) 6. Residência: * Freguesia onde vive:_________________________________________________________________ 7. Atualmente, qual é a sua situação profissional? [Assinale todas as opções que se aplicam a si] * Estou desempregado/a há mais de um ano  (1) * Estou desempregado/a há menos de um ano  (2) * Estou à procura do primeiro emprego  (3) * Trabalho pontual e ocasionalmente (faz biscates)  (4) * Trabalho para a família sem receber salário  (5) * Ocupa-me das tarefas do lar  (6) * Reformado  (7) * Baixa médica  (8) * Outra situação  (9) Qual?______________________________________________ 8. Tem procurado emprego? * Sim (1) [Se respondeu sim avance para a questão 9] * Não (2) 8.1.Porque não procura emprego? [Assinale apenas uma a opção mais importante] * Por enquanto prefiro viver com o subsídio que tenho  (1) * Perdi a esperança de encontrar  (2) * Estou a aguardar pela reforma  (3) * Prefiro a reforma antecipada  (4) * Não preciso neste momento  (5) * Outra razão  (6) Qual?___________________________________________ 9.Que método utiliza para esta procura de emprego? [Assinale apenas o método que mais utiliza] * Faço procura “porta a porta”  (1) * Respondo a anúncios de jornal  (2) * Pesquiso na Internet  (3) * Inscrevi-me no Gabinete de Inserção Profissional  (4) * Não procuro e espero que o Centro de Emprego me contacte  (5) O desempregado da Profisousa: os caminhos do empreendedorismo para a sua (re)inserção profissional 115 * Envio o CV quando estão à procura de trabalhadores  (6) * Envio o CV de forma espontânea tentando a minha sorte  (7) * Outro método  (8) Qual:_________________________________________ B. TRAJETÓRIA PROFISSIONAL Esta parte é dedicada à sua experiência profissional. 1. Com que idade começou a trabalhar? * Até 12 anos  (1) * 13 - 15  (2) * 16 – 20  (3) * 21 – 25  (4) * 26 – 30  (5) * Mais de 30 anos  (6) 2. Desde que começou a trabalhar, quantos empregos já teve? * Apenas 1  (1) * 2 a 3  (2) * 4 a 6  (3) * mais de 6  (4) 3. Quantas vezes esteve desempregado/a, sem contabilizar a atual? * Nenhuma vez  (1) * 1 vez  (2) * 2 vezes  (3) * 3 ou mais vezes  (4) 4. Por que razão está desempregado/a atualmente? [Assinale a opção mais importante] * Ainda não arranjei o primeiro emprego  (1) * Preferi tratar dos filhos e da casa  (2) * Os salários eram muito baixos e não compensava trabalhar  (3) * Não gostava do que fazia nos empregos  (4) * Despedi-me / Fui despedido/a  (5) * Fim do contrato  (6) * A empresa abriu falência  (7) * Outra razão  (8) Qual? ___________________________________________________________________________________________________ O desempregado da Profisousa: os caminhos do empreendedorismo para a sua (re)inserção profissional 116 5. Recebe algum tipo de rendimento na atualidade? [Se sim, diga-nos que rendimento recebe] * Não  (1) * Sim  (2) Qual?_______________________________________________________________ 6. Qual era o setor de atividade em que exercia a sua profissão no seu último emprego? * Agricultura, Pescas e Extração de Minério  (1) * Indústria Transformadora (por exemplo, indústria da madeira e mobiliário, indústria têxtil)  (2) * Construção Civil e Obras Públicas  (3) * Comércio e Serviços  (4) 7. Qual era a sua profissão no seu último emprego? _____________________________________________________________________________________________________ 8. Local do seu último emprego? * No concelho  (1) * Num concelho vizinho  (2) * Espanha  (3) * Outro país que não Espanha  (4) Qual? ______________________________________ 9. Qual era a sua posição hierárquica? No emprego que ocupava: [refira-se ao último emprego] * Uma posição de executante, dependendo de normas de trabalho e ordens muito rígidas  (1) * Uma posição de executante, sem depender de normas de trabalho e ordens muito rígidas quando fazia o meu trabalho  (2) * Uma posição de chefia/encarregado/a  (3) * Uma posição de técnico de nível intermédio  (4) * Uma posição de técnico de nível superior  (5) * Patrão/oa  (6) * Outra posição  (7) Qual? ________________________________________________ _______________________________________________________ _______________________________________________________ C. TRAJETÓRIA EDUCATIVA e FORMATIVA Esta parte é dedicada à análise da sua formação escolar e profissional e também a ações de formação que fez ao longo da vida 1. Que idade tinha quando abandonou a escola? * Até 10 anos  (1) O desempregado da Profisousa: os caminhos do empreendedorismo para a sua (re)inserção profissional 117 * 11 a 13  (2) * 14 a 16  (3) *16 ou mais  (4) 2. Qual o motivo que originou a sua saída da escola? [Assinale apenas a opção mais importante] * No momento tinha atingido a escolaridade obrigatória e decidi sair  (1) * Por motivos de carência económica familiar  (2) * Por imposição dos meus pais/ a minha família não valorizava a escola  (3) * Porque o(s) meu(s) irmão(s) tinham realizado o mesmo percurso  (4) * Consegui arranjar um emprego e abandonei a escola  (5) * Não tinha sucesso escolar e não gostava da escola  (6) * Com o nascimento do(s) meu(s) filho(s) optei por abandonar a escola  (7) * Outro motivo  (8) Qual?_______________________________________________ 3. Qual é o seu nível de escolaridade, atualmente? * Não sabe ler nem escrever  (1) * Sabe ler e escrever sem grau de ensino  (2) * 1º ciclo do ensino básico (primário, 4ª classe ou equivalente)  (3) * 2º ciclo do ensino básico (6º ano, 2º ano do ciclo preparatório ou equivalente)  (4) * 3º ciclo do ensino básico ( 9º ano, antigo 5ºano do liceu ou equivalente)  (5) * Ensino secundário (12º ano, antigo 7ºano do liceu ou equivalente)  (6) 4. Já alguma vez frequentou algum curso de formação ou educação? * Não  (1) [Se assinalou “não”, passe para a pergunta 1 do ponto D] * Sim  (2) 5. O que é que frequentou? * RVC Escolar  (1) * RVC Profissional  (2) * Curso EFA Escolar  (3) * Curso EFA Dupla Certificação  (4) * Formação Modular Certificada na área Escolar  (5) * Formação Modular Certificada na área Tecnológica  (6) * Outra  (7) Qual?___________________________________________ O desempregado da Profisousa: os caminhos do empreendedorismo para a sua (re)inserção profissional 118 6. Por que razão decidiu fazer a(s) ação(ões) de formação ou aumentar a sua escolaridade? [Assinale apenas o motivo que melhor explica a sua opção]. * Para ter reconhecimento familiar/social  (1) * Progredir na carreira  (2) * Para poder concorrer a empregos melhores  (3) * Para poder ter um diploma/ certificado  (4) * Por razões pessoais (autonomia; confiança; autoestima)  (5) * Por encaminhamento dos serviços (Rendimento Social de Inserção; Centro de Emprego)  (6) * Para aprender mais  (7) * Para poder fazer outras formações  (8) * Outra razão  (9) Qual?______________________________________ D. EXPECTATIVAS E MOTIVAÇÕES Esta parte é dedicada à análise das suas expectativas e motivações presentes e futuras relativamente à sua situação de desempregado 1. Como ocupa atualmente o seu tempo? [Assinale a opção que lhe ocupa mais tempo] * Ocupa-me das tarefas do lar  (1) * Cuido dos filhos  (2) * Tomo conta de crianças  (3) * Não faço nada  (4) *Trabalho na agricultura  (5) *Procuro emprego  (6) *Tenho feito formação  (7) *faço trabalhos artesanais  (8) *voluntariado  (9) 2. Que tipo de emprego procura? [Assinale apenas uma opção] 2.1. Relativamente à posição hierárquica: Superior à anterior Idêntica à anterior Inferior à anterior 1 2 3 2.2. Relativamente à profissão/área do trabalho: Diferente da anterior Idêntica à anterior É indiferente 1 2 3 O desempregado da Profisousa: os caminhos do empreendedorismo para a sua (re)inserção profissional 119 2.3. Relativamente ao salário: Não me importo que seja inferior Idêntico ao anterior Tem de ser superior ao anterior É indiferente 1 2 3 4 3. Grau de satisfação face à sua última profissão? Nada satisfeito Pouco satisfeito Satisfeito Bastante satisfeito 1 2 3 4 4. Qual o fator que considera mais importante para conseguir um emprego [Assinale apenas uma opção] * Gostar de trabalhar  (1) * Ter um curso superior  (2) * Ser inteligente  (3) * “Cunhas”  (4) * Desenrascar-me em qualquer situação  (5) * Ter características que vão de encontro ao que o empregador quer  (6) * Ter formação/educação geral  (7) * Ter formação/educação profissional  (8) 5. Que tipo de formação lhe falta para conseguir um novo emprego? [Assinale a opção mais importante] * Nenhuma  (1) * Preciso de um grau de escolaridade superior  (2) * Ao nível das TIC (informática)  (3) * Expressão oral e escrita  (4) * Matemática  (5) * Formação específica na área em que trabalhava  (6) * Formação específica numa área profissional  (7) * Outra  (8) Qual?___________________________________________ 6. Para a obtenção de um novo emprego é fundamental ser: [Assinale apenas uma opção] *Empreendedor (ter iniciativa)  (1) * Criativo/ Inovador  (2) * Paciente/ Perseverante  (3) * Motivado  (4) * Flexível e polivalente  (5) * Determinado/a / Enérgico/a  (6) O desempregado da Profisousa: os caminhos do empreendedorismo para a sua (re)inserção profissional 120 * Outra  (7) Qual?__________________________________________ 7. Já pensou em estabelecer-se por conta própria? [Se sim, diga-nos em que área] * Sim  (1) Em quê? __________________________________________ * Não  (2) 8. Porque não se estabelece por conta própria? [Assinale apenas a mais importante para si] * Porque não tenho qualquer ideia de negócio  (1) * Não tenho financiamento  (2) * Não tenho autonomia nem responsabilidade que me permitam  (3) * Não sei o que é preciso para me estabelecer  (4) * Não tenho apoio familiar  (5) * Tenho medo de arriscar  (6) * Não vejo oportunidade de negócio na região  (7) * Não me sinto com competências para isso  (8) * Não tenho sócio(s)/parceiro(s) com competência  (9) 9. O que acha mais importante para se estabelecer por conta própria? [Assinale apenas uma opção] * Ter uma ideia de negócio e dispor de informação necessária  (1) * Ter financiamento  (2) * Ter autonomia e responsabilidade  (3) * Ter apoio familiar  (4) * Não ter medo de arriscar , sentir-me seguro/a  (5) * Dispor de parceiros  (6) * Ter competências de gestão  (7) * Ter competências técnicas  (8) *Outra  (9) Qual? __________________________________________ 10. Maior dificuldade na obtenção de um emprego? [Assinale apenas a mais importante para si] * Falta de trabalho na região  (1) * Idade elevada  (2) O desempregado da Profisousa: os caminhos do empreendedorismo para a sua (re)inserção profissional 121 * Poucas habilitações  (3) * Deslocações  (4) * Oportunidades não são do meu agrado  (5) *Outra dificuldade  (6) Qual? _______________________________ 11. O desemprego causa-lhe alguma dificuldade? * Sim  (1) * Não  (2) [Se respondeu “não” o seu inquérito termina aqui] 12. Qual a maior dificuldade que o desemprego lhe causa? [Assinale apenas a mais importante para si] * Nenhuma  (1) * A perda de confiança/ motivação  (2) * Perda de estatuto social  (3) * Isolamento dos colegas  (4) * Problemas familiares  (5) * Rutura do meu plano futuro  (6) * Diminuição dos consumos  (7) * Falta de rendimento  (8) Obrigado pela sua colaboração! O desempregado da Profisousa: os caminhos do empreendedorismo para a sua (re)inserção profissional 128 Anexo 6 – Grelha de observação – PFR-Invest Workshop Items a avaliar 19 de outubro/PFR-Invest 1.Instalações 1.1.Pertinência do local Local e instituição de elevada importância uma vez que, é uma empresa pública com objetivos direcionados para a criação de soluções ágeis e flexíveis de acolhimento empresarial, desenvolvendo políticas de captação, atração, acompanhamento e apoio de investimento privado, privilegiando a criação de novas unidades empresariais nos mais diversos setores económicos, capazes de gerar riqueza e postos de trabalho no Concelho de Paços de Ferreira. 2.Participantes 2.1.Interesse demostrado O interesse pela sessão atingiu níveis elevados, por consequência do dinamismo e capacidade oratória do orador. O tema, no caso, “empreendedorismo”, foi também o mote para elevar os níveis de interesse. 2.2.Diálogo durante as sessões Durante a sessão, existiram vários momentos de diálogo entre o público e o orador, uma vez que, os exemplos que o último enunciava, eram do conhecimento geral o que propiciou momentos de discussão de salutar. 2.3.Colocação de questões Relativamente a questões, elas não abundaram, no entanto, as que foram colocadas, direcionaram-se para os nichos de mercado e potencialidades da região que o orador poderia indicar como mais viáveis. 3.Oradores 3.1.Adequação da linguagem Linguagem muito próxima do público, bastante cativante e entusiasmante. Não existiram momentos de pausa e o domínio pelo tema era evidente. 3.2.Capacidade de cativar o público Desde cedo, o orador conseguiu cativar a atenção do público, devido ao seu discurso fluente, rápido mas O desempregado da Profisousa: os caminhos do empreendedorismo para a sua (re)inserção profissional 129 eficaz, devido também aos vários exemplos e embora tenha sido uma sessão demorado o público saiu esclarecido. 3.3.Capacidade de tirar dúvidas Devido ao dominio do tema, e à capacidade do orador em abranger toda a panóplia de questões subjacentes ao tema e à própria instituição, não existiram muitos espaços para dúvidas, no entanto, as colocados pelo público, foram prontamente respondidas. 3.4.Dominio do tema/ mais-valia para o projeto Como já fiz referência, uma das mais-valias do orador, era precisamente o domínio do tema, pois, já liderava a instiuição há muito tempo e com resultados e projetos megalómanos e recheados de sucesso, o que se traduziu numa imensa confiança perante a plateia e que teve como resultado final, uma elevada importância para o projeto e para os frequentadores dos ateliers, por um lado, pela capacidade de ter na PFR-Invest um parceiro na instalação da empresa e por outro lado, pela mais-valia que é o financiamento por parte da instituição a fundo perdido, o que bem suprimir uma carência importante no arranque deste tipo de projetos. 3.5.Metodologia O Dr. Rui Coutinho, optou apenas por fazer uso da palavra na sessão que ministrou, e utilizou um pequeno quadro onde conseguiu dinamizar alguns esquemas e apontar alguns pontos importantes que queria reter. 4.Sessões 4.1.Duração da sessão A sessão teve uma duração de aproximadamente 2 horas, no entanto, o interesse e entusiasmo revelado pelo orador e pelo público, tornaram a sessão dinâmica mas com elevados indíces de concentração. 4.2.Pertinência da temática Temática de extrema importância, uma vez que, situou o público sobre o que é ser empreendedor, as implicações e as caracteristicas que devem ser reforçadas, sempre com os exemplos da região como anexo, o que tornou a sessão O desempregado da Profisousa: os caminhos do empreendedorismo para a sua (re)inserção profissional 130 importante para contextualizar o público para a temática e para as sessões que iriam surgir mais adiante. 5.Pontos fracos a melhorar Duração da sessão. 6.Pontos fortes a manter A presença na instituição; o orador; os muitos exemplos dados; e a interação do público com o orador. O desempregado da Profisousa: os caminhos do empreendedorismo para a sua (re)inserção profissional 131 Anexo 7 – Grelha de observação – AEFP Workshop Itens a avaliar 8 de novembro 2011/marketing e comunicação 1.Instalações 1.1.Pertinência do local O local revelou-se bastante pertinente, uma vez que respeita o objetivo inicial de dar a conhecer aos frequentadores do projeto as instituições locais capazes de os auxiliarem, como tal a associação empresarial do concelho reveste-se nesse papel de auxilio e com a agravante positiva se ser o diretor de apoio às empresas a ministrar a sessão 2.Participantes 2.1.Interesse demostrado Os participantes revelaram uma enorme atenção ao que ia sendo dito pelo orador, uma vez que, o tema tratado propicia a concentração da atenção naquilo que vai sendo dito, pois a temática é bastante interessante pelo facto de diariamente e várias vezes ao dia, o comum cidadão é confrontado inumeras vezes com várias campanhas de marketing. De referir que o facto do orador explicar que o marketing não é a mesma coisa que publicidade prendou também em muito o interesse dos nossos frequntadores dos ateliers. 2.2.Diálogo durante as sessões O diálogo existiu em quantidade reduzida, ou seja, com isto quero referir que, o diálogo existente apenas surgiu em momentos de resposta a perguntas por parte da plateia, no entanto, foi reduzido, porque as perguntas foram poucas, e as respostas eram relativamente simples de dar e como tal o diálogo não foi muito. 2.3.Colocação de questões As questões não foram muitas. As que surgiram foram para retirar dúvidas relativas ao discurso do orador. De referir que existiram algumas questões colocadas pela equipa técnica do projeto presente na sessão. O desempregado da Profisousa: os caminhos do empreendedorismo para a sua (re)inserção profissional 132 3.Oradores 3.1.Adequação da linguagem A linguagem em alguns momentos, tornou-se um pouco dúvia, uma vez que o orador referiu termos técnicos e questões muito próprias da temática em causa, que a plateia não conseguiu absorver de imediato. Na sessão não foi utilizada qialquer tipo de mecanismo físico de suporte ao que ia sendo dito, o que dificultou um pouco a perceção da “matéria”. 3.2.Capacidade de cativar o público O público estava muito interessado e atento à sessão, fruto de mérito da capacidade de comunicação do orador, mas em grande parte, fruto também do tema que era do total interesse do público. 3.3.Capacidade de tirar dúvidas As dúvidas não foram muitas, mas o orador esteve sempre, à altura das mesmas, respondendo de forma perentória e clara ao que lhe foi questionado. 3.4.Dominio do tema/ mais-valia para o projeto O tema era do total dominio do orador, fruto essesncilamente da sua licenciatura na área e mais do que isso, fruto da experiência acumulada no cargo de diretor do departamento de apoio às empresas da associação empresarial. Todo este domínio e todo o conhecimento emanado pelo autor materializaram-se numa mais-valia para o projeto, que foi notório essencialemnte pelo interesse revelado pelo público do projeto. 3.5.Metodologia O orador optou apenas por fazer uso da palavra, o que se revelou insuficiente. Embora tenha sido capaz de passar a mensagem, é um facto que o publico não foi muito exigente, no entano, o suporte fisico aquilo que ia sendo dito, na figura de um Powerpoint por exemplo, seria de extrema importancia para a sessão. 4.Sessões 4.1.Duração da sessão A sessão durou cerca de 1h20 e conseguiu abarcar todos os pontos inicialmente sugeridos pelo orador como O desempregado da Profisousa: os caminhos do empreendedorismo para a sua (re)inserção profissional 133 fundamentais para a sessão. 4.2.Pertinência da temática A temática reveste-se de enorme importânci para o projeto e para o público uma vez que como foi dito pelo orador o marketing não gerando por si o dinheiro, está na base da criação de valor do negócio e é por essa razão que cada vez mais se torna importante nesta economia competitiva e globalizada e é muito importante que sobretudo os pequenos empresários conseguiam dominar este tema para vingar num mundo empresarial tão competitivo. 5.Pontos fracos a melhorar disponibilização de mais exemplos; auxilio das novas tecnologias na apresentação ao invés do simples uso da palavra; e melhor adequação da linguagem ao público presente. 6.Pontos fortes a manter O tema, a instiutição e o orador. O desempregado da Profisousa: os caminhos do empreendedorismo para a sua (re)inserção profissional 134 Anexo 8 – Grelha de observação – TECVAL Workshop Items a avaliar 9 de novembro/ TECVAL-incubadora 1.Instalações 1.1.Pertinência do local Local de elevada importância para os nossos futuros empreendedores, uma vez que, a instituição pretende criar condições estruturais, para que empresas de cariz tecnológico possam atuar na região do Vale do Sousa de uma forma eficaz, tornando esta região num foco potenciador da inovação tecnológica. Desta forma, os frequentadores dos atliers, foram conduzidos até mais uma instituição do concelho, que os pode ajudar no arranque do seu negócio. 2.Participantes 2.1.Interesse demostrado Esta foi mais uma sessão que consegui cativar a atenção do público e suscitar a coloção de perguntas, devido sobretudo ao tema (Gestão Financeira das empresas) e à metodologia utilizada. 2.2.Diálogo durante as sessões Existiram momentos de diálogo entre o orador e o público durante a sessão, sobretudo, nos momentos de intervalo entre a exposição dos 2 filmes que o orador decidiu trazer para a sessão. 2.3.Colocação de questões Como referido, as questões surgiram sobretudo através da “ressaca” dos 2 filmes que o orador passou com o intuito de reforçar as ideias por ele emanadas. 3.Oradores 3.1.Adequação da linguagem Linguagem simples e cativante, sempre acompanhada pela informação disponível no powerpoint que o orador estava a usar como suporte à sua apresentação, sobre gestão finaceira direcionada sobretudo para o pequeno negócio. O desempregado da Profisousa: os caminhos do empreendedorismo para a sua (re)inserção profissional 135 3.2.Capacidade de cativar o público O orador conseguiu cativar o público, devido à importância da temática para as aspirações dos frequentadores dos ateliers, assim como, conseguiu cativar a atenção através dos exemplos que utilizou e dos filmes que passou. 3.3.Capacidade de tirar dúvidas As questões colocadas não foram muitas, no entanto, as que existiram foram respondidas com clareza e direcionadas para aquilo que o público pretendia. 3.4.Domínio do tema/ mais-valia para o projeto O Dr. Joaquim Pinto dominava o tema, assim como, tinha uma clara perceção das limitações do público perante a temática e tendo em conta isso, decidiu deixar vários exemplos de forma a elucidar da melhor forma possível e incrementar robustez às suas ideias. 3.5.Metodologia O orador, optou por utilizar o powerpoint e 2 videos como suporte fisíco às suas palavras. De ressalvar que, os 2 suportes funcionaram na perfeição e complementaramse. 4.Sessões 4.1.Duração da sessão A sessão teve a duração de 1h40 minutos, e começou com um atraso devido aos problemas técnicos com a internet, o que impossibilitava a passagem dos videos. 4.2.Pertinência da temática A temática revestia-se de uma extrema importência, uma vez que, a questão financeira é o ponto fulcral apontado pelos frequentadores, como sendo uma das suas maiores dificuldades, e como tal a sessão serviu para elucidar os empreendedores sobre como gerir da melhor forma o financiamento, os erros a evitar e alguns truques que podem ajudar. 5.Pontos fracos a melhorar Melhor preparação da sessão o que evitaria os problemas técnicos e que desde logo diminuiria no tempo total da sessão. Aprofundar ainda mais a temática e insistir no financiamento e mecanismos de ajudar e suporte ao pequeno negócio. O desempregado da Profisousa: os caminhos do empreendedorismo para a sua (re)inserção profissional 136 6.Pontos fortes a manter As instalações, o orador, os videos e o powerpoint como suporte fisico do que é dito. O desempregado da Profisousa: os caminhos do empreendedorismo para a sua (re)inserção profissional 137 Anexo 9 – Grelha de observação – Montepio Workshop Items a avaliar 15 de dezembro/Montepio 1.Instalações 1.1.Pertinência do local Este ponto do workshop ficou por cumprir, uma vez que a sessão decorreu, nas instalações da Profisousa, por impossibilidade física do Montepio local, ou seja, as instalações não permitiam acolher numa sessão tantas pessoas. Desta forma um dos objetivos primários dos ateliers ficou por cumprir, ou seja, encaminhar os frequentadores até às instalações das entidades locais capazes de os auxiliarem no momento do arranque do seu possível negócio. 2.Participantes 2.1.Interesse demostrado O público mostrou particular interesse pela sessão, principalmente no momento de discussão do modelo de financiamento denominado de microcrédito. 2.2.Diálogo durante as sessões Durante a sessão existiu apenas diálogo no momento de transição do primeiro powerpoint para o segundo, onde existiu uma interação na forma reciproca de pergunta resposta, sobre os conceitos de Leasing e Reating. 2.3.Colocação de questões As questões colocadas abrangeram como já referi sobretudo a curiosidade em volta do Leasing e do Reating. Já perto do final da sessão surgiram questões sobre a tutoria que a entidade bancária em questão adotava neste tipo de financiamento. 3.Oradores 3.1.Adequação da linguagem Existiu uma notória tentativa do orador adequar a linguagem ao público presente, no entanto, nem sempre foi capaz de se conseguir fazer entender, uma vez que a linguagem utilizada e o tema tratado implicavam O desempregado da Profisousa: os caminhos do empreendedorismo para a sua (re)inserção profissional 144 3.Oradores 3.1.Adequação da linguagem A linguagem apresentou-se bastante acessível e pausada, não existindo muito espaços para dúvidas, uma vez que, os termos técnicos não foram muito utilizados, e quando foram, os frequentadores do projeto já os conheciam pois, todos já tinham passado pelo Centro de Emprego e conheciam as especificidades do mesmo. De referir ainda, que a bagagem teórica que foram adquirindo nas sessões anteriores já vai prevalecendo nos seus pensamentos o que facilita a perceção do que vai sendo dito. 3.2.Capacidade de cativar o público Não foi muito dificil cativar o público, pois, o que foi dito era muito importante para o projeto e para quem necessita sobretudo de financiamento para arrancar com o seu projeto de autoemprego. De referir ainda, que os exemplos que o orador ia dando permitiam fixar ainda mais a atenção por parte do público. 3.3.Capacidade de tirar dúvidas Como já referi, as dúvidas que surgiram não foram muitas, no entanto, o orador esteve à altura das dúvidas e consegui satisfazer a curiosidade de quem colocou perguntas, de forma clara e precisa. 3.4.Dominio do tema/ mais-valia para o projeto O orador demostrava um claro dominio do tema, uma vez que já exercia o seu posto há algum tempo e como tal já tinha passo por sessões semelhantes, ajudando já outras pessoas na sua tentativa de criação do seu posto de trabalho. Para o projeto a sessão foi fundamental, uma vez que, apenas o desempregado que se encontra a receber subsidio ou apenas inscrito no Centro de Emprego pode recorrer a mecanismos de auxilio à criação de autoemprego, contando para isso, sempre com a ajuda da equipa técnica do centro. O desempregado da Profisousa: os caminhos do empreendedorismo para a sua (re)inserção profissional 145 3.5.Metodologia O orador optou apenas por palestrar sem recorrer a qualquer tip de auxilio eletrónico, como tal sentou o público em volta de uma grande mesa, tomou a sua posição numa das pontas da mesa e passou todo o tempo a falar. 4.Sessões 4.1.Duração da sessão A sessão teve a duração de 45 minutos. 4.2.Pertinência da temática Como referido a temática revestiu-se de extrema importância, sobretudo pelo auxilio financeiro, que quem recebe subsidio pode ter na criação do seu próprio posto de trabalho. 5.Pontos fracos a melhorar Duração da sessão; a informação deveria ser ainda mais robusta; tentar fazer uma simulação numa próxima sessão. 6.Pontos fortes a manter O local; os exemplos; a presença do diretor do centro.