Relatório de Estágio realizado no Porto Canal - A orientação editorial do Jornalismo de Proximidade
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FACUL DADE DE L E TRAS U N I V E R S I DA DE DO P O R TO Jaime Dagoberto Almeida Dias 2º Ciclo de Estudos em Ciências da Comunicação Relatório de Estágio realizado no Porto Canal A orientação editorial do Jornalismo de Proximidade 2012 Orientador: Prof.ª Doutora Helena Lima Classificação: Ciclo de estudos: Dissertação/relatório/Projeto/IPP: Versão definitiva
1 AGRADECIMENTOS Este percurso não teria sido possível sem a ajuda, a compreensão e o incentivo de várias pessoas. Agradeço a todos os que contribuíram para o meu crescimento pessoal e profissional: Aos meus pais, sem os quais não teria iniciado este percurso. O apoio diário e o incentivo nos momentos mais complicados foram decisivos para ganhar forças para seguir em frente. À minha família por toda a compreensão e suporte. À Prof.ª Helena Lima agradeço toda a compreensão, apoio e orientação, não só no desenvolvimento deste relatório, mas também na fase inicial do mestrado. Vindo de uma área curricular distinta, a sua orientação foi importante no meu processo de adaptação. A todos os professores do mestrado pelos ensinamentos transmitidos que posteriormente contribuíram para a realização deste relatório. À Ana Paula Pereira pela disponibilidade e acessibilidade no esclarecimento das questões logísticas. À Vanda Balieiro pelos conselhos e pela recetividade ao longo do estágio. À Sara Barbosa e a todos os elementos do Porto Canal pelos ensinamentos sobre o funcionamento da estação. À Ana Matos por acreditar que era possível. Aos meus amigos por todos os momentos que me permitiram ganhar ânimo. Jaime Dias
2 RESUMO Mais do que transmitir acontecimentos, os meios de comunicação de menor dimensão pretendem levar às populações informações que lhes dizem diretamente respeito pela proximidade. Preenchem uma necessidade que deriva da falta de cobertura jornalística em determinadas localidades e que os meios de maior dimensão não conseguem suprir. Trata-se da afirmação da proximidade com as vantagens associadas ao fator identitário. Porém, acrescem também responsabilidades inerentes à maior facilidade de comprovação dos factos. No caso da televisão, todos estas caraterísticas saem exponenciadas. Derivando do estágio efetuado no Porto Canal, este relatório tem como linha orientadora a prática do jornalismo de proximidade. Articulando o modo de funcionamento da estação com a análise efetuada, averigua-se quais os temas abordados no principal bloco de notícias do canal, a importância dada aos assuntos regionais e locais e deste modo afere-se a presença do fator proximidade. Palavras-Chave: Jornalismo, Proximidade, Televisão, Notícias Regionais e Locais.
3 ABSTRACT Unlike major broadcast media companies, local media tend to focus their news coverage on local events that have an effect on the viewers’ daily life. By covering local events they manage to keep their audience informed about what’s happening in their local community. The major media companies have a lack of journalistic coverage in some regions. That is the reason why proximity is so important. It bridges the gap of the identity factor between content and the recipients of information. This also enhances the fact finding responsibility of the local broadcaster. In smaller regions, people are more aware of what’s happening and can easily prove or disprove facts. Television takes it all into another level, it’s higher broadcasting range makes it more popular and an easier target for audience scrutiny. This report is based on an internship made in Porto Canal and is focused on proximity practice in journalism activity. Articulating the broadcaster’s daily routines with the conducted research, the main issues and themes discussed in this broadcaster’s prime time news segment and the weight given to regional and local issues is evaluated. This way, it’s measured proximity’s presence in Porto Canal’s news segment. Keywords: Journalism, Proximity, Television, Regional and Local News.
4 ÍNDICE INTRODUÇÃO 6 1. JORNALISMO DE PROXIMIDADE 8 1.1 A Proximidade no Jornalismo Regional e Local 8 1.2 Independência nas Relações de Proximidade 19 1.3 Jornalismo Especializado num Local ou Região 27 2. JORNALISMO TELEVISIVO 31 2.1 O Jornalismo Televisivo: Contacto com o Público 31 2.2 “Televisões” Regionais Online: uma oportunidade para o Jornalismo de Proximidade 39 2.3 A Televisão Regional e Local em Portugal – Contextualização Histórica 41 2.3.1 Primeiro momento: Os canais piratas e as lutas por uma televisão descentralizada 41 2.3.2 Segundo momento: A televisão por cabo como meio de transmissão dos canais regionais 44
5 3. ESTÁGIO NO PORTO CANAL 50 3.1 Porto Canal: Caracterização e Percurso 50 3.2 Estágio: Atividades no Porto Canal 53 3.2.1 Agenda/Produção de Informação 53 3.2.2 Equipa de Reportagem 56 3.2.3 O Produto Final 60 3.3 Estágio: Reflexão sobre Resultados 61 4. JORNAL DO NORTE 64 4.1 O Jornal do Norte em Análise: Metodologia 64 4.2 O Jornal do Norte em Análise: Discussão de Resultados 66 5. CONCLUSÃO 77 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 78 RECURSOS ELECTRÓNICOS 84
6 INTRODUÇÃO Estamos num mundo em constante mudança no qual sentimos uma necessidade crescente de informação. Os indivíduos buscam diariamente ter conhecimento quer sobre o que os rodeia diretamente, quer sobre o que os rodeia indiretamente. A televisão assume um papel relevante neste campo já que, para além de ser uma fonte de entretenimento, assume-se como uma das formas mais democratizadas de acesso à informação. Desempenha mesmo um papel de construtor da realidade social, separando o que é fundamental do que é acessório. Tendo o poder simultâneo do som e da imagem, somos levados pela realidade televisivamente apresentada como se a tivéssemos efetivamente presenciado. Este efeito atinge tais proporções que os telespectadores chegam a ser tidos como elementos acríticos face aos conteúdos consumidos. Para pensarmos desta forma, teríamos que esquecer as expectativas que a audiência tem naquilo que decide consumir, o que não é aceitável. O público olha para a televisão, para a informação e critica. Ainda que se baseie apenas na escolha entre os diversos canais, este ato já implica a existência de algum critério. Na verdade, quanto maior é o seu grau de informação, maior é o seu grau de exigência. Ora, fruto das suas vivências diárias, o que está perto assume importância, na medida em que contribui para facilitar a sua movimentação na sociedade que o rodeia. Assim, apenas seleciona determinado tipo de informação. Falamos de comunicação especificamente feita e dedicada a determinados grupos, dos que buscam algo que os meios nacionais não lhes podem dar, pois têm interesses que os outros não têm, mais localizados. O jornalismo de proximidade é aquele que desperta a audiência por abordar assuntos que lhes dizem diretamente respeito. É o realce da proximidade enquanto valor notícia fundamental. É o reforço da relevância que tem para os cidadãos o que lhes diz respeito enquanto membros de determinada comunidade. Derivando do estágio efetuado no Porto Canal, o jornalismo de proximidade é o tema que será alvo de reflexão no decurso deste relatório. Pretendemos abordar aspetos diretamente relacionados com esta experiência bem como outros que dela advenham. Refletir sobre o jornalismo praticado neste canal, que se assume como regional e como estando perto da sua audiência, é um dos objetivos desta exposição.
7 Iniciaremos a abordagem tocando em diversos pontos que facilitam a caracterização da proximidade. Desde as suas particularidades e especificidades ao conjunto de relações a ela inerentes, analisaremos as condições que promovem e condicionam a prática jornalística de âmbito regional e local. Se o contacto com o público é ainda mais potencializado pela televisão, esta tem todas as condições para estreitar relações nos seus espaços informativos. Analisaremos a conjugação dos elementos de pertença a uma comunidade no caso do meio televisivo. Olharemos também para o percurso histórico deste meio ao nível regional e local em Portugal. Só contextualizando e percebendo esta evolução é possível compreender o atual cenário de quase inexistência de projetos nesta área. A evolução da entidade na qual estagiámos é também abordada. Aspetos da nossa experiência como o que aprendemos e como nos adaptámos são descritos enquanto apresentamos parte do funcionamento da redação do Porto Canal. Após uma reflexão sobre a aprendizagem efetuada no estágio é tempo de culminar o relatório interligando a nossa experiência com o tema por nós selecionado. Porto Canal e jornalismo de proximidade são abordados numa análise de conteúdo efetuada ao Jornal do Norte, o principal espaço de notícias do canal. Efetuada a descrição da metodologia usada, olharemos para a linha editorial da estação, concretamente para este bloco noticioso, e assim tentaremos perceber o seu grau de proximidade com a audiência. A fechar, tempo para refletir sobre os resultados obtidos não só na análise de conteúdo mas também de toda esta experiência que nos enriqueceu pessoal e profissionalmente. O nosso propósito é problematizar o jornalismo de proximidade, conhecê-lo e entendê-lo, interligando-o com o contributo da nossa vivência no Porto Canal.
8 1. JORNALISMO DE PROXIMIDADE 1.1 A Proximidade no Jornalismo Regional e Local “Num país, onde a diferenciação cultural não parece por si só suficientemente legitimadora da criação de regiões, a mera competitividade que se exige entre as diferentes partes que constituem o todo nacional solicitam a mobilização dos cidadãos em torno de projectos de desenvolvimento regional. Ou seja, pressupõe a partilha e a efectiva vivência - conscientemente assumida - de problemas comuns. É aqui que o papel dos media regionais ganha especial interesse.” João Carlos Correia Com o desenvolvimento dos media, a prática jornalística transformou-se. Paralelamente à noção de aldeia global de Marshall McLuhan, “que reduz o mundo a uma espécie de aldeola, onde toda a gente se conhece e sabe de tudo ao mesmo tempo” (Santos, 2007, p.25), o interesse pelo que se passa na mesma localidade também cresceu. É neste pensamento que surgem os meios de comunicação regionais e locais como forma de colmatar as falhas dos grandes meios nacionais, que não podem dar uma cobertura exaustiva a todas as localidades. Nos últimos vinte anos, o papel da imprensa regional e local foi sendo progressivamente valorizado (Camponez, 2002). Foi o reforçar de uma abordagem que segue a máxima “pensar globalmente, actuar localmente” (García, 2004, p.18). A definição de fronteiras entre regional e local não é algo linear pois, como afirma Lopes (2008, p.137), “vivemos em territórios flutuantes, talvez porque também mudamos permanentemente de espaços”. Consultando o nº 7 do artigo 2º da Lei de Imprensa de 1975, a imprensa regional, ao mesmo tempo que é definida em função da sua expansão territorial, é também delimitada de uma forma negativa. Isto é, nela são consideradas as publicações periódicas que não sejam de âmbito nacional. Esta situação foi parcialmente corrigida pelo Estatuto da Imprensa Regional em 1988, quando no seu artigo 1º define que se incluem nela “as publicações periódicas de informação geral, conformes a Lei de Imprensa, que se destinem predominantemente às respectivas comunidades regionais e locais, que dediquem, de forma regular, mais de metade da sua superfície redactorial a
15 Pegando no interesse do público, Frost (2006) descreve quais os tipos de histórias que esse interesse abrange no Reino Unido. São elas as que permitem: expor o comportamento criminoso ou antissocial; prevenir que as pessoas sejam induzidas em erro; expor os perigos para a saúde e segurança públicas; expor incompetência significativa nos cargos públicos. Estas histórias assumem uma grande importância para os media locais e regionais, para o seu papel de proximidade e de “watchdog”. Ao publicarem este leque de interesses levam a que “people who rarely appear in the paper may suddenly be exposed for alleged bullying, or corruption or just plain incompetence” (idem, ibidem, p.275). A exclusividade é um fator de destaque do próprio meio regional. Permite-lhe ter uma projeção que possa atingir os meios nacionais, que se basearão nele, conquistando a confiança da audiência. A raridade de um acontecimento associada à exclusividade ultrapassaria muito provavelmente qualquer outro fator, tomando destaque no meio local. As situações excecionais assumem de facto importância. Assim, quando falamos de situações de rutura com a continuidade, com o que é habitual, estas têm grandes probabilidades de serem noticiadas. Muitos dos conflitos entre partes distintas encaixam-se neste vértice daí que “sejam as situações que melhor patenteiam essa fractura que sejam mais passíveis de ser seleccionadas” pelos media (Lima, 2008, p.447). A evolução e acompanhamento das situações, designado de follow-up, são o que permite que quem consome informação perceba a conjuntura. Sendo importante na imprensa nacional e internacional, não perde relevância na regional e local. Miguel Túnez e X. López, citados em García (2004), listam como elementos básicos para que um acontecimento se torne notícia o seu desconhecimento, o lado inesperado, a proximidade, as derivações (o designado follow-up), o interesse humano, o conflito, serem proeminentes e úteis. À filtragem efetuada pelos meios de comunicação, os acontecimentos têm ainda que resistir à linha editorial do próprio meio, ‘vencer’ outros factos e ter espaço na antena ou no papel, em virtude do espaço dedicado à publicidade (García, 2004). Sousa (2002, p.4) define a comunicação social regional e local como “aquela que se estabelece numa comunidade de vizinhos, através de meios de comunicação que lhe são próximos”. Associadas estão as seguintes características: a função informativa e utilitária que assume um lugar de destaque, dado que a população quer ser informada
16 sobre o que lhe permite compreender melhor o seu quotidiano; a função de produção simbólica e comunitária que joga simultaneamente com a resistência à globalização e com a projeção do local no global, sendo esta essencial para reforçar o sentimento de pertença a uma comunidade; a função de veículo de petição e de representação de setores da comunidade ou de toda a comunidade perante terceiros que tem por base o entendimento dos meios regionais como a voz da população para quem trabalha; têm ainda a função de espaço simbólico onde têm lugar competições mas onde, de igual modo, se formam consensos (idem, ibidem). Os jornalistas que trabalham nestes meios informam sobre a atualidade mais próxima, mas também sobre acontecimentos que possam ser distantes e que tenham interesse para os destinatários da informação, isto é, que os afetem de algum modo. Um dos assuntos mais sensíveis de tratar é a dor. Se o é a nível nacional, é ainda mais a nível local. “O carácter universal de toda a dor, associado às potencialidades ubiquistas das novas tecnologias da comunicação, concedeu à informação sobre catástrofes, naturais e humanas, um lugar de primazia nas agendas mediáticas” (Oliveira, 2008, p.213). A questão reside em saber até que ponto o jornalismo pode estar a ser intrusivo, revelando detalhes ou mostrando insensibilidade social. No fundo, até que ponto deve o jornalismo ser próximo? A resposta pode estar no interesse que o assunto tem para a comunidade: na seleção de informação, os jornalistas têm de considerar o interesse público dos detalhes que têm em sua posse (Frost, 2006). Se a morte for interessante pelas circunstâncias ou por quem morreu, as histórias são veiculadas pelos jornais locais devido ao seu dever de estar no lugar dos acontecimentos (idem, ibidem). Acrescentamos que fruto da nossa experiência no Porto Canal, pudemos constatar que as circunstâncias tinham grande peso nas decisões, sendo automaticamente excluídas todas as situações que evidenciassem ou indicassem suicídio. Pode parecer um abuso de proximidade noticiar a “desgraça alheia”, mas ainda que comummente se critique tal facto, quando chega a hora de procurar informação, são os acontecimentos mais invulgares que mais são procurados. “Certo é que desde a afirmação do modelo noticioso de imprensa, os responsáveis pela nova formatação dos periódicos cedo descobriram que o que vendia os jornais eram os acontecimentos que se destacam da mediania e particularmente todos os temas relacionados com crimes, catástrofes ou escândalos” (Lima, 2008, p.16). A busca para pôr a render o fascínio do
17 público pelo sangue e pela emoção leva a que se associe aos media locais uma imagem mais sensacionalista do que aos media nacionais (Kaniss, 1991). Na hora de abordar assuntos que lidam com a dor os meios de comunicação deparam-se com dois perigos iminentes. O primeiro deriva do próprio sentimento do jornalista que, por muito que possa desejar, não é totalmente insensível em relação ao que observa. Quando confrontado com situações muitas vezes inesperadas, não se torna fácil conseguir o distanciamento necessário nem tão pouco refletir sobre os mesmos. O segundo aspeto diz respeito ao próprio funcionamento dos media que, em busca de maiores audiências, se veem tentados a explorar a informação virada para a emotividade (Oliveira, 2008). Fishman, citado por Kaniss (1991, p.87), refere que a seleção do que é um evento noticioso é feita com base nos “news theme”. Os temas mais comummente cobertos são: “the horse race”, “the political play-by-play” e “the haste versus delay”. O tema “horse race” é relativo à competição entre cidades pelo prestígio e pela atividade económica e em como os desenvolvimentos afetam a competitividade entre as mesmas. Temas inseridos em “political play-by-play” mostram quem está em competição com quem para obtenção de aprovação para determinado projeto e qual deles será o provável vencedor. Já o “haste versus delay” enfatiza a velocidade a que o projeto está a caminhar para a conclusão (Kaniss, 1991, p.87). As funções da imprensa regional descritas por Mathien, citado por Camponez (2002), remetem-nos todas para a prática do jornalismo de proximidade: servir de elo da comunidade a que se dirige, constituir-se como complemento à experiência quotidiana dos seus leitores (ou recetores de uma forma geral), esclarecer o leitor sobre o ambiente que o rodeia, alargar o conhecimento da sua audiência nos mais diversificados assuntos, servir como um importante banco de dados da região onde atua e desempenhar uma função de recreio e de psicoterapia social. Reforçamos que o complemento à experiência quotidiana referido não diz respeito apenas ao que se passa perto, diz também respeito à realidade distante. É preciso notar que a missão de complementar a informação com o que se passou mais distantemente deve ser levada seriamente, ainda que com alguns cuidados. Os meios locais não devem ter pretensões de imitar os meios nacionais pois, além de não terem os mesmos recursos, não é isso que na base os caracteriza. Mas é importante que noticiem o que se passa fora do espaço geográfico mais próximo até porque, se a proximidade não se mede apenas territorialmente, o público também dá valor a que quem está perto
18 conte o que se passa longe. A audiência quer sentir que “forman parte del todo globalizado que lesa salta desde cualquier lugar donde se ofrece una u otra forma información” (Labella, 2010, p.57). Principalmente se sentir que o que acontece fora da sua localidade também tem consequências no seu quotidiano. Há um importante papel de tradução das notícias nacionais ou internacionais para a sua comunidade. Existem forças para que os meios de comunicação regionais e locais mudem e estão essencialmente relacionadas com dois fatores: o rápido desenvolvimento da tecnologia dos media e a mudança de hábitos de consumo pela audiência potencial (Pilling, 2006). O primeiro fator encontra-se do lado da oferta, enquanto o segundo encontra-se do lado da procura dos meios de comunicação. Pelo lado da oferta, temos então a emergência e a propagação dos media baseados na Internet, os designados Novos Media. Ao distribuírem rapidamente notícias e também publicidade sem ser necessária qualquer impressão, eles assumem-se como uma ameaça, mas também como uma janela de oportunidade para o jornalismo local (Pilling, 2006). A ameaça reside na adaptação dos meios tradicionais (imprensa, rádio e televisão) a este novo meio, contudo as hipóteses de através dele verem a sua cobertura expandida de uma forma significativa são também reais. A proximidade com o público pode crescer, o que nos leva ao segundo fator que se encontra do lado da procura. A audiência, sejam eles leitores, ouvintes ou telespectadores, tem mudado os seus comportamentos de consumo dos media. Esta situação é particularmente visível na imprensa e no segmento do público mais novo: “The potencial local news audience, especially its younger members is turning away from print for its information and advertisements” (Pilling, 2006, p.113). Os títulos diários regionais podem trabalhar num ambiente de queda de vendas e de enormes pressões económicas, mas a divergência de interesses da audiência é algo que se assume como sendo mais difícil de conciliar (Aldridge, 2007). A proximidade requer estar onde a audiência está, logo se o público muda a forma como consume, manter-se próximo só será possível se os media, de algum modo, se adaptarem. Os jornalistas não escrevem histórias para vender jornais, escrevem-nas para “vendê-las” aos seus chefes e assim verem estas publicadas. Têm ainda a preocupação em fazer um bom artigo, de acordo com os seus próprios critérios, o que acaba por incluir a preocupação com a audiência. O interesse e o poder cativante de uma história são designados por “sexiness quotient” (Kaniss, 1991, p.86).
19 Muitas das descrições e características apontadas ao jornalismo regional, local e de proximidade remetem-nos de uns para outros, levando a considerações que se ligam em círculo. Não é novidade o “querer saber o que se passa na porta ao lado”. Em boa verdade, podemos até afirmar que a proximidade pressupõe isso mesmo. A questão levantada quanto à intrusão deixa também clara a linha ténue que existe entre o que é e deve ser público e o que é privado, ou por outras palavras, o que nos diz respeito por estarmos próximos e o que não nos diz mesmo estando perto. Cabe aos jornalistas terem o bom senso de uma seleção cuidada, acreditando que, em virtude do exposto, as próprias populações esperam destes uma atitude de proximidade sensata. Se não é só no jornalismo regional e local que se pode ter jornalismo de proximidade, é neles que as condições mais facilmente se criam para tal, funcionando o “próximo” como o motor do seu funcionamento. Mais local ou mais regional: em qualquer dos casos o que importa realçar é o mecanismo da proximidade reforçada que os caracteriza. 1.2 Independência nas Relações de Proximidade “No passado, o poder tinha a palavra. Hoje, a história é discurso, e a palavra tem o poder.” Francisco Rui Cádima Os jornalistas na área da proximidade podem querer agradar à sua audiência, mas essa não é por hábito a sua principal preocupação. Antes de tal, existe um conjunto alargado de considerações e de relações que têm de ser tidos em conta. Abarcando a atividade jornalística a responsabilidade de selecionar as notícias e produzir as peças num jornal, ela é alvo de influências nas suas escolhas. Todas as fontes de poder são apetecíveis. Consequentemente, por praticarem um jornalismo de proximidade e tendo conquistado o seu espaço junto da audiência, os meios de comunicação regionais e locais estão sujeitos a algumas pressões. Afinal “… pela sua dimensão social, os órgãos de informação adquiriram uma efetiva capacidade de influenciar as audiências e, de uma forma mais estruturada, constituir fenómenos de
20 opinião pública” (Lima, 2008, p. 18). A partir desta noção parece evidente que os jornalistas têm de ter um conjunto de mecanismos para diariamente conseguirem manter a sua sobriedade profissional. “Os jornalistas devem funcionar como um controlo independente do poder” (Kovach e Rosenstiel, 2004, p.114). No decurso da sua atividade, os meios de comunicação estabelecem um conjunto de relações com os mais variados órgãos. Estas podem ser institucionais, não institucionais, comerciais ou pessoais (Labella, 2010). As informações que chegam por via não institucional são importantes na medida em que podem ser notícias em primeira mão e que ainda não forem veiculadas por via institucionalizada. Por seu lado, as relações pessoais podem complicar o trabalho jornalístico, seja por serem de cordialidade ou de inimizade (idem, ibidem). Nos meios locais são as instituições os principais fornecedores de informação através de diversas formas: comunicados oficiais, apresentações e outros atos oficiais, conferências de imprensa, declarações sem perguntas, entrevistas e pedidos de declarações ou esclarecimentos através do gabinete de imprensa (idem, ibidem). Respeitante à parte comercial, a dependência publicitária pode levar a alguns entraves na hora de informar, originando até a publicação de informações sem qualquer valor-notícia. Os jornais devem fornecer informação sobre o governo e a comunidade local de modo a permitir à população fazer escolhas informadas, contudo podem existir entraves a tal incumbência: “economic pressures that are the result of structural mechanisms in the industry threaten that role” (Williams, 2006, p.84). Kucinski (2004) aponta dois níveis de corrupção nos media. Num primeiro, a independência é posta em causa devida à relação dos jornalistas com as fontes. No atual panorama jornalístico, o papel das agências de comunicação surge como um elemento contraditório em si mesmo. Ao mesmo tempo que facilitam a vida dos jornalistas, ajudando na definição da agenda noticiosa e funcionando como uma ferramenta de trabalho, acabam também por controlar demasiadamente aquilo que é notícia. Seja ou não por falta de recursos, ocorre a transferência de uma função das empresas de media para uma outra entidade. Os jornalistas só podem reportar eficazmente os acontecimentos que conheçam e entendam bem, pelo que devem recorrer a fontes que lhes expliquem o que se passou da melhor forma possível. Obter notícias diferentes ou exclusivas de elevada qualidade está
21 deste modo condicionado pela diversidade, quantidade e seleção das fontes de informação. Os métodos pelos quais podem obter informações podem agrupar-se em três grandes grupos de acordo com Josep María Casasús (1989, cit. por García, 2004): recursos pessoais e fontes próprias dos jornalistas; fontes genéricas e convencionais de informação; fontes específicas e eventuais de informação. O primeiro grupo compreende outros três grupos: passivos, ativos e pessoais. Os recursos passivos dizem respeito à observação direta, nos quais o jornalista toma conhecimento porque presencia a situação. Já os ativos remetem para um processo de investigação, documentação com entrevistas técnicas a fim de se obter informação. Toda a experiência passada adquirida pelo jornalista, tanto a nível académico como cultural ou até mesmo social, diz respeito aos seus recursos pessoais (idem, ibidem). Por sua vez, as fontes genéricas e convencionais de informação dizem respeito aos serviços de agência, aos comunicados, bem como à atenção constante aos outros meios de comunicação. O último grupo aborda as fontes específicas e eventuais de informação, isto é, aborda os próprios agentes que protagonizaram os acontecimentos ou os presenciaram, podendo desta maneira dar o seu testemunho (idem, ibidem). Podemos ainda aqui abordar a questão da tipologia das fontes. Héctor Borrat (1989, cit. por García, 2004) separa-as em resistentes, abertas, espontâneas, ávidas e compulsivas, categorias estas que variam consoante a atitude existente na relação entre os jornalistas e os informadores. Como o próprio nome indica, as fontes resistentes colocam fortes entraves a quem busca detalhes sobre determinado assunto, ao passo que as abertas não os colocam, embora também não os forneçam espontaneamente, isto é, fazem-no apenas quando solicitadas. Pelo contrário, as fontes espontâneas fornecem informação de uma forma voluntária. A um nível de voluntariedade superior estão as fontes ávidas, que informam mais urgentemente e com maior intensidade. Intensidade essa que é levada ao máximo pelas fontes compulsivas. Ao porem todos os recursos ao seu alcance em marcha, pretendem quase que obrigar o meio de comunicação a publicar a informação. De acordo com outras tipologias, as fontes podem ainda ser consideradas de primeira mão (quando o jornalista assiste ao acontecimento presencialmente), de segunda mão (quando o jornalista toma conhecimento no local por testemunhos obtidos) e em terceira mão (quando o jornalista toma conhecimento por outra fonte). Esta
22 tipologia leva em conta o grau de contacto que o jornalista teve com o acontecimento (García, 2004). As fontes podem ainda ser públicas ou privadas. Identificar quem forneceu os dados é também importante para a fiabilidade do serviço prestado. García (2004) reparte a divulgação da informação por quatro tipos de atribuição: direta, com reservas, de reserva obrigada e de reserva total. Quando a informação prestada pela fonte é divulgada, identificada e citada, estamos num caso de atribuição direta. No caso da atribuição com reservas a fonte pode ser citada, mas não é identificada explicitamente. Porém, também não pode ser apresentada de uma forma muito genérica, devendo ser uma identificação o mais precisa possível. Se o jornalista assume a informação como se fosse elaborada por ele próprio, sem citar as fontes, temos um caso de atribuição de reserva obrigada. O caso da atribuição de reserva total é um caso de informação prestada off the record. A informação não pode ser divulgada nem atribuída à fonte, isto por acordo entre o jornalista e o prestador de informação. Com base nesta informação o jornalista pode melhorar a sua compreensão de outros assuntos que estão ou podem vir a estar na ordem do dia. Com tal informação poderá conseguir preparar-se melhor para futuras reportagens. Quando os jornalistas contactam as suas fontes, têm de ter em conta os interesses que as mesmas podem ter por detrás da informação que estão a prestar. A questão da confiança assume uma importância não mensurável. As informações erradas que colocam em causa a idoneidade da publicação local colocam em causa a própria proximidade. Deve-se promover uma postura profissional entre as fontes e os jornalistas. Existirão sempre os grupos que colocam certos jornalistas numa espécie de lista negra ou, pelo contrário, numa lista dos que interessa ganhar a confiança. No fundo, mesmo em meios marcados pela proximidade, o importante é que os profissionais busquem o rigor e a honestidade na sua atuação. Assim, mesmo que alguns elementos não gostem do que é publicado, mais facilmente serão forçados a aceitá-lo. Para não ser induzido para aquilo que querem que publique, o jornalista deve sempre escutar, mas também perguntar e analisar as diversas situações até porque, na vida local, há muitos olhos que tentam controlar e saber tudo o que se passa (García, 2004). O segundo nível de corrupção que coloca em causa a independência jornalística está relacionado com a imprensa e o poder (Kucinski, 2004). Neste ponto a referência é feita ao poder que interior e exteriormente está ligado a um órgão de comunicação. Não se pense que a autonomia dos jornalistas se centra em apenas um ou alguns dos níveis
23 que compõem a escala de organização da empresa. Um dos pontos da escala pode produzir diretamente a informação, mas toda a envolvência assume indiretamente um papel de relevo naquele que será o trabalho final do jornalista. Há um ponto incontestável: a publicidade é a principal fonte de financiamento dos jornais. Nenhum patrocinador quer ou deseja que a publicação que patrocina publique um conteúdo indesejado à sua empresa. A tentativa de controlo e de censura de notícias está muitas vezes relacionada com a proteção de produtos. Isto gera que, em muitos casos, um publicitário acabe por precisar mais do meio de comunicação do que o inverso. Para tal bastaria que o cenário fosse bastante concorrencial (Kaniss, 1991). Daqui decorre uma pressão, umas vezes mais direta que outras, que não permite que os jornalistas ou as empresas de media tenham liberdade para publicar o que desejariam ou deveriam. A vertente comercial continua a ser relevante mesmo com a queda de circulação dos jornais em papel. “Local newspapers remain highly successful and profitable business organizations despite these long-term downturns in circulations and readerships” (Franklin, 2006, p.7). A solução apontada para esta situação aparentemente contraditória reside na adoção de uma estratégia de negócio orientada para a maximização do lucro, tendo por base o aumento das receitas publicitárias e a redução dos custos de produção (idem, ibidem). Mas se tal passar por redução do número de jornalistas, não só o meio local perde expressão, como os próprios jornalistas desse meio, sem muitas alternativas na mesma área profissional na sua zona de residência, mais facilmente cederão a fazer reportagens que de outro modo não fariam. A questão ganha um novo contorno dado o processo de convergência. Muitas publicações pequenas estão agora ligadas a empresas maiores. Com este processo, aumentam as relações que potencialmente uma empresa jornalística e consequentemente os seus jornalistas têm de ter em conta. Não importam só as pressões explícitas, contam também aquelas que ninguém diz mas que todos subentendem. Nas palavras de um jornalista citado por Kaniss (1991, p.57), “any reporter wants to please his editor who wants to please the publisher”, o que sugere a interiorização de ordens sem sequer estas serem dadas. Se os meios regionais e locais pertencerem a meios de maior dimensão, surgem novos elos de ligação e de dependência. Se estiverem também dependentes das instituições locais, a independência pode estar ameaçada. Daí que, defender um certo distanciamento assume-se como uma postura sensata, e muitas vezes como necessária.
24 Porém, as ligações externas podem ter um papel importante e construtivo no jornalismo de proximidade. Num estudo levado a cabo nos E.U.A sobre televisões de âmbito inferior ao nacional, Kurpius (2003) concluiu que fundações com propósitos de inovação podem e fazem a diferença no desempenho dos meios televisivos regionais. Para tal, é importante combater o designado “jornalismo conduzido pelo mercado”. Deste modo, avançamos para o outro ponto já referido da independência ou da falta dela: o grau “de dependência, essencialmente publicitária, que os media regionais (e locais) têm com as instituições” (Lopes, 2004, p.39). Estes meios de comunicação são utilizados como nichos de mercado, conseguindo despertar e captar o interesse de empresas que não teriam qualquer interesse em publicitar em meios de maior dimensão (Volpato, 2008). Na essência, o que Kurpius (2003) nos transmite é que uma estrutura organizada, que apoie o meio local, contribui para a melhoria da cobertura da estação, abrindo portas para o aumento do espaço cívico da comunidade em que se insere. Na análise efetuada nos E.U.A, a conclusão remete para que quando os meios de televisão local deixam de pertencer às fundações, estes voltam às normas tradicionais e rotinas de cobertura que tinham anteriormente. A esfera pública local aumentou temporariamente, mas a estrutura destes meios não mudou. Apontando o caso brasileiro como exemplo, Volpato (2008, p.94) afirma que a televisão regional apresenta-se como um media que usa a informação de proximidade e diversos recursos “para construir um bloco geoestratégico com vistas à representatividade económica da região, haja vista o interesse dos públicos em ver retratado na imprensa os temas de suas localidades e o interesse mercadológico dos blocos midiáticos”. Susanne e Stephan (2008) apresentam o jornalista como um agente racional. Segundo esta ótica, este procura maximizar o seu bem-estar, promovendo o seu próprio interesse, estando assim recetivo a incentivos e recompensas. O jornalista entra em linha de conta com os riscos e com os benefícios que podem advir da publicação da informação. O risco é bem evidente e muito provavelmente sem volta a dar: uma vez perdida a confiança perde-se a proximidade a ela intrínseca. O jornalismo é sem dúvida uma forma de conhecimento, mas este deve encontrar um ponto de equilíbrio entre ‘afetividade’ e ‘racionalidade’, evitando a ligação da emocionalidade à comercialidade (Brandão, 2010).
31 2. JORNALISMO TELEVISIVO 2.1 O Jornalismo Televisivo: contacto com o público “Television is unquestionable one of the central features of modern life. Television accompanies us as we wake up, as we breakfast an as we have our tea.” Bob Mullan, 1997 Os jornais televisivos são um dos pilares da grelha de programação das estações generalistas portuguesas, RTP1, RTP2, SIC e TVI. Não é por acaso que o horário nobre da televisão (das 20h às 23h) se inicia com os principais espaços informativos de cada um dos canais: Telejornal, Jornal da Noite e Jornal das 8. A exceção é feita na RTP2 pois não seria producente emitir o mesmo conteúdo em simultâneo com a RTP1. Assim neste canal o principal bloco de notícias, Hoje, inicia-se pelas 22h. Em análise ao conteúdo do Telejornal da RTP1 que envolveu alguns jornais de 2002 a 2006, Cardoso e Neto (2010) concluíram que os eventos noticiados estavam localizados maioritariamente em Lisboa e no Estrangeiro. Assuntos do País como um todo tinham também expressão, sendo que no decurso do período analisado, esta tendência foi reforçada. No Jornal 2 da RTP2 (nome do informativo no período analisado, 2002 a 2006), as notícias oriundas do estrangeiro tiveram um peso preponderante. Verificou-se fraca expressividade das notícias respeitantes a localidades concretas, à exceção da capital (Belo e Santos, 2010). Negreiros e Souto (2010) constataram que, entre 2002 e 2006, a proximidade das notícias do Jornal da Noite da SIC assumia para a região de Lisboa um valor quase igual ao do resto do País. Destaque também para as notícias nacionais e estrangeiras. No mesmo período, o Jornal Nacional da TVI (nome do bloco noticioso no período de análise) seguiu a mesma tendência que o espaço da SIC, tendo a proximidade das notícias tido um maior valor para a região de Lisboa (Sendim e Brandão, 2010). Daqui se conclui que estas estações não conseguem prestar atenção a todos os pontos do território, dado que buscam notícias que interessem à generalidade dos
32 telespectadores. Se a audiência busca este tipo de informação, esta não é o seu único interesse. A ideia de um mercado de televisão único e em grande escala tem vindo a perder relevância. Cada vez mais a diversificação de interesses do público é visível no meio audiovisual. A procura por conteúdos que privilegiem um contacto mais próximo e que tragam consigo um fator de identificação cresceu. Um conceito que de pouco realista passou a assumir-se como real é o de ‘exceção cultural’ (Ledo Andión, 1999). O direito à diferença e às especificidades de determinada cultura ganharam força no âmbito televisivo. Tal não significa esquecer ou ignorar outras realidades, afinal os contrastes e a interculturalidade têm um papel ativo na formação da identidade (idem, ibidem). Um indivíduo só se define como tal em oposição a outros. Os conceitos de proximidade e de contacto com o público são fundamentais para a televisão e, em particular, para as de âmbito regional e local. A proximidade aplicada ao meio televisivo relaciona-se com a perceção de uma realidade comum entre emissor e recetor. Mais concretamente, é nos seus conteúdos que uma estação se pode afirmar como local e assim se demarcar das que não o são (Cruz, 2005). Deve-se todavia evitar ficar totalmente centrado na própria cultura: “los médios locales, la tele de proximidad, deben nacer desde un foco muy cerrado para abrirse, compartir su realidad con otros medios locales de realidades diferentes” (Sanz, 2005, p.6). A oposição local/regional ao nível televisivo parece encontrar o seu lugar em três pilares: área de difusão, propriedade e origem (Francisco Vacas, 1999, cit. por Coelho, 2005). Regra geral, enquanto as locais emitem para um município, as regionais emitem para uma região. Ao nível da propriedade, podem ser públicas ou privadas, embora haja uma tendência histórica europeia para o nascimento das televisões regionais estar ligado ao setor público. Quanto à origem, as televisões locais veem o seu nascimento junto da área a que se destinam, já as regionais resultam em grande parte de movimentos de descentralização de grandes canais de televisão nacionais. Para Cidoval Moraes de Sousa (2006, cit. por Gannam, 2007) o que define uma televisão regional não é a abrangência do espaço geográfico que ocupa, mas antes as especificidades dos seus conteúdos, pela pertença da estação à região, pelo discurso que corresponde às características da sua audiência, pelo investimento do próprio espaço no canal e pela sua autonomia na produção de programas de interesse regional. O papel destas televisões é irem ao encontro das sociedades, contudo nem sempre é esta a missão que está na sua génese. Por exemplo, em Espanha a maioria das
33 estações não revela qualquer preocupação social, como refere Coelho (2005), que acrescenta ainda que as televisões locais espanholas e italianas também não revelam uma função social, que é o pilar da informação de proximidade. A proximidade é percecionada em graus distintos pelos telespectadores. De acordo com Cruz (2005), os programas locais têm geralmente uma melhor aceitação do que os regionais. De notar que o exercício da atividade jornalística leva a que os seus profissionais busquem tornar os acontecimentos quotidianos compreensíveis para si para, posteriormente, poderem transmitir a realidade social de uma forma entendível ao público a que se dirigem. Quanto mais restrita a audiência, mais específica, logo existirá maior facilidade de adaptação do discurso e consequentemente maior facilidade de agradar à mesma. A uma programação que se defina como próxima exige-se que, por um lado, potencie a produção local própria, para deste modo retratar a referida realidade comum da comunidade. Por outro, exige-se que tenha emissões regulares, pois só com hábitos criados se criam laços de pertença e de depósito de confiança (idem, ibidem). A televisão de proximidade é aquela que é “posta ao serviço da comunidade, a televisão cúmplice do processo de desenvolvimento dessa comunidade, que produz e emite conteúdos de proximidade” (Coelho, 2005, p.170). Trata-se de um pacto que leva a que muitas vezes para a total descodificação da mensagem seja necessária a partilha da identidade a ela inerente. Para Sanz (2005) o que importa numa televisão local não é só o seu âmbito de cobertura, mas sim a proximidade dos seus conteúdos, o acesso da comunidade ao media, o predomínio da produção própria e a promoção dos interesses locais. A atenção da televisão de proximidade deve estar virada para a sua vantagem competitiva nos produtos culturais e identitários, levando-os a possuírem real valor, quer para os consumidores, quer para as outras partes envolvidas (Mohedano, 2009). O nascimento de muitas televisões locais esteve ligado ao voluntariado dos seus participantes. Descrevendo a situação das estações locais, Moreno (1999) também refere a produção própria como sendo um dos pilares fundamentais, devendo a emissão ser regular e a programação destacar a cultura autónoma da comunidade. Destaca ainda a participação cidadã como um dos elementos que caracteriza a televisão local. Uma noção importante que delimita o que é local é a exclusão dos meios que apenas emitem
34 ocasionalmente, bem como os que se limitam a retransmitir outros órgãos de comunicação. Piquer (2008) chama a atenção para o facto de, em Espanha, a produção própria se centrar no horário nobre, com cada programa a ter uma duração entre 50 e 70 minutos. Este facto leva a que as principais horas de emissão, incluindo os principais blocos informativos, compitam diretamente com os dos grandes canais nacionais. Esta é de resto uma das razões apontadas para a fraca implementação de várias televisões locais: se o tempo de permanência num canal local é inferior ao de um nacional, deve-se optar por programas mais pequenos e dinâmicos, ainda que se repitam conteúdos algumas vezes ao longo da emissão. Deste modo, são sugeridos blocos informativos que não excedam os 30 minutos. Também é característica a ausência de vários estúdios, sendo que num só são gravados vários programas, levando a que o que os distinga seja a temática e os elementos decorativos. A verdade é que a televisão de proximidade europeia pauta-se pela imposição da informação na sua grelha, por uma questão de custos mas não só (Coelho, 2005). Captar a tenção do espectador é mais fácil em conteúdos onde as outras estações não apostam tanto. O jornalismo de proximidade é uma dessas áreas. A dimensão do País tem impacto na estrutura das notícias da rádio e da televisão (Aldridge, 2007). Países como os E.U.A. têm vários fusos horários, o que por si só é um incentivo à diversidade de estações. Outro exemplo é o de Espanha, que tem várias comunidades autónomas, ou do Canadá que tem 5 fusos horários. A génese das televisões de menor dimensão acaba por ser uma resposta e uma necessidade por parte de uma comunidade que sente a sua identidade e cultura atacadas ou não valorizadas (Sanz, 2005). Esta ideia insere-se no seu papel de “instrumento de reacción, de denuncia activa, revolucionario” (idem, ibidem, p.7). O exemplo em Castilla y León em Espanha remete a atividade destas estações para a busca de rentabilidade económica (Cruz, 2005). Porém, o problema não é a busca de rentabilidade. É antes este ser frequentemente o fator decisivo que condiciona o seu desenvolvimento, levando a que a produção própria não seja imperativa nas grelhas de programação. A escassez de produção própria é ainda mais visível ao fim de semana. Sem equipas para a assegurar, quase sempre a programação resume-se a um conjunto de repetições de programas exibidos durante a semana (Muñoz, 2005).
35 Reportando-nos ao Porto Canal, ao fim de semana, o canal apenas apresenta em direto um bloco de notícias, o Jornal do Norte. A ausência de diretos verifica-se nos restantes conteúdos. A exceção é feita relativamente a conteúdos desportivos relacionados com o F.C. Porto. O canal não evidencia assim um dos problemas dos canais regionais e locais que é a ausência da produção de informação no período de fim de semana. Quintas (1996) apresenta algumas das funções sociais de uma televisão local. São elas a dinamização cultural, o conhecimento dos problemas e preocupações dos cidadãos, a potencialização da identidade própria, a revitalização do tecido social, económico e político, entre outras. Ser um instrumento social é diferente de ser um instrumento de negócio. Procurar o lucro económico não é o mesmo que procurar o lucro social, sendo que “si en una televisión de proximidad se pierde la directa comunicación com el vecino, estamos hablando de otra cosa, tal vez de televisión de difusión local, pero no de proximidad” (Sanz, 2005, p. 7). Ou seja, o título local ou regional não confere automaticamente o carácter de proximidade, apenas o potencia. Em Espanha, o desenho traçado para os meios de comunicação descentralizados consiste numa estratégia de implementação territorial baseada na combinação ponderada de programas globais e locais (García, 2004). A combinação local/global precisa de ser devidamente pensada para que, local ou globalmente, se encontre de certo modo a perspetiva de proximidade. Estar próximo implica também um outro aspeto fundamental: ser o primeiro a informar, isto é, o imediatismo. Os media em geral, mas com destaque para a televisão, dão-lhe particular relevo. De tal modo que “sejam acometidos de uma febre que os leva a entrar numa corrida contra o tempo de maneira a que o momento que medeia entre a descoberta da notícia e a sua circulação seja o menor possível” (Lima, 2008, p.20). A questão do imediatismo enfrenta vários obstáculos nos meios televisivos locais. Como entrar num direto de última hora quando os recursos não o permitem? Se a programação é preparada para entrar em horário nobre, não se torna particularmente fácil interrompê-la e assim ser o primeiro a noticiar. Resta assim concluir que este imediatismo é controlado não pelo cronómetro do ‘primeiro a dar’ mas pela hora de início do bloco de notícias noturno. Aldridge (2007) aponta-nos as razões para no Reino Unido as televisões regionais serem tão populares e potencialmente importantes na esfera pública local e
36 mesmo assim terem boletins informativos insatisfatórios. O efeito combinado das fronteiras regionais arbitrárias, os imperativos da produção, os recursos limitados e a natureza do público imputado a estes meios trabalha contra a sua eficácia. Por outras palavras, as televisões regionais são desejadas mas não conseguem responder às expectativas que o público tem delas. Muñoz (2005) apresenta-nos as três tipologias de televisão local em Espanha. Na primeira incluem-se as televisões que se inserem nos grupos das grandes cadeias nacionais e que têm uma estrutura semelhante a estas, ainda que com menos recursos. No segundo grupo estão as televisões comerciais independentes, que optam por diminuir a qualidade dos programas produzidos em virtude de alargar o número de horas de emissão. Um terceiro grupo inclui as públicas que, apesar de terem uma produção mais adequada ao meio local, têm fraca produção própria. Falar de crimes, catástrofes e escândalos é uma tendência também visível no jornalismo televisivo: “hoje estamos, também de forma crescente nos telejornais, a caminhar para uma dramatização da actualidade, para um ‘universo trágico’, onde se destacam as catástrofes” (Brandão, 2010, p.19). Esta é também apontada como uma das características exploradas na localidade em sequência dos acontecimentos que lá ocorrem. A imagem é fundamental na televisão e consequentemente no jornalismo televisivo. Se a importância e o tipo de história discutem a entrada desta no alinhamento, as imagens que estão disponíveis podem sobrepor-se a estes fatores: “the story with the best vídeo and sound bites often becomes the lead” (Kaniss, 1991, p. 107). Tudo se resume na seguinte frase dita por um jornalista: “You always start with your best shot” (idem, ibidem, p.108). O jornalismo televisivo local e regional pode conseguir obter as imagens que outros meios não conseguem por estarem mais afastados. Porém, mesmo estando perto podem existir problemas que residem na falta de meios humanos e técnicos. Um aspeto curioso observado no jornalismo local nos E.U.A. é que muitas pessoas assistem às notícias televisivas não tanto para descobrir o que se passa na localidade, mas mais para usufruir da companhia das caras do canal. O assunto discutido perde relevância, o que importa é a companhia (idem, ibidem). Os jornalistas acabam por se tornar próximos da audiência não pelos temas mas pela sua presença. Esta não é certamente uma realidade exclusiva da atividade local, todavia assume-se como fator que acentua a proximidade, sendo também verificável noutros países.
37 Nem sempre o que parece ser intromissão excessiva na vida privada o é. É necessário avaliar em que condição a prática do jornalismo no campo da proximidade ocorreu, ou seja, no fundo como teve o jornalista acesso às informações. Nas palavras de um jornalista de televisão citado por Kaniss (1991, p.110): “Many times when we seem to be intrusive, we’ve been invited in by victims to tell their story”. A proximidade acaba por ser interpretada como um sentimento de preocupação em relação às vítimas ou ainda como uma forma de estas denunciarem as situações que as incomodam. O poder da televisão é aqui maior do que o dos outros meios: pode expor as histórias dando testemunho direto na componente visual e sonora. Se há quem não queira falar em frente às câmaras, existe uma tendência para ‘dar a cara’ em situações de revolta. Temos assim uma proximidade que não é só a que foi criada com os jornalistas que surgem na televisão. É uma proximidade que vem dos intervenientes das histórias serem conhecidos ou próximos culturalmente, ainda mais do que os lugares. A importância do jornalismo televisivo acaba por residir na essência do próprio meio, “a televisão permite transformar questões que a sociedade discute ou até evita em argumentos e em personagens” (Torres, 2011). É esta capacidade de dar uma impressão direta aos acontecimentos, mostrando-os, que permite que se torne próxima, tendo por isso todas as condições para reforçar este sentimento no jornalismo regional e local. Como afirma Figueroa (2011, p.46) “creemos lo que vemos porque, más que ningún otro médio, tiene la capacidad de tocar las emociones, de impulsar a la gente a que experimente sentimientos”. Os media e sobretudo a televisão devem ter como linhas orientadoras o sentido da responsabilidade na educação, de forma a promover o conhecimento e a cidadania. Assume-se “um rigoroso compromisso ético com os membros da sua actividade e com os cidadãos, para lá dos seus legítimos interesses comerciais” (Brandão, 2010, p.114). Ser dominado pelos interesses comerciais pode destruir todo o carácter de proximidade, se este sequer chegar a surgir. Há aspetos que devidamente cuidados contribuem para o reforço desse carácter. Cuidar do perfil e do conteúdo dos programas, do tipo de caracteres, do cenário, da música, das cores, do visual e da marca de quem representa o projeto assumem-se como características fundamentais para afirmar o prestígio do canal. Para ser o que Figueroa (2011) designa de “telecentro” de proximidade é necessário que todos estes fatores se articulem de modo a que a organização seja unitária e coerente para assim o telespectador ver nela a empresa de media com que se identifica.
38 Por muitas críticas ou problemas que possam ser levantados relativamente aos meios regionais ou locais, desde a sua independência editorial à sua independência económica, a verdade é que as televisões de menor dimensão trouxeram consigo o desenvolvimento do meio audiovisual descentralizado. Foi o caso da pública Radio y Televisión de Andalucía em Espanha, que levou ao desenvolvimento na região de várias empresas ligadas à área televisiva e não só: “es unánime el reconocimiento de la contribución de un setor audiovisual competitivo en el desarrollo endógeno de las regiones y en la construcción cultural de las mismas” (Alvarado, 2007, p. 92). Se a produção de conteúdos próprios faz parte da vida destas estações, tem de existir quem os produza. A própria proximidade televisiva pode reconstruir a cultura da região. As televisões locais constituem um verdadeiro desafio e o genuíno expoente da realidade cultural local (Quintas, 1996). Um desafio que se for bem sucedido torna o canal a bandeira da localidade, abrindo espaço para um verdadeiro fórum dentro da comunidade e garantindo liberdade de expressão a todos os elementos. É esta pluralidade de pensamentos aliada à produção de conteúdos próprios de qualidade que Vázquez (2006) defende para o caso da Galiza, consolidando assim um sistema de comunicação televisivo propriamente galego, alternativo, mas influente no País e no Mundo. É no fundo uma visão de transformação da televisão de proximidade perante os novos desafios tecnológicos e sociais. Focando a nossa análise no campo do jornalismo televisivo de proximidade, importa perceber o comportamento da estação regional Porto Canal nesta área. Concretamente, qual a linha editorial do canal no seu principal bloco noticioso, o Jornal do Norte? Que editorias predominam? Em que editorias se centram as notícias de abertura? Porém, o que difere um meio regional de um nacional é a forma como os aborda, se existe ou não um esforço significativo em relativizar a informação em função da localidade ou região. No fundo, nas notícias nacionais procura-se desdobrar o acontecimento para a região em concreto ou limita-se a retratar a situação geral do País? Como se distribuem as notícias tendo em conta a área a que dizem respeito? Ou seja, qual o foco da notícia? Cobrirão suficientemente os meios regionais o que está próximo ou acabarão por se centrar em torno da sua sede e esquecendo tudo o que compõe a região? Em suma, estará o canal próximo, dando relevância ao que se passa na sua área de cobertura?
39 Por agora, conheceremos melhor a evolução da televisão regional e local em Portugal, bem como o contribuiremos com o relato da nossa experiência no Porto Canal. 2.2 “Televisões” Regionais Online: uma oportunidade para o Jornalismo de Proximidade “Os avanços nas diversas tecnologias de informação e de comunicação alteraram o modo de contacto e interacção humana. O âmbito de alcance e de intervenção dos modos de produção electrónicos extravasaram as fronteiras tradicionais de espaço e de tempo.” Alberto Sá As novas tecnologias permitiram a difusão e união dos meios de comunicação tradicionais, formando realmente Novos Média associados às redes de computadores. Cada vez mais, não só os meios antigos têm maior alcance pelas diversas plataformas, como os novos nascem já inseridos nelas. “Many-to-many communication is now possible” (Aldridge, 2007, p.6). Uma notícia de carácter local pode chegar a ter consequências muito para lá do espaço a que disse inicialmente respeito. Isto deve-se à velocidade que as novas tecnologias introduziram no cenário da informação globalizada (Labella, 2010). Nascem novas formas de interação que certamente poderão trazer desenvolvimentos ao jornalismo de proximidade. Ainda que a Internet pareça ter nascido sobre o paradigma da comunicação global, a verdade é que rapidamente os intervenientes locais perceberam as potencialidades que estavam em jogo quanto a formas de comunicação mais próximas. Produzir conteúdos nos media locais é apenas um passo para a concretização da proximidade. O segundo passo diz respeito à alfabetização para a sociedade digital. No fundo, é reconhecer que os profissionais da área devem conseguir usufruir das potencialidades que o novo meio propicia e não se ficarem por um subaproveitamento. As novas formas de chegar aos cidadãos são decisivas, no sentido que do seu sucesso dependerá a capacidade de inovação do jornalismo de proximidade. Não se julgue que os novos meios só trazem vertentes positivas. Uma espécie de “vale tudo” não pode ser o caminho, ou seja, os valores jornalísticos tradicionais têm de
40 ser respeitados e mantidos, ainda que adaptados. A ética volta a assumir um papel de destaque. No fundo, podemos mesmo dizer que estamos perante um cenário em que os acontecimentos ou são globais, locais ou são os dois ao mesmo tempo, os “glocales” (García, 2004, p.109). O “glocal” é definido como o resultado de uma série de convergências entre a globalização e a proximidade (Mariano Cebrián, cit. por García, 2004). É o fruto de combinações de pensamentos globais e ações locais. No nosso âmbito, interessa perceber se as designadas televisões regionais online podem ser consideradas efetivamente “televisões”. Ribeiro (2006, p.94) cita Nuno Pinheiro Torres, na altura diretor executivo da ERC, o qual afirmava que estas iniciativas não estão abrangidas pela Lei da Televisão porque “não integram o conceito de televisão” que a legislação prevê. Completou ainda que “a radiodifusão televisiva é unilateral, enquanto a Internet é multimédia e interativa, com uma difusão de conteúdos disponibilizada mediante solicitação individual, o que afasta esta difusão do conceito de televisão” (idem, ibidem). Estas iniciativas não se inserem no conceito de broadcasting, mas tal não invalida todo o esforço levado a cabo por estes projetos no âmbito do jornalismo de proximidade. MinhoActualTV, TVViana, ViseuTV, MaltaTV, ValedoSousaTV, EspinhoTV, OesteTV, PortiTV, TVBeja, AlentejoTV e GuimarãesTV são exemplos de iniciativas. Perante esta realidade, “no hay lugar para la tecnofobia ni para la euforia tecnoglobalista” (García, 2004, p.31). Os conteúdos de proximidade fazem cada vez mais sentido. Ainda que estes meios de transmissão não possam ser considerados canais de televisão, pelo menos não da forma tradicional, assumem-se como oportunidades de difusão de jornalismo que dá atenção ao que está próximo. Não nos estenderemos mais sobre este assunto neste relatório ainda que, com o seguimento da convergência tecnológica, ao misturarmos ecrãs de televisão e de computador estes projetos vejam o seu papel na informação de proximidade crescer. A criação de canais com conteúdos próprios visíveis nos ecrãs de televisão mais tradicionais representará uma oportunidade de expansão para estes projetos.
47 Em 1999, os planos consistiam em dividir a emissão da RTP no território nacional por regiões, respetivas a cada delegação criada, para deste modo existir um bloco diário de notícias regionais transmitido em exclusivo por e para cada uma delas. Estes ‘desdobramentos regionais’ não deveriam exceder os sessenta minutos por dia, mas na prática apenas foram aproveitados espaços entre dez e vinte minutos como parte de um espaço designado “RTP Regiões”. Em dezembro de 2002, estes espaços foram suspensos, sendo retomados posteriormente em formato nacional, isto é, as notícias regionais passaram a ser transmitidas para todo o território. Estas supressões e substituições não foram pacíficas entre a RTP e AdC, já que esta última considerava que a RTP estaria a remeter para um canal fechado, o NTV, uma obrigação que deveria ter em sinal aberto (idem, ibidem). A transformação da NTV viria a acontecer a 31 de maio de 2004, dia em que deu lugar à RTPN. A nova grelha do canal continuava a ter a informação regional como marca forte, correspondendo a 50% da sua programação. Com o tempo, foi abandonando a componente regional, transformando-se num canal cada vez mais nacional, até que a 19 de setembro de 2011 deu lugar à RTP Informação (Telesatélite, 31 de maio de 2004 e 14 de setembro de 2011). O lançamento de canais regionais no cabo não ficou por aqui. A 18 de abril de 2006 foi lançado o canal Invicta TV. Detido pela empresa luso-americana Finanzza Investments, o canal foi transmitido pela operadora de cabo TvTel, que operava essencialmente na área metropolitana do Porto. Esta era também a área de cobertura noticiosa do canal, que emitia diariamente entre as 19h e a 1h (JPN, 18 de abril de 2006). Ainda nesse ano, na sequência de uma denúncia, a ERC investigou a possibilidade do canal emitir em território nacional sem licença, tendo “fortes indícios de atividade televisiva ilegal". A empresa detentora do Invicta TV defendeu-se dizendo que a sede da empresa estava nos Estados Unidos, mas estas justificações não convenceram totalmente a ERC (Jornal de Notícias, 27 de setembro de 2006). A 29 de setembro de 2006, nasceu mais um canal dirigido aos habitantes da área metropolitana do Porto, o Porto Canal. A história deste canal será alvo de uma análise noutra secção. No início de 2007, a operadora TvTel adquiriu o Invicta TV. As suas emissões foram temporariamente suspensas pela operadora, avançando simultaneamente com um pedido de licenciamento para as reiniciar. Durante o período em que esteve suspenso, o
48 canal disponibilizou os seus conteúdos online (Meios&Publicidade, 5 de janeiro de 2007). Foi a 17 de dezembro de 2007 que o canal Região Norte Televisão (RNTV) ocupou a posição anteriormente ocupada pelo Invicta TV. Nas palavras do então administrador da TvTel, Paulo Pereira, o RNTV assumia-se como “um canal especificamente de informação com cobertura regional" com a "principal missão de dar voz à região Norte” (JPN, 17 de dezembro de 2007). A história do canal viria a sofrer alterações pouco tempo depois com o interesse da operadora ZON TvCabo em adquirir a TvTel nos inícios de 2008. A 21 de novembro desse ano, a AdC deliberou adotar uma decisão de “não oposição” a esta operação, mas impôs condições. Também a ERC não se opôs à operação de concentração entre a ZON TvCabo e a TvTel, mas a primeira deveria inserir na sua oferta os canais nacionais que emitiam na segunda para, deste modo, a operação “garantir o mesmo nível de diversidade e pluralismo externo, de forma a não comprometer a diversidade programática que os dois operadores asseguravam”. Neste caso inseria-se o RNTV (Telesatélite, 28 de junho e 26 de novembro de 2008). O canal viria a ser lançado na ZON mas não sem antes sofrer uma nova transformação. A área de cobertura do canal foi expandida, levando o canal a ter o intuito de cobrir também as regiões do centro e sul do País. Nesse sentido, a 5 de dezembro de 2008, nasceu o canal Regiões TV (RTV) com o lema “Portugal por Inteiro” (Telesatélite, 5 de dezembro de 2008). Em janeiro de 2011, foi apresentada uma parceria entre o RTV e as empresas viseenses VideoMatriz e Ediestudio para a emissão no canal de espaços com origem em Viseu (DãoTv, janeiro de 2011). Já em setembro de 2011, Ediberto Lima assume o cargo de diretor artístico do RTV. Para além da aposta na informação, o entretenimento passa a ser uma aposta forte do canal, mudando assim o rumo que o canal teve na sua origem (Meios e Publicidade, 2 de setembro de 2011). Outros projetos para canais regionais no cabo chegaram a ser falados na imprensa, contudo nenhum deles assumiu emissão autónoma efetiva. De salientar que o processo de transição do sistema de transmissão analógica para o digital nas emissões de televisão hertziana poderia ter aberto uma janela de oportunidades para a emissão de canais regionais e locais. Trouxe as condições, mas não se verificou o surgimento de qualquer canal. A falta de mercado publicitário foi
49 frequentemente apontada como o entrave para a entrada de novos canais, uma situação que não é nova já que desde a altura do nascimento dos primeiros canais privados em Portugal que se falava de tal situação. Independentemente das razões apontadas para a ausência de canais regionais e locais em sinal aberto, a realidade televisiva portuguesa a este nível não constitui uma alternativa numericamente significativa face aos meios nacionais. O espaço para a prática de jornalismo televisivo de proximidade fica assim remetido para um número reduzido de meios. Apesar de teoricamente o RTV abarcar todas as regiões de Portugal, o canal não conseguiu ter uma presença significativa na maior parte delas. Numa análise efetuada ao então espaço de notícias do RTV, o Jornal Regional, Malainho (2010) concluiu que mais de 90% das peças que foram transmitidas diziam respeito à área do Grande Porto. O Porto Canal cobre o Norte do País, daí que se assuma como um canal regional. No entanto, um estudo levado a cabo por Cristina Tereza Rebelo (MKT Portugal, 6 de novembro de 2011) afirme que o canal apesar de ter uma imagem positiva no mercado e representar alguns valores da região, não abarca consigo o fenómeno da identificação. Baseado em entrevistas, este estudo aponta para que seja mais um fenómeno local do que regional. Mesmo perante este cenário, para já, assumiremos o canal como regional, e afirmaremos que canais locais inseridos na conceção de televisão enquanto meio de broadcasting não existem em Portugal.
50 3. ESTÁGIO NO PORTO CANAL 3.1 Porto Canal: Caracterização e Percurso O Porto Canal iniciou as suas emissões a 29 de setembro de 2006, estando sedeado em Matosinhos. Direcionado para a população que vive e trabalha na área metropolitana do Porto, prometia seguir-se exclusivamente "por uma lógica de proximidade e não de entretenimento ou informação” (Jornal de Notícias, 29 de setembro de 2006). As palavras do principal acionista e diretor geral na génese da estação, Bruno Carvalho, não deixam dúvidas: “Quero que as pessoas tenham no nosso canal um instrumento onde se veem, reveem, identificam e gostam. E quero que lhes seja útil" (idem, ibidem). Inicialmente, a propriedade do canal pertencia à empresa Avenida dos Aliados S.A., um grupo de produtoras da cidade que incluía a do diretor geral, detendo 97% do capital. As restantes participações encontravam-se repartidas pelo Finibanco e pela JP Sá Couto. Nenhuma autarquia esteve envolvida como acionista na origem do canal, sendo ele totalmente privado. No seu arranque o canal contava com 3 jornalistas, 1 produtora, 1 repórter de imagem que entre outros programas asseguravam 2 blocos noticiosos diários. Exibidos de segunda a sexta-feira e intitulados de Repórter da Cidade incluíam uma reportagem em cada emissão. Em 2007, o número de jornalistas subiu para 6, passando a contar com 2 produtores e 3 repórteres de imagem. O Repórter da Cidade foi alargado de 15 para 25 minutos e passou a contar apenas com uma edição diária que incluía 7 reportagens (dados fornecidos pela chefe de redação do Porto Canal, Vanda Balieiro). Para além da aposta em programas desportivos, o canal estreou um magazine económico diário de 7 minutos. No verão de 2009, Bruno Carvalho abandonou o cargo e foi substituído pelo realizador Juan Figueroa, que já fazia parte da estrutura do projeto (Oje, 11 de agosto de 2009). A substituição representou um reforço do controlo acionista da Media Luso, uma participada do grupo espanhol Media Pro. Segundo Vanda Balieiro, foi com o intuito de captar “a atenção de uma audiência cada vez mais vasta e participativa” que em junho de 2010 foram inauguradas
51 delegações em Penafiel (abrangendo o território do Tâmega-Sousa), Mirandela (abarcando o território de Trás-os-Montes) e Arcos de Valdevez (que abraça o território do Alto Minho). O objetivo foi dar maior visibilidade às comunidades nortenhas. Juan Figueroa considerou este como "apenas o primeiro passo para a abertura de uma rede de delegações regionais, com as quais o Porto Canal espera dar maior visibilidade às principais comunidades urbanas nortenhas" numa tentativa clara de reforçar “o carácter de proximidade da sua informação e entretenimento" em regiões de menor visibilidade nos media televisivos (Jornal de Notícias, 30 de junho de 2010). Em 2010 a equipa do Porto Canal era constituída por 10 jornalistas na sede e por 6 jornalistas nas 3 delegações, 2 produtores, 4 repórteres de imagem na sede e 3 nas delegações. A partir deste ano o principal bloco noticioso do canal, o Telediário, passou a ser exibido diariamente, incluindo fins-de-semana. Este espaço contava com 13 reportagens e incluía em média um direto por dia. Também em 2010 o Porto Canal tornou-se pioneiro em Portugal na utilização da tecnologia LiveU. Esta tecnologia consiste num equipamento que não exige ligação via satélite para transmitir sinal de vídeo e áudio, permitindo que a transmissão seja feita de qualquer lugar através da rede móvel. Todo o equipamento necessário para a transmissão cabe numa mochila (informações fornecidas pela chefe de redação do Porto Canal, Vanda Balieiro). A expansão do canal regional prosseguiu, levando a que a 1 de janeiro de 2011 abrisse novas instalações em Guimarães e Douro. O objetivo de expansão era tão claro que chegou a ser ponderado a mudança do nome do canal (Público, 29 de dezembro de 2010). O ano de 2011 trouxe uma grande mudança no Porto Canal com a entrada do F.C Porto na sua estrutura ao adquirir a parte detida pela Media Luso (97%), pertencente ao grupo espanhol Mediapro. O acordo previa a aquisição completa de capital em três anos (Jornal de Notícias, 30 de junho de 2011). A 1 de agosto começaram a ser visíveis as primeiras alterações na grelha da estação televisiva com o Telediário a aumentar a sua duração para 40 minutos. A estrutura decorrente da entrada do FC Porto no Porto Canal gerou a seguinte organização: Domingos de Andrade assumiu o cargo de Diretor de Informação e Programas, Rui Cerqueira o de Diretor de Conteúdos Desportivos, Fernando Tavares o de Assessor de Direção, Vanda Balieiro o de Chefe de Redação e Sara Barbosa o de chefe da produção de informação.
52 Com a entrada do FC Porto, os conteúdos desportivos do canal ganharam autonomia, sendo que passaram a ser exclusivamente determinados pelo clube e com espaços próprios na programação. Toda a informação de carácter não desportivo manteve a sua autonomia, continuando a abordar os mais diversos temas. A propósito do quinto aniversário do canal, o principal espaço noticioso, o Telediário, deu lugar ao Jornal do Norte, reforçando o nome e a identidade com a região. Os comentadores do jornal passaram a ser fixos numa tentativa de criar hábitos nos telespectadores. Também por essa altura o canal passou a contar com sínteses informativas de 10 minutos às 19h00 e às 20h00. A 30 de janeiro de 2012, o canal renovou a sua grelha de programação, substituindo o seu segundo espaço noticioso, o Dia em Análise (que para além de notícias contemplava um espaço para debate entre duas personalidades em estúdio), pelo Último Jornal (sem espaço para debate). As sínteses informativas ao longo do dia foram também alargadas, passando a contar com um novo bloco às 18h00. Surge ainda o espaço Territórios antes do Jornal do Norte com notícias da região Norte e o próprio jornal vê o seu cenário e grafismo refrescados. A partir de 1 de fevereiro de 2012, Júlio Magalhães assume o cargo de diretor geral do canal. A delegação de Braga é aberta no início de 2012. Já a partir de Março de 2012, o canal passou a ter uma delegação em Lisboa a partir de um protocolo celebrado com a Agência Lusa. No entender de Vanda Balieiro a abertura desta delegação não reduz a importância dada à região Norte pois passou-se “a ouvir a opinião de protagonistas nortenhos que estabeleceram a sua atividade profissional na capital, bem como se passou a dar voz aos assuntos que ocorrendo em Lisboa têm relevância para o Norte do País”. De acordo com a chefe de redação, em média cada delegação realiza 45 reportagens por mês. Estes trabalhos jornalísticos servem como suporte para os conteúdos informativos e de entretenimento como o Jornal do Norte, Último Jornal, Territórios, Terra, Porto Alive, Destino Norte, Culture Club, Consultório, Sem Perder o Norte, entre outros. Territórios, Terra, Destino Norte, Sem Perder o Norte e o Magazine Braga Capital Europeia da Juventude dependem exclusivamente das delegações regionais. Na sua sede, o Porto Canal tem um cenário onde é utilizado o efeito Chroma Key, isto é, o fundo corresponde a uma tela verde sendo substituído pelo cenário do programa virtualmente. Tem também um cenário principal no qual, entre acessórios que
53 vão sendo adequados, os painéis de fundo são também substituídas de programa para programa mas sem qualquer elemento virtual. As sínteses informativas são gravadas em Chroma Key enquanto o Jornal do Norte e o Último Jornal são gravados no cenário principal. 3.2 Estágio: Atividades no Porto Canal O estágio no Porto Canal constituiu um processo evolutivo de modo a compreendermos toda a envolvente da produção de informação: quer nas atividades da agenda quer nas atividades como repórter. Foi através da execução de diversas tarefas que fomos percebendo a ligação existente entre elas e, assim, ver a contribuição de cada uma para o produto final. 3.2.1 Agenda/Produção de Informação Na redação do Porto Canal, o dia inicia-se pela leitura dos jornais diários na imprensa escrita. Muito frequentemente estes são o ponto de partida para algumas das reportagens do dia. Como referem Oliva e Stijà (1992, p.207), “os jornalistas de televisão também se alimentam da informação que surge na imprensa escrita”. Grande parte do trabalho de verificação de notícias faz parte da rotina das redações (Yorke, 2000). Este trabalho de verificação engloba adicionalmente rondas telefónicas pelas corporações de bombeiros, PSP, GNR e capitanias. Esta foi uma das primeiras tarefas que efetuámos. A realização de rondas acontecia sensivelmente de duas em duas horas, mas sempre que tínhamos acesso a alguma informação que indicasse que algo pudesse ter ocorrido (por exemplo, trânsito congestionado em determinado local), realizávamos ronda pelas autoridades locais a fim de apurar a situação. Porém, não se julgue que, sempre que existia uma ocorrência relevante, essa nos era comunicada. Por vezes, a informação não nos não era simplesmente transmitida. Cabia-nos recolher o máximo de informação possível e fazer um primeiro filtro à mesma. Situações como suicídios ou de pouco impacto seriam ignoradas. Neste âmbito, o conselho que nos foi dado foi criar uma “falsa intimidade” com o interlocutor, já que, como são feitas várias ligações por dia, se crie um “laço de amizade” que leve ao
54 conhecimento das ocorrências na hora em que ocorrem. É neste ponto que a real importância deste procedimento é compreendida. A maior parte das ocorrências só faz sentido terem uma cobertura jornalística televisiva se tiverem imagem que conte os acontecimentos. Tal só pode se obtido na hora em que ocorrem e não muita horas depois. Este é um dos pontos da “busca de notícias de interesse imediato de determinada região” (Yorke, 2000, p. 23). Outras fontes sobre eventos chegam por correio eletrónico, fax e telefone. Sejam informações de forma institucional, inseridas em agências de comunicação, sejam histórias pessoais, toda a informação é pré-selecionada, organizada e distribuída pelas diferentes delegações do Porto Canal. Parte do nosso estágio consistiu nesta separação e permitiu-nos perceber algumas particularidades. Mais importante que o evento em si, é quem vai estar presente no evento. Diversas vezes, apenas interessa entrevistar determinada personalidade sobre um assunto da atualidade. Daí que o importante na seleção da informação é a relevância do evento, quem vai estar presente e, de modo a maximizar a organização da agenda, as horas a que é possível encontrar os referidos intervenientes. Esta última informação é mais essencial nos eventos de longa duração. Sempre que os eventos dos quais já tínhamos conhecimento não tivessem interesse ou existissem falta de reportagens para o dia, efetuávamos pesquisas para encontrar motivos de reportagem. Estas sugestões ocorriam também sempre que encontrávamos algo que tivesse relevância. Neste nível, há a ressaltar o papel das assimetrias na densidade populacional que leva a que, para determinadas regiões, haja menor atividade ao nível de acontecimentos e, consequentemente, as buscas por motivos de reportagem sejam mais frequentes. A complementarem todas estas informações, estão as que chegam da LUSA, em particular a sua agenda. Com este reforço, asseguram-se que os eventos relevantes são conhecidos. Na sequência das informações que chegam à redação, torna-se necessário buscar mais detalhes e/ou agendar reportagens. No caso das informações dadas pelos bombeiros, as maiores dificuldades que enfrentámos foi a escassez de dados na hora dos acontecimentos, o que não facilitava a tomada de decisão dos responsáveis sobre a deslocação ou não da equipa ao local. No caso das informações recolhidas a partir da imprensa diária, a dificuldade que enfrentámos assumia-se também como um desafio: depois de perceber quem são os intervenientes, tentava-se perceber como chegar a eles.
55 A organização de uma lista de contactos é fundamental pois facilita futuras ligações. Em diversos agendamentos recorremos a contactos já existentes na agenda do canal. É na agenda, numa fase ainda anterior à reportagem, que é fundamental recolher dados importantes para que o jornalista possa sair para o terreno o melhor preparado possível. Por diversas vezes, os jornalistas no terreno entravam em contacto com a redação para tentarem complementar informação. Entrávamos frequentemente em contacto com variadas entidades para agendamento de reportagens, cabendo-nos organizar a informação que ia ser entregue ao jornalista. Ao nível da agenda, cabe muitas vezes dar a volta à situação. Por exemplo, num assalto efetuado numa galeria comercial a uma ourivesaria não tínhamos nenhum contacto telefónico da galeria nem da ourivesaria para obter autorização para a nossa equipa filmar no interior. A busca foi no sentido de encontrarmos um contacto de uma outra loja dessa galeria que acabou por nos levar ao contacto pretendido e assim obter as autorizações necessárias. Agendar entrevistas com bombeiros quando existiam ocorrências também foi frequente. Na agenda, executámos também outras tarefas que contribuem para o produto final, ou seja, o bloco noticioso do canal. As informações que passam em rodapé são designadas de “Push Ups”. Era nossa tarefa selecionar um conjunto de informações atuais, de preferência do próprio dia, para serem posteriormente corrigidas pelo coordenador do dia. Estas informações repartemse em três categorias: Norte, País e Mundo. As indicações que nos foram dadas na realização dos “Push Ups” foram, para além da atualidade, o lado sintético e direto dos mesmos, sem esquecer de referir o local dos acontecimentos. Neles podem ser incluídos assuntos abordados ou não no jornal do canal, o objetivo é também complementar com outras informações. Assim, na sua elaboração, efetuávamos rondas por diferentes páginas online de notícias, fazendo adicionalmente obviamente uso das informações que ao longo do dia já tinham passado pelas nossas mãos. Percorríamos então diversas editorias de modo a diversificar os temas. A principal dificuldade na execução desta tarefa foi encontrada em dias de menor atividade, como feriados e fins-de-semana, que exigiam uma busca mais profunda pelas diversas editorias. Pelo facto do Jornal do Norte repetir no dia seguinte, ao início da manhã, não se podiam usar expressões temporais como “ontem”, “hoje” ou “amanhã”. O mesmo era aplicado aos oráculos das peças escritas pelos jornalistas e às próprias peças. Ao longo do dia, todos os oráculos das peças que chegavam das delegações e dos jornalistas que se encontravam na sede eram organizados para, após serem
56 corrigidos pelo coordenador, serem partilhados com a régie. Também todos os timecodes das peças e respetivas cassetes eram anotados e entregues na régie o mais cedo possível, de modo a facilitar e organizar o trabalho. No final do dia, após a chefe de redação selecionar os serviços que seriam cobertos no dia seguinte e distribuir as equipas pelos mesmos, cabia-nos informar os jornalistas e repórteres de imagem do seu conjunto de serviços. Isto corresponde ao ciclo de trabalho diário experienciado na redação. “… la periodística es, como cualquier otra profesión, una mecánica asentada sobre determinadas rutinas de trabajo” (Labella, 2010, p.48), ainda que haja sempre o fator novidade, fruto da atualidade, que quebra esta noção de rotina. De facto, o conjunto de “rituais” na redação são diários mas, de um dia para o outro, nunca são exatamente iguais. Um dia que inicialmente pareceria igual, rapidamente se pode tornar num dia completamente diferente. 3.2.2 Equipa de Reportagem A experiência ao nível de reportagem permitiu-nos percecionar algumas características do jornalismo televisivo. O primeiro passo constituiu-se no local dos acontecimentos pelo acompanhamento de equipas de reportagens. A experiência a este nível não foi exclusiva das reportagens do Jornal do Norte e de O dia em Análise, também tivemos oportunidade de acompanhar equipas em situações de reportagem para os programas Culture Club, um magazine cultural, Terra, um programa que dá a conhecer dá a conhecer a agricultura e a ganadaria, e Destino Norte, um programa que mostra a multiplicidade turística do Norte de Portugal. As principais diferenças que verificamos entre as peças para os diferentes programas têm a ver com o papel do jornalista. Este papel varia no local da reportagem e também no momento edição da peça. Para os programas Terra e Destino Norte, o papel do jornalista no terreno é bem diferente, pois não exigem um conhecimento sobre a atualidade, funcionando muitas vezes como uma espécie de “visita guiada” pelos locais ou processos de produção. São habitualmente peças de maior duração, cerca de 3 ou 4 minutos. Apresentando uma duração semelhante, as peças do Culture Club permitem uma maior criatividade na sua construção. O acompanhamento deste tipo de reportagem permitiu-nos perceber a dinâmica de um outro tipo de reportagem, o que,
63 Ao longo de 3 meses, tivemos oportunidade de observar e experimentar várias tarefas. Em virtude da nossa formação base ser numa área distinta, todo o processo foi revelador, de aprendizagem, de absorção e de desenvolvimento pessoal e profissional.
64 4. JORNAL DO NORTE 4.1 O Jornal do Norte em Análise: Metodologia Elegemos a Análise de Conteúdo como a técnica mais exequível para o tratamento das notícias que compõem o Jornal do Norte do Porto Canal. Tendo como antecedentes a Hermenêutica – ramo da filosofia que se dedicava à interpretação de textos religiosos – e a retórica, a História da Análise de Conteúdo está vinculada ao desenvolvimento da comunicação de massas nos E.U.A. A Análise de Conteúdo é uma técnica aplicável a todos os meios de comunicação e tipos de conteúdo que visa “alcançar uma pretensa comunicação profunda, um sentido estável, conferido pelo locutor no próprio acto de produção de texto” (Rocha; Deusdará, 2005, p. 307). Berelson (1952) celebrizou a definição deste tipo de análise como uma técnica de pesquisa sistemática e quantitativa dos padrões comunicativos manifestos. Ao explicitar os rumos assumidos pelas práticas linguísticas, aposta grandemente no rigor do método como forma de não se perder na heterogeneidade do seu objeto, acreditando que, para tal, a “neutralidade” do método é sinónimo da garantia de resultados mais precisos. Assim, podemos afirmar que a principal questão respeitante aos objetivos ambicionados pela análise passa pela ultrapassagem da incerteza e pelo enriquecimento da leitura. No nosso trabalho de análise, começamos por definir o modelo de análise, o que iria ser alvo de atenção da nossa parte dado que pretendíamos aferir a prática de um jornalismo de proximidade. Estabelecemos assim uma primeira grelha de análise de conteúdo baseada nas editorias comummente apresentadas num jornal. Seguidamente, analisámos o corpus documental, ou seja, visionámos os Jornais do Norte do período compreendido para a nossa investigação. Com base no percecionado, reformulámos e acrescentámos grelhas de análise de conteúdo, isto porque a primeira grelha não se adequava totalmente. Como é importante que as categorias da análise de conteúdo vão ao encontro ao que pretendemos aferir, a grelha categorial resulta de um balanço entre objetivos de pesquisa e corpus documental.
65 O período em análise iniciou-se no dia 3 de outubro e terminou a 23 de outubro de 2011. Na totalidade analisámos 21 edições do Jornal do Norte de forma a menorizar efeitos temporários que distorcessem os resultados da investigação. Na apresentação dos resultados apresentamos várias grelhas de análise. A primeira utilizada apresenta uma divisão das notícias pelas editorias: Política, Sociedade, Justiça/Tribunais/Polícia, Economia, Nacional, Internacional, Saúde, Locais, Cultura, Religião, Desporto, Educação e Outras. Contudo esta primeira separação não permitia aferir todos os aspetos que desejávamos. Complementarmente, introduzimos uma segunda grelha de análise que reparte as notícias por categoria, tendo por base a área de influência: Local, Regional, Nacional, Nacional/Regional/Local, Internacional. Nesta divisão vigorou o fator geográfico não da realização da notícia, mas da localidade a que se reportavam. Foram assumidas como locais as notícias respeitantes a um concelho ou como regionais se a mais do que um. A categoria Nacional/Regional/Local abarca as notícias que, mesmo sendo sobre assuntos nacionais, buscam de algum modo reportar-se para a região ou localidade. Uma terceira grelha explora mais detalhadamente a segunda divisão efetuada. As duas primeiras grelhas foram também aplicadas separadamente às notícias de abertura. Com base nas duas primeiras grelhas e as suas categorias, deixámos de contabilizar o número de notícias, virando a atenção para a duração de cada uma. Obtivemos novos dados em função do tempo que cada unidade de análise teve na totalidade do período analisado. Em função do tempo das notícias por categorias, temos algumas considerações a fazer: o tempo considerado foi a duração total de cada peça sem leitura do pivot; nos diretos foi considerado o tempo que o direto ocupou incluindo a intervenção do pivot em estúdio (pois consideramos que as duas intervenções estavam ligadas entre si); nos casos de OFF2 (leitura de notícia pelo pivot com imagens a decorrer) foi considerado o tempo total de leitura; não foram considerados os tempos respeitantes aos pivots introdutórios das peças nem dos espaços de comentário em estúdio na contabilização final. Em toda a análise, foram excluídos os espaços finais dedicados às totolotarias e à previsão meteorológica. De notar apenas que relativamente a esta última eram apresentadas previsões para todo o País, incluindo Açores e Madeira, mas dando um maior detalhe à região Norte de Portugal.
66 4.2 O Jornal do Norte em Análise: Discussão de Resultados Iniciaremos a análise de resultados tendo em conta os resultados obtidos na quantificação de notícias em número, avançando depois para as considerações relativas aos resultados ao nível da duração. Deste modo, voltamos em ter conta as questões que originaram esta análise: Qual a linha editorial do canal no seu principal bloco noticioso, o Jornal do Norte? Que editorias predominam? Em que editorias se centram as notícias de abertura? Começando por observar a linha editorial de todo o espaço noticioso, constata-se que das trezentas e quarenta e cinco notícias analisadas, cerca de 23% reportavam-se a assuntos económicos. A situação de crise económica refletiu-se na informação do canal que não pôde evitar tocar sobretudo nesta área. Ligado à situação de crise está o debate político em torno da mesma. As notícias sobre política são o segundo tema mais abordado no período em análise, com quase 16%. Porém, foram seguidas de perto pelas notícias locais e pelas de sociedade. Surpreendente talvez seja a relativa fraca expressão dos assuntos de justiça/tribunais/polícia. A verdade é que, apesar destes serem característicos numa televisão de proximidade, a sua ausência em maior número não implica que não tenham relevância para o canal. Podem ter ocorrido situações que, em virtude das circunstâncias, já não justificassem reportagem televisiva ou até já não existissem condições para tal. Um resultado que merece uma nota explicativa é o relativo à editoria desporto. Em virtude do exposto neste relatório, seria expectável que esta editoria assumisse um valor nulo, pois os conteúdos desportivos têm tratamento autónomo em relação à informação generalista. Contudo, as duas notícias que se inserem nesta categoria não estão ligadas ao F.C. Porto e assumem valor pela proximidade dos protagonistas: é o caso de um torneio de karaté em Barcelona que teve motivo de reportagem pela vitória dos atletas de uma academia do Porto, tendo sido a reportagem efetuada apenas quando estes regressaram; é também o caso do encontro nacional de jogos de tabuleiro que aconteceu no Porto. O valor das notícias internacionais justifica-se pela existência da síntese internacional. Teoricamente, todos os dias o Jornal do Norte encerra com uma peça que aborda três assuntos da atualidade internacional. Na nossa análise, estes assuntos foram contabilizados como um só por se tratar de uma única peça. Dos vinte e um dias em
67 análise, apenas em quatro a síntese internacional não teve lugar no espaço noticioso e sempre por falta de tempo, dado encontrar-se pronta a ser exibida. De realçar que devido à ausência de recursos para a obtenção de imagens por outras vias, o YouTube é a fonte das imagens dos assuntos internacionais. Nota ainda para as notícias culturais. O peso desta editoria é pequeno no Jornal do Norte, não chegando aos 2%. O canal cobre diversos assuntos culturais mas estes são remetidos para um outro programa, o Culture Club. Focando a análise nas notícias de abertura, pretendemos ter uma visão do que importa no primeiro impacto do Jornal do Norte. Assim, tendo por base o conjunto de editorias, os assuntos políticos ganham destaque. Mais de 28% das notícias de abertura reportam-se a esta editoria. Seguem-se os assuntos económicos com mais de 23%. Exatamente com o mesmo peso na abertura que os assuntos locais apresentaram-se os assuntos da sociedade e os nacionais. Não se verificou um predomínio do local face ao nacional. De notar que, entre outros, assuntos de justiça/tribunais/polícia nunca foram notícia de abertura. Os internacionais também nunca o foram, mas face ao enunciado tal situação era já expectável. Recuperamos outras questões lançadas: Nas notícias nacionais procura-se desdobrar o acontecimento para a região em concreto ou limita-se a retratar a situação geral do País? Como se distribuem as notícias tendo em conta a área a que dizem respeito? Ou seja, qual o foco da notícia? Cobrirão suficientemente os meios regionais o que está próximo ou acabarão por se centrar em torno da sua sede e esquecendo tudo o que compõe a região? Tendo em conta o número de notícias, realizámos uma divisão tendo por base a área de influência. O peso das notícias locais é expressivo (45%). Aumentou face à divisão anterior pois agora foram consideradas locais notícias que antes se dispersavam por outras editorias. É interessante verificar o peso das notícias nacionais (23%) bem como das nacionais com uma abordagem regional ou local (9%). Refletem a ideia de que, apesar de regional, o canal dá relevo aos assuntos nacionais. Muitas notícias dispersas por outras editorias eram também nacionais. Com um valor de 13% estão as notícias regionais. Porém, mais interessante do que observar estes valores isoladamente, é olharmos para eles em grupos. As notícias que se aproximaram da área de influência do canal somadas têm um peso de 67% (somatório do Local, Regional e
68 Nacional/Regional/Local). Daqui se antevê uma importância da proximidade na linha editorial. A análise torna-se ainda mais interessante quando olhamos para as notícias de abertura tendo em conta a área de influência. O peso que os assuntos nacionais assumem é preponderante, 52%. A expressão das notícias que são próximas pela área de influência do canal não assumiu um papel de destaque na abertura do espaço noticioso. Dispersos por outras editorias estavam muitos assuntos nacionais. Nesta separação apenas 5% foram considerados como nacionais que abordavam assuntos regionais/locais. De um modo geral, o esforço de relativização dos assuntos em função da localidade não assume valores expressivos. Existem muitas notícias que se inseriram exclusivamente na categoria nacional. Por fim, numa análise mais detalhada em número da área de influência, observase que das 345 notícias em análise, 96 foram nacionais, 58 diziam respeito ao Porto, 23 ao Norte enquanto região, 18 eram Internacionais, 1 dizia respeito a Lisboa, outra a Lisboa e Porto, sendo que todas as outras se reportavam a áreas maiores ou menores do Norte do País. Os resultados da análise detalhada evidenciam a hipótese do canal regional se centrar muito em torno da sua sede. Ainda que não esqueça o resto da região, situação comprovada pela grande amplitude de localidades apresentadas, existe uma grande disparidade face ao número de notícias relativas ao que se encontra em torno da sede. Até agora a nossa análise teve por base a contabilidade das notícias em número. Passamos agora para uma contabilidade tendo por base a duração das mesmas no total das notícias do Jornal do Norte. Em princípio, não se verificariam grandes oscilações pois os critérios na edição das notícias não levariam a elas. Contudo, com esta parte da análise, asseguramos que se existirem variações estas serão evidenciadas. Começando pelas editorias, verificaram-se algumas oscilações nos valores. De relevo apenas o caso das notícias de sociedade que viram o seu peso superar o das notícias locais. Para ver se este facto é conclusivo quanto ao peso do fator “local”, olhamos para os dados da duração das peças por área de influência. Aqui o local volta a ganhar importância com a maior parte das peças a incluírem-se nesta secção. A soma das notícias que remetem para o local e/ou regional é bem superior a 50%. Assim, não
69 existiram assim alterações significativas quando comparadas quanto à análise em número. Perante os resultados obtidos, podemos afirmar que a dispersão por editorias não dá especial relevo aos assuntos exclusivamente locais. A concentração em assuntos políticos e económicos foi grande e nem sempre a atenção foi dada tendo em conta os impactos concretos para a localidade ou região. Muitos assuntos são tratados tendo em conta uma vertente exclusivamente nacional. Ainda assim, o peso das notícias das diferentes localidades e da região Norte no global é significativo. Ainda que dispersos pelas diversas editorias, os assuntos regionais e locais assumiram mais de metade do espaço do Jornal do Norte. O que se verifica muitas vezes é que se aproveitam eventos na região para se efetuarem reportagens que depois viram o foco para o que está na ordem do dia no País e não concretamente para o que esse evento representou para o local. No fundo, estará o canal próximo, dando relevância ao que se passa na sua área de cobertura? Não se pode dizer que os valores obtidos sejam poucos expressivos para não se falar de proximidade. O canal dá cobertura ao que está próximo, mas acaba por se centrar mais em torno da sua sede. De notar porém que o canal não esquece o resto da região Norte, apenas foca mais a sua atenção em determinadas zonas. Se é certo que o peso regional e local poderia ser maior, não é menos verdade que um canal regional também deve contextualizar o que se passa no País. O que aparenta ser pouco trabalhada é a aplicação das implicações do que é nacional na região. Há um esforço em relativizar os assuntos em função da localidade ou região mas poderia ser dada mais relevância ao que se passa concretamente nessas áreas. Concluímos assim que o canal apresenta um grau médio de proximidade. Excluindo os assuntos internacionais, a quase totalidade das notícias implicou uma cobertura jornalística no local. O canal está perto, vai ao local, mas em última análise o foco dado afasta-se da região, do local, levando a um peso excessivo de assuntos nacionais. É preciso explicar a situação de uma forma envolvente, para que a comunidade sinta que o que é dito lhe diz respeito em particular. No fundo, a ideia chave que defendemos é que acontecer na região não torna o assunto regional. Estar próximo não é só ir ao local. O canal já vai ao local, falta apenas dar mais importância aos assuntos das diferentes localidades que compõem a região.
70 A.1 Peso por Editoria em % do Número Total de Notícias Editoria Número % Total Política 55 15,94% Sociedade 50 14,49% Justiça/Tribunais/Polícia 17 4,93% Economia 80 23,19% Nacional 11 3,19% Internacional 17 4,93% Saúde 24 6,96% Locais 52 15,07% Cultura 6 1,74% Religião 3 0,87% Desporto 2 0,58% Educação 10 2,90% Outras 18 5,22% Total 345 100,00% 15,94% 14,49% 4,93% 23,19% 3,19% 4,93% 6,96% 15,07% 1,74% 0,87% 0,58% 2,90% 5,22% Peso por Editoria em % do Número Total Tabela 1 Gráfico 1
71 A.2 Peso por Área de Influência em % do Número Total de Notícias Área de Influência Número % Total Local 156 45,22% Regional 45 13,04% Nacional 97 28,12% Nacional/Regional/Local 29 8,41% Internacional 18 5,22% Total 345 100,00% 45% 13% 28% 9% 5% Peso por Área de Influência em % do Número Total Local Regional Nacional Nacional/Regional/Local Internacional Tabela 2 Gráfico 2
72 B.1 Peso por Editoria em % das Notícias na Abertura do Jornal Editoria/Dia Total % Total Política 6 28,57% Sociedade 3 14,29% Justiça/Tribunais/Polícia 0 0,00% Economia 5 23,81% Nacional 3 14,29% Internacional 0 0,00% Saúde 1 4,76% Locais 3 14,29% Cultura 0 0,00% Religião 0 0,00% Desporto 0 0,00% Educação 0 0,00% Outras 0 0,00% Total 21 100,00% 28,57% 14,29% 0,00% 23,81% 14,29% 0,00% 4,76% 14,29% 0,00% 0,00% 0,00% 0,00% 0,00% Peso por Editoria em % na Abertura do Jornal Tabela 3 Gráfico 3
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