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A escola pode esperar, a construção da educação é urgente

José Alberto Correia

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Artigo notícias do Dia-a-dia com novo endereço www.apagina.pt/ Dia-a-Dia Edição Impressa Último jornal Nº 184 Dezembro 2008 Nº 184 em Formato PDF PEDIDOS de assinatura do jornal ( Portugal e estran g eiro ) Arquivo ARQUIVO de j ornais anteriores TEXTOS arquivados por autores HOJE: 6.508 textos on-line Pesquisar o arquivo Ou Frase nmlkjinmlkj Pesquisar Dos LEITORES Para submeter artigos, ler regras aqui: PROPOSTAS de publicação INQUÉRITOS em votação A Página da Educação Arquivo - Arti g o “A escola pode esperar, a construção da educação é urgente” Tem-se assistido nos últimos dias ao aparecimento de notícias e justificações para o encerramento das escolas com menos de 10 alunos – escolas, em geral, localizadas em contexto rural – que tendem a difundir a ideia de que uma vez integrados os alunos destas escolas estariam criadas as condições p ara uma racionalização da rede escolar e para que, finalmente, se poderiam criar as condições para se realizarem as promessas da escolarização. N este processo redentor da escola e das suas p romessas, desqualificam-se as potencialidades educativas dos contextos sociais, nomeadamente daqueles que, como os rurais, são estruturados por lógicas de proximidades e por relações intergeracionais densas, desqualifica-se a escola e as suas potencialidades como instância capaz de recriar e valorizar vivências, sociabilidades e cognitividades diversificadas e contextualmente p ertinentes, ao mesmo tempo que se difunde uma visão mítica da escola urbana descontextualizada, que surge, sempre, como contraponto simbólico de uma escola degradada e degradante, de uma escola isolada, solitária e triste, com défices “materiais e simbólicos” que, naturalmente, se degradou, como se as vitimas deste processo de degradação fossem os eus principais responsáveis. Mitifica-se, assim, uma escola urbana dotada de condições materiais e simbólicas que não existe, ao mesmo tempo que se “naturaliza” o processo p olítico de degradação material do processo de escolarização em meio rural, desresponsabilizando p olíticas educativas que perante a complexidade dos desafios deste processo de escolarização e a diversidade dos contextos rurais procuram uma resposta em torno da questão. “E não será possível exterminá-los?” Compreende-se também que os actuais discursos educativos retomem, em parte, alguns dos p ressupostos dos discursos que se desenvolveram Autor do Artigo José Alberto Correia Fac. de Psicologia e Ciências da Educação, Univ. do Porto Inf. sobre o artigo Jornal "a Página" Nº 131 Ano 13 | Fevereiro 2004 Pag. 35 Imprimir este artigo Versão para impressão Abre uma nova janela com este artigo numa versão mais amiga da impressora. LIVRARIA PUBLICIDADE EXTERNA Page 1 of 3 14-04-2009http://www.apa g ina.pt/arquivo/Arti g o.asp?ID=2965 INQUÉRITOS em arquivo CONTACTOS e cartas à redacção durante o Verão perante a tragédia (para alguns?) dos incêndios que, tendo sido, objectos de uma mediatização intensa sempre que ameaçavam os arredores da cidade, abandonaram a cena mediática p ara se transformarem num “fenómeno natural que regressa ciclicamente”. N a realidade, estes discursos. para além de acentuarem privilegiadamente os factores naturais ou culpabilizarem incontroladamente os comportamentos humanos inadequados como estando na origem dos incêndios, referiam ainda timidamente a necessidade de desenvolverem e aprofundarem as medidas de reordenamento florestal e de promoverem a “defesa das paisagens”. Raramente mencionam o combate à desertificação humana das zonas rurais ou a preservação e distribuição das sabedorias populares que permitem p roteger a floresta e possibilitam, ao mesmo tempo, a afirmação da cidadania daqueles que a habitam. Com o mesmo ar douto com que se realça a importância destas políticas de ordenamento, já se noticiava, hipocritamente, o encerramento das escolas com menos de 10 alunos como sendo uma imposição da realidade. Ou seja, com a mesma convicção afirma-se a necessidade de combater a desertificação como instrumento de “preservação e de defesa da paisagem”, e louva-se as imposições de uma realidade que apela a decisões políticas tendentes a reforçar a desertificação que se diz querer combater. De uma forma insidiosa, os discursos dominantes tendem a “naturalizar a ideia” de que o denominado factor humano constitui um óbice ao reordenamento do mundo rural devendo, p or isso, ser reduzido ao mínimo imprescindível p ara a defesa da paisagem. Ora, a construção de uma alternativa a uma ideologia que subordina o direito à sociabilidade, à p ertença e à felicidade aos ditames da competitividade económica e à preservação de uma natureza que só miticamente não é uma construção sócio-politica, exige que se pense a problemática da escolarização em meio rural encarando-a como um dispositivo de combate à desertificação e como p ossibilidade de construção de acções educativas que por serem permeáveis às circunstâncias locais e à densificação das relações sociais e intergeracionais, se afirmam como uma alternativa a um modelo de educação que a reduz a uma escolarização pautada e regulada pelos ditames de uma economia da competitividade. Estas alternativas não podem, portanto, fazer a economia do reconhecimento de que a escolarização em meio rural, por ser potencialmente p ropensa à produção de dinâmicas mais www.QI-TesteEuropeu.com Anúncios Google Page 2 of 3 14-04-2009http://www.apa g ina.pt/arquivo/Arti g o.asp?ID=2965 contextualizadas e mais permeáveis às circunstâncias locais, apela a que o exercício do dever de felicidade seja indissociável com o desenvolvimento de um trabalho educativo em torno da escola em meio rural, particularmente atento às suas potencialidades transformantes. O que neste caso está, com efeito, em causa é o reconhecimento de que, em meio rural, as p romessas da escolarização exigiram da parte dos p rofissionais da educação a invenção de práticas p rofissionais que os desvinculavam do Estado para os inserirem nos contextos locais. Ou seja, nestes contextos, um trabalho educativo que procure assegurar o cumprimento das p romessas da escolarização induz dinâmicas educativas localmente globalizadas que não se situam no prolongamento das lógicas dominantes na escola, mas apelam antes para uma desescolarização da escola, para a sua subordinação aos processos de produção de contextos educativos simultaneamente “localizados” e globalizados. Potencialmente, aí pratica-se a solidariedade entre as gerações, as relações inter e intracomunitárias e uma gestão sábia das tensões entre a pretensa universalidade dos saberes escolares e o carácter contextualizado dos saberes e das sabedorias locais. Ao recriar a complexidade da acção educativa e ao construir alternativas aos reducionismos e às arbitrariedades que marcam a concepção que a escola construiu dos mundos que a habitam, esta escola não pode esperar. Deste modo, ela experimenta modos de definição dos problemas e soluções inovadoras e emancipatórias que fazem dela um referencial da possibilidade da construção de uma escola cidadã, de uma escola que não se limita a formar cidadãos, mas é uma artesã da construção de novas cidades e novas cidadanias. Ao semearem ventos resultantes do encerramento compulsivo destas escolas, os actuais responsáveis p olíticos arriscam que as sociedades colham tempestades, cuja origem, convém, dizê-lo, não está em pretensos “factores naturais”, nem na multiplicação de microincúrias, nem na agregação de um conjunto de comportamentos individuais inadequados... Page 3 of 3 14-04-2009http://www.apa g ina.pt/arquivo/Arti g o.asp?ID=2965