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Estudo de Públicos do Museu Municipal de Penafiel

Diana Micaela Ferreira Rodrigues

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Diana Micaela Ferreira Rodrigues 2º Ciclo de Estudos em Sociologia Estudo de públicos do Museu Municipal de Penafiel 2012 Orientador: Professora Doutora, Natália Maria Azevedo Casqueira Classificação: Ciclo de estudos: Dissertação/relatório/Projeto/IPP: Versão definitiva I Resumo O interesse principal deste projeto foi a realização de um estudo de públicos que reúna uma sistematização de informações relativo ao público fruidor. Com as informações recolhidas pretendeu-se obter uma visão ampla dos públicos que usufruem daquele equipamento cultural. Neste sentido todo este documento resultou de uma investigação realizada no Museu Municipal de Penafiel, em Penafiel no ano letivo de 2011/2012, durante a qual foi construída uma proposta de interpretação sociológica dos seus públicos. A partir de uma estratégia de pesquisa quantitativa e qualitativa, que se traduziu no recurso à análise documental, às técnicas de entrevistas aos elementos institucionais e ao(s) públicos, às observações realizadas enquanto visitante do museu e aos inquéritos por questionários, procurou-se dar conta da diversidade social do(s) público(s) do Museu Municipal de Penafiel. Neste sentido, numa caracterização social breve podemos já indicar que foi possível apurar que 61,1% dos visitantes tem idades compreendidas entre os 26 e os 35 anos, sendo, na sua maioria, do género masculino (55,6%) e solteiros (58,9%). Considerando o nível de formação dos indivíduos, foi possível apurar que ao nível da escolaridade atingida as categorias com maior representatividade são o 12º ano (também conhecido por ser o antigo 7º ano) bem como o ensino superior com 33,9% dos indivíduos respetivamente. Podemos ainda verificar que 64,3% dos inquiridos reside no concelho de Penafiel e que 55,4% se encontra na situação profissional de trabalhador por conta de outrem. Palavras-Chave: Sociologia da Cultura; Penafiel; Museu Municipal de Penafiel, públicos de cultura; receção cultural; democratização cultural. II III Abstract The main interest of this project was to conduct a study of public meetings that are a systematization of information on the public spectator. With the information gathered was intended to get a broad view of the public who enjoy that cultural facility. In this sense throughout this document resulted from an investigation conducted at the Municipal Museum of Penafiel, Penafiel letctivo year of 2011/2012, which was built during a proposed sociological interpretation of their audiences. From a strategy of quantitative and qualitative research, which has resulted in the use of documentary analysis, interviews with the technical and institutional elements (s) members, made the comments while visiting the museum and survey questionnaires, we tried to to account for the diversity of social (s) audience (s) of the Municipal Museum of Penafiel. In this sense, a brief social characterization can already indicate that it was found that 61.1% of visitors are aged between 26 and 35 years, being mostly male (55.6%) and single (58.9%). Considering the level of training of individuals, it was found that the level of schooling attained the categories with the largest representation is the 12th year (also known as the former 7th grade) and higher education with 33.9% of patients respectively. We also found that 64.3% of respondents reside in the municipality of Penafiel and 55.4% in the situation of professional work for others. Keywords: Sociology of Culture; Penafiel; Municipal Museum Penafiel, public culture; cultural reception; cultural democratization. IV Résumé L’intérêt principal de ce projet était de réaliser une étude de réunions publiques qui sont une systématisation de l’information sur le spectateur public. Avec les informations recueillies visait à obtenir une vue d’ensemble de la population qui apprécient cet établissement culturel. En ce sens tout au long de ce document est le fruit d’une enquête menée au Musée Municipal de Penafiel, Penafiel letctivo année 2011/2012, qui a été construit au cours d’une interprétation sociologique proposé de leur public. D’une stratégie de recherche quantitative et qualitative, qui a abouti à l’utilisation de l’analyse documentaire, des entrevues avec les éléments techniques et institutionnelles (s) membres, a fait les commentaires en visitant les musées et les questionnaires d’enquête, nous avons essayé de pour tenir compte de la diversité des aspects sociaux (s) public (s) du Musée municipal de Penafiel. En ce sens, une brève caractérisation sociale peut déjà indiquer qu’il a été constaté que 61,1% des visiteurs sont âgés entre 26 et 35 ans, étant majoritairement des hommes (55,6%) et unique (58,9%). Compte tenu du niveau de formation des individus, il a été constaté que le niveau de scolarité atteint les catégories avec la plus grande représentation est la 12e année (également connu sous le nom ancien grade 7e) et l’enseignement supérieur à 33,9% des patients, respectivement. Nous avons également constaté que 64,3% des répondants résident dans la municipalité de Penafiel et 55,4% dans la situation de travail professionnel pour les autres. Mots-clés: Sociologie de la culture; Penafiel, Penafiel Musée municipal, culture publique; réception culturelle, la démocratisation culturelle. V Agradecimentos Aos meus pais, irmãos e aos meus amigos que, com muito apoio, não mediram esforços para que eu chegasse até esta etapa da minha vida. À professora Doutora Natália pela paciência na orientação que tornou possível a conclusão deste trabalho de investigação. A todos professores do Departamento de Sociologia da Faculdade de Letras da Universidade do Porto que foram muito importantes na vida académica. IX Capitulo III Tabelas: Tabela nº 1: Número de visitantes registados com bilhetes no Museu Municipal Tabela nº 2: Registo de entradas no ano de 2010 e 2011 mil habitantes Figuras: Portugal pelos público(s) que estavam pela primeira vez no Museu Municipal de 27 27 28 29 29 30 31 32 32 33 34 35 35 36 36 37 38 38 39 41 42 43 43 44 44 45 46 X o nível de escolaridade público(s) desempregado(s) 47 48 49 50 50 51 52 52 53 56 58 58 59 59 60 61 1 Introdução A seguinte investigação teve o período de duração do ano letivo 2011/2012, a sua realização contextualiza-se no Museu Municipal de Penafiel, com fim de concluir o Mestrado em Sociologia pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Esta instituição faz parte do objeto de estudo central desta investigação que focaliza-se primordialmente nos visitantes. O(s) público(s), enquanto objeto de estudo, é passível de múltiplas abordagens em que se privilegiam determinados eixos de análise sociológica. Neste sentido, o quadro teórico acionado na compreensão deste objeto social desencadeia resultados esperados e não esperados no final do processo de pesquisa. Sucitamente de um modo claro e simples, o objeto de estudo é a descrição sociológica do(s) público(s) do museu. Deste modo, espera-se que os resultados crie um espaço dialético entre o plano institucional e o(s) público(s) visitantes do Museu Municipal de Penafiel. Como principal interesse e ponto de partida perceber quem são os públicos do Museu Municipal de Penafiel, isto é, sobre os tipos de públicos e sua fruição dos bens culturais. A instituição fisicamente está bem estruturada, em termos de comunicação social encontra-se neste momento com forte divulgação tanto no município de Penafiel como na Comunidade do Vale do Sousa. Contudo a questão que nos interrogamos é quem são esses visitantes? Deste modo, procura-se uma desconstrução do perfil dos fruidores em diversas variáveis sócio – demográficas, variáveis socioprofissionais e variáveis sócio - educacionais. Neste sentido, pretendeu-se conhecer as diferenças significativas entre os vários tipos de visitantes do Museu Municipal de Penafiel, possibilitando a definição de perfis em função por um lado das variáveis sócio - demográficas nomeadamente a idade, o género, a residência, as habilitações, a localidade e a profissão, e por outro lado outras variáveis como a motivação, o nível de utilização dos serviços, o grau de satisfação com a visita e o retorno ao museu. 2 3 1 MARQUES, Maria Adriana Almeida – Museu dos Transportes e Comunicações – Alfândega Nova do Porto: Um Novo Museu com Novos Públicos? Rupturas, continuidades e incertezas, pg.69 2 GARCIA, Nuno Guina – O museu entre a cultura e o Mercado: um equilíbrio instável, pg.22 3 BOURDIEU, Pierre – A Distinção, pg. 80 4 Marcço 2012] Capitulo I – A problemática das práticas culturais e do(s) público(s) de museus. 1.1. Conceito de museu. Em primeiro lugar, a questão que nos ocorre é: afinal o que é um Museu? Podemos delinear uma possível definição de museu como sendo uma instituição ao serviço da sociedade, que incorpora, inventaria, conserva, investiga, expõe e divulga bens representativos da natureza e do homem, com o objetivo de aumentar o saber, de salvaguardar e desenvolver o património e de educar, no verdadeiro sentido dinâmico da criatividade e cultura. São “ (...) instituições representativas da memória cultural, que seleccionam, legitimam e interpretam o passado para os visitantes e onde os objectos são percebidos estética e moralmente tal como os seus aspectos funcionais e nostálgicos.”1 Não obstante, é preciso repensar esta definição porque nos tempos que atualmente atravessamos o museu enquanto uma instituição ao serviço da sociedade e do seu desenvolvimento “ (...) começa a sentir dificuldades de sobrevivência, num contexto de diminuição do financiamento público e de crescente concorrência pela captação de audiências, devido ao crescimento do número de museus e de outras alternativas que o cidadão dispõe para passar o seu tempo livre ou aceder à cultura e à aprendizagem.”2 Os desafios têm que ser a fonte catalisadora da transformação de um museu. Porém, o Museu Municipal de Penafiel não tem que necessariamente ser uma instituição que dê lucro, na medida em que é à partida uma instituição tendencialmente em Portugal deficitária. No entanto, apesar de tudo, é uma instituição museológica que tem em si implementado um propósito de democratização cultural, devendo permitir um encontro entre os públicos e material didático, histórico e identitário. A exposição permanente apresentada no Museu Municipal de Penafiel é na sua caracterização uma exposição etnográfica, contudo “ a apreensão é a apreciação da obra também depende da intenção do espectador, que reage a (...) sua formação artística.”3 Por outras palavras, o conteúdo puro da exposição será etnográfico, arqueológico dominado pelo contexto histórico mas pode muito facilmente ser visionado como uma obra de arte. Atentando naquilo que é a exposição permanente no museu, as coleções “ (...) contemplam, sobretudo, a arqueologia, a etnografia e a história local. O espólio arqueológico provém das intervenções efetuadas no concelho. A Etnografia tem sido objeto de recolhas regulares, com vista a completar e contextualizar existências e acudir as situações críticas de perda de bens no tocante a temas agrícolas, aos ofícios, à atividade piscatória e de transporte fluvial, às festas, etc. A história local avança na investigação e recolha de materiais e documentação, de produção ou utilização na área do município.”4 4 5BOURDIEU, Pierre – A Distinção, pg. 101 6LOPES, João Teixeira – Estranhos no museu, pg. 89 7LOPES – J oão Teixeira; AIBÉO, Bárbara – Os públicos da c ultura d e Santa Maria d a Feira: Resultados premilinares de uma pesquisa, pg. 46 A peça em exposição pode tornar-se uma obra poética, plástica ou pode tornar-se, sobre aquele preciso momento histórico, uma expressão em termos práticos de formas de pensar, ver o mundo social ou seja de comunicar. Simultaneamente, “ a intenção artística contradiz necessariamente as disposições do ethos ou as normas da ética que definem sempre, para as diferente classes sociais (...)”5 Neste sentido, não é o campo da produção de bens culturais que se procura captar no Museu Municipal de Penafiel. A dialética dentro deste campo, da produção e da receção não se enquadra em ponto algum no trajeto desta investigação. O Museu Municipal de Penafiel está integrado no município de Penafiel e como tal devemos entender a mudança do papel das Câmaras Municipais que aponta para o alargamento das suas competências e da sua esfera de ação, assim como para a profissionalização das respetivas estruturas administrativas e recursos humanos. A estes fatores acresce, no caso dos municípios que integram grandes áreas urbanas, a complexificação da composição sócio - profissional do concelho e a multiplicação de estímulos externos a que é preciso atender num mundo em constante mutação. Neste sentido é ainda necessário ter em linha de conta a especificidade histórico – cultural do concelho, uma vez que o cenário dos nossos dias resulta de circunstâncias históricas e opções politicas que, indissociáveis da evolução do contexto nacional que as torna inteligíveis, devem ser conhecidas e estudadas para melhor compreensão das realidades atuais e acerto de opções a tomar. É igualmente importante referir que o Museu Municipal de Penafiel não se enquadra no que refere João Teixeira Lopes em que “(...) mais de metade dos museus portugueses não têm departamento educativo (...)”6 Neste momento, o Museu Municipal de Penafiel tem um serviço educativo que gera regularmente atividades. O serviço educativo é uma estrutura dentro desta instituição que permite uma dialética entre o lugar de classe, a posição e o habitus. Com a devida programação e com continuidade poderá ser uma força catalisadora de ação transformadora e de atualização do sistema de disposições do individuo, isto é, de plastificação social, em última instância. Outro ponto que necessita de esclarecimento em termos teóricos é a questão da diferença entre o que é um público e uma massa, sendo que são distintos nas suas características. Sucintamente, a massa difere-se de público, enquanto a massa não produz opiniões ou muito menos gente expressa opiniões, em contrapartida, o público gera produção de opiniões e expressões sobre o acontecimento. Nesta esteira, ao longo deste estudo, tentaremos perceber essas mesmas opiniões e expressões que neste contexto em especifíco radicam nas exposições com as quais o público interage. Assim, neste estudo de públicos do Museu Municipal de Penafiel trabalharemos com públicos e não com massas porque “(...) do lado do público existe reciprocidade, comunicação e expressão pública de opinião.”7 5 1.2. Público(s) de cultura como fenómeno social total. No seguimento do que até aqui foi apresentado, o conhecimento do perfil dos visitantes é importante para a tomada de decisões neste setor. Permitindo um melhor funcionamento, comunicação e orientação para os mesmos. No entanto, o entendimento dos gostos, acessos e competências em matéria de lazer e cultura, ou mais concretamente o estudo dos públicos da cultura, não se faz completamente sem ter em consideração os meios onde se vive, os círculos de pertença e de redes de afinidade dos indivíduos. Mais precisamente, importa contextualizá-las no seu momento histórico, com o seu tempo e o seu espaço, na ótica do conceito do fenómeno social total. Neste contexto, para estudar um determinado fenómeno social, devemos considerá-lo na sua multiplicidade de aspetos e procurar várias perspetivas de análise que possam contribuir para uma melhor compreensão do fenómeno. As várias valências dos fenómenos sociais referem um intercâmbio entre as várias disciplinas que mantêm entre si múltiplas relações de interdependência. O conhecimento dos fenómenos sociais só se constrói mediante a complementaridade de perspetivas, pois só deste modo o objeto de estudo em questão poderá ser compreendido e explicado na sua globalidade e complexidade intrínsecas. Na verdade, a análise do tecido social com o recurso a dados demográficos, económicos, sociais e políticos do real-social em que os indivíduos se encontram inseridos, permite superar o isolamento, a que de outra forma ficaria votada a unidade de análise, e não permitiria a imbricação com outras esferas do real. Conhecer a proveniência social dos visitantes ajuda-nos a perceber que tipo de públicos atrai esta especificidade de museu municipal e que papel acaba por ter na sociedade. O conhecimento de que a cultura varia de uma sociedade para a outra e de um grupo para o outro dentro de uma mesma sociedade é, grosso modo, tácito. Assim, a visita a museus é praticada diferentemente segundo os segmentos sociais, as fases da vida, os hábitos de lazer privilegiados, a organização do tempo, entre outras variáveis. Neste sentido, a possibilidade de descortinar os perfis das práticas culturais e backgrounds sociais é de facto um instrumento impulsionador na democratização cultural dando a possibilidade de atrair através de um programa de atividades que absorva absolutamente a matriz de públicos esperados. Os públicos visitantes do museu são representações das práticas culturais. A interpretação desses públicos encontra-se na dupla homologia. Pelas palavras de João Teixeira Lopes “(...) é fruto da correspondência entre o gosto do produtor cultural, objectivado na obra, e o gosto do consumidor (...)”8 1.3. Reflexão sobre democratização e receção cultural. De facto, as mudanças recentes na sociedade portuguesa, com um aumento generalizado dos níveis de escolaridade, reforço de grupos sócio – profissionais qualificados e aumento das classes médias, permite pensar numa maior distribuição na população de códigos percetivos 8LOPES, João Teixeira – A cidade e a cultura: um estudo sobre práticas culturais urbanas, pg.28 Para aferirmos mais informação empírica para a nossa análise de públicos do Museu Municipal de Penafiel atingindo, desta forma, uma aproximação da triangulação metodológica, foram realizadas entrevistas em dois diferentes prismas. Por um lado foram aplicadas entrevistas à vertente institucional e por outro lado foram realizadas entrevistas à vertente dos fruidores do museu. Dos atores sociais da parte do Museu Municipal de Penafiel,entrevistamos a Diretora temporária e uma das técnicas superiores do museu. Queríamos averiguar opiniões e conceções acerca a definição de museu, da receção e democratização cultural. Reter ainda mais informação sobre o Museu Municipal de Penafiel pormenorizada acerca dos seus objetivos, os seus impactos em diversas dimensões do real-social de Penafiel como também da Comunidade Urbana do Vale do Sousa, a sua gratificação dos prémios que o museu tem obtido, a sua organização institucional e do seu espólio englobando as estratégias de divulgação do museu pela ótica da Diretora substituta. E pela ótica da técnica superior do museu, obtemos a sua perceção sobre a influência dos preços das entradas e a localização do museu sobre afluência do mesmo, a sua perceção sobre a avaliação e opinião dos visitantes do museu, a sua opinião acerca das estratégias de comunicação, a sua opinião acerca da estrutura organizacional, indicação dos serviços existentes dentro do museu e ainda o modo de realização das visitas guiadas. Por outras palavras, no estudo de públicos realizado não deixou de ser essencial o uso desta técnica como um suporte informativo para se ter conhecimento do pleno funcionamento da instituição. Em ambas entrevistas realizadas ao prisma institucional, procurou-se conhecer a perceção de ambas sobre a constituição do(s) público(s) do museu. Deste modo, aproximar da triangulação das informações conseguidas dos inquéritos por questionários dos fruidores com esta perceção institucional. O objetivo das entrevistas realizadas ao prisma institucional e a estes interlocutores específicos, tratou-se de uma opção por os indivíduos dentro do museu que, pela sua posição, ação ou responsabilidade têm um bom e vasto conhecimento sobre o objeto de estudo. Nas entrevistas aplicadas tanto aos atores sociais da parte do Museu Municipal de Penafiel como aos público(s) o número máximo de perguntas foram dez, de maneira que, para o entrevistado não ficasse com a impressão que o que era pedido era uma resposta rápida como um inquérito por questionário. Contudo, aplicação das entrevistas aos inquiridos denotou-se este problema, isto é, apesar de as entrevistas não serem extensas, as respostas dos entrevistados foram demasiadas direcionadas. Este problema pode estar relacionado com a construção das questões e na aplicação das entrevistas, não tivemos a noção do encaminhamento das entrevistas. Posteriormente foram também realizadas entrevistas a visitantes do museu que tenham respondido aos nossos inquéritos por questionário e que se demonstraram recetivos à participação numa procura de captar a diversidade de público(s). A realização destas entrevistas aos visitantes visou aferir o seu background cultural e as suas representações simbólicas. Relativamente ao seus backgrounds questionamos, numa tentativa de construção dos trajetos sociais e culturais dos inquiridos, os seus hábitos na infância e adolecência, no que toca, a ida as museus, exposições, participação em atividades culturais (em contexto familiar como também nos seus 12 grupos de pertença) e os temas de conversa no seio familiar. Quanto às representações simbólicas procuramos captar as opiniões e conceções que cada um dos inquiridos tem acerca do papel da cultura, no investimento que existe nas atividades culturais e sua visibilidade pública, sobre a democratização cultural e preçários dos museus e/ou espaços culturais. Neste sentido, foram realizadas oito entrevistas a quatro homens e quatro mulheres respetivamente, dentro daqueles que se enquadravam dentro das categorias de análise com maior frequência. As entrevistas realizadas enquadraram-se numa metodologia qualitativa, onde as questões são semi-estruturadas, em modo de entrevista semi-aberta. Neste sentido, orienta-se o entrevistado numa abordagem em profundidade todavia sempre delimitada aos pontos essenciais na análise dos públicos do Museu Municipal de Penafiel. A entrevista é uma técnica essencial e poderoso para os sociólogos utilizarem para compreender os fenómenos sociais. É considerada como uma técnica flexível porque permite definir os termos de respostas e permite também ao entrevistado ajustar livremente as perguntas. Para além disto, é uma entrevista em profundidade, sendo um recurso metodológico que procura, com base em teorias e pressupostos definidos, recolher respostas a partir da experiência subjetiva de uma fonte que é selecionada para deter informações que se deseja conhecer. A realização de um inquérito por questionário, junto dos visitantes do Museu Municipal de Penafiel constitui o principal meio do estudo em questão, devido aos dados sistemáticos que obtêm. A realização do inquérito por questionário aos públicos das exposições permanente e temporária apresentadas pelo Museu Municipal de Penafiel permitirá discernir a afluência e a heterogeneidade destes. Na elaboração do inquérito por questionário não queríamos que houvesse inconsistências nos resultados, ou seja, é conhecido nas ciências sociais que a formulação das perguntas num questionário pode influenciar/direcionar a resposta que o inquirido dá, enviesando, deste modo os resultados obtidos. Essa inconsistência poderia surgir se não houvesse uma preparação antecipada a este nível. Neste sentido, seguimos duas regras básicas segundo Giiuseppe Iarossi para uma estruturação o mais correta possível das perguntas do questionário: a relevância e o rigor20. Esta estratégia consiste em ter conhecimento da informação que se procura e quais os objetivos definidos previamente. Por outras palavras, “Uma pergunta é precisa se colher a informação pretendida de forma fiável e válida.”21 Deste modo, todo o processo de elaboração foi cuidado para que os objetivos do estudo fossem atingidos plenamente. Deste modo, significa que enquanto investigadores sociais teremos que “(...) possuir experiência na implementação desses objectivos e um entendimento claro dos objetivos do estudo.”22 A fase inicial da elaboração do inquérito por questionário inclui uma cuidada revisão da literatura acerca dos públicos de cultura. Neste sentido, procurou-se ter conhecimento de diversos estudos realizados incluindo estudos de públicos de museus, teatros, cinema e entre outras atividades culturais, para que a conceção do nosso inquérito por questionário fosse otimizado, 13 20In IAROSSI, Giuseppe – O poder da concepção em inqueritos por questionário, Pg.58 21IAROSSI, Giuseppe – O poder da concepção em inqueritos por questionário, Pg.58 22Ibidem, Pg.33 14 consistente e bem concebida do ponto de vista metodológico. Não obstante, até atingir a sua versão final, este inquérito passou por diversas alterações e foi sujeito a pré-testes de modo a perceber se estaria a funcionar segundo os nossos objetivos do estudo. A finalidade do pré-teste foi de evitar ao máximo qualquer espécie de erro na conceção bem como das respostas obtidas porque o preenchimento dos inquéritos por questionários era realizado pelos inquiridos e qualquer erro de conceção prejudicaria este mesmo preenchimento. O pré-teste apresentou-se, então, como um componente fundamental na etapa final. Para uma boa conceção do inquérito por questionário, um conjunto de inquéritos por questionários de pré-testes foram aplicados dentro do nosso meio de sociabilidades antes da aplicação real dos inquéritos por questionário dentro do Museu Municipal de Penafiel. Com estes pré-testes realizados, possíveis erros como a indução a respostas erradas e o aumento do número de não respostas foram mais passíveis de serem evitados. Não foram encontrados indícios de tais erros de conceção na aplicação dos inqueritos. A construção do inquérito por questionário é de nossa inteira responsabilidade. Contudo a aplicabilidade deste é realizada pelo modo de autoadministração. A aplicação desta técnica teve um período de dois meses, os meses de Maio e de Junho de 2012. Inicialmente esta aplicação seria para decorrer no período de um mês, mas devido à dificuldade em obter um número sustentado de inquéritos de questionários devidamente preenchidos, tivemos a necessidade de alongar por mais um mês esta aplicação. Na totalidade foram aplicados 56 inquéritos por questionário com base de conseguir um maior número possível de inquéritos para que a análise destes fosse significativa. A observação decorrente deste estudo distingue-se da observação comum da vida quotidiana. A observação participante pode assumir diversas formas, neste caso do estudo de públicos adotamos o observador como participante. O porque de usamos este envolvimento na observação porque ela permitia um contato pessoal com o objeto de estudo (os públicos do museu), porque permite também captar diversas situações às quais não teriamos acesso usado apenas o inquérito por questionario e a entrevista aos públicos. Existem vantagens na junção da observação com a participação, apesar desta oferecer menos segurança porque pode-se superestimar ou uma subestimação dos efeitos desejados, como uma maior aproximação com o objeto em estudo. Esta observação científica foi orientada e focada num objetivo concreto de investigação formulado em antemão – observar a composição social dos públicos do Museu Municipal de Penafiel. Neste sentido, houve um planeamento dos dias de observação, do contexto a observar e dos indivíduos a serem observados. Para tal, organizamos três dias de observação distintos, tendo optado por uma Quarta-feira, Sábado e Domingo. Entramos no campo empírico tal como um visitante, fizemos o pagamento da respetiva entrada e apreciamos todo espólio apresentado pelo museu. Num dos casos de observação participamos numa visita guiada. Contudo, nessa visita guiada os observados tinham a noção que a nossa participação tinha algum trabalho cientifico, isto porque o guia comunicou aos visitantes essa situação. A opção pela Quarta-feira prendeu-se com o facto de se tratar de um dia de semana, sen- 15 do nossa intenção captar um público específico bem como perceber a influência de fatores tais como a residência fora do concelho de Penafiel e a questão laboral (dia de semana de trabalho); o Sábado apesar de ser um dia de fim de semana e isso significar que a população tem mais tempo para práticas de lazer e de saída, é um dia em que a entrada não é gratuita; o Domingo é o dia da semana em que a entrada é gratuita e geralmente existem atividades para crianças e para pais, pelo que se apresentou como premente observar as singularidades das visitas neste dia. A ideia essencial desta observação foi procurar identificar os elementos materiais, sociais e linguísticos que nos permitiram verificar ou refutar uma heterogeneidade dos públicos visitantes do museu. Não obstante, tivemos a capacidade de ter um “olhar sociológico” mais apurado à procura das categorias observacionais que desconstruiram os públicos que foram observados. Isto é, “ (...) del observador se espera que no manipule el contexto natural donde tiene lugar la acción que se investiga.”23 Contudo, todo este trabalho de observação terá subjacente a preocupação de a remeter para teorias sociais acerca dos públicos de cultura e será submetida a um controlo uma triangulação metodológica, de molde a atingir um rigor de cientificidade. Como sociólogos e investigadores pretendemos, em todo o nosso trabalho, manter como cerne da investigação uma tentativa de postura mais próxima possível de uma neutralidade através da rutura com algumas das conceções e juízos de valores a priori estabelecidos pelo senso comum. Porém, é de admitir que por vezes o nosso trabalho como investigadores pode estar sujeito a “ameaças “de juízos, pressupostos ou ideias pré-concebidas. No que concerne à observação dos públicos do Museu Municipal de Penafiel consideramos que simultaneamente fizemos um “esforço” epistemológico para observar com uma mente “ limpa” de todas as experiências e disposições que acarretamos, e sermos também um visitante daquele espaço semipúblico. Claramente, estando presentes, nós estivemos a apropriar-nos do espaço e o espaço a apropriar-se de nós, pelo que estamos conscientes de que a nossa presença poderá influenciar os outros visitantes que por lá passem. Em súmula, estas observações foram realizadas num modo participante, na medida em que, embora investigadores cientes do trabalho empírico que foi realizado, em última instância fomos mais um visitante no Museu Municipal de Penafiel. Neste observação direta e participante não foi possível evitar interferências no comportamentos dos visitantes, tinhamos a plena consciência de que a nossa presença podia provocar alterações de comportamento e até mesmo destruir a espontaneidade dos observados.24 23 VALLES, Miguel S. - - sional, pg.143 24 anexos de resultados estão presente as categorias de observação como foram usadas como meio de orientação do “olhar” empírco durante as observação e a descrição das observações que foram realizadas no Museu Municipal 16 17 Capitulo II – O Museu Municipal de Penafiel enquanto objeto de estudo. 1. Contexto sócio – demográfico de Penafiel. Para obter um retrato social, económico, cultural e demográfico do contexto em que se insere o Museu Municipal de Penafiel, de seguida vamos apresentar alguns pontos essenciais sobre este município de Penafiel. O concelho de Penafiel em termos territoriais apresenta uma área de 212,2 Km2 do interflúvio formado pelo Douro, Tâmega e Sousa. O município de Penafiel é constituído por 38 freguesias e integra a Comunidade Urbana do Vale do Sousa. A Comunidade Urbana do Vale do Sousa localiza-se numa zona de transição entre a Área Metropolitana do Porto e o interior da Região Norte. Este concelho de Penafiel pertence ao distrito do Porto, insere-se na unidade territorial NUT II Norte e NUT III. Figura n.º 1 – Representação espacial Comunidade Urbana do Vale do Sousa: Fonte: Regionalidade Demográfica e Diversidade Social em Portugal 18 nos anos censitários de 1981, 2001 e 2011, apesar de em 2011 os números serem provisórios ou inexistentes em alguns níveis, podemos apontar que ao nível de estudos ao nível superior houve um aumento. Em 1981 os dados apontavam para 246 indivíduos com este nível enquanto em 2011 existe o valor provisório de 4.146. Não obstante, em 1981 haver 17.045 indivíduos reduzido para 10.852. Atualmente ainda não há informação sobre estes dados dos Censos 2011. Fonte: PORDATA os 20.887. R elativamente a o ano censitário d e 2011 n ão temos acesso a i nformação p ara complementar a análise. Sucintamente, os dados estatísticos apontam para um aumento em quase todos os níveis de escolaridade, menos no ensino médio e em indivíduos sem qualquer nível de escolaridade. 19 (Euro/Milhares): Fonte: PORDATA Neste sentido, “ (…) à semelhança do que se tem vindo a registar em geral no país e, em particular, 25 V ivemos um período económico frágil e com pouco crescimento, as estatísticas validam este mesmo cenário. No 4º trimestre de 2010, e ainda sem acesso aos últimos dados dos Censos enquadrar-se na NUTS II, ou seja, na Região Norte, no 4º trimestre de 2001 encontra-se com uma taxa abaixo da média nacional com 3,7%, porém nos últimos dados do 4º trimestre de 2010 demonstram que ultrapassa os 11,3% da taxa de desemprego de Portugal Continental e apresenta-se com uma taxa de desemprego de 12,7%. Direcionando a pesquisa para o município que é na faixa etária dos 55 aos 64 anos que a taxa de desemprego teve um maior aumento e houve um declino forte na faixa dos 12 aos 14 anos. Contudo, todas as outras faixas etárias, menos a faixa etária dos mais de 65 anos, sentiram a degradação da economia portuguesa. 25 LOPES, João Teixeira – Estudo sobre os públicos do centro cultural Vila Flor, Pg. 7 20 R elativamente a indicadores de cultura, entre o período de 2001 e 2010, numa primeira Estes aumentos foram de 122.500 € em 2001 para 162.000€ em 2010 nas modalidades das Publicações e Literatura e de 7.300€ em 2001 para 17.100€ em 2010 para as Artes Cénicas. O utra conclusão a apontar é que na totalidade desta modalidade da cultura e do desporto, o corte na despesa foi drástico. Pelo que conseguimos apurar que em 2001 a despesa estava em 3.547,500 € e em 2010 foi reduzido para 1.625,600€. E m tom conclusivo é de destacar que o aumento do nível de escolaridade por parte Simultaneamente, outro fator negativo é a diminuição d as faixas etárias m ais j ovens n a aposta no campo da cultura poderiam ser os elementos chaves para produzir mais consumidores com uma maior regularidade cultural, porém tanto o número de jovens como as despesas da 2. Gênese e valências. móvel, imóvel, material e imaterial. persistência do seu primeiro diretor, o Sr. Abílio Miranda, tendo-se alocado junto da Biblioteca, no palacete do Barão do Calvário. No entanto, em 1995 deu-se a separação das duas instituições, tendo o M useu o cupado, transitoriamente p arte d e um polivalente d o município e tendose iniciado, aquando desta separação institucional, o projeto que visava preservar o Museu alocando-o numa infraestrutura própria que lhe restituísse a sua identidade e permitisse a sua reabertura ao público. N este sentido, u m grupo d e cidadãos ativos e a deptos d a preservação d o Museu impulsionaram a procura de instalações que permitissem o seu pleno funcionamento, de molde a disponibilizar aos visitantes todas as suas funções museológicas [preservação e estudo das coleções; d ivulgação d as e xposições; atividades d o serviço e ducativo], tendo este esforço momento com 12 anos de existência. 21 O projeto supracitado contou com o apoio do Programa Operacional da Cultura e da Direção Geral das Autarquias Locais, sendo que o Castro de Monte Mouzinho foi a primeira extensão do Museu aberta ao público, tendo sido inaugurado, em 2006, o núcleo museológico do Moinho da Ponte de Novelas. Assim, importa referir, que até à sua reabertura, aquando a mudança para as suas atuais instalações no palacete setecentista dos Pereira do Lago, em março de 2009, o projeto contava já com quinze anos de duração.26 mão do arquiteto Fernando Távora, entretanto falecido, pelo que esta obra foi continuada e se, hoje, como um espaço de referência cultural no município, levando a cabo um esforço de conciliação entre tradição e modernidade. N o seguimento do que foi até aqui exposto, importa referir, ainda, no que se refere ao seu desenho arquitetónico, que a recuperação e adaptação do edifício a espaço museológico tiveram por base a circulação por dois eixos, intervalados por pátios que separam as grandes salas dedicadas a cada temática exposta. equipamento cultural, disponibiliza uma exposição permanente subdividida em cinco temáticas [Identidade; Território; Terra e Á gua; Arqueologia; e O fícios] reunindo u m vasto espólio dispõem de um serviço educativo, de visitas guiadas ao museu e ao património do concelho, biblioteca, bem como de um balcão de venda de publicações. O projeto em si até 2009 tinha 15 anos de existência, desde que há aprovação, a ideia é unanimemente defensiva quer pela população quer pela CM que o museu precisa de uma casa nova, há aquisição deste edifício na altura sofreu um incêndio à época, tinha sofrido um incêndio. A aquisição da CM deste histórico edifício, depois encontra-se um arquiteto e concretiza-se um projeto de arquitetura depois houve a 26 Dados recolhidos sobre o projeto encontra-se no site do Centro Nacional da Cultura.Disponível em: http://www.e-cultura.pt/WebPatriPatrimonioNArqui.aspx?IDPatrimonio=13797&print=1[Consult em Março de 2011] 28 A o realizar uma análise comparativa entre estes dois anos de funcionamento do Museu palavras, queremos d izer que n ão e xiste u ma regularidade nos pontos d e maior e menor registada em Setembro, no ano de 2011 é em Janeiro que se denota um menor número de visitas no museu em estudo. A nível nacional por mil habitantes em 2010 aferimos com quebra de serie 1,305,0 visitantes e no Norte do pais um número de 1,030,5 por mil habitantes Parafraseando a diretora, no que respeita aos grupos sociais que construem a matriz de públicos A primeira observação realizada foi precisamente de encontro ao supracitado, tendo consistido na v isita d e um g rupo d e indivíduos c om m enos d e 15 a nos e m contexto d e Museupapper, pelo que se constatou que estes visitantes estavam numa festa de aniversário. Apesar daquele grupo de visitantes não se tratar de um grupo escolar propriamente dito, durante a observação os elementos desse grupo comentavam acerca de certas histórias, fatos ou datas dos quais já tinham tido conhecimento em contexto escolar. No decorrer da observação da visita deste grupo foi, ainda, possível aferir que aquela visita, em contexto de aniversário/ Museupapper, não se tratava de uma primeira visita ao museu. Podemos, assim, pela observação, bem como p ela e ntrevista realizada à diretora substituta do museu, denotar que uma franja dos públicos fruidores do Museu Municipal de O publico escolar é a fatia maior (…). ”Os turistas também, pessoas que individualmente ou em grupo andam a conhecer a região e que procuram o museu para complementar os seus programas de visita. (hum) os grupos seniores,nao é? 29 3.2. Caracterização sócio – económica do(s) público(s). inquirido, 56 inquéritos, isto é, mais de 50% deste universo, tem idades compreendidas entre adulta mas relativamente jovem em termos de longevidade. De seguida, são-nos apresentados, com uma representatividade de 18,5%, os visitantes com idades compreendidas entre os 36 e 45 anos, sendo que 16,7% apresenta idades entre os 16 e os 25 anos. As restantes faixas etárias dos 46 aos 55 anos assim como os visitantes com mais de 65 anos apresentam-se com valores residuais de 1,9% respetivamente. Estes dados apontam, de certa maneira, para uma (no sentido da fruição cultural em contextos públicos) e a pertença a faixas etárias mais jovens. As gerações mais velhas estão subrepresentadas, pelo que podemos concluir que os públicos do por visitantes até aos 35 anos de idade, 61,1%, e na situação civil solteiro, pode ser explicado, em parte, pelo facto destes dois fatores em conjunto, o conceito de juventude e a situação de 30 solteiro, estarem associados ao prolongamento dos estudos e ao retardamento do casamento. Neste sentido, estas gerações mais presentes no público, acumulam, de uma forma cada vez mais generalizada, fatores de propensão a uma maior disponibilidade cultural em que se preserva dimensões de autonomia de ocupação dos tempos livres. Estes dados vão ao encontro ao que é dito pela técnica superior em entrevista. Por seu turno, no que se refere à distribuição do público em termos de género, não se embora não paritária, entre homens e mulheres, o que se traduz numa representatividade de 55,6% de público masculino face a 44,4% de visitantes do género feminino. Para alem de jovem adulto e maioritariamente masculino, o publico do Museu Municipal que se declararam solteiros, 58,9%, não levanta dúvidas quanto à importância desta variável na caracterização do público. Apenas 37,5% estão casados ou em união de fato. Os restantes 3,6% foram de visitantes que por sua opção não responderam ou não consideram importante a sua resposta. anos 31 12º ano (também conhecido por ser o antigo 7º ano) e ensino superior, com 33,9%. Contudo é também de salientar que temos a presença de 12,5% de visitantes que atingiram o ensino ano de escolaridade 12º. Relativamente ao nível de escolaridade mais baixo, é-nos apresentada uma percentagem de 3,6% de indivíduos com o 6º ano de escolaridade (também conhecido pelo tendo o ensino médio uma representatividade de 3,6%, tal como o 6º ano, e, por ultimo, 3,6% dos inquiridos não responderam ou não sabem. C om base na análise desta variável, podemos aferir que o público do Museu Municipal importante factor explicativo de determinadas práticas culturais, podendo estar, hoje em dia, associado a grande parte dos consumos dos museus. 32 : 5,4% que são de Felgueiras. Apenas 3,6% são de outras localidades, isto é, nos inquéritos foram respondidas as cidades do Porto e Marco de Canavezes. Relativamente à naturalidade os dados forte com 57,1% de visitantes naturais de lá, de seguida é Lousada com 14,3%, com 7,1% está Paredes e outros locais, como é referido nos inquéritos as cidades de Vila de Conde, Porto e Paiva. Gráfico nº 6 – O(s) público(s) segundo a situação profissional 33 um dado importante que 55,4% são trabalhadores por conta de outrem, com oposição a 23,2% conta própria poderá estar a “esconder” situações de precariedade laboral como por exemplo a situação dos recibos verdes muitas vezes evidenciadas na população jovem. Neste sentido, sua maioria jovem, esta situação de precariedade poderá estar a decorrer, sendo que um dos distinguir neste tipo de inquéritos mas que convêm sempre referenciar. Contudo, sobre os niveis de escolaridade dos progenitores o que podemos aferir é que tanto do lado do pai como o da mãe em grande maioria dos inquiridos não responderam a esta se que da parte do pai deste público 25% têm até ao 4º ano, 12,5% destes têm até ao 6º ano, 6,2% têm até ao 9º ano e por ultimo 6,2% têm até ao 12 º ano. Da parte da mãe destes individuos Para compreender as origens sócio – económicas do(s) publico(s) passa por aferimos dados relativos sobre os progenitores do(s) público(s). Neste sentido, na sua grande maioria tanto por parte da do pai como da parte da mãe, averiguamos que 46,4% não responde sobre a nivel da escolaridade dos pais. Contudo, conseguimos obter alguma informação. Aferimos que 23,2% dos visitantes, o pai tem a 4ª classe, 7,1% tem o 6º ano, 7,1% tem o 9º ano e outros 7,1% 34 tem o ensino médio. De seguida 5,4% tem o 12º ano e 1,8% tem o ensino superior e outros 1,8% tem ensino superior pos graduação. Relativamente ao nivel de escolaridade da parte da mae dos médio. De seguida temos 5,4% com o 9º ano de escolaridade e 3,6% com o 12º ano concluido. Resta-nos 1,8% com o ensino superior e outros 1,8% com ensino superior pos graduação. Podemos também acrescentar que 67,9% dos inquiridos não respondem relativamente averiguar que 21,4% das mães dos inquiridos são trabalhadores de conta de outrem e da parte dos pais 14,1% estão também nesta categoria. Sobre patrões aferiu-se que 8,9% são da parte dos pais e 5,4% são da parte da mãe. Sobre as entrevistas realizadas, dos oito inquiridos entrevistados conseguimos averiguar que, acerca do seu background cultural, na sua maioria os entrevistados tinham por hábito na adolescência/infância visitar museus ou espaços culturais nomeadamente com a família, em contexto escolar ou até idas a museus por iniciativa própria.. Parafraseando um dos entrevistados: (...) museus… humm… exposições.. (...) “ ; “ (...) conhecer outras regiões do país e então os meus pais aproveitavam sempre para visitar o património cultural dessas mesmas terras… Como eles diziam, era uma forma de conciliarmos o lazer com a cultura… Entrevistado do sexo feminino com 20 anos com 12º ano 35 50% foram lá uma vez, ou seja, como a primeira ida ao espaço, mas temos presente 18,8% que indicam que estiveram duas vezes naquele espaço, 12,5% que aquela visita era a terceira, 12,5% apontam que já foram ao museu cinco ou mais vezes e por ultimo 6,2% têm 4 frequências ao museu.27 Em termos de retorno ao museu, a grande maioria refere que pondera uma próxima visita nos próximos 12 meses, isto é, 87,5% dos individuos que têm prática de ir pelo menos uma vez mês a museus e ou exposições. Apenas 12,5% deste público demonstra não ter intenções de retorno ao museu.28 da análise dos inquéritos por questionário respondidos que 50% dos inquiridos estavam em modo de primeira vez em visita ao museu, sendo que os restantes 50% haviam visitado o espaço anteriormente. Deste modo, importa perceber quem são estes 50% que ainda não tinham visitado o museu. el: a vez no Museu Municipal de 27 28 3.3. Apresentação dos resultados empíricos. 36 Assim, através d o cruzamento d e variáveis c onseguimos averiguar que d esses 28 inquiridos, 53,6% são do sexo masculino e os restantes 46,4% são do sexo feminino. No que se refere ao nível de escolaridade, calcula-se que 21,4% desses inquiridos têm formação a nível superior, 39,3% têm formação até ao 12º ano, 3,6% têm formação ao nível do ensino médio e 3,6% não sabem ou não respondem a esta questão. Podemos ainda acrescentar que 7,1% tem até ao 6º ano, 17,9% dos tem o 9º ano completo e com ensino pós-superior graduação temos presente 7,1% dos visitantes em modo de primeira visita.29 Em simultâneo, averiguamos que 60,7% d estes i ndivíduos n ão tinham visitado anteriormente o museu porque desconheciam a existência deste, 17,9% não tinham interesse 3,6% dos inquiridos informaram que o facto de não terem visitado o museu anteriormente se decidem não responder ou não sabiam responder a esta questão. Sobre as práticas de ocupação dos tempos livres e de lazer, nomeadamente no que se refere à visita destes inquiridos a outros museus e monumentos chegou-se à conclusão que existe, de facto, essa prática, sendo que 29 público(s) que estavam pela primeira vez no Museu Municipal de 37 No que toca às representações simbólicas, a cultura é apontada como parte importante da vida dos indivíduos enquanto meio de crescimento pessoal e intelectual; compreender e coisas; enquanto fonte de entretimento e de parte de força nos momentos negativos (catarse); enquanto instrumento de aprendizagem, diferenciação social e de identidade. No que respeita à residência, foi possível apurar que dos inquiridos que estavam a visitar 30 completaram o 12º ano de escolaridade e denotam indisponibilidade, desconhecimento ou desinteresse em livres. não o inclui nas suas saídas culturais. Sobre estes últimos conseguimos averiguar que 45,5% têm o 12º ano como o seu nível máximo de escolaridade, 3,6% têm o 9º ano, sendo que com o 6º ano concluído temos presente 9,1% de visitantes, com o ensino superior estão presentes 18,2% e 9,1% dos visitantes não respondem.31 Assim, os inquiridos que não ponderam um possível retorno ao museu são, em sua grande maioria, indivíduos com uma escolaridade inferior ao ensino superior. 30 31 os 12 meses: Hum neste ponto a cultural é fundamental na minha vida. Estou constantemente com pessoas que trabalham muito na área das artes e cultura, desde de designers e artistas plásticos. Portanto inevitavelmente isto afeta o meu modo de ver estes temas. Hum pessoal na cultura. Entrevistado do sexo feminino com 27 anos com Licenciatura 44 Este visitante tem incorporado em si um estilo de vida ao qual corresponde um habitus com um campo cultural alargado. A situação contrária também ocorre, isto é, um campo cultural menos bastado atraves da estrutura familiar, também encontramos no meio dos visitantes. e também tinha muito acesso a música (hummm) mas ir a museus ou algum sitio que tivesse arte ou mesmo património…não tenho memórias disso. Entrevistado nº 3, sexo feminino, 27 anos, Licenciatura 45 3.4. Opinião e avaliação sobre o Museu Municipal de Penafiel. No que concerne ao meio através do qual estes indivíduos tiveram conhecimento do Através dos outdoors (mupis, lonas ou cartazes) obtiveram conhecimento 17,9% dos indivíduos e 14,3% dos indivíduos conheceram a existência do museu através de amigos/familiares ou colegas de trabalho. De resto, aferimos que 3,6% tiveram conhecimento do museu através de comunicação. Apenas 3,6% não responderam a esta questão. Relativamente à opinião destes indivíduos que foram pela primeira vez ao museu por dos indivíduos esta visita agradou razoavelmente, enquanto que a 14,3% agradou pouco e a 3,6% esta visita não agradou. Concluímos então que os visitantes que não tinham conhecimento do Museu Municipal 46 se, de algum modo, poderiam existir visitantes que fossem ao museu com o intuito de visitar apenas a exposição temporária. Neste sentido, aferimos através dos inquéritos por questionário que 8,9% dos visitantes tiveram como principal razão a visita à exposição temporária. Contudo, a maioria dos visitantes do museu vão com o intuito para visita-lo pela primeira vez, isto é, 50% dos visitantes. As restantes percentagens redistribuem-se por 17,9% dos visitantes que apontam que foram em visita ao museu para o visitar novamente, 12,5% dos visitantes indicam que a sua principalmente razão para a visita foi com o intuito de visitar a exposição permanente e 3,6% dos visitantes foram integrados numa visita em grupo. Os restantes 7,1% informam que foram por outras razões que não aquelas apresentadas nas opções do inquérito por questionário. escolaridade: 47 N o que concerne ao cruzamento entre principais razões da visita ao museu e escolaridade, aferimos que, dos inquiridos que apresentaram como principal razão que levou à visita ao Museu escolaridade até ao 6º ano, sendo que 7,1% têm o 9º ano de escolaridade. Os visitantes com o 12º ano de escolaridade completo correspondem a 17,9% dos visitantes, sendo este o valor mais elevado nesta principal razão. O ensino médio é representado com 1,8% dos visitantes e o ensino superior com 12,5% dos visitantes. As restantes percentagens dividem-se em 3,6% dos visitantes com ensino pós-superior e os outros 3,6% para as não respostas. N o que se refere à razão “para visitar o museu novamente”, aferimos que é apenas representado em 1,8% dos visitantes com o 12º ano de escolaridade, pelo ensino superior com 12,5% dos visitantes sendo que 3,6% dos visitantes tem formação no ensino pós-superior. Não Por seu turno, aqueles que apontaram como razão a visita integrada numa visita em grupo encontram-se repartidos em termos de representatividade com 1,8% dos visitantes com o 9º ano de escolaridade e os restantes 1,8% de visitantes com o ensino superior. Mais uma vez não se aferiu percentagens para os outros níveis de escolaridade. permanente repartem-se por 3,6% dos visitantes com o 12º ano, 1,8% dos visitantes com o ensino médio, 3,6% dos visitantes tem o ensino superior e outros 3,6% dos visitantes tem o ensino pós-superior. O s visitantes que foram e m visita a o museu c om a i ntenção de visitar a exposição temporária redistribuem-se por 3,6% dos visitantes com o 12º ano de escolaridade, 1,8% com o ensino superior e, por último 1.8% de visitantes com o ensino póssuperior. E m último temos p resente a categoria outras razões, c omo por e xemplo f oram constantados nos visitantes com formação ao nível do 12º ano de escolaridade, com 7,1%. 48 Inicialmente, podemos caracterizar este grupo de visitantes quanto ao género, sendo que 60% destes são do género masculino e os restantes 40% dos visitantes são do género feminino. Relativamente ao seu estado civil, 40% estão de momento solteiros e 40% dos visitantes são casados, sendo que importa, ainda, referir que 20% dos visitantes não responderam. trabalhadores por conta própria e os outros 40% dos visitantes são trabalhadores por conta de outrem. Por último, é pertinente referir que nenhuns destes visitantes, no momento da realização do inquérito por questionário, se encontravam a visitar o museu pela primeira vez. 49 N o âmbito do presente estudo, outra informação extremamente valiosa é o conhecimento que se tem sobre a opinião e avaliação daqueles que usufruem e participam nos eventos e a 41,1% dos visitantes a apresentação e organização das coleções, 41.1% indicam que lhes para 37,5% foram as informações e explicações sobre as peças expostas que lhes agradaram muito. A complementar esta avaliação positiva podemos acrescentar que a 39,3% dos visitantes agradou razoavelmente o c onforto p roporcionado, a 35,7% a gradaram razoavelmente o s suportes multimédia existentes dentro do museu, 33,9% tiveram uma opinião razoável sobre a visita guiada e a 32,1% agradou razoavelmente o horário de funcionamento da exposição. guiadas. E m suma, em termos de opinião geral aferimos que a 66,1% dos visitantes agradou razoavelmente e a 8,9% dos visitantes agradou pouco esta visita. Negativamente, temos 1,8% dos indivíduos aos quais agradou muito pouco, sendo que aos restantes 1,8% dos visitantes a visita ao museu não lhes agradou. No âmbito do presente estudo, outra informação extremamente valiosa é o conhecimento que se tem sobre a opinião e avaliação daqueles que usufruem e participam nos eventos e A diversidade de oferta cultural de um espaço dedicado à cultura e património histórico também é um critério muito importante para a formação e permanência dos público(s). Neste sentido, constata-se que 39,3% dos indivíduos considera que a diversidade de oferta do Museu Municipal espaço consideram uma diversidade de oferta positiva. Contudo, apenas 26,8% a consideram 1,8% dos indivíduos não responderam a esta questão. 50 Em continuidade à diversidade de oferta, consequentemente temos a importância da aquele espaço cultural. Por seu turno, 16,1% opinam que esta distribuição é muito boa da forma que está realizada, sendo que 1,8% consideram-na fraca e 1,8% não responderam a esta questão. o Palacete setecentista dos Pereira do Lago, é apontado por 35,7% como sendo um bom local e 33.9% consideram este espaço como muito bom para ser o museu. Da totalidade dos inquiridos sendo que 5,4% considera fraco e 1,8% muito fraco. Temos presente, mais uma vez, 1,8% dos indivíduos que não respondem a esta questão. 51 divulgação da sua oferta cultural ao longo do ano, esta é principalmente apontada por 30,4% como muito boa, 28,6% dos indivíduos consideram-na como sendo boa e 25% indicam ser lado, 8,9% dos visitantes apontam como fraca a divulgação e 5,4% como muito fraca. Apenas 1,8% não responderam a esta questão. No que se refere à posição face à democratização cultural, esta é defendida por todos entrevistados enquanto forma de expansão do raio de alcance da mesma. No entanto, é reconhecida a existência de um esforço nesse sentido por parte dos responsáveis da esfera de produção cultural. Sobre a posição face à divulgação cultural, na sua maioria os entrevistados defendem a aposta na divulgaçã o e visibilidade pública da cultura, atividades culturais enquanto meio de democratização cultural e de aumento do conhecimento generalizado da mesma impulsionando a aderência às práticas culturais. Acho que já existe um grande esforço por parte de quem organiza eventos culturais, pois como referi antes, os cortes são muitos e penso que neste momento existem dois tipos de públicos para eventos culturais, que passam por aqueles eventos culturais bastante caros para um tipo de publico da alta sociedade e os eventos que têm entrada livre o que não permite às organizações efetuar grandes gastos. Entrevistado do sexo masculino com 28 anos e licenciatura o que há falta no nosso país é precisamente aposta na área da cultura e penso que o nosso país tem imenso potencial. Hum eu considero que cada dos espaços culturais tenta proporcionar uma boa divulgação, hum quando pensam em eventos ou em atividade que fazem todo o seu esforço que conseguem para obter resultados positivos. Hum que apostem nesses espaços e atividades para a divulgação ser mais alargada e forte. Hum portanto nesse sentido, sim elas deveriam de ter mais visibilidade, não tem por ter todos mecanismos necessários para atingirem diversos públicos. Entrevistado do sexo feminino com 27 anos e com Licenciatura 52 é principalmente apontada por 41,1%, visitantes como boa, de seguida 30,4% consideram esta importa referir que dos visitantes i nquiridos 23,2% apontam a qualidade como muito boa. Em contrapartida, 1,8% consideram-na como fraca e 1,8% apontam como sendo muito fraca. Apenas 1,8% dos indivíduos não responderam a esta questão. Contudo, constata-se que 21,4% destes indivíduos consideram que os preços das entradas têm Sobre a posição face aos preços praticados na esfera cultural, é referido pelos entrevistados que a crescente acessibilidade dos preços é reconhecida. No entanto, algumas esferas são ainda apontadas como elitistas e inacessíveis a todos tipos de públicos devido a constrangimentos 53 Hummm (pausa) quanto a isso eu penso que apesar de existir espaços culturais com preços mais acessíveis, na minha opinião a generalidade dos preços é um pouco elevada, o que limita o acesso aos mesmos. Entrevistado do sexo masculino com 32 anos e com Doutoramento 3.5. Despesas e práticas na cultura do(s) públicos. Gráfico nº 34 - Despesas em cultura segundo o nível de escolaridade: 60 R elativamente a d espesas que estes v isitantes d esempregados têm m ensalmente em atividades c ulturais, aferimos que n enhum d eles tem g astos com dança, opera, teatro, concertos e exposições. Aferimos também que 25% dos visitantes tem despesas com museus, cinema, discotecas, cds, dvds, bares e romances. Contudo, aferimos que 50% destes visitantes desempregados têm despesas mensais com festas e internet e software. Por último, todos estes visitantes têm despesas mensais com jornal, revistas e tv por cabo. R elativamente às práticas de cultura que envolvam a visita de exposições e museus, esses que pelo menos uma vez por mês têm essa prática de certo modo, enraizada. Neste sentido, com 62,5% e os restantes 37,5% do género feminino. No que se refere ao estado-civil, não se distinguem percentualmente, isto é, 50% são solteiros e 50% são casados ou em união de fato. Não existem percentagens relativamente a viuvez ou a divorciados. Como seria de esperar, em residem em Lousada e 6,2% destes visitantes são Felgueiras.36 E m termos de nível de escolaridade, constata-se que esta população em grande maioria tem concluído o 12º ano, ao nível do ensino superior temos presente 31,2% dos índividuos que pelo menos uma vez por mês visitam exposições e/ou museus. Com o ensino médio averigua-se 12,5% de índividuos e ainda com o nível de escolaridade até ao 6º ano, temos presente 6,2% de visitantes.37 P elo o que c onseguimos aferir p elos dados dos i nqueritos por questionário 37,5% dos v isitantes d o género feminino agradou m uito a v isita guiada e outros 37,5% agradou razoavelmente. Agradou pouco a visita guiada ao museu por 12,5% dos visitantes do género feminino e 4,2% agradou muito pouco. Apenas 8,3% não responderam a esta questão. 36 37 61 visitado antes o museu por falta de tempo, de seguida temos 5,3% que desconheciam a existência responderam a esta questão. Restam os 68,4% dos visitantes que ja tinham visitado museu antes da realização do inquérito por questionário. ção superior: dos dados obtidos ao longo da realização do presente estudo. Neste sentido, primeiramente proceder-se-á à apresentação sumária dos valores com maior representatividade dentro de cada entre os 26 e os 35 anos, sendo, na sua maioria, do género masculino (55,6%) e solteiros (58,9%). Considerando o nível de formação dos indivíduos, foi possível apurar que ao nível da escolaridade atingida as categorias com maior representatividade são o 12º ano (também conhecido por ser o antigo 7º ano) bem como o ensino superior com 33,9% dos indivíduos Neste sentido, captou-se ao longo deste estudo que estes públicos ao nível dos fatores sócio – económicos demonstram como heterogéneos nas anteriores variáveis. aferir que para 42,9% dos inquiridos a visita teve uma duração de entre 30 minutos e uma hora, sendo que 50 % dos visitantes já tinha visitado o museu anteriormente e os restantes 50% se encontravam a realizar a primeira visita ao mesmo. Importa ainda referir que, considerando 62 apenas os visitantes que se encontravam a visitar o museu pela primeira vez, através do cruzamento de variáveis foi possível verificar que 59,3% não tinham visitado anteriormente o museu por desconhecimento deste, 35,7% até o 12º ano de escolaridade, 78,6% destes visitantes não visitou a nível nacional outras instituições culturais nos últimos 12 meses e 57,1% obtiveram conhecimento do museu através de convite para irem uma primeira vez ao museu. Foi, ainda, possível verificar que 64,3% destes visitantes, após a ida ao museu, afirmaram que a visita lhes agradou muito. No que concerne à opinião e avaliação do Museu Municipal de Penafiel, foi possível aferir os seguintes indicadores: 39,2% dos visitantes consideram a diversidade de oferta do museu muito boa; 46,5% apontam que a distribuição dos programas e eventos do museu bons para este espaço cultural; 35,7% indicam que o Palacete setecentista dos Pereira do Lago como um bom local para este espaço cultural, sendo que 33,9% dos inquiridos consideram-no como muito bom. Cumulativamente, 66,9% dos visitantes tem uma opinião positiva relativamente à alocação do museu no Palacete; para 30,4% dos visitantes deste museu a distribuição da oferta cultural ao longo do ano é muito boa; 41,1% dos inquiridos considera a qualidade desta oferta boa e, no que se refere aos preços, 48,2% dos visitantes afirmam que os preços de entrada do museu têm alguma influência na frequência do museu (não obstante, estes dados não nos dão informação quanto ao sentido desta influencia, ou seja, não nos permitem determinar se esta é positiva ou negativa). Atentando, agora, nas práticas culturais do público, foi possível concluir que 64,3% dos inquiridos, nos últimos 12 meses, não visitaram outras instituições culturais (museus, monumentos), sendo que 37,5% dos visitantes referem que raramente costumam assistir a eventos culturais em Penafiel; 48,2% dos visitantes conhecem e frequentaram a Biblioteca Municipal de Penafiel; 60,7% dos inquiridos não conhecem a Galeria de Arte OM; 69,6% dos visitantes não conhecem a Casa do Ribeiro: Museu Rural; e 41,1% dos visitantes não conhecem a Galeria Gabinete mas, em contrapartida, 35,7% dos indivíduos frequentaram este espaço cultural e profissional. Considerando, desta feita, apenas os visitantes que indicam que pelo menos uma vez por mês têm por prática cultural a visita a exposições e a museus, aferimos que 62,5% são do género masculino; 81,2% são residentes em Penafiel; 50% têm como nível de escolaridade máximo o 12º ano, sendo que, no que se refere ao nível de escolaridade dos progenitores, 25% indica que o pai tem o 4º ano completo e igual percentagem dos inquiridos (25%) refere que a mãe tem o 4º ano de escolaridade completo. Relativamente, ainda, aos visitantes com práticas de ida a exposições e museus enraizadas, aferiu-se que 50% destes estavam pela primeira vez no museu sendo que os restantes já conheciam o espaço. Importa ainda referir que, dos indivíduos que se encontravam pela primeira vez a visitar o museu, 87,5% pondera uma nova visita ao museu nos próximos 12 meses. No que diz respeito aos gastos em atividades/práticas culturais, fazendo um cruzamento de variáveis conclui-se que analisando o público feminino do museu, verificou-se que, 66,7% das inquiridas despende parte do seu rendimento em jornais; 58,3% tem gastos em cinema, sendo que os gastos com TV por cabo e com Internet e Software apresentam uma representatividade de 54,2% cada. Por seu turno, a análise do público masculino permitiu concluir que 63 63,3% dos inquiridos tem despesas mensais com jornal, sendo que as despesas com Internet e Software têm igual representatividade; 46,7% dos inquiridos reconhece despesas mensais com idas ao cinema a par com as idas a bares, com igual representatividade. Apesar de uma população mais escolarizada e com fenómenos culturais a aumentar na sociedade portuguesa, as despesas na cultura prendem-se com atividades massivas. São em atividades como o cinema, tv por cabo, jornais internet e software que é realizado a maiores despesas culturais. O cruzamento das variáveis relativas às práticas culturais com o nível de escolaridade dos inquiridos permitiu-nos aferir que dos indivíduos que assumiram despesas mensais com jornais, 66% atingiram no mínimo o 12º segundo ano de escolaridade; daqueles que têm despesas com cinema 71,4% completaram até ao 12º ano de escolaridade; relativamente às despesas com internet e software, 42,6% dos inquiridos que afirmou ter despesas com estas práticas tem pelo menos o 12º ano de escolaridade, sendo que 87,5% da população com escolaridade inferior ao 12º ano não tem despesas mensais com internet e software; relativamente ao uso da tv por cabo verificamos uma ligeira superioridade percentual dos indivíduos que têm o 12º ano ou mais de escolaridade sobre os que têm menos que este nível de escolaridade, com 59,6% e 57,1%, respetivamente. Centrando a análise nos visitantes que declararam encontrar-se desempregados no momento, foi possível concluir que nenhum deles visitou, nos últimos 12 meses, instituições culturais a nível nacional, sendo que ao nível da formação académica, todos indicam ter o 12º ano completo. No que concerne a frequência de práticas culturais dos visitantes do Museu Municipal de Penafiel, podemos aferir que 53,6% dos inquiridos veem diariamente ou quase diariamente televisão; com uma representatividade de 44,6% dos indivíduos, respetivamente, encontram-se as práticas de audição de rádio e de música; relativamente às práticas de leitura, concluímos que 39,3% dos inquiridos leem jornais e revistas pelo menos uma vez por semana e 35,7% leem diariamente ou quase diariamente; no âmbito das práticas de sociabilidade, foi possível verificar que 32,1% dos inquiridos pelo menos uma vez por mês almoçam ou jantam fora, 41,1% vão a casa de familiares ou amigos pelo menos uma vez por semana e 37,5% dos visitantes, com a mesma frequência, recebem familiares ou amigos em casa; 28,6% dos inquiridos vão pelo menos uma vez por mês a associações recreativas; com a mesma frequência, 25% dos visitantes passeiam pelo menos uma vez por semana e 25% também o fazem pelo menos uma vez por mês; no que respeita a práticas que envolvam música (dançar, cantar, ou tocar um instrumento musical) aferimos que 19,6% dos visitantes fazem-no diariamente ou quase diariamente, sendo que igual percentagem fá-lo pelo menos uma vez por semana; a prática de desporto é realizada pelo menos uma vez por semana por 32,1% dos visitantes; a ida ao cinema ou teatro é realizada pelo menos uma vez por mês por 35,7% dos visitantes e a ida a concertos de música é realizada pelo menos uma vez por mês por 26,8% dos inquiridos; concluiu-se, ainda, que 28,6% dos visitantes vão, pelo menos uma vez por semana, a discotecas, bares ou cafés; 28,6% dos inquiridos assistem e espetáculos desportivos pelo menos uma vez por mês; Na sua maioria, isto é, 35,7% dos visitantes, alegam que raramente viajam; 28,6% visitam exposições ou museus pelo menos uma vez por mês; 33,9% declara nunca ter feito teatro amador; a ida à praia é raramente realizada por 37,5% dos inquiridos, sendo que 28,6% também raramente fazem campismo; a ida 64 a bibliotecas e a livrarias é apontada com uma frequência de pelo menos uma vez por mês por 30,4% e 35,75 dos visitantes, respetivamente; por último, no que concerne ao acesso à internet, 62,5% dos visitantes alegam que o fazem diariamente ou quase diariamente. Verifica-se uma superioridade de inquiridos no concelho de Penafiel, sendo que 57,1% são naturais deste concelho e 64,3% são residentes. Os dados apontam para que a maioria dos individuos sejam residente e naturais do concelho de Penafiel. Nestes sentidos podemos apontar que os visitantes do museu são maioritariamente indivíduos residentes e naturais do concelho de Penafiel. Oa dados dão a indicação que 50% dos indivíduos que responderam ao questionário estavam pela primeira vez presentes no Museu Municipal de Penafiel. Neste sentido, podemos concluir que os dados apontam que um numero elevados de visitantes estivessem pela primeira vez a visitar o museu. Relativamente às despesas em práticas culturais, Constatou-se nas despesas que os inquiridos 28,6% referem que têm despesas a nível em exposições e 26,8% têm em museus. Deste modo, os dados conseguidos não apontam que mais de 50% dos visitantes despendem uma grande percentagem do seu rendimento mensal em exposições e em museus. Sobre o nível de escolaridade do(s) público(s) do Museu Municipal de Penafiel, os dados indicam-nos que 33,9% têm ensino mas está a par dos 33,9% dos que têm o 12º ano como escolaridade máxima atingida. Deste modo, não podemos afirmar que os visitantes com o ensino superior são definitivamente maioritários no Museu Municipal de Penafiel. Nenhum dos dados aponta, neste sentido. Pelos dados analisados constatou-se, relativamente à variável residência, que 3,6% tem outra residência fora da Comunidade Urbana do Vale do Sousa, nomeadamente Penafiel, Lousada, Paredes, Felgueiras, Castelo de Paiva e Paços de Ferreira. Deste modo, podemos enunciar que os dados apontam um baixo número de visitantes com residência fora da Comunidade do Vale do Sousa. Uma conclusão muito importante retirada deste estudo, foi aperceber que estes visitantes nos últimos 12 meses 58,9% deles não visitou um museu ou algum monumento, ao contrario de 35,7% dos inquiridos. Constatou-se que os dados não apontam que um elevado número de visitantes que tenham nos últimos 12 meses algum museu ou monumento. Inversamente constatou-se que 80,4% dos visitantes que responderam ao ínquerito por questionário tencionam voltar ao museu nos próximos doze meses. Deste modo, os dados analisados apontam para que mais de 50% dos visitantes do museu tenham intenções de retornar ao museu nos próximos doze meses. Sobre avaliação da visita ao Museu Municipal de Penafiel verificou-se que 57,1% dos visitantes consideram de um modo geral muito bom o museu e 26,8% considera-o bom. Cumalativamente 83,9% consideram favoravelmente o museu. Neste sentido, podemos apontar que grande parte dos visitantes avalia favoravelmente o Museu Municipal de Penafiel. Dos visitantes do sexo feminino aferimos que 37,5% agradou muito a visita guiada e outros 37,5% agradou razoavelmente. Neste sentido, o resultado é positivo com mais de 50% dos visitantes que consideram a visita guiada agradável. Por último, Dos visitante com formação superior, isto é, 15,8% dos visitantes afirmam não terem visitado antes o museu por falta de tempo. Sabemos que a organização do tempo e um background com interesses direcionados para setor da arte e da cultura são fatores cruciais para uma participação ativa em práticas c e em eventos culturais. No Museu Municipal de Penafiel apercebemos que existe um perfil de públi- 65 co que ainda não tinha visitado esta instituição precisamente com o motivo por falta de tempo e de interesse. Verificamos que os visitantes com formação superior, isto é, 15,8% dos visitantes afirmaram não terem visitado antes o museu por falta de tempo e 5,3% por desconhecimento deste. Pelas entrevistas a alguns dos visitantes conseguimos aferir que existe o fator de enraizamento cultural por parte dos progenitores e pertenças a grupos com atividades culturais. Por outras palavras, apercebemos em alguns dos visitantes um background com acesso a produtos culturais atraves de exposição familiar a eventos e temas de conversa associados a um processo positivo para recção cultural. Neste sentido, houve por parte desses visitantes uma preparação para compreensão, participação e receção futura de cultura. Podemos ainda acrescentar que uma conclusão importante, que apenas 1,8% dos progenitores têm uma formação superior, em contrapartida, o nível de escolaridade do(s) público(s) é de 33,9% com o ensino superior concluído. Neste sentido, podemos mencionar que o background dos público(s) não consistiu num ambiente académico que pudesse dar ainda mais incentivo para um aumento do capital simbólico. Em termos de objetivos definidos inicialmente concluimos que a composição dos público(s) do Museu Municipal de Penafiel tem uma ligação às instituições escolares envolventes, que nas origens sócio – económicas verificou-se origens humildes em termos de capital escolar e trabalho e conseguimos aferimos dados importantes sobre caracteristicas dos visitantes e sobre as suas impressões de visita em termos quantitativos. Da parte dos público(s) ficamos a saber que os indivíduos que foram entrevistados têm uma preocupação com o papel da cultura na sociedade portuguesa, preocupação na aposta e investimentos neste campo. Denota-se que esta esfera cultural é percecionado pelos público(s) como um dos factores que possibilita o desenvolvimento economico, inteletual e social no nosso país. Sobre a distinção entre o(s) público(s) que vão com intenção de visitar a exposição permanente ou a exposição temporária, podemos concluir que em sua grande maioria o(s) público(s) vão com o intuito de visitar a exposição permamente. Em grande parte dos público(s) tem uma origem geográfico dentro da Comunidade Urbana do Vale do Sousa e em termos de despesas com atividades culturais verificou uma distinção entre géneros e existe uma tendência para gastos em cinema, tv por cabo, jornais, software e internet, e ainda em saidas em bares. As despesas em práticas de outras areas mais artísticas como a dança e opera, aferimos que as percentagens são menores. No final da realização deste estudo de público(s) podemos apontar pontos menos bem conseguidos que seriam fucrais para obtenção de dados ainda mais completos. Estes pontos passam pela questão das classes sociais e passa também pelo número de inqueritos realizados aos visitantes. Acrescenta-se também o ponto das entrevistas sobre a exposição temporária para retirar conhecimento sobre o porquê da intenção de visita e ainda no inquerito aplicado, a questão do convite como forma de conhecimento, isto é, se estes convites foram feito num intuito institucional/profissional ou num intuito pessoal/familiar. O curto horizonte temporal disponível para realização deste trabalho, não permitiu para uma solução mais alargada no que concerne às entrevistas e inquerítos. Tivemos que contornar este fato e tornar este trabalho mais “leve” em termos de trabalho estatístico e de análise de conteúdo. Contudo, podemos olhar para este trabalho como um rascunho para novos estudos de públicos no Museu Municipal de Penafiel. 66 Referencias Bibliográficas ALBARELLO, Luc; DIGNEFFE, Francoise; et al. – Práticas e métodos de investigação em Ciências Sociais. Lisboa. Gradiva. 1997. ISBN 972-662-554-8. 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NS/NR 33π Nível de Escolaridade [indique a frequência mais elevada] +A Próprio | +B Pai | +C Mãe | +D Cônjuge ABCD Até à 4ª classe Até ao 6º ano (antigo preparatório) Até ao 9º ano (antigo 5º ano) Até ao 12º ano (antigo 7º ano) Ensino Médio Ensino Superior Ensino Superior – Pós-Graduação Não responde 34π Qual a situação na profissão do: +A Próprio | +B Pai | +C Mãe | +D Cônjuge ABCD Patrão Trabalhador por conta própria Trabalhador por conta de outrém Outra situação. Qual? NS/NR 35π Condição perante o trabalho do: +A Próprio | +B Pai | +C Mãe | +D Cônjuge ABCD Exerce uma profissão e tem um emprego Proprietário Estudante Reformado Desempregado Ocupa-se das tarefas do lar Outra situação. Qual? πINQUERITO AOS PUBLICOS DO MUSEU MUNICIPAL DE PENAFIEL 1.2.2 - Guião de Entrevista à Diretora do Museu Municipal de Penafiel 1. Como definiria a recepção cultural e a democratização cultural? 2. Quais são os principais objectivos do Museu Muncipal de Penafiel? 3. como define um museu tendo como base o Museu Municipal de Penafiel. 4. Como avalia a importância do Museu Municipal de Penafiel? 5. Que públicos que podemos podemos encontrar no Museu Municipal de Penafiel? 6. O caminho do Museu Municipal ainda é curto. Porém, como vê a evolução da instituição? 7. O Museu Municipal de Penafiel surge de que forma, com que objectivos e quem foram os impulsionadores desta instituição? Mais concretamente com que estrategica política contextualiza o Museu Municipal? 8. Sobre os prémios que o museu tem ganho de que modo vê essas conquistas. 9. Que impacto tem o Museu Municipal de Penafiel na comunidade urbana do Vale de Sousa? 10. De que modo o número de técnicos a trabalharem na instituição são os necessários para um bom funcionamento desta? 11. Quais são as estrategias de comunicação para dar visibilidade ao museu? 12. Como se tem processado o diálogo entre os objectos arqueológicos e o espaço que os envolve? 13. O Museu Municipal de Penafiel tem uma tutela de administração pública. Como é que o museu poderia funcionar sem esta tutela? 14. Esta instituição museológica tem ligações culturais com outras infra - estruturais do Vale do 77 Sousa ou fora? Que ligações culturais tem com outras instituições? 15. De que modo as visitas guiadas podem ser o acolhimento ideal para uma interacção sistemática entre o público, o pessoal tecnico e as exposições? 16. Quem organiza, quem obtêm e quem reflecte sobre os bens artisticos da exposição temporária? 1.2.3 - Guião de entrevista ao técnico superior do Museu Municipal de Penafiel 1. Que tipos de públicos visitam o Museu Municipal de Penafiel? 2. O preço das entradas e a localização influênciam a afluência do(s) público(s) 3. Que serviços existem podemos encontrar dentro do museu? 4. Como é realizada a divulgação das actividades do museu? 5. Como é realizada as visitas guiadas dentro do museu? (Considera que é o acolhimento ideal para uma interacção sistemática entre o público, o pessoal tecnico e as exposições) 6. Atraves de que meios consegue captar que os publicos ficaram satisfeitos com as exposições que assistiram? 7. Como é a estrutura organizacional dos técnicos superiores do Museu Municipal de Penafiel? 8. O número de técnicos a trabalharem na instituição são os necessários para um bom funcionamento desta? 1.2.4 - Guião de entrevista aos público(s) fruidores do Museu Municipal de Penafiel Background Cultural 1. Na infância/adoslecência tinha por hábito visitar museus/espaços culturais? 2. Em casa os temas abordados reflectiram os temas da cultura ou arte (cinema, artes plásticas, música, teatro,etc)? 3. Se a visita a museus ou espaços culturais era uma prática comum com amigos? 4. Se alguma vez fez parte de alguma associação cultural ou se esteve envolvido e activo em atividades culturais? Representações simbólicas da cultura 1. Qual é o papel da cultura na sua vida? 2. Na sua opinião, dever-se-ia apostar mais na cultura no nosso Pais? 3. Pensa que as atividades/espaços culturais deveriam ter uma maior divulgação/visibilidade pública? 4. Se deveria ser feito um esforço para alargar o raio alcance da cultura, i.e., se deveria ser feito um esforço para tornar os públicos fruidores de bens culturais mais ecléticos? 5. Qual a sua opinião acerca, de um modo geral, dos preços de entrada em museus/espaços culturais. 78 Anexo II – Resultados 2.1 – Categorias de observação CATEGORIA I.CENÁRIO do Museu Municipal de Penafiel II. ATORES SOCIAIS DIMENSÕES 1.Coordenadas temporais 2.Coordenadas espaciais e ambientais (descrição dos materiais; cheiros, sons, temperatura) 3. Perfil – tipo (Género e faixa etária) 4.Modos de apresentação geral (vestuário, acessórios, penteado, etc) 5.Modalidades de (inter) acção (diálogos partilhados, etc) 6.Linguagem cinética (postura, gestos, olhares, expressões faciais, tom de voz – disposições subjectivas do actor) 7.Relação com o espaço físico e o tipo de actividades INDICADORES 79 2.1.1 – Observação nº 1 CATEGORIA I.CENÁRIO do Museu Municipal de Penafiel II. ATORES SOCIAIS DIMENSÕES 1.Coordenadas temporais 2.Coordenadas espaciais e ambientais (descrição dos materiais; cheiros, sons, temperatura) 3. Perfil – tipo (Género e faixa etária) INDICADORES 26 de Maio de 2012 (Sábado de tarde desde das 15h00 até às 16h40). Nas salas da identidade e do território o cheiro é neutro, não conseguimos evidenciar qualquer tipo de cheiro conhecido. Relativamente à temperatura apresentava um ambiente fresco. Na sala de Arqueologia em termos de cheiro, evidenciamos um cheiro semelhante a pedra ou a terra. Na sala de Ofícios o cheiro é neutro e a temperatura é amena. Esta sala tem no seu meio bancos alinhados. A última sala é a sala da Terra e da Água e evidenciase o cheiro a madeira, sendo a temperatura amena. Grupo de dezassete jovens da faixa etária mais ou menos entre os 9 e os 13 anos. Havia mais elementos do sexo feminino do que do sexo masculino. Os outros dois elementos exteriores à visita guiada teriam por volta dos 30 a 35 anos de idade. Um era do sexo masculino e o outro do sexo feminino. 80 4.Modos de apresentação geral (vestuário, acessórios, penteado, etc) 5.Modalidades de (inter) acção (diálogos partilhados, etc) Todos elementos usam calçado confortável para a visita e para o Museupapper, como por exemplo o uso de sapatilhas e sandálias. Em termos de vestuários variam entre o uso de calças de gangas, calções e t-shirts, casacos frescos e também camisolas frescas para época. Na sala de Ofícios durante o acompanhamento da visita guiada encontravamse dois indivíduos de nacionalidade não portuguesa provavelmente oriundos dos países baixos. Era um individuo do sexo masculino que estava vestido todo de preto e usava óculos e um individuo do sexo feminino de calças de ganga, top e de tranças. Logo de início a guia Sónia Rodrigues questiona ao grupo se já tinham lá estado. É comentado por um deles –“ já vim cá montes de vezes”. Nas tentativas dos diferentes elementos dos grupos tocarem nos objetos, a guia comenta – “Não podem tocar nas peças do museu!”. Na história do São João em que este salva a Princesa do Dragão, a guia fala da fragilidade da escultura. “O nariz é parte mais exposta e cai!” A guia questiona o grupo, - “Conhecem o Mosteiro de Paços de Sousa?!”; “Sim!”; 81 “Aprenderam na escola?” – “Sim!”.Sobre o Padre Américo é relatada a história dos Gaiatos, onde é explicado o que acontecia às crianças. Os Gaiatos na instituição aprendiam diversos ofícios como carpintaria e os seus cabelos eram rapados. Só os rapazes é ficavam na instituição enquanto que as raparigas como eram mais fáceis de educar tinham sempre casas que ficavam com elas porque elas sabiam cozinhar, limpar, arrumar etc. Neste sentido ouve-se um comentário de um rapaz – “ Que sorte!”.À entrada da sala de Arqueologia, a guia Sónia Rodrigues questiona o grupo com duas perguntas. “ O que é um Arqueólogo?” Um rapaz responde – “ alguém que descobre artefactos antigos!” e “ O que é um historiador?” Uma rapariga responde – “ Alguém que relata historia!”. Existiu um comentário relativamente a uma peça exposta, uma rapariga diz – “parece um pneu!”, nisto a guia responde – “Nessa altura não sabiam o que era um pneu, eles tinham já noção de estética, não vos parece um cereal desenhado?”. A mesma rapariga responde de volta – “ Podia ser um pneu de pedra.” 82 6.Linguagem cinética (postura, gestos, olhares, expressões faciais, tom de voz – disposições subjectivas do actor) Sobre uma peça que era a bilha, a guia pergunta o que de especial tinha aquela peça. Um dos elementos responde – “Tem nome!” a guia explica – “Exato! Havia escrita no Castro Mouzinho, foram os Romanos.” No início da visita guiada, sem ainda entrarem no itinerário da visita, apresentam-se inquietos e distraídos. O tom de voz da guia Sónia Rodrigues é alegre, notou-se que estava com uma certa dificuldade em falar com volume porque estava rouca. Contudo, o seu tom de voz era sempre variado, isto é, em certos momentos o seu tom alterava-se para cativar os elementos, sorria imensas vezes e ria-se diversas vezes porque contava algumas piadas para animar o grupo. A guia do museu transmite experiência porque consegue facilmente dialogar com este grupo jovem de forma a cativa-los durante o percurso. O percurso pelo museu iniciase pela 1ª sala, da identidade, nesta sala o grupo muda de postura para uma postura mais atenta e aproximam-se da guia para a ouvirem melhor. Devido a esta curiosidade 83 vários elementos do grupo tentam tocar nos objectos. Na sala da identidade a postura é quase sempre com olhares direcionados para a guia, muitos encontram-se de braços cruzados e poucos falam entre si. Verifica-se duas raparigas que estão abraçadas de lado uma à outra enquanto ouvem a guia a relatar a história sobre a elevação de Penafiel à cidade em 1770. Enquanto conta a história do São João diversos elementos do grupo acenam e muitos estão boquiabertos. Na 2ª sala, a de território, existe uma estrutura que permite visualizar 10 videos através de orifícios e Macintosh’s que permitem ver Penafiel em 360º interactivos ao toque. Neste sentido, os elementos do grupo tocam constantemente na estrutura, porque esta é também interactiva com imagem de água e lampreias, e quase se atiram para cima da estrutura. Conforme espreitam pelos orifícios para verem os vídeos, os elementos do grupo esboçam sorrisos e trocam de lugar uns com os outros regularmente. Na parte dos Macintosh’s, os elementos do grupo estão todos unidos, quase como uns em cima dos outros 84 a tocarem constantemente nos ecrãs. Nesta sala enquanto a guia está a falar poucos são aqueles que estão atentos. Verifica-se raparigas a sorrirem umas para outras. Na estrutura da projecção da água e das lampreias todos elementos se juntam à volta e torna-se um jogo de quem consegue apanhar mais lampreias e trocam olhares umas com as outras enquanto tocam na estrutura. O importante a retirar é que nesta sala os elementos estiveram dispersos e distraídos. Na 3º sala, a de Arqueologia, é pedido para formarem uma meia lua para poderem visualizar um vídeo demonstrativo de como abrir uma Anta da pré – historia para enterrar mortos. Nesta mesma sala, verifica-se um rapaz a roer unhas e a rodar o pé, outro de joelhos para ver o vídeo e outro sentado no chão. Os rapazes na sala de Arqueologia estava muito inquietos, distraídos e tocavam constantemente nos vidros e noutras peças. Apontam e trocavam comentários “de gozo” uns com os outros. A sala de Ofícios é o 4º espaço do itinerário da visita. Os elementos do grupo sentam-se todos nos bancos 85 disponibilizado na sala de Identidade (onde localizamos estas duas jovens). Tinham mais interacção uma com a outra, no sentido de estarem a conversar enquanto andavam pela sala. Observando o casal pode verificar-se que havia momentos, na sala de Ofícios, em que apontavam para diversos bens disponibilizados nas montras e trocavam olhares e dialogavam. De vez em quando trocavam um beijo ou outro mas sempre com uma postura adulta. Houve um momento que ambos se sentaram num dos bancos presentes no meio dessa sala para estarem a conversar um com o outro. Ficaram sentados por volta de 15 minutos. Neste momento, partilhado pelos dois, houve troca de sorrisos e deram as mãos. Os diálogos partilhados pelas duas jovens não foram percetíveis, contudo foi possível verificar risos e abraços enquanto conversavam. Na sala de Ofícios, o casal de namorados interagiu com o espaço físico por exemplo quando tocaram na roupa que 6.Linguagem cinética (postura, gestos, olhares, expressões faciais, tom de voz – disposições subjectivas do actor) 7.Relação com o espaço físico e o tipo de actividades 92 lá tem, relativa a diferentes tradições de Penafiel. Na sala de Arqueologia, o individuo do sexo masculino que se encontrava sozinho, interagiu na sala ao tocar nos objectos de património para sentir a textura destes. Na sala de Arqueologia tem um diversos degraus que vão ter a uma plataforma que é um exemplo de como uma escavação arqueológica é realizada, esse individuo subiu para essa plataforma e esteve olhar para o fundo dos seus pés, para o vidro que permite ver o chão como se fosse uma escavação. Dados relativos às observações: Nome do observador: Diana Rodrigues Dia da semana: Quarta-Feira Horas de observação: 14h45 às 15h55 Espaço do dia observado: Diversas salas do Museu Municipal de Penafiel Data de preenchimento das observações: Final da tarde de dia 16 de Maio de 2012 Nº de observações efectuadas: 1 Posicionamento do observador face ao cenário de observação: Deambulando pelas diversas salas do Museu Municipal de Penafiel. 93 Dimensão Categoria Citação Cultural Receção Cultural “ (...) sentem que se valorizaram com esta visita que lhe trouxe uma alguma mais valia em termos culturais, em termos de com Objetivos institucionais “ (...) é preservar, estudar e divulgar as coleções, as suas coleções e as coleções que vai completando e o património do mu Caraterização da Instituição “ é um museu abrangente… porque abrange todas as realidades históricas, etnográficas desta área mas é um museu que procu Ligações institucionais “ Para começar o museu integra-se na Rede Portuguesa de Museus, ou seja, integra-se numa rede nacional museológica, são Espacial Alocação em novas instalações em 2009 “ Tem outras potencialidades e outra capacidade de (rrr) de realização de atividades, não é? Nos não podíamos por exemplo realizar Caraterização dos Públicos “ o publico escolar é a fatia maior (...)” “ Os turistas também, pessoas que individualmente ou em grupo andam a conhecer Interação entre público e exposição “ (...) que as visitas são feitas por todos os técnicos do museu, não são só pessoas que são apenas guias de museu, são os técnicos que são Histórica Histórica Contextualizaçãohistórica do museu “(...) esse movimento foi proporcionado pelo um conjunto de cidadãos ativos e adeptos da atividade do museu dos quais gerou esse Estratégias de comunicação e divulgação “ (...) pusemos os departamento de comunicação da Câmara Municipal que a par do museu tem que divulgar e dar a conhecer Organização das coleções da exposição permanente e temporária “ (...) desde do inicio do ano é sobretudo é um trabalho, uma tarefa que compete ao responsável do museu municipal mas é um Institucional 2.2.1– Grelha de análise vertical da Diretora do Museu Municipal de Penafiel Social Comunicativa Organizacional 94 preensão da historia deste espaço, de conhecimento das técnicas e das atividades tradicionais, da historia deste município, deste território (...)” “ (...) as avaliações que temos recebido, e que temos registados junto dos visitantes nestes úl nicípio.” ra realmente sair um pouco de portas e atuar e relacionar-se com a comunidade de uma forma muito abrangente” * “ (...) preservar o património e preservar estas memorias divulgar estas coleções de uma forma muito museus que estão credenciados e integram, digamos, este grupo de museus que dão garantias de qualidade ao nível nacional (...)” “ (...) são sempre exigidos o cumprimento de um grupo de normas e princípios de atu quase atividades de serviço educativo. Porque não tínhamos o espaço para área, para dinamizar os ateliês e mesmo assim faziam-no lá nos recantinhos do museu, as vezes no próprio espaço da exposição mas sempre para grupos muito lim a região e que procuram o museu para complementar os seus programas de visita. (hum) os grupos seniores, não é?” gestores do património do museu, pelas coleções do museu ou mesmo da área especifica do serviço educativo (...)” “Porque permite-nos também conhecer as pessoas, perceber também.. sei lá… as maiores dificuldades que impulso de apoio à à à procura de umas novas instalações, à criação de umas novas instalações e desse grupo resultou até da constituição da associação dos amigos do museu que tem 12 anos já de existência.” “O projeto em si até todas as atividades realizadas pelos vários serviços da Câmara Municipal mas de quaisquer das formas têm colaborado connosco de sentido a rrrr para os jornais locais e não só, para a rádio, para televisão, canalizar e divulgar as nossas atividades. museu, digamos, que internamente determina o que interessa ao museu expor, o que interessa ao museu apresentar e depois normalmente a Câmara Municipal selecciona e aprova as escolhas feitas e podem também fazerem propostas 95 timos tempos, tem sempre uma media muito elevada de recetividade muito boa (...)” integrada e muito próxima da comunidade em que.. os membros da comunidade sejam eles os portadores dessas tradições (...)” ação e de meios de digamos de características intrínsecas ao que é considerado como fundamental para a existência do museu.” “ (...) Rota do Românico por exemplo, que é outra estrutura cultural da região. Com as escolas, não itados de pessoas.” as pessoas têm com a exposição, o que é que lhes interessa mais, o que é que poderá estar menos bem conseguido, que parte dos museus que partes das exposições que as pessoas têm mais afinidade ou menos, o que estranham mais, qual é a 2009 tinha 15 anos de existência, desde que há aprovação, a ideia é unanimemente defensiva quer pela população quer pela CM que o museu precisa de uma casa nova, há aquisição deste edifício na altura sofreu um incêndio à época Nos diretamente o que fazemos é sempre divulgações via carta, via convite, não é? Convites que se enviam por exemplo e cada vez mais a internet, não é? Usamos a divulgação via email como uma forma constante não é?” “ O museu feitas pela Câmara Municipal mas normalmente o museu tem sempre a ultima palavra do que vai ser exposto sendo que essas escolhas são sempre assumidas pelo responsável do museu. “ “(...) o 96 é? Com a rede de ensino público e e privado. Com as câmaras municipais, portanto com as associações não é? O museu sempre que é solicitado e muitas vezes por iniciativa própria procura integra-se nas atividades que diferença entre a reação do visitante local e o visitante que vem de fora do município por exemplo.” , tinha sofrido um incêndio. A aquisição da CM deste histórico edifício, depois encontra-se um arquiteto e concretiza-se um projeto de arquitetura depois houve a necessidade de encontrar financiamentos para execução ser gerador de receitas suficientes para se manter a funcionar não seria sustentável. As instituições museológicas muito dificilmente poderão ser independentes de outras estruturas que elas sim se preocupem ou que têm centro a procura museu precisava de mais técnicos sobretudo em duas áreas, no serviço educativo e na conservação e restauro.” “Os recursos não permitem e os gastos são condicionados, nos dependemos da Câmara Municipal e da possibilidade que tem de 97 se realizam aqui na região e a nível nacional não é? Sempre que é solicitado ou que vê interesse nisso o museu pretende integra-se nessas atividades.” desse projeto” da sua sustentabilidade e as receitas necessárias para o seu funcionamento (..)” alargar o quadro de funcionários. “ 98 99 Síntese Bons indicadores de aceitação e valorização por parte dos públicos na analise empírica dos inquéritos colocados na entrada. Públicos sentem como mais-valia a ida ao MMP. M.M.P. tem como objetivos institucionais a preservação, o estudo e divulgação das suas coleções. Este trabalho enriquece o património do município de Penafiel e da região do Vale de Sousa. O MMP procura não se delimitar a uma realidade etnográfica. Procura preservar e transmitir o património e as suas memorias aos membros da comunidade. O Museu Municipal de Penafiel está integrado na Rede Portuguesa de Museus. Para fazer parte desta rede é necessário o cumprimentos de um grupo de normas e princípios. Simultaneamente integra-se com a Rota do Românico, com as Indicação que o espaço no antigo museu era reduzido e que impedia o MMP de ter mais atividades do serviço educativo. O novo espaço abriu novas possibilidades de dinamização do museu. Em termos de desconstrução da matriz de públicos que visitam o M.M.P. são nos apresentado principalmente três grupos sociais: o público escolar; os turistas (modo individual ou grupal) e os grupos seniores. As visitas guiadas são dirigidas por todos os técnicos presentes no museu permitindo uma relação privilegiada com os públicos visitantes. Os técnicos que realizam as funções de gestores de património, de conservação, das coleções Previamente à mudança para novas instalações, cidadãos adeptos e ativos da atividade do museu impulsionaram à procura de instalações que permite-se ao museu proporcionar aos visitantes todos as suas funções mu O Museu Municipal de Penafiel não dispõe de momento de um departamento de comunicação. Esta função é assumida pela Câmara Municipal de Penafiel que faz a divulgação pelos jornais, rádio e televisão. Contudo o museu faz O Museu Municipal de Penafiel neste momento está atravessar uma fase de carência a nível de técnicos com formação superior para áreas de conservação e restauro mas também para o departamento do serviço educativo. Não tem havido escolas, câmaras e associações da região. do museu e também do próprio serviço educativo. Esta relação privilegiada com os públicos torna a visita guiada mais gratificante para ambas as parte porque os técnicos conseguem perceber as dificuldades seológicas a 100%, como a preservação das coleções, o seu estudo e divulgação das exposições mas também as atividades do serviço educativo. Dai resultou também a constituição da Associação dos Amigos do Museu Municipal o envio de convites por carta e por email. possibilidade de alargamento do quadro de funcionários porque os recursos não o permitem e o museu está dependente da Câmara Municipal de Penafiel. 100 que os visitantes têm na exposição, os pontos a melhorarem na elaboração das exposições e os itens que são mais interessantes para eles. Da parte dos visitantes esta relação de Penafiel que tem neste momento 12 anos de existência. Até a mudança para novas instalações em 2009, o projeto já tinha 15 anos e a CM adquiriu o edifício atual do museu após um incêndio. Com financiamentos o projeto foi executado. 101 108 Dimensão Categoria Citação Receção e fruição culturais na infância e adolescência Os meus pais nunca tiveram por hábito visitar museus ou outros espaços culturais pelo que com eles não me lembro de visitar esse tipo de espaços, porém lembro-me que através Abordagem da temática cultural em contexto familiar “Sim, Cultura no seu geral sim, até porque penso que é um tema inerente a grande parte das conversas, porém nada de específico, apenas mais sobre música porque era de facto o que a nível Partilha cultural e fruição cultural junto do grupo de pares “ Já respondi um pouco na primeira questão a isso, cheguei a ir com amigos a espetáculos e a teatros também, e mesmo muito de vez em quando a um ou outro museu, mas não que fizéssemos Participação ativa na esfera cultural “Até aos dias de hoje apenas tinha estado numa associação de arqueologia em que tínhamos como objectivo desenvolver actividades arqueológicas para os estudantes, e nos dias de hoje Papel atribuído à cultura “ O Papel da cultura na minha vida é o mesmo papel que a cultura tem na vida de qualquer um, estamos envoltos por cultura quer queiramos quer não, música é cultura, ler um jornal é cultura, Posição face ao investimento cultural “ Logicamente que sim, aliás é um dos grande debates que se tem no nosso país, os cortes que se efectuam na cultura, evidentemente que a cultura neste país está um pouco colocada de Posição face à divulgação cultural “Penso que deveriam ter se houvessem mais, mas como referi anteriormente, há uma redução a nível de gastos na cultura que parte logo do Governo por isso existem poucos e Posição face à democratização cultural “Acho que já existe um grande esforço por parte de quem organiza eventos culturais, pois como referi antes, os cortes são muitos e penso que neste momento existem dois tipos Posição face aos preços praticados na esfera cultural “Existem variados, temos casos de Museus com entrada livre ao Domingo, o problema depois é o que o Museu tem para oferecer que chame as pessoas mesmo que seja de borla. 2.2.4 – Grelha de análise vertical do entrevistado nº2 Background Cultural Simbólica 109 de visitas de estudo escolares, por intermédio de outros familiares e amigos, visitei alguns museus, monumentos a nível nacional, idas a teatros, espetáculos etc.” cultural a minha mãe mais preenchia o tempo.” disso uma prática comum. “ pertenço a uma Associação em Penafiel que desenvolve actividades culturais para a população de Penafiel.” visionar edifícios numa cidade é cultura, temos que ter um conhecimento minimamente abrangente sobre a cultura para perceber como funciona uma sociedade. “ lado e isso reflete-se no facto de haver poucos eventos culturais na atualidade em Portugal, aliás até existem, mas são para pessoas com um nível social mais elevado, porque quem passa por dificuldade não pode pagar para ir a eventos culturais.” os poucos que existem também têm baixos orçamentos e também se reflete na própria divulgação.” de públicos para eventos culturais, que passam por aqueles eventos culturais bastante caros para um tipo de publico da alta sociedade e os eventos que têm entrada livre o que não permite às organizações efectuar grandes gastos.” E também temos casos em que têm preços no meu ponto de vista exagerados, mas que também já são assim porque apenas querem chegar a um certo publico.” Sintese Na sua trajectória social, o entrevistado teve presente por intermédio de grupos sociais, como por exemplo a escola e seus grupos de amigos, acesso a nível cultural a diversas Na sua interacção família, o entrevistado refere que a sua mãe seria a pessoa que incentiva na comunicação o tema da música. Relativamente aos grupos de pertença, como anteriormente já o tinha indicado, o entrevistado ira a espetáculos, teatros e museus com seu grupo de amigos mas o entrevistado indica que não era Sobre o background cultural do entrevistado, podemos referenciar que este fez parte de uma associação de arqueologia. Envolvente da cultura no quotidiano de um individuo. É dando exemplos, como ler um jornal, visionar edifícios numa cidade, é para o entrevistado Indicação que em Portugal existe poucos eventos culturais e quando se planeiam e realizam eventos, estes são direccionados os poucos que existem também têm baixos orçamentos e também se reflete na própria divulgação.” O entrevistado divide o público em dois tipos: a alta sociedade que permite eventos culturais elevados e os públicos em eventos Associação do preçário à atratividade de diversos públicos. 110 111 Dimensão Categoria Citação Receção e fruição culturais na infância e adolescência “De que me recorde o que mais custumava ver era filmes e series com os meus irmaos e tambem tinha muito acesso a música (hummm) mas ir a museus ou algum sitio que tivesse Abordagem da temática cultural em contexto familiar “Hum basicamente os temas de conversa em família sempre passou pela musica, cinema e televisão.” ; “ A minha mãe gostava e gosta de Revista o teatro revista por causa das piadas sobre Partilha cultural e fruição cultural junto do grupo de pares “ Errr com os meus amigos de adolescência nem por isso. Só nos últimos anos é que comecei a ter mais (hum) queda para espaços culturais.” Apenas recentemente com o seu grupo Participação ativa na esfera cultural “ Penso que nao … hum, posso considerar apenas uma coisa se calhar. Estive durante 2 ou 3 anos envolvida num grupo de dança, que fazia demonstrações de dança em varios es Papel atribuído à cultura “ Hum neste ponto a cultural é fundamental na minha vida. Estou constantemente com pessoas que trabalham muito na área das artes e cultura, desde de designers e artistas plásticos. Posição face ao investimento cultural “Caramba! o que há falta no nosso país é precisamente aposta na área da cultura e penso que o nosso país tem imenso potencial. Devia-se conjugar mais o turismo com a arte por Posição face à divulgação cultural “ o que há falta no nosso país é precisamente aposta na área da cultura e penso que o nosso país tem imenso potencial. Hum eu considero que cada dos espaços culturais tenta proporcionar uma boa Posição face à democratização cultural Hum eu acredito que em Portugal nos centros mais desenvolvidos que o raio já esteja mais alargado e cada vez mais alargar-se mais. Hum o problema está mesmo quando nos dirigimos Posição face aos preços praticados na esfera cultural “ Em grande maioria dos museus são caros, mas existem alguns que são mais baratos como por exemplo este museu de Penafiel, mas também porque é municipal. Depois há sempre galerias que são 2.2.5 – Grelha de análise vertical do entrevistado nº3 Background Cultural Simbólica arte ou mesmo patrimonio… não tenho memórias disso.” a sociedade portuguesa (...)” ; “ O que a minha mãe gostava muito e ainda gosta hoje em dia, é de cantar fado, principalmente Amália Rodrigues” paços, desde do pavilhão municipal ao auditorio municipal. De resto nada mais de significativo. Portanto inevitavelmente isto afecta o meu modo de ver estes temas. Hum cada vez sinto-me mais próxima e a quer apostar o desenvolvimento profissional e pessoal na cultura.” exemplo, não haver só aposta em festivais para garantir rentabilidade das empresas. “ divulgação, hum quando pensam em eventos ou em atividade que fazem todo o seu esforço que conseguem para obter resultados positivos. Hum penso que a questão será a dificuldade de conseguirem reunir patrocínios ou mecenas que apostem nesses espaços e atividades para a divulgação mais para o interior e o raio diminui-se. e com custos de deslocação cada vez mais caros e os preços de maior parte dos museus dessas localidades serem alguns elevados também dificulta o alargamento.” pre espaços abertos ao público. Hum como acontece na rua Miguel Bombarda no Porto e ainda aqui em Penafiel a Galeria Gabinete.” 112 ser mais alargada e forte. Hum portanto nesse sentido, sim elas deveriam de ter mais visibilidade, não tem por muitas das vezes hmmm haver um constrangimento financeiro que não os permitem ter todos mecanismos necessários para atingirem diversos públicos.” 113 Sintese Background cultural associado mais ao nível da área da musica, cinema e televisão. Relativamente à área do património ou arte, a entrevistada não tem referencia. Temas reflectidos em família como anteriormente a entrevistada referiu, pelos temas da musica, cinema e televisão. Por parte da sua mãe uma das referencias dadas é a Amália Rodrigues. Apenas recentemente com o seu grupo de pertença é que entrevistada começou a visitar e integra-se em eventos culturais. Envolvimento durante 2 ou 3 anos num grupo de dança. Sem indicação de algo mais de significativo na área cultural. Atualmente com aposta no desenvolvimento pessoal e profissional na área da cultura. Referencia que no seu grupo de pertença encontram-se indivíduos da área do design e artes plásticas. Considera que a junção da arte e turismo poderia rentabilizar a área da cultura em Portugal Indicação na potencialidade de Portugal na área da cultura. Considera que a divulgação realizada pelos espaços culturais, é feita com muito esforço mas que as dificuldades que existem é ao nível financeiro. Neste sentido, este fator torna-se num impedimento à abrangência do publico. Problematização da litoralização relativamente à democratização cultural em associação também com a questão dos preços das entradas dos museus do interior do Pais. Indicação do Museu Municipal de Penafiel é um museu com um preçário pouco elevado, com mais acessibilidade nesse aspeto. Indicação também de vários espaços culturais abertos ao público. O exemplo dado da rua Miguel Bombarda no Porto e a Galeria Gabinete em Penafiel. 114 115 Dimensão Categoria Citação Receção e fruição culturais na infância e adolescência “Sim… (pausa) tinha sim… era uma prática bastante comum lá em casa… As nossas saídas em família eram muitas das vezes no sentido de visitar esse tipo de espaços… “ Abordagem da temática cultural em contexto familiar “Sim… inevitavelmente sim (risos) quer ao nível do tema cultura como da arte… (pausa) é obvio que não era um assunto do qual se falasse todos os dias, mas posso dizer que eram temas Partilha cultural e fruição cultural junto do grupo de pares Não (pausa) curiosamente não… com os amigos não tinha por hábito frequentar espaços culturais humm… (pausa) era essencialmente com a família. Como já lhe tinha Participação ativa na esfera cultural “Não… não… de todo… apesar de desde sempre gostar de visitar espaços culturais e de o fazer com relativa frequência num tive uma participação ativa em atividades ligadas à Papel atribuído à cultura “Humm… (pausa) a cultura sempre teve um papel importante na minha vida. Foime incutido pelos meus pais desde cedo o gosto por diversas áreas culturais, bem como a importância Posição face ao investimento cultural “Sim, principalmente de modo a que todos pudessem usufruir da mesma, tanto a nível de exposições como de teatro, musica, etc. (pausa) penso que não se aposta muito na facilidade de acesso à Posição face à divulgação cultural “Pois… (pausa) Penso que há uma boa divulgação dos mesmos, o que provavelmente não existe é capacidade monetária por parte das famílias para frequentar os mesmos… Posição face à democratização cultural “Sim, sim… (pausa) concordo plenamente com essa postura… até porque em algumas zonas a escolha é bastante limitada ou quase nula… Para além disso, como já tinha dito a Posição face aos preços praticados na esfera cultural “Hummm (pausa) quanto a isso eu penso que apesar de existir espaços culturais com preços mais acessíveis, na minha opinião a generalidade dos preços é um pouco elevada, o 2.2.6 – Grelha de análise vertical do entrevistado nº4 Background Cultural Simbólica abordados com muita frequência lá em casa..” dito era frequente os passeios de família tornarem-se em visitas culturais (risos).” cultura (pausa) nunca se proporcionou… não sei… mas a verdade é que a minha relação com a cultura é unidirecional… (risos) consumo cultura mas nunca contribui ativamente para a sua produção.” da mesma no nosso enriquecimento enquanto indivíduos. Ora bem, acho que posso dizer que é muito importante para mim.” cultura para todos (pausa) neste momento acho que a cultura não está ao alcance de todos… e deveria estar na minha opinião!” humm … logo a divulgação só por si não basta.” Considera que existe uma boa divulgação cultural. Contudo aponta as dificuldades monetárias das famílias como entrave à participação cultural, não obstante a sua divulgação. cultura continua a estar ao alcance apenas de alguns… humm… seja pela alocação dos espaços em determinados locais, seja pelo investimento financeiro que requer.” que limita o acesso aos mesmos.” 116 Sintese A visita a museus e espaços culturais constituía uma prática familiar frequente na infância/adolescência. Os temas da cultura e da arte eram frequentes no seio familiar. A prática de atividades culturais não era vivenciada junto do grupo de amigos. A relação com a cultura prende-se exclusivamente com a sua fruição não tendo papel ativo na produção da mesma. Papel central da cultura, incutido desde cedo, na vida e no enriquecimento enquanto individuo. Defende o investimento na cultura nas suas diversas vertentes de modo a torna-la acessível a todos. Considera que existe uma boa divulgação cultural. Contudo aponta as dificuldades monetárias das famílias como entrave à participação cultural, não obstante a sua divulgação. Defende a democratização da cultura e o seu alargamento geográfico e também no que se refere à diversidade de públicos. No que se refere aos preços, considera que, não obstante a existência de espaços culturais em que estes são acessíveis, na generalidade os preços são elevados. 117 Sintese Na infância não tinha por hábito visitar museus/espaços culturais, fazia-o apenas através da escola, mas assistia a concertos com os pais. Na adolescência visitava exposições por iniciativa própria Em casa os temas recorrentes eram a música e o cinema. O incentivo à leitura estava igualmente presente. A visita a museus e espaços culturais não era prática comum com os grupos de pertença, ocorrendo apenas pontualmente Nunca fez parte de nenhuma associação cultural mas fazia parte do círculo de indivíduos ativos, tendo desenvolvido atividades de cariz cultural nas associações de estudantes das quais fez parte Apreende a cultura como a parte positiva da sua vida, presente em todas as coisas, funcionando como entretenimento e catarse para as fases menos boas. Defende um maior investimento na cultura, tanto por parte do governo como da nação, enquanto baluarte da nossa identidade. Defende que o não investimento na cultura resulta tanto na perda de identidade como de desenvolvimento humano. Defende a existência de uma divulgação maior e mais eficaz da cultura. Na sua perspetiva é dada uma maior visibilidade e espaço público à cultura de banalidades, àquela que menos mérito tem. Defende a democratização cultural na medida em que permite aos jovens aceder a cultura na verdadeira aceção do termo ao invés de acederem apenas a conteúdos de qualidade duvidosa. No que se refere aos preços defende que existem situações de desajuste, alguns conteúdos, tais como o cinema são acessíveis, no entanto o teatro por exemplo continua a implicar um esforço financeiro superior. 124 Dimensão Categoria Citação Receção e fruição culturais na infância e adolescência “Sim, ía pelo menos duas vezes por ano. Hum Desde de visitas aos monumentos históricos do nosso pais, como o Jerónimos, Castelo de Guimarães, o Palácio da Pena e também idas Abordagem da temática cultural em contexto familiar “ Sim, sempre. Principalmente sobre a área da arquitectura visto que o meu pai trabalhava na construção civil e falava muitas vezes em projectos para construção. Obrigatoriamente relacionado com a arquitectura, o meu Partilha cultural e fruição cultural junto do grupo de pares “Apenas nas viagens de estudo enquanto crianças, agora sim é mais comum. No liceu havia grande tendência de quase todos anos ir a Serralves e ver peças de teatro, mesmo em Lousada, Participação ativa na esfera cultural “ Sim, enquanto aluna da Universidade de arquitectura, participei em varias actividades culturais. Organizávamos visitas a museus, galerias de arte, tertúlias e exposições abertas ao Papel atribuído à cultura “ A cultura e fundamental para desenvolvimento pessoal. No meu acaso não foi diferente, serviu e serve como forma de aprendizagem e de diferenciação social. Definiu a minha Posição face ao investimento cultural “ O apostar na cultura não significa que ela seja absorvida pela população. Tem que ser um processo intrínseco e que parte de cada um, querer ou não querer desenvolver. Mas sim, apostar Posição face à divulgação cultural “ Nalguns casos penso que sim.” Posição face à democratização cultural “ Esse tipo de esforços nunca são demais!!! hum Porque é notório que o alcance da cultura é reduzido.” Posição face aos preços praticados na esfera cultural “ Em alguns espaços os preços são um pouco elevados, no entanto temos que ter em conta que são sempre precisos cuidados de manutenção dos próprios espaços, logo a única forma é 2.2.9 – Grelha de análise vertical do entrevistado nº7 Background Cultural Simbólica 125 ao teatro mas também lá fora, ao Prado ou Rainha Sofia e mesmo o Louvre em Paris ou o Tate em Londres. Relativamente a apreciar a Arte eu e os meus irmãos mais novos tivemos grande apoio dos meus pais nesse sentido.” pai sempre falava em termos contacto com a Arte e outras áreas culturais para ajudar também a ter uma visão mais criativa dos seus projectos e construções. Do lado da minha mãe tinha e ainda tem grande interesse pela Moda, as tendências de cada estação e andava sempre a par de desfiles e de colecções nas melhores lojas. relacionadas com a material da disciplina de Português.” publico dos nossos trabalhos.” própria identidade. na cultura nunca é demais!!!!! mesmo uma taxa de entrada, que na maioria dos casos nao serve por si só para a sobrevivência dos mesmos. “ 126 Sintese anto dentro do pais como fora do pais existia uma inculcação por parte dos seus pais na ida a espaços culturais e em incentivar o interesse com essas áreas. Na interacção com a família, a entrevistada remete para uma distinção de áreas entre o seus pais. Com seu pai havia uma relacionamento mais direccionado para a área da Arte e Arquitectura devido à sua profissão e enquanto com a sua mãe a interacção enquadrava-se nas tendências da Moda. (que de facto é também uma vertente da Arte e cultura) Participação em tempos escolares a visitas por exemplo a Serralves e a peças de teatro educativas que decorriam em Lousada. Em periodo universitário a entrevistada afirma ter participação em organização de visitas a museus, galerias de arte, tertúlias e exposições abertas ao público para apresentação dos seus trabalhos. Para a entrevistada a cultural foi fundamental para seu desenvolvimento pessoal e identitário. Considera ainda que a cultural também um processo de diferenciação social. Consciência por parte da entrevistada que a cultura não é absorvida imediatamente pelos indivíduos, apenas porque esta existe. Por outras palavras, não é por haver aposta em eventos culturais que o raio de alcance dos públicos vai ser aumentado. Contudo, considera que mesmo assim é necessário uma aposta. Sem sucesso de desenvolvimento desta questão. Constatação de que o alcance da cultura aos diversos públicos é de facto reduzido e que deveria haver um maior esforço para o alargar. Justificação dos preços elevados devido aos custos de manutenção dos espaços e para permitir a sobrevivência dos próprios espaços. 127 Dimensão Categoria Citação Receção e fruição culturais na infância e adolescência “Humm… ora bem … (pausa) na minha infância costumava ir visitar museus e espaços culturais com os meus pais e também através da escola, nas visitas de estudo… ehhh… na adolescên Abordagem da temática cultural em contexto familiar Sim… sobretudo cinema e arte … humm (pausa) nos serões em família esses eram temas que abordávamos com alguma frequência sim… ahh… mas não sempre.” Partilha cultural e fruição cultural junto do grupo de pares “Humm… (pausa) não posso dizer que fosse uma prática comum, mas sempre que havia algum evento que tínhamos interesse comum em ver ou então algum espaço cultural a visitar… sim, nessas Participação ativa na esfera cultural Olhe isso não… (fica pensativo) de fato gostaria de ter tido um envolvimento mais ativo, mas nunca o fiz (pausa) humm… tenho pena mas não.” Papel atribuído à cultura “(pausa) O papel da cultura na minha vida? Humm… a cultura cresceu comigo… ahh… ou melhor eu cresci com ela… e esteve sempre presente na minha vida pelo que posso dizer-lhe Posição face ao investimento cultural “Penso que sim… (pausa) apostar na cultura é uma forma de apostar no potencial humano, de prestigiar o que de bom é feito no nosso país e de o divulgar, de dar conhecimento disso aos portugueses Posição face à divulgação cultural “Sim, deveriam! Digo isto porque tenho ideia que nem todas as pessoas têm conhecimento do que se passa na esfera cultural e por vezes não usufruem dessa mesma cultura não porque não Posição face à democratização cultural “Sim… sim… (pausa) humm… como lhe disse penso que a cultura infelizmente ainda não chega a todos pelos mais variados motivos dai que se podermos colmatar essa falhas e fazer com Posição face aos preços praticados na esfera cultural “Ora bem… humm… na minha opinião de um modo geral os preços são relativamente acessíveis, havendo mesmo espaços em que a entrada é gratuita pelo menos em determinados 2.2.10 – Grelha de análise vertical do entrevistado nº8 Background Cultural Simbólica 128 cia fazia-o já mais por iniciativa própria quando me interessava visitar algum local (pausa) ou algum evento cultural…” alturas os amigos iam comigo… (pausa) íamos todos juntos, não é? (risos).” que tem um papel muito importante na minha vida (pausa) cada vez mais importante!” e além-fronteiras.” possam ter acesso a ela mas simplesmente porque a desconhecem (pausa) por isso sim, a aposta na divulgação cultural é a meu ver um passo muito importante no qual se deve apostar.” que a cultura seja mais abrangente em termos de públicos… (pausa) porque não?” horários ou dias… mas (pausa) existem franjas culturais às quais o acesso é ainda limitado exatamente pelos preços praticados que afastam desde logo um público potencialmente fruidor.” 129 Sintese A visita a museus e espaços culturais constituía uma prática familiar e escolar frequente na infância e também na adolescência, aqui já de uma forma mais autónoma. Os temas do cinema e da arte eram frequentes no seio familiar. A prática de atividades culturais apenas era vivenciada junto do grupo de amigos aquando a existência de um evento ou espaço cultural de interesse comum. A relação com a cultura prende-se exclusivamente com a sua fruição não tendo tido um envolvimento ativo em atividades culturais. Papel central da cultura ao longo do percurso de vida, tendo uma importância crescente. Defende o investimento na cultura enquanto aposta no potencial humano e de prestigio e divulgação da produção cultural nacional aquém e além fronteiras. Considera que se deveria apostar na divulgação cultural de modo a permitir o conhecimento cultural a todos os indivíduos de modo a que todos possam usufruir da mesma. Defende a democratização da cultura e a colmatação das falhas que a impedem de chegar a todos. No que se refere aos preços, considera que, não obstante a existência de espaços culturais em que estes são acessíveis, existem determinadas áreas culturais que continuam, devido aos preços praticados, impedem o seu acesso generalizado. 130 131 Receção e fruição culturais na infância e adolescência Entrevista 1 “ (...) os meus pais ao fim-de-semana levavam-me a mim e à minha irmã a visitar museus… humm… exposições.. (...) “ ; “ (...) conhecer outras regiões do país e então os meus pais aproveitavam sempre para visitar o património cultural dessas mesmas Entrevista 2 “Os meus pais nunca tiveram por hábito visitar museus ou outros espaços culturais pelo que com eles não me lembro de visitar esse tipo de espaços, porém lembro-me que através de visitas de estudo escolares, por intermédio de outros familiares e Entrevista 3 “De que me recorde o que mais custumava ver era filmes e series com os meus irmaos e tambem tinha muito acesso a música (hummm) mas ir a museus ou algum sitio que tivesse arte ou mesmo patrimonio… não tenho memórias disso.” Entrevista 4 “Sim… (pausa) tinha sim… era uma prática bastante comum lá em casa… As nossas saídas em família eram muitas das vezes no sentido de visitar esse tipo de espaços… “ Entrevista 5 “ Sim, em viagens com família (pausa) com o pai, mãe, irmãos, avô e avó… humm… visitava museus e património na área da Grande Lisboa principalmente (pausa) mas também noutras cidades do país como Braga, Porto, Guimarães, Entrevista 6 “ Hummm… não tinha esse hábito, mas por vezes visitava museus com a escola (pausa) Ou então via concertos com os meus pais. Na adolescência ia por iniciativa própria visitar exposições que me interessavam.” Entrevista 7 “ Sim, ía pelo menos duas vezes por ano. Hum Desde de visitas aos monumentos históricos do nosso pais, como o Jeronimos, Castelo de Guimaraes, o Palacio da Pena e também idas ao teatro mas tambem lá fora, ao Prado ou Rainha Sofia e mesmo o Entrevista 8 “Humm… ora bem … (pausa) na minha infância costumava ir visitar museus e espaços culturais com os meus pais e também através da escola, nas visitas de estudo… ehhh… na adolescência fazia-o já mais por iniciativa própria quando me interessa Sintese Na sua maioria os entrevistados tinham por hábito na adoslecencia/ infancia visitar museus ou espaços culturais nomeadamente com a familia, em contexto escolar ou até idas a museus por iniciativa propria. 2.2.11 – Grelha de análise horizontal das entrevistas ao público(s) Abordagem da temática cultural em contexto familiar terras… Como eles diziam, era uma forma de conciliarmos o lazer com a cultura…” “ (...) o meu pai adorava pintar, embora não o fizesse profissionalmente… a minha mãe é amigos, visitei alguns museus, monumentos a nível nacional, idas a teatros, espetáculos etc.” “Sim, Cultura no seu geral sim, até porque penso que é um tema inerente a grande parte “Hum basicamente os temas de conversa em família sempre passou pela musica, cinema e “Sim… inevitavelmente sim (risos) quer ao nível do tema cultura como da arte… (pau Coimbra. “ “ Ahhh… muito pouco ou pontualmente… não eram temas abordados com muita frequência.” “ Pausa) em casa? em casa falavamos muito de música e cinema… e os meus pais sempre Louvre em Paris ou o Tate em Londres. Relativamente a apreciar a Arte eu e os meus irmaos mais novos tivemos grande apoio dos meus pais nesse sentido. (sorri)” “ Sim, sempre. Principalmente sobre a área da arquitectura visto que o meu pai trabalhava na va visitar algum local (pausa) ou algum evento cultural…” Sim… sobretudo cinema e arte … humm (pausa) nos serões em família esses eram temas Os temas da arte e da cultura eram frequentes no seio da familia da maioria dos individuos. 132 uma cinéfila inveterada e amante de teatro… logo, como deve imaginar esses eram temas recorrentes lá em casa…” ; “ (...) ah, e já para não falar na música… essa sempre foi uma constante… (pausa) lá em casa sempre se estimulou o raciocínio critico e o debate pelo das conversas, porém nada de específico, apenas mais sobre música porque era de facto o que a nível cultural a minha mãe mais preenchia o tempo.” televisão.” ; “ A minha mãe gostava e gosta de Revista o teatro revista por causa das piadas sobre a sociedade portuguesa (...)” ; “ O que a minha mãe gostava muito e ainda gosta hoje em dia, é de cantar fado, principalmente Amália Rodrigues” sa) é obvio que não era um assunto do qual se falasse todos os dias, mas posso dizer que eram temas abordados com muita frequência lá em casa..” me direcionaram para a leitura, os melhores presentes de aniversário eram os livros.” construção civil e falava muitas vezes em projectos para construção. Obrigatoriamente relacionado com a arquitectura, o meu pai sempre falava em termos contacto com a Arte e outras áreas culturais para ajudar também a ter uma visão mais criativa dos seus projectos e construções. que abordávamos com alguma frequência sim… ahh… mas não sempre.” 133