As Empresas Petrolíferas e os Novos Desafios do Mercado Energético: Uma Proposta de Indicadores de Padrão de Comportamento
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FACULDADE DE ECONOMIA DA UNIVERSIDADE DO PORTO Mestrado em Economia e Gestão do Ambiente AS EMPRESAS PETROLÍFERAS E OS NOVOS DESAFIOS DO MERCADO ENERGÉTICO: UMA PROPOSTA DE INDICADORES DE PADRÃO DE COMPORTAMENTO Por Leonor Brito Sainhas de Oliveira Dissertação para a obtenção do Grau de Mestre em Economia e Gestão do Ambiente Orientada por: Professora Doutora Maria Isabel Rebelo Teixeira Soares Porto 2012
i Breve Nota Bibliográfica Leonor Brito Sainhas de Oliveira, nascida em Lisboa a 26 de Novembro de 1986. Licenciada pelo Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE), em Finanças e Contabilidade, com média final de 14 valores. No fim da licenciatura, a autora tentou implementar no mercado português um projecto-piloto, com a ajuda de elementos do Audax e com alguns dos seus colegas de projecto, no ramo do transporte – táxi colectivo. No quadro do desenvolvimento do projecto atrás referido, a autora sentiu necessidade de aprofundar os seus conhecimentos na área da energia e ambiente, optando, apesar da distância, pela Universidade do Porto, prescindindo de outras opções mais próximas. Entretanto, no plano profissional, a autora passou por várias experiências de duração limitada, designadamente na área da sustentabilidade e da inovação.
iii Agradecimentos À minha orientadora, Professora Doutora Isabel Soares, por toda a disponibilidade e acompanhamento prestado ao longo do desenvolvimento desta dissertação e por ter tornado mais próxima a distância entre Lisboa e Porto. Ao meu pai, pela incansável dedicação e por todos os conselhos amigos e sábios que me prestou ao longo deste trabalho. Aos amigos, Filipe Boucinha e Pedro Nuno Pacheco, pela sua disponibilidade e apoio, sem os quais teria sido difícil chegar a bom porto no tratamento dos dados empíricos. Ao amigo, Carlos Guerreiro, pela ajuda e paciência com os desafios da formatação. À minha família, especialmente pais e irmã, por todo o apoio que me têm dado ao longo das diversas fases da minha vida, e à confiança que depositaram em mim, sem a qual não conseguiria chegar até aqui. Ao Luís Pedro Pereira, pela inesgotável paciência, ânimo e alegria que me motivaram a concluir este trabalho. Aos meus amigos, pela energia que me transmitiram. Aos meus colegas de mestrado, pela partilha de conhecimento e por contribuírem para o bom ambiente de trabalho. Leonor Brito Sainhas de Oliveira
v Resumo O objectivo genérico desta dissertação é analisar o sector do petróleo e do gás, focando especialmente as empresas petrolíferas europeias, no sentido de identificar padrões de comportamento num universo em que existe uma forte assimetria de escala. Para tal, optámos por trabalhar sobre os rácios económico-financeiros mais significativos na análise financeira, seleccionados segundo a metodologia desenvolvida no estudo. Estudaram-se também as variáveis que expressam as dinâmicas desses rácios relativas ao período bipolar de 2004 a 2010. Complementarmente, tomaram-se os 10 grandes riscos identificados pela Ernst & Young para o sector, procurando desenvolver-se para cada um, processos de quantificação que acrescentassem valor explicativo ao trabalho de padronização das empresas de petróleo e de gás. No trabalho desenvolvido, a preocupação central da autora foi a de encontrar elementos facilitadores de uma auscultação prospectiva da relevância que as empresas do sector, ou de alguma classe desse universo, têm ou podem ter no desenvolvimento das novas energias e do mercado energético, dada a importância crescente destas com a área de negócio. Julgamos que esta dissertação poderá contribuir para preencher uma grave lacuna de informação disponível. Palavras-Chave: Análise do sector petrolífero, mercado energético, petróleo, alterações climáticas, análise do risco, rácios financeiros.
vii Abstract The general goal of this assignment is to analyze the oil and gas sector, aiming particularly the European oil companies, in order to identify behavior patterns, in a panorama in which dwells a strong scale contrast. Therefore, we chose to work with the most significant economic-financial ratios of the financial analysis, selected accordingly with the methodology developed during this assignment. Also, we studied the variables that express the ratio’s dynamics, relative to the bipolar period from 2004 to 2010. Withal, we took the 10 greatest risks of the sector, identified by Ernst & Young, and we attempted to develop, for each one of them, quantification processes that would add explanatory values on the patronization work from oil and gas companies. Throughout this assignment, the authoress intends primarily to identify the elements that help the prospective examination of the relevance that companies have, or may have, in the development of alternative energy, acknowledging its growing importance with the area of business. We believe that this dissertation may contribute to fill a severe gap of information currentry available. Key Words: oil & gas industry analysis; energy market, oil, climate change, risk analyse, financial ratios.
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xv Nomenclatura APEP – Associação Portuguesa de Empresas Petrolíferas IEA – International Energy Agency CF – Cash Flows CP – Capital Próprio DF – Demonstrações Financeiras DR – Demonstração de Resultados EBIT – Earnings Before Interest & Tax EBITDA – Earnings Before Interest, Taxes, Depreciation & Amortization ER – Energias Renováveis GAAP EUA – United States’s Generally Accepted Accounting Principles GEE – Gases de Efeito Estufa GN – Gás Natural GNL – Gás Natural Liquefeito IOC – International Oil Company I&D – Inovação e Desenvolvimento NCRF /IRFS - Normas Contabilísticas e de Relato Financeiro / International Results Financial System NOC – Nacional Oil Company OCDE - Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico OPEP - Organização dos Países Exportadores de Petróleo POC – Plano Oficial de Contabilidade RL– Resultado Líquido ROA – Return on Assets ROE – Return on Equity bbl – barris de petróleo bblpd – Barris de petróleo por dia boe – barril oil equivalent p.p. – pontos percentuais usd – United States dollar
1 1. Introdução 1.1. Enquadramento e Motivação O percurso académico que fui definindo trouxe-me até aqui. A minha opção por uma licenciatura em Finanças teve por base a minha preferência adquirida por áreas temáticas mais quantitativas. Fui, ao longo da licenciatura, progressivamente encontrando linhas de interesse por temas mais abertos aos desafios que se colocam às pessoas nas sociedades modernas, de modo mais imediato, os relacionados com os equilíbrios financeiros das empresas, passando aos grandes constrangimentos financeiros que hoje se colocam ao País e, genericamente, à economia global. Nessa minha caminhada fui aos poucos percebendo que mesmo alguns problemas micro só têm solução efectiva numa escala macro. Foi assim que, no final da minha licenciatura procurei informar-me o mais que pude sobre a Universidade que melhor me poderia preparar para procurar entender os problemas nessa nova escala. E foi assim que seleccionei a Faculdade de Economia do Porto e o Mestrado em Economia e Gestão Ambiental. 1.2. Objectivo Com este estudo pretende-se desenvolver uma metodologia para análise económicofinanceira das empresas petrolíferas europeias e, ao mesmo tempo, potenciar uma visão prospectiva das dinâmicas inovadoras das empresas face ao mercado energético. 1.3. Estrutura da Dissertação O presente estudo encontra-se organizado em 6 capítulos. Neste capítulo é feita uma breve introdução que engloba o motivo que me levou a desenvolver este tema de dissertação, bem como o seu enquadramento e os seus objectivos. No Capítulo 2 apresenta-se um breve enquadramento histórico do mercado petrolífero e faz-se uma análise sintética à problemática das novas energias, como parte integrante da solução para o sector energético. Por sua vez, no Capítulo 3 são seleccionados as variáveis a analisar no estudo e os instrumentos e metodologias para o realizar. O Capítulo 4 é
Capítulo 1: Introdução 2 dedicado à análise dos riscos, privilegiando os identificados pela Ernst & Young para o sector petrolífero. No Capítulo 5 são analisados e discutidos os dados recolhidos segundo duas metodologias centradas, respectivamente no coeficiente de variação dos rácios económico-financeiros e na ponderação dos riscos da Ernst & Young. Por fim, a Conclusão – Capítulo 6, onde se apresentam as principais conclusões. Dada a utilização comum dos termos anglo-saxónicos dos rácios financeiros, não se procedeu, na generalidade dos casos, à sua tradução. Este estudo é ainda redigido segundo o anterior acordo ortográfico.
3 2. O Mercado de Petróleo na Literatura 2.1. Mercado do Petróleo A indústria petrolífera surgiu em Agosto de 1859 com a abertura do primeiro poço de petróleo por parte de Edwin L. Drake, na Pensilvânia. Na época, havia a ideia que o crude poderia ser obtido em grande escala e em quantidades ilimitadas (Kunstler, 2005) e (Hamilton, 2011). Mas só no século XX o petróleo passou a ter grande importância na economia (Hamilton, 2010). A história do preço do petróleo é assinalada por uma enorme volatilidade. A variação da procura e da oferta, as sucessivas medidas tomadas pela OPEP 1 , a evolução dos quadros geopolíticos 2 , estão entre os principais factores que originaram esse comportamento (Williams, 2011). A geopolítica da energia, que o mesmo é dizer, do petróleo define-se, genericamente em três ciclos: a) De 1950 a 1970, o primeiro ciclo, caracteriza-se por ser o que poderíamos designar por idade de ouro (Milberg & Winkler, 2009). Nesta fase, a energia era barata (Pfister, 2010). Porém, e apesar disso, este período não foi isento de flutuações de preços. Com efeito, o primeiro grande aumento dos preços do crude registou-se em 1948 - 75%- devido a um crescimento de 12% na procura. Mas os preços estabilizam a partir de 1950 até 1957 quando se deu a Guerra do Suez. Esta guerra causou uma diminuição da produção 1 OPEP – Organização dos Países Exportadores de Petróleo – Organização Intergovernamental, criada na Conferência de Bagdad, em Setembro de 1960 (OPEC, 2012). Tema desenvolvido no ponto 2.2. do presente estudo. 2 A geopolítica é a disciplina que estuda as relações entre territórios. Esta disciplina tem como variáveis a geografia, a evolução demográfica, a história dos países, o poder económico, financeiro, tecnológico, político e diplomático e o impacto que as matérias-primas dos países têm a nível nacional e internacional.
Capítulo 2: O Mercado de Petróleo na Literatura 4 petrolífera nos países do Médio Oriente, região de onde provinham dois terços do petróleo consumido na Europa que, na sequência do conflito, entrou numa recessão económica (Hamilton, 2010). A Crise do Suez, em 1956-1957 foi causada pela nacionalização do Canal do Suez pelo Egipto, o que conduziu o Reino Unido e a França a encorajarem Israel a invadir aquele país (ver Gráfico 1). b) Foi entre 1970 e os anos 90 que se viveu o segundo ciclo geopolítico da energia. Este período caracterizou-se pela incerteza, e pela ocorrência dos dois grandes choques petrolíferos (Lee et al., 2011.) Em 1970 os EUA atingiram o seu pico de produção e os países da OPEP passaram a ter o papel que anteriormente pertencia às “Sete Irmãs” 3 – capacidade de dominar o preço e a produção do petróleo (Williams, 2011), (Kunstler, 2005). Em 1971, vive-se o choque de Nixon, quando o presidente norte-americano Richard Nixon cancelou a conversão do dólar em ouro que, conjuntamente com outras medidas económicas, causaram o fim do sistema de Bretton Woods (Hamilton, 2010). Em 1973-74, o corte de abastecimento, relacionado com novas questões geopolíticas no Médio Oriente – Guerra do Yom Kippur – estiveram na origem do forte aumento do preço do crude – primeiro choque petrolífero (Ilie, 2006) e (Sill, 2007). Com efeito, a Guerra do Yom Kippur registou-se com a invasão por parte da Síria e do Egipto a Israel. Muitos países ocidentais quiseram aliar-se a Israel, que foram, por isso, sujeitos à retaliação através de um embargo petrolífero sobre estes países, por parte dos países da OPEP (Williams, 2011), ao mesmo tempo que aumentava o preço do petróleo em 70% para os países da Europa Ocidental (Kunstler, 2005). Entre 1974 e 1978 a variação de preços foi muito ligeira, até à revolução iraniana 4 . Esta revolução levou a que o Iraque registasse uma significativa descida da produção e consequentemente contribuísse para o aumento dos preços – segundo choque petrolífero. A rápida subida dos preços foi ainda agravada com a redução da produção 3 “Sete Irmãs” foi o nome dado às maiores companhias de petróleo que dominaram o mercado de petróleo até aos anos 60. O grupo das sete irmãs era composto por Standard Oil of New Jersey (Exxon), Royal Dutch Shell, Anglo Persian, Gulf, Texaco, Chevran, Mobil . 4 Revolução Iraniana deu-se em 1979 com o fim da monarquia autocrática que dá origem a uma república, impulsionada pelo Reino Unido e pelos EUA, com a ajuda do já impopular regime dos xás.
Capítulo 2: O Mercado de Petróleo na Literatura 5 de alguns países da OPEP, que o fizeram para estimular o mercado spot do crude (Kunstler, 2005). O aumento dos preços do petróleo no final dos anos 70 do século passado, causou um crescimento da exploração e produção de petróleo nos países não pertencentes à OPEP (Williams, 2011) e (Fattouth, 2011). No entanto, para agravar a alta dos preços, em 1980, o Iraque, fragilizado pela revolução, é invadido pelo Irão lavando a que os preços atingissem os maiores valores até então (Williams, 2011). Entre 1981 e 1986, assiste-se a uma profunda correcção dos preços do petróleo, devido à queda de consumo de petróleo. Esta diminuição de consumo surgiu com os desequilibrados padrões de crescimento que se faziam sentir nas diferentes regiões do Mundo. Os EUA, até 1983 foram dominados pela recessão, o Japão ainda a recuperar dos défices causados pelo segundo choque petrolífero, e a Europa ainda a viver numa política deflacionada, apresentava altas taxas de desemprego (Baeck, 1987). Para lutar contra a descida dos preços do petróleo, a Arábia Saudita diminui em três quartos a sua produção. No entanto, tal não foi suficiente para travar esta queda. O preço do crude passou de USD27 para USD12 por barril. Para tentar solucionar este problema a Arábia Saudita acabou por indexar o preço do seu petróleo com o aplicado no mercado spot, voltando a aumentar as suas quotas de produção. O preço do petróleo caiu ainda mais mas, através do aumento do volume de negócio, conseguiram manter as receitas (Williams, 2011) e (Fattouth, 2011). Os países produtores passaram a reger-se pelo preço netback 5 , levando a que os contratos de compra fossem transaccionados no mercado spot e de futuros (Mablo, 1987). Esta variação dos preços de petróleo de 1974 a 1987 é evidenciada no Gráfico 1. c) O terceiro ciclo geopolítico do período teve início em 1990 e perdura até aos nossos dias, de onde se destacam os seguintes momentos referenciadores: Em 1990-91 o Kuwait foi invadido pelo Iraque. A produção de petróleo desceu substancialmente e o medo que este conflito se estendesse à Arábia Saudita, levou a uma rápida subida dos preços (Williams, 2011) e (Kilian, 2009). 5 O preço da energia a montante passa a ser calculado a partir do preço dessa mesma energia a jusante, deduzindo os custos ocorridos entre o local de compra e o de venda, bem como a margem de benefício.
Capítulo 2: O Mercado de Petróleo na Literatura 6 Após o fim da Guerra do Golfo Pérsico, os preços do crude entraram em declínio, verificando-se em 1994 um preço ajustado inferior ao de 1973 ($/bbl 23,84 e $/bbl 23,94 respectivamente (Kilian, 2009), (ver Gráfico 1). A estabilidade da economia norte-americana, o crescimento económico da região Ásia-Pacifico e a diminuição da produção russa, contribuíram para a recuperação dos preços do petróleo. Porém, a bonança para os países produtores, acaba em 1997 com o início da crise na Ásia Oriental. A diminuição do consumo asiático, e o aumento das quotas de produção dos membros da OPEP causou nova descida dos preços (Williams, 2011). Nos anos 90 do século XX, apesar de todas estas oscilações, a Europa estava protegida. O petróleo do Mar do Norte era, de certo modo, um factor tranquilizador para a Europa (Kunstler, 2005). Os preços começaram a recuperar em 1999. A retoma do crescimento económico asiático, o aumento do consumo de petróleo em todo o mundo e a descida das quotas de produção da OPEP contribuíram para o aumento rápido do preço do crude até 2000 (Williams, 2011). O preço do petróleo volta a cair em 2000 com o enfraquecimento económico dos EUA, e com o aumento das quotas de produção dos países não-OPEP. Para lutar contra a descida de preços, tanto os membros da OPEP como os não-OPEP, desceram as quotas de produção. O suficiente para criar o efeito desejado (Williams, 2011). Em 2003, turbulência sociopolítica fez-se sentir na Venezuela, causando danos na indústria petrolífera. Por seu lado, o Golfo Pérsico entrou novamente em guerra e pouco depois os EUA invadem o Iraque. Todos estes eventos geopolíticos inflacionaram o preço do petróleo devido essencialmente à diminuição da produção (Williams, 2011). Em 2004 e 2005, o crescimento global levou a um aumento da procura, repercutindose num constante aumento dos preços. Em 2005, a produção deixa de conseguir acompanhar a procura. O notório crescimento económico asiático, o enfraquecimento do dólar, e as catástrofes naturais nos EUA contribuíram para a contínua inflação dos preços do crude (Williams, 2011). A instabilidade que se vivia no Iraque e na Nigéria foram factores que contribuíram para um maior agravamento do preço do crude. Em consequência das perturbações financeiras causadas pelo negócio hipotecário e da falência do grande banco de investimentos Lehman Brothers, os EUA entram numa
Capítulo 2: O Mercado de Petróleo na Literatura 7 enorme recessão em 2008, contagiando os países da Europa, gerando uma enorme especulação no mercado de futuros do crude. Os preços continuavam a subir (Williams, 2011). A depressão económica agravava-se, e só com a descida da procura daí resultante é que consegue inverter a tendência dos preços do petróleo (Bolton, 2012). Em 2009 a OPEP volta a cortar na produção, e com o forte crescimento económico asiático os preços voltam a inflacionar. Em 2011, os preços sofrem novo impulso na sequência da guerra civil na Líbia e do medo que estes conflitos se estendessem a outros países produtores do Médio Oriente (Gráfico 1), (Williams, 2011) e (Bolton, 2012). Gráfico 1: Preço do petróleo nominal e ajustado de 1947 a 2012 Fonte: Baseado em (InflationData, 2012) e (Williams, 2011) 2.2. OPEP A OPEP – Organização dos Países Exportadores de Petróleo, foi criada em 1960, pelo Irão, Iraque, Kuwait, Arábia Saudita e Venezuela, na Conferência de Bagdá no sentido de conseguirem unir forças contra o poder das “Sete Irmãs”. Mais tarde a OPEP cresce com a entrada do Qatar, Indonésia, Líbia, Emirados Árabes Unidos, Argélia, Nigéria, Equador, do Gabão e recentemente com Angola (2007). Actualmente, a OPEP é constituída por apenas doze países, com a saída do Gabão e da Indonésia. A Organização foi criada com o objectivo de aumentar as receitas dos países membros, a fim de promover o seu desenvolvimento e, assegurar um aumento gradual do controlo sobre a produção do petróleo. Hoje em dia, a OPEP coordena e unifica as políticas petrolíferas dos países que a incorporam (OPEC, 2008).
Capítulo 3 : Metodologia 14 Apesar da grande utilidade das DF publicadas por cada empresa, os resultados podem não ser comparáveis, os métodos de cálculo podem divergir de empresa para empresa. Assim, as DF devem ser analisadas pelo método NCRF/ IRFS (Normas Contabilísticas e de Relato Financeiro/ International Results Financial System) ou pelo método GAAP EUA (United States’s Generally Accepted Accounting Principles), métodos de harmonização de normas contabilísticas. No entanto, como é o exemplo da Galp, até 2010 (exclusive) os métodos de cálculo das suas DF podiam-se reger pelo Plano Oficial de Contas português (POC), uma vez que as normas IFRS só foram obrigatórias 9 em Portugal a partir desse mesmo ano. Para contornar, de alguma forma, estas limitações, os valores avaliados foram retirados, como já se referiu, de uma base de dados conjunta (Amadeus), de forma a garantir que o método de cálculo fosse o mais homogéneo possível. A utilização de rácios, contrariamente às variáveis absolutas, permite fazer comparações entre empresas com diferentes especificações e assim delinear um perfil do desempenho das empresas num contexto quantitativo, por diferente que seja a escala em que funcionam. Esta abordagem permite ainda o desenvolvimento de uma análise mais objectiva e sintetizada. Dado que este trabalho visa analisar as variáveis utilizadas pelas empresas, nomeadamente o investimento em energias alternativas e a diversificação dos seus portfolios de linha de negócio como forma de minimizarem as suas exposições ao risco, o estudo procura, assim, focalizar-se na análise a um vector de rácios económicofinanceira, onde se pondera os aspectos de rendibilidade, de financiamento, de estrutura financeira e operacional das empresas, deixando de fora as variáveis mais ligadas à liquidez. Os rácios de liquidez, apesar de virem a ser considerados nos modelos de exclusão de rácios, seguidamente explicados, não foram analisados, uma vez que se pressupõe que o investimento em energias alternativas não tem influências nos resultados das empresas no curto prazo. Uma vez que os dados para comparar as empresas são retirados da base de dados “Amadeus” e esta não apresenta, no sentido contabilístico estrito, as contas individuais das empresas, houve rácios, como é o caso de alguns rácios de risco, de dinâmica, técnicos, etc., que numa fase posterior do trabalho, foram considerados a partir dos 9 obrigatoriedade resulta do (Diário da República, 2009).
Capítulo 3: Metodologia 15 valores directamente apresentados pelas DF das empresas e, por isso, avaliados os dados também referentes a 2011. Neste caso, todo o processo é devidamente identificado em anexo. Métodos utilizados para a escolha dos rácios a analisar No primeiro método utilizado para a escolha das variáveis a integrar no estudo, analisou-se a correlação entre um leque de rácios económico-financeiros, pelo modelo de Pearson 10 . Esta análise permitiu avaliar a relação dos rácios entre si, dentro da mesma empresa. No entanto, após a análise de dados constatou-se que os rácios estavam, na sua maioria, muito correlacionados, não permitindo retirar conclusões muito objectivas sobre que rácios escolher para análise. Para continuar a procurar a resposta a esta necessidade, desenvolveu-se um segundo método a partir dos coeficientes de variação. Este método consistiu em avaliar os rácios segundo duas orientações: uma abordagem cross section e uma abordagem cronológica. A análise cross section estudou o comportamento dos coeficientes de variação de um dado rácio, num determinado ano, de todas as empresas em estudo, acabando assim por representar o estudo sectorial. Já a análise cronológica avaliando o comportamento dos rácios numa óptica temporal, foca-se apenas no desempenho de uma empresa, podendo, no entanto, fazer-se a comparação de um dado rácio, ou de um conjunto de rácios, de empresa para empresa. ∑ √ ∑( ) 10 Modelo de Pearson é um método de cálculo estatístico, que determina os coeficientes de correlação, numa determinada amostra (r) e define quais os graus de significância atribuída a esses mesmos coeficientes. (3.1) (3.2) (3.3)
Capítulo 3 : Metodologia 16 Onde, , é o número de dados denotados por , onde Tabela 1: Exemplo de cálculo para o método do coeficiente de variação *- Média dos coeficientes de variação obtidos pela análise cronológica **- Média dos coeficientes de variação obtidos pela análise cross section Após a elaboração desta tabela (Tabela 1) para cada um dos rácios, através das equações (3.1), (3.2) e (3.3) e dos dados fornecidos pela base de dados “Amadeus”, progrediu-se para a composição da Tabela B.3.1, no Anexo B.3. Os critérios utilizados na escolha dos rácios para desenvolver uma análise comparativa entre as empresas e entre estas e o comportamento geral do sector foram os seguintes: 1. Excluíram-se, à partida, os rácios cujo valor da coluna nº de células vazias (ausência dos dados correspondentes do mesmo número de empresas) seja diferente de zero. 2. Avaliaram-se os valores do modelo de variação cruzando os dados da análise cross section com os da análise cronológica – análise global: a. Analisaram-se os rácios cuja média do coeficiente de variação recolhido da análise cross section fosse menor que a média do coeficiente de variação da análise cronológica. Desta análise, se pode concluir que os rácios nestas condições explicam melhor o mercado (o sector) que a performance da empresa. Isto é, se o coeficiente de variação obtido pela análise cross section é menor que o coeficiente de variação encontrado pela análise cronológica ** *
Capítulo 3: Metodologia 17 quer dizer que, o rácio é mais sensível ao factor tempo, do que ao factor empresa. Assim, no âmbito deste critério, e para o domínio temporal de análise para que se reconhece mais eficácia, foram seleccionados os seguintes rácios: i. ROE; ii. ROA; iii. Stock Turnover; b. Por sua vez, analisaram-se os rácios cuja diferença entre a média do coeficiente de variação atribuído pela análise cross section e cronológica fosse a menor possível: i. ROA ii. Cobertura de Activos Não Correntes c. Analisaram-se ainda os rácios cuja diferença entre a média do coeficiente de variação atribuído pela análise cross section e cronológica fosse a maior, não tendo grande relevância dado que esses rácios seriam pouco explicativos tanto a nível temporal, como a nível sectorial. Com efeito, quanto maior for o coeficiente de variação menos explicativo o rácio será. Estes valores verificam-se exactamente nos rácios que apresentam valores diferentes de zero na coluna de número de células vazias. 3. Avaliaram-se os valores do coeficiente de variação exclusivamente determinados pela análise cross section – análise sectorial a. Designadamente, os rácios cuja média do coeficiente de variação atribuído pela análise cross section (ver Tabela B.3.1, Anexo B.3) seja a menor. Deste conjunto foram seleccionados: i. Cobertura de Activos Não Correntes ii. Rácio de Solvabilidade Como se constata, desta análise apenas foram seleccionados dois rácios, dado o rácio que também seria escolhido o Liquidity Ratio para o que se pretende estudar, não tem aparente relevância, por ser um rácio de curto prazo.
Capítulo 3 : Metodologia 18 b. Avaliaram-se os rácios cuja média do coeficiente de variação atribuído pela análise cross section fosse a maior. Esta análise pode ser interessante, dado que estes indicadores podem ser determinantes para conseguir apontar quais os factores distintivos do sector. Para uma análise de benchmarking, os rácios com maior variação entre empresas pode ajudar a compreender o destaque positivo ou negativo de determinada empresa. Nesta óptica foram seleccionados os seguintes indicadores: i. Profit Margin; ii. EBIT Marginal iii. Return on Shareholders’ Funds 4. Análise exclusiva aos valores atribuídos pela análise cronológica – análise empresarial a. Avaliaram-se os rácios cuja média do coeficiente de variação atribuído pela análise cronológica fosse a menor. Deste conjunto foram seleccionados: i. Cobertura de Activos Não Correntes ii. Rácio de Solvabilidade Nesta análise apenas foram seleccionados dois rácios, sendo aqui o Current Ratio excluído pela mesma razão já descrita pela nãoaceitação do Liquidity Ratio. b. Avaliaram-se também os rácios cuja média do coeficiente de variação atribuído pela análise cronológica fosse a maior. Deste conjunto foram seleccionados: i. Return on Shareholders Funds ii. EBIT Marginal Pela mesma razão que se considerou oportuno analisar os rácios com maior variação na análise cross section, na análise cronológica esta análise pode ser útil para perceber áreas ou domínios que podem ser consideradas mais voláteis e sensíveis na empresa. Esta análise pode ajudar a empresa a minimizar a sua exposição ao risco, designadamente.
Capítulo 3: Metodologia 19 Para estudar a eficácia explicativa do modelo de coeficientes de variação, voltou-se de novo ao Modelo de Pearson, mas desta vez calculando os coeficientes de correlação entre os rácios de todas as empresas, e não, como antes relacionando apenas os rácios de cada empresa. Coeficiente de Correlação de Pearson Para a aplicação deste método, utilizou-se o software SPSS SamplePower 3.0 11 , pelo qual se calcularam os coeficientes de correlação 12 de Pearson da amostra (rxy) e os correspondentes p value 13 , de modo a obter o nível de significância dos resultados. O coeficiente de correlação de Pearson: Onde, CXY – Covariância ou variância conjunta das variáveis X e Y SX – Desvio padrão da variância X SY – Desvio padrão da variância Y Figura 2: Coeficiente de Correlação Linear (r): Interpretação da Correlação Positiva Fonte: (Elias, et al., 2009) De acordo com padrões da Figura 2, e para determinar se o coeficiente de correlação se rejeita ou não, definiram-se níveis de significância (α) de 0,01; 0,05 e 0,1; sendo que 11 Statistical Package for Social Sciences. 12 A correlação determina se existe ou não um comportamento tendencial entre as variáveis, e se esta tendência tem o mesmo sentido, ou o sentido inverso (Murteira, 1993). 13 p-value ou probabilidade de significância é a “probabilidade de obter o valor da estatística de teste ou um valor mais extremo, se a H0 for verdadeira” (Maroco, 2007). (3.4)
Capítulo 3 : Metodologia 20 segundo Sekaran estes são os intervalos aceitáveis para uma análise económica (Valadas, 2005) 14 . H0: r = 0 (não há correlação linear significativa) H1: r ≠ 0 (correlação linear significativa) Correlação entre Rácios 1. Análise Cronológica Fazendo a análise da correlação dos rácios intra-empresa, constata-se que os rácios que menos se correlacionam com os restantes são, na generalidade das empresas: Net Assets Turnover (NAT) Cobertura de Activos Não Correntes (CANC) Stock Turnover (ST) Solvabilidade (S) A Total e a Repsol ainda apresentam pouca correlação no rácio dos cash flows (CF) sobre o Operational Revenue. A Repsol individualmente destaca-se por uma baixa correlação do EBITDA Marginal comparativamente às restantes empresas. Pela análise do quadro de correlação, na íntegra, há outros rácios, para além dos mencionados acima, pouco correlacionados entre si. No entanto, nesta avaliação, como já se referiu, não foi dada relevância a rácios que contemplem células vazias (ver número da coluna – células vazias, da Tabela B.3.1, Anexo B3), bem como rácios que analisem factores a curto prazo. Nesta análise cronológica, foram tidos em atenção os rácios pouco correlacionados dado que essa fraca correlação pode ser um factor diferenciador entre empresas. Porém, existem determinados rácios, muito correlacionados, que têm de ser considerados na análise cronológica, dado que essa forte correlação nos permite fazer uma selecção de rácios. Com efeito, quando dois rácios se apresentam muito correlacionados, deixa de haver a necessidade de estudar ambos. Pela análise da Tabela 2, apenas no caso da MOL se rejeita a hipótese nula, revelando assim uma correlação estatisticamente significativa. Assim sendo, o Net Assets Turnover torna-se, por este critério, um indicador importante a ser estudado. 14 Retirado de (Valadas, 2005), sendo que quem defende estes valores é Sekaran, U. (2003), Research Methods for Business – A Skill Building Approach, 4º Ed., New York: John Wiley & Sons.
Capítulo 3: Metodologia 21 Tabela 2: Correlação entre o rácio ROA e NAT pela análise cronológica ROA_G15 ROA_T ROA_R ROA_B ROA_M NAT_G ,593 NAT_T ,671 NAT_R ,422 NAT_B ,481 NAT_M ,771* Pela Tabela 3, torna-se evidente que o estudo dos dois rácios: ROE e Return on Shareholders’ Funds (ROSF) são redundantes para a análise intra-empresa, visto que se rejeita a hipótese nula, ou seja estão altamente correlacionados, com um nível de significância (p-value) abaixo de 0,01. Após esta análise prevalece a escolha do ROE devido à natureza e à importância que este rácio tem na maioria dos casos numa análise financeira. Tabela 3: Correlação entre o rácio ROE e ROSF pela análise cronológica Como já mencionado anteriormente, o rácio de solvabilidade é um rácio que demonstra correlações em que não rejeita a hipótese nula, de forma muito evidente em todas as empresas em estudo, excepto na Galp. No entanto, apesar de não ser tão evidente na Galp esta falta de correlação também é observável num número significativo de rácios. Para concluir a selecção dos rácios a considerar na análise intra-empresa considerouse ainda a possibilidade de introduzir o CF sobre as Operating Revenue (CF/OR) e o EBITDA Marginal (EBITDA_M) (Tabela 4). 15 A letra seguida da sigla do rácio identifica a empresa avaliada sendo G – Galp; T – Total; R – Repsol; B – BP e M-Mol. ROE_G ROE_T ROE_R ROE_B ROE_M ROSF_G ,990** ROSF_T ,946** ROSF_R ,901** ROSF_B ,996** ROSF_M ,985**
Capítulo 3 : Metodologia 22 Tabela 4: Correlação entre o rácio EBITDA Mg. e o CF sobre o Op. Revenue pela análise cronológica EBITDA_M_ G EBITDA_M_ T EBITDA_M_ R EBITDA_M_ B EBITDA_M_ M CF/OR_G ,977** CF/OR_T ,608 CF/OR_R ,891** CF/OR_B ,981** CF/OR_ M ,967** Da análise da Tabela 4 constata-se que, todas as empresas, à excepção da Total apresentam uma forte correlação entre os rácios EBITDA Marginal e o CF sobre o Operting Revenue, rejeitando-se H0 em todos estes casos Os rácios que maiores correlações apresentam ao são os rácios de rentabilidade. Dada esta relação a análise deste rácio, para uma avaliação cronológica, é abandonada. Tendo presente que o estudo pretende analisar de que forma as energias alternativas e as mutações do mercado energético podem ser um factor distintivo entre empresas, e considerando que na sua maioria essas mutações geram grandes custos de amortização, a análise do EBIT Marginal (EBIT_M) poder-se-á tornar mais adequada que o EBITDA Marginal. Sendo que o EBITDA Marginal regista uma correlação linear entre o EBIT muito forte (ver Tabela 5), acaba-se por dar preferência a este último rácio. O Profit Margin apresenta-se pouco correlacionado com os restantes rácios apenas no caso da Mol e da Repsol. No entanto, este rácio não será abordado uma vez que em ambas as empresas o Profit Margin está significativamente correlacionado com o ROE, ROA e EBIT Marginal das respectivas empresas, rácios estes já seleccionados para estudo. Tabela 5: Correlação entre o rácio EBITDA e EBIT Mg pela análise cronológica EBITDA _M_G EBITDA_ M_T EBITDA_ M_R EBITDA_ M_B EBITDA_ M_M EBIT_M_G ,966** EBIT_M_T ,912** EBIT_M_R ,921** EBIT_M_B ,985** EBIT_M_M ,977** 2. Análise Cross Section
Capítulo 3: Metodologia 23 A correlação Stock Turnover Ratio apresenta um aceitável valor explicativo para o sector. Fazendo, portanto, uma avaliação cross section, o Stock Turnover da BP com o da Total e com o da Repsol apresenta uma correlação acima de 0,9 (Tabela 6), sendo que o p-value é inferior a 0,01. O Stock Turnover Ratio da Repsol, regista uma elevada correlação com o da Galp e com o da Total, sendo p < 0,05, para além da correlação com a BP. Os rácios menos correlacionados são o rácio da Mol comparativamente às restantes empresas, e o da Galp com a Total. Entre os rácios da Galp e BP, regista-se uma correlação positiva moderada mas não estatisticamente significativa, uma vez que não se rejeita H0. Tabela 6:Correlação do rácio Stock Turnover pela análise Cross Section Tabela 7: Correlação do ROA pela análise Cross Section O grau de correlação entre empresas do ROA (Tabela 7) apresentam-se na maioria dos casos como moderado. A relação deste rácio entre a Mol e a Total é a única que apresenta valores acima de 0,9 de correlação e cuja significância conduz à rejeição da hipótese nula. Assim sendo, pela análise do coeficiente de correlação de Pearson, estes dois rácios não são explicativos do sector. O Net Assets Turnover apresenta os seguinte graus de correlação, pela análise cross section (Tabela 8): ST_G ST_T ST_R ST_B ST_M ST_G 1 ST_T ,515 1 ST_R ,846* ,798* 1 ST_B ,710 ,902** ,935** 1 ST_M ,392 ,738 ,598 ,687 1 ROA_G ROA_T ROA_R ROA_B ROA_M ROA_G 1 ROA_T ,513 1 ROA_R ,507 ,501 1 ROA_B ,344 ,623 -,040 1 ROA_M ,674 ,928** ,502 ,652 1
Capítulo 4: Os riscos (não convencionais) aplicados ao mercado do petróleo 30 relativamente às quatro grandes áreas de gestão das empresas, a saber: financeira, estratégica, operacional e prospectiva. Figura 3: Dispersão dos 10 maiores riscos para o sector petrolífero Fonte: Adaptada de (Ernst & Young, 2012) A Figura 3, um gráfico radar dividido nas quatro áreas referidas: onde (1) as ameaças financeiras centram-se na volatilidade dos mercados e das economias; (2) os desafios prospectivos reflectem as questões políticas, legais e de regulação; (3) os riscos operacionais englobam os possíveis impactos negativos nos sistemas operacionais; (4) os riscos estratégicos reflectem o desenvolvimento tecnológico, mas também questões políticas. As empresas petrolíferas estão a enfrentar um ambiente cada vez mais complexo e hostil. A necessidade das empresas deste sector em apostar em métodos mais eficientes, mais limpos e a menor custo, advêm essencialmente dos seguintes factores: Constantes mudanças geopolíticas; Concorrência mais agressiva; Corrida por novas reservas; Necessidade de maiores investimentos e tecnologia; Crescimento das NOC 16 , 16 NOC – Nacional Oil Company (Companhias Nacionais de Petróleo) são as empresas petrolíferas totalmente ou maioritariamente controladas pelo Estado.
Capítulo 4: Os riscos (não convencionais) aplicados ao mercado do petróleo 31 Aumento da procura; Incremento das energias alternativas; Necessidade de preservar o planeta. 4.1.1. Competição pelo Acesso a Reservas Provadas A Ernst & Young define a competição pelo acesso às reservas provadas 17 como sendo um dos maiores riscos que as empresas petrolíferas podem vir a enfrentar. O gráfico D.1 apresentado no anexo D descreve o comportamento da distribuição mundial de reservas durante 4 anos. Através desta análise pode-se identificar que a América do Sul & Central, foi a zona que mais cresceu entre 1989 e 2011. Tal deve-se ao aumento das reservas provadas no Brasil. Apesar do Médio Oriente ter vindo a diminuir a sua percentagem de reservas provadas mundiais ao longo dos anos, em número absoluto, estas têm crescido. Justificando-se esta descida pelo acentuado crescimento das reservas na América do Sul & Central. Se as reservas provadas aumentam, então porque é que o risco de competição por estas aumenta? Como se pode ver pela leitura do Gráfico D.2, Anexo D, as reservas provadas em todo o mundo têm tido um crescimento de forma bastante acentuado. De 2004 a 2011, estas reservas cresceram 22,76%. No entanto, este risco tem-se vindo a acentuar, passando do quarto maior risco em 2008 (Jessen, 2008), para o segundo em 2010 (Ernst & Young, 2010), e sendo em 2012, considerado o maior risco do sector petrolífero.(Ernst & Young, 2012). Em 2008 já se perspectivava que a procura das reservas provadas por parte das NOC se transformaria numa grande ameaça às IOC 18 . Em 2008 as NOC registaram uma produção de petróleo e de gás de 61% e 52%, respectivamente. Em 2009 as NOC detinham 73% das reservas mundiais de petróleo e 68% das de gás (Thurber, 2012), 17 Tabela D.1, Anexo D. 18 IOC – International Oil Company (Empresa Internacional de Petróleo) são empresas que exploram o petróleo fora do seu país.
Capítulo 4: Os riscos (não convencionais) aplicados ao mercado do petróleo 32 sendo que a aumento da concorrência por parte destas empresas têm vindo a mostrar sinais de crescimento (Ernst & Young, 2011). Com a subida dos preços do petróleo, os governos onde as IOC operam tendem a exigir uma maior participação das receitas adquiridas por estas e a em expandir as NOC, podendo pôr em risco, a longo prazo, a sustentabilidade das IOC (Ernst & Young, 2011). 4.1.2. Políticas Energéticas Incertas “As alterações climáticas, a energia, o terrorismo ou a instabilidade financeira dos mercados, são apenas alguns exemplos de problemas concretos que preocupam as pessoas. A Europa precisa de instituições, organismos e estruturas capazes de responder a estes e outros desafios” (Ministério Dos Negócios Estrangeiros , 2008). Em economias de rápido crescimento, as políticas climáticas, de eficiência e de mudanças estruturais, na sua generalidade, podem contribuir para um abrandamento do crescimento do sector petrolífero a curto prazo, mas procuram tendencialmente promover o crescimento da procura energética (BP, 2012d). Na Europa, o que viria a ser o núcleo de uma política energética, ocorreu em 1974 quando a Comissão Europeia elaborou um programa que consistia em fomentar a diversificação das suas fontes energéticas após o primeiro choque petrolífero (Siniharju, 2009). Mas, foi com o Protocolo de Quioto 19 , que os países da EU, conjuntamente com outros países desenvolveram estratégias de longo prazo no sentido de diminuir as emissões de GEE. Hoje, a EU estipula metas mais exigentes que preocupam o sector. Segundo a APEP, a concretização dessas políticas porão não só em risco o sector petrolífero, como a competitividade global da Europa (APEP, 2011). As metas que a UE estipulou para 2020 consistem em reduzir em 20% as emissões de GEE, em relação a 1990. Estas metas integram um aumento do consumo energético oriundo das ER e um aumento de eficiência energética de 20% – metas “20-20-20” (CE, 2010a). 19 Protocolo de Quioto – Protocolo que compromete a UE a reduzir as emissões de GEE em 8% entre 2008-2012, face aos níveis atingidos em 1990.
Capítulo 4: Os riscos (não convencionais) aplicados ao mercado do petróleo 33 Para 2050, a estratégia da UE consiste em reduzir os GEE entre 80% a 95%, em relação a 1990, a baixo custo (CE, 2011). Apesar da necessidade de reduzir os GEE, é importante perceber que a aplicação destas políticas requer grandes custos (CE, 2010). 4.1.3. Contenção de Custos Como se poderá constatar pela analise económico-financeira feita às empresas petrolíferas, apresentada mais adiante, estas conseguem lucrar tanto mais quanto maior for o preço do crude, permitindo-lhes assim explorar outro tipo de fontes energéticas menos convencionais. Apesar da tendencial subida de preço do crude, a instabilidade financeira mundial que se vive desde 2008 contribuiu para que muitos projectos fossem cancelados ou adiados (Deloitte, 2009). As empresas viram-se obrigadas a tomar medidas para conseguir enfrentar a crise, ao mesmo tempo que se debatiam paralelamente com um cenário que vinha (e tem vindo progressivamente) a ser traçado: i) um lado sentem-se obrigadas a baixar os custos operacionais, dada a forte possibilidade de ocorrência de quedas de produção, ou de serem incapazes de produzir em proporções que respondam ao aumento da procura mundial – fim do “easy oil” (Ernst & Young, 2011). ii) Por outro, têm de investir em energias alternativas para conseguir dar resposta a essa esperada subida de procura por parte dos países emergentes, bem como pelo possível aparecimento de cenários adversos que poderão surgir (Deloitte, 2009). Com este dilema, as empresas necessitam de ser altamente sensíveis às condições de mercado, de forma a terem capacidade de dar rápidas respostas às necessidades desse mesmo mercado, conseguindo-se assim adaptar às tendências de crescimento do sector ao menor custo possível (Consulting, 2010). As empresas, ao fazerem antecipadamente controlo de custos, desenvolvem estratégias de forma a darem resposta quando houver uma recuperação da economia, onde se perspectivam ajustamentos da inflação, aumento dos custos operacionais e de produção e uma maior exigência nos termos de segurança e das políticas ambientais entre outras (Ernst & Young, 2010).
Capítulo 4: Os riscos (não convencionais) aplicados ao mercado do petróleo 34 Apesar das empreses terem necessidade de diminuir custos, os desafios de custo da indústria petrolífera decorrem da crescente complexidade das operações em Upstream, e pelo aumento dos requisitos ambientais e de segurança necessários acabam, em regra, por procurar esta redução na mão-de-obra e nos serviços prestados (Ernst & Young, 2011). 4.1.4. Agravamento Fiscal Os sistemas fiscais têm evoluído ao longo dos tempos. Hoje em dia torna-se mais fácil desenvolver contratos entre as empresas exploradoras de petróleo e os países anfitriões, com taxas de retorno justas face aos investimentos e riscos associados aos projectos, conseguindo-se assim negociações win-win. Apesar desta realidade, existem ainda sistemas fiscais extremamente ambíguos, complexos e exigentes (Htun, 2010). As condições incertas de mercado e o aumento do preço do barril de petróleo, são factores muito significativos, que levam os governos a alterar as questões de regulação para procurar mais receitas, acabando por reflectir uma maior pressão sobre as empresas (Ernst & Young, 2011), (Meurs, 2008). Nos países desenvolvidos, as grandes pressões sentidas pelas finanças públicas podem levar os governos a aumentar os impostos. Mas, o grande risco reside na imposição dos governos dos países produtores em rever os termos fiscais, onde a incapacidade negocial das IOC pode levar a que se estas não aceitem os novos termos, os países anfitriões restrinjam os Acordos de Partilha de Produção (APP) 20 às empresas estrangeiras, pondo assim em causa a sua capacidade produtiva (Ernst & Young, 2011). Não são apenas as relações bilaterais entre as empresas de exploração e os governos que agravam os termos fiscais destas empresas. Derramamentos como o vivido no Golfo do México, são situações que contribuem para reavaliações por parte das entidades reguladoras, podendo-se traduzir na promulgação de novas e mais exigentes regulamentações, repercutindo-se no aumento dos custos das empresas (Ernst & Young, 2011), (Spence, 2011). A alteração da regulação relativamente à preservação do meio ambiente pode resultar em despesas de capital substanciais, impostos e menor rentabilidade nos custos operacionais. 20 Acordo de exploração de longo prazo entre uma ou mais IOC e os governos anfitriões.
Capítulo 4: Os riscos (não convencionais) aplicados ao mercado do petróleo 35 4.1.5. Ambiente, Qualidade e Segurança Os stackholders têm uma ideia cada vez mais negativa do sector petrolífero, e preocupam-se cada vez mais com a preservação do meio ambiente. Este sector sofre ainda do aumento dos riscos operacionais (ver risco sete) que, ao serem reconhecidos pelos reguladores pode levar a que determinados projectos de exploração e produção não sejam aceites em determinadas áreas, criando novos entraves ao crescimento das empresas (Ernst & Young, 2011). O que se passou no Golfo do México é um acontecimento que permite mensurar de alguma forma, parte dos riscos a que as empresas e a sociedade em geral estão expostas com a exploração e produção de petróleo. Desde a exploração e produção até à sua distribuição, o petróleo e o gás passam por processos de alto risco. Este árduo e arriscado caminho para as empresas petrolíferas é resultante de uma maior exigência da sociedade que está muito mais atenta à responsabilidade social destas empresas (Spence, 2011). Para que se garanta a aplicação das normas ambientais, de qualidade e segurança, as empresas desenvolveram áreas internas de gestão ambiental. Hoje em dia, com o aumento sentido das mudanças climáticas as empresas têm unido esforços para reduzir a sua “pegada climática" (Spence, 2011). Apesar de estas pressões não serem recentes, estas preocupações estão cada vez mais intrínsecas na sociedade, exigindo às empresas maiores investimentos nesta área. 4.1.6. Défice de Capital Humano A associação que a população faz das petrolíferas como sendo uma fonte de energia “suja” pode contribuir para que o sector do petróleo e do gás venha a ter falta de mãode-obra qualificada, com o êxodo do know-how deste sector para as indústrias mais limpas (Ernst & Young, 2011), (Orr, et al, 2008). Apesar deste comportamento não se verificar nos países desenvolvidos, isto é, a contribuição para a preservação do meio ambiente não ser um factor preponderante para a escolha profissional, estes sofrem pela falta de cursos especializados e de um sistema de educação sólido, que acaba por afectar a capacidade de encontrar pessoal qualificado. Segundo declarações feitas por U. N. Bose, no 2º Seminário sobre Tecnologias de Perfuração, as assimetrias entre as instituições académicas e o sector petrolífero, levam
Capítulo 4: Os riscos (não convencionais) aplicados ao mercado do petróleo 36 a que os objectivos de ambos não se consigam encontrar, contribuindo para que o défice de mão-de-obra devidamente qualificada nesta indústria esteja a emergir. Pondo em risco o desenvolvimento da indústria, apesar dos seus grandes esforços em tornar a sua mão-de-obra proficiente (Petrotech, 2012). A exigência de uma mão-de-obra mais experiente e tecnologicamente mais competente na produção de petróleo e de gás será cada vez mais necessária, dado que o sector se integra em segmentos de negócio extremamente voláteis. O aumento da procura, o desenvolvimento de combustíveis não convencionais e a corrida pelas reservas exigem sólidos sistemas de inovação acompanhados por capital humano muito qualificado (Deloitte, 2009a). No quadro referido, segundo a Ernst &Young, o sector petrolífero é o sector que melhor programa a gestão de talentos. Por sua vez, o trabalho em grupo e o reconhecimento do bom desempenho são factores que contribuem para a fidelização dos trabalhadores, diminuindo desta forma custos de reposição de mão-de-obra (Ernst & Young, 2011). Gráfico 2: Variação do número de colaboradores e do seu rendimento Fonte: (Orr, et al., 2008) Através da análise do Gráfico 2 é notório o acentuado aumento com os custos de mão-de-obra mas, ao mesmo tempo, é muito evidente a discrepância entre a mão-deobra existente e a necessária, justificando este défice a necessidade de aumentar os salários.
Capítulo 4: Os riscos (não convencionais) aplicados ao mercado do petróleo 37 4.1.7. Novos desafios operacionais em ambientes adversos Apesar de todo o desenvolvimento tecnológico que caracteriza o sector petrolífero, este tem-se deparado com uma necessidade de alterar os seus métodos de trabalho em toda a sua cadeia de valor e em expandir as suas zonas de acção para ambientes mais adversos. O desenvolvimento tecnológico é a principal forma do sector responder aos desafios operacionais com que se depara. Assim, as empresas necessitam de delinear boas estratégias de pesquisa e desenvolvimento, investir nas suas instalações, desenvolver joint venture e apostar numa mentalidade inovadora (Ernst & Young, 2010). Por um lado, catástrofes como a do Golfo do México contribuem para que haja um maior cuidado não só por parte das próprias empresas (desenvolver tecnologias mais seguras), como dos próprios governos (intensificar políticas ambientas e de segurança), acabando por obrigar as empresas a estarem permanentemente preparadas para uma mudança na regulação. Por outro, o contínuo aumento do consumo energético mundial exige às empresas o desenvolvimento de capacidades que as permitam responder atempadamente à necessidade global. Face ao aumento da procura global, as petrolíferas vêem-se ainda obrigadas a expandirem-se para países onde a ameaça de guerra, violência e terrorismo são uma constante, sendo este um enorme factor de condicionamento da sua produção. Por outro lado, as constantes renegociações de contrato, as alterações de regras de funcionamento e possível interferência dos governos dos países anfitriões são também questões que levam a uma maior exposição das empresas a este tipo de risco (Phelan, 2010). 4.1.8. Volatilidade dos Preços A volatilidade dos preços está muito associada ao risco de mercado. Desta forma, este risco representa a probabilidade de uma perda potencial de determinada commodity 21 decorrente da alteração de preço de mercado. 21 As commodities são o contrário de product differentiation, isto é, produtos que são produzidos ou vendidos por diversas empresas, e não são possíveis diferenciar (ex: qualidade). Exemplo de commodities é o crude, a madeira, o algodão, …
Capítulo 4: Os riscos (não convencionais) aplicados ao mercado do petróleo 38 O risco de mercado suprime-se, ou evita-se através dos derivados 22 , uma vez que são estes que protegem os investidores da volatilidade do mercado. Este tipo de risco pode ser analisado como risco absoluto ou risco relativo, sendo que o absoluto mede as perdas potenciais e o relativo compara a perda potencial a um índice de benchmark 23 (Philippe, 2001). As medidas de quantificação de risco de mercado derivam de dois grandes componentes: Choques: componentes exógenas, associadas à volatilidade do mercado – não controlável (questões geopolíticas, e macroeconómicas); Exposição: componentes endógenas, gerado pelo investimento de cada empresa, mas na sua maioria controlável através do uso de instrumentos de hedging 24 ou derivados. Com o aumento dos custos de exploração e produção de petróleo e do gás, as empresas deste sector, tornaram-se mais vulneráveis a este risco. Este aumento deveu-se muito às questões relativas ao Médio Oriente e ao Norte de África, e resultaram no aumento do preço de petróleo. Por outro lado as alterações na oferta e na procura também influenciam em grande escala os preços do petróleo e do gás. Apesar de todas as empresas estarem expostas a este risco, dado que os preços da energia são dos preços mais voláteis de todas as commodities (EIA, 2002), nem todas estão expostas ao mesmo nível. 4.1.9. Preocupações com as Alterações Climáticas As alterações climáticas não são apenas um risco para o desenvolvimento da indústria petrolífera, esta problemática tem repercussões a nível global. O aumento da temperatura terrestre e dos níveis do mar são factores que apresentam um risco sobre o 22 Os derivados são, na sua maioria, designados por instrumentos financeiros que assentam numa relação contratual estabelecida entre duas ou mais partes, onde todas as condições inerentes ao contrato (pagamento, data de entrega, etc.) que são previamente estabelecidas. São exemplos de derivados as Opções; os Futuros; os Contratos Forward; os Mortgage-backed Derivatives; Strutured Notes; Inverse floaters; Caps, Floors and Collars; e os Swaps. 23 I Índice de benchmark é um valor ou um ponto de referência. Normalmente este índice funciona como sendo uma proxy. 24 Os instrumentos de hedging têm a função de eliminar os efeitos desestabilizadores precedentes das flutuações económicas e financeiras, bem como das taxas de câmbio, taxas de juro e preços das commodities.
Capítulo 4: Os riscos (não convencionais) aplicados ao mercado do petróleo 39 ambiente natural, actividades agrícolas e a saúde humana (OECD, 2012), sendo necessário, antes de mais, preservar o planeta. O abrandamento das alterações climáticas só será possível com a diminuição das emissões de GEE. Face a esta consciencialização, a implementação de políticas, os custos ambientais, sociais e económicos tendem a ser cada vez maiores (OECD, 2012). No entanto, o não cumprimento das mesmas e a inacção incorporam custos ainda maiores para as gerações futuras e contribuem para uma disparidade económica ainda mais acentuada entre os países desenvolvidos e os em desenvolvimento (OECD, 2001). No relatório “Environmental Outlook to 2050”, da OCDE, em 2012, o cenário 450 ppm 25 prevê um abrandamento no crescimento económico médio de 0,2 p.p. por ano, equivalendo a um decréscimo do PIB mundial em 5,5% em 2050. No entanto, este não reflecte os benefícios da mitigação das alterações climáticas (ver Figura 4) (OECD, 2012). O desafio mais complexo será estabelecer objectivos e políticas que consigam equilibrar os benefícios e os custos sociais. Assim, as políticas a desenvolver terão de ter em conta não só o factor tempo (se é uma política a aplicar a curto ou a longo prazo), o factor espacial (se é uma política local, nacional, regional, ou global) e os factores institucionais (empresas, governo ou sociedade civil) (OCDE, 2001). Muitas políticas de mitigação já foram postas em prática, instrumentos políticos que definem preços para as licenças de emissão, bem como políticas de eficiência energética já foram implementadas, não sendo, no entanto, ainda suficientes. 25 O cenário 450 pretende estabilizar as emissões de GEE em 450 parts per million (ppm) de CO2 eq, de forma a tentar evitar um aumento de temperatura global em 2ºC. Figura 4: Cenário 450 – Emissões globais e o custo pela sua mitigação Fonte: (OECD, 2012)
Capítulo 5: Análise e Discussão 46 Como se referiu no ponto 3.2., na alínea 2a do métodos utilizado para a escolha dos rácios a analisar, o ROE, o ROA e o Stock Turnover pertencem àquela classe de rácios cuja média do coeficiente de variação calculada numa base cross section é menor do que a média do mesmo coeficiente de variação calculada numa base cronológica para o conjunto dos anos em estudo. Serão, como então se mencionou, rácios menos sensíveis à evolução do mercado do que às alterações na estrutura do sector. Embora os valores do ROE e do ROA, nos anos estudados, se inscrevam numa tendência levemente decrescente (ver Gráfico E.1 e E.2, do Anexo E.1, respectivamente) e o Stock Turnover (Gráfico E.3, do anexo E.1) numa subida e descida periódica, o que é aqui realmente interessante é o que resulta como consequência do parágrafo anterior. Empresas que detêm coeficientes de variação dos seus rácios (base cronológica), maior que as médias dos coeficientes de variação dos rácios das empresas da amostra calculada na mesma base, são empresas com um grau de exposição às dificuldades conjunturais ainda maior do que as suas concorrentes, portanto, mais expostas ao risco de mercado. Ao invés, companhias com coeficientes de variação mais baixos que a média da amostra, terão tendencialmente uma posição menos exposta ao risco de mercado e, portanto, menos condicionadas nos seus resultados pela volatilidade do mesmo. Ao analisar a Tabela 15 constata-se que, no rácio ROE e ROA, as empresas que apresentam um coeficiente de variação na análise cronológica, superior à média do coeficiente de variação pela análise cross section, são a Galp, a BP e a Mol, estando por isso mais expostas à volatilidade do mercado, contrariamente à Total e à Repsol, que em ambos os casos, apresentam valores muito favoráveis, com um coeficiente de variação inferior ao do mercado, sensivelmente 16 p.p no caso ROE para ambas as empresas, e de aproximadamente 23 p.p para a Total 20 p.p e para a Repsol no que respeita ao ROA. O ROE, rácio calculado sobre uma base menor – Capital Próprio (CP) da empresa, apresenta estruturalmente uma propensão para maior variação do que o ROA, calculado sobre uma base maior – Total de Activos. Neste contexto, a Galp e a Mol apresentam coeficientes de variação do ROA superiores aos coeficientes de variação do ROE. Dada a estrutura dos rácios (ver equação 8.1 e 8.2 no Anexo C), esta dinâmica foi necessariamente determinada por variações relativamente mais importantes do lado do Activo do que do Capital dessa empresa, sendo que na Mol essas variações foram
Capítulo 5: Análise e Discussão 47 sempre positivas no conjunto da série 28 , enquanto na Galp essas variações ocorreram num quadro de alguma flutuação do valor dos seus activos ao longo do período. Dado os valores irregulares apresentados pela BP em 2010, causados pela adversidade no Golfo do México, fez-se uma análise dos dados da BP comparativamente aos da Total – empresa que melhor resultado apresenta entre 2004 e 2010 em ambos os rácios –, eliminando os resultados de 2010. Assim, concluiu-se que a BP passaria a ter um coeficiente de variação de 21,63% no ROE e 15,51% no ROA, passando a ser a empresa com menor exposição ao risco de mercado. Quanto ao Rotação de Stocks seria antecipável que a média do coeficiente de variação pela análise cross section fosse menor que o da análise cronológica, dado que as empresas acabam por, todas elas, estar expostas à volatilidade do preço do crude. No entanto, através na análise da Tabela 15, verifica-se que a Repsol é a empresa que melhor tem conseguido gerir o seu stock face ao risco. Apesar da BP ter sido a empresa que, em média, maior Stock Turnover gerou, foi a Repsol que melhor risco-benefício obteve, com um coeficiente de variação de apenas 3,89 p.p acima da média do coeficiente de variação pela análise cross section. A BP apesar de obter uma média em 1,34 p.p. acima da Repsol, esta tem um coeficiente de variação em 12,74 p.p acima da média do coeficiente de variação cross section. Para terminar a análise global resta apenas analisar o rácio de Cobertura de Activos não Correntes, rácio este escolhido por ter a menor diferença entre as médias dos coeficientes de variação (ver Tabela 16). 28 Os valores da base de dados “Amadeus”, não foram disponibilizados, pois são valores com direitos de autor. Tabela 16: Método dos coeficientes de variação para os rácios de Cobertura dos Activos não Correntes
Capítulo 5: Análise e Discussão 48 Após a análise do ROA e do ROE, é agora espectável que seja a Galp e Mol as mesmas empresas a apresentar um coeficiente de variação maior, isto é, maior risco. Neste caso, ambas não só apresentam um coeficiente de variação muito acima das suas concorrentes como manifestam um coeficiente de variação acima da média dos coeficientes de variação pela análise cross section. Apesar da BP ser a empresa que em média menor rácio de cobertura apresenta, esta apresenta no entanto um desvio-padrão muito ligeiro, colocando mais uma vez, a Galp e a Mol como sendo as empresas mais expostas às condições de mercado. Para concluir o estudo dos rácios que menor média de coeficiente de variação apresentam pela análise cross section é necessário ainda avaliar o rácio de solvabilidade cujos resultados são apresentados na Tabela 17. Neste domínio, valerá apostar nos casos de maior coeficiente de variação calculado em base cronológica: (1) o caso da Mol a maior intensidade de variação (30%) ocorreu sempre numa área de grande conforto financeiro, atingindo nos anos 2006 e 2007 o rácio de Solvabilidade Geral (ver Equação 8.5, Anexo C) um valor superior a 1; (2) por seu turno, na Galp as oscilações do rácio de solvabilidade geral fez-se em torno da média mais baixa do conjunto 0,54 neste período. Situação que corresponde à conclusão retirada (ver Tabela E.1 Anexo E.1.1.), quando estuda a análise DuPont 29 . 29 Análise DuPont – Consiste em fazer o elo de ligação entre rácios de forma a ser possível mensurar se a aquisição de determinados activos aumentará o valor patrimonial da empresa (Herciu, et al., 2010). Belascu, 2010). Tabela 17: Método dos coeficientes de variação para o rácio de Solvabilidade
Capítulo 5: Análise e Discussão 49 Para terminar a análise económico-financeira, e considerando que todos os restantes rácios não foram analisados dada a rejeição pelo modelo de Pearson (Anexo B.4, Tabela B.4.1), pela Tabela 18, estuda-se a seguir o EBIT Marginal (EBIT Margin). O EBIT Marginal é o rácio que maior média de coeficientes de variação registou do estudo, seguidamente ao Profit Margin (ver Tabela B.3.1, Anexo B.3). Caracterizandose assim como um rácio que traduz a grande heterogeneidade das empresas estudadas quanto às respectivas capacidades de resposta às continências do mercado. Com efeito, pode observar-se pela Tabela 18, que a partir do ano de 2008, início da grande crise do século XXI, os coeficientes de variação foram significativamente maiores, dando assim uma ideia de perturbação do mercado e do nível das respostas das empresas do sector. Apesar deste relevante fenómeno, o mais importante de avaliar está na análise cronológica. Ao observar as médias do EBIT Marginal, ao longo do período em estudo, de cada empresa e o coeficiente de variação, constatou-se que a Total é a empresa que se destaca com maior média de EBIT Marginal e com o desvio-padrão ligeiramente acima do desvio-padrão mínimo, conseguindo desta forma um coeficiente de variação 19,24 p.p. abaixo da média do coeficiente de variação pela análise cronológica. A Galp por sua vez, é a empresa que maior volatilidade apresenta, caso se exclua a BP por razões já acima descritas, visto que ao analisar as empresas até 2009 esta apresentava um coeficiente de variação de 21,5%, que compara com os 51,6% da Galp. No Gráfico 3, estão representados todos os coeficientes de variação de cada empresa. Pode-se observar então, que a Total e a Repsol foram, no período estudado as empresas que em média tiveram resultados mais favoráveis. Tabela 18: Método dos coeficientes de variação para o EBIT Marginal (Margin EBIT)
Capítulo 5: Análise e Discussão 50 Gráfico 3: Distribuição dos coeficientes de variação dos rácios das empresas em estudo Fonte: Elaboração Própria Pela análise do Gráfico 3, a Repsol e a Total são as empresas que estão menos expostas ao risco de mercado, sendo que o único caso em que as restantes empresas apresentam valores semelhantes é no rácio Stock Turnover que, como dito anteriormente, é um rácio que depende mais de factores externos. A Mol e a Galp, por sua vez, são as empresas que mais estão expostas ao risco, salvo algumas excepções, onde a BP se destaca. No entanto, o elevado risco apresentado pela BP, como já mencionado, deveu-se aos excepcionais resultados em 2010. 5.2. Análise da Performance das Empresas face aos Riscos 1. Concurso e Competição pelo Acesso a Reservas Provadas Para calcular o grau de exposição das empresas em análise à concorrência pelo acesso a reservas provadas (Equação 8.10, Anexo F.1), utilizaram-se dois critérios: (1) o risco de produção (ver Equação 8.11 e Tabela F.4, do Anexo F.1.); e (2) o número de reservas (não) detidas pela empresa, e atribuindo-lhes três ponderações diferentes para cada cenário (ver Tabela F.8 anexo F1). O risco de produção avalia o risco a que as empresas estão expostas por produzirem em determinada área geográfica (risco geopolítico e macroeconómico), e o número de reservas garante às empresas as suas fontes de matéria-prima (neste caso avalia a empresa com maior dificuldade de a garantir). ROE ROA ST CAÑC S EBIT BP Galp Mol Repsol Total
Capítulo 5: Análise e Discussão 51 A Figura F.1, do Anexo F.1, retrata a distribuição do risco político dos países. Assim, tendo em consideração quatro níveis de risco país, e as quotas de produção das empresas em cada país, a Galp e a BP foram as empresas que maiores valores de risco apresentaram (ver Tabela F.7, anexo F.1), a Galp por deter 81% da sua produção em Angola e a BP por ter 40% da sua produção na Rússia, ambos os países avaliados com um alto risco país. A Repsol, por seu turno, é a empresa que melhor consegue situar as suas áreas produção face ao risco país (45% em Trinidad and Tobago – risco nível 1), obtendo assim um risco de produção de 0,637 (ver Tabela F.2 e F.4 do Anexo F.1). Do grupo de empresas em estudo, a BP é a empresa que mais reservas provadas detém, com 17.748 milhões de boe em 2011 – 1,07% das reservas mundiais, seguida da Total com 11.423 milhões de boe. Em posição muito inferior, encontra-se a Repsol com 1.167 milhões de boe, seguindo-se a Mol e a Gal com apenas 445 e 145 milhões de boe, respectivamente (ver Tabela F.5, AnexoF.1). Para concluir o cálculo do risco da competição ao acesso das reservas provadas procedeu-se à estandardização pela Equação 8.12, dos critérios (Tabela F.6; Anexo F.1). Após a conclusão dos cálculos, o risco de acesso a reservas considerado foi o obtido pela Ponderação B (Tabela F.8, Anexo F.1,) visto que foi o que apresentou maior sensibilidade. Através da leitura da Tabela F.8, Anexo F.1, constata-se que a BP e a Galp foram as que maior risco de acesso a reservas provadas apresentam, querendo isto dizer, que apesar da BP ser a empresa com maior número de reservas, os países onde opera levam a que esta esteja muito exposta a este risco. Contrariamente, a Repsol é a menos exposta dado o seu óptimo resultado no risco país, acompanhado por um número de reservas semelhantes aos seus concorrentes. 2 – Políticas Energéticas Incertas Este risco é um risco difícil de quantificar. No entanto, recorreu-se à análise dos relatórios de contas das empresas tentando decifrar as preocupações de cada uma sobre estas temáticas. Após o estudo comparado das intenções publicadas, considerou-se que a Repsol, a BP e a Total seriam as empresas mais atentas a este tipo de risco.
Capítulo 5: Análise e Discussão 52 Para dar resposta às políticas energéticas incertas, a Repsol desenvolve as suas próprias políticas de forma a antecipar-se às suas concorrentes ( Repsol YPF, 2012). “Aligning our activity with long-term development is by no means just a declaration of good intentions and today, more than ever, forms a basic part of business consolidation.” (Repson YPF, 2012) Apesar da catástrofe no Golfo do México, a BP, por seu lado, começou a apostar mais intensamente nas áreas da tecnologia e sistemas de resposta, de forma a melhorar os seus requisitos. A BP considera mesmo que estas melhorias de sistemas e de tecnologia vão levar à alteração de requisitos obrigatórios no restante sector (BP, 2012d), colocando-se numa posição de liderança pela inovação. A Total, por seu lado, considera que as suas políticas energéticas correspondem às exigências soberanas com quem trabalha, mas há determinadas políticas do Grupo que podem vir a ser alteradas a qualquer momento, dependendo das condições de mercado, circunstâncias especiais e dos riscos em que incorre (Total, 2012). A Galp, face à caracterização que fez do sector petrolífero preocupa-se com o desenvolvimento tecnológico do sector (Galp Energia, 2012). Alegadamente, um dos factores que contribui para a sua exposição a este tipo de risco, designadamente no âmbito da conformidade, advém de possíveis alterações das políticas e dos regulamentos por parte das entidades dos países onde o Grupo opera, genericamente em países fora da Europa e que se caracterizam historicamente pela instabilidade da envolvente política e regulamentar (Galp Energia, 2012b). Finalmente, a MOL considera que as políticas económicas e energéticas incertas são para si um risco acrescido importante, podendo vir a ter impactos significativos na performance da empresa. (MOL, 2012). Após esta análise anteriormente desenvolvida, o risco pelas políticas energéticas incertas foi calculado por um método baseado em pressupostos apresentados no Anexo F.2. 3 – Contenção de Custos Pela leitura da Tabela F.11, do Anexo F3, a Total, em termos relativos, é a empresa com menor percentagem de custos operacionais face às receitas. Contrariamente, a Galp
Capítulo 5: Análise e Discussão 53 é, do conjunto, a empresa que maior esforço terá de fazer para conseguir diminuir a sua percentagem de custos face às receitas operacionais. No entanto, a BP é a que manifesta maior coeficiente de variação, e por isso maior exposição a este tipo de risco. Este fenómeno explica-se pelo elevado valor do desvio-padrão, sendo neste caso correspondente a uma variação positiva, acompanhado por um elevado rácio receitascustos operacional. É importante salientar, mais uma vez, que se o estudo abordasse os dados até 2009, esta seria a empresa com melhor performance. No entanto, o incidente no Golfo do México é um risco a que todas as empresas estão expostas. A Repsol foi a empresa que apresentou o menor desvio-padrão e a variação mais acentuada do grupo, logo é a empresa que consegue de forma mais assertiva prever os seus custos operacionais, num cenário semelhante e que melhores políticas tem desenvolvido para diminuir os seus custos operacionais face às receitas (ver Tabela F.11, Anexo F.3). 4 – Agravamento Fiscal A análise deste risco foi feita através da carga fiscal a que as empresas estão expostas, face aos seus lucros brutos anuais. Pela leitura da Tabela F.13, Anexo F.4, a Total é a empresa a que mais carga fiscal está sujeita, correspondendo em média a 53,734% dos seus lucros antes de imposto. Um agravamento dos termos fiscais pode pôr em causa a sua sustentabilidade. A Repsol, por sua vez, está em segundo lugar de entre as empresas do grupo em estudo no grau de exposição a este tipo de risco. Apesar da sua grande descida em 2010, a Repsol teve de 2004 a 2010 uma média de 38,458% encargos fiscais. Em terceiro encontra-se a BP com uma média de 33,310 %. As empresas sujeitas a um menor efeito fiscal, tendo em conta o histórico, é a Galp, que apesar de ter uma média acima da MOL em quase 3 p.p, a MOL sofre de uma grande volatilidade de termos fiscais, como se pode ver de 2008 para 2009, onde o peso fiscal passa de 6,685% dos lucros antes de imposto para 24,15%, voltando a descer em 2010 para 9,137% e subindo no ano seguinte para 46,578%. Esta volatilidade, expressa por um desvio-padrão de 14,6% pode dificultar as previsões da empresa e pôr em causa os seus resultados.
Capítulo 5: Análise e Discussão 54 Poder-se-ia então dizer que a Total é a empresa com maior risco, no entanto, tal não é tão evidente. A volatilidade do risco (desvio-padrão elevado), e tendo em conta a direcção da mesma, pode pôr em causa os resultados da empresa, possivelmente mais do que uma carga fiscal pesada mas constante. No entanto, ambos devem ser tidos em conta (ver Tabela F.13, Anexo F.4). 5 – Ambiente, Qualidade e Segurança Dada a dificuldade em obter dados directamente relacionados com a natureza muito ampla deste risco, recorreu-se para a análise deste risco aos investimentos sociais feitos pelas empresas, incorporando os dias de formação por colaborador, considerando que este é um factor importante para a melhoria da qualidade e segurança. Neste risco ponderou-se mais o investimento social, já que este é um dos critérios mais valorizados pela sociedade, sendo visto como um investimento voluntário e não obrigatório, como é boa parte dos investimentos na melhoria da qualidade e segurança (ver Equação 8.16). Pela Tabela F 17, do Anexo F.5, a Total é a empresa com menor exposição a este risco, não só sendo a empresa que mais investimento social faz, como ainda a empresa que mais dias de formação dá aos seus colaboradores. A Mol, por seu turno, com o baixo investimento social aplicado, leva-a a ser a pior das empresas em estudo neste risco. É importante referir que se o risco de reputação aqui avaliado pelo investimento social fosse avaliado através da elaboração de um questionário de opinião, seria provável que a BP estivesse pior classificada. 6 – Défice de Capital Humano A análise deste risco foi feita com base na estrutura etária das empresas (critério 1), na taxa de rotatividade dos colaboradores nas empresas (critério 2) e o retorno do capital humano (critério 3). As empresas, genericamente, consideram que o investimento no desenvolvimento da qualificação dos seus recursos humanos, e por esta via, a sua retenção, é um pilar estratégico importante para o seu sucesso (Galp Energia, 2012a), (BP, 2012a). O
Capítulo 5: Análise e Discussão 55 aumento da procura energética e a crescente complexidade que o sector exige, requer cada vez mais mão-de-obra qualificada (BP, 2012d). A BP aumentou o seu número de funcionários de 79.700 em 2010, para 83.400 aproximadamente em 2011 (BP, 2012d), ao mesmo tempo que promovia um curso de pós-graduação que até 2011 já tinha 1.600 participantes em todo o mundo. Esta empresa estima que em 2020 mais de metade das suas operações se vão localizar fora da OCDE, encarando tal circunstância como oportunidade para desenvolver uma nova geração de mão-de-obra qualificada. A BP não divulga o seu número de colaboradores por género nem idade (BP, 2012c), sendo então considerado que a percentagem de funcionários acima dos 45 anos era a média das restantes empresas. Relativamente às restantes empresas, as classes etárias dos seus colaboradores, consoante a informação disponibilizada, não são iguais (ver Gráficos de F 1 a F 4, no Anexo F.6). No entanto, através da leitura dos gráficos é possível concluir que a Repsol é a empresa com os colaboradores menos envelhecidos, das quatro analisadas, com 60% de funcionários abaixo dos 41 anos, sendo a companhia que mais aposta em mão-deobra jovem. A Total e a Galp têm a mesma percentagem de funcionários com mais de 45 anos. A Total tem mais 4% de funcionários entre os 18 e os 34 anos que a Galp. A MOL, tem mais de metade dos seus funcionários entre os 30 e os 49 anos. Analisando a taxa de rotatividade, a BP e a Galp são as empresas que maior risco correm neste tópico, destacando-se, negativamente, dos valores apresentados pelas restantes empresas. Porém, a BP, depois da Total, é a que maior retorno de capital investido nos seus colaboradores consegue obter. A Mol, por sua vez, é a empresa que menos retorno consegue. Por cada euro investido nos colaboradores, gerou, em 2011 cerca de 1,99 euros de CF operacionais. No entanto, numa análise global, e depois de estandardizar todos os critérios, a Mol é a empresa mais exposta ao risco (Tabela F 26, Anexo F.6), causado em grande parte pela sua elevada percentagem de colaboradores acima dos 45 anos, e do baixo retorno aplicado em capital humano.
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I 8. Anexos
Anexos VIII Tabela B.3.1 é estruturada em sete colunas. A primeira coluna identifica a característica dos rácios apresentados na terceira coluna. A quarta coluna apresenta os dados dos coeficientes de variação obtidos em cada rácio pela análise cronológica, ou pela análise cross section – indicado na segunda coluna. Na quinta coluna é indicado o ranking dos coeficientes de variação e na última é o valor da diferença entre o coeficiente de variação obtido pela análise cross section e o obtido pela análise cronológica. Por fim, a sexta coluna apenas indica o número de células vazias consideradas nos cálculos.
Anexos IX Anexo B.4 – Escolha de rácios Tabela B 4: Tabela Síntese da Escolha dos Rácios por cada modelo Método Pearson Coef. de Variação Análise Cross Section Stock Turnover Ratio ROA Net Assets Turnover ROE ROSF Cobertura de Activos Não Correntes Solvabilidade Geral Profit Margin Cash Flow/Operational Revenue EBIT Margin Cronológica Stock Turnover Ratio ROA Net Assets Turnover ROE ROSF Cobertura de Activos Não Correntes Solvabilidade Geral Profit Margin Cash Flow/Operational Revenue EBIT Margin Fonte: Elaboração Própria
Anexos X Anexo C– Definição de rácios estudados Relativamente aos rácios de rendibilidade, medem os fundos gerados pela empresa, de forma a analisar o nível de eficiência que ela tem em utilizar os seus recursos. ROE – Return On Equity: Analisa a rentabilidade gerada a partir do capital investido (capital próprio). Este rácio baseia-se nos ganhos gerados após o pagamento de juros e é afectado pelo mix de financiamento que a empresa utiliza para financiar os seus projectos (Damodaran, 2007). 30 Este rácio tem como limitações o facto de não diferenciar desempenho financeiro de operacional (Torquato, 2011). No entanto, é um óptimo indicador para benchmarking e é utilizado como uma das medidas mais importantes para avaliar o desempenho financeiro das empresas. (Teitelbaum, 1996) e (Bausman, 2008). ROA – Return on Assets: Avalia a eficiência operacional da empresa em gerar lucros a partir dos seus activos, antes de considerar os efeitos de financiamento. Assim, tornase mais fiável avaliar o verdadeiro retorno gerado pelos activos. Outra vantagem de analisar este rácio consiste no facto de não considerar os impostos, logo existe maior comparabilidade entre valores (Damodaran, 2002). Através da relação entre o ROE e o ROA pode-se conseguir identificar o modo como a empresa gera rentabilidade. Isto é, se o ROA for maior que o ROE, então quer isto dizer que a empresa tem uma alavancagem financeira (financial leverage) menor que o lucro gerado pelos seus activos. A diferença entre o ROA e o custo dos capitais alheios contribui para o aumento dos resultados, sem com isso necessitar de utilizar os seus capitais próprios. (Mota, 2007) 30 (Correia, 2004) (8.1) (8.2)
Anexos XI Limitações do ROE e do ROA Apesar deste tipo de análise poder ser bastante útil para analisar com conjunto de empresas, ou determinado sector, é importante considerar que existem determinados factores que não são devidamente analisados pela leitura destes rácios: - Não considera o efeito de variação do endividamento, ou seja não avalia o facto de quanto mais alavancada for a empresa maior a sua dificuldade em se financiar. - Não considera que o risco gerado pelo aumento de financiamento, isto uma maior alavancagem pode aumentar a rentabilidade numa proporção não compensatória, face aos riscos a ela associados. - Não pondera o valor da reserva de fundos, isto é causar um determinado grau de alavancagem para a empresa que a impossibilite de gerar mais dívida em ocasiões onde esse financiamento poderia ser útil para cobrir determinado investimento, investimento que poderia gerar uma maior taxa de retorno. (Mota, 2007) Rotação de Stocks: Este rácio avalia a eficiência que a empresa tem em gerir os seus stocks. Este rácio acaba por medir a relação entre as vendas e o seu inventário. Cobertura de Activos Não Correntes: Este rácio faz parte da característica da estrutura financeira. Com este rácio consegue-se analisar a capacidade da empresa financiar os seus activos não correntes através de CP e passivos não correntes. Solvabilidade Geral: Este rácio avalia a capacidade da empresa em solver os seus compromissos a médio e longo prazo. Desta forma, consegue-se analisar a independência da empresa face aos seus credores (Encarnação, 2009). (8.3) (8.4) (8.5)
Anexos XII Profit Margin: Este rácio é importante quando se pretende comparar várias empresas do mesmo sector. Quanto maior a margem de lucro, mais rentável é a empresa. Esta análise permite concluir o nível de custos de cada empresa, a sua rentabilidade. Assim, torna-se possível fazer uma análise de benchmarking. EBIT Marginal: Considerar valores antes de juros e impostos permite uma leitura mais clara das decisões de gestão de cada empresa. O EBIT Marginal acaba por ser usado pelos analistas para avaliar a saúde financeira da empresa. (8.7) (8.6)
Anexos XIII Anexo D Tabela D 1: Definição de Reservas Provadas As reservas provadas são consideradas pela SPE (Society of Petroleum Engineers) e pelo WPC (World Petroleum Council) como as quantidades de crude, GN e GNL que, por análise de dados geológicos e de engenharia, podem ser estimadas com grande certeza (probabilidade mínima de 90%) como sendo comercialmente recuperáveis de jazidas conhecidas, nas actuais condições económicas, métodos operacionais e regulamentos governamentais. Estas actuais condições devem integrar o preço histórico do crude e os seus custos associados. Ao se analisar as reservas provadas não só se avalia a produtividade do poço ou jazida mas também a sua quantidade real. (Galp Energia , 2011). Pela definição do SEC, as reservas provadas estão submetidas a uma avaliação semelhante à que é efectuada pela SPE e pelo WPC mas podem ser categorizadas em desenvolvidas ou não-desenvolvidas. As desenvolvidas são aquelas que podem ser recuperadas com facilidade e sem grande investimento. Já as não-desenvolvidas são aquelas que podem ser recuperadas, mas exigem novos investimentos (Total, 2012). Tabela D 2: Diferença entre as definições de Reservas Provadas Fonte: (Moreira, et al., 2006) Fonte: (BP, 2012b) Gráfico D 1: Distribuição das reservas provadas mundiais
Anexos XIV Gráfico D 2: Quantidade de reservas provadas no mundo Fonte: (BP, 2012b) 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 1980 1982 1984 1986 1988 1990 1992 1994 1996 1998 2000 2002 2004 2006 2008 2010 Mil milhões bbl Total World
Anexos XV Anexo E Anexo E.1 Gráfico E 1: Comportamento do ROE das empresas de 2004 a 2010 Gráfico E 2: Comportamento do ROA das empresas de 2004 a 2010 -10,00 -5,00 0,00 5,00 10,00 15,00 20,00 25,00 30,00 35,00 40,00 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 GALP Total Repsol BP MOL -4,00 -2,00 0,00 2,00 4,00 6,00 8,00 10,00 12,00 14,00 16,00 18,00 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 Galp Total Repsol BP MOL
Anexos XVI Gráfico E 3: Comportamento do Stock Turnover de 2004 a 2010 5,00 7,00 9,00 11,00 13,00 15,00 17,00 19,00 21,00 23,00 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 Galp Total Repsol BP MOL
Anexos XVII Anexo E.1.1 Com o objectivo de confirmas a afirmação feita na análise do rácio de Solvabilidade Geral, isto é que a Galp é a empresa que mais alavancada, contrariamente à Mol, procedeu-se à análise de desempenho das empresas, e assim medir com que eficiência as empresas utilizam os seus activos e a forma como gerem as suas operações. Todas as empresas assumem uma alavancagem financeira dado que todas apresentam um ROE maior que o ROA (Herciu, et al., 2010). Uma vez que o ROE não considera o risco associado à criação de dívida, a análise DuPont, pode fornecer esse elemento (Gitman, 2000). Então se: e, Tabela E 1: Valores do multiplicador de alavancagem financeira MAF 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 Galp 3,22 2,85 2,58 2,37 2,99 3,03 3,35 Total 2,75 2,61 2,61 2,53 2,41 2,43 2,38 Repsol 2,09 2,73 2,51 2,46 2,31 2,70 2,59 BP 2,45 2,52 2,47 2,40 2,46 2,30 2,82 MOL 2,04 1,93 1,70 2,65 2,37 2,28 2,27 A Galp é, na maioria dos anos a empresa que maior multiplicador de alavancagem financeira (MAF) – empresa mais alavancada. Já a MOL é a empresa que neste período menos alavancagem apresentou. (8.8) (8.9)
Anexos XXIV Tabela F 8: Valor do Risco 1 Ponderações Risco 1 Ponderação A (Ap) Ponderação B (Bp) Ponderação C (Cp) C1 C2 C1 C2 C1 C2 50% 50% 70% 30% 30% 70% BP 0,713 0,719 0,708 Galp 0,765 0,789 0,742 Mol 0,694 0,689 0,699 Repsol 0,657 0,637 0,676 Total S.A 0,690 0,685 0,695 Σ 0,0399 0,056 0,024 O cenário escolhido para a análise final dos riscos foi a ponderação B(Bp) descrita na Tabela F.8, dado que é esta que apresenta um desvio-padrão maior, e por isso, considerada a mais volátil – maior o risco.
Anexos XXV Figura F 1: Distribuição mundial do risco país e a distribuição da produção das empresas por continente Fonte : (Maplecroft, 2012) Legenda
Anexos XXVI Anexo F.2: Risco de exposição às políticas energéticas incertas Tabela F 9: Risco 2 Empresa 2011 Detêm Políticas Inovadoras (1) BP 0 Galp 1 Mol 1 Repsol 0 Total S.A. 0 (1) É dado o valor 0,25 (ilustrado como zero) às empresas que alegam, nos seus relatórios de contas, ter políticas extras às regulamentadas, de forma a anteciparem a alteração da regulação e assim posicionarem-se à frente da concorrência. O valor 0,75 (ilustrado como 1) é dado às restantes empresas. Este valor não é zero nem um, pois uma empresa com políticas extraordinárias não deixa de estar exposta a este risco, o mesmo acontecendo com um empresa que apenas aplica as políticas exigidas – não é certo que entre em não conformidade com a lei, ou que a empresa não consiga gerir o seu portfólio de modo a minimizar os seus possíveis danos gerados por uma “rápida” mudança de políticas energéticas.
Anexos XXVII Anexo F.3: Contenção de custos Para a análise deste risco apenas foi tido em conta a necessidade das empresas terem de baixar os custos operacionais “hoje”, para que no futuro consigam dar resposta a uma possível queda de produção, e a possíveis cenário adversos. A necessidade das empresas investirem em energias alternativas (nova tecnologia) está avaliado em outros riscos, não fazendo assim, sentido avalia-lo repetidamente. Tabela F 10: Análise de contenção de custos Risco 3 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 BP Operating revenue (Turnover) 216.405.342 215.627.115 209.078.995 199.017.461 265.108.814 171.344.627 230.966.939 Operating P/L [=EBIT] 14.610.601 27.786.646 26.796.278 22.093.091 25.452.072 18.396.134 -2.767.249 Operating costs 201.794.741 187.840.469 182.282.717 176.924.370 239.656.742 152.948.494 233.734.187 Percentagem do custo 93,249% 87,114% 87,184% 88,899% 90,399% 89,264% 101,198% Média 91,044% Desvio-Padrão 4,941% Coeficiente de Variação 5,427% Galp Operating revenue (Turnover) 9.309.219 11.263.445 12.609.000 12.649.504 15.187.000 12.127.302 14.155.917 Operating P/L [=EBIT] 438.807 514.321 950.000 1.006.442 166.000 448.566 726.240 Operating costs 8.870.412 10.749.124 11.659.000 11.643.062 15.021.000 11.678.736 13.429.677 Percentagem do custo 95,286% 95,434% 92,466% 92,044% 98,907% 96,301% 94,870% Média 95,044% Desvio-Padrão 2,324% Coeficiente de Variação 2,445%
Anexos XXVIII Risco 3 (Continuação) 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 MOL Operating revenue (Turnover) 8.030.013 9.817.438 11.856.480 10.503.833 13.592.958 12.426.427 15.503.291 Operating P/L [=EBIT] 1.016.361 1.208.265 1.622.941 1.399.080 761.809 857.697 857.011 Operating costs 7.013.652 8.609.173 10.233.538 9.104.752 12.831.149 11.568.730 14.646.280 Percentagem do custo 87,343% 87,693% 86,312% 86,680% 94,396% 93,098% 94,472% Média 89,999% Desvio-Padrão 3,784% Coeficiente de Variação 4,205% Repsol Operating revenue (Turnover) 41.689.000 49.368.000 51.355.000 52.098.000 61.048.000 48.551.000 56.710.000 Operating P/L [=EBIT] 4.547.000 5.874.000 5.911.000 4.989.000 5.083.000 3.244.000 7.621.000 Operating costs 37.142.000 43.494.000 45.444.000 47.109.000 55.965.000 45.307.000 49.089.000 Percentagem do custo 89,093% 88,102% 88,490% 90,424% 91,674% 93,318% 86,561% Média 89,666% Desvio-Padrão 2,300% Coeficiente de Variação 2,565% Total S.A Operating revenue (Turnover) 100.481.000 117.057.000 132.689.000 136.824.000 160.331.000 112.267.000 140.755.000 Operating P/L [=EBIT] 16.238.000 24.139.000 24.295.000 25.487.000 23.825.000 15.256.000 19.111.000 Operating costs 84.243.000 92.918.000 108.394.000 111.337.000 136.506.000 97.011.000 121.644.000 Percentagem do custo 83,840% 79,378% 81,690% 81,372% 85,140% 86,411% 86,423% Média 83,465% Desvio-Padrão 2,726% Coeficiente de Variação 3,267% Fonte: (Amadeus, 2012),
Anexos XXIX ( ) ( ) Sendo, Xn o valor absoluto de um dos indicadores, de determinado ano e o IX o índice de variação do ano anterior, ou caso se estipule, do ano base. O risco 3 foi baseado no coeficiente de variação calculado na Tabela F 10 Tabela F 11: Valores do Risco 3 Risco 3 BP 0,0542747 Galp 0,0244473 Mol 0,0420478 Repsol 0,0256516 Total S.A. 0,0326656 0,035817 (8.13) (8.14)
Anexos XXX Anexo F.4: Risco de agravamento dos termos fiscais Tabela F 12: Percentagem de impostos a que as empresas estão sejeitas 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 BP P/L before tax 18.403.628 27.138.578 26.403.949 21.586.831 24.761.772 17.490.042 -3.607.724 38.834.000 Taxation 6.287.209 8.054.143 9.398.016 7.131.194 9.113.220 5.823.269 -1.122.585 12.737.000 Galp P/L before tax 409.026 483.399 940.000 1.044.791 156.000 441.183 614.235 591.198 Taxation 111.916 123.235 180.000 267.993 33.000 98.597 166.437 149.092 Repsol P/L before tax 4.260.000 5.418.000 5.429.000 4.718.000 4.777.000 2.862.000 6.689.000 4.058.000 Taxation 1.309.000 2.332.000 2.220.000 2.338.000 1.940.000 1.130.000 1.742.000 1.514.000 MOL P/L before tax 1.037.353 1.080.634 1.473.879 1.333.881 700.337 634.975 573.596 764.386 Taxation 194.716 115.724 98.524 322.130 63.989 295.759 226.917 116.820 Total P/L before tax 18.561.000 23.737.000 24.167.000 25.335.000 23.378.000 14.738.000 19.082.000 24.729.000 Taxation 8.570.000 11.806.000 13.720.000 13.575.000 14.146.000 7.751.000 10.228.000 14.073.000 BP % em Impostos 34,163% 29,678% 35,593% 33,035% 36,804% 33,295% 31,116% 32,799% Galp % em Impostos 27,362% 25,493% 19,149% 25,650% 21,154% 22,348% 27,097% 25,219% Repsol % em Impostos 30,728% 43,042% 40,892% 49,555% 40,611% 39,483% 26,043% 37,309% MOL % em Impostos 18,770% 10,709% 6,685% 24,150% 9,137% 46,578% 39,560% 15,283% Total % em Impostos 46,172% 49,737% 56,772% 53,582% 60,510% 52,592% 53,600% 56,909% Fonte: (Amadeus, 2012) (BP, 2012a), (Galp Energia, 2012b), (MOL, 2012), ( Repsol YPF, 2012a), (Total, 2012)
Anexos XXXI O cálculo deste risco foi feito pelo coeficiente de variação do peso dos impostos no resultado bruto das empresas. Tabela F 13: Valor do risco 4 Anexo F.5: Desafios relacionados com ambiente, qualidade e segurança A análise deste risco teve como critérios o Investimento Social e os dias de formação dadas pela empresa, este critério está em dias por ano a cada funcionário ( ) Sendo, p1 neste estudo 70%. Tabela F 14: Variáveis a considerar para o cálculo do risco 5 2011 Inv. Social RLE Dias de Formação BP 75,7 20538,339 0,0037 5,0 Galp 5,5 452 0,0122 0,8 Mol 0,6 647,5665 0,0009 0,9 Repsol 29,0 2193 0,0132 2,0 Total S.A 305,0 12276 0,0248 5,8 σ Risco 4 BP 33,310% 2,283% 6,854% Galp 24,184% 2,962% 12,248% Repsol 38,458% 7,280% 18,930% MOL 21,359% 14,623% 68,463% Total S.A 53,734% 4,468% 8,315% Fonte: (BP, 2012c); (Galp, 2012a); (Mol, 2012); (Repsol, 2012d); (Total, 2012b) (8.15) (8.16)
Anexos XXXII Devido à grande diferença de escalas calculou-se, através da Equação (8.12), as ponderações de forma a estandardizar os valores: Tabela F 15: Média dos Critérios aplicados ao risco 5 e respectivas ponderações de estandardização Ponderações de estandardização 0,0110 P1 0,9962 2,9 P2 0,0038 Tabela F 16: Critérios de Risco 5 estandardizados C1e C2e Bp 0,0036719 0,018834 Galp 0,0121275 0,002935 Mol 0,0008777 0,003453 Repsol 0,0131741 0,007534 Total 0,0247516 0,021847 Tabela F 17: Valores do Risco 5 Risco 5 BP 0,991779 Galp 0,99063 Mol 0,99835 Repsol 0,988518 Total S.A 0,97612 Anexo F.6: Risco de défice de capital humano Os critérios analisados para quantificar este risco foram: Critério 1: Percentagem de colaboradores acima dos 45 anos Critério 2: Taxa de rotatividade Critério 3: ROI de capital humano (8.17)
Anexos XXXIII Gráfico F 1: Distribuição etária da Galp Fonte: (Galp Energia, 2012a) Gráfico F 2: Distribuição etária da Mol Fonte: (MOL, 2012) Gráfico F 3: Distribuição etária da Repsol Fonte: (Repsol, 2012a) Gráfico F 4: Distribuição etária da Total S.A. Fonte: (Total, 2012b) 4% 28% 32% 25% 11% Galp 18-24 25-34 35-44 45-54 55+ 18% 55% 27% MOL 18-29 30-49 50 1% 22% 37% 21% 17% 2% Repsol -20 21-30 31-40 41-50 51-60 +60 6% 30% 28% 24% 12% Total 18-24 25-34 35-44 45-54 55+
Anexos XL Tabela F 30: Análise do Resultado Líquido face ao GEE emitidos pelas empresas de 2008 a 2010 2008 2009 2010 2011 BP GEE 61,4000 65,0000 64,9000 61,8000 RL 15.648,5514 11.666,7730 -2.485,1392 20.538,3390 RL/GEE 254,8624 179,4888 -38,2918 332,3356 182,0987 Critério 1 0,0055 Galp GEE 2,9499 2,7722 3,1788 3,7313 RL 122,0000 352,7960 447,7980 433,0000 RL/GEE 41,3567 127,2638 140,8689 116,0467 106,3840 Critério 1 0,0094 Mol GEE 6,5600 5,3000 7,1700 7,2300 RL 540,0242 333,0741 389,7451 647,5665 RL/GEE 82,3208 62,8442 54,3578 89,5666 72,2723 Critério 1 0,0138 Repsol GEE 25,8730 24,1100 23,3800 23,1400 RL 2.837,0000 1.744,0000 4.947,0000 2.193,0000 RL/GEE 109,6510 72,3351 211,5911 94,7710 122,0870 Critério 1 0,0082 Total GEE 56,0000 55,0000 52,0000 46,0000 RL 10.590,0000 8.447,0000 10.571,0000 12.276,0000 RL/GEE 189,1071 153,5818 203,2885 266,8696 203,2117 Critério 1 0,0049 Fonte: (BP, 2012d), (Galp Energia, 2012a), (MOL, 2012), ( Repsol,2012a; 2012c), (Total, 2012)
Anexos XLI A análise da variação dos GEE em cada empresa foi calculada pelas seguintes equações: ( ) Sendo, ( ) onde, i a taxa de diminuição de GEE necessários para que as metas do cenário 450 sejam cumpridas, n=40, uma vez que o cenário 450 vai de 2010 a 2050. O m450c corresponde às metas descritas pelo mesmo. Tomou-se como pressuposto que para que o cenário 450 seja atingido é necessário que todas as empresas mundiais diminuam os seus GEE em 69,5%, face às emissões de 2010. O 50% foi considerado como sendo o risco neutro, isto é, a empresa apenas atinge as medidas necessárias para o cumprimento deste cenário. Tabela F 31: Variação dos GEE de 2011, face a 2010 Critério 2 BP 0,48 Galp 0,70 Mol 0,54 Repsol 0,52 Total 0,41 Para comparar os critérios, procedeu-se à estandardização dos mesmos: Tabela F 32: Média dos critérios a analisar e ponderações de estandardização ponderação de estandardização 0,0084 p1 0,9844495 0,53 p2 0,0155505 (8.24) (8.25)
Anexos XLII Tabela F 33: Critérios Estandardizados Estandardização C1 Estandardização C2 BP 0,0054061 BP 0,007 Galp 0,0092537 Galp 0,011 Mol 0,0136214 Mol 0,008 Repsol 0,0080635 Repsol 0,008 Total 0,0048445 Total 0,006 Tabela F 34: Valor do Risco 9 Risco 9 BP 0,00004 Galp 0,00010 Mol 0,00011 Repsol 0,00006 Total 0,00003
Anexos XLIII Anexo F.10: A concorrência pela nova tecnologia Sendo, x a empresa, InvU o investimento em Upstream da mesma empresa. Tabela F 35: Valor do Investimento face ao Total dos Activos em 2011, para cada empresa Inv (M€) Activos (M€) BP 19.151,25 219.801 8,71% Galp 354 10.155,42 3,49% Mol 391,3 17.474,8 2,24% Repsol 1.813 70.957 2,56% Total 21.689 164.049 13,22% Fonte (BP, 2012b), (Galp Energia, 2012b), (MOL, 2012), ( Repsol YPF, 2012a), (Total, 2012) Tabela F 36: Valor do Risco 10 Risco 10 BP 11,48 Galp 28,69 Mol 44,66 Repsol 39,14 Total 7,57 Anexo F.11: Análise integrada dos riscos Tabela F 37: Qualificação dos riscos apresentados pela Ernst & Young R1 R2 R3 R4 R5 R6 R7 R9 R10 Bp 0,71882 0,25000 0,05427 0,06854 0,99178 0,16093 0,96134 0,00644 0,11480 Galp 0,78872 0,75000 0,02445 0,12248 0,99063 0,18076 0,96778 0,01008 0,28690 Mol 0,68932 0,75000 0,04205 0,68463 0,99835 0,19218 0,98628 0,01098 0,44660 Repsol 0,63723 0,25000 0,02565 0,18930 0,98852 0,14065 0,97743 0,00806 0,39140 Total S.A 0,68547 0,25000 0,03267 0,08315 0,97612 0,09122 0,92879 0,00563 0,75700 Média 0,70391 0,45000 0,03582 0,22962 0,98908 0,15315 0,96432 0,00824 0,39934 (8.26)
Anexos XLIV Tabela F 38: ponderações de Estandardização Ponderações de estandardização P1 0,008218 P2 0,012768 P3 0,161514 P4 0,025194 P5 0,005849 P6 0,063747 P7 0,005999 P9 0,702226 P10 0,014486 Tabela F 39: Qualificação dos riscos apresentados pela Ernst & Young Estandardizados R1 R2 R3 R4 R5 R6 R7 R9 R10 Bp 0,00591 0,00319 0,00877 0,00173 0,00580 0,01026 0,00577 0,00452 0,00166 Galp 0,00648 0,00958 0,00395 0,00309 0,00579 0,01152 0,00581 0,00708 0,00416 Mol 0,00567 0,00958 0,00679 0,01725 0,00584 0,01225 0,00592 0,00771 0,00647 Repsol 0,00524 0,00319 0,00414 0,00477 0,00578 0,00897 0,00586 0,00566 0,00567 Total S.A 0,00563 0,00319 0,00528 0,00209 0,00571 0,00582 0,00557 0,00395 0,01097 Tabela F 40: Peso do Risco face a análise Ernest & Young Intensidade R1 11 19,0% R2 10 17,2% R3 9 15,5% R4 8 13,8% R5 6 10,3% R6 5 8,6% R7 4 6,9% R9 3 5,2% R10 2 3,4% Soma 58
Anexos XLV Tabela F 41: Quantificação dos riscos Ernst & Young ponderados Ponderado a E&Y BP Galp Mol Repsol Total R9 0,000233805 0,000366 0,000399 0,000293 0,000205 R2 0,000550332 0,001651 0,001651 0,00055 0,00055 R3 0,001360261 0,000613 0,001054 0,000643 0,000819 R5 0,000600075 0,000599 0,000604 0,000598 0,000591 R6 0,000884365 0,000993 0,001056 0,000773 0,000501 R7 0,000397727 0,0004 0,000408 0,000404 0,000384 R10 5,73454E-05 0,000143 0,000223 0,000196 3,53E-05 R1 0,001120381 0,001229 0,001074 0,000993 0,001068 R4 0,000238179 0,000426 0,002379 0,000658 0,000289 0,000604719 0,000713 0,000983 0,000568 0,000494 Para estandardizar todos os valores do risco obtidos, recorreu-se ao Mathematics, para calcular as ponderações necessárias (Figura F 2):
Anexos XLVI Figura F 2: Cálculo dos termos de ponderação
Anexos XLVII Anexo G – Taxas de Câmbio As taxas de câmbio, quando necessárias, foram as seguintes (Banco de Portugal, 2012):