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Utilização de parâmetros de furação para previsões geológicas e geotécnicas na fase de execução de obras subterrâneas

Marcelo Soares Pereira

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Utilização de parâmetros de furação para previsões geológico e geotécnicas na fase de execução de obras subterrâneas Marcelo Pereira Mestrado em Geologia Departamento de Geociências , Ambiente e Ordenamento do Território 2013 Orientador Doutor Rui Miguel Marques Moura, Professor Auxiliar, Faculdade de Ciências da Universidade do Porto Coorientadora Doutora Maria Isabel Gonçalves Fernandes, Professora Auxiliar, Faculdade de Ciências da Universidade do Porto Todas as correções determinadas pelo júri, e só essas, foram efetuadas. O Presidente do Júri, Porto, ______/______/_________ FCUP Agradecimentos V Agradecimentos Gostaria de expressar o meu sincero agradecimento a todos aqueles que permitiram a realização deste trabalho, dos quais não poderia deixar de destacar: Os meus orientadores: Professor Rui Miguel Marques Moura, pela orientação, colaboração, disponibilidade, contribuindo de forma preponderante para a realização deste estudo. Professora Maria Isabel Gonçalves Fernandes pela incansável colaboração, pelo constante incentivo e pelo profissionalismo demonstrado, concedendo-me a oportunidade de concretizar o presente estudo. Não poderia de deixar de agradecer, também, todos os seus ensinamentos que ao longo do meu percurso académico em muito me enriqueceram. A minha família, em especial aos meus pais e minha irmã, pelo carinho e apoio constantes na minha vida pessoal, académica e profissional, pela luta para permitirem que eu pudesse alcançar um patamar mais alto na vida. Aos meus amigos, que de alguma forma contribuíram para que eu conseguisse desenvolver este trabalho, pois foram de extrema importância na conclusão desta etapa. VI FCUP Resumo VII Resumo A escavação de túneis está intimamente relacionada com as formações geológicas que são intersectadas. Apesar de ser já longa a utilização de túneis para o atravessamento de barreiras naturais e artificiais, ainda hoje nos confrontamos com adversidades que as condições dos terrenos podem apresentar durante a construção de um túnel. Muitas das vezes os Zonamentos Geológico-Geotécnicos, para este tipo de obras, não contemplam todas as zonas conturbadas ou afetadas por acidentes geológicos. Este facto deve-se a que os diversos tipos de prospeção utilizados na fase de projeto nem sempre alcançam uma cobertura completa do maciço a escavar, devido a várias restrições como a profundidade e o relevo. As condições geológicas e geotécnicas dos maciços refletem-se direta ou indiretamente nos diferentes parâmetros de furação, pelo que o estudo das suas relações fortalecem, inevitavelmente, a apreciação prévia das condições geomecânicas a atravessar. A presente dissertação surgiu do interesse da aplicação de relações entre a análise dos dados de furação, registados ao longo da escavação de dois túneis, com a cartografia geológico-geotécnica efetuada e as classificações de maciços rochosos, de modo a prever variações nas condições geológicas e geotécnicas do maciço a escavar. Os resultados obtidos revelaram que as relações permitem uma estimativa das condições geotécnicas intersetadas. A alteração e fracturação do maciço são as características que alcançaram melhores relações. Deste modo, uma avaliação prévia das características geomecânicas a intersectar permite a preparação de procedimentos e meios adequados para o tipo de maciço a atravessar. Palavras-chave: Túneis; Previsões geológicas; Parâmetros de Furação; Condições geológico-geotécnicas. FCUP Abstrat VIII Abstract Underground excavation is closely related to the geological formations that are intersected. Although tunnels have been intensively used for crossing natural and artificial barriers, we are still confronted with difficulties presented by the conditions of the terrain during the construction of a tunnel. The geological-geotechnical zoning systems for this type of work, don´t often show all the areas affected by geological accidents. This is due to the fact that the various methods of site investigation used in the design phase not always cover all the length to be excavated, due to various constraints such as depth and relief. Geological and geotechnical conditions of the rock masses are reflected directly or indirectly in the different drilling parameters and the study of their relationships reinforces, inevitably, the previous assessment of the geomechanical conditions of material to be excavated. The present work is based on the interest of obtaining relationships between data analysis of drilling works, recorded along the excavation of two tunnels, with the geological-geotechnical mapping performed and the classifications of the rock mass, in order to preview the variations in geological and geotechnical conditions of the rock mass. The results revealed that relationships allow estimating the geotechnical conditions intersected. The weathering and fracturation of the rock mass are the features that have better relationships. Therefore, previous assessment of the geomechanical features that will be intersected allows the preparation of the procedures and the appropriate equipment to be used in the excavation of the rock mass. Key words: Tunnels; Geological predictions; Drilling parameters; Geologicalgeotechnical conditions. IX FCUP Lista de figuras XVI Lista de Figuras Página Fig.1 - Avaliação do parâmetro JRC por comparação com perfis-tipo (ISRM, 1978) 39 Fig.2 - Ábaco de Miller para o cálculo da resistência a partir do martelo de Schmidt, ou esclerómetro (adaptado de Vallejo et al., 2002). 42 Fig.3 - Resistência à Compressão Simples (modificado de Bieniawski, 1989). 45 Fig. 4 - Pesos referentes ao parâmetro RQD (modificado de Bieniawski, 1989). 46 Fig.5 - Parâmetro do espaçamento das descontinuidades (modificado de Bieniawski, 1989). 47 Fig.6 - Percolação de Água Subterrânea (modificado de Bieniawski, 1989). 47 Fig.7 - Diferentes pesos para as características das descontinuidades (modificado de Bieniawski, 1989). 48 Fig.8 - Orientação das descontinuidades em relação com eixo do túnel (modificado de Pinto, 2010). 49 Fig.9 - Pesos a adoptar relativo à orientação das descontinuidades (modificado de Bieniawski, 1989). 49 Fig.10 - Designação da qualidade da rocha – RQD (modificado de Barton et al., 1974). 52 Fig.11 - Índice do número de famílias (modificado de Barton et al., 1974). 53 Fig.12 - Perfis de rugosidade e correspondente campo de variação dos valores de JRC associados (ISRM, 1978). 54 Fig.13 - Índice de rugosidade das fraturas (modificado de Barton et al., 1974). 54 Fig.14 - Fator de alteração das descontinuidades (modificado de Barton et al., 1974). 55 Fig.15 - Fator de redução pela água (modificado de Barton et al., 1974). 56 Fig.16 - Factor de redução pelas tensões, SRF (modificado de Barton et al., 1974). 57 Fig.17 - Resultados dos ensaios de Carga Pontual ao longo do Túnel 1. 68 Fig.18 - Evolução dos valores de RMR ao longo da escavação. 70 Fig.19 - Percentagens das diferentes Classes referentes à qualidade do maciço rochoso. 71 Fig.20 - Evolução dos valores de Q ao longo da escavação. 72 FCUP Lista de figuras XVII Fig.21 - Distribuição dos valores de Q pelas diferentes classes do sistema de Barton et al. (1974). 73 Fig.22 - Correlação RMR-Q com base nos resultados das classificações efectuadas na frente de escavação em cada avanço 73 Fig.23 - Resultados dos ensaios de Carga Pontual ao longo do Túnel 2. 79 Fig.24 - Evolução dos valores de RMR ao longo da escavação 81 Fig.25 - Percentagens das diferentes classes referentes à qualidade do maciço rochoso no Túnel 2. 82 Fig.26 - Evolução dos valores de Q ao longo da escavação. 82 Fig.27 - Distribuição dos valores de Q, do Túnel 2, pelas diferentes classes do sistema de Barton et al., 1974. 84 Fig.28 - Correlação RMR-Q com base nos resultados das classificações efectuadas na frente de escavação em cada avanço. 84 Fig.29 - Variação de parâmetros de furação ao longo da escavação do Túnel 1. 86 Fig.30 - Variação da velocidade de furação ao longo da escavação do Túnel 1. 87 Fig.31 - Variação de parâmetros de furação ao longo da escavação do Túnel 2. 90 Fig.32 - Variação da velocidade de furação ao longo da escavação do Túnel 2. 91 Fig.33 - Relação entre os valores de RMR e a Velocidade de Furação para o Túnel 1. 96 Fig.34 - Relação entre os valores de Q e a Velocidade de Furação para o Túnel 1. 96 Fig.35 - Relação entre o espaçamento das descontinuidades e a velocidade de furação no Túnel 1. 99 Fig.36 - Relação entre Resistência à Compressão Uniaxial e a velocidade de furação no Túnel 1. 100 Fig.37 - Relação entre os valores de Resistência à Compressão Uniaxial e a Velocidade de Furação, exceptuando as principais zonas de maciço são ou pouco alterado com intersecções de falhas. 100 Fig.38 - Relação entre os valores de ensaios de carga pontual e a velocidade de furação no Túnel 1. 101 Fig.39 - Relação entre as percentagens de RQD e a velocidade de furação no Túnel 1. 102 FCUP Lista de figuras XVIII Fig.40 - Relação entre somatório dos pesos referentes às características das descontinuidades, segunda a classificação de Bieniawski (1989) e a velocidade de furação no Túnel 1. 103 Fig.41 - Relação entre a orientação das descontinuidades e a velocidade de furação ao longo do Túnel 1. 104 Fig.42 - Evolução da velocidade de furação e ocorrência de falhas geológicas ao longo do Túnel 1. 105 Fig.43 - Relação entre os valores de RMR e a Velocidade de Furação para o Túnel 2. 106 Fig.44 - Relação entre os valores de Q e a Velocidade de Furação para o Túnel 2. 107 Fig.45 - Relação entre o espaçamento das descontinuidades e a velocidade de furação no Túnel 2. 109 Fig.46 - Relação entre Resistência à Compressão Uniaxial e a velocidade de furação no Túnel 2. 110 Fig.47 - Relação entre os valores de ensaios de carga pontual e a velocidade de furação no Túnel 2. 111 Fig.48 - Relação entre as percentagens de RQD e a velocidade de furação no Túnel 2. 112 Fig.49 - Relação entre somatório dos pesos referentes às características das descontinuidades, segunda a classificação de Bieniawski, 1989, e a velocidade de furação no Túnel 2. 113 Fig.50 - Distribuição das velocidades estatísticas e a orientação das descontinuidades no Túnel 2. 114 Fig.51 - Evolução da velocidade de furação e ocorrência de falhas geológicas ao longo do Túnel 2. 115 FCUP Lista de abreviaturas XIX Lista de Abreviaturas a.C. - Antes de Cristo bar - Unidade de pressão d.C - Depois de Cristo F - Falha FP - Falha provável G.S.I - Geological Strength Index ISRM - International Society Rock Mechanics JRC - Joint Roughness Coefficient Jn - Número de famílias de diaclases Jr - Rugosidade da família de diaclases Ja - Alteração das paredes das diaclases Jw - Condições de percolação da água Kms - Quilómetros LFJ - Large flat jack m - Metros min - Minutos MPa - Mega Pascais Pk 0+XXX - Distância ao início da escavação Q - Índice da classificação de Barton et. al. (1974) RCU - Resistência à compressão simples RMR - Rock Mass Rating RQD - Rock Quality Designation SFJ - Small Flat Jacks SRF - Parâmetro relativo às tensões na envolvente da escavação FCUP Introdução 1 Introdução Os túneis são compreendidos como estruturas subterrâneas que visam facilitar a ligação entre dois locais distintos. Desde há longos anos que o Homem recorre à construção destas passagens subterrâneas para ultrapassar várias barreiras naturais e artificiais. Entenda-se por barreiras naturais, por exemplo, rios, lagos, montanhas, etc. e por barreiras artificiais os prédios, estradas ou mesmo até cidades. Atualmente, a construção de túneis tem um campo de aplicabilidade tão vasto que poderá ser difícil a numeração de todas as suas aplicações. De um modo geral os túneis têm como finalidade a ligação entre vias de comunicação, passagens hidráulicas, galerias mineiras, acessos a depósitos de armazenamento ou cavernas, entre outras. A Geologia de Engenharia tem um papel fundamental na construção de obras subterrâneas, pois estas inserem-se nas mais diversas formações geológicas. O acompanhamento geológico-geotécnico é efetuado desde as fases preliminares do projeto até a fase final da sua execução. Em alguns casos poderá estender-se à fase de exploração. Na construção de túneis, como na maioria das obras subterrâneas, há a necessidade de realizar um acompanhamento contínuo e interventivo durante a fase de execução das escavações. Este tipo de construções carateriza-se por um elevado grau de incerteza, devido à variável e complexa envolvente geológica. A investigação das características geológicas torna-se fulcral para um acompanhamento adequado, na perspetiva de prever e aferir condições adversas e desenvolver procedimentos adequados à execução da obra. O atravessamento de zonas conturbadas e a interseção de acidentes geológicos são as principais condicionantes durante as escavações em maciços rochosos. A gestão destes fatores tem, cada vez mais, um papel relevante na identificação e mitigação dos riscos que põem em causa a sua construção, sejam eles financeiros ou de segurança. A elaboração do zonamento geológico-geotécnico para a execução de um túnel permite fazer uma previsão das características geomecânicas a atravessar durante a escavação. Este zonamento é efetuado com base nos resultados obtidos a partir do plano de prospeção, com o objetivo de caraterizar o maciço que será intersectado. Em obras subterrâneas não é possível, frequentemente, desenvolver um programa de prospeção capaz de recolher a informação mais detalhada. Os fatores financeiros, FCUP Introdução 2 geológicos e logísticos, restringem muitas das vezes a recolha deste tipo de informação. Deste modo verifica-se a possibilidade de ocorrerem situações geológicas adversas, durante a fase de execução, que o zonamento geológico-geotécnico não contempla. A cartografia geológico-geotécnica realizada durante a execução de um túnel compila o registo detalhado das condições geológicas e geomecânicas, tendo em vista o enquadramento do maciço rochoso no zonamento geológico-geotécnico de projeto, assim com procura antever as condições geológico-geotécnicas do maciço a escavar. Na construção de túneis com utilização de máquinas de perfuração (Jumbos), para desmontes com uso de explosivos, existe um recurso complementar que pode ser utilizado como método de prospeção das condições geológicas a atravessar: a análise dos parâmetros de furação em avanço. Esta análise é uma ferramenta que existe há algum tempo, utilizada maioritariamente na perfuração de poços para prospeção mineira. Verifica-se no entanto, que para escavações de obras subterrâneas existe uma carência de informação sobre o uso efetivo deste método. Os registos dos diferentes parâmetros de furação permitem observar uma resposta do comportamento da furação em relação ao maciço escavado. Deste modo é possível verificar se existem relações que permitam prever as características do maciço a escavar. Tendo em consideração o número elevado de escavações subterrâneas, parece de grande interesse a verificação de possíveis relações de parâmetros de furação com as características geomecânicas do maciço perfurado, numa tentativa de enriquecer esta ferramenta como um método eficaz na prospeção geotécnica. Assim, com este estudo pretendeu-se demonstrar, de forma qualitativa, as relações entre os parâmetros de furação e a características geológico-geotécnicas dos maciços rochosos intersetados. Objetivo e estrutura do trabalho Parar a realização deste trabalho procedeu-se à realização de cartografia geológico-geotécnica em túneis, aplicação das classificações geomecânicas de Bieniawski (1989) e de Barton et al. (1974) e realizaram-se ensaios de carga pontual. O objetivo principal é atestar, através de correlações, a possibilidade de se efetuarem previsões das condições geotécnicas, atravessadas pela construção de túneis, através da análise de parâmetros de furação. Para esta análise, primeiramente, será efetuada a relação entre diferentes parâmetros de furação com a velocidade da mesma, de modo a aferir a sua influência. Posteriormente, serão realizadas um conjunto de FCUP Introdução 3 correlações entre as velocidades de furação registadas, ao longo de dois túneis, e as diferentes características geológicas e geomecânicas intersectadas. O estudo surgiu do interesse de colmatar a carência de trabalhos que abordem este tipo de análise. Deste modo pretende-se que este trabalho preliminar construa uma base sólida, com o intuito de projetar o desenvolvimento aprofundado desta técnica de previsão. O presente estudo desenvolveu-se segundo as seguintes etapas: - Pesquisa bibliográfica - Cartografia geológico-geotécnica - Recolha e tratamento de dados de furação - Correlação de dados - Elaboração da dissertação A estrutura da dissertação consiste em duas partes distintas, Teórica e Prática. A primeira resulta da pesquisa bibliográfica efetuada. A segunda decorre de todo o trabalho efetuado na recolha e tratamento de dados. Parte Teórica: Capítulo 1: Obras Subterrâneas Neste capítulo é realizada uma abordagem introdutória às generalidades e aplicações das obras subterrâneas, com especial ênfase para os Túneis. São ainda referidos os diferentes estudos aplicados à construção de Túneis. Capítulo 2: Previsões Geológicas Este capítulo reserva-se a descrição dos trabalhos efetuados durante as várias fases de projeto de túneis. Onde se apresentam as informações geológicas, e a sua forma de obtenção, que permitem realizar a previsão das condições geotécnicas a intersectar durante a fase de construção. Capítulo 3: Caracterização do Maciço Rochoso São descritas as diferentes características geotécnicas que são alvo de estudo durante a fase de projeto e execução de um túnel. Capítulo 4: Classificações Geomecânicas São apresentadas e descritas as classificações geomecânicas aplicadas durante a cartografia geológico-geotécnica realizada para este estudo. FCUP Introdução 4 Parte Prática: Capítulo 5: Cartografia Geológico-Geotécnica São, neste capítulo, apresentados resultados da cartografia elaborada, avanço a avanço, durante a construção de dois túneis. Capítulo 6: Parâmetros de Furação Este capítulo é referente à recolha e tratamento dos dados de furação obtidos durante as escavações. Capítulo 7: Relações entre parâmetros de furação e características geológicogeotécnicas Ao longo deste capítulo são correlacionadas as diferentes características geotécnicas recolhidas e a respetiva velocidade de furação nos troços correspondentes. Capítulo 8: Discussão dos resultados Após os resultados do trabalho experimental é efetuada, neste capítulo, uma análise e discussão dos resultados atingidos. Capítulo 9: Considerações Finais São apresentadas, neste capítulo, uma série de considerações resultantes do estudo efetuado. FCUP Obras Subterrâneas 5 1. Obras subterrâneas - Túneis 1.1 Generalidades As obras subterrâneas têm alcançado uma importância no planeamento e gestão do território, tanto em áreas urbanas como no atravessamento de zonas montanhosas. Durante os últimos anos estas obras atingiram notável expansão, prevendo-se que haverá um desenvolvimento ainda mais acentuado no futuro, devido às funções cada vez mais importantes e diversificadas do ponto de vista da engenharia e meio ambiente, que tais obras virão a desempenhar. As inúmeras vantagens da utilização do espaço subterrâneo são apenas ensombradas pelos seus custos associados, dado tratar-se de estruturas complexas executadas por técnicos e empresas altamente especializados (Bastos, 1998; Barzan, 2009). Inicialmente a palavra “túnel”, de origem inglesa, era empregue para designar qualquer galeria subterrânea que se situasse por baixo de um curso de água natural, numa perspetiva de via de comunicação terrestre (Cabral, 1987). Segundo o mesmo autor, foi por questões de semântica que o termo “túnel” passou a contemplar outras cavidades, além das subfluviais. Atualmente associa-se o termo túnel a uma escavação estreita, alongada e essencialmente linear, com um comprimento muito superior à sua largura ou altura, destinada a dar passagem a uma via de comunicação, ou a uma canalização (Loureiro, 2008). Sinteticamente um túnel pode ser considerado como uma secção tubular que passa por solo ou rocha. A construção de túneis sendo ainda um dos maiores desafios para as engenharias, as suas técnicas de construção como os próprios equipamentos sofreram grandes evoluções ao longo do tempo (Salgueiro, 2011). Existem evidências desde os primórdios dos povos pré-históricos que indicam a ocupação e exploração do subsolo. As escavações subterrâneas e a construção de túneis foram das primeiras atividades humanas no âmbito da construção. Os primeiros túneis devem ter surgido com o intuito dos povos pré-históricos se protegerem de intempéries, de ataques de animais, de fogos e mais tarde para abastecimento e drenagem de minas e pedreiras. Muitos destes registos ficaram perdidos no tempo, mas há inequívocas evidências de que na Europa e na Ásia Central o Homem utilizava ferramentas primitivas para escavações subterrâneas. Numa fase inicial, a descoberta da fundição e da produção de metais como o bronze e depois, do ferro e do aço, tornaram as escavações FCUP Obras Subterrâneas 6 em rocha muito mais eficientes. Com o conhecimento elementar da metalurgia houve a necessidade da elaboração de túneis mineiros como forma de fornecer à população metais que se lhe tornariam cruciais com a evolução tecnológica e cultural (Wahlstrom, 1973; Loureiro, 2008; Pinto, 2010; Peixoto, 2010; Salgueiro, 2011). Muitas foram as civilizações, numa busca insaciável de metais preciosos, que desenvolveram a construção de túneis, como Babilónios, Astecas, Incas bem como pela população da Índia, Pérsia e Egipto. Os Romanos como grandes engenheiros que foram, construíram muitos túneis, alguns de ligações a aquedutos e outros, que ainda permanecem como parte integrante dos sistemas de estradas ou de operações militares (Loureiro, 2008; Peixoto, 2010; Pinto, 2010). Desenvolveram-se vários métodos de escavação pelas antigas civilizações, desde o alargamento das suas cavernas naturais à construção do primeiro túnel, este a céu aberto, na Babilónia entre o ano de 2180-2160 a.C. sobre o rio Eufrates, em que para a sua construção, procedeu-se ao desvio do rio, durante a estação seca, para se efetuar a ligação entre o palácio real e o templo. Neste local, posteriormente, os túneis foram intensamente utilizados para a irrigação (Peixoto, 2010; Pinto, 2010; Salgueiro, 2011). Para escavações em diferentes tipos de maciços também se desenvolveram técnicas e ferramentas para uma melhor escavação. Os Egípcios desenvolveram técnicas para cortarem rochas macias com serras de cobre e brocas de cana oca, ambos envoltos num abrasivo. A técnica foi usada inicialmente para extrair blocos de pedra e posteriormente para escavarem grandes templos dentro de rochedos (Salgueiro, 2011). Acredita-se que a aplicação de fogo na construção de túneis possa ter iniciado há centenas e talvez milhares de anos, para trabalhos de escavações subterrâneas em rochas duras, especificamente as que contêm poucas fraturas e fissuras. O fogo aplicavase contra a frente de escavação de forma a causar expansão e fragmentação, após o que a rocha era separada dessa frente de escavação através da utilização de picaretas (Wahlstrom, 1973 in Peixoto, 2010). As civilizações grega e romana também recorreram ao uso de túneis, para fazer a drenagem de pântanos, aquedutos de água, assim como para extração mineira. Da Grécia Antiga surgem vários exemplos da construção de túneis. No ano 532 a.C. os gregos abriram uma galeria de 100 m em rocha, para captação de água; estimase que nessa época os avanços nas galerias não excediam 9 m por ano (Mahtab & Grasso, 1992), no mesmo século, na ilha de Samos, construiu-se um túnel de água que apresentava cerca de 1 km em calcário com uma secção transversal de aproximadamente FCUP Obras Subterrâneas 13 Em resultado da recolha, compilação e integração da informação recolhida no acompanhamento da obra completa-se o projeto de um túnel. Essa informação recolhida na fase de construção serve para fazer eventuais ajustamentos, que podem ter eventuais reflexos no dimensionamento do suporte primário e do revestimento definitivo e permitem aferir os resultados obtidos na fase de projeto (Loureiro, 2008). Segundo Vallejo et al., 2002, os estudos geológicos e geotécnicos, necessários para poder projetar e construir uma obra subterrânea, seguem uma metodologia que tem como principais objetivos: - Estudar as condições geológicas, geotécnicas e hidrogeológicas do traçado; - Identificar pontos singulares ou zonas de maior complexidade geotécnica; - Definir critérios geomecânicos para classificação do maciço a escavar; - Calcular e definir o sustimento e métodos de escavação com base nos parâmetros geomecânicos; - Definir emboquilhamentos e acessos intermédios; - Efetuar tratamentos para estabilização, drenagem ou impermeabilização dos maciços. 1.4. Caraterização de maciços A maior ou menor aptidão para a implantação de uma dada obra subterrânea é efetuada através de uma caraterização geotécnica pormenorizada, onde são analisados vários parâmetros que posteriormente permitem a classificação geotécnica de um dado maciço (Silva et al. 2001). As construções subterrâneas, em que as condições dos maciços não são visíveis, e por isso não podem ser perfeitamente caraterizadas, são de grande complexidade, contribuindo para tal as respetivas condicionantes geotécnicas. Um túnel, como uma obra linear, é certo que encontra, ao longo do seu traçado, terrenos com diferentes características geomecânicas que podem condicionar os processos de execução. De forma a obter-se um dimensionamento adequado dos elementos constituintes do túnel, nomeadamente os sistemas de suporte, e antecipação de potenciais problemas que poderão surgir durante a fase de construção, assim a caracterização geotécnica dos maciços interessados pelo túnel torna-se indispensável, sendo neste contexto que a Geologia e a Geotecnia ganham especial ênfase (Correia, 2001, in Loureiro, 2008; Salgueiro, 2011). FCUP Obras Subterrâneas 14 Uma adequada caraterização geotécnica dos maciços rochosos, natureza geológica dos terrenos, definição dos parâmetros geotécnicos e hidrogeológicos, influencia características do túnel tais como: traçado, secção, perfil longitudinal, geometria, raio de curvatura, recobrimento e emboquilhamentos (Vallejo et al., 2002; Loureiro, 2008). A caraterização do maciço rochoso na fase de projeto compreende a caraterização geológica, a caraterização geomecânica e, por vezes, a caraterização geofísica (Silva et al., 2001). No entanto, esta não termina na fase de projeto, devendo decorrer sistematicamente durante a construção, com o rigor conferido pela acessibilidade ao local de escavação, de forma a permitir afinar métodos, redimensionar estruturas e adotar soluções para ultrapassar eventuais acidentes geológicos (Bastos, 1998). 1.4.1 Caraterização Geológica Ao longo do perfil da obra é inicialmente realizado um reconhecimento de superfície para a recolha de informações respeitantes às formações geológicas e seus estados de alteração, presumíveis falhas geológicas e famílias de diaclases ocorrentes no maciço rochoso. Estas informações condicionam a implantação, a orientação e o comprimento dos furos de sondagem, de modo que permitam uma amostragem representativa do maciço e rocha constituinte em estudo (Silva et al., 2001). O tipo de rocha, a percentagem de recuperação, eventuais falhas atravessadas e respetivas espessuras, o grau de fracturação e de alteração são recolhidos através de uma análise cuidadosa das amostras obtidas nas sondagens efetuadas. Após esta observação, deve ser feita uma criteriosa seleção de amostras para caraterização geomecânica, mediante ensaios laboratoriais (Silva et al., 2001). 1.4.2 Caraterização Geomecânica Para uma boa caraterização geomecânica do maciço numa obra subterrânea é necessária a recolha de informações respeitantes às caracerísticas de deformabilidade do maciço, às características de deformabilidade e de resistência das rochas constituintes desse maciço. A caraterização é relativamente rápida e pouco dispendiosa, uma vez que esta consiste em ensaios de campo que se realizam ao longo dos furos das sondagens e FCUP Obras Subterrâneas 15 de ensaios laboratoriais que se efetuam sobre amostras extraídas dessas mesmas sondagens (Silva et al., 2001). Segundo Silva et al. (2001) as características mecânicas das rochas que deverão ser determinadas mediante ensaios laboratoriais e que maior influência terão no comportamento da estrutura subterrânea, são: - Módulo de deformabilidade e resistência à rotura, em compressão uniaxial; - Resistência à tração; - Resistência à carga pontual; - Resistência ao corte, por ensaios triaxiais; - Resistência das diaclases ao deslizamento. 1.4.3 Caraterização Geofísica De uma forma geral na caracterização geofísica usam-se resultados obtidos através de métodos sísmicos de refração, de reflexão e de métodos de determinação da resistividade elétrica (Silva et al., 2001; Gomes e Pinto, 2011). Para se ter uma precisão adequada é necessário comparar os resultados da caraterização geofísica com as observações fornecidas por uma sondagem mecânica, uma vez que se trata de métodos de extrapolação. Assim, esta caracterização pode fornecer elementos tanto ou mais úteis do que os elementos que a prospeção mecânica (Gomes e Pinto, 2011). FCUP Previsões Geológicas 16 2. Previsões Geológicas 2.1 Generalidades Nos casos dos túneis, a construção a elevadas profundidades pode levar à deficiente informação das condições naturais dos maciços pelos trabalhos de prospeção que sejam realizados (Sousa, 2002, Loureiro, 2008). Todas as informações recolhidas durante as várias fases de prospeção e caraterização resultam na modelação geológica e geomecânica do maciço rochoso. Esta informação resulta na conceção de um perfil geológico-geotécnico que é refinado com o evoluir da informação recolhida ao longo da execução do túnel. Assim o perfil resultante consiste num corte ao longo do eixo do túnel, no qual é apresentada toda a informação conseguida pelos métodos de prospeção (Bastos, 1998; Salgueiro, 2011). Perante o acesso direto ao maciço na frente de escavação durante a fase de construção, o perfil geológico-geotécnico não ficará inalterado, na realidade este deverá ser atualizado e complementado, permitindo assim o reajustamento de métodos construtivos, redimensionamento de estruturas de suporte ou ainda adotação de soluções para ultrapassar eventuais acidentes geológicos imprevistos no projeto (Salgueiro, 2011). Em certas situações, entende-se que o tempo gasto nessa caracterização representa um atraso na conclusão, ou os custos não se consideram justificáveis ou necessários, levando a que não seja feita uma conveniente caracterização geotécnica dos maciços rochosos em que são implantadas as obras subterrâneas. No entanto, são bem conhecidos acidentes estruturais ocorridos, inesperadamente, nos maciços rochosos durante os trabalhos de escavação de obras subterrâneas de grande porte, sendo que uma adequada caracterização geotécnica dos maciços rochosos que suportam tais obras, teria prevenido um número apreciável desses acidentes (Silva et al., 2001). Ao longo do tempo, foram desenvolvidos um conjunto de métodos e ensaios de caracterização assim como sistemas classificativos que permitem uma escolha cuidadosa dos métodos a executar na concretização da obra. Assim, os técnicos envolvidos no projeto e execução de túneis terão de conceber e optar pelos métodos apropriados de construção, bem como prever soluções adequadas para as opções escolhidas, tendo como base a prospeção e caracterização geológico-geotécnica dos terrenos (Salgueiro, 2011). FCUP Previsões Geológicas 17 A delimitação espacial das unidades geológicas e a determinação das suas características e propriedades geomecânicas é efetuada através de um plano de prospeção, que consiste num conjunto de métodos aplicados num local para o conhecimento dos maciços (Barzan, 2009). Os diferentes métodos de prospeção podem classificar-se como diretos ou indiretos. Os métodos diretos de prospeção permitem a observação direta do subsolo e a recolha de amostras, ou seja, são métodos que permitem o acesso direto ao material investigado, seja in situ ou através de amostras. Escavações como valas, poços e trincheiras são exemplo de prospeção direta. As sondagens podem ser consideradas como um método semidirecto. Estes métodos permitem observações ou ensaios tornando possível definir, mais precisamente, as características dos materiais (Loureiro, 2008; Barzan, 2009). Os métodos indiretos de prospeção permitem estimar as propriedades geotécnicas indiretamente pela observação à distância ou pela realização de correlações entre as grandezas, ou seja, são métodos que não permitem o acesso ao material investigado, seja in situ ou em amostras, compreendendo a utilização de meios indiretos para a delimitação e caracterização da unidade geológica. Estes métodos permitem determinar a distribuição em profundidade de parâmetros físicos dos terrenos. Os métodos mais comuns são os métodos geofísicos (Loureiro, 2008; Barzan, 2009). 2.2 Reconhecimentos preliminares A observação superficial do local da futura obra é a primeira técnica facultada pela intervenção da geologia no projeto de um túnel. Esta observação poderá ajudar na identificação e redução das incertezas com que se parte para um projeto desta tipologia (Placência, 2003). O reconhecimento preliminar deve começar pela compilação e análise dos elementos existentes relativamente à região em estudo, tais como, elementos topográficos, caracterizações geológicas à escala regional e interpretações fotogeológicas. Deve-se proceder de igual modo a recolha de novos dados que permitam realizar uma cartografia geológica de detalhe, o estudo hidrogeológico, a aplicação de classificações geomecânicas e o estudo da fracturação (Placência, 2003; Gomes e Pinto, 2011; Salgueiro, 2011). FCUP Previsões Geológicas 18 Requer-se, então, um elevado grau de experiência e especialização dos técnicos e equipamentos a utilizar nos métodos de investigação utilizados nesta fase, uma vez que estes são fundamentalmente de índole interpretativa. Quando estes elementos se encontram em regiões com características geológico-geotécnicas bem conhecidas e sem grande heterogeneidade, muitas vezes esses elementos constituem a informação básica necessária para a elaboração de projetos. Todavia, essa informação deve ser comparada com todas conclusões do reconhecimento de campo (Bastos, 1998; Gomes e Pinto, 2011; Salgueiro, 2011). Por vezes, estes meios de análise permitem já uma considerável estimativa de parâmetros quantificáveis, como o grau de alteração, a posição aproximada do nível freático, a densidade e orientação das diaclases, os índices RMR (Bieniawski, 1989) e Q (Barton et al., 1974), etc. (Bastos, 1998; Placência, 2003). A partir da obtenção dos elementos atrás referidos e da compilação de aspetos como a morfologia e litologia do maciço rochoso, a estratigrafia do mesmo, o número e posição dos aquíferos, a localização de possíveis acidentes geológicos e grutas presentes no maciço em estudo, assim como possíveis constrangimentos e pontos críticos do projeto geotécnico será possível uma elaboração preliminar do perfil geotécnico (Salgueiro, 2011). É nesta fase, com base no perfil geotécnico preliminar elaborado, que deve ser avaliada a viabilidade global do projeto, assim como analisar possíveis alternativas ao traçado, de forma a evitar os constrangimentos identificados, transferindo o projeto para zonas mais favoráveis. Após a elaboração desta caracterização prévia devem planear-se as atividades e métodos de prospeção, assim como definir os métodos e os locais adequados para os desenvolver (Fernández, 1997; Gama, 1997; Bastos, 1998; Salgueiro, 2011). 2.3 Prospeção de Campo De forma a dar continuidade aos estudos e análises realizados na fase de reconhecimento preliminar, a prospeção de campo serve como elemento ao Projeto Base. Este tipo de prospeção está relacionada com os métodos de análise realizados localmente, sobre os maciços a estudar (Salgueiro, 2011). Com o objetivo de elaborar um modelo geológico-geotécnico que reflita as características do maciço envolvido na construção do túnel, os estudos a realizar nesta FCUP Previsões Geológicas 19 etapa deverão incidir sobre as áreas definidas na fase do reconhecimento. Estes são elaborados por meio de técnicas e equipamentos de precisão razoável a uma clara caracterização das áreas definidas anteriormente, em maior exaustão e, também, em áreas sobre as quais existam incertezas (Bastos, 1998). Desde que não sejam impedidas por restrições ambientais, especificações ou complicadas condicionantes de execução, as campanhas de prospeção de campo podem trazer grandes vantagens para a caracterização do maciço onde se pretende executar a obra (Placência, 2003). No dimensionamento de uma campanha de prospeção de campo está implícita uma grande parte de bom senso e intuição. Existe, no entanto, um limite razoável para os trabalhos a desenvolver na fase de projeto, que se prende com a necessidade que a equipa de projeto tem em obter conhecimento sobre as formações geológicas de forma a não estar limitada na caracterização global das formações onde serão realizadas as escavações, bem como de forma a poder diminuir a quantidade de incertezas iniciais (Placência, 2003). Segundo Salgueiro (2011) os métodos e técnicas normalmente utilizadas nesta fase podem ser divididos em três grupos distintos: - Prospeção geofísica; - Prospeção mecânica; - Caracterização complementar (ensaios in situ e laboratoriais). 2.3.1 Prospeção geofísica A prospeção geofísica engloba um conjunto de técnicas não destrutivas e interpretativas na deteção das anomalias verificadas nos maciços, que fornecem importantes resultados, permitindo o estudo de áreas abrangentes, sendo uma componente importante nos estudos geológicos e geotécnicos. As variações detetadas nos valores de parâmetros físicos e a sua correlação com determinadas características geológicas permitem determinar a distribuição de certos parâmetros físicos do terreno em extensão e em profundidade, tais como resistividade elétrica, campo magnético da Terra, contrastes de densidade e velocidade de propagação das ondas (Bastos, 1998; Loureiro, 2008; Barzan, 2009; Salgueiro, 2011). Com base nos princípios físicos pode classificar-se os diferentes métodos geofísicos em: gravimétricos, magnéticos, elétricos, eletromagnéticos, sísmicos e FCUP Previsões Geológicas 20 radioativos. As propriedades tais como a densidade, suscetibilidade magnética, resistividade, condutividade elétrica e permeabilidade elétrica, velocidade de propagação das ondas sísmicas e níveis de radiação natural ou induzida, resultantes da aplicação dos métodos anteriores, guardam estreitas relações com algumas características geológicogeotécnicas do maciço, como grau de alteração e de fracturação e tipo litológico, características fundamentais na prospeção de uma determinada área (Loureiro, 2008; Barzan, 2009). A determinação de espessuras de depósitos recentes, contactos entre litologias de características muito contrastantes, espessuras de alteração, zonas de esmagamento e módulos de deformabilidade dinâmico dos maciços são exemplos de características que a geofísica evidencia (Placência, 2003). Como os diferentes métodos tem certas limitações, o planeamento da sua utilização deverá ser avaliado conforme as vantagens e desvantagens dos mesmos, de modo a obter uma eficaz caracterização tendo em conta os recursos disponíveis (Bastos, 1998). Estes métodos têm a vantagem de serem menos dispendiosos, quando comparados com os da prospeção mecânica necessária para estudar o mesmo volume de maciço. São muito adequados para extrapolação dos resultados obtidos pela observação de testemunhos de sondagem e de afloramentos. Podem ainda ser utilizados debaixo de água e em terra, e a sua interpretação, sempre que possível, deve basear-se na geologia local (Placência, 2003; Loureiro, 2008; Salgueiro, 2011). Deste modo é de referir que em geotecnia utilizam-se vários métodos geofísico, onde são destacados os métodos sísmicos, elétricos e eletromagnéticos e, esporadicamente, a gravimetria e a magnetometria (Bastos, 1998). No caso específico da construção de túneis os métodos geofísicos mais utilizados, sobretudo em zonas de emboquilhamento ou de menores espessuras, são os métodos sísmicos e elétricos (Loureiro, 2008). Os métodos sísmicos comportam o estudo da propagação de ondas sísmicas produzidas artificialmente no maciço, correlacionando a velocidade das ondas de compressão (vp) e de corte (vs) com algumas características geológicas presentes no subsolo. Dos métodos sísmicos o mais utilizado para o estudo geotécnico de túneis é a sísmica de refração, que é aplicado para detetar e caracterizar anomalias entre diferentes estratos como espessuras do maciço e solos de cobertura, na ordem da dezena de FCUP Previsões Geológicas 21 metros, permitindo ainda identificar em maciços brandos a posição do nível freático (Fernández, 1997; Bastos, 1998; Loureiro, 2008; Salgueiro, 2011). Na existência de furos de sondagem na zona do maciço a caracterizar, usualmente, são efetuados dois tipos de ensaio: ensaios entre furos, e ensaios entre furos e a superfície (Silva et al., 2001). Os métodos elétricos abrangem um vasto conjunto de técnicas, destacando-se, como principais na aplicação a túneis, as que avaliam a resistividade aparente dos terrenos. Estes métodos são especialmente adequados na deteção de aspetos importantes na caracterização do maciço, como sejam contactos entre diferentes formações, espessuras de alteração/fracturação, localização de acidentes tectónicos e a posição dos níveis freáticos ao longo do traçado do túnel (Loureiro, 2008; Salgueiro, 2011). 2.3.2 Prospeção mecânica No que diz respeito à prospeção mecânica, esta consiste principalmente na execução de sondagens de prospeção, sendo este método mais utilizado e importante no reconhecimento geotécnico. Os trabalhos podem, ainda, incluir a realização poços, galerias, valas e trincheiras. As sondagens de prospeção, uma vez que contactam diretamente com o local de execução da obra, possuem grandes vantagens pois permitem a realização de ensaios no local e a recolha de amostras para ensaios posteriores. As escavações como valas, poços ou galerias têm como objetivo permitir acesso e observação direta do subsolo, possibilitando a recolha de amostras remexidas e indeformadas (Loureiro, 2008; Barzan, 2009; Salgueiro, 2011). Os dados recolhidos permitem a determinação das possanças e atitudes de formações geológicas, dos estados de alteração dos maciços, das características da fracturação e hidrológicas, a localização falhas, ou outros elementos estruturais, a colheita de amostras para a realização de ensaios de laboratório, a determinação in situ de certas características dos maciços tais como permeabilidade, resistência e deformabilidade e a observação do interior de maciços com máquinas fotográficas e câmaras de televisão. (Loureiro, 2008) Nos poços, galerias, e trincheiras é possível a colheita direta de amostras de boa qualidade para ensaios em laboratório e inclusive, executar ensaios in situ. Os poços raramente excedem os 20 metros de profundidade, sendo difícil abri-los abaixo do nível FCUP Previsões Geológicas 22 freático. As galerias podem ser horizontais ou inclinadas e podem posteriormente ser integradas nas obras definitivas (Gomes e Pinto, 2011). As técnicas de perfuração dependem da natureza do terreno e do tipo de ensaios que se pretende realizar, devendo ter em vista o fornecimento do maior número de dados possíveis que permitam a caracterização geológica e geotécnica dos terrenos. As sondagens podem alcançar profundidades da ordem das centenas de metros, permitindo atravessar qualquer tipo de material, assim como recolher amostras dos terrenos atravessados. Estas são efetuadas em pontos críticos, em zonas nas quais se preveem características mais adversas e susceptíveis de dúvidas na sua caracterização ou em zonas devidamente selecionadas com base nos estudos dos perfis geológico-geotécnicos preliminares. O número e as suas respetivas localizações dependem principalmente do comprimento e espessura de recobrimento do túnel, dos tipos litológicos e da estrutura geológica do maciço. Para o projeto de um túnel, estas devem incidir em zonas de falhas, cavalgamentos, de carsificação ou outros acidentes geológicos, na perspetiva de obter um máximo de informação sobre estas estruturas complexas que se tornam de grande importância (Bastos, 1998; Loureiro, 2008; Salgueiro, 2011). Para o estudo de túneis as sondagens mais utilizadas são as de furação à rotação com recolha contínua de amostra, sendo o sistema de furação wire-line o mais adequado para os furos com várias centenas de metros (Placência, 2003; Salgueiro, 2011). 2.4 Caracterização complementar A caracterização geotécnica complementar está associada a um conjunto de ensaios in situ e laboratoriais, que aliados ao conjunto de dados obtidos anteriormente, assumem grande importância para determinação das propriedades do terreno, uma vez que com base neles é possível conhecer os parâmetros que determinam o seu comportamento geomecânico, essencial para a seleção do método de escavação e para a definição do sustimento e suporte definitivo. Estes irão permitir completar o perfil geológico-geotécnico que constituirá o elemento que servirá de base ao Projeto de Execução, sendo o principal elemento a integrar no Relatório Geotécnico (Loureiro, 2008; Salgueiro, 2011). 2.4.1 Ensaios in situ FCUP Caraterização do Maciço Rochoso 29 Importa ainda referir que o interesse destas classificações consiste também em sistematizar o conjunto de elementos geotécnicos que interessa caracterizar num determinado maciço rochoso. 3.1. Estado de alteração A desagregação e decomposição de rochas levadas a cabo por agentes físicos e químicos naturais, que transformam essa rocha noutro produto natural, agora em equilíbrio físico-químico com o meio ambiente designa-se por alteração de uma rocha (Pereira, 2007). As propriedades mecânicas da rocha são condicionadas pela alteração das superfícies das paredes das descontinuidades: quanto maior for o grau de alteração, maior será a porosidade, permeabilidade e deformabilidade do material-rocha, ao passo que a sua resistência torna-se menor (Vallejo et al., 2002). Um fator importante a considerar é a determinação do estado de alteração de um maciço rochoso ou do material-rocha. A determinação do grau de alteração do maciço rochoso realiza-se por observação direta do afloramento e comparação com os índices padrão apresentados no Quadro 3. Na maioria dos casos parece adequado considerarem-se cinco graus de alteração dos maciços rochosos, embora sejam aceites também graus intermédios. O estado de alteração é vulgarmente indicado por observação direta do maciço rochoso à custa da sua descrição baseada em métodos expeditos. A consequência da alteração de certos minerais constituintes das rochas apresenta-se na sua coloração e brilho ou na maior ou menor facilidade com que se parte o material (Pereira, 2007; Preto, 2011). FCUP Caraterização do Maciço Rochoso 30 Quadro 3 – Estados de alteração de um maciço rochoso (adaptado de ISRM, 1978, 1981). Símbolo Designação Descrição W1 W1-2 São São a pouco alterado Sem quaisquer sinais de alteração W2 Pouco alterado Sinais de alteração apenas nas imediações das descontinuidades W3 W3 Medianamente alterado Medianamente alterado Alteração visível em todo o maciço mas a rocha não é friável W4 W4-5 Alterado Alterado a muito alterado Alteração visível em todo o maciço e rocha parcialmente friável W5 Muito alterado Maciço completamente friável 3.2. Grau de Fracturação A distância entre descontinuidades que pertençam a uma mesma família, sendo esta distância medida ao longo de uma linha horizontal no maciço escavado (scan line), define o espaçamento das descontinuidades. A medição deste parâmetro é realizada com o auxílio de uma fita graduada (métrica) e deve ser feita ao longo de uma distância que seja suficientemente representativa da frequência de descontinuidades. O espaçamento é o inverso da frequência, segundo Priest e Hudson (1976), a qual pode ser definida como o número de descontinuidades por metro (Pereira, 2007; Fontinhas, 2012). A fracturação influencia o comportamento global do maciço rochoso já que condiciona a geometria e o volume dos blocos rochosos (Vallejo et al., 2002; Bell, 2007). Como é através das fraturas, principalmente, que ocorre a percolação de água, a permeabilidade do maciço rochoso está diretamente relacionado com grau de fracturação (Vallejo et al., 2002). Vallejo et al. (2002) referem que se deve realizar medições segundo linhas de observação com diferentes orientações, preferivelmente com uma linha de observação normal a cada família, se fisicamente possível, como metodologia a adotar para estudar o espaçamento de diferentes famílias de descontinuidades. Como mostra o Quadro 4, a ISRM (1978, 1981) propõe que seja utilizada uma terminologia para caracterizar os maciços em função do espaçamento das descontinuidades. FCUP Caraterização do Maciço Rochoso 31 Quadro 4 – Espaçamento de descontinuidades (adaptado de ISRM, 1981). Espaçamento (cm) Símbolo Descrição > 200 F1 F 1-2 Muito afastadas Afastadas 60 a 200 F2 Afastadas 20 a 60 F3 F3 Medianamente afastadas 6 a 20 F4 F 4-5 Próximas Próximas < 6 F5 Muito próximas 3.3. Descontinuidades As descontinuidades são a principal condicionante do comportamento de um maciço. Sem estas os maciço comporta-se como rocha intacta, dependendo apenas das características intrínsecas do material. Designa-se por descontinuidade qualquer entidade geológica que separe ou interrompa a continuidade física do material-rocha ou de uma dada formação. Assim os maciços rochosos assumem um carácter descontínuo e anisotrópico visto que se tornam mais deformáveis e fracos, para além de representarem planos preferenciais de alteração, meteorização e fratura, permitindo ainda a circulação de água. Deste modo as descontinuidades são muito importantes pois, ao seccionarem um maciço rochoso, vão influenciar as propriedades geomecânicas deste, uma vez que lhe conferem um comportamento, em termos de deformabilidade, permeabilidade e resistência ao corte, muito diferente daquele que apresenta o material que o constitui (Rocha, 1981; Hudson et al., 1997; Vallejo et al., 2002; Brady e Brown, 2004; Pereira, 2007). As descontinuidades surgem a partir da modificação do estado de tensão dos maciços e afetam a sua estabilidade em geral e, em particular, a estabilidade das próprias obras subterrâneas resultado dos planos de fragilidade ou superfícies de separação. Estas podem ser mais influentes do que o tipo de rocha, principalmente se forem muito contínuas ou muito abertas (Hudson et al., 1997; Vallejo et al., 2002; Pereira, 2007). FCUP Caraterização do Maciço Rochoso 32 3.3.1. Tipos de descontinuidades As descontinuidades podem ser de variados tipos, dependendo essencialmente da sua génese. Estas compreendem contactos litológicos, superfícies de estratificação, planos de xistosidade e foliação, fendas e cavidades por dissolução química, diaclases, filões, zonas de cisalhamento e de falhas (ISRM, 1978; Rocha, 1981; Pereira, 1985; Goodman, 1993; Hudson et al., 1997; Vallejo et al., 2002; Price, 2009). Descrevem-se de seguida sucintamente os diferentes tipos de descontinuidades. 3.3.1.1. Contactos geológicos e superfícies de estratificação Em relação às superfícies de estratificação trata-se de um modo geral de planos de estratificação que representam as superfícies que limitam os estratos em rochas sedimentares e, por vezes, em rochas metamórficas. Estes planos caracterizam-se por serem sistemáticos, com elevada continuidade e cujo espaçamento oscila, geralmente, entre poucos centímetros e vários metros. As superfícies de contacto geológico formam planos singulares de separação entre diferentes litologias de um maciço rochoso. No caso das rochas ígneas estas superfícies têm muita importância, sobretudo quando existem diques e rochas filonianas (Vallejo et al., 2002). 3.3.1.2. Planos de xistosidade e foliação Os planos de xistosidade são descontinuidades com origem tectónica e geralmente consideradas como perpendiculares à ação de elevadas tensões de compressão afetando formações geológicas. Podem apresentar uma continuidade regional apreciável. Estas descontinuidades são mais desenvolvidas quanto menor for o grão da rocha e apresentam uma frequência alta e espaçamento milimétrico. Por sua vez, e caracterizados por um espaçamento muito reduzido, milimétrico ou centimétrico, surgem os planos de foliação, que são descontinuidades sistemáticas que ocorrem em rochas metassedimentares e correspondem a planos que limitam as lâminas ou os níveis megascópios mais pequenos de uma sequência sedimentar (Vallejo et al., 2002). 3.3.1.3. Fendas e cavidades por dissolução química Em maciços calcários e noutros formados por depósitos químicos como os evaporitos ocorrem cavidades por dissolução química que são descontinuidades FCUP Caraterização do Maciço Rochoso 33 epigenéticas que resultam do alargamento por dissolução química de outras preexistentes. Com dimensões mais reduzidas surgem as fendas que são descontinuidades em que a dimensão longitudinal é nitidamente superior à transversal. De um modo geral estas ocorrem preenchidas por cristais. Ocorrem essencialmente em maciços calcários ou siliciosos devido a tensões de tração ou de torção (Pereira, 2007). 3.3.1.4. Diaclases As diaclases são os planos de descontinuidade mais frequentes nos maciços rochosos e correspondem, segundo a ISRM (1978), a superfícies que compartimentam o material-rocha ao longo das quais não existe movimento entre os blocos. No entanto, alguns autores não descartam a possibilidade desta designação ser aplicada a fraturas com ligeiro movimento em aplicações de Geologia de Engenharia. As diaclases apresentam-se como estruturas planares não penetrativas, características de um comportamento frágil ou semi-frágil das rochas. Estes planos de rotura ocorrem, portanto, em rochas competentes e são típicos de uma resposta das rochas sujeitas a um estado de tensão quando localizadas a níveis estruturais superiores. Se, por vezes, se observam diaclases em rochas que não patenteiam qualquer deformação, mais frequentemente associam-se a outras estruturas, quer típicas de um comportamento dúctil-frágil (falhas), quer típicas de um comportamento dúctil (dobras) (Moreira, 2009; Pereira, 2007). Em termos práticos pode-se designar por diaclase qualquer superfície natural em que a resistência à tração é nula ou muito baixa (ISRM, 1978, 1981). Surgem, geralmente, na sequência de ações tectónicas ou resultam da descompressão do maciço, de processos de alteração ou por retração do material. A frequência do aparecimento de diaclases está relacionada com uma série de fatores dos quais merecem particular destaque a litologia e aplicação de forças actantes e respetiva magnitude e posicionamento (Pereira, 2007). 3.3.1.5. Falhas As descontinuidades tipo falha caracterizam-se por apresentarem frequentemente grande continuidade no maciço rochoso e, em conjunto com os cisalhamentos, são descontinuidades singulares que correspondem a planos de rotura ou fracturação onde existiu movimento diferencial ao longo dos mesmos, com deslocamento relativo entre os blocos. O plano de falha designa-se por espelho de falha e é frequente a ocorrência de FCUP Caraterização do Maciço Rochoso 34 estrias nas superfícies que deslizaram. Muitas vezes a rocha entre os blocos da falha é fraturada, alterada e estriada, contendo preenchimentos, como brechas e caixas de falha. Os alinhamentos tipo falha têm uma importância única na execução de uma obra de construção civil, em particular em obras subterrâneas. As falhas podem ser normais, inversas e de desligamento e dadas as suas propriedades físicas, hidráulicas e a possibilidade de ser uma falha ativa, este tipo de descontinuidade sofre, muitas das vezes, tratamento individualizado, não só nas fases de projeto como também durante o acompanhamento de obra. Designa-se por falha ativa quando na atualidade esta apresenta evidências de movimento, e destas assumem particular relevância as que estão na origem de fenómenos de natureza sísmica (Vallejo et al., 2002; Pereira, 2007; Price, 2009). 3.3.1.6. Filões Os filões são descontinuidades resultantes de intrusões ígneas ou massas minerais que preencheram o espaço das descontinuidades. O seu estudo terá que ser efetuado considerando o tipo de material constituinte e as características dos blocos da rocha encaixante (Pereira, 2007). 3.3.2. Características das descontinuidades Os parâmetros de resistência, deformabilidade e permeabilidade dos maciços rochosos são controlados pelas características das descontinuidades, dependendo do seu grau de fracturação, da sua geometria e do seu desenvolvimento. Assim sendo, é necessária a descrição cuidadosa das características das mesmas para a avaliação do comportamento mecânico e hidrogeológico de um maciço rochoso (Vallejo et al., 2002; Bell, 2007). Tendo em vista a estabilidade das escavações as características mais importantes a observar nas descontinuidades, e de acordo com a ISRM (1978), são: atitude; espaçamento; número de famílias, persistência ou continuidade; rugosidade; resistência das paredes; abertura; preenchimento; percolação. Sendo uma atividade de elevada relação custo-benefício a identificação e descrição das características físicas das diaclases constituem fases relativamente pouco dispendiosas de qualquer investigação geológica (Vallejo et al., 2002). FCUP Caraterização do Maciço Rochoso 35 3.3.2.1. Orientação Considerando que uma descontinuidade é uma superfície que pode ser aproximada a um plano, a atitude de uma descontinuidade é definida, em geral, por dois parâmetros, a direção e a inclinação ou mergulho. O primeiro é definido como o ângulo entre uma reta horizontal do plano e o Norte magnético, o segundo parâmetro é definido como a amplitude angular entre a reta de maior declive e o plano horizontal. Normalmente, para a medição da atitude de um plano utiliza-se uma bússola com inclinómetro (Pereira, 2007, Moreira 2009). A distribuição das descontinuidades num maciço rochoso apresenta uma certa regularidade, podendo, no entanto, existir vários conjuntos com orientações distintas. Deste modo podemos agrupar as descontinuidades com orientações idênticas em famílias, permitindo avaliar a fracturação do maciço rochoso e a forma e o tamanho dos blocos rochosos que constituem o maciço (Vallejo et al., 2002; Pereira, 2007). Na análise da distribuição das descontinuidades num maciço rochoso pode verificar-se a existência de vários conjuntos com orientações distintas, mas apresentando uma certa regularidade podendo, assim, recorrer ao auxílio de redes de projeção estereográfica para agrupar as famílias de descontinuidades (ISRM, 1978), bem como avaliar a representatividade destas últimas (Fontinhas, 2012). Segundo Vallejo et al. (2002) a representação gráfica das atitudes das diferentes famílias de diaclases pode realizar-se mediante: - Projeção estereográfica, representando os pólos ou planos com valores médios das diferentes famílias; - Diagramas de rosetas, que permitem representar um grande número de medidas de orientação de forma quantitativa; - Blocos-diagrama, permitindo uma visão geral das famílias e suas respetivas atitudes a três dimensões. 3.3.2.2. Continuidade ou persistência A continuidade ou persistência define a extensão em área de uma descontinuidade num dado volume de rocha (Albuquerque, 2010), sendo medida segundo o seu traço no plano de observação. Este é um parâmetro de grande importância mas de difícil quantificação quer a partir da observação de afloramentos ou em túneis onde é necessária especial atenção na identificação desta característica, uma vez que na caracterização, na grande maioria dos casos, feita avanço a avanço, nem sempre a FCUP Caraterização do Maciço Rochoso 36 descontinuidade é observada diretamente na sua totalidade ou é observada segundo uma inclinação aparente (Hudson et al., 1997; Vallejo et al., 2002; Pereira, 2007). A continuidade é muitas vezes determinante para definir as características mecânicas de potenciais superfícies de rotura. É de enorme importância tentar avaliar o grau de continuidade das descontinuidades que apresentam orientação desfavorável à estabilidade de taludes rochosos, fundações de barragens e frentes de escavações de túneis (Pereira, 2007). A ISRM (1978, 1981) definiu o conceito de continuidade ou persistência, traduzido pelo comprimento das interações da família de descontinuidades em estudo numa superfície exposta e estabeleceu cinco termos, como se pode verificar no Quadro 5. Quadro 5 - Quantificação da continuidade de descontinuidades (ISRM, 1981). Intervalo (metros) Símbolo Continuidade < 1 C1 Muito pequena 1 – 3 C2 Pequena 3 – 10 C3 Média 10 – 20 C4 Elevada > 20 C5 Muito elevada 3.3.2.3. Abertura A abertura de uma descontinuidade consiste na distância média entre duas paredes da descontinuidade, medida segundo a normal a essas superfícies (ISRM, 1978). A abertura das descontinuidades varia muito em função das diferentes zonas dos maciços rochosos, uma vez que à superfície esta pode ser elevada, mas em profundidade pode reduzir-se a poucas décimas de milímetro ou até mesmo as descontinuidades encontrarem-se fechadas. Esta é uma das características com grande interferência na deformabilidade, resistência ao corte e permeabilidade dos maciços rochosos. A rugosidade é um dos fatores que mais influencia a variação da abertura ao longo de uma descontinuidade (Pereira, 2007; Albuquerque, 2010). Em rochas com pouca alteração, a abertura das descontinuidades é praticamente nula. Assim, num maciço rochoso, a abertura tende a diminuir com a profundidade, FCUP Caraterização do Maciço Rochoso 37 podendo uma mesma descontinuidade apresentar abertura de vários centímetros à superfície e, em profundidade, estar completamente fechada. Quando abertas, as descontinuidades podem ser preenchidas por ar, água, por material lítico (silte, argila) ou por minerais (quartzo, carbonatos, etc.) (Moreira, 2009; Fontinhas, 2012). A ISRM (1978, 1981) propôs que em termos de abertura de descontinuidades, os maciços sejam descritos como se apresenta no Quadro 6, sendo cada família estudada por si e caracterizada pela média de aberturas após tratamento estatístico (Pereira, 2007). Quadro 6 - Designações atribuídas às descontinuidades de acordo com a sua abertura (ISRM, 1978). Abertura (mm) Descrição Designação < 0.1 Muito apertadas Apertadas 0.1-0.25 Apertadas 0.25-0.5 Parcialmente abertas 0.5-2.5 Abertas Abertas 2.5-10 Moderadamente largas > 10 Largas 10-100 Muito largas Largas 100-1000 Extremamente largas > 1000 Cavernosas 3.3.2.4. Preenchimento O preenchimento de uma descontinuidade pode definir-se como sendo uma porção de material existente entre as paredes de uma descontinuidade, estando intimamente relacionado com a abertura desta. O material que preenche, total ou parcialmente, o espaço entre as paredes das descontinuidades pode ser composto por materiais desde os mais brandos, argilosos, aos mais resistentes, como calcite ou quartzo. As propriedades físicas e mecânicas do preenchimento influenciam o modo como as paredes adjacentes se unem. Por esta razão devem ser registados todos os aspetos que possam ser relevantes para a compreensão FCUP Caraterização do Maciço Rochoso 38 do desempenho destes materiais na mecânica estrutural dos sistemas de descontinuidades como a resistência ao corte, a deformabilidade e a permeabilidade (ISRM, 1978, 1981; Vallejo et al., 2002; Bell, 2007; Pereira, 2007; Fontinhas, 2012). Generalizando, pode dizer-se que o material de preenchimento é predominantemente constituído por minerais (calcite, quartzo, etc.), materiais detríticos (clastos, conglomerados, brechas de falha, etc.) mas sobretudo por solos (argilas, areias, siltes, etc.) com maior ou menor grau de consolidação ou cimentação (Vallejo et al., 2002; Pereira, 2007). Para além da identificação da presença material, durante a avaliação de um maciço rochoso, a descrição do preenchimento deve incluir a sua natureza, espessura, alteração, meteorização, resistência e dureza, além da possível descrição mineralógica e tamanho do grão (Preto, 2011). 3.3.2.5. Rugosidade A rugosidade manifesta-se pelas irregularidades e ondulações presentes nas superfícies das descontinuidades que condicionam, de modo determinante, a resistência ao corte das mesmas, sobretudo quando se trata de descontinuidades não preenchidas, conferindo um incremento ao ângulo de atrito, até um nível de tensões a partir do qual se verifica a sua rutura (ISRM, 1978; Moreira, 2009). A resistência ao deslizamento de uma descontinuidade aumenta com a rugosidade, no entanto decresce com o aumento da abertura das descontinuidades e, em geral, com a espessura do preenchimento (ISRM, 1981; Hudson et al., 1997; Vallejo et al., 2002; Bell, 2007; Pereira, 2007). As superfícies de descontinuidade são, muitas vezes, rugosas ou até onduladas e podem apresentar estrias ou slickensides. Dependendo da direção e intensidade dos sucessivos campos de tensões, a descontinuidade poderá apresentar várias ordens de ondulações (Vallejo et al., 2002; Bell, 2007; Pereira, 2007). No campo, a descrição e medição da rugosidade de diferentes planos é de extrema importância, podendo ser obtida através de diversos métodos. Depende da exatidão pretendida e da escala de medida. Numa cartografia de túnel, o método mais expedito e rápido é a comparação visual da descontinuidade com perfis padrão de rugosidade (Pereira, 2007; Moreira, 2009). O perfil-padrão de rugosidade da Figura 1, desenvolvido por Barton e Choubey (1977), designado por Joint Roughness Coefficient (JRC), é um método universalmente FCUP Classificações Geomecânicas 45 com outros ensaios. Este parâmetro tem um intervalo de pesos que varia entre 0 e 15, e é função da resistência à compressão simples do maciço ou do Índice de Carga Pontual, dependendo dos resultados disponíveis (Figura 3). Fig.3 - Resistência à Compressão Simples (modificado de Bieniawski, 1989). A resistência da rocha é usualmente determinada por ensaios laboratoriais de compressão uniaxial, realizados em amostras cuidadosamente preparadas. Habitualmente são ensaiados provetes, retirados de tarolos de sondagens, de forma cilíndrica, podendo contudo ser preparados provetes de formas cúbicas ou prismáticas. Na preparação da amostra é necessário verificar que a superfície das bases que vão ser submetidas a compressão, apresentem uma forma circular perfeita e plana. O resultado do ensaio segue a razão da força normal, N, pela área da base, obtendo-se, assim, o valor da tensão normal, σ. σ = N/A (MPa) A resistência à compressão simples da rocha pode também ser avaliada com relação à sua dureza, a dureza de Schmidt – R, determinada através do ensaio com o martelo de Schmidt, descrito anteriormente. O valor determinado será correlacionado com a resistência à compressão simples da rocha em função do valor do seu peso volúmico. De igual modo, seguindo as indicações da Sociedade Internacional da Mecânica da Rochas, é possível correlacionar o índice de carga pontual com a resistência à compressão simples. Por ser um ensaio de baixo custo, com a possibilidade de ensaiar amostras irregulares, este foi o método utilizado neste trabalho para a obtenção do valor da resistência à compressão uniaxial. 4.1.2. RQD - Rock Quality Designation O segundo parâmetro, denominado por Rock Quality Designation (RQD), é relativo à qualidade do maciço rochoso, contribuindo com um peso máximo de 20 na classificação de Bieniawski (1989). FCUP Classificações Geomecânicas 46 Em função dos valores do RQD, são apresentadas as seguintes designações, proposta por Deere, em 1963, para classificar a qualidade dos maciços rochosos (Quadro 8): Quadro 8 - Classificação dos maciços com base no RQD. RQD Qualidade do Maciço Rochoso 0 – 25% Muito fraco 25 – 50% Fraco 50 – 75% Razoável 75 – 90% Bom 90 – 100% Excelente No presente trabalho o parâmetro RQD foi calculado a partir do espaçamento das descontinuidades observado durante a cartografia geológicas das frentes de escavação no próprio túnel e os pesos atribuídos de acordo com a Figura 4. Fig. 4 - Pesos referentes ao parâmetro RQD (modificado de Bieniawski, 1989). 4.1.3. Espaçamento das descontinuidades O espaçamento entre descontinuidades, terceiro parâmetro, é relativo à própria fracturação do maciço, mais particularmente, à dimensão do seu espaçamento. A partir do valor encontrado para o espaçamento faz-se a avaliação do peso deste parâmetro, o qual varia entre 5 e 20 (Figura 5). FCUP Classificações Geomecânicas 47 No entanto, se houver mais do que uma família de descontinuidades, o espaçamento selecionado para a definição do parâmetro será o mais desfavorável, ou seja, o mais crítico para a escavação do túnel. Fig.5 - Parâmetro do espaçamento das descontinuidades (modificado de Bieniawski, 1989). 4.1.4. Percolação de Água Subterrânea O peso do parâmetro referente à percolação de água subterrânea, varia entre 0 e 15. A definição deste parâmetro pode ser obtida através de três formas: pelo fluxo por 10 m de túnel, pelo quociente entre a pressão hidráulica das fraturas e a tensão principal ou através das condições gerais observadas no maciço. Durante a cartografia, para definição deste parâmetro, recorreu-se às condições gerais, pois é um método rápido, simples e económico. Desta forma, ao observar o maciço verifica-se se este se encontra seco, húmido, saturado, gotejante ou com escorrência. A Figura 6 apresenta o quadro utilizado na definição do referido parâmetro e respetivo peso. σw/σ1 – Tensão hidráulica nas fracturas / Tensão principal Fig.6 - Percolação de Água Subterrânea (modificado de Bieniawski, 1989). 4.1.5. Características das descontinuidades As características das descontinuidades, descritas no capítulo da caracterização dos maciços rochosos, são o quinto parâmetro referido na presente FCUP Classificações Geomecânicas 48 classificação. Este parâmetro é obtido em função da extensão da descontinuidade, da abertura, da rugosidade, do preenchimento e da sua alteração. Estas características têm um peso que varia entre 0 e 6, em cada subclasse, o que perfaz uma variação final total entre 0 e 30, de tal forma que, este constitui o parâmetro com mais peso nesta classificação. Note-se que Bieniawski definiu este parâmetro de classificação como o mais importante, uma vez que é o parâmetro que mais abrange o estado do maciço e se apresenta como o de mais difícil análise. A Figura 7 demonstra as características e classificação numérica relativa utilizada na obtenção deste parâmetro. Fig.7 - Diferentes pesos para as características das descontinuidades (modificado de Bieniawski, 1989). 4.1.6. Orientação das descontinuidades O último parâmetro desta classificação diz respeito à orientação das descontinuidades. Este parâmetro foi introduzido com o intuito de corrigir o RMR dependendo da orientação relativa das descontinuidades com a orientação do túnel. A classificação varia de “muito desfavoráveis” a “muito favoráveis”, apresentando um intervalo de variação do peso entre -12 e 0. Através da observação da direção e inclinação das descontinuidades é obtida a sua orientação de modo a definir a sua influência para a obtenção do parâmetro. A direção deve ser registada com referência ao norte magnético e a inclinação medida através do ângulo entre a horizontal e o plano da descontinuidade, definido com recurso a uma bússola com inclinómetro. Na Figura 8 observam-se alguns exemplos de orientações das descontinuidades face à direção do túnel. FCUP Classificações Geomecânicas 49 Fig.8 - Orientação das descontinuidades em relação com eixo do túnel (modificado de Pinto, 2010). Depois de registadas as direções das descontinuidades verifica-se se estas são paralelas ou perpendiculares ao eixo do túnel. Posteriormente enquadram-se as inclinações nos intervalos superior ou inferior a 45º. No caso de a direção ser perpendicular é necessário, ainda, verificar se as inclinações se encontram a favor ou contra o sentido da escavação. Por fim, inclinações inferiores a 20º, com orientação subhorizontal, são definidas como razoáveis e assumem o valor de -5. Através da tabela da Figura 9, e tendo conhecimento da direção e da inclinação das descontinuidades relativamente ao eixo do túnel é possível definir o parâmetro da Orientação das Descontinuidades. Fig.9 - Pesos a adotar relativo à orientação das descontinuidades (modificado de Bieniawski, 1989). FCUP Classificações Geomecânicas 50 Considerados todos os parâmetros referidos anteriormente, efetua-se o somatório dos pesos para determinar o valor final do RMR e definir a classe e qualidade do maciço em análise. As cinco classes definidas por Bieniawski, 1989, e seus respetivos pesos são apresentados no Quadro 9. Quadro 9 - Definição da qualidade do maciço rochoso de acordo com a classificação de Bieniawski. SOMA DOS PESOS CLASSE N.º DESCRIÇÃO DO MACIÇO 100-81 I Muito bom 80-61 II Bom 60-41 III Razoável 40-21 IV Mau <20 V Muito Mau FCUP Classificações Geomecânicas 51 4.2. Classificação de Barton et. al. (1974) – Sistema Q O Índice de qualidade do maciço (Q), desenvolvido por Barton et al. em 1974, é um sistema empírico para classificação aplicado em mais de 1000 túneis (Barton, 2000). O referido índice é determinado com base em seis parâmetros considerados relevantes para a caracterização dos maciços rochosos. Os seis parâmetros são agrupados em três quocientes, variando o valor de Q entre 0.001 e 1000, determinado através da seguinte expressão: Os parâmetros para a determinação do Q são (Grimstad e Barton, 1988): RQD - designação da qualidade da rocha, segundo Deere (1963). Jn - número de famílias de diaclases. Jr - rugosidade da família de diaclases com orientação mais crítica para a estabilidade. Ja – alteração da superfície das paredes Jw - condições de percolação da água. SRF - parâmetro relativo às tensões na envolvente da escavação. Estes parâmetros agrupam-se, independentemente, nos seguintes quocientes que correspondem a diferentes aspetos dos maciços rochosos: RQD/Jn Este quociente caracteriza a estrutura do maciço rochoso, obtendo-se assim uma ideia genérica do tamanho dos blocos. O seu valor poderá variar entre 0.5 e 200. Jr/Ja O quociente entre os índices referentes a rugosidade e ao grau de alteração representa a resistência ao corte das descontinuidades. Este quociente aumenta com o aumento da rugosidade e diminui com o grau de alteração das faces em contacto directo. O fato deste quociente diminuir, com consequente diminuição da resistência ao corte deve-se à ocorrência do preenchimento das descontinuidades por argila ou por se encontrarem abertas. FCUP Classificações Geomecânicas 52 Jw/SRF O quociente entre a pressão da água, Jw, e o Stress Reduction Factor (SRF) representa o estado de tensão do maciço rochoso, em profundidade, ou as tensões de expansibilidade. A sua avaliação é realizada a partir de alterações do maciço, das zonas de escorregamento ou devido às evidências de libertação da tensão do maciço (explosões da rocha). O Jw representa a pressão de água sobre o maciço. Seguidamente são descritos cada um dos seis parâmetros que vão definir a qualidade do maciço rochoso, as tabelas de classificação e os seus pesos. 4.2.1. RQD O primeiro parâmetro refere-se ao parâmetro RQD descrito anteriormente na Classificação de Bieniawski (1989). Este parâmetro apresenta um intervalo que varia entre 0% e 100% (Figura 10). Segundo Barton et. al. (1974) para valores de RQD inferiores a 10, adota-se o valor 10. Fig.10 - Designação da qualidade da rocha – RQD (modificado de Barton et al., 1974). 4.2.2. Jn É a partir da identificação do número das famílias de descontinuidades existentes no maciço rochoso que se adota um valor para o parâmetro Jn. O importância do estudo das fraturas deve-se ao fato de estas condicionarem o comportamento do maciço rochoso relativamente à deformabilidade, resistência e permeabilidade, podendo influenciar toda a estrutura do maciço. Para definir uma FCUP Classificações Geomecânicas 53 família de fraturas tem-se em conta todo um conjunto de fraturas com aproximadamente a mesma inclinação e direção. Assim, o parâmetro, Jn, é relativo ao número de famílias de fraturas existentes no maciço, variando o seu peso entre 0.5 e 20 (Figura 11). Fig.11 - Índice do número de famílias (modificado de Barton et al., 1974). Denote-se que nos cruzamentos e emboquilhamentos de túneis o valor obtido para o parâmetro Jn deve ser multiplicado por 3 e por 2, respetivamente. 4.2.3. Jr As ondulações na superfície das fraturas são denominadas por rugosidade. Esta característica influencia a resistência ao cisalhamento, sobretudo quando se trata de descontinuidades não preenchidas. A melhor forma de quantificar a rugosidade é identificar o seu perfil geométrico, enquadrando-o nos perfis de rugosidade apresentados por Barton et al. (1974) ou segundo a ISRM (Figura 12) como descrito no capítulo anterior. FCUP Classificações Geomecânicas 54 Fig.12 - Perfis de rugosidade e correspondente campo de variação dos valores de JRC associados (ISRM, 1978). O parâmetro Jr depende da rugosidade das fraturas, variando o seu peso entre 0.5 e 4 (Figura 13), de acordo com os bordos das descontinuidades estarem ou não em contacto após 10 cm de movimento tangencial. Fig.13 - Índice de rugosidade das fraturas (modificado de Barton et al., 1974). Se o espaçamento for superior a 3 m, deve-se adicionar 1 ao valor definido. FCUP Cartografia Geológico-Geotécnica 61 ou encontrando-se muitas das vezes rejeitados por descontinuidades, refletindo o seu carácter de falha. Registou-se, igualmente, o atravessamento de um filão de natureza básica (dolerítico?) aos 0+070 metros, associado a uma zona de granito róseo, que, à data da escavação, apresentava intensa percolação de água. Verificou-se mais tarde, após escavação e colocação de drenos pontuais, que a referida zona ficou seca. Em alguns troços, verificaram-se passagens graduais de granito porfiróide, esbranquiçado, para granito róseo, ou mesmo sienito, dado não ser visível macroscopicamente a presença de quartzo. A escavação do Túnel 1, no que respeita à alteração do maciço, foi inserida num maciço são (W1) e pouco alterado (W2) na maior parte da sua extensão, verificando-se um aumento do grau de alteração em zonas de menor extensão devido à presença de descontinuidades relevantes como falhas e zonas de falhas prováveis. Para além das zonas conturbadas associadas ao atravessamento de conjuntos de falhas contínuas e ortogonais, com preenchimentos argilosos, e compartimentação de blocos bem definida, genericamente maciço W3 (pontualmente W2 ou W4), F3 (pontualmente F2), foram também atravessadas zonas constituídas por maciço muito alterado a decomposto (W4 a W5), com características geomecânicas semelhantes a solos. Uma dessas zonas ocorre entre o 0+289,5 e 0+307, onde se observou um maciço intensamente tectonizado, com alternância de maciço decomposto com greisen e maciço muito fraturado, e que apresentava características mineralógicas típicas de zonas de falha. Verificou-se ocorrência de percolação de água nos trechos iniciais desta zona. Outra zona caracterizada por maciço decomposto com greisen, milonitizado, correspondeu à zona de falha no trecho 0+499 e 0+507, com extensão inferior ao previsto. Contudo, note-se o maciço intensamente fragmentado a partir de 0+460, e as descontinuidade NS com preenchimento argilosos, extremamente contínuas (>20m) verificadas a partir de0+380, que condicionaram a escavação. No trecho 0+680 e 0+730, observou-se um alinhamento estrutural, tipo falha, com orientação ~N20ºW, com o teto menos inclinado que o muro, refletindo assim variação de possança entre 1,5 m e 3 m na frente de escavação. A caixa de falha, confinada por maciço rochoso pouco fraturado e pouco alterado, e constituída por material esmagado, argilificado (decomposto) alterando com material muito fraturado (F4), apresentou percolação de água com pressão elevada, favorecendo a sobreescavação. FCUP Cartografia Geológico-Geotécnica 62 Após o atravessamento desta última falha possante, o maciço revelou melhorias significativas (possivelmente também associado ao facto da escavação se encontrar a profundidades da ordem dos 350 m), apresentando-se pouco fraturado e pouco alterado (a são) até ao final da escavação. Refira-se também, neste troço final, a existência de uma maior número de filonetes de quartzo e uma maior percentagem de biotite. No geral, quanto à fracturação é possível aferir que o maciço escavado apresenta fraturas medianamente afastadas (F3), que pontualmente se podem observar afastadas (F2), registando-se como próximas em zonas conturbadas (F4). No que se refere às características das diaclases, estas apresentaram, geralmente, uma continuidade média (3-10 m) a elevada (10-20 m). No que diz respeito à abertura das diaclases, em geral, apresentaram-se com abertura superiores a 5 mm (abertas), surgindo por vezes de forma localizada com abertura 1,0 - 5,0 mm (parcialmente abertas). Quanto à rugosidade, observou-se um comportamento variável, apresentando-se as superfícies das diaclases geralmente lisas (JRC=4-6) ou ligeiramente rugosas (JRC=68). De notar, ainda, a presença pontual de superfícies de descontinuidades planas (JRC=2-4) essencialmente em zonas próximas de falhas. Nas superfícies das diaclases verificaram-se sinais de alteração ligeira, com frequentes passagens a superfícies moderadamente alteradas e constante deposição superficial de óxidos alaranjados e acastanhados. No entanto, há a registar zonas onde as superfícies se apresentavam mais alteradas, com especial ênfase para as que se situavam nas proximidades de descontinuidades geológicas tipo falha. Outro especto que importa assinalar, relaciona-se com o preenchimento das diaclases. Este ocorreu, essencialmente, com natureza mole, como películas argilosas mas, também, preenchimentos doutras variadas formas como: filonetes milimétricos de natureza quartzosa, finas concentrações de minerais máficos ou mesmo preenchimento por óxidos. 5.1.2. Presença de água no maciço A presença de água no maciço rochoso durante as escavações foi particularmente importante, em termos de caudais, nomeadamente junto a alinhamentos tectónicos (falhas). Este facto estará intimamente ligado à fracturação do maciço nas zonas de maior proximidade destes alinhamentos. Após a passagem das zonas de afetação de falhas, FCUP Cartografia Geológico-Geotécnica 63 verifica-se diminuição significativa da percolação de água, tanto ao nível de caudal como ao nível de pressão. Registou-se, também, presença pontual de exsurgências de água com pouca pressão e caudais pouco significativos (<0,5 L/min), habitualmente associados a outras descontinuidades geológicas, ou apenas alguma humidade associada a certos preenchimentos moles. No trecho 0+260 e 0+330 registou-se percolação mais significativa, em termos de caudal por área, no entanto sem pressão. 5.1.3. Análise das descontinuidades Mediram-se as atitudes de cerca de 1600 descontinuidades (incluindo falhas) ao longo da escavação do Túnel 1. As orientações médias das famílias das descontinuidades fizeram-se a partir do tratamento estatístico dos pólos dos planos medidos no campo com a bússola. No maciço detetaram-se 3 famílias principais de descontinuidades e outras 3 de orientação aleatória. O Quadro 11 reúne as características mais relevantes de cada família. Quadro 11 - Características das principais famílias de descontinuidades observadas no maciço granítico do Túnel 1. Família Características J1 (atitude média N20ºW, 90º a 80ºE/W) F2 a F3; Muito contínuas (3-10 a >10m); Ondulantes, ligeiramente rugosas a lisas; Aberturas 1-5mm, localmente >5mm, com preenchimento mole; Pontualmente vestígios de oxidação nas paredes; Atitude média apresenta dispersão >20º a nível da direção; FCUP Cartografia Geológico-Geotécnica 64 J2/J2a (atitude média N50ºE, 58ºNW/SE) F1-2; Contínuas (3-10m); Aberturas 1-5mm, localmente >5mm, com película argilosa associada e óxidos de ferro; Rugosas a ligeiramente rugosas, planas; Inclinação com dispersão significativa; J3 (subhorizontais, i<20º) F3 a F2, localmente F1; Pouco contínuas (<3m), pontualmente contínuas (3-10m); Aberturas 1-5mm, localmente <1mm; Rugosas a ligeiramente rugosas, ondulantes; Película argilosa associada, e/ou vestígios de oxidação nas paredes; Aleatória (atitude média N60ºW, 90º-70ºSW/NE) F2, pontualmente F3; Pouco contínuas (<3m) a contínuas (3-10m); Aberturas 1-5mm, rugosas, planas, com vestígios de oxidação nas paredes e/ou película argilosa; Aleatória (atitude média EW, 90º a 80ºN/S) F1-2, localmente F3 a F4; Contínuas (3-10m); Aberturas <1mm, localmente >5mm; Rugosas a ligeiramente rugosas, planas; Película argilosa associada, ou veios pegmatitícos, ou vestígios de oxidação nas paredes; Aleatória (atitude média N50ºE,90º) F1-2; Contínuas (3-10m); Aberturas <1mm; Rugosas a ligeiramente rugosas, planas; Película argilosa associada ou preenchimento duro tipo veios pegmatitícos; No que respeita a alinhamentos tipo falha, intercetaram a escavação inúmeros alinhamentos importantes, que condicionaram a escavação pelas suas características geotécnicas precárias em vários troços do Túnel 1. O Quadro 12 resume, localiza e FCUP Cartografia Geológico-Geotécnica 65 caracteriza esses alinhamentos estruturais (falhas/falhas prováveis) com as seguintes atitudes médias: Quadro 12 - Descrição das características das falhas atravessadas pela escavação do Túnel 1. Falha (F) / Falha Provável (FP) Características FPa N70ºE, 90º (~ 0+055) Abertura de 1 cm com preenchimento milonítico. Fa N72ºE, 82ºSE a 90º (~ 0+070) Abertura de 0,2 m com preenchimento cinzento esverdeado e rocha esmagada. Exsurgências de água associadas a este alinhamento. Fb N60ºE, 90º (~ 0+110) Abertura superior a 0,1m com paredes lisas e preenchida por fragmentos pegmatíticos e milonite envoltos em matriz argilosa. Fc N20º-30ºW, 90º (~ 0+110 a 0+120) Abertura entre 0,05m a 0,1m com paredes lisas e preenchida por fragmentos pegmatíticos e milonite envoltos em matriz argilosa. Fd N48º-60ºE, 50º-60ºNW (~ 0+145) Abertura de 0,2m com preenchimento argiloso e fragmentos de quartzo ( brecha de falha). Fe N38ºE, 56ºNW (~ 0+245) Abertura de 0,1m a 0,2m com preenchimento de brecha milonítica. Ff N30ºE, 64ºNE (~ 0+249) Abertura de 0,1m com preenchimento de brecha milonítica. Fg N40ºE, 60ºNW (~ 0+252) Abertura de 0,1m a 0,3m com preenchimento de brecha milonítica. Exsurgências de água associadas a este alinhamento. FCUP Cartografia Geológico-Geotécnica 66 Fh EW, 90º (~ 0+256) Paredes estriadas e preenchimento argiloso de 0,05m. Fi N40ºE, 70ºNW (~ 0+256) Paredes estriadas e preenchimento argiloso de 0,05m. Fj N30º-40ºE, 76ºN-90º (~ 0+265 e 0+381) Abertura entre 5mm e 0,2m com preenchimento siltoargiloso esverdeado. Exsurgências de água associadas a este alinhamento. Fk N40ºE, 40ºNW (~ 0+265) Abertura de 0,2m preenchida por brecha com matriz argilosa. Fl N20º-30ºW,40º50ºSW (~ 0+275 e 0+299) Abertura de 0,6m a 1m, preenchida por brecha de falha. Fm N40ºE, 40º-60ºNW (~ 0+289) Abertura de 0,05m preenchida com argila minlonítica. FPb N38ºW, 50ºNE (~ 0+293) Abertura de 0,05m com preenchimento areno-argiloso. Fn N76ºW, 90º (~ 0+346 e 0+375) Aberta e com preenchimento milonítico cloritizado de espessura entre 0,1 a 0,3m. Fo N40º-70ºW,70ºE-90º (~ 0+385 e 0+423) Abertura de 0,1m com preenchimento de argila milonítica. Exsurgência de água associada a este alinhamento. Fp N40º-55ºW,90º (~ 0+425 e 0+440) Abertura de 0,05m com preenchimento de argila milonítica. Fq N15º-20ºE,60ºNW (~ 0+435 e 0+440) Abertura de 0,05m com preenchimento argiloso. Fr N65ºE, 85ºN (~ 0+468) Abertura de 0,1m com preenchimento argiloso. Fs NE-SW, Subvertical (~ 0+499 e 0+507) Paredes muito alteradas a decompostas. Zona muito FCUP Cartografia Geológico-Geotécnica 67 fraturada e alterada, passando a zona intensamente tectonizada, decomposta. Aspeto greisenificado com tons esbranquiçados e esverdeados. Preenchimentos argilosos (0.5cm a 1cm) Ft N80ºE, 78ºN (~ 0+550 e 0+555) Preenchimento argiloso de 0,05m. Fu N10ºW, 80ºW (~ 0+571 e 0+589) Preenchimento argiloso de 0,05m. Fv N10ºW, 80ºW (~ 0+571 e 0+586) Preenchimento argiloso de 0,05m. Fw N10ºW, 90º (~ 0+606 e 0+620) Aberta, alterada e preenchida por material argilo-siltoso de tom esverdeado de 5cm de espessura. Fx N40º-60ºW, 50ºW (~ 0+680 e 0+730) Espelhada, tectonizada com preenchimento argiloso milonitizado (caulinite/ilite?) e brecha argilosa de espessura Variável (0,05 a 0,2 m). Fy (~ 0+700 e 0+740) N40ºW, 70ºW Espelhada, milonitizada com caixa de 0,3m preenchida com agila. Juntamente com a Fx, delimita uma zona muito alterada com cerca de 1 a 3m. O levantamento das descontinuidades mais relevantes e extensas (incluindo falhas) e sua implantação na cartografia foi efetuado de modo expedito, com fita métrica referenciada a um ou mais pontos marcados topograficamente nos hasteais. FCUP Cartografia Geológico-Geotécnica 68 5.1.4. Ensaios de carga pontual Foram executados cerca de 50 ensaios de carga pontual 1 em amostras recolhidas nas frentes de escavação, seguindo a metodologia sugerida pela ISRM(1981). Os resultados dos ensaios mostram que a resistência à carga pontual varia entre 1,05 e 8,10 MPa, refletindo uma média de 4,87 MPa (resistência média 2 , rocha dura 3 ) do material rochoso escavado no Túnel 1 (Figura 17). Refira-se que em alguns troços – nomeadamente nas zonas intensamente tectonizadas – não foi possível recolher amostras, visto que o material apresentava características que se afastavam mecanicamente de material rocha, pelo que o parâmetro RCU não era aplicável ou representativo. Fig.17 - Resultados dos ensaios de Carga Pontual ao longo do Túnel 1. Com base nos resultados obtidos é possível observar-se que, de um modo geral, o material rocha está intimamente relacionado com o grau de alteração do maciço e com a tendência grosseira do granito. Assim, verifica-se que amostras mais alteradas (W3) e mais grosseiras (incluindo pegmatitos) revelaram-se no geral mais brandas. As amostras de granito róseo 4 revelam valores entre 3 e 7 MPa. 1 Equipamento utilizado em obra para ensaios de carga pontual: marca Masta, nº série H-00126. 2 Classificação segundo Bieniawsk (1989) 3 Classificação segundo ISRM (1981) 4 Vulgarmente denominado de “granito róseo”, poderá corresponder a um sienito, visto que macroscopicamente não é observado vestígios de quartzo no seio da matriz rochosa. W2-W3 W1-2 W3-W4 W2 W2-W3 W2 W3-W4 W1 W1-2 (W4) W2 W1 W2-W3 FCUP Cartografia Geológico-Geotécnica 69 Verifica-se, igualmente, que os resultados das classificações (RMR) não são significativamente alterados quando os valores estimados para a resistência à compressão uniaxial são aferidos com os resultados dos ensaios de carga pontual, mantendo-se dentro dos intervalos preconizados na classificação de Bieniawski (1989). 5.1.5. Classificações geomecânicas e qualidade do maciço rochoso A par das fichas de caracterização geológico-geotécnica foram elaboradas, em cada avanço, fichas de classificação geomecânica baseadas no sistema de classificação de Bieniawski (1989), e Barton et al. (1974), RMR e Q respetivamente. As classificações geomecânicas permitiram determinar o suporte tipo a aplicar com base nos pressupostos definidos no Projeto de Execução do Túnel. O cálculo do RMR e Q foi realizado com recurso a folhas de cálculo onde se introduziram as características geométricas, geológicas e geotécnicas das descontinuidades e do maciço rochoso. Esta informação foi registada nos boletins da cartografia geológica-geotécnica e compilada numa tabela resumo em Anexo. 5.1.5.1. RMR No gráfico da Figura 18 apresenta-se a variação dos valores RMR obtidos ao longo da escavação do Túnel 1. O RMR apresentado corresponde ao somatório das ponderações dos 5 parâmetros definidos na classificação (RCU, RQD, espaçamento de descontinuidades, características das descontinuidades e ocorrência de água subterrânea), aos quais se adiciona uma correção relativa à atitude das descontinuidades, que se relaciona com a direção do eixo e o sentido da escavação. A média dos valores de RMR obtidos é de 53, sendo o valor mais elevado de 81 e o mínimo de 13. FCUP Cartografia Geológico-Geotécnica 70 Fig.18 - Evolução dos valores de RMR ao longo da escavação. Com base no gráfico de evolução dos valores de RMR é possível verificar que o maciço é bastante heterogéneo em relação às variações de RMR ao longo da escavação, havendo consecutivamente uma variação abrupta dos valores de RMR. Este facto é devido às consecutivas interseções com falhas geológicas que por várias vezes ocorrem no seio de maciço de boa qualidade. Quadro 13 - Classificação geomecânica do maciço do Túnel 1 pelo sistema de Bieniawski (1989). RMR Classe Descrição Metros lineares (m) % 100-81 I Muito Boa 6,9 0,9 80-61 II Boa 204,0 27,6 60-41 III Razoável 404,6 54,7 40-21 IV Má 117,6 15,9 <21 V Muito Má 6,9 0,9 De acordo com as classes de maciço indicadas por Bieniawski, 1989, verifica-se que cerca de metade (55%) do maciço escavado se enquadra em maciço de qualidade Razoável (41<RMR<60) (Quadro 13). 28% do maciço enquadra-se na classe de Boa 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 0+000 0+016 0+032 0+044 0+057 0+078 0+098 0+117 0+137 0+157 0+175 0+192 0+210 0+226 0+245 0+265 0+286 0+303 0+324 0+343 0+362 0+379 0+394 0+409 0+423 0+434 0+444 0+458 0+476 0+495 0+512 0+532 0+552 0+572 0+590 0+609 0+629 0+648 0+667 0+685 0+704 0+717 0+728 RMR PK's Variação do RMR Classe I Classe II Classe III Classe IV Classe V FCUP Cartografia Geológico-Geotécnica 77 J2 (atitude média NS, 60°W a 90°) F1-2; Muito contínuas (3-10 a >10m); Aberturas 1-5mm, localmente >5mm, com película argilosa associada e óxidos de ferro; Rugosas a ligeiramente rugosas; Atitude média apresenta dispersão ~25° a nível da direção; Aleatória (subhorizontais, i<20º) F2, pontualmente F3; Pouco contínuas (<3m), pontualmente contínuas (3-10m); Aberturas 1-5mm, localmente <1mm; Rugosas a ligeiramente rugosas, ondulantes; Pontualmente associada a veios pegmatitícos e com ou vestígios de oxidação nas paredes; Aleatória (atitude média NS, 30°-50°W) F2, pontualmente F3 Continuas (3-10m); Aberturas 1-5mm, rugosas, pontualmente com vestígios de oxidação nas paredes; Aleatória (atitude média EW, 90º a 80ºN/S) F2, localmente F3; Contínuas (3-10m); Aberturas <1mm, localmente >5mm; Aberturas 1-5mm, rugosas, pontualmente com vestígios de oxidação nas paredes; No que diz respeito a falhas, a escavação intersectou 8 alinhamentos principais, que condicionaram a escavação pelas suas características geotécnicas precárias em vários troços. Quadro 16 resume, localiza e caracteriza esses alinhamentos estruturais (falhas/falhas prováveis). Quadro 16 - Descrição das características das falhas atravessadas pela escavação do Túnel 2. Falha (F) / Falha Provável (FP) Características Faa N20ºE, 80ºW (~ 0+040) Abertura de 10cm com preenchimento de argila e óxidos Fab N05ºW, 80ºW (~ 0+055) Abertura de 0,05m com preenchimento argiloso. FCUP Cartografia Geológico-Geotécnica 78 Falha associada a formações pegmatíticas Fac NS, 80ºW (~ 0+060) Abertura superior a 0,1m com paredes lisas a ligeiramente rugosas, preenchida por óxidos, pontualmente argila Fad NS, 76ºW (~ 0+130 a 0+135) Zona com intensa oxidação, intercalada por filonetes pegmatíticos, sem percolação de água aparente. Caixa de falha com 3,5 m. Preenchimentos moles superiores a 0,02 m. Fae N15ºE, 40ºW (~ 0+156 a 0+170) Abertura de 0,1m com preenchimento argiloso e óxidos. Faf N20º-50°W, 50º-55°SW (~ 0+560 a 0+570) Zona conturbada com cerca de 3,5 m com maciço muito alterado a decomposto. Com 0,2 m de argila associada. Fag N20º-30ºE, 65ºW (~ 0+720 a 0+740) Abertura de 0,2 m com preenchimento de brecha milonítica. Exsurgências de água associadas a este alinhamento provocam ligeiro lixiviar do seu preenchimento. FPaa NS, 90º (~ 0+107) Abertura aparentemente superior a 0,005m com preenchimento argiloso e óxidos. Do mesmo modo que o Túnel 1, o levantamento das descontinuidades mais relevantes e extensas (incluindo falhas) e sua implantação na cartografia foi efetuado de modo expedito, com fita métrica referenciada a um ou mais pontos marcados topograficamente nos hasteais. FCUP Cartografia Geológico-Geotécnica 79 5.2.4. Ensaios de carga pontual Foram executados cerca de 55 ensaios de carga pontual 5 em amostras recolhidas nas frentes de escavação, seguindo a metodologia sugerida pela ISRM(1981). Os resultados dos ensaios mostram que a resistência à carga pontual varia entre 2,99 e 7,9 MPa, refletindo uma média de 5,56 MPa (resistência média 6 , rocha dura 7 ) do material rochoso escavado na Túnel 2 (Figura 23). É de realçar que em alguns troços – nomeadamente nas zonas intensamente tectonizadas – não foi possível recolher amostras, visto que o material apresentava características que se afastavam mecanicamente de material rocha, pelo que o parâmetro RCU não era aplicável ou representativo. Fig.23 - Resultados dos ensaios de Carga Pontual ao longo do Túnel 2. De acordo com os resultados obtidos verifica-se que, de um modo geral, a resistência do material está intimamente relacionados com o grau de alteração do maciço o qual depende das zonas de afetação de descontinuidades geológicas relevantes como as do tipo falhas, como é o exemplo da menor resistência aos 0+150 e 0+740. É de notar 5 Equipamento utilizado em obra para ensaios de carga pontual: marca Masta, nº série H-00126. 6 Classificação segundo Bieniawski (1989). 7 Classificação segundo ISRM(1981). W1-2 W3-W4 W1-2 W3-W4 W1-2 W3-W4 W1-2 W3 W1-2 W1-2 W1-2 W4 W1-2 W2 W2 W1-2 W2-W3 FCUP Cartografia Geológico-Geotécnica 80 que amostras com granulometria mais grosseira (incluindo pegmatitos) se revelaram, no geral, mais brandas. Verifica-se também que os resultados das classificações (RMR) não são significativamente alterados quando os valores estimados para a carga pontual são aferidos com os resultados dos ensaios, mantendo-se dentro dos intervalos preconizados na classificação de Bieniawski (1989). 5.2.5. Classificações geomecânicas e Qualidade do maciço rochoso À semelhança do procedimento tomado para o Túnel 1, para o Túnel 2, a par das fichas de caracterização geológico-geotécnica foram também elaboradas, em cada avanço, fichas de classificação geomecânica baseadas no sistema de classificação de Bieniawski (1989) e Barton et al. (1974), RMR e Q respetivamente. As classificações geomecânicas permitiram determinar o suporte tipo a aplicar baseado nos pressupostos definidos no Projeto de Execução do Túnel. Toda a informação referente às características geométricas, geológicas e geotécnicas do maciço rochoso registada nos boletins de cartografia geológica-geotécnica foi compilada numa tabela resumo em Anexo. 5.2.5.1. RMR No gráfico da Figura 24 apresenta-se a variação dos valores RMR obtidos ao longo da escavação do Túnel 2. O RMR apresentado corresponde ao somatório das ponderações dos 5 parâmetros definidos na classificação (RCU, RQD, espaçamento de descontinuidades, características das descontinuidades e ocorrência de água subterrânea), aos quais se adiciona uma correção relativa à atitude das descontinuidades, que se relaciona com a direção do eixo e o sentido da escavação. A média dos valores de RMR obtidos situa-se no 69, sendo o valor mais elevado de 87 e o mínimo de 24. FCUP Cartografia Geológico-Geotécnica 81 Fig.24 - Evolução dos valores de RMR ao longo da escavação. O gráfico referente à variação do RMR, Túnel 2, mostra um maciço com condições geomecânicas constantes apenas interrompidas, muito pontualmente, por zonas com características geomecânicas mais fracas, observáveis pelas variações abruptas dos valores de RMR, que logo após a passagem da escavação da zona geomecânica mais baixa retomava os valores médios obtidos anteriormente. Quadro 17 - Classificação geomecânica do maciço do Túnel 2 pelo sistema de Bieniawski (1989). RMR Classe Descrição Metros lineares (m) % 100-81 I Muito Boa 60,8 7,46 80-61 II Boa 604,0 74,16 60-41 III Razoável 128,8 15,81 40-21 IV Má 20,9 2,57 <21 V Muito Má 0 0,0 De acordo com as classes de maciço indicadas na classificação de Bieniawski, 1989, (Quadro 17) verifica-se que cerca de 74,2% do maciço escavado apresenta boas condições geomecânicas (61<RMR<80), 15,8% condições geomecânicas razoáveis, 7,5% Classe I Classe II Classe III Classe IV Classe V FCUP Cartografia Geológico-Geotécnica 82 muito boas condições e aproximadamente 2,6 % do maciço escavado apresentava condições geomecânicas más (Figura 25). Fig.25 - Percentagens das diferentes classes referentes à qualidade do maciço rochoso no Túnel 2. Os valores mais frequentes de RMR variam dentro do limite do intervalo da Classe II. De referir que as maiores variações se encontraram em zonas de falhas, não havendo uma evolução contínua, mas sim uma mudança brusca na qualidade do maciço. 5.2.5.2. Q-system O índice de Barton et al. (1974) também foi sistematicamente calculado para cada avanço no Túnel 2. Na Figura 26 apresenta-se a variação dos valores de Q ao longo da escavação. FCUP Cartografia Geológico-Geotécnica 83 Fig.26 - Evolução dos valores de Q ao longo da escavação. A média dos valores de Q obtidos situa-se no 12,72, sendo o Q mais elevado é de 95,0 e o mínimo de 0,09. No gráfico de variação verifica-se que a maioria dos valores de Q se situa entre 4,0 e 40,0, sendo este fator indicativo da razoável a boa qualidade das características geomecânicas do maciço escavado calculado através do Q-system. No Quadro 18 apresentam-se os metros lineares e respetiva percentagem das classes geomecânicas definidas por Barton et al. 1974 para o maciço ocorrente no Túnel 2. Quadro 18 -. Classificação geomecânica do maciço pelo sistema de Barton et al. (1974). Q Classe Descrição Metros lineares (m) % 1000-400 A Excecionalmente bom 0,00 0,0 400-100 Extremamente bom 0,00 0,0 100-40 Muito bom 15,4 1,9 40-10 B Bom 359,2 44,1 10-4 C Razoável 342,3 42,0 1-4 D Fraco 61,2 7,5 1-0,1 E Muito fraco 32,3 4,0 0,1-0,01 F Extremamente fraco 4,1 0,5 0,01-0,001 G Excecionalmente fraco 0,00 0,0 De acordo com as classes de maciço indicadas por Barton et al. (1974) verifica-se que cerca de 86% do maciço escavado se enquadra em Razoável e Boa qualidade (4<Q<40), sendo 12% do túnel escavado em condições que variaram entre a Fraca e a Extremamente Fraca qualidade. Existe ainda uma percentagem residual de 2%, enquadrado em Muito Boa qualidade (Figura 27). Estes valores demonstram perfeitamente que as condições geotécnicas atravessadas pelo Túnel 2 são significativamente melhores que as do Túnel 1, ficando as condições de mais baixa qualidade geotécnica, unicamente, distinguidas pelas zonas de Falha. FCUP Cartografia Geológico-Geotécnica 84 Fig.27 - Distribuição dos valores de Q, do Túnel 2, pelas diferentes classes do sistema de Barton et al., 1974. Correlacionando os resultados das classificações geomecânicas calculadas avanço a avanço no Túnel 2 (RMR e Q), foi obtida a expressão apresentada no gráfico da Figura 28. Fig.28 - Correlação RMR-Q com base nos resultados das classificações efetuadas na frente de escavação em cada avanço. FCUP Furação em Avanço 85 6. Furação em Avanço A perfuração do maciço foi efetuada avanço a avanço com recurso a um Jumbo de Perfuração, marca Robodrill, de três braços com registo contínuo de diferentes parâmetros de furação. A furação foi executada à roto-percussão, sendo o diâmetro dos bits utilizados de 3 polegadas. O Jumbo estava dotado do software Drill-Analyser, da Robodrill, com capacidade de registo informático dos principais parâmetros de furação: velocidade de perfuração, pressão de avanço, pressão de retorno (pressão do martelo), pressão de rotação e pressão de impacto. Os registos foram efetuados em bares (bar) com a exceção da velocidade de perfuração registada em metros por minuto (m/min). O software Drill-Analyser, para além do registo dos valores dos diferentes parâmetros, fornece informação gráfica de síntese relativa às características da furação. Deste modo, foi possível, a partir deste software, efetuar o tratamento de toda a informação referente às sucessivas furações, de modo a que essa informação fosse analisada e interpretada para a relação com as características do maciço escavado. Assim, todos os registos de furação foram tratados e compilados em folhas de Excel apresentadas em anexo. Os valores obtidos nos dois túneis foram analisados de forma independente dado a furação ter sido realizada com Jumbos diferentes. No entanto, as diferentes respostas da furação do maciço escavado nos dois túneis serão relacionadas, visto que se pretende uma análise qualitativa destas relações. Cada um dos parâmetros regista o resultado de uma determinada ação efetuada, sendo que pressão em avanço se define pela resultante do esforço aplicado para o avanço da vara. A pressão do martelo, ou pressão de retorno, é a pressão exercida pelo martelo de modo a este não permitir o encrave da vara, ou seja é a energia efetuada em direção contrária à força em avanço, que neste caso não reflete necessariamente o seu inverso. A pressão de rotação resulta da pressão exercida para a realização da manobra da rotação da vara. A pressão de impacto é a pressão aplicada para a execução da pancada exercida pelo martelo. Os valores destes parâmetros são condicionados pelas características do material a perfurar, que combinados influenciam a velocidade de furação. Assim, esta é diretamente proporcional à quantidade de rocha que efetivamente é perfurada, ou atravessada, no interior do furo por unidade de tempo. FCUP Furação em Avanço 86 Para cada avanço realizou-se um determinado número de furos, definidos segundo a seção a escavar. Assim, cada registo de furação compila as médias dos valores de cada um dos parâmetros de furação para a totalidade do comprimento dos furos realizados. Apresentam-se de seguida, todos os registos efetuados e compilados. 6.1. Furação ao longo do Túnel 1 Para a construção do Túnel 1 foram desenhados planos de fogo com uma média de 110 furos, a profundidades variáveis. Os comprimentos dos avanços foram definidos consoante as classificações geomecânicas atribuídas ao maciço rochoso nos metros antecedentes. Deste modo, os valores registados refletem a média dos parâmetros para cada um dos avanços efetuados. Ao longo da escavação do Túnel 1 foram efetuados 214 registos de furação abrangendo os 740 metros de extensão. No gráfico da Figura 29 observam-se dois tipos de variação da evolução dos valores: variações graduais e variações súbitas. As variações graduais prendem-se com pequenas modificações ao longo de vários metros, que descrevem uma tendência para os valores registados. As variações súbitas definem uma variação repentina que altera abruptamente a evolução das tendências. Fig.29 - Variação de parâmetros de furação ao longo da escavação do Túnel 1. FCUP Furação em Avanço 93 Quadro 22 - Coeficientes de correlação entre os parâmetros de furação no Túnel 2 Velocidade de Furação Pressão em avanço Pressão do Martelo Pressão de Rotação Pressão de impacto Velocidade de Furação 1 Pressão em avanço 0,024349 1 Pressão do Martelo 0,37985 0,007995 1 Pressão de Rotação -0,22477 -0,09066 -0,36093 1 Pressão de impacto -0,16981 -0,30974 -0,43375 0,430702 1 FCUP Relações entre parâmetros de furação e características geológico-geotécnicas 94 7. Relações entre parâmetros de furação e características geológico-geotécnicas O presente trabalho procurou relacionar os valores obtidos durante a furação do maciço e as características geológico-geotécnicas cartografadas durante a escavação, numa perspetiva de compreender de que forma estas características podem influenciar a evolução da furação. É de salientar que os valores dos diâmetros e desgastes das brocas utilizadas, assim como as relações de limpeza e orientação dos furos não são tidos em conta neste trabalho uma vez que estas condições se consideraram constantes ao longo das escavações. Tal como referido no capítulo anterior, a velocidade de furação é o parâmetro que reflete a conjugação de todos os outros parâmetros de furação. Desta forma, é necessário entender a relação direta deste parâmetro com as diferentes características geotécnicas do maciço escavado. As relações pretendidas foram determinadas, na maioria das vezes, pelo coeficiente de correlação de Pearson, o qual expressa a intensidade e o sentido das relações lineares entre as variáveis. Deste modo, coeficientes de correlação positivos (r>0) correspondem a variáveis que variam no mesmo sentido. Por outro lado, coeficientes de correlação negativos (r<0) traduzem variáveis que variam em sentido inverso. Nos casos em que o coeficiente de correlação é 0 (r=0), não existe relação linear entre as variáveis. Deste modo, r é o coeficiente de correlação que pode apresentar valores positivos ou negativos. Por analogia, consideramos como a inclinação de uma linha. Se o declive é negativo, a linha inclina para baixo e a relação entre as duas variáveis (x e y) são inversas. Ou seja, para um aumento de x, y vai diminuir. Se r é positivo, então a linha inclina para cima e como x aumenta o mesmo acontece com y. No entanto, se r for igual ou próximo de zero, não existe uma relação significativa entre as duas variáveis, como x aumenta, y não muda ou oscila entre variações positivas e negativas. Quanto mais próximo r é de 1 ou -1, mais forte é a relação entre x e y. Em determinados casos procurou-se encontrar outras relações, como a logarítmica, que permitissem a obtenção do melhor valor de r. FCUP Relações entre parâmetros de furação e características geológico-geotécnicas 95 O Quadro 23 apresenta a classificação de Franzblau (1958) para a magnitude do coeficiente de correlação. Quadro 23 - Magnitude do coeficiente de correlação (Franzblau, 1958, in Faísca, 2010) Coeficiente de correlação (r) Descrição |r| < 0,20 Negligenciável 0,20 < |r| < 0,40 Fraca 0,40 < |r| < 0,60 Moderada 0,60 < |r| < 0,80 Forte |r| > 0,80 Muito Forte Segundo Faísca (2010) a magnitude de Pearson pode ser interpretada em termos da variação de uma variável que é explicada pela variação da outra variável. Assim sendo, o valor do coeficiente r2 indica, em percentagem, o quanto o modelo consegue explicar os valores analisados. Ou seja, a percentagem da variável independente (x) que "explica" o que acontece com a variável dependente. Quanto mais próximo for o r2 de 1, melhor x "explica" y. De seguida apresenta-se a relações entre a velocidade de furação e as diferentes características geológico-geotécnicas ocorridas ao longo dos túneis em estudo. 7.1. Relações para o Túnel 1 7.1.1. RMR e Q Os resultados das classificações geomecânicas aplicadas obtidos durante a escavação correlacionaram-se com os valores de velocidade de furação registados. No gráfico da Figura 33 é possível observar os resultados da relação entre os valores de RMR obtidos e a velocidade de furação. A correlação mostra uma curva em que se verifica que há um decréscimo da velocidade de furação com o aumento de qualidade do FCUP Relações entre parâmetros de furação e características geológico-geotécnicas 96 maciço. O valor de -0,70 para r é indicativo de uma forte correlação entre estas duas variáveis. r2=0,4932 |r|=0,70 Fig.33 - Relação entre os valores de RMR e a Velocidade de Furação para o Túnel 1. Do mesmo modo, o gráfico da Figura 34 evidencia um decréscimo da velocidade de furação para maciços de melhor qualidade. Numa correlação linear entre o valor de Q e a velocidade de furação o valor de r situa-se nos -0,38, no entanto com recurso à reta de regressão logarítmica o coeficiente de correlação atinge o valor de -0,63. Assim a relação entre os valores obtidos na classificação geomecânica Q-system de Barton et al (1974) e as velocidades de furação apresenta uma correlação forte mas um pouco mais baixa do que no caso anterior. r2=0,4032 |r|=0,63 Fig.34 - Relação entre os valores de Q e a Velocidade de Furação para o Túnel 1. FCUP Relações entre parâmetros de furação e características geológico-geotécnicas 97 Desta forma, confirma-se que as condições gerais do maciço escavado são correlacionáveis com a velocidade de furação. De seguida, procurou-se estabelecer relações entre as características geomecânicas particulares e a velocidade de furação registada. 7.1.2. Alteração do Maciço – W Para cada avanço foi atribuído um determinado grau de alteração ao maciço. Nos casos em que, no mesmo avanço, havia mais que uma zona com graus de alteração diferentes optou-se pelo grau de alteração com maior percentagem de área (W-principal), fazendo-se o registo do grau de alteração com menor área de rocha (W-secundário). Foram agrupados todos os valores referentes aos parâmetros da furação para maciços com graus de alteração diferentes. No Quadro 24 verifica-se que, em média, a velocidade de furação tem tendência a aumentar com o aumento da alteração do maciço. No entanto, verifica-se que nos maciços de grau W2-W3 se regista uma velocidade média superior à velocidade média do maciço classificado como W3-W4. Numa análise aos graus de alteração secundários observa-se que os maciços classificados como W3-W4 apresentavam também, na sua maioria, zonas menos alteradas (W2), as quais contribuíram para um decréscimo na velocidade média de furação. É ainda de destacar que os valores da velocidade para maciços muito alterados a decompostos (W4-5), se distanciam significativamente dos valores obtidos nos restantes graus de alteração. Quadro 24 - Estatísticas referentes à velocidade de furação para os diferentes graus de alteração no Túnel 1. Velocidade de Furação (m/min) Graus de Alteração Mínimo Máximo Média W1 1,4 2 1,55 W1-2 1,4 2,5 1,66 W2 1,4 2,5 1,69 W2-W3 1,5 2,1 1,85 W3-W4 1,7 1,9 1,73 W4 / W4-5 2,4 2,5 2,47 FCUP Relações entre parâmetros de furação e características geológico-geotécnicas 98 O coeficiente de correlação para a relação entre a alteração do maciço e a velocidade de furação é de -0,85. As velocidades mais elevadas registadas em maciços são ou pouco alterados (W1-W2) estão, também, relacionados com zonas com graus de alteração elevados, mas com menor percentagem de área. Tomando por exemplo, o trecho entre 0+690 e 0+710 verifica-se que a maioria do maciço escavado se enquadra em graus de alteração W1 ou W2 e que as velocidades atingem em média valores superiores a 2 m/min. Contudo, verifica-se que a intersecção de uma falha com caixa de falha que atinge os 3,0 metros, onde as características do terreno são de fraca qualidade, faz aumentar substancialmente a velocidade média da furação ao longo dos avanços. 7.1.3. Fracturação Por sua vez, o grau de fracturação não apresenta uma relação tão evidente com a velocidade de furação. Este fato é confirmado pelos dados do Quadro 25 os quais não revelam uma diferença acentuada nas médias de velocidade para cada grau de fracturação definido para o maciço escavado. Quadro 25 - Relação estatística entre as velocidades de furação e os graus de fracturação observados no Túnel 1. Velocidade de Furação (m/min) Grau de Fracturação Mínimo Máximo Média F1 / F1-2 1,4 2,5 1,67 F2 1,4 2,1 1,63 F2-F3 1,4 2,3 1,68 F3 1,4 2,5 1,71 F3-F4 / F4 / F5 1,5 2,1 1,80 O coeficiente de correlação para a relação entre a fraturação do maciço e a velocidade de furação é de -0,90. Analisando para os valores definidos para o espaçamento entre descontinuidades, Figura 35, segundo os intervalos da classificação de Bieniawski, 1989, regista-se um valor superior a -0,4 para r, o que indica uma moderada relação de dependência entre estas duas variáveis. FCUP Relações entre parâmetros de furação e características geológico-geotécnicas 99 r2=0,1967 |r|=0,44 Fig.35 - Relação entre o espaçamento das descontinuidades e a velocidade de furação no Túnel 1. 7.1.4. Resistência à Compressão Uniaxial Na classificação de Bieniawski, 1989, para cada avanço, foi definido um valor para a resistência à compressão uniaxial (RCU), com base em ensaios expeditos na frente de escavação e com recurso a valores de ensaios de carga pontual realizados ao longo do Túnel. A relação entre a velocidade de furação e os valores definidos para as resistências à compressão uniaxial pode ser observada na Figura 36, onde é possível verificar que valores de RCU mais elevados resultam em médias mais baixas para os valores de velocidade. O valor do coeficiente r2, de cerca de 0,5, indica que aproximadamente metade dos valores da variância da velocidade dependem da variância da resistência de compressão uniaxial do maciço escavado. Atendendo a que existem zonas de maciço são ou pouco alterado (W1-W2) com intersecções de falhas que afetam os valores de velocidade, optou-se por retirar estes valores do gráfico. Obteve-se, assim, a um valor de r situado próximo dos -0,7 verificandose que existe uma correlação forte entre estas duas variáveis. Conclui-se que, da mesma forma que para a alteração do maciço, as velocidades mais elevadas para valores altos de resistência à compressão uniaxial estão intimamente FCUP Relações entre parâmetros de furação e características geológico-geotécnicas 100 ligadas a zonas de maior alteração ou de intersecção de falhas. Caso a maioria destas ocorrências não fossem consideradas, seriam obtidos valores de r superiores, tal como exemplifica o gráfico da Figura 37. r2=0,489  |r|=0,70 Fig.36 - Relação entre Resistência à Compressão Uniaxial e a velocidade de furação no Túnel 1. r2=0,6642  |r|=0,81 Fig.37 - Relação entre os valores de Resistência à Compressão Uniaxial e a Velocidade de Furação, excetuando as principais zonas de maciço são ou pouco alterado com intersecções de falhas. FCUP Relações entre parâmetros de furação e características geológico-geotécnicas 101 Assim sendo, o valor de r ultrapassaria os -0,8, apresentando uma correlação muito forte entre as variáveis. No gráfico da Figura 38 é possível verificar uma relação direta entre os valores dos ensaios de Carga Pontual e a velocidade de furação. Assim, para valores mais baixos dos ensaios de carga pontual, em MPa, verificou-se um aumento na velocidade de furação dos maciços. Fig.38 - Relação entre os valores de ensaios de carga pontual e a velocidade de furação no Túnel 1. 7.1.5. R.Q.D Para ambas as classificações geomecânicas foram utilizadas as percentagens calculadas para o R.Q.D.. Esta percentagem é relacionada com os valores das velocidade de furação (Figura 39). Da interpretação destes resultados conclui-se que as velocidades de furação mais elevadas estão intimamente relacionadas com valores de RQD mais baixos, sendo que, para valores de RQD mais elevados atingiram-se menores velocidades. O valor de -0,73 para r, permitiu classificar a correlação entre estas variáveis como forte. FCUP Relações entre parâmetros de furação e características geológico-geotécnicas 102 r2=0,5288  |r|=0,73 Fig.39 - Relação entre as percentagens de RQD e a velocidade de furação no Túnel 1. 7.1.6. Características das descontinuidades Para cada avanço foram registadas características das descontinuidades, tais como: comprimento, abertura, rugosidade, preenchimento e alteração. Segundo a classificação de Bieniawski(1989) a cada característica foi atribuído um peso, sendo para esta relação utilizado o somatório dos pesos de todas as características observadas. A partir gráfico da Figura 40 é possível verificar que o valor do coeficiente de correlação é de cerca de -0,58, que determina uma correlação moderada entre as variáveis. Verifica-se, também, a existência de uma grande dispersão nos valores das velocidades para características mais fracas das descontinuidades. FCUP Relações entre parâmetros de furação e características geológico-geotécnicas 109 O coeficiente de correlação calculado entre estas variáveis foi de -0,96, verificando-se desta forma uma correlação muito forte entre os valores. Quadro 28 - Relação estatística entre as velocidades de furação e os graus de fracturação observados no Túnel 2. Velocidade de Furação (m/min) Grau de Fracturação Mínimo Máximo Média F1 / F1-2 10,9 2,2 1,38 F2 1,1 1,9 1,44 F2-F3 1,5 2,0 1,76 F3 1,8 2,2 1,95 F3-F4 / F4 / F5 1,8 2,4 2,10 Numa análise aos valores definidos para o espaçamento entre descontinuidades, segundo os intervalos da classificação de Bieniawski (1989) verifica-se um valor de -0,64 para r, que indica uma relação de dependência entre estas duas variáveis (Figura 45). r2=0,4144  |r|=0,64 Fig.45 - Relação entre o espaçamento das descontinuidades e a velocidade de furação no Túnel 2. FCUP Relações entre parâmetros de furação e características geológico-geotécnicas 110 7.2.4. Resistência à Compressão Uniaxial Na classificação de Bieniawski (1989) para cada avanço, definiu-se um valor para a resistência à compressão uniaxial (RCU), com base em ensaios expeditos na frente de escavação e com recurso a valores de ensaios de carga pontual realizados ao longo do Túnel. A relação entre a velocidade de furação e o valor definido para a resistência à compressão uniaxial pode ser observada na Figura 46. Aí verifica-se que as médias mais baixas na velocidade de furação correspondem a valores de RCU mais elevados. O valor do coeficiente r2, de cerca de 0,4 indicou que estas duas variáveis apresentam uma correlação forte, com valor de r igual a -0,63. As correlações observadas correspondem ao esperado dado que os valores de RCU estão intimamente relacionados com a alteração do maciço. r2=0,395  |r|=0,63 Fig.46 - Relação entre Resistência à Compressão Uniaxial e a velocidade de furação no Túnel 2. No gráfico da Figura 47 é possível observar uma relação direta entre os valores dos ensaios de Carga Pontual e a velocidade de furação. Assim, para valores mais baixos FCUP Relações entre parâmetros de furação e características geológico-geotécnicas 111 dos ensaios de carga pontual, em MPa, verificou-se um aumento, significativo, da velocidade de furação dos maciços. Fig.47 - Relação entre os valores de ensaios de carga pontual e a velocidade de furação no Túnel 2. 7.2.5. R.Q.D Para ambas as classificações geomecânicas foram utilizadas as percentagens calculadas para o R.Q.D.. Esta percentagem foi relacionada com os valores das velocidade de furação (Figura 48). Da interpretação do gráfico concluiu-se que as médias de velocidades de furação mais elevadas estão intimamente relacionadas com valores de RQD mais baixos, sendo que para valores de RQD percentuais mais elevados atingem-se velocidades mais baixas. O valor de -0,67 para o r, permitiu classificar a correlação entre estas variáveis como forte. FCUP Relações entre parâmetros de furação e características geológico-geotécnicas 112 r2=0,4703  |r|=0,67 Fig.48 - Relação entre as percentagens de RQD e a velocidade de furação no Túnel 2. Observou-se ainda uma grande dispersão dos valores da velocidade de furação para os valores mais altos de RQD. 7.2.6. Características das descontinuidades Para cada avanço foram registadas várias características das descontinuidades, tais como: comprimento, abertura, rugosidade, preenchimento e alteração. Segundo a classificação de Bieniawski, 1989, a cada característica foi atribuído um peso, sendo para esta relação utilizado o somatório dos pesos de todas as características observadas. Calculou-se um valor do coeficiente de correlação de -0,62, que se traduz numa correlação forte entre as variáveis (Figura 49), evidenciando assim uma relação forte entre o somatório das características das descontinuidades cartografadas e a velocidade de furação no Túnel 2. FCUP Relações entre parâmetros de furação e características geológico-geotécnicas 113 r2=0,3799  |r|=0,62 Fig.49 - Relação entre somatório dos pesos referentes às características das descontinuidades, segunda a classificação de Bieniawski, 1989, e a velocidade de furação no Túnel 2. 7.2.7. Orientação das descontinuidades. Tal como anteriormente referido, segundo a classificação de Bieniawski, 1989, as orientações das descontinuidades podem-se influenciar a escavação. O Quadro 26, apresentado anteriormente, demonstra os pesos atribuídos por esta classificação e a sua respetiva descrição. Com base no Quadro 29 é possível verificar que as médias de velocidade são aproximadamente as mesmas para todos os intervalos de orientação de descontinuidades. Observando o gráfico da Figura 50 é possível verificar a distribuição das velocidades de furação pelos pesos das orientações das descontinuidades, para o Túnel 2. Da interpretação destes dados é possível aferir que as orientações das descontinuidades não apresentam uma relação com as variações de velocidades. FCUP Relações entre parâmetros de furação e características geológico-geotécnicas 114 Quadro 29 - Distribuição estatística das velocidades estatísticas e a orientação da descontinuidades no Túnel 2. Velocidade de furação Orientação Mínimo Máximo Média Muito Favorável 0,9 2,0 1,45 Favorável 1,2 1,8 1,45 Razoável 1,0 2,4 1,44 Desfavorável 1,5 1,5 1,5 Muito Desfavorável 1,1 1,7 1,47 O coeficiente de correlação para a relação entre a orientação das descontinuidades e a velocidade de furação é de -0,01. Fig.50 - Distribuição das velocidades estatísticas e a orientação das descontinuidades no Túnel 2. 7.2.8. Falhas geológicas Para determinar a relação entre a velocidade de furação e a presença de descontinuidades tipo falha no Túnel 2, desenvolveu-se o gráfico da Figura 51, de modo a FCUP Relações entre parâmetros de furação e características geológico-geotécnicas 115 verificar a concordância na variação da velocidade de furação com a intersecção deste tipo de alinhamentos. No gráfico da Figura 51, as falhas respeitam as suas localizações segundo o eixo horizontal. A sua disposição vertical diz respeito às dimensões da caixa de falha, projectada de forma relativa para termos de comparação. FCUP Relações entre parâmetros de furação e características geológico-geotécnicas 116 Fig.51 - Evolução da velocidade de furação e ocorrência de falhas geológicas ao longo do Túnel 2. FCUP Relações entre parâmetros de furação e características geológico-geotécnicas 117 É possível observar que as localizações e características das falhas geológicas estão intimamente relacionadas com as variações de velocidade mais significativas. Verifica-se igualmente as maiores amplitudes na variação da velocidade, assim como os picos de maior velocidade, se relacionam com a intersecção de alinhamentos deste tipo, como exemplificam as falhas Fad, Faf e Fag. Assim, verificou-se que as principais variações de velocidade estão intimamente relacionadas com a presença de descontinuidades do tipo falha. FCUP Discussão de Resultados 118 8. Discussão dos resultados No presente estudo procurou-se encontrar uma relação entre as características geológico-geotécnicas, cartografadas em túneis, e os diferentes parâmetros de furação. A consulta bibliográfica permitiu concluir que o conhecimento geológico-geotécnico dos maciços a escavar é de grande importância e, em particular, o conhecimento das intersecções com descontinuidades do tipo falha. O atravessamento de alinhamentos do tipo falha, assim como zonas do maciço rochoso com piores características geomecânicas, são abordados com extrema atenção visto serem situações que podem acarretar várias implicações. Verificou-se, também, carência de informação relativa à análise dos parâmetros de furação para uma previsão das características geológicas do maciço a escavar. Assim, a inexistência da divulgação de dados e dos possíveis métodos de interpretação de resultados traduz-se no facto de este método de previsão geológica não ser utilizado com maior frequência. O desenvolvimento aprofundado desta ferramenta de prospeção passa pela consecutiva divulgação dos resultados e de várias análises deste tipo, com o objetivo de aferir a eficácia que esta possa produzir em vários tipos litológicos, assim como desenvolver o conhecimento sobre as vantagens e desvantagens do seu uso. A análise dos dados da furação debruçou-se sobre cinco parâmetros: velocidade de furação; pressão em avanço; pressão do martelo; pressão de rotação; e pressão da pancada. As diferentes pressões registadas são o reflexo da resposta do maciço escavado à própria furação, condicionando deste modo a velocidade de furação. Tratando-se de uma dissertação no âmbito da Geologia, não se desenvolveram em pormenor os mecanismos de obtenção dos diferentes parâmetros de furação, normalmente tratados pela área da engenharia. A Cartografia geológico-geotécnica recaiu no registo das condições do maciço escavados assim como das descontinuidades intersectadas, aplicando as classificações de RMR e Q ao longo de toda a escavação. No presente capítulo e no seguimento do estudo, onde se efetuou uma relação da velocidade de furação com as características geológico-geotécnicas do maciço, pretendese sintetizar as referidas relações. FCUP Bibliografia 125 Departamento de Engenharia Civil e Ambiental, Faculdade de Tecnologia Universidade de Brasília, pp.156. Fontinhas, A.M.P., 2012. “Aplicação do SMR na avaliação da estabilidade de taludes de escavação em grauvaques da Formação de Mértola”, Dissertação de Mestrado em Engenharia Geológica – Geotecnia, Faculdade de Ciências e Tecnologias da Universidade Nova de Lisboa, Lisboa, pp.75. Franzblau, A.N., 1958. “A primer of statistics for non-statisticians”, Harcourt, Brace, New York,p.150. 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[coords.], 2002. “Ingeniería geológica”, Prentice Hall, Madrid, pp.715. Wahlstrom, E.E., 1973. “Tunneling in rock”, Ed. Elsevier Scientific Publishing Company, The Netherlands, pp.250. ANEXOS Anexo 1 Características geotécnicas do Túnel 1 Pk W principal W secundário F principal F secundário RCU* RQD ESP* H2O* Compr*. abert.* rugos.* preench.* alter* Orient* RMR Q 0+000 0+003 1 1-2 12 100 19 15 2 4 5 4 1 -5 81 25,00 0+005 1 1-2 12 100 20 15 2 4 5 4 5 -5 75 50,00 0+009 1 1-2 12 100 20 15 2 1 5 4 5 -12 72 37,50 0+012 1 1-2 12 100 20 15 2 1 5 4 5 -12 72 37,50 0+016 1 1-2 12 100 19 15 2 1 5 4 5 -12 71 37,50 0+019 1 1-2 12 100 19 15 1 4 5 4 5 -12 73 37,50 0+022 1 1-2 12 100 19 15 1 4 5 4 5 -12 73 37,50 0+025 1 1-2 12 100 15 15 1 4 6 4 5 -12 75 37,50 0+029 1 1-2 12 100 19 15 1 4 5 4 5 -12 73 37,50 0+032 1 1-2 12 100 19 15 2 4 5 2 5 -12 72 12,50 0+036 1 1-2 12 100 18 15 2 4 5 2 5 -12 71 11,88 0+038 1 1-2 12 100 20 15 2 4 5 2 5 -12 73 12,50 0+040 1 1-2 12 100 20 15 2 4 5 2 5 -12 73 12,50 0+041 1-2 1-2 12 100 18 15 2 1 5 2 5 -5 75 18,75 0+044 1-2 1-2 12 100 18 15 2 1 5 2 5 -5 75 18,75 0+045 1-2 1-2 12 100 14 15 2 1 5 2 5 -5 71 16,67 0+048 1-2 1-2 12 100 14 15 2 1 5 2 5 -5 71 16,67 0+049 1-2 1-2 12 100 16 15 2 1 3 2 5 -5 71 12,50 0+053 1-2 1-2 12 85 12 15 2 1 3 2 3 -5 62 3,78 0+057 1-2 1-2 12 100 13 15 2 0 1 0 3 -12 54 1,06 0+061 2 3 2-3 12 75 10 15 2 1 1 2 3 -12 51 0,83 0+065 2 3 2-3 12 75 12 15 2 1 1 2 3 -5 60 4,17 0+071 2 3-4 8 60 10 7 2 0 1 0 1 -5 39 0,22 0+075 2 3-4 10 70 12 10 2 0 1 0 1 -12 39 0,52 0+078 2 2-3 12 85 12 15 2 1 5 2 5 -12 59 2,96 0+082 2 2-3 12 85 10 15 2 1 5 2 5 -12 57 2,96 0+086 2 2-3 12 85 10 13 2 1 3 2 5 -12 53 2,96 0+090 2 2-3 12 80 13 13 1 1 3 2 3 -12 53 2,96 0+094 2 2-3 4 12 80 15 13 1 1 3 2 3 -12 55 2,96 0+098 2 2-3 4 12 85 15 15 1 1 3 2 3 -12 58 3,15 0+102 2 2-3 12 90 15 15 1 1 3 2 5 -12 61 3,33 0+106 1-2 2 12 90 15 15 2 4 3 4 5 -12 66 5,00 0+110 2 2 12 90 15 15 2 1 1 2 5 -12 58 3,33 0+113 2 2 12 75 13 13 2 0 1 0 3 -12 47 2,78 0+117 1-2 1-2 12 75 13 13 2 0 1 0 3 -12 47 2,78 0+120 2-3 2-3 12 80 13 13 2 0 1 0 3 -12 49 2,96 0+124 2 2-3 12 85 13 15 2 1 3 2 3 -12 56 3,15 0+128 2 2-3 12 90 15 15 2 1 3 2 3 -12 59 5,00 0+133 2 1-2 2 12 80 10 15 2 0 1 0 3 -12 48 2,96 0+137 2 3 12 80 10 15 2 0 1 0 3 -12 48 2,96 0+140 2-3 3 10 80 10 15 2 1 1 2 3 -12 49 2,22 0+145 2-3 3 10 75 10 15 2 1 1 2 3 -12 47 2,78 0+149 2 3 10 75 10 15 2 0 1 0 3 -12 45 2,08 0+153 2 3 10 85 12 15 2 0 1 0 3 -12 49 3,15 0+157 2 3 10 90 12 15 2 0 3 2 5 -12 55 3,33 0+161 2 3 12 95 15 15 2 0 3 2 5 -12 61 3,52 0+164 2 3 12 100 17 15 2 0 3 2 5 -12 64 5,56 0+169 2 2-3 12 100 17 15 1 1 3 2 3 -12 64 12,50 0+173 2 2-3 12 100 13 15 2 4 3 2 3 -5 69 25,00 0+175 1-2 1-2 12 100 15 15 2 1 3 2 3 -5 68 12,50 0+178 1-2 1-2 12 100 17 15 2 1 3 2 3 -5 70 12,50 0+181 1-2 1-2 12 95 13 15 2 1 3 2 3 -5 64 15,83 0+185 1-2 1-2 12 95 13 15 2 1 3 2 5 -5 66 7,92 0+188 1-2 1-2 12 95 13 15 2 1 3 2 5 -5 66 7,92 0+192 1-2 3 12 95 12 15 2 1 3 2 5 -5 64 7,92 0+197 2 3 12 95 12 15 2 1 3 2 5 -5 64 7,92 0+199 1-2 3 12 95 12 15 2 1 3 2 5 -12 57 7,92 0+202 1-2 3 12 95 13 15 2 1 3 2 5 -12 58 7,92 0+206 1-2 3 12 95 13 15 1 1 1 2 5 -12 55 7,92 0+210 1-2 3 12 95 13 15 1 1 1 2 5 -5 62 7,92 0+214 1-2 3 12 95 13 15 2 1 3 2 5 -5 65 5,28 0+217 1-2 3 12 95 13 15 2 1 3 2 5 -12 58 5,28 0+220 1-2 3 12 95 13 15 2 4 5 4 5 -5 72 11,88 0+223 1-2 3 12 95 13 15 2 4 5 4 5 -5 72 15,83 0+226 1-2 3 12 95 13 15 2 4 5 4 5 -5 72 11,88 0+230 1-2 3 12 85 13 15 2 4 5 4 5 -5 72 5,28 0+234 1-2 2-3 12 95 13 15 2 4 5 4 5 -5 72 17,81 0+237 1-2 2-3 12 95 15 15 2 4 5 4 5 -5 75 7,92 0+241 1-2 2-3 12 85 13 15 2 4 5 2 5 -5 71 7,08 0+245 1-2 2 12 85 13 15 2 4 5 2 5 -5 71 7,08 0+249 1-2 2 10 75 12 15 2 0 1 0 3 -5 55 0,83 0+252 2 2-3 10 75 12 12 2 0 1 0 3 -5 52 0,83 0+256 2 2-3 12 75 13 13 2 0 1 0 3 -5 56 0,56 0+260 2 2-3 12 80 15 13 2 0 1 0 3 -5 59 1,33 0+265 2 2-3 12 80 15 13 2 0 1 0 3 -5 59 1,33 0+268 2 2 12 80 13 13 2 0 1 0 3 -12 49 1,33 0+272 2 2-3 10 65 10 13 2 0 1 0 3 -12 40 0,48 0+277 2 3 10 65 10 13 2 0 1 0 3 -12 40 0,48 0+281 2 3 10 65 10 13 1 0 1 0 1 -12 37 0,48 0+286 2 3 8 55 10 13 1 0 1 0 1 -12 35 0,41 0+290 2 3 3 5 50 10 13 1 0 1 0 1 -12 32 0,37 0+293 3-4 2 3 7 60 12 12 1 0 1 0 1 -12 35 0,44 0+296 3-4 2 3 10 70 12 14 1 0 1 0 1 -12 42 0,52 0+299 3-4 2 3 12 70 12 15 1 0 1 0 1 -12 45 1,17 0+303 3-4 2 3 12 70 10 15 1 0 1 0 1 -12 43 0,78 0+307 3-4 2 3 12 80 12 15 1 0 1 0 1 -12 47 0,67 0+312 2 3-4 3 12 80 13 15 1 0 1 0 1 -12 48 0,67 0+316 2 3-4 3 12 80 13 15 1 0 1 0 1 -12 48 0,67 0+320 2 3 12 80 13 15 1 0 1 0 1 -12 48 0,67 0+324 2 3 12 80 15 15 1 0 1 0 1 -12 48 0,67 0+328 2 3 12 80 15 15 1 0 1 0 1 -12 48 0,89 0+332 2 3 12 80 15 15 1 0 1 0 1 -12 48 0,89 0+336 2 2-3 3 12 85 10 15 0 0 1 0 1 -12 44 1,42 Caracteristicas das descontinuidades 1/3 Anexo 1 Características geotécnicas do Túnel 1 Pk W principal W secundário F principal F secundário RCU* RQD ESP* H2O* Compr*. abert.* rugos.* preench.* alter* Orient* RMR Q Caracteristicas das descontinuidades 0+340 2 2-3 3 12 85 12 13 0 0 1 0 1 -12 44 1,42 0+343 2 2-3 3 12 85 13 13 0 0 1 0 1 -12 45 1,42 0+346 2 2-3 3 12 80 13 13 0 0 1 0 1 -12 45 1,00 0+349 2 3 12 85 12 15 0 0 1 0 1 -12 46 1,06 0+353 2 3 3 2-3 12 85 13 15 0 0 1 0 1 -12 47 1,06 0+357 2 3 3 2-3 12 80 13 13 0 0 1 0 1 -12 45 0,44 0+362 2 3 3 2-3 10 70 13 13 1 0 1 0 0 -12 41 0,26 0+365 2 3 3 2-3 7 60 12 10 1 0 1 0 0 -12 34 0,15 0+369 2 2-3 7 60 12 10 1 0 1 0 0 -12 32 0,15 0+373 2 3-4 2-3 7 50 10 10 1 0 1 0 0 -12 30 0,10 0+375 2 3-4 2-3 10 60 10 13 1 0 1 0 0 -12 36 0,15 0+379 2 4-5 2-3 12 75 13 14 1 0 1 0 0 -12 44 0,73 0+382 2 3-5 2-3 12 75 13 14 1 0 1 0 0 -12 44 0,73 0+384 2 3-5 2-3 10 70 13 14 1 0 1 0 0 -12 40 0,68 0+386 2 3 3 10 60 13 14 1 0 1 0 0 -12 40 0,59 0+391 2 3 2-3 10 60 10 15 1 0 1 0 1 -12 40 0,44 0+394 2 3 2-3 10 65 8 14 1 0 1 0 1 -12 38 0,38 0+397 2 3 2-3 10 55 10 13 1 0 1 0 1 -12 37 0,24 0+400 2 3-4 2-3 12 70 10 15 1 0 1 0 1 -12 43 0,51 0+403 2 3-4 3 12 75 10 15 1 0 1 0 1 -12 43 0,55 0+406 2 3-4 3 12 75 10 15 1 0 1 0 3 -12 45 0,55 0+409 2 3-4 3 12 75 9 15 1 0 1 0 1 -12 42 0,55 0+413 2 3-4 3 12 75 10 15 1 0 1 0 1 -12 43 0,55 0+415 2 3-4 3 12 75 10 15 1 0 1 0 1 -12 43 0,55 0+418 2 3-4 3 12 75 10 13 1 0 1 0 1 -12 41 0,55 0+420 2 3-4 3 12 80 13 13 1 0 1 0 1 -12 44 0,78 0+423 2 3-4 3 12 85 13 15 1 1 3 0 3 -12 53 1,25 0+425 2 3-4 3 12 85 15 14 1 0 3 0 5 -12 55 1,25 0+427 2-3 3-4 3 12 85 13 14 1 0 3 0 5 -12 53 1,25 0+430 2-3 3 3 12 85 14 15 1 0 3 0 3 -12 53 0,94 0+432 2 3 3 12 85 14 15 1 0 3 0 3 -12 53 0,94 0+434 2 3 3 12 85 14 15 1 0 3 0 5 -12 55 0,94 0+437 2-3 3 12 85 14 15 1 0 1 0 5 -12 53 0,62 0+439 2 3 3 12 75 12 15 1 0 1 0 3 -12 47 0,55 0+440 2 3 3 12 75 12 15 1 0 1 0 3 -12 47 0,55 0+442 2 3 3 12 70 14 15 1 0 1 0 3 -12 50 0,59 0+444 2 3 2 3 12 80 14 15 1 0 1 0 3 -12 50 0,59 0+445 2 2 12 75 12 15 1 0 1 0 1 -12 46 0,55 0+448 2 3 2 3 12 70 12 15 1 0 1 0 1 -12 46 0,55 0+451 2 3 2 3 12 80 12 15 1 0 1 0 3 -12 48 0,59 0+454 2 3 2 12 85 12 15 1 0 1 0 3 -12 49 1,25 0+458 2 2 12 80 11 15 1 0 1 0 3 -12 47 1,17 0+461 2 2 12 85 13 15 1 0 1 0 3 -12 50 1,25 0+465 2 2 12 85 13 15 1 0 1 0 3 -12 50 1,25 0+469 2 2 12 75 11 14 1 0 1 0 1 -12 44 0,73 0+473 2 2-3 12 80 12 15 1 0 1 0 1 -12 47 0,78 0+476 2 2-3 12 85 13 15 1 0 1 0 1 -12 49 0,83 0+480 2 2-3 12 75 12 15 1 0 1 0 1 -12 46 0,73 0+484 2 3 2-3 4 12 75 11 15 1 0 1 0 1 -12 45 0,73 0+488 2-3 3 12 80 12 15 1 0 1 0 1 -12 47 0,78 0+492 2-3 3-4 12 85 13 15 1 0 1 0 1 -12 48 1,26 0+495 2-3 3-4 12 60 10 15 1 0 1 0 1 -12 40 0,89 0+499 2-3 3-4 5 40 9 15 1 1 1 0 1 -12 30 0,13 0+502 4 5 3 1 25 5 15 1 0 0 0 0 -12 13 0,03 0+505 4 5 3 1 30 5 15 1 0 0 0 0 -12 15 0,04 0+507 4 5 3 4 40 8 15 1 0 0 0 0 -12 25 0,07 0+512 3-4 3-4 12 75 10 15 2 0 3 0 3 -12 50 1,25 0+516 2 12 80 13 15 1 1 3 2 5 -12 57 1,33 0+520 2 3-4 3-4 12 80 13 15 1 1 3 2 5 -12 57 1,78 0+524 1-2 2 12 85 15 15 2 1 3 2 5 -12 60 1,89 0+528 1-2 2 12 85 15 15 2 0 3 0 3 -12 55 1,42 0+532 1-2 2 12 85 15 15 2 0 3 0 3 -12 55 1,42 0+536 1-2 2 12 90 15 15 2 0 3 2 5 -12 60 3,00 0+540 1-2 2 12 90 15 15 2 0 3 2 5 -12 60 1,00 0+544 1-2 2 12 100 17 15 2 1 3 4 5 -12 67 1,67 0+548 1-2 2 12 95 15 15 2 0 3 2 5 -12 61 1,06 0+552 1-2 2 12 85 13 15 2 0 3 0 3 -12 53 0,94 0+556 1-2 2 12 90 15 15 2 0 3 0 3 -12 56 3 0+560 1-2 2 12 85 14 15 2 0 3 0 3 -12 54 1,89 0+563 2 2-3 12 65 12 15 2 1 3 2 5 -12 53 1,44 0+567 2 2-3 12 85 14 15 2 1 3 2 5 -12 59 3,78 0+572 2 2-3 12 85 13 15 2 0 3 0 5 -12 55 2,83 0+576 2 2-3 12 85 12 15 2 0 3 0 5 -12 54 1,89 0+580 2 2-3 12 85 12 15 1 0 3 0 5 -12 53 1,89 0+583 2 2-3 12 90 13 15 1 1 3 2 5 -12 58 2,67 0+587 2 2-3 12 90 15 15 1 1 3 2 5 -12 60 2 0+590 2 2-3 12 85 15 14 1 0 3 0 5 -12 55 1,89 0+593 2 2-3 12 90 13 15 1 1 3 2 5 -12 58 2 0+596 1-2 2 12 85 15 15 1 0 3 0 5 -12 55 1,89 0+599 1-2 2 12 85 13 15 1 0 3 0 5 -12 53 1,89 0+606 1-2 2 12 95 18 15 1 0 3 0 5 -12 62 4,75 0+609 1-2 2 12 90 15 15 1 0 3 0 3 -12 54 4,5 0+613 1-2 2 2 12 95 17 15 1 0 3 0 3 -12 57 3,17 0+617 1-2 2 2 12 95 16 15 1 0 3 0 5 -12 58 3,17 0+621 1-2 2 1 12 95 15 15 2 1 3 2 5 -12 61 4,75 0+625 1-2 2 1-2 12 100 17 15 2 4 3 4 5 -12 70 5 0+629 1-2 1-2 12 100 16 15 2 4 3 4 5 -12 69 12,5 0+633 1-2 1-2 12 100 12 15 2 5 3 4 5 -5 77 25 0+637 1-2 1-2 12 100 16 15 2 5 3 4 6 -5 78 25,00 0+641 1-2 1-2 12 100 16 15 2 5 3 4 6 -2 81 25,00 0+644 1 1-2 12 100 16 15 2 5 3 4 5 -5 77 12,50 0+648 1 1-2 12 100 16 15 2 4 3 2 5 -5 74 12,50 0+651 1 1-2 12 100 15 15 2 4 3 2 5 -5 73 12,50 0+655 1 1-2 12 100 15 15 2 4 3 4 5 -2 78 12,50 2/3 Anexo 1 Características geotécnicas do Túnel 1 Pk W principal W secundário F principal F secundário RCU* RQD ESP* H2O* Compr*. abert.* rugos.* preench.* alter* Orient* RMR Q Caracteristicas das descontinuidades 0+659 1 1-2 12 100 16 15 2 5 3 4 5 -2 80 12,50 0+663 1 1-2 12 100 19 15 2 4 5 4 5 -12 74 25,00 0+667 1 1-2 12 100 19 15 2 4 5 4 3 -12 72 25,00 0+670 1 1-2 12 95 20 15 2 1 5 4 5 -12 71 8,33 0+674 1 1-2 12 100 18 15 2 4 3 4 5 -12 71 12,50 0+678 1 1-2 12 100 20 15 2 4 5 4 5 -12 75 25,00 0+681 1-2 1-2 7 75 15 13 2 0 0 0 0 -12 42 1,13 0+685 1-2 1-2 7 75 15 13 2 0 0 0 0 -12 42 1,13 0+689 1-2 1-2 10 65 15 13 2 0 3 0 3 -12 47 1,46 0+693 2 1-2 10 65 17 13 2 0 3 0 3 -12 49 0,97 0+696 2 1 1 10 65 17 13 2 0 3 0 1 -12 47 0,97 0+703 1-2 3-4 1-2 2 50 15 7 1 0 0 0 0 -12 23 0,06 0+704 1-2 3-4 1-2 2 50 15 7 1 0 0 0 0 -12 23 0,06 0+708 1-2 3-4 1-2 7 50 10 13 1 0 0 0 0 -12 29 0,17 0+710 1-2 3-4 1-2 7 50 10 13 1 0 0 0 0 -12 29 0,17 0+713 1-2 3-5 3 2 10 65 10 14 1 0 1 0 0 -12 37 0,12 0+715 1-2 3-5 3 2 7 50 10 10 1 0 0 0 0 -12 26 0,06 0+717 1-2 2-5 3 2 7 50 10 10 1 0 0 0 0 -12 26 0,06 0+720 1-2 4-5 2-3 7 65 10 14 1 0 0 0 0 -12 33 0,10 0+722 1-2 4-5 2-3 7 65 10 13 1 0 0 0 0 -12 33 0,10 0+724 1-2 4-5 2-3 7 65 10 15 1 0 0 0 0 -12 34 0,60 0+727 1-2 4-5 2-3 7 65 12 15 1 0 0 0 1 -12 37 0,65 0+728 1-2 4-5 2-3 10 65 12 15 0 0 0 0 1 -12 39 0,81 0+730 1-2 4-5 2-3 10 65 10 15 0 0 0 0 1 -12 37 0,81 0+732 1-2 4-5 2-3 10 65 13 15 0 0 0 0 1 -12 40 0,54 0+734 1-2 4-5 2-3 10 80 13 15 0 0 1 0 1 -12 44 0,58 0+740 1-2 3-4 2 12 90 15 15 1 1 3 2 3 -12 58 5,94 * Valores correspondentes aos pesos adotados na classificação de Bieniawski, 1989. 3/3 Anexo 2 Dados da Furação do Túnel 1 Velocidade de furação Pressão em avanço Pressão do martelo Pressão de Rotação Pressão de impacto m/min 0+000 0+003 1,5 90 46 90 144 0+005 1,5 92 51 91 142 0+009 1,4 104 18 92 160 0+012 1,5 92 48 92 144 0+016 1,5 89 47 98 143 0+019 1,5 90 48 96 143 0+022 1,5 90 49 94 143 0+025 1,4 104 16 92 158 0+029 1,5 98 45 86 152 0+032 1,5 99 45 85 152 0+036 1,5 98 45 86 152 0+038 1,5 98 45 86 153 0+040 1,4 102 26 92 156 0+041 1,4 100 54 90 160 0+044 1,4 104 16 88 160 0+045 1,5 92 51 90 142 0+048 1,5 98 45 86 152 0+049 1,5 98 45 86 152 0+053 1,7 99 43 79 153 0+057 1,5 98 45 85 152 0+061 1,6 91 46 103 145 0+065 1,5 98 44 85 153 0+071 1,9 97 58 84 139 0+075 1,7 99 43 79 153 0+078 1,5 98 45 85 152 0+082 1,6 91 46 103 145 0+086 1,7 99 43 79 153 0+090 1,5 98 8 89 159 0+094 1,6 100 23 85 148 0+098 1,4 97 28 86 140 0+102 1,4 97 8 93 159 0+106 1,4 96 20 89 159 0+110 1,5 98 44 85 153 0+113 1,8 96 58 82 143 0+117 1,9 96 70 85 129 0+120 1,9 94 63 88 132 0+124 1,5 98 45 85 152 0+128 1,5 98 45 85 152 0+133 1,8 96 60 87 137 0+137 1,8 96 60 87 137 0+140 1,8 100 58 82 143 0+145 1,8 99 59 82 143 0+149 1,8 100 58 82 143 0+153 1,9 99 58 82 143 0+157 1,5 96 43 87 152 0+161 1,5 99 45 85 152 0+164 1,5 98 43 87 152 0+169 1,4 97 8 89 159 0+173 1,5 98 44 86 152 0+175 1,5 98 45 86 152 0+178 1,5 99 45 85 152 0+181 1,4 97 28 86 140 0+185 1,5 99 45 85 152 0+188 1,5 99 45 85 152 0+192 1,5 98 45 85 152 0+197 1,5 98 45 85 152 0+199 1,5 98 45 85 152 0+202 1,6 102 17 91 158 0+206 1,5 98 45 85 152 0+210 1,5 98 45 85 152 0+214 1,5 98 45 85 152 0+217 1,5 98 45 85 152 0+220 1,4 97 8 93 159 0+223 1,5 98 45 85 152 0+226 1,5 98 45 85 152 0+230 1,5 99 45 85 152 0+234 1,4 104 16 92 160 0+237 1,4 84 54 80 126 0+241 1,5 99 46 85 152 0+245 1,5 98 44 86 152 0+249 1,5 98 45 86 152 0+252 1,6 91 46 103 145 0+256 1,5 98 45 84 152 0+260 1,5 98 45 85 152 0+265 1,5 98 45 85 152 0+268 1,7 99 51 79 147 0+272 1,5 98 44 86 152 0+277 1,7 99 43 79 153 0+281 1,9 97 58 84 139 0+286 2,0 96 56 87 140 0+290 2,0 96 57 86 140 0+293 1,9 97 58 84 139 0+296 1,7 99 51 84 147 0+299 1,7 99 50 84 148 0+303 1,7 99 41 80 154 0+307 1,7 99 43 79 153 0+312 1,5 102 48 76 154 0+316 1,5 96 42 93 152 0+320 1,5 98 48 89 150 0+324 1,5 98 45 85 152 0+328 1,5 98 46 86 152 0+332 1,5 97 44 86 152 0+336 1,6 98 14 86 157 0+340 1,7 96 9 92 158 0+343 1,5 98 44 86 152 bar Pk da escavação 1/3