A rentabilização das potencialidades dos novos média em campanhas eleitorais
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UNIVERSIDADE DO PORTO Faculdade de Letras A rentabilização das potencialidades dos novos média em campanhas eleitorais O caso das eleições Presidenciais Portuguesas de 2011 Diana Filipa Alves Andrade Dissertação para obtenção do grau de Mestre Orientador: Professor Doutor Rui Alexandre Novais Porto, 2011
1 Aos meus pais, SEMPRE!
2 Estudo desenvolvido no âmbito do projeto “Os Novos Média e as Campanhas Eleitorais Digitais”, financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia no âmbito do Programa Operacional Temático Fatores de Competitividade (COMPETE) do Quadro Comunitário de Apoio III comparticipado pelo Fundo Comunitário Europeu FEDER, coordenado pelo Professor Doutor Rui Alexandre Novais.
3 Agradecimentos Ao Professor Doutor Rui Alexandre Novais, pela disponibilidade permanente e por me indicar sempre a excelência como patamar de referência. À Universidade do Porto e à Fundação para a Ciência e a Tecnologia. A Gil Batista Ferreira, Ricardo Jorge Pinto, Nilza de Sena, Filipa Seiceira, Rosália Rodrigues, Inês Amaral, Mafalda Lobo, Carlos Jalali, Rui Calafate, Diogo Queiroz de Andrade, Nuno David e Jorge Portugal pela disponibilidade demonstrada na colaboração neste projeto. Aos meus pais, Joaquim Andrade e Maria de Jesus, para os quais não tenho palavras que descrevam a minha gratidão. Exaltar o seu amor, a sua ajuda permanente, constante e incondicional, ou todo o apoio prestado ao longo do meu percurso académico seria muito redutor. A Bruno Rodrigues, pelo amor, amizade, tolerância e compreensão e por me alentar com a sua confiança absoluta nas minhas capacidades. Aos meus familiares, pilares essenciais de estabilidade e conforto e fontes inesgotáveis de energia. A Álvaro Cúria, cuja magnificência da sua amizade tornou esta etapa da minha vida tão especial. A Carolina Duarte, pela cumplicidade, companheirismo e Amizade, e aos restantes colegas de mestrado por dois anos inesquecíveis de sorrisos e partilhas. Aos meus amigos, por colorirem a minha vida e fazerem com que cada dia seja uma dádiva maravilhosa.
4 Abstract This research focuses on the analysis of the Internet‟s usage during the Portuguese 2011 Presidential campaign. The goal is to understand how the Internet was used during the election period and verify if and how its main characteristics were explored. In this regard, we used different research methods such as providing an online survey to which 497 internet users responded. Regarding the impossibility of studying all the digital platforms and assess how they were used, the three digital campaign coordinators whose candidates were focused in this study (Cavaco Silva, Fernando Nobre and Manuel Alegre) were interviewed, in order to determine which of the digital campaigns comprehended a higher investment. Based on the information obtained, we proceeded afterwards to the study of the social network Facebook. The interviews with experts in this field were a complementary method that helped in interpreting the results. The data analysis showed that a significant proportion of respondents believe that new media approach and involve citizens in politics thanks to its highly interactive dimension. Concerning the Internet‟s characteristics, the constant updating and the ability to comment on each post are the most appreciated by individuals in our sample. The collected data shows that although there have been explored various of the Internet‟s possibilities, candidates left interaction quite behind, a characteristic which has an extreme importance to our respondents. Keywords: New Media; Internet; Presidential election; electoral campaign; digital media‟s potential.
5 Resumo A presente investigação centra-se na análise da rentabilização das potencialidades da Internet durante a campanha das Presidenciais de 2011 em Portugal. O objetivo é perceber de que forma a Internet foi utilizada durante o período eleitoral e verificar se as principais características deste meio foram exploradas. Para tal foram utilizados diferentes métodos de investigação, nomeadamente a colocação de um questionário online ao qual responderam 497 internautas. Na impossibilidade logística de analisar todas as plataformas digitais para aferir como foram utilizadas, entrevistaram-se os coordenadores digitais das três candidaturas em estudo (Cavaco Silva, Fernando Nobre e Manuel Alegre) para perceber qual a que foi alvo de maior investimento. Tomando por base as informações obtidas, procedeu-se então ao estudo da rede social Facebook. A entrevista a especialistas da área em estudo foi um método complementar que auxiliou na interpretação dos resultados. Através dos dados verificou-se que uma parte significativa dos inquiridos acredita que os Novos Média aproximam e envolvem os cidadãos na política muito graças à sua dimensão interativa. Quanto às particularidades dos média online, a atualização constante e a possibilidade de comentar a informação são as mais apreciadas pelos indivíduos da amostra. Os dados recolhidos evidenciam que muito embora se tenham explorado diversas potencialidades da Internet, os candidatos apostaram pouco na interação, uma característica de extrema importância para os inquiridos. Palavras - chave: Novos Média; Internet; Eleições Presidenciais; Campanha eleitoral; Potencialidades do digital.
6 Índice Agradecimentos ............................................................................................................................................ 3 Abstract ........................................................................................................................................................ 4 Resumo ......................................................................................................................................................... 5 Introdução ..................................................................................................................................................... 9 1. Objeto de estudo e sua pertinência ................................................................................ 10 2. Problema central ............................................................................................................. 11 3. Questões metodológicas ................................................................................................. 11 3.1. O inquérito............................................................................................................................ 12 3.2. Análise do Facebook ............................................................................................................ 13 3.3. Entrevistas – coordenadores digitais ................................................................................... 14 3.4. Entrevistas – académicos ..................................................................................................... 15 4. Estrutura da dissertação ................................................................................................. 15 Capítulo I – Enquadramento teórico e modelo de análise .......................................................................... 17 1. Enquadramento teórico .................................................................................................. 17 1.1. Comunicação Política .......................................................................................................... 17 1.2. As campanhas eleitorais ....................................................................................................... 20 1.3. A Internet como ferramenta de comunicação política .......................................................... 22 1.4. A Internet nas campanhas eleitorais .................................................................................... 26 2. Questões de investigação, hipóteses e modelo de análise ............................................... 28 Capítulo II - As Presidenciais de 2011 em Portugal ................................................................................... 30 1. Candidatos e resultados .................................................................................................. 30 2. A atuação digital dos candidatos .................................................................................... 31 2.1. Cavaco Silva ......................................................................................................................... 31 2.2. Manuel Alegre ...................................................................................................................... 33 2.3. Fernando Nobre ................................................................................................................... 34 Capítulo III – A rentabilização da Internet nas Presidenciais de 2011. ...................................................... 36 1. Análise dos inquéritos ..................................................................................................... 36 1.1. Perfil da amostra .................................................................................................................. 36 1.2. Os eleitores e a utilização da Internet para fins políticos .................................................... 38 1.3. Consumo informativo na campanha Presidencial ................................................................ 40
7 1.4. Os novos média e o envolvimento político dos cidadãos ...................................................... 45 1.5. O online nas Presidenciais de 2011 ..................................................................................... 48 2. Os dados do Facebook .................................................................................................... 52 2.1. Análise do Facebook dos candidatos.................................................................................... 54 2.1.1. Cavaco Silva..................................................................................................................... 54 2.1.2. Manuel Alegre .................................................................................................................. 55 2.1.3. Fernando Nobre ............................................................................................................... 55 Capítulo IV - Conclusão ............................................................................................................................. 57 Bibliografia ................................................................................................................................................. 64 Anexos ........................................................................................................................................................ 67
8 Índice de Imagens Pág. Quadro 1 Objetos de estudo e objetivos 29 Gráfico 1 Género dos inquiridos 36 Quadro 2 Distribuição geográfica dos inquiridos 37 Gráfico 2 Nível de escolaridade 38 Gráfico 3 Motivação para o voto nas diversas eleições 39 Quadro 3 Motivação para o voto em todas as eleições 39 Gráfico 4 Atividades políticas desenvolvidas através da Internet 40 Gráfico 5 Teve conhecimento dos episódios de campanha maioritariamente através de que meios? 41 Gráfico 6 Plataformas digitais mais consultadas 42 Gráfico 7 Se teve conhecimento dos episódios de campanha através da Internet, especifique como. 42 Gráfico 8 Tipo de informação procurada nos novos média 43 Quadro 4 Já enviou uma mensagem privada ou deixou um comentário a algum candidato? 44 Gráfico 9 Confirma a informação das redes sociais noutros meios de comunicação? 44 Gráfico 10 Os novos média aproximam e envolvem os cidadãos na política? 45 Quadro 5 Os novos média aproximam e envolvem os cidadãos na política porquê? 46 Gráfico 11 O que mais valoriza nos novos média? 47 Gráfico 12 As campanhas eleitorais e os novos média 48 Gráfico 13 Candidato que mais se destacou nas redes sociais 49 Quadro 6 A campanha digital foi de encontro às suas expetativas? 49 Gráfico 14 Importância da informação online no esclarecimento dos eleitores 50 Gráfico 15 Estratégias digitais positivas nas Presidenciais de 2011 51 Gráfico 16 Aspetos a melhorar na campanha digital (o caso das Presidenciais) 52 Gráfico 17 A atividade do facebook dos candidatos 53
15 3.4. Entrevistas – académicos As entrevistas aos académicos foram realizadas via e-mail após um primeiro contacto para avaliar a disponibilidade e motivação dos mesmos para a colaboração neste estudo. Em essência, foram entrevistados professores universitários, investigadores e empresários ligados à área do marketing e comunicação que se mostraram importantes na interpretação da campanha digital das Presidenciais. Realizaram-se entrevistas orientadas para a resposta (Lessard-Hébert, et al. 2005, p.162). O objetivo foi obter informação complementar aos dados recolhidos através de outros meios. A ordem das perguntas estava pré-estabelecida e foi igual para todos. Das pessoas contactadas para ceder entrevista, obtivemos resposta favorável de Carlos Jalali, Filipa Seiceira, Gil Batista Ferreira, Inês Amaral, Mafalda Lobo, Nilza de Sena, Ricardo Jorge Pinto, Rosália Rodrigues e Rui Calafate. Num momento pós-eleitoral, e no seguimento do que fora anteriormente auscultado, os especialistas acima referenciados voltaram a ser questionados, mas apenas Nilza de Sena, Mafalda Lobo e Inês Amaral responderam à questão sobre o que faltou para a campanha das Presidenciais ser considerada uma verdadeira campanha digital. 4. Estrutura da dissertação Uma vez firmadas questões essenciais para o entendimento desta dissertação como o objeto de estudo, o problema central ou as metodologias adotadas, cabe agora descrever a sua estrutura. No primeiro parágrafo, reservado ao enquadramento teórico e à explicação do modelo de análise, foi feita uma abordagem aos conceitos de comunicação política e de campanhas eleitorais, temas essenciais nesta dissertação. Só posteriormente se inseriu a temática da Internet e se explorou a sua utilização como ferramenta de comunicação política, concretamente no âmbito de campanhas eleitorais. Uma abordagem prévia ao estado da questão em estudo era incontornável, pois só assim foi possível levantar a
16 questão que norteou toda a pesquisa, assim como as hipóteses a corroborar e o modelo de análise. A contextualização da campanha Presidencial de 2011 em Portugal ficou reservada para o segundo capítulo desta dissertação. Coube descrever nesta secção o perfil político dos candidatos em estudo e o resultado eleitoral. A utilização genérica da Internet por cada candidato é outra das questões exploradas neste ponto. O terceiro capítulo reveste-se de especial importância por ser constituído pela análise dos dados. É nesta secção que os dados dos inquéritos e das páginas do Facebook são examinados e discutidos. O último capítulo desta dissertação diz respeito às conclusões obtidas nos vários meses de investigação. É neste momento que se corroboram as hipóteses levantadas no primeiro capítulo.
17 Capítulo I – Enquadramento teórico e modelo de análise 1. Enquadramento teórico 1.1. Comunicação Política Political communication can, or should, play a vital role in a democracy. In an ideal world, elites would use the communication media to inform and influence people, helping them improve their lot of life, and to also put aside their personal interests to work for the common good. (…) In a ideal world, the public would be enriched and invigorated by its participation in the political communication process (Perloff 1998, pp.11-12). A política sempre foi uma ciência indissociável da comunicação e esta relação tem-se estreitado ao longo do tempo. Qualquer ato político efetuado na atualidade é estudado e estruturado do ponto de vista comunicacional. A dissociação de ambos nunca foi possível, mas a mútua dependência está agora mais enraizada: “Para um homem de estado, agir e comunicar constituem as duas faces de uma mesma realidade” (Minc, 1995, cit. por. Gonçalves, 2005, p.33). A comunicação legitima o poder, desempenhando um papel crucial em democracia. A sua dependência em todo o processo político é inquestionável: não só na fase eleitoral, para que os atores políticos cheguem aos cidadãos e cativem o voto, como durante o período de governação, para informar e legitimar as decisões. “A comunicação política adquire, assim, a sua característica fundamental de mediação, já que é por ela que se torna possível a relação entre as instituições do governo e os cidadãos” (Gonçalves, 2005, p.37).
18 Uma vez introduzido o conceito de comunicação política, é fundamental clarificá-lo. Neste sentido, e tomando por base a definição do Dicionário de Média e Comunicação (Chandler e Munday, 2011, p. 325), por comunicação política entende-se a produção e o impacto de mensagens políticas, campanhas e publicidades, principalmente nos meios de comunicação de massas; a troca de mensagens de cariz político; uma área específica dentro da ciência política que trata a interação entre as instituições políticas, os média, o público e o cidadão. Num sentido mais lato, McNair (2007, p.4) afirma que a comunicação política abrange todas as formas de comunicação efetuadas pelos diversos atores políticos com a finalidade de atingir objetivos concretos; toda a comunicação dirigida aos atores políticos; toda a comunicação acerca dos políticos e das suas atividades. Apesar da definição de comunicação política de McNair anteriormente referida não se esgotar na relação comunicacional entre cidadãos e políticos através dos novos média, será sobre essa que incidirá com especial ênfase esta investigação. Considerou-se pertinente apresentar também a definição de Perloff (1998, p.8), para quem a comunicação política é “um processo pelo qual os líderes da nação, média e cidadãos trocam e conferem significado às mensagens que dizem respeito à conduta da política pública”. Numa conjugação das definições anteriores considera-se, então, que a comunicação política diz respeito a todo o processo comunicacional concretizado por atores políticos, meios de comunicação, líderes de opinião, público e profissionais de comunicação através da troca de mensagens verbais e não verbais, em contextos políticos. Reforça-se assim a ideia de legitimação da democracia através da comunicação, que concretiza a transmissão das mensagens dos agentes políticos aos seus eleitores para que as suas decisões sejam esclarecidas e conscientes. “As democracias hoje não existem sem comunicação. O oxigénio da democracia é a própria capacidade de comunicação” (Rangel, cit. por Gonçalves, 2005, p.11). Conscientes desta supremacia ao nível da comunicação, os políticos aperfeiçoam as suas manobras de persuasão, que há muito deixaram de estar limitadas às palavras e ao conteúdo, concentrando-se cada vez mais na forma ao nível dos gestos. Cada movimento e cada expressão contam na missão de convencer o eleitorado. A linguagem
19 desdobra-se em todas as suas vertentes e a componente não verbal surge no mesmo patamar de importância que as palavras. É neste contexto que surgem os profissionais de comunicação, nomeadamente os assessores, que cumprem o importante papel de monitorizar as ações públicas dos políticos. “Os políticos precisam, como de pão para a boca, de quem os apoie e aconselhe na transmissão das suas mensagens e na comunicação com aqueles que os elegem”(Soares, cit por Gonçalves, 2005). A importância dos assessores no mundo da política é inquestionável e a sua aptidão para as novas tecnologias é indispensável. As competências políticas dos protagonistas requerem as técnicas comunicativas dos especialistas da área. “Though professional operatives are responsible for most, if not all, of the tactical aspects of campaigns, they also play a vital-though admittedly collaborative-role in devising a campaign‟s „definition of how [it] will win” (Bradshaw, 1995, cit. por Medvic, 2008). Além de definirem estratégias de campanha, os profissionais de comunicação medeiam a relação entre o político e os seus seguidores e conduzem os protagonistas nas suas intervenções e aparições públicas, quer ao nível do vestuário, dos gestos, das expressões faciais, do modo de lidar com os jornalistas, quer com o que se relaciona com o local a utilizar, na preparação dos cenários de comícios (Gonçalves, 2005, p.36). A gestão da comunicação em momentos de crise é outra das inúmeras missões destes especialistas da comunicação. Não é sem razão, portanto, que Judite de Sousa afirma que “a política não tem espaço próprio. O sistema político e o sistema comunicacional tornaram-se inseparáveis. A política teve de adaptar-se a este novo ambiente” (2009, p.83). De todo esse universo, a estrutura comunicacional entre políticos e público, tendo como suporte a Internet, é o foco central desta análise. Mais que a relação existente entre políticos e meios de comunicação social, ou entre líderes de opinião e atores políticos, aqui interessa explorar como é estabelecida a ligação entre políticos e cidadãos, nomeadamente através dos novos média e, à priori, sem intermediários.
20 1.2. As campanhas eleitorais “Elections are important because they allow us freedom to actively participate in selecting our leaders. They are the core of democracy (…), are vital for us” (Trent e Friedenberg, 2008, p.3). As campanhas eleitorais apresentam-se como um processo basilar do sistema democrático. Alguns autores são ainda mais profundos na definição, garantindo que as eleições são o sangue da democracia por gerarem debate público, darem forma à agenda política, permitirem a seleção dos representantes, determinarem a composição dos parlamentos e influenciarem na distribuição dos poder no governo (LeDuc, et al., cit. por Beaudoux et al., 2005, p.11). Independentemente da estrutura partidária e económica, dos meios envolvidos, do contexto em que ocorre, uma campanha eleitoral é um processo comunicacional com objetivos bem estruturados e cuidadosamente definidos. Esta desempenha um papel essencial no contexto político. Na realidade, e de acordo com Beaudoux, et. al. (2005, p. 31), uma campanha eleitoral cumpre quatro funções: Una función de persuaión, una de prueba para las candidaturas, outra de legitimación en tanto el processo de campaña en si mismo y sus rituales proveen una prueba de que el sistema político está funcionando, y una función «cognitiva» que permite al electorado aprender información acerca de los candidatos y las elecciones. Em essência, as campanhas fazem parte do processo de legitimação democrática. É neste momento que os políticos se dão a conhecer e apresentam as propostas para o país, na tentativa de diferenciação dos demais. É também o intervalo crucial para os cidadãos se informarem sobre a decisão a tomar no ato eleitoral, uma vez que esta é a oportunidade para decidir como e quem poderá servir melhor os seus interesses (Trent e Friedenberg, 2008, p.3). Este período propicia aos candidatos a oportunidade de persuadir o seu eleitorado, apresentando as suas propostas governativas. Nas campanhas reforçam-se os laços com os militantes e tentam-se aproximações aos indecisos. Discutem-se soluções, propostas,
21 programas, contactam-se os eleitores e criticam-se os opositores na tentativa desmesurada de persuadir e convencer no voto. Os candidatos e as suas equipas estruturam todos os passos a dar e as mensagens que surgem nos meios de comunicação são meticulosamente preparadas: They kiss babies, shake hands at factory gates and supermarkets, prepare and distribute literature, produce campaign videotapes and email newsletters, wear campaign buttons, and establish phone banks to solicit money, workers, and votes (Ibid, p.16). A realidade política e eleitoral portuguesa retrata-se nestas palavras de Trent e Friedenberg, exceto no que às aplicações tecnológicas diz respeito. Efetivamente valoriza-se o contacto pessoal com o eleitorado, especialmente se o evento merecer cobertura mediática. No entanto, a aplicação das tecnologias ainda não está totalmente implementada nos hábitos eleitorais dos políticos portugueses, que a utilizam de forma básica e elementar. Mas o objetivo central de uma campanha é a discussão do programa eleitoral e das propostas para o país. Não podemos deixar de reconhecer, no entanto, que este acaba por se tornar um ponto secundário. Assistimos a uma troca desmesurada de palavras entre candidatos com rebuscados recursos retóricos e pouco conteúdo pragmático, ideológico, social e até político. Si las campañas electorales nunca anduvieron sobradas de lógica y de claridad expositiva, desde el advenimiento de la televisión han adquirido un Aire festivo, com toques de deliberada dramatización, y no es fácil que en un futuro próximo sean mucho mejores que las que conocemos (Morató, 2007, p.74).
22 Apesar de ser este o intervalo em que a grande máquina comunicacional mais se destaca na política, nem sempre se propiciam momentos de discussão genuína e profunda sobre os grandes temas da sociedade. As disputas eleitorais centram-se na troca de críticas partidárias na tentativa constante de atrair o eleitorado, talvez como forma de colmatar os poucos laços comunicacionais estabelecidos fora deste período. Este é um erro crasso em política uma vez que a alienação partidária e ideológica abre portas a novos espaços de debate, mais amplos, isentos e independentes, que poderiam ser utilizados na condução de debates consistentes. Neste momento o eleitorado está mais livre de ideologias e pensa mais em soluções concretas que em grandes princípios (Fundación Konrad Adenauer, cit. por Beaudoux, et al., 2005, p.25), apresentando-se mais crítico e disponível para a discussão de questões que o afetam de forma quer pessoal, quer coletiva. A personalização é outra tendência da realidade política atual. O líder tornou-se no objeto central de uma campanha, sobrepondo-se muitas vezes à imagem do partido ou programa eleitoral (Rieffel, 2003, p.15). Na hora de persuadir, tanto ou mais que a sua filiação, importa a sua personalidade, o carisma, a presença, os gestos, as mensagens e a forma como as transmite. Mesmo a identificação partidária e ideológica se está a transformar, não tendo o mesmo poder que outrora (Ibidem.). Assim, como forma sumária deste capítulo pode afirmar-se o seguinte: Convencer, persuadir e seducir a los electores es el oficio de los candidatos durante el período de la campaña electoral, y esse oficio nos permite – a través de los mensajes variopintos que emiten los líderes – detectar constantes que se repiten, que manifiestan una regularidad, y que, en consecuencia, admiten una previsibilidad sobre cualquier campaña electoral del futuro (Beaudoux, et al. 2005, p.76). 1.3. A Internet como ferramenta de comunicação política A utilização da Web como ferramenta da comunicação política remota à segunda metade da década de 1990 (Chadwick, 2006, p.23). Esta era uma utilização “estática”,
23 cuja finalidade mor residia na divulgação de informação, nomeadamente sobre os candidatos e os seus manifestos eleitorais (Canavilhas, 2009). Só mais tarde surgiu o conceito de Web 2.0 na política, cuja campanha de Howard Dean é um excelente exemplo. A campanha de Dean levou a política de auto-expressão a um nível de autoconsciência. Os participantes sabiam (todos o diziam, vezes sem conta) que não se tratava de Dean, mas sim do movimento, dos participantes. Tratava-se dos próprios „deaníacos, desses „esquerdolas‟ entusiastas das eletrónicas e dos múltiplos nichos que coordenavam (online e sem ser online), (Zengotita, 2006, p.150). A utilização massiva da aplicação dos novos média ao serviço da comunicação política, porém, viria a consolidar-se em 2008, na campanha de Barack Obama (Gomes, et al., 2009). O baixo custo associado a este deste meio é um dos motivos apontados para o sucesso da campanha de Obama (Ibidem.). Graças à grande potencialidade da Web 2.0 – a interação – os internautas veem o seu estatuto mudar e as barreiras existente entre eleitores e atores políticos parece esbaterse. De observadores os cidadãos passam a produtores de conteúdos e toda a informação pode ser partilhada na rede. “The interactive nature of the new media environment also makes it obviously different” (Bimber e Davis, 2003, p.5). A aproximação por ideologias e a troca de impressões tornou-se mais frequente e facilitada. A partilha de informação nestas plataformas não só permite a interação entre leitores, como contribui para a pluralidade informativa, para a discussão de ideias e para a fomentação do debate. No meio digital as fontes são diversas e a informação variada. The Internet provides a new public space – an electronic agora – in which citizens can connect with one another. Surely, the Internet presents opportunities for political parties, especially those outside the mainstream, to place their messages before the public, to raise funds, to recruit new members, and to enhance citizens‟ participation in democratic politics in general (Margolis, et al., 2003, p.54).
24 Como refere Margolis (Ibidem.), os políticos têm na Internet uma poderosíssima ferramenta de comunicação ao seu dispor. As plataformas digitais facilitam o contacto direto e imediato com cidadãos, permitindo a sondagem das diversas opiniões. Estas ferramentas possibilitam-lhes ainda conhecer o eleitorado e as suas posições e disponibilizar informação nova e personalizada a qualquer hora, colmatando algumas limitações dos meios tradicionais. No que respeita aos novos média, ao estabelecer a “desintermediação” entre políticos e cidadãos, a Internet introduziu importantes mudanças na comunicação política. Não se trata já apenas da subordinação da política às técnicas mediáticas. Cada vez mais, os políticos recorrem às novas tecnologias para comunicarem diretamente com os cidadãos-eleitores através das chamadas “redes sociais”, em especial o twitter e o Facebook, consideradas por jornalistas e políticos como uma das mais importantes fontes de informação e comunicação política (Serrano, 2010). A Internet tornou-se essencial nas estratégias políticas quer para alcançar o poder, durante o período de campanha eleitoral, quer para mantê-lo, utilizando o meio para divulgar as mais diversas informações. “Clearly, the Internet is a powerful tool, and those who use it successfully allow themselves an advantage in getting their message to the masses” (Margolis, et al., 2003, p.54). A propósito das redes sociais, talvez as plataformas digitais mais importantes numa campanha (Serrano, 2010), Panagopoulos refere o seguinte: Creating a profile on the largest social networking sites like Facebook and MySpace (…) can bring the campaign to some supporters who would not necessarily seek out the candidate‟s Web site on their own. The ultimate goal after finding „friends‟ on these networks is to bring them back to the original campaign Web site and encourage them to interact with others and sign up for e-mails (2009, p.9).
31 2. A atuação digital dos candidatos A Internet foi uma constante na campanha das Presidenciais de 2011. De sites a redes sociais, todos os candidatos marcaram presença nestas plataformas, apresentando formatos e abordagens semelhantes. A questão é saber se exploraram todas as suas potencialidades. Neste momento torna-se imperativo fazer um compêndio sobre a utilização que os três candidatos em estudo fizeram da Internet durante o período eleitoral. 2.1. Cavaco Silva Cavaco Silva venceu as eleições e no âmbito da utilização do meio digital também foi ele o vencedor. O candidato de centro-direita apostou na produção de um site oficial (http://cavacosilva.pt/), marcou presença em variadas redes sociais e criou um canal de televisão na Internet, o Cavacosilva TV (CSTV). De acordo com um dos assessores digitais de Cavaco Silva, a estratégia digital adotada nesta campanha concentrou-se na concretização dos seguintes objetivos: Desenvolver um sistema multiplataforma, composto por um centro de distribuição "grossista" de informação (o site), e um conjunto de canais de distribuição especializados, através dos quais a informação publicada no site é disponibilizada aos diversos públicos. O fluxo de informação foi do site para as redes garantindo coerência das mensagens através de todo o sistema. Estes canais foram escolhidos para potenciar diferentes tipos de conteúdos e atingir diferentes audiências, nomeadamente as redes sociais massificadas (Facebook), especializadas (Video - YOUTUBE, VIMEO SAPOVideos; foto - Flickr, audio - Soundcloud), microblogging (twitter), redes e especiais (localização - Foursquare), maximizando audiências e partilha de conteúdos (Portugal, 2011).
32 A observação do site permitiu verificar que a estrutura era apelativa, com secções bem organizadas e várias especificidades do meio digital, nomeadamente o apelo à participação na campanha. As opções de navegar para o manifesto eleitoral, de subscrever a candidatura, de fazer donativos e enviar mensagens estavam visíveis na página inicial do site, que disponibilizava também a biografia do candidato e o seu percurso académico e profissional. Com diversas secções, o site dispunha de uma grande quantidade de informação relativa à campanha. No separador “Ideias” os utilizadores podiam consultar e partilhar através do Facebook, Twitter ou e-mail as posições políticas de Cavaco Silva, catalogadas alfabeticamente. A agenda de campanha, organizada sequencial e cronologicamente, e a constituição da equipa de campanha (mandatários e membros das comissões) podiam ser consultadas no separador “Campanha”. Este espaço serviu também para a divulgação de testemunhos, de notícias relativas à campanha e de newsletters. A equipa de campanha de Cavaco Silva apostou na interação. “Apoiar” foi a designação dada à secção de incentivo à mobilização, onde era possível enviar mensagens, subscrever a candidatura, oferecer donativos e aderir às redes sociais. A atualização constante sobre a campanha era possível pela adesão à ferramenta “RSS” ou pela subscrição do e-mail. O registo dos apoiantes nas bases de dados da campanha foi essencial para a mobilização dos apoiantes através do envio de mensagens por telemóvel. A secção “Multimédia”, também disponível no site, serviu como uma espécie de arquivo dos vídeos, fotos e áudios produzidos ao longo da campanha. Através desta página podia aceder-se também ao Facebook, Twitter, Flickr, Youtube, Vimeo, Sapo Vídeos, Four Square e Sound Cloud. Além da hiperligação a estas plataformas de partilha de informação, a campanha de Cavaco Silva disponibilizou uma página de esclarecimentos sobre a utilização das redes sociais. A utilização do Twitter não foi tão intensa como do Facebook, mas mesmo assim foi o candidato que registou mais seguidores (Novais e Araújo, 2011). De realçar a potencialização das diferentes plataformas entre si, que propiciou a criação de um círculo comunicacional ativo e transversal.
33 Além desta aposta na propagação da informação do site através de diferentes redes, foi ainda criado um canal de Web TV (a CSTV), que de acordo com o membro da equipa digital da campanha permitiu realizar Lives e emissão em contínuo, produzindo e distribuindo conteúdos audiovisuais através do site e das redes sociais (Portugal, 2011). No âmbito das novas tecnologias é conveniente mencionar ainda a utilização de uma aplicação para o iPhone através da qual era possível acompanhar em direto a campanha. O candidato conseguiu uma campanha multi-plataformas, segmentando a informação e apostando largamente nos conteúdos multimédia. Segundo Jorge Portugal, o objetivo central foi permitir aos cidadãos o acesso ao programa, o acompanhamento de todos os momentos da campanha e o contacto direto com o candidato (Ibidem.). Todas as ações foram conduzidas a “diversos públicos das plataformas digitais, onde ambas as estratégias (digital e de terreno) se potenciaram mutuamente” (Ibidem.). 2.2. Manuel Alegre Os conteúdos dos sites dos três candidatos em estudo foram semelhantes. O site de Manuel Alegre (http://Presidenciais2011.manuelalegre.com/) também foi organizado por separadores e de acordo com o coordenador digital da campanha, Nuno David, esta plataforma serviu de “arquivo de todo o património político desenvolvido ao longo da campanha” (2011). Na secção “Início” os utilizadores encontravam vídeos, notícias da campanha, o contrato presidencial, artigos de opinião e um destaque especial para o Facebook, representado num quadro com as últimas atualizações. Esta página disponibilizou ainda ligações à Comissão de Honra, ao site pessoal do candidato e às várias plataformas de partilha de informação por si utilizadas (Facebook, Twitter, Flickr e Youtube). A biografia, bibliografia, o Contrato Presidencial, as intervenções, entrevistas e mensagens foram alojados na secção “Manuel Alegre”, que permite a partilha de toda a informação quer através das redes sociais, quer por e-mail. Os separadores “Agenda” e “Notícias” continham os conteúdos que o próprio nome indica. No espaço “Opinião” surgiram várias mensagens de apoio dos apoiantes no formato vídeo e todas as opiniões
34 publicadas nos diversos meios. Antes do separador “Multimédia”, o último, utilizado para o armazenamento de vídeos e de fotogalerias, dos tempos de antena e do hino da campanha, era apresentado aos utilizadores a secção “campanha”, que dava a conhecer a estrutura da campanha, a comissão de honra, as diferentes sedes distribuídas pelo país, os apoiantes e possibilitava ainda a consulta das newsletter. No que diz respeito às redes sociais, o Facebook foi novamente a plataforma de eleição. O Twitter, Youtube e Flickr foram utilizados, moderadamente, para partilhar informação. 2.3. Fernando Nobre Na mesma linha estratégica dos restantes candidatos, Fernando Nobre também desenvolveu um site para a campanha (http://www.fernandonobre2011.com/). À semelhança do que fizeram Cavaco Silva e Manuel Alegre, Fernando Nobre disponibilizou ligações às redes sociais na página inicial do seu site, apelando também à participação voluntária na campanha, pela subscrição, contribuição ou colaboração. Foi também através desta página que os utilizadores puderam aceder ao serviço de RSS para se manterem atualizados e conhecerem os mandatários da campanha. O primeiro separador do site teve a denominação “Esperança na mudança”. Aqui foram disponibilizados os discursos do candidato, o seu manifesto e informação sobre a sua posição política. Na secção “resposta da semana”, inserida no mesmo separador, Fernando Nobre convidou os cidadãos a levantarem questões às quais o próprio se propunha responder. A biografia e bibliografia foram disponibilizadas na divisória “Exemplo de vida”. O site possuía um separador próprio de divulgação do blogue do candidato, onde era fornecido o link que conduzia a esta plataforma alimentada por textos do candidato. Além do apelo ao voluntariado feito na primeira página, a equipa de campanha deste candidato optou por dedicar também um separador ao tema, com vista à angariação e fidelização de apoiantes. Os vários textos produzidos para a imprensa e os conteúdos multimédia eram consultáveis na secção de imprensa.
35 A agenda é uma secção transversal a todos os candidatos e Fernando Nobre não é exceção. O candidato anunciou todos os eventos neste separador e apelou à mobilização e participação de todos, mais uma vez, na secção “Área pessoal”. O objetivo era, através de diversas ferramentas disponibilizadas, angariar recursos humanos para a campanha. Fernando Nobre marcou novamente a diferença no digital pela adesão antecipada ao Facebook e pela utilização que fez desta rede social, partilhando frequentemente as fotos, vídeos, eventos da campanha e palavras pessoais dirigidas aos cidadãos. A adesão às restantes plataformas de partilha de informação aconteceu mais tarde e a sua utilização não foi tão ativa.
36 36% 64% Gráfico 1: Género dos inquiridos Masculino Feminino Capítulo III – A rentabilização da Internet nas Presidenciais de 2011. 1. Análise dos inquéritos 1.1. Perfil da amostra Antes do início da análise dos dados que conduzirão aos resultados finais, considerou-se pertinente realizar a caracterização sociológica da amostra. Do total de indivíduos inquiridos, 36% são do sexo masculino e uma percentagem de 64% do sexo feminino. Para perceber a abrangência do questionário teve-se em conta a distribuição geográfica dos inquiridos. Verificou-se que o distrito do Porto surge em maioria, apresentando uma percentagem de 58,7%. Segue-se Coimbra com 16,1 pontos percentuais e Aveiro com 7,2%. Do distrito de Lisboa obteve-se uma percentagem de respostas de 4,7%. Os restantes inquéritos foram preenchidos em Braga (3,8%), Viseu (1,9%), Viana do Castelo (1,7%) e Leiria (1,3%). Setúbal, Santarém e Vila Real apresentam uma percentagem de eleitores de 0,8% e a Madeira de 0,6%. Com uma representatividade mais reduzida surge Castelo Branco e Guarda com 0,4% e Ponta Delgada, Évora e Faro com 0,2 pontos percentuais.
Quadro 2 – Distribuição geográfica dos indivíduos % Lisboa 4,7 Porto 58,7 Coimbra 16,1 Setúbal 0,8 Castelo Branco 0,4 Aveiro 7,2 Santarém 0,8 Leiria 1,3 Ponta Delgada 0,2 Madeira 0,6 Évora 0,2 Viseu 1,9 Braga 3,8 Vila Real 0,8 Viana do Castelo 1,7 Guarda 0,4 Faro 0,2 Total 100,0 No que concerne à habilitação literária (Gráfico 2), os inquiridos são maioritariamente licenciados (51,6%). O 12º ano é o segundo nível de escolaridade mais indicado, com 29,3 pontos percentuais, antecedendo o grau de Mestre (10,7%). Com frequências menos elevadas surgem os extremos dos níveis de escolaridade: 9º ano (4,1%) e doutoramento (2,5%). Uma reduzida margem percentual indica outro grau de ensino (1,8%).
38 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 2,5% 10,7% 51,6% 29,3% 4,1% 1,8% Gráfico 2: Nível de escolaridade 1.2. Os eleitores e a utilização da Internet para fins políticos Após traçar o perfil sociológico dos indivíduos, considerou-se indispensável avaliar o nível de motivação para ações políticas antes de nos debruçarmos sobre os dados inerentes às Presidenciais de 2011. No âmbito da motivação para o voto (Gráfico 3) nos diferentes momentos eleitorais verificámos que uma parte significativa da amostra se sente motivada a participar em todas as eleições (33%). Os restantes indivíduos indicam as Legislativas como as eleições em que existe mais motivação para participar (28,4%), seguidas das Autárquicas, com um valor próximo (23,4%). As Presidenciais (11,4%) e as Europeias (3,8%) são as eleições que menos mobilizam os inquiridos.
39 Do total de indivíduos que se sente motivado a votar em todas as eleições, 29% justificam-no com a crença de que qualquer uma tem impacto no quotidiano. Uma percentagem de 51% consideram que votar é um direito e um dever e existe ainda quem considere que todos os atos eleitorais são importantes por possibilitarem o exercício da democracia e a expressão dos cidadãos através do voto (20%). Quadro 3 – Motivações para votar em todas as eleições % Qualquer eleição tem impacto no quotidiano 29 Votar é um direito e um dever 51 Todos possibilitam o exercício da democracia e a expressão dos cidadãos 20 0% 5% 10% 15% 20% 25% 30% 35% Europeias Presidenciais Legislativas Autárquicas Todas 3,8% 11,4% 28,4% 23,4% 33% Gráfico 3: Motivação para o voto nas diversas eleições
40 Sendo inerente a esta investigação a conjugação entre Internet e política, torna-se incontornável a avaliação da utilização deste meio para fins de mobilização, de informação e de outras atividades deste cariz (Gráfico 4). Se considerarmos a consulta de websites políticos verificamos que 24,2% da amostra já recorreu a esta atividade online. A troca de comentários e publicações relacionadas com a dinâmica política também é frequente entre os indivíduos da amostra, com 22% a afirmar já tê-lo feito. A adesão a atividades políticas desenvolvidas através da Internet decresce quando se trata de receção e leitura de material político via e-mail (19,3%), mobilização para ações ou grupos com cariz político (10,9%) ou convocações para reuniões com fins políticos (10,2%). Num universo de pesquisa de 497 inquiridos, 8% já assistiram a discursos políticos em direto e 4% fundaram grupos de cariz político na Internet. Uma parcela de 1,4 pontos percentuais garante nunca ter efetuado nenhuma das atividades mencionadas. 1.3. Consumo informativo na campanha Presidencial Após a apresentação de dados mais abrangentes, como proposto inicialmente, é incontornável afunilar a análise e direcioná-la para o consumo informativo dos indivíduos durante a campanha eleitoral das Presidenciais portuguesas de 2011. 0% 5% 10% 15% 20% 25% Consulta de websites políticos Receção e leitura de material político via email Convocação para reuniões com fins políticos Troca de comentários em publicações relacionadas com a atualidade política Assistência a discursos políticos em direto Fundação de grupos de cariz político Mobilização para acções ou grupos de cariz político Nenhuma 24,2% 19,3% 10,2% 22% 8% 4% 10,9% 1,4% Gráfico 4: Atividades políticas desenvolvidas através da Internet
47 Há que reconhecer, no entanto, o consenso em torno da abrangência dos meios digitais e da sua crescente afirmação nas campanhas eleitorais. Quando se trata de certificar que a mensagem dos novos média tem um alcance superior ao dos média tradicionais, quer em termos espaciais, quer populacionais, há uma concordância total por parte de 43% dos indivíduos e parcial por 39% dos inquiridos. Uma parcela de 10% discorda parcialmente e 6% discordam totalmente. Os restantes 7% optaram por não responder ou por afirmar que não sabiam responder. Esta assertividade em torno da importância dos média digitais nas campanhas eleitorais acentua-se quando 39% da amostra demonstra a sua convicção total na importância crescente dos novos média nas campanhas eleitorais. Uma percentagem de 50% concorda parcialmente com esta ideia. Apenas 4% e 2% discordam parcial e totalmente. 0% 5% 10% 15% 20% 25% Possibilidade de comentar Proximidade com os agentes políticos Interação com os agentes políticos Interação com outros leitores Troca de opiniões em tempo real Atualização constante Possibilidade de consultar fontes alternativas Outro 16,5% 7,4% 13,6% 8,0% 17,7% 21,0% 15,4% 0,4% Gráfico 11: O que mais valoriza nos novos média?
48 1.5. O online nas Presidenciais de 2011 No último momento do questionário houve a pretensão de conhecer o papel dos novos média na rotina informativa dos candidatos durante a campanha em análise. Após a contextualização da importância e utilização dos meios digitais pelos inquiridos, é importante neste momento concentrar a análise em informações específicas e direcionadas para o problema central desta investigação. No que concerne ao destaque dos candidatos à Presidência da República no online (quer pela presença, quer pela prestação) Cavaco Silva, vencedor das eleições, foi o que mais se evidenciou, garantem 38,1% dos inquiridos. Na casa dos 20 pontos percentuais surge Fernando Nobre, que antecede Manuel Alegre (17,8%) e José Manuel Coelho (17%). Na mesma linha de análise apurou-se que Francisco Lopes e Defensor Moura foram os candidatos de menor destaque nas redes sociais (2,8% e 1,2%, respetivamente). 0,0% 10,0% 20,0% 30,0% 40,0% 50,0% Concorda Totalmente Concorda Parcialmente Discorda Parcialmente Discorda Totalmente NS/NR 39% 50% 4% 2% 5% 43% 39% 10% 6% 2% Gráfico 12: As campanhas eleitorais e os novos média As campanhas passam cada vez mais pela utilização dos novos média Os novos média são mais abrangentes que os média tradicionais
49 0% 5% 10% 15% 20% 25% 30% 35% 40% Cavaco Silva Defensor Moura Fernando Nobre Francisco Lopes José Manuel Coelho Manuel Alegre 38,1% 1,2% 23,1% 2,8% 17% 17,8% Gráfico 13: Candidato que mais se destacou nas redes sociais No que diz respeito às expetativas colocadas na campanha das Presidenciais, as respostas dos inquiridos não são consensuais. Uma percentagem significativa (44,9%) optou por não responder a esta questão, 29,8% afirmaram que a campanha não foi de encontro às suas expectativas e 25,4% mostraram-se agradados com a prestação online dos candidatos. Quadro 6: A campanha digital foi de encontro às suas expectativas? % Sim 25,4 Não 29,8 Total 55,1 Não respondeu 44,9 Ao nível do esclarecimento prestado pela informação veiculada através da Internet, verificámos que foi nulo para 43,7% dos inquiridos, servindo maioritariamente como
50 meio complementar de informação (32,6%) e não como fonte única e principal (2,2%). Ainda assim a sua importância foi destacada por 21,5% dos inquiridos. Tomando por base as preferências dos indivíduos em relação aos novos média e objetivando a recolha de dados concretos nesse sentido, observemos as respostas dos inquiridos em relação aos exemplos positivos da utilização dos média digitais na campanha em estudo (Gráfico 15). Nesse particular aspeto verificamos que a atualização permanente e a rapidez na disseminação da mensagem (10,2%) e a interatividade (7,6%) foram os pontos positivos mais indicados pelos utilizadores. Com uma percentagem ligeiramente inferior (7,2%) surge a pluralidade de informação, opiniões e fontes. Os inquiridos apontaram ainda como características positivas da campanha online a proximidade (4%), o dinamismo (3,4%), a acessibilidade (3%), a mobilização através das redes sociais (2,2%) e a utilização destas plataformas no geral (1,6%), a vertente multimédia e o investimento nos novos média (1,2%), a igualdade no acesso a estes meios por todos os candidatos, independentemente dos recursos (1%) e a possibilidade de consultar informação diversificada numa só plataforma (1%). Uma percentagem de 5,6% dos inquiridos indicou outras respostas que não contemplamos nas restantes características nem de 0% 5% 10% 15% 20% 25% 30% 35% 40% 45% A inf. online foi importante A inf. online foi a única fonte A inf. online foi um complemento A inf. online não teve qualquer influência 21,5% 2,2% 32,6% 43,7% Gráfico 14: Importância da informação online no esclarecimento dos eleitores
51 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 7,2% 10,2% 4% 2,2% 7,6% 3,4% 3% 1,2% 1% 1,2% 1% 1,6% 5,6% Gráfico 15: Estratégias digitais positivas nas Presidenciais de 2011 forma individual por conterem expressões ideológicas ou partidárias não consideradas nesta análise. No que diz respeito à prestação digital dos candidatos, verificámos que para ir de encontro às expetativas e necessidades informativas dos internautas, tem de se apostar fundamentalmente na interação, um ponto indicado por 6% dos inquiridos. A inovação e exclusividade dos conteúdos é outra questão que, na perspetiva de 4,4% dos inquiridos, deve ser melhorada. Por indicação de 3,6% dos inquiridos, os conteúdos colocados online devem ser mais contextualizados e é essencial a apresentação e discussão de propostas concretas neste meio. O pouco envolvimento dos protagonistas foi indicado por 3,4% dos indivíduos que requerem uma presença mais direta dos candidatos nos meios digitais. A filtragem dos comentários e a criação de fóruns de debate é mais uma proposta apresentada por 2% dos inquiridos. Para 1,2% da amostra existe a necessidade de apostar no rigor da informação veiculada, de fazer atualizações mais frequentes e de favorecer a participação homogénea dos candidatos, sem desfasamento de recursos. Para reforçar as potencialidades da Internet os inquiridos propõem a criação de calendários específicos para ações online (0,6%) e o investimento na mobilização através dos média digitais (1%). Uma percentagem de 3,4% dos inquiridos defende que a utilização das plataformas digitais deve ser melhorada na 1.Pluralidade de informação, opiniões e fontes; 2.Actualização permanente/ Rapidez na disseminação da mensagem; 3.Proximidade; 4.Utilização das redes sociais para mobilização; 5.Interactividade; 6.Dinamismo; 7.Acessibilidade; 8.Multimédia; 9.Igualdade no acesso aos meios para todos os candidatos, independentemente dos recursos; 10.Notável investimento nos novos média; 11.Consulta e de informação diversificada numa plataforma; 12.Utilização adequada das redes sociais, nomeadamente do Facebook; 13.Outro Legenda: 1.Pluralidade de informação, opiniões e fontes; 2.Atualização permanente/ Rapidez na disseminação da mensagem; 3.Proximidade; 4.Utilização das redes sociais para mobilização; 5.Interatividade; 6.Dinamismo; 7.Acessibilidade; 8.Multimédia; 9.Igualdade no acesso aos meios para todos os candidatos, independentemente dos recursos; 10.Notável investimento nos novos média; 11.Consulta e de informação diversificada numa plataforma; 12.Utilização adequada das redes sociais, nomeadamente do Facebook; 13.Outro
52 generalidade. Cabe ainda referir neste ponto que 6% dos inquiridos apresentaram propostas baseadas em ideologias políticas ou relativas a candidatos concretos, tendo essas respostas sido contabilizadas na categoria “Outro” por não apresentarem conteúdo transversal à temática. Muito embora não possamos deixar de reconhecer que a representatividade das respostas recolhidas nestas questões seja reduzida (uma evidência que se deve à estrutura aberta destas questões e ao facto de serem facultativas), convém realçar que o objetivo era recolher propostas concretas na utilização dos novos média que contribuam para potencializar e rentabilizar ações futuras, evitando os erros já cometidos e atuando na perspetiva de satisfazer os eleitores. 2. Os dados do Facebook O objetivo de interação preconizado por Ricardo Jorge Pinto (2011) e reforçado por Gil Batista Ferreira (2011), que afirma que os novos média “permitem a bidirecionalidade da comunicação, a partilha de opiniões a qualquer cidadão e a criação de fóruns de debate com os candidatos e entre os próprios cidadãos”, não foi totalmente alcançado 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 1,2% 6% 3,6% 2% 4,4% 0,6% 1,2% 3,4% 3,4% 1% 1,2% 6% Gráfico 16: Aspetos a melhorar na campanha digital (o caso das Presidenciais) Legenda: 1.Rigor; 2.Interação com os leitores; 3.Contextualização dos conteúdos / Discussão de propostas concretas; 4.Filtragem dos comentários/ Criação de fóruns de debate; 5.Inovação e exclusividade nos conteúdos, nomeadamente a nível multimédia; 6.Calendário específico para ações online e maior quantidade de iniciativas; 7.Participação homogénea dos candidatos, sem desfasamento de recursos; 8.Melhor utilização das plataformas digitais; 9.Mais envolvimento dos protagonistas; 10.Mobilização online 11.Atualizações mais frequentes; 12.Outro
53 nesta campanha. A análise às páginas do Facebook dos três candidatos abrangidos neste trabalho permite concluir que não se apostou na interatividade entre candidato e leitores. Dos três candidatos em análise, Fernando Nobre foi o que mais utilizou o Facebook durante o período de campanha eleitoral, tendo publicado 411 mensagens, como de resto indica o Gráfico 17. Segue-se Cavaco Silva, com 323 posts e, claramente abaixo, Manuel Alegre com apenas 119 publicações. No que diz respeito a comentários, Fernando Nobre destacou-se novamente, angariando um total de 3 935 intervenções do público. Manuel Alegre ficou muito aquém dos restantes candidatos, totalizando 530 comentários, um número bem contrastante com os 2 322 de Cavaco Silva. No que a número de Likes concerne foi o candidato de direita que mais se destacou, angariando um total de 19 929, uma quantidade bem mais significativa que os 14 317 de Fernando Nobre ou os 3 027 de Manuel Alegre. Numa campanha que se esperava interativa, com uma forte presença dos candidatos nas redes sociais, verificou-se que as mensagens foram veiculadas maioritariamente na 0 2000 4000 6000 8000 10000 12000 14000 16000 18000 20000 Fernando Nobre Manuel Alegre Cavaco Silva Comentários 3935 530 2322 Likes 14317 3027 19929 Posts 411 119 323 Gráfico 17 - A atividade do Facebook dos candidatos
54 terceira pessoa. A intervenção pessoal e direta dos candidatos foi pouco frequente. Os posts continham citações do candidato e eram assumidamente partilhados pela equipa de campanha. O uso do discurso na primeira pessoa e a presença direta dos candidatos, definitivamente não foi recorrente. Noutra perspetiva, porém, foi notório o investimento no campo multimédia, nomeadamente no vídeo e na imagem. Os candidatos/equipas de campanha consciencializaram-se da sua importância e deram-lhes muito destaque. Diversas entradas nas páginas do Facebook dos candidatos incluíram unicamente vídeos ou imagens, sem qualquer mensagem escrita. Todas as ações de campanha foram gravadas e colocadas online, à disposição de todos, comprovando que a vertente multimédia foi claramente potencializada. Apesar disso as estratégias de campanha adotadas não foram suficientes para esta ser considerada uma verdadeira campanha digital. As potencialidades do meio ainda não são convenientemente exploradas e há mudanças urgentes a efetuar neste sentido. 2.1. Análise do Facebook dos candidatos 2.1.1. Cavaco Silva Esta rede social serviu de diário de acompanhamento da campanha e de meio de expressão para o candidato, que a utilizou para tornar as suas posições e ideologias públicas. A divulgação do site, do canal televisivo CSTV, da agenda de campanha, de conteúdos multimédia e o apelo à mobilização e ao voluntariado foram outras atividades potencializadas. O propósito de dar conhecimento aos utilizadores dos vários momentos diários da campanha foi conseguido por posts que contextualizavam o quotidiano do candidato nos diferentes locais do país, pela citação de frases proferidas nos seus diversos discursos e pela disponibilização constante de fotos e vídeos dos variados acontecimentos. Uma questão interessante verificada no Facebook deste candidato foi o apelo constante ao envio de fotografias tiradas pelos eleitores, material posteriormente disponibilizado nesta plataforma. A utilização desta rede social teve dois momentos particularmente
55 marcantes: o dia 13 de dezembro de 2010 em que arrancou a ação “Pergunte ao candidato” no âmbito da qual, tal como o nome indica, os eleitores podiam deixar interrogações dirigidas a Cavaco Silva e o dia 20 de dezembro de 2010 em que Cavaco Silva se predispôs a responder às perguntas dos cidadãos em direto. 2.1.2. Manuel Alegre Também o candidato da Esquerda utilizou esta rede social para fazer um diário de campanha (ainda que com um número de atualizações e de “posts” reduzido). Nas palavras do coordenador digital da campanha, Nuno David, houve uma equipa de reportagem que acompanhou o candidato em todas as iniciativas, produzindo conteúdos em vários formatos e com bastante “carga política” que foram divulgados no site e nas redes sociais (David, 2011). Num registo menos formal que o site, o Facebook permitiu um contacto mais próximo entre os cidadãos, o candidato e a própria equipa de campanha. Nesta rede social as mensagens são “mais curtas, mais diretas, mais dinâmicas e com um diálogo muito mais desenvolvido. Em 2006 muitos sites permitiam comentários. Porque é que hoje não permitem? Não vale a pena. Temos outras plataformas, que são as redes sociais, que substituem essa componente que era fundamental” (David, 2011). De realçar a potencialização do site através do Facebook, conseguido pela publicação frequente de links que conduziam à informação publicada nessa plataforma. 2.1.3. Fernando Nobre Fernando Nobre marcou diferença no digital pela adesão antecipada ao Facebook e pela utilização que fez desta rede social, partilhando frequentemente as fotos, vídeos, eventos da campanha e palavras pessoais dirigidas aos cidadãos. A campanha deste candidato centrou-se maioritariamente nesta plataforma, onde convergiam as restantes, e o coordenador digital, Diogo Queiroz de Andrade, justificou a opção: “Nós queremos apresentar alguma coisa, temos de ir onde as pessoas estão, e as pessoas estão no
56 Facebook. As pessoas gostam do Facebook, as pessoas reveem-se no Facebook, portanto nós temos de ir ter com elas” (Andrade, 2011). De acordo com a mesma fonte, o Facebook serviu para dar a conhecer o candidato e as suas obras e propostas ao país. Uma vez que esta foi uma candidatura independente, sem qualquer máquina partidária a financiá-la, a equipa digital de Fernando Nobre tentou fazer desta rede social um espaço de discussão de ideias aberto a todos, divulgando o máximo de conteúdos possível. No entanto, não se verificou uma interação real entre o público e o candidato, uma situação que segundo Diogo Queiroz de Andrade se deve à forte interação entre cidadãos que estavam de tal forma empenhados que faziam a manutenção da página, dinamizando-a com ideias, vídeos e comentários e impulsionando o diálogo entre si (Andrade, 2011). Quanto às questões deixadas pelos internautas, eram listadas e apresentadas ao candidato que posteriormente respondia. Dada a elevada importância desta rede social na candidatura (e na campanha em geral), toda a informação divulgada nas restantes plataformas convergiu no Facebook. Mais que uma forma de potencializar toda a informação, esta foi uma estratégia de comunicação resultante da consciência do poder desta rede social na sociedade atual. E no que a estratégias de comunicação diz respeito, o Facebook foi prioritário na divulgação de informação em primeira mão por duas questões: rapidez e contorno dos média tradicionais. “Um jornal diário hoje vende 15 mil exemplares. O Facebook tem 35 mil Likes. São pessoas que recebem diretamente aquele feed. É óbvio, não é? Basta fazer as contas” (Andrade, 2011).
63 Volvidos vários meses de investigação e analisados os diversos dados obtidos pela aplicação de múltiplos recursos metodológicos, acredita-se que as conclusões obtidas podem elucidar em atuações futuras. Só através da análise profunda da realidade é possível evoluir, centrando-nos nos erros cometidos para poder melhorá-los no futuro. Não tendo ainda sido o ideal de campanha digital, o momento eleitoral aqui analisado foi um excelente ponto de partida para a perceção do que se está a fazer e do que pode ser feito para melhor. Hoje dificilmente o público considera credível um candidato que não usa a Internet (Trent e Friedenberg, 2008, p.399). Judite de Sousa não hesita em afirmar que “para fazer uma carreira política é necessário ser não apenas um profissional da convicção, mas também um profissional da comunicação” (Sousa 2009, p.63). Acrescentamos a necessidade de ser-se também um profissional da comunicação digital, capaz de responder às expectativas dos eleitores e à evolução do mundo. “Quando as pessoas sentirem que o seu envolvimento na vida de um partido pode mudar a vida do País e não apenas mudar a vida de quem quer nele fazer carreira talvez achem que vale a pena entrar numa sede para escolher candidatos” (Oliveira, 2011).
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67 Anexos
68 ANEXO 1