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Relatório Final de Estágio Profissional

Fabiana Magalhães Gomes da Costa Caldas

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Relatório de Estágio Profissional Relatório de Estágio Profissional apresentado com vista à obtenção do 2º ciclo de Estudos conducente ao grau de Mestre em Ensino de Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário (Decreto-lei nº 74/2006 de 24 de Março e o Decreto-lei nº 43/2007 de 22 de Fevereiro). Orientador: Professora Mariana Cunha Fabiana Magalhães Gomes Costa Caldas Porto, 23 de Setembro de 2011 II Ficha de Catalogação Caldas,F.(2011). Relatório de Estágio Profissional.Porto: F.Caldas. Relatório de Estágio Profissional de Mestrado em Ensino de Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário, apresentado à Faculdade de Desporto da Universidade do Porto PALAVRAS-CHAVES: ESTÁGIO PROFISSIONAL, FORMAÇÃO INICIAL, EDUCAÇÃO FÍSICA, INDISCIPLINA, SER PROFESSOR, REFLEXÃO III Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo. E que posso evitar que ela vá a falência. Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise. Ser feliz, é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história. É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma. É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida. Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um 'não'. É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta. Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo... (Fernando Pessoa) V Dedicatória Aos professores, que me ajudaram a seguir este caminho; Aos amigos e amigas da minha vida; À minha família, por todo o apoio. VII Agradecimentos A realização deste processo não seria possível sem o apoio incondicional de várias pessoas que irei aqui mencionar. Assim, gostaria de dedicar este espaço às pessoas que directa e indirectamente contribuíram para a concretização dos meus objectivos e me apoiaram em todos os momentos do Estágio Profissional. À minha orientadora, Mestre Mariana Cunha, por todo o profissionalismo, dedicação, disponibilidade demonstrada e todo o apoio permanente ao longo deste processo. À professora cooperante, Mestre Maria José Cardoso, por me ter cedido a turma, pela dedicação e por todas as críticas e sugestões durante o Estagio Profissional. Obrigada por tudo que me ensinou! Aos Professores da área disciplinar de Educação Física da Escola Secundária Clara de Resende e funcionários pela forma como fui recebida, simpatia e apoio constante em todas os momentos. Aos colegas e amigos de Estágio pela partilha e todo o apoio revelado ao longo do ano. Às “meninas” da minha vida, Bi, Loira, e Catarina. Obrigada por serem as minhas companheiras de luta, de ajuda, de me porem na ordem sempre que necessário e pelo inigualável apoio que me proporcionaram em tantos momentos de aflição. Sem Vocês nada teria sido igual. Mesmo longe estamos juntas! Aos meus amigos, Diana, Joana, Inês, Zé, Bruninho, Pi, Mónica, Mário, por todo o convívio, conselhos, desabafos e momentos de diversão. A ti Luís pela ENORME paciência, pelo apoio, amor, e por me fazeres acreditar que tudo é possível! VIII Aos meus alunos da turma 7ºC, por terem contribuído para um dos momentos mais marcantes da minha vida. Ao Nuno da reprografia por toda a ajuda nas formatações do relatório e a sua sempre disponibilidade para ajudar. À minha família, mãe, pai e Nokas pelo apoio e encorajamento na realização deste estágio A todos…o meu sincero OBRIGADA! IX Índice Geral Resumo XIII Abstract XV Abreviaturas XVII 1.INTRODUÇÃO 1 2.ENQUADRAMENTO BIOGRÁFICO 5 2.1 Reflexão Autobiográfica 7 2.2 Expectativas em Relação ao Estágio Profissional 11 3. ENQUADRAMENTO DA PRÁTICA PROFISSIONAL 13 3.1 Enquadramento legal e Institucional 15 3.2 Estágio Profissional – Conceitos e Objectivos 17 3.3 O porquê da Educação 19 3.4 A minha realidade 21 3.4.1 Escola Secundária Clara de Resende 21 3.4.2 Núcleo de Estágio 22 3.4.3 Os “meus meninos” 23 3.4.4 “Ser Professor” 24 3.4.5 A Educação Física nas escolas 26 4. REALIZAÇÃO DA PRÁTICA 29 4.1 Àrea 1: Organização e gestão do ensino e da aprendizagem 31 4.1.1 Concepção 32 4.1.2 Planificação 35 4.1.3 Realização 43 XVII Abreviaturas DT – Director (a) de Turma EFEducação Física EPEstágio Profissional NEE – Necessidades educativas especiais PC – Professora cooperante OE – Orientadora de Estágio PIT – Plano Individual de Trabalho 1.Introdução 3 1. Introdução O Estágio profissional (EP) assim como é designado representa o culminar de um processo contínuo de formação. É aqui que serão colocadas em prática muitos dos conhecimentos adquiridos até então. Este, permite por a prova todo o nosso conhecimento acerca do ensino desenvolvendo um espírito crítico e reflexivo acerca da sua actividade profissional. Na entrada para a faculdade, muitas eram as dúvidas, até que me deparei com a verdadeira realidade, o confronto com o contexto real de ensino. Pelo que posso admitir que é de facto o essencial para a nossa formação, é o encontro com a realidade que nos proporciona aprendizagens autênticas e onde pomos em prática tudo o que trouxemos na bagagem, até então. Ao longo da minha formação muitas foram as vezes que ouvi a palavra formação, educar e aprender e nunca as senti verdadeiramente. Apenas me pareciam belas palavras ditas por sábios professores que muito ainda me faltava para as sentir e compreender. Assim fui logo colocada a prova neste Estagio Profissional. É no estágio Profissional que se proporciona o “momento”. Esse momento que me deixou expectante e bastante entusiasmada, não para o culminar de uma formação mas para entrarmos num novo mundo de experiência e desafios. A profissão docente mesmo não tendo sido sempre o meu sonho desde criança sempre me pareceu deveras inquietante e complexa. É uma profissão bastante desafiante o que me deixou logo com o bichinho de “experimentar”. Não poderia falar da profissão sem nunca a ter vivenciado e de facto tudo muda quando se vive e sente, e era isso que faltava, viver! Assim, durante a realização do EP adquiri um alargado número de conhecimentos que me fizeram colocar algumas questões que considero pertinentes relacionadas com o Professor. O que é ser professor? Será um bom professor o Professor reflexivo? Qual a diferença de um Professor de EF para os restantes? Todas estas questões foram do meu interesse e serão aqui retratadas. Para mim tudo era mais simples, mais claro, mas a verdade é que a 4 profissão docente bastante complexa e por vezes muito injusta. Mas o que quero eu? Uma vida sem desafios? Não! Desde criança que me ponho a prova em todos os momentos da vida. Nem sempre tive sucesso mas foi exactamente isso que fez crescer e aprender. Quero uma vida, uma profissão que me ponha a prova e que me faça constantemente crescer. Existe então melhor profissão que um Professor? Na minha opinião não! Encontrei uma frase simples que de alguma forma bastante simples pode mostrar o quão desafiante pode ser a profissão docente. "Se um médico, um advogado ou um dentista tivessem, de uma só vez, 30 pessoas no seu gabinete, todas elas com diferentes necessidades e algumas que não querem estar ali e o médico, o advogado ou o dentista tivessem que tratá-las a todas com elevado profissionalismo, então poderiam fazer uma ideia do que é o trabalho do professor!” (autor desconhecido). Será interessante saber o quanto mudei, o que percorri ate chegar aqui e as dificuldades que consegui ultrapassar. Olhar para mim e ver alguém que cresceu, com mais conhecimentos que se transcendeu para um lugar que outrora não conhecia. Este documento, designado de Relatório de Estágio Profissional, encontra-se estruturado em cinco capítulos: 1) “Introdução” onde faço um apanhado geral da minha experiência profissional; 2) “Enquadramento Biográfico” onde apresento vivências no meu percurso desportivo, académico e pessoal, e revelo as minhas expectativas deste ano de estágio; 3) “Enquadramento da Prática Profissional” que se caracteriza pelo desenvolvimento de temas do meu interesse e que acredito serem importantes no ensino e na escola; 4) “Realização da Prática Profissional” onde vou debater sobre as principais dificuldades que me foram surgindo ao longo do estágio e aprofundar toda a prática supervisionada exercida durante o ano; 5) “Conclusão” onde retiro as principais ilações relativas a todo o processo e refiro os momentos mais marcantes do Estágio Profissional. 2.Enquadramento Biográfico 7 2. Enquadramento Biográfico 2.1 Reflexão Autobiográfica “Ser profissional de Educação Física, é ser líder, companheiro, amigo, é estar apto a ouvir e a falar, a dar motivação quando não se tem... E ser líder, é ser um formador de opiniões. E ter ética, respeitar o companheiro de profissão que esteja em outra área, pois ninguém é melhor do que ninguém” (Soares, 2009). Falar de nós próprios não é função fácil, poucos o conseguem fazer de uma forma simplificada. Considerando assim, uma árdua tarefa, nesta presente secção procurarei evidenciar todos os meus sentimentos, emoções, pensamentos e motivações adjacentes a esta nova experiência que é o estágio profissional (EP). Assim, julgo ser importante interligar o passado com o presente e perspectivar o futuro, para me dar a conhecer, e desta forma, perceber as minhas prioridades e decisões. Desde muito cedo que percebi que o Desporto de certa forma iria fazer parte da minha vida, mas sempre tive muitas dúvidas em relação ao meu Futuro, pois ao longo da vida gostei de muita coisa. Sempre fui muito indecisa em relação ao meu caminho profissional. Já pensei seguir artes, biologia Marinha e até mesmo Jornalismo. Apesar de saber o quanto amo o Desporto, durante o secundário duvidei se teria feito a escolha correcta. Embora não fosse sonho dos meus pais entrar numa faculdade de Desporto, pois ambicionavam para mim um curso na área da saúde, não consegui resistir a este “bichinho” que é o desporto. Aquando da minha frequência do Ensino Primário, no Externato Ribadouro, participei em alguns eventos ligados ao Desporto, tais como a modalidade de Futebol, Andebol e Badminton. Contudo, a adolescência traz-nos bastantes indecisões, mas apesar de todas as ansiedades e receios gerados em torno do meu futuro, aos poucos fui traçando o meu caminho, sempre sem muita certeza, mas querendo sempre fazer aquilo que amo. A verdade é que encontrando algumas dificuldades na 15 3.Enquadramento da Prática Profissional 3.1 Enquadramento Legal e Institucional O Estágio Profissional (EP) é uma unidade curricular do segundo ano do segundo ciclo de estudos conducente ao grau de Mestre no Ensino de Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário, da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto. O funcionamento do Estágio viabiliza os princípios decorrentes das orientações legais do Decreto-lei nº 74/2006 de 24 de Março e o Decreto-lei nº 43/2007 de 22 de Fevereiro e tem em consideração o Regulamento Geral dos segundos Ciclos da Universidade do Porto, o Regulamento Geral dos Segundos ciclos da FADEUP e o Regulamento do Curso de Mestrado em Ensino de Educação Física. O EP é enquadrado pela Comissão Cientifica do Curso de Segundo Ciclo de Estudos conducente ao grau de Mestre em Ensino da Educação Física, presidida pelo Director do Curso. A organização da unidade curricular é da responsabilidade do professor regente, em estreita relação com a comissão Científica e a Comissão de Acompanhamento do Curso de Mestrado em Ensino. A orientação desta prática supervisionada é realizada por um docente da FADEUP, que exerce a função de orientador, nomeado pelo órgão competente, mas também, por um professor cooperante, escolhido peça comissão científica. O EP funciona durante os terceiro e quarto semestre do segundo ciclo de estudos. As actividades iniciam-se no dia 1 de Setembro e prolonga-se até ao final do ano lectivo das escolas básicas e secundárias onde se realiza o Estágio. 1 As competências profissionais desenvolvidas no EP, remetem ao perfil geral de Desempenho do Educador e do Professor (Decreto-lei nº240/2001 de 17 de Agosto) e estão organizadas pelas seguintes áreas de desempenho (Matos, 2010): 1 (1) Regulamento da unidade curricular do estágio profissional do ciclo de estudos conducente ao grau de mestre em ensino de educação Física nos ensinos básicos e secundário da FADEUP 16  Organização e Gestão do Ensino e da Aprendizagem – Esta área tem como objectivo a construção de estratégias, orientadas por objectivos pedagógicos que permitam conduzir com eficácia o processo de educação e formação dos alunos nas aulas. Este processo é orientado através do planeamento, realização e avaliação.  Participação na Escola – Nesta área estão englobadas as actividades extra-curriculares a realizar, que são organizadas e promovidas ao longo do ano lectivo. Este tem como objectivo um reforço no papel do professor que tem o objectivo de promover o sucesso educativo.  Relação com a comunidade – Área que engloba todas as actividades que fomentem toda a prática social com grande relevância educativa. Tem como principal objectivo compreender e conseguir integrar as componentes mais significativas da identidade da comunidade onde se insere a escola.  Desenvolvimento Profissional – esta é a área que engloba actividades importantes na construção da competência profissional. Visa o desenvolvimento e é aberto à inovação. Tem como objectivo o desenvolvimento profissional através da reflexão, experiência, investigação e outros recursos. 17 3.2 Estágio profissional – Conceito e Objectivos O EP apresenta-se como a última fase de conclusão do meu percurso académico, e como a primeira experiência no mundo do trabalho, ainda que, com todas as condicionantes de ser um professor que é um formando à procura do seu caminho. O Parecer número 21, de 2001, do Conselho Nacional de Educação, define o Estágio Curricular como um “tempo de aprendizagem que, através de um período de permanência, alguém se demora em algum lugar ou ofício para aprender a prática do mesmo e depois poder exercer uma profissão ou ofício. Assim, o estágio supõe uma relação pedagógica entre alguém que já é um profissional reconhecido em um ambiente institucional de trabalho e um aluno estagiário [...] é o momento de efetivar um processo de ensino/aprendizagem que, tornar-se-á concreto e autônomo quando da profissionalização deste estagiário.” (p. 23) Desta forma, entendo o EP como um tempo que dedicamos a um processo de ensino e aprendizagem, e que apesar da formação oferecida nas aulas que é fundamental, so isso não é suficiente para preparar os estagiários? para o exercicio da sua profissão. É necessária a inserção na realidado do diaa-dia escolar. Facto que é proporcionada pelo EP. Em consonância com esse pensamento, Pimenta (2001, p. 21) afirma que o “estágio e disciplinas compõem o currículo de um curso”. Contudo, o estágio é o espaço/tempo no currículo de formação destinado às actividades que devem ser realizadas pelos discentes nos futuros campos de actuação profissional, onde os alunos devem fazer a leitura da realidade, o que exige competências para “saber observar, descrever, registar, interpretar e problematizar e, consequentemente, propor alternativas de intervenção” (Pimenta, 2001, p. 76) e de superação. Neste sentido e citando Alarcão e Tavares (2003, p156) “A supervisão (pedagógica) não deve ser um mero campo de aplicação de saberes desenvolvidos noutros contextos. Mas assumindo-se como um campo de acção e de saber multifacetado, deve saber recorrer a saberes contributivos, após equacionar os problemas que lhe são específicos e, deste modo, criar conhecimento específico. 18 Este estágio foi vivido inicialmente com alguma apreensão e expectativa e como refere Caires (2003), o estágio trata-se de “(…) um período de intensa exploração e descoberta de si próprio, dos outros e dos contextos onde passará a movimentar-se” (p.137) É neste ano de experiências e dificuldades vivenciadas que a entrada do orientador emerge com uma dimensão central o que para alguns autores é um dos factores determinantes da qualidade desta nova experiência (Alarcão e Tavares, 2003) O EP serviu de palco para uma verdadeira revolução pessoal. Este encontro com a profissão de docente e a descoberta do ser professor fez varias mudanças e crescimentos na minha forma de estar, e na relação com os outros. (Caires, 2003) 19 3.3 O porquê da educação “A educação é aquilo que sobrevive depois que tudo o que aprendemos foi esquecido." (Burruhs Frederic Skinner) Como refere Kant (1996) o Homem só consegue ser homem através da educação. A diferença do Homem para as restantes formas de vida é a educação, assim podemos considerar que o homem nasce um ser “pequenino” que precisa de características que o façam integrar na sociedade, necessita de comunicar, fortalecer, andar e daí desenvolve os seus valores. Segundo Delors (1996), a educação organiza-se pelas quatro áreas de aprendizagem, que utilizei bastante neste estágio e que foram sem dúvida fundamentais os quatro pilares do conhecimento: aprender a conhecer, que combina a cultura geral com os instrumentos de compreensão, aprender a fazer, que nos ajuda a agir sobre o meio, aprender a viver juntos, cooperar com os outros, participando e desenvolver uma compreensão mutua, aprender a ser que integra as três anteriores e que desenvolve a personalidade, responsabilidade pessoal e autonomia. Segundo Cabanas (2002) se consultarmos um dicionário, a palavra “educação” significa “acção e efeito de educar”. A educação é vista como um efeito, e refere-se ao acto de educar, mas quando é vista como um efeito, refere-se ao resultado obtido pelo acto de educar. Assim inicialmente chamouse educação do acto de “fazer” (acção), e depois, como um “facto” (algo exercido). Assim entende-se a educação como a diferença entre duas concepções, o objectivo da pedagoga que estuda a ciência prática e o das ciências da educação que estuda o facto. Uma é prática e outra teórica. Quando se fala em educação, referimo-nos a um fenómeno que cria o indivíduo como pessoa para que possa construir a sua autonomia (Bento, 1995). Existe uma parceria entre o educando e o educador, esta deverá ser organizada, participada e consciente. Todos temos um objectivo em comum, a evolução. É preciso conhecer a turma, para que se saiba lidar com ela, pois as relações pedagógicas baseiem-se nas obrigações sociais e profissionais, o que não significa que os intervenientes não mostrem a sua personalidade. Temos 20 que saber “jogar” com o que temos. No meu caso sendo uma turma bastante irrequieta sem objectivos concretos, tive que arranjar a melhor forma para os alunos aprenderem e descobri que para isso tive que primordialmente mudar a minha atitude e posteriormente mudar a forma de leccionar. Deverá existir uma lógica no ensino, os discentes e os docentes são actores de um processo em comum onde o centro da relação é o aluno. 21 3.4 A minha Realidade 3.4.1 Escola Secundária Clara de Resende Para a realização do EP, elegi a Escola Secundária Clara de Resende como minha 2ª opção, tendo sido esta designada para realizar o meu estágio. O motivo que me levou a tal escolha foi a localização e informações relativas ao ambiente que se verifica nesta escola. O Agrupamento Vertical Clara de Resende encontra-se localizado na Rua de Primeiro de Janeiro, na cidade do Porto, freguesia de Ramalde junto ao estádio do Bessa. Este Agrupamento é constituído pela Escola S/2,3 de Clara de Resende (sede de agrupamento) e pela Escola Básica do 1º Ciclo nº 47 (actualmente designada por Escola Básica do 1º Ciclo João de Deus). A estrutura da escola tem umas instalações antigas, pelo que neste ano lectivo mais propriamente em Outubro as instalações entraram em obras. Relativamente ao espaço destinado à EF a escola apresentava boas condições. Um espaço exterior com dois campos de basquetebol, Pista de atletismo, campo de futebol e balneários, no espaço interior, possui um ginásio não muito grande mas com perfeitas condições para leccionar. Com a escola em obras as aulas do interior foram realizadas num contentor montado provisoriamente, e as do exterior foram realizadas na Escola secundária Fontes Pereira de Melo, onde as Instalações para os nossos alunos estavam por estrear. Essa Escola é mesmo ao lado do Agrupamento Vertical Clara de Resende, no entanto com o acompanhamento dos alunos o tempo de aula diminui, o que tivemos que rentabilizar ao máximo o maior tempo possível de aprendizagem. Como já foi referido anteriormente, a escola foi bastante acolhedora, sendo a este respeito de enaltecer o clima de proximidade que se verifica entre o pessoal Auxiliar da escola e os Professores, que se têm demonstrado muito afectuosos e baste acessíveis para me ajudar. Após me ter sido designada esta escola, foi me dada a oportunidade de conhecer a minha PC que se mostrou sempre disponível para me ajudar e me pôs bastante à vontade na colocação de qualquer dúvida relativa ao estágio, o que foi fundamental na minha adaptação e evolução. É de referir a força que 22 me deu nos primeiros dias que foi essencial em todo o meu processo. Em relação a OF, era alguém que não conhecia como professora mas que se tem demonstrado uma ajuda insubstituível, ainda com uma agenda super preenchida é uma pessoa bastante acessível, colaborante, exigente e que se preocupa com o nosso processo no EP, que espero tal como a PC que me possa orientar e corrigir sempre que tal se justifique. 3.4.2 Núcleo de Estágio O meu núcleo de estágio é constituído por dois colegas, que já conheço desde o meu primeiro ano de faculdade. Até ao momento revelou-se um grupo com um bom clima e um espírito de cooperação. O elemento masculino do grupo e meu colega, é o que melhor conheço, visto termos sido sempre do mesmo grupo de amigos e frequentarmos aulas juntos, em relação à colega conheço-a também já há algum tempo mas não tinha tanta proximidade como com o meu outro colega. A oportunidade de ter colegas onde posso expor pontos de vista, discutir determinados assuntos e confrontar com diversos pontos de vista foi um factor determinante no desenvolvimento da minha formação. Tal como referem Infante, Silva,& Alarcão (1996) e Caires (2003), a utilização de estratégias de cooperação e interacção na aprendizagem têm como vantagens o desenvolvimento do pensamento estratégico, da analise critica e da resolução de problemas. O facto de existirem reuniões de estagio promove a nossa cooperação onde podemos nos avaliar a nossa pratica de cada um de nos. Assim foram essas reuniões com clima de respeito e consideração que “deitamos as cartas na mesa” e desabafamos sobre os nossos erros e dificuldades sentidas. Penso que formamos um grupo de trabalho interessante e com vontade de ser cada vez melhor, fazendo assim com que cada um dê a sua opinião e consigamos dessa forma evoluir e aprender cada vez mais. 23 3.4.3 A turma C A turma que fiquei encarregue de leccionar foi ao 7º ano mais propriamente à turma C. É uma turma bastante heterogénea e com um nível sócio-económico bastante baixo. São alunos que de uma forma geral não gostam da escola (alunos bastante indisciplinados), mas que felizmente aderiram muito bem às aulas de EF. O seu escalão etário varia entre os onze os catorze anos sendo na sua maioria constituída por alunos de doze anos. É uma turma de vinte e oito alunos constituída por dezasseis rapazes e doze raparigas e dois deles tinham Necessidades Educativas Especiais (NEE) onde vinte e sete alunos frequentam assiduamente as aulas, e a aluna que poucas vezes frequenta é do sexo feminino e com NEE. É necessário estar com atenção ao aluno com NEE pois revelou alguns comportamentos agressivos o que coloca em causa a leccionação das aulas. Uma mais valia é que a disciplina preferida dos alunos é a EF deixandome mais á vontade na elaboração das aulas. Relativamente aos hábitos de vida, apenas 3 alunos praticam desporto de competição e nenhum aluno apresentava graves problemas de saúde que influenciassem a pratica de EF. As informações importantes sobre os meus alunos influenciaram toda a condução do processo de ensino-aprendizagem ao longo do ano. Trata-se de um grupo que consegui criar uma grande empatia que se revelou bastante motivado e com uma melhoria enorme no comportamento (um sucesso para mim) e também na aprendizagem dos conteúdos leccionados. Pode-se dizer que tenho um enorme orgulho em saber que evoluíram e cresceram através da minha intervenção pedagógica. É uma turma que já deixa bastantes saudades! 31 4Realização da Prática Profissional Este ponto foi construído através das minhas reflexões daí ser o que tem um carácter mais pessoal e que vai dar uma identidade ao relatório mas que não é fácil transcrever tudo que aconteceu para uma simples folha de papel. Assim tendo em conta as quatro áreas, irei fazer uma pequena viagem ao meu percurso como PE, tendo sempre em conta todos os meus problemas, dificuldades e estratégias que adoptei ao longo do ano. Mesmo sendo complicado tentar exprimir tudo aqui neste documento, vou tentar exprimir todos os meus sentimentos que me fizeram mudar e crescer enquanto pessoa. Só vivendo o que eu vivi e observar todos os segundos do meu estagio é que se nota a minha evolução enquanto professora! 4.1 Área 1: Organização e gestão do ensino e da aprendizagem Nesta área identificamos quatro fases de desenvolvimento, são elas a concepção, planeamento, realização e a avaliação do ensino, constituindo-se deste modo como a área de desempenho na qual se pode encontrar o inicio da minha actividade enquanto estagiária. Segundo as normas orientadoras do EP, pretende a construção de estratégias de intervenção eficazes, e que tem em conta os propósitos e fundamentos pedagógicos da disciplina de EF, de modo a contribuir para a formação integral do aluno (Matos, 2010). Assim considero que será nesta área que reside a minha essência e que deverei ser crítica, reflexiva e exigente nas minhas prestações. É na concretização destas tarefas que temos o necessário para a competência docente. Neste sentido, desenvolvi um conjunto de estratégias respeitando a singularidade de cada aluno conduzindo todo o processo de ensino-aprendizagem com eficácia. “Sábio é o ser humano que tem coragem de ir diante o espelho da sua alma para reconhecer seus erros e fracassos e utilizá-los para plantar as mais belas sementes no terreno de sua inteligência” (Cury, [s.d]) 32 4.1.1 Concepção A concepção partiu de uma análise ao contexto cultural e social da escola, bem como do meio onde a mesma se insere realizada no inicio do ano lectivo, com o intuito de recolher o maior número de informações, para desta forma delinearmos a actividade de ensino. Dada a sua complexidade, requereu uma análise dos planos curriculares e dos programas de EF sob vários pontos de vista da articulação das suas componentes (finalidades, objectivos, conteúdos e orientações metodológicas). Deste modo, os conteúdos programáticos do ano de escolaridade que vou leccionar 7ºano foram alvo de uma reflexão. A ideia que tenho da organização e funcionamento das escolas provêm das minhas memórias, vivências, e experiências como aluna, do que aprendi, dos meus conhecimentos e das experiências que vivenciei durante a minha formação. A verdade é que muita coisa mudou, e deparei-me com sucessivas transformações, quando chegamos à escola e damos de caras com a verdadeira realidade. O nosso EP abriu-me os olhos para a nova realidade da escola. Esta nova realidade contrasta com tudo que foi a minha formação, onde se verificam muitas situações e problemas que podem ou não prejudicar a qualidade do ensino-aprendizagem. Ao longo do EP deparei-me com alguns desses problemas que posso aqui enumerar:  O facto de a turma ter um elevado número de alunos – que sendo bastante novos causou bastantes problemas de disciplina;  A grande heterogeneidade da turma a nível motor. O que para mim dificultou bastante porque existiam alunos com diferentes capacidades motoras o que coloca em causa muitas vezes a qualidade do processo/aprendizagem (dois alunos com necessidades educativas especias – NEE) 33  Para mim, um dos mais graves, o espaço reduzido devido as obras. Tínhamos um contentor e um espaço exterior emprestado pela escola Secundária fontes pereira de Melo. O facto de ter uma turma com 28 alunos (bastante activos), as aulas no contentor eram bastante difíceis para o seu controlo e na própria realização da aula. Esta foi uma experiência que não estava nada a espera mas que me deixou bastante elucidativa e permitiu ter a noção da realidade que posso encontrar.  Em consonância com o ponto anterior outro dos problemas que me encontrei foi no controlo da turma – indisciplina.  O excesso de modalidades presentes nos programas da disciplina de EF. O facto de ter muitas modalidades fez com que o tempo disponibilizado para cada modalidade tenha sido demasiado curto para algumas modalidades e demasiado longas para outras (no caso de possuirmos o contentor e a modalidade de ginástica ter sido a mais abordada em todo o ano lectivo). Assim acredito que os alunos conseguiram aprender muito bem a modalidade de ginástica mas em relação às outras modalidades penso que tenha sido um tempo demasiado curto para uma boa aprendizagem dos conteúdos previstos nos programas. É desta forma que considero que os programas de EF não estão adaptados ao número de alunos que cada turma tem. Se essas pessoas tivessem conhecimento da realidade, verificavam que é impossível os alunos consolidarem a matéria de ensino toda num espaço reduzido. É desta forma que um professor de EF está sempre a evoluir e em constante adaptação.  Escassez de material, devido as obras algum do material perdeu-se e outro foi guardado num sótão que não tínhamos acesso. Por exemplo: Leccionar aulas de voleibol com 6 bolas. São exemplos destes problemas estes momentos reflexivos que vou apresentar de seguida: “A aula em questão foi sem dúvida toda ela um improviso. Isto porque a minha aula que seria no ginásio (contentor adaptado) não estava pronto a tempo e não foi possível dar aula. Não esperava isso porque nos tinham dito que estaria pronto” (Reflexão nº 21e22) 34 As obras que se encontravam deixavam os professores de EF muito stressados e sempre com a incerteza do dia de amanha. A verdade é que na altura sentia-me bastante frustrada e cada vez mais nervosa porque o nosso primeiro período (principalmente o meu) foi bastante “sui generis”, com bastantes aulas teóricas, e eu sempre em êxtase em saber como seria a minha primeira aula prática. E aí que chegou o dia da primeira aula, no espaço exterior da Escola Secundaria Fontes Pereira de Melo e mais um problema encontrei pela frente o tempo disponível para cada aula. Passo a citar: “A aula de 90min, sendo na Escola Secundária Fontes Pereira de Melo, e com as deslocações passa a ter um tempo útil de 60min, assim o plano que tinha idealizado teve que ser adaptado para os 60min.” (Reflexão nº19e20) “Em relação à gestão do tempo, devido a existir só um balneário, os alunos tiveram que se equipar à vez. Sendo assim a aula começou mais tarde, não por culpa dos alunos, mas devido aos contratempos que têm ocorrido na escola.” (Reflexão nº24e25) Inicialmente o nosso plano estava idealizado para 90min e como era o desencadeio das nossas aulas práticas não sabíamos o tempo de deslocação, os balneários que tínhamos disponíveis para os nossos alunos e o material necessário para leccionar as aulas. Em relação às aulas realizadas no contentor, adaptado pela escola levou a que dois problemas que estão interligados se tenham avistado mais facilmente, o nº de alunos elevado e o espaço bastante reduzido para a leccionação das aulas. Refiro-me assim numa das aulas: “A aula de hoje foi leccionada no contentor da escola. Esta nova experiência tanto para os alunos como para mim foi um pouco confusa, tratando-se de um espaço relativamente pequeno para 28 alunos, e o facto de ter ainda alguns caixotes por arrumar o espaço conseguiu ficar ainda mais limitado.” (Reflexão nº24e25) Estes foram os problemas que encontrei inicialmente e que mas que mais tarde deixou de se chamar problema e passou a ser um desafio. 35 Tenho consciência que a competência só se alcança com a prática e muitas vezes pensamos que o trabalho do professor é fácil e na verdade podem se tornar bastante complexos e difíceis. 4.1.2 Planificação Apesar da formação que tive, sobre as tarefas de planificação tive algumas dificuldades a este nível, uma vez que, para realizarmos uma planificação eficaz é necessário ter em conta muitos factores. Assim irei fazer uma reflexão sobre os seguintes assuntos: planeamento anual, MEC´S, unidades didácticas, planeamento das aulas e o seu respectivo ajustamento. Neste sentido optei pelo Modelo de Estrutura do Conhecimento, proposto por Vickers (1990). O planeamento anual refere-se ao planeamento de todas as actividades e tarefas que se realizaram durante o ano. Os MEC´S (Modelo de estrutura do conhecimento) são os documentos que estabelece uma ponte entre a planificação anual, as unidades didácticas e a planificação das aulas. O MEC procura também sintetizar todos os conhecimentos relacionados com o ensino, com os contextos culturais, sociais da escola e dos alunos. A unidade didáctica é onde é definida a extensão e sequência dos conteúdos, bem como os objectivos para a modalidade. As decisões que o grupo de Educação Física da Escola determinou para abordar no presente ano lectivo e com a condicionante das obras, no 7º ano foram os seguintes; Ginástica desportiva de solo e aparelhos, Basquetebol, Voleibol, Futebol e atletismo (velocidade, estafetas, lançamento do peso e salto em comprimento). O Badminton também estava previsto mas com as condições que possuíamos não foi possível abordar a modalidade. Esta última condição foi um guia para a construção dos planos de aula, onde propomos estratégias para atingir os objectivos. Estes documentos fizeram parte das principais tarefas de planeamento durante o meu estágio profissional. 36 A verdade é que, inicialmente, não foi fácil realizar estes documentos, o plano de aula não era desconhecido e de todos os documentos foi o que senti menos dificuldade em planear. Nos anos anteriores nas disciplinas de didácticas já tínhamos realizado este tipo de tarefas em grupo e que conseguiram tornar o meu desempenho menos dificultado. No entanto o facto de ter planeado sozinha foi diferente, pelo número de alunos que agora possuíamos e que na altura era repartido por grupos. Além desta dificuldade inicial é necessário adaptar as aulas e planos ao “gosto” de cada professor. Tal como já tinha vivido nos anos anteriores cada professor é um professor e cada um quer o plano de aula à sua maneira. O facto é que também eu um dia irei querer adaptar as aulas à minha maneira pois é a forma que me oriento melhor. Tal como refere bento (1987), sabemos que a uma boa prática está a sua planificação. Naturalmente como se trata de um ano de estágio a minha inexperiência apresentou-se desde logo e assim penso ser importante destacar algumas dificuldades que senti enumerando-as já de seguida: 1. Dificuldades na organização das aulas e na selecção das tarefas mais apropriadas de modo a conseguir rentabilizar o tempo de aprendizagem dos alunos; 2. Conseguir determinar a sequência dos conteúdos para serem adequados aos nível dos alunos; 3. Rentabilizar ao máximo o tempo que tinha para a aula e adequar a aprendizagem nos vários domínios de aprendizagem, para desenvolver a noção de competência do aluno. 4. Orientação no espaço da aula, o facto de estarmos num espaço tão reduzido por vezes tornava-se difícil a sua organização. 5. Planificar tendo em conta as dificuldades dos alunos; 6. Definir a extensão de cada conteúdo na construção das unidades didácticas. A verdade é que muitos destes aspectos se não tivessem sido verificadas pela professora cooperante, passavam por mim muito despercebidos. De facto, isto só melhorou a minha capacidade de atenção e consciência dos meus erros ao longo do tempo. 37 Após ter destacado algumas dificuldades penso que poderei falar mais aprofundadamente de algo que considero importante e que também se encontra inserido nos elementos já referidos acima e que são inquestionáveis no processo de ensino. Sabemos que um planeamento adequado leva a uma melhor leccionação das aulas mas uma não será menos importante referir como também potenciadoras de uma melhor aprendizagem, a capacidade de comunicação, instrução e demonstração. Relativamente à instrução penso que no inicio todos apresentamos lacunas e bastante nervosismo na sua transmissão. Tal como refere Silverman (1994) a instrução é considerada um aspecto fundamental na estruturação e modificação nas tarefas de aprendizagem, que tem o intuito de proporcionar a própria aprendizagem. A instrução é algo que com o passar do tempo vamos aprimorando e é uma capacidade que depende do seu planeamento, conhecimento da matéria e da sua capacidade de comunicação. Quando se fala em instrução devemos perceber em que momentos é que ela vai ocorrer e entender qual o momento que tenho mais dificuldade. Existem três momentos de instrução: antes da prática, durante e após a pratica (Mesquita e Rosado, 2009). Durante a minha prática senti mais dificuldade na instrução inicial. Como se refere à apresentação das tarefas, explicação e também demonstração dos exercícios, provocou em mim um certo receio. As três fases de instrução são importantes mas a verdade é que o impacto inicial, a explicação e a demonstração são factores que influenciam a prática e uma boa aula. A comunicação também não é tarefa fácil. A verdade é que sem ela o processo de ensino não ocorre, e inicialmente deparei-me com bastante dificuldade nesta área. Como já referido anteriormente, a minha turma era bastante difícil, muito conversadora e bastante irrequietos, o que para nesse momento senti, se o posso dizer o verdadeiro “medo”. Esta capacidade não é nem foi uma tarefa fácil. É inquestionável no processo de ensino e é dela que depende o próprio ensino-aprendizagem (Rosado & Mesquita, 2009). É neste pressuposto que reside o processo para o entendimento da matéria. Não vale a pena sabermos o conteúdo todo de uma matéria se na prática não o conseguimos transmitir com êxito. Como refere Rosado e Mesquita, 2009, p. 71 “ os processos de comunicação são naturalmente, objecto de um amplo conjunto de barreiras que 38 devem ser conhecidas e combatidas. Entre essas barreiras contam-se, por exemplo, a percepção selectiva (vemos e escutamos selectivamente com base nas nossas necessidades, motivos, etc.), a sobrecarga de informação (os alunos têm uma capacidade limitada de processar informações), a linguagem (as palavras têm significados diferentes para diferentes pessoas) e o receio de comunicar( ansiedade dos alunos ou dos atletas, por exemplo).” Passo aqui a citar uma reflexão que mostra uma das dificuldades sentidas por mim: “…Procurei corrigi-los, mas continuo a achar “ingrata” esta tarefa, na medida em que acho que não consigo ver todos ao mesmo tempo e enquanto corrijo uns, outros estão a errar! Mas enfim, procurei dar o meu melhor e penso que na maioria eles foram assimilando os aspectos essências. “ (reflexão nº85) Este sentimento de pensar que nem tudo que fazemos corre bem, foi acontecendo em diversas aulas. É difícil perceber quando é que o aluno está verdadeiramente atento. O facto de o aluno ser estimulado por vários estímulos. A quantidade de informação contida nos estímulos é geralmente superior ao que o praticante pode tratar. Assim leva o aluno a seleccionar apenas a informação mais relevante. Será esse que vai permitir aos alunos concentrar a atenção nos estímulos mais importantes para a resposta motora adequada que se designa por atenção selectiva (Rosado & Mesquita, 2009). No decorrer das aulas notei que alguma da instrução que fui transmitindo não foi percebido pelos alunos e consequentemente não foi desempenhado de acordo com os objectivos propostos. O que fazia que muitas das vezes demorasse algum tempo na explicação da tarefa e explicasse pela segunda e terceira vez. Com vinte e oito alunos, indisciplinados e cheios de energia é bastante difícil captar a sua atenção. Passo a citar: “É sem dúvida a indisciplina e o barulho que tenho trabalhar e pensar numa melhor estratégia para a resolução desse problema. Penso que parar o exercício e voltar a explicar os aspectos técnicos é uma boa solução mas não basta. Assim será necessário dar constantes feedbacks aos alunos para que não tenham oportunidade sequer de se dispersarem e de falarem.” (reflexão 52) 39 Assim era bastante importante centrar a minha instrução em informação clara e concisa. O nosso objectivo principal são os alunos e o que tive mais em atenção após denotar bastante dificuldade na comunicação foi na insistência de todos os aspectos fundamentais, recorrendo sempre às demonstrações e perguntas sobre a própria tarefa. Segundo Rink (1993) e Siendentop (1991), a clareza na comunicação e na apresentação ajuda a captar a atenção dos alunos. Assim a forma como o professor transmite a informação deve ser orientada pelas seguintes linhas:  Organizar a informação de uma forma sequencial;  Orientar o aluno para o objectivo da tarefa;  Mostrar exemplos correctos e errados;  Repetição de assuntos de difícil compreensão;  Personalização da apresentação;  Referências a experiencias pessoais dos alunos;  Questionar o aluno;  Ser dinâmico a apresentar a tarefa. Os professores eficazes além de ser eficazes e claros na apresentação das tarefas, recorrem ao uso de, demonstrações, emissão de palavras-chave e questionamento que serão sempre adaptadas ao aluno e ao contexto. (Werner e Rink, 1987) Neste seguimento, as demonstrações, o questionamento, e o uso das palavras-chave foram estratégias adoptadas por mim. Consegui ver a evolução e compreensão dos meus alunos após o uso destas. A demonstração assume neste caso como um papel fundamental na medida em que visualiza o aluno do movimento a realizar. Kwak (2005) verificou que alunos que fruíram de explicações verbais seguidas de demonstrações e palavras-chave foram mais eficazes na execução da tarefa, apresentou características técnicas de execução e uma maior recordação da informação recebida. 46 olhar para mim não respondia. Este caso despertou em mim alguma atenção e curiosidade. Numa das aulas o aluno sem motivo aparente agrediu um colega e foi alvo de grande agitação na aula. A verdade é que me envolvi e até pensei que o aluno se virasse a mim, mas tal não aconteceu, a professora cooperante acompanhou-o ao gabinete disciplinar e no final da aula o aluno procurou-me e veio pedir desculpa. Todos ficaram surpreendidos e eu também. Fiquei muito contente pois as conversas que inicialmente pensava que não tinham tido sucesso afinal tiveram. O facto de não ter desistido deste aluno verificou-se num enorme sucesso. Dai em diante o aluno no final de cada aula, vinha-se despedir com um abraço. Para finalizar e referindo Vickers (1990) o tempo é um dos pontos preciosos que os professores têm porque o tempo é necessário para a aprendizagem. Se um professor quer que os alunos aprendam, então encontrar tempo suficiente para isso torna-se um objectivo principal. O tempo dedicado a gerir os alunos e a responder a comportamentos disruptivos, não pode ser utilizado para a aprendizagem. Por isso, as estratégias que reduzem o tempo de gestão e de comportamentos disruptivos produzem tempo que pode ser utilizado na aprendizagem. Um sistema de tarefas de gestão eficaz começa com o desenvolvimento de rotinas e o estabelecimento de regras da aula para um comportamento adequado. Uma rotina é um procedimento para o desempenho de comportamentos específicos dentro da aula, comportamentos que tendem a ocorrer sistematicamente e, a não ser que sejam estruturados, podem potencialmente romper ou atrasar o andamento da aula. As regras identificam expectativas gerais de comportamento que cobrem uma variedade de situações. As regras podem ser desenvolvidas ao se definir comportamentos aceitáveis (“estejam quietos e tomem atenção quando o professor está a falar”) ou definindo comportamentos não aceitáveis (“não falem quando o professor está a falar”). As regras tendem a implicar tanto os comportamentos aceitáveis como os não aceitáveis, não interessando de que forma estão escritas. Durante este ano, surpreendentemente, a modalidade que senti mais dificuldade em leccionar foi o Futebol. A verdade é que sempre me senti muita a vontade com esta modalidade mas quando tive que organizar e planear as aulas de futebol senti bastante dificuldade. 47 Após a primeira aula de futebol senti os alunos descontrolados e com uma vontade enorme de “brincarem” com a bola. A verdade é que compreendo este estado de excitação que os alunos se encontravam. O facto de os alunos não terem um espaço para brincarem nos intervalos e para correr e gastar as energias era natural que quando chegassem a uma aula de EF e vissem uma bola de futebol (modalidade de eleição no recreio) não se conseguissem controlar nem estarem atentos ao Professor. Com o tempo a turma foi respeitando o professor e percebendo que teriam que estar atentos para retirarem conhecimento da modalidade. Após o controlo da turma, a gestão da aula controlada, conseguimos um processo de ensino/aprendizagem sempre que haja uma boa comunicação entre professores e alunos. O momento de instrução torna-se então fundamental nesse processo. É a partir deste que o professor vai transmitir os seus conhecimentos. A instrução tal como já referido não é só realizada verbalmente mas sim a demonstração de exercícios também é importante e fundamental. As vezes o exercício que queremos passar por palavras é interpretada de forma errada e daí a sua importância. Criar a imagem ao aluno principalmente no 7ºano é bastante importante pois não os da azo a outras interpretações. Inicialmente uma das dificuldades que sentia talvez pela ansiedade que sentia levou a que não fosse uma boa transmissora de informação. Sentia-me insegura e a voz saia tremula e sem boa projecção. No entanto ao longo das aulas, consegui ultrapassar esta dificuldade, ficando com uma voz mais firme e bem projectada e bastante precisa nas minhas intervenções. Em relação a orientação dos alunos não senti muitas dificuldade. É necessario que todos os professores sejam activos na sala de aula e estarem sempre presentes na aprendizagem dos alunos, corrigi-los sempre que necessario, e orienta-los para o correcto e para chegarem ao sucesso definidos nos objectivos referentes às diferentes habilidades. Não podemos so explicar os exercicios aos alunos e passar o resto da aula sem dar algum feedback. Relativamente aos feedbacks senti dificuldades principalmente na modalidade de ginástica. Os alunos cometiam muitos erros e uma das dificuldades que senti foi em observar e compreender qual o erro primário. Com o passar do primeiro periodo consegui melhorar a dificuldade que sentia e sinto 48 agora que utilizo melhor o feedback informando sobre o que devem fazer para corrigir os erros. 4.1.4 Avaliação A avaliação é o produto de todo o processo de aprendizagem que permite recolher e interpretar várias informações para posteriormente tomar decisões, desta forma existem três tipos de informação que estão na origem dessas decisões, a avaliação diagnostica, avaliação formativa e avaliação formal. (Carvalho, 1994) Penso que esta será uma das tarefas mais dificeis do professor na sua pratica profissional. Segundo Carrasco (1989) a avaliação representa a emissão de um valor que se obtem a partir de uma medição, ao compará-la com uma norma estabelicida. O autor refere também que, quando aplicada no ensino, esta deve ser sistemática, continua e integral. Como ja foi referido existem vários momentos de avaliação: a diagnostica, formativa e sumativa, que no conjunto formam a avaliação continua, que podem ser realizadas formalmente e outras informalmente. As diferentes formas de avaliar: A avaliação diagnóstica ou inicial, realizada no inicio do ano serve pa nos orientarmos e sabermos em que nível se encontram os nossos alunos, defenindo assim os objectivos que iremos perseguir direccionando assim o nosso percurso (Carvalho, 1994). Assim esta avaliação foi efectuada no inicio do ano lectivo no inicio de cada unidade didáctica no sentido de avaliar as competencia dos alunos para a modalidade. Esta foi a primeira que realizei e confesso não ter sido muito facil. O facto de ter uma tabela com o nome dos alunos e os critérios de avaliação, poderia ter facilitado o processo, mas a verdade é que estar a avaliar os alunos, realizar e controlar a aula torna-se complicado e ao mesmo tempo dificil. Tal dificuldade foi ultrapassada com o passar do tempo, pois fui-me apercebendo que é tudo uma questão de prática e 49 que no decorrer do tempo conseguia realizar este momento de avaliação com a naturalidade necessaria. Relativamente à avaliação formativa esta permite-nos ajuizar de que forma os alunos estao a aprender e se evoluiram (Caravalho, 1994). Esta funcionou com uma acção de controlo ao longo de todas as aulas e foi avaliada de forma informal, avaliando o processo de cada aluno. É desta forma que consegui verificar a evolução dos alunos e se não houver essa evolução processar tudo que se está a passar e sempre que se justificar utilizar novas estrategias. É através da realização das reflexões que fazemos após cada aula que verificamos o ponto de situação de cada aluno e fazemos o nosso registo. No final de cada unidade didactica, efectou-se assim uma avaliação sumativa esta com o objectivo de definirmos uma classificação em função do grau de consecução dos objectivos (Carvalho, 1994). Assim, nas mesmas condições da avaliação diagnostico, para que houvesse uma coerencia entre estes dois momentos. Nesta caso em determinados momentos utilizei exercicios que evidenciassem os conteúdos que pretendia avaliar, exercicios estes que já tinham sido realizados nas aulas. No meu caso, sempre senti que estes momentos de avaliação são de grande importância tanto para o professor como para os meus alunos. Após a primeira avaliação (avaliação diagnostica) senti que poderia vir a ter problemas de avaliar todos os alunos de igual forma, num curto espaço de tempo e com uma turma com um elevado numero de alunos. Assim senti necessidade em reflectir e pensar em estratégias para reduzir as minhas dificuldades. No meu caso a melhor estrategia que arranjei foi uma boa organização e planificação da aula. A turma teria que estar muito bem organizada e o que estipulei foi em algumas modalidades devido ao pouco espaço que tivemos, metade da turma sentada enquanto a outra metada estaria a ser avaliada. Numa turma como esta será este a melhor forma uma vez que se estivessem em pé e à espera de realizar o exercicio os alunos não estariam sossegados e provocavam confusão e distração no resto dos colegas. Concluindo este ponto, defino este meu ano de estágio com um ano em que estou em constante evolução. Sinto que hoje sou alguém mais completo e uma melhor Professora. Aprendi muito com os meus alunos, com os meus 50 colegas de estágio com o grupo de estágio e também com a minha PC e OE. Sinto que a minha passagem marcou os meus alunos e aqueles que comigo conviveram. 4.1.5 Planos Individuais de trabalho O plano individual de trabalho (PIT) introduzido na legislação do novo estatuto do aluno trouxe no nosso caso algumas discordâncias entre professores. Na minha turma não foram muitos os casos, mas na turma dos meus colegas de estágio tal se verificou mais assiduamente. “ Para os alunos que frequentam o 2º e 3º ciclos do ensino básico e o ensino secundário, a violação do limite de faltas injustificadas previsto no nº2 do artigo anterior obriga ao comprimento de um plano individual de trabalho, que incidirá sobre a disciplina ou disciplinas em que ultrapassou o referido limite de faltas e que permita recuperar o atraso das aprendizagens.” (lei nº 39/2010 de 2 de Setembro, art. 22º, alinea 2)” 2 O PIT tem o objectivo de deixar o aluno continuar a frequentar as aulas sem estar reprovado, caso sim se o aluno se propuser a cumprir o trabalho. Um aluno que excede limites de faltas injustificadas terá sempre uma nova oportunidade para recuperar a materia. Na minha turma apenas tive um caso que teve que cumprir o PIT, a realização de um trabalho teorico sobre as modalidades que fomos abordando ao longo do ano lectivo. Após conversas informais com a minha PC cheguei à conclusão o porquê deste dilema. Este plano viza ser uma estrategia para o insucesso escolar, e um abandono escolar. É considerado como uma única e ultima possibilidade de reverter uma situação de desvantagem. O PIT é mais uma forma de ajudar os alunos que não estão interessados em ser ajudados e obrigar o professor a abdicar do tempo que poderia dedicar a alunos que estão interessados e presentes para corrigir os trabalhos referentes aos PIT´S, 51 Será isso uma boa opção para os alunos em EF? Sendo uma disciplina essencialmente prática, sera que faz sentido a realização de um trabalho teorico? Qual seria a sua vantagem? A verdade é que na minha turma apenas realizei doi PITs mas nas restantes turmas foram realizados maior número de PITs. Em nenhum deles senti que os alunos tivessem feito uma mudança de atitude. Muitos deles nem realizaram o trabalho. Na minha opinião penso que o PIT serviu apenas para que as estatisticas de um abandono escolar não contiue a descer como se tem vindo a verificar. 52 4.2 Área 2 e 3 : Participação na Escola e na Comunidade Estas serão as áreas que irei desenvolver reflectindo sobre a minha participação na escola individualmente e em grupo de estágio. Foi uma área que inicialmente criou-me algumas preocupações pois não tinha ideia como funcionaria a escola, a nível do desporto escolar, organização das actividades extra-curriculares e o papel do director de turma. A minha participação na escola, foi centrada pricipalmente na turma do 7ºano, sem ignorar todas as outras actividades que envolvem o Projecto da Escola. É importante referir que estive presente num ano bastante sui generis uma vez que a escola estando sujeita a obras, não conseguiu realizar nenhuma actividade extracurricular. Para isso foi com um enorme esforço que o grupo de EF em parceria com a escola vizinha Fontes Pereira de Melo conseguiu realizar algumas actividades extracurriculares. Apesar de não haver grande cultura do desporto escolar na nossa escola, penso que após as novas instalações o grupo de EF, irá ter vontade de alterar essa situação. A primeira actividade que foi realizada foi o Corta mato no dia 6 de Dezembro nas instalações do INATEL das 9h as 12h com a presença de aproximadamente 120 alunos.Esta actividade inserida no Plano Anual de Actividades teve o objectivo de incentivar o convívio, a competição entre os vários escalões etários e principalmente a relação com a comunidade. Foi um verdadeiro sucesso cativando não só os alunos, como grande parte dos professores num clima de agradável convivio. Para a realização desta actividade, contamos com a colaboração do Grupo de Estágio da Escola Secundária Clara de Resende a par da Professora Cooperante. Este evento contou também com a presença e ajuda da Rosa Mota o que foi bastante importante para os alunos . A segunda actividade passou pela realização do Magusto na escola concretizado tal como foi referido anteriormente na nossa “segunda casa” a Escola Secundária Fontes Pereira de Melo. No dia 11 de Novembro, o NE 53 (núcleo de Estágio) da Escola Secundária Clara de Resende ao convite da escola vizinha, juntou-se ao núcleo de estágio da Escola Secundária Fontes Pereira de Melo na organização de uma sessão de jogos tradicionais, para os alunos dos 5º e 6º anos. Foram convidadas duas turmas da nossa escola do 5ºano, onde cada uma formou duas equipas para participarem nas actividades. Esta foi uma manhã que contribui mais uma vez para a nossa formação onde mostramos a nossa capacidade de organizar um evento. Estas parcerias com as escolas são bastante importantes pelo que fomentam o espírito de cooperação e competição. Outra actividade que participamos vivamente foi o Tag Rugby, uma modalidade nova tanto para os Professores como para os alunos. Eu e o meu colega de estágio fomos a um primeiro workshop de Tag Rugby que teria como principal objectivo mostrar aos professores convidados de todas as escola o que era o tag rugby e como era interessante a sua inclusão. Após o workshop eu e o meu colega comunicamos na escola que seria interessante a adesão na nossa escola no projecto e o NE (Núcleo de Estágio) da nossa Escola abraçou o "compromisso com as novas gerações" do Porto de Futuro. Este Projecto desenvolvido pelo Vereador do Pelouro da Educação da Câmara do Porto, Desporto Escolar, Federação de Rugby e Instituições Privadas (Unicer e Cerealis) teve como objectivo fazer a ponte com "um dos novos desportos emergentes em Portugal" e a activade física para a saúde. . Foi feito uma acção de formação para todos os professores interessados na escola com um treinador do CDUP. Esta acção foi muito interessante pelo facto de ser uma modalidade em expansão e nova no nosso país e também por não ter conhecimento aprofundado e formação nesta modalidade. Espero na minha futura carreira pôr em pratica esta modalidade tão interessante e assim promover um conjunto de conhecimentos mais abrangentes aos meus alunos. Este foi uma das actividades que me deu maior prazer e orgulho. Sinto que um verdadeiro professor é aquele que tem necessidade de participar noutras actividades e que acompanha sem cansaço os seus alunos. Eu sempre estive envolvida coisas paralelas ao estágio, e sempre fiz de tudo para estar presente em tudo na escola onde os meus meninos participavam. O tag rugby tinha um treino por semana realizado todas as quintas e ao longo do campeonato realizaram-se três encontros e uma ida à lisboa para assistir a um 54 jogo de Rugby com a selecção nacional que acabou por ganhar. Foi um ambiente muito bom onde se via a felicidade estampada na cara dos alunos. É muito bom poder proporcionar momentos muito agradaveis e diferentes aos nossos alunos. Assim, representado pelo primeiro ano a Escola Clara de Resende, a equipa de Infantis elaborada e orientada de raiz por mim e pelo meu colega de estágio com a cooperação da Professora Ana Maria, atingiu os patamares máximos da competição sagrando-se campeã! Sinto que a maior parte dos professores efectivos, são bastante passivos nos seu trabalho. Ou seja, limitam-se a dar as suas aulas e cumprir os cargos que à escola dizem respeito. É necessario inovar, ser activo, propor coisas novas e envolver sempre os seus alunos. É isto que vai favorecer o clima de aprendizagem e ds alunos. Posso usar o meu exemplo como um favorecimento do clima de aprendizagem. Após ser treinadora da equipa de Tag Rugby os alunos viram-me como não so professora mas também treinadora. Viram-me fora do espaço de aula, na organização de eventos. E isto quer queiram ou não, muda o olhar do aluno. Olham para o professor com mais respeito e também com mais orgulho! Relativamente a participação como Director de turma (DT), acompanhei ao longos dos periodos a minha professora cooperante, em reunioes com os encarregados de educação, reunioes com a DT da minha turma e assim foram debatidos variados casos particulares sobre as tarefas e o seu papel. A funçaõ do DT intervem não so nos alunos mas também com os restantes professores e encarregados de educação. É de referir que a actuação do DT prevalece nos alunos e encarregados de educação pois trata-se de uma dimensão crucial que não pode ser dissociada das restantes (Roldão, 2007). O papel do DT na minha turma não foi propriamente facil dadas as caracteristicas dela. A maior parte dos alunos estava constantemente a portar-se mal e a ter participações disciplinares. O desinteresse, a falta de postura, comportamentos desadequados na sala de aula era bastante frequente. Consequentemente resultaram classificações muito baixas e algumas reprovações. 55 Relativamente ao papel em si desta DT penso que não foi o suficiente. É necessario ter ser bastante dedicado e intenso. E neste caso penso que faltou garra e disposição para uma turma problematica como esta. Ao DT é exigido uma vasta panóplia de competências que permitam cumprir os cargos de forma eficiente, entre eles destaco:  Competencias de gestão;  Comunicação;  Relacionamento interpessoal;  Sensibiliadade;  Garra;  Entre outros.. Na nossa formação inicial, não nos foram fornecidas tais bases para isso, mas enste momento sinto-me preparada, ou pelo menos inteirada nas suas tarefas e funções. A verdade é que a prática pode resolver toda a segurança inicial que poderia ter. Esta participação nestas áreas foram dos momentos mais marcantes do meu percurso, pois considero que foi onde mais aprendi e cresci como profissional. Senti que ser professor está em constande evolução, o que era antes já não o é agora. É necessario acompanharmos a evolução. A ideia que fico desta minha participação na escola é que não basta sermos “bons livros”, não basta escrevermos muitos artigos, e sabermos muito a matéria se depois na prática não prevalece o “bom professor”? tal como já referi é preciso amar a profissão para os nossos alunos quererem aprender. Senti que os meus alunos evoluiram e que o facto de ter conseguido isso com todos os contratempos (turma indisciplinada, espaço reduzido e falta de material) que tive foi extremamente satisfatorio. Aqui entra o professor reflexivo que considero “agora” este como o “bom professor 62 4.4 Estudo de caso: A indisciplina na sala de aula 4.4.1 Pertinência do Tema A indisciplina na Escola é um dos temas que mais polémica suscita na actualidade. O número de casos sinalizados em todo o país atinge proporções, no mínimo, inquietantes. Assumido como um dos maiores problemas a enfrentar pelas principais agentes educativos, escola e família, este é evidente em diferentes contextos socioculturais e ter vido a aumentar como o avançar dos tempos. Tudo isto é visível principalmente nos espaços da escola e das redes públicas. “ Consciente de que este é um tema complexo e intimamente relacionado com os contextos onde ocorre, pretendo aqui analisar com maior profundidade e particularidade a minha experiencia docente, tentando perceber os constrangimentos e dificuldades sentidas e evidenciar as soluções encontradas. Tendo em consideração a sua amplitude, serão tratadas apenas algumas vertentes, não numa perspectiva de conclusão, mas de ponto de partida para outras abordagens interactivas do acto educativo. Intimamente relacionado com as atitudes comportamentais dos alunos este é um problema que evidência efeitos nefasto tanto para alunos como para o professores, existindo por isso necessidade de analisar este problema, não apenas como o intuito de modificar o comportamento dos alunos mas também melhorar a postura estratégicocomportamental do professor na sala de aula. Assim tendo por base este pensamento, comecemos por perceber à luz de vários autores este problema. É por este motivo, e muito outros, que o tema da indisciplina está na ordem do dia. 63 4.4.2 Contextualização Teórica 4.4.2.1 -Indisciplina O conceito de indisciplina é susceptível a múltiplas interpretações. Segundo Carlos Fontes (2008), um aluno ou professor indisciplinado é, por definição, alguém que possui um comportamento desviante em relação a uma norma explícita ou implícita sancionada em termos escolares e sociais. Estes desvios são, todavia, denominados de forma diferente conforme se trate de alunos ou de professores. Ademais, a indisciplina pode implicar violência, mas não é necessário que esta ocorra. É neste sentido que Barella (2005), distingue vários níveis de indisciplina, tais como os que se seguem por ordem crescente de gravidade: - Perturbação pontual que afecta o funcionamento das aulas ou mesmo da escola. - Conflitos que afectam as relações formais e informais entre os alunos, que podem atingir alguma agressividade e violência, envolvendo por vezes, actos de extorsão, violência física ou verbal, roubam, vandalismo, etc. - Conflitos que afectam a relação professor - aluno, e que em geral colocam em causa a autoridade e o estatuto do professor. - Vandalismo contra a instituição escolar, que muitas vezes procura atingir tudo aquilo que ela significa. Para Estrela (2002), a indisciplina é identificada como a “negação, privação ou desordem proveniente da quebra de regras estabelecidas”, assumindo origens diferentes e complexo e está frequentemente associada às atitudes e tomadas de decisão que o professor assume no desempenho das funções educativas A educação Física não permanece imune a este problema. Há quem diga que as características que nela estão inerentes, relativamente ao espaço, organização e a realização do ensino possa ajudar no controlo dos alunos mas a 64 verdade é que hoje em dia potenciam mais o aparecimento desses comportamentos. 4.4.3 - Manifestações de Indisciplina Tal como refere Carlos Fontes (2008) as manifestações de indisciplina, nas suas formas mais elementares, tornaram-se uma rotina para qualquer professor. A literatura identifica dois níveis de casos de indisciplina nas aulas: Frequentes  Apatia do grupo.  ‘Cochicho’  Troca de mensagens e de papelinhos.  Intervalos cada vez maiores  Exibicionismo  Perguntas feitas de forma a colocar em causa o professor, ou a desvalorizarem o conteúdo das aulas  Discussões frequentes entre grupos de alunos, de modo a provocarem uma agitação geral  Comentários despropositados.  Silêncios ostensivos  Entradas e saídas "(in)justificadas". Excepcionais  Agressão a colegas  Agressão a professores  Roubos  Provocações sexuais, racistas, etc. O primeiro nível está hoje amplamente generalizado, o segundo em crescimento. 65 4.4.4 - Causas da Indisciplina Segundo Simões (1996), um comportamento indisciplinado é qualquer acto ou omissão que contraria alguns princípios do regulamento interno ou regras básicas estabelecidas pela escola ou pelo professor ou pela comunidade. A indisciplina é uma resposta à autoridade do professor. O aluno contesta porque não está de acordo com as exigências do professor, e com os valores que ele pretende impor. Assim provoca-se uma relação desequilibrada. O professor sente bastante dificuldade em motivar o aluno, ou cativá-lo. Segundo o mesmo autor, os motivos da indisciplina podem ser extrínsecos à aula, tais como problemas familiares, inserção social ou escolar, carências sociais, excessiva protecção dos pais, forte influência de ídolos violentos, entre outros. Fontes (2000), refere que causas familiares influenciam muito a indisciplina. É ai que os alunos adquirem o comportamento de demonstram nas aulas. Outrora, a indisciplina era vista como causa da pobreza, violência doméstica e alcoolismo o que minava o ambiente familiar. Hoje aponta-se como causa a droga, a ausência de valores, a permissividade, a demissão dos pais da educação dos filhos, entre outros. A verdade é que quase sempre os alunos com maiores problemas de indisciplina provêm de famílias onde estes existem. O aluno traz para a aula valores e atitudes que advêm do que foram apreendendo ate aquele momento. A indisciplina pode ser um reflexo da ausência de condições para uma adequada educação familiar. (Simões, 1996) De acordo com o autor Aquino (1998), uma hipótese muito em moda no meio escolar diz respeito a que hoje em dia as crianças não têm limites, não reconhecem a autoridade, não respeitam as regras, e a responsabilidade por isso é dos pais, que ter-se-iam tornado muito permissivos. 66 4.4.5 Justificação do estudo Após a realização desta revisão sobre a problemática da indisciplina que vivemos cada vez mais nas nossas escolas, penso que neste momento me sinto bastante informada e familiarizada com este tema. Depois do primeiro contacto com a minha turma, verifiquei que era uma turma agitada e com muitos problemas de disciplina. Desta forma senti necessidade de intervir e me informar sobre este tema tão problemático, tais como algumas já mencionadas acima: as causas, as manifestações e estratégias a adoptar no combate à indisciplina. Com este intuito, optei por realizar um inquérito para a turma do 7ºano para ver o que se passa na cabeça dos alunos e o porquê da indisciplina. A indisciplina é um dos problemas que mais nos preocupa enquanto intervenientes no processo educativo sendo mesmo “o tema que mais inquieta os professores” (Sampaio, 1997, p.121). Assim proponho-me a responder às questões importantes deste tema e desta forma perceber e solucionar os problemas inerentes à indisciplina. 4.4.6 Metodologia: Na sociedade dos nossos dias a (in) disciplina em contexto escolar é um problema que preocupa professores, pais e comunidade em geral. Hoje em dia, Era da informação e do desenvolvimento, poderíamos supor que este tipo de problemáticas estaria ultrapassado ou resolvido fruto da evolução da técnica, da criação da riqueza, da mudança de mentalidades, da globalização potenciada pela fácil difusão da informação e comunicação. Contudo, factores como o alargamento da escolaridade obrigatória, o aumento do insucesso escolar e uma maior incerteza quanto ao futuro escolar e profissional levam a que os alunos, questionem a utilidade da escola. Neste sentido, o trabalho agora que será apresentado surgiu da preocupação que tenho em compreender todo este fenómeno que é a Indisciplina que influência poderá ter no meio escolar. 67 Assim optei por realizar um inquérito (Ver anexo 1) com uma abordagem interpretativa dos dados a fim de observar quais as concepções acerca desta problemática com a tentativa de perceber como foram percepcionados os problemas indisciplinares, quais as estratégias utilizadas, bem como os resultados. 4.4.7 Sujeitos É no inicio da adolescência que este tema está agora tão em voga e infelizmente cada vez mais regular. Como a minha turma tinha problemas de indisciplina mereceu um tratamento pedagógico e didáctico distinto. Por estes motivos a turma do 7ºC foi a população escolhida. Os alunos que integram a amostra do presente estudo foram 27, de ambos os sexos (17 do sexo masculino e 10 do sexo feminino), a média de idades situou-se nos 12 anos. A selecção da turma foi intencional. Todos os alunos aceitaram voluntariamente a realização dos inquéritos. A confidencialidade dos dados recolhidos foi garantida a todos os participantes. 68 4.4.8 Análise dos dados Valorização da escola À pergunta “Frequentas a escola:” obteve-se a seguinte distribuição de respostas: Gráfico 1: Frequentas a escola: Gráfico 2: Frequentas a escola: Como podemos perceber pelos resultados dos gráficos (Gráfico 1 e 2), denotamos uma grande diferença da valorização da escola dos rapazes para as raparigas. 44 % dos rapazes deram a resposta que frequentam a escola porque são obrigados, enquanto 55 % das raparigas frequentam a escola porque gostam. Estes valores poderão revelar à partida um desinteresse pelas actividades escolares assim como pela participação voluntária e interessada nas aulas. Já à Pergunta “sentes-te bem na escola?” 55% 14% 14% 17% Sexo Feminino Porque Gostas Porque és Obrigada Para arranjar melhor emprego 6% 44% 25% 25% Sexo Maculino Porque Gostas Porque és Obrigado Para arranjar melhor emprego Para continuar a estudar 69 Gráfico 3: Sentes-te bem na escola? Os alunos aqui revelaram que se sentem bem na escola. Apenas 7% do sexo masculino disseram que não se sentiam bem. Em contrapartida quase 100 % das raparigas dizem se sentir bem na escola. Foi assim visível que quase 100% dos alunos se sentem bem e o mesmo podemos reparar na pergunta seguinte: Sentes-te seguro(a) na escola?” Gráfico 4: Sentes-te seguro (a) na escola? 93% 7% Sim Não 85% 15% Sim Não 70 Aqui verifica-se um aumento pouco significativo dos alunos na resposta negativa ao sentirem-se seguros na escola. Apenas 3 rapazes e uma rapariga não se sentem em segurança. Comportamentos (in) disciplinares À Pergunta se “já alguma vez tiveste uma ou mais participações disciplinares no teu percurso escolar?” obteve-se a seguinte distribuição de respostas: Gráfico 5 – Participações disciplinares Gráfico 6 – Participações disciplinares Neste caso verifica-se uma grande percentagem masculina. Caso que se verifica nas minhas aulas. Os rapazes são os que têm maior número de comportamentos disruptivos enquanto que do sexo feminino apenas estes 30% se sentem atraídas por esse comportamento. Dos que responderam sim do sexo masculino os motivos que apresentaram foram devido a maioritariamente a distracção e não quererem cooperar com o professor. Já o sexo feminino (30%) apresentou como única razão o factor de distracção. 30% 70% Sexo Feminino Sim Não 76% 24% Sexo Masculino Sim Não 71 Relativamente à pergunta “Já assististe a brigas entre colegas teus?” a distribuição de respostas foi a seguinte: Gráfico 7Já assististe a brigas entre Gráfico 8 - Já assististe a brigas entre colegas teus?” colegas teus?” Relativamente a este item podemos constatar que 100 % do sexo masculino assistiu a brigas entre colegas e 90 % do sexo feminino também respondeu afirmativamente. O que significa que deve existir muita percentagem de brigas para acontecer uma percentagem tão alta de assistência de brigas. 90% 10% Sexo Feminino Sim Não 100% Sexo Masculino Sim Não 78 Verifiquei que na minha turma 76% dos alunos do sexo masculino e 30% do sexo feminino já sofreram retenções. Isto significa que mais de 50% da turma já sofreram retenções. Não é algo muito natural mas a verdade é que é bastante visível esse tipo de acontecimentos. Esperemos que nós professores continuemos com a esperança de que os alunos compreendam a importância da escola. Relativamente ao ponto de comportamentos agressivos é de focar o facto de mais uma vez o sexo masculino estar presente em todos os comportamentos agressivos e em todos os casos com mais de 50%. Quase 100% da turma já assistiu a brigas entre colegas e 100% da turma tem noção que as aulas são constantemente interrompidas por colegas seus com comportamentos que considero não serem os desejados. De um modo geral, as respostas que obtive dos alunos eram as Esperadas, atendendo à faixa etária dos mesmos e ás condições da escola nesse ano lectivo tudo pode ser influenciado. 4.4.10 Conclusão É necessário proporcionar aos alunos bons ambientes que permitam aprendizagem e progressão. É necessário existir dialogo, escutar problemas e medos e apoia-los sempre que necessário. Verificámos que alguns alunos sentem medos e incertezas dentro da instituição escolar e junto dos próprios colegas. E são estes medos e incertezas que temos que conseguir ultrapassar, ajudando sempre o aluno a comunicar e desabafar connosco. . O sucesso deles é o nosso sucesso, o bem estar deles é também o nosso bem-estar. Se são felizes, nós também somos! Se são inseguros, também nos transmitem essa mesma insegurança, é por isso que amo a profissão. No que diz respeito aos dilemas que encontrei foi principalmente no meu primeiro período, relativamente ao seu controlo, comportamento e algumas atitudes agressivas entre eles. Consegui manter um controlo da turma muito pela comunicação. Adquiri uma postura bastante mais rígida e uma boa organização das aulas. É necessário o professor ser um líder, confiante, coerente e assertivo. 79 É evidente que o professor tem de planificar sempre a sua acção, não apenas a nível instrucional mas também na sua intervenção disciplinar e motivacional das aulas. A comunicação, a responsabilidade, o controlo, a motivação adoptaram um factor importante para o controlo da disciplina. Uma boa organização das aulas, e uma boa comunicação induziram nos alunos maior motivação, entusiasmo e dai resultou um melhor comportamento por parte deles. Tal como refere Amado & Freire (2009) uma boa organização de aulas e uma motivação eficaz levam a uma maior concentração dos alunos, evitando a ocorrência de conversas colaterais em que as vivências são trazidas para as aulas, passando muitas vezes pelo uso grosseiro linguagem, agressão verbal e até agressão física em plena aula. François Dubet (1997), refere que “a disciplina é conquistada todos os dias, é preciso sempre lembrar as regras do jogo, cada vez mais é preciso reinteressá-los, cada vez mais é preciso ameaçar, cada vez mais é preciso recompensar” 5.CONCLUSÃO 83 5.Conclusão Este documento conclui um percurso traçado por mim, um percurso longo, trabalhoso e bastante difícil. É indiscutível a importância que este trabalho teve para mim. Nele consigo retratar os pontos altos e baixos, e como tudo isso contribui para o meu desenvolvimento enquanto professora. Sinceramente, no inicio não entendia que vantagens traria este trabalho para mim, mas a verdade é que ao longo da sua realização senti vontade de aprofundar e de descobrir coisas novas sobre vários temas. É essa vontade de aprender mais que noto uma maior evolução. Sinto que tudo que lemos, falamos, conhecemos, investigamos, tudo que seja novo para nós é imprescindível e marcante no nosso futuro. É curioso, mas ainda me lembro da noite anterior à minha primeira aula. Como estava ansiosa e nervosa com a minha estreia sozinha como professora. Foi algo bastante marcante e agora recordo com um sorriso nos lábios as minhas expectativas iniciais e de que modos me estabeleceram metas que orgulhosamente sinto que cumpri. Foi apenas um empurrão para o enorme processo que tenho pela frente. No entanto, a minha evolução não se verificou só a nível profissional mas também, e bastante a nível pessoal. Senti que pela primeira vezes outras pessoas dependiam de mim, do meu saber, e essa relação humana que estabeleci entre eles fez-me crescer bastante enquanto pessoa, tornando-me mais madura e responsável. Não tive uma turma fácil, pelo contrário, mas o que consegui mudar neles, também a mim me fez mudar. As emoções estão na base das relações e a nossa relação ficou perfeita! Cheguei com bastante receio e agora saio com saudade e sem ainda acreditar que terminou. Toda a luta e sacrifício deram resultados que consegui ver na minha turma. Tudo isto terminou, mas sei que não vou parar de lutar. Foi algo que não acreditava gostar tanto e que agora sei que é o que anseio chegar Cabe-me a mim guardar todos os ensinamentos que adquiri ao longo deste ano e da convivência que me possibilitou aprender e criar bases para o meu futuro. Não encaro agora a escola como algo simples e de fácil gestão. Vivi um ano lectivo, e sei que é uma tarefa árdua mas também bastante gratificante. 84 Aprendi que os actores principais são os alunos, o centro da actividade e tudo o resto é “secundário”. Todas as nossas acções, todo o nosso trabalho, toda a nossa reflexão tem que ter como visão final os alunos. Os alunos têm de ser o motivo por tudo que nós realizamos, tem que haver evolução do lado deles. Se tal não acontecer cabe-nos a nós reflectir e ver o que podemos mudar. O professor que não vê os alunos como seu objectivo principal não pode ser professor. Quem ama a profissão tem de amar os seus alunos. O facto de muitas vezes não temos espaço para dar a aula revelou ser algo bastante desafiante no nosso percurso. O termos que adaptar e improvisar até resolver fez-me perceber que qualquer adversidade que se ponha a nossa frente cabe-nos a nós mudar isso e não deixar que isso nos afecte. Afectou-me no inicio, mas ultrapassei e consegui, sempre com a ajuda da PC e dos meus colegas de estágio. Aprendi que não vale a pena ter medo e receio em sair da nossa zona confortável. Era tudo mais simples se assim fosse mas será que crescíamos? Evoluíamos? E conseguíamos inovar? Não. Só a ultrapassar dificuldades e obstáculos aprendemos a criar algo novo. A capacidade de reflectir, de agir, de pensar sobre as minhas acções não foram de todo uma dádiva oferecida. As reuniões com o núcleo de Estágio, as observações e as diferentes práticas de ensino permitiram-me desenvolver as ferramentas necessárias ao crescimento pessoal e profissional. Acompanhar os meus alunos, os alunos dos meus colegas de estágio foi um privilégio. Poder observar a evolução, o desenvolvimento de alunos que se tornaram tão próximos foi bastante aliciante enquanto professora, o que me faz orgulhar todos os dias da profissão que escolhi. Termino este caminho, continuando à espera da mesma forma que sempre esperei. Com receio, medo e bastante adrenalina. Esta sou eu, a pessoa que me tornei e que anseia em crescer sempre mais. 85 “Hoje é o dia em que a minha vida começa. Hoje eu torno-me cidadã do mundo. Hoje torno-me adulta. Hoje torno-me responsável. Responsável para outros que não são os meus pais e eu mesma Responsável por mais que as minhas notas. Hoje eu torno-me responsável pelo mundo Pelo Futuro Por todas as possibilidades que a vida tem para oferecer A partir de hoje…. O meu propósito é aparecer Com os olhos abertos. Com determinação Preparada Para que? Não sei. PARA QUALQUER COISA PARA TUDO Para enfrentar a vida. Para enfrentar o amor. Para enfrentar a responsabilidade e as possibilidades Hoje, meus amigos nossas vidas começam. E eu, pelo menos, Não vejo a hora.” Shonda Rhimes, 2005 2 2 Retirado da série de anatomia de Grey temporada 5, episódio 22. 6.REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS XIX INQUÉRITO – Indisciplina na Escola Ao longo deste inquérito irás encontrar um conjunto de questões relacionadas com a indisciplina na Escola. Em cada uma delas deverás seleccionar aquela com que mais te identificas. É importante que registes a verdade já que o questionário é anónimo. A duração média deste inquérito é de 5 minutos. Obrigada pela tua colaboração Por favor, SÊ SINCERO! 1. Género Masculino Feminino 2. Frequentas a escola: Porque gostas Porque és obrigado(a) Para arranjar melhor emprego Para continuar a estudar Outra: Qual? ___________________________. 3. Sentes-te bem na escola? Sim Não 4. Sentes-te seguro(a) na escola? Sim Não 5. Alguma vez tiveste uma ou mais participações disciplinares no teu percurso escolar? Sim Não XX 6. Se respondeste SIM, indica o(s) motivo(s)? Não conseguia estar quieto Não cooperava com o professor Estava quase sempre distraído Trocava mensagens e papelinhos Reagia violentamente quando me provocavam Pedia muitas vezes para ir à casa de banho Interrompia as aulas com atitudes agressivas ( verbais e físicas) Não gostava de trabalhar em grupo Mostrava-me desinteressado Outra: Qual_______________________________ 7. Já assististe a brigas entre colegas teus? Sim Não Muitas vezes (mais de 4) Algumas vezes (2 ou 3) Uma vez 8. Já foste alvo de algum tipo de agressão? Sim Não 9. Por que motivo: Sem motivo aparente Incompatibilidades / desavenças Diversão Falta de educação Dinheiro “namoricos” Outra:______________________________________. 10. Já agrediste alguém? Sim Não 11. Qual o motivo: Defesa de agressão física Defesa de agressão verbal Incompatibilidades / desavenças Sem motivo especial, apeteceu-me Motivos pessoais Diversão Falta de educação Dinheiro Outra:________________________________________. XXI 12. Participas em brincadeiras agressivas, por exemplo empurrões? Sim Não 13. Tens aulas que são constantemente interrompidas por colegas teus? Sim Não 14. Interrompes as aulas com brincadeiras? Sim Não 15. Se Sim, com que frequência o fazes? Frequentemente Algumas vezes Ocasionalmente