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Medo e esperança como condicionantes da actuação do homem de estado em Plutarco

Ferreira, Ana Maria Guedes

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Symbolon IV MEDO E ESPERANÇA Em… Ésquilo Tucídides Plutarco Séneca Santo Agostinho Carlos de la Rica editado por BELMIRO FERNANDES PEREIRA ANA FERREIRA PORTO 2014 FICHA TÉCNICA TÍTULO: SYMBOLON IV – MEDO E ESPERANÇA ORGANIZAÇÃO: BELMIRO FERNANDES PEREIRA E ANA FERREIRA EDIÇÃO: FACULDADE DE LETRAS DA UNIVERSIDADE DO PORTO ANO DE EDIÇÃO: 2014 COLECÇÃO: FLUP e-DITA EXECUÇÃO GRÁFICA: Sersilito-Empresa Gráfica, Lda. TIRAGEM: 150 exemplares DEPÓSITO LEGAL: 311011/10 ISSN: 1646-1525 ISBN: 978-989-8648-37-2 MEDO E ESPERANÇA COMO CONDICIONANTES DA ACTUAÇÃO DO HOMEM DE ESTADO EM PLUTARCO Ana Ferreira | 31 ANA FERREIRA, UNIVERSIDADE DO PORTO/CECH Medo e esperança como condicionantes da actuação do homem de Estado em Plutarco A associação da temática do medo e esperança à obra de Plutarco permite vislumbrar de imediato uma tríade de políticos do século V ateniense, cujos feitos ilustram as definições de audácia, coragem e cobardia feitas por Aristóteles na Ética a Nicómaco. É possível que, num primeiro momento, esta associação pareça estranha. Mas, se se tiver presente que a influência de Aristóteles sobre o pensamento do polígrafo de Queroneia está subjacente a toda a sua obra, este raciocínio começará a fazer sentido. Na Ética a Nicómaco, o Estagirita sugere por diversas vezes, em relação a diferentes vícios e virtudes, que a sabedoria reside no equilíbrio entre ambos1, como por exemplo em EN 1108b11-1108b13: Havendo três disposições de carácter, duas são perversas, a que é por excesso e a que é por defeito, e uma é a da excelência, a qual corresponde à posição intermédia2. 1 Da pequena viagem pelos textos de Plutarco e Aristóteles que a seguir se propõe, ficará por demais evidente que também o biógrafo das Vitae se manteve fiel à máxima grega do μήδην ἄγαν, ou, se preferirmos, à latina do in medio est virtus... 2 Caeiro (2004: 56). MEDO E ESPERANÇA COMO CONDICIONANTES DA ACTUAÇÃO DO HOMEM DE ESTADO EM PLUTARCO Ana Ferreira | 32 Curiosamente, nesse mesmo texto, Aristóteles dedica alguns parágrafos à distinção entre audácia, coragem e cobardia. De acordo com ele (EN 1108b19-1108b26), o corajoso parece ser audaz relativamente ao cobarde, mas parece ser cobarde relativamente ao audaz (...). Por isso que ambos os extremos não apenas se repelem um ao outro, mas ambos repelem também o meio. O cobarde chama ao corajoso audaz e o audaz chama-lhe cobarde. A audácia (θρασύτης), por exemplo, que é um excesso, não se opõe à coragem, mas antes à cobardia, que é um defeito3. O discípulo de Platão define ainda o medo como “expectativa de um mal”. Segundo ele, podemos considerar coisas más a infâmia, a fome, a doença, a inimizade e a morte (EN 1115a 9-12). Antes de se proceder à análise das três figuras de políticos que serão discutidas neste estudo, é igualmente conveniente lembrar a descrição que Tucídides faz dos protegidos de Atena, pois parece haver a ideia de que há determinadas características inerentes à condição de ateniense. Uma delas é τόλμα (“audácia, coragem”). Os Atenienses, como no-lo testemunha Péricles em Thuc. 2. 39 4 , tinham a percepção de que a coragem é um dom inato, mais do que algo que se possa aprender através do treino militar precoce, como advogavam os Espartanos. Mas, apesar da diferença de posição quanto à fonte de tal virtude, quer os Atenienses quer os demais Gregos (no texto representados pelos Coríntios) reconhecem que os protegidos de Atena são possuidores desta característica ao mais alto nível, como no-lo demonstra o emprego recorrente de palavras da família de τόλμα em Thuc. 1.70.2 e 1.74.2 e 4. A coragem de Atenas suscitava ao mesmo tempo admiração e terror entre os Gregos, porque parecia ser directamente proporcional às dificuldades enfrentadas. O próprio Péricles reconhece essa capacidade, quando, em Thuc. 1.144.4, afirma que a vitória sobre os Persas se ficou a dever mais à coragem do que ao poderio militar dos Atenienses (τόλμῃ μείζονι ἢ δυνάμει). Até o inimigo elogia 3 Tradução de Caeiro (2004: 56). 4 Cf. Lys. 2. 63. MEDO E ESPERANÇA COMO CONDICIONANTES DA ACTUAÇÃO DO HOMEM DE ESTADO EM PLUTARCO Ana Ferreira | 33 a audácia deste povo, que, segundo Górgias (DK 82 B6), possui um ímpeto bélico inato (ἐμφύτου ἄρεος). Feitas estas considerações prévias, importa agora apresentar os Atenienses que serão recordardos nesta breve reflexão. Um deles não constituirá surpresa, pois é impossível mencionar o século V ateniense sem que de imediato não se pense nele. Trata-se, como é óbvio de Péricles. Os outros dois – Nícias e Alcibíades – apenas ganharam proeminência após a morte do filho de Xantipo. Embora não seja possível classificar nenhum deles como totalmente audaz, corajoso ou cobarde (algo que se justifica pelo próprio facto de serem humanos – ninguém é totalmente mau ou bom5), no cômputo geral, cada um pode ser apresentado como ilustração das virtudes ou vícios em causa. Comecemos por Alcibíades. Desde a mais tenra idade, este jovem, que também ficou conhecido pela sua inigualável beleza, foi revelando um dos seus principais traços de carácter. Abramos um parêntesis para chamar a atenção para o seguinte: dos três políticos em causa, só em relação a Alcibíades Plutarco recorda episódios de infância6. Este é um procedimento frequente no conjunto das Vitae Parallelae, porque o Queroneu acredita que os principais vícios e virtudes do homem adulto, que decorrem tanto da natureza de cada um quanto da influência do meio social em que vive e da educação que recebe, são perceptíveis desde muito cedo. Neste caso concreto (Alc. 2.3-4), o Alcmeónida revela-se suficientemente temerário para, mesmo pondo em risco a própria vida, 5 Plutarco tem esta realidade sempre presente. É por essa razão que os seus textos espelham tão bem a natureza humana. 6 O tópico da brincadeira pueril que revela o carácter excepcional e potencialidades de alguém é recorrente na literatura grega (cf. Hdt. 1.149 a propósito de Ciro). É também esse o intuito das anedotas/caricaturas que são antecedente da própria biografia, como no-lo demonstra Ar. Eq.: neste caso concreto, o perfil de político do Salsicheiro percebe-se já nas reacções do menino. A importância dada a este período da vida dos indivíduos nas biografias é uma influência do encomium. Nestes textos, a descrição da infância e dos primeiros feitos de quem era alvo do elogio não tinha tanto por objectivo mostrar como se desenvolveu a sua personalidade, mas demonstrar que as virtudes reveladas enquanto crianças se mantêm pela vida fora, ou seja, que se trata de uma espécie de predestinação ou dotes naturais. O interesse pela infância também se estendia à temática da educação: não admira, por isso, que, nas vidas dos indivíduos que se distinguiam por uma marca intelectual mais nítida, os relatos sobre essa fase sejam mais embelezados: são esses, por exemplo, os casos de Per., Them., Phil., Cic. e Luc. Sobre a infância na biografia, vd. Pelling (1990: 213-244). MEDO E ESPERANÇA COMO CONDICIONANTES DA ACTUAÇÃO DO HOMEM DE ESTADO EM PLUTARCO Ana Ferreira | 34 lutar para que se faça a sua vontade. Quando a aproximação de um carro ameaça interromper um jogo7 no preciso momento em que Alcibíades deveria intervir (ou, se quisermos acentuar a ideia, ser o protagonista), ele contraria todas as expectativas (já que os colegas de brincadeira se afastaram), lançando-se para diante do veículo cuja marcha assim detém. Como é óbvio, este comportamento suscita reacções diversas: o cocheiro fica assustado e quem estava a observar a cena, admirado. Medo e admiração eram, na verdade, os sentimentos que Alcibíades mais costumava despertar nas pessoas (como se pode ver ao longo da biografia), o que contribuía para que a sua popularidade fosse inconstante. Antes de mostrar a audácia de Alcibíades enquanto homem público, Plutarco alude a outros episódios da mesma natureza do que acabámos de mencionar, não tanto para ilustrar a audácia do jovem (que é um dos mais bem conseguidos exemplares desta característica), mas antes a sua ambição desmedida, ambas decorrentes de um outro traço que marca a sua personalidade: a vontade de ser sempre o primeiro (φιλονικία). Esta audácia surge, pois, como um excesso necessário à satisfação de uma necessidade também ela excessiva. Plutarco conta ainda que, durante um exercício de luta, Alcibíades não encontra outra maneira de evitar a derrota senão mordendo o adversário, algo que pode ser considerado uma violação das regras 8 de fair-play. Acusado de se comportar como uma mulher, ele contrapõe ter antes agido como um leão (Alc. 2. 2-3). Outros momentos houve em que o jovem Alcmeónida exibiu da pior maneira a sua audácia, sem nunca se preocupar com as consequências: sequestrou o pintor Agatarco (Alc. 16. 5), roubou objectos de casa de um amante (Alc. 4. 5), agrediu o futuro sogro (Alc. 8. 1), cortou a cauda do cão (Alc. 9). Estes episódios da sua vida privada tiveram consequências directas na sua actuação política. De facto, com um historial tão profusamente recheado de momentos que raiam o absurdo, Alcibíades deu azo a que todas as acusações que lhe foram imputadas pudessem ser tidas como verdadeiras. E os seus inimigos políticos não deixaram 7 Sobre o jogo em causa (atestado, e.g., em Il. 23. 87-8; Pl. Tht. 145c; Plu. Lys. 8. 4-5, Moralia 812A, vd. Beck, (1975: n.os 342-345); Ricotti (1995: 47-48); Kurke (1999: 283-95). 8 Sobre as regras da luta antiga e pancrácio, vd. Harris (1964: 102-109); Poliakoff (1987: 23-63). MEDO E ESPERANÇA COMO CONDICIONANTES DA ACTUAÇÃO DO HOMEM DE ESTADO EM PLUTARCO Ana Ferreira | 35 passar a oportunidade. Quando se preparava para a expedição da sua vida – o ataque à Sicília – os adversários responsabilizaram-no por uma série de crimes que inviabilizavam a sua permanência no comando da armada, que partilhava com Lâmaco9 e com Nícias, outro dos nossos três heróis. Enquanto Alcibíades simboliza a audácia – é, portanto, um dos extremos, segundo Aristóteles –, Nícias simboliza o oposto, a cobardia. Com efeito, este estratego, que se tinha manifestado ferozmente contra a expedição à Sicília10, foi escolhido para servir de contrapeso11 ao excesso de ambição (φιλοτιμία) e de ousadia (τόλμα) pelo qual Alcibíades era conhecido12. Mais tarde, no âmbito da mesma expedição, Nícias tentaria de novo, sem sucesso, travar igual excesso de confiança de Demóstenes. O texto de Plutarco (Nic. 4, 23. 1) descreve-nos um homem famoso13 pela sua grande fraqueza: a superstição, isto é, o temor diante das coisas divinas, que está diretamente relacionada com este defeito – o medo – e com a sua pietas erga deos. O Queroneu, que consagra um dos seus opúsculos ao tema das superstições (Moralia 164E-171F), não tece nas biografias em causa qualquer comentário a favor dessas crendices. No entanto, parece 9 Filho de Xenófanes e natural do demo de Ea, participou em diversas expedições, nomeadamente na que foi enviada a Esparta para celebrar a paz de Nícias (422/421a. C.). Apesar de mais velho, Lâmaco tinha um espírito muito parecido com o de Alcibíades. Em Nic. 12.3-6 salienta-se a sua temeridade (θρασύτητα), característica que, em simultâneo com a sua posição belicista na guerra do Peloponeso, lhe valeu o ataque de Aristófanes em Ach. 270 e Pax 304. Note-se, contudo, que o comediógrafo (Th. 841) soube prestar-lhe a devida homenagem pelo heroísmo que demonstrou por ocasião da sua morte em Siracusa. Também é mencionado por Plu. Per. 20.1 10 Em Alc. 1.2, Plutarco refere que havia quem tivesse considerado um mau presságio que um estratego, cujo nome tem origem no substantivo que significa vitória (νική) se opusesse à expedição. 11 Além de se ter oposto à audácia (τόλμα) de Alcibíades, também era contra a audácia e a impudicícia (βδελυρία) de Cléon (Nic. 2. 2). 12 Cf. Nic. 12. 3-6. Não deixa de ser curioso notar que o biógrafo utiliza neste contexto (Alc. 18. 1-2) vocabulário relacionado com o vinho, pois fala na necessidade de misturar (μιχθείσης) a audácia de um Alcibíades puro (ἄκρατος) com a prudência (προνοία ou ἐυλάβεια – Nic. 12. 5) de Nícias. Este tipo de metáfora ocorre também em Per. 7.8 a propósito do povo e da liberdade que este conseguira sob o governo de Péricles. 13 Em Alc. 4.4-4.9, Plutarco cita alguns textos que confirmam a tradição sobre o medo de Nícias. MEDO E ESPERANÇA COMO CONDICIONANTES DA ACTUAÇÃO DO HOMEM DE ESTADO EM PLUTARCO Ana Ferreira | 36 ficar no ar uma ideia que permanece nos nossos dias: não é difícil ouvir-se dizer “eu não acredito em bruxas, mas que as há, há…”. A verdade é que, na sequência dos presságios que refere nos textos sobre os quais nos estamos a debruçar, Atenas sofreu sempre um revés. Um dos momentos mais relevantes no que respeita à superstição de Nícias prende-se com a expedição à Sicília, que foi precedida de inúmeros “avisos”, aos quais este14 ainda tentou dar ouvidos, como a mutilação dos Hermes15, ou a festa em honra de Adónis16. No entanto, Alcibíades, na esteira de Péricles – que, não por acaso, é o modelo que hoje aqui apresentamos como protótipo da coragem, não se deixava intimidar por esse tipo de argumentos, pelo que a sua posição vingou e a armada partiu. E Atenas acabou humilhada. Algo semelhante aconteceu por ocasião do regresso do filho de Clínias à πόλις após os anos de exílio: apesar de ter sido recebido com entusiasmo e esperança num futuro melhor para a cidade, o Alcmeónida regressou num dia considerado nefasto17. E não demorou muito que a Atenas conhecesse a ruína definitiva. Mas, o primeiro de todos os momentos relacionados com a superstição é mencionado em Per. 35. 2, passo no qual se associa o fracasso do cerco de Epidauro à concretização do presságio de mau augúrio que antecedeu a partida da armada. De facto, no momento em que as trirremes se preparavam para zarpar, houve um eclipse 14 Em Nic. 13, o Queroneu menciona exemplos dos vários presságios e estratagemas através dos quais se tentou, sem sucesso, evitar a expedição. 15 Alc. 18. 6; Nic. 1.2. Esta acusação ocorreu pouco depois do episódio da mutilação dos Hermes, entendido por alguns como um mau presságio para a expedição que se avizinhava. A propósito desta questão, leia-se Ferreira (2012: 233, n. 117). 16 Alc. 18. 5. Cf. Nic. 13.11 (onde este presságio é apresentado antes do da mutilação dos Hermes, ou seja, em ordem inversa relativamente à Vida de Alcibíades) e Ar. Lys. 387-397. Trata-se de uma festa associada à morte, durante a qual se expõe imagens que representam os mortos e se imitam ritos fúnebres. Sobre este festival, vd. OCD s.v. 17 Alcibíades desembarcou no Pireu a 25 de Maio (Targélion) de 407 a. C. Anualmente nessa data, procedia-se à lavagem ritual do πέπλος de Atena. Sobre esta cerimónia, consulte-se Nagy (1994: 275-285), segundo o qual o Alcmeónida, muito pouco atento às datas das festividades sagradas, teria regressado nesse dia ludibriado pelos inimigos, que lhe teriam assegurado que as Plintérias já tinham ocorrido. MEDO E ESPERANÇA COMO CONDICIONANTES DA ACTUAÇÃO DO HOMEM DE ESTADO EM PLUTARCO Ana Ferreira | 37 da lua, que deixou todos em pânico, à excepção de Péricles18, cujo comportamento se prende a uma sólida formação filosófica, da qual resultou o seu espírito esclarecido. Ele conseguiu convencer os Atenienses a partir, depois de lhes explicar o funcionamento do fenómeno. Péricles fê-los compreender que nada há a temer, que se trata de algo inofensivo, tal como o é a escuridão provocada pelo cobrir do rosto com um manto. No entanto, apesar de Péricles considerar a associação do eclipse a um mau presságio uma forma de superstição e ignorância, os Atenienses saíram derrotados. Em Nic. 23, o biógrafo alude a outro eclipse lunar, tido como sinal de grandes calamidades enviadas pelos deuses, que lhe permite abordar o tema da superstição e da luta do progresso científico contra esses temores infundados. Neste caso específico, Nícias ficou como que petrificado pelo medo. O biógrafo menciona que durante dias se limitou a oferecer sacrifícios aos deuses e a consultar adivinhos, algo que, como é óbvio, o impediu de desempenhar convenientemente as suas funções de homem de Estado. Quanto a Péricles, mostrou-se, de um modo geral, um político virtuoso, o último da geração dos bons. No fim da sua vida, contudo, fragilizado pela doença que viria a vitimá-lo, chega a usar amuletos, um comportamento próprio de mulheres e sinal de crença em superstições (Per. 38. 2). De acordo com Teofrasto19, este episódio apenas revela que a dor, o sofrimento e a vivência de momentos difíceis fazem com que uma pessoa altere o seu comportamento. Mas, se de facto isto aconteceu, foi um dos pouquíssimos momentos em que a moderação de Péricles não conseguiu resistir aos infortúnios do destino por efeito do acumular de situações penosas na fase final da sua vida (recordemos a perda dos filhos legítimos, de 18 O eclipse aqui mencionado teve lugar a 3 de agosto de 431 a. C., como afirma Tucídides (2. 28). Cícero (Rep. 1. 16) e Valério Máximo (8. 11, ext. 1) mostram o filho de Xantipo a explicar o eclipse, sem no entanto relacionarem tal explicação com o momento da partida da expedição. 19 Teofrasto (fr. 463 Fortenbaugh) tentou perceber se a virtude pode ser alterada pelo destino ou por outros factores exteriores, como a dor física. A partir do caso de Péricles, parece que realmente factores externos podem fazer mudar o comportamento. Essa é, pelo menos, a única justificação que o discípulo de Aristóteles encontra para explicar que Péricles ostentasse ao pescoço um amuleto. Sobre esta debatida questão da alteração de carácter e a posição de Plutarco sobre a matéria, leiam-se Gill (1983: 469-481); Swain, (1989: 62-68); Pérez Jiménez (1994: 331-340).