O Retrato Social de Portugal em História e Geografia - O uso do documentário em sala de aula
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FACUL DA DE DE LE T R A S UNIVE RSIDADE DO PO RTO Pedro Miguel Neto Oliveira Fernandes 2º Ciclo de Estudos em Ensino de História e Geografia no 3º Ciclo do Ensino Básico e no Ensino Secundário O Retrato Social de Portugal em História e Geografia – o uso do documentário em sala de aula 2013 Orientadora: Professora Doutora Cláudia Pinto Ribeiro Coorientadora: Professora Doutora Elsa Pacheco Classificação: Ciclo de estudos: Dissertação/relatório/Projeto/IPP: Versão definitiva
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FACULDADE DE LETRAS UNIVERSIDADE DO PORTO 3 Relatório final da unidade curricular de Iniciação à Prática Profissional do Mestrado em Ensino de História e Geografia no 3º Ciclo do Ensino Básico e Secundário sob a orientação científica da Profª. Doutora Cláudia Ribeiro e a coorientação da Profª Doutora Elsa Pacheco, apresentado à Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Porto, Junho de 2013
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FACULDADE DE LETRAS UNIVERSIDADE DO PORTO 5 RESUMO Os alunos, desde muito cedo, são confrontados com a realidade tecnológica enquanto fonte de lazer mas também de informação. Assim, importa trazer os meios audiovisuais existentes na esfera discente para o meio escolar. De entre os meios audiovisuais suscetíveis de serem utilizados, os documentários assumem especial importância pela capacidade informativa e meio atrativo de revelar a mesma. Não obstante, não podemos descurar que o documentário expressa o entendimento do realizador. Cabe ao docente, enquanto mediador, alertar para esse facto, contextualizar a elaboração do documentário e alertar para as perspetivas existentes. De forma a aferir da importância dos documentários no ensino, na prática pedagógica supervisionada, utilizei vários documentários dando especial enfase ao documentário Retrato social – ganhar o pão do autor António Barreto, realizando uma ficha de trabalho. Após a análise da mesma, é possível inferir que os documentários são importantes recursos didáticos que devem ser utilizados na edificação do processo ensinoaprendizagem dos alunos. Palavras-Chave: Audiovisual na escola; Documentário; Educação; Geografia; História.
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FACULDADE DE LETRAS UNIVERSIDADE DO PORTO 7 ABSTRACT Since an early age, students have to deal with technological reality as a source of leisure but also of information. Thus, it is important to bring the media to the school. Among the audiovisual means that can be used, documentaries are specially important for their informative quality and also for their appeal. Non the less, we cannot overlook the director's perspective. It is up to the teacher, as a mediator, to contextualize the making of the documentary and to highlight the existent perspectives. In order to assess the importance of documentaries in teaching, in the supervised teaching practice, I used several documentaries giving special emphasis to the documentary Social portrait - earning the bread, by António Barreto, by using a worksheet. After analysing it, it can be infered that the documentaries are important educational resources to be used in the building of the teaching-learning process of students Keywords: Audiovisual school, Documentary, Education, Geography, History.
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FACULDADE DE LETRAS UNIVERSIDADE DO PORTO 9 À minha avó Maria Aos meus pais Maria e José Ao meu irmão António José À minha esposa Anabela Aos meus filhos Mariana e Pedro Quanto amor me vai na alma….
16 meio escolar, enquanto fonte alternativa ao saber livresco atribuindo-se especial pertinência na utilização dos documentários no processo ensino-aprendizagem. Assim, partindo-se da vivência dos audiovisuais pelo cidadão adolescente, dos recursos didáticos utilizados na sala de aula, perscrutava-se a importância do documentário no âmbito do processo letivo. Na segunda parte, faz-se a apresentação do contexto escolar onde a prática pedagógica supervisionada se verificou, segue-se a diversidade dos documentários utilizados em sede das aulas de História e Geografia, para se confluir na análise do mesmo documentário (Retrato social – Ganhar o pão) apresentado nas disciplinas supra referidas de forma a avaliar-se a importância e o possível contributo dos documentários no processo ensino-aprendizagem.
FACULDADE DE LETRAS UNIVERSIDADE DO PORTO 17 Parte I Enquadramento Teórico do Estudo 1. A presença do audiovisual na sociedade contemporânea O ensino, durante muito tempo, teve no professor o principal transmissor de conhecimento que no recurso livresco sustentava a arte de ensinar. O processo de ensinoaprendizagem era ministrado através do binómio professor (transmissor de informações) / aluno (recetáculo passivo de informações) e focalizado no manual (centro de informações). As revoluções filosófica e científica introduziram transformações substanciais no modo de viver e pensar dos indivíduos e das sociedades1. Nessa esteira, no final do século XX, com a agudização social de novos meios de comunicação, diferentes recursos didáticos começaram a ser inseridos no contexto da sala de aula2. Os audiovisuais são uma manifestação tecnológica da sociedade contemporânea e de utilização diária nos países desenvolvidos. Os diversos Media invadem as nossas vidas e fazem parte integrante delas. São veículos de informação, de entretenimento, de conhecimento e são presença assídua nos temas de conversa3. São a ligação de interesse cultural do indivíduo com o mundo que o rodeia. Desde 28 de Dezembro de 1895, data da apresentação pública, no Salão Grand Café, em Paris, pelos Irmãos Lumière da invenção à qual denominaram de Cinematógrafo com a exibição do filme L'Arrivée d'un Train à La Ciotat que a divulgação deste meio audiovisual foi um sucesso, tendo sido aperfeiçoado até à dimensão atual4. Concomitante com a aparição do filme surge de forma inextricável o documentário não só no con1 NUNES, Nei António – O uso de filmes e documentários no ensino da bioética: considerações metodológicas, 1. 2 FREIRE, Larissa Almeida – O filme em sala de aula: como usar; Revista Eletrônica O Olho da História, pág. 2. 3 MARISA, Tavares Ferreira – Vem e vê. A utilização do filme no processo de ensino-aprendizagem de História e de Geografia. Porto: FLUP, 201, pág. 15. Trata-se de um relatório de estágio defendido em 2011 e gentilmente cedido pela autora. 4 http://pt.wikipedia.org/wiki/Hist%C3%B3ria_do_cinema – visualizado em 09.06.202013.
18 texto da produção dos filmes L'Arrivée d'un Train à La Ciutat ou Sortie de l'usine Lumière à Lyon mas pela atitude que os irmãos Lumière tiveram em equipar alguns fotógrafos com aparelhos cinematográficos e enviá-los pela Europa para captarem novas imagens. Neste contexto, surge a filmagem da Coroação do Czar Nicolau II, considerado a primeira reportagem cinematográfica5. Em Portugal, o cinema fez a sua primeira aparição em meados de junho de 1896, projetado na tela do real coliseu de Lisboa pela manus de Erwin Rousby, ou o electricista de Budapeste. Os temas apresentados variavam, a saber: Baile Parisiense, A Ponte Nova em Paris, O Comboio ou Dança Repentina. De referir Aurélio da Paz dos Reis, considerado o primeiro realizador português, autor do filme Saída do Pessoal da Camisaria Confiança, tido como a primordial película cinematográfica lusitana. A televisão, enquanto sistema eletrónico de reprodução de imagens e som de forma instantânea, surge em 1923. As primeiras transmissões aparecem nos EUA pelo ano de 1931. Na Europa, o primeiro serviço de alta definição apareceu na Alemanha em março de 1935, mas apenas disponível em 22 salas públicas. O uso da televisão aumentou exponencialmente depois da Segunda Guerra Mundial, tendo a visualização a cores surgido em 19546. Em Portugal, as emissões regulares começaram a verificar-se no ano de 1957 e em 1980 apareceu a primeira transmissão a cores no contexto da transmissão do Festival RTP da Canção7. Relativamente ao computador, se em 1944 foi construído o primeiro computador eletrónico (Mark I), em 1977 surgiu a divulgação generalizada desse meio (Commodore PET) enquanto uso pessoal do mesmo8, tendo em 1983 surgido para fins civis a rede de comunicação mundial entre vários computadores através de linhas comuns (internet), que, na década seguinte alcançou a utilização internacional e o uso de um interface gráfico e a criação de sites dinâmicos (World Wide Web)9. Destarte, atualmente o ser humano é confrontado, desde tenra idade, com recursos audiovisuais gerando uma predisposição para a utilização dos mesmos. Assim, conco5 http://www.webcine.com.br/historia1.htm - visualizado em 09.06.2013 6 http://pt.wikipedia.org/wiki/Televis%C3%A3o – visitado em 09.06.2013. 7 http://www.slideshare.net/Jacket25/a-historia-da-televiso - visualizado em 09.06.2013. 8 http://abccomputador.no.sapo.pt/historia.htm - visualizado em 09.06.2013. 9http://www.slideshare.net/Bugui94/a-histria-da-internet-presentation-916691 - visualizado em 9.06.2013.
FACULDADE DE LETRAS UNIVERSIDADE DO PORTO 19 mitante com o processo de crescimento, a variedade de meios tecnológicos suscetíveis de serem utilizados vai aumentando tornando-se, esses meios de comunicação, as suas principais fontes de conhecimento. A escola não pode ficar alheada dessa realidade. Surge, então, a necessidade de incorporar as práticas tecnológicas vivenciadas pelos jovens estudantes no processo de ensino e de aprendizagem10. De facto, sendo os meios supramencionados preferidos na vivência quotidiana discente, a utilização de meios audiovisuais, enquanto recursos na prática letiva, torna-se necessária, na tentativa de prender a atenção do aluno, e fazer com que os temas abordados sejam mais cognoscíveis11. Em face da revolução tecnológica audiovisual operada nos meandros do século XX e em constante mutação, o processo educativo não pode passar à margem dessa realidade. Na verdade, o aluno deixa de ser um mero recetáculo da informação emanada pelo mestre, para tornar-se construtor do seu próprio conhecimento com a orientação do docente12. A educação não deve ser centrada no professor que na utilização exclusiva do manual faz dele o seu único recurso. O processo ensino-aprendizagem deve envolver a produção de textos em imagem-som e a consequente difusão de conhecimentos que possam ter legitimidade, confiabilidade e valor epistemológico, tais como outras fontes usadas em sala de aula. Assim, os recursos audiovisuais ocupam, atualmente, um lugar estratégico na dinâmica letiva13, devendo o professor utilizá-los no contexto escolar. 10 DARCY, Viglus – O filme na sala de aula: um aprendizado prazeroso, pág. 4. 11 SOUZA, Thyago Ruzemberg Gonzaga –Refletindo sobre os documentários em história; II Congresso Internacional de História da UFG/Jataí, pág. 1. 12 COSTA, Rafael Nogueira – A produção de documentários no ambiente escolar; Macaé, n.º 7 2009, pág. 44. 13 SALES, Eric – História e documentários: Reflexões para o uso em sala de aula; In Revista Solta a Voz, v. 20, n.º 2, pág. 234.
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FACULDADE DE LETRAS UNIVERSIDADE DO PORTO 21 2. A utilização didática de meios audiovisuais O desenvolvimento científico-tecnológico operado nas últimas décadas do século XX possibilitou ao docente o uso de tecnologia, de forma a aprimorar a diversidade de estratégias pedagógicas14. A utilização de documentários e filmes no contexto letivo é uma realidade atual. Embora se refira que, em 1912, no colégio Pedro II (Brasil), um professor de História, Jonathas Serrano, tenha procurado incentivar os seus colegas a utilizarem filmes de ficção ou documentários para facilitar a aprendizagem atinente à disciplina de História, tal situação, dada a escassez de meios, era pontual15. Anos mais tarde, em Portugal, em Fevereiro de 1932, pelo Decreto n.º 20859, reconhecia-se que a cinematografia desempenhava “uma função de muito relevo na educação dos povos, e nenhum país culto existe onde este elemento de educação não faça parte do ensino oficial”. Nesse sentido, e com o intuito de “promover e fomentar nas escolas portuguesas o uso do cinema como meio de ensino e de proporcionar ao público em geral a apreensão fácil de noções úteis das ciências positivas, das artes, das indústrias, da geografia e da história”, criou-se uma comissão do cinema educativo, na dependência do Ministério da Instrução Pública16. Não obstante a relevância atribuída pelo sistema educativo português ao cinema, a realidade é que a utilização deste meio tecnológico pressupõe uma rede escolar devidamente equipada o que, no caso lusitano, é relativamente recente. A utilização de audiovisuais na sala de aula é uma forma de o docente captar a atenção e o interesse dos alunos pelos conteúdos programáticos, através de meios de uso diário e atrativo usado pelos alunos. Assim, o professor não se pode limitar a ser ouvido segundo o ideal por si criado. Tem de conhecer a realidade discente, ir ao encontro dela e 14 NUNES, Nei António – O uso de filmes e documentários no ensino da bioética: considerações metodológicas, pág. 2. 15 SALES, Eric – História e documentários: Reflexões para o uso em sala de aula; In Revista Solta a Voz, v. 20, n.º 2, pág. 235. 16 Decreto n.º 20.859. Diário do Governo N.º 30, I Série, de 4 de Fevereiro de 1932, pág. 250.
22 despertar a curiosidade pela matéria letiva cuja avaliação revelará o êxito da aprendizagem perpetrada. Os alunos querem interagir, produzir e criar. O mero papel passivo leva à indiferença pelos conteúdos letivos. Se a elaboração de trabalhos de grupo pode despertar essa realidade, a utilização de meios audiovisuais na construção dos mesmos aumenta o interesse dos alunos. Neste sentido, a elaboração de um filme ou documentário pelos alunos leva os discentes envolvidos a aprofundarem o tema e a captar a atenção e interesse dos restantes alunos na apresentação do filme ou documentário elaborado17. Se considerarmos que o uso de um filme ou de um documentário pode ter o valor didático similar ao de um texto discutido em sala, isto significa que o conteúdo proposto no audiovisual tem tanta importância e merece, apesar de suas diferenças em relação aos textos, o mesmo rigor e cuidado na sua análise18. Muitas vezes a utilização de filmes ou documentários é vista pelo corpo docente, que não as usa, como uma forma leviana de lecionar, pressupondo a visualização dos mesmos sem qualquer contexto prévio. No entanto, cumpre referir que no uso pedagógico de audiovisuais, não devemos ignorar que uma análise crítica deve considerar, em termos metodológicos, o contexto letivo. O docente, ao utilizar como recurso um meio audiovisual, deve estar consciente do contexto sócio-histórico e intelectual no qual foi concebido. Só desta maneira poderá realizar satisfatoriamente a composição do material audiovisual com as metas de aprendizagem da disciplina19. Acresce, que a utilização de audiovisuais deve ser realizada de forma rigorosa. De facto, face à existência de interesses dominantes de índole religiosa, política e económica na produção de filmes, documentários ou programas televisivos a veracidade dos factos constantes nos mesmos deve ser aferida pelo docente com especial cuidado. A título de 17 COSTA, Rafael Nogueira – A produção de documentários no ambiente escolar; Macaé, n.º 7 2009, págs. 36, 37 e 38. 18 NUNES, Nei António – O uso de filmes e documentários no ensino da bioética: considerações metodológicas, 5. 19 Idem, pág. 5.
FACULDADE DE LETRAS UNIVERSIDADE DO PORTO 23 exemplo, refere Marc Ferro que na história da Polónia (soviética) o papel dos russos diferia consoante fosse contada em casa ou ministrada na escola20. O uso de meios audiovisuais como recursos didáticos, tal como suprarreferido, facilita a aprendizagem, motiva21 os alunos no interesse pelos conteúdos da disciplina sem que substitua o professor mas, como diria Almeida, faculte um momento de alfabetização mediática22. 20 FERRO, Marc,– A manipulação da história no ensino e nos meios de comunicação; tradução Vladimir Araújo; S. P. 1983, pág. 12. 21 DARCY, Viglus – O filme na sala de aula: um aprendizado prazeroso, pág. 6. 22 Citado por DARCY, Viglus pág. 4.
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FACULDADE DE LETRAS UNIVERSIDADE DO PORTO 25 3. A utilização de documentários no contexto escolar 3.1. A importância da utilização de documentários no processo ensinoaprendizagem Dos audiovisuais suscetíveis de serem utilizados no processo ensino-aprendizagem, importa referir o documentário enquanto peculiar recurso didático. De facto, o documentário procura reconstituir os factos, acontecimentos e personagens históricas, envolvendo-os em uma narrativa. Geralmente, no documentário são vertidos depoimentos de pessoas ligadas ao tema. Utiliza um narrador, que superintende o desenrolar dos acontecimentos, tornando o conteúdo abordado mais facilmente compreensível pelo aluno23. Todavia, os documentários e respetiva utilização não é unanime a nível doutrinal. Segundo Cristiane Nova “os documentários, não obstante a sua aparente objetividade, também são representações sobre o passado e como tais devem ser tratados”24. Para Fernão Pessoa Ramos “o que difere um filme de ficção de um documentário é que este faz asserções ou proposições tangentes ao mundo histórico. Pode-se dizer que o documentário é uma forma de narrativa que utiliza o recurso fílmico e estilos diversos para passar sua mensagem”. Assim, ao estabelecer asserções relativas ao mundo, o documentário admite procedimentos que o singularizam com relação ao campo ficcional. O documentário, antes de tudo, é definido pela intenção do autor de fazer um documentário25. Nöel Carroll define documentário como um filme não-ficcional, uma película de asserção pressuposta, que seria um filme que “se e apenas envolve uma intenção de sentido por parte do cineasta que fornece a base para a compreensão de sentidos pelo público, 23 SOUZA, Thyago Ruzemberg Gonzaga –Refletindo sobre os documentários em história; II Congresso Internacional de História da UFG/Jataí, pág. 3. 24 SALES, Eric – História e documentários: Reflexões para o uso em sala de aula; In Revista Solta a Voz, v. 20, n.º 2, pág. 237. 25 Citado por SALES, Eric pág. 237.
32 mentais em que assenta essa tomada de consciência do tempo social, estimulando-o a construir o saber histórico através da expressão de «ideias históricas» ”49. Num período caracterizado por transformações rápidas e profundas, em que as ciências e a tecnologia progridem a um ritmo bastante acelerado, a educação deve estar, permanentemente, em movimento e inovar sem cessar50. Neste sentido, os conteúdos históricos devem ser desenvolvidos de maneira a se atingir o salutar sucesso no processo ensino-aprendizagem e em sintonia com as transformações, onde se subsume os recursos didáticos o professor deverá saber encontrar diferentes estratégias. Nessa esteira, os documentários surgem, na disciplina de História, como uma mais-valia singular em possibilitar os alunos aferirem visualmente no presente os factos realizados no passado. Concomitantemente, ao utilizar esse recurso audiovisual o docente injeta vida num passado morto, em que a voz do narrador associada à do professor, alerta para que o passado visualizado é fruto da construção de quem o realiza no presente. Assim, enquanto num filme quem o visualiza pode ficar com a ideia que a trama visionada corresponde inextricável e totalmente à realidade passada, num documentário a presença do narrador acentua, ao spectator, a existência de um realizador. O documentário, ao contrário do filme de ficção, ajuda a desconstruir a ideia, relativamente comum, de que eles são um retrato fidedigno da realidade ou que os acontecimentos de que eles versam se passaram exatamente como são relatados51. É importante o professor diferenciar na metodologia utilizada na sala de aula, apresentar ao aluno uma diferente proposta de este “ler” a História e entender os diferentes prismas nesta contantes – seja num filme, documentário ou manual52. 49 Ministério da Educação – Currículo Nacional do Ensino Básico – História, 2001, pág. 87. 50 MONTEIRO, Miguel – Cinema e História. Lisboa: Centro de História da Universidade de Lisboa, 2004, págs. 10 e 11. 51 SALES, Eric – História e documentários: Reflexões para o uso em sala de aula; Revista Solta a Voz, v. 20, n.º 2, pág. 242. 52 Idem, 245.
FACULDADE DE LETRAS UNIVERSIDADE DO PORTO 33 3.3 A utilização de documentários em Geografia O ensino da Geografia é importante porque coloca os alunos no processo de ensinoaprendizagem, num contexto cultural particular, onde se dá especial ênfase à compreensão e atinente sensibilização do mundo físico e humano que o rodeia. De facto, através do estudo da Geografia, os alunos estabelecem contacto com diferentes sociedades e culturas num contexto espacial, o que os ajuda a perceber de que forma os espaços se relacionam entre si53. Se, como supra referido, a utilização de documentários é importante no ensino da disciplina de História, possibilitando a articulação do passado com o presente de forma visualmente percetível, tal importância também se verifica em sede da disciplina de Geografia. De facto, através da utilização de documentários o discente consegue ter uma melhor consciência do mundo humano e físico que o envolve. Tendo a Geografia a preocupação em localizar, descrever, explicar e comparar fenómenos que resultam da interação homem-meio e que se materializam em paisagens, os meios audiovisuais e, no caso em apreço, os documentários cumprem uma importante função como recurso didático e como instrumento de análise geográfica em si mesmo54. 53 Ministério da Educação – Currículo Nacional do Ensino Básico, Geografia, pág. 5. 54 MARISA, Tavares Ferreira – Vem e vê. A utilização do filme no processo de ensino-aprendizagem de História e de Geografia. Porto: FLUP, 201; pág. 32.
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FACULDADE DE LETRAS UNIVERSIDADE DO PORTO 35 Parte II Enquadramento metodológico do Estudo 1. Caracterização do contexto escolar 1.1 Caracterização da Escola Secundária Serafim Leite A escola na qual realizei a Iniciação à Prática Profissional do Curso de Mestrado em Ensino de História e Geografia no 3º ciclo do Ensino Básico e Ensino secundário foi a Escola Secundária Serafim Leite, sita em São João da Madeira, distrito de Aveiro. É uma cidade com uma área total de 8,1 km2 com uma forte urbanização e uma população de 21713 habitantes. Detém apenas uma freguesia, com o mesmo nome e distribui-se por 21 lugares. Relativamente aos seus limites geográficos, a cidade de São João da Madeira apresenta-se limitada a Norte e a Oeste pelo concelho de Santa Maria da Feira (freguesias de Milheirós de Poiares e Arrifana, respetivamente), a Sul pelo Concelho de Oliveira de Azeméis (freguesias de Cucujães e Vila – Chã de S. Roque) e a nascente, também é limitada pelo Concelho de Oliveira de Azeméis (freguesias de Macieira de Sarnes e Nogueira do Cravo). É com os concelhos de Santa Maria da Feira, Oliveira de Azeméis, Vale de Cambra e Arouca que São João da Madeira forma o Agrupamento de Concelhos de Entre Douro e Vouga, com os quais desenvolve fortes interações tanto de âmbito económico como social e cultural. Corresponde geograficamente à unidade territorial (NUT) de Entre Douro e Vouga. No que concerne às vias de comunicação de que a cidade beneficia de importantes vias de comunicação, tais como a A1, IP5, IC2, EN1 e A32. Quanto aos principais Sectores de Atividade, predominam os Setores Secundário e Terciário, sendo de realçar a especialização da indústria no sector do calçado. O nascimento da escola começou a delinear-se a 24 de Janeiro de 1957. Apesar da criação da Escola já estar prevista no Decreto-Lei nº 36409, de 11 de Janeiro de 1947, só então S. João da Madeira apresentava as condições essenciais para que tal se tornasse
36 uma realidade, uma vez que a sua população se situava perto dos 11 mil habitantes, graças a uma indústria próspera (chapelaria, calçado e metalurgia) e a um comércio em expansão. Nos primeiros meses de 1958 foi publicado o diploma que criou a Escola Industrial de S. João da Madeira, ficando dotada somente com o Ciclo Preparatório, uma vez que as suas instalações, naquela altura, não asseguravam o funcionamento de todas as atividades. Estabelecidos os moldes para o funcionamento da Escola, a partir de Outubro de 1958, foram abertas as matrículas para o exame de admissão para o ingresso no Ciclo Preparatório. A escola é constituída por seis grandes blocos, a saber: bloco principal, bloco oficinal, bloco do ginásio, biblioteca, auditório e a cantina. A sala de aula, onde se leciona a disciplina de Geografia (sala. 22), encontra-se equipada com computadores (um computador por dois alunos), quadro interativo e um conjunto de software de apoio à disciplina, para além de possuir televisor, leitor de cassetes/DVD, retroprojetor e projetor multimédia, acesso à internet, proporcionados pelo recente projeto em que a escola esteve envolvida, uma vez que foi, no Norte do país, a única escola alvo de intervenção da primeira fase do Plano Tecnológico da Educação. Acresce que a sala de Geografia beneficia também de mapas, atlas, globos, manuais escolares e de um conjunto de referências bibliográficas pertinentes para a disciplina. No que concerne à disciplina de História, nas salas onde é lecionada nem todas as turmas beneficiam dos mesmos recursos. A escola é frequentada por cerca de 1000 alunos, distribuídos por 38 turmas no ensino regular e 8 turmas no ensino noturno. A nível de corpo docente e não docente a escola em apreço é constituída por mais de uma centena de professores, 28 assistentes operacionais e 7 assistentes técnico-administrativos, bem como um conjunto de serviços de apoio às atividades letivas. O Projeto Educativo de Escola (2010-2013) é um plano estratégico, um ponto de referência, que expressa a identidade e autonomia da Escola Secundária Serafim Leite,
FACULDADE DE LETRAS UNIVERSIDADE DO PORTO 37 enquanto entidade e comunidade educativa. É um documento orientador com a missão de assegurar a coerência e a unidade de ação educativa. O projeto educativo da escola em análise tem como principais alicerces jurídicos o Decreto-Lei nº75/2008, de 22 de Abril; o Estatuto da Carreira Docente; o Estatuto do Aluno; a Carta Educativa Municipal; a Documentação produzida pelo GAP, de Junho de 2010 – “Análise Interna da Escola”. Declaração Universal dos Direitos Humanos; a Constituição da República Portuguesa; a Lei de Bases do Sistema Educativo; a Declaração de Salamanca; a Declaração Universal dos Direitos da Criança; a Convenção sobre Direitos da Criança; a Declaração Mundial sobre Educação para todos; o Tratado de Lisboa. Os principais objetivos do projeto educativo em questão são: garantir o sucesso educativo; fomentar a integração escola / comunidade; promover a qualidade e qualificação dos agentes da escola; simplificar os procedimentos organizacionais. O Projeto Curricular de Escola torna, de acordo com as principais funções atribuídas à escola, possível a reconstrução do currículo nacional com vista à sua adequação às situações, às características e aos contextos em que se concretiza. Assim, o Projeto Curricular da Escola Secundária Serafim Leite tem como principais objetivos: cumprir a função socializadora da escola na procura de respostas ajustadas aos diferentes públicos que a frequentam, em permanente diálogo com a família; contribuir para que os alunos, cumprindo o nível de escolaridade, adquiram as ferramentas fundamentais (aprendizagens, competências, atitudes, valores), que lhes permitam construir percursos que, embora diversos, facultem a cada um, no futuro, a autonomia necessária a uma opção de vida com dignidade; construir o quotidiano de escola num exercício permanente de direitos e deveres de cidadania para todos quantos nela convivem; proporcionar aos jovens o domínio de técnicas de informação, condição fundamental numa sociedade em rápida evolução, para uma formação ao longo da vida em especial com recurso às TIC.
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FACULDADE DE LETRAS UNIVERSIDADE DO PORTO 39 1.2. Caracterização das turmas No presente ano letivo e, de acordo com a distribuição de serviço atribuída aos docentes orientadores e com a respetiva compatibilidade de horários entre todos os intervenientes lecionei, em sede de Geografia a turma do 8º A e em História, as turmas do 9º B e 10º F. As turmas que visualizaram o documentário em apreço foram o 8ºA (Geografia) e 9º B (História). A turma do 8º A é composta por 20 alunos, sendo 12 rapazes e os restantes raparigas. A turma é bem comportada, anuindo às solicitações docentes efetuadas e os discentes repetentes revelam bom comportamento e empenho no processo de ensinoaprendizagem. De registar que dois alunos, ao longo do terceiro período, pautaram-se pela ausência às aulas. A aula de Geografia é ministrada à quarta-feira, das 8.30 às 10.00. A turma do 9º B é constituída por 28 alunos, 12 do sexo masculino e 16 do sexo feminino, com idades compreendidas entre os 13 e os 15 anos. Apenas três alunos vieram de escolas de concelhos limítrofes de S. João da Madeira, os restantes alunos transitaram do 8º B da Escola Secundária Serafim Leite. Existe uma aluna a frequentar o ensino articulado de música e seis alunas a frequentar o ensino articulado de dança. Trata-se de uma turma heterogénea que se destaca por um comportamento bastante diferenciado entre os alunos que a compõe. A disciplina de História é lecionada na terça-feira (13.4014.25) e na quinta-feira (17.00-18.30).
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FACULDADE DE LETRAS UNIVERSIDADE DO PORTO 41 2. A utilização de documentários no estágio pedagógico nas disciplinas de História e Geografia 2.1 Os documentários utilizados no estágio pedagógico na disciplina de História Ao longo do presente ano letivo, nas aulas de História que lecionei sobre a orientação da professora Gina Martins, utilizei vários recursos audiovisuais, atribuindo especial importância aos documentários. Destarte, durante o primeiro período, lecionei quatro aulas ao 9º ano turma B. Na primeira aula, lecionada no dia 8 de novembro de 2012, sob o sumário Da Rússia dos czares à Rússia dos sovietes: análise das causas da revolução russa de 1917, utilizei a visualização parcial do documentário Revolução Russa. Primeiro enquanto motivação (10m), e depois, no decurso da aula, apresentei a restante parte do documentário (13m). O documentário A revolução Russa insere-se numa coletânea de cassetes VHS O século do povo editada pela Ediclube em 1997. Através de testemunhos diretos dos seus protagonistas são apresentadas as condições atinentes à queda da monarquia imperial russa. Na aula seguinte, lecionada no dia 12 de novembro de 2012, cujo sumário era Análise biográfica de Nicolau II, Lenine e Estaline, os alunos apresentaram trabalhos que versaram sobre a biografia destas personalidades históricas. Na aula lecionada no dia 15 de novembro de 2012, tendo como sumário Crise e queda da monarquia, utilizei como motivação o documentário Portuguese Monarchy (10m) e, no decurso da aula, a visualização parcial do episódio 4 O dia do Regicídio (5m). Concomitantemente, enquanto os alunos realizavam uma ficha de trabalho, passei a banda sonora do Hino da Carta (hino monárquico português), tendo como pano de fundo a projeção da bandeira da monarquia (1m.40s). Este hino foi composto por D. Pedro IV em 1826, escrito em homenagem à Carta Constitucional de 1826, e esteve em vigor entre 1834 e 1910. O documentário Portuguese Monarchy, elaborado por Novaskosia, tem a duração de 10 minutos e 25 segundos. Ao longo do documentário, legendado em inglês, é apresentada a histórica monárquica portuguesa (1143-1910) com os principais
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FACULDADE DE LETRAS UNIVERSIDADE DO PORTO 49 3.2 Contexto programático do documentário Ganhar o Pão (Retrato Social) O documentário em apreço subsume-se nos conteúdos programáticos ínsitos ao 8º ano (Geografia) e 9º ano (História). Relativamente a Geografia, utilizei o documentário como motivação à unidade letiva Atividades Económicas. Nesta unidade didática, aborda-se a diversidade das atividades económicas, a importância dos recursos para as atividades económicas, a agricultura, a pecuária, a pesca, a indústria, o comércio e os serviços. No que concerne a História, a abordagem económico-social plasmada neste documentário insere-se na unidade didática K Do segundo após-guerra aos desafios culturais do nosso tempo, no ponto 3 Portugal: do autoritarismo à democracia mais concretamente Os problemas do desenvolvimento económico: a integração europeia. Antes da visualização, efetuei o respetivo enquadramento do documentário, nomeadamente a formação académica e filiação partidária do autor, os depoimentos apresentados, fazendo articulação com a matéria lecionada e a lecionar – antes e após o 25 Abril, inserção na C.E.E. (História); distribuição da população, movimentos migratórios, diversidade cultural, áreas de fixação humana e respetiva confluência nas atividades económicas (Geografia). Informei os discentes que, após a visualização parcial do documentário, realizariam uma ficha de trabalho tendo para o efeito 15 minutos. Referi que, durante o visionamento do documentário, ser-lhes-ia facultado a possibilidade de tirar apontamentos, podendo usar os mesmos na realização da ficha de trabalho. Os alunos visualizaram apenas os primeiros 22:20 min. do filme. A opção prendeu-se com o facto de o documentário ser muito denso no que à informação disponibilizada diz respeito. Embora utilize o depoimento de várias pessoas, prendendo a atenção dos espetadores, visualizar o documentário na totalidade poderia gerar uma aprendizagem difusa dos conceitos nele abordados. A ficha de trabalho está dividida em cinco partes, a saber: a primeira, constituída por quatro questões, incide sobre a identificação do documentário (nome do documentário, nome do realizador, ano da produção e o canal televisivo em que foi transmitida); a segunda parte, contendo cinco questões, aborda as atividades económicas e a escolari-
50 dade verificada em Portugal antes do 25 Abril (estado da agricultura nos anos 50, a motivação dos portugueses subjacente ao abandono dos campos, o setor económico dinamizado nos anos 60, a escolaridade das pessoas referidas no documentário e a falta de mão-de-obra em 1974); a terceira parte, com cinco questões, versa sobre Portugal pós 25 Abril (a alteração económica operada em 1986, o setor económico dos três entrevistados visionados, os produtos adequados a serem produzidos no Alentejo, as principais profissões dinamizadas e o projeto hídrico construído no Alentejo); no quarto grupo, o aluno era confrontado com cinco afirmações tendo de assinalar Verdadeiro ou Falso nas mesmas e corrigir as falsas; no último grupo de questões, os discentes eram solicitados a emitirem a sua opinião sobre a visualização de documentários.
FACULDADE DE LETRAS UNIVERSIDADE DO PORTO 51 3.3 Metodologia e resultados No dia 7 de maio, procedi à projeção dos primeiros 25 minutos do filme à turma do 9º. Estiveram presentes 27 alunos. A aula foi lecionada a uma terça-feira, entre as 13.40 e as 14.25. Após a contextualização acima mencionada, os primeiros vinte e cinco minutos da aula foram dedicados à visualização do documentário e os últimos quinze à realização da ficha de trabalho.
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54 No que respeita à identificação do documentário, era solicitado aos alunos que expressamente dissessem o nome do documentário (1.1 – Ganhar o pão), o nome do realizador (1.2 – Joana Pontes), o ano de produção (1.3 – 2007) e o canal televisivo em que foi transmitido (1.4 – RTP1). Face às respostas efetuadas foi possível construir a seguinte tabela: Tabela 1 – Identificação do documentário Questão Respostas Corretas Respostas Incompletas Respostas Incorretas Sem resposta 1.1 27 0 0 0 1.2 15 0 9 3 1.3 0 0 24 3 1.4 13 14 0 0 À primeira questão todos os alunos responderam de forma correta. Era fácil e estava percetível na ficha de trabalho. Na segunda questão os alunos responderam maioritariamente de forma correta. Alguns (seis) confundiram o realizador (Joana Pontes) com o autor (António Barreto) e três nada responderam. A resposta à terceira questão estava no final do documentário, pelo que não era possível, aos vinte e cinco minutos de visionamento, que os alunos respondessem à mesma. No entanto é curioso observar que 23 alunos tentaram responder, dez alunos colocando a data de 1950, dois 1974, quatro 2002, e sete 2005. Na última questão, treze alunos responderam certo e catorze incompleto. A resposta correta era RTP1, considerei incompleto os alunos que colocaram RTP. Face aos resultados apresentados é de inferir que os alunos estiveram atentos e, se retirarmos a terceira questão, num universo de 78 possíveis respostas corretas, 54 estiveram certas, 14 incompletas, 6 incorretas e 3 sem resposta. O segundo grupo de questões versava sobre o estado económico e a escolaridade da sociedade portuguesa antes do 25 Abril. Interpelava-se os discentes para descreverem o estado da agricultura nos anos 50 (2.1 agricultura atrasada e pouco modernizada), a razão que motivou os portugueses a abandonarem os campos (2.2 pobreza de quem
FACULDADE DE LETRAS UNIVERSIDADE DO PORTO 55 vivia da agricultura, as cidades começaram a crescer, emigração), identificassem o setor que foi dinamizado nos anos 60 (2.3 setor secundário - indústria), indicassem o nível de escolaridade das pessoas referidas no documentário (2.4 2º, 3º e 4º ano de escolaridade) e comentassem a frase Em 1974, faltava mão-de-obra e toda a gente tinha emprego (2.5 faltava mão de obra fruto da emigração e do desenvolvimento operado na indústria e no turismo). Tabela 2 – Antes do 25 de Abril Questão Respostas Corretas Respostas Incompletas Respostas Incorretas Sem resposta 2.1 6 10 11 0 2.2 9 13 5 0 2.3 11 4 2 10 2.4 0 27 0 0 2.5 7 7 11 2 Todos os alunos responderam à primeira questão, embora se verificasse um substancial número de respostas incorretas (11) o que revela que os alunos tiveram alguma dificuldade na compreensão do documentário ou com pouca atenção ao mesmo. Na segunda questão, verifica-se uma diminuição das respostas incorretas e um paralelo aumento das respostas corretas e incompletas. O setor dinamizado nos anos 60 foi a indústria. No entanto, admiti como resposta correta, à questão 2.3, quem colocasse o setor terciário, na medida em que no documentário se atribui um grande enlevo ao turismo nos anos 60, podendo tal facto ter gerado confusão nos discentes. Assim, das 11 respostas tidas como corretas, sete diziam indústria, duas setor terciário e duas indústria e serviços. Nas incompletas todas (4) referiram calçado. De registar que 10 alunos não responderam. Em relação ao nível de escolaridade, todos os alunos responderam níveis iguais ou inferiores ao 4º ano de escolaridade, não concretizando todos os visualizados (2º, 3º e 4º
56 ano). Na última questão, era solicitado aos alunos que, de acordo com o documentário, comentassem uma frase. De assentar, que 11 alunos responderam de forma incorreta. O terceiro grupo de questões aborda as atividades económicas dinamizadas após o 25 abril. Assim, era perguntado aos alunos que: indicassem a grande alteração económica operada em 1986 (3.1 entrada de Portugal na Comunidade Económica Europeia); identificassem o setor económico dos três entrevistados visionados (3.2 setor secundário – industria); referissem 3 produtos adequados a serem produzidos no Alentejo (3.3 vinho, azeite, carne de porco preto); enumerassem três profissões dinamizadas após o 25 Abril (3.4 bancário, professor, enfermeiro, e demais profissões ligadas aos seguros, correios, turismo, saúde e ensino); enunciassem o projeto hídrico construído no Alentejo (3.5 barragem do Alqueva). Tabela 3 – Depois de 25 Abril de 1974 Questão Respostas Corretas Respostas Incompletas Respostas Incorretas Sem resposta 3.1 2 0 8 17 3.2 7 2 4 14 3.3 3 9 7 8 3.4 0 13 0 14 3.5 0 7 1 19 Este foi o grupo em que os alunos menos responderam. Num universo de 135 respostas possíveis, apenas 12 alunos responderam de forma correta, 31 de forma incompleta, 20 de maneira errada e 64 nada responderam. O cômputo global deste grupo foi manifestamente negativo. A ausência de respostas e a forma incorreta como responderam prende-se, do meu ponto de vista, com a falta de atenção dos alunos. O documentário era explícito sobre a temática abordada nas questões. Na primeira questão apenas 2 alunos responderam de forma correta. Na segunda questão sete alunos responderam de forma correta. Dois alunos responderam de forma incompleta, na medida que escreveram cal-
FACULDADE DE LETRAS UNIVERSIDADE DO PORTO 57 çado e setor têxtil. Os entrevistados, em relação aos quais os alunos tinham sido alertados, pertenciam à CUF (produtos químicos), ao calçado e à metalurgia. De registar que 14 alunos não responderam. No que respeita à terceira questão, três alunos responderam corretamente, nove de forma incompleta, sete incorretamente e 8 não responderam. Importa referir que considerei como incompletas as respostas que os alunos misturaram corretas com erradas (ex. gado, cereais e vinha). Na quarta questão, 13 discentes responderam incorretamente e 14 não responderam. Na última questão, a resposta era a construção da barragem do Alqueva. Nenhum aluno assim respondeu. Sete discentes escreveram barragens, um indústria e 19 não responderam. O quarto grupo de questões é constituído por cinco afirmações em relação às quais os alunos tinham de colocar verdadeiro (V) ou falso (V) e redigir corretamente as mesmas. As afirmações eram as seguintes: Portugal consome 1/5 do que produz (4.1 V); o Alentejo é adequado à produção de cereais (4.2 F O Alentejo é adequado à produção de vinho, azeite, carne de porco preto); nos anos 50 era um país industrializado (4.3 F Nos anos 50 era um país agrícola); as vantagens económicas da entrada de Portugal na C.E.E. suplantaram as perdas das colónias (4.4 V); atualmente a maioria dos portugueses trabalha na agricultura e na atividade piscatória (4.5 F Atualmente a maioria dos portugueses trabalha no setor terciário – serviços e turismo). Tabela 4 – Verdadeiro / falso Questão Respostas Corretas Respostas Incompletas Respostas Incorretas Sem resposta 4.1 20 -------- 6 1 4.2 0 3 24 0 4.3 5 19 3 0 4.4 21 -------- 4 2 4.5 11 5 5 6
64 Destarte, face aos resultados sistematizados nas três tabelas, verificamos que: os alunos gostam de visualizar documentários; é importante fomentar esse hábito cultural; o uso de documentários, potencia a aprendizagem. Não obstante, é suscetível de gerar um saber fragmentado/ difuso. Cabe, pois, ao docente contextualizar previamente o documentário a ser visualizado e sintetizar a informação disponibilizada no documentário, traduzida num registo escrito das ideias essenciais a serem apreendidas no processo ensino-aprendizagem. No dia 8 de maio procedi à projeção dos primeiros 25 minutos do filme à turma do 8º A. Estiveram presentes dezassete alunos tendo um discente chegado atrasado. A aula foi lecionada a uma quarta-feira, entre as 08.30 e as 10.00. Após a contextualização suprarreferida, os primeiros vinte e cinco minutos da aula foram dedicados à visualização do documentário seguindo-se quinze para a realização da ficha de trabalho. Tabela 8 – Identificação do documentário Questão Respostas Corretas Respostas Incompletas Respostas Incorretas Sem resposta 1.1 9 8 0 0 1.2 5 1 7 4 1.3 0 0 8 9 1.4 8 9 0 0 Na primeira questão nove alunos identificaram o documentário em concreto – Ganhar o Pão e oito alunos identificaram a série (Portugal, um retrato social, não concretizando o episódio visualizado). A resposta estava na própria folha da ficha de trabalho revelando pouca atenção destes últimos discentes. No que respeita à segunda questão cinco alunos responderam corretamente, um de maneira incompleta, sete alunos confundiram realizador com autor (António Barreto) e quatro não responderam. Relativamente à terceira questão nove alunos não responderam e oito inventaram datas (1950 – duas vezes; 1974 – quatro vezes; 1990 – duas vezes). É curioso observar que as datas iguais foram respondidas por alunos que se encontravam na mesma carteira, donde se pode inferir que
FACULDADE DE LETRAS UNIVERSIDADE DO PORTO 65 copiaram. Tal como acima referido, a resposta à terceira questão estava no final do documentário, pelo que não era possível os alunos responderem à mesma. Na última questão, oito alunos colocaram RTP1 enquanto nove não identificaram o canal televisivo onde foi transmitido e apenas colocaram o nome da estação de televisão (RTP). Em face das respostas dadas pelos alunos é suscetível de se concluir que, no primeiro grupo de questões, não estiveram muito atentos na visualização do documentário na parte que se refere à identificação do mesmo. Tabela 9 – Antes do 25 de Abril Questão Respostas Corretas Respostas Incompletas Respostas Incorretas Sem resposta 2.1 3 5 7 2 2.2 1 12 3 1 2.3 3 1 10 3 2.4 0 15 0 2 2.5 0 8 5 4 Na primeira questão, sete alunos deram respostas completamente anacrónicas (ex. poucos trabalhavam na agricultura e menos nas pescas). Nota-se que alguns alunos foram confundindo os vários momentos plasmados ao longo do documentário. Relativamente à segunda questão, apenas uma pessoa respondeu de forma correta e uma não respondeu. Doze alunos responderam de maneira incompleta e três de forma incorreta. O nível elevado de respostas incompletas revela que os alunos não estiveram totalmente atentos mas pelo menos identificaram o âmago da questão. Na questão 2.3 fiquei surpreendido com o número de respostas incorretas (10), oito das quais identificavam a agricultura. Este facto demonstra que os discentes, tal como mencionado, confundiram os vários momentos do documentário. Na penúltima questão, dois alunos não responderam e quinze fizeram-no de forma incompleta, sendo de referir que catorze deles responderam
66 o 4º ano de escolaridade. Na questão 2.5 era solicitado um comentário a uma frase que destacava o estado de graça laboral no ano de 1974. Nenhum aluno conseguiu compreender o contexto desse momento, o que confirma alguma da confusão tida pelos alunos no processo de aprendizagem apenas transmitido pelo documentário. Note-se que, num total possível de oitenta e cinco respostas corretas, neste grupo de questões apenas se verificou sete respostas certas. Tabela 10 – Depois de 25 Abril de 1974 Questão Respostas Corretas Respostas Incompletas Respostas Incorretas Sem resposta 3.1 4 2 8 3 3.2 0 14 1 2 3.3 5 9 2 1 3.4 0 0 9 8 3.5 4 6 2 5 Na questão 3.1 quatro alunos responderam corretamente. A resposta correta era a integração de Portugal na Comunidade Económica Europeia (C.E.E.). Como tal admiti como incompleta a resposta de dois alunos que colocaram União Europeia na medida que só em 1993, com o Tratado de Maastricht, estabeleceu a União Europeia. Na segunda questão, catorze alunos identificaram indiretamente o setor económico, ao enumerarem a tipologia dos produtos laborados. Apenas um aluno respondeu de forma desconexa com o questionado ao escrever pobre. Dois alunos nada responderam tal como o fizeram noutras questões. Na situação 3.3, os alunos identificaram produtos adequados a serem produzidos no Alentejo, embora, de acordo com a última entrevista, não totalmente correto (ex. cereais) assinalando como incompleto os discentes que, a par de vinho e azeite, colocaram cereais. Na questão seguinte, nenhum aluno respondeu corretamente ou de forma incompleta. A resposta à questão em apreço estava colocada no início do documentário, momento que, pelas respostas atrás dadas, se deduz que os alunos não estavam com a devida atenção. A forma como os alunos responderam a esta
FACULDADE DE LETRAS UNIVERSIDADE DO PORTO 67 questão situa-se nessa esteira. Quatro alunos identificaram corretamente o projeto hídrico (barragem do Alqueva), seis escreveram barragem, dois alunos deram respostas incongruentes (Hotel, turismo) e cinco nada escreveram. Num total possível de oitenta e cinco respostas corretas apenas se verificaram treze – muito pouco. Neste grupo, tal como no anterior, o nível negativo pautado pela incorreção ou ausência de respostas foi elevado. Tabela 11 – Verdadeiro / falso Questão Respostas Corretas Respostas Incompletas Respostas Incorretas Sem resposta 4.1 14 -------- 2 1 4.2 4 5 8 0 4.3 9 5 2 1 4.4 14 -------- 3 0 4.5 3 11 2 1 O grupo de questões em análise envolve temáticas dos dois grupos anteriores. Interessa registar que as questões falsas (4.2, 4.3 e 4.5) foram aquelas que os alunos responderam menos de forma correta em virtude de ficar evidenciado que não conseguiram corrigir devidamente a frase. Assim, assinalavam corretamente como falsa a questão mas depois não conseguiam colocar corretamente a frase. Embora a soma das respostas corretas com as incompletas (65) seja superior à soma das incorretas com as sem resposta (20), este quadro possibilita-nos constatar a falta de atenção de muitos alunos traduzida na confusão argumentativa das respostas dadas.
68 Tabela 12 – Opinião do aluno CATEGORIA DESCRITORES N.º OCORRÊNCIAS Sentimento positivo apontado pelos alunos relativo à visualização do documentário 4 não responderam Considerei o documentário interessante/importante/explicativo 5 Sim, porque aprendi como era Portugal 4 Sim, porque nos ensina mais 1 Sim, porque é fixe 1 Simplesmente sim… 2 Face a análise das respostas dos alunos consubstanciadas nos descritores é de interpretar que, todos os alunos que responderam (treze discentes), gostaram de assistir ao documentário, dez dos quais consideraram o recurso relevante no processo ensinoaprendizagem: Sim, muito informativo e conheci mais sobre Portugal. Sim porque fez-me compreender a evolução da economia. Sim porque explica bem do que nós estamos a falar nas aulas. Depreende-se que os alunos, além de se mostrarem positivamente sensíveis ao uso de documentários, atribuem-lhe um efeito esclarecedor da matéria lecionada.
FACULDADE DE LETRAS UNIVERSIDADE DO PORTO 69 Tabela 13 – Opinião do aluno CATEGORIA DESCRITORES N.º OCORRÊNCIAS Hábito dos alunos em visualizar documentários Não tenho esse hábito/tempo/gosto 6 De vez em quando 1 Só quando dá na televisão 1 Sim, porque é importante/ gosto de aprender / tenho interesse / é fixe 5 Na análise da tabela 13, devo esclarecer que quatro alunos não responderam. Assim, face ao universo de treze respostas, cerca de metade não tem hábito de visualizar documentários: Não, porque não me lembro. Não, porque não gosto. Cinco alunos manifestam interesse e hábito na visualização dos mesmos: Sim, porque são importantes para a cultura geral. Na esteira da interpretação dos dados da tabela 6, importa o docente de história e geografia utilizar este recurso didático de forma a fomentar o hábito nos alunos de visionamento e prospeção dos mesmos nos meios tecnológicos disponíveis.
70 Tabela 14 – Opinião do aluno CATEGORIA DESCRITORES N.º OCORRÊNCIAS Experiência positiva de ensino-aprendizagem através da visualização do documentário 7 pessoas não responderam E 1 incongruentes Aprendi sobre a economia (industria/agricultura/pesca) 2 Aprendi sobre os tempos de antigamente 2 Aprendi que as pessoas trabalhavam muito cedo 2 Aprendi que Portugal era um país atrasado 1 Aprendi sobre antes e depois do 25 abril 1 De forma a se interpretar corretamente os dados da tabela em questão, é curial referir que 7 alunos não responderam e um atribuiu uma resposta destituída de sentido (aprendi a esperar) ante a questão interpelada – Na tua opinião, o que é que aprendeste com este documentário que de outra forma não saberias? Assim, em oito respostas suscetíveis de serem analisadas, todas consideraram que, através do visionamento do documentário, se operou uma aprendizagem: Aprendi que naquele tempo as pessoas trabalhavam muito cedo e longos anos. Que nós eramos um país muito atrasado na altura dos anos 50/60. A evolução da economia e o estado económico português. Sucede que, se confrontarmos com as tabelas 8, 9, 10 e 11 conseguimos aferir que, uma substancial parte das vezes, a aprendizagem realizada não é correta, o que, no segmento supra referido, é relevante a intervenção do docente na organização dos conhecimentos hauridos. Assim, o documentário visualizado por si só não é suficiente para o desejado sucesso no processo ensino aprendizagem.
FACULDADE DE LETRAS UNIVERSIDADE DO PORTO 71 Conclusão Ao longo da presente reflexão tive como objetivo aferir da importância da utilização de documentários no processo ensino-aprendizagem. Os alunos, desde muito cedo, contactam com diferentes meios audiovisuais. Concomitantemente, desde o primeiro ciclo que os discentes são confrontados com o mesmo recurso didático – manual escolar. Sendo a escola um meio cultural por excelência, importa que o processo de aprendizagem do aluno não descure a realidade cultural com que ele convive. Os audiovisuais são um recurso didático importante que não pode ser descurado no processo ensino-aprendizagem. Dentro dos meios em análise, os documentários assumem especial importância pela forma como possibilitam ao aluno aferir a realidade histórica e geográfica. A sua utilização pode ser diversificada, ou seja, no início da aula ou no início da unidade letiva, (enquanto motivação), ao longo da aula (enquanto análise dos conteúdos lecionados) ou no final (para consolidação dos conhecimentos). Os alunos não só contactam diariamente com os meios audiovisuais como o fazem com agrado. O uso destes na sala de aula vai ao seu encontro. Não obstante, importa que o docente que os ministra tenha sempre presente que a sua utilização não deve ser considerada uma forma de a aula ser lecionada sem ação do professor. O uso de documentários requer, pelo docente, uma contextualização prévia e uma síntese final, de forma a tornar indubitável a aprendizagem realizada. Acresce que, a utilização de documentários no contexto de sala de aula implica que o professor efetue uma pesquisa dos documentários existentes sobre a temática a lecionar para depois fazer a opção mais adequada à turma em concreto. Recordo-me que, durante o presente ano letivo, no âmbito da preparação das aulas, o momento mais moroso era o dedicado à pesquisa e visualização integral dos documentários. Por vezes, para escolher apenas dois ou cinco minutos, visionava o documentário de forma integral com a duração de sessenta, ou mais, minutos. Mas eram aqueles cinco
72 minutos escolhidos, e não outros, que eu considerava mais adequados ao processo ensino-aprendizagem. A utilização do documentário não deve ser encarada como uma substituição do professor ou alternativa ao manual da disciplina. O documentário é um instrumento didático do docente e um complemento do manual. Utilizado como motivação para a aula, para esclarecimento visual da matéria lecionada, enquanto diferente ponto de vista mas nunca como forma exclusiva. Na Iniciação à Prática Profissional, dinamizada na Escola Secundária Serafim Leite, utilizei, ao longo do ano letivo, a visualização de documentários em praticamente todas as aulas. Utilização essa, que foi realizada no início da aula (motivação), a meio da aula, de forma a esclarecer a matéria lecionada e no final da aula (síntese/consolidação). Foi possível perceber que os alunos simpatizam com esse recurso didático. Através da realização da ficha de trabalho atinente ao documentário Ganhar o pão tornou-se evidente que os alunos gostaram dessa experiência tendo os conteúdos visionados resultado numa aprendizagem. No entanto, cumpre referir que a aprendizagem realizada, apenas por esse meio audiovisual, sem explicação ou confrontação de ideias após a visualização do documentário, é suscetível de gerar um saber difuso/confuso. Note-se que os alunos, não tendo por hábito o contacto com esse recurso, sentem-se motivados. Mais: gostam desse momento letivo. Não obstante, nem sempre a aprendizagem é a mais correta. Se o momento de escolha do documentário pelo docente é fundamental, a análise do mesmo não pode ser descurada. Daí, reforçando a ideia suprarreferida, é importantíssimo o papel do professor nos três momentos, a saber: escolha do documentário, a seleção do momento do visionamento, análise pós-visualização. De realçar esta última situação através da qual se consolida o êxito do processo ensino-aprendizagem. Saliente-se que tal facto não deve ser interpretado como exclusão do documentário no contexto de sala de aula, mas sim pela sua indubitável utilização concomitante com outros recursos didáticos (ex. manual do aluno) e inextricável da própria ação do professor. Na minha atividade como docente, fruto da experiência que tive no presente ano letivo, vou utilizar sempre os meios audiovisuais, mais concretamente os documentários. Utilizá-los de acordo com as turmas e a matéria a lecionar. Utilizá-los nos vários momentos da aula: início (motivação), meio (análise) e final da aula (consolidação). Utilizá-los em
FACULDADE DE LETRAS UNIVERSIDADE DO PORTO 73 concomitância com outros recursos didáticos. Utilizá-los com a consciência que tal uso implica uma contextualização prévia e uma síntese final. Utilizá-los sempre que tal acrescente uma aprendizagem ao aluno. E com ele, termino a minha reflexão, em relação à qual deve sempre ser o objetivo do professor – o aluno.