Jardim Botânico do Porto - A identidade visual como estratégica de dinamização
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Jardim Botânico do Porto A identidade visual como estratégia de dinamização Ana Rita Monteiro dos Reis Ramalho Projeto de Mestrado apresentado à Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto em Design Gráfico e Projetos Editoriais Orientador: Professor Eduardo Aires Coorientador: Professor Francisco Barreto Caldas “A verdadeira viagem de descobrimento não consiste em procurar novas paisagens, mas em ter novos olhos”. Marcel Proust M2015
Agradecimentos O espaço limitado desta secção não me permite, seguramente, agradecer a todas as pessoas que, direta ou indiretamente, me ajudaram. A realização deste projeto contou com importantes apoios e incentivos, aos quais estarei eternamente grata. Logo, felicito com imenso vigor, todos os profissionais relacionados com o JBP, que me ajudaram desde o primeiro dia e que me fizeram acreditar neste projeto até ao fim. Desde o diretor e arquiteto paisagista, Dr. Paulo Marques, por todo o apoio e dedicação ao meu projeto até ao meu co-orientador e investigador na Faculdade de Ciências, Dr. Francisco Barreto Caldas, por todos os emails trocados e ajuda incondicional. Também à Joana Tinoco, guia do JBP e ao Manuel Pedro, aluno de mestrado em Arquitetura paisagista, por todo o apoio e troca de ideias. Obrigado também pela cedência das instalações no departamento de Arq. Paisagista da Faculdade de Ciências do Porto, onde pudemos discutir ideias e nos reunir, para acertar pormenores. Ao corpo docente do Mestrado em Design Gráfico e Projetos Editoriais, em especial ao meu orientador e Professor Eduardo Aires, pelos conhecimentos transmitidos ao longo destes dois anos de mestrado, na FBAUP. Às minhas colegas do mestrado, pela partilha de ideias, força e companheirismo, durante toda esta investigação Ao Pedro, um agradecimento especial, pelo apoio e carinho diários, pelas palavras de encorajamento e pela transmissão de confiança e de força, em todos os momentos. À minha família, em especial, aos meus pais, irmãos e avós, por serem modelos de coragem, pelo incentivo, apoio incondicional e paciência demonstrados na superação desta fase. Um enorme obrigada por acreditarem sempre em mim e naquilo que faço. Espero que esta etapa, que agora termino, possa, de alguma forma, retribuir e compensar todo o carinho, apoio e dedicação que, constantemente, me oferecem. A eles, dedico todo este projeto. Agradecimentos| Pág. 01
Resumo Palavras-chave: Jardim Botânico do Porto | Design Editorial | Catálogo botânico | Fotografia| Botânica | Postais A partir da temática “A identidade visual corporativa como estratégia de dinamização do Jardim Botânico do Porto (JBP)“, pretende-se aliar ao Design[1] a área de Botânica, para criar um meio de interligação do JBP com o público e com isso despertar curiosidade pelas espécies lá presentes, distinguidas pela sua raridade e pela sua dimensão. Direcionado a todo o tipo de público, este projeto pretende, assim, responder à escassez de suportes físicos comunicacionais de que o Jardim padece. Almeja-se testar, investigar e perceber de que forma o Design gráfico e editorial consegue, ou não, contribuir para a dinamização do JBP. Propõe-se assim a elaboração de um conjunto de recursos gráficos entre eles: o logótipo do JBP, um folheto informativo, um conjunto de postais e o catálogo botânico, com algumas das espécies mais emblemáticas do Jardim. Aliando um cariz lúdico a uma vertente didática, ambiciona-se cativar o público-alvo, fomentando o seu interesse pelo JBP e frisando a relevância dos espaços verdes urbanos para o bem-estar da população em geral. “Os espaços verdes numa cidade têm uma grande influência na qualidade de vida dos seus cidadãos. Esses espaços proporcionam oportunidades de convívio social, descontracção, paz e sossego”. em “Estratégia temática sobre o meio ambiente” (Comissão Europeia) [1] Design é a idealização, criação, desenvolvimento, configuração, concepção, elaboração e especificação de artefactos. É uma atividade estratégica, técnica e criativa, normalmente orientada com uma intenção, uma premissa ou para a solução de um ou vários problemas (data de consulta: 05 de Julho de 2015, disponível em Wikipedia: https://pt.wikipedia.org/wiki/Design). Resumo | Pág. 03
Abstract Keywords: Botanical Garden of Porto | Botany | Editorial design | Botanic catalog | Photography | Botany | Postcards From the theme “The corporate branding as the Botanical Garden of Porto boosting strategy (BJP)”, it is intended to combine the Design[1] with Botany area, to create a means of linking the Porto Botanic Garden (JBP) with the public and with this awakening curiosity about species present there, distinguished by its rarity and because of its size. Directed to all kinds of public, this project thus seeks to respond to the lack of communication physical media that the Garden suffers. Aims to test, investigate and understand how the graphic design and editorial succeeds or not, contributing to boosting the JBP. It is therefore proposed to draw up a set of graphics features including: the logo of the JBP, an information booklet, a set of stamps and the botanical catalog with some of the most emblematic species of the Garden. Combining a playful nature in a didactic aspect, aims to captivate the audience, encouraging his interest in the JBP and stressing the importance of urban green spaces to people’s well-being in general. “Green spaces in a town have a big influence on the quality of life of its citizens. These spaces provide opportunities for social interaction, relaxation and peace and quiet“ in “Thematic Strategy on the environment” (European Commission) [1] Design is the idealization, creation, development, configuration, design, development and artefacts specification. It is a strategic activity, technical and creative, usually oriented with an intention, a premise or to solve one or more problems (Acess in: 05.07.2015, available at Wikipedia: https://pt.wikipedia.org/wiki/Design). Abstract | Pág. 05
Índice 01 |Agradecimentos 03 | Resumo 05 | Abstract 10 | Índice de imagens 13 | Introdução | Temática e Objetivos 15 | Motivações/Enquadramento 17 | Capítulo I - Área de Investigação 18 | Importância dos espaços verdes urbanos | Os Jardins Botânicos 20 | Jardins Botânicos como espaços culturais e educativos 21 | Os Jardins Botânicos em Portugal 22 |“As árvores do Jardim contam histórias sem fim” |A contribuição dos Jardins Botânicos para a secção do turismo 23 | Jardim Botânico do Porto 24 | Contextualização 25 | Objetivos | Visitas guiadas | Horários | Divisão do Jardim 26 | Bosquetes da entrada | Jardim do Rapaz de Bronze | Jardim dos Anões 27 | Jardim do Xisto | Jardim do Peixe | Jardim do Roseiral 28 | Jardim dos Jotas | Jardim do Liquidambar | Jardim dos Cactos e Suculentas | Arboreto 30 | Capítulo II - Estado da Arte 31 | “Jardin Botánic Carlos Thays” 32 | “Jardín Botánico La Carolina” | Giardino Orto Botanico di Roma | “Botánica - Centro Universitário de Ciências Biológico-Agropecuarias” | “Catálogos botânicos” 34 | Conclusões com os casos de estudo
Foram estas as temáticas/questões que nos motivaram à realização deste trabalho de pesquisa, desenvolvendo-se uma estratégia metodológica onde várias visitas ao Jardim, fotos de registo e reuniões com pessoas relacionadas com a área de Botânica, se tornaram cruciais para exploração da zona estudada. Equacionou-se o JBP como objeto deste estudo, pelo seu grande interesse histórico e lúdico, pretendendo assim testar a ligação entre o Design e a Botânica, de forma a criar uma ligação de empatia entre o visitante e o Jardim, como meio de os educar, cativar e entreter aquando da sua visita. Para isso pretendemos investigar a temática: “A identidade visual corporativa como estratégia de dinamização e conhecimento do JBP”. Dessa forma, surge uma listagem de cinquenta espécies presentes no JBP, que irão estar ilustradas no projeto do Catálogo. A acrescentar a isto, surge também o logótipo do JBP, essencial para a sua comunicação. O presente relatório reúne toda a informação relativo à preparação, realização e conclusão deste projeto. É constituído por: Resumo, Abstract, Introdução e por três capítulos: Área de Investigação, Estado da Arte e Projeto. Por fim, conclusão, bibliografia, webgrafia e anexos. Resumidamente, o capítulo 1, Área de Investigação, é constituído pelas temáticas que deram origem a este projeto e que ajudam na sua contextualização. No capítulo 2, Estado da Arte, abordo as iniciativas nacionais e internacionais que pretendem, através do design, divulgar e comunicar Jardins Botânicos. E, por fim, o capítulo 3, Projeto, onde abordo todos os temas necessários à compreensão deste trabalho, desde o enquadramento, objetivos e metodologias, com exemplos dos mesmos. Nos anexos, irei colocar toda a informação adjacente e que é pertinente demonstrar, assim como: um exemplar do inquérito realizado aos visitantes do JBP e informações que constam no Catálogo Botânico, como é o caso das características de cada uma das 50 espécies lá presentes. Introdução | Pág. 14
Pág. 15 | Introdução Motivações / Enquadramento A minha formação advém da área de Design gráfico e Editorial e, desde o primeiro contacto com a área de Botânica, que surgiu uma empatia pela mesma. Esta empatia resultou de um trabalho realizado no contexto da disciplina de Projeto, lecionada pelo Professor Eduardo Aires, no âmbito do mestrado em Design Gráfico e Projetos Editoriais na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto (FBAUP). Este projeto foi intitulado “Catálogo Botânico da FBAUP” [A] e foi referente às espécies presentes no jardim da mesma faculdade. Desde então que surge, da minha parte, uma preocupação acrescida em tentar relacionar a área de Design gráfico com a Botânica, de forma a que se complementem. Isto porque a proteção de espécies e a utilização dos jardins para efeitos lúdicos e educativos emergem, cada vez mais, como áreas de grande relevância para a sociedade contemporânea. Este projeto visa cativar o público-alvo, de forma a fomentar a sua vontade de visitar e descobrir o JBP na sua plenitude. Fig. A - Alguns spreads do “Catálogo do Jardim da Faculdade de Belas Artes” da Universidade do Porto.
CAPÍTULO I Área de Investigação Pág. 17 | Área de investigação
Área de Investigação Neste capítulo, abordamos todas as temáticas necessárias para a contextualização deste projeto. O tema abordado prende-se com os Jardins Botânicos e a sua importância. Assim sendo, desenvolvo as temáticas: a “Importância dos espaços verdes urbanos”, “Os jardins botânicos”, nacionais e internacionais, os “Jardins botânicos como espaços culturais e educativos”, a contribuição dos Jardins Botânicos para o turismo e, por fim, o enquadramento do “JBP”. 1.1 Importância dos espaços verdes urbanos Devido à evolução que as grandes metrópoles têm sofrido ao longo do anos, é cada vez mais necessária a utilização e proteção dos espaços verdes por parte da sociedade em geral. “Foi a partir da era industrial, com o êxodo da população rural para a cidade, que surgiu o conceito de “espaço verde urbano”, como espaço que tinha por objetivo recriar a presença da natureza no ambiente urbano. Já que, no século XIX os espaços verdes funcionavam como locais de encontro, de estadia ou de passeio público” (Claúdia Fulgêncio, 2012). Emergindo de entre a trama urbana, os espaços verdes e as suas espécies, através das suas cores, texturas, formas e tamanhos variados, representam elementos estéticos, de grande interesse para quem os visita. Além disto, têm também como premissa um papel didático, evidenciado pela troca de ideias e experiências proporcionada aos seus visitantes. Por todo o mundo, os espaços verdes urbanos, atraem uma grande diversidade de pessoas. A “Botanic Gardens Conservation International: BGCI”, estima que, por ano, aproximadamente 250 milhões de pessoas visitam Jardins Botânicos, por todo o mundo (Ballantyne, Packer e Hughes, 2008: 439). A International Union for Conservation of Nature and Natural Resources (IUCN) e o World Wide Fund for Nature (WWF) defendem que o aumento da quantidade de espaços verdes por todo o mundo poderá contribuir para a conservação da biodiversidade. 1.2 Os Jardins Botânicos Alguns lugares são concebidos para serem lugares públicos apenas porque parecem “estranhos” se vazios. Isto acontece porque são as pessoas que lhes dão sentido (Urry, 2006: 43). Muitas vezes, é a própria presença de visitantes que dá sucesso ao local que está dependente de um olhar turístico Área de investigação | Pág. 18
colectivo. Que se desengane quem pense que isto só acontece em meios pequenos, pois é muito frequente acontecer nas grandes cidades também. No caso particular dos Jardins Botânicos, embora à primeira vista a presença de muitos turistas pudesse ter um impacto negativo, como resultado possível congestionamento associado, este pode ser o meio dos outros turistas/visitantes encontrarem o entretenimento e as actividades que procuram. Apesar disso, há sempre turistas que procuram um olhar mais romântico e por isso preferem a solidão. Esta visão de romantismo tem vindo a desenvolver-se e a generalizar-se nos últimos anos. Assim sendo, estes acabam apenas por se refugiarem e procurarem uma área limitada onde não haja muitas pessoas. Sendo assim, os Jardins Botânicos são definidos como aqueles jardins que devem possuir, segundo a Estratégia de Conservação para Jardins Botânicos (IUCN-BGCS e WWWF 1989): - Uma classificação correta das espécies; - Comunicar em termos de troca de informação com os outros jardins, instituições, organizações e público; - Trocar sementes e outros materiais com outros jardins botânicos, arboretos ou centros de pesquisa; - Comprometer-se com a manutenção das coleções de plantas a longo prazo; - Manter programas de pesquisa em taxonomia de plantas nos seus herbários; - Promover a comunicação do Jardim através de recuros gráficos atrativos, de forma a atrair mais visitantes; - Realizar atividades de educação ambiental; - Desenvolver pesquisas científicas ou técnicas nas plantas das suas coleções. Além disto, existem vários tipos de jardins botânicos, que diferem bastante em termos de objetivos e premissas, nomeadamente: - Jardins clássicos que têm como premissa dar a conhecer diferentes tipos de espécies ou promover ações de educação ambiental, que geralmente são mantidos pelo estado; Pág. 19 | Área de investigação
- Jardins ornamentais, de grande beleza, que podem ou não, possuir programas de pesquisa, educação ou conservação. A maioria são privados, apesar de haver alguns jardins municipais que também entram nessa categoria; - Jardins de conservação, maioritariamente criados com o intuito de conservar localmente algumas espécies de plantas; - Jardins universitários, mantidos por universidades para ensino e pesquisa. Muitos deles estão abertos ao público; - Jardins naturais ou silvestres, são maioritariamente criados com objetivos de conservação e desenvolvimento de atividades educacionais para o público (Botanic Gardens Conservation International, 2000). 1.3 Jardins Botânicos como espaços culturais e educativos Os jardins botânicos servem não só para exibir diversas espécies de plantas selvagens e hortícolas, mas também para contribuir para o conhecimento científico e para a pesquisa e prática de atividades sócio-culturais. Cria assim uma experiência educacional, por proporcionar um aumento do conhecimento público, quanto à importância das espécies para o homem e as suas futuras gerações. Ou seja, os jardins têm-se afastado da imagem vitoriana e de serem apenas espaços lúdicos, para serem também espaços culturais e educativos, com o objetivo de conservar e estudar as suas espécies. (Eloff, 1989). Assim sendo, os jardins botânicos podem ajudar na realização de avaliações de impacto ambiental e potenciais ameaças ao ambiente, tais como: plantas invasoras, mudança de clima, poluição e projetos de desenvolvimento. Como exemplo de um Jardim que investe em atividades sócio-culturais e educativas temos o Jardim Kew, também conhecido como Royal Botanic Garden, onde é possível assistir a concertos, numa secção a que chamam “Mediterrâneo, Estados Unidos e Austrália” (com hipótese de visita guiada). Pode-se também assistir a exposições de fotografia e conhecer plantas e habitats de todo o mundo: Alpes, deserto, floresta tropical, Ásia etc. Também no Museu e Jardins Salagon, na cidade de Mane, em França, disponibilizam exposições de fotografias de espécies, permanentes e temporárias, onde descrevem algumas das suas características. Área de investigação | Pág. 20
Além de espaços culturais e educativos, muitos jardins são importantes atrações turísticas, mesmo não sendo jardins botânicos, atraindo pela sua beleza: como é o caso do Jardim Monet na cidade de Paris, França, do Central Park em Nova Iorque, Estados Unidos da América ou dos Jardins Kirstenbosch na Cidade do Cabo, África do Sul. Alguns jardins botânicos que a nível mundial atraem maior número de turistas são: Os Jardins Butchart e Victória, no Canadá e o Jardim Kew, no Reino Unido (Ballantyne, Packer e Hughes, 2008). Já em Portugal, em termos educativos, temos, como exemplo, o Jardim Botânico de Coimbra e o Jardim Botânico de Lisboa, que possuem programas de educação ambiental e cultural, procurando contribuir para a sensibilização dos cidadãos para questões relacionadas com o ambiente e comportamentos cívicos. 1.4 Os jardins botânicos em Portugal Os primeiros jardins botânicos em Portugal nasceram naqueles que foram os berços das universidades, ou seja, nos centros onde se aprofundava e transmitia conhecimento. Nesses jardins, inicia-se uma mudança de paradigma, transitando-se de uma perspetiva meramente lúdica para uma vertente científica e prática, que valoriza a diversidade das plantas como matéria prima para a investigação na área da botânica (Zoccoli, Raposo e Cartaxana, 1999). O facto de se começar a perceber cada vez mais a importância que teria a introdução da ciência moderna em Portugal, tendo em conta que desta poderia advir um melhor conhecimento sobre os recursos naturais, levou à criação de diversas instituições que estudassem a natureza e a aplicação dos seus produtos, entre elas: o Real Museu e Jardim Botânico da Ajuda (RMJBA) em 1772 e o Museu de História Natural da Academia Real das Ciências de Lisboa, em 1781 (Almaça, 1996). Como exemplo, temos o Jardim Botânico da Universidade de Coimbra, membro da Associação Ibero-Macaronésica de Jardins Botânicos e da Botanical Gardens Conservation International (BGCI) (University of Coimbra, 2009) que foi criado com a intenção de ser usado como centro de estudos vegetais, servindo de apoio a estudos médicos e farmacêuticos, assim como a vários ramos da agricultura e botânica. Além disso, é também palco para diversos projetos culturais, promovidos com o intuito de dinamizar o Jardim. Um deles foi intitulado de: “As árvores do Jardim contam histórias sem fim”, que consistiu na publicação de um conjunto de artigos, com contos acerca da história do Jardim, publicados no Diário de Coimbra, entre os anos de 2013 e 2014. Pág. 21 | Área de investigação
1.4.1 “As árvores do Jardim contam histórias sem fim” Este projeto, elaborado por uma equipa multidisciplinar de biólogos, botânicos, jornalistas, comunicadores de ciência e ilustradores, deu a conhecer ao público, semanalmente, ao longo de 2013, narrativas que fazem parte da história do Jardim Botânico da Universidade de Coimbra. Foram 50 narrativas, em que os protagonistas eram as árvores, os mapas, os muros, as fontes, as estufas ou as estátuas que se encontram neste espaço único que é o Jardim. Isto porque cada árvore e planta do Jardim esconde a sua própria história, muitas delas com mais de uma centena de anos. Na verdade, não só as plantas, mas também cada muro, estátua, fonte e estufa tem a sua própria identidade. Pode-se afirmar com veemência que, em cada recanto do Jardim, há uma história que vale a pena dar a conhecer. No final do projeto, não ficou um adeus, mas sim um até já, com a promessa de um reencontro em breve, por entre os recantos do Jardim ou por entre as páginas do livro que reúne todas as histórias. 1.5 A contribuição dos Jardins Botânicos para a secção do turismo Os jardins botânicos contribuem para o desenvolvimento do turismo local. Cox e Fox (2003) sugerem até que deveria ser feito um estudo, sobre o impacto que o desenvolvimento deste tipo de atividade pode vir a ter na economia, a nível mundial. São muitos os motivos que levam as pessoas a visitar estes jardins. Segundo Ballantyne, Packer e Hughes (2008), em termos gerais, os principais pretextos serão: apreciar a beleza e raridade das plantas; o próprio cenário do jardim e o seu ambiente; usufruir da sua tranquilidade e conviver. Os jardins, ao terem atividades e informações conservacionistas, irão estimular a interação social, algo que poderá torná-los ainda mais apelativos, fazendo com que possam ser usufruídos por pessoas de todas as idades. Os jardins botânicos podem ajudar a disseminar os conhecimentos locais sobre as espécies. Em termos de métodos usados para passar a sua mensagem, estes recorrem, em termos educativos, a materiais diversos, tais como: - Posters, brochuras, manuais; - Atividades lúdicas e sócio-culturais; - Educação ambiental; - Restauração. (Shankar e Majumdar, 1996) Área de investigação | Pág. 22
Assim sendo, Jardins como o Jardim Kew, em Londres, utilizam métodos semelhantes, como: Explicações ao vivo – Visitas guiadas oferecidas ao público, onde os visitantes podem ter acesso a informação priveligiada a respeito da história do Jardim e das suas coleções; Material impresso – Vários recursos gráficos para visitantes que desejam saber mais sobre determinados jardins ou espécies; Exposições – Que explicam conceitos biológicos mais complexos, o que não seria possível num painel pequeno. A título de exemplo, no Edifício Sir Joseph Banks, esteve uma exposição focada na maneira como as plantas são usadas pelas pessoas e como o trabalho em Kew pode beneficiar a humanidade; Etiquetas nas espécies – Em algumas áreas, têm etiquetas de identificação básica de plantas usando código de cores e/ou símbolos adequados para ressaltar áreas de interesse; Em conclusão, os turistas são movidos por construções imaginadas pelas populações, bem como por paisagens difundidas e criadas mediaticamente. Esta difusão é feita, por exemplo, através de bonitas brochuras, que transformam as culturas em narrativas superficiais, que ulteriormente terão efeitos bem fortes nas culturas de acolhimento. (Faria, 2004). Gonçalves (2003) afirma que: “o motor para o crescimento do turismo cultural ao longo dos últimos vinte anos tem sido: o aumento do rendimento disponível, dos níveis educacionais e a disponibilidade de mais tempo livre para atividades de lazer”. 1.6 Jardim Botânico do Porto* O JBP, espaço histórico da Faculdade de Ciências, é uma das unidades de ligação da comunidade à Universidade do Porto. Esta última assegura a sua gestão. Com mais de 4 hectares, o JBP apresenta espaços muito diversificados, dominados pela elegante forma da Casa Andresen, cujo nome evoca importantes vultos da literatura portuguesa do século XX: Sophia de Mello Breyner Andresen e Ruben A. Apesar de limitado no seu espaço, a beleza do JBP não deixa o visitante indiferente. O jardim romântico mantém o traçado delineado nos finais do século XIX – envolve a Casa Andresen, estendendo-se desde os espaços fronteiros, que protegem a propriedade do movimento automóvel da Rua do Campo Alegre, até às altas sebes de japoneiras. * Esta secção foi tirada de “http://jardimbotanico.up.pt/” Pág. 23 | Área de investigação
CAPÍTULO II Estado da Arte Estado da Arte | Pág. 30
Estado da Arte Segundo Willison (2003), “a primeira fase no desenvolvimento de um projeto num jardim botânico é decidir qual o tipo de projeto a desenvolver, a quem se vai dirigir e quais os aspetos da conservação e consciência ambiental que pretende focar”. Os Jardins Botânicos devem ser criados com o objetivo de ensinar, atuando como “uma exposição interativa viva” (Willison, 2003: 40). Assim sendo, esta secção é dedicada a todos os projetos, que direta ou indiretamente, nos influenciaram na dinamização do JBP. Os projetos aqui apresentados são constituídos pelo desenvolvimento da imagem gráfica de alguns jardins botânicos, recorrendo a logótipos, cartazes, folhetos, website etc. Inclui-se também neste grupo catálogos botânicos onde são ilustradas várias espécies e as suas características. Estes projetos influenciaram-nos em termos técnicos e metodológicos. 2.1 “Jardin Botánic Carlos Thays” “Jardín Botánico Carlos Thays - Identidad visual” foi um projeto realizado por Rogelio Riversos, Julieta González e Flor Gonzo, em Buenos Aires, Argentina, onde desenvolveram toda a imagem gráfica deste Jardim Botânico. O projeto consistiu no desenvolvimento de logótipo, folhetos, cartazes, cartões, publicidade em revistas, catálogo, indumentária, sinalética e website. Com este trabalho obtive informações pertinentes para o meu projeto, essencialmente quanto à metodologia mais adequada a utilizar para a realização do projeto. A identidade visual foi concebida tendo em conta três níveis de informação: “Conhece, Experimenta e Descobre”. O primeiro conceito corresponde a um nível de abordagem mais geral, para incentivar o público a visitar o site e “conhecer” as espécies. “Experimenta”, por sua vez, representa uma conexão mais profunda com a instituição, um ensaio de imersão que envolve os 5 sentidos, incutindo a curiosidade em experimentar. Finalmente, “descobre” corresponde a uma abordagem mais científica, que envolve os visitantes na própria botânica do Jardim. O objetivo do projeto acima citado coincide com o do nosso trabalho, já que ambos têm como premissa máxima criar entre as pessoas uma experiência mais enriquecedora, promovendo o envolvimento dos visitantes com a natureza, recorrendo aos vários recuros gráficos executados, como é o caso dos cartazes, folhetos e sinalética. Fig. B - Logótipo do “Jardín Botánico Carlos Thays” realizado por Rogelio Riversos, Julieta González e Flor Gonzo. Fig. C - Três cartazes que representam os três níveis onde assentam a imagem gráfica deste Jardim: “Conhece”, “Experimenta” e “Descobre”. Fig. D - Outro dos cartazes feitos para o “Jardín Botánico Carlos Thays”. Pág. 31 | Estado da Arte
2.2 “Jardín Botánico La Carolina” Localizado em Santo Domingo - Equador, este jardim botânico tem a prioridade de proteger o espaço natural e plantas nativas do país bem como incentivar o turismo, a educação e a investigação dentro do Jardim. O principal conceito para criar a identidade visual é a fusão de dois elementos: humano e natural. Isto é representado diretamente no logótipo, que é uma analogia gráfica baseada numa árvore e numa mão humana. O sistema gráfico (logótipo, cores e tipografia) é simples e coerente, o que facilita a sua inclusão em múltiplos suportes, como camisolas, sinalização, postais ilustrados, etc. A equipa de designers é constituída por: Jaime Chimbo, Geovanny Guamán e Ricardo Cuenca. 2.3 Giardino Orto Botanico di Roma O logótipo é um símbolo variável, que pode alternar de acordo com a aplicação. Por exemplo, numa comunicação sobre a floração do bambu, poderia utilizar-se a textura da folha de bambu, com nervuras paralelas. Essas variáveis permitem que o logótipo não seja um símbolo estático e que este forneça ao utilizador/visitante uma maneira de interagir com ele. 2.4 “Botánica - Centro Universitário de Ciências Biológico-Agropecuarias” Este logótipo, como os anteriores, inspira-se formalmente, em elementos naturalistas. O sistema cromático é baseado em cores neutras, castanhos e beges, relacionadas com a natureza. 2.5 “Catálogos botânicos” Além de logótipos, folhetos, sinalética e websites, também muitos catálogos de espécies foram feitos até aos dias de hoje, já que, cada vez mais, se dá importância ao conhecimento e proteção das plantas. Isto porque a relação entre a população e o meio ambiente é cada vez maior e os conhecimentos tradicionais estão a desaparecer e não existe, em muitos casos, um registo, tendo em conta que são transmitidos oralmente ao longo de gerações. É por isso que se torna igualmente importante investir na conservação desses conhecimentos (através do seu registo e divulgação). A educação ambiental e os jardins botânicos têm também um papel fundamental na preservação do saber e não apenas em termos de conservação da natureza. Fig. E - Logótipo do “Jardín Botánico La Carolina” criado por: Jaime Chimbo, Geovanny Guamán e Ricardo Cuenca. Figura G - Logótipo da “Botánica - Centro Universitário de Ciências Biológico-Agropecuarias” - Universidad de Guadalajara Fig. F - Logótipo do “Orto Botanico” Figura H - Catálogo Botânico da autoria de Tomás Gouveia, Lisboa, Portugal. Estado da Arte | Pág. 32
Os jardins botânicos, considerados pelo ICOM (International Council of Museums) como museus ao ar livre, têm a delicada tarefa de ser intermediários entre passado, presente e futuro das sociedades. Estes apresentam, no seu discurso, um singular recorte e uma interpretação da realidade, que os torna fascinantes como instrumentos culturais. Logo, o delicado trabalho de tecer as relações entre os museus e a sociedade que os acolhe e nas quais eles estão inseridos, fazendo com que essas instituições tenham um papel preponderante de atores sociais é, na verdade, a elaboração de uma tessitura, que à semelhança da costura de uma colcha de retalhos, cada parte inserida na trama, tem uma função que contribui para um todo (COSTA, 2008). Hoje em dia, o conhecimento nos Jardins Botânicos encontra-se relegado a placas de identificação, que contêm uma linguagem científica usada para nomear os organismos vegetais. O nome e o género contêm significados interpretados quase apenas pela comunidade científica. Por tudo isto, é necessário existirem meios de comunicação que utilizem uma linguagem simples e clara, acerca das espécies, para que todos os visistantes entendam as suas características. Assim sendo, trabalhos como o catálogo botânico da autoria de Tomás Gouveia, de Lisboa, Portugal, o Catálogo botânico de Ahmed Helmy, Giza, Egipto, e o projeto da autoria de Mar de la Llave, Barcelona, Espanha e a Cereal Magazine, ajudaram-me a compreender, em termos formais e de layout, como poderia apresentar as espécies do JBP, para que pudessem ter uma melhor leitura e aumentassem a curiosidade dos visitantes nelas. Fig. I - Projeto da autoria de Mar de la Llave, Barcelona, Espanha. Fig. J - Alguns spreads da revista Cereal Pág. 33 | Estado da Arte
2.6 Conclusões com os casos de estudo: É essencial a implementação de políticas públicas que tornem os jardins botânicos mais participativos em relação à comunidade, não assegurando “uma verdade inquestionável” nem absoluta, mas possibilitando a comunidade de se integrar nestas questões. A preocupação com a problemática da comunicação e divulgação da ciência, bem como a sua relação com o afastamento do público, não é exclusiva dos museus. Muito pelo contrário, esta preocupação ocupa a pauta de discussões de outros meios de comunicação. O Jardim Botânico é um lugar que tem, por definição, ser um lugar próximo à sociedade, apesar de não utilizar os melhores meios para o demonstrar já que, na prática, esse desencontro pode ser observado quando o visitante se confunde diante de tanta informação apresentada em códigos científicos, muitas vezes, indecifráveis. Logo, pretendo responder às questões: Existe entendimento do público em relação à botânica? O que procura o público que frequenta estes espaços? Estariam interessados no estudo de espécies botânicas? É importante ressaltar a importância no valor da participação do público para construção do discurso e linguagem a ser veiculada nestes espaços? Acreditamos que experimentar novas formas de comunicação seja uma das soluções para aproximar visitantes e instituição. Assim sendo, estas foram as premissas máximas para a realização deste projeto, que é constituído pela elaboração de vários recursos gráficos como: folheto informativo, catálogo botânico e um conjunto de postais. Em última instância, pretende-se que os visitantes que adquiram estes recursos os possam oferecer a familiares, atraindo assim mais pessoas ao Jardim Botânico. Estado da Arte | Pág. 34
CAPÍTULO III Projeto Projeto | Pág. 36
Projeto 3.1 Enquadramento do projeto 3.1.1 Problemática Devido à escassez de meios comunicacionais referentes ao JBP, procedi à implementação de um conjunto de recursos visuais que pudessem ajudar à sua dinamização, entre eles: o logótipo, o catálogo botânico, o folheto promocional e um conjunto de postais. Logo, neste contexto, põe-se a seguinte questão: De que forma é que o design gráfico pode ajudar na dinamização da imagem do Jardim Botânico do Porto e assim angariar mais visitantes? Assim este projeto assenta nas seguintes premissas: - analisar o que já existe em termos de imagem visual dos Jardins Botânicos, de forma a ter uma referência; - desenvolver uma imagem visual corporativa atrativa, de forma a criar uma relação de empatia do público com o Jardim; - comprovar a eficácia na relação do Design gráfico com a área de Botânica e criar instrumentos comunicacionais e educativos, que suscitem interesse e curiosidade no público. 3.1.2 Definição do público-alvo Este projeto destina-se a todas as faixas étárias, sendo que todos aqueles que possam visitar o JBP constituem o meu público-alvo para este projeto. No caso do catálogo botânico, o meu objetivo é que seja usado em contexto de grupo de amigos ou família, criando uma experiência de convívio e aprendizagem, mas que também possa ser utilizado individualmente. 3.1.3 Objetivos Os objetivos principais deste projeto são: - a criação de várias ferramentas no âmbito de design gráfico e editorial, que conduzam ao conhecimento e dinamização do JBP; - produzir ferramentas no âmbito visual, que suscitem interesse por parte da sociedade e aumentem a visibilidade do Jardim; Pág. 37 | Projeto
- analisar o que já existe em termos de catálogos botânicos e que dê resposta ao meu objetivo, para que consiga orientar o meu projeto; - ser aproveitado, não só por profissionais da área de Botânica mas também por leigos, que tenham curiosidade na área para possíveis estudos acerca das espécies lá presentes; - estimular futuras pesquisas acerca das espécies nele presentes; - fornecer a localização das espécies mais emblemáticas, para que os visitantes as possam localizar mais facilmente. 3.2 Comunicar pela imagem Comunicar pela imagem é um processo natural ao ser humano. Conforme Acaso (2006), pela sua semelhança com a realidade, “a linguagem visual é um sistema de comunicação semi-estruturado e aquele que mais se assemelha à realidade, o que lhe permite assumir um caráter universal”. Munari (1977) entende que “a comunicação visual diz respeito a praticamente tudo que o que vê através dos olhos, como seja uma nuvem, uma flor, um desenho, uma fachada, um inseto, uma bandeira”. Tal definição pode não demonstrar toda a complexidade da comunicação visual, todavia deixa um pouco mais clara a multiplicidade de significados recebidas pelas pessoas através dos sentidos, principalmente a visão. O sucesso de uma identidade visual corporativa está, sobretudo, na capacidade de suscitar interesse no espectador, através de uma imagem positiva. Esta tem que garantir que é facilmente reconhecida e que tem coesão com todos os outros elementos usados na identidade do local. 3.2.1 Imagem gráfica do Jardim Botânico do Porto Tendo em conta os aspetos referidos anteriormente, bem como a escassez de meios comunicacionais no JBP, o presente projeto recorre às áreas de design gráfico/ediorial, associadas à fotografia, para dar uma nova imagem ao Jardim e melhorar a sua comunicação com o exterior. O desenvolvimento de um projeto de identidade visual corporativa está assente num conjunto de premissas comunicacionais, que têm como objetivo encontrar soluções capazes de expressar a imagem que o designer se propõe a transmitir. Projeto | Pág. 38
A coerência gráfica entre todos os elementos assume-se assim como um ponto fulcral para a imagem do Jardim. Isto é, pretende-se que todos os componentes estabeleçam uma relação coerente entre eles e que esta seja reconhecível, independentemenete do suporte onde é aplicada. Assim sendo, para este projeto assenta em três pedras basilares: o logótipo do JBP, um conjunto de postais com as espécies mais icónicas e um catálogo botânico com 50 das suas espécies. 3.4 Metodologia O presente projeto desenvolve-se segundo uma metodologia de investigação e pesquisa no terreno. Para isso, recorri aos inquéritos feitos aos visitantes do JBP, para avaliar a pertinência deste projeto. Depois da fase de investigação teórica e após denotar um grande interesse pelas práticas aqui desenvolvidas, prossegui para a componente prática. Numa primeira fase, recorro à recolha de dados no local, neste caso o JBP, para fotografar o número máximo de espécies possível e, de seguida, identificá-las e caracterizá-las. Este método contribuiu para os vários projetos aqui apresentados. 3.5 Recolha de dados 3.5.1 Inquéritos aos visitantes do JBP Os inquéritos que realizei têm como premissa perceber as necessidades de quem visita o JBP, bem como quais as suas motivações e desejos para possíveis melhorias. Com isto, pretendo saber quais são as suas necessidades em termos visuais e assim perceber que ferramentas visuais posso desenvolver, de forma a atrair mais pessoas. 3.5.2 Metodologia utilizada Os inquéritos que aqui apresento, foram realizados aos fins-de-semana, de preferência com tempo soalheiro, entre os meses de Abril e Agosto. Em relação ao inquérito, este contém questões fechadas, de escolha múltipla, e questões abertas em que o visitante podia expor livremente a sua opinião. Pág. 39 | Projeto
3.6.2 Catálogo Jardim Botânico do Porto 3.6.2.1 Biodiversidade A necessidade de obter uma lista foi reconhecida há muito tempo por aqueles que estudam a diversidade de plantas (ex. Hooker 1893). Devido à falta de informações sólidas e às dificuldades históricas de compilação, as estimativas sobre o número de espécies variaram muito até ao início do século XXI. Entre as tentativas contemporâneas de calcular a diversidade mundial, principalmente nos trópicos, destaca-se o trabalho de Prance (1977), que estimou cerca de 150.000 espécies de plantas e fungos para a América tropical. No final da década de 1980, a necessidade de priorizar áreas para conservação levou à criação do conceito de hotspots, que define regiões com alta riqueza em espécies, sujeitas a um alto grau de ameaça (Myers 1988, Mittermeier et al. 1998). 3.6.2.2 Apresentação De forma unânime, tem-se vindo a notar um acréscimo na importância que as pessoas dão às espécies e aos espaços verdes urbanos. Por isso mesmo, o “Catálogo do Jardim Botânico do Porto” surge como um dos recursos adjacentes à imagem visual corporativa do JBP, tendo como premissa realçar a importância das mesmas. Deste modo, o trabalho proposto centrar-se-á no estudo de 50 das suas espécies e nele fomentar uma reflexão a respeito de cada uma delas, sendo constituídas por nome científico, autor do nome científico, nome popular, origem, zona em que se localizam no JBP e algumas das suas características. Características essas ordenadas por ordem ascendente, ou seja, começando no tronco, passando aos ramos, folhas, flores, frutos e sementes e fazendo referência à epoca de floração e, nalguns casos, frutificação. 3.6.2.3 Metodologia No caso do Catálogo do JBP, a metodologia adotada foi: - Contactar com profissionais da área de Botânica para pesquisas no terreno (JBP); - Fotografar as várias espécies existentes no Jardim; - Identificação das espécies com a ajuda de Botânicos, comparando com a lista de espécies já existentes; Projeto | Pág. 46
- Consulta de outros catálogos botânicos ou folhetos, de forma a esclarecer possíveis dúvidas na identificação de algumas das plantas, flores ou árvores presentes na sua flora; - Contacto e acompanhamento do projeto por profissionais da área de Botânica e pessoas relacionadas com o JBP; - Impressão das fotografias das espécies para escolha das 50; - Começo da caracterização das 50 espécies, uma a uma, com a ajuda de profissionais da área; - Determinação dos assuntos a conter; - Criação de um layout adequado para o catálogo; - Finalização das informações pertencentes a cada uma delas; - Finalização na escolha das fotografias pertencentes a cada uma das 50 espécies; - Tomada de decisões acerca do artefacto (capa, encadernação, papéis, tipo de letra etc.); - Impressão de todo o catálogo; - Finalização do projeto. 3.6.2.4 Tipografia A tipografia utilizada varia entre a “Athelas” para títulos e a Baskerville para o resto do texto. 3.6.2.5 Fotografia Todas as fotografias são da minha autoria e começaram a ser tiradas em Abril do ano de 2014, acabando em Julho de 2015. Os dias foram escolhidos de acordo com as condições meteorológicas, já que me deslocava ao Jardim, preferencialmente, em dias soalheiros e normalmente ao fim-de-semana. Alguns exemplos: Fig. P - Fotografias de algumas das espécies do JBP Pág. 47 | Projeto
3.6.2.6 Spreads do JBP 3.6.2.6 Áreas de investigação: Para a realização do catálogo, foi oportuno investigar alguns temas, nomeadamente: como se processa a identificação das espécies, o trabalho laboratorial e a nomenclatura científica e popular. - A sistemática e Taxonomia das plantas A Taxonomia[2] tem por objetivo tratar da individualização, classificação e nomenclatura das espécies. A preocupação em organizar os diferentes organismos vivos em grupos é antiquíssima e já encontramos sistemas de classificação dos seres vivos em civilizações pré-cristãs e mesmo pré-aristotélicas. No entanto, é nos séculos XVI-XVII, com Luca Ghini, Césalpin e os irmãos Bauhin, que se inicia a sistemática vegetal científica. No fim do século XVII, início do século XVIII, assiste-se à tentativa de elaboração de uma linguagem universal, para descrever e classificar as plantas. [2] Taxonomia é a disciplina académica que define os grupos de organismos biológicos, com base em características comuns e dá nomes a esses grupos (Acesso em: 08 de Julho de 2015, disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Taxonomia) Fig. Q - Alguns spreads do Catálogo Botânico do JBP Projeto | Pág. 48
John Ray (1628-1705) afirma em 1692 que “os critérios para uma classificação não são nem o habitat, nem a utilização da espécie como alimento ou medicamento, nem o seu valor decorativo ou a utilidade técnica, mas a semelhança dos seus órgãos principais: a raiz, a flor, o cálice, e a semente, com outras espécies”. Ray tenta elaborar uma Flora universal, catalogando mais de 18.000 espécies (o que corresponde a cerca de 6.000 espécies modernas). As plantas eram organizadas em 22 classes, por sua vez divididas em 122 secções, 698 géneros e mais de 10.000 espécies. Lineu (1707-1788) funda a moderna sistemática e taxonomia vegetal. Em 1737, irá formalmente anunciar o seu “sistema sexual” de classificação, baseado em caracteres das estruturas reprodutoras, se bem que já o usasse desde 1732. A “Philosophia botanica” (1751) é considerada a fundação da terminologia da botânica sistemática moderna. Lineu cria uma hierarquia natural em cinco patamares (categorias taxonómicas), classes, ordens, géneros, espécies e variedades, sendo que, anteriormente, as plantas eram apenas divididas em inferiores, intermediárias e superiores. Em geral, a metodologia adotada por taxonomistas é determinada por um conjunto de regras. Elas são: 1. A Coleta de material, onde devem ser coletados cinco ou mais espécimes, todas com orgãos vegetativos e produtivos para evidenciar a variação populacional. Estes devem ser acompanhados de informações anotadas durante a coleta, como: localização, frequência na área, altura dos exemplares, nome do coletor, data e dados que são perdidos durante o processo de herborização como: cor da flor e odor característico. 2. A Herborização, onde os espécimes coletados são colocados entre uma folha de papel e cartão, são fechados numa prensa e amarrados. Esse material deve ser, posteriormente, seco numa estufa a 70ºC ou ao sol, trocando-se diariamente a folha de papel. Depois de dessecada, a espécie é identificada, registada e incluída no herbário. 3. A Identificação onde o material deve ser identificado por: família e género/espécie, utilizando-se chaves analíticas. 4. A Descrição onde as características vegetativas e reprodutivas da espécie devem ser descritas, comparando-se com outras espécies próximas. Fig. R - Fase 1 - Coleta de Material Fig. S - Fase 2 - Herborização Fig. T - Fase 3 - Identificação Fig. U - Fase 4 - Descrição Pág. 49 | Projeto
- A investigação e o trabalho laboratorial A identificação de plantas vasculares era baseada na observação da morfologia externa dos seus órgãos – raiz, caule, folha, flor e fruto – utilizando como referência as Floras de Gonçalo Sampaio, Júlio Henriques ou Pereira Coutinho. A confirmação final era feita pela comparação com material de herbário, já corretamente determinado por especialistas. A identificação dos talófitos[3] era baseada essencialmente na morfologia, recorrendo ao microscópio ótico. Em alguns grupos atendia-se à morfologia das estruturas vegetativas, noutros às estruturas reprodutoras. Na identificação, utilizavam-se monografias dos grupos em estudo. Contudo, ao contrário das plantas vasculares, a bibliografia nacional era escassa, excepto para os líquenes. Assim, o investigador utilizaria maioritariamente monografias publicadas por naturalistas espanhóis, italianos, franceses ou britânicos. Para a preparação das folhas de herbário, as plantas (vasculares ou talófitas) eram secas, sendo prensadas entre papel absorvente, para evitar a sua deterioração. Depois de secas, eram coladas nas folhas de papel branco, desinfetadas e guardadas em local seco e ao abrigo de animais destruidores. Referências: “Exemplar de uma espécie de Rubus Herbário” de Gonçalo Sampaio, 1904 Gonçalo Sampaio publica, em 1904, uma revisão dos Rubus portugueses, vulgarmente designados por «silvas». O autor propõe um corte drástico com a sistemática em vigor deste género de rosáceas. Brotero, em Flora, de 1804, só considerava duas espécies espontâneas no nosso país. O Conde de Ficalho e A. X. Pereira Coutinho, em trabalho publicado no fim do século XIX, consideraram 16 espécies. [3] Talófico é o termo da biologia que designa uma planta que não possui folhas e nem raízes, somente talo. (Acesso em: 9 de Julho de 2015, disponível em: http://www.dicionarioinformal. com.br/tal%C3%B3fitos/) Fig. V - Uma das fases referentes ao processo de prensagem da planta. Fig. W - “Exemplar de uma espécie de Rubus Herbário” de Gonçalo Sampaio, 1904 Projeto | Pág. 50
Gonçalo Sampaio considera 32 espécies com diversas variedades e formas híbridas. Uma das novas espécies descritas por Sampaio é o Rubus henriquesii, de que aqui se apresenta um exemplar, batizado em homenagem ao seu colega e amigo Júlio Henriques, professor de Botânica em Coimbra. “Manual da Flora portuguesa” de Gonçalo Sampaio, 1914 Trata-se da obra fundamental publicada, em vida, por Gonçalo Sampaio, sobre a flora vascular portuguesa. A obra foi inicialmente publicada em fascículos, iniciados em 1909, tendo o último saído em Dezembro de 1914. Esta obra estuda 115 das 131 famílias de plantas vasculares existentes em Portugal. A última família tratada é Plantaginaceae. Diversas famílias tratadas neste Manual (Orchidaceae a Celtidaceae, Phaseolaceae a Ericaceae) foram incorporadas na edição de 1946 da «Flora Portuguesa». “Atlas de Botânica” de A. X. Pereira Coutinho, 1898 Apesar de Pereira Coutinho ser mais reputado pela sua «Flora de Portugal», publicada em 1913, também dedicou especial atenção ao ensino da Botânica, mesmo a níveis elementares. Publicou livros de instrução primária e secundária e numerosas obras destinadas ao ensino da Botânica e da Agricultura nos liceus e escolas primárias. Este «Atlas de Botanica, mandado organisar para uso dos lyceus (I, II, III e IV classes)» e publicado em 1898, é notável pela qualidade das suas figuras a cores e pelo seu conteúdo. Percorre os temas clássicos da botânica do fim do século XIX, nomeadamente: morfologia – raiz, caule, flor e fruto; Angiospérmicas e Gimnospérmicas, Dicotiledóneas e Monocotiledóneas; exemplos de famílias, géneros e espécies; Talófitas (criptogâmicas) – algas, fungos e líquenes; morfologia e reprodução; a célula vegetal; tecidos vegetais; anatomia vegetal – a estrutura da raiz, caule, folha e flor; a fisiologia vegetal, à qual é dedicada a última página. Fig. Y - “Manual da Flora Portuguesa” de Gonçalo Sampaio, 1914 Fig. X - “Atlas de Botânica” de A. X. Pereira Coutinho, 1898 Pág. 51 | Projeto
- Código Internacional de Nomenclatura Botânica O Código Internacional de Nomenclatura Botânica, em geral conhecido pela sua sigla inglesa ICBN, é um conjunto de normas e recomendações que governam a atribuição formal da nomenclatura binomial[4] às espécies no âmbito da botânica e da micologia. O Código tem como objetivo assegurar que cada grupo taxonómico (“táxon[5]”, plural “taxa”) de plantas, algas, cianobactérias e fungos tem um único nome, reconhecível e aceite em todo o mundo. Um nome científico é como um rótulo, servindo apenas para identificar uma espécie e não para a descrever, podendo, por si só, nem ser descritivo. O ICNB é atualizado a cada quatro anos, durante os Congressos Internacionais de Botânica. Os princípios, totalizando seis, formam a base e estabelecem a filosofia do sistema nomenclatural: - O táxon deve receber um nome com base nas 26 letras do alfabeto latino (um binômio das novas espécies ou uninomial para outras categorias); - O nome deve ser único (não pode ter um homónimo); - A descrição deve basear-se em pelo menos um Espécime-tipo; - Deve incluir referências e atributos que tornem o táxon único; - Estes quatro primeiros requisitos devem ser publicados numa obra em que haja um grande número de cópias idênticas, como um registro científico permanente. As principais categorias taxonómicas, em sucessão ascendente, são as seguintes: espécie (species), género (genus), família (família), ordem (ordo), divisão (divisio) e reino (regnum). Categorias intermediárias podem ser necessárias, logo é adicionado à categoria objeto de divisão, o prefixo “sub” (subfamília, subgénero, etc.). [4] Nomenclatura binomial ou nomenclatura binária designa o conjunto de normas que regulam a atribuição de nomes científicos às espécies de seres vivos. Chama-se binominal porque o nome de cada espécie é formado por duas palavras. (Acesso em: 10/07/2015, disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Nomenclatura_binomial) [5] Táxon (plural taxa, em latim, ou táxons, aportuguesado) é uma unidade taxonómica, essencialmente associada a um sistema de classificação científica. O táxon pode indicar uma unidade em qualquer nível de um sistema de classificação: um reino, um género e uma espécie. (Acesso em: 10/07/2015, disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/T%C3%A1xon) Projeto | Pág. 52
Estas categorias são designadas pelas respectivas terminações: - Espécie (primeira letra maiúscula, seguida de minúsculas, tudo escrito em itálico); - Género (sempre escrito em itálico); - Família (-aceae); - Ordem (-ales); - Subdivisão (-phytina); - Divisão (-ophyta); - Reino (-bionta) Exemplo de uma classificação hierárquica da espécie Paullinia cupana H.B.K., da família Sapindaceae: Categoria Táxon Espécie Paullinia cupana Género Paullinia Família Sapindaceae Ordem Sapindales Subdivisão Tracheophytina Divisão Embryophyta Reino Chlorobionta - Nomenclatura científica O sistema atual identifica cada espécie por dois nomes em latim: o primeiro, em maiúscula, referente ao género; o segundo, em minúscula, com o epíteto específico[6]. Os dois nomes juntos formam o nome da espécie. Os nomes científicos podem vir do nome do cientista que descreveu a espécie, de um nome popular, de uma característica que apresente, do lugar onde surge, etc. Tudo isto começou quando Lineu deu a cada espécie de planta um nome que permanecia igual, independentemente de outras espécies que fossem colocadas no género, na sua obra “Species Plantarum”, do ano de 1753. [6] Epíteto específico é o elemento diferenciador entre espécies do mesmo género por ex.: Na espécie Viola tricolor (amor-perfeito). Viola é o nome do género, que serve para todas as plantas do género Viola (Viola rostrata, Viola quercetorum, etc). Já o nome tricolor é o epíteto específico, pois é específico desta espécie. A combinação entre o nome do género e o epíteto específico é única no mundo e só pode caracterizar uma única espécie. <Acesso em: 10/07/2015, disponível em: http://www.sobiologia.com.br/conteudos/Seresvivos/Ciencias/bioclassifidosseresvivos1.php) Fig. Z - Carl von Linné (23 de maio de 1707 - 10 de janeiro de 1778), em português Carlos Lineu, foi um botânico, zoólogo e médico sueco, criador da nomenclatura binomial e da classificação científica, sendo assim considerado o “pai da taxonomia moderna” Pág. 53 | Projeto
O nome de um género pode ser o nome de uma pessoa latinizado, seguindo as regras: - Quando tem terminação em vogal, adiciona-se a, exceto quando termina em a, que se acrescenta ea. Por exemplo: O nome Boutelou ficaria Bouteloua - Quando tem terminação em consoante, adiciona-se ia. Por exemplo: O nome Klein ficaria Kleinia O epíteto específico, pode ser também um nome em comemoração de uma pessoa, uma característica da espécie, entre outras. Se for mais de uma palavra, estas são ligadas apenas por travessão e nunca se usa de forma isolada, somente em combinação com o género da espécie. O epíteto específico pode ser o nome de uma pessoa latinizado, seguindo as regras: - Quando tem terminação em vogal -a, adiciona-se -e. Ex.: Balansa balansae - Quando tem terminação em consoante diferente de -er, adiciona-se -ii. Se é uma mulher, -iae. Ex.: Tuttin tuttinii - Quando tem terminação em consoante -er, adiciona-se -i. Ex.: Boissier boissieri Por fim, após o nome em latim, acrescenta-se o nome abreviado do autor, a negrito. Quando uma espécie muda de género, o nome do autor (primeiro nome criado) deve ser citado entre parênteses, seguido pelo nome do autor que fez a nova combinação, por exemplo: Galinsoga ciliata (Raf.) Blake. - Nomenclatura popular A nomeação popular trata dos nomes que a população atribui às plantas, os quais variam bastante de uma região para a outra e, em muitos casos, dentro de uma mesma região, dependendo de quem a utiliza. O mesmo nome popular pode ser atribuído a diferentes espécies, por exemplo, as espécies Ananas comosus e Ananas ananassoides, do género Ananas, são chamadas popularmente de Abacaxi, por terem um aspeto semelhante. Logo, ao contrário da Nomenclatura científica, que é única e universal, a Nomenclatura popular varia bastante. Projeto | Pág. 54
- Nomes válidos x Nomes aceites Existem regras claras para a publicação de novas espécies, géneros, etc., logo, quando um novo nome é publicado e atende a todas as regras, é um nome válido, ou seja, validamente publicado. No entanto, isto não implica que seja um nome automaticamente aceite. A “não aceitação” de um nome pode acontecer e é bastante frequente. Na realidade, apesar de desconhecermos uma estatística oficial, provavelmente mais da metade dos nomes válidos não são considerados aceites e há muitos casos em que não há consenso sobre o nome aceite. Naturalmente, quando as atuais regras taxonómicas começaram a ser utilizadas, as comunicações eram bastante demoradas, comparativamente aos dias de hoje. Hoje em dia, quando se publica um nome de uma nova espécie, esta informação pode ser imediatamente incluída nos grandes bancos de dados da internet. Naquela época, eram necessários meses, ou mesmo anos ,até que fosse possível saber se alguma espécie já tinha sido publicada por alguém numa outra parte do mundo. Deste modo, muitas espécies foram descritas diversas vezes com nomes diferentes. Pelas regras, o nome mais antigo é que conta, sendo o primeiro a ser publicado. 3.6.3 Postais do Jardim Botânico do Porto A estratégia utilizada para com os postais, foi a de os colocar no interior do Catálogo Botânico do JBP e assim fazer com que os visitantes que comprassem o catálogo, pudessem ter algo para oferecer a familiares ou conhecidos. O objetivo seria atrair mais visitantes através de postais atrativos. Demonstro abaixo a série de postais realizados: Fig. AA - Postais do JBP Pág. 55 | Projeto
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Anexos Anexo 1 - Inquérito realizado aos visitantes do JBP: Anexos | Pág. 70
Anexo 2 - Características das 50 espécies presentes no Catálogo Botânico: Acanthus mollis L. Nome científico / Cientific name Acanto Nome Popular / Popular name Acanthaceae Família / Family Zona mediterrânea / Mediterranean area Origem / Origin 2 e 16 - Bordadura Casa Andresen e Arboreto / 2 and 16 - Andresen House Border and Arboretum Localização no JBP / Location in JBP Planta herbácea que pode atingir em média 30 a 80 cm de altura, com um máximo de 180 cm, inflorescência incluída. Tem folhas verde-escuras, macias ao toque, até 40 cm de comprimento e 25 cm de largura. A inflorescência é uma espiga cilíndrica com 30 a 40 cm de comprimento e pode produzir até 120 flores. As flores são tubulares, de cor esbranquiçada, lilás ou rosa. Cada flor tem até 5 cm de comprimento e a floração vai do final da Primavera ao início do Verão, de Maio a Agosto. Plant that may reach 30-80 cm, including the inflorescence. The leaves, dark green, soft to the touch, have up to 40 cm long and 25 cm wide. The inflorescence is a cilindric spike with 30-40 cm long and produces up to 120 flowers. The flowers are tube-shaped, whitish in colour, purple or pink. Each flower has up to 5 cm in length and will bloom from late May to August. __________________________________________________________ Agapanthus africanus (L.) Hoffmanns. Nome científico / Cientific name Agapanto Nome Popular / Popular name Alliaceaea Família / Family África do Sul / South Africa Origem / Origin 11 e 16 - Jardim do Xisto e Arboreto / 11 and 16 - Xisto Garden and Arboretum Localização no JBP / Location in JBP Planta herbácea com caule de 6 a 9 cm de comprimento, com uma umbela (conjunto de flores) de cor branca ou azul brilhante no seu Pág. 71 | Anexos
Callistemon citrinus Skeels Nome científico / Cientific name Escovilhão limonado Nome popular / Popular name Myrtaceae Família / Family Austrália / Australia Origem / Origin 11 e 15 - Jardim do Xisto e dos Lagos / 11 and 15 - Xisto and Lakes Garden Localização no JBP / Location in JBP Arbusto ou pequena árvore que cresce entre 1-3 m de altura. As folhas são lanceoladas, com 3-7 cm de comprimento e 5-8 mm de largura. As flores têm 6-10 cm de comprimento, 4-7 cm de diâmetro e aparecem em Novembro e Dezembro. Os estames são vermelhos ou lilás e são a maior atração desta espécie, pela forma em escovilhão. As cápsulas de sementes, que aparecem em grupos ao longo das hastes, têm cerca de 7 mm de largura. Shrub or small tree growing between 1-3 meters high. The leaf is lanceolate with 3-7 cm long and 5-8 mm wide. Flowers have 6-10 cm in length and about 4-7 cm in diameter, appearing in November and December. The stamens are red, purplish-red or purple and are the biggest attraction of this species, due to its pipe-cleaner shape. The seed capsules, which appear in groups along the rod, are approximately 7 mm wide. __________________________________________________________ Camellia japonica L. Nome científico / Cientific name Camélia Nome Popular / Popular name Theaceae Família / Family Japão / Japan Origem / Origin 8, 9 e 10 - Jardim do Roseiral, do Peixe e dos Jotas / 8, 9 and 10 - Rosary, Fish and Jotas Garden Localização no JBP / Location in JBP Anexos | Pág. 78
Arbusto ou pequena árvore de folhagem densa. As folhas são elípticas, denteadas, coriáceas e cerosas. As flores são solitárias ou agrupadas nas axilas das folhas, geralmente sem perfume. Estas flores são grandes, com 6 ou mais pétalas e cores que variam do branco ao vermelho, podendo incluir manchas, matizes e pintas. Os estames são amarelos e estão agrupados numa coluna, no centro da flor. Os frutos são cápsulas, esféricas e esverdeadas, do tamanho de ameixas, com três sementes globosas. Shrub or small tree with dense, dark and glossy foliage. The leaves are elliptic, toothed, leathery and waxy. The flowers are solitary or clustered in the leaf axils, usually without perfume. These flowers are large, with six or more petals and Colours ranging from white to red, possibly including patches, stripes and spots. The stamens are yellow and are grouped in a column in the center of the flower. The fruits are spherical and greenish capsules, the size of plums, with three globular seeds. __________________________________________________________ Cedrus atlantica (Endl.) Carriére Nome científico / Cientific name Cedro do Atlas Nome popular / Popular name Pinaceae Família / Family Montanhas do Atlas / Atlas Mountains Origem / Origin 16 - Arboreto / 16 - Arboretum Localização no JBP / Location in JBP Árvore de grandes dimensões, com cerca de 30 a 35 m de altura, podendo chegar em alguns casos a 40 m, o diâmetro do tronco pode atingir 1,5 a 2 m. É uma espécie com folhagem persistente, agrupada em espirais densas sobre ramos curtos e solitários. As infrutescências são pinhas de cor castanha, arredondadas, compridas e lisas. O tamanho médio das pinhas é de 9 cm, embora haja registos de espécimes com 12 cm de comprimento. Large tree, with about 30 to 35 m high, in some cases reaching to 40 m, the diameter of the trunk may extent to 1.5 to 2 m. It is a species with evergreen foliage, grouped in dense spirals on short and lonely branches. The infrutescences are brown coloured pine cones, round, long and smooth. The average size of the cones is 9 cm, although there are records of specimens reaching up to 12 cm in length. __________________________________________________________ Pág. 79 | Anexos
Cuphea hyssopifolia Kunth Nome científico / Cientific name Cufea Nome popular / Popular name Lythraceae Família / Family México, Guatemala e Honduras / Mexico, Guatemala and Honduras Origem / Origin 9 - Jardim do Roseiral / 9 - Rosary Garden Localização no JBP / Location in JBP Arbusto de pequenas dimensões, que pode atingir cerca de 40-60 cm de altura. Tem folhas com cerca de 2-3 centímetros de comprimento por 0,5-1 cm de largura e ovais, pequenas e verdes. Por fim, as flores, também bastante pequenas, com 2-3 cm de diâmetro, com poucas pétalas, podem ter cor roxa, lavanda ou branca. Bush of small dimensions, which can reach about 40-60 centimeters in height. The leaves are about 2-3 centimeters long by 0.5-1 cm in width and oval, small and green. Finally, the flowers, also quite small, with about 2-3 cm in diameter and very few petals, may be purple, lavender or white coloured. __________________________________________________________ Cuphea micropetala Kunth Nome científico / Cientific name Flor charuto Nome popular / Popular name Lythraceae Família / Family México / Mexico Origem / Origin 15 - Jardim dos Lagos / 15 - Lakes Garden Localização no JBP / Location in JBP Pequeno arbusto que pode atingir de 1 a 3 m de altura e que prefere solos húmidos, moderadamente férteis e bem drenados. Cada uma cria uma massa de ramos delgados com folhas verde escuras lanceoladas. As flores, tubulares, começam a surgir no final do Verão. Inicialmente são de cor amarela e, com a idade, vão-se tornando laranja, a partir da base, gerando muitas vezes aparência de dois tons. Small shrub that can reach 1-3 m in height and prefers moist, moderately fertile and well drained soils. Each plant creates a mass of slender branchAnexos | Pág. 80
es, with dark green lance-shaped leaves. In the late Summer tubular flowers appear. They emerge as yellow coloured flowers and, with age, become orange from the bottom up, often giving a two-tone appearance. __________________________________________________________ Cupressus sempervirens L. Nome científico / Cientific name Cipreste Nome popular / Popular name Cupressaceae Família / Family Sul da Europa e Sudoeste da Ásia / Southern Europe and Southwest Asia Origem / Origin 16 - Arboreto / 16 - Arboretum Localização no JBP / Location in JBP Árvore que pode chegar a medir 35 m e possui copa estreita e esguia com ramos nivelados e ramificações terminais lineares. É uma espécie de grande longevidade (sabe-se que alguns chegam a viver mais de um milénio) e de folha persistente. As folhas, com vértices agudos e escamiformes, são de cor azul esverdeada. Os frutos são em forma de pequenas bolas, azuis acinzentadas quando jovens, tornando-se castanhas e brilhantes com a idade. Tree that can reach up to 35 m and has a narrow and slender canopy, with leveled branches and linear terminal branches. It’s an evergreen specimen of great longevity (it is known that some even last over a millennium). The leaves, with acute and scale-shaped vertices, are greenish-blue. The fruits are shaped like small grayish blue balls, when young, becoming brown and shiny with age. __________________________________________________________ Cyperus papyrus L. Nome científico / Cientific name Papiro Nome popular / Popular name Cyperaceae Família / Family África tropical, Egipto e Palestina / Tropical Africa, Egypt and Palestine Origem / Origin 11 - Jardim do Xisto / 11Xisto Garden Localização no JBP / Location in JBP Pág. 81 | Anexos
Espécie constituída por um talo que pode atingir os 6 m de altura. Os caules alongam-se mais tarde e dobram graciosamente para baixo, sob o seu próprio peso, para que a copa adquira quase uma forma esférica. As flores são constituídas por uns cachos marrom-esverdeados e aparecem juntamente com finas hastes verdes, que lembram os raios do sol. É exatamente por ter esta analogia com o sol, divindade máxima, que o papiro é considerado sagrado. O miolo era utilizado para o fabrico do papiro e a casca, bem resistente, depois de seca, era utilizada na confeção de cestos. Species comprising a stalk that can reach up to 6 m in height. The stems stretch out later and gracefully fold down under its own weight, so that the canopy will become nearly spherical shaped. The flowers consist of brown-green clusters and appear along with thin green stems, which resemble the sun’s rays. It is precisely due to this analogy with the sun, maximum divinity, that the papyrus is considered sacred. The core was used for manufacturing papyrus and the dried bark was used to make baskets. __________________________________________________________ Dahlia pinnata Nome científico / Cientific name Dália Nome popular / Popular name Asteraceae Família / Family México / Mexico Origem / Origin 8 - Jardim dos Jotas / 8 - Jotas Garden Localização no JBP / Location in JBP Herbácea de porte médio que, quando adulta, pode atingir uma altura de 70-120 cm (ocasionalmente 160 cm). O caule é ereto, sendo ramificado na inflorescência. As folhas são geralmente simples, de forma ovalada, com 5-10 cm de comprimento. As flores têm 5-15 cm de diâmetro e variam entre as cores amarelo, laranja, rosa e roxo profundo. A floração dá-se na Primavera e no Verão. Mid-sized herbaceous which may reach, as an adult, a height of 70120 cm (occasionally 160 cm). The stem is erect, with branched inflorescence. The leaves are generally simple, oval-shaped, with 5-10 cm in length. Flowers have a diameter of 5-15 cm and vary between yellow, orange, pink to deep purple. Flowering occurs in Spring and Summer. __________________________________________________________ Dyckia brevifolia Baker Nome científico / Cientific name Díquia - Nome popular / Popular name Anexos | Pág. 82
Bromeliaceae Família / Family Sul do Brazil / Southern Brazil Origem / Origin 12 - Jardim dos Catos e Suculentas / 12 - Cactus and Succulents Garden Localização no JBP / Location in JBP Herbácea perene com folhas de cor verde escuro, suculentas, rijas e de margens espinhosas. A flor, de cor amarela, é bastante alta, podendo atingir de 0,5-2 m de altura. Esta floresce no final da Primavera e pode ser constituída por várias flores no mesmo ramo. Herbaceous perennial with juicy and stiff dark green colored leaves which have spiny margins. The flower, yellow, is quite high and may reach 0.5-2 m height. This species bloom in late Spring and can have various flowers on the same branch. __________________________________________________________ Echeveria agavoides Lem. Nome científico / Cientific name Echeveria Nome popular / Popular name Crassulaceae Família / Family México / Mexico Origem / Origin 12 - Jardim dos Catos e Suculentas / 12 - Cactus and Succulents Garden Localização no JBP / Location in JBP Suculenta que pode chegar a atingir 15-20 cm de altura e 5-20 cm de diâmetro. As folhas têm formato de uma rosa, são de cor verde azulada, espessas e cerosas. Na ponta da folha, a suculenta tem um pequeno espinho. As flores, cor de rosa, são formadas em haste, que pode atingir até 10 cm de altura. A floração ocorre principalmente nos meses de Verão. Succulent which can reach 15-20 cm in height and 5-20 cm in diameter. The leaves have the shape of a rose, are bluish green coloured, thick and waxy. At the tip of the leaf, succulent has a small thorn. The pink flowers are formed in a rod, which can reach up to 10 cm. Flowering occurs mainly in the Summer. __________________________________________________________ Encephalartos caffer (Thunb.) Lehm. Nome científico / Cientific name Pág. 83 | Anexos
Encefalarto Nome popular / Popular name Zamiaceae Família / Family África do Sul / South Africa Origem / Origin 16 - Arboreto / 16 - Arboretum Localização no JBP / Location in JBP Espécie com caule subterrâneo e uma pequena porção acima do solo, raramente ramificado e que pode ter 40 cm de comprimento. Emergindo do topo, as folhas são longas e verde-escuras, com cerca de 1 m de comprimento. As folhas jovens são marrons com uma pequena penugem, mas a maior parte dessa penugem, perde-se à medida que amadurecem, apesar de nunca se tornarem completamente lisas ou brilhantes. Species with an underground stem with a small portion above ground, rarely branched, and may be up to 40 cm long. Emerging from the top, the leaves are long, dark green, with about 1 m in length. Young leaves are brown, with a little down. The majority of the down is lost, as the leaves mature, despite never becoming completely smooth or shiny. __________________________________________________________ Erythrina crista-gali L. Nome científico / Cientific name Árvore coral Nome popular / Popular name Fabaceae Família / Family Sudeste da América do Sul / Southeast of South America Origem / Origin 15 - Jardim dos Lagos / 15 - Lakes Garden Localização no JBP / Location in JBP Árvore que cresce, geralmente, 5-8 m de altura, mas que pode atingir 10 m. O tronco é ramificado, com galhos irregulares e espinhosos, que formam uma camada sem forma definida e morrem após a floração. As folhas são compostas por um conjunto de três folíolos e as flores são vermelhas. A floração ocorre geralmente de Novembro a Fevereiro. O fruto é uma vagem semelhante ao feijão, com 8-10 sementes, de cor castanho-marrom. Tree grows normally 5-8 m in height, but can reach up to 10 m. The trunk is branched with irregular and thorny branches, that form a layer without definite form and die after flowering. The leaves are composed of a set of three Anexos | Pág. 84
leaflets and the flowers are red. Flowering generally occurs from November to February. The fruit is a pod 8-10 seeds, similar to beans, brown coloured. __________________________________________________________ Euphorbia coerulescens Haw. Nome científico / Cientific name Eufórbia de Noorsveld Nome popular / Popular name Euphorbiaceae Família / Family África do Sul / South Africa Origem / Origin 12 - Jardim do Catos e Suculentas / 12 - Cactus and Succulents Garden Localização no JBP / Location in JBP Arbusto com fortes espinhos, que pode crescer até 2 m de altura e o mesmo em largura. Os ramos são irregulares, torcidos e com segmentos triangulares. As folhas são pequenas, apesar da espécie ser geralmente desprovida de folhas durante todo o Inverno. Os espinhos são cinzentos ou acastanhados e têm 30-70 mm de comprimento. As flores amarelas nascem um pouco acima dos espinhos, geralmente em plantas maduras. A floração ocorre no final da Primavera. Shrub with strong spines, which can grow up to 2 m high and about the same in width. The branches are irregular, and twisted, with triangular segments. The leaves are small, despite being generally devoid of leaves during the Winter. The thorns are gray or brownish, about 30-70 mm long. Flowering occurs in late Spring, usually in mature plants, with yellow flowers rising just above the thorns. __________________________________________________________ Euphorbia triangularis Desf. Nome científico / Cientific name Eufórbia da borracha Nome popular / Popular name Euphorbiaceae Família / Family África do Sul / South Africa Origem / Origin 12 - Jardim do Catos e Suculentas / 12 - Cactus and Succulents Garden Localização no JBP / Location in JBP Pág. 85 | Anexos
Planta com uma haste vertical, que se bifurca em três ou quatro lados. A haste é verde escura, com padrões verdes em forma de “V”. Os cerca de 5 mm de espinhos estão colocados ao longo da espécie, em pares de dois espinhos. As folhas, em forma de gota, crescem entre os dois espinhos em cada cume. A seiva desta planta é venenosa e pode provocar várias irritações na pele. Plant with a vertical rod, which is branched in three or four sides. The rod is dark green, with green patterns in a “V”. The approximately 5 mm spines are placed along the kind, in pairs of two spines. The droplet-shaped leaves grow between the two spines on each ridge. The sap of this plant is poisonous and can cause various skin irritations. __________________________________________________________ Ginkgo biloba L. Nome científico / Cientific name Ginco Nome popular / Popular name Ginkgoaceae Família / Family China / China Origem / Origin 16 - Arboreto / 16 - Arboretum Localização no JBP / Location in JBP Árvore que chega a atingir 30 m de altura. Possui poucos ramos e as folhas, que surgem na Primavera e se aglomeram na extremidade dos ramos em grupos de 3 a 5, são únicas na natureza, pela sua forma em leque e nervação radiante e dicotómica. No Outono, surgem os frutos redondos, carnudos, do tamanho de uma cereja, amarelos. Estes têm um grão duro no interior, de sabor adocicado, que os japoneses utilizam na sua alimentação. Esta espécie é a única sobrevivente do seu grupo e é considerada um fóssil vivo, que já existe há 270 milhões de anos. Tree that reaches 30 m in height, in its natural habitat. It has few branches and its leaves, which are grouped at the end of the branches in clusters of 3-5 and emerge during Spring, are unique in nature, due to its fan-shape and radiant and dichotomous venation, . In the Autumn, the fruits arise and are round, yellow, fleshy and have the size of a cherry. These have a hard and sweet grain inside, which Japanese people use in their food. This species is the only survivor of his group and is considered a living fossil, which has been around for 270 million years. __________________________________________________________ Hedychium coccineum (Kunth) Link Nome científico / Cientific name Anexos | Pág. 86
Roca de Velha Nome popular / Popular name Zingiberaceae Família / Family Sul da Ásia / South Asia Origem / Origin 15 - Jardim dos Lagos / 15 - Lakes Garden Localização no JBP / Location in JBP Espécie que pode atingir 2 a 3 m de altura, com folhas longas, de cor verde azulado e ligeiramente côncavas. As flores estão situadas nas extremidades dos ramos e são cilíndricas, vermelhas, laranja ou amarelas e estão dispostas num cacho vertical. A floração dá-se no Inverno, despontando inflorescências altas, eretas e muito vistosas. Species that can reach 2 to 3 m in height, with long, meaty, slightly concave, bluish green coloured leaves. The flowers are at the ends of branches, and are cylindrical, red, orange or yellow and arranged in vertical trusses. Flowering occurs in Winter, emerging tall, erect and very showy inflorescences. __________________________________________________________ Hibiscus rosa-sinensis L. Nome científico / Cientific name Hibisco rosa da China Nome popular / Popular name Malvaceae Família / Family Sul da China / South China Origem / Origin 15 - Jardim dos Lagos / 15 - Lakes Garden Localização no JBP/ Location in JBP Arbusto lenhoso, fibroso, com até 5 m de altura. As folhas podem ser largas ou estreitas, brilhantes e solitárias. É muito difundida no mundo, pelas propriedades ornamentais, possuindo diversas variedades e formas, com flores grandes ou pequenas, geralmente vermelhas, com pétalas lisas ou crespas. As flores têm 5 pétalas de 10 cm de diâmetro, com anteras proeminentes com pontas vermelho-alaranjadas. Woody shrub, fibrous, with up to 5 m tall. The leaves can be wide or narrow, bright and lonely. It is widespread in the world, due to its ornamental properties, and presents itself in many varieties and forms, with large or small flowers, usually red, with smooth or curly petals. The flowers have five Pág. 87 | Anexos
culinos). Os frutos formam-se nos amentilhos pendentes, com 3-8 cm de comprimento, contendo 6-20 sementes. Cada semente é uma pequena noz com 2-4 mm de comprimento. Deciduous and broadleaf tree that can reach 15-24 m. The leaves are alternate, ovoid and double toothed, 3-10 cm long and with several pairs of secondary veins, which have a yellowish colour in the Autumn. The flowers are produced in Spring in catkins 2-5 cm (females) and 5-10 cm long (male). The fruits are formed in pending catkins, 3-8 cm long, 6-20 containing seeds. Each seed is a small nut 2-4 mm long, enclosed in a housing. __________________________________________________________ Paphiopedilum insigne (Lindl.) Pfitzer Nome científico / Cientific name Sapatinhos de senhora Nome popular / Popular name Orchidaceae Família / Family Sudeste da Asiático / Southeast Asia Origem / Origin 14 -Estufa Tropical / 14 - Tropical Greenhouse Localização no JBP / Location in the JBP A flor, uma por pedúnculo, forma-se no final do Verão, florescendo a partir de meados de Novembro até Janeiro. A flor pode manter-se por cerca de 4-5 semanas na planta e é multicolor. Caso o pedúnculo da flor não seja arrancado da planta após a maturação, formar-se-á uma vagem arroxeada, que contém as sementes, as quais aparecem no Outono. The flower, one per peduncle, rises in late Summer, blooming from mid-November until January. The flower can be maintained for about 4-5 weeks in the plant and is multicolour. If the flower stalk of the plant is not detached after maturation, a purplish pod containing the seeds will be formed. The seeds appear in Autumn. __________________________________________________________ Pavonia spinifex (L.) Cav. Nome científico / Cientific name Arbusto gengibre Nome popular / Popular name Malvaceae Família / Family Anexos | Pág. 94
Brasil / Brazil Origem / Origin 14 - Estufa Tropical / 14 - Tropical Greenhouse Localização no JBP / Location in the JBP Arbusto que pode atingir uma altura de cerca de 2 metros. As folhas são verde escuras e lanceoladas. As flores estão situadas ao longo do ramo, têm dois tons, rosa e roxo e estão envoltas por um cálice vermelho-vivo. O período de floração ocorre no final do Verão. Bush which can reach a height of about 2 meters. The leaves are dark green, long and lance-shaped. The flowers are located along the branch, have two colours, pink and purple, and are enclosed within a bright red calyx The flowering period occurs in late Summer. __________________________________________________________ Picea rubens Sarg. Nome científico / Cientific name Espruce vermelho Nome popular / Popular name Pinaceae Família / Family América do Norte / North America Origem / Origin 16 - Arboreto / 16 - Arboretum Localização no JBP / Location in JBP Árvore conífera que pode crescer de 18-40 m de altura, com um diâmetro de tronco de cerca de 60 cm. Tem copa cónica estreita e madeira leve e macia, com anéis estreitos e uma ligeira coloração avermelhada. As folhas são em forma de agulha, verde-amareladas, com 12-15 mm de comprimento, com quatro lados e uma ponta afiada. As pinhas são cilíndricas, com 3-5 cm de comprimento, de cor marrom-avermelhada e com escamas duras. As sementes são castanhas, ovóides, com 2 cm de comprimento. Coniferous tree that can grow 18-40 m tall, with a stem diameter of about 60 cm. It has narrow conical crown and light and soft wood, with narrow rings and a slight reddish colour. The leaves are needle-shaped, yellowish-green, with 12-15 mm long, four sides and a sharp tip. The cones are cylindrical, 3-5 cm long, reddish-brown coloured and with hard scales. The seeds are brown, ovoid, 2 cm length. __________________________________________________________ Pág. 95 | Anexos
Prunus laurocerasus Nome científico / Cientific name Loureiro Nome popular / Popular name Rosaceae Família / Family Europa e Sul da Ásia / Europe and South Asia Origem / Origin 16 - Arboreto / 16 - Arboretum Localização no JBP / Location in JBP Árvore de tamanho médio, que atinge normalmente 15-25 m de altura, com tronco fino, geralmente com menos de 40 cm de diâmetro. As folhas, em forma de cunha, têm 3-7 cm de comprimento, pendúnculos finos e curtos, pontas delgadas e margens serrilhadas. A vagem é verde pálido e fica amarela no início do Outono, antes das folhas caírem. A flor é pequena, com 1-2 mm, e as sementes, que amadurecem no final do Verão, em amentilhos pendentes, têm forma cilíndrica de 2-4 cm de comprimento e 7 mm de largura. A principal característica, que permite o seu reconhecimento imediato é a cor branca do tronco, cujo brilho, sobretudo em noites de luar, lhes mereceu a designação popular de “Damas da Noite”. Average size tree, which normally reaches 15-25 m tall, with thin trunk, usually less than 40 cm in diameter. The wedge-shaped leaves, are 3-7 cm long, have thin and short penduncles, thin ends and serrated edges. The pod is pale green and turns yellow in early Autumn, before the leaves fall. The flower is small, with 1-2 mm, and the seeds, which ripen in late Summer in pending catkins, have cylindrical form of 2-4 cm long and 7 mm wide. The main feature, which allows its immediate recognition, is the white trunk, whose brilliance, especially on moonlit nights, made them commonly known as “Damas da Noite” - Night Maidens. __________________________________________________________ Pyracantha coccinea Nome científico / Cientific name Piracanta Nome popular / Popular name Lythraceae Família / Family México e Honduras / Mexico and Honduras Origem / Origin Anexos | Pág. 96
16 - Arboreto / 16 - Arboretum Localização no JBP / Location in JBP Arbusto de pequenas dimensões, que pode atingir cerca de 40 a 60 cm de altura. Tem folhas com cerca de 2 a 3 centímetros de comprimento por 0,5 a 1 cm de largura, ovais, pequenas e verdes. Por fim, as flores, também bastante pequenas, com 2 a 3 cm de diâmetro, têm poucas pétalas e podem ter cor roxa, lavanda ou branca. Bush of small dimensions, which can reach about 40 to 60 centimeters in height. It has small, oval, green leaves, with about 2 to 3 centimeters long and 0.5 to 1 cm in width. Finally, the flowers, also quite small, with about 2 to 3 cm in diameter, have very few petals and may be purple, lavender or white coloured. __________________________________________________________ Pyrostegia venusta (Ker Gawl.) Miers Nome científico / Cientific name Flor de São João Nome Popular / Popular name Bignoniaceae Família / Family Brasil / Brazil Origem / Origin 16 - Arboreto / 16 - Arboretum Localização no JBP / Location in JBP Trepadeira de textura semi-lenhosa que pode atingir 9 a12 m de altura e cresce especialmente em terrenos abertos. Produz muitas inflorescências, compostas por pequenas flores alongadas, tubulares e alaranjadas em pleno Inverno. As folhas são lanceoladas e formam-se em pequenas ramificações, com duas ou três folhas. Propaga-se por estaquia de uma ponta de um ramo ou por semente. Bindweed with semi-woody texture, that can reach 9 -12 m high and grows particularly in open terrain. It produces many inflorescences consisting of small, elongated, tubular and orange flowers in the middle of Winter. The leaves are lanceolate and form small branches, with two or three leaves. It spreads by cuttings of a tip of a branch or by seed. __________________________________________________________ Quercus rubra L. Nome científico / Cientific name Carvalho americano Nome popular / Popular name Pág. 97 | Anexos
Fagaceae Família / Family América do Norte / North America Origem / Origin 16 - Arboreto / 16 - Arboretum Localização no JBP / Location in JBP Árvore de grande porte, com copa ampla e regular, podendo alcançar os 45 m de altura e os 500 anos de idade. As folhas são verdes, mais escuras na face superior, simples, alternas, com 5-19 cm e com 5 lados. Elas permanecem com um verde forte ao longo do Outono. A inflorescência ocorre no mês de Maio e possui bolotas de maturação anual com 1,54 cm de comprimento. Inicialmente, as bolotas têm um tom claro, ficando castanhas à medida que amadurecem. Large tree, with wide and regular crown, that can reach 45 m high and 500 years old. The leaves are green, darker on the upper surface, simple, alternate, with 5-19 cm and have 5 sides. They remain with a vivid green colour, along the Autumn. Flowering occurs in May and has annual maturation acorns 4 with 1,5 cm length. Acorns at first have a light tone becoming brown as they mature. __________________________________________________________ Rosa x grandiflora hort. Nome científico / Cientific name Rosa Nome Popular / Popular name Rosaceae Família / Family Várias / Multiple Origem / Origin 9 - Jardim do Roseiral / 9 - Rosary Garden Localização no JBP / Location in JBP Pode atingir 30-80 cm de altura, inflorescência incluída. As folhas, verde escuras, macias ao toque, têm até 40 cm de comprimento e 25 cm de largura. A inflorescência é uma espiga cilíndrinca, com 30-40 cm de comprimento, que produz até 120 flores. As flores são em forma de tubo, de cor esbranquiçada, lilás ou rosa. Cada flor tem até 5 cm de comprimento e a floração vai do final de Maio a Agosto. Plant that may reach 30 to 80 cm, including the inflorescence. The leaves, dark green, soft to the touch, have up to 40 cm long and 25 cm wide. The inflorescence is a cilindric spike, 30-40 cm long and produces Anexos | Pág. 98
up to 120 flowers. The flowers are tube-shaped, whitish, purple or pink coloured. Each flower has up to 5 cm in length and will bloom from May to August. __________________________________________________________ Rhododendron japonicum (A. Gray) Sur. Nome científico / Cientific name Azálea Nome popular / Popular name Ericaceae Família / Family Europa e Ásia oriental / Europe and eastern Asia Origem / Origin 3, 4 e 5 - Bosques de entrada e Jardim do Liquidambar / 3, 4 and 5 - Entry woods and Liquidambar Garden Localização no JBP / Location in JBP Arbusto florífero de ramos lenhosos e floração abundante que cresce até 2,5 m. As folhas são elíptico-ovaladas, com 1,5 a 5 cm de comprimento por 0,5 a 3 centímetros de largura. As flores são abundantes e agrupadas em pequenos aglomerados de 2 a 5 flores, cada flor com 4 a 5 cm de diâmetro. As cores das flores variam entre o branco, magenta ou qualquer outra tonalidade de rosa. A floração e a frutificação ocorrem na Primavera. Floriferous bush, with woody branches and abundant flowering, which grows up to 2.5 m. The leaves are oval-elliptical, with 1.5 to 5 cm in lenght for 0.5 to 3 centimeters wide. The flowers are abundant and grouped into small clusters of 2 to 5 flowers, each flower with 4 to 5 cm in diameter. The colours of the flowers range from white, magenta, or any other shade of pink. Flowering and fruiting occur in Spring. __________________________________________________________ Rhus typhina L. Nome científico / Cientific name Sumagre Nome popular / Popular name Anacardiaceae Família / Family América do Norte / South America Origem / Origin Junto à VCI / Close to VCI - Localização no JBP / Location in JBP Pág. 99 | Anexos
Espécie que pode atingir 2 a 3 m de altura com folhas longas, de cor verde azulada, carnosas e ligeiramente côncavas, com margens armadas com dentes. As flores estão situadas nas extremidades dos ramos e são cilíndricas, de cor vermelha, laranja ou amarela e estão dispostas em cacho. A floração dá-se no Inverno, despontando inflorescências altas, eretas e muito vistosas. Species that can reach up to 2 to 3 m long. The bluish green leaves are long, meaty, slightly concave, armed with toothed edges. The cylindrical flowers are located at the tips of branches, arranged in trusses and are red, orange or yellow coloured. Flowering occurs in Winter, emerging tall, erect and very showy inflorescences. __________________________________________________________ Strelitzia reginae Banks Nome científico / Cientific name Estrelícia Nome popular / Popular name Cactaceae Família / Family Centro do México / Mexico center Origem / Origin 12 - Jardim dos Catos e Suculentas / 12* - Cactus and Succulents Garden Localização no JBP / Location in JBP Planta herbácea perene com aproximadamente 1,20 m de altura, de folhas duras, grandes e ovóides, com pecíolos bastante compridos. As flores, com aproximadamente 15 cm de comprimento, são de cor laranja e azul e assemelham-se à cabeça de uma ave do paraíso. As inflorescências são formadas durante o ano todo, mas principalmente no Verão. Herbaceous perennial plant with about 1.20 m tall, with hard, big and ovoid leaves and quite long petioles. The flowers, with approximately 15 cm in lenght, are orange and blue and resemble the head of a bird of paradise. The inflorescences are formed throughout the year, but especially in Summer. * Os números indicam a localização no mapa do JBP, presente no catálogo botânico e no folheto informativo Anexos | Pág. 100
“A identidade visual como estratégia de dinamização do Jardim Botânico do Porto” Ana Rita Monteiro dos Reis Ramalho