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As potencialidades da Revista National Geographic no Ensino da História e Geografia

Daniela Primo Ferreira de Oliveira

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FA C U L DA D E DE LET RA S U N I V E RS I D A D E D O P O RT O Daniela Primo Ferreira de Oliveira Mestrado em Ensino de História e Geografia no 3º ciclo do Ensino Básico e no Ensino Secundário As potencialidades da revista National Geographic no Ensino da História e Geografia 2013 Orientador: Professora Doutora Cláudia Ribeiro Coorientador: Professora Doutora Elsa Pacheco Classificação: Ciclo de estudos: Dissertação/relatório/ Projeto/IPP: Versão definitiva As potencialidades da revista National Geographic no ensino da História e Geografia 2 Resumo Estudos realizados no âmbito da Educação indicam que a inserção de artigos de jornal e revistas didáticas no ensino contribui para o enriquecimento das práticas letivas, para a formação dos alunos enquanto cidadãos cientificamente literados e para a promoção de uma aprendizagem ao longo da vida. Nas orientações curriculares, para a disciplina de História e de Geografia do 3.º Ciclo do Ensino Básico e do Ensino Secundário, também são efetuadas diversas referências aos jornais e revistas como um recurso a ser utilizado nas aulas, em diferentes temáticas. Contudo, o contacto próximo com a comunidade escolar onde se desenrolou a Prática de Ensino Supervisionada permitiu-nos compreender de uma forma mais clara a realidade vivida nas escolas portuguesas e que, apesar das instruções normativas serem constantemente deliberadas a favor de uma cidadania ativa com base no desenvolvimento das capacidades e habilidades por parte dos alunos, estes intentos ainda se encontram notoriamente pouco desenvolvidos. E é nesta linha de pensamento que se elaborou o presente Relatório de Estágio, com um projeto de investigação que teve como principal finalidade promover a consciencialização histórica e geográfica através da utilização da revista temática como recurso didático, identificar os assuntos científicos no âmbito da História e Geografia contemplados na revista temática National Geographic e, desta forma, articulá-los com os conteúdos temáticos de cada uma das disciplinas e trabalhá-los em contexto de sala de aula com os alunos. A implementação do estudo passou pela realização de exercícios nas duas áreas com vista à diversificação de fontes utilizadas nas salas de aula de História e de Geografia. Os resultados sugerem que os alunos assumem a revista National Geographic como uma importante e motivadora fonte de informação nas suas aulas. Foram várias as limitações que se manifestaram ao longo de todo o projeto, entre as quais o pouco tempo disponível para a sua realização. Contudo, pensamos que os resultados obtidos são potencialmente válidos para a promoção do interesse e sucesso dos alunos, para o desenvolvimento da didática específica de cada disciplina e para a valorização da revista científica no contexto de sala de aula. Palavras-Chave: Aprendizagem, Revista Temática, National Geographic, História, Geografia. As potencialidades da revista National Geographic no ensino da História e Geografia 3 Abstract Studies in the Education field indicate that the introduction of newspapers and didactic magazines in teaching, contribute to the enrichment of the classes, the formation of the students as citizens scientifically informed and to the promotion of a lifelong learning. In the curriculum orientation of History and Geography, in the junior high and high schools, are made several references to newspapers and magazines as recourses to be used in classes, addressing different themes. However, the close contact with the scholar community, where the Supervised Teaching Practice was developed, allowed us to understand in a clear way the reality experienced in the Portuguese schools and also that, despite the normative instructions being continuously deliberated in favor of the active citizenship based in the development of capacities and skills of the students, these goals are notoriously undeveloped. And this is line of thinking behind this Internship Report, that include a research project whose the main proposes were to promote the historical and geographical consciousness through the use of a thematic magazine as didactic resource, to identify the scientific issues in the History and Geography covered in National Geographic magazine and thus, articulate them with the thematic content of each of the disciplines in order to work those topics with the students in the class. The implementation of the project was based on the realization of exercises in both areas with the goal of to diversify the sources used in the History and Geography classes. The results suggest that the students consider the National Geographic magazine as an important and motivating source of information in their classes. Several limitations emerge throughout the development of the project, including the short time available to its realization. However, we believe that the results are potentially valid to promoting the interest and success of the students, for the development of specific didactic in each discipline and to the valorization of the scientific journal in a classroom context. Keywords: Learning, Thematic Magazine, National Geographic, History, Geography. As potencialidades da revista National Geographic no ensino da História e Geografia 4 Agradecimentos O Relatório de Estágio que doravante apresentaremos é o resultado de um percurso árduo que decorreu não só durante o tempo de estágio, mas ao longo de todo o Mestrado. Por isso, estes agradecimentos públicos são a expressão da minha enorme gratidão e reconhecimento: À minha Orientadora, Dra. Cláudia Ribeiro, por todo o apoio prestado, pela generosidade, disponibilidade dispensada e por todo o empenho e estímulo que sempre a caraterizaram. Às minhas orientadoras, Dra. Albertina Viana e Dra. Isabel Ribeiro, cujas opiniões, disponibilidade e simpatia foram decisivos para o desenvolvimento deste projeto. À Escola Secundária Dr. Joaquim Gomes Ferreira Alves pela recetividade e cortesia com que me acolheu. Aos alunos das disciplinas de História e Geografia, pela participação e contributo neste projeto, sem os quais esta investigação não poderia ter sido concretizada. Agradeço aos meus amigos que apoiaram, colaboraram e contribuíram para que a minha investigação chegasse a bom porto. À minha família, pelo incansável apoio e incentivo que nos momentos de mais difíceis souberam mostrar compreensão e me encorajaram a concluir este projeto ao longo do Ano Letivo em causa. À minha filha Amélia… A todos o meu muito obrigado! As potencialidades da revista National Geographic no ensino da História e Geografia 5 Índice Resumo ........................................................................................................................................ 2 Abstract....................................................................................................................................... 3 Agradecimentos .......................................................................................................................... 4 Apresentação do tema de investigação...................................................................................... 8 Capítulo 1 – Enquadramento teórico ...................................................................................... 13 1.1. Os media e a escola ................................................................................................... 13 1.1.1. O papel da escola numa Sociedade Informação ................................................. 13 1.2. Educar para a literacia ............................................................................................. 17 1.3. Breve história da revista .......................................................................................... 20 1.4. O caso particular da National Geographic ............................................................. 21 1.5. A revista temática como recurso didático no ensino da História e da Geografia . 23 Capítulo 2 – Estudo de caso ..................................................................................................... 26 2.1. Contexto escolar ....................................................................................................... 26 2.2. Caraterização das turmas ........................................................................................ 27 2.3. Procedimentos metodológicos .................................................................................. 30 2.4. O uso da National Geographic nas aulas de História ............................................. 34 2.5. O uso da National Geographic nas aulas de Geografia .......................................... 47 2.6. Análise dos questionários ......................................................................................... 61 3. Considerações Finais .................................................................................................... 67 Referências Bibliográficas ....................................................................................................... 70 Anexos ....................................................................................................................................... 75 Anexo 1 – Plano de Unidade de História – 7º ano .................................................................. 76 Anexo 2 – Plano de aula aplicado ao 7º W .............................................................................. 79 Anexo 3 – Exercício aplicado ao 7º W ..................................................................................... 83 Anexo 4 – Grelha de Avaliação ................................................................................................ 84 Anexo 5 – Plano Unidade de História – 9º ano ....................................................................... 85 Anexo 6 – Plano de aula aplicado ao 9º L ............................................................................... 88 Anexo 7 – Exercício aplicado ao 9º L ...................................................................................... 92 Anexo 8 – Plano de aula aplicado à turma de 9º L ................................................................. 93 Anexo 9 – Exercício aplicado à turma de 9º L ........................................................................ 95 Anexo 10 – Excertos distribuídos da National Geographic ao 9ºL ....................................... 96 Anexo 11 – Descritores de correção dos exercícios aplicados ao 9ºL .................................. 109 As potencialidades da revista National Geographic no ensino da História e Geografia 6 Anexo 12 – Resposta elaborada por um aluno do 9ºL ......................................................... 110 Anexo 13 – Grelha de Avaliação ............................................................................................ 112 Anexo 14 - Plano de Aula de Geografia aplicado à turma de 9º Z ...................................... 113 Anexo 15 – Plano de Unidade de Geografia ......................................................................... 117 Anexo 16 - Plano de Aula de Geografia aplicado à turma de 9º Z ...................................... 119 Anexo 17 – Ficha de Trabalho aplicada à turma de 9º Z ..................................................... 123 Anexo 18 – Critérios de Correção aplicados à Ficha de Trabalho ...................................... 126 Anexo 19 – Tabelas de Classificação ..................................................................................... 127 Anexo 20 – Plano de aula aplicado à Turma de 9º Z ............................................................ 129 Anexo 21 – Plano de Unidade de Geografia - 9º Ano- “Ambiente e Sociedade” ................ 133 Anexo 22 – Quiz aplicado na aula de Geografia .................................................................. 136 Anexo 23 – Exercício aplicado à turma de 9º Z .................................................................... 139 Anexo 24 – Descritores de correção do exercício aplicado .................................................. 141 Anexo 25 – Grelha de Avaliação atribuída à turma do 9ºZ ................................................. 142 Anexo 26 – Questionário aplicado às turmas de 9º Ano ...................................................... 143 As potencialidades da revista National Geographic no ensino da História e Geografia 7 As potencialidades da revista National Geographic no ensino da História e Geografia 8 Apresentação do tema de investigação Este estudo desenvolveu-se no ambiente real da sala de aula, de acordo com uma abordagem construtivista da aprendizagem da História e da Geografia, com o intuito de aferir a perceção, o interesse e a motivação dos alunos acerca do uso didático da revista National Geographic no ensino destas áreas do saber. As estratégias de ensino e aprendizagem têm sido um dos alvos de interesse da educação, em geral, e das Didáticas em específico, mas a sua utilização nestes domínios do conhecimento, como é evidente, não é recente. De facto, reflexões em torno das estratégias de ensino remontam às origens da própria educação (Novak, 1998). Todavia, só mais recentemente é que as estratégias de ensino/aprendizagem assumiram formalmente destaque como elemento constitutivo do processo educativo, fundamentalmente para propiciar a realização de aprendizagens por parte dos alunos. Mas, genericamente, pode-se afirmar que se o professor pretende que o seu ensino seja efetivo, deve escolher estratégias que proporcionem a mais ativa participação dos alunos, um elevado grau de realidade ou concretização e um maior interesse pessoal ou envolvimento dos alunos. Além disso, a escolha e utilização de estratégias de ensino depende de vários fatores, como os objetivos a atingir. Como referem as Orientações Curriculares de Geografia para o 3º ciclo, “As experiências educativas sugeridas para cada tema programático não têm um caráter obrigatório, são exemplos de como as competências essenciais podem ser desenvolvidas de acordo com os meios/recursos da escola. Defende ainda que não é obrigatório realizálas, podendo o professor selecionar ainda outras consideradas mais adequadas ao desenvolvimento do currículo (Orientações Curriculares de Geografia para o 3.º ciclo, 2001, p.10). Em articulação com estes, a escolha e utilização de uma dada estratégia pode ser condicionada pelas afiliações dos professores relativamente a aspetos como as perspetivas de ensino, os modelos de ensino/aprendizagem, o papel do professor, o papel do aluno, bem como os recursos disponíveis a utilizar. Atendendo ao paradigma construtivista da aprendizagem, procurámos refletir sobre a múltipla função da revista temática enquanto recurso didático. Esta permite, a par com a imagem e com o documentário, enquadrar o sistema de ensino nos desafios As potencialidades da revista National Geographic no ensino da História e Geografia 9 da atual sociedade de informação e conhecimento, onde as tecnologias de informação e a linguagem audiovisual se apresentam como recursos orientados para a exploração do mundo e onde o professor tem um papel moderador preponderante. Dada a natureza pluridisciplinar da revista temática National Geographic, aliada à combinação do documentário e da imagem, pretende-se que esta promova uma abordagem mais interativa, motivadora e próxima dos ambientes de aprendizagem dos alunos, pelo que se admite como facilitador do desenvolvimento do processo da aprendizagem. Este projeto, em particular, teve a especial preocupação de dar o seu contributo na resposta a estes desafios. Contudo, todo o processo de ensino e aprendizagem encontra-se condicionado pela quantidade de informação proveniente dos meios de comunicação que poderá ser um elemento mais prejudicial do que facilitador, caso esta informação não seja alvo de uma análise crítica por parte do aluno. Exige-se, pois, uma “forma de conhecer mais crítica, mais reflexiva” (Gonzalez, 1999, p. 77). Todos estes fenómenos e alterações obrigam, pois, a um repensar do sistema educativo em vigor, reformulando não só os seus conteúdos, como as práticas pedagógicas em curso. Os argumentos anteriormente apresentados tornam claro que as revistas temáticas podem ser um valioso recurso didático para o ensino formal da História e da Geografia. É evidente que as revistas temáticas são apenas um pretexto que pode ser usado para promover a cidadania e a literacia científica, pois existe uma pluralidade de contextos que podem e devem ser explorados nas aulas. Neste sentido, acredita-se que o recurso a notícias sobre assuntos científicos presentes nos media e nas revistas temáticas, em particular, deve assumir um maior protagonismo nas aulas de História e Geografia, de modo a encorajar os alunos a ler as revistas e a favorecer a sua capacidade de as ler com um olhar crítico, contribuindo, assim, para a sua formação quando se tornarem cidadãos ativos e de pleno direito. É preciso ter sempre em conta que se assiste, atualmente, a uma permanente renovação dos estudos históricos, com uma incessante abertura a novos domínios e o cruzamento de outros campos do saber, o que implica procurar, constantemente, a integração de perspetivas interdisciplinares. (Currículo Nacional do Ensino Básico, 2001, p.121). Sendo a National Geographic uma revista temática de amplo reconhecimento editorial, acompanhadas com ótimas fotografias e documentários, e produzida por apaixonados por Geografia e História de diferentes áreas, esta torna-se uma das conhecidas As potencialidades da revista National Geographic no ensino da História e Geografia 16 tam-se ao público com estímulos publicitários. A entrada nos domicílios de dados e informações de lugares distantes tem um grande impacto nos cidadãos, determinando "uma forma de conhecer e explicar o Mundo em que vivemos”. Neste contexto, acrescenta o autor, a formação altera-se necessariamente, na medida em que o papel socializador, até então monopólio dos pais e da escola, passa a ser substituído, em grande medida, pelos meios de comunicação, com particular ênfase na televisão e Internet. As Tecnologias de Informação e Comunicação colocam, assim, imensos desafios, exigindo uma reorganização do sistema educativo, o que implica um novo papel do professor no processo pedagógico-didático. Se a escola tradicional debitava informação para um público passivo, a escola atual exige um trabalho de projeto com intervenientes ativos, críticos e dinâmicos. Todo o processo de ensino e de aprendizagem encontra-se condicionado pela quantidade de informação proveniente dos meios de comunicação que poderá dificultar mais do que facilitar, caso esta informação não seja alvo de uma análise crítica por parte do aluno. Exige-se, pois, uma "forma de conhecer mais crítica, mais reflexiva" (González, 1999, p.77). Todos estes fenómenos e alterações obrigam, pois, a um repensar do sistema educativo, reformulando não só os seus conteúdos, como também as práticas pedagógicas em curso. Mas, mais importante ainda, há a necessidade de repensar o papel do professor. Pois, como adianta aquele autor, o recurso aos novos meios tecnológicos pode dar "lugar à anulação do próprio papel do professor" caso a sua função não seja revista, substituindo o modelo de mera transmissão de dados e factos por um modelo teórico de crítica dessa informação (González, 1999, pp.77-78). O grande desafio já não é o de preparar professores para usarem tecnologias de informação e comunicação nas suas disciplinas, mas o de manter uma reflexão interdisciplinar e permanentemente renovada acerca dos modos como enfrentar as oportunidades e as ameaças de uma sociedade de informação. O mais importante “não é aprender conhecimentos, mas sim aprender a conhecer, não aprender pensamentos, mas aprender a pensar, não aprender investigações, mas aprender a investigar, não aprender modos de ser, mas aprender a ser” (Dias, cit. por Morgado, 2001, p. 45) cabendo ao professor desempenhar também outros papéis mais concertados com a sociedade atual (Pinto, 2007). As potencialidades da revista National Geographic no ensino da História e Geografia 17 1.2. Educar para a literacia As sociedades contemporâneas estão em mutação incessante, quer devido ao permanente progresso dos conhecimentos científicos e tecnológicos, quer devido à evolução do sistema de valores e da própria economia. Atualmente, o conhecimento nas áreas das Ciências Humanas e Sociais e a sua aplicação são considerados um requisito importante para a realização pessoal, para a coesão social e para o desenvolvimento socioeconómico, bem como para o aumento da competitividade e da qualidade de vida (UNESCO, 2006, p.1). Desta forma, numa sociedade extremamente marcada pelos avanços das Ciências e da Tecnologia, a Educação nas Ciências Sociais assume uma posição basilar na formação de indivíduos aptos a compreender o mundo que os rodeia e a nele intervirem de forma consciente e cientificamente informada (Rodrigues & Martins, 2005, p.2). A análise das competências da leitura, escrita e cálculo das populações adultas tem vindo a constituir-se como um importante objeto de estudo das ciências sociais ao longo das últimas décadas. Este novo objeto de estudo enleia, por um lado, novas problemáticas e conceptualizações e, por outro, o recurso a metodologias específicas que permitem a avaliação direta das competências atrás mencionadas. A OCDE (2003, p. 16), atendendo à existência de diferentes definições de literacia científica, elaborou a sua própria definição, apresentado, assim, a literacia científica como sendo: “A capacidade para usar o conhecimento científico como uma ferramenta para identificar as questões e as conclusões baseadas em evidências no sentido de entender e ajudar a tomar decisões sobre o mundo natural e sobre as mudanças do mesmo provocado pela ação humana”. Atualmente, no âmbito do PISA 2006, a OCDE complementou a definição anterior com aspetos relacionados com o conhecimento da relação existente entre as Ciências e a Tecnologia e com as atitudes dos alunos face a assuntos científicos e tecnológicos relevantes. Com esta definição, a OCDE pretende evidenciar que a literacia científica implica muito mais do que o conhecimento de factos e conceitos científicos. Pressupõe que os alunos adquiram conhecimentos histórico-geográficos bem como capacidade para os usar em diferentes contextos. Entendemos então literacia pela capacidade de processamento, na vida diária (social, profissional e pessoal), de informação escrita de uso corrente contida em materiais impressos vários (textos, documentos, gráficos). Este As potencialidades da revista National Geographic no ensino da História e Geografia 18 conceito, atualmente já bastante difundido entre o nosso vocabulário, define-se por duas caraterísticas fundamentais: permitir a análise da capacidade efetiva de utilização da vida quotidiana das competências de leitura, escrita e cálculo; e por remeter para um contínuo de competências que se traduzem em níveis de literacia com graus de dificuldade distintos de literacia. A literacia é, desta forma, entendida de um modo não estático, ou seja, considera-se que as competências de uma população neste domínio tendem a alterar-se, quer por via da evolução (positiva ou negativa) das capacidades individuais, quer por via da transformação permanente das exigências da própria sociedade. Simultaneamente, pretende-se com este conceito ultrapassar categorizações dicotómicas, como a que opõe alfabetizados e analfabetos, por serem redutoras da diversidade de situações sociais existentes. Nesta perspetiva, não é a iliteracia que se pretende identificar, mas sim o perfil de literacia de uma população, traduzido em níveis que refletem graus diferenciados de competências acionadas em vários contextos. Se saber ler é fator determinante de inclusão (ou exclusão) na sociedade da informação, em rede, ser cidadão (ativo) pressupõe o prévio desenvolvimento de uma série de capacidades e competências gerais mas também o desenvolvimento de capacidade reivindicativa, espírito crítico e participação na Sociedade. Um estudo integrado no Plano Nacional de Leitura e divulgado em 2007 (Lopes, 2011, p. 8), “Os Estudantes e a Leitura”, revela dados interessantes acerca dos hábitos dos alunos portugueses do ensino básico e secundário. No 1.º ciclo, 61% das crianças do 3.º e 4.º ano afirmam “gostar muito de ler”. No 2.º ciclo conclui-se que os alunos não só gostam de ler como são leitores aplicados: quase 90% dos estudantes afirmaram “gostar muito” ou “assim-assim” de ler e apenas 4% não dedicam tempo diário à leitura de livros não escolares, jornais ou revistas. No 3.º ciclo, 22% dos alunos assumiram “gostar muito de ler”, 49% “gostar de ler mas apenas de vez em quando” e 29% asseguraram “gostar pouco ou nada de ler”. Uma nota: ler é uma atividade muito mais comum nas raparigas do que nos rapazes (e, neste particular, encontramos correspondência simples com a feminização do ensino português). Já no ensino secundário, a percentagem é manifestamente baixa: (apenas) 24% dos estudantes afirmaram “gostar muito de ler”. Este dado vem, no entanto, ao encontro de uma das (principais) conclusões do eurobarómetro “Young Europeans: a survey among young people aged between 15-30 in the European Union”, de 2007, que revela que (apenas) 25% dos jovens europeus declaram “ler” como forma mais comum de ocupar os tempos livres (a atividade de eleição dos jovens As potencialidades da revista National Geographic no ensino da História e Geografia 19 europeus – 45% - é “passear a pé ou de bicicleta, praticar outro desporto” (Lopes, 2011, p. 9). Portugal é um dos países da União Europeia a 27 com melhores níveis de mulheres no ensino superior. A feminização é, aliás, uma das características mais evidentes da expansão e massificação do ensino superior nas últimas décadas. Outra característica a ter em linha de conta diz respeito à crescente importância atribuída ao estudo em universidades estrangeiras, muito fomentado por programas de intercâmbio de estudantes dentro da União Europeia. Quanto a hábitos de leitura, tal como verificado na evolução dos níveis de qualificação e certificação escolar dos portugueses, a evolução registada parece ser ainda insuficiente na aproximação às taxas de leitura validadas em outros países, nomeadamente europeus. Não nos parece possível estabelecer uma relação simples e direta entre níveis de escolaridade e hábitos de leitura, a não ser no caso da leitura de livros (ensino médio-superior). Pode dizer-se, no entanto, que o aumento da escolarização das novas gerações parece traduzir-se num aumento muito significativo dos índices de leitura de livros, jornais e revistas (em papel ou online) em Portugal. Segundo o documento orientador acima referido, a literacia científica em História e Geografia é um pilar fundamental da formação dos alunos enquanto cidadãos aptos a exercer os direitos e deveres cívicos. Para a promoção da literacia científica no Ensino das Ciências Sociais e Humanas é cada vez mais essencial o desenvolvimento de um conjunto de competências em diferentes domínios do conhecimento, do raciocínio, da comunicação e das atitudes. Devemos atribuir bastante relevância à ideia de literacia histórica – enquanto conjunto de competências de interpretação e compreensão do passado, não dissociando este conceito intrinsecamente relacionado com o desenvolvimento da consciência histórica. 2 Em História, a aprendizagem é orientada para uma leitura contextualizada do passado a partir da evidência fornecida por variadíssimas fontes (Barca, 2006, pp. 93-95). É premente que os alunos, cada vez mais, assumam competências avançadas para saber 2 O ensino da História permite a aquisição da sua consciência através do desenvolvimento de uma atitude crítica e reflexiva. Tal como refere Proença (1992,p.92) «através do estudo da História o aluno pode adquirir o domínio de métodos de análise de situações. (...) O confronto de diferentes civilizações, culturas e mentalidades permite desenvolver nos alunos perspetivas relativizantes e abrir caminho a atitudes de tolerância face a formas de pensar e de agir diferentes da sua». Em última análise, a aprendizagem da História ajuda o aluno a compreender melhor a sua época, a si próprio e aos outros. As potencialidades da revista National Geographic no ensino da História e Geografia 20 “ler” o mundo que os rodeia e também perspetivar, de alguma forma o futuro, à luz das experiências do passado (Barca, 2006, p. 95). No que implica a literacia geográfica, “esta inclui componentes muito diversificadas – ambiental, social, económica e cultural – que se concretizam em cada território. Dada a variedade de conhecimentos que mobiliza, a Geografia favorece a articulação com saberes diferentes, concorrendo para a afirmação de um saber integrado e coerente. Através da descoberta que promove, a educação geográfica 3 estimula consolidação de uma atitude crítica, o debate de ideias e a tomada de decisões”. (Martins, 2001, p. 6). Com efeito, e como se pode comprovar com as orientações atuais, pretende-se contribuir para o desenvolvimento da literacia científica dos alunos, permitindo que a aprendizagem destes decorra de acordo com os seus ritmos diferenciados. É bem evidente a preocupação manifestada pelo Currículo Nacional do Ensino Básico com o desenvolvimento de capacidades que permita a aprendizagem ao longo da vida dos alunos e a defesa de um ensino que, ao longo da escolaridade obrigatória, permita ao aluno aprender a aprender. 1.3. Breve história da revista A palavra magazine tem origem na língua árabe, na qual significa armazém. As revistas que lemos são essencialmente uma coleção de diversos elementos – artigos e fotografias – unidos por temas em comum. As revistas e magazines fornecem informação a todas as profissões, interesses e hobbies. Após um século de popularidade crescente, muitos «especialistas» fizeram a previsão que a televisão acabaria com as revistas e com os jornais. Em vez de desaparecerem, as revistas adaptaram-se e o número publicado hoje excede em muito o publicado aquando da introdução da televisão. Milhões de pessoas em todo o mundo recorrem hoje à internet procurando informação e entretimento levando novamente a que as revistas se multiplicassem. 3 O estudo da Geografia permite aos alunos, observar, questionar, analisar e relacionar fenómenos espaciais. Os alunos tomam contacto com outras sociedades e outras culturas o que contribui para o alargamento da sua “visão” e por consequência do seu “espírito” levando à formação da consciência geográfica. As potencialidades da revista National Geographic no ensino da História e Geografia 21 Não só as revistas generalistas, mas especialmente as revistas temáticas — special interests — não param de crescer e aumentar. Sendo as revistas compostas por elementos diversos, elas são compiladas por uma variedade de pessoas cujas profissões, apesar de distintas e diferentes, se sobrepõem em várias áreas. Embora a maioria das revistas resulte de esforços de colaboração, existem meios hierárquicos onde é dada grande importância ao título pelo qual se exerce a profissão: editor, subeditor, editor assistente, editor delegado, "features editor" (editor de configuração), editor colaborador, "editor-at-large" (editor geral/livre), diretor editorial - as variações são quase infinitas e quase infinitos os significados que envolvem. O status atribuído a um particular título profissional e as responsabilidades a ele inerentes variam de publicação para publicação. Em algumas editoras a decisão sobre qual a imagem a utilizar na capa, por exemplo, é confiada inteiramente ao diretor de arte. Em outras revistas ainda a decisão será tomada a um nível mais alto - estará a cargo da direção (talvez um publicador ou um diretor editorial responsável pela produção de toda a editora). O designer de uma revista e o seu diretor de arte desempenham várias funções que têm de coexistir harmoniosamente se se pretende que a revista funcione como um todo. Estas tornam a revista mais apelativa para os seus leitores, dão-lhes uma personalidade ou identidade distintiva, e apresentam os conteúdos de modo a que os leitores achem útil na "navegação" através da revista (Johnson et al, 2000). 1.4. O caso particular da National Geographic A National Geographic Society foi fundada nos Estados Unidos da América, em 1888, por trinta e três homens interessados em "organizar uma sociedade para o incremento e a difusão do conhecimento geográfico". Gardnier Greene Hubbard foi o primeiro presidente e, posteriormente, o seu genro, Alexander Graham Bell, foi o seu sucessor. Tiveram como objetivo primordial a divulgação e melhoria do conhecimento geral da Geografia e do mundo entre o público em geral. Para alcançar este fim, Alexander realizou viagens de exploração e publicou, mensalmente, uma revista intitulada National Geographic. As potencialidades da revista National Geographic no ensino da História e Geografia 22 The National Geographic Magazine, mais tarde reduzida a National Geographic, foi publicada pela primeira vez nove meses depois da fundação da Sociedade. Esta converteu-se numa das revistas mais conhecidas do mundo e é facilmente reconhecida pelas suas características bordas amarelas. É uma publicação mensal, embora ocasionalmente se tenham realizado edições especiais. Além dos artigos sobre diversos lugares, animais e sociedades, a revista é reconhecida amplamente pela sua qualidade editorial. Os fundadores da National Geographic Society personificavam o espírito de aventura e descoberta que é associado até hoje à organização. Além de encantar por reunir artigos e notícias referentes a todos os cantos do planeta, a revista é prestigiada pela qualidade editorial de suas fotografias pois inclusive publicou fotografias a cores no começo do século XX, quando esta tecnologia era incipiente. Também é conhecida pelos mapas detalhados que oferece, permitindo que os assinantes da revista possam colecioná-los e também adquirir, anualmente, caixas especiais para as guardar. Até 1960, as capas só continham texto e, somente após aquele ano, as fotos começaram a ser publicadas na capa frontal. Atualmente a revista é publicada em diversos idiomas, incluindo japonês, espanhol, hebraico, grego, italiano, francês, alemão, polaco, coreano, português, chinês, checo, romeno, russo e holandês. The National Geographic School Bulletin é uma revista similar à National Geographic, porém orientada para os jovens em idade escolar. Foi publicada entre 1919 e 1975, quando foi substituída pela National Geographic World. Em 1984, a sociedade criou a National Geographic Traveler, que foi seguida em 1999 pela National Geographic Adventure Magazine e, em 2001, pela National Geographic for Kids. A Sociedade também publica mapas, atlas e livros. Atualmente, a National Geographic Society explora o uso da televisão como recurso para levar os seus programas «culturais» e «científicos» a todo o público interessado. Em Setembro de 1997, a Sociedade lançou o seu próprio canal, o National Geographic Channel, acessível na televisão por cabo. As potencialidades da revista National Geographic no ensino da História e Geografia 23 1.5. A revista temática como recurso didático no ensino da História e da Geografia Com enorme frequência, quando se fala em pesquisas bibliográficas, a grande maioria dos docentes pensa em enciclopédias e livros, sobretudo nos livros didáticos. Isso pode ser explicado como resultado de hábitos adquiridos durante a sua formação universitária, na qual o futuro professor baseia a sua aprendizagem na leitura de livros e esporadicamente em artigos constantes de publicações. Porém, os livros didáticos não são a única e nem a melhor fonte de informações sobre questões relacionadas com a História e a Geografia. A utilização exclusiva dos livros didáticos pode reproduzir uma prática dominadora, onde determinados factos são expressos de uma forma estandardizada, mascarando por vezes conteúdos considerados impertinentes ou desvalorizados, tanto na História como na Geografia. Muitas vezes, o manual apresenta-se como um dispositivo pedagógico bastante complexo, pois encerra em si orientações emanadas pelo Currículo Nacional, cujos autores reinterpretam, e no qual resulta um instrumento de trabalho, em que os interesses e as exigências editoriais influenciam na sua conceção (Silva, 2011, p.1). E porque os manuais se dirigem a um conjunto de alunos bastante heterogéneo, com experiências e necessidades distintas, estes dispositivos apresentam-se uniformizados e conImagem 1 - Capa de uma edição da National Geographic, em 1915 As potencialidades da revista National Geographic no ensino da História e Geografia 24 cebidos para o tipo de aluno considerado “médio”, dada a impossibilidade de atender a todas estas disparidades (Brito, 1999, pp. 343-354). Não são poucos os docentes do Ensino Básico e Secundário que anseiam submeter os seus alunos à experiência da pesquisa bibliográfica com a finalidade de aprofundarem em temas relacionados com a História e a Geografia, de forma a irem mais além do manual. Surgem dúvidas constantes de como e onde encontrar informações atualizadas, para além de grande parte da informação presente na internet, sobre o tema proposto para poderem ensiná-lo? Onde encontrar informações atualizadas para avaliar os trabalhos dos alunos? Esse episódio tão comum nas nossas escolas, e que desanima muitos docentes a empregarem a pesquisa bibliográfica como prática pedagógica, comprova a necessidade de se localizar alternativas que viabilizem esse trabalho em sala de aula. Um complemento viável aos livros didáticos, como fonte de informações para pesquisas bibliográficas em Ciências Sociais e Humanas, especialmente para História e a Geografia, são as revistas temáticas. O seu uso já é indicado por diversos autores (Fracalanza, Amaral e Gouveia, 1986) que aconselham que “nem sempre um livro didático pode satisfazer as exigências totais do ensino ou corresponder aos objetivos que o professor se propõe ao ensinar”, sendo que para muitos alunos este instrumento é a primeira e única fonte escrita de informação histórica e geográfica, e que naturalmente desempenhará um processo legitimador da informação transmitida e todos os seus efeitos. Desta forma, indicam que o docente deve levar para a sala de aula esses periódicos tão ricos, para que sejam utilizados como material de leitura pelos alunos Estas são fontes de conhecimento sobre questões históricas e geográficas mais atualizadas do que os livros didáticos, o que significa que determinados factos de relevante interesse estão presentes nos textos das revistas antes de serem abordados nos livros didáticos; as revistas temáticas abordam temas extremamente específicos, porém de interesse para a educação histórica e geográfica, ausentes dos livros didáticos; as revistas temáticas adotam uma abordagem interdisciplinar na forma de apresentação das reportagens, o que não ocorre com frequência entre os livros didáticos; as revistas temáticas podem ser diferenciadas em função das correntes do pensamento históricogeográfico, retratando cada uma delas de forma clara e precisa. Respeitando o facto de se usar os livros didáticos como fonte praticamente única de informações, deve-se considerar no sentido prático das revistas temáticas como complemento ao manual didático. A importância dos aspetos característicos das revistas As potencialidades da revista National Geographic no ensino da História e Geografia 25 acima apresentadas serve como argumento para confirmar o real valor desse recurso didático. A revista temática pode ser utilizada como ferramenta auxiliar no processo de ensino-aprendizagem no momento em que os seus textos e conteúdo sejam analisados criticamente, pelo professor e pelos alunos, os quais já não podem ser dominados, com o objetivo de produzir consciência crítica capaz de formular opiniões, incentivando, assim, a mudança numa sociedade tão desigual e manipuladora. Assim, ao adotarmos uma perspetiva de Educação em História e Geografia como promotora da literacia científica, não se pretende que o ensino formal da História e da Geografia seja orientado exclusivamente para a formação de peritos num determinado assunto, que dominem um conjunto factos e teorias científicas. Ao invés, pretende-se um ensino orientado para a formação de cidadãos competentes para agir socialmente (Pedrosa & Mateus, 2001) e aptos para efetuar tomadas de decisão razoáveis e racionais, face a uma série de situações problemáticas (Santos & Valente, 1997). Pretende-se, assim, formar alunos capazes de entender, por exemplo, os assuntos com componente histórica e geográficos noticiados nos media, de apresentar um ponto de vista pessoal, devidamente fundamentado, sobre um determinado assunto, possivelmente polémico, e de continuar a autoformação ao longo da vida (Millar & Osborne, 1998). Esta última competência pressupõe que os alunos, ao longo da sua formação escolar, aprendam a aprender. O Currículo Nacional do Ensino Básico (CNEB) também reconhece que as sociedades atuais são muito exigentes e reivindicam cidadãos que “demonstrem flexibilidade, capacidade de comunicação e uma capacidade de aprender ao longo da vida” e possuam “um conhecimento e compreensão suficientes para entender e seguir debates sobre temas históricos e geográficos e envolver-se em questões que estes temas colocam, quer para eles enquanto indivíduos, quer para a própria sociedade como um todo”. Imagem 2 – Várias edições portuguesas da National Geographic As potencialidades da revista National Geographic no ensino da História e Geografia 32 concretizar em pleno, pois a heterogeneidade das turmas é uma realidade em muitas escolas do país. Ao desenvolver uma metodologia, o professor tem como objetivo produzir um conjunto de métodos pedagógico-didáticos que promovam o sucesso educativo dos seus alunos. O professor não aplica um só método, mas sim uma metodologia (conjunto sequencial de métodos) que vai permitir a implementação da sua estratégia (Proença, 1992). E esta estratégia pressupõe uma estreita cooperação entre aluno (s) e professor, sob pena de um eventual fracasso de alcance dos objetivos propostos. Tendo em consideração os objetivos enunciados, surge então o momento de apresentar a aplicação do estudo, as estratégias e instrumentos utilizados. Em termos de metas de trabalho pretendeu-se analisar, com este relatório, a apreciação dos alunos sobre a utilização da revista temática National Geographic em contexto da sala de aula, enquanto ferramenta de aprendizagem e de ensino. O objetivo foi compreender a atribuição de relevância dos alunos fazem da utilização e consulta da revista didática enquanto ferramenta de compreensão das problemáticas históricas e geográficas, no terceiro ciclo do ensino básico e no ensino secundário. Considerando a subjetividade desta ferramenta de comunicação textual mas também assessorada pela imagem e pelo documentário, pretendemos auferir a perceção dos alunos e as implicações dos referidos recursos para a construção do conhecimento histórico e geográfico. O uso da revista temática na sala de aula procurou incitar os alunos a construírem os conhecimentos a partir de fontes iconográficas, verbais, escritas e até mesmo sonoras, de forma contextualizada no tempo e no espaço, favorecendo a interpretação e a compreensão da evolução das sociedades humanas, por um lado, e a distribuição dos fenómenos (sociais, históricos e sociais) na superfície terrestre. Da mesma forma, procuramos suscitar a análise, a conceptualização e a reconstrução de conhecimentos dos alunos através do confrontos dos conhecimentos apreendidos previamente, a par com o manual didático e os fatos expressos na revista didática. A seleção dos temas foi condicionada pela obrigatoriedade do cumprimento dos programas e pelo período em que decorreu a prática de ensino supervisionada, motivo pelo qual optamos por apresentar aos alunos excertos dos artigos selecionados, bem como de documentários anexos a cada um dos temas e incluídos na revista National Geographic. De referir, ainda, que a escolha dos artigos da revista e respetivos excertos bem como os documentários e imagens auxiliares contou com a colaboração pedagógica As potencialidades da revista National Geographic no ensino da História e Geografia 33 e científica das respetivas orientadoras cooperantes, o que contribuiu para tornar os trabalhos com a revista National Geographic um momento mais produtivo. Foi, então, elaborado a seguinte implementação do estudo: Quadro orientador do estudo aplicado Pergunta Instrumentos de recolha de dados Tipo de informação Qual o tipo de relevância que os alunos de História e Geografia fazem do uso da revista National Geographic no processo de aprendizagem? Trabalhos solicitados aos alunos de História e Geografia. Questionário aplicado aos alunos de História e Geografia. Qualidade do conteúdo aferida em trabalhos realizados em contexto sala de aula. Opiniões sobre o uso da revista temática enquanto recurso de aprendizagem. Neste capítulo, apresenta-se uma descrição de algumas das estratégias desenvolvidas a aplicar nas aulas lecionadas no âmbito da prática de ensino supervisionada de História e Geografia, assim como uma reflexão das próprias aulas. Apresentaremos, de uma forma enquadrada nos conteúdos programáticos lecionados, os excertos das várias revistas National Geographic utilizadas nas aulas de História e Geografia, conciliadas com exercícios de reflexão aplicados aos alunos. Este estudo de caso foi delineado e aprovado no primeiro período, e implementado ao longo do primeiro e segundo períodos. Para além das aulas lecionadas em que se recorreu à implementação de estratégias/instrumentos de promoção e consciencialização da utilidade da revista National Geographic no ensino da História e da Geografia, foram também realizados inquéritos por questionário de forma a aferir o impacto das estratégias e instrumentos utilizados. A seleção de estratégias e instrumentos aqui adotados pautaram-se por vários objetivos: ir de encontro a alguns gostos e interesses manifestados pelos alunos em registos anteriores expressos no Plano Curricular de Turma; promover a consciencialização dos alunos sobre a utilidade do ensino da História e da Geografia e, sobretudo, promover práticas pedagógicas originais e menos frequentes adequadas aos conteúdos a lecionar. Tivemos também em consideração o fato de estarmos a trabalhar com alunos do 9.º ano, que necessitam de trabalhar assiduamente com as novas tecnologias, recorrendo a novas estratégias e apresentações de trabalhos em sala de aula. As potencialidades da revista National Geographic no ensino da História e Geografia 34 2.4. O uso da National Geographic nas aulas de História A implementação do estudo no contexto da disciplina de História permitiu uma breve e gratificante experiência com uma turma do 7.º ano. Assim, e tendo por base as Orientações Curriculares do 3.º ciclo do Ensino Básico e as suas competências previstas, planificamos uma aula de 90 minutos. Os conteúdos repartiam-se entre a “Civilização Egípcia – As manifestações artísticas” e o “Contributo dos Hebreus – a religião monoteísta” (Cf. Anexo 1). Na imagem que se segue é possível conhecer, de uma forma sintetizada, o plano de aula composto pelos conceitos abordados, bem como as metodologias/estratégias utilizadas e desenvolvidas (Cf. Anexo 2). Será referenciado mais especificamente o exercício realizado com a turma onde recorremos a duas revistas temáticas. Imagem 3 – Plano de aula aplicado à turma do 7º W As potencialidades da revista National Geographic no ensino da História e Geografia 35 Nesta primeira abordagem ao tema referido, foi feita uma síntese dos conteúdos anteriormente lecionados de forma a criar um elo de ligação para a aula atual, onde os alunos teriam que identificar as várias formas de arte egípcia abordadas até à data. A turma, desde o início, que se mostrou bastante participativa e foram respondendo apressadamente às questões colocadas. Constatamos que a grande maioria dos alunos soube responder corretamente às questões colocadas. Em seguida, e convicta que a maioria estaria motivada para o tema em questão, demos continuação à aula planificada. Uma vez que já possuímos um conhecimento mais específico sobre as caraterísticas e interesses desta turma de sétimo ano, as tarefas propostas foram planeadas com a intenção de ir ao encontro da diversidade dos alunos e das suas capacidades e interesses, de forma a corresponder, de modo equilibrado, às necessidades e preferências de todos. De uma maneira geral, a maioria da turma possui grande interesse por esta área disciplinar. Nesse sentido, as tarefas planificadas valorizaram a diversificação de recursos e procuravam motivar com a intencionalidade de promover nos alunos aprendizagens significativas. Com o objetivo de continuar a abordar as principais formas de Arte Decorativa Egípcia, fizemo-nos acompanhar de um diaporama multimédia (formato PowerPoint), ao longo da aula, preenchido com imagens, conceitos e definições que foram exploradas ao longo da aula, em diálogo vertical e horizontal. O entusiasmo dos alunos manifestava-se cada vez mais no decorrer da aula, principalmente quando foi projetado um documentário, em 3D, sobre o busto da Nefertiti. Esta personalidade de relevo na caracterização da joalharia, ourivesaria e cerâmica egípcia proporciona sempre excitação e interesse junto dos alunos, até pelos vários registos históricos sobre a história de Nefertiti e o seu parentesco com Tutankamon. O facto de aliar os conteúdos de História às novas tecnologias, indo ao encontro do interesse dos alunos, uma vez que é uma área que estão bastante relacionados, foi uma mais-valia pois a turma respondeu de forma muito positiva e demonstrou curiosidade, interesse e empenho uma vez que estavam perante algo inovador, como uma imagem em três dimensões. Permitindo um elo de ligação com os conteúdos seguintes, a aula decorria de uma forma fluída e motivadora. As potencialidades da revista National Geographic no ensino da História e Geografia 36 A um dado momento da aula, e para que os alunos pudessem perceber melhor a importância do legado da civilização egípcia para o mundo atual, foi-lhes solicitado a realização de um exercício, em pares (Cf. Anexo 3). Como até à data da aula só possuíamos algumas edições da National Geographic que comportavam artigos alusivos aos conteúdos abordados na aula (Tutankamon e Nefertiti), optamos por valorizar uma coleção de revistas sobre o Egipto, que colecionamos há uns anos, e que pertenciam a uma editora chamada Planeta DeAgostini. Este conjunto de revistas do Planeta DeAgostini consiste numa coleção de factos e imagens sobre o Egipto – Tesouro da Humanidade. Estas oferecem uma ampla visão do Antigo Egipto, com um tratamento dinâmico que cativou os alunos e despertou os seus interesses por todos os temas tratados até então sobre a Civilização Egípcia. As revistas são compostas por textos curtos e simples, de fácil leitura, embora do maior rigor científico, partilham as páginas da obra com espetaculares ilustrações comentadas até ao mais ínfimo pormenor. Imagem 4 – Tarefa distribuída na turma do 7.º W, no âmbito da disciplina de História. As potencialidades da revista National Geographic no ensino da História e Geografia 37 Em cada uma destas revistas constam um ou mais tipos de arte egípcia, devidamente identificados com um logotipo de cor distintiva onde está referido “Arte”. Faz também referência cronológica, com indicação do período histórico correspondente. A acompanhar os textos estão várias fotos de excelente qualidade que mostram o estado atual dos vários monumentos e artefactos, relacionados com a Arte Egípcia, acompanhadas pela respetiva legenda. Pensamos que estas caraterísticas vão de encontro ao treino das competências em História, nomeadamente a interpretação de frisos e barras cronológicas, a interpretação de pequenos mapas históricos e contextualização, ou seja, relaciona, compara e carateriza diferentes factos da informação histórica disponibilizada. Pretendia-se com esta tarefa que cada aluno escolhesse, de acordo com a sua revista, uma forma de Arte. Teriam que identificá-la e caracterizá-la sucintamente. Foram disponibilizados 20 minutos para a realização da atividade. No final, cada aluno deveria entregar a sua folha devidamente preenchida ao professor. Face à curiosidade e interesse mostrado pela turma, com a realização deste exercício, pretendia-se apelar um pouco ao desenvolvimento da sensibilidade estética e criatividade dos alunos. A turma correspondeu de uma forma bastante assertiva e agradável, não havendo desatenção na realização da tarefa. Fomos pelas várias mesas esclarecer algumas dúvidas colocadas pelos alunos, que, por vezes, se mostravam indecisos quanto ao tipo de Arte egípcia a escolher ou então qual o tamanho do texto a elaborar no exercício. Imagem 5 – Exemplos de revistas utilizadas na sala de aula As potencialidades da revista National Geographic no ensino da História e Geografia 38 De salientar que a análise das revistas em sala de aula possibilitou aos alunos identificarem vários tipos de Arte Egípcia, recolher mais informação sobre a sua evolução. Com a interpretação de frisos cronológicos, incluídos em quase todas as revistas, os alunos puderam compreender de uma forma mais explícita a noção do tempo, bem como elaborar um trabalho mais específico, ao relacionarem e caraterizarem diferentes aspetos de informação histórica. Os alunos cumpriram o tempo disponibilizado para a realização da tarefa. Manifestaram grande entusiasmo e satisfação pelo exercício realizado os que nos levou a crer numa mais-valia para nós, professores, e para os alunos. É bastante importante promover atitudes positivas ao mesmo tempo que motivamos e levamos a que os alunos desenvolvam um gosto pela História. No que concerne à avaliação da aprendizagem a partir do exercício proposto, não foi descurada a observação direta e sistemática do comportamento de cada par de trabalho. Aquando da correção das várias respostas foram valorizadas aquelas que se caracterizam de uma forma mais completa e objetiva, distinguindo-as das respostas mais sintéticas. Alguns alunos optaram por fazer citações da revista mas concluir com um cunho pessoal através de uma opinião elaborada. A atribuição da classificação foi feita qualitativamente. De uma forma geral o aproveitamento foi bastante positivo. Foi importante o esclarecimento individualizado que prestamos aos alunos que colocaram as suas dúvidas. Os alunos conseguirem, na totalidade, responder ao que foi solicitado. Num total de 23 alunos, 16 alunos tiveram a nota de “Muito Bom” e 7 alunos tiveram a nota de “Bom” (Cf. Anexo 4). Como a História se faz através da leitura, interpretação, análise e comparação de fontes, o ensino desta área do saber deve ser sempre fundamentado, isto é, baseado em fontes históricas. A condição fundamental para o desenvolvimento do conhecimento histórico dos alunos é a exploração de fontes, pois são elas que nos permitem o acesso ao passado, respondendo às questões problematizadoras. Foi neste sentido que orientamos as aulas de História à turma de 9.º ano, que passamos a descrever. Nas duas aulas lecionadas à turma do 9.º L, procedemos à análise das Orientações Curriculares do 3.º ciclo do Ensino Básico, de planificações anuais, manuais escolares bem como a caraterização da turma, com vista à planificação de uma aula de 90 minutos mais uma aula de 45 minutos sobre a Segunda Guerra Mundial – o desenrolar do conflito (Cf. Anexo 5). Com o objetivo de aplicar o estudo previsto, elaboramos por As potencialidades da revista National Geographic no ensino da História e Geografia 39 pontos os diferentes conteúdos a lecionar, de forma a interligar saberes e adequar os excertos da National Geographic. As ideias de que a importância da História é indiscutível, na medida em que o “seu estudo serve para fortalecer outros ramos do conhecimento” (Prats, 2006, p.197) e que cabe ao professor a tarefa de explicar que a História tem um significado, e qual a sua importância para o currículo, levando novas metodologias e estratégias para a sala de aula, dando uma visão mais alargada e diversificada da disciplina, nortearam a conceção do nosso trabalho. Foi neste sentido que, para além da pretensão da aplicação do nosso estudo, seguimos uma metodologia de trabalho numa perspetiva ativa, criando uma aula motivadora e versátil. Na imagem que se segue, é possível visualizar, de forma sintetizada, os conteúdos e objetivos abordado nesta aula, assim como as metodologias/estratégias apresentadas. Imagem 6 – Plano de Aula sobre a Segunda Guerra Mundial – Mundialização do Conflito As potencialidades da revista National Geographic no ensino da História e Geografia 40 A primeira aula sobre a temática acima descrita decorreu no dia 28 de fevereiro de 2013 e o sumário previsto era composto pela “Segunda Guerra Mundial – o desenrolar do conflito” (Cf. Anexo 6). Como salientamos no quadro acima, os conteúdos a abordar comportavam as fases da Segunda Guerra Mundial, a mundialização do conflito, o apogeu do domínio alemão e japonês, chegando até ao fim da guerra e a derrota do eixo. Em todo o processo, procurámos atuar no sentido de promover as temáticas de forma a serem significativas e que apelassem ao conhecimento dos alunos, pois quanto mais motivador e abrangente for o processo de ensino, melhores serão os resultados esperados. Na apresentação multimédia elaborada para esta aula foi contemplada a ilustração dos factos mais importantes, incluindo as imagens abaixo identificadas. Para que os alunos compreendessem o êxito inicial das ofensivas alemãs e de que forma evoluiu a Guerra Relâmpago, foram projetados vários conceitos, inclusive imagens como as acima indicadas, mostrando quando as tropas alemãs invadiram a fronteira polaca. Ao lado, uma notícia de um jornal da altura relatando a invasão da Polónia e os factos que levaram à mundialização do conflito. Os alunos puderam constatar a importância dos media, nomeadamente o jornal, sempre presente para reportar às populações os acontecimentos mais marcantes de uma época. Imagem 7 - Diapositivo apresentado na sala de aula As potencialidades da revista National Geographic no ensino da História e Geografia 41 Aquando da abordagem da intervenção japonesa, força do Eixo no decorrer do conflito, e suas consequências, selecionámos um excerto do filme “Pearl Harbor”, de Jerry Bruckheimer. Mais uma vez, o complemento do filme como recurso metodológico para a aprendizagem dos conteúdos de História funcionou na perfeição. Acrescentamos o facto de um aluno ter dito de uma forma muito expressiva que estava a ficar “viciado nos filmes e documentários que lhe apresentávamos em aula pois não imaginava ser possível aprender História desta maneira”. Após o visionamento do filme, e com vista a melhorar a comunicação oral e escrita, usamos o questionamento e levantamos algumas questões sobre a visualização do excerto do filme. E para reforçar e aprofundar o conhecimento, bem como para reforçar o raciocínio e a capacidade de reflexão passamos à aplicação do nosso estudo, através de um exercício que passamos a descrever. Foi distribuída à turma um exercício (Cf. Anexo 7), impresso em papel, onde constava um excerto de uma reportagem da National Geographic, intitulada Pearl Harbor – o ataque contado por quem o viveu. 13 13 National Geographic, Versão portuguesa, Julho de 2001, www.nationalgeographic.pt Imagem 8 – Exercício distribuído à turma de 9.ºL Imagem 9 – National Geographic utilizada em aula As potencialidades da revista National Geographic no ensino da História e Geografia 48 O estudo realizado na disciplina de Geografia engloba três aulas de 90 minutos, duas aulas lecionadas no primeiro período e uma aula lecionada no segundo período. Para que se possa contextualizar a aplicação do estudo na disciplina de Geografia, iremos fazer uma breve descrição de cada aula, bem como um enquadramento da planificação que a envolve e a respetiva aplicação do estudo de caso. A primeira aula decorreu no dia 5 de Novembro de 2012, com a turma do 9.º Z. O sumário afeto à aula consistia em continuar a desenvolver o tema “Os contrastes de desenvolvimento”, mais especificamente a unidade didática “Países desenvolvidos versus países em desenvolvimento”. Os conteúdos específicos a abordar seriam os conflitos armados e o recrutamento de crianças-soldado, bem como a exposição de alguns indicadores simples: a média de anos de escolaridade e os anos de escolaridade esperados, de forma a permitir que os alunos pudessem tomar consciência dos contrastes e desigualdades socioeconómicas que existem no nosso planeta (Cf. Anexo 14). As potencialidades da revista National Geographic no ensino da História e Geografia 49 É bastante pertinente enunciar que para a abordagem à unidade didática “Países Desenvolvidos vs Países em Desenvolvimento” (Cf. Anexo 15), na sua totalidade, foi concebida pelos professores do núcleo de estágio uma situação educativa agregadora, e que gira em torno do filme “Diamante de Sangue”, de Edward Zwick. A história do filme é baseada precisamente numa reportagem publicada pela National Geographic. A aula foi iniciada com revisões de conteúdos trabalhados anteriormente. De seguida, foi projetada uma frase onde constavam duas palavras, Crescimento e Desenvolvimento, com o objetivo de os alunos refletirem sobre os dois termos e perceberem que, apesar de parecerem sinónimos, têm significados bastante diferentes e que o desenvolvimento humano não depende exclusivamente do crescimento económico. A par da exploração do tema foi feita a relação destas crianças com dois indicadores simples que compõem o Índice de Desenvolvimento Humano – a média de anos de escolaridade e os anos de escolaridade esperados. A consolidação deste tema foi completada com a interpretação e análise de tabelas, dados estatísticos e mapas relacionados com os indicadores acima enunciados. Ressalvamos o facto de o diálogo vertical e horizontal ter assumido uma relevância fundamental na exploração de ideias-prévias dos alunos face à temática, e permitiu relembrar e reforçar os conhecimentos lecionados e a sua assimilação. Imagem 13 – Plano de aula de Geografia As potencialidades da revista National Geographic no ensino da História e Geografia 50 Em seguida, foi projetado um vídeo feito pelo professor para que os alunos compreendessem de que forma os conflitos armados, pelo Mundo, se traduzem num obstáculo ao desenvolvimento. Enquanto meio e recurso educativo, o vídeo em conjunto com informação complementar permite diversas formas de transmissão de informação, englobando vários aspetos e estratégias didáticas e metodológicas, assim como ferramenta de investigação (Cabrero, 2000, p.52). Foi, então, chegado o momento da aula em que os alunos realizaram um exercício escrito, de reflexão, de forma a consolidar os conteúdos aprendidos na aula. Para este exercício foram escolhidas algumas imagens, acompanhadas de excertos da reportagem da National Geographic intitulada “Diamantes – a verdadeira história”, a mesma reportagem na qual o filme-motivação se baseou. Pretendia-se que os alunos, através da sua interpretação e análise, se sensibilizassem para os contrastes existentes, sobretudo face aos conflitos armados na África subsariana e nas oportunidades concedidas às crianças, na sua primeira infância, nos países em desenvolvimento. A segunda aula decorreu no dia 12 de Novembro de 2012 (Cf. Anexo 16). Os conteúdos a abordar estavam enquadrados na mesma unidade temática “Países Desenvolvidos vs Países em Desenvolvimento”, em que seriam Imagem 14 – Revista utilizada em aula. As potencialidades da revista National Geographic no ensino da História e Geografia 51 aprofundados conteúdos temáticos como o acesso à educação nos países em desenvolvimento e o Índice de Desenvolvimento ajustado ao Género. Os alunos analisaram, em seguida, duas imagens de duas raparigas-soldado de forma a relacionarem com o facto de estas crianças não poderem usufruir da escolaridade básica obrigatória, sobretudo as raparigas que são mais tardiamente libertadas pelas milícias guerrilheiras. Visualizaram, também, uma frase projetada onde se lia “A discriminação das raparigas no acesso à educação ainda se faz sentir em muitos países.” 15 No momento seguinte da aula foi projetado o Art.º 26.º da Declaração Universal dos Direitos do Homem (…”em que todas as pessoas têm direito à educação”…), a par com uma tabela e um mapa, para que os alunos relacionassem com a evolução do número de analfabetos e da percentagem de mulheres entre os analfabetos, por regiões ou grupos de países. Foi sempre nossa intenção utilizar materiais didáticos diversificados que levou a que os alunos se mostrassem bastante motivados. Aproveitando esta expectativa positiva pudemos atrair os alunos para a temática que ia ser abordada de seguida, fornecendo um fator acrescido de motivação: a apresentação à turma de um excerto do filme “Diamantes de Sangue”, no qual é mostrado um campo de refugiados na Guiné, para que os alunos refiram os obstáculos ao desenvolvimento provocados pelos conflitos armados bem como a limitação do papel ativo da mulher na sociedade e a discriminação no acesso à educação. Foi também projetada uma imagem onde constam os Oito Objetivos do Milénio, como objetivos para um mundo melhor, de forma a que os alunos pudessem compreender o enquadramento do segundo Objetivo do Milénio - “alcançar o ensino primário universal” – como uma das prioridades em termos de desenvolvimento básico a serem alcançadas pelos próprios países em desenvolvimento e elencar com os seguintes. É também explicada a definição e relação entre o Índice de Desenvolvimento Humano e o Índice de Desenvolvimento ajustado ao Género. Para completar a aula prevista, foi realizada a leitura e interpretação de um texto e de uma imagem, excertos de uma reportagem da National Geographic, intitulada “O Fardo da Sede”, em que foi abordado o papel da mulher, nos países em desenvolvimento, e a discriminação desta em prol da satisfação das necessidades básicas da família. É para nós essencial que os 15 Retirada de um artigo da National Geographic intitulado “O Fardo da Sede”, Edição Portuguesa, Fevereiro 2003. As potencialidades da revista National Geographic no ensino da História e Geografia 52 alunos tomem consciência do mundo em que vivem, e assumam os contrastes do desenvolvimento como algo real e progressivo. As aulas foram estruturadas para que os alunos realizassem um exercício com questões formuladas a partir de excertos de reportagens da National Geographic bem como de outros recursos didáticos, tendo como objetivo sistematizar e consolidar os conteúdos ministrados nas aulas de Geografia. Uma vez que uma ficha de trabalho somente com questões diretas promove a memorização mas limita-se, por vezes, a determinar o conhecimento inerte existente na memória a curto prazo e não avalia as capacidades de pensar criticamente e de raciocinar eficazmente, optamos por criar uma ficha de trabalho composta por algumas perguntas de reflexão, algumas mais objetivas outras mais abrangentes, acompanhada por várias imagens, textos e mapas retirados da revista National Geographic. Esta estrutura implica, para um alunos, um maior desenvolvimento associando empatia, abertura aos valores, mas também a possibilidade de um aprofundamento que permite a compreensão da realidade na sua espessura e complexidade. Imagem 16 - Diapositivo utilizado em sala de aula As potencialidades da revista National Geographic no ensino da História e Geografia 53 A ficha de trabalho é composta por sete questões, sendo três questões de reflexão que servirão de síntese dos conteúdos trabalhados em sala de aula. As outras quatro questões são de cariz mais objetivo (Cf. Anexo 17). O tema da ficha de trabalho debruça-se sobre os conflitos armados e o recrutamento de crianças-soldado; alguns indicadores simples: a média de anos de escolaridade e os anos de escolaridade esperados bem como o acesso à educação. Em algumas questões será necessário relacionar o IDG 16 com dois “Objetivos do Milénio”: atingir o ensino básico universal e promover a igualdade do género e a autonomia das mulheres. A ficha de trabalho, para além das questões expressas, inclui três textos retirados da Revista National Geographic e um texto retirado do manual de Geografia do 9.º ano, “Viagens”, da Texto Editora. Inclui também imagens e um mapa. Faz 16 Índice de Desenvolvimento Ajustado ao Género Imagem 15 - Exemplo da primeira parte da ficha de trabalho As potencialidades da revista National Geographic no ensino da História e Geografia 54 referência ao manual do aluno, para que este o utilize para análise de dados estatísticos sobre taxa de alfabetização e analfabetismo. De acordo com a ficha de trabalho, a primeira questão seria para os alunos comentarem a afirmação ”…a existência de crianças-soldado no mundo…” com base nos conteúdos apreendidos bem como na interpretação de fontes retiradas da National Geographic. Seria importante que os alunos integrassem a opinião das várias fontes, nomeadamente dos excertos da National Geographic e do próprio filme utilizado, com a sua opinião pessoal. Na sua maioria, as respostas obtidas, apesar de sucintas foram satisfatórias. Aproveitamos para salientar alguns excertos de respostas dadas visto que esta era uma questão de reflexão, e que importava saber a opinião dos alunos relativamente ao que lhe era perguntado. “Crianças-soldado é uma realidade vivida por muitas crianças e que não deveria existir. Destrói a sua infância, é obrigar uma criança a fazer o que não compreende […] Combatem sem saber porquê, na minha opinião é algo horrível e que nenhuma criança deveria ser sujeita”. Um outro exemplo de uma resposta de um aluno: “…nos países em desenvolvimento, principalmente nos países mais pobres, o recrutamento de crianças-soldado tem sido cada vez maior. Este problema está a agravar-se e aumenta conforme aumentam os conflitos armados a nível mundial. Muitas destas crianças vivem em condições deploráveis e iludem-se com o que lhes oferecem para que lutem nas guerrilhas e matem sem saber porquê (…)” Numa outra questão de resposta aberta e refletida, em que é solicitado aos alunos que comentem a seguinte frase “A educação pode ser um importante fator para a erradicação da pobreza e para a promoção do crescimento económico”, os alunos também corresponderam com factos pertinentes que mostraram consolidação de conteúdos pre- As potencialidades da revista National Geographic no ensino da História e Geografia 55 viamente lecionados. Mostraram, mais uma vez, terem estado atentos à análise do excerto acima referido intitulado “O fardo da sede”, da National Geographic. O tema que envolve este excerto prende-se com o facto de milhares de mulheres em África serem responsabilizadas, desde muito novas, pela recolha de água e o facto de percorrem dezenas de quilómetros por dia, para abastecerem as suas aldeias. Foi feita a análise, a par com os alunos, acerca da relação do texto projetado e a relação com vários indicadores económicos e de desenvolvimento. Foi, sobretudo, discutida a relação íntima entre a taxa de analfabetismo nos países em desenvolvimento e a baixa instrução das mulheres, e qual o impacto da redução da taxa de analfabetismo no desenvolvimento económico destes países. De acordo com o tema abordado salientamos uma resposta, de um aluno, que diz que: “a educação é essencial para o desenvolvimento dos países. Esta salva e melhora a vida de todos, principalmente das mulheres. […] A educação destas permite que as mulheres controlem melhor a vida e que contribuam para a sociedade. Permite também que a educação passe para a próxima geração e que beneficie para o maior equilíbrio e recursos da família e redução da mortalidade materna”. Um outro aluno defende que “ a educação é muito importante para as mulheres e ainda mais por ter sido negado a muitas mulheres que não podiam estudar. Isso iria diminuir e muito a taxa de analfabetismo no mundo e é a chave para também diminuir as condições de pobreza nos países em desenvolvimento”. As respostas elaboradas pela maioria dos alunos foram satisfatórias, mostrando a relação existente entre os bons resultados obtidos na disciplina de Geografia e os trabalhos desenvolvidos em sala de aula, onde bastantes alunos se preocupam em analisar a informação disponibilizada, para identificarem caraterísticas que permitam responder às As potencialidades da revista National Geographic no ensino da História e Geografia 56 questões colocadas. Apresentam, também, conclusões que demonstram uma produção oral e sobretudo escrita, onde já utilizam fluentemente o vocabulário geográfico. A cotação atribuída visa cumprir os parâmetros expressos nos descritores do nível de desempenho (Cf. Anexo 18). Os valores distribuídos são semelhantes em todas as perguntas à exceção da pergunta quatro e sete onde a percentagem é o dobro, visto serem questões de resposta aberta e exigirem uma opinião previamente formulada, interpretativa e pessoal, bem como uma maior elaboração na parte escrita. Foi tida em conta a formulação da resposta de acordo com a autonomia, a originalidade, reflexão, espírito crítico e domínio dos conteúdos. Num total de 27 alunos, só 21 alunos entregaram as fichas de trabalho para serem corrigidas. A turma, de uma forma geral, conseguiu abordar os pontos fundamentais em cada uma das questões. Quanto aos resultados, só existe uma nota negativa. Existem seis alunos com a nota “Satisfaz”; seis alunos com a nota de “Bom”, três alunos tiveram a nota de “Muito Bom” e quatro alunos tiveram Excelente (Cf. Anexo 19). Refletindo sobre os resultados obtidos, nas questões mais objetivas os alunos conseguiram atingir os descritores que eram pedidos. Alguns alunos demonstraram dificuldades na interpretação de dados estatísticos e na resposta a elaborar aquando da finalidade dos mesmos. Nas respostas de sentido crítico e domínio de conteúdo, e que também demonstram se os alunos estiveram com atenção nas aulas, o resultado é bastante positivo. Contudo, alguns alunos, apesar se serem bastante pertinentes nas suas respostas, deveriam desenvolvê-las um pouco mais, até porque as temáticas abordadas na ficha de trabalho, bem como alguns recursos, foram devidamente explorados em sala de aula e permitiam esse melhor trabalho (daí alguma penalização na cotação atribuído devido ao facto de não atingirem os pontos expressos nos descritores).Pensamos que a ausência de pormenor factual na interpretação das fontes se deve ao facto de na sala de aula diversos recursos terem sido intensivamente explorados, mostrando uma motivação e participação ativa por parte de quase todos os alunos, levando talvez a que estes assumissem como “já respondido” e abreviassem as suas respostas escritas à ficha de trabalho. De uma forma geral, a turma demonstrou ter interiorizado os conteúdos abordados. Deveriam também organizar-se e serem mais assertivos nos hábitos de trabalho e no cumprimento de prazos pelo facto de algumas fichas terem sido entregues muito para além do prazo estipulado. As potencialidades da revista National Geographic no ensino da História e Geografia 57 Era nossa pretensão verificar a assimilação dos conteúdos previamente lecionados mas, sobretudo, aferir a perceção dos alunos na interpretação das fontes disponibilizadas, sobretudo as que foram retiradas da National Geographic, não só os excertos expressos na ficha de trabalho mas também o texto projetado e analisado na sala de aula. Assumimos que os resultados foram bastante positivos. A terceira aula de Geografia lecionada em que foi aplicado o estudo em análise decorreu no dia 04 de janeiro de 2013 (Cf. Anexo 20). De forma a iniciar o tema “Ambiente e Sociedade” (Cf. Anexo 21), foi lançada uma questão-chave para que os alunos caraterizassem e relacionassem estes dois conceitos. De seguida, e porque é importante que percebam que a Terra é um sistema “vivo” que abriga milhões de organismos que mantém relações de interdependência entre si, contribuindo para o equilíbrio ambiental, os alunos visualizaram um excerto de um vídeo da BBC que se debruça, precisamente, sobre o estado do Planeta e os desequilíbrios existentes atualmente. Apresenta alguns factos gritantes sobre a ação do ser humano sobre o meio ambiente, causando alterações globais no ecossistema, um ritmo sem precedentes. Achamos pertinente neste momento da aula introduzir o documentário para dar continuidade ao assunto e despertar o interesse dos alunos possibilitando uma abordagem mais dinâmica da comunicação dos conteúdos. Ao longo da aula, e de forma a abordar as alterações do ambiente global, os problemas ambientais globais e os impactos das atividades humanas sobre o ambiente e as alterações climáticas, foram projetados vários diapositivos onde constavam imagens, esquemas e conteúdos que foram analisados a par com os alunos, em diálogo horizontal e vertical. Posteriormente, e dando seguimento à aula, os alunos visionaram um excerto do vídeo da National Geographic intitulado a “A Radiografia do Planeta”. Este vídeo mostra o planeta como nunca antes visto, através de uma viagem pelo globo, utilizando as mais recentes ferramentas da ciência, de forma a detetar os problemas de um planeta que “respira, sara e até contrai um músculo”. A análise e interpretação deste excerto foi propícia à compreensão, por parte dos alunos, da urgente averiguação, por parte dos cientistas, das alterações do ambiente global alertando de quão grave é a rutura definitiva do equilíbrio bioclimático. De forma a aferir os conhecimentos gerais dos alunos sobre os recursos energéticos e o aquecimento global, e motivá-los para a continuação do tema “Ambiente e As potencialidades da revista National Geographic no ensino da História e Geografia 64 A motivação e o interesse demonstrado pelos alunos nem sempre se refletiram nas suas respostas, como anteriormente analisado. De uma forma geral, o resultado obtido foi positivo. Podemos constatar que apesar de alguns alunos apresentarem algumas dificuldades e problemas comportamentais, aumentando por isso o nosso desafio, o facto de se terem manifestado desta forma nos questionários leva-nos a concluir que estão recetivos à utilização de recursos inovadores, aliada à relação pedagógica desenvolvida, à boa gestão da sala de aula, à boa comunicação e a interação criada entre o professor e os alunos. É contudo fundamental incutir, por parte do professor, novos hábitos de trabalho de forma a consolidar este tipo de atividades em sala de aula, para que a motivação e interesse se mostre continuamente aliada à interpretação de novas fontes, argumentando o facto de “o principal projeto para a educação histórica deve ser o desenvolvimento de estruturas históricas aproveitáveis do passado, que não sejam “histórias de festas”, mas que permitam aos estudantes assimilarem novos eventos e processos” (Lee, 2006, p.131). Imagem 19 – Gráfico com as respostas dadas ao Questionário pela turma de 9º Z Respostas da Turma de 9º Z As potencialidades da revista National Geographic no ensino da História e Geografia 65 Com a turma no 9.º Z pretendeu-se, mais uma vez, analisar o espírito crítico sobre a importância atribuída pelos alunos às finalidades do uso da National Geographic na sala de aula. Salientamos, novamente, o facto de os alunos terem sido bastante diretos e sucintos nas respostas dadas. De acordo com os resultados acima expressos no gráfico, podemos constatar que sete alunos têm por hábito ler revistas temáticas enquanto 18 alunos não costumam ler revistas. Dos sete leitores assíduos de revistas temáticas, um aluno lê a revista National Geographic, a revista Quero saber, a revista Super Interessante e a Visão enquanto outros só leem a National Geographic e a Visão. Alguns alunos responderam que apesar de não lerem as revistas veem com uma certa assiduidade os programas do canal National Geographic. A segunda questão colocada, “se os alunos leem a revista National Geographic em particular” vai de encontro às respostas anteriormente descritas, havendo a discrepância de uma aluno que responde não ler revistas temáticas mas que lê, em particular, a National Geographic. Quanto ao facto de os alunos do 9.º Z terem gostado das aulas onde a revista National Geographic (texto, vídeos e imagens) foi utilizada, 24 alunos dizem ter gostado, um aluno não gostou e dois alunos só gostaram de algumas aulas. Entre as 24 respostas positivas, alguns alunos salientam o facto de os vídeos apresentados serem bastante interessantes. Um aluno refere que as aulas onde foi utilizada a revista foram as melhores aulas de Geografia. Um outro aluno refere que gostou muito das aulas e que “chamam mais a atenção dos alunos e explicam tudo muito bem.” Mais uma vez, salientamos que as respostas obtidas na pergunta quatro são um complemento à questão anterior, na qual os alunos poderiam optar por um ou todos os adjetivos apresentados. 18 alunos afirmam que os recursos inovadores tornaram a aula mais interessante, 13 alunos afirmam que a aula se tornou mais motivadora enquanto 13 alunos afirmam ter aprendido algo mais que de outra forma não teriam aprendido. Até então, se tivéssemos em conta só a resposta 3 e 4 poderíamos assumir que a turma do 9.º Z reconhece caraterísticas positivas e motivadoras na utilização da revista National Geographic. Quanto ao facto do nível de exigência ter sido acrescido com o uso da revista na sala de aula, em resposta à questão cinco, 21 alunos responderam “não”, afirmando que os textos eram acessíveis e os vídeos apresentados “eram bem explícitos” e “muito percetíveis para toda a gente”. Um aluno afirma que “o nível de exigência nas aulas onde foi aplicada a revista foi o mesmo que o das outras aulas”. Na utilização da revista National Geographic ter tornado o espaço-aula mais descontraído, 21 alunos concordam que sim, aumentou a descontração no decorrer da As potencialidades da revista National Geographic no ensino da História e Geografia 66 aula, a par com o questionamento e interpretação das várias fontes enquanto 5 alunos acham que não houve mais descontração, na sala de aula, com a utilização da revista. Na próxima questão a analisar, e se um dos nossos objetivos seria o de levar a que os alunos passassem a ler a revista temática com mais regularidade, nomeadamente a National Geographic, os resultados não são satisfatórios. Só 12 alunos afirmam continuar a ler a revista, no futuro, enquanto 15 alunos dizem não pretender ler esta e qualquer tipo de revista pois não vai ter tempo para ir à escola ler e também não a vai comprar. Mas uma vez assumimos uma limitação no acesso às revistas temáticas que consiste no preço acrescido e difícil aquisição. Na sua maioria, os alunos sabem onde consultar a revista National Geographic. Penso que os alunos que responderam que não com certeza que não estiveram com atenção quando foi feita uma caraterização da mesma na sala de aula, ou então faltaram. A recolha de informação através do questionário, e face a esta turma, mostra-nos que são um pouco mais conhecedores da panóplia de revistas temáticas que existem no mercado. Talvez relacionado com o facto de alguns pais já possuírem a revista em casa e também por ser uma turma, que na generalidade, tem muito bons resultados à disciplina de Geografia. Mostraram-se sempre recetivos, curiosos e motivados e quase sempre envolvidos nas tarefas solicitados e na discussão e interpretação de fontes o que nos levou a concluir que assumem uma certa relevância à utilização da revista National Geographic no processo de aprendizagem. As potencialidades da revista National Geographic no ensino da História e Geografia 67 3. Considerações Finais A análise de todos os dados recolhidos ao longo da prática de ensino supervisionada permitiu-nos elencar algumas conclusões quanto à utilização de novos recursos didáticos na sala de aula, especialmente a utilização da revista temática National Geographic. O estudo de caso surgiu pelo facto de atualmente o conhecimento dos recursos de ensino-aprendizagem que o professor e os alunos têm disponíveis para desenvolver a sua atividade ser uma preocupação constante no campo educativo, procurando-se cada vez mais a utilização de recursos motivadores, originais e mais apelativos. Procurou-se analisar a integração de recursos didáticos e dos media na escola, tomando como objetivo de análise a importância e as finalidades do uso da revista National Geographic na sala de aula, atribuídas pelos alunos, e qual a sua opinião entre a articulação dos conteúdos da revista com os conteúdos de ambas as disciplinas, de História e Geografia. Visamos aprofundar as potencialidades que as revistas temáticas podem transpor para a sala de aula, criando estratégias de aprendizagem levando a que os alunos possam desenvolver o seu espírito crítico e reflexivo, a par com a aquisição e formação de uma consciência histórica e geográfica mais concisa e sofisticada. Já são vários os autores, nomeadamente experientes didatas brasileiros, que direcionaram os seus estudos para analisar e vocacionar a utilização das revistas temáticas nas Ciências. Atestam também que as revistas temáticas, e pelo facto de serem tão ricas e atuais, são um complemento rico pela sua transversalidade a inúmeras áreas do ensino. Os resultados alcançados neste estudo mostram que inúmeros assuntos expressos na revista National Geographic estão relacionados com os conteúdos previstos para a História e Geografia do 3.º Ciclo e Ensino Secundário. A área em que foi possível encontrar maior número de assuntos relacionados com os previstos nas orientações curriculares foi a Geografia, com o tema “Ambiente e Sociedade” e “Países Desenvolvidos versus Países em Desenvolvimento”. Na área da História, foram encontrados um maior número de artigos na revista National Geographic 17 sobre o Egipto e a 2.ª Guerra Mundial. Assumimos que a maioria dos alunos ainda não está familiarizada com a revista 17 Salientamos o facto de no estudo aplicado termos recorrido só à versão geral da National Geographic, edição portuguesa. Acrescentamos que existe também a revista National Geographic História, onde constam exclusivamente reportagens atuais sobre todos os temas da História. Para já, em Portugal, só é vendida na versão espanhola. As potencialidades da revista National Geographic no ensino da História e Geografia 68 temática na sala de aula, nomeadamente com a National Geographic, e, sobretudo, com hábitos e técnicas de trabalho um pouco diferentes, mas que conferem importância à revista enquanto fonte de informação científica conferindo ligação existente entre os assuntos noticiados pelas revistas e os assuntos lecionados nas aulas. De uma forma geral, os alunos mostraram-se sempre recetivos à utilização da revista na sala de aula. A maioria dos alunos que participou nas aulas de História ou Geografia em que os conteúdos lecionados com recurso à National Geographic, ou excertos da mesma, mencionaram gostar das aulas, argumentando que a aprendizagem dos conteúdos é mais interessante e completa e que as aulas se tornam mais interessantes e motivadoras. Alguns alunos expressaram a sua opinião oralmente dizendo que a utilização deste recurso nas aulas se traduz em aulas com melhor compreensão e articulação entre os conteúdos temáticos e a vida real. No entanto, o modo como as revistas temáticas são utilizados nas aulas e os objetivos definidos para as aulas com recurso a este meio de comunicação ainda é muito limitado. Neste sentido, esperamos que este estudo possa servir de mote inspirador para outros colegas, nomeadamente no ensino da História e Geografia, como em outras áreas do ensino. São inúmeras as atividades que os professores de História e Geografia podem desenvolver nas aulas envolvendo a utilização de artigos de revistas temáticas (e que para nós foi um pouco redutor face às limitações acima descritas), tais como a possibilidade de as revistas servirem como ponto de partida para explorar algumas ideias sobre temas mais controversos da História e da Geografia; estudo da terminologia científica presente num artigo de revista, como trabalho para casa ou então debates ou jogos de “Quiz” sobre vários tópicos expressos nas revistas temáticas e relacionados com os conteúdos temáticos de ambas as disciplinas. 18 Atualmente, em Portugal, o leque de revistas temáticas disponíveis já é variado. Contudo, ainda não são muitas as revistas do género em língua portuguesa. No ensino da História salientamos a revista Visão História, a revista L´Histoire e a revista National Geographic História. Para a área da Geografia temos a revista da Associação Quercus, a revista Quero Saber e a revista Finisterra. Em relação aos objetivos e metas propostas no Currículo Nacional do Ensino Básico da História e da Geografia, consideramos que tenham sido devidamente alcança18 Como exemplo a terceira aula de Geografia anteriormente descrita no estudo, em que se utilizou várias perguntas de um Questionário educativo – Quiz – da Revista National Geographic e se utilizou na sala de aula para que os alunos, em equipa, testassem os seus conhecimentos da disciplina. As potencialidades da revista National Geographic no ensino da História e Geografia 69 dos com a utilização dos novos recursos didáticos e novas fontes de conhecimento histórico e geográfico, levando a que os alunos desenvolvessem novas competências como aprender a analisar, interpretar e avaliar novas fontes, relacionadas com as competências inerentes à problematização do objeto de estudo. Os alunos, em geral, mostraram-se maioritariamente empenhados em participar nas várias atividades, o que também influenciou de uma forma positiva a dinâmica das várias aulas, superando algumas expectativas iniciais. Não obstante a metodologia aplicada e o rigor que procuramos imprimir neste estudo, existem algumas limitações que carecem de ser ressalvadas. A limitação temporal, pois todo o estudo foi realizado entre o primeiro e o segundo período do ano letivo 2012/2013. A sobreposição dos horários de História e de Geografia, que nos levou a enormes dificuldades em lecionar aulas sequenciais em ambas as disciplinas e o facto de sermos quatro estagiários, para as mesmas turmas, limitando ainda mais a atribuição das aulas e posteriormente o ajustamento dos conteúdos temáticos com conteúdos presentes nas várias revistas National Geographic. Consideramos, no entanto, que as limitações apresentadas poderão ser ultrapassadas em investigações futuras, e mais alargadas, sobre a temática. As potencialidades da revista National Geographic no ensino da História e Geografia 70 Referências Bibliográficas Alexandre, F., Diogo, J. (1990). Didática da Geografia – Contributos para uma Educação no Ambiente. Lisboa: Texto Editora Ausubel, D. P. (2003). Aquisição e retenção de conhecimentos: uma perspectiva cognitiva. Lisboa: Plátano. Barca, I., Gago, M. (2000). De pequenino se aprende a pensar formar opinião na aula de História e Geografia de Portugal. Cadernos pedagógico-didático: APH. Barca, I. (2000). O pensamento histórico dos jovens. Braga: CEEP, Universidade do Minho. Barca, I. (2004). Aula oficina: Do Projeto à Avaliação. In Barca, I. (Org.). Para uma Educação Histórica de Qualidade – Atas das IV Jornadas Internacionais de Educação Histórica: Universidade do Minho, Centro de Investigação em Educação, pp.131-144. Barca, I. (2007). Investigar em educação histórica: da epistemologia às implicações para as práticas de ensino. In Revista Portuguesa de História t. 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Nuevas tecnologias aplicadas da la educación. Madrid: Editorial Síntesis. Cavalcanti, L. S. (2005). Geografia, Escola e Construção de Conhecimentos. 7ª edição. Campinas: Editora Papirus. Coll, C. et al. (2006). O construtivismo na sala de aula. São Paulo: Ática. Coutinho, C. P. (2011). Metodologia em Investigação em Ciências Sociais e Humanas: Teoria e Prática: Almedina. Fernandes, A. (2002). O Olhar dos alunos e dos professores sobre a História e o seu Ensino. Tese de Mestrado. Braga: Instituto de Educação, Universidade do Minho. Fosnot, C. T. (2008). Construtivismo e Educação. Teoria, Perspetivas e Prática. Lisboa: Instituto Piaget. Fracalanza, Amaral e Gouveia. (1986) O uso de revistas como material didático alternativo: Universidade de Campina. González, X. M. S. (1999). Los elementos de una didáctica de la geografía para el siglo XXI. In Didáctica de La Geografía. Espanha: Ediciones del Serbal, S.A., pp.75-167. Hargreaves, A. (1998). 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As potencialidades da revista National Geographic no ensino da História e Geografia 73 ME – DG. (2001). Currículo Nacional do Ensino Básico - Competências Essenciais. Ministério da Educação: Direção Geral de Educação. MEOrientações Curriculares de Geografia para o 3º Ciclo. Lisboa: Departamento de Educação Básica. Ibidem. Millar, R. & Osborne, J. (1998). Beyond 2000: Science Education for the Future. Londres: King’s College London. School of Education. Moreira, M. (2004). As fontes históricas propostas no manual e a construção do conhecimento histórico. Dissertação de Mestrado não publicada. Braga: Universidade do Minho. Pedrosa, M & Mateus, A (2001). Educar em escolas abertas ao Mundo - Que cultura e que condições de exercício da cidadania? In Veríssimo, A. et al. (Coord.). (Re) Pensar o Ensino das Ciências. Ministério da Educação: Departamento do Ensino Secundário, 141-154. Proença, M. C. (1992). Didática da História. Lisboa: Universidade Aberta. Prats, J. (2006). 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Palavras-Chave: Lei da Frontalidade, Monoteísmo, Êxodo, Antigo Testamento, Tora, Menorah Conteúdos Objetivos/Indicadores de aprendizagem Experiências de aprendizagem Avaliação A arte egípcia As artes decorativas Joalharia - Identificar as principais artes decorativas dos Egípcios. - Caracterizar os vários estilos de artes decorativas egípcias. - Compreender a importância do legado da civilização egípcia para o mundo atual. Análise e interpretação de vários fascículos intitulados “Egipto – Um Tesouro da Humanidade”. Visionamento de diapositivos, ao longo da aula, sobre as Artes Decorativas Egípcias. A par com os diapositivos constam imagens, conceitos e definições que irão ser exploradas, a par com a turma, em diálogo horizontal e vertical. Visualização de um documentário sobre o “Busto de Nefertiti”. -Observação directa dos alunos ao nível da atenção, do interesse, empenho e comportamento. As potencialidades da revista National Geographic no ensino da História e Geografia 81 Mobiliário Cerâmica Os Hebreus A origem histórica do povo Hebreu O estabelecimento dos hebreus na Palestina: o Êxodo A originalidade da civilização hebraica: o monateísmo Os Hebreus, hoje: a Diáspora e o Judaísmo, o Estado de Israel. - Localizar no mapa os territórios e movimentações do povo Hebreu. -Enunciar as principais etapas da sua história. - Referir qual o seu principal contributo civilizacional. - Identificar os princípios da religião hebraica. - Definir monoteísmo. - Identificar três dos símbolos da religião hebraica. Distribuição, por pares, de revistas sobre o “Egipto – Um tesouro da Humanidade.” Cada revista tem um capítulo sobre um tema de Arte Egípcia. Realização, pelos alunos, de uma tarefa, que lhes será distribuída na folha em anexo. Excerto do filme: “Os Dez Mandamentos” de Cecil B. DeMille. (A travessia do Mar Vermelho por Moisés e o seu povo, vindos do Egipto em direcção à Palestina). Visionamento de diapositivos sobre os Hebreus e a sua história, onde constam várias imagens e mapas, em diálogo horizontal e vertical. Na parte seguinte da aula será feita a exploração do tema sobre a originalidade da Civilização Hebraica, onde os alunos visionarão algumas imagens alusivas ao tema. Um aluno, vestido de Hebreu, irá segurar nas “Tábuas da Lei”, e ler um e ler os escritos que nelas constam: “Os dez mandamentos.” Posteriormente o aluno “Moisés” será questionado pela professora. - Participação dos alunos na análise dos documentos escritos e iconográficos das revistas distribuídas. - Contribuição para o trabalho de pares - Realização da Ficha de Trabalho distribuída. -Observação directa da participação oral, da frequência e qualidade das intervenções dos alunos. - Empenho nas várias atividades propostas. As potencialidades da revista National Geographic no ensino da História e Geografia 82 Bibliografia: BARREIRA, Aníbal; MOREIRA, Mendes (2005) – Sinais da História 7. Porto: Edições Asa DINIZ, Maria Emília; TAVARES, Adérito; CALDEIRA, Arlindo (2012) – História 7. Lisboa: Raiz Editora NETO, Helena; NETO, Jorge; SANTOS, Luís Abrantes; SANTOS, Luís Aguiar (2012) – História 7.Lisboa:Santillana Constância CIRNE, Joana; HENRIQUES, Marília (2012) – Viagem na História 7.Porto: Areal Editores ROSAS, Fernando et al (1998) – Grande Enciclopédia Universal.Lisboa:Ediclube SOUVERAL, Augusto - EGIPTO – Um Tesouro da Humanidade. Lisboa: Planeta De Agostini Webgrafia: http://www.historiadomundo.com.br/ www.nationalgeographic.com http://www.historiamais.com/hebreus.htm http://www.territorios.org/teoria/H_C_egipcia.html http://www.arqnet.pt/ http://www.wdl.org/pt/ http://pt.wikipedia.org/ http://imagohistoria.blogspot.pt/ As potencialidades da revista National Geographic no ensino da História e Geografia 83 Anexo 3 – Exercício aplicado ao 7º W 7º Ano - A Arte Egípcia Nome____________________________________ Nº _____ Turma ____ Tarefa 1 – No fascículo que te foi distribuído identifica a principal forma de Arte. 1.1 – Caracteriza-a sucintamente. As potencialidades da revista National Geographic no ensino da História e Geografia 84 Anexo 4 – Grelha de Avaliação Aluno Avaliação Tarefa Aluno A Muito Bom Aluno B Muito Bom Aluno C Muito Bom Aluno D Bom Aluno E Muito Bom Aluno F Muito Bom Aluno G Bom Aluno H Muito Bom Aluno I Muito Bom Aluno J Muito Bom Aluno K Muito Bom Aluno L Muito Bom Aluno M Muito Bom Aluno N Bom Aluno O Muito Bom Aluno P Bom Aluno Q Muito Bom Aluno R Bom Aluno S Bom Aluno T Muito Bom Aluno U Muito Bom Aluno V Bom Aluno W Muito Bom As potencialidades da revista National Geographic no ensino da História e Geografia 85 Anexo 5 – Plano Unidade de História – 9º ano PLANIFICAÇÃO DE UNIDADE TEMA A – A Europa e o Mundo no Limiar do Século XX Conteúdos Conceitos Objetivos Sugestões de estratégias e recursos Avaliação 1 – Hegemonia e declínio da influência europeia O novo mapa político a nível mundial. O fim da supremacia europeia: os efeitos da Guerra A ascensão dos Estados Unidos. Guerra das Trincheiras Guerra de Movimentos Armamento Armistício Tratado de Versalhes Sociedade das Nações Taylorismo Identificar as fases da 1ª Guerra Mundial Caracterizar as diferenças das várias fases. Identificar as principais batalhas decorrentes da 1ª Guerra Mundial. Relacionar a utilização das novas armas nos campos de batalha com as diversas fases da Guerra. Justificar a entrada dos Estados Unidos da América na guerra e avaliar a importância da sua participação. Identificar os vários tratados decorrentes do armistício, nomeadamente o Tratado de Versalhes. Referir o carácter humilhante das imposições dos governos aliados à Alemanha. Filme “A Oeste nada de novo”, de Erich Maria Remarque. Filme “Cavalo de Guerra”, de Steven Spielberg. Filme “Um longo domingo de noivado”, de Jean-Pierre Jeunet. Documentário sobre a 1ª República: “Uma memória”, Excerto de um documentário “História do Século XXDa Grande Guerra aos Anos 20”. Excertos do documentário “ O Século do Povo”, Observação direta dos alunos ao nível da atenção, do interesse, empenho e comportamento. Observação direta da participação oral, da frequência e qualidade das intervenções dos alunos. Observação do cumprimento de registos e/ou anotações escritos no caderno diário. Observação direta dos alunos ao nível da atenção, do interesse, empenho e comportamento. Realização de uma ficha de trabalho. Observação direta da participação oral, da frequência e qualidade das As potencialidades da revista National Geographic no ensino da História e Geografia 86 2 – Portugal: da 1ª república à Ditadura Militar 3 – Sociedade e cultura num mundo em mudança Fordismo Capitalismo Analisar os princípios fundamentais da Sociedade das Nações. Caracterizar as consequências económicas, políticas e sociodemográficas que a 1ª Guerra Mundial teve sobre a Europa. Referir a importância dos Estados Unidos da América na economia mundial da década de 20 do século XX. Excerto do filme “Tempos Modernos”, de Charlie Chaplin. Movie Maker sobre a 1ª República elaborados por alunos do 9º ano e vencedores do prémio… Apresentações diversas em ppt. Movie Maker Documentos escritos. Cartazes de propaganda e publicidade alusivos à época expostos na sala. Visualização de imagens exemplificativas de diferentes monumentos megalíticos (cromeleques, menires, antas ou dólmens e alinhamentos). Visualização de imagens relativas aos cultos praticados no Neolítico. Retratar numa pirâmide a sociedade hierarquizada do Antigo Egito. intervenções dos alunos. Observação do cumprimento de registos e/ou anotações escritos no caderno diário. Observação direta da participação oral, da frequência e qualidade das intervenções dos alunos As potencialidades da revista National Geographic no ensino da História e Geografia 87 Visualização de um mapa sobre o percurso do Rio Nilo desde a sua nascente até à foz. Com base num vídeo de “Tutenstein” parte-se à descoberta dos diferentes deuses egípcios. Visualização do vídeo “O Dr. Zahi Hawass explica a receita da mumificação”. Passagem pela turma de um papiro para que seja entendido um dos suportes onde a escrita era utilizada. As potencialidades da revista National Geographic no ensino da História e Geografia 88 Anexo 6 – Plano de aula aplicado ao 9º L PLANO DE AULA HISTÓRIA ANO: 9º TURMA: D Lições nº 61 e 62 Data: 28 / 02 / 2013 Sumário: A Segunda Guerra Mundial – o desenrolar do conflito. Motivações:  Excerto do filme “Pearl Harbor”, de Jerry Bruckheimer.  Excerto do filme “Inimigo às Portas”, de Jean-Jacques Annaud. Situação-problema: “Se Hitler invadisse o Inferno, eu pensaria numa aliança com o Diabo!”, Winston Churchill As potencialidades da revista National Geographic no ensino da História e Geografia 89 Questões orientadoras: 1Quais as fases da Segunda Guerra Mundial? 2A que se deveu o êxito das ofensivas militares alemãs? 3Como se explica a mundialização da guerra em 1941? 4Quais as principais frentes dos contra-ataques vitoriosos dos aliados? Palavras-Chave: Eixo, Aliados, Panzer, Blitzkrieg, Luftwaffe, Pearl Harbor, Estalinegrado Conteúdos Objetivos/Indicadores de aprendizagem Experiências de aprendizagem Avaliação A Segunda Guerra Mundial As fases da 2ª Guerra Mundial. -Compreender o êxito inicial das ofensivas alemãs e de que forma evoluiu a Guerra Relâmpago. -Entender quais os acontecimentos que conduziram à mundialização do conflito. - Visualização de um excerto do filme “Pearl Harbor”, no sentido de mostrar aos alunos de que forma decorreu o ataque japonês à frota americana estacionada em Pearl Harbor. -Observação direta dos alunos ao nível da atenção, do interesse, empenho e comportamento. -Observação direta da participação oral, da frequência e qualidade das intervenções dos alunos. As potencialidades da revista National Geographic no ensino da História e Geografia 96 Anexo 10 – Excertos distribuídos da National Geographic ao 9ºL As potencialidades da revista National Geographic no ensino da História e Geografia 97 As potencialidades da revista National Geographic no ensino da História e Geografia 98 As potencialidades da revista National Geographic no ensino da História e Geografia 99 As potencialidades da revista National Geographic no ensino da História e Geografia 100 As potencialidades da revista National Geographic no ensino da História e Geografia 101 As potencialidades da revista National Geographic no ensino da História e Geografia 102 As potencialidades da revista National Geographic no ensino da História e Geografia 103 As potencialidades da revista National Geographic no ensino da História e Geografia 104 As potencialidades da revista National Geographic no ensino da História e Geografia 105 As potencialidades da revista National Geographic no ensino da História e Geografia 112 Anexo 13 – Grelha de Avaliação Aluno Classificação Aluno A Bom Aluno B Bom Aluno C Satisfaz Aluno D Satisfaz Aluno E Satisfaz Aluno F Bom Aluno G Satisfaz Aluno H Muito Bom Aluno I Bom Aluno J Satisfaz Aluno k Satisfaz Aluno L Satisfaz Aluno M Satisfaz Aluno N Bom Aluno O Satisfaz Aluno P Satisfaz Aluno Q Satisfaz Aluno R Satisfaz Aluno S Bom Aluno T Satisfaz Aluno U Satisfaz Aluno V Satisfaz Aluno W Satisfaz Aluno X Satisfaz Aluno Y Satisfaz As potencialidades da revista National Geographic no ensino da História e Geografia 113 Anexo 14 - Plano de Aula de Geografia aplicado à turma de 9º Z As potencialidades da revista National Geographic no ensino da História e Geografia 114 As potencialidades da revista National Geographic no ensino da História e Geografia 115 As potencialidades da revista National Geographic no ensino da História e Geografia 116 As potencialidades da revista National Geographic no ensino da História e Geografia 117 Anexo 15 – Plano de Unidade de Geografia As potencialidades da revista National Geographic no ensino da História e Geografia 118 As potencialidades da revista National Geographic no ensino da História e Geografia 119 Anexo 16 - Plano de Aula de Geografia aplicado à turma de 9º Z As potencialidades da revista National Geographic no ensino da História e Geografia 120 As potencialidades da revista National Geographic no ensino da História e Geografia 121 As potencialidades da revista National Geographic no ensino da História e Geografia 128 Aluno Resposta 1 (12) Resposta 2 (12) Resposta 3 (12) Resposta 4 (20) Resposta 5 (12) Resposta 6 (12) Resposta 7 (20) Total % (100) Aluno A 0 0 0 0 0 0 0 0 Aluno B 0 0 0 0 0 0 0 0 Aluno C 10 12 12 20 12 12 20 100 Aluno D 0 0 0 0 0 0 0 0 Aluno E 10 11 12 20 12 12 20 99 Aluno F 12 9 11 17 10 10 18 87 Aluno G 12 12 10 20 11 10 15 90 Aluno H 8 8 0 14 12 8 13 63 Aluno I 12 8 8 13 12 10 14 77 Aluno J 12 12 12 20 12 12 20 100 Aluno K 12 7 7 13 7 8 13 67 Aluno L 6 5 6 0 10 0 8 35 Aluno M 0 0 0 0 0 0 0 0 Aluno N 12 9 7 13 9 7 10 67 Aluno O 8 10 8 17 12 9 14 78 Aluno P 9 12 10 12 12 10 0 65 Aluno Q 8 12 8 10 9 9 12 68 Aluno R 8 8 8 15 12 8 16 75 Aluno S 7 7 8 13 8 7 13 63 Aluno T 12 12 12 20 12 12 20 100 Aluno U 10 12 10 16 10 9 15 82 Aluno V 12 12 12 20 12 12 20 100 Aluno W 6 6 8 10 6 7 7 50 Aluno X 0 0 0 0 0 0 0 0 Aluno Y 0 0 0 0 0 0 0 0 Aluno Z 12 12 10 18 12 11 20 97 Aluno Z1 9 12 8 17 9 10 15 80 As potencialidades da revista National Geographic no ensino da História e Geografia 129 Anexo 20 – Plano de aula aplicado à Turma de 9º Z As potencialidades da revista National Geographic no ensino da História e Geografia 130 As potencialidades da revista National Geographic no ensino da História e Geografia 131 As potencialidades da revista National Geographic no ensino da História e Geografia 132 As potencialidades da revista National Geographic no ensino da História e Geografia 133 Unidade didática – Alterações do ambiente global Anexo 21 – Plano de Unidade de Geografia - 9º Ano- “Ambiente e Sociedade” Recursos: Apresentações multimédia (vídeos, power point, entre outros), mapas, gráficos, revistas, imagens, textos, fichas de trabalho, funcionarão como recursos para a concretização das diferentes situações de aprendizagem. Limitações: Não encontramos limitações que sejam um entrave ao processo de ensino-aprendizagem. Planificação do tema: “Ambiente e Sociedade” Unidade didática anterior – Interdependência entre espaços com diferentes níveis de desenvolvimento Situação educativa agregadora Qual o estado do nosso Planeta? Para a abordagem da unidade didática do “Ambiente e Sociedade” escolhemos como situação educativa agregadora vários documentários relacionados com a temática. Unidade didática anterior – Grandes desafios ambientais As potencialidades da revista National Geographic no ensino da História e Geografia 134 CONTEÚDOS SITUAÇÕES DE APRENDIZAGEM Recursos Avaliação ATITUDINAIS PROCEDIMENTAIS TEMÁTICOS Atenção Interesse Participação Respeito Comunicabilidade Espírito crítico  Cooperação  Sensibilidade  Expressão verbal da informação geográfica (oral e escrita) Leitura e interpretação. de textos, mapas, gráficos. Recolha e organização de informação. Sistematização da informação recolhida. Observação de fotografias, imagens e esboços Comparação de mapas de diferentes escalas Localização de lugares e fenómenos naturais e humanos. Ambiente Sustentável Consumo de petróleo Biodiversidade Invasão Biológica Pegada Ecológica Aquecimento Global Atmosfera CFC’s Ozono “Buraco” na camada de Ozono Efeito estufa Eutrofização Chuvas ácidas Microclima urbano Hidrosfera Contaminação das águas Subida do nível das águas do mar Com base na visualização do documentário “Radiografia do Planeta” é iniciado o tema Ambiente e Sociedade. 1. Análise, à escala continental, dos problemas relacionados com a população, a urbanização, a riqueza, a fome, entre outros, para alcançar uma visão do estado global do planeta.  2. Através da realização de um trabalho de grupo, os alunos partem à descoberta da biodiversidade do Planeta, contactando com conceitos como a pegada ecológica e espécies em extinção.  3. A par com os alunos e através da visualização de um excerto do documentário: “Radiografia do Planeta” será abordada a temática das alterações na Atmosfera. Esta abordagem tem como objetivo alertar para o sistema que nos sustém, que é muito frágil, e que a nossa sobrevivência depende da saúde do Planeta e dos seus vários Sistemas. Os alunos irão analisar diversos estudos de caso e relacioná-los com os conteúdos em questão.  4. De acordo com um excerto da situação educativa agregadora, será abordada a hidrosfera, através da realização de váManual adotado Textos Ficha de trabalho individual Mapas Revistas Vídeos Power Point Figuras Imagens Gráficos Avaliação formativa (ficha de trabalho) Avaliação do processo atitudinal Avaliação do processo procedimental Avaliação do processo cognitiva Trabalho de grupo As potencialidades da revista National Geographic no ensino da História e Geografia 135 rias atividades sobre os conteúdos temáticos.      As potencialidades da revista National Geographic no ensino da História e Geografia 136 Anexo 22 – Quiz aplicado na aula de Geografia Energia, Energias Renováveis e Aquecimento Global 1. Qual a área do mundo que consome mais energia? América do Norte Ásia /Pacífico Europa e Eurásia África A região da Ásia Pacífico é o maior consumidor de energia, consumindo cerca de 39,1% da energia mundial 2. A Islândia obtêm 99% da sua eletricidade a partir de: - Vulcanismo e hidroelétrica - Usinas nucleares - Carvão - Petróleo A partir do vulcanismo e da hidroelétrica, a Islândia obtêm 99% da sua energia. Nenhuma das fontes utiliza petróleo ou bioprodutos. Contudo, o aquecimento do subsolo está limitado pela geologia. 3. Que país é o maior produtor de carvão? Austrália Burundi Estados unidos da América China A China produziu quase metade do carvão do mundo em 2011, com 3.520 milhões de toneladas. Os EUA foi o segundo, seguido por Índia, Austrália e Rússia. As potencialidades da revista National Geographic no ensino da História e Geografia 137 4. Em 1990 qual foi o tipo de energia mais utilizado no mundo? Petróleo Energia nuclear Carvão Gás natural Em 1990, quase 40 por cento do consumo mundial de energia foi o petróleo. Carvão e gás natural foram segundo e terceiro, respetivamente. 5. Que energia é projetada para ser a mais utilizada em 2030? Energia nuclear Gás natural Carvão Petróleo O carvão ascenderá ao 1º lugar, com um consumo de 27,7 % do consumo mundial, o petróleo em 2º lugar, com 27,2% e o gás natural com 25,9%. 6. Das próximas descrições, da qual é que o Japão vai transformar em energia renovável? Do ruído da multidão em jogos de luta de sumo Das bicicletas estacionárias nas aulas de spinning Dos passos nas estações de metro de Tóquio Das sobras de arroz de sushi No Japão, os passageiros nas estações de metro em Tóquio geram energia cada vez que dão um passo. Ladrilhos especiais captam as vibrações geradas por passos, que são armazenadas como energia. A energia que é capturada durante o dia é suficiente para acender os letreiros eletrónicos das estações.