Atividade física nos doentes com psoríase
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Dissertação de Mestrado Integrado em Medicina 2012/13 Atividade Física nos doentes com psoríase José Manuel Gomes Pereira Alexandre Instituto Ciências Biomédicas Abel Salazar Universidade do Porto Orientador: Dr. Tiago Torres Serviço de Dermatologia do CHP-HSA
Atividade Física nos Doentes com Psoríase ICBAS-UP Página i Agradecimentos Ao Dr. Tiago Torres pelo apoio e motivação transmitidos desde o início da elaboração deste trabalho, bem como a disponibilidade e atenção despendidos ao longo deste período de trabalho. Ao Serviço de Dermatologia pela amabilidade e carinho com que me recebeu e me permitiu elaborar este trabalho. À Professora Doutora Denisa Mendonça pela sua disponibilidade e apoio na realização da análise estatística. A todos os doentes que responderam ao inquérito que lhes foi entregue. E a todos aqueles que de alguma forma me apoiaram durante este trabalho.
Atividade Física nos Doentes com Psoríase ICBAS-UP Página ii Resumo INTRODUÇÃO: A psoríase é uma doença inflamatória sistémica caracterizada pelo atingimento da pele e articulações, com um componente genético e associada a fatores ambientais desencadeantes. Está associada à desregulação das células T Helper tipo 1 e 17 com o aumento das citoquinas inflamatórias como Interferão-γ, Fator de Necrose Tumoral α, Interleucina 2, 12, 17, 22 e 23 que originam um estado inflamatório crónico com a hiperproliferação dos queratinócitos e consequente hiperplasia e acantose da epiderme. Estudos epidemiológicos têm demonstrado uma maior prevalência de fatores de risco cardiovasculares como hipertensão, diabetes, obesidade e dislipidemia entre os psoriáticos e além disso, a psoríase é atualmente considerada um fator de risco independente para doença cardiovascular devido à inflamação sistémica presente. Para além dos benefícios da Atividade Física nas doenças cardiovasculares, estudos recentes evidenciam que a Atividade Física é uma fator protetor para doenças inflamatórias sistémicas, devido à redução dos níveis do Fator de Necrose Tumoral α, à libertação de citoquinas anti-inflamatórias e à redução do risco de doenças cardiovasculares. OBJECTIVO: Dado o aumento do risco de doenças cardiovasculares nos doentes com psoríase e os benefícios verificados com a prática de Atividade Física no tratamento destas doenças, bem como a evidência científica da redução do estado inflamatório associado à sua prática, torna-se pertinente avaliar e analisar a Atividade Física realizada nos doentes com psoríase. METODOLOGIA: Trata-se de um estudo de observação analítico do tipo casocontrolo. O grupo dos casos é formado por doentes com psoríase grave e o grupo de controlo por indivíduos sem doença inflamatória sistémica a frequentar a consulta de dermatologia. Foi implementado um questionário para recolha de dados, que inclui o Questionário Internacional Avaliação Física versão curta. Foi utilizada a estatística descritiva, o teste de aderência à normalidade KolmogorovSmirnov, teste de Mann-Whitney, teste t para duas amostras independentes, teste de independência do Qui-quadrado e Odds Ratio com nível de significância em 5%.
Atividade Física nos Doentes com Psoríase ICBAS-UP Página iii RESULTADOS: Foram recrutados 86 doentes com psoríase grave e 159 controlos, sem diferenças significativas para o género e idade. Em relação aos fatores de risco cardiovasculares encontraram-se diferenças estatisticamente significativas relativamente à hipertensão, diabetes e obesidade, sendo mais prevalentes nos psoriáticos, com um Odds Ratio de 1,96; 3,36 e 2,49 respetivamente. Verificou-se uma menor gasto médio de equivalentes metabólicos dentro do grupo dos casos, e não se encontraram diferenças estatisticamente significativas relativamente ao tempo diário despendido em atividades em que os indivíduos permanecem sentados. Observaram-se diferenças significativas entre as diferentes classificações de Atividade Física, verificando-se um risco elevado, Odds Ratio de 3,67, dos psoriáticos serem sedentários, e um Odds Ratio de 3,76 dos psoriáticos obesos serem sedentários. CONCLUSÃO: A maior prevalência de fatores de risco cardiovasculares dentro da população psoriática, associado a uma menor Atividade Física aumenta o risco de eventos cardiovasculares. Neste sentido torna-se fundamental informar e alertar os doentes com psoríase para a importância da realização de Atividade Física com critérios de moderada ou elevada. PALAVRAS-CHAVE: Atividade Física, Equivalentes metabólicos, Fatores de Risco Cardiovasculares, Psoríase
Atividade Física nos Doentes com Psoríase ICBAS-UP Página iv Abstract INTRODUCTION: Psoriasis is a systemic inflammatory disease characterized by the achievement of the skin and joints, with a genetic component associated with triggering environmental factors. It is associated to deregulation T -Helper cell type 1 and 17 with the increase of inflammatory cytokines such as Interferon-γ, Tumour Necrosis Factor α, Interleukin 2, 12, 17, 22 and 23 which are the origin of a chronic inflammatory state with hyper proliferation of keratinocytes and consequent hyperplasia and epidermal acanthosis. Epidemiological studies have demonstrated an increased prevalence of cardiovascular risk factors such as hypertension, diabetes, obesity and dyslipidaemia among psoriasis; moreover, psoriasis is considered an independent risk factor for cardiovascular disease due to systemic inflammation. In addition to the benefits of Physical Activity on cardiovascular disease, recent studies show that physical activity is a protective factor for systemic inflammatory diseases due to reduced levels of Tumour Necrosis Factor α, to the release of antiinflammatory cytokines and to the reducing risk of cardiovascular disease. OBJECTIVE: Given the increased risk of cardiovascular disease in patients with psoriasis and the benefits seen with the practice of physical activity in the treatment of these diseases, as well as the scientific evidence of the reduction of the inflammatory state associated with its practice, it is pertinent to evaluate and analyse the Physical Activity performed on patients with psoriasis. METHEDOLOGY: This is an analytical observation study of case-control type. The group of cases consists of patients with severe psoriasis and the control group of individuals without systemic inflammatory disease attending a dermatology consultation. A questionnaire was used for data collection, which includes the short version International Physical Assessment Questionnaire. Descriptive statistics was used, adherence to normality Kolmogorov-Smirnov test, Mann-Whitney test, t test for two independent samples, Qui-square independence test, the Pearson correlation coefficients and Odds Ratios with significance level in 5%.
Atividade Física nos Doentes com Psoríase ICBAS-UP Página v RESULTS: 86 patients were recruited with severe psoriasis and 159 controls, with no significant differences for gender and age. Regarding cardiovascular risk factors, statistical significant differences were found in relation to hypertension, diabetes and obesity being more prevalent in psoriasis, with an odds ratio of 1.96, 3.36 and 2.49 respectively. A lower average expenditure of metabolic equivalents was verified within the case group, and no statistically significant differences in relation to the daily time spent on activities in which individuals remain seated. Significant differences were observed between the different classifications of Physical Activity, verifying a high risk, Odds Ratio of 3.67, of psoriasis being sedentary, and Odds Ratio of 3.76 of obese psoriasis being sedentary. CONCLUSION: The higher prevalence of cardiovascular risk factors in psoriatic population, associated with a lower Physical Activity increases the risk of cardiovascular events In this regard it is essential to inform and alert patients with psoriasis of the importance of Physical Activity with achievement of moderate or high criteria. KEYWORDS: Physical Activity, Metabolic Equivalents, Cardiovascular Risk Factors, Psoriasis
Atividade Física nos Doentes com Psoríase ICBAS-UP Página vi Índice I – Introdução ........................................................................................................... 1 IIPopulação e Método ............................................................................................ 4 1Tipo de estudo e amostra ................................................................................. 4 2Instrumentos de colheita de dados ................................................................... 4 3Princípios Éticos .............................................................................................. 6 4Variáveis do Estudo ......................................................................................... 6 5Processamento dos dados ................................................................................ 7 6Análise estatística ............................................................................................ 7 IIIResultados .......................................................................................................... 8 IVDiscussão de resultados ................................................................................... 14 VConclusões e Recomendações .......................................................................... 17 VIBibliografia ...................................................................................................... 19 VIIAnexos ........................................................................................................... 22
Atividade Física nos Doentes com Psoríase ICBAS-UP Página vii Índice de Tabelas, Gráficos e Anexos Tabela I:Características estatísticas dos grupos casos e controlos; valor p com teste t ou qui-quadrado. Idade em anos; IMC Kg/m2; * N=225 ................... 9 Tabela II: Odds Ratio entre casos e controlos ......................................................... 9 Tabela III: Comparação entre os valores médios da AF entre casos e controlos. Teste t para comparação de médias; *METs minutos/semana ........... 10 Tabela IV: Valores médios da AF no género masculino nos casos e controlos. Teste de Mann-Whitney, *METs minutos/semana ............................. 10 Tabela V: Valores médios da AF no género feminino nos casos e controlos. Teste de Mann-Whitney, *METs minutos/semana ...................................... 11 Tabela VI: Valores médios AF total entre casos e controlos, subdivididos pelas comorbilidades . Teste de Mann Whitney, *METs minutos/semana . 11 Tabela VII: Classificação da Atividade Física em categorias ............................... 12 Tabela VIII: OR relativamente à prática de AF baixa e AF não baixa .................. 13 Tabela IX: OR relativamente à prática de AF baixa e AF não baixa nos psoriáticos ............................................................................................................. 13 Gráfico 1: Comparação das idades médias entre casos e controlos ......................... 8 Gráfico 2: Distribuição da amostra entre casos e controlos mediante o género ...... 8 Gráfico 3: Valores médios de AF total entre casos e controlos ............................. 11 Gráfico 4: Proporções das classificações de AF, nos casos e nos controlos. Teste Qui-quadrado com valor p=0.004 .......................................................................... 12 Gráfico 5: Proporção das classificações de AF, nos casos e controlos restringidas a AF baixa e não baixa.............................................................................................. 12 Anexo 1: Autorização do Conselho de Administração do CHP para a realização do estudo de investigação ........................................................................... 22 Anexo 2: Carta explicativa do objetivo do Questionário ....................................... 23 Anexo 3: Primeira parte do Questionário .............................................................. 24 Anexo 4: Segunda parte do Questionário - IPAQ .................................................. 25
Atividade Física nos Doentes com Psoríase ICBAS-UP Página viii Lista de Abreviaturas AF --- Atividade Física AVC --- Acidente Vascular Cerebral DCV --- Doenças Cardiovasculares DM --- Diabetes Melitos EAM --- Enfarte Agudo do Miocárdio FRCV --- Fatores de Risco Cardiovasculares HTA --- Hipertensão Arterial IFNγ --- Interferão γ IL --- Interleucina IMC --- Índice de Massa Corporal IPAQ --- Questionário Internacional de Atividade Física METs --- Equivalentes Metabólicos OR --- Odds Ratio PASI --- Psoriasis Area Severity Index TNFα --- Fator de Necrose Tumoral α
Atividade Física nos Doentes com Psoríase ICBAS-UP Página 7 cardiovasculares, MET (minutos/semana) quer parcelar quer total e classificação da AF segundo critérios do IPAQ. 5Processamento dos dados Os questionários preenchidos foram revistos para deteção de possíveis erros de preenchimento. De seguida foram introduzidos numa base de dados, tendo-se procedido posteriormente a uma ratificação dos dados inseridos e dos constantes nos questionários para deteção de possíveis erros de digitalização. Posteriormente procedeu-se a aplicação dos critérios acima referidos para os dados referentes à primeira parte do questionário e os indicados pelas Guildelines do IPAQ no sentido de reduzir os valores discrepantes e a obtenção dos METs parciais e totais, e classificação da AF. 6Análise estatística Para a verificação da aderência à normalidade utilizou-se o teste KolmogorovSmirnov e a obtenção da representação gráfica nos histogramas das curvas normais. Nos dados que se expressam por médias utilizou-se o teste de Mann-Whitney para amostras independentes ou o teste t para duas amostras independentes, para comparação entre os casos e os controlos, nos casos de não normalidade e normalidade das amostras, respetivamente. A análise estatística entre as diversas variáveis categóricas foi efetuada utilizando o teste Qui-quadrado. No que respeita estabelecimento da possível relação entre a classificação de AF e os grupos utilizou-se o coeficiente de correlação de Pearson. Utilizou-se o Odds Ratio para análise da relação entre variáveis binárias. O nível de significância para todas as análises foi colocado em 5%.
Atividade Física nos Doentes com Psoríase ICBAS-UP Página 8 IIIResultados Foram recrutados 86 doentes com psoríase grave sendo 61,6% do sexo masculino e com média de idade de 47,7 anos e 159 controlos sendo 57,2% do sexo masculino e idade média de 46,8 anos, não sendo encontradas diferenças estatisticamente significativas para a idade e género. Na tabela I apresentam-se resumidas medidas descritivas correspondentes às variáveis antropométricas e aos fatores de risco cardiovasculares (FRCV) dos dois grupos de indivíduos. A média do IMC é superior nos casos, bem como a percentagem de hipertensos, diabéticos e dislipidémicos com diferenças estatisticamente significativas relativamente ao grupo controlo. O grupo dos psoriáticos apresenta menor percentagem de indivíduos com história familiar de DCV, não fumadores e sem FRCV, no entanto, não existem diferenças estatisticamente significativas relativamente ao grupo dos casos. Os casos apresentam uma maior percentagem de indivíduos obesos (IMC ≥ 30 Kgm-2) 33,7% relativamente aos 17,0% no grupo dos casos, com valor p de 0,003. Em ambos os grupos observa-se que a média do IMC corresponde a excesso de peso. Gráfico 1: Comparação das idades médias entre casos e controlos Gráfico 2: Distribuição da amostra entre casos e controlos mediante o género
Atividade Física nos Doentes com Psoríase ICBAS-UP Página 9 Variável Controlos (N=156) Casos (N= 86) Valor p Idade 46,8 (dp 12,3) 47,7 (dp 11,0) 0,549 Género Masculino 91 (57,2%) 53 (61,6%) 0.505 HTA* 31 (22,3%) 31 (36,0%) 0,025 DM* 7 (5,0%) 13 (15,1%) 0,010 Dislipidemia* 38 (27,3%) 33 (38,4%) 0,084 Obesidade 27 (17%) 29 (33,7%) 0.003 História Familiar DCV* 15 (10,8%) 5 (5,8%) 0,202 Não fumador* 102 (73,4%) 59 (68,6%) 0,440 Sem FRCV* 58 (41,7%) 27 (31,4%) 0.051 IMC 25,8 (dp 4,0) 28,7 (dp 5,5) 0.000 Tabela I:Características estatísticas dos grupos casos e controlos; valor p com teste t ou quiquadrado. Idade em anos; IMC Kg/m2; * N=225 Da análise do Odds Ratio (OR), tabela II, entre os grupos casos e os controlos obtiveram-se valores significativos para HTA, DM e obesidade, OR de 1,9; 3,4 e 2,5, respetivamente. As variáveis género, dislipidemia e tabagismo não apresentam valores estatisticamente significativos. Relativamente à AF os valores encontram-se resumidos na tabela III, IV e V. O grupo dos psoriáticos apresenta valores médios inferiores de METs gastos em todas as componentes AF (vigorosa, moderada ou caminhada) e AF total, sendo estatisticamente significativas na AF moderada e AF total. Quando se compara a AF entre os grupos tendo em conta o género observam-se valores médios inferiores em todas as intensidades da AF nos psoriáticos, exceto na intensidade caminhada no sexo masculino, com diferenças estatisticamente significativas na AF total e AF caminhada no género feminino e AF moderada no género masculino. Tabela II: Odds Ratio entre casos e controlos OR IC 95% HTA 1,964 1,084-3,558 DM 3,358 1,283-8,790 Dislipidemia 1,655 0,933-2,934 Obesidade 2,487 1,352-4,575 Tabagismo 1,262 0,699-2,77
Atividade Física nos Doentes com Psoríase ICBAS-UP Página 10 Em relação ao tempo passado sentado, durante um dia da semana e num dia de fim de semana, observam-se valores médios superiores nos psoriáticos, no entanto, os grupos não apresentam diferenças estatisticamente significativas. Tendo em conta as diferenças estatisticamente significativas encontradas entre os grupos caso e controlo na HTA, DM e IMC, procedeu-se a análise estatística da AF subdividindo os grupos pela presença ou ausência das doenças referidas. Os resultados obtidos encontram-se resumidos na tabela V. Desta resultaram valores estatisticamente significativos para todos os subgrupos formados com exceção para o subgrupo dos normotensos, cujo valor de prova se encontra muito próximo do valor de significância estatística. Sendo que os valores médios obtidos nos METs são sempre inferiores nos casos. Variável Controlos (159) Casos (86) Valor p AF vigorosa * 1434,4(dp 2301,0) 946,0 (dp1700,4) 0,060 AF Moderada * 1776,5 (dp 1460,2) 1256,4 (dp 1479,5) 0.009 AF Caminhada * 1478,2 (dp 1285,2) 1151,6 (dp 1231,3) 0,055 AF Total * 4689,1 (dp 3196,2) 3354,0 (dp 3167,7) 0,002 Minutos sentado Semana § 256,0 (dp 171,9) 326,5 (dp 769,7) 0,27 Minutos sentado fim de semana§ 244,8 (dp 173,8) 238,1 (dp 175,7) 0,776 Tabela III: Comparação entre os valores médios da AF entre casos e controlos. Teste t para comparação de médias; *METs minutos/semana Variável Controlos (159) Casos (86) Valor p AF Vigorosa * 1477,3 (dp 2327,0) 1143,4 (1760,2698) 0,398 AF Moderada * 1457,1 (dp 1390,2) 883,9 (1127,2) 0,006 AF Caminhada * 1371,4 (dp 1260,5) 1394,7 (dp 1356,1) 0.837 AF Total * 4305,7 (dp 3344,5) 3422,1 (dp 3162,9) 0.063 Minutos sentado Semana § 267,1 (dp 173,9) 266,7 (dp 178,6) 0.972 Minutos sentado Fim de semana § 258,6 (dp 172,6) 244,5 (dp 189,8) 0,567 Tabela IV: Valores médios da AF no género masculino nos casos e controlos. Teste de MannWhitney, *METs minutos/semana
Atividade Física nos Doentes com Psoríase ICBAS-UP Página 11 Variável Controlos Casos Valor p AF Vigorosa * 1377,1 (dp2282,7) 629,1 (dp 1573,8) 0,124 AF Moderada * 2203,9 (dp 1451,9) 1854,5 (dp 1775,1) 0,181 AF Caminhada * 1621,1 (dp 1313,2) 761,0 (dp 885,3) 0,000 AF Total 5202,1 (dp 2917,0) 3244,6 (dp 3221,2) 0.000 Minutos sentado Semana § 241,2 (dp 169,3) 422,6 (dp1227,4) 0,518 Minutos sentado Fim de semana§ 226,3 (dp 174,9) 227,9 (dp 152,5) 0.901 Tabela V: Valores médios da AF no género feminino nos casos e controlos. Teste de MannWhitney, *METs minutos/semana Variável Controlos (METs) Casos (METs) Valor p Sem HTA 4681 (dp 3235) 3787 (dp 3253) 0,065 Com HTA 4380 (dp 3253) 2586 (dp 3217) 0,004 Sem DM 4520 (dp 3174) 3622 (dp 3096) 0,027 Com DM 6406 (dp 4011) 1849 (dp 3265) 0,003 Não obeso 4745 (dp 3315) 3462 (dp 2789 ) 0,009 Obeso 4414 (dp 2571) 3141 (dp 3851) 0,020 Tabela VI: Valores médios AF total entre casos e controlos, subdivididos pelas comorbilidades . Teste de Mann Whitney, *METs minutos/semana Gráfico 3: Valores médios de AF total entre casos e controlos
Atividade Física nos Doentes com Psoríase ICBAS-UP Página 12 Relativamente à classificação da AF realizada, verifica-se que nos doentes psoriáticos existe uma maior prevalência de indivíduos com AF baixa e moderada e menor de AF elevada quando comparado ao grupo controlo, com diferenças estatisticamente significativas (p=0,004). Classificação AF Critérios BAIXA Sem critérios para categoria moderada ou alta (indivíduo sedentário) Moderada - Mínimo de cinco dias de qualquer tipo de AFC, AFM ou AFV e pelo menos 600METs minutos/semana Ou - Mínimo de 3 dias de AFV com pelo menos 20 minutos/dia Ou - Mínimo de 5 dias de AFM e/ou AFC com pelo menos 30 minutos/dia. Alta - Mínimo de sete dias de qualquer tipo de AF e pelo menos 3000 METs minutos/semana Ou - Mínimo de 3 dias de AFV com pelo menos 1500 METs. Tabela VII: Classificação da Atividade Física em categorias Quando se analisa a AF dos indivíduos tendo em conta apenas dois tipos de classificação de AF, ou seja, baixa e não baixa (AF moderada e elevada), observase que continuam a existir diferenças significativas entre o grupo de casos e de controlo (p=0,01). Gráfico 4: Proporções das classificações de AF, nos casos e nos controlos. Teste Quiquadrado com valor p=0.004 Gráfico 5: Proporção das classificações de AF, nos casos e controlos restringidas a AF baixa e não baixa
Atividade Física nos Doentes com Psoríase ICBAS-UP Página 13 Tendo em conta a amostra total observaram-se valores com significado estatístico no cálculo do OR na psoríase relativamente à prática de AF baixa e não baixa. OR Intervalo Confiança 95% Psoríase (N=245) 3,67 1,6-8,4 Tabela VIII: OR relativamente à prática de AF baixa e AF não baixa, na amostra Restringindo o cálculo do OR ao grupo dos psoriáticos, resumidos na tabela IX, obtiveram-se valores significativos apenas para a obesidade. OR Intervalo Confiança 95% HTA (N=86) 1,8 0,6-3,7 DM (N=86) 3,18 0,9-11,4 Dislipidemia (N=86) 2,1 0,7-6,7 Obesidade (N=86) 3,76 1,3-11,3 Tabela IX: OR relativamente à prática de AF baixa e AF não baixa nos psoriáticos
Atividade Física nos Doentes com Psoríase ICBAS-UP Página 14 IVDiscussão de resultados O estudo apresentado pretende avaliar a quantidade e qualidade da AF em doentes com psoríase grave, comparando-o a um grupo controlo, uma vez que poderá influenciar na abordagem a realizar no seguimento destes doentes. Segundo Wilson et al (2012) os estudos existentes sobre a AF e a psoríase abordam o tema de uma forma indireta, não utilizam métodos de avaliação rigorosos da AF como questionários validados ou métodos objetivos tais como acelerómetros. Apesar das limitações apresentadas os autores consideram que nos diversos estudos existe menor AF nos psoriáticos [15]. A vantagem deste trabalho consiste na utilização de um questionário validado para a avaliação da AF a nível populacional e a sua aplicação a dois grupos que apresentam características semelhantes tendo em conta a idade e o sexo. Além da análise da AF dos grupos tivemos em conta o estudo dos principais FRCV, uma vez que existe evidência científica da associação entre psoríase e as DCV e para poder comparar as características amostrais com outros trabalhos realizados nesta área [10][15]. Em vários estudos tipo caso controlo realizados verifica-se uma maior prevalência de FRCV dentro dos doentes psoriáticos quando comparados aos controlos[18][19][20]. Também no presente estudo se verificou uma maior proporção de hipertensos, diabéticos e obesos dentro do grupo dos casos quando comparados ao grupo controlo, com diferenças estatisticamente significativas. Quando comparado ao estudo realizado no Reino Unido por Neimann et al (2006) com percentagem de 20% nos casos e 11,9% nos controlos de hipertensos, os valores obtidos neste estudo foram superiores em ambos os grupos com 36% nos casos e 22,3% nos controlos [20][21][22]. Os dados obtidos referentes à diabetes apresentam diferenças estatisticamente significativas, com prevalência de 15,1% nos psoriáticos e 5% nos controlos. Já no estudo de Neimann et al (2006) os valores são 7,1% e 3,3%, respetivamente. [23][24]. A percentagem de dislipidémicos encontrada nos dois grupos, 38,4% nos casos e 27,3% nos controlos, apresentam valores muito superiores aos encontrados no
Atividade Física nos Doentes com Psoríase ICBAS-UP Página 15 estudo anteriormente referido 6 e 3,3%, bem como outro realizado na Alemanha, no entanto não são estatisticamente significativos [18] [20]. Em relação à obesidade verifica-se uma maior prevalência de obesos nos psoriáticos 33,7% em relação a 17% dos controlos, valores muito semelhantes aos encontrados num estudo realizado nos Estados Unidos com valores de 34% e 17%, e no RU valores mais baixos de 20,5% e 13,2% [19][20]. Observou-se que o grupo controlo apresenta maior proporção de não fumadores, sem significado estatístico, em relação aos casos, 73,4% para 68,6%, o que vai de encontro com outros estudos [18][19][20]. Tal como em outros estudos verificou-se que os psoriáticos apresentam um maior número de FRCV e quando se estuda o OR entre os grupos, encontram-se valores significativos para a HTA, diabetes e obesidade, com valores de 1,96; 3,36 e 2,49 respetivamente. Estes valores são superiores aos obtidos no estudo de Neimann et al (2006) com OR 1,62 para a diabetes e 1,79 para obesidade. No estudo Alemão realizado por Sommer et al (2006) os valores são 2,48 para a diabetes, 3,27 para a HTA [18][20]. A nível da avaliação da AF, o uso de questionários é um método fácil, prático e económico quando se tem amostras de grandes dimensões, no entanto, apresenta problemas de objetividade e dificuldade na recordação das atividades realizadas, havendo autores que consideram que os dados obtidos podem estar sobrevalorizados. A escolha de um questionário, nomeadamente o IPAQ versão curta, baseou-se no tamanho pretendido para a amostra, no facto das questões serem referentes a factos decorridos numa semana recente e à simplicidade das questões[25][26]. O viés da subjetividade e sobrevalorização dos dados é um fator comum a ambos os grupos em estudo. Na avaliação da quantidade de AF, verificou-se que no grupo com psoríase existe uma AF total inferior ao grupo controlo, com diferenças estatisticamente significativas, estes resultados estão em consonância com o observado no trabalho publicado por Wilson et al. (2012), no entanto, é de salientar que os vários estudos analisados nesse trabalho não utilizam o mesmo método de avaliação de AF e os objetivos principais dos mesmos não são a avaliação da AF [15]. Em todas as componentes de intensidade de AF verifica-se uma menor quantidade média de METs no grupo dos psoriáticos, com diferenças estatisticamente
Atividade Física nos Doentes com Psoríase ICBAS-UP Página 16 significativas para a AF moderada. No entanto, deve ser realçado que os valores de prova para as restantes intensidades de AF se encontram muito próximos do valor de significância. Relativamente ao tempo que passam sentados não se verificaram diferenças estatisticamente significativas entre os dois grupos, que poderá estar relacionado com o tipo de atividade profissional e ocupação de tempos livres. Dado a existência de diferenças significativas entre os grupos no que se refere à HTA, DM e obesidade, fez-se a comparação subdividindo os grupos na presença ou ausência dessas variáveis. Verificou-se que os casos mantêm valores médios de METs inferiores em todos os subgrupos, com diferenças estatisticamente significativas, exceto nos normotensos, mas com um valor de prova de 0.065, que é muito próximo ao de significância. Desta forma pode-se verificar que as comorbilidades analisadas não alteram os padrões de AF dos grupos. Em termos de classificação de AF, baixa, moderada ou intensa, observou-se que o grupo de casos apresenta maior proporção de indivíduos com AF baixa e moderada e menor de elevada, com diferenças estatisticamente significativas. De facto quando se analisou os dados apenas com duas categorias de AF baixa e não baixa, isto é, sedentários e ativos, verificou-se uma maior proporção de sedentários nos psoriáticos e manteve-se a diferença estatisticamente significativa. Segundo as recomendações para a promoção e manutenção da saúde em adultos da American Heart Association (evidência A) a AF com benefícios corresponde aos critérios de moderada ou elevada, o que pode influenciar o maior número de FRCV e DCV nestes doentes [27]. Por outro lado, verificou-se que os psoriáticos apresentam elevado risco, OR de 3.67, relativamente aos não psoriáticos de serem sedentários. Além do risco aumentado de menor AF, verificou-se que os psoriáticos obesos apresentam um risco superior, OR de 3,76, de serem sedentários quando comparados aos não obesos.
Atividade Física nos Doentes com Psoríase ICBAS-UP Página 23 Anexo 2: Carta explicativa do objetivo do Questionário
Atividade Física nos Doentes com Psoríase ICBAS-UP Página 24 Anexo 3: Primeira parte do Questionário
Atividade Física nos Doentes com Psoríase ICBAS-UP Página 25 Anexo 4: Segunda parte do Questionário - IPAQ
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