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Avaliação de ecoeficiência do processo produtivo de uma organização vitivinícola. O caso da Sociedade Agrícola e Comercial do Varosa, S.A. (Murganheira)

João Pedro Marques Cardoso

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MESTRADO INTEGRADO EM ENGENHARIA DO AMBIENTE 2014/2015 Avaliação de Ecoeficiência do Processo Produtivo de uma Organização Vitivinícola. O Caso da Sociedade Agrícola e Comercial do Varosa, S.A. (Murganheira) JOÃO PEDRO MARQUES CARDOSO Dissertação submetida para obtenção do grau de MESTRE EM ENGENHARIA DO AMBIENTE Orientador académico: Professor Doutor Rodrigo Jorge Fonseca de Oliveira Maia Professor Associado do Departamento de Engenharia Civil da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto Orientadora na empresa: Engª Marta Sofia Vieira Rodrigues Lourenço Enóloga da Sociedade Agrícola e Comercial do Varosa, S.A. (Murganheira) (junho 2015) ii iii “There is only one corner of the universe you can be certain of improving, and that’s your own self” Aldous Huxley Avaliação de Ecoeficiência do Processo Produtivo de uma Organização Vitivinícola. O Caso da Sociedade Agrícola e Comercial do Varosa, S.A. (Murganheira) v Agradecimentos A realização desta dissertação apenas foi possível com o apoio e contribuição de algumas pessoas, para com as quais manifesto a minha mais profunda gratidão. Ao meu orientador na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, o Professor Rodrigo Maia, por todo o tempo disponibilizado, dedicação e apoio, e pelas inúmeras ideias partilhadas e críticas construtivas. À Sociedade Agrícola e Comercial do Varosa, S.A. (Murganheira), na pessoa do seu presidente, o Professor Orlando Lourenço, pela amabilidade de ter permitido a realização da minha dissertação. À minha orientadora na empresa, a Engª Marta Lourenço, pela disponibilidade demonstrada para fornecimento de toda a informação imprescindível para a execução do trabalho, pela partilha de conhecimentos e esclarecimento de dúvidas. A todos os colaboradores da empresa que contribuíram para a recolha de dados e partilha de opiniões. À Engª Vanessa Ramos pelo interesse demonstrado, apoio e sugestões. Aos meus colegas de faculdade, pelo incentivo nos momentos de estudo e pelo companheirismo durante todo este percurso. Aos meus amigos, pela irmandade, pelos incontáveis momentos conjuntos e memórias partilhadas. Aos meus pais, pelas oportunidades, pelo auxílio nos momentos difíceis e por tudo. A todos, o meu mais profundo agradecimento! Avaliação de Ecoeficiência do Processo Produtivo de uma Organização Vitivinícola. O Caso da Sociedade Agrícola e Comercial do Varosa, S.A. (Murganheira) vii Resumo O objetivo deste trabalho foi desenvolver uma Avaliação de Ecoeficiência ao sistema produtivo de uma empresa vitivinícola. Para tal, foi selecionada a empresa Sociedade Agrícola e Comercial do Varosa, S.A. (Murganheira) que se dedica quase exclusivamente à produção de vinho espumante. No âmbito da Avaliação de Ecoeficiência, foi determinada uma abordagem através do ciclo de vida do sistema produtivo, envolvendo a execução de uma Avaliação de Ciclo de Vida e a determinação de um valor económico representativo do valor do sistema, tal como apresentado na ISO 14045. Relativamente às fronteiras do sistema foi definida uma abordagem em “cradle-to-gate”, à qual foi adicionado o estudo da distribuição do produto final até aos pontos de venda, tendo-se definido quatro fases do sistema produtivo: Viticultura, Produção de Vinho, Engarrafamento e Embalagem e Distribuição do produto final. Foi igualmente definida uma unidade funcional (UF) de 0,75 litros de vinho espumante produzido. Foi elaborado o inventário do sistema no âmbito da Avaliação de Ciclo de Vida, para o qual foram recolhidas informações através de comunicação direta com a empresa, complementadas por informação bibliográfica, nomeadamente para o cálculo de emissões das atividades de Foreground e de impactes de etapas de Background. Para o cálculo dos impactes decorrentes das diferentes fases do sistema produtivo foi utilizada a metodologia CML-IA, e selecionadas as categorias definidas por essa metodologia. Os resultados da avaliação do sistema produtivo do ano de 2014 determinaram que as fases de Viticultura e de Engarrafamento e Embalagem são as que mais contribuem para os impactes obtidos nos resultados do sistema completo. Foi igualmente identificado que a utilização de fertilizantes sintéticos e de produtos fitossanitários, e a produção de garrafas de vidro produzem maior influência nos resultados das fases de Viticultura e de Engarrafamento e Embalagem, respetivamente. De forma a efetuar comparações com o ano de 2014, reproduziu-se a avaliação para o ano de 2012, no qual a utilização de fertilizantes sintéticos foi significativamente menor que em 2014. Foi testada ainda a influência de alguns procedimentos alternativos, nomeadamente a redução da quantidade de vidro existente nas garrafas utilizadas e a geração de energia elétrica por painéis fotovoltaicos implementados pela empresa. Com as comparações efetuadas, concluiu-se que a diminuição de fertilização, a diminuição da quantidade de vidro das garrafas e a geração de eletricidade contribuem para melhoria da ecoeficiência do processo. Palavras-chave: Ecoeficiência, Ciclo de vida, ISO 14045, Vinho espumante Avaliação de Ecoeficiência do Processo Produtivo de uma Organização Vitivinícola. O Caso da Sociedade Agrícola e Comercial do Varosa, S.A. (Murganheira) ix Abstract The aim of this study was to develop an Eco-efficiency Assessment of a production system of a wine production company. The selected company was Sociedade Agrícola e Comercial do Varosa, S.A. (Murganheira) that almost exclusively produces sparkling wine. In order to develop the Eco-efficiency Assessment study, was determined the use of a life cycle perspective of the productive system, which involved the execution of a Life Cycle Assessment and the determination of an economic value representative of the system value, like presented in ISO 14045. About the system boundaries was defined a “cradle-to-gate” perspective, with the inclusion of the distribution of the final product to market places. For that were defined the four phases of the production system: Viticulture, Wine Production, Bottling and Packaging and Distribution of final product. The functional unit (FU) was defined as 0,75L of sparkling wine produced. The inventory of the production system was elaborated by the gathering of information from direct contact with the company, which was complemented by bibliographic information, relatively to the calculation of Foreground activities emissions and the calculation of Background activities impact. For the calculation of the impacts relative to the system’s different phases was used the CML-IA methodology and the categories defined by that methodology. The 2014 production assessment determined that the most contributive phases of the complete system impact results are Viticulture and Bottling and Packaging. The use of synthetic fertilizers and pesticides, and the glass bottle production were identified as the most contributor steps for the impact results of Viticulture and Bottling and Packaging phases, respectively. In order to make some comparisons with the results obtained about 2014 production, was reproduced the assessment to the 2012 production, in which the use of synthetic fertilizers was significantly lower than in 2014. It was also tested the influence of some alternative procedures, like the reduction of glass quantity in bottles and the production of electric energy by solar panels implemented by the company. By this comparisons, it was concluded that the reduction of fertilization, the reduction of glass quantity in bottles and the production of electric energy are actions that contribute to the improving of system’s ecoefficiency. Key words: Eco-efficiency, Life Cycle, ISO 14045, Sparkling wine Avaliação de Ecoeficiência do Processo Produtivo de uma Organização Vitivinícola. O Caso da Sociedade Agrícola e Comercial do Varosa, S.A. (Murganheira) xvii Abreviaturas e Símbolos 3P Pollution Prevention Pays ACV Avaliação de Ciclo de Vida AG Aquecimento Global AICV Avaliação de Impacte de Ciclo de Vida AP Acidificação Potencial CBO Carência Bioquímica de Oxigénio CE Comissão Europeia COVNM Compostos Orgânicos Voláteis Excluindo o Metano CQO Carência Química de Oxigénio DCO Depleção da Camada de Ozono DRA-CF Depleção de Recursos Abióticos - Combustíveis Fósseis DRA-E Depleção de Recursos Abióticos - Elementos EAAD Ecotoxicidade Aquática na Água Doce EAAM Ecotoxicidade Aquática na Água Marinha ELCD European Life Cycle Database EEA Agência Europeia do Ambiente EP Eutrofização Potencial ET Ecotoxicidade Terrestre ETAR Estação de Tratamento de Águas Residuais FOF Formação de Oxidantes Fotoquímicos ICV Inventário de Ciclo de Vida HLPGS High Level Panel on Global Sustainable IPCC Intergovernmental Panel on Climate Change IVV, IP Instituto da Vinha e do Vinho ISO International Organization for Standardization MIT Massachusetts Institute of Technology NFA Azoto Facilmente Assimilável OCDE Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico OIV International Organisation of Vine and Wine OS Ocupação de Solo PM10 Materiais Particulados PVPP Polivinilpirrolidona Reticulada TH Toxicidade Humana UF Unidade Funcional UNEP Programa Ambiental das Nações Unidas USLCI U.S. Life Cycle Inventory Database WBCSD World Business Council for Sustainable Development Avaliação de Ecoeficiência do Processo Produtivo de uma Organização Vitivinícola. O Caso da Sociedade Agrícola e Comercial do Varosa, S.A. (Murganheira) xviii WRAP Waste Reduction Always Pays N2O Protóxido de azoto NH3 Amoníaco NO Óxido Nítrico NO3 Nitrato NH4NO3 Nitrato de Amónia C6H12O6 Glicose C2H5OH Etanol CO2 Dióxido de Carbono CH4 Metano P2O5 Pentóxido Difosfórico K2O Óxido de Potássio SO2 Dióxido de Enxofre Sb Antimónio CFC-11 Triclorofluorobenzeno 1,4-DCB 1,4-Diclorobenzeno C2H4 Etileno PO4 Fosfato MJ Megajoules ml Mililitro l Litro hl Hectolitro Mhl Milhão de hectolitros mg Miligrama g Grama kg Quilograma ton Tonelada Km Quilómetro tkm Tonelada-quilómetro m2 Metro quadrado m3 Metro cúbico ºC Graus Celsius kWh Quilowatt-hora € Euro Avaliação de Ecoeficiência do Processo Produtivo de uma Organização Vitivinícola. O Caso da Sociedade Agrícola e Comercial do Varosa, S.A. (Murganheira) 1 1. Introdução 1.1. Enquadramento Nos últimos anos tem surgido, de forma cada vez mais acentuada, uma preocupação global com o estado ambiental do planeta onde vivemos. São apontadas diversas causas para a constante degradação ambiental que se tem visto acontecer em diversos meios ambientais e ecossistemas. A fraca consciencialização ambiental ocorrida em tempos anteriores, o aumento da população e a enorme industrialização verificada, continuam a ser as principais causas para essa degradação. De certa forma, o período de fim do século XX e início do século XXI corresponde ao momento em que a espécie humana começou a ser confrontada com o reflexo de décadas de más decisões ambientais, levando a uma alteração do pensamento político. Com a publicação de “Our Common Future” em 1987, surgiu o conceito de desenvolvimento sustentável, definido como o desenvolvimento que cumprindo as necessidades atuais não compromete as necessidades das futuras gerações (HLPGS, 2010; Brundtland, 1987) Numa perspetiva de desenvolvimento sustentável, surge também o conceito de ecoeficiência estabelecido definitivamente em 1991, pelo World Business Council for Sustainable Development (WBCSD) que relaciona os conceitos de redução de impacte ambiental com aumento de criação de produtos ou serviços (WBCSD, 2000). Este conceito de ecoeficiência identifica duas parcelas significativamente importantes e que devem ser relacionadas, a ambiental e a económica. Neste sentido, torna-se interessante avaliar a ecoeficiência de uma empresa ou organização e beneficiar ambas as parcelas, através de medidas como a redução de utilização de matérias-primas ou redução de consumos energéticos, entre outras. Numa fase inicial, a Avaliação de Ecoeficiência seguiu as indicações do WBCSD; no entanto, mais recentemente surge outra perspetiva alternativa de Avaliação de Ecoeficiência, realizada através de um estudo integrado com uma Avaliação de Ciclo de Vida. Esta perspetiva surge num contexto normativo estabelecido pela Norma ISO 14045:2012 sobre a Avaliação de Ecoeficiência, cuja componente ambiental é estabelecida pelas Normas ISO 14040:2006 e ISO 14044:2006 que estabelecem os parâmetros para a Avaliação de Ciclo de Vida (ISO, 2012). No setor empresarial, podem ser encontrados diversos tipos de Avaliações de Ciclo de Vida e Avaliações de Ecoeficiência que, em geral, procuram desde logo identificar os pontos da produção que mais desvantagens promovem a nível ambiental. A partir desse conhecimento, é possível perspetivar as alterações nos processos produtivos que possam tornar esses pontos-alvo menos prejudiciais para o meio ambiente e igualmente beneficiar do ponto de vista económico. Mais particularmente no setor vitivinícola, encontram-se trabalhos de Avaliação de Ciclo de Vida em diversas produções de vários países, identificando-se este tipo de estudo como uma ferramenta útil para a melhoria das atividades do setor. Avaliação de Ecoeficiência do Processo Produtivo de uma Organização Vitivinícola. O Caso da Sociedade Agrícola e Comercial do Varosa, S.A. (Murganheira) 2 1.2. Objetivos No âmbito deste trabalho, definiram-se um conjunto de objetivos alicerçados num principal propósito de estudar a Avaliação de Ecoeficiência, através de uma perspetiva de Avaliação de Ciclo de Vida, presente na metodologia apresentada e descrita na norma ISO 14045:2012. Esta Avaliação de Ecoeficiência teve como objeto de estudo o sistema produtivo de vinho espumante da empresa Murganheira, considerando as diversas fases do sistema necessárias para a obtenção do produto final, numa perspetiva “cradle-togate”, às quais foi ainda adicionada a distribuição desse produto final aos pontos de venda. Desta forma, considerou-se relevante analisar as fases de Viticultura, Produção de Vinho, Engarrafamento e Embalagem e Distribuição do produto final, tendo-se definido o estudo das atividades necessárias para a produção e transporte das matérias-primas utilizadas e das atividades do próprio sistema produtivo da empresa. Como tal, considerou-se a execução de uma avaliação de impactes categorizados, por recurso a uma das metodologias de Avaliação de Ciclo de Vida disponíveis, neste caso a metodologia CML-IA, com vista a identificar os indicadores ambientais. A esta obtenção de resultados da componente ambiental, foi definida ainda a identificação de um valor económico representativo da produção da empresa. Com o propósito de desenvolver um trabalho com as características descritas sobre a empresa referida, foi decidido desde logo fazer uma Avaliação de Ecoeficiência incidente sobre a produção do ano de 2014. Assim, é sobre essa análise relativa à produção deste ano que se explicam os passos tomados para a aplicação da metodologia, com a apresentação e discussão dos resultados obtidos. Entretanto, e tendo sido feito o trabalho para o ano de 2014, considerou-se interessante repeti-lo para um outro ano, 2012, no qual se identificaram diferenças significativas a nível de produção comparativamente ao ano de 2014. Desta forma, tornou-se relevante efetuar comparações entre os dois anos, no que concerne às suas diferenças de produção e aos resultados obtidos para cada ano. Foi definido, igualmente, efetuar algumas comparações mais específicas, a nível da cadeia produtiva, utilizando como base os anos estudados, e perceber as decorrentes alterações nos resultados de ecoeficiência, provocadas por algumas mudanças já ocorridas ou previstas, nomeadamente a implementação de painéis fotovoltaicos ou a diminuição da quantidade de vidro utilizado na etapa de Engarrafamento e Embalagem. Através do estudo destas alterações, foi possível avaliar os seus benefícios no âmbito ambiental e na componente económica, identificando variações a nível da ecoeficiência. Avaliação de Ecoeficiência do Processo Produtivo de uma Organização Vitivinícola. O Caso da Sociedade Agrícola e Comercial do Varosa, S.A. (Murganheira) 3 1.3. Estrutura da Dissertação A dissertação foi elaborada de acordo com uma estruturação composta por 7 capítulos que podem ser assim resumidos:  Capítulo 1 - Introdução: no presente capítulo é feita uma primeira abordagem sobre a temática que envolve o trabalho efetuado, com apresentação dos objetivos do mesmo e da estrutura da dissertação.  Capítulo 2 - Fundamentos Teóricos: procede-se a uma apresentação de maior extensão sobre o tema do trabalho, nomeadamente o desenvolvimento sustentável e os conceitos de Ecoeficiência e de Ciclo de Vida. Nesse contexto, é apresentada, de forma sumária, a metodologia utilizada para o cálculo dos valores de ecoeficiência.  Capítulo 3 - Caso de Estudo: neste capítulo procedeu-se a uma apresentação do contexto do setor vitivinícola e procedeu-se a uma explanação das diversas etapas da produção da empresa.  Capítulo 4 - Avaliação de Ecoeficiência para o Caso de Estudo: neste caso, foram descritos todos os passos efetuados para a obtenção de resultados e feita a apresentação dos mesmos para o ano de 2014, com a composição do inventário, Avaliação de Ciclo de Vida e Avaliação de Ecoeficiência.  Capítulo 5 - Discussão de Resultados: neste capítulo, efetuou-se uma análise aos resultados obtidos e apresentados no capítulo anterior, através de um estudo gráfico dos vários valores e comparação entre as diferentes fases produtivas. Foi igualmente efetuado um enquadramento dos resultados no contexto de outros trabalhos efetuados sobre empresas do mesmo setor.  Capítulo 6 - Análise de Influência da Variação de Diferentes Fatores Produtivos na Avaliação de Ecoeficiência: efetuada uma Avaliação de Ecoeficiência para o ano de 2012 e uma comparação com o ano de 2014, além do estudo da variação de resultados de ecoeficiência decorrente de outras alterações no sistema produtivo.  Capítulo 7 - Conclusões: neste capítulo, é efetuada uma descrição das principais conclusões do trabalho e efetuada uma listagem de algumas propostas para trabalhos futuros. Após estes capítulos é apresentada a Bibliografia. Avaliação de Ecoeficiência do Processo Produtivo de uma Organização Vitivinícola. O Caso da Sociedade Agrícola e Comercial do Varosa, S.A. (Murganheira) 4 Avaliação de Ecoeficiência do Processo Produtivo de uma Organização Vitivinícola. O Caso da Sociedade Agrícola e Comercial do Varosa, S.A. (Murganheira) 5 2. Fundamentos Teóricos Neste capítulo, é inicialmente efetuada uma resenha histórica e abordados alguns conceitos teóricos sobre Desenvolvimento Sustentável, Avaliação de Ciclo de Vida e Avaliação de Ecoeficiência. No contexto da Avaliação de Ecoeficiência, são demonstrados os princípios de estudo das duas componentes, ambiental e económica, e são apresentadas as ferramentas disponíveis para a elaboração da avaliação. São apresentados igualmente alguns estudos acerca de outros sistemas produtivos no setor vitivinícola e os resultados obtidos. 2.1. Desenvolvimento Sustentável O crescimento e desenvolvimento sem precedentes da atividade humana, registados nas últimas décadas, têm-se revelado um pesado fardo para o meio ambiente. As consequências associadas ao aumento de pressão sobre recursos, à poluição e contaminação e à gestão ambiental deficiente têm sido cada vez mais propaladas, levando a uma necessária reação mundial. Considera-se atualmente que 60% dos ecossistemas foram e continuarão a ser degradados e inúmeros países encaram problemas relacionados com poluição ou falta de água, degradação de solos, destruição de floresta e aumento da poluição atmosférica, com consequência para os habitats e as diversas formas de vida que neles habitam (Barkemeyer, et al., 2014). Com as consequências negativas a tornarem-se cada vez mais evidentes, a consciencialização global sobre uma necessidade de mudança de paradigma tornou-se real mas levaram-se vários anos para se atingir uma concertação de certa forma global, ainda que não de forma absoluta. Desde meados do século XX, que uma consciência ambientalista e ecológica surgiu, muito devido aos efeitos que a Revolução Industrial do século anterior veio trazer e às consequências das Guerras Mundiais (Pereira, 2001). O livro de Rachel Carson, “Silent Spring”, de 1962, é comumente apontado como o rastilho para o começo das discussões sobre o meio ambiente. Este livro provocou um grande debate após a sua publicação, inspirando o lançamento do movimento ambientalista e abriu a discussão sobre poluição do meio ambiente em especial sobre os efeitos da aplicação de pesticida (Environment and Society, 2015). Decorria o ano de 1968, quando um grupo de indivíduos reconhecidos se encontrou para discutir os limites do crescimento económico e a pressão daí advinda exercida sobre os recursos naturais do planeta. Entre os elementos do grupo contavam-se cientistas, economistas, industriais e políticos e desse encontro saiu a fundação do Clube de Roma, uma organização informal que ainda persiste atualmente. Os seus propósitos mantiveram-se: promover a compreensão das componentes económicas, políticas, ambientais e sociais de forma integrada e trazer à atenção de políticos e opinião pública novas iniciativas e ações (Meadows, et al., 1972). Em 1972, a pedido do Clube de Roma, investigadores do MIT liderados por Dennis L. Meadows publicaram “Limites do Crescimento”, num documento também conhecido como “The Meadows Report”. Deste relatório retirou-se que, tendo em conta a tendência de crescimento industrial e populacional da época, os limites do planeta seriam atingidos dentro de 100 anos. O resultado seria o declínio populacional Avaliação de Ecoeficiência do Processo Produtivo de uma Organização Vitivinícola. O Caso da Sociedade Agrícola e Comercial do Varosa, S.A. (Murganheira) 6 e industrial; no entanto, foi identificada a possibilidade de, por alteração dessas tendências, ser possível instituir uma estabilidade económica e ecológica (Meadows, et al., 1972). Também em 1972, ocorreu em Estocolmo a Conferência das Nações Unidas sobre o Homem e o Meio Ambiente, revelando-se como o primeiro grande encontro internacional para discutir a temática da sustentabilidade a nível mundial. Desta conferência, saíram os pontos fundamentais que levam à criação do Programa Ambiental das Nações Unidas (UNEP), tal como motivou a criação de várias agências ambientais em diversos países (HLPGS, 2010). Em 1983, o Secretário-geral da Organização das Nações Unidas convocou a primeira-ministra da Noruega, Gro Harlem Brundtland para encabeçar a Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente (Brundtland, 1987). A Comissão foi criada com a intenção de se focar na degradação acelerada do ambiente e dos recursos naturais e as consequências daí provenientes para o desenvolvimento económico e social (Brundtland, 1987; HLPGS, 2010). Até 1987, várias ocorrências ambientais tiveram lugar como a contaminação de pesticidas numa fábrica na India e o acidente nuclear de Chernobyl, sendo nesse ano publicado o relatório produzido pela Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente, intitulado “Our Common Future” (Brundtland, 1987). Esse documento, também conhecido como Relatório Brundtland, apontou a necessidade de alteração do rumo do desenvolvimento na direção da sustentabilidade, alterando o modelo económico dos países desenvolvidos, que não protegia as limitações dos recursos naturais (HLPGS, 2010). Assim, através do envolvimento das Nações Unidas, foi assumida a necessidade de associar as políticas de proteção ambiental com o desenvolvimento das populações. Foi a partir deste momento que o conceito de sustentabilidade se tornou uma realidade para os decisores, evoluindo de uma ideia que estabelecia uma necessidade de paragem do crescimento para uma noção de desenvolvimento sustentável (Mamede, 2013) Esta fase foi considerada por Elkington (1994) como fundamental para a expansão do conceito de desenvolvimento sustentável, envolvendo a integração do pensamento ambiental nos aspetos sociais, políticos e económicos. Foi igualmente em “Our Common Future” que se apresentou uma das definições de Desenvolvimento Sustentável mais propagadas (HLPGS, 2010): “O Desenvolvimento Sustentável é o desenvolvimento que permite satisfazer as necessidades das gerações atuais sem comprometer a capacidade das gerações futuras de satisfazerem as suas próprias necessidades” Em 1992, vinte anos após a Conferência de Estocolmo, realizou-se no Rio de Janeiro, a segunda Conferência das Nações Unidas sobre o Ambiente e Desenvolvimento. Nesta conferência, surgiu a Declaração sobre Ambiente e Desenvolvimento e a Agenda 21, que continha um plano de ação para o desenvolvimento sustentável, sendo ainda aprovadas a Carta da Terra e três convenções sobre Biodiversidade, Desertificação e Mudanças Climáticas. Por recomendação da Agenda 21, a Assembleia Geral das Nações Unidas criou a Comissão para o Desenvolvimento Sustentável (HLPGS, 2010). Avaliação de Ecoeficiência do Processo Produtivo de uma Organização Vitivinícola. O Caso da Sociedade Agrícola e Comercial do Varosa, S.A. (Murganheira) 7 Em 1997, foi assinado o Protocolo de Quioto, no qual se promove o compromisso para a redução da emissão de gases de efeito de estufa. Posteriormente em 2002, ocorreu a Cimeira Mundial sobre o Desenvolvimento Sustentável, Rio+10, em Joanesburgo na África do Sul, na qual se procurou recolocar o desenvolvimento sustentável no centro da agenda internacional. No entanto, considerou-se que esta conferência não resultou numa evolução significativa nesse sentido, pois os países estavam então mais focados no envolvimento do reforço de segurança e na luta contra o terrorismo (HLPGS, 2010). Em 2012, ocorreu de novo no Rio de Janeiro, a Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável, Rio+20, com o objetivo de renovar o interesse político sobre o desenvolvimento sustentável (Nações Unidas, 2012). Da conferência saiu um documento chamado “The Future We Want”, com a renovação de interesse dos agentes políticos e com algumas definições tomadas. Entre várias, a erradicação da pobreza que, tal como definido no passado, é indispensável para o desenvolvimento sustentável e também a necessidade de mudança no consumo e na produção da sociedade atual (Nações Unidas, 2012a). 2.2. Desenvolvimento Sustentável no Contexto Empresarial O contexto empresarial e a forma como as organizações encaram as responsabilidades ambientais evoluíram, com a demonstração de interesse ambiental de uma empresa a tornar-se mais importante, atualmente. Neste momento, não só é vantajoso possuir um sistema de produção sustentável devido às vantagens ambientais e económicas daí obtidas, como o consumidor comum começa a privilegiar um produto que conhece ser produzido de forma ecológica. Essa perspetiva tenta contrariar a ideia muitas vezes correta que a indústria é responsável pela degradação ambiental. De facto, o objetivo passa por tornar a indústria e o tecido empresarial mais presentes e pró-ativos nas decisões ambientais e responsáveis pelo alcançar da sustentabilidade, refletindo as suas ações em questões ambientais como a gestão de recursos, de energia e de resíduos (Pereira, 2009). Para as organizações se capacitarem em tomar as melhores decisões e promoverem um desenvolvimento sustentável, é cada vez mais comum uma empresa empreender estudos sobre a sua condição ambiental, permitindo através da interpretação da informação, promover alterações benéficas tanto a nível ambiental como financeiro. Nestas circunstâncias, é comum uma empresa implementar um Sistema de Gestão Ambiental, garantindo o controlo sobre a vertente ambiental dos sistemas de produção (Moreira, 2009). O Sistema de Gestão Ambiental permite promover a melhoria dos desempenhos ambientais através da utilização de boas práticas ambientais e de ferramentas específicas como a ecologia industrial, a ecoeficiência e o design ecológico (Moreira, 2009). Este último, o design ecológico, tendo surgido inicialmente aplicado por institutos de pesquisa e universidades, mas com lesta aceitação de grandes empresas multinacionais (Baumann, et al., 2004), promove a aplicação de conceitos ambientais na fase inicial de um projeto, com a utilização de matérias-primas e processos mais ecológicos. Outros instrumentos como Avaliação de Ciclo de Vida e estudos de pegada ecológica são também utilizados para promover o desenvolvimento ecológico. Algumas organizações promovem igualmente a Avaliação de Ecoeficiência do Processo Produtivo de uma Organização Vitivinícola. O Caso da Sociedade Agrícola e Comercial do Varosa, S.A. (Murganheira) 14 de impacte selecionadas e a caracterização que se define como o cálculo dos resultados dos indicadores de categoria. Os elementos opcionais são as fases de normalização, agregação, ponderação e análise da qualidade dos dados (ISO, 2010). 4. Interpretação do Ciclo de Vida: sendo a fase final da Avaliação de Ciclo de Vida, será nesta fase que se discutem os resultados de um ICV ou de uma AICV, produzindo conclusões, recomendações e permitindo a tomada de decisões em concordância com a definição do objetivo e do âmbito (ISO, 2008). 2.3.2. Ferramentas e Procedimento de Avaliação de Ciclo de Vida A Avaliação de Ciclo de Vida, tal como descrita no subcapítulo anterior, define uma análise de um sistema de produção, o que envolve obter conhecimento sobre o funcionamento da cadeia de processamento e do conjunto numeroso de dados dos diferentes elementos do sistema. De forma a agilizar a avaliação, foram sendo desenvolvidas diversas metodologias, ferramentas digitais e bases de dados, que permitem uma uniformização na avaliação, com vantagens ao nível de procedimentos padrão, comparação com diferentes casos de estudo e resolução de problemas comuns. A metodologia da Avaliação do Ciclo de Vida, como anteriormente referido, envolve uma quantificação de todos os produtos ou recursos de entrada (inputs) e de saída (outputs) no decorrer do ciclo de vida do produto ou serviço, tendo em conta as fronteiras estabelecidas (ILCD, 2012). Desse processo de inventariação, parte-se para uma agregação de todas essas entradas e saídas para avaliar a sua contribuição em categorias de impactes ambientais (EcoWater, 2012a). Assim, exemplificando com uma simplificação de uma parte do sistema de produção estudado neste trabalho, apresenta-se a entrada no sistema de um produto fertilizante e um produto fitossanitário, que devem ser traduzidos nos compostos químicos que os compõem. Nessa situação, devem ser calculadas as saídas sob forma de emissões para os diferentes compartimentos ambientais, como ar, solo e água. De forma a efetuar o cálculo das emissões será necessário consultar fontes bibliográficas e trabalhos específicos para o tipo de produtos em causa. Neste caso, esta informação compõe o inventário relativo às ações diretas da empresa, definido como Foreground. Após a inventariação de recursos consumidos e compostos químicos recebidos e emitidos, ocorre a etapa de processamento dos mesmos, enquadrando-os com categorias de impacte ambiental. Tal como definido no procedimento normativo, o enquadramento do inventário com as categorias deve ser baseada em fatores de caracterização. Estes fatores de caracterização irão definir a influência de cada composto recebido ou emitido pelas diferentes fases do sistema na conceção das categorias de impacte. Neste passo, é comum utilizar metodologias como CML-IA, ReCiPe 2008 e Ecoindicador 99, que possuem diferentes fatores de caracterização. No presente trabalho, optou-se por utilizar a metodologia CML-IA desenvolvida pelo Institute of Environmental Sciences (CML) da Universidade de Leiden, na Holanda, (CML, 2015), por se tratar de uma metodologia recente e atualizada. Foi colocada também em consideração, a utilização da metodologia ReCiPe 2008, uma vez que integra fatores de caracterização de análise de categorias de várias abordagens e níveis, além do nível médio pretendido para este trabalho, no entanto essa característica não traria benefício, porque apenas se pretende um estudo nesse nível médio. Além disso, a metodologia Avaliação de Ecoeficiência do Processo Produtivo de uma Organização Vitivinícola. O Caso da Sociedade Agrícola e Comercial do Varosa, S.A. (Murganheira) 15 escolhida tem a vantagem de ser também a utilizada por outros trabalhos desenvolvidos sobre o setor vitivinícola, com os quais se pretende efetuar algumas comparações (PRé, 2014). Apresentando um exemplo prático, pela metodologia escolhida neste trabalho, CML-IA, a categoria de Aquecimento Global é expressa em kg CO2 equivalente. Sabendo que um processo exemplificativo estudado emite CO2 e CH4 para a atmosfera, efetua-se a consulta dos dados da metodologia e verifica-se que os fatores de caracterização são de 1kg CO2 eq. por 1kg CO2 e de 25 kg CO2 eq. por 1 kg CH4. Assim, conhecendo as quantidades emitidas dos dois compostos, estas são traduzidas na unidade da categoria estudada, obtendo o resultado referente a essa categoria (CML, 2015). Softwares como o SimaPro, GaBi ou OpenLCA podem servir de apoio à Avaliação de Ciclo de Vida, nesta etapa, uma vez que permitem organizar o inventário, ter acesso aos fatores de caracterização das metodologias e apresentar resultados de Avaliação de Ciclo de Vida (EcoWater, 2012a). Com esta etapa definida, tendo intenções de estudar o ciclo de vida de um sistema de produção, devem ser avaliados os processos de Background que podem envolver a produção e transporte dos produtos utilizados, gestão e tratamento de resíduos, entre outros. Para esta etapa são normalmente utilizadas bases de dados, como a Ecoinvent, de origem Suíça e que contém informação acerca dos inventários de diversos processos, sendo considerada uma das mais completas. Contém descrição do inventário para diversos processos nas mais diversas áreas, como a agricultura, construção, processamento de materiais e tratamento de resíduos (Ecoinvent, 2015). Com a vantagem de serem de livre utilização destacam-se a European reference Life-Cycle Database (ELCD) e a U.S. Life Cycle Inventory Database (USLCI) que apresentam dados baseados em processos europeus e norte-americanos, respetivamente (ELCD, 2014; USLCI, 2013). Tal como o Ecoinvent, têm informação de inventário sobre um largo espectro de processos, desde a produção de materiais e energia, transporte e tratamento de resíduos. Entre outras, podem ser identificadas a GaBi Databases e a Agri-footprint, sendo esta última especialmente direcionada para processos do setor agrícola (Agri-footprint, 2015). Para a obtenção dos valores de processos de Background, podem ser utilizadas mais do que uma base de dados como fonte de informação. Estas bases de dados podem ser acedidas e processadas pelos softwares já referidos, SimaPro, GaBi e OpenLCA, sendo esta última de acesso gratuito mas com menor número de funcionalidades. Estas bases de dados servem de apoio à inventariação, na procura de informação sobre fases do sistema acerca das quais, as empresas não possuem informação completa, nomeadamente fases do sistema de Background. Estes softwares funcionam como ferramentas úteis para a Avaliação de Ciclo de Vida, uma vez que integram a funcionalidade de gerir o inventário do sistema de produção em estudo, agregá-lo a processos de Background por consulta das bases de dados citadas e integrar todo o cálculo das categorias na metodologia escolhida. Avaliação de Ecoeficiência do Processo Produtivo de uma Organização Vitivinícola. O Caso da Sociedade Agrícola e Comercial do Varosa, S.A. (Murganheira) 16 2.3.3. Componente Económica A ecoeficiência, como delineada na norma, envolve uma perspetiva de ciclo de vida, desde a origem dos materiais, a sua extração e aquisição, passando pela produção de energia e materiais até ao uso e tratamento de fim de vida (ISO, 2012). A componente económica da avaliação deve ser reflexa dessa abrangência do ciclo de vida de um produto ou sistema de produção. Os consumidores, os produtores e os investidores identificam diferentes valores para o sistema de produção, devendo ser identificados quais os tipos de valores e métodos para determinação que serão usados na avaliação. O valor deve ser quantificável com referência à unidade funcional e de acordo com o objetivo e âmbito da Avaliação de Ecoeficiência (ISO, 2012). A avaliação do valor do sistema de produção deve ter em conta o ciclo de vida completo desse sistema e as fronteiras definidas na avaliação. Em termos empresariais, o valor de um negócio é igual ao lucro: receita menos custo; no entanto, para os consumidores, o valor deverá corresponder ao desejo de pagar o menor valor adicional aos custos. Os custos podem incluir o preço, taxa de empréstimo, custo de operação, etc. Alguns valores são difíceis de determinar numa perspetiva de ciclo de vida, porque nem todos os agentes são recetíveis à comunicação de dados. De qualquer forma podem ser estimadas alterações nesses valores através da performance funcional (valor) ou pelos custos financeiros (valor monetário) (ISO, 2012). Existem assim, vários tipos de valores do sistema de produção possíveis, entre os quais deve ser selecionado um a ser utilizado num trabalho de Avaliação de Ecoeficiência (ISO, 2012):  Valor funcional, que reflete os benefícios tangíveis e mensuráveis de utilizadores e de stakeholders. É um valor numérico representado pela performance funcional ou pelo apelo do sistema de produto. Este termo não deve ser confundido com a unidade funcional, no entanto, deve estar relacionado com esta na quantificação da performance do sistema, ou seja, tal como os valores ambientais, o valor económico deve ser reportado à unidade funcional escolhida. O valor funcional pode variar devido à melhoria de um produto numa avaliação de ecoeficiência.  Valor monetário, podendo reportar os custos, o preço, a disposição de pagar pelo consumidor, valor acrescentado, lucro ou investimento futuro. Para uma empresa, alterações nos custos podem representar alterações no valor do sistema de produção durante todo o ciclo de vida. Tal como para os valores funcionais, este valor deve ser reportado à unidade funcional selecionada para a avaliação em causa.  Outros valores, que podem mesmo ser valores intangíveis. 2.3.4. Avaliação Ambiental no Estudo de Sistemas de Produção de Vinho Na Tabela 1, encontram-se resumidos seis estudos de Avaliação de Ciclo de Vida aplicados a sistemas de produção de vinho, apresentando as características das avaliações efetuadas para cada caso. Não se tem conhecimento de exemplos disponíveis de Avaliações de Ecoeficiência no setor vitivinícola tal Avaliação de Ecoeficiência do Processo Produtivo de uma Organização Vitivinícola. O Caso da Sociedade Agrícola e Comercial do Varosa, S.A. (Murganheira) 17 como aplicada neste trabalho, no entanto, as fases de Classificação e Caracterização da Avaliação de Ciclo de Vida consideradas preponderantes para o presente trabalho são comuns para ambas as avaliações. Apesar de não ser analisado o valor económico, estes estudos permitirão efetuar comparações com o presente trabalho, a nível da componente ambiental e pela identificação dos pontos críticos do sistema de produção. Estes trabalhos são apresentados como exemplo no sentido de formar um contexto relativo a trabalhos no setor vitivinícola. Desta forma, é possível verificar quais os resultados de cada um destes estudos de ciclo de vida, permitindo aplicar algumas comparações com o presente trabalho. Dos seis estudos analisados, dois são acerca do vinho verde branco produzido em Portugal, dois são relativos a produções de vinho em Itália, um reporta a produção de vinho no Canadá e um outro aborda a produção de vinho na Austrália e o seu consumo no Reino Unido. Todos os estudos optaram por uma unidade funcional de 0,75L, o equivalente ao volume de uma garrafa normal. Relativamente às fronteiras do sistema, três dos estudos optam por uma abordagem “cradle-to-grave” (Point, 2008; Fusi, et al., 2014; Amienyo, et al., 2014), dois abordam o estudo através de uma perspetiva de “cradle-to-gate” (Neto, et al., 2012; Ardente, et al., 2006) e um cinge-se a uma abordagem de “gate-togate” (Santos, 2010). Relativamente às metodologias aplicadas, todos os trabalhos que efetuaram Avaliação de Ciclo de Vida utilizaram metodologias CML (Instituto de Ciências Ambientais da Universidade de Leiden), sendo que Point (2008) e Fusi, et al. (2014) utilizaram CML baseline 2000, Neto et, al. (2012) e Amienyo, et al. (2014) aplicaram CML 2001 e Santos (2010) aplicou CML (2009). No caso de Ardente, et al. (2006), apenas foi efetuado o estudo do inventário. Destes, três utilizaram o software SimaPro como ferramenta de Avaliação de Ciclo de Vida (Neto, et al., 2012; Point, 2008; Fusi, et al., 2014) e um utilizou o software GaBi 4.3 (Amienyo, et al., 2014). Excluindo Ardente, et al. (2006), que se limitou a um estudo de inventário, todos os outros estudos contemplaram as etapas de Classificação e Caracterização da Avaliação de Impacte de Ciclo de Vida descritas no subcapítulo 2.3.1, sendo que Santos (2010) aplicou também as etapas de Normalização e Ponderação. Numa perspetiva de avaliação dos impactes das diversas fases do sistema de produção, conclui-se que a fase de Viticultura possui uma grande influência nos resultados globais obtidos, uma vez que foi considerada a fase do sistema produtivo com maior contribuição em Neto, et al. (2012), e Point (2008), e com uma grande influência em Fusi, et al. (2014), Ardente, et al. (2006) e Amienyo, et al. (2014). A fase de produção de garrafas é colocada em primeiro lugar em termos de peso nos impactes ambientais em Fusi, et al (2014) e com uma influência importante em Neto, et al. (2012), Point (2008), Ardente, et al. (2006) e Amienyo, et al. (2014). A fase de Distribuição é colocada em destaque também por Point (2008), Fusi, et al (2014) e Amienyo, et al. (2014). Entre os estudos considerados, apenas Santos (2010) coloca a fase de Produção de Vinho como principal contribuidor para impactes ambientais. Avaliação de Ecoeficiência do Processo Produtivo de uma Organização Vitivinícola. O Caso da Sociedade Agrícola e Comercial do Varosa, S.A. (Murganheira) 18 1 Etapas de Avaliação de Impacte de Ciclo de Vida, tal como descrito no subcapítulo 2.3.1. Estudo Neto et al. (2012) Santos (2010) Point (2008) Fusi et al. (2014) Ardente et al. (2006) Amienyo et al. (2014) Tipo de Estudo Avaliação de Ciclo de Vida de uma cadeia de abastecimento de um vinho português: da viticultura à distribuição Avaliação de Ciclo de Vida do vinho verde Avaliação de impactes ambientais do ciclo de vida de produção e consumo de vinho Avaliação de Ciclo de Vida de um vinho branco Sistema de Gestão Ambiental Orientado para o Produto (POEMS): o caso de uma empresa de produção de vinho Avaliação de impactes ambientais do consumo de vinho tinto australiano no Reino Unido Local de produção do vinho Portugal Portugal Nova Escócia, Canadá Itália Itália Austrália Unidade Funcional 0,75L de vinho verde branco 0,75L de vinho verde branco Garrafa de 0,75L de vinho Garrafa de 0,75L de vinho branco Garrafa de 0,75L de vinho tinto Garrafa de 0,75L de vinho Abordagem Cradle-to-gate Gate-to-gate Cradle-to-grave Cradle-to-grave Cradle-to-gate Cradle-to-grave Fases do ciclo de vida estudadas Viticultura; Produção de vinho; Distribuição; Produção de garrafas; Produção de fertilizantes, produtos fitossanitários e de produtos enológicos; Transporte de uvas, mosto e vinho Viticultura; Produção de vinho; Produção de energia elétrica; Tratamento de águas residuais na empresa Viticultura; Produção de vinho; Distribuição; Transporte do consumidor e refrigeração; Produção e reciclagem das garrafas; produção e transporte de produtos de entrada Viticultura; Produção de vinho; Produção da garrafa e embalagem; Distribuição; Deposição final de garrafa Viticultura; Produção de Vinho; Engarrafamento e Embalagem; Distribuição; Produção de produtos de entrada Viticultura; Embalagem; Vinificação e engarrafamento; Transporte; Gestão de Resíduos Metodologia e Software CML 2001. SimaPro CML (2009) CML 2 baseline 2000. SimaPro CML baseline 2000. SimaPro Apenas estudo do inventário CML 2001. Gabi 4.3 Etapas da AICV1 Classificação e caracterização Classificação, Caracterização, Normalização e Ponderação Classificação e Caracterização Classificação e Caracterização Não aplicado Classificação e Caracterização Categorias de impacte ambiental EP; OS; DCO; ET; AG; EAAD; TH; ESM; ESAD; DA; EAAM; AP; OF AG; AP; OF; EP; TH; ET; EAAD; DCO; R DA; AP; E; AG; DCO; EAP; ET; OF; CEA AG; AP; EP; DA; DCO; OF Consumo de energia; Emissão de CO2; Consumo de água PEP; PA; DA; AP; EP; AG; THP; EAAM; EAAD; ET; DCO; OF Fases Críticas Viticultura contém maior contribuição para impacte global, seguida da produção de garrafas. Impactes associados com utilização de fertilizantes e produtos fitossanitários nomeadamente através das emissões de compostos de azoto Da fase de caracterização, retira-se que é a Produção de vinho que possui maior relevância em termos de impacte ambiental Viticultura é a principal contribuidora, com maior destaque na fertilização; na produção de garrafas devido ao consumo de eletricidade; no transporte do consumidor devido ao uso de combustíveis fósseis Contribuição principal da Produção de garrafas, seguida de viticultura devido a consumo de combustíveis fósseis. Também relevância de distribuição para longas distâncias como EUA Para o consumo de energia, identificam-se o engarrafamento e embalamento; na emissão de CO2 identifica-se a produção de matérias-primas; no consumo de água identifica-se a fase de irrigação da viticultura As fases de viticultura, transporte e embalamento são as que mais contribuem para a maior parte dos impactes Legenda de categorias de impacte ambiental: EP – Eutrofização Potencial OS – Ocupação de Solo DCO – Depleção da Camada de Ozono; ET - Ecotoxicidade Terrestre AG - Aquecimento Global EAAD – Ecotoxicidade Aquática na Água Doce TH – Toxicidade Humana ESM - Ecotoxicidade em Sedimentos Marinhos ESAD – Ecotoxicidade em Sedimentos de Água Doce EAAM - Ecotoxicidade Aquática em Água Marinha DA – Depleção Abiótica AP – Acidificação Potencial OF - Oxidação Fotoquímica EAP – Ecotoxicidade Aquática Potencial CEA - Consumo de Energia Acumulada R - Resíduos PEP – Procura de Energia Primária PA – Procura de Água Tabela 1 - Estudos ambientais no setor vitivinícola Avaliação de Ecoeficiência do Processo Produtivo de uma Organização Vitivinícola. O Caso da Sociedade Agrícola e Comercial do Varosa, S.A. (Murganheira) 19 3. Caracterização do Caso de Estudo Neste capítulo, procede-se a uma apresentação resumida do setor vitivinícola, a nível mundial e em Portugal, e do contexto da empresa no mesmo. São igualmente descritas de forma sumária as diversas etapas do sistema produtivo da empresa. 3.1. Setor Vitivinícola 3.1.1. Setor do Vinho no Mundo Desde a Antiguidade até aos dias de hoje, o Homem aproveita a uva para produzir vinho, sendo o setor vitivinícola uma parcela importante da produção agrícola no mundo atual. Dados de 2013 indicam que a vinha ocupa uma área de cerca de 7,52 milhões de hectares, a nível mundial, embora essa área tenha vindo a diminuir nos últimos anos (Figura 3), nomeadamente pelo seu decréscimo nos países europeus, ainda que com crescente influência nos países asiáticos (OIV, 2014). Mesmo considerando essa diminuição, a vinha é uma das atividades agrícolas que ocupa mais área em muitos países de grande exploração de vinha, a nível europeu, como a França, a Itália ou a Espanha. Nestes três países, a área ocupada pela vinha é apenas ultrapassada pela de cereais e de olivais, no caso de Itália e Espanha, ou pela área ocupada por plantas para produção de óleo vegetal, no caso de França (CE, 2013). Em termos de produção de uvas, os dados indicam que foram produzidos 751 milhões de quintais (36,76 milhões de toneladas) em 2013, com um registo de aumento de 17% desde 2000, o que de certa forma, contraria o decréscimo de área ocupada pela vinha. Esta diferença de evoluções pode ser explicada pelo aumento de rendimento, melhoria de técnicas de viticultura ou por condições climáticas mais favoráveis (OIV, 2014a). É possível identificar a distribuição mundial da produção de uvas e comparar com a ocupação de vinha na Figura 4, tornando-se evidente que a Europa, que ocupa cerca de 55% da área mundial em vinha, apenas produz 41% de uvas, ao passo que Ásia e África conseguem subir de uma ocupação de 24 e 14% para 29 e 21% respetivamente. Esta diferença de aproveitamento pode estar relacionada com o Figura 3 - Área ocupada por vinha no mundo (adaptado de OIV, 2014) Avaliação de Ecoeficiência do Processo Produtivo de uma Organização Vitivinícola. O Caso da Sociedade Agrícola e Comercial do Varosa, S.A. (Murganheira) 20 desenvolvimento de diferentes técnicas, diferenças climáticas ou pode estar ligado ao facto de se produzir de forma menos intensiva, na Europa, priorizando a qualidade da uva e do vinho. Figura 4 – Distribuição em 2013: a) Área ocupada por vinha e b) Produção de uvas (dados OIV, 2014) As uvas produzidas podem ter diferentes finalidades: serem consumidas diretamente, consumidas em forma de passas e na produção de vinhos, espumantes e outros. Em 2014, são apontados valores de produção na ordem dos 271 milhões de hectolitros (Mhl) de vinho, excluindo sumos e mostos, que representam um decréscimo de 6% quando comparado com 2013 (OIV, 2014). É possível observar na Figura 5, a evolução da produção de vinho a nível mundial nos últimos 15 anos, da qual se pode destacar uma certa estabilidade. Figura 5 - Produção de vinho de 2000 a 2014 (adaptado de OIV, 2014) Este decréscimo pontual na produção de vinho pode estar relacionado com problemas climáticos, nesse ano, especialmente na Europa (OIV, 2014a). O maior produtor de vinho em 2014 foi a França, seguida da Itália e da Espanha, confirmando a Europa como o continente de principal produção de vinho (OIV, 2014). Relativamente ao consumo, são apontados valores na ordem dos 243 Mhl para o ano de 2014 (OIV, 2014). A nível global, o consumo tem vindo a aumentar gradualmente nos últimos anos, passando a fasquia dos 230 Mhl em 2002, e a dos 240 Mhl em 2006, com alguns anos de maior consumo como 2007, que ultrapassou os 250 Mhl (OIV, 2014). A nível de países, desde 2000, tem-se vindo a observar um aumento Avaliação de Ecoeficiência do Processo Produtivo de uma Organização Vitivinícola. O Caso da Sociedade Agrícola e Comercial do Varosa, S.A. (Murganheira) 21 do consumo em países como os USA, a China, o Reino Unido e a Rússia, potencialmente provocado por uma alteração de hábitos de consumo, e um decréscimo do consumo em países tradicionalmente consumidores como França, Itália e Espanha. Em termos económicos e fruto das crescentes importações e exportações, as receitas atingiram os 25,7 biliões de Euros (OIV, 2014). 3.1.2. Setor do Espumante no Mundo Relativamente ao espumante, atingiu-se em 2013, um valor de 7% da produção de vinho a nível mundial. Dados da Organização Internacional do Vinho e da Vinha, indicam que nos últimos anos, os vinhos espumantes receberam um aumento significativo de produção, na ordem dos 40% nos últimos 10 anos, subindo de 12,7 Mhl em 2003 para 17,6 Mhl em 2013 (OIV, 2014b). Este aumento de produção reflete a entrada de outros países produtores, que trouxeram ao mercado diversificação, e a própria expansão de países produtores tradicionais como França, Itália, Alemanha e Espanha que continuam a ser os mais representativos (OIV, 2014b). Também o consumo tem aumentado (Figura 6), com uma subida na ordem dos 30%, de 11,8 Mhl em 2003 para 15,4 Mhl em 2013, destacando-se como principais mercados a Alemanha, França, Rússia, USA, Itália, Reino Unido e países de leste europeu (OIV, 2014b). Figura 6 - Consumo mundial de espumante (adaptado de OIV, 2014b) 3.1.3. Setor do Vinho em Portugal Portugal possui uma área de produção de cerca de 237 mil hectares de vinha (CE, 2013), pelo que, tendo em conta que Portugal tem cerca de 92000 km2 de área, se conclui que a vinha representa 2.6% dessa área. Os valores de área ocupada colocam Portugal em 7º lugar a nível mundial em área ocupada por vinha e embora se denote um decréscimo nos últimos anos, este não é tão acentuado como em países como a Espanha, França e Itália (OIV, 2014). Relativamente à produção de vinho, Portugal ocupa o 11º lugar (OIV, 2014), com os valores mais recentes, relativos a 2014, a encontrarem-se na ordem dos 6,2 milhões de hectolitros (IVV, I.P., 2014). A evolução da produção de vinho nos últimos anos é representada na Figura 7 (OIV, 2014). Avaliação de Ecoeficiência do Processo Produtivo de uma Organização Vitivinícola. O Caso da Sociedade Agrícola e Comercial do Varosa, S.A. (Murganheira) 22 A Figura 8 permite observar a correspondente evolução em volume da exportação do vinho em Portugal. Esse valor aumentou entre 2010 e 2012, tendo sofrido uma ligeira descida em 2013 e 2014 (IVV, I.P., 2014a): Em termos de valores económicos, a exportação entre 2010 e 2014, subiu de 614 M€ para 729 M€, com um crescimento constante nesses 5 anos (IVV, I.P., 2014a), com França, Angola e Reino Unido a representarem os maiores mercados de vinho exportado (IVV, I.P., 2014). Relativamente aos vinhos espumantes e espumosos, o volume exportado no período 2010-2014 atingiu um valor máximo em 2011, registando desde aí uma descida (IVV, I.P., 2014a), como é possível observar na Figura 9. No entanto, em valor económico as exportações apresentaram um valor mais elevado em 2012 com 13,3 M€, situando-se em 2014 nos 12,9 M€. Figura 9 - Exportação de espumante em Portugal (dados IVV, I.P., 2014a) 7148 5622 6327 6238 5886 0 2000 4000 6000 8000 2010 2011 2012 2013 2014 x 103hL 2666 3079 3386 3023 2853 0 1000 2000 3000 4000 2010 2011 2012 2013 2014 x 103hL 15,546 42,446 28,103 26,96 18,087 0 10 20 30 40 50 2010 2011 2012 2013 2014 x 103hL Figura 7 - Produção de vinho em Portugal (dados OIV, 2014) Figura 8 - Exportação de vinho em Portugal (dados IVV, I.P., 2014a) Avaliação de Ecoeficiência do Processo Produtivo de uma Organização Vitivinícola. O Caso da Sociedade Agrícola e Comercial do Varosa, S.A. (Murganheira) 23 3.1.4. Região Vitivinícola de Terras de Cister e a Denominação de Origem Controlada “Távora-Varosa” Como se pode ver na Figura 10, Portugal encontra-se dividido em 14 regiões vitivinícolas: Minho, Trásos-Montes, Douro, Terras de Cister, Terras de Dão, Beira Atlântico, Terras da Beira, Lisboa, Tejo, Península de Setúbal, Alentejo, Algarve, Madeira e Açores (IVV, I.P., 2015). Figura 10 - Regiões vitivinícolas de Portugal (adaptado de IVV, I.P., 2015) A região de Terras de Cister define a área geográfica correspondente à Denominação de Origem Controlada “Távora-Varosa” (Figura 11) e, embora de pequena dimensão, possui uma grande importância na produção nacional de espumantes. Além de espumantes são produzidos vinhos brancos frescos e tintos suaves (IVV, I.P., 2015). O início da produção de espumante data de 1678, altura em que monges de Cister se organizaram para a exploração agrícola. Em 1989, por decreto-lei, foi definida como a primeira região demarcada de espumantes de Portugal (Murganheira, 2015). Avaliação de Ecoeficiência do Processo Produtivo de uma Organização Vitivinícola. O Caso da Sociedade Agrícola e Comercial do Varosa, S.A. (Murganheira) 30 possibilidade de manter vários produtos idênticos ano após ano, homogeneizando a produção e aumentar a qualidade do vinho (Murganheira, 2015). Nesta fase, é igualmente possível reservar alguns vinhos com elevado potencial de evolução, conservando-os em borras finas, que poderão ser usados para manter um estilo próprio do produtor, e corrigir variações entre anos (Sogrape, 2015). Estabilização e filtração: Na estabilização, o vinho é refrigerado até perto do ponto de congelação, momento em que se depositam precipitados de tipo tartárico e coloidal, sendo mais relevante a precipitação do bitartarato de potássio, porque este composto em abundância provoca libertação de gás excessiva, prejudicando as operações de remuagem e de dégorgement. De seguida, o vinho é filtrado com filtros de terras “kieselghur” para reter os microcristais de bitartarato ainda em suspensão e partículas de maiores dimensões (Murganheira, 2015). Filtração de Acabamento: Procede-se a uma outra filtração antes do engarrafamento utilizando um filtro de placas com porosidade apropriada ou, alternativamente, um filtro de membrana. Nesta filtração eliminase a maior quantidade de impurezas que residem no vinho, nomeadamente microrganismos (Murganheira, 2015). Espumantização: Tendo sido obtido o vinho base para o espumante, procede-se ao engarrafamento com um enchimento isobarométrico (Infovini, 2009). Ao vinho base é adicionado um licor de tiragem que é composto por mosto, açúcar e leveduras e que irá permitir uma segunda fermentação do vinho que irá libertar dióxido de carbono, característico dos espumantes (Infovini, 2009). Esta segunda fermentação através do método tradicional ocorre dentro da garrafa e pode durar semanas ou meses, durante os quais, as garrafas são colocadas nas caves a uma temperatura de 13ºC e grau de humidade de 100% (Murganheira, 2015). Figura 15 - Caves de granito azul (CascatadoVarosa, 2014) A fermentação é considerada finalizada quando a garrafa atinge os 6 a 7 bar de pressão. A cinética do processo é influenciada por vários fatores, como a quantidade de leveduras, que deve rondar os 1 e 2 milhões/ml. Estas leveduras devem ser diferentes das leveduras da primeira fermentação, possuindo capacidade de fermentar a baixas temperaturas, a pressões elevadas e teores alcoólicos superiores a 9,5%. Além disso, devem ter capacidade de floculação e aglomeração e não produzir aromas desagradáveis (Murganheira, 2015). Avaliação de Ecoeficiência do Processo Produtivo de uma Organização Vitivinícola. O Caso da Sociedade Agrícola e Comercial do Varosa, S.A. (Murganheira) 31 Nesta fermentação, o vinho deve estar desgaseificado, o teor alcoólico deve ser de 11 a 12% e o pH deve rondar os 3 e 3,3. O nível de SO2 livre deve ser de 10mg/L e a temperatura pode variar entre 10 e 17º, sendo que nas caves, a mesma não varia significativamente dos 13ºC (Murganheira, 2015). Durante o tempo que as garrafas repousam nas caves, pode ser necessário a aplicação de um método denominado batonnage, que serve para agitar o vinho, movimentando os resíduos especialmente as leveduras mortas, ação que irá favorecer a sua autólise, ajudando a desenvolver uma maior variedade de aromas no vinho. Embora a segunda fermentação possa ser considerada finalizada ao fim de alguns meses, na Murganheira, as garrafas repousam nas caves um período nunca inferior a quatro anos. O tempo de repouso pode determinar a denominação entre Reserva, Super Reserva, Velha Reserva, etc. Remuagem: Uma vez que esta fermentação origina um depósito que se deposita no gargalo da garrafa, é necessário um processo de remuagem ou remuage, no qual as garrafas são colocadas em cavaletes ou pupitres, onde são rodadas progressivamente até uma posição vertical invertida, para que se retirem as borras e depósitos de fermentação acumulados. Trata-se de um processo que envolve a rotação das garrafas e que permite que as borras sejam depositadas junto ao gargalo da garrafa (Infovini, 2009). Este processo costumava ser manual, no entanto, recentemente pode também ser executado de forma mecânica para o qual são utilizadas giropaletes ou pupitres automáticas (Murganheira, 2015). Dégorgement: Após a remuagem, procura-se retirar os resíduos de levedura presentes na cápsula da garrafa (Infovini, 2009). Para este processo, existem dois métodos, o “Dégorgement á la glace”, após imersão do gargalo numa solução congelante, como o Monopropileno de Glicol, e o “Dégorgement á la volée”, no qual sem congelamento, se provoca o cruzamento da bolha de ar entre o gargalo da garrafa e o corpo e se retira a cápsula. A segunda alternativa permite remover os resíduos com uma menor perda de vinho (Murganheira, 2015). Licor de expedição: Uma vez que após o processo anterior, a garrafa perdeu algum volume de espumante, é necessário atestá-la com licor de expedição. Através das características deste licor nomeadamente a quantidade de açúcar, é possível produzir espumantes mais secos ou mais doces. Por uma questão de identificação com a região e a qualidade dos vinhos base produzidos, a Murganheira procura adicionar um licor de expedição básico que não provoque alterações significativas nas caraterísticas do espumante. A denominação dos espumantes relativamente ao açúcar é a seguinte (Murganheira, 2015):  Bruto Natural: <3 g/L  Extra Bruto: 0-6 g/L  Bruto: <12 g/L  Extra Seco: 12-17 g/L  Seco: 17-32 g/L  Meio Seco: 32-50 g/L  Doce: 50 g/L Avaliação de Ecoeficiência do Processo Produtivo de uma Organização Vitivinícola. O Caso da Sociedade Agrícola e Comercial do Varosa, S.A. (Murganheira) 32 Procedimentos Finais: Após esta série de processos as garrafas são rolhadas com rolhas de cortiça e um açaime de arame, são rotuladas e encaixotadas (Murganheira, 2015). Figura 16 - Produto final engarrafado e rolhado (CVR Távora-Varosa, 2015) Avaliação de Ecoeficiência do Processo Produtivo de uma Organização Vitivinícola. O Caso da Sociedade Agrícola e Comercial do Varosa, S.A. (Murganheira) 33 4. Avaliação da Ecoeficiência no Caso de Estudo Com o objetivo de efetuar a Avaliação de Ecoeficiência do sistema produtivo da empresa, neste capítulo, apresentam-se os impactes associados à produção de vinho espumante obtidos através da Avaliação de Ciclo de Vida e uma análise ao valor económico do produto. 4.1. Avaliação de Ciclo de Vida (ACV) 4.1.1. Definição do Objetivo e Âmbito Com o objetivo de efetuar a Avaliação do Ciclo de Vida, foi necessário identificar os impactes associados à produção de vinho espumante, englobando as várias fases do sistema e as suas contribuições. Para tal, foi escolhida a produção vitivinícola da empresa no ano de 2014. Optou-se por efetuar um estudo através de uma perspetiva de “cradle-to-gate”, ou seja, um estudo que envolve não só as etapas diretamente sob alçada da empresa, denominadas etapas de Foreground, como também as restantes etapas de Background, que permitem a obtenção do produto final. Com o objetivo de analisar o sistema de produção da empresa, foram definidas quatro fases a estudar: a Viticultura, a Produção de Vinho, o Engarrafamento e Embalagem e a Distribuição do produto final até ao ponto de venda. Na Figura 17, apresenta-se o diagrama com as quatro fases consideradas e a definição das fronteiras do sistema, tendo em conta o âmbito do trabalho. São igualmente definidas o Foreground do sistema, no interior da linha laranja e o Background no exterior da linha. Figura 17 – Diagrama das fases e fronteiras do sistema Viticultura Produção de Vinho Espumante Distribuição até ponto de venda Transporte e Armazenamento pelo Consumidor Gestão de Resíduos Fim de Vida da Garrafa Produção e Transporte de Recursos da Viticultura Produção e Transporte de Recursos da Produção de Vinho Espumante Produção e Transporte de Garrafas, Embalagens, etc. Engarrafamento e Embalagem Fases em Foreground Fronteiras do Sistema Bens de Produção Avaliação de Ecoeficiência do Processo Produtivo de uma Organização Vitivinícola. O Caso da Sociedade Agrícola e Comercial do Varosa, S.A. (Murganheira) 34 Excluídos do âmbito do estudo encontram-se as etapas após a Distribuição do produto, como a deslocação do consumidor ao local de venda, o transporte do produto pelo consumidor, o seu armazenamento e consumo, além das opções de fim de vida da garrafa. Também se excluem o transporte, gestão e tratamento de resíduos que saem do sistema, sendo considerados pouco significativos para os resultados do estudo. Igualmente excluídos foram os bens de produção, manutenção de infraestruturas, equipamentos, veículos ou outros processos relacionados com a gestão e administração da empresa. De entre as fases estudadas, a Viticultura e a Produção de Vinho contêm etapas de Foreground, referentes ao conjunto das ações descritas no subcapítulo 3.2., e que envolvem consumos de energia e água, ocupação de terrenos, aplicação de produtos e as emissões decorrentes destas atividades. Nestas fases, são igualmente identificadas etapas de Background, que envolvem a produção e transporte das diversas matérias-primas que dão entrada no sistema, como fertilizantes sintéticos, produtos fitossanitários, produtos enológicos e materiais de limpeza, aos quais se juntam também as fontes de energia necessárias, nomeadamente a produção de energia elétrica e a produção de combustíveis fósseis utilizados na maquinaria agrícola. São igualmente considerados os transportes das uvas provenientes de locais de produção própria mais afastados do local de produção de vinho e de fornecedores exteriores à Murganheira, até esse mesmo local. Para a fase de Engarrafamento e Embalagem foram consideradas apenas as etapas de Background, ou seja, a produção e transporte dos produtos que permitem engarrafar e embalar o próprio vinho, identificados como as garrafas, as embalagens de cartão, os rótulos, as rolhas de cortiça e os muselets. A fase é apresentada associada à Produção de Vinho, na Figura 17, porque é nesta fase que são aplicados os produtos de embalagem, sendo que o próprio engarrafamento acontece numa fase intermédia do processo de produção de espumante. Embora esta fase envolva ações no interior da empresa, refletidas em consumo de eletricidade e produção de resíduos, essa informação foi considerada irrelevante quando comparada com a respeitante à fase de Produção de Vinho. Da mesma forma, para a fase de Distribuição do produto final até aos estabelecimentos de venda ao consumidor são igualmente consideradas as atividades de Background, nomeadamente o transporte dos produtos finais até ao local de venda. Em termos de informação de Background, procurou-se obter todos os dados disponíveis sobre a produção dos diversos produtos, tendo sido contabilizados dados acerca da produção genérica de fertilizantes com teor de azoto, fósforo e potássio, que representam 70% da massa de produtos comerciais com função de adubação, em 2014. Relativamente aos produtos fitossanitários utilizados foi contabilizado um dos elementos, o cobre, que representa 8% em massa desses elementos. Relativamente à Produção de Vinho, foi estudada a produção de 91% dos produtos de limpeza e 67% dos produtos enológicos, neste caso representando pela produção de açúcar. Não foi contabilizada a produção de materiais filtrantes nem de lubrificantes. Como apresentado, nalguns casos, a falta de dados sobre produção de alguns produtos é mais significativa, no entanto, esses casos coincidem com os produtos utilizados em menor quantidade. Considerando o total dos produtos utilizados acima referidos e as percentagens sobre os quais se possui informação, obtém-se um total de 70% de informação sobre a produção dos produtos utilizados, dividida equitativamente entre ambas as fases. Relativamente ao transporte dos diversos materiais foi calculada a distância ao produtor ou ao fornecedor, cerca de 36% e 64% em massa de produtos, respetivamente. Avaliação de Ecoeficiência do Processo Produtivo de uma Organização Vitivinícola. O Caso da Sociedade Agrícola e Comercial do Varosa, S.A. (Murganheira) 35 Foi escolhida uma Unidade Funcional (U.F.) de 0,75 litros de vinho espumante produzido por ser o volume mais representativo das garrafas vendidas pela empresa e por ser uma unidade correntemente utilizada em estudos de Avaliação de Ciclo de Vida, permitindo uma maior facilidade de comparação de resultados. É igualmente o volume aproximado de espumante normalmente produzido por 1 kg de uvas. Além de vinho espumante, a empresa produz vinho tranquilo embora numa quantidade significativamente inferior. Não foi feita uma distinção entre vinho tranquilo e vinho espumante, tal como não foram feitas distinções acerca dos diversos espumantes produzidos ou castas de uvas. Para estudo do processo produtivo foi sempre considerada a produção de espumante uma vez que esta, além de ser claramente a mais significativa, com uma parcela de 98% da produção, possui grande parte dos pontos necessários para a produção de vinho tranquilo. Em termos temporais, o estudo centrou-se na produção de um ano completo, tendo em conta que a produção de espumante possui algumas particularidades diferentes duma produção de vinho tranquilo, uma vez que entre a fase de Viticultura e produção de vinho base, e a fase final de finalização do produto (dégorgement, rolhagem e embalagem) existe um período de armazenamento que supera vários anos. Com esta condição, durante um ano de trabalho, a Murganheira produz uvas e posteriormente vinho base dessas mesmas uvas, e paralelamente produz e vende um produto final que provém de colheitas de anos anteriores (4 ou mais anos). Assim, neste estudo de Avaliação de Ecoeficiência, é relevante perceber que se irá efetuar um estudo de todas as atividades de um ano abarcando um ciclo anual completo de Viticultura e de produção de vinho base, com produção de mosto e na posterior fase de conservação em cubas durante 3 a 6 meses. Além desse ciclo, serão considerados todos os procedimentos finais de acabamento final de vinhos espumantes, após estágio em caves, que sejam reencaminhados para venda. A quantidade de espumante finalizado e vendido corresponde a um valor diferente da produção de vinho anual. O primeiro é influenciado pela capacidade de processamento do setor final da produção e pela capacidade de venda de produto final e o segundo é influenciado pela quantidade de uva produzida em cada ano. Neste trabalho, para tratamento de dados, considerou-se a quantidade de vinho produzido reportada ao ano de 2014, e não o volume de vinho comercializado. Na Figura 18, apresenta-se uma representação aproximada das diversas etapas do processo ao longo do ano. ANO 2014 JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ Viticultura Vindima Produção de Vinho: Prensagem Fermentação - Cubas Armazenamento Degorgement e Embalagem Figura 18 – Representação das atividades anuais da empresa Avaliação de Ecoeficiência do Processo Produtivo de uma Organização Vitivinícola. O Caso da Sociedade Agrícola e Comercial do Varosa, S.A. (Murganheira) 36 4.1.2. Inventário do Ciclo de Vida (ICV) Esta fase é descrita de forma genérica no subcapítulo 2.3.1. Neste caso, pretende-se agregar a informação relativa aos recursos e produtos utilizados e as emissões, resíduos ou efluentes gerados, para as etapas em Foreground das fases de Viticultura e de Produção de Vinho. Adicionalmente, recolhem-se e apresentam-se os dados que permitem efetuar a Avaliação de Ciclo de Vida para as etapas em Background das fases de Viticultura e de Produção de Vinho e para todas as etapas das restantes fases. Como anteriormente referido, na Viticultura e na Produção de Vinho, a empresa procura produzir uvas e vinho espumante, respetivamente. Para tal, a empresa dispõe de cerca de 30,36 hectares de vinha própria na qual produziu em 2014, cerca de 7,7% das uvas que utilizou na fase de Produção de Vinho. As restantes uvas utilizadas foram adquiridas a produtores externos de uvas, sobre os quais a empresa possui um elevado grau de confiança e acompanhamento. No sentido de efetuar a análise do inventário correspondente à fase de Viticultura, utilizaram-se os dados acerca de materiais e energia referentes à produção própria, assumindo-se uma representatividade relativa às produções externas de uvas. As quantidades de uvas e vinho produzidos em 2014 podem ser observados na Tabela 2. Tabela 2 - Quantidades de uvas e vinho produzidos em 2014 Uvas kg % Produção própria 78496 7,7% Fornecedores externos 941225 92,3% Total 1019721 100,0% Vinho Espumante L % Produção a partir de uvas de produção própria 58984 7,7% Produção a partir de uvas de fornecedores externos 707046 92,3% Total 766030 100,0% Nesta etapa de ICV, foram utilizados dados fornecidos pela empresa, nomeadamente valores de consumos de água, de eletricidade e descrição e quantidades dos vários produtos utilizados no sistema. A informação recolhida pela empresa baseou-se em documentação apresentada e na partilha de conhecimento pelas pessoas responsáveis. De forma a complementar essa informação, foi consultada bibliografia, no sentido de conhecer os compostos constituintes dos produtos comerciais utilizados, de calcular emissões provenientes da utilização de produtos ou de processos do sistema e para conhecer informação de Background acerca das produções dos diversos materiais e do transporte dos mesmos até à Murganheira. 4.1.2.1. ICV - Fase de Viticultura Esta fase decorre durante todo o ano com diversas atividades em curso na vinha, desde intervenções de inverno, intervenções em verde, aplicação de fertilizantes e aplicação de produtos fitossanitários, culminando na vindima, na qual se procede à recolha das uvas. Avaliação de Ecoeficiência do Processo Produtivo de uma Organização Vitivinícola. O Caso da Sociedade Agrícola e Comercial do Varosa, S.A. (Murganheira) 37 Associadas a estas ações estão uma série de produtos e materiais que são aplicados e utilizados, combustível consumido e terrenos ocupados, e um conjunto de emissões e resíduos produzidos como descrito na Figura 19. Referentes a entradas no sistema identificam-se a utilização de água proveniente de captações no terreno, tanto na fase de Viticultura como na fase de Produção de Vinho, diesel utilizado na maquinaria e a aplicação de fertilizantes sintéticos e produtos fitossanitários. Os fertilizantes utilizados neste ano reportam-se a uma fertilização foliar ou em aplicação de novas vinhas, sendo que a cada 4 anos e mediante análise de solos é aplicado adubo em toda área de vinha no sentido de se proceder a uma adubação de maior profundidade, consoante a necessidade dos solos. O ano de 2014 foi descrito como um ano de grande aplicação de fertilizantes sintéticos. São igualmente identificadas aplicações de produtos fitossanitários no sentido de controlo de insetos, bactérias, fungos e ervas daninhas, entre outros. Figura 19 - Diagrama de entradas de recursos e emissões do sistema na fase de Viticultura De forma a serem estimadas as emissões provenientes da aplicação dos diversos produtos fertilizantes sintéticos e produtos fitossanitários, e ainda os valores de emissão da combustão de diesel, foram utilizadas várias fontes bibliográficas. No caso dos fertilizantes sintéticos considerados, com teores em azoto (NH4NO3), fósforo (P2O5) e potássio (K2O), foram calculadas as emissões dos fertilizantes com teor de azoto e dos fertilizantes com teor de fósforo. As emissões correspondentes à aplicação de fertilizante com teor de potássio não foram consideradas, uma vez que dos três teores de fertilizantes é o menos significativo (com uma percentagem de massa de 4,8%) e não foram identificados métodos satisfatórios na bibliografia, para o cálculo das suas emissões. Para o cálculo das emissões de fertilizantes com teor de azoto (NH4NO3), foram consideradas as emissões diretas e indiretas de N2O, e de NH3 e NO para o ar e ainda as emissões de NO3 para a água. Viticultura Combustível Fóssil Água Fertilizantes Emissões para o Ar Emissões para o Solo Emissões para a Água Resíduos Produtos Fitossanitários Uvas Avaliação de Ecoeficiência do Processo Produtivo de uma Organização Vitivinícola. O Caso da Sociedade Agrícola e Comercial do Varosa, S.A. (Murganheira) 38 Para o cálculo das emissões de N2O foi utilizada o método descrito pelo IPCC (2006), que no caso das emissões diretas, estabelece como 1% do azoto total aplicado no solo. Igualmente através da utilização do mesmo método, as emissões indiretas são consideradas como resultantes da volatilização de azoto, exclusivamente sob a forma de NH3, e da lixiviação/escoamento superficial de NO3. Para o cálculo da volatilização de NH3 é considerado um peso de 10% de azoto aplicado no solo e para o cálculo da lixiviação de NO3 cerca de 30% do superávit de azoto, (ou seja a diferença entre o azoto adicionado e o azoto removido). Respetivamente, o peso de NH3 e de NO3 nas emissões indiretas de N2O é de 1% e 0,75% (IPCC, 2006). Para o cálculo do superávit de azoto foram incluídas as emissões de N2 que correspondem a 9% da aplicação de azoto total (Bentrup, et al., 2000). Para o cálculo da emissão de NO foi usado o método descrito por Nemecek, T.; Kagi, T. (2007), que define um fator de 0,21 sobre o total de N2O emitido. Relativamente ao Fósforo, sob a forma de P2O5, foi utilizado uma taxa de 2,9% para emissão para a água (Dalgaard, et al., 2006). Relativamente aos produtos fitossanitários, foram consideradas as emissões decorrentes da utilização dos mesmos para os diversos compartimentos ambientais, nomeadamente o ar, a água e o solo. Para uma correta estimativa das emissões para todos os compartimentos seria necessário conhecer um grande número de fatores acerca da aplicação dos produtos, como a forma como foram aplicados, características atmosféricas e meteorológicas do momento de aplicação e características do solo no qual foram aplicados (EMEP/EEA, 2013). Como não foi possível conhecer todas essas características, foram utilizados fatores de emissão de acordo com trabalhos de Margni et al, (2002), e Fusi et al. (2014). Como tal, foram consideradas as emissões das substâncias ativas dos produtos com valores de 75% para o solo, 10% para a água por escoamento e 10% emitidos para o ar. Os restantes 5 % correspondem à retenção das substâncias nas plantas que não são relevantes para o estudo efetuado. Ainda no âmbito da Viticultura, foram consideradas as emissões provocadas pela utilização de maquinaria agrícola, nomeadamente relativas à combustão de diesel. Por forma a obter os valores relativos a esta emissão foi utilizada a metodologia de EMEP/EEA (2013a), para maquinaria agrícola (off-road). Para tal foi considerada a abordagem Tier 2, considerando o veículo como pertencente à stage III (EMEP/EEA, 2013a). Resíduos do tipo urbano, como embalagens de plástico ou cartão, não foram contabilizados, porque foram considerados irrelevantes face à quantidade produzida na fase de Produção de Vinho. Os resíduos verdes não foram contabilizados igualmente por serem deixados no solo do local da vinha. Na Tabela 3, procede-se à inventariação dos recursos e materiais utilizados, que dão entrada no sistema e são igualmente apresentados na Tabela 4, os dados referentes a emissões e resíduos gerados pelo sistema nesta fase. Como referido no subcapítulo 4.1.1, os dados de inventário são reportados à unidade funcional de 0,75 litros de vinho espumante produzido. Como tal, todos os valores de quantidades de produtos apresentados nas tabelas seguem essa premissa. A essa informação está associada o nome dos produtos, o tipo e unidade em que os valores se encontram. No caso da Tabela 4, são ainda definidos os compartimentos ambientais para os quais são emitidos os produtos gerados. Avaliação de Ecoeficiência do Processo Produtivo de uma Organização Vitivinícola. O Caso da Sociedade Agrícola e Comercial do Varosa, S.A. (Murganheira) 39 Tabela 3 - Inventário de entradas de produtos ou recursos na fase de Viticultura Tipo de Produto Nome do Produto Quantidade Unidade/UF Recursos Água1 1,86E-03 m3 Terrenos Ocupados 3,86E+00 m2 Combustível Diesel 8,50E-03 kg Fertilizantes Fertilizante (NH4NO3) 3,84E-01 kg Fertilizante (P2O5) 3,21E-02 kg Fertilizante (K2O) 2,09E-02 kg Produtos Fitossanitários Flufenoxurão2 7,63E-05 kg Cobre3 6,71E-04 kg Cimoxanil3 6,71E-05 kg Folpete3 7,16E-04 kg Metalaxil3 1,42E-04 kg Penconazol3 3,69E-05 kg Clorpirifós4 3,18E-06 kg Dimetomorfe3 2,76E-05 kg Flazassulfurão5 3,18E-06 kg Piraclostrobina3 4,45E-06 kg Metirame3 4,90E-05 kg Meptildinocape3 5,34E-05 kg Miclobutanil3 1,66E-05 kg Quinoxifena3 1,66E-05 kg Diflufenicão5 6,61E-04 kg Glifosato5 6,08E-03 kg Diisopropilnaftaleno sulfonato de sódio3 5,04E-05 kg Ciclohexanona 1,91E-06 kg Tabela 4 - Inventário de produtos gerados e emissões da fase de Viticultura Tipo de Produto Compartimento Nome do Produto Quantidade Unidade/UF Produto Uvas 9,98E-01 kg Fertilizantes Ar N2O6 7,72E-03 kg Ar NH36 4,66E-02 kg Ar NO7 2,21E-03 kg Água NO36 4,08E-01 kg Água P2O58 9,32E-04 kg Produtos Fitossanitários Ar Flufenoxurão9 7,63E-06 kg Ar Cobre9 6,71E-05 kg Ar Cimoxanil9 6,71E-06 kg Ar Folpete9 7,16E-05 kg Ar Metalaxil9 1,42E-05 kg Ar Penconazol9 3,69E-06 kg Ar Clorpirifós9 3,18E-07 kg Ar Dimetomorfe9 2,76E-06 kg Ar Flazassulfurão9 3,18E-07 kg Ar Piraclostrobina9 4,45E-07 kg Ar Metirame9 4,90E-06 kg Ar Meptildinocape9 5,34E-06 kg 1 Água extraída de captações no terreno da empresa. 2 Acaricida-inseticida 3 Fungicida 4 Inseticida 5 Herbicida 6 Valores estimados por base da metodologia de IPCC (2006). 7 Valores estimados por base da metodologia de Nemecek T., Kagi T. (2007). 8 Valores estimados por base da metodologia de Dalgaard et al. (2006). 9 Emissões estimadas tal como descrito por Margni et al. (2002) e Fusi et al. (2014). Avaliação de Ecoeficiência do Processo Produtivo de uma Organização Vitivinícola. O Caso da Sociedade Agrícola e Comercial do Varosa, S.A. (Murganheira) 46 4.1.2.5. ICV - Fase de Distribuição Nesta fase foram considerados os dados disponibilizados pela empresa relativamente aos destinos de produtos vendidos e exportados, aos quais foram adicionadas informações acerca dos meios de transporte utilizados. Relativamente à exportação foram consideradas apenas as quantidades de garrafas exportadas diretamente pela empresa. Relativamente às distâncias definidas, foi seguido o critério de, no transporte efetuado por camião, serem consideradas as distâncias da Murganheira à capital do país de destino, e no transporte efetuado por barco serem consideradas as distâncias do porto de Leixões até ao porto mais próximo da capital do país de destino. Na Tabela 11 e na Tabela 12, apresentam-se os dados de inventário para esta fase. Tabela 11 - Dados sobre Distribuição do produto final País Quantidade Garrafas Quantidade Total (ton)1 Meio de Transporte Distância (km) França 24 4,32E-02 Camião de Transporte2 1537 Reino Unido 92 1,65E-01 Navio de Carga3 1587 Luxemburgo 1734 3,12E+00 Camião de Transporte2 1920 Espanha 12 2,16E-02 Camião de Transporte2 458 Alemanha 351 6,31E-01 Camião de Transporte2 2582 Holanda 755 1,36E+00 Camião de Transporte2 2035 Bélgica 31 5,57E-02 Camião de Transporte2 1839 Filipinas 570 1,02E+00 Navio de Carga3 16136 Timor 480 8,63E-01 Navio de Carga3 16355 Macau 1890 3,40E+00 Navio de Carga3 16322 Brasil 1080 1,94E+00 Navio de Carga3 8107 Rússia 4677 8,41E+00 Camião de Transporte2 4362 Estados Unidos 552 9,93E-01 Navio de Carga3 5955 Japão 322 5,79E-01 Navio de Carga3 19077 Hong Kong 24 4,32E-02 Navio de Carga3 16405 Suíça 990 1,78E+00 Camião de Transporte2 1905 Portugal 845919 1,52E+03 Camião de Transporte2 3004 1 Considerada a massa total de vinho espumante e os restantes produtos vendidos (garrafas, rolhas, etc). 2 Camião de transporte com capacidade entre 16 e 32 toneladas. 3 Transporte de navio de contentores, informação à qual é adicionada o transporte dos produtos até ao porto de Leixões por Camião de Transporte (com distância de cerca de 145 km). 4 Considerada uma distância média em Portugal Continental de 300 km. Avaliação de Ecoeficiência do Processo Produtivo de uma Organização Vitivinícola. O Caso da Sociedade Agrícola e Comercial do Varosa, S.A. (Murganheira) 47 Tabela 12 - Dados sobre Distribuição do produto final País Quantidade Total (tkm/UF) Meio de Transporte França 6,49E-05 Camião de Transporte1 Reino Unido 2,57E-04 Navio de Carga2 Luxemburgo 5,86E-03 Camião de Transporte1 Espanha 9,68E-06 Camião de Transporte1 Alemanha 1,60E-03 Camião de Transporte1 Holanda 2,71E-03 Camião de Transporte1 Bélgica 1,00E-04 Camião de Transporte1 Filipinas 1,62E-02 Navio de Carga2 Timor 1,38E-02 Navio de Carga2 Macau 5,43E-02 Navio de Carga2 Brasil 1,54E-02 Navio de Carga2 Rússia 3,59E-02 Camião de Transporte1 Estados Unidos 5,79E-03 Navio de Carga2 Japão 1,08E-02 Navio de Carga2 Hong Kong 6,93E-04 Navio de Carga2 Suíça 3,32E-03 Camião de Transporte1 Portugal 4,47E-01 Camião de Transporte1 4.1.2.6. ICV – Informação sobre Atividades de Background Com o objetivo de estudar o impacte das diversas atividades de Background sobre as quais a empresa não possui influência direta, foi necessário a consulta de bases de dados que apresentam dados de inventário próprios para cada uma dessas atividades. As atividades e bases de dados utilizadas são apresentadas no subcapítulo 4.1.5. no qual é apresentado também o procedimento efetuado. Para o cálculo do impacte correspondente de cada atividade é utilizada a informação apresentada nos subcapítulos anteriores relativos ao inventário das diferentes fases do processo produtivo. 4.1.3. Avaliação de Impacte de Ciclo de Vida (AICV) Como referido no Capítulo 2 (Fundamentos Teóricos), a Avaliação de Impacte de Ciclo de Vida envolve várias etapas, obrigatórias (a Seleção de Categorias de Impacte, a Classificação e a Caracterização), e opcionais (a Normalização, a Agregação e a Ponderação). Neste trabalho, optou-se por efetuar apenas as etapas obrigatórias, uma vez que não seria interessante a análise a um indicador de avaliação conjunto que seria obtido após a execução dessas etapas opcionais. Também referido no Capítulo 2, a Avaliação de Ciclo de Vida comporta a utilização de uma metodologia que, através da utilização de fatores de caracterização para as diferentes emissões, permite 1 Camião de transporte com capacidade entre 16 e 32 toneladas. 2 Transporte de navio de contentores, informação à qual é adicionada o transporte dos produtos até ao porto de Leixões por Camião de Transporte (com distância de cerca de 145 km). Avaliação de Ecoeficiência do Processo Produtivo de uma Organização Vitivinícola. O Caso da Sociedade Agrícola e Comercial do Varosa, S.A. (Murganheira) 48 obter valores de impacte ambiental para diversas categorias. A metodologia escolhida foi a CML-IA 1 , desenvolvida pelo Institute of Environmental Sciences (CML) da Universidade de Leiden, na Holanda. Esta metodologia foi escolhida por ser atual, por permitir obter resultados numa avaliação em meso escala e por ser uma metodologia muito utilizada noutros trabalhos semelhantes, inclusivamente relativos a sistemas de produção de vinho. Esta última característica permitiu cumprir um dos objetivos do trabalho, de forma mais assertiva: enquadramento da empresa num contexto global por comparação com outros trabalhos sobre produções análogas. O cálculo dos valores das categorias nas etapas de Foreground foi efetuado por recurso à consulta dos fatores de caracterização disponibilizados pela metodologia, CML-IA, que aplicados aos produtos e emissões apresentados no inventário, permitem obter os resultados para as atividades do Foreground do sistema. A estes resultados relativos às etapas do Foreground, foram adicionados os resultados obtidos para as etapas de Background. Como já referido, de forma a calcular os impactes provocados pelas etapas de Background, utilizaram-se bases de dados, como Ecoinvent ou ELCD, acessíveis pelo software escolhido, o SimaPro 8.0, permitindo obter resultados de Avaliação de Ciclo de Vida pela metodologia CMLIA. As etapas de Background abrangem as produções dos diversos materiais e energia, o seu transporte e a distribuição do produto final até aos pontos de venda. Para o tratamento conjunto de dados foi utilizada uma ferramenta de folha de cálculo (Microsoft Excel). Neste trabalho, o software SimaPro foi utilizado apenas para recolha dos resultados das etapas de Background, no entanto, seria possível efetuar o tratamento integrado dos dados de inventário do Foreground, por recurso, ao mesmo programa obtendo de forma mais agilizada os resultados de Avaliação de Ciclo de Vida referente ao Foreground. Para tal seria necessário acesso à versão completa do software, algo que não foi possível, daí se ter optado por utilizar uma ferramenta de folha de cálculo (Microsoft Excel) para agregar todos os resultados. 4.1.3.1. AICV - Seleção de Categorias de Impacte As categorias de impacte escolhidas no contexto da metodologia CML-IA foram as categorias definidas como “baseline” pela metodologia: Depleção de Recursos Abióticos - Elementos (DRA-E), Depleção de Recursos Abióticos - Combustíveis Fósseis (DRA-CF), Aquecimento Global (AG), Depleção da Camada de Ozono (DCO), Toxicidade Humana (TH), Ecotoxicidade Aquática na Água Doce (EAAD), Ecotoxicidade Aquática na Água Marinha (EAAM), Ecotoxicidade Terrestre (ET), Formação de Oxidantes Fotoquímicos (FOF), Acidificação Potencial (AP) e Eutrofização Potencial (EP). Foi adicionada a categoria de Ocupação de Solo (OS), que é identificada pela metodologia como sendo de non-baseline. Esta categoria foi considerada relevante para o estudo em causa, uma vez que as atividades da empresa abrangem uma área significativa de terrenos ocupados. 4.1.3.2. AICV - Classificação Como referido anteriormente, para as etapas de Background, foram obtidos diretamente os resultados de Avaliação de Ciclo de Vida para cada categoria selecionada, através de software SimaPro. 1 Foi utilizada a versão disponível mais recente, atualizada a abril de 2015. Avaliação de Ecoeficiência do Processo Produtivo de uma Organização Vitivinícola. O Caso da Sociedade Agrícola e Comercial do Varosa, S.A. (Murganheira) 49 No caso da informação de Foreground, é necessário seguir os trâmites definidos pela metodologia, que é iniciada com a classificação de todos os consumos de energia e materiais e das emissões e descargas de efluentes para os diferentes compartimentos, como água, ar e solo, para cada categoria. 4.1.3.3. AICV - Caracterização Complementarmente à etapa de Classificação, é desenvolvida a etapa de Caracterização, também aplicável apenas à avaliação de inventário de Foreground. Nesta etapa procede-se à quantificação da influência dos consumos e emissões relativamente às categorias. Assim, através da consulta da metodologia escolhida, CML-IA, são identificados os fatores de caracterização que definem o peso que cada componente do inventário tem nas diferentes categorias, considerando o compartimento (ar, água ou solo) em que estes são emitidos (Tabela 13). Conhecendo os fatores de caracterização, obtêm-se os valores de impacte equivalentes para cada categoria, através da multiplicação dos mesmos pelas quantidades de cada componente do inventário. Verifica-se que nem todos os componentes descritos no inventário possuem um fator de caracterização associado, e que as categorias de Depleção de Recursos Abióticos não têm fatores de caracterização para os componentes do inventário das atividades de Foreground. Dessa forma, apenas as atividades de Background traduzirão impacte para estas categorias. Tabela 13 - Fatores de caracterização, utilizados nas etapas de Classificação e Caracterização (CML, 2015) Categoria de Impacte Ambiental Componente Compartimento Factor de Caracterização Ocupação de Solo (m2.ano eq./m2.ano) Terrenos Ocupados 1,00E+00 Aquecimento Global (kg CO2 eq./kg) N2O Ar 2,98E+02 CH4 Ar 2,50E+01 CO2 Ar 1,00E+00 Toxicidade Humana (kg 1,4-DCB eq./kg) Folpete Ar 1,97E+00 Clorpirifós Ar 2,12E+01 Glifosato Ar 3,10E-03 Folpete Água 8,63E+00 Clorpirifós Água 4,44E+01 Glifosato Água 6,60E-02 Folpete Solo 1,28E+01 Clorpirifós Solo 1,45E+01 Glifosato Solo 1,48E-02 NH3 Ar 1,00E-01 COVNM1 Ar 6,37E-01 NOx Ar 1,20E+00 PM10 Ar 8,20E-01 Ecotoxicidade Aquática na Água Doce (kg 1,4-DCB eq./kg) Folpete Ar 4,05E+02 Clorpirifós Ar 5,19E+02 Glifosato Ar 2,19E+01 Folpete Água 8,21E+04 Clorpirifós Água 6,41E+05 1 Para os COVNM, foram utilizados os fatores de caracterização do etileno, tal como apontado na metodologia escolhida CML-IA Avaliação de Ecoeficiência do Processo Produtivo de uma Organização Vitivinícola. O Caso da Sociedade Agrícola e Comercial do Varosa, S.A. (Murganheira) 50 Glifosato Água 1,37E+03 Folpete Solo 4,51E+03 Clorpirifós Solo 3,56E+02 Glifosato Solo 9,22E-01 COVNM Ar 1,43E-11 Ecotoxicidade Aquática na Água Marinha (kg 1,4 DCB eq./kg) Folpete Ar 2,29E+03 Clorpirifós Ar 6,21E+01 Glifosato Ar 1,68E+01 Folpete Água 1,25E+04 Clorpirifós Água 2,40E+02 Glifosato Água 4,16E+00 Folpete Solo 7,08E+02 Clorpirifós Solo 1,44E-01 Glifosato Solo 2,80E-03 COVNM Ar 7,93E-11 Ecotoxicidade Terrestre (kg 1,4 DCB eq./kg) Folpete Ar 1,68E+00 Clorpirifós Ar 1,27E-01 Glifosato Ar 4,66E-02 Folpete Água 5,98E-01 Clorpirifós Água 2,13E-02 Glifosato Água 2,25E-11 Folpete Solo 1,06E+02 Clorpirifós Solo 1,67E+01 Glifosato Solo 9,63E-02 COVNM Ar 1,35E-12 Formação de Oxidantes Fotoquímicos (kg C2H4 eq./kg) NO Ar -4,27E-01 Ciclohexanona Ar 2,99E-01 CH4 Ar 6,00E-03 CO Ar 2,70E-02 COVNM Ar 1,00E+00 NOx Ar 2,80E-02 Acidificação Potencial (kg SO2 eq./kg) NH3 Ar 1,60E+00 NO Ar 7,60E-01 NOx Ar 5,00E-01 Eutrofização Potencial (kg PO4 eq./kg) NO Ar 2,00E-01 NO3 Água 1,00E-01 P2O5 Água 1,34E+00 N2O Ar 2,70E-01 NH3 Ar 3,50E-01 NOx Ar 1,30E-01 Azoto Total Água 4,20E-01 Fósforo Total Água 3,06E+00 CQO Água 2,20E-02 4.1.4. Resultados de ACV Relativos às Atividades de Foreground Pela execução das etapas anteriormente descritas, obtêm-se os resultados de ACV das atividades de Foreground, referentes às fases de Viticultura e de Produção de Vinho, apresentados na Tabela 14 e na Tabela 15, respetivamente. Avaliação de Ecoeficiência do Processo Produtivo de uma Organização Vitivinícola. O Caso da Sociedade Agrícola e Comercial do Varosa, S.A. (Murganheira) 51 Tabela 14 – Resultados de ACV das atividades de Foreground da empresa na fase de Viticultura DRA-E (kg Sb eq.) DRA-CF (MJ eq.) OS (m2.ano eq.) AG (kg CO2 eq.) DCO (kg CFC -11 eq.) TH (kg 1,4 DCB eq.) EAAD (kg 1,4 DCB eq.) EAAM (kg 1,4 DCB eq.) ET (kg 1,4 DCB eq.) FOF (kg C2H4 eq.) AP (kg SO2 eq.) EP (kg PO4 eq.) TOTAL Viticultura 0,00E+00 0,00E+00 3,86E+00 2,33E+00 0,00E+00 1,26E-02 9,39E+00 1,45E+00 5,74E-02 -9,33E-04 7,63E-02 6,09E-02 Aplicação de Fertilizantes 0,00E+00 0,00E+00 0,00E+00 2,30E+00 0,00E+00 4,66E-03 0,00E+00 0,00E+00 0,00E+00 -9,44E-04 7,63E-02 6,09E-02 Aplicação de Produtos Fitossanitários 0,00E+00 0,00E+00 0,00E+00 0,00E+00 0,00E+00 7,79E-03 9,39E+00 1,45E+00 5,74E-02 5,70E-08 0,00E+00 0,00E+00 Utilização de Combustível 0,00E+00 0,00E+00 0,00E+00 2,72E-02 0,00E+00 1,47E-04 9,55E-17 5,30E-16 9,00E-18 1,13E-05 5,79E-05 1,54E-05 Tabela 15 – Resultados de ACV das atividades de Foreground da empresa na fase de Produção de Vinho DRA-E (kg Sb eq DRA-CF (MJ eq.) OS (m2.ano eq.) AG (kg CO2 eq.) DCO (kg CFC -11 eq.) TH (kg 1,4 DCB eq.) EAAD (kg 1,4 DCB eq.) EAAM (kg 1,4 DCB eq.) ET (kg 1,4 DCB eq.) FOF (kg C2H4 eq.) AP (kg SO2 eq.) EP (kg PO4 eq.) TOTAL 0,00E+00 0,00E+00 1,13E-03 7,35E-02 0,00E+00 2,75E-04 6,17E-15 3,42E-14 5,81E-16 4,31E-04 0,00E+00 2,43E-05 Efluente 0,00E+00 0,00E+00 0,00E+00 0,00E+00 0,00E+00 0,00E+00 0,00E+00 0,00E+00 0,00E+00 0,00E+00 0,00E+00 2,43E-05 Fermentação 0,00E+00 0,00E+00 0,00E+00 7,35E-02 0,00E+00 2,75E-04 6,17E-15 3,42E-14 5,81E-16 4,31E-04 0,00E+00 0,00E+00 4.1.5. Obtenção dos Resultados de ACV das Atividades de Background Além da obtenção dos resultados de ACV referentes às atividades de Foreground apresentados no subcapítulo anterior, calcularam-se os resultados de ACV para as atividades de Background. Essas atividades são referentes às produções dos diferentes produtos utilizados, energia e combustível, além do transporte dos diversos produtos utilizados até à Murganheira e a distribuição do produto final até aos pontos de venda, tendo sido descrita no subcapítulo 4.1.2, a informação de inventário respeitante a essas atividades. No caso das atividades em Background, os resultados de ACV foram calculados através da utilização do software SimaPro, como anteriormente referido. Através do SimaPro, procede-se à identificação das atividades, cujo inventário se encontra presente nas bases de dados disponíveis (Ecoinvent, ELCD, etc), e que são equiparáveis às atividades necessárias para completar o ciclo de vida do sistema de produção estudado neste trabalho. Na identificação das atividades existentes nas bases de dados, procurou-se selecionar atividades representativas das atividades que se pretendem estudar no trabalho, priorizando inclusivamente o local geográfico de origem dos dados da atividade. De forma a esclarecer nomenclatura, no contexto do software SimaPro, as atividades são denominadas processos, uma vez que os dados de inventário apresentados pelas bases de dados no software, correspondem a várias etapas do ciclo de vida dessa atividade. Complementando com um exemplo, a empresa utiliza embalagens de cartão produzidas em Portugal, tendo-se selecionado na base de dados Ecoinvent, um processo de produção de embalagens de cartão, de origem europeia, no sentido de obter resultados de ACV referentes a essa produção. Nesse sentido, apresentam-se os processos selecionados e as bases de dados consultadas para descrever o impacte de ciclo de vida das atividades de Background, na Tabela 16. Avaliação de Ecoeficiência do Processo Produtivo de uma Organização Vitivinícola. O Caso da Sociedade Agrícola e Comercial do Varosa, S.A. (Murganheira) 52 Tabela 16 - Bases de dados utilizadas para ACV das atividades de Background Atividade Nome do Processo (SimaPro) Base de Dados (Projeto) Produção de Garrafas Packaging glass, white {DE}| production | Alloc Def, S1 Ecoinvent 3 - allocation default Produção de Embalagens de Cartão Corrugated board box {RER}| production | Alloc Def, S Ecoinvent 3 - allocation default Produção de Rótulos (Papel) Paper production, woodcontaining, lightweight coated RER2 Ecoinvent 3 - allocation default Produção de Muselets (aço galvanizado) Galvanized steel sheet, at plant/RNA3 USLCI Produção de Eletricidade Electricity mix, AC, consumption mix, at consumer, 1kV - 60kV PT S ELCD Produção de Diesel Diesel, from crude oil, consumption mix, at refinery, 200 ppm sulphur EU-15 S ELCD Produção de Fertilizantes Fertiliser (N)4 LCA Food DK Fertiliser (P205)4 LCA Food DK Fertilizer (K2O)4 LCA Food DK Produção de Produto Fitossanitário (Cobre) Copper, at regional storage/RER S demo74 Introduction to SimaPro Produção de Produtos de Limpeza Sodium hydroxide (concentrated) E4 Ecoinvent 3 - allocation default Hydrogen peroxide, without water, in 50% solution state {RER}| hydrogen peroxide production, product in 50% solution state | Alloc Def, S4 Industry data 2.0 Produção de Produtos Enológicos (Açucar) Sugar4 LCA Food DK Transporte de Uvas Small lorry transport, Euro 0, 1, 2, 3, 4mix 7,5t total weight1 3,3 t max payload RER S ELCD Transporte de Produtos e Distribuição de Produto Final Transport, freight, lorry 16-32 metric ton, EURO5 RER Alloc Def, S Ecoinvent 3 - allocation default Distribuição de Produto Final Container ship ocean, technology mix, 27.500 dwt pay load capacity RER S ELCD Deve ser ainda referido que para o caso da atividade de produção de rolhas foram utilizados os resultados de ACV obtidos em Rives (2011) através da utilização da metodologia CML 2001. Conhecendo as atividades selecionadas das bases de dados, é possível obter os resultados de ACV da produção de diversos produtos utilizados, relativamente às quantidades mássicas utilizadas desses produtos. No caso dos transportes, as quantidades foram utilizadas em unidades de tonelada-quilómetro. 1 Considerou-se a utilização de garrafas de vidro brancas, no entanto a empresa utiliza também garrafas de outra coloração. Considerou-se que a produção das diferentes garrafas seria semelhante. 2 Foi considerada uma produção de papel aproximada ao utilizado, não sendo possível conhecer o processo de produção do tipo de papel utilizado de forma mais exata. 3 Considerou-se a produção genérica de aço galvanizado para a produção de muselets. 4 Para os diferentes produtos fertilizantes, fitossanitários e de limpeza considerados foram avaliadas as produções dos diversos compostos e substâncias ativas de forma separada. Avaliação de Ecoeficiência do Processo Produtivo de uma Organização Vitivinícola. O Caso da Sociedade Agrícola e Comercial do Varosa, S.A. (Murganheira) 53 4.1.6. Resultados de ACV do Sistema Produtivo Completo É possível apresentar os resultados de ACV relativos às quatro fases do sistema de produção estudadas, onde se incluem todas as atividades de Foreground e de Background, para as diversas categorias consideradas, na Tabela 17. Tabela 17 - Resultados da Avaliação de Ciclo de Vida para as fases analisadas 1 DRA-E (kg Sb eq.) DRA-CF (MJ eq.) OS (m2.ano eq.) AG (kg CO2 eq.) DCO (kg CFC -11 eq.) TH (kg 1,4 DCB eq.) EAAD (kg 1,4 DCB eq.) EAAM (kg 1,4 DCB eq.) ET (kg 1,4 DCB eq.) FOF (kg C2H4 eq.) AP (kg SO2 eq.) EP (kg PO4 eq.) Viticultura Fertilizantes2 1,69E-06 1,97E+01 3,04E-04 5,89E+00 8,52E-10 2,05E-02 9,34E-05 7,78E-01 1,10E-05 -7,21E-04 8,75E-02 6,47E-02 Produtos Fitossanitários2 7,67E-07 1,57E-02 6,24E-04 1,25E-03 1,03E-10 2,60E-02 9,39E+00 3,40E+00 5,75E-02 3,52E-06 9,24E-05 2,61E-06 Diesel3 1,21E-09 4,27E-01 0,00E+00 3,05E-02 6,15E-11 3,85E-04 1,54E-05 4,07E-01 1,31E-06 1,35E-05 7,96E-05 1,71E-05 Transporte Uvas 1,73E-10 6,10E-02 0,00E+00 4,34E-03 8,78E-12 1,52E-04 2,20E-06 5,81E-02 1,87E-07 1,45E-06 1,99E-05 4,60E-06 Sub-total Viticultura 2,46E-06 2,02E+01 3,86E+004 5,92E+00 1,03E-09 4,71E-02 9,39E+00 4,64E+00 5,75E-02 -7,03E-04 8,77E-02 6,47E-02 Percentagem 0,55% 59,42% 92,33% 83,60% 0,90% 11,03% 99,79% 0,67% 97,22% -49,06% 93,97% 99,05% Produção de Vinho Emissões Ar e Água5 0,00E+00 0,00E+00 1,13E-03 7,35E-02 0,00E+00 2,75E-04 6,17E-15 3,42E-14 5,81E-16 4,31E-04 0,00E+00 2,43E-05 Produtos Enológicos6 2,15E-08 1,00E-01 4,46E-03 8,36E-03 6,20E-09 1,69E-03 3,51E-04 3,41E+00 5,19E-06 2,13E-06 5,06E-05 -1,27E-05 Produtos Limpeza6 3,70E-09 8,94E-02 1,65E-05 8,21E-03 3,71E-11 1,48E-04 3,42E-05 6,09E-01 2,80E-05 1,84E-05 4,20E-05 2,38E-06 Outros Produtos6 1,24E-10 7,09E-04 2,94E-06 4,50E-05 8,23E-12 1,86E-05 6,03E-07 7,52E-03 7,30E-08 7,57E-09 1,51E-07 2,35E-08 Eletricidade7 3,32E-09 2,17E+00 0,00E+00 2,05E-01 1,29E-09 2,24E-02 1,98E-04 2,03E+02 1,21E-04 8,08E-05 1,51E-03 8,70E-05 Sub-total Produção de Vinho 2,87E-08 2,36E+00 5,60E-03 2,95E-01 7,54E-09 2,46E-02 5,84E-04 2,07E+02 1,54E-04 5,33E-04 1,61E-03 1,01E-04 Percentagem 0,01% 6,94% 0,13% 4,17% 6,59% 5,75% 0,01% 29,63% 0,26% 37,19% 1,72% 0,15% Engarrafamento e Embalagem Garrafa6 1,48E-06 8,59E+00 2,22E-01 6,09E-01 7,51E-08 1,71E-01 5,12E-03 3,54E+02 7,82E-04 1,18E-04 2,77E-03 3,38E-04 Embalagem Cartão6 5,13E-07 1,30E+00 8,43E-02 9,45E-02 1,08E-08 2,59E-02 1,87E-03 6,55E+01 2,84E-04 2,22E-05 3,72E-04 1,05E-04 Rótulo6 5,16E-09 2,78E-02 3,49E-03 1,96E-03 2,49E-10 3,53E-04 2,09E-05 8,38E-01 4,96E-06 5,03E-07 1,07E-05 1,48E-06 Muselet6 2,46E-09 1,62E-01 5,84E-05 1,54E-02 2,04E-10 7,71E-06 7,33E-03 1,17E+00 3,48E-06 6,08E-06 6,81E-05 -1,64E-05 Rolha6 4,45E-04 3,97E-03 1,65E-05 5,94E-02 4,01E-09 1,23E-01 3,54E-03 5,03E+01 2,78E-04 3,36E-05 4,68E-04 3,98E-05 Sub-total Engarrafamento e Embalagem 4,47E-04 1,01E+01 3,10E-01 7,80E-01 9,03E-08 3,20E-01 1,79E-02 4,72E+02 1,35E-03 1,80E-04 3,69E-03 4,68E-04 Percentagem 99,40% 29,66% 7,41% 11,01% 78,98% 75,01% 0,19% 67,68% 2,29% 12,58% 3,95% 0,72% Distribuição Doméstico 2,09E-07 1,20E+00 4,96E-03 7,60E-02 1,39E-08 3,14E-02 1,02E-03 1,27E+01 1,23E-04 1,28E-05 2,56E-04 3,97E-05 Exportação 2,38E-08 1,55E-01 5,64E-04 1,02E-02 1,58E-09 3,63E-03 1,17E-04 1,46E+00 1,41E-05 3,94E-06 7,99E-05 9,35E-06 Sub-total Distribuição 2,32E-07 1,35E+00 5,52E-03 8,61E-02 1,55E-08 3,50E-02 1,14E-03 1,42E+01 1,37E-04 1,67E-05 3,35E-04 4,90E-05 Percentagem 0,05% 3,98% 0,13% 1,22% 13,54% 8,21% 0,01% 2,03% 0,23% 1,17% 0,36% 0,08% TOTAL Sistema 4,50E-04 3,40E+01 4,18E+00 7,09E+00 1,14E-07 4,27E-01 9,41E+00 6,98E+02 5,91E-02 2,68E-05 9,33E-02 6,53E-02 100,00% 100,00% 100,00% 100,00% 100,00% 100,00% 100,00% 100,00% 100,00% 100,00% 100,00% 100,00% 1 Todos os resultados estão reportados a uma Unidade Funcional de 1 garrafa de 0,75 litros. 2 Resultados relativos à produção, transporte e aplicação de produtos. 3 Resultados relativos à produção e emissões decorrentes do consumo. 4 Resultados maioritariamente influenciados pelos terrenos ocupados, descritos no inventário. 5 Resultados relativos às emissões. 6 Resultados relativos à produção e transporte. 7 Resultados relativos à produção. Avaliação de Ecoeficiência do Processo Produtivo de uma Organização Vitivinícola. O Caso da Sociedade Agrícola e Comercial do Varosa, S.A. (Murganheira) 54 Por análise prévia aos resultados obtidos na Tabela 17, pode-se verificar que a fase de Viticultura representa a maioria da contribuição para sete das doze categorias, e que a fase de Engarrafamento e Embalagem influencia mais significativamente cerca de quatro das categorias consideradas. É igualmente evidente que a categoria de Formação de Oxidantes Fotoquímicos (FOF) tem uma maior influência proveniente da fase de Produção de Vinho no que respeita aos valores positivos. No entanto, os resultados desta categoria são igualmente influenciados com valores negativos pela fase de Viticultura. Neste caso, esses valores negativos têm um significado positivo uma vez que provocam uma diminuição dos resultados globais de impacte do sistema de produção. Essa diminuição representa uma influência positiva nos resultados de impacte, porque como os valores são referentes a unidades de impacte por garrafa produzida, quanto mais reduzidos forem os valores, menores serão os impactes obtidos. Os resultados obtidos foram apresentados com algum grau de especificidade, permitindo analisar e comparar não só as diferentes fases mas também os resultados obtidos pelos diversos componentes que constituem cada fase. Este conjunto de resultados permite a análise desenvolvida no Capítulo 5, no qual se avaliou os resultados aqui apresentados como se analisou mais aprofundadamente os contributos das diversas atividades que se desenvolvem em função dos componentes de cada fase. 4.2. Avaliação do Indicador Económico Tendo sido obtidos os resultados da Avaliação de Ciclo de Vida, aplicou-se um indicador económico sobre esses valores, permitindo relacionar essa informação ambiental com uma perspetiva económica e assim obter uma Avaliação de Ecoeficiência. Neste caso, no contexto da informação descrita no subcapítulo 2.3.3 acerca da componente económica, o valor escolhido está associado aos Resultados Líquidos da empresa para o ano de 2014. Esse resultado foi de 101.080 €, que considerando uma produção anual de 766.030 litros de vinho espumante ou de cerca de 1.021.373 1 garrafas de 0,75 litros, permite calcular um lucro de 0,099 € por garrafa. O lucro reporta-se às garrafas produzidas e não à venda, porque o objetivo é relacionar esse valor económico com a produção, interligando-se com a unidade funcional. 4.3. Avaliação da Ecoeficiência Com a aplicação dos resultados ambientais e do indicador económico na equação de cálculo da ecoeficiência (2) apresentada previamente no Capítulo 2, obtiveram-se os resultados de ecoeficiência que se apresentam na Tabela 18. 𝐸𝑐𝑜𝑒𝑓𝑖𝑐𝑖ê𝑛𝑐𝑖𝑎 = 𝐼𝑛𝑓𝑙𝑢ê𝑛𝑐𝑖𝑎 𝑎𝑚𝑏𝑖𝑒𝑛𝑡𝑎𝑙 (𝐶𝑜𝑚𝑝𝑜𝑛𝑒𝑛𝑡𝑒 𝑎𝑚𝑏𝑖𝑒𝑛𝑡𝑎𝑙) 𝑉𝑎𝑙𝑜𝑟 𝑑𝑜 𝑝𝑟𝑜𝑑𝑢𝑡𝑜 𝑜𝑢 𝑠𝑒𝑟𝑣𝑖ç𝑜 (𝐶𝑜𝑚𝑝𝑜𝑛𝑒𝑛𝑡𝑒 𝑒𝑐𝑜𝑛ó𝑚𝑖𝑐𝑎) (2) 1 Considera-se que a produção é exclusivamente de garrafas de 0,75 litros, tendo em conta que as garrafas de maior volume são produzidas em quantidades pouco significativas. Avaliação de Ecoeficiência do Processo Produtivo de uma Organização Vitivinícola. O Caso da Sociedade Agrícola e Comercial do Varosa, S.A. (Murganheira) 55 Tabela 18 - Resultados da Avaliação de Ecoeficiência para as fases analisadas 1 DRA-E (kg Sb eq / €) DRA-CF (MJ eq / €) OS (m2.ano eq. / €) AG (kg CO2 eq. / €) DCO (kg CFC -11 eq. / €) TH (kg 1,4 DCB eq. / €) EAAD (kg 1,4 DCB eq. / €) EAAM (kg 1,4 DCB eq. / €) ET (kg 1,4 DCB eq. / €) FOF (kg C2H4 eq. / €) AP (kg SO2 eq. / €) EP (kg PO4 eq. / €) Viticultura Fertilizantes2 1,70E-05 1,99E+02 3,07E-03 5,95E+01 8,61E-09 2,07E-01 9,44E-04 7,86E+00 1,11E-04 -7,29E-03 8,84E-01 6,54E-01 Produtos Fitossanitários2 7,75E-06 1,59E-01 6,30E-03 1,27E-02 1,04E-09 2,63E-01 9,48E+01 3,43E+01 5,81E-01 3,56E-05 9,34E-04 2,64E-05 Diesel3 1,22E-08 4,31E+00 0,00E+00 3,08E-01 6,21E-10 3,89E-03 1,56E-04 4,11E+00 1,32E-05 1,36E-04 8,04E-04 1,73E-04 Transporte Uvas 1,75E-09 6,17E-01 0,00E+00 4,39E-02 8,88E-11 1,54E-03 2,22E-05 5,87E-01 1,89E-06 1,47E-05 2,01E-04 4,65E-05 Sub-total Viticultura 2,48E-05 2,04E+02 3,90E+014 5,99E+01 1,04E-08 4,76E-01 9,48E+01 4,69E+01 5,81E-01 -7,10E-03 8,86E-01 6,54E-01 Percentagem 0,55% 59,42% 92,33% 83,60% 0,90% 11,03% 99,79% 0,67% 97,22% -49,06% 93,97% 99,05% Produção de Vinho Emissões Ar e Água5 0,00E+00 0,00E+00 1,14E-02 7,43E-01 0,00E+00 2,77E-03 6,23E-14 3,46E-13 5,87E-15 4,36E-03 0,00E+00 2,45E-04 Produtos Enológicos6 2,18E-07 1,01E+00 4,51E-02 8,44E-02 6,27E-08 1,71E-02 3,54E-03 3,45E+01 5,25E-05 2,15E-05 5,12E-04 -1,29E-04 Produtos Limpeza6 3,74E-08 9,04E-01 1,67E-04 8,29E-02 3,75E-10 1,49E-03 3,46E-04 6,15E+00 2,83E-04 1,85E-04 4,24E-04 2,41E-05 Outros Produtos6 1,25E-09 7,17E-03 2,97E-05 4,55E-04 8,32E-11 1,88E-04 6,10E-06 7,59E-02 7,38E-07 7,65E-08 1,53E-06 2,37E-07 Eletricidade7 3,36E-08 2,19E+01 0,00E+00 2,08E+00 1,30E-08 2,27E-01 2,00E-03 2,05E+03 1,22E-03 8,16E-04 1,53E-02 8,79E-04 Sub-total Produção de Vinho 2,90E-07 2,39E+01 5,66E-02 2,99E+00 7,62E-08 2,48E-01 5,90E-03 2,09E+03 1,56E-03 5,38E-03 1,62E-02 1,02E-03 Percentagem 0,01% 6,94% 0,13% 4,17% 6,59% 5,75% 0,01% 29,63% 0,26% 37,19% 1,72% 0,15% Engarrafamento e Embalagem Garrafa6 1,50E-05 8,68E+01 2,24E+00 6,16E+00 7,59E-07 1,72E+00 5,17E-02 3,58E+03 7,90E-03 1,19E-03 2,80E-02 3,42E-03 Embalagem Cartão6 5,18E-06 1,32E+01 8,51E-01 9,55E-01 1,09E-07 2,62E-01 1,89E-02 6,62E+02 2,87E-03 2,24E-04 3,76E-03 1,06E-03 Rótulo6 5,22E-08 2,81E-01 3,53E-02 1,98E-02 2,51E-09 3,57E-03 2,11E-04 8,47E+00 5,01E-05 5,09E-06 1,08E-04 1,50E-05 Muselet6 2,49E-08 1,64E+00 5,90E-04 1,56E-01 2,06E-09 7,79E-05 7,41E-02 1,18E+01 3,52E-05 6,14E-05 6,88E-04 -1,66E-04 Rolha6 4,50E-03 4,02E-02 1,66E-04 6,00E-01 4,05E-08 1,25E+00 3,58E-02 5,09E+02 2,81E-03 3,40E-04 4,72E-03 4,02E-04 Sub-Total Engarrafamento e Embalagem 4,52E-03 1,02E+02 3,13E+00 7,89E+00 9,13E-07 3,23E+00 1,81E-01 4,77E+03 1,37E-02 1,82E-03 3,73E-02 4,73E-03 Percentagem 99,40% 29,66% 7,41% 11,01% 78,98% 75,01% 0,19% 67,68% 2,29% 12,58% 3,95% 0,72% Distribuição Doméstico 2,11E-06 1,21E+01 5,01E-02 7,68E-01 1,40E-07 3,17E-01 1,03E-02 1,28E+02 1,25E-03 1,29E-04 2,58E-03 4,01E-04 Exportação 2,41E-07 1,57E+00 5,70E-03 1,03E-01 1,60E-08 3,67E-02 1,18E-03 1,48E+01 1,42E-04 3,98E-05 8,07E-04 9,45E-05 Sub-total Distribuição 2,35E-06 1,37E+01 5,58E-02 8,70E-01 1,56E-07 3,54E-01 1,15E-02 1,43E+02 1,39E-03 1,69E-04 3,39E-03 4,95E-04 Percentagem 0,05% 3,98% 0,13% 1,22% 13,54% 8,21% 0,01% 2,03% 0,23% 1,17% 0,36% 0,08% TOTAL Sistema 4,54E-03 3,44E+02 4,23E+01 7,16E+01 1,16E-06 4,31E+00 9,50E+01 7,05E+03 5,97E-01 2,71E-04 9,43E-01 6,60E-01 100,00% 100,00% 100,00% 100,00% 100,00% 100,00% 100,00% 100,00% 100,00% 100,00% 100,00% 100,00% 1 Resultados reportados à UF e calculados através da equação de ecoeficiência (2) 2 Resultados relativos à produção, transporte e aplicação de produtos. 3 Resultados relativos à produção e emissões decorrentes do consumo. 4 Resultados maioritariamente influenciados pelos terrenos ocupados, descritos no inventário. 5 Resultados relativos apenas às emissões. 6 Resultados relativos à produção e transporte. 7 Resultados relativos à produção. Avaliação de Ecoeficiência do Processo Produtivo de uma Organização Vitivinícola. O Caso da Sociedade Agrícola e Comercial do Varosa, S.A. (Murganheira) 62 Figura 26 - Distribuição percentual do impacte dos componentes da fase de Produção de Vinho Esta fase de Produção de Vinho apresenta apenas uma relevância significativa nos resultados totais do sistema (Figura 21), na categoria de Formação de Oxidantes Fotoquímicos (FOF) e na categoria de Ecotoxicidade Aquática na Água Marinha (EAAM). Como se pode verificar na Figura 26, essas categorias são influenciadas pelas emissões de atmosféricas e de efluente e pela produção de eletricidade, respetivamente. No contexto global, a distribuição de importância das diferentes fases coaduna-se com os resultados de outros trabalhos de Avaliação de Ciclo de Vida, sobre produções do setor vitivinícola. Tal como apresentado no Capítulo 2, alguns dos trabalhos aí referidos concluem que são as fases de Viticultura e de Engarrafamento e Embalagem, nomeadamente a produção de garrafas, que influenciam mais significativamente os impactes ambientais correspondentes às categorias analisadas. Tal como neste trabalho, também é a fase de Viticultura que possui maior contribuição no contexto global das categorias (Neto, et al., 2012; Point, 2008), considerando-se como tendo uma importância significativa em Fusi et al. (2014), Ardente et al. (2006) e Amienyo et al. (2014). Por outro lado, a produção de garrafas é referida como possuindo maior peso em Fusi et al. (2014), sendo identificada como representativa nos restantes trabalhos referidos, o que vai também ao encontro dos resultados obtidos neste trabalho. Neste caso, a fase de Engarrafamento e Embalagem possui grande relevância em quatro categorias, sendo que mais precisamente a produção de garrafas contêm maior impacte em três das categorias analisadas. Nalguns trabalhos como Point et al. (2008) e Fusi et al. (2014), a fase de Distribuição é também considerada relevante, o que não é muito evidente no caso analisado. -20% 0% 20% 40% 60% 80% 100% DRA-E DRA-CF OS AG DCO TH EAAD EAAM ET FOF AP EP Distribuição Percentual (%) Categorias de Impacte Total Emissões Ar e Água Produtos Enológicos Produtos Limpeza Outros Produtos Eletricidade Avaliação de Ecoeficiência do Processo Produtivo de uma Organização Vitivinícola. O Caso da Sociedade Agrícola e Comercial do Varosa, S.A. (Murganheira) 63 6. Análise de Influência de Variação de Diferentes Fatores Produtivos na Avaliação de Ecoeficiência Após a definição e aplicação da metodologia de análise à obtenção de resultados correspondentes ao ano de 2014 descritos nos capítulos anteriores, considerou-se interessante (i) estabelecer uma comparação desses resultados com os correspondentes a outro ano de produção da empresa, (ii) estudar alterações pontuais que tenham entretanto ocorrido no sistema produtivo e (iii) analisar algumas propostas de alterações desse sistema que possam ser consideradas. 6.1. Comparação dos Resultados de Avaliação de Ciclo de Vida e de Avaliação de Ecoeficiência entre as Produções de 2012 e de 2014 Relativamente à avaliação de outro ano de produção, procedeu-se ao cálculo dos indicadores de impacte ambiental e de ecoeficiência para o ano de 2012. Este estudo doutro ano enquadra-se no contexto de se considerar relevante efetuar comparações de resultados de Avaliação de Ciclo de Vida e de Avaliação de Ecoeficiência entre vários anos diferentes. Nesse contexto é igualmente relevante que seja considerada a análise de vários anos anteriores, de forma a ser obtida uma representação mais fidedigna da evolução do sistema de produção num contexto de ecoeficiência. O ano de 2012 foi escolhido por se ter verificado uma maior produção de vinho espumante comparativamente ao ano de 2014. Além desse fator, existem diferenças em certos passos do processo, nomeadamente: uma escassa utilização de fertilizantes sintéticos em 2012, representando menos de 3% da quantidade de produtos utilizados em 2014; e a impossibilidade de recorrer ao aproveitamento da produção de energia elétrica através de painéis fotovoltaicos, que foram implantados na empresa em 2013. Além disso, é apontado um decréscimo do peso das garrafas de 10 gramas entre 2012 e 2014. Igualmente em 2012 demonstraram-se valores económicos de lucro significativamente maiores comparativamente a 2014, nomeadamente o resultado líquido utilizado para o cálculo de indicadores de ecoeficiência. Em 2014, a empresa obteve um lucro global de 101.080 euros como anteriormente apresentado, no entanto, em 2012 obteve cerca de 335.379 euros. Essa diferença não é justificável pela quantidade de garrafas vendidas, entre 2012 e 2014, porque foram obtidas vendas de cerca de 830.000 e de 860.000 garrafas, respetivamente. Além desta diferença de valores poder estar associada a inúmeras atividades desempenhadas pela empresa que ficam fora do âmbito deste trabalho, tem uma implicação significativa nos resultados de ecoeficiência. As atividades podem ser alargadas a diversos investimentos efetuados pela empresa em 2014, nomeadamente em compra de maquinaria agrícola, intervenções em infraestruturas ou mesmo anúncios publicitários, apenas para citar alguns exemplos. Como essa diferença de valores económicos influencia significativamente os resultados de ecoeficiência sobre os dois anos, será mais aconselhável fazer comparações com base apenas nos valores ambientais. Ainda assim, e naturalmente, os resultados de ecoeficiência de 2012 são igualmente apresentados. Relativamente ao cálculo dos indicadores ambientais através da Avaliação de Ciclo de Vida, e dos resultados de Ecoeficiência para o ano de 2012, o procedimento de cálculo considerado para 2014 foi repetido. Foi considerada uma escala temporal semelhante, utilizou-se a mesma unidade funcional relativa à produção anual de vinho espumante (correspondente a 0,75 litros de vinho produzido), e as fronteiras do Avaliação de Ecoeficiência do Processo Produtivo de uma Organização Vitivinícola. O Caso da Sociedade Agrícola e Comercial do Varosa, S.A. (Murganheira) 64 sistema foram exatamente as mesmas. Assim, foram considerados os impactes gerados pelas atividades do Foreground do sistema produtivo, através da composição do inventário, contendo os fluxos de entradas e saídas das diferentes fases do sistema (Viticultura, Produção de Vinho, Engarrafamento e Embalagem e Distribuição). Cruzando esses dados com os fatores de caracterização da metodologia CML-IA, foi possível obter os resultados de ACV correspondentes. A esta análise do Foreground foram adicionados os impactes decorrentes das atividades do Background, nomeadamente a produção e transporte dos diversos produtos utilizados, através da aplicação da mesma metodologia, tal como havia sido feito para o ano de 2014. Existem, entretanto, algumas considerações sobre valores de inventário que foram tomadas para a estimativa dos resultados de 2012 que provieram diretamente da análise feita para o ano de 2014. Estes valores transitaram da análise de 2014 por não serem conhecidos ou não ser possível obter valores para o ano de 2012, no entanto, foram considerados representativos da realidade no ano em causa. Foram então considerados, também em 2012, os valores de 2014 relativos (i) à composição e origem dos produtos utilizados no Engarrafamento e Embalagem, (ii) as distâncias médias dos destinos de Distribuição e (iii) os valores dos resíduos de vidro produzidos no ano. Nesta análise, foram também considerados os valores de descargas de efluentes de 2014, ainda que em 2012 não tivesse sido ainda implementada a ETAR própria da empresa, dado que não existem os valores correspondentes às análises efetuadas ao efluente após tratamento. Dessa forma, este trabalho não pôde analisar e comparar a alteração a nível ambiental e de ecoeficiência decorrente da implementação da ETAR. Também foram considerados iguais a 2014, os valores dos terrenos ocupados e de água consumida, por não se ter constatado que teria ocorrido uma alteração significativa, entre os anos. Relativamente aos produtos utilizados na Viticultura e na Produção de Vinho, deve ser destacada a significativamente menor utilização de fertilizantes artificiais comparativamente a 2014. Todas as composições dos produtos e o transporte desde os fornecedores dos mesmos foram recalculados de acordo com a realidade de 2012, através do mesmo procedimento descrito no Capítulo 4. Na Tabela 20, apresenta-se a produção de uvas e vinho para o ano de 2012. Tabela 20 - Produção de uvas e vinho no ano de 2012 Uvas kg % Produção própria 158516 12,3% Fornecedores externos 1134794 87,7% Total 1293310 100,0% Vinho/Espumante L % Produção a partir de uvas de produção própria 112099 12,3% Produção a partir de uvas de fornecedores externos 802501 87,7% Total 914600 100,0% Deve ainda ser destacada a maior quantidade de produção de uvas e vinho em 2012 comparativamente a 2014, que influencia todos os dados de inventário para os dois anos, uma vez que são calculados de forma a estarem reportados à unidade funcional de 0,75 litros de vinho espumante produzido. Assim sendo, como em 2014 a produção foi menor, todos os resultados obtidos tendem a ser um pouco mais elevados nesse ano. Desta forma podem ser apresentados os resultados obtidos para o ano de 2012 para a etapa de Avaliação de Ciclo de Vida na Tabela 21. Avaliação de Ecoeficiência do Processo Produtivo de uma Organização Vitivinícola. O Caso da Sociedade Agrícola e Comercial do Varosa, S.A. (Murganheira) 65 Tabela 21 - Resultados de Avaliação de Ciclo de Vida relativos à produção do ano de 2012 1 DRA-E (kg Sb eq.) DRA-CF (MJ eq.) OS (m2.ano eq.) AG (kg CO2 eq.) DCO (kg CFC -11 eq.) TH (kg 1,4 DCB eq.) EAAD (kg 1,4 DCB eq.) EAAM (kg 1,4 DCB eq.) ET (kg 1,4 DCB eq.) FOF (kg C2H4 eq.) AP (kg SO2 eq.) EP (kg PO4 eq.) Viticultura Fertilizantes2 4,98E-08 5,36E-02 6,22E-07 1,07E-02 1,74E-12 6,28E-05 4,66E-07 1,59E-03 5,37E-08 -4,41E-07 1,50E-04 1,34E-04 Produtos Fitossanitários2 4,77E-07 8,90E-03 3,84E-04 7,23E-04 5,40E-11 1,34E-02 2,62E+00 1,59E+00 1,56E-02 2,15E-06 5,73E-05 1,60E-06 Diesel3 1,67E-09 5,88E-01 0,00E+00 4,20E-02 8,47E-11 5,30E-04 2,12E-05 5,61E-01 1,81E-06 1,86E-05 1,10E-04 2,36E-05 Transporte Uvas 1,84E-10 6,48E-02 0,00E+00 4,62E-03 9,33E-12 1,62E-04 2,34E-06 6,18E-02 1,99E-07 1,54E-06 2,12E-05 4,89E-06 Sub-total Viticultura 5,29E-07 7,16E-01 2,03E+004 5,81E-02 1,50E-10 1,42E-02 2,62E+00 2,22E+00 1,56E-02 2,18E-05 3,38E-04 1,64E-04 Percentagem 0,12% 5,08% 86,22% 4,90% 0,13% 3,67% 99,26% 0,33% 90,75% 2,99% 5,79% 21,62% Produção de Vinho Emissões Ar e Água5 0,00E+00 0,00E+00 9,43E-04 7,35E-02 0,00E+00 2,75E-04 6,17E-15 3,42E-14 5,81E-16 4,31E-04 0,00E+00 2,03E-05 Produtos Enológicos6 3,59E-08 1,67E-01 7,46E-03 1,39E-02 1,04E-08 2,80E-03 5,86E-04 5,70E+00 8,56E-06 3,56E-06 8,45E-05 -2,14E-05 Produtos Limpeza6 4,01E-10 1,10E-02 1,85E-06 1,01E-03 5,06E-12 1,99E-05 4,23E-06 7,01E-02 3,45E-06 2,27E-06 5,16E-06 2,93E-07 Outros Produtos6 3,66E-12 2,10E-05 8,71E-08 1,33E-06 2,44E-13 5,52E-07 1,79E-08 2,23E-04 2,17E-09 2,24E-10 4,49E-09 6,97E-10 Eletricidade7 3,00E-09 1,96E+00 0,00E+00 1,86E-01 1,16E-09 2,03E-02 1,79E-04 1,83E+02 1,09E-04 7,30E-05 1,37E-03 7,86E-05 Sub-total Produção de Vinho 3,93E-08 2,14E+00 8,41E-03 2,74E-01 1,15E-08 2,34E-02 7,70E-04 1,89E+02 1,21E-04 5,10E-04 1,46E-03 7,79E-05 Percentagem 0,01% 15,20% 0,36% 23,11% 10,09% 6,06% 0,03% 27,87% 0,71% 69,96% 24,99% 10,30% Engarrafamento e Embalagem Garrafa6 1,50E-06 8,69E+00 2,24E-01 6,16E-01 7,60E-08 1,73E-01 5,17E-03 3,58E+02 7,91E-04 1,19E-04 2,80E-03 3,42E-04 Embalagem Cartão6 5,13E-07 1,30E+00 8,43E-02 9,45E-02 1,08E-08 2,59E-02 1,87E-03 6,55E+01 2,84E-04 2,22E-05 3,72E-04 1,05E-04 Rótulo6 5,16E-09 2,78E-02 3,49E-03 1,96E-03 2,49E-10 3,53E-04 2,09E-05 8,38E-01 4,96E-06 5,03E-07 1,07E-05 1,48E-06 Muselet6 2,46E-09 1,62E-01 5,84E-05 1,54E-02 2,04E-10 7,71E-06 7,33E-03 1,17E+00 3,48E-06 6,08E-06 6,81E-05 -1,64E-05 Rolha6 4,45E-04 3,97E-03 1,65E-05 5,94E-02 4,01E-09 1,23E-01 3,54E-03 5,03E+01 2,78E-04 3,36E-05 4,68E-04 3,98E-05 Sub-total Engarrafamento e Embalagem 4,47E-04 1,02E+01 3,12E-01 7,87E-01 9,12E-08 3,22E-01 1,79E-02 4,76E+02 1,36E-03 1,81E-04 3,72E-03 4,72E-04 Percentagem 99,83% 72,35% 13,25% 66,39% 79,67% 83,46% 0,68% 70,24% 7,94% 24,88% 63,77% 62,39% Distribuição Doméstico 1,70E-07 9,73E-01 4,03E-03 6,17E-02 1,13E-08 2,55E-02 8,28E-04 1,03E+01 1,00E-04 1,04E-05 2,08E-04 3,22E-05 Exportação 4,33E-09 6,38E-02 1,00E-04 4,72E-03 2,86E-10 7,55E-04 2,20E-05 2,94E-01 2,62E-06 5,41E-06 1,10E-04 1,08E-05 Sub-total Distribuição 1,74E-07 1,04E+00 4,13E-03 6,64E-02 1,16E-08 2,63E-02 8,50E-04 1,06E+01 1,03E-04 1,58E-05 3,18E-04 4,30E-05 Percentagem 0,04% 7,36% 0,18% 5,60% 10,11% 6,81% 0,03% 1,56% 0,60% 2,17% 5,45% 5,69% TOTAL Sistema 4,48E-04 1,41E+01 2,36E+00 1,19E+00 1,14E-07 3,86E-01 2,64E+00 6,78E+02 1,71E-02 7,29E-04 5,83E-03 7,56E-04 100,00% 100,00% 100,00% 100,00% 100,00% 100,00% 100,00% 100,00% 100,00% 100,00% 100,00% 100,00% 1 Resultados reportados à UF e com as mesmas características representativas que em 2014. 2 Resultados relativos à produção, transporte e aplicação de produtos. 3 Resultados relativos à produção e emissões decorrentes do consumo. 4 Resultados maioritariamente influenciados pelos terrenos ocupados. 5 Resultados relativos apenas às emissões. 6 Resultados relativos à produção e transporte. 7 Resultados relativos à produção. Avaliação de Ecoeficiência do Processo Produtivo de uma Organização Vitivinícola. O Caso da Sociedade Agrícola e Comercial do Varosa, S.A. (Murganheira) 66 Através do valor de Resultado Líquido de 2012 e da produção desse ano obteve-se um valor significativamente diferente de lucro por garrafa de 0,75L quando comparado com 2014. Com um Resultado Líquido de 335.379 € e considerando uma produção 914600 litros, obteve-se um lucro de 0,275 € por garrafa produzida. Tal como na análise de 2014, este valor foi aplicado nos resultados de Avaliação de Ciclo de Vida, permitindo obter os resultados de Avaliação de Ecoeficiência, apresentados na Tabela 22. Tabela 22 - Resultados da Avaliação de Ecoeficiência relativos à produção do ano de 2012 1 DRA-E (kg Sb eq / €) DRA-CF (MJ eq / €) OS (m2.ano eq. / €) AG (kg CO2 eq. / €) DCO (kg CFC -11 eq. / €) TH (kg 1,4 DCB eq. / €) EAAD (kg 1,4 DCB eq. / €) EAAM (kg 1,4 DCB eq. / €) ET (kg 1,4 DCB eq. / €) FOF (kg C2H4 eq. / €) AP (kg SO2 eq. / €) EP (kg PO4 eq. / €) Viticultura Fertilizantes 1,81E-07 1,95E-01 2,26E-06 3,91E-02 6,33E-12 2,28E-04 1,69E-06 5,78E-03 1,95E-07 -1,60E-06 5,44E-04 4,86E-04 Produtos Fitossanitários 1,73E-06 3,24E-02 1,40E-03 2,63E-03 1,97E-10 4,88E-02 9,53E+00 5,80E+00 5,65E-02 7,81E-06 2,08E-04 5,80E-06 Diesel 6,06E-09 2,14E+00 0,00E+00 1,53E-01 3,08E-10 1,93E-03 7,72E-05 2,04E+00 6,56E-06 6,75E-05 3,99E-04 8,57E-05 Transporte Uvas 6,68E-10 2,36E-01 0,00E+00 1,68E-02 3,39E-11 5,89E-04 8,50E-06 2,25E-01 7,23E-07 5,61E-06 7,70E-05 1,78E-05 Sub-total Viticultura 1,92E-06 2,60E+00 7,39E+002 2,11E-01 5,45E-10 5,15E-02 9,53E+00 8,07E+00 5,66E-02 7,94E-05 1,23E-03 5,95E-04 Percentagem 0,12% 5,08% 86,22% 4,90% 0,13% 3,67% 99,26% 0,33% 90,75% 2,99% 5,79% 21,62% Produção de Vinho Emissões Ar e Água 0,00E+00 0,00E+00 3,43E-03 2,67E-01 0,00E+00 9,98E-04 2,24E-14 1,24E-13 2,11E-15 1,57E-03 0,00E+00 7,39E-05 Produtos Enológicos 1,30E-07 6,07E-01 2,71E-02 5,06E-02 3,77E-08 1,02E-02 2,13E-03 2,07E+01 3,11E-05 1,29E-05 3,07E-04 -7,77E-05 Produtos Limpeza 1,46E-09 3,99E-02 6,72E-06 3,67E-03 1,84E-11 7,25E-05 1,54E-05 2,55E-01 1,25E-05 8,25E-06 1,88E-05 1,07E-06 Outros Produtos 1,33E-11 7,65E-05 3,17E-07 4,85E-06 8,87E-13 2,01E-06 6,51E-08 8,10E-04 7,88E-09 8,16E-10 1,63E-08 2,53E-09 Eletricidade 1,09E-08 7,13E+00 0,00E+00 6,75E-01 4,23E-09 7,37E-02 6,51E-04 6,66E+02 3,97E-04 2,66E-04 4,97E-03 2,86E-04 Sub-total Produção de Vinho 1,43E-07 7,78E+00 3,06E-02 9,96E-01 4,20E-08 8,50E-02 2,80E-03 6,87E+02 4,40E-04 1,85E-03 5,30E-03 2,83E-04 Percentagem 0,01% 15,20% 0,36% 23,11% 10,09% 6,06% 0,03% 27,87% 0,71% 69,96% 24,99% 10,30% Engarrafamento e Embalagem Garrafa 5,46E-06 3,16E+01 8,16E-01 2,24E+00 2,76E-07 6,27E-01 1,88E-02 1,30E+03 2,88E-03 4,33E-04 1,02E-02 1,24E-03 Embalagem Cartão 1,86E-06 4,74E+00 3,06E-01 3,44E-01 3,91E-08 9,43E-02 6,81E-03 2,38E+02 1,03E-03 8,07E-05 1,35E-03 3,81E-04 Rótulo 1,88E-08 1,01E-01 1,27E-02 7,11E-03 9,05E-10 1,28E-03 7,58E-05 3,05E+00 1,80E-05 1,83E-06 3,89E-05 5,40E-06 Muselet 8,95E-09 5,89E-01 2,12E-04 5,60E-02 7,40E-10 2,80E-05 2,67E-02 4,25E+00 1,27E-05 2,21E-05 2,48E-04 -5,98E-05 Rolha 1,62E-03 1,45E-02 5,99E-05 2,16E-01 1,46E-08 4,48E-01 1,29E-02 1,83E+02 1,01E-03 1,22E-04 1,70E-03 1,45E-04 Sub-total Engarrafamento e Embalagem 1,63E-03 3,70E+01 1,14E+00 2,86E+00 3,32E-07 1,17E+00 6,52E-02 1,73E+03 4,95E-03 6,60E-04 1,35E-02 1,72E-03 Percentagem 99,83% 72,35% 13,25% 66,39% 79,67% 83,46% 0,68% 70,24% 7,94% 24,88% 63,77% 62,39% Distribuição Doméstico 6,16E-07 3,54E+00 1,46E-02 2,24E-01 4,10E-08 9,28E-02 3,01E-03 3,75E+01 3,64E-04 3,77E-05 7,55E-04 1,17E-04 Exportação 1,58E-08 2,32E-01 3,65E-04 1,72E-02 1,04E-09 2,75E-03 8,02E-05 1,07E+00 9,52E-06 1,97E-05 4,01E-04 3,93E-05 Sub-total Distribuição 6,32E-07 3,77E+00 1,50E-02 2,42E-01 4,21E-08 9,55E-02 3,09E-03 3,86E+01 3,74E-04 5,74E-05 1,16E-03 1,57E-04 Percentagem 0,04% 7,36% 0,18% 5,60% 10,11% 6,81% 0,03% 1,56% 0,60% 2,17% 5,45% 5,69% TOTAL Sistema 1,63E-03 5,12E+01 8,57E+00 4,31E+00 4,16E-07 1,40E+00 9,60E+00 2,47E+03 6,23E-02 2,65E-03 2,12E-02 2,75E-03 100,00% 100,00% 100,00% 100,00% 100,00% 100,00% 100,00% 100,00% 100,00% 100,00% 100,00% 100,00% 1 Resultados reportados à UF e com as mesmas características representativas da Tabela 21. 2 Resultado maioritariamente influenciado pelos terrenos ocupados. Avaliação de Ecoeficiência do Processo Produtivo de uma Organização Vitivinícola. O Caso da Sociedade Agrícola e Comercial do Varosa, S.A. (Murganheira) 67 De forma a serem analisadas as importâncias percentuais de cada fase nos valores finais das diferentes categorias de impacte ambiental, apresenta-se a Figura 27, na qual são comparados os anos de 2012 e 2014. Figura 27 – Distribuição percentual do impacte das diferentes fases em 2012 e 2014 É observável que a grande diferença entre a distribuição da influência das fases, entre os dois anos considerados, destaca-se na relevância da fase de Viticultura na quantificação de impacte ambiental, que aumenta significativamente no ano de 2014 quando comparado com o ano de 2012, nas categorias de Aquecimento Global (AG), Acidificação Potencial (AP) e Eutrofização Potencial (EP). O aumento da importância da Viticultura diminui a influência das fases de Engarrafamento e Embalagem e de Produção de Vinho nas categorias citadas. Também é descrita a maior relevância da fase de Viticultura em 2014, na categoria de Formação de Oxidantes Fotoquímicos (FOF), embora com uma influência de valor negativo. Nas categorias de Ocupação de Solo (OS) e de Ecotoxicidade Terrestre (ET), a importância da Viticultura aumenta, confirmando a maioria da influência nos resultados globais. Na categoria de Toxicidade Humana (TH) ocorre também um acréscimo, mas mantendo-se o carácter secundário dessa fase. Procedeu-se também a uma comparação dos resultados absolutos do sistema produtivo total entre 2012 e 2014 (Tabela 23), utilizando apenas os resultados de ACV, porque os resultados da Avaliação de Ecoeficiência são significativamente influenciados pelos diferentes valores económicos dos dois anos. Assim, uma análise comparativa com esses dados iria levar a conclusões influenciadas por essa diferença dos valores económicos, que são afetados por outros fatores que não a produção e venda da empresa. Tabela 23 - Comparação dos resultados de ACV do sistema de produção total entre 2012 e 2014 DRA-E (kg Sb eq.) DRA-CF (MJ eq ) OS (m2.ano eq.) AG (kg CO2 eq.) DCO (kg CFC -11 eq.) TH (kg 1,4 DCB eq.) EAAD (kg 1,4 DCB eq.) EAAM (kg 1,4 DCB eq.) ET (kg 1,4 DCB eq.) FOF (kg C2H4 eq.) AP (kg SO2 eq.) EP (kg PO4 eq.) TOTAL 2012 4,48E-04 1,41E+01 2,36E+00 1,19E+00 1,14E-07 3,86E-01 2,64E+00 6,78E+02 1,71E-02 7,29E-04 5,83E-03 7,56E-04 TOTAL 2014 4,50E-04 3,40E+01 4,18E+00 7,09E+00 1,14E-07 4,27E-01 9,41E+00 6,98E+02 5,91E-02 2,68E-05 9,33E-02 6,53E-02 -60% -40% -20% 0% 20% 40% 60% 80% 100% 20122014 20122014 2012 2014 2012 2014 2012 2014 2012 2014 2012 2014 20122014 20122014 20122014 2012 2014 2012 2014 DRA-E DRA-CF OS AG DCO TH EAAD EAAM ET FOF AP EP Distribuição Percentual (%) Categorias de Impacte Viticultura Produção de Vinho Engarrafamento e Embalagem Distribuição Avaliação de Ecoeficiência do Processo Produtivo de uma Organização Vitivinícola. O Caso da Sociedade Agrícola e Comercial do Varosa, S.A. (Murganheira) 68 Comparando os resultados finais de ACV entre 2012 e 2014 concluiu-se que ocorrem aumentos significativos dos valores de impacte praticamente em todas as categorias (DRA-CF, OS, AG, TH, EAAD, ET, AP e EP), que são maioritariamente influenciadas pela fase de Viticultura. Exclui-se a categoria de Formação de Oxidantes Fotoquímicos (FOF), porque neste caso, a Viticultura tem uma influência inversa aos valores das outras fases. As outras categorias (DRA-E, DCO e EAAM) não aumentam ou aumentam apenas ligeiramente, por duas razões: não são influenciadas pela fase de Viticultura, traduzindo a grande diferença de procedimento da empresa entre os dois anos no que concerne à aplicação de fertilizantes sintéticos; e pelo facto da quantidade de vinho produzido ter sido menor no ano de 2014 que em 2012, o que provoca um aumento global nos valores de 2014, uma vez que todos os resultados estão reportados à UF. De forma a analisar as fases individualmente, procede-se à apresentação dos resultados para cada uma das fases. Na fase de Viticultura, com a variação descrita na Tabela 24 e representada na Figura 28, pode-se observar que as ações praticadas no ano de 2014 produziram maiores valores de impacte para todas categorias. Como referido no início deste capítulo, o ano de 2012 contrasta de forma significativa com 2014, na aplicação de produtos fertilizantes sintéticos. Segundo informação da empresa, o ano de 2014, foi um ano de maior aplicação de produtos decorrente de uma análise de solos oportunamente efetuada, e que demonstrou a necessidade de uma intervenção de fundo nos terrenos de vinha. Assim sendo, deve ser apontada essa diferença de procedimento como o fator responsável pelos valores mais significativos obtidos para 2014, uma vez que não existiram grandes alterações noutros fatores como o consumo de água, de diesel e na aplicação de produtos fitossanitários. Tabela 24 – Comparação dos resultados de ACV para a fase de Viticultura em 2012 e 2014 DRA-E (kg Sb eq.) DRA-CF (MJ eq.) OS (m2.ano eq.) AG (kg CO2 eq.) DCO (kg CFC -11 eq.) TH (kg 1,4 DCB eq.) EAAD (kg 1,4 DCB eq.) EAAM (kg 1,4 DCB eq.) ET (kg 1,4 DCB eq.) FOF (kg C2H4 eq.) AP (kg SO2 eq.) EP (kg PO4 eq.) Viticultura 2012 5,29E-07 7,16E-01 2,03E+00 5,81E-02 1,50E-10 1,42E-02 2,62E+00 2,22E+00 1,56E-02 2,18E-05 3,38E-04 1,64E-04 Viticultura 2014 2,46E-06 2,02E+01 3,86E+00 5,92E+00 1,03E-09 4,71E-02 9,39E+00 4,64E+00 5,75E-02 -7,03E-04 8,77E-02 6,47E-02 Figura 28 - Comparação percentual de resultados da fase de Viticultura entre os dois anos analisados -100% -80% -60% -40% -20% 0% 20% 40% 60% 80% 100% DRA-E DRA-CF OS AG DCO TH EAAD EAAM ET FOF AP EP Comparação Relativa (%) Categorias de Impacte Viticultura 2012 Viticultura 2014 Avaliação de Ecoeficiência do Processo Produtivo de uma Organização Vitivinícola. O Caso da Sociedade Agrícola e Comercial do Varosa, S.A. (Murganheira) 69 De forma a identificar a origem do aumento da influência da Viticultura entre 2012 e 2014, considerouse fundamental comparar os contributos dos diferentes componentes contribuintes para esta fase nos dois anos, resumido Figura 29. Figura 29 - Distribuição das contribuições dos componentes analisados na fase de Viticultura para os anos de 2012 e 2014 Em conformidade com o já referido muito considerável aumento da aplicação de fertilizantes sintéticos nos solos no ano de 2014 comparativamente a 2012, a Figura 29 permite constatar que o contributo da fertilização aumenta significativamente em 2014 quando comparada com os outros componentes desta fase. O aumento de influência é observável na maioria das categorias, excetuando-se Ecotoxicidade Aquática na Água Doce (EAAD) e Ecotoxicidade Terrestre (ET). Também na categoria de Formação de Oxidantes Fotoquímicos (FOF) ocorre influência embora no sentido inverso. Para descrever o aumento do peso desta fase não devem ser negligenciados outros dois fatores: um ligeiro acréscimo das quantidades anuais utilizadas de outros produtos nomeadamente os produtos fitossanitários e a diminuição da produção de uvas entre 2012 e 2014. No caso da fase de Produção de Vinho, são notórias algumas diferenças nos valores das categorias analisadas como se pode verificar na Tabela 25 e Figura 30. As diferenças descrevem pequenos aumentos e diminuições nas categorias, que estão relacionados com algumas alterações pouco significativas a nível de inventário nomeadamente nos produtos utilizados. -100% -80% -60% -40% -20% 0% 20% 40% 60% 80% 100% 20122014 2012 2014 20122014 20122014 20122014 20122014 2012 2014 20122014 20122014 20122014 20122014 2012 2014 DRA-E DRA-CF OS AG DCO TH EAAD EAAM ET FOF AP EP Distribuição Percentual (%) Categorias de Impacte Fertilizantes Produtos Fitossanitários Diesel Transporte Uvas Avaliação de Ecoeficiência do Processo Produtivo de uma Organização Vitivinícola. O Caso da Sociedade Agrícola e Comercial do Varosa, S.A. (Murganheira) 70 Tabela 25 - Resultados de ACV para a fase de Produção de Vinho em 2012 e 2014 DRA-E (kg Sb eq.) DRA-CF (MJ eq.) OS (m2.ano eq.) AG (kg CO2 eq.) DCO (kg CFC -11 eq.) TH (kg 1,4 DCB eq.) EAAD (kg 1,4 DCB eq.) EAAM (kg 1,4 DCB eq.) ET (kg 1,4 DCB eq.) FOF (kg C2H4 eq.) AP (kg SO2 eq.) EP (kg PO4 eq.) Produção de Vinho 2012 3,93E-08 2,14E+00 8,41E-03 2,74E-01 1,15E-08 2,34E-02 7,70E-04 1,89E+02 1,21E-04 5,10E-04 1,46E-03 7,79E-05 Produção de Vinho 2014 2,87E-08 2,36E+00 5,60E-03 2,95E-01 7,54E-09 2,46E-02 5,84E-04 2,07E+02 1,54E-04 5,33E-04 1,61E-03 1,01E-04 Figura 30 - Comparação percentual de resultados da fase de Produção de Vinho entre os dois anos analisados As diferenças entre os valores obtidos sobre a fase de Produção de Vinho não são muito significativas, no entanto, é possível identificar um decréscimo entre 2012 e 2014 nas categorias de Depleção de Recursos Abióticos - Elementos (DRA-E), Ocupação de Solo (OS), Depleção de Camada de Ozono (DCO) e Ecotoxicidade Aquática na Água Doce (EAAD). Por outro lado, denota-se um ligeiro aumento dos valores nas outras categorias, entre 2012 e 2014, com maior destaque para as de Ecotoxicidade Terrestre (ET) e Eutrofização Potencial (EP). De forma a relacionar os resultados obtidos para a fase de Produção de Vinho e os resultados globais, foram avaliadas as categorias que nos resultados finais mais são influenciadas pela fase de Produção de Vinho. Assim, podem-se identificar os exemplos de Aquecimento Global (AG) e da Acidificação Potencial (AP) que embora tenham os valores absolutos aumentados na Produção de Vinho, esta fase perde influência no ano de 2014 para a fase de Viticultura. No mesmo sentido, a fase de Produção de Vinho perde peso nos valores positivos na categoria de Formação de Oxidantes Fotoquímicos para a fase de Engarrafamento e Embalagem, não obstante o seu contributo real ser maior em 2014. Por outro lado, na categoria de Ecotoxicidade Aquática na Água Marinha (EAAM), o aumento da contribuição desta fase entre 2012 e 2014, provoca um ligeiro crescimento na influência no resultado global, em 2014. Na fase de Engarrafamento e Embalagem, a única diferença de inventário considerada entre os dois anos de estudo é um decréscimo do peso das garrafas de 890g para 880g. Como se pode verificar na Tabela 26, existe uma redução dos valores de impacte obtidos em quase todas as categorias, mas esse decréscimo é muito pouco representativo. Essa redução é resultado de dois fatores, que influenciam os resultados desta fase de forma contrária, e que ocorrem entre 2012 e 2014: o decréscimo do peso das 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90% 100% DRA-E DRA-CF OS AG DCO TH EAAD EAAM ET FOF AP EP Comparação Relativa (%) Categorias de Impacte Produção de Vinho 2012 Produção de Vinho 2014 Avaliação de Ecoeficiência do Processo Produtivo de uma Organização Vitivinícola. O Caso da Sociedade Agrícola e Comercial do Varosa, S.A. (Murganheira) 71 garrafas que comporta um benefício ambiental, diminuindo os valores, e a diminuição de produção da quantidade de vinho que, ao reportar os dados de inventário à unidade funcional (0,75 litros de vinho produzido), influencia os resultados de 2014, aumentando-os. Tendo em conta estes dois fatores contrários, os valores das categorias diminuem como já referido, embora apenas em pequena escala. As pequenas diferenças obtidas conduzem a, neste caso, dispensar a representação gráfica. Tabela 26 - Resultados de ACV para a fase de Engarrafamento e Embalagem para 2012 e 2014 DRA-E (kg Sb eq.) DRA-CF (MJ eq.) OS (m2.ano eq.) AG (kg CO2 eq.) DCO (kg CFC -11 eq.) TH (kg 1,4 DCB eq.) EAAD (kg 1,4 DCB eq.) EAAM (kg 1,4 DCB eq.) ET (kg 1,4 DCB eq.) FOF (kg C2H4 eq.) AP (kg SO2 eq.) EP (kg PO4 eq.) Engarrafamento e Embalagem 2012 4,47E-04 1,02E+01 3,12E-01 7,87E-01 9,12E-08 3,22E-01 1,79E-02 4,76E+02 1,36E-03 1,81E-04 3,72E-03 4,72E-04 Engarrafamento e Embalagem 2014 4,47E-04 1,01E+01 3,10E-01 7,80E-01 9,03E-08 3,20E-01 1,79E-02 4,72E+02 1,35E-03 1,80E-04 3,69E-03 4,68E-04 Relativamente à fase de Distribuição, os valores de impacte aumentam em todas as categorias em 2014, podendo esse aumento ser atribuído apenas à menor quantidade de vinho produzido nesse ano, uma vez que a quantidade de distribuição dos produtos vendidos não é significativamente diferente entre os dois anos. De qualquer forma, este aumento de valores não reflete uma influência relevante nos resultados finais do sistema na maioria das categorias, porque esta fase não influencia significativamente esses resultados. Ainda assim, na categoria de Depleção de Camada de Ozono (DCO), na qual a Distribuição obteve maior percentagem de impacte sobre os resultados do sistema total, identifica-se um aumento relevante de 10% para 13,6% entre 2012 e 2014, sendo este o exemplo mais evidente da alteração sentida nos resultados finais. Podem-se observar os resultados de ACV para a fase de Distribuição em 2012 e 2014, na Tabela 27 e na Figura 31. Tabela 27 - Resultados de ACV para a fase de Distribuição para 2012 e 2014 DRA-E (kg Sb eq.) DRA-CF (MJ eq.) OS (m2.ano eq.) AG (kg CO2 eq.) DCO (kg CFC -11 eq.) TH (kg 1,4 DCB eq.) EAAD (kg 1,4 DCB eq.) EAAM (kg 1,4 DCB eq.) ET (kg 1,4 DCB eq.) FOF (kg C2H4 eq.) AP (kg SO2 eq.) EP (kg PO4 eq.) Distribuição 2012 1,74E-07 1,04E+00 4,13E-03 6,64E-02 1,16E-08 2,63E-02 8,50E-04 1,06E+01 1,03E-04 1,58E-05 3,18E-04 4,30E-05 Distribuição 2014 2,32E-07 1,35E+00 5,52E-03 8,61E-02 1,55E-08 3,50E-02 1,14E-03 1,42E+01 1,37E-04 1,67E-05 3,35E-04 4,90E-05 Figura 31 - Comparação percentual de resultados da fase de Distribuição entre os dois anos analisados 0% 20% 40% 60% 80% 100% DRA-E DRA-CF OS AG DCO TH EAAD EAAM ET FOF AP EP Comparação Relativa (%) Categorias de Impacte Distribuição 2012 Distribuição 2014 Avaliação de Ecoeficiência do Processo Produtivo de uma Organização Vitivinícola. O Caso da Sociedade Agrícola e Comercial do Varosa, S.A. (Murganheira) 78 Embora tenham sido igualmente apresentados os resultados de Avaliação de Ecoeficiência para 2012, as comparações efetuadas, entre os dois anos, consideraram apenas os resultados de ACV, uma vez que o valor económico tornaria os valores de impacte de 2014 muito mais elevados quando comparados com 2012, devido ao facto desse valor, referente ao lucro, ser muito mais elevado em 2012. Considerou-se que este valor pode ser influenciado por outras questões relativas à gestão da empresa, porque a própria quantidade de vendas entre os dois anos foi semelhante. De qualquer forma, não sendo comparados os resultados de ecoeficiência, pode-se considerar que a menor utilização de fertilizantes sintéticos trará melhorias ao nível da ecoeficiência, porque o valor de impacte é menor, como referido, e o valor económico será influenciado por essa menor quantidade de produto fertilizante comprado. Concluindo, pela comparação efetuada, verificou-se que uma fertilização artificial muito menor, como em 2012 que é identificada como a prática normal da Murganheira, reduz significativamente os resultados globais. Embora em 2014, a fertilização tenha sido excessivamente maior pela necessidade identificada em análises feitas aos solos, é expectável que noutros anos a aplicação de fertilizantes seja mais semelhante a 2012. Além disso, relembra-se que para a fase de Viticultura foi efetuada uma extrapolação dos valores da Murganheira, sendo que nos outros produtores não terá ocorrido uma fertilização tao acentuada. Nesse sentido, os valores da Viticultura de 2012 serão mais demonstrativos das atividades normais da empresa nos vários anos de atividade e também mais representativos do comportamento dos outros fornecedores no próprio ano de 2014. Além da análise entre 2012 e 2014, avaliou-se a alteração proporcionada pela introdução da produção de eletricidade por painéis fotovoltaicos, uma vez que foi interessante perceber que vantagens a nível de ecoeficiência foram oferecidas por uma ação tão recente da empresa, sendo a produção de eletricidade um dos pontos mais fortes da influência da fase de Produção de Vinho, Concluiu-se que esta opção veio trazer melhorias de ecoeficiência para todas as categorias, com variações na ordem dos 12% para a grande maioria. Essa melhoria é consequência da menor quantidade de eletricidade consumida e pelo valor monetário recuperado pela venda da energia à rede. Foi igualmente testada uma alteração na quantidade de vidro utilizado nas garrafas de forma a avaliar as melhorias que uma redução mais expressiva do peso poderia revelar nos resultados finais, uma vez que são produtos influentes na obtenção dos resultados finais. Concluiu-se que uma redução de 10 a 20% do peso das garrafas poderia permitir melhorias razoáveis nos valores de ecoeficiência para algumas das categorias. No global, é explícita a intenção da empresa em apostar em melhorias a nível de ecoeficiência no seu sistema produtivo, sem afetar a qualidade do produto. As medidas aplicadas identificam-se como corretas e com resultados condizentes, das quais são exemplo, a introdução da geração própria de eletricidade e o decréscimo na massa das garrafas, neste caso por parte do produtor. Embora as melhorias proporcionadas pelas ações descritas tenham sido provadas neste trabalho, através da análise específica das mesmas, não foram totalmente evidentes na comparação entre os dois anos estudados, porque outros fatores, nomeadamente as diferenças na quantidade de vinho produzido e na fertilização, influenciaram os resultados de forma mais significativa. No entanto, se considerarmos que esses fatores se equilibram numa escala temporal de vários anos, poderá ser evidente a melhoria da ecoeficiência proporcionada pelas ações referidas. Neste contexto, surge um dos trabalhos futuros propostos no próximo capítulo que envolve uma maior abrangência temporal deste tipo de estudos, permitindo obter um esboço mais aproximado da realidade evolutiva da ecoeficiência, no decorrer de vários anos, e enquadrar a Avaliação de Ecoeficiência na tomada de decisões respeitantes a alterações no sistema produtivo da empresa. Avaliação de Ecoeficiência do Processo Produtivo de uma Organização Vitivinícola. O Caso da Sociedade Agrícola e Comercial do Varosa, S.A. (Murganheira) 79 7.2. Trabalhos Futuros Na sequência das avaliações, resultados e conclusões obtidas por este trabalho, considera-se importante refletir de que forma pode ser definida uma continuidade do tema desenvolvido. Podem ser definidos vários trajetos de continuidade dos assuntos tratados neste trabalho. Alguns passos a desenvolver poderão estar relacionados com as Avaliações de Ciclo de Vida e de Ecoeficiência, num contexto global, ou poderão ser apontados trabalhos futuros no âmbito da análise efetuada à empresa em questão. Assim, optou-se por efetuar uma listagem sucinta de algumas propostas de desenvolvimento. Num contexto geral sobre o tema:  Integrar o conceito de Avaliação de Ecoeficiência como prática corrente na gestão de empresas e na tomada de decisões respeitantes a alterações no sistema produtivo.  Para tal, identifica-se a hipótese de desenvolver softwares ou folhas de cálculo que, complementando os softwares já existentes para Avaliação de Ciclo de Vida, possam focar-se na produção do inventário. Nomeadamente, através do conhecimento dos produtos comerciais utilizados, possibilitar a organização do inventário com o apoio de um software com bases de dados próprias, que identifique as substâncias ativas de cada produto e calcule automaticamente as emissões provocadas pela aplicação dos mesmos.  Poderá ser interessante desenvolver os softwares de ACV para poderem incluir fatores económicos e assim integrar a Avaliação de Ecoeficiência. No contexto mais específico do trabalho realizado sobre a Murganheira, será interessante:  Estudar a produção de todos materiais sobre os quais não foi possível recolher dados para avaliar o impacte de produção.  Avaliar de forma abrangente o transporte desde os produtores dos diversos produtos utilizados.  Podendo alargar o espectro de análise a uma perspetiva de “cradle-to-grave”, será interessante analisar os procedimentos de fim de vida dos produtos, após o consumo.  No mesmo sentido, será interessante integrar análises periódicas às descargas de efluente após tratamento da ETAR, com o objetivo de acompanhar a evolução da ecoeficiência da mesma.  Efetuar avaliações sobre a produção respeitante a um maior número de anos, nomeadamente os últimos 10 a 15 anos, avaliando de forma mais completa a evolução da empresa em termos ambientais e de ecoeficiência, e integrando o estudo na gestão da mesma. Para isso seria também interessante identificar um valor económico relativo ao produto final, de forma a permitir uma comparação de ecoeficiência fidedigna entre os diferentes anos.  Usando a base existente, avaliar possíveis intervenções no sistema produtivo, no sentido de promover a melhoria da ecoeficiência. Avaliação de Ecoeficiência do Processo Produtivo de uma Organização Vitivinícola. O Caso da Sociedade Agrícola e Comercial do Varosa, S.A. (Murganheira) 80 Avaliação de Ecoeficiência do Processo Produtivo de uma Organização Vitivinícola. O Caso da Sociedade Agrícola e Comercial do Varosa, S.A. (Murganheira) 81 Bibliografia 3M. 2015. 3M. [Online] 2015. [Citação: 10 de março de 2015.] http://www.3m.com/3M/en_US/sustainability-us/goals-progress/. Agri-footprint. 2015. Agri-footprint. [Online] 2015. [Citação: 12 de abril de 2015.] http://www.agrifootprint.com/. Amienyo, D., Camilleri, C. e Azapagic, A. 2014. Environmental impacts of consumption of Australian red wine in the UK. 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