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Perfil das capacidades físicas e performance em tenisnteas portugueses de alto rendimento.

Inês Nóbrega Barbosa

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1 Perfil das Capacidades Físicas e Performance em Tenistas Portugueses de Alto Rendimento Dissertação apresentada às provas de Mestrado em Ciências do Desporto, realizado no âmbito do Curso de 2º Ciclo em Treino de Alto Rendimento, nos termos do Decreto-Lei nº 74/2006 de 24 de Março. Orientador: Professor Doutor Eduardo Oliveira Inês Nóbrega Barbosa Porto, Junho 2016 2 Barbosa, I. (2016). Perfil das capacidades físicas e performance em Tenistas Portugueses de Alto Rendimento. Porto: I. Barbosa. Tese de Mestrado para a obtenção do Grau de Mestre em Treino de Alto Rendimento, apresentado à Faculdade de Desporto da Universidade do Porto. Palavras-chave: TÉNIS, DESEMPENHO FÍSICO, ALTO RENDIMENTO. I Agradecimentos A elaboração deste trabalho só se tornou possível com a colaboração e encorajamento de diversas pessoas, às quais eu gostaria de manifestar o meu agradecimento: Ao meu orientador, Professor Doutor Eduardo Oliveira, pela orientação, disponibilidade, compreensão, ajuda e transmissão de conhecimento ao longo deste trabalho. Ao Nuno Marques, André Lopes, Miguel Sousa, Emanuel Couto e Carlos Costa pela possibilidade de realização deste trabalho, pela cooperação, pelo espírito de entreajuda e pela a amizade. À Federação Portuguesa de Ténis por toda a simpatia e colaboração. Aos atletas que participaram, que são a base deste trabalho e aos quais agradeço a colaboração, o empenho, a dedicação e a confiança. Aos meus treinadores, João, André, Miguel, Nogui, Vasco e Nuno, por me despertarem a paixão pelo Ténis e pelo que me ensinaram. Aos meus pais, pelos valores que me transmitem, pelo apoio e amor incondicionais em todos os momentos da minha vida. Ao meu irmão, que é uma peça chave para a realização deste trabalho, pela disponibilidade e apoio constante. À Rita Freitas, ao Palito, à Bely e ao Luís Jorge, pela disponibilidade e amizade sempre demonstrada. Aos meus amigos, pela preocupação, amizade e incentivo que transmitem. II III Índice Geral Agradecimentos .................................................................................................. I Índice Geral ....................................................................................................... III Índice de Figuras ................................................................................................ V Índice de Quadros ............................................................................................ VII Resumo ............................................................................................................. IX Abstract ............................................................................................................. XI Abreviaturas .................................................................................................... XIII 1. Introdução ...................................................................................................... 1 2. Revisão da Literatura ..................................................................................... 3 2.1. Caracterização da modalidade .................................................................... 3 2.2. Metabolismo e Sistemas Energéticos ......................................................... 7 2.3. Carga interna e externa – parâmetros de avaliação .................................... 8 2.4. Componentes Físicas ................................................................................ 16 3. Objetivos e hipóteses ................................................................................... 20 4. Material e métodos ....................................................................................... 21 4.1. Caracterização da amostra .................................................................... 21 4.2. Instrumentos .......................................................................................... 23 Desenho do estudo .................................................................................... 23 Protocolo Experimental .............................................................................. 23 4.3. Procedimentos estatísticos ........................................................................ 27 5. Resultados ................................................................................................... 28 6. Discussão ..................................................................................................... 43 7. Conclusão .................................................................................................... 51 8. Bibliografia .................................................................................................... 52 IV V Índice de Figuras Figura 1 - Componentes físicas necessárias para uma boa performance no ténis (Kovacs, 2007) ......................................................................................... 17 Figura 2 – Teste de agilidade 505 (Draper & Lancaster, 1985) citados por (Sheppard & Young, 2006) ............................................................................... 25 VI VII Índice de Quadros Quadro 1 – Duração dos pontos de acordo com as superfícies adaptado por (Kovacs, 2007). .................................................................................................. 6 Quadro 2 – Alterações dos valores de FC média, segundo diferentes tipos de jogo adaptado por (Kovacs, 2007). .................................................................. 11 Quadro 3 – Valores médios de VO2máx em tenistas de elite adaptado por (Kovacs, 2007). ................................................................................................ 13 Quadro 4 – Valores médios de frequência cardíaca (FC), lactatemia (La) e perceção subjetiva do esforço (RPE) adaptado por (J. Fernandez et al., 2006) ......................................................................................................................... 15 Quadro 5 – Caracterização da amostra feminina. ............................................ 22 Quadro 6 – Caracterização da amostra masculina. ......................................... 23 Quadro 7 – Características da amostra feminina. Os dados apresentados contêm os valores das médias (𝑥𝑥), desvios-padrão (dp) e amplitude (mínimomáximo)............................................................................................................ 28 Quadro 8 – Características da amostra masculina. .......................................... 29 Quadro 9 – Resultados alcançados pelos tenistas no teste de impulsão vertical. ......................................................................................................................... 30 Quadro 10 - Resultados alcançados pelos tenistas da avaliação da velocidade (s) aos 5m, 10m e 20m obtidos pelas tenistas. ................................................ 32 Quadro 11 – Resultados obtidos pelos tenistas durante o teste de agilidade (505) em segundos. ......................................................................................... 33 Quadro 12 – Resultados obtidos pelos tenistas no teste de Força Máxima dos Extensores do Joelho no Membro Preferido. ................................................... 34 Quadro 13 – Resultados alcançados pelos tenistas no teste de Força Máxima dos Rotadores Internos (RI) e Rotadores Externos (RE) do Ombro no Membro Preferido (kg). ................................................................................................... 35 Quadro 14 – Resultados atingidos pelos tenistas no teste de Força Máxima de Preensão Manual no Membro Preferido (kg).................................................... 37 Quadro 15 – Resultados obtidos pelos tenistas no teste de Velocidade (km/h) e Precisão do Serviço (%). .................................................................................. 38 XIV RE – Rotadores Externos RI – Rotadores Internos s – Segundos SJ – Squat Jump USTA – United States Tennis Associaton Vel – Velocidade VO2 – Consumo do Volume de Oxigénio VO2máx – Consumo do Volume Máximo de Oxigénio WTA – Women’s Tennis Association 1 1. Introdução Para alcançar o sucesso no ténis, é necessária uma combinação de variáveis como: talento, treino de qualidade, equipamento apropriado e compreensão das Ciências do Desporto fulcrais para alcançar a melhor performance possível (Elliott, 2006). Deste modo, o desenvolvimento do jogador, apoiado na evidência científica, permite uma abordagem individualizada e estruturada. A investigação científica serve de auxílio ao treinador para desenvolver programas de treino com o intuito de maximizar o desempenho e reduzir o risco de lesão no atleta (Kovacs, 2006). O ténis, enquanto modalidade, com a sua popularidade entre o público e os media, a grande quantidade de participantes, os diversos torneios profissionais e amadores efetuados todas as semanas, tornou-se num desporto muito popular, levando a que o seu estudo crescesse exponencialmente. Deste modo, como modalidade altamente competitiva, exige a compreensão das principais variáveis fisiológicas (Groppel, 1986). Para Ojala and Häkkinen (2013) as alterações fisiológicas e da performance que ocorrem nos atletas durante a competição devem ser alvo de investigação. As características do jogo de ténis têm vindo a evoluir ao longo dos tempos. É uma modalidade cada vez mais dinâmica e explosiva com pancadas realizados a elevadas velocidades, exigindo uma grande capacidade física ao atleta (Kovacs, 2007). Deste modo, os tenistas são obrigados a desenvolverem níveis mais elevados de aptidão física para que exista uma evolução progressiva e o desempenho no court seja bem-sucedido contra jogadores de elite (FernandezFernandez, Sanz-Rivas, & MendezVillanueva, 2009) citados por (Ulbricht, Fernandez-Fernandez, MendezVillanueva, & Ferrauti, 2016). Portanto, vários autores referem que para se alcançar a elite do ténis é necessária uma combinação de capacidades como velocidade, agilidade, coordenação e potência, associado a uma boa capacidade aeróbia, bem como anaeróbia. Assim sendo, o desempenho de um tenista é fruto de uma interação complexa entre componentes físicas e vias metabólicas (Kovacs, 2007). Na tentativa de compreender quais são as capacidades mais e menos desenvolvidas em cada 2 tenista, tem sido utilizado uma bateria de testes físicos pradonizada que possibilita uma importante informação ao treinador (Girard & Millet, 2009). Esta temática tem como principal objetivo identificar as capacidades que estão mais relacionadas com um bom desempenho no court. Contudo, ainda existem muitos resultados contraditórios, pelo que há uma necessidade de aumentar a pesquisa sobre as exigências físicas relacionadas com o desempenho, uma vez que ainda não são totalmente compreendidas (Girard & Millet, 2009; Ulbricht et al., 2016). O objetivo do presente estudo foi perceber se as características físicas estão relacionadas com o desempenho dos jogadores, isto é, com o ranking apresentado pelos jogadores portugueses de elite. 3 2. Revisão da Literatura 2.1. Caracterização da modalidade O ténis caracteriza-se por ser uma modalidade intermitente, com ações curtas e repetidas de alta intensidade, de curta duração do ponto e intercalado com curtos períodos de recuperação (J. Fernandez, Mendez-Villanueva, & Pluim, 2006; Kovacs, 2007). Contudo, a pesquisa no ténis é dificultada devido à variação da natureza do próprio jogo (Kovacs, 2007). É uma modalidade de habilidades abertas, onde a instabilidade do ambiente e a imprevisibilidade do jogo interferem constantemente nas tomadas de decisão dos jogadores, exigindo ao jogador uma grande capacidade de adaptação devido à diversidade de factores a controlar, como por exemplo: a duração total do jogo e dos pontos, a superfície do campo e o próprio estilo de jogo (Reid, Quin, & Crespo, 2003). Kovacs (2006) e J. Fernandez et al. (2006) acrescentam que para além do factor adversário, duração do jogo e estratégia as condições atmosféricas devem ser tidas em conta. Por vezes, um encontro de ténis pode demorar 1 hora (h), bem como 5h. Na maioria das competições o jogo é disputado à melhor de três sets, com uma duração média dos jogos de 1,5 horas (M. F. Bergeron et al., 1995). No entanto, em torneios do Grand Slam1 e Davis Cup2 as regras sofrem uma pequena alteração no número de sets, nos encontros do sector masculino. Para vencer a partida é obrigatório ganhar três sets, sendo que o jogo é disputado à melhor de cinco sets (ITF, 2015). No jogo de ténis a duração dos pontos varia entre os 4 e os 10 segundos (s) (Kovacs, 2007). As regras permitem períodos de recuperação, que ocorrem entre pontos, mudanças de lado no final de um jogo e no final de um set. O tempo de descanso entre os pontos é de 20s, nas mudanças de lado é de 90s e após a finalização de um set é de 120s (ITF, 2015). Deste modo, a proporção entre o tempo de duração do ponto e o tempo de recuperação é de 1:2 a 1:5. 1 Grand Slam – Torneios mais importantes da temporada de um jogador profissional. É constituído por quatro torneios: Open da Austrália, Roland Garros, Wimbledon e US Open, que acontecem segundo esta ordem. 2 Davis Cup – é a principal competição mundial entre seleções masculinas. 4 Isto permite aos tenistas recuperarem rapidamente para o ponto seguinte (Kovacs, 2007). Um dos principais factores que influencia o tipo de jogo de um tenista profissional é a superfície do court (O’Donoghue & Ingram, 2001). Segundo J. Fernandez et al. (2006) o tempo de jogo efetivo num court de terra batida (clay) varia entre 20 e 30% e entre 10 e 15% num campo de superfície rápida, sendo que o nível dos atletas, tática, sexo e tipo de bola têm uma forte influência. A superfície de terra batida utilizada no Grand Slam de Roland Garros, caracteriza-se por ser a superfície mais lenta, tornando os pontos ligeiramente mais longos, comparativamente com as superfícies de relva (grass) e piso rápido (hardcourt) (Kovacs, 2004a; O’Donoghue & Ingram, 2001). O ressalto da bola é mais lento, permitindo ao tenista uma preparação da pancada com mais tempo. Deste modo, o tempo de jogo tende a ser superior, exigindo uma melhor capacidade física e mental. Os tenistas que obtêm maior sucesso neste piso são os chamados “baseliners”3, caracterizam-se por exibirem as pancadas e os serviços com elevado efeito topspin4 (Coutinho, 2008). A superfície mais rápida e com a duração de ponto mais curta é a relva. Esta superfície é utilizada no torneio de Wimbledon, um dos quatro Grand Slams existentes ao longo do ano. O facto do torneio de Roland Garros ser jogado numa superfície lenta, os jogadores tendem a jogar o ponto no fundo do campo (51% dos pontos). Pelo contrário, no torneio de Wimbledon, apenas 19% dos pontos são jogados em cima da linha de fundo, o que demonstra uma maior variedade de jogo por parte dos tenistas (Kovacs, 2004a; O’Donoghue & Ingram, 2001). Na relva, o ressalto da bola caracteriza-se por ser bastante baixo e a grandes velocidades, dificultando assim a troca de bolas do fundo do court. Os tenistas mais bem sucedidos neste piso possuem um serviço muito potente (chapado e slice5) e um bom jogo de rede. O slice é uma pancada que é muito utilizada e que provoca algumas dificuldades aos tenistas, uma vez que o seu efeito faz a bola baixar rapidamente. Face a estas características o serviço-rede, ou seja, a 3 Baseliners – Tenistas que apresentam um estilo de jogo específico do fundo do campo. 4 Topsin – Efeito que tem como objetivo colocar a bola a rodar para a frente. 5 Slice – Efeito cortado que provoca uma trajetória curvilínea da bola, na pancada de serviço. Nas pancadas do fundo, a bola baixa rapidamente dificultando o adversário. 5 subida imediata à rede após a realização do serviço, é uma das táticas mais utilizadas pelos tenistas. A duração do ponto é menor relativamente aos outros pisos, sendo que a maioria dos pontos terminam logo no serviço ou na resposta. Deste modo, neste piso é exigido aos tenistas uma grande capacidade de concentração, pois uma quebra de serviço pode comprometer o resultado do jogo. Os pisos rápidos caracterizam-se por serem pisos mais equilibradas, isto é, permitem a obtenção de bons resultados tanto a um tenista especialista em terra batida como a um tenista especialista em relva. Neste piso, os tenistas que executam pancadas mais chapadas facilmente provocam dificuldades aos adversários, no entanto o bom ressalto da bola possibilita aos tenistas imprimir um grande topspin na bola, dificultando o jogo mais “reto” do adversário (Coutinho, 2008). Contudo, existem diferenças na duração dos pontos entre géneros. Normalmente, a duração do ponto num jogo entre o sexo feminino é de 7,1s, relativamente superior à duração do ponto num jogo entre o sexo masculino que é de 5,2s. Isto pode ser explicado pelo estilo de jogo. O jogo masculino é muito mais agressivo e diversificado e, por isso mais rápido que o jogo feminino. Deste modo, o tempo de jogo efetivo é superior no sexo feminino, uma vez que a duração do ponto é superior, bem como a duração do próprio jogo, quando ambos são jogados ao melhor de três sets (Kovacs, 2004a; O’Donoghue & Ingram, 2001). De uma forma geral, os pontos não ultrapassam os 13s, sendo que a maioria tem uma duração inferior a 10s (Kovacs, 2006) (ver quadro 1). Como já foi referido anteriormente, o tipo de bola provoca diferentes exigências ao jogo de cada atleta. Existem quatro tipos de bolas distintas, estas são utilizadas de acordo com a superfície do campo e altitude. A bola tipo 1 é a que atinge uma velocidade maior e menor ressalto. É utilizada em superfícies mais lentas, como a terra batida. A bola tipo 2 caracteriza-se por ter uma velocidade e ressalto intermédios. Este tipo de bola associa-se à superfície de piso rápido, uma vez exige um jogo mais agressivo e acelerado. A bola tipo 3 é de baixa velocidade e maior ressalto. Desta forma, a sua utilização está relacionada com a superfície de relva. Por último, a bola de elevada altitude. As principais diferenças entre as bolas são o tamanho e o ressalto da mesma. As bolas de tipo 1, 2, e elevada altitude contêm o mesmo 6 tamanho. No entanto, a bola tipo 3 tem um tamanho ligeiramente superior (ITF, 2015). Quadro 1 – Duração dos pontos de acordo com as superfícies adaptado por (Kovacs, 2007). Estudos (ano) 𝒙𝒙 � ± dp Superfície Classificação da Superfície da ITF Christmass et al. (1995) 10,2 ± 0,3 Rápido 2 Dawson et al. (1985) 10 ± 0,2 Rápido 2 Elliott et al. (1985) 10 ± 0,8 Rápido 2 Konig et al. (2001) 7-10 Rápido 2 Morgans et al. (1987) 7,5 ± 0,7 Rápido 2 Richers (1995) 8 Rápido 2 Smekal et al. (2001) 8,2 Rápido 2 Therminarias et al. (1991) 12 ± 1 Rápido 2 Chandler (1991) 12,2 Rápido 2 Kovacs (2004) 6,0 Rápido 2 Kovacs et al. (2004) 6,2 Rápido 2 Yoneyama et al. (1999) 6,6 Unspecified - O’Donoghue and Ingram (2001) 8 Rápido 2 O’Donoghue and Ingram (2001) 7,6 Terra 1 O’Donoghue and Ingram (2001) 4,3 Relva 3 Hughes and Clark (1995) 2,52 Relva 3 𝒙𝒙 � = média; dp = desvio-padrão; ITF = International Tennis Federation Como já se verificou, o jogo de ténis é afetado pelo tipo de superfície, tipo de bola e género. Contudo, como modalidade praticada ao ar livre, existem outros fatores subjacentes que influenciam o jogo, como as condições atmosféricas. Estas obrigam os jogadores a adaptarem-se o mais rapidamente possível às condições a que estão sujeitos, para que compitam ao seu melhor nível. Quando o jogo é realizado em ambientes quentes e húmidos, os atletas ficam expostos a um elevado risco de desidratação e a uma diminuição de todas as funções fisiológicas. Como consequência, a fadiga do jogo tende aparecer prematuramente (Kovacs, 2007). A partida caracteriza-se por não ter um tempo limite para o seu término. Pelo que, as constantes variações de intensidade que sucedem durante o jogo 7 exigem que o tenista tenha uma elevada reserva anaeróbia para executar as ações durante o jogo com maior eficiência e eficácia e uma boa capacidade aeróbia para melhorar a recuperação durante os curtos intervalos de recuperação no jogo e após os jogos (Kovacs, 2006). Ao longo de todo o jogo, o atleta necessita de uma elevada precisão nos diversos tipos de pancadas para que sejam realizados como desejado (Kovacs, 2007). 2.2. Metabolismo e Sistemas Energéticos No ténis é fundamental compreender a relação entre metabolismo humano e sistemas energéticos, de forma a auxiliar no planeamento, desenvolvimento e implementação de programas de treino e de competição. Uma correta compreensão dos sistemas energéticos torna-se crucial para uma constante evolução do desempenho do tenista (M. F. Bergeron et al., 1991). Como já foi referido, muitos aspetos podem influenciar a duração do ponto, como por exemplo: a superfície do campo, o estilo de jogo, a tática, entre outros. Ao analisar o quadro 1, verifica-se que a partir dos anos 2000 a duração do ponto não excede os 10s (Kovacs, 2006), indicando que o sistema energético primordial no jogo de ténis provém de fontes anaeróbias (Kerr, 2015). Smekal et al. (2001) investigaram os processos e as respostas metabólicas ao longo do jogo. Concluíram que a principal fonte de energia durante o ponto foi ATP/CP, no entanto num ponto mais prolongado a energia fornecida provém da glicólise anaeróbia. Compreenderam, também, que o sistema aeróbio representa um papel importante na recuperação do tenista. Konig et al. (2001) referem que o nível médio de lactato sanguíneo durante um encontro não ultrapassa as 3mmol.l-1. A baixa concentração de lactato encontrada nos tenistas pode ser explicada pela ressíntese do ATP através da utilização do metabolismo oxidativo, durante os tempos de recuperação entre pontos, jogos e sets. Contudo, em jogadas de duração prolongada, os níveis de lactato podem ultrapassar as 6mmol.l-1 devido à participação do sistema anaeróbio láctico para gerar energia. Por esta razão, o tenista necessita de uma boa tolerância ao lactato e uma grande capacidade de remoção do mesmo, devido à acumulação dos iões de hidrogénio. O sistema anaeróbio 8 láctico está presente no ténis, e é fundamental na decisão de pontos mais longos durante o encontro, que são muitas vezes decisivos, no sentido em que podem provocar um novo rumo ao jogo (Reid & Schneiker, 2007) citados por (Coutinho, 2008). Desta forma, é necessário ter em consideração que a acumulação de lactato para além do limiar de lactato induz um risco de fadiga prematura em aspetos fundamentais do jogo, como por exemplo, na técnica de pancada, coordenação, tática e concentração (Konig et al., 2001). O treino abaixo do limiar anaeróbio possui um forte papel na otimização dos períodos de recuperação, sendo que não está associado a uma melhoria nos períodos de desempenho. Desta forma, seria mais vantajoso e produtivo privilegiar a utilização do sistema energético anaeróbio no treino e o treino dos sistemas energéticos aeróbios durante os períodos de descanso e recuperação. Para melhor desempenho aeróbio devem ser realizados múltiplos sprints, uma vez que o jogo tem curtos períodos de alta intensidade física (Kovacs, 2004b). A componente aeróbia, tal como a anaeróbia são melhoradas através da realização de treino intervalado de alta intensidade (Hargreaves et al., 1998). A alta intensidade que os tenistas estão sujeitos, provoca muitas das vezes, decréscimos dos níveis de potência. Este decréscimo deve-se à degradação da fosfocreatina (PCr). Com esta degradação, os processos da glicogenólise e glicólise vão ser privilegiados, o que induz um incremento das concentrações musculares e de lactato sanguíneo. Como consequência, o pH do músculo irá ser reduzido, ou seja, torna-se mais ácido (Ferrauti, Pluim, & Weber, 2001). 2.3. Carga interna e externa – parâmetros de avaliação Como já foi referido anteriormente, a duração do jogo de ténis é imprevisível, podendo ultrapassar as 5h de jogo. Para encontros mais prolongados, a literatura existente é diminuta e não quantifica a carga fisiológica que o jogo exige (J. Fernandez, Fernandez-Garcia, MendezVillanueva, & Terrados, 2005). Deste modo, a carga interna e externa descrita na literatura é incongruente, uma vez que não está de acordo com as potenciais durações e exigências dos jogos do circuito profissional (Reid & Duffield, 2014). 9 Ao analisar Novak Djokovic (nº1 ATPR) e Rafael Nadal (nº2 ATPR) ao longo do Open da Austrália de 2012, verificou-se que antes de jogarem a final, que teve uma duração de 5h e 53minutos (min), cada um dos tenistas passou mais de 12h no court durante 13 dias. Através desta observação, concluiu-se que o volume de trabalho apresentado por ambos os tenistas representa cargas de trabalho agudas e cumulativas que superam qualquer investigação empírica. De acordo com o Tennis Australia’s (2012), na final deste Grand Slam, foram disputados 369 pontos e ambos os tenistas percorreram mais de 6 quilómetros (km), sendo que Novak Djokovic e Rafael Nadal percorreram 6625 metros (m) e 6219 metros (m), respetivamente. Ao longo do jogo, os tenistas foram obrigados a realizar mais de oito pancadas, em mais de 40% dos pontos. No entanto, cobriram cerca de 10% mais do court quando perderam o ponto do que quando o ganharam. Uma outra informação pertinente é o facto de ambos terem realizado mais de 1100 pancadas com uma velocidade média de 97 km/h (Rafael Nadal) e 107 km/h (Novak Djokovic). Apesar da importante informação fornecida pelas novas tecnologias como o Hawkeye, os praticantes dão mais ênfase à literatura disponível, que apenas retrata jogos simulados com esforços inferiores a 3h, ou seja, esforços de duração relativamente curta. É fundamental que todos os tenistas profissionais estejam preparados para uma carga de esforços prolongada, muitas vezes superiores a 5 h, precedido por seis encontros com uma duração entre as 2h e as 4h e com um período de recuperação inferior a 2 dias. É bastante difícil quantificar os efeitos da fadiga no jogo, uma vez que a superfície do court e o próprio estilo de jogo do tenista confundem e comprometem esta análise (Hornery, Farrow, Mujika, & Young, 2007; Kovacs, 2006). Tomemos como exemplo um tenista com um estilo de jogo de serviço-rede. A carga fisiológica pode ser maior devido à grande intensidade e dinâmica do jogo. Contudo, neste estilo de jogo, a generalidade dos pontos é de curta duração e, por isso, induz uma carga fisiológica menor. Deste modo, é bastante discutível qual o estilo de jogo que induz maior carga fisiológica (Reid & Duffield, 2014). Para estimar a intensidade de um jogo de ténis utilizam-se indicadores como a frequência cardíaca (FC), o consumo de oxigénio (VO2), a lactatemia (La) a 16 que se experiencia durante o exercício físico (Robertson & Noble, 1997). Até ao momento, há pouca informação que descreva a resposta de RPE durante a partida de ténis. Contudo, as escalas de aplicação de RPE já foram utilizadas em exercícios aeróbios, exercícios de força e desportos coletivos. Este método demonstrou ser um bom indicador de carga interna para auxiliar o atleta e o treinador (Gearhart et al., 2002; Impellizzeri, Rampinini, Coutts, Sassi, & Marcora, 2004). A investigação acerca da RPE foi realizada durante um jogo simulado com duração de 60 minutos, sendo que o jogador após o final do jogo mencionava um valor global de RPE, relativamente ao encontro. Ao analisar os resultados, verifica-se que o registo de RPE pode ser utilizado para estimar o gasto energético individualmente (Novas et al., 2003). J. Fernandez et al. (2005) realizaram um estudo onde registaram a RPE individual de jogadores profissionais durante 7 encontros, em condições de jogo reais, sendo que foram registados valores mais elevados durante os jogos de serviço comparativamente aos jogos de resposta. Contudo, os valores de RPE foram significativamente correlacionados com as variáveis que caracterizam o jogo (pancadas por ponto e duração dos pontos), apresentando significativamente uma melhor correlação nos jogos de serviço. Os valores de RPE estão compreendidos entre 11 (esforço percebido “fácil”) e 14 (esforço percebido “um difícil”). Desta forma, a RPE assume uma grande preponderância para os treinadores, pois fornece informações úteis e essenciais sobre o esforço dos jogadores durante a competição, embora seja necessária mais investigação (ver quadro 4). 2.4. Componentes Físicas O tenista de alto rendimento para obter êxito tanto no treino, como na competição, necessita de se destacar nas seguintes áreas: i) tática; ii) técnica; iii) física e iv) psicológica. Ao contrário de outras modalidades, onde é exigido um grande nível físico em algumas componentes, no ténis é exigida uma elevada performance em todas as componentes (Kovacs, 2007), como se pode observar na Figura 1. 17 Velocidade e Agilidade O ténis caracteriza-se por ser um jogo de contínua exigência, onde o adversário pretende condicionar em cada pancada, aplicando na bola diferentes velocidades e efeitos para qualquer parte do campo (Groppel, 1986). A velocidade e a agilidade são duas capacidades independentes uma da outra e fundamentais para o jogo de um tenista. A velocidade caracteriza-se por ser muito influenciada pela força (Coutinho, 2008). É constantemente exigido aos tenistas que produzam padrões de movimento de forma rápida, como por exemplo, na realização do serviço e pancadas de fundo, um tempo de reação rápido, acelerações (primeiros passos para a bola), desacelerações para bater na bola e uma excelente movimentação, tanto na direção linear, lateral, bem como multidirecionais (Little & Williams, 2005; Moreau, Perrote, & Quétin, 2003). A velocidade é uma qualidade individual que tem de ser treinada regularmente, pois depende das características genéticas (Coutinho, 2008). O treino deve ser baseado nos padrões específicos de movimento que a competição impõe. Pelo que, o treino de velocidade em tenistas deverá consistir na utilização de sprints até 20 metros, uma vez que equivale à distância percorrida numa única jogada (Kovacs, 2006). Esta capacidade tem algumas componentes subjacentes de modo a ser melhor Figura 1 - Componentes físicas necessárias para uma boa performance no ténis (Kovacs, 2007) 18 analisada e avaliada. A velocidade de reação e a capacidade de aceleração são as componentes mais valorizadas na modalidade (Coutinho, 2008). Força A força é uma capacidade essencial para os músculos e articulações, influenciando de forma positiva o desempenho, bem como auxilia na prevenção de lesões. Os movimentos das pancadas no ténis devem possuir um contacto com a bola o mais prolongado possível (Kovacs, 2006). Para que isso aconteça com sucesso, a força de preensão manual assume uma função primordial, uma vez que é necessário um pulso firme para que o movimento da cabeça da raquete ocorra conforme o desejado (Behm, 1988) citado por (Kovacs, 2006). Na pancada mais importante do ténis, o serviço, existem movimentos que apresentam uma maior preponderância para a velocidade da cabeça da raquete, que são os seguintes: a rotação interna do braço, a flexão do punho, a adução do braço, a pronação do antebraço e o movimento para a frente do ombro (Elliott, Marshall, & Noffal, 1995). A zona do ombro está envolvida em todas as pancadas do ténis e é altamente desgastada ao longo de um jogo, por isso é constantemente alvo de pesquisa (Kovacs, 2006). Estudos têm vindo a demonstrar que a rotação interna e externa do ombro são fundamentais para a velocidade de serviço (Perry et al., 2004). Como já foi referido a articulação do ombro está ser recrutada permanentemente durante o jogo, por isso o programa de treino dos tenistas deve incorporar treino excêntrico e concêntrico dos rotadores externos e internos do ombro, respetivamente, como forma de melhorar o desempenho do próprio jogo, bem como auxiliar na prevenção de lesões (Kovacs, 2006). Apesar dos estudos no ténis abordarem predominantemente a força da parte superior do corpo, a maioria das lesões apresentadas pelos tenistas acontece na parte inferior do corpo (M. F. Bergeron, 1988). Portanto, o treino deve conter exercícios que fortaleçam a parte inferior do corpo do atleta (M. F. Bergeron, 1988). A força da parte inferior do corpo caracteriza-se por ser simétrica, no entanto a força da parte superior do corpo é particularmente assimétrica nos tenistas (Ellenbecker & Roetert, 1995). Contudo, para Kovacs (2006) é 19 necessário mais pesquisa sobre a força da parte inferior do corpo e o jogo. Mais informação, pode ser relevante e vantajosa para os atletas na realização de exercícios bilaterais e unilaterais de força de forma a melhorar o desempenho e prevenir lesões. 20 3. Objetivos e hipóteses O principal objetivo do estudo é verificar se as características físicas estão relacionadas com o nível competitivo dos jogadores, ou seja, com o ranking que os jogadores portugueses de elite apresentam. As avaliações foram analisadas consoante as características físicas do género feminino e masculino. Para isso, todos os participantes foram avaliados de acordo com a seguinte bateria de testes: impulsão vertical (squat jump e counter movement jump), velocidade de sprint aos 5 metros, 10 metros e 20 metros, agilidade (test 505), força máxima isométrica dos extensores do joelho, dos rotadores internos (RI) e externos (RE) do ombro e preensão manual (handgrip test), e por último velocidade e precisão do serviço, que estão descritos no capítulo 4 relativamente ao Protocolo Experimental. 21 4. Material e métodos 4.1. Caracterização da amostra A amostra foi constituída por dezassete jogadores de ténis que participaram no estágio intermédio das seleções nacionais Fed Cup6 e Davis Cup. Todos os testes apresentam os valores das médias (𝒙𝒙 �) desvios-padrão (dp) e respetivas amplitudes (mínimo-máximo). A amostra feminina foi constituída por oito jogadoras com uma idade de 19,9 ± 2,7 anos (𝑥𝑥 ± dp), estatura de 168,3 ± 4,5 centímetros (cm) e massa corporal de 62,9 ± 6,5kg. Duas atletas competem em torneios ITFJC7 e em alguns torneios nacionais de juniores (provas mais importantes/Campeonato Nacional), Prize-moneys nacionais e torneios por equipas (em menor número). As restantes tenistas competem no circuito profissional da International Tennis Federation (ITF), onde participam em torneios ITF Futures8. As duas atletas que jogam no Circuito Júnior estão na posição 593 e 1081 do ranking ITF9, sendo que a atleta com o melhor ranking tem somente 15 anos. Atualmente, apenas a jogadora 1 está cotada no ranking WTA10, na posição 931. Esta jogadora alcançou o 102º lugar do ranking a 25 de fevereiro de 2013, sendo a 2ª melhor classificação de sempre de uma portuguesa. Esta posição possibilitou-lhe a presença nos quatro Grand Slams. Está presente nas convocatórias da Fed Cup, tal como a jogadora 2. Uma vez que a jogadora 1 é a única que tem ranking WTA, foi necessário utilizar o ranking nacional para efetuar as devidas comparações. Deste modo, foi necessário criar o ranking FEM, onde foi atribuído a classificação segundo o ranking internacional e nacional de seniores (ver quadro 5). A amostra masculina foi composta por nove jogadores que apresentam uma idade (𝑥𝑥 ± dp) de 20 ± 4,2, estatura de 168,3 ± 4,5cm e massa corporal de 77,5 6 Fed Cup – é a principal competição entre seleções no ténis feminino. 7 ITFJC – International Tennis Federation Junior Circuit. Circuito de torneios juniores/sub-18 internacionais organizados pela Federação Internacional de Ténis. 8 Estes torneios representam as classes mais baixas das competições profissionais, sendo integrados pela ATPR/WTA no ranking ATPR/WTA. São nestes torneios que os atletas atingem os seus primeiros pontos no circuito profissional. 9 Ranking internacional de juniores. 10 Ranking profissional feminino. 22 ± 4,0Kg. Dos cinco tenistas com ranking ITF, três deles transitaram este ano para o escalão de seniores, nomeadamente, o jogador 1, o jogador 2 e o jogador 8. Estes tenistas apenas participam nas provas nacionais mais importantes como o Campeonato Nacional Individual e Prize-moneys. De salientar que os jogadores 1 e 8 terminaram o ano no top-50 do ranking. Ao longo do ano, ambos participaram em três dos quatro Grand Slams Juniores existentes, falhando apenas a presença no Open da Austrália. Todos os jogadores apresentam ranking ATPR11. É importante referir que o jogador 3 atingiu o 62º lugar do ranking a 25 de abril de 2011, sendo a 3ª melhor classificação de sempre de um jogador português. Este jogador esteve presente em todos os Grand Slams, bem como na Taça Davis. Para além do jogador 3, o jogador 4 (nº498 ATPR) é chamado assiduamente para disputar a Taça Davis (ver quadro 6). Quadro 5 – Caracterização da amostra feminina. 11 Ranking profissional masculino. Idade (anos) Estatura (cm) Massa Corporal (kg) Ranking ITF Juniores Ranking Nacional Ranking WTA Atual Melhor Ranking WTA Jogadora 1 23 174 71,5 - 925 WTA (04-012016) 102 (25-02-2013) Jogadora 2 22 170 55,7 1 - 368 (26-05-2014) Jogadora 3 22 174 59 3 - 1020 (03-10-2011) Jogadora 4 19 164 67,2 5 - - Jogadora 5 21 169 66,9 - - 1029 (08-09-2014) Jogadora 6 20 163 66,4 2 - 1204 (13-02-2012) Jogadora 7 15 169 63,9 563 (04-01-2016) 34 - - Jogadora 8 17 163 52,4 1081 (04-01-2016) 4 - - 𝒙𝒙 � ± dp 19,9±2,7 168,3±4,5 62,9±6,5 837±345,1 4,0±2,16 - 744,6±480,2 Amplitude (mín-máx) (15-23) (163-174) (52,471,5) (593-1081) (1-7) - (102-1204) 𝒙𝒙 � = média; dp = desvio-padrão; mín = mínimo; máx = máximo; 23 Quadro 6 – Caracterização da amostra masculina. Todos os participantes tiveram acesso a informação importante sobre os procedimentos e possíveis riscos do estudo, bem como algumas recomendações que deveriam ter em conta no decorrer do estudo. Deste modo, nem todos os tenistas puderam realizar a bateria de testes completa. 4.2. Instrumentos Desenho do estudo Este estudo visa analisar as capacidades físicas de todos os jogadores, nomeadamente a potência, velocidade, agilidade, força dos membros inferiores e superiores, bem como a velocidade e precisão do serviço. Deste modo, para efetuar as medições foi necessário a utilização de protocolos de terreno. Os testes foram realizados consoante uma ordem especifica. Protocolo Experimental A parte experimental do protocolo decorreu num court de ténis no Centro de Alto Rendimento (CAR) no Jamor. O grupo de atletas masculino foi avaliado pela manhã, das 11h às 12h30. As atletas femininas foram avaliadas da parte Idade (anos) Estatura (cm) Massa Corporal (kg) Ranking ITF Juniores Ranking ATPR Atual Melhor Ranking ATPR Jogador 1 18 189 71,8 49 (12-2015) 1282 (04-01-2016) 1255 (12-10-2015) Jogador 2 18 188 84,5 1310 (12-2015) 1277 (04-01-2016) 1270 (30-11-2015) Jogador 3 30 178 77,5 744 (04-01-2016) 62 (25-04-2011) Jogador 4 22 176 69,6 498 (04-01-2016) 465 (19-10-2015) Jogador 5 21 173 75,1 1100 (04-01-2016) 644 (08-12-2015) Jogador 6 20 184 74,1 958 (04-01-2016) 943 (19-10-2015) Jogador 7 16 182 77,4 87 (04-01-2016) 2147 (04-01-2016) 1250 (20-07-2015) Jogador 8 18 180 79,2 38 (12-2015) 2195 (04-01-2016) 1568 (10-11-2014) Jogador 9 17 185 80,3 172 (04-01-2016) 1178 (04-01-2016) 1166 (12-10-2015) 𝒙𝒙 � ± dp 20±4,2 181,7±5,4 77,5±4,0 291±460,3 1265,1±573,4 958,1±478,4 Amplitude (mín-máx) (16-30) (173-189) (69,6-84,5) (38-1109) (501-2199) (62-1568) 𝒙𝒙 � = média; dp = desvio-padrão; mín = mínimo; máx = máximo; 24 de tarde, das 15h30 às 17h. Todos os atletas que participaram no estudo encontravam-se no final do período preparatório geral. Inicialmente, antes de qualquer avaliação, todos os participantes foram pesados descalços numa balança digital (Modelo: XY-3037, Balança WC Digital, Kasa, China) Mais tarde, os atletas foram sujeitos aos seguintes testes de avaliação física: impulsão vertical (squat jump e counter movement jump), velocidade 20 metros, agilidade (test 505), força máxima isométrica dos extensores do joelho, dos rotadores internos e externos do ombro e da mão (handgrip test) e por último velocidade e precisão do serviço. Seguidamente, apresento pormenorizadamente cada um dos testes realizados aos atletas, de acordo com uma ordem específica. Testes de Impulsão Vertical: Squat Jump (SJ) e Countermovement Jump (CMJ) Foram efetuados dois tipos de testes de impulsão vertical: Squat Jump (SJ) e Countermovement Jump (CMJ). Ambos os testes de impulsão vertical foram realizados numa plataforma (ergojump) ligada a um dinamómetro digital (Ergo Meter – GLOBUS, Codognè, Itália) que regista a altura do salto. O objetivo deste teste foi analisar a variável altura em cm. No teste SJ, os atletas partiram de uma posição estática, com o tronco direito e com os joelhos fletidos a 90º. Esta posição foi mantida cerca de 2s e só depois é que realizaram o salto vertical. No teste CMJ, os tenistas iniciaram numa posição estática e de pé, com o tronco direito realizando uma flexão dos joelhos a 90º e seguidamente um salto vertical. Em ambos os testes, os participantes encontravam-se em cima do ergojump e com as mãos colocadas na anca. Cada atleta teve duas tentativas, no entanto, para efeitos de estudo apenas a melhor tentativa é analisada. Teste de Velocidade Para a realização do teste de velocidade de sprint em 20 m foi necessário a utilização de células fotoelétricas (Brower timing sprint testing system 25 SpeedTrap II, Tennessee, EUA) colocadas na partida (0m), nos 5m, nos 10m e nos 20m. Através das células fotoelétricas avaliou-se a velocidade de sprint aos 5m, 10m e 20m. Esta medição foi possível, uma vez que, os pontos de cronometragem coincidem com as distâncias referidas. Foi transmitido aos atletas que o principal objetivo do teste era realizar o percurso o mais rapidamente possível, partindo numa posição estática. Cada participante usufruiu de duas tentativas, sendo que apenas a melhor tentativa em cada uma das distâncias foi contabilizada. Teste de Agilidade O teste de Agilidade (test 505) consiste em percorrer uma distância de 10m com mudança de direção, terminando o teste aos 5m, à maior velocidade possível. Isto é, o tempo cronometrado e analisado é apenas da distância dos 10m até aos 5m. Portanto, o tempo realizado até aos 10m não é estudado. Este teste avalia a aceleração na fase da mudança de direção e não a velocidade máxima. A cronometragem é realizada através do dispositivo das células fotoelétricas (Brower timing sprint testing system SpeedTrap II, Tennessee, EUA) colocadas nas posições 5m e 10m. Cada atleta possuiu duas tentativas, no entanto apenas a melhor foi analisada (ver figura 2). Figura 2 – Teste de agilidade 505 (Draper & Lancaster, 1985) citados por (Sheppard & Young, 2006) 32 Quadro 10 - Resultados alcançados pelos tenistas da avaliação da velocidade (s) aos 5m, 10m e 20m obtidos pelas tenistas. Velocidade Femininos Masculinos 5m 10m 20m 5m 10m 20m Jogadora 1 1,12 1,97 3,51 Jogador 1 1,13 2,00 3,38 Jogadora 2 1,14 1,94 3,46 Jogador 2 1,06 1,90 3,24 Jogadora 3 1,22 2,05 3,53 Jogador 3 0,98 1,75 3,06 Jogadora 4 1,22 2,05 3,49 Jogador 4 1,02 1,77 3,07 Jogadora 5 1,13 2,00 3,51 Jogador 5 1,07 1,85 3,12 Jogadora 6 1,15 2,03 3,51 Jogador 6 1,04 1,78 3,00 Jogadora 7 1,11 1,93 3,37 Jogador 7 1,09 1,86 3,18 Jogadora 8 1,20 2,05 3,59 Jogador 8 1,06 1,88 3,17 Jogador 9 1,09 1,82 3,15 𝒙𝒙 � ± dp 1,16±0,05 2,00±0,05 3,50±0,06 𝒙𝒙 � ± dp 1,06±0,04 1,85±0,08 3,15±0,11 Amplitude (mín-máx) (1,11-1,22) (1,93-2,05) (3,37-3,59) Amplitude (mín-máx) (0,98-1,13) (1,75-2,00) (3,00-3,38) 𝒙𝒙 � = média; dp = desvio-padrão; mín = mínimo; máx = máximo; 5m = 5 metros; 10m = 10 metros; 20m =20 metros A partir do quadro 10, é possível verificar o valor médio do teste de velocidade de sprint efetuado pelas tenistas aos 5m foi de 1,16 ± 0,05s, aos 10m foi de 2,00 ± 0,05s e aos 20m foi de 3,50 ± 0,06s. A jogadora 7 foi a mais rápida aos 5m, aos 10m e aos 20m com os seguintes valores 1,11s, 1,93s, 3,37s, respetivamente. As jogadoras 3 e 4 foram as mais lentas aos 5m, onde realizaram o mesmo valor, 1,22s. Estas duas jogadoras continuaram a ser as mais lentas aos 10m, bem como a jogadora 8, ao efetuarem a distância com um valor de 2,05s. Contudo, não existem diferenças estatisticamente significativas entre o ranking das jogadoras no teste de velocidade aos 5m (p=0,699), 10m (p=0,751) e 20m (p=0,641). Ao analisar a amostra masculina, observa-se que o valor médio da velocidade de sprint aos 5m foi de 1,06 ± 0,04s, aos 10m foi de 1,85 ± 0,08s e aos 20m foi de 3,15 ± 0,11s. O jogador 3 foi o mais rápido a efetuar o percurso aos 5m e aos 10m com os seguintes valores 0,98s e 1,75s, respetivamente. Em todo o percurso, ou seja, até aos 20m, o tenista com o melhor tempo foi o jogador 6 (3,00s). Pelo contrário, o jogador 1 foi o mais lento nas três distâncias avaliadas (5m, 10m e 20m). Este jogador obteve os seguintes valores: 1,13s 33 aos 5m, 2,00s aos 10m e, por fim 3,38s aos 20m. Neste teste, existem diferenças estatisticamente significativas entre o ranking dos jogadores na velocidade aos 5m (p=0,047), 10m (p=0,005) e 20m (p=0,013). No quadro 11, estão representados os resultados da amostra feminina, bem como masculina, do teste de agilidade (505). Quadro 11 – Resultados obtidos pelos tenistas durante o teste de agilidade (505) em segundos. Agilidade – teste 505 Femininos Masculinos Jogadora 1 1,61 Jogador 1 1,72 Jogadora 2 1,64 Jogador 2 1,15 Jogadora 3 1,13 Jogador 3 1,34 Jogadora 4 1,22 Jogador 4 1,21 Jogadora 5 1,67 Jogador 5 1,10 Jogadora 6 1,39 Jogador 6 1,09 Jogadora 7 1,58 Jogador 7 1,83 Jogadora 8 1,44 Jogador 8 1,62 Jogador 9 - 𝒙𝒙 � ± dp 1,46 ± 0,20 𝒙𝒙 � ± dp 1,38 ± 0,30 Amplitude (mín-máx) (1,13-1,67) Amplitude (mín-máx) (1,09-1,83) 𝒙𝒙 � = média; dp = desvio-padrão; mín = mínimo; máx = máximo; Com base na observação do quadro 11, verifica-se que o valor médio no teste de agilidade realizado pelas tenistas foi de 1,46 ± 0,20s. A jogadora 3 obteve a melhor prestação, com o tempo de 1,13s. Já a jogadora 5 realizou o tempo mais elevado (1,67s), ou seja, teve a pior prestação. No teste de agilidade não existem diferenças estatisticamente significativas (p=0,337) entre a classificação das jogadoras. Quanto à amostra masculina, o valor médio foi de 1,38 ± 0,30s. O jogador 6 foi o mais rápido ao efetuar o teste em 1,09s. Pelo contrário, o jogador 7 foi o mais lento, terminando o percurso com um tempo de 1,83s. O jogador 9 não pôde realizar o teste devido a lesão. Neste teste, não foram encontradas diferenças estatisticamente significativas (p=0,139) entre o ranking dos jogadores. 34 O quadro 12 apresenta os resultados do teste de força máxima dos extensores do joelho no membro preferido (MP) realizados por todos os participantes. Quadro 12 – Resultados obtidos pelos tenistas no teste de Força Máxima dos Extensores do Joelho no Membro Preferido. Força Máxima dos Extensores do Joelho - Membro Preferido (kg) Femininos Masculinos Jogadora 1 79,1 Jogador 1 - Jogadora 2 29,7 Jogador 2 51,8 Jogadora 3 40,9 Jogador 3 59,5 Jogadora 4 41,6 Jogador 4 77,6 Jogadora 5 51,3 Jogador 5 75,9 Jogadora 6 56,0 Jogador 6 51,6 Jogadora 7 46,1 Jogador 7 46,3 Jogadora 8 55,2 Jogador 8 66,7 Jogador 9 - 𝒙𝒙 � ± dp 50,0 ± 14,6 𝒙𝒙 � ± dp 61,3 ± 12,4 Amplitude (mín-máx) (29,70-79,10) Amplitude (mín-máx) (46,3-77,6) 𝒙𝒙 � = média; dp = desvio-padrão; mín = mínimo; máx = máximo; A partir do quadro 12, verifica-se que o valor médio no teste de força máxima dos extensores do joelho no MP, executado pelas tenistas foi de 50,0 ± 14,6kg. A jogadora 1 obteve o resultado mais elevado no valor de 79,10kg. No entanto, a jogadora 2 atingiu o valor mais baixo, 29,7kg. Neste teste, não existem diferenças estatisticamente significativas (p=0,645) entre o ranking das jogadoras. Relativamente aos resultados alcançados pelos tenistas, estes obtiveram um valor médio de 61,3 ± 12,4kg. O jogador 4 atingiu o valor mais elevado (77,6kg). Pelo contrário, o jogador 7 apresenta o valor mais baixo (46,3kg). O jogador 9 voltou a não poder realizar este teste. No teste de força máxima dos extensores do joelho no MP, não existem diferenças estatisticamente significativas (p=0,383) entre a classificação dos jogadores. Seguidamente, estão apresentados os resultados do teste de força máxima dos rotadores internos (RI) e externos (RE) do ombro no membro preferido (MP), 35 realizados por todos os tenistas, bem como, o rácio de força máxima da rotação externa sobre a rotação interna do ombro (ver quadro 13). Quadro 13 – Resultados alcançados pelos tenistas no teste de Força Máxima dos Rotadores Internos (RI) e Rotadores Externos (RE) do Ombro no Membro Preferido (kg). Força Máxima dos RI e RE do Ombro - Membro Preferido (kg) Femininos Masculinos RI RE RE/RI RI RE RE/RI Jogadora 1 23,2 7,2 31,0 Jogador 1 12,4 10 80,7 Jogadora 2 13,9 8,9 64,0 Jogador 2 18,8 18,6 98,9 Jogadora 3 10,4 7,0 67,3 Jogador 3 15,1 13,6 90,1 Jogadora 4 12,3 9,5 77,2 Jogador 4 19,6 8,7 44,4 Jogadora 5 14,9 6,5 43,6 Jogador 5 16,1 9,3 57,8 Jogadora 6 10,5 7,8 74,3 Jogador 6 14,8 13,4 90,6 Jogadora 7 11,5 7,9 68,7 Jogador 7 15,6 9,5 60,9 Jogadora 8 10,8 8,1 75,0 Jogador 8 23,4 15 64,1 Jogador 9 26,0 8,7 33,5 𝒙𝒙 � ± dp 13,4 ± 4,3 8,0 ± 1,0 62,7±16,6 𝒙𝒙 � ± dp 18,0 ± 4,4 11,9 ± 3,5 69,0±22,4 Amplitude (mín-máx) (10,423,2) (6,59,5) (31,0-77,2) Amplitude (mín-máx) (12,426,0) (8,718,6) (33,5-98,9) 𝒙𝒙 � = média; dp = desvio-padrão; mín = mínimo; máx = máximo; RI= Rotadores Internos; RE= Rotadores Externos; RE/RI = Rácio Rotação Externa/Rotação Interna do Ombro Da leitura dos resultados da amostra feminina do quadro 13, verifica-se que o valor médio no teste de força máxima dos rotadores internos do ombro foi de 13,4 ± 4,3kg. Em relação ao teste de força máxima dos rotadores externos, as tenistas apresentam um valor médio de 8,0 ± 1,0kg. No teste de força máxima dos rotadores internos do ombro, o resultado mais elevado pertence à jogadora 1 (23,2kg). Contudo, a jogadora 3 apresenta o resultado mais baixo (10,4kg). No teste de força máxima dos rotadores externos do ombro, a jogadora 4 alcançou o melhor resultado, com um valor de 9,5kg. Pelo contrário, a jogadora 5 exibe o valor mais baixo com 6,5kg. No teste de força máxima dos rotadores internos do ombro, bem como no teste de força máxima dos rotadores externos do ombro não existem diferenças estatisticamente significativas (p=0,432) entre o ranking das jogadoras. O rácio de força máxima da rotação externa sobre a 36 rotação interna do ombro, apresenta uma média entre as tenistas de 62,7 ± 16,6%. A jogadora 4 exibe a percentagem mais elevada, no valor de 77,2%. No entanto, a jogadora 1 apresenta a percentagem mais baixa, no valor de 31,0%. No rácio de força máxima da rotação externa sobre a rotação interna do ombro, não existem diferenças estatisticamente significativas (p=0,071) entre o ranking das jogadoras. Relativamente ao teste de força máxima dos rotadores internos do ombro dos tenistas masculinos, é possível perceber que a média da amostra é 18,0 ± 4,4kg. O jogador 9 obteve a melhor prestação com o valor de 26,0kg. Já o jogador 1 exibe o valor mais baixo nesse mesmo teste 12,4 kg. No teste de força máxima dos rotadores externos do ombro, a média dos resultados foi 11,9 ± 3,5kg. O valor mais elevado pertence ao jogador 2 (18,6kg). Ao contrário do teste de força máxima dos rotadores internos do ombro, o jogador 9 teve a pior prestação (8,7kg). No teste de força máxima dos rotadores internos do ombro não existem diferenças estatisticamente significativas (p=0,798) entre os jogadores, assim como no teste de força máxima dos rotadores externos do ombro (p=0,354). O rácio de força máxima da rotação externa sobre a rotação interna do ombro, exibe uma média entre os jogadores de 69,0 ± 22,4%. O jogador 2 apresenta a percentagem mais elevada, no valor de 98,9 %. Porém, o jogador 9 exibe a percentagem mais baixa, no valor de 31,0%. No rácio de força máxima da rotação externa sobre a rotação interna do ombro, não existem diferenças estatisticamente significativas (p=0,831) entre o ranking dos jogadores. O quadro 14 representa o teste de Força Máxima de Preensão Manual (kg), executado por todos os tenistas. 37 Quadro 14 – Resultados atingidos pelos tenistas no teste de Força Máxima de Preensão Manual no Membro Preferido (kg). Força Máxima Preensão Manual - Membro Preferido (kg) Femininos Masculinos Jogadora 1 37,2 Jogador 1 55,0 Jogadora 2 32,1 Jogador 2 63,7 Jogadora 3 40,4 Jogador 3 53,5 Jogadora 4 - Jogador 4 49,9 Jogadora 5 40,4 Jogador 5 52,6 Jogadora 6 33,3 Jogador 6 52,8 Jogadora 7 35,6 Jogador 7 55,0 Jogadora 8 36,3 Jogador 8 52,6 Jogador 9 50,7 𝒙𝒙 � ± dp 36,5 ± 3,2 𝒙𝒙 � ± dp 61,3 ± 12,4 Amplitude (mín-máx) (32,1-40,4) Amplitude (mín-máx) (49,9-77,6) 𝒙𝒙 � = média; dp = desvio-padrão; mín = mínimo; máx = máximo; Com base na observação do quadro 14, verifica-se que o valor médio no teste de Força Máxima de Preensão Manual realizado pelas tenistas foi de 36,5 ± 3,2kg. As jogadoras 3 e 5 apresentam o valor mais elevado (40,4kg). A pior prestação pertence à jogadora 2, com um valor de 32,1kg. A jogadora 4 não pôde efetuar este teste devido a lesão. No entanto, não existem diferenças estatisticamente significativas (p=0,872) entre as jogadoras. Na amostra masculina, o valor médio do teste foi de 61,3 ± 12,4kg. A melhor prestação foi conseguida pelo jogador 2 (63,7kg). Pelo contrário, o jogador 4 realizou a pior prestação, com um valor de 49,9 kg. Neste teste, não existem diferenças estatisticamente significativas (p=0,260) entre os jogadores. O último teste efetuado, teste de Velocidade (km/h) e Precisão (%) do Serviço, é apresentado de seguida. Os valores exibidos na velocidade têm em consideração apenas o serviço mais rápido e preciso. A precisão do serviço está representada em percentagem, e de acordo com a quantidade de serviços que cada tenista coloca na zona nas 6 tentativas (ver quadro 15). 38 Quadro 15 – Resultados obtidos pelos tenistas no teste de Velocidade (km/h) e Precisão do Serviço (%). Velocidade e Precisão do Serviço (km/h) Femininos Masculinos Velocidade Precisão Velocidade Precisão Jogadora 1 166,4 50,0 Jogador 1 190 50,0 Jogadora 2 155,4 66,7 Jogador 2 184,9 50,0 Jogadora 3 - - Jogador 3 186,9 50,0 Jogadora 4 151,4 16,7 Jogador 4 208,6 50,0 Jogadora 5 157,4 50,0 Jogador 5 - - Jogadora 6 136,8 50,0 Jogador 6 201,6 50,0 Jogadora 7 158,2 66,7 Jogador 7 - - Jogadora 8 149,0 50,0 Jogador 8 198,7 50,0 Jogador 9 189,2 50,0 𝒙𝒙 � ± dp 153,5 ± 9,2 50,0 ± 16,7 𝒙𝒙 � ± dp 194,3 ± 8,8 50,0 Amplitude (mín-máx) (136,8-166,4) (16,7-66,7) Amplitude (mín-máx) (184,9-208,6) 0 𝒙𝒙 � = média; dp = desvio-padrão; mín = mínimo; máx = máximo; A partir do quadro 15, observa-se que as tenistas atingem um valor médio de velocidade de serviço de 153,5 ± 9,2km/h. O serviço mais rápido e preciso foi executado pela jogadora 1 (166,4km/h). Já o serviço mais lento e preciso foi realizado pela jogadora 6 (136,8km/h). As tenistas apresentam um valor médio de precisão de serviço de 50,0 ± 16,7%. As jogadoras 2 e 7 alcançaram a maior percentagem (66,7%), ou seja, nos 6 serviços efetuados colocaram na zona 4 serviços. No entanto, a jogadora 4 exibe a pior percentagem (16,7%), com apenas um único serviço na zona. No teste de velocidade de serviço, não foram encontradas diferenças estatisticamente significativas (p=0,704) entre o ranking das jogadoras, bem como no teste de precisão do serviço (p=0,954). A jogadora 3 não pôde efetuar o teste por motivo de lesão. A amostra masculina demonstra um valor médio de velocidade do serviço de 194,3 ± 8,8km/h. O serviço mais veloz foi de 208,6km/h e foi realizado pelo jogador 4. Pelo contrário, o jogador 2 executou o serviço mais lento, com um valor de 184,9km/h. Relativamente à precisão do serviço, toda a amostra masculina apresenta o valor de 50%, isto é, dos 6 serviços efetuados 39 colocaram obrigatoriamente 3 serviços na zona. Contudo, não existem diferenças estatisticamente significativas (p=0,589) entre o ranking dos jogadores, no teste de velocidade de serviço. Os jogadores 5 e 7 não puderam realizar o teste por motivos de lesão. Seguidamente, estão apresentadas as correlações entre as diversas variáveis avaliadas da amostra feminina. Somente as correlações mais importantes vão ser descritas (ver quadro 13). Ao analisar a coluna do ranking FEM, verifica-se que o SJ exibe uma correlação forte e negativa (r=-0,786), isto é, as tenistas que alcançaram os valores mais elevados no teste, estão melhor cotadas no ranking. Como já foi referido anteriormente, neste teste existem diferenças estatisticamente significativas entre o ranking das jogadoras. O rácio de força máxima da rotação externa sobre a rotação interna do ombro mostra uma correlação forte e positiva (r=0,714), ou seja, as tenistas com melhor classificação atingiram maiores percentagens de rácio. Os dois testes de impulsão vertical efetuados, SJ e CMJ, apresentam uma correlação muito forte e positiva (r=0,929), quer isto dizer que as tenistas que obtiveram melhores resultados no SJ tendem a obter melhor desempenho no CMJ. Esta associação exibe diferenças estatisticamente significativas entre as tenistas. As variáveis estatura e velocidade do serviço exibem uma correlação muito forte e positiva (r=0,873), quer isto dizer que as tenistas mais altas realizam a pancada de serviço com maior velocidade. Esta relação apresenta diferenças estatisticamente significativas entre as tenistas. A relação entre agilidade e a velocidade aos 5m (r=-0,755) e 10m (r=-0,708), evidenciam uma correlação forte e negativa, com diferenças estatisticamente significativas entre as tenistas. Deste modo, as tenistas mais ágeis são as mais lentas no percurso aos 5m e 10m. A associação entre a velocidade aos 5m e 10m apresenta uma correlação muito forte e positiva (r=0,908), com diferenças estatisticamente significativas entre as tenistas. As tenistas mais rápidas aos 5m são igualmente as mais rápidas aos 10m. A velocidade aos 10m e 20m exibe uma correlação forte e positiva (r=0,725), sendo que as tenistas mais rápidas aos 10m são também as mais 40 rápidas aos 20m. Nesta relação existem diferenças estatisticamente significativas entre as tenistas. Posteriormente, estão apresentadas as correlações entre as diversas variáveis avaliadas da amostra masculina. Apenas as correlações mais importantes vão ser enumeradas (ver quadro 14). Ao observar o quadro 14, verifica-se entre o ranking ATP e a velocidade aos 5m (r=0,672), 10m (r=0,833) e 20m (r=0,783) uma correlação positiva moderada, muito forte e forte, respetivamente. Concluiu-se que os tenistas mais rápidos são os que têm melhor ranking. Todas estas associações apresentam diferenças estatisticamente significativas entre o ranking dos tenistas. Os testes SJ e CMJ, exibem uma correlação muito forte e positiva (r=0,905), ou seja, os tenistas com melhores prestações no SJ tendem a alcançar melhores resultados no CMJ. Desta forma, existem diferenças estatisticamente significativas entre os tenistas. A relação entre a velocidade aos 5m e 10m apresenta uma correlação forte e positiva (r=0,714), com diferenças estatisticamente significativas entre os tenistas. Os tenistas mais rápidos aos 5m são igualmente os mais rápidos aos 10m. A velocidade aos 10m e 20m mostra uma correlação muito forte e positiva (r=0,917), sendo que os tenistas mais rápidos aos 10m são também os mais rápidos aos 20m. Mais uma vez, existem diferenças estatisticamente significativas entre os tenistas. A relação entre agilidade e o SJ (r=-0,786), bem como entre o CMJ (r=-0,518), evidenciam uma correlação negativa forte e moderada, respetivamente. Deste modo, os tenistas mais ágeis são os que obtiveram melhores resultados tanto no SJ como no CMJ. Nestas duas relações existem diferenças estatisticamente significativas entre os tenistas. 41 Quadro 16 – Correlações entre todas as variáveis investigadas na amostra feminina. Ranking FEM Estatura (cm) Massa Corporal (kg) SJ (cm) CMJ (cm) Vel. 5m (s) Vel. 10m (s) Vel. 20m (s) Agilidade (s) Fmáx Ext. Joelho (kg) Fmáx RI Ombro (kg) Fmáx RE Ombro (kg) Fmáx RE/RI Ombro (%) Fmáx Preensão Manual (kg) Vel. Serviço (km/h) Estatura (cm) -,418 - - - - - - - - - - - - - - Massa Corporal (kg) -,179 ,182 - - - - - - - - - - - - - SJ (cm) -,786* ,546 ,000 - - - - - - - - - - - - CMJ (cm) -,500 ,436 -,143 ,929** - - - - - - - - - - - Vel. 5m (s) ,180 -,238 -,240 ,228 ,491 - - - - - - - - - - Vel. 10m (s) ,148 -,335 -,098 -,024 ,171 ,908** - - - - - - - - - Vel. 20m (s) -.216 -,112 -,220 -,073 -,073 ,491 ,725* - - - - - - - - Agilidade (s) -,429 ,182 ,095 -,143 -,357 -,755* -,708* -,317 - - - - - - - Fmáx Ext Joelho (kg) -,214 -,291 ,429 -,286 -,548 -,347 ,000 ,366 ,143 - - - - - - Fmáx RI Ombro (kg) -,357 ,327 ,548 ,119 -,119 -,575 -,512 -,366 ,786* ,190 - - - - - Fmáx RE Ombro (kg) ,357 -,400 -,238 ,286 ,381 ,263 ,049 -,415 -,190 -,333 -,024 - - - - Fmáx RE/RI Ombro (%) ,714 -,764* -,262 -,238 ,000 ,599 ,561 ,049 -,667 -,119 -,595 ,643 - - - Fmáx Preensão Manual (kg) ,086 ,370 ,342 -,360 -,306 ,144 ,445 ,524 -,036 ,144 ,054 -,847* -,360 - - Vel Serviço (km/h) -,200 ,873* ,429 ,000 -,143 -,821* -,703 -,371 ,607 ,036 ,786* -,393 -,750 ,486 - Precisão do Serviço (%) -,031 ,406 -,558 ,020 -,080 -,657 -,854* -,517 ,538 -,279 ,000 -,060 -,418 -,621 ,339 SJ = Squat Jump; CMJ = Countermovement Jump; Vel = Velocidade; Fmáx = Força máxima; Ext = Extensores; RI = Rotadores Internos; RE = Rotação Externa; RE/RI = Rácio Rotação Externa/Rotação Interna * A correlação é significativa no nível 0,05 (bilateral) ** A correlação é significativa no nível 0,01 (bilateral) 41 48 ranking ATP. Estudos anteriores revelam que os jogadores profissionais de estatura elevada concebem velocidades de serviço muito superiores (Bonato et al., 2014). O’Donoghue and Ballantyne (2004) acrescentam que existe uma relação significativa entre a velocidade de serviço e a possibilidade de ganhar o ponto, ou seja, um serviço potente permite aos tenistas ganharem uma elevada percentagem de pontos logo no serviço. Deste modo, um bom primeiro serviço é fundamental para ganhar muitos pontos e colocar o adversário sob pressão na “resposta” e com pouco tempo de execução da pancada. Como consequência, a percentagem de pontos ganhos com o segundo serviço tende também a aumentar. Outra explicação para o facto de um tenista de elevada estatura favorecer de um grande serviço deriva da biomecânica. Um tenista com uma boa estatura tira vantagem da sua pancada de serviço por atingir uma altura superior no ponto de contacto com a bola. Este ponto de contacto com a bola é atingido devido a uma multiplicidade de fatores, como por exemplo, a contribuição dos membros inferiores, a importância da rotação do tronco, a componente vertical da raquete que está relacionada com o complexo braço + raquete, entre outros (Bonato et al., 2014). Para Vaverka and Cernosek (2013) a velocidade da bola no serviço é determinada pela estatura e impulso vertical do tenista. A estatura assume um papel fundamental na execução com sucesso da pancada de serviço, pelo facto do ponto de contacto com a bola ser elevado, proporcionando assim uma maior perspetiva da área do quadrado de serviço. A importância da relação entre altura e velocidade de serviço assume também uma grande preponderância na execução do segundo serviço, onde o controlo da bola predomina sobre a velocidade. Apesar do segundo serviço não ser executado a uma velocidade máxima, estas duas variáveis apresentam uma correlação significativa. Como já foi referido, uma possível explicação para uma correlação significativa entre a altura e a velocidade deve-se ao facto do tenista com uma estatura elevada possuir uma maior perspetiva da colocação da bola no quadrado de serviço (Bonato et al., 2014). Para Vaverka and Cernosek (2013), um dos principais factores para a variação da velocidade de serviço está relacionado com a obtenção de sucesso na sua realização. Posto isto, o tenista procura constantemente reajustar a velocidade do serviço de 49 forma a obter sucesso na sua execução, baseando-se na própria experiência. Apesar dos tenistas mais altos beneficiarem de algumas vantagens na pancada de serviço, é necessário ter em conta a percentagem de serviços que colocam a uma velocidade máxima. Relativamente aos tenistas de estatura inferior, observa-se que o ponto de contacto com a bola é menor, consequentemente ao efetuar um serviço a uma velocidade muito elevada, a probabilidade de obter sucesso torna-se inferior. Tomemos como exemplo o tenista Benjamin Becker, com uma estatura de 178cm, serviu a uma velocidade média de 194km/h, no entanto apenas 46% dos seus serviços foram executados com sucesso. Comparativamente, a média apresentada em torneios do Grand Slam situa-se nos 59% e 61% para homens e mulheres, respetivamente. Gescheit et al. (2015) ao avaliarem o teste de velocidade e precisão do serviço ao longo de 4 dias consecutivos após jogos com uma duração de aproximadamente 4h, obtiveram pequenas diminuições. Este resultado pode ser explicado pela diferença entre exigências específicas, isto é, durante o jogo o serviço é válido quando colocado no quadrado de serviço e no teste apenas na zona definida e a uma velocidade máxima. Deste modo, pode-se inferir que a precisão foi posta em causa no teste de serviço devido à precisão e à velocidade exigida. Este estudo foi realizado com o consentimento de todos os jogadores, treinadores e selecionadores. Todas as partes concordaram que a informação poderia ser uma mais-valia para monitorizar e melhorar o processo de treino e consequentemente, criar perfis individuais de todos os jogadores. A elaboração do estudo contribui, de certa forma, para a valorização e evolução da modalidade em Portugal através da partilha de informações, conhecimentos e experiências. Apesar deste tipo de avaliações terem sido efetuadas pela primeira vez, os tenistas demonstraram um grande empenhamento, bem como uma enorme competitividade para que os resultados fossem os melhores. O facto deste estudo ter sido realizado no fim da pré época pode ter provocado uma homogeneidade de resultados. Sugiro que estas avaliações sejam realizadas várias vezes ao longo da época, de forma a identificar com elevada precisão os pontos fracos e fortes dos tenistas, facilitando assim a elaboração de programas de treino físico mais eficientes. 50 Limitações do Estudo É importante reconhecer potenciais limitações deste estudo, como o reduzido tamanho da amostra masculina e feminina. Além disso, os tenistas avaliados não competem nas principais competições do circuito ATP e WTA, quer isto dizer, que não participam nos torneios de Grand Slam. Contudo, apenas um atleta, no momento do protocolo participava em torneios do Grand Slam. Como já foi referido anteriormente, duas das tenistas avaliadas competem frequentemente pela Seleção Nacional de Séniores na Fed Cup. Contudo, a amostra masculina contém apenas um tenista que representa Portugal em algumas eliminatórias da Davis Cup. Deste modo, pode haver uma limitação dos resultados. Sugestões para Estudos Futuros Para estudos futuros sugiro que a análise das variáveis físicas seja efetuada ao longo de 4 dias consecutivos com jogos. Sendo assim, as avaliações devem ser efetuadas antes e após os jogos, para compreender o efeito da induzido pelos jogos nas capacidades físicas dos tenistas. 51 7. Conclusão O ténis é uma modalidade que integra uma variedade de componentes físicas que interagem entre si. Por isso, é fundamental identificar as capacidades que assumem uma maior preponderância no desempenho do tenista. Após esta reflexão e sua confrontação com a literatura, é possível retirar algumas conclusões. De acordo com os resultados do presente estudo, o SJ e a capacidade de aceleração e velocidade são as únicas variáveis que apresentam diferenças estatisticamente significativas entre o desempenho da amostra feminina e masculina, respetivamente. Na amostra feminina também foi possível verificar diferenças estatisticamente significativas entre a altura da atleta e a velocidade de serviço, isto é, as jogadoras mais altas servem significativamente mais rápido. Pelo contrário, na amostra masculina observouse que os tenistas mais altos servem a velocidades mais baixas. Uma possível explicação para este acontecimento deve-se ao facto dos tenistas com melhor ranking terem uma estatura menor. Deste modo, os tenistas mais baixos são os melhores cotados no ranking ATPR e servem a velocidades superiores. Todas as outras relações entre as variáveis consideradas fundamentais não foram encontradas diferenças estatisticamente significativas. Embora as avaliações tenham sido realizadas em apenas um momento, sabe-se que durante um jogo os níveis de força e velocidade tendem a diminuir. Os resultados do presente estudo salientam a importância dos testes de aptidão física. Contudo, a aptidão física é apenas um dos fatores que pode levar um tenista a ser bem-sucedido ao longo da carreira. Estes resultados transmitem uma informação relevante aos treinadores e podem ser úteis para comparar o desenvolvimento dos jogadores e para criar perfis individuais. 52 8. Bibliografia Antúnez, R. M., Moreno Fernandez, F. J., Fuentes Garcia, J. P., Vaillo, R. R., & Damas Arroyo, S. J. (2012). Relationship between motor variability, accuracy, and ball speed in the tennis serve. Journal of Human Kinetics, 33, 45-53. Bangsbo, J. (1994). The Physiology of Soccer: With Special Reference to Intense Intermittent Exercise. Acta Physiol Scand, 15, 1-156. Behm, D. G. (1988). A Kinesiological analysis of the tennis service. NSCA Journal, 10, 4-14. Bekraoui, N., Fargeas-Gluck, M. A., & Leger, L. (2012). Oxygen uptake and heart rate response of 6 standardized tennis drills. Appl Physiol Nutr Metab, 37(5), 982-989. doi:10.1139/h2012-082 Bergeron, M., & Keul, J. (2002). 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