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Relatório de Estágio - Multivertentes - Tradução e Formação 2013

Helena Isabel Braga Margaride

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FACULDADE DE LET R A S UNIVE RSIDADE DO PO RTO Helena Isabel Braga Margaride 2º Ciclo de Estudos em Tradução e Serviços Linguísticos Tradução Especializada – Via Profissionalizante RELATÓRIO DE ESTÁGIO Multivertentes – Tradução e Formação 2013 Orientador: Professor Doutor Rogelio Ponce de León Classificação: Ciclo de Estudos: Relatório: Versão definitiva i Resumo O presente relatório visa descrever as atividades decorridas durante o período do estágio curricular na empresa de tradução Multivertentes – Tradução e Formação, na área da tradução técnica. Neste relatório serão, também, discutidas as problemáticas em torno da área mencionada, abordando a teoria e a sua aplicação prática nas traduções realizadas ao longo do estágio. Pretende-se, desta forma, realçar a importância da experiência retirada do mundo real do trabalho em tradução e a aprendizagem que daí advém. Abstract The purpose of this report is to describe the tasks completed during the internship in technical translation at Multivertentes – Tradução e Formação. This report also deals with the challenges that technical translation presents, showing it through a theoretical and practical approach. Furthermore, it is also referred and emphasized the experience and knowledge brought by the internship. ii Índice Resumo ........................................................................................................................................... i Abstract .......................................................................................................................................... i 0. Introdução ............................................................................................................................ 1 1. A tradução técnica ............................................................................................................... 2 1.1. Teorias em tradução técnica ....................................................................................... 3 1.2. Tradução e equivalência ............................................................................................. 7 1.2.1. Problemas de não-equivalência .......................................................................... 7 1.2.2. Estratégias para lidar com a não-equivalência ............................................... 10 1.3. Tipologia de textos técnicos ...................................................................................... 11 1.4. Competências gerais de um tradutor....................................................................... 13 2. O estágio curricular .......................................................................................................... 16 2.1. Constituição da empresa e duração do estágio ....................................................... 17 2.2. Tipo de trabalho realizado ....................................................................................... 18 2.3. Materiais utilizados ................................................................................................... 22 2.4. Formação recebida .................................................................................................... 23 2.5. Vantagens de um estágio presencial ........................................................................ 24 3. Análise das traduções ........................................................................................................ 26 3.1. Problemas de tradução e soluções ............................................................................ 27 3.1.1. Exemplo número 1 ............................................................................................ 27 3.1.2. Exemplo número 2 ............................................................................................ 31 3.1.3. Exemplo número 3 ............................................................................................ 34 3.1.4. Exemplo número 4 ............................................................................................ 37 3.1.5. Exemplo número 5 ............................................................................................ 39 3.1.6. Exemplo número 6 ............................................................................................ 42 3.1.7. Exemplo número 7 ............................................................................................ 44 3.2. A importância da auto-revisão ................................................................................. 46 4. Conclusão ........................................................................................................................... 47 5. Bibliografia ........................................................................................................................ 49 6. Webgrafia ........................................................................................................................... 51 iii 7. Anexos .................................................................................................................................... 7.1. Anexo I – Programa de Segurança e Saúde ................................................................ 7.2. Anexo II – Acordo de intenções ................................................................................... 7.3. Anexo III – Lançamento de um relógio (descrição) ................................................... 7.4. Anexo IV – Geologia: sondagens .................................................................................. 7.5. Anexo V – Manual de instruções de um pequeno eletrodoméstico ........................... 7.6. Anexo VI – Lista dos trabalhos realizados .................................................................. iv Índice de figuras Figura 1: Esquema com as dimensões da compreensibilidade (Göpferich 2009:34). ................... 5 Figura 2: Géneros da tradução técnica escrita, classificados por foco contextual e tipo de recetor (Gamero 2001:69). ...................................................................................................................... 11 Figura 3: Conjunto de competências que um tradutor deve ter (Samuelsson-Brown 2010:2). ... 13 Figura 4 - Gráfico representativo dos trabalhos realizados durante o estágio. ............................ 19 Figura 5: Quadro com os segmentos ilustrativos do exemplo número 1 de problemas de tradução. ...................................................................................................................................... 28 Figura 6: Quadro com os segmentos ilustrativos do exemplo número 2 de problemas de tradução. ...................................................................................................................................... 32 Figura 7: Quadro com os segmentos ilustrativos do exemplo número 3 de problemas de tradução. ...................................................................................................................................... 34 Figura 8: Quadro com os segmentos ilustrativos do exemplo número 4 de problemas de tradução. ...................................................................................................................................... 37 Figura 9: Quadro com os segmentos ilustrativos do exemplo número 5 de problemas de tradução. ...................................................................................................................................... 39 Figura 10: Quadro com os segmentos ilustrativos do exemplo número 6 de problemas de tradução. ...................................................................................................................................... 42 Figura 11: Quadro com palavras heterogenéricas retiradas de traduções realizadas I. ............... 42 Figura 12: Quadro com palavras heterogenéricas retiradas de traduções realizadas II. .............. 43 Figura 13: Quadro com os segmentos ilustrativos do exemplo número 7 de problemas de tradução. ...................................................................................................................................... 44 1 0. Introdução O presente relatório de estágio, elaborado no âmbito do Mestrado em Tradução e Serviços Linguísticos – vertente de Tradução Especializada da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, representa a apreciação e avaliação do estágio curricular realizado na empresa de tradução Multivertentes – Tradução e Formação, entre 1 de fevereiro e 30 de junho de 2013. Neste relatório será abordada a tradução técnica desde a teoria às aplicações práticas na resolução de problemas de tradução, relacionando, assim, os conhecimentos teóricos adquiridos durante o 1º e 2º ciclo de estudos na FLUP e a experiência laboral no estágio. Utilizando vários autores presentes na área da tradução especializada, é a intenção deste relatório discutir alguns dos problemas comuns no quotidiano do tradutor técnico e que surgiram, igualmente, durante o estágio, assim como apresentar as possíveis soluções que os autores sugerem para esses mesmos problemas. Neste relatório será ainda feita uma breve descrição do estágio e das atividades realizadas durante o mesmo, assim como uma análise das questões mais problemáticas que surgiram no processo tradutológico, realçando não só a dificuldade do trabalho real, mas também as vantagens de trabalhar diretamente com uma equipa de tradução de modo presencial. Como conclusão, será feita uma apreciação global do estágio, focando a experiência e aprendizagem que dele advêm. 2 1. A tradução técnica 3 1.1. Teorias em tradução técnica Os trabalhos de tradução realizados ao longo do estágio curricular inserem-se, na sua maioria, na área da tradução técnica, o que lhes confere características próprias dessa área, as quais tiveram de ser tidas em conta na hora de traduzir. Em primeiro lugar, é importante fazer uma distinção entre texto técnico e texto científico, uma vez que estes dois tipos de textos, embora sejam muito parecidos, se referem a coisas diferentes. De acordo com Jody Byrne (2006), o texto técnico e o científico estão intimamente ligados, mas devem ser classificados separadamente. Enquanto o texto técnico se refere à tecnologia e à aplicação das teorias na prática, o científico refere-se à ciência pura e à conceção das teorias. Ao contrário da tradução geral, a tradução técnica não pretende apenas reproduzir o texto original, mas sim recriar a informação num texto novo de acordo com o públicoalvo da língua de chegada. Para isso, o tradutor técnico deve ter em conta algumas especificações que irão condicionar a criação desse novo texto. Tratando-se de um texto técnico, a sua principal função é a compreensibilidade. Se se tratar de um manual de instruções, por exemplo, este deve ser o mais direto, claro e compreensível possível, de fácil utilização e consulta para o seu utilizador. Desta forma, o tradutor técnico deve ter em mente a função do texto de chegada na recriação do mesmo, pois é esta que vai determinar as estratégias e métodos a utilizar na tradução, de acordo com Byrne (2006:10). Com a função e finalidade do texto em mente, é possível entrar no campo da Skopostheorie de Hans J. Vermeer. Segundo este autor, um texto pode ser traduzido de diferentes formas de acordo com a finalidade do texto de chegada e as instruções que são dadas ao tradutor. A finalidade da tradução é definida pelo seu iniciador, normalmente o cliente, e pela utilização que o texto terá junto do público-alvo, consoante a cultura de chegada. A Skopostheorie (Vermeer 1989:182, apud Byrne 2006:39) defende ainda que podem existir diferenças entre a finalidade do texto de partida e do texto de chegada, pois as realidades culturais e linguísticas são também diferentes e este é um fator de grande peso na tradução. É por isso tão importante conhecer a função do texto de partida como a função do texto de chegada. 4 Para além do ponto anterior, ressalva-se também que qualquer tradução deve cumprir os princípios de coerência e fidelidade, sendo que o primeiro se refere à coerência interna do próprio texto de chegada e o segundo a uma coerência intertextual entre o texto de partida e o texto de chegada. Partindo da ideia funcionalista da Skopostheorie de Vermeer, Christiane Nord (Nord 1997:125, apud Byrne 2006:42) acrescenta a noção de lealdade, a qual pode ser definida como the translator’s responsibility to provide readers with what they expect of a translation (i.e., literal, word-for-word, free, readable). It also requires the translator to convey the author’s intentions as regards the communicative interaction. Desta forma, é conferido ao tradutor um papel de intermediário cultural com responsabilidade perante todos os intervenientes no processo de tradução. Por conseguinte, cabe ao tradutor decidir que estratégias vai usar para a tarefa que tem em mãos no momento. Na tradução técnica, também o tipo de linguagem deve ser adaptado. Segundo Byrne (2006:45), para que a tradução se transforme num texto natural e compreensível e cumpra a sua função comunicativa, é necessário utilizar as regras linguísticas previamente estabelecidas para cada língua de chegada. Estas convenções não dizem apenas respeito ao que está escrito, mas também à forma como é apresentada a informação. É, portanto, necessário entender que o leitor de uma determinada língua de chegada está habituado a encontrar a informação que procura num local específico do documento, pois foi assim que ele sempre a viu e é o que espera. Desrespeitar as convenções estéticas, tais como layout, formatos de letras e a própria estruturação do texto, poderá criar confusão no leitor e, por conseguinte, o texto falhar na sua intenção. Quanto às convenções linguísticas, a autora afirma que é importante considerar o estilo de escrita no que diz respeito à tradução técnica. E é a estas formulações estandardizadas que a língua de chegada possui que o tradutor se deve render para que o texto seja então lido como uma produção original e não uma tradução, assegurando assim a qualidade e compreensibilidade do texto. Acerca das características do texto de chegada que o tradutor deve ter em mente na produção da tradução, Susanne Göpferich (2009) fala de qualidade e do conceito de 11 1.3. Tipologia de textos técnicos No tratamento de um texto, é crucial para o tradutor identificar o tipo de texto que tem em mãos. Em tradução técnica, podemos classificar os textos de acordo com o seu foco contextual e dividi-los em textos expositivos, expositivos com um foco secundário injuntivo, injuntivo e injuntivo com foco secundário expositivo, de acordo com distribuição de Gamero (2001). A autora distingue ainda o tipo de recetor do texto técnico em duas categorias, público geral e especializado, os quais vão influenciar a forma como a informação é contida e escrita no texto. Na figura 2, estão representados os exemplos de géneros textuais, tanto para o recetor geral como para o especializado. Figura 2: Géneros da tradução técnica escrita, classificados por foco contextual e tipo de recetor (Gamero 2001:69). Segundo Gamero (2001:71), no género expositivo a informação é objetiva, o tom é geralmente formal e impessoal e os textos são ricos em descrições. Para o público geral, os textos técnicos expositivos são de caráter divulgativo ou didático, enquanto 12 para um público especializado, estes textos costumam ser documentos internos de uma empresa que são utlizados pelos seus técnicos especializados. Quanto ao género expositivo com um foco secundário injuntivo, este refere-se a textos que possuem uma função expositiva e também injuntiva. Para o público em geral, este tipo de texto contém informação publicitária, que se foca na exposição de conceitos, mas com uma função secundária de publicidade. Para o público especializado, também estes textos se englobam na qualidade de informação publicitária de uma forma mais complexa, através do anúncio no meio especializado. Encaixam, também, nesta categoria, documentos relacionados com a documentação interna das empresas, com um sentido de recomendação ou pedido. Gamero (2001:77-78) divide o género injuntivo em comunicação geral (os manuais de instruções para o público em geral) e comunicação especializada (os documentos especializados que possuem valor jurídico dentro de uma empresa, assim como os documentos normativos internos de uma empresa, e ainda os manuais de instruções para os especialistas). Por último, no género injuntivo com foco secundário expositivo a informação é menos abundante e emprega-se mais terminologia especializada, através de meios publicitários. Para o recetor geral, os textos focam-se na publicidade informativa, donde se destaca o prospeto médico. Para o recetor especializado, mais uma vez, trata-se de documentação interna da empresa. É importante reconhecer os géneros textuais para que se reconheça, também, a função do texto. Na tradução técnica, este é um dos aspetos mais importantes a identificar no texto de partida. 13 1.4. Competências gerais de um tradutor Para além dos fatores referidos nos pontos anteriores, é necessário falar das competências gerais que um tradutor deve ter. Samuelsson-Brown (2010) apresenta um conjunto de competências que uma pessoa deve possuir/adquirir para ser um bom tradutor. Figura 3: Conjunto de competências que um tradutor deve ter (Samuelsson-Brown 2010:2). Estas competências organizam-se em seis categorias e abarcam várias dimensões. Samuelsson-Brown (2010:2) fala da importância da necessidade de existir um entendimento das culturas de partida e de chegada, assim como dos seus meios envolventes, para caracterizar de um modo mais eficiente ambos os textos e colocá-los no seu género correto. No que diz respeito às tecnologias, o tradutor deve saber trabalhar com ferramentas de tradução, assim como quaisquer ferramentas informáticas relacionadas com o seu trabalho e com o contacto com os seus clientes. Para além disso, são necessárias competências comunicativas e de tomadas de decisões. É fundamental 14 que um tradutor saiba estabelecer comunicação, questione quando necessário e saiba receber feedback do seu trabalho. É, também, importante que o tradutor saiba tomar decisões bem ponderadas e justificadas para que a comunicação ocorra sem falhas. Interligada às competências anteriores estão os conhecimentos de gestão de projetos. O tradutor deve saber coordenar e administrar o seu trabalho, fazer uma boa pesquisa terminológica e efetuar o controlo de qualidade do seu trabalho. Por último, este autor destaca ainda as competências linguísticas que o tradutor deve possuir, ou seja, conhecer a língua de partida e ter competências de produção textual na língua de chegada, assim como fazer uma revisão do seu próprio trabalho. O conjunto de competências de tradução apresentado por Samuelsson-Brown (2010:2) tem muitos aspetos em comum com as competências profissionais dos tradutores redigidas pela Norma Europeia sobre os Serviços de Tradução EN 15038. No entanto, esta norma organiza e classifica de forma mais eficaz e completa as competências que um tradutor deve ter para produzir uma tradução com qualidade (EN 15038, 2006, alínea 3.2.2): a) Competência de tradução: a competência de tradução engloba a capacidade de traduzir textos a nível profissional. Inclui a capacidade de avaliar os problemas da compreensão e produção de texto, assim como a capacidade de entregar o texto traduzido em conformidade com o acordo previamente estabelecido com o cliente e explicar as razões para as opções tomadas. b) Competência linguística e textual na língua de partida e na língua de chegada: a competência linguística e textual inclui a capacidade de compreender a língua de partida e ter um domínio completo da língua de chegada. c) Competência de pesquisa, aquisição e processamento de informação: A competência de pesquisa inclui a capacidade de adquirir eficazmente os conhecimentos linguísticos de especializados adicionais, necessários à compreensão do texto de partida e à produção do texto de chegada. d) Competência cultural: a competência cultural inclui a capacidade de fazer uso de informação sobre o ambiente cultural, os padrões comportamentais e os sistemas de valores que caracterizam as culturas de chegada e de partida. e) Competência técnica: a competência técnica engloba as capacidades e habilidades exigidas para a preparação e produção profissional de traduções. Isto 15 inclui a capacidade de usar as modernas ferramentas de tecnologia de informação e bases terminológicas. Um tradutor deverá ser capaz de adquirir estas competências e trabalhá-las para que as suas traduções tenham qualidade. Estas competências são válidas para qualquer tradutor (ou como é denominado na EN 15038, Translation Service Provider – Fornecedor de Serviços de Tradução), quer seja de tradução geral ou tradução técnica especializada. 16 2. O estágio curricular 17 2.1. Constituição da empresa e duração do estágio O estágio realizou-se nas instalações da empresa Multivertentes – Tradução e Formação, sediada em Vila Nova de Gaia. A empresa é constituída por uma equipa de três pessoas in-house e por um leque de tradutores freelance. Dentro da equipa interna, estão distribuídas pelas três pessoas as funções de project manager, tradutor e revisor, destacando-se, ainda, as funções administrativas necessárias para o funcionamento de uma empresa de tradução. O estágio curricular teve a duração de cinco meses, de 1 de fevereiro a 30 de junho de 2013, em regime part-time e foi realizado sob a orientação da Dra. Mafalda Cortes Pereira e, também, com a ajuda e paciência da project manager Verónica Oliveira. Da parte da FLUP, o estágio foi orientado pelo Professor Doutor Rogelio Ponce de León, através das várias sessões de orientação tutorial realizadas nas instalações da Faculdade. 18 2.2. Tipo de trabalho realizado Durante os cinco meses de estágio, foi possível explorar as diferentes vertentes do trabalho de um tradutor, passando assim pela tradução, revisão e proof-reading, transcrição, extração de conteúdos de websites, edição de documentos, contacto e aprendizagem de software de tradução e de revisão, composição de glossários e pesquisa de terminologia. Os trabalhos realizados ao longo do estágio incidiram sobre diferentes tipos de texto e matérias, sendo os primeiros, na sua maioria, do âmbito da tradução técnica. Estes textos de teor técnico provieram de diversas áreas, das quais se destacam a construção civil, náutica, energia, manuais de segurança e saúde no trabalho, manuais de instruções de pequenos dispositivos e eletrodomésticos e também alguns textos da área jurídica. Todos os trabalhos feitos na Multivertentes durante o estágio tiveram como língua de chegada a língua materna da estagiária, neste caso o português de variante europeia, apesar da existência de vários trabalhos que exigiram a adaptação linguística para o português do Brasil, sendo este um dos grandes mercados da tradução. Em relação às línguas de partidas, estas foram o inglês e o espanhol, estando distribuídas de forma quase igualitária. Antes de iniciar qualquer projeto, era fornecido um descritivo do mesmo, onde se encontravam todas as informações essenciais: tipo de projeto, línguas de trabalho, tamanho do projeto (palavras ou páginas), pessoas envolvidas, orçamento, prazo estipulado e demais informações relevantes. Tal como foi mencionado acima, o estágio não se cingiu apenas a traduções, apesar de estas representarem a atividade principal do estágio. De um total de 56 projetos realizados, 38 corresponderam a traduções, 9 a trabalho de edição, 4 a revisão, 3 a extração de conteúdos, 1 a terminologia e 1 a proof-reading. A figura 4 mostra um gráfico que ilustra o peso de cada um dos trabalhos realizados na empresa. 19 Figura 4 - Gráfico representativo dos trabalhos realizados durante o estágio. Apesar desta distinção de projetos ou tipos de trabalho realizados, por vezes estes cruzavam-se ao longo do processo. Quando o ficheiro enviado pelo cliente chegava num formato que não podia ser editado, era necessário torná-lo editável para, assim, poder ser lido pelos programas de tradução. Esta edição, consoante o que continha o ficheiro, podia consistir na elaboração de tabelas em Excel ou no aperfeiçoamento do ficheiro após a conversão de pdf para Word. Este tipo de trabalho é muito minucioso e dispendioso a nível de tempo. Contudo, pela experiência do estágio, verifica-se ser uma prática muito comum no mundo da tradução. E o mesmo se aplica na extração de conteúdos quando falamos da tradução de um website. Uma vez que a tradução é feita num ficheiro à parte, não diretamente no website, é preciso realizar um processo de copy paste dos conteúdos da página para estes serem introduzidos num ficheiro, novamente Word ou Excel, para serem então traduzidos com o auxílio de uma ferramenta CAT. No que diz respeito aos trabalhos de revisão, estes corresponderam a revisões de transcrições e uma tradução realizadas por outros tradutores. No caso das transcrições, era necessário verificar se estava reproduzido todo o discurso dos interlocutores e se não havia nenhum erro. Por vezes, era necessário ouvir várias vezes para comprovar o que era dito e contrastar com o que estava escrito. Os materiais fornecidos pelos clientes Trabalhos realizados Tradução Edição Revisão Extração de conteúdos Terminologia Proof-reading 20 também influenciam este processo, pois no caso onde foram usadas cassetes, este é mais demorado, devido à forma como se trabalha com a cassete. Aqui foi possível comprovar que o avanço das tecnologias representa uma grande vantagem para este tipo de tarefas, pois nos casos em que a audição vinha em formato de cd, todo o processo foi mais facilitado. Quanto à revisão da tradução, esta consistiu na comparação do texto da língua de partida, neste caso o inglês, com o texto da língua de chegada, o português europeu, e na verificação de terminologia e instruções fornecidas pelos clientes. Para o projeto de proof-reading foi apenas necessário fazer uma leitura atenta do texto de chegada para comprovar a compreensibilidade e fluidez do mesmo, assim como identificar qualquer possível gralha no texto. De forma complementar à tradução, foi também realizada pesquisa de terminologia financeira e económica de forma a continuar a elaboração de um glossário já iniciado por outros colaboradores da empresa. Isto acontecia quando o fluxo de trabalho era menor e havia tempo livre para explorar as outras vertentes do trabalho de um tradutor. Esta era uma área onde não existia muita experiência por parte da estagiária e a compilação do glossário provou ser útil não só para futura consulta, mas também para consolidar os métodos de pesquisa e procura de fontes fiáveis dentro de uma área específica. Os projetos de tradução cobriram grande parte dos trabalhos realizados no estágio e, como já foi mencionado, corresponderam a diferentes áreas dentro da tradução técnica. O procedimento adotado consistia numa leitura inicial do texto para compreensão geral do tema, seguido de uma pesquisa de textos comparáveis na língua de chegada para verificação de estruturas, vocabulário e quaisquer dúvidas que pudessem surgir. A pesquisa intensificava-se no caso de terminologia técnica ou específica, sendo que nem sempre eram encontrados os termos desejados. Quando não era possível encontrar determinado termo ou não havia certeza acerca da sua utilização, este ficava identificado no texto para o revisor saber que não era o termo final. Também era possível tirar dúvidas com os colaboradores presentes na empresa, tanto para a tradução do termo em si (havia casos em que o projeto era o mesmo para todos, mas devido à sua extensão estava dividido em várias partes e distribuído pelos tradutores) como para indicações de pesquisa. Havia projetos em que eram fornecidos materiais de 27 3.1. Problemas de tradução e soluções Ao longo do estágio, foi possível descobrir uma série de problemas gerais que foram comuns a várias traduções. As revisões e correções feitas pela orientadora na Multivertentes e uma análise posterior dos projetos realizados possibilitaram a caracterização desses mesmos problemas. Estes pertencem a aspetos linguísticos gerais, a questões terminológicas, estruturais e de adaptação linguística. Os pontos seguintes mostram exemplos dos problemas e as soluções encontradas apoiadas em fundamentos teóricos. 3.1.1. Exemplo número 1 Documento: Programa de Segurança e Saúde 2 Línguas de trabalho: Espanhol (ES)> Português do Brasil (PT_Br) Texto original Tradução Tradução após revisão 1 EMPRESA X considera como uno de sus principios básicos y como uno de sus objetivos fundamentales la promoción de la mejora continua y sostenible de las condiciones de trabajo. EMPRESA X considera como um dos seus princípios básicos e como um dos seus objetivos fundamentais a promoção da melhora contínua e sustentável das condições de trabalho A EMPRESA X considera como um dos seus princípios básicos e como um dos seus objetivos fundamentais a promoção da melhora contínua e sustentável das condições de trabalho. 2 Aprobación/aceptación del sistema de gestión en material de seguridad. Aprovação/aceitação do sistema de gestão em matéria de segurança. Aprovação/aceitação do sistema de gerência em matéria de segurança. 3 Además, se colocará una etiqueta del estilo PELIGRO, NO PONER EN MARCHA en el dispositivo de cierre de todo el equipo que se esté reparando. Além disso, será colocada uma etiqueta do tipo PERIGO, NÃO LIGAR no dispositivo de fecho de todos os equipamentos que Além disso, será colocada uma etiqueta do tipo PERIGO, NÃO LIGAR no dispositivo de fecho de todos os equipamentos que estejam sendo reparados. 2 Ver anexo I. 28 estejam a ser reparados. 4 Hormigonado Este programa será desarrollado para tres fases bien diferenciadas: fabricación de cajones; transporte de cajones (remolcado hasta la embarcación especial para traslado a largas distancias) y fondeo. Betonagem Este programa será desenvolvido para três fases distintas: fabrico de plataformas, transporte de plataformas (reboque até à embarcação especial para deslocações em distâncias longas) e ação de fundear. Betonagem Este programa será desenvolvido para três fases distintas: fabrico de plataformas, transporte de plataformas (reboque até à embarcação especial para deslocações em distâncias longas) e ancoragem. Figura 5: Quadro com os segmentos ilustrativos do exemplo número 1 de problemas de tradução. No segmento 1, pode verificar-se que o erro consiste na falta da colocação do artigo definido feminino singular ‘a’ que identifica a empresa no início da frase. Tal erro ocorre devido à falta do artigo no texto original e ao facto da tradução estar colada ao original. No entanto, começar a frase sem o artigo seria incorreto. No segmento 2, existe a questão da adaptação do português europeu para o português do Brasil. As diferenças existentes entre o português europeu e o português do Brasil são, na sua grande maioria, facilmente percetíveis e ocorrem ao nível lexical, sintático, ortográfico, pragmático e ao nível da pronúncia. No que diz respeito ao léxico, são muitas as palavras que exprimem conceitos, entidades ou objetos que são diferentes nas duas variantes do português. Neste exemplo em concreto, apesar do termo ‘gestão’ estar bem traduzido, em português do Brasil utiliza-se o termo ‘gerência’ para a tradução de ‘gestión’. Também no segmento 3, voltamos a ter a questão da adaptação linguística, pois em português do Brasil utiliza-se predominantemente a perífrase ‘estar + gerúndio’ em oposição a ‘estar + a + infinitivo, de acordo com Cunha e Cintra (2005:394): 29 A construção de estar (ou andar) + gerúndio, preferida no Brasil, é a mais antiga no idioma e ainda tem vitalidade em dialectos centro-meridionais de Portugal (principalmente no Alentejo e no Algarve), nos Açores e nos países africanos de línguas portuguesa. No português padrão e nos dialectos setentrionais de Portugal, predomina hoje a construção, de sentido idêntico, formada de estar (ou andar) + preposição a + infinitivo […]. 3 A falta de experiência a escrever na variante do Brasil fez com que fossem utilizadas as estruturas da variante europeia. Desta forma, após a revisão, estes aspetos foram corrigidos para que o texto cumprisse os requisitos. O segmento 4 destaca a dificuldade de terminologia específica desta área técnica, para além da adaptação, mais uma vez, do português europeu ao português do Brasil. No que diz respeito à terminologia, é importante salientar a fase de pesquisa. Uma das tarefas mais importantes na fase de pesquisa relaciona-se com a avaliação dos documentos encontrados. Uma vez que um tradutor não é um especialista em todas as matérias que traduz, este terá de certificar-se que os textos que encontra provêm de fontes fiáveis e que poderá usá-los sem correr riscos. De acordo com Austermühl (2001), o tradutor deve ter uma estratégia para avaliar corretamente os documentos que estão à sua disposição e que irá usar como fontes para as traduções. Nessa estratégia, deverá constar a verificação das informações contidas nos documentos. Recorrer a textos comparáveis na língua de chegada é muito útil quando se trata de uma área especializada. Este texto exigiu um trabalho de pesquisa mais aprofundado e a procura de textos análogos na língua de chegada para encontrar a terminologia correta. Fontes como o IATE (base terminológica multilingue da EU) foram de grande utilidade para a tradução, mas não foram suficientes, já que não contempla a variante linguística do português do Brasil. A pesquisa de vocabulário técnico, como ‘hormigonado’, ‘cajones’ e ‘fondeo’, foi dificultada pela falta de bibliografia escrita na língua de chegada. Uma das estratégias para encontrar o termo consistiu na pesquisa de imagens para tentar perceber visualmente a que se referia o termo e partir daí para a procura de um termo mais geral ou uma explicação na língua de chegada, de acordo com Baker (1992:26-42). 3 Itálicos usados pelo autor. 30 Com a revisão, foi possível confirmar a utilização correta da terminologia escolhida e, também, corrigir alguns erros realizados. 31 3.1.2. Exemplo número 2 Documento: Acordo de intenções (área jurídica) 4 Línguas de trabalho: Espanhol (ES)> Português (PT) Texto original Tradução Tradução após revisão 1 …una sociedad española, válidamente constituida y debidamente inscrita en el Registro Mercantil de [***], con domicilio social en [***] y CIF [***], (en adelante el “X”) representada en este acto por D. [***], con DNI [***] en virtud de la escritura de otorgamiento de poderes de fecha de [***], otorgada ante el Notario de [***], D. [***] con el número [***] de su protocolo. …uma sociedade espanhola, constituída de forma válida e devidamente inscrita no Registo Mercantil de [***], com a sede social em [***] e CIF [***], (adiante designada por "X") representada neste ato pelo Sr. [***], com o documento de identificação n.º [***] em virtude da escritura de concessão de poderes de [***], outorgada perante o Notário de [***], Sr. [***] com o número [***] do seu protocolo. …sociedade espanhola validamente constituída e devidamente matriculada no Registo Comercial de [***], com sede social em [***] e NIF [***] (doravante designada por “X”), representada neste ato por [***], com o documento de identificação n.º [***], mediante procuração com concessão de poderes outorgada a [***] perante o Notário de [***], [***], com o número [***] do seu protocolo. 2 El señor X manifiesta que posee facultades suficientes para el otorgamiento del presente documento O senhor X manifesta que possui faculdades suficientes para a celebração do presente documento X declara que possui poderes suficientes para a celebração do presente acordo 3 La perfección de la transacción a la que se refiere el presente documento, en su caso, se encontrará supeditada a la previa consecución entre las partes de un acuerdo A perfeição da transação à qual se refere o presente documento, no seu caso, encontrar-se-á condicionada à prévia consecução entre as partes de um acordo comercial refletido no A perfeição da transação à qual se refere o presente documento se aplicável, encontrar-se-á condicionada pela obtenção prévia entre as partes de um acordo comercial refletido no 4 Ver anexo II. 32 comercial reflejado en el correspondiente contrato de colaboración para el lanzamiento desarrollo y explotación de los Proyectos. contrato de colaboração correspondente para o lançamento, desenvolvimento e exploração dos Projetos contrato de colaboração correspondente para o lançamento, desenvolvimento e exploração dos Projetos. 4 Así lo declaran las partes, que firman el presente documento en prueba de conformidad, en lugar y fecha ut supra. Assim declaram as partes, que assinam o presente documento com prova de conformidade, em local e data ut supra. Em fé do que as partes assinam o presente documento como prova de conformidade, no local e na data ut supra. Figura 6: Quadro com os segmentos ilustrativos do exemplo número 2 de problemas de tradução. Este texto, que se insere na área jurídica, levantou alguns problemas no que diz respeito à estrutura sintática e convenções linguísticas, assim como em relação à terminologia própria deste tema. Para a tradução, foi essencial a pesquisa em websites de legislação em espanhol e português e também bases de dados, como o Eurlex (acesso ao direito da União Europeia), e, novamente, o IATE, que ajudaram na comparação de termos em ambas as línguas. No que diz respeito à estrutura sintática, esta foi, na sua maioria, traduzida literalmente do espanhol. No significado e mensagem geral, a tradução não estava errada, mas, no entanto, não cumpria as formalidades do tipo de texto. Em todos os segmentos se verifica que as correções foram feitas de forma a uniformizar a tradução e transformá-la de acordo com as convenções portuguesas para textos jurídicos, uma vez que estes possuem conceitos gerais de direito e expressões próprias do vernáculo jurídico. Um dos grandes obstáculos à tradução residiu na falta de conhecimento extralinguístico da área jurídica de forma a reconhecer a função comunicativa do texto. Assim, é necessário ter ainda em conta as duas realidades culturais na tradução de textos jurídicos. Um tradutor jurídico, talvez mais do que nas outras áreas técnicas, age como 33 mediador cultural pois traduz um sistema legal para outro sistema legal e esta ação exige um conhecimento além línguas, não podendo haver margem para ambiguidade. 34 3.1.3. Exemplo número 3 Documento: Descrição de um relógio (marketing e publicidade) 5 Línguas de trabalho: Inglês (EN)> Português (PT) Texto original Tradução Tradução após revisão 1 The movement is the automatic P.9000 calibre with a power reserve of three days Possui o movimento automático de calibre P.9000 com reserva de marcha de dois dias O movimento é o calibre automático P.9000 com uma reserva de marcha de três dias 2 The forms of the case made of AISI 316L stainless steel are those which have made the X an icon of international sports watchmaking As formas da caixa feita de aço inoxidável AISO 316L são as que fizeram da X um ícone de relojoaria de desporto internacional As formas da caixa em aço inoxidável AISI 316L são as que transformaram a X num ícone da relojoaria desportiva internacional 3 The white dial of the X Marina 1950 3 Days Automatic provides the maximum clarity and legibility O mostrador branco do X Marina 1950 3 Days Automatic fornece claridade e legibilidade máxima O mostrador branco do X Marina 1950 3 Days Automatic fornece a máxima claridade e legibilidade Figura 7: Quadro com os segmentos ilustrativos do exemplo número 3 de problemas de tradução. Neste exemplo, tanto o segmento 1 como o 3 se referem à posição do adjetivo relativamente ao substantivo. A colocação do adjetivo é um dos pontos que pode gerar alguma confusão na tradução, principalmente do inglês para o português. A gramática do português dá preferência à ordem natural dos elementos, ou seja, a ordem direta. No entanto, é aceitável que o adjetivo em função de adjunto adnominal esteja posposto (com valor 5 Ver anexo III. 35 objetivo) ou anteposto (com valor subjetivo) ao substantivo, de acordo com Cunha e Cintra (2005:268-269). São pospostos os adjetivos:  De classificação (técnica, relação, categoria): animal doméstico; água mineral;  Que caracterizam o substantivo: calça preta; homem baixo;  Seguidos de um complemento nominal: um programa fácil de cumprir; uma providência necessária ao ensino. 6 São antepostos os adjetivos:  Superlativos relativos: o melhor; o pior; o maior; o menor;  Monossilábicos que formam expressões equivalentes a substantivos compostos: bom dia; má hora;  Que adquiriram um sentido especial nesta posição: Nessa ocasião ele era um simples escrevente [= um mero escrevente];  Que assumem um sentido figurado: um grande homem [=grandeza figurada] diferente de um homem grande [=grandeza material]. 7 O inglês, por exemplo, também possui a ordem SVO dos elementos sintáticos, mas descende de origens germânicas. Os adjetivos, geralmente, são antepostos aos substantivos e, existindo mais do que um adjetivo a qualificar um substantivo, eles devem seguir uma ordem específica: opinião, tamanho, outras qualidades, idade, cor, origem, material, tipo e objetivo (Eastwood 2006:248). Por exemplo: a long boring train 8 journey, onde ‘long’ se refere ao tamanho, ‘boring’ a uma qualidade e ‘train’ ao tipo. Contudo, há expressões que requerem o uso do adjetivo posposto ao nome, como ‘two years old’ ou ‘nothing new’. 9 6 Exemplos retirados de Cunha e Cintra (2005:269); negrito usado pelo autor. 7 Exemplos retirados de Cunha e Cintra (2005:269-270); negrito usado pelo autor. 8 Exemplos retirados de Eastwood (2006:248); negrito usado pelo autor. 9 Exemplos retirados de Yule (2006:112); negrito usado pelo autor. 36 Analisando o segmento 1, verifica-se que a estrutura da tradução ficou igual à do original, não sendo corretamente traduzida assim, pois não transpõe o mesmo significado, evidenciando a falta de naturalidade do texto e o incumprimento da sua função apelativa. No segmento 3, com a revisão, o adjetivo fica na mesma posição em ambas as línguas, pois tratando-se de publicidade, é necessário assumir as estratégias de escrita adequadas para que o produto seja atrativo para o público. O segmento 2 evidencia as dificuldades do tipo de escrita que o marketing exige, o qual não estava a ser cumprido na tradução. 43 Espanhol – masculino Português – feminino Palavras terminadas em –aje El voltaje Palavras terminadas em –agem A voltagem; Os dias da semana El viernes Os dias da semana A sexta-feira El muelle A mola El sondeo A sondagem El puente A ponte Figura 12: Quadro com palavras heterogenéricas retiradas de traduções realizadas II. Quanto ao aspeto semântico, neste exemplo destacam-se os falsos amigos. Os falsos amigos, falsos cognatos ou ainda heterossemânticos são palavras que possuem a mesma origem, geralmente latina, que aparecem em diferentes idiomas, com grafia igual ou semelhante mas significados diferentes. Em línguas tão semelhantes como o português e o espanhol, existe uma grande percentagem de palavras heterossemânticas que contribuem para um dos erros mais frequentes de tradução. De acordo com Ángeles Sanz Juez (2007), os falsos amigos são muitas vezes entendidos e corrigidos pelo contexto, criando até situações engraçadas entre os falantes. No entanto, cair no erro do falso amigo é também sinal de um certo nível de desconhecimento da língua e da cultura estrangeira por parte do falante, como afirma a autora, “el riesgo de incurrir en un falso amigo está también relacionado con la cultura general del hablante y su conocimiento y experiencia del mundo.” (Sanz Juez 2007:9). O segmento 1 é um bom exemplo de um falso amigo. A palavra ‘aceite’ foi mal traduzida como ‘azeite’, por distração da estagiária, pois este é um heterossemântico que, na realidade, se traduz por ‘óleo’. A revisão corrigiu este erro. 44 3.1.7. Exemplo número 7 Documento: Protocolo de ensaios Línguas de trabalho: Espanhol (ES)> Português (PT) Texto original Tradução Tradução após revisão 1 Certificamos que el equipo citado ha superado con éxito todas las pruebas de rutina según las normas citadas y los términos del contrato. Certificamos que a equipa notificada superou com êxito todos os testes de rotina de acordo com as normas e os termos do contrato. Certificamos que o equipamento referido superou com êxito todos os testes de rotina de acordo com as normas e os termos do contrato. Figura 13: Quadro com os segmentos ilustrativos do exemplo número 7 de problemas de tradução. Neste exemplo, o problema está no duplo sentido que a palavra ‘equipo’ pode assumir em espanhol. A Real Academia Española apresenta a seguinte definição: equipo. 1. m. Acción y efecto de equipar. 2. m. Grupo de personas organizado para una investigación o servicio determinado. 3. m. En ciertos deportes, cada uno de los grupos que se disputan el triunfo. 4. m. Conjunto de ropas y otras cosas para uso particular de una persona, y, en especial, ajuar de una mujer cuando se casa. Equipo de novia, de colegial, de soldado, etc. 5. m. Colección de utensilios, instrumentos y aparatos especiales para un fin determinado. Equipo quirúrgico, de salvamento. 6. m. Inform. Conjunto de aparatos y dispositivos que constituyen el material de un ordenador. 12 12 Itálico usado pelo autor. 45 De acordo com as definições e segundo o contexto, ‘equipo’ pode ser traduzido por ‘equipa’ ou ‘equipamento’ em português. No segmento em causa, a palavra foi mal traduzida, pois o seu contexto não foi bem interpretado, resultando, assim, numa tradução errada e com o sentido alterado. A revisão corrigiu este erro, substituindo ‘equipa’ por ‘equipamento’, uma vez que o texto se referia a um teste a um determinado equipamento. 46 3.2. A importância da auto-revisão Após uma análise mais cuidada das traduções e de todo o percurso realizado no estágio, e de acordo com a avaliação recebida, é de realçar a importância do processo de revisão que o próprio tradutor deve fazer. Uma das maiores lições a retirar do estágio é precisamente aprender a rentabilizar o tempo que é dado para traduzir. Se é possível terminar a tradução de uma forma rápida, então deve usar-se o tempo restante para uma auto-revisão profunda e completa. Todo o processo tradutológico é importante, desde a pesquisa até à tradução em si, mas é essencial que o tradutor faça uma boa revisão do seu próprio trabalho para que tenha a certeza que tomou as decisões certas e que as pode defender, mas também que fique ciente das suas falhas e que as corrija, poupando, assim, tempo ao revisor. A revisão pode ser feita durante a tradução ou no final desta, consoante o método que melhor resulte para o tradutor. Qualquer processo de revisão deve servir para que o tradutor verifique se utilizou todos os meios e materiais que lhe foram fornecidos, assim como para confirmar a terminologia utilizada e a sua coerência ao longo da tradução e para fazer uma verificação ortográfica final de acordo com o pedido do cliente. Desta forma, tanto o tempo do tradutor como o do revisor se torna mais rentável e o tradutor mais produtivo. Este processo de auto-revisão não foi realizado de forma automática desde o início do estágio. O condição de estagiária retirou um pouco o peso da realização de um trabalho como um trabalho final, pelo que, (in)conscientemente, o trabalho seguia sempre com várias dúvidas pendentes, não resolvidas na fase de auto-revisão. Após algum tempo de estágio e de alguns feedbacks da orientadora na Multivertentes, foi necessário mudar de atitude, passando a encarar e a realizar cada trabalho como se ele fosse diretamente para o cliente, ou seja, como um trabalho final. Assim, houve um crescimento no que diz respeito ao sentido de responsabilidade perante o texto e, também, uma maior consciencialização da importância da auto-revisão e de todos os processos que dela fazem parte. 47 4. Conclusão Após uma reflexão atenta do estágio, dos trabalhos realizados e da avaliação obtida, é possível salientar os aspetos importantes a reter desta experiência. Para realizar uma boa tradução técnica é necessário identificar o público-alvo da tradução e quais são as suas necessidades, pois este vai ser o juiz do trabalho do tradutor. Para além disso, o tradutor precisa de entender o seu papel como intermediário cultural e agir de acordo com esse pressuposto. É necessário conhecer bem a língua e a cultura de chegada para produzir um texto que cumpra todos os requisitos comunicativos, sabendo que para isso poderá ser necessário retirar, acrescentar ou omitir informação existente no texto de partida. No decorrer do processo tradutológico é imperativo saber gerir o tempo que é fornecido; nenhuma fase deve ser descurada para assegurar um bom trabalho. Mais uma vez, aqui salienta-se a importância da revisão por parte do tradutor. Para além de ser um processo que ajuda à deteção das falhas pelo próprio tradutor, também permite um melhor rendimento para o revisor e, em geral, para o trabalho de toda a equipa. O trabalho de um tradutor não é fácil, pois surgem muitos problemas ao longo do seu percurso, mas cabe a este identificar esses problemas e arranjar estratégias para os combater da forma mais eficaz possível. A experiência no mundo real da tradução favoreceu uma maior consciencialização da necessidade de adquirir e consolidar as competências necessárias para produzir um texto com qualidade. Fomentou, ainda, a melhoria das competências organizacionais, tanto ao nível da gestão do tempo como do volume de trabalho. Com o estágio foi possível entender a tradução como um processo contínuo de aprendizagem, quer a nível de ferramentas quer a nível de comunicação e trabalho em equipa. Todos os membros da empresa se mostraram sempre disponíveis para ajudar e colaborar no que fosse necessário e proporcionaram uma ótima experiência laboral. A nível pessoal, a experiência do estágio num contexto empresarial proporcionou um crescimento e uma tomada de consciência acerca das capacidades e limitações da estagiária enquanto tradutora. Para além disso, o facto de o estágio ter sido realizado nas instalações da Multivertentes, comprovou o desejo de fazer parte de uma equipa de tradução e trabalhar de forma presencial numa empresa. 48 Concluindo, a experiência do estágio provou ser positiva e ajudou a consolidar os conhecimentos adquiridos durante o 1º e 2º ciclo de estudos em Tradução. 49 5. Bibliografia Austermühl, Frank. Electronic Tools for Translators. Manchester: St. Jerome Publishing, 2001 Baker, Mona. In Other Words: A Course Book on Translation. London and New York: Routledge, 1992 Byrne, Judy. Technical Translation. The Netherlands: Springer, 2006 Cunha, Celso e Cintra, Luís F. Lindley. Nova Gramática do Português Contemporâneo. 18.ª Edição. Lisboa: Edições João Sá da Costa, Lda, 2005 Equipa linguística do Departamento de Língua Portuguesa. Direção-Geral da Tradução — Comissão Europeia. “O itálico e as palavras estrangeiras”. a folha, Boletim da língua portuguesa nas Instituições europeias n.º 39 (verão de 2012) Eastwood, John. Oxford Practice Grammar Intermediate With answers. Oxford: Oxford University Press, 2006 Gamero Pérez, Silvia. La Traducción de Textos Técnicos. Barcelona: Ariel, 2001 Göpferich, Susanne. “Comprehensibility assessment using the Karlsruhe Comprehensibility Concept”. The Journal of Specialised Translation 11 (2009) Moreno García, Concha. Temas de Gramática Nível Superior. 7.ª edición. Madrid: Sociedad General Española de Librería, S. A., 2008 Munday, Jeremy. Introducing Translation Studies: Theories and Applications. Routledge, 2001 Samuelsson-Brown, Geoffrey. A Practical Guide for Translators (5th Edition). Bristol, Buffalo, Toronto: Multilingual Matters, 2010 Sanz Juez, Ángeles. Glosario de falsos amigos del portugués y del español. 1. ª Edición. Lisboa: Ministerio de Educación y Ciencia. Consejería de Educación. Embajada de España Portugal, 2007 Yule, George. Oxford Practice Grammar Advanced With answers. Oxford: Oxford University Press, 2006 50 Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa (1990). Porto Editora EN 15038:2006 – Translation services – Service requirements. European Committee for Standardization NP 042:2010 – Documentos Normativos Portugueses – Instruções para a sua escrita. Regras e Procedimentos para a Normalização Portuguesa. IPQ 51 6. Webgrafia Dicionário da Língua Portuguesa - com Acordo Ortográfico. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013. [consultado a última vez em 10-09-2013]. http://www.infopedia.pt/lingua-portuguesa Diccionario de la Lengua Española. In Real Academia Española [Em linha]. [consultado a última vez em 19-09-2013]. http://lema.rae.es/drae/?val=equipo Dicionário Priberam da Língua Portuguesa. In Priberam [Em linha]. [consultado a última vez em 20-09-2013] http://www.priberam.pt/dlpo/ FLiP - Gramática da Língua Portuguesa. In Priberam [Em linha]. [consultado a última vez em 20-09-2013]. http://www.flip.pt/FLiP-On-line/Gramatica.aspx 7. Anexos Nesta secção, são apresentados excertos de alguns trabalhos realizados durante o estágio, as versões originais e as traduções após revisão. Os nomes de empresas e/ou marcas foram retirados para proteger a confidencialidade dos clientes. É também apresentada uma lista dos trabalhos realizados. 7.1. Anexo I – Programa de Segurança e Saúde Texto original (ES) 1.0 INTRODUCCION 1.01 ALCANCE Aplicable a todas las actividades realizadas por ACCIONA INFRAESTRUCTURAS S.A. y cualquier subcontratista, consultor u organización que esté implicada en la construcción del Proyecto: Obras Civis do Pier IV - BERÇO NORTE (OFFSHORE) - TERMINAL MARITIMO PONTA DA MADEIRA (TMPM)”. 1.02 DECLARACIÓN DE LIDERAZGO Y COMPROMISO ACCIONA INFRAESTRUCTURAS considera como uno de sus principios básicos y como uno de sus objetivos fundamentales la promoción de la mejora continua y sostenible de las condiciones de trabajo. Este compromiso con la prevención y las responsabilidades que se derivan atañe a todos los niveles jerárquicos y organizativos de ACCIONA INFRAESTRUCTURAS. relação de obrigações que serão consideradas pelas partes como compromissos vinculativos e exigíveis para as mesmas. 7.3. Anexo III – Lançamento de um relógio (descrição) Texto original (EN) LUMINOR MARINA 1950 3 DAYS AUTOMATIC - 42 mm The Luminor Marina 1950 3 Days Automatic is the first watch from Officine Panerai to introduce the original combination of the Luminor 1950 case 42 mm in diameter and a white dial. The movement is the automatic P.9000 calibre with a power reserve of three days, completely developed and made in the Officine Panerai manufacture at Neuchâtel. The forms of the case made of AISI 316L stainless steel are those which have made the Luminor an icon of international sports watchmaking, with the lever device protecting the winding crown to ensure water-resistance to a depth of 10 atmospheres. The case and the bezel have a polished finish, in contrast with that of the bridge protecting the winding crown. The white dial of the Luminor Marina 1950 3 Days Automatic provides the maximum clarity and legibility, with large black figures corresponding to the hour markers, the date window at 3 o'clock and the small seconds dial at 9 o'clock, a characteristic of Panerai watches since the 1940s. The sapphire crystal back enables the Panerai P.9000 calibre to be admired. This is an automatic movement with a power reserve of three days, two spring barrels and the oscillating weight which rotates in both directions. The time is adjusted by a special system by which the hour hand is moved in jumps of exactly one hour, without interfering with the running of the minute hand. The Luminor Marina 1950 3 Days Automatic (PAM000523) is fitted with a brown alligator strap with a brushed steel buckle and it is supplied with the special tool for replacing the strap and a steel screwdriver. Tradução revista (PT) LUMINOR MARINA 1950 3 DAYS AUTOMATIC - 42 mm O Luminor Marina 1950 3 Days Automatic é o primeiro relógio da Office Panerai a apresentar a combinação original da caixa Luminor 1950, com 42 mm de diâmetro, e um mostrador branco. O movimento é o calibre automático P.9000 com uma reserva de marcha de três dias, totalmente desenvolvido e produzido na fábrica da Office Panerai em Neuchâtel. As formas da caixa em aço inoxidável AISI 316L são as que transformaram a Luminor num ícone da relojoaria desportiva internacional, com o dispositivo de alavanca que protege a coroa de corda para assegurar a resistência à água até uma profundidade de 10 atmosferas. A caixa e o bisel têm um acabamento polido, contrastando com o acabamento da ponte que protege a coroa de corda. O mostrador branco do Luminor Marina 1950 3 Days Automatic fornece a máxima claridade e legibilidade, com números pretos de grande dimensão que correspondem aos índices, uma janela de data nas três horas e um pequeno mostrador de segundos nas nove horas, uma característica dos relógios Panerai desde 1940. A parte traseira em cristal de safira permite a visualização do calibre P.9000 Panerai. Trata-se de um movimento automático com reserva de marcha de três dias, dois tambores de corda e a massa oscilante que roda em ambas as direções. As horas ajustam-se através de um sistema especial em que o ponteiro das horas se move em avanços de exatamente uma hora, sem interferir com o funcionamento do ponteiro dos minutos. O Luminor Marina 1950 3 Days Automatic (PAM000523) dispõe de uma pulseira castanha em pele de crocodilo com fecho de aço escovado e é fornecido com uma ferramenta especial para substituir a pulseira e uma chave de parafusos de aço. 7.4. Anexo IV – Geologia: sondagens Texto original (ES) La información geotécnica ha sido analizada a partir de la información proporcionada. En concreto: - Plano de ubicación de sondeos: 326K-C-05472_Rev_2 - Perfiles geológicos Entre la documentación suministrada no se encuentra información acerca de los perfiles más próximos a la zona de actuación, por lo que ha sido necesario asumir una postura cauta en la determinación de los parámetros de cálculo que permitan justificar la solución adoptada. Aun así, esta situación no garantiza una aproximación razonable del terreno en la zona de estudio siendo aconsejable disponer, en la medida de lo posible, de información más precisa y más próxima a la zona de proyecto. Se dispone de las columnas litográficas de 11 sondeos, realizados a percusión con SPT’s cada metro excepto en las zonas de roca o material más competente en las que, aparentemente, se extrae testigo continuo. 10 de estos sondeos se sitúan en el puente de acceso y el que no se sitúa en el puente de acceso se localiza a unos 500 m de la zona de estudio. El sondeo más próximo se puede suponer a unos 250-300m de la zona de proyecto, y los tres sondeos más próximos se encuentran a distancias de 300 a 500 m de la zona de estudio. Adicionalmente se dispone de 17 ensayos de resistencia a compresión simple de algunas muestras en roca situadas en los sondeos del puente de acceso. El más cercano a unos 400 m. En general, en toda la zona se aprecia en superficie una primera capa de arenas finas de compacidad media o floja. En el gráfico adjunto se observan los valores de todos los SPT’s de la zona en la capa de arenas finas mencionada. Al no disponer de una referencia de cota contrastada, como se comentará después, los golpeos están referidos al fondo marino o a la superficie terrestre (al inicio del registro de terreno). Bajo esta capa se encuentra habitualmente roca que se define generalmente como argilita en su parte más superficial y como arenisca más en profundidad, si bien esta secuencia no es inmutable. En algunas ocasiones, bajo las arenas, se encuentra una capa de arcillas, blandas o muy blandas, de espesor notable (4-6 m) antes de alcanzar el estrato competente. Si bien en los sondeos más “próximos” a la zona de estudio no se han encontrado estos registros arcillosos esta posibilidad no debería ser descartada. Centrados en la zona de proyecto y en la información de los tres sondeos más próximos según los sondeos, se ha considerado la siguiente caracterización: - El perfil adoptado que dan los tres registros se ajusta a un espesor medio de arenas finas de unos 5 m sobre el estrato más competente. A partir de los valores de los ensayos de penetración estándar, siguiendo formulaciones contrastadas, y del lado de la seguridad, se han adoptado unos parámetros resistentes de 28º para el ángulo de rozamiento con una cohesión nula debido a la ausencia aparente de finos en las definiciones. - Los parámetros equivalentes adoptados para el terreno más competente bajo el terreno arenoso se han determinado a partir de método propuesto por Hoek y Marinos. El valor de la resistencia a compresión simple se ha tomado de la muestra del ensayo más próximo y tanto el parámetro mi como el GSI se han estimado del lado de la seguridad en función de las definiciones e información de las columnas de sondeos, obteniendo unos valores de ϕ=19º y c=100kPa. Es importante destacar que existen unas diferencias de cotas muy notables entre los sondeos (-14, -16 y -22) y, lo que es más notorio, una falta de correspondencia con la batimetría (-17, -22 y -26) pareciendo encontrarse los puntos de la batimetría muy por debajo de lo indicado en los sondeos con un error que no se puede considerar de medición si es que están referidas ambas (como indican) al nivel 0 de la DHN. Esta falta de correspondencia es fundamental dado que las necesidades para el dragado en roca (aunque sea floja) o para arenas limpias sueltas, son muy distintas estando esta partida condicionada por este desconocimiento. Tradução revista (PTBr) A informação geotécnica foi analisada a partir da informação fornecida. Nomeadamente: - Plano de localização de sondagens: 326K-C-05472_Rev_2 - Perfis geológicos Entre a documentação fornecida não se encontra informação acerca dos perfis mais próximos da zona de ação, sendo necessário assumir uma postura cautelosa na determinação dos parâmetros de cálculo que permitam justificar a solução adotada. Mesmo assim, esta situação não garante uma aproximação razoável do terreno na zona de estudo, sendo aconselhável dispor, dentro do possível, de informação mais precisa e mais próxima à zona do projeto. Dispõe-se das colunas litográficas de 11 sondagens, realizadas a percussão, com SPT a cada metro exceto nas zonas de rocha ou material mais adequado nas quais, aparentemente, é extraída uma amostra contínua. Dez destas sondagens situam-se na ponte de acesso e aquela que não se situa na ponte de acesso está localizada a 500 m da zona de estudo. Supõe-se que a sondagem mais próxima esteja a cerca de 250300 m da zona do projeto e as três sondagens mais próximas encontram-se entre 300 e 500 m de distância da zona de estudo. Além disso, dispõe-se de 17 ensaios de resistência a compressão simples de algumas amostras em rocha situadas nas sondagens da ponte de acesso, encontrando-se somente a cerca de 400 m de distância. Em geral, em toda a zona verifica-se na superfície uma primeira camada de areias finas de compactação média ou fraca. No gráfico em anexo observam-se os valores de todas as SPT da zona na camada de areias finas mencionada. Ao não dispor de uma referência de altitude contrastada, conforme descrito em seguida, os golpes referemse ao fundo do mar ou à superfície terrestre (no início do registro do terreno). Por baixo desta camada encontra-se habitualmente rocha, definida geralmente como argilito em sua parte mais superficial e como arenito mais em profundidade, embora esta seqüência não seja imutável. Em algumas ocasiões, por baixo das areias, encontra-se uma camada de argilas, macias ou muito macias, de espessura significativa (4 a 6 m) antes de atingir o estrato adequado. Apesar de não terem sido encontrados estes registros argilosos nas sondagens mais "próximas" à zona de estudo, esta possibilidade não deveria ser descartada. Centrados na zona do projeto e na informação das três sondagens mais próximas segundo as sondagens, considerou-se a seguinte caraterização: - O perfil adotado que dão os três registros ajusta-se a uma espessura média de areias finas de cerca de 5 m sobre o estrato mais adequado. A partir dos valores dos ensaios de penetração padrão, seguindo formulações contrastadas e de acordo com a segurança, adotaram-se parâmetros resistentes de 28° para o ângulo de fricção com coesão nula devido à ausência aparente de finos nas definições. - Os parâmetros equivalentes adotados para o terreno mais adequado por baixo do terreno arenoso foram determinados a partir do método proposto por Hoek e Marinos. O valor da resistência a compressão simples foi retirado da amostra do ensaio mais próximo e tanto o parâmetro mi como o GSI foram estimados de acordo com a segurança segundo as definições e informação das colunas de sondagens, obtendo valores de ϕ = 19° e c = 100 kPa. É importante destacar que existem diferenças de altitude muito significativas entre as sondagens (-14, -16 e -22) e, o que é mais notório, falta de correspondência com a batimetria (-17, -22 e -26), parecendo que os pontos de batimetria se encontram muito abaixo do indicado nas sondagens com um erro que não pode ser considerado de medição se ambas são referidas (como indicam) ao nível 0 da DHN. Esta falta de correspondência é fundamental dado que as necessidades para a dragagem em rocha (mesmo sendo fraca) ou para areias limpas soltas são muito distintas, estando este ponto condicionado por este desconhecimento. 7.5. Anexo V – Manual de instruções de um pequeno eletrodoméstico Texto original (EN) English Instruction Manual Microwave + Grill Waveguide cover Located inside microwave oven. Warning! Never remove the waveguide cover, not even when cleaning Product Description 1 Oven door 2 Glass turntable Always place the glass turntable properly on top of the rotating ring. Never insert it upside down 3 Oven cavity 4 Control panel 5 Rotating ring 6 Door interlock 7 Grill rack Only place the grill rack on top of the glass turntable. Food to be cooked can be put directly on the grill rack, when using the grill function. Only use the grill rack when using the grill function. Never use the grill rack when using the microwave or combi mode 8 Waveguide cover 9 Power cord and plug Timer 0-30 minutes (1 min. setting) - Function switch Low - Defrost/M. Low - M. High - High - High + - Grill - Comb1 - Comb2 - Comb3 Microwave Mode: Low - M. Low/Defrost - M. High - High - High + Grill Mode: Only the grill heat element is activated. Suitable for broiling sausages, chicken wings, chops, sandwich, etc. Combination Mode: Comb1 - Comb2 - Comb3 When using combination mode, the grill and microwave functions are activated alternately. Intended Use Before use, please read these instructions carefully and keep them in a safe place for future reference. When passing on the appliance to a third party, make sure to include these instructions for use. This appliance is only intended for heating up, preparing and defrosting foods. This appliance is only intended for private household use! Tradução revista (PT) Português Manual de instruções Micro-ondas + Grelhador Revestimento da guia de onda Localizado no interior do forno micro-ondas. Aviso! Nunca retire o revestimento da guia de onda, nem mesmo para limpar Descrição do produto 1 Porta do forno 2 Prato de vidro giratório Coloque o prato de vidro giratório adequadamente por cima do anel rotativo. Nunca o insira ao contrário. 3 Cavidade do forno 4 Painel de comandos 5 Anel rotativo 6 Travão da porta 7 Grelha Coloque apenas a grelha por cima do prato de vidro giratório. A comida a ser cozinhada pode ser colocada diretamente na grelha, quando se usa a função de grelhador. Utilize a grelha apenas na função grelhador. Nunca utilize a grelha no modo microondas ou combinado. 8 Revestimento da guia de onda 9 Cabo de alimentação Temporizador 0 a 30 minutos (definições de 1 minuto) - Botão de função I Baixo - Descongelar/M. Baixo - III M. Alto – IV Alto - V Alto + - Grelhador - Comb1 - Comb2 - Comb3 Modo de micro-ondas: I Baixo - II M. Baixo/Descongelar - III M. Alto - IV Alto - V Alto + Modo de grelhador: Apenas o elemento de aquecimento do grelhador é ativado. Adequado para grelhar salsichas, asas de frango, grelhados, tostas, etc. Modo de combinação: Comb1 - Comb2 - Comb3 Quando utiliza o modo de combinação, as funções micro-ondas e grelhador são ativadas alternadamente. Utilização prevista Antes de utilizar o aparelho, leia atentamente estas instruções e conserve-as num local seguro para futura referência. Entregue este manual de instruções ao próximo utilizador ou proprietário do aparelho. Este aparelho foi concebido exclusivamente para aquecer, preparar e descongelar alimentos. Este aparelho destina-se apenas para utilização doméstica!