Literacia ambiental em alunos da região da Serra da Aboboreira
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1 MSc Literacia Ambiental em alunos da região da Serra da Aboboreira Marília Betânia Barbosa Almeida LITERACIA AMBIENTAL EM ALUNOS DA REGIÃO DA SERRA DA ABOBOREIRA MARÍLIA BETÂNIA BARBOSA ALMEIDA 2012 2012
I Marília Betânia Barbosa Almeida Ciências e Tecnologia do Ambiente Departamento de Geociências, Ambiente e Ordenamento do Território 2012 LITERACIA AMBIENTAL EM ALUNOS DA REGIÃO DA SERRA DA ABOBOREIRA
II LITERACIA AMBIENTAL EM ALUNOS DA REGIÃO DA SERRA DA ABOBOREIRA Marília Betânia Barbosa Almeida Dissertação apresentada na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto para obtenção de grau de Mestre em Ciências e Tecnologia do Ambiente Orientador Paulo Santos, prof. auxiliar, Faculdade de Ciências do Porto Coorientador Ulisses Miranda, prof. associado, Universidade Aberta Porto, 2012
III M Todas as correções determinadas pelo júri, e só essas, foram efetuadas. O Presidente do Júri, Porto, ______/______/_________
IV AGRADECIMENTOS Gostaria de manifestar os meus agradecimentos mais sinceros a todos aqueles que de alguma forma contribuíram para a realização deste trabalho. Ao Professor Doutor Paulo Santos por ter aceite orientar a minha dissertação, pela confiança, pelas valiosas críticas, incentivos e sugestões que me ajudaram ao longo do trabalho. Obrigada também pela simpatia e paciência. Ao Professor Doutor Ulisses Miranda, meu coorientador, pelo apoio prestado na realização desta dissertação. Às Direções das escolas envolvidas: Escola Básica e Secundária Vale de Ovil, Escolas Secundária de Amarante e Escola Secundária do Marco de Canaveses. A todos os professores, encarregados de educação e alunos que permitiram concretizar este estudo. A todos os meus amigos que me acompanharam ao longo desta vida académica, pela amizade, apoio e bons momentos vividos. Ao meu namorado por todo o apoio, paciência, compreensão e companheirismo. Aos meus pais, pela paciência, amor e carinho que sempre me deram. Pelo facto de sempre me disponibilizaram o que era necessário para que eu conseguisse chegar a esta fase da minha vida. A todos, o meu muito OBRIGADA!!
Literacia Ambiental em alunos da região da Serra da Aboboreira FCUP V RESUMO A literacia ambiental (LA) relaciona-se com o ambiente, parte do conhecimento que o cidadão possuiu em relação ao ambiente, as atitudes que o indivíduo toma perante o meio e os valores que o cidadão têm em relação ao mesmo. Quando o indivíduo apresenta uma literacia ambiental, está apto a compreender os valores da sociedade em que vive e os valores ao seu redor. Portanto, está capaz de compreender a importância que o ambiente tem para a vivência pessoal e para a sociedade. O presente trabalho pretendeu avaliar a literacia ambiental dos alunos a frequentar o 10º ano do ensino secundário, que residem na Serra da Aboboreira e nas áreas urbanas e periurbanas. As escolas estudadas localizam-se na área geográfica abrangida pela Serra da Aboboreira. A metodologia de inquérito foi aplicada por recurso ao questionário escrito. Este questionário permitiu avaliar o grau de proficiência em literacia ambiental com base na avaliação de duas componentes, atitudes e conhecimentos (conhecimento escolástico e conhecimento informal). A população estudada (460 alunos do 10º ano) abrangeu três estabelecimentos de ensino: Escola Secundária de Amarante, Escola Básica e Secundária Vale de Ovil e Escola Secundária do Marco de Canaveses. Apesar dos resultados serem semelhantes entre os indivíduos inquiridos que residem na Serra da Aboboreira e nas áreas urbanas e periurbanas, os alunos não serranos apresentaram valores ligeiramente superiores de conhecimento cognitivo e ligeiramente inferiores na componente atitudinal comparativamente aos serranos. Este facto sugere que a população serrana manifesta menos conhecimento e competências em Ambiente e sustentabilidade comparativamente à população não serrana. Concluindo, os estudantes inquiridos residentes na Serra da Aboboreira e residentes nas áreas urbanas e periurbanas apresentaram, globalmente, um nível suficiente de literacia ambiental, com uma componente cognitiva classificada como insuficiente e uma componente atitudinal com nível suficiente. Palavras-chave: literacia ambiental, conhecimento escolástico e informal, atitudes, Serra da Aboboreira, estudantes do ensino secundário.
Literacia Ambiental em alunos da região da Serra da Aboboreira FCUP VI ABSTRACT The ecological literacy is related to the environment. This concept arises of the knowledge that citizens possess in relation to the environment, the attitudes that the individuals take towards the environment and the values that each citizen has concerning the same. When a person presents ecological literacy is able to understand the society values, in which is included. Therefore, is competent to recognize the importance that the environment presents on personal experience and to society. This study intended to evaluate the ecological literacy of students attending the 10th grade of high school, residing in Serra Aboboreira and in urban and suburban areas. The schools studied are located in the geographical area comprised by Serra da Aboboreira. The inquiry methodology was applied by using a written questionnaire. This questionnaire allowed to evaluate the degree of proficiency in ecological literacy based on two components, attitudes and knowledge (scholastic and informal knowledge). The population evaluated (460 students in the 10th grade) belonged to three schools: Escola Secundária de Amarante, Escola Básica e Secundária Vale do Ovil e Escola Secundária do Marco de Canaveses. Although the results were similar among the inquired individuals resident in Serra da Aboboreira and in urban and suburban areas, non-highland populations showed slightly higher rates of cognitive knowledge and slightly lower attitudinal component in comparison with highland students. This fact suggests that the highland individuals exhibit less knowledge and competence in Environment and sustainability compared to the non-highland population. In conclusion, questioned students resident in Serra da Aboboreira and its urban and suburban areas demonstrated an overall sufficient level of ecological literacy, with a cognitive component classified as insufficient and an attitudinal component with sufficient level. Keywords: ecological literacy, scholastic and informal knowledge, attitudes, Serra da Aboboreira, high-school stutents.
Literacia Ambiental em alunos da região da Serra da Aboboreira FCUP VII ÍNDICE INTRODUÇÃO ........................................................................................................... 1 1.1. Enquadramento ..................................................................................................... 2 1.2. Educação Ambiental .............................................................................................. 3 1.3. A Escola e a Educação Ambiental ......................................................................... 4 1.4. Evolução Histórica da Educação Ambiental ........................................................... 5 1.5. Ambiente e Sustentabilidade.................................................................................. 6 1.6. Literacia Ambiental ................................................................................................ 7 1.7. Objetivos ................................................................................................................ 9 2. METODOLOGIA ................................................................................................. 11 2.1. Caracterização da Área de Estudo ...................................................................... 11 2.2. Seleção do Modelo de Investigação..................................................................... 13 2.3. O Questionário a Aplicar ...................................................................................... 15 2.4. Seleção de Entidades Alvo e Público-Alvo ........................................................... 19 2.5. Prcedimento na Aplicação do Questionário .......................................................... 19 2.6. Recolha de Dados ............................................................................................... 20 2.7. Análise de Dados ................................................................................................. 20 3. RESULTADOS .................................................................................................... 27 3.1. Caracterização Sociodemográfica ....................................................................... 27 3.2. Caracterização do Interesse pela Temática do Ambiente .................................... 37 3.3. Caracterização da Literacia Ambiental ................................................................. 42 3.3.1. Conhecimentos Ambientais Escolásticos .............................................................. 43 3.3.2. Conhecimentos Ambientais Informais .................................................................... 45 3.3.3. Atitudes Ambientais .................................................................................................. 47 3.3.4. A Literacia Ambiental Global ................................................................................... 51 3.4. Autoavaliação dos Alunos em Literacia Ambiental ............................................... 52 4. DISCUSSÃO DOS RESULTADOS .................................................................. 56 4.1. Caracterização Sociodemográfica ....................................................................... 56 4.2. Caracterização do Interesse pela Temática do Ambiente ............................... 57 4.3. Caracterização da Literacia Ambiental ................................................................. 59 4.3.1. Conhecimentos Ambientais Escolásticos .............................................................. 59 4.3.2. Conhecimentos Ambientais Informais .................................................................... 60 4.3.3. Atitudes Ambientais .................................................................................................. 61
Literacia Ambiental em alunos da região da Serra da Aboboreira FCUP VIII 4.3.4. A Literacia Ambiental Global ................................................................................... 62 5. CONCLUSÃO ...................................................................................................... 66 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ..................................................................... 69 ANEXOS ................................................................................................................... 73 ANEXO I - Questionário aplicado aos alunos ............................................................. 74 ANEXO II-Autorização para aplicação do inquérito em meio escolar .......................... 83 ANEXO IIIAutorização dos encarregados de educação ............................................ 84 ÍNDICE DE FIGURAS Figura 1. Localização da área de estudo......................................................................11 Figura 2. Tipologia de questões...................................................................................15 Figura 3. Distribuição do número de alunos pelo seu concelho de residência.............27 Figura 4. Distribuição em percentagem (%) dos alunos pela área de opção de formação nos concelhos de Baião, Amarante e Marco de Canaveses.........................28 Figura 5. Distribuição do número de alunos por género nos concelhos de Baião Amarante e Marco de Canaveses.................................................................................29 Figura 6. Distribuição do número de alunos no concelho de Baião pelas freguesias de residência......................................................................................................................30 Figura 7. Distribuição em percentagem (%) dos alunos no concelho de Baião de acordo com a localização geográfica da sua residência...............................................30 Figura 8. Distribuição do número de alunos no concelho de Amarante pelas freguesias de residência.................................................................................................................31 Figura 9. Distribuição em percentagem (%) dos alunos no concelho de Amarante de acordo com a localização geográfica da sua residência...............................................31 Figura 10. Distribuição do número de alunos no concelho do Marco de Canaveses pelas freguesias de residência......................................................................................32 Figura 11. Distribuição em percentagem (%) dos alunos no concelho do Marco de Canaveses de acordo com a localização geográfica da sua residência.......................32 Figura 12. Distribuição em percentagem (%) do sucesso escolar dos inquiridos, medido em termos da ocorrência de retenção nos concelhos de Baião, Amarante e Marco de Canaveses.....................................................................................................33 Figura 13. Distribuição do número de alunos retidos por ano de escolaridade, nos concelhos de Baião, Amarante e Marco de Canaveses................................................34
Literacia Ambiental em alunos da região da Serra da Aboboreira FCUP 3 1.2. Educação Ambiental A Educação Ambiental (E.A.) desde há muito que é falada mas não reconhecida como tal. Provavelmente desde os tempos dos nossos avós, pais e futuramente as próximas gerações. As definições são várias, varia de autor para autor, de interpretação para interpretação, de vivência para vivência, entre outros condicionantes. De acordo com Martín Molero (1996) “A Educação Ambiental entende- -se como um processo permanente, através do qual os indivíduos e coletividades incrementam a sua consciencialização sobre si próprios e tudo os que o rodeia, adquirindo conhecimentos, destrezas e valores, assim como a capacidade que lhes permita atuar em harmonia com o seu Meio” , ou seja, a educação ambiental promove a tomada de consciência e mudanças de atitudes de forma a proteger e conservar o ambiente. O papel fundamental da E.A. é envolver o cidadão com a problemática Homem - Ambiente e tem como objetivos principais: a tomada de consciência, para que os indivíduos tomem consciência do ambiente global e dos seus problemas e fiquem sensibilizados para estas questões; os conhecimentos, para obter uma compreensão essencial do ambiente global, dos problemas conexos, da importância da humanidade e da sua da responsabilidade; a atitude, para adquirir sistemas de valores que incluam grande interesse e motivação para participar ativamente na defesa do ambiente; as competências, para adquirir as aptidões fundamentais para solucionar os problemas ambientais; a capacidade de avaliação, para ajudar os indivíduos a avaliar as medidas e os programas de E.A.; a participação, para desenvolver sentido de responsabilidade que garanta a tomada de medidas apropriadas à resolução dos problemas ambientais (INAMB,1990; Palma, 2005; Oliveira, 2006 ). A educação ambiental pode ser passiva ou ativa. A educação passiva é direcionada para grupos numerosos e pode recorrer-se a livros, folhetos, exposições, percursos e/ou atividades de expressão como meios para praticar este tipo de educação. Por outro lado, a educação ativa é direcionada para grupos pequenos uma vez que este tipo de educação recorre a exercícios práticos como por exemplo, fabricar um fóssil (Oliveira, 2006). O desenvolvimento das sociedades tem levado à degradação do ambiente (Oliveira, 2006). Assim sendo, é urgente combater a desvalorização dada pelo Ser Humano ao ambiente, a E.A. surge como um instrumento capaz de incutir comportamentos a favor da Natureza. Ela deve ser dirigida a todos nós uma vez que ," apenas cidadãos com conhecimento, competência e empenho podem contribuir
Literacia Ambiental em alunos da região da Serra da Aboboreira FCUP 4 individual ou colectivamente de forma eficaz para a resolução dos problemas ambientais" (CISE, 2011). No entanto, o tipo de ação de E.A. depende dos objetivos a alcançar e deve ter em consideração as características do público a quem se dirige, como por exemplo, a profissão, a faixa etária, o nível socioeconómico, o grau de conhecimentos que esse público terá, entre outros (Oliveira, 2006). 1.3. A Escola e a Educação Ambiental As escolas assumem um papel fundamental para consciencializar e provocar mudanças de atitudes, com o objetivo de valorizar e preservar o ambiente. Contudo, as atividades de educação ambiental em escolas são escassas muitas vezes porque se desconhece a realidade ambiental. De acordo com Oliveira (2006), a presença de atividades de E.A nas escolas acontece por iniciativa interna, na maioria das vezes por parte de professores ligados à área das Ciências Naturais ou então por convite exterior à escola, como por exemplo por parte de associações de conservação da Natureza e realizam-se no horário letivo ou em períodos não letivos. As atividades de E.A. deviam ocorrer sobretudo nos tempos livres, como atividades extracurriculares. Isso traria mais vantagens tal como, a existência de maior disponibilidade de tempo, a ocupação de forma construtiva dos tempos livres dos alunos, um trabalho de pesquisa mais adequado e fundamentado pelo facto dos professores e alunos terem mais tempo disponível e também como se trata de ações específicas e de baixo custo, é mais fácil conseguir apoios (Oliveira, 2006). Reconhece-se que a escola é um meio muito importante na prática de educação ambiental pois, tem como base a formação de cidadãos. No entanto, esta não se apresenta restrita apenas ao meio escolar, mas em cada elemento envolvente no diaa-dia. Isto, verifica-se naturalmente na evolução da humanidade e em toda a sociedade quando esta está em busca de uma melhor qualidade de vida. A ação antropogénica em relação ao ambiente, trás adjacente impactos que por vezes podem ser significativos e irreversíveis, que devem ser comedidos e evitados, ou pelo menos conscientizados (Segura, 2001). O ideal seria realizar estudos que relevem a literacia ambiental da sociedade, com centralidade aos alunos, pois estes serão os cidadãos com poder de decisão amanhã. Com os resultados destes estudos poder-se-á agir localmente e eficazmente contra os comportamentos prejudiciais ao ambiente.
Literacia Ambiental em alunos da região da Serra da Aboboreira FCUP 5 1.4. Evolução Histórica da Educação Ambiental Com o passar dos anos e com as revoluções vividas o homem rompeu o vínculo que o mantinha ligado à Natureza, adotando uma postura negligente em relação ao ambiente resultando deste modo na sua degradação (Galli, 2007). Atualmente assistese a uma preocupação crescente com o ambiente e a sua degradação que a nível mundial tem estado relacionada com a política pública do ambiente (Fernandes, 2008). Alguns acontecimentos contribuíram para a consciencialização dos problemas ambientais o que levou à instauração pública de uma política do ambiente, esta com o intuito de solucionar problemas provocando mudança de atitudes e comportamentos prejudiciais para o ambiente. A publicação do Silent Spring em 1962 da bióloga marinha Rachel Carson que alertava para os efeitos nas cadeias alimentares do uso excessivo de pesticidas na agroquímica moderna e a publicação de The Population Bomb em 1968 de Paul Ehrlich e René Dumont alertando para as consequências do rápido crescimento da população na escassez de recursos, são alguns exemplos (Fernandes, 2008). No avanço histórico da educação ambiental são vários os acontecimentos importantes na política pública do ambiente. As primeiras leis do ambiente surgiram em 1967 e 1969 no Japão e nos Estados Unidos e Suécia, respetivamente (Fernandes, 2008). Em 1972 realizou-se a primeira Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano e Desenvolvimento em Estocolmo, os problemas ambientais e as suas consequências foram os assuntos tratados e a educação ambiental foi considerada no plano de educação permanente. Também ocorreu a criação do programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). Em 1975 surgiu a Carta de Belgrado, o primeiro documento intergovernamental, onde são definidas as metas e os objetivos fundamentais da educação ambiental, dois anos mais tarde, em 1977 realizou-se a Conferência Internacional de Educação Ambiental em Tbilisi (Miranda, 2007). Em 1980 a International Union for Conservation of Natural Resources (IUCN) desenvolveu estratégias mundiais de conservação, demonstrando o papel fundamental da educação ambiental para a mudança de comportamentos e atitudes (International Union for Conservation of Nature, 2012). Mais tarde em 1987 a Comissão Mundial para o Ambiente e Desenvolvimento definiu Desenvolvimento Sustentável, assegurando deste modo a integração deste conceito na educação ambiental (Novo,1998). O conceito de Desenvolvimento Sustentável foi reafirmado anos depois, na Conferência das Nações Unidas sobre
Literacia Ambiental em alunos da região da Serra da Aboboreira FCUP 6 Ambiente e Desenvolvimento que ocorreu em 1992 no Rio de Janeiro e foi chamada a Cimeira da Terra. Esta conferência teve como principais resultados a produção de dois documentos, a Agenda 21 e a Declaração do Rio. A Agenda 21 constitui um plano de ação para atingir o Desenvolvimento Sustentável e a Declaração do Rio estabelece 27 princípios para a sustentabilidade (Fernandes et al., 2007). Em Joanesburgo no ano de 2002 as Nações Unidas realizaram a Cimeira Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável com o intuito de avaliar os progressos e dificuldades dos compromissos adotados na Cimeira da Terra . Esta conferência teve como principais resultados a inclusão do desenvolvimento social, o crescimento económico e a proteção ambiental, alargando assim esta conceção. Em 2005 foi proclamado a Década das Nações Unidas da Educação para o Desenvolvimento Sustentável (2005-2014) e a Estratégia da Educação para o Desenvolvimento Sustentável (EEDS) (Fernandes, 2008). Com importantes contributos para a literacia ambiental de cidadão em geral e de autarcas e dirigentes em especial, será de considerar a documentação originada de recentes eventos mundiais, como por exemplo a Conferencia Rio+20, em 2012. 1.5. Ambiente e Sustentabilidade Em 1987 a Comissão de Bruntland descreveu o conceito de desenvolvimento sustentável como "o desenvolvimento que satisfaz as necessidades presentes, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprir as suas próprias necessidades" (Unesco, 2012). Frequentemente a sustentabilidade é considerada como um objetivo de longo prazo, enquanto que o desenvolvimento sustentável diz respeito aos muitos processos e vias para alcançá-lo (por exemplo, agricultura e silvicultura sustentável, produção e consumo sustentáveis, bom governo, educação, etc.). O desenvolvimento sustentável parte do princípio da valorização e conservação da biodiversidade juntamente com a diversidade humana, inclusão e participação (Unesco, 2012). A sociedade, o ambiente e a economia são as três esferas de sustentabilidade e todos os programas de desenvolvimento sustentável devem considerá-las. O desenvolvimento sustentável vai assumir muitas formas em todo mundo, uma vez que ele aborda estas três esferas em contexto local. No entanto, os ideais e princípios que fundamentam a sustentabilidade incluem conceitos gerais tais como, a equidade entre
Literacia Ambiental em alunos da região da Serra da Aboboreira FCUP 7 gerações e géneros, a paz, a tolerância, a redução da pobreza, remediação e preservação do ambiente, conservação dos recursos naturais e justiça social (Unesco,2012). A responsabilidade por um futuro mais sustentável não diz respeito apenas aos governos, mas também às sociedades civis e indivíduos, todos devem contribuir. A educação para o desenvolvimento sustentável é fundamental para melhorar a capacidade dos líderes e dos cidadãos de amanhã, para criar soluções e encontrar novos caminhos para um futuro melhor, ou seja, um futuro mais sustentável. No entanto, para viver num mundo mais sustentável precisamos repensar a finalidade dos nossos sistemas de educação uma vez que, muitos ainda apoiam o modelo de crescimento económico que por sua vez tem levado à degradação ambiental, injustiça social e desigualdades económicas (Unesco,2012). Atualmente há uma maior preocupação com a sustentabilidade e avançamos em direção a uma nova economia mais atenta ao ambiente, porém ainda não soubemos alterar radicalmente o centro do pensamento económico e o futuro dos seres humanos depende precisamente de uma mudança na forma como interagimos entre nós e com o meio natural (Loures, 2009). 1.6. Literacia Ambiental O ensino das ciências tem como objetivo a formação dos cidadãos, desenvolver a capacidade que o estudante tem em entender fenómenos naturais, o desenvolvimento do raciocínio lógico, entre outros (Moraes, 2000). O modo como o conceito de literacia foi adotado por parte dos indivíduos foi sofrendo alterações ao longo do tempo pela influência do desenvolvimento da sociedade. A definição de literacia no seu sentido mais restrito corresponde fundamentalmente à capacidade de ler e de escrever, por outro lado no sentido mais lato, a literacia pretende reconhecer os processos que estão subjacentes a essas capacidades, bem como ao seu desenvolvimento (Pinto, 2008). É neste contexto que encaramos a literacia ambiental, uma vez que esta diz respeito ao conhecimento, capacidades e atitudes que o ser humano tem em relação ao ambiente. A sociedade atual exige cada vez mais competências no que se refere à literacia em todas as áreas. O espírito de participação ativa e dinâmica é apreciado em toda a sociedade. O produto das suas vivências, mais a aprendizagem na escola, mais o ensino informal é determinante para um enriquecimento de literacia ambiental.
Literacia Ambiental em alunos da região da Serra da Aboboreira FCUP 8 Em contrapartida, a iliteracia ambiental, ou seja, a falta de consciência e formação desta área, não capacita os indivíduos através da ferramenta do conhecimento, a tomadas de medidas/ decisões proactivas a favor do ambiente. O exercício educacional dos cidadãos, é um pilar básico da fomentação e evolução da cultura. Cidadãos conscientes com o seu meio envolvente, esclarecidos terão inevitavelmente preocupações ambientais. Os jovens de hoje, adquirem valores, conceitos e sobretudo capacidade de tomada de medidas importantes para o ambiente. Não esquecendo que estes são o futuro da sociedade, que brevemente vão transmitir valores e conhecimentos aos seus descendentes (Almeida & Azeiteiro, 2011). Nas próximas décadas, a sobrevivência da humanidade dependerá da nossa literacia ambiental, isto é, da nossa capacidade em compreender os princípios ecológicos básicos e a viver em conformidade com eles (Capra, 2008). Isto significa que, literacia ambiental deve tornar-se numa competência crítica para os líderes políticos e empresariais e para profissionais de todas as áreas. Mais, deve afirmar-se como a parte mais importante da educação a todos os níveis de ensino - desde o ensino primário, ao secundário e ao universitário, e na formação contínua de profissionais (Capra, 2008). Orr (1992) afirmou que a meta da literacia ambiental “assenta no reconhecimento de que a desordem dos ecossistemas reflete um distúrbio anterior da mente (…). Por outras palavras, que a crise ambiental é em todos os sentidos uma crise de educação .... Toda a educação é educação ambiental ... por aquilo que é incluído ou excluído ensinamos aos jovens que eles são parte de ou para além do mundo natural." A literacia ambiental não só exige o domínio do assunto, mas também a criação de conexões significativas entre cabeça, mãos e coração (Orr, 1992; Stone, 2009). Outros autores reforçaram a premente importância da literacia ambiental no mundo de hoje, onde os jovens são confrontados com crescentes desafios ambientais, incluindo as alterações climáticas, o esgotamento dos recursos e outros problemas associados. "Esta geração vai exigir líderes e cidadãos que possam pensar ecologicamente, compreender a interconetividade entre os sistemas natural e humano, e que tenham a vontade, a capacidade e a coragem para agir" (Stone & Barlow, 2005). A necessidade de proteger os ecossistemas não é simplesmente uma crença sustentada por ambientalistas, é um imperativo biológico para assegurar a sobrevivência ao longo do tempo em sociedades sustentáveis.
Literacia Ambiental em alunos da região da Serra da Aboboreira FCUP 9 1.7. Objetivos A realização deste trabalho tem como objetivo principal avaliar a literacia ambiental dos alunos a frequentar o 10º ano do ensino secundário, que residem na Serra da Aboboreira e nas áreas urbanas e periurbanas. As escolas a analisar serão as que estão localizadas na área geográfica abrangida pela Serra da Aboboreira. Este estudo visa perceber quais os conhecimentos, competências e atitudes que estes jovens possuem em relação ao ambiente. Pretende-se também perceber de que modo o meio sociocultural em que cada indivíduo esta inserido influencia os seus comportamentos em relação ao meio envolvente. Comportamentos estes, que quando a favor da proteção e conservação da Natureza se tornam imprescindíveis na atualidade, uma vez que se assiste a uma degradação eminente do ambiente. Este estudo acarreta outros objetivos adicionais tais como: o Comparar os resultados obtidos com outros de diferentes escolas; o Sensibilizar a população estudantil para os problemas ambientais e a importância da sua participação ativa para contribuir para a melhoria ambiental; contribuir para os objetivos de sustentabilidade; o Em função do diagnóstico, identificar as temáticas que as escolas deverão abordar com atividades e medidas direcionadas à melhoria da literacia ambiental.
Literacia Ambiental em alunos da região da Serra da Aboboreira FCUP 10 CAPÍTULO II METODOLOGIA
Literacia Ambiental em alunos da região da Serra da Aboboreira FCUP 11 2. METODOLOGIA Ao longo deste estudo com a finalidade de avaliar a literacia ambiental em alunos de escolas situadas na área geográfica abrangida pela Serra da Aboboreira (SA) utilizaram-se várias metodologias que serão expostas ao longo deste capítulo. 2.1. Caracterização da Área de Estudo A área de estudo diz respeito à zona envolvente à Serra da Aboboreira, esta localiza-se no distrito do Porto e abrange os concelhos de Amarante, Baião e Marco de Canaveses (Figura 1). Em termos administrativos a Serra da Aboboreira representa 11 freguesias (Tabela 1). Figura 1. Localização da área de estudo. a)
Literacia Ambiental em alunos da região da Serra da Aboboreira FCUP 12 Tabela 1. Freguesias abrangidas pela Serra da Aboboreira, pertencentes aos concelhos de Amarante, Baião e Marco de Canaveses. Concelhos Freguesias Amarante Bustelo Carvalho de Rei Gouveia (S. Simão) Carneiro Baião Loivos do Monte Ovil Campelo Gove Marco de Canaveses Várzea da Ovelha e Aliviada Folhada Soalhães O concelho de Amarante estende-se por uma área de 301,5 Km2 que se distribuem por 40 freguesias, Baião possui 17452,2 Km2 e compreende 20 freguesias, Marco de Canaveses apresenta uma extensão de 202 Km2 distribuídos por 31 freguesias. É de salientar o facto de Baião ser o concelho com maior percentagem de área verde e floresta em todo o distrito do Porto (63,5% do território) (Câmara Municipal de Amarante, 2008;Câmara Municipal de Baião, 2011;Câmara Municipal de Marco de Canaveses, 2011). Quanto à população, o município de Amarante possui atualmente 56 217 habitantes, Baião apresenta 20 522 habitantes e o Marco de Canaveses 53 450 habitantes (Tabela 2) (Instituto Nacional de Estatística, 2009). Tabela 2. Dados relativos à população na área de estudo. (Fonte: Instituto Nacional de Estatística, 2009) Município População Residente Total População Residente Homens População Residente Mulheres População Presente Total População Presente Homens População Presente Mulheres Famílias Alojamentos Edifícios Amarante 56217 26939 29278 53413 25083 28330 19407 28241 22860 Baião 20522 9805 10717 18997 8663 10334 7173 11615 10548 Marco Canaveses 53450 26035 27415 49491 23023 26468 17725 24126 18915
Literacia Ambiental em alunos da região da Serra da Aboboreira FCUP 19 v) Levantamento da inteligibilidade do questionário, com preenchimento de um relatório de dificuldades, logo após a aplicação de pré-teste e pelo preenchimento de uma grelha/matriz de observação de ocorrências, preenchida durante a aplicação do pré-teste, pela autora; vi) Reformulação do questionário com base na análise dos resultados obtidos no pré-teste e relatórios de dificuldades; vii) Elaboração e distribuição de um documento de instruções para professores vigilantes/administradores do inquérito de literacia ambiental; viii) Seleção da amostra representativa de alunos; ix) Implementação da logística de aplicação. 2.4. Seleção de Entidades Alvo e Público-Alvo Selecionaram-se as escolas com ensino secundário situadas na área geográfica da Serra da Aboboreira, ou seja, localizadas no concelho de Amarante, Baião e Marco de Canaveses, recorreu-se para isso à base de dados de escolas da Direcção Regional de Educação do Norte (DREN). A Escola Secundária de Amarante, Escola Básica e Secundária Vale de Ovil e a Escola Secundária do Marco de Canaveses foram as escolas selecionadas (Direcção Regional de Educação do Norte, 2012). Todas as turmas de ensino regular correspondentes ao 10º ano de escolaridade ou seja, pertencentes ao ensino secundário, foram escolhidas para a realização deste estudo. 2.5. Procedimento na Aplicação do Questionário Após reformular o questionário submeteu-se um pedido de autorização para aplicação do mesmo, em meio escolar, ao Ministério da Educação. Este pedido foi analisado pela Direcção-Geral de Inovação e de Desenvolvimento Curricular, sendo posteriormente aprovado, uma vez que cumpria os requisitos de qualidade técnica e metodológica, ficando deste modo apto a ser utilizado (Anexo II). Estabeleceu-se contacto com a direção das escolas a realizar o estudo, isto é, com a Escola Secundária de Amarante, Escola Básica e Secundária Vale de Ovil e Escola Secundária do Marco de Canaveses para obtenção das autorizações necessárias, ou seja, autorização da escola e de cada encarregado de educação dos
Literacia Ambiental em alunos da região da Serra da Aboboreira FCUP 20 alunos que fizeram parte do estudo, estas para ficarem em poder da escola (Anexo III). 2.6. Recolha de Dados Em conjunto com a direção de cada escola estudou-se a data mais adequada para a aplicação do questionário assim como o horário de cada turma, para que a sua realização não coincidisse com períodos de avaliação, obtendo assim um feedback positivo dos alunos e professores envolvidos. Em seguida, contabilizaram-se os alunos por turma e fotocopiaram-se os questionários, estes permaneceram com a investigadora até ao momento da sua realização. O questionário foi aplicado na presença da investigadora e do professor a lecionar a disciplina naquele horário, permitindo assim obter maior colaboração. A presença da investigadora teve como finalidade garantir que o questionário fosse aplicado a todos os alunos nas mesmas condições, isto é, não foram prestados esclarecimentos adicionais aos que estavam no questionário e todos os alunos responderam ao questionário no tempo proposto, ou seja, durante 45 minutos. Na Escola Básica e Secundária Vale de Ovil o questionário foi aplicado nos dias 27, 28, 29 de Fevereiro e 1 de Março. Na Escola Secundária do Marco de Canaveses a aplicação decorreu nos dias 5, 6, 7 e 8 de Março e por último, na Escola Secundária de Amarante a aplicação processou-se nos dias 22, 23 e 24 de Maio. Foram inquiridos um total de 460 alunos. 2.7. Análise de Dados Procedeu-se à construção de uma base de dados utilizando a aplicação informática EXCEL, com o intuito de organizar e tratar a informação recolhida. Deste modo, pode-se assim interpretar os resultados obtidos e comparar essa informação entre si e também com outros estudos realizados anteriormente. É de salientar, que para avaliar alguns parâmetros constantes nos objetivos, algumas das análises colocaram em comparação as respostas dos estudantes residentes na área da SA em oposição aos restantes, residentes nas áreas urbanas e periurbanas. Os dados que constituíram o objeto de análise neste estudo foram as respostas dadas pelos inquiridos no questionário. As alternativas de resposta a questões que dizem respeito a variáveis qualitativas (permitem descrever os alunos ou as situações)
Literacia Ambiental em alunos da região da Serra da Aboboreira FCUP 21 constituem-se como categorias ou atributos cujos valores que assumem são qualidades ou símbolos que apenas se podem relacionar em termos de igualdade ou de desigualdade. Por outo lado, as alternativas de resposta a questões referentes a variáveis quantitativas (características mensuráveis) utilizam variáveis com critérios de frequência, de grau de intensidade e de critérios de sequência ou de ordem, cujos resultados se traduzem por números inteiros (resultado de contagens) ou reais (resultado de medições) (Pedro, 2009 & Almeida, 2011). De acordo com Pedro (2009) os dados obtidos são maioritariamente qualitativos ou nominais e representam informação que identifica uma característica que apesar de não poder ser quantificada pode ser classificada. Por sua vez, dados quantitativos ou numéricos estão presentes em menor número e podem ser medidos com diferentes intensidades (Pedro, 2009). As escalas de medida são níveis de classificação da variável e apenas no estudo do item C pode atribuir-se uma escala de rácio, uma vez que pretende-se conhecer como varia a idade entre os inquiridos. Nos itens que avaliam atitudes, adequam-se as escalas de Likert, que apresentam um conjunto de, usualmente, cinco proposições a que associa uma cotação: concorda totalmente (+2), concorda (+1), sem opinião (0), discorda (-1), discorda totalmente (-2) ou uma escala entre 1 e 5. Assim, quando os alunos selecionam uma opção nesta escala, pode conhecer-se as suas opiniões e atitudes de natureza positiva ou negativa. Os itens 4 e 15 do questionário apresentam critérios específicos de classificação organizados por nível de desempenho. Estes níveis de desempenho são baseados numa hierarquia de importância relativa e codificados entre um nível máximo (código 4) e um nível mínimo (código 0) (Tabelas 7 e 8). Tabela 7. Correlação entre níveis de desempenho, competências e valor atribuído na variável Q4. (Fonte: Pedro, 2009) Nº de Alternativas de Resposta Nível de Desempenho Opções Adequadas Opções Inadequadas Valor da Variável 4 3 0 +1 3 2 0 +0.5 2 2 1 0 1 1 0 -0.5 0 Outra qualquer possibilidade de resposta distinta das anteriores -1
Literacia Ambiental em alunos da região da Serra da Aboboreira FCUP 22 Tabela 8. Correlação entre níveis de desempenho, competências e valor atribuído na variável Q15. (Fonte: Pedro, 2009) Nível de Desempenho Nº de opções pró – ambientais adequadamente assinaladas nas primeiras posições (já constantes do enunciado) Valor da Variável O aluno não introduz mais nenhuma opção pró – ambiental O aluno introduz mais uma opção pró – ambiental 4 4 ou 5 Mais de 3 +2 3 3 3 +1 2 2 2 0 1 1 1 -1 0 0 0 -2 Nos itens que medem conhecimentos escolásticos ou informais de índole geral, podem utilizar-se perguntas fechadas de escolha múltipla (PEM) avaliadas por uma escala nominal (policotómica) de três atributos (Tabela 9). A atribuição destes valores garante que uma resposta errada ou dada ao acaso não obtenha mais que zero pontos. Assim, as respostas erradas são penalizadas corrigindo-se pontos recebidos em respostas dadas ao acaso, tentando evitar o enviesamento dos dados. Tabela 9. Classificação atribuída a cada opção de resposta dada, para avaliar os conhecimentos escolásticos ou informais. (Fonte: Pedro, 2009) Atributos Valores Alternativa de resposta correta/adequada Va=1 Alternativa de resposta errada/inadequada Vi=-1 Alternativa "Não sei, (...)" V=0
Literacia Ambiental em alunos da região da Serra da Aboboreira FCUP 23 Na tabela 10 apresentam-se as expressões simbólicas utilizadas nas expressões matemáticas deduzidas por Pedro (2009) presentes na tabela 11. Através destas expressões calcular-se-á o nível de proficiência em literacia ambiental. Para este cálculo consideram-se dois domínios, atitudes (4 questões) e conhecimentos (23 questões). Segundo Pedro (2009), o grau de proficiência em literacia ambiental pode ser convertido em três níveis qualitativos de desempenho: o BOM: um aluno consegue identificar e enumerar diversos fatores que potenciam desequilíbrios ambientais. Aplica com segurança conceitos e conhecimentos em Ambiente, e é capaz de comparar, selecionar e avaliar adequadamente as atitudes e propor comportamentos que mitiguem os desequilíbrios ambientais. A este nível, o aluno consegue utilizar de forma correta capacidades de questionar, de relacionar conhecimentos e de detetar reais situações de perturbações dos ecossistemas. Consegue traçar, ainda, explicações assentes em evidências científicas e argumenta baseando-se numa análise crítica. Um aluno com este nível de desempenho demonstra atitudes e valores adequados, revela ainda um conhecimento consistente da problemática ambiental, conseguindo aplicá-lo a situações novas e complexas. Demonstra, também, a posse de conhecimentos ambientais suficientes para fornecer interpretações e/ou previsões do impacte das atividades humanas no futuro. O aluno consegue utilizar conhecimentos científicos e aplicá-los em decisões de carácter pessoal, social ou até mesmo global. o SUFICIENTE: um aluno é capaz de usar conceitos científicos, mas revela dificuldade quer ao nível das atitudes quer dos comportamentos próambientais. Este aluno nem sempre se mostra capaz de selecionar informação relevante a partir de dados variados, ou capaz de avaliar corretamente um determinado impacte ambiental. Sente a afetação ambiental e é capaz de identificar condutas inadequadas por parte de outros, mas revela dificuldade em auto responsabilizar-se e auto culpabilizar-se, mostrando-se incapaz de tomar decisões na prática. Um aluno com este nível de desempenho nem sempre demonstra possuir adequadas atitudes e valores e revela, ainda, um conhecimento da problemática ambiental limitado e pouco consistente, conseguindo aplicá-lo apenas a situações simples e amplamente divulgadas nos mídias. Não possui conhecimentos ambientais suficientes para fornecer interpretações e/ou previsões do impacte das atividades humanas no futuro.
Literacia Ambiental em alunos da região da Serra da Aboboreira FCUP 24 o INSUFICIENTE: um aluno não possui conhecimentos ambientais suficientes que lhe permitam formular qualquer tipo de explicação para a ocorrência local de desequilíbrios ambientais. Não é capaz de fazer interpretações simples ou de estimar as consequências das condutas e dos processos tecnológicos que visam mitigar os problemas ambientais. Um aluno demostra possuir inadequadas atitudes e valores ambientais, e revela um conhecimento da problemática ambiental muito limitado, só conseguindo reconhecer situações muito simples e amplamente divulgadas nos mídias. Demonstra forte tendência para a desresponsabilização e para a auto desculpabilização, considerando inevitável a degradação e os desequilíbrios profundos dos ecossistemas. Não atua e recusa-se a fazer concessões em prol da qualidade de vida das gerações futuras. Tabela 10. Listagem de expressões simbólicas utilizadas nas expressões de classificação e cálculo de desempenho nas diferentes variáveis. (Fonte: Pedro, 2009) Expressão Geral Nº de PEM de Rn opções efetivas de resposta N Nº de opções efetivas da questão n, excluindo a opção neutral Rn Pontuação da questão n Va Nº total de itens que avaliam conhecimento escolástico NCE Nº total de itens que avaliam conhecimento informal de índole geral NCI
Literacia Ambiental em alunos da região da Serra da Aboboreira FCUP 25 Tabela 11. Expressões matemáticas utilizadas visando a determinação da LA. (Fonte: Pedro, 2009) Expressão O que avalia Considerações NCT = NCE + NCI Nível de conhecimento total Nº total de itens que avaliam conhecimento escolástico e conhecimento informal de índole geral Probabilidade de acerto na questão n Nº de questões que o indivíduo acerta em média Nº de questões que o indivíduo falha em média ( ) Vi Pontos ganhos indevidamente Penalização por item errado Pontuação necessária retirar a cada questão n que o aluno erra Penalização por item errado Valor mínimo possível Se o inquirido responder erradamente a todas as questões de conhecimento Percentagem de conhecimento Valor total do conhecimento cognitivo de um aluno (CT) Percentagem na componente atitudinal Calculada através da média das diferentes percentagens correspondentes às diferentes variáveis específicas das questões Q3,Q5,Q10,Q15 Grau de proficiência em LA Convertida em Níveis Qualitativo de Desempenho pela seguinte correlação [67%;100%]- Bom [33%;66%]- Suficiente [0%;32%]- Insuficiente
Literacia Ambiental em alunos da região da Serra da Aboboreira FCUP 26 CAPÍTULO III RESULTADOS
Literacia Ambiental em alunos da região da Serra da Aboboreira FCUP 27 3. RESULTADOS Os resultados obtidos através da aplicação do questionário serão expostos no presente capítulo, estes dizem respeito às características sociodemográficas dos indivíduos inquiridos, ao conhecimento cognitivo de natureza escolástica e informal e também às competências de âmbito atitudinal. 3.1. Caracterização Sociodemográfica A análise das respostas dadas na Secção I, do questionário permite-nos realizar a caracterização sociodemográfica da população em estudo. A população inquirida incluiu 460 alunos que frequentam o 10º ano de escolaridade e integram três concelhos, 91 alunos pertencem ao concelho de Baião, 154 alunos ao concelho de Amarante e 215 alunos ao concelho do Marco de Canaveses ( Figura 3). Figura 3. Distribuição do número de alunos pelo seu concelho de residência. 0 50 100 150 200 250 Baião Amarante Marco de Canaveses Nº. Indivíduos Concelhos
Literacia Ambiental em alunos da região da Serra da Aboboreira FCUP 28 No que diz respeito à área de opção de formação destes alunos, pode ver-se na figura 4, que apenas no concelho de Baião os alunos têm duas áreas de opção, representando a área de Línguas e Humanidades uma maior percentagem de escolha (52%) relativamente a Ciências e Tecnologias (48%). Pelo contrário, em Amarante e no Marco de Canaveses a área de Ciências e Tecnologias detém mais alunos, 69% e 63%, respetivamente. Línguas e Humanidades apresenta no concelho de Amarante 18% dos alunos inquiridos e 29% de alunos no concelho do Marco de Canaveses. Por último, a área de Artes Visuais tem uma representatividade baixa quando comparada com as outras áreas, apresentando 13% de alunos em Amarante e 8% de estudantes no Marco de Canaveses. Figura 4. Distribuição em percentagem (%) dos alunos pela área de opção de formação nos concelhos de Baião, Amarante e Marco de Canaveses. 48% 52% 0% Baião Ciências e Tecnologias Línguas e Humanidades Artes Visuais 69% 18% 13% Amarante Ciências e Tecnologias Línguas e Humanidades Artes Visuais 63% 29% 8% Marco de Canaveses Ciências e Tecnologias Línguas e Humanidades Artes Visuais
Literacia Ambiental em alunos da região da Serra da Aboboreira FCUP 35 O irmão foi referido 21 vezes e o pai 19 vezes. Apenas 4 alunos afirmaram que seria outra pessoa que tinha o grau de instrução mais elevado, como tios, primos, madrinha e avós. Verificou-se também que um elevado número de inquiridos assinalou mais que um membro da família como sendo as pessoas que tinham maior instrução. Figura 14. Grau de instrução do familiar mais escolarizado dos inquiridos que vivem nas freguesias correspondentes à Serra da Aboboreira em número e percentagem (%) correspondente. Figura 15. Grau de parentesco do familiar mais escolarizado dos inquiridos que vivem nas freguesias correspondentes à Serra da Aboboreira. 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 0 20 40 60 80 100 120 140 Percentagem de indivíduos (%) Nº. Indivíduos Nível de Escolaridade nº.alunos (%) 0 50 100 150 200 Pai Mãe Irmão Outro Não Resp. Nº. Indivíduos Parentesco
Literacia Ambiental em alunos da região da Serra da Aboboreira FCUP 36 No que diz respeito aos inquiridos que vivem nas áreas urbanas e periurbanas verifica-se na figura 16 que também neste caso apenas um aluno provém de uma família não escolarizada. São 37 os alunos que afirmam possuir um familiar com uma licenciatura ou com grau de Mestre ou de Doutor. Verifica-se que em 30,2% das famílias existe pelo menos um membro com o 11º ou 12º ano de escolaridade mas apenas 8,2% estudou no Ensino Superior. Observa-se na figura 17 que a mãe foi referenciada como sendo a pessoa mais instruída e foi assinalada 187 vezes. O pai e o irmão foram assinalados quase o mesmo número de vezes, 124 e 123 vezes respetivamente. Também em algumas famílias os tios, primos, avós e madrinha foram indicados como as pessoas com mais escolaridade. Constatou-se que muitos dos inquiridos indicaram mais que um membro da família como detentores do maior grau de instrução. Figura 16. Grau de instrução do familiar mais escolarizado dos inquiridos que vivem nas áreas urbanas e periurbanas em número e percentagem (%) correspondente. Figura 17. Grau de parentesco do familiar mais escolarizado dos inquiridos que vivem nas áreas urbanas e periurbanas. 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 0 20 40 60 80 100 120 140 Percentagem de indivíduos (%) Nº. Indivíduos Nível de Escolaridade nº. alunos (%) 0 50 100 150 200 Pai Mãe Irmão Outro Não Resp. Nº. Indivíduos Parentesco
Literacia Ambiental em alunos da região da Serra da Aboboreira FCUP 37 3.2. Caracterização do Interesse pela Temática do Ambiente Na questão I perguntou-se aos alunos se assistiam, na íntegra, a documentários televisivos sobre Ambiente e Vida Selvagem. Como pode ver-se na figura 18 os alunos que residem nas freguesias correspondentes à Serra da Aboboreira assim como aqueles que não residem (freguesias urbanas e periurbanas) responderam afirmativamente em aproximadamente 80% dos casos e negativamente em aproximadamente 20%. Figura 18. Distribuição em percentagem (%) dos alunos que assistem na íntegra a documentários televisivos sobre Ambiente e vida selvagem. Observa-se na figura 19 que os alunos das duas áreas (Serra da Aboboreira e áreas urbanas/periurbanas) assistem frequentemente a documentários televisivos sobre Ambiente no entanto, os alunos que residem nas freguesias correspondentes à Serra da aboboreira representam 60% da população que assiste semanalmente, enquanto que os das outras freguesias representam 54%. Os inquiridos que assistem quinzenalmente representam 25% da população inquirida na Serra da Aboboreira e nas outras freguesias 20%. Verifica-se que a frequência mensal, trimestral e semestral é maior nos alunos que não residem nas freguesias que pertencem à Serra da Aboboreira. Sim 80% Não 20% Serra da Aboboreira Sim 81% Não 19% Áreas urbanas e periurbanas
Literacia Ambiental em alunos da região da Serra da Aboboreira FCUP 38 Figura 19. Periodicidade em percentagem (%) com que um aluno assiste a documentários televisivos sobre Ambiente e vida selvagem. Com o intuito de conhecer qual a frequência mensal de leitura de um artigo ou reportagem "científica" ou de opinião sobre Ambiente e/ou conservação da Natureza elaborou-se a questão k, os resultados a estão questão estão expostos na figura 20. Observa-se que as percentagens de respostas afirmativas são muito idênticas em alunos que vivem em freguesias correspondentes à Serra da Aboboreira (48%) e em áreas urbanas e periurbanas (47%), o mesmo acontece para respostas negativas. Na Serra da Aboboreira 52% responderam negativamente e nas áreas urbanas e periurbanas 53% responderam também de forma negativa (Figura 20). Figura 20. Distribuição em percentagem (%) dos alunos de acordo com o interesse na leitura mensal, de um artigo ou reportagem "científica" sobre Ambiente e/ou conservação da Natureza. Não resp. 0% Semana 60% Quinzena 25% Mês 13% Trimestre 2% Semestre 0% Serra da Aboboreira Não resp. 0% Semana 54% Quinzena 20% Mês 20% Trimestre 4% Semestre 2% Áreas urbanas e periurbanas Sim 48% Não 52% Serra da Aboboreira Sim 47% Não 53% Áreas urbanas e periurbanas
Literacia Ambiental em alunos da região da Serra da Aboboreira FCUP 39 A fonte de consulta preferida pelos inquiridos que residem na SA é a revista National Geograhic, seguida de páginas de internet e a revista Super Interessante, como pode ver-se pela figura 21. Quanto aos alunos que residem nas áreas urbanas e periurbanas, verifica-se pela figura 22 que estes estudantes apresentam as mesmas preferências de consulta. Figura 21. Distribuição em número dos alunos residentes na Serra da Aboboreira pela preferência da fonte para consulta sobre Ambiente e/ou conservação da Natureza. Figura 22. Distribuição em número dos alunos residentes nas áreas urbanas e periurbanas pela preferência da fonte para consulta sobre Ambiente e/ou conservação da Natureza. 0 20 40 60 80 100 120 140 160 180 Nº Indivíduos Fonte de consulta 1ª opção 2ª opção 3ª opção 4ª opção 5ª opção 6ª opção 0 20 40 60 80 100 120 140 160 180 Nº. Indivíduos Fonte de consulta 1ª opção 2ª opção 3ª opção 4ª opção 5ª opção 6ª opção
Literacia Ambiental em alunos da região da Serra da Aboboreira FCUP 40 Os resultados traduzidos na figura 23 revelaram que os alunos inquiridos, na sua maioria, no último trimestre não consultaram páginas da internet associadas a uma instituição governamental ou não governamental ligada ao Ambiente. Apenas 13% dos alunos que residem nas freguesias correspondentes à Serra da Aboboreira e 26% dos alunos que vivem em áreas urbanas e periurbanas reconhecem tê-lo feito. Figura 23. Consultas realizadas no último trimestre de páginas de internet ligadas a Organizações Não Governamentais (ONGs) ou Organizações Governamentais (OGs), em percentagem (%). Verifica-se na figura 24 que o principal motivo pela qual a totalidade dos alunos (serranos e não serranos), consultam páginas de internet de Ambiente é para procurarem informação para um trabalho escolar. A curiosidade representa o segundo motivo pelo qual estes alunos realizam a consulta, seguida de uma consulta casual. Verifica-se que 4,9% dos alunos que vivem nas freguesias urbanas e periurbanas referem outros motivos para além dos já mencionados. Figura 24. Motivação para a consulta de páginas de internet de Ambiente pelos alunos que vivem na Serra da Aboboreira (SA) e nas freguesias urbanas e periurbanas (U&P), em percentagem (%). Sim 13% Não 87% Serra da Aboboreira Sim 26% Não 73% Não resp. 1% Áreas urbanas e periurbanas 0 10 20 30 40 50 60 70 Percentagem de indivíduos (%) Razões da consulta U&P SA
Literacia Ambiental em alunos da região da Serra da Aboboreira FCUP 41 Contudo a frequência de consulta destas páginas de internet durante um trimestre é muito baixa como se verifica na figura 25. No caso dos alunos que vivem na Serra da Aboboreira observa-se que nenhum aluno faz uma consulta mais que 15 vezes, enquanto que 1,9% dos alunos que vivem nas freguesias urbanas e periurbanas fá-lo. Verifica-se ainda que os alunos que realizam a consulta menos de 5 vezes são 66,7% dos alunos que vivem na Serra da Aboboreira e 74,8% dos alunos que vivem nas áreas urbanas e periurbanas. Figura 25. Frequência da realização da consulta por alunos que vivem na Serra da Aboboreira (SA) e nas freguesias urbanas e periurbanas (U&P), em percentagem (%). Relativamente à questão P, os resultados, registados na figura 26, permitem afirmar que a maioria dos alunos inquiridos que vivem na Serra da Aboboreira (67%) e que vivem em áreas urbanas e periurbanas (75%) nunca participaram em qualquer atividade extracurricular promotora de boas práticas de cidadania ambiental. Figura 26. Participação dos alunos em atividades extracurriculares promotoras de boas práticas de cidadania ambiental, em percentagem (%). 0 10 20 30 40 50 60 70 80 < 5 vezes [5, 10[ vezes [10, 15[ vezes [15, 20[vezes > 20 vezes Percentagem de indivíduos (%) Intervalos SA U&P Sim 33% Não 67% Serra da Aboboreira Sim 25% Não 75% Áreas urbanas e periurbanas
Literacia Ambiental em alunos da região da Serra da Aboboreira FCUP 42 Pela análise da figura 27, verifica-se que as atividades extracurriculares realizadas pelos alunos que habitam na Serra da Aboboreira e nas freguesias urbanas e periurbanas referem-se principalmente à assistência a palestras sobre Ambiente e plantar árvores. Constata-se que há alunos que participaram em várias atividades. Figura 27. Tipo de atividades extracurriculares em que os alunos que vivem na Serra da Aboboreira (SA) e nas freguesias urbanas e periurbanas (U&P) participam, em percentagem (%). 3.3. Caracterização da Literacia Ambiental De acordo com os objectivos acima referidos, com a aplicação deste inquérito pretende-se verificar os conhecimentos ambientais globais e usá-los como um indicador do nível de literacia ambiental que os alunos do ensino secundário que residem na Serra da Aboboreira e na zona envolvente demonstram. O tratamento dos dados recolhidos na secção II do questionário permite fazer uma avaliação do processo de transmissão e aquisição de conhecimentos ambientais tanto de uma forma global como nas três variáveis consideradas: conhecimento escolástico (CE), conhecimento informal (CI) e atitudes. 0 20 40 60 80 100 Percurso Natureza Dunas Limpeza Palestra Plantar Outra Percentagem de indivíduos (%) Tipo de Atividade U&P SA
Literacia Ambiental em alunos da região da Serra da Aboboreira FCUP 43 3.3.1. Conhecimentos Ambientais Escolásticos São 12 as questões incluídas no questionário, relativas ao conhecimento escolástico (CE), que permitem determinar o valor dessa variável. O número total de respostas possíveis para os alunos que vivem na Serra da Aboboreira seria de 828 (12 questões e 69 inquiridos) e 4692 para os alunos que vivem fora da Serra da Aboboreira (12 questões e 391 inquiridos). A pontuação máxima possível corresponde ao número de respostas e, como tal, seria de 828 e 4692, respetivamente. Já a pontuação mínima possível obtida para esta variável de conhecimento é de 2,72 por aluno, ou então, globalmente, 188 e 1063, respetivamente para serranos e não serranos. Assim, os estudantes que habitam na Serra da Aboboreira apresentam um valor de CE de 22,8% e os alunos que residem nas áreas urbanas e periurbanas detêm um valor de CE de 24,9%. Nestes dois casos o nível de conhecimento escolástico é considerado insuficiente. Analisando a tabela 13, que apresenta as percentagens de respostas corretas e valores médios de resposta às questões relativas ao conhecimento escolástico, observa-se que os alunos inquiridos apresentaram um melhor desempenho nas questões 12 e 20. A questão 12 diz respeito às consequências negativas que os fertilizantes agrícolas provocam nos ecossistemas aquáticos, verifica-se que 76,8% dos alunos que vivem na Serra da Aboboreira e 72,6% dos estudantes que vivem nas freguesias urbanas e periurbanas responderam corretamente. A questão 20 refere-se ao motivo pelo qual se devem tratar águas residuais, 66,2% dos alunos serranos e 71,6% dos alunos não serranos acertaram a esta questão. O pior desempenho demonstrado pela totalidade dos inquiridos foi na questão 4 e também na questão 21. A questão 4 diz respeito ao conhecimento de Organizações Não Governamentais de Ambiente Portuguesas (ONGAs), nenhum aluno que vive na SA respondeu corretamente e apenas 2,1% dos alunos que vivem em freguesias urbanas e periurbanas responderam adequadamente. A questão 21, correspondente à situação de Portugal face ao Protocolo de Quioto, o resultado do conjunto de todos os inquiridos mostra grande desconhecimento, com percentagens de acerto de apenas 4,4 e 2,8%, respetivamente para estudantes que vivem nas freguesias da SA e nas freguesias urbanas e periurbanas.
Literacia Ambiental em alunos da região da Serra da Aboboreira FCUP 44 Tabela 13. Percentagem de respostas correctas e resultados médios por item de CE (numa escala de -1 a 1) obtidos pelos inquiridos que vivem na Serra da Aboboreira (SA) e nas freguesias urbanas e periurbanas (U&P). Questões de conhecimento escolástico Q1 Q2 Q4 Q11 Q12 Q14 Q17 Q20 Q21 Q23 Q26 Q27 SA % 21,7 39,1 0,00 53,7 76,8 30,4 39,1 66,2 4,4 58,8 55,1 37,7 Média -0,23 -0,06 -1,00 0,22 0,65 0,06 -0,10 0,42 -0,46 0,38 0,20 -0,07 U&P % 33,8 28,2 2,1 56,8 72,6 34,7 43,6 71,6 2,8 50,4 59,4 46,9 Média -0,10 -0,17 -0,96 0,26 0,56 0,04 0,01 0,54 -0,43 0,21 0,31 0,02 Através da análise da figura 28, verifica-se que os alunos que habitam na Serra da Aboboreira apresentam melhor desempenho relativamente aos alunos que vivem nas freguesias urbanas e periurbanas nas questões 2,12,21 e 23. Pelo contrário, os alunos que residem nas freguesias que não correspondem à serra apresentam um melhor desempenho, relativamente aos que vivem na serra, nas restantes questões (1,4,11,14,17,20,26 e 27). Figura 28. Percentagem de respostas corretas por item de conhecimento escolástico (CE), obtidas pelos inquiridos que vivem na Serra da Aboboreira (SA) e nas freguesias urbanas e periurbanas (U&P). 0 20 40 60 80 100 Q1 Q2 Q4 Q11 Q12 Q14 Q17 Q20 Q21 Q23 Q26 Q27 Percentagem de respostas corretas (%) Item de CE SA U&P
Literacia Ambiental em alunos da região da Serra da Aboboreira FCUP 51 Quanto ao uso de água a mais do que a estritamente necessária verifica-se na figura 34 que os estudantes que vivem na Serra da Aboboreira e os estudantes que vivem em áreas urbanas e periurbanas declaram ter comportamentos relativamente às atitudes positivas e negativas adotadas que se contabilizaram como semelhantes. Figura 34. Atitudes ambientais dos alunos inquiridos em relação ao reconhecimento do uso de água a mais do que a estritamente necessária. 3.3.4. A Literacia Ambiental Global A tabela 17 revela os resultados obtidos para as diferentes variáveis avaliadas pela aplicação do inquérito. Verifica-se que os níveis dos diferentes conhecimentos são semelhantes entre a população inquirida que vive nas freguesias correspondentes à Serra da Aboboreira e os estudantes que vivem nas freguesias que não coincidem com a serra (áreas urbanas e periurbanas). No entanto, observa-se um nível de conhecimento escolástico e informal ligeiramente superior em alunos que habitam nas áreas urbanas e periurbanas relativamente aos que vivem na SA. Relativamente à componente atitudinal verifica-se o inverso, são os alunos que vivem na serra que apresentam uma maior percentagem nesta componente em comparação com aqueles que vivem nas áreas urbanas e periurbanas. Quanto ao grau de proficiência em matérias de literacia ambiental, verifica-se uma grande proximidade entre os adolescentes que habitam a Serra da Aboboreira e aqueles que habitam as áreas envolventes, apresentando um resultado de 42,0% e 42,4%, respetivamente. Assim estes alunos apresentam um nível de desempenho em matérias de literacia ambiental considerado suficiente. Atitudes negativas 41% Atitudes neutras 4% Atitudes positivas 55% Questão 10 Serra da Aboboreira Atitudes negativas 42% Atitudes neutras 3% Atitudes positivas 55% Questão 10 Áreas urbanas e periurbanas
Literacia Ambiental em alunos da região da Serra da Aboboreira FCUP 52 Tabela 17. Valores obtidos para as diferentes variáveis avaliadas pelo inquérito. Variáveis Serra da Aboboreira Áreas urbanas e periurbanas Conhecimento escolástico (%) 22,8 24,9 Conhecimento informal (%) 17,5 20,7 Conhecimento total (%) 20,2 22,8 Componente atitudinal (%) 63,8 62,0 Grau de proficiência em LA (%) 42,0 42,4 3.4. Autoavaliação dos Alunos em Literacia Ambiental As respostas dadas à questão 28 do questionário revelam qual o nível de autoavaliação em literacia ambiental dos alunos que vivem na Serra da Aboboreira e dos alunos que vivem nas áreas urbanas e periurbanas. Pela figura 35 e 36verifica-se que os alunos que vivem na SA assim como os alunos que vivem nas áreas urbanas e periurbanas apresentam um elevado número de inquiridos que se auto avalia em matérias de literacia ambiental com um nível de suficiente. Apenas alunos que vivem fora da Serra da Aboboreira se auto avaliam com um nível de muito bom (8 alunos). Figura 35. Nível de autoavaliação em literacia ambiental dos alunos que vivem na Serra da Aboboreira. 0 50 100 150 200 250 Mt Bom Bom Suf Med Mau 0 19 37 12 1 Nº. de indivíduos Nível de Autoavaliação em Literacia Ambiental
Literacia Ambiental em alunos da região da Serra da Aboboreira FCUP 53 Figura 36. Nível de autoavaliação em literacia ambiental dos alunos que vivem nas áreas urbanas e periurbanas. Observa-se na figura 47, que 54% dos inquiridos na sua totalidade (serranos e não serranos) autoavaliam-se com um nível de suficiente. Entre os alunos que vivem na Serra da Aboboreira 28% afirmam ter um nível bom de literacia ambiental, 17% dizem que é medíocre e 1% diz ser mau, constata-se que nenhum aluno afirma ter um nível de muito bom. No caso dos alunos que vivem nas áreas urbanas e periurbanas, 2% acredita ter um nível de muito bom, 25% um nível de bom, 15% afirma um nível de medíocre, 3% apresenta um nível de mau e ainda 1% não respondeu a esta questão. Figura 37. Nível de autoavaliação em literacia ambiental em percentagem (%) dos alunos inquiridos. 0 50 100 150 200 250 Mt Bom Bom Suf Med Mau Não resp. 8 98 211 60 12 2 Nº. de indivíduos Nível de Autoavaliação em Literacia Ambiental Mt Bom 0% Bom 28% Suf 54% Med 17% Mau 1% Serra da Aboboreira Mt Bom 2% Bom 25% Suf 54% Med 15% Mau 3% Não resp. 1% Áreas urbanas e periurbanas
Literacia Ambiental em alunos da região da Serra da Aboboreira FCUP 54 A questão 29 do questionário interroga os alunos relativamente ao nível de certeza com que estes responderam à secção II. A figura 38 traduz os resultados obtidos pelos alunos residentes na Serra da Aboboreira e observa-se apenas 2 alunos que responderam sempre com certeza, um grande número de alunos (21) responderam sem ter grande certeza no máximo a 6 questões e ainda 6 alunos responderam a mais de 15 questões sem terem a certeza de terem optado corretamente. Figura 38. Número máximo de respostas com certeza da sua opção, dadas pelos alunos que vivem na Serra da Aboboreira. No que diz respeito aos alunos que residem nas áreas urbanas e periurbanas observa-se na figura 39, que 27 alunos responderam sempre com certeza, 28 alunos responderam a mais de 15 questões sem terem a certeza das suas respostas. Um grande número de alunos, ou seja 129, responderam sem ter grande certeza no máximo a 6 questões. Figura 39. Número máximo de respostas com certeza da sua opção, dadas pelos alunos inquiridos que vivem nas áreas urbanas e periurbanas. 0 50 100 150 sempre com certeza 3 6 9 12 15 >15 2 14 21 18 6 2 6 Nº. indivíduos Nº. máximo de respostas com certeza 0 50 100 150 sempre com certeza 3 6 9 12 15 >15 27 86 129 71 35 15 28 Nº. indivíduos Nº. máximo de respostas com certeza
Literacia Ambiental em alunos da região da Serra da Aboboreira FCUP 55 CAPÍTULO IV DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
Literacia Ambiental em alunos da região da Serra da Aboboreira FCUP 56 4. DISCUSSÃO DOS RESULTADOS Após proceder à exposição no capítulo anterior, dos resultados obtidos através do questionário, procede-se agora à sua discussão. 4.1. Caracterização Sociodemográfica A população estudada inclui 460 alunos residentes nos concelhos de Amarante (154 alunos), Baião (91 alunos) e Marco de Canaveses (215 alunos). Os resultados demonstram que os alunos optam mais pela área de formação em Ciências e Tecnologias relativamente à área de Línguas e Humanidades, exceto os alunos que pertencem ao concelho de Baião que optam mais pela área de Línguas e Humanidades do que Ciências e Tecnologias. Foram poucos os alunos que escolheram a área de Artes Visuais. A elevada preferência dos alunos pela área de Ciências e Tecnologias provavelmente está relacionada ao facto das saídas profissionais desta área estarem associadas ao âmbito das ciências da saúde. Na sociedade atual, profissões relacionadas com a saúde apresentam elevado prestígio e maior empregabilidade. Na distribuição por género, nas três escolas predominam as raparigas, o que está de acordo com os dados disponibilizados pelo Pordata (2010), que indicam uma proporção de mulheres no nível de Ensino Secundário de aproximadamente 53%, no ano 2010. Estes dados estão de acordo com um estudo de literacia ambiental realizado previamente (Almeida, 2011). Por outro lado, no estudo realizado por Pedro (2009) a predominância do sexo feminino não se verificou. Relativamente à idade média dos inquiridos nas escolas de Baião (15,0 anos), Amarante (14,9 anos) e Marco de Canaveses (14,9 anos) estas foram inferiores à média de idades verificada na Escola Secundária Dr. Manuel Gomes de Almeida (16,9 anos) e na Escola Secundária Dr. Manuel Candeias Gonçalves (16,1 anos), como seria de esperar, visto que este estudo visa os alunos do 10º ano de escolaridade (Pedro, 2009 & Almeida, 2011). No que respeita à distribuição da população estudada pela área de residência, verificou-se que os alunos dos concelhos de Amarante, Baião e Marco de Canaveses residem maioritariamente nas freguesias correspondentes a áreas urbanas e periurbanas em comparação com as freguesias que correspondem à Serra da
Literacia Ambiental em alunos da região da Serra da Aboboreira FCUP 57 Aboboreira. Apenas 4% dos alunos de Amarante, 40% dos alunos de Baião e 12% dos alunos do Marco de Canaveses residem na Serra da Aboboreira. Quanto à retenção ao longo do percurso escolar verificou-se uma baixa percentagem de alunos das três escolas que ficaram retidos, 16% dos alunos de Baião e 10% dos alunos de Amarante e do Marco de Canaveses. O ano de maior repetência nas três escolas foi o 10º ano de escolaridade e é de salientar que apenas no 5º ano de escolaridade não houve repetências nos três concelhos. Relativamente ao maior número de retenções verificadas no 10º ano de escolaridade possivelmente deveu-se ao aprofundamento das matérias dadas que exigiram mais estudo por parte dos alunos. O facto de no 5º ano de escolaridade não ocorrerem retenções nos alunos estudados, pode estar relacionado com a maior compreensão e tolerância por parte dos docentes devido a estes alunos se encontrarem numa fase de transição do 1º ciclo para o 2º ciclo, ao qual está associado uma grande mudança. No agregado familiar dos alunos que vivem na Serra da Aboboreira e nas áreas urbanas e periurbanas verificou-se que o grau de instrução mais elevado correspondia ao 11º ou 12º ano, seguido do 3º ciclo. No entanto, o grau de escolaridade mais elevado apresentado após os anteriormente descritos, difere nos dois grupos, sendo dos serranos o 2º ciclo e nos não serranos a licenciatura. As mães dos alunos serranos e não serranos foram referenciadas como a pessoa mais instruída, o que está de acordo com os resultados apresentados na Escola Secundária Dr. Manuel Candeias Gonçalves (Almeida, 2011). 4.2. Caracterização do Interesse pela Temática do Ambiente Os resultados indicam que aproximadamente 80% dos alunos na sua totalidade (serranos e áreas urbanas/periurbanas) assistem a documentários televisivos sobre Ambiente e vida selvagem. No entanto 60% dos alunos que vivem na Serra da Aboboreira e 54% dos alunos residentes em áreas urbanas e periurbanas apresentaram uma frequência semanal de visionamento deste tipo de documentários. Verificou-se assim que os alunos serranos apresentam uma frequência de visionamento ligeiramente superior aos alunos não serranos. Este facto pode estar relacionado com a falta de atividades de ocupação de tempos livres, com interesse para os jovens, na área de residência dos alunos serranos em comparação com a área de residência dos alunos não serranos. O acesso à informação ambiental deveria favorecer a aprendizagem informal dos alunos, uma vez que este tipo de documentários transmite mensagens de boas práticas ambientais. Segundo Almeida
Literacia Ambiental em alunos da região da Serra da Aboboreira FCUP 58 (2011), o visionamento frequente de documentários televisivos acompanha bons desempenhos em CE, CI, atitudes e LA. Outra autora, em um estudo semelhante afirma que o facto de os alunos terem acesso à informação, não implica que estes usufruam dela ou a utilizem da maneira mais correta (Pedro, 2009). Relativamente à leitura mensal de conteúdos "científicos" sobre Ambiente e/ou conservação da Natureza, aproximadamente metade dos alunos, 48% dos que vivem na SA e 47% dos que vivem nas áreas urbanas e periurbanas afirmaram fazê-lo. As preferências dos alunos que residem nas duas áreas (SA e U&P) revelaram-se iguais no que diz respeito à fonte de consulta, a revista National Geographic, seguida de consulta de páginas de internet e a revista Super Interessante lideram as suas preferências. Possivelmente estas preferências estão relacionadas com a existência destas publicações em língua portuguesa e à facilidade da sua aquisição em postos de venda. A utilização comum de internet por parte dos adolescentes acresce às razões expostas anteriormente. Os resultados do estudo realizado por Almeida (2011), estão de acordo com as preferências dos alunos, esta autora afirma que a leitura de artigos relacionados com o Ambiente não afeta de forma significativa os níveis de CE, CI, e atitudes no entanto, quem lê periodicamente apresenta um nível maior de CT e LA do que quem não o faz. Constatou-se que poucos estudantes, apenas 13% dos que vivem na SA e 26% dos que vivem em áreas urbanas e periurbanas, consultaram no último trimestre uma página de internet associada a Organizações Governamentais (OGs) ou Não Governamentais (ONGs) de Ambiente e/ou proteção e conservação da Natureza. A consulta dessas páginas de internet deveu-se essencialmente porque os alunos procuravam informação para um trabalho escolar ou então por simples curiosidade, as razões não diferem entre os alunos que vivem na Serra da Aboboreira e os alunos que vivem nas áreas urbanas e periurbanas, já quanto à frequência com que o acesso à informação ocorreu, verificou-se que apesar de revelar-se baixa, os alunos das áreas urbanas e periurbanas realizaram a consulta com mais frequência em comparação com os alunos serranos, possivelmente porque os alunos que vivem fora da serra poderiam ter mais facilidade em aceder à internet. Os resultados obtidos estão de acordo com os obtidos por Pedro (2009) e Almeida (2011), que também verificaram um baixo número de alunos que fez a consulta, os mesmos motivos que a levaram a fazer, assim como uma baixa frequência de consultas. Segundo Almeida (2011),o nível de CE e CI aumenta com o número de alunos que consulta páginas de internet de ONGA, já o nível de CT e atitudes não sofre influência.
Literacia Ambiental em alunos da região da Serra da Aboboreira FCUP 59 Relativamente à participação em atividades extracurriculares promotoras de boas práticas de cidadania ambiental, verificou-se que a maioria dos alunos afirmaram não participar nestas atividades. Porém os alunos que vivem na Serra da Aboboreira (33%) participam mais, em comparação com os que vivem nas áreas urbanas e periurbanas (25%). Possivelmente os alunos serranos apresentaram uma participação ligeiramente superior aos que vivem nas áreas urbanas e periurbanas devido ao facto de terem uma ligação mais próxima com a Natureza. A assistência a palestras sobre Ambiente e a plantação de árvores são as atividades em que os alunos da SA e das áreas urbanas e periurbanas mais afirmam participar. Outros autores em estudos semelhantes revelam a não participação por grande parte dos alunos inquiridos (Pedro, 2009 & Almeida, 2010). "Esta não participação está de acordo com o diagnosticado por Carmen (1999), já que a autora refere que os alunos têm cada vez menos experiências de proximidade, pesquisa voluntária e direta da natureza (Pedro, 2009)". A falta de proximidade com a Natureza não se aplica nestes alunos, uma vez que residem em áreas que permitem o contato direto com Natureza, como já foi referido. Num estudo realizado em 2011, verificou-se que o nível de CE diminuiu e o nível de CI é influenciado positivamente pela participação em atividades deste tipo e não concluiu que o nível de CT e atitudes fosse influenciado pela participação nestas atividades, assim como os resultados em LA (Almeida, 2011). 4.3. Caracterização da Literacia Ambiental Analisa-se, de seguida, o desempenho dos alunos que vivem nas freguesias correspondentes à Serra da Aboboreira e dos alunos que vivem nas áreas urbanas e periurbanas, relativamente às questões relacionadas diretamente com o conhecimento escolástico, conhecimento informal e atitudes. 4.3.1. Conhecimentos Ambientais Escolásticos Pela análise dos resultados das 12 questões relacionadas com o conhecimento escolástico (Q1, Q2, Q4, Q11, Q12, Q14, Q17, Q20, Q21, Q23, Q26, Q27) obteve-se para os inquiridos que residem na Serra da Aboboreira um valor de CE de 22,8% e um valor de CE de 24,9% para os inquiridos que residem nas áreas urbanas e
Literacia Ambiental em alunos da região da Serra da Aboboreira FCUP 60 periurbanas, o que é considerado insuficiente. Os resultados obtidos para esta componente de conhecimento revelaram-se inferiores aos obtidos em estudos semelhantes, que obtiveram um nível de conhecimento escolástico considerado suficiente (Pedro, 2009; Cordeiro, 2010; Almeida, 2011). As questões em que os alunos que vivem na SA e nas áreas urbanas e periurbanas apresentaram melhor desempenho, acima de 60% de respostas certas, foi nas questões 12 e 20, estas relativas às consequências negativas que os fertilizantes agrícolas provocam nos ecossistemas aquáticos e o motivo pela qual se devem tratar as águas residuais, respetivamente. O bom desempenho apresentado pelos alunos nestas questões deve-se possivelmente ao facto destes temas serem abordados ao longo do percurso escolar. No estudo levado a cabo por Almeida (2011) as questões que revelaram melhor desempenho diferem deste estudo, os alunos obtiveram melhor desempenho nas questões 11, 23, 26 e 27. O pior desempenho, abaixo de 20% de respostas certas, revelado pela totalidade dos inquiridos (serranos e não serranos), foi nas questões 4 e 21, estas relativas ao conhecimento de Organizações Não Governamentais de Ambiente Portuguesas (ONGAs) e à situação de Portugal face ao Protocolo de Quioto, respetivamente. O que está de acordo com Almeida (2011), que afirma que o mau desempenho pode ser resultado de uma abordagem pouco aprofundada destes temas de uma forma escolástica. Segundo Cordeiro (2010), o desconhecimento dos alunos em relação a Organizações Não Governamentais de Ambiente Portuguesas (ONGAs) pode estar relacionado à pouca importância que a sociedade portuguesa lhe atribui. Não houve alunos na globalidade (serranos e não serranos) a acertar ou a errar a todas as questões, assim como no estudo realizado por Almeida (2011). Porém na questão 4 nenhum aluno dos que habitam na SA respondeu corretamente. Em acréscimo, é de salientar que os alunos residentes fora da serra apresentam um número mais elevado de respostas certas relativamente aos alunos que residem na SA. 4.3.2. Conhecimentos Ambientais Informais As 11 questões no questionário (Q6, Q7,Q8, Q9, Q13, Q16, Q18, Q19, Q22, Q24, Q25) permitiram determinar o valor de conhecimento informal (CI), os alunos que vivem na Serra da Aboboreira apresentaram um valor de CI de 17,5% e os alunos que residem nas áreas urbanas e periurbanas apresentam um valor ligeiramente superior
Literacia Ambiental em alunos da região da Serra da Aboboreira FCUP 67 componente atitudinal com nível suficiente. Conclui-se assim que estes alunos representam um grupo pouco ativo relativamente a problemáticas ambientais.
Literacia Ambiental em alunos da região da Serra da Aboboreira FCUP 68 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Literacia Ambiental em alunos da região da Serra da Aboboreira FCUP 69 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Almeida, F. (2011). Literacia Ambiental no Ensino Secundário - O Caso da Escola Secundária Dr. Manuel Candeias Gonçalves-Odemira. Universidade Aberta. Lisboa. Almeida, F., Azeiteiro, U. (2011). Literacia Ambiental no Ensino Secundário - O caso da Escola Secundária Dr. Manuel Candeias Gonçalves. CAPTAR, ciência e ambiente para todos. Volume 3, número 2 . Câmara Municipal de Amarante. (2008).Disponível em:<http://www.cm-amarante.pt/>. Consultado em: 10/07/2012. Câmara Municipal de Baião. (2011). Disponível em:<http://www.cm-baiao.pt/>. Consultado em: 10/07/2012. Câmara Municipal de Marco de Canaveses. (2011). Disponível em:< http://www.cmmarco-canaveses.pt/>. Consultado em: 10/07/2012. Capra, Fritjot. (2008). The New Facts of Life. Disponível em:< http://www.ecoliteracy.org/publications/fritjof_capra_facts.html>. Consultado em: 14/09/2012 Carmen L (1999). El Estudio de los Ecossistemas. Alambique – Didáctica de las ciências Experimentales. CISE. Educação Ambiental. (2011). Disponível em: <http://www.ciseseia.org.pt/homer.php?familia=Actividades%20e%20Projectos>. Consultado em: 17/09/2011. Cordeiro, F. (2010). Literacia Ambiental à Saída do Ensino Secundário. Universidade Aberta. Lisboa. DREN. Direção Regional de Educação do Norte. (2012). Disponível em: <http://w3.dren.min-edu.pt/index.php?controller=cms&action=view&id=73>. Consultado em: 17/10/2011.
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Literacia Ambiental em alunos da região da Serra da Aboboreira FCUP 73 ANEXOS
Literacia Ambiental em alunos da região da Serra da Aboboreira FCUP 74 ANEXO I - Questionário aplicado aos alunos Inquérito A preencher pelo Inquiridor N.º Inquérito_______ Instruções de preenchimento: Por favor, responda a todas as questões, assinalando, o quadrado da opção adequada, com uma cruz [X]. Nesta secção do questionário, não há lugar a respostas «certas» nem «erradas». As suas respostas devem ser as que estão certas para si. Se depois mudar de opinião e pretender alterar a resposta, volte a assinalar s.f.f. a nova opção mas escreva ao lado da decisão final, RESPOSTA VÁLIDA. Não é permitido o uso de corretor. I. Características Sócio–Demográficas A. Disciplina opção: [ ]Biologia [ ]Física [ ]Psicologia [ ]Geometria [ ]Outra?_____ B. Sexo: Masculino:[ ] Feminino:[ ] C. Idade (em 15 Setembro de 2011):_____ D. Freguesia onde reside:_______________________________ E. Sofreu alguma retenção ao longo de todo o seu percurso escolar? [ ]Sim [ ]Não (passe à questão G) F. Em que ano(s)? 1º 2º 3º 4º 5º 6º 7º 8º 9º 10º 11º 12º G. Qual o grau de instrução da pessoa mais escolarizada do seu agregado familiar? [ ]Primária incompleta ou inexistente [ ] 11º ou 12º Ano [ ]Primária completa (1º ciclo) [ ]Frequência de curso superior [ ]Ciclo preparatório (2º ciclo) [ ]Licenciatura [ ]9º Ano (3º ciclo) [ ]Mestrado ou doutoramento H. Essa(s) pessoa(s) é/são:[ ]Pai [ ]Mãe[ ]Irmão/Irmã [ ]Outro. Qual(ais)?______ Este questionário não sendo para classificação, destina-se a aferir o domínio da Literacia em Ambiente e Sustentabilidade no Ensino Secundário.
Literacia Ambiental em alunos da região da Serra da Aboboreira FCUP 75 I. Vê, geralmente na íntegra, documentários televisivos sobre Ambiente e vida selvagem? Sim Não (passe à questão K ) J. Fá-lo, em média, uma vez por: [ ]Semana [ ]Quinzena [ ]Mês [ ]Trimestre [ ]Semestre K. Lê, pelo menos mensalmente, um artigo/reportagem “científica” ou de opinião sobre Ambiente e/ou conservação da natureza? [ ]Sim [ ]Não( passe à questão M) L. Ordene a fonte de consulta desse(s) artigo(s)/reportagem, utilizando a numeração de 1 a 5 ou 6, sendo 1 a maior frequência de consulta e o 5 ou 6 a menor frequência de consulta. [ ]National Geographic [ ]Super Interessante [ ]Science & Vie [ ]Scientif American [ ]Sites sobre temas de Ambiente [ ]Outra. Qual?________ M. Consultou, no último trimestre, alguma vez um site associado a uma instituição governamental ou não governamental (ONG) de Ambiente e/ou de proteção e conservação da natureza? [ ]Sim [ ]Não (passe à questão P) N. Para que efeito (s)? [ ]À procura de informação para trabalho escolar [ ]Por sugestão de um professor [ ]Casualmente, enquanto navegava na Net [ ]Por simples curiosidade [ ]Associativismo [ ]___________________ O. Com que frequência realizou essa consulta durante o último trimestre? [ ]Menos de cinco vezes [ ]Entre quinze e vinte vezes [ ]Entre cinco e dez vezes [ ]Mais de vinte vezes [ ]Entre dez e quinze vezes P. Participou ou participa em qualquer tipo de atividade extracurricular promotora de boas práticas de cidadania ambiental? [ ]Sim [ ]Não
Literacia Ambiental em alunos da região da Serra da Aboboreira FCUP 76 Q. Qual/quais? [ ] Percurso guiado na natureza [ ] Assistir a palestra(s) sobre Ambiente [ ] Proteção da fauna e flora dunares [ ] Plantar árvores [ ] Limpeza de praia ou de espaço público [ ]____________ II. Grau de Literacia em Ambiente e Sustentabilidade 1. Qual das seguintes expressões é mais utilizada quando se fala de Ambiente? [1] Pensar Global, Agir Global. [2] Pensar Local, Agir Global. [3] Pensar Global, Agir Local. [4] Pensar Local, Agir Local. [5] Não sei, desconheço a resposta correta. 2. Qual das seguintes plantas apresenta necessidade de conservação, em Portugal? [1] Pinheiro. [2] Azevinho. [3] Eucalipto. [4] Acácia. [5] Não sei, ou não me lembro. 3. O facto de uma espécie de planta se encontrar ameaçada de extinção para mim é… Não tenho opinião Indiferente Pouco preocupante Preocupante Muito preocupante 1 2 3 4 5 Instruções de preenchimento: Por favor, leia atentamente cada questão e responda com a maior exatidão possível. Responda a todas as questões, marcando no quadrado da opção correta uma cruz, como por exemplo [ 2]. Se depois mudar de opinião e pretender alterar a resposta, volte a assinalar s.f.f. a nova opção mas escreva ao lado da decisão final, RESPOSTA VÁLIDA.
Literacia Ambiental em alunos da região da Serra da Aboboreira FCUP 83 ANEXO II-Autorização para aplicação do inquérito em meio escolar Paulo Santos De: [email protected] Enviado: segunda-feira, 16 de Abril de 2012 17:36 Para: [email protected]; [email protected] Assunto: Monotorização de Inquéritos em Meio Escolar: Inquérito nº 0296600001 E x m o( a )s. Sr( a )s. O p e d i do d e a u t or izaçã o do i nqu é r it o n.º 0296600001, c o m a d e s i gn açã o L ite ra ci a e m A mb ie n te e Sus te n t ab ili dad e no E ns i no S ec undár i o, r e g i s ta do em 24-02-2012, fo i a prov a do. Av aliaçã o do i nqu é r it o : E x m o( a ) S e nhor( a ) Dr( a ). P a u l o Tal h a d a s dos S a n t os V e nho por e s te mei o i nfor ma r qu e o p e d i do d e r ealizaçã o d e i nqu é r it o em mei o e s c o la r é a u t or iza do u ma v ez qu e , sub meti do a a n áli s e , c u m pr e os r e qu i s it os d e qu ali d a d e téc n ica e met odo l óg ica p a r a tal d e v e ndo, no e n ta n t o, te r em ate n çã o a s obs e rv aç õ e s a du zi d a s. C o m os mel hor e s c u m pr ime n t os Obs e rv aç õ e s : a ) D e v e r á s e r ob ti d a a a u t or izaçã o dos e n ca rr e g a dos d e e du caçã o dos al unos a i nqu i r i r c o m me nos d e 18 a nos . As a u t or izaç õ e s a ss i n a d a s p el os EE d e v em f ica r em pod e r d a E s c o la à qu al p e r te n cem os al unos. b)D e v e r á s e r r eti r a do do qu e s ti on á r i o o no me d a e s c o la , a t ur ma e o nú me ro do al uno, a n te s d a a p licaçã o do qu e s ti on á r i o, a f im d e ma n te r o a non imat o do al uno. Pod e c onsu lta r n a In te rn et t od a a i nfor maçã o r e f e r e n te a e s te p e d i do no e nd e r eç o h tt p ://mime .g e p e . mi ne du.p t . P a r a tal te r á d e s e a u te n tica r forn ece ndo os d a dos d e ace sso d a e n ti d a d e .
Literacia Ambiental em alunos da região da Serra da Aboboreira FCUP 84 ANEXO IIIAutorização dos encarregados de educação Exmo. Senhor Encarregado de Educação Solicitamos autorização para que o aluno _________________________________________ possa responder a um questionário para avaliar a literacia ambiental dos alunos das escolas envolventes à Serra da Aboboreira. A confidencialidade dos resultados está assegurada pois o questionário não inclui a identificação dos alunos. Este estudo insere-se num trabalho desenvolvido pela Universidade do Porto relativamente à literacia ambiental dos alunos das escolas da região, no ano lectivo 2011/2012. O pedido de autorização do inquérito n.º 0296600001, com a designação Literacia em Ambiente e Sustentabilidade no Ensino Secundário, registado em 24-02-2012, foi aprovado pelo Ministério da Educação, pois cumpre os requisitos de qualidade técnica e metodológica. Os nossos agradecimentos. O Supervisor do estudo O Encarregado de Educação ________________________ ________________________ Prof. Paulo Santos