Modelo de Negócio para uma Pequena Empresa de Construção em França
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MODELO DE NEGÓCIO PARA UMA PEQUENA EMPRESA DE CONSTRUÇÃO EM FRANÇA TIAGO PEIXOTO ROLO Dissertação submetida para satisfação parcial dos requisitos do grau de MESTRE EM ENGENHARIA CIVIL — ESPECIALIZAÇÃO EM CONSTRUÇÕES CIVIS Orientador: Professor Doutor José Manuel M. Amorim de A. Faria JANEIRO DE 2013
MESTRADO INTEGRADO EM ENGENHARIA CIVIL 2012/2013 DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL Tel. +351-22-508 1901 Fax +351-22-508 1446 [email protected] Editado por FACULDADE DE ENGENHARIA DA UNIVERSIDADE DO PORTO Rua Dr. Roberto Frias 4200-465 PORTO Portugal Tel. +351-22-508 1400 Fax +351-22-508 1440 [email protected] http://www.fe.up.pt Reproduções parciais deste documento serão autorizadas na condição que seja mencionado o Autor e feita referência a Mestrado Integrado em Engenharia Civil - 2012/2013 - Departamento de Engenharia Civil, Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, Porto, Portugal, 2013. As opiniões e informações incluídas neste documento representam unicamente o ponto de vista do respetivo Autor, não podendo o Editor aceitar qualquer responsabilidade legal ou outra em relação a erros ou omissões que possam existir. Este documento foi produzido a partir de versão eletrónica fornecida pelo respetivo Autor.
Modelo de Negócio para uma Pequena Empresa de Construção em França À minha Família Nas grandes batalhas da vida, o primeiro passo para a vitória é o desejo de vencer. Mahatma Gandhi
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Modelo de Negócio para uma Pequena Empresa de Construção em França i AGRADECIMENTOS Gostaria de demonstrar aqui a minha gratidão e o meu obrigado a todos aqueles que contribuíram e me apoiaram na realização deste trabalho. Em primeiro lugar, o meu agradecimento é dirigido ao Professor Doutor José Amorim Faria por me ter sugerido e incentivado na escolha do tema para esta dissertação, além de me ter orientado e apoiado ao longo de todo este trabalho. Do mesmo modo, quero agradecer às duas empresas Ribeiro Fréres, e à Dumez Côte d´Azur pela ajuda oferecida através da disponibilização de informação e da possibilidade de visitar as diferentes obras. Em especial agradeço ao conducteur du travaux Julien dos Anjos e ao Nicolas e ao chef de chantier Jean Marc pelo acompanhamento e informações prestadas. Por outro lado, quero agradecer ao meu primo Fernando e ao meu tio José pela ajuda no contacto com as empresas, pois sem o seu conhecimento nada disto seria possível. Do mesmo modo, quero agradecer a todos os meus Amigos que me acompanharam ao longo destes meses e ao longo deste trabalho, para eles vai o meu muito obrigado. Por último agradeço aos meus Pais, ao meu Irmão e à Nicole pelo apoio incondicional ao longo desta fase da minha vida, apesar de longe tiveram sempre presentes. Um agradecimento especial para a minha prima Andreia, principal responsável na escolha do curso de Engenharia Civil como uma opção viável para o meu futuro.
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Modelo de Negócio para uma Pequena Empresa de Construção em França iii RESUMO Em França, o setor da construção possui grande importância, apesar de atualmente se encontrar numa fase de crescimento estagnado, após a crise ocorrida em 2008 e 2009. Mesmo assim, a construção continua a ser um dos grandes motores da economia francesa, impulsionada pelo grande tecido empresarial e pela inovação das empresas quer seja a nível dos métodos, como também dos materiais e equipamentos construtivos de qualidade. Esta dissertação refere-se assim ao estudo dos principais problemas relacionados com a criação de um pequeno negócio de construção em França. Considerando a atual situação do setor em Portugal, de acentuada crise, a motivação e a justificação para o presente trabalho parecem evidentes. Limitou-se o estudo em termos de âmbito a uma pequena empresa de construção e ao setor “tosco” de um edifício (gros oeuvre em francês), bem como à aplicação da pesquisa sobretudo à região de Provence-Alpes-Côte d´Azur. Deste modo, numa primeira fase do trabalho procedeu-se à caraterização da construção em França dando especial atenção à região de estudo, analisando-se o subsetor da construção de edifícios designado em França por bâtiment no que respeita aos trabalhos de infraestruturas e superestruturas designado por gros oeuvre. Posteriormente, analisaram-se as empresas de construção tendo em conta diferentes fatores, tais como a sua estrutura organizacional assim como as funções de cada interveniente. Do mesmo modo, tentou-se estabelecer uma metodologia teórica com alguns aspetos importantes a ter em conta na criação de uma pequena empresa em França. Com o objetivo de perceber o funcionamento das empresas da região, realizou-se uma missão a França dividida em duas viagens, uma em novembro e outra em dezembro de 2012. Nessas viagens visitaramse diversas obras, nas quais se fizeram entrevistas. Fundamentalmente, realizou-se o estudo de duas empresas francesas, a empresa Ribeiro Frères e a empresa Dumez Côte d´Azur do grupo Vinci Construction. Nas duas obras visitadas relativas às duas empresas, localizadas nas cidades de St Jean Cap Ferrat e em Antibes, foi possível contactar-se com os métodos construtivos utilizados nos trabalhos de gros ouvre, no que diz respeito às etapas necessárias para a construção de edifícios de betão armado (cofragens, armaduras e betão). Foi também possível e importante para o trabalho entrevistar dois responsáveis operacionais dessas duas empresas. Tendo em conta a situação atual do setor da construção e das suas empresas em França, e considerando o estudo teórico realizado e o conhecimento obtido nas missões realizadas criou-se uma lista das principais preocupações (tipo check-list) que o candidato a empresário deverá ter em conta quando decide montar o seu negócio. Esta lista deverá ser tomada em conta pelo empresário quando este cria uma empresa de construção na região em estudo. PALAVRAS-CHAVE: França, Pequenas Empresas, Construção, Bâtiment, Gros Oeuvre.
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Modelo de Negócio para uma Pequena Empresa de Construção em França v ABSTRACT Although, at present, the construction sector in France finds itself in a state of stagnated growth after the 2008-2009 crisis, it still plays a very important role. The construction sector continues to be one of the greatest engines of the French economy, boosted by the entrepreneurship and the innovation of companies, be it through its methods as well as through its building materials and equipments of quality. Therefore, this dissertation reports to the study of the main problems related to the foundation of a small construction business in France. Considering the present situation of the construction sector in Portugal, one of elevated crisis, the motivation and the reason for the present study seem to be obvious. The study was confined in accordance to the extent of a small company and to the „coarse‟ sector of a building (gros œuvre in French), as well as to the enforcement of the research mainly to the region of Provence-Alpes-Côte d‟Azur. Thus, in a first phase of the study, the construction sector in France was described, giving special attention to the region in focus, analysing the subsector of construction of buildings, denominated, in France, by bâtiment, in what concerns the infrastructure works and superstructures works, named by gros œuvre. Afterwards, the ´construction companies were analysed considering different factors, such as their organisational structure, as well as the functions of each one of the interveners. Likewise, it was aimed to establish a theoretical methodology, taking into account some important aspects in the foundation of a small company in France. With the aim of understanding the running of the companies of the region, a mission to France was accomplished, divided in two trips – one in November and another in December, both in 2012. On those trips, several construction works were visited and interviews were performed. Essentially, it was fulfilled a study of two French companies – the Company Ribeiro Frères and the Company Dumez Côte d‟Azur, both belonging to the business group Vinci Construction. At the two construction works visited, belonging to the two companies mentioned above, located in the city of St. Jean Cap Ferrat and in the city of Antibes, respectively, it was possible to observe the construction methods used in the works of gros œuvre in what concerns the necessary stages to the construction of buildings of reinforced concrete (formworks, shear reinforcements and concrete). It was also possible, and important for the study, to interview two of the employees in charge of those two companies. Always bearing in mind the present situation of the construction sector and of their companies in France, and considering the theoretical study done and the knowledge acquired in the missions accomplished, a list of the main worries ( a kind of check list) which a candidate to entrepreneur must consider when deciding to run his own company was formulated. This check list must be considered by the entrepreneur when the construction company is to be settled in the region in study. KEY WORDS: France, Small businesses, Construction, Bâtiment, Gros Oeuvre.
Modelo de Negócio para uma Pequena Empresa de Construção em França xii 4.2.3.6. Subempreiteiros ........................................................................................................................ 58 4.2.3.7. Responsável da Administração e Gestão ................................................................................ 58 4.2.3.8. Responsável de Qualidade e Segurança em Obra .................................................................. 58 4.2.4. EQUIPAMENTOS ............................................................................................................................. 59 4.3. EMPRESA DUMEZ CÔTE D’AZUR ................................................................................................. 60 4.4. OBRAS VISITADAS ........................................................................................................................ 61 4.5. ESTUDO DE OBRAHABITAÇÃO UNIFAMILIARCAP FERRAT .................................................... 61 4.5.1. BREVE DESCRIÇÃO DA ARQUITETURA DA HABITAÇÃO ........................................................................ 62 4.5.2. TRABALHOS DE GROS OEUVRE ....................................................................................................... 65 4.5.2.1. Betão Armado ........................................................................................................................... 65 4.5.2.2. Armaduras ................................................................................................................................ 66 4.5.2.3. Cofragens ................................................................................................................................. 66 4.5.2.4. Paredes de Alvenaria Monomur ............................................................................................... 70 4.6. ESTUDO DE OBRA - HABITAÇÃO MULTIFAMILIAR - ANTIBES ..................................................... 73 4.6.1. BREVE DESCRIÇÃO DA ARQUITETURA DO EDIFÍCIO ........................................................................... 74 4.6.2. TRABALHOS DE GROS OEUVRE ....................................................................................................... 75 4.6.2.1. Modelo Construtivo utilizado. .................................................................................................... 76 4.7. OUTRA OBRAS VISITADAS ............................................................................................................ 84 4.7.1. HABITAÇÃO MULTIFAMILIAR – NICE ................................................................................................. 84 4.8. CONCLUSÃO .................................................................................................................................. 86 5. MONTAGEM DE EMPRESA EM FRANÇA – CHECK-LIST DE PREOCUPAÇÕES .................................................................................................... 87 5.1. INTRODUÇÃO ................................................................................................................................. 87 5.2. PRÉ-DIAGNÓSTICO ....................................................................................................................... 87 5.2.1. PRÉ-DIAGNÓSTICO DO EMPRESÁRIO ............................................................................................... 87 5.2.2. PRÉ-DIAGNÓSTICO DO PROJETO ..................................................................................................... 88 5.2.3. PRÉ-DIAGNÓSTICO DA EMPRESA ..................................................................................................... 88 5.3. ASPETOS GERAIS ......................................................................................................................... 89 5.3.1. CARATERIZAÇÃO GERAL DA EMPRESA E DO SEU OBJETO DE TRABALHO ........................................... 89 5.3.2. EXPERIÊNCIA ANTERIOR ................................................................................................................. 89 5.3.3. MOTIVAÇÕES E OBJETIVOS ............................................................................................................. 89 5.4. PLANO DE NEGÓCIOS ................................................................................................................... 90 5.4.1. RESUMO DO PROJETO .................................................................................................................... 90 5.5. ORGANIZAÇÃO ECONÓMICA – PRODUÇÃO .................................................................................. 91 5.5.1. CARATERIZAÇÃO DO PRODUTO COMERCIALIZADO ............................................................................. 91
Modelo de Negócio para uma Pequena Empresa de Construção em França xiii 5.5.2. MERCADO ALVO ............................................................................................................................ 91 5.5.3. ORGANIZAÇÃO DA EMPRESA........................................................................................................... 92 5.5.4. ORGANIZAÇÃO DA PRODUÇÃO ........................................................................................................ 93 5.6. ORGANIZAÇÃO ADMINISTRATIVA E FINANCEIRA ......................................................................... 94 5.6.1. ADMINISTRAÇÃO E CONTABILIDADE ................................................................................................. 94 5.6.2. CARATERÍSTICAS ADMINISTRATIVAS E FINANCEIRAS DA EMPRESA .................................................... 95 5.6.3. FINANCIAMENTOS .......................................................................................................................... 95 5.7. ORGANIZAÇÃO COMERCIAL ......................................................................................................... 96 5.8. FORMALIDADES PARA A CONSTITUIÇÃO DE UMA EMPRESA EM FRANÇA ................................. 96 5.8.1. PREOCUPAÇÕES A TER ANTES DE REGISTAR A EMPRESA ................................................................. 96 5.8.2. ETAPAS PARA A CRIAÇÃO E ADOÇÃO DE ESTATUTOS DA EMPRESA ................................................... 97 5.8.3. PROCEDIMENTOS PARA O REGISTO DA EMPRESA ............................................................................ 97 5.8.3.1. Registo dos estatutos da Sociedade ........................................................................................ 97 5.8.3.2. Publicar um aviso de criação de empresa ............................................................................... 97 5.8.3.3. Efetuar as formalidades de criação no Centre de Formalités des Entreprises ........................ 98 5.8.3.4. Outras Preocupações ............................................................................................................... 98 5.9. DOCUMENTOS FINANCEIROS – EXEMPLO ................................................................................... 98 5.10. CONCLUSÃO ............................................................................................................................. 100 6. CONCLUSÕES .............................................................................................................. 101 6.1. CONCLUSÕES E DESENVOLVIMENTOS FUTUROS ..................................................................... 101 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ............................................................................... 105 7. ANEXOS .................................................................................................................................. 107 A. ENTREVISTA REALIZADA – EMPRESA RIBEIRO FRÈRES ............................................................. 109 B. ENTREVISTA REALIZADA - EMPRESA DUMEZ CÔTE D´AZUR ..................................................... 117 C. SIMULAÇÃO-FERRAMENTA ODIL ................................................................................................. 125
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Modelo de Negócio para uma Pequena Empresa de Construção em França xv ÍNDICE FIGURAS Figura 2.1 - Organização regional da França ......................................................................................... 6 Figura 2.2 - Região de Provence-Alpes-Côte d´Azur e os seus departamentos .................................... 8 Figura 2.3 - Variação anual da população a nível regional ..................................................................... 9 Figura 2.4 - Contribuição regional para ao PIB do país ........................................................................ 10 Figura 2.5 - Exemplo de um plano de estaleiro .................................................................................... 15 Figura 2.6 - Escavação de pisos subterrâneos, utilização de estruturas de contenção de terras ....... 15 Figura 2.7 - Terraplanagens realizadas para a construção de um edifício e estruturas de contenção 16 Figura 2.8 - Diferentes tipos de fundações ........................................................................................... 16 Figura 2.9 - Volume de negócios dos dois subsetores da construção ................................................. 18 Figura 2.10 - Volume de negócios das diferentes áreas que constituem o setor de construção de edifícios ................................................................................................................................................. 20 Figura 2.11Evolução do número de construção de habitação nova em França ................................ 21 Figura 2.12 - Número total de habitações novas em início de construção em cada região por cada 1000 habitantes (média 2006 -2010) .................................................................................................... 21 Figura 2.13 - Evolução anual do número de autorizações e o início de construção (em milhares de habitações) ............................................................................................................................................ 22 Figura 2.14 - Evolução da construção de habitação individual nas diferentes regiões ao longo do tempo ..................................................................................................................................................... 23 Figura 2.15 - Número de habitações individuais em início de construção em cada região por cada 1000 habitantes (média 2006 -2010) .................................................................................................... 24 Figura 2.16 - Evolução da construção de habitação coletiva nas diferentes regiões ao longo do tempo ............................................................................................................................................................... 25 Figura 2.17 - Número de habitações coletivas em início de construção em cada região por cada 1000 habitantes (média 2006 -2010) ............................................................................................................. 26 Figura 3.1 - Taxa de perenidade ao fim dos três anos consoante o montante investido aquando a criação da empresa ............................................................................................................................... 31 Figura 3.2 - Taxa de empresas, por setor, que se encontram em serviço ao fim dos 3 primeiros anos (2006-2009) ........................................................................................................................................... 32 Figura 3.3 - Repartição das empresas de construção da região de PACA pelos vários departamentos ............................................................................................................................................................... 35 Figura 3.4 - Distribuição dos diferentes intervenientes nas três grandes etapas da construção ......... 35 Figura 3.5 - Organograma tipo de uma pequena empresa de construção em França ......................... 39 Figura 3.6 - Composição de um plano de negóciaos............................................................................ 46 Figura 4.1 - Organograma funcional da empresa Ribeiro Fréres ......................................................... 55 Figura 4.2 - Organograma funcional de uma obra adjudicada pela empresa ...................................... 56 Figura 4.3 - Terreno de implantação e localização da construção da habitação Villa Veja ................. 62 Figura 4.4 - Vista em corte da habitação em estudo ............................................................................ 63 Figura 4.5 - Planta do terreno e do rés do chão da habitação .............................................................. 63 Figura 4.6 - Diferentes alçados da habitação em estudo ..................................................................... 64 Figura 4.7 - Banche Metálica ................................................................................................................ 67 Figura 4.8 - Banches portáteis de alumínio .......................................................................................... 68 Figura 4.9 - Placas de contraplacado ................................................................................................... 68 Figura 4.10 - Sistema de suporte da cofragem de uma laje ................................................................. 69 Figura 4.11 - Diferentes tipos de gruas utilizadas ................................................................................. 70 Figura 4.12 - Exemplo de um tijolo monomur ....................................................................................... 70 Figura 4.13 - Paredes monomur exterior e pormenor da parede exterior vista pelo interior ................ 71
Modelo de Negócio para uma Pequena Empresa de Construção em França xvi Figura 4.14 - Diferentes elementos cerâmicos de uma parede em tijolo monomur.............................. 71 Figura 4.15 - Sistema construtivo monomur.......................................................................................... 72 Figura 4.16 - Simulação da arquitetura do edifício ................................................................................ 73 Figura 4.17 - Terreno de implantação e localização do edifício Syracuse ............................................ 73 Figura 4.18 - Construção do edifício multifamiliar SYRACUSE ............................................................ 74 Figura 4.19 - Mecanismo designado por Compasso utilizado para a estabilização e banches metálicas ............................................................................................................................................................... 76 Figura 4.20 - Manta de bentonite utilizada para impermeabilização do ensoleiramento geral ............. 77 Figura 4.21 - Sistema de Cofragem de uma laje ................................................................................... 78 Figura 4.22 - Materiais e elementos colocados no interior da laje antes de realizar a betonagem ...... 79 Figura 4.23 - Trabalhos da betonagem de uma laje ............................................................................. 80 Figura 4.24 - Etapas e pormenores da construção de uma parede contínua de betão armado .......... 81 Figura 4.25 - Exemplo de operação de regreáge .................................................................................. 82 Figura 4.26 - Moldes utilizados na construção de uma parede descontínua ........................................ 82 Figura 4.27 - Íman para não permitir deslocamentos do molde ............................................................ 83 Figura 4.28 - Elementos prefabricados utilizados no edifício SYRACUSE ........................................... 83 Figura 4.29 - Terreno de implantação e localização do edifício PAUL MONTEL ................................. 84 Figura 4.30 - Escavações e paredes de contenção .............................................................................. 85 Figura 4.31Construção de uma viga prefabricada .............................................................................. 86 Figura 5.1 - Organograma tipo da empresa a criar ............................................................................... 92
Modelo de Negócio para uma Pequena Empresa de Construção em França xvii ÍNDICE QUADROS Quadro 3.1 - Definição de uma PME segundo a Comissão Europeia. ................................................. 29 Quadro 3.2 - Criação de empresas de construção em França metropolitana em 2010 ....................... 33 Quadro 3.3 - Empresas do setor de construção por número de funcionários em França a 1 de janeiro de 2010 .................................................................................................................................................. 33 Quadro 3.4 - Criação de empresas no setor da construção em 2010 segundo o número de funcionários ........................................................................................................................................... 34 Quadro 3.5 - Número de empresas em PACA, por subáreas da construção e número de funcionários em 2011 ................................................................................................................................................. 34 Quadro 3.6 - Formulário para elaboração do plano de financiamento inicial ....................................... 47 Quadro 3.7 - Exemplo de formulário para elaboração da conta de resultados previsional .................. 47 Quadro 3.8 - Exemplo de formulário para elaboração do plano de tesouraria ..................................... 48 Quadro 4.1 - Equipamentos e Materiais da Empresa ........................................................................... 59 Quadro 4.2 - Diferentes intervenientes em obra ................................................................................... 61 Quadro 4.3 - Empresas que participaram na realização dos trabalhos das diferentes especialidades 62 Quadro 4.4 - Dados gerais das licenças de construção ....................................................................... 63 Quadro 4.5Intervenientes responsáveis pela obra ............................................................................. 74 Quadro 4.6Custos de aluguer de alguns materiais para a obra Syracuse ......................................... 75 Quadro 4.7Diferentes Intervenientes em obra .................................................................................... 84 Quadro 5.1Preocupações a ter em conta antes do início do Projeto ................................................. 88 Quadro 5.2Materiais e equipamentos que a empresa terá numa primeira fase ................................ 94 Quadro 5.3Empresa Criada - Plano de Tesouraria Anual Esquemático. ........................................... 99
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Modelo de Negócio para uma Pequena Empresa de Construção em França xix SÍMBOLOS E ABREVIATURAS APCE - Agence pour la Création d´Entreprise BEP - Brevet d´Études Professionnelles CAP - Certificat d´Aptitude Professionnelle CAPEB - Confédération de l'Artisanat et des Petites Entreprises du Bâtiment CCAS - Centre Communal d'Action Sociale CGA - Centre de Gestion Agréés EI - L´Entreprise Individuelle EIRL - Entrepreneur Individuel à Responsabilité Limitée ETI - Entreprises de Taille Intermédiaire EURL - Entreprise Unipersonnelle à Responsabilité Limitée GE - Grandes Entreprises HSE - Hygiène Sécurité Environnement Inpi - Institut National de la Propriété Industrielle IR - Impôt sur le Rrevenu IVA - Imposto sobre o Valor Acrescentado ODIL - Outil d`Aide au Diagnostic d `Implantation Locale PACA - Provence-Alpes-Côte d´Azur PIB - Produto Interno Bruto PME - Pequena e Média Empresa RCS - Registre du Commerce et des Sociétés RTRéglementation Thermique SA - Société Anonyme SARL - Société à Responsabilité Limitée SAS - Société Par Action Simplifiée SCOP - Société Coopérative de Production SIE - Services des Impôts des Entreprises SINE - Système d´Information sur les Nouvelles Entreprises Siren - Système d‟Identification du Répertoire des Entreprises SNC - Société en Nom Collectif TVA - Taxe sur le Valeur Ajoutée
Modelo de Negócio para uma Pequena Empresa de Construção em França 1 1 1. INTRODUÇÃO 1.1. OBJETO DE ESTUDO, ÂMBITO E JUSTIFICAÇÃO Os problemas económicos e financeiros que afetam a Europa e em especial alguns países como é o caso de Portugal estão na origem da grave crise económica que o país atravessa. A falta de capital, a diminuição do investimento público e o aumento da inflação, justificam os graves problemas económicos e sociais que se abateram sobre o país, tais como o desemprego e a perda do poder de compra da população. Por outro lado, a maioria dos setores da economia portuguesa sofrem atualmente graves problemas, levando muitas empresas ao encerramento, principalmente no setor da construção civil. Como consequência, muitas pessoas perdem o seu posto de trabalho, e por essa razão, a falta de perspetivas profissionais obriga à emigração com o objetivo de procurar melhores condições de vida. Porém, nos dias de hoje parte desses emigrantes são jovens com qualificações superiores, comparados com os portugueses que emigraram em anteriores gerações. Estes jovens, bastante qualificados, partem à procura de emprego e de locais que possam oferecer condições compatíveis com as suas qualificações académicas e em alguns casos já profissionais, uma vez que o desemprego tem varrido de uma forma uniforme quase todas as faixas etárias com destaque para os mais jovens. Dessa forma, antes de tomar a decisão de emigrar e de escolher o país para onde o jovem se vai deslocar, é necessário perceber o ambiente económico e social do país de acolhimento de modo a tomar as decisões mais corretas face a cada enquadramento pessoal e familiar. A França, sendo um dos países mais desenvolvidos da Europa, tem sido um local muitas vezes escolhido como destino de emigração da população portuguesa, ao longo das últimas décadas. No entanto, muitos dos portugueses que emigraram para França ao longo da segunda metade do século XX não possuíam qualquer qualificação sendo a sua área de trabalho a construção civil. Todavia, nos dias de hoje muitos dos novos emigrantes, de segunda ou terceira geração, descendentes de emigrantes já com raízes em França procuram este país como destino de emigração, sonhando encontrar neste país o emprego desejado que o país de origem não é capaz neste momento de lhes proporcionar. Sendo o autor desta dissertação filho de emigrantes com esse perfil, a motivação para este trabalho parece bem evidente. Nesse sentido, procedeu-se à realização do presente trabalho para perceber o estado do setor da construção em França assim como do estado das suas empresas, de modo a analisar quais os pontos fortes e pontos fracos da região em estudo para o desenvolvimento de um negócio.
Modelo de Negócio para uma Pequena Empresa de Construção em França 8 depois de em 2009 se ter verificado um decréscimo de 11.6 %. Prova disso é o setor da indústria automóvel que, apesar de ter sido a atividade mais afetada durante a recessão, retomou o crescimento (+12.8%) em 2010 [4]. Constata-se deste modo que as atividades económicas têm a pouco e pouco conseguido retomar o seu crescimento embora nem todas seguem a mesma tendência. Na verdade, há setores que não conseguiram recuperar do grande descalabro da crise, como é o caso dos serviços e da construção civil. A construção continua em recessão pois a sua produção baixou em 2008 -0.9 %, em 2009 -6.1 % e em 2010 -5.5 %, sendo o ramo de atividade onde se manifestou de uma forma mais evidente a crise económica [4]. No que se refere ao desemprego, como era de esperar a recessão agravou-o. Em 2010 a França metropolitana tinha 2.7 milhões de desempregados correspondendo a uma taxa de 9.4 %, mais 0.3% que em 2009, mostrando assim um aumento significativo. Verifica-se que o desemprego tem afetado todas as faixas etárias embora sejam os jovens com menos de 25 anos os mais afetados com uma taxa de 22.9 % [4]. 2.3. CARATERIZAÇÃO DA REGIÃO - PROVENCE - ALPES - CÔTE D’AZUR 2.3.1. CARATERIZAÇÃO GEOGRÁFICA Provence-Alpes-Cote d´Azur, também designada como PACA, tal como é possível observar na figura 2.2 é limitada a norte pela região de Rhônes-Alpes, a Oeste pela região Languedoc-Roussillon, a este pela Itália e a sul é banhada pelo mar Mediterrâneo. A região subdivide-se em seis departamentos: Alpes de Haute-Provence, Hautes-Alpes, Alpes-Maritimes, Bouches-du-Rhone, Var e Vaucluse [2]. Figura 2.2 - Região de Provence-Alpes-Côte d´Azur e os seus departamentos [5]
Modelo de Negócio para uma Pequena Empresa de Construção em França 9 2.3.2. EVOLUÇÃO E CARATERIZAÇÃO DEMOGRÁFICA A região supracitada, faz parte das regiões mais dinâmicas a nível demográfico de França, possui cerca de 4, 9 milhões de habitantes e uma evolução média anual de 0.8 %, tal como se pode observar na figura 2.3, o que faz dela a terceira região mais populosa do país [6]. Figura 2.3 - Variação anual da população a nível regional [7] Como se pode constatar, existem assimetrias no crescimento populacional nos diferentes departamentos havendo ritmos de crescimento bastante diferentes. Dessa forma, os departamentos de Vaucluse, Bouches-du-Rhône e os Alpes-Maritimes seguem uma tendência de crescimento inferior que o crescimento regional, enquanto que Alpes-de-Haute-Provence distingue-se de todos os outros departamentos por crescer de uma forma mais rápida [6]. Mais de 70% da população vive nas zonas urbanas da região numa faixa costeira bem delimitada no litoral mediterrânico. Das dez áreas urbanas de maior importância a nível económico em França três situam-se na região, são elas Marseille-Aix-en-Provence, Nice e Toulon [6]. 2.3.3. CARATERIZAÇÃO ECONÓMICA A nível económico, Provence-Alpes-Côte-d´Azur é uma região bastante desenvolvida encontrando-se nas primeiras posições do ranking das regiões mais importantes de França [6].
Modelo de Negócio para uma Pequena Empresa de Construção em França 10 Figura 2.4 - Contribuição regional para ao PIB do país, adaptado de [8] O referido pode ser constatado através da análise da figura 2.4 onde se pode verificar que em 2009 a região produzia mais de 7% da riqueza nacional, sendo a terceira região mais importante a contribuir para o PIB do país. A economia regional está bastante orientada para o setor terciário, pois a forte urbanização da região obriga a uma necessidade de oferta de serviços diversificados. Dessa forma, destaca-se a importância do comércio tradicional, dos transportes e sobretudo do turismo, sendo eles os principais motores do desenvolvimento da economia regional [6]. O tecido económico é, na sua grande maioria, composto por uma unidade de produção de bens e serviços com menos de dez trabalhadores. No que respeita à criação de empresas, a região possui uma taxa de 16.6% sendo assim superior à taxa nacional que se encontra nos 15.6% [6]. Em 2011 foram criadas aproximadamente 61 400 empresas sendo por isso a segunda região em França onde se constata maior número de novas empresas [9]. Este crescimento é na verdade explicado pela implementação de mecanismos que facilitam a criação de uma empresa por parte do governo. Esses mecanismos foram criados com a introdução da lei da modernização da economia, promulgada em 2008. Com esta lei foi criado o regime de auto-entreprise (auto-empresa) que tem como finalidade facilitar a criação e o exercício de uma atividade empresarial, sendo esta alteração o principal motivo para o grande aumento do número de empresas. Este novo regime esteve na origem de seis novas empresas em cada dez que foram criadas. Esta tendência verificou-se em todos os departamentos da região de PACA, com exceção do departamento Var, no qual se verificou um decréscimo de cerca de 2.8% em 2010. Os valores mais elevados observaram-se no departamento de Bouches-du-Rhône e nos Alpes-Maritimes com cerca de 25 120 e 19 300 novas empresas respetivamente. Contudo, nesta região também se constata que o tempo de duração de uma empresa desde a sua criação até ao seu término é inferior à duração verificada em França. Com o acentuar da crise económica alguns setores como o da construção e do comércio estão a demonstrar-se bastante frágeis [6], [9]. Como já referido anteriormente, falar da região de Provence-Alpes-Côte d´Azur obriga necessariamente a uma caraterização da atividade turística e do setor hoteleiro, pois é nela que se encontram alguns dos locais mais nobres a nível do turismo mundial. Podemos assim dizer que a atividade turística de Provence-Alpes-Côte d„Azur possui uma oferta muito variada, destacando-se o turismo urbano, o turismo de montanha, de recreio e a praia. As maiorias das suas cidades junto à costa mediterrânica são conhecidas mundialmente a nível do turismo de luxo, principalmente Côte-d„Azur conhecida como a
Modelo de Negócio para uma Pequena Empresa de Construção em França 11 Riviera Francesa sendo caraterizada como dos locais mais luxuosos, caros e sofisticados do mundo [6],[10]. A sua rede de hotéis é muito vasta, PACA possui cerca de 2 040 hotéis que correspondem a cerca de 68 660 quartos representado cerca de 12% da quantidade de hotéis a nível nacional. No que respeita a hotéis de luxo existentes em França cerca de 21% estão localizados na região. Além da grande rede de hotéis possui também um grande número de parques de campismos, cerca de 700 [6], [10]. O setor hoteleiro cresce em média cerca de 2.7% por ano. Os departamentos dos Alpes-Marítimes e Vaucluse são os locais onde se verifica maior volume de negócio resultante do turismo. Isto é explicado pela presença ao longo do ano de grande quantidade de turistas que visitam as cidades mais conhecidas como é o caso de Canes ou que visitam o principado do Mónaco. Na sua maioria, os turistas são estrangeiros de elevado poder económico, que usufruem na sua grande maioria de hotéis de quatro e cinco estrelas [6], [10]. No que respeita aos serviços, esta região encontra-se em segundo lugar a nível nacional com um total de 233 300 estabelecimentos de serviços principalmente nas áreas da educação, saúde, finanças, ação social [6], [10]. Conclui-se deste modo que a região possui uma grande dinamismo a nível social e económico e financeiro sendo por isso uma das regiões mais importantes e mais fortes economicamente. 2.4. O SETOR DA CONSTRUÇÃO – PANORAMA GERAL A construção de edifícios é uma atividade que tem acompanhado a sociedade ao longo das várias civilizações. O homem desenvolve o seu dia-a-dia em ambientes construídos, pelo que demonstra a importância e a influência que o setor da construção possui no bem-estar da sociedade [11], [12], [13]. Ao longo das últimas décadas têm-se verificado algumas mudanças no setor da construção civil, no qual se verifica que a sua faceta artesanal é substituída por um conjunto de metodologias, soluções e materiais mais desenvolvidos que fornecem às construções uma qualidade superior, melhorando assim a qualidade de vida dos utilizadores. Contudo, esta melhoria não tem sido suficiente. Apesar do desenvolvimento tecnológico, este não pode ser considerado de elevada relevância se compararmos a evolução do setor da construção com outros setores industriais [11], [12], [13]. Atualmente verificam-se alguns problemas estruturais que demonstram o atraso do setor, tais como a falta de mão-de-obra especializada, a pouca atratividade do setor para os jovens, devido às condições de trabalho, e a reduzida capacidade de inovação [11], [12], [13]. A indústria da construção tem um grande impacto ao nível da economia mundial pois cria uma grande quantidade de emprego, direto ou indireto e movimenta grandes quantidades de dinheiro, contribuindo dessa forma para o crescimento do PIB, e para a evolução das grandes economias mundiais [11], [12], [13]. 2.5. O ESTADO DO SETOR DA CONSTRUÇÃO NA EUROPA O setor da construção tem um papel relevante na economia de um país tendo do mesmo modo importante significado no desenvolvimento da economia global europeia. Este setor gera 10% do PIB e é responsável por 20 milhões de postos de trabalho, tendo por isso um papel decisivo na execução da estratégia económica da Europa. Depois de vários anos de crescimento o sector da construção verificou uma diminuição no mercado, refletindo assim uma nítida diminuição da atividade. A diminuição
Modelo de Negócio para uma Pequena Empresa de Construção em França 12 do crescimento do setor da construção na Europa deve-se essencialmente à grave crise económica e financeira e à forte concorrência de empresas não europeias [14]. Contudo, a crise financeira demarca-se de todos os outros fatores como responsável pela crise da construção na Europa. Esta originou quebras na procura do mercado residencial e das infraestruturas, embora as tendências variem de país para país. A razão para uma diminuição tão acentuada do número de obras está intimamente ligada ao aumento da dívida soberana europeia, que tem levado os vários países constituintes a implementar medidas de contenção económica, originando assim a diminuição dos investimentos em obras públicas. No que diz respeito ao mercado privado, a crise deve-se essencialmente às dificuldades no acesso ao crédito, influenciando assim o investimento [14]. Para fazer face à situação atual, a Comissão Europeia tem criado mecanismos e incentivos para que os países sejam capazes de dar resposta às dificuldades que a construção civil enfrenta. Dessa forma, os países devem criar condições de investimento, tais como permitir o acesso ao crédito às pequenas e médias empresas, reduzir os encargos administrativos que recaem sobre os operadores do setor, além de melhorar o funcionamento do mercado interno do setor [14]. Por outro lado, devem desenvolver políticas que incentivem a reabilitação dos edifícios existentes através de benefícios fiscais e medidas de apoio financeiro. Por outro lado, devem melhorar a qualificação dos trabalhadores e incentivar a investigação e o desenvolvimento tecnológico do sector com o intuito de melhorar a produtividade e o desempenho ambiental, de modo a revitalizar as empresas e o emprego [14]. 2.6. O ESTADO DO SETOR DA CONSTRUÇÃO EM FRANÇA 2.6.1. O MERCADO DO SETOR DA CONSTRUÇÃO O mercado da construção civil é muito diversificado, este varia ao nível do produto construído, ao nível dos clientes, empresas ou até mesmo ao nível da localização do produto da construção. Todos estes fatores condicionam e tornam o produto construído muito específico [15]. Assim sendo, o setor da construção em França carateriza-se por ser um mercado muito particular, ou seja um mercado de carácter local, embora haja exceções, como é o caso de obras de maior dimensão e de maior investimento em que o mercado se estende a empresas de maior dimensão. Todavia, muitos investigadores da área defendem que este caráter local tem tendência a diminuir voltando-se assim para um caráter mais global devido às pressões exercidas pelos mercados exteriores dos países mais desenvolvidos que têm a capacidade de realizarem os seus trabalhos a preços muito mais convidativos [15]. O mercado da construção, como vamos constatar com mais especificidade no desenrolar deste capítulo, divide-se em dois grandes grupos: os edifícios (residenciais, não residenciais) e os trabalhos públicos (infraestruturas, obras de engenharia). No que diz respeito aos clientes, estes podem ser divididos em dois grandes grupos: as entidades públicas e as entidades privadas [15]. Em relação ao produto da construção, podemos dizer que cada obra é diferente. Ou seja, o produto é muito específico quer seja a nível da estrutura, da utilização, dos materiais e das técnicas de construção utilizadas, sendo por isso um setor bastante heterógeno. Por outro lado, esta variação é ainda mais evidente se compararmos o estilo de construção de país para país, uma vez que existem particularidades próprias do local que influenciam o produto construído. Isto tem vantagem para o mercado das empresas locais, pois possuem vantagens a nível da concorrência já que conhecem melhor as caraterísticas do mercado e dos processos utilizados localmente [15].
Modelo de Negócio para uma Pequena Empresa de Construção em França 13 O mercado da construção é assim um mercado bastante abrangente constituído pelas empresas de construção, pelos materiais e equipamentos, pelos promotores, pelos projetistas e pelo sistema bancário e financeiro. Os promotores são os denominados donos de obra, e são eles que encomendam as tarefas às empresas de construção. Os outros intervenientes são os fornecedores diretos, caso se relacionem diretamente com a empresa ou indiretos caso se relacionem por intermédio de promotores [15]. Por outro lado, a construção está muito dependente da procura, do crescimento económico de um país e do poder de compra da sociedade, sendo por isso um dos setores onde atualmente se verificam grandes quebras na produção com consequente diminuição do rendimento, e graves problemas a nível social, como é o caso do desemprego [15]. Os clientes do setor da construção podem ser clientes de obras particulares, dos quais se distinguem pessoas individuais ou coletivas, e os clientes de obras públicas às quais pertence o Estado diferenciando se nas diversas modalidades. É dos clientes que parte a iniciativa e o investimento para a construção. Em Portugal, em linguagem mais técnica, os clientes são designados como donos de obra e em França como maître d‟ouvrage [15]. Os clientes são assim o motor do desenvolvimento do setor da construção, influenciando assim diretamente na situação do mercado, destacando-se neste caso o papel do Estado como detentor do papel principal para o desenvolvimento e equilíbrio do setor, através do investimento público. Contudo, todos os outros clientes têm um papel importante, como por exemplo o papel dos grandes promotores os grupos económicos, pertencendo aos cidadãos individuais uma influência menor que complementa o papel regulador do estado [15]. 2.6.2. OS DOMÍNIOS DO SETOR DA CONSTRUÇÃO O setor da construção civil em França pertence ao setor secundário próximo do domínio industrial, e divide-se em dois subsetores que se diferenciam entre si consoante o tipo de trabalhos realizados. O primeiro, e de maior importância para o desenvolvimento desta dissertação, é o “bâtiment”. Este refere-se à construção de edifícios e subdivide-se em dois grandes domínios, a construção nova e a manutenção e reabilitação dos edifícios existentes. Contudo, este subsetor pode ser segmentado em domínios mais específicos, quer sejam habitações individuais ou habitações coletivas, passando pelo sector empresarial em que se distinguem estabelecimentos comerciais, escritórios, edifícios agrícolas e industriais e por último os edifícios públicos como edifícios escolares, hospitais, entre outros [15], [16]. O segundo grande subsetor diz respeito aos “travaux publics” que diz respeito às infraestruturas e obras de engenharia civil, obras relacionadas com o poder local, estadual e federal ligado ao Estado. Nestas obras distinguem-se as obras de arte, vias de comunicação, barragens, redes de abastecimento de água e drenagem de esgotos, redes de energia entre outras, ou seja, trabalhos que se destinam ao uso público [15], [16]. Os trabalhos realizados ao longo da construção de um edifício são subdivididos em quatro atividades diferentes onde se agrupam, em cada uma, as subáreas de cada especialidade. Assim a construção em França divide-se em [15], [16]: Estrutura do edifício (“le gros oeuvre”) que corresponde à construção dos elementos estruturais, como por exemplo fundações, paredes e lajes;
Modelo de Negócio para uma Pequena Empresa de Construção em França 14 Outros Trabalhos (“le second oeuvre”) que diz respeito a outros trabalhos de execução de edifícios que não constam da (“ gros oeuvre”) distinguindo-se todas as especialidades de acabamentos; Equipamentos técnicos (“les equipements techniques”) que correspondem à colocação de equipamentos e sistemas para um correta e cómoda utilização do edifício, destacando-se as redes de águas, gás, eletricidade, climatização e aquecimento entre outras; Acabamentos e decoração (“les finitions et la décoration”). Apresenta-se de seguida uma breve descrição das diferentes atividades referentes à construção de um edifício de habitação respeitante apenas à categoria de gros oeuvre [15], [16]. 2.6.3. LE GROS OEUVRE Como referido, a área de gros oeuvre diz respeito ao conjunto dos trabalhos de construção dos elementos estruturais de um edifício. Apresentam-se dessa forma a descrição dos principais trabalhos, são eles: Trabalhos preparatórios; Trabalhos de terraplanagem; Trabalhos de fundações; Trabalhos de betão. 2.6.3.1. Trabalhos Preparatórios Os trabalhos preparatórios correspondem à preparação e instalação do estaleiro em obra assim como ao estudo do terreno e ao planeamento dos trabalhos. A preparação do estaleiro e o início dos trabalhos preparatórios iniciam-se com a limpeza do terreno de implantação, nomeadamente no que respeita à desmatação, demolição de edifícios existentes e remoção da terra vegetal. Depois do terreno de implantação estar limpo procede-se às tarefas de organização do estaleiro. A organização do estaleiro abrange as tarefas seguintes [17]: Vedação do terreno; Definição dos acessos ao estaleiro e locais de circulação; Montagem das instalações sociais e sanitárias; Colocação e ligação de instalações provisórias de água e esgotos: Colocação e montagem das gruas e centrais de betão; Definição do local de armazenamento de materiais ao ar livre; Colocação de contentores para separação dos resíduos e produtos sobrantes da construção. Porém, aquando da construção de um edifício é elaborada uma planta de instalação do estaleiro onde são referenciados todos os aspetos enumerados anteriormente tal como se pode verificar na figura 2.5.
Modelo de Negócio para uma Pequena Empresa de Construção em França 15 Figura 2.5 - Exemplo de um plano de estaleiro 2.6.3.2. Trabalhos de Terraplanagem Os trabalhos de terraplanagem incluem escavação e terraplanagem do terreno de implantação do edifício, assim como as escavações para a construção das fundações e dos pisos subterrâneos. Estes tipos de trabalhos são realizados, geralmente, por empresas subcontratadas especializadas, que são responsáveis pela escavação, carregamento, transporte e descarga em local próprio para vazadouro, segundo a regulamentação em vigor. Para realizar tais trabalhos são necessárias máquinas giratórias, retroescavadoras, pás carregadoras e camiões para transporte [17]. Além disso, devido à tipologia dos edifícios, com andares subterrâneos, e muitas das vezes à sua proximidade com o mar, obriga à realização de trabalhos complementares para garantir a estabilidade das escavações e drenagem das águas, caso as escavações ocorram abaixo do nível do mar. Por essa razão, em muitas obras têm que intervir empresas que realizam trabalhos de contenções de edifícios. Estas utilizam várias tecnologias tais como a construção de paredes tipo estaca-prancha, ou realização de ancoragens para suster os taludes de escavação [17]. Figura 2.6 - Escavação de pisos subterrâneos, utilização de estruturas de contenção de terras
Modelo de Negócio para uma Pequena Empresa de Construção em França 16 Figura 2.7 - Terraplanagens realizadas para a construção de um edifício e estruturas de contenção 2.6.3.3. Trabalhos de Fundações As fundações são dos elementos mais importantes a nível estrutural de um edifício, pois são elas que recebem as suas cargas e as transferem aos solos. Por outro lado, são dos primeiros trabalhos realizados no âmbito dos trabalhos de gros oeuvre. Geralmente as fundações distinguem-se em dois grandes grupos, as fundações superficiais e as fundações profundas realizadas com materiais e metodologias diferentes. Como é óbvio o tipo de fundação escolhida depende da natureza do solo e das cargas que estas irão receber [17]. Para a realização das fundações superficiais são realizadas trincheiras que servem de molde à fundação, caso não seja possível, é construída uma cofragem para o efeito. Alguns exemplos de fundações superficiais são sapatas isoladas, sapatas conjuntas, ensoleiramento geral entre outras [17]. Para a realização das fundações profundas são necessários equipamentos mais especializados. Por essa razão, muitas das vezes este tipo de trabalhos são realizados por empresas especializadas como é o caso da construção de fundações por estacas [17]. Figura 2.8 - Diferentes tipos de fundações a) Sapata isolada b) Sapata contínua
Modelo de Negócio para uma Pequena Empresa de Construção em França 17 2.6.3.4. Trabalhos de Betão A principal matéria-prima e mais utilizada nos trabalhos de gros ouevre é o betão, quer seja betão simples, armado ou pré-esforçado. Nas últimas décadas o betão tornou-se no principal material de construção de obras de arte, estradas e edifícios. A sua utilização possui múltiplas vantagens devido às suas caraterísticas de resistência estrutural, durabilidade e baixo custo além da sua aplicação permitir uma construção rápida, resolvendo assim vários problemas de construção. Dos trabalhos de betão fazem parte todas as tarefas inerentes à construção das cofragens, ao fabrico das armaduras e do betão, tal como se apresentam de seguida [17]. a) Betão O betão como referido anteriormente é a principal matéria-prima da construção de edifícios. Este é fabricado em empresas especializadas, consoante as exigências dos projetistas. Depois de fabricado é transportado em autobetoneiras até à obra onde é aplicado para a construção dos diferentes elementos, sapatas, pilares, vigas lajes etc. [17]. Por outro lado, o betão pode ser fabricado na própria obra utilizando para isso equipamentos específicos como é o caso das centrais de fabrico de betão [17]. Depois de fabricado este é colocado nas cofragens onde se encontram as armaduras. Após betonagem, este deve ser compactado, utilizando para isso um vibrador, de modo a eliminar os espaços vazios. Assim, obtém-se um betão suficientemente sólido e com a resistência pretendida. Após betonagem, o betão ganha presa e após cura torna-se num material muito resistente [17]. b) Armaduras Além do betão, outro elemento de elevada importância para o fabrico de todas as estruturas de construção de betão armado, tal como o nome sugere são as armaduras. As armaduras resolvem os problemas da baixa resistência à tração que o betão possui [17]. As armaduras para as diferentes estruturas são geralmente fabricadas e montadas em fábrica, contudo, podem ser construídas em estaleiro da própria obra ou em estaleiro central [17]. Normalmente, o aço é comprado em barra depois este é cortado, dobrado e montado nas medidas certas barra a barra consoante a forma e o elemento a construir (vigas, pilares, etc.), respeitando sempre as informações e o referido em projeto. Para construir a estrutura da armadura é utilizado arame para prender os diferentes elementos, porém atualmente em vez de cozer as diferentes barras com arame estas são soldadas [17]. c) Cofragens O betão é um material fluido e por essa razão pode adotar diferentes formas aquando a betonagem. A cofragem é assim o molde que dá forma às estruturas, textura superficial e o suporte necessário durante o processo de endurecimento. Como referido anteriormente, é importante possuir boas cofragens, de modo a obter estruturas bem concebidas. Na verdade, são as cofragens que determinam a forma, a qualidade e a aparência das estruturas de betão. Mas também são determinantes na rapidez da realização dos trabalhos, tendo por isso um papel importante no rendimento do trabalho a nível de tempo e custos. Por essa razão, a escolha de bons mecanismos não deve ser desprezada [17]. As estruturas de cofragem são assim constituídas pelo molde que determina a forma, e pelas estruturas de suporte da própria cofragem. Estas podem-se distinguir-se em três grandes tipos [17]: Cofragens tradicionais construídas na sua totalidade em obra compostas geralmente por madeira e acessórios metálicos;
Modelo de Negócio para uma Pequena Empresa de Construção em França 24 subsequentes (2009 e 2010) o nível de construção manteve-se num valor baixo, não havendo no entanto uma variação muito acentuada. Entre 2006 e 2010 constatou-se que a média regional de habitações unifamiliares em início de construção por cada 1000 habitantes distribui-se de uma forma um pouco diferenciada. É facto evidente através da análise da figura 2.15 [8]. Figura 2.15 - Número de habitações individuais em início de construção em cada região por cada 1000 habitantes (média 2006 -2010) [8] Pode se então observar que a região que possui maior número de habitações em início de construção por cada mil habitantes é a região de Bretagne, enquanto a que possui um valor mais baixo é Ille-deFrance. Este valor bastante baixo é devido à grande urbanização e densidade populacional que carateriza a região, além de ser a região onde se encontra a capital do país, Paris. Por outro lado, de um modo mais geral, verifica-se que nas regiões localizadas mais a oeste e a sul o valor é superior, em comparação com as regiões localizadas no interior e a norte do país [8]. Na região Provence-Alpes-Côte d´Azur, observa-se um valor de cerca de 1,5 habitações por cada mil habitantes sendo por isso uma das regiões onde este tipo de habitação é mais baixo [8]. Conclui-se assim que a nível das habitações unifamiliares, em França, após um grande crescimento verificado até meados da década passada verifica-se agora uma diminuição bastante acentuada, cerca de menos 32 526 habitações em início de construção, em apenas 10 anos [8].
Modelo de Negócio para uma Pequena Empresa de Construção em França 25 2.6.5.4. Habitação Coletiva Além das habitações unifamiliares, descritas anteriormente, aborda-se de seguida o estado do setor da construção de habitações coletivas, também designadas por habitações multifamiliares. O êxodo rural provocado pela revolução industrial, e a concentração da sociedade em torno dos grandes aglomerados urbanos, assim como o crescente aumento demográfico observado no último século obrigou a uma nova organização espacial da habitação. Assim, surgiu o conceito de verticalização das cidades, isto é o crescimento das habitações em altura e consequentemente o aumento da habitação multifamiliar [19],[21]. A habitação coletiva é assim toda a habitação destinada ao abrigo de mais do que uma família, como é o caso dos apartamentos que surgem para dar resposta ao aumento da densidade populacional e consequentemente à necessidade de uma construção standard e em massa. Deste modo, nas últimas décadas, a construção de habitações multifamiliares de grande quantidade de pisos intensificou-se, principalmente nas grandes cidades, associado cada vez mais ao conceito de urbanismo e de planeamento territorial [21]. Em toda a França metropolitana, no final de 2010, existiam cerca de 137 500 habitações coletivas em execução correspondendo a um aumento de 3% comparativamente com o ano anterior. Como se pode ver pelo gráfico seguinte há uma nítida variação de região para região a nível da construção deste tipo de habitações [8]. Figura 2.16 - Evolução da construção de habitação coletiva nas diferentes regiões ao longo do tempo, adaptado de [8] Tal facto é explicado, como já referido anteriormente, pela grande concentração da população, da qual resulta a necessidade de aumentar a oferta de habitação para a população num determinado local. Isto acontece na região de Ille-de-France, Rhône-Alpes e em Provence-Alpes-Côte d´Azur pois são as regiões mais populosas do país. Nestas regiões, observa-se maior quantidade de construção de edifícios de habitação coletiva. As duas primeiras regiões totalizam 17% e 16% do total da produção nacional. No que respeita à média nacional, registada nos últimos 5 anos, verifica-se que a construção de habitação
Modelo de Negócio para uma Pequena Empresa de Construção em França 26 coletiva regista cerca de 2.6 habitações por cada mil habitantes, embora a nível regional haja uma variação acentuada [8]. Figura 2.17 - Número de habitações coletivas em início de construção em cada região por cada 1000 habitantes (média 2006 -2010) [8] Tal como na construção de habitações individuais o setor da construção de habitação coletiva possui mais representação nas regiões situadas mais a sul e a oeste, ou seja nas regiões mais litorais. Verificase uma média mais elevada de habitações coletivas por cada mil habitantes em algumas regiões como é o caso da Corse com 5.8 habitações e em Languedoc Roussillon com 4.2. Por outro lado, os valores mais baixos verificam-se no centro e norte do país [8]. Conclui-se assim que a construção da habitação coletiva está intimamente associada à concentração demográfica e ao desenvolvimento da região [8]. 2.6.5.5. Edifícios Não Residenciais Nos últimos anos em França, e principalmente na região em estudo, tem havido uma evolução do número de autorizações de construção e do número de obras em início de construção deste tipo de edifícios. Os edifícios não residenciais, tal como o nome indica, referem-se a todos os edifícios para desenvolvimento das atividades económicas que não se destinam a habitação, tais como escritórios, edifícios para desenvolvimento da indústria, do comércio e da agricultura. Esta área da construção subdivide-se em dois subsetores importantes, o setor privado e o setor público [23], [24].
Modelo de Negócio para uma Pequena Empresa de Construção em França 27 Em PACA a construção de edifícios não residenciais representa cerca de 20% do total do setor da construção de edifícios. Em 2011 houve um aumento de 1.6 %, após três anos de grande queda -11.2% em 2008, -13.9 % em 2009 e -8.2 % em 2010. Em relação aos dois subsetores, pode referir-se que o setor privado obteve uma diminuição do volume total de negócios, entre 2010 e 2011. A diminuição registada foi de 2.9 % em comparação com o ano anterior, embora, o setor público tenha evoluído 9.9 %. Esta evolução deve-se ao aumento das licenças de construção. Em 2011 houve um pronunciado aumento do início de obras no setor público, cerca de 63.5 %, e uma diminuição em relação ao setor privado (-9.3%) [23], [24]. 2.6.5.6. Manutenção e Reabilitação de Edifícios A área de manutenção e reabilitação de edifícios representa mais de metade da produção total do setor do bâtiment em França. Na última década verificou-se um grande aumento do volume de trabalhos nesta atividade da construção. O volume de negócios aumenta em média cerca de 1.5% a 2% ao ano. No entanto, no primeiro semestre de 2012, em comparação com o mesmo semestre do ano anterior, verificou-se uma queda de - 0.5 %. Contudo, apesar destas variações, esta continua a ser a atividade mais importante nas estatísticas anuais da quantidade de trabalhos realizados no setor da construção de edifícios na região de Provence-Alpes-Côte d´Azur [23], [24]. 2.7. CONCLUSÃO Através desta contextualização foi possível perceber alguns dos aspetos importantes que caraterizam a França assim como a região em estudo. Assim, conclui-se que a região em estudo é uma região com grande densidade populacional e grande poder económico que contribui efetivamente para o desenvolvimento do país. Por outro lado, foi possível perceber o funcionamento do mercado e do setor da construção em França tendo especial atenção a análise do setor da construção de edifícios e a sua evolução nos últimos anos. Dessa forma, conclui-se que a França e a região em estudo, após o período de crise vivida nos últimos anos, principalmente neste setor, segue uma tendência de evolução muito moderada apesar da queda em algumas áreas da construção nos últimos anos. Além disso, foi possível perceber os principais trabalhos necessários para a construção de um edifício de modo a entender a dinâmica dos trabalhos de gros oeuvre.
Modelo de Negócio para uma Pequena Empresa de Construção em França 28
Modelo de Negócio para uma Pequena Empresa de Construção em França 29 3 3. AS PEQUENAS E MÉDIAS EMPRESAS EM FRANÇA 3.1. DEFINIÇÃO DE PME Segundo a Comissão Europeia uma empresa é uma entidade que, independentemente da forma jurídica, exerce uma atividade económica. São também consideradas do mesmo modo as entidades que exercem uma atividade artesanal ou outras atividades a título individual ou familiar, as sociedades de pessoas ou associações que exercem regularmente uma atividade económica [25]. No entanto, uma empresa pode tomar diferentes designações, consoante a sua dimensão. No que respeita à categoria das PME estas podem subdividir-se em micro, pequenas e médias empresas. Esta subdivisão surge com o objetivo de perceber a dimensão de uma empresa e a importância que a empresa possui na economia. Isto é possível através da caraterização de alguns fatores tais como, o número de efetivos da empresa e as caraterísticas financeiras, nomeadamente o volume de negócios e o balanço total anual da empresa [25]. O volume de negócios diz respeito à quantia líquida das vendas e prestações de serviços respeitantes às atividades normais das empresas. Este não inclui nem o imposto sobre o valor acrescentado (IVA) nem outros impostos diretamente relacionados com as vendas e prestações de serviços [26]. Por sua vez o balanço de uma empresa representa aquilo que a empresa possui e pode utilizar na sua atividade, e o que a empresa deve num determinado momento. A diferença entre o que a empresa tem e o que a empresa deve representa o balanço da empresa. Ou seja, por outras palavras aquilo que a empresa tem é o ativo; enquanto o que a empresa deve é o passivo; à diferença entre o ativo e o passivo, ou seja o valor da empresa, designa-se por capitais próprios [26]. Assim, com estes indicadores é possível caraterizar a dimensão da empresa da seguinte forma: Quadro 3.1 - Definição de uma PME segundo a Comissão Europeia [25]. Indicadores Micro Pequena Média Nº de Trabalhadores Efetivos ≤ 10 50 250 Vol. de Negócios Anual (milhões de euros) ≤ 2 10 50 Balanço total Anual (milhões de euros) ≤ 2 10 43
Modelo de Negócio para uma Pequena Empresa de Construção em França 30 No quadro 3.1 apresenta-se o valor dos fatores que definem uma micro, uma pequena e uma média empresa. Caraterização esta adotada pela Comissão Europeia. Em França, baseada na definição atribuída pela Comissão, definiu-se e caraterizou-se as empresas francesas através do decreto nº 2008-1354 de 18 de dezembro de 2008. Este documento caraterizou-as da seguinte forma: As microempresas são constituídas por empresas com menos de dez trabalhadores efetivos e cujo volume de negócios e o balanço anual não excedam dois milhões de euros; A categoria das PME são constituídas por empresas que possuem menos de 250 trabalhadores efetivos e cujo volume de negócios assim como o balanço anual não excedam 50 e 43 milhões de euros respetivamente, tal como a definição europeia. As empresas de média dimensão, “entreprises de taille intermédiaire” (ETI), são constituídas por empresas que não pertencem à categoria de pequenas e médias empresas e que: Possuem menos de 5000 trabalhadores efetivos e que o volume de negócios e o balanço anual não excedem 1500 e 2000 milhões de euros respetivamente. Por último, temos a categoria das grandes empresas, “ grandes entreprises” (GE), constituídas por empresas que não se encontram classificadas nas categorias anteriores. 3.2. AS EMPRESAS DE CONSTRUÇÃO EM FRANÇA 3.2.1. TECIDO EMPRESARIAL EM FRANÇA A França possuía em 2010 um tecido empresarial bastante denso (cerca de 3 422 000 empresas) no conjunto dos setores de atividades, sem contabilizar empresas do setor agrícola. No mesmo ano foram criadas 622 000 empresas correspondendo a cerca de 7% mais que o valor verificado em 2009. Cerca de 458 400 destas empresas foram criadas sob a forma de empresas individuais e destas 78% sob o regime de auto-entrepreneur [4]. Uma em cada quatro empresas criadas é uma sociedade e as formas jurídicas unipessoais são cada vez mais frequentes. Além disso, cerca de 81% das empresas criadas sob a forma de sociedade possuem um estatuto jurídico de société à responsabilité limitée (SARL) e 14% escolheram o estatuto jurídico de sociétés par actions simplifiées (SAS) [4]. A caraterística principal das empresas em França é a sua dimensão. A sua grande maioria são empresas de pequena dimensão. Das empresas de pequena dimensão cerca de 65% não possuem nenhum funcionário, enquanto as empresas com mais de 10 funcionários não excedem 1% do total das empresas constituídas. As empresas de grande dimensão, com mais de 2000 funcionários, operam na indústria e no comércio. Este progresso no número de criações de empresas ocorre principalmente no setor da construção, dos transportes e das atividades imobiliárias [4]. Outro fator que carateriza a criação de empresas é a idade do empresário. Em 2010 os novos empresários, de empresas individuais, possuíam cerca de 38.2 anos e os auto entrepreneurs a mesma idade. No entanto, estes valores variam consoante o setor de atividade. Os empresários do setor imobiliário, da saúde e da ação social em média possuem mais idade. Nos setores mais tecnológicos, de informação e comunicação os empresários são mais jovens possuindo em média cerca de 33.9 anos [27]. Por outro lado cerca de 64 % dos novos empresários são homens. As mulheres criam empresas em setores de apoio e suporte das outras empresas, tais como comércio, transportes, restauração e outros
Modelo de Negócio para uma Pequena Empresa de Construção em França 31 serviços. Já os homens investem também em outros setores além dos referidos como o setor da construção [27]. 3.2.2. COMPORTAMENTO DAS EMPRESAS NOS TRÊS PRIMEIROS ANOS DE EXISTÊNCIAS Em França há uma entidade que estuda a evolução das empresas, denominado Sine, que avalia as condições de desenvolvimento das empresas e as dificuldades que estas verificam ao longo dos seus cinco primeiros anos de existência. Nesse sentido, o Sine, utilizou uma amostra de 56 000 empresas de diversos setores tais como a indústria, a construção, o comércio e os serviços para realizar um estudo. Este estudo dividiu-se em duas fases, a primeira fase ocorreu em 2006 e a segunda em 2009, nestas foram analisados alguns fatores que caraterizam a empresa [27]. Desta investigação concluiu-se que duas em cada três empresas criadas em 2006 estavam ativas em 2009, e que o sucesso destas empresas encontra-se nas condições em que o projeto é criado, no perfil, idade e nas qualificações do empreendedor. Além disso, quanto maior o investimento inicial maior são as hipóteses de sucesso da empresa. Em 2006, 54% dos empresários investiram menos de 8 000 euros e apenas 8% destes investiu pelo menos 80 000 euros. Por outro lado, as sociedades são mais perenes que as empresas individuais [27]. Figura 3.1 - Taxa de perenidade ao fim dos três anos consoante o montante investido aquando a criação da empresa, adaptado de [27] Tal como referido, e como se verifica na figura 3.1, a taxa de duração das empresas nos três primeiros anos, neste caso entre 2006-2009, aumenta com o investimento inicial realizado. Assim, em 2009 cerca de 60 % das empresas que investiram pelo menos 2000 euros ainda se encontravam no ativo enquanto as empresas que investiram mais de 80 000 euros apenas 19 % fecharam durante esse mesmo período de análise. Contudo, não só o investimento inicial é importante. Além deste e de todos os outros fatores referidos, o setor da atividade influencia o sucesso ou insucesso da empresa. Apresenta-se na figura 3.2 a taxa de empresas que, ao fim dos três primeiros anos de serviço, encontram-se no mercado, dados esses referentes ao estudo realizado pelo Sine.
Modelo de Negócio para uma Pequena Empresa de Construção em França 32 Figura 3.2 - Taxa de empresas, por setor, que se encontram em serviço ao fim dos 3 primeiros anos (20062009), adaptado de [27] O mesmo estudo conclui que as empresas criadas neste período são influenciadas pela idade dos jovens empresários, sendo as empresas criadas por empresários jovens as que menos resistem. Apenas 59% das empresas criadas em 2006 por empresários com menos de 30 anos permaneciam em 2009, menos 10% das empresas em comparação com outros grupos etários superiores. Por outro lado, o nível de qualificação do empresário influencia o sucesso da empresa criada. Do estudo constata-se que apenas 29% das empresas criadas em 2006 por empresários com curso superior encontravam-se encerradas em 2009. Por outro lado, os empresários que não possuíam qualquer diploma apenas 58% dessas empresas se encontravam no ativo [27]. Ao fim dos três anos, em 2009, foram apresentados os principais problemas sentidos e demonstrados pelos empresários franceses abrangidos pela investigação. Desse grupo de empresas analisadas, 31 % refere dificuldades no início de formação da empresa e nas oportunidades de negócio e cerca de 18% apontam problemas financeiros como uma dificuldade para a continuidade do projeto. Além disso, oito em cada dez empresários no ativo dizem-se satisfeitos com a empresa criada, e cerca de metade destes empresários esperam continuar e desenvolver os seus negócios. Por outro lado cerca de 16% estão pessimistas em relação à continuidade do seu negócio [27]. 3.2.3. EMPRESAS DE CONSTRUÇÃO EM FRANÇA – COMPARAÇÃO REGIONAL Tal como referido, é no setor da construção que o número de criações aumenta mais rapidamente, cerca de 14.8%. Verificando-se uma evolução entre 2009 e 2010 de cerca de 5.7 % novas sociedades e 25.3% empresas sob o regime de auto-entreprises. Em 2010 existiam na França metropolitana cerca de 449 644 empresas de construção, porém a sua distribuição a nível regional não era homogénea. Apresenta-se de seguida no quadro 3.2 uma análise a nível regional do número de criações [8].
Modelo de Negócio para uma Pequena Empresa de Construção em França 33 Quadro 3.2 - Criação de empresas de construção em França metropolitana em 2010, adaptado de [8] Como é possível verificar, as regiões onde há maior número de empresas de construção é em Ille de France, PACA, e Rhône-Alpes. Por outro lado, a região onde o seu valor é menor é na Corse. No que respeita à taxa de criação de empresas, o setor de construção comparativamente com os outros setores de atividade possui uma taxa de criação superior em quase todas as regiões em análise. No entanto, é na região de Languedoc -Roussillon onde o valor é superior, seguido da região em estudo. No que diz respeito à evolução do número de empresas de construção entre 2009 e 2010 a região onde houve maior evolução foi em Picardie com cerca de 30.2 %, contrastando a região de Limousine que apresentam uma evolução negativa de 2.4%. Outro fator importante para classificar as empresas é o número de funcionários, tal como se pode observar no quadro 3.3, onde se apresentam as diferentes empresas de construção em toda a França. Quadro 3.3 - Empresas do setor de construção por número de funcionários em França a 1 de janeiro de 2010, adaptado de [27] Região Nº Empresas de Construção Taxa de Criação de Empresas Evolução do nº de criações entre 2009-2010 Construção Todos os Setores Construção Todos os Setores Alsace 9946 19.9 18.1 17.8 6.5 Aquitaine 28271 19.3 17.9 10.3 0.7 Auvergne 9802 16.9 14.8 20.8 2.2 Basse-Normandie 9539 15.1 16.0 9.6 0.0 Bourgogne 11008 15.5 16.1 10.3 -0.8 Bretagne 21583 14.3 15.5 6.2 1.0 Centre 13281 17.9 17.5 16.3 3.7 Champagne-Ardenne 7547 19.3 17.2 20.7 4.5 Corse 4872 21.7 15.7 6.7 -1.2 Franche-Comté 7275 17.7 17.7 11.4 9.2 Haute-Normandie 9634 19.4 17.5 19.4 8.7 Ille-de France 80129 21.4 19.0 16.2 15.2 Languedoc-Roussillon 27068 25.0 21.3 17.1 6.5 Limousin 5597 14.6 15.1 -2.4 0.9 Lorraine 13524 22.7 18.6 16.2 6.3 Midi-Pyrénées 26202 19.0 18.5 6.7 5.3 Nord-Pas-de-Calais 15637 22.4 18.7 19.9 10.2 Pays de la Loire 22177 15.3 16.7 16.3 3.8 Picardie 9917 21.0 18.5 30.2 9.8 Poitou-Charentes 13376 16.3 16.9 9.3 -2.1 PACA 51473 24.0 19.3 9.0 2.6 Rhône-Alpes 48759 19.6 17.9 26.9 7.6 Setor de Atividade 0 1 a 9 10 a 49 50 a 99 100 a 249 250 ou mais Total Construção 267600 170000 27200 1600 700 300 467500
Modelo de Negócio para uma Pequena Empresa de Construção em França 40 equipamentos e introduzir processos construtivos evoluídos, de modo a otimizar os trabalhos e assim tornar rentável toda a atividade da empresa [16]. De um modo mais sucinto, é responsável por garantir a boa execução das obras que a empresa realiza, a pedido dos seus clientes, assim como garantir o cumprimento de toda a legislação e regulamentos nas várias matérias em que intervém a empresa. Por outro lado, deve manter uma boa relação com todos os intervenientes externos á empresa quer sejam entidades públicas, fornecedores, bureaux d´études, coletividades locais, donos de obra entre outros [16]. A nível de competências técnicas e pessoais deve possuir elevados conhecimentos de gestão e administração de empresas. A nível mais técnico deve conhecer o código dos mercados públicos assim como aspetos técnicos acerca dos serviços prestados pela empresa [16]. No que respeita aos traços de personalidade deve possuir caráter de um líder nomeadamente espírito empreendedor, um bom nível de comunicação para transmitir informação aos seus funcionários, assim como um bom sentido de estratégia comercial para fazer frente à concorrência [16]. 3.3.2.3. Conducteur de Travaux Os conducteurs de travaux possuem um papel mais técnico e especializado a nível da gestão de projetos, do planeamento dos trabalhos e da preparação inicial da obra. Para isso auxiliam-se para tarefas mais simples dos chefs de chantier. Contudo, podem ter diferentes tarefas consoante intervenham segundo diferentes situações, ou mesmo consoante a dimensão da empresa onde trabalham [16]. Em relação ao papel de mandatário de funções podem ocorrer duas situações. A primeira situação ocorre quando intervém pelo promotor. Nesses casos terá um papel a montante do negócio nas fases de estudo e enquadramento da obra, no que respeita à elaboração do concurso e à seleção das empresas. Se representar a empresa de construção, o conducteur de travaux supervisiona a nível técnico o desenrolar dos trabalhos em obra e coordena os vários intervenientes [16]. Caso as empresas sejam bastante hierarquizadas e de grandes dimensões existem conducteurs de travaux principais que possuem um papel de pilotos sobre os conducteurs de travaux de nível inferior, possuindo neste caso papeis mais específicos. Já nas empresas ou obras de pequena e média dimensão estes possuem um papel mais polivalente podendo intervir e controlar mais que uma obra [16]. Contudo, a nível geral, é responsável pelo estudo e análise dos elementos e do dossiê técnico da obra nomeadamente planos, memórias descritivas e orçamentos de caráter previsional, e a partir dessa análise elabora detalhadamente mapas de tarefas, quantidades de materiais, recursos e equipamentos. Além disso, possui a função de escolher, contactar e negociar com os fornecedores dos diferentes serviços e materiais, sempre em ligação com o departamento de compras, caso este exista. É também responsável pelo pedido de autorizações e documentos necessários para a implementação do estaleiro em obra [16]. Por outro lado, em relação ao planeamento dos trabalhos, estes têm um papel importante a montante da execução das obras. São responsáveis por estabelecer os objetivos dos chefs de chantier, assim como definir os planos de tarefas de modo a otimizar os recursos, respeitando sempre as normas de segurança, qualidade e o orçamento previsto [16]. Os conducteurs de travaux têm um papel fundamental na interligação entre os diferentes intervenientes de um projeto quer seja com promotor, com a logística a nível de administração publica, gabinetes de arquitetos, técnicos de segurança, bureau d´études e todos os outros técnicos envolvidos. Além disso deve conduzir e gerir a gestão administrativa e financeira da obra [16].
Modelo de Negócio para uma Pequena Empresa de Construção em França 41 No que respeita a conhecimentos técnicos, o conducteur de travaux deve dominar regras e técnicas ligadas à construção de um edifício ou obra de engenharia. Para isso deve possuir conhecimentos sólidos de gestão e planeamento de obras e saber analisar os vários dossiês técnicos e planos, de modo a implementar modificações caso necessário, além de possuir conhecimentos regulamentares e de legislação a nível de qualidade e segurança em obra [16]. Deve ter boas capacidades de análise e espírito crítico para encontrar soluções para os problemas que surgam. Da mesma forma, deve ser uma pessoa resistente ao stress e organizada de modo a melhor enfrentar os problemas de uma forma rápida e eficaz [16]. 3.3.2.4. Chefs de Chantier O chef de Chantier é um encarregado em obra que possui as funções de assegurar a preparação e o seguimento técnico dos trabalhos, definindo os objetivos e estimulando as equipas de operários, mantendo-se sempre em contacto com o conducteur de travaux que o supervisiona [16]. Dessa forma, cabe aos chefs de chantier preparar e participar nas reuniões em obra com os conduteurs de travaux e os Ingénieurs d´études para perceber e analisar os planos de execução, orçamentos e todos os pormenores técnicos importantes no desenrolar dos trabalhos em obra [16]. Além disso, é ele o responsável pela definição de uma boa implantação do estaleiro seguindo os planos de execução, assim como o traçado da obra no terreno. Deve também coordenar e controlar as encomendas de material, equipamentos, e as equipas de subempreiteiros. Por outro lado deve manter o respeito e as boas relações entre os diferentes intervenientes em obra, assim como o respeito das regras relativas à segurança e higiene em obra [16]. No dia a dia em obra deve verificar se os trabalhos decorrem como planeado em termo de prazos, custos, e qualidade. Para isso, deve fixar objetivos diários de produção que devem ser transmitidos aos chefs d´ equipe, estes últimos deverão por sua vez transmitir aos operários. Caso haja atrasos, deve efetuar os ajustamentos necessários, assim como a gestão dos orçamentos. Do mesmo modo, deve prever, auxiliar e resolver possíveis problemas técnicos existentes em obra [16]. Contudo, podemos dizer que as funções de um chef de chantier podem variar segundo diferentes aspetos tais como a dimensão da obra, as caraterísticas e o tipo de obra. Por isso, a nível particular, executa diferentes funções o que o obriga a possuir um perfil bastante polivalente devendo assim possuir um conjunto de competências pessoais e técnicas adequadas [16]. A nível de competências técnicas podemos dizer que o chef de chantier deve possuir conhecimentos a nível de técnicas e materiais construtivos assim como noções de topografia, engenharia e arquitetura. Deve também conhecer a regulamentação e legislação aplicáveis, como por exemplo no que diz respeito a saúde e higiene e segurança em obra [16]. Deve também ser uma pessoa organizada e com boa capacidade comunicativa para transmitir de forma clara as informações aos seus subordinados assim como possuir uma postura de líder, de modo a ser respeitado por todos quando distribui ordens ou decisões [16]. 3.3.2.5. Chef d´Equipe O chef d´equipe (chefe de equipa) possui um papel importante no que diz respeito à matéria de produção e coordenação das equipas de trabalhadores. Este recebe informações técnicas de como realizar os trabalhos do conducteur de travaux e do chef de chantier e tem a tarefa de informar os diferentes tra-
Modelo de Negócio para uma Pequena Empresa de Construção em França 42 balhadores. Organiza e estabelece as tarefas de cada elemento da equipa e em pequenas obras, assume a responsabilidade pela condução do conjunto dos trabalhos. Além disso, presta auxílio aos operários e informa o chef de chantier de possíveis problemas a nível construtivo, assim como de eventual falta de materiais e equipamentos em obra. Este deve ter a capacidade de manter boas relações entre ele e os superiores hierárquicos e entre os operários, demonstrando sempre a sua conduta responsável [15]. 3.3.2.6. Operários Os operários são os elementos situados no último nível da hierarquia de uma empresa de construção. Estes subdividem-se consoante o tipo de trabalho ou tarefa que realizam. Geralmente realizam sempre as mesmas tarefas, tais como cofragem, betonagem, colocação de armaduras, acabamentos, etc. Estes recebem ordens dos chefs d´equipe e possuem conhecimentos técnicos específicos, ao nível de como executar as tarefas. Nas empresas de menor dimensão, possuem conhecimentos abrangentes a nível geral e de todas as especialidades de gros oeuvre [15]. 3.3.3. SERVIÇOS TÉCNICOS E DE CONTROLO Os serviços técnicos são constituídos por várias entidades que são responsáveis pela assistência técnica e controlo da atividade, durante as diferentes fases de construção. Deles fazem parte os organismos de certificação que intervém na avaliação e certificação da qualidade do projeto. Estes avaliam a qualidade técnica, ambiental, assim como eficiência energética e o controlo da correta aplicação regulamentar, ao nível de matéria de segurança e preservação ambiental [16]. Além dos organismos de certificação, existem os gabinetes de peritos que realizam vistorias de controlo técnico ou de coordenação de segurança e saúde em obra. Estes intervenientes possuem conhecimentos bastante específicos em determinadas áreas, tais como como na área jurídica, imobiliária e na HSE, nas quais efetuam estudos e diagnósticos específicos de controlo técnico e regulamentar [16]. Além destas entidades que controlam e verificam a correta execução do projeto e o cumprimento dos regulamentos em vigor, temos os serviços mais técnicos que auxiliam na construção, através de trabalhos técnicos específicos. Este tipo de empresas prestam serviços bastante variados possuindo um papel a montante nos trabalhos de construção como é o caso de empresas de demolição de edifícios assim como as empresas de tratamento dos resíduos de construção e demolição. Outro tipo de empresas que prestam tais serviços são as empresas de aluguer e distribuição de materiais e equipamentos como é o caso do material de cofragem a segurança em obra, assim como os elementos que constituem o estaleiro. Podem ser especialistas no aluguer de pequenos ou grandes equipamentos como é caso de aluguer de gruas, máquinas ou camiões [16]. 3.4. COMO CRIAR UMA PEQUENA EMPRESA 3.4.1. INTRODUÇÃO A criação de uma empresa, qualquer que seja o seu tamanho, deve ser um ato bem estruturado e pensado pelo criador. Hoje mais que nunca, devido ao período difícil que a Europa atravessa, devido à crise económica e à grande dificuldade que a sociedade se depara com a falta de emprego, faz com que as pessoas procurem criar muitas vezes o seu próprio negócio. Todavia, muitas das vezes, tomam decisões sem qualquer ajuda ou aconselhamento técnico especializado, e consequentemente os seus negócios não são bem estruturados e entram em falência. Desta forma, tornase necessário perceber como
Modelo de Negócio para uma Pequena Empresa de Construção em França 43 agir numa situação deste tipo, assim como saber organizar o seu próprio negócio. De seguida, apresentam-se algumas ideias importantes que o futuro empresário deve ter em mente [28],[29]. 3.4.2. PERFIL DO EMPRESÁRIO Na maioria das vezes, a criação de uma empresa começa com uma ideia base. No entanto, para passar da ideia para o projeto, é necessário perceber os contornos da ideia, e assim definir vários aspetos, de modo a avaliar possíveis riscos para que o empresário escolha as decisões mais corretas [28]. Deste modo, o futuro empresário deve perceber se o seu perfil possui as caraterísticas de um empreendedor e bom decisor, e se possui um perfil capaz de se adaptar a novas situações e funções. Além disso, deve compreender qual o vínculo que possui com as caraterísticas gerais do negócio, e assim definir e questionar-se sobre vários aspetos, tais como [28]: Se as suas competências profissionais são suficientes para a gestão do projeto; Se a ideia já foi explorada por outros empreendedores; Quais são as caraterísticas principais do produto e do serviço que irá prestar; Quais serão os possíveis clientes e a zona de atuação; Quais os princípios de funcionamento da empresa. Para além das ideias dos pontos transatos, o empreendedor deve perceber e refletir sob a sua posição económica e financeira e também sobre a sua situação pessoal e familiar. Assim, deve ser capaz de avaliar as suas qualidades e competências pessoais e profissionais, e compreender se estas são suficientes para o início do projeto, ou se necessitará de uma formação complementar. Para o fazer deve consultar amigos e familiares de forma a analisar outros pontos de vista e opiniões e assim obter apoio no desenrolar do projeto. Contudo, a situação económica é sem dúvida o maior fator a ter em conta no início de lançamento de um negócio. Deve-se por isso analisar se os recursos financeiros disponíveis para investir são suficientes para um determinado período de iniciação do negócio, e se possui acesso ao crédito ou a uma rede de contactos que possa ser útil para financiamento ou mesmo parcerias futuras no negócio [28],[29]. Depois de analisar as suas competências pessoais, profissionais e económicas, o futuro empresário deve investigar e informar-se acerca de mecanismos de ajuda locais ou mesmo ajudas comunitárias que possam auxiliar o início da sua atividade. Deve, da mesma forma, seguir um conjunto de etapas e realizar um conjunto de metodologias para estruturar e implantar a sua empresa, tais como: Realizar um estudo de mercado; Elaborar um plano de negócio (business plan); Escolher a sua estrutura jurídica; O regime fiscal; Escolher a proteção social. Depois deste processo, o futuro empresário ficará com as ideias mais claras e objetivas acerca das condições do mercado e se a sua ideia possui qualidades favoráveis para prosseguir com um negócio concreto [28]. Nos pontos seguintes analisam-se assim os principais aspetos a ter em atenção no desenrolar de cada tarefa específica.
Modelo de Negócio para uma Pequena Empresa de Construção em França 44 3.4.3. ESTUDO DE MERCADO A escolha da atividade de uma empresa deve ser feita em conformidade com as aspirações, gostos e atitudes do futuro empresário. No entanto, para o sucesso do negócio, é necessário perceber se a atividade possui um mercado amplo e robusto, além de averiguar quais os possíveis clientes. Só o conhecimento do mercado permite definir a estratégia comercial [29],[30]. O estudo de mercado ocupa assim um lugar de elevada importância no desenrolar do projeto de criação de uma empresa. O empresário, através desse estudo, deve conhecer e compreender o mercado sob o qual a sua empresa vai intervir e deve conseguir definir as ações comerciais a realizar, assim como definir a estratégia de negócio [30]. Para realizar o estudo de mercado, o empresário deve saber de início qual o produto ou serviço do seu negócio, qual o mercado atual, quais os seus clientes alvo, quem são os seus concorrentes a nível de atividade e por último quem serão os seus fornecedores de bens ou serviços. Apresenta-se de seguida, detalhadamente, uma reflexão sobre cada um destes fatores que influenciam o início da atividade [28], [30]. 3.4.3.1. Produto ou Serviço Prestado O empresário tem que definir qual a oferta do seu negócio, ou seja, identificar quais são os principais produtos ou serviços que a empresa irá desenvolver / prestar, durante a sua atividade. Desta forma, conseguirá encontrar as caraterísticas especiais dos seus serviços para perceber quais são os pontos fortes e fracos da sua oferta, em comparação com as empresas concorrentes [28]. 3.4.3.2. Mercado Em relação ao mercado alvo, o empresário deve definir de início qual a sua ambição, isto é, se a zona onde vai desenvolver a sua atividade é local, regional, nacional ou mesmo internacional. Assim, definida a zona geográfica, deve procurar perceber quais são as particularidades das atividades relacionadas com o setor, se é uma área em que o mercado se encontra em desenvolvimento, ou em declínio, ou até mesmo se é uma inovação do mercado [28]. 3.4.3.3. Clientes Da mesma forma, deve entender qual é o volume de procura dos serviços prestados pela sua atividade, pelos possíveis clientes. Por outro lado, deve saber quem são os clientes, onde é que se encontram geograficamente, quais as suas necessidades e quanto é que eles estão dispostos a pagar pelo serviço ou produto prestado [28]. 3.4.3.4. Concorrência O empresário, aquando a definição da zona geográfica onde vai desenvolver a sua atividade, deve ter em atenção a concorrência. Assim, torna-se imperativo realizar um estudo para averiguar quem são os seus principais concorrentes e onde se localizam. Depois de analisar estes dois aspetos, deve pormenorizar o estudo percebendo quais os pontos fortes e fracos da atividade dos concorrentes e adaptar à sua atividade no sentido de dar uma melhor resposta às necessidades dos futuros clientes, garantindo competitividade em relação à concorrência [28].
Modelo de Negócio para uma Pequena Empresa de Construção em França 45 3.4.3.5. Fornecedores Para o funcionamento de uma empresa o empreendedor, além de ter a necessidade de perceber onde se localiza a sua rede de clientes e as possíveis empresas concorrentes, tem que encontrar e contactar com os fornecedores de produtos ou matérias-primas para o desenrolar da sua atividade. Deve então, definir quem serão os seus principais fornecedores, onde é que se localizam a nível geográfico e verificar o modo de pagamento a cada fornecedor [28]. 3.4.3.6. Conclusões do Estudo de Mercado Através do estudo de mercado e da análise de dados estatísticos existentes consegue-se caraterizar qualitativamente e quantitativamente o mercado, de modo a perceber o seu funcionamento e assim posicionar o projeto do negócio num ambiente favorável, no qual se possa desenvolver e fazer evoluir a atividade de forma sustentada [28]. Com os resultados destes estudos, o empresário poderá averiguar a viabilidade do negócio de uma forma simples. Assim, se o mercado disponível representa um total de negócio superior ao limite de rentabilidade estipulado para empresa, a atividade possui as caraterísticas necessárias para se desenvolver num ambiente propício de evolução. Se por outro lado, o mercado potencial disponível representar um total de negócio igual à rentabilidade da atividade, o projeto possui algum risco e este deverá ser analisado introduzindo outros fatores de análise. Por último, se o mercado potencial for inferior ao limite de rendimento estabelecido para a empresa, o projeto deverá ser abandonado ou devem-se realizar alterações consideráveis, quer a nível de serviços ou produtos prestados, quer a nível da zona geográfica de ação do mercado [29]. 3.4.4. DEFINIR ESTRATÉGIA COMERCIAL Através do estudo de mercado realizado e de uma análise detalhada da informação recolhida acerca da definição dos serviços a prestar, dos clientes, da concorrência e dos fornecedores, o empresário encontra-se apto para definir a sua estratégia comercial. Assim, o empresário deve pensar na sua estratégia de marketing para cativar clientes e assim fazer face aos seus concorrentes. Para isso, deve adaptar a gama de serviços aos perfis dos clientes observados aquando do estudo da estrutura do mercado. Além disso, nesta fase deve também determinar os meios humanos ou recursos necessários para o bom funcionamento da empresa de modo a que seja satisfeita a procura [28][30]. Com a definição da estratégia comercial fica resumido o modo de atuação da empresa no mercado, sendo esta ferramenta bastante útil pois ajuda a clarificar as ideias e a auxiliar na tomada de decisões futuras [28]. 3.4.5. AS AÇÕES COMERCIAIS Para dar resposta à estratégia comercial elaborada, o empresário poderá organizar mecanismos de divulgação da sua empresa e da sua atividade através de documentos publicitários, da imprensa local ou da imprensa especialista do setor. Muitas das vezes estes mecanismos publicitários acarretam grandes encargos financeiros e, por isso deve-se ter em conta se o produto obtido com esta publicidade é ou não rentável para a empresa [28][29].
Modelo de Negócio para uma Pequena Empresa de Construção em França 46 3.5. ELABORAÇÃO DO PLANO DE NEGÓCIOS A elaboração do plano de negócios é uma etapa importante na organização da informação e da documentação dos estudos realizados para a concretização e início do negócio, já que representa a concretização da ideia do projeto. A sua organização é importante pois permite apresentar de uma forma objetiva dados concretos do negócio. Caso tenhamos de nos auxiliar de parcerias económicas e recorrer ao crédito, a correta elaboração deste documento é importante para a apresentação e defesa do projeto, com vista a demonstrar a viabilidade do projeto facilitando as negociações [30]. Este deve ser redigido de uma forma clara, objetiva e organizado por temas. Numa primeira parte devem ser apresentados as generalidades do projeto e depois, nos seguintes capítulos, os diferentes estudos realizados como a atividade económica, financeira e jurídica. De seguida, na figura 3.6 apresentam-se os conteúdos específicos de cada atividade apresentada anteriormente [30]. Figura 3.6 - Composição de um plano de negóciaos, adaptado de [30] 3.6. ESTUDO FINANCEIRO As previsões financeiras possuem um papel importante no início de uma atividade comercial. Através deste estudo de previsão o jovem empresário poderá verificar se o capital que possui é suficiente para o início da atividade e averiguar se as receitas da empresa permitem fazer face às despesas e assim constatar a rentabilidade do projeto. Para isso, deverá elaborar um plano de financiamento inicial que consiste em avaliar os recursos financeiros disponíveis e as necessidades iniciais. Do mesmo modo deve elaborar uma conta de resultados, com caráter previsional, que permite estabelecer para os três primeiros anos os benefícios ou perdas da empresa através do balanço entre os gastos e as receitas. Desta forma, consegue estabelecer o valor mínimo de negócio que a empresa terá que realizar para não possuir perdas, para que seja possível cobrir todas as despesas existentes. Através da conta de âmbito previsional fica assim estimado o volume de negócios médio a efetuar [28],[29]. Da mesma forma, a um nível pormenorizado, deve elaborar um plano que permita avaliar as receitas e as despesas a nível mensal, o designado plan de trésorerie (plano de tesouraria), de modo a verificar se num determinado mês há desequilíbrios em relação às entradas e saídas de dinheiro [29]. Analisa-se de seguida ao pormenor todas as fases do estudo financeiro de forma a perceber o funcionamento e o modo de organização da informação, para obter conclusões concretas que auxiliem na tomada de decisões.
Modelo de Negócio para uma Pequena Empresa de Construção em França 47 3.6.1. PLANO FINANCEIRO INICIAL A elaboração do plano de financiamento inicial materializa-se numa tabela onde se enumeram todas as necessidades que o projeto necessita para o seu início e os recursos disponíveis para o seu desenrolar. Quadro 3.6 - Formulário para elaboração do plano de financiamento inicial, adaptado de [28],[30] Necessidades Valor Recursos Valor Custo de Criação Capital Social Inicial Compra de Materiais Empréstimos Realizados Compra de Veículos Capital Social Inicial / Reforço de Capital Compra de Equipamentos Capital Social Inicial/Reforço de Capital Etc… Etc… Total Total Assim no lado esquerdo da tabela encontram-se todas as compras e investimentos iniciais que o empresário tem que realizar para o início da atividade, e no lado direito os recursos disponíveis para fazer face ao investimento inicial. 3.6.2. CONTA DE RESULTADOS PREVISIONAL Através deste estudo o empresário deverá concluir se a sua atividade gera um montante de receitas suficientes para equilibrar as despesas devido aos meios humanos, aos materiais requeridos e a todas as outras despesas decorrentes da atividade. Tal como o plano de financiamento inicial o gestor deverá organizar a informação numa tabela como se apresenta de seguida: Quadro 3.7 - Exemplo de formulário para elaboração da conta de resultados previsional, adaptado de [28],[30] Débitos Ano1 Ano2 Ano3 Créditos Ano1 Ano2 Ano3 Salários Vendas Seguros Subvenções Taxas Sociais Produtos Financeiros Publicidade Etc… Água / Eletricidade Impostos Etc… Total: Total: Como se pode constatar no lado esquerdo da tabela encontram-se o total de despesas do exercício da atividade como despesas de exploração, de compras realizadas, impostos ao estado, custos com o pessoal, assim como débitos devido às despesas financeiras. No lado direito da tabela encontram-se os créditos resultantes das vendas de produtos ou serviços prestados. Assim, através da diferença entre os créditos e os débitos da atividade previstos para os três primeiros anos conclui-se se a atividade irá obter benefícios suficientes para considerar a empresa rentável.
Modelo de Negócio para uma Pequena Empresa de Construção em França 48 3.6.3. PLANO DE TESOURARIA Uma vez que durante a atividade de uma empresa os créditos e as despesas realizadas ao longo dos meses de um ano não se processam de uma forma homogénea e equilibrada é necessário averiguar quais serão os meses onde os débitos serão maiores que os créditos, ou a situação contrária. Através deste estudo o jovem gestor poderá analisar quais os meses em que será necessário maior necessidade de crédito para enfrentar as despesas mensais. Para isso, torna-se necessário elaborar uma nova tabela onde se enumerem mensalmente todos as entradas e saídas de dinheiro. Quadro 3.8 - Exemplo de formulário para elaboração do plano de tesouraria, adaptado de [28],[30] Plano de Tesouraria janeiro fevereiro março etc Saldo no início do mês (+/-) (1) Entradas do mês (2) Vendas IVA Empréstimos Etc… Saídas do mês (3) Pagamentos de materiais Impostos IVA Investimentos Salários Etc… Saldo (1) +(2) - (3) Através da análise deste quadro pode-se concluir se as receitas da empresa ao longo do ano permitem compensar os pagamentos realizados no mesmo período. 3.7. A ESCOLHA DO ESTATUTO JURÍDICO DA EMPRESA A escolha do estatuto jurídico de uma empresa é uma tarefa importante para que a empresa adquira realmente a sua identidade. Nesta decisão deve-se ter em conta um conjunto de critérios tais como a forma de proteger o património pessoal, o estatuto social e fiscal e as possibilidades de obter acesso a apoio financeiro [28], [29]. Em França existem vários estatutos jurídicos para as empresas criadas consoante o seu tamanho e capital associado. As formas jurídicas mais vulgares são as que se apresentam de seguida. 3.7.1. L´ENTREPRISE INDIVIDUELLE - EI Este estatuto jurídico também conhecido por “empresa em nome próprio” ou mesmo “ empresa em nome pessoal” é a forma jurídica mais simples e mais utilizada atualmente em França. Este tipo de empresas são criadas por uma só pessoa sem ser necessário um capital mínimo obrigatório. Desta forma o empresário dispõe de todos os poderes para dirigir a sua empresa e tomar todas as decisões ne-
Modelo de Negócio para uma Pequena Empresa de Construção em França 49 cessárias. Este estatuto é utilizado por empresas de pequena dimensão. Carateriza-se por não ser necessário juridicamente qualquer capital, ou seja o capital da empresa confunde-se com o capital pessoal do empresário. Apesar disso, atualmente, devido à alteração da lei em 24 de março de 2004, o empresário individual pode proteger a sua habitação principal das ações judiciais dos credores se efetuar uma declaração de impenhorabilidade perante um notário. O empresário possui assim a qualidade de trabalhador não salariado. Este tipo de estatuto é utilizado em atividades comerciais, liberais, artesanais e agrícolas entre outras. O empresário encontra-se apenas submetido aos impostos sob os rendimentos (L´IR-impôt sur le revenu) na categoria dos benefícios industriais e comerciais ou nos benefícios não comerciais, imposto este utilizado em França. A nível social o empresário não está abrangido pelo subsídio de desemprego, mas tem a possibilidade de o subscrever por sua conta, através de um seguro [28], [29], [30]. 3.7.2. L´ENTREPRENEUR INDIVIDUEL À RESPONSABILITÉ LIMITÉE - EIRL Este tipo de estatuto distingue-se do estatuto de empresa individual, pois destina-se a empresários individuais que decidem limitar as suas responsabilidades em relação ao património pessoal que fica afeto à sua atividade. Isto é, o património pessoal do empresário não fica comprometido, pelo que apenas o património afeto à atividade pode ser, em caso de necessidade, penhorado pelos credores. Tal como os empresários individuais, este tipo de estatuto beneficia do regime social de trabalhador não salariado. O empresário terá que optar pelo imposto sobre os rendimentos ou pelo imposto sobre as sociedades. Caso utilize o impôt sur les sociétés não é obrigado a criar uma personne morale, no entanto o empresário tem que ter em conta que a nível contabilístico a atividade profissional é independente e o património afeto possui uma contabilidade autónoma. Por outro lado tem que criar uma conta bancária exclusivamente para a atividade em causa [28]. 3.7.3. LA SOCIÉTÉ EN NOM COLLECTIF - SNC É uma sociedade dirigida por um ou mais gerentes, a qual não possui um capital mínimo obrigatório. Todos os associados, sem exceção, têm responsabilidade sobre as dívidas da sociedade que recaem sobre os seus bens pessoais. Os associados reúnem pelo menos uma vez por ano em assembleia geral. Todas as decisões são tomadas por unanimidade [29]. Este tipo de estatuto está associado às atividades comerciais, liberais, artesanais e agrícolas, com exceção de algumas atividades como é o caso das seguradoras [28]. 3.7.4. LA SOCIÉTÉ À RESPONSABILITÉ LIMITÉE - SARL A SARL é uma sociedade gerida por um ou mais gerentes e composta no mínimo por dois associados e com um máximo de 100 associados, em que a sua responsabilidade financeira é limitada ao valor das suas cotas do capital total. Do mesmo modo, a divisão por cotas vai determinar o poder de cada associado no seio da empresa, assim como o seu estatuto social e fiscal. O capital social é livremente estabelecido pelos associados em função do tamanho, da atividade e das necessidades da empresa [28], [29], [30].
Modelo de Negócio para uma Pequena Empresa de Construção em França 56 Efetivamente, como já referido anteriormente, a empresa possui dois sócios que ocupam o lugar da direção. Já na produção é constituída por três conducteurs de Travaux e um ajudante e dez chefs de chantier. No que concerne ao pessoal operário este divide-se em pedreiros, serventes de pedreiros, gruistas e especialistas em cofragens sendo no total cerca de 90 operários. Em relação aos serviços administrativos, a empresa possui dois encarregados de negócios, três agentes comerciais responsáveis pela orçamentação e pelos preços relacionados com a empresa, três responsáveis pelo serviço administrativo da empresa destacando-se um encarregado pela contabilidade, um assistente técnico e um encarregado por realizar as encomendas e comunicar com os fornecedores. No total o pessoal efetivo da empresa são 114 funcionários. 4.2.2. ORGANIZAÇÃO FUNCIONAL DE UMA OBRA DE CONSTRUÇÃO - MEIOS HUMANOS Quando a empresa vence determinado concurso e inicia a logística de preparação da obra a nível administrativo e técnico cria grupos de trabalho internos. Estes são compostos pelos diversos intervenientes necessários que se organizam de modo a gerir e a planear os trabalhos para que possam avançar os trabalhos. Tal como se pode observar pela figura 4.2 a empresa organiza-se da seguinte forma. Figura 4.2 - Organograma funcional de uma obra adjudicada pela empresa Maître d´ouvrage Dono de Obra Direção 1 Chef de Projet 1 Conducteur de Travaux 1 Chef de Chantier 1 Responsável Administração e Gestão 1 Responsável Qualidade, Segurança e Ambiente 1 Chef d´Equipe Operários Subempreiteiro 1 Subempreiteiro 2 Subempreiteiro 3
Modelo de Negócio para uma Pequena Empresa de Construção em França 57 No momento da decisão da realização de uma obra o dono de obra contacta um gabinete de peritos, tal como já apresentado anteriormente designado por maître d´oeuvre. Estes possuem competências técnicas capazes de traduzir a ideia e o objetivo do promotor num projeto. Depois de se desenvolver todas as etapas do projeto em fase de conceção, o dono de obra procura e seleciona através de um concurso a empresa concorrente que possui melhores caraterísticas técnicas e a melhor oferta a nível de preços para realizar o projeto. Depois da seleção contacta a direção da empresa para resolver todos os pormenores legais e contratuais. Após negociações preliminares, a direção da empresa organiza a equipa de intervenientes que terão a seu cargo a organização e gestão da obra. Cada equipa é constituída por um chefe de projeto, um conducteur de travaux, um chef de chantier, um chef d´equipe e os diferentes operários. O chefe de projeto é auxiliado por um responsável administrativo e ao nível de construção intervêm entidades fiscalizadoras como é o caso do responsável de segurança e saúde no trabalho. Por seu turno, a massa produtiva da empresa auxilia-se de subempreiteiros para realizar trabalhos específicos para os quais a empresa não possui técnicos ou equipamentos especializados para os realizar, ou noutras situações quando a subcontratação é mais económica. Contudo, quando a empresa possui grande volume de obras e os seus operários não são suficientes para a realização dos trabalhos em que a empresa é especializada gros oeuvre recorrem a agências de trabalho temporário. Estas agências de trabalho caraterizam-se por possuir trabalhadores que procuram trabalho e sujeitam-se a trabalho temporário designado em Francês por ínterim. Na região é muito comum encontrar trabalhadores em regime de interim, pois é uma forma prática para os empresários terem acesso à mão de obra quando possuem muito trabalho. Contudo, isto traz alguns problemas como a criação de desemprego e diminuição da qualificação dos trabalhadores. Alguns exemplos dessas agências de trabalho na zona de estudo são Monte Carlo Interim, MI, Inter Plus etc. 4.2.3. FUNÇÕES ATRIBUÍDAS PELA EMPRESA A CADA INTERVENIENTE EM OBRA Anteriormente, no capítulo três procedeu-se a uma caraterização exaustiva das tarefas e competências de cada interveniente na estrutura organizacional de uma empresa. Porém, e como referido, essas funções variam com a divisão hierárquica e dimensão da empresa, de tal modo que de seguida apresentam-se as funções atribuídas pela direção da empresa Ribeiro Frères a cada interveniente nos trabalhos realizados em obra. 4.2.3.1. Diretor de Trabalhos A obra e o estaleiro são da responsabilidade do diretor de trabalhos, função esta assumida pela direção. Estes representam a empresa Ribeiro Frères junto do dono de obra e junto dos técnicos responsáveis pela gestão do projeto, têm assim responsabilidade sob a gestão do contrato, direção de toda a equipa e pela gestão dos serviços internos e externos associados à obra. 4.2.3.2. Conducteur de Travaux Sob a responsabilidade do diretor de trabalhos surge o conducteur de travaux que assegura a gestão das obras que lhe foram confiadas e que possui as seguintes funções: Representar a empresa junto dos representantes do promotor na obra; Efetuar as compras e encomendas necessárias para a obra; Controlo interno do estaleiro e da obra, auxiliando-se do chef de chantier; Assegurar e resolver os processos de não conformidade em obra; Controlar o equilíbrio entre as despesas e as receitas sobre sua competência;
Modelo de Negócio para uma Pequena Empresa de Construção em França 58 Otimizar a programação dos trabalhos; Aprovar os planos de execução estabelecidos pelo cliente; Assegurar a formação dos trabalhadores temporários e técnicos presentes em obra sob o ponto de vista técnico e de segurança; Garantir a conformidade, segundo as exigências do cliente; Assegurar juntamente com o chef de chantier e o técnico de qualidade a formação do pessoal operário acerca das evoluções a nível de materiais e equipamentos; Juntar e arquivar todos os documentos destinados ao dossiê de obra. Em suma, possui assim todas as responsabilidades técnicas e de gestão em obra, contudo é auxiliado pelo chef de chantier que ao contrário do conducteur de travaux encontra-se sempre presente em obra. 4.2.3.3. Chef de Chantier O chef de chantier desenvolve as suas tarefas sob a autoridade do conduteur de travaux e possui as seguintes funções: Garantir a aplicação e o controlo em obra do plano de segurança e qualidade; Vigiar as competências do pessoal operário em relação à boa execução dos trabalhos que realizam; Garantir a boa execução dos trabalhos e o respeito das instruções comunicadas pelo conducteur de travaux. 4.2.3.4. Chef d´Equipe O Chefe de equipa tem por função comandar a sua equipa de operários, recebendo instruções do Chef de chantier. 4.2.3.5. Operários As funções principais dos operários são as seguintes: Assegurar a execução e todas as operações necessárias para a realização dos trabalhos; Respeitar ordens transmitidas pelos seus superiores hierárquicos; Garantir a correta execução dos trabalhos, informando o chef d´equipe quando ocorre algum problema. 4.2.3.6. Subempreiteiros Auxílio no trabalho de gros oeuvre, ou em trabalhos nos quais a empresa não é especialista; 4.2.3.7. Responsável da Administração e Gestão Gestão e contabilidade corrente da obra; Aprovação e realização dos contratos com os subempreiteiros; Auxilia o conducteur de travaux a nível de secretariado. 4.2.3.8. Responsável de Qualidade e Segurança em Obra Fiscalizar e prevenir possíveis riscos relacionados com a segurança ao longo da construção da obra;
Modelo de Negócio para uma Pequena Empresa de Construção em França 59 Presença pontual em obra com o objetivo de garantir o cumprimento das regras de execução pelas equipas de trabalho. Em suma, a empresa Ribeiro Freres ao longo da sua atividade organiza os seus meios humanos da forma descrita nos parágrafos anteriores contudo, dependendo do tipo e dimensão da empreitada, esta pode ser alterada de modo a adaptar-se às novas circunstâncias. Carateriza-se por possuir uma organização bastante habitual nas empresas de gros oeuvre de menor dimensão em França. Após apresentação do modelo organizacional e dos meios humanos da empresa, apresentam-se os materiais e equipamentos que a empresa possui para a realização dos seus trabalhos. 4.2.4. EQUIPAMENTOS Para a realização dos trabalhos a empresa necessita, além dos meios humanos, de um conjunto de equipamentos e materiais. A empresa em questão possui a maioria dos materiais/equipamentos necessários à atividade, contudo quando necessita de equipamentos específicos que não possui no seu estaleiro central recorre a empresas de aluguer. O aluguer de equipamentos é comum na maioria das empresas francesas de construção, isto é explicado porque a maioria das empresas são de pequena dimensão e não possuem capacidade financeira para comprar equipamentos pois muitos deles são muito caros. Por outro lado, alguns equipamentos possuem funções muito específicas sendo utilizados apenas em trabalhos muito esporádicos. Por essa razão torna-se mais rentável para a empresa o aluguer do equipamento em vez da compra, devido aos custos de compra e manutenção. Os seus equipamentos e materiais encontram-se num estaleiro central (dépôts) à disposição dos responsáveis dos estaleiros das diferentes obras quer sejam chefs de chantier ou os conducteurs de travaux que gerem entre si a utilização dos diferentes equipamentos para as obras ao longo do tempo de construção. Apresentam-se de seguida os diferentes equipamentos que a empresa Ribeiro Fréres possui no seu estaleiro central para a realização dos diferentes trabalhos. Quadro 4.1 - Equipamentos e Materiais da Empresa Tipo Nome Quantidade Veículos Veículos Comerciais 5 Transporte de Passageiros 12 Transporte pequenas Mercadorias 9 Instalações Provisórias Pré-fabricado (escritórios, refeitórios, armazém, Etc.) 14 Contentores 9 WC 3 Equipamentos Demolição e Movimentação de Terra Camião de Carga 3.5 Toneladas 4 Camião de Carga 19 Toneladas 1 Dumper de Rastos 1 Mini Pá Carregadora 4 Pá Carregadora 1 Miniescavadoras 6 Martelos Hidráulicos 3 Equipamentos de Elevação Empilhador 1 Guindastes -
Modelo de Negócio para uma Pequena Empresa de Construção em França 60 Tipo Nome Quantidade Cofragens e Segurança Banches Metálicas 2000 m2 Banches Portáteis de Alumínio - Escoras - Andaimes 5000 m2 Fabrico de Betão Centrais de Betão 4 Agulhas Vibradoras 8 Betoneiras 10 Outros Equipamentos Geradores 2 Máquina de Projeção 3 Compressores 5 Depósito Resíduos 12 Bombas de Água 10 Máquinas Diversas - Constata-se que a empresa possui a grande maioria dos equipamentos necessários para a construção de um edifício no que respeita a construção da infraestrutura e da superestrutura. Salientam-se os equipamentos de demolição e movimentação de terras, além das centrais de betão, por serem equipamentos mais caros. Em relação aos veículos de transporte de passageiros, este dizem respeito a carrinhas de vários lugares para o transporte dos operários até à obra. Caso não houvesse transporte garantido para os operários a empresa teria que pagar a cada operário um valor extra para o seu transporte diário, cerca de 7euros /dia. Além do transporte e do material enumerado a empresa dispõe de pequenas ferramentas e equipamentos que são distribuídos por cada operário para realizarem os diferentes trabalhos dos quais são responsáveis além de equipamento de segurança. 4.3. EMPRESA DUMEZ CÔTE D’AZUR Dumez Côte d´Azur é uma empresa filial do grupo Vinci na área da construção pertencendo assim ao grupo Vinci Construction France responsável pela construção de todas as obras de construção civil em França metropolitana. Este grupo de empresas realiza obras de construção de edifícios, de engenharia civil, trabalhos hidráulicos e serviços. Contudo, esta grande empresa possui uma organização muito específica possuindo um grande número de empresas consoante a localização do mercado sendo por isso empresas de caráter regional e local. A empresa Dumez Côte d´Azur é assim responsável pelo mercado localizado na região de PACA no departamento dos Alpes Maritimes. Esta é especialista na construção de edifícios na especialidade de gros oeuvre e o seu mercado estende-se por toda a Côte d´Azur. Geralmente os seus trabalhos destinam-se aos promotores privados, porém também realizam edifícios de âmbito público, como a construção de habitação social. Além destes trabalhos, a sua atividade centra-se na construção de edifícios de habitação, comércio, parques de estacionamento e alguns trabalhos de reabilitação. Esta empresa possui a sua sede principal em Nice. É de média dimensão e foi fundada em 23 de novembro de 1998, possuindo um estatuto jurídico de Societé par Action Simplifiee (SAS) e um capital social de 450 000, 00 euros.
Modelo de Negócio para uma Pequena Empresa de Construção em França 61 4.4. OBRAS VISITADAS Além de perceber o funcionamento das empresas, dos meios humanos e técnicos necessários para o desenrolar da construção de um edifício, foi possível visitar algumas obras da subárea de gros ouevre que estão a ser construídas pelas empresas referidas anteriormente. Contudo, estas encontram-se em diferentes graus de desenvolvimento ao nível dos trabalhos. Por essa razão, no presente trabalho, apenas foram consideradas duas obras onde foi possível analisar a construção de dois tipos de edifícios de habitação diferentes, um de habitação multifamiliar e comércio e uma habitação unifamiliar. Em obra observou-se a forma como decorrem os trabalhos de construção, a forma como se organizam os trabalhos de infraestrutura e da superstrutura, nomeadamente o que diz respeito a cofragens, armaduras e betonagem dos diferentes elementos. Apresenta-se de seguida uma breve descrição das duas obras visitadas. 4.5. ESTUDO DE OBRAHABITAÇÃO UNIFAMILIARCAP FERRAT O edifício em construção diz respeito a uma habitação unifamiliar designada como “Villa Vega” localizada no departamento dos Alpes Maritimes em St Jean Cap Ferrat na Av Jean Mermoz. Os diferentes intervenientes envolvidos na construção da habitação são em grande número como se pode observar nos quadros seguintes. Quadro 4.2 - Diferentes intervenientes em obra Intervenientes Dono de Obra SCI Villa Vega Assistente Dono de Obra MADESCO Manegement Maitre d´Oeuvre Architectes Associès Controlo e Coordenação MADESCO Manegement Gabinete de Estudos Técnicos Estrutura de Betão B.A.B.E.T Gabinete de Controlo QUALICONSULT Gabinete de Estudos Técnicos Conseil Plus Ingénièrie Coordenador de Segurança e Saúde QUALICONSULT Como se pode observar pelo quadro 4.2, independentemente da dimensão do projeto são necessários vários intervenientes para a conceção, controlo e gestão do projeto. Todos eles participam de uma forma ativa no projeto desenvolvendo cada um as suas funções tal como descrito no capítulo 3. Quer sejam promotores, gestores de projetos ou mesmo fiscais, todos têm um papel ativo, tendo por objetivo a concretização do projeto com qualidade, respeitando assim a regulamentação e cumprindo o objetivo do promotor. Efetivamente, apenas com os intervenientes da fase de conceção o projeto não se concretiza. É na verdade necessário uma simbiose entre os projetistas e as diferentes empresas de prestação de serviços que participam na execução dos trabalhos das diferentes especialidades. Apesar do âmbito do trabalho se centrar na subárea de gros oeuvre apresenta-se na tabela seguinte as diferentes especialidades e empresas envolvidas na construção da habitação Villa Vega.
Modelo de Negócio para uma Pequena Empresa de Construção em França 62 Quadro 4.3 - Empresas que participaram na realização dos trabalhos das diferentes especialidades Especialidade Empresa Especialidade Empresa Demolição S.O.T.E.C.O Terraplanagens S.O.T.E.C.O. Gros Ouevre Ribeiro Freres Carpintaria - CoberturaRufos SARL C.C.M.E Eletricidade Ets PIGNATTA SAS Paredes de Alvenaria Ribeiro Freres Carpintaria exterior - Vidaria BCR Habitat Pichelaria - Sanitários - Aquecimento CPCP Elevadores Sud Ascenseurs Piscina Piscines Services São múltiplos os intervenientes que participam na fase de execução de um edifício como se pode verificar. Dessa forma, é necessário existir uma organização bem planeada dos trabalhos e do cumprimento dos prazos para que os trabalhos sejam realizados de uma forma correta cumprindo assim o disposto em projeto. Além disso, verifica-se que a empresa em estudo é responsável pelos trabalhos de gros oeuvre e pela construção das paredes de alvenaria assim como pela pavimentação necessária em torno da habitação. Apresenta-se de seguida uma breve descrição das principais caraterísticas da habitação em estudo. 4.5.1. BREVE DESCRIÇÃO DA ARQUITETURA DA HABITAÇÃO Os trabalhos de construção da habitação encontram-se em fase de acabamentos (second ouvre). Contudo durante a visita foi possível perceber, através de uma explicação, o modelo de construção da habitação, de modo a perceber os vários trabalhos de gros ouevre realizados. E, desta forma compreender o tipo de organização utilizado pela empresa Ribeiro Frères em relação aos trabalhos realizados, assim como aos modelos de negócio utilizados junto dos fornecedores. A habitação em causa encontra-se numa zona privilegiada, junto à marina de Cap Ferrat. O terreno de implantação apresenta-se delimitado na figura 4.3. Figura 4.3 - Terreno de implantação e localização da construção da habitação Villa Veja, adaptado de [31] Como se pode observar existia uma habitação no terreno onde atualmente se procede à construção da habitação, que foi demolida. Os dados relativos às áreas de construção assim como a altura da habitação apresentam-se resumidos no quadro 4.4:
Modelo de Negócio para uma Pequena Empresa de Construção em França 63 Quadro 4.4 - Dados gerais das licenças de construção Construção de Habitação e Piscina Área do Terreno 1189 m2 Área de Implantação 720 m2 Área de Demolição 440 m2 Altura 9 m Tal como se pode verificar através da análise do quadro 4.4, o terreno onde se situa a habitação possui cerca de 1189 m2, conforme representado na figura 4.3. Para a construção da habitação houve necessidade de realização de trabalhos de demolição da habitação existente. Após demolição procedeu-se à construção da habitação que possui uma área de implantação de 770 m2 e uma altura de 9 m, para além das duas caves, tal como é referido no quadro anterior. Figura 4.4 - Vista em corte da habitação em estudo Figura 4.5 - Planta do terreno e do rés do chão da habitação Como se pode constatar pelas figuras 4.4 e 4.5 a habitação é de grandes dimensões, possui 5 pisos, dois deles subterrâneos, mais rés-do-chão e dois pisos superiores. No seu exterior possui uma piscina voltada a sul e alguns anexos.
Modelo de Negócio para uma Pequena Empresa de Construção em França 64 De seguida apresentam-se os diferentes alçados da habitação onde se pode ver a dimensão da habitação. Figura 4.6 - Diferentes alçados da habitação em estudo A arquitetura da habitação divide-se da seguinte forma pelos diferentes pisos da habitação. O Piso -2 tem ligação com a rua a norte, e nesse piso localiza-se o local técnico da habitação onde encontramos todos os equipamentos de aquecimento, ventilação, máquinas da piscina entre outros, a garagem, lavandaria e dispensa. O Piso -1 constitui o local onde se vai localizar a sala de ginásio, sala de massagem, SPA, sala de cinema, um pequeno quarto, uma casa de banho e uma pequena cozinha. No rés-do-chão está a ser construída a sala de estar, um bar, o escritório, a casa de banho principal e a cozinha. O piso 1 divide-se em três quartos, com casa de banho e vestiário além de uma sala de arrumos. O piso 2 destina-se única e exclusivamente para uma suite que possui casa de banho, vestiário sala de estar e uma pequena biblioteca ocupando toda a área do piso. Já no exterior existe um anexo junto à piscina com uma sala e uma casa de banho. Como se pode constatar pela descrição a habitação é de grande dimensão com divisões amplas de grande dimensão com certos pormenores que tornam a habitação numa habitação de luxo. Alçado Norte Alçado Sul Alçado Este Alçado Oeste
Modelo de Negócio para uma Pequena Empresa de Construção em França 65 4.5.2. TRABALHOS DE GROS OEUVRE Os trabalhos de gros oeuvre na construção desta habitação possuem caraterísticas especiais e diferentes dos edifícios multifamiliares e mesmo das habitações unifamiliares comuns. Na verdade os pisos enterrados, a cobertura e a piscina foram realizados em betão armado enquanto as paredes exteriores e interiores foram construídas com blocos com caraterísticas especiais. Apresentam-se de seguida os dois tipos de construção, assim como os diferentes materiais utilizados, explicando de forma sucinta a forma como a empresa realiza a gestão dos trabalhos e encomenda os materiais aos fornecedores. 4.5.2.1. Betão Armado O betão armado utilizado para a construção deste edifício foi utilizado para a construção das fundações, das lajes, das paredes e pilares dos dois pisos localizados abaixo do solo, escadas interiores, caixa de elevadores e a cobertura do edifício. O betão é comprado a empresas de fornecimento de betão uma vez que, apesar da empresa possuir centrais de betão, não havia espaço no estaleiro para a localização das mesmas. Caso houvesse espaço no estaleiro para implantação da central de betão o betão seria fabricado em obra, exceto se o projeto exigisse um tipo de betão com caraterísticas especiais. Nestas situações é necessário a compra do betão em empresas especializadas. A empresa trabalha com várias empresas de fornecimento de betão localizadas na região, tais como LAFARGE Bétons Cote d´Azur, BETON de France, CEMEX, VICAT e LBN béton estas fabricam e transportam o betão até à obra em auto betoneiras que transportam em média entre 4 e 6 m3 por carga. Após chegada do betão à obra o responsável em obra (o chef de chantier) controla a guia de remessa, que especifica a hora de fabrico do betão, o tipo de betão e o volume transportado. Esporadicamente realizam-se ensaios simples para a verificação da qualidade do betão. Após todos os controles necessários procede-se então à descarga do betão e à realização da betonagem. A betonagem é realizada pelos operários da empresa e o transporte desde a auto betoneira até ao elemento a betonar é realizado com a grua. Para betonagem é assim necessário algum material específico, além do material de segurança pessoal, como por exemplo: Grua; Balde para betão; Vibrador; Espátulas para nivelar; Material de pedreiro (colher de pedreiro, talocha, etc). Todos estes equipamentos e materiais pertencem ao estaleiro da empresa, exceto a grua e os seus acessórios nomeadamente o balde para betão que são alugados a empresas especializadas no aluguer de equipamentos deste tipo como é o caso da empresa POTAIN. O preço por metro cúbico de betão na região varia entre os 80 e os 100 euros/m3, e o pagamento às empresas fornecedoras é realizado a 45 dias. Este é o modo normal de funcionamento quando o betão é comprado a empresas de fornecimento de betão. Caso o betão seja fabricado no próprio estaleiro a empresa de gros ouevre tem que possuir ou realizar o aluguer de uma central de betão, além de ter que comprar a matéria prima para o seu fabrico, nomeadamente cimento e inertes. As empresas que não possuem centrais de betão e optam pelo fabrico próprio do betão, devem realizar um estudo para perceber se é mais rentável o aluguer da central e o fabrico em obra, ou a compra do
Modelo de Negócio para uma Pequena Empresa de Construção em França 72 Os tijolos os elementos mais vulgares são produzidos com argila e tem de dimensões 37.3 x 30.0 x 24.9 cm e um peso de cerca de 20 kg / tijolo, torna as paredes bastante resistentes. Na verdade um tijolo pode resistir à compressão a cerca de 80 toneladas. Além da resistência, o material é muito utilizado em França uma vez que possui excelentes caraterísticas acústicas e térmicas, não necessitando de qualquer isolamento térmico, respeitando assim os novos requisitos regulamentares a nível térmico, mas também o ambiente pois é um material 100% natural. Por outro lado, permite uma ventilação global do edifício não permitindo o desenvolvimento de condensações. O único inconveniente é o seu custo, este varia entre 2.70 € e os 3 € por tijolo . Contudo é um sistema construtivo com muito boas caraterísticas. Na figura 4.15 representam-se as principais etapas da construção de uma parede monomur. Figura 4.15 - Sistema construtivo monomur [33] Após a construção da respetiva laje, onde vai ser construída a parede, procede-se à colocação da argamassa de cimento que servirá de base à parede monomur. De seguida, assenta-se a primeira fiada de tijolos. Posteriormente, faz-se o cimento cola próprio com auxílio do misturador elétrico até obter uma consistência fluída. Este cimento cola é utilizado para colocação de todas as outras fiadas. Para isso, é utilizado um pequeno equipamento onde é vertido o cimento cola, este permite a realização de uma junta com espessura constante ao longo de toda a fiada que servirá para colocação da fiada seguinte tal como representado na figura 4.15. Esta técnica construtiva, apesar de ser uma atividade especial e bastante pontual da subárea da gros oeuvre está a tornar-se bastante habitual na construção de edifícios de habitação. Isto devido às suas
Modelo de Negócio para uma Pequena Empresa de Construção em França 73 caraterísticas higrotérmicas que fazem com que seja um material que respeita a nova regulamentação térmica (RT2012-réglementation thermique) que entra em vigor em janeiro de 2013 e tem por objetivo limitar o consumo energético dos edifícios novos. 4.6. ESTUDO DE OBRA - HABITAÇÃO MULTIFAMILIAR - ANTIBES Apresenta-se de seguida uma breve descrição da obra visitada e os principais trabalhos realizados pela empresa responsável pela gros oeuvre empresa Dumez Côte d´Azur. O edifício SYRACUSE é um edifício de habitação e comércio no rés-do-chão, localizado no número 15 da Avenue Mirabeau em Antibes, departamento dos Alpes Maritimes. Figura 4.16Simulação da arquitetura do edifício Esta obra localiza-se a cerca de 100 metros de um porto de mar, e está a ser implantada num terreno onde existia um conjunto de edifícios que foram demolidos para a execução do edifício. Figura 4.17Terreno de implantação e localização do edifício Syracuse, adaptado de [31]
Modelo de Negócio para uma Pequena Empresa de Construção em França 74 a)Fachada o edifício a Construir Figura 4.18Construção do edifício multifamiliar SYRACUSE Na figura 4.18 encontra-se delimitado a localização do lote assim como os edifícios demolidos. O terreno tem uma área aproximada de 1468 m2. Os diferentes intervenientes responsáveis pela conceção do projeto, assim como os responsáveis pelo controlo e coordenação do projeto em fase de execução, apresentam-se no quadro seguinte: Quadro 4.5Intervenientes responsáveis pela obra Intervenientes Dono de Obra Franco Hollandaise Controlo e Coordenação BET. O.OCTOBON Maitre d´Ouevre BET. O.OCTOBON Gabinete de Controlo QUALICONSULT Gabinete de Estudos Técnicos Estrutura de Betão BET OBADIA Coordenador de Segurança e Saúde QUALICONSULT Arquiteto M Foussat - - Ao contrário do que acontece na habitação unifamiliar apresentada anteriormente, a empresa Dumez apenas é responsável pelos trabalhos de gros oeuvre. Todos os outros trabalhos são realizados por empresas contratadas pelo promotor para o efeito. Os trabalhos realizados dizem assim respeito à construção da infraestrutura e da superstrutura e pequenos acabamentos ao nível dos trabalhos de betão armado. Os acabamentos em betão armado correspondem a correções de defeitos e melhoria do acabamento superficial das estruturas de betão, que em França se designa por ragréage. O promotor do empreendimento é privado. No entanto, e devido a regulamentação francesa e a alguns interesses do promotor, uma percentagem da área construída destina-se para uso público. O tempo previsto para os trabalhos de gros oeuvre são nove meses, e o montante previsto para a realização da obra é de cerca de 3 milhões de euros. 4.6.1. BREVE DESCRIÇÃO DA ARQUITETURA DO EDIFÍCIO O edifício é constituído por três blocos. O bloco 1 e o bloco 2 são constituídos por rés-do-chão mais 5 pisos, com cerca de 600 m2 por piso em que o rés-do-chão destina-se a escritórios e comércio e os restantes pisos destinam-se à construção de 25 habitações. Por sua vez o bloco três possui, de igual modo no rés-do-chão escritórios e comércio. O primeiro piso destina-se à implantação do CCAS (Centre communal d'action sociale) e do segundo ao quinto piso destina-se a 15 habitações sociais, cada piso com uma área aproximada de 300 m2.
Modelo de Negócio para uma Pequena Empresa de Construção em França 75 Além dos pisos superiores os três blocos possuem em comum três pisos enterrados destinados a caves e a garagens privativas com uma área de 1400 m2 por piso. Através da visita a esta obra foi ainda possível constatar o modo de funcionamento da empresa a nível de organização e gestão de uma obra. Do mesmo modo foi possível perceber quais as etapas, os materiais e equipamentos mais importantes da gros oeuvre. Esta obra carateriza-se por ser toda ela construída em betão armado. 4.6.2. TRABALHOS DE GROS OEUVRE A empresa Dumez Cote d´Azur sendo uma filial da Vinci Construction France possui um modelo de organização e de gestão das obras adjudicadas diferente da empresa Ribeiro Fréres. Enquanto a empresa Ribeiro Fréres faz a gestão do orçamento de uma obra de uma forma autónoma, a empresa Dumez, como atua de uma forma regional, tem um papel de intermediária entre o promotor e a empresa geral Vinci Construction. Assim, quando uma obra é adjudicada pela empresa Vinci no departamento dos Alpes Maritimes a sua gestão e execução é entregue à empresa Dumez Côte d´Azur. É atribuído um orçamento para a realização da obra, e a empresa Dumez tem assim que ser capaz de gerir a construção da obra da forma mais rentável para a empresa, seguindo determinadas regras. Exemplo de algumas regras é o modelo de aluguer do material de cofragem, do material de segurança, das gruas e dos vários equipamentos necessários para a realização dos trabalhos. Estes são alugados a uma empresa pertencente ao grupo Vinci especializada apenas no aluguer de material e equipamentos, funcionando deste modo como estaleiro central. Muitas das vezes os preços praticados pela empresa estaleiro, pertencente ao grupo, são mais caros que os praticados por empresas comuns, exteriores ao grupo. No entanto, são obrigadas a alugar o material ao depósito, exceto se não existir disponível o material necessário de momento no estaleiro central. O material utilizado depende das caraterísticas e das necessidades da obra. No quadro 4.6 pode ser analisado o custo do aluguer diário de alguns materiais presentes na obra em causa relativos ao mês de setembro de 2012, valor pago pela Dumez ao depósito central. Quadro 4.6Custos de aluguer de alguns materiais para a obra Syracuse Designação Quantidade Preço /Unidade /dia (€) Banche 1.25m 27 3.85 Banche 2.50m 7 2.60 Banche 0.625 m 6 1.70 Banche transportável 270/90 18 1.75 Compasso de Estabilização 27 1.45 Escoras 170/300 400 0.07 Escoras Stab 20 0.30 Balde de betão 1 2.30 Vigas de Madeira (2.90 e 2.40) 660 0.06 Pilares de segurança laje 62 0.06 Macaco de pé 100 0.03 Torres (diferentes elementos) 10 0.35 Total 289.12
Modelo de Negócio para uma Pequena Empresa de Construção em França 76 As banches referidas no quadro 4.6 são utilizadas para cofragem das paredes realizadas em betão armado tal como se pode observar na figura 4.7. Por outro lado as escoras, as torres e as vigas de madeira são utilizadas para o escoramento das cofragens, nomeadamente das lajes. Os “compassos” de estabilização são mecanismos que servem de suporte para duas banches utilizadas na cofragem de uma parede. a)“Compasso” de estabilização para banches Figura 4.19Mecanismo designado por Compasso utilizado para a estabilização e banches metálicas Estes permitem criar um sistema único com as duas banches para cofrar um tramo de parede a construir, facilitando a sua montagem e o transporte com a grua como se observa na figura 4.19, otimizando desta forma o tempo de construção O valor total diário do aluguer do material descrito é de cerca de 290 € o que perfaz um total de cerca de 8000 € mensais. Observa-se desta forma o custo elevado que uma obra acarreta para a empresa de construção. Estes valores obrigam a uma gestão correta do tempo de permanência dos equipamentos em obra de modo a rentabilizar ao máximo o lucro da empresa com a obra adjudicada. 4.6.2.1. Modelo Construtivo utilizado. Como referido anteriormente o edifício em causa foi todo ele construído em betão armado. Este é o método mais utilizado pela empresa de construção e o método mais habitual em França. Apesar do elevado valor do betão gasto, este método torna-se rentável em comparação com o preço da mão-deobra, uma vez que se torna muito mais rápida a construção do edifício. O rendimento médio diário de construção da obra é cerca de 100 m2. Isto é possível pois os sistemas e métodos utilizados na gros oeuvre são bastante repetitivos. Descreve-se de seguida a metodologia e as etapas de construção utilizadas pela empresa. Após serem realizadas as terraplanagens necessárias e o terreno de implantação esteja devidamente regular, nivelado e em condições para se proceder ao início da construção, procede-se à marcação do edifício e das fundações no terreno. Para isso, realizam-se os trabalhos de marcação utilizando: As plantas da infraestrutura; A fita métrica; O fio de marcação; O teodolito / nível ótico.
Modelo de Negócio para uma Pequena Empresa de Construção em França 77 Após serem marcadas no terreno as sapatas do edifício, realizam-se os trabalhos de escavação e betonagem das mesmas e da laje térrea. No edifício em questão surgiram alguns problemas devido à sua localização próxima do mar. Quando se realizaram as escavações dos pisos inferiores houve a necessidade de realizar trabalhos de suporte de terras e de escoamento das águas com auxílio de quatro bombas. Além disso, antes da construção da laje térrea do piso -3, houve a necessidade de criar um sistema de drenagem das águas e uma impermeabilização especial utilizando mantas de bentonite. Estas possuem caraterísticas de impermeabilização quando em contacto com a água, ver figura 4.20. Figura 4.20Manta de bentonite utilizada para impermeabilização do ensoleiramento geral Após construção da laje inferior, procede-se à construção das paredes e das lajes superiores dos pisos enterrados, todas elas construídas em betão armado. Apresenta-se de seguida o procedimento de construção de uma laje e de uma parede tipo do piso dois, apresentando-se as caraterísticas e os pormenores construtivos. a) Realização de uma laje tipo Após construídas as paredes do piso um procede-se aos trabalhos de cofragem da laje do piso dois. Para isso utilizam-se os mesmos sistemas apresentados e utilizados para a habitação unifamiliar, recorrendo-se a cofragens não reutilizáveis constituídas por placas de contraplacado e o sistema de escoramento (escoras, torres de suporte, vigas de madeira, etc) tal como se mostra na figura 4.21:
Modelo de Negócio para uma Pequena Empresa de Construção em França 78 a) Sistema de escoramento com escoras, torres e vigas b) Cofragem de uma laje e de uma viga Figura 4.21Sistema de Cofragem de uma laje Depois de construídas as cofragens, procede-se à limpeza e à colocação das malhas de armaduras e dos respetivos espaçadores que garantem a espessura entre malhas. Por outro lado, são colocados os pequenos espaçadores que garantem o recobrimento das armaduras. Ao mesmo tempo são introduzidos os negativos para passagem dos fios de eletricidade pelos eletricistas especializados como se representa na figura 4.22.
Modelo de Negócio para uma Pequena Empresa de Construção em França 79 Figura 4.22Materiais e elementos colocados no interior da laje antes de realizar a betonagem Todos estes trabalhos são realizados pela equipa de operários da empresa Dumez. As armaduras utilizadas são em malha o que permite segurança, rapidez e economia de mão de obra. Todo o ferro é comprado a empresas especialistas no fornecimento que operam na região, sendo sempre compradas a empresas exteriores. O preço médio é cerca de 0.94€/Kg com dobragem. Por sua vez, os elementos de cofragem, como explicado anteriormente, são alugados à empresa que funciona como estaleiro central pertencendo ao mesmo grupo. O modelo de compra do betão, é o mesmo modelo utilizado pela empresa Ribeiro Fréres, ou seja, compram o betão a empresas externas, como por exemplo a VICAT. No entanto, caso haja espaço no estaleiro da obra, alugam centrais de betão à empresa do mesmo grupo e fabricam o seu próprio betão. O aluguer de uma central de betão é de cerca de 5000€/mês. Após colocação das armaduras procede-se à betonagem da laje. Os procedimentos, os materiais e os equipamentos utilizados pela empresa necessários para realizar a betonagem são os mesmos descritos anteriormente em relação à habitação Vila Veja. Ilustra-se na figura 4.23 a betonagem de uma laje na obra SYRACUSE. a) Malha de armadura b) Espaçadores horizontais para lajes c) Espessura entre armaduras inferiores e superiores c) Laje armada d) Pormenor, espaçador de armaduras e negativos para eletricidade
Modelo de Negócio para uma Pequena Empresa de Construção em França 80 a) Betonagem da laje b) Nivelamento do betão c) Laje antes de betonar d) Laje betonada Figura 4.23Trabalhos da betonagem de uma laje Depois de se realizar a betonagem e do betão ter ganho presa e se encontrar com as caraterísticas de resistência suficientes, o chef de chantier ou o chef d´equipe procedem aos trabalhos de marcação descritos anteriormente. Assim, procedem à implantação das paredes exteriores e divisórias na laje construída. Após marcação das paredes, da localização das portas e das janelas como referido nas plantas, os operários iniciam os trabalhos de construção das paredes e divisórias interiores. b) Realização de uma parede tipo Após a marcação das paredes na laje, os operários colocam no local onde será construída a parede em causa a cofragem respetiva. As cofragens utilizadas para este tipo de elementos são as banches metálicas. Primeiro é colocada uma banche no lado exterior da parede esta é limpa e lubrificada com óleo de descofragem. De seguida é colocada a armadura mais externa. Caso se trate de uma parede contínua, a armadura utilizada são as malhas utilizadas nas lajes (figura 4.22). Depois, o eletricista coloca os negativos para os fios de eletricidade e as caixas para pontos de luz. Posteriormente, colocam-se os espaçadores das malhas de armaduras, a segunda malha mais interior e os espaçadores que garantem o recobrimento. Fica então concluída a construção da armadura do elemento. Procede-se finalmente à colocação da segunda banche pelo lado interior.
Modelo de Negócio para uma Pequena Empresa de Construção em França 81 A banche exterior e interior são fixas à laje de piso através de escoras oblíquas com grandes parafusos de modo a suportarem o peso do betão e não tombarem aquando a betonagem. Além destes parafusos possuem outros parafusos na sua superfície, estes atravessam a parede e unem as duas banches. Depois da cofragem estar estabilizada procede-se à betonagem e vibração do betão, tal como se demonstra na figura 4.24. a) Armaduras e moldes (azuis) para parafuso de união das banches b) Colocação dos negativos para fios de eletricidade c) Pormenor de espaçador vertical para recobrimento d) Parafuso para união das duas banches e) Pormenor escoras obliquas de sustentação f) Betonagem da parede Figura 4.24Etapas e pormenores da construção de uma parede contínua de betão armado Após cura do betão a parede construída é descofrada e, como seria de esperar, nos locais onde o parafuso de união das banches atravessa a parede fica um orifício. Esses orifícios têm forma sempre constante devido à colocação de moldes plásticos com forma de cone onde o parafuso atravessa permitindo a sua retirada, no momento de descofragem . Estes orifícios são depois completados por elementos de betão prefabricados, ver figura 4.25 para que a parede fique com a sua superfície regular.
Modelo de Negócio para uma Pequena Empresa de Construção em França 88 O tempo que irá disponibilizar para a atividadese de início será a tempo inteiro ou a tempo parcial. 5.2.2. PRÉ-DIAGNÓSTICO DO PROJETO O empresário deverá construir e planear o seu projeto em relação aos serviços prestados, aos recursos humanos necessários, às finanças, às compras a realizar para que possa iniciar a atividade, ao modelo de marketing para promoção dos seus serviços, entre outros. Apresenta-se de seguida um quadro resumo de algumas preocupações que o jovem empresário terá que ter em atenção. Quadro 5.1Preocupações a ter em conta antes do início do Projeto, adaptado de [34] Preocupações Finanças Elaborar uma conta de exploração previsional Estabelecer um plano de tesouraria Determinar a rentabilidade económica e financeira Negociar os créditos necessários e as suas condições Determinar os prazos médios para recebimentos Determinar os prazos médios para pagamentos Organizar a contabilidade da empresa Compras Procurar fornecedores e negociar com eles Negociar prazos de pagamento Pesquisa e desenvolvimento Pesquisa sobre novos materiais e métodos construtivos Marketing Definir e procurar os clientes Pesquisar informação sobre o mercado Identificar concorrentes Demonstrar os seus serviços aos possíveis clientes Determinar os serviços a prestar Definir preços dos serviços Vendas Definir a imagem e qualidade do serviço Gestão Organizar a gestão da empresa Calcular e atualizar em permanência os investimentos Definir prazos de execução e faturação Montagem da empresa Estrutura jurídica da empresa Redigir os contratos comerciais e de emprego 5.2.3. PRÉ-DIAGNÓSTICO DA EMPRESA No momento da abertura de uma empresa é necessário, independentemente da estrutura organizacional adotada, subdividir as várias tarefas da empresa em diferentes campos de modo a atribuir responsabilidades aos diferentes intervenientes da empresa. Geralmente as principais divisões de uma empresa são [34]: Divisão Financeira - A divisão financeira deve ser responsável por realizar a gestão de tesouraria, elaboração de balanços, contas de exploração e orçamentos dos serviços para os clientes. Divisão Comercial - A divisão comercial é responsável pela divulgação dos serviços prestados pela empresa e por todas as tarefas que dizem respeito à comercialização dos serviços nas corretas condições. Divisão da Produção - Diz respeito à atividade da empresa no que se refere aos serviços prestados em relação às técnicas construtivas, materiais e equipamentos utilizados.
Modelo de Negócio para uma Pequena Empresa de Construção em França 89 Recursos Humanos - Esta divisão é responsável pela atribuição de tarefas, competências e responsabilidades aos funcionários, ou seja tudo o que diz respeito à gestão da equipa e dos diferentes intervenientes da empresa. Divisão de Gestão e Organização - Diz respeito à gestão da empresa por parte do empresário, constituindo a função central da empresa. 5.3. ASPETOS GERAIS 5.3.1. CARATERIZAÇÃO GERAL DA EMPRESA E DO SEU OBJETO DE TRABALHO Pretende-se criar uma pequena empresa de construção civil no sul de França na região de ProvenceAlpes-Côte-d´Azur, no departamento dos Alpes Maritimes num município próximo da cidade de Nice. A atividade da empresa será construção de edifícios, designado em França por bâtiment, na subárea de gros oeuvre realizando principalmente edifícios em betão armado, modelo mais utilizado em França. Os serviços principais prestados pela empresa deverão ser a realização de cofragens, montagem e colocação de armaduras, betonagem e realização de todos os trabalhos suplementares para a construção da superestrutura e da infraestrutura. Além destes trabalhos padrão, pretende-se alargar o campo de serviços prestados pela empresa a outras técnicas construtivas. 5.3.2. EXPERIÊNCIA ANTERIOR Para criar uma empresa deste tipo, especializada na construção civil é necessário que o empresário possua conhecimentos diversificados, principalmente conhecimentos técnicos de como funciona o setor da construção em França, os modelos de trabalho das empresas e o mercado alvo, entre outros. Nesse sentido, é necessário perceber a forma de construção de um edifício, os diferentes modelos e técnicas construtivas, os materiais e os equipamentos. Por outro lado, deve conhecer aspetos regulamentares e legislativos relacionados com a construção de edifícios, além de realizar pelo menos uma pequena formação em gestão de empresas. É aconselhado o empresário ter pelo menos cinco anos de experiência no setor da construção, quer seja a nível de conceção ou a nível direção de obra. 5.3.3. MOTIVAÇÕES E OBJETIVOS O empresário deve perceber quais são as suas motivações e os seus objetivos profissionais. Tal como referido anteriormente, o empresário deve possuir formação inicial assim como conhecimentos na área onde pretende desenvolver o negócio. Este grau de qualificação do empresário deverá ser visto como uma vantagem sobre os seus concorrentes. Na verdade, os empresários de empresas semelhantes na região não possuem formação em gestão de empresas, apenas possuem alguns conhecimentos técnicos pouco polivalentes, sendo por isso empresas muitas vezes com deficientes estratégias comerciais. Com a empresa em causa, pretende-se tornar o modelo empresarial das pequenas empresas de construção em França mais qualificadas e mais evoluídas tentando dessa forma uniformizar o modelo empresarial atual. Na verdade, as pequenas empresas apenas são subcontratadas pelas empresas de maior dimensão para a realização dos trabalhos (produção) e as grandes empresas funcionam como empresas de angariação de obras e gestão das mesmas, ficando assim com a maior fatia dos lucros. Numa primeira fase pretende-se trabalhar como empresa subempreiteira (apenas de produção) para empresas de maior dimensão, de modo a aumentar os conhecimentos técnicos na atividade, obter contactos com os clientes e só numa segunda fase, caso o negócio evolua positivamente, continuar a atividade de uma forma mais autónoma.
Modelo de Negócio para uma Pequena Empresa de Construção em França 90 No entanto, antes de partir para o desenvolvimento do projeto, o empresário deve perceber se possui o perfil ideal para gerir o negócio. Além disso deve refletir se o risco que o negócio acarreta e se possui vantagens em comparação com a situação profissional atual, uma vez que um negócio possui vários riscos e requer um controlo continuado a nível de investimentos. Por essa razão, deve fazer contas para perceber se o que espera ganhar com o projeto é superior ao seu rendimento atual. O empresário deve estar consciente que, tal como os demais países europeus, a França possui também alguns problemas económicos, refletindo-se nas diferentes atividades principalmente na construção como se refere nos capítulos anteriores. Deve então constatar se a região de implantação reúne as condições necessárias Para que o negócio tenha sucesso, o gestor deve estabelecer objetivos a atingir, embora deva ser moderado, consciente devendo saber distinguir objetivos realistas de objetivos utópicos. De início deve identificar quem serão os seus clientes, a zona geográfica principal da sua atividade e o volume de negócios que terá que realizar para que o negócio progrida e obtenha rentabilidade. Esta rede de clientes deverá ser estável, se possível deve optar por clientes fixos onde possa trabalhar como subempreiteiro a nível de serviços de mão de obra, para que de início não corra riscos a nível de investimentos exagerados. Só numa segunda fase, quando estiver mais adaptado ao novo estatuto de empresário e ao setor de atividade e quando possua algum capital próprio deve partir para uma segunda etapa. Aqui deverá inovar com a compra de pequenos equipamentos e materiais, tentando tornar-se mais autónomo no modo de atuação no mercado, sem nunca se afastar dos clientes fixos. Em suma, deve possuir como objetivo principal a evolução da empresa, tendo sempre por base o aumento do volume de negócios de modo a obter os lucros necessários para fazer frente às despesas de uma forma realista. 5.4. PLANO DE NEGÓCIOS 5.4.1. RESUMO DO PROJETO Pretende-se criar uma empresa especializada em trabalhos de gros oeuvre para a construção de edifícios de habitação no sul de França. Os serviços prestados centrar-se-ão na prestação de mão de obra para a realização das diferentes tarefas nomeadamente cofragens, construção e colocação de armaduras e betonagem além de todos os restantes trabalhos inerentes à construção da superestrutura e infraestrutura de um edifício. A empresa tem que escolher a sua forma jurídica. Em França existem várias formas jurídicas tal como foi apresentado no capítulo três, no entanto o estatuto jurídico mais habitual em França é o EURL (ver 3.7.5). A sede da empresa irá localizar-se no sul de França, na região de Provence-Alpes-Côte d´Azur, no departamento dos Alpes Maritimes no município de Beausoleil. No entanto, como se trata de uma empresa de prestação de serviços a sede será um pequeno escritório alugado apenas para a gestão e administração do negócio. Além da escolha do estatuto jurídico, o empresário terá que proceder ao registo da empresa e da atividade nas diferentes entidades tal como será referido posteriormente. Por outro lado, será definida a organização hierárquica, o número e funções dos operários e dos funcionários para a gestão e secretariado da empresa, assim como as suas qualificações necessárias.
Modelo de Negócio para uma Pequena Empresa de Construção em França 91 5.5. ORGANIZAÇÃO ECONÓMICA – PRODUÇÃO 5.5.1. CARATERIZAÇÃO DO PRODUTO COMERCIALIZADO O modelo de prestação dos trabalhos da empresa evoluirá com o crescimento da empresa. Uma vez que os trabalhos de gros oeuvre necessitam de equipamentos e materiais de elevado custo, e uma vez que a empresa não possui capacidade económica para investir numa primeira fase nesses equipamentos, apenas irá no início prestar serviços de mão de obra. Dessa forma os seus clientes que subcontratam os serviços, quer sejam empresas ou promotores particulares, deverão ser eles os responsáveis pelo aluguer ou compra de todo o material e equipamentos para a correta realização dos trabalhos. Só em casos excecionais, caso não haja riscos importantes para a empresa, poderão ser alugados os equipamentos a outras empresas para realizar os trabalhos. Numa segunda fase do desenvolvimento da empresa, e na medida da capacidade económica e financeira, poderá ser incluída a compra de alguns equipamentos como é o caso de cofragens (banches, painéis de alumínio) e de pequenas máquinas entre outros. Contudo, antes de tomar esta decisão, o empresário deverá realizar um estudo para perceber qual a modelo mais rentável para a empresa a curto e longo prazo, compra ou aluguer, caso a margem e o capital da empresa o permitam. 5.5.2. MERCADO ALVO Para o início da atividade torna-se de extrema importância perceber quem são e onde se encontram os possíveis clientes, assim como os concorrentes Em relação aos concorrentes deve perceber quais são os seus pontos fortes e fracos para que a empresa possa adotar medidas de modo a tornar-se numa empresa de sucesso. Para isso deve realizar um estudo de mercado. Com o estudo de mercado o empresário encontrará resposta às diversas questões como explicado no capítulo 3 e assim construir a sua estratégia comercial. Os clientes possíveis da empresa serão empresas da mesma área, mas de maior dimensão que adjudiquem trabalhos de construção de edifícios e subcontratem empresas de menor dimensão para realização de trabalhos específicos nos quais são especializadas, ou seja neste caso em trabalhos de gros oeuvre, ou por outro lado clientes diretos que façam a gestão da própria obra como por exemplo pequenos promotores de pequenos edifícios. Em relação à localização geográfica do mercado alvo, a empresa trabalhará a nível regional no departamento dos Alpes Maritimes, a sede de implantação será o município de Beausoleil e como área de influência do seu mercado alvo toda a costa mediterrânica pertencente ao departamento correspondendo a cerca de cem municípios. Para a realização do estudo de mercado o jovem empresário poderá, para além do seu estudo pessoal e pesquisa local, auxiliar-se de uma ferramenta computacional interativa, disponibilizada pelo INSEE francês designado por ODIL (Outil d`aide au diagnostic d `implantation locale) que tem o objetivo de responder a algumas questões do estudo de mercado pretendido. Esta ferramenta permite selecionar diversas atividades económicas e produtos que uma empresa pretende comercializar e, através da seleção do local geográfico de implantação da empresa e da área de influência do mercado alvo, gera um dossiê informativo. Esse dossiê possui um conjunto de resultados sociodemográficos que permitem identificar quais as empresas concorrentes e os possíveis clientes por faixas etárias localizados na região de estudo. Assim, o empresário terá uma visão primária do mercado alvo e poderá comparar diversas regiões em França, de modo a perceber qual o melhor local para implantação da pequena empresa [35].
Modelo de Negócio para uma Pequena Empresa de Construção em França 92 Para o negócio descrito realizou-se a simulação descrita anteriormente tal como se apresenta no anexo C. Através da análise dos resultados do ODIL pode-se verificar que no município de implantação existem 66 empresas que realizam trabalhos de gros oeuvre, num total de 14194 habitantes, isto é cerca de uma empresa por cada 210 habitantes. Além do número e do nome das empresas, o dossiê apresenta dados da estrutura populacional, do emprego a nível setorial, da qualificação e rendimento médio da população. Do mesmo podo refere o volume total de trabalhos realizados na região em relação á atividade estudada, tal como se pode verificar no anexo C [35]. 5.5.3. ORGANIZAÇÃO DA EMPRESA A empresa, devido á sua pequena dimensão, terá uma organização bastante simples constituída pela direção, administração e área comercial, caso necessário, e pela produção. Contudo, apesar de se apresentar esta subdivisão em departamentos o responsável será o diretor da empresa que terá funções muito polivalentes devido à pequena dimensão da empresa. De início, com o intuito de conter gastos, o empresário deverá optar por gerir ele próprio a empresa com auxílio de serviços e entidades externas como é o caso de serviços administrativos e contabilísticos, caso seja mais económico para a empresa. Numa segunda fase, caso o negócio prospere, o empresário poderá contratar um funcionário especializado em administração e com conhecimentos em gestão. Além destes departamentos mais administrativos temos a área da produção, a área mais importante da empresa. Esta será constituída por diversos operários especializados nos diversos trabalhos recrutando em função da carteira de encomendas disponível, em geral em regime de ínterim (trabalho temporário). Apresenta-se de seguida um organograma tipo da empresa que se pretende criar. Figura 5.1Organograma tipo da empresa a criar
Modelo de Negócio para uma Pequena Empresa de Construção em França 93 Tal como a generalidade das empresas de construção em França esta empresa é de pequena dimensão e apresenta uma estrutura típica de uma empresa de prestação de trabalhos de construção em França. 5.5.4. ORGANIZAÇÃO DA PRODUÇÃO Neste subcapítulo, iremos aprofundar a organização da produção e a metodologia adotada para a prestação da atividade da empresa no que respeita a mão de obra, equipamentos e materiais. No que respeita à produção, nomeadamente à mão de obra, a empresa será constituída por chefes de equipa e por operários, dos quais alguns serão serventes. Uma vez que a secção da produção é o núcleo da empresa o empresário deverá auxiliar-se dos chefes de equipa para organizar e planear os trabalhos em obra, assim como gerir as equipas de trabalho. Nesse sentido estes deverão ser operários da confiança do empresário com grandes conhecimentos e experiencia na realização e gestão dos trabalhos de gros oeuvre. Por outro lado, estes operários serão efetivamente os operários efetivos da empresa juntamente com o funcionário administrativo, enquanto os restantes operários necessários, tal como é habitual em França, serão operários recrutados em agências de trabalho temporário designadas por ínterim. Atualmente, na região há uma grande oferta de trabalhadores temporários para a construção civil inscritos nestas agências de trabalho. No entanto a empresa deve utilizar uma política de proteção dos seus trabalhadores uma vez que em França há uma grande cultura da proteção da classe operária. Nesse sentido, o empresário deverá preocupar-se com a segurança dos seus trabalhadores assim como garantir todas as regalias e benefícios a que têm direito, como é o caso de garantir o transporte dos trabalhadores, oferta de material de segurança entre outras. No que respeita aos materiais necessários para a realização dos trabalhos a empresa deve, tal como referido, atuar numa primeira fase apenas com serviços de mão de obra para empresas subcontratantes (clientes fixos), e só numa segunda fase realizar os trabalhos completos, mão de obra, materiais e equipamentos. No entanto, esta fase só deverá ser introduzida quando a empresa tiver um mercado mais robusto, pois ao adjudicar uma obra de caráter temporário o empresário pode perder os clientes fixos e isso pode significar o fracasso da empresa. Em relação aos equipamentos, e uma vez que estes são de elevado custo, a empresa terá dificuldade em investir, por isso apenas deve investir dentro das suas possibilidades, principalmente em sistemas de cofragens, gruas, equipamentos de escavação, terraplanagem, centrais de betão entre outras pois são muito caros. Por essa razão em geral, no início de um pequeno negócio, estes devem ser sempre da responsabilidade da empresa subcontratante ou do promotor da obra. Caso a empresa se comprometa contratualmente a realizar a obra completa (incluindo mão de obra, materiais e equipamentos), deve realizar um estudo profundo dos custos de aluguer de equipamentos e do custo dos materiais (betão, armaduras e materiais diversos) de modo a ser rentável para a empresa. Os materiais e equipamentos necessários para o início do funcionamento da empresa serão simples. Muitos dos materiais necessários para a realização dos trabalhos já foram apresentados no capitulo 4, contudo apresenta-se de seguida os principais materiais e equipamentos que a empresa necessita quer sejam para a produção quer sejam para a divisão administrativa.
Modelo de Negócio para uma Pequena Empresa de Construção em França 94 Quadro 5.2Materiais e equipamentos que a empresa terá numa primeira fase Tipo Nome Quantidade Veículos Veículos Comerciais 1 Transporte de Passageiros 2 Fabrico de Betão Agulhas Vibradoras 2 Betoneiras 2 Pequenos Materiais Martelos - Turquesas - Cisalhas - Pás - Nível de água - Espátulas - Fio de prumo - Fio de marcação - Equipamentos de Segurança Equipamento de Proteção Individual - Equipamentos Máquinas Perfuradoras 3 Rebarbadoras 3 Serra Elétrica 3 Martelo Pneumático 3 Material de Escritório Mobiliário de escritório - Computador 2 Telefone/ Fax - Fotocopiadora 1 Material de escritório diverso - Numa primeira fase a empresa apenas terá necessidade de alguns materiais e equipamentos simples para a realização dos trabalhos tal como é demonstrado. Na verdade, as empresas subcontratantes geralmente fornecem esse material. Contudo é estratégia da empresa possuir alguns equipamentos para ser mais fácil o acesso ao mercado. Em relação aos veículos a empresa é obrigada a garantir o transporte dos trabalhadores para a obra ou a realizar o pagamento de cerca de 7 €/dia por cada funcionário. Por isso torna-se rentável a compra de duas carrinhas para o transporte dos funcionários. Além destes materiais a empresa terá que comprar equipamentos para o pequeno escritório como se refere no quadro 5.2. 5.6. ORGANIZAÇÃO ADMINISTRATIVA E FINANCEIRA 5.6.1. ADMINISTRAÇÃO E CONTABILIDADE A administração da empresa deverá ser realizada de início pelo empresário com o apoio de entidades externas, quer sejam elas entidades públicas de apoio aos novos empresários ou entidades independentes. Estes serviços serão principalmente de gestão, administração e contabilidade assim como de apoio jurídico. Exemplo das entidades públicas é o Centre de Gestion Agréés (CGA) que tem como objetivo auxiliar as pequenas empresas em matéria de gestão, assistência fiscal e prevenção de possíveis problemas decorrentes da atividade. Estes realizam os seus serviços a baixo custo, além de possibilitar ao empresário o benefício de reduções de taxas nos seus impostos. Porém, as empresas aderentes têm que autorizar a comunicação e a publicação dos seus documentos contabilísticos [36]. Apenas quando a empresa possuir uma estrutura rígida no mercado deverá introduzir um técnico qualificado para realizar os serviços administrativos e de contabilidade, nomeadamente o envio e receção
Modelo de Negócio para uma Pequena Empresa de Construção em França 95 de cartas, faturas, comunicação com bancos e entidades financiadoras entre outros. Em geral, o apoio jurídico deverá ser sempre externo à empresa. A empresa deverá registar-se em entidades que protejam a sua atividade perante problemas que surjam como é o caso da CAPEB, Confédération de l'Artisanat et des Petites Entreprises du Bâtiment que tem por missão defender e informar as empresas registadas em questões legislativas, fiscais, jurídicas, económicas e profissionais, além de promover as relações entre parceiros e o público em geral. 5.6.2. CARATERÍSTICAS ADMINISTRATIVAS E FINANCEIRAS DA EMPRESA Logo de início o empresário deverá escolher o estatuto jurídico da empresa. Na verdade, o estatuto jurídico determina o modelo de criação assim como todas as formalidades necessárias para a criação de uma empresa. O estatuto mais indicado para a empresa em causa é o estatuto de EURL (ver 3.7.5). Este carateriza-se por ser necessário um capital mínimo de 7500 euros e de possuir apenas um único associado. O capital social para a empresa deverá ser estimado tendo em conta o volume de negócios previsto para o primeiro ano, considerando para isso cerca de pelo menos 20% do volume de negócios. Uma vez que se pretende realizar um volume de negócios de 1 milhão de euros definiu-se dessa forma um capital social de 200 000 euros. No entanto, será necessário realizar um pedido de financiamento uma vez que os capitais próprios serão insuficientes para o correto arranque da empresa (ver 5.9). 5.6.3. FINANCIAMENTOS Os financiamentos de uma empresa são de grande importância pois permitem a evolução e o futuro da empresa. Para perceber a necessidade de financiamento, o empresário deverá ter em consideração todas as despesas e investimentos necessários para o normal funcionamento da empresa, nomeadamente recursos humanos, materiais, equipamentos e, veículos entre outros. Com estes dados, deverá elaborar um plano de investimentos e assim verificar a necessidade de empréstimos, através da elaboração de um plano de financiamento constituído pelos capitais próprios, e deste modo concluir sobre a necessidade de eventuais fontes de financiamento [34]. Porém, o empresário deverá ter a noção dos riscos que um financiamento representa, e dessa forma tentar cobrir os riscos com capitais próprios e não com capital alheio. Antes de realizar um empréstimo é necessário analisar antecipadamente a rentabilidade do investimento para a qual o empresário necessita de financiamento, de modo a gerar lucros suficientes para assegurar o pagamento dos encargos fixos e do reembolso do capital decorrente do empréstimo [34]. Existem diversos tipos de financiamentos e recursos para obter o financiamento, porém, hoje mais que nunca há grande dificuldade em obtê-los. Os financiamentos mais vulgares são os empréstimos bancários e os empréstimos dos sócios. Contudo, os bancos atualmente possuem uma atitude reservada perante os empresários não concedendo empréstimos precipitadamente, por isso o empresário deverá ter em atenção alguns aspetos antes de se dirigir a um banco para realizar um empréstimo [34]. Na verdade, deve possuir um dossiê completo, preciso e claro do seu negócio e da atividade da empresa além de demonstrar credibilidade e segurança em relação aos vários aspetos do negócio perante questões da instituição bancaria.
Modelo de Negócio para uma Pequena Empresa de Construção em França 96 5.7. ORGANIZAÇÃO COMERCIAL Uma correta organização comercial permite cativar clientes e desenvolver a atividade da empresa. Para isso o empresário terá que perceber, através do estudo de mercado, quem procura os seus serviços, ou seja quem são os clientes e onde é que estes se encontram e dessa forma construir a sua estratégia comercial e de marketing. Em relação ao modelo de negócio em estudo o empresário, sendo o único responsável pela empresa , e uma vez que não possui nenhum responsável pelo departamento comercial, deverá ele mesmo procurar e contactar os clientes assim como estabelecer as regras contratuais dos serviços prestados, sempre com apoio jurídico externo. De início, como referido, deverá procurar como seus clientes empresas de maior dimensão que subcontratem trabalhos de mão de obra para realização dos trabalhos de gros ouvre das obras adjudicadas. Poderá, da mesma forma, realizar trabalhos diretamente para os promotores contudo deverá dar uma especial atenção à realização dos contratos e dos orçamentos uma vez que estes são modelos de risco. Por essa razão de início deve evitar prestar a totalidade dos trabalhos sob total responsabilidade da empresa, ou seja evitar negócios diretos com o promotor. Deve tomar uma posição moderada em relação aos negócios e introduzir progressivamente o modelo de negócio direto na empresa para aumentar a sua faturação e o seu rol de clientes, com o intuito de tornar o negócio cada vez mais independente. 5.8. FORMALIDADES PARA A CONSTITUIÇÃO DE UMA EMPRESA EM FRANÇA Definido o estatuto jurídico para a criação da empresa é necessário que o empresário realize um conjunto de formalidades e burocracias. Apresentam-se de seguida algumas preocupações a ter aquando a criação da empresa, tendo por base a análise da informação contida na página da Agence pour la Création d´Entreprise onde são explicados detalhadamente todos os passos necessários para a criação de qualquer tipo de empresa. Esta página encontra-se muito bem estruturada e apresenta o que o empresário deve fazer, que formulários tem que preencher, entidades a contatar entre outras. Porém, cada empresa é um caso específico devendo haver cuidado por parte do jovem empresário na resolução das formalidades. No presente subcapítulo apenas são referidas as formalidades em relação à constituição de uma EURL [36]. 5.8.1. PREOCUPAÇÕES A TER ANTES DE REGISTAR A EMPRESA Antes do registo propriamente dito, o empresário deverá certificar-se que não é necessário nenhum requisito a nível de experiência e formação profissional relacionado com a atividade para a formação da empresa pois, na maioria das atividades, é exigida alguma qualificação mínima. Para realizar a atividade da empresa designada por (Travaux de maçonnerie générale et gros œuvre de bâtiment) o centro de registos exige que o empresário, ou algum funcionário possua um CAP (Certificat d´Aptitude Professionnelle), ou um BEP (Brevet d´études professionnelles) ou três anos de experiência efetiva no setor em França ou num país da União Europeia [36]. Após ter a certeza que possui a formação necessária e exigida pelas entidades de registo da empresa é fundamental que o empresário realize um pequeno curso de formação (estágio) para se familiarizar com a gestão específica da atividade da empresa, assim como perceber e esclarecer certos problemas, como é o caso do financiamento da atividade, que irão surgir ao longo da constituição da empresa. De seguida, o empresário deverá escolher o nome e a sede da empresa. Para isso deverá informar-se se poderá domiciliar a sede da empresa na sua própria habitação, pois existem diversos itens regulamentares e restrições que devem ser cumpridas. No entanto, e tal como já referido anteriormente a sede da
Modelo de Negócio para uma Pequena Empresa de Construção em França 97 empresa será um pequeno escritório no município de Beausoleil e por isso não possui qualquer restrição. Após escolha da sede da empresa o empresário deverá escolher o nome da empresa, que representa o nome comercial que irá aparecer no cabeçalho das faturas, cartões de contactos entre outros. Da mesma forma, deve escolher a denominação social que identifica a empresa como entidade jurídica, assim como o logotipo da empresa. Apenas terá que verificar se este ainda não foi usado por nenhuma outra empresa. Para isso deve, numa primeira pesquisa, consultar a base de dados do Infogreffe que é o registo nacional do comércio e das sociedades e posteriormente no Inpi (Institut national de la propriété industrielle) [36]. Além do nome e do logotipo a empresa irá possuir um conjunto de números que identificam a empresa e a atividade. Contudo o número mais importante é o número de Siren, constituído por nove dígitos que identifica a empresa perante os organismos públicos [36]. 5.8.2. ETAPAS PARA A CRIAÇÃO E ADOÇÃO DE ESTATUTOS DA EMPRESA Outra tarefa que o futuro gerente terá que realizar é a redação dos estatutos da sociedade, assim como a seleção do seu dirigente da sociedade. A redação dos estatutos deve ser aconselhada por profissionais com conhecimentos jurídicos pois esta etapa é importante para a empresa uma vez que possui influência jurídica e fiscal, além de poder ter influência no estatuto social do dirigente. No presente caso como se trata de uma EURL, com um único dirigente associado, o modelo de estatuto tipo encontra-se gratuitamente na página do CFE [36]. 5.8.3. PROCEDIMENTOS PARA O REGISTO DA EMPRESA 5.8.3.1. Registo dos estatutos da Sociedade Após elaborados e assinados os estatutos da empresa, assim como definido o gerente, deverão registar os estatutos no serviço de impostos das empresas (SIE) no departamento da sede da sociedade. Para realizar esta formalidade o empresário possui um mês [36]. 5.8.3.2. Publicar um aviso de criação de empresa Após registo da empresa, o empresário deverá publicar a criação da empresa num jornal de anúncios legais do departamento onde a empresa possui a sua sede. Estes jornais podem ser especializados neste tipo de anúncios ou num jornal vulgar onde é possível o anúncio legal. No anúncio terão que vir indicados obrigatoriamente os seguintes aspetos, respeitantes à empresa [36]: Denominação Social; Forma Jurídica; Serviço Prestado pela Empresa; Sede; O Capital Social; Duração da sociedade em anos; Nome e Morada do dirigente;
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Modelo de Negócio para uma Pequena Empresa de Construção em França 107 7. ANEXOS
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Modelo de Negócio para uma Pequena Empresa de Construção em França 109 A 8. ENTREVISTA REALIZADA - EMPRESA RIBEIRO FRÈRES
Modelo de Negócio para uma Pequena Empresa de Construção em França 110 Entrevista O presente questionário tem como objetivo recolher informação acerca do funcionamento e organização de uma empresa de construção civil no sul de França. Os dados obtidos servem apenas para compreender o modo como uma empresa se organiza, informação essa que será utilizada como comparação para a elaboração da tese de mestrado em construções civis da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto intitulada “ Modelo de Negócio para uma Pequena Empresa de Construção em França”. Assim, pretende-se perceber a organização da empresa, técnicas de construção, materiais e equipamentos, em relação a obras de construção de edifícios de habitação no que diz respeito à construção da estrutura do edifício gros oeuvre, mais especificamente cofragens, armaduras e betão. Dados Gerais: Nome da Empresa: Ribeiro Frères Tipo de Sociedade: Societé para Action (SA) Data Fundação: 1995 Sede: 20 Bd Rainier III “ le Soleil d´Or” 98000 Monaco Responsáveis: António e Agostinho da Silva Ribeiro Tipo/Dimensão da empresa: Construction - Renovation Capital Social: 150 000.00 € Outras informações importantes: Total de negócios dos três últimos anos: 2008 - 14 116 608.06 € 2009 - 10 408 335. 06€ 2010 - 15 939 033.70€ 2011 - 10 390 638, 49 € Mercado Condições de recursos financeiros: A empresa é autossuficiente financeiramente permitindo-lhe desenvolver a sua atividade normal sem recurso a financiamento bancário (sem empréstimos bancários) Necessita de empréstimos pontuais para satisfazer necessidades momentâneas de tesouraria desenvolver a sua atividade normal (empréstimos pontuais de carácter não permanente) Tenha empréstimos de curto prazo para desenvolver a sua atividade normal (empréstimos de curto prazo) Quais os principais problemas com que a empresa se depara para exercer a sua atividade no mercado? Elevada concorrência existente no sector Dificuldade no acesso ao mercado Elevada carga tributária incidente sobre o sector (produção) Elevada carga tributária incidente sobre as empresas
Modelo de Negócio para uma Pequena Empresa de Construção em França 111 Falta de mão-de-obra qualificada disponível Falta de mão-de-obra disponível Deficiente qualificação da mão-de-obra existente Falta de motivação da mão-de-obra existente Dificuldades provocadas pelo atraso no pagamento dos clientes Atrasos na entrega dos fornecedores Comentário: A empresa sente a crise como todas as outras empresas. Como se localiza no Mónaco o seu mercado a nível público fica um bocado restrito. A empresa para competir no mercado procura melhorar a sua eficiência com base na: Melhoria dos custos de produção Melhoria da qualidade Diminuição do tempo de execução Na inovação Na diferenciação em relação à concorrência Na seleção e formação dos seus empregados Tipos de trabalhos realizam dentro de “gros oeuvre”, todos ou apenas alguns mais específicos? Realiza todos os trabalhos de gros oeuvre (maioritariamente), mas também a parte de acabamentos. Qual é o seu mercado alvo? Uma vez que a sede se localiza no Mónaco, e como o mercado lá é muito restrito quando há um concurso em França as empresas francesas têm prioridade, por isso obras publicas é mais complicado, mas também fazem. Mas normalmente trabalham para promotores privados. Onde se localiza o seu mercado? Mónaco 10% e o departamento dos Alpes Maritimes 90% ( mais ou menos) Que tipo de obras realizam? Edifícios de habitação, de escritórios, comercio, clinicas, lares e creches. Tipo de Mão-de-Obra a que recorrem? Trabalhadores da empresa, e a mão-de-obra temporária (ínterim) Recorrem a subempreitadas? Geralmente não. Só se em certos trabalhos for mais económico para a empresa subcontratar.
Modelo de Negócio para uma Pequena Empresa de Construção em França 112 Pessoal da Empresa: Número de Operários: cerca de 114 (incluindo todos os funcionários) Hierarquia de funções e atividades na organização da empresa? Direção Escritório: Encarregado de negócios/ Agentes comerciais / Serviço Administrativo Obra: Conducteur du travaux/ Ajudante do Conducteur de Travaux/ Chefs de Chantier/ Operários Organização da Empresa a nível de operários e funcionários? Chefs de Chantier - Chef EquipeOperários Principais tipos de atividades específicas dos operários? Boiseurs - MaçonsGrutiers - Manoeuvres Atividades principais da empresa: Obras Públicas Obras Particulares Outras:________________________________ Áreas de construção: Estrutura Alvenarias Acabamentos Pintura Comentário: A sua atividade principal é gros oeuvre (mais de 70%) Áreas nas quais utiliza subcontratação: Utiliza a subcontratação em alguns trabalhos específicos. Mas geralmente utiliza mão-de-obra temporária. Betão: Utilização de central de betão? Sim Não É normal realizar betão em obra? Sim, caso haja espaço e seja rentável em relação ao volume de betão necessário. Quem compra o betão? O aplicador / subempreiteiro ou empresa geral? A empresa geral, neste caso a empresa entrevistada. Nome de empresas que fornecem betão? Depende da localização da Obra? Geralmente trabalham com as mesmas empresas: L.B.N – CEMEX - VICAT Tipos de betão Comercializados? Depende do tipo de obra e do que os especialistas definem em projeto. Esquema de pagamento Crédito? Outro? Pagamento a 45 dias.
Modelo de Negócio para uma Pequena Empresa de Construção em França 113 Fornecimento Quem recebe e controla o betão, utilizam guias de remessa (ver exemplo caso possível)? Quem recebe é o chef de Chantier que verifica as guias de remessa. Realizam ensaios de qualidade? Quais? Quem realiza? Geralmente não. Confirma-se as guias Quem coloca o betão nas cofragens operárias ou subempreiteiros? Os operários. Equipamentos / Materiais necessários para betonagem? Grua, Benne, Camião do betão, vibrador, espátulas para nivelar… Equipamentos Próprios Alugados A grua é alugada. Preços do betão: cerca de 100 euros/m3 Preço de aluguer de Equipamentos: Grua 3000 a 3500 / mês + 18 000 montagem e desmontagem + realização do apoio da grua quando não e possível utilizar pesos em betão + gruista. Empresas vendedoras de Equipamentos: Potain Outras Informações Importantes Uma central de betão custa em média 60 000 €. Quando o betão é feito em obra o preço dos materiais é o seguinte: Inertes – cerca de 18 euros a tonelada. Cimento em saco-0.20€ saco/ 0.11 kg se for comprado sem ser em saco à tonelada. Cofragens: Tipos de estruturas/ sistemas de cofragens usados? Escoras, vigas de madeira e alumínio, vigas de sustentação, contraplacado, xiz´s , torres, banches . Material / equipamentos necessários? Martelo, metro, pregos, serra elétrica, martelo pneumático, linha blue, fio-de-prumo, nível, máquina para óleo de descofragem, lápis. Óleos de descofragem / marcas? 0.80€ o litro de óleo. Cofragens reutilizáveis? Sim Não
Modelo de Negócio para uma Pequena Empresa de Construção em França 120 Pessoal da Empresa: Número de Operários: cerca de 120 (incluindo todos os funcionários) Hierarquia de funções e atividades na organização da empresa? Directeur d´Agence - Directeur d´Explotation - Chef du Service - Conduteur de Travaux - Chef Chantier - Chef d´Equipe - Operários Organização da Empresa a nível de operários e funcionários? ____________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________ Principais tipos de atividades específicas dos operários? Boiseurs – Maçons – Grutiers - Manoeuvres Atividades principais da empresa: Obras Públicas Obras Particulares Outras:________________________________ Áreas de construção: Estrutura Alvenarias Acabamentos Pintura Outras: Todos os edifícios que fazemos são todos em betão armado desde das fundações, lajes e divisões e paredes exteriores. Além disso é um método bastante rápido, e como a mão-de-obra e bastante cara torna-se mais rentável. Além de proporcionarem acabamentos mais “ limpos”. Betão: Utilização de central de betão? Sim Não A utilização da central de betão é usada quando há espaço para a colocar, o que na maior parte das vezes não acontece, tendo nestes casos de recorrer ao betão pronto. É normal realizar betão em obra? Sim, como se referiu quando há espaço para colocar a central em obra e além disso o volume de betão necessário ultrapassa o valor ótimo para o qual a utilização da central torna se rentável. Quando se trata de betões com caraterísticas especiais aí já é necessário comprar betão no exterior. Quem compra o betão? O aplicador/ subempreiteiro ou empresa geral? As obras são tratadas, cada obra é independente e existe um orçamento (atribuído pela empresa que arranja os negócios) para realizar aquela obra. O responsável dessa mesma obra dentro dos valores atribuídos tem que ser capaz de gerir o orçamento ao máximo. Nome de empresas que fornecem betão? Depende da localização da Obra? Depende da localização, mas principalmente do valor, quem faz mais barato é mais amigo. Tipos de betão Comercializados? Depende do que o projeto exija ex: betão normal, autocompactante.
Modelo de Negócio para uma Pequena Empresa de Construção em França 121 Esquema de pagamento Crédito? Outro? Pagamento a 60 dias. No final do mês a empresa de betão ou qualquer outra envia as faturas para a empresa e no mês seguinte é realizado o pagamento. Fornecimento Quem recebe e controla o betão, utilizam guias de remessa (ver exemplo caso possível)? O Chef de Chantier controla as guias de remessa e faz a recessão do betão. Realizam ensaios de qualidade? Quais? Quem realiza? Em obras em que é exigida maior controle realizam-se testes de qualidade por exemplo o teste do cone, um exemplo disso é no estádio de Nice onde é necessário um maior controle do betão pois muitas das vezes tem caraterísticas especiais. Quem realiza é o chef de chantier. Equipamentos Utilizados: Cone Quem coloca o betão nas cofragens operárias ou subempreiteiros? Empregados da empresa ou pessoal contratado nas agências. Equipamentos / Materiais necessários para betonagem? Grua – BenneVibradorRateaux ( ancinho) – espátulas para alisar. Equipamentos Próprios Alugados Alguns equipamentos são alugados como é o caso da grua, outros são da própria empresa. Preços do betão: entre 90 e 100 euros Preço de Aluguer de Equipamentos: Empresas vendedoras de Equipamentos: __________________________________________ Outras Informações Importantes É importante referir que esta empresa sendo uma filial da Vinci, tem um funcionamento especial. Por exemplo a Vinci Construction possui outras empresas regionais quer sejam imobiliárias, ou de aluguer de equipamentos e materiais os chamados depósitos centrais, que possuem equipamentos, cofragens, material para segurança etc. A Dumez quando está a construir um edifício é obrigada a alugar os equipamentos a esse mesmo depósito que funciona como uma empresa. Muitas das vezes até se torna mais económico alugar a empresas exteriores, mas não é possível. Cofragens: Tipos de estruturas/ sistemas de cofragens usados? Contraplacado, paneaux, banches, poutrelles, Xiz´s, escoras, torres
Modelo de Negócio para uma Pequena Empresa de Construção em França 122 Elementos que as constituem? __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ Material / equipamentos necessários? MarteloTurquesasPregosSerra elétricamartelo pneumáticoMetroLinha Bluegrua. Madeira – contraplacado. Óleos de descofragem / marcas? Cofragens reutilizáveis? Sim Não Quem é o dono das cofragens? Próprias da Empresa Alugadas Se alugadas, quais as empresas de aluguer As cofragens são alugadas ao depósito central, o chefe de chantier quando precisa de material telefona para o depósito, se la não houver então contata empresas exteriores. J.C MatPotain Preços de Aluguer/ Compra? Ver informação anexa. Como funciona o aluguer? __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ Outros materiais necessários? __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ Outras informações importantes: __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ Armaduras (fabrico, montagem, colocação em obra) Construídas no próprio estaleiro Construídas em estaleiro Central Compra de armaduras já construídas Se construídas em estaleiro, quem fornece o aço/ quem compra o aço / quem constrói? __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________
Modelo de Negócio para uma Pequena Empresa de Construção em França 123 Equipamentos necessários? __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ Quem controla o aço e a sua construção? A empresa que vende. Na obra o chef de Chantier ou chef de equipe com os planos de armaduras controla se as peças possuem todas as barras com especifica o projeto. Como se movimentam dentro do estaleiro / do estaleiro central para o das obras? O valor das armaduras já inclui o transporte. Dentro da obra e com a grua trabalho realizado pelos empregados da empresa. Preço do aço e preço dos equipamentos? 0.80€ /Kg em barra; 0.94€ /kg com dobragem Se compra armaduras já construídas, quem fornece? Quais as empresas? Quem controla? Responsáveis? Empresas da região. SNAAM por exemplo. O chef de Chantier. Quem transporta até à obra? A empresa que vende o ferro. Em obra quem coloca as armaduras nas cofragens? Os empregados da nossa empresa. Grua para realizar a obra Grua própria Grua alugada Preço de compra_______________________________________________________________ Preço de Aluguer Empresas de Aluguer____________________________________________________________ Como é feita a distribuição do uso pelos subempreiteiros incluindo gros-oeuvre? A grua e alugada ou é da própria empresa, caso outras empresas utilizem a grua a empresa aluga a grua à hora. Desenho do estaleiro e uso do estaleiro pelos subempreiteiros? Geralmente apenas a empresa responsável pela gros oeuvre utiliza as instalações de apoio. Outras informações: O material de segurança também é fornecido pelo depósito da empresa. O material de segurança pode ser: andaimes, “consolas “, piquetes, cavaletes.
Modelo de Negócio para uma Pequena Empresa de Construção em França 124 Central de betão aluguer cerca de 5000 €/mês Utilizam algumas vezes estruturas pré-fabricadas para tornar construção mais rápida, mas caso o projeto permita. Em relação aos chamados bureau d´études, que fazem estudos de mercado prospeção de obras, fazem parte da Vinci e depois trabalham para as várias filiais funcionando como o depósito de aluguer de material. Já os Bureau d´etudes tecqunics são exteriores à empresa e possuem engenheiros que realizam as plantas de cofragens, ferro etc, e auxiliam na execução dos trabalhos. Atualmente todas as obras são fiscalizadas pelos Bureau du Controle ex: Veritas, Socotec.
Modelo de Negócio para uma Pequena Empresa de Construção em França 125 C 10. SIMULAÇÃO-FERRAMENTA ODIL
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