Nota de abertura [Materiais para o Fim do Mundo - 3]
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09/2015: 3 - ISBN 978-989-99375-1-2 3 Nota de abertura No dia 21 de Dezembro de 2012, a expectativa de um fim do mundo – tão espectacular quanto improvável – foi vivida à escala planetária. Entre terrores genuínos e um irónico ambiente de festa, a data fatídica passou sem incidentes, e profecias de novas datas para uma destruição do planeta começaram imediatamente a surgir. O que é o fim do mundo? Um juízo universal da humanidade, conforme dizem os textos veteroe neotestamentários? Uma catástrofe ecológica, global e iminente, provocada pelo homem? A alegoria de um mundo que perdeu as suas (meta)narrativas, vogando sem verdade e sem destino, após Auschwitz e Sarajevo? O pretexto para a sedução do espectáculo, entre filmes-catástrofe e um delicioso imaginário da destruição? Ou o confronto de cada qual com a sua morte própria? Por que nos fascina e aterroriza este tema milenar, nunca resolvido – e o que temos a ganhar com a exploração do nosso próprio terror? Para estudar o imaginário do fim do mundo, o Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa organiza, desde 2013, uma série de seminários abertos, coincidindo com os equinócios e os solstícios. Os libretos Materiais para o Fim do Mundo recolhem alguns ensaios apresentados nesses seminários, ou textos afins. Neste terceiro libreto, Isabel Cristina Rodrigues interroga o limite do testemunhável nas palavras de Marguerite Duras e nas imagens de Alain Resnais, em Hiroshima Mon Amour; Paulo Alexandre Pereira estuda o imaginário do apocalipse na poesia de Tomaz Kim, num século ferido pela guerra e pela wasteland; e Raquel S. lê Finisterra de Carlos de Oliveira e Beginning to End de Samuel Beckett, questionando os conceitos de mundo, de fim e da linguagem (im)possível depois do fim. Pedro Eiras