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Avaliação de Riscos Ocupacionais em Obras de Restauro na Construção

Isaac Rui Santiago Cardoso

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Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto Rua Dr. Roberto Frias, s/n 4200-465 Porto PORTUGAL VoIP/SIP: [email protected] ISN: 3599*654 Telefone: +351 22 508 14 00 Fax: +351 22 508 14 40 URL: http://www.fe.up.pt Correio Electrónico: fe[email protected] MESTRADO EM ENGENHARIA DE SEGURANÇA E HIGIENE OCUPACIONAIS Dissertação apresentada para obtenção do grau de Mestre Engenharia de Segurança e Higiene Ocupacionais Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto AVALIAÇÃO DE RISCOS OCUPACIONAIS EM OBRAS DE RESTAURO NA CONSTRUÇÃO Isaac Cardoso Orientador: Professor Doutor João Manuel Abreu dos Santos Baptista (professor associado, FEUP) Arguente: Professor Doutor Paulo Antero Alves de Oliveira (professor auxiliar, Univ. Lusófona) Presidente do Júri: Professor Doutor José Manuel Soutelo Soeiro de Carvalho (professor associado, FEUP) 2013 Avaliação de Riscos Ocupacionais em obras de Restauro na Construção i AGRADECIMENTOS Agora chegou a hora de agradecer a todos aqueles que me apoiaram e me incentivaram, mesmo quando o processo parecia impossível e o tempo escasseava. Á minha família e amigos, pela paciência e o humor com que me aturam e me perdoam os “stress”. À minha namorada pela ajuda, carinho, e por insistir em mim e me dar forças para continuar a lutar. A todos os professores e colegas que comigo se cruzaram e com quem todos os dias aprendia algo novo, parte de mim é assim por vossa causa. À Engenheira Andreia Marques e ao Engenheiro Nuno Topa, pela oportunidade de estágio e pelos ensinamentos e conselhos sem os quais este trabalho provavelmente não veria a luz do dia. Por fim, ao Professor Baptista pela orientação, paciência e pela boa disposição, que torna tudo mais fácil e possível. Sem si este trabalho não existiria! Obrigado Um abraço Avaliação de Riscos Ocupacionais em obras de Restauro na Construção iii RESUMO A construção civil representava parte significativa do Produto Interno Bruto (PIB) nacional e parte da solução para o desenvolvimento deste país. Nesse contexto, os perigos e riscos associados a esta atividade, trazem custos de contexto associados que fazem com que o valor da obra muitas vezes seja inflacionado derivado a prémios de seguro e de acidentes de trabalho que são obrigatórios. Ter uma política empresarial de avaliação de riscos contribui para a diminuição desses prémios e permite à empresa ter uma imagem/reputação de socialmente responsável permitindo dessa forma, elevar o nível de excelência… Os trabalhos de restauro como parte integrante de qualquer obra com contexto histórico, são per si obras delicadas e com condições de trabalho por vezes indignas, daí o alerta deste trabalho para as condições desta profissão e dos riscos associados ao exercício da mesma. Avaliar os riscos e perigos que estes profissionais enfrentam é não só um direito como também um dever para proteger as pessoas e acima de tudo a indústria. Palavras-chave: Avaliação de Riscos, construção civil, NTP330, William Fine, MIAR, Restauro, REBA. Avaliação de Riscos Ocupacionais em obras de Restauro na Construção v ABSTRACT Construction meant a huge part of Portugal’s PIB, and was a big part of this country last decades, and eventually will be a part of Portugal’s future. Therefore risk and hazard of this activity brings costs to this industry, with insurance company fees and accident costs. Having a company’s preventing hazard policy, does make the insurance fee lower and gives a good name and image of the company’s indoor and outdoor name. Art is a small portion of history, and countries history baggage, therefore restoration as a part of preserving the good old fashionable items is a very important part of today’s work in this industry. Evaluation the risk assessment of this task is very important, not only for the workers but also for the industry. To do so, gonna use risk assessment methods such as NTP 330, William Fine and MIAR. AS this is a very physical task, and it obliges people to very manual labor, going to evaluate also the ergonomics posture by the REBA method. Keywords: Risk Assessment, NTP330, William Fine, MIAR, Restoration, Construction. Avaliação de Riscos Ocupacionais em obras de Restauro na Construção vii ÍNDICE 1 INTRODUÇÃO ..........................................................................................................5 1.1 Introdução ao restauro..........................................................................................5 2 ESTADO DA ARTE ...................................................................................................7 2.1 Enquadramento Legal e Normativo ......................................................................9 2.2 Conhecimento Histórico .................................................................................... 13 2.2.1 Restauro ..................................................................................................... 13 2.2.2 Perspetiva Histórica .................................................................................... 13 2.2.3 Definição de exposição e perigo .................................................................. 14 2.2.4 Definição de Risco ...................................................................................... 15 2.3 Avaliação de Riscos ........................................................................................... 16 2.3.1 Principais riscos no Restauro ...................................................................... 17 3 Local de Estudo ......................................................................................................... 19 3.1 Casa da Prelada .................................................................................................. 19 3.2 Projeto de Requalificação .................................................................................. 20 3.3 Arquivo Histórico .............................................................................................. 21 4 Descrição dos métodos de avaliação de riscos............................................................ 23 4.1 Classificação geral dos métodos ......................................................................... 23 4.1.1 Métodos SemiQuantitativos ...................................................................... 23 4.1.2 Métodos Qualitativos .................................................................................. 23 4.1.3 Métodos Quantitativos ................................................................................ 23 4.2 Método “Matriz de Falhas” ................................................................................ 24 4.3 Método “What If” .............................................................................................. 25 4.4 Método William Fine ......................................................................................... 26 4.5 NTP 330 ............................................................................................................ 28 4.6 Método Integrado de Avaliação de Riscos (MIAR) ............................................ 31 4.7 Método de Avaliação da empresa Empripar ....................................................... 35 5 OBJETIVOS, MATERIAIS E MÉTODOS ................................................................ 38 5.1 Objetivos da Dissertação .................................................................................... 38 5.2 Materiais e Métodos........................................................................................... 38 6 Resultados Obtidos .................................................................................................... 39 6.1 Fase 1 - entrada de obra ..................................................................................... 40 6.2 Fase 2 -obra de restauro ..................................................................................... 43 Mestrado em Engenharia de Segurança e Higiene Ocupacionais 2 Introdução • R51 : Tóxico para os organismos aquáticos. • R52 : Nocivo para os organismos aquáticos. • R53 : Pode causar efeitos negativos a longo prazo no ambiente aquático. • R54 : Tóxico para a flora. • R55 : Tóxico para a fauna. • R56 : Tóxico para os organismos do solo. • R57 : Tóxico para as abelhas. • R58 : Pode causar efeitos negativos a longo prazo no ambiente. • R59 : Perigoso para a camada de ozono. • R60 : Pode comprometer a fertilidade. • R61 : Risco durante a gravidez com efeitos adversos na descendência. • R62 : Possíveis riscos de comprometer a fertilidade. • R63 : Possíveis riscos durante a gravidez com efeitos adversos na descendência. • R64 : Pode causar danos às crianças alimentadas com leite materno. • R65 : Nocivo: pode causar danos nos pulmões se ingerido. • R66 : Pode provocar secura da pele ou fissuras, por exposição repetida. • R67 : Pode provocar sonolência e vertigens, por inalação dos vapores. • R68 : Possibilidade de efeitos irreversíveis. Frases de Segurança (frases S), DL 98/2010, anexo III: • S1: Conservar bem trancado. • S2: Manter fora do alcance da crianças. • S3: Conservar em lugar fresco. • S4: Manter longe de lugares habitados. • S5: Conservar em... (líquido apropriado a especificar pelo fabricante) • S6: Conservar em ... (gás inerte a especificar pelo fabricante) • S7: Manter o recipiente bem fechado. • S8: Manter o recipiente ao abrigo da humidade. • S9: Manter o recipiente num lugar bem ventilado. • S10: Manter o conteúdo húmido. • S11: Evitar o contacto com o ar. • S12: Não fechar o recipiente hermeticamente. • S13: Manter longe de comida, bebidas incluindo os dos animais. • S14: Manter afastado de... (materiais incompatíveis a indicar pelo fabricante). • S15: Conservar longe do calor. • S16: Conservar longe de fontes de ignição - Não fumar. • S17: Manter longe de materiais combustíveis. • S18: Abrir manipular o recipiente com cautela. • S20: Não comer nem beber durante a utilização. • S21: Não fumar durante a utilização. • S22: Não respirar o pó. • S23: Não respirar o vapor/gás/fumo/aerossol. • S24: Evitar o contacto com a pele. • S25: Evitar o contacto com os olhos. • S26: Em caso de contacto com os olhos lavar imediata e abundantemente em água e chamar um especialista. • S27: Retirar imediatamente a roupa contaminada. • S28: Em caso de contacto com a pele lavar imediata e abundantemente com... (produto adequado a indicar pelo fabricante). • S29: Não deitar os resíduos no esgoto. Avaliação de Riscos Ocupacionais em obras de Restauro na Construção Cardoso, Isaac 3 • S30: Nunca adicionar água ao produto. • S33: Evitar a acumulação de cargas electrostáticas. • S34: Evitar choques e fricções. • S35: Eliminar os resíduos do produto e os seus recipientes com todas as precauções possíveis. • S36: Usar vestuário de protecção adequado. • S37: Usar luvas adequadas. • S38: Em caso de ventilação insuficiente usar equipamento respiratório adequado. • S39: Usar protecção adequada para os olhos/cara. • S40: Para limpar os solos e os objectos contaminados com este produto utilizar ...(e especificar pelo fabricante). • S41: Em caso de incêndio e/ou explosão não respirar os fumos. • S42: Durante as fumigações/pulverizações, usar equipamento respiratório adequado (denominação(ões) adequada(s) a especificar pelo fabricante. • S43: Em caso de incêndio usar... (meios de extinção a especificar pelo fabricante. Se a água aumentar os riscos acrescentar "Não utilizar água"). • S44: Em caso de indisposição consultar um médico (se possível mostrar-lhe o rótulo do produto). • S45: Em caso de acidente ou indisposição consultar imediatamente um médico (se possível mostrar-lhe o rótulo do produto). • S46: Em caso de ingestão consultar imediatamente um médico e mostrar o rótulo ou a embalagem. • S47: Conservar a uma temperatura inferior a ... °C (a especificar pelo fabricante). • S48: Conservar húmido com ... (meio apropriado a especificar pelo fabricante). • S49: Conservar unicamente no recipiente de origem. • S50: Não misturar com ... (a especificar pelo fabricante. • S51: Usar unicamente em locais bem ventilados. • S52: Não usar sobre grandes superfícies em lugares habitados. • S53: Evitar a exposição – obter instruções especiais antes de usar. • S54: Obter autorização das autoridades de controlo de contaminação antes de despejar nas estações de tratamento de águas residuais. • S55: Utilizar as melhores técnicas de tratamento antes de despejar na rede de esgotos ou no meio aquático. • S56: Não despejar na rede de esgotos nem no meio aquático. Utilizar para o efeito um local apropriado para o tratamento dos resíduos. • S57: Utilizar um contentor adequado para evitar a contaminação do meio ambiente. • S58: Elimina-se como resíduo perigoso. • S59: Informar-se junto do fabricante de como reciclar e recuperar o produto. • S60: Elimina-se o produto e o recipiente como resíduos perigosos. • S61: Evitar a sua libertação para o meio ambiente. Ter em atenção as instruções específicas das fichas de dados de Segurança. • S62: Em caso de ingestão não provocar o vómito: consultar imediatamente um médico e mostrar o rótulo ou a embalagem. • S63: Em caso de inalação acidental, remover a vítima da zona contaminada e mantê-la em repouso. • S64: Em caso de ingestão, lavar repetidamente a boca com água (apenas se a vítima estiver consciente). Glossário de termos, fonte glossário Proteção Civil: • Acidente: Um acidente é um evento indesejável e inesperado que causa danos pessoais, materiais (danos ao património), danos financeiros e que ocorre de modo não intencional; Mestrado em Engenharia de Segurança e Higiene Ocupacionais 4 Introdução • Acidente grave: é acontecimento inusitado com efeitos relativamente limitados no tempo e no espaço, susceptível de atingir as pessoas e outros seres vivos, os bens ou o ambiente; • Caminho de Evacuação: percurso entre qualquer ponto, susceptível de ocupação, num recinto ou num edifício até uma zona de segurança exterior, compreendendo, em geral, um percurso inicial no local de permanência e outro nas vias de evacuação; • Carga de Incêndio: a quantidade de calor susceptível de ser libertada pela combustão completa da totalidade de elementos contidos num espaço, incluindo o revestimento das paredes, divisórias, pavimentos e tectos; • Catástrofe: é o acidente grave ou a série de acidentes graves susceptíveis de provocarem elevados prejuízos materiais e, eventualmente, vitimas, afectando intensamente as condições de vida e o tecido sócio-económico em áreas ou na totalidade do território nacional; • Desastre: é um facto natural ou provocado pelo homem que afecta negativamente a vida, o sustento ou indústria desembocando com frequência em mudanças permanentes às sociedades humanas, ecossistemas e o meio ambiente. Os desastres põem em evidência a vulnerabilidade e abalam o equilíbrio necessário para sobreviver e prosperar; • Edifício: toda e qualquer edificação destinada à utilização humana que disponha, na totalidade de um espaço interior utilizável; • Efetivo: o número máximo estimado de pessoas que pode ocupar em simultâneo um dado espaço de um edifício ou recinto; • Efetivo de público: o número máximo estimado de pessoas que pode ocupar em simultâneo um edifício ou recinto que recebe público, excluindo o número de funcionários, ou quaisquer outras pessoas afectas ao seu funcionamento; • Emergência: Um acidente inesperado que coloca a vida e/ou a propriedade em perigo e exige um resposta imediata através dos recursos e procedimentos de rotina da comunidade; • Espaços: as áreas interiores ou exteriores dos edifícios ou recintos; • Exposição: Pessoas, propriedades, sistemas, ou funções expostos aos perigos, com consequente risco de perda; • Gestão da Emergência: Organização e gestão de recursos e responsabilidades para lidar com todos os aspetos da emergência, em particular no que respeita à preparação, resposta e recuperação. A gestão da emergência envolve normalmente o esforço e empenho de entidades públicas, privadas e voluntárias, que atuam de forma coordenada, de modo a dar resposta ao largo espectro de necessidades usualmente existentes aquando de uma emergência; • Impasse: situação, segundo a qual a partir de um ponto de um dado espaço a evacuação só é possível através do acesso a uma única saída, para o exterior ou para uma via de evacuação protegida, ou a saídas consideradas não distintas. A distância do impasse, expressa em metros, é medida desse ponto à única saída ou à mais próxima das saídas consideradas não distintas, através do eixo dos caminhos evidenciados, quando este Regulamento os exigir, ou tendo em consideração os equipamentos e mobiliários fixos a instalar ou em linha, se as duas situações anteriores não forem aplicáveis; • Incidente: Um acontecimento inesperado com potencial para originar danos; • Local de Risco: a classificação de qualquer área de um edifício ou recinto, em função da natureza do risco de incêndio, com exceção dos espaços interiores de cada fogo e das vias horizontais e verticais de evacuação; • Perigo: a ameaça de um evento potencial para constituir um desastre ou uma catástrofe, o qual pode ser representado por uma probabilidade de ocorrência e magnitude do fenómeno; Avaliação de Riscos Ocupacionais em obras de Restauro na Construção Cardoso, Isaac 5 • Plano de Emergência: Documento que reúne as informações e estabelece os procedimentos que permitem organizar e empregar os recursos humanos e materiais disponíveis, em situação de emergência. Existem planos de emergência Municipais, Distritais e Nacionais. Existem ainda os planos Gerais e os Especiais quando para uma determinada área, um risco específico o justifique; • Plano de Evacuação: documento, componente do plano de emergência, no qual estão indicados os caminhos de evacuação, zonas de segurança, regras de conduta das pessoas e a sucessão de ações a terem lugar durante a evacuação de um local, estabelecimento, recinto ou edifício, em caso de incêndio; • Plano de Referência: o plano de nível, à cota de pavimento do acesso destinado às viaturas de socorro, medida na perpendicular a um vão de saída direta para o exterior do edifício; • Risco: A possibilidade de ocorrerem perda de vidas humanas, bens ou capacidade produtiva quando estes elementos são expostos a um evento destrutivo. O nível de risco depende especialmente da vulnerabilidade dos elementos expostos a um perigo. O valor expectável de perdas (vítimas mortais, feridos, bens, etc.) que seriam provocados por um perigo sendo o seu valor uma função da perigosidade e do grau de exposição dos elementos vulneráveis (populações, edificado e infra-estruturas) numa dada área. • Saída: qualquer vão disposto ao longo dos caminhos de evacuação de um edifício que os ocupantes devam transpor para se dirigirem do local onde se encontram até uma zona de segurança; • Saída de Emergência: saída para um caminho de evacuação protegido ou para uma zona de segurança, que não está normalmente disponível para outra utilização pelo público; • Tempo de Evacuação: tempo necessário para que todos os ocupantes de um edifício, ou de parte dele, atinjam uma zona de segurança, a partir da emissão do sinal de evacuação; • Tempo de Resposta: tempo entre o primeiro alerta e a chegada ao local dos veículos de socorro dos bombeiros, com a dimensão adequada a dar início ao combate a incêndios; • Zona de Segurança: local, no exterior do edifício, onde as pessoas se possam reunir, protegidas dos efeitos diretos de um incêndio naquele; 1 INTRODUÇÃO 1.1 Introdução ao restauro As obras de restauro são um exemplo de bem preservar a história de um país. País que não sabe tratar bem a sua história, não está preparado para o futuro. Mas estaremos nós preparados, para os riscos decorrentes desta atividade? Saberemos nós o que pode acontecer, que tipos de produtos estão a usar e quais as suas consequências? Mestrado em Engenharia de Segurança e Higiene Ocupacionais 6 Introdução Pudemos nós fazer mais? Que método (s) melhor se adequa (m) a este tipo de trabalho? A verdade é que sim, se soubermos antecipar os problemas e os riscos que possamos enfrentar, pudemos tornar a tarefa de Técnico de Segurança mais fácil e saber exatamente o que esperar deste tipo de obra. A implementação de uma política de segurança e higiene e de uma rigorosa avaliação dos riscos, é imprescindível para uma empresa, e permite um ganho de confiança por parte dos investidores que premeiam a excelência e a dedicação. Desse modo torna-se imperativo o desenvolvimento de ferramentas que permitam a correta avaliação dos riscos, evitando dessa forma percas para a empresa, quer sejam em dias de trabalho, ausências prolongadas, ou seguros. Agravando dessa forma os custos, aumentando o número de baixas e permitindo o aparecimento de doenças profissionais ou em casos piores de acidentes graves com incapacidade e perda de vidas humanas. Num sector gravemente afetado pela crise económica e imobiliária, a excelência e as boas práticas, podem muitas vezes ser a diferença entre sucesso e insucesso. Num panorama de instabilidade, precariedade e muitas vezes de “exploração”, a higiene e segurança é muitas vezes o parente pobre de todo o processo, sendo dessa forma muitas vezes marginalizada e posta em segundo plano. A atividade de restauro sendo muito técnica, minuciosa e recente, com uma variedade grande de produtos, tem riscos muitas vezes desconhecidos para os trabalhadores, tornando ainda mais difícil a avaliação de riscos para os técnicos. Com este trabalho pretendo responder a estas questões e outras mais que surgem neste tipo de obra. Avaliação de Riscos Ocupacionais em obras de Restauro na Construção Cardoso, Isaac 7 2 ESTADO DA ARTE Os acidentes de trabalho e as suas consequências são desde a revolução industrial um dos maiores flagelos da sociedade moderna. Em tempos de crise e com um maior desinvestimento torna-se ainda mais importante chamar a atenção para o setor, e para o nosso trabalho, para evitar que a progressão até agora alcançada se desperdice e que a tendência de redução do número de acidentes não se perca. Com a entrada em vigor da diretiva 89/391/CEE, e a sua transposição para a legislação nacional, inicia-se a implementação de políticas ativas para combate aos acidentes de trabalho e doenças profissionais. Esta luta, tem dado resultados e verifica-se uma tendência decrescente do número de acidentes, e uma maior preocupação quer de trabalhadores e sobretudo das empresas para o cumprimento das normas e o estabelecimento de políticas de Higiene e Segurança no trabalho. Analisando as estatísticas oficiais, do Gabinete de Estratégia e Planeamento, verificamos que na última década (2000-2010) existe uma tendência decrescente no número de acidentes, bem como do número de acidentes mortais, conforme demonstra a tabela 1. Tabela 1 – Tabela de acidentes de trabalho, 2000 a 2010 Acidentes de trabalho e taxas de incidência, anos 2000 a 2010 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 Acidentes de trabalho Total de acidentes 234192 244936 248097 237222 234109 228884 237392 237409 240018 217393 215632 Acidentes Mortais 368 365 357 312 306 300 253 276 231 217 208 Taxa de Incidência dos acidentes de trabalho Total de acidentes 5546,9 5599,8 5633,1 5431,9 5393,1 5611,9 5474,5 5422,2 5478,1 5148,5 5202,0 Acidentes Mortais 8,7 8,3 8,1 7,1 7,0 7,0 5,8 6,3 5,3 5,1 5,0 (fonte: Gabinete de Estratégia e Planeamento) Se separarmos os dados por atividade, conforme dados da tabela 2, verifica-se que, o setor da construção (linha F) é o segundo com maior número de acidentes de trabalho, como se ilustra no gráfico1, representando 20,6% do número de acidentes. A nível de mortalidade, ou seja, em gravidade dos acidentes, a situação ainda é mais preocupante, representa 32,2% de todos os acidentes mortais, ou seja, é o primeiro em acidentes mortais como se pode ver pelo gráfico 2. Mestrado em Engenharia de Segurança e Higiene Ocupacionais 8 Estado da arte Figura 1 – Gráfico com distribuição de acidentes de trabalho por atividade 2000-2010 (fonte: Gabinete de Estratégia e Planeamento) Figura 2 – Distribuição de acidentes de trabalho mortais por atividade 2000-2010 (fonte: Gabinete de Estratégia e Planeamento) Se a estes dados se acrescentar os dias de trabalho perdido, que só em 2010 significaram em média 40,5 dias de ausência (Gabinete Estratégia e Planeamento), verifica-se a importância da avaliação de riscos e de uma política de gestão direcionada para esta problemática, de forma a evitar ou minimizar estas perdas, que contribuem negativamente para as despesas, para os resultados económicos, para desenvolvimento e conduzem a um abaixamento dos níveis de produtividade de muitas empresas. 3,25% 0,78% 26,59% 0,10% 1,33% 20,55% 15,74% 4,79% 5,64% 0,30% 0,37% 0,45% 1,04% 6,18% 3,53% 0,78% 5,33% 0,84% 1,72% 0,55% 0,01% 0,15% acid. Trabalho A – Agricultura, etc B – Ind. Extrativas C – Ind. Transformadoras D – Eletricidade, etc E – Capt, trat, e distrib. De Àgua, etc F – Construção G – Comércio por grosso, etc H – Transportes e armazenagem I – Alojamento, etc J – Ativ. de informação, etc K – Atividades financeiras e de seguros L – Ativ. imobiliárias M – Ativ. de consultadoria,etc N – Ativ. Administr. Etc O – Admin. pública, etc P – Educação Q – Ativ. da saúde humana e apoio social R – Ativ. artísticas, etc S – Outras atividades T – At. Fam. Emp.,etc U – Ativ. De org. internac. E outras inst. extraterritoriais CAE desconhecida 13,46% 2,40% 12,98% 0,00% 1,44% 32,21% 10,58% 15,87% 1,92% 0,48% 0,48% 0,00% 1,44% 3,85% 0,96% 0,00% 0,96% 0,00% 0,48% 0,48% 0,00% 0,00% número de acidentes trab.mortais A – Agricultura, etc B – Ind. Extrativas C – Ind. Transformadoras D – Eletricidade, etc E – Capt, trat, e distrib. De Àgua, etc F – Construção G – Comércio por grosso, etc H – Transportes e armazenagem I – Alojamento, etc J – Ativ. de informação, etc K – Atividades financeiras e de seguros L – Ativ. imobiliárias M – Ativ. de consultadoria,etc N – Ativ. Administr. Etc O – Admin. pública, etc P – Educação Q – Ativ. da saúde humana e apoio social R – Ativ. artísticas, etc S – Outras atividades T – At. Fam. Emp.,etc U – Ativ. De org. internac. E outras inst. extraterritoriais CAE desconhecida Avaliação de Riscos Ocupacionais em obras de Restauro na Construção Cardoso, Isaac 9 Tabela 2 – Tabela de acidentes de trabalho por CAE CAE Total de acidentes de trabalho Acidentes de trabalho mortais v.a. % Taxa inc. v.a. % Taxa inc. Total 215632 - 5202,0 208 - 5,0 Subtotal 215299 100 - 208 100 A – Agricultura, produção animal, caça, floresta e pesca 7005 3,3 1291,9 28 13,5 5,2 B – Indústrias Extrativas 1674 0,8 8301,9 5 2,4 24,8 C – Indústrias Transformadoras 57327 26,6 6935,2 27 13,0 3,3 D – Eletricidade, gás, vapor, Agua quente e fria e ar frio 210 0,1 1335,1 0 0,0 0,0 E – Capt, trat, e distrib. De Àgua, saneamento, gestão de resíduos e despoluentes 2862 1,3 8794,5 3 1,4 9,2 F – Construção 44304 20,6 9183,6 67 32,2 13,9 G – Comércio por grosso e a retalho; reparação automóvel e motociclos 33942 15,8 4607,0 22 10,6 3,0 H – Transportes e armazenagem 10323 4,8 5833,0 33 15,9 18,6 I – Alojamento, restauração e similares 12172 5,7 4176,2 4 1,9 1,4 J – Atividades de informação e de comunicação 638 0,3 605 1 0,5 0,9 K – Atividades financeiras e de seguros 790 0,4 897,6 1 0,5 1,1 L – Atividades imobiliárias 977 0,5 3543,9 0 0,0 0,0 M – Atividades de consultadoria, cientificas, técnicas e similares 2244 1,0 1434,8 3 1,4 1,9 N – Atividades administrativas e dos serviços de apoio 13321 6,2 8557,6 8 3,8 5,1 O – Administração pública e defesa; Segurança Social 7610 6,5 n.d. 2 1,0 n.d. P – Educação 1686 0,8 n.d. 0 0,0 n.d. Q – Atividades da saúde humana e apoio social 11493 5,3 n.d. 2 1,0 n.d. R – Atividades artísticas, de espetáculos, desportivas e recreativas 1807 0,8 4901,1 0 0,0 0,0 S – Outras atividades de serviços 3714 0,7 3572,5 1 0,5 1,0 T – At. Fam. Emp. Pess. Domes. E ativ. Prod. Família uso próprio 1180 0,5 819,5 1 0,5 0,7 U – Ativ. De org. internac. E outras inst. extraterritoriais 20 0,0 472,6 0 0,0 0,0 CAE desconhecida 333 0 (fonte: Gabinete de Estratégia e Planeamento) 2.1 Enquadramento Legal e Normativo No âmbito das obras de restauro do setor da construção, o mesmo é regimentado pela seguinte legislação (fig.3): • Decreto-lei (DL) 107/2001, “…Regime de proteção e valorização do património cultural”; • DL 55/2001, “Regime das carreiras de museologia, conservação e restauro do pessoal”; • DL 140/2009, “Regime de proteção e valorização do património cultural”; • DL 47/2004, “Lei-quadro dos museus portugueses”, Que estabelece as condições de acesso à profissão. Destes Decretoslei, para este trabalho destacam-se, em cada um, os seguintes artigos: Mestrado em Engenharia de Segurança e Higiene Ocupacionais 10 Estado da arte • Decreto-lei 107/2001, de 08/09/2001: “Artigo 55.º Bens culturais móveis 1 - Consideram-se bens culturais móveis integrantes do património cultural aqueles que se conformem com o disposto no n.º 1 do artigo 14.º e constituam obra de autor português ou sejam atribuídos a autor português, hajam sido criados ou produzidos em território nacional, provenham do desmembramento de bens imóveis aí situados, tenham sido encomendados ou distribuídos por entidades nacionais ou hajam sido propriedade sua, representem ou testemunhem vivências ou factos nacionais relevantes a que tenham sido agregados elementos naturais da realidade cultural portuguesa, se encontrem em território português há mais de 50 anos ou que, por motivo diferente dos referidos, apresentem especial interesse para o estudo e compreensão da civilização e cultura portuguesas. 2 - Consideram-se ainda bens culturais móveis integrantes do património cultural aqueles que, não sendo de origem ou de autoria portuguesa, se encontrem em território nacional e se conformem com o disposto no n.º 1 do artigo 14.º 3 - Os bens culturais móveis referidos no número anterior constituem espécies artísticas, etnográficas, científicas e técnicas, bem como espécies arqueológicas, arquivísticas, áudiovisuais, bibliográficas, fotográficas, fonográficas e ainda quaisquer outras que venham a ser consideradas pela legislação de desenvolvimento. Artigo 59.º Projetos e intervenções 1 - As intervenções físicas ou estruturantes em bens móveis classificados nos termos do artigo 15.º da presente lei, ou em vias de classificação como tal, são obrigatoriamente asseguradas por técnicos de qualificação legalmente reconhecida.” • Decreto-lei 55/2001, de 15/02/2001: “Artigo 1.º Objetivo e âmbito de aplicação 1 – O presente diploma define o regime das carreiras do pessoal que exerce a sua atividade no domínio da museologia e no domínio da conservação e restauro e procede ao respetivo enquadramento nos grupos, níveis e graus previstos (…). Artigo 4.º Carreira do conservador-restaurador 2 – O recrutamento para a categoria de ingresso na carreira é feito, mediante concurso, de entre candidatos habilitados com licenciatura na área da Conservação e Restauro, Avaliação de Riscos Ocupacionais em obras de Restauro na Construção Cardoso, Isaac 11 aprovados em estágio probatório com a duração de um ano com a classificação não inferior a Bom. Anexo – (conservador-restaurador) Investiga, utiliza e adapta métodos laboratoriais e processos técnico-científicos, a fim de diagnosticar, definir, coordenar e executar acções de conservação preventiva bem como realizar intervenções curativas de conservação e restauro do património cultural.” • Decreto-lei 140/2009, de 15/06/2009 Artigo 1.º Objeto e âmbito de aplicação 1 — O presente decreto-lei estabelece o regime jurídico dos estudos, projetos, relatórios, obras ou intervenções sobre bens culturais classificados, ou em vias de classificação, de interesse nacional, de interesse público ou de interesse municipal. Artigo 4.º Relatório prévio Para efeitos de apreciação de pedidos de parecer, aprovação ou autorização para obras ou intervenções em bens culturais é obrigatória a entrega do relatório prévio, sem prejuízo dos demais elementos previstos no âmbito do presente decreto -lei. Artigo 5.º Autoria do relatório prévio 1 — O relatório prévio é da responsabilidade de um técnico habilitado com formação superior adequada e cinco anos de experiência profissional após a obtenção do título académico. 2 — A formação superior e a experiência profissional referidas no número anterior devem ser relevantes na respetiva área de especialidade e no âmbito das obras ou intervenções em causa. 3 — Na elaboração do relatório prévio participam igualmente os técnicos especialistas competentes em função da natureza do bem cultural e do tipo de obras ou intervenções a realizar.” • Decreto-lei 47/2004, de 19/08/2004: “Artigo 31.º Intervenções de conservação e restauro 1 - A conservação e o restauro de bens culturais incorporados ou depositados no museu só podem ser realizados por técnicos de qualificação legalmente reconhecida, quer integrem o pessoal do museu, quer sejam especialmente contratados para o efeito. Avaliação de Riscos Ocupacionais em obras de Restauro na Construção Cardoso, Isaac 19 3 LOCAL DE ESTUDO 3.1 Casa da Prelada Situada na freguesia de Ramalde, junto ao Carvalhido, a Quinta da Prelada elege-se como um dos espaços mais notáveis e grandiosos do Porto. Concebido pelo arquiteto italiano Nicolau Nasoni, esta obra histórica e referencial arquitetónico e paisagístico da zona nordeste do Porto está subordinado a um eixo que estabelece um percurso desde a casa nobre até ao recinto onde se eleva uma torre, vulgarmente designada por "Castelo". (fig.5) Figura 6 – Fachada principal fonte SCMP Residência da família Noronha de Menezes, esta casa à semelhança do Palácio do Freixo, previa a construção de quatro torres, tendo sido só executada uma torre (um quarto da obra). Como obra de Nasoni, tem vários traços reconhecíveis da sua obra, dos quais se destaca o desenho e a gramática decorativa empregue nos vãos da Casa, bem como o tratado em profundidade da sacada da torre, similar ao encontrado no Palácio do Freixo. Obra iniciada em 1758, a propriedade pertencia a D. António de Noronha e Menezes de Mesquita e Melo, fidalgo da Casa Real e cavaleiro da Ordem de Cristo, e a sua mulher D. Isabel de Noronha e Menezes, irmã de D. Manuel, arcediago do Porto, que apadrinhou vários filhos de Nicolau Nasoni. Mestrado em Engenharia de Segurança e Higiene Ocupacionais 20 Local em Estudo Em 16 de Maio de 1903, D. Francisco de Noronha e Menezes, através do seu testamento, lega a Quinta da Prelada à Santa Casa da Misericórdia do Porto, da qual tomou posse em 1904. Tendo servido de unidade de saúde em grande parte do século XX, 1906-1960 (Hospital dos Convalescentes), 1961-1973 (Centro de Recuperação de Diminuídos Físicos) e lar de terceira idade, 1974-2003, sendo a casa classificada como “Imóvel de interesse público”, em 1938, título que em 1977 seria revogado passando a incluir a casa, os jardins e a mata. (fig.6) Figura 7 – Jardins da casa da Prelada 3.2 Projeto de Requalificação Em reunião da Mesa administrativa de 12 de Junho de 2002, por proposta de Estevão Samagaio, foi deliberado a reconversão da casa da Prelada, transformando-a dessa forma num Pólo cultural da cidade do Porto. Foi aberto concurso para a requalificação do edifício e selecionada a proposta do arquiteto António Leitão Barbosa, que considera divide o edifício em três áreas fundamentais: • O arquivo, na parte “velha” da casa; • A provedoria; • A capela. O projeto compreende três tipos de intervenção de acordo com os vários setores do edifício: • Construção de raiz do arquivo, em aço vidro e betão (fig.8); Avaliação de Riscos Ocupacionais em obras de Restauro na Construção Cardoso, Isaac 21 • Reabilitação da casa inicial, “setor nasoniano”; • Restauro do sector do século XIX. Figura 8 – Fachada do novo arquivo, na casa da Prelada 3.3 Arquivo Histórico O Arquivo Histórico da Santa Casa da Misericórdia do Porto (AHSCMP), situado atualmente, na Rua das Flores, que encerra um valioso e vasto acervo documental, acusa uma necessidade urgente de mudança de instalações e de uma modernização de acordo com os conceitos atuais de arquivologia. Com esta construção, o AHSCMP, compreenderá quatro zonas distintas: Área do Público - Hall de entrada; - Auditório e Sala de Exposições; - Biblioteca de acesso livre; - Salas de leitura, instrumentos de pesquisa e audiovisuais. Área Técnica - Sala de receção e triagem; - Sala de higienização; - Sala de desinfestação; - Reprografia; Mestrado em Engenharia de Segurança e Higiene Ocupacionais 22 Local em Estudo - Data center; - Laboratórios de restauro; - Gabinetes para técnicos. Área Administrativa - Gabinete da direção; - Serviços administrativos. Área de Depósitos - Arquivo histórico de livros; - Arquivo de recortes e notícias. Avaliação de Riscos Ocupacionais em obras de Restauro na Construção Cardoso, Isaac 23 4 DESCRIÇÃO DOS MÉTODOS DE AVALIAÇÃO DE RISCOS 4.1 Classificação geral dos métodos 4.1.1 Métodos SemiQuantitativos São métodos que funcionam por atribuição de índices às situações de risco identificadas e definem planos de atuação. Como exemplo deste tipo de métodos temos o Método de William Fine e o Método da Matriz. 4.1.2 Métodos Qualitativos Métodos descritivos, que descriminam os pontos perigosos de um local de trabalho, bem como, as medidas de segurança já existentes, sejam elas preventivas ou de proteção. Também identificam a sequência de acontecimentos que podem levar ao acidente, e quais s formas de evitar a sua ocorrência (Cabral, 2010). Este tipo de métodos são muito usados para estimar situações simples, cuja mera observação seja suficiente para identificar os perigos. Podem ser de vários tipos: • Estudos de implantação; • Estudos de movimentação; • Estudos de risco do posto de trabalho; • Fluxogramas; • Planos de sinalização; • Listas de verificação; • Entre outros. 4.1.3 Métodos Quantitativos Baseiam-se em cálculos e modelos matemáticos, este tipo de métodos quantifica o que pode acontecer atribuindo valores à probabilidade e à severidade (Cabral,2010). Como modelo matemático, a atribuição de valores permite quantificar os fatores que agravam ou reduzem o risco, bem como estimar um valor real (numérico) para o risco efetivo. De entre os vários métodos ainda pudemos dividir em tipos: i) Métodos estatísticos • Índice de frequência e de gravidade; • Índices de fiabilidade; • Taxas médias de falha; Mestrado em Engenharia de Segurança e Higiene Ocupacionais 24 Métodos de Avaliação • Entre outros. ii) Métodos matemáticos • Modelos de falhas; • Modelos de difusão de níveis de gás. iii) Métodos Pontuais • Gretener, avaliação risco de Incêndio; • MESERI, método simplificado risco de Incêndio; • Entre outros. Existem diversos métodos que podem ser usados na análise de risco, dependendo do que se pretende avaliar, dos quais se destacam os da tabela 4 (adaptado de Carvalho,2007). Tabela 4 – Métodos de análise de risco Abreviatura Nome completo HAZOP Hazard and operability study CHA Concept and hazard analysis FTA Fault Tree Analysis Pre-Hazop PreHazard and operability study MOSAR Method Organised systematic analysis of Risk FMEA Failure mode and effect analysis Human Rel. Human reliability analysis PHEA Predictive human error analysis 4.2 Método “Matriz de Falhas” Este método é passível de aplicação em qualquer fase do processo produtivo, e associa a frequência à severidade, de acordo com a seguinte expressão: Risco = Frequência (F) * Severidade (S) Para o parâmetro frequência (F) (nível de probabilidade) utiliza-se a seguinte classificação: Improvável – acontecimento que não se prevê que aconteça Remota – acontecimento de ocorrência muito difícil (raro) Ocasional – acontecimento com probabilidade de ocorrência pontual Provável – acontecimento com probabilidade de ocorrência diária Frequente – acontecimento que ocorre continuamente ou várias vezes Avaliação de Riscos Ocupacionais em obras de Restauro na Construção Cardoso, Isaac 25 Para o parâmetro severidade (Se), ou consequência utiliza-se a classificação: Catastrófico – morte, lesão com inaptidão permanente, perda do sistema ou danos ambientais muito graves Crítico – danos graves, lesões com incapacidade temporária ou permanente mas de pequena percentagem, perda parcial do sistema ou danos ambientais graves Marginal – lesões menores com ou sem incapacidade temporária mas pouco graves, danos no sistema ou ambiente pouco graves Leve – lesões pequenas sem qualquer tipo de incapacidade, danos no sistema ou ambiente insignificantes ou desprezáveis Combinando os dados obtidos dos dois parâmetros obtém-se a seguinte Matriz de análise (tabela 5) Tabela 5 – Representação da Matriz de Falhas Matriz = f (F*G) Gravidade Frequência/probabilidade Catastrófico Crítico Marginal Leve Frequente 1 3 7 13 Provável 2 5 9 16 Ocasional 4 6 11 18 Remota 8 10 14 19 Improvável 12 15 17 20 (Freitas, 2003) Através desta tabela (matriz) pudemos estimar um nível de risco, variando entre 1 (mau, risco máximo, intervenção urgente) e 20 (bom, risco tolerável). 4.3 Método “What If” O método “What If” (o que aconteceria?) é uma técnica de identificação de perigos/ análise de riscos empírica, baseada num questionamento aberto de todo o processo, sistema, equipamento ou evento, questionando “o que aconteceria se…” . Através deste processo consegue-se abranger todos os processos que possam originar um erro ou uma falha. Este método admite duas vertentes: 1. Questionamento livre: aplicando-o a pergunta “o que aconteceria se…” a qualquer aspecto que se considere relevante. Ex: “o que aconteceria se houvesse mais produto na prateleira?”, “O que aconteceria se falhassem os travões?”, etc; 2. Questionamento sistemático: focado nas áreas de intervenção das diversas especialidades intervenientes em obra, como exemplo, eletricidade, prevenção Mestrado em Engenharia de Segurança e Higiene Ocupacionais 26 Métodos de Avaliação ambiente, canalização, etc, fazendo grupos de trabalho e reuniões em que se aplicaria a pergunta “What if?” a cada processo de cada especialidade. Este método deverá ser registado em formulário próprio, com campos obrigatórios, riscos, consequências, causas, medidas de controlo, medidas de emergência. (Freitas, 2003). Tabela 6 – Registo de identificação de perigos Descrição Perigo/Consequências Medidas de Controlo Falha de equipamentos, materiais ou instrumentos Falhas de serviço (Freitas,2003) 4.4 Método William Fine Este método permite calcular a gravidade e a probabilidade relativas de cada risco, associando a cada risco a ação preventiva a efetuar e o custo associado à implementação da mesma, ou seja permite considerar também o tempo de implementação, o esforço e a previsão de investimento (Mandarini, 2005). A fórmula de cálculo, usado por este método, é: R = Fc * Fe * Fp Em que: R - Magnitude do Risco; Fc – Fator consequência; Fe – Fator Exposição; Fp – Fator Probabilidade; O fator consequência define-se como os resultados mais prováveis de um acidente, resultando do risco em análise, considerando-se quer os danos pessoais, como também os materiais. O fator exposição traduz um índice associado à frequência com que se apresenta a situação de risco, sendo que o primeiro acontecimento indesejado seria o ponto de partida da sequência que conduziria ao acidente. O fator probabilidade traduz um índice associado à probabilidade de uma vez iniciado a sequência de acontecimentos, ela se desenvolver e terminar no acidente e suas consequências. A componente económica faz-se introduzindo na fórmula de cálculo mais duas variáveis, Fator Custo (Fc) e Grau de Correção (Gc) aplicando a seguinte expressão: Justificação (J) = Fc*Fe*Fp / (Fc * Gc) Avaliação de Riscos Ocupacionais em obras de Restauro na Construção Cardoso, Isaac 27 Se J > 20, suspensão imediata da atividade Se 10 < J < 20, correção imediata necessária Se J < 10, correção urgente Para calcular o valor de cada coeficiente temos que usar as tabelas 4 a 9. Tabela 7 – Consequência dos acidentes Consequências Grau de Severidade Danos Corporais Danos Materiais Valor Numerosas Mortes Grandes Danos > 1.000.000€ e quebras importantes na actividade 100 Várias Mortes De 500.000€ a 1.000.000€ 50 Morte Danos de 100.000€ a 500.000€ 25 Lesões Graves, amputações, Invalidez permanente De 1000 a 100.000€ 15 Incapacidades Temporárias Até 1.000 € 5 Ferimentos Ligeiros Pequenos Danos 1 (Freitas,2008) Tabela 8 – Exposição aos acidentes Exposição (Fe) Frequência de ocorrência da situação de risco Valor Continuamente, várias vezes ao dia 10 Frequentemente, aproximadamente 6 Ocasionalmente, de uma vez por semana a uma vez por mê s 3 Irregularmente, de uma vez por mês a uma vez por ano 2 Raramente, sabe-se que já aconteceu 1 Remotamente possível, não se tem conhecimento que tenha ocorrido 0.5 (Freitas,2008) Tabela 9 – Probabilidade de acidente Probabilidade (Fp) Possibilidade da sequência de acontecimentos, incluindo as consequências Valor Resultado mais provável se a situação inicial de risco ocorre 10 É completamente possível, a probabilidade é de 50% 6 Seria uma consequência remotamente possível, sabe-se que já ocorreu 3 Seria uma sequência ou coincidência rara 1 Extremamente remota mas concebível, nunca aconteceu em muitos anos de exposição 0.5 Sequência praticamente impossível, possibilidade de 1 em 1.000.000 0.1 (Freitas,2008) Tabela 10 – Índice de risco e prioridade de intervenção segundo a magnitude de risco obtida Grau de Perigosidade Risco Classificação Medidas ≥ 400 Grave iminente Suspensão imediata da atividade perigosa 200 a 400 Alta Correção imediata 70 a 200 Notável Correção logo que possível 20 a 70 Moderado Deve ser eliminado, mas não é uma emergência < 20 Aceitável Situação a manter (Freitas,2008) Mestrado em Engenharia de Segurança e Higiene Ocupacionais 34 Métodos de Avaliação A pontuação total de IR varia entre 1 e 1800, conforme tabela 22, em que o nível 1 indica IR até 90, e o nível 4 com IR de 501 a 1800. Tabela 22 – Níveis do índice de Risco Nível Pontos 1 90 2 91-250 3 251-500 4 501 - 1800 (Antunes, 2009) Concluída esta fase de caracterização, deve-se sintetizar a informação relativa aos aspetos da tabela 22, sendo primordial efetuar uma análise crítica dos resultados para evitar eventuais erros de pontuação. Na tabela 23 estão resumidos os parâmetros de avaliação a considerar e as classificações a atribuir a cada nível. Tabela 23 – Parâmetros Avaliação Parâmetros de avaliação Tipo de aspeto Descrição Valor Gravidade do Aspeto (G) Todos os aspetos … Aspetos que podem causar morte ou lesão com incapacidade permanente absoluta; … 10 … Aspetos que podem causar lesões graves, com incapacidade temporária absoluta ou permanente parcial, mas de pequena percentagem; … 5 … Aspetos causadores de lesões menores com incapacidade temporária parcial mas de baixa gravidade; … 3 … Aspetos que podem causar lesões pequenas sem qualquer tipo de incapacidade; 2 … Aspetos que não causam lesões; … 1 Extensão do Impacto (E) Aplicável a todos os aspetos Aspeto cuja extensão atinge mais do que 80% dos trabalhadores afetados por esse processo. 4 Aspeto cuja extensão atinge entre 51 e 80% dos trabalhadores afetados por esse processo. 3 Aspeto cuja extensão atinge entre 11 e 51% dos trabalhadores afetados por esse processo. 2 Aspeto cuja extensão atinge até 10% dos trabalhadores afetados por esse processo. 1 Avaliação de Riscos Ocupacionais em obras de Restauro na Construção Cardoso, Isaac 35 Exposição/frequência de ocorrência do aspeto (EF) Aplicável a todos os aspetos Ocorrência contínua ou com periocidade alta, correspondente às condições normais de operação (N) 3 Ocorrência periódica – operação de arranque, paragem ou condições de operação anormais (P) 2 Ocorrência reduzida – correspondente a situações de emergência, acidentais ou pontuais (A) 1 Desempenho dos sistemas de Prevenção e controle (PC) Aplicável a todos os aspetos Não existe um sistema de prevenção e controle implementado. 5 Existe um sistema de controlo implementado mas sem evidências da sua adequada funcionalidade 4 Não existe um sistema de prevenção mas si m um sistema de controlo implementado que é funcional 3 Existe um sistema de prevenção e controlo implementado mas não existem evidências objetivas da sua adequada funcionalidade 2 Há um sistema de prevenção e controlo implementado e evidências da sua adequada funcionalidade 1 Custos e complexidade técnica de prevenção / correção do aspeto (C) Aplicável a todos os aspetos Metodologia de prevenção/correção com custo e complexidade técnica reduzidas. 3 Metodologia de prevenção/correção com custo e complexidade técnica médias. 2 Metodologia de prevenção/correção com custo e complexidade técnica elevadas. 1 (Antunes, 2009) 4.7 Método de Avaliação da empresa Empripar A metodologia1 usada pela empresa nesta obra baseou-se numa avaliação qualitativa, em virtude de procurarem um método versátil, de simples aplicação e com garantia de obtenção de “resultados dotados de alguma fiabilidade”, optando então por uma matriz frequência (F) x Severidade (S) x condições de segurança (CS). A Frequência (F) varia entre: • Muito Frequente (5) – pelo menos uma vez por dia ; • Frequente (4) – pelo menos uma vez por semana; • Pouco Frequente (3) – pelo menos uma vez por mês; • Muito Pouco Frequente (2) – pelo menos uma vez por ano; • Raro (1) – pelo menos uma vez num período superior a um ano. A Severidade (S) foi definida como: • Catastrófico (5) – morte ou lesão com incapacidade permanente; • Crítico (4) – danos graves ou lesões com incapacidade temporária ou permanente; • Ligeiro (3) – com baixa maior ou igual a um mês e/ou tratamentos; • Marginal (2) – lesões menores com ou sem incapacidade temporária; • Negligenciável (1) – lesões pequenas sem qualquer tipo de incapacidade. 1 IPSS completo em anexo Mestrado em Engenharia de Segurança e Higiene Ocupacionais 36 Métodos de Avaliação As condições de segurança (CS) definem-se como: • Não existentes (5); • Más (sérias deficiências) (4); • Medíocres (algumas deficiências) (3); • Boas (melhoráveis) (2); • Muito Boas (1). Considera-se na metodologia que: R = P*S Logo neste método temos, R = (F*CS)*S Esta formula indica a avaliação de riscos como Tolerável ou Não Tolerável. Os resultados obtidos variam de 1 (risco pouco importante/desprezível) a 125 (risco grave). Avaliação de Riscos Ocupacionais em obras de Restauro na Construção Cardoso, Isaac 37 Tabela 24 – Matriz de Avaliação Empripar Frequência Severidade Condições de Segurança Muito Frequente (≥1 vez/dia) 5 Catastrófico (morte ou lesão com incapacidade permanente) 52 Não existem 5 Frequente (1vez/semana) 4 Critico (danos graves ou lesões com incapacidade temporária ou permanente) ITA3 › 30 dias 4 Más (sérias deficiências) 4 Pouco Frequente (1vez/mês) 3 Ligeiro (com baixa inferior a 1 mês e/ou tratamentos) ITA ‹ 30 dias 3 Medíocres (algumas deficiências) 3 Muito Pouco Frequente (1vez/ano) 2 Marginal (lesões menores com ou sem incapacidade temporária) 2 Boas (melhoráveis) 2 Raro (1 vez em tempo › 1 ano) 1 Negligenciável (lesões pequenas sem qualquer tipo de incapacidade) 1 Muito Boas 1 Tabela 25 – Matriz de Análise de riscos Empripar Nível de Risco Interpretação Tolerabilidade >91 Risco grave: Interrupção do Trabalho Para reduzir / eliminar o risco NT (não tolerável) 61-90 Risco Elevado: Adotar medidas imediatamente Para reduzir / eliminar o risco NT 26-60 Risco substancial: adotar medidas Para reduzir / eliminar o risco NT 16-25 Risco no limiar da aceitabilidade T (tolerável) 1-15 Risco pouco importante / depressível T 2 Sempre que Severidade seja igual a 5, elabora-se um Plano Trabalho de Risco Especial (PTRE) 3 Incapacidade Temporária Absoluta Mestrado em Engenharia de Segurança e Higiene Ocupacionais 38 Métodos de Avaliação 5 OBJETIVOS, MATERIAIS E MÉTODOS 5.1 Objetivos da Dissertação O objetivo primordial desta dissertação é efetuar uma avaliação dos riscos existentes na atividade de restauro na construção, usando para isso uma análise em contexto de obra por quatro métodos diferentes. Conseguindo dessa forma desenvolver avaliar e aconselhar alterações que permitam evitar, minimizar e/ou controlar esses riscos. Através dessa avaliação, efetuada por vários métodos de avaliação existentes, comparar os resultados obtidos e comentar a sua adaptação ou não a este tipo de trabalhos, bem como avaliar se esse método é indicado ou não para este tipo de trabalho. Finalmente, aproveitando o contexto da obra, e como objetivo secundário, realizar uma avaliação de posturas através do método REBA (Rapid Entire Body Assessment), de algumas posições/posturas de trabalho que costumem ser usuais no trabalho de restauro. 5.2 Materiais e Métodos Serão usados métodos de avaliação distintos e comparados os seus resultados. De forma à avaliação ser o mais abrangente possível, foram usados três métodos de avaliação de riscos que, conjugado com a avaliação feita para esta obra pela empresa Empripar, SA, permite um maior rigor e abrangência dos resultados obtidos. Como se tratam de obras na área da construção civil, em que os custos têm que ser considerados na planificação da obra, foi usado o método William Fine, porque nos permite ordens de grandeza dos custos de implementação de medidas, e por ser um dos métodos atualmente mais usados em construção civil. Foi usado o método espanhol, NTP330, tendo sido organizado um questionário “personalizado” para o caso em questão (NTP324), indo de encontro aos principais perigos que a obra tinha e que se necessitavam de avaliação. Foi ainda utilizado o Método de Avaliação Integrada de Riscos Ambientais e Ocupacionais (Antunes et al, 2009), para testar a sua aplicabilidade e, sendo um método integrado que avalia tanto o ambiente como a parte de Higiene e Segurança, pareceu adequado a sua utilização na obra em questão, em particular devido ao uso habitual de vários produtos químicos. Avaliação de Riscos Ocupacionais em obras de Restauro na Construção Cardoso, Isaac 39 6 RESULTADOS OBTIDOS Devido às diferentes fases da obra acarretarem diferentes perigos/riscos, logo existem perigos comuns a todas as tarefas/funções num estaleiro bem como aqueles específicos de um profissional, ou de uma profissão. A nível de preparação de arranque da obra (montagem estaleiro/montagem de andaimes, abertura de valas, entre outras) há diversos riscos, mas de consequências gravosas que convém realçar, nomeadamente, queda de objetos, cortes ou golpes, choques ou pancadas, provocados por objetos estacionários, contactos elétricos, quedas ao mesmo nível, entre outras. Todos estes perigos são presumivelmente de gravidade elevada ou muito elevada e todos os trabalhadores devem ser alertados para este facto e devem ser tomadas as devidas precauções. Em relação ao trabalho de restauro, para além destes riscos comuns, temos também os específicos decorrentes dos trabalhos executados em obra. Nomeadamente: • Queda em altura; • Queda ao mesmo nível; • Queda de objetos e materiais; • Cortes, entaladelas ou esmagamento por ou entre objetos; • Exposição a substâncias nocivas ou tóxicas; • Sobre esforços ou posturas inadequadas, necessária avaliação ergonómica; • Pancadas e cortes por objetos ou ferramentas; • Projeção de fragmentos ou partículas; • Desabamento de vidros; • Irritação / dermatoses4. De entre os riscos inerentes à tarefa, só a irritação/dermatoses, e os cortes podem ser controlados/minimizados pela existência e uso efetivo de Equipamento de Proteção Individual (EPI) e vestuário adequado. Cada um dos restantes riscos será avaliado pelos diferentes métodos enunciados. Serão divididos em duas fases, entrada de obra (fase1) e obra propriamente dita (fase de restauro). 4 Fichas Técnicas e de segurança dos produtos usados no anexo 1. Mestrado em Engenharia de Segurança e Higiene Ocupacionais 40 Resultados Obtidos 6.1 Fase 1 - entrada de obra Esta fase, inclui a entrada e preparação da obra, ou seja, descarga e transporte dos materiais, limpeza e desinfestação dos locais, neste caso, reparação da escadaria principal, dos tetos, dos pontos de luz e tratamento químico de portas e rodapés. Foram divididos os trabalhos em duas fases, para melhor se puder avaliar cada um dos trabalhos realizados. Havendo sub processos comuns a ambas as fases. Na tabela 26, pode-se verificar os riscos e a respetiva avaliação pelos diferentes métodos para esta fase da obra. Tabela 26 – Tabela resumo dos resultados das avaliações na fase 1 MIAR NTP 330 WILLIAM FINE EMPRIPAR Proc esso Sub processo Aspeto Caracterização do aspeto IR Classific ação Nível Risc o Classifi cação Ris co Classificação Risco Grau de Tolerância RESTAURO Transporte materiais Queda de objetos em manipulação Trabalhos em diferentes níveis 400 3 4000 I (40002400) 750 Grave iminente, suspensão atividade Médio Intolerável Todos Queda mesmo nível Material e lixo espalhados 360 3 1000 I (1000600) 300 Alta, correção imediata Médio Intolerável Pintura, tecto Queda em Altura Trabalhos em tetos 120 0 4 3000 I (40002100) 300 0 Grave iminente, suspensão atividade Alto Intolerável Decalque Sobre esforços5 Trabalhos de perícia 432 3 1080 I (1200600) 180 Notável, correção logo possível Médio Intolerável Restauro escada Queda níveis diferentes Trabalhos a diferentes alturas 120 0 4 4000 I (40002400) 150 0 Grave iminente, suspensão atividade Alto Intolerável Pontos Luz Choque elétrico Tomadas, candeeiros fios eletricidade 216 2 2400 I (40002400) 450 Grave iminente, suspensão atividade Alto Intolerável Limpeza Cortes, pancadas Lixar, remover manchas 36 1 60 III (8060) 45 Moderado, deve ser eliminado mas não é urgente Médio Intolerável Lixar Cortes e lacerações Limpeza e remoção 54 1 60 III (8060) 9 Aceitável Baixo Tolerável 5 Necessária avaliação ergonómica Avaliação de Riscos Ocupacionais em obras de Restauro na Construção Cardoso, Isaac 41 Descriminando método a método, temos que: Tabela 27 – Tabela resumo da avaliação pelo método Miar da fase 1 Processo Subprocesso Aspeto Caracterização do aspeto IR Classificação RESTAURO Transporte materiais Queda de objetos Trabalhos em diferentes níveis 400 3 Todos Queda mesmo nível Material e lixo espalhados 360 3 Pintura, Teto Queda em Altura Trabalhos em tetos 1200 4 Decalque Sobre esforços6 Trabalhos de perícia 432 3 Restauro escada Queda níveis diferentes Trabalhos a diferentes alturas 1200 4 Pontos Luz Choque elétrico Tomadas, candeeiros fios eletricidade 216 2 Limpeza Cortes, pancadas Lixar, remover manchas 36 1 Lixar Cortes e lacerações Limpeza e remoção 54 1 Tabela 28 – Tabela resumo da avaliação pelo método NTP 330 da fase 1 Aspeto Nível Risco Classificação Queda de objetos 4000 I (4000-2400) Queda mesmo nível 1000 I (1000-600) Queda em Altura 3000 I (4000-2100) Sobre esforços 1080 I (1200-600) Queda níveis diferentes 4000 I (4000-2400) Choque elétrico 2400 I (4000-2400) Cortes, pancadas 60 III (80-60) Cortes e lacerações 60 III (80-60) 7 Necessária avaliação ergonómica Mestrado em Engenharia de Segurança e Higiene Ocupacionais 42 Resultados Obtidos Tabela 29 – Tabela resumo da avaliação pelo método William Fine da fase 1 Aspeto Risco Classificação Queda de objetos 750 Grave iminente, suspensão atividade Queda mesmo nível 300 Alta, correção imediata Queda em Altura 3000 Grave iminente, suspensão atividade Sobre esforços 180 Notável, correção logo possível Queda níveis diferentes 1500 Grave iminente, suspensão atividade Choque elétrico 450 Grave iminente, suspensão atividade Cortes, pancadas 45 Moderado, deve ser eliminado mas não é urgente Cortes e lacerações 9 Aceitável Analisando a avaliação e os resultados obtidos pelo método MIAR, verifica-se que para esta fase temos 5/8 (62.5%), casos de gravidade (nível 3 ou 4), mas só 25% dos mesmos são de gravidade máxima (2/8), nível 4. • Para o método NTP 330, nesta mesma fase, 75% dos casos são de gravidade máxima, e só dois casos (25%) são de gravidade ligeira. • No método William Fine, temos 50% de casos de gravidade máxima (4/8) que implicam a suspensão imediata da atividade e 2 casos de gravidade média e igualmente 2 casos de gravidade ligeira. É curioso verificar que o método NTP 330, é o que mais gravidade atribui a cada um dos parâmetros e o que considera “mais grave” as situações. No mesmo o método William Fine, é de extremos, ou é muito grave ou muito ligeiro. O método Miar, faz uma maior distribuição de resultados, considerando muito graves a queda em altura e de níveis diferentes, é “somente” grave a queda de objeto e o choque elétrico, por exemplo. Avaliação de Riscos Ocupacionais em obras de Restauro na Construção Cardoso, Isaac 43 6.2 Fase 2 -obra de restauro Nesta fase, fase 2, temos os trabalhos de restauro, incluindo tratamento de rodapés, pintura de paredes e tetos, envernizamento de portas e escada, lixar e tratamento de chãos. Temos já nesta fase, instalado e em funcionamento protocolo de segurança da empresa, e formação de trabalhadores aquando da entrada em obra. Tabela 30 – Tabela resumo dos resultados da avaliação método Miar fase 2 Processo Sub processo Aspecto Caracterização do aspecto IR Classificação RESTAURO Todos Queda de objetos Trabalhos em diferentes níveis 360 3 Todos Queda mesmo nível Material e lixo espalhados 360 3 Pintura, tecto Queda em Altura Trabalhos em tectos 1200 4 Todos Possíveis sobre esforços7 Trabalhos de perícia 108 2 Pintura, Desinfestação Lesões cutâneas uso de materiais tóxicos e corrosivo 216 2 Pintura, Desinfestação Possíveis lesões Respiratórias8 uso de materiais tóxicos e corrosivo 240 2 Limpeza Cortes lixar, remover manchas 135 2 Limpeza Cortes e lacerações Limpeza e remoção 54 1 7 Necessária avaliação ergonómica 8 Necessária avaliação médica Mestrado em Engenharia de Segurança e Higiene Ocupacionais 50 Resultados Obtidos Representando graficamente temos uma melhor perceção dos resultados: Figura 13 - gráfico da distribuição dos resultados pelos diversos riscos 6.3 Avaliação de produtos químicos Conforme referido anteriormente, as obras de restauro são em grande parte efetuadas com recurso a produtos químicos. Dependendo do tipo de material trabalho, seja madeira, gesso ou estuque, vão variar os materiais utilizados, sendo que neste caso o restauro era só em madeiras e estuques. No caso das madeiras, temos cinco etapas, onde serão usados os diferentes tipos de material: 1. Desinfestação; 2. Consolidação; 3. Preenchimentos; 4. Reintegração; 5. Proteção. No caso dos estuques temos só as etapas 2 e 5. Na tabela 35, temos um quadro resumo dos materiais utilizados e dos seus perigos/riscos para o trabalhador: 1 0 7 11 0 5 3 1 3 3 2 0 1 2 3 4 5 6 7 8 mt elevado elevado médio reduzido MIAR WF NTP Avaliação de Riscos Ocupacionais em obras de Restauro na Construção Cardoso, Isaac 51 Tabela 35 – Tabela de identificação de produtos químicos Usado em Aplicabilidade Frases de Risco Avaliação de Risco Miar Produto químico Madeira Gesso Xilofene X Inseticida, fungicida R65,R66,R67,S62,S02,S23,S24,S51,S13,S20, S21,S36,S37,S39 e S46 108 (R65) Paraloid B72 X Resina acrílica Nada a declarar 36 White Spirit X Solvente R10, R51, R53, R65, R66, S37, S43, S51, S57, S60, S61, S62 108 (R65) FTB (epoxida) X Resina acrílica R36, R38, R43, R51, R53, S24, S26, S28, S37 e S39 180 (R43) Hantek X Massa, betume de reparação Nada a declarar 36 Polyprep X Primário R50, R52, R53 Risco Ambiental Cinacril X Tinta R43-50,R53 180 (R43) Acrílicos X X Tintas R43-50,R53 180 (R43) Cera microcristali na (parafina) X Hidrocarboneto Nada a declarar 36 PVA, cola branca X Cola para madeira Nada a declarar 36 Gesso de estuque X Gesso Nada a declarar 36 Gesso colax X Carbonato de cálcio Nada a declarar 36 Cal Hidratada X Óxido de Cálcio R37, R38, R41 360 (R37) Plastimil (PLM) X Tinta plástica R43-50,R53 180 (R43) Cinolite X Primário Nada a declarar 36 Vinilsilk X Tinta Nada a declarar 36 Mek (metil etil cetona) X Solvente R10, S16, S26,S36 e S37 72 (R10) Como se pode verificar pela tabela, tem-se vários produtos com frases de risco “R65, nocivos” e “R43, sensível em contato com a pele”. Como se tem vários produtos irritantes, quer para as vias respiratórias, quer para olhos e pele, o seu manuseamento e a armazenagem deve ser efetuada por pessoal qualificado, sempre com Equipamentos de Proteção Individual (EPI) obrigatórios e com supervisão e delimitação (fecho) da área para impedir acesso a pessoal não autorizado. Sempre que possível, deve-se usar janelas abertas ou sistemas de extração de ar, para haver circulação e renovação do ar, para o efeito dos produtos ser o mais limitado possível. Mestrado em Engenharia de Segurança e Higiene Ocupacionais 52 Resultados Obtidos 7 LESÕES MUSCULO - ESQUELÉTICAS 7.1 O que são? Como surgem? As lesões músculo-esqueléticas (LME) podem afetar diferentes partes do corpo, as mais frequentes ocorrem no ombro e pescoço, membros superiores (cotovelo, mão e punho) e a nível de joelhos e coluna vertebral. As lesões dos membros superiores são as mais comuns em condições de trabalho que impliquem tarefas repetitivas e aplicação de força. Nalguns países os encargos com as LME chega mesmo a representar 2% do PIB (DGS,2008). Apesar da crescente onda de alerta, para este problema, continuam a ocorrer imensos casos de LMERT (lesões músculo-esqueléticas relacionadas com o trabalho), maioritariamente por três razões (DGS,2008): 1) Não valorização das ações que possibilitem um diagnóstico correto da situação; 2) Não haver um conhecimento da verdadeira dimensão do problema porque só se dispõe do número de doenças reconhecidas como profissionais; 3) Pouco investimento na informação/formação de trabalhadores e empregadores. A designação LMERT, inclui um conjunto de doenças inflamatórias e degenerativas do sistema locomotor, designam-se desta forma as lesões que resultam da ação de fatores de rico profissional como a repetividade, a sobrecarga e/ou a postura adotada no trabalho (DGS,2008) As LMERT caraterizam-se por sintoma como: • Dor, localizada mas que pode irradiar para várias zonas; • Sensação de “peso”; • Fadiga ou desconforto localizado; • Sensação de perda ou em caso extremo mesmo perda de força; • Sensação de dormência ou “formigueiro” na área afetada ou zona próxima. Estes sintomas surgem gradualmente e têm tendência a agravar em picos produtivos e aliviar em repouso. Após o surgimento dos sintomas, inicialmente intermitentes, tornam-se progressivamente persistentes prolongando-se além das horas de trabalho. Podem evoluir para doenças crónicas podendo surgir edema e hipersensibilidade da zona afetada. A nível de trabalho existem variados fatores de risco que podem levar ao aparecimento/desenvolvimento de LMERT: 1) Posturas ou posições corporais extremas; 2) Aplicação da força/movimentação de cargas; Avaliação de Riscos Ocupacionais em obras de Restauro na Construção Cardoso, Isaac 53 3) Repetividade; 4) Exposição a elementos mecânicos. Existem também fatores individuais, porque a exposição ao fator de riscos de vários trabalhadores pode ter impactos diferenciados em cada um. Fatores como a idade, o sexo, a altura, peso e fisionomia e a própria saúde individual, doenças crónicas, renais, antecedentes de traumatismo ou a própria gravidez diferenciam os trabalhadores a nível esquelético e podem acarretar diferentes consequências quando expostos ao mesmo fator de risco. Para além destes fatores, temos também fatores organizacionais, como exemplo: 1) Ritmos intensos de trabalho; 2) Monotonia das tarefas; 3) Insuficiente suporte social; 4) Modelo organizacional de produção. Nestes casos, sabe-se que não é fácil a identificação dos fatores de risco nem a compreensão da forma como estes fatores interagem. Sabemos sim qual o fator decisivo para o aparecimento da lesão e esse é o desequilíbrio entre as solicitações do trabalho e a capacidade do individuo, quando não se respeitam os períodos de descanso, ou seja, os intervalos de recuperação do nosso corpo. (fig.14) Figura 14 – Relação solicitação do trabalho vs descanso (DGS,2008) Mestrado em Engenharia de Segurança e Higiene Ocupacionais 54 Resultados Obtidos 7.2 Avaliação LME (método REBA) No decorrer do estágio, foram observadas várias posições que suscitaram dúvidas em relação à carga e esforço exigido. Foi decidido efetuar estudo do esforço exercido pelo trabalhador/a para efetuar tal tarefa, utilizando o método Rapid Entire Body Assessment (REBA). Neste capítulo, temos a descrição do método e exemplos da sua aplicação em alguns casos concretos. Este método desenvolvido por Hignett e McAtamney (2000), foi concebido para avaliar posturas nos postos de trabalho. Por ser bastante simples, permite ser aplicado na hora a várias tarefas, usando só papel (reba worksheet) e caneta. Este método permite efetuar: 1. Uma análise da postura, identificando em cada tarefa os riscos músculoesqueléticos; 2. Tratar individualmente cada segmento do corpo, podendo desta forma avaliar partes específicas; 3. Avaliar o posto de trabalho, e determinar uma hierarquia de intervenção. O método REBA tem um procedimento simples, que consiste em 6 passos (Mcatamney & Hignett,2005): 1. Observação; 2. Seleção de posturas a avaliar; 3. Pontuar as posturas; 4. Efetuar o tratamento das pontuações; 5. Determinar a pontuação final; 6. Confirmar o nível de ação e a respetiva urgência de intervenção. Pudemos aplicar o método aos elementos que queremos avaliar, ou seja, pudemos avaliar as posturas mais frequentes, as efetuadas por mais tempo, as que necessitem de maior força muscular, as extremas, entre outras. 7.2.1 Como aplicar o método REBA13 O método começa dividindo o corpo em dois grupos, como demonstra a figura 15: • Grupo A: avalia tronco, pescoço e pernas; 13 Metodologia completa em anexo Avaliação de Riscos Ocupacionais em obras de Restauro na Construção Cardoso, Isaac 55 • Grupo B: avalia Braço, antebraço e pulsos; Sendo efetuadas separadamente, as pontuações para o grupo B, do lado direito e do lado esquerdo (fig.15). Dependendo da posição e do esforço efetuado podem ser adicionados ou subtraídos pontos. Figura 15 – REBAFolha de pontuação (adaptado Mcatamney & Hignett,2005) Efetuando a avaliação completa (em anexo) obtém-se um valor de pontuação REBA, que será usada para se saber o grau de intervenção necessária, conforme a tabela 36: Tabela 36 – REBA, níveis de ação Pontuação Nível de Risco Nível de ação Ação 1 Insignificante 0 Nenhuma 1-3 Baixo 1 Pode ser necessária 4-7 Médio 2 Necessária 8-10 Alto 3 Necessária brevemente 11-12 Muito Alto 4 Necessária de imediato Mestrado em Engenharia de Segurança e Higiene Ocupacionais 56 Resultados Obtidos (adaptada Mcatamney & Hignett, 2005) Para melhor compreensão do uso deste método, será aplicado em algumas situações reais, encontradas no decorrer deste estágio. Para tal, foram selecionadas três fotos que representativas das situações que mais vezes ocorreram, ou cuja postura não era a mais adequada e obrigava a maiores esforços físicos. Figura 16 – Situação REBA 1, em esforço, rebocos e parede Avaliação de Riscos Ocupacionais em obras de Restauro na Construção Cardoso, Isaac 57 Figura 17 – Situação REBA 2, braços em retração, decalque no rodapé Figura 18 – Foto REBA 3, colocação placa gesso, suportando peso sobre a cabeça. Compilando os resultados numa tabela: Tabela 37 – REBA, resultados da Avaliação REBA Situação A Situação B Situação C Etapa Zona avaliar Pontuação 1 Pescoço Em Em Entre 10º a Mestrado em Engenharia de Segurança e Higiene Ocupacionais 58 Resultados Obtidos extensão (2) Total 2 retração (20º) (2) + inclinado (1) Total 3 20º (1) Total 1 2 Tronco Em extensão (2) Total 2 Dobrado entre 20º a 60º (3) Total 3 Em extensão (2) Total 2 3 Pernas Esticadas (1) Total 1 Esticadas (1) Total 1 Esticadas (1) Total 1 4 Postura (ver tabela A) 3 7 2 5 Peso/Carga Inferior a 5 kg (0) Total 0 Inferior a 5 kg (0) Total 0 Entre 5 e 10 kg (1) Total 1 6 Total A (ver tabela A) 3 7 3 7 Braços Ângulo braço entre 45º e 90º (3) Braço esticado (1) Total 4 Ângulo entre -20º e 20º (1) Braço dobrado (1) Total 2 Ângulo braço entre 45º e 90º (3) Braço esticado (1) Total 4 8 Antebraço Ângulo entre 0-60º ou > 100º (2) Total 2 Ângulo entre 60º e 100º (1) Total 1 Ângulo entre 0-60º ou > 100º (2) Total 2 9 Pulso Ângulo entre -15º e 15º (1) Total 1 Ângulo entre 0-60º ou > 100º (2) Total 1 Ângulo inferior a - 15º ou superior a 15º (2) Total 2 10 Total B (ve r tabela B) 5 1 6 11 Pega Aceitável mas não ideal (1) Total 1 Aceitável mas não ideal (1) Total 1 Não aceitável mas possível (2) Total 2 12 Total C 8 7 5 Avaliação de Riscos Ocupacionais em obras de Restauro na Construção Cardoso, Isaac 59 ( Tabela C ) 13 Pontuação Atividade 1 1 1 REBA Score 5 8 6 Analisando os resultados obtidos, pelas indicações da tabela 37, temos que as situações A e C, são consideradas de risco médio, com indicação para mais investigação e modificação das mesmas brevemente. A situação B, já se enquadra como uma situação de alto risco, sendo necessário alterar a mesma e investigar as possíveis consequências de tais posturas. Na situação C, temos dois problemas, primeiro o uso de força em elevação (acima dos ombros) durante períodos cíclicos e repetidos, e a falta de “pegas” ou qualquer dispositivo que permita segurar a placa (tipo ventosa) sem existir carga total no operador.