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Estágio Profissional: Caracterização de uma "história" de desenvolvimento profissional.

Rodrigo Miguel Mendes de Oliveira

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Estágio profissional: Caracterização de uma “história” de desenvolvimento profissional Relatório de Estágio Profissional Relatório de Estágio Profissional apresentado à Faculdade de Desporto da Universidade do Porto com vista à obtenção do 2º ciclo de Estudos conducente ao grau de Mestre em Ensino de Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário ao abrigo do Decreto-lei nº 74/2006 de 24 de março e do Decreto-lei nº 43/2007 de 22 de fevereiro. Orientadora FADEUP: Professora Doutora Zélia Matos Rodrigo Miguel Mendes de Oliveira Porto, Setembro de 2015 II Ficha de Catalogação Oliveira, R. (2015): Estágio profissional: Caracterização de uma “história” de desenvolvimento profissional. Porto: R. Oliveira. Relatório de Estágio Profissional para a obtenção do grau de Mestre em Ensino da Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário, apresentado à Faculdade de Desporto da Universidade do Porto. PALAVRAS-CHAVE: ESTÁGIO PROFISSIONAL; EDUCAÇÃO FÍSICA; DESENVOLVIMENTO PROFISSIONAL; PROCESSO DE ENSINO E DE APRENDIZAGEM. III Dedicatória Aos meus pais, que sem eles não era possível ter todas as condições necessárias para prosseguir os estudos e conseguir chegar até aqui. À minha irmã, apoio incondicional, que sempre me alertou para optar pelo melhor caminho. IV V Aos meus pais, que desde sempre me apoiaram e me ajudaram, estiveram sempre do meu lado para o bem e para o mal, apoiando-me sempre nas minhas decisões. À minha irmã, pela ajuda incondicional, pela ajuda nos caminhos trilhados, pela tolerância e amizade desde sempre. À minha namorada Juliana Lima, que me acompanhou mais de perto durante esta última etapa da minha formação, que me amparou, que me aconselhou e ouviu nos momentos mais complicados. Pelas palavras de incentivo e de motivação. Ao meu Professor Cooperante e à minha Orientadora de Estágio, pela dedicação e disponibilidade manifestada ao longo do ano, pelo encorajamento e exigência, pela oportunidade de aprendizagem. Aos meus alunos, foram os primeiros, foram os melhores. Sentir que foi por eles que ultrapassei muita da desmotivação que por vezes se apoderou de mim. Ao meu amigo Ricardo Teixeira, que sempre me acompanhou durante estes 5 anos de formação académica, sendo um pilar e companheiro nas aulas e fora delas. E por fim, a todas as pessoas que influenciaram e contribuíram para que o estágio corresse da melhor forma. A todos, um muito obrigado VI VII Índice geral Dedicatória .......................................................................................................... III Agradecimentos .................................................................................................... V Índice Geral ........................................... ……………………………………………VII Índice de Figuras ................................................................................................ VII Índice de Anexos ................................................................................................. XI Resumo ........................................................................................................... XIII Abstract ............................................................................................................ XV 1. Introdução ..................................................................................................... 1 2. Enquadramento Pessoal.............................................................................. 3 2.1 Os meus caminhos – História de vida ................................................... 3 2.2 Espectativas iniciais em relação ao estágio profissional ....................... 5 3. Enquadramento da Prática Profissional..................................................... 7 3.1 Enquadramento legal e institucional do Estágio Profissional. .............. 7 3.2 A escola como instituição ..................................................................... 8 3.3 A Escola Secundária de D. Dinis ......................................................... 9 3.4 Núcleo de estágio – O trabalho em grupo .......................................... 10 3.5 Os primeiros passos – Caraterização inicial da turma ....................... 12 4. Organização e Gestão do Processo de Ensino e Aprendizagem ........... 19 4.1 Planeamento ......................................................................................... 19 4.1.1 Planeamento anual .................................................................... 20 4.1.2 Unidade temática ....................................................................... 22 4.1.3 Plano de aula ............................................................................. 24 4.2 Realização da prática profissional ...................................................... 26 4.2.1 Gestão/organização ................................................................... 26 4.2.2 Instrução .................................................................................... 28 4.2.3 Disciplina e clima ....................................................................... 29 4.3 Avaliação ............................................................................................ 31 4.3.1 Avaliação Diagnóstica ............................................................... 31 4.3.2 Avaliação Formativa .................................................................. 32 VIII 4.3.3 Avaliação Sumativa ................................................................... 32 5. Participação na escola e relação com a comunidade ............................ 35 5.1 Diretor de turma ................................................................................. 36 5.2 Desporto escolar ................................................................................ 37 5.3 Corta-mato escolar ............................................................................. 38 5.4 Fit Challenge ...................................................................................... 38 6. Estudo – Aptidão física dos alunos ......................................................... 41 6.1 Introdução .......................................................................................... 41 6.2 Objetivo .............................................................................................. 42 6.3 Material e Métodos ............................................................................. 42 6.3.1 Bateria de testes Fit-School ....................................................... 42 6.3.1.1 Exercícios isolados ......................................................... 42 6.3.1.2 Exercícios em Circuito .................................................... 43 6.3.2 Material de recolha .................................................................... 45 6.4 Caraterização da amostra .................................................................. 45 6.5 Análise de Dados ............................................................................... 45 6.6 Resultados e discussão ..................................................................... 46 6.7 Conclusões ........................................................................................ 48 6.8 Bibliografia ......................................................................................... 49 7. Conclusões e perspetivas para o futuro ................................................. 51 Referências Bibliográficas ................................................................................ 53 Anexos IX Índice de Figuras Figura 1. Idade dos alunos ............................................................................. 13 Figura 2. Residência dos alunos .................................................................... 13 Figura 3. Habilitações literárias dos pais ........................................................ 14 Figura 4. Habilitações literárias das mães ...................................................... 14 Figura 5. Problemas de saúde ........................................................................ 14 Figura 6. Nota do ano anterior ........................................................................ 15 Figura 7. Gosto pela Educação Física ............................................................ 15 Figura 8. Motivação para as aulas de Educação Física ................................. 15 Figura 9. Modalidades que mais gostam ........................................................ 16 Figura 10. Modalidades com maior dificuldade .............................................. 16 Figura 11. Prática desportiva fora da escola .................................................. 17 Figura 12. Desporto Federado ........................................................................ 17 Figura 13. Planeamento anual; valor correspondente a uma unidade letiva de 45 minutos ....................................................................................................... 21 Figura 14. Regulamento e funcionamento da disciplina de Educação Física . 29 Figura 15. Bateria de testes Fit-School – Exercícios isolados ........................ 43 Figura 16. Bateria de testes Fit-School – Circuito .......................................... 44 Figura 17. Caraterização da amostra ............................................................. 45 Figura 18. Resultados da comparação entre turmas ...................................... 46 XVI 1 1. Introdução O Estágio Profissional insere-se no 2.º Ciclo em ensino de Educação Física nos Ensinos Básicos e Secundário, da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto (FADEUP) e representa a última fase de formação inicial de professores de Educação Física, onde temos a responsabilidade de assumir o papel de docente perante uma turma. O meu Estágio Profissional foi realizado na Escola Secundária D. Dinis, situada na área geográfica da cidade de Santo Tirso, escola que está inserida no agrupamento de escolas D. Dinis composta por mais sete escolas. O núcleo de estágio era composto por três elementos, tendo tido a orientação da Professora Doutora Zélia Matos, bem como a cooperação do Professor Mestre José Soares. Ao longo do nosso percurso académico fomos adquirindo competências teóricas e práticas, com o objetivo de as aplicar e desenvolver no final da nossa formação, nomeadamente durante o Estágio Profissional. Sendo este o primeiro contato ininterrupto com a realidade “escola e turma”, o professor Estagiário inteira-se sobre as funções e responsabilidades subjacentes à docência. Pretende-se com isto que o Estagiário adquira e desenvolva um leque de competências necessárias para a profissão, que se pretende que reflita a capacidade de procurar soluções para as dificuldades e, com isso, delinear uma intervenção de forma eficaz na procura da aprendizagem por parte dos alunos. Ao longo destes 10 meses tive como encargo uma turma do 3º ciclo do ensino básico, do 8º ano de escolaridade, tendo sido supervisionado em todas as aulas por um professor cooperante. No presente documento, pretende-se evidenciar todas as vivências, aprendizagens e dificuldades nos diferentes contextos, sala de aula e tudo para além disso. Esta será a forma de expor todo o meu percurso e todos os meus estados de espírito ao longo deste processo de formação. Este documento está organizado em quatro grandes áreas distintas. A primeira área é relativa à “dimensão pessoal”, onde será apresentado todo o 2 meu percurso assim como todas as minha expetativas e motivações inicias e finais relativas ao estágio profissional. A segunda área é relativa ao “enquadramento da prática profissional”, onde são abordados temas referentes ao estágio profissional, quer em termos legais quer institucionais, assim como meio envolvente à escola e a importância da disciplina de Educação Física. Na terceira área, ponto central deste documento – “realização da prática profissional” – ocupa-se de todo o meu processo ao longo do ano letivo. Por fim, em jeito de conclusão, são analisados os principais pontos desta minha caminhada e experiência como docente. 3 2. Enquadramento pessoal A individualidade influencia as expetativas e motivações de cada um no que se refere ao processo de formação e, em específico, ao processo de formação para a docência. Este ponto vai mais para além do “eu” enquanto indivíduo e estudante, das minhas raízes e de todas as minhas características e qualidades. Importa sim entender o porquê desta importante decisão para a minha futura carreira e tudo o que influenciou a decisão de enveredar por este caminho, bem como todas as minhas ideologias acerca do que é ser professor de Educação Física. Como refere Gori (2001), “a trajetória de vida de cada professor tem uma grande influência no modo como o professor iniciante se insere no contexto escolar. Como tal, será feito um apanhado acerca do meu percurso de vida bem como as minhas expetativas iniciais referente ao estágio profissional”. 2.1 Os meus caminhos – História de vida Segundo Gori (2001), “a partir da história de vida do docente é possível fazer um retrato mental das suas relações com os membros do seu grupo, com a sua profissão, com a sociedade em que o “eu” se insere bem como com a sociedade como um todo”. Neste capítulo, refletirei acerca daqueles que têm sido os meus caminhos, desde o nascimento até aos meus vinte e três anos atuais. De nome Rodrigo Miguel Mendes de Oliveira, nascido no ano de 1992, natural de Paços de Ferreira, com vivência no seio de uma família de classe média onde desde cedo me foi incutida a importância dos estudos e a relevância que isso tem para o nosso futuro, bem como a importância de adquirir autonomia e responsabilidade em todas as tarefas. Desde de cedo esta minha responsabilidade foi posta em prática para tentar conciliar os estudos com uma das minhas grandes paixões, o desporto. Desta forma, todo o meu percurso escolar até ingressar no Ensino Superior decorreu nas escolas do concelho de Paços de Ferreira, iniciado na Escola da Sede (1º ciclo do Ensino Básico), passando pelo 2º Ciclo do ensino básico na 4 Escola EB 2,3 de Paços Ferreira e terminando o 3º Ciclo do ensino Básico e Ensino Secundário na Escola Secundária de Paços de Ferreira. Paralelamente aos estudos, tentei conciliar desde cedo a minha paixão pelo desporto, nomeadamente o futebol. Iniciei esta prática desportiva em 1997 quando tinha apenas 5 anos de idade, no clube no qual me mantive até ter 19 anos, Futebol Clube Paços de Ferreira, idade que culmina com a entrada no Ensino Superior. A minha paixão pelo desporto foi desde sempre incutida em casa pelos meus pais. Mesmo estes, enquanto estudantes, tinham ambos o sonho de um dia puderem ser professores de Educação Física. O meu interesse por esta área, foi influenciada desde cedo, quando ainda no 1º Ciclo do Ensino Básico tive o prazer de contatar com aquela que seria a professora da maioria do meu trajeto como estudante, a professora Rosalina Leal, que incutia em todos os alunos toda a sua paixão por aquilo que é a Educação Física e a arte de ensinar. Esta paixão, aliada à importância que o altruísmo e o prestar apoio a quem mais necessita têm para mim, definiram o meu caminho. Seguindo o raciocínio acima, terminei o 12º ano e tinha que optar por uma opção que iria decidir todo o meu futuro. Contrariando um pouco todos aqueles que eram os meus pensamentos, optei por colocar como primeira opção Enfermagem, tendo relegado a Educação física e Desporto para segunda opção. Acabei por ingressar naquela que é hoje a minha grande paixão – a Educação Física. Sem arrependimento nem lamúrias, estou na área que mais gosto me dá trabalhar e mais gosto me dá aprender, estudar, ensinar e partilhar com aqueles que são mais próximos. Estes pensamentos vêm no sentido de tentar valorizar a Educação Física para alunos e sociedade e não deixar cair naquilo que socialmente é vista por muitos como “a disciplina em que os rapazes jogam futebol e as raparigas voleibol”. O meu percurso no Ensino Superior, nomeadamente a Licenciatura, foi iniciado e terminado no Instituto Superior da Maia (ISMAI), durante 3 anos. Optei, no final da licenciatura, prosseguir os meus estudos no sentido de concluir aquele que era desde cedo o meu objetivo, ser professor de Educação Física. Como tal, decidi mudar de instituição e realizar o Mestrado em Ensino 5 Educação Física nos Ensinos Básicos e Secundários numa das mais prestigiadas faculdades no país, a FADEUP. Estes pensamentos e ideologias vieram-se a confirmar, na medida em que nestes dois anos aprendi e adquiri mais em comparação com os três anos no ISMAI. Foi aqui que iniciei o meu Mestrado, sendo que no 2º ano optei por realizar o Estágio Profissional na Escola Secundária D. Dinis em Santo Tirso. Esta opção deveu-se apenas a aspetos geográficos, devido a encontrar-se mais próxima da minha área de residência. Foi sem dúvida um segundo ano de mestrado onde tive que colocar todos os saberes teóricos e práticos adquiridos ao longo do meu percurso académico e pessoal, de acordo com as exigências do meio em que estava inserido. Com o início do ano letivo, surgiram expetativas, motivações, dúvidas e receios relativamente áquilo que me esperava no futuro próximo, pontos estes que irei falar de seguida. 2.2 Expetativas iniciais em relação ao Estágio Profissional O Estágio profissional é o ponto de partida de uma nova caminhada e o finalizar de outra. Segundo Gori (2001), “os cursos de formação inicial assumem uma natureza transitória e provisoria na formação docente”. Se por um lado começamos uma formação naquilo em que nos queremos espacializar, a docência em Educação Física, por outro lado termina o processo de aquisição de competências teóricas e práticas durante o Ensino Superior. È a transição da minha formação inicial para a profissional, na qual será feita a passagem do “eu” enquanto aluno para o “eu” enquanto docente. Há um sentimento que nos agarra e que revela em nós insegurança, receio e ansiedade referente a todo o processo da formação inicial, no tempo antecedente ao primeiro contato com o meio escolar envolvente. Estes sentimentos acumulam-se e juntam-se às incertezas das possíveis insuficiências da nossa formação para dar resposta a todas as dificuldades que se avizinham. 6 Outra questão que me preocupava inicialmente dizia respeito ao meio onde iria estar inserido, nomeadamente a Escola Secundaria D. Dinis. Não tinha à partida qualquer tipo de feedback relativamente às caraterísticas do meio, nem do pessoal docente e não docente com quem iria contatar durante um ano letivo. Conforme o tempo foi passando e o contato com a realidade se foi intensificando, tornaram-se notórias as dissemelhanças entre aquilo que tinha concebido à partida e a realidade da turma, os alunos O ensino é totalmente diferente do que o praticávamos na faculdade com os nossos colegas, tendo um pavilhão disponível só para nós. Para além do espaço, a realidade dos alunos e as suas heterogeneidades de pensamentos, comportamentos, perfis e atitudes foram um grande desafio que tive que enfrentar em cada aula para poder exercitar cada matéria de ensino. Todas as práticas foram enriquecedoras, permitindo assim enfrentar todos os desafios e encarar o ano de estágio profissional de forma otimista e confiante. Este ano letivo permitiu apurar que não devem haver ideias préconcebidas e que a aprendizagem só é feita no terreno e em contato com a realidade, pois é na escola que encontramos a heterogeneidade de personagens (alunos). É aqui que estão os atores principais de todo o ensino, e só aqui, atravessando cada adversidade e cada patamar, o professor pode evoluir, tornar-se melhor e consequentemente melhorar o sucesso dos alunos e o método de ensino e aprendizagem para estes. Ao longo do estágio profissional houve da minha parte sempre a tentativa de progressão da aprendizagem, sustentada na teoria, embora nem sempre da melhor forma, com a colaboração quer da professora orientadora quer do professor orientador, bem como do meu núcleo de estágio. Tentei degrau a degrau ultrapassar todas as minhas lacunas e pontos fracos no ensino e aprendizagem ao longo do ano letivo, tendo sido estes pontos o meu centro de atuação ao longo destes 10 meses. Entre incertezas, medos e ideias pré-concebidas, desde início o meu objetivo primordial foi encarar cada dia de forma positiva e otimista, para 7 realizar o melhor trabalho possível, num ano preponderante para a minha aprendizagem para um futuro próximo. 8 3. Enquadramento da prática profissional O estágio profissional segundo o que está corroborado nas Normas Orientadoras do EP (2014-2015), “compreende-se como um projeto de formação do estudante com a integração do conhecimento proposicional e prático necessário ao professor, numa interpretação atual da relação teoria prática e contextualizando o conhecimento no espaço escolar. O projeto de formação tem como objetivo a formação do professor profissional, promotor de um ensino de qualidade. Um professor reflexivo que analisa, reflete e sabe justificar o que faz em consonância com os critérios do profissionalismo docente e o conjunto das funções docentes entre as quais sobressaem funções letivas, de organização e gestão, investigativas e de cooperação”. O estágio profissional tem como objetivo a integração de forma consciente, realista e progressiva na realização da prática profissional, permitindo assim amealhar competências, que, no futuro, permitirão ao docente responder com sucesso aos trilhos exigentes da profissão. Posto isto, e, partindo do pressuposto que a ação do docente de Educação Física é influída pelas ideologias e conceções concebidas ao longo da sua formação inicial, é essencial que se fale de alguns pontos importantes nesta caminhada e que enriquecerão toda esta experiência no EP. Assim, este capítulo é destinado à caraterização do estágio profissional, bem como a todos os intervenientes, desde da escola, turma, professor cooperante e orientador estágio, núcleo de estágio, desporto escolar. 3.1 Enquadramento legal e institucional do Estágio Profissional No que diz respeito à legislação, o estágio profissional no ano letivo 2014-2015 obedece às orientações legais presentes no Decreto-lei nº 74/2006 de 24 de Março e no Decreto-lei 43/2007 de 22 de Fevereiro, detendo-se ao grau de Mestre e à obtenção de habilitação para a docência. A nível institucional, o estágio profissional é uma unidade do Segundo Ciclo de Mestrado do Ensino da Educação Física nos Ensinos Básicos e Secundário da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto e decorre no terceiro e quarto 9 semestres, dividida pela prática de ensino supervisionada e o relatório de estágio. O grau de Mestre correspondente, apenas será atribuído ao aluno que concluir todas as unidades curriculares inerentes ao mestrado e conclua com a defesa do seu relatório de estágio. Para ingressar numa escola no EP, a instituição FADEUP detém parcerias com algumas escolas, às quais os alunos têm que se candidatar, por ordem aleatória ou de preferência, sendo selecionados de acordo com critérios pré-estabelecidos. Assim sendo, no Regulamento da Unidade Curricular do estágio profissional consta que o estagiário está inserido num núcleo de estágio, decorrente do contexto do meio envolvente (escola), com a prescrição em sintonia de um(a) professor(a) cooperante da escola em que estamos inseridos e de um(a) orientador(a) da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto (FADEUP). É o estudante estagiário que conduz o aquilo que é o processo de ensino e aprendizagem de uma turma correspondente ao professor cooperante, seja do ensino básico ou ensino secundário. Todo este processo de ensino aprendizagem (conceção, planeamento, realização) e todas as suas envolventes são desde início supervisionado pelo(a) professor(a) cooperante e de forma mais específica pelo(a) professor(a) orientador(a) do estágio. Estão delegadas para o estudante estagiário o cumprimento de várias tarefas, estas divididas por diferentes áreas de desempenho; Área 1 – “Organização e Gestão do Ensino e da Aprendizagem”; Área 2 e 3 – “Participação na Escola e Relação com a Comunidade”; Área 4 – “Desenvolvimento Profissional”. 3.2 A escola como instituição A escola pode assumir uma pluralidade de respostas, sendo uma organização resultante de um determinado contexto sociocultural e de uma época específica. A educação e a procura de conhecimento são uma parte fundamental na evolução dos humanos. 16 0 5 10 15 0 1 9 11 Nº de alunos Nota do ano anterior 2 3 4 5 0 5 10 15 20 20 1 Nº de alunos Gosto pela Educação Fisica Sim Não 0 1 2 3 4 5 6 7 1 2 5 6 7 Nº de alunos Motivação para as aulas de Ed. Fisica Nivel 5 Nivel 7 Nivel 8 Nivel 9 Nivel 10 Para a planificação daquilo que é o processo de ensino-aprendizagem, é relevante fazer uma análise de aspetos relacionados diretamente com a Educação Física. No seguimento da análise da avaliação dos alunos no ano anterior à disciplina de Educação Física, é de salientar a inexistência de nota negativa por parte dos alunos, sendo que as notas com maior percentagem são as de nível 4 e nível 5 (Figura 6). Estes resultados faziam prever uma turma com grandes capacidades. Quando questionados acerca do gosto pela Educação Física e da motivação para as aulas, apenas 1 aluno referiu não gostar das aulas de Educação Física e 7 alunos, numa escala de 1 a 10, atribuíram 10 à motivação para as aulas. Apenas um aluno referiu uma motivação no nível 1 (Figura 7 e 8). Este é um indicador de que este aluno durante todas as aulas tem que ser constantemente motivado e inserido em exercícios dinâmicos e de fácil integração. Figura 5 – Problemas de saúde Figura 6 – Nota do ano anterior Figura 7 – Gosto pela Educação Física 17 0% 5% 10% 15% 20% 25% 30% 35% 40% 45% 50% 33% 48% 38% 19% 10% 33% 5% 5% 14% % da modalidades que mais gostam Modalidades que mais gostam Voleibol Futbol/futsal Andebol Basquetebol Atletismo Natação Ginástica Ténis Badminton 0% 5% 10% 15% 20% 25% 30% 35% 40% 45% 50% 14% 10% 14% 19% 5% 48% 5% 10% 10% % das modalidades com mais dificuldades Modalidades com maior dificuldade Voleibol Andebol Futebol Basquetebol Atletismo Ginástica Badminton Natação Nenhuma Tendo em conta o planeamento e as unidades temáticas a abordar no 8º ano, foi necessário perceber quais as modalidades preferidas dos alunos e também aquelas em que os alunos se sentiam menos à vontade e tinham maior dificuldade. Assim, as modalidades coletivas foram as que obtiveram maior percentagem de gosto por parte dos alunos. Em contrapartida, a modalidade individual de Ginástica foi aquela que os alunos referiram apresentar maior dificuldade, destacando-se das restantes modalidades (Figura 9 e 10). Sendo assim, embora o meu cuidado fosse no sentido de tornar as aulas igualitárias para todas as modalidades, também mostrei uma grande preocupação em incidir o planeamento nas modalidades em que os alunos apresentavam maior dificuldade, nomeadamente a Ginástica. Por fim, no que se refere à prática desportiva fora da escola, sem surpresa e sendo uma região com grande passado e presente desportivo em todas as modalidades, os resultados obtidos só vieram a confirmar aquela que Figura 8 – Motivação para as aulas de Educação Física 18 0 2 4 6 8 10 12 14 14 7 Nº de alunos Prática desportiva fora da escola Sim Não 0 1 2 3 4 5 6 7 8 8 8 Nº e alunos Desporto Federado Sim Não era a minha prespetiva. É de salientar que dos alunos que praticam desporto fora do tempo letivo, 8 praticam desporto federado e 8 não federado (Figura 11 e 12). Uma das intenções, de acordo com os resultados obtidos no questionário, era a de motivar os alunos para a prática desportiva, levando estes alunos a aderirem à prática de uma modalidade extra aulas, dentro ou fora do contexto escolar (Clube, desporto escolar). Figura 11 – Prática desportiva fora da escola Figura 12 – Desporto Federado 19 20 4. Organização e Gestão do Processo de Ensino e Aprendizagem O estágio profissional, de acordo com o Regulamento, introduz três áreas de desempenho. A área 1 diz respeito à Organização e Gestão do Processo de Ensino e Aprendizagem. Segundo as Normas Orientadoras do Estágio Profissional Matos, Z. (2014/2015), esta área engloba “a conceção, o planeamento, a realização e avaliação do ensino, tendo como objetivo construir uma estratégia de intervenção, orientada por objetivos pedagógicos, que respeite o conhecimento válido no ensino da Educação Física e conduza com eficácia pedagógica o processo de educação e formação do aluno na aula de Educação Física”. Toda a bagagem que fui adquirindo ao longo da minha formação académica revelou-se de extrema importância, uma vez que é na prática que confinamos as metodologias a adotar e os objetivos e metas a atingir tendo em conta todo o meio envolvente e a disciplina de Educação Física. Ensinar é mais que apenas ensinar conteúdos aos alunos – ensinar requer metodologias, planeamento, avaliação e é neste seguimento que apresentarei os pontos seguintes. 4.1 Planeamento A planificação, segundo Bento (1987), “é o elo de ligação entre as pretensões imanentes ao sistema de ensino e aos programas das respetivas disciplinas e a sua realização prática. É uma atividade prospetiva, diretamente situada e empenhada na realização do ensino (…). A planificação significa também ligar a própria qualificação e formação permanente do professor ao processo de ensino, á procura de melhores resultados no ensino - como resultante do confronto diário com problemas teóricos práticos”. Todo o processo de intervenção do professor requer preparação e, antes de partir para o terreno, o professor deve refletir sobre a sua ação, bem como sobre os métodos e a forma de estruturação do seu trabalho, para poder ser mais eficaz no processo de ensino e aprendizagem. 21 Outro aspeto importante a ter em atenção durante o planeamento é a adaptação à realidade da escola em que estamos inseridos, pois para planearmos e definirmos os objetivos, é importante não só saber da matéria a ensinar mas também do local onde a escola está situada. Para tal, o modelo de Vickers (1990) apresenta-se como a melhor forma de planear e ajustar a planificação aos alunos e ao contexto escola. Esse planeamento é feito segundo uma lógica e segundo três níveis – planeamento anual, unidade didática e plano de aula – focando-se naquilo que são os objetivos, as tarefas, os conteúdos de ensino, a avaliação do processo de ensino aprendizagem e, se necessário, refletir nas decisões de ajustamento. (Matos, 2014). Como refere Bento (1987), “o ciclo de ação do professor não deve limitar-se a uma pretensa preparação direta e à realização de aulas; deverá sim assumir as tarefas de planificação, de realização, de análise e avaliação do ensino, isto é, as tarefas componentes da sua atuação como num ciclo contínuo: Plano (anual, periódico), preparação de aulas, realização de aulas, analise e avaliação”. Todo o meu planeamento teve esta sequência e, seguindo o Modelo de Estrutura de Conhecimento (Vickers 1990), dividi-o em quatro categorias transdisciplinares, sendo elas: habilidades motoras, condição física, cultura desportiva e aptidões psicossociais. Para além disso, este modelo é dividido em três momentos e oito módulos, análise (módulo 1,2,3), decisões (módulo 4,5,6,7) e a fase de aplicação (modulo 8). 4.1.1 Planeamento anual Na elaboração do planeamento anual, o poder de influência que o estudante estagiário tem é pouco. Desta forma, segundo Bento (1987), a elaboração do plano anual constitui o primeiro passo do planeamento e preparação do ensino e traduz, sobretudo, uma compreensão e domínio aprofundado dos objetivos de desenvolvimento da personalidade, bem como reflexões e noções acerca da organização correspondente do ensino de um ano letivo. 22 Foi através do grupo de Educação Física que se criou um documento orientador que inclui as matérias curriculares a ensinar nos diferentes ensinos e nos diferentes períodos letivos (tabela 1). A par do programa nacional, este documento tem a função de orientar o professor no ensino das diferentes modalidades de forma progressiva, desde do 5º ano até ao 12º ano. “A distribuição e ordenamento de horas e matérias constituem o esqueleto do plano anual” (Bento, 1983). No que se refere ao momento de abordagem das diferentes unidades temáticas ao longo dos três períodos para o 3º ciclo, nomeadamente para o 8º ano, este foi decido em conformidade com o roulement, com o professor cooperante e também com o número de unidade letivas a serem lecionadas em cada modalidade. No documento que se segue, são apresentadas as diferentes unidades temáticas a serem ensinados, bem como as respetivas unidades letiva. 8º Ano Apresentação, Autoavaliação, Trabalho e Teste 7 Aptidão física 10 Atletismo Corrida Res./ S.Altura 10 Ginástica solo e aparelhos – barra fixa e paralelas assimétricas) / Acrobática 16 Andebol 14 Voleibol 16 Futsal 16 Badminton (Natação) 10 Total 99 . Tabela 13 - Planeamento anual; valor correspondente a uma unidade letiva de 45 minutos 23 4.1.2 Unidade temática Segundo Bento (1987), “as unidades temáticas ou didáticas constituem unidades fundamentais e integrais do processo pedagógico e apresentam aos professores e alunos, etapas claras e bem distintas de ensino aprendizagem”. O planeamento das unidades temáticas vai mais além de uma simples distribuição de matérias pelos períodos letivos. Esta é importante para o aumento de qualidade e eficácia naquele que é o processo ensino aprendizagem. No planeamento da unidade temática, pretende-se articular de forma lógica a matéria a ensinar, onde em cada aula se opera de forma especifica, tendo sempre como foco o desenvolvimento e aprendizagem por parte do aluno. A elaboração das unidades temáticas durante o ano letivo, foram de certa forma facilitadas uma vez que durante o 1º ano de mestrado realizamos diversas unidades temáticas para as didáticas específicas corresponde ao currículo do mestrado de ensino. Estas serviram de suporte para justificar e refletir em torno de todas as decisões tomadas durante o ano letivo. A elaboração das unidades temáticas, foi sempre realizada no início de cada matéria de ensino, sendo que após a avaliação inicial, seria ou não reajustada de acordo com o nível de desempenho de cada aluno e da turma em geral. O 3º ciclo do ensino básico, mais propriamente o 8º ano, compreende duas aulas semanais de Educação Física, um bloco de 45 minutos (35´ úteis) e um bloco de 90 minutos (75´ úteis). As aulas de apenas uma unidade letiva (45 minutos) acarretam alguns problemas em termos de tempo útil para exercitar as matérias de ensino, uma vez que os alunos têm que ter 5 minutos para se equiparem e 5 para tomarem banho, retirando 10 minutos de tempo útil de aula, importantes na realização das unidades temáticas. O mesmo acontecia nas aulas de 90 minutos, em que os alunos teriam 5 minutos para se equiparem e 10 minutos para tomarem banho, ficando a aula com 75 minutos úteis para a realização das unidades temáticas. Na elaboração das unidades temáticas, para além de ter por base os tempos letivos e o nível de habilidades da turma, eram tidos em conta também 24 os espaços onde seriam realizadas as aulas, visto que tínhamos de adequar as unidades temáticas aos espaços disponíveis durante esse período letivo, uma vez que é impensável chegar ao objetivo fundamental, jogo formal das modalidades coletivas como futsal e andebol com apenas 1/3 de pavilhão com 22 alunos na turma. Entre todas as unidades temáticas, aquela em que senti maior dificuldade no planeamento e realização, foi sem dúvida a ginástica de solo. Esta é sem dúvida aquela que suscita menos interesse por parte dos alunos em geral, e mais especificamente na minha turma. Após a avaliação diagnóstica, deparei-me com alunos com grandes dificuldades em termos de flexibilidade/mobilidade articular, o que dificultou e prejudicou a exercitação dos diferentes elementos gímnicos de solo. Para além disso, a turma demonstrouse muito heterogénea no que refere à ginástica de solo, o que por si me obrigou a ter que optar por elementos gímnicos que facilitassem a aprendizagem por parte dos alunos que estão num nível mais inicial, sem prejudicar os alunos que estão num nível mais avançado. Incluídas no planeamento mas não abordadas, foram as modalidades de atletismo e natação (opcional). A escola encontra-se em remodelação e no recinto exterior onde se realizavam as aulas de educação física está ocupado por contentores amovíveis, não havendo assim espaço para realizar a corrida de resistência e salto em altura. Em alternativa, durante a semana, os alunos faziam um percurso idêntico ao de corta mato, no interior da escola D. Dinis, exercitando desta forma a corrida de resistência, não contabilizada na avaliação final dos alunos, mas apenas na avaliação formativa. A natação, embora fosse uma das minhas prioridades em termos de escolha para lecionar à turma, ficou fora do currículo dos alunos, uma vez que devido aos horários incompatíveis da piscina do ginásio de Santo Tirso com a turma 8ºA, não foi possível lecionar esta unidade temática, tendo que optar pela modalidade de badminton. Ao longo do ano letivo, as unidades temáticas, tal como todo o planeamento, foram sofrendo várias alterações, no sentido de melhorar e 25 corrigir o processo de ensino-aprendizagem, preservando assim a aprendizagem por parte dos alunos. 4.1.3 Plano de aula Dentro do planeamento das aulas de Educação física, o plano de aula é aquele que requer mais particularidades. O plano de aula é, de forma geral, a ação específica do professor dentro da aula, bem como a dos alunos. Segundo Bento (1987), “a aula é realmente o verdadeiro ponto de convergência do pensamento e da ação do professor”. É na aula que se reflete o trabalho diário que o professor ocupa para a sua preparação. Cada aula tem a sua função e os seus problemas e cabe ao professor agir em sintonia com o contexto. O plano de aula é isso mesmo – um documento orientador na ação do professor e alunos dentro da aula O planeamento das aulas foi uma tarefa árdua e sempre presente ao longo do ano letivo. Este planeamento não passava apenas pela elaboração do plano de aula, mas também pela reflexão sobre as aulas anteriores, a melhoria dos aspetos menos positivos e a tentativa de introduzir nas aulas seguintes novos conceitos e novos métodos de aprendizagem isto, tudo em prol do objetivo de cada aula e do meio envolvente. Os objetivos no plano de aula nas aulas de Educação Física, segundo Bento (1987), “constitui (…) a grandeza didática determinante do ensino, o ponto de concentração e de emanação da influência orientadora sobre o conteúdo e o método, o critério decisivo para a avaliação da eficácia da ação pedagógica”. Desta forma, o plano contempla um objetivo geral da aula e os seus respetivos objetivos específicos, diferente em todas as unidades temáticas. Uma das minhas maiores dificuldades no planeamento da aula foi a elaboração dos objetivos específicos da mesma, uma vez que em certas aulas não havia uma articulação lógica entre os objetivos e as situações pedagógicas, dificultando assim uma progressão lógica em termos de exercícios para os diferentes níveis de habilidades dos alunos. 32 todas as aulas, de forma a que estes entendessem que o meu único objetivo era ajudá-los a evoluir e que aprendessem novas matérias dentro das unidades temáticas. Os alunos que insistentemente optavam por comportamentos desviantes saíram prejudicados na avaliação final em todos os períodos, embora todos apresentassem grandes capacidades. De salientar que o professor cooperante José Soares foi sem dúvida um apoio incessante neste processo de controlo da turma, dando-me em todos os momentos dicas para poder evoluir e melhorar durante o processo de ensino e aprendizagem. 4.3 Avaliação O processo de avaliação dos alunos é sem duvida um dos pontos chave do processo de ensino-aprendizagem, o qual requer alguma exigência e reflexão. O estudante estagiário, como referem as Normas Orientadoras do Estágio Profissional Matos, Z. (2014/2015), tem que “utilizar as diferente modalidades de avaliação como elemento regulador e promotor da qualidade do ensino e da aprendizagem e da avaliação do aluno. Refere ainda que este tem que ser capaz de identificar as principais caraterísticas da sua turma, considerando as necessidades educativas específicas dos alunos e, no fim, refletir sobre a sua prática”. Não é um processo fácil, na medida em que nem sempre é fácil traduzir o valor do aluno quantitativamente, sem que haja injustiça para com um aluno ou para com os restantes. Posto isto, a definição de objetivos e critérios específicos claros e concretos, bem como a utilização de diferentes tipos de avaliação, fez com que este processo se tornasse mais simples. Desta forma, ao longo das Unidades Didáticas foram utilizados três tipos de avaliação: avaliação diagnóstica ou inicial, avaliação formativa e a avaliação sumativa ou final. 4.3.1 Avaliação Diagnóstica 33 A avaliação diagnóstica ou avaliação inicial, como o nome indica, é realizada sempre no início de cada unidade didática, geralmente na primeira aula. Esta avaliação tem o intuito de podermos recolher algumas informações do nível de habilidades dos alunos naquele momento, para mais tarde se poderem diferenciar diferentes níveis dentro da turma. Este é um processo vital no decorrer das aulas e na aprendizagem por parte dos alunos, pois caso a avaliação inicial seja imperfeita, o processo ensino-aprendizagem pode sair comprometido. Existiram algumas dificuldades importantes durante o processo de avaliação que convém realçar, nomeadamente a dificuldade em escolher os critérios e conteúdos a avaliar inicialmente nas unidades didáticas iniciais, o que levou alguma perda de tempo, visto não ter escolhido os critérios essenciais para as modalidades. Por outro lado, o facto de ainda não conhecer a turma e não distinguir os diferente alunos, tornou-se numa complicação, na medida em que não conseguia associar o nome à cara dos alunos. 4.3.2 Avaliação Formativa É nesta dimensão que se pretende que os alunos adquiram todos os gestos e aprendam todos os conteúdos referente às unidades didáticas, pretendendo-se, ao mesmo tempo, moldar estes alunos com base em regras e valores para mais tarde se tornarem adultos conscientes. Ao longo do aluno letivo, esta avaliação permitiu-me refletir acerca do que correu bem ou mal por parte dos alunos na aula, de forma geral e em específico. Eram realizados diariamente alguns registos acerca dos alunos. Esta era uma forma de para além de na próxima aula os alunos puderem melhorar os aspetos que não estavam a ser realizados com sucesso, também me ajudar no planeamento, na medida em que permitia adequar as aulas às características dos alunos nas diferente unidades didáticas. Outra das formas de avaliar os alunos continuamente e em cada aula foi através do preenchimento de uma grelha de assiduidade e material, onde eram feitos registos diários de todos os alunos quanto à assiduidade e pontualidade 34 e quanto à falta de material para a aula. Estes registos tornaram-se fundamentais no desenvolvimento da avaliação sumativa e/ou final. Aqueles alunos que não realizassem aula, respondiam a um relatório de aula elaborado por mim e aceite pelo professor cooperante. Aqueles alunos com atestado prolongado realizavam um trabalho acerca da unidade didática a ser lecionada. 4.3.3 Avaliação Sumativa Esta é o ultimo momento de cada unidade didática, onde os alunos põem em prática todos os seus conhecimentos quer práticos quer teóricos. É o momento mais formal de toda a unidade didática. A avaliação sumativa tem como função alcançar dados relativos ao processo de ensino e aprendizagem por parte dos alunos, sendo atribuído quantitativamente um nível a cada aluno, dependendo do seu desempenho ao longo da avaliação. O nível adquirido na avaliação demonstra se os alunos atingiram os objetivos previamente propostos durante as aulas. A avaliação sumativa era um combinar de conteúdos divididos em diferentes fases cada um com a sua cotação. Sendo assim a relação com bola era a que detinha maior percentagem do nível final dos alunos. Esta percentagem era atribuída de acordo com o número de aulas e conteúdos abordados durante o ano letivo. A restante percentagem era dividida para componentes mais táticas, estruturação do espaço e comunicação na ação. Desta forma era privilegiada a técnica, nunca deixando de parte a componente tática. Diga-se que a técnica era posta em prática não em exercícios analíticos, mas em jogo formal. 35 36 5. Participação na escola e relação com a comunidade Segundo Matos (2014/2015), esta área “engloba todas as atividades não letivas realizadas pelo estudante estagiário, tendo em vista a sua integração na comunidade escolar e que, simultaneamente, contribuam para um conhecimento do meio regional e local tendo em vista um melhor conhecimento das condições locais da relação educativa e a exploração da ligação entre a escola e o meio. Matos afirma ainda que esta área de atuação tem como objetivo contribuir para a promoção do sucesso educativo, no reforço do papel do professor de Educação Física na escola e na comunidade local, bem como da disciplina de Educação Física, através de uma intervenção contextualizada, cooperativa, responsável e inovadora”. A responsabilidade do professor na escola não se restringe apenas ao que se passa na aula, mas também o que se passa em redor e toda a relação com a comunidade escolar, quer em termos de ligação com alunos, professores e direção, quer na organização de atividades para o meio escolar. É importante que tenhamos a capacidade de transmitir aos nossos alunos e à comunidade escolar em geral a importância do desporto, desenvolvendo assim um espírito de iniciativa que permita a afirmação do desporto na vida dos alunos fora do contexto escola. É essencial que os alunos percebam as vantagens que a prática de uma atividade física regular acarreta, quer a nível físico, quer a nível mental. Como referido anteriormente, a escola possui boas infraestruturas para a realização de atividades com os alunos. Embora apresente estas caraterísticas, na minha opinião deveria haver mais iniciativa por parte de todos os professores na realização de atividades promotoras da saúde e bem estar físico. Ao longo do ano letivo, toda a comunidade escolar me acolheu da melhor forma possível. Porém, dentro do grupo de educação física, deveria haver uma maior proximidade entre professores e alunos estagiários, para que estes pudessem experienciar uma melhor integração e de forma a 37 compreender diferentes realidades e diferentes formas de ensino. Esta dificuldade talvez surja devido ao facto de não existir uma sala de professores no complexo gimnodesportivo onde o convívio e troca de informações seja possível. 5.1 Diretor de turma O diretor de turma desempenha várias funções dentro do meio escolar. Segundo Roldão (1995), “as funções do diretor de turma situam-se assim na interface entre duas áreas de intervenção: a docência e a gestão. O diretor de turma é, por um lado, um docente que coordena um grupo de docentes e é, simultaneamente, um elemento do sistema de gestão da escola a quem cabem responsabilidades na gestão global do conselho de turma a que preside”. Ao longo do ano letivo, a diretora de turma acarreta algumas funções como o registo de faltas semanal faltas no livro de ponto, marcação de reuniões com os encarregados de educação, sendo também responsável por coordenar o projeto curricular de turma e resolver alguns problemas com os alunos que possam surgir durante o ano letivo, se necessário dando a conhecer esses mesmo problemas aos encarregados de educação. Para além disso, o “diretor de turma cumpre ainda algumas funções juntos dos docentes da turma, nomeadamente a coordenação das atuações de cada um deles no âmbito da respetiva área de docência e de articulação entre essa ação dos professores e os restantes atores envolvidos no processo educativo, os alunos e os encarregados de educação” (Roldão, 1995). Outra das funções do diretor de turma é a de dirigir e presenciar todas as reuniões realizadas com os encarregados de educação. Estas reuniões seriam uma forma dos estudantes estagiários acompanharem mais de perto o processo de trabalho do diretor de turma, contudo, devido a alguns problemas existentes no passado com alguns estagiários, os professores cooperantes decidiram que não seria feito este acompanhamento por parte dos dois núcleos de estágio atuais. É de salientar que esta tarefa não é fácil, requerendo muito trabalho e dedicação para que todos os problemas que ocorrem ao longo do ano possam 38 ser resolvidos. Desta forma, é visível que, de forma geral, os professores nesta escola dispensam esta função, embora não possam “fugir” a ela por ser obrigatória. 5.2 Desporto escolar O desporto escolar é um dos pontos altos para os alunos de todas as escolas a nível nacional, incluindo a Escola Secundária D. Dinis. A escola Secundária D. Dinis tradicionalmente obtém bons resultados no desporto escolar, especialmente no andebol e futsal. Esta competência no desporto escolar só é possível devido às boas condições que são oferecidas aos alunos que queiram ingressar numa equipa numa determinada modalidade. Os alunos têm sempre ao seu dispor dois recintos onde treinar para as modalidades coletivas e individuais como andebol, futsal voleibol e badminton – o Ginásio Clube de Santo Tirso e o pavilhão gimnodesportivo da Escola Secundária D. Dinis. Para as modalidades individuais como ginástica, natação e ténis dispõem do pavilhão de ginástica da Escola Secundária D. Dinis, das piscinas do Ginásio de Santo Tirso e dos cortes de ténis igualmente do Ginásio de Santo Tirso. Aliado à qualidade das instalações, todos os professores responsáveis pelas diferentes modalidades se dedicam o mais possível e tentam ajudar os alunos a evoluir, mas acima de tudo, tentam que estes tenham uma vida mais saudável, passando sempre a premissa da necessidade de praticar uma atividade desportiva regular fora do contexto escolar. Acompanhei mais de perto a equipa de andebol. Foi patente a interajuda entre todos os alunos, de diferentes idades e escalões. Estavam ali por um objetivo de equipa e acima de tudo para se ajudarem uns aos outros. Era evidente a dedicação que os alunos impunham nos treinos, muitas das vezes abdicando de uma hora de estudo para poder ir treinar. A maioria dos alunos, depois de entrar para o andebol do desporto escolar, procurou e ingressou numa equipa federada. 39 5.3 Corta-mato escolar O corta-mato escolar tem uma grande tradição de forma geral em todas as escolas, mas já não era realizado nesta escola há algum tempo. Desta forma, e depois de conseguirmos todas as condições necessárias para a sua realização, o núcleo de educação física decidiu em reunião de departamento, voltar à tradição, que durante muitos anos levou alunos a competir nos regionais do corta-mato escolar. Inicialmente pensámos que seriam os dois núcleos de estágio a ter que iniciar e desenvolver a atividade. Contudo, a organização do corta-mato teve a colaboração de todos os professores de educação física da escola e também a participação da turma de gestão de desporto do 12º ano. Os dois núcleos de estágio, com um certo sentimento de deceção, não tiveram um papel ativo na sua organização, o que não nos permitiu perceber mais de perto quais os passos necessários na organização de uma atividade deste género, limitando também a possibilidade de uma interação mais próxima com o grupo de educação física da escola. O corta-mato foi realizado num percurso dentro do recinto escolar. O grande objetivo desta atividade foi o de consciencializar os alunos para a importância da atividade física e para os benefícios que esta traz para a nossa saúde. Por outro lado, este tipo de atividade promove a socialização por parte de todos os alunos da Escola Secundária D. Dinis. 5.4 Fit Challenge Sendo este um dos propósitos do estágio profissional, a organização desta atividade pôs à prova a nossa capacidade de organização, gestão e realização de uma atividade desta envergadura. A atividade referente realizou-se no dia 15 de Abril de 2015, quarta feira, das 8h30 às 13h, nas instalações da Escola Secundária D. Dinis. Como referido acima, esta atividade foi realizada no âmbito do que está estruturado no planeamento do estágio profissional. 40 O objetivo fundamental foi a divulgação não só da necessidade de os alunos adotarem um estilo de vida mais saudável, com a prática regular de uma atividade física fora do contexto escolar, mas também para os alunos conhecerem e experimentarem aquele que é um dos alicerces dos professores cooperantes no desenvolvimento e evolução dos alunos nas aulas de educação física na Escola Secundária D. Dinis – a aptidão física, mais designadamente o fitschool. Um dos pressupostos iniciais da atividade foi a de que todos os alunos tivessem um primeiro contato e conhecimento sobre o fitschool e de como este se realiza, para desta forma todos partirem do mesmo nível para a competição. Aqui surgiu a nossa primeira dor de cabeça, a competição. De que forma colocaríamos uma grande quantidade de alunos a exercitarem-se e ao mesmo tempo a competir, sem que houvesse grandes tempos de paragem? Depois de muitas voltas e de muitas conversas com os professores cooperantes e entre núcleos, chegou-se à conclusão de que para além da competição por estações, dividida por escalões, deveria haver uma parte de experimentação onde os alunos pudessem contatar com materiais não existente nas aulas e que de certa forma despertassem alguma curiosidade entre os participantes. A entrega atempada dos documentos aos professores cooperantes foi outra das lacunas da atividade. Entre tantas hesitações durante a planificação da mesma, levou a que os prazos se começassem a encurtar. Posto isto, alguns dos documentos, após várias reformulações, foram entregues já muito próximo da data de realização da atividade. Quanto ao desenrolar da atividade, é de realçar a organização do espaço dentro do pavilhão. Os circuitos de competição, bem como o circuito de experimentação, estavam bem concebidos. Foi conseguido o esperado, que todos os alunos participantes pudessem competir e da mesma forma passar pela área de experimentação, onde estavam expostos novos materiais para experimentar. Para dinamizar ainda mais a prática desportiva, estilos de vida saudáveis e diferente modalidades, para aquecimento os alunos realizaram uma pequena coreografia de zumba, com uma professora solicitada para esse efeito. 41 Devido à escassez de tempo, uma das competições teve que ser anulada. Esta decisão foi tomada juntamente com os professores cooperantes e todos os elementos dos núcleos de estágio. Contudo, esta decisão não pôs em causa nenhum dos resultados dos diferentes escalões. Os circuitos préestabelecidos para a competição individual eram muito exigentes fisicamente, mas estavam adequados para os vários níveis dos alunos. O controlo e recolha dos resultados suscitou alguns problemas devido ao facto de por vezes os juízes de cada exercício não apontarem convenientemente os resultados e o respetivo nome do exercício, o que na fase final de apuramento dos resultados levou a que se gastasse um pouco mais de tempo útil para finalizar da atividade. No final da atividade, o objetivo seria ter presente todos os alunos participantes na atividade para a entrega de prémios. O que deveria ter sido dito aos alunos era que não deveriam abandonar as instalações enquanto não fosse realizada a cerimónia de encerramento. Tal não aconteceu – os alunos que iriam subir ao pódio estavam presentes juntamente com os responsáveis que iriam entregar as medalhas mas os restantes alunos já não se encontravam no pavilhão. De forma geral, a atividade correu bem, os alunos aderiram em massa, todos gostaram da forma como esta estava elaborada e do tipo de exercícios e materiais utilizados. Para os estagiários, embora com muito trabalho, foi a primeira experiência de organização de uma atividade deste nível, o que para o futuro será compensador na medida em que não voltaremos a cometer os mesmos erros. 48 A análise da figura permite constatar que no exercício do TRX, o valor de significância p>0,05 comprova que entre os resultados obtidos não existem diferenças significativas. Esta mesma análise pode também ser feita através das médias encontradas tanto no momento inicial como no momento final, onde as diferenças entre resultados são de 3,92 e 1,45 respetivamente. O mesmo facto foi visível no salto à corda e no circuito contabilizado através do tempo. No salto à corda, as médias obtidas são superiores às dos restantes exercícios. Isto deve-se ao facto de ser uma exercício coordenativo, o que faz com que haja uma grandeza maior no número de repetições, que depois se verifica na média obtida nos dois momentos de avaliação. Ambos os exercícios apresentam um valor de significância p>0.05, o que reflecte a não existência considerável dos valores obtidos pelos alunos. Nos valores obtidos no circuito é notório tanto na turma A como na turma B, uma diminuição da média relativamente aos dois momentos de avaliação, o que comprova que houve uma melhoria no tempo de execução de cada exercício e no circuito em geral. Esta melhoria deve-se ao trabalho de aptidão física desenvolvido em todas as aulas por parte dos alunos, podendo assim melhorar os tempos obtidos anteriormente. Nos burpees no momento inicial de avaliação, é visível uma diferença muito significativa nos valores obtidos, sendo o valor de significância p<0,01. Esta diferença pode ser verificada também nos resultados obtidos através da média, em que existe uma diferença de 7,37 valores entre cada turma relativo à média. Tal como nos burpees, esta diferença significativa p<0,01 pode ser verificada no equilíbrio na plataforma instável, no Kettlebell e na bola medicinal. Esta diferença de resultados foi obtida nas avaliações iniciais, o que comprova a melhor capacidade física e técnica dos alunos da turma A. Por outro lado, a falta de preparação dos alunos da turma B comprovam os resultados obtidos. Como referido acima, as médias dos resultados verificam o valor de p, havendo uma grande diferença de valores entre a turma A e B. Igualmente nos burpees, equilíbrio em plataforma instável, Kettlebell e salto à corda no momento final de avaliação, verifica-se um p>0,05, o que demonstra o equilíbrio entre os resultados obtidos entre as duas turmas, não 49 havendo diferenças significativas a assinalar. O mesmo se depara nos resultados das médias em cada exercício, em que as diferenças entre os valores não são relevantes. Tanto na Turma A como na Turma B, verifica-se uma melhoria de resultados do momento inicial para o momento final em todos os exercícios. Este resultado comprova a importância do trabalho da aptidão física ao longo do ano letivo, para a melhoria das capacidades físicas e rendimento dos alunos, nas aulas e no dia-a-dia. 6.7 Conclusões As principais conclusões do estudo foram:  Os alunos melhoraram em todos os exercícios da avaliação inicial para a avaliação final.  É nos exercícios coordenativos e no circuito em que os alunos obtêm os melhores resultados. Isto comprova que quando os alunos têm de aplicar todas as suas capacidades motoras num teste de forma global, que os resultados saem valorizados, desconsiderando os exercícios em que cada um sente mais dificuldade e apresenta resultados inferiores.  Os resultados obtidos pela turma A, demonstram uma maior e melhor capacidade física comparativamente com a turma B.  Os alunos melhoram os seus resultados e a sua performance, se durante o ano letivo se realizar um trabalho semanal nesse sentido.  As diferenças mais significativas foram encontradas nos burpees e no Kettlebell. Considerando os resultados obtidos, é notório que o acompanhamento semanal dos alunos e a implementação da unidade didática de aptidão física 50 no currículo de educação física, poderão trazer melhorias no rendimento dos alunos nas aulas, bem como no seu dia-a-dia. É possível retirar esta conclusão pela observação da melhoria dos resultados dos alunos nos diferentes testes. Se forem dadas aos alunos todas as condições e material necessário para esta unidade didática, estes sentem-se motivados e empenhados na realização do trabalho diário e na melhoria das suas capacidades físicas e motoras. Por fim, alunos com as mesmas condições, com os mesmos critérios de avaliação dos exercícios e incluídos no mesmo meio, apresentam resultados diferentes, o que pode significar que à partida apresentam predisposições diferentes para a prática desportiva. 6.8 Bibliografia Queirós et all (2014) - Formação inicial de Professores. Reflexão e Investigação da Prática Profissional. Porto: FADEUP – Coleção Educar. Barbosa, A. (2014). Uma visão geral do Estágio Profissional. Porto: A. Barbosa. Relatório de Estágio profissional com vista à obtenção do grau de Mestre em Ensino da Educação Física nos Ensino básico e Secundário, apresentado à Faculdade de Desporto da universidade do Porto. Ministério da Educação: (2001); Programa Nacional de Educação Física do 3º Ciclo do Ensino Básico. 51 52 7. Conclusões e perspetivas para o futuro Terminando o processo de desenvolvimento profissional no estágio, chega o momento de, após várias experiências inovadoras, com vários sentimentos à mistura, proferir algumas palavras acerca do mesmo. Foi sem dúvida um ano enriquecedor, cheio de altos e baixos. O estágio profissional é o ponto de partida de qualquer estudante aspirante à docência e eu não fujo a isso. Foram sentimentos de alegria mas também de frustração por não conseguir atingir certos objetivos e um caminho de motivações e desmotivações resultantes da forma como o estágio está planeado, bem como de algumas eventualidades que foram surgindo ao longo do estágio. Foi como passar a fronteira; Fronteira entre ser estudante e ser professor. Muitas das vezes ainda me via no papel de aluno quando me encontrava com a minha turma, mas com o decorrer do estágio, o papel de professor foi-se afirmando e enraizando dentro de mim, papel esse valorizado pela minha turma no empenho e gosto demonstrado pelas aulas de educação física e pelos exercícios que propunha, mesmo quando a modalidade era aquela mais “chata” que ninguém gostava. O estágio serviu sobretudo para perceber o papel fundamental que o docente tem na comunidade escolar. O professor de Educação Física não se limita apenas a dar aulas, este tem que seguir um processo de planeamento, gestão e acompanhamento daquele que é o processo ensino e aprendizagem. Os meus alunos ficaram a entender que a Educação Física como disciplina tem que ser levada com a seriedade com que são levadas a Matemática e Português, mas com um caráter especial, por ser a única disciplina que trabalha o corpo e a mente. Este foi outro dos ensinamentos do estágio profissional. Está na mão de cada docente dar à Educação Física o rumo que a disciplina merece e desvirtuar de uma vez por todas a imagem pré-concebida de que esta é a disciplina em que se veste o fato de treino e se calçam as sapatilhas para “se dar umas corridas”. 53 O estágio profissional é o culminar de 5 anos de formação académica, onde pomos em prática tudo aquilo que aprendemos até esse momento e nos preparamos para o que nos guarda o futuro próximo. O meu balanço final, entre altos e baixos, é positivo, embora por vezes tenham existido aspetos que puderia ter resolvido de outra forma. Relativamente ao futuro próximo, estou consciente de que a situação dos docentes é marcada por várias dificuldades e de que o número de vagas profissionais a nível nacional não acompanha o número de professores que saem das Universidades todos os anos. Contudo, nunca irei desanimar; tentarei sempre procurar portas abertas para aplicar os meus conhecimentos nos mais variados contextos e partilhar tudo aquilo que aprendi ao longo desta “caminhada” rumo à docência. Termina assim mais um dos meus objetivos pessoais, sentindo-me orgulhoso por isso e com vontade de alcançar muitos mais. 54 Referências bibliográficas Bento, J. O. (1987). Planeamento e avaliação em educação física. Lisboa: Livros Horizonte. Gori, R. (2001). A inserção do Professor Iniciante de Educação Física na Escola. Caxambu: Colégio Brasileiro de Ciências do Esporte. Disponível em: http://boletimef.org/biblioteca/826/A-insercao-do-professor-iniciantede-educacao-fisica-na-escola Roldão, M. C. (1995). O director de turma e a gestão curricular. – (Cadernos de organização e gestão escolar; 2). Lisboa: Instituo de Inovação Educacional. Matos, Z. (2014/2015); Normas Orientadoras do Estágio Profissional do Ciclo de Estudos Conducente ao Grau de Mestre em Ensino da Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário da FADEUP. Oliveira, M. T. G. M. (2002). Indisciplina em aulas de educação física: estudo das crenças e procedimentos dos professores relativamente aos comportamentos de indisciplina dos alunos nas aulas de educação física do 2º e 3º ciclos do ensino básico. Viseu, Instituto Politécnico de Viseu. Vickers, J. N. (1990). Instructional Design for Teaching Physical Activities – a Knowledge structures approach. Champaign: Human Kinetics Book. XV Anexos XVI Anexo I – Cartaz da atividade Fit Challenge XVII Anexo II – Prémios da atividade Fit Challenge