O papel da avaliação no jardim-de-infância: potencialidades e riscos
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O papel da avaliação no Jardim-de-infância: potencialidades e riscos Ana Maria Martins, Rui Trindade Jardim – de – Infância do Viso de Viseu – pertencente ao Agrupamento de Escolas do Viso de Viseu Centro de Investigação e de Intervenção Educativas da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto Palavras-chave: Educação pré-escolar; avaliação. Esta é uma comunicação que resulta da realização de uma dissertação de mestrado onde o se reflecte sobre o papel da avaliação no Jardim-de-Infância (J.I.). Sabendo-se que a avaliação neste ciclo educativo assume especificidades várias, procurou-se compreender como o acto de avaliar era abordado por um conjunto de educadoras de infância que perfilhavam perspectivas pedagógicas diferentes acerca das finalidades educativas do J.I., da organização do trabalho pedagógico que aí tem lugar e das concepções que sustentavam essas mesmas perspectivas. Ainda que todas as educadoras entrevistadas sejam unânimes em considerar que a avaliação deve ter em conta a singularidade do J. I. como contexto educativo específico, ainda que dêem mostras de algum desconforto relativamente ao risco de uma eventual colonização da Educação de Infância pelas modalidades pedagógicas de organização curricular dos ciclos educativos subsequentes, isso não significa que tenhamos encontrado representações consensuais quer acerca das finalidades educativas dos J.I.’s, quer acerca das dinâmicas de avaliação que aí têm lugar. A crença em função da qual se afirma que a singularidade da avaliação nestes contextos educativos tende a ser posta em causa pelo seu enquadramento em Agrupamentos de Escolas é uma crença que o estudo realizado acaba por problematizar, sobretudo quando identifica concepções e práticas, veiculadas pelas próprias educadoras, que evidenciam até que ponto a dimensão da avaliação não é um problema que se cria, apenas, de fora para dentro. A questão da avaliação é, por isso, uma questão que obriga a interpelar também as próprias profissionais que intervêm no domínio da Educação Pré-Escolar. Interpelação esta, contudo, que tanto interessa a estas profissionais, como aos docentes dos restantes níveis da escolaridade básica, pelo modo como permite contribuir para uma reflexão mais fundamentada e pertinente acerca da pertinência da avaliação como instrumento capaz de contribuir para potenciar a formação e a aprendizagem das crianças. O que o estudo realizado evidencia é que as concepções de avaliação enunciadas por aquelas educadoras interferem, de forma mais ou menos explícita, no modo destas conceberem o processo de avaliação, o que nos obriga a entender que não estamos perante uma reflexão isenta de contradições e de tensões. Daí que seja necessário prosseguir o debate em torno das potencialidades e dos riscos da avaliação no J.I., propósito este que justifica, também, a apresentação desta comunicação num Congresso sobre Estudos da Criança.