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Inovação e Transferência de Tecnologia: 20 Anos de Colaboração Universidade - Indústria A. Barata da Rocha1, F. Jorge Lino1, José C. Sampaio2 1Dept. de Engenharia Mecânica e Gestão Industrial, Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, Rua Dr. Roberto Frias, 4200-465 Porto, Portugal, [email protected] , [email protected] 2INEGI Instituto Engenharia Mecânica e Gestão Industrial, Rua do Barroco 174, 4465-591 Leça do Balio, Portugal, [email protected] Resumo. As Tecnologias de Produção em Engenharia Mecânica assistiram a significativos desenvolvimentos nos últimos vinte anos. A evolução informática e a utilização generalizada de máquinas CNC, CAD/CAM e ferramentas de Engenharia Assistida por Computador trouxeram grandes vantagens competitivas aos países desenvolvidos. O crescimento sustentado, o respeito pelo ambiente, a eficiência energética e a reciclagem de materiais são hoje requisitos fundamentais para uma produção industrial competitiva e ecológica. O tecido industrial português é constituído fundamentalmente por pequenas e médias empresas. A inovação nestas empresas, muitas vezes incipiente, pode ser facilmente concretizada através de um estreito relacionamento e cooperação com as Universidades e/ou os seus Institutos de Interface. Neste contexto, a Universidade do Porto, através do Departamento de Engenharia Mecânica e Gestão Industrial da Faculdade de Engenharia, fundou em 1986 o INEGI - Instituto de Engenharia Mecânica e Gestão Industrial, com a missão de reforçar a cooperação entre esta Universidade e o meio empresarial. O INEGI participa activamente, há 20 anos, no desenvolvimento da indústria nacional contribuindo com conhecimento e competências distintas na área da Engenharia Mecânica e Gestão Industrial, assumindo a missão de: “Contribuir para o aumento da competitividade da indústria nacional através da investigação e desenvolvimento, demonstração, transferência de tecnologia e formação nas áreas de concepção e projecto, materiais, produção, energia, manutenção, gestão industrial e ambiente”. Desde a sua criação, o INEGI tem tido um crescimento sustentado e desenvolveu mais de 1200 projectos para organizações públicas e privadas. Este artigo, resultado da experiência dos autores na Direcção do INEGI, apresenta exemplos dos projectos em curso mais relevantes, com forte impacto industrial em empresas portuguesas e estrangeiras. As áreas de intervenção destes projectos abrangem uma grande variedade de temas multidisciplinares, desde as energias renováveis, desenvolvimento de processos tecnológicos e sistemas mecânicos, materiais compósitos, prototipagem rápida e tecnologias avançadas de produção e gestão industrial.
1. Introdução Os desafios e os grandes objectivos que se colocam aos Países da União Europeia, na qual Portugal se integra, passam obrigatoriamente pelo aumento significativo e sustentado da produtividade e competitividade do seu tecido empresarial enquadrado num mercado global. Longe vão os tempos em que era possível pensar nos vectores de produção como vector principal da competitividade empresarial. A abertura da União Europeia a um conjunto de países oriundos do antigo “bloco de leste”, o desenvolvimento recente da economia asiática, a globalização e os imperativos de desenvolvimento sustentado obrigam a considerar a Inteligência e o Conhecimento como o principal factor de progresso, através da Inovação, da Investigação e Desenvolvimento. Para atingir estes objectivos, é essencial conseguir uma boa articulação entre as Universidades, os Centros Tecnológicos, os Centros de Investigação e Desenvolvimento e o tecido empresarial. Só com esta estratégia será possível a Portugal conseguir uma convergência real com os países mais desenvolvidos da União Europeia (UE). A actividade do INEGI - Instituto de Engenharia Mecânica e Gestão Industrial, insere-se nesta estratégia, através do desenvolvimento, em colaboração com empresas e outras entidades do sistema científico e tecnológico nacional e internacional, de Projectos de I&D que cobrem vastas áreas de Engenharia Mecânica, de Produção e Gestão Industrial, em sectores industriais tais como a Metalomecânica, Automóvel, Construção Civil, Bens de Equipamento, Transportes; Química, Petroquímica, Cortiça e Derivados, Madeiras e Mobiliário, Têxteis, Energia e Ambiente; Defesa e, mais recentemente, Aeronáutica e Aeroespacial. De todo este trabalho, referimos neste artigo, apenas aqueles sectores, que, pela sua notoriedade e sucesso, se destacam conferindo valor acrescentado ao tecido empresarial português ou europeu. Se é verdade que o Conhecimento se produz nas Universidades, é também imprescindível que esse conhecimento tome formas de manifestação industrial. A valorização económica do Conhecimento deve constituir uma verdadeira prioridade nacional e representa um factor de desenvolvimento capaz de gerar vantagens competitivas para as empresas. A transferência tecnológica entre as Universidades e o tecido empresarial tem sido um tema amplamente discutido no nosso país, sendo reconhecido que existe ainda um longo caminho a percorrer. Os Centros Tecnológicos e os Centros de I&D têm tido um papel fundamental no estabelecimento desta ponte de conhecimentos.
A Universidade do Porto (UP) é a maior Universidade portuguesa, com mais de 24.000 alunos, 2.200 professores, 1.300 técnicos e com 14 escolas, cobrindo quase todas as áreas de conhecimento. A sua ligação ao mundo empresarial tem necessariamente de passar por Instituições autónomas, de cariz público ou privado, com a missão de concretizar a transferência desse conhecimento, sob a forma de novas estratégias, metodologias, produtos, processos e sistemas. Estas Instituições devem ter por missão transferir tecnologia e transformar o conhecimento em desenvolvimento prático e útil ao tecido empresarial. 2. Descrição do INEGI O INEGI (figura 1) é uma Instituição de interface entre a Universidade e a Indústria vocacionada para a realização de actividades de Inovação e Transferência de Tecnologia orientadas para o tecido industrial. Nasceu em 1986 no seio do Departamento de Engenharia Mecânica e Gestão Industrial (DEMEGI) da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP). Mantém ainda hoje essa ligação insubstituível ao DEMEGI, que constitui uma das suas principais fontes de conhecimento e competências científicas e tecnológicas. Ao longo dos seus 20 anos de existência desenvolveu e consolidou uma posição de parceiro da indústria em projectos de I&D, sendo que presentemente mais de 60% do seu volume de actividade resulta de projectos com empresas. Figura 1 - Futuras instalações do INEGI (final de 2007) no Campus da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto e actuais instalações da FEUP.
Com a figura jurídica de “Associação Privada sem Fins Lucrativos” e com o estatuto de “Utilidade Pública” é hoje um agente activo no desenvolvimento do tecido industrial Português e na transformação do modelo competitivo da indústria nacional, tendo como missão: “Contribuir para o aumento da competitividade da indústria nacional através da investigação e desenvolvimento, demonstração, transferência de tecnologia e formação nas áreas de concepção e projecto, materiais, produção, energia, manutenção, gestão industrial e ambiente”. O INEGI concretiza a sua missão através da realização de projectos de I&D e Inovação em cinco eixos principais de intervenção, a saber: • Criação de conhecimento e desenvolvimento tecnológico a montante da aplicação industrial: tipicamente financiada por programas de apoio à investigação científica e tecnológica como os promovidos pela FCT - Fundação para a Ciência e Tecnologia; • I&D com empresas, co-financiada por programas de apoio ao desenvolvimento da indústria: uma parte muito significativa da actividade do Instituto consiste na realização de projectos de I&D em parceria com empresas, recorrendo aos incentivos no âmbito dos programas de apoio ao desenvolvimento da indústria nacional; programa de incentivos à modernização empresarial PRIME e Programas Quadro da UE; • I&D financiada pelas empresas: uma parte crescente da actividade do INEGI resulta de contratos com empresas para a realização de projectos de Investigação e Desenvolvimento, nomeadamente para o desenvolvimento de novos produtos e novos processos; • Consultoria científica e tecnológica: apoio às empresas nas vertentes científica e tecnológica no domínio de actividade do INEGI; engenharia e desenvolvimento de produtos, processos tecnológicos, energia, ambiente e gestão industrial; • Formação especializada: acções de formação altamente especializada desenhada à medida das necessidades das empresas. Para além da actividade de natureza mais científica e tecnológica, o INEGI tem também apoiado a criação de empresas “spin-off” para exploração e desenvolvimento comercial de tecnologias desenvolvidas ou em desenvolvimento no Instituto. O quadro de colaboradores do INEGI é actualmente constituído por 164 pessoas, das quais, 53 são colaboradores a tempo parcial provenientes da universidade ao abrigo de protocolos estabelecidos entre o INEGI e a respectiva Universidade.
Uma parte significativa dos colaboradores universitários desenvolve a sua actividade de investigação nas instalações do INEGI. Dos restantes 111 colaboradores, cerca de 58% são contratados e os outros 42% desenvolvem a sua actividade em projectos de I&D ao abrigo de contratos de Bolsas de investigação. O INEGI possui três categorias principais de colaboradores que dão resposta às necessidades do Instituto nas áreas fundamentais de actividade: Investigação, Inovação e Transferência de Tecnologia sob contrato, Consultoria Científica e Tecnológica e Formação. O quadro de contratados garante uma dinâmica de resposta adequada às necessidades das empresas e os Bolseiros de Investigação suportam a actividade nos projectos de investigação sob orientação dos quadros contratados ou dos colaboradores universitários. Os colaboradores universitários são, na sua maioria, docentes no DEMEGI da FEUP. Contudo, o INEGI conta também com a participação regular de colaboradores universitários de outros departamentos da FEUP, de outras faculdades da Universidade do Porto e de outras Universidades e Institutos Politécnicos. O INEGI acolhe ainda alunos finalistas de cursos superiores ou tecnológicos para a realização de estágios curriculares ou profissionais, sendo integrados em projectos de I&D ou nas actividades laboratoriais de suporte à actividade de I&D. Os colaboradores do INEGI são na sua maioria quadros superiores. O Instituto funciona também como plataforma de lançamento de técnicos superiores para a indústria, sendo esta mais uma forma de consubstanciar a sua missão. Em 2005, o volume de negócios do Instituto foi de 4 milhões de Euros e o número de publicações científicas foi de 300 artigos em revistas e congressos nacionais e internacionais. Durante este ano, decorreram mais de 50 teses de mestrado e doutoramento, realizadas não só no âmbito da Engenharia Mecânica da FEUP, mas também do “Design” Industrial, Engenharia Ambiental, Engenharia Biomédica e Manutenção Industrial, entre outras. 3. Áreas de Competência A capacidade de resposta do INEGI, no desenvolvimento de soluções para a indústria, está suportada num conjunto alargado de competências ligadas à área da Engenharia Mecânica e Gestão Industrial e à inovação de produtos e processos. Sempre que necessário, incorpora competências externas, numa lógica de complementaridade, por via da participação de quadros de outros departamentos da FEUP, de outras faculdades da UP ou de outras Instituições de investigação e ensino superior. Frequentemente realiza parcerias com outras Instituições de I&D complementares em termos de competências. O Instituto cultiva estas parcerias uma vez que a crescente complexidade tecnológica das soluções actuais exige a integração de diversas áreas científicas e tecnológicas e em muitos casos é nesta linha que se encontram soluções distintamente inovadoras.
Na sua relação com as empresas, normalmente são criadas equipas de projecto com participação de quadros das empresas de modo a maximizar a partilha de conhecimento. Ligadas à oferta ao tecido industrial, tem-se vindo a desenvolver competências fundamentais para uma economia baseada na inovação e na intensidade tecnológica dos produtos e processos, tais como auditorias tecnológicas e gestão da inovação, quer ao nível das empresas, quer ao nível de agregados de maior dimensão como o sectorial ou regional. A produção de conhecimento e desenvolvimento de tecnologias que incorporam a oferta do INEGI são suportados pela actividade de um conjunto de unidades científicas e tecnológicas cobrindo praticamente todas as especialidades da Engenharia Mecânica e Gestão Industrial. Na figura 2 apresentam-se as principais competências de base da Instituição e da oferta no âmbito de projectos de Investigação, Desenvolvimento e Inovação (ID&I). Figura 2 - Principais áreas de competência e oferta de ID&I do INEGI.
4. Descrição da Actividade Dada a quantidade e diversidade de projectos em que o INEGI está envolvido não é pertinente apresentar uma lista exaustiva de todos os que estão em curso. Optou-se, assim, pela apresentação de um conjunto de áreas de ID&I, representativas da sua actividade. 4.1 Desenvolvimento Sustentável Esta é uma área com grande peso na actividade do INEGI, que engloba, projectos de I&D e os seguintes serviços de consultoria científica e tecnológica: • Caracterização de efluentes industriais e consultoria ambiental; • Medição de ruído; • Avaliação das condições ambientais em postos de trabalho; • Gestão de Energia e Ambiente; • Energias renováveis e Pilhas de Combustível. O INEGI possui um Laboratório Acreditado pelo IPAC Instituto Português de Acreditação, de acordo com a norma NP EN ISO/IEC 17025, no âmbito dos ensaios de avaliação do ruído e dos efluentes gasosos, que dá suporte aos projectos de I&D nesta área e à actividade de caracterização dos efluentes e medição de ruído. A área de Gestão da Energia e Ambiente foi criada no final de 2004 e regista já um volume de actividade significativo, compreendendo a consultoria na área da gestão da energia e ambiente, auditoria e desenvolvimento de soluções de base tecnológica. O INEGI está inserido numa parceria dinamizada pela SRE - Soluções Racionais de Energia, SA, que inclui também o INETI - Instituto Nacional de Engenharia Tecnologia e Inovação, para desenvolvimento de fontes de alimentação baseadas em pilhas de combustível e soluções para a contentorização e distribuição do hidrogénio. Em 2005, desenvolveram-se fontes de alimentação de baixa potência (até 500W) baseadas em pilhas de combustível para alimentação de sistemas portáteis e móveis. Ao cabo de três anos de trabalho foi lançado pela SRE o primeiro produto no mercado global, uma fonte de alimentação de 100W designada HW125. Figura 3 - Primeira fonte de alimentação de Pilhas de Combustível a Hidrogénio HW125.
O contributo do Instituto na área da Energia Eólica é vasto e reconhecido, tendo tido um papel relevante no atingir da meta dos 1000 MW instalados em Portugal em 2005. A primeira actividade do INEGI para clientes no sector da Energia Eólica é ao nível da realização de campanhas de medição das características do vento (figura 4) e determinação do potencial de produção de energia eólica. Nesta vertente o INEGI tem prosseguido o desenvolvimento desta actividade, tendo já instalado um total de mais de 380 estações de medição das características do vento, mantendo actualmente quase 180 em operação. Em 2005, por força da diversificação da actividade, foram realizados diversos tipos de estudos, correspondendo a um total de 268 trabalhos no sector da Eólica. Destes trabalhos, 103 reportam a campanhas de medições enquanto os restantes 165 reportam a actividade de consultoria. Figura 4 - Intervenção do INEGI na área da Energia Eólica.
Nos últimos 3 anos desenvolveram-se metodologias destinadas ao acompanhamento de Parques Eólicos através da verificação de garantias de produção e concluiu-se em 2005 os primeiros trabalhos de aplicação das mesmas. Este trabalho de aplicação do desenvolvimento de competências criadas internamente permitiu desenvolver serviços que ampliam a intervenção para além dos estudos e durante a vida útil dos parques Eólicos. Prevê-se realizar em Portugal a monitorização detalhada, em terreno complexo, das características do vento, e seu tratamento para posterior aferição dos modelos de escoamento atmosférico em terreno complexo. O Instituto tem colaborado activamente no trabalho preparatório de um grupo alemão para a instalação em Portugal de uma unidade de construção de componentes para aerogeradores eólicos. Tem também participado nos estudos prévios que o mesmo grupo tem vindo a realizar para a eventual instalação de um centro de I&D em Portugal. Será dado todo o contributo possível para que estes projectos de grande relevância para o nosso País se concretizem. O INEGI estará também fortemente empenhado em cooperar em todas as acções que visem criar um “cluster” eólico em Portugal. 4.2 Desenvolvimento de Produtos e Equipamentos As competências em Engenharia e Desenvolvimento de Produto são consideradas como essenciais para concretizar a mudança do modelo competitivo da indústria nacional. Nos últimos anos, temse vindo a desenvolver, de forma consistente, esta área na vertente de engenharia e em áreas relacionadas com a gestão e organização da actividade de desenvolvimento de produto numa empresa, não só como instrumento de inovação, mas também de planeamento estratégico, metodologias estruturadas, gestão de projectos e articulação da actividade com as outras áreas funcionais da empresa. Outra vertente muito importante a que se tem dado particular atenção é a vertente das ferramentas de suporte à actividade de desenvolvimento de produto, como sejam as ferramentas para modelação, CAD “Computer Aided Design”, ferramentas para dimensionamento estrutural, CAE “Computer Aided Engineering”, e ferramentas para simulação de processos de produção. Outras ferramentas cada vez mais relevantes para a diminuição dos tempos de desenvolvimento e facilitar a colaboração entre empresas são as ferramentas de suporte ao desenvolvimento de produto em ambiente distribuído e colaborativo, engenharia simultânea, gestão de informação de produto e prototipagem virtual. As capacidades na área da Engenharia e Desenvolvimento de Produto, associadas às capacidades na área da prototipagem rápida, simulação de processos e fabrico de protótipos, fazem do INEGI uma Instituição com capacidades ímpares nesta área.
O Projecto POE - BP, na área da Construção Civil, teve como objectivo o desenvolvimento e demonstração da tecnologia de betões poliméricos em ambiente industrial. Ainda na área dos materiais compósitos, é de realçar os seguintes projectos (figura 14): • Desenvolvimento das capacidades na área de aeronáutica. Participação dos alunos da FEUP no projecto “Air Cargo Challenge” através da construção de peças estruturantes de aeronaves experimentais; • Veleiro FEUP; durante 2005 o INEGI participou nos trabalhos de preparação conducentes ao projecto de um Veleiro de Competição da FEUP, em parceria com o Gabinete de Projecto do Arquitecto Naval Tony Castro, do Reino Unido. • Projectos de cooperação tecnológica com empresas. Prosseguiu em 2005 a cooperação com a empresa ALTO, para o desenvolvimento e fabrico de perfis pultrudidos e uma parceria com a empresa CLEVER Reinforcements, Lda, com vista ao desenvolvimento e produção de perfis pultrudidos em carbono vinilester para o mercado de exportação da construção civil (reforço de pontes, edifícios, etc.). • Demonstração da aplicação de materiais compósitos a sistemas ópticos para máquinas fotográficas, miras e telescópios, instrumentos musicais, etc. • Apoio no desenvolvimento de componentes automóveis para competição em ralis, com a empresa Peres Competição. O INEGI participa também na SHELL Eco-Marathon com um veículo de consumo actual de 1173Km/litro e um “Urban Car Concept” (1º lugar em 2006). Figura 14 - Projectos de desenvolvimento industrial utilizando materiais compósitos.
4.5 Novas Tecnologias de Fundição e Prototipagem Rápida Prosseguiu em 2005 um projecto de I&D em consórcio, co-financiado pela Agência de Inovação, para a empresa Alemã ZOLLERN & Comandita, que tem como objectivo a implementação em 2006 de uma unidade industrial para produzir 1.000.000 de impulsores em alumínio para turbocompressores de automóveis (figura 15). O projecto compreende o desenvolvimento e implementação de um processo de fundição por contra gravidade sob vácuo em ligas de alumínio destes componentes, usando a tecnologia de fundição em moldação de gesso com moldes de silicone. Participando também na definição de uma nova Unidade Industrial, pretende-se que em 2006 sejam produzidos cerca de 500.000 impulsores para fornecer à companhia BorgWarner. O INEGI está a apostar na tecnologia de fabrico de carapaças cerâmicas para o vazamento de ligas de titânio, em colaboração com a empresa ZOLLERN. Fruto dos excelentes resultados obtidos, a ZOLLERN, a BORGWARNER e possivelmente a DAIMLER CRYSLER, vão iniciar, com o INEGI, o desenvolvimento do processo de fundição em 2007. As competências desenvolvidas na área do CAD/CAM, da prototipagem rápida, fabrico rápido de ferramentas e tecnologias de conversão, tem suscitado o interesse dos mais variados sectores industriais, como a arquitectura, o “design”, joalharia, ferragens, mobiliário e fundição artística, dispositivos médicos, etc. (figura 16). Figura 15 - Protótipos em Alumínio de Impulsores para “Turbos”. Figura 16 - Componentes obtidos a partir de Prototipagem Rápida.
4.6 Tribologia, Vibrações e Manutenção Industrial A Unidade de Tribologia, Vibrações e Manutenção Industrial desenvolve actividade de Investigação e Desenvolvimento, no âmbito da qual tem a decorrer Teses de Mestrado e de Doutoramento, presta serviços de consultoria tecnológica à indústria e dispõe ainda de um conjunto de serviços na área dos lubrificantes, das vibrações e da manutenção industrial. O projecto EREBIO “Emission Reduction from Engines and Transmissions Substituting Harmful Additives in Biolubricants by Triboreactive Materials”, visa o desenvolvimento de soluções para a aplicação de óleos lubrificantes biodegradáveis. A substituição de óleos, tradicionais pelo novo, implica uma adaptação do material ao novo óleo. O trabalho visa a adaptação dos materiais aos óleos. Neste caso concreto o grande objectivo passa pela aplicação de óleos biodegradáveis e não tóxicos, acompanhado de uma melhoria do desempenho em termos de potência dissipada, melhor rendimento da engrenagem, temperatura de funcionamento mais baixa e maior longevidade do componente e do lubrificante. Os resultados deste projecto têm quatro tipos de aplicações: motores de automóveis, motores diesel pesados (marinha, estacionários), caixas de velocidades e engrenagens industriais. O trabalho do INEGI está centrado nas duas últimas aplicações. O projecto SIMCABLE (figura 17) tem como objectivo o desenvolvimento de um modelo de simulação do comportamento mecânico de cabos de accionamento utilizados na indústria automóvel para a empresa FICOSA Internacional. Este modelo de simulação será utilizado como ferramenta de apoio à concepção e projecto de sistemas de accionamento por cabos. No final pretende-se obter uma aplicação informática que determine os esforços envolvidos e o rendimento em transmissões por cabo, com accionamento manual ou mecânico. As grandes vantagens do recurso a um modelo informático que simule o comportamento mecânico dos cabos são a concepção rápida de soluções específicas com garantia de bom funcionamento, a resposta imediata na concepção da aplicação, a rápida orçamentação e a diminuição muito significativa da componente de validação experimental. Figura 17 - Cabos de accionamento para a Indústria Automóvel.
Outro projecto nesta área é o BIOMON “Towards Long-Life Bio-lubricants using Advanced Design and Monitoring Tools”, visa não só a substituição de lubrificantes correntes, minerais ou sintéticos, por outros que sejam biodegradáveis e não tóxicos, mas também por massas lubrificantes. O projecto visa as áreas das engrenagens industriais, rolamentos, fusos de esferas e lubrificantes, pretendendo-se a substituição dos óleos e massas lubrificantes tradicionais pelos novos, sem que seja necessário recorrer a uma alteração da componente metálica. Para isso é necessário realizar um estudo da reacção dos materiais clássicos para definir regras de manutenção condicionada adaptadas a componentes mecânicos lubrificados com óleos e massas biodegradáveis e não tóxicos, porque com a alteração do lubrificante, os processos de degradação do material alteram-se. 4.7 Óptica e Mecânica Experimental O INEGI dispõe de uma equipa vocacionado para realizar trabalhos na área da Mecânica Experimental que permite estudos nas seguintes áreas: • Determinação do estado de tensão em componentes estruturais; • Construção e análise de modelos experimentais; • Diagnóstico de avarias devidas a sobrecargas; • Ensaios de resistência em estruturas ou equipamentos; • Ensaios não destrutivos; • Projecto e construção de equipamentos para aplicações em Mecânica Experimental. Para o efeito, o INEGI dispõe de sistemas de medição de tensões por extensometria, que podem ser utilizados em aplicações estáticas e dinâmicas, e que recorrem a sistemas de armazenamento de dados em computador e sistemas de telemetria. Estão também disponíveis vários sistemas de medida de deslocamentos e deformações baseados nas modernas técnicas de interferometria holográfica (figura 18). Estes sistemas podem utilizar lasers de emissão contínua para aplicações quasi-estáticas e lasers pulsados para medição de fenómenos dinâmicos. Vários equipamentos permitem, ainda, a utilização de técnicas de Moiré e de análise fotoelástica. Figura 18 - Sistemas laser de medições.
O INEGI desenvolve também sistemas de processamento e análise de imagem (figura 19) que estão disponíveis para apoio às medições realizadas por interferometria ou por técnicas baseadas em iluminação estruturada. Existe ainda capacidade de projecto para conceber e construir equipamentos para análise não destrutiva de alguns tipos de materiais compósitos. Segundo especialistas da área, uma em cada dez pessoas com diabetes desenvolve lesões plantares, havendo pois uma clara necessidade de melhorar a prevenção. O sensor que está a ser desenvolvido, poderá vir a ser um grande aliado no diagnóstico precoce, possibilitando reparar, atempadamente, danos que poderiam vir a revelar-se irreparáveis para os doentes. Este processo de recolha de informação é efectuado em regime dinâmico, por um sistema de aquisição com capacidade para armazenar o equivalente a um dia de geração de dados. De dimensões reduzidas, o que permite incorporá-lo numa sola de sapato, o sensor monitoriza todas as forças exercidas durante os movimentos do paciente, seja em marcha moderada recta, marcha esforçada recta, variações de direcção com travagem e aceleração e em desníveis (degraus) e declives. Com as informações obtidas e devidamente analisadas, os médicos poderão ministrar o tratamento mais adequado e prevenir eventuais lesões. Numa perspectiva alargada, a informação gerada por este sistema traz seguramente benefícios no desenho de ortoses - pequenas “próteses” - a aplicar no sapato para corrigir a postura e colocação do pé. 4.8 Organismo de Normalização Sectorial Prosseguiu em 2005 a actividade do INEGI enquanto Organismo de Normalização Sectorial para a área do Desenho Técnico (CT1) e Elementos de Ligação (CT9). No âmbito deste Organismo, o INEGI desenvolve actividade em duas vertentes principais: elaboração de versões portuguesas de normas europeias e internacionais nas áreas do desenho técnico e elementos de ligação, e formulação de pareceres sobre normas em processo de criação ou revisão nas mesmas áreas. Desde o início da actividade como Organismo Sectorial de Normalização, que remonta a 2000, o INEGI já elaborou cerca de 100 versões portuguesas de normas na área de Desenho Técnico, que foram entretanto publicadas pelo IPQ. Figura 19 - Célula Óptica de “Shearography”.
4.8 Laboratório de Fumo e Fogo Este laboratório mantem actividade em duas vertentes principais: realização de ensaios acreditados para empresas com vista à caracterização do comportamento de materiais e produtos ao fumo e fogo (figura 20) e, realização de estudos encomendados no âmbito de projectos de investigação e desenvolvimento. 4.9 Formação Para além das suas actividades de Investigação e Desenvolvimento, o INEGI aposta na formação especializada de quadros técnicos nas áreas de Engenharia Mecânica e Gestão Industrial, através da realização de acções de formação desenhadas à medida das necessidades das empresas, tais como Materiais, Trabalho de Metais em Chapa, Gestão da Produção, Prototipagem Rápida, Mecânica de Materiais Compósitos, Método dos Elementos Finitos, etc. 5. Conclusões Este documento pretende dar uma visão geral da actividade multidisciplinar do INEGI nos últimos anos. A diversidade de projectos e a presença de conceituadas empresas, nacionais e internacionais, só é possível devido à participação de quadros universitários de reconhecido prestígio e competência internacional e à elevada especialização dos quadros do Instituto. O envolvimento de todas estas empresas nos nossos projectos, mostra, de uma forma inequívoca, a relevância da actividade do INEGI e o forte contributo que actualmente dá ao tecido empresarial português, funcionando como agente motor de INOVAÇÃO e COMPETITIVIDADE. Longo é o caminho a percorrer para imprimir à Instituição uma cultura e conduta mais empresarial, alicerçada e sustentada por uma visão prospectiva e abrangente. Estamos fortemente empenhados neste processo e contamos com os organismos estatais e com os programas de incentivos à competitividade do tecido empresarial para nos apoiar nesta nossa missão. Agradecimentos Ao escrever este texto, os autores, membros executivos da Direcção do INEGI, sentem enorme respeito e orgulho pelo trabalho que foi possível apresentar neste documento. Não podemos deixar de agradecer a todos os que participaram nestes projectos e noutros aqui não citados, com esforço e dedicação, nomeadamente aos quadros do INEGI, aos Universitários que com eles colaboram e às anteriores Direcções. O INEGI é uma Instituição do Sistema Científico e Tecnológico Nacional, com um percurso de 20 anos, sendo hoje reconhecido como um importante Agente de Inovação no nosso País. Estamos convictos que o INEGI possui uma sólida competência e um carácter multidisciplinar que lhe confere um elevado potencial científico e tecnológico, que importa preservar e dinamizar... Figura 20 - Ensaio ao fogo de um produto industrial.