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Tremoço (Lupinus albus): composição nutricional, propriedades nutraceuticas e aplicações na indústria alimentar

Oliveira, Leandro,Afonso, Cláudia,Pinho, Olívia

Abstract

[Resumo]

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110 Vol. VII – N.º 1 – abril 2013 ISSN: 1646‑7183 Comunicações P 72 Tremoço (Lupinus albus): composição nutricional, propriedades nutraceuticas e aplicações na indústria alimentar Leandro Oliveira1, Cláudia Afonso2, Olívia Pinho2,3 1 – Fac. Ciências da Nutrição e Alimentação, UP • Licenciatura 2 – Fac. Ciências da Nutrição e Alimentação • Universidade Porto 3 – REQUIMTE, Laboratório de Bromatologia e Hidrologia • Dep. Ciências Químicas – Fac. Farmácia, UP Correspondência: Leandro_guimarã[email protected] Os tremoços são as sementes do tremoceiro pertencentes ao género Lupinus. Os tremoços existem há vários séculos na Europa e caracterizam o típico padrão mediterrânico. Em Portugal, esta leguminosa é cultivada e amplamente difundida pelo território como a espécie Lupinus albus (tremoceiro branco) que se destina à alimentação humana sendo que em 2007 a produção de tremoços rondou as 15 toneladas. O interesse pelo tremoço tem aumentado a nível mundial, passando a sua produção de 757.647 toneladas em 2006 a 1.107.235 toneladas em 2011, não só devido às suas características biológicas como a sua facilidade de cultivo, mas também pelas suas características nutricionais. O objetivo deste trabalho é fazer uma revisão bibliográfica sobre a composição nutricional do tremoço (Lupinus albus), suas propriedades nutraceuticas e possíveis aplicações na indústria alimentar. Para tal, realizou-se uma revisão bibliográfica em bases de dados: Pubmed, Sciencedirect, Elsevier nos idiomas português e inglês, utilizando as palavras: Lupinus albus, lupins, Lupinus albus flour, Lupinus albus glicemic, tremoço. Esta pesquisa foi limitada aos últimos 15 anos. Da informação recolhida podemos afirmar que o tremoço possui um elevado teor proteico (32,2%) e de fibras alimentares (16,2%). Possui também compostos bioactivos que lhe conferem algumas propriedades nutraceuticas como na redução da glicémia, colestrolémia, triglicémia e ainda um efeito hepatoprotetor. Resultados da investigação demonstram de forma sustentada que a farinha de tremoço pode ser usada para produção de alimentos fermentados, enriquecer alimentos como: massas, pão, bolachas e bolos, assim como, alimentos isentos de glúten, entre outros. A incorporação de produtos com compostos tendo por base o tremoço, como seus isolados proteicos ou a farinha de tremoço, podem ser uma óptima escolha para melhorar o perfil nutricional de alguns alimentos. Assim, um incentivo ao seu consumo mostra-se relevante assumindo a sua adequação gastronómica e o seu enquadramento nos hábitos alimentares dos portugueses. P 74 Disqueratose congénita: um paradigma da intervenção multidisciplinar em gastrenterologia pediátrica Paula Ravasco1, Sara Azevedo2, Ana Isabel Lopes2 1 – Lab. Nutrição e Unid. Nutrição e Metabolismo • Instituto de Medicina Molecular, FMUL 2 – Dep. Pediatria • Unid. Gastrenterologia Pediátrica, HSMaria – CHLN e Centro Académico de Medicina de Lisboa Correspondência: [email protected] Introdução: Disqueratose Congénita é uma doença hereditária rara, caracterizada pela tríade de pigmentação reticulada da pele, distrofia ungueal e leucoqueratose em mucosas. Clinicamente traduz-se por alterações multissistémicas e raramente gastrintestinais graves, i.e. envolvimento transmural do tracto GI superior (boca, esófago) com fibrose/estenose. A falência medular é a principal causa de morte precoce. Afecta principalmente o sexo masculino e reconhecem-se formas recessivas ligadas ao X, autossómicas dominantes e recessivas. Apresenta-se um caso referenciado à Unidade de Gastrenterologia Pediátrica, HSM para avaliação do suporte nutricional ilustrando particularidades desta entidade. Caso clínico : Sexo masculino, caucasiana, 13 anos com diagnóstico estabelecido aos 7 anos, por mielograma que mostrou hipoplasia medular grave com pancitopenia. Em função destes resultados, foi realizado estudo genético que comprovou diagnóstico de Disqueratose Congénita com mutação homozigótica c.1066T»C (p.S356P) no exão 11 do gene DKC1, cariótipo 46XY. Simultaneamente, estudo genético do irmão com 15 anos sustentou o mesmo diagnóstico. Por sintomatologia gastrintestinal foi realizada endoscopia digestiva alta que evidenciou estenose aos 15cm com cerca de 3-4mm, não permitindo a passagem do aparelho. Discussão: A evolução clínica caracterizou-se por hemorragia lingual recorrente, engasgamento, refluxo nasal, anorexia intensa, disfagia, odinofagia, diarreia, compromisso alimentar e desnutrição grave (peso <P5). O doente ingeria 1220kcal+12 gramas proteína/dia per os; fez-se prescrição para o P25 peso com fórmula semi-elementar+alimentos ricos em amidos rapidamente digeríveis + proteína alto valor biológico (3000kcal +42gramas proteína/dia), que não teve sucesso. Fez-se revisão da literatura sobre qual a melhor via de nutrição. Atendendo aos riscos da dilatação esofágica (envolvimento estrutural da parede e pancitopenia), considerou-se em reunião multidisciplinar (Cirurgia, Gastrenterologia, Hematologia) a gastrostomia cirúrgica por via laparoscópica, decisão esta corroborada por 2 centros internacionais de referência(*) face à raridade do quadro e escassez de estudos clínicos. Pela gastrostomia passou a ingerir 2250kcal+12 gramas proteína/dia. Verificou-se recuperação de 4 kg/2 meses e mantêm o estado nutricional. Este caso enfatiza a urgência da colocação precoce de gastrostomia para nutrição entérica, com papel major na recuperação ponderal, particularmente relevante atendendo às contraindicações hematológicas e possível TMO. O grande desafio residiu na necessidade imperiosa da recuperação ponderal, mas sobretudo na melhoria da capacidade funcional e Qualidade de Vida, inquinada a priori por um diagnóstico com prognóstico desfavorável.