Emissão de moeda de ouro de Gallienus no início do reinado conjunto com Valerianus I : notas a propósito de um medalhão monetário de Tongobriga
Abstract
Estuda-se um pendente de ouro com um aureus de Gallienus, datadoinício do reinado conjunto (253-54), encontrado na zona dastermas do povoado romano de Tongobriga (Marco de Canaveses,Porto), contextualizando-se esta peça de ourivesaria com outrasprocedentes da parte ocidental do Império Romano. É tambémapresentada uma lista ordenada das ligações de cunhos de 25 aureipertencentes a coleções públicas e privadas que permite ummelhor conhecimento da cunhagem de moeda de ouro no iníciodo reinado conjunto de Gallienus. Por último, discute-se o contextoarqueológico em que foi perdido o medalhão de Tongobriga eque deverá situar-se em meados do século IV.
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Conimbriga, 53 (2014) 177-199 Rui M. S. Centeno Universidade do Porto, Faculdade de Letras e CITCEM [email protected] A EMISSÃO DE MOEDA DE OURO DE GALLIENUS NO INÍCIO DO REINADO CONJUNTO COM VALERIANUS I: NOTAS A PROPÓSITO DE UM MEDALHÃO MONETÁRIO DE TONGOBRIGA GOLD COINAGE OF GALLIENUS IN THE BEGINNING OF THE JOINT REIGN WITH VALERIANUS I: NOTES ON A MONETARY MEDALLION FOUND IN TONGOBRIGA “Conimbriga” LIII (2014) p. 177-199 Resumo: Estuda-se um pendente de ouro com um aureus de Gallienus, datado início do reinado conjunto (253-54), encontrado na zona das termas do povoado romano de Tongobriga (Marco de Canaveses, Porto), contextualizando-se esta peça de ourivesaria com outras procedentes da parte ocidental do Império Romano. É também apresentada uma lista ordenada das ligações de cunhos de 25 aurei pertencentes a coleções públicas e privadas que permite um melhor conhecimento da cunhagem de moeda de ouro no início do reinado conjunto de Gallienus. Por último, discute-se o contexto arqueológico em que foi perdido o medalhão de Tongobriga e que deverá situar-se em meados do século IV. Palavras-chave: medalhão monetário romano; pendente de ouro; aurei de Gallienus (reinado conjunto); Tongobriga. Abstract: It is studied a gold pendant with a Gallienus aureus, dated of the beginning of the joint reign (A.D. 253-54) and found in the area of the roman baths of Tongobriga (Marco de Canaveses, Porto). This medallion is related to others similar pieces coming from the western part of the Roman Empire. It also published a list of die
links detected in a set of 25 aurei from public and private collections, that allows a better understanding of the gold coinage at the beginning of the joint reign of Gallienus. Finally, it discusses the archaeological context in which it was lost Tongobriga medallion presumably in the mid-fourth century. Key words: roman monetary medallion; gold pendant; aurei of Gallienus (joint reign); Tongobriga.
Conimbriga, 53 (2014) 177-199 A EMISSÃO DE MOEDA DE OURO DE GALLIENUS NO INÍCIO DO REINADO CONJUNTO COM VALERIANUS I: NOTAS A PROPÓSITO DE UM MEDALHÃO MONETÁRIO DE TONGOBRIGA A excecional peça que agora se publica, foi encontrada no decurso da campanha de trabalhos arqueológicos de 1984 no sítio romano do Freixo (Marco de Canaveses, Porto) (Fig.1), sob a direcção de Lino Tavares Dias, a quem devemos a primeira notícia do achado e a respectiva contextualização estratigráfica.1 O medalhão monetário2 apresenta as características seguintes: – O aureus (Figs. 2-3) Anv.) IMP CP LIC GALLIENVS AVG Busto laureado de Gallienus à direita, barbado e com couraça, vista de frente. Rev.) IOVI CON-SERVA Júpiter de pé, de frente, com a cabeça à esquerda, manto caído sobre o ombro esquerdo, segurando o raio na mão direita e o cetro vertical na esquerda Casa da moeda: Roma 1 Dias 1997: 58, Estrato 7. Este trabalho constituiu a sua dissertação de doutoramento apresentada na Faculdade de Letras da Universidade do Porto em 1995. Expressamos aqui o nosso agradecimento ao Doutor Lino Tavares Dias pela disponibilização desta peça para estudo. 2 A designação destes objectos de adorno não é consensual na bibliografia da especialidade. Por exemplo, na ourivesaria tradicional vianense, os objectos constituídos por moedas engastadas em molduras são designados por “peças”, reservando-se a palavra “medalha” para os pendentes que imitam moedas (cf., v.g., Abreu 2006: 76 e 78 e Costa & Freitas 2011: 153-56).
180 Rui M. S. Centeno A emissão da moeda de ouro de Gallienus... Conimbriga, 53 (2014) 177-199 Cronologia: agosto 253-agosto 254 (MIR 36: 76, ROM1)3 Peso: 4,48 g (moeda: 2,99 g; moldura: 1,49 g) Diâmetro: 18,9 mm (moeda); 23,7 mm (moldura), 27,0 mm (moldura com argola) Orientação dos cunhos: 7 H Referência: RIC V/1, 76(E); MIR 36, 25p – A guarnição (Figs. 4-5) Aureus de Gallienus montado numa moldura composta por um estreito aro circular de ouro (cerca de 2 mm), decorado a cinzel no anverso com a repetição de um motivo triangular que se poderá identificar com folhas muito estilizadas; no perímetro interno deste aro foi soldada uma lâmina de ouro, com uma secção em forma de π, para a fixação da moeda; uma argola para suspensão, rematada de cada lado com um pequeno rebordo, encontra-se soldada à guarnição; a moldura apresenta-se partida imediatamente à esquerda da soldadura da argola. A baixa qualidade da guarnição revela que foi executada por artífice pouco habilidoso, talvez um ourives local ou da região, sem “arte” para realizar um trabalho mais delicado, como seria o modelo que lhe serviu de inspiração. O tipo de moldura enquadra-se nos medalhões do grupo 1 (decoração tipo 1), proposto por Brenot e Metzger (1992: 345-46), onde são utilizados, geralmente, numismas dos imperadores das dinastias dos antoninos ou dos severos mas também moedas mais recentes até à década de setenta do século III. Para o motivo decorativo utilizado na guarnição são conhecidos diversos paralelos muito próximos da peça agora estudada mas geralmente com uma arte mais elaborada: a título exemplificativo, do século II, pode-se referir uma peça de colar 4 com um aureus de Faustina II (sob Antoninus Pius) (RIC III, 511), pertencente ao tesouro de Beaurains (Bastien & Metzger 1977: 179, n.º 3 e Est. IX, 3);5 já da centúria seguinte temos o colar de ouro com um 3 A data de 254-5, avançada em RIC V/1 para esta emissão, é menos seguida do que a proposta por Göbl 1951: 19-20, 2ª emissão, fim de 253-Primavera de 254, recentemente atualizada, em MIR 36/43/44: 76. 4 Por se tratar de um elemento de colar articulado e não um medalhão para suspensão, apresenta duas argolas laterais. 5 Para outras peças da parte ocidental do Império com molduras idênticas guarnecendo aurei dos imperadores antoninos, cf. Brenot & Metzger 1992 : Est. I, 32,
181 Rui M. S. Centeno A emissão da moeda de ouro de Gallienus... Conimbriga, 53 (2014) 177-199 aureus de Severus Alexander (BMCRE VI, 128), da antiga coleção Castellani, hoje no Museu Britânico (Marshall 1911: 316, n.º 2727 e Est. LIX, 2727), bem como o pendente com aureus de Gallienus, já como único imperador (RIC V/1, 53; MIR 36/43/44, 409l), datável do ano 261 (Göbl 1953: 13), também pertencente ao referido museu (Marshall 1911: 349-50, nº. 2939 e Est. LXVIII, 2939). Uma variante mais elegante e cuidada deste motivo decorativo da guarnição, apresenta o aro com as folhas vazadas, documentada em medalhões da dinastia antonina e também do século III, como o exemplar da antiga coleção E. Durand, pertencente ao Museu do Louvre (Inv. Bj 759), com um aureus de Elagabalus (RIC IV/2, 61) (Fig. 6), ou a peça encontrada numa necrópole romana de Milão (Perassi, C. 2003) com um raríssimo aureus de Saloninus Caesar (RIC V/1, 17; MIR 36, 267a), datável entre o outono 258 e o final de 259 (Göbl 1951: 24-5, 9ª emissão), mostrando que as duas variantes de guarnição para medalhões tiveram um período de produção idêntico. Durante uma boa parte do século III, a considerável quantidade de numismas utilizados na confecção de joias ou perfurados para suspender com fio, bem como o entesouramento de moeda nova neste metal precioso,6 contribuíram para uma significativa imobilização de numerário de ouro que praticamente deixou de circular, sendo utilizado cada vez menos como meio de pagamento (sobre esta questão, veja-se: Callu 1969: 428-30; Hiernard 1979: 39-41; Callu & Loriot 1990: 106; Bland 1996: 64-6; para a Península Ibérica, Sagredo San Eustaqui 1986: 98-99). Pelo contrário, o uso da moeda de ouro como ornamento pessoal, seja furada ou integrada em jóias, transformou-se numa moda de prestígio ao longo do século III, que terá atingido o auge 33, 35e, 37a e 37b ; para o oriente romano, refiram-se os oito medalhões com aurei de Trebonianus Gallus (2), Volusianus (5) e Gallienus (1) pertencentes ao colar ou cinturão (?) procedente dos arredores da cidade síria de Alepo (BRUHN 1993: 34-5 e fig. 29; PERASSI 2004: 908-9, 926, nº. 14, e Fig. 12). 6 Hiernard 1979 : 56, assinala que os aurei incluídos nos tesouros terão circulado pouco, antes do seu ocultamento. A propósito da utilização da moeda de ouro no século III como “valor-refúgio” e a sua imobilização/desmonetização em tesouros, veja-se Veyne 1979 : sobretudo 216-7. Em boa parte, esta prática foi responsável pelas dificuldades financeiras do Estado Romano, já que “il metallo nobile passa dalle casse dello Stato alle tasche dei private”, como assinala Lo Cascio (2008: 885).
182 Rui M. S. Centeno A emissão da moeda de ouro de Gallienus... Conimbriga, 53 (2014) 177-199 sob os imperadores severos e ainda entre 253 e 275 (Bland 1996: 65). Esta prática ultrapassou mesmo as fronteiras imperiais, como o revelam os estudos deste tipo de achados no limes germanicus, onde a sua presença atinge percentagens muito próximas dentro e fora do Império (Hiernard 1979: 57). Segundo Vermeule, o florescimento da produção de joias monetárias durante os Severos relaciona-se com a inflação que motivou a acumulação de moeda de ouro e a sua preservação, em que a joalharia desempenhou um papel fundamental. Contudo, entre cerca de 260 e os anos vinte do século seguinte, a produção de joias, utilizando numerário de ouro, torna-se um comércio “quase acidental” que permitia conservar alguns exemplares de um numerário praticamente desaparecido num período de crise e de elevada inflação no território imperial (Vermeule 1975: 29-30). O facto do aureus de Gallienus se encontrar praticamente à florde-cunho indica que foi retirado da circulação não muito tempo após a sua cunhagem, mal chegou às mãos do seu último proprietário. Isto não significa que, de imediato, tenha sido transformado em peça de joalharia, sendo de considerar a probabilidade de ter permanecido guardado durante algum tempo, até ao momento que o seu proprietário tomou a decisão de mandar confecionar o medalhão, mas também não podemos excluir a sua aquisição a um ourives/comerciante de joias já na forma de medalhão. Apesar de tudo, parece verosímil situar-se a produção do medalhão pouco tempo após a cunhagem do aureus, certamente antes do fim do reinado conjunto de Valerianus I e Gallienus (meados de 260) mas poderá também ser posterior, até porque são conhecidos medalhões deste tipo com moedas mais modernas. Brenot e Metzger (1992: 346) referem medalhões com aurei de Valerianus I e II e Victorinus, o que estende a produção de peças deste tipo à década de setenta do século III. Também há registo de guarnições com motivos aparentados, fabricadas para medalhões de solidi nos inícios da segunda metade do século IV, como é o caso de um medalhão com um solidus de Constantius II, pertencente ao achado de Szilágsomlyó (Roménia) (Gasdäc 2007: 15-9, Fig. 4). O achado de joias com moedas de ouro engastadas em medalhões ou anéis é extremamente raro na Península Ibérica. Encontrado no século XIX, o anel de Santa Pola (Alicante) com um aureus de Marcus Aurelius, datável entre 163-65 (Brenot & Metzger 1992: 335, n.º 62 e Bost; Campo & Gurt 1992: 59, nº. 145), a servir de mesa, era a única joia monetária romana referenciada para Península Ibérica. O
183 Rui M. S. Centeno A emissão da moeda de ouro de Gallienus... Conimbriga, 53 (2014) 177-199 medalhão de Tongobriga tem ainda a particularidade de integrar um aureus de Gallienus, também ele muito raro, sendo o quarto exemplar deste imperador recenseado em território hispânico, juntamente com um pertencente ao tesouro da Serra do Condão (Coimbra), achado em 1870 (Bost; Campo & Gurt 1992: 60, nº. 155), e dois do já referido achado de Santa Pola (Bost; Campo & Gurt 1992: 59, nº. 146).7 No entanto, é o único numisma que pertence ao período do reinado conjunto de Valerianus I e Gallienus. Apesar de quase não ter circulado, ou seja, ter cumprido a sua função de moeda, porque foi quase de imediato imobilizado numa joia, não deixa de ser relevante o registo da presença deste aureus no território peninsular, onde a circulação de numerário de ouro durante o século III foi diminuta como o evidenciam diversos estudos (V.g., Sagrede San Eustaquio 1986: 89-98; Huvelin & Loriot 1992: em especial, 217-42); para a Lusitania, Ruivo2008: sobretudo, 19-24 e 40-3). A quantidade de aurei de Gallienus conhecidos, similares ao de Tongobriga é reduzida. Aliás, em termos gerais pode-se dizer que os aurei de Gallienus, assim como os de Valerianus I, cunhados durante o reinado conjunto são bastante raros. Uma pesquisa bibliográfica, em coleções de museus e sobretudo em catálogos de leilões internacionais permitiu coligir 26 exemplares de Gallienus da casa da moeda da Roma, emitidos entre 253-54. Nesta amostra identificaram-se 12 cunhos de anverso com legenda IMPCPLICGALLIENVSAVG – 7 apresentam busto laureado e couraçado à direita (=C) e 5 tem o busto laureado com paludamentum e couraça, vistos detrás (=PC) – e 15 cunhos de reverso (para 11 tipos diferentes), sendo interessantes as ligações de cunhos entre diversos tipos de anverso e reverso, reveladas no quadro que a seguir se apresenta: 7 Por lapso, os autores referem que os dois exemplares apresentavam no anverso a legenda GALLIENVS PF AVG, quando, na verdade, o segundo numisma tem a legenda GALLIENVS AVG, correspondendo ao RIC V/1, 95, enquanto o primeiro deverá identificar-se antes como uma variante de RIC V/1, 94, como se pode observar nos desenhos publicados por Ramos Folques (1960: Est. XI).
184 Rui M. S. Centeno A emissão da moeda de ouro de Gallienus... Conimbriga, 53 (2014) 177-199 Aurei Gallienus, 253-254 8 Peso (g) Cunho Anv. Cunho Rev. MIR 36 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– A) Tongobriga 2,99 C1 IOVICON-SERVA 25p B) Ira & Larry Goldberg Coins & Collectibles, Inc., 69, 29.05.2012,3606 = Numismatica Ars Classica AG (NAC) 62, 06.10.2011, 2069 = NAC 31, 26.10.2005, 98 (S.C. Markoff Collection of Roman Coins) 2,94 || || 25p C) MIR 36, Est. 4.25p = GÖBL 1978: 1584 2,84 || || 25p D) Heritage Auctions, Inc., 3032, 10.04.2014, 23635 = Christie’s, New York, 12.06.1993, 184 (Andre Constantine Dimitriadis Collection. Ex McLendon Collection) 2,78 || CONCORDIA EXERCIT 15p E) MIR 36, Est. 2.15p = TRAU 1935: 2929 2,93 || || 15p F) Classical Numismatic Group, Triton XVIII, 06.01.2015, 1220 3,52 C2 IOVICON-SERVA 25p G) Staatliche Museen zu Berlin, 18200286 = MIR 36, Est. 3.23p 2,91 || IOVICONSERV-ATORI 23p H) NAC 67, 17.10.2012, 203 3,56 PC! || 23o I) Kunsthistorisches Museum, Münzkabinett, Wien 19.406 = MIR 36, Est. 3.23o — || || 23o J) Roma Numismatics Ltd, IV, 30.09.2012-01.10.2012, 651 3,65 || FIDESMILITVM 22o 8 As fotos aqui reproduzidas são as publicadas pela primeira entidade referida para cada um dos aurei ilustrados (assinalados a negrito).
185 Rui M. S. Centeno A emissão da moeda de ouro de Gallienus... Conimbriga, 53 (2014) 177-199 Aurei Gallienus, 253-254 Peso (g) Cunho Anv. Cunho Rev. MIR 36 ––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––– K) American Numismatic Society 1967.153.82= MIR 36, Est. 3.22o 3,07 || || 22o L) Fritz Rudolf Künker GmbH & Co. KG, 204,12.03.2012, 815 3,25 C3 IOVICONS-ERVA 25p M) Hess Divo AG, 307, 07.06.2007, 1692 = Adolph Hess AG, Lucerne - Bank Leu AG, Zurich, 41, (Lucerne 1969), 477 et Bank Leu AG, Zurich, 48 (1989), 405 3,09 || || 25p N) Numismatik Lanz München, 151, 30.06.2011, 874 2,61 PC2 IOVICONS-ERVA 25o O) Cabinet de Médailles (Paris) = MIR 36, Est. 4.25o = ALFÖLDI 1967, Est. 31.13 3,50 || || 25o P) Ashmolean Museum (Oxford) = MIR 36, Est. 5.30o = ALFÖLDI 1967, Est. 31.9 — || VICTORIAAVGG 30o Q) British Museum = MIR, Est. 1.12p 2,41 C4 LIBERALITASAVGGIII 12p R) Kunsthistorisches Museum, Münzkabinett, Wien 38.666 = MIR 36, Est. 3.18o 4,16 PC3 CONCORDIAMILIT 18o S) A. Tkalec AG, Auction 07.05.2006, 222 2,14 C5 VIRTVS-AVGG 38p T) MIR 36, Est. 7.38p = MAZZINI 1957: 1286 2,28 || || 38p U) Fritz Rudolf Künker GmbH & Co. KG, 193, 26.09.2011, 982 = Gemini, LLC, VI, 10.01.2010, 561, 10 3,21 || || 38p V) Münzen und Medaillen AG, 19, 5-6.06.1959 = MIR 36, Est. 7.38o 2,28 PC4 VIRTVS-AVGG 38o
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