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Nova Biblioteca Municipal de Caminha - Estudo de Caso

José Manuel Rodrigues da Costa

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NOVA BIBLIOTECA MUNICIPAL DE CAMINHA Estudo de Caso JOSÉ MANUEL RODRIGUES COSTA Dissertação submetida para satisfação parcial dos requisitos do grau de MESTRE EM ENGENHARIA CIVIL — ESPECIALIZAÇÃO EM CONSTRUÇÕES Orientador: Professor Doutor José Manuel Marques Amorim de A. Faria JUNHO DE 2015 MESTRADO INTEGRADO EM ENGENHARIA CIVIL 2014/2015 DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL Tel. +351-22-508 1901 Fax +351-22-508 1446  [email protected] Editado por FACULDADE DE ENGENHARIA DA UNIVERSIDADE DO PORTO Rua Dr. Roberto Frias 4200-465 PORTO Portugal Tel. +351-22-508 1400 Fax +351-22-508 1440  [email protected].pt  http://www.fe.up.pt Reproduções parciais deste documento serão autorizadas na condição que seja mencionado o Autor e feita referência a Mestrado Integrado em Engenharia Civil - 2014/2015 - Departamento de Engenharia Civil, Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, Porto, Portugal, 2015. As opiniões e informações incluídas neste documento representam unicamente o ponto de vista do respetivo Autor, não podendo o Editor aceitar qualquer responsabilidade legal ou outra em relação a erros ou omissões que possam existir. Este documento foi produzido a partir de versão eletrónica fornecida pelo respetivo Autor. Nova Biblioteca Municipal de Caminha – Estudo de Caso A minha Família O homem não consegue descobrir novos oceanos se não tiver a coragem de perder de vista a costa ANDRÉ GIDE Nova Biblioteca Municipal de Caminha – Estudo de Caso Nova Biblioteca Municipal de Caminha – Estudo de Caso i AGRADECIMENTOS A realização desta dissertação teria sido impossível sem o apoio de algumas pessoas e entidades, a quem pretendo endereçar o meu mais profundo agradecimento. O meu primeiro agradecimento é ao Professor Doutor José Manuel Amorim Faria, orientador desta dissertação, por toda a sua disponibilidade, flexibilidade e transmissão dos mais úteis conhecimentos e criticas que ajudaram em muito, para o meu desenvolvimento pessoal e elaboração deste trabalho. O próximo agradecimento é à Camara Municipal de Caminha, representada pelo senhor Presidente, Miguel Alves, e também ao Arquiteto Filipe Fernandes, uma vez que possibilitaram a realização desta tese em ambiente empresarial. Neste contexto devo agradecer ao meu amigo Paulo Costa, uma vez que permitiu o primeiro contato com os representantes da referida instituição. Aos principais intervenientes da obra, sendo estes o representante do Dono de Obra, o Eng.º Luís Araújo, a empresa construtora, mais concretamente à Eng.ª Natália e ao Eng.º Rui, e por fim ao Arquiteto Nuno Brandão, uma vez que mostraram total disponibilidade durante a minha presença em obra, transmitindo-me conceitos importantes que contribuíram em muito para a realização desta dissertação. Ao professor Paulo Bento, e aos meus amigos Nuno Malheiro e Filipe Matos que também contribuíram na realização desta tese. Aos meus amigos e colegas de curso por estarem sempre ao meu lado, transmitindo-me palavras de coragem para esta longa jornada. Por fim, à toda a minha família, especialmente a minha mãe, avó e irmã que sempre me apoiaram nos momentos mais difíceis, e que possibilitaram que tudo isto fosse possível. A todos, um muito obrigado! Nova Biblioteca Municipal de Caminha – Estudo de Caso ii Nova Biblioteca Municipal de Caminha – Estudo de Caso iii RESUMO A construção da nova Biblioteca Municipal de Caminha apresenta-se como uma obra inovadora, com estilos arquitetónicos distintos, que se insere no Centro Histórico da Vila de Caminha. A execução deste projeto contribui em muito para o desenvolvimento desta região, sendo este um dos principais motivos para a realização desta dissertação. Este trabalho foi realizado em ambiente empresarial, uma vez que o dono da obra, neste caso a Camara Municipal de Caminha, permitiu que o autor da dissertação tivesse acesso a documentação e ao local da obra. Uma vez que o autor da dissertação acompanhou de perto os trabalhos executados, durante o período da realização da mesma, faz-se a caracterização de algumas tarefas específicas, tais como, trabalhos de geotecnia e execução de estruturas de betão armado, com base nos projetos fornecidos e conhecimentos transmitidos pelos intervenientes da obra. Por fim apresentam-se propostas de variantes às soluções definidas no projeto de arquitetura, nomeadamente para a cobertura inclinada em madeira e para os revestimentos dos pavimentos interiores do edifício. PALAVRAS-CHAVE: Biblioteca de Caminha, Soluções Construtivas, Estruturas de Contenção Periférica, Proposta de Variantes, Cobertura Inclinada de Madeira. Nova Biblioteca Municipal de Caminha – Estudo de Caso iv Nova Biblioteca Municipal de Caminha – Estudo de Caso v ABSTRACT The construction of the new Biblioteca Municipal de Caminha is presented as a groundbreaking work, with distinct architectural styles, in the historic centre of the village of Caminha. The execution of this project contributes greatly to the development of this region, this being one of the main reasons to produce this study. This work was conducted in a corporate environment, since the developer, in this case the Town Council of Caminha, allowed the author of the present work to have access to documentation and to the construction site. Since the author of the current dissertation has closely followed the work performed, during the development period of the same, its presented the characterization of some specific tasks, such as Geotechnical works and implementation of reinforced concrete structures, based on provided projects and knowledge transmitted by the associates involved. Finally, we present variant proposals to the solutions defined in the architectural project, namely for the sloped wood roof and coatings for the interior of the building floors. Keywords: Library of Caminha, Constructive solutions, Structures of Peripheral containment, Variants Proposal, Sloped Wood Roof Nova Biblioteca Municipal de Caminha – Estudo de Caso xii Nova Biblioteca Municipal de Caminha – Estudo de Caso xiii ÍNDICE DE FIGURAS Fig. 2. 1 - Vista da Vila de Caminha a partir do Monte de S. Tecla, 2010 [2]. ..................................... 6 Fig. 2. 2 - Centro Infantil e Segurança Social, 2015 ............................................................................ 9 Fig. 2. 3 - Centro de Saúde de Caminha, 2015 .................................................................................... 9 Fig. 2. 4 - Museu - Biblioteca Municipal, 2015. .................................................................................10 Fig. 2. 5 – Palácio da Justiça de Caminha, 2015.................................................................................10 Fig. 2. 6 - Primeira Linha de Muralhas da Vila de Caminha em 1513 [6]. ..........................................11 Fig. 2. 7 – Vista aérea da Vila de Caminha [15]. ................................................................................12 Fig. 2. 8 – Casa dos Pita restaurada, Rua da Corredoura [7]. ..............................................................13 Fig. 2. 9 - Casa Burguesa Rua de S.João, 2015. .................................................................................13 Fig. 2. 10 - Casa Burguesa Rua direita, 2015. ....................................................................................13 Fig. 2. 11 – Casa Plebeia Rua dos Pescadores, 2015. .........................................................................14 Fig. 2. 12 – Casa Plebeia Rua da Corredoura, 2015. ..........................................................................14 Fig. 2. 13 - Planta da Casa Burguesa da Vila [8]. ...............................................................................15 Fig.2. 14 - Planta da Casa Plebeia da Vila [8]. ...................................................................................15 Fig. 2. 15 - Edificios Avenida S.João de Deus [2]. .............................................................................16 Fig. 2. 16 - Edificios Avenida Marginal [2]. ......................................................................................16 Fig. 2. 17 – Delimitação de área com classificação patrimonial – CIP [10]. .......................................17 Fig. 2. 18 – Teatro Valadares antes das obras [6]. ..............................................................................18 Fig. 2. 19 – Teatro Valadares Requalificado, 2015.............................................................................18 Fig. 2. 20 - Zona Técnica no último piso, 2015. .................................................................................19 Fig. 2. 21 – Serviço de Bar no piso semienterrado, 2015. ...................................................................19 Fig. 2. 22 - Localização dos Camarotes no segundo piso, 2015. .........................................................20 Fig. 2. 23 - Plateia no rés-do-chão, 2015............................................................................................20 Fig. 2. 24 - Vista do Hospital antigo, 1973 [6]. ..................................................................................21 Fig. 2. 25 – Entrada principal do edifico, 2015. .................................................................................21 Fig. 2. 26 – Igreja Matriz de Caminha [13] ........................................................................................23 Fig. 2. 27 – Esquema de Ventilação dos elementos Fundação – Igreja Matriz de Caminha [14]..........24 Fig. 3. 1 - Localização da obra no Centro Histórico…………………………………………………... 26 Fig. 3. 2 - Perspetiva 3D Sul/Nascente do edifício [17]………………………………………………. 27 Fig. 3. 3 - Perspetiva 3D Norte/Poente do edifício [17]………………………………………………. 28 Fig. 3. 4 – Planta Piso -1………………………………………………………………………………. 28 Fig. 3. 5 - Planta Piso 0………………………………………………………………………………... 29 Fig. 3. 6 - Planta Piso 1………………………………………………………………………………... 30 Fig. 3. 7 – Planta cobertura. Representação dos cortes A, D e F……………………………………… 30 Fig. 3. 8 - Corte A [18]……………………………………………………………………………….. .31 Fig. 3. 9 - Corte F [18]. ……………………………………………………………………………….31 Fig. 3. 10 - Corte D [18]………………………………………………………………………………. 32 Fig. 3. 11 - Localização em plantas das sondagens de estudo geotécnico [19]……………………….. 33 Fig. 3. 12 - Corte A-A’ – Perfil Geológico do Terreno……………………………………………… 33 Fig. 3. 13 - Planta estrutural Contenção Periférica – Microestacas [22]……………………………… 34 Fig. 3. 14 – Planta Estrutural das Fundações [22]…………………………………………………….. 35 Fig. 3. 15 - Planta Estrutural Piso 0 [22]……………………………………………………………… 36 Fig. 3. 16 - Planta Estrutural Piso 1 [22]……………………………………………………………… 37 Fig. 3. 17 - Planta Estrutural Cobertura [22]………………………………………………………… 38 Fig. 3. 18 - Corte Construtivo pavimento em Epoxi Auto-Nivelante [18]……………………………. 39 Nova Biblioteca Municipal de Caminha – Estudo de Caso xiv Fig. 3. 19 - Corte Construtivo pavimento em Soalho de Castanho [18]………………………………. 39 Fig. 3. 20 - Corte Construtivo parede exterior edifício novo [18]…………………………………….. 40 Fig. 3. 21 - Corte Construtivo parede em Lambrim MDF, fachada Nascente Piso 0 [18]……………. 40 Fig. 3. 22 - Planta de Implantação da Cobertura……………………………………………………… 42 Fig. 3. 23 - Corte Construtivo de cobertura com acabamento a Camarinha [18]……………………... 43 Fig. 3. 24 - Corte Construtivo Varanda piso 1 [18]. ………………………………………………….44 Fig. 4. 1 – Plano de trabalhos. Diagrama de Gantt. ............................................................................ 48 Fig. 4. 2 - Muros exteriores envolventes do lote. ............................................................................... 49 Fig. 4. 3 - Edifício existente no interior do lote. ................................................................................. 49 Fig. 4. 4 - Área do lote antes da primeira fase de escavação. .............................................................. 50 Fig. 4. 5 – Consolidação de fundações das fachadas. ......................................................................... 51 Fig. 4. 6 - Murete para estabilização do terreno. ................................................................................ 51 Fig. 4. 7 -Distribuição dos perfis de escoramento em planta [25]. ...................................................... 52 Fig. 4. 8 - Distribuição dos perfis no alçado poente [25]. ................................................................... 52 Fig. 4. 9 -Distribuição dos perfis no alçado norte [25]. ...................................................................... 53 Fig. 4. 10 - Escoramento das fachadas interiores. .............................................................................. 53 Fig. 4. 11 - Escoramento da fachada Poente. ..................................................................................... 54 Fig. 4. 12 - Escoramento da fachada Norte. ....................................................................................... 54 Fig. 4. 13 - Equipamento de perfuração. ............................................................................................ 55 Fig. 4. 14 - Outros equipamentos utilizados em obra. ........................................................................ 55 Fig. 4. 15 – Sequência de execução das microestacas [26]. ................................................................ 55 Fig. 4. 16 – Execução de Microestacas Primárias. ............................................................................. 55 Fig. 4. 17 – Execução de Microestacas Secundárias........................................................................... 55 Fig. 4. 18 - Cortina de Microestacas lado Nascente............................................................................ 56 Fig. 4. 19 - Escavação da cabeça das estacas. .................................................................................... 56 Fig. 4. 20 - Armadura da viga de coroamento. ................................................................................... 57 Fig. 4. 21 - Cofragem da viga. ........................................................................................................... 57 Fig. 4. 22 - Primeira fase de betonagem............................................................................................. 57 Fig. 4. 23 - Cortina de Microestacas em zona escorada [22]............................................................... 58 Fig. 4. 24 - Ligação da Microestaca à Viga de Coroamento. [22]. ...................................................... 59 Fig. 4. 25 - Armadura da Viga de Coroamento [22]. .......................................................................... 59 Fig. 4. 26 - Tensionamento de ancoragens. ........................................................................................ 60 Fig. 4. 27 - Placa de apoio das ancoragens. ........................................................................................ 60 Fig. 4. 28 - Colocação das escoras. .................................................................................................... 60 Fig. 4. 29 - Escora em perfil HEB160................................................................................................ 60 Fig. 4. 30 - Área de Influência das Ancoragens – Planta de Implementação piso 0. ............................ 61 Fig. 4. 31 – Pormenor da Ancoragem da cortina de microestacas [22]. .............................................. 62 Fig. 4. 32 - Pormenor da cabeça das ancoragens [22]. ........................................................................ 62 Fig. 4. 33 - Pormenor chapa de ligação das escoras [22]. ................................................................... 62 Fig. 4. 34Pormenor tipo das pregagens [22]. ................................................................................... 63 Fig. 4. 35 - Corte DD – Pregagens [22]. ............................................................................................ 63 Fig. 4. 36 - Constituição da pregagem. .............................................................................................. 63 Fig. 4. 37 - Enchimento com calda de cimento. ................................................................................. 63 Fig. 4. 38 – Zona de carga dos camiões. ............................................................................................ 64 Fig. 4. 39 – Rampa de acesso para carga. .......................................................................................... 64 Fig. 4. 40 – Escavação nas paredes das microestacas. ........................................................................ 65 Nova Biblioteca Municipal de Caminha – Estudo de Caso xv Fig. 4. 41 – Escavação em elementos de fundação. ............................................................................65 Fig. 4. 42 - Trabalhos realizados até cota inferior da laje de fundo. ....................................................66 Fig. 4. 43 - Disposição de armaduras da sapata S1 [22]......................................................................66 Fig. 4. 44 - Disposição de armaduras da sapata da parede 1 [22]. .......................................................66 Fig. 4. 45 – Betão de Limpeza nas sapatas S1 e S2. ...........................................................................67 Fig. 4. 46 - Betonagem Sapata S3. .....................................................................................................67 Fig. 4. 47 - Betonagem da sapata da parede 1. ...................................................................................67 Fig. 4. 48 - Montagem de armaduras do poço. ...................................................................................68 Fig. 4. 49 - Descofragem das paredes do poço. ..................................................................................68 Fig. 4. 50 - Cofragem superior do poço de bombagem. ......................................................................68 Fig. 4. 51 - Compactação do Tout-Venant. ........................................................................................69 Fig. 4. 52 - Ligação da laje de fundo às microestacas - Corte AA e EE [22]. ......................................70 Fig. 4. 53 - Ligação da laje de fundo às pregagens [22]. .....................................................................70 Fig. 4. 54 - Montagem de armaduras da laje. .....................................................................................70 Fig. 4. 55Betonagem da Laje ..........................................................................................................70 Fig. 4. 56 - Conclusão da laje de fundo. .............................................................................................71 Fig. 4. 57 - Montagem das armaduras. ...............................................................................................71 Fig. 4. 58 – Cofragem parede 1. ........................................................................................................72 Fig. 4. 59 - Betonagem caixa de elevadores. ......................................................................................72 Fig. 4. 60 – Elementos verticais piso-1. .............................................................................................72 Fig. 4. 61 – Cofragem e armaduras da parede das microestacas. ........................................................73 Fig. 4. 62 – Execução da parede da cortina de microestacas. ..............................................................73 Fig. 4. 63 - Parede interior da cortina de microestacas. ......................................................................74 Fig. 4. 64 - Constituição do pavimento térreo [22]. ............................................................................74 Fig. 4. 65 - Esquema de drenagem das águas freáticas da cave. ..........................................................75 Fig. 4. 66 - Colocação do sistema de drenagem. ................................................................................75 Fig. 4. 67 – Execução de juntas de trabalho. ......................................................................................76 Fig. 4. 68 - Betonagem do pavimento térreo. .....................................................................................76 Fig. 5. 1 – Planta Estrutural da Cobertura de Madeira………………………………………………... 80 Fig. 5. 2 - Alçado Asna 2……………………………………………………………………………… 81 Fig. 5. 3 – Viga de madeira de lamelado colado [27]…………………………………………………. 83 Fig. 5. 4 - Exemplo de chapa de ligação de vigas de madeira [28]…………………………………… 83 Fig. 5. 5 – Acabamentos da cobertura inclinada, conforme definido em projeto……………………... 85 Fig. 5. 6 – Pormenor construtivo da caleira da cobertura inclinada…………………………………... 85 Fig. 5. 7 - Acabamento telha canudo – vermelho envelhecido [29]…………………………………... 86 Fig. 5. 8 – Tela de Subtelha Onduline ST200 [30]……………………………………………………. 87 Fig. 5. 9 – Ventilador de Subtelha ST200 [30]………………………………………………………... 87 Fig. 5. 10 – Variante da solução tecnológica definida em projeto para o revestimento da cobertura… 88 Fig. 5. 11 - Acabamentos de Ladrilhos Cerâmicos Gresart [32]……………………………………… 91 Fig. 5. 12 - Referências Ladrilhos Cerâmicos Gresart [32]…………………………………………… 91 Fig. 5. 13 - Constituição do pavimento flutuante de madeira…………………………………………. 93 Fig. 5. 14 - Acabamentos do pavimento flutuante – Coleção LOUNGE da PAR-KY [33]………….93 Fig. 5. 15 - Acabamentos do pavimento flutuante – Coleção PRO da PAR-KY [33]…………………93 Fig. 6. 1 - Zonas em paredes verticais direção 0°. NP EN 1991-1-4:2010. ..........................................99 Fig. 6. 2 – Zonas em paredes verticais direção 90°. NP EN 1991-1-4:2010. ..................................... 100 Nova Biblioteca Municipal de Caminha – Estudo de Caso xvi Fig. 6. 3 – Zonas a considerar para cobertura de 4 vertentes, direção 0° e 90°. NP EN 1991-1-4:2010 ....................................................................................................................................................... 102 Fig. 6. 4 - Perspetiva do modelo da estrutura criado no software Autodesk® RobotTM ................... 104 Fig. 6. 5 – Apoios da estrutura considerados no software Autodesk® RobotTM .............................. 105 Fig. 6. 6 - Cargas permanentes e sobrecarga. ................................................................................... 106 Fig. 6. 7 - Cargas devido à ação do vento θ=0º. ............................................................................... 106 Fig. 6. 8 – Conceção de modelo estrutural alternativo da cobertura criado no software Autodesk® RobotTM. ....................................................................................................................................... 107 Fig. 6. 9 – Decomposição de forças que atuam nas madres. ............................................................. 110 Fig. 6. 10 – Localização da asna da cobertura sujeita a maiores esforços. ........................................ 113 Fig. 6. 11 – Representação final do alçado das Asnas da Cobertura. ................................................ 118 Nova Biblioteca Municipal de Caminha – Estudo de Caso xvii ÍNDICE DE QUADROS Quadro 5. 1 – Medições e preços da estrutura de madeira da cobertura. .............................................82 Quadro 5. 2 - Informação técnica das telhas canudo [29]. ..................................................................86 Quadro 5. 3 – Informação técnica da tela ST200 [30]. .......................................................................87 Quadro 5. 4 - Medições e preços para execução de cobertura inclinada. .............................................87 Quadro 5. 5 - Medições e preços dos pavimentos interiores em soalho de madeira. ............................90 Quadro 5. 6 - Medições e preços dos pavimentos interiores em epoxi auto-nivelante. ........................90 Quadro 5. 7 - Caraterísticas técnicas de Ladrilhos Cerâmicos Gresart [32]. ........................................92 Quadro 6. 1 - Cargas permanentes da cobertura ………………………………………………………97 Quadro 6. 2 - Categorias de Coberturas. NP EN 1991-1-1:2009. …………………………………….97 Quadro 6. 3 – Valores dos coeficientes de pressão nas paredes exteriores, direção 0°……………… 100 Quadro 6. 4 - Valores dos coeficientes de pressão nas paredes exteriores, direção 90°…………… 101 Quadro 6. 5 - Coeficientes pressão interior, direção vento 0° e 90° …………………………………101 Quadro 6. 6 - Valores para cobertura, direção do vento θ = 0° ……………………………..103 Quadro 6. 7 - Valores para cobertura, direção do vento θ = 90° ……………………………103 Quadro 6. 8 – Valores de pressões e cargas da cobertura por ação do vento. Direção θ = 0°………. 104 Quadro 6. 9 - Valores de pressões e cargas da cobertura por ação do vento. Direção θ = 90°. ……..104 Quadro 6. 10 – Valores Característicos das Propriedades da Madeira Lamela Colada………………108 Quadro 6. 11 - Valor de Kh para os elementos estruturais. ………………………………………….109 Quadro 6. 12 - Valores de Cálculo dos elementos da cobertura……………………………………... 109 Quadro 6. 13Cargas atuantes nas madres da cobertura. ……………………………………………110 Quadro 6. 14 - Tensões atuantes nas madres. ………………………………………………………...111 Quadro 6. 15 - Resultados do cálculo devido ao risco de bambeamento……………………………. 112 Quadro 6. 16 - Verificação segurança a flexão desviada. …………………………………………..112 Quadro 6. 17 - Verificação segurança ao esforço transverso. ………………………………………..113 Quadro 6. 18 - Esforços atuantes nos elementos da asna condicionante. ……………………………113 Quadro 6. 19 - Características geométricas das secções dos elementos das asnas. …………….….113 Quadro 6. 20 – Verificação de segurança ao corte das pernas para os ELU 1 e ELU 2. ……………114 Quadro 6. 21 - Verificação de segurança a flexão das pernas para os ELU 1 e ELU 2. …………….115 Quadro 6. 22 – Esforços atuantes nas pernas da Asna para os ELU 1 e ELU2. …………………….115 Quadro 6. 23 – Dados para verificação de segurança devido à encurvadura na direção paralela ao plano da Asna, para os ELU1 e ELU2. …………………………………………………………………….116 Quadro 6. 24 - Dados para verificação de segurança devido à encurvadura na direção perpendicular ao plano da Asna, para os ELU1 e ELU2. ……………………………………………………………..116 Quadro 6. 25 - Verificação de segurança à encurvadura das pernas para os ELU 1 e ELU 2. ………116 Quadro 6. 26 - Verificação de segurança ao bambeamento das pernas para os ELU 1 e ELU 2……. 116 Quadro 6. 27 - Verificação de segurança ao corte da linha para os ELU 1 e ELU 2. ………………117 Quadro 6. 28 - Verificação de segurança à flexão das pernas para os ELU 1 e ELU 2. …………….117 Quadro 6. 29 - Verificação de segurança a tração do pendural para os ELU 1 e ELU 2. ……………117 Quadro 6. 30 - Valor limite para deformação de um vão livre de 9,89m. …………………………..118 Quadro 6. 31 - Comparação das secções dos elementos estruturais da cobertura…………………… 119 Nova Biblioteca Municipal de Caminha – Estudo de Caso xviii Nova Biblioteca Municipal de Caminha – Estudo de Caso xix SÍMBOLOS, ACRÓNIMOS E ABREVIATURAS AMC – Agostinho Malheiro Coelho CIP – Conjunto de Interesse Público DN – Diâmetro Nominal EC – Eurocódigo ETAR – Estação Tratamento de Águas Residuais FEDER – Fundo Europeu Desenvolvimento Regional GNR – Guarda Nacional Republicana IGU – Injeção Global Unitária IPP – Imóvel de Interesse Público IPPAR – Instituto Português do Património Edificado IRS – Injeção Repetitiva e Seletiva NP – Norma Portuguesa OSB – Oriented Strand Board PVC – Policloreto de Vinilo QREN – Quadro Estratégico de Referência Nacional SPT – Standard Penetration Test ZG – Zona Granítica Nova Biblioteca Municipal de Caminha – Estudo de Caso xx Nova Biblioteca Municipal de Caminha - Estudo de Caso 1 1 INTRODUÇÃO 1.1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS A presente dissertação foi realizada em ambiente empresarial na perspetiva do dono de obra, neste caso a Camara Municipal de Caminha, entidade adjudicante da obra da nova Biblioteca Municipal de Caminha. Uma das motivações do autor, na realização desta dissertação é o acompanhamento de uma obra real de engenharia na Vila de Caminha, sendo esta a sua área de residência. Apesar de esse ser um dos fatores motivadores, esta obra assume para o Concelho de Caminha uma enorme importância do ponto de vista cultural e social, sendo esta uma das lacunas que deve ser colmatada no mesmo, acrescendo assim motivação extra ao autor da dissertação A obra encontra-se na fase inicial de estruturas, sendo esta uma das fases de execução com elevado grau de exigência de engenharia, devido à complexidade da estrutura do edifício e das condições geológicas e geotécnicas que se verificam no local de implementação da obra, sendo estas determinantes para a adoção de tecnologias construtivas muito específicas. 1.2. OBJETIVOS Durante o período de formação, somos confrontados com diversos conceitos teóricos, sendo que muitas das vezes são aplicados de forma diferente no contexto real, resultando disso a falta de experiência prática, ou a inexistência da mesma, dos mestres recém-formados em Engenharia Civil. Um dos principais objetivos do autor da dissertação durante a elaboração deste documento é a aquisição de experiência profissional, no que diz respeito, ao contato com os problemas provenientes da execução de uma obra real, na análise e aplicação dos projetos desenvolvidos pelos gabinetes de engenharia e arquitetura, e no permanente contato com todos os intervenientes da obra. Daí o objetivo principal do autor da dissertação ser a aquisição de experiencia profissional, a partir de uma obra real que se encontra na fase inicial de execução. Durante a elaboração da dissertação pretendeu-se propor algumas variantes para as soluções adotadas no projeto de arquitetura, e a realização de uma pesquisa de mercado para o tipo de materiais adotados para os acabamentos, tendo em conta as condições técnicas dos mesmos, exigidas no Caderno de Encargos da obra. O desenvolvimento de variantes e o estudo das soluções existentes no mercado tem como objetivo a sua aplicação no contexto da obra, uma vez que esta se encontra na fase inicial de estruturas, podendo Nova Biblioteca Municipal de Caminha - Estudo de Caso 8 - Os habitantes da “Vila” onde vivia a pequena burguesia de burocratas e comerciantes, localizadas pela restante área da vila com maior incidência na Rua da Corredoura e Rua de S.João, onde a atividade económica baseia-se no comércio e serviços [5]. Apesar de a atividade agrícola de pequena dimensão ser praticada nas restantes freguesias do Concelho, não existe qualquer tipo de prática desta atividade dentro da Vila de Caminha, sendo isto explicado pela enorme expansão construtiva que se verificou nas últimas décadas. Além do comércio e da atividade piscatória encontram-se algumas pequenas indústrias espalhadas pela Vila, porém estas não foram nem são estruturas significativas que movimentam a atividade económica de Caminha. Atualmente a pesca é utilizada como um meio de subsistência de alguns moradores da Vila de Caminha, porém apesar do decréscimo desta atividade, esta continua a ser uma das referências que caracteriza a Vila. Tanto pelas habitações características que albergam os pescadores, como também o aspeto geral da Avenida Marginal, onde se encontram artefactos que os pescadores utilizam para realizar a sua atividade. O comércio é a atividade principal no que diz respeito a atividade económica e produtiva instalada na Vila. O tipo de comércio que mais caracterizava esta atividade era o comércio tradicional com a comercialização de bens de primeira necessidade, sendo muitos destes produzidos na região. Porém nos dias de hoje encontram-se outras lojas que comercializam todo o tipo de produtos, e que caracterizam a imagem da Vila de Caminha. 2.2.4. INFRAESTRUTURAS EXISTENTES NA VILA 2.2.4.1. Vias e Acessos de Comunicação A vila de Caminha está dotada de vias de comunicação rodoviária e ferroviária que permitem o acesso rápido entre localidades. A Via Férrea que atravessa a Vila de Caminha corresponde à linha do Minho e pertence aos “Comboios de Portugal - CP”, com os horários estabelecidos pelos mesmos, e tendo como paragens situadas no Largo da Estação e no Largo da Senhora da Agonia, ambas pertencentes ao interior da Vila. Em relação aos acessos rodoviários pode-se destacar a Autoestrada – A28 que apesar de não intersetar diretamente a Vila de Caminha, existem vários acessos ao longo das freguesias do concelho que permitem o seu rápido acesso. Existe também a estrada Nacional – EN13 que percorre a costa delimitada pelo Rio Minho, mais concretamente a Avenida Dantas Carneiro, e permite a ligação entre o Minho e o Porto, sendo esta umas das principais ligações entre Galiza e Portugal. Em relação as infraestruturas rodoviárias que percorrem o centro da Vila estas encontram-se em bom estado, uma vez que grande parte delas tem sido alvo de requalificações realizadas recentemente. 2.2.4.2. Saneamento Básico No que diz respeito ao abastecimento de água potável, o Município de Caminha serve 98% da população desde 2008, sendo que a Vila de Caminha encontra-se infraestruturada na sua totalidade. Contudo o sistema de recolha de águas residuais e pluviais apenas abrange 60 % da população do Município, isto segundo valores de 2005 publicados pelo Município de Caminha. O sistema de drenagem de águas residuais encontra-se implementado em toda a extensão da Vila e algumas freguesias do Concelho, sendo que brevemente será alargado para outras freguesias. Este sistema de drenagem é composto por uma ETAR situada na freguesia de Vilarelho no concelho de Nova Biblioteca Municipal de Caminha - Estudo de Caso 9 Caminha que atualmente trata as águas residuais de cerca de 5000 habitantes, sendo estas de uso exclusivamente domestico, isto segundo dados da empresa “Águas do Noroeste”. 2.2.4.3. Serviços Públicos A Vila de Caminha está atualmente servida por um Centro de Saúde inaugurado em Setembro de 1999 localizado na recente Rua Luís Agostinho Pereira de Castro, também esta inaugurada na época de construção deste edifício, representado na Fig. 2.3 [6]. O Centro de Saúde foi projetado para substituir o velho Hospital da Misericórdia. Posteriormente entre 2004-2005 o edifício foi requalificado, dando origem ao atual edifício público da Camara Municipal de Caminha. Na mesma rua que o atual Centro de Saúde de Caminha encontra-se o Centro Infantil e o Cine-Teatro, ambos inaugurados no final de 1988 pela Santa Casa de Misericórdia de Caminha, evidenciado na Fig. 2.2. Na mesma zona encontra-se o edifício de serviços da Segurança Social de Caninha voltado para a Avenida Padre Pinheiro, e uma piscina inaugurada em 1994, com porta aberta para a Avenida Camões, vindo assim este edifício colmatar uma importante lacuna na oferta desportiva da Vila [6]. Fig. 2. 2 - Centro Infantil e Segurança Social, 2015 Fig. 2. 3 - Centro de Saúde de Caminha, 2015 Outro serviço público sediado na Vila de Caminha é o Palácio da Justiça. Este foi inaugurado em 27 de Maio de 1985 na Avenida Manuel Xavier, exercendo as funções de tribunal, notariado e conservatória do registro predial e civil, Fig. 2.5. Perto do local deste edifício mas com fachada voltada para a Rua de S.João encontra-se a atual repartição de Finanças, também esta uma infraestrutura de serviço público e neste caso sendo o edifício propriedade do Estado [6]. A vila de Caminha é dotada de um edifício composto por Museu e Biblioteca Municipal com entrada principal para a Rua Luciano de Amorim e Silva sendo este inaugurado em Novembro de 1993, Fig. 2.4. Antes da requalificação deste edifício funcionou uma Cadeia e um Tribunal, sendo que a cadeia foi encerrada em Outubro de 1973 por falta de condições, e o Tribunal encerrou em 1985 no momento em que foi inaugurado o Palácio da Justiça na Avenida Manuel Xavier, como atras foi referido [6]. Atualmente encontra-se a ser construída uma nova Biblioteca Municipal, tendo como objetivo usar o edifício apenas como funções de Museu. Nova Biblioteca Municipal de Caminha - Estudo de Caso 10 Fig. 2. 4 - Museu - Biblioteca Municipal, 2015. Fig. 2. 5 – Palácio da Justiça de Caminha, 2015. Na Praça Pontault – Combault encontra-se o Mercado Municipal de Caminha inaugurado no dia 25 de Abril de 1978, onde atualmente pequenos comerciantes do Concelho de Caminha, inclusive pescadores, vendem produtos hortícolas e produtos piscatórios. Muito perto do Mercado Municipal encontra-se o Quartel – Sede dos Bombeiros Voluntários de Caminha, inaugurado em 1987, sendo este alvo de intervenções de requalificação realizadas recentemente [6]. Seguindo o contexto das forças de proteção Portuguesa, existe sediada na Vila um edifício da Capitania do Porto – Marinha no Largo Pero Vaz de Caminha, e um posto da GNR – Guarda Nacional República sediado na Rua da Trincheira. No que diz respeito aos estabelecimentos de ensino, encontra-se na Avenida S.João de Deus a Escola Básica de Caminha inaugurada em Novembro de 1979 [6]. Por último é importante referir a existência de outras estruturas de carácter religioso e cultural que se encontram ao serviço da população, como por exemplo, a Igreja Matriz, a Capela de S.João e a Igreja da Misericórdia, a Igreja e Colégio de Santo António e a Torre do Relógio no centro da Vila de Caminha. 2.3. CARACTERIZAÇÃO DO PATRIMÓNIO EDIFICADO DA VILA 2.3.1. EVOLUÇÕES E TRANSFORMAÇÕES MORFOLÓGICAS A estrutura urbana da Vila de Caminha foi marcada por alterações que decorreram ao longo de varias épocas históricas, caracterizadas por aspetos sociais e económicos específicos de cada uma delas que contribuíram para a morfologia que se evidencia nos dias de hoje. Os aspetos sociais e as atividades económicas da Vila de Caminha, como por exemplo a Pesca, a agricultura e o comércio foram completamente decisivos na construção da estrutura urbana que caracteriza e potencia o desenvolvimento da Vila [5]. A primeira transformação da estrutura de Caminha manifestou-se no século XIII com a organização do espaço no interior da muralha afonsina, como se representa na Fig. 2.6. Esta primeira manifestação esteva na base da construção da atual imagem do centro histórico da vila, sendo esta caracterizada pelo traçado geométrico e ortogonalidade das ruas, a ocupação dos lotes retangulares e as habitações com fachadas simétricas e orientadas para a rua principal [2]. Nova Biblioteca Municipal de Caminha - Estudo de Caso 11 Fig. 2. 6 - Primeira Linha de Muralhas da Vila de Caminha em 1513 [6]. O crescimento populacional e a melhoria das condições de vida, motivada pelo crescimento das atividades piscatórias, contribuíram para a grande expansão construtiva verificada durante o século XV e XVI. Esta expansão construtiva deu-se primeiramente encostada as muralhas defensivas, e numa segunda fase verificou-se a implementação de edificações para fora das muralhas, para a atual Rua dos Pescadores e para a Rua da Corredoura convergindo assim no Terreiro de Caminha. A implementação destas edificações está associada a construção das novas muralhas, durante os reinados de D.João IV, D.Afonso VI e D.Pedro II, que permitiram a defesa contra os vizinhos espanhóis. Ao longo do século XVII o Terreiro começou a ser encarado como um centro social da Vila, e assistia então ao contínuo crescimento urbano para outras ruas voltadas a poente [2, 5]. O seculo XIX foi marcado pela destruição da segunda linha de muralhas surgindo o aparecimento do comboio em 1878. Com isto ocorreu a abertura de novas vias de circulação, como por exemplo a atual Avenida da Estação, e a construção das pontes rodoviária (1839) e ferroviária (1879) sobre o rio Coura. O fim do século XIX e o princípio do século XX evidenciou o ritmo de crescimento acelerado desse período. Esse crescimento incide na área a sul da Vila, com a construção do paredão e abertura da atual Avenida de Camões. Inicia-se também o processo de parcelamento dos terrenos a nordeste [2]. Nas décadas de 1950 e 1960 verifica-se o processo de reestruturação urbana com o surgimento do Anteplano de Urbanização de 1958 provocando assim alterações ao nível do tecido urbano, com a consolidação do espaço existente e a consolidação de novos espaços. Na década de 1960 verificou-se uma das obras mais importantes para a Vila de Caminha, a construção da Marginal de Caminha – Avenida Dantas Carneiro, representada na Fig. 2.7 [6]. A partir de 1970 as obras de Urbanização sucederam-se por toda a área urbana da vila, nomeadamente com o aparecimento de construções em altura, através da construção de apartamentos de grande volumetria, e com o nascimento dos projetos de construção do Bairro Social, a poente, na Marginal da Vila, com vista a colmatar as dificuldades verificadas na época. Durante esta época destaca-se a reabilitação do antigo tribunal e cadeia, que atualmente exerce funções de Biblioteca Municipal, sendo que o Tribunal, Conservatória e Registo Predial e Civil foram construídos em 1983. Também foram Nova Biblioteca Municipal de Caminha - Estudo de Caso 12 construídos outros equipamentos, tais como o Mercado Municipal, o Quartel dos Bombeiros e a Escola Básica [2]. A década de 1990 foi marcada pelo acesso aos fundos europeus que permitiu a melhoria do espaço público com a construção e requalificação de equipamentos, entre os quais enumera-se abertura da Avenida Engenheiro Luís Agostinho Pereira de Castro e a edificação do novo Centro de Saúde. Consequentemente verificou-se a ocupação construtiva da parcela urbana disponível na rua acima referida [2]. Por fim, a década de 2000 foi marcada por inúmeras obras de requalificação do espaço público urbano, entre as quais o arranjo de largos, praças e vias de circulação, o melhoramento da iluminação pública, a requalificação do antigo Hospital que se transforma no atual edifício da Câmara Municipal, a revitalização do Parque 25 de Abril, entre muitas outras que proporcionaram a melhoria do espaço urbano contribuindo assim para a melhoria da qualidade de vida da população. Fig. 2. 7 – Vista aérea da Vila de Caminha [15]. 2.3.2. CARACTERIZAÇÃO DAS TIPOLOGIAS CONSTRUTIVAS O tipo de construções que atualmente se encontram na Vila de Caminha são marcas de várias épocas históricas, com situações económicas, politicas e socias distintas entre elas. As construções foram marcadas pela influência de outros centros ou aglomerados urbanos, como o Porto e Lisboa. A estratificação social verificada na vila de Caminha foi um dos fatores importantes na localização das edificações e nas tipologias das construções, tanto na extensão do centro medieval como na expansão para o exterior dos muros medievais. Uma das tipologias construtivas característica da Vila de Caminha é o Solar, representada na Fig. 2.8. Este define-se por ser uma casa solarenga senhorial constituída por dois pisos. Este tipo de construção é marcada pela instalação da nobreza na vila de Caminha, contribuindo para o grande desenvolvimento urbano da mesma, devido a sua riqueza constatada em terrenos, trocas comerciais e atividades marítimas [2]. Nos dias de hoje pode-se encontrar este tipo de construção no interior das muralhas afonsinas e ao longo das principais artérias da Vila. Nova Biblioteca Municipal de Caminha - Estudo de Caso 13 Fig. 2. 8 – Casa dos Pita restaurada, Rua da Corredoura [7]. A casa fidalga era um tipo de construção idêntica ao solar dos nobres, também com dois pisos, onde o primeiro piso funcionava como área residencial e o rés-do-chão como armazém ou arrumos, e também onde se situavam os quartos dos empregados que serviam os senhores [2]. As fachadas destacavam-se pela utilização de granito como material de construção, pela simetria, pelo trabalhado dos vãos, ombreiras, cornijas e pela colocação na fachada do brasão da família a que pertencia. Um exemplo deste tipo de construção é a casa dos Pita situado na Rua da Corredoura. A casa Burguesa é um dos tipos de construção que caracteriza a Vila de Caminha. Estes edifícios pertenciam a classe alta de Caminha e possuíam claras influências da casa Burguesa da Cidade do Porto. Estas eram definidas pela utilização do granito típico da região nas fachadas principais, sendo estas caiadas ou decoradas com azulejos. Este tipo de construção encontra-se principalmente ao longo da Rua Ricardo Joaquim de Sousa, mais conhecida por Rua Direita, Fig. 2.10, e na Rua de S.João, Fig. 2.9. Apesar de ambas possuírem o mesmo estilo arquitetónico podem-se encontrar algumas diferenças entre elas [2]. Fig. 2. 9 - Casa Burguesa Rua de S.João, 2015. Fig. 2. 10 - Casa Burguesa Rua direita, 2015. Nova Biblioteca Municipal de Caminha - Estudo de Caso 14 As casas Burguesas da Rua Ricardo Joaquim de Sousa são constituídas por dois pisos, onde o rés-dochão servia para guardar os utensílios de trabalho e mercadorias, sendo este dotado de um acesso direto para a rua e para o quintal que se encontrava nas traseiras da habitação. O primeiro piso era destinado para habitação, sendo este constituído por dormitórios, uma cozinha, uma sala de jantar e outra para receber as visitas. Estas casas só possuíam duas fachadas, a principal que era voltada para a rua, e a posterior voltada para o quintal. O acesso ao piso de habitação era realizado por uma escada interior em granito e outra de pequenas dimensões que permitia o acesso ao quintal. As paredes divisórias eram em tabique [8]. As casas Burguesas da Rua de S.João sendo estas de maiores dimensões, diferenciam-se das anteriores uma vez que foram construídas numa época posterior, com a expansão para fora dos muros e com terrenos que possibilitavam a expansão construtiva, não apresentando assim limitações de espaço como as que estavam no casco medieval. O tipo e a distribuição da compartimentação destas casas era semelhante as anteriores, a única diferença residia nas decorações a nível dos vãos e das cornijas e do trabalhado do granito que se evidenciava nas fachadas, transmitindo assim outro tipo de poder económico dos moradores [2, 8] O modelo da casa Burguesa apresentou algumas variantes tendo por base a classe social mais desfavorecida, como pescadores e agricultores. Sendo assim pode-se referir a existência de outra tipologia na Vila - a casa Plebeia. Este tipo de casa podese encontrar em duas das ruas mais importantes da Vila de Caminha, a rua da Corredoura e a popularmente conhecida rua dos Pescadores, na qual fazem parte as ruas Visconde de Sousa Rego e a Benemérito Joaquim Rosas, Fig. 2.11 e Fig. 2.12. Este tipo de habitação também é denominado por “Meia Casa” uma vez que não contém divisões dos dois lados do corredor de distribuição, ao contrário das outras referidas anteriormente [2, 8]. Fig. 2. 11 – Casa Plebeia Rua dos Pescadores, 2015. Fig. 2. 12 – Casa Plebeia Rua da Corredoura, 2015. A casa Plebeia da rua dos Pescadores caracteriza-se por ser uma casa de piso térreo, com um pequeno quintal nas traseiras que servia para guardar e realizar a manutenção do material de pesca. O alçado principal era constituído por uma pequena porta e uma ou duas janelas. No interior existia um corredor Nova Biblioteca Municipal de Caminha - Estudo de Caso 15 que atravessa toda a construção e permitia o acesso aos quartos, à sala e a um pátio que fazia a ligação entre uma cozinha e o quintal [2]. Em algumas habitações existe uma compartimentação de arrumos que se encontra semi-enterrada. Atualmente muitas destas habitações encontram-se requalificadas e reabilitadas, como se pode observar nas Fig. 2.13 e Fig. 2.14. A organização espacial das casas da rua da Corredoura é muito parecida à da rua da Pescadores. A única diferença reside no aumento das suas áreas interiores e na existência de dois pisos, na maior parte das casas. Uma das diferenças verificadas na compartimentação das casas da Rua da Corredoura é a existência de uma casa de banho, com uma cozinha e sala para visitas de grandes dimensões [2, 8]. Fig. 2. 13 - Planta da Casa Burguesa da Vila [8]. Fig.2. 14 - Planta da Casa Plebeia da Vila [8]. A década de setenta (século XX) é marcada pelo crescimento urbano para lá dos limites da Vila, ou seja, presencia-se um crescimento gradual da estrutura urbana, com tipologias de edifícios multifamiliares e unifamiliares, sendo a habitação isolada, geralmente de dois pisos com plantas e alçados variáveis, que marca as novas tendências arquitetónicas da estrutura de Caminha, e também o crescimento de edifícios de grande volumetria, utilizando novos materiais como o tijolo e o betão, como se observa nas Fig. 2.15 e 2.16. Muitas destas construções destinam-se a habitação para férias e para os emigrantes que procuram um espaço para voltar no final da sua vida ativa. Nova Biblioteca Municipal de Caminha - Estudo de Caso 16 Fig. 2. 15 - Edificios Avenida S.João de Deus [2]. Fig. 2. 16 - Edificios Avenida Marginal [2]. 2.3.3. CLASSIFICAÇÃO DO PATRIMÓNIO EDIFICADO A classificação do património edificado em Portugal está sujeito a regras precisas de classificação e preservação, sendo estas definidas pela Direção Geral do Património Cultural, serviço central da administração direta do estado. A classificação do património cultural é realizada no que diz respeito ao âmbito, nas categorias de “Monumento”, “Conjunto” ou “Sitio”, e quanto a graduação do interesse, um imóvel pode ser classificado como “Interesse Nacional”, “Interesse Público” ou “Interesse Municipal” [9]. 2.3.3.1. Resumo Histórico Os primeiros elementos patrimoniais a serem classificados pelo estado foram a Igreja Matriz e o Chafariz do Terreiro, ambos em 1910, com classificação de Monumentos Nacionais. Seguidamente em 1951 a Torre do Relógio também possuía a mesma classificação patrimonial dos anteriores [10]. Em 1967 foram classificadas como Imóvel de Interesse Publico – IPP três frações das muralhas da Vila, a medieval e a seiscentista, sendo esta classificação alargada três anos depois de modo a proteger todos os elementos que restam do conjunto de muralhas da Vila. Esta classificação surgiu na época de abertura da Rua de Acesso ao Miradouro, uma vez que o Município foi confrontado pelas entidades responsáveis pelo Património do Estado para que fosse respeitado e conservado o conjunto fortificado da Vila. O processo de classificação das muralhas foi bastante complicado, uma vez que apos a construção da Marginal de Caminha (Avenida Dantas Carneiro) em 1964 e com o grande crescimento imobiliário que se começava a verificar na altura, a proteção legal deste conjunto iria trazer algumas dificuldades na livre expansão urbana [10]. Contudo a classificação deste conjunto patrimonial foi realizada com êxito, mas continuavam a existir zonas com elevado valor patrimonial e arqueológico que continuavam desprotegidas, sucedendo durante as próximas décadas alguns desvarios arquitetónicos e arqueológicos verificando-se que tal situação foi resolvida recentemente como será a seguir referido. Nova Biblioteca Municipal de Caminha - Estudo de Caso 17 2.3.3.2. Centro Histórico de Caminha O Centro Histórico de Caminha foi classificado como Conjunto de Interesse Público – CIP, no final do ano de 2012 pela Direção Regional de Cultura do Norte. Este processo de classificação patrimonial do edificado do Centro Histórico da Vila teve início no ano de 1999 quando os técnicos do IPPAR – Instituto Português do Património Arquitetónico abrem um processo de homologação. Com este tipo de classificação patrimonial toda a área envolvente do Centro Histórico passa a beneficiar da mesma proteção legal, representada na Fig. 2.17, não existindo assim nenhum espaço não classificado como acontecia anteriormente [10]. Uma das razões para a classificação de toda a área envolvente do Centro Histórico reside no facto de esta ser considerada uma zona de elevado interesse arqueológico, sendo que todas as intervenções urbanísticas que se verificarem dentro dos limites desta área protegida deverão ser realizadas com acompanhamento arqueológico [10]. Com esta classificação salvaguarda-se o valor patrimonial e cultural de todo o Centro Histórico, podendo ser uma grande oportunidade para a revitalização do mesmo. Fig. 2. 17 – Delimitação de área com classificação patrimonial – CIP [10]. Nova Biblioteca Municipal de Caminha - Estudo de Caso 24 Fig. 2. 27 – Esquema de Ventilação dos elementos Fundação – Igreja Matriz de Caminha [14] Nova Biblioteca Municipal de Caminha - Estudo de Caso 25 3 DEFINIÇÃO DA OBRA – NOVA BIBLIOTECA MUNICIPAL DE CAMINHA 3.1. INTRODUÇÃO Este capítulo encontra-se dividido em dois temas relativamente diferentes, mas com o principal objetivo de caracterizar o tipo de obra que vai servir de base de estudo para o desenvolvimento desta dissertação. Inicialmente procede-se à caracterização da obra abordando questões mais genéricas, entre as quais pretende-se fazer uma breve contextualização do processo de adjudicação, clarificar a tipologia do edifício e o seu respetivo uso, e por último fazer uma breve referência as condições geológicas – geotécnicas do local de implementação da obra, uma vez que estas são determinantes para a adoção de determinadas soluções em fase de projeto. A segunda parte deste capítulo centra-se na descrição técnica de algumas soluções adotas em fase de projeto, como por exemplo as soluções de acabamentos definidas no projeto da arquitetura, as soluções previstas no projeto de estruturas, tanto ao nível da contenção periférica como ao nível do funcionamento da estrutura global, e por fim faz-se uma breve referência ao projeto de instalações hidráulicas e sanitárias do edifício. Para o desenvolvimento deste capítulo foram utilizadas as peças desenhadas e escritas produzidas nos projetos de Arquitetura, projeto de Estruturas e Instalações Hidráulicas e Sanitárias. Entre as peças escritas realça-se o Caderno de Encargos da obra, o Relatório do Estudo GeológicoGeotécnico e as restantes memórias descritivas das especialidades. Nas peças desenhadas destacam-se todas as plantas, cortes e desenhos de pormenor produzidos pelas diferentes áreas de projeto. 3.2. DESCRIÇÃO GERAL DA OBRA 3.2.1. LOCALIZAÇÃO DA OBRA A obra localiza-se no centro histórico de Caminha, conforme representado atrás na Fig. 2.17. Esta obra enquadra-se na atual política da vila, de dinamização cultural do centro histórico, vindo esta acrescentar um novo espaço aos existentes na mesma zona e atrás sinteticamente descritos: -Igreja Matriz de Caminha; -Novo edifício da Camara Municipal; -Teatro – Cinema Valadares; Nova Biblioteca Municipal de Caminha - Estudo de Caso 26 -Museu – Biblioteca Municipal de Caminha. A Fig. 3.1 representa a localização de todas estas obras no contexto do Centro Histórico, bem como a área de implementação da nova Biblioteca Municipal que irá determinar o rearranjo do atual Museu Municipal de Caminha. Fig. 3. 1 - Localização da obra no Centro Histórico. 3.2.2. PROCESSO DE ADJUDICAÇÃO DA EMPREITADA O processo de Adjudicação da Empreitada teve início no dia oito de Novembro de 2013 com a abertura do anúncio do Concurso Público pela Entidade Adjudicante representada pelo Sr. Presidente do Município de Caminha, Luís Miguel da Silva Mendonça Alves. Este concurso resulta da candidatura a fundos Comunitários, mais concretamente, ao FEDER – Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional, sendo esta obra comparticipada em 85% do valor total pelo fundo acima referido, e os restantes 15% são financiados pelo Município de Caminha. Esta empreitada engloba um custo total de 917.538,83€ + IVA, sendo este o valor final do orçamento da proposta vencedora entregue pela Empresa de Construção AMC - Coelhos Construtores, Lda. Ao concurso público concorreram 18 empresas de construção, sendo o critério de adjudicação da empreitada a proposta economicamente mais vantajosa. Os fatores de ponderação que estavam na base do processo de adjudicação dividiam-se da seguinte forma, preço 30% e valia técnica da proposta 70%. Esta ultima era dividida na entrega dos seguintes documentos, memória descritiva e justificativa (40%), plano de execução dos trabalhos (20%), plano de equipamento e plano de mão-de-obra afetos a obra (20%), cada um deles. O prazo de execução do contrato é de 270 dias [16]. O projeto de arquitetura é da autoria do arquiteto Nuno Brandão Costa, estando este concluído desde 2009. Sofreu várias alterações até ao processo de adjudicação ocorrido em Novembro de 2013, como Nova Biblioteca Municipal de Caminha - Estudo de Caso 27 foi referido anteriormente. Os projetos de execução, nomeadamente o projeto de estruturas e instalações hidráulicas, foram realizados pela empresa de engenharia - afaconsult. 3.2.3. CARACTERIZAÇÃO FUNCIONAL O projeto corresponde à nova Biblioteca Municipal do Concelho de Caminha, sendo que esta se encontra integrada no centro Histórico do Concelho. Este edifício é constituído por três pisos, sendo que um deles se localiza em subsolo no piso -1, e os outros dois encontram-se acima do solo, no piso 0 e no piso 1. O edifício é formado pelo conjunto de dois blocos com traços arquitetónicos distintos. Um dos blocos que se encontra na zona das duas fachadas existentes que se pretendem conservar, e outro bloco que corresponde à ampliação do edifício existente, sendo este último caracterizado pela adoção de uma arquitetura moderna e arrojada, diferenciando-se assim do contexto da construção existente no centro histórico onde se insere. Apesar de aparentemente serem dois blocos de edifícios distintos estes encontram-se ligados através de um corredor. Uma das empenas do edifício de que se pretende recuperar as fachadas ficará encostada a um edifício existente, onde atualmente se insere a Biblioteca Municipal e Núcleo Museológico do Concelho de Caminha. Porém aquando da construção deste projeto o edifício referido anteriormente passará a exercer funções apenas como Núcleo Museológico do Concelho. Fig. 3. 2 - Perspetiva 3D Sul/Nascente do edifício [17]. Nova Biblioteca Municipal de Caminha - Estudo de Caso 28 Fig. 3. 3 - Perspetiva 3D Norte/Poente do edifício [17]. A principal finalidade da execução deste projeto é fornecer aos seus utilizadores um espaço onde se promova o desenvolvimento da cultura e educação, e principalmente um espaço de lazer. Este espaço encontra-se dividido numa parte destinada às crianças e outra aos adultos, sendo dotado de outras zonas que proporcionam o correto funcionamento da biblioteca e o desenvolvimento de outras atividades, como por exemplo conferências e palestras, como se evidencia na Fig. 3.4. APátio exterior 27.27m²; BGabinete de Trabalhos 37.77m²; CGabinete Bibliotecário 17.64m²; DSala de Reuniões 17.64m²; ESala de Manutenção 19.95m²; FÁrea Tecnica 41.58m²; GSala Polivalente 66.05m²; HGabinete Informático 14.66m²; IDeposito 67.08m²; JInstalações Sanitárias; KÁtrio 43.33m². Fig. 3. 4 – Planta Piso -1. Nova Biblioteca Municipal de Caminha - Estudo de Caso 29 O piso -1 é servido de zonas técnicas de apoio ao funcionamento da Biblioteca, nomeadamente um Gabinete de Bibliotecário, Sala de Reuniões, Sala de Manutenção, Gabinete de trabalho, Gabinete Informático e uma Sala de Arquivo. Neste também se encontra um Auditório, que se encontrará disponível ao público sempre que este for solicitado. O mesmo encontra-se dotado de quatro Instalações Sanitárias, duas para cada um dos sexos [18]. O piso 0 é constituído por dois espaços, uma secção infantil e o Átrio de entrada. A secção infantil tem espaços destinados à leitura e zonas de realização de atividades interativas para promover o convívio das crianças. No Átrio de entrada existe uma zona de atendimento geral, zonas de convívio dos utilizadores e duas instalações sanitárias, uma para cada um dos sexos, representado na Fig. 3.5 [18]. ASecção Infantil 148.62m²; BÁtrio A1 126.16m²; CInstalações Sanitárias. Fig. 3. 5 - Planta Piso 0. O piso 1 é destinado totalmente para a secção de adultos, onde são criadas zonas para leitura, estudo e pesquisa, e um espaço destinado ao atendimento de apoio à secção. De igual modo ao piso 0, este também será dotado de duas instalações sanitárias, uma para cada um dos sexos, Fig. 3.6 [18]. No interior do edifício existe uma escada e um ascensor que proporciona a circulação dos utilizadores entre os diferentes pisos, incluindo para pessoas que possuam mobilidade reduzida. O edifício é dotado de uma varanda e de fachadas com grandes vãos envidraçados que permitem aos utilizadores o contato com o exterior. Nova Biblioteca Municipal de Caminha - Estudo de Caso 30 ASecção Adultos 2 188.17m²; BSecção Adultos1 132.92m²; CInstalações Sanitárias; DVaranda 32.02m². Fig. 3. 6 - Planta Piso 1. Fig. 3. 7 – Planta cobertura. Representação dos cortes A, D e F. Nova Biblioteca Municipal de Caminha - Estudo de Caso 31 Fig. 3. 8 - Corte A [18]. Fig. 3. 9 - Corte F [18]. Nova Biblioteca Municipal de Caminha - Estudo de Caso 32 Fig. 3. 10 - Corte D [18]. 3.2.4. CONDIÇÕES GEOLÓGICAS – GEOTÉCNICAS De acordo com os Ensaios SPT realizados no local foram identificados diferentes horizontes geotécnicos, entre quais foi possível identificar três que se distinguem entre si, conforme se mostra na Fig. 3.12. - Sedimentos arenosos pouco a medianamente compactos, com níveis argilosos e cascalhentos na base, constituído por depósitos sedimentares arenosos, de granulometria fina e acastanhada, com espessura variável de 3,3m a 4,5m. -Solo residual granítico ou de micaxisto medianamente compacto a compacto, atingindo profundidade de 6 a 7 m. -Maciço granítico ou micaxisto decomposto a muito alterado, e muito compacto a partir dos 7 a 7.5m. O nível freático localiza-se entre 4 a 5 metros, porém estes resultados foram obtidos numa época com um período de muita rara precipitação. Em situações normais de pluviometria o nível freático poderá atingir níveis entre 2 a 3m de profundidade, tal como foi observado em situações decorrentes do passado, mais concretamente em 2002 quando se realizaram obras de requalificação do Edifício da Misericórdia, no Largo Calouste Gulbenkian, sendo este um local muito próximo da zona de implantação deste projeto [19]. Nova Biblioteca Municipal de Caminha - Estudo de Caso 33 AZona de Implementação da Obra; BAtual edifício Museu-Biblioteca Municipal de Caminha. Fig. 3. 11 - Localização em plantas das sondagens de estudo geotécnico [19]. Fig. 3. 12 - Corte A-A’ – Perfil Geológico do Terreno Tendo em conta o perfil Geológico do terreno e a posição do nível freático com a profundidade das fundações que se pretendem realizar, e face à necessidade da conservação das fachadas do edifício existente e proximidade de construções vizinhas, foi considerado que não devem de ser realizados os trabalhos de escavação do piso-1 sem a utilização de sistemas de contenção prévia, daí a utilização da execução de microestacas como é referido de seguida. Nova Biblioteca Municipal de Caminha - Estudo de Caso 40 existente será aplicado um reboco areado de cal com aditivo de cor na face exterior, e um acabamento a estanhado de cal na face interior, ambos com adição de um produto hidrófugo. Nas fachadas que se pretendem requalificar do edifício existente, Norte e Poente, serão preservados os elementos que caracterizam a construção típica do Centro Histórico, nomeadamente as cantarias das janelas, cornija em granito, beiral em telha, as cantarias e gradeamentos das varandas. Na fachada voltada a Nascente do edifício existente pretende-se copiar os elementos caracterizadores, referidos anteriormente, da fachada voltada à poente e Norte. Antes da aplicação do acabamento em ambas as faces das fachadas existentes, será realizado o tratamento das juntas das paredes em alvenaria de granito com argamassa constituída por saibro, cal gorda e areia [20]. As paredes exteriores do edifício novo são paredes duplas com caixa-de-ar, tendo a face exterior um acabamento em betão aparente bujardado com uma pintura transparente impermeabilizante. A parede interior é constituída por tijolo térmico e acabamento final de estuque projetado. No fundo da caixade-ar prevê-se a execução de uma caleira, de forma a possibilitar a drenagem de pequenas infiltrações que se observem pela parede de betão. A parede localizada no edifício ampliado no piso 0, na qual se apoia o vão envidraçado exterior voltado a Nascente, foi adotado como revestimento final Lambrim em MDF Hidrófugo, revestido a laminado metálico do tipo “METALITE” da “TAFIBRA [20]. Fig. 3. 20 - Corte Construtivo parede exterior edifício novo [18]. Fig. 3. 21 - Corte Construtivo parede em Lambrim MDF, fachada Nascente Piso 0 [18]. Nova Biblioteca Municipal de Caminha - Estudo de Caso 41 Os vãos envidraçados exteriores são executados com vidros duplos com caixa-de-ar e outros com vidro simples de 16mm. Os vãos envidraçados são na sua maioria de caixilho fixo, porém o acesso a varanda existente no piso 1 será realizado através de portas de correr de vidro. As instalações sanitárias serão revestidas na face interior em lambrins de azulejos até ao nível da padieira das portas, e acima da padieira será aplicado um reboco projetado com revestimento de pintura de tinta plástica. As restantes paredes interiores serão em alvenaria e betão revestidas com argamassa de estuque projetado, excluindo as instalações sanitárias e caixa de elevadores do piso 0 e 1 onde, na face exterior, será aplicado um acabamento a estanhado de cal. O rodapé das paredes será em Alumínio Anodizado embutido na espessura do acabamento [20]. 3.3.3.3. Tetos Em relação às soluções adotadas para os tetos foram previstas a realização de tetos falsos com placas de gesso cartonado com posterior acabamento de pintura em tinta plástica. Porém existem algumas zonas onde foram concebidas soluções de placas de gesso cartonado com propriedades especificas, como é o caso das Instalações Sanitárias, corredores e gabinetes do piso -1, onde se adotaram placas de gesso cartonado com propriedades hidrófugas. Existem também duas soluções diferentes para os tetos com propriedades acústicas, uma delas é a utilização de placas de gesso cartonado texturado do tipo “ROCKFON”, com incorporação de isolamento acústico, a outra é adoção de placas de gesso cartonado com perfuração uniforme da marca “Knauf D127”. A primeira será colocada no Átrio no piso 0 e na Sala de Adultos 1, ambas no edifício existente, a ultima será colocada na Sala Polivalente, Secção Infantil e Sala de Adultos 2 [20]. A execução dos tetos falsos será realizada a partir da colocação das placas de gesso cartonado numa estrutura metálica, sendo esta fixada ao teto das lajes de betão e nas asnas de madeira, no caso da cobertura do edifício existente. Porém no espaço destinado ao Arquivo, no piso-1, prevê-se a aplicação de estuque projetado para posterior pintura em tinta plástica. 3.3.3.4. Escadas Interiores A escada interior que permite a ligação entre os três pisos será realizada em betão armado conforme o projeto de estruturas, e com acabamento final em chapas de ferro de 5mm, revestidas com uma pintura de esmalte de poliuretano. A escada que permite a passagem entre o piso 0 e a zona exterior do edifício será realizada em placas de madeira maciça de castanho com espessura de 4cm, sendo estas apoiadas em perfis metálicos do tipo cantoneira [20]. 3.3.3.5. Coberturas Para a cobertura do edifício foram utilizadas três sistemas tecnológicos distintos. Um deles é um sistema de cobertura inclinada, formada por três águas. Os outros dois sistemas dizem respeito a uma cobertura plana, sendo que estas se diferenciam no que diz respeito ao sistema de acabamento utilizado. Nova Biblioteca Municipal de Caminha - Estudo de Caso 42 AChapa de Zinco a Camarinha; BLajetas de betão pré-fabricadas CTelha cerâmica Canudo. Fig. 3. 22 - Planta de Implantação da Cobertura. O sistema de cobertura inclinada encontra-se na zona do edifício existente, ou seja, a cobertura é apoiada pelas duas fachadas existentes em alvenaria de pedra, e por outra fachada constituída por paredes resistentes em betão armado. A estrutura da cobertura é formada por vigas e madres de madeira de Pinho, sendo que esta suporta um conjunto de Painéis Sandwich tipo “Ondutherm”. O acabamento da cobertura é realizado em telha cerâmica de canudo, sendo que esta apoia sobre uma tela de subtelha do tipo “Onduline”, colocada em cima dos painéis Sandwich referidos anteriormente. As caleiras serão em chapa de cobre, e localizam-se entre o beirado de telhão e o revestimento da cobertura em telha cerâmica, conforme referido anteriormente. A cobertura plana é formada por dois sistemas de acabamento distintos. Num deles utilizaram-se lajetas de betão 120*80cm, com espessura igual a 5cm, apoiadas sobre apoios pontuais de betão leve, com junta aberta para permitir a drenagem das águas pluviais. A cobertura com este tipo de acabamento só foi utilizada onde se encontrava a laje alveolar de betão armado, conforme identificada no projeto de estruturas. O outro tipo de acabamento consiste numa cobertura de Zinco com sistema de acabamento a Camarinha ou de junta agrafada. Este tipo de cobertura foi utilizado nas zonas de lajes maciças em betão armado, conforme o especificado no projeto de estruturas [20]. Nova Biblioteca Municipal de Caminha - Estudo de Caso 43 Fig. 3. 23 - Corte Construtivo de cobertura com acabamento a Camarinha [18]. 3.3.3.6. Zonas Exteriores Para a área do logradouro foi considerado um pavimento em granito bujardado, com peças de espessura igual a 15cm, e assentes numa camada de areia e de brita, possibilitando a infiltração de águas no terreno. O muro de suporte de terras existente na área exterior, que permite o acesso ao piso -1, terá como revestimento final em pedra de Granito Bujardado, com espessura de 8cm. Na escada exterior que permite a ligação entre a zona exterior do piso -1 com a zona envolvente no piso 0 foi adotado um acabamento em pedra de granito serrado, com espessura igual a 3cm. Na zona de acesso à escada, também foi considerada uma guarda metálica em perfis de ferro, sendo revestidos posteriormente com pintura a Esmalte Forja. Para o pavimento da varanda existente no último piso foi considerado um acabamento em granito bujardado 120*80cm, com espessura de 3cm, assente sobre apoios pontuais em betão leve. Na face inferior da varanda utiliza-se, como revestimento final, betão aparente liso com pintura transparente impermeabilizante. A varanda será protegida com guardas metálicas em perfis de ferro com posterior pintura a Esmalte Forja. Foram também consideradas proteções solares da referida varanda, com estore exterior motorizado em tecido com fibra de vidro, com caixa de alumínio e cabos de aço [20]. Nova Biblioteca Municipal de Caminha - Estudo de Caso 44 Fig. 3. 24 - Corte Construtivo Varanda piso 1 [18]. 3.3.4. INSTALAÇÕES HIDRÁULICAS E SANITÁRIAS 3.3.4.1. Abastecimento de Agua e Rede de Incêndios O edifício será dotado de uma rede de abastecimento de água fria destinada ao consumo predial e uma rede de incêndio armada, sendo que estas duas funcionam de forma independente, ou seja, no limite da propriedade serão instalados dois contadores independentes para cada uma das redes referidas anteriormente. O dimensionamento da rede de abastecimento de água fria foi realizado considerando os consumos dos aparelhos das instalações sanitárias existentes no edifício, conforme definido no projeto de arquitetura, no qual existem quatro instalações sanitárias no piso-1 e duas para os pisos 0 e 1. As instalações sanitárias são dotadas de Lavatórios, Sanitas e Urinóis, no caso de instalações sanitárias masculinas. O edifício não se encontra servido de dispositivos de preparação nem distribuição de água quente sanitária. O abastecimento de água será realizado diretamente a partir da infraestrutura pública existente, não sendo necessário qualquer tipo de elementos de apoio ao abastecimento. Em relação ao traçado da rede de água fria preconizou-se que as redes principais de distribuição se localizam ao nível dos tetos falsos, sendo que no interior dos compartimentos das instalações sanitárias, a alimentação será realizada por intermédio dos ramais embebidos nas paredes de alvenaria. As tubagens serão em Aço Inox AISI 316. A rede de incêndio armada será composta por carreteis de calibre reduzido, com mangueira semirrígida com diâmetro de 25mm e 25m de comprimento, instaladas em caixas próprias de fácil identificação, sendo estas dotadas das respetivas agulhetas. A rede será executada em aço galvanizado da série média, excluindo a rede enterrada que se encontra no exterior do edifício sendo esta de Polietileno de Alta Densidade [23,24]. 3.3.4.2. Drenagem de Águas Residuais A rede de drenagem de águas residuais do edifício divide-se em duas formas de funcionamento distinto. Nos pisos 0 e 1, a rede de esgotos funciona por ação gravítica até ao ramal de ligação, e no Nova Biblioteca Municipal de Caminha - Estudo de Caso 45 piso -1 onde as águas são recolhidas num poço de bombagem, e posteriormente serão conduzidas para a rede pública existente com a ajuda de eletrobombas. A rede de esgotos é constituída por ramais de descarga, ramais de visita, coletores prediais e elevatória, sendo prevista no extremo de jusante da rede uma câmara de ramal de ligação à rede pública. Os tubos de queda existentes nos pisos 0 e 1 serão prolongados até à cobertura com o mesmo diâmetro, dispondo de um sistema de proteção no topo. No início da rede de drenagem do piso -1 existirá um tubo de ventilação que será prolongado também até a cobertura, proporcionando assim a ventilação da mesma. Os aparelhos de descarga serão dotados de sistemas de auto sifonagem. A rede de drenagem será em PVC-U nas redes interiores, e PVC SN4 e PVC SN8, nas redes exteriores e na rede de ligação à rede pública, respetivamente. A estação elevatória é constituída por um poço de 0.41m³ de volume útil e será realizado em betão armado, de acordo com o projeto de estruturas. A conduta elevatória será em PVC PN10 com um diâmetro de 75mm. O grupo de bombagem selecionado é constituído por duas eletrobombas submersíveis com um caudal de 4.5l/s e uma altura manométrica de 4.6m.c.a. A rede de drenagem de águas pluviais compreende a drenagem das coberturas, das águas freáticas no piso -1 e também todas as áreas pavimentadas no exterior do edifício. À semelhança do funcionamento da rede de águas residuais domésticas, esta também será gravítica nos pisos acima do arruamento e será servida por um sistema de bombagem no piso -1. As águas provenientes da drenagem da cobertura serão encaminhadas a partir de tubos de queda a uma rede suspensa no teto do piso -1, sendo esta posteriormente ligada à rede pública exterior. A recolha de águas pluviais nas coberturas será realizada a partir de caleiras integradas no sistema das coberturas, devidamente impermeabilizadas conforme definido no projeto de arquitetura. A rede de drenagem de águas freáticas corresponde a drenagem de pequenos caudais infiltrados ao longo dos elementos estruturais, nomeadamente a laje de fundo e muros de contenção. Os drenos a colocar, sob a laje térrea, serão em PVC duro corrugado com um diâmetro de 80mm, envolvidos em geotêxtil e colocados numa vala de brita. Quanto a drenagem dos muros de suporte, esta será realizada pelo interior dos mesmos, sendo que será colocada uma caleira em PVC D.N110 no fundo da parede, na zona da caixa-de-ar. A estação elevatória é constituída por um poço de 0.32m³ de volume útil e será realizado em betão armado conforme o projeto de estruturas. A conduta elevatória será em PVC PN10 com um diâmetro de 75mm. O grupo de bombagem é constituído por duas eletrobombas submersíveis com um caudal de 3.5l/s e uma altura manométrica de 4.95m.c.a. [23,24]. Nova Biblioteca Municipal de Caminha - Estudo de Caso 46 Nova Biblioteca Municipal de Caminha - Estudo de Caso 47 4 ACOMPANHAMENTO E DESCRIÇÃO DETALHADA DOS TRABALHOS DE ESTRUTURAS 4.1. INTRODUÇÃO Este capítulo centra-se na descrição pormenorizada dos trabalhos realizados em obra, entre os quais se faz referência à especificação técnica dos recursos utilizados e ao seu modo de execução, de acordo com o definido em projeto, sendo que esta caracterização dos trabalhos se refere apenas à execução das estruturas do edifício. A inserção deste capítulo na dissertação é justificada pelo fato de o autor da dissertação ter acompanhado de forma permanente a execução dos trabalhos de estruturas durante a elaboração da dissertação. Este capítulo está elaborado de acordo com uma ordem cronológica, ou seja, é realizada a divisão dos trabalhos de estruturas em três momentos distintos, como será referido no subcapítulo 4.2. Como foi dito anteriormente, este capítulo descreve detalhadamente o modo de execução e as condições técnicas dos trabalhos de estruturas, sendo que para isso foi necessária a consulta da informação contida nas peças escritas e desenhadas desenvolvidas no projeto de estruturas. Para além desse tipo de informação, este capítulo é elaborado a partir de reportagem fotográfica que pretende ilustrar o modo de execução dos trabalhos, acompanhado por um texto explicativo que teve por base a visualização dos trabalhos presenciados em obra pelo autor da dissertação, e pela permanente informação recolhida junto dos intervenientes da obra, Empresa Construtora e Fiscalização. 4.2. PLANO DE TRABALHOS Seguidamente representa-se cronologicamente as diferentes etapas da fase de execução de estruturas, definindo um intervalo de tempo, com as datas de início e de fim de cada tarefa, esquematizado no digrama de Gantt que a seguir se apresenta. As datas definidas para os trabalhos que decorreram até fevereiro de 2015 foram obtidos a partir da informação transmitida pelo empreiteiro, uma vez que o autor da dissertação não esteve presente em obra durante a realização dos mesmos. O período definido para os trabalhos decorridos entre fevereiro e junho de 2015, diz respeito ao tempo em que o autor da dissertação esteve acompanhar a obra. E por fim, o espaço temporal definido para os trabalhos de conclusão da fase de estruturas, teve por base, o ritmo dos trabalhos decorridos anteriormente, ou seja, faz-se uma previsão das durações dos trabalhos que ainda faltam executar nesta fase. Nova Biblioteca Municipal de Caminha - Estudo do Caso 48 Fig. 4. 1 – Plano de trabalhos. Diagrama de Gantt. Nova Biblioteca Municipal de Caminha - Estudo de Caso 49 4.3. TRABALHOS REALIZADOS ATÉ FEVEREIRO DE 2015 4.3.1. TRABALHOS PREPARATÓRIOS Após o auto de consignação da obra deram-se início os trabalhos preparatórios da obra, entre os quais podem se distinguir três tipos de trabalhos, a limpeza do terreno e demolições do edificado existente, a primeira fase de escavação criando uma plataforma para realização da cortina de microestacas e a execução do escoramento das fachadas poente e norte do edifício existente. Este tipo de trabalhos ficou a cargo da empresa à qual foi adjudicada a obra. No que diz respeito aos trabalhos de limpeza do lote e às respetivas demolições, podem-se destacar as demolições dos muros existentes na zona envolvente do lote, as demolições do restante edificado existente que não se pretende conservar, e também a limpeza e decapagem dos elementos existentes no espaço exterior do lote. Todos os resíduos produzidos na limpeza do lote e respetivas demolições foram transportados para vazadouro sendo que, para a realização destes trabalhos, utilizaram-se um Camião de 3 eixos, uma Retroescavadora, entre outros equipamentos de limpeza necessários para a realização dos mesmos. É necessário destacar que todos os trabalhos de demolição, principalmente do edificado existente, foram realizados com cuidado extremo, de modo a não danificar os elementos das fachadas que se pretendiam conservar, e também, antes do início destes trabalhos foi executada a vedação do local da obra de modo a garantir a segurança das pessoas na zona envolvente da obra. Fig. 4. 2 - Muros exteriores envolventes do lote. Fig. 4. 3 - Edifício existente no interior do lote. Nova Biblioteca Municipal de Caminha – Estudo de Caso 56 A cortina de microestacas é constituída por perfis metálicos HEB140 devidamente selados a alta pressão (≥ 2MPa) com calda de cimento. Existem dois tipos de selagens distintos, um deles é o método de injeção tipo IRS (injeção repetitiva e seletiva) na zona do bolbo de selagem, localizado abaixo da cota da base das fundações, e o outro é o método IGU (injeção executada globalmente e de uma só vez) ao longo do restante comprimento do perfil metálico. Após execução das microestacas, com a sequência referida anteriormente, forma-se um painel contínuo de microestacas tangentes entre si, sendo este posteriormente solidarizado com uma viga de coroamento que posteriormente à sua execução será devidamente estabilizada através de escoras e ancoragens provisórias. Para realização da viga de coroamento é necessário proceder à escavação do terreno, como se mostra na Fig. 4. 18, de modo a permitir a eficiente solidarização das respetivas cabeças de estacas. Fig. 4. 18 - Cortina de Microestacas lado Nascente. Fig. 4. 19 - Escavação da cabeça das estacas. A execução da viga de coroamento consiste na colocação de armaduras conforme o definido em projeto, sendo necessário sublinhar a importância da ligação da viga com os perfis das microestacas e os arranques necessários para a laje do piso 0 e a parede de betão que ira delimitar o piso -1. Posteriormente procede-se à cofragem da viga e seguidamente ao processo de betonagem, recorrendose a um equipamento vibratório para uma boa compactação do betão da viga. Durante a realização da viga terão de ser previstos os negativos a colocar na mesma com vista à execução posterior das ancoragens. Nova Biblioteca Municipal de Caminha - Estudo de Caso 57 Fig. 4. 20 - Armadura da viga de coroamento. Fig. 4. 21 - Cofragem da viga. Fig. 4. 22 - Primeira fase de betonagem. 4.4.1.2. Condições Técnicas Especiais O aço utilizado para os perfis metálicos da cortina de microestacas é da classe S275 (fsyk≥275MPa e fsuk ≥ 430MPa), sendo o tipo de perfil o HEB 140. No que diz respeito ao produto de selagem, a calda de cimento é do tipo CEMI 42.5R e deverá apresentar uma resistência à compressão simples de 27MPa (fck) ao final de 7 dias, em provetes cúbicos de 100 e 150mm de aresta [26]. Em relação ao recobrimento do perfil metálico, deve ser garantido que a calda de cimento e o betão da viga de coroamento envolva completamente o perfil metálico, de modo a conferir proteção adequada Nova Biblioteca Municipal de Caminha – Estudo de Caso 58 contra a corrosão do mesmo. Por isso, durante a colocação do perfil metálico no furo da microestaca, deverão ser utilizados dispositivos centradores de modo a assegurar o recobrimento mínimo de 0.05 m. Todas as microestacas devem ser rigorosamente implementadas de modo a que as posições das suas cabeças e inclinações dos seus eixos encontrem-se de acordo com o definido em projeto. O máximo desvio do centro da cabeça das microestacas em relação a sua posição correta definida em projeto, é de 20mm em qualquer das direções. No plano vertical, os perfis metálicos não deverão exceder 7mm por 3m de comprimento, com um desvio máximo de 20mm. O processo de selagem deverá ser realizado de modo a que a microestaca seja capaz de transferir a maioria da carga por atrito lateral ao maciço. Como foi dito no ponto anterior existem dois tipos de selagem, o método de injeção tipo IRS e IGU. O primeiro situa-se ao longo de um comprimento de 2m, sendo que este deve ficar no mínimo 1m na zona do maciço de natureza granítica (ZG1). ZG1 – Maciço Granítico; ZG2 – Solo Residual Granítico; ZG3 – Areia Cascalhenta; ZG4 – Areia Fina. Fig. 4. 23 - Cortina de Microestacas em zona escorada [22]. A ligação da cabeça das microestacas com a viga de coroamento é composta por uma chapa que se encontra soldada no extremo do perfil metálico. Sendo que, ao longo do comprimento de amarração do perfil, a viga de coroamento deve ser soldada uma armadura em hélice de modo a promover o atrito aço-betão, permitindo assim uma eficiente ligação entre os perfis metálicos e a viga de coroamento [26]. Em relação à armadura da viga de coroamento devem ser executados todos os arranques de armadura com os comprimentos necessários, de modo a que seja garantida a boa ligação entre a viga e a laje do piso 0, e também o prolongamento das armaduras na zona inferior da viga de modo a permitir a ligação desta com a parede estrutural que será realizada ao longo do paramento da cortina de microestacas, situado no piso -1. Nova Biblioteca Municipal de Caminha - Estudo de Caso 59 Fig. 4. 24 - Ligação da Microestaca à Viga de Coroamento. [22]. Fig. 4. 25 - Armadura da Viga de Coroamento [22]. 4.4.2. ESTABILIZAÇÃO DA CORTINA DE MICROESTACAS 4.4.2.1. Modo de Execução dos Trabalhos A estabilização da cortina de microestacas é realizada a partir de um nível de ancoragens estabelecido sobre a viga de coroamento e de escoras com perfis metálicos do tipo HEB160 e HEB200. A estabilização da viga de coroamento é de caracter provisório uma vez, que posteriormente a realização da laje do piso 0, todos os elementos de ancoragem serão desativados e serão retiradas as escoras em perfis metálicos colocados sobre a viga de coroamento. O nível de ancoragens será realizado com o mesmo equipamento de furação que realizou a cortina de microestacas, sendo que a partir do momento em que o material do bolbo de selagem adquiriu as propriedades de resistência mecânica estabelecidas em projeto, procede-se ao tensionamento das Nova Biblioteca Municipal de Caminha – Estudo de Caso 60 ancoragens de acordo com as especificações delineadas em projeto. Por fim, procede-se à colocação das escoras em perfis metálicos sendo estas aparafusadas a viga de coroamento, de acordo com o definido em projeto. . Fig. 4. 26 - Tensionamento de ancoragens. Fig. 4. 27 - Placa de apoio das ancoragens. Fig. 4. 28 - Colocação das escoras. Fig. 4. 29 - Escora em perfil HEB160. Nova Biblioteca Municipal de Caminha - Estudo de Caso 61 Fig. 4. 30 - Área de Influência das Ancoragens – Planta de Implementação piso 0. 4.4.2.2. Condições Técnicas Especiais No que diz respeito ao tipo de furação, esta foi realizada com uma inclinação de 35° em relação ao plano horizontal, existindo três tolerâncias máximas admitidas durante a furação da ancoragem. Uma delas é um desvio de 2° no que respeita à inclinação em relação ao plano horizontal, outra é o desvio de 1° na inclinação em relação ao plano vertical perpendicular à cortina de microestacas, e por fim é o desvio de 0.20m em relação à cota da cabeça das ancoragens. As ancoragens provisórias têm um pré-esforço útil (Pu=400kN) com um comprimento de 12.5m. A injeção do bolbo de selagem é do tipo IRS (Injeção repetitiva e seletiva) com um comprimento mínimo de 5m, de modo a ser fixada no maciço granítico (ZG1) [26]. O aço de pré-esforço utilizado nas ancoragens foi um aço de alta resistência e muita baixa relaxação da classe 1860, constituído por cordões de 7 fios de 16mm de diâmetro nominal (fpuk ≥ 1860 MPa e fp0,1k ≥ 1600MPa). Cada ancoragem possui uma armadura de pré-esforço constituída por três cordões de 0.62’’. Na altura da aplicação do pré-esforço nas ancoragens, a calda de cimento do bolbo de selagem deve apresentar uma resistência à compressão igual ou superior a 30MPa, em provetes cúbicos de 100 e 150mm [26]. Nova Biblioteca Municipal de Caminha – Estudo de Caso 62 Fig. 4. 31 – Pormenor da Ancoragem da cortina de microestacas [22]. As placas de apoio e os outros elementos do encabeçamento das ancoragens e das escoras devem ter dimensões suficientes, de modo a não existirem deformações em serviço que ponham em risco o bom funcionamento das mesmas. Em todas as ancoragens foram realizados ensaios de receção, de acordo com a norma EN 1537 [26]. Fig. 4. 32 - Pormenor da cabeça das ancoragens [22]. Fig. 4. 33 - Pormenor chapa de ligação das escoras [22]. Nova Biblioteca Municipal de Caminha - Estudo de Caso 63 4.4.3. MICROESTACAS DE FUNDAÇÃO As microestacas de fundação têm como função a transmissão de cargas da laje de fundo para o maciço granítico com maior resistência mecânica. Por isso estas são definidas estrategicamente em projeto, ou seja, prevê-se a execução deste tipo de pregagens em zonas em que não existam elementos de maior rigidez, como por exemplo as sapatas, proporcionando uma melhor distribuição de esforços da laje de fundo, salvaguardo a ocorrência de eventuais deformações excessivas da mesma devido a assentamentos no terreno que comprometam o seu desempenho estrutural. As microestacas de fundação foram realizadas posteriormente à execução da cortina de microestacas e antes de se realizaram os trabalhos de escavação. As pregagens são realizadas com o equipamento de perfuração das estacas e com o mesmo diâmetro e comprimento das microestacas realizadas anteriormente. Estas microestacas são constituídas por dois varões ϕ25mm (A500NR) envolvidos numa bainha plástica corrugada ϕ90mm, sendo posteriormente enchida com calda de cimento da boca para o fundo da bainha plástica [26]. Depois da realização do buraco de furação de 250mm, coloca-se a bainha plástica com a armadura no interior da furação, com a utilização de centradores para garantirse que a armadura fica centrada ao longo do furo, e posteriormente procede-se ao enchimento com calda de cimento da bainha e do buraco de fundação. Fig. 4. 34Pormenor tipo das pregagens [22]. Fig. 4. 35 - Corte DD – Pregagens [22]. Fig. 4. 36 - Constituição da pregagem. Fig. 4. 37 - Enchimento com calda de cimento. Nova Biblioteca Municipal de Caminha – Estudo de Caso 64 4.4.4. ESCAVAÇÃO ATÉ À COTA DAS FUNDAÇÕES O movimento de terras no qual consistem os trabalhos de escavação até à cota das fundações e transporte das terras até vazadouro, iniciou-se após conclusão da estabilização da cortina de microestacas e execução das pregagens da laje de fundo. Como foi referido no subcapítulo 4.4.2.2, o movimento de terras só foi iniciado depois da realização dos ensaios de receção para avaliar se a cortina de microestacas se encontrava devidamente estabilizada. O movimento de terras consiste na escavação de 1630 m³, sendo que a este valor deve acrescer o fator de empolamento do tipo de solos a escavar. No processo de escavação e transporte de terras até vazadouro estiveram envolvidos uma Giratória de Rastos, dois camiões de três eixos e um camião de dois eixos bidirecionais na dianteira, ficando estes trabalhos a cargo do empreiteiro geral a qual é adjudicada a obra. Fig. 4. 38 – Zona de carga dos camiões. Fig. 4. 39 – Rampa de acesso para carga. Para execução destes trabalhos foi necessário criar uma rampa de acesso numa das extremidades da obra, como se pode ver na Fig. 4. 38, uma vez que era a única zona a que os camiões tinham acesso. O transporte de terras foi realizado por ciclos de carga e descarga com três camiões apoiados por uma giratória, porém isto não foi um processo continuo ao longo do tempo, uma vez que existia a necessidade de arrastar as terras para a zona de carga dos camiões, dificultando assim o desenvolvimento dos trabalhos. Outra das dificuldades observadas ao longo dos trabalhos foi a realização da escavação na camada do maciço granítico, sendo que recorreu-se à giratória com martelo hidráulico para a realização da escavação até à cota dos elementos fundação. Apesar de alguns elementos de fundação, como as sapatas das paredes e pilares encontrarem-se numa cota inferior em relação a laje de fundo, procedeuse à escavação do terreno até à cota mais baixa de todas as sapatas de paredes e pilares. Porém na zona de implementação do núcleo de rigidez e no poço de bombagem executou-se a escavação até uma cota mais baixa do que as restantes sapatas, isto por razões definidas no projeto de estruturas. Nova Biblioteca Municipal de Caminha - Estudo de Caso 65 Fig. 4. 40 – Escavação nas paredes das microestacas. Fig. 4. 41 – Escavação em elementos de fundação. 4.4.5. TRABALHOS EXECUTADOS ATÉ À COTA INFERIOR DA LAJE DE FUNDO 4.4.5.1. Faseamento Construtivo Como foi referido anteriormente a escavação do terreno foi realizada praticamente ao mesmo nível, ou seja, a partir da cota inferior da sapata mais baixa, excluindo os locais de implementação do núcleo de rigidez e do poço de bombagem. Esta tomada de decisão tinha como objetivo a deposição no fundo do terreno de um material que permitisse a livre circulação da água existente no solo, como por exemplo rachão, para possibilitar a betonagem dos elementos de fundação. Porém por decisão da equipa de projetistas decidiu-se que apesar de esta solução facilitar o processo construtivo, a longo médio prazo iria trazer problemas uma vez que a camada drenante instalada na base da laje de fundo permitiria a livre circulação de água naquela zona o que consequentemente atrairia agua para as fundações. Para a resolução deste problema optou-se pelo enchimento com material idêntico ao do solo existente no local, com um bom coeficiente de permeabilidade, pelo que foi utilizado Tout-Venant para enchimento até à cota inferior da laje de fundo. Antes da execução das fundações procedeu-se à delimitação do terreno, para marcação dos alinhamentos, para possibilitar a implementação dos respetivos elementos, de acordo com o definido em projeto. Estes trabalhos realizados até à cota inferior da laje de fundo caracterizam-se pela construção das sapatas das paredes e pilares, do poço de bombagem e núcleo de rigidez, e também pela execução de um bloco de encabeçamento das microestacas de fundação. É importante referir que a realização destes trabalhos foi acompanhada pela bombagem permanente da água existente no solo, sendo que foram criados pontos de bombagem posicionados estrategicamente para permitir a execução dos elementos de fundação. Nova Biblioteca Municipal de Caminha – Estudo de Caso 72 Em relação à montagem da cofragem, esta realizou-se de modo a garantir a total estabilidade do elemento durante e após a betonagem. A superfície da cofragem deve apresentar planeza total e deve ser aplicado um líquido descofrante antes da montagem da cofragem sendo que, durante a sua montagem, deve ser verificado o correto posicionamento em planta e em corte de modo a evitar desvios que não sejam aceitáveis em projeto, e também deve ser garantido o recobrimento mínimo das armaduras através da utilização de espaçadores. Fig. 4. 58 – Cofragem parede 1. Fig. 4. 59 - Betonagem caixa de elevadores. Uma vez que se trata da betonagem de elementos em altura foram utilizados durante a betonagem plataformas de acesso, como por exemplo andaimes, para a correta betonagem destes elementos e cumprindo as normas de segurança. A betonagem foi realizada com recurso a betão pronto produzido na central em Valença, sendo esta realizada utilizando um balde e a grua existente em estaleiro, a semelhança da betonagem dos elementos estruturais referenciados anteriormente. Para a compactação do betão foi utilizado um equipamento vibratório durante a realização destes trabalhos. É de notar que o escoramento da parede 1 só poderá ser removido após a execução da laje da cobertura. Em relação aos restantes elementos estes só podem entrar em carga decorridos 21 dias apos betonagem. Fig. 4. 60 – Elementos verticais piso-1. Nova Biblioteca Municipal de Caminha - Estudo de Caso 73 4.4.8. BETONAGEM DA PAREDE DA CORTINA DE MICROESTACAS Para realização da face interior da parede da cortina de microestacas teve-se a necessidade de retirar os excessos de betão devido à selagem dos perfis metálicos. Para isto recorreu-se a um martelo elétrico. Posteriormente procedeu-se à montagem das armaduras da parede, tendo em conta a ligação das armaduras da parede aos arranques existentes na viga de coroamento. A cofragem é colocada de modo a garantir a planeza entre a superfície da viga de coroamento e a parede de betão que se pretende construir. As placas de cofragem não podem ser prolongadas até a face interior da viga de coroamento, uma vez que teve-se de deixar um espaço para poder realizar a betonagem. Posto isto colocou-se uns elementos de cofragem, deslocados na horizontal em relação ao plano vertical da parede, de forma a poder-se realizar a betonagem da parede. Fig. 4. 61 – Cofragem e armaduras da parede das microestacas. Por fim procedeu-se à betonagem da mesma acompanhando com a respetiva vibração. Porém este não foi um processo fácil de execução, uma vez que o espaço que se pretende betonar era muito pequeno, dificultando esses mesmos trabalhos. Apos descofragem da parede teve-se de refazer a parte superior da parede, uma vez que deslocou-se parte da cofragem superior para possibilitar a realização da betonagem. Neste trabalho recorreu-se ao martelo elétrico para retirar os excessos de betão da parede, e posteriormente refez-se esse elemento com argamassa garantindo a planeza da superfície entre a parede de microestacas e a viga de coroamento. Fig. 4. 62 – Execução da parede da cortina de microestacas. Nova Biblioteca Municipal de Caminha – Estudo de Caso 74 Fig. 4. 63 - Parede interior da cortina de microestacas. 4.4.9. PAVIMENTO TÉRREO O pavimento térreo, situado no piso -1, é constituído por uma camada de brita de granulometria 15/40mm com uma espessura de 0.40 metros, sendo nesta implementado o esquema de drenagem de águas freáticas, conforme definido no projeto de instalações hidráulicas. Por fim executa-se uma camada de betão C20/25 de 0.15 metros, implementando-se um reforço de armadura em Malhassol AQ50 situada a 0.05 metros da superfície do pavimento, de acordo com a Fig. 4. 64. Antes da realização desta camada de betão coloca-se um filme de polietileno que separa a camada de drenagem em brita da camada em betão, garantindo assim a impermeabilização do pavimento térreo. Fig. 4. 64 - Constituição do pavimento térreo [22]. O sistema de drenagem de águas freáticas instalado na caixa de brita de 0,40metros de espessura, tem como objetivo a recolha de pequenos caudais infiltrados ao longo dos elementos estruturais, laje de fundo e muros de contenção periférica. A rede de drenagem é constituída por um esquema drenante para garantir a recolha de águas provenientes da infiltração na laje de fundo, e com pontos de recolha ao longo dos muros de suporte de terras nas caleiras executadas no interior da caixa-de-ar, conforme o definido no projeto de arquitetura. Este sistema de drenagem também tem em conta a recolha de águas provenientes do pátio de acesso situado no exterior do piso-1, como se pode observar na Fig. 4. 65. Nova Biblioteca Municipal de Caminha - Estudo de Caso 75 Fig. 4. 65 - Esquema de drenagem das águas freáticas da cave. A drenagem é constituída por tubos em PVC duro corrugado de diâmetro 80mm e envolvidos em geotêxtil, de modo a não permitir a passagem de finos. Foram previstas a execução de cinco caixas de visita em betão armado, sendo a cota da tampa da caixa de -3.5 metros, coincidindo com a altura de acabamentos do pavimento térreo [24]. As águas freáticas são encaminhadas para o poço de bombagem, sendo posteriormente conduzidas para a rede pública com auxílio de um grupo eletrobomba. Fig. 4. 66 - Colocação do sistema de drenagem. Nova Biblioteca Municipal de Caminha – Estudo de Caso 76 As juntas de trabalho da laje térrea são constituídas por um cordão de mástique na face visível do pavimento e por uma camada de isolamento térmico em poliestireno extrudido com uma espessura de 0.02 metros. Estas juntas deverão ser executadas em torno de todos os elementos verticais estruturais, ou seja em torno dos muros de contenção periférica, núcleo de rigidez, paredes e pilares. Fig. 4. 67 – Execução de juntas de trabalho. Fig. 4. 68 - Betonagem do pavimento térreo. 4.5. TRABALHOS DE CONCLUSÃO DA FASE DE ESTRUTURAS Os trabalhos para concluir a fase de estruturas do edifício baseiam-se no que foi caracterizado no subcapítulo 4.4.7, ou seja, o modo de execução dos trabalhos de estruturas centram-se na montagem das armaduras conforme o definido em projeto, e execução da cofragem dos elementos estruturais e por fim a betonagem desses mesmos elementos. Apesar de ser um processo repetitivo devem ser respeitadas todas as condições técnicas especiais, também estas referidas nesse ponto. Porém existem algumas situações particulares que merecem uma especial abordagem durante a realização destes trabalhos. Uma delas é a utilização de estruturas de perfis metálicos inseridos na estrutura corrente de betão armado, mais concretamente, um pilar metálico tubular numa das fachadas envidraçadas do piso 0 com secção quadrada de 0.20 metros de lado, e as vigas em perfis metálicos HEA360 localizadas nas coberturas das varandas do piso1 do edifício novo. A classe de resistência destes perfis e das chapas de ligação dos mesmos são do tipo S35 [26]. A execução da laje de pavimento do piso 1 no edifício existente também merece especial cuidado durante o processo construtivo, isto porque prevê-se que as paredes das fachadas que se pretendem conservar forneçam o apoio a essa mesma laje de betão armado. Para isso é necessário a execução de “rasgos” descontínuos nessas paredes, de modo que o betão e os reforços de armadura nessas zonas permitam a suficiente solidarização do conjunto estrutural - parede em alvenaria de pedra e laje de betão armado. Outro aspeto importante que está previsto no esquema estrutural dos elementos de betão armado é a execução de uma contra-flecha de 1.5cm na laje de pavimento do piso 1 no edifício novo. O processo construtivo para a execução da mesma, baseia-se no levantamento da cofragem no valor de 1.5cm no centro de gravidade deste elemento estrutural. Para isso é preciso marcar de forma cuidada a posição exata da aplicação desta deformação na cofragem e também o valor da mesma, conforme definido em projeto. Nova Biblioteca Municipal de Caminha - Estudo de Caso 77 Como foi referido no subcapítulo 4.4.7 o escoramento da parede 1 entre a laje de fundação e o piso 0, só poderá ser retirado apos execução da laje de cobertura, porém esta condição também é aplicada as paredes 4, 5, 6 e 8 localizadas no piso 0 e piso 1. Isto é justificado pela importância destes elementos na estabilidade estrutural do edifício novo, uma vez que pretende-se que estes elementos adquiram as características mecânicas necessárias antes de estes entrarem em carga. Durante a realização dos elementos estruturais horizontais deve ser prevista a colocação dos negativos nas lajes, de modo a possibilitar o atravessamento de condutas do projeto de instalações mecânicas [26]. No que diz respeito aos recobrimentos das armaduras, estes variam de acordo com a sua classe de exposição, sendo assim para as lajes, faces de paredes interiores, pilares e vigas interiores o recobrimento mínimo será de 30mm, e para as faces das paredes exteriores e vigas de cobertura o recobrimento mínimo será de 40mm [22]. Por fim em relação a estrutura de madeira da cobertura do edifício antigo está previsto a utilização de madeira maciça de Pinho Bravo, sendo que para as pernas das asnas são da classe EE (NP4305) / C35 (EN338), e para os restantes elementos são da classe E (NP4305) / C18 (EN338) [22]. Porém este tema será devidamente abordado no capítulo 6 desta dissertação. Nova Biblioteca Municipal de Caminha – Estudo de Caso 78 Nova Biblioteca Municipal de Caminha - Estudo de Caso 79 5 PROPOSTA DE VARIANTES 5.1. INTRODUÇÃO O principal objetivo na realização deste capítulo é encontrar soluções adotadas no projeto de Arquitetura, para as quais fosse interessante propor variantes que apresentam viabilidade para serem implementadas em obra. Inicialmente realizou-se o estudo do projeto global, fazendo o levantamento de todas as soluções implementadas no mesmo. Posteriormente a essa análise e tendo por base as exigências funcionais da obra, decidiram-se quais as variantes que seria interessante estudar, e por conseguinte procedeu-se ao seu desenvolvimento e a caracterização genérica das mesmas. Posto isto, faz-se referência ao longo deste capítulo, o tipo de soluções definidas em projeto, contrapondo com a apresentação e justificação das variantes desenvolvidas pelo autor da dissertação. As variantes que foram desenvolvidas ao longo deste capítulo dizem respeito a cobertura de madeira, na qual se enquadram, duas propostas distintas. Uma delas refere-se à estrutura de madeira, ou seja, pretende-se passar os elementos estruturais em madeira maciça, conforme definido em projeto, para madeira lamelada colada. A outra proposta tem por base a solução tecnológica adotada para alguns revestimentos da cobertura. Por fim, faz-se a análise às soluções definidas para os pavimentos interiores, apresentando-se assim dois tipos de variantes, uma recomendo à utilização de ladrilhos cerâmicos e outra à execução de um pavimento flutuante em madeira. 5.2. COBERTURA INCLINADA – ESTRUTURA DE MADEIRA 5.2.1. DESCRIÇÃO DA SOLUÇÃO PREVISTA EM PROJETO A estrutura da cobertura inclinada é composta por asnas, madres e elementos de contraventamento em vigas de madeira maciça de pinho bravo. Em relação as asnas, estas são compostas por pernas, pendural e linha, sendo a resistência das vigas de madeira das pernas da classe EE (NP4305) / C35 (EN338). Os restantes elementos estruturais são da classe EE (NP4305) / C18 (EN338). Os elementos de contraventamento e estabilização espacial recorrem-se a barrotes de madeira, colocados transversalmente ao plano vertical das asnas, e a tirantes metálicos com diâmetro de 16mm, colocados no espaçamento de duas das asnas da cobertura. Nas Fig. 5. 1 e Fig. 5. 2, dizem respeito às soluções definidas no projeto de estruturas para os elementos estruturais da cobertura inclinada no edifício existente. Nova Biblioteca Municipal de Caminha – Estudo de Caso 80 Fig. 5. 1 – Planta Estrutural da Cobertura de Madeira. Nova Biblioteca Municipal de Caminha – Estudo de Caso 81 Fig. 5. 2 - Alçado Asna 2. Nova Biblioteca Municipal de Caminha - Estudo de Caso 88 5.3.3. DESCRIÇÃO DA VARIANTE A principal diferença entre esta variante e a solução prevista no projeto de arquitetura é a posição do isolamento térmico, como se pode observar na Fig. 5. 10. Ou seja, nesta solução adota-se a colocação do isolamento térmico associado às placas de gesso cartonado acústico texturado, conforme previsto no projeto de arquitetura. A estrutura metálica que permite a fixação das placas de gesso cartonado às vigas de madeira, também fornece suporte as placas de isolamento térmico que se encontram associadas às referidas placas. A impermeabilização da cobertura é realizada a partir da colocação de uma tela de subtelha tipo “Onduline”, conforme previsto na solução adotada em projeto. Contudo, é necessário proceder à colocação de um forro de madeira, permitindo assim estabelecer uma base rígida para assentamento da telha e das placas de subtelha para impermeabilização da respetiva cobertura, uma vez que a tela de impermeabilização não é suficientemente rígida para fornecer suporte às telhas. Fig. 5. 10 – Variante da solução tecnológica definida em projeto para o revestimento da cobertura. Recorrendo à empresa nacional “JULAR Madeiras”, foi possível determinar as características para o forro de madeira. Para o mesmo, prevê-se a utilização de placas de OSB do tipo “Kronoply OSB 3”, especialmente indicadas para coberturas de edifícios, onde se possam verificar condições de humidade. Estes painéis podem ser fornecidos com espessuras variáveis, entre 9 e 22 mm, e com dimensões de2500*595mm ou 2500*1250mm [31]. 5.3.4. JUSTIFICAÇÃO DA VARIANTE A aplicação desta variante para a solução tecnológica definida pela arquitetura para a cobertura inclinada, pode trazer vantagens no que diz respeito ao custo global da solução e para o desempenho funcional, como se refere nos pontos apresentados a seguir. a) Comportamento Higrotérmico: A alteração da posição do isolamento térmico traduz-se num melhor comportamento higrotérmico da cobertura, isto pelo fato de não estar em contato direto com o exterior como na solução adotada em projeto. Como nesta solução o desvão é ventilado diminui-se o risco de condensações internas e diminuem as transferências de calor para o interior, aumentando Nova Biblioteca Municipal de Caminha - Estudo de Caso 89 assim o desempenho térmico desta variante e a durabilidade da estrutura de madeira, e traduzindo-se na melhoria do conforto térmico no interior do edifício. b) Desempenho Estrutural: No que diz respeito à estrutura de madeira, esta variante possibilita a redução das cargas que atuam na cobertura, ou seja, o fato de serem substituídos os painéis sandwich apenas por placas de isolamento térmico mais leves e por placas de OSB, contribui em muito para a redução das cargas na cobertura. Consequentemente, um novo redimensionamento dos elementos estruturais permite uma redução de custos, tanto a nível de material como na maior facilidade na execução dos trabalhos, e também de um modo geral contribui para um melhor funcionamento global da estrutura, como se refere ao longo do capítulo 6. c) Custo e tempo de execução: Uma das vantagens desta variante é a redução do custo total e do tempo de execução dos trabalhos, garantindo as mesmas características da solução definida em projeto, e melhorando-a em alguns aspetos. Como já foi dito anteriormente, o fato de se reduzirem as cargas dos elementos estruturais de madeira, retirando o painel sandwich e substituindo-o por placas de isolamento térmico, contribui em muito para a facilidade de execução dos trabalhos, e consequentemente para a redução do custo final desta solução. 5.4. PAVIMENTOS INTERIORES 5.4.1. DESCRIÇÃO DAS SOLUÇÕES DE PROJETO Para acabamento dos pavimentos interiores foram adotadas dois tipo de soluções, uma delas é o revestimento em soalho de madeira e outra é aplicação de uma Resina Epoxi Auto-Nivelante. O acabamento em epoxi será aplicado em todos os pavimentos interiores do piso -1 e nas instalações sanitárias do piso 0 e 1. O soalho em madeira será colocado nas restantes áreas dos pisos 0 e 1, nomeadamente no átrio, na secção infantil e na sala de adultos 1 e 2, no piso 1. Antes da aplicação do epoxi auto-nivelante deve ser executada uma camada de regularização com 2cm de espessura mínima em argamassa de cimento, com posterior afagamento da superfície da betonilha para obtenção de acabamento. O revestimento final consiste na aplicação de um primário tipo “SIKAFLOOR 156”. Posteriormente procede-se a colocação da resina Epoxi tipo “SIKAFLOOR 261” com uma espessura de 4mm e finalmente aplica-se uma cera em dispersão acrílica do tipo “TASKI VISION MATE”. O soalho de madeira consiste no assentamento de ripas de madeira de 120mm de largura e 22mm de espessura sobre estrutura de suporte, em barrotes de madeira que se encontram embutidos na espessura do sistema de pavimento radiante. As ripas serão fixadas com pregos em aço Inox e toda a madeira terá proteção contra insetos e caruncho em “Cuprinol verde” ou castanho. Por fim todo o pavimento será afagado e preparado para receber o verniz cera mate duro tipo “CINODUR” com impregnação das demãos necessárias. Nova Biblioteca Municipal de Caminha - Estudo de Caso 90 5.4.2. PREÇOS E MEDIÇÕES Os Quadros 5.5 e 5.6 apresentam os valores de medições e preços para os pavimentos interiores definidos em projeto. Esta informação teve por base o orçamento realizado pelo empreiteiro. Quadro 5. 5 - Medições e preços dos pavimentos interiores em soalho de madeira. Orçamento AMC - Construções Descrição Tarefa Medições Preço (€) Un. Quantidade Unitário Global Capítulo 2 Arquitetura V Obra de Carpinteiro Artigo nº 5.1.1 Assentamento em soalho de madeira de Pinho sobre estrutura de suporte em barrotes de madeira. Proteção de madeira contra insetos e caruncho e aplicação de verniz cera mate duro tipo "CINODUR" m² 802,78 42,88 34407,15 Quadro 5. 6 - Medições e preços dos pavimentos interiores em epoxi auto-nivelante. Orçamento AMC - Construções Descrição Tarefa Medições Preço (€) Un. Quantidade Unitário Global Capítulo 2 Arquitetura IV Obra de Trolha Artigo nº 4.4.2.1 Execução de camada de regularização em argamassa de cimento com 2cm de espessura mínima para acabamento de pavimentos interiores para receber epoxi auto-nivelante. m² 367,83 4,32 1770,34 Capítulo 2 Arquitetura VIII Obra de Pintor Artigo nº 8.1.1 Aplicação de revestimento em Epoxi Auto-Nivelante tipo "SIKAFLOOR 261", na espessura de 4mm, com aplicação de primário e cera em dispersão acrílica. 21,12 7768,57 Preço final para pavimentos interiores em epoxi auto-nivelante 9538,91 5.4.3. VARIANTE 1 5.4.3.1. Descrição da Solução Esta variante diz respeito a um pavimento em ladrilhos cerâmicos. Este revestimento é assente sobre argamassa tradicional ou cimento-cola e é frequentemente utilizado em qualquer tipo de espaços. Isto devido à enorme variedade de padrões e texturas existentes no mercado, alargando assim a escolha de diferentes cenários estéticos. Antes da aplicação do revestimento no pavimento, deve-se garantir que o suporte está limpo, desengordurado, apresenta o teor de humidade ideal para a sua aplicação e é garantida a planeza da superfície. A aplicação da argamassa de assentamento ou cimento cola deve ser realizada sobre o suporte ou, no caso de peças de revestimento grandes, deverá também ser aplicado na face inferior do ladrilho. Durante a colocação das peças cerâmicas devem ser previstas as juntas de dilatação, conforme o especificado pelo fabricante dos ladrilhos. Posteriormente a fixação no suporte deve ser executado o nivelamento das peças para garantir a planeza da superfície. O fechamento de juntas deve ser realizado apos 24 horas do assentamento das mesmas. Nova Biblioteca Municipal de Caminha - Estudo de Caso 91 5.4.3.2. Acabamentos No mercado existe uma vasta gama de acabamentos de ladrilhos cerâmicos, com varias tonalidades de cores e texturas e com diferentes dimensões. De seguida, são apresentados vários acabamentos que possibilitam retratar os padrões e as tonalidades caraterísticas dos diferentes tipos de madeira, uma vez que uma das soluções definidas pelo projeto de arquitetura para os pavimentos interiores é em soalho de madeira de pinho. Os ladrilhos cerâmicos que a seguir se apresentam nas Fig. 5. 11 e Fig. 5. 12, referem-se a ladrilhos prensados por via seca e vidrados por monocozedura da marca do fabricante Gresart. No Quadro 5.7. apresentam-se as características técnicas, de acordo com as normas, para os ladrilhos referidos anteriormente. Fig. 5. 11 - Acabamentos de Ladrilhos Cerâmicos Gresart [32]. Fig. 5. 12 - Referências Ladrilhos Cerâmicos Gresart [32]. Nova Biblioteca Municipal de Caminha - Estudo de Caso 92 Quadro 5. 7 - Caraterísticas técnicas de Ladrilhos Cerâmicos Gresart [32]. Caraterísticas Técnicas Norma Valor da Norma Valor Gresart Absorção de Água ISO 10 545-3 <0,5% max. 0,6% <0,5% Resistência à Flexão ISO 10 545-4 Média 35|Minimo 32 Conforme Dilatação Térmica ISO 10 545-8 Máximo 9*10^-6 °C < 7,5*10^-6 °C Resistência ao Gelo ISO 10 545-12 Exigida Conforme Resistência Química ISO 10 545-13 Mínimo GB/GLB Conforme 5.4.3.3. Justificação da Variante No que diz respeito aos aspetos estéticos definidos pelo projeto de arquitetura a utilização de revestimentos cerâmicos possibilita uma diversificada gama de soluções, entre as quais a utilização de peças cerâmicas que emitam na perfeição o pavimento em soalho de madeira. Uma das vantagens na aplicação desta variante é o bom funcionamento com a utilização do sistema de aquecimento em piso radiante. Os pavimentos com alta condutividade térmica, como é o caso dos revestimentos cerâmicos, exibem um ótimo comportamento com este sistema de aquecimento uma vez que possibilitam o aquecimento rápido do pavimento e consequentemente gastam menos energia. Tal não se verifica nos pavimentos em Soalho de Madeira uma vez que a madeira apresenta uma mais baixa condutividade térmica. A durabilidade e a reduzida manutenção destes pisos também é uma das potencialidades deste tipo de pavimentos, uma vez que apresentam maior resistência superficial do que a solução em soalho de madeira, possibilitando a redução dos custos de manutenção do pavimento. 5.4.4. VARIANTE 2 5.4.4.1. Descrição da Solução A variante 2 diz respeito à execução de pavimentos flutuantes em madeira. Este tipo de pavimentos ao contrário dos pavimentos tradicionais, que são fixados mecanicamente através de pregos, são caracterizados por “flutuarem” sobre o suporte, ou seja, encontram-se totalmente desligados da base e apenas apoiam-se na mesma. As peças encontram-se ligadas umas às outras através de encaixes, embora possa ser realizada a colagem entre as ligações das mesmas. As peças são fornecidas com a espessura exata, com polimento e acabamento em verniz já aplicados nas mesmas. Antes da montagem das peças deve ser colocada uma folha de polietileno expandido e uma manga plástica sobre a superfície do suporte, isto para proteção do material de eventual humidade existente no pavimento e para melhorar o conforto acústico do pavimento. Posteriormente, procede-se à colocação das peças de madeira, sendo que devem ser utilizadas cunhas em todo o perímetro do pavimento para a formação de juntas. Nova Biblioteca Municipal de Caminha - Estudo de Caso 93 Fig. 5. 13 - Constituição do pavimento flutuante de madeira 5.4.4.2. Solução estética do pavimento Os acabamentos dos pavimentos Flutuantes de Madeira dependem do tipo de madeira e do acabamento superficial que seja aplicado na mesma. Recorrendo a marca Belga PAR-KY distribuída exclusivamente em Portugal pela Habitarmos, desde 1995, são apresentados em seguida dois tipos de coleções de acabamentos deste tipo de pavimentos, a coleção LOUNGE e a coleção PRO. A coleção LOUNGE apresenta um HDF ultra resistente, ideal para aplicações de uso intenso. A superfície das diferentes espécies de madeira pode ter um acabamento escovado ou acetinado. Esta coleção é caraterizada pela sua elevada resistência a riscos e impactos, devidas as 8 camadas de verniz que são empregues. As réguas de madeira têm dimensões de 1203*124*8.3mm e são unidas a partir de um sistema UNICLIC. Fig. 5. 14 - Acabamentos do pavimento flutuante – Coleção LOUNGE da PAR-KY [33]. A coleção PRO oferece o conforto da madeira real e uma manutenção muito simples, sendo que as madeiras apresentam acabamentos únicos de grande qualidade. As réguas são largas e amplas com dimensões de 1203*190*7.2mm, e o acabamento das mesmas pode ser escovado ou acetinado. Fig. 5. 15 - Acabamentos do pavimento flutuante – Coleção PRO da PAR-KY [33]. Nova Biblioteca Municipal de Caminha - Estudo de Caso 94 5.4.4.3. Justificação da Variante Uma das vantagens da aplicação deste tipo de revestimento consiste na facilidade de execução dos trabalhos, não sendo necessário o recurso a mão-de-obra especializada, o que traduz-se em custos de instalação muito atrativos. Em relação aos materiais, os custos também não acrescem significativamente em relação ao soalho de madeira, uma vez que se tratam de peças de madeira préfabricadas, tais como as ripas utilizados no soalho de madeira, que possuem um sistema de encaixe e o acabamento final na face visível. A conjugação deste tipo de pavimentos com o sistema de aquecimento em piso radiante também pode ser considerada boa, uma vez que as peças de madeira do pavimento flutuante estão assentes diretamente na laje, o que melhora a conjugação com o sistema de pavimento radiante. Em relação a aspetos arquitetónicos a utilização deste tipo de sistema apresenta as mesmas caraterísticas de um pavimento em soalho de madeira uma vez que permite a escolha de vários tipos de acabamentos com texturas e tonalidades diferentes, como se pode observar no subcapítulo 5.4.4.2. 5.5. CONSIDERAÇÕES FINAIS Na perspetiva do dono de obra valerá a pena alargar o exercício da pesquisa de variantes a toda a obra de acabamentos, começando por recolher amostras e estudar as especificações e a aptidão ao uso das soluções de projeto para, em total sintonia com o arquiteto, validar a execução das soluções projetadas. Apresenta-se em anexo, um exemplo representativo de um estudo de diversas soluções possíveis para tetos falsos acústicos, respeitando as especificações técnicas definidas em projeto. O respetivo anexo é composto pela referência de três soluções para os tetos falsos acústicos, sendo que duas destas soluções encontram-se devidamente especificadas no caderno de encargos, como é o caso das placas perfuradas Cleaneo do tipo Knauf D127 e das placas em gesso cartonado texturado com propriedades acústicas do tipo “ROCKFON”. A outra solução definida em anexo, diz respeito às placas perfuradas Gyptec Vogl, sendo que a sua apresentação em anexo é justificada pelo fato de estas poderem ser implementadas em obra, uma vez que cumprem com as especificações técnicas exigidas em projeto para as placas perfuradas do tipo Knauf D127. Os conteúdos apresentados em anexo tiveram por base os catálogos comerciais e fichas técnicas dos produtos disponibilizados pelos fabricantes das respetivas soluções. A informação apresentada diz respeito às condições técnicas especiais dos produtos tais como valores característicos dos níveis de desempenho e pormenores específicos, do sistema construtivo das respetivas soluções em estudo. Pela relevância dos conteúdos abrangidos em Anexo é possível apurar que esta é uma tarefa essencial, a que o dono de obra deverá dar o devido relevo tão pronto quanto possível, para que seja possível evitar atrasos associados à validação e aprovação final das soluções projetadas. Nova Biblioteca Municipal de Caminha - Estudo de Caso 95 6 DIMENSIONAMENTO DA COBERTURA DE MADEIRA 6.1. INTRODUÇÃO A elaboração deste capítulo encontra-se em consonância com o que atrás foi apresentado no capítulo 5, uma vez que no capítulo anterior propôs-se a execução de uma variante para a cobertura, com a utilização de outro tipo de material para os elementos estruturais e com a alteração das cargas que atuam na cobertura. Tal fato justifica o redimensionamento dos elementos estruturais da cobertura, sendo este o principal objetivo deste capítulo. Este capítulo encontra-se dividido em três subcapítulos distintos. Inicialmente começa-se pela quantificação das cargas da cobertura, nomeadamente as cargas permanentes, sobrecarga e as ações devidas ao vento. Posteriormente à determinação de cargas, define-se o modelo estrutural da cobertura, introduzindo o mesmo no programa de cálculo, para quantificação dos esforços atuantes na cobertura relevantes para o dimensionamento. Por fim, procede-se à verificação de segurança dos elementos estruturais da cobertura, definindo-se as seções finais para os mesmos. Em relação aos meios utilizados para a realização deste capítulo, destaca-se com especial importância a utilização do programa de cálculo Autodesk® RobotTM, e a consulta das normas NP EN 1991-11:2009, NP EN 1991-1-4:2010 e NP EN 1990:2009 (EC0 e EC1), para quantificação e determinação da combinação de ações que atuam na cobertura, e a NP EN 1995-1-1:2004 (EC5 – ponto1.1) para verificação de segurança dos elementos estruturais em madeira. 6.2. QUANTIFICAÇÃO DAS AÇÕES 6.2.1. AÇÕES PERMANENTES No que diz respeito às ações permanentes da cobertura, estas são constituídas pelos seguintes pesos próprios:  Telha Canudo;  Ripas de madeira maciça classe C18;  Tela de subtelha do tipo “Onduline”;  Placas OSB (e = 16mm);  Madres de Madeira Lamelada Colada GL24h;  Asnas de Madeira Lamelada Colada GL24h;  Elementos de Contraventamento em Madeira Lamelada Colada GL24h;  Tetos falsos suspensos do tipo “Rockfon” com isolamento térmico. Nova Biblioteca Municipal de Caminha - Estudo de Caso 96 Para as telhas canudo foi considerado um peso próprio de 0,495 kN/m², sendo este valor obtido a partir do catálogo técnico disponibilizado pelo fabricante Umbelino Monteiro. Na tela de subtelha “Onduline” considerou-se um peso próprio de 0,029 kN/m², a partir da informação técnica disponibilizada pelo fabricante “Onduline”, sendo que a informação técnica destes materiais encontrase referida no capítulo 5. As ripas de madeira da classe C18 são elementos que servem de apoio à colocação das telhas canudo, sendo que o espaçamento entre ripas é determinado a partir das condições técnicas definidas para a telha. O peso próprio das ripas de assentamento da telha, , é dado pela seguinte expressão 6.1. h 1(m) (6.1) em que: Peso volúmico da madeira maciça da classe C18; Base da secção do elemento; Altura da secção do elemento; Área de influência do elemento, Calculando a partir desta expressão, vem: O elemento que se encontra na face superior das madres é um forro de madeira de Classe C18 com uma espessura de 1,6cm. Este forro encontra-se ao longo de toda a superfície da cobertura fornecendo suporte às ripas de madeira, à tela de impermeabilização e às telhas canudo. O peso próprio do forro, é calculado pela expressão 6.2. (6.2) Os tetos falsos são constituídos por placas de gesso cartonado texturado do tipo “ROCKFON”, sendo que a estas placas encontra-se associado um isolamento térmico do tipo XPS com 8cm de espessura. Estas placas são suportadas por uma estrutura metálica suspensa que se encontra fixada aos elementos estruturais da cobertura. Em detrimento da simplificação do cálculo considerou-se que o peso próprio deste conjunto é igual a 0.1 kN/m². Em relação aos elementos estruturais da cobertura, não foi calculado o seu peso próprio uma vez que o software Autodesk® RobotTM já considerava essa carga automaticamente. Porém, como não foram introduzidos no modelo de cálculo os elementos de contraventamento, foi calculado um peso próprio Nova Biblioteca Municipal de Caminha - Estudo de Caso 97 para os mesmos, com as dimensões existentes em projeto, de modo a que os esforços finais da cobertura tivessem em conta os referidos elementos. A introdução destas cargas no programa de cálculo foi feita ao longo da superfície das madres. Para isso, procedeu-se à multiplicação da carga distribuída por unidade de área (KN/m²) pelo espaçamento entre madres, obtendo as cargas linearmente distribuídas ao longo das madres, sendo estes valores apresentados no Quadro 6. 1. Quadro 6. 1 - Cargas permanentes da cobertura Componentes KN /m² KN /m Telhas Canudo 0,495 0,644 Ripas de Madeira 0,011 0,014 Tela de Subtelha 0,029 0,038 Forro Madeira 1,6cm 0,061 0,079 Tetos Falsos 0,100 0,130 Elementos de contraventamento 0,111 6.2.2. AÇÕES VARIÁVEIS 6.2.2.1. Sobrecarga O valor das sobrecargas em coberturas depende da sua acessibilidade, de acordo com a secção 6.3.4.1 da NP EN 1991-1-1:2009. O grau de acessibilidade é definido pelas categorias evidenciadas no quadro 6.9 da norma acima referida, sendo estas traduzidas para este trabalho, no Quadro 6. 2. Quadro 6. 2 - Categorias de Coberturas. NP EN 1991-1-1:2009. Categoria Utilização específica H Coberturas não acessíveis, exceto para operações de manutenção e reparação correntes. I Coberturas acessíveis com utilizações definidas nas categorias A à D. k Coberturas acessíveis para utilizações especiais, tais como aterragem de helicópteros. A cobertura em estudo enquadra-se na categoria H, sendo que a partir do Quadro NA-6.10 do Anexo Nacional da norma referida em cima, os valores de sobrecarga uniformemente distribuída, qk, é igual a 0.4kN/m². 6.2.2.2. Vento A quantificação da ação do vento é determinada de acordo com a norma NP EN 1991-1-4:2010. Para a quantificação destas ações foi considerada uma cobertura de quatro vertentes, isto porque na norma referida em cima não existe nenhum caso para uma cobertura de três vertentes, existindo assim a necessidade da adaptação do caso de estudo, de acordo com as especificações da norma. Nova Biblioteca Municipal de Caminha - Estudo de Caso 104 Quadro 6. 8 – Valores de pressões e cargas da cobertura por ação do vento. Direção θ = 0°. Ângulos Zonas F G H I J K L M Cp (-) -0,110 -0,030 0,440 0,240 -0,230 -0,370 -0,680 -0,050 Cp (+) 1,170 1,360 1,090 Cp 1,170 1,360 1,090 0,240 -0,230 -0,370 -0,680 -0,050 (kN/m²) 1,119 1,301 1,042 0,230 -0,220 -0,354 -0,650 -0,048 (KN/m) 1,454 1,691 1,355 0,298 -0,286 -0,460 -0,845 -0,062 Quadro 6. 9 - Valores de pressões e cargas da cobertura por ação do vento. Direção θ = 90°. Ângulos Zonas F G H L M N Cp (-) -1,500 -1,420 -0,950 -2,070 -1,440 -0,890 Cp (+) -0,220 -0,030 -0,300 Cp -1,500 -1,420 -0,950 -2,070 -1,440 -0,890 (kN/m²) -1,434 -1,358 -0,908 -1,979 -1,377 -0,851 (KN/m) -1,865 -1,765 -1,181 -2,573 -1,790 -1,106 6.3. MODELAÇÃO DE ESTRUTURA NO ROBOT 6.3.1. GEOMETRIA DA ESTRUTURA A modelação desta estrutura teve por base as peças desenhadas definidas pelo projeto de arquitetura e pelo projeto de estruturas. O esquema estrutural da cobertura manteve-se de acordo com o que se encontra definido no projeto de estruturas, uma vez que o objetivo principal é redimensionar os elementos estruturais tendo em conta a utilização de vigas de madeira em lamelado colado. Fig. 6. 4 - Perspetiva do modelo da estrutura criado no software Autodesk® RobotTM Nova Biblioteca Municipal de Caminha - Estudo de Caso 105 A cobertura é constituída por três águas com inclinação de 27,7°. Em relação aos elementos estruturais, a cobertura é composta por cinco asnas espaçadas de 3,113 metros, sendo que o vão das asnas é de 9,89 metros. As asnas são constituídas por uma linha, um pendural e duas pernas. A secção de implementação da cobertura tem um comprimento de 17,4 metros e a largura de 9,89 metros. As madres da cobertura encontram-se apoiadas sobre as pernas das asnas, com espaçamento entre elas de 1,25 metros. Apesar da modulação da estrutura representada na Fig. 6. 4 não evidenciar tal fato, isto não é relevante para efeitos de cálculo dos esforços nas asnas. As secções das madres da cobertura foram calculadas antes da introdução dos dados no Robot, ver subcapítulo 6.4.3. Em relação aos elementos estruturais das asnas, consideram-se como ponto de partida as secções definidas no projeto de estruturas realizado pelo gabinete de engenharia “afaconsult”. Porém, estas secções foram otimizadas através da realização de várias tentativas, tendo em conta os esforços resultantes do programa de cálculo, e de acordo com as propriedades resistentes dos materiais, como se pode observar no subcapítulo 6.4. 6.3.2. CONDIÇÕES DE APOIO Em relação ao tipo de apoios da estrutura, foram considerados quatro tipos de apoios, como se pode observar na Fig. 6. 5. Um deles é o apoio triplo nos cantos da estrutura da cobertura (reação vertical e reação nos eixos XX e YY). Os nós da asna que se encontra encostada ao edifício existente foram considerados apoios simples (reação no eixo XX). Em relação às restantes asnas, foram considerados dois tipos de apoios, nas paredes das fachadas que se pretendem conservar apoios simples (reação vertical), e na outra parede apoios duplos (reação vertical e reação no eixo YY). Fig. 6. 5 – Apoios da estrutura considerados no software Autodesk® RobotTM 6.3.3. INTRODUÇÃO DE CARGAS As cargas introduzidas no software Autodesk® RobotTM foram previamente determinadas no subcapítulo 6.2, sendo que todas estas cargas se distribuem uniformente ao longo das madres da cobertura, tal como foi referido no mesmo. Nova Biblioteca Municipal de Caminha - Estudo de Caso 106 É importante referir que as cargas foram colocadas de acordo com o definido na Fig. 6.9, ou seja as cargas permanentes e sobrecargas foram colocadas ao longo do eixo vertical (direção ZZ), e as cargas devido à ação do vento, foram colocadas com uma inclinação de 31,71º em relação ao eixo vertical, ou seja perpendicularmente à largura da secção das madres, tal como se pode evidenciar nas Fig. 6.6 e 6.7. Fig. 6. 6 - Cargas permanentes e sobrecarga. Fig. 6. 7 - Cargas devido à ação do vento θ=0º. 6.3.4. CONCEÇÃO DE OUTROS MODELOS ESTRUTURAIS Apesar de todos as verificações de segurança realizadas para os elementos da estrutura terem por base o esquema estrutural definido pelo projeto de arquitetura e de estruturas, a adoção de outros sistemas estruturais poderia ser interessante na diminuição dos esforços atuantes na cobertura, e também, no comportamento geral da estrutura do edifício. Um dos modelos estruturais possíveis refere-se à deslocação da linha da asna para o plano da base de cobertura, tal como se apresenta na Fig. 6. 8. Este esquema estrutural foi inserido no programa de cálculo nas mesmas condições do modelo em que se baseia o dimensionamento, ou seja, foram introduzidas as mesmas cargas e apoios da estrutura, e também as mesmas secções dos elementos estruturais. Após análise dos esforços e deformações obtidas, constatou-se que estes diminuíam consideravelmente em relação ao modelo usado para o dimensionamento. Uma das razoes que impede a adoção deste esquema estrutural, deve-se ao fato de o projeto de arquitetura definir uma geometria dos tetos falsos que não possibilita a transferência da linha para o plano da base da cobertura. Porém poder-se-ia contornar este problema, para não alterar significativamente a estereotomia da arquitetura, com adoção de uns tirantes em cabos de aço, de modo a evitar a colocação de uma peça robusta de madeira ao longo dos tetos, sendo este o principal motivo que condiciona as soluções definidas na arquitetura. Nova Biblioteca Municipal de Caminha - Estudo de Caso 107 Fig. 6. 8 – Conceção de modelo estrutural alternativo da cobertura criado no software Autodesk® RobotTM. 6.4. DIMENSIONAMENTO DOS ELEMENTOS ESTRUTURAIS 6.4.1. COMBINAÇÃO DE AÇÕES O critério de combinações de ações para os estados limites últimos (ELU) e para os estados limites de utilização (SLS) teve por base a NP EN 1990:2009. Para os estados limites últimos tem de ser verificada a segurança dos elementos da estrutura para dois tipos de combinações. Uma combinação com a sobrecarga como ação variável de base, expressão 6.9, e a outra com o vento como ação variável de base, expressão 6.10. (6.9) (6.10) em que: Valor característico das ações permanentes; Valor característico da sobrecarga; Valor característico da ação do vento. Em relação aos estados limites de utilização devem-se ter em conta dois tipos de combinações, a combinação de ações característica e a combinação de ações quase permanente, determinadas pelas expressões 6.11 e 6.12, respetivamente. (6.11) Nova Biblioteca Municipal de Caminha - Estudo de Caso 108 (6.12) 6.4.2. PROPRIEDADES E VALORES DE CALCULO DAS RESISTÊNCIAS Os elementos estruturais da cobertura em estudo são em madeira lamelada colada da classe de resistência GL24h. Os valores característicos das respetivas resistências encontram-se no Quadro 6. 10. Quadro 6. 10 – Valores Característicos das Propriedades da Madeira Lamela Colada Classe da Madeira Flexão (MPa) Tração (MPa) Compressão (MPa) Corte (MPa) Módulo de elasticidade (GPa) f,m,g,k ft,0,g,k ft,90,g,k fc,0,g,k fc,90,g,k fv,g,k E 0,g,médio E 0,05;g;k GL24h 24 16,5 0,4 24 2,7 2,7 11,6 9,4 O valor de cálculo da capacidade resistente, Rd, deve ser determinado pela seguinte expressão: (6.13) em que: Coeficiente de modificação que tem em consideração o efeito da duração das ações e do teor de água; Valor característico da capacidade resistente; Coeficiente parcial de segurança do material. Os valores de Kmod têm em conta a classe de serviço em que a estrutura se enquadra e a classe de duração de ações. Para a determinação destes valores, recorreu-se à Norma Portuguesa EN 1995-11:2004. Sendo assim consideraram-se dois valores distintos, um para a combinação dos ELU 1 e outro para os ELU 2. Em ambos os valores foi considerada uma classe de serviço 2, sendo que para o primeiro adotou-se uma classe de ação de duração média e para o último uma ação de curta duração, ou seja, 0,8 para os ELU 1 e 0,9 para os ELU 2. No caso em que os elementos estruturais estejam sujeitos a esforços de flexão e de tração, devem ser considerados os coeficientes e no cálculo das resistências de flexão (f,m,g,k) e de tração (ft,0,g,k), determinados pela expressão 6.14. (6.14) Para os elementos de madeira de lamelada colada, o coeficiente é determinado na expressão 6.15. Os valores de encontram-se no Quadro 6.11. Nova Biblioteca Municipal de Caminha - Estudo de Caso 109 . (6.15) em que: Valor da altura ou da largura da secção em milímetros, consoante o elemento esteja sujeito à flexão ou tração, respetivamente; Quadro 6. 11 - Valor de Kh para os elementos estruturais. Elemento Tração ft,0,g,d Flexão f,m,g,d h h Perna 0,2 1,1 0,36 1,052 Linha 0,2 1,1 Pendural 0,2 1,1 O valor de está relacionado com a transmissão de esforços devido à continuidade estrutural, sendo que a capacidade resistente dos elementos pode ser incrementada. Contudo, por razões de segurança, foi adotado o valor de 1. No Quadro 6.12 apresentam-se os valores de cálculo das resistências para os diferentes elementos estruturais, e para os estados limites últimos 1 e 2. Quadro 6. 12 - Valores de Cálculo dos elementos da cobertura. Elemento Valores de Calculo ELU1 (MPa) Valores de Calculo ELU2 (MPa) f,m,g,d ft,0,g,d fc,0,g,d fv,g,d f,m,g,d ft,0,g,d fc,0,g,d fv,g,d Perna 16,17 15,36 1,73 18,19 17,28 1,94 Linha 16,90 11,62 1,73 19,01 13,07 1,94 Pendural 11,62 13,07 6.4.3. DIMENSIONAMENTO DAS MADRES Para dimensionamento das madres da cobertura, têm de se decompor as cargas que atuam nelas, segundo a direção yy e direção zz, de acordo com a Fig. 6. 9, uma vez que estão sujeitas a flexão desviada, devido às cargas permanentes e sobrecarga serem aplicadas com uma inclinação de 31,71º em relação ao eixo vertical da peça, direção zz. Nova Biblioteca Municipal de Caminha - Estudo de Caso 110 Fig. 6. 9 – Decomposição de forças que atuam nas madres. Para quantificação das cargas que atuam na direção YY e ZZ, procede-se à aplicação das expressões matemáticas 6.16 e 6.17. Os valores das cargas que atuam nas madres da cobertura, Py e Pz, apresentam-se no Quadro 6.13. (6.16) (6.17) Quadro 6. 13Cargas atuantes nas madres da cobertura. Cargas P (kN/m²) L. influência (m) P madres (kN/m) Py (kN/m) Pz (kN/m) Permanentes 0,60 1,37 0,82 0,24 0,78 Sobrecarga 0,4 1,37 0,55 0,16 0,52 Vento -1,94 1,37 -2,66 -2,66 O dimensionamento das madres foi realizado através de um processo iterativo, ou seja, foram admitidos vários tipos de seções para estes elementos. Porém, os resultados que aqui se apresentam dizem respeito à secção das madres mais económica, para a qual se verifica segurança. A secção final adotada para as madres foi de 10*20cm, respetivamente base*altura. Para verificação de segurança destes elementos utilizaram-se dois tipos de combinações, ELU 1 e ELU 2, conforme enunciado no subcapítulo 6.4.1. De acordo com a secção da peça e com as cargas que atuam nela na direção YY e ZZ, determinaram-se as tensões atuantes, devidas a esforços de flexão (σm,d) e corte (σv,d), conforme se mostra no Quadro 6.14. Nova Biblioteca Municipal de Caminha - Estudo de Caso 111 Quadro 6. 14 - Tensões atuantes nas madres. (kN/m) Msd (kN/m) σm,d (MPa) Vsd (kN) σv,d (MPa) σv,d (Soma Vetorial) ELU 1 YY 0,674 3,368 0,866 0,11 0,37 ZZ 2,224 9,266 2,860 0,36 ELU 2 YY 0,286 1,429 0,367 0,05 0,62 ZZ 3,872 16,134 4,980 0,62 Uma vez que estes elementos estão sujeitos a esforços de flexão desviada e esforços de corte, a verificação de segurança é realizada a partir do cumprimento das condições matemáticas seguintes: < 1 (6.18) < 1 (6.19) < fv,g,d (6.20) em que: Valor de cálculo da tensão atuante de flexão devido ao momento fletor, My; Valor de cálculo da tensão atuante de flexão devido ao momento fletor, Mz; Valor de cálculo da resistência a flexão; Coeficiente que pondera a redistribuição de esforços e o efeito de heterogeneidades do material ao longo da seção do elemento; Valor de cálculo da tensão atuante devido ao corte; fv,g,d Valor de cálculo da resistência ao corte. Para madeira lamelada colada e para secções retangulares o coeficiente deve ser igual a 0,7. Uma vez que as madres estão sujeitas a momentos fletores My e Mz, a verificação de segurança deve ser feita tendo em conta o risco de bambeamento, ou seja, o valor de cálculo da resistência à flexão deve ser afetado de um coeficiente, , para redução do valor da resistência da peça devido ao bambeamento. Segundo a NP EN 1995-1-1:2004, deve ser realizado o seguinte procedimento de cálculo para determinação do coeficiente , de acordo com as expressões 6.21, 6.22 e 6.23. h (6.21) r (6.22) Nova Biblioteca Municipal de Caminha - Estudo de Caso 112 (6.23) em que: Tensão crítica de flexão, usando as propriedades de rigidez correspondentes ao quantil 5% Largura da secção do elemento; h Altura da secção do elemento; l Comprimento efetivo de bambeamento, que depende das condições de apoio e do tipo de carregamento; Valor característico inferior do módulo de elasticidade correspondente ao quantil 5% l Comprimento do vão; r Rácio entre l e l; Coeficiente de esbelteza relativo; Valor característico da resistência à flexão. Seguindo a metodologia de cálculo referida anteriormente, obtiveram-se os resultados que se apresentam no Quadro 6. 15. É importante referir que o valor do rácio r , foi determinado a partir da norma referida acima, considerando uma viga simplesmente apoiada com momento constante. O valor do coeficiente é igual a 1, uma vez que é menor que 0,75, isto de acordo com a secção 6.3.3 da norma. Nos Quadros 6.15 e 6.16 mostram-se os valores finais da verificação de segurança devido à flexão desviada e ao esforço transverso, respetivamente. Quadro 6. 15 - Resultados do cálculo devido ao risco de bambeamento. rb l (m) lef (m) E 0,05 (GPa) (MPa) (MPa) 0,9 3,11 2,79 9,4 218,29 24 0,33 1 Quadro 6. 16 - Verificação segurança a flexão desviada. Combinações Km (MPa) Condições Verificação Segurança ELU 1 0,7 16,90 0,58 <1 OK 0,69 OK ELU 2 0,7 19,01 0,90 OK 0,67 OK Nova Biblioteca Municipal de Caminha - Estudo de Caso 113 Quadro 6. 17 - Verificação segurança ao esforço transverso. Combinações σv,d (MPa) fv,g,d (MPa) Verificação Segurança ELU 1 0,37 1,73 σv,d < fv,g,d OK ELU 2 0,62 1,94 OK 6.4.4. VERIFICAÇÕES DE SEGURANÇA DAS ASNAS 6.4.4.1. Esforços Resultantes No Quadro 6.18 apresentam-se os esforços finais para os estados limites 1 e 2 e, no Quadro 6.19, as dimensões das seções dos elementos da asna de que se pretende verificar a segurança. A asna da cobertura que apresenta maiores esforços de cálculo encontra-se representada na Fig. 6. 10, sendo que todas as verificações de segurança foram feitas em relação à mesma, devido a esta possuir os esforços mais condicionantes. Fig. 6. 10 – Localização da asna da cobertura sujeita a maiores esforços. Quadro 6. 18 - Esforços atuantes nos elementos da asna condicionante. Elemento ELU 1 ELU 2 N ed (KN) V ed (KN) M ed, y (Kn/m) N ed (KN) V ed (KN) M ed, y (Kn/m) Perna 78,88 28,58 54,99 40,91 18,74 38,01 Linha 77,78 6,36 9,76 49,36 4,7 7,19 Pendural 12,93 6,94 Quadro 6. 19 - Características geométricas das secções dos elementos das asnas. Elemento b (m) h (m) A (m²) Iy ( ) Iz ( ) Perna 0,2 0,36 0,072 7,78E-04 2,40E-04 Linha 0,2 0,2 0,04 1,33E-04 1,33E-04 Pendural 0,2 0,2 0,04 1,33E-04 1,33E-04 Nova Biblioteca Municipal de Caminha - Estudo de Caso 120 Nova Biblioteca Municipal de Caminha - Estudo de Caso 121 7 CONCLUSÃO 7.1. AVALIAÇÃO DA REALIZAÇÃO DOS OBJETIVOS Nesta dissertação foi realizada a caracterização da Vila de Caminha, de modo a enquadrar a obra no seu local de implementação. Este enquadramento teve por base caracterizar os aspetos sociais e económicos, e as dinâmicas e tipologias construtivas que atualmente se verificam no concelho. Seguidamente foi realizada a interpretação e o estudo dos diferentes projetos, sendo que o acompanhamento dos trabalhos realizados em obra permitiu validar parte desse estudo, de uma forma prática. O acompanhamento dos trabalhos realizou-se pela observação diária e pela discussão técnica realizada com os diferentes intervenientes da obra, contribuindo em muito para a elaboração da presente dissertação. Por fim, realizou-se o estudo de variantes às soluções tecnológicas definidas em projeto, de modo a que possam ser futuramente validadas, e posteriormente eventualmente implementadas em obra. Apresenta-se também, a título informativo e em Anexo, a pesquisa de soluções de mercado para os tetos falsos acústicos, de modo a permitir a validação das soluções definidas em fase de projeto. Ao longo deste trabalho foram sentidas diversas dificuldades na fase inicial do estudo dos projetos, uma vez que o autor da dissertação nunca tinha estado em contato permanente com projetos reais. Porém estas foram superadas à medida que o tempo foi decorrendo, sendo importante referir que os intervenientes da obra tiveram um papel preponderante na resolução deste problema. Apesar disto, as maiores dificuldades na elaboração do trabalho foram sentidas no estudo das variantes, sendo que isto contribuiu em muito para a limitação do desenvolvimento das mesmas. Isto é justificado pela inexperiência do autor e pelas próprias características dessa pesquisa que podemos considerar difícil, atendendo a que se pretendia analisar/validar um projeto feito por projetistas experientes e muito bem cotados no mercado. Outro motivo para as limitações sentidas no estudo das variantes, diz respeito, à falta de informação para o desenvolvimento mais aprofundado das mesmas. Mais concretamente no que se refere ao estudo da viabilidade económica das variantes, uma vez que o autor da dissertação não teve acesso a esse tipo de informação por parte dos fabricantes dos materiais, não se figurando assim possível obter uma adequada valorização económica das variantes propostas. Pode-se assim concluir que os objetivos propostos na fase inicial da dissertação foram inteiramente cumpridos, embora com algumas limitações decorrentes das próprias especificidades do trabalho, isto é do acompanhamento de uma obra real de reabilitação por parte do dono-da-obra e com prazo de Nova Biblioteca Municipal de Caminha - Estudo de Caso 122 execução superior a um ano o que por si só iliçaria desde logo que apenas uma pequena parte da obra poderia ser acompanhada. É importante finalmente referir que um dos objetivos principais, estabelecidos no início desta dissertação se associou à aquisição de experiência pelo autor da mesma, num contexto mais prático. Pode-se agora afirmar que este objetivo foi plenamente cumprido, uma vez que o autor adquiriu experiência prática que certamente contribuirá em muito, para a sua inserção no mercado de trabalho. 7.2. ACOMPANHAMENTO DA OBRA NO FUTURO - ALGUMAS SUGESTÕES Ao longo deste trabalho foram abordados assuntos relacionados com a validação e aprovação final das soluções definidas em projeto. Ou seja, foram estudadas variantes às soluções já definidas em projeto, com o objetivo de descobrir sugestões de melhoria da razão qualidade/preço das mesmas, e também foi realizada a pesquisa das soluções existentes no mercado, tendo em conta todas as especificações técnicas exigidas no caderno de encargos. A realização deste estudo é uma tarefa essencial, uma vez que a obra encontra-se na fase de conclusão de estruturas, e torna-se obrigatório que se antecipe a validação das decisões tomadas durante a realização do projeto, de modo a que seja possível reduzir o risco associado a atrasos na fase de execução dos acabamentos do edifício decorrentes de eventuais alterações ao especificado em projeto. Apesar de o estudo realizado nesta dissertação só ter em conta as soluções adotadas para a cobertura inclinada e para os pavimentos interiores, este deve ser alargado e aprofundado para todas as soluções adotadas no projeto de arquitetura. Posto isto, apresentam-se algumas ideias nas quais se deve basear esse estudo:  Verificação da adequação dos materiais e processos construtivos adotados no projeto de arquitetura com os objetivos da obra, no que diz respeito, ao preço, prazo, qualidade e segurança;  Verificação da compatibilidade dos diversos projetos de especialidades, especialmente naqueles em que exista interdependência, de modo a que não se verifiquem problemas durante a execução em obra;  Análise das condições técnicas especiais definidas no caderno de encargos, no que diz respeito à qualidade e critérios de aceitação de cada material e ao modo de execução dos trabalhos a realizar;  Verificação das medições de modo a que se consigam evitar erros graves, ou desvios não toleráveis, que possam traduzir desvios orçamentais ou atrasos na execução dos trabalhos;  Avaliação do orçamento apresentado a concurso, verificando se os preços unitários das tarefas se encontram de acordo com o estado atual do mercado. Como foi referido anteriormente, este estudo deve ser realizado o mais depressa possível por parte dos intervenientes da obra, ou seja, o Dono de Obra e o Empreiteiro em total sintonia com o Arquiteto, de modo a que se proceda rapidamente à validação das soluções adotadas antes do início da fase de acabamentos, evitando que se verifiquem atrasos inesperados que geralmente vêm associados ao acréscimo dos custos globais da obra. Posteriormente a esta fase, o Dono de Obra, neste caso a fiscalização, deve analisar a qualidade dos materiais, equipamentos e processos utilizados pelo empreiteiro em obra, de modo a que as opções definidas em projeto sejam corretamente executadas, garantindo assim a qualidade trabalhos e o cumprimento do que estava previamente definido. Nova Biblioteca Municipal de Caminha - Estudo de Caso 123 7.3. ELABORAÇÃO DE DISSERTAÇÃO EM CONTEXTO DE OBRA – REFLEXÃO FINAL Esta dissertação foi elaborada a partir de uma obra real, tendo por base a perspetiva do Dono de Obra, sendo que este assume também neste caso os trabalhos de Coordenação e Fiscalização. Porém, a elaboração deste trabalho não foi orientada para a temática da Fiscalização, mas sim, para os principais objetivos do Dono de Obra, sendo estes a realização da obra com as soluções tecnológicas que apresentem maior qualidade possível, mantendo o custo total da obra previsto no contrato celebrado com o construtor. A elaboração de dissertações nesta perspetiva apresenta um elevado grau de complexidade, uma vez que não é um fácil para um “candidato a mestre” que não tem experiencia profissional, o estudo de soluções tecnológicas que cumpram com as exigências definidas pelo Dono de Obra, tendo em conta a base económica que é definida pelo mesmo. Por isso, pode-se afirmar que a realização de dissertações tendo por base a perspetiva do empreiteiro ou da fiscalização, torna-se mais simples, uma vez que possibilita a concretização do trabalho em temas mais específicos de Gestão ou de Engenharia Civil, facilitando deste modo a estruturação e a execução deste tipo de trabalhos. Pelo fato referido anteriormente, o autor da dissertação teve a necessidade de estruturar este trabalho em duas vertentes, uma referente à perspetiva do Dono de obra, com apresentação de variantes com vista a cumprir os objetivos do Dono de Obra, e outra que está mais próximo da visão da obra pelo lado do empreiteiro, na qual se faz a referência ao modo de execução e aos recursos utilizados para a realização dos trabalhos. A estruturação desta dissertação nesta última perspetiva é também justificada, pela fase em que a obra se encontrava na altura em que o autor chegou à obra. Ou seja, como a obra se encontrava na fase inicial de estruturas, era de todo importante fazer referência às soluções tecnológicas adotadas nesta fase, uma vez que se referem a soluções com condições técnicas específicas, como por exemplo as obras geotécnicas, sendo estas justificadas pelas exigências do edifício e pelas condições do local de implementação. Por fim, pode-se concluir que a realização deste tipo de dissertações é influenciada por diferentes fatores, que muitas das vezes não estão ao alcance do autor da mesma. Apesar disto, a realização deste tipo de trabalhos é muito importante para o desenvolvimento profissional dos finalistas do MIEC, uma vez que possibilita o permanente contato com uma obra real, não sendo isto possível ao longo do período de formação. Nova Biblioteca Municipal de Caminha - Estudo de Caso 124 Nova Biblioteca Municipal de Caminha - Estudo de Caso 125 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS [1] http://www.cm-caminha.pt/ver.php?cod=0B , 12 de Maio 2015 [2] Rodrigues, H., Evolução e Transformação da Estrutura Urbana da Vila de Caminha e sua Morfologia, Março 2011, http://comum.rcaap.pt/handle/123456789/8023, 14 de Maio 2015 [3] http://www.cm-caminha.pt/ver.php?cod=0B0A, 12 de Maio 2015 [4] http://www.cm-caminha.pt/pdf/actas_camara/Diagnostico_Social_de_Caminha_2013.pdf, 15 de Maio 2015 [5] Alves, Lourenço, Caminha e o seu Concelho – Monografia, Câmara Municipal de Caminha, Caminha, 1985 [6] Bento, Paulo Torres, Ruas de Caminha. Toponímia e História da vila da foz do Minho, Junta de Freguesia de Caminha – Matriz e Agrupamento de Escolas Coura e Minho, 2009 [7] http://www.prodistone.com/ServicoDetalhes.aspx?id=1&l=es, 17 de Maio de 2015 [8] Cruz, Maria Alfreda, Caminha. 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[16] http://www.cm-caminha.pt/pdf/actas_camara/Acta_2014_01_08.pdf, 2 de Maio de 2015 [17] http://www.cm-caminha.pt/noticia.php?id=1928, 29 Abril 2015. [18] Costa, N.B., Biblioteca Municipal Caminha – Ampliação e Recuperação do Edifício Existente, Peças desenhadas do Projeto de Arquitetura, Setembro de 2014. [19] Aguiar, A.J.P.C, Relatório do Estudo Geotécnico – Edifício para a Nova Biblioteca, Outubro de 2005. [20] Costa, N.B., Biblioteca Municipal Caminha – Ampliação e Recuperação do Edifício Existente, Peças Escritas do Projeto de Arquitetura – Caderno de Encargos, Novembro de 2013. [21] Costa, N.B., afaconsult, Biblioteca Municipal Caminha – Peça escrita do Projeto de Execução – Memória Descritiva, Especialidade: Estruturas, Sub Especialidade: Betão Armado, Novembro de 2013 [22] Costa, N.B., afaconsult, Biblioteca Municipal Caminha – Peças desenhadas do Projeto de Execução, Especialidade: Estruturas, Sub Especialidade: Betão Armado, Novembro de 2013 Nova Biblioteca Municipal de Caminha - Estudo de Caso 126 [22] Costa, N.B., afaconsult, Biblioteca Municipal Caminha – Peças desenhadas do Projeto de Execução, Especialidade: Estruturas, Sub Especialidade: Betão Armado, Novembro de 2013 [24] Costa, N.B., afaconsult, Biblioteca Municipal Caminha – Peça escrita do Projeto de Execução – Condições Técnicas, Especialidade: Instalações Hidráulicas, Novembro de 2013 [25] Construções, AMC, Biblioteca Municipal de Caminha – Plano de Escoramento de Fachadas, Setembro de 2014 [26] Costa, N.B., afaconsult, Biblioteca Municipal Caminha – Peça escrita do Projeto de Execução – Condições Técnicas, Especialidade: Estruturas, Sub Especialidade: Betão Armado, Novembro de 2013 [27] Ficha Técnica Lamelados Colados - Woodlam, http://www.imowood.pt/madeiralamelada/descricao/, 20 de Abril de 2015. [28] Catalogo Rothofixing – Rothoblaas, 2011/12, http://www.rothoblaas. com/pt/pt/catalogos/ sistemas-de-fixacao.html, 10 de Junho de 2015. [29] Catalogo UM Canudo, http://www.umbelino.pt/client/skins/portuguese/downloads.asp?page=39, 12 Junho de 2015. [30] Catalogo Onduline, http://pt.onduline.com/subtelha-st200-para-telha-de-canudo-inf185cm, 12 Junho de 2015. [31] Catalogo Jular Madeiras, http://www.jular.pt/pdf//OSB-placas-paineis.pdf, 12 Junho de 2015. [32] Catalogo Gressart, http://www.gresart.pt/index.php?id=24, 20 de Abril 2015. [33] http://pavimentos-flutuantes.com/pavimentos/pavimentos-interiores/flutuantes-folha-de-madeira /par-ky/pavimentos-parky-lounge.html, 24 de Abril 2015. Nova Biblioteca Municipal de Caminha - Estudo de Caso ANEXO – SOLUÇÕES DE MERCADO PARA TETOS FALSOS ACUSTICOS PLACAS PERFURADAS KNAUF CLEANEO Fig. A. 1 – Perspetiva da estrutura metálica suspensa CD60/27 Fig. A. 2 - Pormenor de ligação - teto e parede. Fig. A. 3 - Pormenor de sanca de iluminação. Nova Biblioteca Municipal de Caminha - Estudo de Caso Fig. A. 4 – Esquemas de perfuração uniforme das placas. Fig. A. 5 - Esquemas de perfuração circular e quadrada em blocos.