Cirurgia pré-protética: osteoplastia maxilar - Caso clínico
Full text
rev port estomatol med dent cir maxilofac. 2015;56(S1):1–36 29 terapêutica, decidiu-se paliar o doente. Posto isto, de notar que um exame objetivo intraoral rigoroso pode revelar achados subjacentes a condic¸ões neoplásicas à distância e, como tal, permitir o seu diagnóstico e tratamento em fases mais precoces. http://dx.doi.org/10.1016/j.rpemd.2015.10.065 # 8. Tratamento ortodôntico-cirúrgico de um paciente com apneia obstrutiva do sono: caso clínico Alexandra Vinagre∗, Sandra Ferreira, Júlio Fonseca, Ana Margarida Martins Torres Simões, João Carreiro Introduc¸ão: A Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono (SAOS) é uma doenc¸a crónica de elevada prevalência, caracterizada pelo colapso e consequente obstruc¸ão da via aérea superior (VAS) durante o sono, conduzindo a períodos de apneia ou hipopneia. A fragmentac¸ão do sono resultante de obstruc¸ões repetidas e intermitentes da VAS ocasiona microdespertares noturnos recorrentes, que podem causar alterac¸ões sistémicas, funcionais, neurocognitivas e psicossociais, com implicac¸ões graves na qualidade de vida de um indivíduo. Descric¸ão do caso clínico: Paciente (C. J. P. A.) do sexo masculino, 42 anos, com diagnóstico de SAOS (Epworth 15; Polisonografia [PSG]: IAH 24; SpO2 80%). Fez terapêutica com CPAP com uma durac¸ão de 2 anos, relatando desconforto e intolerância, pelo que foi proposto tratamento ortodôntico-cirúrgico (TOC). O paciente enquadra-se num padrão de classe Iesquelética, com biretrusão maxilomandibular e contorno cervicomandibular mal definido. Na telerradiografia de perfil da face observa-se um estreitamento da VAS, em especial na área da oro e laringofaringe e uma biretrusão incisiva. Após a preparac¸ão ortodôntica, que visou aumentar a inclinac¸ão dos incisivos superiores e retroinclinar ligeiramente os incisivos inferiores, por forma a aumentar o trespasse horizontal, foi planeada a etapa cirúrgica com avanc¸o maxilomandibular total de 12mm, com desimpactac¸ão posterior do maxilar superior de 2 mm. Os resultados pós-cirúrgicos relatados pelo paciente indicaram uma melhoria da qualidade dos índices subjetivos relativos ao período de descanso noturno, deixando de usar o CPAP nesta fase. Após a conclusão do TOC, verificou-se um bom equilíbrio facial, oclusal e funcional, denotando-se um aumento volumétrico da via aérea na radiografia de perfil da face. O restabelecimento funcional da VAS e func¸ão respiratória foi confirmado pela PSG (IAH 12; SpO2 93%). A consciencializac¸ão e aconselhamento sobre medidas comportamentais e higiene do sono foram perentoriamente recomendadas ao paciente. Discussão e conclusões: A dimensão da hipofaringe está relacionada com o posicionamento e morfologia maxilomandibular, sendo suscetível às alterac¸ões espaciais promovidas pela cirurgia ortognática. O tratamento da SAOS por intermédio de um TOC tem evidenciado elevados níveis de sucesso clínico, com uma eficácia terapêutica idêntica ao CPAP. O retorno da qualidade do sono dos pacientes coloca esta abordagem na primeira linha de tratamento para casos de SAOS moderada ou grave. http://dx.doi.org/10.1016/j.rpemd.2015.10.066 # 9. Cirurgia pré-protética: osteoplastia maxilar – Caso clínico Ana Borges∗, Catarina Sequeira, João Braga, António Felino Faculdade de Medicina Dentária, Universidade do Porto Introduc¸ão: A reabilitac¸ão oral com prótese removível é uma opc¸ão terapêutica em pacientes parcialmente edêntulos. Perante variac¸ões anatómicas, que podem comprometer o sucesso do tratamento protético, podem estar indicadas correc¸ões cirúrgicas pré-protéticas. Descric¸ão do caso clínico: Paciente de 64 anos, género masculino, consultado no servic¸o de cirurgia oral da FMDUP. Ao exame clínico e radiográfico, verificou-se a presenc¸a de exostoses ósseas na cortical vestibular, ausência de espac¸o interoclusal para realizac¸ão de tratamento reabilitador protético e inclusão dentária do 28. A espessura da mucosa alveolar encontrava-se dentro dos parâmetros considerados normais. Perante o quadro clínico descrito, foi proposta exodontia do 28 incluso e osteoplastia maxilar, para posterior reabilitac¸ão com prótese removível esquelética. Montaram-se os modelos de estudo em articulador, mantendo-se a dimensão vertical de oclusão, definindo-se o local da plastia. Foi realizada uma incisão linear sobre a crista alveolar e descolado um retalho de espessura total no 1.◦e2. ◦quadrantes. Procedeu-se à osteotomia, com brocas de Lindemann e esférica laminada, montadas, respetivamente, em contra ângulo e pec¸a de mão reta. A exodontia do 28 ocorreu sem complicac¸ões. Removeu-seo excessodetecido molecomlâmina debisturi n.◦15. A ferida operatória foi suturada com fio sintético (poliamida 4/0, revestida – sutura contínua ligada). O procedimento cirúrgico foi realizado em bloco operatório sob anestesia geral. Discussão e conclusões: A elaborac¸ão de um plano de tratamento, num paciente parcialmente edêntulo, implica um planeamento de todas as fases do tratamento. A cirurgia pré- -protética está indicada, sempre que o resultado esperado permita uma melhoria na estabilidade, retenc¸ão e suporte da prótese, proporcionando um tratamento reabilitador protético com resultados mais satisfatórios e previsíveis. http://dx.doi.org/10.1016/j.rpemd.2015.10.067