Avaliar, sim, mas devagar
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Avaliar, sim, mas devagar por PAULO FERREIRA DA CUNHA, Constitucionalista e Catedrático de Direito 12 Março 2010 Comentar Quem guarda os guardas? Podem colegas julgar colegas, com imparcialidade? Podem directores julgar omniscientemente todos os que o não são, só por o serem? Podem estudantes, parte interessada, julgar com competência e justiça (em inquéritos nem sempre objectivos, a que podem responder tanto assíduos como faltosos, os de zero como os de 20)? E podem os professores, se assim avaliados, deixar de passar a lisonjear os poderes e a tentar seduzir os alunos? Tornar decisiva a avaliação dos docentes pelos estudantes seria o fim da avaliação dos estudantes pelos professores. E avaliação entre colegas seria a forma de matar a liberdade de espírito, envenenar as relações e acabar tudo em tribunal. Deveria avaliar-se por cadeiras. Um processualista pode julgar bem um especialista em direito marítimo? Um professor de marketing, um contabilista? Um helenista, um germanista? Um fitólogo, um entomologista? Um cardiologista, um psiquiatra? Avaliaremos um músico por patentes, um economista por exposições, um escultor por concertos? Ou todos pelos serviços à comunidade, havendo áreas em que esta prefere serviços públicos ou privados não universitários? Nem todos podem gerir, ter patentes, prestar serviços à comunidade, e não está provado que todos devam ser obrigados a fazer programas televisivos, ou a elaborar manuais, ou sequer que devam ter popularidade junto dos estudantes. Valerão assim tanto artigos em revistas indexadas? Elas publicam, naturalmente, os que navegam nas suas águas. E não publicam em regra assuntos de países pequenos, como o nosso. Como prevalecem revistas anglo- -saxónicas, todas as temáticas fora das preocupações sobretudo norteamericanas têm muito poucas hipóteses de ser publicadas. Aceitar este estado de coisas e fazer dele regra de avaliação é cedência a imperialismo cultural e epistémico. E o fim de investigação em assuntos nacionais, e até europeus... Finalmente, dêem tempo às avaliações. Avaliar anualmente? Já agora, porque não "avaliação contínua"? E não faríamos mais nada senão avaliar... pergunta-se "o quê". Pa g e 1 of 1Avaliar, sim, mas deva g ar - Opinião - DN 19-03-2010http://dn.sapo.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content _ id=1517061&seccao=Convidados