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Design e desenvolvimento de uma tenda de campismo

Isabel Maria Garcia Gaspar

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Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto Design e desenvolvimento de uma tenda de campismo Isabel Maria Garcia Gaspar Dissertação realizada no âmbito do Mestrado em Design Industrial Orientador: Prof. José Luís Esteves Coorientador: Prof. Dr. Ernesto Vilar Setembro de 2013 Agradecimentos Ao meu orientador, Professor José Luís Esteves, pela disponibilidade e pela troca de ideias que tornaram este projeto interessante. Ao meu coorientador, Professor Doutor Ernesto Vilar, pelos conhecimentos transmitidos e pelas críticas construtivas que contribuíram para melhorar a qualidade deste trabalho. À Berg, por terem proposto o tema para este trabalho e por se mostrarem recetivos a novos projetos. Aos meus pais e à minha irmã, pela confiança depositada e pelo apoio dado ao longo deste percurso. Aos meus amigos pelo apoio e companhia nas longas noites de trabalho. i Resumo A atividade de campismo proporciona uma forma prática e pouco dispendiosa de fugir à rotina diária e passar momentos agradáveis ao ar livre. É especialmente popular junto da população mais jovem, que procura uma forma de pernoitar durante passeios na natureza ou festivais de verão. No entanto, muitas das pessoas não abdicam do conforto e optam por hotéis, ou caravanas caso necessitem de passar a noite no meio da natureza, uma vez que a tarefa de montar uma tenda ao ar livre pode ser árdua e demorada, desmotivando os seus utilizadores. O objetivo deste projeto é melhorar a usabilidade da tenda, para que os campistas estejam mais aptos a repetir a atividade contribuindo para o seu crescimento. Este projeto tem foco na atividade de trekking, estando direcionado para um público-alvo com necessidades específicas, as quais têm que ser encontradas e satisfeitas. Existe espaço no mercado para uma nova tenda de campismo direcionada para o trekking que melhore o processo de montagem e desmontagem retirando esforço e tempo. Através da aplicação de princípios ergonómicos foi possível desenvolver um projeto com a participação do utilizador final, para que o resultado esteja totalmente adequado às suas necessidades e preferências. Este trabalho constitui a primeira fase do design e desenvolvimento de uma tenda de campismo, em que foram encontrados requisitos para o projeto do produto e foi apresentada uma proposta para um novo conceito. Palavras chave Design industrial, ergonomia, campismo, trekking, tenda. ii iii Abstract The activity of camping constitutes a practical and inexpensive way to escape the daily routine and spend pleasant moments in the open air. It is especially popular among the younger population, which seeks a means to sleep during trips in nature or summer festivals. However, a lot of people don’t want to abandon their comfort and choose to spend the night in hotels or mobile homes, if they are stranded in the wild, since the job of pitching a tent might be hard and time consuming, becoming unmotivating for its users. The goal of this project is to improve the usability of the tent, making it a more pleasurable experience so that campers are more inclined to camp more often, contributing for the growth of the activity. This project focuses on trekkers, aiming to satisfy the specific needs of this target audience. There is room in the commercial market for a new camping tent designed specifically for trekking, with improvements in terms of set up and take down, reducing the time and effort necessary. Applying ergonomic principals, this project was developed with the participation of its final user, so that the result is perfectly adapted to their needs and preferences. This work consists of the first phase of the design and development of a new camping tent. This phase resulted in a list of requirements for the project and a suggestion of a new concept of tent. Keywords Industrial design, ergonomics, camping, trekking, tent. iv v Índice Introdução ……………………………………………………………………………………………………….. 1 1 Revisão da bibliográfica………………………………………………………………………………………. 7 1.1 Contextualização histórica ……………………………………………………………………………. 9 1.2 A atividade de campismo ……………………………………………………………………………… 10 1.3 A tenda ………………………………………………………………………………………………………… 11 1.4 A ergonomia ………………………………………………………………………………………………… 19 1.4.1 Ramos da ergonomia ……………………………………………………………………….. 19 1.4.2 Métodos ergonómicos …………………………………………………………………….. 20 1.4.3 A ergonomia no desenvolvimento de produtos ………………………………. 21 1.4.4 Projeto universal e usabilidade ………………………………………………………… 21 2 Levantamento das necessidades ………………………………………………………………………… 23 2.1 Identificação do público-alvo ……………………………………………………………………….. 25 2.1.1 Identificação e caraterização do principal utilizador direto ………………. 25 2.1.2 Entrevistas livres ……………………………………………………………………………… 25 2.1.3 Questionários ………………………………………………………………………………….. 28 2.1.4 Conclusão ………………………………………………………………………………………… 30 2.2 Observação em contexto real de utilização ………………………………………………….. 30 2.2.1 Protocolo de observação …………………………………………………………………. 31 2.2.2 Resultado das observações ……………………………………………………………… 31 2.2.3 Categorização dos problemas ………………………………………………………….. 34 2.2.4 Conclusões ……………………………………………………………………………………… 35 2.3 Análise de produtos similares ………………………………………………………………………. 35 2.3.1 Matriz de avaliação ………………………………………………………………………….. 36 3 Este trabalho irá consistir no desenvolvimento de uma tenda de campismo direcionada para o campismo amador. Este tipo de produto, normalmente associado a atividades de lazer, deve ser desenvolvido com o intuito de proporcionar o máximo conforto e satisfação aos seus utilizadores. Para identificar as suas necessidades e melhor atender às mesmas, o processo de design será feito tirando partido da colaboração dos utilizadores. Uma tenda é um produto complexo que atende a inúmeras necessidades, como a de abrigo do frio, vento e chuva e necessidade de dormida em locais irregulares e desconhecidos. Este produto deve estar apto a ser carregado por uma pessoa durante longos períodos de tempo, deve ser montado sem grande dificuldade ou demora e deve oferecer segurança e conforto aos seus utilizadores. Segundo um estudo realizado pelo Outdoor Industry Association, no contexto dos Estados Unidos da America, 66% dos campistas escolhe a tenda como forma de abrigo, em vez de autocaravana ou cabana (Outdoor Industry Association, 2012a). Isto demonstra a importância da performance da tenda para a satisfação do campista durante a sua viagem. Muitas das tendas existentes atualmente no mercado possuem defeitos que se opõe à satisfação do utilizador, como a grande dificuldade ou demora na montagem ou desmontagem, elevado peso ou volume, falta de resistência face às condições climatéricas, entre outros. Muitos dos produtos que tentam solucionar um problema, acabam trazendo prejuízos a outros níveis, como é o caso das tendas de rápida montagem que pecam pela desmontagem e excessivas dimensões do produto que o tornam difícil de transportar. A utilização de uma tenda mal concebida pode levar a uma má experiência de campismo e consequente desmotivação por parte dos campistas. Nos Estado Unidos da América, a indústria das atividades recreativas ao ar livre é responsável por 6,1 milhões de empregos e, em 2012, gerou um lucro de 646 mil milhões de dólares, dos quais 120,7 foram o resultado da compra de produtos, como mochilas, calçado, bicicletas e tendas. Esta indústria cresceu 5% entre 2005 e 2011, apesar da recessão económica que prejudicou muitos setores (Outdoor Industry Association, 2012b). Na Europa, estima-se que o mercado da indústria de outdoor tenha um tamanho de 10 mil milhões de euros, sendo que 3% está associado à compra de tendas. Portugal e Espanha são responsáveis por 4% do volume de compras de equipamento outdoor na Europa (European Outdoor Group, 2012). 4 Face à importância da tenda na atividade de campismo, qualquer tipo de melhoramentos trará um benefício para a atividade. A satisfação e conforto dos utilizadores propicia o retorno à atividade, o que contribui para o aumento do setor, com o aumento da compra de bens complementares à tenda, como sacos de cama, e outros bens como calçado e vestuário adequados à atividade. Este trabalho irá consistir na utilização de uma metodologia de desenvolvimento do produto centrada no utilizador, de modo a chegar a uma lista de necessidades dos utilizadores, as quais serão atendidas no desenvolvimento de uma nova tenda para o mercado. Justificação da escolha do tema O campismo recreativo é uma forma ecológica e pouco dispendiosa de passar momentos de lazer, que permite o contato com a natureza e a evasão ao ritmo agitado dos meios urbanos. O meio de estadia ao ar livre predileto é o uso de tendas de campismo, por ser um equipamento barato, reutilizável e de fácil transporte. É de grande pertinência a abordagem a este tema de modo a tornar a experiência de utilização de uma tenda o menos incómoda e desgastante possível. Os equipamentos existentes no mercado, embora tenham sofrido uma grande evolução, não satisfazem na totalidade as necessidades dos utilizadores, e existe uma oportunidade de melhoria que deve ser aproveitada de modo a dar continuidade à evolução do estado da arte. Objetivos O objetivo deste projeto é desenvolver uma nova tenda comercial que melhore a satisfação dos utilizadores. Esta tenda deve ser de baixo custo e valor acrescentado, estando a sua estratégia de mercado centrada na diferenciação. Embora existam produtos no mercado que tentam atender ao conforto do utilizador, estes apresentam ainda alguns problemas de uso, os quais devem ser solucionados. Para chegar a um produto adequado aos seus utilizadores, é necessário fazer um levantamento e análise das suas necessidades, contando com a participação ativa dos utilizadores durante o processo de desenvolvimento do produto. Irão ser utilizadas metodologias adequadas ao estudo de campo, aplicados os princípios da ergonomia e antropologia e o projeto será estruturado segundo a metodologia de desenvolvimentos do produto centrado no utilizador, de modo a chegar a hipóteses de melhoramento. 5 Metodologia A metodologia de trabalho adotada será a metodologia centrada no utilizador. O design centrado no utilizador é uma abordagem com foco nas pessoas que irão utilizar o produto (Usability Professionals’ Association, 2012). Os utilizadores estão envolvidos no processo de planeamento, design e desenvolvimento dos produtos. Em vez de exigir que os utilizadores adaptem as suas atitudes e comportamentos de modo a aprender como funciona um produto, este pode ser desenvolvido de encontro às atitudes e comportamentos do seu público-alvo. O resultado do uso desta metodologia é um produto mais eficiente e satisfatório que oferece uma melhor experiência de uso, que facilmente se reflete no volume de venda e fidelidade do cliente (Hammond, Gross e Wesson, 2002). A metodologia que irá ser utilizada, da autoria do Prof. Dr. Ernesto Vilar (2010), está divida em oito fases dependentes entre si, que serão abordadas de forma cronológica de maneira a que a concretização de uma fase possibilita o início da seguinte. Definição do problema Levantamento de uma oportunidade Definição dos objetivos Estado da arte Contextualização histórica A atividade de campismo A tenda A ergonomia Identificação do público-alvo Identificação e caraterização do principal utilizador direto e indireto Realização de entrevistas livre Realização de entrevistas estruturadas Lista de requisitos do utilizador 6 Análise da interação em contexto real de utilização Protocolo de observação Análise de filmes, fotografias ou similares Resultado das observações Lista de requisitos da atividade Análise de produtos similares Qualidades técnicas, ergonómicas e estéticas Requisitos dos produtos similares Avaliação dos produtos similares de acordo com os requisitos já encontrados Lista de requisitos dos produtos similares Definição do produto conceptual Lista final de requisitos Geração e classificação de alternativas Geração de alternativas de acordo com os critérios da lista final de requisitos Avaliação e alteração das alternativas Detalhe da alternativa selecionada Processo de seleção das alternativas Alternativa final detalhada e justificada 1 Revisão bibliográfica 9 1.1. Contextualização histórica De acordo com o dicionário Periberam da língua portuguesa, uma tenda é “uma barraca portátil desmontável feita de pano grosso (geralmente lona) impermeabilizado, que se arma ao ar livre para servir de abrigo” (Dicionário Priberam da Língua Portuguesa, 2012). Sendo inicialmente utilizadas como habitações portáveis para os povos nómadas, hoje em dia, as tendas são essencialmente utilizadas para o campismo recreativo e como abrigos temporários para vítimas de desastres. As tendas são um dos meios mais primitivos de habitação da humanidade. Fazem parte de uma tenda os principais elementos que constituem uma casa: estrutura de suporte, divisões, um teto, um chão e uma entrada. A tenda está associada às primeiras manifestações do nomadismo e é um equipamento essencial para todas as atividades que requerem um abrigo capaz de ser montado e desmontado num curto espaço de tempo (Ezine Articles, 2008). O nomadismo sempre existiu em todos os continentes, desde o deserto do Sahara até à Sibéria. Embora existam uma grande variedade de tribos nómadas muito diferentes entre si, o elemento comum tem sido a tenda. A tribo migratória árabe de Bedouin é um grande exemplo de tribo nómada. Movimentando-se entre a Mesopotâmia e Sinai, utilizavam tendas como forma de habitação. A tenda dos Bedouin era geralmente de base retangular, com comprimento de 3 metros e largura de 4, dividida em duas áreas distintas, uma pública e outra privada. A secção pública servia para receber convidados, enquanto que a área privada estava reservada para as mulheres e outros membros da família. Por questões religiosas, o povo Bedouim utilizava pequenas tendas facilmente portáveis que abrigavam quatro pessoas e acompanhavam a tribo nas suas deslocações, transportadas pelos camelos (Tent Works, 2012). No Velho Testamento, o local onde os Judeus adoravam a Deus era uma tenda armada por Moisés, a mesma tenda em que foi guardada a Arca da Aliança. A tenda foi concebida para ser um templo portátil, e esta tradição foi rapidamente difundida (Eco Luxury, 2012). As tendas não foram só habitações e santuários, mas também faziam por norma parte do equipamento militar. Os romanos tiraram partido de tendas durante a sua expansão. Os seus locais de campismo eram tão sofisticados que chegaram mesmo a dar origem a algumas cidades, como Turim e Verona. Os acampamentos militares eram retangulares medindo em média cerca de 500 metros. Os legionários dormiam normalmente em tendas que acomodavam oito pessoas e aos oficiais eram-lhe atribuídas tendas mais luxuosas de acordo 10 com o cargo. A tradição romana das tendas continuou com os Bizantinos e influenciou outros povos europeus, como é o caso dos Vikings (Ezine Articles, 2008). Na Asia também surgiram, na região entre o mar Negro e o que é agora a Mongólia, uma espécie de tendas construídas com uma estrutura em madeira e uma cobertura em feltro. A “yurta”, como era chamada, acomodava quatro a cinco pessoas numa área de cerca de 20 metros quadrados. As paredes circulares não tinham mais que 1,5 metros de altura e o orifício de ventilação situava-se a cerca de 3 metros do solo. A “yurta” foi construída do mesmo modo durante séculos e a tradição foi eventualmente levada até à Índia. Os índios americanos também se faziam servir de tendas. A construção destas tendas consistia em três ou quatro postes de madeira atados na ponta formando uma estrutura cónica que era coberta com pele de bisonte, ou, em climas mais quentes, algodão. As tendas tinham uma abertura no topo que permitia a saída do fumo e a circulação do ar. A pele de bisonte era impermeável e protegia o interior da tenda das condições exteriores. Os acampamentos podiam chegar a ter centenas de tendas, as quais podiam ser desmontadas num só dia (Eco Luxury, 2012). 1.2. A atividade de campismo O campismo é uma atividade recreativa levada a cabo ao ar livre. Os participantes deixam as suas habitações em áreas urbanas e acampam normalmente no meio natural onde passam a noite num acampamento ou outro local de eleição. O campismo envolve o uso de tendas, caravanas, cabanas ou outro tipo de acomodação provisória. O campismo como atividade de lazer ganhou popularidade no século XX. Os campistas frequentam parques nacionais ou outras áreas naturais ou parques de campismo privados. O campismo é parte importante de muitas associações de jovens, como é o caso dos escuteiros, que fazem uso desta atividade para transmitir valores de respeito pela natureza e trabalho em equipa. O campismo também é um meio pouco dispendioso de acomodação durante eventos ao ar livre, como é o caso de festivais de música, em que os organizadores providenciam uma área para a montagem de tendas e condições básicas. O campismo recreativo é muitas vezes disfrutado a par com outras atividades ao ar livre como é o caso do montanhismo, escalada, pesca ou ciclismo de montanha (Parker, 2012). 11 O trekking combina a atividade percorrer grandes percursos pedestres com o campismo como forma de pernoitar. Os participantes utilizam equipamentos de baixo peso de modo a conseguir transportá-los durante longos períodos de tempo por trilhos por vezes exigentes. O campismo é feito em locais remotos ou acampamentos específicos. O trekking é popular especialmente entre a população mais jovem pois exige grande esforço físico. O equipamento é transportado na totalidade pelos campistas trazendo um desafio adicional, no entanto, os avanços tecnológicos e a crescente preocupação com esta atividade resultou em equipamentos melhorados (Wise Geek, 2012). O equipamento utilizado no campismo varia consoante o tipo de campismo. Por norma, para o campismo recreativo é utilizado um kit de primeiros-socorros, uma tenda, sacos-cama, um colchão, uma lanterna, um machado para recolha de madeira para fogueiras, fósforos ou outro meio de ignição, cadeiras dobráveis, vestuário e calçado adequados, entre outros equipamentos opcionais (Love The Outdoors, 2012). 1.3. A tenda As tendas modernas apresentam uma grande evolução em termos do uso dos materiais. Os componentes presentes numa tenda variam consoante o seu tipo, mas por norma existem os seguintes: cobertura de tecido impermeável, chão de tecido, tubos responsáveis pela estrutura de suporte, estacas que prendem a tenda ao chão e janelas de ventilação que reduzem o efeito de condensação (The Camping and Caravaning Club, 2012a). Os tecidos utilizados para a cobertura da tenda podem ser de algodão, poliéster e nylon. Não existe nenhum tecido de tendas que seja à prova de fogo, apesar de alguns serem referidos como retardadores de chama (The Camping and Caravanning Club, 2012b). Existem atualmente diversos tipos de tendas no mercado que atendem a diferentes necessidades (The Camping and Caravanning Club, 2012c). Nas figuras 1 a 11 pode-se ver alguns dos tipos disponíveis no mercado. 18 Fabricante Vango Modelo CORE-TBAC-TEHBLA Preço (€) 104,33 Capacidade (pessoas) 1 Quartos 1 Portas 2 Dimensões (cm) 300 x 120 x 95 Peso (kg) 1,72 Tamanho embalagem (cm) 50 x 12 Materiais Protex 5000 Tempo de montagem (min) 8 Fabricante Vango Modelo CORE-TSEB-TEGARK Preço (€) 98,53 Capacidade (pessoas) 2 Quartos 1 Portas 1 Dimensões (cm) 285 x 160 x 115 Peso (kg) 3,45 Tamanho embalagem (cm) 57 x 16 x 16 Materiais Protex 3000 Tempo de montagem (min) 5 Fabricante North Ridge Modelo CORE-TBAC-ZHG100 Preço (€) 115,92 Capacidade (pessoas) 1 Quartos 1 Portas 1 Dimensões (cm) 220 x 140 x 110 Peso (kg) 1,9 Tamanho embalagem (cm) 43 x 14 x 12 Materiais Protex 5000 Tempo de montagem (min) 10 19 1.4. A Ergonomia A ergonomia é a ciência que estuda a interação do homem com os outros elementos de um sistema com o objetivo de otimizar o bem-estar humano e a performance desse sistema. A ergonomia contribui para o planeamento, design e avaliação de tarefas, produtos, ambientes e sistemas de modo a torna-los mais compatíveis com as necessidades, habilidades e limitações das pessoas (Bush, 2012). Os objetivos da ergonomia incluem reduzir a fadiga no uso, evitar erros por parte do utilizador, garantir a segurança, dar maior satisfação no uso gerindo as necessidades e expectativas, e garantir o conforto do utilizador gerindo as suas capacidades e limitações. O design ergonómico é necessário para prevenir lesões e outros problemas músculo-esqueléticos, que se podem desenvolver ao longo do tempo e provocar lesões permanentes (Salvendy, 2012). Os princípios da ergonomia têm sido vastamente utilizados no design de produtos de consumo e equipamentos industriais. A ergonomia continua a ser aplicada com sucesso nas áreas de saúde, engenharia aeroespacial, design do produto e transportes (Hancock 1999). 1.4.1. Ramos da ergonomia Dentro da disciplina da ergonomia, existem ramos de especialização que permitem aprofundar conhecimentos sobre atributos humanos e caraterísticas da interação humana (International Ergonomics Association, 2000). Ergonomia física – estuda as caraterísticas anatómicas, antropométricas, fisiológicas e biomecânicas do homem e como estas se relacionam com a atividade física. Este ramo da ergonomia foca-se em posturas, manuseamento de materiais, movimentos repetitivos, doenças musculares, segurança e saúde. Ergonomia cognitiva – estuda o processo mental do homem com foco na perceção, memória, razão, resposta motora, e a maneira como estas afetam as interações com os outros elementos do sistema. Carga de trabalho mental, tomada de decisões e performance são tópicos abordos neste ramo da ergonomia. 20 Ergonomia organizacional – estuda a otimização de sistemas sociotécnicos, abordando tópicos como a comunicação, trabalho em equipa, design participativo e gestão de qualidade. Ergonomia ambiental – estuda a influência do ambiente envolvente no comportamento do homem. O ambiente físico inclui a temperatura, luz, ruído, vibrações, etc. 1.4.2. Métodos ergonómicos A abordagem ergonómica serve-se de vários métodos para a coleta de dados junto dos utilizadores, são alguns deles (Dul e Weerdmeester, 2008): Análise etnográfica – utilizando métodos derivados da etnografia, este processo consiste na observação do uso de produtos em contexto real de utilização. É um método qualitativo que se baseia nas experienciais reais dos utilizadores e nas pressões e desafios que daí advém. Este processo deve ser utilizado numa fase inicial do processo de design. Grupos de foco – são uma forma de pesquisa qualitativa em que existe discussão e exposição de opiniões sobre o produto ou serviço sob investigação. É utilizado para obter uma grande quantidade de dados qualitativos, mas devido ao reduzido número de participantes está sujeito às suas opiniões individuais. Design iterativo – Este processo visa envolver os utilizadores nas várias etapas do processo de design, de modo a corrigir os problemas quando estes surgem. À medida que os protótipos nascem do processo de design estes são avaliados pelos utilizadores e redesenhados de modo a solucionar os problemas observados. Inquéritos e questionários – uma técnica bastante utilizada no estudo ergonómico uma vez que pode ser aplicada a um largo número de pessoas a um custo reduzido, resultando numa grande quantidade de dados quantitativos ou qualitativos. Análise da tarefa – consiste em observar e descrever a interação do utilizador com um sistema ou equipamento, com o objetivo de melhor adaptar esse sistema às capacidades e limitações das pessoas. 21 Think Aloud – é o método em que os utilizadores executam uma série de tarefas ou interagem com um produto enquanto relatam verbalmente o seu processo analítico e os seus pensamentos para que estes possam ser analisados pelo investigador. 1.4.3. A ergonomia no desenvolvimento de produtos A tarefa do design ergonómico é fazer um produto intuitivo e confortável de usar, o que vai aumentar a sua utilidade e assegurar o seu sucesso no mercado. Reduzir a força necessária torna um processo mais fisicamente eficiente; reduzir o número de passos numa tarefa torna-a mais rápida; e reduzir a quantidade de treino necessário torna o produto mais intuitivo. Se algo é mais fácil de utilizar, as pessoas estarão mais inclinadas a fazê-lo e disfrutar da experiência, assim o produto será mais útil (Salvendy, 2012). A ergonomia acompanha o desenvolvimento do produto, desempenhando um papel diferente em cada etapa (Montmollin e Darses, 2011): Ergonomia de conceção – ocorre durante o projeto do produto para garantir um resultado adaptado às necessidades dos utilizadores. Ergonomia de correção – é aplicada em produtos já existentes para solucionar problemas ergonómicos observados. Ergonomia de conscientização – tem como objetivo alertar os utilizadores para a identificação de erros e correções preventivas no processo de utilização dos produtos, quando os problemas ergonómicos não são solucionados na ergonomia de conceção ou correção. 1.4.4. Projeto universal e usabilidade Hoje em dia, grande parte dos produto são desenhados para o mercado mundial, pelo que é necessário uma compreensão dos princípios do projeto universal e usabilidade. O projeto universal resulta num produto que atende a maioria da população (University of Washington, 2004). A usabilidade trata da facilidade e comodidade no uso dos produto (Reiss, 2012). 22 Principios do projeto universal Uso equitativo – dimensões adequadas à maioria dos utilizadores. Flexibilidade no uso – adaptabilidade do modo de utilização do produto ao seu utilizador. Uso simples e intuitivo – sem hesitação e sem necessidade de treino. Informação percetível – sem margem para diferentes interpretações. Tolerância ao erro – isolar os perigos e advertir os erros. Redução de gastos energéticos – evitar superdimensionamentos e excessos de material. Espaço apropriado – dimensionamento dos produtos, acesso e alcance. Princípios da usabilidade Evidência – função do produto e modo de operação evidentes, facilitando uma aprendizagem rápida. Consistência – operações semelhantes em diferentes produtos devem ser executadas de forma semelhante. Capacidade – atender às capacidades e limitações individuais. Compatibilidade – atender às espectativas dos utilizadores sobre o funcionamento dos produtos. Prevenção e correção dos erros – minimizar a ocorrência de procedimentos errados e permitir a sua correção rápida. Feedback – sinal visual, táctil ou auditivo para assegurar o utilizador de que sua ação foi recebida. 2 Levantamento das necessidades 25 De modo a desenvolver um produto que vai de encontro às necessidades dos seus utilizadores, é necessário começar por identificar e caraterizar o universo de potenciais utilizadores, dando maior importância ao público-alvo específico do projeto. Uma vez identificado o público a que se destina o novo produto, será consultada uma amostra de utilizadores de modo a perceber qual a sua relação com a tenda e como se procede a sua utilização. O objetivo é detetar problemas que resultam da utilização do produto, os quais serão abordados na fase de conceção da nova tenda. 2.1. Identificação do público-alvo 2.1.1. Identificação e caraterização do principal utilizador direto As tendas são produtos utilizados por praticantes de campismo recreativo, participantes em festivais de música, vítimas de catástrofes naturais, entre outros. Tendo isto em conta, qualquer uma destas pessoas é um potencial utilizador da nova tenda, no entanto esta será concebida tendo em conta as necessidades e preferências de um grupo mais restrito de utilizadores. O principal utilizador do novo produto será um campista jovem e aventureiro que utiliza a tenda como meio de pernoitar no meio natural e carrega o seu equipamento por longas distâncias. A faixa etária situa-se entre os 17 e os 35 anos, o género é predominantemente masculino, a condição física é de boa a ótima, e a época de campismo predileta é o verão. Este tipo de utilizador tem necessidades específicas, sendo assim, será consultada uma amostra e utilizadas as ferramentas de entrevista e questionário de modo a chegar a uma lista de requisitos do produto mencionados diretamente pelos utilizadores. 2.1.2. Entrevistas livres Segundo Iida (2005), a entrevista informal é uma conversa sem questões previamente preparadas, conduzida de modo a obter a informação desejada. Esta ferramenta foi utilizada na primeira fase de levantamento das necessidades com o objetivo de obter informação inicial sobre os problemas com que os utilizadores normalmente se depararam durante a utilização 26 das suas tendas. Depois, tendo maior conhecimento do problema, é possível elaborar questões de resposta fechada para obter a opinião de um maior número de pessoas. Foram entrevistadas quatro pessoas, três delas do sexo masculino e uma do sexo feminino, com variados níveis de experiência de campismo e montagem de tendas. A conversa foi dirigida para o tema do design das tendas, quais as caraterísticas consideradas importantes e quais os problemas que ocorrem na sua utilização. Entrevista 1 A primeira entrevista foi aplicada a um jovem de 25 anos, em excelente condição física, experiente em montanhismo e trekking. A principal queixa requereu sobre o peso das tendas existentes do mercado, uma vez que os percursos que normalmente percorre são árduos e longos e todo o peso do equipamento só dificulta a caminhada e aumenta o esforço físico. Outro dos problemas mencionados foi a instabilidade das tendas em situações de vento e chuvas fortes, uma vez que as condições de acampamento não são sempre favoráveis e a tenda deve servir de abrigo seguro para fugir ao mau tempo. Outro problema requer sobre as tendas que possuem uma lona protetora contra a chuva, esta é a última coisa a ser colocada e a primeira a ser retirada o que significa que a tenda não pode ser montada ou desmontada na presença de chuva sem que o seu interior fique molhado. Entrevista 2 A segunda entrevista foi feita a um jovem de 26 anos, em boa condição física, praticante de montanhismo e trekking, com experiência de utilização de vários tipos de tendas, incluindo as recentes tendas pop-up. Embora as tendas pop-up tivessem sido apontadas como as favoritas, estas continuam a ser alvo de algumas queixas; uma deles refere-se às dimensões da tenda quando desmontada, uma vez que o diâmetro da embalagem é demasiado largo para ser carregado confortavelmente às costas, e em caso de necessidade de transporte da tenda em comboio ou avião esta tem medidas desadequadas que dificultam a sua arrumação. A sua desmontagem também requer experiência, sendo que é necessário bastante e constante força. Mesmo assim, na opinião do entrevistado, este tipo de tenda continua a vencer sobre todos os outros, uma vez que a sua montagem é extremamente rápida e fácil e a tenda é um único volume, sem inúmeros componentes que é necessário encaixar. 27 Entrevista 3 A terceira entrevista foi aplicada a uma rapariga de 25 anos, em boa condição física, praticante regular de montanhismo. A principal queixa recaiu sobre a dificuldade em colocar corretamente as estacas que prendem a tenda ao solo, uma vez que o solo é normalmente irregular e nem sempre tem profundidade suficiente para as estacas, sendo que a tarefa acabar por requerer tempo e esforço. Também considera que as instruções são por vezes difíceis de compreender e a montagem de uma tenda requer experiência, pois a primeira tentativa é normalmente demorada e frustrante. A entrevistada considera que o reduzido peso da tenda e a rapidez de montagem são caraterísticas que procura na escolha de uma tenda. Entrevista 4 A quarta e última entrevista foi feita a um rapaz de 20 anos, em boa condição física, experiente em montanhismo e campismo de cidade. No que diz respeito a tendas grandes, considera que têm demasiados e complicados componentes, requerem muito tempo de montagem e proporcionam no geral uma má experiência. Para o entrevistado, um dos aspetos mais importantes é a rapidez de montagem, uma vez que a tenda é normalmente montada depois de um longo percurso quando existe grande cansaço e por vezes altas temperaturas, sol forte ou até mesmo chuva e vento. Também considera que a tenda deve permitir isolamento da chuva e humidade do solo, mas deve ser arejada para permitir a circulação do ar e não deve ser demasiado quente num dia de sol intenso. Conclusões Das entrevistas efetuadas pode-se retirar que as caraterísticas importantes para os utilizadores praticantes de montanhismo e trekking são: peso, estabilidade e resistência face às condições atmosféricas, abrigo do calor ou do frio, facilidade de montagem e desmontagem, instruções fáceis de perceber e seguir, facilidade de transporte, facilidade de prender a tenda ao solo, reduzido número de componentes de montagem, boa circulação de ar. 34 2.2.3. Categorização dos problemas Tabela 2 – Categorização dos problemas Instrucionais Instruções pouco claras, difíceis de compreender e seguir Movimentação de materiais Necessidade de elevado esforço físico para concretizar as dobragens; sem pressão constante a tenda volta à posição inicial Cognitivos Dobragens feitas erradamente na primeira tentativa, acabam por ser feitas por tentativa e intuição; frustração resultante do fracasso Naturais A montagem e desmontagem podem ser prejudicas por ventos fortes e sol intenso; a tenda não fica estável na presença de ventos fortes Interfaciais/ posturais A embalagem da tenda não permite um transporte confortável e não é compatível com o transporte de outros equipamentos Instrumentais A colocação de estacas é difícil, requer bastante força e as estacas não ficam suficientemente seguras 35 2.2.4. Conclusões A observação direta da utilização da tenda permitiu alcançar novos problemas (tabela 2) e traduzi-los em requisitos que não puderam ser encontrados através das ferramentas anteriores e permitiu também reforçar a importância de alguns aspetos mencionados anteriormente pelo público-alvo. A segunda lista de requisitos do produto é constituída pelos seguintes:  Facilidade de montagem e desmontagem  Necessidade de reduzido esforço físico  Instruções fáceis de compreender e seguir  Facilidade de transporte  Facilidade de prender a tenda ao solo  Resistência face às condições climatéricas 2.3. Análise de produtos similares A análise de produtos similares consiste na avaliação dos produtos existentes no mercado que concorrem diretamente com o produto que está a ser desenvolvido. Ao perceber quais os pontos fortes e fracos dos concorrentes é possível manter as caraterísticas positivas e perceber como estas foram alcançadas e evitar as caraterísticas problemáticas. Foi construída uma tabela (tabela 3) em que foram selecionadas seis tendas de fabricantes diferentes utilizadas para trekking e campismo recreativo. A avaliação foi feita com base nos requisitos importantes para o público-alvo: peso, dimensões da embalagem, tempo de montagem, estabilidade e preço. Foram atribuídas aos produtos pontuações de 1 a 5 conforme melhor satisfazem os requisitos estabelecidos. O objetivo é conseguir relacionar caraterísticas específicas dos produtos analisados com resultados positivos de satisfação dos utilizadores, como por exemplo, qual o mecanismo utilizado nas tendas com menor tempo de montagem, ou qual o material utilizado nas tendas de menor peso. 36 2.3.1. Matriz de avaliação Tabela 3 – Matriz de avaliação dos produtos similares Modelo North Ridge Altitude Vango Gamma Hi Gear Pitch & Go Peso 2 (4,4 kg) 3 (3,9 kg) 5 (1,5 kg) Dimensões da embalagem 4 (43 x 20 x 20 cm) 3 (56 x 17 x 16 cm) 2 (Ø 70 cm) Tempo de montagem 3 (10 min.) 3 (10 min.) 5 (1 min.) Estabilidade 4 3 2 Preço 2 (350 €) 4 (100 €) 5 (60 €) Modelo Vango Tempest Quechua 2’’ Easy Vaude Campo Peso 4 (2,9 kg) 4 (3,2 kg) 3 (3,9 kg) Dimensões da embalagem 5 (39 x 15 x 15 cm) 2 (Ø 60 cm) 3 (22 x 55 cm) Tempo de montagem 3 (10 min.) 5 (1 min.) 3 (10 min.) Estabilidade 4 2 3 Preço 3 (165 €) 5 (60 €) 3 (205 €) 5 – Excelente 4 – Bom 3 – Razoável 2 – Mau 1 – Péssimo 2.3.2. Conclusões As tendas com design pop-up superam as outras em termos de preço e rapidez de montagem, no entanto, perdem pelas dimensões da embalagem e estabilidade. No que diz respeito ao peso e dimensões da embalagem a tenda Vango Tempest atinge ótimos valores nos dois critérios, o tecido desta tenda é poliéster Protex HC 5000 e os postes são feitos em PowerLite 7001-T6 Alloy plus TBSII. 37 2.4. Definição do produto conceptual Durante este capítulo foi feita a identificação e caraterização do público-alvo do projeto e o levantamento das suas necessidades. Através das ferramentas de entrevista, questionário, observação e análise de produtos similares foi possível alcançar uma lista final de requisitos para o projeto do produto. Esta lista é dividida em requisitos obrigatórios e requisitos importantes, em que os obrigatórios são aqueles recorrentes em todas a etapas de levantamento das necessidades e os requisitos importantes surgem várias vezes. Durante a próxima fase de desenvolvimento do produto serão abordados os requisitos encontrados, e o conceito final terá que satisfazer necessariamente os requisitos obrigatórios e de preferência também os requisitos importantes. Os conceitos serão avaliados conforme melhor satisfazem as necessidades dos seus consumidores, sendo selecionado aquele que será o conceito final e passará à fase de desenvolvimento. 2.4.1. Lista final do produto conceptual Requisitos obrigatórios  Peso reduzido  Facilidade de montagem e desmontagem  Dimensões reduzidas da embalagem da tenda  Instruções fáceis de compreender e seguir  Resistência face às condições climatéricas Requisitos importantes  Boa circulação de ar  Reduzido número de componentes  Impermeabilidade  Preço acessível  Capacidade para duas pessoas  Forma retangular 3 Design de conceção 41 3.1. Atributos do produto Tabela 4 – Atributos do produto Necessidade Requisito Atributo Adaptação aos fatores humanos Dimensões adequadas à maioria da população Largura e comprimento que alberguem o percentil 95 Qualidade Boa ventilação Janela e porta de rede Não deve sobreaquecer Tecido isolante térmico Impermeabilidade Tecido impermeável Estabilidade face a chuva e vento Estrutura estável e utilização de cordas e estacas Conforto Leveza Materiais leves Compatibilidade com mochilas de campismo Forma cilíndrica de dimensões reduzidas Funcionalidade Facilidade de montagem Estrutura fácil de abrir Facilidade de desmontagem Estrutura fácil de dobrar Estética Aspeto moderno e tecnológico Forma simples e cores neutras Durabilidade Resistência aos raios ultravioleta Seleção de material Durabilidade dos materiais Materiais resistentes Manutenção Facilidade de limpeza Tecido repelente da sujidade Produção Facilidade de montagem em fábrica Reduzido número de componentes Transporte Minimização do espaço ocupado Estrutura dobrável Custo Custo reduzido Materiais de custo reduzido Ecologia Uso de materiais ecológicos Materiais recicláveis Facilidade de separação de materiais em fim de vida Reduzido número de componentes 42 3.2. Mission Statement O mission statement é uma descrição sucinta da razão de existência de um projeto e os objetivos do negócio. Deve representar um guia para o desenvolvimento do projeto e será um auxílio na tomada de decisões (Entrepreneur, 2003). Um mission statement deve incluir uma ponderação sobre o mercado, qual o cliente e o consumidor final; qual a contribuição do projeto, ou seja, qual a proposta de valor que vai beneficiar os stakeholders; e o que distingue o projeto da concorrência e levará os clientes a escolhê-lo (Inc, 2013). Descrição do produto Tenda de campismo recreativo. Proposta de valor Melhorar a facilidade de montagem e desmontagem da tenda, sem comprometer outros aspetos importantes como o peso e as dimensões da embalagem. Objetivos do negócio Implementação do produto no mercado nacional e internacional. Desenvolvimento de novas versões do produto com foco na redução de peso e outros aspetos. Mercado primário Praticantes de treking e montanhismo. Mercado secundário Praticantes de campismo recreativo e participantes em festivais de verão. Pressupostos e constrangimentos Custos de materiais e processos de fabrico. Stakeholders Compradores e utilizadores. Fabricantes. Distribuidores e vendedores. 43 3.3 Geração de conceitos Foram realizadas sessões de brainstorming de ideias para tentar encontrar novas soluções para a montagem e desmontagem da tenda. As ideias foram desenvolvidas através de esboço, tentando ir de encontro aos requisitos do projeto. Conceito 1 Este conceito é baseado no método de abertura do guarda-chuva, em que as varetas contêm uma dobradiça a meio. A montagem da tenda é feita instantaneamente puxando para cima a peça central que prende as varetas até este atingir o topo. Quando no topo, existe um mecanismo que prende as varetas naquela posição. Para desmontar a tenda, o mecanismo é solto e as varetas estão prontas para serem dobradas, o tecido é então enrolado e a tenda está pronta para ser guardada dentro da sua embalagem. O esquema de desmontagem pode ser observado na figura 19. Fig. 19 – Processo de desmontagem do conceito 1 4 Design de detalhe 52 4.1. Desenhos de detalhe Uma vez identificado o conceito final para o projeto da tenda, é necessário melhorar alguns parâmetros que não satisfazem na totalidade os requisitos do projeto. A desvantagem deste conceito diz respeito às dimensões da embalagem. Uma vez que este projeto está direcionado para praticantes de trekking e montanhismo, é importante que estes consigam carregar a tenda confortavelmente durante longos períodos de tempo. Para solucionar este problema, foi repensado o mecanismo de abertura e fecho, sem abandonar a ideia inicial. O conceito original utiliza varetas de 1 metro, o que resultaria numa embalagem com aproximadamente essa medida de comprimento. Para reduzir o tamanho da embalagem é necessário reduzir o comprimento das varetas mantendo a estabilidade e a facilidade de montagem e desmontagem. A nova estrutura desenhada (figuras 25 e 26) reduz substancialmente as dimensões da tenda embalada. Para que esta estrutura seja capaz de oferecer estabilidade ao tecido da tenda, as varetas têm que se manter fixas quando a tenda estiver montada. A solução passou por ligar as varetas com molas de torção para que a tenção as mantenha num ângulo fixo (figura 27). Fig. 25 – Estrutura da tenda Fig. 26 – Abertura e fecho da estrutura da tenda Fig. 27 – Mola de torção aplicada às varetas 53 Encontrada a estrutura que mantém a tenda erguida, é necessário pensar o processo de montagem e desmontagem. Uma vez que as molas de torção forçam as varetas a tomar a forma de uma meia-estrela, é necessário algo que as junte e as prenda nessa posição para que ocupem o menor espaço possível dentro da embalagem. A solução consistiu em utilizar uma corda que liga uma extremidade da tenda á outra e quando a mesma é puxada a face da tenda é encolhida e as varetas são forçadas a seguir a trajetória do tecido. Para prender a corda é utilizado um botão (figura 28). Para o dimensionamento da tenda foram tidas em conta as dimensões da população referentes à estatura e largura de ombros, segundo Panero e Zelnik (2002). Para acomodar 95% da população, foi consultado o percentil 95 tanto para homens como para mulheres (figura 29). A largura e comprimento da tenda foram dimensionados para acomodar confortavelmente uma pessoa com 184,9 centímetros de altura e 52,6 centímetros de largura de ombros. 95 Homens 184,9 95 Homens 52,6 Mulheres 170,5 Mulheres 43,2 5 Homens 161,5 5 Homens 44,2 Mulheres 149,9 Mulheres 37,8 Fig. 29 – Dimensões corporais estruturais de adultos, sexo masculino e feminino em centímetros (cm) por percentis selecionados. Fig. 28 – Botão para prender a corda Estatura Largura dos ombros 54 4.2. Modelação 3D A tenda foi modelada em CAD através do software SolidWorks© (figura 30), uma vez que este permite atingir uma boa definição. A representação do produto em CAD é importante para mostrar, com bastante aproximação, o aspeto do produto depois de fabricado, assim como os seus pormenores. Fig. 30 – Objeto modelado em software de CAD. Foram atribuídas às superfícies cores e texturas para assemelha-las aos materiais finais em que seriam fabricadas (figura 31). Desta maneira é possível alcançar uma imagem realística do produto e estudar as cores que farão parte do produto final. Fig. 31 – Objeto modelado em software de CAD. Aplicação de cores e texturas. 55 4.3. Design gráfico 4.3.1. Instruções As instruções de montagem e desmontagem da tenda são uma parte importante do produto, uma vez que contribuem para a sua rápida e correta utilização, o que se traduz na satisfação do utilizador. As instruções foram desenhadas para serem bastante claras e percetíveis, reduzindo o tempo necessário para a sua compreensão e evitando informações ambíguas que podem resultar em erros por parte do utilizador. O painel de instruções foi desenhado com o auxílio do software Photoshop© (figura 32), uma vez que este permite traduzir eficazmente objetos tridimensionais em desenhos bidimensionais. Fig. 32 – Desenho bidimensional da face lateral da tenda 4.3.2. Logótipo O nome da tenda foi escolhido a pensar no seu público-alvo e no contexto da utilização do produto. Remetendo para a atividade de trekking e a caraterística distinta da tenda que é a sua armação em forma de estrela foi escolhido o nome Mountain Star. O logótipo a ser estampado no tecido da tenda incorpora o nome do produto, acompanhado de uma montanha e sete estrelas que representam o cume mais alto de cada um dos sete continentes (figura 33). Fig. 33 – Logótipo da tenda 5 Resultados 58 5.1. Apresentação do conceito Fig. 34 – Apresentação do conceito inserido em ambiente O conceito final (figura 34) foi desenvolvido para responder aos requisitos do projeto e apresentar melhorias face às outras tendas disponíveis no mercado dirigidas a praticantes de trekking. A facilidade de montagem e desmontagem é a principal oferta de valor. Isto foi conseguido através de um novo conceito de abertura e fecho fácil que possibilita uma embalagem com dimensões próprias para transporte em mochila. As operações de montagem e desmontagem são reduzidas e simples pelo que as suas instruções não serão complexas resultando em desenhos confusos. Para responder à necessidade de peso reduzido foi reduzida a estrutura da tenda e aplicada em duas faces. A estabilidade da tenda recorre ao uso de cordas para evitar o sobre uso de materiais pesados. Os materiais irão ser selecionados de acordo com a sua leveza, já que para o grupo-alvo o peso é a caraterística mais importante, pelo que se pode sacrificar o preço. O conceito proposto tem como nome Mountain Star. Esta tenda tem capacidade para duas pessoas de modo a ir de encontro às preferências do público-alvo. A sua base tem uma forma retangular para otimizar a utilização do espaço, albergando confortavelmente os utilizadores e o seu equipamento. Foi escolhido o cinzento como proposta de cor, já que esta é uma cor neutra, que agrada à maioria das pessoas e não realça a sujidade que pode ser adquirida durante o uso. Conclusão 68 Conclusões O objetivo desta dissertação era o de conceber um novo conceito de tenda utilizando a metodologia de design centrada no utilizador. Através desta metodologia foi possível perceber o contexto da atividade de campismo e dos seus praticantes. Visto que foi escolhido um público-alvo específico para restringir o projeto, foi estudada a atividade de trekking e o perfil dos campistas que optam por este modelo. A abordagem ergonómica permitiu encontrar uma série de problemas que os utilizadores apontam aos produtos que utilizaram. Este projeto propôs-se a resolver essencialmente o problema da dificuldade de montagem e desmontagem tentando manter os outros aspetos ao nível dos concorrentes diretos. Foi possível concluir que existe espaço no mercado para um novo conceito de tenda de campismo com melhorias a nível da sua montagem e desmontagem, sem comprometer outros aspetos dados como importantes. Este trabalho encontra-se na fase de procura de soluções, em que é apresentada uma proposta para um novo produto que visa responder da melhor forma às necessidades encontradas. Trabalhos futuros A solução apresentada deve ser desenvolvida, testada e melhorada até corresponder a um produto com potencial comercial. Os requisitos encontrados devem servir como lista de verificação para o produto para certificar que este satisfaz as necessidades dos seus utilizadores. Este trabalho tratou de encontrar um novo conceito de abertura e fecho da tenda. No futuro deve ser feito um trabalho mais extensivo sobre os materiais a utilizar no produto de modo a encontrar soluções inovadoras que reduzam substancialmente o peso. 69 O conceito pensado originalmente tem um mecanismo de abertura mais simples. O novo conceito teve que ser repensado para ter uma embalagem com dimensões mais reduzidas para satisfazer o seu público-alvo. Para um público-alvo diferente, o conceito original pode ser revisitado. Bibliografia 72 Bush, P., 2012. Ergonomics, Foundational Principals, Applications, and Technologies. Florida: CCR Press. Dicionário Priberam da Língua Portuguesa, 2012. Tenda. [online] Available at: <http://www.priberam.pt/dlpo/definir_resultados.aspx?pal=tenda> [Accessed: February 2013]. 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Outra Não tem preferência 4. Qual a cor que prefere? Verde Cinzento Vermelho Outra. Qual: ___________________ Azul Não tem preferência