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Caracterização de duas populações de pescadores desportivos - algumas considerações ecológicas

Vânia Daniela Vicente Canteiro

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Resumo O Homem sentiu desde muito cedo, vontade de explorar novos horizontes e de escapes para a sua rotina do dia-a-dia. Entre tantas atividades praticadas, uma delas foi a pesca. A pesca recreativa é uma das atividades de turismo e lazer mais praticadas em todo o mundo. Pode ser praticada em água salgada, em água salobra e em água doce. Neste trabalho analisam-se duas populações de pescadores desportivos de água salobra. Portugal é um país com imenso potencial para a prática desta atividade especialmente por habitantes de zonas costeiras. Muitos dos ecossistemas estuarinos são afetados por esta prática, pois os pescadores acabam por utilizar espécies exóticas como isco. Neste trabalho, estudou-se em particular a espécie Alitta sucínea (Nereididae), comummente designada como “Coreana”. Procurou-se caracterizar a prática desta modalidade, as técnicas utilizadas pelos pescadores e os possíveis impactos que espécies exóticas utilizadas como isco poderão trazer para os ecossistemas aquáticos. Para tal foram realizados inquéritos em duas áreas (S. Jacinto e Torreira; Gaia e Porto). Os resultados obtidos foram analisados no programa “Statistica 11”. De uma forma geral, concluiu-se que as populações de pescadores nos dois locais apresentavam algumas diferenças, sendo mais impactante para o ambiente a actividade desenvolvida na região de Aveiro. No que se refere a espécies exóticas, embora fosse possível determinar que há libertação de exemplares para o meio ambiente, serão necessários estudos específicos para determinar a real expansão desta e doutras espécies em Portugal, bem como o seu impacte nas comunidades biológicas aquáticas. Palavras-chave: pesca recreativa, espécies exóticas, estuários. Abstract Since the beginnings of mankind history, man felt the need to explore new horizons and to develop some getaway activities, to escape daily routines. Among these, was sport fisheries. Nowadays, this is one of the most popular recreational and turistical activities in the world. It can be practiced in saltwater, brackish water or freshwater. In the present work, two populations of brackish water sportive fisherman are studied. Portugal has an enormous potential for the development of this activity, especially by those inhabiting coastal areas. Estuarine ecosystems are affected by this activity, because fisherman end up using exotic species as bait. In the present work, the studied species was Alitta sucínea (Nereididae), commonly known as “Coreana”. The aim was to characterize this activity, the techniques more commonly used by the fisherman, and the possible impacts that might rise from the use of exotic species as bait, regarding aquatic ecosystems. Inquiries were made in two areas (S. Jacinto e Torreira; Gaia e Porto). The results were analysed using the software STATISTICA 11. The fisherman populations in the two areas presented some differences, with the activity in the Aveiro region being more impacting for the environment. Concerning exotic species, although it was possible to determine that some individuals are released into the ecosystem, more specific studies will be needed to determine the real expansion of these, and other species in Portugal, as well as its impact in the aquatic biological communities. Agradecimentos Agradeço profundamente ao Professor Nuno Formigo, por me ter dado imenso apoio nesta caminhada de dois anos, principalmente neste último ano. Por me ter dado esperança e por não me ter deixado desistir. Muito obrigada. Quero também deixar o meu agradecimento ao Professor Paulo Talhadas dos Santos, por ter compreendido da melhor forma a minha decisão em relação ao tema e à orientação da dissertação. Obrigada. A todos os pescadores, pela simpatia e disponibilidade de me ajudarem e de me terem dado explicações extremamente importantes e muito interessantes, no que diz respeito à pesca desportiva/recreativa. Aos meus colegas do curso de Mestrado, a todos. Pela simpatia e compreensão, por estarem sempre disponíveis quando a matéria não era tão bem compreendida! Um especial agradecimento à Maria João, Mafalda e Marta. Os três “M” extremamente importantes para mim nesta caminhada! Obrigada. A alguns dos meus colegas de trabalho que, fizeram questão de me apoiar neste último ano e por estarem sempre disponíveis e nunca me terem deixado desistir do curso nem de ter esperança. Aos meus pais e irmãos. Sempre com muito apoio, amor e carinho! Índice 1. Introdução 1 1.1 . Pesca lúdica 2 1.1.1. Equipamentos de pesca 4 1.1.2. Iscos de pesca – iscos naturais 5 1.2 Espécies exóticas 6 1.3 Alitta sucínea (Nereididae) 8 1.4 Objetivos 9 2. Metodologia 10 2.1 Área de estudo 10 2.2 Metodologia da amostragem 11 3. Apresentação e discussão de resultados 13 4. Conclusões e considerações finais 29 5. Bibliografia 32 Índice de tabelas Tabela 1 – Tabela em excel com todas as variáveis do inquérito utilizadas para a elaboração dos resultados pg 14 Índice de figuras Fig.1 Minhoca ou bicha do mar pg 6 Fig. 2. Casulo pg 6 Fig. 3. Camarão pg 6 Fig. 4. Coreana pg 6 Fig. 5. Coreana (Alitta sucínea) pg 8 Fig. 6. Coreana (Alitta sucínea) pg 8 Fig.7. S. Jacinto, Aveiro pg 10 Fig. 8. Rio Douro, Vila Nova de Gaia pg 10 Fig. 9. Inquérito realizado aos pescadores pg 12 Fig. 10. PCA - Gráfico com a projecção das variáveis analisadas no círculo de correlações correspondente aos dois primeiros factores pg 15 Fig. 11. PCA - Gráfico com a projecção dos vários inquiridos no espaço dos dois primeiros factores pg 16 Fig. 12. PCA - Gráfico com a projecção das variáveis analisadas no círculo de correlações correspondente aos dois primeiros factores pg 17 Fig. 13. PCA - Gráfico com a projecção dos vários inquiridos no espaço dos dois primeiros factores pg 18 Fig. 14. PCA - Gráfico com a projecção das variáveis analisadas no círculo de correlações correspondente aos dois primeiros factores pg 19 Fig. 15. PCA - Gráfico com a projecção dos vários inquiridos no espaço dos dois primeiros factores pg 20 Fig. 16. PCA - Gráfico com a projecção das variáveis analisadas no círculo de correlações correspondente aos dois primeiros factores pg 21 Fig. 17. PCA - Gráfico com a projecção dos vários inquiridos no espaço dos dois primeiros factores pg 22 Fig. 18. PCA - Gráfico com a projecção das variáveis analisadas no círculo de correlações correspondente aos dois primeiros factores pg 23 Fig. 19. PCA - Gráfico com a projecção dos vários inquiridos no espaço dos dois primeiros factores pg 24 Fig. 20. PCA - Gráfico com a projecção das variáveis analisadas no círculo de correlações correspondente aos dois primeiros factores pg 25 Fig. 21. PCA - Gráfico com a projecção dos vários inquiridos no espaço dos dois primeiros factores pg 26 Fig. 22. PCA - Gráfico com a projecção das variáveis analisadas no círculo de correlações correspondente aos dois primeiros factores pg 27 Fig. 23. PCA - Gráfico com a projecção dos vários inquiridos no espaço dos dois primeiros factores pg 28 FCUP Caracterização de duas populações de pescadores desportivos – algumas considerações ecológicas 7 Estes organismos acabam por se expandir e conseguir alastrar, distribuindo-se ao longo da costa e provocando assim um grande problema ecológico para os ecossistemas costeiros (Bastrop et al., 1998; Haska et al., 2011). Podem gerar um grave problema a nível local, regional e mundial, com especial repercussão a nível económico, desfavorecendo o habitat disponível para as espécies autóctones, e/ou alterando os hábitos alimentares das mesmas. (Carlton, 1996; Muniz et al., 2005; Bastrop et al., 2006). O Decreto-Lei nº 565/99 de 21 Dezembro define como espécies exóticas, qualquer espécie, da flora ou da fauna, não originária de um determinado território e nunca aí registada que ocorre naturalmente e com populações auto-sustentadas durante os tempos históricos (em ICNF: http://www.icnf.pt/portal/icnf/legisl/legislacao/1999/decreto-lei-n.o-565-99-de-21-de-dezembro). No entanto, existem outras formas de introdução mediadas pela atividade humana, como a aquacultura, a pesca, a aquariofilia, a navegação de recreio, a construção de canais e a movimentação de estruturas amovíveis e de detritos flutuantes (Torres et al., 2009). Com as mais diversas atividades que o Homem ao longo dos anos foi tendo, foi inevitável a introdução de espécies exóticas, voluntária ou involuntária provocando graves efeitos no bom funcionamento dos ecossistemas naturais (Oliveira, 2003). A invasão destas espécies num determinado ecossistema, pode alterar por completo a sua estrutura e distribuição das espécies nativas, bem como a sua abundância. Estes efeitos poderão ser muito mais significativos se os organismos invasores forem “engenheiros” do ecossistema, ou seja, afetarem funções ecológicas fundamentais para o equilíbrio dos mesmos (Bazterrica et al., 2011). Uma das graves consequências da introdução de espécies exóticas é a extinção de espécies nativas (Oliveira, 2003). Muitas espécies exóticas caracterizam-se pela rápida maturação sexual, por uma grande capacidade reprodutora e por um considerável poder adaptativo relativamente aos ambientes que colonizam, sejam naturais ou artificiais, dulçaquícolas ou salobros (Castro, 2004). Como tal, as espécies nativas acabam por não ter capacidade para competir com as espécies exóticas, acabando por mais tarde serem substituídas por aquelas. FCUP Caracterização de duas populações de pescadores desportivos – algumas considerações ecológicas 8 1.3 Alitta sucínea (Nereididae) É um poliqueta nativo da Costa Atlântica e que ocorre ao longo das costas Americanas, Europeias, Africanas e no Mar Negro, podendo alterar os nutrientes disponíveis nos sedimentos e assim prejudicar outras espécies residentes nesses habitats (Global Invasive Species Database: http://www.issg.org/database/species/ecology.asp?si=1068&fr=1&sts=sss&lang=EN). Estas espécies de poliqueta são, sem dúvida, a mais abundante e diversa, ocorrendo nos estuários (Breton et al., 2003; Kikuchi et al., 2006) mas também em águas profundas e em águas salobras (Bakken et al., 2005; Gillet et al., 2011). Esta espécie, em particular, como ocorre em vários ambientes e sendo eles tão diferentes, é uma espécie muito adaptável a ensaios realizados em laboratório, o que permite o seu uso para testes de fisiologia, endocrinologia e para estudos no meio ambiente. É também uma espécie muito utilizada como isco para a pesca desportiva (Bakken et al., 2005). De facto, nos contactos efetuados com os pescadores, verificou-se que a maioria deles utiliza como isco, a Alitta sucínea (Nereididae), mais conhecida entre os praticantes da pesca desportiva como coreana. A coreana é importada de países asiáticos e consegue ter uma taxa de sobrevivência muito superior aos iscos normalmente utilizados pelos pescadores, como a bicha ou o casulo, entre outros. Fig. 5 Corena (Alitta sucínea) Fig. 6 Coreana (Alitta sucínea) FCUP Caracterização de duas populações de pescadores desportivos – algumas considerações ecológicas 9 1.4 Objectivos O objectivo geral do presente trabalho foi a caracterização de duas populações de pescadores desportivos, uma em Aveiro (S. Jacinto e Torreira), e outra no Porto (Gaia e Porto). Especificamente pretendeu-se: Verificar se havia diferenças nos anos de prática; Verificar se havia diferenças no tipo de regime legal sob o qual praticavam a pesca desportiva; Verificar se havia diferenças no tipo de isco utilizado (incluindo uma espécie exótica, a coreana); Verificar se havia diferenças no tipo de metodologia de pesca utilizada; Caso se verificassem diferenças entre as duas populações, verificar qual ou quais as variáveis que poderiam estar na origem das mesmas. FCUP Caracterização de duas populações de pescadores desportivos – algumas considerações ecológicas 10 Metodologia 2.1 Área de estudo Para a realização deste trabalho foram utilizadas duas áreas de estudo, onde a predominância da pesca lúdica é elevada. Uma das áreas escolhidas foi a Ria de Aveiro, por ser uma área onde as atividades pesqueiras são frequentes há muitos anos, especificamente a vila de S. Jacinto. A outra área de estudo foi o estuário do rio Douro, nas margens das cidades do Porto e Vila Nova de Gaia. A Ria de Aveiro tem uma área aproximadamente de 45 Km2, sendo um espaço singular no contexto de Portugal e da Europa, atendendo às excecionais qualidades ambientais e paisagísticas, de elevado valor científico, e à importância que detém os valores naturais presentes e o tipo de ecossistemas que apresenta - marítimo, lagunar e ribeirinho (Vingada, J. (ED), 2011). De salientar que a Ria de Aveiro é uma área de especial interesse para a conservação da natureza e da biodiversidade, pela diversidade de espécies que alberga e de habitats que encerra, que lhe conferem estatutos conservacionistas de importância nacional, comunitária e internacional o que é refletido pela sua designação como Zona de Protecção Especial (ZPE) ao abrigo da Directiva Aves, motivo pelo qual faz parte da Rede Natura 2000 (Vingada, J. (ED), 2011). O Rio Douro é um dos maiores rios da Península Ibérica com o comprimento total de 938 Km, dos quais 200 Km se encontram em Portugal (http://www.infopedia.pt/$riodouro;jsessionid=WOnipGoM8emP40vxutnzcA__). http://maps.google.pt/ Fig. 7. São Jacinto, Aveiro http://maps.google.pt/ Fig. 8. Rio Douro, Vila Nova de Gaia FCUP Caracterização de duas populações de pescadores desportivos – algumas considerações ecológicas 11 1.2 Metodologia da amostragem Foi elaborado um inquérito para a população pesqueira em causa, com os seguintes grupos de variáveis; i) sexo, ii) área de residência iii), inscrição na capitania ou licença, iv) anos de prática da modalidade, v) período do ano em que praticava a modalidade, vi) zona de pesca, vii) iscos utilizados (entre eles a coreana), viii) quantidade de isco, ix) métodos de pesca, x) destino das sobras dos iscos. Com estas variáveis obtiveram-se as respostas necessárias para ajudar a perceber os hábitos dos inquiridos (Taivonen et al., 1999). Foram realizados 92 inquéritos junto dos pescadores, enquanto estes praticavam a atividade pesqueira, entre os meses de outubro de 2012 e abril de 2013. Inicialmente os inquéritos foram realizados a 59 pescadores na Ria de Aveiro, entre a vila de S. Jacinto e a vila da Torreira, e a 33 no estuário Rio Douro, tanto na margem da cidade de Vila Nova de Gaia como na margem da cidade do Porto. Importa referir que dos 92 inquiridos, nenhum foi do sexo feminino, simplesmente porque em todos os dias em que foram realizados os inquéritos nunca foram encontrados elementos do sexo feminino que praticassem a modalidade recreativa. Depois de feitos os inquéritos, foram analisados os resultados utilizando o programa “Statistica 11”. Para tal, foi necessário agrupar as variáveis, já que as respostas foram muito diversas. O primeiro do grupo foi a área de residência dos inquiridos. Todos os que responderam que a sua área de residência era uma determinada localidade e conforme ela pertencesse a Aveiro ou ao Porto, foram agrupadas num deste dois Distritos. Outra variável foi a zona de pesca, considerando-se apenas duas, ou Aveiro ou Porto. Como os pescadores utilizavam diferentes tipos de iscos e muito variados, fez-se uma listagem dos iscos mais utilizados e agruparam-se, bem como os métodos que utilizavam para a prática da modalidade. Depois de agrupadas as variáveis e dando-lhes o valor “zero” ou “um”, consoante as respostas eram negativas ou afirmativas, foi usado o programa “Statistica 11” para efetuar a sua análise através da utilização da técnica PCA (Análise em Componentes Principais), da qual resultaram diversos gráficos e resultados numéricos. Na primeira análise foram utilizadas todas as variáveis que constavam no inquérito, agrupadas conforme referido anteriormente. Para as análises seguintes, foram utilizadas sub-grupos de diferentes variáveis, tentando perceber assim quais as variáveis que melhor explicavam os resultados. FCUP Caracterização de duas populações de pescadores desportivos – algumas considerações ecológicas 12 Fig.9 Inquérito realizado aos pescadores Figura 9 – Inquérito realizado aos pescadores FCUP Caracterização de duas populações de pescadores desportivos – algumas considerações ecológicas 13 2. Apresentação e discussão de resultados A análise dos resultados obtidos sugeriu a formação dos seguintes sub-grupos de variáveis, cada um dos quais foi objeto de uma análise através da aplicação da técnica PCA: Grupo A - as variáveis foram agrupadas segundo a sua área de residência; Grupo B - as variáveis foram agrupadas pelo tipo de licença; Grupo C - as variáveis foram agrupadas pelos anos de experiência; Grupo D – as variáveis foram agrupadas pela época do ano que mais pescam; Grupo E – as variáveis foram agrupadas pela zona de pesca; Grupo F – as variáveis foram agrupadas pelo tipo de isco que utilizavam; Grupo G – as variáveis foram agrupadas pela quantidade de isco que utilizavam; Grupo H – as variáveis foram agrupadas pelos métodos de pesca e equipamento; Grupo I – as variáveis foram agrupadas consoante o que faziam aos restos que lhes sobravam de iscos. A tabela 1 apresenta as variáveis dos grupos acima citados, bem como a forma como foram agrupados e os valores atribuídos a cada uma das variáveis. FCUP Caracterização de duas populações de pescadores desportivos – algumas considerações ecológicas 14 AVEIRO(1) PORTO(1) CAPITANIA LICENÇA < 5 5 A 10 > 10 ANO VERÃO OUTONO AVEIRO(2) PORTO(2) COREANA(1) CASULO(1) BICHA(1) OUTROS(1) CASULO(2) COREANA(2) BICHA(2) 1 ANZOL 2 ANZÓIS 3 ANZÓIS GUARDA ÁGUA 1 0 0 1 0 0 1 0 1 0 1 0 1 0 0 0 0 1 0 0 0 1 1 0 0 1 0 1 0 1 0 0 1 0 1 0 0 1 0 0 1 0 0 1 0 0 1 0 1 0 1 0 0 0 1 0 1 0 1 0 0 1 0 0 1 0 0 1 0 0 1 0 1 0 0 1 0 0 1 0 1 0 1 0 0 1 0 0 1 0 0 1 0 0 1 0 1 0 0 1 0 1 0 0 1 0 1 0 1 0 0 0 1 0 0 0 0 1 1 0 1 0 1 0 0 0 1 0 1 0 1 0 0 0 1 0 0 1 0 1 0 0 1 0 1 0 1 0 0 0 1 1 0 0 1 0 0 0 1 0 1 0 0 0 0 1 1 0 1 0 1 0 0 0 1 0 1 0 1 0 1 0 0 0 0 0 1 1 0 0 1 0 1 0 1 0 0 0 1 0 1 0 1 0 1 0 0 0 1 0 0 1 0 0 1 0 1 0 0 1 0 0 1 1 0 0 1 0 0 0 0 1 0 1 0 1 0 0 1 0 1 0 0 1 0 0 1 0 1 0 1 0 1 0 0 0 0 0 1 1 0 0 0 1 0 1 0 1 0 0 1 0 0 1 1 0 0 0 1 0 0 0 0 1 0 0 0 1 0 1 1 0 0 0 1 0 1 0 1 0 0 0 1 0 1 0 0 1 0 0 0 1 1 0 0 1 0 0 1 0 1 0 0 1 0 1 0 0 1 0 0 1 0 0 0 1 1 0 1 0 0 1 0 0 1 0 1 0 0 1 0 0 0 0 1 0 1 0 1 0 1 0 1 0 0 0 1 0 1 0 1 0 0 0 0 1 1 0 0 0 1 0 1 0 1 0 0 1 0 0 1 0 1 0 1 0 1 0 0 0 1 0 0 1 0 0 0 1 1 0 1 0 0 0 1 0 1 0 1 0 0 0 1 0 0 0 1 0 0 1 1 0 1 0 0 1 0 0 1 0 0 1 1 0 0 0 0 1 1 0 0 1 0 0 1 0 1 0 0 1 0 0 1 1 0 0 1 0 0 0 0 1 1 0 0 1 0 0 0 1 1 0 0 1 0 1 0 1 0 0 1 0 1 0 0 0 1 0 0 0 0 1 0 1 1 0 0 1 1 0 0 0 1 0 1 0 0 1 0 0 1 0 0 0 0 1 1 0 1 0 0 1 1 0 0 1 0 0 1 0 0 1 0 0 0 0 1 0 0 1 1 0 1 0 1 0 0 0 1 0 0 1 1 0 0 0 1 0 1 0 0 0 1 0 1 0 1 0 1 0 0 0 1 1 0 0 1 0 0 1 0 0 1 0 0 0 0 1 1 0 1 0 1 0 0 0 1 1 0 0 1 0 1 0 0 0 0 1 0 0 0 1 1 0 0 1 0 1 0 1 0 0 1 0 0 1 1 0 0 0 1 0 0 1 0 0 0 1 1 0 0 1 0 1 0 0 1 0 1 0 0 0 1 0 0 1 0 0 0 1 0 1 1 0 0 1 0 1 0 0 0 1 1 0 0 1 0 0 0 0 1 1 0 0 0 1 1 0 0 1 0 1 0 0 0 1 1 0 1 0 0 0 1 0 0 1 0 0 1 0 1 0 0 1 1 0 0 0 1 0 1 0 0 0 1 0 0 0 1 0 0 1 0 1 1 0 0 1 0 1 0 1 0 0 1 0 0 0 0 1 0 0 1 1 0 0 1 0 1 0 0 1 0 1 0 0 1 0 1 0 0 0 1 0 1 0 0 1 0 0 0 1 1 0 0 1 0 1 0 0 1 0 1 0 0 1 0 0 1 0 0 1 0 0 1 0 1 0 0 1 0 1 0 0 1 0 1 0 0 0 1 0 0 0 1 1 0 0 1 0 0 1 0 1 0 0 1 0 1 0 1 0 0 1 0 0 1 0 0 1 0 0 0 1 0 1 0 1 0 1 0 0 1 0 1 0 0 1 0 0 0 1 0 1 0 0 1 0 1 0 0 1 0 0 1 0 0 1 1 0 1 0 0 0 0 0 1 1 0 0 1 0 1 0 0 1 1 0 0 0 1 0 1 0 0 0 1 0 1 0 0 1 0 0 1 0 1 0 0 1 0 0 1 0 1 0 1 0 0 1 0 0 1 0 0 0 1 0 0 1 1 0 0 1 0 0 1 0 1 0 1 0 0 1 0 0 1 0 0 1 0 0 0 1 1 0 0 1 0 1 0 0 0 1 1 0 0 1 0 0 1 0 1 0 0 1 0 1 0 1 0 0 0 1 0 1 0 1 0 0 0 1 0 0 1 0 1 0 0 1 0 1 0 1 0 0 0 1 1 0 0 1 0 0 1 0 0 0 1 0 1 0 0 0 1 1 0 1 0 0 0 1 0 1 0 1 0 0 1 0 0 0 0 1 0 1 0 0 1 1 0 1 0 0 0 1 1 0 0 1 0 1 0 0 0 0 1 0 0 1 0 1 0 1 0 0 1 0 1 0 0 1 0 1 0 0 1 0 0 0 0 1 0 1 0 1 0 0 1 0 1 0 0 1 0 1 0 1 0 1 0 0 0 0 1 0 0 1 0 0 1 1 0 0 1 0 0 1 0 1 0 1 0 0 0 1 0 0 0 1 0 1 0 0 1 1 0 0 1 0 0 1 1 0 0 1 0 1 0 0 0 0 0 1 1 0 0 1 0 1 0 1 0 0 0 1 0 1 0 1 0 0 0 1 0 0 0 1 1 0 0 0 1 1 0 0 1 1 0 0 0 0 1 1 0 1 0 0 0 1 0 0 1 0 0 0 1 1 0 0 1 1 0 0 0 0 1 1 0 0 1 0 0 1 0 0 1 0 0 0 1 1 0 0 1 0 0 1 0 1 0 0 1 0 0 1 0 1 0 0 0 1 0 0 1 1 0 0 1 0 1 0 0 1 0 1 0 0 1 0 0 0 0 1 1 0 0 0 1 1 0 0 1 0 1 0 0 1 0 1 0 0 0 1 0 0 0 1 0 1 0 1 0 1 0 1 0 0 0 1 1 0 0 1 0 1 0 0 0 0 0 1 0 0 1 1 0 1 0 0 1 0 0 1 0 0 1 1 0 0 1 0 0 0 1 0 0 1 0 0 1 1 0 0 1 0 0 1 0 1 0 1 0 0 1 0 0 0 0 1 1 0 0 0 1 0 1 0 1 0 1 0 0 1 0 1 0 1 0 0 0 0 0 1 1 0 0 1 0 0 1 0 1 0 0 1 1 0 0 1 0 1 0 0 0 1 0 0 1 0 0 1 0 0 1 0 1 0 0 1 1 0 0 1 0 1 0 0 0 0 1 0 1 0 0 1 0 0 1 0 1 0 0 1 1 0 0 1 0 1 0 0 0 0 1 0 1 0 0 1 0 0 1 0 1 0 0 1 0 1 0 1 0 0 0 1 0 0 1 0 1 0 0 1 0 0 1 0 1 0 0 1 1 0 0 1 0 0 0 1 0 1 0 0 1 0 0 1 0 0 1 0 1 0 1 0 1 0 0 1 0 1 0 0 0 0 0 1 1 0 0 0 1 0 1 0 1 1 0 0 0 1 0 1 0 1 0 0 0 1 0 0 1 0 0 0 1 0 1 0 1 0 1 0 0 0 1 1 0 1 0 0 0 0 1 0 1 0 0 1 0 0 1 0 1 0 0 1 0 0 1 1 0 0 1 0 0 0 1 0 1 0 0 1 0 0 1 0 1 0 0 1 0 0 1 1 0 0 0 1 0 1 0 0 1 0 0 1 0 0 1 0 1 1 0 0 0 1 0 1 0 0 1 0 0 0 1 0 1 0 0 1 0 0 1 0 1 0 1 0 0 0 1 1 0 0 0 1 0 0 0 1 1 0 0 1 0 0 1 0 1 0 1 0 0 1 0 1 0 1 0 0 0 1 0 0 1 0 0 1 0 0 1 0 1 0 0 1 0 1 0 1 0 0 0 1 0 1 0 0 1 0 0 1 0 0 1 0 1 0 1 0 0 0 1 1 0 1 0 0 0 0 0 1 1 0 0 1 0 0 1 0 1 1 0 0 0 1 0 1 0 1 0 0 0 0 1 0 1 0 0 1 0 0 1 0 1 1 0 0 0 1 0 1 0 0 1 0 0 0 1 0 1 0 0 0 1 0 1 0 1 1 0 0 0 1 0 1 0 0 0 1 0 1 0 0 1 0 0 0 1 0 1 0 1 0 0 1 0 1 0 1 0 0 1 0 0 0 0 1 1 0 0 0 1 0 1 0 1 0 0 1 1 0 0 1 0 1 0 0 0 0 1 0 1 0 0 1 0 0 1 0 1 0 0 1 1 0 0 1 0 1 0 0 0 0 1 0 0 1 0 1 0 1 0 0 1 0 1 0 0 1 0 1 0 1 0 0 0 0 1 0 1 0 0 0 1 1 0 0 1 0 1 0 0 1 0 1 0 1 0 0 0 0 1 0 1 0 0 0 1 1 0 0 1 0 1 0 0 1 0 1 0 0 1 0 0 1 0 0 0 1 0 1 0 0 1 0 1 0 1 0 0 1 0 1 0 0 0 1 0 0 1 0 0 1 0 0 1 0 1 0 1 0 1 0 0 1 0 1 0 0 0 1 0 0 1 0 0 0 1 0 1 0 1 0 1 0 1 0 1 0 0 1 0 1 0 0 0 0 0 1 0 1 0 1 0 0 1 0 1 0 0 1 1 0 0 1 0 0 0 1 0 1 0 0 1 0 0 0 1 0 1 0 1 0 1 0 0 1 0 1 0 0 1 0 0 0 1 0 1 0 0 0 1 0 1 0 1 0 1 0 0 1 0 1 0 0 0 1 0 0 1 0 0 1 0 1 0 0 1 0 1 1 0 0 0 1 0 1 0 0 0 1 0 0 0 1 1 0 0 0 1 0 1 0 1 0 1 0 0 1 0 1 0 1 0 0 0 0 1 0 1 0 0 1 0 Tabela 1. Tabela em excel com todas as variáveis do inquérito utilizadas para a elaboração dos resultados FCUP Caracterização de duas populações de pescadores desportivos – algumas considerações ecológicas 15 Fig.10 PCA - Gráfico com a projecção das variáveis analisadas no círculo de correlações correspondente aos dois primeiros factores Quando se utilizam todas as variáveis constantes do inquérito realizado (Fig. 10), é notória a diferença entre as duas zonas analisadas, Aveiro e Porto. Enquanto na área de Aveiro a maioria dos inquiridos estão inscritos na capitania, o que lhes permite ter barco para irem pescar no mar, no Porto todos têm apenas licença (anual). A experiência na prática desta atividade é bastante maior na zona de Aveiro, o que poderá ter que ver com o facto de muitos estarem inscritos na capitania e também pelo facto de pescarem durante todo o ano, ao contrário dos pescadores inquiridos na área do Porto que têm como preferência o outono. A utilização do tipo de isco também difere, sendo a coreana mais utilizada na zona de Aveiro. Quanto aos restantes iscos, o casulo e a bicha do mar, parecem ser mais utilizados pelos pescadores da zona do Porto. Em relação às sobras dos iscos, a maioria dos pescadores da zona de Aveiro guarda e reutiliza, enquanto os da zona do Porto deitam para a água. Em relação aos métodos utilizados, bem como aos aparelhos, os pescadores das duas zonas não diferem muito. Quase todos utilizam apenas um anzol. FCUP Caracterização de duas populações de pescadores desportivos – algumas considerações ecológicas 16 Fig. 11 PCA - Gráfico com a projecção dos vários inquiridos no espaço dos dois primeiros factores Na figura 11 é possível identificar três pescadores isolados. O pescador “14”, apesar de ser residente em Aveiro, pesca no Porto; o “27” é residente e pesca no Porto, mas usa maioritariamente (em relação aos outros pescadores do Porto), coreana. Já o pescador “54”, tal como o “14”, tem residência em Aveiro, mas pesca no Porto. Apesar de ser residente em Aveiro e ter experiência profissional superior a 10 anos, tem licença, ao contrário dos restantes residentes em Aveiro. É também dos poucos que pesca no Porto e usa 2 anzóis como aparelho de pesca. FCUP Caracterização de duas populações de pescadores desportivos – algumas considerações ecológicas 23 Fig. 18 PCA - Gráfico com a projecção das variáveis analisadas no círculo de correlações correspondente aos dois primeiros factores Quando se analisa a relação entre a época de pesca e a experiência (Fig. 18), verifica-se que, maioritariamente, os pescadores com mais anos de experiência pescam todo o ano (são os residentes em Aveiro) e no outono. Os restantes pescadores, com menos anos de experiência, pescam mais no verão, o que vai de encontro às análises realizadas anteriormente. FCUP Caracterização de duas populações de pescadores desportivos – algumas considerações ecológicas 24 Fig. 19 PCA - Gráfico com a projecção dos vários inquiridos no espaço dos dois primeiros factores A figura 19, indica a existência de dois pescadores que se destacam em relação aos restantes. O pescador “23” tem experiência inferior a 5 anos, é residente em Aveiro e pesca todo o ano. O pescador “53” tem experiência inferior a 5 anos, é residente em Aveiro e pesca apenas no outono. Por isso se destacam em relação ao resto dos pescadores, pois a maioria dos residentes em Aveiro, têm mais experiência e pesca todo o ano. FCUP Caracterização de duas populações de pescadores desportivos – algumas considerações ecológicas 25 Fig. 20 PCA - Gráfico com a projeção das variáveis analisadas no círculo de correlações correspondente aos dois primeiros factores A análise relativa ao tipo de isco utilizado (Fig. 20) mostra-nos que não existem diferenças significativas entre as duas zonas de pesca, Aveiro e Porto, relativamente ao tipo de isco utilizado. A principal diferenciação dos pescadores está associada ao segundo factor, e tem sobretudo a ver com a utilização, ou não, da coreana, relativamente ao casulo e à bicha, independentemente da área geográfica. FCUP Caracterização de duas populações de pescadores desportivos – algumas considerações ecológicas 26 Fig. 21 PCA - Gráfico com a projecção dos vários inquiridos no espaço dos dois primeiros factores A figura 21 mostra que há três pescadores que se destacam em relação aos restantes. O pescador “14” é residente em Aveiro, pesca mais no Porto e usa mais o casulo. O pescador “27”, é residente no Porto, pesca no Porto, e usa maioritariamente a coreana, sendo por isso que se destaca, pois a figura 21 mostra-nos que os pescadores de Aveiro são quem mais usa a coreana, em relação os pescadores do Porto. Por fim, o pescador “54” destaca-se porque, é residente em Aveiro, pesca mais no Porto e usa mais a bicha, em relação aos restantes pescadores do Porto. FCUP Caracterização de duas populações de pescadores desportivos – algumas considerações ecológicas 27 Fig. 22 PCA - Gráfico com a projecção das variáveis analisadas no círculo de correlações correspondente aos dois primeiros factores Quando se repete a análise anterior (Fig. 22), usando apenas os três tipos de isco mais frequentes, verifica-se que o casulo é usado maioritariamente pelos pescadores do Porto, enquanto em Aveiro se utiliza mais a coreana e a bicha. FCUP Caracterização de duas populações de pescadores desportivos – algumas considerações ecológicas 28 Fig. 23 PCA - Gráfico com a projecção dos vários inquiridos no espaço dos dois primeiros factores Na figura 23, o único pescador que aparece isolado é o pescador “12”, que é residente no Porto, pesca preferencialmente em Aveiro e utiliza a bicha em maior quantidade. FCUP Caracterização de duas populações de pescadores desportivos – algumas considerações ecológicas 29 Conclusões e considerações finais Da análise dos resultados obtidos com a realização deste trabalho, conclui-se que os pescadores foram bastante prestáveis na colaboração que deram relativamente ao preenchimento do inquérito, mesmo os mais velhos, que normalmente desconfiavam que muitos dos inquéritos fossem realizados por parte da autoridade marítima, o que podia pôr em causa o trabalho, e só com alguma insistência e a explicação convincente de que era para um projeto da Faculdade é que acabavam por responder. Todos os inquéritos realizados foram feitos a elementos do sexo masculino, não por escolha prévia, mas porque simplesmente não se encontraram elementos do sexo feminino e, quando se encontravam, diziam que apenas estavam acompanhar e que não pescavam, daí os resultados serem apenas relativos a pescadores masculinos. Esta é uma atividade que parece ser um escape à rotina familiar e de trabalho. Muitos dos inquiridos encontravam-se entre amigos e diziam que eram os momentos do dia em que podiam relaxar e confraternizar com os amigos ou familiares mais próximos. Muitos deles encontravam-se com os filhos mais novos. Neste trabalho pôde verificar-se, após as análises dos resultados, a existência de dois grupos com práticas de pesca distintas: os pescadores da zona de Aveiro e os pescadores da zona do Porto. A maior diferença entre eles é que, os pescadores da zona de Aveiro são os que apresentam maior experiência na atividade pesqueira. Como na zona onde maioritariamente foram elaborados os inquéritos, nas vilas de S. Jacinto e Torreira, existe uma grande predominância da pesca como profissão, e a realização desta prática é feita há muitos anos, essa tradição acaba por passar de geração em geração, tornando-se um hábito familiar e rotineiro. Muitos dos inquiridos estavam já reformados, e faziam desta prática um pretexto para estar com amigos e para levar algum sustento para casa, pelo que a praticavam durante todo o ano. São vilas mais tradicionais e pequenas, onde o convívio e a falta de recursos é muito maior do que em cidades grandes, não deixando, no entanto, de se mostrarem um povo feliz e com vontade e alegria no que fazem. Verificou-se também que, quando questionados acerca de estarem inscritos ou não na capitania, a maioria respondeu que sim. O facto de estarem inscritos na capitania (neste caso na capitania de Aveiro), permitia-lhes ter um barco e ir para alto mar pescar. Em alto mar as espécies são FCUP Caracterização de duas populações de pescadores desportivos – algumas considerações ecológicas 30 diferentes e muitos acabavam por as vender a outros pescadores ou estarem na rua para venderem a clientes de passagem ou também a turistas. Em relação ao isco utilizado, verifica-se que são pescadores que utilizam a coreana por, e passo a citar um dos pescadores, “se aguentarem mais tempo e ser um isco bastante bom para conseguir apanhar espécies diferentes e maiores”. Não deixam, mesmo assim, de usar a bicha do mar e o casulo, que muitos apanham pelas próprias mãos, compram a outros pescadores ou nas lojas, uma na vila de S. Jacinto e outra na vila da Torreira. Pelo contrário, quanto aos inquiridos na zona do Porto, a experiência é muito inferior aos residentes em Aveiro, pois maioritariamente não têm mais que 5 anos de experiência. São elementos que fazem da atividade pesqueira notoriamente um pretexto para o convívio entre amigos que se juntam depois do trabalho. São mais novos e para eles a prática da pesca desportiva como um complemento para o sustento pessoal e familiar não é uma prioridade, ao contrário dos residentes em Aveiro. Em relação ao isco utilizado, os residentes da zona do Porto utilizam mais o casulo e a bicha, que compram em lojas tanto no Porto como em Vila Nova de Gaia. Foram poucos os inquiridos que responderam que apanhavam o isco. Nos inquéritos realizados, todos os inquiridos utilizam como equipamento, uma cana, destorcedor, chumbeira (o tamanho da chumbeira terá que ver com os níveis de corrente da água e da profundidade), anzol e isco. O máximo de anzóis que pode ser utilizado é de três por cana, mas a maioria utilizava apenas um anzol. Nalguns dos gráficos foram sempre encontrados alguns pescadores isolados. Não porque fossem situações de extrema relevância, mas porque, de uma maneira ou de outra, se destacavam dos grupos formados pelos restantes inquiridos. A realização deste trabalho, no que se refere aos inquéritos efectuados e à notória prestabilidade dos inquiridos, foi bastante gratificante. O facto de todos se disponibilizarem e muitos nos ensinarem muitas das técnicas utilizadas e o porquê de utilizarem determinado isco, foi bastante enriquecedor. As dificuldades maiores foram a falta de bibliografia para suportar o trabalho, limitando a possibilidade de o tornar ainda mais enriquecedor. Muita da bibliografia encontrada eram referências existentes nos livros que foram consultados, mas que era de muito difícil acesso ou não se encontrava disponível de todo. FCUP Caracterização de duas populações de pescadores desportivos – algumas considerações ecológicas 31 Pensamos que, de futuro, poderá ser importante a realização de mais projetos deste género, nomeadamente, trabalhar mais profundamente com o único isco exótico utilizado pelos pescadores, a coreana. Depois de muita pesquisa, não foi encontrada bibliografia que fizesse a ligação entre esta espécie exótica e a atividade pesqueira, bem como que referisse os seus possíveis efeitos nefastos para os ecossistemas aquáticos. FCUP Caracterização de duas populações de pescadores desportivos – algumas considerações ecológicas 32 Bibliografia BASTROP, R.; BLANK, M. 2006. Multiple invasions – A polychaeta genus enters the Baltic Sea. Biological Invasions 8: 1195-1200. BASTROP, R.; JURSS, K.; STURMBAUER, C. 1998. Cryptic species in a marine polychaeta and their independent introduction from North America to Europe. Society for Molecular Biology and Evolution. 15(2): 97-103. 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