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Integração da Análise de Vida nas Práticas de Projectos de Edifícios

Tiago Filipe Resende Andrade

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INTEGRAÇÃO DA ANÁLISE CICLO DE VIDA NAS PRÁTICAS DE PROJETOS DE EDIFÍCIOS TIAGO FILIPE RESENDE ANDRADE Dissertação submetida para satisfação parcial dos requisitos do grau de MESTRE EM ENGENHARIA CIVIL — ESPECIALIZAÇÃO EM CONSTRUÇÕES Orientador: Professor Doutor Hipólito José Campos de Sousa JULHO DE 2013 MESTRADO INTEGRADO EM ENGENHARIA CIVIL 2012/2013 DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL Tel. +351-22-508 1901 Fax +351-22-5081446  [email protected] Editado por FACULDADE DE ENGENHARIA DA UNIVERSIDADE DO PORTO Rua Dr. Roberto Frias 4200-465 PORTO Portugal Tel. +351-22-508 1400 Fax +351-22-5081440  [email protected]  http://www.fe.up.pt Reproduções parciais deste documento serão autorizadas na condição que seja mencionado o Autor e feita referência a Mestrado Integrado em Engenharia Civil - 2012/2013 - Departamento de Engenharia Civil, Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, Porto, Portugal, 2013. As opiniões e informações incluídas neste documento representam unicamente o ponto de vista do respetivo Autor, não podendo o Editor aceitar qualquer responsabilidade legal ou outra em relação a erros ou omissões que possam existir. Este documento foi produzido a partir de versão eletrónica fornecida pelo respetivo Autor. Integração da análise ciclo de vida nas práticas de projeto de edifícios Aos meus Pais "Simple people, doing small things in unimportant places, united, can make extraordinary things happen." Dom Moarchy Grechi Integração da análise ciclo de vida nas práticas de projeto de edifícios i AGRADECIMENTOS Ao meu orientador, Professor Doutor Hipólito José Campos de Sousa, um agradecimento por todo o tempo que disponibilizou, pelo interesse, ajuda e dados que me forneceu para poder efetuar este trabalho. Ao Engenheiro Pedro Nuno Meda Magalhães, um sincero agradecimento por todo o tempo disponibilizado e por nunca se ter mostrado indisponível para discutir ideias e ouvir a minha opinião sobre o que pretendia para este trabalho, motivando-me sempre para tentar ir mais além. Aos meus amigos que sempre estiveram presentes quando foi preciso, e que me acompanharam nestes anos de curso. Ao Leandro, ao Silva, ao Rui, ao André, ao Jorge, ao Zé, ao Joca, ao Filipe, ao Pinto, e ao pessoal do ISEP, fica o meu agradecimento por todo o apoio e bons momentos passados. Aos meus amigos do andebol, Cunha, Paulo etc., um obrigado por todos os momentos bons juntos que ajudaram a que este momento ser possível. À Filipa, um agradecimento muito especial por todo o apoio incondicional, paciência e força que me transmitiu para ultrapassar todos os momentos mais difíceis deste percurso atribulado e sempre ter acreditado em momento onde nem eu acreditava. Um obrigado do fundo do coração. Por fim, agradeço à minha família por sempre me ter acompanhado e dado todas as condições e apoio incondicional. Um especial agradecimento à minha mãe e ao meu pai por nunca terem duvidado de mim. Integração da análise ciclo de vida nas práticas de projeto de edifícios iii RESUMO O desenvolvimento sustentável é um dos maiores desafios que o mundo atual e futuro enfrentam para manter a sobrevivência do ser humano. Sendo a construção uma das atividades que mais prejudica a saúde planetária no consumo de recursos naturais, energia e geração de resíduos, é essencial que se desenvolvam políticas, normas e metodologias para controlar e reduzir estes fatores neste setor. A metodologia Avaliação Ciclo de Vida (ACV) é admitida mundialmente como a ferramenta mais eficaz para apoiar o desenvolvimento sustentável e melhorar o desempenho do setor construtivo na perspetiva ambiental. Esta dissertação pretende desmistificar e explorar esta metodologia, explicando os passos necessários para a sua realização, as suas vantagens e limitações, e enquadra-la com as recentes normas europeias que utilizam esta abordagem para quantificar e avaliar a sustentabilidade dos trabalhos e produtos da construção. Neste sentido, procura-se ainda integrar e relacionar esta metodologia com os princípios propostos por diversos especialistas que se basearam nos documentos criados pelas diferentes cimeiras realizadas no âmbito da sustentabilidade. Estas referenciaram a atividade construtiva como crucial para atingir os fins previstos. A fim de explicitar a metodologia, realizar-se-á ainda um caso prático que ilustre o procedimento da avaliação ciclo de vida e a sua utilidade na tomada de decisão relacionada com a seleção de materiais de construção ambientalmente mais eficazes. Os dados a analisar provêm das declarações ambientais de produto que é um documento referenciado pelas normas europeias como uma excelente base de obtenção de dados para realização da avaliação. O caso de estudo vai abordar o desempenho ambiental e económico de duas soluções estruturais homólogas, constituídas por materiais diferentes, de um módulo de uma nave industrial. Pretende-se, utilizando a metodologia avaliação ciclo de vida (ACV), obter a solução teoricamente mais sustentável do ponto de vista ambiental associado à componente económica referente ao custo das soluções. PALAVRAS-CHAVE: Edifícios, Projeto, Sustentabilidade, Desenvolvimento Sustentável, construção sustentável, Avaliação Ciclo de Vida, Declarações Ambientais Produto Integração da análise ciclo de vida nas práticas de projeto de edifícios v ABSTRACT Sustainable development is one of the biggest challenges facing the world today and the future to maintain the survival of the human being. The construction, being one of the activities that most harms the global consumption of natural resources, energy and waste generation, it is essential to develop policies, standards and methodologies to control and reduce these factors in this industry. The Life Cycle Assessment methodology (LCA) is accepted worldwide as the most effective tool to support sustainable development and improve the performance of the construction sector in the environmental perspective. This dissertation aims to demystify this methodology, explaining the necessary steps for its implementation, its advantages and limitations, and it fits with the latest European standards that use this approach for quantifying and assessing the sustainability of construction works and building products. In this sense, we seek to further integrate and relate this approach with the principles proposed by several experts that were based on documents created by the various summits that took place in the context of sustainability. Those referred constructive activity as crucial to achieve the intended purpose. In order to explain the methodology, will make even a case study to demonstrate the procedure of assessment lifecycle and its usefulness in decision making related to the selection of building materials environmentally effective. The data come from the analysis of environmental product declarations is a document referenced by European standards as a great base for obtaining data to conduct the evaluation. The case study will address the environmental and economic performance of two homologous structural solutions consisting of different materials, a module of an industrial building and it is intended, using the life cycle assessment methodology, to obtain the solution theoretically more environmentally sustainable associated to the economic component related solutions cost. KEYWORDS: Buildings, Design, Sustainability, Sustainable Development, Sustainable Building, Life Cycle Assessment, Environmental Product Declarations Integração da análise ciclo de vida nas práticas de projeto de edifícios xii Figura 6.1 - Esquema das Soluções ....................................................................................................... 86 Integração da análise ciclo de vida nas práticas de projeto de edifícios xiii ÍNDICE DE QUADROS Quadro 2.1 - Objetivos propostos Agenda 21 [5] ................................................................................. 10 Quadro 3.1 - Barreiras para Implementação Construção Sustentável [20] ........................................... 35 Quadro 3.2 - Políticas de Incentivo á Construção Sustentável .............................................................. 39 Quadro 4.1 - Principais Ferramentas para avaliação da sustentabilidade de Edifícios ......................... 47 Quadro 4.2 - Indicadores norma ISO 21929-1:2011 [22] ..................................................................... 53 Quadro 4.3 - Normalização Europeia [35] ............................................................................................ 56 Quadro 5.1 - Etapa ACV - Objetivos e Âmbito .................................................................................... 70 Quadro 5.2 - Etapa Caraterização - Impactes Ambientais [46] ............................................................. 73 Quadro 5.3 - Aplicações e Utilizadores na metodologia ACV no setor construtivo [56] ..................... 80 Quadro 6.1 - Custos dos Materiais ........................................................................................................ 87 Quadro 6.2 - Peso Estrutura Betão Armado .......................................................................................... 88 Quadro 6.3 - Custos associados á Solução A ........................................................................................ 88 Quadro 6.4 - Peso Estrutura Metálica ................................................................................................... 89 Quadro 6.5 - Custos associados á Solução B ........................................................................................ 89 Quadro 6.6 - Indicadores e Metodologias Utilizadas na Avaliação ...................................................... 90 Quadro 6.7 - Cenários ACV .................................................................................................................. 91 Quadro 6.8 - Resultados dos indicadores ambientais no Cenário 1 ...................................................... 92 Quadro 6.9 - Resultados da Vertente Económica no Cenário 1 ............................................................ 93 Quadro 6.10 - Áreas de Pintura de cada perfil e respetiva fonte ........................................................... 95 Quadro 6.11 - Área Total de Pintura em cada perfil ............................................................................. 95 Quadro 6.12 - Quantidade necessária de Tinta e Primário .................................................................... 96 Quadro 6.13 - Resultados dos indicadores ambientais no Cenário 2 .................................................... 96 Quadro 6.14 - Resultados dos indicadores ambientais no Cenário 3 .................................................... 98 Quadro 6.15 - Resultados da Vertente Económica no Cenário 3 .......................................................... 99 Quadro 6.16 - Ponderações assumidas no cenário 1 e utilizadas em softwares .................................... 99 Quadro 6.17 - Ponderações utilizadas no Cenário 4 ........................................................................... 100 Quadro 6.18 - Resultados do cenário 4 ............................................................................................... 100 Integração da análise ciclo de vida nas práticas de projeto de edifícios xiv Integração da análise ciclo de vida nas práticas de projeto de edifícios xv SÍMBOLOS E ABREVIATURAS ACV - Avaliação Ciclo de Vida ou em inglês LCA – Life Cycle Assessment AHP – Analytic Hierarchy Process AICV – Avaliação Inventário Ciclo de Vida BEES – Building for Environmental and Economic Sustainability CE - Comissão Europeia CEN – European Committee for Standardization CFC’s – Clorofluorcarbonetos CIB – Comission International Building CNADS – Conselho Nacional para o Ambiente e Desenvolvimento Sustentável CNUAD – Comissão das Nações Unidas sobre o Ambiente e Desenvolvimento CV – Ciclo de Vida DAP - Declarações Ambientais do Produto ou em inglês EPD – Environmental Product Declaration DPC – Diretiva dos Produtos da Construção ENDS - Estratégica Nacional de Desenvolvimento Sustentável EU – União Europeia ICLEI – Internacional Council for Local Environmental Iniciatives ICV - Inventário Ciclo de Vida ISO – International Organization for Standardization LCC - Life Cycle Cost OCDE – Organização Cooperação e Desenvolvimento Económico ONU – Organização das Nações Unidas PDM – Plano Diretor Municipal PIB – Produto Interno Bruto PIENDS - Plano Implementação Estratégica Nacional de Desenvolvimento Sustentável PNUMA – Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente RCP – Regras Categoria Produto UNEP – United Nations Environment Protection USEPA - United States Environmental Protection Agency Integração da análise ciclo de vida nas práticas de projeto de edifícios 1 1 INTRODUÇÃO 1.1 CONSIDERAÇÕES INICIAIS O planeta Terra, em meados do século XX, sofreu um grande aumento populacional e avanços tecnológicos que se traduziram numa explosão da qualidade da vida quotidiana do homem, mas simultaneamente, numa degradação massiva e descontrolada do meio ambiente que pode ter repercussões irreversíveis na história da humanidade. A existência do ser humano tem sido posta em causa devido a utilização indevida de recursos naturais, ao aquecimento global e à produção de resíduos, o que induziu uma abordagem de destaque nas convenções internacionais em relação a estes assuntos ambientais, nomeadamente, encontrar formas de atenuar e se possível eliminar a pressão ambiental a que o planeta Terra está a ser sujeito. Com a presença deste dilema na ordem do dia, foram criados e estabelecidos vários tratados e normas a fim de conter e gerir os recursos de forma a reduzir ao máximo estes impactes ambientais através de politicas de promoção da sustentabilidade, entre as quais, a utilização de diversas metodologias e ferramentas de análise do desempenho ambiental de várias atividades, dos quais de destaca neste contexto, a construção. A construção é um setor responsável por grande parte dos impactes ambientais causados, e sendo estes uma preocupação cada vez mais vincada nas sociedades atuais, o seu controlo e gestão nesta atividade tem evoluído consideravelmente. Com este pensamento, o setor construtivo sofreu uma alteração radical ao nível de conceção e emergiu o conceito de “construção sustentável”. Paralelamente a este conceito, surgiram no mercado novos materiais e produtos considerados mais sustentáveis que os tradicionalmente utilizados mas que suscitam algumas questões. Estes materiais designados “sustentáveis” apresentam a mesma função e eficácia dos convencionais utilizados? Pois só faz sentido afirmar que são melhores em termos sustentáveis se estiver comprovado previamente que a sua eficácia funcional é equivalente aos materiais convencionais. Neste campo a necessidade de analisar estes materiais, nomeadamente, o seu comportamento durante todo o ciclo de vida dos edifícios é imprescindível para avaliar a sua sustentabilidade. No encontro desta necessidade surge uma metodologia denominada avaliação do ciclo de vida que é considerada uma ferramenta valiosa de aferição do impacte ambiental da construção tanto dos materiais que a constituem como de todo o edifício. Esta ferramenta é reconhecida como a mais adequada para este fim e encontrase normalizada mundialmente no âmbito da gestão ambiental. No espaço europeu e no âmbito da sustentabilidade dos trabalhos de construção, surgiram recentemente várias normas que têm como base esta abordagem ciclo de vida e que se destinam a padronizar e facilitar Integração da análise ciclo de vida nas práticas de projeto de edifícios 2 a interpretação dos resultados das avaliações da sustentabilidade dos edificados. Estas normas pretendem, a comparação de soluções construtivas, com vista uma maior sustentabilidade dos trabalhos da construção. 1.2 ÂMBITO E OBJETIVOS Os principais objetivos do presente trabalho são:  Sistematizar o conhecimento referente ao conceito de desenvolvimento sustentável e a importância do setor da construção nesse campo;  Apresentar o conceito de construção sustentável, bem como, os seus princípios, impactes ambientais, barreiras e políticas para a promover na sociedade atual;  Referenciar os diferentes instrumentos e ferramentas que apoiam a construção sustentável no âmbito da sua contribuição e dificuldade de integração nos edificados;  Focar a normalização internacional existente e explicitar o conteúdo das recentes normas europeias para a sustentabilidade dos trabalhos da construção e o seu papel na avaliação da sustentabilidade;  Explicar a metodologia avaliação ciclo de vida, nomeadamente, o seu procedimento, as suas vantagens e limitações, apoiadas pela normalização internacional e evidenciar as adaptações e particularidades no setor da construção;  Aplicação da metodologia a um caso de estudo de forma a clarificar o seu procedimento e as suas potencialidades na tomada de decisão, mais especificamente, na seleção de materiais de construção. 1.3 ORGANIZAÇÃO DA DISSERTAÇÃO A dissertação está estruturada em sete capítulos. O capítulo 1 apresenta um enquadramento geral do tema e os objetivos que se pretendem alcançar com este trabalho. O capítulo 2 apresenta o início do estado da arte onde se abordam as principais causas para a insustentabilidade atual e se faz um enquadramento histórico da evolução do conceito de desenvolvimento sustentável referenciando as principais cimeiras e documentos que fundaram o conceito. Foca-se o estado atual de Portugal no âmbito da sustentabilidade e as estratégias criadas para integrar os seus princípios na sua sociedade. Destaca-se ainda a importância do setor da construção no âmbito do desenvolvimento sustentável e a situação crítica da regeneração da Terra recorrendo ao conceito de Pegada Ecológica. O capítulo 3 aborda o surgimento da construção sustentável e os seus princípios base a ter em conta nas práticas construtivas. Faz-se referência à mudança de paradigma na construção e aos impactes ambientais, económicos e sociais provocados pelo setor da construção, associando o papel que os mesmos têm em cada uma das fases do ciclo de vida de um edifício. Abordam-se ainda as barreiras existentes á implementação da construção sustentável e as soluções propostas pela Comissão Europeia a fim de extinguir as mesmas. No capítulo 4 enunciam-se os instrumentos e ferramentas para a conceção e avaliação da sustentabilidade dos edifícios, realçando as maiores dificuldades de realização das avaliações dado as caraterísticas únicas do setor construtivo. Ainda neste seguimento, expõe-se e explica-se o conteúdo das normas europeias que apoiam este tema, realçando as partes mais importantes e relacionadas com a metodologia ACV (LCA). Integração da análise ciclo de vida nas práticas de projeto de edifícios 3 No capítulo 5 realiza-se uma abrangente abordagem da metodologia ACV (LCA), nomeadamente o seu papel na avaliação da sustentabilidade. Evidencia-se o procedimento devidamente fundamentado pela norma internacional, bem como, os métodos e ferramentas que auxiliam na realização do método e ainda as vantagens e limitações inerentes. O capítulo 6 introduz e desenvolve o caso prático, onde se vai aplicar a metodologia referida a um estudo de caso concreto constituído por diversos cenários. A análise e obtenção de diferentes resultados visa uma melhor compreensão do funcionamento do método e dos seus objetivos aplicados à atividade construtiva. O capítulo 7 e último, pretende sistematizar em conclusões o trabalho realizado, tirando ilações sobre a qualidade dos resultados obtidos, nomeadamente, o seu enquadramento com as expectativas iniciais, conclusões significativas e adequação da metodologia ao propósito do estudo elaborado. Finalmente, enumeram-se propostas futuras de trabalho, designadamente em áreas que permitam melhorar os princípios explicitados neste trabalho, assim como outras perspetivas de abordagem á sustentabilidade dos trabalhos de construção. Integração da análise ciclo de vida nas práticas de projeto de edifícios 5 2 DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL 2.1 INTRODUÇÃO O objetivo deste capítulo passa essencialmente por explicitar o cenário mundial no âmbito da sustentabilidade, explicando as razões que provocaram a instabilidade sentida, e realizar um enquadramento histórico desde o aparecimento do conceito “desenvolvimento sustentável” e percorrendo a sua evolução até aos dias de hoje. A evolução do conceito é acompanhada e fundamentada pelas principais cimeiras mundiais e documentos que a partir delas foram gerados, e que originaram e moldaram este conceito ao longo dos tempos. No final do presente capítulo realiza-se uma atualização da situação portuguesa no âmbito da sustentabilidade, citando as estratégias que foram definidas e estipuladas para atingir o acordado nas cimeiras internacionais. 2.2 APARECIMENTO DE UM PARADIGMA MUNDIAL Ao longo dos tempos a população mundial tem vindo a crescer. Este crescimento é mais substancial nos últimos 2 séculos, onde nasceu cerca de 80% da população que habita o nosso planeta. Como tal, o consumo de recursos naturais aumentou exponencialmente. Este facto decorre não só das sociedades serem mais numerosas, mas também pela evolução ao nível tecnológico e dos padrões de qualidade de vida e conforto empregues por essas sociedades. Estima-se que nos últimos 40 anos aproximadamente, com a duplicação da população mundial, como mostra a Figura 2.1, associada a duplicação média da qualidade de vida também, houve uma quadruplicação do consumo de recursos e como consequência, um impacte ambiental alarmante. Nesta ideologia, na segunda metade do século passado surge uma consciencialização que as atividades destrutivas do ser humano estavam a afetar seriamente o nível de recursos inorgânicos, que não são inesgotáveis, a biodiversidade das espécies e quantidade de resíduos produzidos. Portanto, continuar a utilizar sistemas energéticos sustentados por fontes de energia não renováveis e manter o destinatário dos resíduos produzidos não podia prosseguir. Com esta consciencialização o ser humano apercebeu-se que a sobrecarga provocada ao planeta pelas suas atividades pode induzir a uma destruição massiva e irreversível do seu habitat e do meio ambiente. Integração da análise ciclo de vida nas práticas de projeto de edifícios 12 Figura 2.6 - Cimeira Mundial para o Desenvolvimento Sustentável [8] 2002 - CIMEIRA MUNDIAL PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL – CIMEIRA DE JOANESBURGO RIO +10 O segundo encontro das Nações Unidas, teve lugar na Africa do Sul para realizar uma avaliação das evoluções, ao fim de uma década da ECO-92, ao nível ambiental e do compromisso acordado pelos líderes mundiais nessa cimeira. Esta conferência teve como foco principal abordar o progresso realizado na implementação das metas estabelecidas na Agenda 21 e ajustar as partes que dificultavam essa implementação, assim como adaptar novas estratégias com vista a resolução dos problemas mais críticos. Um dos pontos destacados deste evento foi a confirmação absoluta que o desenvolvimento sustentável se baseia no equilíbrio de três pilares correlacionados e reciprocamente sustentadores – ECONOMIA, SOCIEDADE E AMBIENTE. Na sequência destes debates, esta cimeira criou dois documentos que vieram afirmar ainda mais a importância do desenvolvimento sustentável no mundo atual, e aperfeiçoar as estratégias da sua implementação denominados:  Johannesburg Declaration on Sustainable Development  Johannesburg Implementation Plan 2012 – CONFERÊNCIA DAS NAÇÕES UNIDAS SOBRE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL - RIO +20 A Rio+20 foi a mais recente conferência realizada em Junho de 2012 no Rio de Janeiro, com vista a fazer um ponto da situação na temática do desenvolvimento sustentável. Esta conferência ficou assim conhecida pois assinalou 20 anos da célebre conferência Rio-92, e contribuiu essencialmente para definir a agenda do desenvolvimento sustentável para as difíceis décadas que se avizinham. Importa referir que esta cimeira fez a análise do estado atual do desenvolvimento sustentável no planeta e muitas contestações foram feitas pela falha nos compromissos assumidos nas anteriores cimeiras. Integração da análise ciclo de vida nas práticas de projeto de edifícios 13 A referida conferência baseou-se em 2 temáticas principais:  Erradicação da pobreza mundial e economia verde no âmbito do desenvolvimento sustentável;  A estruturação das instituições com vista o desenvolvimento sustentável. Nesta ideologia, o objetivo principal consistiu na renovação do compromisso político assumido pelos líderes mundiais nas anteriores cimeiras do desenvolvimento sustentável, através da avaliação do progresso realizado e das falhas de implementação de decisões anteriormente tomadas nessas cimeiras. Também foram discutidos e abordados novos assuntos nesta temática. Existem várias diferenças entre esta conferência e a Rio-92. Segundo declarou o porta-voz adjunto da Rio+20 Giancarlo Summa, na Rio-92, “foram assinadas convenções importantes para o meio ambiente. Agora isso não vai acontecer. Não vamos assinar convenções, mas vamos firmar grandes acordos globais para desenvolvimentos sustentáveis”, reforçando assim a ideia de renovação de compromissos. Este reforçou ainda que esta “É uma conferência que tem um alcance muito mais abrangente sobre o desenvolvimento económico, social, ambiental, as cidades sustentáveis e a prevenção de desastres naturais”, sugerindo que da Rio+20 iria surgir um acordo sobre os objetivos do desenvolvimento sustentável a implementar a partir de 2015. Durante a conferência surgiram várias declarações importantes proferidas por diferentes organismos acerca da situação atual do mundo e que de seguida se enunciam. Na vertente ambiental, a geógrafa Magda Lombardo afirmou que “Em relação à questão ambiental, nesse período [de 92 a 2012] vimos pouca prática de ações efetivas em todo o planeta. Há muita desigualdade de práticas sustentáveis. Na Ásia e África, por exemplo, as práticas são quase nulas. Com exceção de algumas regiões da Ásia”. Esta afirmação explícita que muito poucas propostas da Rio-92 não passaram de ideias e os compromissos assumidos não foram cumpridos. Nesta ideologia, o professor Alexandre Nodari também assegurou que “como não era um convênio, um tratado, ela ficou como sugestão. Pouco foi adotado, a Agenda 21 foi esquecida quase que na íntegra”, expondo a realidade explícita da evolução nos últimos 20 anos. Apesar de toda a controvérsia, surgiu desta conferência sobre o desenvolvimento sustentável um documento final que tem como denominação “O FUTURO QUE QUEREMOS”. Este documento é constituído por 53 páginas, que contêm 6 capítulos que abordam 25 temáticas das quais se realçam a erradicação da pobreza, segurança alimentar, água, energia, saúde, emprego, oceanos, mudanças climáticas, consumo e produção sustentáveis. O conteúdo consiste essencialmente Figura 2.7 - Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável [9] Integração da análise ciclo de vida nas práticas de projeto de edifícios 14 na reafirmação dos princípios estabelecidos nas cúpulas anteriores e reforça a importância “de acelerar os esforços” para aplicar os compromissos assumidos. Nesta declaração são focados vários temas dos quais se apresentam os mais relevantes para a presente tese. No 1º capítulo, é referido o reforço dos compromissos para com o desenvolvimento sustentável. “Nós, Chefes de Estado e de Governo, e representantes de alto nível, reunidos no Rio de Janeiro, Brasil, de 20 a 22 de Junho de 2012, com a plena participação da sociedade civil, renovamos o nosso compromisso com o desenvolvimento sustentável e com a promoção de um futuro económico, social e ambientalmente sustentável para o nosso planeta e para as atuais e futuras gerações.” [10] “Afirmamos, portanto, a necessidade de uma melhor integração dos aspetos econômicos, sociais e ambientais do desenvolvimento sustentável em todos os níveis, e reconhecemos as relações existentes entre esses diversos aspetos para se alcançar o desenvolvimento sustentável em todas as suas dimensões.” [10] No contexto ambiental, importa realçar o tópico 87 abaixo citado. “Reafirmamos a necessidade de fortalecer a governança ambiental internacional no contexto do quadro institucional para o desenvolvimento sustentável, a fim de promover uma integração equilibrada da situação económica, social e ambiental, dimensões do desenvolvimento sustentável, bem como a coordenação dentro do sistema das Nações Unidas.”. [10] Contudo, analisando friamente os resultados da Rio+20, denota-se uma preocupação crescente da humanidade em conservar o nosso planeta. No entanto, é importante realçar que muitas ideias não irão passar disso mesmo devido a vários fatores como falta de recursos financeiros, tempo ou objetividade. Em resumo, acredita-se que após tantas desavenças e obstáculos ultrapassados, o mundo se mobilizará no sentido de ajudar o planeta a sair da situação crítica onde se encontra. Para tal, o papel de cada ser humano é fundamental, na medida em que, um simples ato é uma contribuição válida para o desenvolvimento sustentável e para o futuro do planeta Terra. 2.4 ENQUADRAMENTO HISTÓRICO DESENVOLVIMENTO HISTÓRICO EM PORTUGAL Portugal iniciou o seu trajeto rumo ao desenvolvimento sustentável após os documentos que marcaram a política ambiental, mesmo antes das vertentes económicas e sociais se integrarem no modelo de desenvolvimento. Existem vários marcos históricos importantes, como a aprovação da Lei de Bases do Ambiente (1987), o Plano Nacional de Política de Ambiente (1995) que referiu o desenvolvimento sustentável como um objetivo incontornável e a criação do Conselho Nacional para o Ambiente e Desenvolvimento Sustentável em 1997. No entanto, o marco mais notável ocorreu em Fevereiro 2002 quando o XIV Governo Constitucional iniciou o processo de elaboração da ENDS, que em Maio desse mesmo ano veria já ser aprovadas as suas linhas gerais de orientação. Anos passaram, e em Janeiro de 2004 foi dado mais um passo importante que teve como resultado a aprovação dos objetivos, estratégias e linhas de orientação da ENDS, e ainda um encaminhamento para a elaboração de um PIENDS num futuro próximo. O fim de todo este processo iniciado em 2002, culminou com a conclusão e aprovação da ENDS e do seu plano de implementação em Março de 2005. No entanto, só em 2006 é que se realizou uma iniciativa que resultou na publicação de uma nova versão e definitiva do documento realçando a contribuição do CNADS na metodologia para elaboração dos documentos. Em resumo, a versão final da ENDS e PIENDS foi aprovada pelo XVII Governo Constitucional em Dezembro de 2006. [11] Integração da análise ciclo de vida nas práticas de projeto de edifícios 15 A ENDS e respetivo PIENDS surgem assim da iniciativa da Conferencia das Nações Unidas sobre Ambiente e Desenvolvimento (CNUAD) do Rio de Janeiro em 92, e reforçada no Rio +5 e Rio +10, onde os líderes mundiais asseguraram o compromisso que tinham realizado para o desenvolvimento sustentável. A Agenda 21 e restantes declarações materializaram o estímulo para os governos desenvolverem estratégias nacionais rumo ao desenvolvimento sustentável, criando documentos estratégicos que fortalecessem e articulassem as políticas nacionais para o ambiente, economia e assuntos de cariz social. Interligação Agenda 21 com Agenda 21 Local e ENDS No contexto português, a ENDS tem como âmbito implementar um ambiente sustentado em todos os parceiros sociais, e como tal, define que um dos instrumentos fundamentais para a sua implementação são as Agendas 21 Locais. A sua adesão começa a ter significado, pois segundo um estudo da Universidade Católica Portuguesa em 2011, Portugal apresentava 167 processos de Agenda 21 Local em decurso, o que significa uma abrangência de metade da população portuguesa. Contudo, estes processos ainda não estão todos ativos. Figura 2.8 - Processo Agenda 21 [12] Integração da análise ciclo de vida nas práticas de projeto de edifícios 16 2.5 INFLUÊNCIA NO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL DO SETOR DA CONSTRUÇÃO E A SUA IMPORTÂNCIA IMPACTE GLOBAL DA INDUSTRIA CONSTRUTIVA Como mencionado, as atividades humanas acompanharam este brutal crescimento populacional, nomeadamente, uma atividade considerada como fulcral em qualquer sociedade, a construção. O ambiente construído segue o ser humano ao longo da sua história, estabelecendo a identidade e uma forma de organização das sociedades, induzindo uma sensação de intimidade de tal forma que tornam as cidades num local agradável para as pessoas habitarem. Contudo, devido às exigências crescentes de desenvolvimento social, tais como, o aumento da população e da sua qualidade de vida, a construção necessita de consumir imensos recursos naturais e produzir grandes quantidades de resíduos provocando assim um impacte ambiental muito significativo, merecendo por isso uma especial atenção. A atividade construtiva encontra-se profundamente interligada com o conceito de desenvolvimento sustentável pois tem uma grande influência em cada um dos pilares. Estas estimulam efeitos económicos e sociais, bem como, grandes efeitos ambientais relacionados com a ocupação e o uso do solo, consumo de recursos, produção de resíduos e alteração dos ecossistemas naturais.[13] Nesta indústria, e mais concretamente no que diz respeito ao parque edificado, de acordo com dados da união europeia e outras entidades, é responsável pelos seguintes aspetos [14,15]:  40% do consumo de materiais produzidos e 55 % da madeira extraída;  42% da energia utilizada para aquecimento e iluminação;  35% de emissões de gases com efeito de estufa;  10% do PIB dos países;  7% dos postos de trabalho do planeta; A confrontação com os presentes dados deve levar à consciencialização que é necessária uma mudança na ideologia de utilização de processos construtivos tradicionais e uma modificação das práticas de conceção, construção, manutenção e demolição dos edifícios com vista á introdução de melhorias no desempenho ambiental e económico do edificado, e como consequência, a melhoria na qualidade de vida das sociedades.[14,15] No entanto, a implementação desta ideologia tem diversos entraves e barreiras que serão abordadas com maior detalhe no capítulo 3. PEGADA ECOLÓGICA Constatando a informação referida, o setor construtivo é responsável por parte das marcas de degradação ambiental causada pelo Homem no planeta Terra. Neste contexto, a evolução negativa crescente dessas marcas tornou-se de tal forma significativa, que dois especialistas idealizaram um modo de quantificalas. A esse conceito foi dada a denominação de Pegada Ecológica. Pegada Ecológica tem como principal objetivo a determinação da superfície da Terra necessária para suportar o consumo de recursos naturais e a absorver os resíduos gerados por um indivíduo, uma sociedade, uma atividade, uma organização, um edifício ou um país, num ano. [13] Assim, ela viabiliza a avaliação dos impactes na natureza, bem como a quantificação e previsão do sucesso ou insucesso das medidas implementadas tendo em vista a melhoria da ecoeficiência. Integração da análise ciclo de vida nas práticas de projeto de edifícios 17 A Pegada Ecológica foi concebida para o melhor entendimento da quantidade de recursos naturais necessária para suportar a nossa vida quotidiana, incluindo, a nossa casa, roupa, comida, transportes etc. Este conceito não pretende avaliar estes aspetos com precisão, mas sim estimar o impacto que a nossa vida tem no planeta, tendo em conta a sua capacidade de disponibilização e renovação de recursos naturais e absorção de resíduos e poluentes gerados. Atualmente a situação revela-se crítica, pois como podemos observar na figura a capacidade regenerativa do planeta não acompanha as nossas necessidades e a tendência é para continuar a aumentar. A procura anual sobre o meio ambiente excedeu de tal forma a capacidade da Terra que esta em 2008 para se regenerar, ao nível de recursos naturais e absorção de resíduos e poluentes, necessita de 1,5 planetas. [17] Para melhor entendimento da figura expressa em cima, realiza-se uma explicação mais pormenorizada. A capacidade regenerativa do planeta pode ser expressa num parâmetro denominado de Bio capacidade. Este quantifica a capacidade que o meio ambiente tem para produzir recursos renováveis, fornecer solo para ambientes construídos e absorção de resíduos, tanto sólidos como atmosféricos. Figura 2.9 - Ilustração Animada da Pegada Ecológica Mundial [16] Figura 2.10 - Evolução da Pegada Ecológica Mundial [17] Integração da análise ciclo de vida nas práticas de projeto de edifícios 18 Como tal, a Bio capacidade atuando como uma referência ambiental pode ser comparada com a Pegada Ecológica. Para esse processo ser viável ambos expressam-se na mesma unidade, mais especificamente, em hectares globais (gha). Esta unidade representa um hectare biologicamente produtivo pela produtividade média mundial. Essa comparação é apresentada na figura. Analisando-a, retiram-se várias ilações relevantes. Em 1970, tanto a Bio capacidade como a Pegada Ecológica possuíam o mesmo valor, o que significa que a regeneração da Terra conseguia acompanhar as necessidades das pessoas e atividades que nela ocorriam. No entanto, com o passar dos anos, as exigências humanas foram aumentando cada vez mais, como tal, o planeta deixou de ter capacidade para acompanhar tais exigências. Segundo os dados mais recentes (Figura), em 2008, a bio capacidade da Terra situava-se nos 1,8 gha por habitante enquanto a Pegada Ecológica nos 2,7 gha por habitante. Esta disparidade significa que o planeta necessita de 1,5 anos para regenerar totalmente o que as pessoas utilizam num ano. [17] Visto isto, entende-se perfeitamente que a situação afigura-se gravosa e que é necessário uma mudança urgente desta tendência a fim de não atingir um estado irreversível. Como tal, sendo a construção uma atividade com um grande contributo para este cenário, esta requer um especial cuidado e uma evolução nesta temática. Figura 2.11 - Relação Capacidade Regenerativa da Terra e a Pegada Ecológica [17] Integração da análise ciclo de vida nas práticas de projeto de edifícios 19 3 CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL 3.1 INTRODUÇÃO Neste capítulo pretende-se abordar as necessidades de sustentabilidade na atividade construtiva. Pretende-se ainda sintetizar o caminho evolutivo do desenvolvimento sustentável ao longo dos tempos expondo as alterações do pensamento “construção sustentável” e frisando os princípios base para a sua implementação. Expõem-se os impactes gerados durante todo o ciclo de vida edifício referenciando os impactes principais inerentes a cada um das fases que compõem esse ciclo. Seguidamente são identificadas as barreiras normalmente encontradas ao nível global e que dificultam a implementação da construção sustentável, explicando as mais ambíguas, tendo em vista o entendimento e sensibilização das dificuldades associadas a esta matéria. 3.2 IMPORTÂNCIA DA CONSTRUÇÃO PARA O SER HUMANO Com o surgimento da consciencialização que a preservação do ambiente era algo fulcral para a garantia da continuidade futura do ser Humano, algumas atividades começaram a ser abordadas mais cuidadosamente no âmbito da exploração de recursos e consumo energético, nomeadamente, uma das consideradas mais consumistas, a construção. É incontornável a importância deste setor para o desenvolvimento sustentável e a ação que tem nos seus 3 pilares. Em média, 90% do tempo das pessoas é passado dentro de edifícios, tanto para trabalhar como para habitar. A influência da construção nestes pilares objetiva-se sobretudo nos seguintes aspetos:  AMBIENTAL Os edifícios são grandes consumidores de recursos naturais e de energia durante toda a sua existência, desde a sua conceção, construção, utilização e manutenção.  ECONÓMICO A construção é das atividades com mais impacto e que mais dinheiro movimenta na economia de um país, pois para além das infraestruturas serem bastante dispendiosas, os edifícios de serviços e indústrias albergam milhões de postos de trabalho que são, a fonte de rendimento das populações. Integração da análise ciclo de vida nas práticas de projeto de edifícios 20  SOCIAL A qualidade de vida e conforto do ser humano é fortemente dependente do ambiente construído, da qualidade das habitações e dos equipamentos existentes e disponíveis para a utilização no quotidiano. Face ao exposto, parece ser possível afirmar que é inquestionável a importância deste setor para o Homem.[18] A construção civil está associada a um grande consumo de matérias-primas na fase de conceção, a um consumo muitas vezes excessivo de energia e água e a uma produção de resíduos na fase de utilização, isto originado, essencialmente, pela má gestão dos processos em estaleiro e por debilidades dos processos e soluções previstos e especificados na fase de projeto (conceção). Neste contexto, há uma necessidade e preocupação crescentes com a redução destes aspetos, diminuindo os impactes ambientais por eles gerados e tornando, naturalmente, as realizações mais sustentáveis.[19] No entanto, um empreendimento para ser considerado como “sustentável” não pode apenas ter em conta a parte ambiental, mas sim, as 3 dimensões fundamentais do desenvolvimento sustentável – ambiente, economia e sociedade. Genericamente, construção sustentável é idealizada como a réplica da indústria da construção para alcançar os objetivos do desenvolvimento sustentável. [20] 3.3 SURGIMENTO DA CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL Embora seja uma questão central da atualidade, o conceito de construção sustentável não é de agora, surgiu á cerca de 20 anos atras, tendo sido apresentado na Primeira Conferencia Internacional sobre a Construção Sustentável pelo Prof. Charles Kibert. Esta é a definição mais consensual do conceito e que serviu de base para outras definições posteriores. Nesta ideologia, e estabelecendo que os materiais, energia, água e solo eram os recursos mais relevantes na prática da indústria construtiva, Charles Kibert instituiu 7 princípios, que se fossem seguidos pelos decisores na fase de conceção e tendo em conta cada uma das fases do ciclo de vida dos edifícios, encaminhavam para o considerado edifícios sustentáveis. Estes princípios, presentes na Figura 3.2, aplicam-se assim desde o projeto preliminar até à disposição final dos materiais para o meio ambiente (demolição), pois todas as fases do ciclo de vida de um edifício são importantes para a sua sustentabilidade. Construção Sustentável é definida como “a criação e manutenção responsáveis de um ambiente construído saudável, baseado na utilização eficiente de recursos e em princípios ecológicos”. Figura 3.1 - Âmbito Construção Sustentável para Charles Kibert [21] Integração da análise ciclo de vida nas práticas de projeto de edifícios 21 Mais recentemente, uma equipa de trabalho denominada CRISP (Construction and city related sustainable indicators), estabeleceu uma definição para “construção sustentável” que foi adotada pela norma ISO TS 21929-1 e está expressa na Figura 3.3. Esta definição vem assim contra a ideologia de que a construção sustentável é apenas a minoração dos impactes ambientais provocados pelas edificações, e defende que, para além da vertente ambiental, a qualidade e conforto da população global é algo relevante e a ter conta. [20] OCDE – CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL Em 1998, o ministro Japonês do ambiente solicitou o desenvolvimento um projeto denominado “Sustainable Building” à Organização Cooperação e Desenvolvimento Económico com o objetivo de providenciar orientações para a definição de políticas de redução dos impactes ambientais da construção, mais especificamente dos edifícios. De tal estudo surgiram várias propostas e documentos, contendo reflexões e pensamentos das políticas para a sustentabilidade do edificado, barreiras e possíveis melhorias. Na sequência das barreiras “Com a construção sustentável pretende-se que os produtos da indústria da construção satisfaçam os necessários requisitos funcionais com o menor impacte ambiental possível, enquanto promovem melhorias a nível económico, social e cultural à escala local, regional e global” Figura 3.2 - Princípios de Kibert para a Construção Sustentável [21] Figura 3.3 - Definição Construção Sustentável para a CRISP [22] Integração da análise ciclo de vida nas práticas de projeto de edifícios 28 IMPACTES AMBIENTAIS 3.5.3.1 Tipologia de impactes ambientais A dimensão ambiental é o âmbito da presente tese, e como tal, vai merecer uma análise mais aprofundada do que as outras 2 dimensões. No entanto, destaque-se uma afirmação realizada no início do presente capítulo, que dizia que uma construção só pode ser considerada como “sustentável” se atender às 3 dimensões do desenvolvimento sustentável. Interpretando a referida frase, depreende-se que as outras dimensões apesar de não serem abordadas tão profundamente como a ambiental, são igualmente importantes para o fim da sustentabilidade. Em todo o seu ciclo de vida, uma edificação induz cargas e impactes ambientais de vários tipos no ambiente. Como tal, é importante entender a forma como atuam e danificam o meio com vista à criação de medidas que os possam minorar ou até eliminar. Na Figura 3.11 apresenta os impactes e cargas decorrentes de uma edificação. Figura 3.11 - Impactes e Cargas decorrentes de uma Edificação [24] Integração da análise ciclo de vida nas práticas de projeto de edifícios 29 Estes impactes têm naturezas distintas, portanto, para facultar um melhor entendimento e organização destes criaram-se modelos para os agrupar. O agrupamento dos impactes ambientais pode ser efetuado de diversas formas. Contudo, é sugerido por alguns especialistas um modelo constituído por 4 grupos principais, apresentados e descritos em baixo, na Figura 3.12. Figura 3.12 - Sistematização das Áreas de Impactes Ambientais [13] A título de lembrança, a construção é a atividade mais consumista de energia e recursos, dominando o fluxo de materiais existente nos países. Em conjunto com estes impactes, associa-se também que a extração, tratamento e transporte dos recursos provocam grande formação de resíduos e poluição acrescidos de uma vasta ocupação do solo. Apoiado nestes factos estabeleceram-se os seguintes grupos: 1) PRESSÃO SOBRE OS RECURSOS Este grupo debruça-se na extração e consumo de matérias-primas, energia, água e materiais que são necessários à conceção do edifício, mais concretamente, todo o processo desde a extração ao transporte até ao local de utilização. 2) EMISSÕES E CARGAS POLUENTES As atividades relacionadas com a construção provocam emissões e cargas poluentes para o meio ambiente. Como tal, este grupo engloba todos os resíduos sólidos e semissólidos, as escorrências e efluentes líquidos, às emissões atmosféricas, a poluição sonora e térmica que são produzidos. Integração da análise ciclo de vida nas práticas de projeto de edifícios 30 3) ALTERAÇÕES AOS SISTEMAS AMBIENTAIS DE BASE NATURAL O consumo permanente e desmedido de recursos naturais (materiais, energia e água), as cargas e emissões geradas, as operações nas edificações modificam os sistemas ambientais de base naturais, tais como:  Solo Existem alguns impactes relevantes provocados no solo provocados pelos seguintes aspetos: 1) Atividades construtivas de movimentação de terras e desmatação desprotegem o solo da erosão e destroem a camada superior que contem a maioria dos nutrientes e matéria-orgânica e dissipa a capacidade do solo produzir nutrientes e regular o fluxo da água; 2) A excessiva ocupação de terreno pelas edificações; 3) Atividades como a compactação do solo e impermeabilização criam zonas “artificiais” e danificam a ecologia local na medida em que o solo perde algumas das suas melhores competências, a infiltração do solo e disponibilidade de água, 4) Materiais utilizados nas atividades, nomeadamente, combustíveis, óleos e produtos químicos podem acidentalmente ser derramados ou no limite descarregados provocando contaminação do solo.  Água Este recurso fundamental à vida e na construção sofre alterações prejudiciais ao nível dos seguintes aspetos: 1) A excessiva procura, tanto no litoral como em captações subterrâneas, provoca infiltração de salina na água tornando-a desadequada para utilização/consumo; 2) O grande consumo origina grande quantidade de resíduos líquidos que sem tratamento e/ou meios de descarga adequados provocam uma deterioração da qualidade da água. Associado a estes aspetos, há que ter em conta, que o tratamento da água requer energia e utilização de produtos químicos; 3) A utilização de fertilizantes e pesticidas em zonas verdes pode contaminar as linhas de água e águas subterrâneas.  Qualidade do Ar (Emissões Atmosféricas) Atividades construtivas requerem transporte, tanto de camiões ou outros equipamentos, geram alteração de poluentes no ar, comprometendo a qualidade do ar. Algumas dessas emissões, dependendo dos seus constituintes, como CO2, destroem a camada do ozono.  Ecologia Os Ambientes construídos e operações associadas alteram a dinâmica dos ecossistemas naturais. Operações de máquinas em obra que causam ruído, que em conjunto com outros aspetos já referidos (elevado consumo de água, ocupação e desmatação do solo) destroem o habitat de inúmeras espécies e desfiguram o meio natural. 4) ALTERAÇÕES AOS SISTEMAS AMBIENTAIS DE BASE CONSTRUÍDA Este grupo, ao contrário dos atrás abordados, pode contribuir positivamente se for idealizado de uma forma consciente e equilibrada, para a paisagem urbana, espaços edificados e suas estruturas e dinâmica socioeconómica. Relembra-se que as outras 2 vertentes também são fundamentais para a construção sustentável. Integração da análise ciclo de vida nas práticas de projeto de edifícios 31 3.5.3.2 Impactes ambientais associados a cada fase ciclo de vida dos edifícios É sabido que os edifícios para satisfazerem as necessidades humanas geram, direta ou indiretamente, impactes durante toda a sua existência, tanto ao nível do edifício propriamente dito como nas infraestruturas necessárias para o seu ideal funcionamento. Na figura expõe-se as atividades construtivas que provocam de algum modo impactes ambientais. Os impactes ambientais anteriormente referidos provocados pelos edifícios e respetivas infraestruturas refletem-se de diversas maneiras desde a sua conceção até á sua desconstrução. Neste contexto é importante o entendimento e a sua forma de atuação em cada dessas fases, portanto de seguida enquadrase os impactes mencionados nas respetivas fases.  Fase de Conceção Considerada a fase mais importante de todo o processo, não pelo impacte ambiental que causa, mas sim porque as principais decisões do projeto vão ser tomadas nesta fase. A escolha do local e das soluções construtivas a utilizar, a seleção de materiais, as necessidades energéticas e de consumo de água são aspetos que deverão ser definidos na conceção. No entanto, as suas repercussões apenas se vão sentir nas outras fases do ciclo de vida da construção. Os impactes desta fase são referentes aos trabalhos necessários para a obtenção de informações com vista a redução dos impactes quer ao nível de materiais, quer ao nível energético nas restantes fases. Estes impactes não tem significado relevante comparando com as outras fases, no entanto, devem ser considerados pois todos contribuem. Os impactes considerados são: 1) Consumo de energia e transporte associado às deslocações efetuadas ao local de levantamento de dados; 2) Elevada utilização de papel na sequência da realização do projeto e licenciamentos necessários; 3) Consumo energético do escritório onde se realiza o projeto, que pode ser duradouro e o consumo de energia ser significativo. Resumindo, esta é uma fase totalmente decisiva para reduzir e até evitar futuros impactes associados a outras fases mas que se traduz como uma fase preocupante e determinante para a geração de impactes. Conceção •Planeamento •Projeto •Autorização Construção •Concurso •Construção Operação •Receção de Obra •Manutenção •Renovações Pontuais •Utilização Renovação ou Desativação •Renovação Integral •Demolição Figura 3.13 - Atividades críticas das fases ciclo de vida que induzem impactes ambientais Integração da análise ciclo de vida nas práticas de projeto de edifícios 32  Fase de Construção Fase em que as preocupações essenciais assentam, no processo construtivo, mais especificamente, a intervenção local, alteração do uso do solo, consumo de matérias-primas, energia e água. Nesta fase a necessidade de materiais de construção é preponderante, e para a sua produção é indispensável, como é óbvio, a extração e consumo de matérias-primas. Apesar dos impactes referentes à extração e processo de produção sejam da responsabilidade da empresa produtora, contudo, o impacte causado pelos materiais representa cerca de 15% dos impactes de um ciclo de vida de um edifício.[13] Outros impactes têm relevância nesta fase, nomeadamente, a utilização de materiais perigosos na obra/transporte/utilização de equipamentos e que a sua falta de controlo pode induzir graves contaminações do solo. Por norma, as atividades do processo construtivo provocam impactes significativos ao nível de: 1) Consumo de água na conceção de materiais, e que se não for tratada provoca a sua contaminação; 2) Consumos de energia; 3) Consumo de combustível e poluição atmosférica associada ao transporte dos materiais; 4) Poluição acústica e vibrações associada aos trabalhos; 5) Degradação estética A impermeabilização criada pelo edificado vai provocar um acréscimo do caudal e escorrências superficiais podendo provocar cheias. Se o edificado for executado perto de um ambiente rural, a fauna, a flora e o ecossistema vão sofrer modificações. Estes também são impactes a ter em conta. Concluindo, esta fase apesar de relativamente curta quando comparada com as outras, é a que gera os impactes mais significativos no ciclo de vida dos edifícios ao nível de ocupação do solo, modificação dos ecossistemas naturais e ambiente construído.  Fase de Operação A operação de um edifício provoca impactes referentes ao consumo energético, água, materiais, produção de resíduos e efluentes, e emissões atmosféricas. Com isto, é interessante saber como estes impactes são gerados e a sua influência no ciclo de vida dos edifícios. Ao nível energético, o edifício consume energia decorrente da sua utilização, nomeadamente, iluminação, aquecimento e arrefecimento. A título de curiosidade os edifícios em Portugal constituem 22% do total de energia consumida [13]. Ao nível do consumo de água, cada habitação consume entre 160 a 200 litros, o que representa um número excessivamente alto devido ao facto de uma grande parte dele ser desperdiçado para a rede. [13] Somando ao facto de cerca de 35% do abastecimento de água potável em Portugal ser perdido, as edificações e suas infraestruturas representam um valor brutal de desperdício. [13] A água, após utilização torna-se um efluente líquido que necessita de tratamento e como tal mais energia e produtos vão ser despendidos para o processar. Os materiais a renovar ou a necessitar de manutenção que não são reutilizáveis originam toneladas de resíduos. As emissões interiores e exteriores são impactes com especial cuidado pois podem representar um perigo para a saúde dos utilizadores dos edifícios devido a uma má qualidade do ar no interior dos compartimentos. Como mencionado no início do presente capítulo, o ser humano passa 90% do seu tempo dentro de edifícios, isto associado com a utilização de materiais que libertam substâncias Integração da análise ciclo de vida nas práticas de projeto de edifícios 33 consideradas perigosas, humidade, temperatura e ventilação desadequadas pode originar o aparecimento de agentes patogénicos que traduzem perigo para a saúde dos utilizadores. Outro aspeto relevante neste contexto é que 50% dos CFC’s (gás altamente prejudicial á camada do ozono) produzidos a nível mundial deram-se à refrigeração de sistemas de ar condicionado e refrigeração de edifícios, sistemas para incêndios e sistemas de isolamento térmico e acústico. Os edifícios para além de gerarem efeitos diretos, acima referidos, também provocam efeitos indiretos. Destes realçam-se os mais significativos como, a modificação do volume de tráfego local, pressão sobre os serviços locais, criação de emprego e riqueza referente a atividades executadas dentro do edifício. Resumidamente, esta fase é particularmente diferente das outras devido à geração mais vagarosa e progressiva dos impactes induzindo a ideia que não é fase das mais prejudiciais. No entanto, esta causa tantos impactes como a fase de construção devido ao seu período mais alargado de tempo.  Fase de Desativação / Renovação Integral Esta fase apresenta os mesmos efeitos que a fase da construção, no entanto, menos significativa ao nível do consumo de materiais e mais significativa na quantidade de resíduos produzida. Em relação aos impactes referentes ao consumo energético e poluição sonora são equivalentes aos da fase de construção. Para o aproveitamento dos materiais do setor da construção, ocorrem 2 cenários possíveis: 1) Produção de resíduos e consequente envio para aterro/vazadouro, originado por materiais sem aproveitamento – Contribuição de impactes; 2) Reciclagem e reutilização dos materiais – Minimização de impactes. Em Portugal, esta fase representa 17% dos impactes ambientais gerados destacando que apenas 4% correspondem a atividades de reconstrução. A Europa apresenta, em média, 33% para esta fase o que devia ser motivo para repensar certas estratégias de conceção tendo em vista a desconstrução. [13] De forma conclusiva, os impactes associados a esta fase estão inteiramente ligados à possibilidade de reutilização e reciclagem dos materiais utilizados que, desta forma, vai reduzir a procura de novos materiais e produção de resíduos. No entanto, importa referir que existe um consumo de energia e emissões causados pela reciclagem de produtos. IMPACTES ECONÓMICOS E SOCIAIS O setor da construção também apresenta impactes nas outras duas dimensões do desenvolvimento sustentável no entanto estes são maioritariamente positivos. O crescimento e interligação de todas as comunidades mundiais, a nível de funcionamento económico, ocorre graças á construção, mais especificamente, das infraestruturas de transporte, geração de energia, tratamento de água que são criadas. Visto isto, é importante realçar os impactes económicos e sociais mais relevantes gerados pela construção civil. [20]  CRIAÇÃO/DISPONIBILIZAÇÃO DE EMPREGO Este impacte tem a particularidade de afetar tanto a vertente económica como a social. A indústria construtiva é responsável por empregar cerca de 15% de todas as pessoas empregadas na Europa e 7% de toda a população global, sendo que a maioria destas percentagens são referentes a pessoas com muito baixa formação ou com falta de competência adquirida. Como tal, é inegável a importância deste setor na empregabilidade dos países. [15;20] Integração da análise ciclo de vida nas práticas de projeto de edifícios 34  GERAÇÃO DE RIQUEZA A atividade construtiva, segundo dados avançados pela UNEP, tem um volume de negócios correspondente a 10% do PIB dos países desenvolvidos, no entanto nos países em desenvolvimento apenas 2-3%. Através destes dados, prevê-se que o peso da construção aumente consideravelmente na economia mundial à medida que se vai dando o desenvolvimento económico dos países em desenvolvimento. Para além deste aspeto, este setor também traz benefícios a outros subsetores. A construção no local consome cerca de 750 biliões de euros em produtos intermediários para alem deste subsetor, o que representa aproximadamente 44% do volume de negócios do setor. Uma ressalve importante depreendese com o facto de, segundo o CIB, cada euro investido na construção pode gerar até 3 euros de atividade económica de outros setores o que traduz claramente o papel fundamental da atividade construtiva na economia do país. [20,25]  CRIAÇÃO DE EDIFÍCIOS E INFRAESTRUTURAS BÁSICAS COM DIFERENTES FUNÇÕES O ser humano como referido anteriormente, passa 90% do seu tempo no interior de edifícios. Como tal, o seu conforto e a qualidade de vida dependem muito da construção, mais concretamente, da forma e da qualidade com que é realizada. Visto isto, é fundamental que um edifício proporcione aos seus ocupantes a maior qualidade possível desde os requisitos básicos como água e eletricidade assim como outros requisitos como conforto acústico e térmico. Em resumo, os edifícios, quer sejam de habitação ou não, trazem um impacte social muito positivo para as comunidades, pois melhoram consideravelmente a sua qualidade de vida pessoal e a sua eficiência profissional. A criação de infraestruturas básicas inerentes aos edifícios, tais como infraestruturas de transporte e de condução de eletricidade, água potável e saneamento básico, induzem também um impacte positivo na sociedade. As infraestruturas de transportes trazem uma ligação entre as comunidades e consequentemente uma homogeneização da sociedade e promovem as economias locais. A eletricidade e a água potável e saneamento básico são elementos imprescindíveis para a sobrevivência da sociedade atual. Os dois últimos tem um contributo significativo para a saúde humana, pois a água é um elemento fundamental na vida e o saneamento básico na prevenção de doenças e infeções graves no ser humano.  INCÓMODO DA CONSTRUÇÃO PARA AS COMUNIDADES Este impacte social negativo deve-se exclusivamente á fase de construção de uma obra e as suas implicações. A fase construtiva de uma obra pode originar vários problemas, tais como:  Aumento substancial de ruído local provocado pelos equipamentos utilizados na construção civil, como por exemplo, rebarbadeiras e martelos pneumáticos.  Quantidade excessiva de poeira proveniente de alguns materiais construtivos que afeta as pessoas que vivem perto do local da construção;  Contribui consideravelmente para a sujidade das vias de trânsito circundantes do local devido á terra que é solta pelos pneus dos camiões e outros equipamentos de transporte como retroescavadoras.  Aumento do risco de acidentes devido a queda de materiais para a via pública Em alguns casos pontuais, a complexidade e tipo da obra pode obrigar a uma alteração temporária do trafego local, o que causa algum transtorno ao nível de congestionamentos e percursos alternativos mais extensos para os condutores. Integração da análise ciclo de vida nas práticas de projeto de edifícios 35  POTENCIALIDADE DE POLÍTICAS ERRADAS DE PLANEAMENTO E USO DO SOLO O referido impacte é uma questão importante nas políticas de um país. Estas políticas, quando relacionadas com o valor dos terrenos (especulação imobiliária) e licenças de construção revertem para desigualdades sociais, comparando com os mesmos terrenos com fins agrícolas ou florestais. Isto traduz um impacte social negativo. Neste contexto, a adoção de Planos Diretores Municipais (PDM) é uma excelente forma de evitar este tipo de problemas e clarificar a tipologia de terrenos e ordenamento do território a nível local  OPORTUNIDADES DE CORRUPÇÃO A atividade construtiva é das atividades que mais dinheiro movimenta na económica de um país. Como tal, isso potencia oportunidades de corrupção ao nível da contratação e conceção das obras. Em vários países foram realizadas obras que apresentaram preços muito superiores em relação aos previamente estabelecidos sem razoes viáveis e devidamente justificadas. 3.6 BARREIRAS Á CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL As particularidades únicas do setor construtivo traduzem uma barreira na implementação dos objetivos no âmbito do desenvolvimento sustentável ao nível da construção. As principais barreiras para atingir o propósito da “construção sustentável” em Portugal, apresentam-se no Quadro 3.1 explicando-se algumas delas mais pormenorizadamente.  CUSTO DE CAPITAL Este aspeto refere-se ao facto que, por norma, um edifício sustentável apresenta um custo inicial maior que um edifício convencional, isto é, os custos associados à realização do projeto e a soluções que fomentam uma maior sustentabilidade nos edifícios são mais elevados. No entanto, este pensamento de avaliar o desempenho económico de um edifício baseado apenas no seu custo inicial pode não ser o mais Quadro 3.1 - Barreiras para Implementação Construção Sustentável [20] Económicas Técnicas Outras Ausência de avaliações ciclo de vida; Custo de capital mais elevado; Separação contabilística entre custos de capital e de operação; Conceito de "rentabilidade de investimento" e desenvolvimento sustentável incompatíveis; Ciclo de vida dilatado e multidisciplinaridade; Heterogeneidade dos produtos; Formação de arquitetura e engenharia orientada para as tecnologias convencionais; Mão-de-Obra com baixo nível de especialização; Baixo grau de industrialização do setor; Insuficiente investigação e desenvolvimento Falta de sensibilidade dos diversos decisores; Inexistência de definição consensual de "construção sustentável"; Aversão ao risco percecionado; Inexistência de políticas de apoio à construção sustentável Barreiras à Construção Sustentável Integração da análise ciclo de vida nas práticas de projeto de edifícios 36 correto, pois geralmente, se for bem ponderado, um maior custo inicial tenderá a induzir menores custo de utilização futura. Esta questão é um problema da base que afeta toda a lógica de sustentabilidade. Não existem referências e é muito difícil num objeto construído avaliar o custo de utilização e o impacte financeiro e ambiental das soluções aplicadas a longo prazo. Portanto, persuadir a adoção de medidas com efeitos ambientalmente positivos mas sem benefícios económicos e a eleição de soluções com maior custo inicial mas com retornos económicos muito tardios, representa um grande dilema, relembrando que um edifício tem, em média, 50 anos de vida útil. Contudo, se a informação sobre este tipo de construção for mais divulgada ao consumidor irá provocar um cenário de decisões mais vasto e poderá, lentamente, modificar o pensamento generalizado. Essa informação deve ser fornecida por entidades que não tirem qualquer benefício com ela, pois como normalmente no panorama português constrói-se para vender, não é do interesse dos vendedores que a construção tenha um elevado custo inicial pois diminui a sua margem de lucro. A título de curiosidade, apenas realçar que segundo a CE, a conservação de um edifício pode atingir 10 vezes mais o seu custo inicial. [20]  CICLO DE VIDA DO EDIFÍCIO E MULTIDISCIPLINARIDADE Ao contrário de outros setores, os produtos da construção civil apresentam uma durabilidade muito superior o que provoca, na fase de projeto, uma dificuldade acrescida para potenciar possíveis benefícios relacionados com a sua reutilização e reciclagem. Isto, associado ao facto de a demolição futura favorecer apenas outras entidades que não os possíveis compradores induz um acrescido desinteresse por esses processos (reutilização e reciclagem). Outro aspeto importante atribui-se à multidisciplinaridade das distintas fases de ciclo de vida dos edifícios, isto é, a falta de articulação entre todos os intervenientes que constituintes da vida útil de um edifício, que se traduz frequentemente em falhas no desempenho por parte deste. A título de clarificação desta matéria, enuncia-se um exemplo simples. O projetista pode realizar um projeto sustentável (fase de projeto) com algumas recomendações ao nível da manutenção de soluções, no entanto, se o utilizador não mostrar preocupação na fase de utilização o objetivo proposto para os 50 anos de vida útil não vai ser cumprido. Esta multidisciplinaridade torna dificuldades acrescidas para a adoção de uma “construção sustentável”.  HETEROGENIEDADE DOS PRODUTOS (EDIFÍCIOS) Os edifícios têm a particularidade de serem únicos, pois são criados segundo as preferências e requisitos do dono-de-obra. Isto provoca uma falta de industrialização e normalização dos projetos e processos construtivos e esta lacuna associada à repetição dos processos prejudica a sustentabilidade na construção. Outra dificuldade inerente à heterogeneidade dos produtos passa pelas diferentes durações que estes apresentam. Uma edificação é constituída por inúmeros materiais e produtos com durações distintas e que necessitam de alguma ação de substituição ou reparação durante o ciclo de vida do edifício. Naturalmente este aspeto induz aos projetistas um maior cuidado na conceção e realização do projeto a fim de evitar a demolição desnecessária de alguns produtos e materiais. Por exemplo, uma parede em alvenaria de tijolo contém uma tubagem de água com a duração de 30 anos. Como a edificação apresenta uma vida útil de 50 anos essa tubagem vai necessitar ser substituída. Portanto deve-se prever um tipo de revestimento para a referida parede com uma duração compatível com a da tubagem, a fim de evitar ações de reparação extra e destruição desnecessária de materiais. Esta política permitirá ainda uma redução de resíduos da construção. Integração da análise ciclo de vida nas práticas de projeto de edifícios 37  NÍVEL DE INVESTIGAÇÃO E DESENVOLVIMENTO Portugal apresenta no seu setor da construção um nível de especialização por parte dos seus colaboradores bastante fracos e antiquado. O seu conhecimento limita-se às tecnologias construtivas da construção tradicional. Este problema surge essencialmente da baixa industrialização do setor e das suas empresas. Estas quando são sujeitas a trabalhos muito morosos e com muitos colaboradores optam por assegurar a sustentabilidade a nível económico e recorrem a pessoal pouco especializado. Outro problema deve-se à dificuldade na adoção de novas soluções. Este aspeto ocorre fruto dos cursos de engenharia e arquitetura se focarem essencialmente nas tecnologias correntes como, estruturas de betão e paredes em alvenaria de tijolo. Visto isto, devia ocorrer uma reformulação dos cursos com maior frequência com vista aos formandos estarem a par das novas tecnologias e melhorarem o seu desempenho quando entram o mercado de trabalho. Existe ainda a problemática da falta de clareza na informação referente à qualidade dos materiais e tecnologias alternativas que incitem a “construção sustentável”, provocando uma falta de segurança e dúvidas nos utilizadores sobre as suas características e desempenho. Acrescendo a isto, a dificuldade de aceder a bases de dados sobre impactes ambientais associados à produção de materiais de construção, impossibilita a avaliação e comparação de desempenhos ambientais das soluções que usam materiais e processos distintos, reduzindo de forma muito substancial a possibilidade de as promover.  SENSIBILIDADE DOS DECISORES O paradigma do desenvolvimento sustentável é algo muito recente na sociedade portuguesa, e a ideia de “construção sustentável” é considerada desinteressante pois está associada a um maior dispêndio de verbas e a uma menor fiabilidade a longo prazo. Como foi dito no tópico anterior, o setor está confinado a materiais e tecnologias convencionais, e os donos-de-obra associam a risco financeiro a adoção de tecnologias inovadoras porque não estão familiarizados com o seu desempenho e benefícios. É necessário uma mudança nesta ideologia de risco e promover novas soluções providenciando informação fidedigna sobre os novos produtos de construção aos decisores  SUBJETIVIDADE DO SIGNIFICADO DE “CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL” “Como vamos construir sustentável sem conhecermos o significado do conceito “construção sustentável”?”. Esta pergunta está na ordem do dia para os decisores do setor construtivo português pois não existe, nem à escala mundial, uma definição consensual de “construção sustentável”. Esta indefinição reflete-se nos métodos para avaliação e conceção de soluções sustentáveis pois, apesar de semelhantes, baseiam-se em parâmetros diferentes, o que pode levar a resultados distintos. Esta incoerência induz incerteza nos decisores que assim não mostram interesse em investir nestes produtos. Uma definição consensual impulsionaria, sem dúvida, a utilização dos mesmos.  POLÍTICAS DE PROMOÇÃO Em Portugal, á semelhança de muitos outros países, já começam a surgir políticas no sentido de valorizar a sustentabilidade dos produtos da construção, bem como, a sua reciclagem e reutilização. Com isto, pretende-se que as empresas e donos de obra comecem a dar prioridade a estes aspetos apesar de nem sempre serem atrativos financeiramente. Recentemente surgiu no espaço europeu um conjunto de normas com o intuito de promover a sustentabilidade dos trabalhos da construção. Essas normas serão abordadas e aprofundadas no capítulo 4 do presente trabalho. O setor da construção induz uma grave deterioração ambiental provocada pela Integração da análise ciclo de vida nas práticas de projeto de edifícios 44 Figura 4.3 - Objetivos das políticas para promoção da construção sustentável Para tal existem diversas metodologias que tem a finalidade de aglomerar dados e reportar informações que permitirão um precioso auxílio nas tomadas de decisão que surgem durante as diferentes fases do ciclo de vida dos edifícios, já que estas fases estão interligadas com as dimensões da sustentabilidade. Estas metodologias abordam uma visão integral da sustentabilidade considerando apenas os aspetos mais significativos, pois seria muito moroso e inviável abordar, pelo menos na atualidade e dado o conhecimento sobre as matérias, todos os aspetos. Acresce ainda o facto de que nem todos têm o mesmo impacto e influência na avaliação. Atendendo ao referido, a avaliação é feita com base num conjunto específico de indicadores (Figura 4.4) e parâmetros das três vertentes da sustentabilidade que se consideram relevantes para atingir os objetivos acima indicados. OBJETIVOS POLÍTICAS PARA PROMOÇÃO SUSTENTABILIDADE Otimizar o potencial do local de impantação Preservar a identidade cultural Reduzir o consumo energético Conservar os recursos naturais (Água) Utilizar materiais ecoeficientes Garantir boas condições de saúde e conforto Utilizar e melhorar práticas de utlização e manutenção Controlar custos ciclo de vida INDICADORES AVALIAÇÃO DA SUSTENTABILIDADE INDICADORES ECONÓMICOS INDICADORES AMBIENTAIS INDICADORES SOCIAIS Figura 4.4 - Indicadores para Avaliação da Sustentabilidade Integração da análise ciclo de vida nas práticas de projeto de edifícios 45 A utilização destas metodologias para a conceção e avaliação da sustentabilidade dos edifícios pressupõe um conjunto específico de indicadores e parâmetros que incluam e articulem os 3 pilares do desenvolvimento sustentável. No entanto, esta avaliação apresenta-se complexa devido às caraterísticas únicas da indústria construtiva que apresenta inúmeras condicionantes, das quais, se destacam abaixo as mais relevantes [20]:  Complexidade ao nível da conceção A conceção de um edifício implica um amplo conjunto de intervenientes no processo de especificação e decisão, na escolha de materiais, tecnologias e processos que se encontram interligados entre si, o ambiente circundante e os seus utilizadores. Estes fatores introduzem complexidade na avaliação, podem até conduzir à inviabilidade do processo se esta não for limitada apenas aos aspetos condicionantes para avaliar o seu desempenho. No entanto, esta simplificação da avaliação despoletou um dilema devido à falta de coerência entre as diferentes metodologias nos indicadores e parâmetros que empregam, complicando a interpretação e comparação entre os resultados obtidos.  Multidisciplinaridade das fases do ciclo de vida O edifício é um produto único, pois em todo o seu ciclo de vida encontram-se envolvidos vários intervenientes e com atuações completamente diferentes. Tendo isto em conta, o desempenho e seu melhoramento depende da contribuição de cada um deles, o que na prática nem sempre (pelo menos de forma pretendida) de uma forma geral ocorre. Isto associado ao facto dos parâmetros avaliados serem de natureza diferente (quantitativos e qualitativos), e com ordens de grandeza distintas complica ainda mais a efetivação da avaliação.  Ausência de industrialização dos produtos Esta indústria tem a particularidade dos seus processos de produção e produto final serem sempre diferentes. A esta situação acresce ainda o facto de, geralmente, o edifício projetado e idealizado poder ser bastante diferente do construído. Como tal, a estimativa dos impactes provocados nas fases de operação e construção é tarefa árdua e revertida de um grau muito significativo de incerteza.  Grande variabilidade e quantidade de materiais e soluções Este aspeto está relacionado com a dificuldade de encontrar uma base de dados local que expresse o inventário dos impactes ambientais dos produtos da construção, pois como já referido anteriormente, a avaliação é realizada através dos impactes induzidos pelos materiais ao longo do seu ciclo de vida. Esta lacuna deve-se essencialmente à enorme quantidade de materiais existentes e á ausência de estratégias de concertação entre os produtores e associações do setor para a materialização desse aspeto. Este facto provoca a não consideração de certos materiais por parte de algumas metodologias o que pode comprometer seriamente por um lado a aplicabilidade das metodologias e por outro a qualidade dos resultados apresentados.  Duração da fase de operação Sendo um edifício projetado para uma vida útil de 50 ou mais anos, e a sua durabilidade e desempenho dependentes de muito fatores como o clima e forma de atuação dos utilizadores, faz com que na fase de operação (que representa a maioria do tempo referido) seja difícil de prever o desempenho do edifício. Face a esta constatação, a fase de operação sendo a mais duradora é das que provoca mais impactes, torna-se difícil de prever o seu comportamento, e como tal, é uma das condicionantes mais relevantes. Integração da análise ciclo de vida nas práticas de projeto de edifícios 46  Políticas, Nível Tecnológico, Cultura e Desenvolvimento Económico específicas para cada País Os países apresentam políticas e culturas diferentes, assim como nível de desenvolvimento económico e tecnológico distintos entre si e por vezes até entre regiões dentro deles. Este facto além de afetar a vertente social (que não se encontra no âmbito do presente trabalho) fundamenta um conjunto específico de indicadores e parâmetros para a avaliação para cada país ao qual está associado uma ponderação igualmente específica. Portanto, é logicamente inviável a utilização, à escala global, de metodologias em que os parâmetros e respetivas ponderações não se encontrem adequadas ao ambiente em que o edifício ficará inserido. Devido a todas as condicionantes expressas, atualmente ainda não existe uma metodologia aceite pela comunidade mundial, no entanto como referido anteriormente, sendo considerado os edifícios uma parte com importância significativa em qualquer sociedade é neste sector que a investigação deste domínio se tem focado com mais incidência. Recorrendo ao âmbito das diversas metodologias e ferramentas existentes relacionadas direta ou indiretamente com a sustentabilidade construtiva, a USEPA, estabeleceu que estas se agrupam em cinco tipos distintos como mostra a Figura 4.5. Todos estes tipos de metodologias apresentam uma importância enorme, pois cada tem o seu papel específico na avaliação da sustentabilidade de edifícios. De seguida expõe-se esse papel e explicita-se sucintamente a caraterização de cada um dos tipos supracitados. Complementarmente, uma breve descrição de cada tipologia permitirá esclarecer o seu papel e importância no âmbito da sustentabilidade. A generalidade destas ferramentas é baseada numa abordagem “Bottom-Up”, ou seja, o desempenho total do edifício é traduzido pela junção e inter-relação do desempenho dos materiais e componentes que o constituem e tem o objetivo comum de tornar o edifício o mais sustentável possível ao longo de todo o seu ciclo de vida. No Quadro 4.1 apresenta vários exemplos das principais ferramentas utilizadas no apoio a conceção e avaliação da sustentabilidade dos edifícios. METODOLOGIAS FERRAMENTAS Programas de simulação energética Sistemas de análise do ciclo de vida (LCA) dos produtos Sistemas e ferramentas de avaliação e certificação da construção sustentável Diretivas e checklists para o projeto e gestão sustentáveis de edifícios Declarações ambientais de produtos (DAP), Bases de Dados, Esquemas de certificação e Rótulos/Etiquetas Figura 4.5 - Tipos de metodologias de apoio à conceção e avaliação de edifícios [26] Integração da análise ciclo de vida nas práticas de projeto de edifícios 47  Ferramentas de análise e avaliação do desempenho ambiental dos edifícios no seu ciclo de vida (ACV (LCA)) As ferramentas de análise e avaliação do ciclo de vida (ACV (LCA)) são instrumentos direcionados para a avaliação ambiental e económica de materiais e produtos de várias indústrias, incluindo a construção. Estas empregam-se nas fases de projeto do edifício, pois é a fase onde se tomam decisões referentes á seleção de materiais e a forma de avaliação dos impactes ambientais (diretos e indiretos) de todo o ciclo de vida dos produtos. São importantes no fornecimento de dados com vista a avaliação da sustentabilidade com objetivo de auxiliar nas decisões nas fases preliminares [26].  Ferramentas de avaliação e certificação da construção sustentável Tem o objetivo claro de certificar a sustentabilidade dos edifícios durante todas as fases do seu ciclo de vida, integrando e relacionando os parâmetros ambientais, sociais e económicos. Como referido anteriormente, ainda não existe uma metodologia consensual a nível global, no entanto, existem vários pontos em comum entre as metodologias atuais. Dos pontos comuns merecem destaque:  Categorias de desempenho semelhantes: local de implantação, água, energia e qualidade do ar interior;  Soluções construtivas convencionais;  Peso de cada indicador e parâmetro é definido em sintonia com a realidade local ao nível ambiental, social e económico. Atualmente, este tipo de metodologias apresentam duas tendências contraditórias. Num extremo apresentam um leque enorme de complexos e distintos indicadores estudados por diferentes entidades e noutro um desenvolvimento tendo em vista a sua implementação, criando indicadores comuns e simplificando assim a avaliação. Contudo, como todas as metodologias, estas têm as suas limitações, que neste caso se resume à extensa quantidade de dados a introduzir (cerca de 150) que as torna pouco práticas para utilização. Acresce ainda o facto de as bases de dados por elas utilizadas serem referentes às soluções construtivas convencionais do país que as desenvolve, resultado que a sua aplicação fica largamente condicionada a outros países. FERRAMENTAS DE AVALIAÇÃO E BASES DE DADOS Bases de dados de ICV EcoInvent EDP BEES BREEAM SimaPro Ferramentas ACV para Avaliação de Edifícios LEED SBTool LEnSE Ferramentas Avaliação e Certificação da Sustentabilidade IDEMAT ETH-ESU 96 BUWAL 250 DK INPUT OUTPUT ATHENA EcoQuantum ENVEST LCA-HOUSE Gabi Ecology of Building Materials LISA EcoEffect Quadro 4.1 - Principais Ferramentas para avaliação da sustentabilidade de Edifícios Integração da análise ciclo de vida nas práticas de projeto de edifícios 48 Outro aspeto que importa esclarecer é que a avaliação da sustentabilidade construtiva trata diferentes indicadores que em diversos casos não se encontram correlacionados, nem se expressam na mesma ordem de grandeza e a sua influência não é consensual e inalterável com o tempo. Com isto, torna-se complexo expressar a sustentabilidade em termos absolutos, através de um indicador que englobe todos os outros e classifique o material ou produto em questão.[26] Concluindo, avaliar a sustentabilidade de uma solução corresponde à comparação desta relativamente à solução de referência para cada país, ou seja, a comparação do resultado de cada indicador analisado com o indicador de referência traduz a qualidade da solução apresentada.  Diretivas e checklist para o projeto e gestão sustentáveis de edifícios Esta ferramenta é destinada a auxiliar os empreendedores a estabelecer as propriedades pretendidas para o planeamento e conceção do projeto a realizar, hierarquizando os requisitos de sustentabilidade com base no desempenho predefinido. Estas ferramentas são utilizadas nas etapas preliminares do projeto (fase de conceção) com vista a uma maior sustentabilidade dos edifícios. As checklist consideram uma diversidade extensa de critérios importantes para a avaliação da sustentabilidade e têm como objetivo:  Reduzir erros e omissões por exclusão;  Aumento da utilidade da avaliação. Para além do objetivo principal, as checklist podem ter outras utilidades interessantes, tais como:  Criar ideias e discussões sobre aspetos cruciais da avaliação da sustentabilidade;  Sustentar os processos para a elaboração de propostas;  Determinar se todos os aspetos fundamentais foram cumpridos através da comparação com avaliações de sustentabilidade já existentes. As checklist são indicadas para todas as pessoas envolvidas na avaliação, nomeadamente, avaliadores que prestam esses serviços, projetistas e gestores com interesse nelas e servem de guia para as pessoas que realizam avaliações de projetos e programas de desenvolvimento com vista à sustentabilidade. Um facto importante a realçar é que tanto os avaliadores experientes como os inexperientes beneficiam com esta ferramenta. No entanto, os experientes aproveitam a abrangência da lista para gerar ideias ou pontos de referência, enquanto um inexperiente vê a lista como um excelente documento como elemento para a sua instrução.[27]  Declarações Ambientais de Produto (DAP (EPD)) As DAP (EPD) são instrumentos de informação, baseados nas metodologias ACV (LCA), que listam os processos e resultados de cada categoria de impactes ambientais de um produto ao longo de todo o seu ciclo de vida. Elas avaliam a contribuição dos materiais, atividades e processos de um produto para o meio ambiente através de um conjunto normalizado de impactes ambientais. Nesta ideologia, a importância deste documento é inquestionável, pois promove a procura dos produtos e materiais que causam menos impactes no ambiente e assim proporcionar um melhoramento ambiental contínuo do mercado de produtos. Integração da análise ciclo de vida nas práticas de projeto de edifícios 49 Com isto, apresenta-se um conjunto de vantagens do desenvolvimento de uma DAP [28]:  Marketing Ambiental – Informação clara e fiável sobre o desempenho ambiental dos produtos;  Benchmarking Ambiental – Possibilita a comparação do desempenho ambiental de produtos da mesma categoria, desde que possuam ambos DAP (EPD);  Melhoria da imagem de marca – Aplicação a todos os produtos, atualização com relativa facilidade e facilita o processo de desenvolvimento do produto;  Atualização fácil;  Simplifica o processo de desenvolvimento de um produto. Estes documentos são estabelecidos tendo como base em regras que ditam as caraterísticas ambientais dos produtos denominadas RCP – Regras para Categoria de Produtos. Estas estabelecem as condições fundamentais para a execução de uma DAP (EPD), das quais se salientam:  Estabelecem os parâmetros a utilizar, assim como, a sua forma de obtenção e reportação;  Expõem as etapas, processos e cenários a considerar do ciclo de vida de um produto;  Possuem as regras de cálculo dos inventários de ciclo de vida e respetiva avaliação;  Instituem as condições para a comparação de produtos com base nos dados das DAP (EPD). No entanto, estes documentos apresentam certas incoerências que não permitem ao público-alvo usufruir da informação que pretendem revelar. Através da análise de DAP (EPD) de diferentes operadores e até DAP (EPD) do mesmo operador verificou-se uma incoerência nos dados fornecidos em diversos níveis, tais como, nos indicadores ambientais analisados, nas unidades funcionais desses indicadores, e na descrição detalhada dos processos e emissões que os originaram. Uma avaliação da sustentabilidade pretende na generalidade das situações auxiliar na seleção do melhor material e isso só é possível se as categorias de indicadores de impacte estiverem completamente definidas e com as mesmas unidades. Com as recentes normas europeias esses indicadores e unidades foram claramente estabelecidos, assim como, a forma da sua obtenção. Estas normas vão ser abordadas mais a frente. Na atualidade, já existem diversos operadores das DAP (EPD) na Europa. No entanto, estes confrontamse com alguns problemas e incompatibilidades. Mais concretamente a incoerência generalizada dos diversos critérios dos operadores DAP (EPD). Com isto, o panorama Europeu depara-se com a necessidade de as DAP (EDP) dos produtos serem reconhecidas no seu mercado. Para responder a essa necessidade, um conjunto de operadores agruparam-se e estabeleceram que a solução passa por utilizar uma metodologia DAP (EPD) comum no mercado europeu. Para suportar este processo criaram uma plataforma denominada ECO PLATFORM. [29] 4.3.1.1 Eco-Platform O RPC (Regulamento dos Produtos da construção), que veio substituir a existente DPC (Diretiva dos Produtos da Construção) entrou em vigor em 2012 para novos produtos e dia 1 Julho de 2013 para produtos já existentes. Este regulamento estabelece informações significativas nos requisitos básicos dos produtos. De entre os diversos grupos destacam-se os seguintes:  BR3 - Higiene, Saúde e Meio Ambiente  BR7 - Uso Sustentável dos Recursos Naturais Estes foram estabelecidos recorrendo à abordagem ciclo de vida. Em contrapartida o RPC não explicita como evidenciar o cumprimento dos requisitos dos grupos e não existem imposições legais ligadas a eles, exceto executar uma DAP (EPD) como possível configuração. Integração da análise ciclo de vida nas práticas de projeto de edifícios 50 Contudo o Parlamento Europeu citou no regulamento 305/2011 o seguinte:” Para a avaliação do uso sustentável dos recursos e de o impacto das obras sobre o meio ambiente Declarações Ambientais de Produtos deve ser usada quando disponível.”[30] No entanto na atualidade, como acima referido, as DAP (EPD) são documentos de caráter voluntário o que compromete a comprovação pretendida pois as indústrias podem prover dados sobre os indicadores dos produtos sem obrigações ou limitações de qualquer tipo. Visto isto, a melhor solução pensada para contrariar esta lacuna passa por estabelecer a obrigatoriedade das DAP (EPD). Contudo, o desenvolvimento de programas de criação de DAP (EPD) pela Europa sem coordenação iria originar um conjunto de sistemas DAP (EPD) inconsistentes e confusos, que obviamente não induziria á inutilização das mesmas. As consequências da implementação repentina de DAP (EPD) obrigaria as indústrias a uma produção desmedida de DAP (EPD) ou outros rótulos semelhantes para concorrer em todos os mercados e poderia colocar barreiras no mercado de tal forma que levaria à criação de uma regulamentação rígida pela Comissão Europeia. Neste contexto, é necessário o desenvolvimento de uma metodologia harmonizada de produção de DAP (EPD) reconhecida internacionalmente, com vista a evitar barreiras no mercado externo e minimizar o esforço de fornecimento de dados de processamento de produtos. Em resumo, a chave para este dilema prende-se com a criação e utilização de uma DAP (EPD) genérica em todo o mercado europeu, e este é o desiderato máximo da plataforma, ou seja, facilitar e coordenar a conformidade para um esquema DAP (EPD) comum.Com este âmbito pretende-se [29]: 1) Assegurar uma utilização otimizada dos padrões do setor construtivo; 2) Facultar concorrências equitativas para todos os fabricantes no mercado; 3) Estabelecer uma linguagem comum com vista à avaliação do desempenho de produtos e edifícios. Como citado no sítio da Eco Platform [29], “A Plataforma ECO é uma plataforma para qualquer operador do programa DAP (EPD) na Europa para chegar a acordo sobre regras comuns, princípios e procedimentos, o que levará ao reconhecimento mútuo das DAP (EPD) além das fronteiras regionais.” Com isto, os objetivos pretendidos por esta associação são:  Compatibilizar os critérios para desenvolver as DAP (EPD);  Evitar barreiras técnicas ao comércio além fronteira;  Estipular uma DAP (EPD) mínima comum baseada na norma EN 15804 e ISO 14025;  Estipular procedimentos comuns para a verificação;  Apadrinhar a harmonização das diferentes bases de dados existentes;  Reconhecimento mútuo entre DAP (EPD) de operadores distintos. Uma ressalva importante é que a ECO Platform não é nem pretende ser um operador DAP (EPD).Isso fica a cargo dos diferentes operadores que a constituem. Pretende ter um papel regulador no estabelecimento de princípios comuns para as DAP (EPD) de produtos, designadamente para a parte do processo “cradle-to-gate”, como se explicará mais a frente neste trabalho Integração da análise ciclo de vida nas práticas de projeto de edifícios 51 A Figura 4.6 mostra os 11 operadores de DAP (EPD) que formaram a ECO Platform,  Environdec System - AB Svenska Miljöstyrningsrådet (Sweden)  EPD Norge - The Norwegian EPD Foundation (Norway)  IBU - Institut Bauen und Umwelt e.V. (Germany)  BRE Global - Building Research Establishment Limited (UK)  Association HQE tio (France)  Stichting MRPI - Milieurelevante Productinformatie (Netherlands)  ITB - Instytut Techniki Budowlanej (Poland)  DAPc - CATEEB - Col.legi d'Aparellafdors, Arquitectes Tècnics i Enginyers d'Edificació (Spain)  Global EPD - AENOR - Asociacion Espanola de NORmalización y certificacion (Spain)  DAP Habitat - CentroHabitat (Portugal)  ZAG EPD - Zavod za gradbeništvo Slovenije (Slovenia) Como podemos reparar, Portugal participa neste projeto através do operador DAP Habitat. Como tal, apresenta-se no Anexo I um modelo da DAP (EPD) a utilizar em Portugal com vista a rápida familiarização neste projeto ambicioso. Concluindo, esta plataforma garante revolucionar o mercado dos produtos da construção e proporcionar ao setor maior facilidade e flexibilidade para comunicar os dados dos seus produtos. Figura 4.6 - Operadores que fundaram a ECO Platform Integração da análise ciclo de vida nas práticas de projeto de edifícios 52 4.4 NORMALIZAÇÃO APOIANTE DA SUSTENTABILIDADE NA CONSTRUÇÃO NORMALIZAÇÃO INTERNACIONAL Na atividade construtiva, sustentabilidade ainda é, ideologicamente, edifícios energeticamente eficientes ou “verdes” e com boa qualidade no ambiente, No entanto, existem muitos outros aspetos a ter em conta, alguns deles poderão até ser eventualmente mas relevantes. Nesta perspetiva, a ISO criou um comité responsável por tratar e desenvolver normas específicas no âmbito da sustentabilidade na construção baseadas na gestão ambiental, nomeadamente avaliação ciclo de vida, declarações ambientais de produto (ISO 14000), e planeamento de vida em serviço (ISO 15686). Este comité foi atribuída a designação ISO/TC59/SC17. Criado em 2002, este subcomité surge para continuar um trabalho preliminar realizado pelo SC3 fundamentado na normalização da sustentabilidade na construção civil, mais especificamente, para elaborar um conjunto de normas que incluam todos os aspetos sociais, económicos e ambientais referentes a esta matéria. O SC17 apresenta-se subdividido em 5 grupos especificados na Figura 4.7 tendo já sido publicadas como resultado da sua atividade algumas normas relevantes. Figura 4.7 - Estrutura da Comissão e Normas realizadas As normas referidas na Figura 4.7 são documentos utilizados como base para as normalizações europeias que serão apresentadas posteriormente. De imediato importa realizar uma breve descrição destas normas, focando resumidamente o seu âmbito e o seu objetivo especifico no contexto da sustentabilidade da construção. [31] ISO/TC59/SC17 WG1 - General Principles and Terminology WG2 - Sustainability Indicators WG3 - Environmental declarations of product WG4 - Environmental performance of buildings WG5 - Civil Engineering Works Integração da análise ciclo de vida nas práticas de projeto de edifícios 53  ISO 15392:2008 – “Sustainability in building construction -- General principles” [32] A norma foi desenvolvida e fundamentada na ideologia do desenvolvimento sustentável e estabelece os princípios gerais que uma edificação deve seguir com vista à sustentabilidade. Esta aplica-se a todos os componentes relacionados com edificações e obras de construção nomeadamente, materiais, produtos, serviços e processos em todo o seu “ciclo de vida”, ou seja, desde o projeto até ao fim da sua vida útil. No entanto, os princípios que esta estabelece são aplicados apenas de forma generalizada. As especificações são âmbito de outras normas, e não prevê a fundação para a avaliação dos investidores e níveis (benchmarks) para evidenciação da sustentabilidade. A ISO serve apenas de guia de princípios e não se sobrepõe a normas nacionais ou internacionais da mesma matéria. Em contrapartida, encontra-se em desenvolvimento, por este mesmo subcomité, uma especificação técnica para promovê-la e auxiliar a sua implementação que é a ISO/TS 12720 NP - “Sustainability in buildings and civil engineerig works – guidelines for the application of the general principles on sustainability”.  ISO 21929-1:2011 – “Sustainability in building construction – Sustainability indicators – Part 1: Framework for the development of indicators and a core set of indicators for buildings”[22] Norma criada com o objetivo de estabelecer um processo, que recorrendo a um conjunto específico de indicadores, aborda os impactos das três dimensões que condicionam a sustentabilidade dum edifício: ambiente, economia e sociedade. Esta, fundamentalmente, sugere e encaminha, a seleção de indicadores mais apropriada com vista a sustentabilidade das edificações. O Quadro 4.2 de indicadores, acima presente, é fornecido pela norma para avaliação do desempenho económico, ambiental e social de um edifício ou grupo de edifícios. Focando os aspetos ambientais, a norma individualiza e separa os indicadores pela forma como influenciam o ambiente: em cargas ambientais, impactes ambientais ou os dois em simultâneo. Quadro 4.2 - Indicadores norma ISO 21929-1:2011 [22] Ambiente Económicos Social Alterações Climáticas; Destruição da camada do ozono; Acidificação; Eutrofização; Formação de oxidantes fotoquímicos; Esgotamento de recursos não-renováveis; Formação de poluentes Investimento; Deconstrução e tratamento de resíduos; Uso - Água, Energia, etc.; Receitas geradas pela construção; Desenvolvimento do valor económico do edifício Qualidade dos Edifícios; Efeitos da construção relacionados com a saúde e segurança dos utilizadores; Acessibilidade; Satisfação do utilizador; Qualidade arquitetónica dos edifícios; Proteção do património cultural INDICADORES DE SUSTENTABILIDADE Integração da análise ciclo de vida nas práticas de projeto de edifícios 61 5 AVALIAÇÃO CICLO DE VIDA 5.1 INTRODUÇÃO Este capítulo pretende concentrar-se na explicação da metodologia anteriormente apresentada e que é a fundação para as normas de sustentabilidade dos trabalhos de construção a nível ambiental. Mais concretamente, este capítulo vai abordar todo o procedimento da metodologia avaliação ciclo de vida e dos métodos auxiliares à sua execução, apoiada pela norma internacional que a padroniza, a NP EN ISO 14040:2008. Como tal, realizar-se-á uma abordagem geral do surgimento da norma, o porquê da sua existência e onde se enquadra no panorama da normalização internacional. Vão também ser apresentadas as diferentes tipologias que o método pode apresentar, clarificando qual a mais útil e aplicável no âmbito do setor da construção. Executa-se ainda uma adaptação do método à atividade construtiva realçando, as suas particularidades únicas e referindo as suas vantagens e limitações, sendo este último um aspeto importante a reter da metodologia. 5.2 ENQUADRAMENTO GERAL Como referido nos capítulos anteriores, a maior desafio das organizações está relacionado com a implementação do conceito sustentabilidade. Contudo, este já é visto como um princípio importante na formação de políticas governamentais e estratégias empresariais.[42] Este conceito tem uma interligação enorme com a indústria construtiva, pois é ela que contribui massivamente com os seus impactes ambientais. No entanto, a sensibilização destes aspetos ambientais na construção tem crescido exponencialmente e está na ordem do dia a sua minimização. Para ocorrer esta minimização, e sendo as edificações produtos únicos e com uma durabilidade fora do normal, ou seja, têm um ciclo de vida de dezenas de anos, as organizações optaram por avaliar a sua sustentabilidade através de uma metodologia que abranja todo o ciclo de vida das edificações e se adapte a todas as questões da sustentabilidade denominada AVALIAÇAO CICLO DE VIDA. Esta metodologia no campo da construção provém de um pensamento de abordagem das edificações a que os especialistas chamam “Life Cycle Thinking”, que defende que os impactes gerados por um produto ocorrem durante todo o seu ciclo de vida, ou seja, desde a sua extração até á sua disposição final. No entanto torna-se necessário “quantificar” este pensamento e formular uma maneira de o poder avaliar dentro do conceito base da sustentabilidade. Tendo em conta esta ideologia, e relembrando que a sustentabilidade é o equilíbrio de 3 pilares fundamentais – Ambiente, Economia e Sociedade, surgiu a primeira abordagem genérica a uma metodologia de avaliação da sustentabilidade do ciclo de vida, que genericamente consiste na soma das metodologias de avaliação das 3 componentes da sustentabilidade, como expresso na Figura 5.1. Integração da análise ciclo de vida nas práticas de projeto de edifícios 62 Em que: LCA – Life Cycle Assessment LCC – Life Cycle Cost SLCA – Social Life Cycle Assessment LCSA – Life Cycle Sustainable Assessment Todas as partes são imprescindíveis para a avaliação da sustentabilidade de um produto, nomeadamente, um edifício/ edificação/ construção/ empreendimento. [42;45] LCC – Life Cycle Costing [42] Esta importante componente da avaliação da sustentabilidade tem como definição generalizada os custos “cradle-to-grave” resumidos num modelo de economia com o objetivo de avaliação de alternativas de projeto e equipamentos. Ou seja, o LCC consiste no somatório de estimativas de custos, desde a conceção até á disposição final de um produto, de acordo com o determinado num estudo que estima os custos totais durante a vida do projeto tendo em conta a valorização do dinheiro no tempo. Qualquer projeto de engenharia sem justificação económica é inviável, como tal bons projetos de engenharia só se fazem com boa economia e traduzem o sucesso empresarial. Logo, o modelo LCC permite melhorar a avaliação da eficácia dos custos de projeto a longo prazo. Visto isto, o objetivo principal da LCC é escolher a alternativa mais rentável de um conjunto de alternativas com vista o menor custo possível do produto a longo prazo. Na generalidade dos casos, os custos de operação, manutenção e disposição são muitas vezes superiores (2-20 vezes) que os custos iniciais de aquisição portanto a melhor solução é obtida quando o LCC total é mínimo. Neste âmbito, esta abordagem auxilia a melhorar as perspetivas de negócios, destacando o aumento da competitividade económica a fim de minimizar os custos a longo prazo. LCA LCC SCLA LCSA Figura 5.1 - Componentes para a Avaliação da Sustentabilidade Integração da análise ciclo de vida nas práticas de projeto de edifícios 63 Contudo, isso não é tarefa fácil, pois no seio de muitas empresas existem diferentes interesses entre departamentos o que causa alguns problemas e conflitos. Esses problemas são facultados na Figura 5.2. A gestão destes conflitos pode ser controlada recorrendo ao LCC. Como tal, a ISO criou um conjunto de normas a que denominou “ISO 15686 - Buildings and constructed assets - Service-life planning”. Esta subdivide-se em 11 partes pertencendo a uma delas (parte 5) unicamente ao Life Cycle Costing. Ela define que “Life Cycle Costing é uma técnica valiosa que é usada para prever e avaliar o desempenho de custo de ativos construídos”. A norma tem uma ampla abrangência e pretende estabelecer uma metodologia comum para o LCC a fim de melhorar as tomadas de decisão e avaliação de processos nas fases mais relevantes de um projeto através da comparação de alternativas. No primeiro capítulo da referida norma, menciona-se a importância que esta metodologia tem no fornecimento de informação para o desempenho ambiental (ACV (LCA)). A metodologia LCC não é âmbito da presente tese, no entanto, realça-se a sua importância na conceção de projetos na sociedade atual. Concluindo, o LCC é um complemento muito útil para as outras 2 componentes, uma vez que um produto sustentável deve ter um custo razoável e ser rentável para ter aceitação no mercado. Sendo as decisões dos consumidores apoiadas, na maioria das vezes, unicamente no fator preço, é da responsabilidade das empresas fornecer informação da fase de utilização dos seus produtos com vista a influenciar o consumidor na modificação as suas escolhas e contribuírem intrinsecamente para o pensamento de desenvolvimento sustentável. SLCA – Social Life Cycle Assessment [42] Terceira componente da sustentabilidade que se diferencia das outras duas componentes pelas dificuldades que apresenta na sistematização de uma metodologia. O maior dilema de avaliação dos impactes sociais depreende-se com a natureza e escala dos seus indicadores. Ao contrário dos indicadores da ACV (LCA) e do LCC, muitos indicadores sociais são qualitativos o que dificulta a sua perceção, avaliação e consenso para estabelecer uma metodologia mundialmente aceite. Problemas Frequentes em Grandes Empresas de Engenharia ENGENHARIA DE PROJETO - Minimizar os custos de capital ENGENHARIA DE MANUTENÇÃO - Minimizar numero de horas de reparação PRODUÇÃO - Maximizar o tempo útil de horas ENGENHARIA DE CONFIABILIDADE - Evitar falhas CONTABILIDADE - Maximizar o valor presente líquido de projeto ACIONISTAS - Aumentar a sua riqueza Figura 5.2 - Problemas Frequentes Integração da análise ciclo de vida nas práticas de projeto de edifícios 64 Os principais problemas numa SLCA são [45]:  Relacionar quantitativamente os indicadores para a unidade funcional do sistema;  Obter dados específicos dos indicadores;  Decidir entre muitos indicadores, sendo maioria qualitativos;  Quantificar adequadamente todos os impactes;  Avaliar os resultados. No entanto, muitos estudos têm sido desenvolvidos nesta temática, e muito recentemente a CEN, criou normas com vista a avaliação desta componente, a EN 15643-3 e a prEN 16309. Visto isto, e focando o âmbito da presente tese, a metodologia a ser abordada é a correspondente à vertente ambiental, portanto, a ACV (LCA). 5.3 METODOLOGIA ACV (LCA) ENQUADRAMENTO HISTÓRICO E PANORAMA NORMATIVO Por natureza, poder-se-á dizer genericamente que a atividade construtiva não é “amiga do ambiente” devido aos impactes que gera nesse meio. Como tal, a preocupação no campo dos edifícios tem vindo a crescer no sentido em que a melhoria ambiental neste setor revela-se fundamental para um futuro sustentável das sociedades, algo que no mundo atual se prevê de difícil alcance. Nesse sentido, as organizações necessitam de abordar os impactes ambientais causados pelos processos e produtos construtivos durante o ciclo de vida dos empreendimentos e avaliá-los de forma a poderem realizar a tomada de decisão mais adequada e sustentável. Para suplantar essas necessidades, a metodologia ACV (LCA) é uma técnica única, e a mais adequada e adaptada à realidade construtiva, pois compreende todos os impactes significativos de cada um dos seus componentes em cada fase do seu ciclo de vida e agiliza, suporta o processo de decisão. A ACV (LCA) é uma metodologia de avaliação do desempenho ambiental de um edifício ou produto e permite aos decisores a possibilidade da adoção das tecnologias, produtos e processos mais adequados para uma melhor prática das atividades construtivas desde a extração de matérias-primas até a disposição final do produto. [46] Com isto, o desenvolvimento de normas, ferramentas e instrumentos em torno desta metodologia têm evoluído consideravelmente e, como tal, a promoção de práticas construtivas cada vez mais sustentáveis. A metodologia ACV (LCA) é a única metodologia de avaliação do desempenho ambiental normalizada internacional [44]. Isso transmite confiança no seu procedimento aos utilizadores. Ela apresenta 2 objetivos principais:  Quantificar e avaliar o desempenho ambiental de um produto ou processo em todo o seu ciclo de vida (desde a extração até à disposição final);  Ajudar nas tomadas de decisão ao nível da seleção de produtos e serviços. Para além destes, a ACV (LCA) serve de base para avaliar potenciais evoluções no desempenho ambiental de sistemas de produto. Como tal, a metodologia apresenta várias aplicações, tanto a nível público como privado. Dessas aplicações destacam-se as seguintes: [44]  Planeamento Estratégico ambiental para a escolha da melhor opção praticável. Por Exemplo, comparação dos impactes ambientais de diferentes produtos com a mesma função;  Comparação de cenários regionais, económicos ou culturais de um produto; Integração da análise ciclo de vida nas práticas de projeto de edifícios 65  Identificação de oportunidades de melhorias ambientais e pontos críticos em cada uma das fases do ciclo de vida de um produto;  Otimização do design e inovação de produtos e processos;  Criação de uma ferramenta para a gestão do sistema ambiental e relatórios ambientais. A Comissão Técnica responsável pelo desenvolvimento das normas de gestão ambiental chama-se ISO TC/207 e a sua composição esta expressa na Figura 5.3. Esta defende que a forma mais eficaz de otimizar o desempenho ambiental dos produtos e inclusivé das organizações é otimizando as suas práticas de gestão. Desta forma, limites ou critérios de desempenho para produtos não fazem parte da sua forma de proceder. Como se pode facilmente visualizar na Figura 5.3 existe um subcomité responsável unicamente pelas normas referentes à aplicação do método avaliação ciclo de vida. Desde a sua criação em 1992, este subcomité publicou várias normas das quais se encontram em vigor as seguintes [47]:  NP EN ISO 14040:2008 – Gestão Ambiental. Avaliação ciclo de vida. Princípios e enquadramento  NP EN ISO 14044:2010 – Gestão Ambiental. Avaliação ciclo de vida. Requisitos e linhas de orientação  ISO/TR 14047:2012 – Gestão Ambiental. Avaliação ciclo de vida. Exemplos ilustrativos como utilizar a ISO 14044 para situações de avaliação de impactes.  ISO/TS 14048:2002 – Gestão Ambiental. Avaliação ciclo de vida. Formatação da documentação  ISO 14049:2012 – Gestão Ambiental. Avaliação ciclo de vida. Exemplos ilustrativos como utilizar a ISO 14044 para a definição de âmbito e objetivos e análises de inventário A comissão idealizou que toda e qualquer obra devia respeitar um conjunto de requisitos de desempenho funcionais e técnicos, e ainda assegurar que a construção apresenta o desempenho pretendido nos domínios ambiental, social e económico. Um ponto fundamental para garantir estes domínios é a avaliação do desempenho de todos os materiais de um trabalho de construção, com vista, à padronização ISO TC/207 SC1 - ENVIRONMENTAL MANAGEMENT SYSTEMS SC2 - ENVIRONMENTAL AUDITING AND RELATED ENVIRONMENTAL INVESTIGATIONS SC3 - ENVIRONMENTAL LABELLING SC4 - ENVIRONMENTAL PERFORMANCE EVALUATION SC5 - LIFE CYCLE ASSESSMENT SC7 - GREENHOUSE GAS MANAGEMENT AND RELATED ACTIVITIES Figura 5.3 - Estruturação da comissão responsável pela ACV (LCA) Integração da análise ciclo de vida nas práticas de projeto de edifícios 66 da produção, transporte, processo construtivo, utilização e fim de vida para que sejam considerados em conjunto. NP EN ISO 14040:2010 – “PASSOS PARA REALIZAR UM ACV (LCA) GENÉRICO” Esta norma foi criada com o intuito de estabelecer e definir os princípios e enquadramento da metodologia ACV (LCA). Qualquer produto, independentemente do material que o constitui e da forma que atua na natureza, seja pela sua produção (matérias-primas e energia necessária a consumir), uso ou disposição final, provoca um impacte no ambiente. Nesse sentido a ACV (LCA) é, genericamente, uma ferramenta de gestão ambiental para avaliação do desempenho ambiental dos produtos desde a extração da sua matéria-prima até á disposição final. Esta técnica é bastante útil em diversas áreas e tem com principais objetivos [49]:  Facultar uma visão mais ampla das interações entre uma atividade e o ambiente;  Compreender o meio ambiente no âmbito das consequências ambientais das atividades humanas;  Facultar um precioso auxílio na tomada de decisão, estabelecendo parâmetros das atividades com vista a explicitar os seus impactes ambientais e identificar oportunidades para melhorias destes. Realizar um estudo ACV (LCA) independentemente do propósito é algo bastante complexo, portanto neste capítulo pretende-se desmistificar as fases constituintes da avaliação para permitir um maior entendimento do que se vai tratar e definir no capítulo 6, referente ao caso prático, e também para os possíveis leitores compreenderem o necessário para a execução desta análise. Segundo esta norma um estudo ACV (LCA) divide-se em 4 etapas base distintas, como mostra a Figura 5.4 e presente na norma. Como é facilmente visualizável na Figura 5.4, estas são as 4 etapas necessárias para realizar uma ACV (LCA). Como tal, de seguida clarifica-se cada uma delas realçando as suas particularidades e pormenores. Figura 5.4 - Etapas da ACV (LCA) [49] Integração da análise ciclo de vida nas práticas de projeto de edifícios 67  DEFINIÇÃO DO OBJETIVO E ÂMBITO A ACV (LCA), tal como todos os modelos, são uma aproximação e simplificação da realidade, portanto o desafio para os seus praticantes é que essa simplificação não influencie significativamente os resultados. [50] Esta é a primeira etapa do processo e é onde se define o objetivo da avaliação, assim como o tipo de avaliação dos impactes ambientais de acordo com o processo de decisão pretendido pelo avaliador. Neste sentido, a definição do âmbito e do objetivo vai determinar a duração e quantidade de recursos necessários para a realização da avaliação, bem como, conduzir todo o processo, de forma a garantir que os resultados significativos são alcançados. Um aspeto importante a realçar é o facto de cada decisão tomada durante esta fase condicionar a condução do projeto e a relevância dos resultados finais. Portanto, expõem-se e desenvolvem-se seis decisões base a serem tomadas no início da avaliação para efetivar o tempo e recursos necessários. As decisões a tomar devem ser as seguintes: 1) Definir o objetivo do projeto Normalmente o objetivo primordial da avaliação é a escolha da melhor solução, ou seja, a que representa um menor impacte à saúde humana e ambiental. No entanto, podem haver outros objetivos, como auxiliar o desenvolvimento de novos produtos através da redução de recursos e emissões. Os inventários resultantes da avaliação podem assim ter inúmeras aplicações, entre as quais [46]:  Suporte a avaliações ambientais;  Estabelecimento da informação base de execução de um produto;  Atribuição de rankings ao nível da contribuição relativa de cada fase;  Identificação de possíveis lacunas nos dados;  Auxilio à formulação de políticas governamentais;  Fornecimento de informação para auxiliar a tomada de decisão;  Guia os fabricantes no desenvolvimento de novos produtos ou alteração de processos. 2) Determinar qual o tipo de informação necessária para informar os decisores A avaliação pretende auxiliar os decisores. Portanto, deve ter em conta as questões que os preocupam, como por exemplo, qual é o produto que provoca menos danos no geral ou numa etapa específica ou como possíveis mudanças vão alterar os impactes ambientais nas fases ciclo de vida. A deteção dessas questões vai permitir uma melhor definição dos parâmetros a estudar e enquadrar o tipo de informação necessária para lhes dar responder. 3) Determinar a especificidade requerida O grau de especificidade é algo que deve estar definido e explícito de forma a permitir uma maior capacidade de compreensão das diferenças entre os resultados finais por parte dos leitores. Outro aspeto importante depreende-se pelo realizador da avaliação durante o estudo e antes da recolha de dados verificar se a abordagem selecionada continua adequada ao uso pretendido da avaliação. 4) Definir como os dados e resultados são apresentados Sendo a ACV usada fundamentalmente para a comparação de produtos, é muito importante que a organização dos dados venha de acordo com uma unidade funcional que defina a função do produto a estudar. Definir a unidade funcional de um produto é um passo importante, pois a sua seleção adequada permite uma melhor precisão do estudo e uma maior utilidade dos resultados na medida da comparação entre produtos. Na comparação de produtos é crucial que a base de comparação seja o uso equivalente, ou seja, a quantidade de produto necessária pelo consumidor para atingir o uso pretendido. Dando um exemplo "Processo para avaliar as implicações ambientais de um produto, processo ou atividade, através da identificação e quantificação dos usos de energia e matéria e das emissões ambientais; avaliar o impacte ambiental desses usos de energia e matéria e das emissões; e identificar e avaliar oportunidades de realizar melhorias ambientais" Integração da análise ciclo de vida nas práticas de projeto de edifícios 68 simples como a escolha de um produto de lavagem de mãos, se compararmos sabão em barra com sabão líquido, a base de comparação deve ser a quantidade de sabão necessária para executar o mesmo número de lavagens. Com produtos da construção é exatamente este o dilema que ocorre nas decisões. Por exemplo, para comparar um elemento em estrutura metálica com betão armado a unidade funcional deve ser “elemento que suporte uma carga de 15 kN/m” ou “quantidade de material para executar um elemento com uma volumetria de n m3”, pois a comparação direta de 1 Kg de aço com 1Kg de betão armado se não for considerada a quantidade de material necessária para atingir o comportamento pretendido, não é uma unidade funcional apropriada. [20] 5) Definir o âmbito do estudo Cada passo/processo do ciclo de vida de um produto é catalogado a uma fase desse ciclo de vida. Pode portanto ser considerado como um módulo constituinte de um conjunto de módulos que compõe a vida de um produto. Sendo este processo idealizado através de módulos, o processamento do ciclo de vida de um produto torna-se mais percetível ao nível da obtenção de dados para o inventário do sistema. Associado a isto, também os sistemas de produtos são mais compreensíveis se a sequência de operações for categorizada em, primárias e secundárias. As sequências primárias são o conjunto de atividades que contribuem diretamente para executar, utilizar e descartar o material enquanto as secundárias incluem os materiais e processos auxiliares para executar a sequência primária. Ao estabelecer este sistema, o analista tem de definir limites para este, de acordo com o tipo de estudo pretendido, clarificando e justificando as razões dessa limitação. Na definição dos limites do sistema é essencial incluir todos os passos que podem condicionar a interpretação geral e a abordagem às questões para as quais o estudo está a ser executado. A limitação do sistema também permite uma diminuição de recursos para obter o inventário ciclo de vida mas sem nunca comprometer a base do estudo, pois o grau de especificação do inventário depende do objetivo e tamanho do sistema definido. Num grande sistema, certos detalhes e informações podem ser omissos pois não tem significado e, como tal, não condicionam a qualidade dos resultados pretendidos do estudo. Após definição dos limites deve-se executar um diagrama para melhor entendimento do processo em que cada etapa do sistema deve ser representada individualmente e incluir a respetivas entradas e saídas. Na Figura 5.5 encontra-se o funcionamento dum sistema de produto de acordo com a norma NP EN ISO 14044. Integração da análise ciclo de vida nas práticas de projeto de edifícios 69 Figura 5.5 - Funcionamento de um sistema de produto [51] 6) Determinar regras base para realizar o estudo Um estudo ACV pode apresentar um elevado grau de complexidade e ter como objeto diversos leitores, portanto é importante seguir algumas regras para evitar interpretações distintas. As mais importantes encontram-se definidas em baixo:  Todas as decisões e pressupostos admitidos no projeto devem ser documentadas a fim dos resultados finais não serem mal interpretados devido á omissão desses pressupostos. Limitações e pressupostos a meio do projeto podem ser necessários para completá-lo mediante os recursos temporais disponíveis  Procedimentos da garantia da qualidade são importantes para assegurar que o objetivo do estudo é cumprido, mas o seu nível depende dos recursos disponibilizados. Por exemplo, se os resultados tiverem como alvo o público, torna-se importante um processo de revisão formal para garantir mais credibilidade aos resultados.  A forma de reportar os requisitos do estudo, o que este deve incluir e como os resultados finais são documentados, são aspetos importantes para garantir o nível de satisfação previsto para o produto. O relatório deve definir claramente o seguinte: 1. Sistema analisado 2. Limites definidos 3. Todas as suposições e bases de comparação As normas nesta etapa apresentam alguns requisitos necessários para o estabelecimento do objetivo e o âmbito dum estudo ACV. Estes encontram-se sistematizados no Quadro 5.1, e devem ser todos abordados a fim de atingir os resultados pretendidos desta metodologia. Integração da análise ciclo de vida nas práticas de projeto de edifícios 76 1) Normalização Etapa seguida da caraterização, em que se equipara as categorias de impacto ambiental, homogeneizando-as na mesma unidade. A normalização consiste em uniformizar os dados dos indicadores de impacte dividindo-os por valores de referência selecionados, de forma a serem comparados entre si e evitar efeitos de escala na agregação [54] Esta normalização segue dois propósitos base [53]: 1. Categorias de impacte que têm uma muita pequena quantidade de contribuição se comparada com outras, podem não ser consideradas, reduzindo assim o número que é necessário avaliar; 2. Os resultados da normalização demonstram a ordem de grandeza dos problemas ambientais gerados comparados com as cargas totais no local que se pretende estudar. 2) Agregação Etapa com a particularidade de agrupar as categorias de impacte em conjuntos com vista facilitar a interpretação de resultados de acordo com o interesse pretendido. Os indicadores das categorias têm duas formas possíveis de serem agrupados [53]:  Organizando-os por características específicas como emissões para o ar/água ou por localização de atuação (local, regional ou global);  Organizando-os através de um ranking, onde as categorias de impacte são classificadas e estruturadas por grau de importância Como visto na Figura 5.6 ainda existe outra etapa, considerada como a mais controversa e difícil da avaliação, denominada ponderação, também conhecida por valorização, que consiste em atribuir pesos ou valores relativos às diferentes categorias de impacte com base na sua importância. Esta etapa é bastante utilizada na metodologia AVC (LCA), no entanto é a menos evoluída das etapas de avaliação e não se baseia em nenhum processo científico. Portanto a integridade em relação aos pesos estabelecidos para os indicadores das categorias de impacte podem ser postos em causa. Para evitar situações como esta é fundamental que a ponderação seja claramente explícita, esclarecedora e documentada. Normalmente, a ponderação engloba 3 atividades distintas [53]:  Identificação dos valores cruciais das partes interessadas na avaliação;  Determinar os pesos para os impactes;  Aplicar esses pesos aos indicadores das categorias de impactes; Todos os dados, sendo ponderados ou não, devem ser apresentados em conjunto a fim de garantir uma compreensão clara dos pesos atribuídos. No entanto, é importante realçar alguns aspetos relevantes desta etapa. A decisão pode ser tomada sem este passo, isto é, em muitas situações os resultados obtidos são de tal forma simples e óbvios que facilmente se percebe qual a melhor solução. A ponderação não traria qualquer benefício nem iria alterar a ordem de preferência da escolha realizada. Outra questão importante é referente aos desafios inerentes à ponderação. Qualquer que seja o juízo de preferência dos indicadores das categorias de impacte, esse juízo de valor é subjetivo pois pode variar com o local e altura do ano em que se realiza a avaliação. Tendo em conta este aspeto, surge uma pergunta legítima por parte dos utilizadores: “Como é possível que os decisores tomem uma decisão justa e consistente tendo em conta o interesse ambiental se a ponderação é algo subjetivo?”. Com todas estas circunstâncias está claro que uma metodologia de ponderação objetiva não é viável. Contudo, Integração da análise ciclo de vida nas práticas de projeto de edifícios 77 existem vários processos neste campo que são utilizados no setor da construção e não só, e têm algum sucesso nas tomadas de decisão como o método AHP ou a técnica Delphi modificada. [46] Estes métodos não serão abordados por não estarem inseridos diretamente no âmbito da presente tese.  INTERPRETAÇÃO A última etapa desta análise é considerada por muitos como a mais importante, pois é nela que os resultados da avaliação ou inventário são examinados e se retiram as ilações de quais os materiais e processos que contribuem mais para os impactos dum produto e se elaboram análises de incerteza dos resultados. É importante esclarecer que os resultados obtidos são fundamentados numa abordagem relativa que apontam potenciais efeitos e não antecipam efeitos reais, valores limites, margens de segurança ou potenciais riscos. No entanto, se estiverem em conformidade com o objetivo e âmbito da análise, poderão auxiliar sob a forma de recomendação para os decisores. 5.4 VANTAGENS DA METODOLOGIA Face á apresentação da informação sobre a metodologia referida anteriormente, a maior vantagem referente a ela é, sem dúvida, auxiliar os decisores (arquitetos e engenheiros) a escolher o produto ou processo que induz um menor impacte no meio ambiente. A informação fornecida também permite a associação com outros aspetos, como o custo e os dados de desempenho, o que possibilita a consideração de diversos fatores na decisão. Outra vantagem a realçar é a possibilidade de identificar, através dos dados da ACV (LCA), a transferência dos impactes ambientais de um meio para outro e/ou de uma fase do ciclo de vida para outra, como por exemplo, reciclar um produto e reutilizá-lo de novo. Para além destes aspetos importantes, o desenvolvimento de uma ACV (LCA) permite aos analistas [46]:  Desenvolver uma avaliação sistemática dos impactos ambientais associados a um determinado produto;  Analisar o ambiente trade-off associado com um ou mais produtos / processos específicos para ajudar a ganhar a aceitação das partes interessadas (Estado, comunidade, etc.) para uma ação planeada;  Quantificar libertações ambientais para o ar, água e terra em relação a cada estágio do ciclo de vida e / ou grande processo de contribuição;  Auxiliar na identificação de mudanças significativas em impactos ambientais entre os estágios do ciclo de vida e no meio ambiente;  Avaliar os efeitos humanos e ecológicos do consumo de materiais e libertações ambientais para a comunidade local, na região e no mundo;  Comparar a saúde e impactos ecológicos entre dois ou mais produtos / processos rivais ou identificar os impactos de um produto ou processo específico;  Identificar os impactos de uma ou mais áreas ambientais específicas de interesse. As vantagens de realizar a metodologia são evidentes e estão a decorrer desenvolvimentos na área da construção a fim de integrar esta metodologia no setor. O objetivo é tornar a construção numa atividade muito menos prejudicial e que não ponha em causa o futuro mundial. 5.5 LIMITAÇÕES DA METODOLOGIA Como todas as metodologias, a ACV (LCA) apresenta as suas desvantagens. A sua realização mostrase bastante dispendiosa, tanto em custos como em tempo. Estes parâmetros dependem do tipo de avaliação que se vai realizar, mais especificamente, da pormenorização desejada pelo analista. Quanto Integração da análise ciclo de vida nas práticas de projeto de edifícios 78 mais pormenorizada a avaliação, maior a dificuldade na obtenção de dados e, como tal, a qualidade dos resultados apresentados vão ser influenciados negativamente, já que análises muito complexas requerem uma tipologia de dados que não se encontra muito divulgada nem de fácil acesso. Para além deste facto, a metodologia não determina qual o melhor produto ou processo em termos de rentabilidade e funcionalidade, logo a informação retirada desta avaliação deve ser utilizada como uma parte de uma ferramenta mais profunda que permita obter esse resultado. Outro aspeto negativo a apontar é referente à conversão num valor único dos resultados dos impactes ambientais avaliados. Esta, requer uma estipulação de ponderações por parte da pessoa que realiza o estudo devido à inexistência de uma base única e uniforme destas ponderações. Consequentemente, em casos alusivos a dois produtos com impactes semelhantes um deles pode sair beneficiado. Contudo, considerando o rácio entre vantagens e desvantagens, esta metodologia apresenta-se como uma grande valia para atingir uma construção mais sustentável, e naturalmente, o conceito de desenvolvimento sustentável se for simplificada e adaptada às necessidades do setor da construção. [46] 5.6 TIPOLOGIAS DE AVALIAÇÃO A metodologia pode ser abordada segundo 3 variantes distintas que diferem apenas nas fases do ciclo de vida dos edifícios de acordo com o estudo que se pretende realizar. As três variantes definidas são: “cradle-to-gate”, ”cradle-to-grave” e “cradle-to-cradle” e encontram-se esquematizadas na Figura 5.9. Figura 5.9 - Tipologias de avaliação [20] Analisando cada um dos tipos de análise individualmente, e com o apoio da figura acima, a análise do tipo “cradle-to-gate” estuda o percurso do produto desde a sua extração até à sua saída da fábrica, englobando todos os processos referentes à sua produção. Este tipo de análise é a mais desenvolvida e mais estudada até ao momento e é suportada pelas declarações ambientais de produto que são, como referido anteriormente, uma excelente fonte de dados para realizar a ACV (LCA). O tipo “cradle-to-grave” estuda todo o percurso desde a fase de extração até à fase de deposição dos materiais, ou seja, vai mais além que a anterior análise, pois engloba todas as fases de operação e deposição da vida útil do produto. O último tipo e menos utilizado devido a falta de informação e dificuldade acrescida na sua análise é “cradle-to-cradle” que inclui a última fase do ciclo de vida do produto, a reciclagem e/ou reutilização. Integração da análise ciclo de vida nas práticas de projeto de edifícios 79 Após o esclarecimento das definições, a variante mais interessante para utilizar no âmbito da construção é a “cradle-to-grave”, porque uma grande parte da sustentabilidade da construção provém do consumo de recursos por parte do utilizador durante o ciclo de vida das edificações. Portanto incluir a fase de utilização traduz numa maior veracidade e exatidão no estudo, nomeadamente, um maior suporte para possíveis tomadas de decisão. Esta metodologia apresenta, no entanto, uma grande limitação, que é a de abranger simplesmente a dimensão ambiental. Como anteriormente referido, a sustentabilidade é obtida pelo equilíbrio de três dimensões, a ambiental, a económico e a social. A metodologia ACV (LCA) apenas estuda uma delas. Contudo, algumas novas vertentes mais completas da metodologia abordam a dimensão económica da avaliação ambiental pois incluem o custo das soluções. Associado a estes fatores, pretende-se obter uma maior eficiência nos resultados finais de forma a favorecer a tomada de decisão. 5.7 UTILIZAÇÃO DA ACV (LCA) NO SETOR DA CONSTRUÇÃO PARTICULARIDADES E DIFICULDADES NA IMPLEMENTAÇÃO DA ACV (LCA) Conforme referido em vários capítulos, o setor da construção induz inevitavelmente grandes consequências do ponto de vista ambiental ao nível de consumo de energia, dos recursos e produção de resíduos. Como tal, para ultrapassar estas preocupações foram desenvolvidos vários métodos para avaliar essa sustentabilidade, como o BREEAM e o LEED, que baseiam o seu procedimento na metodologia ACV (LCA). A ACV (LCA) é um processo integrado no setor industrial e é frequentemente utilizado na avaliação do impacte ambiental de produtos e processos. Os edifícios são produtos particularmente diferentes da maior parte dos produtos industriais que apresentam processamentos controlados. Consequentemente, existem aspetos específicos dos produtos do setor da construção que interessa realçar [55]:  O longo ciclo de vida de toda a edificação (50-100 anos), que faz com que as variáveis e os parâmetros sejam incertos e de baixa previsibilidade;  Os elementos e materiais constituintes da edificação têm tempos de vida útil diferentes;  Utilização de diversos materiais e de processos bastante diferentes;  O carácter único de cada edificação, devido às suas funções, forma e soluções construtivas;  As diferentes distâncias até às fábricas;  A evolução das funções da edificação ao longo da sua vida oriunda das operações de manutenção e adaptação. Apurando estes fatores, constata-se que o ciclo de vida de uma edificação é bastante longo e o seu comportamento depende de muitas variáveis imprevisíveis como o comportamento dos usuários. Logo muitas suposições têm que ser assumidas, induzindo grandes incertezas que poderão pôr em causa a credibilidade dos resultados. A junção de todos estes aspetos torna o setor da construção um dos setores menos padronizado de toda a indústria, e consequentemente, a ACV (LCA) uma tarefa desafiadora. UTILIZADORES E TIPOS DE UTILIZAÇÃO No âmbito da atividade construtiva, a metodologia ACV (LCA) tem diversos fins de utilização, assim como, vários tipos de utilizadores. Essa informação encontra-se sintetizada no Quadro 5.3. Integração da análise ciclo de vida nas práticas de projeto de edifícios 80 Como podemos verificar, a metodologia tem vários campos distintos de utilização com fins diferentes, o que comprova e reforça ainda mais a sua importância da sua utilização para a sustentabilidade do setor construtivo. PRINCIPAIS EVOLUÇÕES E BARREIRAS NA IMPLEMENTAÇÃO DA ACV (LCA) Utilizar a metodologia ACV (LCA) no setor da construção pode trazer grandes evoluções no campo da sustentabilidade. Ela pode promover ações como [56]:  Benefícios de marketing;  Obtenção simplificada de dados;  Rotulagem ambiental dos edifícios;  Metas ambientais para edificações, edifícios e obras de engenharia civil;  Empréstimos e subsídios para a redução do impacto ambiental. No entanto, existem também várias barreiras a ultrapassar para implementar a metodologia no ramo. Desse conjunto, destaca-se [56]:  Preconceitos sobre ACV (LCA) complexidade, precisão e resultados arbitrários;  Conhecimento deficiente sobre o impacto ambiental e as possibilidades de como calculá-los;  Baixa procura pela ACV (LCA);  Aplicações de cálculos excessivamente complicadas e de altos custos;  Falta de interfaces normalizados nos programas usados no sector da construção (CAD, procurement, construção física); Tipos de Utilizador Fase do Processo Propostas para o Uso do ACV (LCA) Estabelecimento de metas a nível municipal Promotores Imobiliários e Clientes Definição de zonas onde edifícios residenciais e de escritórios são encorajados ou proibidos Estabelecer metas para as áreas de desenvolvimento Fases Preliminares Consultores aconselhamento de municípios e Urbanistas Fases Preliminares Concepção de um Projeto de Renovação Comparando as opções de projeto (geometria, escolhas técnicas ao nível de soluções e produtos) Engenheiros / Consultores Selecão de um local de construção Dimensionamento de um projeto Fixação de metas ambientais num programa Comparação das opções de projeto (geometria / orientação, técnicas, escolhas) Inicío do Projeto (Esboço) e Projeto detalhado, em colaboração com Engenheiros. Conceção de um Projeto de Arquitetos Fase inicial do Projeto em colaboração com Arquitetos e Projeto Detalhado Quadro 5.3 - Aplicações e Utilizadores na metodologia ACV no setor construtivo [56] Integração da análise ciclo de vida nas práticas de projeto de edifícios 81  Fraca cooperação entre os fabricantes de softwares e potenciais clientes;  Heterogeneidade de aplicações e pressupostos, conduzindo a resultados distintos;  Dificuldades na compreensão e aplicação dos resultados da ACV (LCA);  Falta de requisitos legais e poucos incentivos;  Baixa ligação com aplicações de certificação energética; TIPOLOGIA DE ESTUDOS ACV (LCA) NA CONSTRUÇÃO Vários estudos sobre o tema já foram realizados e a metodologia ACV (LCA) no setor da construção foi utilizada de duas formas distintas [57]:  Avaliação de materiais de construção e combinação de componentes;  Avaliação do processo construtivo como um todo. Destes estudos, foram retiradas algumas ilações e diferenças entre as duas formas, que vale a pena destacar:  A avaliação de todo o processo construtivo de um edifício é um processo variável, pois um edifício não apresenta sempre as mesmas funções nem as mesmas soluções técnicas. Ou seja, as técnicas construtivas, os estilos arquitetónicos, o clima e o consumo cultural é distinto de país para país e até de região para região. Estas variações afetam o ambiente em todas as fases do ciclo de vida;  A unidade funcional da avaliação de materiais de construção é 1 kg ou m3 desse material, enquanto do processo construtivo de um edifício é m2 área livre de pavimento;  A ACV (LCA) do processo construtivo como um todo é muito mais complexa do que ACV (LCA) de um material de construção, pois o processo para fabricar o material é singular e repetitivo, enquanto o processo construtivo de um edificação e o seu projeto têm processos complexos e muitas considerações adotadas, o que leva a uma dificuldade acrescida na ACV (LCA); Em resumo, a direta aplicação da metodologia no setor da construção é algo bastante complexo e variável. Para além disso, é dispendiosa e não pode ser executada sem que se assuma algumas considerações e modificações adicionais. No entanto, está comprovado que a utilização da metodologia ACV (LCA) melhora significativamente a sustentabilidade no setor construtivo ao longo de todas as fases do processo construtivo. Nesta ideologia surgem algumas questões importantes: “Quais os materiais que levam á sustentabilidade na construção? Como é possível incentivar o interesse dos stakeholders do setor construtivo e utilizar a ACV (LCA)?” [57] ECOEFICIÊNCIA DOS MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO Como já referido, um dos objetivos da abordagem ciclo de vida é ajudar na tomada de decisão através da seleção dos materiais e tecnologias que representam o menor impacte ambiental. Em muitas situações, os produtos da construção são apresentados como baratos a médio prazo, mas estes podem ter altos custos de manutenção ou altos custos de gestão de resíduos ou até serem produtos tecnologicamente evoluídos que requerem custos de produção que nunca serão recuperados. Como tal, há materiais que considerando todas as fases do ciclo de vida podem provocar mais impactes ambientais para além dos provocados no seu processo produtivo, devido a ações de manutenção e eliminação. Bem como, existem outros no fim da sua vida útil podem ser reutilizados ou reciclados e minimizar os impactes associados à sua produção. Por exemplo, o betão é um material que na sua produção emite grandes quantidades de CO2. No entanto, essa quantidade pode ser minimizada com o aproveitamento Integração da análise ciclo de vida nas práticas de projeto de edifícios 82 deste, após fim do ciclo de vida do objeto onde foi aplicado, em outros usos como por exemplo, camada de enchimento em infraestruturas. Nesta ideologia, foi estudado o comportamento dos materiais mais usados na construção civil [58] ao nível da energia primária de produção e emissão de CO2, encontrando-se os resultados presentes Figura 5.10. Como podemos visualizar os maiores impactes são provocados pelo ferro, cimento e cerâmica. É importante realçar que a produção, transporte e instalação de materiais como o ferro e betão necessitam de uma grande quantidade de energia apesar de estes representarem uma parte muito pequena do custo total de todo a edificação. No entanto, nos edifícios, os materiais normalmente utilizados para a estrutura dos edifícios representam mais de 50% da sua energia interna. Em tons de conclusão, definem-se alguns aspetos a ter em conta na utilização da metodologia no setor da construção [58]: 1) Os limites do sistema definidos na metodologia devem ser os mais amplos possíveis a fim dos resultados obtidos serem mais realistas. Qualquer módulo que seja desprezado pode gerar diferenças significativas nos resultados e conduzir a tomadas de decisão erradas; 2) As bases de dados têm uma importância crucial na realização da ACV (LCA), portanto a sua extensão, ajustamento e harmonização às características e particularidades da construção de cada país deve estar na ordem do dia. Este melhoramento era largamente facilitado, se as entidades públicas exigissem aos fabricantes de materiais de construção a utilização das DAP (EPD), verificadas por entidades independentes que disponibilizam informação normalizada baseada na ACV (LCA) dos reais impactos dos produtos. Este ato iria criar uma base de informação precisa e facilitaria imenso a correta avaliação dos impactes ambientais das edificações da perspetiva das novas normas europeias baseadas na metodologia ACV (LCA); 3) Outro aspeto relevante depreende-se com o fim de vida de um edifício. Como já referido, um edifício tradicional quando atinge a fase de fim de vida é demolido e maior parte dos seus elementos são encaminhados para aterros ou incineradores devido à grande dificuldade em separá-los, o que provoca consumos enormes de energia. A fase fim de vida é extremamente importante para a redução de impactes ambientais e muitas vezes não é contabilizada na ACV (LCA). No entanto, para que seja possível a reciclagem e reutilização de muitos materiais da construção tem que haver uma mudança abrupta nos projetos de edifícios a fim de possibilitar o desmantelamento dos elementos construtivos no fim de vida do edifício. Por sua vez, Figura 5.10 - Quantidade de CO2 e Energia Primária de Materiais de Construção [58] Integração da análise ciclo de vida nas práticas de projeto de edifícios 83 também os processos de demolição têm que ser melhorados no sentido de simplificar e reduzir o esforço na remoção dos elementos do edifício. Integração da análise ciclo de vida nas práticas de projeto de edifícios 85 6 CASO PRÁTICO – APLICAÇÃO METODOLOGIA ACV (LCA) 6.1 INTRODUÇÃO O presente capítulo vai servir essencialmente para demonstrar a utilidade da metodologia ACV (LCA) na tomada de decisão do setor da construção, mais especificamente, na seleção do material mais indicado em termos ambientais a utilizar num caso prático real. Genericamente, serão analisados 2 projetos homólogos e serão retiradas as quantidades necessárias de material para os executar. De seguida, recorre-se a bases de dados e métodos de avaliação de impactes ambientais para se obterem os indicadores ambientais quantificados. Através dos dados obtidos idealizase um conjunto de cenários com vista a demonstrar as várias tipologias da metodologia e as diferenças entre elas. Para finalizar analisa-se e compara-se os resultados das 2 soluções correspondentes aos respetivos cenários e obtém-se a melhor solução a adotar em termos ambientais para cada cenário. 6.2 EXPLICAÇÃO PORMENORIZADA DO CASO A construção sustentável está na ordem do dia no mundo atual, portanto a eficiência ambiental, associada à componente económica, cada vez apresenta um papel mais significativo no estudo e concretização de construções, podendo até atingir caráter obrigatório dado o estado crítico da sustentabilidade ambiental. O desenvolvimento de um caso prático abordando o tema em estudo tem legítimo interesse ao nível da compreensão e clarificação da metodologia apresentada no capítulo anterior. Desta forma, pretende-se expor a importância que a avaliação ciclo de vida tem na conceção de uma edificação sustentável ao nível ambiental, com uma componente económica associada ao custo dos materiais. A componente social, conforme referido anteriormente não será abordada. No entanto, embora não tenha um carácter eminentemente quantitativo (análises mais qualitativas) o seu desenvolvimento e abordagem por parte de engenheiros e sociólogos deverá ser seriamente encarada dada a importância equivalente com as outras dimensões. Acresce que uma parte desta componente social está intimamente relacionada com as condições locais do habitat, e com as tecnologias/materiais mais frequentemente utilizados. A dimensão social poderá em determinadas situações ser condicionante da decisão. Este caso de estudo vai consistir numa comparação entre dois modelos estruturais de um armazém industrial constituído por materiais diferentes, recorrendo à metodologia avaliação ciclo de vida para avaliar o impacto ambiental das soluções durante todo o seu ciclo de vida. No entanto, como a maioria dos casos práticos, a obtenção de resultados totalmente exatos é bastante improvável dada a necessidade de introdução de simplificações e suposições que vão ser utilizadas e devidamente apresentadas a jusante. Contudo, pretende-se que os resultados obtidos auxiliem na tomada de decisão de materiais de Integração da análise ciclo de vida nas práticas de projeto de edifícios 92 6.4.3.1 Cenário 1A – “Cradle-to-Gate” Como já vimos no subcapítulo anterior, os materiais constituintes das soluções são respetivamente, betão armado e aço. Portanto, inicialmente é interessante perceber os impactes ambientais que estes provocam desde a sua produção até à chegada ao estaleiro (porta da obra). Ou seja, neste primeiro cenário realizase uma avaliação do tipo "cradle-to-gate" com vista a perceber quais os impactes que cada material induz antes de entrar na atividade construtiva propriamente dita. Os módulos considerados são os referentes aos processos de extração, produção, transporte (A1-A4). Contudo foram realizadas algumas considerações sobre os módulos em estudo. Os módulos referentes à extração (A1) e à produção (A3) respeitam as considerações das fontes onde foram retirados os dados das duas soluções. Em relação aos módulos referentes ao transporte (A2 e A4), foram consideradas duas situações distintas: 1) A solução em betão armado considera que o betão é transportado por camião e que este percorre uma distância de 100 km até ao estaleiro; 2) A solução metálica já contém o módulo do transporte nos dados obtidos na DAP (EPD). Atendendo a estas considerações, os resultados dos impactes estudados são os definidos no quadro, e considera-se que apresentam o mesmo peso relativo. O Quadro 6.8 apresenta os dados obtidos, assim como os resultados da comparação das soluções. Como podemos observar no quadro, a solução que apresenta melhor desempenho é a que exibe menor valor em cada um dos indicadores. Como tal, comparando os resultados obtidos para cada indicador e relembrando que estes têm o mesmo peso relativo, conclui-se que as soluções são ambientalmente equivalentes. Visto isto, tendo em conta apenas os resultados do presente cenário não se consegue obter qualquer ilação para auxiliar a tomada de decisão. A consideração se diferentes pesos para os indicadores ambientais poderia alterar esta situação. Esta vai ser abordada mais à frente no cenário 4, como presente no Quadro 6.7. GWP ODP AP EP POCP ADP ENR EN Cradle-To-Gate 8,65E+04 2,07E-03 3,25E+02 3,37E+01 3,08E+01 3,55E+02 7,25E+05 4,32E+03 TOTAL 1,05E+05 5,00E-03 4,24E+02 5,47E+01 3,39E+01 4,84E+02 1,01E+06 9,58E+03 Cradle-To-Gate 7,01E+04 7,81E-03 4,25E+02 2,44E+01 3,00E+01 1,30E-02 1,15E+06 1,15E+05 TOTAL 7,01E+04 7,81E-03 4,25E+02 2,44E+01 3,00E+01 1,30E-02 1,15E+06 1,15E+05 Módulo Ciclo de Vida SOLUÇÃO MELHOR DESEMPENHO 5,26E+03 Cenário 1A - "Cradle - to - Gate" Solução Materiais Indicadores Impacte Ambiental 1,87E+04 B Aço em Perfil Transporte B A 2,92E-03 9,93E+01 2,10E+01 3,10E+00 A Betão Armado 1,29E+02 2,86E+05 A B A A B B Quadro 6.8 - Resultados dos indicadores ambientais no Cenário 1 Integração da análise ciclo de vida nas práticas de projeto de edifícios 93 6.4.3.2 Cenário 1B – Avaliação Vertente Económica Cenário 1 Como já mencionado, um aspeto muito importante no setor da construção e em qualquer setor depreende-se com o custo das soluções utilizadas. Como tal, na fase de projeto, para realizar o processo de seleção de materiais, o aspeto económico é crucial. Um material ambientalmente sustentável se não tiver um preço competitivo de mercado não é aceite no setor. Nesta ideologia, realiza-se o cenário 1B, em que se tem apenas em conta a vertente económica na análise, recorrendo aos dados obtidos no Quadro 6.3 e Quadro 6.5. No Quadro 6.9 encontra-se os custos de cada solução em estudo. Como é facilmente percetível pela análise do quadro, a solução economicamente mais vantajosa é a solução A. No entanto, relembra-se que uma avaliação ciclo de vida deve ter em conta as três dimensões do desenvolvimento sustentável, portanto conjuga-se os resultados dos dois cenários executados. Analisando estes 2 cenários, perceciona-se que as soluções são ambientalmente equivalentes mas economicamente a solução A é mais vantajosa. Isto significa que a solução A seria a mais indicada sob o ponto de vista ambiental e económico, e a que deveria ser selecionada para o estudo em questão. 6.4.3.3 Cenário 2 – “Cradle – to – Grave” Após o primeiro cenário perceciona-se facilmente o funcionamento generalizado da metodologia. Neste contexto, o objetivo máximo da utilização desta no âmbito da construção civil é estudar o comportamento dos materiais até ao fim de vida das edificações, portanto, utilizando uma tipologia "cradle-to-grave". No entanto, esta vai ser abordada de forma simplificada pois não vão ser considerados todos os módulos previstos nas normas acima mencionadas. Este segundo cenário tem um caráter mais realista que o primeiro porque pretende estudar o comportamento das soluções ao longo do ciclo de vida previsto. Para tal, e como explicitado na norma EN 15978, existem algumas considerações e suposições a estabelecer para possibilitar o presente estudo. O betão é um material que normalmente ao longo do ciclo de vida de um edifício não requer grandes processos de manutenção e pode ser aplicado sem nenhum tipo de acabamento. Considera-se então para a solução de betão armado, uma situação em que não ocorre na fase de construção um acabamento final com outros materiais (betão à vista) e que o mesmo não será sujeito a operações de manutenção significativas. Por outro lado, o aço perfilado aplicado na construção utiliza um acabamento em pintura, que obviamente induz impactes ambientais. Uma estrutura metálica utiliza normalmente um esquema de pintura em que se aplica um primário sobre o aço, de seguida uma tinta intumescente e por fim a pintura. Uma ressalva importante deve-se ao facto de a tinta aplicada ter a duração limitada, considerando-se uma vida útil de 10 anos. Atendendo que o objeto em estudo terá uma duração de 50 Quadro 6.9 - Resultados da Vertente Económica no Cenário 1 Solução Materiais A Betão Armado Cenário 1B - Avaliação Vertente Económica 50,84 B Aço em Perfil SOLUÇÃO MELHOR DESEMPENHO 104,58 Custos dos materiais [€/m2] A Integração da análise ciclo de vida nas práticas de projeto de edifícios 94 anos vai ser necessário pintar no mínimo 5 vezes. Neste sentido e relembrando que a metodologia ACV (LCA) é uma metodologia "Bottom-Up", adicionamos os impactes da pintura aos impactes do aço perfilado, com a particularidade dos impactes ambientais referentes à pintura serem multiplicados 5 vezes. Explicando mais aprofundadamente a informação acima mencionada, para a realização deste cenário 2, e à semelhança do cenário 1A, é indispensável a consideração de alguns cenários. Como tal, os dados referentes ao módulo A (A1-A4) são os mesmos que os utilizados no cenário 1A pois até à porta do estaleiro não ocorre qualquer alteração no sistema de avaliação estabelecido. Contudo, este módulo ainda apresenta mais um módulo incluído no processo construtivo, o módulo A5 referente à instalação/aplicação dos elementos construtivos. Em relação a este módulo, considera-se os seguintes aspetos:  A solução de betão armado utiliza betão pronto oriundo da central de betonagem e aço da siderurgia. Visto isto, o betão mal chega à obra é descarregado diretamente nos elementos construtivos e o aço armazenado até ser montado. Neste contexto, atividades do processo construtivo como armazenamento especial (necessita aquecimento, arrefecimento ou ventilação) para o aço, transformação de produtos em obra e trabalhos temporários não são necessárias. A cofragem utilizada para a betonagem é reaproveitada portanto os seus impactes não vão ser considerados pois não são significativos. Todo o processo construtivo da solução não produz uma quantidade de resíduos consideráveis ao ponto de ser considerada.  A solução metálica utiliza perfis metálicos que já vêm pintados de fábrica. Os perfis metálicos apenas necessitam de ser montados portanto, à semelhança do aço da solução de betão armado, não apresenta nenhum processo passível de grandes impactes ambientais. É necessário também assumir algumas considerações nos restantes módulos constituintes da tipologia utilizada. Como tal, e tendo em conta o ciclo de vida presente na EN 15978, considera-se os seguintes cenários para cada um dos módulos:  Módulo B1 Utilização – A estrutura de betão foi betonada com uma cofragem que lhe confere o aspeto de betão à vista, não necessitando nenhum tipo de acabamento ou revestimento como por exemplo, um verniz ou um impermeabilizante. A estrutura metálica vai levar um acabamento com o esquema de pintura acima mencionado;  Módulo B2 Manutenção – As duas soluções não vão necessitar de ações de manutenção significativas;  Módulo B3 Reparação – A estrutura de betão armado não vai necessitar de nenhuma ação de reparação nos seus elementos. No entanto, como já referido, a estrutura metálica necessitará de uma repintura de 10 em 10 anos;  Módulo B4 Substituição – Não se prevê a substituição de qualquer elemento construtivo das duas soluções.  Módulo B5 Reabilitação – Os materiais utilizados nas duas soluções não sofreram qualquer ação de reabilitação.  Módulo B6 – B7 Uso de Água e Energia – Tanto a estrutura de betão armado como a estrutura metálica não provocam impactes significativos ao nível do consumo de água e energia na fase de operação do edifício. Destaca-se ainda que, como indicado na norma EN 15978, os impactes gerados pela produção, transporte e colocação da pintura estão incluídos no módulo B3. O módulo C, referente ao fim-de-vida dos produtos, pertence à tipologia utilizada neste cenário. No entanto, apenas vai ser considerado no próximo cenário devido à falta de especificação de informação Integração da análise ciclo de vida nas práticas de projeto de edifícios 95 dos indicadores ambientais na DAP (EPD) utilizada para obtenção de dados (Anexo IV). O conjunto de ponderações é o mesmo que o considerado no cenário 1. Nesta ideologia, para obter a quantidade de primário e tinta necessária, é essencial calcular ou pesquisar nas tabelas técnicas dos perfis, a área de pintura dos perfis da solução metálica. O Quadro 6.10 apresenta os valores da área de pintura referentes aos perfis da solução B. Consultando as plantas fornecidas presentes no Anexo III, obtém-se o número de metros de cada um dos perfis. Multiplicando estes pelas áreas de pintura acima indicadas obtemos a área total de pintura de cada um dos perfis constituintes da solução B. O Quadro 6.11 sintetiza os cálculos mencionados. De seguida, recorremos à DAP (EPD) da pintura para consultar os rendimentos do primário e da tinta e obter a quantidade total de primário (Kg) e de tinta (L) necessária para pintar toda a estrutura. O Quadro 6.12 expõe este procedimento. Tipo IPE 550 HEA 600 PRS 1 PRS 2 PRS 3 CHS 219,1 SHS 200 0,69 0,80 Perfis Metálicos Observações Valor Consultado das Tabelas Técnicas Valor Calculado através das Dimensões dos Perfis Apintura m 2/m 1,88 2,31 5,28 3,58 2,82 Tipo Nº de metros Apintura m 2 IPE 550 225 423,00 HEA 600 40 92,32 PRS 1 75 396,30 PRS 2 60 214,80 PRS 3 45 126,81 CHS 219,1 59 40,59 SHS 200 75 60,00 2,82 0,69 0,80 Perfis Metálicos Apintura m 2/m 1,88 2,31 5,28 3,58 Quadro 6.10 - Áreas de Pintura de cada perfil e respetiva fonte Quadro 6.11 - Área Total de Pintura em cada perfil Integração da análise ciclo de vida nas práticas de projeto de edifícios 96 Por último, consultamos o valor unitário dos indicadores ambientais presentes na DAP (EPD) e multiplica-se pelas quantidades acima obtidas. Finalizado este procedimento, resume-se os valores obtidos no Quadro 6.13. Como era previsível, a solução B piorou o seu desempenho ambiental devido á adição da pintura e a solução A manteve os mesmos valores já que não sofreu qualquer tipo alteração. No entanto, visualizando a tabela, mais especificamente, para o campo da solução com melhor desempenho, verificamos que os resultados não sofreram alteração em relação ao primeiro cenário. Isto significa que o acabamento da estrutura metálica (primário e tinta) ao longo de todo o ciclo de vida da estrutura não influencia significativamente o desempenho ambiental da solução B e que as soluções são ambientalmente equivalentes. No entanto, á semelhança do cenário 1 a solução A apresenta melhor componente económica e portanto melhor desempenho das soluções apresentadas. IPE 550 423,00 63,45 126,90 HEA 600 92,32 13,85 27,70 PRS 1 396,30 59,45 118,89 PRS 2 214,80 32,22 64,44 PRS 3 126,81 19,02 38,04 CHS 219,1 40,59 6,09 12,18 SHS 200 60,00 9,00 18,00 TOTAL 203,07 406,15 Tinta (l) 0,3 Tipo Primário (Kg) Apintura m 2 Perfis Metálicos Rend. Tinta (l/m 2) 0,15 Rend. Primário (Kg/m 2) GWP ODP AP EP POCP ADP ENR EN Extração e Produção 8,65E+04 2,07E-03 3,25E+02 3,37E+01 3,08E+01 3,55E+02 7,25E+05 4,32E+03 TOTAL 1,05E+05 5,00E-03 4,24E+02 5,47E+01 3,39E+01 4,84E+02 1,01E+06 9,58E+03 Extração e Produção 7,01E+04 7,81E-03 4,25E+02 2,44E+01 3,00E+01 1,30E-02 1,15E+06 1,15E+05 Primário 1,70E+02 3,25E-04 1,07E+00 9,22E-01 1,65E-01 2,12E+00 5,04E+03 2,70E+01 Transporte 1,30E+01 2,03E-06 6,90E-02 1,46E-02 2,15E-03 8,94E-02 1,99E+02 3,66E+00 Tinta 1,83E+03 1,38E-03 1,85E+01 2,49E+00 7,63E-01 1,20E+01 3,07E+04 3,84E+02 Transporte 1,01E+01 1,57E-06 5,35E-02 1,13E-02 1,67E-03 6,92E-02 1,54E+02 2,83E+00 TOTAL 7,21E+04 9,52E-03 4,44E+02 2,78E+01 3,09E+01 1,43E+01 1,19E+06 1,15E+05 B B A A SOLUÇÃO MELHOR DESEMPENHO B A A B B Aço em Perfil 9,93E+01 2,10E+01 3,10E+00 1,29E+02 2,86E+05 5,26E+03 Cenário 2 - "Cradle - to - Grave" Solução Materiais Módulo Ciclo de Vida Indicadores Impacte Ambiental A Betão Armado Transporte 1,87E+04 2,92E-03 Quadro 6.12 - Quantidade necessária de Tinta e Primário Quadro 6.13 - Resultados dos indicadores ambientais no Cenário 2 Integração da análise ciclo de vida nas práticas de projeto de edifícios 97 6.4.3.4 Cenário 3A – “Cradle – to – Cradle” O cenário atual da sustentabilidade mundial é preocupante. Como tal, a metodologia ACV (LCA) prevista nas mais recentes normas europeias apresenta no seu processo um módulo referente à reciclagem e reutilização dos materiais e produtos (D). No entanto, este módulo encontra-se muito pouco explorado para a importância que pode ter na redução do impacto ambiental dos produtos. Pretende-se que este cenário sirva de mote para um aprofundamento da temática do referido módulo dando uma noção generalizada dos benefícios que este pode ter. Enquadrando com o presente caso de estudo, uma estrutura constituída por betão armado no fim do seu ciclo de vida é demolida. Como tal, o material para ser reciclado requer o seguinte processamento:  Corte dos elementos construtivos com recurso a uma máquina de corte ou equipamento de desmonte;  Separação do aço do betão através de técnicas mecânicas;  Transporte as peças de aço para a siderurgia para serem transformadas novamente em varões;  Esmagamento / Britagem do betão que servirá para agregados ou para enchimento. Uma estrutura metálica tem a vantagem de poder ser reutilizada e reciclada com maior facilidade devido a uma maior simplicidade no processo de desmantelamento. Os perfis metálicos como se encontram definidos comercialmente podem ser utilizados noutra edificação praticamente sem nenhum processamento ou reciclados recorrendo á sua transformação para criar novos perfis. Nesta ideologia, executa-se as devidas considerações tal como nos cenários anteriores. Todas as considerações assumidas do cenário 2 (até ao módulo C) são válidas e consideradas no presente cenário. Observando o módulo C referente ao fim de vida do produto, considera-se os seguintes cenários:  Módulo C1 Desconstrução – A solução de betão armado vai sofrer o processamento em cima mencionado. Já a solução metálica, os seus perfis vão ser desmontados;  Módulo C2 Transporte – As condições de transporte são semelhantes aos anteriores cenários, com a exceção que para a solução de betão o aço vai para a siderurgia e os agregados de betão servirão de enchimento de uma infraestrutura a 100 km do estaleiro. Os dados utilizados para a estrutura metálica já contém o transporte de volta para a siderurgia.  Módulo C3 Processamento de Resíduos – O aço que vai ser enviado para a siderurgia para ser reciclado vai sofrer um processo de transformação. Enquanto o betão vai sofrer um processo de britagem  Módulo C4 Disposição Final – Ambas as soluções vão ser reaproveitadas, no entanto uma parte do betão será enviado para aterro. Finalmente, para o módulo D relacionado com os benefícios da reciclagem e reutilização dos materiais vai ser considerado uma reciclagem de 88% e uma reutilização de 11% como define a DAP (EPD). A restante percentagem (1%) não se considera significativa. O betão vai ser aproveitado na ordem dos 90%, sendo os restantes 10% para aterro. Integração da análise ciclo de vida nas práticas de projeto de edifícios 98 No Quadro 6.14. apresenta-se os valores dos impactes do aço após a sua transformação. Podemos constatar pelos resultados dos indicadores do módulo referente à reciclagem e reutilização (D), que alguns deles apresentam valores negativos. Isto acontece pois o processamento deste módulo, especialmente devido á reutilização do aço, leva a uma redução dos impactes produzidos ao longo do processo produtivo. Comentando agora os resultados totais, podemos reparar que a solução metálica apenas piora o seu desempenho no indicador POCP em relação aos resultados obtidos no cenário 1A. No entanto há um aspeto crucial a ter em conta referente ao processo de desmantelamento e reciclagem/reutilização do betão armado. Geralmente estes processos no betão armado são mais complexos e induzem mais impactes negativos do que no aço perfilado, mas serão suficientes para o aço perfilado ser a melhor solução? Esta questão não pode ser respondida devido a falta de informação, como demonstrado no Quadro 6.14, referente a este módulo do ciclo de vida do betão armado Não obstante, esta situação deverá ser objeto de estudo futuro atendendo à quantidade de estruturas de betão armado existentes. 6.4.3.5 Cenário 3B - Avaliação Vertente Económica Cenário 3 Como referido anteriormente, o aço pode ser reciclado e transformado novamente em perfis. Dado esse facto, no fim do ciclo de vida, este material pode ser vendido à siderurgia e contribuir para a redução dos custos iniciais da estrutura. Este cenário permite explicitar como os custos referentes à estrutura metálica podem ser reduzidos recorrendo à reciclagem do aço. Para realizar este cenário considera-se que o aço da solução metálica vai ser vendido à siderurgia ao preço de 1€/Kg. Portanto, como cerca de 88% do aço é para reciclar, multiplica-se o peso da estrutura (Kg) por 0,88 e dividindo pela área total da solução obtemos o valor de 40,9€/m2. Subtraindo este valor pelo custo inicial da solução obtemos o valor presente no Quadro 6.15, que mostra a referida situação. GWP ODP AP EP POCP ADP ENR EN Cradle-To-Gate 8,65E+04 2,07E-03 3,25E+02 3,37E+01 3,08E+01 3,55E+02 7,25E+05 4,32E+03 TOTAL 1,05E+05 5,00E-03 4,24E+02 5,47E+01 3,39E+01 4,84E+02 1,01E+06 9,58E+03 Cradle-To-Gate 7,01E+04 7,81E-03 4,25E+02 2,44E+01 3,00E+01 1,30E-02 1,15E+06 1,15E+05 TOTAL 8,05E+04 6,49E-03 4,30E+02 2,37E+01 3,60E+01 1,92E-01 1,16E+06 9,93E+04 2,86E+05 5,26E+03 Cenário 3A - "Cradle - to - Cradle" Solução Materiais Módulo Ciclo de Vida Indicadores Impacte Ambiental A Betão Armado Transporte 1,87E+04 2,92E-03 Reciclagem e Reutilização 9,93E+01 2,10E+01 3,10E+00 1,29E+02 Aço em Perfil Reciclagem e Reutilização 1,05E+04 -1,32E-03 SOLUÇÃO MELHOR DESEMPENHO B A A B B A A 5,34E+00 -7,05E-01 B 6,03E+00 1,79E-01 1,15E+04 -1,57E+04 A Quadro 6.14 - Resultados dos indicadores ambientais no Cenário 3 Integração da análise ciclo de vida nas práticas de projeto de edifícios 99 Apesar do resultado final não sofrer qualquer mudança, é notório uma grande redução de custos da solução estrutura metálica decorrente da possibilidade de reciclagem do aço no fim de vida da estrutura. 6.4.3.6 Cenário 4 A metodologia ACV (LCA) apresenta uma grande contradição na etapa de ponderação, como mencionado no capítulo 5. Como tal, recorrendo aos resultados do cenário 1A, este cenário pretende abordar diferentes pesos relativos para os indicadores definidos. Para tal, recorreu-se a 2 conjuntos de pesos estabelecidos por entidades diferentes [60]. Como podemos verificar na 2ª e na 3ª coluna do Quadro 6.16, os valores obtidos para todos os indicadores são diferentes e não apresentam valores para os indicadores referentes à energia. Nesta ideologia, pensou-se estabelecer um conjunto de indicadores que correspondesse à média aritmética entre os anteriormente referidos e a restante percentagem igualmente distribuída pelos indicadores energéticos, a que se denominou Hipótese 1. Para além desta hipótese, idealizou-se ainda uma hipótese em que o peso dos indicadores referentes à energia teria um valor de 30% e os restantes 70% seriam devidamente distribuídos de acordo com a importância relativa de cada um dos indicadores referentes às emissões. Toda a informação encontra-se sintetizada no Quadro 6.17. Cenário 1A EPA SAB BEES GWP 12 16 29 ODP 12 5 2 AP 12 5 3 EP 12 5 6 POCP 12 6 4 ADP 12 510 ENR 12 ------------ ------------ ER 12 ------------ ------------ TOTAL 100 ------------ ------------ Indicadores Ponderações (%) Quadro 6.15 - Resultados da Vertente Económica no Cenário 3 Quadro 6.16 - Ponderações assumidas no cenário 1 e utilizadas em softwares Custos dos materiais [€/m2] 50,84 63,68 A Cenário 3b - Avaliação Vertente Económica B Aço em Perfil 104,58 SOLUÇÃO MELHOR DESEMPENHO A Solução Materiais Custos dos materiais [€/m2] - Cenário 1B A Betão Armado 50,84 Integração da análise ciclo de vida nas práticas de projeto de edifícios 100 Como podemos observar nos resultados obtidos no cenário 1A, a solução A mostrou ter o melhor desempenho nos indicadores ODP, AP, ENR e ER, enquanto a solução B nos indicadores GWP, EP, POCP e ADP. Visto isto, pretende-se utilizar esses resultados associando-os aos novos pesos estabelecidos. Este passo consiste apenas em verificar a solução com melhor desempenho em cada um dos indicadores e associar ao respetivo peso relativo obtido. Aplicando as percentagens obtidas para as duas hipóteses nos resultados do Cenário 1A, obtemos os resultados presentes no Quadro 6.18. GWP 12 16 29 23 31 ODP 12 5 2 4 6 AP 12 5 3 4 6 EP 12 5 6 6 8 POCP 12 6 4 5 8 ADP 12 510 811 ENR 12 29 23 25 15 ER 12 29 23 25 15 TOTAL 100 100 100 100 100 Cenário 1A EPA SAB (POND.) BEES (POND.) Indicadores Ponderações (%) HIP. 1 HIP .2 GWP ODP AP EP POCP ADP ENR EN A 51% 49% 10% BEES Ponderada A B 2% 3% 23% 23% 4% 6% 29% 32% 5% 6% B 5% 5% 5% 16% B EPA SAB Ponderada A 29% 29% 68% A 11% 8% 8% A B Hipótese 2 31% 6% 6% 15% 15% 42% 58% TOTAL 58% 42% Cenário 4 - Ponderações Solução Melhor Desempenho Hipótese 1 4% 4% 25% A Soluções A B 23% 25% 6% 5% 8% Quadro 6.17 - Ponderações utilizadas no Cenário 4 Quadro 6.18 - Resultados do cenário 4 Integração da análise ciclo de vida nas práticas de projeto de edifícios 101 Como podemos visualizar, este cenário apresenta resultados interessantes e que comprovam a controvérsia referida. Na hipótese 1, EPA SAB ponderada e BEES ponderada a solução A é classificada como a solução com melhor desempenho, no entanto, na hipótese 2 o resultado é precisamente o oposto. Novamente se destaca o facto de as ponderações das hipóteses serem admitidas sem nenhuma base científica. Contudo, possibilita uma idealização de como esta fase se executa e dos possíveis resultados a obter. Este cenário comprova, de uma forma simplificada, uma das maiores razões de ainda não existir uma metodologia de avaliação de sustentabilidade no setor construtivo consensual em todo o mundo. Cada entidade e ferramenta utiliza o seu próprio conjunto de pesos para os indicadores a estudar, o que em muitas situações pode originar cenários idênticos ao apresentado, isto é, resultados distintos para os mesmos valores de indicadores ambientais. Integração da análise ciclo de vida nas práticas de projeto de edifícios 108 [22] ISO 21929, Sustainability in building construction -- Sustainability indicators -- Part 1: Framework for the development of indicators and a core set of indicators for buildings, 2011. [23] Britain, G.. Managing Health and Safety in Construction: Construction (Design and Management) Regulations 2007: Approved Code of Practice, 2007, HSE Books. [24] International Energy Association. Annex 31: Energy-related Environmental Impact of Buildings. 2004. [25] European Commission. FWC Sector Competitiveness Studies N° B1. ENTR/06/054–Sustainable Competitiveness of the Construction Sector, Final report. Directorate-General Enterprise & Industry, 2010. [26] Bragança, Luís, Princípios de desenho e metodologias de avaliação da sustentabilidade das construções. 2005. [27] Schröter, D.. Sustainability Evaluation Checklist. [28] Instituto Politécnico do Porto. Declarações Ambientais Produto. Sítio da Internet (http://www.startipp.gr/PT_NET/EPD.pdf), Junho 2013 [29] Sítio da Internet (http://www.eco-platform.org/home.html), Maio 2013 [30] No, E.R., 305/2011 of the European Parliament and of the Council of 9 March 2011 laying down harmonised conditions for the marketing of construction products and repealing Council Directive 89/106. EEC, 2011. [31] Krigsvoll, G., Fumo, M., Morbiducci, R.. National and international standardization (International Organization for Standardization and European Committee for Standardization) relevant for sustainability in construction. Sustainability, 2010. 3777-3791. [32] ISO 15392. Sustainability in building construction -- General principles, 2008. [33] ISO 21930. Sustainability in building construction -- Environmental declaration of building products. 2007. [34] ISO 21931. Sustainability in building construction -- Framework for methods of assessment of the environmental performance of construction works -- Part 1: Buildings, 2010. [35] Sítio da Internet (http://portailgroupe.afnor.fr/public_espacenormalisation/CENTC350/index.html), Maio 2013 [36] EN 15643. Sustainability of construction works. Sustainability assessment of buildings. Part 1: General framework, 2010. [37] EN 15643. Sustainability of construction works. Assessment of buildings. Part 2: Framework for the assessment of environmental performance, 2011. [38] EN 15643. Sustainability of construction works. Assessment of buildings. Part 3: Framework for the assessment of social performance, 2012. [39] EN 15643. Sustainability of construction works. Assessment of buildings. Part 4: Framework for the assessment of economic performance, 2012. [40] EN 15978. Sustainability of construction works. Assessment of environmental performance of buildings. Calculation method, 2011. Integração da análise ciclo de vida nas práticas de projeto de edifícios 109 [41] EN 15804. Sustainability of construction works. Environmental product declarations. Core rules for the product category of construction products, 2012. [42] Finkbeiner, M., et al.. Towards life cycle sustainability assessment. Sustainability, 2010, 33093322. [43] Bragança, Luís, Mateus, Ricardo. Análise do ciclo de vida de construções metálicas. 2012. [44] Pieragostini, Carla, Miguel C. Mussati, and Pío Aguirre. On process optimization considering LCA methodology.Journal of environmental management, 2012, 43-54. [45] Kloepffer, Walter. Life cycle sustainability assessment of products. The International Journal of Life Cycle Assessment 13.2, 2008, 89-95. [46] Scientific Applications International Corporation (SAIC), Curran, Mary Ann. Life-cycle Assessment: Principles and Practice, National Risk Management Research Laboratory, Office of Research and Development, US Environmental Protection Agency, 2006. [47] Sítio da Internet (http://www1.ipq.pt/PT/Normalizacao/Pages/Normalizacao.aspx), Junho 2013 [48] SETAC, Society of Environmental Toxicology and Chemistry. Life-cycle Impact Assessment: The State-of-the-art: Report of the SETAC Life-cycle Assessment (LCA). Impact Assessment Workgroup, SETAC LCA Advisory Group., 1998. [49] NP EN ISO 14040, Gestão ambiental - Avaliação do ciclo de vida - Princípios e enquadramento, 2008. [50] Bragança, Luís, Mateus, Ricardo. Life-cycle analysis of buildings: envirnonmental impact of building elements. 2012. [51] NP EN ISO 14044, Gestão ambiental - Avaliação do ciclo de vida - Requisitos e linhas de orientação, 2010. [52] Lippiatt, B. C. Building for environmental and economic sustainability (BEES) technical manual and user guide. National Institute of Standards and technology, 2007, Wellington. [53] Consultants, PRé. Introduction to LCA with SimaPro 7, Pré-Product Ecology Consultants, 2006. [54] Mateus, Ricardo, Bragança, Luís. Life-cycle assessment of residential buildings, 2011. [55] Buyle, M., et al., Life cycle assessment in the construction sector: A review, Renewable and Sustainable Energy Reviews, 2013, 379-388. [56] Zabalza Bribián, I., et al.. Life cycle assessment in buildings: State-of-the-art and simplified LCA methodology as a complement for building certification, Building and Environment 44, 2009, 2510-2520. [57] Ortiz, O., et al..Sustainability in the construction industry: A review of recente developments based on LCA, Construction and Building Materials 23, 2009, 28-39. [58] Zabalza Bribián, I., et al., Life cycle assessment of building materials: Comparative analysis of energy and environmental impacts and evaluation of the eco-efficiency improvement potential.,Building and Environment 46, 9/12/2010, 1133-1140. Integração da análise ciclo de vida nas práticas de projeto de edifícios 110 [59] Sousa, H.; Mêda, P., Collaborative Construction based on Work Breakdown Structures,ECPPM 2012 - 9th European Conference on Product and Process Modelling, 25-27 Julho, 839-845, Reykjavik - Iceland [60] Quinones, Maria Cecilia, Decision Support System for Building Construction Product Selection Using Life-Cycle Management (LCM), Georgia Institute of Technology, Agosto 2011. Integração da análise ciclo de vida nas práticas de projeto de edifícios 111 ANEXOS ANEXO I – DECLARAÇÃO AMBIENTAL DE PRODUTO (DAP HABITAT) ANEXO II – TABELA DE INDICADORES EXEMPLO DA NORMA EN 15978 ANEXO III – PLANTAS E ALÇADOS ANEXO IV – DECLARAÇÕES AMBIENTAIS DE PRODUTO DO AÇO E DO ACABAMENTO DE PINTURA ANEXO V – LISTA DE IMPACTES AMBIENTAIS DE MATERIAIS DA CONSTRUÇÃO (ECOINVENT) Integração da análise ciclo de vida nas práticas de projeto de edifícios 113 ANEXO I – DECLARAÇÃO AMBIENTAL DE PRODUTO (DAP HABITAT) Integração da análise ciclo de vida nas práticas de projeto de edifícios 114 Sistema DAPHabitat www.daphabitat.pt NOME DO PRODUTOR/ASSOCIAÇÃO Imagem do produto Dimensões máximas: 9,40 cm x 16,75 cm Nota: se as dimensões da imagem não corresponderem às dimensões pretendidas, esta deverá ser tratada. A imagem do produto poderá ter dimensões inferiores às especificadas. Logo do requerente Altura: 2,40 cm VERSÃO 1.0. EDIÇÃO OUTUBRO 2012 DECLARAÇÃO AMBIENTAL DE PRODUTO [de acordo com a ISO 14025, EN 15804 e EN 15942] NOME DO PRODUTO Logo do proprietário Sistema DAPHabitat i Índice 1. INFORMAÇÕES GERAIS .................................................................................................................................. 1 1.1. SISTEMA DE REGISTO DAPHABITAT ............................................................................................................................ 1 1.2. REQUERENTE .......................................................................................................................................................... 1 1.3. INFORMAÇÕES SOBRE A DAP ..................................................................................................................................... 2 1.4. DEMONSTRAÇÃO DE VERIFICAÇÃO .............................................................................................................................. 2 1.5. RCP DE REFERÊNCIA ................................................................................................................................................ 3 1.6. INFORMAÇÕES SOBRE O PRODUTO .............................................................................................................................. 4 2. DESEMPENHO AMBIENTAL DO PRODUTO ..................................................................................................... 5 2.1. REGRAS DE CÁLCULO ACV ........................................................................................................................................ 5 2.1.1. DIAGRAMA DE FLUXOS DE ENTRADA E SAÍDA DOS PROCESSOS ........................................................................................ 5 2.1.2. DESCRIÇÃO DA FRONTEIRA DO SISTEMA .................................................................................................................... 6 2.2. PARÂMETROS QUE DESCREVEM OS POTENCIAIS IMPACTES AMBIENTAIS............................................................................... 7 2.3. PARÂMETROS QUE DESCREVEM A UTILIZAÇÃO DE RECURSOS ............................................................................................. 8 2.4. OUTRAS INFORMAÇÕES AMBIENTAIS QUE DESCREVEM DIFERENTES CATEGORIAS DE RESÍDUOS ................................................ 9 2.5. OUTRAS INFORMAÇÕES AMBIENTAIS QUE DESCREVEM OS FLUXOS DE SAÍDA ...................................................................... 10 3. INFORMAÇÃO TÉCNICA ADICIONAL E CENÁRIOS ..........................................................................................10 3.1. A4 TRANSPORTE PARA O LOCAL DA CONSTRUÇÃO – ETAPA DE CONSTRUÇÃO ..................................................................... 10 3.2. A5 INSTALAÇÃO DO PRODUTO NO EDIFÍCIO - ETAPA DE CONSTRUÇÃO .............................................................................. 10 3.3. B1 ETAPA DE UTILIZAÇÃO ....................................................................................................................................... 11 3.4. B2 MANUTENÇÃO ................................................................................................................................................. 11 3.5. B3 REPARAÇÃO .................................................................................................................................................... 12 3.6. B4 SUBSTITUIÇÃO ................................................................................................................................................. 12 3.7. B5 REABILITAÇÃO .................................................................................................................................................. 13 3.8. B6 UTILIZAÇÃO DE ENERGIA (OPERACIONAL) ............................................................................................................... 13 3.9. B7 UTILIZAÇÃO DA ÁGUA (OPERACIONAL) .................................................................................................................. 13 3.10. ETAPA DE FIM DE VIDA [C1 – C4] .......................................................................................................................... 14 3.11. INFORMAÇÃO AMBIENTAL ADICIONAL RELATIVA À LIBERTAÇÃO DE SUBSTÂNCIAS PERIGOSAS ............................................... 14 REFERÊNCIAS........................................................................................................................................................15 Logo requerente 6 2.1.2. Descrição da fronteira do sistema (= incluído; = módulo não declarado) ETAPA DE PRODUÇÃO ETAPA DE CONSTRUÇÃO ETAPA DE UTILIZAÇÃO ETAPA DE FIM DE VIDA BENEFÍCIOS E CARGAS AMBIENTAIS PARA ALÉM DA FRONTEIRA DO SISTEMA Extração e processamento de matérias-primas Transporte Produção Transporte Processo de construção e instalação Utilização Manutenção Reparação Substituição Reabilitação Uso de energia (operacional) Uso de água (operacional) Desconstrução e demolição Transporte Processamento de resíduos Eliminação final Potencial de reutilização, reciclagem e valorização A1 A2 A3 A4 A5 B1 B2 B3 B4 B5 B6 B7 C1 C2 C3 C4 D Deve aqui incluir-se uma descrição detalhada das etapas do ciclo de vida do produto estudadas (a incluir na DAP), como no exemplo: A etapa de produção de um produto cerâmico inclui as seguintes fases: armazenagem de matérias-primas; preparação da pasta; moldagem por extrusão; secagem; cozedura; escolha, embalagem e armazenamento. Logo requerente 7 2.2. Parâmetros que descrevem os potenciais impactes ambientais Aquecimento global Depleção da camada do ozono Acidificação Eutrofização Oxidação fotoquímica Depleção de recursos abióticos (elementos) Depleção de recursos abióticos (fósseis) kg CO2 equiv. kg CFC 11 equiv. kg SO2 equiv. kg (PO4)3equiv. kg C2H4 equiv. kg Sb equiv. MJ, P.C.I. Extração e processamento matérias-primas A1 Transporte A2 Produção A3 Total Total Transporte A4 Processo de construção e instalação A5 Utilização B1 Manutenção B2 Reparação B3 Substituição B4 Reabilitação B5 Uso de energia (operacional) B6 Uso de água (operacional) B7 Desconstrução e demolição C1 Transporte C2 Processamento de resíduos C3 Eliminação final C4 Potencial de reutilização, reciclagem e valorização D LEGENDA: Etapa de Produção Etapa de Construção Etapa de Utilização Etapa de Fim de Vida Benefícios e cargas ambientais para além da fronteira do sistema NOTAS1: P.C.I. – Poder calorífico inferior. Unidades expressas por unidade funcional ou unidade declarada. As etapas do ciclo de vida não consideradas no estudo podem ser eliminadas da tabela, através da função “eliminar linhas”. Os valores a indicar na tabela devem ser apresentados com dois algarismos significativos ou notação científica. Esta representação numérica deverá ser uniforme para o mesmo indicador. 1 Estas notas deverão ser eliminadas para apresentação do documento final. Logo requerente 8 2.3. Parâmetros que descrevem a utilização de recursos 2 Estas notas deverão ser eliminadas para apresentação do documento final. EPR RR TRR EPNR RNR TRNR MS CSR CSNR Água doce MJ, P.C.I. MJ, P.C.I. MJ, P.C.I. MJ, P.C.I. MJ, P.C.I. MJ, P.C.I. kg MJ, P.C.I. MJ, P.C.I. m3 Extração e processamento de matérias-primas A1 Transporte A2 Produção A3 Total Total Transporte A4 Processo de construção e instalação A5 Utilização B1 Manutenção B2 Reparação B3 Substituição B4 Reabilitação B5 Uso de energia (operacional) B6 Uso de água (operacional) B7 Desconstrução e demolição C1 Transporte C2 Processamento de resíduos C3 Eliminação final C4 Potencial de reutilização, reciclagem e valorização D LEGENDA: Etapa de Produção Etapa de Construção Etapa de Utilização Etapa de Fim de Vida Benefícios e cargas ambientais para além da fronteira do sistema EPR = utilização de energia primária renovável excluindo os recursos de energia primária renováveis utilizados como matérias-primas; RR = utilização dos recursos de energia primária renováveis utilizados como matérias-primas; TRR = utilização total dos recursos de energia primária renováveis (EPR + RR); EPNR = utilização de energia primária não renovável, excluindo os recursos de energia primária não renováveis utilizados como matérias-primas; RNR = utilização dos recursos de energia primária não renováveis utilizados como matérias-primas; TRNR = Utilização total dos recursos de energia primária não renováveis (EPRN + RNR); MS = utilização de material secundário; CSR = utilização de combustíveis secundários renováveis; CSNR = utilização de combustíveis secundários não renováveis; Água doce = utilização do valor líquido de água doce. NOTA2: Unidades expressas por unidade funcional ou unidade declarada. As etapas do ciclo de vida não consideradas no estudo podem ser eliminadas da tabela, através da função “eliminar linhas”. Os valores a indicar na tabela devem ser apresentados com dois algarismos significativos ou notação científica. Esta representação numérica deverá ser uniforme para o mesmo indicador. 9 2.4. Outras informações ambientais que descrevem diferentes categorias de resíduos Resíduos perigosos eliminados Resíduos não perigosos eliminados Resíduos radioativos eliminados kg kg kg Extração e processamento de matérias-primas A1 Transporte A2 Produção A3 Total Total Transporte A4 Processo de construção e instalação A5 Utilização B1 Manutenção B2 Reparação B3 Substituição B4 Reabilitação B5 Uso de energia (operacional) B6 Uso de água (operacional) B7 Desconstrução e demolição C1 Transporte C2 Processamento de resíduos C3 Eliminação final C4 Potencial de reutilização, reciclagem e valorização D LEGENDA: Etapa de Produção Etapa de Construção Etapa de Utilização Etapa de Fim de Vida Benefícios e cargas ambientais para além da fronteira do sistema NOTAS3: Unidades expressas por unidade funcional ou unidade declarada. As características que tornam os resíduos perigosos são descritas na legislação aplicável em vigor, por exemplo, na DiretivaQuadro Europeu de Resíduos. As etapas do ciclo de vida não consideradas no estudo podem ser eliminadas da tabela, através da função “eliminar linhas”. Os valores a indicar na tabela devem ser apresentados com dois algarismos significativos ou notação científica. Esta representação numérica deverá ser uniforme para o mesmo indicador. 3 Estas notas deverão ser eliminadas para apresentação do documento final. Logo requerente 10 2.5. Outras informações ambientais que descrevem os fluxos de saída Parâmetro Unidades* Resultados Componentes para reutilização kg Materiais para reciclagem kg Resíduos radioativos eliminados kg Materiais para recuperação de energia kg Energia exportada MJ por transportador de energia * expressas por unidade funcional ou unidade declarada 3. INFORMAÇÃO TÉCNICA ADICIONAL E CENÁRIOS 3.1. A4 Transporte para o local da construção – Etapa de construção 3.2. A5 Instalação do produto no edifício - Etapa de construção Parâmetro Unidades* Resultados Materiais acessórios para instalação (especificado por material) kg ou outras unidades, conforme apropriado Uso de água m3 Utilização de outros recursos kg Descrição quantitativa de fontes de energia (mix regional) e do consumo durante o processo de instalação kWh ou MJ Resíduos de materiais no local da obra antes do processamento de resíduos gerados pela instalação do produto (especificado por tipo) kg Saída de materiais (especificado por tipo) como resultado do processamento de resíduos no local da obra, por exemplo de recolha para reciclagem, valorização energética, eliminação kg Emissões diretas para o ar ambiente, solo e água kg * expressas por unidade funcional ou unidade declarada Parâmetro Unidades* Resultados Tipo de combustível, consumo de combustível, tipo de veículo usado para o transporte (por exemplo, camião de longa distância, barco, etc.) Litro de combustível por distância, tipo de veículo, Diretiva 2007/37/EC (European Emission Standard) Distância km Capacidade do contentor (incluindo a viagem de volta sem carga) % (carga útil) Densidade dos produtos transportados kg/m3 Fator de capacidade em volume (fator=1 ou < 1 ou >1 para produtos comprimidos ou embalados) Não aplicável * expressas por unidade funcional ou unidade declarada Logo requerente 11 3.3. B1 Etapa de Utilização (Informação relevante sobre a utilização do produto) se aplicável 3.4. B2 Manutenção Processo de manutenção (Descrição ou local onde se pode encontrar a informação) Processo Unidades* Resultados Ciclo de manutenção Número de ciclos por vida útil de referência ou por ano Materiais auxiliares para manutenção, p. exemplo, detergentes de limpeza kg/ciclo Resíduos resultados de operações de manutenção (especificar os materiais) kg Água doce consumida durante a manutenção m3 Consumos de energia durante as operações de manutenção, p. exemplo, na limpeza a vácuo kWh Descrição de outros cenários a considerar4 Unidade apropriada * expressas por unidade funcional ou unidade declarada 4 Caso não sejam descritos mais cenários, esta linha deverá ser eliminada no documento final. Logo requerente 12 3.5. B3 Reparação Processo de reparação (Descrição ou local onde se pode encontrar a informação) Processo de inspeção (Descrição ou local onde se pode encontrar a informação) Processo Unidades* Resultados Ciclo de reparação Número de ciclos por vida útil de referência ou por ano Materiais auxiliares, p. ex., lubrificantes, especificar os materiais kg ou kg/ciclo Resíduos resultantes do processo de reparação (especificar tipo de materiais) kg Água consumida durante os processos de reparação m3 Consumo de energia durante as reparações, como operações com maquinaria, etc. kWh/ vida útil de referência, kWh/ciclo Descrição de outros cenários a considerar5 Unidades apropriadas * expressas por unidade funcional ou unidade declarada 3.6. B4 Substituição Processo Unidades* Resultados Ciclo de substituição Número de ciclos por vida útil de referência ou por ano Consumos de energia durante as substituições de material, como operações com maquinaria, etc. kWh Troca de peças desgastadas durante o ciclo de vida útil do produto, por exemplo, zinco, chapas de aço galvanizado kg Descrição de outros cenários a considerar5 Unidades apropriadas * expressas por unidade funcional ou unidade declarada 5 Caso não sejam descritos mais cenários, esta linha deverá ser eliminada no documento final. Logo requerente 13 3.7. B5 Reabilitação Processo de reabilitação (Descrição ou local onde se pode encontrar a informação) Processo Unidade* Resultados Ciclo de reabilitação Número de ciclos por vida útil de referência ou por ano Consumos de energia durante as operações de reabilitação, como operações com maquinaria, etc. kWh Consumo de materiais de reabilitação, como tijolos, incluindo outros materiais auxiliares para o processo, lubrificantes, etc. kg ou kg/ciclo Resíduos resultantes de operações de reabilitação kg Outros pressupostos para o desenvolvimento de cenários, como frequência e tempo, período de utilização, número de ocupantes6 Unidades apropriadas * expressas por unidade funcional ou unidade declarada 3.8. B6 Utilização de energia (operacional) Parâmetros Unidades* Resultados Materiais acessórios especificados por kg de material kg ou unidades apropriadas Consumo de água doce m3 Tipo de recurso energético, por exemplo, eletricidade, gás natural kWh Potência de equipamentos kW Característica de desempenho, por exemplo, eficiência energética, emissões, a variação de desempenho com a capacidade de utilização etc. Unidades apropriadas Pressupostos adicionais para a elaboração de cenários, por exemplo, frequência e período de uso, número de ocupantes6 Unidades apropriadas * expressas por unidade funcional ou unidade declarada 3.9. B7 Utilização da água (operacional) Parâmetros Unidades* Resultados Materiais acessórios especificados por kg de material kg ou unidades apropriadas Consumo de água doce m3 Tipo de recurso energético, por exemplo, eletricidade, gás natural kWh Potência de equipamentos kW Característica de desempenho, por exemplo, eficiência energética, emissões, a variação de desempenho com a capacidade de utilização etc. Unidades apropriadas Pressupostos adicionais para a elaboração de cenários, por exemplo, frequência e período de uso, número de ocupantes6 Unidades apropriadas * expressas por unidade funcional ou unidade declarada 6 Caso não sejam descritos mais cenários, esta linha deverá ser eliminada no documento final. Logo requerente 14 3.10. Etapa de Fim de Vida [C1 – C4] Parâmetros Unidades* Resultados Processos de recolha especificados por tipo kg recolhidos separadamente kg recolhidos no mix dos resíduos de construção Sistema de recuperação especificado por tipo kg para reutilização kg para reciclagem kg para recuperação de energia Deposição final especificada por tipo kg de produto ou material para deposição final Suposições para desenvolvimento de cenários (ex.: transporte)7 Unidades apropriadas Definição de cenário7 Unidades apropriadas * expressas por unidade funcional ou unidade declarada 3.11. Informação ambiental adicional relativa à libertação de substâncias perigosas Título do cenário Parâmetros Unidades* Resultados Cenário de emissões para o ar interior Resultados dos testes de acordo com a CEN/TC 351 Descrição do cenário 17 Unidades apropriadas Descrição do cenário n7 Unidades apropriadas Cenário de libertação para o solo Resultados dos testes de acordo com a CEN/TC 351 Descrição do cenário 17 Unidades apropriadas Descrição do cenário n7 Unidades apropriadas Cenário de libertação para a água Resultados dos testes de acordo com a CEN/TC 351 (…) Descrição do cenário 17 Unidades apropriadas Descrição do cenário n7 Unidades apropriadas * expressas por unidade funcional ou unidade declarada Nota: Sempre que existam normas horizontais relativas à medição da libertação de substâncias perigosas regulamentadas utilizando métodos de ensaio harmonizados de acordo com as disposições dos Comités Técnicos responsáveis pelas Normas Europeias de produtos ou regulamentação nacional. 7 Caso não sejam descritos mais cenários, esta linha deverá ser eliminada no documento final. Logo requerente 15 REFERÊNCIAS  Instruções Gerais do Sistema DAPHabitat, Versão 1.0, Outubro 2012 (em www.daphabitat.pt);  RCP – modelo base para produtos e serviços de construção. Sistema DAPHabitat. Versão 1.0, 2012 (em www.daphabitat.pt);  NP ISO 14025:2009 Rótulos e declarações ambientais – Declarações ambientais Tipo III – Princípios e procedimentos;  EN 15804:2012 Sustainability of construction works – Environmental product declarations – Core rules for the product category of construction products;  EN 15942:2011 Sustainability of construction works – Environmental product declarations – Communication format business-to-business.