Requalificação do Jardim do Castelo de Bedburg
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Requalificação do Jardim do Castelo de Bedburg Alexandre Videira Parente Mestrado em Arquitetura Paisagista Departamento de Geociências, Ambiente e Ordenamento do Território 2013 Orientador Teresa Portela Marques, Arquiteta Paisagista, Faculdade de Ciências da Universidade do Porto Coorientador Axel Alesiani, Dipl.-Ing., University of Newcastle upon Tyne
FCUP Requalificação do Jardim do Castelo de Bedburg Todas as correções determinadas pelo júri, e só essas, foram efetuadas. O Presidente do Júri, Porto, _____/______/_________
FCUP Requalificação do Jardim do Castelo de Bedburg Resumo O presente trabalho apresenta uma proposta de requalificação do Jardim do Castelo de Bedburg. O desenvolvimento deste trabalho, inicialmente, passou por perceber os aspetos biofísicos e sócio-culturais do local, assim como analisar o contexto em que se inserem. As visitas de campo e a observação direta permitiram tirar conclusões acerca da condição atual da área de estudo e a análise da informação iconográfica e cartográfica e avaliação do carácter do lugar permitiram reconhecer qual a estratégia de intervenção a adoptar para o projecto de requalificação do espaço. O processo de projeto desenvolvido baseou-se no princípio da sustentabilidade e procurou melhorar o espaço a nivél estético e funcional, contribuindo para uma melhor qualidade paisagística do local. Além disso, a falta de informação referente aos traçado do jardim noutras épocas, embora com o conhecimento do facto de terem existido no local uns jardins formais por volta do século XVII, conduziram à recriação dos padrões dos jardins formais contemporâneos na proposta apresentada. Palavras-chave Jardim do Castelo de Bedburg; Vale do Reno; Arquitetura Paisagista; Espaço Público
FCUP Requalificação do Jardim do Castelo de Bedburg Abstract This paper presents a proposal for redevelopment of Bedburg Schlosspark. The development of this work , initially passed by analysing biophysical and socio - cultural aspects of the site , as well as analyze the context in which they operate. Fieldwork and direct observation allowed to draw conclusions about the current condition of the study area and analysis of iconographic and cartographic information and evaluating the character of the place allowed to recognize the best project strategy to be adopted . The design process developed was based on the principle of sustainability and sought to improve the space and functional aesthetic level, contributing to improve the landscape aesthetics. Furthermore , the lack of information regarding the layout of the garden in the past, but assuming the fact that there were formal gardens in the place by the seventeenth century, led to the recreation of the patterns of formal gardens from baroque gardens. Keywords Bedburg Schlosspark; Rhine Valley; Landscape Architecture; Public Space
FCUP Requalificação do Jardim do Castelo de Bedburg Índice Resumo .......................................................................................................................... Abstract ........................................................................................................................... 1. Introdução ..................................................................................................................6 1.1. - Lugar ..........................................................................................................6 1.2. - Problemática ..............................................................................................7 1.3. - Objetivos ....................................................................................................8 1.4. - Metodologia ...............................................................................................8 2. Caracterização da área de estudo - o jardim do castelo de Bedburg ......................10 2.1. - A paisagem de Norte-Renânia Vestfália ..................................................10 2.2. - História e evolução do lugar.....................................................................11 2.3. - Condição atual da área de estudo ...........................................................15 3. Síntese .....................................................................................................................18 3.1. - Diagnóstico da área de intervenção ........................................................18 3.2. - Estratégia de intervenção para o projecto ...............................................20 4. Proposta para a requalificação do Jardim do Castelo de Bedburg ..........................21 4.1. - Acessibilidade e traçado dos percursos...................................................21 4.2. - Modelação do terreno e água ..................................................................21 4.3. - Equipamentos...........................................................................................22 4.4. - Vegetação ................................................................................................22 4.5. - Vistas .......................................................................................................23 5. Conclusões ...............................................................................................................25 Bibliografia.....................................................................................................................26 Anexos ..............................................................................................................................
FCUP Requalificação do Jardim do Castelo de Bedburg Lista de quadros e de figuras Figura 1 - Jardim do Castelo de Bedburg e contexto espacial......................................... Figura 2 - Localização da cidade de Bedburg .................................................................. Figura 3 - Mata e caminhos de acesso ............................................................................ Figura 4 - Burg Drachenfells em Bona ............................................................................. Figura 5 - Vista panorâmica do vale do rio Reno ............................................................. Figura 6 - Batalha em 1584, com o castelo de Bedburg ao fundo ................................... Figura 7 - Jardins formais, em primeiro plano e castelo, ao fundo ................................... Figura 8 - Planta do jardim, elaborada entre o século XVI e XVIII............................ Figura 9 - Urkataster (registo de imóveis e propriedade) de 1822 .................................. Figura 10 - Castelo e 'Schlosshof', em 1845 .................................................................... Figura 11 - Castelo, academia e capela em 1854 ............................................................ Figura 12 - Detalhe de planta de 1893, elaborada pelo governo da Prússia ................... Figura 13 - Planta de 1930 ............................................................................................... Figura 14 - Situação existente .......................................................................................... Figura 15 - Parque de estacionamento ............................................................................ Figura 16 - Parque infantil................................................................................................. Figura 17 - Alameda de tílias principal ............................................................................. Figura 18 - Alameda de tílias ........................................................................................... Figura 19 - Ponte sobre o fosso ....................................................................................... Figura 20 - Muro de suporte em alvenaria de tijolo maciço, material que também compõe as pontes ............................................................................................................ Figura 21 - Esquema da evolução do desenho do espaço .............................................. Figura 22 - Caminho em saibro e áreas plantadas nas laterais ....................................... Figura 23 - Traseiras das habitações contíguas .............................................................. Figura 24 - Vista 1: Espelho de água do fosso - Castelo - Vegetação envolvente - Torre da igreja St. Lambertus .................................................................................................... Figura 25 - Vista 2: Espelho de água do fosso - Castelo - Vegetação envolvente .......... Figura 26 - Simulação - Área de estadia e contemplação com bancos, elemento de água, relvado, elementos de topiária e herbáceas vivazes ..............................................
FCUP Requalificação do Jardim do Castelo de Bedburg 1. Introdução 1.1 - Lugar Com este trabalho é pretendido apresentar uma proposta de projeto de Arquitetura Paisagista, para a área do Jardim do Castelo de Bedburg. Recentemente o espaço foi objeto de um concurso de Arquitetura Paisagista, promovido pelo município de Bedburg, pelo que a concretização da proposta vencedora deverá ser realizada num futuro próximo. Este concurso tinha como objetivo principal dar centralidade ao castelo e promover a conexão entre este e os espaços periféricos. Deste modo, o concurso previu: estabelecer a relação do castelo com o jardim; promover a relação com o restaurante, a Marktplatz (praça no centro da cidade) e a Graf-Salm-Straße (assinalados na Figura 1)); garantir a existência de uma área pavimentada junto ao castelo para acolher público, em eventos realizados no castelo; manter os elementos arbóreos em idade mais avançada. O concurso prevê ainda, a relação do jardim com uma possível zona com edifícios destinados ao comércio e aos negócios e empreendedorismo. ("Centro Comercial e de Negócios") (assinalada em "14" e "15" na Figura 1 - Jardim do Castelo de Bedburg e contexto espacial (Fonte: adpatado de Google Earth (2013)) (1Parque de campismo; 2 - Igreja St. Lambertus; 3 - hospital; 4 - Câmara Municipal (Rathaus); 5 - Restaurante; 6 - Cemitério; 7 - Escola Primária; 8 - Cube desportivo de Ténis; 9 - Castelo de Bedburg; 10 - Centro Comercial; 11 - Centro de Emprego; 12 - Ligação à rua Graf-Salm Straße; 13 - Represa; 14 - Área de construção do "Centro Comercial e de Negócios" proposto e espaços envolventes; 15 - Área de implantação dos edícios do "Centro Comercial e de Negócios" 6
FCUP Requalificação do Jardim do Castelo de Bedburg Figura 1). O Jardim do Castelo de Bedburg situado na cidade de Bedburg, no estado federado mais populoso da Alemanha, a Renânia do Norte-Vestfália (Statoids, 2013) (Ver Figura 2), é um espaço verde com aproximadam ente 10,3 hectares, associado a um dos edícios com maior valor cultural da cidade (Castelo de Bedburg). 1.2 - Problemática Ao longo do tempo o Jardim do Castelo de Bedburg sofreu várias alterações no seu traçado (a última intervenção nos anos 80 do século XX), mas a sua função social, em criar oportunidades de sociabilização e recreio para a população, não se tem mostrado eficaz. Para além do significado da função social e da importância a nível cultural deste lugar, as características biofísicas do local revelam um grande potencial na qualidade paisagística e no valor ecológico no meio urbano. O curso de água que atravessa o espaço marca significativamente a identidade do lugar, potencía a qualidade paisagística e integra o equílibrio ecológico desta área da cidade. Grande parte da área corresponde a uma mata consolidada que apresenta elementos arbóreos bastantes frondosos e densamente plantados, que no entanto limitam a exposição solar em muitas áreas, dando um aspecto um pouco sombrio ao espaço. A mata é atravessada por vários caminhos (Figura 3) que denotam falta de manutenção. Ainda em relação à presença da água na paisagem de Bedburg, esta é marcada pelo rio Erft que atravessa a cidade, pelo Peringsmaar, um lago artificial abastecido a partir da escavação da exploração mineira de carvão de Fortuna Garsdorf e pelo lago Kasterer. Figura 2Localização da cidade de Bedburg (Fonte: Autor (2013) ) (limite do estado federado de Renânia do Norte-Vestfália (linha vermelha); limite da região administrativa de Colónia (linha laranja); 7
FCUP Requalificação do Jardim do Castelo de Bedburg Apesar das razões que poderão levar as pessoas a valorizar um lugar, umas mais significativas que outras, este espaço apresenta interesse do ponto de vista arquitetónico e paisagístico e a sua identidade merece ser preservada, mesmo que combinada com as necessidades da sociedade moderna. 1.3 - Objetivos O trabalho final a apresentar deverá desenvolver-se segundo os seguintes objetivos: - Desenvolver uma intervenção de modo a requalificar o espaço a nível estético, ambiental e social; - Desenvolver uma proposta que contribua para a sensibilização da população local acerca da importância do valor do lugar e para a sua conservação face à pressão urbanística; - Desenvolver uma intervenção que aposte no equilíbrio entre unidade e diversidade a fim de atingir um conjunto harmonioso, ao nível da Arquitectura Paisagista. 1.4 - Metodologia A metodologia de trabalho assenta em cinco etapas que se desenvolvem na seguinte ordem: 1. Levantamento e análise 1.1 - Recolha e análise de informação cartográfica, iconográfica nos arquivos históricos das cidades de Bedburg e Colónia; 1.2 - Revisão bibliográfica geral e acerca do tema em questão. 1.3 - Levantamento de campo da situação existente da área de estudo, incluindo trabalho de campo (registo fotográfico e observação direta); Figura 3 - Mata e caminhos de acesso (Fonte: Autor (2013)) 8
FCUP Requalificação do Jardim do Castelo de Bedburg Figura 14 - Situação existente (ANEXO 3) (Fonte: Autor) (1 - Castelo; 2 - Entradas principais; 3 - Fosso; 4 - Alameda de tílias; 5 - Parque de estacionamento: 6 - Campo de ténis; 7 - Parque infantil; 8 - Edifício atualmente sem uso ; 9 - Mata; 10 - Ponte; 11 - Lago) 2.3 - Condição atual da área de estudo A imagem seguinte mostra a situação existente do espaço. Este, devido à sua dimensão, é acessível, do ponto de vista pedonal, por seis pontos. O acesso automóvel é possível pela entrada principal, a Oeste, quer por moradores da proximidade, quer por pessoas que trabalham nos serviços instalados no castelo (consultório dentário, jardim de infância, escritório de advogados e um restaurante, tendo o resto das salas o seu uso destinado a eventos, como casamentos). Ainda de referir, a existência de um parque de estacionamento de grandes dimensões, que serve tanto os utilizadores do espaço como quem se quer dirigir aos serviços e comércio da rua contígua, no exterior (ver Figura 14). 8 1 2 3 4 5 6 7 9 2 5 10 4 4 10 10 11 N 14 15
FCUP Requalificação do Jardim do Castelo de Bedburg Figura 15 - Parque de estacionamento (Fonte: Autor (2013)) Figura 16 - Parque infantil (Fonte: Autor (2013)) Figura 17 - Alameda de tílias principal (Fonte: Autor (2013)) Na área de intervenção, existem dois edifícios, o castelo, numa zona mais central, que atualmente alberga serviços e um restaurante no piso térreo, e um edifício que se julga outrora ter sido de apoio, mas que atualmente não é utilizado, localizado junto a um curso de água e ao parque infantil. Quanto ao edificado na envolvente, a Este, é maioritariamente, de uso habitacional, e a Oeste e a Norte, já combina o uso habitacional com serviços e comércio. Quanto aos equipamentos de recreio existentes no espaço, o campo de ténis apresenta um estado de abandono total, não sendo possível o seu uso, e os equipamentos que fazem parte do parque infantil, apesar do seu uso, apresentam algumas anomalias no seu estado (Figura 16). Em relação à vegetação existente, esta compõe-se principalmente por elementos arbóreos sobre prado, com alguns elementos arbustivos dispostos, geralmente, em bordadura. Na parte sul, existe uma mata consolidada, com uma densidade de plantação dos elementos arbóreos elevada, havendo pouca entrada de luz nesta área. O estrato arbóreo é composto, maioritariamente, por espécies dos géneros Fagus sp., Fraxinus sp., Acer sp., Betula sp., Populus sp. e Quercus robur, que constituem também a floresta autóctone desta região. Também se verifica a existência de espécies como Aesculus hippocastanum 16
FCUP Requalificação do Jardim do Castelo de Bedburg Figura 20 - Muro de suporte em alvenaria de tijolo maciço, material que também compõe as pontes (Fonte: Autor (2013)) Figura 18 - Alameda de tílias (Fonte: Autor (2013)) Figura 19 - Ponte sobre o fosso (Fonte: Autor (2013)) (castanheiro-da-Índia), Tilia platyhpyllos (tília-de-folhas-grandes), Platanus acerifolia (plátano) entre outras. As linhas de água apresentam uma tipologia de contenção das suas margens, naturais, verificando-se aqui a existência de espécies arbóreas típicas de mata ribeirinha (choupos, amieiros, salgueiros, etc.). As alamedas de tílias, criadas já no desenho setecentista do jardim, compõem-se por árvores em idade avançada (ver Figura 8). As alamedas que ladeiam o parque de estacionamento não se apresentam bem definidas quer devido ao número de árvores nas laterais, quer pela estrutura das árvores, ao nível da ramificação (Figura 18). Os caminhos pavimentados com cubo de granito de 10x10 cm localizam-se na área onde se situa o castelo até à ponte e no percurso que circunda o lago. O resto dos percursos são em saibro, apresentando um desenho mais orgânico na mata, e um traçado retilíneo, proveniente do desenho setecentista, que corresponde às alamedas que ladeiam o parque de estacionamento e a que engloba as três pontes. Em relação a outras estruturas, verifica-se a existência de muros de contenção no fosso. As três pontes existentes são construídas do mesmo material que os muros, ou seja, em alvenaria de tijolo maciço (Figura 19 e 20). A não preservação do traçado do espaço, com valor artístico e característico de uma época historicamente marcante, e a falta de desenvolvimento sucessivo de uma estratégia de manutenção e recuperação de todos os elementos do jardim, conduziram à descaracterização deste lugar. 17
FCUP Requalificação do Jardim do Castelo de Bedburg Figura 17 - Esquema da evolução do desenho do espaço 3. Síntese 3.1 - Diagnóstico da área de intervenção Desde a concepção do desenho barroco dos jardins até à atualidade, estes têm sido alvo de algumas transformações ao nível do traçado dos caminhos, das área plantadas e da forma do corpo de água do fosso. Isto é possível observar-se na imagem seguinte (Figura 21). A restante área do jardim, não incluida no esquema da figura 21, não está representada em todos os planos do desenho do espaço (planos correspondentes à Figura 6 e Figura 10) e portanto não é possível concluir acerca das alterações, que possam ter ocorrido no seu desenho. O estado de conservação do lugar revela algum descuido na sua gestão e manutenção. Através do trabalho de campo e da simples observação direta, foram identificados os seguintes constrangimentos: - Mau estado de conservação dos equipamentos (parque infantil e campo de ténis); - Problemas na contenção entre os percursos em saibro e as áreas plantadas nas laterais (Figura 22); - Relvados com pouca exposição solar, o que resulta no enraizamento superficial e numa menor expansão vegetativa das gramíneas do relvado, o que as torna mais sensíveis à utilização, infestações e doenças; - Clareiras com reduzida dimensão para o recreio; Legenda: Água Área com coberto vegetal Área pavimentada Castelo Edifícios Figura 21 - Esquema da evolução do desenho do espaço (Fonte: Autor) Figura 22 - Caminho em saibro e áreas plantadas nas laterais (Fonte: Autor (2013)) 18
FCUP Requalificação do Jardim do Castelo de Bedburg - Traseiras das habitações contíguas (Figura 23) e dimensão exagerada do parque de estacionamento entram em conflito visual com o espaço; - O estacionamento foi implantado sobre a area onde existiram, antigamente, os jardins formais. No entanto, é possível notar as seguintes oportunidades: - Presença da água, o que oferece qualidade visual e potencial recreativo; - Dimensão considerável do espaço (aproximadamente 10,3 hectares) e capacidade para poder albergar eventos de grande dimensão; - Boa acessibilidade e proximidade com as áreas residenciais e diversos equipamentos. Figura 23 - Traseiras das habitações contíguas (Fonte: Autor (2013)) 19
FCUP Requalificação do Jardim do Castelo de Bedburg 3.2 - Estratégia de intervenção para o projecto Em primeiro lugar foram atendidas as solicitações do concurso. Em seguida, considerou-se a possibilidade de recriar jardins formais dada a falta de informação sobre os projetistas do lugar e os desenhos do jardim, em vez de uma proposta de recuperação dos jardins, que seria dificilmente conduzida sem fontes documentais rigorosas e um conhecimento profundo do lugar. De acordo com a investigação desenvolvida, uma vez que não existem planos e estudos concretos do desenho do espaço nesta altura, optou-se pela solução de recriar um 'jardim formal' inspirado nos jardins históricos da época. Assim, os jardins barrocos na França, que influenciaram os jardins barrocos na Alemanha, serviram de inspiração para a proposta apresentada. Jardins como o de Vaux-Le-Vicomte, Versalhes, Sceaux, na França, e Herrenhausen, Charlottenburg, Palácio de Schwetzingen, Schleissweim e Heidelberg Schlossgarten, na Alemanha (ver ANEXO 6), mais precisamente os seus parterres, foram alvo de um olhar atento, para a concepção do jardim formal proposto (ver ANEXO 5) A área destinada ao jardim formal pertence a uma fase de construção posterior. O número de lugares de estacionamento que deixam de existir (com a construção do jardim formal) poderão ser compensados, com a sua implantação noutro ponto da cidade. Assim, pretende-se considerar a existência e integridade dos vários elementos existentes do jardim, tendo em conta o seu grau de conservação e integração no espaço, num novo desenho que traga ao espaço melhorias ao nível funcional e estético. Por fim, a proposta assentará em principios como a economia de recursos, o acesso ao espaço de todos os tipos de público, a criação tanto de oportunidades para o recreio activo como para a estadia, e a criação de um desenho que propicie uma deambulação e estadia cómodas e seguras. 20
FCUP Requalificação do Jardim do Castelo de Bedburg 4. Proposta para a requalificação do Jardim do Castelo de Bedburg No sentido de satisfazer as necessidades da população e corrigir as incoerências funcionais e estéticas da situação existente, adoptou-se uma estratégia de intervenção que não descurasse as oportunidades que o local oferece . Contudo, o projeto tem em conta o traçado existente e é o resultado, em parte, de traçados anteriores. Assim, esta proposta tem em conta, a nível funcional, a acessibilidade, a segurança, o conforto e a criação de oportunidades de recreio. Pretede-se que os elementos biofísicos não sejam descuidados e que estes se integrem com os aspectos funcionais e estéticos, de modo a conduzir à viabilidade da proposta e assegurar a sustentabilidade futura do espaço. 4.1 - Acessibilidade e traçado dos percursos O acesso é atualmente garantido através de oito entradas e localizadas em pontos onde o fluxo de pessoas é maior ou mais próximo dos locais para o estacionamento de automóveis. Embora existam duas entradas com portão, que condicionam o acesso num determinado horário, todas as restantes entradas não têm qualquer barreira física. O traçado dos caminhos foi, na sua maior parte mantido, e quando alterado, este foi pensado com o objetivo de ser funcional e atrativo durante a deambulação dos utilizadores. A zona em redor do castelo é a que sofre mais alterações no seu traçado, uma vez que o desenho existente não oferece uma área de entrada no jardim e recepção ao castelo funcionais. Assim, propõe-se um traçado mais geométrico que se articula com a geometria do castelo, e que oferece uma ampla área de recepção. De modo a que se possa explorar a vasta área da mata, os percursos existentes, por apresentarem uma linguagem biomórfica que permite uma melhor deambulação pelo espaço, foram mantidos. 4.2 - Modelação de terreno e água O terreno é de morfologia plana em quase toda a área, não apresentando grandes variações entre cotas nas zonas de deambulação e estadia. Pretende-se que a modelação de terreno proposta mantenha a topografia local prevendo-se apenas a realização de movimentações de terra necessárias à construção de caminhos e à modelação dos pequenas elevações de terreno no parque infantil (assinalada em "11" 21
FCUP Requalificação do Jardim do Castelo de Bedburg no plano geral (ANEXO 4)). Com o propósito de não modelar o terreno nas margens dos lagos e cursos de água de modo a não prejudicar o sistema hídrico e a drenagem natural do local, são propostas escadas que permitem o acesso à água nos lagos. A água tem uma presença marcante no espaço, através dos lagos e dos cursos de água existentes no espaço. Nos lagos, a água, devido à sua estagnação e à reflexão do céu e dos elementos em redor, transmite a sensação de serenidade e contemplação. Já nas linhas de água, a sua movimentação faz com que a sua cor e sons produzidos, provoquem a sensação de vitalidade e energia. (Litton et al., 1974). A água na paisagem pode ser simultaneamente atrativa para a sua contemplação como para a realização de atividades de recreio (Nasar, 1999). Deste modo, é pretendido promover a prática de pesca ou canoagem e outros desportos náuticos, com a instalação de escadas de acesso à água e a recuperação do edifício (assinalado em "12" no plano geral (ANEXO 4)) para aluguer de equipamentos. 4.3 - Equipamentos Os equipamentos que se encontram no espaço servem a população nas atividades de recreio, no desporto e na estadia. Assim, o parque infantil mantém-se sendo remodelado com equipamentos que substituem os existentes, em mau estado, e é-lhe acrescentado um pavimento em gravilha, para suportar o pisoteio constante. Um outro parque infantil, com equipamentos em madeira e pequenas modelações de terreno, integra-se numa clareira da mata, que permite a contemplação e o recreio ativo ou passivo dos utilizadores. A prática de desporto foi tida em conta, com a reparação do campo de ténis e do edifício existente na mata (assinalado em "12" no plano geral (ANEXO 4)), que albergará um conjunto de barcos desportivos que poderão ser utilizados na linha de água contígua. Ainda em relação às estruturas construídas, é de referir que, para que as pessoas possam estabelecer o contacto direto com a água ou apenas contemplá-la, propõem-se escadas em alguns pontos das margens dos cursos de água ou dos lagos. Estas estruturas, assim como a contenção de um pequeno terraço que rodeia, em parte, o castelo, são em aço corten, um material durável, resistente e que apresenta um traço fino e apurado, que se enquadra com os elementos vegetais envolventes. 4.4 - Vegetação Ao nível da composição da vegetação, o espaço é estruturado por elementos arbóreos, na maior parte de grande porte, com sub-coberto de prado. As árvores propostas têm a finalidade de dar expressão a maciços arbóreos, no geral, e no caso particular do parque de estacionamento (já existente) estas, oferecem sombra e 21 22
FCUP Requalificação do Jardim do Castelo de Bedburg quebram o aspecto artifical da vasta área pavimentada do estacionamento. Os elementos arbustivos propostos são as mesmas espécies que já existem no espaço, como por exemplo, Sambucus nigra (sabugueiro), Taxus baccata (teixo), Coryllus avellana (aveleira) e Viburnum opulus (noveleiro). São propostas sebes talhadas e elementos de topiária em espaços em que se optou por um desenho formal, como o labirinto de buxo talhado a diferentes alturas (assinalado em "5" no plano geral (ANEXO 4)) e a área de recepção frontal ao castelo. O desenho geométrico desta área é enfatizado pela forma da vegetação (sebes, árvores topiadas, canteiros de herbáceas), que segue uma lógica de que a área mais próxima do castelo tem um desenho mais trabalhado do que as restantes áreas. 4.5 - Vistas Através da disposição dos caminhos e da composição da vegetação, foram pensadas as vistas. A grande clareira que é o lago permite uma amplitude visual elevada e o espelho de água acresenta ainda qualidade visual ao espaço. O percurso que acompanha o limite do lago, dotado de alguns pontos para estadia, permite aos utilizadores ter uma vista, que engloba a água, o castelo e a vegetação envolvente, e ainda, mas apenas numa parte deste troço, a torre da igreja St. Lambertus (Figura 24), num plano mais distante. Na zona da mata, ainda que com menor profundidade visual, também existem vistas, orientadas pela vegetação arbórea de grande dimensão, e que se estendem sobre a clareira relvada e o lago. Figura 24 - Vista 1: Espelho de água do fosso (1) - Castelo (2) - Vegetação envolvente (3) - Torre da igreja St. Lambertus (4) (Fonte: Autor (2013)) 1 2 1 3 4 1 1 23
FCUP Requalificação do Jardim do Castelo de Bedburg 2 1 Figura 25 - Vista 2: Espelho de água do fosso (1) - Castelo (2) - Vegetação envolvente (3) (Fonte: Autor (2013)) 1 3 1 Figura 26 - Simulação - Área de estadia com bancos, elemento de água, relvado, elementos de topiária e herbáceas vivazes (ANEXO 9) 24