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Referências antropométricas para a população adulta e idosa Portuguesa

Ana Rita Cardoso Nogueira

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Referências antropométricas para a população adulta e idosa Portuguesa Ana Rita Cardoso Nogueira Porto, 2016 ii Referências antropométricas para a população adulta e idosa Portuguesa Anthropometric references to the Portuguese adult and elderly population Ana Rita Cardoso Nogueira Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto Orientador: Prof. Doutor Bruno Oliveira, FCNAUP Coorientador: Prof. Doutora Cláudia Afonso, FCNAUP Dissertação de candidatura ao grau de Mestre em Nutrição Clínica apresentada à Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto 2016 iii “O período de maior ganho em conhecimento e experiência é o período mais difícil da vida de alguém.” Dalai Lama iv Agradecimentos Uma dissertação não é algo que se constrói de forma individual, existindo várias pessoas que de forma direta ou indireta me ajudaram ao longo de todo o processo. Ao Prof. Doutor Bruno Oliveira quero expressar o meu mais sentido reconhecimento e admiração pela excelência profissional e humana. Obrigada pela partilha do seu conhecimento e sabedoria, estando verdadeiramente grata por ter aceitado orientar-me. À Prof. Doutora Cláudia Afonso agradeço toda a ajuda, orientação e dedicação. Obrigada por ter acreditado nas minhas capacidades desde o início, por toda a motivação, paciência e extrema simpatia. À Direção da Sociedade Portuguesa de Ciências da Alimentação e Nutrição (SPCNA) agradeço a disponibilidade e prontidão na cedência dos dados para a elaboração desta dissertação, sem eles nada seria possível. Às minhas colegas e amigas do mestrado Ana Lúcia, Ana, Rita, Cláudia, Inês, Elodie, Dulce e Juliana agradeço por terem entrado na minha vida e no meu coração. Obrigada por todos os bons momentos e por toda a partilha de conhecimentos e preocupações. À minha amiga Sara e à minha tia Lé pelo apoio e leitura atenta de toda a dissertação, tornando-a mais rica e com o mínimo de erros. Aos meus pais e padrinhos gostaria de expressar a maior das gratidões por me terem sempre motivado e incentivado na realização dos meus sonhos, pelo apoio constante em todos os momentos e por acreditarem sempre em mim. Obrigada! Tudo o que sou a vocês o devo. À restante família, obrigada por serem o meu porto seguro, pelo carinho e força que consciente ou inconscientemente me deram ao longo de todo este percurso. Aos restantes amigos, obrigada por todos os momentos de descontração e compreensão que comigo partilharam. A todos o meu mais profundo obrigado! v Resumo A avaliação antropométrica é uma importante etapa na avaliação do estado nutricional de um indivíduo. Para a correta interpretação da informação, deverão existir dados de referência atualizados e que reflitam as características da população que se está a avaliar. A existência deste tipo de referências permite-nos, de forma simples, rápida e concreta, identificar os indivíduos em risco, ou seja, que se desviem da normalidade considerando uma determinada população. Assumindo a grande heterogeneidade entre populações, a criação de dados de referência para cada uma torna-se uma necessidade fundamental, determinante para uma melhor prestação em cuidados alimentares/nutricionais em saúde. No entanto, e apesar da pertinência da existência deste tipo de informação, a sua elaboração não é frequente a nível local e/ou nacional, devido a constrangimentos de várias índoles as quais poderão dificultar a obtenção da amostra necessária à caracterização da população. Com este trabalho pretende-se colmatar esta lacuna, sendo o objetivo desta investigação: desenvolver referências antropométricas para a população adulta e idosa Portuguesa, apresentam-se como resultados a sua concretização sobre a forma de tabelas e gráficos referentes ao peso, altura, IMC, perímetro da cintura e perímetro da cintura/altura. O presente trabalho integra a informação resultante do estudo Alimentação e Estilos de Vida da População Portuguesa que foi planeado e promovido pela Sociedade Portuguesa de Ciências da Nutrição e Alimentação (SPCNA), com o apoio da Nestlé® no âmbito de um protocolo de mecenato científico entre as duas instituições. A análise de dados baseou-se assim em 3421 indivíduos Portugueses com idade igual ou superior a 18 anos. Para a elaboração das curvas de percentis suavizadas para a idade e sexo utilizou-se o programa LMSchartmaker Light, versão 2.54 que permite obter o exponente da transformação BoxCox (L), a mediana (M) e o coeficiente de variação generalizado (S), através do procedimento LMS. Palavra-chave: antropometria, avaliação composição corporal, adultos. vi Abstract Anthropometric evaluation is an important step in the evaluation of nutritional status of an individual. For a correct interpretation of the information, updated reference data that reflect the population in review should exist. This kind of references allow us, to identify the individuals at risk, and those who deviate from the normal, considering a given population, in a simple, quick and practical way. Assuming the great heterogeneity among populations, to create references for each one becomes a fundamental need and the key to a better performance in food/nutritional healthcare. However, despite the relevance of the existence of such information, its elaboration is not frequent in local and/or national level, due to constraints of various natures which may make it difficult to obtain the necessary sample to characterize the population. This work aims to fill this gap, with the following objective: to develop anthropometric references to the Portuguese adult and elderly population, presented as the result in the form of tables and graphs concerning weight, height, BMI, waist circumference and waist to height ratio. This research integrates information resulting from the study “Alimentação e estilos de vida da população Portuguesa” which was planned and organized by Sociedade Portuguesa de Ciências da Nutrição e Alimentação (SPCNA), with the support of Nestlé® under a scientific patronage protocol between the two institutions. Data analysis is thus based on 3421 Portuguese individuals aged equal or higher than 18 years. For the development of percentile smoothed curves for age and sex we used LMSchartmaker Light program, 2.54 version given the exponent of the Box-Cox (L), the median (M) and the generalized coefficient of variation (S) using the LMS procedure. Keywords: anthropometry, body composition assessment, adults. vii Índice Agradecimentos ................................................................................................ iv Resumo ............................................................................................................. v Abstract ............................................................................................................. vi Lista de abreviaturas ........................................................................................ vii Índice de tabelas ............................................................................................... ix Índice de gráficos ............................................................................................... x 1. Introdução ............................................................................................... 1 2. Objetivo e justificação do estudo ........................................................... 11 3. População e métodos ........................................................................... 13 3.1. Desenho do estudo 14 3.2. População e amostra 14 3.3. Metodologia 15 3.4. Análise estatística 16 3.5. Caracterização da amostra 16 4. Resultados ............................................................................................ 21 5. Discussão .............................................................................................. 38 6. Conclusões ........................................................................................... 52 7. Referências bibliográficas ..................................................................... 54 Anexos Anexo 1 – Valor representativo do intervalo Anexo 2 – Tabelas de percentis suavizadas viii Lista de Abreviaturas CEE – Comunidade Económica Europeia EUA – Estados Unidos da América FMI – Fundo Monetário Internacional IDF – Federação Internacional da Diabetes IMC – Índice de Massa Corporal NHANES – National Health and Nutrition Examination Survey OMS – Organização Mundial de Saúde PC – Perímetro da cintura PC/altura – Perímetro da cintura/altura PIB – Produto Interno Bruto SPCNA – Sociedade Portuguesa de Ciências da Nutrição e Alimentação SPSS – Statistical Package for the Social Sciences ix Índice de Tabelas Tabela 1 | Características sociodemográficas de indivíduos adultos e idosos do estudo “Alimentação e estilos de vida da população Portuguesa” ………………………………….17 Tabela 2 | Características sociodemográficas por sexo de indivíduos adultos e idosos do estudo “Alimentação e estilos de vida da população Portuguesa” …………………………19 Tabela 3 | Características sociodemográficas por idade e sexo de indivíduos adultos e idosos do estudo “Alimentação e estilos de vida da população Portuguesa” ……………..20 Tabela 4 | Altura da amostra por sexo e por idade …………………………………………..23 Tabela 5 | Efeito do sexo, da idade e da região na altura …………………………………..25 Tabela 6 | Peso da amostra por sexo e por idade ……………………………………….…..26 Tabela 7 | Efeito do sexo, da idade e da região no peso ……………………………………28 Tabela 8 | IMC da amostra por sexo e por idade …………………………………………….29 Tabela 9 | Efeito do sexo, da idade e da região no IMC ………………………………….....31 Tabela 10 | PC da amostra por sexo e por idade …………………………………………….32 Tabela 11 | Efeito do sexo, da idade e da região no PC …………………………………….34 Tabela 12 | PC/altura da amostra por sexo e por idade …………………………………….35 Tabela 13 | Efeito do sexo, da idade e da região no PC/altura …………………………….37 5 seja, deve-se manter o PC em menos de metade da altura(28). Existem ainda autores que consideram que tanto a adiposidade central como o IMC de forma isolada conseguem prever o risco de mortalidade(32, 37). 1.2 População adulta Devido ao seu património genético e à natureza física e psicossocial do ambiente, o organismo humano é reflexo dos estilos de vida adotados e dos seus hábitos alimentares durante toda a vida(3). A saúde de um indivíduo é geralmente determinada por 5 fatores: a hereditariedade, o meio ambiente, a perceção do próprio em relação à sua saúde, os cuidados de saúde disponíveis e o estilo de vida adotado. De todos estes, a hereditariedade é o único incapaz de ser modificado, podendo em todos os outros haver uma favorável intervenção para a obtenção de uma melhor saúde(38). De forma a serem traçados planos de intervenção alimentares/nutricionais, é necessário fazer uma avaliação do estado nutricional do indivíduo, devendo esta avaliação ser feita através de parâmetros antropométricos, clínicos, bioquímicos e dos hábitos alimentares(39). No início da idade adulta, o crescimento e a maturação estão completos, sendo a importância de uma alimentação/nutrição adequada centrada na manutenção de uma boa constituição física, força e tentando evitar o aumento de peso(40). Quanto às necessidades nutricionais, estas não variam muito, mas as circunstâncias e o estilo de vida podem sofrer alterações substanciais, influenciando as escolhas e os padrões alimentares a longo prazo(3). Nesta fase da vida (assim como em todas as outras), deveria haver uma aposta na aquisição de práticas alimentares que maximizassem a saúde, minimizando o risco de desenvolvimento de doenças crónicas(3), promovendo a manutenção da quantidade de gordura corporal desejável, através da ingestão de quantidades adequadas e grande variedade de alimentos saudáveis(3, 41). De forma complementar, deveria haver a prática de atividade física regular, dado ser um aspeto igualmente relevante para a saúde, por levar a um melhor controlo da quantidade de massa gorda e estimular o aumento da quantidade de massa magra, compartimento corporal metabolicamente mais ativo, com maior gasto nos homens do que nas mulheres, variando entre 30% a 65% do peso corporal total(38). Os grandes desafios para a aquisição de hábitos alimentares saudáveis abrangem o equilíbrio entre muitos determinantes que 6 competem entre si e que incluem entre outros fatores, o horário laboral e pessoal, as viagens, as refeições efetuadas fora de casa e as relações interpessoais(40). Do ponto de vista fisiológico, na faixa etária entre os 40 e os 60 anos, a composição corporal altera-se, existindo também alterações hormonais nas mulheres, estando descrito uma tendência para um aumento de peso depois dos 40 anos de idade (40), em grande parte devido a um aumento de massa gorda, como nos indicam Guo e colaboradores(2, 42) através de um estudo longitudinal com dados do Fels Study, com indivíduos entre os 40 e os 66 anos de idade em que encontraram um aumento na massa gorda de 0,37 kg/ano nos homens e 0,41 kg/ano nas mulheres. No caso das mulheres estas alterações poderão ser sentidas ainda antes da menopausa, na perimenopausa, referida como período de transição(43), em que poderão surgir irregularidades menstruais e termina com o último período menstrual(44). Este é um momento de mudanças hormonais durante as quais a prevalência de obesidade e as alterações de humor são maiores do que em qualquer outra fase da vida(45-47), com a perda de estrogénios a provocar uma atrofia dos tecidos da vagina e do trato urinário, ao aumento da massa gorda abdominal, bem como maior risco de problemas cardíacos(40, 48, 49) e osteoporose(40). Devido à associação positiva entre a sintomatologia e o excesso de peso/obesidade, um padrão de alimentação saudável nesta fase da vida não deve ser negligenciado(43, 50), com o padrão alimentar mediterrâneo a apresentar uma redução na incidência da resistência à insulina, síndrome metabólico(43, 51) e diminuição do excesso de peso/obesidade(43). 1.3 População idosa A nível mundial, a proporção da população idosa está a aumentar, estimando-se que o número de indivíduos com mais de 80 anos aumente de 120 milhões em 2013 para 392 milhões em 2050(34, 52). Este fenómeno é explicado pela diminuição do número de indivíduos jovens e da mortalidade. A primeira, consequência da maior utilização de métodos de controlo da natalidade; a segunda como resultado da melhoria das condições de vida e dos avanços nos conhecimentos técnico-científicos e médicos que permitem um diagnóstico precoce e tratamento de doenças mais eficaz(53-55). O envelhecimento é um processo biológico, complexo, irreversível e progressivo caracterizado por alterações, em grande parte fora do controlo humano (genéticas, 7 biológicas e bioquímicas), mas também por fatores passíveis de serem modificados como o estilo de vida e os fatores sociais(56). Estas alterações, apesar de normais, acarretam perdas progressivas das capacidades de adaptação à alimentação e ao meio ambiente, tornando o indivíduo mais vulnerável, podendo numa situação limite, levar a um quadro de desnutrição ou mesmo malnutrição, mais prevalente nesta faixa etária(53, 57, 58). Atualmente a proporção de pessoas idosas a viverem sozinhas está a aumentar drasticamente, com alguns países europeus a registar mais de 40% das mulheres com idade igual ou superior a 65 anos a viverem sozinhas(59, 60), que consequentemente levam à solidão e ao isolamento social. Adicionalmente, nesta faixa etária as limitações financeiras que reduzem o poder de compra geral e o alimentar em particular, os estados depressivos, os problemas de saúde oral, a presença de doenças crónicas e consequente polimedicação, a falta de apetite e os constrangimentos físicos que dificultam as compras e a preparação de alimentos são fatores limitantes que condicionam uma correta alimentação, interferindo na manutenção de um correto estado nutricional(3). Apesar de existirem alguns indivíduos de 70 anos ou mais que apresentam um bom estado físico, cognitivo e mental, existem outros mais frágeis que requerem um apoio mais constante e efetivo para satisfazerem as suas necessidades básicas(59). No que diz respeito à composição corporal desta faixa etária, e em resultado de todas estas alterações, é comum um aumento progressivo da massa gorda (mais concentrada na zona abdominal), paralelamente a uma perda natural e progressiva da massa magra (água, massa óssea e massa muscular)(53, 61) que se traduz num aumento do risco de fragilidade(59). Estas alterações estão relacionadas com o aumento do sedentarismo e alterações hormonais, sobretudo nas mulheres(62). Esta natural redução da massa muscular com aumento da massa gorda no idoso, associada a uma diminuição da força muscular, é denominada de sarcopenia(53, 63) que se estima que afete 8% a 40% de idosos com mais de 60 anos(64). A diminuição da força é um dos fatores associados ao comprometimento da capacidade funcional e consequentemente a autonomia do idoso(53, 65). Esta perda de massa muscular é também acompanhada da perda de minerais e de água corporal, apresentando-se os idosos com menos reservas, estando assim mais vulneráveis(62). Com a idade o metabolismo basal também diminui aproximadamente 10% a 20% devido a todas as alterações na composição corporal, isto porque, a massa magra é o tecido metabolicamente mais ativo e está usualmente diminuída nesta faixa etária, a par da decrescente prática de atividade física(53). 8 No que diz respeito à obesidade, a população idosa, por si só, é fator de risco para o surgimento de doenças metabólicas, com um aumento de situações de dependência, incapacidade, morbilidade e mortalidade(64). Em 2007 e 2008, 32% dos indivíduos americanos com mais 65 anos eram obesos, e nos maiores de 75 anos, 27% das mulheres e 26% dos homens tinham obesidade(64, 66). Nos idosos, a diminuição da massa livre de gordura (natural do processo de envelhecimento) pode levar a uma obesidade caracterizada por uma elevada percentagem de gordura corporal para o mesmo valor de IMC.(67-69) A distribuição dessa gordura é também alterada, sendo mais centralizada na zona do tronco e com infiltração no tecido muscular.(67, 70) Tudo isto associado a um conjunto de doenças crónicas e à fragilidade leva à designada obesidade sarcopénica.(67), a sarcopenia pode assim estar apenas relacionada com a redução da massa livre de gordura ou estar combinada com um aumento da massa gorda – obesidade sarcopénica.(63, 71) As suas causas são multifatoriais e podem ir desde doenças crónicas, a alterações da função endócrina, inflamação, deficiências nutricionais, entre outras. (63) Estes indivíduos sarcopénicos têm um risco significativamente maior de ter incapacidades, assim como uma elevada prevalência de síndrome metabólico e de outras comorbilidades(67). Quanto à associação entre sarcopenia, saúde psicológica e qualidade de vida, Cho et al. (71) avaliaram uma amostra de indivíduos coreanos com idades superiores a 20 anos e concluíram que a obesidade sarcopénica pode ser um fator de risco para problemas psicológicos, redução da qualidade de vida e redução da mobilidade. Para a avaliação da composição corporal no idoso, a utilização da antropometria pode estar afetada por um conjunto de fatores como é o caso da deformação e encurvamento da coluna que levam a uma redução da altura e/ou limitações em caminhar que dificulta a pesagem(61). Relativamente à composição corporal, quando comparados os indivíduos, de 70 anos com os de 20, estes têm aproximadamente menos 12 kg de massa muscular(62, 72), tendo maior quantidade de massa gorda, proporcionando uma reserva energética para os períodos de baixa ingestão alimentar, recuperação de doença/cirurgia, proteção térmica e mecânica no caso de quedas(62). Em relação à variação ponderal dos indivíduos mais velhos, em média os homens atingem o pico máximo de peso aos 65 anos e as mulheres aos 75 anos, havendo depois geralmente um decréscimo(61, 73, 74). Quanto à altura, a partir dos 40 anos o organismo apresenta uma diminuição de cerca de 1 cm a 2,5 cm por década(61, 75). No 9 caso do IMC, apesar de constituir uma medida melhor do que o peso na avaliação do estado nutricional, os pontos de corte a utilizar para os idosos são controversos, dada a necessidade de ter em consideração as mudanças de distribuição da massa gorda no envelhecimento(61), existindo alguns autores que defendem valores de corte de IMC superiores para os idosos, de forma a prevenir a desnutrição de forma mais eficaz(61, 76, 77). Por este motivo Hajjar indica que o IMC desejado para idosos é de 24 kg/m2 a 29 kg/m2, e que valores abaixo dos 24 kg/m2 são indicadores de desnutrição no idoso(78). Todas estas alterações influenciam os hábitos de vida, nos quais se incluem os alimentares e a atividade física, levando a que as necessidades energéticas possam diminuir(53, 79), embora o estado de saúde seja influenciado por vários fatores, a alimentação/nutrição é um dos principais determinantes para um envelhecimento mais saudável(64). A alimentação é crucial, não apenas para o bem-estar fisiológico, como também contribui para a qualidade de vida numa perspetiva social, cultural e psicológica(64). Face ao exposto, é essencial um conhecimento das condições gerais, bem como as condições de saúde, alimentares e estado nutricional, a fim de promover uma intervenção adequada, garantindo um envelhecimento saudável e com qualidade de vida(53). 1.4 Curvas de Percentis – método LMS As curvas de percentis são frequentemente utilizadas na prática clínica como método de referência para rastreio, identificando os indivíduos cujos valores (ex. altura, peso ou outros) estão desenquadrados do padrão populacional(80). Na literatura publicada, este método é utilizado sobretudo nas crianças para avaliação dos parâmetros antropométricos e de pressão arterial. Nos adultos, e partindo do facto que sofrem menos variações nas medições antropométricas, utilizam-se valores de referência com pontos de corte fixos, em muitos parâmetros iguais para ambos os sexos. A utilização de curvas de percentis em vez de um intervalo de referência simples justifica-se sobretudo quando a variável que estamos a medir está fortemente dependente de outra, muitas vezes da idade(80). Torna-se premente a necessidade de se proceder à construção de referenciais que avaliem especificamente a população Portuguesa dado que a informação internacional é baseada em populações diferentes da Portuguesa. Além de permitir perceber se os pontos de corte 10 para os diferentes parâmetros antropométricos estão definidos por uma questão de simplicidade ou se realmente não ocorrem muitas alterações ao longo da vida adulta. Uma das formas de obter curvas de percentis é usando a informação em três curvas suavizadas específicas: a curva para o exponente da transformação Box-Cox (L), a curva para a mediana (M) e a curva para o coeficiente de variação generalizado (S)(81). Sendo o pressuposto chave deste método a ocorrência de uma transformação com o expoente BoxCox, após a qual, os dados assumem uma distribuição simétrica e próxima da normal(80). Permite-nos a criação de curvas de percentis suavizadas de diferentes variáveis antropométricas (peso, altura, IMC, PC, PC/altura) para o sexo feminino e masculino com a idade como variável dependente. Desta forma poderemos extrapolar como se comportam as medidas antropométricas com o passar dos anos. 11 2. OBJETIVO E JUSTIFICAÇÃO DO ESTUDO 12 2.1 Objetivo Desenvolver referências antropométricas para o peso, altura, IMC, PC e PC/altura, tendo em consideração a idade e o sexo para a população Portuguesa com idade igual ou superior a 18 anos; 2.2 Justificação do estudo Para uma correta avaliação do estado nutricional dos indivíduos devemos utilizar referências antropométricas nacionais, de forma a conseguirmos ter uma adequada interpretação do seu estado. Isto porque as referências de um determinado local estão adaptadas à sua população não sendo transversal a todas as populações e a todos os locais. Com o presente trabalho pretende-se relacionar as medidas antropométricas com a idade e o sexo numa amostra representativa da população adulta Portuguesa proveniente do estudo Alimentação e Estilos de Vida da População Portuguesa que foi planeado e promovido pela Sociedade Portuguesa de Ciências da Nutrição e Alimentação (SPCNA), com o apoio da Nestlé® no âmbito de um protocolo de mecenato científico entre as duas instituições(82). Os objetivos gerais desse estudo foram a avaliação do estado nutricional, ingestão alimentar, outras dimensões dos estilos de vida e variáveis relacionadas com o estado de saúde da população portuguesa. Neste trabalho, apenas serão analisados uma parte dos dados desse estudo, Os resultados desta Dissertação poderão estabelecer formas complementares de identificação de indivíduos em risco de desnutrição/malnutrição com medidas adaptadas à população Portuguesa, para prevenção e/ou correção dessa situação, permitindo que situações destas possam ser o mais precoce e eficazmente corrigidas. 13 3. POPULAÇÃO E MÉTODOS 14 3.1 Desenho do estudo Este trabalho integra informação proveniente do estudo Alimentação e Estilos de Vida da População Portuguesa, tratando-se de um estudo epidemiológico observacional de desenho transversal. Os aspetos metodológicos seguidos foram descritos em publicações anteriores(23, 82-84). 3.2 População e amostra A população é constituída pelos indivíduos adultos, com idade maior ou igual a 18 anos, residentes em Portugal abrangendo todas as regiões (Continente, Madeira e Açores). A recolha dos dados foi efetuada entre fevereiro e abril de 2009, o procedimento amostral foi realizado por quotas de sexo e classe etária e os resultados foram ponderados por região de residência de acordo com o Censos 2001, de forma a garantir a representatividade da amostra. Relativamente à amostra, foram efetuados 12643 contactos, dos quais 3519 recusaram participar e 5595 eram impossíveis de aplicar. Na amostra final incluíram-se 3529 portugueses de idades compreendidas entre os 18 e os 93 anos. Da amostra, verificou-se que havia 108 indivíduos com informação antropométrica incompleta (59 sem peso, 72 sem altura, 85 sem IMC e 63 sem PC). A análise de dados baseou-se assim nos 3419 indivíduos com informação completa, considerando-se os seguintes critérios: - Critérios de inclusão Foram inquiridos todos os indivíduos com idade entre os 18 e os 93 anos que aceitaram de forma consentida e reuniam as condições necessárias para a participação no estudo. - Critérios de exclusão Toda e qualquer condição que impeça o consentimento livre e informado e/ou à participação do indivíduo no estudo. Foram também excluídas as mulheres grávidas ou lactantes, assim como os indivíduos com perturbações de crescimento ou deficiência física. 21 4. RESULTADOS 22 Nos resultados apresentam-se, para os índices antropométricos peso para a idade, altura para a idade, IMC para a idade, PC para a idade e relação PC/altura para a idade, a média, o desvio-padrão, o máximo, o mínimo e os respetivos percentis dos dados avaliados não suavizados. Posteriormente foram determinadas por sexo, as curvas de percentis e zscores suavizadas para cada parâmetro antropométrico. Por último são ainda representados os efeitos do sexo, idade e região nos dados antropométricos avaliados. 4.1 Altura No sexo feminino (Gráfico 1), a altura das mulheres mais velhas é menor, notando-se, nos percentis superiores, um decréscimo mais acentuado até aos 40 anos, após este período verifica-se um ligeiro aumento, ao qual se segue nova diminuição após os 60 anos. Já nos percentis inferiores, nota-se uma diminuição da altura ligeiramente mais acentuada entre os 25 e os 50 anos (Gráfico 1). Quanto aos valores, verificou-se a maior média de 1,67 m até aos 24 anos e a menor de 1,57 m após os 80 anos (Tabela 4). No sexo masculino (Gráfico 2), o comportamento é um pouco diferente, notando-se diferenças aos 30 e 60 anos, no primeiro caso devido a um aumento na altura nos percentis mais baixos e no segundo caso devido a uma descida mais acentuada nos percentis superiores. Com a maior média de 1,77 m no intervalo de idades entre os 25 e os 29 anos e a menor de 1,68 m entre os 75 e os 79 anos (Tabela 4). 23 Tabela 4 – Altura da amostra, por sexo e por idade Média Desvio Padrão Mínimo Percentis Máximo 3 5 10 15 25 50 75 85 90 95 97 Altura (m) Masculino 18 a 19 1,75 0,07 1,48 1,61 1,63 1,66 1,69 1,72 1,75 1,79 1,80 1,83 1,89 1,89 1,97 20 a 24 1,75 0,06 1,56 1,65 1,67 1,68 1,69 1,71 1,75 1,79 1,82 1,85 1,86 1,87 1,95 25 a 29 1,77 0,06 1,56 1,65 1,69 1,70 1,71 1,72 1,76 1,81 1,83 1,84 1,87 1,90 1,94 30 a 34 1,76 0,06 1,50 1,67 1,68 1,70 1,71 1,72 1,76 1,79 1,81 1,83 1,86 1,87 2,02 35 a 39 1,74 0,05 1,56 1,63 1,65 1,68 1,69 1,71 1,75 1,77 1,80 1,80 1,81 1,84 1,87 40 a 44 1,75 0,06 1,61 1,64 1,65 1,66 1,68 1,71 1,75 1,79 1,81 1,84 1,86 1,88 1,91 45 a 49 1,75 0,08 1,50 1,59 1,62 1,65 1,68 1,70 1,75 1,80 1,83 1,84 1,86 1,90 1,94 50 a 54 1,75 0,07 1,59 1,63 1,64 1,67 1,69 1,70 1,74 1,79 1,83 1,83 1,86 1,86 1,92 55 a 59 1,73 0,07 1,50 1,59 1,62 1,65 1,67 1,67 1,73 1,78 1,80 1,81 1,83 1,85 1,87 60 a 64 1,71 0,06 1,55 1,58 1,59 1,63 1,65 1,68 1,71 1,75 1,75 1,76 1,78 1,79 1,85 65 a 69 1,71 0,07 1,46 1,56 1,60 1,61 1,63 1,68 1,71 1,76 1,77 1,78 1,80 1,85 1,85 70 a 74 1,70 0,06 1,54 1,58 1,60 1,62 1,63 1,67 1,70 1,74 1,76 1,77 1,80 1,82 1,84 75 a 79 1,68 0,07 1,48 1,48 1,57 1,59 1,62 1,64 1,70 1,72 1,75 1,77 1,79 1,79 1,79 80+ 1,69 0,07 1,50 1,54 1,54 1,57 1,61 1,65 1,70 1,72 1,76 1,80 1,81 1,81 1,81 Feminino 18 a 19 1,67 0,07 1,50 1,55 1,56 1,58 1,60 1,61 1,67 1,69 1,74 1,78 1,80 1,80 1,82 20 a 24 1,67 0,07 1,50 1,55 1,56 1,57 1,60 1,63 1,68 1,72 1,74 1,75 1,77 1,80 1,89 25 a 29 1,66 0,06 1,48 1,54 1,55 1,58 1,60 1,62 1,66 1,69 1,72 1,72 1,74 1,75 1,85 30 a 34 1,65 0,05 1,50 1,55 1,56 1,57 1,60 1,63 1,65 1,69 1,71 1,72 1,74 1,75 1,75 35 a 39 1,63 0,06 1,50 1,53 1,54 1,54 1,55 1,57 1,65 1,67 1,70 1,71 1,73 1,74 1,78 40 a 44 1,65 0,06 1,46 1,53 1,55 1,57 1,59 1,61 1,65 1,68 1,70 1,72 1,72 1,75 1,85 45 a 49 1,63 0,07 1,46 1,52 1,52 1,54 1,56 1,59 1,63 1,68 1,72 1,74 1,75 1,80 1,80 50 a 54 1,64 0,07 1,47 1,51 1,52 1,54 1,55 1,58 1,65 1,69 1,70 1,73 1,79 1,80 1,81 55 a 59 1,63 0,06 1,47 1,50 1,53 1,56 1,57 1,59 1,63 1,68 1,70 1,72 1,72 1,74 1,78 60 a 64 1,62 0,06 1,47 1,51 1,51 1,54 1,55 1,56 1,61 1,67 1,69 1,70 1,71 1,78 1,80 65 a 69 1,62 0,07 1,40 1,51 1,53 1,54 1,55 1,58 1,62 1,67 1,70 1,72 1,74 1,74 1,77 70 a 74 1,61 0,07 1,46 1,50 1,50 1,53 1,53 1,55 1,60 1,67 1,70 1,71 1,73 1,75 1,76 75 a 79 1,58 0,06 1,43 1,48 1,49 1,51 1,52 1,55 1,57 1,64 1,67 1,67 1,67 1,76 1,77 80+ 1,57 0,07 1,45 1,45 1,45 1,49 1,49 1,52 1,55 1,61 1,64 1,66 1,70 1,75 1,75 24 Ainda relativamente à altura (Tabela 5), verificamos que os homens são significativamente mais altos (sig. < 0,001 e ηp2 = 0,337, efeito forte), e, em ambos os sexos, os mais velhos são mais baixos (sig. < 0,001 e ηp2 = 0,113, efeito forte). No caso da região onde moram, existe um efeito fraco em relação à altura (sig. < 0,001 e ηp2 = 0,035), ou seja, são encontradas diferentes médias de altura nas diferentes regiões. Encontrou-se ainda um efeito fraco na interação entre região e sexo (sig. = 0,010 e ηp2 = 0,005), o que significa que a discrepância de alturas entre homens e mulheres é diferente de região para região, com média de altura mais elevada nos homens em Lisboa e Vale do Tejo e nas mulheres no Norte. 1,40 1,45 1,50 1,55 1,60 1,65 1,70 1,75 1,80 1,85 1,90 15 20 25 30 35 40 45 50 55 60 65 70 75 80 85 P97 P95 P90 P85 P75 P50 P25 P15 P10 P5 P3 1,40 1,45 1,50 1,55 1,60 1,65 1,70 1,75 1,80 1,85 1,90 15 20 25 30 35 40 45 50 55 60 65 70 75 80 85 P97 P95 P90 P85 P75 P50 P25 P15 P10 P5 P3 Gráfico 1Curvas de percentis suavizadas da altura para a idade - mulheres Gráfico 2Curvas de percentis suavizadas da altura para a idade - homens 25 Tabela 5 – Efeito do sexo, da idade e da região na altura Sig. ηp2 Sexo <0,001 0,337 Idade <0,001 0,113 Região <0,001 0,035 Região e sexo 0,010 0,005 Região e idade 0,421 0,024 Sexo e idade 0,390 0,004 Região e sexo e idade 0,245 0,026 R2ajustado = 0,471 4.2 Peso No que diz respeito ao peso, nas mulheres (Gráfico 3) verifica-se um aumento do peso com a idade até aproximadamente aos 55 anos, período a partir do qual se verifica uma estagnação, seguida de um decréscimo aos 65 anos. Quanto aos valores, verificámos a maior média de 70,8 kg no intervalo de idades entre os 55 e os 59 anos e a menor de 59,5 kg aos 18 a 19 anos (Tabela 6). No caso dos homens (Gráfico 4), as curvas apresentam um comportamento um pouco diferente, com um aumento de peso até perto dos 30 anos, seguida de uma estabilização, verificando-se depois uma ligeira diminuição a partir dos 55 anos. Com todos os percentis a comportarem-se de forma semelhante. Com a maior média de 83,1 kg entre os 50 e os 54 anos e a menor de 71,6 kg aos 18 a 19 anos (Tabela 6). 26 Tabela 6 - Peso da amostra, por sexo e por idade Média Desvio Padrão Mínimo Percentis Máximo 3 5 10 15 25 50 75 85 90 95 97 Peso (kg) Masculino 18 a 19 71,6 7,9 42,6 52,2 60,7 63,0 64,0 67,0 71,0 77,0 80,8 83,0 85,0 85,4 98,5 20 a 24 74,3 9,7 51,0 56,0 59,0 64,0 65,0 68,8 74,0 80,0 82,2 84,5 89,0 91,9 115,0 25 a 29 80,3 10,5 50,4 65,0 66,0 69,0 70,8 75,0 80,0 85,2 87,0 89,0 101,0 105,0 130,0 30 a 34 83,1 9,9 58,5 66,3 68,5 73,0 75,2 78,0 83,0 88,4 91,8 93,0 100,1 113,6 138,7 35 a 39 77,5 9,1 53,0 58,6 62,0 67,3 69,9 71,0 77,0 85,0 88,8 91,0 93,0 93,4 105,0 40 a 44 81,0 9,3 58,0 62,2 63,6 68,8 73,9 76,0 80,3 87,0 90,9 94,0 96,7 99,2 115,9 45 a 49 82,7 10,8 53,0 65,0 67,0 71,2 73,7 76,0 82,0 87,0 90,4 95,0 102,0 110,1 120,0 50 a 54 83,1 9,8 55,0 66,0 67,0 71,4 73,0 78,0 84,0 88,0 92,0 95,0 97,0 104,7 120,5 55 a 59 81,3 10,4 51,0 60,0 61,8 68,8 70,0 74,0 80,8 89,0 92,8 96,0 98,0 99,0 110,4 60 a 64 80,5 10,1 59,0 64,8 65,5 69,4 72,0 74,8 79,1 84,0 91,2 95,3 98,0 99,7 118,0 65 a 69 79,6 8,3 53,0 62,6 63,0 68,5 70,0 74,0 80,9 86,0 88,0 89,0 91,0 91,2 113,0 70 a 74 79,4 9,7 54,6 56,0 60,9 67,0 68,0 71,3 80,0 87,6 90,0 91,0 93,7 96,0 106,5 75 a 79 74,8 10,9 53,0 53,7 54,0 56,8 62,4 68,0 77,2 81,9 86,7 88,4 91,0 111,5 126,7 80+ 79,0 10,2 63,0 63,0 65,1 67,0 68,0 70,0 78,0 84,1 92,0 95,7 98,4 105,0 105,0 Feminino 18 a 19 59,5 6,8 44,7 47,0 51,9 53,0 53,0 54,0 59,0 63,7 69,0 70,0 71,9 73,8 79,0 20 a 24 61,5 8,7 41,5 47,4 49,9 53,0 54,0 55,2 60,4 67,0 69,2 70,0 78,0 83,0 96,0 25 a 29 61,1 8,1 45,3 48,0 48,3 51,0 52,0 56,0 60,0 66,0 68,3 72,3 77,0 78,1 93,0 30 a 34 63,9 10,8 41,0 49,8 51,0 53,0 55,7 58,0 62,0 69,0 72,5 75,0 78,3 80,6 122,0 35 a 39 64,8 9,8 49,0 50,0 50,5 54,0 56,0 58,6 63,0 68,3 76,1 79,0 85,0 88,0 101,0 40 a 44 65,6 9,2 47,0 49,5 52,2 54,6 57,0 60,0 65,0 70,0 74,0 78,0 83,3 85,0 99,0 45 a 49 65,5 10,5 45,5 48,7 50,0 52,4 54,0 59,0 63,7 72,0 76,7 81,7 88,0 88,0 115,0 50 a 54 67,3 11,7 45,0 48,0 51,0 56,0 57,0 60,0 66,0 73,7 77,0 79,1 90,5 102,0 115,0 55 a 59 70,8 10,2 51,1 55,0 56,0 58,9 62,0 64,2 69,0 75,0 80,0 82,0 97,0 98,9 116,0 60 a 64 70,4 9,7 50,2 54,4 55,0 58,9 62,0 63,0 70,0 77,2 79,3 83,0 84,0 93,4 108,0 65 a 69 69,5 12,6 45,0 53,0 53,0 55,0 58,4 61,8 68,0 74,7 79,0 83,0 91,0 103,3 124,0 70 a 74 67,7 9,3 50,0 51,5 52,0 56,0 58,4 61,0 67,0 75,0 79,0 79,8 84,0 85,0 110,0 75 a 79 68,7 10,8 49,8 50,0 50,0 55,0 60,0 63,0 68,7 75,0 76,1 83,1 97,5 97,5 97,5 80+ 65,2 9,8 40,0 50,3 51,0 51,4 54,0 58,3 64,0 72,0 74,1 78,0 88,0 89,8 92,0 27 Gráfico 3Curvas de percentis suavizadas do peso para a idade - mulheres Gráfico 4Curvas de percentis suavizadas do peso para a idade - homens Pela análise das curvas de percentis suavizadas do peso (Gráficos 3 e 4 e Tabela 7), concluiu-se assim que os homens são mais pesados que as mulheres, sendo este um efeito forte (sig. < 0,001 e ηp2 = 0,221). No entanto são as mulheres que apresentam maiores flutuações no peso. Relativamente à interação entre o peso e a idade (Tabela 7), encontrouse um efeito moderado (sig. < 0,001 e ηp2 = 0,008). No caso da região onde moram existe um fraco efeito com o peso (sig. < 0,001 e ηp2 = 0,023), com a média de peso mais elevada encontrada nos Açores. Quanto à interação entre sexo e idade (Tabelas 6 e 7), vemos que aos 18 a 19 anos, os homens são 12,1 kg mais pesados que as mulheres, e, após os 80 anos essa diferença aumenta para 13,8 kg, existindo um efeito fraco entre o sexo e a idade (sig. < 0,001 e ηp2 = 0,022). 45 50 55 60 65 70 75 80 85 90 95 100 105 15 20 25 30 35 40 45 50 55 60 65 70 75 80 85 P97 P95 P90 P85 P75 P50 P25 P15 P10 P5 P3 45 50 55 60 65 70 75 80 85 90 95 100 105 15 20 25 30 35 40 45 50 55 60 65 70 75 80 85 P97 P95 P90 P85 P75 P50 P25 P15 P10 P5 P3 28 Tabela 7 - Efeito do sexo, da idade e da região no peso Sig. ηp2 Sexo <0,001 0,221 Idade <0,001 0,080 Região <0,001 0,023 Região e sexo 0,138 0,003 Região e idade 0,364 0,025 Sexo e idade <0,001 0,022 Região e sexo e idade 0,251 0,026 R2ajustado = 0,343 4.3 IMC Nas mulheres há um aumento do IMC mais acentuado até aproximadamente aos 55 anos a par do que sucede com o peso, após este período nota-se uma estabilização (Gráfico 5). Com a maior média de IMC de 27,6 kg/m2 encontrada entre os 75 e os 79 anos e a menor de 21,5 kg/m2 encontrada aos 18 a 19 anos (Tabela 8). No que diz respeito aos homens, até aos 30 anos há um aumento acentuado do IMC, aproximadamente entre os 30 e os 40 anos há um ligeiro abrandamento, voltando após este período novamente a aumentar mas de forma não tão acentuada (Gráfico 6). Sendo que após os 80 anos verificámos a maior média de IMC (27,8 kg/m2) e a menor aos 18 a 19 anos (23,4 kg/m2) (Tabela 8). 29 Tabela 8 -IMC da amostra, por sexo e por idade Média Desvio Padrão Mínimo Percentis Máximo 3 5 10 15 25 50 75 85 90 95 97 IMC (kg/m2) Masculino 18 a 19 23,4 2,6 15,8 19,1 19,2 20,7 21,1 21,8 23,2 24,7 25,8 26,8 28,4 28,9 33,7 20 a 24 24,1 2,5 17,0 19,5 20,1 20,7 22,0 22,5 24,1 25,6 26,3 27,0 28,7 29,8 34,9 25 a 29 25,7 3,3 19,2 21,4 22,4 22,7 23,0 23,9 25,4 26,9 27,9 28,7 30,2 33,0 44,5 30 a 34 26,8 2,8 17,7 22,6 23,1 23,9 24,6 25,3 26,3 28,4 29,0 30,1 31,8 34,0 44,3 35 a 39 25,5 2,9 19,1 20,1 21,3 21,7 22,2 23,4 25,5 27,8 28,7 29,3 30,2 30,8 36,8 40 a 44 26,5 3,0 17,3 21,6 22,1 22,7 23,9 24,6 26,5 28,0 29,7 30,8 32,9 33,6 37,7 45 a 49 27,0 2,7 21,1 22,9 23,5 23,9 24,5 25,2 26,5 29,3 29,8 30,1 31,9 33,1 38,9 50 a 54 27,3 3,0 19,1 23,1 23,2 24,2 24,3 25,1 26,8 29,4 30,5 31,7 32,6 33,1 39,8 55 a 59 27,2 3,4 18,6 21,7 22,0 22,9 24,0 25,0 26,8 29,8 30,6 31,9 33,0 33,5 36,9 60 a 64 27,7 3,5 20,9 23,2 23,3 23,8 24,5 25,4 27,1 29,2 31,2 32,5 33,5 38,2 40,8 65 a 69 27,3 2,5 21,0 23,3 23,6 24,0 24,6 25,8 27,3 28,4 29,4 31,2 32,2 32,6 42,0 70 a 74 27,6 3,0 19,8 21,1 22,1 23,7 24,5 25,2 27,7 29,4 31,3 32,2 33,0 33,1 34,8 75 a 79 26,4 3,2 19,8 19,8 20,2 20,6 22,4 25,0 27,3 28,4 28,8 29,7 31,4 38,0 42,8 80+ 27,8 3,7 21,9 21,9 21,9 22,0 23,3 25,1 27,6 29,7 32,6 33,1 34,4 36,3 37,3 Feminino 18 a 19 21,5 2,4 17,4 18,5 18,6 18,8 19,0 19,5 21,0 23,1 24,6 25,3 25,9 26,4 29,4 20 a 24 22,0 2,8 17,5 17,9 18,3 18,6 19,2 20,3 21,6 23,2 24,7 25,6 26,9 29,1 35,3 25 a 29 22,3 3,0 16,2 17,6 18,1 18,6 19,4 20,1 21,7 24,1 25,9 26,6 27,9 28,8 35,8 30 a 34 23,4 3,9 16,7 18,5 18,9 19,3 20,0 20,9 23,0 25,4 26,2 27,9 28,5 31,4 43,7 35 a 39 24,5 3,9 17,5 19,1 20,0 20,2 20,6 21,7 23,8 26,5 28,3 30,1 33,3 34,5 36,2 40 a 44 24,1 3,2 19,0 19,3 19,6 20,5 20,9 21,8 23,9 26,0 26,6 27,7 29,3 33,3 37,0 45 a 49 24,6 4,2 15,9 17,6 19,3 20,5 20,8 21,7 24,2 26,4 28,1 30,1 33,0 35,7 42,8 50 a 54 25,2 5,0 18,0 19,7 19,9 20,4 20,7 21,5 23,4 27,4 31,2 32,6 36,2 38,8 42,8 55 a 59 26,6 4,1 19,2 20,9 21,3 22,6 23,0 23,7 25,9 28,4 31,2 32,0 35,6 39,4 40,4 60 a 64 26,9 4,0 18,7 20,3 21,4 22,0 22,7 23,9 26,5 29,4 31,2 32,0 32,9 38,2 40,2 65 a 69 26,5 5,3 18,8 19,6 20,5 21,3 22,0 22,8 26,1 28,6 30,4 33,5 35,8 44,7 49,1 70 a 74 26,2 4,0 19,3 20,4 21,3 21,8 22,5 23,3 25,7 28,1 31,2 33,0 34,6 35,1 37,1 75 a 79 27,6 5,3 19,1 20,5 20,5 22,6 22,6 23,8 27,5 29,1 31,6 33,1 43,9 43,9 43,9 80+ 26,6 4,2 18,8 19,4 21,0 22,1 23,0 24,0 26,4 28,2 31,0 33,1 34,2 37,3 40,9 30 Gráfico 5Curvas de percentis suavizadas do IMC para a idade - mulheres Gráfico 6Curvas de percentis suavizadas do IMC para a idade - homens Através da análise do Gráfico 7 e da Tabela 7, verificou-se que os homens apresentam um crescimento rápido de IMC até aos 30 anos, nas idades superiores são as mulheres quem aumentam mais o seu IMC (sig. < 0,001 e ηp2 = 0,023), sendo os indivíduos mais velhos aqueles que apresentam maiores valores de IMC (sig. < 0,001 e ηp2 = 0,161) . No caso da região onde moram existe um moderado efeito com o IMC (sig. <0,001 e ηp2=0,038), com a maior média de IMC registada nos Açores. Quando se analisaram as discrepâncias entre sexo e idade verificou-se que, em ambos os sexos existe uma fraca tendência de aumento do IMC com a idade (sig. < 0,001 e ηp2 = 0,016), sendo que nas idades inferiores o maior crescimento de IMC é encontrado nos homens, e, em idades superiores existe maior crescimento de IMC nas mulheres. Quanto à interação entre região e sexo existe uma fraca discrepância do IMC de homens e mulheres de região para região (sig. < 0,001 e ηp2 = 0,009), com os homens a apresentarem a maior média de IMC na Madeira, e as mulheres no Alentejo. 16 18 20 22 24 26 28 30 32 34 36 38 15 20 25 30 35 40 45 50 55 60 65 70 75 80 85 P97 P95 P90 P85 P75 P50 P25 P15 P10 P5 P3 16 18 20 22 24 26 28 30 32 34 36 38 15 20 25 30 35 40 45 50 55 60 65 70 75 80 85 P97 P95 P90 P85 P75 P50 P25 P15 P10 P5 P3 37 Gráfico 12Curvas de percentis suavizadas do PC/altura para a idade - comparação homens e mulheres Tabela 13 - Efeito do sexo, da idade e da região no PC/altura Sig. ηp2 Sexo <0,001 0,015 Idade <0,001 0,187 Região <0,001 0,042 Região e sexo <0,001 0,019 Região e idade 0,003 0,035 Sexo e idade 0,081 0,006 Região e sexo e idade 0,351 0,025 R2ajustado = 0,343 0,30 0,35 0,40 0,45 0,50 0,55 0,60 0,65 0,70 0,75 0,80 15 20 25 30 35 40 45 50 55 60 65 70 75 80 85 P95 P50 P5 P95 P50 P5 38 5. DISCUSSÃO 39 Neste trabalho foi possível fazer uma caracterização da população adulta Portuguesa com idade igual ou superior a 18 anos relativamente ao grau de escolaridade, estado civil e situação profissional, sendo os resultados encontrados semelhantes ao apresentados noutras publicações que estudaram subconjuntos diferentes da amostra representativa da população adulta Portuguesa proveniente do estudo Alimentação e Estilos de Vida da População Portuguesa que foi planeado e promovido pela Sociedade Portuguesa de Ciências da Nutrição e Alimentação (SPCNA), com o apoio da Nestlé® (23, 82-84). Foi também possível observar que os parâmetros antropométricos estudados (altura, peso, IMC, PC e razão PC/altura) apresentados anteriormente têm valores diferentes com a idade, entre sexos e entre regiões. Relativamente às possíveis explicações para os dados observados, em particular a relação entre idade e altura nestes adultos, após a 2ª Guerra Mundial vários países, sobretudo europeus, sofreram importantes transformações sociais e económicas(92). No entanto, em Portugal essas melhorias, foram sentidas tardiamente, apenas nas décadas de 60 e 70, essencialmente nos cuidados de saúde e na alimentação/nutrição(92, 93). O aumento na altura terá sido resultante de um conjunto de interações entre fatores genéticos e ambientais, dos quais o aumento da disponibilidade alimentar e a saúde foram os mais importantes(92, 93). Esta poderá ser a razão para os resultados encontrados na nossa amostra (Gráficos 1 e 2), com os indivíduos mais jovens a apresentarem alturas superiores, sobretudo até aos 50 anos, cujo período de nascimento corresponde à década de 60. Em 2003, Padez analisou os registos referentes à altura efetuados aquando da incorporação no serviço militar obrigatório em Portugal, com uma amostra de 995 101 indivíduos, incluindo todos os rapazes de 18 anos nascidos no período entre 1966 e 1985, à qual acrescentou a informação colhida por Lacerda em 1904, também de todos os distritos portugueses e os de Sobral (1980) apenas com valores do sul de Portugal(93-95). A análise destes dados revela que no período entre 1904 e 2000 houve um crescimento de 0,0893 m (1,632 m em 1904 para 1,721 m em 2000), que corresponde a um aumento de 0,0099 m por década(92, 93). Comparando com os resultados do presente estudo colhidos em 2009, os indivíduos com 18 anos analisados tinham em média 1,75 m (mais 0,029 m que os analisados por Padez em 2000), e se se mantivesse a tendência de aumento de 0,0099 m por década, o esperado seria que ao fim de 9 anos (2009), os indivíduos apresentassem um aumento de 0,0089 m, ou seja, 1,73 m. O que nos permite concluir que a população portuguesa talvez ainda não esteja a atingir o seu patamar no crescimento. Contrariamente ao que aconteceu em alguns países europeus desenvolvidos por volta de 1980, o que 40 sugere que possivelmente estejam a atingir o seu potencial genético, ou, as condições sociais deixaram de melhorar(93). No caso do sexo feminino, as melhorias nas condições de vida em Portugal na década de 70, já referidas anteriormente poderão também explicar a descida mais acentuada na altura até aproximadamente aos 35 anos (nascidas em 1974), que nos sugere que as mulheres nascidas após esta data são tendencialmente mais altas (Gráfico 2). Acrescentando o facto de daí também se ter notado uma diminuição na idade da menarca que segundo Padez (2007) raparigas nascidas na década de 1880-1890 tiveram a menarca aos 15 anos, enquanto as que nasceram em 1970-1980 tiveram aos 12 anos(92). E, embora o crescimento se torne mais lento após o atingir da maturidade sexual, o crescimento continua até aproximadamente aos 18 anos nas mulheres e até aos 21 nos homens, contudo, as meninas com menarca precoce tendem a crescer mais após o seu início do que aquelas que apresentam uma menarca tardia(79). Existem ainda outras situações históricas ocorridas em Portugal e que poderão ter tido repercussões ao nível alimentar/nutricional, uma delas em consequência do 25 de abril (96), em 1977 e 1983, com os resgates financeiros envolvendo a participação do Fundo Monetário Internacional (FMI)(97). Pela análise dos gráficos 1 e 2, verificamos que, em ambos os sexos, no período após os 30 anos (nascidos até 1979) existe uma estagnação na altura. Já quando observámos o peso (Gráficos 3 e 4) e o IMC (Gráficos 5-7) verificámos uma estagnação em ambos, no caso dos homens por volta dos 30 anos, enquanto nas mulheres essa estagnação ocorre em idades superiores, após os 37 anos (nascidas em 1972), o que poderá indicar que as piores condições económicas e sociais no período de crise terão tido repercussões no estado nutricional. Em 1986, com a entrada de Portugal na Comunidade Económica Europeia (CEE)(98) terão ocorrido melhorias nas condições sociais e económicas, no entanto, na análise dos gráficos não conseguimos identificar resultados deste incremento, uma vez que correspondem a idades inferiores a 23 anos período em que o organismo humano ainda se encontra em desenvolvimento. Observando com pormenor o peso nos homens (Gráfico 4), o seu aumento poderá estar associado ao casamento, uma vez que segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), a idade média dos homens ao primeiro casamento era de 33,4 anos em 2009(99), 41 podendo explicar os nossos resultados com uma estabilização do peso verificado após os 30 anos. No caso das mulheres o aumento do peso até por volta dos 55 anos, seguido de uma estabilização (Gráfico 3) poderá ser explicado pelo aparecimento dos primeiros sinais da menopausa, que as mulheres são mais propensas após os 40 anos(39, 43, 100), embora existam mulheres com os primeiros sintomas aos 30 anos e outras apenas por volta dos 50(43, 100). Relativamente aos valores do PC que naturalmente aumentam com a idade poderá estar relacionado com a própria fisiologia do envelhecimento que pressupõe uma acumulação de gordura na parte abdominal. Sendo que estudos como este assumem especial importância de forma a ser possível concluir se estas variações são genéticas e próprias da idade ou se são uma questão histórica. Quanto aos valores de IMC e o PC/altura naturalmente seguiram a tendência dos valores antropométricos apresentados anteriormente. 5.1 Comparação com dados alemães Os gráficos seguintes (Gráficos 13 e 14) mostram a comparação dos dados do presente estudo com os dados da população alemã em relação ao IMC, resultantes do segundo inquérito nacional de nutrição (2005/2006) com uma amostra de idades entre os 18 e os 80 anos(101). No caso das mulheres (Gráfico 13), ao nível da mediana, os valores de IMC das alemãs e portuguesas são semelhantes até aproximadamente 60 anos, após esta idade as alemãs apresentam um maior valor de IMC. O mínimo observado no percentil 50 é de 21,2 kg/m2 nas portuguesas e 21,9 kg/m2 nas alemãs. Já no percentil 97, as alemãs têm geralmente maior IMC, com um máximo verificado de 38,5 kg/m2 por volta dos 50 anos, enquanto as portuguesas apresentam um máximo de 37 kg/m2 após os 55 anos, quanto aos mínimos observados são de 26,7 kg/m2 nas portuguesas e de 32,2 kg/m2 nas alemãs, em ambas aos 18 anos. No caso do percentil 3, os valores máximos registados são de 20,7 kg/m2 nas portuguesas aos 85 anos e de 20,7 kg/m2 nas alemãs aos 80 anos, quanto aos valores mínimos são de 18 kg/m2 nas portuguesas e de 17,6 kg/m2 nas alemãs. 42 Relativamente aos homens (Gráfico 14), o comportamento é muito semelhante ao feminino, com o percentil 50 a apresentar valores muito próximos nas duas amostras até aos 55 anos, período a partir do qual os alemães apresentam maior IMC. Com os máximos registados de 27,2 kg/m2 aos 85 anos nos portugueses e de 36,7 kg/m2 por volta dos 55 anos nas alemãs. Já no percentil superior (percentil 97), os alemães apresentam sempre valores superiores aos portugueses com o máximo verificado de 34,2 kg/m2 aos 85 anos nos portugueses, e de 36,8 kg/m2 aos 57 anos nos alemães, em relação aos valores mínimos neste percentil são de 28,1 kg/m2 nos portugueses e de 32,8 kg/m2 nos alemães, ambos aos 18 anos. No caso do percentil 3, os máximos verificados são de 22,2 kg/m2 aos 85 anos nos portugueses e de 20,7 kg/m2 aos 80 anos nos alemães, já os valores mínimos encontrados foram de 18,9 kg/m2 nos portugueses e de 18 kg/m2 nos alemães, também aos 18 anos. Gráfico 13Comparação das curvas suavizadas para o IMC da população adulta portuguesa com dados alemães - mulheres Gráfico 14Comparação das curvas suavizadas para o IMC da população adulta portuguesa com dados alemães - homens Relativamente a possíveis explicações para os factos observados, o aumento do IMC sobretudo nos alemães, após os 60 anos nas mulheres e os 55 nos homens, pode estar relacionado com a 2ª Guerra Mundial. Isto porque estes indivíduos nasceram no período 16 18 20 22 24 26 28 30 32 34 36 38 40 15 20 25 30 35 40 45 50 55 60 65 70 75 80 85 Pt P97 Pt P90 Pt P50 Pt P10 P5 Pt P3 Alem P97 Alem P90 Alem P50 Alem P10 Alem P3 16 18 20 22 24 26 28 30 32 34 36 38 40 15 20 25 30 35 40 45 50 55 60 65 70 75 80 85 Pt P97 Pt P90 Pt P50 Pt P10 Pt P3 Alem P97 Alem P90 Alem P50 Alem P10 Alem P3 43 em que decorria a guerra ou no seu final, ou seja, num período de acesso limitado a bens de uma forma geral. Assim, durante o desenvolvimento fetal destes indivíduos poderão ter ocorrido períodos de défice alimentar e consequentemente nutricional. E, défices nutricionais durante a gravidez são particularmente críticos, podendo resultar em prematuridade, baixo peso e comprimento ao nascimento e maior risco de complicações metabólicas futuras(102-104), estando o baixo peso à nascença relacionado com o aumento da suscetibilidade ao surgimento de diabetes, obesidade e doenças cardiovasculares na vida adulta(102, 105-109). Esta situação é retratada durante o período de fome holandesa (1944/45) em que a desnutrição imposta durante a gestação, seguida do fornecimento de uma alimentação adequada mais tarde na vida foi associada a um maior risco de obesidade(110-113), sugerindo que a desnutrição durante a vida fetal (período importante de crescimento e desenvolvimento), é fundamental à saúde na vida adulta(110). Assim, acreditamos que situação similar tenha acontecido na Alemanha e até mesmo em Portugal, que juntamente com transformações sociais e económicas do pós-2ª Guerra Mundial(92), e com melhoria nas condições de vida poderão ser os motivos que levaram a este aumento de IMC na fase adulta após exposição a um período de desnutrição durante o desenvolvimento fetal (Gráficos 13 e 14). 5.2 Comparação com dados americanos Os gráficos seguintes (Gráficos 15 a 22) demonstram a comparação com os dados do National Health and Nutrition Examination Survey (NHANES) 2003-2006(114), resultantes do inquérito nacional de saúde e nutrição da população não institucionalizada dos Estados Unidos da América (EUA). Nas mulheres (Gráfico 15), relativamente à altura a amostra portuguesa não se afasta muito da americana, havendo mesmo, a partir dos 60 anos uma sobreposição dos dados nos percentis inferiores. No percentil 50, a maior diferença de altura entre as 2 amostras é de 0,05 m aos 25 anos, com as mulheres portugueses mais altas que as americanas (1,68 m e 1,63 m, respetivamente), ocorrendo a partir dos 60 anos uma sobreposição das alturas aos 1,62 m. Quanto aos extremos, no percentil 95 as portuguesas apresentam um máximo de 1,78 m aos 18 anos, enquanto nas americanas observa-se um máximo de 1,74 m entre os 35 e os 45 anos. Já no percentil 5, a população portuguesa apresenta o mínimo de 1,46 m aos 85 anos, enquanto que nas americanas o mínimo é de 1,46 m aos 85 anos. 44 No caso dos homens (Gráfico 16), verificámos nos portugueses uma descida na altura mais precoce, a partir dos 55 anos (nascidos em 1954), enquanto os dados do NHANES mostram que na população masculina americana, apenas se verifica uma descida após os 75 anos, correspondendo ao período onde ainda decorria a 2ª Guerra Mundial. Ou seja, provavelmente na América as transformações sociais e económicas foram sentidas mais precocemente, havendo uma mais rápida melhoria das condições e por isso um maior crescimento do que em Portugal. Relativamente às diferenças entre as 2 populações, no percentil 50 a maior diferença de alturas observada é de 0,05 m entre os 65 e os 75 anos (perto de 1,75 m nos americanos e 1,70 m nos portugueses), e a diferença mínima entre os 25 e os 35 anos em que as alturas praticamente se sobrepõem no 1,75 m. Relativamente aos percentis opostos, no percentil 95, os portugueses apresentam um máximo de 1,85 m por volta dos 25 e 45 anos, e nos americanos o máximo é de 1,90 m até aos 35 anos. Já no percentil 5, nos portugueses o mínimo é de 1,55 m aos 85 anos, enquanto que nos americanos, o mínimo é de 1,59 m aos 85 anos. Podemos assim, pela análise dos dados concluir que, curiosamente e ao contrário do espectável, as mulheres portuguesas são tendencialmente mais altas que as americanas, sendo que a partir dos 60 anos as alturas praticamente se sobrepõem. Quanto aos indivíduos do sexo masculino, os americanos são tendencialmente mais altos do que os portugueses e apresentam uma menor diferença entre as alturas. Gráfico 15Comparação das curvas suavizadas para a altura da população adulta portuguesa com dados NHANES 2003/06 – mulheres 1,40 1,45 1,50 1,55 1,60 1,65 1,70 1,75 1,80 1,85 1,90 1,95 15 20 25 30 35 40 45 50 55 60 65 70 75 80 85 Pt P95 Pt P90 Pt P85 Pt P75 Pt P50 Pt P25 Pt P15 Pt P10 Pt P5 NHANES P95 NHANES P90 NHANES P85 NHANES P75 NHANES P50 NHANES P25 NHANES P15 NHANES P10 NHANES P5 45 Gráfico 16Comparação das curvas suavizadas para a altura da população adulta portuguesa com dados NHANES 2003/06 - homens Relativamente ao peso das mulheres (Gráfico 17), as americanas são consideravelmente mais pesadas do que as portuguesas. Ao nível do percentil 50, o peso apenas se sobrepõem a partir dos 70 anos, até então o peso das americanas oscila entre os 65 e os 74 kg, enquanto o peso das portuguesas varia entre os 58 e os 68 kg. No que diz respeito ao percentil 95, o peso máximo verificado nas americanas é de 117,8 kg aproximadamente aos 50 anos, enquanto que nas portuguesas o máximo ronda os 90,0 kg após os 55 anos. Relativamente aos valores mínimos, aproximam-se mais, com as mulheres americanas a registarem um mínimo de 46,1 kg aos 81 anos e as portuguesas 49,3 kg aos 18 anos (percentil 3). Quanto ao peso dos homens (Gráfico 18), os homens americanos são igualmente mais pesados que os portugueses. Ao nível da mediana (percentil 50), os americanos apresentam um máximo de 88,9 kg entre os 40 e os 60 anos e um mínimo de 75,5 kg aos 85 anos, enquanto que nos portugueses o máximo é de 81 kg entre os 44 e os 60 anos e o mínimo de 70,6 kg aos 18 anos. Relativamente ao percentil 95, os americanos registam um máximo de 125 kg entre os 45 e os 55 anos, no caso dos portugueses o máximo é de 95 kg entre os 42 e os 57 anos. No que diz respeito ao percentil 5, nos americanos o mínimo de 55,4 kg aos 85 anos, já nos portugueses é de 56,1 kg aos 18 anos. 1,40 1,45 1,50 1,55 1,60 1,65 1,70 1,75 1,80 1,85 1,90 1,95 15 20 25 30 35 40 45 50 55 60 65 70 75 80 85 Pt P95 Pt P90 Pt P85 Pt P75 Pt P50 Pt P25 Pt P15 Pt P10 Pt P5 NHANES P95 NHANES P90 NHANES P85 NHANES P75 NHANES P50 NHANES P25 NHANES P15 NHANES P10 NHANES P5 46 Gráfico 17Comparação das curvas suavizadas para o peso da população adulta portuguesa com dados NHANES 2003/06 – mulheres Gráfico 18Comparação das curvas suavizadas para o peso da população adulta portuguesa com dados NHANES 2003/06 – homens Relativamente ao IMC feminino (Gráfico 19), e de acordo com o esperado tendo em conta os valores do peso e altura, as mulheres americanas são as que apresentam valores mais elevados, com diferenças bastante notórias. Sendo que no percentil 95 o valor mais elevado de 44,1 kg/m2, perto dos 50 anos nos dados NHANES e de 34,3 kg/m2, aos 85 anos nos dados portugueses, relativamente aos mínimos no mesmo percentil são de 34,3 kg/m2 aos 85 anos nas americanas e de 25,8 kg/m2 aos 18 anos nas portuguesas. Já nos percentis inferiores as diferenças não são tão elevadas, sendo o valor mínimo registado no percentil 5 igual nas duas amostras, com um IMC de 18,2 kg/m2 aos 25 anos, relativamente ao máximo ronda os 20,0 kg/m2 entre os 45 e os 70 anos nas americanas e os 21,0 kg/m2 a partir dos 60 anos. No que diz respeito aos homens (Gráfico 20), os americanos são igualmente os que apresentam maior IMC com um máximo de 39,3 kg/m2 aos 55 anos no percentil 95, mas são também os que apresentam o valor mais baixo com um mínimo de 19,2 kg/m2 aos 25 40 45 50 55 60 65 70 75 80 85 90 95 100 105 110 115 120 125 130 15 20 25 30 35 40 45 50 55 60 65 70 75 80 85 Pt P95 Pt P90 Pt P85 Pt P75 Pt P50 Pt P25 Pt P15 Pt P10 Pt P5 NHANES P95 NHANES P90 NHANES P85 NHANES P75 NHANES P50 NHANES P25 NHANES P15 NHANES P10 NHANES P5 40 45 50 55 60 65 70 75 80 85 90 95 100 105 110 115 120 125 130 15 20 25 30 35 40 45 50 55 60 65 70 75 80 85 Pt P95 Pt P90 Pt P85 Pt P75 Pt P50 Pt P25 Pt P15 Pt P10 Pt P5 NHANES P95 NHANES P90 NHANES P85 NHANES P75 NHANES P50 NHANES P25 NHANES P15 NHANES P10 NHANES P5 53 Com o presente trabalho foi possível desenvolver as referências antropométricas para o peso, altura, IMC, PC e PC/altura, tendo em consideração a idade e o sexo dos indivíduos de forma a ser possível a análise da tendência secular dos parâmetros antropométricos. A criação de referências antropométricas para a população adulta Portuguesa torna-se útil numa perspetiva de implementação de procedimentos standard de avaliação e acompanhamento dos indivíduos baseadas em referências nacionais. Desta forma passa a ser viável a padronização de procedimentos para que na avaliação do estado nutricional do adulto e idoso seja possível uma comparação sempre da mesma forma e adaptada à realidade em que o indivíduo se encontra, à semelhança do que já acontece nas crianças Portuguesas(123123, 124). 54 7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 55 1. Costa R. Composição Corporal. 1ª ed. Brasil: Manole; 2001. 2. Baumgartner R. Age. In: Heymsfield S, Lohman T, Wang Z, Going S. Human body composition. 2ª ed. USA: Human Kinetics; 2005. p. 259-69. 3. Wortthington-Roberts B. Introdution to the life cycle: the role of nutrition. In: WortthingtonRoberts B, Williams S. Nutrition throughout the life cycle. 4 ed. EUA: McGraw-Hill; 2000. p. 2-37. 4. Gaba A, Pridalova M. 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ANEXOS Anexo 1 – Valor representativo do intervalo Valor representativo (anos) Intervalo de idades (anos) 18,5 18 a 19 22 20 a 24 27 25 a 29 32 30 a 34 37 35 a 39 42 40 a 44 47 45 a 49 52 50 a 54 57 55 a 59 62 60 a 64 67 65 a 69 72 70 a 74 77 75 a 79 83 80+ Ao longo do trabalho, para a construção das tabelas foi utilizado para cada valor representativo próximo da média de idades um intervalo de idades, tal como é indicado na tabela anterior (Anexo 1). Anexo 2 – Tabelas de percentis suavizadas Anexo 1.1 – Tabela de percentis suavizada para a altura das mulheres ALTURA MULHERES Idade L M S P3 P5 P10 P15 P25 P50 P75 P85 P90 P95 P97 18 a 19 -0,16 1,67 0,04 1,55 1,56 1,59 1,60 1,63 1,67 1,72 1,74 1,76 1,79 1,80 20 a 24 0,84 1,67 0,04 1,55 1,56 1,59 1,60 1,63 1,67 1,71 1,73 1,75 1,77 1,79 25 a 29 1,88 1,66 0,04 1,55 1,56 1,58 1,60 1,62 1,66 1,70 1,72 1,73 1,75 1,77 30 a 34 2,46 1,65 0,03 1,54 1,56 1,58 1,59 1,61 1,65 1,69 1,71 1,72 1,74 1,75 35 a 39 2,45 1,64 0,04 1,53 1,55 1,57 1,58 1,60 1,64 1,68 1,70 1,72 1,74 1,75 40 a 44 1,96 1,64 0,04 1,52 1,54 1,56 1,58 1,60 1,64 1,68 1,70 1,72 1,74 1,75 45 a 49 1,26 1,64 0,04 1,51 1,53 1,55 1,57 1,60 1,64 1,68 1,71 1,72 1,75 1,76 50 a 54 0,63 1,64 0,04 1,51 1,53 1,55 1,57 1,59 1,64 1,68 1,71 1,72 1,75 1,77 55 a 59 0,05 1,63 0,04 1,51 1,52 1,55 1,56 1,59 1,63 1,68 1,70 1,72 1,75 1,76 60 a 64 -0,56 1,62 0,04 1,50 1,52 1,54 1,56 1,58 1,62 1,67 1,69 1,71 1,74 1,76 65 a 69 -1,24 1,61 0,04 1,50 1,51 1,53 1,55 1,57 1,61 1,66 1,69 1,70 1,73 1,75 70 a 74 -2,00 1,60 0,04 1,49 1,50 1,52 1,54 1,56 1,60 1,65 1,67 1,69 1,72 1,74 75 a 79 -2,88 1,58 0,04 1,48 1,49 1,51 1,52 1,54 1,58 1,63 1,66 1,68 1,71 1,73 80+ -3,86 1,57 0,04 1,46 1,47 1,49 1,50 1,52 1,57 1,61 1,64 1,66 1,69 1,72 Anexo 2.8 – Tabela de percentis suavizada para o PC dos homens PC HOMENS Idade L M S P3 P5 P10 P15 P25 P50 P75 P85 P90 P95 P97 18 a 19 -1 81 0 67 68 71 72 75 81 87 90 93 97 100 20 a 24 -1 82 0 71 72 74 76 78 82 87 89 91 94 96 25 a 29 -1 86 0 73 75 77 79 81 86 92 96 98 102 104 30 a 34 -1 87 0 73 75 77 79 82 87 94 97 100 104 107 35 a 39 -1 88 0 73 75 77 79 82 88 95 98 101 106 109 40 a 44 -1 90 0 74 76 79 81 84 90 97 101 104 109 112 45 a 49 -1 92 0 75 76 79 81 85 92 99 104 107 112 116 50 a 54 -1 92 0 74 76 79 81 85 92 100 105 108 114 117 55 a 59 -1 92 0 74 76 79 81 85 92 100 105 108 114 118 60 a 64 -1 92 0 74 76 79 81 85 92 100 105 109 114 118 65 a 69 -1 92 0 74 76 79 81 84 92 100 105 109 114 118 70 a 74 -1 92 0 74 75 79 81 84 92 100 105 109 115 119 75 a 79 -1 92 0 73 75 78 81 84 92 100 105 109 115 119 80+ -1 91 0 72 74 77 80 84 91 100 106 110 116 121 Anexo 2.9 – Tabela de percentis suavizada para o PC/altura das mulheres PC/ESTARURA MULHERES Idade L M S P3 P5 P10 P15 P25 P50 P75 P85 P90 P95 P97 18 a 19 -2,040 0,429 0,089 0,371 0,377 0,387 0,394 0,405 0,429 0,457 0,475 0,488 0,510 0,526 20 a 24 -1,991 0,430 0,092 0,371 0,377 0,387 0,394 0,406 0,430 0,459 0,478 0,492 0,515 0,531 25 a 29 -1,829 0,437 0,103 0,371 0,377 0,389 0,397 0,410 0,437 0,471 0,492 0,509 0,536 0,555 30 a 34 -1,653 0,449 0,117 0,372 0,379 0,392 0,402 0,416 0,449 0,488 0,514 0,533 0,566 0,590 35 a 39 -1,557 0,459 0,128 0,374 0,383 0,397 0,407 0,424 0,459 0,504 0,533 0,556 0,593 0,622 40 a 44 -1,540 0,464 0,135 0,375 0,384 0,399 0,409 0,427 0,464 0,512 0,543 0,568 0,609 0,640 45 a 49 -1,552 0,470 0,142 0,376 0,385 0,400 0,412 0,430 0,470 0,521 0,555 0,581 0,627 0,662 50 a 54 -1,568 0,479 0,149 0,380 0,390 0,406 0,417 0,437 0,479 0,535 0,572 0,601 0,653 0,693 55 a 59 -1,588 0,493 0,152 0,390 0,400 0,416 0,428 0,448 0,493 0,552 0,591 0,623 0,678 0,722 60 a 64 -1,607 0,498 0,153 0,394 0,404 0,421 0,433 0,453 0,498 0,558 0,598 0,630 0,687 0,732 65 a 69 -1,612 0,501 0,152 0,395 0,406 0,422 0,435 0,455 0,501 0,560 0,601 0,633 0,690 0,736 70 a 74 -1,602 0,504 0,152 0,398 0,408 0,425 0,438 0,458 0,504 0,563 0,604 0,636 0,693 0,738 75 a 79 -1,516 0,513 0,148 0,406 0,416 0,434 0,446 0,467 0,513 0,572 0,611 0,642 0,696 0,737 80+ -1,286 0,529 0,139 0,423 0,433 0,451 0,464 0,484 0,529 0,584 0,620 0,647 0,693 0,727 Anexo 2.10 – Tabela de percentis suavizada para o PC/altura dos homens PC/ALTURA HOMENS Idade L M S P3 P5 P10 P15 P25 P50 P75 P85 P90 P95 P97 18 a 19 -0,941 0,459 0,093 0,390 0,398 0,410 0,418 0,432 0,459 0,489 0,508 0,521 0,541 0,556 20 a 24 -0,941 0,470 0,091 0,401 0,408 0,420 0,429 0,442 0,470 0,500 0,518 0,531 0,552 0,566 25 a 29 -0,941 0,489 0,093 0,416 0,424 0,437 0,446 0,460 0,489 0,522 0,542 0,555 0,578 0,593 30 a 34 -0,941 0,498 0,098 0,420 0,428 0,442 0,452 0,467 0,498 0,533 0,554 0,569 0,593 0,609 35 a 39 -0,941 0,503 0,102 0,421 0,430 0,444 0,454 0,470 0,503 0,540 0,562 0,578 0,603 0,621 40 a 44 -0,941 0,513 0,108 0,426 0,435 0,450 0,461 0,478 0,513 0,553 0,577 0,595 0,623 0,643 45 a 49 -0,941 0,523 0,114 0,430 0,440 0,456 0,467 0,485 0,523 0,566 0,593 0,612 0,643 0,665 50 a 54 -0,941 0,527 0,118 0,431 0,441 0,458 0,470 0,488 0,527 0,573 0,601 0,621 0,653 0,676 55 a 59 -0,941 0,531 0,121 0,432 0,442 0,459 0,471 0,490 0,531 0,577 0,606 0,627 0,661 0,685 60 a 64 -0,941 0,534 0,124 0,433 0,443 0,461 0,473 0,493 0,534 0,583 0,612 0,634 0,670 0,695 65 a 69 -0,941 0,537 0,127 0,433 0,444 0,462 0,475 0,495 0,537 0,587 0,618 0,641 0,678 0,704 70 a 74 -0,941 0,540 0,129 0,434 0,445 0,463 0,476 0,497 0,540 0,591 0,623 0,646 0,684 0,711 75 a 79 -0,941 0,540 0,129 0,434 0,445 0,463 0,476 0,497 0,540 0,592 0,624 0,647 0,685 0,712 80+ -0,941 0,542 0,131 0,434 0,445 0,464 0,477 0,498 0,542 0,594 0,626 0,650 0,689 0,717