As implicações do uso da rede social Facebook para a felicidade dos adolescentes
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As implicações do uso da rede social Facebook para a felicidade dos adolescentes Julho 2016 Ana Paula Areias da Silva Dissertação de Mestrado em Gestão Comercial apresentada à Faculdade de Economia do Porto Orientação de Professor Doutor Pedro Quelhas Brito
As implicações do uso da rede social Facebook para a felicidade dos adolescentes i Nota biográfica Ana Paula Areias da Silva nasceu no Porto a 29 de outubro de 1991. Terminou o ensino secundário em Ciências Socioeconómicas na Escola Secundária Filipa de Vilhena, em 2009, com média de 18 valores. Licenciou-se em Gestão, em 2012, pela Faculdade de Economia do Porto, com média final de 16 valores. Ainda em 2012, iniciou a sua carreira profissional, na Sonaecom, onde trabalhou como assistente de controlo financeiro até agosto de 2014. Por sua decisão começou um projeto próprio em setembro 2014, criando uma empresa dedicada à exportação e importação de bijuterias. Ainda assim, considerou que o seu percurso académico não estava ainda completo, pelo que decidiu, em 2014, ingressar no mestrado em gestão comercial na Faculdade de Economia do Porto.
As implicações do uso da rede social Facebook para a felicidade dos adolescentes ii Agradecimentos Quero agradecer ao Professor Doutor Pedro Quelhas Brito pela sua orientação e apoio no decorrer de toda esta investigação. O resultado final só foi possível graças a toda a sua ajuda, disponibilidade e preocupação. Aos meus pais, por todas as oportunidades que me proporcionaram ao longo da minha vida, pelo esforço que fizeram para que pudesse ter uma vida melhor, por todo o carinho, amor, paciência e apoio incondicional que sempre me dedicaram. Por último, às minhas amigas e colegas de mestrado, pela força e companheirismo ao longo deste percurso e, em especial, ao meu namorado por todas as palavras de motivação, carinho e ajuda.
As implicações do uso da rede social Facebook para a felicidade dos adolescentes iii Resumo O surgimento das redes sociais revolucionou profundamente a forma como comunicamos e nos relacionamos com os outros. A geração Net vive intensamente estas novas tecnologias, tornando-as parte de si e da sua rotina. A literatura é exaustiva em relação às desvantagens do uso destas redes sociais para os adolescentes, que são especialmente atraídos por estas novas possibilidades de socialização com os amigos e partilha de informações. No entanto, também existem benefícios percebidos que, cada vez mais, têm sido alvo de investigação. O objetivo deste estudo é perceber a relação entre o uso do Facebook, a Autoestima e a Felicidade dos adolescentes portugueses e se, de facto, esta rede social tem efeitos positivos no bem-estar. Um total de 245 estudantes, com idades compreendidas entre os 13 e os 16 anos, utilizadores do Facebook, responderam a um questionário sobre os seus hábitos de uso desta rede social, o seu nível de autoestima e felicidade subjetiva. Os resultados evidenciam que existe uma relação forte entre a autoestima percebida no Facebook e a felicidade dos adolescentes. Para além disso, o estudo também indica que a maioria dos jovens vê esta rede social como um meio de comunicação fácil com os amigos ou família e está consciente dos perigos que podem decorrer da sua utilização. Palavras-chave: Adolescência, Web 2.0, Rede Social, Facebook, Felicidade, Autoestima, Sensibilidade, Comunicação.
As implicações do uso da rede social Facebook para a felicidade dos adolescentes iv Abstract The emergence of social networks made a deep revolution in the way we communicate and relate with others. Net Generation greatly embodies these new technologies, making it part of their own. There are exhaustive literature regarding the disadvantages of the use of social networks for teenagers, whom are especially attracted to these new possibilities of socialization with friends and share of information. However there are also perceived benefits that have been increasingly target of research. The aim of this study is to understand the relationship between the use of Facebook, self-esteem and happiness of teenagers and if this social network has in fact positive effects on their well-being. A total of 245 students, aged between 13 and 16, Facebook’s users, answered a questionnaire about their usage habits on this social network, their self-esteem levels and subjective happiness. The findings highlight a strong relationship between perceived self-esteem on Facebook and happiness. The study also indicates that most young people see this social network as communication tool with friends and family. Furthermore, teenagers are aware of the importance of protecting their privacy and the dangers of Facebook use. Keywords: Adolescence, Web 2.0, Social Network, Facebook, Happiness, Self-Esteem, Sensitivity, Communication.
As implicações do uso da rede social Facebook para a felicidade dos adolescentes v Índice Nota biográfica .................................................................................................................. i Agradecimentos ................................................................................................................ ii Resumo ............................................................................................................................ iii Abstract ............................................................................................................................ iv 1. Introdução .................................................................................................................. 1 2. Estrutura .................................................................................................................... 2 3. Revisão de bibliografia .............................................................................................. 3 3.1 Adolescência ........................................................................................................... 3 As mudanças durante a adolescência ........................................................................ 3 Importância do grupo ................................................................................................ 5 3.2 A Web 2.0 e Social Network Sites .......................................................................... 7 3.3 O Facebook ........................................................................................................... 11 A rede social Facebook ........................................................................................... 11 Divulgação no Facebook ......................................................................................... 12 O Bem-estar associado ao Facebook ....................................................................... 13 O uso do Facebook pelos adolescentes ................................................................... 17 4. Metodologia ............................................................................................................. 21 4.1 Investigação Qualitativa ........................................................................................ 22 Pré-análise dos dados das entrevistas ...................................................................... 23 4.2 Investigação Quantitativa ...................................................................................... 26 Hipóteses de Investigação ....................................................................................... 27 Escalas ..................................................................................................................... 31 5. Resultados e Análise de dados ................................................................................ 35 5.1 Estatísticas descritivas ........................................................................................... 35 5.2 Análise Fatorial Exploratória ................................................................................ 39 Perceived Self-Esteem on Facebook (PSEF) .......................................................... 39 Perceived Happiness on Facebook (PHF) ............................................................... 42 5.3 Análise da variância e correlações ........................................................................ 46
As implicações do uso da rede social Facebook para a felicidade dos adolescentes vi 5.4 Análise de Clusters ................................................................................................ 49 5.5 Regressão Logit ..................................................................................................... 51 5.6 Análise Qualitativa das Respostas Abertas ........................................................... 53 6. Discussão ................................................................................................................. 55 7. Limitações e sugestões para investigação futura ..................................................... 60 8. Conclusões ............................................................................................................... 61 9. Referências bibliográficas ....................................................................................... 62 Anexos ............................................................................................................................ 70
As implicações do uso da rede social Facebook para a felicidade dos adolescentes vii Índice Tabelas Tabela 1 – Atividades principais no Facebook ............................................................... 24 Tabela 2 – Balanço das experiências no Facebook ......................................................... 25 Tabela 3 – Autoestima Percebida no Facebook .............................................................. 31 Tabela 4 – Felicidade Percebida no Facebook ................................................................ 33 Tabela 5 – Distribuição dos participantes por idade e nível de escolaridade ................. 35 Tabela 6 – Tempo médio por dia no Facebook ............................................................... 35 Tabela 7 – Tempo médio por dia no Facebook nas atividades descritas ........................ 36 Tabela 8 – Número de amigos no Facebook ................................................................... 37 Tabela 9 - % de participantes por ano de adesão ao Facebook e de aquisição de telemóvel ......................................................................................................................... 37 Tabela 10 – Importância do telemóvel ............................................................................ 38 Tabela 11 – Correlações de Pearson dos Itens da PSEF ................................................. 40 Tabela 12 – Medidas de Adequação da Amostragem dos Itens da PSEF ...................... 40 Tabela 13 – Estatísticas de confiabilidade PSEF ............................................................ 41 Tabela 14 – Medidas de Adequação da Amostragem dos Itens da PHF ........................ 42 Tabela 15 – Correlações de Pearson dos Itens da PHF .................................................. 43 Tabela 16 – Matriz de componentes rotativas, comunalidades, eigenvalues e % da variância explicada.......................................................................................................... 44 Tabela 17 – Estatísticas de confiabilidade PHF .............................................................. 45 Tabela 18 – ANOVA PIPHF .......................................................................................... 47 Tabela 19 – ANOVA NIPHF .......................................................................................... 47 Tabela 20 – Correlações de Pearson ............................................................................... 47 Tabela 21 – Centros dos clusters e estatística F para cada item ..................................... 49 Tabela 22 – Regressão Logística .................................................................................... 52
As implicações do uso da rede social Facebook para a felicidade dos adolescentes viii Tabela 23 – Tabela de classificação................................................................................ 52 Tabela 24 – Aspetos Positivos do Facebook................................................................... 53 Tabela 25 – Aspetos Negativos do Facebook ................................................................. 54 Tabela 26 –Resumo Hipóteses ........................................................................................ 59 Tabela 27 – Teste KMO e Bartlett (Anexo 3)................................................................. 76 Tabela 28 – Comunalidades (Anexo 3) .......................................................................... 76 Tabela 29 – Variância Total Explicada (Anexo 3) ......................................................... 76 Tabela 30 – Teste KMO e Bartlett (Anexo 4)................................................................. 77 Tabela 31 – Variância Total Explicada (Anexo 4) ......................................................... 77 Tabela 32 – Relatório Comparação de médias – PHF*Tempo médio por dia no Facebook (Anexo 6) ........................................................................................................ 79 Tabela 33 – Relatório Comparação de médias – PHF*Idade e Escolaridade (Anexo 6) 79 Tabela 34 – ANOVA – NIPHF*Escolaridade (Anexo 6) ............................................... 79 Tabela 35 – ANOVA – PIPHF*Escolaridade (Anexo 6) ............................................... 80
As implicações do uso da rede social Facebook para a felicidade dos adolescentes 6 Para Berger (2006), também é necessário considerar que a influência dos pares é construtiva considerando três aspetos: 1. Os standards do grupo nem sempre são negativos. Podem promover comportamentos sociais aceitáveis, como estudar para os exames, praticar desporto, evitar fumar, entre outros; 2. Os pares ajudam na passagem até à vida adulta, ajudando a uma transição mais rápida; 3. A pressão dos pares é de curta duração, pois os adolescentes, à medida que crescem, tornam-se mais seletivos e mais conscientes dos amigos que querem ter ao seu lado. Os adolescentes mais queridos dentro do grupo tendem a ocupar uma posição mais dominante (Ruschoff, Dijkstra, Lindenberg, & Veenstra, 2015) e o seu comportamento afeta, em grande medida, a aceitação ou rejeição dos comportamentos de outros adolescentes, designado por efeito norma-popularidade (Dijkstra, Lindenberg, & Veenstra, 2008). Apesar de quererem ser independentes e valorizarem os pares, os adolescentes precisam dos pais (Berger, 2006) e uma relação pouco próxima com os mesmos, aliada à falta de supervisão, encoraja-os a passarem mais tempo com os pares (Deković & Meeus, 1997).
As implicações do uso da rede social Facebook para a felicidade dos adolescentes 7 3.2 A Web 2.0 e Social Network Sites Atualmente, o uso das tecnologias da Internet como forma de manter relacionamentos tem sido alvo de bastante investigação (Tong, Kashian, & Walther, 2011). Alguns autores defendem que a manutenção de relações consiste em preservar a sua existência, enquanto outros aprofundam mais a definição, afirmando que são todos aqueles comportamentos que visam manter uma relação estável e consistente (Tong et al., 2011). À medida que a Internet se foi difundindo no início dos anos 90 tornou-se claro que o email seria uma das primeiras formas de comunicação mediada por computador (CMC) usada para manter relações (Tong et al., 2011). Mais recentemente, ocorreu a explosão das aplicações de Web 2.0, que mudaram, radicalmente, a forma como vemos as relações (Tong et al., 2011). Os Social Network Sites (SNS), como o Facebook, oferecem variadas formas de comunicação para um número elevado de pessoas, permitindo simultaneamente a interação entre elas, por exemplo, através de respostas (Tong et al., 2011). A definição de Web 2.0 não é consensual, mas de uma forma resumida pode ser definida como uma aplicação Web que assiste as pessoas não só a colocar as suas opiniões nos websites mas também a interagir e até colaborar com outros sobre os seus tópicos de interesse (Kim, Hall, Gates, & Yue, 2009) . Desta forma, o fenómeno que caracteriza melhor a Web 2.0 é a vertente de social networking (Parameswaran & Whinston, 2007), em que os utilizadores contribuem com conteúdo e conhecimento para os sites (Yang, Kim, Vu, & Dhalwani, 2008). Através dos websites, os utilizadores interagem, partilham e acedem a conteúdos com um grande foco no enaltecimento da sua experiência e na apresentação e uso dos dados. Desta forma, as aplicações da Web 2.0 incorporam muito frequentemente vídeos, áudio, pop-ups, para melhorar a experiência do utilizador (Kim et al., 2009). Para Yang et al. (2008), a Web 2.0 representa um novo upgrade nas aplicações da Internet e, é genericamente aceite, como a nova geração de serviços e aplicações baseados na Web. Para além disto, existem 8 elementos de interface que distinguem a
As implicações do uso da rede social Facebook para a felicidade dos adolescentes 8 Web 2.0 de qualquer outra aplicação Web, que os autores designam como uma extensão do Framework 7C – Framework 8C: Contexto – os layouts dos sites são mais dinâmicos e permitem uma melhor performance. A filosofia Less is more, procurando simplicidade e eficiência, tornou os sites menos complexos e mais convenientes para os utilizadores (Rollett, Lux, Strohmaier, Dosinger, & Tochetermann, 2007); Conteúdo – relacionado com o conceito de Inteligência coletiva, em que os utilizadores participam na criação de conteúdo; Comunidade – relacionado com o conceito de Comunicação colaborativa, em que existem mecanismos de interação entre todos; Customização – o conteúdo do site vai ser adaptado ao utilizador e às suas necessidades; Comunicação – a função principal do site é comunicar com utilizadores; Conexão – conteúdos de outros sites podem ser integrados, por exemplo, em blogs ou anúncios; Comércio – relacionado com e-commerce pois suporta atividades comerciais, servindo como interface entre vendedor e comprador; Colaboração – capacidade do site para potenciar e explorar a colaboração dos utilizadores, numa lógica de trabalho coletivo, como edição conjunta. É através desta colaboração que as empresas conseguem tornar o site mais atrativo. Nas redes sociais esta colaboração é evidente através da partilha de informação, comentários, publicidades, entre outros. A Web 2.0 potencia o poder dos indivíduos, na medida em que permite que explorem a sua criatividade, interajam socialmente, contribuam com o seu conhecimento, partilhem conteúdo, construam novas ferramentas e aplicações em conjunto, divulguem publicidade e informação e ganhem poder de negociação conjunto (Parameswaran & Whinston, 2007). Este aparecimento da Web 2.0 deu muitas oportunidades aos indivíduos, com acesso à Internet, de participarem e interagiram socialmente a nível global, tornando-os utilizadores, produtores e consumidores de informação, entre outros (Kim et al., 2009). O Social Networking é uma forma importante de participação do utilizador, cujo
As implicações do uso da rede social Facebook para a felicidade dos adolescentes 9 objetivo é construir e manter conexões para satisfação social, de carreira ou pessoal (Kim et al., 2009). Ao contrário dos sites tradicionais, os SNS focam na pessoa, ou seja, no utilizador. Atualmente existem inúmeros sites que conectam indivíduos com os seus amigos, trabalho e serviços (Kim et al., 2009). Nestes SNS, a adesão dos utilizadores é geralmente gratuita, beneficiando de algum modo com a integração nestas comunidades, criando um perfil para se identificar e promover junto de outros (Kim et al., 2009). De facto, as redes sociais dão ao utilizador a sua própria web-page, pré formatada, onde estes se podem descrever, partilhar status sobre o que estão a fazer ou a sentir, interagir com outros e colocar mensagens na página de amigos (Tong et al., 2011). Estes sites também permitem que outros possam participar no perfil de um indivíduo, através de mensagens ou comentários (Tong et al., 2011). As tecnologias digitais possuem um carácter multidimensional a nível de funcionalidades e características (Brito, 2012) e as tecnologias mediadas por computador, em específico, possuem um conjunto de quatro características que reforçam a sua utilidade na manutenção de relações sociais (Tong et al., 2011). Em primeiro lugar, são assíncronas, pois as mensagens só são transmitidas após serem construídas. Isto permite ao utilizador ter tempo para criar e editar as suas mensagens por forma a conseguir o efeito desejado (Tong et al., 2011). Na verdade, ao comunicar, os indivíduos fazem escolhas com base nas opções tecnológicas disponíveis e nas suas características interrelacionais, como a distância, tipo de relacionamento e conteúdo da mensagem (Mesch, 2009) e os diferentes meios de comunicação permitem ter diferentes níveis de controlo sobre as relações sociais (Madell & Muncer, 2007). As comunicações de texto, por internet ou telemóvel, permitem mais tempo para se pensar na melhor forma de expressão, especialmente em situações mais emocionais e as comunicações mediadas pelo computador possibilitam maior controlo sobre a apresentação (Madell & Muncer, 2007). Em segundo, as informações ou mensagens colocadas nestes sistemas podem ser amplamente divulgadas mas estão limitadas no que respeita o seu alcance. No caso dos SNS o acesso é livre para todos, podendo ver-se o que certo indivíduo colocou online (Tong et al., 2011). No entanto importa referir que alguns destes sites já permitem que o utilizador defina as suas configurações de privacidade, podendo limitar o acesso à sua web-page (Tong et al., 2011). Em terceiro, estas tecnologias procuram a participação, feedback e interatividade (Tong et al., 2011), mostrando a sua natureza
As implicações do uso da rede social Facebook para a felicidade dos adolescentes 10 colaborativa (Rollett et al., 2007; Yang et al., 2008). Por último, estes sistemas possibilitam a integração de conteúdos multimédias de outros sites, na medida em que os indivíduos podem partilhar fotos, vídeos que achem divertidos, ou programas interativos, como quizzes. É com esta mistura de comunicação privada e pública que a Web 2.0 transformou a forma como comunicamos, criamos e mantemos relacionamentos com os outros (Tong et al., 2011). Os indivíduos aderem às SNS, essencialmente, por motivos de externalidades da network, como o número de membros, número de amigos, a complementaridade percebida, utilidade e divertimento (Lin & Lu, 2011). Mas o que torna estas redes sociais especiais é o facto de permitirem tornar visível e articular toda a rede de contactos dos indivíduos (Ellison & Boyd, 2008). Atualmente existem inúmeras SNS, com diferentes propósitos e abrangendo um leque vasto de interesses e práticas (Ellison & Boyd, 2008). A maioria dos sites suporta relações sociais já existentes, mas outros ajudam na criação dessa relação social entre indivíduos que partilhem os mesmos interesses ou atividades. Alguns sites são dirigidos para um público amplo, enquanto outros se dirigem a grupos de pessoas mais restritos. Outros possuem, também, um elevado leque de ferramentas comunicacionais, permitindo aos indivíduos, por exemplo, partilhar fotos ou vídeos (Ellison & Boyd, 2008). No estudo de Chiu, Cheng, Huang, & Chen (2013), a identificação dos indivíduos com certas SNS depende essencialmente de quatro aspetos: Tamanho Percebido da Rede – crença do indivíduo acerca do número de membros de certa SNS; Prestígio Externo Percebido – crença do indivíduo acerca de como os outros irão avaliar o seu status e prestígio; Compatibilidade Percebida – grau em que o indivíduo considera que a SNS é compatível com outros canais de comunicação existentes; Complementaridade Percebida – disponibilidade de funções e aplicações que complementem o serviço de social networking.
As implicações do uso da rede social Facebook para a felicidade dos adolescentes 11 3.3 O Facebook A rede social Facebook As redes sociais são comunidades virtuais que permitem às pessoas interagir com outros sobre um determinado assunto ou simplesmente conviver online (Murray & Waller, 2007). Num curto período de tempo, a rede social Facebook adquiriu muitos utilizadores jovens (Ellison, Steinfeld, & Lampe, 2007) e tornou-se parte do seu quotidiano (Murray & Waller, 2007). A criação do Facebook em 2004 revolucionou os comportamentos e práticas sociais dos jovens (Kalpidou, Costin, & Morris, 2011) e segundo dados do Statista, atualizados a novembro 2015, é a rede social mais popular do mundo, com aproximadamente 1.550 milhões de utilizadores ativos, seguido pelo Whatsapp, com uma diferença de 650 milhões de utilizadores (Anexo 5, Figura 2). Os jovens passam cerca de 60 a 120 minutos por dia no Facebook (Kalpidou et al., 2011) e o seu caráter interativo, que permite a criação de um perfil, partilha de fotos e vídeos, comentários nas páginas dos amigos, update de status e comunicação com os amigos, originou a sua popularidade (Tong et al., 2011). No entanto, é importante realçar que a adesão às redes sociais está associada ao efeito bola de neve, onde o passa-a-palavra possui elevada importância na sua proliferação (Krasnova, Hildebrand, Guenther, Kovrigin, & Nowobilska, 2008). A popularidade das redes sociais continua a aumentar e a divulgação de informação pessoal e privada tornou-se um dos assuntos mais importantes, nomeadamente para os adolescentes, que têm um maior nível de divulgação (Błachnio, Przepiorka, Bałakier, & Boruch, 2016). No seu estudo, Sheldon (2008) refere que 81% dos estudantes vão ao Facebook diariamente e o crescente uso de dispositivos móveis tem levado a um aumento do tempo gasto pelas pessoas na sua utilização (Tang, Chen, Yang, Chung, & Lee, 2016).
As implicações do uso da rede social Facebook para a felicidade dos adolescentes 12 Divulgação no Facebook O ambiente gerado no Facebook propicia mais partilha de informações do que qualquer outro meio de comunicação (Christofides, Desmarais, & Muise, 2009). A divulgação e controlo de informação privada no Facebook são influenciados por certos aspetos da personalidade (Christofides et al., 2009). A tendência geral para divulgar informação ou a necessidade de popularidade são fatores que explicam a partilha de informação no Facebook (Christofides et al., 2009). Mais recentemente, e de acordo com esta conclusão, Tang et al. (2016) acrescentam que os traços de personalidade foram considerados como preditores do uso do Facebook e a manutenção de relações pessoais tem sido considerada a razão principal para o seu uso. O Facebook fornece três tipos de suporte social: Informativo, Afetivo e Companhia Social (Tang et al., 2016). O suporte informativo envolve uma oferta de orientação, conselho, informação ou feedback na resolução de um problema. O Facebook fornece um canal muito conveniente para rapidamente receber sugestões dos amigos. O suporte afetivo envolve expressões de amor e afeto. O Facebook tem várias ferramentas como “gostos” ou chat que podem ser usados para mostrar suporte e expressar emoções aos amigos. A função companhia social envolve passar tempo com outros em atividades recreativas e de lazer. O Facebook fornece um ambiente online seguro e confiável para partilhar momentos felizes com os amigos (Tang et al., 2016). É um local onde a informação é partilhada proativamente e em resposta a outros (Christofides et al., 2009). Ter uma presença no Facebook requer colocação de muitas fotografias, ter discussões ativas com os amigos e partilhar interesses e informação pessoal e, dessa forma, a popularidade e a divulgação tornam-se indissociáveis (Christofides et al., 2009). Para além disto, os traços de personalidade ainda podem ter um papel preponderante na dependência pelo Facebook (Tang et al., 2016). Particularmente, a escolha da fotografia de perfil revela os traços de personalidade do indivíduo, sendo que indivíduos mais extrovertidos selecionam fotos mais representativas de si próprios, enquanto indivíduos mais narcisistas selecionam fotos onde estão mais atrativos fisicamente (Wu, Chang, & Yuan, 2015).
As implicações do uso da rede social Facebook para a felicidade dos adolescentes 13 É importante de salientar o facto de todas as pessoas se apresentarem estrategicamente de uma forma mais positiva no Facebook, selecionando certas informações sobre si mesmos para divulgarem e podendo desidentificar-se de certas más fotos e editarem algumas publicações e comentários (Bevan, Gomez, & Sparks, 2014; Zywica & Danowski, 2008). Na verdade, as pessoas estão conscientes das impressões que certas imagens publicadas no Facebook causam e selecionam propositadamente as imagens para provocar um efeito desejado em quem as vê (Wu et al., 2015). O Bem-estar associado ao Facebook A crescente adesão à rede social Facebook despertou o interesse dos investigadores sobre o impacto do seu uso no bem-estar dos indivíduos (Bevan et al., 2014). De facto, existem inúmeros estudos que relacionam variáveis de bem-estar individual com o uso do Facebook (Bevan et al., 2014; Chiu et al., 2013; Kalpidou et al., 2011; Lin & Utz, 2015; Naeemi et al., 2014; Satici & Uysal, 2015), mas a literatura ainda é bastante contraditória no que respeita a este assunto (Bevan et al., 2014). De acordo com Kalpidou et al. (2011) passar muito tempo no Facebook está negativamente relacionado com a autoestima das pessoas. A autoestima mais comummente estudada na literatura é a global e refere-se à atitude positiva ou negativa de um indivíduo em relação a si próprio como um todo (Rosenberg, Schoenbach, Schooler, & Rosenberg, 1995). No entanto, é necessário salientar que a autoestima é uma atitude e, os indivíduos podem ter atitudes em relação a um objeto como um todo ou relativamente a aspetos específicos desse mesmo objeto (Marsh, 1990 cit. Rosenberg et al., 1995), ou seja, a autoestima específica. Para além disso, as atitudes incluem quer elementos afetivos como cognitivos (Rosenberg et al., 1995). São cognitivas pois referem-se a um objeto, ou seja, uma atitude representa algum pensamento sobre algo em particular. São afetivas porque têm direção negativa ou positiva em relação a algum objeto (Rosenberg et al., 1995). Em algumas culturas, uma autoestima global elevada representa a prossecução de objetivos e valores pessoais, apoiando a autonomia do pensamento, sentimento e ação
As implicações do uso da rede social Facebook para a felicidade dos adolescentes 14 (Mckee & Feather, 1993). Nestes casos, o valor do indivíduo é visto em termos de concretizações pessoais e, isto afeta como uma pessoa reage às concretizações de outros (Mckee & Feather, 1993). Noutras culturas, uma autoestima global elevada representa definições que envolvam o esforço coletivo, que apoiam valores de solidariedade do grupo, boas regras de conduta e harmonia entre membros do grupo (Mckee & Feather, 1993). O valor do indivíduo, neste caso, depende do sucesso do grupo a que pertence, nível de conformidade ao esforço e regras do grupo e harmonia nas relações interpessoais que permitam o atingimento dos objetivos (Mckee & Feather, 1993). Mais recentemente, Satici & Uysal (2015) afirmam que o uso excessivo do Facebook tem consequências negativas no bem-estar dos utilizadores. De facto, o Facebook revolucionou a forma como as pessoas interagem entre si e Kross et al. (2013), na sua investigação através do método de amostragem da experiência, verifica que quanto mais as pessoas usam o Facebook, pior elas se sentem e maior é o declínio dos seus níveis de satisfação com a vida ao longo do tempo, demonstrando que o uso do Facebook leva a uma diminuição do bem-estar dos indivíduos. Segundo Rosenberg et al. (1995) existe no ser humano uma necessidade de proteger e enaltecer os seus sentimentos de valor próprio. A frustração desse desejo gera angústia psicológica e, dessa maneira, afeta o bem-estar psicológico dos indivíduos, ou seja, a aceitação e respeito pelo próprio. A autoestima global prevê o bem-estar psicológico do indivíduo (Rosenberg et al., 1995) e segundo Ryff (1989) as principais características presentes na literatura, deste tipo de bem-estar, são resumidas por: - Autoaceitação. Um dos critérios mais evidentes de bem-estar é a autoaceitação, definida como um aspeto principal para a saúde mental e uma característica de realização pessoal, bom processamento cognitivo e maturidade; - Relação com os outros. Este critério enfatiza a importância de relações interpessoais próximas e de confiança. A habilidade de amar ou gostar é vista como essencial à saúde mental e pessoas realizadas e maturas são capazes de ter sentimentos fortes de empatia e afeto por todos, capazes de amar, confiar e de se adequar às relações com outros, numa lógica de dar e receber;
As implicações do uso da rede social Facebook para a felicidade dos adolescentes 15 - Autonomia. Este critério é descrito como a capacidade de pensamento autónomo e resistência a pressões sociais para pensar ou agir de determinadas formas. É importante para a saúde mental e está relacionada com determinação pessoal, independência e comportamentos regidos pelas próprias crenças; - Domínio Envolvente. Este aspeto refere-se à capacidade de um indivíduo para escolher ou criar ambientes adequados às suas condições psicológicas e é também essencial à saúde mental. Uma participação ativa e o domínio do ambiente são importantes para o bem-estar psicológico dos indivíduos; - Propósito de vida. Este critério inclui objetivos como ser produtivo e exercer capacidades de liderança. É importante para o indivíduo sentir-se completo, tendo objetivos, intenções e uma direção, o que contribui para sentimentos de significância e integração das várias partes da sua vida; - Crescimento Pessoal. O desenvolvimento ótimo de um indivíduo requer uma contínua expansão do seu potencial, de forma a crescer como pessoa. A adaptação a um mundo em constante mudança requer um crescimento pessoal contínuo. O sentimento de realização e crescimento pessoal é essencial ao bemestar psicológico. No seu estudo, Lin & Utz (2015) concluíram que as notícias publicadas no Facebook dos amigos mais próximos influenciam as emoções dos utilizadores. Na verdade, os utilizadores sentiam-se felizes ao ler notícias positivas de amigos mais próximos e tristes ao ler notícias negativas. Bevan et al. (2014) aprofunda mais esta questão, referindo que o stress e a qualidade de vida, definida como o bem-estar físico e mental, não estão relacionados com o número de amigos no Facebook, o tempo despendido por dia na rede social e o período de tempo desde a adesão. Os utilizadores do Facebook sentiam-se com mais stress e menor qualidade de vida quando não partilhavam notícias más sobre a saúde no Facebook, afetando o seu bem-estar (Bevan et al., 2014). As duas razões apontadas pelos autores, para não haver partilha de notícias importantes no Facebook, estão relacionadas com autoproteção e prevenção de falta de resposta dos amigos.
As implicações do uso da rede social Facebook para a felicidade dos adolescentes 22 De forma a entender quais os adolescentes mais sensíveis às influências do Facebook e obter a variável binária dependente na regressão logística, foi efetuada uma análise de clusters através do algoritmo k-means. 4.1 Investigação Qualitativa Numa primeira fase, a investigação qualitativa é essencial para obter informações e conhecimento sobre o objeto em estudo (Malhotra & Birks, 2007). Desta forma, tornase claro a necessidade de perceber melhor o que representa o Facebook para os adolescentes e de que forma impacta as suas vidas. Através da aplicação de uma entrevista semiestruturada, com algumas questões fixas e outras flexíveis (de acordo com as respostas do entrevistado e adequadas à sua natureza) foi possível fazer esta primeira abordagem ao problema em estudo, com o intuito de obter o máximo de informação possível. Segundo Malhotra & Birks (2007), este tipo de entrevista tem quatro pilares chave na obtenção de informação: 1. Eventos diários – Perceber as atividades diárias do entrevistado, de forma a entender as suas ações e possíveis significados; 2. Contexto – Explorar mais profundamente a natureza da experiência, para encontrar aspetos que são geralmente escondidos; 3. Multifacetado - Procurar múltiplas perspetivas ou opiniões sobre algo; 4. Reflexão do EntrevistadorRefletir e questionar as suas próprias assunções e práticas, pois o entrevistador pode não ouvir exatamente o que o participante lhe diz, mas sim o que o seu desenvolvimento intelectual, social, cultural e ético o preparou para ouvir. Foi elaborado um guião de entrevista (Anexo 2) com algumas perguntas chave, como “O que costumas fazer no Facebook?” ou “Costumas passar muito tempo por dia no Facebook?”, de forma a facilitar a condução da entrevista e perceber inicialmente quais eram atividades diárias dos adolescentes nesta rede social.
As implicações do uso da rede social Facebook para a felicidade dos adolescentes 23 Para entender mais alguns aspetos das suas vidas no Facebook, relativamente a emoções, atitudes e comportamentos, foi criado algumas questões como “Se não tivesses Facebook sentias-te diferente do teu grupo de amigos?” ou “Sentes-te melhor contigo próprio quando recebes muitos gostos ou muitos elogios pelo Facebook?”. Também foram incorporadas questões de opinião sobre o Facebook, como “Se pudesses mudar alguma coisa no Facebook, o que seria?” e sobre outros amigos, para entender como divergia a sua atitude quando falavam de outros “Tens algum amigo que não tenha Facebook? Como achas que ele se sente?”. Pré-análise dos dados das entrevistas Segundo Bardin (2009), após a realização das entrevistas, deve proceder-se a uma leitura flutuante, onde podem surgir as primeiras ideias e intuições para a investigação. Desta forma, foi efetuada uma análise temática quantitativa sobre as atividades que os adolescentes mais fazem no Facebook, quanto tempo passam no Facebook por dia e se acedem via telemóvel, servindo como suporte às variáveis comportamentais para a análise via questionário. As entrevistas foram efetuadas a 12 adolescentes, dos quais 5 do sexo feminino e 7 do sexo masculino, com idades compreendidas entre os 13 e 17 anos. A principal vantagem do Facebook é a possibilidade de comunicação com os amigos de uma forma rápida e sem custos, seguida pela partilha de fotografias (Tabela 1). De facto, como Ellison et al. (2007) refere, esta rede social serve, principalmente, para os adolescentes manterem as amizades da vida real e solidificarem o que provavelmente poderiam ser amizades efémeras ou temporárias. Mais recentemente e de acordo com esta conclusão, Zivkovic, Arsic, Milosevic, & Manasijevic (2016) concluem que a vertente social é o propósito principal para o uso do Facebook e inclui fazer novos amigos, manter os já existentes e comunicar com eles.
As implicações do uso da rede social Facebook para a felicidade dos adolescentes 24 Atualmente a integração da vida online com a offline possibilitada pelos smartphones é indubitável (Davis, 2013), afetando a vida dos adolescentes. Mais de metade dos participantes usa a aplicação Facebook pelo seu telemóvel e admite partilhar muito mais informação por essa razão. Os “gostos” e os seguidores são entendidos pelas adolescentes femininas como indicadores da sua beleza e valor (Hui, Chua, & Chang, 2016). Quando questionados como se sentiam se colocassem uma fotografia e não tivessem gostos ou comentários, metade dos participantes refere que se sentia desanimado, pensando que não estaria tão bem na foto como pensava e, em alguns casos, acabariam por a retirar. O Facebook tornou-se na maior plataforma social online, permitindo aos seus utilizadores comunicação e interação diária (Ozimek & Bierhoff, 2016). Assim, sendo a comunicação uma das atividades principais apontadas pelos participantes, como iam reagir se fossem proibidos de ir ao Facebook? A maioria dos entrevistados admite que se sentiria diferente dos colegas se não pudesse ir ao Facebook, realçando o facto de não conseguir falar tão facilmente com os amigos. Para alguns deles foi notório algum sentimento de exclusão, evidenciando ainda mais a importância desta rede social para a sua integração. Algumas experiências positivas e negativas do uso do Facebook foram apontadas ao longo das entrevistas e resumidas na Tabela 2. Tabela 1 Atividades principais no Facebook Atividade % dos entrevistados Comunicar com os amigos 92% Partilhar fotografias 67% Jogar 25% Ver publicações 25% Pesquisar informações ou notícias 25%
As implicações do uso da rede social Facebook para a felicidade dos adolescentes 25 Tabela 2 Balanço das experiências no Facebook Experiências Positivas Experiências Negativas Partilha e confidência com os amigos Descida do desempenho escolar Contacto permanente com amigos Foco excessivo em aspectos pouco importantes (ex.quantidade de gostos) Entretenimento Exclusão social Informação e notícias dos amigos Rivalidade Proximidade Bullying Integração Partilha excessiva de informação pessoal
As implicações do uso da rede social Facebook para a felicidade dos adolescentes 26 4.2 Investigação Quantitativa A eficácia de um questionário depende muito do investigador e da sua capacidade de se colocar no papel dos respondentes e deve ser efetuado tendo em consideração três aspetos: (1) a informação necessária tem que ser traduzida num conjunto de questões a serem respondidas pelos inquiridos; (2) o questionário deve motivar e incentivar à cooperação do inquirido; e (3) o questionário deve minimizar as possíveis fontes de erro (Malhotra & Birks, 2007). O questionário elaborado para a presente investigação foi estruturado para examinar a relação entre o uso do Facebook, a autoestima e a felicidade dos adolescentes e inclui três grandes partes: Variáveis comportamentais, Autoestima e Felicidade e ainda alguma informação demográfica como a idade e sexo. Com base na literatura e nas entrevistas efetuadas previamente, um modelo de investigação foi elaborado, como representado na Figura 1, Felicidade Subjetiva Utilização do Facebook Tempo desde adesão ao Facebook Tempo médio por dia no Facebook Número médio de amigos no Facebook Autoestima Global Autoestima Percebida no Facebook Demográficos Idade Sexo Felicidade Percebida no Facebook Figura 1 – Modelo de investigação
As implicações do uso da rede social Facebook para a felicidade dos adolescentes 27 Hipóteses de Investigação Autoestima Alguns estudos demonstraram que o uso do Facebook tem impactos positivos na autoestima dos utilizadores (Gonzales & Hancock, 2011; Greitemeyer, 2016; Kim & Lee, 2011; Mehdizadeh, 2010), especialmente quando a pessoa edita informação sobre si própria, numa tentativa de autoapresentação mais positiva (Gonzales & Hancock, 2011). A autoestima é geralmente usada para descrever como as pessoas se sentem em relação a si próprias, mas também inclui a forma como avaliam os seus diferentes atributos e qualidades, e sentimentos momentâneos de valor próprio resultantes de acontecimentos positivos ou negativos (Brown, Dutton, & Cook, 2001). As comparações sociais afetam a forma como o indivíduo se avalia a si próprio (Taylor & Wayment, 1995). De facto, indivíduos com baixa autoestima tendem a usar mais estas comparações sociais para se avaliarem (Taylor & Wayment, 1995). Mais recentemente, Vogel, Rose, Okdie, Eckles, & Franz (2015) referem que o Facebook é uma fonte rica de informações para comparações sociais, especialmente para os indivíduos com maior incerteza sobre si próprios. Ainda de acordo com esta conclusão, Lee (2014) descobriu que os participantes que eram menos seguros si próprios, faziam comparações sociais no Facebook mais frequentemente. Para além disso, Blachnio, Przepiorka, & Rudnicka (2016) referem que os indivíduos com baixa autoestima podem ver o Facebook como um local confortável para partilharem informação e se expressarem melhor do que na vida real. Blachnio et al. (2016) concluíram que os indivíduos que tinham uma autoestima maior não atribuíam grande importância ao Facebook. Assim, é expectável que os adolescentes com maior autoestima sejam menos influenciados pelo Facebook e, por consequência, mais felizes. Para além disso, também é expectável que os jovens que demonstrem uma menor permeabilidade às influências do Facebook na sua autoestima (Autoestima percebida no Facebook) sejam, menos influenciados pela rede social e por norma, mais felizes. H1a: Quanto maior autoestima global menor a influência do Facebook na felicidade.
As implicações do uso da rede social Facebook para a felicidade dos adolescentes 28 H1b: Quanto menor a autoestima percebida no Facebook menor a influência do Facebook na felicidade. Felicidade Existem duas perspetivas possíveis sobre o bem-estar dos indivíduos: a perspetiva hedónica, que defende que o bem-estar advém do prazer ou da felicidade, ou seja, consiste num bem-estar subjetivo; a perspetiva eudemónica, que defende que o bemestar consiste em algo mais que apenas a felicidade, ou seja, assenta na atualização do potencial humano, na concretização dos objetivos e realização pessoal (Ryan & Deci, 2001). Na literatura é muito comum o estudo do bem-estar subjetivo, composto por três componentes: satisfação com a vida, a presença de emoções positivas e a ausência de emoções negativas, que juntos podem ser definidos como Felicidade (Ryan & Deci, 2001). As pessoas mais felizes são muito sociais e, de facto, existe evidência que comprove que a felicidade pode ser consequência desta realização social (Seligman, 2002). No seu estudo Lin & Utz (2015) referem que as emoções positivas prevalecem face às negativas ao navegar no Facebook e Satici, Uysal, & Deniz (2016) concluem que a felicidade subjetiva, ou seja, a perceção de um indivíduo sobre se é feliz ou não, está altamente relacionada com o suporte social. Por fim, Zhu et al. (2013) refere que as redes sociais influenciam o bem-estar através da promoção de perceções positivas de suporte social. Desta forma, é expetável que os adolescentes mais felizes, tenham um maior suporte social no Facebook e, por consequência, sejam mais influenciados pela rede social. H2: Quanto maior a felicidade subjetiva maior a influência do Facebook nessa felicidade.
As implicações do uso da rede social Facebook para a felicidade dos adolescentes 29 Utilização do Facebook O suporte social tem sido considerado o principal mecanismo subjacente à relação entre as redes sociais e o bem-estar (Zhu et al., 2013). Os indivíduos que recebem maior suporte social dos seus amigos online são mais felizes (Huang, 2015). É importante receber informação e suporte emocional de outros para promover a satisfação com a vida social online, mas a possibilidade de partilhar com os outros, pensamentos, sentimentos e experiências é essencial para a saúde mental (Huang, 2015). É expectável que quanto mais tempo os adolescentes passarem no Facebook maior seja a sua perceção de suporte social e, consequentemente, maior a sua felicidade e satisfação com a vida social. Da mesma forma, é provável que os jovens que façam parte desta rede social há mais tempo, sejam mais felizes. Para além disto, a felicidade também deriva do número de amigos no Facebook, pelo simples facto de ser possível visualizar esta lista de amigos a qualquer momento, relembrando ao utilizador as suas conexões sociais e, consequentemente, aumentando o seu amor-próprio (Kim & Lee, 2011). De acordo com esta conclusão Zywica & Danowski (2008) referem que ter muitos amigos no Facebook aumenta a atratividade social da pessoa e uma repetida exposição ao número de amigos das outras pessoas tem um grande impacto na autoestima (Greitemeyer, 2016). Recentemente Zhu et al. (2013) mostraram que algumas características das redes sociais, como o número de amigos, estavam relacionadas com o bem-estar, principalmente pelo suporte social percebido. Assim, quanto mais amigos os adolescentes tiverem no Facebook, maior vai ser o seu sentimento de valor próprio e por isso maior o seu nível de felicidade. H3a: Uma crescente intensidade de utilização por dia do Facebook tem impactos positivos na felicidade dos adolescentes. H3b: Quanto maior o tempo de adesão ao Facebook maior o nível de felicidade dos adolescentes no Facebook. H3c: Quanto maior o número de amigos no Facebook maior o nível de felicidade dos adolescentes no Facebook.
As implicações do uso da rede social Facebook para a felicidade dos adolescentes 30 Demográficos Durante a adolescência, existe uma intensificação da necessidade de estar em contacto permanente com os pares, que vai diminuindo à medida que os jovens vão crescendo, caindo drasticamente a partir dos 20 anos (Ling & Bertel, 2011). Especificamente em relação à rede social Facebook, Ozimek & Bierhoff (2016) concluem que existe um declínio na utilização desta rede social dependendo da idade. Desta forma, é previsível que os adolescentes mais jovens, nomeadamente com 13 e 14 anos, utilizem com maior frequência o Facebook e, por isso, estejam mais expostos às influências desta rede social na sua felicidade. As mulheres passam mais tempo por dia no Facebook e fazem updates de estados, veem paginas dos amigos, publicam conteúdo no seu perfil com mais frequência que os homens. Para além disso, com o desenvolvimento da BFAS (Berger Facebook Addction Scale), Andreassen, Brunborg, Torsheim, & Pallesen (2012) descobriram que as mulheres apresentavam pontuações maiores, indicando que eram mais suscetíveis que os homens a comportamentos de dependência envolvendo interações sociais. Assim, é expectável que as adolescentes femininas usem o Facebook com maior frequência e por isso sejam mais influenciadas do que os adolescentes masculinos. H4a: Existe uma relação inversa entre a idade e a influência do Facebook na felicidade dos adolescentes. H4b: A felicidade das adolescentes femininas é mais influenciada pelo Facebook do que a dos masculinos.
As implicações do uso da rede social Facebook para a felicidade dos adolescentes 31 Escalas Autoestima Percebida no Facebook (Perceived Self-Esteem on Facebook - PSEF) A PSEF foi criada especificamente para este estudo, com o objetivo de avaliar o impacto do Facebook na autoestima dos adolescentes e foi baseada na análise qualitativa feita previamente. A escala é constituída por 7 itens (Tabela 3) e medida por uma escala de likert de 5 pontos, sendo que "1" se refere a “Discordo Totalmente” e “5” a “Concordo Totalmente”. Tabela 3 Autoestima Percebida no Facebook Itens da PSEF 1. A quantidade de likes que tenho na minha foto de perfil no Facebook afeta a minha confiança 2. Quando ninguém gosta das minhas fotos, sinto-me mal 3. Quando estou no Facebook sinto-me bem comigo próprio(a) 4. Fico com inveja quando os meus amigos têm mais likes do que eu 5. Costumo mudar a minha foto de perfil para ter atenção * 6. Quando tenho muitos likes no Facebook sinto-me orgulhoso(a) 7. Se obtenho comentários negativos no Facebook penso que sou um fracasso * Item baseado na investigação conduzida por Kaya & Bicen (2016) , com o objetivo de examinar os comportamentos dos adolescentes no Facebook.
As implicações do uso da rede social Facebook para a felicidade dos adolescentes 38 Quando questionados sobre como reagiriam se fossem proibidos de usar o telemóvel na escola, alguns dos participantes (33,1%) refere que não reagiria bem e, no extremo, 9% diz que mudava de escola se pudesse (Tabela 10). Tabela 10 Importância do telemóvel Escala Aceitava sem problema Arranjava dois telemóveis Usava o telemóvel na casa de banho da escola Organizava uma manifestação com os meus amigos Se pudesse mudava de escola 1 - Não se aplica 33,1% 68,6% 38,8% 58,4% 68,6% 210,6% 6,9% 10,6% 6,9% 10,2% 311,8% 4,1% 12,7% 4,5% 2,0% 410,6% 4,9% 7,8% 4,5% 2,4% 56,5% 2,0% 5,7% 4,1% 1,2% 67,8% 0,8% 6,1% 4,1% 2,9% 7 - Aplica 17,5% 9,0% 15,5% 13,5% 9,0% Ausente 2,0% 3,7% 2,9% 4,1% 3,7% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% M3,41 2,00 3,12 2,53 1,98 SD 2,29 1,91 2,27 2,27 1,94
As implicações do uso da rede social Facebook para a felicidade dos adolescentes 39 5.2 Análise Fatorial Exploratória Segundo Marôco (2014), a análise fatorial exploratória pode ser bastante pertinente para quantificar constructos que não são diretamente observáveis. Desta forma, é importante analisar as escalas propostas para verificar se fornecem um “score” do que realmente é necessário medir. Perceived Self-Esteem on Facebook (PSEF) As correlações de Pearson para os itens constituintes da PSEF são apresentados na Tabela 11. Pela matriz anti-imagem, os valores de MSA (Measure of Sampling Adequacy) são todos superior a 0,8 (Tabela 12) e segundo Marôco (2014) apenas um valor de MSA inferior a 0,5 é indicador que a variável não se ajusta à estrutura definida pelas outras, devendo ser eliminada. Desta forma, é possível concluir que todas as variáveis de ajustam à estrutura geral da escala. Pelo método dos componentes principais, foi feita uma análise fatorial aos 7 itens da escala e encontrada apenas uma componente. Os resultados são apresentados no Anexo 3. É importante perceber que as correlações entre as variáveis têm de ser elevadas o suficiente para que a AFE consiga extrair fatores comuns entre elas (Marôco, 2014). Desta forma, o Kaiser-Meyer-Olkin é uma medida da homogeneidade das variáveis (Marôco, 2014) e quanto maior o seu valor, melhor a qualidade dos dados ou, por outras palavras, melhor a adequação da amostragem. O valor do KMO é de 0,849 (Anexo 3, Tabela 27). Na matriz de componente rotativa apenas uma componente foi extraída. Importa salientar que a variância explicada por 1 fator está no limite dos 50% (Anexo 3, Tabela 29), mínimo aceitável segundo Marôco (2014). Foi calculado uma pontuação para o nível de autoestima percebida no Facebook pela média dos 7 itens referidos.
As implicações do uso da rede social Facebook para a felicidade dos adolescentes 40 Tabela 11 Correlações Pearson dos Itens da PSEF Item A quantidade de likes que tenho na minha foto de perfil, afeta a minha confiança Quando ninguém gosta das minhas fotos, sinto-me mal Costumo mudar a minha foto de perfil para ter atenção Quando estou no Facebook sinto-me bem comigo próprio(a) Fico com inveja quando os meus amigos têm mais likes do que eu Quando tenho muitos likes no Facebook sinto-me orgulhoso(a) Se tenho comentários negativos no Facebook penso que sou um fracasso A quantidade de likes que tenho na minha foto de perfil, afeta a minha confiança 1,00 0,60 0,31 0,37 0,39 0,54 0,29 Quando ninguém gosta das minhas fotos, sinto-me mal 0,60 1,00 0,32 0,47 0,39 0,53 0,39 Costumo mudar a minha foto de perfil para ter atenção 0,31 0,32 1,00 0,40 0,32 0,48 0,28 Quando estou no Facebook sinto-me bem comigo próprio(a) 0,37 0,47 0,40 1,00 0,45 0,48 0,46 Fico com inveja quando os meus amigos têm mais likes do que eu 0,39 0,39 0,32 0,45 1,00 0,35 0,38 Quando tenho muitos likes no Facebook sinto-me orgulhoso(a) 0,54 0,53 0,48 0,48 0,35 1,00 0,39 Se tenho comentários negativos no Facebook penso que sou um fracasso 0,29 0,39 0,28 0,46 0,38 0,39 1,00 Tabela 12 Medidas de Adequação da Amostragem Itens PSEF Item Medida de Adequação da Amostragem (MSA) A quantidade de likes que tenho na minha foto de perfil, afeta a minha confiança 0,806 Quando ninguém gosta das minhas fotos, sinto-me mal 0,838 Costumo mudar a minha foto de perfil para ter atenção 0,860 Quando estou no Facebook sinto-me bem comigo próprio(a) 0,863 Fico com inveja quando os meus amigos têm mais likes do que eu 0,881 Quando tenho muitos likes no Facebook sinto-me orgulhoso(a) 0,845 Se tenho comentários negativos no Facebook penso que sou um fracasso 0,875
As implicações do uso da rede social Facebook para a felicidade dos adolescentes 41 Foi efetuada uma análise de confiabilidade à escala PSEF através do Alfa de Cronbach. Como apresentado na Tabela 13, o valor para o coeficiente alfa é de 0,826, que segundo Malhotra & Birks (2007) indica uma consistência interna satisfatória. Tabela 13 Estatísticas de confiabilidade PSEF Alfa de Cronbach Alfa de Cronbach se o item for excluído A quantidade de likes que tenho na minha foto de perfil, afeta a minha confiança 0,798 Quando ninguém gosta das minhas fotos, sinto-me mal 0,789 Costumo mudar a minha foto de perfil para ter atenção 0,813 Quando estou no Facebook sinto-me bem comigo próprio(a) 0,816 Fico com inveja quando os meus amigos têm mais likes do que eu 0,797 Quando tenho muitos likes no Facebook sinto-me orgulhoso(a) 0,785 Se tenho comentários negativos no Facebook penso que sou um fracasso 0,814 0,826
As implicações do uso da rede social Facebook para a felicidade dos adolescentes 42 Perceived Happiness on Facebook (PHF) As correlações entre os itens da escala de Felicidade percebida no Facebook são apresentados na Tabela 15. Conforme a regra do eigenvalue superior a 1, foram extraídos 2 fatores latentes para esta escala, que representam, em conjunto, um total de variância explicada de 49,83% ≈ 50% (Anexo 4, Tabela 31), no limite mínimo aceitável segundo Marôco (2014). O valor de KMO é bom (0,857), o que indica uma boa qualidade de ajustamento dos dados (Anexo 4, Tabela 30). Os valores de MSA apresentados na Tabela 14 indicam um bom ajustamento à estrutura da escala. Tabela 14 Medidas de Adequação da Amostragem Item Medida de Adequação da Amostragem (MSA) Sinto-me isolado(a) se não puder ir ao Facebook 0,829 Se não tivesse Facebook sentia-me diferente dos meus amigos 0,828 Quando não tenho comentários nas minhas fotos, fico desanimado(a) 0,895 Se fosse proibido de ir ao Facebook ficava irritado(a) 0,884 Se um amigo meu não tivesse Facebook ia sentir-se diferente dos nossos amigos 0,857 Passo mais tempo no Facebook do que a conversar com a minha família 0,902 Fico contente quando vejo notícias boas dos meus amigos no Feed de Notícias 0,788 Quando estou com um problema posso contar com os meus amigos pelo Facebook 0,861 Através do Facebook sinto-me integrado na minha geração 0,893 Os comentários positivos no Facebook deixam-me feliz 0,863 Sinto-me feliz por estar em permanente contacto com os meus amigos 0,762
As implicações do uso da rede social Facebook para a felicidade dos adolescentes 43 Tabela 15 Item Sinto-me isolado(a) se não puder ir ao Facebook Se não tivesse Facebook sentia-me diferente dos meus amigos Quando não tenho comentários nas minhas fotos, fico desanimado(a) Se fosse proibido de ir ao Facebook ficava irritado(a) Se um amigo meu não tivesse Facebook ia sentir-se diferente dos nossos amigos Passo mais tempo no Facebook do que a conversar com a minha família Fico contente quando vejo notícias boas dos meus amigos no Feed de Notícias Quando estou com um problema posso contar com os meus amigos pelo Facebook Através do Facebook sinto-me integrado na minha geração Os comentários positivos no Facebook deixam-me feliz Sinto-me feliz por estar em permanente contacto com os meus amigos Sinto-me isolado(a) se não puder ir ao Facebook 1,000 ,566 ,391 ,550 ,379 ,382 ,087 ,219 ,462 ,237 ,101 Se não tivesse Facebook sentia-me diferente dos meus amigos ,566 1,000 ,466 ,432 ,496 ,336 ,088 ,294 ,450 ,213 ,236 Quando não tenho comentários nas minhas fotos, fico desanimado(a) ,391 ,466 1,000 ,380 ,393 ,228 ,156 ,211 ,480 ,281 ,132 Se fosse proibido de ir ao Facebook ficava irritado(a) ,550 ,432 ,380 1,000 ,397 ,373 ,143 ,215 ,487 ,310 ,249 Se um amigo meu não tivesse Facebook ia sentir-se diferente dos nossos amigos ,379 ,496 ,393 ,397 1,000 ,326 ,156 ,112 ,410 ,214 ,113 Passo mais tempo no Facebook do que a conversar com a minha família ,382 ,336 ,228 ,373 ,326 1,000 ,032 ,177 ,289 ,149 ,143 Fico contente quando vejo notícias boas dos meus amigos no Feed de Notícias ,087 ,088 ,156 ,143 ,156 ,032 1,000 ,216 ,271 ,335 ,261 Quando estou com um problema posso contar com os meus amigos pelo Facebook ,219 ,294 ,211 ,215 ,112 ,177 ,216 1,000 ,328 ,275 ,276 Através do Facebook sinto-me integrado na minha geração ,462 ,450 ,480 ,487 ,410 ,289 ,271 ,328 1,000 ,416 ,328 Os comentários positivos no Facebook deixam-me feliz ,237 ,213 ,281 ,310 ,214 ,149 ,335 ,275 ,416 1,000 ,330 Sinto-me feliz por estar em permanente contacto com os meus amigos ,101 ,236 ,132 ,249 ,113 ,143 ,261 ,276 ,328 ,330 1,000 Correlações Pearson dos Itens da PHF
As implicações do uso da rede social Facebook para a felicidade dos adolescentes 44 Na Tabela 16, estão representados cada um dos fatores extraídos, os seus eigenvalues, as suas comunalidades e o valor total da variância explicada. As duas componentes extraídas distinguem-se claramente pela sua construção frásica. No fator 1, todos os itens têm uma conotação negativa, ou seja, são consequências negativas do uso do Facebook para o bem-estar e felicidade dos adolescentes. É importante salientar, que o item “Através do Facebook sinto-me integrado na minha geração”, tem um peso fatorial relativamente semelhante nos 2 fatores e, pelo seu significado, é mais correto ser incorporado na componente 2. Essa segunda componente refere efeitos positivos da utilização desta rede social na felicidade e é composta por 5 itens. Para efeitos do presente estudo será calculado um efeito negativo e outro positivo do Facebook na Felicidade dos participantes, pela média dos itens constituintes do fator 1 e 2 respetivamente. À semelhança da escala PSEF, foi efetuada uma análise à confiabilidade da PHF pelo Alfa de Cronbach. O valor do coeficiente é de 0,817 (Tabela 17), o que demonstra uma boa consistência interna. Tabela 16 Matriz de componentes rotativas, comunalidades, eigenvalues e % da variância explicada Item Comunalidade 1 2 Sinto-me isolado(a) se não puder ir ao Facebook 0,78 0,08 0,62 Se não tivesse Facebook sentia-me diferente dos meus amigos 0,76 0,15 0,60 Quando não tenho comentários nas minhas fotos, fico desanimado(a) 0,63 0,23 0,44 Se fosse proibido de ir ao Facebook ficava irritado(a) 0,70 0,24 0,54 Se um amigo meu não tivesse Facebook ia sentir-se diferente dos nossos amigos 0,68 0,09 0,48 Passo mais tempo no Facebook do que a conversar com a minha família 0,60 0,02 0,36 Fico contente quando vejo notícias boas dos meus amigos no Feed de Notícias -0,02 0,70 0,49 Quando estou com um problema posso contar com os meus amigos pelo Facebook 0,21 0,55 0,35 Através do Facebook sinto-me integrado na minha geração 0,60 0,50 0,60 Os comentários positivos no Facebook deixam-me feliz 0,21 0,69 0,52 Sinto-me feliz por estar em permanente contacto com os meus amigos 0,09 0,68 0,47 Eigenvalue 4,05 1,43 Variância Explicada 36,82 13,01 Componente
As implicações do uso da rede social Facebook para a felicidade dos adolescentes 45 Tabela 17 Estatísticas de confiabilidade PHF Alfa de Cronbach Alfa de Cronbach se o item for excluído Sinto-me isolado(a) se não puder ir ao Facebook 0,795 Se não tivesse Facebook sentia-me diferente dos meus amigos 0,790 Quando não tenho comentários nas minhas fotos, fico desanimado(a) 0,801 Se fosse proibido de ir ao Facebook ficava irritado(a) 0,790 Se um amigo meu não tivesse Facebook ia sentir-se diferente dos nossos amigos 0,801 Passo mais tempo no Facebook do que a conversar com a minha família 0,809 Fico contente quando vejo notícias boas dos meus amigos no Feed de Notícias 0,818 Quando estou com um problema posso contar com os meus amigos pelo Facebook 0,814 Através do Facebook sinto-me integrado na minha geração 0,782 Os comentários positivos no Facebook deixam-me feliz 0,805 Sinto-me feliz por estar em permanente contacto com os meus amigos 0,814 0,817
As implicações do uso da rede social Facebook para a felicidade dos adolescentes 46 5.3 Análise da variância e correlações A análise da variância e da covariância é importante para examinar diferenças entre os valores médios da variável dependente associada à variável independente (Malhotra & Birks, 2007). Neste caso, as variáveis independentes, que foram definidas anteriormente no modelo de investigação, são: Idade, Sexo, Antiguidade no Facebook (calculada através do ano de adesão ao Facebook), Tempo médio por dia no Facebook, Número médio de amigos no Facebook, pontuação da RSE (autoestima global), pontuação da PSEF (autoestima percebida no Facebook) e pontuação da SHS (felicidade subjetiva). As variáveis dependentes são: NIPHF e PIPHF, ou seja, o impacto negativo e positivo no Facebook na felicidade dos adolescentes, respetivamente. Segundo Malhotra & Birks (2007) se as variáveis em estudo forem ambas contínuas, é feita uma análise da covariância (ANCOVA), se uma das variáveis em estudo for categorial e outra contínua, procede-se a uma análise da variância (ANOVA). Para avaliar se a Idade, o Sexo e o Tempo médio por dia no Facebook afetavam significativamente a felicidade dos adolescentes no Facebook recorreu-se à ANOVA (Tabela 18 e 19). Como podemos constatar, a idade e o tempo por dia no Facebook são estatisticamente significativas para explicar o efeito positivo e negativo do Facebook na felicidade dos adolescentes, para um nível de significância de 0,05. O sexo não parece ser significativo neste caso, evidenciando que, a felicidade percebida no Facebook não é maior ou menor se o utilizador for um adolescente masculino ou feminino. Para avaliar a força e o sentido da relação entre a Antiguidade no Facebook, a PSEF, o Número médio de amigos no Facebook, a SHS e a RSE e a Felicidade dos adolescentes no Facebook, recorreu-se ao cálculo dos coeficientes de correlação de Pearson (Tabela 20). Existe uma forte e significativa relação positiva entre a autoestima percebida no Facebook e o efeito positivo do Facebook na felicidade. Isto pode indicar que quanto maior for o impacto desta rede social na autoestima do adolescente, maior é esse mesmo impacto na felicidade deles, sugerindo que os adolescentes mais influenciados pelo Facebook são afetados quer na autoestima, quer na felicidade.
As implicações do uso da rede social Facebook para a felicidade dos adolescentes 47 Tabela 18 ANOVA - PIPHF Soma dos quadrados df Quadrados médios F Sig Idade Entre Grupos 10,633 3,000 3,544 5,189 ,002 Nos grupos 162,552 238,000 ,683 Total 173,185 241,000 Sexo Entre Grupos ,054 1,000 ,054 ,074 ,785 Nos grupos 173,131 240,000 ,721 Total 173,185 241,000 Tempo por dia no Facebook Entre Grupos 25,755 10,000 2,576 4,030 ,000 Nos grupos 146,354 229,000 ,639 Total 172,109 239,000 Positive Impact on Perceived Happiness on Facebook Tabela 19 ANOVA - NIPHF Soma dos quadrados df Quadrados médios F Sig Idade Entre Grupos 11,488 3,000 3,829 5,976 ,001 Nos grupos 152,508 238,000 ,641 Total 163,996 241,000 Sexo Entre Grupos ,265 1,000 ,265 ,388 ,534 Nos grupos 163,731 240,000 ,682 Total 163,996 241,000 Tempo por dia no Facebook Entre Grupos 38,348 10,000 3,835 7,042 ,000 Nos grupos 124,707 229,000 ,545 Total 163,055 239,000 Negative Impact on Perceived Happiness on Facebook Tabela 20 Correlações de Pearson Correlação de Pearson Sig. (2 extremidades) Correlação de Pearson Sig. (2 extremidades) Tempo de adesão ao Facebook - Antiguidade -,031 ,633 -,052 ,424 Autoestima Percebida no Facebook ,553 ,000 ,683 ,000 Número médio de amigos no Facebook -,046 ,503 ,009 ,893 Felicidade Subjetiva -,027 ,681 -,124 ,054 Autoestima Global -,010 ,882 -,238 ,000 Positive Impact on Perceived Happiness on Facebook Negative Impact on Perceived Happiness on Facebook
As implicações do uso da rede social Facebook para a felicidade dos adolescentes 54 Tabela 25 Aspetos Negativos do Facebook Percentagem dos Participantes Perigos 42% Perfis Falsos e Hackers 116% Bullying 116% Pedófilia 111% Falar com desconhecidos 17% Divulgação de Informação Pessoal/Exposição 21% Possibilidade de vício 18% Falta de privacidade e de comunicação na vida real 11% 1 - % em relação ao total dos participantes
As implicações do uso da rede social Facebook para a felicidade dos adolescentes 55 6. Discussão Este estudo contribuiu para o conhecimento de uma grande área de investigação: o bemestar e a felicidade dos adolescentes associados ao uso da rede social Facebook. O objetivo desta investigação era perceber os impactos desta rede social na felicidade de jovens entre os 13 e 16 anos. O nível de autoestima global de um indivíduo não é significativo na previsão da influência do Facebook na felicidade. Por outras palavras, não é pelo facto de um indivíduo ter uma atitude mais ou menos positiva em relação a si próprio que vai determinar se é mais ou menos influenciado pelo Facebook. Os resultados do estudo demostram, porém, que é a suscetibilidade desse indivíduo a opiniões de terceiros, que afeta a sua felicidade. Isto pode significar que, de uma maneira global, os adolescentes não mudam de atitude em relação a si próprios por terem, por exemplo, melhores ou piores comentários no Facebook, mas sim, têm sentimentos momentâneos positivos ou negativos de valor próprio, que afetam rapidamente o seu nível de felicidade. Isto pode ser justificado pelo facto de durante a adolescência, os jovens serem mais suscetíveis às influências dos pares. Eles querem sentir-se integrados e iguais aos outros adolescentes e, dessa forma, são mais sensíveis às opiniões sobre si. De facto, no seu estudo sobre diferenças na autoestima ao longo da vida, Meier, Orth, Denissen, & Kühnel (2011) consideram três principais componentes da autoestima: instabilidade, contingência e nível. Os autores referem que a instabilidade, definida como flutuações na autoestima durante curtos períodos de tempo como horas e dias, e a contingência, definida como flutuações na autoestima por eventos relevantes, estavam relacionadas com o nível de autoestima mas tinham significados distintos. Alguns indivíduos podem ter uma autoestima mais instável, resultante de fatores situacionais ou por diferenças individuais em termos de vulnerabilidade (Meier et al., 2011). Assim, e em conformidade com a investigação, o Facebook provoca apenas instabilidade na autoestima dos adolescentes em curtos períodos de tempo, afetando a sua felicidade. O tempo médio de utilização por dia do Facebook é importante para perceber a influência na felicidade dos adolescentes. Na verdade, quanto mais tempo estiverem no Facebook maior a probabilidade de serem influenciados.
As implicações do uso da rede social Facebook para a felicidade dos adolescentes 56 Os adolescentes que dizem passar por dia entre 30 minutos e 1h no Facebook, têm um grande acréscimo positivo na felicidade face aos que referem apenas estar conectados menos de 30 minutos por dia (Anexo 6, Tabela 32), o que, em conjunto com a análise qualitativa, sugere que o Facebook é essencialmente visto como um meio de comunicação fácil e rápido. De facto, 75% dos participantes refere utilizar esta rede social para comunicação com os amigos ou família, ou seja, para estar em contacto com outros. De acordo com esta conclusão, Capua (2012) também refere que os utilizadores usam maioritariamente o Facebook para estar em contacto com amigos ou manter relações com pessoas distantes geograficamente. Mais especificamente, Sheldon (2008) refere que os estudantes vão ao Facebook para manter relações com as pessoas que conhecem, mandando uma mensagem ou colocando alguma publicação no mural dos amigos e contactar pessoas mais difíceis de alcançar. No entanto, o impacto negativo do Facebook também parece ser maior quando os participantes afirmam passar entre 30 min e 1h no Facebook relativamente aos que apenas passam menos de 30 minutos (Anexo 6, Tabela 32), demonstrando que também são afetados negativamente por esta rede social. Hayes et al. (2015) concluiu que os utilizadores mais jovens do Facebook são mais afetados negativamente em comparação com pessoas mais velhas, relativamente às fotografias no Facebook, que podem criar sentimentos de desvalorização e insatisfação com o corpo e com a sua vida pessoal. De acordo com este estudo, Kross et al. (2013) conclui que não era o facto de interagir diretamente com outras pessoas que levava a um decréscimo do bem-estar (pelo contrário, tinha um efeito positivo), mas sim porque as pessoas usavam mais o Facebook quando se sentiam sozinhas. Pode ser possível que o caráter comunicativo do Facebook traga efeitos positivos no bem-estar, aumentando perceções de suporte social e amizade, mas a perceção da vida de outras pessoas através do Facebook pode não ser fidedigna. As pessoas tendem a mostrar apenas os aspetos positivos da sua vida, levando a que outras tomem consciência que a sua vida é comparativamente pior, diminuindo momentaneamente o bem-estar. Apesar de os efeitos positivos do Facebook prevalecerem face aos negativos, mais investigação é necessária para perceber melhor a relação entre o tempo de utilização do Facebook e a felicidade.
As implicações do uso da rede social Facebook para a felicidade dos adolescentes 57 À medida que vão crescendo, os adolescentes ficam menos sensíveis a esta rede social, ou seja, o impacto na felicidade é menor. Pode haver duas explicações possíveis para isto: à medida que os jovens vão envelhecendo começam a ponderar mais seriamente os seus objetivos de vida, incluindo o percurso escolar, definem melhor os seus verdadeiros amigos e começam a relativizar a importância das redes socias; isto também pode ser explicado pelo facto de, durante a adolescência, existir uma intensificação da importância dos pares e do suporte social para o desenvolvimento psicológico e social, que vai diminuindo à medida que os jovens ganham maturidade e entram na vida adulta. Eles tornam-se mais conscientes sobre eles próprios e menos vulneráveis aos outros. De facto, segundo Meeus et al. (2005), à medida que os adolescentes vão formando a sua identidade, eles têm opções mais claras em relação à sua vida, sabem melhor quem são e quem querem ser no futuro. No entanto, a relação entre a idade e a felicidade não é linear, apesar de haver um decréscimo dos 13 para os 16 anos (Anexo 6, Tabela 33, 34 e 35). Isto pode ser motivado por diferenças pessoais a nível de maturidade e de vulnerabilidade, pois se verificarmos as médias da felicidade percebida no Facebook por nível de escolaridade, percebemos que existe de facto um decréscimo à medida que os jovens vão transitando de ano escolar e ganhando mais responsabilidade (Anexo 6, Tabela 33, 34 e 35). Para além disso, o estudo elaborado por Ozimek & Bierhoff (2016) confirmou a existência de uma relação inversa entre a idade e a utilização do Facebook. De facto, os autores concluíram que quanto mais velhos fossem os indivíduos, menor era a necessidade de efetuar comparações sociais e, consequentemente, diminuíam a sua atividade no Facebook. Uma explicação possível para esta relação não linear prende-se com o facto de, os adolescentes à medida que vão ganhando mais maturidade, que não tem necessariamente que corresponder à idade, necessitarem menos dos pares e, por isso, tendem a diminuir a sua atividade no Facebook, estando menos expostos a esta rede social. Contrariamente ao expectado, o número médio de amigos não tem qualquer influência na felicidade dos adolescentes e em conformidade com Manago et al. (2012), isto evidencia o facto de os jovens adicionarem um número desproporcional de amigos no Facebook, que por vezes não são conhecidos. Considerando este facto, é possível que o
As implicações do uso da rede social Facebook para a felicidade dos adolescentes 58 suporte social obtido através do Facebook não advenha deste número irreal de amigos, mas provavelmente apenas dos amigos mais chegados. De acordo com esta inferência Stutzman, Vitak, Ellison, Gray, & Lampe (2008) concluem que os utilizadores que tinham um perfil de Facebook apenas visível para amigos e um rácio entre os amigos reais e amigos no Facebook menor tinham maiores níveis de perceção de suporte social. Esta conclusão é inconsistente com o estudo de Oberst, Renau, Chamarro, & Carbonell (2016) que descobrem que a utilização do Facebook está associada a um decréscimo de bem-estar e que o número médio de amigos no Facebook está positivamente associado ao bem-estar dos participantes. Segundo Haferkamp, Eimler, Papadakis, & Kruck (2012), os homens utilizam as redes sociais para procura de informação sobre os seus atuais e potenciais contactos, enquanto as mulheres utilizam-nas por motivos hedónicos, como prazer pessoal e autoapresentação, pois estão mais preocupadas com a forma como são percebidas por outros. Surpreendentemente, o sexo não era significativo para prever a felicidade dos adolescentes, o que significa que as adolescentes femininas não são mais influenciadas pelo Facebook do que os adolescentes masculinos. Por fim, os indivíduos que se consideram mais felizes são menos suscetíveis às influências do Facebook. Os adolescentes com uma perceção mais elevada sobre a sua felicidade são menos sensíveis à rede social. Provavelmente pessoas muito felizes não procuram suporte social nas redes socias e têm relações significativas e estáveis com outros na vida real, onde conseguem esse suporte e confiança. De acordo, com Bevan et al. (2014), as divulgações no Facebook não constroem nem mantem relações da mesma forma que as interações pessoais. Isto revela que, apesar de o Facebook ter impactos positivos na felicidade, são as relações interpessoais na vida real que, em última instância, contribuem para a perceção de um indivíduo sobre se é feliz ou não. De acordo com esta conclusão, Diener & Seligman (2002) sugerem que as pessoas muito felizes têm relações sociais ricas e satisfatórias e passam pouco tempo sozinhas em comparação com outras menos felizes. Isto não significa que não experienciem emoções negativas de vez em quando, mas gerem as suas emoções de uma forma mais controlada e moderada.
As implicações do uso da rede social Facebook para a felicidade dos adolescentes 59 Os adolescentes estão cada vez mais conscientes dos perigos das redes sociais. De facto, 42% dos participantes mencionou alguns perigos do Facebook, que variam, por exemplo, entre perfis falsos e bullying. De acordo com esta conclusão, Kaya & Bicen (2016) referem que os jovens sabem como controlar as suas definições de privacidade e estão conscientes da sua importância. Na Tabela 26 é apresentado o resultado da investigação em termos de suporte empírico de cada uma das hipóteses. Tabela 26 Resumo Hipóteses Hipótese Resultado Suporte Empírico H1a: Quanto maior autoestima global menor a influência do Facebook na felicidade Não existe evidência empírica que demonstre que exista uma relação significativa entre a autoestima global e a influência do Facebook na felicidade Não suportada H1b: Quanto menor a autoestima percebida no Facebook menor a influência do Facebook na felicidade. Existe evidência empírica que comprove que quanto menor a autoestima percebida no Facebook menor a influência na felicidade Suportada H2: Quanto maior a felicidade subjetiva maior a influência do Facebook nessa felicidade. A evidência empírica demonstra a existência de uma relação negativa entre as variáveis, ou seja, quanto maior a felicidade subjetiva menor a influência do Facebook Não suportada H3a: Uma crescente intensidade de utilização por dia do Facebook tem impactos positivos na felicidade dos adolescentes. Existe evidência empírica que comprove que quanto mais tempo de utilização por dia do Facebook maior a influência positiva e negativa do Facebook na felicidade Suportada H3b: Quanto maior o tempo de adesão ao Facebook maior o nível de felicidade dos adolescentes no Facebook. Não existe evidência empírica que demonstre que exista uma relação significativa entre a antiguidade no Facebook e a influência do Facebook na felicidade Não suportada H3c: Quanto maior o número de amigos no Facebook maior o nível de felicidade dos adolescentes no Facebook. Não existe evidência empírica que demonstre que exista uma relação significativa entre o número de amigos no Facebook e a influência do Facebook na felicidade Não suportada H4a: Existe uma relação inversa entre a idade e a influência do Facebook na felicidade dos adolescentes. Existe evidência empírica que comprove a existência de uma relação inversa entre a idade e a influência do Facebook na felicidade Suportada H4b: A felicidade das adolescentes femininas é mais influenciada pelo Facebook do que a dos masculinos. Não existe evidência empírica que demonstre que exista diferenças significativas entre sexos, no que respeita à influência do Facebook na felicidade Não suportada
As implicações do uso da rede social Facebook para a felicidade dos adolescentes 60 7. Limitações e sugestões para investigação futura Devido à amostra por conveniência, esta investigação não pode ser generalizada. De facto, apenas foram escolhidos adolescentes residentes na área do grande Porto. As investigações futuras devem expandir a amostra, de forma a captar um grupo maior de adolescentes, utilizadores do Facebook e com idades mais diversificadas. É também importante referir que este estudo está focado na rede social Facebook e, por isso, mais investigação seria necessária para abordar a importância de outras redes sociais no bemestar dos adolescentes. Uma outra limitação do estudo é o facto de considerar a utilização do Facebook como o tempo médio por dia passado na rede social. Devido à falta de consenso sobre a relação entre a utilização do Facebook e o bem-estar, é importante detalhar que atividades principais fazem nesta rede social e especificar quais contribuem mais ou menos para o bem-estar.
As implicações do uso da rede social Facebook para a felicidade dos adolescentes 61 8. Conclusões O fenómeno das redes sociais desenvolveu-se muito rapidamente ao longo dos últimos anos e o Facebook tornou-se parte das nossas vidas (Capua, 2012). A questão do bem-estar tem vindo a ser estudada ao longo dos anos e é complexa e controversa (Ryan & Deci, 2001). A importância das relações sociais para o bem-estar de um indivíduo pode ajudar a perceber o interesse nas redes socias, pois, estas fornecem ferramentas para reforçar as relações já existentes e para criar novas (Lonnqvist & Deters, 2016). Os resultados desta investigação expandiram conhecimento acerca da importância do uso das redes sociais para o bem-estar dos adolescentes. Para melhor perceber quais as características pessoais e de utilização do Facebook que explicavam a sensibilidade da felicidade de um adolescente, foi criado um modelo de regressão logística para prever a probabilidade de sensibilidade. A idade, o tempo médio por dia no Facebook, a autoestima percebida no Facebook e o nível de felicidade subjetiva são preditores da sensibilidade dos jovens a esta rede social. Os resultados indicam que com o aumento da idade e quanto maior o nível de felicidade subjetiva dos jovens, menor vai ser o impacto do Facebook na sua felicidade. Pelo contrário, quanto mais tempo passarem por dia na rede social e quanto maior for a autoestima percebida no Facebook, maior vai ser o impacto na felicidade. Espera-se que o modelo criado neste estudo seja um suporte útil para investigações futuras.
As implicações do uso da rede social Facebook para a felicidade dos adolescentes 62 9. Referências bibliográficas Andreassen, C. S., Brunborg, G. S., Torsheim, T., & Pallesen, S. (2012). Development of a facebook addiction scale. Psychological Reports 2012, 110(2), 501–517. Bardin, L. (2009). Análise de Conteúdo. Lisboa: Edições 70. Bazarova, N. N. (2012). Public Intimacy: Disclosure Interpretation and Social Judgments on Facebook. Journal of Communication, 62, 815–832. Berger, K. S. (2006). The developing person: through childhood and adolescence. (W. P. New York, Ed.) (7th ed.). Bevan, J. L., Gomez, R., & Sparks, L. (2014). Disclosures about important life events on Facebook : Relationships with stress and quality of life. Computers in Human Behavior, 39, 246–253. Błachnio, A., Przepiorka, A., Bałakier, E., & Boruch, W. (2016). Who discloses the most on Facebook? Computers in Human Behavior, 55, 664–667. Blachnio, A., Przepiorka, A., & Rudnicka, P. (2016). Narcissism and self-esteem as predictors of dimensions of Facebook use. Personality and Individual Differences, 90, 296–301. Brito, P. (2011). The “Digitalisation” of Youth: How Do They Manage and Integrate Digital Technologies. In Handbook of Research on Digital Media and Advertising: User Generated Content Consumption. New York. , Information Science Reference. Brito, P. Q. (2012). Tweens’ characterization of digital technologies. Computers and Education, 59, 580–593. Brown, J. D., Dutton, K. A., & Cook, K. E. (2001). From the top down : Self-esteem and selfevaluation. Cognition and Emotion, 15(5), 615–631. Capua, I. Di. (2012). A Literature Review of Research on Facebook Use. The Open Communication Journal, 6, 37–42. Cheung, C. M. K., Chiu, P. Y., & Lee, M. K. O. (2011). Online social networks: Why do students use facebook? Computers in Human Behavior, 27, 1337–1343. Chiu, C., Cheng, H., Huang, H., & Chen, C. (2013). Exploring individuals ’ subjective well-being and loyalty towards social network sites from the perspective of network externalities : The Facebook case. International Journal of Information Management, 33, 539–552. Christofides, E., Desmarais, S., & Muise, A. (2009). Information Disclosure and
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As implicações do uso da rede social Facebook para a felicidade dos adolescentes 70 Anexos Anexo 1 – Questionário
As implicações do uso da rede social Facebook para a felicidade dos adolescentes 71
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As implicações do uso da rede social Facebook para a felicidade dos adolescentes 74 Anexo 2 – Guião de Entrevista Objetivo: Recolher informação útil à elaboração de um questionário sobre o impacto do Facebook no bem-estar dos adolescentes Questão 1. O que é para ti a rede social Facebook? Questão 2. Costumas passar muito tempo por dia no Facebook? O que costumas fazer? (Chat, Imagens…) Questão 3. Que tipo de informação costumas divulgar no Facebook? (Tipo de post, nome, escola…) Questão 4. O que te deixa mais feliz quando estas no Facebook? E menos feliz? Questão 5. Se não tivesses Facebook sentias-te diferente do teu grupo de amigos? Em que sentido? Sentias-te excluído? Tens algum amigo que não tenha Facebook? Como achas que ele se sente? Questão 6. Ficas aborrecido com alguma coisa em particular no Facebook? Por exemplo: Fico aborrecido quando os meus amigos não comentam os meus post ou fico aborrecido quando não tenho muitos gostos na minha foto de perfil
As implicações do uso da rede social Facebook para a felicidade dos adolescentes 75 Questão 7. Se pudesses mudar alguma coisa no Facebook o que seria? Questão 8. Quando te sentes ansioso ou nervoso por algum motivo costumar partilhar isso no Facebook? Questão 9. Que tipo de comentários ou post que vejas no teu Feed de Noticias que achas que é de caracter mais privado? Ou seja, algo que tu achas que não deve ser partilhado com os outros? Por exemplo: Amanha vou começar a minhas aulas de ballet/futebol ou estou com dores de cabeça! Ontem tive muito tempo a jogar computador ou hoje o dia foi uma seca, estou de castigo Questão 10. Quando estás no Facebook sentes-te bem contigo próprio? Sentes-te feliz, satisfeito com a tua vida? Questão 11. Dá-me um exemplo de alguma situação em que tenhas alterado alguma informação tua? Por que razão o fizeste? Questão 12. Sentes-te melhor contigo próprio quando recebes muitos gostos ou muitos elogios pelo Facebook? Mais do que quando recebes pessoalmente? Questão 13. Comparado com os teus amigos, consideras que és uma pessoa mais feliz ou menos feliz? Porquê?
As implicações do uso da rede social Facebook para a felicidade dos adolescentes 76 Anexo 3 – Teste KMO e Bartlett, Comunalidades e Variância Total Explicada da Análise Fatorial à PSEF em SPSS (Método dos componentes principais com base no auto valor 1, com rotação Varimax) Tabela 27 Teste de KMO e Bartlett ,849 Aprox. Qui-quadrado 518,512 df 21 Sig. ,000 Medida Kaiser-Meyer-Olkin de adequação de amostragem. Teste de esfericidade de Bartlett Tabela 28 Comunalidades Inicial Extração A quantidade de likes que tenho na minha foto de perfil, afeta a minha confiança 1,000 ,518 Quando ninguém gosta das minhas fotos, sinto-me mal 1,000 ,583 Costumo mudar a minha foto de perfil para ter atenção 1,000 ,433 Quando estou no Facebook sinto-me bem comigo próprio(a) 1,000 ,384 Fico com inveja quando os meus amigos têm mais likes do que eu 1,000 ,551 Quando tenho muitos likes no Facebook sinto-me orgulhoso(a) 1,000 ,604 Se tenho comentários negativos no Facebook penso que sou um fracasso 1,000 ,402 Método de Extração: Análise de Componente Principal. Tabela 29 Variância total explicada Total % de variância % cumulativa Total % de variância % cumulativa 1 3,474 49,633 49,633 3,474 49,633 49,633 2 ,841 12,019 61,652 3 ,771 11,016 72,667 4 ,635 9,066 81,733 5 ,499 7,132 88,865 6 ,419 5,983 94,848 7 ,361 5,152 100,000 Método de Extração: Análise de Componente Principal. Componente Valores próprios iniciais Somas de extração de carregamentos ao quadrado
As implicações do uso da rede social Facebook para a felicidade dos adolescentes 77 Anexo 4 – Teste KMO e Bartlett e Variância total explicada da Análise Fatorial da PHF em SPSS (Método dos componentes principais com base no auto-valor 1, com rotação Varimax) Tabela 30 Teste de KMO e Bartlett ,857 Aprox. Qui-quadrado 706,128 df 55 Sig. ,000 Medida Kaiser-Meyer-Olkin de adequação de amostragem. Teste de esfericidade de Bartlett Tabela 31 Variância total explicada Total % de variância % cumulativa Total % de variância % cumulativ a Total % de variância % cumulativa 14,050 36,819 36,819 4,050 36,819 36,819 3,351 30,464 30,464 21,431 13,006 49,825 1,431 13,006 49,825 2,130 19,361 49,825 3,887 8,066 57,891 4,789 7,170 65,060 5,710 6,459 71,519 6,690 6,277 77,796 7,618 5,615 83,412 8,556 5,056 88,468 9,499 4,539 93,007 10 ,445 4,044 97,051 11 ,324 2,949 100,000 Método de Extração: Análise de Componente Principal. Componente Valores próprios iniciais Somas de extração de carregamentos ao quadrado Somas rotativas de carregamentos ao quadrado
As implicações do uso da rede social Facebook para a felicidade dos adolescentes 78 Anexo 5 – Número de utilizadores do Facebook, novembro 2015 Figura 2 – Leading social networks worldwide as of November 2015, ranked by number of active users (in millions) in Statista, 2015
As implicações do uso da rede social Facebook para a felicidade dos adolescentes 79 Anexo 6 – Análise ANOVA e relatório comparação de médias para as variáveis dependentes PIPHF e NIPHF com as variáveis independentes Tempo por dia no Facebook, Idade e Escolaridade Tabela 32 Relatório Comparação de Médias - PHF * Tempo médio por dia no Facebook % dos participantes Média % dos participantes Média Menos de 30 minutos 35% 2,85 35% 1,46 Entre 30 minutos e 1 hora 27% 3,29 27% 1,73 Entre 1 hora e 1 hora e 30 minutos 11% 3,46 11% 2,03 Entre 1 hora e 30 minutos e 2 horas 6% 3,41 6% 2,04 Entre 2 horas e 2 horas e 30 minutos 3% 3,70 3% 1,76 Entre 2 horas e 30 minutos e 3 horas 5% 3,95 5% 2,58 Entre 3 horas e 3 horas e 30 minutos 5% 3,49 5% 2,59 Entre 3 horas e 30 minutos e 4 horas 3% 3,25 3% 2,19 Entre 4 horas e 4 horas e 30 minutos 1% 2,60 1% 2,33 Entre 4 hora e 30 minutos e 4 horas 2% 3,16 2% 2,20 Mais de 5 horas 3% 3,86 3% 2,94 PIPHF NIPHF Tabela 33 Relatório Comparação de Médias - PHF *Idade e Escolaridade % dos participantes Média % dos participantes Média Idade 13 15% 3,44 15% 1,77 14 38% 3,40 39% 2,10 15 32% 2,97 32% 1,62 16 14% 3,06 14% 1,64 Escolaridade 8ºano 30% 3,44 30% 1,84 9ºano 40% 3,15 41% 1,97 10ºano 29% 3,10 29% 1,62 PIPHF NIPHF Tabela 34 ANOVA - NIPHF * Escolaridade Soma dos quadrados df Quadrados médios F Sig Escolaridade Entre Grupos 5,012 2,000 2,506 3,767 ,024 Nos grupos 158,984 239,000 ,665 Total 163,996 241,000 Negative Impact on Perceived Happiness on Facebook