Relatórios de Estágio realizado na Farmácia Vitália e na ASL 1 - Farmacia Ospedaliera Sassari
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Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária | Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas i Helena Adelina Teixeira Martins Pinto | Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto
Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária | Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas ii Helena Adelina Teixeira Martins Pinto | Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas Relatório de Estágio Profissionalizante Farmácia Vitália setembro de 2014 a dezembro de 2014 Helena Adelina Teixeira Martins Pinto Orientador: Dra. Paula Nadais _____________________________________ Tutor FFUP: Professora Doutora Beatriz Quinaz _____________________________________ abril de 2014
Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária | Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas iii Helena Adelina Teixeira Martins Pinto | Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE Eu, Helena Adelina Teixeira Martins Pinto, abaixo assinado, nº 080601048, estudante do Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas da Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto, declaro ter atuado com absoluta integridade na elaboração deste relatório de estágio. Nesse sentido, confirmo que NÃO incorri em plágio (ato pelo qual um indivíduo, mesmo por omissão, assume a autoria de um determinado trabalho intelectual ou partes dele). Mais declaro que todas as frases que retirei de trabalhos anteriores pertencentes a outros autores foram referenciadas ou redigidas com novas palavras, tendo neste caso colocado a citação da fonte bibliográfica. Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto, 17 de abril de 2014 ____________________________________________________________
Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária | Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas iv Helena Adelina Teixeira Martins Pinto | Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto AGRADECIMENTOS Inicio o meu relatório com os meus sinceros agradecimentos a toda a equipa da farmácia Vitália. Em primeiro lugar, ao Dr. Armindo Cosme pela oportunidade que me foi concedida e à Dra. Paula Nadais pela sua orientação durante todo o meu estágio, tanto na minha formação no interior da farmácia como pelas oportunidades de adquirir mais conhecimentos em ações de formação exteriores a esta. Em segundo lugar, agradeço a todos os profissionais de saúde que compõe a farmácia Vitália, por toda a paciência e todo o apoio que me deram ao longo dos três meses de estágio. Só com a sua ajuda me foi possivel adquirir tantos conhecimentos, experiência e crescimento pessoal. Foram, sem dúvida, o pilar do meu estágio. Agradeço, igualmente, a professora doutora Beatriz Quinaz, pelo esforço e tempo dedicado à concretização desta última etapa da minha formação. Por último, e não menos importante, agradeço profundamente à minha mãe. Sempre me acompanhou e apoiou em todas as decisões e todos os momentos, bons e maus, destes 5 anos de formação. Espero mostrar-lhe que todos os sacrifícios valeram a pena.
Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária | Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas v Helena Adelina Teixeira Martins Pinto | Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto RESUMO O farmacêutico comunitário é o profissional de saúde que se encontra mais disponível para a população em geral, sendo geralmente o primeiro e último com quem o utente contacta. Sendo assim, como farmacêuticos, temos a oportunidade de promover cuidados de saúde, através de aconselhamento farmacêutico personalizado na dispensa de medicamentos, farmacovigilância e seguimento farmacoterapêutico do utente. A formação académica do farmacêutico deve incluir, obrigatoriamente, um período de estágio em farmácia comunitária, complementando a formação teórica do estudante. Este estágio é essencial para o exercício correto e exemplar da profissão farmacêutica. Assim, foi-me dada a oportunidade de realizar este estágio profissionalizante na Farmácia Vitália, no Porto, no período de 16 de setembro de 2013 a 16 de dezembro de 2013. De forma a complementar a minha formação, incidi sobre algumas áreas que me pareceram relevantes no contexto dos utentes da farmácia. A Direção-Geral da Saúde em parceria com a Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e metabolismo recomendam a suplementação com iodeto de potássio a todas as mulheres grávidas e em fase de pre-concepção, sendo que, em setembro de 2013 a BIAL lança um fármaco novo, o YODAFAR (iodeto de potássio). Desta forma, pareceume importante alertar e informar os utentes da farmácia e par isso elaborei um folheto informativo. Além disso, e como a automedicação é um problema incidente no nosso país, realizei um inquérito sobre automedicação na gripe e constipação nos utentes da Farmácia Vitália. Este inquérito permitiu conhecer melhor o padrão de automedicação nos utentes, avaliando quais os principais erros cometidos, de forma a poder melhorar o aconselhamento farmacêutico, sempre com o maior benefício possivel para o utente. Todas as atividades desenvolvidas por mim e descritas neste relatório foram essenciais para o meu crescimento profissional e pessoal, sendo um importante contributo no desenvolvimento das capacidades de atenção, inovação e melhoria constantes.
Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária | Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas vi Helena Adelina Teixeira Martins Pinto | Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto Índice INTRODUÇÃO .................................................................................................................................... 1 PARTE I DESCRIÇÃO DAS ATIVIDADES DESENVOLVIDAS NO ESTÁGIO 1. A Farmácia Vitália .................................................................................................................. 2 1.1 Direção Técnica e propriedade ..................................................................................... 2 1.2 Localização e horário de funcionamento ...................................................................... 2 1.3 Espaço físico da farmácia .............................................................................................. 2 1.4 Recursos Humanos ........................................................................................................ 4 2. Gestão e Administração ........................................................................................................ 5 2.1 Sistema Informático ...................................................................................................... 5 2.2 Gestão de stocks............................................................................................................ 5 2.3 Elaboração, receção e conferência de encomendas ..................................................... 6 2.4 Armazenamento ............................................................................................................ 7 2.5 Contolo de prazos de validade e devoluções ................................................................ 8 2.6 Marketing e promoção da farmácia .............................................................................. 8 3. Classificação e quadro legal dos produtos existentes na farmácia ....................................... 8 3.1 Medicamentos Sujeitos a Receita Médica (MSRM) ...................................................... 8 3.2 Medicamentos Não Sujeitos a Receita Médica (MNSRM) ............................................ 9 3.3 Medicamentos e produtos manipulados ...................................................................... 9 3.4 Produtos Cosméticos e de Higiene Corporal (PCHC) .................................................... 9 3.5 Produtos dietéticos e para alimentação especial ....................................................... 10 3.6 Suplementos alimentares ........................................................................................... 10 3.7 Produtos fitoterápicos ................................................................................................. 11 3.8 Produtos e medicamentos de uso veterinário ............................................................ 11 3.9 Dispositivos Médicos (DM) .......................................................................................... 11 3.10 Produtos Ortopédicos ................................................................................................. 12 4. Dispensa de Medicamentos ................................................................................................ 12 4.1 Prescrição médica; interpretação, validação e dispensa da mesma ........................... 12 4.2 Regras de prescrição por DCI ...................................................................................... 14 4.3 Medicamentos genéricos e sistemas de preços de referência ................................... 15 4.4 Medicamentos psicotrópicos e estupefacientes......................................................... 15 4.4.1 Regras de aquisição ............................................................................................. 15
Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária | Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas vii Helena Adelina Teixeira Martins Pinto | Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto 4.4.2 Regras de dispensa .............................................................................................. 16 4.4.3 Receituário .......................................................................................................... 16 4.5 Conferência de receituário e faturação ...................................................................... 17 4.6 Automedicação ........................................................................................................... 18 5. Serviços farmacêuticos ........................................................................................................ 19 5.1 Determinação de peso e altura ................................................................................... 19 5.2 Determinação da pressão arterial ............................................................................... 19 5.3 Determinação de parâmetros bioquímicos................................................................. 20 5.4 Farmacovigilância ........................................................................................................ 20 6. Formação contínua ............................................................................................................. 21 PARTE II APRESENTAÇÃO DOS TEMAS DESENVOLVIDOS TEMA 1 – IODO NA GRAVIDEZ............................................................................................................ 22 I. Introdução ....................................................................................................................... 22 II. Regulação da função tiroideia durante a gravidez .......................................................... 22 III. Metabolismo de iodo durante a gravidez ................................................................... 23 IV. Efeitos de deficiência de iodo na função tiroideia durante a gravidez e suas consequências para o feto ...................................................................................................... 25 V. Situação atual em Portugal ............................................................................................. 26 VI. Considerações finais .................................................................................................... 27 TEMA 2 – AUTOMEDICAÇÃO NA GRIPE E CONSTIPAÇÃO: TRABALHO DE CAMPO ......................................... 28 I. Fundamentação teórica .................................................................................................. 28 II. Metodologias .................................................................................................................. 29 a) Amostra ....................................................................................................................... 29 b) Variáveis em estudo .................................................................................................... 30 c) Recolha de dados ........................................................................................................ 30 d) Tratamento de dados .................................................................................................. 30 e) Aspetos éticos ............................................................................................................. 30 III. Resultados e Discussão ............................................................................................... 30 IV. Caso de estudo ............................................................................................................ 34 V. Considerações finais ........................................................................................................ 35 CONCLUSÃO .................................................................................................................................... 36
Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária | Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas viii Helena Adelina Teixeira Martins Pinto | Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto ÍNDICE DE ABREVIATURAS ANF – Associação Nacional de Farmácias BPF – Boas Práticas de Farmácia CCF – Centro de Conferência de Faturas CNP – Código Nacional do Produto DI – Deficiência em Iodo FEFO – First expired, first out hCG – Gonadotrofina Coriónica Humana HT – Hormonas Tiroideias IMC – Índice de Massa Corporal IVATR – Infeção Viral Aguda do Trato Respiratório OMS – Organização Mundial de Saúde PCHC – Produtos Cosméticos e de Higiene Corporal PVF – Preço de Venda à Farmácia PVF – Preço de Venda ao Público MG – Medicamento Genérico MNSRM – Medicamentos Não Sujeitos a Receita Médica MSRM – Medicamentos Sujeitos a Receita Médica RM – Receita Médica TBG – Thyroxin-binding Globulin VMA – Valor Máximo Admissível
Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária | Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas ix Helena Adelina Teixeira Martins Pinto | Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto ÍNDICE DE FIGURAS Figura 1 – Área de atendimento geral da farmácia. Figura 2 – Sala de atendimento personalizado. Figura 3 – Sala de ortopedia. Figura 4 – Representação esquemática das alterações ocorridas na gravidez. Figura 5 – Representação esquemática da cinética do iodeto numa pessoa saudável, não grávida. Figura 6 – Representação esquemática dos passos sequenciais na regulação da função tiroideia em mulheres grávidas com DI. Figura 7 – (A) distribuição da amostra por género; (B) distribuição da amostra por situação “vacinado”/”não vacinado”. Figura 8 – (A) distribuição da amostra por presença/ausência de IVATR no ano de 2013; (B) distribuição da amostra por resposta à pergunta 2.3 do inquérito: “Tomou alguma medicação para o efeito?”- “Sim”/”Não”. Figura 9 – Prevalência de automedicação na gripe e constipação nos utentes da Farmácia Vitália. Figura 10 – Distribuição dos medicamentos tomados pelos utentes por diferentes classes de fármacos.
Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária | Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas 5 Helena Adelina Teixeira Martins Pinto | Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto sempre pelo menos um farmacêutico tal como legislado no decreto-lei 307/2007, de 31 de agosto.[2] 2. Gestão e Administração A farmácia comunitária é essencialmente um local de prestação de cuidados de saúde, mas é também uma empresa. Assim sendo, é imprescindível uma gestão contínua eficaz e em constante atualização, de forma a tirar o maior proveito, garantindo sempre um serviço farmacêutico de qualidade. 2.1 Sistema Informático Desde maio de 2013 que na Farmácia Vitália se usa o Sifarma 2000 [3], uma ferramenta imprescindível para o farmacêutico e que garante um atendimento de maior qualidade. Este programa reduziu significativamente a complexidade do processo de venda, permitindo com que o farmacêutico tenha maior disponibilidade para o utente. É também uma ferramenta essencial para a gestão de stocks (permite criar e enviar encomendas aos fornecedores, rececionar encomendas, consultar dados estatísticos sobre a venda dos produtos, ajustar os stocks mínimos e máximos de cada produto, efetuar devoluções, controlar os prazos de validade, entre outros) e atua como um suporte informativo para o farmacêutico, tato na vertente comercial, como na vertente científica, uma vez que cada produto tem uma ficha com toda a informação científica relevante desde interações a contraindicações, posologias e ações terapêuticas. É também uma ferramenta muito útil na organização do receituário, efetuando a organização automática das receitas em lotes de 30 e no auxílio de dispensa de medicamentos psicotrópicos e estupefacientes, permitindo um controlo eficaz da entrada e servindo como uma checklist que indica todos os passos a seguir para a sua dispensa. 2.2 Gestão de stocks O stock corresponde aos produtos existentes na farmácia, disponíveis para dispensa, num determinado momento. A sua gestão é de extrema importância para o bom funcionamento de uma farmácia. É fundamental que a farmácia apresente um stock com qualidade e em quantidade suficiente, de acordo com as necessidades dos utentes, comprometendo-se a não ter rutura de stock, nem stock em excesso, o que
Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária | Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas 6 Helena Adelina Teixeira Martins Pinto | Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto conduz a um empate de capital e a um aumento do espaço necessário para armazenamento e possíveis perdas por expiração do prazo de validade. Para conseguir uma gestão racional de stocks é necessário avaliar diversos fatores como o perfil dos utentes, a disponibilidade dos produtos, o custo de armazenamento, a sazonalidade, o custo de capital, o custo de encomenda, os produtos publicitados na comunicação social, entre outros. Esta gestão é auxiliada pelo Sifarma 2000, começando pelo estabelecimento de stocks mínimos e máximos, valores estes que são periodicamente revistos com base nos registos e de forma a estarem concordantes com as necessidades dos utentes. Uma boa gestão tem como princípio adaptar o stock à farmácia e não a farmácia ao stock. No entanto, por vezes, ocorrem ruturas de stock por motivos exteriores à farmácia, nomeadamente produtos rateados ou esgotados no laboratório. Durante o meu estágio foi-me permitido participar ativamente na gestão de stocks, fazendo revisão de stocks mínimos e máximos de acordo com as necessidades da farmácia, fazendo encomendas diárias de produtos rateados e esgotados, sempre com o devido supervisionamento. Durante este período foram vários os produtos que se encontraram em rutura de stock, dos quais são exemplo DOCE ALÍVIO®, AZYLECT®, TERRICIL®, ARTANE®, EUTIROX®, VARFINE®, entre outros. 2.3 Elaboração, receção e conferência de encomendas A aquisição dos produtos pelas farmácias pode ser feita através da compra a distribuidores/grossistas, ou através de compra direta a laboratórios ou representantes de marcas. A Farmácia Vitália trabalha diariamente com vários distribuidores grossistas como a Cooprofar, OCP, Udifar e Agrofauna. A seleção dos fornecedores é realizada ponderando vários fatores como as condições financeiras que oferecem (facilidade de pagamento, descontos, bonificações), facilidade de contacto, rapidez na entrega dos produtos, possibilidade de devoluções de produtos, entre outros. O sistema informático facilita a seleção dos produtos a encomendar, registando automaticamente os produtos cuja quantidade se encontra abaixo do stock mínimo definido na página do produto, tendo também em consideração o stock máximo e o fornecedor preferencial. A proposta de encomenda é, então, analisada e, após aprovação, é enviada ao distribuidor via modem. Para além desta encomenda via modem, sempre que necessário fazem-se encomendas diretamente para os grossistas, via telefone.
Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária | Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas 7 Helena Adelina Teixeira Martins Pinto | Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto As encomendas chegam à farmácia em caixotes de plástico ou cartão, característicos de cada fornecedor e identificados com o nome da farmácia, um código numérico, um código de barras e uma fatura em duplicado. Na fatura consta o Código Nacional do Produto (CNP) de cada produto encomendado, o nome deste, a quantidade pedida e a quantidade enviada, o Preço de Venda ao Público (PVP) que deverá corresponder ao Valor Máximo Admissível (VMA)[4], o Preço de Venda à Farmácia (PVF) e o número do contentor na qual se encontra. Aquando a chegada de uma encomenda à farmácia, tem de se proceder à verificação da mesma, contabilizando os produtos e confrontando com a fatura ou guia de remessa que acompanha sempre a encomenda. Durante o meu estágio, passei duas semanas exclusivamente no armazém, onde me foi possível acompanhar todo o processo de realização e receção de encomendas de diversos distribuidores. 2.4 Armazenamento O armazenamento é o passo imediatamente a seguir à receção da encomenda e tem elevada importância pois facilita o trabalho do farmacêutico no ato da dispensa, para que demore o mínimo tempo necessário. Existem produtos de frio que necessitam de temperaturas entre 2-8ºC e que são imediatamente armazenados nos frigoríficos aquando a chagada da encomenda. Os restantes produtos são armazenados em condições de temperatura controlada e inferior a 25ºC e humidade inferior a 60%, ao abrigo da luz e com ventilação adequada, de acordo com as BPF. Para que se minimizem as perdas por falta de validade os produtos são armazenados de modo a obedecer ao princípio FEFO (first expired, first out). [1] A arrumação de existências ocupou uma parte das minhas tarefas no estágio e revelou-se fundamental, permitindo o primeiro contacto com todo o tipo de medicamentos e produtos de saúde, possibilitando a associação de nomes comerciais com os respetivos princípios ativos, as suas aplicações terapêuticas e as diversas formas farmacêuticas e dosagens comercializadas. O tempo dedicado à arrumação de produtos traduziu-se, no atendimento, num menor tempo de chegada aos produtos e num atendimento mais rápido e eficiente.
Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária | Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas 8 Helena Adelina Teixeira Martins Pinto | Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto 2.5 Contolo de prazos de validade e devoluções Utilizando o sistema informático, todos os meses é impressa a lista dos produtos cujo prazo de validade termine daí a dois meses. Os produtos nela mencionados são separados e, posteriormente, devolvidos aos fornecedores acompanhados de uma nota de devolução, onde se encontra devidamente justificado o motivo da devolução. Caso os produtos devolvidos sejam aceites pelo fornecedor este emitirá uma nota de crédito à farmácia, a descontar na fatura mensal. Caso a devolução não seja aceite, os produtos voltam para a farmácia que os coloca no VALORMED para serem devidamente processados e destruídos. Neste último caso, há um prejuízo direto para a farmácia. Durante o meu estágio controlei prazos de validade e tive oportunidade de realizar e regularizar devoluções. 2.6 Marketing e promoção da farmácia As farmácias procuram a satisfação dos seus utentes, operando numa lógica permanente de competitividade e de rentabilidade. Sendo a farmácia uma empresa e estando sujeito à concorrência, é cada vez mais importante, no âmbito da gestão farmacêutica, a componente Marketing. A Farmácia Vitália promove a sua imagem através de várias fontes de informação com recurso às redes sociais e também edita mensalmente um folheto onde se publicitam produtos que se encontram disponíveis na farmácia, assim como promoções ou campanhas. 3. Classificação e quadro legal dos produtos existentes na farmácia 3.1 Medicamentos Sujeitos a Receita Médica (MSRM) Os MSRM só poderão ser dispensados quando o utente apresenta uma receita prescrita por profissional credenciado. Devem preencher uma das seguintes condições: poder constituir um risco para a saúde do doente, direta ou indiretamente, mesmo quando usados para o fim a que se destinam, caso sejam utilizados sem vigilância médica; poder constituir um risco, direto ou indireto, para a saúde, quando
Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária | Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas 9 Helena Adelina Teixeira Martins Pinto | Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto utilizados com frequência em quantidades consideráveis para fins diferentes daquele a que se destinam; conter substâncias, ou preparações à base dessas substâncias, cuja atividade ou reações adversas seja indispensável aprofundar; ser sujeito a administração por via parentérica. [5] Os MSRM podem ser prescritos através de uma receita médica não renovável, apresentando validade de um mês, com finalidade de serem utilizados num tratamento de curta duração. Podem também ser prescritos através de uma receita médica renovável, destinados a tratamentos prolongados como é o caso de doenças crónicas. Nestes casos a receita médica apresenta-se em triplicado e tem validade de 6 meses. Os MSRM apresentam um preço de venda ao público (PVP) fixo, marcado na embalagem, e podem ou não usufruir de comparticipação pelo Estado.[5] 3.2 Medicamentos Não Sujeitos a Receita Médica (MNSRM) Os MNSRM não necessitam de uma receita médica para poderem ser cedidos ao utente. Por esta razão, são também conhecidos como medicamentos de “venda livre”, podendo ser dispensados pelas farmácias e locais de venda autorizados. Para serem considerados MNSRM, estes têm de conter as indicações terapêuticas incluídas na lista de “situações passíveis de automedicação” presentes no despacho nº17690/2007, de 10 de agosto.[6] 3.3 Medicamentos e produtos manipulados Os medicamentos manipulados correspondem a qualquer fórmula magistral (preparada mediante receita médica) ou preparado oficinal (preparado segundo uma farmacopeia ou formulário), preparado e dispensado sob a responsabilidade de um farmacêutico. Durante o meu estágio passei uma semana exclusivamente no laboratório, onde me foi possível por em prática os conhecimentos adquiridos na faculdade e adquirir novos conhecimentos sobre a produção de manipulados. Em anexo encontra-se a lista de manipulados que tive a oportunidade de fazer – Anexo I. 3.4 Produtos Cosméticos e de Higiene Corporal (PCHC) Segundo o decreto-lei n.º 142/2005, de 24 de agosto, os produtos cosméticos e de higiene corporal constituem substâncias ou preparações destinadas à aplicação na
Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária | Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas 10 Helena Adelina Teixeira Martins Pinto | Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto superfície do corpo humano, designadamente epiderme, sistemas piloso e capilar, unhas, lábios, órgãos genitais externos, dentes e mucosas bucais. Têm como finalidade limpar, perfumar, modificar o aspeto, proteger ou manter em bom estado ou ainda corrigir os odores corporais.[7] A procura destes produtos é condicionada pelas campanhas publicitárias, pela época do ano e, também, pela própria exposição destes produtos na farmácia. Deste modo, na Farmácia Vitália, os PCHC estão dispostos nos lineares e gondolas, de modo a tornarem-se visíveis e apelativos para os utentes. Durante o meu estágio procedi ao aconselhamento personalizado de PCHC, para o qual é necessário ter em conta o tipo de pele do utente, patologias e alergias que possua, idade, estilo de vida, hábitos de higiene e gosto pessoal, coloquei, assim, em prática os conhecimentos adquiridos nas formações que frequentei durante o estágio. 3.5 Produtos dietéticos e para alimentação especial Segundo os decretos-lei 74/2010, de 21 de junho, e 227/99, de 22 de junho, os produtos de alimentação especial são “produtos alimentares que, devido à sua composição ou a processos especiais de fabrico, se distinguem claramente dos géneros alimentícios de consumo corrente; são adequados ao objetivo nutricional pretendido e são comercializados com a indicação de que correspondem a esse objetivo”.[8] Estes produtos, regulados pelo Ministério da Agricultura, Mar, Ambiente e Ordenamento do Território, respondem às necessidades nutricionais especiais de pessoas cujo processo de assimilação ou metabolismo se encontram perturbados ou que se encontram em condições fisiológicas especiais.[9] A Farmácia Vitália disponibiliza diferentes géneros alimentícios para alimentação especial, nomeadamente fórmulas para lactentes, fórmulas de transição, outros alimentos para bebés e crianças jovens e alimentos destinados a serem utilizados em dietas de restrição calórica. 3.6 Suplementos alimentares Os suplementos alimentares são géneros alimentícios comuns, sendo, por isso, regulados pelo Ministério da Agricultura, Mar, Ambiente e Ordenamento do Território. A estes produtos não se atribuem propriedades profiláticas ou de tratamento de doenças, estando proibida a sugestão de tais propriedades na rotulagem, apresentação e publicidade destes. Podem possuir um conjunto variado de nutrientes,
Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária | Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas 11 Helena Adelina Teixeira Martins Pinto | Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto nomeadamente vitaminas, minerais, aminoácidos, ácidos gordos essenciais, fibras e várias plantas e extratos de ervas, entre muitos outros. [10] Os suplementos destinam-se a complementar o regime alimentar normal não devendo ser utilizados como substitutos de um regime alimentar variado. 3.7 Produtos fitoterápicos São também regidos pelo Estatuto do Medicamento, que os define e regula. Estão disponíveis em diversas formas farmacêuticas, incluindo cápsulas, ampolas e infusões. Apesar de terem origem natural, não são inócuos porque na sua constituição têm substâncias providas de ação farmacológica, podendo, por isso, causar efeitos adversos e ter contraindicações. Cabe ao farmacêutico, no ato de aconselhamento, ter isso em conta, e desaconselhar o uso em caso de ser contraindicado, ou no caso da possibilidade de existência de interações com medicamentos habitualmente tomados pelo utente. 3.8 Produtos e medicamentos de uso veterinário Segundo o decreto-lei nº 148/2008 uma farmácia pode ter à venda medicamentos de uso veterinário, sendo estes “um bem público e recursos cruciais para a defesa da saúde e do bem-estar dos animais e para a proteção da saúde pública”. [11] Na Farmácia Vitália podem encontrar-se diversos medicamentos veterinários destinados a diversos animais e de uso sistémico ou externo. 3.9 Dispositivos Médicos (DM) Dispositivo médico define-se como “qualquer instrumento, aparelho, equipamento, material ou artigo cujo principal efeito pretendido no corpo humano não seja alcançado por meios farmacológicos, imunológicos ou metabólicos, e seja destinado a ser utilizado para fins de diagnóstico, prevenção, controlo, tratamento ou atenuação de uma doença, lesão ou deficiência”. [12] Os dispositivos médicos são integrados em três classes: classe I (baixo risco), classe IIa e classe IIb (médio risco) e classe III (alto risco). Esta classificação é atribuída pelo fabricante tendo em conta as regras de classificação estabelecidas na legislação. [13] São exemplos de dispositivos médicos à venda na Farmácia Vitália ligaduras, fraldas e pensos para incontinência, algodão, meias de compressão, pensos para
Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária | Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas 12 Helena Adelina Teixeira Martins Pinto | Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto proteção e tratamento de feridas, joelheiras elásticas, termómetros, seringas e agulhas, compressas, preservativos, luvas de exame, equipamento para medição de glicémia e frascos para colheita assética de urina, entre outros. 3.10 Produtos Ortopédicos A Farmácia Vitália tem ao dispor dos seus clientes uma variedade de calçado ortopédico, nomeadamente da Scholl®, Jade®, entre outras marcas especialistas neste calçado. 4. Dispensa de Medicamentos O farmacêutico é o profissional de saúde mais próximo e acessível ao utente e, como tal, desempenha um papel fundamental no esclarecimento, educação e aconselhamento acerca dos medicamentos, assim como das medidas não farmacológicas que se podem adotar para aumentar o seu bem-estar. Como último profissional de saúde a contactar com o utente antes do uso do medicamento e como o primeiro e único a aconselhar na automedicação, cabe ao farmacêutico zelar por uma utilização correta, segura e racional do medicamento. 4.1 Prescrição médica; interpretação, validação e dispensa da mesma Uma receita mal aviada resulta num prejuízo direto para a farmácia e pode também significar um risco para o utente. Para que não haja erros de dispensa ou faturação, o farmacêutico deve saber interpretar as receitas bem como estar a par da legislação. Antes de proceder ao ato de dispensa dos medicamentos propriamente dito, o farmacêutico tem de efetuar uma validação da receita médica (RM) que lhe é apresentada. Segundo as normas estabelecidas pela portaria n.º 193/2011, de 13 de maio, para uma receita ser considerada válida deve conter todos os seguintes dados: número da receita, identificação do médico prescritor, nome e número do utente, medicamento ou medicamentos prescritos (DCI, dosagem, forma farmacêutica, dimensão da embalagem e número de embalagens que devem ser cedidas), entidade responsável pela comparticipação, data de prescrição e período de validade da receita, assinatura do médico.
Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária | Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas 13 Helena Adelina Teixeira Martins Pinto | Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto A 1 de agosto de 2011 entrou em vigor a Portaria nº 198/2011, de 18 de Maio, que veio estabelecer as regras de prescrição eletrónica de medicamentos e do regime transitório das receitas manuais de medicamentos.[14] Neste documento consta o modelo geral de receita eletrónica (Anexo II). No entanto, e em termos do regime transitório das receitas manuais, são estabelecidas um conjunto de exceções que permitem a continuação da prescrição manual, desde que sejam usados os impressos adequados fornecidos pela Imprensa Nacional da Casa da Moeda: por inadaptação do prescritor; ser efetuada no domicílio; por falência do sistema eletrónico; quando o volume de prescrição mensal é inferior a 40 receitas. Durante a dispensa do medicamento com RM, o farmacêutico deverá ter em conta alguns fatores importantes, constantes na tabela em Anexo III. [15][16] Por vezes, não se encontram preenchidos todos os campos obrigatórios de uma RM e cabe ao farmacêutico tomar decisões de forma a resolver o problema, por exemplo: se o médico prescreveu um medicamento cuja dimensão da embalagem não está comercializada, avia-se a embalagem comercializada de dimensão suficiente para efetuar o tratamento; no caso de medicamentos sujeitos a comparticipações especiais, se o Despacho ou Portaria correspondente não estiver referido na receita, o aviamento só poderá ser feito se o utente concordar em adquirir o medicamento sem a respetiva comparticipação; entre outros. De acordo com o artigo 4º do DL nº 242-B/2006, a dispensa de medicamentos comparticipados deve ser recusada quando a RM não obedece aos modelos ou ao formato legal, contenha correções, rasuras ou quaisquer outras modificações, não se encontre autenticada pelo médico que a emitiu ou pelo estabelecimento de saúde ou se encontre fora do prazo de validade. [17] Após validação da receita, o farmacêutico ou técnico pode proceder à cedência de medicamentos mediante a prescrição médica, acompanhando este ato com toda a informação e indicação clínica indispensável para o correto uso dos mesmos. As farmácias devem ter disponíveis para venda, no mínimo, três medicamentos com a mesma substância ativa, forma farmacêutica e dosagem, de entre os que correspondam aos cinco preços mais baixos de cada grupo homogéneo, de modo a poder ser sempre o medicamento de menor preço, salvo se for outra a opção do utente. No ato da dispensa, o farmacêutico preenche informaticamente os dados referentes à RM. Cada entidade comparticipante detém um código informático correspondente, o qual deve ser introduzido pelo farmacêutico aquando o aviamento da receita. Caso a receita faça menção de alguma portaria ou despacho esta
Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária | Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas 14 Helena Adelina Teixeira Martins Pinto | Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto informação deve também ser introduzida informaticamente utilizando o código correspondente. As portarias alteram a incidência da comparticipação do medicamento, permitindo ao doente obter uma maior comparticipação por parte do Estado, traduzindo-se num menor valor monetário pago no ato de levantamento dos medicamentos pelo utente. No final do atendimento procede-se à impressão no verso da receita, seguido da assinatura do utente e farmacêutico e carimbo da farmácia. [18] 4.2 Regras de prescrição por DCI A prescrição de um medicamento inclui obrigatoriamente a respetiva DCI da substância ativa, a forma farmacêutica, a dosagem, a apresentação e a posologia. Cada receita médica pode conter até 4 medicamentos distintos, não podendo o número de embalagens ultrapassar o limite de 2 por medicamento, nem o total de 4 embalagens, excetuando-se o caso dos medicamentos apresentados sob a forma de embalagem unitária, que podem ir até um total de 4. Em situações de prescrição de medicamentos com substância ativa para a qual não exista medicamento genérico comparticipado ou para a qual só exista original de marca ou em casos de justificação técnica do prescritor quanto à impossibilidade de substituição do medicamento prescrito, a prescrição médica pode incluir a respetiva denominação comercial do medicamento. Estas exceções são de indicação obrigatória pelo prescritor em local apropriado da receita, sendo apenas admissíveis justificações técnicas quando ocorre: A: Prescrição de um medicamento com margem ou índice terapêutico estreito; B: Suspeita, previamente reportada ao INFARMED, de intolerância ou reação adversa a um medicamento com a mesma substância ativa, mas identificado por outra denominação comercial; C: Prescrição de medicamentos destinados a assegurar a continuidade de um tratamento com duração estimada superior a 28 dias. O direito de opção do utente pelo medicamento que, cumprindo a prescrição, apresente o preço mais baixo fica vedado pelas exceções apresentadas pelo prescritor, sendo que apenas na exceção C o utente pode optar por um medicamento de preço igual ou inferior ao prescrito. A prescrição de medicamentos estupefacientes ou substâncias psicotrópicos não pode constar na mesma receita onde sejam prescritos outros medicamentos. [18]
Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária | Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas 21 Helena Adelina Teixeira Martins Pinto | Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto prazo mais curto possível, nunca excedendo quinze dias após a receção da informação.[27] 6. Formação contínua A saúde é uma área dinâmica e a formação contínua é uma mais-valia e uma obrigação profissional que permite marcar a diferença na qualidade do serviço farmacêutico que é prestado. Durante o estágio frequentei algumas formações que me permitiram relembrar alguns conceitos e adquirir novos, aplicar conceitos teóricos adquiridos na faculdade à prática farmacêutica e conhecer mais aprofundadamente alguns produtos farmacêuticos, nomeadamente PCHC. Listagem de formações frequentadas durante o estágio: “Curso Geral Bioderma” de BIODERMA – Laboratoire Dermatologique “Avene – O cuidado essencial das peles sensíveis” de Pierre Fabre Dermo-Cosmétíque Lda “Formação Geral A-Derma” de Pierre Fabre Dermo-Cosmétíque Lda “Formação Geral Ducray” de Pierre Fabre Dermo-Cosmétíque Lda “Avene – Couverance Maquilhagem corretiva” de Pierre Fabre DermoCosmétíque Lda “Klorane Bebé” de Pierre Fabre Dermo-Cosmétíque Lda “Klorane Capilar” de Pierre Fabre Dermo-Cosmétíque Lda VIII Congresso Científico AEFFUP: “Doenças Infeciosas Emergentes”
Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária | Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas Helena Adelina Teixeira Martins Pinto | Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto PARTE II APRESENTAÇÃO DOS TEMAS DESENVOLVIDOS
Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária | Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas 22 Helena Adelina Teixeira Martins Pinto | Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto TEMA 1 – IODO NA GRAVIDEZ I. Introdução O iodo é um elemento essencial e insubstituível na molécula das hormonas tiroideias. Estas hormonas são essenciais para a vida humana e em especial para o desenvolvimento cerebral fetal e neonatal. É sobejamente reconhecia a importância do aporte suficiente de iodo durante a gravidez, dado o impacto no desenvolvimento psicomotor do feto. Em cenários de aporte de iodo insuficiente a capacidade de adaptação da tiroide esgota-se, entrando em falência e originando um vasto leque de perturbações por deficiência em iodo. Em agosto de 2013, a Direcção-Geral da Saúde divulgou uma Orientação Clínica em que define que, “as mulheres em preconceção, grávidas ou a amamentar devem receber um suplemento diário de iodo sob a forma de iodeto de potássio desde o período pré-concecional, durante toda a gravidez e enquanto durar o aleitamento materno exclusivo”. [28] Em setembro de 2013 (no início do meu estágio) a BIAL lança o primeiro medicamento com iodo no mercado português, YODAFAR®, que consiste num suplemento de iodeto de potássio indicado na correção de deficiências nutritivas de iodo. Por ser uma temática recente decidi explorar o tema no meu relatório final e, como acho que a informação ainda não chegou aos utentes, nomeadamente às grávidas que são o principal grupo de interesse fiz um folheto informativo para disponibilizar aos utentes na farmácia (Anexo IV) II. Regulação da função tiroideia durante a gravidez A gravidez está associada a modificações profundas na regulação da função tiroideia devido a eventos fisiológicos que ocorrem em diferentes fases durante a gestação. Estas alterações fisiológicas exercem efeito estimulante sobre a glândula tiroideia. [29] [30] No início da gestação, as concentrações elevadas de estrogénio provocam um aumento marcado da concentração sérica de proteina transportadora da tiroxina, Thyroxin-binding Globulin (TBG).[30][31] Ocorre também aumento do fluxo sanguíneo renal e da filtração glomerular, que levam a um aumento da clearance de iodeto e,
Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária | Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas 23 Helena Adelina Teixeira Martins Pinto | Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto portanto, a uma perda acentuada do mesmo.[30][32] Perto do final do primeiro trimestre, há uma estimulação direta da tiroide pelas concentrações elevadas de Gonadotrofina Coriónica Humana (hCG), podendo resultar num aumento da concentração de T4 livre. [30] Em conjunto, estes eventos representam uma profunda alteração metabólica que é acompanhada por um aumento de produção hormonal pela tiroide materna (Figura 4). Figura 4 – Representação esquemática das alterações ocorridas na gravidez. Quando o equilíbrio é alcançado, as necessidades hormonais mantem-se até ao termo da gestação, correspondendo à adaptação fisiológica da tiroide à gravidez. Quando a grávida tem um aporte insuficiente de iodo, esta adaptação fisiológica é progressivamente substituída por alterações patológicas e quanto maior for a deficiência em iodo, mais pronunciadas vão ser as consequências na tiroide materna e fetal.[30][33] III. Metabolismo de iodo durante a gravidez Após redução a iodeto, o iodo da dieta é rapidamente absorvido a nível intestinal. Este iodeto junta-se ao iodeto resultante do catabolismo periférico das hormonas tiroideias (por desiodação) formando o pool extratiroidal de iodo inorgânico (PII). Este pool tem um equilíbrio dinâmico envolvendo a tiroide e o rim. [31]
Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária | Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas 24 Helena Adelina Teixeira Martins Pinto | Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto Um adulto saudável utiliza aproximadamente 80 µg de iodeto para produzir hormonas tiroideias (HT). Quando o aporte de iodo é adequado (150 µg/dia), a tiroide faz tomada de 35% do iodo disponível. Dos 80 µg de iodeto hormonal produzido pelo catabolismo diário das HT, 15 µg são eliminados nas fezes e 25 µg são redistribuídos para a tiroide e 40 µg eliminados na urina.[34] Nestas condições, o balanço metabólico mantem-se em equilíbrio: com a entrada de 150 µg de iodo e a saída da mesma quantidade (135 µg urina + 15 µg fezes) e sempre com 80 µg disponíveis para a síntese diária de hormonas (Figura 5). Figura 5 – Representação esquemática da cinética do iodeto numa pessoa saudável, não grávida. Adaptado de [29]. Quando o aporte de iodo é restrito apenas a 70 µg/dia (situação típica na Europa Ocidental), a tomada pela tiroide é aumentada de 35% para 50%. Este aumento do uptake recuperar algum do iodo em falta. No entanto, nestas condições o aporte não é suficiente para suster as necessidades da produção de HT (80 µg diários) e para compensar a quantidade em falta (10-12 µg) é utilizado o iodo armazenado na glândula. Ao longo do tempo, e se a situação nutricional se mantiver, o balanço metabólico torna-se negativo e a tiroide tenta adaptar-se por aumento do uptake e hipertrofia glandular. [35] Na gravidez ocorrem duas alterações fundamentais: aumento da clearance renal de iodeto e aumento das necessidades em iodeto para a produção de HT (de 80 para 120µg/dia). Quando durante a gravidez o aporte de iodo é de apenas 70 µg, apesar do aumento do uptake glandular para 60%, o equilíbrio fica rapidamente desequilibrado, pois o iodo é insuficiente para suprir as novas necessidades para a
Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária | Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas 25 Helena Adelina Teixeira Martins Pinto | Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto síntese de HT. Nestas condições, cerca de 20 µg de iodo ficam em falta diariamente, aumentando o recurso a iodo armazenado na glândula, diminuindo ainda mais estas reservas. [36] [37] Este fenómeno tem tendência a agravar-se até ao fim da gravidez se o aporto de iodo não for corrigido.[33] [38] Um segundo mecanismo de privação de iodo para a mãe ocorre mais tarde na gestação, quando há passagem de iodo da circulação materna para o feto. A extensão desta passagem ainda não foi estabelecida com precisão. A meio da gestação, a glândula tiroideia fetal já iniciou a síntese de hormonas indispensável para o desenvolvimento fetal. Quando o aporto de iodo é insuficiente é ativado um ciclo vicioso que leva a estimulação glandular excessiva. [29] IV. Efeitos de deficiência de iodo na função tiroideia durante a gravidez e suas consequências para o feto O risco de privação de iodo durante a gravidez deve ser avaliado localmente e ao longo do tempo, pois as deficiências em iodo (DI) leves a moderadas ocorrem em áreas que não são imediatamente reconhecidas como deficientes em iodo. Para além disso, há variações consideráveis do aporte de iodo dentro de um mesmo país, com variações significativas das DI. A DI torna-se significativa durante a gravidez quando o aporte de iodo é menor que 100 µg por dia. É, por isso, importante avaliar o grau de DI em cada área específica antes de estabelecer alguma recomendação médica para suplementação com iodo. [39] Como já foi referido anteriormente, a DI resulta em hipotiroxinemia durante a gravidez, levando á um aumento da estimulação tiroideia (através de mecanismos de feedback da TSH) e consequentemente bócio na mãe e feto. Esta deficiência em iodo, pode, então, ser corrigida por suplementação alimentar (Figura 6). Figura 6 – Representação esquemática dos passos sequenciais na regulação da função tiroideia em mulheres grávidas com DI. Adaptado de [29].
Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária | Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas 26 Helena Adelina Teixeira Martins Pinto | Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto Na prática clínica, quando a gravidez está associada a DI, são usados critérios simples para averiguar possível estimulação tiroideia excessiva: determinação de T4 livre, de TSH, do nível de excreção urinária de iodo e do volume da tiroide por ecografia. Como já foi referido anteriormente, o iodo é essencial para a síntese de HT. Estas HT são cruciais no desenvolvimento cerebral durante o desenvolvimento fetal e pós-natal. Desta forma, qualquer falha na disponibilidade destas hormonas, durante fases críticas do desenvolvimento cerebral, podem induzir danos irreversíveis com retardação mental e anormalidades neurológicas (exemplo, cretinismo endémico). [40] O cretinismo endémico constitui uma expressão extrema do espetro de anomalias no desenvolvimento físico e intelectual da criança, assim como uma diminuição da capacidade funcional da glândula tiroideia. [41] As deficiências neuro-intelectuais associadas com DI não estão limitadas às áreas reconhecidas como deficientes em iodo e, recentemente, o impacto das DI leves e moderadas no feto têm também sido reconhecidas. DI é uma das causas mais prevalentes de retardação mental e que pode facilmente ser prevenida, ou até eliminada, por suplementação com iodo. [42] Por fim, é necessário ter em conta que a hipotiroxinemia durante a gravidez pode também estar presente por outros fatores que não o insuficiente aporte de iodo, por exemplo na tiroidite crónica autoimune. [38] [42] V. Situação atual em Portugal Em 2010, um estudo do Grupo de Estudos da Tiroide da Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, que englobou 3631 grávidas portuguesas, permitiu (pela primeira vez em Portugal) a caracterização do aporte dietético de iodo neste grupo. Para tal, foi usado o doseamento do iodo urinário. A principal conclusão que emergiu foi que este grupo tem um aporte insuficiente de iodo. A mediana de iodúria encontrada foi de 84,9 µg/l. De acordo com os critérios da OMS, apenas 17% das mulheres neste estudo tinha iodúria indicadora de aporte suficiente (>150 µg). [43][44] Como o iodo necessário à produção hormonal da mãe e do feto provem exclusivamente da dieta materna, a OMS/Fundo das Nações Unidas para a Infância/International Council for the Control of Iodine Deficiency Disorders Global
Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária | Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas 27 Helena Adelina Teixeira Martins Pinto | Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto Network recomendam a suplementação com iodo de forma à ingestão diária de 250 µg durante o período de preconceção, gestação e amamentação esteja assegurada. De igual forma, a Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo, em parceria com a Direção-Geral da Saúde, propõe a suplementação com iodeto de potássio durante a preconceção, gravidez e lactação com 150-200 µg/dia. Desta forma, a BIAL lança o YODAFAR® em setembro de 2013. Este MSRM está disponível no mercado em duas dosagens diferentes: 200 µg e 300 µg, com uma composição quantitativa de 262 µg e 393 µg de iodeto de potássio respetivamente. VI. Considerações finais As principais alterações tiroideias durante a gravidez estão associadas ao aumento das necessidades hormonais. Quando o aporte de iodo é insuficiente para uma adaptação fisiológica adequada a este estado, o equilíbrio é rapidamente substituído por alterações patológicas que levam a um excesso de estimulação glandular. A deficiência em iodo pode estar associada a alterações neuro-psicointelectuais no feto e ao aumento do risco de desenvolvimento fetal anormal. Em Portugal verifica-se que há um aporte de iodo insuficiente nas mulheres grávidas e a Direção-Geral da Saúde recomenda a suplementação com iodeto de potássio 150-200 µg/dia, para colmatar esta recomendação, a BIAL lançou YODAFAR® em setembro de 2013. Cabe ao farmacêutico, profissional de saúde mais próximo do utente, informar as utentes grávidas ou em fase de preconceção da importância do aporte suficiente de iodo durante a gestação e aconselha-las a falar com o seu médico sobre a possível necessidade de suplementação.
Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária | Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas 28 Helena Adelina Teixeira Martins Pinto | Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto TEMA 2 – AUTOMEDICAÇÃO NA GRIPE E CONSTIPAÇÃO: TRABALHO DE CAMPO I. Fundamentação teórica Infeções virais agudas do trato respiratório (IVATR) são as principais doenças encontradas nos humanos, sendo que um adulto contrai IVATR entre 2 a 7 vezes por ano e uma criança em idade escolar pode ter entre 7 e 10 IVATR por ano. [45] Os sintomas são tão comuns que o autodiagnóstico de gripe/constipação é muito frequente. A gripe e constipação incluem sintomatologia de rinite, com níveis variáveis de faringite, sendo que os principais sintomas associados são: congestão nasal, espirros, dores de garganta, tosse e rouquidão. [46] A severidade dos sintomas evolui rapidamente, atingindo o pico 2-3 dias após a infeção e com uma duração média de 710 dias, sendo que alguns sintomas podem persistir até 3 semanas. [47] Estas infeções são geralmente autolimitadas, mas podem ocorrer complicações secundárias como infeções bacterianas, exacerbações de asma, doença pulmonar obstrutiva crónica e fibrose cística. [48] As IVATR podem ser causadas por uma grande variedade de vírus, como se pode ver na Tabela 2, que utilizam diferentes vias de transmissão e têm grandes variações sazonais. Como existem diversos serotipos gripais responsáveis por estas infeções, a produção de vacinas é muito difícil, sendo comercializadas apenas vacinas para o vírus Influenza. A vacina atual contém antigénios de dois serotipos de Influenza tipo A (H3N2 e H1N1) e de um serotipo de Influenza tipo B. A vasta variedade de vírus causadores de IVATR dificulta também o tratamento, sendo este principalmente direcionado para o alívio dos sintomas. Tabela 2 – Vírus associados com gripe e constipação. Adaptado de [46]. Vírus Percentagem de casos (%) Rinovírus 30 - 50 Coronavírus 10 - 15 Vírus Influenza 5 - 15 Vírus Respiratório Sincicial 5 Vírus Parainfluenza 5 Adenovírus > 5 Metapneumovírus 2 Vírus desconhecido 20 - 30
Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária | Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas 29 Helena Adelina Teixeira Martins Pinto | Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto Geralmente o diagnóstico de gripe ou constipação é feito baseado apenas na sintomatologia apresentada pelo doente e há vários fatores que podem conduzir a um diagnóstico errado. O primeiro fator é facto de as características clínicas de uma gripe ou constipação se poderem sobrepor às de uma faringite ou bronquite, sendo que as faringites e sinusites poderem ser causadas também por agentes etiológicos bacterianos. Para além disso, as doenças alérgicas das vias respiratórias superiores na maioria das vezes têm características clínicas semelhantes à gripe ou constipação.[46] Estes fatores podem conduzir a uma prescrição errada, especialmente ao uso de antibióticos quando estes não são necessários. [49] Como foi dito anteriormente, nestes casos o autodiagnóstico é muito frequente, fazendo com que a automedicação com MNSRM seja a primeira linha de tratamento nestas infeções. De uma forma geral os doentes só recorrem ao médico se não verificarem uma melhoria dos sintomas após 24-48h do início da toma de MNSRM. [50] O farmacêutico tem um papel fundamental na assistência, dispensa e cedência de informação sobre os medicamentos disponíveis para automedicação, devendo também promover o uso racional do medicamento. Por isso mesmo e visando uma análise mais específica da automedicação nestas IVATR nos utentes com que lidei diariamente no meu estágio surgiu o estudo: “Prevalência de Automedicação na Gripe e Constipação nos Utentes da Farmácia Vitália”. Tendo em conta o que foi exposto anteriormente, este estudo teve como principais objetivos a análise da prevalência dos principais sintomas de IVATR, a prevalência da automedicação nessas infeções e distribuição dos MNSRM escolhidos pelos utentes nas diferentes classes de fármacos (isto é, analgésicos, antipiréticos, anti-histamínicos, antitússicos). II. Metodologias a) Amostra O estudo foi realizado na Farmácia Vitália (Porto, Portugal) e obedeceu a critérios de inclusão: utentes da farmácia de ambos os géneros, com idade igual ou superior a 18 anos, residentes em Portugal e que tenham demonstrado interesse em participar no estudo; e a critérios de exclusão: utentes com menos de 18 anos e utentes residentes no estrangeiro. Desta forma, a amostra em estudo foi constituída por 40 utentes da Farmácia Vitália.
Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária | Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas 36 Helena Adelina Teixeira Martins Pinto | Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto CONCLUSÃO O estágio na Farmácia Vitália permitiu-me adquirir uma visão integradora da vida de um profissional farmacêutico e a aquisição de conhecimentos e competências para exercer com maior confiança a profissão no futuro. Durante este estágio tive a oportunidade de aplicar conhecimentos adquiridos no Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas, que se mostraram essenciais para um eficaz desempenho da atividade profissional. Os ensinamentos e contributos dos farmacêuticos e equipa técnica foram muito significativos na aquisição de múltiplas competências (ao nível da dispensa de medicamentos, prestação de cuidados farmacêuticos, gestão de stocks, encomendas, contabilidade). Foi de extrema importância o atendimento aos utentes, tarefa que desempenhei na maioria do meu estágio, que me permitiu consciencializar da verdadeira importância e elevado grau de responsabilidade do farmacêutico enquanto profissional de saúde. Foi durante a fase em que fiz atendimento que fiz o meu inquérito aos utentes e tentei conscencializar para o perigo da automedicação, auxiliando sempre na escolha do melhor MNSR para o utente e informando sempre da posologia correta. Tive também a oportunidade de informar e distribuir os meus folhetos sobre o iodo a utentes grávidas, não surgindo a oportunidade de informar nenhuma utente em fase de pré-concepção. Como futura farmacêutica, senti que estava a desempenhar um papel importante, que consegui transmitir a informação de forma clara aos meus utentes e que os temas que desenvolvi se adequaram à comunidada a que me dirigi. Este estágio foi uma experiência completa da profissão de farmacêutico comunitário, constituindo a ferramenta fundamental para a exerção desta profissão no futuro.
Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária | Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas I Helena Adelina Teixeira Martins Pinto | Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto Referências Bibliográficas [1] Santos HJ, Cunha IN, Coelho PV, Cruz P, Botelho R, Faria G, et al. Boas Práticas Farmacêuticas para Farmácia Comunitária. 3ªed s.l :Ordem dos Farmacêuticos, 2009. [2] Ministério da Saúde. Decreto-lei nº 307/2007, de 31 de agosto. Diário da República, 1ª Série, nº 168, 6083 - 6091. [3] Ministério da Saúde. Deliberação nº 292/2005, de 17 de fevereiro. Diário da República, 2.ª Série, n.º 46, 3471-3472. [4] Ministério da Saúde. Decreto-lei nº 65/2007, de 14 de março. Diário da República, 1ª série, nº 52, 1613-1616. [5] Ministério da Saúde. Decreto-lei nº 176/2006 de 30 de agosto. Diário da República, 1ª Série, nº 167, 6297-6383. [6] Ministério da Saúde. Despacho nº17690/2007, de 10 de agosto. Diário da República, 2ª série, nº 154, 22849-22850. [7] Ministério da Saúde. Decreto-lei nº 142/2005, de 24 de agosto. Diário da República, Série I-A, nº162, 4904-4969. [8] Ministério da Saúde. Decreto-lei n.º 227/99, de 22 junho. Diário da República, Série I-A, nº 143, 35853588. [9] Ministério da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas. Decreto-lei nº 74/2010, de 21 de junho. Diário da República, 1ª Série, nº 118, 2198 - 2201. [10] Ministério da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas. Decreto-lei nº 136/2003 de 28 de junho. Diário da República. Série I-A, nº 147, 3724-3728. [11] Ministério da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas. Decreto-lei nº 148/2008, de 29 de julho. Diário da República, 1ª Série, nº 145, 5048 - 5095. [12] Ministério da Saúde. Decreto-lei nº 273/95, de 23 de Outubro. Diário da República. Série I-A, nº 245, 6547-6550. [13] http://www.infarmed.pt; Dispositivos Médicos (acedido a 23 de novembro de 2013) [14] Ministério da saúde. Portaria nº 198/2011, de 18 de maio. Diário da República, 1ª série, nº 96, 2792-2796 [15] Ministério da Saúde Despacho n.º 10910/2009 de 29 de Abril. Diário da República, 2ª série, nº 83 17165-17166 [16] Ministério da Saúde Decreto-Lei n.º 6/2010 de 15 de Janeiro. Diário da República, 1ª série, nº 10, 15181-182. [17] Ministério da Saúde. Decreto-lei nº 242-B/2006, de 29 de dezembro. Diário da República, 1ª série, nº 192, 4372-(2)- 4372-(5). [18] Ministério da Saúde. Portaria nº137-A/2012, de 11 de maio. Diário da República. 1ª Série, nº 92, 2478-(2)-2478-(7).
Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária | Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas II Helena Adelina Teixeira Martins Pinto | Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto [19] Ministério da Saúde. Decreto-lei nº 270/2002, de 2 de dezembro. Diário da República, Série I-A, nº 278 [20] Ministério da saúde. Decreto-lei nº 106-A/2010, de 1 de outubro. Diário da República, 1ª série, nº 192 [21] Ministério da Justiça. Decreto-lei nº 15/93, de 22 de janeiro. Diário da República. Série I-A, nº 18, 234-52 [22] Ministério da Justiça. Decreto Regulamentar n.º 61/94, de 12 de outubro. Diário da República, Série I-B, n.º236, 6183-98. [23] Ministério da Saúde. Portaria nº137-A/2012, de 11 de maio. Diário da República, 1ª Série, nº 92, 2478-(2)-2478-(7). [24] Ministério da Justiça. Decreto Regulamentar n.º 61/94, de 12 de outubro. Diário da República, Série I-B, n.º236, 6183-98. [25] Ministério da saúde. Normas Relativas à Prescrição de Medicamentos e dos Locais de Prescrição, Farmácias e Administrações Regionais de Saúde, 2003. [26] Ministério da Saúde. Despacho nº 17690/2007, de 23 de julho. Diário da República, 2ª série, nº 154. [27]htto://www.infarmed.pt; Medicamentos de uso humano (acedido a 1 de dezembro de 2013) [28] Direção-Geral da Saúde. Aporte de iodo em mulheres na preconceção, gravidez e amamentação. Orientação número 011/2013 de agosto de 2013. [29] Glinoer D. The regulation of thyroid function during normal pregnancy: importance of the iodine nutrition status. Best Pract Res Clin Endocrinol Metab. 2004: 8(2):133-52. [30] Pérez-López FR. Iodine and thyroid hormones during pregnancy and postpartum. Gynecol Endocrinol 2013; 23 (7): 414-28. [31] Glinoer D, De Nayer P, Bourdoux P, et al. Regulation of maternal thyroid function during pregnancy. Journal of Clinical Endocrinology and Metabolism 1990; 71: 276– 287. [32] Dworkin HJ, Jacquez JA & Beierwaltes WH. Relationship of iodine ingestion to iodine excretion in pregnancy. Journal of Clinical Endocrinology and Metabolism 1966; 26: 1329–1342. [33] Glinoer D. Pregnancy and iodine. Thyroid 2001; 11: 471–481. [34] Hays MT. Colonic excretion of iodide in normal human subjects. Thyroid 1993; 3: 31–35. [35] Ermans AM. Endemic goiter. In Ingbar SH & Braverman LE (eds) The Thyroid: a Fundamental and ClinicalText, 5th edn. Philadelphia: Lippincott, 1986, 705–721.
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Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária | Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas IV Helena Adelina Teixeira Martins Pinto | Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto [51] Courtenay WH. Constructions of masculinity and their influence on men’s wellbeing: a theory of gender and health. Soc Sci Med 200; 50(10): 1385-1401. [52] Direção-Geral da Saúde, Comunicado do Diretor-Geral da Saúde nº C64_01_v1 de Outubro de 2013 intitulado “Vacinação contra a gripe 2013-2014” [53] Helman C: "Feed a cold, starve a fever “- folk models of infection in an English suburban community, and their relation to medical treatment. Cult Med Psychiatr 1978, 2:107–137. [54] Tom Xu K, Roberts D, Sulapas I, Martinez O, Berk J, Baldwin J. Over-prescribing of antibiotics and imaging in the management of uncomplicated URIs in emergency departments. BMC Emergency Medicine 2013, 13:7.
Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária | Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas v Helena Adelina Teixeira Martins Pinto | Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto ÍNDICE DE ANEXOS Anexo I – Lista de manipulados feitos durante o estágio Anexo II – Exemplo de Receita Eletrónica Anexo III – Tabela 1: Itens de análise obrigatória para validação de uma receita médica por um farmacêutico no ato da dispensa de um MSRM Anexo IV – Folheto “Iodo na Gravidez” Anexo V – Inquérito “Prevalência de Automedicação na Gripe e Constipação nos Utentes da Farmácia Vitália” Anexo VI – Termo de Consentimento Livre e Esclarecido Anexo VII – Ficha de preparação de um manipulado
Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária | Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas vi Helena Adelina Teixeira Martins Pinto | Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto Anexo I – Lista de manipulados feitos durante o estágio Suspenção oral de Espironolactona (2mg/ml) Solução oral de Captopril (1mg/ml) Cápsulas de Brometo de Potássio 500mg Solução de Hipossulfito de Sódio Pomada de Enxofre a 6% Cápsulas de Bicarbonato de Sódio 1g Cápsulas de Gabapentina 30mg
Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária | Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas vii Helena Adelina Teixeira Martins Pinto | Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto Anexo II – Exemplo de Receita Eletrónica
Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária | Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas viii Helena Adelina Teixeira Martins Pinto | Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto Anexo III – Tabela 1 – Itens de análise obrigatória para validação de uma receita médica por um farmacêutico no ato da dispensa de um MSRM ANÁLISE E VALIDAÇÃO DE UMA RECEITA MÉDICA POR UM FARMACÊUTICO IDENTIFICAÇÃO DO UTENTE Nome e número do organismo de comparticipação IDENTIFICAÇÃO DO ORGANISMO SNS com letra R ou vinheta verde (Direito ao Regime Especial de Comparticipação), SNS com Diplomas VERIFICAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE ALGUM DESPACHO OU PORTARIA Despacho nº 10910/2009 (Infertilidade), Lei nº 6/2010 (Psoríase), Despacho nº 4521/2001 (Paramiloidose), entre outros VALIDADE DA RECEITA Data da dispensa dentro de 30 dias consecutivos ou 6 meses (receitas renováveis) da data de prescrição IDENTIFICAÇÃO DO MÉDICO PRESCRITOR Assinatura do médico e vinheta codificada. IDENTIFICAÇÃO DO LOCAL DE PRESCRIÇÃO IDENTIFICAÇÃO DOS MEDICAMENTOS POR DCI DIMENSÃO DA EMBALAGEM Quando na receita não vem especificada deve ser cedida a embalagem mais pequena IDENTIFICAÇÃO DO NÚMERO DE EMBALAGENS Cada RM pode ter prescrito até quatro medicamentos distintos, com o limite máximo de quatro embalagens e até duas embalagens do mesmo medicamento INTERPRETAÇÃO DA POSOLOGIA Por exemplo: 1 id (tomar uma vez por dia), SOS (tomar se precisar), 1+1+1 (tomar um ao pequeno-almoço, ao almoço e ao jantar), 1+0+0 (tomar 1 ao pequeno-almoço)
Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária | Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas Helena Adelina Teixeira Martins Pinto | Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto Anexo IV – Folheto “Iodo na Gravidez”
Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas ii Este relatório foi realizado em conjunto por: Andreia Filipa da Silva Teixeira e Helena Adelina Teixeira Martins Pinto
Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas iii Este relatório foi realizado em conjunto por: Andreia Filipa da Silva Teixeira e Helena Adelina Teixeira Martins Pinto DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE Eu, Helena Adelina Teixeira Martins Pinto, abaixo assinado, nº 080601048, estudante do Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas da Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto, declaro ter atuado com absoluta integridade na elaboração deste relatório de estágio. Nesse sentido, confirmo que NÃO incorri em plágio (ato pelo qual um indivíduo, mesmo por omissão, assume a autoria de um determinado trabalho intelectual ou partes dele). Mais declaro que todas as frases que retirei de trabalhos anteriores pertencentes a outros autores foram referenciadas ou redigidas com novas palavras, tendo neste caso colocado a citação da fonte bibliográfica. Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto, 17 de abril de 2014 ____________________________________________________________
Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas iv Este relatório foi realizado em conjunto por: Andreia Filipa da Silva Teixeira e Helena Adelina Teixeira Martins Pinto INDEX 1. Introduction ..................................................................................... 1 2. Pharmacy for patients in discharge – Maggazzino 6 ...................... 2 3. Internal pharmacy – Maggazzino 1 ................................................. 4 4. Galenic pharmacy ........................................................................... 7 4.1 Nonsterile Galenic .......................................................................... 7 4.2 Sterile Galenic .............................................................................. 10 4.2.1 Anticancer drugs laboratory ................................................... 10 5. Conclusions .................................................................................. 12
Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas v Este relatório foi realizado em conjunto por: Andreia Filipa da Silva Teixeira e Helena Adelina Teixeira Martins Pinto INDEX OF TABLES AND FIGURES Figure 1Program AREAS used for the registration in Magazzino 1 Figure 2 – Program “Cito4” Table 1 - ASL in Sardinia and respective districts Table 2 – List of equipment required in the galenics laboratory
Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas vi Este relatório foi realizado em conjunto por: Andreia Filipa da Silva Teixeira e Helena Adelina Teixeira Martins Pinto INDEX OF ABBREVIATIONS AIFA - Agenzia Italiana del Farmaco ASL - Local Health Enterprises INHS - National HealthCare System USL - Local Health Units
Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas 1 Este relatório foi realizado em conjunto por: Andreia Filipa da Silva Teixeira e Helena Adelina Teixeira Martins Pinto 1. Introduction The hospital is a complex, multidisciplinary professional organization in which they work dedicated to health, its recovery and maintenance. The pharmacist as being the specialist in medicine, is one of the health professionals essential to running a hospital. The Italian National HealthCare System (INHS) is universal, ensuring coverage to the entire population through public funding. Is the reform of Decree Law 502/92, 517/93 and Legislative Decree 229/99, which sets up a completely new territorial structure of health care and hospital care model. The USL (Local Health Units) were structures of municipalities without legal personality, with limited autonomy without engaging in transactions for the purchase or sale of goods. The reform has the great merit of "aziendalizzare" the ASL (Local Health Enterprises), providing them public legal personality, organizational autonomy, equity accounting. The task assigned to the ASL is very complex because it has the dual role of service provider, by direct provision of medical care, and yet the buyer or payer of services provided by other ASL. The patient has the right to go to any ASL within the Italian territory fitting these institutions monetary settlement between them. After the reform, many regions have reduced health services in certain areas in order to optimize resources. In Sardinia there are actually 8 ASL. (Table 1) Table 1 – ASL in Sardinia and respective districts.
Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas 2 Este relatório foi realizado em conjunto por: Andreia Filipa da Silva Teixeira e Helena Adelina Teixeira Martins Pinto The national authority of medicine in Italy responsible for the regulation of drugs is called Agenzia Italiana del Farmaco (AIFA). It is a public institution that operates under the direction of the Ministry of Health and supervision of the Ministry of Health and the Ministry of Economy. [2] Its mission is to contribute to the protection of public health through medication; ensure the economic balance of system (compliance of the spending plan); ensure the unity of the pharmaceutical system at regional and national level; promote research and development in the pharmaceutical sector and, finally, assume the role of reputation in domestic and international market. [3] The Hospital Pharmacy of Sassari is divided into three major sections: internal pharmacy, pharmacy for patients in discharge and galenic pharmacy. Our internship took place in ASL 1 - Sassari for three months. 2. Pharmacy for patients in discharge – Maggazzino 6 Is this department of the hospital pharmacy, which is denominated internally by Magazzino 6, patients in discharge can obtain the majority of the medicines prescribed by their doctor free of costs. Here the pharmacist proceeds to the dispense of medications and medical devices to patients under the hospital in its various variants: regular, day hospital, day surgery and domiciliary hospitalization. May be dispensed to outpatients medication for HIV, thalassemia, multiple sclerosis, fertilization therapy (follicle stimulating the formation and ovulation) and medication for some rare diseases such as acromegaly. All patients who received discharged or have performed an outpatient specialist medical consultation in hospital are entitled to receive a first round of free therapy, and to do so, address the pharmacy for patients in discharge. The drugs dispensed must appear on the therapeutic hospital records. They must be to the full borne by the INHS (Class A drugs) or be of hospital use only (Class H drugs). The drugs can be classified in four classes: • Class A - Essential drugs and medicines for chronic diseases; • Class B - drugs of significant therapeutic interest other than Class A;
Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas 3 Este relatório foi realizado em conjunto por: Andreia Filipa da Silva Teixeira e Helena Adelina Teixeira Martins Pinto • Class C - drugs devoid of the above characteristics and which are not granted by the NHS; • Class H - drugs for hospital use only. Many drugs can simultaneously belong to classes A and C. This means that for some individuals these drugs are free, and to others not. What allows this distinction is the medical condition of the individual. To assist the pharmacist in dispensing drugs that meet this condition are the notes. Limitative notes, created by the AIFA in 1993, are a "regulatory tool to define areas of reimbursement medicines" and currently there are forty two notes. The prescriber must write the name of the drug and the respective note ahead (ex: omeprazole - note 1). If the hospital pharmacy don't have one medicine (in case of rupture of stock), the patient should go to his family doctor which will prescribe this drug in the "red prescription" ("ricetta rossa"). This way, the patient can obtain the same medicine free of cost in a private pharmacy. The patients are called into the pharmacy in order of arrival and, as a matter of privacy, comes inside only one patient at a time. The remaining patients must wait their turn in the waiting room. As the patients wait, the nurses that work in the pharmacy, and the interns start to collect their prescriptions. Once inside the pharmacy, the prescriptions go under a validation process. For that we verify if these parameters are present: Code of the prescriber; Date of the prescription; Patient data (name, date of birth, gender, city of residence, NHS code); Number of the prescription; Identification of prescription drugs (AIC code - autorizzazione all'immissione in commerce - that unambiguously identifies each confection by pharmaceutical active ingredient, dosage form and number of units); Dosage.
Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas 4 Este relatório foi realizado em conjunto por: Andreia Filipa da Silva Teixeira e Helena Adelina Teixeira Martins Pinto In addition to the prescription, some drugs need to be relieved of a Therapeutic Plan. This is a document which shows the name of the drug, the pathology the patient in question, the recommended dosage and the total duration of treatment. After checking that all income items are correct, we perform a copy of the prescription to go in the records. Subsequently we collect the medication requested and place them in a counter along with the two copies of the prescription. The pharmacist reviews the prescription and the medication prepared by us and after making sure everything is correct the pharmacist calls the patient and proceed with the dispense, ensuring that the patient gets to know the dosage and duration of treatment and pathology intended. For six weeks we have assisted the pharmacists in all this process. We had the opportunity to interact with patients since day one, we took and validated prescriptions, we prepared the medications and gave them to the patients always with the supervision of a pharmacist. After the dispense we need to report which medicines were given to which patient and for that we use an online program called AREAS. This form is divided in three parts. The first step is to insert the name, birthday and fiscal code of the patient. After that the program requires information about the department from which the prescriber belongs to and the type of appointment: ambulatory or discharge. The third part consists of the list of medicines given. After we finish fulfilling this form, it's given a record number, which we write in the prescription and then archive it. This work was essentially made by us during our internship, and we were able to do in autonomously. 3. Internal pharmacy – Maggazzino 1 The Internal Pharmacy of Sassari does the distribution of drugs and medical devices to the hospital. The medical departments request the drugs or medical devices electronically to the pharmacy every day, in the begin of the day. We receive
Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas 5 Este relatório foi realizado em conjunto por: Andreia Filipa da Silva Teixeira e Helena Adelina Teixeira Martins Pinto the fax and we prepare the request. The registration of the products provided is done by us in the computer program AREAS. (Figure 1) Figure 1Program Areas used for the registration in Magazzino 1 We write the date and the hospital’s service that gives the products, the medical department that received the products, the drugs and devices given. This registration is printed and sent with the pharmaceutical’s products to the respective medical department. Often, the medical departments from the hospital make urgent requests of drugs or medical devices. The requests are made through fax and some drugs need a model request, which is the case of: Blood products; Anticoagulants; Linezolid; Drugs that aren’t listed on the Regional Therapeutic Records.
Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas 12 Este relatório foi realizado em conjunto por: Andreia Filipa da Silva Teixeira e Helena Adelina Teixeira Martins Pinto These calculations are always made on the day preceding the preparation of medicines and at the end of each work day we draw up a list of all the preparations to do the next day, divided by the requesting department. For that we use another Excel sheet called “Elenco pazienti” which we will not show for reasons of patient privacy. This list is called “Piano di lavoro” (work plan) and everyday three copies are made. One copy goes to the office where we receive the prescriptions, because sometimes the doctors call to cancel some therapies because the patient is no longer in the appropriate conditions to do it (bad hemogram results, low white cell counts, and other tests). Another copy goes to the sterile room, where the pharmacists use it to organize their work day, in a way that the work is more efficient. And the last copy goes to the pre-room in the lab, where the nurses revise all the therapies that was executed in that day, confirm the tags and attribute a serial number to every preparation. These weeks where precious to understand how an oncologic lab works. Unfortunately we were only allowed to enter in the pre-room, where we did all the confirmation process by ourselves for one day. In this way we could understand better the importance of the work we did doing the work plan. 5. Conclusions The experience of an internship itself is very enriching and with which we acquire a lot of knowledge and others skills needed in the “working world”, but the opportunity of doing this experience in a different country with another language and different arrangements for the health systems give us much more because the greater the challenge, better what we harvest. In the begin it was a little hard, it was needed a period of adaptation to a new language, to a different health system and to a work that was completely new for us. Sometimes was confused understand what the people expected of us because of the language barrier. We have begun our internship in Magazzino 6 that was very important to us, because the contact with the patients and the push from the workers force us to speak Italian and be able to understand in perfection.
Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas 13 Este relatório foi realizado em conjunto por: Andreia Filipa da Silva Teixeira e Helena Adelina Teixeira Martins Pinto All the workers were very accessible and gentle, had the patient of explaining all the work done more than one time. The possibility of passage through different departments gave us a comprehensive view of our role as pharmacists and captivated us even more the taste for this profession. We have developed autonomy in all the tasks done. We went through some complicated situations and so learn to deal with very different scenarios. We have grown a little while pharmaceutical and while people. We truly loved this experience, we have learned so much and we have met a different culture and made such good friends.
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