Reabilitação de conjuntos habitacionais e sua adequação aos moradores
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REABILITAÇÃO DE CONJUNTOS HABITACIONAIS E SUA ADEQUAÇÃO AOS MORADORES David Leonel Barbosa França Dissertação submetida para satisfação parcial dos requisitos do grau de MESTRE EM ENGENHARIA CIVIL — ESPECIALIZAÇÃO EM CONSTRUÇÕES Orientadora: Maria Helena Póvoas Corvacho JUNHO DE 2015
MESTRADO INTEGRADO EM ENGENHARIA CIVIL 2014/2015 DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL Tel. +351-22-508 1901 Fax +351-22-508 1446 [email protected] Editado por FACULDADE DE ENGENHARIA DA UNIVERSIDADE DO PORTO Rua Dr. Roberto Frias 4200-465 PORTO Portugal Tel. +351-22-508 1400 Fax +351-22-508 1440 [email protected] http://www.fe.up.pt Reproduções parciais deste documento serão autorizadas na condição que seja mencionado o Autor e feita referência a Mestrado Integrado em Engenharia Civil - 2014/2015 - Departamento de Engenharia Civil, Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, Porto, Portugal, 2015. As opiniões e informações incluídas neste documento representam unicamente o ponto de vista do respetivo Autor, não podendo o Editor aceitar qualquer responsabilidade legal ou outra em relação a erros ou omissões que possam existir. Este documento foi produzido a partir de versão eletrónica fornecida pelo respetivo Autor.
Reabilitação de Conjuntos Habitacionais e Sua Adequação aos Moradores Ao meu Filho Gabriel, que é a minha VIDA
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Reabilitação de Conjuntos Habitacionais e Sua Adequação aos Moradores i AGRADECIMENTOS Para a concretização deste trabalho, pude contar com a colaboração de diferentes pessoas e profissionais a quem gostaria de agradecer. À minha orientadora, Professora Doutora Maria Helena Póvoas Corvacho, pelos conhecimentos científicos, pela orientação, incentivo, disponibilidade e amizade, determinante para a realização deste trabalho. À minha esposa pela disponibilidade que sempre demonstrou ao longo deste trabalho. Aos meus Pais, pelo apoio, conselhos, motivação e ensinamentos fundamentais ao desenvolvimento deste trabalho e à educação que me deram. Aos meus colegas, amigos e familiares que me ajudaram para que fosse possível a realização deste trabalho, com um apoio incondicional, pela confiança depositada em mim. Pelo estímulo, motivação e amizade. A todos que, direta ou indiretamente, colaboraram neste trabalho, o meu sincero muito obrigado.
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Reabilitação de Conjuntos Habitacionais e Sua Adequação aos Moradores iii RESUMO Este estudo, sobre a “Reabilitação de conjuntos habitacionais e sua adequação aos moradores”, teve como objetivo principal demonstrar que a reabilitação de um edifício ou de um conjunto de edifícios, no seu global, proporciona um conjunto de fatores que contribuem para uma melhor qualidade de vida de quem os vai utilizar. Estes fatores, como desde logo se pretende, são uma mentalização que convida e prepara os seus utentes a usufruírem de um espaço diferente, melhor e mais saudável e, portanto, a terem um comportamento mais disciplinado e responsável. Esta atitude proporciona de imediato um ambiente social mais saudável a todos os utilizadores do Conjunto Habitacional. Pela sua natureza, conforto e comodidade que a reabilitação proporciona, tende a transmitir natural e psicologicamente, aos seus habitantes, uma mensagem de cumprimento de regras de proteção ambiental com todas as consequências saudáveis que daí advêm. Neste trabalho, a reabilitação tem, também, o objetivo de atingir uma economia considerável de custos de várias ordens, nomeadamente, de manutenção, pois os materiais utilizados proporcionam comportamentos muito mais funcionais e tratamentos mais simplificados. Após a reabilitação verificou-se que o comportamento térmico dos materiais aplicados originou uma economia de custos com algum significado. A análise de gráficos comparativos da manutenção do Conjunto Habitacional, indicou resultados francamente positivos, sendo um dos mais importantes fatores que contribuem para uma substancial melhoria de qualidade de vida dos seus habitantes. Globalmente, este trabalho permitiu demonstrar a importância de uma reabilitação bem pensada, programada, elaborada e organizada social e tecnicamente. PALAVRAS-CHAVE: CONJUNTOS HABITACIONAIS, REABILITAÇÃO, ADEQUAÇÃO, MORADORES.
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Reabilitação de Conjuntos Habitacionais e Sua Adequação aos Moradores v ABSTRACT This study on the "Rehabilitation of housing estates and suitability to its residents" aims to demonstrate that the rehabilitation of a building or set of buildings provides, in global, the set of factors that contribute to a better quality of life of those who will use it. These factors, the first intended, are an imagery that invites and get its users to enjoy a different space, better and healthier and, therefore, have a more disciplined and responsible behavior. This attitude provides a healthier social environment to all users of the housing estate. The nature, comfort and convenience provided by the rehabilitation tends to, natural and psychologically, transmit a message of compliance with environmental protection rules to its inhabitants, healthy with all consequences that this entails. In this work, the rehabilitation also aimed to achieve substantial cost saving of various kinds, including maintenance, because used materials provide higher functional behaviors and more simplified treatments. The results obtained after the reabilitation indicated that the thermal and acoustic behavior of the applied materials generated considerable cost savings. Also, comparative results on the maintenance and energy consumption lead to frankly positive results, thus being one of the most important factors that contribute to a substantial improvement in the quality of life of its inhabitants. Overall, this work demonstrated the relevance of a well thought-out, scheduled, elaborated, and social and technically organized rehabilitation. Keywords: Housing Estates, Rehabilitation, Fitness, Residents .
Reabilitação de Conjuntos Habitacionais e Sua Adequação aos Moradores xiii LISTA DE ABREVIATURAS AQS - Águas Quentes Sanitárias Adene - Agencia para a Energia CH - Conjunto Habitacional DL - Decreto-Lei EOTA - European Organization of Technical Approvals, EDP - Energias de Portugal ICITE - Istituto Centrale per l’Industrializzazione e la Tecnologia LNEC - Laboratório Nacional de Engenharia Civil PVC - Policloreto de vinila (PolyVinyl Chloride) RCCTE - Regulamento das Características de Comportamento Térmico dos Edifícios UEATC - Union Europeenne Pour l’Agrement Technique Dans la Construction.
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Reabilitação de Conjuntos Habitacionais e Sua Adequação aos Moradores xv ÍNDICE DE FIGURAS Figura 3. 1 - Conjunto habitacional. ..................................................................................... 12 Figura 3. 2 - Imagem aérea do empreendimento antes da reabilitação. .............................. 13 Figura 3. 3 - Imagem de um alçado posterior de um bloco do conjunto habitacional já reabilitado. ........................................................................................................................... 13 Figura 3. 4 - Imagem de um alçado principal de um bloco do conjunto habitacional antes de ser reabilitado. ..................................................................................................................... 14 Figura 3. 5 - Imagem da entrada um bloco do conjunto habitacional antes de ser reabilitado. ............................................................................................................................................ 14 Figura 3. 6 - Imagem de uma janela antes de ser reabilitada. ............................................. 15 Figura 3. 7 - Imagem de uma entrada e fachada de um bloco do conjunto habitacional antes de ser reabilitado. ................................................................................................................ 16 Figura 3. 8 - Imagem da entrada de luz direta de na cobertura de um bloco do conjunto habitacional antes de ser reabilitado. ................................................................................... 17 Figura 3. 9 - Imagem da parte da fachada exterior por cima de um vão de janela antes de ser reabilitada. ..................................................................................................................... 17 Figura 3. 10 - Imagem do peitoril de uma janela antes de ser reabilitada. ........................... 18 Figura 3. 11 - Imagem de uma janela antes de ser reabilitada. ........................................... 18 Figura 3.12 - Imagem de uma janela na parte interior antes de ser reabilitada. .................. 19 Figura 3. 13 - Imagem da exaustão por uma janela e outro tipo de matérias utilizados na caixilharia antes de ser reabilitada. ...................................................................................... 19 Figura 3. 14 - Imagem de cabos elétricos na fachada antes de ser reabilitada. .................. 20 Figura 3. 15 - Imagem da entrada de luz direta de na cobertura e degradação da cobertura de um bloco do conjunto habitacional antes de ser reabilitado. ........................................... 20 Figura 3. 16 - Imagem de como eram colocadas antenas de de telecomunicações nas fachadas no conjunto habitacional antes de ser reabilitado. ................................................ 21 Figura 3. 17 - Imagem das coberturas do conjunto habitacional antes de ser reabilitado. ... 21
Reabilitação de Conjuntos Habitacionais e Sua Adequação aos Moradores xvi Figura 3. 18 - Imagem dos tubos de queda e caixas receptoras do conjunto habitacional antes de ser reabilitado. ....................................................................................................... 22 Figura 3. 19 - Imagem da degradação e vandalismo nas fachadas e zona envolvente do conjunto habitacional antes de ser reabilitado. ..................................................................... 22 Figura 3. 20 - Corte esquemático representativo das diversas camadas do sistema “ETICS”. Legenda: (1) Alvenaria; (2) Placas de poliestireno; (3) Argamassa armada; (4) Revestimento plástico. ............................................................................................................................... 24 Figura 3. 21 - Esquema tipo de reparação de fissuras mais significativas. .......................... 26 Figura 3. 22 - Pontos específicos da colocação do sistema adoptado. ................................ 27 Figura 3. 23 - Pormenor de remate. .................................................................................... 33 Figura 3. 24 - Pontos específicos da colocação do sistema adotado................................... 34 Figura 3. 25 - Pontos específicos da colocação do sistema adotado................................... 34 Figura 3. 26 - Pontos específicos da colocação do sistema adotado................................... 35 Figura 3. 27 - Pontos específicos da colocação do sistema adotado................................... 36 Figura 3. 28 - Pontos específicos da colocação do sistema adotado................................... 36 Figura 3. 29 - Pontos específicos da colocação do sistema adotado................................... 37 Figura 3. 30 - Pontos específicos da colocação do sistema adoptado. ................................ 38 Figura 3. 31 - Pontos específicos da colocação do sistema adotado................................... 38 Figura 3. 32 -- Pontos específicos da colocação do sistema adotado. ................................ 39 Figura 3. 33 - Pontos específicos da colocação do sistema adotado................................... 39 Figura 3. 34 - Pontos específicos da colocação do sistema adotado................................... 40 Figura 3. 35 - Esquema de colocação de contadores de água na entrada das habitações. 40 Figura 3. 36 - Pontos específicos da colocação do sistema adotado................................... 41 Figura 3. 37 - Pontos específicos da colocação do sistema adotado................................... 42
Reabilitação de Conjuntos Habitacionais e Sua Adequação aos Moradores xvii Figura 4. 1 - Fatores que intervieram na redução de custos de manutenção após o primeiro ano. ..................................................................................................................................... 46 Figura 4. 2 - Fatores que intervieram na redução de custos de manutenção após o segundo ano. ..................................................................................................................................... 46 Figura 4. 3 - Fatores que intervieram na redução de custos de manutenção após o terceiro ano. ..................................................................................................................................... 47 Figura 4. 4 - Fatores que intervieram na redução de custos de manutenção após o quarto ano. ..................................................................................................................................... 47 Figura 4. 5 - Custos anuais de manutenção antes e após a reabilitação, ao longo de 4 anos. ............................................................................................................................................ 48 Figura 4. 6 - Consumo de energia do CH antes da reabilitação. ......................................... 52 Figura 4. 7 - Consumo de energia do CH após reabilitação. ............................................... 52 Figura 4. 8 - Valores globais de diferenças no consumo do CH antes e após reabilitação. . 53 Figura 4. 9 - Valores globais de diferenças no valor de energia eléctrica associados ao CH antes e após reabilitação. .................................................................................................... 53 Figura 4. 10 - Valores médios de diferenças no consumo do CH antes e após reabilitação. ............................................................................................................................................ 54 Figura 4. 11 - Valores médios de energia eléctrica do CH antes e após reabilitação. ......... 55 Figura A1. 1 - Fachadas e coberturas: antes (A) e depois (B) da intervenção. ..................... XI Figura A1. 2 - Cobertura: antes (A) e depois (B) da intervenção. ........................................ XII Figura A1. 3 - Zona exterior de iluminação natural nas coberturas: antes (A) e depois (B) da intervenção. ........................................................................................................................ XIII Figura A1. 4 - Coberturas: antes (A) e depois (B) da intervenção. .................................... XIV Figura A1. 5 - Coberturas: antes (A) e depois (B) da intervenção. ..................................... XV Figura A1. 6 - Fachadas exteriores: antes (A) e depois (B) da intervenção. ...................... XVI Figura A1. 7 - Fachadas exteriores: antes (A) e depois (B) da intervenção. ..................... XVII Figura A1. 8 - Zona envolvente: antes (A) e depois (B) da intervenção. .......................... XVIII
Reabilitação de Conjuntos Habitacionais e Sua Adequação aos Moradores xviii Figura A1. 9 - Cabos de alimentação de eletricidade para as habitações: antes (A) e depois (B) da intervenção. ............................................................................................................. XIX Figura A1. 10 - Sistema de águas pluviais nas fachadas: antes (A) e depois (B) da intervenção. ........................................................................................................................ XX Figura A1. 11 - Peitoris das janelas nas fachadas: antes (A) e depois (B) da intervenção. XXI Figura A1. 12 - Sistema de exaustão das habitações: antes (A) e depois (B) da intervenção. ......................................................................................................................................... XXII Figura A1. 13 - Cabos elétricos no exterior de cada bloco do Conjunto Habitacional: antes (A) e depois (B) da intervenção. ....................................................................................... XXIII Figura A1. 14 - Cabos elétricos e alimentação de água no exterior de cada bloco do Conjunto Habitacional: antes (A) e depois (B) da intervenção.......................................... XXIV Figura A1. 15 - Contadores de água das habitações que estavam no interior e passaram para o exterior (zona comum): antes (A) e depois (B) da intervenção. .............................. XXV Figura A1. 16 - Ponto de água para zonas comuns: antes (A) e depois (B) da intervenção. ........................................................................................................................................ XXVI
Reabilitação de Conjuntos Habitacionais e Sua Adequação aos Moradores xix ÍNDICE DE TABELAS Tabela 4. 1 - Custos de manutenção antes e após a reabilitação do CH e fatores que intervieram na redução de custos. ....................................................................................... 44 Tabela 4. 2 - Consumo de energia do CH antes e após a reabilitação, num período de 2 meses. ................................................................................................................................. 49
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Reabilitação de Conjuntos Habitacionais e Sua Adequação aos Moradores 1 1. INTRODUÇÃO O trabalho agora apresentado sobre a Reabilitação de Conjuntos Habitacionais e a sua Adequação aos Moradores teve, globalmente, de atender a várias vertentes, cada uma delas com as suas características, sendo, algumas delas, muito específicas. A procura de competências para a sua realização fez-se passando pela formação de uma equipa onde se tiveram de conjugar a experiência técnica, a autoconfiança, a integridade, o entusiasmo, a empatia, etc. Conforme o trabalho se foi desenvolvendo outras capacidades foram acionadas tais como a capacidade social, procurando construir relações entre a equipa e esta com os respetivos moradores estabelecendo uma certa cumplicidade. A gestão do processo, no sentido de que, em cada uma das fases técnicofinanceiras não fossem ultrapassados os programas definidos para o tempo e custos, cumprindo-se assim as respetivas metas para a sua execução. Conforme o trabalho se ia aproximando do seu fim, tecnicamente falando, foi necessário definir algumas fases para a ocupação das respetivas habitações. Os seus moradores, em alguns casos, tiveram de ser sensibilizados para um interesse próprio, o deles, mas também em comunidade com os outros. Esta capacidade de se construir relações e vivência social foi muito importante para que não se gerassem conflitos mas soluções para longo prazo. Os princípios estabelecidos funcionaram com a equipa e na relação desta com os outros habitantes. Registamos, com satisfação, as manifestações de regozijo e alegria, da generalidade dos moradores ao receberem num espaço reabitado/recuperado com condições para estruturarem uma vida mais digna e saudável.
Reabilitação de Conjuntos Habitacionais e Sua Adequação aos Moradores 8 Em Gondomar, é visível um " volte-face no tipo de agregados que recorre à câmara", diz Cristina Castro, adjunta do presidente. "Já não são as pessoas que vivem em habitações degradadas, anexos, barracas, mas a antiga classe média, grande parte proprietária ou arrendatária, que já não consegue pagar." A responsável pela Habitação diz que chegam "envergonhados e desorientados, pois sempre trabalharam, nunca pediram nada ao Estado ê agora estão aflitos". Alguns já têm ordem de despejo e estão na iminência de ficar na rua Contudo, sublinha, nem sequer são elegíveis para habitação social, porque ainda são proprietários. "Tentamos orientá-los, até porque nos apercebemos de outras necessidades. Mas pouco mais podemos fazer", diz, sublinhando que muitos estão deprimidos. Como o empresário que atendeu recentemente, a atravessar um processo de insolvência e a viver no escritório.” - Rita Carvalho, DN, 03-01-2013 “IHRU Lança Concurso para Reabilitação do Bairro Social de Paranhos, na Cidade do Porto” O Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana, I.P. (IHRU), lançou um concurso público para reabilitação do Bairro Social de Paranhos, na cidade do Porto, no valor de 1.170.000,00€ (um milhão e cento e setenta mil euros). O anúncio de abertura do concurso público já se encontra publicado em Diário da República. Prevê-se que a obra se inicie em novembro do corrente ano, e estima-se que os trabalhos durem 10 meses. O Bairro Social de Paranhos, que é propriedade do IHRU, I.P., foi construído pelo Fundo de Fomento da Habitação em 1979, compreende 11 edifícios, que se agrupam em 4 blocos, num total de 160 fogos. Os edifícios são compostos por 4 pisos, destinados a habitação, com 2 fogos por piso. No decurso dos 35 anos de vida deste bairro, nunca foram realizadas obras de conservação e beneficiação geral dos seus edifícios. Na envolvente exterior dos edifícios, os trabalhos a realizar compreendem as seguintes intervenções: • Remodelação da cobertura existente onde se inclui a remoção integral das chapas onduladas de fibrocimento e a sua substituição por painéis metálicos de dupla face incorporando o isolamento térmico e acústico; • Reformulação integral do sistema de recolha e canalização das águas pluviais da cobertura, onde se incluem caleiras e tubos de queda; • Tratamento dos planos de fachadas exteriores, com a reparação e consolidação dos elementos de betão armado e revestimento das superfícies com painéis em poliestireno expandido e acabamento a reboco armado; • Substituição das janelas exteriores por janelas eficientes em alumínio com inclusão de vidro duplo. Nas áreas comuns dos edifícios, os trabalhos a realizar compreendem: • A beneficiação geral do átrio de entrada de cada edifício, incluindo a reformulação de portas, caixas de correio, intercomunicadores e armários das infraestruturas;
Reabilitação de Conjuntos Habitacionais e Sua Adequação aos Moradores 9 • A beneficiação geral de pavimentos, nomeadamente degraus das caixas de escada, e patamares; • A beneficiação geral de paramentos verticais e de tetos; • A reformulação das redes de distribuição de água, eletricidade, telefone e de distribuição de sinal TV. Estima-se que o custo médio por fogo do investimento que agora se realiza ultrapasse os 7.300€. O projeto foi preparado e desenvolvido pelos técnicos da Delegação do Porto do IHRU e dá uma especial relevância à qualificação e conforto das habitações, nomeadamente à estanquicidade, isolamento da envolvente exterior e eficiência energética. As obras neste bairro social inserem-se no programa de reabilitação dos bairros sociais do IHRU, com um investimento total de mais de 35 milhões de euros e, no caso da cidade do Porto, sucedem-se às intervenções já realizadas nos últimos dois anos nos bairros de Leonardo Coimbra e Contumil onde já foram investidos mais de 3 milhões de euros. - Portal da Habitação Na pesquisa sobre reabilitação social e acompanhamento social, os órgãos de comunicação social dão uma ajuda fundamental para se verificar o estado de espirito da população que reside nos Conjuntos Habitacionais, do cidadão comum e das pessoas que intervêm politicamente neste assunto. Seremos sempre cidadões que apostam na pesquisa e principalmente no trabalho no terreno, aí sim conhece-se a realidade das situações vividas para depois se poder fazer o trabalho de reabilitação construtiva e social com maior eficácia e resultados pretendidos.
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Reabilitação de Conjuntos Habitacionais e Sua Adequação aos Moradores 11 3. EMPREITADA: “REABILITAÇÃO DAS FACHADAS E COBERTURAS DO CONJUNTO HABITACIONAL” 3.1. INTRODUÇÃO No âmbito da reabilitação integrada de conjuntos urbanos – Variante Reabilitação – foi efetuada a reabilitação/requalificação de um conjunto habitacional, concluído em 2010. A experiência profissional numa obra de reabilitação integrada de Conjuntos Habitacionais, conduziu à apresentação de um trabalho de reabilitação construtiva e social num Conjunto Habitacional. Esta reabilitação foi elaborada, projetada e executada considerando aspetos inovadores, para satisfazer não apenas as condições iniciais que foram propostas para a sua realização, mas também a introdução da vertente da sustentabilidade. O enquadramento foi elaborado e programado em equipa, cuja essa equipa constituída por de profissionais de várias áreas de modo, a sempre se conseguir uma cooperação global em que a realização da um trabalho técnico fosse o principal motor para uma participação ativa na reabilitação de um Conjunto Habitacional e simultaneamente a constituição de aglomerados familiares, com um nível de vida melhorado, colocando nas suas próprias mãos o seu destino, devidamente orientado nos aspetos humanos, sociais e psíquicos, geradores de ambientes saudáveis. A introspeção é muito importante motivando a desenvolver e a tornar as nossas exigências de trabalho em favor da competência técnica, para que esta se enquadre num plano humano e racional. A realização do trabalho apresentado visa, tecnicamente, recuperar um empreendimento habitacional degradado, num Conjunto Habitacional recuperado de modo a proporcionar aos seus habitantes uma vida com melhor qualidade e muito mais digna (Figura 3.1).
Reabilitação de Conjuntos Habitacionais e Sua Adequação aos Moradores 12 No cumprimento de diretrizes e a tetos económico-financeiros definidos, foi elaborado, programado e executado um trabalho competente, abrangendo as áreas envolventes para que os seus habitantes se sentissem satisfeitos e motivados a fazer sempre mais e melhor. Figura 3. 1 - Conjunto habitacional. A intervenção efetuada beneficiou cerca de 138 fogos (Figura 3.2 e Figura 3.3), ao reabilitar integralmente a envolvente exterior dos edifícios, que apresentavam um conjunto de anomalias que condicionavam seriamente a sua utilização em condições de salubridade. Considera-se que esta intervenção se reveste de aspetos inovadores, uma vez que o processo não se limitou a restituir aos edifícios as boas condições iniciais, mas ousou introduzir na reabilitação a componente da sustentabilidade. Assim foi manifesta a aproximação aos finos critérios do atual RCCTE – Regulamento do Comportamento e Características Térmicas dos Edifícios (DL80/06), designadamente na definição dos requisitos mínimos para a envolvente exterior. Ao nível das coberturas, promoveu-se a remoção dos revestimentos em chapas de fibrocimento e seu depósito em vazadouro certificado.
Reabilitação de Conjuntos Habitacionais e Sua Adequação aos Moradores 13 Figura 3. 2 - Imagem aérea do empreendimento antes da reabilitação. A empreitada ainda sob o regime jurídico do DL59/99, foi do tipo “conceção/construção”, ainda que o processo construtivo de reabilitação a considerar na proposta estivesse pré-definido, tanto nas especificações técnicas, como no anteprojeto de reabilitação, como na estrutura descritiva dos trabalhos a considerar na organização do mapa de medições patenteado, podendo no entanto, e respeitando escrupulosamente o definido no processo, aditar/alterar parâmetros que entendessem importantes para a completa e perfeita execução da obra. Desta forma foi possível conciliar a experiência prática na execução de sistemas tecnologicamente evoluídos, com os objetivos fixados pela autarquia num projeto pioneiro. Figura 3. 3 - Imagem de um alçado posterior de um bloco do conjunto habitacional já reabilitado.
Reabilitação de Conjuntos Habitacionais e Sua Adequação aos Moradores 14 3.2. Caracterização do Empreendimento Os fogos que constituem o conjunto habitacional apresentam na sua generalidade um conjunto de anomalias e patologias na sua envolvente exterior, que condicionam as condições de habitabilidade. A sua construção tem cerca de 30 anos (Figura 3.4). Figura 3. 4 - Imagem de um alçado principal de um bloco do conjunto habitacional antes de ser reabilitado. Este conjunto habitacional, constituído 17 entradas de edifícios (Figura 3.5), que em termos gerais apresenta 8 fogos por entrada. Cada entrada é formada por um único corpo, do tipo R/ chão + 3 andares, com acessos efetuados através de uma caixa de escadas. Os edifícios distribuem-se com 9 entradas em banda, com 6 entradas em banda e ainda com 2 entradas geminadas. Estas últimas entradas apresentam um piso adicional semi-enterrado. Figura 3. 5 - Imagem da entrada um bloco do conjunto habitacional antes de ser reabilitado.
Reabilitação de Conjuntos Habitacionais e Sua Adequação aos Moradores 15 3.3. CARACTERÍSTICAS CONSTRUTIVAS As características mais salientes da construção são as seguintes: Lajes de pavimento e tetos realizadas em vigotas pré-fabricadas de betão pré-esforçado e blocos cerâmicos vazados, com espessura mínima de 0.18m; Lajes de patamares e escadas executadas em betão armado; Armação da cobertura constituída por pernas e ripas, executadas em elementos préesforçados de betão armado; Cobertura de edifícios em chapa de fibrocimento – paredes exteriores duplas em tijolo vazado assente ao cutelo, o paramento exterior realizado em 30x20x15 e o interior em 30x20x7, tendo a caixa-de-ar a espessura de 4cm, formando uma parede com 0.26m; Paredes de entendais e varandas são duplas, em, tijolo vazado com as dimensões de 30x20x7, com caixa de ar de 4cm, formando uma parede com espessura de 0.18m; As paredes interiores realizadas em tijolo vazado 30x20x7 – elementos em betão vibrado tipo “Gracifer” em todos os peitoris de janelas e soleiras de acesso às varandas e estendais; Toda a caixilharia exterior, incluindo marcos e soleiras em madeira envernizada (Figura 3.6); Figura 3. 6 - Imagem de uma janela antes de ser reabilitada.
Reabilitação de Conjuntos Habitacionais e Sua Adequação aos Moradores 16 Janelas de abrir nos quartos e sala comum, e em algumas cozinhas; conjunto de portas envidraçadas e janelas de correr nas varandas; portas envidraçadas para estendais; janelas basculantes de algumas cozinhas e quartos de banho; porta de entrada principal em ferro pintado a esmalte. Figura 3. 7 - Imagem de uma entrada e fachada de um bloco do conjunto habitacional antes de ser reabilitado. 3.4. PRINCIPAIS ANOMALIAS DETETADAS Verificou-se que as principais anomalias e patologias detetadas na envolvente exterior do edifício originavam essencialmente a existência de humidades nas paredes e tetos no interior dos fogos, devido à infiltração de água através das paredes exteriores e das coberturas. Esta situação condicionava o conforto e a habitabilidade das habitações.
Reabilitação de Conjuntos Habitacionais e Sua Adequação aos Moradores 17 Assim as principais anomalias detetadas (Figura 3.8 à Figura 3.19) eram as seguintes: Fachadas e Empenas: Panos de paredes com rebocos fendilhados e degradados; Figura 3. 8 - Imagem da entrada de luz direta de na cobertura de um bloco do conjunto habitacional antes de ser reabilitado. Degradação da pintura; Figura 3. 9 - Imagem da parte da fachada exterior por cima de um vão de janela antes de ser reabilitada.
Reabilitação de Conjuntos Habitacionais e Sua Adequação aos Moradores 24 e revestidas por um reboco de ligantes sintéticos e um ligante hidráulico. O reboco garante o cumprimento escrupuloso no que diz respeito à adoção de um argamassa adesiva fornecida em pasta, fundamental para obter os objectivos da nossa intervenção, que aplicado em duas camadas e armado com rede de fibra de vidro com tratamento contra os alcalis e 150 gr/m2. O conjunto foi recoberto por um revestimento plástico espesso de acabamento. É de todo aconselhável a execução de uma pintura complementar sobre o revestimento plástico espesso, que garanta uma proteção adicional eficaz contra a proliferação de fungos e algas nas fachadas, para além de criar um efeito auto-lavável que reduz substancialmente os custos de manutenção. Esta foi preconizada na ação de reabilitação. Atualmente é recomendado pelo fabricante e representante nacional do sistema “ETICS” a aplicação desta pintura complementar. Note-se que os sistema de isolamento térmico pelo exterior (ETICS) apresentam uma baixa inércia térmica, pelo que com as baixas temperaturas e humidade relativa exterior elevada, é natural a ocorrência de condensações superficiais, precisamente pela face exterior do sistema, podendo a prazo, e sobretudo em fachadas de menor exposição solar, ser suscetíveis do desenvolvimento de fungos e algas. Deriva desta situação uma degradação visual das fachadas. Figura 3. 20 - Corte esquemático representativo das diversas camadas do sistema “ETICS”. Legenda: (1) Alvenaria; (2) Placas de poliestireno; (3) Argamassa armada; (4) Revestimento plástico. Conforme especificado no caderno de encargos previu-se a adoção de uma proteção mecânica complementar ao nível das zonas acessíveis da fachada, com uma altura mínima de 2m, através da execução de um duplo barramento armado, complementado pela aplicação de um cerâmico do tipo grés extrudido não vidrado (zonas acessíveis), fixado com um cimento cola de ligantes mistos com características flexíveis, para acompanhar algumas deformações próprias de um sistema ETICS (Figura 3.20). As juntas entre elementos cerâmicos não foram tomadas.
Reabilitação de Conjuntos Habitacionais e Sua Adequação aos Moradores 25 As zonas vedadas dos jardins (não acessíveis) não carecem desta proteção. Também os envasamentos, abaixo da cota habitacional que não necessitam de correção térmica asseguram um desempenho eficaz sob o ponto de vista mecânico. 3.5.2.2 Trabalhos preliminares Antes da aplicação do sistema de isolamento térmico pelo exterior efetuaram-se os seguintes trabalhos: Remoção dos elementos em Gracifer e encerramento das janelas das lavandarias; Remoção das calhas de estore e colocação de novas após o tratamento; Remoção de todos os elementos fixos à fachada, como antenas, gradeamentos, grelhas de ventilação, telas e outros; Lavagens e tratamento do suporte, em especial fissuras de acordo com o processo abaixam explicitados; Desmontagem de tubos de queda existentes; Outros trabalhos preliminares; Ainda a substituição de caixilharia em madeira, por nova em alumínio com vidro duplo, antes da dobragem do sistema ETICS nas ombreiras e padieiras dos vãos. 3.5.2.3 Tratamento das fissuras mais significativas Efetuou-se um tratamento preliminar das fissuras significativas, no sentido de assegurar uma ação preventiva/curativa. Esta intervenção revela-se de extrema importância na reabilitação das fachadas e carece de alguns cuidados na sua execução, pelo que se deverá proceder da seguinte forma: Limpar e eventualmente regularizar o suporte, eliminando todas as partículas desagregadas; Tratamento das fissuras significativas (1mm): Alargamento das fissuras significativas (5mm). Se as fissuras apresentarem um desenvolvimento irregular, deve abrir-se a fissura em forma de V; Na zona de tratamento das fissuras deve picar-se ligeiramente o reboco antes de se proceder ao seu preenchimento; Preencher o fundo da fissura com mástique sintético (Figura 3.21);
Reabilitação de Conjuntos Habitacionais e Sua Adequação aos Moradores 26 Colocar sobre a fissura, fita adesiva de alumínio ou papel Kraft, que garantirá a completa separação física da fissura, relativamente aos restantes componentes a aplicar posteriormente; Colocar uma armadura de fibra de vidro; Recobrir a armadura com revestimento curativo à base de argamassas semi-flexíveis com polímeros; Figura 3. 21 - Esquema tipo de reparação de fissuras mais significativas. 3.5.2.4 Sistema de isolamento térmico pelo exterior As características dos materiais e produtos a utilizar são os que se encontram rigorosamente definidos no Documento de Homologação que consta do sistema adotado na reabilitação. 1) A fixação das placas de isolamento sobre o suporte foi feita mecanicamente com buchas de plástico sendo consideradas 8 buchas/m2 e colagem por pontos com produto pré-preparado (copolímero acrílico em dispersão) ao qual se adicionou 30% de peso de cimento. 2) As placas de poliestireno expandido, com espessura de 40 mm e de características definidas no Documentos de Homologação; 3) A armadura aplicada é de fibra de vidro com tratamento anti-alcalino. A malha é quadrada ou retangular de 3 a 5 mm de lado. A massa compreendida entre 150 e 300gr/m2. 4) A camada que constitui o reboco delgado armado aplicado em duas passagens sobre o isolamento de forma recobriu totalmente a armadura. A espessura total do reboco completo ronda os 4 mm. O produto utilizado é o mesmo da colagem que é fornecido em pasta de fábrica. 5) A camada de acabamento é constituída por um revestimento plástico espesso, aplicado sobre um primário de aderência. 1 2 3 4 5 6 7
Reabilitação de Conjuntos Habitacionais e Sua Adequação aos Moradores 27 6) Aplicação de pintura complementar de proteção contra a ação de fungos e algas, que confere determinada repelência à fachada e proteção contra colonização biológica. 3.5.2.5 Pontos singulares 1) A ligação ombreira/fachada foi executado de acordo com o princípio definido no pormenor em anexo. Note-se que para salvaguardar as pontes térmicas planas e lineares através das dobras para os vãos (ombreiras e padieiras), o isolamento térmico dobra e remata na caixilharia. 2) Em todos os ângulos do sistema foram colocados perfis metálicos em alumínio perfurado fixos por colagem (conforme documento de homologação). Estas cantoneiras são coladas por baixo das armaduras e sem a utilização de pregos. O princípio da aplicação das cantoneiras é conforme a Figura 3.22. das fachadas, Figura 3. 22 - Pontos específicos da colocação do sistema adoptado. 3) É efetuado um reforço de armadura no contorno dos vãos exteriores, através de faixas de armadura aplicadas a 45º no vértices do vão, devido à natural tendência para a fissuração nestes local. Também o reforço é extensivo aos cunhais e arranques do sistema. LEGENDA: 1 - Sistema de Isolamento Térmico 2 – Perfil de canto em alumínio 3 – Colagem do polistireno expandido 4 – Parâmetro exterior (esquemático)
Reabilitação de Conjuntos Habitacionais e Sua Adequação aos Moradores 28 4) No remate do sistema com tubagens e outros elementos salientes (por exemplo, drenagem das águas das lavandarias), foi efetuado previamente um enchimento com poliuretano e um cordão de mástique elastómero de 1.ª categoria à base de poliuretano. 5) No remate com peitoris, dado que o sistema apresenta uma espessura superior ao saimento dos peitoris em betão, adotou-se a colocação de peitoris lacados em alumínio que apresentam abas laterais de remate com as ombreiras. Desta forma para além de assegurarem a perfeita estanquidade das ligações fachadas/ vãos, também evitarão o aparecimento de escorrências de sujidades, contribuindo para o perpetuar do bom aspeto reduzindo custos de manutenção. 3.5.3. COBERTURAS Em primeiro lugar importa referir que foi efetuado o transporte e depósito em vazadouro autorizado, das chapas de fibrocimento originalmente colocadas nas coberturas. Esta tarefa foi assegurada por uma entidade certificada para o efeito. Todos os equipamentos de proteção individual para manuseamento do fibrocimento, designadamente factos especiais e máscaras de proteção das vias respiratórias, foram adotados. As coberturas são constituídas por duas chapas pré-lacadas em painéis “sandwich” com 50 mm de espessura e isolamento térmico/acústico em lã de rocha com densidade de 90 a 100 kg/m3, no miolo, incluindo todos os acessórios e remetes com outros elementos em chapa de zinco puro n.º 12. As chapas superior e inferior são pré-lacadas com revestimento de 25µm e uma espessura de 0,50mm. Inclui-se perfis remate da cumeeira e respetivos elementos de fixação, do tipo madres em Z, de forma a garantir eficiente vedação. Foram removidos todos os elementos de captação de sinal TV existentes, como antenas e pratos de parabólicas, assim como todas as ligações ao nível dos diferentes pisos, e colocadas novas infraestruturas para realização de contrato condomínio para ligação de TV por cabo. Foram ainda removidos a vazadouro, todos os rufos existentes nos remates com chaminés, empenas e guieiros. As coberturas estão dotadas de (por bloco) uma clarabóia de acesso com vidro (ou lâmina de policarbonato) duplo para evitar a criação de condensados. A vedação dos painéis da cobertura é assegurada através de rufos em zinco n.º 12, nos seguintes elementos: Caleira com um desenvolvimento adequado, composto por 3 elementos de rufagem designadamente, o rufo de contorno da caleira com aba a dobra sobre a cobertura de fibrocimento existente, o rufo vertical na face interior da platibanda e o rufo de coroamento sobre a superfície horizontal do topo da platibanda e respetivas pingadeiras salientes;
Reabilitação de Conjuntos Habitacionais e Sua Adequação aos Moradores 29 Rufos de vedação da cobertura inclinada com paredes emergentes, incluindo rufo normal vertical com 0.15m de desenvolvimento e um segundo rufo de vedação com desenvolvimento de 0.40m; Rufos laterais, na transição da cobertura inclinada com as fachadas, incluindo rufo de murete com desenvolvimento de 0.35m e rufo de vedação com 0.40m; Rufos de remates de chaminés emergentes, que serão prolongados até ao cume das cobertura, para desta forma assegurar a sua perfeita vedação. Os corpos salientes são constituídos pelas chaminés de cozinha, de ventilação e claraboias e acessos às coberturas. As paredes de chaminés, foram lavadas a jacto de água com aditivo anti-fungos e escovados para total remoção de sujidade, musgos, líquenes, restos de pintura desagregada e telas asfálticas (caso existam). Em seguida, executaram-se as reparações necessárias das suas superfícies exteriores - reparações de fissuras, reparações e tratamento estrutural ou a provocar escorrências, entre outros trabalhos necessários à sua correta e completa reabilitação e conforme os suportes - e colocação de novos rufos, vedações e caleiras. Foi ainda executado um reboco delgado armado (idêntico ao previsto no sistema Etics) com acabamento a revestimento plástico espesso Os “capacetes” das chaminés foram fixados de forma a garantir a total estanquicidade do sistema, e nos casos em que se encontravam degradados substituídos por novos elementos de configuração adequada. 3.5.4. JUNTAS DE DILATAÇÃO Para assegurar o correto tratamento de fachadas foi necessária a impermeabilização das juntas de dilatação estruturais verticais existentes no edifício. Deste modo previu-se a aplicação de um sistema, que complementa a capacidade de impermeabilização do sistema aplicado na fachada. O processo consistiu na colocação de um cordão de fundo de junta à base de espuma de polietileno expandido, sob pressão (diâmetro superior à largura da junta), e execução de remate da impermeabilização com mástique de estanquidade à base de poliuretano elastómero de 1ª categoria. Para a realização deste tratamento foram executadas as seguintes tarefas: Remoção dos elementos de preenchimento das juntas, que se encontram ressequidos e sem capacidade vedante; Conveniente escovagem ou aspiração da junta;
Reabilitação de Conjuntos Habitacionais e Sua Adequação aos Moradores 30 Execução de proteção do bordo exterior da junta com fita adesiva durante o tratamento dos elementos construtivos adjacentes; Inserção na junta de um cordão de polietileno expandido de dimensão adequada do tipo “Cordão Sika” com o auxílio de um taco de madeira; Aplicação de mástique elastomérico com pistola adequada, em três passagens (expecto juntas de largura inferior a 15mm, para as quais basta apenas uma passagem), duas delas apertando o bico da pistola contra os dois extremos da junta e uma terceira na zona central, contra o cordão de polietileno; Alisamento final da superfície com uma batata cortada, ou pincel humedecido ligeiramente em água e sabão. 3.5.5. PINTURA DE CAIXA DE ESCADAS Estes trabalhos foram executados por equipas especializadas. Os produtos para as pinturas obedeceram ao especificado, sendo laváveis e resistentes às manchas de gordura e à ação dos detergentes usuais. Todas as superfícies destinadas a serem pintadas foram cuidadosamente limpas e desengorduradas. A seguir à aplicação do primário ou isolante todos os defeitos das superfícies foram colmatados, por meio de massas de barrar, para que, após lixagem, fiquem corrigidos todas as imperfeições, antes de serem aplicadas as demãos finais. As várias demãos foram aplicadas, de modo a evitar estrias e a garantir um acabamento homogéneo. 3.5.6. VIDROS Inseridos neste capítulo estão os vidros em caixilhos exteriores. Estes foram assentes com massas ou perfis de borracha ou PVC (policloreto de polivinila), apropriados, garantindo sempre folgas, em relação aos caixilhos ou elementos em que se inserem, de forma a ficarem perfeitamente imobilizados pela massa ou bites e não sofrerem efeitos de vibração. O seu assentamento nas caixilharias feito por intermédio de bites de borracha e calços de neoprene, de modo a manterem uma boa resistência ao envelhecimento e aos ataques dos agentes atmosféricos. Em todas as caixilharias exteriores (excetuo marquises) os vidros são duplos de 4mm (exterior simples) + 4mm (interior simples), com 6 mm de lâmina de ar. Os vãos que encerram marquises, como a lavandaria e varanda da sala são em vidro simples de 6 mm de espessura.
Reabilitação de Conjuntos Habitacionais e Sua Adequação aos Moradores 31 3.5.7. SERRALHARIAS As serralharias são compostas, fundamentalmente, pelo fornecimento de vãos metálicos em alumínio, guardas, etc. Para além do cumprimento rigoroso das normas legais, foi dada especial atenção à proteção e pinturas das peças. Foi efetuado o fornecimento e montagem novas caixilharias em alumínio termolacado em cor definida pela fiscalização, de todos os vãos das habitações, incluindo todas as ferragens, vedantes e acessórios necessários à sua perfeita montagem e funcionamento e soleira em alumínios termolacado. O sistema de correr é de 72 mm, com aros móveis de 23.5/27.5 mm. Está disponível nas soluções convencional, horizonte, decorativo, tri-rail e janelas duplas. Esta série pode utilizar vidro simples ou duplo permitindo a ligação a outros sistemas. A espessura geral dos perfis é de1,4 mm. Relativamente à série de abrir, este sistema de batente de 40/47 mm apresenta câmara europeia e vedação central. As dimensões da câmara europeia, de acordo com as normas europeias de uniformização, permitem a utilização de uma vasta gama de acessórios de elevada qualidade. Este sistema existe nas alternativas de perfis de formas retas, curvas ou ainda como modelo tradição/decorativo, sem bite, conforme o objetivo estético pretendido. Espessura geral dos perfis é de 1.4mm. 3.5.8. CARPINTARIAS As carpintarias são compostas fundamentalmente pelo fornecimento e colocação eventual de portas de contadores e apainelados de vãos exteriores (peito e tampa de estore). As carpintarias foram assentes com o teor de humidade compatível com os locais de aplicação, respeitando o determinado na E69-1961 do LNEC. Para além de se cumprir rigorosamente as boas normas de utilização, foi dada especial atenção à proteção e envernizamento das peças, a executadas de acordo com o caderno de encargos, bem como grande exigência nas condições de transporte e colocação de forma a não prejudicar os referidos revestimentos. 3.5.9. REDES HIDRÁULICAS As redes hidráulicas foram tratadas neste capítulo as redes de abastecimento de águas e drenagem de águas pluviais. Relativamente ao abastecimento de águas, os trabalhos passaram fundamentalmente pela desativação das colunas montantes existentes, fornecimento e aplicação de novos ramais individuais da rede
Reabilitação de Conjuntos Habitacionais e Sua Adequação aos Moradores 32 predial de água potável em cada bloco, desde os contadores até à entrada dos respectivas apartamentos. Inclui-se a abertura e tapamento de furações, e de modo a ficar com aspeto perfeitamente uniforme, todos os trabalhos necessários ao perfeito acabamento e em conformidade com desenhos de pormenor apresentados (P19 - Posicionamento de Contadores de Abastecimento de Água). Outras tarefas englobadas neste capítulo têm a ver com a passagem de todos os contadores de leitura dos consumos de água para exterior (patamares) em caixa normalizada, incluindo abertura e tapamento de roços e todos os trabalhos necessários ao perfeito acabamento e em conformidade com desenhos de pormenor apresentados (P19 - Posicionamento de Contadores de Abastecimento de Água) Todo o esgoto pluvial, proveniente das chuvas das coberturas do edifício, é recolhido por caleiras que conduzem o esgoto pluvial aos tubos de queda. Os tubos de queda desembocam em caixas de areia que foram limpas e revista as respectivas tampas. O circuito, entre caixas de areia, é assegurado por colectores prediais, sendo, por fim, todo o esgoto conduzido à sarjeta. Estes trabalhos envolvem-se de grande especialização e especificidade, pelo que foram realizados por uma empresa especializada, devidamente habilitada para a execução dos referidos trabalhos. Todos os materiais e equipamentos a aplicar cumpriram o preconizado e as condições exigidas para o fim a que se destinam, obedecendo sempre às prescrições dos regulamentos, normas e demais legislação nacional em vigor. 3.5.10. Instalações eléctricas Da inspeção efetuada por técnico qualificado à instalação eléctrica existente nas zonas comuns das diversas entradas dos edifícios, antes da intervenção, constatou-se que as mesmas estão absolutamente desatualizadas e constituem nalguns casos riscos elevados para os utentes. São poucos os casos em que não existe violação das selagens dos acessos à corrente elétrica, sem existir sequer proteções em caso de acidente. Por estes motivos considerou-se a execução completa de novos quadros de serviços comuns, já com disjuntores e proteções adequadas, bem como ao nível dos patamares a colocação de novas portas seladas nos acessos à derivações. Também foi englobado nas instalações elétricas o fornecimento e colocação de calhas em "U" de alumínio em de forma a ocultar cabos de redes telefónicas fixas nas fachadas exteriores dos blocos.
Reabilitação de Conjuntos Habitacionais e Sua Adequação aos Moradores 33 3.6. PORMENORES DE EXECUÇÃO 3.6.1. REMATE DA CHAMINÉ/COBERTURA “SANDWICH” Neste ponto singular considera-se importante que o remate da chaminé com a chapa “sandwich” seja efetuado através de um rufo em chapa de zinco (Figura 3.23). Para o efeito foi picado o reboco da chaminé em todo o perímetro de contacto com a chapa (pelo menos 10 cm), aplicado o rufo e refeito o reboco, desta feita armado com uma argamassa com polímeros. É fundamental para a estanquidade da cobertura que o rufo se desenvolva até à cumeeira para evitar infiltrações e o uso de mástiques (solução que obriga a manutenção regular e de eficácia duvidosa). Para garantir o bom comportamento térmico da cobertura adotou-se a espessura da Sandwich de 50mm – ver projeto de térmica. Mantiveram-se as pendentes existentes, que asseguram a correta drenagem das águas das chuvas. Figura 3. 23 - Pormenor de remate. 3.6.2. REMATE DO SISTEMA ETICS COM OS PEITORIS DE VÃOS Como remate do sistema de isolamento térmico com os vãos exteriores existentes (e respectivas soleiras) previu-se a aplicação de um peitoril em perfil de alumínio termolacado, diretamente sobre o peitoril em betão existente (tratado antes de executar esta tarefa) e a rematar sob o perfil da nova caixilharia. Este perfil metálico possui lateralmente (no encontro com as ombreiras), uma aba a 90º voltada para cima, que foi sobreposta com o reboco delgado armado que dobra nas ombreiras. Este método é o mais adequado para além de assegurar a perfeita estanquidade das ligações fachadas/vãos, também evitará o aparecimento de escorrências de sujidades, contribuindo para o perpetuar do bom aspeto das fachadas, reduzindo custos de manutenção (Figura 3.24).
Reabilitação de Conjuntos Habitacionais e Sua Adequação aos Moradores 40 3.6.12. DISTRIBUIÇÃO DAS FIXAÇÕES MECÂNICAS À FACHADA DO POLISTIRENO Figura 3. 34 - Pontos específicos da colocação do sistema adotado. Dado que se trata de uma reabilitação, e apesar do tratamento preconizado para o suporte, importa assegurar a correta aplicação do sistema ETICS, designadamente do poliestireno expandido. Desta forma as placas foram fixadas com buchas de PVC conforme a distribuição indicada no desenho com uma média de 8 buchas/m2 (Figura 3.34). 3.6.13. Configuração da localização de contadores de águas – patamares das entradas das habitações (pisos). Figura 3. 35 - Esquema de colocação de contadores de água na entrada das habitações.
Reabilitação de Conjuntos Habitacionais e Sua Adequação aos Moradores 41 Previu-se a passagem de todos os contadores de leitura dos consumos de água para exterior (patamares), em caixa normalizada, incluindo abertura e tapamento de roços e todos os trabalhos necessários ao perfeito acabamento e em conformidade com desenhos de pormenor apresentados na Figura 3.35. No interior foi efetuado um by-pass, onde atualmente se localiza o contador. 3.6.14. CONFIGURAÇÃO DA PROTEÇÃO MECÂNICA DO SISTEMA ETICS NAS ENTRADAS Figura 3. 36 - Pontos específicos da colocação do sistema adotado. Considerou-se a adoção de uma proteção mecânica complementar ao nível das zonas acessíveis da fachada, com uma altura mínima de 2m, através da execução de um duplo barramento armado, complementado pela aplicação de um cerâmico do tipo grés extrudido não vidrado (zonas acessíveis), fixado com um cimento cola de ligantes mistos com características flexíveis, para acompanhar algumas deformações próprias de um sistema ETICS. As juntas entre elementos cerâmicos não
Reabilitação de Conjuntos Habitacionais e Sua Adequação aos Moradores 42 poderão ser tomadas. Neste pormenor é possível identificar a proteção mecânica ao nível dos acessos ao interior dos edifícios com a altura preconizada (Figura 3.36). 3.6.15. CAPACETE DE ALUMÍNIO SOBRE PEITORIS EM VARANDAS Figura 3. 37 - Pontos específicos da colocação do sistema adotado. Como remate do sistema de isolamento térmico com os chapins das varandas que foram marquisadas, preconizou-se a aplicação de um perfil em alumínio termolacado com a configuração definida em pormenor, sobre o elemento de coroamento em betão existente (a tratar antes de executar esta tarefa). Este perfil metálico possui lateralmente (no encontro com as ombreiras), uma aba a 90º voltada para cima, que se sobrepõe com o sistema ETICS (Figura 3.37). Este perfil possui uma pingadeira saliente que evitará o aparecimento de escorrências de sujidades, contribuindo para o perpetuar do bom aspeto das fachadas, reduzindo custos de manuten 1. Sistema ETICS 40mm EPS; 2. Caixilharia Encerramento de Varandas; 3. Perfil em Alumínio; 4. Peitoril em Betão; 5. Murete de Varandas.
Reabilitação de Conjuntos Habitacionais e Sua Adequação aos Moradores 43 4. AVALIAÇÃO DO IMPACTO DA INTERVENÇÃO REALIZADA Tecnicamente, trocaram-se conhecimentos e experiências que conjugadas resultaram na aprendizagem de técnicas complementares de matérias e de processos, resultando um melhor trabalho e com possibilidade de uma muito maior economia. Socialmente/Psicologicamente, o contacto com as famílias que lá vivem fez que fossem elucidadas de modo a viverem de um processo mais racional e mais salutar. Perceber a sua vivência, originou uma troca de palavras que resultaram numa ajuda pedagógica e psíquica, dando-lhes a possibilidade de serem mais felizes. Experiência, foi enriquecedora para um futuro técnico global o modo de atuação de todos os técnicos nas várias áreas que justificaram a sua intervenção. Gerir o Stress, entre a motivação de executar um trabalho tecnicamente válido e competente e a necessidade de se esperar que os habitantes aceitem e se sintam felizes por uma habitação que lhes oferece uma melhor qualidade de vida. Recomendações: Concluimos que todo o trabalho executado resultou num trabalho útil, funcional e objetivo, dado que o querer-se aproveitar os conhecimentos e as experiências de todos os intervenientes das mais diversas áreas de intervenção. Critérios: A responsabilidade, a disponibilidade, a disciplina, a motivação, a intrusão concreta no projeto e com as pessoas foram significativos para os objetivos serem atingidos.
Reabilitação de Conjuntos Habitacionais e Sua Adequação aos Moradores 44 Metodologia: Os métodos são necessários para um bom planeamento, programação e gestão. Sem uma gama operatória devidamente organizada e disciplinada, os objetivos sofrem de mediocridade, causando mal estar e resultados negativos. Neste ponto, para uma avaliação mais precisa e concreta, foi realizada uma comparação do Conjunto Habitacional em estudo com um Conjunto Habitacional com a mesma idade de construção 33 a 34 anos. O Conjunto Habitacional que comparamos tem a mesma localização (afastado cerca de 800 metros, em linha reta), praticamente o mesmo número de habitações, a mesma exposição solar, e os materiais utilizados na sua construção foram do mesmo tipo: Paredes em bloco Ytong com uma pintura normal, tinta simples. Janelas de abrir em madeira com vidro simples. Revestimentos interiores em pavimento cerâmico e pavimento em lamparquet nos quartos. Cobertura com telha em fibrocimento. Consideramos importante a comparação do nosso caso de estudo com este C.H., para conseguir ter uma perceção da rentabilidade que teria ao fazer uma reabilitação completa de um C.H. como é o nosso caso de estudo. Todas as comparações foram realizadas in situ e com a colaboração dos habitantes de um e de outro C.H. 4.1. AO NÍVEL DE CUSTOS DE MANUTENÇÃO A analise e comparação dos custos de manutenção que um CH antes e após a reabilitação, durante 4 anos, pode ser observada na Tabela 4.1 e nas Figuras 4.1 a 4.5. Os quadros que se seguem foram incluídos para uma melhor perceção do impato que existiu após a reabilitação com as devidas percentagens que cada um dos fatores acima descritos teve nesta diminuição de custos.
Reabilitação de Conjuntos Habitacionais e Sua Adequação aos Moradores 45 Tabela 4. 1 - Custos de manutenção antes e após a reabilitação do CH e fatores que intervieram na redução de custos. Antes da Reabilitação Fatores que contribuíram para a redução de custos Redução percentual, nos anos após a reabilitação, em relação aos custos do ano anterior, para cada fator 1º Ano 2º Ano 3º Ano 4º Ano 220.000,00€ A Reabilitação -30% -30% -20% -10% Apoio Técnico -10% -10% -5% -3% Apoio Social -10% -5% -5% -3% Apoio Psicológico -5% -3% -1% -1% Vigilância -3% -2% -1% -1% Formação continua de técnicos (área de construção civil e social) -30% -20% -20% -10% Custos anuais de manutenção 149.600,00€ 104.720,00€ 54.454,40€ 15.247,23€
Reabilitação de Conjuntos Habitacionais e Sua Adequação aos Moradores 46 Figura 4. 1 - Fatores que intervieram na redução de custos de manutenção após o primeiro ano. Figura 4. 2 - Fatores que intervieram na redução de custos de manutenção após o segundo ano. -30% -10% -10% -5% -3% -30% -35% -30% -25% -20% -15% -10% -5% 0% A Reabilitação Apoio Técnico Apoio Social Apoio Psicológico Vigilância Formação contínua de técnicos (construção civil e social) Factores Factores: 1 Ano após a reabilitação -30% -10% -5% -3% -2% -20% -35% -30% -25% -20% -15% -10% -5% 0% A Reabilitação Apoio Técnico Apoio Social Apoio Psicológico Vigilância Formação contínua de técnicos (construção civil e social) Factores Factores: 2 Anos após a reabilitação
Reabilitação de Conjuntos Habitacionais e Sua Adequação aos Moradores 47 Figura 4. 3 - Fatores que intervieram na redução de custos de manutenção após o terceiro ano. Figura 4. 4 - Fatores que intervieram na redução de custos de manutenção após o quarto ano. -20% -5% -5% -1% -1% -20% -35% -30% -25% -20% -15% -10% -5% 0% A Reabilitação Apoio Técnico Apoio Social Apoio Psicológico Vigilância Formação contínua de técnicos (construção civil e social) Factores Factores: 3 Anos após a reabilitação -10% -3% -3% -1% -1% -10% -35% -30% -25% -20% -15% -10% -5% 0% A Reabilitação Apoio Técnico Apoio Social Apoio Psicológico Vigilância Formação contínua de técnicos (construção civil e social) Factores Factores: 4 Anos após a reabilitação
Reabilitação de Conjuntos Habitacionais e Sua Adequação aos Moradores 48 Figura 4. 5 - Custos anuais de manutenção antes e após a reabilitação, ao longo de 4 anos. Com os apoios, a ser descritos, e a própria reabilitação, verificou-se que em 4 anos a despesa desceu abruptamente de 220.000,00€ para 15.247,23€ anuais, ou seja um decréscimo de 90% Os fatores que intervieram para esta redução foram principalmente: - A Reabilitação de todo o CH - Formação diária e contínua dos moradores por técnicos da área de construção civil e social - Apoio Técnico ao CH e seus habitantes - Apoio Social aos agregados familiares - Apoio Psicológico aos agregados familiares - Colocação de um(a) vigilante do próprio CH para conseguir ter o CH em condições mais apelativas para os seus moradores e para quem responsabilidades sobre este CH. 220,000.00 € 149,600.00 € 104,720.00 € 54,454.40 € 15,247.23 € 0.00 € 50,000.00 € 100,000.00 € 150,000.00 € 200,000.00 € 250,000.00 € Antes da reabilitação 1 Ano após reabilitação 2 Anos após reabilitação 3 Anos após reabilitação 4 Anos após reabilitação Custos Anuais (Euros) Custos anuais com manutenção das Habitações e Zonas Comuns
Reabilitação de Conjuntos Habitacionais e Sua Adequação aos Moradores 49 4.2. AO NÍVEL DE CONSUMO DE ENERGIA ELÉTRICA A análise e comparação do consumo de energia que o CH que serviu de referência tem e o CH após ser reabilitado, (caso de estudo) num período de 2 meses, está apresentado na Tabela 4.2 e nas Figuras 4.6 a 4.11. Note-se que a comparação não foi feita ao acaso, mas sim com o mesmo número de pessoas que estão no agregado familiar, bem como a tipologia da habitação. Nos gráficos a seguir apresentados poderemos ter uma melhor perceção destas diferenças. Tabela 4. 2 - Consumo de energia do CH antes e após a reabilitação, num período de 2 meses. CH com mais de 30 anos CH com mais de 30 anos Reabilitado (caso de estudo) Valores Globais Tipologia Bimensal (Kwh) Tipologia Bimensal (Kwh) Diferença Kwh Valor do Kwh Valor na Poupança de Eletricidade T1 107 T1 87 20 0.1528 € 3.06 € T1 330 T1 309 21 0.1528 € 3.21 € T1 820 T1 789 31 0.1528 € 4.74 € T1 404 T1 387 17 0.1528 € 2.60 € T1 134 T1 103 31 0.1528 € 4.74 € T1 84 T1 80 4 0.1528 € 0.61 € T1 342 T1 305 37 0.1528 € 5.65 € T1 360 T1 342 18 0.1528 € 2.75 € T1 46 T1 40 6 0.1528 € 0.92 €
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Reabilitação de Conjuntos Habitacionais e Sua Adequação aos Moradores I 5. CONCLUSÕES 5.1. REFLEXÕES FINAIS Nesta dissertação, tentou-se que existisse a vertente técnica conjugada com a vertente social, dado que o caso de estudo é um conjunto habitacional social. Verificou-se que in situ, na reabilitação deste conjunto habitacional em concreto, não poderia ser de outra maneira que não uma conversa com todos os seus moradores, com mais ou menos dificuldades, para conseguir ir ao encontro das necessidades a nível habitacional, mas sem descorar de alguma forma as suas carências sociais, obviamente também ligadas ás suas dificuldades económicas. Não é fácil… A reabilitação realizada teve em consideração todos estes fatores, porque se assim não o fosse não seria uma verdadeira reabitação, mas sim, apenas, uma reabilitação técnica, o que não era o pretendido. Fez-se uma verdadeira reabilitação técnica ao nível do que o conjunto habitacional necessitava, desde infiltrações, conforto térmico, redução de custos, reciclagem ambiental, com uma equipa técnica que deu todo o seu melhor para que todos, incluindo os habitantes, ficassem com orgulho do que se realizou. Os habitantes ficaram sensíveis a que o dinheiro que pagam pelas suas rendas estava a ser aplicado e bem aplicado e que o dinheiro de todos que são todos os contribuintes não estava a ser esbanjado mas sim aplicado em proveito deles e de todos nós. O concelho ficou com um valor muito maior, com um conjunto habitacional, completamente remodelado/reabilitado, ou seja, novo. Os habitantes do conjunto habitacional sentiram-se num novo espaço sem terem que sair das suas raízes para conseguirem ter uma habitação, um espaço, um ambiente social e uma vida nova com muito mais qualidade, testemunhando perante toda a equipa e publicamente que nunca pensavam ser tratados desta forma.
Reabilitação de Conjuntos Habitacionais e Sua Adequação aos Moradores II “O dinheiro não é tudo, deram-nos uma vida nova, vamos começar do zero e isto é nosso vamos lutar por este espaço como se fosse somente nosso”, esta foi uma das frases que mais sensibilizou os autores deste estudo, dita por uma Senhora de 70 anos, que estava desiludida com tudo e com todos que eram responsáveis por este tipo de conjuntos habitacionais. Neste trabalho, a reabilitação teve o objetivo de atingir uma economia considerável de custos de várias ordens, nomeadamente, de manutenção. Após a reabilitação, verificou-se que o comportamento térmico dos materiais aplicados originou uma economia de custos com algum significado. Assim, a análise comparativas da manutenção do Conjunto Habitacional, indicou resultados francamente positivos, sendo um dos mais importantes fatores que contribuem para uma substancial melhoria de qualidade de vida dos seus habitantes. São estas razões que nos motivam sempre a trabalhar implementando todos os recursos possíveis para se conseguir um trabalho gratificante como esta reabilitação. 5.2. PROPOSTA DE DESENVOLVIMENTOS FUTUROS – O que tenho a propor? – Ser objetivo no que queremos executar. – Preparar a execução de um trabalho, como este caso de estudo “REABILITAÇÃO DE CONJUNTOS HABITACIONAIS E SUA ADEQUAÇÃO AOS MORADORES”. – Ouvir as pessoas que habitam. – Estudar socialmente as pessoas que lá vivem. – Executar um trabalho em equipa. – Verificar todas as carências e dificuldades dos habitantes para ir ao encontro destes. – Os habitantes é que sabem o que pretendem. – Tecnicamente, implementar as soluções construtivas e ambientais que mais se adequam às necessidades, sempre com rigor e idoneidade. – Não é necessário construir, é necessário reabilitar. – Os fogos devolutos não são uma mais-valia, mais-valia é torna-los habitáveis para serem ocupados. – O dinheiro é importante, mas mais importante é saber aplicá-lo. Todos pagamos impostos e estes deveriam ser aplicados em quem realmente merece. Contudo, alguns beneficiam por arrasto, como aconteceu neste caso de estudo, mas socialmente e tecnicamente temos o dever e a obrigação de alertar para intervenções necessárias que, tal como acontece noutros prédio degradados e especialmente em conjuntos habitacionais sociais, se não foram efetuadas levarão a que fiquem em ruínas. Deveremos cada vez mais, desenvolver as técnicas de reabilitação, os seus métodos, a sua organização, a sua interação com as pessoas tanto social como financeiramente. Com isto, só conseguimos valores positivos como o bem-estar das pessoas, o desenvolvimento das técnicas de engenharia a serem aplicadas, o trabalho em equipa, o relacionamento social, a vida ambiental, os nossos conhecimentos a todos os níveis, etc…
Reabilitação de Conjuntos Habitacionais e Sua Adequação aos Moradores III No terreno é que se detetam os problemas tanto de engenharia como sociais, se não estivermos diretamente no local não os vamos conhecer verdadeiramente e para que tenham solução recorremos ao trabalho científico e laboratorial, onde tem havido desenvolvimentos na área da engenharia, bem como a instituições socias para que possamos voltar ao terreno com novas ideias a implementar. Vamos continuar a trabalhar a engenharia no seu todo e colocá-la ao serviço das pessoas.
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Reabilitação de Conjuntos Habitacionais e Sua Adequação aos Moradores V BIBLIOGRAFIA 1 - EnerBuilding, Eficiência energética nos edifícios residenciais, Deco, Lisboa, 2008. 2 - Ferreira, M., A eficiência energética na reabilitação de edifícios, Dissertação de Mestrado, UNL, 2009. 3 - Ministério da Economia, da Inovação, e do Desenvolvimento, Plano Novas Energias ENE2020, Lisboa, 2010. 4 - Henriques, F., Reabilitação Térmica de Edifícios, Alambi, 2007. 5 - Nunes, J. Reabilitação do Ponto de Vista Térmico de Fachadas No Centro Histórico do Porto. Dissertação de Mestrado, FEUP, 2008. 6 - http://www.freeinsulation.co.uk/. Dezembro de 2010 7 - IEEA, Guidebook on energy intelligent retrofitting, Fevereiro, 2008. 8 - Freitas, V. Isolamento térmico de Fachadas pelo Exterior, maxit Group, Porto, 2002 9 - Decreto-Lei no 80/2006, Regulamento das Características de Comportamento Térmico dos Edifícios, 4 de Abril de 2006 10 - Paiva, J., Aguiar, J., Pinho, A., Guia Técnico de Reabilitação Habitacional (Vol. II), INH-LNEC, Lisboa, 2006. 11 - Direcção Geral de Geologia e Energia, Reabilitação Energética da Envolvente de Edifícios Residenciais, Lisboa, 2004. 12 - Ferreira, T., Sobre a Utilização do Sistema de Isolamento Térmico pelo Interior em Edifícios Residenciais em Portugal, Dissertação de Mestrado, FEUP, 2006. 13 - http://www.pladur.com/pt-pt. Dezembro de 2010
Reabilitação de Conjuntos Habitacionais e Sua Adequação aos Moradores VI 14 - SEI, A Detailed Guide to Insulating Your Home, Dublin. 15 - ENERGY STAR, Building Manual, 2008 16 - http://www.efficientwindows.org. Janeiro 2011 17 - http://www.renovation-headquarters.com/windows-replacement-materials.htm. Janeiro de 2011 18 - Autodesk Ecotect, Help file, 2011. 19 - EN ISO 13786, Thermal Performance of building components. Dynamic Thermal Characteristics – Calculation Methods, 2007; 20 - Hensen, J., Radosevic, M., Teaching building performance simulation – some quality assurance issues and experiences, Technische Universiteit Eindhoven, 2004. 21 - ANBT - Projecto 02:135:07-001, Desempenho térmico de edificações. Parte 1: Definições, símbolos e unidades, Associação Brasileira de Normas Técnicas, 2003; 22 - CIBSE (The Chartered Institution of Building Services Engineers), Environmental Design Guide A, Londres, 1999; 23 - http://naturalfrequency.com/articles/thermalelements. Novembro 2010 24 - Freitas, V., Pinto, P., Nota de Informação Técnica (NIT) 002. Permeabilidade ao vapor de água de materiais de construção – Condensações internas, Laboratório de Física das Construções – FEUP, Porto, 1998. 25 - Porto Vivo, SRU, Projecto base de documento estratégico, Porto, 2007. 26 - Santos, C., Matias, L., Coeficientes Transmissão Térmica de Elementos da Envolvente dos Edifícios, Informação Técnica Edifícios no 50, LNEC, Lisboa, 2006. 27 - http://www.engineeringtoolbox.com/specific-heat-solids-d_154.html. Janeiro de 2011 28 - http://www.batirbio.org/html/Economie-d-energie/materiaux-de-construction-Conductivite-etenergie-grise.html. Janeiro de 2011 29 - Mendonça, P., Habitar sob uma segunda pele: estratégias para a redução do impacto ambiental de construções solares passivas em climas temperados, Tese de Doutoramento, Universidade do Minho, 2005. 30 - ISO 7730, Ergonomics of the thermal environment — Analytical determination and interpretation of thermal comfort using calculation of the PMV and PPD indices and local thermal comfort criteria, 2005.
Reabilitação de Conjuntos Habitacionais e Sua Adequação aos Moradores VII 31 - Decreto-Lei no 79/2006, Regulamento dos Sistemas Energéticos de Climatização em Edifícios, 4 de Abril de 2006. 32 - Freiras de Oliveira, A. Avaliação da Qualidade Térmica de Edifícios, Dissertação de Mestrado, FEUP, 2007. 33 - Center for Sustainable Building Research; Alliance to Save Energy, Window Technologies, Lawrence Berkeley National Laboratory, 2009. 34 - http://melhorepossivel.blogspot.pt/2008/09/bairros-sociais-demolio-ou-reabilitao.html. Maio de 2015 35 - http://www.tvi24.iol.pt/politica/rui-rio/reabilitacao-de-bairros-sociais-do-porto-e-uminvestimento. Maio de 2015 36 - http://habitacao.cm-lisboa.pt/?no=151000100850:012013. Maio de 2015 37 - http://www.portaldahabitacao.pt/pt/portal/noticias/noticia852.html. Maio de 2015 38 – Empresa Viero, Catálogo, 2010.
Reabilitação de Conjuntos Habitacionais e Sua Adequação aos Moradores VIII
Reabilitação de Conjuntos Habitacionais e Sua Adequação aos Moradores IX ANEXO 1. REGISTO FOTOGRÁFICO ANTES E APÓS INTERVENÇÃO
Reabilitação de Conjuntos Habitacionais e Sua Adequação aos Moradores XVI (A) (B) Figura A1. 6 - Fachadas exteriores: antes (A) e depois (B) da intervenção.
Reabilitação de Conjuntos Habitacionais e Sua Adequação aos Moradores XVII (A) (B) Figura A1. 7 - Fachadas exteriores: antes (A) e depois (B) da intervenção.
Reabilitação de Conjuntos Habitacionais e Sua Adequação aos Moradores XVIII (A) (B) Figura A1. 8 - Zona envolvente: antes (A) e depois (B) da intervenção.
Reabilitação de Conjuntos Habitacionais e Sua Adequação aos Moradores XIX (A) (B) Figura A1. 9 - Cabos de alimentação de eletricidade para as habitações: antes (A) e depois (B) da intervenção.
Reabilitação de Conjuntos Habitacionais e Sua Adequação aos Moradores XX (A) (B) Figura A1. 10 - Sistema de águas pluviais nas fachadas: antes (A) e depois (B) da intervenção.
Reabilitação de Conjuntos Habitacionais e Sua Adequação aos Moradores XXI (A) (B) Figura A1. 11 - Peitoris das janelas nas fachadas: antes (A) e depois (B) da intervenção.
Reabilitação de Conjuntos Habitacionais e Sua Adequação aos Moradores XXII (A) (B) Figura A1. 12 - Sistema de exaustão das habitações: antes (A) e depois (B) da intervenção.
Reabilitação de Conjuntos Habitacionais e Sua Adequação aos Moradores XXIII (A) (B) Figura A1. 13 - Cabos elétricos no exterior de cada bloco do Conjunto Habitacional: antes (A) e depois (B) da intervenção.
Reabilitação de Conjuntos Habitacionais e Sua Adequação aos Moradores XXIV (A) (B) Figura A1. 14 - Cabos elétricos e alimentação de água no exterior de cada bloco do Conjunto Habitacional: antes (A) e depois (B) da intervenção.
Reabilitação de Conjuntos Habitacionais e Sua Adequação aos Moradores XXV (A) (B) Figura A1. 15 - Contador de água das habitações que estavam no interior e passaram para o exterior (zona comum): antes (A) e depois (B) da intervenção.
Reabilitação de Conjuntos Habitacionais e Sua Adequação aos Moradores XXXIII I. INTRODUÇÃO Refere-se a presente memória descritiva e justificativa ao projeto de comportamento térmico, relativo a Reabilitação das Fachadas e Coberturas do Conjunto Habitacional. Trata-se de um conjunto habitacional, constituído por 17 entradas de edifícios, que em termos gerais apresenta 8 fogos por entrada. Cada entrada e formada por um (nico corpo, do tipo R/chão + 3 andares, com acessos efetuados através de uma caixa de escadas. Os edifícios distribuem-se com 9 entradas em banda, com 6 entradas em banda e ainda com 2 entradas geminadas. Estas ultimas entradas apresentam um piso adicional semienterrado. A atual legislação que regula as características e comportamento térmico dos edifícios de habitação e o DL 80/2006. De acordo com este decreto apenas as grandes intervenções de reabilitação ou grandes obras de remodelação são obrigadas a respeitar o RCCTE e a certificar energeticamente as frações. Entende-se por grandes reabilitações aquelas cujo custo seja superior a 25% do valor do edifício. O valor do edifício e calculado com base num valor de referencia por metro quadrado, que e atualmente e de 650 €/m2. No caso da empreitada em concreto, como não e atingido o valor em questão, não há a obrigatoriedade perante a Adene (Agencia para a Energia), de certificar energeticamente os edifícios. Esta questão e de particular importância dado que se houvesse essa obrigatoriedade, no total cumprimento do DL 80/2006, os edifícios teriam de ser dotados de sistemas solares térmicos (com painéis) para aquecimento de AQS (águas quentes sanitárias), bem como de intervenções na componente térmica nas paredes que confinam com locais não aquecidos, designadamente interior das caixas de escadas, caves, arrumos, etc. Também é provável que houvesse necessidade, para verificação regulamentar, de assegurar meios de climatização interiores, em que o tipo alimentação (gás ou elétrica) e o rendimento dos aparelhos e relevante. Por esta questões estarem em absoluto fora do âmbito da intervenção térmica preconizada pela Camara, que incide na envolvente exterior, iremos para o efeito efetuar uma verificação do cumprimentos dos requisitos mínimos, referentes justamente a envolvente exterior dos edifícios. Fica portanto fora deste estudo térmico a envolvente interior, nomeadamente paredes e pavimentos para (locais não aquecidos), paredes enterradas e o aquecimento das aguas sanitárias. II. MEMÓRIA DESCRITIVA E JUSTIFICATIVA A construção em questão, pertencentes a zonas climáticas I2-V1. O presente projeto refere-se a um conjunto habitacional, constituído por 17 edifícios, no total de 138 fogos de habitação com a seguinte constituição: TIPOLOGIA T2 = 75 fogos TIPOLOGIA T3 = 53 fogos
Reabilitação de Conjuntos Habitacionais e Sua Adequação aos Moradores XXXIV TIPOLOGIA T4 = 10 fogos Genericamente o pisos são dedicados a: Piso 0 - habitação Piso 1, 2 e 3 - habitação Cobertura inclinada - não acessível. ILUMINAÇÃO E VENTILAÇÃO Todos os compartimentos, com exceção dos Wc's, recebem luz direta do exterior por intermedio de vãos verticais nas fachadas do edifício. A renovação de ar e assegurada de forma natural, nas instalações sanitárias e através de exaustor nas cozinhas. Não está previsto dispositivos de admissão de ar nas fachadas. Os vãos serão bem vedados. CARACTERISTICAS DA CONSTRUÇÃO Estrutura Elementos estruturais em betão armado de inertes correntes, nomeadamente, sapatas, vigas, pilares, vigas, lajes de pavimento e escadas, de acordo com o Projeto Especifico de Estruturas. Pavimentos Pavimentos entre habitações constituídos por lajes realizadas em vigotas pré-fabricadas de betão préesforçado com espessura mínima de 0.18m e blocos cerâmicos vazados. Cobertura Armação da cobertura constituída por pernas e ripas, executadas em elementos préesforçados de betão armado, laje inclinada em ripado pré-esforçado, revestida com telha de fibrocimento. Sobre as telhas da coberturas serão aplicadas duas chapas pré-lacadas em painéis "sandwich" com 50 mm de espessura e isolamento térmico/acústico em lã de rocha com densidade de 90 a 100 kg/m3, no miolo, incluindo todos os acessórios e remetes com outros elementos em chapa de zinco puro n.º 12. Paredes Exteriores A paredes exteriores são duplas em tijolo vazado assente ao cutelo, o paramento exterior realizado em 30x20x15 e o interior em 30x20x7, tendo a caixa de ar a espessura de 4cm, formando uma parede com 0.26m. Sobre esta parede será aplicado o sistema ETICS pelo exterior com placas de poliestireno
Reabilitação de Conjuntos Habitacionais e Sua Adequação aos Moradores XXXV expandido com 40mm de espessura em todas as fachadas. As paredes interiormente regularizadas com gesso projetado (1cm) e acabamento pintado. Paredes Interiores As paredes interiores são em alvenaria de tijolo furado de 7 (30x20x7), assente com argamassa de cimento e areia ao traço (1:4), estucada em cada um dos lados (2cm). Parede interior para locais não-aquecidos Alvenaria de tijolo furado de 15 (30x20x11) assente com argamassa de cimento e areia ao traço (1:4). As paredes são rebocadas nas faces exteriores e estucadas nas faces interiores, com 2cm de espessura media. Carpintaria Porta da habitação - maciça em madeira na entrada da habitação. Tampa de visita a caixa de estores - em madeira maciça. Rodapés - em madeira exótica. Pavimentos das habitações Os pavimentos das habitações são, regra geral revestidos a material cerâmico com 1 cm de espessura sobre betonilha de argamassa de cimento e areia. Há alguns em que os moradores colocaram outros revestimento como e o caso de Parquet de madeira exótica colada ao pavimento. Caixilharias Exteriores Toda a caixilharia exterior, e em madeira envernizada. Janelas de guilhotina nos quartos e sala comum, e em algumas cozinhas. Conjunto de portas de madeira envidraçadas e janelas de correr nas varandas. Idem portas de madeira envidraçadas para lavandarias. As janelas são basculantes em cozinhas e quartos de banho. Caixa de Estores As caixas de estores são em betão pré-moldado, com isolamento térmico em poliestireno expandido de 2 cm. Estores exteriores do tipo persiana de correr com lâminas em PVC de cor branca com comando interior. Vidros Em todas as caixilharias exteriores os vidros serão duplos de 4mm (exterior simples) + 4mm (interior simples), com 6 mm de lâmina de ar.
Reabilitação de Conjuntos Habitacionais e Sua Adequação aos Moradores XXXVI Os vãos que encerram marquises, como a lavandaria e varanda da sala serão em vidro simples de 6 mm de espessura. Climatização Há casos em que existe o abastecimento com rede de Gás Natural ao edifício, dispondo para o aquecimento de águas e do ar interior de uma caldeira. Não existe sistema aquecimento centralizado, nem arrefecimento do ar. Omissões Em qualquer omisso devera ser consultado o autor do projeto, as normas e legislação em vigor e todas as entidades competentes para o efeito. III. CÁLCULOS DIVERSOS QUANTIFICAÇÃO DOS COEFICIENTES DE TRANSMISSÃO TÉRMICA O coeficiente de transmissão térmica, U, dos diferentes elementos da envolvente do edifício em estudo foi calculado pela seguinte fórmula: sendo: - resistência térmica da camada jj dj - espessura da camada j, em metros Aj - condutibilidade térmica da camada j, em [W/m °C] Rsi e Rse - resistências térmicas superficiais interior e exterior, respectivamente em [m2 °C/W] Os valores definidos para o coeficiente U dos elementos da envolvente são a seguir calculados.
Reabilitação de Conjuntos Habitacionais e Sua Adequação aos Moradores XXXVII 3.1. ENVOLVENTE EXTERIOR 3.1.1. Paredes: Pe (Paredes exteriores) - Revestimento texturado tipo "VISOLPLAST" + primário a base de aqua tipo "PRYMER ACQ" + massa adesiva tipo "ADESAN CPS / CPS-B" + rede de fibra de vidro tipo "REDE ETICS 150 K8": e = 0.005 m; A = 1.14 [W/m °C] - Isolamento térmico - Poliestireno expandido: e = 0.04 m; A = 0.038 [W/m °C] - Reboco: e = 0.02 m; A = 1.15 [W/m °C] - Tijolo vazado de 15: e = 0.15 m; R = 0.39 [m2 °C/W] - Tijolo vazado de 7: e = 0.07 m; R = 0.19 [m2 °C/W] - Espaço de ar: e = 0.04 m; R = 0.18 [m2 °C/W] - Gesso projetado: e = 0.01 m; A = 0.57 [W/m °C] Resistência térmica superficial exterior: Rse = 0.04 m2.°C/W Resistência térmica superficial interior: Rsi = 0.13 m2.°C/W Rt = 0.04+0.005/1.14+0.04/0.038+0.02/1.15+0.39+0.19+0.18+0.01/0.57+0.13 = 2,28 m2.°C/W Ut = 1 / Rt = 1 / 2.02 = 0.495 W/m2.°C < Umax = 1,60 W/m2.°C (Quadro IX.1) 3.1.2. Coberturas: Cob (Cobertura inclinadas) - Cobertura do tipo Sandwich com 50 mm de lã de rocha com densidade de: 90/100 Kg/m3 e = 0.05 m; A = 0.035 [W/m °C] Resistência térmica superficial exterior, fluxo ascendente: Rse = 0.04 m2.°C/W Resistência térmica superficial interior, fluxo ascendente: Rsi = 0.10 m2.°C/W Resistência térmica superficial interior, fluxo descendente: Rsi = 0.17 m2.°C/W
Reabilitação de Conjuntos Habitacionais e Sua Adequação aos Moradores XXXVIII Fluxo ascendente - Inverno: Rt = 0.04+0.05/0.035+0.10 = 1.57 m2.°C/W Ut = 1 / Rt = 1 / 1.57 = 0.64 W/m2.°C < Umax = 1,00 W/m2.°C (Quadro IX.1) Fluxo descendente - Verão: Rt = 0.04+0.05/0.035+0.17 = 1.64 m2.°C/W Ut = 1 / Rt = 1 / 1.64 = 0.61 W/m2.°C< Umax = 1,00 W/m2.°C (Quadro IX.1) 3.1.3. Pontes térmicas: 3.1.3.1. Planas - Vigas e Pilares: - Revestimento texturado tipo "VISOLPLAST" + primário a base de aqua tipo "PRYMER ACQ" + massa adesiva tipo "ADESAN CPS / CPS-B" + rede de fibra de vidro tipo "REDE ETICS 150 K8": e = 0.005 m; A = 1.14 [W/m °C] - Isolamento térmico - Poliestireno expandido: e = 0.04 m; A = 0.038 [W/m °C] - Betão: e = 0.22 m; A = 2.00 [W/m °C] - Gesso projetado: e = 0.01 m; A = 0.57 [W/m °C] Resistência térmica superficial exterior: Rse = 0.04 m2.°C/W Resistência térmica superficial interior: Rsi = 0.13 m2.°C/W Rt = 0.04+0.005/1.14+0.04/0.038+0.22/2.00+0.01/0.57+0.13 = 1.35 m2.°C/W Ut = 1 / Rt = 1 / 1.35 = 0.74 W/m2.°C < Umax = 1,60 W/m2.°C (Quadro IX.1) U (vigas e pilares) < 2 x U (zona corrente) 0.74 W/ m2.°C < 2 x 0.495 W/ m2.°C 0.74 W/ m2.°C < 0.99 W/ m2.°C (Cumpre ANEXO IX - ponto 2.) -
Reabilitação de Conjuntos Habitacionais e Sua Adequação aos Moradores XXXIX 3.1.4.2. Lineares na ligação da fachada com a padieira, ombreira ou o peitoril: Uma vez que a caixilharia dos vãos envidraçados contactara com o isolamento térmico da fachada, considerou-se o coeficiente de transmissão térmica linear nulo (ψ=0W/m2.°C). 3.2. ENVIDRAÇADOS Os envidraçados verticais serão constituídos por vidros duplos 4 (6) 4 mm em todos os vãos exteriores, a exceção dos vidros simples de 6 mm que se aplicarão em marquises (Lna). O coeficiente de transmissão térmica e U = 2.90 W/m2.°C, e gvidro = 0.73. Para o fator solar de lnverno considerou-se um valor de 0.63. A caixilharia será em alumínio lacado. Como proteção solar dos envidraçados serão usados estores de PVC de cor clara. 3.3 CÁLCULO O cálculo foi baseado nas folhas de cálculo apresentadas no RCCTE, efetuado por cálculo automático devidamente testado. IV - CONCLUSÕES Conforme se pode comprovar através dos cálculos detalhados neste projeto, são verificados os requisitos mínimos, na definição da envolvente exterior, respeitantes a aplicação do RCCTE - DL 80/2006. Conforme já foi referido anteriormente, o âmbito desta intervenção destina-se somente a envolvente exterior do conjunto habitacional. Desta forma não pode ser efetuada uma verificação do tipo fração a fração. Fica portanto fora deste estudo térmico a envolvente interior, nomeadamente paredes e pavimentos para Lna (locais não aquecidos), paredes enterradas e o aquecimento das águas sanitárias. Para a elaboração deste projeto foi considerada a seguinte documentação: Projeto de arquitetura existente, fornecido pela Câmara Municipal Condições Técnicas, Memória Descritiva e Ante-projeto fornecido pela Câmara Municipal Decreto-Lei n.º 80/2006 - Regulamento das Características de Comportamento
Reabilitação de Conjuntos Habitacionais e Sua Adequação aos Moradores XL Térmico do Edifícios (RCCTE) Coeficientes de Transmissão Térmica de Elementos da Envolvente dos Edifícios, homologado pelo LNEC - ITE50 Regles de Calcul des Carateristiques Thermiques Utiles des Parois de Construction.
Reabilitação de Conjuntos Habitacionais e Sua Adequação aos Moradores XXXIX ANEXO 3. PROJECTO DE COMPORTAMENTO ACÚSTICO
Reabilitação de Conjuntos Habitacionais e Sua Adequação aos Moradores LX exigências legais estão ainda genericamente relacionadas com o local em que o edifício se implanta e tipo de ocupação, variando conforme se trate de zonas sensíveis ou zonas mistas e de edifícios destinados a habitação, escolas, hospitais e industria, comercio ou serviços, ou ainda recintos desportivos e estacões de transporte de passageiros. II. MEMÓRIA DESCRITIVA E JUSTIFICATIVA CLASSIFICAÇÃO DO LOCAL De acordo com o DL 9/2007, e atendendo aos dados apresentados no ponto 2.2., entende-se que a zona de implantação deste edifício devera ser classificada como ZONA MISTA. CLASSIFICAÇÃO DO EDIFÍCIO De acordo com o DL 96/2008, designadamente no seu artigo 1.0, este edifício devera observar as disposições legais respeitantes aos EDIFÍCIOS HABITACIONAIS E MISTOS, E UNIDADES HOTELEIRAS. DISPOSIÇÕES LEGAIS E CRITÉRIOS EXIGENCIAIS DE DESEMPENHO O articulado regulamentar que enquadra as prescrições relativas a um edifício desta natureza encontrase definido no Decreto-Lei 9/2007 de 17 de Janeiro, oficialmente denominado de Regulamento Geral do Ruído. No âmbito deste documento (e do Decreto-Lei 96/2008), estabelecem-se para os edifícios diversos critérios de controlo de comportamento acústico, relativos a emissão de ruido para o exterior, a potencial incomodidade pelo funcionamento do edifício, as condições acústicas interiores e ao isolamento acústico. No que diz respeito ao estudo desenvolvido neste relatório, salientam-se alguns artigos pela pertinência do seu conteúdo, designadamente os que seguidamente se reproduzem. Artigo 11.º n.º 1 no qual, assumindo-se que a zona possa ser classificada como MISTA, a emissão sonora para o exterior proveniente do edifício em estudo não pode permitir que a envolvente exterior fique exposta a ruído ambiente exterior superior a 65 dB(A), expresso pelo indicador Lden, e superior a 55 dB(A), expresso pelo indicador Ln. Artigo 13.ºn.º 1, em que se estabelece como diferença máxima entre o valor do indicador LAeq do ruído ambiente determinado durante a ocorrência do ruído particular da atividade ou atividades em avaliação e o valor do indicador LAeq do ruido residual, o valor de 5 dB(A) no período diurno, 4 dB(A) no perodo do entardecer e 3 dB(A) no período nocturno, consideradas as correções tonais e impulsivas que possam eventualmente existir, bem como a correção associada à duração acumulada de ocorrência do ruído particular.
Reabilitação de Conjuntos Habitacionais e Sua Adequação aos Moradores LXI O DL 96/2008 estabelece no Artigo 5.º um conjunto de requisitos regulamentares ao nível do desempenho acústico de EDIFÍCIOS HABITACIONAIS E MISTOS, E UNIDADES HOTELEIRAS que seguidamente se apresentam, sendo destacados aqueles que serão aplicados à situação em analise. Índice de isolamento sonoro a sons de condução aérea, normalizado e ponderado, D2m,nT,w, entre o exterior e … Zonas mistas ou zonas sensíveis reguladas pelas alíneas c), d) e e) do n.º1 do art.º 11.º do RGR Quartos ou zonas de estar dos fogos > 33 dB (*) (**) (*) Quando a área translúcida for superior a 60 % do elemento de fachada em analise, deve ser adicionado o termos de adaptação apropriado, C ou Ctr, conforme definição da EN ISO 717-1. (**) Quando se verificar o disposto no n.0 7 do art.0 12.0 do RGR, o D2m,nT,w deve ser acrescido de 3 dB. Nota: o DL 96/2008 estabelece no seu artigo 3.º que, até à data de classificação municipal das zonas sensíveis e mistas devera ser tomado como referência de dimensionamento para o índice D2m,nT,w o requisito definido para zonas mistas. III. CÁLCULOS DIVERSOS PRINCÍPIOS DE CALCULO ADOPTADOS Isolamento Sonoro a Sons de Condução Aérea Atendendo a que a maioria dos elementos construtivos utilizados na construção corrente não se encontram ainda caracterizados laboratorialmente sob o ponto de vista do isolamento sonoro a sons de condução aérea, torna-se necessário recorrer a modelos de calculo que permitam estimar os valores dos descritores acústicos de interesse. Contudo, sempre que as referidas caracterizações laboratoriais estiverem disponíveis para um dado elemento construtivo, essa informação será obviamente tomada em consideração e inclusive preferida relativamente aos resultados decorrentes da utilização de modelos de calculo.
Reabilitação de Conjuntos Habitacionais e Sua Adequação aos Moradores LXII Parâmetros Considerados Para a quantificação do isolamento sonoro a sons de condução aérea de um determinado elemento construtivo são considerados os seguintes parâmetros: R - índice de redução sonora para uma dada frequência, medido em laboratório (dB) R' - índice de redução sonora para uma dada frequência, medido in situ (dB) c - velocidade de propagação do som no ar - 343.32 m/s a 20°C ρ - massa volúmica do ar - 1.2019 Kg/m3 a 20°C cl - velocidade de propagação do som no material do elemento construtivo (m/s) e - espessura do elemento construtivo (m) d - espessura da caixa de ar (m) b - espaçamento entre montantes (m) f - frequência (Hz) fc - frequência critica (Hz) m - massa superficial do elemento construtivo (Kg/m2) ηint - fator de perdas internas f0 - frequência de ressonância do sistema massa-ar-massa (Hz) f1 - frequência limite (Hz) Paredes duplas A metodologia de calculo preconizada e a baseada na publicação "Acústica de los Edifícios" de Mathias Meisser (1973) adaptada por António Tadeu e Diogo Mateus na sebenta de acústica de edifícios - FCTUC. Índice de Redução Sonora (frequência de 500 Hz): R500HZ = 13.3 Log (m) + 13.4dB m - soma da massa superficial dos dois panos (Kg/m2);
Reabilitação de Conjuntos Habitacionais e Sua Adequação aos Moradores LXIII D = 4 dB para caixa de ar com dimensões correntes (4-5 cm) preenchidas com material fonoabsorvente e para painéis de massas da mesma ordem de grandeza (o valor máximo que D tomara será da ordem dos 9 dB para espessuras da caixa de ar elevadas) Frequência de ressonância massa-ar-massa (fr) m1/m2 - massas superficiais (Kg/m2) Frequências criticas dos dois panos de parede (f1 e f2) (calculo em tudo semelhante ao desenvolvido anteriormente, agora para cada um dos panos de parede) (Hz) Frequências de ressonância da caixa de ar (fn) (calculo em tudo semelhante ao desenvolvido anteriormente, agora para cada um dos panos de parede) (Hz) Índice de isolamento Sonoro a Sons de Condução Aérea O valor do índice de isolamento sonoro a sons de condução aérea, seja entre o exterior dos edifícios (emissão) e os compartimentos interiores em analise (denominado de D2m,n,w) ou apenas entre os compartimentos interiores (denominado de Dn,w) e calculado, a partir do valor de R'w definido anteriormente, da seguinte forma: R'w - índice de redução sonora ponderado, medido in situ (dB) A0 - área de absorção sonora de referencia (=10 m2) S - Área do elemento de separação (m2) Note-se que para a quantificação do índice D2m,n,w e tendo em conta os baixos valores do isolamento sonoro a sons de condução aéreos normalmente existentes, e possível desprezar a influencia das transmissões marginais. No entanto, entendemos adotar um valor de 2 dB para incluir o referido efeito ou qualquer outro que eventualmente possam degradar o valor de isolamento obtido in situ, procedimento alias corroborado pela EN 12354-3.
Reabilitação de Conjuntos Habitacionais e Sua Adequação aos Moradores LXIV DIMENSIONAMENTO Verificação das Disposições Regulamentares - Artigo 5.º Índice de isolamento a Sons de Condução Aérea, D2m,nT,w A nível regulamentar exige-se a verificação do isolamento a sons de condução aérea entre o exterior do edifício e os compartimentos interiores referidos em 3.1. Essa verificação não será efeituada para a fachada na sua globalidade sendo lícito, para efeitos de calculo, estudar as situações potencialmente mais gravosas, que neste caso correspondem as que apresentam uma maior área de vãos envidraçados (elemento com menor valor do índice de Rw). Note-se que a norma EN 12354-3 permite a não contabilização do isolamento das caixilharias, pela complexidade associada a esse calculo, desde que se considere a área destas como área de envidraçados. Para a quantificação do índice D2m,nT,w e, tendo em conta os baixos valores de isolamento sonoro a sons aéreos normalmente existentes, e possível desprezar a influência das transmissões marginais. No entanto, entende-se correto adotar um valor de 2 dB para incluir o referido efeito ou de possíveis transmissões parasitas que possam degradar o valor do isolamento sonoro medido in situ, procedimento corroborado pela norma EN 12354-3. Deve-se ainda incluir um valor referente ao efeito da forma da fachada do edifício (Lfs), que de acordo com a norma EN 12354-3, assume como valor mais desfavorável -1. No quadro seguinte apresentam-se os valores estimados para os índices D2m,n,w, para os compartimentos que apresentam uma maior área de vãos envidraçados, tendo em conta os valores obtidos para os índices de redução sonora das paredes exteriores e dos envidraçados considerados no projeto de arquitetura, com: - Parede exterior 48 dB - Envidraçados 4 (6) 4 30 dB
Reabilitação de Conjuntos Habitacionais e Sua Adequação aos Moradores LXV Assim, teremos para os índices D2m,n,w os seguintes valores estimados iNDICE DE ISOLAMENTO A SONS DE CONDUÇÃO AEREA, D 2m,nT,wDA FACHADA (RRAE · DL 96/2008) Situacao em analise Entre o exterior e as salas de e s t a r Classificacao do local (RGR - DL 9/2007) Zona Mista - D2m,nT,w > 33 dB Area do elemento de separacao (m 2) 7,25 Elemento Considerado Zona Opaca Envidracado Ventilacao Cx. de Estore Rw ou DnT,e,w 48 30 0 - Area (%) 63 37 - - Totais parciais 3 4 - Transmissao Marginal (dB) · 2 Lfs (dB) · 1 C ou Ctr (dB) 0 T (s) 0,89 T0 (s) 0,5 0 10*log(T/T 0) (dB) 3 D2m,nT,w - 34 dB O K iNDICE DE ISOLAMENTO A SONS DE CONDUCAO AEREA, D 2m,nT,w DA FACHADA (RRAE · DL 96/2008) Situacao em analise Entre o exterior e os qu a r t os Classificacao do local (RGR - DL 9/2007) Zona Mista - D2m,nT,w > 33 dB Area do elemento de separacao (m 2) 5,75 Elemento Considerado Zona Opaca Envidracado Ventilacao Cx. de Estore Rw ou DnT,e,w 48 30 0 - Area (%) 69 31 - - Totais parciais 35 - Transmissao Marginal (dB) · 2 Lfs (dB) · 1 C ou Ctr (dB) 0 T (s) 0,80 T0 (s ) 0,50 10*log(T/T 0) (dB) 2 D2m,nT,w - 34 dB O K Conclui-se assim que se encontram verificadas as exigências estabelecidas a nível regulamentar relativamente ao isolamento sonoro a sons de condução aérea provenientes do exterior, com valores para o índice D2m,n,w superiores a 33 dB.
Reabilitação de Conjuntos Habitacionais e Sua Adequação aos Moradores LXVI Emissão Ruidosa para o Exterior / lncomodidade Atendendo a regulamentação vigente (ver §3.1), estabelecem-se dois critérios distintos relativamente quer a emissão sonora para o exterior, que não devera ultrapassar os limites estabelecidos conforme a classificação da zona como mista ou sensível, quer a eventual incomodidade geradas pelo funcionamento do próprio edifício, seja a nível da sua utilização quotidiana com atividades potencialmente ruidosas seja decorrente do funcionamento de equipamentos mecânicos. Visto não estar prevista a utilização de equipamentos com características de emissão ruidosa significativas para o exterior e considerando o tipo de utilização predominante prevista para o edifício (habitacional), que gerara tipicamente níveis de ruído moderados no seu interior, assume-se que se encontram cumpridos os critérios estipulados regularmente IV – CONCLUSÕES Será importante realçar que a avaliação do desempenho acústico de um edifício reveste-se de situações particularmente complexas, sendo (na ausência de ensaios laboratoriais) baseada em modelos de calculo cuja incerteza aquando da aplicação em situações praticas e unanimemente reconhecida, sendo inclusive enfatizada em diversos documentos normativos, sendo que este pressuposto devera ser sempre considerado na analise dos mapas de calculo apresentados. Todavia, e de acordo com os critérios apresentados ao longo desta memória, conclui-se que as soluções preconizadas permitirão satisfazer os dois princípios base que nortearam o estudo realizado, designadamente estabelecer, por um lado, condições que permitissem o cumprimento das disposições regulamentares e, por outro, proporcionar um nível de conforto acústico adequado ao nível de qualidade exigido ao edifício em análise. Para a elaboração deste projeto foi considerada a seguinte documentação: Projeto de arquitetura existente, fornecido pela Câmara Municipal Condições Técnicas, Memória Descritiva e Ante-projecto Decreto-Lei n° 129/2002 - "Regulamento dos Requisitos Acústicos dos Edifícios" (RRAE) Decreto-Lei n° 9/2007 - "Regulamento Geral do Ruído" (RGR) alterado pelo Decreto-Lei n° 278/2007 Manual de Alvenaria de Tijolo Acústica de Edifícios, homologado pelo LNEC - ITE8 Acústica Ambiental e de Edifícios - Departamento de Engenharia Civil, FEUP Coeficientes de Transmissão Térmica de Elementos da Envolvente dos Edifícios, homologado pelo LNEC - ITE50
Reabilitação de Conjuntos Habitacionais e Sua Adequação aos Moradores LXVII ANEXO 4. PROJECTO DE ÁGUAS PLUVIAIS
Reabilitação de Conjuntos Habitacionais e Sua Adequação aos Moradores LXVIII
Reabilitação de Conjuntos Habitacionais e Sua Adequação aos Moradores LXIX PROJECTO DE DRENAGEM PREDIAL DE ÁGUAS PLUVIAIS Reabilitação do Conjunto Habitacional
Reabilitação de Conjuntos Habitacionais e Sua Adequação aos Moradores LXXVI DIMENSIONAMENTO DOS COLECTORES PREDIAIS Para obtenção dos caudais que conduziram ao calculo dos coletores e partindo da intensidade de precipitação atrás referida, determinaram-se as áreas das zonas a drenar por cada troco, bem como o coeficiente de escoamento a considerar. Desprezando os efeitos de armazenamento da rede, utilizou-se o Método Racional já referido para calculo dos caudais e com base na expressão: [Q] - Caudal de calculo da secção em estudo (l/min) [C] - Coeficiente de escoamento [I] - Intensidade de precipitação (l/min. m2) [A] - Área drenada pela secção em estudo (m2) Face aos caudais encontrados, dimensionaram-se os ramais prediais entre câmaras de inspeção com base na fórmula de Manning-Strickler (3), tendo-se fixado os seguintes parâmetros: Velocidades mínima: 0,90 m/s Velocidade máxima: 5,00 m/s Ks = 120 imin = 0.50% imax. = 4% Diâmetro mínimo = 110 mm Os ramais têm por finalidade a condução do efluente pluvial aos respetivos tubos de queda ou, quando estes não existem, aos coletores prediais, poços absorventes, valetas ou áreas de receção apropriadas. O caudal de cálculo dos ramais de descarga, baseia-se nas áreas a drenar em projeção horizontal, no coeficiente de escoamento e na precipitação. O ramal predial e dimensionado para secção cheia, e tem como diâmetro mínimo de 110 mm e uma inclinação mínima de 0.50%. O caudal de calculo tem em conta o somatório dos caudais de calculo dos tubos de queda, caleira e dos ramais de descarga. A expressão para dimensionamento e a de Manning-Strickler, onde se tomou um K Manning-Strickler = 120 m1/3/s, tubos de PVC.
Reabilitação de Conjuntos Habitacionais e Sua Adequação aos Moradores LXXVII CANALIZAÇÕES CALEIRAS Todas as caleiras serão em zinco n°12 com as dimensões referidas nas peças desenhadas. TUBOS DE QUEDA Os tubos de queda serão em PVC rígido de 4 Kg/m2, sendo em ferro galvanizado os dois primeiros metros contados a partir das câmaras de inspeção ou sumidouro. COLECTORES PREDIAIS Os coletores serão em PVC rígido de 4 Kg/m2 com diâmetros de acordo com os pormenores desenhados. Os coletores enterrados serão assentes numa camada de areia e protegidos superiormente contra eventuais sobrecargas. ENSAIOS ENSAIOS DE ESTANQUIDADE Nos ensaios de estanquidade nas redes de águas pluviais interiores, deve-se verificar o seguinte: Os sistemas são cheios de água pelas extremidades superiores, obturando-se as restantes, não devendo verificar-se qualquer abaixamento de nível de água durante, pelo menos, 15 minutos. Nestes ensaios pode também usar-se ar ou fumo nas condições de pressão equivalentes as da alínea anterior. IV – CONCLUSÕES Conforme se pode comprovar através dos cálculos detalhados neste projeto: Os tubos de queda serão em PVC rígido de 4 Kg/m2, sendo em ferro galvanizado os dois primeiros metros contados a partir das câmaras de inspeção ou sumidouro;
Reabilitação de Conjuntos Habitacionais e Sua Adequação aos Moradores LXXVIII Os coletores serão em PVC rígido de 4 Kg/m2 com diâmetros de acordo com os pormenores desenhados; Todas as caleiras serão em zinco n°12 com as dimensões referidas nas pecas desenhadas. Para a elaboração deste projeto foi considerada a seguinte documentação: Projeto de arquitetura existente, fornecido pela Câmara Municipal Condições Técnicas, Memória Descritiva e Ante-projecto fornecido pela Câmara Municipal Regulamento Geral dos Sistemas Públicos e Prediais de Distribuição de Água e de Drenagem de Águas Residuais.