Relatórios de Estágio na Farmácia Castro - Centro Hospitalar do Porto
Full text
I Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária 2015 2015 2015 Alda Sofia Rocha Cruz Farmácia Castro
II Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária 2015 2015 2015 Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas RELATÓRIO DE ESTÁGIO PROFISSIONALIZANTE Farmácia Castro Janeiro de 2015 a maio de 2015 Alda Sofia Rocha Cruz Orientador : Dra. Maria Angelina Alves Castro Neves ____________________________________________ Tutor FFUP: Prof. Doutora Helena Vasconcelos ____________________________________________ Setembro de 2015
III Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária 2015 2015 2015 DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE Eu, Alda Sofia Rocha Cruz, abaixo assinado, nº 201002342, aluno do Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas da Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto, declaro ter atuado com absoluta integridade na elaboração deste documento. Nesse sentido, confirmo que NÃO incorri em plágio (ato pelo qual um indivíduo, mesmo por omissão, assume a autoria de um determinado trabalho intelectual ou partes dele). Mais declaro que todas as frases que retirei de trabalhos anteriores pertencentes a outros autores foram referenciadas ou redigidas com novas palavras, tendo neste caso colocado a citação da fonte bibliográfica. Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto, ____ de __________________ de ______ Assinatura: ______________________________________
IV Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária 2015 2015 2015 AGRADECIMENTOS Gostaria de agradecer a todas as pessoas que tornaram possível o meu estágio na Farmácia Castro, e que, de alguma forma, contribuíram para que pudesse aprender e aprofundar os meus conhecimentos. Começo por agradecer à Dra. Angelina pela oportunidade de realizar o estágio na Farmácia Castro, e pela orientação durante o mesmo. Agradeço ainda à restante equipa, pelo acompanhamento, paciência e disponibilidade que sempre demonstraram para me ensinar e para responder às minhas dúvidas. Agradeço também pela simpatia e boa-disposição, por me acolherem no ambiente familiar da farmácia, o que tornou sempre mais fácil a integração num meio que era novo para mim. Foi um prazer e uma honra fazer parte desta grande equipa, durante estes quatro meses, e, sem dúvida, que aprendi muito graças a todos vocês. Mais uma vez, muito obrigada.
V Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária 2015 2015 2015 RESUMO Este relatório visa a descrição dos quatro meses de estágio na Farmácia Castro. É essencialmente constituído por duas partes, uma primeira que aborda as atividades realizadas no dia-a-dia da farmácia comunitária, que me permitiram tomar contacto com todos os diferentes produtos que nesta se dispensam, e com as atividades que dizem respeito ao farmacêutico neste contexto, desde a receção à dispensa do produto farmacêutico. A segunda parte aborda alguns temas referentes a patologias com uma prevalência significativa no nosso país, e com as quais muitas vezes me deparei durante o atendimento. Assim optei por aprofundar o meu conhecimento nas referidas áreas, no sentido de transmitir alguma informação ao público da farmácia, e esclarecer possíveis dúvidas existentes acerca dos mesmos. Os temas desenvolvidos foram: “Dia Internacional da Mulher: O Cancro da Mama”, “Asma: Tem a sua controlada?” e “A Primavera abre as portas às alergias”.
VI Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária 2015 2015 2015 ABREVIATURAS ANF – Associação Nacional de Farmácias CNPEM – Código Nacional para a Prescrição Eletrónica de Medicamentos CNPRP - Centro Nacional de Proteção de Riscos Profissionais DCI – Denominação Comum Internacional DM – Dispositivos Médicos DPI – Inaladores de pó seco FEFO – First Expired First Out FF – Forma Farmacêutica IgE – Imunoglobulinas E IMC – Índice de Massa Corporal INFARMED – INFARMED, Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde I.P. MDI – Inaladores pressurizados MNSRM – Medicamentos não sujeitos a receita médica MSRM – Medicamentos sujeitos a receita médica OMS – Organização Mundial de Saúde PCHC – Produtos Cosméticos e de Higiene Corporal PR – Preço de Referência PVA – Preço de Venda ao Armazenista PVF – Preço de Venda à Farmácia PV – Prazo de Validade PVP – Preço de Venda ao Público SA – Substância Ativa SAMS – Serviços de Assistência Médico-Social do Sindicato dos Bancários SNS – Sistema Nacional de Saúde
VII Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária 2015 2015 2015 ÍNDICE Declaração de Integridade ................................................................................................ III Agradecimentos ............................................................................................................... IV Resumo ............................................................................................................................ V Abreviaturas .................................................................................................................... VI Índice de Tabelas ............................................................................................................. X Índice de Anexos .............................................................................................................. X Introdução .......................................................................................................................... 1 PARTE I ............................................................................................................................ 2 1. Farmácia Castro ........................................................................................................ 2 2. O estágio ................................................................................................................... 3 3. Gestão ....................................................................................................................... 4 3.1. Gestão de stocks ................................................................................................. 4 4. Da Encomenda ao Armazenamento .......................................................................... 5 4.1. Realização de encomendas ................................................................................. 5 4.2. Receção de encomendas .................................................................................... 6 4.3. Marcação de preço .............................................................................................. 6 4.4. Armazenamento .................................................................................................. 7 4.5. Devoluções .......................................................................................................... 7 4.6. Controlo de prazos de validade ........................................................................... 8 5. Produtos .................................................................................................................... 8 5.1. Medicamentos para uso humano ......................................................................... 9 5.2. Dispositivos médicos ......................................................................................... 10 5.3. Produtos cosméticos e de higiene corporal ....................................................... 10 5.4. Medicamentos e produtos veterinários .............................................................. 11 5.5. Medicamentos e produtos homeopáticos ........................................................... 11 5.6. Produtos naturais .............................................................................................. 11 5.7. Suplementos alimentares .................................................................................. 12 5.8. Produtos de alimentação especial ..................................................................... 12
VIII Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária 2015 2015 2015 5.9. Produtos fitofarmacêuticos ................................................................................ 12 5.10. Produtos de puericultura ................................................................................ 12 5.11. Produtos de conforto ...................................................................................... 13 6. Dispensa de Medicamentos ..................................................................................... 13 6.1. Receita médica .................................................................................................. 13 6.1.1. Receitas manuais ....................................................................................... 13 6.1.2. Receitas eletrónicas ................................................................................... 14 6.1.3. Receitas de estupefacientes e psicotrópicos .............................................. 15 6.1.4. Exceções .................................................................................................... 15 6.2. Comparticipação de medicamentos ................................................................... 15 6.2.1. Sistema de Preços de Referência ............................................................... 17 7. Conferência do receituário ....................................................................................... 17 8. Outros serviços ........................................................................................................ 18 9. Medicamentos Manipulados ..................................................................................... 19 10. Valormed ................................................................................................................. 19 11. Formações ............................................................................................................... 20 12. O Papel do Farmacêutico ......................................................................................... 21 Parte II ............................................................................................................................ 22 1. Dia Internacional da Mulher: O Cancro da Mama ..................................................... 22 1.1. O tema ............................................................................................................... 22 1.2. Introdução ......................................................................................................... 22 1.3. Cancro da mama ............................................................................................... 23 1.4. Fatores de risco ................................................................................................. 23 1.5. Deteção e diagnóstico ....................................................................................... 24 1.6. Sintomas e sinais mais comuns ......................................................................... 25 1.7. Rastreio ............................................................................................................. 25 1.8. Folheto informativo ............................................................................................ 26 1.9. Conclusão ......................................................................................................... 26 2. Asma: Tem a sua controlada?.................................................................................. 27
IX Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária 2015 2015 2015 2.1. O tema ............................................................................................................... 27 2.2. Introdução ......................................................................................................... 28 2.3. A asma .............................................................................................................. 28 2.4. Diagnóstico ........................................................................................................ 29 2.5. Prevenção e tratamento..................................................................................... 29 2.5.1. Medicação de manutenção ......................................................................... 30 2.5.2. Medicação de SOS ..................................................................................... 30 2.5.3. Sistemas de inalação .................................................................................. 31 2.6. Educação do doente .......................................................................................... 32 2.7. Folheto informativo ............................................................................................ 33 2.8. Conclusão ......................................................................................................... 33 3. A primavera abre as portas às Alergias .................................................................... 34 3.1. O tema ............................................................................................................... 34 3.2. Introdução ......................................................................................................... 34 3.3. Doenças alérgicas ............................................................................................. 35 3.4. Alergénios ......................................................................................................... 35 3.5. Sintomas ........................................................................................................... 36 3.6. Prevenção e tratamento..................................................................................... 37 3.7. Educação do doente .......................................................................................... 39 3.8. Folheto informativo ............................................................................................ 39 3.9. Conclusão ......................................................................................................... 40 Considerações Finais ...................................................................................................... 41 Bibliografia ....................................................................................................................... 42 Anexos ............................................................................................................................ 48
6 Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária 2015 2015 2015 No caso da farmácia Castro os principais distribuidores são a OCP Portugal, COOPROFAR e a Alliance Healthcare. Assim, diariamente, são feitas várias encomendas aos fornecedores habituais, de acordo com o stock e rotatividade dos produtos. A qualquer uma dessas encomendas podem ainda ser acrescentados produtos para satisfazer algum pedido particular de um cliente. É ainda possível, numa outra altura, fazer uma encomenda instantânea via sistema informático ou por telefone, se houver necessidade de um produto específico com alguma urgência. Por fim, diariamente, é feita uma encomenda de produtos que normalmente estão esgotados, no sentido de tentar repor o stock dos mesmos. 4.2. Receção de encomendas Após a chegada das encomendas à farmácia, é necessário proceder à sua receção, para isso começa-se por rececionar os produtos que necessitam de acondicionamento especial, como produtos que exijam baixas temperaturas, verificando se a cadeia de frio não foi quebrada e acondicionando-os num frigorífico, a temperatura controlada. De seguida é necessário verificar, com ajuda do programa Sifarma 2000®, se todos os produtos pedidos foram enviados e faturados nas quantidades corretas. O Preço de Venda à Farmácia (PVF), o PVP e o prazo de validade (PV) também devem ser confirmados. Os produtos que não são enviados, por se encontrarem esgotados, são assinalados como tal e essa informação é comunicada à INFARMED, Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde I.P. (INFARMED). 4.3. Marcação de preço O regime de preços dos medicamentos sujeitos a receita médica e dos medicamentos não sujeitos a receita médica comparticipados é fixado por lei, tendo em conta o Preço de Venda ao Armazenista (PVA), a margem de comercialização do distribuidor grossista, a margem de comercialização do retalhista, a taxa sobre a comercialização de medicamentos e o imposto sobre o valor acrescentado, e encontra-se marcado nas embalagens dos mesmos [2]. No que diz respeito aos outros medicamentos é necessário marcar o preço, que vai depender do valor que a farmácia paga pelo produto, do IVA ser a 23% ou a 6% e ainda da margem praticada pela farmácia.
7 Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária 2015 2015 2015 4.4. Armazenamento De seguida os produtos são armazenados em gavetas, por ordem alfabética, de acordo com o sistema First Expired First Out (FEFO). Alguns medicamentos, com maior rotação, são colocados numa estante por trás da zona de atendimento, para que a sua dispensa seja mais fácil, e se possa poupar tempo no atendimento. No sentido de fazer uma melhor gestão do espaço, os produtos de maiores dimensões são guardados em gavetas maiores. Alguns produtos de venda livre colocam-se em prateleiras junto aos balcões ou em gôndolas que se encontram ao longo da farmácia, de forma a despertar o interesse dos clientes. Os medicamentos que se encontram em quantidades superiores ao espaço de armazenamento das gavetas, são colocados no armazém, devendo a quantidade das gavetas ser reposta assim que possível, para facilitar o acesso aos mesmos. Tanto no armazém como nas gavetas, a temperatura e humidade são controladas, sendo registados quatro valores diários, para que se possa garantir que as condições de armazenamento são ideais, e assim, que a viabilidade dos produtos não é comprometida. Os medicamentos que necessitam de uma temperatura de armazenamento mais baixa são guardados num frigorífico com humidade e temperatura controladas, fazendose também o registo de quatro valores diários. Os medicamentos de uso veterinário são armazenados em local próprio, fisicamente separados dos medicamentos de uso humano. 4.5. Devoluções Tal como já foi referido, quando os produtos chegam à farmácia, é necessário verificar se o que é recebido corresponde ao que foi encomendado, ou seja, é necessário verificar a quantidade e o tipo de produtos. É ainda indispensável verificar se os produtos se encontram em boas condições. Desta forma, se, na encomenda, forem entregues produtos que não foram pedidos, ou se algum dos produtos se encontrar danificado, dever-se-á proceder à sua devolução. Esta deve ser feita o quanto antes, para que seja aceite, sem entraves, pelo distribuidor. Os produtos podem ainda ser devolvidos por outras razões, tais como aproximação do fim do PV ou notificação de que o produto deve ser retirado do mercado. Para proceder à reclamação deve contactar-se o fornecedor, informaticamente ou por telefone, e transmitir as informações relativas à devolução, como o nome do(s) produto(s), a quantidade, o motivo de devolução e o preço de custo do(s) produto(s). É
8 Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária 2015 2015 2015 atribuído um número ao processo, e é emitida uma nota de devolução, onde constam todos os dados referentes ao(s) produto(s) devolvido(s), que é enviada juntamente com o(s) mesmo(s). Se a devolução for aceite, posteriormente é emitida uma nota de crédito ou é enviado um produto igual. Se não for aceite, o produto é devolvido à farmácia e é dado como quebra. 4.6. Controlo de prazos de validade A grande maioria dos produtos existentes na farmácia tem um PV, sendo responsabilidade do farmacêutico disponibilizar os medicamentos com a melhor qualidade possível, estes devem estar sempre dentro do PV quando são disponibilizados, bem como ter uma margem de validade para que o doente possa completar o seu tratamento. Assim, aquando da entrada dos produtos na farmácia, o seu PV é registado no Sifarma 2000®. E, tal como já foi dito, os produtos devem ser armazenados segundo o FEFO, ou seja, devem ser dispensados primeiro os produtos com um PV mais curto. Todos os meses é impressa uma lista dos produtos cujo PV termina nos três meses seguintes, e esses produtos são separados, para que se possa proceder à sua devolução, ou, se esta não for possível, à sua quebra. Os produtos veterinários e os produtos do protocolo da diabetes devem ser devolvidos com um período de cinco meses antes do término do PV. É muito importante que seja feito este controlo no sentido de garantir a qualidade e segurança dos produtos dispensados, bem como impedir que haja perdas económicas por parte da farmácia. 5. PRODUTOS São vários os produtos à venda na farmácia, estando estes divididos em diferentes categorias: Medicamentos para uso humano; Substâncias medicamentosas; Dispositivos médicos; Produtos cosméticos e de higiene corporal; Medicamentos e produtos veterinários; Medicamentos e produtos homeopáticos;
9 Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária 2015 2015 2015 Produtos naturais; Suplementos alimentares; Produtos de alimentação especial; Produtos fitofarmacêuticos; Artigos de puericultura; Produtos de conforto [3]. 5.1. Medicamentos para uso humano Os medicamentos para uso humano podem ainda ser classificados quanto à sua dispensa ao público em medicamentos sujeitos a receita médica (MSRM) e medicamentos não sujeitos a receita médica (MNSRC). São classificados como MSRM todos os medicamentos que: Possam constituir, direta ou indiretamente, um risco, mesmo quando usados para o fim a que se destinam, caso sejam utilizados sem vigilância médica; Sejam com frequência utilizados em quantidade considerável para fins diferentes daqueles a que se destinam, se daí puder resultar qualquer risco, direto ou indireto, para a saúde; Contenham substâncias, ou preparações à base dessas substâncias, cuja atividade e/ou efeitos secundários seja indispensável aprofundar; Sejam prescritos pelo médico para serem administrados por via parentérica [4]. Na farmácia só é possível dispensar MSRM, tal como o nome indica, mediante a apresentação da receita médica. Já no que diz respeito aos MNSRM, estes permitem uma maior intervenção do farmacêutico, e podem ser aconselhados mediante o estado de saúde do utente, em problemas de saúde menos graves, como por exemplo uma constipação. Uma vez que a farmácia Castro se encontra perto de um centro de saúde, a maioria dos utentes que chegam à farmácia trazem receitas médicas para levantar o mais variado tipo de medicamentos. Os MSRM mais frequentemente dispensados são medicamentos anti-hipertensores, antidislipidémicos, anticoagulantes, benzodiazepinas e antiasmáticos. Quanto a MNSRM, os mais comummente solicitados e aconselhados durante o atendimento são analgésicos e antipiréticos, como o paracetamol e o ácido acetilsalicílico. Como uma parte do meu estágio na farmácia Castro coincidiu com a estação do mais propensa a infeções respiratórias, o inverno, foi também muito frequente a venda de
10 Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária 2015 2015 2015 antibióticos, no que diz respeito a MSRM, bem como antigripais, como o GRIPONAL® (Merck, S.A.) ou o CÊGRIPE® (Johnson & Johnson, Lda.) no que diz respeito a MNSRM. Os anti-histamínicos também foram uma classe de fármacos muito requisitada na altura da primavera, sendo o CETIX® (Medinfar Consumer Health - Produtos Farmacêuticos, Lda.) um dos medicamentos mais dispensados. 5.2. Dispositivos médicos Os dispositivos médicos são produtos usados para prevenir, diagnosticar ou tratar uma doença humana. Para que sejam classificados como tal, estes devem atingir os seus fins através de mecanismos que não se traduzem em ações farmacológicas, metabólicas ou imunológicas, sendo assim diferenciados dos medicamentos [5]. Apesar de na farmácia onde estagiei estes produtos não constituírem uma das grandes fatias de venda, estavam disponíveis em grande variedade. Alguns dos produtos que vi serem vendidos no período do meu estágio foram termómetros, canadianas, seringas, pensos, luvas de exame, fraldas e pensos para incontinentes, testes de gravidez, preservativos, meias de compressão, entre outros. No que diz respeito às meias de compressão, durante o meu estágio, assisti a uma formação sobre os vários produtos disponibilizados por uma marca, a Juzo®. Esta possibilitou-me conhecer qual o tipo de meia mais adequado a cada situação, os vários tipos de meias existentes, e ainda dicas para facilitar o processo de calçar a meia, que é uma das maiores dificuldades para muitas pessoas que usam este tipo de dispositivo. 5.3. Produtos cosméticos e de higiene corporal Um produto cosmético é qualquer substância ou mistura destinada a ser posta em contacto com as partes externas do corpo humano (epiderme, sistemas piloso e capilar, unhas, lábios e órgãos genitais externos) ou com os dentes e as mucosas bucais, tendo em vista, exclusiva ou principalmente, limpá-los, perfumá-los, modificar-lhes o aspeto, protegê-los, mantê-los em bom estado ou corrigir os odores corporais [6]. Este tipo de produtos são uma das grandes apostas na farmácia, havendo uma grande variedade e marcas disponíveis. Durante o meu estágio tive oportunidade de assistir a formações sobre determinadas linhas de algumas marcas, o que me ajudou a aprofundar o conhecimento nesta área e a familiarizar-me com os produtos, tendo sido fundamental para fazer o aconselhamento nesta área, e para responder a dúvidas sobre os mesmos.
11 Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária 2015 2015 2015 De seguida farei o relato breve de um dos aconselhamentos que prestei. Tratava-se de uma utente do sexo feminino, na casa dos 20 anos, que pretendia um creme para atenuar as manchas castanhas no rosto. Uma vez que também possuía a pele oleosa, foi-lhe dado a escolher um dos produtos específicos para a pele oleosa e com manchas, de três diferentes marcas de cosméticos. Foi-lhe ainda aconselhado um protetor solar para o rosto com fator de proteção 50+ para usar durante o tratamento com o creme antimanchas. Explicou-se que o creme anti-manchas deve ser aplicado todos os dias à noite sobre a pele limpa, durante um período de pelo menos 6 meses, para que seja possível obter resultados; o protetor solar deve ser aplicado todos os dias de manhã, durante a duração do tratamento. 5.4. Medicamentos e produtos veterinários Medicamentos e produtos veterinários são todos os que são destinados ao uso em animais [7]. Esta classe de produtos não é muito procurada na farmácia. Como tal, apenas existiam em stock os produtos que eram mais frequentemente vendidos, tais como pílulas contracetivas para gatas e cadelas e desparasitantes internos e externos para cães e gatos. 5.5. Medicamentos e produtos homeopáticos Um medicamento homeopático é um medicamento obtido a partir de substâncias denominadas stocks ou matérias-primas homeopáticas, de acordo com um processo de fabrico descrito na farmacopeia ou, na sua falta, em farmacopeia utilizada de modo oficial num Estado membro, e que pode ter vários princípios [8]. A farmácia Castro tem poucos medicamentos homeopáticos disponíveis para o utente. Durante o período do meu estágio o único medicamento homeopático que vi ser vendido foi o Stodal® xarope, que não tinha muita rotação. 5.6. Produtos naturais Os produtos naturais não são uma classe de produtos muito procurada, existindo apenas alguns, tais como infusões. Na farmácia Castro os produtos desta classe com que tive contacto foram maioritariamente infusões para regularização do trânsito intestinal.
12 Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária 2015 2015 2015 5.7. Suplementos alimentares Os suplementos alimentares são produtos que se destinam a complementar e/ou suplementar o regime alimentar normal não devendo ser utilizados como substitutos de um regime alimentar variado [9]. São muito variados os suplementos que se encontram à venda na farmácia Castro, sendo comercializados em forma doseada, como cápsulas, pastilhas, comprimidos, pílulas, saquetas de pó, ampolas de líquido, frascos com conta-gotas e outras formas similares de líquidos ou pós. Estes estão indicados para as mais variadas situações, sendo as mais comuns os produtos para combater o cansaço físico e mental e produtos para perder peso. 5.8. Produtos de alimentação especial Os produtos destinados a uma alimentação especial são aqueles que, devido à sua composição especial ou a processos especiais de fabrico, se distinguem claramente dos alimentos de consumo corrente, mostrando-se adequados às necessidades nutricionais especiais de determinadas categorias de pessoas [10]. Existem alguns produtos deste género na farmácia, nomeadamente produtos para quem tem dificuldades de deglutição, tais como espessantes, produtos alimentares direcionados para diabéticos, para pessoas com ingestão proteica insuficiente, para doentes oncológicos, falta de apetite, falta de dentição, entre outras. 5.9. Produtos fitofarmacêuticos A designação “Produtos Fitofarmacêuticos” inclui produtos com tipos distintos de utilização, como inseticidas, fungicidas, herbicidas, reguladores de crescimento e rodenticidas [11]. Este tipo de produto não era muito procurado nem vendido na farmácia Castro. 5.10. Produtos de puericultura Os produtos de puericultura são produtos destinados ao cuidado das crianças durante os primeiros anos de vida. São muito variados os produtos de puericultura à venda na farmácia Castro, nomeadamente chupetas, biberões e tetinas, extratores e bombas de leite, mamilos de silicone, produtos para limpeza e hidratação da pele do bebé, entre outros.
13 Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária 2015 2015 2015 5.11. Produtos de conforto Os produtos de conforto são outra das classes de produtos à venda na farmácia. Estes incluem produtos muito variados, tais como calçado ortopédico, tampões para os ouvidos, almofadas sub-digitais, tiras nasais para reduzir o ressonar, entre outros. Na farmácia Castro existem vários produtos pertencentes a esta classe, de diferentes marcas. 6. DISPENSA DE MEDICAMENTOS Como já foi dito anteriormente, quanto à forma de dispensa existem dois tipos de medicamentos. Os MSRM, como o próprio nome indica, exigem a apresentação de uma receita passada por um médico. 6.1. Receita médica Existem receitas eletrónicas e receitas manuais, sendo que a impressão em papel se mantém, até se atingir a desmaterialização do processo. Hoje em dia a maior parte das receitas são eletrónicas, podendo ser renováveis ou não renováveis. No caso de serem não renováveis as receitas têm a validade de 30 dias. No caso de serem renováveis, podem conter até três vias, que devem estar identificadas como tal (“1.ª via”, “2.ª via” e “3.ª via”), sendo que estas receitas só podem ser prescritas em tratamentos de longa duração, e têm a validade de 6 meses [1]. 6.1.1. Receitas manuais As receitas manuais só podem ser aceites se vier assinalada uma das seguintes opções: a) Falência informática; b) Inadaptação do prescritor; c) Prescrição no domicílio; d) Até 40 receitas/mês [1]. Para que sejam aceites, estas receitas, têm ainda de conter a identificação do médico prescritor e local de prescrição, os dados do utente - nome, número de utente do Serviço Nacional de Saúde (SNS), número de beneficiário da entidade financeira responsável (subsistema de saúde, Centro Nacional de Proteção de Riscos Profissionais (CNPRP), Migrante), sempre que aplicável o regime especial de comparticipação de medicamentos,
14 Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária 2015 2015 2015 identificação do medicamento - Denominação Comum Internacional (DCI) ou nome da substância ativa (SA), dosagem, forma farmacêutica (FF) e dimensão da embalagem, comparticipações especiais, se existirem, data de prescrição e assinatura do médico prescritor [12]. 6.1.2. Receitas eletrónicas As receitas eletrónicas, para serem aceites, devem também cumprir requisitos semelhantes, nomeadamente a identificação do médico prescritor, os dados do doente, a identificação do medicamento passada por DCI ou por marca, a posologia e duração do tratamento, as comparticipações especiais - representado pela letra “R” (utentes pensionistas abrangidos pelo regime especial de comparticipação), o número de embalagens, a data de prescrição, o Código Nacional para a Prescrição Eletrónica de Medicamentos (CNPEM) representado em dígitos e código de barras e a assinatura do médico prescritor [1]. O CNPEM é um código representativo que agrupa, pelo menos, as seguintes características do medicamento: DCI + Dosagem + FF + n.º unidades, quando aparece esse código na receita, podem ser dispensados qualquer um dos medicamentos presentes na lista, com o mesmo código [1]. Quando a receita é passada por DCI o doente deve ser informado acerca da existência de genéricos similares ao prescrito, comparticipados pelo SNS, e qual o mais barato. Se não existirem genéricos, o farmacêutico tem que informar sobre o medicamento comercializado mais barato, semelhante ao prescrito, ou seja, pertencente ao mesmo CNPEM [1]. O utente deve ainda ser informado do seu direito de opção na escolha do medicamento, sempre que tal seja permitido. Depois de os medicamentos serem dispensados, é impresso, na parte de trás da receita, informação sobre o preço do medicamento adquirido, o PR do grupo homogéneo, e a comparticipação que foi feita. O doente deve assinar nessa parte, assentindo que lhe foram dispensados os medicamentos lá descritos e prestados os conselhos sobre a sua utilização. Existem casos especiais em que as receitas têm ainda de cumprir outros requisitos, nomeadamente os medicamentos terem de ser prescritos isoladamente, são exemplo disso as receitas de medicamentos contendo uma substância classificada como estupefaciente, de medicamentos manipulados, de produtos dietéticos com caráter terapêutico e de produtos destinados ao autocontrolo da diabetes mellitus.
15 Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária 2015 2015 2015 6.1.3. Receitas de estupefacientes e psicotrópicos No que diz respeito às receitas de medicamentos contendo uma substância classificada como estupefaciente ou psicotrópico, têm de ser eletrónicas e identificadas com RE – receita especial. Estas substâncias têm ainda de ser prescritas isoladamente na receita (a receita médica não pode conter outros medicamentos) [1]. Adicionalmente, é necessário registar o nome do médico prescritor, os dados do paciente (nome e morada), e do adquirente (nome, morada, número do documento de identificação e idade), este último tem ainda de apresentar o documento de identificação com fotografia e tem que ter idade superior a 18 anos. Devem, por fim, ser feitas duas cópias de cada receita, que necessitam de ser assinadas por quem levanta a medicação, de acordo com o documento de identificação e às quais são anexadas o Documento de Psicotrópicos onde consta o medicamento dispensado e o número de embalagens, o nome do médico prescritor, e ainda os nomes e moradas do doente e adquirente. 6.1.4. Exceções O medicamento pode ser prescrito pelo nome comercial se existir uma das seguintes justificações técnicas: Alínea a) Medicamentos com margem ou índice terapêutico estreito; Alínea b) Reação adversa prévia; Alínea c) Continuidade de tratamento superior a 28 dias [1]. 6.2. Comparticipação de medicamentos A atual legislação prevê a possibilidade de comparticipação de medicamentos através de um regime geral e de um regime especial, o qual se aplica a situações específicas que abrangem determinadas patologias ou grupos de doentes [1]. A comparticipação do Estado no PVP dos medicamentos é fixada em quatro diferentes escalões – A, B, C, D – que variam de acordo com as indicações terapêuticas do medicamento, a sua utilização, as entidades que o prescrevem e ainda com o consumo acrescido para doentes que sofram de determinadas patologias [13]. Os medicamentos pertencentes ao escalão A, como antidiabéticos, têm uma comparticipação de 90%, os pertencentes ao escalão B, como os antibióticos, tem 69% de comparticipação, medicamentos como os anti-inflamatórios tem 37% de
22 Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária 2015 2015 2015 PARTE II 1. DIA INTERNACIONAL DA MULHER: O CANCRO DA MAMA 1.1. O tema No âmbito do Dia Internacional da Mulher, dia 8 de março, foi desenvolvida uma atividade na farmácia, a entrega de uma tulipa e de um folheto informativo, no sentido de alertar para um tema que sensibiliza muito a nossa sociedade, principalmente a população do sexo feminino. Foi escolhido como tema do folheto: “o cancro da mama”, uma vez que esta a causa mais importante de mortalidade por cancro, no sexo feminino, a nível mundial e em Portugal. Este tema foi também escolhido porque há uma ideia preconcebida de que as mulheres não podem ter qualquer papel interventivo para prevenir ou detetar precocemente o aparecimento do cancro da mama, o que é uma ideia errada. Seria então esta uma forma de ensinar um pouco mais acerca da patologia, e de informar sobre atitudes muito simples que podem ser tomadas pelas mulheres e que muitas vezes permitem uma intervenção precoce antes que a doença progrida. 1.2. Introdução O Dia Internacional da Mulher é celebrado no dia 8 de março. A ideia de criar este dia surgiu nos primeiros anos do século XX, nos Estados Unidos e na Europa, e a ideia era dar reconhecimento à mulher, numa altura em que esta era tratada como um individuo inferior, e melhorar as suas condições de vida e de trabalho [21]. Assim, e ainda no sentido de melhorar as condições de vida das mulheres, torna-se importante alertar, neste dia, para temas, neste caso patologias que a afetam, bem como a melhor forma de as prevenir. Sendo o cancro da mama o tipo de cancro mais comum entre as mulheres (não considerando o cancro da pele), e correspondendo à segunda causa de morte por cancro, na mulher, torna-se essencial alertar para este tema [22]. Só em Portugal, anualmente, são detetados cerca de 4500 novos casos de cancro da mama, ou seja 11 novos casos por dia, morrendo por dia 4 mulheres com esta doença [23]. Cabe assim ao farmacêutico, bem como a outros profissionais de saúde, informar e auxiliar na prevenção e deteção precoce desta patologia. Principalmente porque um
23 Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária 2015 2015 2015 diagnóstico precoce aumenta muito a probabilidade do tratamento ser eficaz e bemsucedido. 1.3. Cancro da mama O cancro da mama é um tumor maligno que se desenvolve nas células do tecido mamário. É muito mais frequente nas mulheres, mas pode atingir também os homens [24]. O tecido mamário é constituído por células da glândula mamária sãs. No seu estado normal, estas células, crescem e dividem-se em novas células, sob influência hormonal, que vão sendo formadas à medida que são necessárias, ou seja, há uma regeneração celular do tecido. Esta regeneração celular é promovida por oncogenes [25]. Existem também processos de regulação do crescimento celular, desencadeados pela expressão de genes supressores de tumores, que impedem o crescimento celular exagerado e levam ao reconhecimento e destruição de células envelhecidas ou danificadas [25]. No entanto, por vezes, há falhas neste mecanismo de controlo, permitindo um crescimento exagerado e descontrolado das células, que não são destruídas quando envelhecem ou se danificam, e que se acumulam, formando um tumor [25]. Na mama pode haver desenvolvimento de tumores benignos ou malignos (cancro da mama). Os tumores benignos não invadem os tecidos circundantes nem se espalham para outras partes do corpo, não representando, normalmente, um problema. Já os tumores malignos, como o cancro da mama, podem levar a um comprometimento da saúde e até mesmo da vida, devido à capacidade das suas células para invadir outros tecidos, e para serem transportadas, nas circulações linfática e sanguínea, para outras partes do corpo, onde podem levar ao desenvolvimento de novos tumores - metástases [25]. No caso do cancro da mama, um dos maiores riscos prende-se com o atingimento, por parte destas células cancerígenas, dos nódulos linfáticos mais próximos: ao nível da axila, acima da clavícula e no peito (atrás do esterno) [25]. O cancro da mama apresenta-se, muitas vezes, como uma massa dura e irregular que, quando palpada, se diferencia do resto da mama pela sua consistência. 1.4. Fatores de risco Existem vários fatores de risco associados ao cancro da mama, que contribuem, de maior ou menor forma, para o desenvolvimento desta patologia, e que explicam o facto de algumas mulheres desenvolverem cancro da mama e outras não [26].
24 Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária 2015 2015 2015 Existem assim dois tipos de fatores de risco: os fatores de risco não alteráveis, sendo os principais o género (a população feminina tem maior probabilidade de desenvolver a patologia), a idade (a probabilidade de ter cancro da mama aumenta com a progressão da idade) e a história familiar (o risco está aumentado se houver história familiar de cancro da mama). Sendo estes os fatores que contribuem de forma mais pronunciada para o desenvolvimento do cancro [26]. Existem também os fatores de risco alteráveis como a alimentação e o peso (consumo elevado de gordura, principalmente na infância e adolescência e excesso de peso contribuem para um aumento de risco) [26]. Assim, apesar de uma grande parte dos fatores não podem ser controlados, é importante que se tente minimizar os fatores de risco alteráveis, para diminuir ao máximo o risco de desenvolver cancro da mama [24, 26]. 1.5. Deteção e diagnóstico O diagnóstico precoce do cancro da mama, antes de surgirem quaisquer sinais ou sintomas, é fundamental na medida em que o mesmo aumenta a probabilidade do tratamento ser mais eficaz e, em consequência, possibilitar um melhor prognóstico da doença. Para além de diminuir a mortalidade, o diagnóstico precoce poderá em alguns casos evitar cirurgias mutilantes como a mastectomia radical e o uso de quimioterapia [24]. Para isso é importante fazer o auto-exame da mama. Este pode ser feito pela própria mulher, em casa, e deve ser feito a partir dos 20 anos, uma vez por mês, sendo a melhor altura sete a dez dias após o período menstrual, que é quando as mamas estão menos sensíveis. Na menopausa deverá ser feito todos os meses, de preferência sempre no mesmo dia. A mulher deverá ter em linha de conta que as mamas não são iguais e que podem surgir alterações devido a diversos fatores, como é o caso da idade, da toma de pílulas anticoncecionais, dos ciclos menstruais, da gravidez ou da menopausa. Este exame pode ser feito de três formas, em frente ao espelho, em pé no banho ou deitada, que serão detalhadas de seguida. Inicialmente de frente para o espelho sem roupa, observar se as duas mamas são iguais. Primeiro com os braços caídos, depois com os braços levantados e depois com as mãos apoiadas na bacia fazendo pressão para observar se existe alguma alteração na superfície da mama como achatamento, saliência, enrugamento, dureza ou vermelhidão [27]. Durante o banho com o corpo molhado e as mãos ensaboadas, levantar o braço esquerdo, colocando a mão atrás da cabeça e palpar cuidadosamente a mama esquerda
25 Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária 2015 2015 2015 com a mão direita, fazer o mesmo para a outra mama. A palpação deve ser feita com os dedos da mão juntos e esticados em movimentos circulares em toda a mama e de cima para baixo. Depois da palpação da mama, pressionar também os mamilos suavemente e ver se há saída de qualquer líquido [27]. Na posição de decúbito, colocar o braço esquerdo na cabeça e uma almofada ou toalha debaixo do ombro esquerdo e palpar a mama esquerda com a mão direita, da mesma maneira que a palpação de pé, repetir este passo na mama direita [27]. Se durante o auto-exame for encontrada alguma alteração, deve consultar-se o médico o quanto antes. É ainda importante que a mulher vá ao médico pelo menos uma vez por ano e que participe em programas de rastreio. 1.6. Sintomas e sinais mais comuns O cancro da mama pode causar alterações físicas visíveis, que devem ser observadas com atenção. Estas podem manifestar-se por aparecimento de nódulo/endurecimento na mama ou debaixo do braço (na axila), mudança no tamanho ou no formato da mama, alteração na coloração ou na sensibilidade da pele da mama ou da aréola, corrimento pelo mamilo, com ou sem sangue e/ou retração da pele da mama ou do mamilo [28]. Na maioria das vezes, estes sintomas não estão associados a cancro, mas é importante que a mulher seja vista pelo médico, para que qualquer problema possa ser diagnosticado e tratado atempadamente [28]. 1.7. Rastreio O rastreio do cancro da mama pode ser feito de forma gratuita no Centro de Saúde a que a mulher pertence. O Programa de Rastreio de Cancro da Mama é dirigido a mulheres assintomáticas com idade compreendida entre os 45 e os 69 anos e consta na realização de uma mamografia a cada dois anos [29]. O rastreio mamário ajuda a detetar o cancro da mama se ele já existir, embora alguns cancros sejam muito difíceis de ver ou não se consigam, de todo, detetar nas radiografias. Mesmo assim, a mamografia é a forma mais fiável de detetar cancro precocemente, possibilitando tratamentos mais eficazes [29].
26 Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária 2015 2015 2015 1.8. Folheto informativo No folheto informativo (ver anexo 1) que foi distribuído às mulheres efetuou-se um resumo das informações mais importantes a transmitir, nomeadamente os fatores de risco, sinais e sintomas mais frequentes, como fazer o auto-exame da mama e em que consiste o rastreio. Estas são informações que por vezes são pouco claras para a população, uma vez que existe muita informação vinda de fontes pouco fiáveis, que levam à aquisição de conhecimentos erróneos sobre os temas. Por isso penso que se torna importante divulgar, de forma simples e proveniente de fonte segura, esclarecimentos fundamentais sobre o assunto. 1.9. Conclusão Na minha opinião, esta atividade foi importante pois permitiu esclarecer algumas das principais dúvidas sobre o cancro da mama e consciencializar para a importância de uma deteção precoce. Notou-se bastante satisfação e satisfação quando oferecemos, principalmente por parte das mulheres de meia-idade. Por outro lado, houve a perceção de que algumas pessoas mostravam desinteresse pelo tema, e tinham uma atitude de quem não estava consciencializado acerca da incidência desta doença. A maior parte das mulheres revelou não fazer, nem ter conhecimento de como fazer o auto-exame. Verifiquei, ainda, que algumas mulheres não estavam consciencializadas para a periodicidade do rastreio, não cumprindo assim as indicações de iniciar a realização de mamografia, a partir dos 45 anos, de 2 em 2 anos. Isto demonstra que, apesar da maioria das pessoas se preocupar com o tema, de sentir receio de ser atingida pela doença, e de saber que o rastreio é gratuito e eficaz, ainda existem muitas mulheres que não conhecem ou não dão importância ao rastreio do cancro da mama.
27 Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária 2015 2015 2015 2. ASMA: TEM A SUA CONTROLADA? 2.1. O tema No início do meu estágio tive oportunidade de participar numa formação intitulada “Como Controlar a Asma”, realizada pela Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica, esta despertou-me o interesse para a possibilidade de desenvolver este tema na farmácia. Acabei por decidir desenvolver este tema, não só devido ao já referido, mas a várias outras razões. Uma delas foi o facto de existir um grande número de pessoas em Portugal com esta patologia e de este número estar a aumentar. Outra razão foi o facto de existirem muitas pessoas que veem a sua vida afetada pela asma, dado que ainda não foi feito um correto diagnóstico ou porque não têm a sua asma controlada com a medicação, o que leva a que tenham várias crises, que acabam por prejudicar a qualidade de vida. Todas estas situações poderiam ser facilmente evitadas, dado que, apesar da asma ser uma doença crónica, esta pode ser controlada com medicação diária, permitindo ao doente fazer uma vida normal ou muito próxima do normal. Assim, durante o meu estágio verifiquei que eram muitas as pessoas que faziam medicação para a asma, principalmente inaladores. Pude ainda ver que existem muitos inaladores diferentes, e que estes têm formas diferentes de funcionamento, que nem sempre são muito intuitivas para o doente que vai fazer a medicação pela primeira vez. Desta forma, muitas vezes, os asmáticos, principalmente os idosos, pediam ajuda para aprender a utilizar os inaladores, e, por vezes, até para os preparar para a utilização. Foi essa a principal razão que me levou a aprofundar este tema, com o objetivo de ensinar e informar a população, não só sobre o funcionamento dos inaladores usados nano tratamento da asma, mas também sobre a asma em si. Outra razão foi o facto de ter verificado que muitas das pessoas tinham um inalador para usar em SOS e outro para usar como medicação de manutenção, e que a sua utilização não era muito clara para a maior parte destas pessoas. Muitas vezes havia uma confusão entre os dois tipos de inaladores, e até mesmo o uso do inalador de SOS de forma contínua, dado o seu efeito imediato. Assim decidi fazer um panfleto, mais dirigido a asmáticos, mas também para todos os que tivessem curiosidade e quisessem saber um pouco mais sobre a doença, para distribuir na farmácia. Neste panfleto quis enfatizar que a asma é uma doença crónica, e que, na maioria dos casos é necessário fazer medicação toda a vida, mesmo quando não há sintomas, informação que me apercebi não estar muito clara entre os doentes. Quis ainda realçar a
28 Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária 2015 2015 2015 diferença entre a medicação de SOS e a de manutenção, e informar que o farmacêutico está sempre disponível para tirar qualquer dúvida necessária, tanto no que diz respeito à medicação, como à doença em si. 2.2. Introdução A asma afeta perto de 150 milhões de pessoas em todo o mundo. E estima-se que, em Portugal, mais de 600 mil pessoas sofram desta doença [30]. A incidência e a prevalência desta doença têm vindo a aumentar, sendo uma importante causa de internamento hospitalar e, levando a condicionamentos à atividade normal do doente e, portanto, à sua qualidade de vida. Torna-se, assim, fundamental melhorar a eficácia e a eficiência da prestação de cuidados de saúde ao doente asmático, de forma a melhor o habilitar e capacitar a autocontrolar a sua doença [31]. É neste sentido que o farmacêutico tem um papel bastante relevante, uma vez que, é este que dispensa os medicamentos às pessoas na farmácia, devendo garantir que o doente sabe como utilizar a medicação de forma correta, pois só assim será capaz de atingir o autocontrolo da asma. 2.3. A asma A asma é uma doença inflamatória crónica das vias aéreas associada a hiperreatividade brônquica que, em indivíduos suscetíveis, origina episódios recorrentes de pieira, dispneia, aperto torácico e tosse particularmente noturna ou no início da manhã; estes sintomas estão geralmente associados a uma obstrução generalizada, mas variável, das vias aéreas, a qual é reversível espontaneamente ou através de tratamento [30]. Os brônquios dos doentes asmáticos estreitam-se como resposta a certos estímulos, tais como substâncias que produzem alergia, como o pólen, os ácaros presentes no pó da casa, as escamas do pêlo dos animais, o fumo, o ar frio e o exercício. Durante um ataque de asma, os músculos lisos dos brônquios provocam um espasmo e os tecidos que revestem as vias aéreas inflamam-se, segregando muco. Isto leva a broncoconstrição, obrigando a pessoa a desenvolver um esforço maior para que o ar entre e saia dos seus pulmões [32]. Pensa-se que isto se deva à libertação, por parte de certas células das vias aéreas, particularmente os mastócitos, de substâncias como a histamina e os leucotrienos que provocam a contração da musculatura lisa, estimulam um aumento de secreção do muco e a migração de glóbulos brancos [32].
29 Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária 2015 2015 2015 2.4. Diagnóstico Suspeita-se de asma na presença de antecedentes de um dos seguintes sinais ou sintomas: tosse com predomínio noturno, pieira recorrente, dificuldade respiratória recorrente e/ou aperto torácico recorrente. Eczema, rinite alérgica, história familiar de asma ou de doença atópica estão também frequentemente associados à asma [30]. Para fazer o diagnóstico deve ainda ser feita um exame específico, a espirometria, para determinar sinais de obstrução brônquica, embora seja importante ter em conta que um exame normal não exclui o diagnóstico [30]. Deve ainda ser feita uma avaliação funcional respiratória, para comprovação de obstrução brônquica, da presença de hiperreactividade brônquica e de limitação variável do fluxo aéreo. E por fim, excluir outras situações que se possam confundir com a asma [30]. 2.5. Prevenção e tratamento A farmacoterapia permite que a maioria dos asmáticos leve uma vida relativamente normal, mantendo-se livres de sintomas e fisicamente ativos, se assim o desejarem. Assim torna-se necessário identificar e evitar os fatores que desencadeiam crises e educar os doentes para o tratamento da doença, sendo que o tratamento é dinâmico e deve ser ajustado ao grau de controlo da doença, pelo que é importante monitorizar os doentes. Para além disto, é ainda importante ajudar os doentes a saber como prevenir crises futuras e transmitir-lhes a ideia de que, para a maioria, controlar a asma a longo prazo, significa tomar, sempre, medicação diária [33, 34]. Existem, assim, dois tipos de medicação que ajudam a controlar a asma. A medicação de manutenção, que tem uma ação preventiva a longo prazo, e que previne o aparecimento de sintomas e de crises agudas. E a medicação de SOS, para alivio rápido dos sintomas, em situações de crises agudas [34]. Deve sempre dar-se preferência a medicamentos por inalação devido à sua elevada eficácia terapêutica e poucos efeitos secundários, que estão relacionados com as elevadas concentrações de fármaco que são diretamente depositadas nas vias aéreas [33]. Estes fármacos podem ser administrados através de diferentes dispositivos de inalação, existindo inaladores pressurizados (MDI), inaladores de pó seco (DPI) e nebulizadores. Pode-se, e deve-se ainda recorrer a câmaras expansoras, em casos específicos, que irão ser referidos mais a frente.
30 Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária 2015 2015 2015 A medicação para a asma é composta por uma ou duas SA em associação, e geralmente, a cada doente é prescrita uma medicação de manutenção e uma para usar durante as crises. 2.5.1. Medicação de manutenção Como já foi dito anteriormente, esta é usada para prevenir sintomas e crises da asma, e deve ser tomada diariamente, e continuamente, possivelmente durante toda a vida do doente. São vários os grupos terapêuticos usados para esta prevenção, sendo os corticosteróides inalados um dos grupos mais usados, tanto em monoterapia como em associação, uma vez que estes são potentes anti-inflamatórios e têm um efeito broncodilatador indireto. São exemplos a beclometasona, a budesonida e a fluticasona [35, 36]. Outro grupo muito usado são os agonistas β2 de longa ação inalados, que em associação a corticosteróides inalados são o tratamento preferencial quando não se verifica controlo com uma dose média de corticosteróide isolado. Estes não devem ser usados em monoterapia, uma vez que, não têm ação anti-inflamatória. São exemplos deste grupo de fármacos: o formoterol, salmeterol e o procaterol [35, 36]. Os modificadores da ação dos leucotrienos são uma alternativa terapêutica na asma ligeira persistente, têm um efeito broncodilatador pequeno e variável, podendo ser utilizados em associação com corticosteróides, diminuindo assim a dose do corticosteróide inalado e aumentando o controlo em doentes não controlados com os mesmos [35]. O montelucaste é a SA mais usada deste grupo de fármacos. É ainda possível usar outros grupos de fármacos. Embora a sua utilização seja mais incomum, mas podem ser necessários em casos específicos, refratários a outro tipo de terapêutica. São exemplos: a teofilina, cromolinas, agonistas β2 de longa ação por via oral, corticosteróides sistémicos, omalizumab, anti-histamínicos orais ou imunoterapia específica [36]. 2.5.2. Medicação de SOS Esta medicação deve apenas ser usada em caso de crises agudas de asma. Esta tem um ação muito rápida, levando a um alívio imediato durante estas crises, o que, por vezes, faz com que os doentes, erradamente, deixem de usar a medicação de manutenção e usem apenas esta. É ainda importante explicar aos doentes que, se têm crises, com necessidade de recorrer ao inalador SOS, mais de uma vez por semana, e sintomas noturnos mais de
31 Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária 2015 2015 2015 duas vezes por mês, a sua asma não está controlada, e devem consultar o médico, para uma modificação da medicação de manutenção, que não está a ser eficaz [31]. Os agonistas β2 de curta ação inalados são a primeira escolha para alívio do broncospasmo durante crises de asma e na profilaxia do broncospasmo induzido pelo exercício [34]. São exemplos o salbutamol, a terbutalina e o fenoterol. Os corticosteróides sistémicos são usados no tratamento agudo de exacerbações severas, prevenindo a progressão da exacerbação, diminuindo as situações de emergência médica e hospitalização, a recidiva precoce, bem como a morbilidade [36]. Os anticolinérgicos, como o brometo de ipratrópio e o brometo de tiotrópio, são menos eficazes que os agonistas β2 de curta ação inalados, mas a associação dos dois grupos aumenta a função pulmonar e diminui o risco de admissão hospitalar. O papel no tratamento a longo prazo não está totalmente caraterizado, embora seja uma alternativa para doentes que toleram mal os agonistas β2 de curta ação inalados [36]. A teofilina tem um interesse controverso em situações de exacerbação, sendo por vezes utilizada [36]. 2.5.3. Sistemas de inalação Existem vários dispositivos usados para veicular os fármacos por inalação, sendo eles os MDI, os DPI e os nebulizadores. O dispositivo a usar deve ser escolhido de acordo com o doente que irá usá-lo, bem como a ação pretendida do fármaco em questão. Os MDI são os mais usados, devido às suas várias vantagens, nomeadamente serem portáteis, eficazes e económicos. Requerem ainda um baixo fluxo inspiratório (lento e profundo) e a tecnologia é simples. No entanto, requerem uma boa coordenação libertação da dose-inalação, que nem sempre é conseguida, principalmente em pacientes idosos e em crianças. Induzem frequentemente interrupção involuntária da inspiração quando as partículas do gás propulsor, frio, atingem a orofaringe, efeito “freon”, que pode comprometer a deposição do fármaco nas vias aéreas, e, não podem ser administradas doses múltiplas (não pode ser administrada mais do que uma dose ao mesmo tempo) [37]. Os problemas mais frequentes com estes dispositivos são o esquecimento de agitar, não posicionar o dispositivo na vertical, expirar parcialmente antes da inspiração profunda, inalação rápida, inspirar pelo nariz, pressionar o inalador mais que uma vez, não apontar o inalador para a boca, não suster a respiração após a inalação, má coordenação. Pelo que é importante alertar o doente para os mesmos. Quando usados pela primeira vez, ou após algum tempo de inutilização, devem ser ativados uma vez
38 Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária 2015 2015 2015 estes são libertados durante a reação alérgica, maioritariamente por mastócitos, que são fundamentais para o desenvolvimento da reação alérgica [43]. Os broncodilatadores são uma boa opção quando um dos sintomas é a asma, estes levam a um alívio do aperto no peito e da respiração ofegante por relaxamento do músculo liso das vias áreas dos pulmões. Se estes sintomas se prolongarem os broncodilatadores podem ser usados juntamente com um antialérgico ou um inalador corticosteróide, que irão facultar um tratamento da inflamação a longo prazo causada por recorrentes crises de asma [43]. Os descongestionantes, geralmente sob a forma de spray ou gotas nasais, levam a uma contrição dos vasos sanguíneos do nariz. O spray não deve ser usado durante mais de 7 dias, pois pode danificar os tecidos nasais, causando agravamento dos sintomas. A epinefrina é mais usada em casos de choque anafilático, contrariando os efeitos da libertação de histamina e leucotrienos [43]. Os fármacos antialérgicos são outra opção, estes previnem a libertação de histamina e outras substâncias químicas que têm um papel relevante na reação alérgica, a partir de mastócitos e eosinófilos. Estes fármacos têm poucos efeitos secundários, mas têm uma eficácia moderada, sendo apenas usados em situações pouco graves. Devido à sua segurança, estes são principalmente usados em crianças [43]. Os corticosteroides têm uma ação mais ampla, essencialmente na redução da inflamação de longa duração. Estes atuam prevenindo a libertação de citocinas, responsáveis por prolongar a reação inflamatória causada pela exposição ao alergénio [49]. Estes podem ser usados sob a forma de cremes em condições alérgicas tópicas, ou sob a forma de inaladores na asma. Podem ainda ser usados sob a forma de spray nasal na rinite alérgica. Para evitar efeitos secundários, tanto os inaladores, como os cremes e os sprays têm apenas um efeito local, sendo pouco absorvidos pela corrente sanguínea. Em casos mais severos, os corticosteróides podem ser administrados sob a forma de comprimidos, no entanto o uso a longo prazo não é recomendado, devido aos efeitos secundários [43]. Por fim, e mais recente, pode recorrer-se à imunoterapia alérgica, que permite uma modificação da resposta imune. Esta pode ser administrada por via parentérica, e começa a ser desenvolvida também a via sublingual. Este é o único tipo de tratamento que pode levar a uma completa resolução dos sintomas sem medicação, e, quando administrado em crianças, pode prevenir o desenvolvimento de outras doenças alérgicas. Quando o tratamento é feito pela via parentérica, as injeções devem ser administradas uma a duas vezes por semana, inicialmente, e depois mensalmente por um período de 3 a 5 anos [53].
39 Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária 2015 2015 2015 Existe ainda um tratamento em desenvolvimento que consiste na injeção de anticorpos dirigidos ao principal anticorpo que causa a alergia (IgE), levando à formação de complexos que são depois removidos por via renal [53]. 3.7. Educação do doente Tal como em todas as doenças, é importante que o doente saiba um pouco acerca da doença, os principais sintomas e o que pode fazer em relação a eles. Existem ainda alguns conselhos que podem e devem ser dados, de forma a minimizar os sintomas e melhorar a qualidade de vida do doente alérgico. Assim é importante que este saiba quais os alergénios a que é sensível, e que tente evitá-los. Para isso, pode, por exemplo, consultar sites que indicam a época de polinização das plantas, e os níveis de pólen em cada dia em diferentes zonas do país. Deve ainda evitar andar ao ar livre nos dias quentes e ventosos e nas horas de maior concentração polínica [53]. É recomendada a mudança de roupa ao chegar a casa, tomar banho e lavar a cabeça antes de deitar para que não fiquem resíduos na cama ou almofada. Manter as janelas fechadas, tanto em casa como no carro, preferindo o ar condicionado com filtro para pólen. O uso de proteção para o rosto quando viajar de mota, e de óculos escuros é também aconselhado [54]. Devem ainda ser evitados os desportos de exterior e o campismo no período de polinização, e evitar atividades como cortar a relva [54]. No entanto, nem sempre é possível evitar a exposição ao pólen, pelo que pode ser necessário recorrer a medicação. Para isso o doente deve consultar o seu médico ou farmacêutico. 3.8. Folheto informativo Assim desenvolvi um folheto informativo (ver anexo 3) sobre as doenças alérgicas associadas ao pólen, mais presentes na primavera, ou seja, na altura em que decorreu o meu estágio. Este panfleto estava principalmente direcionado para as pessoas que se queixavam de sintomas alérgicos, mas, obviamente, encontrava-se disponível para todos aqueles que tivessem interesse no assunto. Neste, era apresentada, de uma forma simplista e fácil de entender, informação sobre o que são as doenças alérgicas, mais comummente designadas por “alergias”, como surgem e quais os principais alergénios que as desencadeiam. Eram ainda mencionados os principais sintomas, e alguns conselhos de prevenção, já referidos anteriormente.
40 Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária 2015 2015 2015 O principal objetivo deste panfleto não era indicar soluções terapêuticas, mas sim alertar para o facto das doenças alérgicas não terem cura, e portanto a prevenção ser essencial. No entanto, também é importante referir a possibilidade de minimizar os sintomas através de fármacos, sob consulta de um médico ou farmacêutico. 3.9. Conclusão Verificou-se que, de uma forma geral, as pessoas mostravam bastante interesse, uma vez que a maior parte admitiu experienciar, ou em algum momento da vida, já ter experienciado um ou mais dos sintomas referidos, e nem sempre saber como reagir. Algumas pessoas, por outro lado, referiram que este já era um problema frequente, para o qual costumavam automedicar-se. Referiram ainda que raramente consultavam o médico quando tinham algum destes sintomas, e que, por vezes, iam pedir aconselhamento na farmácia. A maior parte das pessoas revelou não dar grande importância aos sintomas, uma vez que acabavam por passar, mas admitiu considerá-los incómodos e daí achar a medicação uma mais-valia. Os grupos de fármacos mais frequentemente requisitados e aconselhados na farmácia eram os anti-histamínicos e os sprays nasais descongestionantes, uma vez que as queixas mais frequentes eram a rinorreia, congestão nasal, espirros e lacrimejo. Visto que os sintomas alérgicos eram uma queixa bastante frequente na farmácia, penso que este panfleto foi uma mais-valia, na medida em que permitiu dar algum suporte escrito ao aconselhamento que era feito, e educar os doentes para que conheçam melhor a doença em si, e aprendam a lidar com a mesma da melhor forma possível.
41 Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária 2015 2015 2015 CONSIDERAÇÕES FINAIS Nestes quatro meses de estágio foram muitos os conhecimentos que adquiri, e competências que desenvolvi no ambiente da farmácia comunitária. Penso que a maior parte das pessoas não faz ideia do trabalho que uma farmácia exige por trás do balcão, da responsabilidade que é necessária para a gestão dos stocks dos medicamentos e produtos necessários, de forma a não faltar nem haver excesso de cada produto, e ainda a realização de encomendas para que os produtos estejam disponíveis para o cliente quando este o solicita. Existe ainda uma fase de conferência, correção e tratamento das receitas depois do medicamento ser dispensado. Apercebi-me que, são muitas horas despendidas, pelo farmacêutico, durante o seu trabalho, em variadas funções que ficavam a seu cargo e que as pessoas exteriores ao ambiente de uma farmácia comunitária não se apercebem. É muito bom ver que a farmácia é, cada vez mais, um local diversificado, onde o medicamento é apenas um dos produtos a ser comercializado, e que há pessoas que se sentem confiantes e seguras em ir comprar um produto à farmácia, e em aceitar o aconselhamento de um farmacêutico. Toda esta experiência me fez aprender muito, não só em termos de conhecimentos, mas na forma de lidar com o público e atender às necessidades e preocupações de cada pessoa. Assim sinto que esta foi, sem dúvida, uma experiência muito enriquecedora e gratificante, e fico satisfeita pela forma como dou por encerrado um capítulo da minha vida como estudante de Ciências Farmacêuticas.
42 Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária 2015 2015 2015 BIBLIOGRAFIA [1] INFARMED: Normas relativas à dispensa de medicamentos e produtos de saúde. Acessível em: http://www.infarmed.pt/portal/page/portal/INFARMED/MEDICAMENTOS_USO_HU MANO/PRESCRICAO_DISPENSA_E_UTILIZACAO/Normas_dispensa.pdf. [acedido em 14 de março de 2015]; [2] INFARMED: Decreto Lei n.º112/2011, de 29 de novembro. Estatuto do medicamento; [3] INFARMED: Decreto-Lei n.º 171/2012, de 1 de agosto. Estatuto do medicamento; [4] INFARMED: Classificação quanto à dispensa ao público. Acessível em: http://www.infarmed.pt/portal/page/portal/INFARMED/MEDICAMENTOS_USO_HU MANO/PRESCRICAO_DISPENSA_E_UTILIZACAO/CLASSIFICACAO_QUANTO _A_DISPENSA. [acedido em 24 de janeiro de 2015]; [5] INFARMED: Dispositivos médicos. Acessível em: http://www.infarmed.pt/portal/page/portal/INFARMED/DISPOSITIVOS_MEDICOS. [acedido em 8 de fevereiro de 2015]; [6] INFARMED: Produtos Cosméticos. Acessível em: http://www.infarmed.pt/portal/page/portal/INFARMED/COSMETICOS. [acedido em 8 de fevereiro de 2015]; [7] INFARMED: Decreto-Lei n.º 184/97, de 26 de Julho. Estatuto do medicamento; [8] INFARMED: Produtos Farmacêuticos Homeopáticos. Acessível em: http://www.infarmed.pt/portal/page/portal/INFARMED/MEDICAMENTOS_USO_HU MANO/AUTORIZACAO_DE_INTRODUCAO_NO_MERCADO/PRODUTOS_FAR MACEUTICOS_HOMEOPATICOS. [acedido em 8 de fevereiro de 2015]; [9] Direção-Geral de Alimentação e Veterinária: Suplementos alimentares. Acessível em: http://www.dgv.minagricultura.pt/portal/page/portal/DGV/genericos?generico=5904430&cboui=59044 30. [acedido em 8 de fevereiro de 2015]; [10] Direção-Geral de Alimentação e Veterinária: Alimentação especial. Acessível em: http://www.dgv.minagricultura.pt/portal/page/portal/DGV/genericos?generico=5932089&cboui= 5932089. [acedido em 8 de fevereiro de 2015];
43 Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária 2015 2015 2015 [11] Direção-Geral de Alimentação e Veterinária: Guia dos produtos fitofarmacêuticos: lista dos produtos com venda autorizada. Acessível em: http://geo.drapn.minagricultura.pt/agri/archivos/publicaciones/1370342513_GUIA_PFVA_2013_FINAL[ 1].pdf. [acedido em 8 de fevereiro de 2015]; [12] INFARMED: Normas técnicas relativas à prescrição de medicamentos e produtos de saúde. Acessível em: http://www.infarmed.pt/portal/page/portal/INFARMED/MAIS_NOVIDADES/ Normas_Prescricao_20121220_vFinal.pdf. [acedido em 14 de março de 2015]; [13] Portal da Saúde: Comparticipação de medicamentos. Acessível em: http://www.portaldasaude.pt/portal/conteudos/informacoes+uteis/medicamentos/co mparticipacaomedicamentos.htm?WBCMODE=authoringreedit. [acedido em 14 de março de 2015]; [14] INFARMED: Despacho n.º 18694/2010, 18 de Novembro. Estatuto do medicamento; [15] INFARMED: Saiba mais sobre Comparticipação de Medicamentos. Acessível em: https://www.infarmed.pt/portal/page/portal/INFARMED/PUBLICACOES/TEMATIC OS/SAIBA_MAIS_SOBRE/SAIBA_MAIS_ARQUIVO/16_Comparticipacao_Medica mentos_2.pdf. [acedido em 14 de maio de 2015] [16] Portal da Saúde: Doenças profissionais. Acessível em: http://www.portaldasaude.pt/portal/conteudos/informacoes+uteis/saude+no+trabal ho/doencasprofissionais.htm. [acedido em 14 de março de 2015] [17] INFARMED: Programa Nacional de Prevenção e Controlo da Diabetes. Acessível em: http://www.infarmed.pt/portal/page/portal/INFARMED/DISPOSITIVOS_MEDICOS/ PROGRAMA_CONTROLO_DIABETES_MELLITUS. [acedido em 14 de maio de 2015] [18] INFARMED: Medicamentos manipulados. Acessível em: https://www.infarmed.pt/portal/page/portal/INFARMED/PUBLICACOES/TEMATIC OS/SAIBA_MAIS_SOBRE/SAIBA_MAIS_ARQUIVO/31_Medicamentos_Manipula dos.pdf. [acedido em 14 de março de 2015]; [19] Valormed: Quem somos. Acessível em: http://www.valormed.pt/pt/conteudos/conteudo/id/5. [acedido em 18 de abril de 2015];
44 Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária 2015 2015 2015 [20] Ordem dos Farmacêuticos: Farmácia Comunitária. Acessível em: http://www.ordemfarmaceuticos.pt/scid//ofWebStd_1/defaultCategoryViewOne.asp ?categoryId=1909. [acedido em 15 de junho de 2015] [21] Wikipédia: Dia Internacional da Mulher. Acessível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Dia_Internacional_da_Mulher. [acedido em 4 de março de 2015]; [22] Roche: O cancro da mama. Acessível em: http://www.roche.pt/sitestematicos/infocancro/index.cfm/tipos/cancro-da-mama/. [acedido em 4 de março de 2015]; [23] Liga Portuguesa contra o Cancro: Rastreios de Cancro da Mama. Acessível em: http://www.ligacontracancro.pt/gca/?id=42. [acedido em 5 de março de 2015]; [24] Portal da Saúde: Cancro da mama. Acessível em: http://www.portaldasaude.pt/portal/conteudos/enciclopedia+da+saude/ministeriosa ude/doencas/cancro/cancro+mama.htm?wbc_purpose=basic. [acedido em 4 de março de 2015]; [25] National Cancer Institute: Breast Cancer. Acessível em: http://www.cancer.gov/publications/patient-education/WYNTK_breast.pdf. [acedido em 6 de março de 2015]; [26] Breastcancer.org: Risk factors. Acessível em: http://www.nationalbreastcancer.org/breast-cancer-risk-factors. [acedido em 5 de março de 2015]; [27] Serviços de Ação Social da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro: Autoexame da mama. Acessível em: http://www.sas.utad.pt/saude/Documents/Panfleto_auto_exame_da_mama.pdf. [acedido em 5 de março de 2015]; [28] Roche: Sinais e sintomas do cancro da mama. Acessível em: http://www.roche.pt/sites-tematicos/infocancro/index.cfm/tipos/cancro-damama/cdm-sintomas/. [acedido em 4 de março de 2015]; [29] Liga Portuguesa contra o Cancro: Rastreio do Cancro da mama – Resposta às suas perguntas. Acessível em: http://www.ligacontracancro.pt/gca/index.php?id=238. [acedido em 5 de março de 2015];
45 Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária 2015 2015 2015 [30] Portal da Saúde: Asma. Acessível em: http://www.portaldasaude.pt/portal/conteudos/enciclopedia+da+saude/ministeriosa ude/doencas/doencas+respiratorias/asma.htm. [acedido em 22 de março de 2015]; [31] Ministério da Saúde: Programa Nacional de Controlo da Asma. Acessível em: http://www.portaldasaude.pt/NR/rdonlyres/CDE7AB7B-2405-413E-B2BD78F0AFBABA32/0/Programanacionalcontroloasma.pdf. [acedido em 22 de março de 2015]; [32] Manual Merck: Asma. Acessível em: http://www.manualmerck.net/?id=63&cn=718. [acedido em 28 de março de 2015]; [33] Direção Geral de Saúde: Como controlar a asma. Acessível em: http://www.doencasrespiratorias.dgs.pt/index.php?s=profissionais. [acedido em 28 de março de 2015]; [34] Direção Geral de Saúde (2007). Manual de boas práticas da asma. [35] UpToDate: Patient information – Patient treatment in adolescents and adults. Acessível em: http://www.uptodate.com/contents/asthma-treatment-inadolescents-and-adults-beyond-the-basics. [acedido em 28 de março de 2015] [36] INFARMED: Antiasmáticos e broncodilatadores. Acessível em: https://www.infarmed.pt/formulario/navegacao.php?paiid=110. [acedido a 28 de março de 2015] [37] UpToDate: Patient information – Asthma inhaler technics in adults. Acessível em: http://www.uptodate.com/contents/asthma-inhaler-techniques-in-adults-beyondthe-basics. [acedido a 28 de março de 2015] [38] UpToDate: Patient information – Asthma inhaler technics in children. Acessível em: http://www.uptodate.com/contents/asthma-inhaler-techniques-in-childrenbeyond-the-basics?source=see_link. [acedido a 28 de março de 2015] [39] Roland N, Bhalla R, Earis J. (2004) The Local Side Effects of Inhaled Corticosteroids. Chest Journal; 126: 213–219; [40] Diário de Notícias: Mais de três milhões de portugueses têm alergias. Acessível em: http://www.dn.pt/inicio/interior.aspx?content_id=615742. [acedido em 12 de maio de 2015];
46 Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária 2015 2015 2015 [41] Stallergenes: O que é a alergia? Acessível em: http://www.stallergenes.pt/tudo-sobre-a-alergia/o-que-e-a-alergia.html. [acedido em 12 de maio de 2015]; [42] Brozek G, Lawson J, Szumilas D, Zejda J (2015). Increasing prevalence of asthma, respiratory symptoms, and allergic diseases: Four repeated surveys from 1993-2014. Respiratory Medicine; [43] Ryan D, Yusuf O, Ostergaard M, Román-Rodríguez M (2011). World Allergy Organization (WAO) White Book on Allergy. United Kingdom; [44] Pawankar R, Baena-Cagnani C, Bousquet J, Canonica G, Cruz A, Kaliner M, et al (2008) State of World Allergy Report 2008: Allergy and Chronic Respiratory Diseases. WAO Journal; 1: 4-17; [45] Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clinica: Asma e Alergia. Acessível em: http://www.spaic.pt/textos/?imr=9&p=&t=126. [acedido em 12 de maio de 2015]; [46] Stallergenes: Alergénios - Disponível em: http://www.stallergenes.pt/tudo-sobre-aalergia/alergenios.html. [acedido em 13 de maio de 2015]; [47] Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clinica: Manual educacional do doente - Alergénios ambiente exterior. Acessível em: http://www.spaic.pt/publicacoes/?imr=3&fmo=pa&publicacao=101. [acedido em 13 de maio de 2015]; [48] Skoner D (2001). Allergic rhinitis: Definition, epidemiology, pathophysiology, detection, and diagnosis. J Allergy Clin Immunol; 108: 1; [49] Bilkhu P, Wolffsohn J, Naroo S (2012). A review of non-pharmacological and pharmacological management of seasonal and perennial allergic conjunctivitis. Contact Lens & Anterior Eye; 35: 9–16; [50] Schatz M, Rosenwasser L (2014). The Allergic Asthma Phenotype. The Journal of Allergy and Clinical Immunology: In Practice; 2: 645-648; [51] Williams H, Robertson C, Stewart A, Aït-Khaled N, Anabwani G, Anderson R, et al (1999). Worldwide variations in the prevalence of symptoms of atopic eczema in the international study of asthma and allergies in childhood. Journal of Allergy and Clinical Immunology; 103: 125–138;
47 Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária 2015 2015 2015 [52] INFARMED: Anti-histamínicos. Acessível em: https://www.infarmed.pt/formulario/navegacao.php?paiid=185. [acedido em 15 de junho de 2015]; [53] World Allergies Organization: Allergy Management. Acessível em: http://www.worldallergy.org/public/allergic_diseases_center/allergymanagement.ph p#bronchodilators. [acedido em 15 de junho de 2015]; [54] Farmácias Portuguesas: Alergias. Acessível em: https://www.farmaciasportuguesas.pt/alergias. [acedido em 10 de maio de 2015].
54 Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária 2015 2015 2015 Anexo 4 Certificado de presença na conferência “Como Controlar a Asma?”.
55 Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária 2015 2015 2015 Anexo 5 Certificado de presença no congresso sobre “Sol, Pele e Cancro Cutâneo, em 2015”
56 Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária 2015 2015 2015 Anexo 6 Certificado de presença na formação FAMA “Farmácia e o Axonselhamento à Mulher em Anticoncetivos
57 Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária 2015 2015 2015 Anexo 7 Certificado de presença no Curso Geral Uriage.
58 Relatório de Estágio em Farmácia Comunitária 2015 2015 2015
i Relatório de Estágio Profissionalizante Alda Sofia Rocha Cruz Centro Hospitalar do Porto
ii Relatório de Estágio Profissionalizante Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas Relatório de Estágio Profissionalizante Centro Hospitalar do Porto Julho de 2015 a agosto de 2015 Alda Sofia Rocha Cruz Diana de Sousa Durães Diogo Agostinho Fernandes Marques Melanie Grace Ennis Sousa Orientadora: Dra. Teresa Almeida __________________________________ Setembro de 2015
iii Relatório de Estágio Profissionalizante Declarações de Integridade Eu, Alda Sofia Rocha Cruz, abaixo assinado, nº 201002342, estudante do Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas da Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto, declaro ter atuado com absoluta integridade na elaboração deste documento. Nesse sentido, confirmo que NÃO incorri em plágio (ato pelo qual um indivíduo, mesmo por omissão, assume a autoria de um determinado trabalho intelectual ou partes dele). Mais declaro que todas as frases que retirei de trabalhos anteriores pertencentes a outros autores foram referenciadas ou redigidas com novas palavras, tendo neste caso colocado a citação da fonte bibliográfica. Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto, 31 de agosto de 2015. ______________________________________
iv Relatório de Estágio Profissionalizante Eu, Diana de Sousa Durães, abaixo assinado, nº 201007170, estudante do Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas da Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto, declaro ter atuado com absoluta integridade na elaboração deste documento. Nesse sentido, confirmo que NÃO incorri em plágio (ato pelo qual um indivíduo, mesmo por omissão, assume a autoria de um determinado trabalho intelectual ou partes dele). Mais declaro que todas as frases que retirei de trabalhos anteriores pertencentes a outros autores foram referenciadas ou redigidas com novas palavras, tendo neste caso colocado a citação da fonte bibliográfica. Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto, 31 de agosto de 2015. ______________________________________
v Relatório de Estágio Profissionalizante Eu, Diogo Agostinho Fernandes Marques, abaixo assinado, nº 201000062, estudante do Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas da Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto, declaro ter atuado com absoluta integridade na elaboração deste documento. Nesse sentido, confirmo que NÃO incorri em plágio (ato pelo qual um indivíduo, mesmo por omissão, assume a autoria de um determinado trabalho intelectual ou partes dele). Mais declaro que todas as frases que retirei de trabalhos anteriores pertencentes a outros autores foram referenciadas ou redigidas com novas palavras, tendo neste caso colocado a citação da fonte bibliográfica. Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto, 31 de agosto de 2015. ______________________________________
xii Relatório de Estágio Profissionalizante Abreviaturas AIM Autorização de Introdução no Mercado APF Armazém de Produtos Farmacêuticos CAUL Certificado de Autorização de Utilização do Lote CdM Circuito do Medicamento CEIC Comissão de Ética para a Investigação Clínica CES Comissão de Ética para a Saúde CFLv Câmara de Fluxo Laminar Vertical CFT Comissão de Farmácia e Terapêutica CHP Centro Hospitalar do Porto CMIN Centro Materno-Infantil do Norte CNPD Comissão Nacional de Proteção de Dados CTX Citotóxicos DCI Denominação Comum Internacional DGS Direcção-Geral da Saúde DIDDU Distribuição Individual Diária em Dose Unitária FHNM Formulário Hospitalar Nacional de Medicamentos GHAF Gestão Hospitalar de Armazém e Farmácia HJU Hospital Joaquim Urbano HLS Hospital Logistic System HMP Hospital Central Especializado de Crianças Maria Pia HSA Hospital Geral de St. António INCM Imprensa Nacional-Casa da Moeda INFARMED INFARMED - Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde, I.P. IM Intramuscular IV Intravenosa IVRS Interactive Voice Response System IWRS Interactive Web Response System MJD Maternidade Júlio Dinis PRM Problemas Relacionadas com o Medicamento RNM Resultados Negativos associados à Medicação SAM Sistema de Apoio ao Médico SF Serviços Farmacêuticos SNS Sistema Nacional de Saúde SOP Procedimento Normalizado de Trabalho TDT Técnico de Diagnóstico e Terapêutica
xiii Relatório de Estágio Profissionalizante TSS Técnicos Superiores de Saúde UEC Unidade de Ensaios Clínicos UFA Unidade de Farmácia Ambulatório UFO Unidade de Farmácia Oncológica USP United States Pharmacopeia
xiv Relatório de Estágio Profissionalizante Índice de Figuras Figura 1 - Ensaios Clínicos ...................................................................................21 Figura 2 - Organização do Centro Hospitalar do Porto .........................................35 Figura 3 - Circuito do Medicamento ......................................................................36 Figura 4 - Exemplos de Kanbans ..........................................................................37 Figura 5 - Exemplo de Ordem de Preparação de Estéreis ....................................38 Figura 6 – Exemplo de Ordem de Preparação de Nutrição Parentérica................39 Figura 7 - Exemplo de Ordem de Preparação de Não Estéreis ............................40 Figura 8 - Modelo de Prescrição em vigor no CHP ...............................................41 Figura 9 - Impresso modelo n.º 1804 - Requisição de Hemoderivados .................42 Figura 10 - Requisição de Material de Penso .......................................................43 Figura 11 - Impresso modelo n.º 1509 da INCM - Requisição de Estupefacientes e Psicotrópicos e respetiva Guia de Tratamento .................................................................44 Figura 12 - Impresso de Prescrição de Medicação Experimental .........................45 Figura 13 - Empréstimos Concedidos ...................................................................46 Figura 14 - Empréstimos Obtidos .........................................................................46 Figura 15 - Guia de Remessa ...............................................................................47 Figura 16 - Etiqueta ..............................................................................................47 Figura 17 – Exemplo ilustrativo do Índice de Ambulatório ....................................48 Figura 18 - Pesquisa sobre o Sinal de Trousseau ................................................49
xv Relatório de Estágio Profissionalizante Índice de Tabelas Tabela 1 - Classificação das náuseas e vómitos ..................................................27 Tabela 2 - Inibidores dos recetores 5-HT3 ............................................................28 Tabela 3 - Ondasentron - Forma Farmacêutica, Via de Administração, Indicações Terapêuticas e Posologia ................................................................................................50 Tabela 4 – Granisetron: Forma Farmacêutica, Via de Administração, Indicações Terapêuticas e Posologia ................................................................................................52 Tabela 5 - Dolasetron e Palonosetron: Forma Farmacêutica, Via de Administração, Indicações Terapêuticas e Posologia ...............................................................................53
xvi Relatório de Estágio Profissionalizante Contextualização do Estágio O Estágio Profissionalizante em Farmácia Hospitalar assinala o terminar de um ciclo de estudos conducente ao grau de Mestre em Ciências Farmacêuticas. Representando a Farmácia Hospitalar a segunda maior fatia da atividade dos farmacêuticos em Portugal, com 9% da distribuição, logo se percebe a importância do estágio nesta área como um dos primeiros contactos com a realidade profissional1. O nosso estágio em Farmácia Hospitalar realizou-se nos Serviços Farmacêuticos do Centro Hospitalar do Porto, entre os dias 6 de julho e 31 de agosto, e ao longo das 8 semanas que constituem o mesmo, tivemos a oportunidade de conhecer a realidade da profissão farmacêutica no contexto hospitalar. Neste relatório encontram-se descritas as principais atividades desenvolvidas, sendo destacados os pormenores que nos pareceram mais importantes.
Parte I – O Centro Hospitalar do Porto e os Serviços Farmacêuticos
2 Parte I – O Centro Hospitalar do Porto e os Serviços Farmacêuticos 1. Introdução 1.1. O Centro Hospitalar do Porto O Centro Hospitalar do Porto (CHP) constitui uma Entidade Pública Empresarial dotada de autonomia administrativa, financeira e patrimonial. É um hospital central e universitário associado ao Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar da Universidade do Porto. O CHP é criado com o Decreto-Lei n.º 326/2007, de 28 de setembro por fusão do Hospital Geral de Santo António (HSA), com o Hospital Central Especializado de Crianças Maria Pia (HMP) e a Maternidade Júlio Dinis (MJD)2. Estas duas últimas instituições foram integradas num único edifício, o Centro Materno Infantil do Norte (CMIN). Em março de 2011, o CHP assumiu a organização que hoje vemos, fruto da integração do Hospital Joaquim Urbano (HJU)3. Tem por missão a prestação de cuidados de saúde humanizados, competitivos e de referência, promovendo a articulação com os outros parceiros do sistema, a valorização do ensino pré e pós‐graduado e da formação profissional, a dinamização e incentivo à investigação e o desenvolvimento científico na área da saúde4. 1.2. Os Serviços Farmacêuticos Os Serviços Farmacêuticos Hospitalares, regulamentados por Decreto-Lei próprio5, são o serviço que, nos hospitais, assegura a terapêutica medicamentosa aos doentes, a qualidade, eficácia e segurança dos medicamentos, integra as equipas de cuidados de saúde e promove ações de investigação científica e de ensino6. Os Serviços Farmacêuticos (SF) encontram-se enquadrados nos Serviços de Suporte à prestação de cuidados do CHP, conforme o organigrama da instituição (Anexo I), e são, desde dezembro de 2011, dirigidos pela Dra. Patrocínia Rocha. Localizam-se no Edifício Neoclássico do HSA, à exceção da Unidade de Farmácia Oncológica (UFO) que se localiza no edifício Dr. Luís de Carvalho. Encontram-se desde março de 2012 certificados pela Norma ISO 9001, tendo a mesma sido renovada recentemente em fevereiro de 2015. Esta Norma demonstra o compromisso dos SF com a gestão da qualidade dos seus processos e a satisfação de todos os intervenientes deste serviço. 1.3. Recursos Humanos e o Farmacêutico no Contexto Hospitalar Fazem parte do quadro de Recursos Humanos dos SF 21 Técnicos Superiores de Saúde (TSS), 28 Técnicos de Diagnóstico e Terapêutica (TDT), 14 Assistentes Operacionais e 3 Assistentes Técnicos. Os farmacêuticos representam a totalidade dos TSS dos SF.
3 Parte I – O Centro Hospitalar do Porto e os Serviços Farmacêuticos Os farmacêuticos que integram a equipa de recursos humanos dos SF dividem-se, diariamente, entre vários setores contribuindo para uma aquisição racional e para uma boa gestão, preparando com rigor e segurança e distribuindo os medicamentos de forma eficaz. No seu raio de ação, incluem-se, ainda, a prestação de informação a todo o sistema envolvente e a contribuição para a investigação clínica6. 2. Programa Informático Gestão Hospitalar de Armazém e Farmácia Tendo em conta o enorme fluxo de informação que, diariamente, existe no contexto hospitalar, torna-se premente a existência de ferramentas que permitam a integração de milhares de linhas de informação. O desenvolvimento de programas informáticos adaptados ao funcionamento das unidades hospitalares permite centralizar numa única plataforma todos os processos associados ao uso do medicamento. O Programa Informático Gestão Hospitalar de Armazém e Farmácia (GHAF) é o programa utilizado nos SF do CHP. A sua utilização é transversal a todos os setores, sendo peça fundamental na gestão de stocks e no apoio à prescrição e dispensação. Em relação à logística associada à gestão de stocks, o GHAF permite realizar a gestão integrada de todo o processo de compra e a gestão do inventário como transferência entre armazéns, requisições, débitos em diferentes centros de custo, entre outros. No que toca ao apoio à prescrição e dispensação, o GHAF torna-se uma ferramenta importante na validação da prescrição médica, na preparação de medicamentos, como citostáticos, nutrição parentérica e demais composições, e na distribuição, quer em regime de ambulatório quer de internamento. Assim, trata-se de uma plataforma importante para diminuir os erros de prescrição, de interpretação e de registo, aumentando a eficiência e a segurança do processo. Permite melhorar a gestão de logística do medicamento e rentabilizar os recursos humanos com maior qualidade do trabalho e serviço prestado7. 3. Circuito do Medicamento Os medicamentos e demais produtos farmacêuticos na farmácia hospitalar realizam um percurso próprio, bem controlado e delineado desde a sua entrada até à sua saída, de modo a garantir a sua rastreabilidade e integridade ao longo de todo o processo: o Circuito do Medicamento (CdM). Como ilustrado no Anexo II, de um modo geral, o medicamento depois de selecionado e adquirido, é rececionado num local apropriado e direcionado para o respetivo armazenamento de acordo com as suas características: Armazém de Produtos Farmacêuticos (APF) ou Unidade de Ensaios Clínicos (UEC).
4 Parte I – O Centro Hospitalar do Porto e os Serviços Farmacêuticos Posteriormente, estes mesmos produtos podem seguir para a Produção ou Distribuição. Por fim, realiza-se a cedência do medicamento aos doentes em regime de internamento ou ambulatório através das prescrições eletrónicas ou manuais médicas, devidamente validadas pelo farmacêutico. Neste capítulo iremos abordar o funcionamento de cada um destes setores. 3.1. Gestão e Logística em Farmácia Hospitalar 3.1.1. Aquisição de Medicamentos e Gestão de Stocks O APF é o responsável pela aquisição, requisição, receção, armazenamento, conservação, controlo de stocks e subsequente distribuição dos medicamentos e demais produtos farmacêuticos no CHP. A aquisição de medicamentos para os SF é realizada de acordo com o Formulário Hospitalar Nacional de Medicamentos (FHNM) e respetiva adenda ou deliberações da Comissão de Farmácia e Terapêutica (CFT). O primeiro corresponde à publicação elaborada pela Comissão Técnica especializada do INFARMED - Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde, I. P. (INFARMED), na qual constam todos os medicamentos a utilizar no Sistema Nacional de Saúde (SNS). A CFT é uma comissão especializada responsável pela definição e monitorização sistemática da política do medicamento no hospital, que procura alcançar um maior rigor e segurança na prescrição médica, bem como diminuir os custos associados à terapêutica8. A maior parte dos medicamentos e demais produtos farmacêuticos são encomendados, diretamente, ao seu fornecedor. Contudo, certos produtos de utilização esporádica e outras matérias-primas são encomendados à Farmácia Lemos. O processo de encomenda é desencadeado pela quantidade existente em stock. O controlo dos stocks é efetuado recorrendo ao sistema Kanbans. O Kanban (Anexo III) consiste num cartão com identificação do medicamento/produto farmacêutico, código de barras, quantitativo de reposição e localização. Apresenta também diferentes cores de acordo com o grupo de produtos no qual se insere. O sistema de Kanbans foi adotado como método de reposição de stocks: quando o Kanban chega ao ponto de encomenda é colocado num local próprio para realizar a sua aquisição no sistema. O procedimento de aquisição é efetuado pelo APF em articulação com o Serviço de Aprovisionamento. Depois de emitida a nota de encomenda, o Kanban aguarda na receção a chegada do produto9. No caso de insuficiente stock ou rutura do mesmo, o CHP pode solicitar um empréstimo a outro hospital através de contacto telefónico. Este empréstimo é registado e procede-se à sua restituição assim que possível. Do mesmo modo, podem ser solicitados
5 Parte I – O Centro Hospitalar do Porto e os Serviços Farmacêuticos medicamentos pelos demais SF aos SF do CHP, sendo concedidos quando o stock assim o permite. 3.1.2. Receção de Medicamentos Uma vez realizada a requisição dos medicamentos ao fornecedor, é na receção que se realiza a entrada do medicamento após validação. Deste modo, é confirmado se a mercadoria recebida está de acordo com a guia de remessa e com a nota de encomenda. Verifica-se também a integridade das embalagens, o prazo de validade e o lote. O prazo de validade deverá ser superior a 6 meses, ou, caso contrário, poderá ser inferior mas salvaguardada a sua troca pelo fornecedor. Ao nível da receção deve ser dada prioridade aos produtos que necessitam de refrigeração10. Os medicamentos Hemoderivados, Dispositivos Médicos e demais matérias-primas devem ser acompanhadas pelos respetivos impressos ou certificados de autorização10: Medicamentos Hemoderivados: deve ser confirmada a presença de um Certificado de Autorização de Utilização do Lote (CAUL) emitido pelo INFARMED. Este deve ser, posteriormente, digitalizado e arquivado informaticamente; Dispositivos Médicos: deve ser verificada a presença da marcação “CE”, e, em seguida, arquivar os respetivos certificados; Matérias-Primas: devem ser acompanhadas de um Boletim de Análise que comprove a qualidade do lote. Uma vez feita a verificação, este é enviado para o setor de Produção, onde se procede à comprovação da conformidade do mesmo. Os Medicamentos Estupefacientes e Psicotrópicos são da responsabilidade do farmacêutico e são rececionados e, posteriormente, armazenados numa sala própria com acesso limitado. As não conformidades encontradas durante este processo de verificação devem ser, devidamente, registadas e comunicadas para decisão posterior. Após a receção e validação das encomendas, a documentação é enviada para o Serviço de Aprovisionamento para se dar entrada do produto no GHAF10. 3.1.3. Armazenamento de Medicamentos O armazenamento dos medicamentos e demais produtos farmacêuticos é organizado no APF em corredores ordenados por ordem alfabética de acordo com a Denominação Comum Internacional (DCI). Os medicamentos são conservados nas condições adequadas de luminosidade, temperatura e humidade, sendo estas últimas
12 Parte I – O Centro Hospitalar do Porto e os Serviços Farmacêuticos Assim, tornou-se necessário dividir a Distribuição em Distribuição de Regime de Ambulatório e em Regime de Internamento. Os medicamentos sujeitos a controlo especial apresentam uma distribuição distinta e são abordados em tópico próprio. 3.3.1. Distribuição em Regime de Ambulatório No âmbito da política do medicamento e do acesso à prestação de cuidados de saúde, o SNS assegura a dispensa de medicamentos a título gratuito em regime de ambulatório nas farmácias hospitalares em situações especiais devidamente regulamentadas37. A Distribuição em Regime de Ambulatório é assegurada pelos farmacêuticos na UFA e resulta da necessidade de haver um maior controlo e vigilância em determinadas terapêuticas, da necessidade de assegurar a adesão dos doentes à terapêutica e também pelo facto de a comparticipação de certos medicamentos só ser a 100% se forem dispensados pelos Serviços Farmacêuticos Hospitalares6. Com isto, permite-se obter uma redução dos custos relacionados com o internamento hospitalar, redução dos riscos inerentes a um internamento e a possibilidade do doente continuar o tratamento no seu ambiente familiar6. 3.3.1.1. Unidade de Farmácia Ambulatório A UFA situa-se junto aos SF, tem contacto pelo exterior e funciona de segunda a sexta-feira das 9 horas às 17 horas. Apresenta uma sala de espera com um sistema de atendimento por senhas informatizado, de modo a facilitar a gestão do atendimento. Encontra-se também previsto o atendimento prioritário e preferencial. Apresenta uma sala com três balcões, devidamente identificados, onde é efetuado o atendimento ao público. Adicionalmente, possui um gabinete que possibilita o atendimento em situações que requerem maior privacidade ou em situações de maior afluência ao serviço. A organização dos medicamentos e demais produtos de saúde respeita regras próprias aplicadas nesta unidade. A maioria dos medicamentos encontram-se organizados em gavetas, agrupados por patologia e por ordem alfabética. Existem também câmaras frigoríficas para os medicamentos de frio e estantes para outros produtos, como os destinados à nutrição. À semelhança dos restantes setores, utiliza-se a metodologia Kanban para a gestão dos stocks. Na arrumação dos medicamentos, aqueles com prazo de validade mais curto, devem ser colocados à frente ou mais à direita dos restantes.
13 Parte I – O Centro Hospitalar do Porto e os Serviços Farmacêuticos 3.3.1.2. Prescrição Médica A prescrição médica, conforme descrito na lei, deve ser feita através de sistemas de prescrição eletrónica e respeitando as normas estabelecidas pelo CHP. O modelo em vigor neste estabelecimento encontra-se no Anexo VII. A maioria das prescrições médicas encontram-se submetidas na aplicação informática do Circuito do Medicamento no GHAF. Contudo, existem casos excecionais para os quais se utiliza a prescrição em papel, nomeadamente Nutrição, proveniente da especialidade de Gastroenterologia ou de Hemoderivados, impresso modelo n.º 1804 da Imprensa Nacional-Casa da Moeda (INCM), presente no Anexo VIII. Existem ainda casos de receitas externas ao hospital em que a UFA efetua a dispensa. Assim, torna-se necessário verificar a existência de receita médica com a vinheta do prescritor, carimbo ou vinheta do local de prescrição, identificação do número de certificação de registo na Direcção-Geral da Saúde (DGS) e a dispensa do medicamento deve estar registada em base de dados específica para o efeito. O procedimento varia conforme seja a primeira dispensa ou uma continuação da terapêutica38. 3.3.1.3. Validação da Prescrição Médica Após apresentação e verificação da prescrição médica, torna-se necessário validar a mesma, antes da dispensação. Esta validação verifica se se cumprem as condições de acordo com os diplomas legais, autorizações da Direção Clínica, do Conselho de Administração, CFT e Comissão de Ética para a Saúde (CES). No ato de validação são verificados critérios como se a prescrição foi elaborada de acordo com as normas estabelecidas e no modelo apropriado já referido, a identificação do doente, designação do medicamento por DCI, forma farmacêutica, dose, frequência e via de administração, identificação da especialidade médica, data da próxima consulta, identificação do prescritor, identificação do Diploma legal a que obedece a prescrição ou caso necessário verificar nas deliberações da CFT se o doente está autorizado a receber a medicação8. 3.3.1.4. Medicamentos Autorizados à Dispensa A dispensa de medicamentos pela farmácia de ambulatório ocorre nas seguintes situações: Medicamentos cuja dispensa se encontra autorizada por diplomas legais; Medicamentos cuja dispensa se encontra autorizada por diplomas legais mas com restrições impostas pelo CHP; Medicamentos sem diplomas legais que autorizem a sua dispensa, mas com deliberações específicas autorizadas pelo Conselho de Administração do
14 Parte I – O Centro Hospitalar do Porto e os Serviços Farmacêuticos CHP (como medicamentos para a hepatite B e hipertensão arterial pulmonar); Medicamentos no âmbito de alta precoce; Medicamentos sem diplomas legais ou deliberações específicas mas previamente sujeitos a autorização pela CFT8. 3.3.1.5. Dispensa de Medicamentos Por critério de gestão de stocks e controlo racional de custos, a dispensa de medicamentos respeita algumas orientações, corretamente definidas na Instrução de Trabalho própria39: Os medicamentos são disponibilizados até 3 meses quando o seu montante total é inferior a 100 euros ou 300 euros no caso de residentes fora do distrito do Porto; Para montantes superiores a 100 euros, são fornecidos para 1 mês; Os doentes transplantados renais ou hepáticos têm acesso à medicação até um prazo total de 3 meses. Durante a dispensa, e para alguns medicamentos sujeitos a maior controlo, de maneira a garantir uma melhor rastreabilidade do medicamento, são registados os lotes dispensados. Uma vez determinada a quantidade a dispensar, é também transmitida informação útil ao utente, como possíveis efeitos adversos, cuidados a ter com a conservação dos medicamentos, posologia e regras de manuseamento dos Dispositivos Médicos. Em casos específicos, é também necessário o fornecimento de material acessório à terapêutica como contentores de risco biológico e seringas. 3.3.1.6. Venda de Medicamentos em Regime de Ambulatório Em situações excecionais o Ministério da Saúde pode autorizar que as farmácias hospitalares dispensem medicamentos ao público, estando estas situações devidamente definidas na lei40. Nestes casos a prova da inexistência do medicamento deve ser confirmada por carimbo de três diferentes farmácias e o preço de venda do medicamento deve ser o preço de custo do mesmo6. 3.3.1.7. Devolução de Medicamentos Existem medicamentos dispensados pela UFA que, por alguma razão, deixaram de ser utilizados e, cumprindo certos requisitos, podem ser devolvidos. Após entrega, os medicamentos são colocados em local próprio para posterior confirmação. Compete ao farmacêutico analisar os medicamentos devolvidos e aceitar ou
15 Parte I – O Centro Hospitalar do Porto e os Serviços Farmacêuticos rejeitar os mesmos. Os critérios de aceitação e rejeição encontram-se corretamente definidos nas instruções de trabalho41. 3.3.2. Distribuição em Regime de Internamento: 3.3.2.1. Distribuição Individual Diária em Dose Unitária Através do conhecimento do perfil farmacoterapêutico dos doentes, é possível aumentar a segurança e a eficácia da terapêutica instituída, racionalizar os custos e reduzir os erros associados à dispensa. Deste modo, é possível a preparação de medicamentos e produtos farmacêuticos de uma forma individualizada, sem que seja necessária manipulação prévia significativa antes da administração6. A DIDDU é a responsável pela preparação e distribuição desta terapêutica individualizada a doentes internados e constitui um sistema fundamental no CdM. Este sistema aplica-se a todos os serviços do CHP, com exceção do Serviço de Urgência e Bloco Operatório42. Este sistema de distribuição é mais vantajoso, uma vez que se traduz num aumento da segurança da utilização do medicamento, melhor conhecimento do perfil farmacoterapêutico do doente, redução do risco de interações, racionalização da terapêutica, dedicação de mais tempo aos cuidados dos doentes, atribuição mais correta dos custos e numa diminuição do desperdício43. Os medicamentos são distribuídos apenas para um período de 24 horas, devido a possíveis alterações feitas às prescrições resultantes das visitas médicas. Contudo, ao sábado a medicação é preparada para 48 horas, uma vez que ao domingo não ocorrem visitas médicas, estando apenas presente um médico de urgência. De modo a garantir o correto e pleno funcionamento é fundamental uma cooperação entre farmacêuticos, técnicos, assistentes operacionais e mensageiros. 3.3.2.1.1. Validação e Monitorização da Prescrição Médica O processo de prescrição médica é apoiado pelo sistema informático GHAF, através da aplicação Circuito do Medicamento. Através deste programa, o clínico prescreve os medicamentos para o utente, ficando ao encargo do farmacêutico a sua posterior validação43. De uma forma geral, a validação da prescrição médica é efetuada tendo em conta as características do doente, as características do medicamento, o FHNM e a sua Adenda e as Deliberações da CFT43. Deste modo, a prescrição deve apresentar os seguintes elementos: identificação do doente (nome, número do processo, serviço e número da cama), designação do medicamento por DCI, forma farmacêutica, dose, frequência, via de administração, a
16 Parte I – O Centro Hospitalar do Porto e os Serviços Farmacêuticos duração do tratamento, data e hora da administração e identificação do médico prescritor. É também aconselhável estarem indicadas outras informações que possam facilitar a validação da mesma, como a idade, dados antropométricos do doente, outras patologias concomitantes, resultados de exames complementares e ainda o diagnóstico. Este tipo de informação torna-se fulcral na correta validação da prescrição médica efetuada43. No processo de validação e monotorização da prescrição médica, o farmacêutico acompanha o perfil farmacoterapêutico e monitoriza parâmetros analíticos com o objetivo de verificar se a farmacoterapêutica instituída é adequada. No caso de ser detetada alguma inconformidade, compete ao farmacêutico intervir na terapêutica do doente43. Sempre que é necessário intervir na farmacoterapia do doente de modo a prevenir ou detetar Problemas Relacionadas com os Medicamentos (PRM) esta deve ser registada no campo “Observações da Farmácia”, e posteriormente impressa e arquivada. Quando a prescrição é efetuada manualmente, é registada a intervenção no impresso próprio43. Desta feita, será possível prevenir Resultados Negativos associados à Medicação (RNM). Ao longo do dia são efetuadas diversas prescrições médicas, sendo a validação gerida pelo farmacêutico. Dentro destas, é dada prioridade às prescrições urgentes. Estas devem ser aviadas num período máximo de 30 minutos no caso de se tratar de antídotos, primeiras tomas de antibióticos e medicamentos destinados ao Serviço de Urgência que não fazem parte do seu stock44. É também ao nível da DIDDU que são rececionadas as requisições de material de penso provenientes dos serviços de enfermaria, devendo estas vir em impresso próprio (Anexo IX). Este impresso possui uma validade de 8 dias e deve ser também validado pelo farmacêutico43. 3.3.2.1.2. Preparação e Aviamento dos Medicamentos e Produtos Farmacêuticos Após a validação das prescrições, são emitidas listas de aviamento em horários predefinidos que contêm a informação necessária para que se consiga organizar a medicação diária de cada doente internado43. A medicação e demais produtos farmacêuticos encontram-se distribuídos de acordo com a sua rotação entre o Pharmapick®, as células de aviamento, as torres e pequenos módulos. Os produtos com maior rotatividade (referência A) encontram-se nas células de aviamento e no Pharmapick®. Os produtos de rotatividade intermédia (referência B) encontram-se na torre enquanto os produtos com baixa rotatividade (referência C), de utilização esporádica, em módulos, os quais são revistos semanalmente para evitar desperdícios45.
17 Parte I – O Centro Hospitalar do Porto e os Serviços Farmacêuticos A preparação da medicação é da responsabilidade dos TDT que a preparam através de processos semiautomáticos ou manuais. Os produtos que não estão armazenados no Pharmapick® são referenciados numa lista à parte para que o técnico complete o aviamento de forma manual43. Método Semiautomático O Pharmapick® é um método semiautomático que permite otimizar o trabalho executado, por racionalizar o tempo dispensado nesta tarefa e por otimizar a gestão dos stocks existentes. No seu interior encontram-se diversas unidades de carga organizadas por produto46. A dispensa pode ser realizada por artigo ou por doente, sendo, geralmente, realizada por artigo, o que permite que esta tarefa seja realizada mais eficientemente. Existe um local destinado à reposição do stock do Pharmapick®, o supermercado, que possui um stock avançado de medicamentos e produtos farmacêuticos de maior consumo45. Método Manual O método manual de preparação da medicação baseia-se no aviamento desta a partir dos diferentes locais em que se encontram. Conforme explicado anteriormente, a medicação poderá estar distribuída entre as células de aviamento, a torre, e os pequenos módulos, contendo as referências A, B e C, respetivamente. Existem ainda outros medicamentos e produtos farmacêuticos que são objeto deste tipo de aviamento, nomeadamente material de penso, nutrição entérica e parentérica, soluções orais, fármacos de uso tópico e medicação de frio que se encontram armazenados em estantes e câmaras frigoríficas. Em todas estas unidades, os medicamentos são organizados por ordem alfabética, estando identificados por DCI, forma farmacêutica, dosagem e apresentação45. Uma vez preparada a medicação, esta é colocada em cassetes de unidose que se encontram em carros de transporte. Estas cassetes estão identificadas com o nome do doente a que a medicação de destina e o número da cama onde este se encontra. Cada um dos carros de transporte é destinado a um ou mais serviços, de acordo com rotas préestabelecidas. Os medicamentos de frio são os últimos a ser preparados e são transportados numa mala térmica, juntamente com as cassetes de unidose, de modo a não quebrar a cadeia de frio47. De referir ainda que durante o período em que é preparada a medicação podem existir altas médicas, novos internamentos e transferência de doentes para outros serviços. Assim é possível existirem alterações nas prescrições iniciais. Deste modo é emitida uma listagem de diferenças, sendo necessário proceder a um ajuste da medicação antes de ser enviada43.
18 Parte I – O Centro Hospitalar do Porto e os Serviços Farmacêuticos 3.3.2.1.3. Resposta a pedidos de informação sobre medicamentos: Dadas as suas competências, é da responsabilidade do farmacêutico transmitir as informações solicitadas pelos restantes profissionais de saúde relativamente aos medicamentos e demais produtos farmacêuticos. Esta deve ser transmitida de uma forma rápida, objetiva, completa e precisa48. Devido à complexidade dos novos medicamentos e ao surgimento de novas moléculas, torna-se premente que exista à disposição do farmacêutico hospitalar diversas fontes que permitam o acesso à informação de um modo rápido e eficaz. Assim, fontes como Manuais de Apoio (como o Drugs, o FHNM, ou o Prontuário Terapêutico); revistas profissionais farmacêuticas e médicas ou computador com acesso à internet são ferramentas essenciais na prestação de informações aos demais intervenientes no processo do uso do medicamento6. Todas as informações a perguntas efetuadas devem ser registadas no impresso “Resposta a Pedidos de Informação sobre Medicamentos”48. 3.3.2.2. Distribuição Clássica Existem stocks de medicamentos e produtos farmacêuticos ao nível de vários serviços do CHP que são fixos, e foram previamente definidos pelos farmacêuticos, enfermeiros e médicos dos respetivos serviços clínicos6. A Distribuição Clássica baseia-se no fornecimento de medicamentos em quantidades previamente estabelecidas e por um determinado período de tempo. Os pedidos de reposição de stocks podem ser feitos eletronicamente ou recorrendo a sistemas manuais49. A distribuição pode ser realizada por três processos diferentes49: Hospital Logistic System (HLS): há uma troca de gavetas vazias por gavetas cheias; Sistema de Kanbans: os medicamentos são embalados numa caixa, identificada com o nome do serviço a que se destina, a qual contém no seu interior, para além da medicação pedida, uma guia de remessa; Pyxis: trata-se de um dispositivo semiautomático presente nos Cuidados Intensivos e nos Blocos Operatórios que permite um acesso rápido à medicação. A distribuição clássica dos medicamentos e demais produtos farmacêuticos possui circuitos bem definidos, fornecendo os medicamentos para reposição dos stocks existentes ao nível das farmácias satélite do CHP como o CMIN, HJU, UFO, UFA e todos os serviços Clínicos50.
19 Parte I – O Centro Hospitalar do Porto e os Serviços Farmacêuticos 3.3.3. Medicamentos Sujeitos a Controlo Especial Existem Grupos Farmacoterapêuticos que requerem um controlo especial. Incluemse nestes os Medicamentos Psicotrópicos e Estupefacientes, os Hemoderivados, os AntiInfeciosos e os Antídotos. Estes medicamentos são substâncias extremamente importantes no contexto clínico e as suas propriedades, desde que usadas de forma correta, podem trazer benefícios terapêuticos a um número alargado de situações de doença. A limitação da sua utilização pretende garantir a salvaguarda da saúde pública e, principalmente, do utilizador. A prescrição destes é efetuada manualmente em impresso próprio, sendo armazenada por um período de tempo estipulado. 3.3.3.1. Medicamentos Estupefacientes e Psicotrópicos Os Medicamentos Estupefacientes e Psicotrópicos exercem uma ação ao nível do Sistema Nervoso Central. Provocam uma alteração das suas funções, conduzindo facilmente a tolerância, dependência física ou psíquica e sintomas de privação51. A sua prescrição é feita em modelos próprios, Modelo n.º 1509 da INCM (Anexo X), onde são indicados o medicamento por DCI e o nome do utente a que se destina. Este deve ser assinado pelo médico prescritor. Por fim, deve apresentar o carimbo do centro de custo, identificando o serviço no qual será debitada a medicação52. Compete ao farmacêutico a avaliação, débito e preparação da medicação. Os Medicamentos Estupefacientes e Psicotrópicos encontram-se armazenados numa zona específica do APF, com acesso restrito. A medicação pretendida é colocada dentro de cassetes específicas devidamente fechadas, de modo a garantir que a medicação não é extraviada. Juntamente com esta, é enviado um impresso que deve ser assinado pelo enfermeiro aquando da receção52. 3.3.3.2. Hemoderivados Os Hemoderivados são medicamentos derivados do sangue ou plasma humano. A sua prescrição é efetuada em modelo próprio, já previamente referido, e possui uma validade de 24 horas43. Devido à sua variabilidade, enquanto produtos de origem biológica, dispõem de um CAUL, que conforme o nome indica, é atribuído a cada lote. Cabe ao farmacêutico, aquando do preenchimento do modelo de requisição, o registo do lote, fornecedor e respetivo CAUL, pretendendo-se com isto garantir a rastreabilidade do mesmo43. Cada requisição possui duas vias, sendo uma armazenada nos SF e a outra no respetivo Serviço Clínico. Estas são armazenadas durante 50 anos de modo a ser possível,
20 Parte I – O Centro Hospitalar do Porto e os Serviços Farmacêuticos em caso de necessidade futura, o contacto com o doente que usufruiu deste medicamento43. De modo a diminuir a possibilidade de erro aquando da administração, as embalagens são rotuladas identificando-se o nome do doente, o número do processo e o respetivo serviço. 3.3.3.3. Anti-infeciosos Os medicamentos anti-infeciosos, como o nome indica, destinam-se a ser utilizados no tratamento de doenças infeciosas. Incluem-se neste grupo os medicamentos antibacterianos, antifúngicos, antivíricos e antiparasitários. A prescrição destes pode ser efetuada através do GHAF ou manualmente, em impresso próprio, no caso do serviço não apresentar DIDDU. Esta prescrição tem a validade de 7 dias43. 3.3.3.4. Antídotos Os Antídotos são substâncias ou misturas que se destinam a atenuar ou neutralizar os efeitos de outras com características tóxicas53. A prescrição de antídotos deve também ser realizada em impresso próprio ou de forma eletrónica no sistema informático43. 3.4. Investigação e Desenvolvimento: Ensaios Clínicos Para que um novo medicamento humano seja aprovado e possa entrar no mercado, este tem de ser submetido a uma série de procedimentos controlados que permitam avaliar a sua qualidade, segurança e eficácia. Inicialmente, o novo medicamento é submetido a testes pré-clínicos que incluem ensaios em laboratório e em animais. Posteriormente, e se houver garantia de segurança, a nova molécula entrará na fase clínica, onde o medicamento é experimentado em seres humanos e na qual se inserem os ensaios clínicos54. Os ensaios clínicos podem ser definidos como "qualquer investigação conduzida no ser humano, destinada a descobrir ou verificar os efeitos clínicos, farmacológicos ou outros efeitos farmacodinâmicos de um ou mais medicamentos experimentais, ou identificar os efeitos indesejáveis de um ou mais medicamentos experimentais, ou a analisar a absorção, a distribuição, o metabolismo e a eliminação de um ou mais medicamentos experimentais, a fim de apurar a respetiva segurança ou eficácia"55. 3.4.1. Características dos Ensaios Clínicos Os ensaios podem ser classificados quanto a diferentes características, como a sua finalidade, a metodologia utilizada, o número de centros intervenientes, o processo de aleatorização e o desenho do estudo56.
21 Parte I – O Centro Hospitalar do Porto e os Serviços Farmacêuticos Em relação à sua finalidade, distinguem-se quatro diferentes fases. Na Fase I, o medicamento começa por ser experimentado num pequeno grupo de pessoas saudáveis, no sentido de avaliar a segurança, farmacocinética e farmacodinâmica do mesmo. Uma vez verificada a segurança e apresentando farmacocinética e farmacodinâmica adequadas, segue para experimentação em indivíduos doentes, estudando-se o seu impacto no organismo e na doença através de exames clínicos e laboratoriais: na Fase II determina-se a dose terapêutica a utilizar e verificam-se os demais critérios de segurança; na Fase III avalia-se, sobretudo, a sua eficácia54. Os ensaios de Fase IV são realizados após o medicamento obter a sua Autorização de Introdução no Mercado (AIM), sendo feitos pós-comercialização e considerados estudos de Farmacovigilância54. Na Figura 1 encontram-se representadas as diferentes fases dos ensaios clínicos. Figura 1 - Ensaios Clínicos Transversalmente a todo o processo, os Ensaios Clínicos devem realizar-se conforme requisitos de qualidade reconhecidos internacionalmente, estando estes descritos nas Boas Práticas Clínicas56. 3.4.2. Principais Intervenientes de um Ensaio Clínico A investigação e desenvolvimento de um novo fármaco requer esforços conjuntos de vários intervenientes, com vista à obtenção da sua AIM e consequente comercialização. A este nível, podemos identificar vários intervenientes como o promotor, autoridades reguladoras e os centros de ensaios. O promotor é o responsável pela conceção, realização, gestão e financiamento de um Ensaio Clínico cabendo a este a solicitação da aprovação às entidades reguladoras. Para que seja possível a realização de um Ensaio Clínico, em Portugal e mais concretamente, no CHP, é necessária uma autorização do INFARMED, da Comissão de •15 –30 participantes; •Voluntários saudáveis; •Avaliação da segurança e tolerabilidade. Fase 1 •< 100 participantes; •Voluntários doentes; •Avaliação da eficácia terapêutica, bem como da segurança e toxicidade; •Seleção do regime terapêutico. Fase 2 •100 –10000 participantes; •Voluntários doentes; •Estudos comparativos, geralmente multicêntricos; •Avaliação da segurança, eficácia e benefício terapêutico; •Estudo do regime terapêutico. Fase 3 •Vigilância Pós Marketing; •Avaliação de interações medicamentosas adicionais, avaliação da dose-resposta e deteção de reações adversas. Fase 4
28 Parte II – Atividades desenvolvidas nos Serviços Farmacêuticos libertação de grandes quantidades desta substância. A serotonina vai assim ligar-se aos recetores presentes nos nervos vagais eferentes, os recetores 5-HT3, estimulando o centro do vómito, ou diretamente o chemoreceptor trigger zone, localizado na área postrema do cérebro, promovendo assim as náuseas e os vómitos61. Deste modo, o bloqueio dos recetores 5-HT3 com antagonistas pode prevenir as náuseas e os vómitos induzidos pela quimioterapia, pelo que o controlo eficaz da emése aguda é fundamental para a prevenção da emése tardia e da emése antecipatória62. Existem diversas moléculas com atividade antagonista dos recetores 5-HT3, diferindo na estrutura molecular, afinidade para o recetor e duração da ação e encontramse representadas na Tabela 261. Tabela 2 - Inibidores dos recetores 5-HT3 Inibidores dos recetores da 5-HT3 1ª Geração Ondasteron Granisetron Dolasetron Emése aguda 2ª Geração Palonosetron Emése tardia No Anexo XV encontram-se sintetizadas informações para cada um dos fármacos apresentados, nomeadamente a forma farmacêutica, via de administração, indicações terapêuticas e posologia.
Relatório de Estágio Profissionalizante Conclusão O fim do estágio nos Serviços Farmacêuticos do Centro Hospitalar do Porto assinala também o final do Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas e fazendo um balanço destes dois meses, consideramos que esta oportunidade foi uma mais-valia na nossa formação. Apesar da Farmácia Hospitalar representar a segunda maior área de distribuição dos farmacêuticos em Portugal, a realidade deste profissional no contexto hospitalar era, para nós, desconhecida. Deste modo, a possibilidade de ter contacto com os vários setores de atividade dos Serviços Farmacêuticas ao longo do Circuito do Medicamento permitiunos adquirir diversas competências importantes para o nosso futuro. Em relação ao Armazém de Produtos Farmacêuticos adquirimos competências na gestão de stocks, nomeadamente na receção e verificação de mercadorias e posterior armazenamento, na distribuição clássica, quer por sistema Kanban, quer através do Pyxis e na obtenção e cedência de empréstimos de medicamentos. No que toca à Distribuição Individual Diária em Dose Unitária, foi importante para percebermos a importância do farmacêutico no Circuito do Medicamento, nomeadamente como prestador de informação aos demais intervenientes. Pudemos experienciar a validação das prescrições médicas, quer informáticas, quer manuais, a emissão de listas de aviamento, a prescrição de Medicamentos Psicotrópicos e Estupefacientes, material de penso, Antídotos e Hemoderivados e ainda a análise de casos clínicos. A Unidade de Farmácia Ambulatório foi uma oportunidade de contactarmos com os utentes, tendo procedido à dispensa de medicação, sob supervisão dos demais farmacêuticos. Adquirimos também competências na gestão dos medicamentos e demais produtos farmacêuticos a nível desta unidade como a sua reposição, organização, conferência de prazos de validade e devoluções. A passagem pela Unidade de Farmácia Oncológica traduziu-se, essencialmente, numa oportunidade para compreendermos o funcionamento dos Hospitais de Dia ligados à oncologia. Foi possível verificar que, associados ao tratamento do cancro, estão envolvidos uma série de procedimentos, estando estes baseados em protocolos relacionados com o tipo e estadio do mesmo. Assim, neste setor, foi nos possível assistir à validação da prescrição médica e à preparação de citotóxicos. O setor da produção permitiu-nos acompanhar a preparação de medicamentos estéreis e não estéreis, bem como o procedimento a efetuar desde a sua requisição até à distribuição aos diferentes setores. A nível dos produtos não estéreis, aplicamos os nossos conhecimentos no âmbito da tecnologia farmacêutica, tendo preparado diversas formulações. Em relação à produção de estéreis, foi possível constatar o cuidadoso
30 Relatório de Estágio Profissionalizante procedimento adotado na preparação destes manipulados. De salientar ainda, o acompanhamento da produção de nutrição parentérica e de todo o preciosismo do seu controlo. Relativamente à Unidade de Ensaios Clínicos, foi evidente que se tratava de uma área não muito explorada ao longo do nosso Mestrado Integrado. Contudo, dada a importância dos novos medicamentos experimentais, consideramos primordial a aquisição de competências nesta área. Neste setor tivemos a oportunidade de compreender todo o procedimento que aos ensaios clínicos concerne. Pelo facto de termos assistido às visitas de pré-ensaio, iniciação e monitorização, assim como procedido à elaboração dos respetivos procedimentos normalizados de trabalho, foi possível tomarmos conhecimento das verdadeiras dimensões desta área. Ao longo da semana, pudemos ainda compreender as diferentes características dos estudos realizados através da leitura de diversos protocolos de ensaios clínicos que decorrem no CHP. Neste setor, acompanhamos, também, o circuito do medicamento experimental, desde a sua receção, armazenamento, dispensa e devolução bem como a validação da prescrição médica. Assim, é com um prazer enorme que concluímos o nosso percurso como estudantes das Ciências Farmacêuticas nos Serviços Farmacêuticos do Centro Hospitalar do Porto, considerando que o estágio teve um impacto bastante positivo na consolidação de conhecimentos adquiridos ao longo do curso e no desenvolvimento de novas competências, fruto da experiência vivida no contexto hospitalar. Essencialmente, permitiu que contactássemos com outra perspetiva da profissão farmacêutica, compreendendo a importância da sua presença como especialista do medicamento e agente de promoção de saúde no ambiente hospitalar. “O papel do Farmacêutico no mundo é tão nobre quão vital.”
31 Relatório de Estágio Profissionalizante Bibliografia 1. Ordem dos Farmacêuticos: Distribuição por área profissional. Acessível em http://www.ordemfarmaceuticos.pt/scid/ofWebInst_09/defaultArticleViewOne.asp?ca tegoryID=1914&articleID=2330. [acedido em 1 de julho de 2015]; 2. Decreto-Lei n.o 326/2007, de 28 de setembro - Criação do Centro Hospitalar do Porto; 3. Decreto-Lei n.o 30/2011, de 2 de março - Alteração da constituição do Centro Hospitalar do Porto; 4. Centro Hospitalar do Porto: website. Acessível em: http://www.chporto.pt/. [acedido em 24 de agosto de 2015]; 5. Decreto-Lei n.o 44 204, de 2 de fevereiro - Regulamento geral da Farmácia hospitalar; 6. Brou MHL, Feio JAL, Mesquita E, Ribeiro RMP, Brito MCM, Cravo C, et al (2005). Manual da Farmácia Hospitalar. Ministério da Saúde. 7. STISAÚDE: GHAF – Gestão Hospitalar de Armazém e Farmácia. Acessível em: http://www.stisaude.co.mz/?page_id=1182. [acedido em 21 de agosto de 2015]; 8. Serviços Farmacêuticos do Centro Hospitalar do Porto E.P.E. - Instrução de Trabalho IT.SFAR.GER.053/1 - Validação e Monitorização da Prescrição Médica de Ambulatório. 9. Pires D, Ferreira S (2012). Implementação de um sistema Kanban® na reposição de grandes volumes em dose unitária. Actas do VIII Colóquio Farmácia; 2: 65-68. 10. Serviços Farmacêuticos do Centro Hospitalar do Porto E.P.E. - Instrução de Trabalho IT.SFAR.GER.007/3 - Receção e Armazenamento de Medicamentos; 11. Administração Central do Sistema de Saúde: Farmacotecnia. Acessível em: http://www.acss.minsaude.pt/Projetos/ProgdoMedicamentoHospitalar/Projecto1/tabid/172/language/ptPT/Default.aspx?PageContentID=26. [acedido em 24 de agosto de 2015]; 12. Serviços Farmacêuticos do Centro Hospitalar do Porto E.P.E. - Instrução de Trabalho IT.SFAR.GER.084/1 - Ordem de preparação de Manipulados Não estéreis; 13. USP (2010). Sterilization and Sterility Assurance of Compendial Articles. Usp; 19: 1719; 14. Serviços Farmacêuticos do Centro Hospitalar do Porto E.P.E. - Instrução de Trabalho IT.SFAR.GER.046/1. Manipulação de estéreis - Técnica assética; 15. Serviços Farmacêuticos do Centro Hospitalar do Porto E.P.E. - Instrução de Trabalho IT.SFAR.GER.041/1 - Elaboraçao da ordem de preparação de preparações estéreis; 16. Serviços Farmacêuticos do Centro Hospitalar do Porto E.P.E. - Instrução de Trabalho IT.SFAR.GER.036/1 - Elaboraçao da ordem de preparação;
32 Relatório de Estágio Profissionalizante 17. Serviços Farmacêuticos do Centro Hospitalar do Porto E.P.E. - Instrução de Trabalho IT.SFAR.GER.043/2 - Ensaios de verificação; 18. Serviços Farmacêuticos do Centro Hospitalar do Porto E.P.E. - Instrução de Trabalho IT.SFAR.GER.045/3 - Preparação de nutrição parentérica; 19. Serviços Farmacêuticos do Centro Hospitalar do Porto E.P.E. - Instrução de Trabalho IT.SFAR.GER.101/1 - Rotulagem de Não estéreis; 20. Serviços Farmacêuticos do Centro Hospitalar do Porto E.P.E. - Instrução de Trabalho IT.SFAR.GER.085/1 Seleção e Controlo de Materias-Primas; 21. Serviços Farmacêuticos do Centro Hospitalar do Porto E.P.E. - Instrução de Trabalho IT.SFAR.GER.088/1 - Preparação de pomadas; 22. Serviços Farmacêuticos do Centro Hospitalar do Porto E.P.E. - Instrução de Trabalho IT.SFAR.GER.095/1 - Preparação de papeis; 23. Serviços Farmacêuticos do Centro Hospitalar do Porto E.P.E. - Instrução de Trabalho IT.SFAR.GER.098/1 - Preparação de cremes; 24. Serviços Farmacêuticos do Centro Hospitalar do Porto E.P.E. - Instrução de Trabalho IT.SFAR.GER.081/1 - Preparação de soluções; 25. Serviços Farmacêuticos do Centro Hospitalar do Porto E.P.E. - Instrução de Trabalho IT.SFAR.GER.099/1 - Preparação de pastas; 26. Serviços Farmacêuticos do Centro Hospitalar do Porto E.P.E. - Instrução de Trabalho IT.SFAR.GER.094/1 - Preparação de loções; 27. Serviços Farmacêuticos do Centro Hospitalar do Porto E.P.E. - Instrução de Trabalho IT.SFAR.GER.100/1 - Preparação de Suspensões; 28. Serviços Farmacêuticos do Centro Hospitalar do Porto E.P.E. - Instrução de Trabalho IT.SFAR.GER.086/1 - Fraccionamento de medicamentos; 29. Serviços Farmacêuticos do Centro Hospitalar do Porto E.P.E. - Instrução de Trabalho IT.SFAR.GER.116/1 - Identificação e atribuição de lote aos medicamentos fraccionados e/ou reembalados; 30. Serviços Farmacêuticos do Centro Hospitalar do Porto E.P.E. - Instrução de Trabalho IT.SFAR.GER.115/1 - Ensaios de Verificação de Medicamentos Fraccionados; 31. World Health Organization: Cancer - Key Facts. Acessível em: http://www.who.int/mediacentre/factsheets/fs297/en/. [acedido em 22 de agosto de 2015]; 32. Centro Hospitalar do Porto: Comissão de coordenação oncológia. Acessível em: http://www.chporto.pt/ver.php?cod=0B0D0H. [acedido em 25 de agosto de 2015]; 33. Serviços Farmacêuticos do Centro Hospitalar do Porto E.P.E. - Instrução de Trabalho IT.SFAR.GER.080/1 - Fardamento a utilizar na manipulação dos citotóxicos;
33 Relatório de Estágio Profissionalizante 34. Serviços Farmacêuticos do Centro Hospitalar do Porto E.P.E. - Instrução de Trabalho IT.SFAR.GER.027/1 - Manipulação de Citotóxicos; 35. Serviços Farmacêuticos do Centro Hospitalar do Porto E.P.E. - Instrução de Trabalho IT.SFAR.GER.029/1 - Validação e monitorização da prescrição de citotóxicos para preparação em CFLv; 36. Serviços Farmacêuticos do Centro Hospitalar do Porto E.P.E. - Instrução de Trabalho IT.SFAR.GER.026/1 - Gestão do armazém avançado da Unidade de Farmácia Oncológica; 37. Despacho n.o 13382/2012, de 4 de outubro - Determina que a prescrição de medicamentos, para dispensa em regime de ambulatório pelas farmácias hospitalares, é obrigatoriamente realizada através de sistemas de prescrição eletrónica; 38. Serviços Farmacêuticos do Centro Hospitalar do Porto E.P.E. - Instrução de Trabalho IT.SFAR.GER.056/2 – Receitas Externas ao Hospital; 39. Serviços Farmacêuticos do Centro Hospitalar do Porto E.P.E. - Instrução de Trabalho IT.SFAR.GER.054/1 – Orientações para a dispensa de medicamentos na Farmácia de Ambulatório; 40. Decreto-Lei n.o 206/2000, de 1 de Setembro - Dispensa de medicamentos pela farmácia hospitalar por razões objetivas; 41. Serviços Farmacêuticos do Centro Hospitalar do Porto E.P.E. - Instrução de Trabalho IT.SFAR.GER.023/1 – Devolução de medicamentos; 42. Despacho Conjunto dos Gabinetes dos Secretários de Estado Adjunto do Ministro da Saúde, de 30 de dezembro de 1991; 43. Serviços Farmacêuticos do Centro Hospitalar do Porto E.P.E. - Instrução de Trabalho IT.SFAR.GER.102/1 - Validação e Monotorização da prescrição Médica DID; 44. Serviços Farmacêuticos do Centro Hospitalar do Porto E.P.E. - Instrução de Trabalho IT.SFAR.GER.111/1 - Gestão de Faltas de Medicação e Prescrições Urgentes; 45. Serviços Farmacêuticos do Centro Hospitalar do Porto E.P.E. - Instrução de Trabalho IT.SFAR.GER.112/1 - Gestão da Normalização; 46. Pharmapick: Caracteristicas, vantagens e benefícios. Acessível em: http://www.slidelog.pt/pharmapick.eu/pharmapick_PT. [acedido em 24 de agosto de 2015]; 47. Serviços Farmacêuticos do Centro Hospitalar do Porto E.P.E. - Instrução de Trabalho IT.SFAR.GER.106/1 - Transporte e Entrega de Medicamentos e Produtos Farmacêuticos da DID; 48. Serviços Farmacêuticos do Centro Hospitalar do Porto E.P.E. - Instrução de Trabalho IT.SFAR.GER051/1 - Resposta a pedidos de informação sobre medicamentos;
34 Relatório de Estágio Profissionalizante 49. Serviços Farmacêuticos do Centro Hospitalar do Porto E.P.E. - Instrução de Trabalho IT.SFAR.GER.067/2 - Distribuição Clássica de Medicamentos; 50. Serviços Farmacêuticos do Centro Hospitalar do Porto E.P.E. - Instrução de Trabalho IT.SFAR.GER.075/3 - Acondicionamento e Transporte de Medicamentos/Produtos Farmacêuticos; 51. INFARMED (2010). Saiba mais sobre Psicotrópicos e Estupefacientes. 52. Serviços Farmacêuticos do Centro Hospitalar do Porto E.P.E. - Instrução de Trabalho IT.SFAR.GER.105/1 - Aviamento de Medicamentos e Produtos Farmacêuticos em Dose Unitária; 53. INFARMED: Formulário Hospitalar Nacional de Medicamentos - Medicamentos usados no tratamento de intoxicações. Acessível em: https://www.infarmed.pt/formulario/navegacao.php?paiid=286. [acedido em 25 de agosto de 2015]; 54 Centro Hospitalar do Porto (2010). Guia de Boas Práticas Em Investigação Clínica; 55. Infarmed: Ensaios Clínicos. Acessível em: http://www.infarmed.pt/portal/page/portal/INFARMED/MEDICAMENTOS_USO_HU MANO/ENSAIOS_CLINICOS. [acedido em 24 de agosto de 2015]; 56. Almeida T (2010). Implementação e Actividade de Uma Unidade de Ensaios Clínicos Nos Serviços Farmacêuticos de Um Hospital Central Universitário; 57. Serviços Farmacêuticos do Centro Hospitalar do Porto, E.P.E. - Manual dos Serviços Farmacêuticos MA.SFAR.GER.003/1 – Ensaios clínicos; 58. Clinitec: IVRS/IWRS. Acessível em: http://www.clinitec.com.au/ivrs_iwrs.html. [acedido em 24 de agosto de 2015]; 59. Gregory RE, Ettinger DS (1998) 5-HT3 receptor antagonists for the prevention of chemotherapy-induced nausea and vomiting. A comparison of their pharmacology and clinical efficacy. Drugs; 55: 173-89; 60. Formulário Hospitalar Nacional do Medicamento: Medicamentos neoplásicos e imunomodeladores. Acessível em: https://www.infarmed.pt/formulario/formulario.pdf [acedido em 16 de julho de 2015]; 61. US Food and Drug Administration: ANZEMET® Tablets. Acessível em: http://www.accessdata.fda.gov/drugsatfda_docs/label/2013/020623s010lbl.pdf,0206 24s023lbl.pdf. [acedido em 26 de agosto de 2015]; 62. Navari RM (2015). 5-HT3 receptors as important mediators of nausea and vomiting due to chemotherapy. Biochim Biophys Acta.
35 Relatório de Estágio Profissionalizante Anexo I – Organigrama do CHP Figura 2 - Organização do Centro Hospitalar do Porto4
36 Relatório de Estágio Profissionalizante Anexo II – Circuito do Medicamento Figura 3 - Circuito do Medicamento. Adaptado de6
37 Relatório de Estágio Profissionalizante Anexo III – Sistema Kanban Figura 4 - Exemplos de Kanbans
44 Relatório de Estágio Profissionalizante Anexo X – Requisição de Medicamentos Estupefacientes e Psicotrópicos Figura 11 - Impresso modelo n.º 1509 da INCM - Requisição de Estupefacientes e Psicotrópicos e respetiva Guia de Tratamento
45 Relatório de Estágio Profissionalizante Anexo XI – Prescrição de Medicação Experimental Figura 12 - Impresso de Prescrição de Medicação Experimental
46 Relatório de Estágio Profissionalizante Anexo XII – Base de Dados de Empréstimos Figura 13 - Empréstimos Concedidos Figura 14 - Empréstimos Obtidos
47 Relatório de Estágio Profissionalizante Figura 15 - Guia de Remessa Figura 16 - Etiqueta
48 Relatório de Estágio Profissionalizante Anexo XIII – Índice de Ambulatório Figura 17 – Exemplo ilustrativo do Índice de Ambulatório
49 Relatório de Estágio Profissionalizante Anexo XIV – Caso Clínico: Sinal de Trousseau Figura 18 - Pesquisa sobre o Sinal de Trousseau
50 Anexo XV – Inibidores dos Recetores da 5-HT3 Tabela 3 - Ondasentron - Forma Farmacêutica, Via de Administração, Indicações Terapêuticas e Posologia Fármaco Forma Farmacêutica Via de Administração Indicações Terapêuticas Posologia Ondasentron Solução Injetável Intravenosa (IV) Intramuscular (IM) Controlo das náuseas e vómitos induzidos pela quimioterapia e radioterapia ADULTOS: Quimioterapia e Radioterapia emetogénica: - 8 mg por injeção IV lenta ou como perfusão IV de curta duração durante 15 minutos, antes do tratamento; Quimioterapia e Radioterapia bastante emetogénica: - Dose única de 8 mg por injeção IV lenta imediatamente antes da quimioterapia; - 8 mg por injeção IV lenta ou como perfusão IV de curta duração durante 15 minutos, imediatamente antes da quimioterapia, seguida por outras duas administrações intravenosas de 8 mg com intervalo de 2 a 4 horas, ou por uma perfusão constante de 1 mg/hora durante 24 horas; - Dose única de 32 mg diluídas em 50-100ml de soro fisiológico ou outro diluente para perfusão compatível e perfundida em não menos de 15 minutos, imediatamente antes da quimioterapia.
51 PEDIATRIA: - 5 mg/m2 ou 0,15 mg/Kg , via IV durante 15 minutos, imediatamente antes da quimioterapia. Prevenção das náuseas e vómitos pósoperatório ADULTOS: - Dose única de 4 mg por via IV, durante a indução da anestesia. PEDIATRIA: - Injeção IV lenta, numa dose de 0,1 mg/Kg até um máximo de 4 mg, antes, durante ou depois da indução da anestesia. Comprimido Oral Controlo de náuseas e vómitos causados pela quimioterapia ou radioterapia ADULTOS: - 8 mg 1 a 2 horas antes do tratamento, seguido de 8 mg após 12 horas: Para evitar emése prolongada ou atrasada após as primeiras 24 horas, o tratamento oral com Ondasetron pode ser continuado por mais 5 dias (8 mg, 2 vezes ao dia). PEDIATRIA: - 4 mg, por via oral, 12 horas depois da quimioterapia. O tratamento deve ser continuado 5 dias, com base na área corporal: 0,6 - 1,2 m2: 4 mg, 3 vezes ao dia; >1,2 m2: 8 mg, 3 vezes ao dia.
52 Prevenção de náuseas e vómitos no pósoperatório ADULTOS: - 16 mg, 1 hora antes da anestesia. Alternativa: 8 mg 1 hora antes da anestesia, seguido por mais duas administrações de 8 mg em intervalos de 8 horas. Tabela 4 – Granisetron: Forma Farmacêutica, Via de Administração, Indicações Terapêuticas e Posologia Fármaco Forma Farmacêutica Via de Administração Indicações Terapêutica Posologia Granisetron Solução injetável ou para perfusão Intravenosa (IV) Prevenção ou tratamento de náuseas e vómitos induzidos pela quimioterapia ou radioterapia, em adultos e crianças a partir dos 2 anos de idade ADULTOS: - Bólus IV, durante, pelo menos 30 segundos, diluída em solvente de perfusão compatível, ou diluído em 20 a 50 mL de solução de perfusão e administrada durante 5 minutos. PEDIATRIA: - Perfusão IV em dose única de 20 a 40 µg/kg de peso corporal (até 3 mg), diluída em 10 a 30 mL de solução de perfusão compatível e administrada durante 5 minutos, antes do início da terapêutica citostática.
53 Tabela 5 - Dolasetron e Palonosetron: Forma Farmacêutica, Via de Administração, Indicações Terapêuticas e Posologia Fármaco Forma Farmacêutica Via de Administração Indicações Terapêutica Posologia Dolasetron Comprimido Oral Prevenção de náuseas e vómitos associadas com quimioterapia moderadamente emetogénica. ADULTOS: - 100 mg, 1 hora antes da quimioterapia. PEDIATRIA: - 1,8 mg/kg 1 hora antes da quimioterapia. Palonosetron Solução Injetável Capsula Intravenosa (IV) Oral Prevenção ou tratamento de náuseas e vómitos induzidos pela quimioterapia ou radioterapia, em adultos e crianças a partir do 1º mês de idade. ADULTOS: - 250 µg, num único bólus IV, 30 minutos antes da quimioterapia; - 1 Cápsula de 500 µg 1 hora antes da quimioterapia. PEDIATRIA: - 20 µg/Kg, durante 15 minutos, 30 minutos antes da quimioterapia. Não deve exceder os 1500 µg.