O crescimento da economia portuguesa, após a adesão à CEE: análise do contributo do investimento em i&d
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O CRESCIMENTO DA ECONOMIA PORTUGUESA, APÓS A ADESÃO À CEE: ANÁLISE DO CONTRIBUTO DO INVESTIMENTO EM I&D por Elsa Ivone Pires de Dias Marques Dissertação de Mestrado em Economia e Gestão da Inovação Faculdade de Economia, Universidade do Porto Or ientado por: Óscar João Ataná zio Afon so Setembro, 201 4
ii Nota Biográfica Elsa Ivone Pires de Dias Marques nasceu a 14 de Setembro de 1988 na cidade do Porto. Foi estudante da Universidade de Aveiro, no Departamento de Economia, Gestão e Engenharia Industri al, tendo concluído a sua licenciatura em Gestão e Planeamento em Turismo em Setembro de 2010. Após a sua conclusão, de forma a adquirir mais conhecimentos nas áreas de interesse, em 2011 iniciou o Mestrado em Economia e Gestão da Inovação na Faculdade de Economia do Porto, procurando especialização nas áreas de Crescimento Económico e Inovação. A nível profissional, Elsa foi Agente de Viagens numa loja Geostar, na empresa RASO – Viagens e Turismo, S.A, desde Novembro de 2010 até Outubro de 2011. Desde entã o a Elsa assumiu funções de gestão de processos de viagens, na empresa Sonae Center Serviços II, integrando numa equipa de suporte ao negócio das lojas Geostar.
iii Agradecimentos Apesa r da sua simplicidade, esta dissertação dificilmente teria sido possível sem a colaboração dos que me rodeiam. Deixo algumas palavras de sincero agradecimento. Primeiramente, tenho de prestar o meu mais profund o agr a decimento ao meu orientador, o professor Óscar Afonso, por ter identificado potencial num trabalho realizado no â mbito da disciplina de C r escimento Económico e ter sugerido o des e nvolvimento do tema. O professor disponibilizou - se de imediato para ser o meu orientador neste trabalho e, sempre que possível, esteve disponível para me ajudar. O professor Óscar foi uma ve rdadeira referencia para mim e é um profissional que admiro. Gostaria, igualmente, de prestar o meu mais sincero agradecimento ao Alexandre Almeida que abraçou este trabalho sem hesitação, tendo sido a pessoa que me ajudou na elaboração dos modelos de regr essão, tendo dado uma breve formação sobre o programa e todas as dicas para a melhor e mais correta apresentação e análise dos resultados. Igualmente todo o seu apoio incansável para ajudar a terminar este trabalho. Agradeço toda a ajuda, a paciênci a, o tempo investido, os conselhos valiosos partilhados e todo o carinho na minha co - orientação informal pelo simples gosto de ajudar e ensinar. A todos os professores do Mestrado em Economia e Gestão da Inovação pelo que me ensinaram. De uma forma ou de o utra, o seu saber transmitido nas aulas foi incorporado, possibilitando dar forma a este trabalho. Numa perspectiva mais pessoal, agradeço à minha família que, apesar do tempo que não estive tão disponível, à sua maneira sempre me apoiaram, acreditaram, m otivaram e deram força para continuar e vencer as dificuldades e dúvidas. Presto o meu agradecimento a uma pessoa muito especial, Ricardo, por toda a motivação, conselhos, orientação e carinho. Sem ele e sem o seu apoio, não teria evoluído e vingado profi ssional e pessoalmente, tal como tem sido até hoje e não teria conseguido completar esta tese da mesma forma. Por fim, agradeço também ao meu amigo José Braga por acreditar neste tema que propus no âmbito da disc iplina de crescimento económico, a ssim como agradeço ao Eviews
iv meu amigo Carlos Estevão pelas lembranças e por toda a ajuda nas burocracias envolvidas. I&D: Investigação e desenvolvimento. OCDE: Organização de Cooperação e Desenvolvimento Económico. PD: País desenvolvido. PIB: P roduto interno bruto. PTF: Produtividade total dos factores. CEE: Comunidade Económica Europeia. UE: União Europeia. FBCF: Formação Bruta de Capital Fixo. GERD: Investimento em Investigação e Desenvolvimento. pp: Pontos percentuais. Abreviaturas utilizadas
v Resumo O objetiv o desta dissertação foi analisar, para um país de periferia europeia, Portugal, o contributo do investimento em Investigação e Desenvolvimento (I&D) para a dinâmica do crescimento económico, no período pós adesão à Comunidade Económica Europeia (CEE); i.e. , pós 1986. Realizou - se uma revisão da literatura relacionada com a evolução do contributo da inovação e da contabilidade, e com o impacto da produtividade total dos fatores na contabilidade do crescimento. Consideraram - se as seguintes variáveis para análi se: “Produto Interno Bruto (PIB)”, “População Ativa”, “Importações”,” Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF)”, “Despesa em I&D”, “Despesa do estado em Educação”, “Taxa de investimento total”, “Número de Publicações Científicas”, “Número de Alunos matriculad os no Ensino Superior” e “Patentes”, por se se entender serem cruciais na determinação do contributo do investimento em I&D para Portugal. Recorreu - se ao método (OLS), utilizando a modelação Hicks - neutral (partindo - se do pressuposto de que o progresso tecnológico melhora a produtividade de ambos os fatores) para elaboração dos modelos de regressão de forma a determinar o impacto das variáveis acima referidas no aumento da produtividade e, assim, para o crescimento económico do país. O investimento em I&D (0,039669%), as importações (0,1455%), a FBCF (0,113732%), o investimento total (0,06272%), a despesa do Estado em educação (0,075634%) e o número de alunos no ensino superior (0,07575%), revelaram um impacto positivo por cada aumento em um ponto percentual no crescimento económico. Os resultados do estudo revelam que o investimento em I&D representa um forte contributo para o crescimento económico em Portugal desde a sua integração na CEE. Crescimento económico; Con tabilidade do crescimento; I&D; PTF; Conhecimento tecnológico; Inovação ordinary least squares Palavras - Chave:
vi Abstract This dissertation aimed to analyze , for a country of the European periphery , Portugal , the contribution of investment in R & D for dynamic economic growth in the period post European Economic Community (EEC) integration , i.e., post 1986. A thorough literature review on the development of innovation and growth , and on the impact of the total factor productivity (TFP) growth accounting for the economic growth of countries, was c onducted . The following variables were considered: "Gross Domestic Product( GDP)", " Active Population", " Imports", " Gross Fixed Capital Formation ( GFCF)", " Expenditure on R & D ", " Expense of the state in education ", " Rate total investment " ," number of Sci entific Publications " ," number of students enrolled in higher education " and" Patent " , which are understood to be crucial in determining the contribution of investment in R & D in Portugal after joining the EEC . The (OLS) technique and Hicks - neutral modelation, (supposing that technological progress improve both factors productivity) were used for development of regression models to determine the impact of the above variables in increasing productivity and thus to economic growth. T he regression models determined the impact of the above variables for economic growth and increased productivity of the country . The investment in R & D (0,039669%) , imports (0,1455%) , gross fixed capital formation (0,113732%) , total investment (0,06272%) , government expenditure on education (0,075634%) and the number of students in higher education (0,07575%) showed a positive impact for every one percentage point increase in economic growth . This seems to indicate that investment in R & D is a strong cont ribution to economic growth in Portugal since its integration into the EEC . Economic Growth; Economic Accounting; R&D; FTP; Technology knowledge; Innovation ordinary least squares Keywords:
vii Índice Nota Biográfica ................................ ................................ ................................ ...................... ii Agradecimentos ................................ ................................ ................................ .................... iii Abreviaturas utilizadas ................................ ................................ ................................ ......... iv Resumo ................................ ................................ ................................ ................................ ... v Abstract ................................ ................................ ................................ ................................ . vi Índice ................................ ................................ ................................ ................................ .... vii Índice de Tabelas ................................ ................................ ................................ ................ viii Introdução ................................ ................................ ................................ .............................. 1 I. Revisão de literatura: o estado da arte ................................ ................................ .............. 5 I.1. Modelos de crescimento eco nómico à la Solow e subsequentes ............................. 5 I.2. Estudos empíricos que revelam a importância do conhecimento tecnologico para o crescimento ................................ ................................ ................................ ................... 11 II. Dados e Metodologia ................................ ................................ ................................ ...... 23 II.1. O modelo base ................................ ................................ ................................ ......... 23 II.2. Descrição da Amostra ................................ ................................ ............................. 24 II.3. Correlações ................................ ................................ ................................ ............... 29 II.4. Modelos de Regressão ................................ ................................ ............................. 31 III. Resultados ................................ ................................ ................................ ...................... 34 IV. Conclusão ................................ ................................ ................................ ...................... 41 Referências Bibliográficas ................................ ................................ ................................ .. 44 Extras ................................ ................................ ................................ ................................ .... 48 Anexo 1 ................................ ................................ ................................ ................................ 49 Anexo 2 ................................ ................................ ................................ ................................ 49
viii Índice de Tabelas Tabela 1. Estudos de um só país ................................ ................................ ......................... 16 Tabela 2. Estudos de conjuntos ................................ ................................ .......................... 18 Tabela 3. Descrição das variáveis ................................ ................................ ...................... 25 Tabela 4. Descrição das variáveis ................................ ................................ ...................... 27 Tabela 5. Correlações ................................ ................................ ................................ .......... 30 Tabela 6. Modelos para estimação do PIB ................................ ................................ ........ 36 Tabela 7. Modelos para estimação do PIB ................................ ................................ ........ 38 Tabela 8. Modelos para estimação de (i.e., do progresso técnico) ............................... 40 A
1 Introdução Tecnicamente a Inovação tem impacto no crescimento económico desde 1957, quando Robert Solow considerou na sua função de produção neoclássica o termo como sendo neutro e independente, a que atribuiu o conceito de “alterações técnicas” (So low, 1957). Hoje é usual chamar - se a esta variável de progresso técnico. O impacto desse termo no crescimento, embora reconhecido, tem sido alvo de estudo, crítica e interesse de vários autores ao longo das últimas décadas. Um conjunto significativo de a utores procurou explicar e quantificar a influência da inovação no crescimento económico de um país ou região e determinar os fatores associados à existência de Progresso Técnico. A tecnologia, por definição, corresponde à forma como os fatores ( ) sã o transformados em produção ( ), ou seja, a tecnologia tem a ver com a função produção. Em particular, o termo da usual função produção – que será referido ao longo do trabalho, com o nível do conhecimento tecnológico ou o progresso técnico – resulta das inovações obtidas por via das atividades de I&D . Em seguimento d esta linha de pensamento, será também, considerada no estudo , a importância do nível de educação e o investimento na mesma. Podemos pois afirmar que a Teoria do Crescimento Endógeno, ou a Nova Teoria do Crescimento Económico, desenvolvida a partir da segunda metade da década de 1980, veio lançar uma nova luz sobre os mecanismos que governam a dinâmica de longo prazo das economias avançadas. Até ao surgimento dos trabalhos seminais de auto res como Paul Romer (1986; 1990) e Robert Lucas (1988), o pensamento teórico sobre os determinantes do crescimento secular das economias desenvolvidas assentava no postulado da Economia Clássica sobre a acumulação de fatores produtivos, nomeadamente o trab alho e o capital físico. Contrariando este cará c ter exógeno , atribuído ao motor do crescimento económico moderno, os pioneiros da Nova Teoria do Crescimento desenvolveram modelos nos quais, sob um enquadramento neoclássico de equilíbrio geral dinâmico, um a economia é conduzida a uma trajetória de crescimento equilibrado por mecanismos internos ao seu próprio sistema económico. A A inputs output A
8 2 a = e f O progresso do conhecimento tecnológico é representado pela variável e pode ser introduzido na forma F( , ) conhecido como Hicks - Neutral; F( , ) denominado Solow - Neutral; ou F( , ) considerado Harrod - Neutral. Hicks - Neutral – O progresso tecnológica gera incrementos de produtividade dos fatores capital ( ) e do trabalho ( ) . Solow - Neutral – Capital - augmenting – Q uanto maior for o nível de conhecimento tecnológico , maior é a produtividade do capital . Harrod - Neutral – Labour - augmenting – Uma unidade de trabalho é tanto mais produtiva quanto maior for o nível de conhecimento t ecnológico. Considerando , por exemplo, o caso de uma função produção com progresso tecnológico Hicks neural, o avanço da tecnologia traduzir - se - ia num impacto generalizado na produtividade dos fatores de produção. Neste caso, a função produção seria dada p ela equação (8). = ( , ) ( 8 ) Resolvendo o modelo para o equilíbrio de longo prazo, a economia tenderá para um estado estacionário em que o racio capital - trabalhador eficiente não se altera , mas em o produto , cresce à taxa positiv a e exógena do progresso tecnológico. ( 9 ) é exógeno Ainda que emulasse satisfatoriamente a dinâmica de transição para o estado estacionário das economias avançadas, no longo prazo (i.e., no estado estacionário) o crescimento no modelo de Solow dependia crucialmente de um progresso tecnológico No estado estacionário A A K L AK L K AL K L Y AF K L per capita 2
9 que era como “maná caído do céu” (Audretsch, 2007). Ou seja, as extensões permaneciam incapazes de explicar o crescime nto económico no longo p razo , carecendo d e análise aos mecanismos subjacentes à inovação tecnológica, justificativa d o crescimento da produtividade no longo prazo. Por outras palavras, a s extensões continua va m a não explicar o progresso tecnológico e, por conseguinte, o cresci me n to económico de longo prazo ( salvo por pressupostos puramente exógenos ) . No início dos anos 80, Romer (1987) e Lucas (1988) reacen deram o interesse dos macroecono mistas pelo crescimento económico, enfatizando a economia das “ideias” (relacionada com o conh ecimento tecnológico) e do “capital humano” (conhecimento tecnológico incorporado nos indivíduos). Nestes modelos, o progresso técnico é endogeneizado pelo abandono do pressuposto de concorrência perfeita em todos os mercados, criando o i ncenti vo à produçã o de conheci m ento e à inovação com o for ma de diferenciação e de obtenção de poder de mercado (lucros positivos). Dessa forma, criou - se o incentiv o à prossecução privada de inve s t imento tendente à produção de conh ecimento, explican do - se o progresso tecnológ ico. O caráter endógeno do crescimento, em particular nos trabalhos seminais de Romer (1986, 1990), assenta pois numa novidade na literatura , no que diz respeito à modelização do crescimento económico: o conhecimento é introduzido na função de produção agr egada como um fator produtivo, a par do trabalho e do capital físico, ainda que com cara c terísticas bastante diferentes. Propondo um modelo estruturado em três setores de atividade: o setor de produção (competitivo), o setor do capital (imperfeito) e o set or de I&D (Afonso, 2011) , Romer (1990) endógeneizou o progresso tecnológico . Este materializa - se na expansão contínua das variedades dos fatores produtivos , prosseguindo uma lógica horizontal, isto é, conduz para mais variedades de máquinas e/ou bens inter médios que são diferentes entre si. Essa expansão contínua permite contrariar os efeitos da lei das produtividades marginais decrescentes, gerando crescimento positivo no longo prazo . No fundo, o progresso tecnológico é endogeneizado pela assunção de conco rrência monop olística na produção de fatores , que é capaz de explicar o incentivo privado para o inve stime nto no progresso tecnológico e, assim , explicar o crescime nto econ ómico.
10 Alternativamente a essa modelização, alguns autores propuseram mod elos de “m elhoria da qualidade” ao invés de expansão de variedades, como forma de explicar o aumento da produtividade dos fatores e , assim , explicar o cre sci m e nto económico. Nesses modelos enquadra - se o de Aghion e Howitt (1992). Ou seja, nos modelos do tipo vertica l, a relevância não é acrescentar variedades, mas sim investir na qualidade, de modo a incrementar o conhecimento e, por sua vez, a especialização , com o objetivo de que a produção cresça a taxas positiva s . N estes modelos existe então uma melhoria n a produ ção de bens intermédios, que é utilizada na produção dos bens finais. Trata - se de modelar as melhorias do processo de produção a nível de um sector, considerando que existe obsolescência tecnológica, na linha do processo de criação destruidora de Schumpete r (1946). De forma comum a ambas as correntes, n a endo geneização do progresso tecnológico importa a criação de incentivos privados ao desenvolvimento de atividades tendentes ao p r ogresso tecnológico. O conhecimento apresenta características de não rivalida de e de não exclusão. Desta forma, o esforço necessário à produção de conhecimento e à criação de progresso tecnológico não seria totalmente apropriável p elo investidor. Tal retira - lhe algum incentivo económico a esse investimento. Alternativamente, import a regular de forma a modifi car as características de bem pú blico do conhecimento, através da exclusão do seu uso (ou parcialmente não - exclusivo). O conhecimento tecnológico que permite a produção de um novo (ou melhor) fator de produção pertence ao seu inv entor que suportou o custo da I&D e que solicita essa exclusividade , por exemplo , através de um sistema de patentes. Assim, importa condicionar a não exclusão por via de regulação , abandona n do - se o pressuposto de concorrência perfeita para que o investido r em conhecim e nto possa ter rendas de concorrência monopol í stica e , assim , se criar o incentivo privado a investir em progresso tecnológico . Apesar disso, o impacto do progresso tecnológico extravasa os benefícios obtidos pelo investido em função dos que gera. Este aspeto evidenciou, com base nas conclusões do modelos de Romer (1990) e de A ghion e Howitt (1992) , a pertinência d o investimento e da intervenção p ú blica neste mercado , visando aumentar o investimento em I&D e induzi n do o crescente enf oque da política na inovação , n a generalidade do s países da OCDE. spill overs
11 I . 2. Estudos empíricos que revela m a importância do conhecimento tecnologico para o crescimento A evolução da literatura do crescimento económico de cariz teórico foi acompanhada por traba lhos empíricos que procuraram testar e elevar diferentes hipóteses expli cativas das dinâmicas de cresci m e nto económico , enquadrando - se num domínio da literatura de carí z aplicado associado à contabilidade do cre s c ime nto. A este respeito , Solow (1957) defi ne um modelo de contabilidade de crescimento para medir a contribuição dos três componentes básicos : crescimento do capital, crescimento do trabalho e progresso do conhecimento tecnológico. Ao contrário dos indicadores de produtividade, a abordagem da con tabilidade do crescimento é mais focada na determinação da despesa nos de inovação do que nos (Hall, 2011). A contabilidade do crescimento é baseada na ideia de que o verificado numa sociedade é resultado da combinação de vários – fatores de produção. (Clark, 2009) Segundo Clark (2009) existem somente duas formas de aumentar a produção em qualquer sociedade, sendo a primeira através do aumento da produção ou do capital em relação ao número de trabalhadores (a partir d o mecanismo de acumulação de capital) e a segunda baseia - se em melhorias no processo produtivo, de forma a que cada possa resultar em mais (refer indo - se à eficiência da produtividade total dos fatores , PTF ). As melhorias no processo produtivo podem ser verificadas ao nível da formação da mão - de - obra, ao nível político, legal, institucional, financeiro, aquisição de nova maquinaria ou de mais conhecimento. O objetivo determinar o contributo de cada fator para o crescimento económico. O mét odo exposto por Clark (2009) é baseado na cuja taxa de crescimento do PIB é determinada por três fatores: a taxa de crescimento do capital, a taxa de crescimento da produção (trabalho) e a taxa de crescimento d o conhecimento tecnológico . No entanto, cumpre referir que ao longo de décadas de debate sobre os fatores explicativos do crescimento económico, foi - se assistindo à florescência de artigos empíricos que procuram contribuior para esse debate. inputs output output input per capita input output input Equação Fundamental do Crescimento per capita
12 Primeiramente Kuznets (1966) procurou explicar o c rescimento econó mico mode r no, salientando as altas taxas de crescimento e mudança na alocação de recursos, através da substituição da tecnologia existente e adquirida por outra mais moderna em todas os setores. Como pri n cipal conclusão deste estudo, Kuznets conseguiu verificar elevadas taxas de crescimento devidas à modernização d a agricultura, ao processamento de comida, ao transporte e à distribuição. Blackorby e Shworm (1982) propuseram um modelo de crescimento agrega do, recorrendo a um ajustamento do modelo de custos do investimento. Já em 1984, estes auto res realizaram outro estudo emp írico, analisando dados referentes a Inglaterra, em que tentaram estimar funções de produção agregadas sem pressupor a existência de t ecnologia agregada. Os autores verificaram a possibilidade da estimação de funções de produção agregadas sem pressupor a ex istência de tecnologia agregada. Por sua vez, num estudo de 1988, pretenderam testar condições para agregado e condições simil ares para trabalho agregado. Numa perspetiva diferente, Krueger (1999) considera questões conceptuais e práticas que surgem da estimação do contributo do trabalho na renda nacional (preço do capital). Dos resultados verificados, concluiu - se que com o aumen to de fundos da compra de ações e das pensões dos funcionários e o aumento da remuneração dos executivos, o trabalho e o capital já não se dividem tão nitidamente em 2 categorias exclusivas. O autor sugere a valorização da melhoria da medição da do t rabalho e a divisão de categorias alternativas para mais funcionais. Nos anos 90, Chirinko (1993) propôs verificar as 4 questões dos modelos empíricos com dinâmica implícita: consistência do modelo teórico, características da tecnologia, tratamento das expectativas e impacto da despesa no investimento nos preços, quantidades e choques que afetam a especificação econométrica. O resultado verificado refere - se ao facto da despesa no investimento ser o principal contributo para as flutuações agregadas, p ermitindo a redução no crescimento a longo prazo nas economias industrializadas. Os resultados deste estudo sugerem que o desemprego é atribuído à despesa do investimento anémica. Neste mesmo ano, Blaug (1993) elabora uma revisão de litera tura e de metodol ogia económica, sugerindo uma avaliação metódica do modelo neoclássico. Da output share shares
13 análise elaborada, o autor sugere que o retorno de uma função de distribuição pode ser explicada pela simples invocação dos princípios da produtividade marginal. Em 1995, Young docu mentou o papel fundamental desempenhado pela acumulação de fatores como explicação do extraordinário crescimento no período pós - guerra. Neste estudo o autor verificou que as taxas de participação, os níveis educacionais e a taxa de investimento subiram ra p idamente em Hong Kong, Singapura, Coreia do Sul e Taiwan.Verificou - se grandes realocações setoriais do trabalho agrícula e de fabrico. De um ponto de vista mais prático, Basu e Fernald (1997) estimar am o crescimento económico com elevada agregação. O traba lho realizado consistiu na estimação de rendimentos decrescentes, usando valor acrescentado para diferenciar substancialmente a partir da produção bruta. Nas 34 indústrias do setor privado dos Estados Unidos da América analisadas, verificou - se que a estima ção dos rendimentos à escala variam entre indústrias, relativamente à desagregação. Os resultados contrastaram com os resultados agregados ao nível do fabrico do setor privado. Numa perspetiva do impacto do setor público, Felipe (2001) verificou a questão da quantificação do efeito da despesa do Estado no output do se tor privado e na produtividade. O autor verificou que, para os países da OECD , a pr oblemática não é econométrica, mas sim metodológica. O mesmo refere que as regressões anteriores não tiveram em conta a possibilidade de endogeneidade, sugerindo que uma função de produção agregada não pode ser usada diretamente para medir a produtividade de uma infraestrutura. No entanto, este tipo de exercício não suporta implicações políticas. Numa vertente ma is interessada na tecnologia e seu impacto para o crescimento económico, Gullec e van Pottelsberghe de la Potterie (2001) estimam o contributo da tecnologia para a PTF , identificando as principais fontes de tecnologia e negócios de I&D públicos e privados e quantificando o impacto do conhecimento no . Os autores sugerem que a tecnologia (especialmente tecnologia de informação) tem um contributo substancial para a malhoria da produtividade das empresas. Os prinicpais resultados deste estudo empírico co nsistem na valorização da contribuição dos negócios com tecnologia para o aumento da produtividade, salientando a importância dos fluxos estrangeiros de tecnologia. Conclui - se que a contribuição do governo e das universidad es tem um impacto positivo n a pro dutividade, assim como n a capacidade de output
14 tecnologia por parte das empresas. Por fim referem a evolução das novas fontes de tecnologia, identificando os principais países que realçam estas fontes. Ho et al. (2002) estimam o impacto da I&D no crescimento eco nómico d a nova econom ia in dustrializada de Singapura. Os resultados do estudo revelaram um impacto positivo na PTF , tanto a curto como a longo prazo. Os autores explicam este impacto, relacionando o crescimento do PIB com a I&D e o de capital. O inve stimento em I&D revela um impacto positivo na PTF, revelando um equilibrio no longo prazo. Isso não significa somente o aumento d o nível de intensidade de I &D em S ingapura, mas também a exploração mais eficiente d est a atividade a nível nacional. Gollin (20 02), de um ponto de vista mais económico, questionou a noção de que o retorno das pode ser idêntico ao longo do tempo e do espaço. Os resultados sugerira m que a aproximação habitual subestimava o retorno do trabalho em pequenas empresas. Felipe e Fi sher (2003) salienta m problemas da agregação intransponíveis e suas implicações. No trabalho realizado, os autores referem que as condições de uma função de produção agregada, que podem ser derivadas de funções de microprodução, são muito rigorosas. Neste trabalho, a função de produção agregada é uma representação da tecnologia derivada de micro - relações ou é entendida como sendo uma aproximação para fins empíricos. Numa tenta t iva de demonstração de que as taxas de crescimento do poderiam ser mais el evadas , Taylor (2003) afirmou que a paridade do poder de aquisição (PPA) pode ser visto como uma combinação de paridade válida de longo prazo internacional, quando aplicado a taxas de câmbio bilaterais. O autor defende que a PPA era útil para assegurar qua ndo a taxa de depreciação de uma moeda é equivalente à inflação dos preços agregados. No ano seguinte Taylor, juntamente com Rada (2004) tenta demonstrar que as taxas de crescimento do salário, lucro, capital, trabalho e respetivas produtividades, com a co ntabilidade de crescimento adequada, podem convergir. Os autores referem uma relação entre e agregado. Conclui - se que o modelo de produtividade de Solow, utilizando a contabilidade apropriada, pode resultar em convergência. De modo a analisar os principais modelos de crescimento económico baseados em I&D em que a in ovação surge em setores de I&D , Ulku (2004) pretende verificar se stock shares output output input
15 estes permitem o crescimento económico sustentável com rendimentos constantes à escala em termos de I&D. Os resultad os sugerem uma relação p o sitiva entre o PIB e a inovação em todos os países. No entanto, o efeito da I&D é verificado somente nos países da OCDE. Estes resultados suportam o crescimento económico endógeno, não havendo evidências de rendimentos c onstantes a partir da I&D. Do ponto de vista de análise do impacto dos recursos humanos , Mamuneas et al. (2005) pretenderam estimar o impacto do capital humano para o crescimento económico. Consideram os contributos dos tradicionais (capital e traba lho) e do capital humano . Para a realização deste trabalho os autores utilizaram dados da contribuição do capital físico e do trabalho que variam entre países, não partindo do princípio que são constantes. A principal conclusão do estudo refere - se ao facto do índice da PTF depende do crescimento do capital humano. Numa análise das economias mais industrializadas, Musso (2006) tent ou verificar a desaceleração dessas economias, estimando a PTF , assumindo um compo rtamento de capital constante. O autor concluiu que a PTF tem impacto significativo no crescimento económico. Seguindo uma metodologia semelhante, Pessoa (2007) analisa a correlação entre o crescimento económico e a intensidade da I&D, medindo esta pela tecnologia. Os resultados do estudos não confirma m progresso tecnológico endógeno para países abaixo da fronteira tecnológica. No entanto, conclui - se que o investimento em I&D tem importância para a competividade económica. O autor conclui que, para estes estudos, é necessário considerar a complexidade e nvolvente do crescimento económico. Considerando a relação entre a inovação e a produtividade, o modelo desenvolvido por Corrado et al. (2006) torna - se relevante, uma vez que foi pioneiro na utilização da contabilidade do crescimento para a determinação da contribuição da inovação para o crescimento da produtividade. Em particular, o projeto de índice de inovação d a NESTA 3 (2009) quantifica a despesa em conhecimento e explica como o conhecim ento contribui para o crescimento. É reconhecido , por esta organiza ção , que o investimento no conhecimento (no relatório é considerado como ativo intangível) é, atualmente, superior relativamente ao invetimento em ativos tangíveis. Igualmente, é Organização sem fins lucrativos do Reino Unido que apoia projetos de inovação per capita inputs 3
16 concluido por NESTA (2009) que o contributo do conhecimento para o cresciment o atinge valores consideráveis. Em 2009, Clark (2009) verificou se o em qualquer sociedade seria produzido pela combinação de fatores de produção . N as economias mais desenvolvidas, verificou - se um maior investimento em capital físico. Já nas econom ias menos desenvolvidas, verificou - se mais população e maior necessidade de recursos e de capital. Num estudo mais recente, Kalio et al. (2012) tentam analisar a contabilidade do crescimento do Quénia. O objetivo do trabalho consistiu em verificar se o can al de crescimento seria a acumulação de fatores ou se seria o avanço tecnológico. A base do estudo assentou na avaliação das determinantes da PTF . Desta análise, para o período de 1971 a 1980 e de 2001 a 2003, verificou - se que a PTF explica o crescimento e conómico juntamente com a acumulação de capital . Para o período de 1981 a 1990 e de 1991 a 2000, a acumulação de capital explica, mas não a PTF . Esta revis ão de literatura procurou enumerar alguns dos artigos em píricos de contabilidade de cre s cime nto, evid enciando a necessidade de se prosseguir com novos trabalhos que contribuam para uma crescente com preensão das dinâmicas de cre s cime nto e dos seus fatores indutores de forma a otimizar a política económica. A s tabela s seguinte s resume m , de forma sintética, estes trabalhos. Observar a contabilidade do crescimento no Kenya. Verificar se o canal de crescimento é a acumulação de fatores ou se é o avanço tecnológico.Examinar determinantes da PTF. Kenya 1971 - 2003 De 1971 a 1980 e de 2001 a 2003, verifica - se que a PTF explica o crescimento económico juntamente com a acumulação de capital, mas não a mão de obra. De 1981 - 1990 e de 1991 - 2000 a acumulação de capital explicativa, mas não a PTF Medir contributo das atividades em I&D na produção a nível nacional.Verificar se a despesa em conhecimento contribui Reino Unido 1990’s - 2007 Investimento em conhecimento contribui para o crescimento económico do Reino Unido.O contributo do conhecimento para o outpu t Tabela 1 . Estudos de um só país Autor/ Ano Objetivo/Descrição Amostra Conclusões Kalio,A., Muntenyo, J, e Ownuor, G. (2012) NESTA (2009)
17 para o crescimento para melhorar o capital humano e a PTF. crescimento, cujo relatório chama de inovação, é considerável. Estimar o i mpacto da I&D no crescimento econ ómico numa nova economia industrializada. Singapura 1978 - 2001 Resultados revelam impacto positiva do investimento em I&D na PTF, estabelecendo um equilibrio no longo prazo. Considera questões conceptuais e práticas que surgem da estimação do contributo do trabalho na renda nacional (preço do capital) Inglaterra 1939 - 1979 Com o aumento de fundos da compra de ações e das pensões dos funcionários e o aumento da remuneração dos executivos, o trabalho e o capi tal já não se dividem tão nitidamente em 2 categorias exclusivas.Sugere a valorização da melhoria da medição da share do trabalho e a divisão de categorias alternativas para shares mais funcionais. Testar condições para out put agregado e condições similares para trabalho agregado. Inglaterra Em todas as empresas é requerida a existência de agregação para cada uma individualmente. Estimação de funções de produção agregadas sem pressupor a exis tência de tecnologia agregada. Inglaterra O uso de capital agregado sem implicações de substituição restritas como formulação alternativa dos rendimentos constantes. Propõe modelo agregado com ajustamento do modelo de custo s do investimento. Inglaterra Com ajustamento do modelo de custo, o custo marginal de aquisição de capital aumenta com a taxa de investimento. Fonte: Elaboração própria Ho,Y., Wong, P, e Toh, M (2002) Krueger, A. (1999) Blackorby,C. e Shworm,W. (1988) Blackorby,C. e Shworm,W. (1984) Blackorby,C. e Shworm,W. (1982)
24 A elasticidade constante d etermina o peso do capital na produção e (1 – ) determina o peso do trabalho na produção . Ne ste trabalho, vamos procurar medir o impacto do esforço tecnológico próprio na taxa de cresci me nto económico. Assim, usando a equação fundamental, e logaritmizando a função, deduzimos a dinâmica do modelo : ln = ln + a ln + (1 - a) ln (11 ) A função logaritmizada é então derivada em ordem ao tempo para obter a taxa de crescimento. (12 ) Por conseguinte, resulta então que a taxa de crescimento do progresso tecnológico é : (13 ) Da equação (12 ) obtemos que a taxa de crescim e n t o da economia é o somatório da taxa de crescim e nto do progresso tecnológico e das taxas de cres c imento do fator capital e do fator trabalho, estes últimos ponderados pelas respectivas elastic idades. Com base nesta equação e numa amostra para Portugal, vamos procurar estimar o contributo do investimento em I&D para o crescimento económico. Como referido, o objeto deste trabalho prende - se com a avaliação do impacto q ue o esforço tenológico próprio de Portugal, nomeadamente, através de investimento em I&D tem sobre a taxa de crescimento económico. Embora seja esta a relação fundamental, as capacidades acumuladas de I&D são apenas um dos vértices de progresso tecnológic o. Assim, para além das variáveis dos elementos da equação fundamental da contabilidade do crescimento (taxa de cres cime nto do PIB, taxa de crescimento do capital medido pela FBCF ou pelo investimento total , e taxa de a a Y A K L proxy II .2. Descrição da Amostra
25 crescimento da população ativa), incluímos um conjunto adicional de variáveis de controlo (taxa de crescimento das importações, taxa de crescimento da despesa do Estado em educação, taxa de crescimento do número de alunos no ensino superior, taxa de crescimento das patentes e a taxa de c rescimento das publicações). Foram recolhidos dados secundários e quantitativos do do INE (Instituto Nacional de Estatística) e da plataforma Pordata desde o ano de 1986 até ao ano de 2012 , para Portugal . Para a elaboração do modelo empírico, que s erá descrito e analisado no próximo capítulo, identificá mos as variáveis mais utilizadas na maioria dos estudos empíricos e que consideramos m ais explicativas para a realização deste trabalho : PIB , População Ativa, Impor tações , Formaç ão Bruta de Capital Fi xo (FBCF), Despesa em I&D , Despesa do E stado em Educação, Taxa de investimento total, Número de Publicações Científicas, Número de Alunos matriculad os no Ensino Superior e Patentes. Considerando a contabilidade de crescimento, optamos por trabalhar as vari áveis principais e as variáveis de controlo em termos de taxas de crescimento anuais, sendo relevante proceder a uma análise descritiva sintética de cada uma das variáveis, de forma a melhor compreender a sua evolução e enquadrar as interpretações dos resu ltados do capítulo seguinte. As tabelas que se seguem procuram efetuar uma análise de estatística descritiva simples quanto às variáveis da amostra. 2,5926 2,35 7,86 - 2,91 2,6797 0,086 0,0799 0,5977 - 0,1036 0,14 27,6923 27,200 32,00 20,600 2,966 0,006 0,008 0,0496 - 0,0714 0,0195 website Tabela 3 . Descrição d as variáveis Variável Média Mediana Máximo Mínimo Desvio Pad rão Taxa crescimento PIB Taxa crescimento FBCF Taxa cres cimento Investimento Total Taxa crescimento População Ativa
26 Taxa crescimento Importações 0,0895 0,0831 0,3499 - 0,1864 0,1046 Fonte: Elaboração própria No que diz respeito à variável PIB, observa - se uma evolução positiva no período em análise. Essa evolução é, contudo, caract erizada por dois ciclos de cresci m e nto distintos. Entre 1986 e 2000 observam - se taxas de crescimento do PIB mais eleva das e convergência com a média da União Europeia. Este período pauta - se por uma expansão do consumo privado , mas também do investimento, c om impacto nas importações. O período p osterior a 2000 evidencia um pior desempenho económico, medido pela taxa de cresci m e nto do PIB . Tal pode estar correlacionado com a abertura dos mercados europeus à concorrência asiática que levou à falência do modelo competitivo vigente e pormoveu um proc esso de mudança estrutural. O final do período é ainda marcado por taxas de crescimento económico negativas decorrentes da crise financeira internacional. A Formação Bruta de Capital F ixo (FBCF) é uma das fluxo usada s para medir o contributo do de capital. Assim, a FBCF é a parte do investimento correspondente à criação de condições materiais de modernização da economia e de capacitação produtiva. O ano de 1986 , marca a entrada de Portugal na CEE e o início de um processo de criação de infraes truturas e de reequipamento das empresas, apoiado nas ajudas pré - adesão, no financiamento comunitário que se seguiu e , também , no crescimento económico verificado , que não deixou de apoiar a expansão do investimento público. Este padrão é evidenciado nas t axas de crescimento e no aumento progressivo do de capital. Alternativamente, o investimento total envolve a FBCF e a variação de existências, sendo uma fluxo alternativa para medir o contributo d o de capital. Também neste caso recorremos à taxa de crescimento, observando - se uma padrão semelhante ao reg i s tado na taxa de crescimento da FBCF, embora com um decréscimo de taxa menor no período pós - 2000. Como para o fator trabalho, utilizamos a população ativa. O bserva - se um incremento no período em análise, passando a população ativa total de 4 768 mil pessoas para 5 495 mil pessoas, correspondendo a um aumento no de trabalho de 727 mil pessoas. De igual modo , trabalhá mos esta variável em termos de variação anual de forma a que nos modelos de regressão, todas as variáveis corres pondam a taxas de crescimento. proxies sto ck stock proxy stock proxy stock
27 Na contabilidade de crescimento, uma parte importante da taxa de crescimento do PIB resulta do progresso tecnológico. Como já referido, o progresso tecnológico diz respeito ao im pacto na produtividade dos fatores resultante da incorporação de conhecimento e da adição de novas tecnologias. No entanto, parte desse efeito pode resultar da importação de conhecimento tecnológico “embutido ” nas máquinas e nos equipamentos. Assim, import a controlar a evolução da taxa de crescimento do PIB pela taxa de crescimento das importações . A evolução das importações mostra um crescimento muito acentuado, compatível com a evolução observada no investimento e na FBCF, observando - se igualmente uma de saceleração no pós 2000 e mesmo taxas de crescimento negativas no período de 2001 e 2004. Esta evolução prossegue um padrão consonante com o estádio de menor desenvolvimento tecnológico de Portugal e com a evolução que se obser v a no período ao nível da acu mulação de capital humano e da despesa em I&D. O GERD (despesa em I&D) está relacionado co m o esforço tecnológico próprio, fundamental para elevar a capacidade de absorção e de integração de conhecimento, potenciando o desenvolvimento de processos, técnica s e produção, com impacto na PTF . Quanto a esta variável, observa - se uma tendência de crescimento no período em análise. Este crescimento é, numa primeira fase, relativamente moderado, tendo um período de forte expansão a partir de 2 007. 0,1475 0,1166 0,9024 - 0,1366 0,1960 0,0898 0,0831 0,3018 - 0,0795 0,0969 0,0535 0,0386 0,1831 - 0,0357 0,0604 0,0812 0,0219 0,4429 - 0,2527 0,2021 Tabela 4 . Descrição das variáveis Variável Média Mediana Máximo Mínimo Desvio Padrão Taxa crescimento GERD Tax a crescimento Despesa do Estado em Educação Taxa crescimento Alunos no Ensino Superior Taxa crescimento
28 Patentes Taxa cresci mento Publicações 0,1295 0,1111 0,3511 0,00 0,0779 Fonte: Elaboração própria A despesa do Estado em Educação eviden cia a importância reconhecida à educação e ao nível de ensino , nomeadamente na qualificação do capital humano, permitindo uma maior absorção do progres so tecnológico e induzindo , diretamente , ganhos de produtividade . Analisá mos esta variável, igualmente, ao nível de taxas de crescimento, observando - se que apresenta um crescim ento notável ao longo dos anos 90. Este crescimento é devido ao forte investimento em educação de forma a permitir a Portugal um crescimento económico mais acentuado e de modo a prepa rar os alunos p a ra o mesmo nível de educação dos restantes países da comunidade europeia. A partir de cerca de 2007, a taxa de crescimento decresce, significando uma menor participação pública n o desenvolvimento da educação em Portugal. Alternativamente, c onsideramos , também , a variável referente ao número de a lunos no Ensino Superior , sendo esta uma mais próxima do capital humano de elevadas qualificações e com maior correlação com o desempenho inovador . De facto, o s a lunos com maior nível de conh ecimento originam mão de obra mais qualifica da no país, permitindo o desenvolvimento de novas técnicas e processos, eventualmente importados de outros países mais desenvolvidos, aproximando o país da fronteira tecnológica. Mais uma vez recorremos às taxas de crescimento para analisar o impacto desta variável. U tilizá mos , ainda , duas variáveis de intermédio como da transf o r mação do conhecimento em tecnologia e , consequente , impacto na PTF . A primeira dessas variáveis é o número de patentes , va lor que, pese embora diminuto em termos absolutos, observa elevadas variações ao longo dos anos. Ainda assim, procurámos avaliar o contributo explicativo das patentes na PTF e no crescimento económico. A segunda variável refere - se às publicações científic as . Esta é uma , mais a montante, de um outro intermédio de inovação. Com esta variá vel, procurámos proxy output proxies proxy output
29 captar a qualid a d e do sistema científico e a evolução da capacidade de criação de conhecimento cuja difusão para a e conomia deverá induzir ganho s na PTF . Ao longo dos anos, a evoluç ão do volume de publicações evidencia uma tendência crescente, nomeadamente, no período mais recente. Esta evolução encontra paralelo na evolução do GERD. Por fim, importa referir que , a quando da r ecolha dos d ados , se verificou a falta de valores para os anos 1987, 1989, 1991, 1993, 1994, 1996, 1998, 2000, 2002, 2004 e 2006 na variável Despesa em I&D (GERD) e para o período de 1986 a 1989 na variável Patentes. A estabilidade que caracteriza o padrão da despesa em I&D e das patentes ao longo do tempo permitiu recorrer ao procedimento de interpolação linear para estimar os valores em falta . Para os casos em que foi identificada a fal ta de valores num só ano, assumí u - se a média aritmética entre os anos anterior e posterior . Nos casos em que faltava m valores em dois anos seguidos, determin áram - se as respetivas taxas de crescimento. Numa matriz de correlação mede - se a associação linear entre as variáveis atravé s do coeficiente de correlaçã o d e Pearson. No teste de correlação sã o analisados dados quantit ativos, de forma a avaliar se há uma dependência entre as variá veis. Os resultados variam entre - 1 e 1 e quando se aproxima m de - 1 ou de 1, a dependencia é forte, mas quando se aproximam de 0 é fraca. Ou seja , se o resulta do apresenta um valor muito pró ximo ou i gual a 1, significa uma correlaçã o perfe ita positiva entre as duas variá veis. Se o resultado apresentar um valor muito proximo ou igual a – 1, significa que existe uma correlação negativa perfeita entre as duas variáveis, portanto, se uma aumenta, a outra diminui. Por fim, se o resultado apresentar um valor muito proximo de 0, significa que as duas variáveis nã o dependem linearmente uma da outra. No entanto, pode existir uma dependência não linear. II.3 . Correlações
30 A cor relação entre variáveis independentes, se elevada, pode violar as hipóteses clássicas que garantem a eficiência, consistência e coerência dos estimadores que vamos deduzir. Nesse sentido, calculou - se a matriz subsequente de correlações. TX_CR ESCI TX_G ERD TX_IM PORT TX_PO P_ATI TX_IN VT TX_PA TEN TX_A LUN OS TX_P UBLI C TX_F BCF TX_DE SPES TX_CR ESCI 1,000 0,370 0,798 0,257 0,734 - 0,259 0,465 - 0,019 0,649 0,598 TX_GE RD 0,370 1,000 0,239 0,048 0,233 0,289 0,198 - 0,082 0, 120 0,284 TX_IM PORT 0,798 0,239 1,000 0,224 0,503 - 0,273 0,327 0,082 0,442 0,400 TX_PO P_ATI 0,257 0,048 0,224 1,000 0,387 - 0,018 - 0,202 - 0,096 0,114 - 0,006 TX_INV T 0,734 0,233 0,503 0,387 1,000 - 0,097 0,252 - 0,070 0,532 0,550 TX_PA TEN - 0,259 0,289 - 0,2 73 - 0,018 - 0,097 1,000 - 0,110 0,159 - 0,189 - 0,026 TX_AL UNOS 0,465 0,198 0,327 - 0,202 0,252 - 0,110 1,000 0,343 0,172 0,680 TX_PU BLIC - 0,019 - 0,082 0,082 - 0,096 - 0,070 0,159 0,343 1,000 - 0,199 - 0,003 TX_FB CF 0,649 0,120 0,442 0,114 0,532 - 0,189 0,172 - 0,1 99 1,000 0,280 TX_DE SPES 0,598 0,284 0,400 - 0,006 0,550 - 0,026 0,680 - 0,003 0,280 1,000 Fonte: Elaboração própria 4 Dos resultados constantes na tabela, a partir do teste de correlação percebe - se que existe uma forte correlação entre a taxa de crescimen to do PIB e a taxa de crescimento das importações (0,798), com a taxa de crescimento do investimento total (0,734) e com a taxa de crescimento da formação bruta de capital fixo (0,649) – veja - se TX _CRESCI representa a taxa de crescimento do real ; TX_GERD representa a taxa de crescime nto do investimento em I&D; TX_IMPORT representa a taxa de crescimento das importações; TX_POP_ATI representa a taxa de crescimento da população ativa; TX_INVT representa a taxa de crescimento do investimento total; TX_PATEN representa a taxa de cresciment o das patentes, TX_ALUNOS representa a taxa de crescimento do número de alunos no ensino superior; TX_PUBLIC representa a taxa de crescimento das publicações; TX_FBCF representa a taxa de crescimento da FBCF; TX_DESP representa a taxa de crescimento da des pesa do Estado em educação. Tabela 5 . Correlações 4 output
31 a tabela 5 . Entende - se, a partir destes resultados, que a tax a de crescimento do PIB aumenta em função do aumento das taxas de crescimento das importações, do investimento total e da FBCF. O mesmo não se verifica nos resultados das correlações entre a taxa de crescimento das publicações com a taxa de crescimento do PIB ( - 0,019), com a taxa de crescimento do GERD ( - 0,082) e com a taxa de crescimento das importações ( - 0,070) – veja - se a Tabela 5 . O mesmo comportamento de independê ncia , entre variáveis , verifica - se nos resultados das correlações da taxa de crescimento d a despesa do Estado em educação com a taxa de crescimento das publicações ( - 0,003), com a taxa de crescimento da população ativa ( - 0,006) e com a taxa de crescimento das patentes ( - 0,026). Verifica - se igualmente uma fraca correlação entre a taxa de crescim ento das importações e a taxa de crescimento das patentes ( - 0,0976). Caracterizada a amostra, importa proceder à modelização do problema que queremos estudar. Considerando que se pretende estima r do contributo das taxas de cres cimento do investimento em I&D, da FBCF, do investimento total, da população ativa, das publicações, das importações , do número de alunos no ensino superior e da despesa do Estado em e ducação para a taxa de crescimento do PIB , construímos um modelo de regr essão linear multivariado em que a variável dependente é a taxa de crescimento do PIB, pois depende do comportamento das taxas de crescimento das restantes variáveis, para o período em análise , conforme a equação abaixo . = a t + ß 1 t + ß 2 t + ß 3 t + ß 4 t + ß 5 t + ß 6 t + u t + v t (14 ) A equação representa a determinação da taxa de c res cimento do PIB a partir de uma constante, conjuntamente com a taxa de crescimento do GERD, a taxa de c res cimento da FBCF, a taxa de crescimento da população ativa, a taxa de crescimento das publicações, a taxa de crescimento das importações e pela taxa de crescimento da II.4 . Modelos de Regressão
32 despesa do E stado em educação num determi nado período de tempo. Os termos e representam o erro de estimação 5 . Posteriormente considerou - se a especificação seguinte em que, face à anterior, a taxa de crescimento da FBCF é substituída pela taxa de crescimento do investimento total e a taxa de c rescimento das publicações pela taxa de crescimento das p atentes. = a t + ß 1 t + ß 2 t + ß 3 t + ß 4 t + ß 5 t + ß 6 t + u t + v t (15 ) Finalmente, num tercei ro modelo , igualmente um modelo de re gressão linear multivariado, a variável dependente é a taxa de cresci mento do progresso tecnológico. O pretendido neste modelo é a determinação do contributo das taxas de crescimento do investimento em I&D, do número de alunos no ensino superior, das patentes e das importações para a evolução da taxa de crescimento do progresso tecnológico para o período e m análise. = a + ß 1 + ß 2 + ß 3 + ß 4 + u t + v t (16 ) A análise de regressão múltipla é mais adequada para situações , uma vez que permite um maior controlo de vá rios outros fatores que afetam , simultâ neamente , a variável dependente. Este estudo é importante para testar teorias económicas e para avaliação de e feitos de políticas instituídas (Wooldridge , 2012) . Através dos modelos de regressão múltipla podemos q uantificar o impacto de cada variável independente sobre a variável depen dente definida (Wooldridge, 2012), combinando diversas variáveis explicativas que poderão estar correlacionadas. (Wooldridge , 2012) A estimação do contributo do crescimento económico e das variáveis de controlo para o crescimento económico recorreu ao método OLS ( ). Em particular, a regressão por mínimos quadrados ordinários ( OLS) é uma técnica de modelagem linear generalizada , que pode ser usada para modelar uma única Quando se faz uma regressão não se consegue ajustar perfeitamente à realidade, pelo que a diferença é compensada por e u v ceteris paribus ordinary least squares u v. 5
33 variável resposta , que foi gravada em , pelo menos , um intervalo de escala. ( Hutchenson , 2011) . O método de mínimos quadrados ordinários apresenta resultados instáveis para tamanhos de amostra pequenos, em relação ao elevado grau de correl a ção entre as covariáveis, aumentando a variânci a dos coeficientes estimados (Morellato, 2010). O programa utilizado para o tratamento dos dados recolhidos e estimação do modelo empírico foi . Eviews
40 o crescimento do progresso tecnológico. Estimá mos que , um aumento percentual da taxa de crescimento das importações , tenha , em média e c om tudo mais constante, um impacto positivo de 0,164416 para o crescimento d o progresso tecnológico. Observá mos que a importação de tecnologia pode ter um impacto significativo na PTF . 1,5111** 0,6840 0,9503 0,3214 5,9550** 4,5015* 5,9606** 2,8702* 20,1982** 17,7202** 8,8068* - 4,3300* - 1,5888 16,4416*** 0, 1709 0,3492 0,4311 0,7249 0,1377 0,2950 0,3570 0,6725 Fonte: Elaboração própria Tabela 8 . Modelos para estimação de (i.e., do progresso técnico) Variáveis para A Modelo1 Modelo2 Modelo3 Modelo4 C GERD Alunos no ensino sup Patentes Importações A
41 IV . Conclusão Com o presente trabalho estimá mos o contributo do investimento em I&D para a dinâmica do crescimento económico num país da periferia europeia. Neste sentid o , escolhemos Portugal , no período pós adesão à CEE; i.e. no período pós 1986. Na prossecução desse objetivo , fizemos, inicialmente, uma breve revisão seletiva da vasta literatura teórica e empírica di sponível sobre o tema abordado. Percebemos que a explic ação do crescimento económico e das assimetrias , entre níveis e dinâmica de crescimento , releva uma importância que justifica o estudo dos mecani smo que geram esse crescimento. Na abordagem neoclássica, a geração desse crescimento económico é dada pela tax a de acumulação de capital. O modelo original de Solow tem como pressupostos uma economia fechada e concorrência perfeita nos mercados. No entanto, o modelo original não consegue explicar o crescimento económico a longo prazo, pelo que foi necessário consi d erar o progresso tecnológico como um p arâmetro exógeno ao seu modelo. Em seguimento ao seu modelo, surgiram outros modelos que consideram o progresso tecnológico na função de produção (como fator produtivo), na tentativa de explicar o crescimento endógeno em equilibrio no longo prazo, expondo a dinâmica do modelo de Solow. Estes modelos abandonam o pressuposto da concorrência perfeita , incentivando a produção de conhecimento e inovação como forma de diferenciação e aquisição de poder de mercado. Nos capítu los II e III reavaliá mos o contributo do investimento em I&D para o crescimento económico, após a adesão de Portugal à CEE, 1986, até ao ano de 2012. Para este efeito, testá mos empiricamente est a premissa , especialmente com base na contabilidade do crescim ento . Os principais resultados obtidos , para o período pós adesão à CEE até 2012, sugerem que a principal força motora do crescimento económico terá sido o incentivo dado pela abertura da economia nacional aos restantes países. A partir d a análise empírica realizada, tais efeitos são causados pelas importações de máquinas e material de transporte.
42 Verifica - se um forte contributo para o crescimento económico das taxas de crescimento do investimento total , da taxa de crescimento da formação bruta de capital f ixo e da taxa de crescimento das importações. Com efeito, decorrente da adesão à CEE, as empresas sentem necessidade de aumentar a taxa de investimento , tendo em vista melhorar a sua competitividade, se ndo, em grande parte, efe tuada por recurso à importaçã o de bens de equipamento e tecnolo gia mais avançada, aumentando a eficiência do trabalho. Ao mesmo tempo, apesar de ser menos evidente, verifica - se um impacto positivo para o crescimento económico das taxas de crescimento da despesa do Estado em educação e do número de alunos n o ensino superior: o impacto da melhoria de competências e d a acumulação de capital humano , é positivo para a taxa de crescimento do PIB. Estas duas variáveis representam o crescente desenvolvimento das atividades em I&D em Portugal. O investimento em I&D é relevante para a a cumulação de competências de absorção e criação de conhecimento , mas o impacto na produtividade e no crescimento económico é estrutural , pelo que é também temporalmente diferido. Em relação à taxa de crescimento d as patentes e à taxa de crescimento das publicações, conclui - se que estas têm impacto insignificante como contributo s para o crescimento económico. É importante salientar, neste momento, as limitações da presente dissertaç ão que, no entanto, const ituiriam pontos interessantes para futuros estudos. As limitações deste trabalho passaram pela dificuldade na obtenção de dados para todos os anos do período considerado, tendo implicado recorrer a interpolação linear. Pensamos que seria interessante recolher dados para um período mais relevante para variáveis de comunicação e multimédia , para estimar o contributo da evolução destas para o progresso tecnológico. A amostra considerada para este trabalho foi curta, pelo que o estudo de uma amostra temporal mais alarga da e mais rica po d e ria revelar resu ltados diferentes e, eventualmente, mais interessantes . Para trabalho s futuros sugerimos , então, o alargamento d a amostra temporal, elaborando uma análise para um painel de dados, isto é, analisar , para Portugal e para ou tros países, as assimetrias setoriais do impacto do investimento em I&D. Seria interessante verificar , nas economias com perfis setoriais diferentes – países mais
43 caracterizados pelos setores de serviços ou países mais industriais – se os impactos do inves timento em I&D seriam igualmente diferentes.
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48 Extras
49 Ano Taxa A Tx PIB (pc) Tx Pop ativa Tx Importaçoes FBCF Tx FBCF Tx GERD Tx Public Tx Despesa do Estado Tx de investimento total Tx publicaçoes Tx alunos matriculados Tx Patentes 1986 3,1206232 3,32 0,000168 0 6909,28 60% 0 0 0 28,5 0 0 0 1987 7,52559926 7,63 0,008453 0,349989 8956,48 0,296297 0,252753 0,26986 0,20859 31,1 0,114457831 0,102734051 0 1988 5,25871899 5,34 0,009068 0,302209 10978,02 0,225707 0,201758 0,212512 0,263661 32 0,035135135 0,054461785 0 1989 6,59445388 6,65 0,011584 0,169465 12553,05 0,143471 0,36979 0,352104 0,227938 30,7 0,036553525 0,100642069 0 1990 7,79112554 7,86 0,016932 0,186371 14721,71 0,17276 0,269961 0,260412 0,203176 29,9 0,26070529 0,161339444 0 1991 3,3249678 3,37 0,02216 0,080762 16058,1 0,090777 0,272577 0,318611 0,301865 28,4 0,0999001 0,183132851 0,25 1992 3,15205583 3,13 -0,07143 0,057867 17289,59 0,07669 0,214193 0,241626 0,200389 27,4 0,224341508 0,168845701 0,312195122 1993 -0,6814139 -0,69 -0,00467 -0,00606 17005,56 -0,01643 0,046826 0,047207 0,049607 25,7 0,206231454 0,127177453 -0,252788104 1994 1,45030306 1,49 0,01228 0,146535 18613,12 0,094531 0,046826 0,05033 0,054814 26,1 0,351168512 0,097122098 0,343283582 1995 2,30311695 2,33 -0,00392 0,114899 20260,1 0,088485 0,046826 0,053477 0,109459 26,2 0,093309058 0,075434659 -0,177777778 1996 3,65641052 3,69 0,007257 0,074635 22007,64 0,086255 0,126996 0,114769 0,103767 26,9 0,122814321 0,079446044 -0,189189189 1997 4,33944074 4,41 0,01372 0,138696 26062,3 0,184239 0,112685 0,102953 0,097849 29,3 0,17500927 0,066078522 -0,094444444 1998 5,05835185 5,14 0,049686 0,129939 29856,26 0,145573 0,206163 0,204142 0,100806 30,9 0,157778479 0,039949121 0,374233129 1999 4,0369766 4,07 0,007928 0,085632 32340,71 0,083214 0,170925 0,169533 0,08571 31,3 0,116380485 0,026813594 0,071428571 2000 3,8784138 3,92 0,017581 0,145809 35238,3 0,089596 0,137273 0,062046 0,067022 31,6 0,092285156 0,047520951 -0,195833333 2001 1,94765451 1,97 0,018904 0,015791 36268,26 0,029228 0,120703 0,058421 0,084997 30,8 0,089405454 0,037346319 0,113989637 2002 0,75232759 0,76 0,015511 -0,0191 35977,93 -0,00801 -0,00908 -0,01877 0,081265 29,3 0,133155519 0,022950558 0,018604651 2003 -0,8967256 -0,91 0,009708 -0,01968 33846,61 -0,05924 -0,00916 -0,01913 -0,03734 27 0,107912366 0,010665631 0,442922374 2004 1,5482406 1,56 0,005036 0,101506 34699,73 0,025205 0,089022 0,042223 0,018144 26,6 0,131557444 -0,014390105 0,025316456 2005 0,7662132 0,78 0,010405 0,051898 35412,83 0,020551 0,081745 0,040513 0,025799 26,6 0,075823224 -0,035756322 0,265432099 2006 1,4404095 1,45 0,007647 0,115458 35890,13 0,013478 -0,1367 0,150756 -0,0072 25,9 0,230903477 -0,035767069 -0,085365854 2007 2,35014943 2,37 0,005548 0,06881 37629,19 0,048455 0,902489 0,131006 -0,00431 25,7 0,090522412 -0,001587207 0,304 2008 -0,0196905 -0,01 0,001175 0,075793 38634,72 0,026722 0,310403 0,341011 0,016109 25,9 0,192019202 0,027780732 0,325153374 2009 -2,8704418 -2,91 -0,0075 -0,18645 34629,46 -0,10367 0,06929 0,126475 0,15769 23,3 0,098330397 -0,010386902 0,305555556 2010 1,94793565 1,94 -0,00036 0,13079 33829,85 -0,02309 -0,00565 0,020066 0,006089 22,3 0,073027271 0,028485102 -0,095744681 2011 -1,2154593 -1,25 -0,00672 0,016484 30778,98 -0,09018 -0,05183 -0,0624 -0,07953 20,6 0,060084004 0,032951278 0,050980392 2012 -3,2241791 -3,23 -0,00873 -0,05266 -0,05873 -0,15943 0,10670875 -0,01512865 0,034825871 Anexo 1