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Autobiografar a crónica

Carmo, Carina Infante do

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A VISAGEM DO CRONISTA A VISAGEM DOCRONISTA ANTOLOGIA DE CRÓNICA AUTOBIOGRÁFICA PORTUGUESA SÉCULOS XIX-XXI VOLUME I Ca ina In an e do Ca mo SELECÇÃO, INTRODUÇÃO E NOTAS ÍNDICE Ag adecimen os 7 Au obiog a a a c ónica 9 ANTOLOGIA Almeida Ga e 21 An ónio Feliciano de Cas ilho 29 An ónio Rod igues Sampaio 43 Ma ia Pe eg ina de Sousa 51 Alexand e He culano 55 A. A. Teixei a de Vasconcelos 65 F ancisco Ma ia Bo dalo 73 José Félix Hen iques Noguei a 81 J. A. de San ana e Vasconcelos 89 A naldo Gama 95 Camilo Cas elo B anco 103 La ino Coelho 111 A. P. Lopes de Mendonça 121 Bulhão Pa o 131 Noguei a da Sil a 137 Visconde de Benalcan o 143 Ana Plácido 151 Júlio Césa Machado 159 Ramalho O igão 167 Conde de Ficalho 175 J. C. Viei a de Cas o 181 João Penha 189 Júlio Dinis 201 Manuel Pinhei o Chagas 209 Guioma To ezão 215 Eça de Quei oz 223 Ma ia Amália Vaz de Ca alho 229 Jaime Ba alha Reis 237 Sil a Pin o 245 6 Ge ásio Loba o 251 D. João da Câma a 257 Wenceslau de Mo aes 265 Fialho de Almeida 271 Edua do de Ba os Lobo 277 M. Teixei a ‑Gomes 283 T indade Coelho 287 B i o Camacho 295 João Chagas 301 Camilo Pessanha 305 Raul B andão 311 Ma iano Pina 315 Júlio B andão 321 José Sa men o 329 Ma ia Veleda 333 Al edo Mesqui a 339 Jus ino de Mon al ão 345 Maye Ga ção 351 Albe o de Oli ei a 359 Vi gínia de Cas o e Almeida 363 Ca los Malhei o Dias 371 Júlio Dan as 377 Emília de Sousa Cos a 383 Manuel La anjei a 389 And é B un 395 João de Ba os 401 Augus o de Cas o 407 Jaime Co esão 411 Albino Fo jaz de Sampaio 417 Aquilino Ribei o 423 Julião Quin inha 429 João Pina de Mo ais 435 Diogo de Macedo 441 7 AGRADECIMENTOS De o exp essa o meu ag adecimen o aos au o es e he dei os que ace‑ de am ao meu pedido de ep odução das c ónicas e me ajuda am, não poucas ezes, a localiza a p imei a publicação dos ex os. Exp esso o meu econhecimen o ao Cen o de Es udos Compa a is as e à sua Di ec‑ ção, à P o .ª Dou o a Paula Mo ão, minha o ien ado a, semp e, e coo de‑ nado a no p ojec o Tex ualidades (G upo MORPHE) em que se inse e es a an ologia, e inalmen e à Inês Fonseca San os e, cla o, ao meu edi o , João Paulo Co im. A odos eles de o a ma e ialização des e abalho de mui os anos num objec o chamado li o. Ag adeço a quem ansc e eu ou e iu os ex os e os espec i os dados biobibliog á icos: po o dem c onológica, B uno Hen iques, Cláudia Lei as, Lígia Cip iano, Violan e F. Magalhães e, de o ma mais in ensa e p olongada, Ri a Co eia. Po úl imo, o meu ob igado a Elsa Pe ei a, Rica do An ónio Al es, José Ca los Vilhena Mesqui a, Filipe Del im San os e So ia San os, que me ajuda am a chega aos ex os de João Penha, Fe ei a de Cas o, Julião Quin inha, José Régio e Luiz Pacheco. Po úl imo, uma menção especial a Luís Ama o, que me incen i ou desde o p incípio com a sua amizade e me ajudou gene osamen e com o seu sabe biblió ilo e a sua lis a copiosa de suges ões de au o es e ex os. 9 AUTOBIOGRAFAR A CRÓNICA Es a an ologia eúne c onis as dos séculos xix, xx e xxi que ize am da c ónica um meio de ixa o po meno anódino do quo idiano, de cap a o espí i o do empo ou de in en a a ma ca i ónica e poé ica sob e o que, à p imei a is a, não passa ia de coisa banal e luga ‑comum. Es es c onis as ei indicam a e dade au obiog á ica e i mam uma assina u a que é o malmen e condicionada pelo núme o limi ado de ca ac e es da coluna de um pe iódico, pela necessá ia b e idade de um p og ama adio ónico ou de um pos de blogue ou Facebook. Nesse géne o pude‑ am e podem explo a o mas descon ínuas e agmen á ias de compo‑ em o seu e a o e de con a em po esc i o a ida deles e de ou os e o empo que passa. O a co c onológico con emplado começa nos anos de 1840, quando o olhe im ‑c ónica se implan a a na imp ensa po uguesa e p ocu‑ a a chega a um público no o, bu guês e cada ez mais eminino. O olhe im ‑c ónica passou a e luga ese ado em páginas de jo nais ou de e is as e e o çou a ma ca de um nome de au o , insc i o na p imei a pessoa, capaz de lança o ep o ao lei o pa a se econhecido como au obiog á ico. A c ónica em uma ges ação labo iosa den o da g ande incubado a que oi o olhe im. So eu o impac e da nossa agi ada his ó ia polí ica a é à Regene ação. Resul ou das ino ações ecnológicas nos anspo es, nas comunicações e na p óp ia imp ensa (o elég a o, a o a i a, o cabo subma ino, o lino ipo, a o og a ia) que o na am possí el a e olução de um jo nalismo de opinião pa a um jo nalismo de in o mação, assinalada en e nós pela undação do Diá io de No ícias (1864) e de O Século (1880). Daí que se possa a i ma que, en e nós, da a do úl imo qua el de Oi o‑ cen os a eme gência da cul u a u bana e de massas, cujo espaço público assen a na ci culação do imp esso. A c ónica pa icipa nesse p ocesso his‑ ó ico maio , dinamizado pela imp ensa. Na e dade, es a di undiu o ‑ ma os, con eúdos, géne os ex uais e imagé icos e a é modos de p odução AUTOBIOGRAFAR A CRÓNICA A VISAGEM DO CRONISTA16 conquis a . No en an o, es e ac o não sus en a uma isão ão o unda‑ men e apocalíp ica que igno e, po exemplo, a sob e i ência da c ónica em no os supo es, com e iden e po encial de colecção e a qui o de ex‑ os, mui os deles a ins da adição dia ís ica. Po úl imo, mesmo se em pe da do pon o de is a simbólico, o li o, mais ainda o li o imp esso, con inua a se o des ino p i ilegiado de c ónicas o igina iamen e di undidas em e is as, jo nais, blogues ou ádios. A pas‑ sagem a li o, po decisão do c onis a ou de um edi o , indicia um desejo de pe enidade, econhecimen o público e legi imação li e á ia. A ans e‑ ência pa a um no o supo e econ ex ualiza o ace o de dispe sos, po en‑ cia alinhamen os de lei u a no os e a é inespe ados, podendo daí esul‑ a a noção de um co pus de c ónica e uma assina u a dis in i a de au o . Po es e io de empo his ó ico se pe cebe a o ça da c ónica no século xx, mui o em especial en e os anos 1930 e 1990. um pe íodo de con ulsões e ans o mações polí icas e sociais mui o acen uadas em que oi pujan e a imp ensa esc i a. Daí se desse pe íodo pa e signi ica i a das c ónicas ago a eunidas. * Cabe ago a e e i as on es, assim como os c i é ios de ap esen ação e selecção dos ex os an ologiados. Es a ecolha segue a sequência c onológica, de aco do com o ano de nascimen o dos au o es, po que nem semp e oi possí el iden i ica a da a e a on e o iginais dos ex os. Mesmo assim, a a és dela pode acompanha ‑se a e olução e a di e sidade es ilís ica do géne o, não sem susci a imas e diálogos en e c onis as, con ex os e o mas de esc i a. As an ologias de c ónica dos séculos xix e xx po ugueses, p e a‑ ciadas e o ganizadas po E nes o Rod igues e Fe nando Venâncio, espec i amen e,2 o am um o ei o p ecioso pa a es a ecolha, embo a o nosso c i o seja mais ci cunsc i o: a esc i a au obiog á ica e a composi‑ ção da igu a do c onis a e da sua assina u a. De emos ambém lemb a a colecção Ho as Ex ao diná ias, publicada, em 2004, po ocasião dos 16 anos do jo nal O Independen e: nela se euni am em olume dispe ‑ sos de imp ensa de esc i o es po ugueses e b asilei os con empo âneos. Foi essa a on e de á ias c ónicas aqui coligidas. Em simul âneo, bene i‑ ciámos da expansão de biblio ecas e heme o ecas digi ais, po uguesas e 2 E nes o Rod igues (o g. e p e .), C ónica Jo nalís ica: Século XIX. An ologia, Lisboa, Cí ‑ culo de Lei o es, 2003; Fe nando Venâncio (o g. e p e .), C ónica Jo nalís ica: Século XX. An ologia, Lisboa, Cí culo de Lei o es, 2004. 17AuTOBIOGRAFAR A CRóNICA es angei as, e da mul iplicação de blogues pessoais e si es ins i ucionais que dão acesso a e sões digi alizadas de pe iódicos ou que azem a p o‑ moção de esc i o es e da lei u a li e á ia e jo nalís ica em ge al. Pa a o na mais ácil a lei u a, o am co igidas g alhas e ac ualizada a o og a ia nos ex os mais an igos, sem segui a no ma do Aco do O o‑ g á ico de 1990. Respei ámos, oda ia, es a o og a ia, quando ela pa ece e esul ado da escolha do c onis a. G ande pa e das c ónicas p o êm o iginalmen e da imp ensa esc i a ou da ádio, mas adop ámos como c i é io maio i á io a sua e são em li o e na edição mais ecen e, iden i icando, semp e que possí el, a on e p imei a. Mais espa samen e omos colhê ‑las na imp ensa em papel e/ou digi al. Em á ios casos, os ex os o am ex aídos de li os, sem que es es enham a iden i icação genealógica de c ónica ou conheçamos o seu an e‑ ceden e jo nalís ico. No en an o, a na u eza híb ida da c ónica ( an as ezes a im do con o, da ca a, do diá io, da epo agem, do ensaio ou do poema em p osa) e a ma ca au obiog á ica dão ‑nos a gumen os su icien‑ es pa a a sua inclusão nes a colec ânea. uma ou ou a ez, ansc e emos pa e ou a o alidade das no as de odapé ac escen adas à edição em li o pelo p óp io au o ou pelo edi‑ o , quando dão indicações elucida i as sob e a c ónica, a sua génese ou o ema a ado, ou quando o ac escen o é assumido como ex o. Ac es‑ cen ámos ainda um comen á io ex a jun o à iden i icação da on e, com in o mações indispensá eis à comp eensão da c ónica ansc i a. Op ámos po da a á ias c ónicas um í ulo (en e pa ên eses) ecu‑ pe ado do nome do olhe im/coluna do pe iódico em que o am o iginal‑ men e publicadas ou da sé ie nume ada de capí ulos do li o em que ie‑ am a se edi adas. Não o izemos, quando a e são em li o, o ganizada pelo au o , não ap esen a qualque í ulo ou nume ação. O núme o ele ado de au o es da an ologia mos a quão p o ícuo em sido o labo da c ónica, no nosso con ex o li e á io e jo nalís ico, desde o seu an eceden e olhe inesco. Ao mesmo empo, con i ma a plas icidade e longe idade do géne o e a insis ência na ma é ia au obiog á ica. Ra os são os c onis as que, de o ma sis emá ica, de am um cunho au obiog á ico aos seus ex os, como Júlio Césa Machado ou I ene Lis‑ boa. G andes c onis as po ugueses nunca segui am essa ia, mesmo se se exp essa am na p imei a pessoa e explo a am as i ualidades da obse a‑ ção a u ada do eal ci cundan e. Apesa disso, op ámos po escolhe apenas uma c ónica po au o , o que ob iamen e inibe o conhecimen o do conjun o da ob a c onís ica de cada um deles e da espec i a e olução no empo. A VISAGEM DO CRONISTA18 A quan idade de ex os des a an ologia jus i icou a di isão em dois olumes. I ene Lisboa ab e o segundo olume po se a g ande expe i‑ men ado a e modelado a do géne o c ónica, em pleno mode nismo. Na nossa an ologia é eduzido o núme o de mulhe es e assumimos a esponsabilidade da selecção e os seus limi es, ambém em consequência da disc iminação de géne o no que oca à exp essão pública e publicada. Com e ei o, a c ónica (ainda pa a mais de ca iz au obiog á ico) cons i ui uma o ma de máxima exposição no espaço público e de a i mação de au o ia de que as mulhe es o am his o icamen e a edadas. A é às p i‑ mei as décadas do século xx, o pseudónimo ( an as ezes masculino) oi um es a agema comum de camu lagem p o ec o a, numa página de jo nal ou na passagem da c ónica a li o, di iculdando a iden i icação da au o a. Apesa de um indesmen í el p og esso nes e domínio, pe sis e um de ici de mulhe es no campo li e á io e jo nalís ico po uguês, hegemonizado pelos homens e assim pe pe uado po his o iado es e c í icos li e á ios. Fal am nes a an ologia os c onis as po ugueses edi ados em línguas es angei as e sem adução pa a a nossa língua e os c onis as es angei‑ os, cuja ob a e e e em di usão en e nós e cujo magis é io in luenciou a p á ica e as ans o mações da c ónica. Re e imo ‑nos em pa icula a nomes da luso onia – en e os mais ecen es, Millô Fe nandes, Luís Fe ‑ nando Ve íssimo, Mia Cou o ou Ondjaki – que colabo a( a)m, sob a o ma de c ónica, em pe iódicos nacionais, que a e e am em li os de edição po uguesa e que hoje podem se lidos online, onde que que publiquem. A ausência de ais c onis as az ‑se, oda ia, p esen e nos ex os e au o es des a an ologia, que é, no im de con as, uma escolha e uma amos a. Deixamos no a de que, po impedimen os de á ia o dem, não nos oi possí el publica c ónicas de José Rod igues Miguéis, Dias de Melo, An ónio Lobo An unes e Miguel Es e es Ca doso. Já quan o a ou os au o es – Jus ino de Mon al ão, Júlio Dan as, Emília de Sousa Cos a, Albino Fo jaz de Sampaio, Diogo de Macedo, Chianca de Ga cia, No be o Lopes, Julião Quin inha, Manuela Po o, José Osó io de Oli ei a, Ped o Al im e Luís Fo jaz T iguei os – en idá‑ mos odos os es o ços pa a chega aos seus he dei os e ob e uma au o‑ ização pa a publicá ‑los. Na impossibilidade comple a de o consegui , mani es amos disponibilidade pa a egula iza es a ques ão. Não desis‑ imos, ainda assim, da ep odução das suas c ónicas, pela alia do seu abalho de esc i a e pelo luga que é seu na his ó ia da c ónica au obio‑ g á ica po uguesa.