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Envolvimento, desempenho acadêmico e composição escrita

Festas, Maria,Prata, Maria,Oliveira, Albertina,Veiga, Feliciano Henriques

Abstract

O envolvimento pode ser considerado um fator decisivo na manutenção da participação dos alunos na sua aprendizagem, sendo isso particularmente relevante quando se trata de áreas muito exigentes, como a composição escrita. É assim que a relação entre o envolvimento e o desempenho acadêmico tem sido amplamente documentada, embora o caso da escrita tenha sido menos estudado. No presente trabalho, procurou-se saber se o envolvimento escolar se relaciona com o desempenho acadêmico e com a composição escrita. Através de um estudo correlacional, 213 alunos do 9º ano de escolaridade responderam ao Questionário de Envolvimento dos Alunos na Escola, que inclui as dimensões comportamental, afetiva, cognitiva e agenciativa. Os mesmos alunos escreveram um texto argumentativo que foi avaliado do ponto de vista da sua qualidade global e da sua estrutura. Recolheram-se, ainda, as notas obtidas em várias disciplinas e dados relativos às repetências. Pelo estabelecimento de correlações, verificou-se que o envolvimento está associado ao rendimento escolar e à escrita, mas, neste último caso, apenas à sua qualidade global. Constatou-se, também, que as diferentes dimensões do envolvimento não se relacionam de igual modo com o desempenho acadêmico e com a escrita, destacando-se a ausência de uma associação com a componente agenciativa. Sendo possível concluir-se pela existência de uma relação entre envolvimento e desempenho acadêmico e escrita, apontam-se algumas das principais limitações do presente estudo e indicam-se linhas de investigação futura que ajudem a perceber alguns dos resultados encontrados.

Full text

1 Educ. Pesqui., São Paulo, . 44, e183430, 2018. En ol imen o, desempenho acadêmico e composição esc i a Ma ia Isabel Fes as1 Ma ia José P a a1 Albe ina Lima de Oli ei a1 Feliciano Veiga2 Resumo O en ol imen o pode se conside ado um a o decisi o na manu enção da pa icipação dos alunos na sua ap endizagem, sendo isso pa icula men e ele an e quando se a a de á eas mui o exigen es, como a composição esc i a. É assim que a elação en e o en ol imen o e o desempenho acadêmico em sido amplamen e documen ada, embo a o caso da esc i a enha sido menos es udado. No p esen e abalho, p ocu ou-se sabe se o en ol imen o escola se elaciona com o desempenho acadêmico e com a composição esc i a. A a és de um es udo co elacional, 213 alunos do 9º ano de escola idade esponde am ao Ques ioná io de En ol imen o dos Alunos na Escola, que inclui as dimensões compo amen al, a e i a, cogni i a e agencia i a. Os mesmos alunos esc e e am um ex o a gumen a i o que oi a aliado do pon o de is a da sua qualidade global e da sua es u u a. Recolhe am-se, ainda, as no as ob idas em á ias disciplinas e dados ela i os às epe ências. Pelo es abelecimen o de co elações, e i icou-se que o en ol imen o es á associado ao endimen o escola e à esc i a, mas, nes e úl imo caso, apenas à sua qualidade global. Cons a ou-se, ambém, que as di e en es dimensões do en ol imen o não se elacionam de igual modo com o desempenho acadêmico e com a esc i a, des acando-se a ausência de uma associação com a componen e agencia i a. Sendo possí el conclui -se pela exis ência de uma elação en e en ol imen o e desempenho acadêmico e esc i a, apon am-se algumas das p incipais limi ações do p esen e es udo e indicam-se linhas de in es igação u u a que ajudem a pe cebe alguns dos esul ados encon ados. Pala as-cha e En ol imen o na escola – Composição esc i a – Desempenho acadêmico. 1- Uni e sidade de Coimb a, Po ugal. Con a os: [email p o ec ed]; [email p o ec ed]; [email p o ec ed] 2- Uni e sidade de Lisboa, Po ugal. Con a o: [email p o ec ed] DOI: h p://dx.doi.o g/10.1590/S1678-4634201844183430 SEÇÃO: ARTIGOS This con en is licensed unde a C ea i e Commons a ibu ion- ype BY-NC. 2 Educ. Pesqui., São Paulo, . 44, e183430, 2018. Ma ia Isabel FESTAS; Ma ia José PRATA; Albe ina Lima de OLIVEIRA; Feliciano VEIGA Engagemen , academic achie emen and w i en composi ion Abs ac Engagemen can be conside ed as a c ucial ac o in main aining s uden pa icipa ion in hei own lea ning, mainly in demanding a eas such as w i en composi ion. I is his way ha he ela ionship be ween engagemen and academic achie emen has been b oadly documen ed, al hough he case o w i ing has been less s udied. This s udy in ended o in es iga e i engagemen is ela ed o academic achie emen and w i en composi ion. Th ough a co ela ional s udy, 213 nin h-g ade s answe ed o he Ques ionnai e on S uden s Engagemen in School, which includes beha io al, a ec i e, cogni i e, and agen ic dimensions. The same s uden s w o e an a gumen a i e ex ha was e alua ed om he poin o iew o i s global quali y and s uc u e. Da a ela ed o s uden s’ g ades in di e en subjec a eas and s uden s’ e en ions we e also collec ed. By es ablishing co ela ions, i was obse ed ha engagemen is associa ed wi h academic achie emen and also wi h w i ing, bu only wi h global quali y o w i ing. I was also ound ha he di e en dimensions o engagemen we e unequally ela ed o academic achie emen and w i ing, being pa icula ly no iceable he absence o an associa ion wi h agen ic dimension. Conclusion was he exis ence o a ela ionship be ween engagemen and academic achie emen and w i ing, some o he main limi a ions o he s udy we e indica ed as well as lines o u u e esea ch ha would help unde s and some o he esul s ound. Keywo ds Engagemen in school – W i en composi ion – Academic achie emen . In odução O en ol imen o em sido concei uado como o g au de mo i ação e comp ome imen o com a escola e com a ap endizagem acadêmica (SIMON-MORTON; CHEN, 2009). Tendo uma na u eza mul i ace ada, o en ol imen o inclui as dimensões compo amen al, a e i a, cogni i a e agencia i a (VEIGA e al., 2012). Embo a os au o es se di e enciem quan o ao papel que a ibuem a cada uma des as dimensões, há, a ualmen e, um la go consenso em o no da impo ância do en ol imen o, admi indo-se que se a a de um a o es ei amen e elacionado com o desempenho acadêmico, sendo, em simul âneo, p e en i o de mui os p oblemas como o abandono escola e a delinquência ju enil (e.g., APPLETON; CHRISTENSON; FURLONG, 2008; REEVE; TSENG, 2011). Concebido como undamen al na manu enção da pa icipação dos alunos no p ocesso da sua ap endizagem, o en ol imen o o na-se decisi o em a e as exigen es como são 3Educ. Pesqui., São Paulo, . 44, e183430, 2018. En ol imen o, desempenho acadêmico e composição esc i a as escola es. Nesse sen ido, a composição esc i a, á ea ans e sal a oda a ap endizagem, assume um luga de des aque, já que eque a mes ia de compe ências múl iplas ela i as à o og a ia, ao léxico, às eg as de pon uação, sin á icas, mo ológicas e de cons ução ex ual, implicando, igualmen e, um g ande domínio de es a égias de esolução de p oblemas, como a plani icação e a e isão (c . KELLOGG, 1994). Dada a complexidade da esc i a, acilmen e se en ende a impo ância dos aspec os mo i acionais e, em pa icula , do en ol imen o, que se á um elemen o essencial pa a man e a pe sis ência necessá ia à p ossecução de uma a e a des a na u eza (c . BOSCOLO; GELATI, 2007; BRUNING; KAUFFMAN, 2016). Assis indo-se, desde há alguns anos, a um in e esse c escen e no papel da mo i ação na esc i a, é desejá el que esse in e esse se es enda ao en ol imen o, aspec o ainda pouco es udado nessa á ea acadêmica especí ica (c . BOSCOLO; HIDI, 2007; HIDI; BOSCOLO, 2007). É nes e con ex o que, eco endo ao Ques ioná io de En ol imen o dos Alunos na Escola (VEIGA, 2013; 2016), o p esen e abalho em como obje i o undamen al sabe se, e e i amen e, o en ol imen o se elaciona com o desempenho acadêmico e com o ní el de ealização da composição esc i a de alunos do 9º ano de escola idade. Uma ez que o ques ioná io usado dá indicações sob e as componen es compo amen al, a e i a, cogni i a e agencia i a, p e ende-se, igualmen e, pe cebe não apenas se o desempenho acadêmico e a e iciência na composição esc i a se elacionam com o en ol imen o global, mas ainda como é que nessa elação se di e enciam ou não as qua o dimensões. Após uma b e e esenha sob e o en ol imen o e suas elações com o desempenho acadêmico e com a esc i a, é ap esen ado o es udo de na u eza co elacional le ado a cabo em escolas públicas po uguesas, desc e endo-se os pa icipan es, ins umen os, p ocedimen o e esul ados. Po úl imo, é ei a uma discussão dos esul ados alcançados, ap esen am-se algumas conclusões, bem como as p incipais limi ações des e es udo e suges ões de in es igações u u as. En ol imen o dos alunos na escola O en ol imen o es á es ei amen e ligado à mo i ação, ha endo au o es como Ande man e Pa ick (2012) que o azem depende dos mo i os, al como são de inidos na Teo ia dos Obje i os de Ellio (1999) – obje i os de mes ia/compe ência/ap endizagem e de desempenho. Segundo essa pe spec i a, a o ien ação pa a a mes ia es á associada a compo amen os acadêmicos posi i os, à pa icipação em a i idades o a da escola e à ausência de compo amen os dis up i os. Os obje i os de incen i o ado ados pelas pessoas, in luenciados pelo alo subje i o a ibuído à a e a, con ibui ão, assim, pa a o seu en ol imen o nes a mesma a e a (ECCLES e al., 1993; WIGFIELD; ECCLES, 2000). Sendo a mo i ação uma condição undamen al, não é, con udo, su icien e, pois só a a és do en ol imen o se o na possí el uma pa icipação e e i a na ap endizagem (SKINNER e al., 2009). E e i amen e, o en ol imen o é concebido como sendo o esponsá el pela iniciação e con inuidade das ações necessá ias à ealização das a e as. Exis e um ala gado consenso quan o à na u eza mul idimensional do en ol imen o, que inclui de duas a qua o dimensões. O modelo dual conside a a dimensões a e i a ou 4 Educ. Pesqui., São Paulo, . 44, e183430, 2018. Ma ia Isabel FESTAS; Ma ia José PRATA; Albe ina Lima de OLIVEIRA; Feliciano VEIGA emocional e a compo amen al (FINN, 1989; SKINNER e al., 2009), enquan o o modelo ipa ido p opõe, pa a além das duas an e io es, a dimensão cogni i a (FREDRICKS; BLUMENFELD; PARIS, 2004). Mais ecen emen e, alguns au o es in oduzi am uma no a componen e, a agencia i a (REEVE; TSENG, 2011). A dimensão a e i a, emocional ou psicológica (APPLETON; CHRISTENSON; FURLONG, 2008; GLANVILLE; WILDHAGEN, 2007) diz espei o às a i udes, ao sen ido de iden i icação e de pe ença dos alunos à escola, à ap endizagem, aos colegas e aos p o esso es. A i ência da escola como uma expe iência sa is a ó ia e ag adá el e o in e esse po aquilo que nela se passa azem pa e dessa dimensão (GOODENOW, 1993; JOHNSON; CROSNOE; ELDER, 2001; SKINNER; BELMONT, 1993; VOELKL, 1997). A dimensão compo amen al inclui as p á icas e os compo amen os ocacionados pa a a ap endizagem, le ados a cabo em casa, na u ma e na escola. A ealização dos abalhos de casa aduz o empenho que, o a da escola, os alunos colocam nas a e as acadêmicas (SHARP; KEYS; BENEFIELD, 2001). A pa icipação nas a i idades da u ma, a a és dos abalhos de g upo, da a enção e da discussão nas aulas, e a ausência de absen ismo deno am o en ol imen o compo amen al dos alunos na classe e na escola (REID, 2005; SKINNER e al., 2009). A ob enção de boas no as, a pa icipação em a i idades ex acu icula es, a ausência de compo amen os dis up i os e a acei ação e o espei o das eg as da escola ambém são aspec os conside ados como in eg an es dessa dimensão (c . VEIGA e al., 2012). A componen e cogni i a epo a-se às c enças dos alunos ace ca de si p óp ios e da sua compe ência acadêmica e às suas pe cepções da escola, dos p o esso es e dos colegas (JIMERSON; CAMPOS; GREEN, 2003; MARTIN, 2007). Es a dimensão inclui, igualmen e, o in es imen o do es udan e, bem como o ecu so a es a égias de au o egulação necessá ias à ealização de a e as in elec ualmen e complexas e exigen es (APPLETON e al., 2006; FREDRICKS; BLUMENFELD; PARIS, 2004). Nesse sen ido, a componen e cogni i a dá con a do g au de p o undidade do en ol imen o do es udan e na sua ap endizagem e nas a e as acadêmicas. A dimensão agencia i a, elacionada com a inicia i a e a ação po pa e dos alunos, em sido e idenciada, po in es igações ecen es (REEVE; TSENG, 2011), como sendo uma componen e impo an e do en ol imen o na escola. T a a-se da capacidade dos alunos de in e i e in luencia o meio escola e o seu p ocesso de ap endizagem, con ibuindo de o ma p oa i a e cons u i a pa a o desen ol imen o da ins ução que ecebem e pa a o en iquecimen o das condições acadêmicas. En ol imen o e desempenho acadêmico O en ol imen o pode se um impo an e mediado en e a iá eis pessoais (po exemplo, de o dem mo i acional, pe cepções) e con ex uais (po exemplo, ipo de ecu sos exis en es), po um lado, e o desempenho acadêmico, po ou o (LI; LERNER; LERNER, 2010; WANG; HOLCOMBE, 2010). Es udos longi udinais, como os de Voelkl (1997), em que se segui am alunos do 4º ao 8º ano, êm mos ado que a elação en e en ol imen o e desempenho escola se man ém ao longo da escola idade, embo a se saiba que o p imei o 5Educ. Pesqui., São Paulo, . 44, e183430, 2018. En ol imen o, desempenho acadêmico e composição esc i a ai diminuindo dos p imei os pa a os úl imos anos passados na escola (KLEM; CONNELL, 2004). As elações en e desempenho acadêmico e en ol imen o não se ão, ce amen e, alheias à in luência do meio sociocul u al. Alunos de ambien es mais des a o ecidos ap esen am isões mais nega i as de si p óp ios, da escola e da ca ei a (BORKOWSKI; THORPE, 1994). Es udando a in luência das á ias dimensões do en ol imen o na ealização acadêmica, au o es como Finn (1989) conside am que a compo amen al, a a és da pa icipação na escola e nas a i idades da classe, conduzindo a uma melho ealização e a uma maio compe ência, ajuda á o aluno a desen ol e o sen ido de iden i icação com a escola, con ibuindo, assim, pa a um aumen o do en ol imen o a e i o. Já ou os au o es como Skinne e al. (2008) conside am que é o en ol imen o a e i o que de e mina á o desempenho, sendo es a elação mediada pela dimensão compo amen al. Nes a pe spec i a, alunos com a i udes mais a o á eis em elação à escola pa icipa iam mais das a i idades da u ma e dos abalhos de casa, endo, assim, um maio ap o ei amen o escola . Do mesmo modo, a i udes nega i as pa a com a escola conduzi iam a um maio absen ismo. Que se dê maio ele ância a uma ou a ou a dimensão, há a ualmen e o e e idência das elações en e, po um lado, o en ol imen o, e, po ou o, o desempenho acadêmico (LI e al., 2008), a ap endizagem (AINLEY, 1993), as no as escola es e os esul ados em es es es anda dizados (CARAWAY e al., 2003). Sendo o en ol imen o um a o mui o impo an e nos bons desempenhos acadêmicos, sabe-se que a sua ausência es á associada ao insucesso e abandono escola es. Compa ando alunos com di e en es aje ó ias desen ol imen ais, Janosz e colabo ado es (2008) e i ica am que aqueles que, en e os 12 e os 16 anos, man êm um en ol imen o ele ado êm uma oco ência mínima de abandono, con a iamen e aos que, nessas mesmas idades, diminuem os ní eis de en ol imen o e que ap esen am uma maio p obabilidade de deixa a escola. Também em elação à delinquência e ao uso de subs âncias, em-se encon ado dados que apon am no mesmo sen ido, is o é, o de uma associação en e os pad ões de desen ol imen o – mesmos ní eis ou dec éscimo de en ol imen o – e, espec i amen e, pe cu sos no ma i os e p oblemá icos (HENRY; KNIGHT; THORNBERRY, 2012). Na e dade, mui os es udos êm mos ado que os p oblemas de compo amen o (FREDRICKS; BLUMENFELD; PARIS, 2004), a delinquência (PAYNE, GOTTFREDSON; GOTTFREDSON, 2003) e o consumo de subs âncias (GUTMAN; MIDGLEY, 2000), odos eles o emen e ligados a um aco desempenho acadêmico, es ão elacionados com baixos ní eis de en ol imen o escola . Há dados pa icula es ela i os a algumas das dimensões do en ol imen o que indicam que a emocional e a compo amen al são boas p edi o as de uma ausência ou dec éscimo da delinquência e do uso de subs âncias (LI; LERNER, 2011) e que, do mesmo modo, a cogni i a se elaciona nega i amen e com os compo amen os dis up i os (HIRSCHFIELD; GASPER, 2011). En ol imen o e esc i a Esc e e eque não apenas o domínio de compe ências elacionadas com o og a ia, pon uação, cons ução ásica, es ilo e es u u as ex uais, mas ambém a p ocessos de 6 Educ. Pesqui., São Paulo, . 44, e183430, 2018. Ma ia Isabel FESTAS; Ma ia José PRATA; Albe ina Lima de OLIVEIRA; Feliciano VEIGA p ocu a de in o mação, plani icação, adução e e isão, al como oi salien ado há já alguns anos po Hayes e Flowe (1980). Equipa ada, po esses au o es, a uma si uação de esolução de p oblemas, a esc i a exige, no momen o da plani icação, o es abelecimen o de obje i os a que se de e subo dina a escolha das ações a emp eende , bem como a e isão de aco do com o que oi p e iamen e de inido. A esc i a madu a, p essupondo uma ans o mação dos conhecimen os que se p ocu a am in e na ou ex e namen e em algo de mais elabo ado e/ou pessoal (SCARDAMALIA; BEREITER, 1986), cons i ui um meio p i ilegiado de cons ução de conhecimen o e de ap endizagem (c . MACARTHUR; GRAHAM, 2016). T a a-se, assim, de uma a e a mui o impo an e, mas ambém mui o exigen e, o que es a á na o igem das di iculdades gene alizadas encon adas em alunos de odos os ní eis de escola idade (po exemplo, GABINETE DE AVALIAÇÃO EDUCACIONAL, 2013; NATIONAL CENTER OF EDUCATIONAL STATISTICS, 2012), icando os esul ados mui o aquém do que se ia de espe a (LANE e al., 2006). Dada a complexidade da esc i a, acilmen e se comp eende a necessidade de um en ol imen o po pa e do aluno. E e i amen e, a composição ex ual exige es o ço, p á ica e comp ome imen o, não esul ando de uma a i idade aciden al. Pa a que alguém man enha a sua pe sis ência, dedicando o empo e a ene gia necessá ios à esolução de uma a e a desse ipo, p ecisa es a mo i ado e se sen i en ol ido nessa mesma a e a. No en an o, apesa de nos úl imos anos as ligações da esc i a com a mo i ação e em susci ado um g ande in e esse (c ., BRUNING; KAUFFMAN, 2016), o papel do en ol imen o nesse domínio especí ico não em sido obje o de mui a a enção. A elação do en ol imen o com uma abo dagem comp ome ida com a ap endizagem oi já documen ada em á eas de li e acia, como a lei u a e a comp eensão de ex os (GUTHRIE; WIGIELD, 2000), sendo de espe a que isso mesmo acon eça com a esc i a (po exemplo, BOSCOLO; HIDI, 2007). De a o, endo Gu h ie e Wigield (2000) e i icado que os alunos que mais se en ol em são aqueles que leem de o ma mais a i a, usando es a égias que lhes pe mi em adqui i conhecimen os a ançados e ní eis de comp eensão mais p o undos, é expec á el que na esc i a, a e a complexa e de li e acia como a da lei u a, o en ol imen o es eja, igualmen e, associado a um in es imen o e es o ço e a uma maio capacidade pa a eco e e ge i os p ocessos necessá ios à sua boa p ossecução, aduzindo-se em melho es desempenhos e em composições de boa qualidade. Mé odo Nes a secção ap esen am-se a ca ac e ização da amos a, o p ocedimen o seguido, desde as solici ações pa a a au o ização do es udo a é à ecolha dos dados empí icos, bem com os ins umen os de a aliação u ilizados. Pa icipan es Pa icipa am no es udo 213 alunos com idades comp eendidas en e os 14 e os 18 anos (M = 14,56; DP = 0,70), endo maio i a iamen e 14 anos (n = 112), seguidos po 15 anos (n = 79) e po 16 ou mais anos (n = 22). Des es, 111 (52,1%) pe encem ao sexo masculino e 102 (47,9%) ao sexo eminino. 7Educ. Pesqui., São Paulo, . 44, e183430, 2018. En ol imen o, desempenho acadêmico e composição esc i a Os alunos encon a am-se a equen a o 9º ano de escola idade em ês escolas da zona cen al de Po ugal, dis ibuídos po doze u mas. Nes as, o núme o de alunos a ia a en e 14 e 22. Quan o às habili ações li e á ias dos pais, conside a am-se ês ní eis de escola idade – básico (a é ao 9º ano), secundá io (a é ao 12º ano) e supe io –, sendo que, no caso do pai, 89 ap esen a am uma o mação a é ao 9º ano (41,8%), 59 a é ao 12º ano (27,7%) e 51 (23,9%) inham uma o mação supe io . No caso da mãe, 75 (35,2%) inham o ní el básico, 57 (26,8%) o ní el secundá io e 71 (33,3%) o ní el supe io . P ocedimen os e ins umen os An es de o es udo começa , o am pedidas au o izações e ob ido consen imen o da Di eção Ge al do Ensino Básico (DGE), dos di e o es das escolas, dos p o esso es, dos enca egados de educação e dos alunos. Na ecolha de dados o am espei ados odos os equisi os é icos necessá ios a es e ipo de in es igação. O en ol imen o dos alunos oi a aliado a a és do Ques ioná io de En ol imen o dos Alunos na Escola – Uma Escala com Qua o Dimensões EAE – E4D (VEIGA, 2013; 2016). T a a-se de um ins umen o com in e ques ões que con emplam as qua o dimensões do en ol imen o: cogni i a, a e i a, compo amen al e agencia i a. A dimensão cogni i a compo a cinco ques ões (i ens 1 a 5) elacionadas com o in es imen o do aluno no p ocessamen o de in o mação e com es a égias de au o egulação (po exemplo: P ocu o elaciona o que ap endo numa disciplina com o que ap endi nou as; Re ejo egula men e os meus apon amen os, mesmo que um es e ainda não es eja p óximo), incluindo um i em de esc i a (Quando esc e o os meus abalhos, começo po aze um plano pa a o ex o a edigi ). Os i ens da dimensão a e i a (i ens 6 a 10) incidem na ligação e no sen ido de pe ença à escola (po exemplo: A minha escola é um luga onde me sin o in eg ado; A minha escola é um luga onde aço amigos com acilidade). Na dimensão compo amen al, os seus cinco i ens (11 a 15) a aliam aspec os ligados a condu as nas aulas e na escola (po exemplo: Pe u bo a aula p oposi adamen e; Fal o à escola sem uma azão álida). Po úl imo, a dimensão agencia i a inclui igualmen e cinco i ens (16 a 20) que se elacionam com a con ibuição cons u i a do aluno pa a a sua ap endizagem, isando às suas inicia i as, in e enções, ques ões e suges ões (po exemplo: Falo com os meus p o esso es sob e aquilo de que gos o e não gos o; Du an e as aulas, coloco ques ões aos p o esso es). Pa a além das qua o dimensões, o soma ó io do EAE – E4D dá-nos uma medida ge al do en ol imen o do aluno na escola. O EAE – E4D é uma escala de ipo Like , com 6 pon os, os quais a iam en e 1 ( o al desaco do) e 6 ( o al aco do). A maio ia dos i ens es ão o mulados de modo posi i o, embo a alguns es ejam em sen ido con á io (com os esul ados mais baixos a indica em maio en ol imen o). T a a-se de uma escala que e elou boas p op iedades psicomé icas, que em e mos de alidade, que de idelidade. Os alo es globais ob idos na p esen e amos a a ia am en e 55 e 114 e e ela am um α de C onbach de .80. No que espei a à dimensão cogni i a, os alo es si ua am-se en e 9 e 27, e a sua consis ência in e na oi de .67. No caso da dimensão a e i a, encon a am-se alo es en e 12 e 30, e a consis ência in e na ob ida oi de .78. Quan o à dimensão compo amen al, a ampli ude 8 Educ. Pesqui., São Paulo, . 44, e183430, 2018. Ma ia Isabel FESTAS; Ma ia José PRATA; Albe ina Lima de OLIVEIRA; Feliciano VEIGA dos alo es si uou-se en e 10 e 30, com um α de C onbach de .89 e, no que espei a à dimensão agencia i a, os alo es a ia am en e 5 e 30, sendo o α de C onbach de .87. Tendo em is a a a aliação do desempenho acadêmico, uma bolsei a de in es igação ecolheu, nos egis os escola es dos alunos, as no as ob idas no úl imo pe íodo de aulas do ano le i o an e io , nas disciplinas de po uguês, língua es angei a, his ó ia, ma emá ica, ciências na u ais, ciências ísicas e química e geog a ia. Foi ei a uma média das no as de odas as disciplinas, com exceção de po uguês, que oi conside ada independen emen e das ou as, já que, a ando-se da disciplina de língua ma e na, se elaciona es ei amen e com a esc i a, á ea que in e essa pa icula men e no con ex o do p esen e abalho. Daqui esul a am dois indicado es dos esul ados escola es: a no a de po uguês e a média das no as do conjun o das ou as disciplinas. Conside ou-se, ainda, o núme o de epe ências ap esen ado po cada aluno. Com o obje i o de a alia a esc i a, oi pedido a odos os alunos que edigissem um ex o a gumen a i o sob e o ema O papel do g upo de amigos, suas an agens e des an agens. Esse ema oi escolhido po suges ão dos p o esso es, que o indica am como sendo de especial in e esse pa a os alunos dessas idades. As composições o am esc i as em sala de aula, no âmbi o da disciplina de po uguês. Depois de e sido e i ada a iden i icação dos alunos, p ocedeu-se à a aliação dos ex os. Uma medida da sua qualidade global oi ob ida a pa i da classi icação ei a po dois p o esso es de po uguês. Es es, de o ma independen e, a ibuí am um alo , numa escala de 0 a 5, à qualidade de cada composição, a endendo a c i é ios como o ganização das ideias, cons ução ásica, espei o pela g amá ica e ocabulá io. A idelidade in e - -co ado es (Kappa de Cohen) oi de .76. T a ando-se de um ex o a gumen a i o, oi, ambém, a aliada a es u u a das composições. Assim, oi con abilizado o núme o de elemen os es u u ais ca ac e ís icos da a gumen ação p esen es em cada ex o: in odução, omada de posição, a gumen os a a o , con a-a gumen os e conclusão (c . VAN EEMEREN; GROOTENDORST, 2004). Fo am a ibuídos 0 e 1 pon os, espec i amen e, à ausência e à p esença de cada um dos seguin es elemen os: in odução, omada de posição e conclusão. Po sua ez, cada a gumen o e con a-a gumen o e e ido no ex o e a co ado com 1 pon o. O soma ó io de odos os pon os deu uma medida ela i a à es u u a do ex o. Dois assis en es de in es igação, p e iamen e einados, a alia am, de o ma independen e, odas as composições do pon o de is a da sua es u u a. A idelidade in e -co ado es (Kappa de Cohen) oi de .95. Resul ados Os dados o am a ados com ecu so ao p og ama IBM SPSS, e são 22. A maio ia dos alunos, co espondendo a 84,5% (n = 180) não ap esen a a epe ências, 19 ep o a am uma ez (8,9%), 13 duas ezes (6,1%) e um (0,5%) não espondeu. A Tabela 1 ap esen a os alo es mínimos e máximos, a média, mediana e des io pad ão do en ol imen o dos alunos na escola, do endimen o escola , a aliado a a és da no a na disciplina de po uguês e da média das no as do conjun o das ou as disciplinas (língua es angei a, his ó ia, ma emá ica, ciências na u ais, ciências ísicas e química e 9Educ. Pesqui., São Paulo, . 44, e183430, 2018. En ol imen o, desempenho acadêmico e composição esc i a geog a ia) e da classi icação ob ida na composição esc i a, que do pon o de is a da sua qualidade global, que da sua es u u a. Tabela 1 – Valo es mínimos e máximos, média, mediana e des io pad ão das a iá eis em es udo Va iá eis N Min. Máx. Média Mediana DP En ol imen o Ge al 213 55.00 114.00 87.62 88.00 11.05 D. Cogni i a 213 9.00 27.00 19.21 19.00 3.92 D. A e i a 213 12.00 30.00 25.04 26.00 4.21 D. Compo amen al 213 10.00 30.00 25.69 27.00 4.69 D. Agencia i a 213 5.00 30.00 17.68 18.00 5.37 RE Po uguês 213 2.00 5.00 3.33 3.00 0.78 Média das No as 213 2.00 5.00 3.44 3.29 0.65 Q. Global Esc i a 213 0.00 4.00 1.66 1.50 0.76 Es u u a Esc i a 213 0.00 11.00 1.44 1.00 2.19 Min.= Valo mínimo; Máx.= Valo máximo; DP= Des io pad ão; D= Dimensão; RE= Rendimen o Escola ; Q= Qualidade. Fon e: dados da pesquisa. Na Tabela 1 incluímos a mediana e não apenas a média, como medidas de endência cen al, po que alguns esul ados es a am mui o concen ados em o no de um ou dois alo es, sendo o caso da es u u a da esc i a, que embo a a iasse en e 0 e 11, e elou que a g ande maio ia dos alunos ap esen ou pon uações mui o baixas (82,1% com 0 e 1 pon os), sem g ande a iabilidade nos ou os esul ados (3,4% com 2 e 3 pon os, 6,5% com 4 e 5 pon os, 3,7% com 6 e 7 pon os, 2,9% com 8 e 9 pon os, 1,4% com 10 e 11 pon os). Na Tabela 2 ap esen am-se as co elações encon adas en e o en ol imen o ge al e as suas di e en es dimensões, po um lado, e, po ou o, o desempenho na esc i a (qualidade global e espei o pela es u u a a gumen a i a), os esul ados escola es (no a de po uguês e média das no as nas ou as disciplinas), núme o de epe ências e a idade. Tabela 2- Co elações do en ol imen o na escola com as ou as a iá eis En ol imen o Ge al D. Cogni i a D. A e i a D. Compo amen al D. Agencia i a Q. Global .173* .270** .028 .008 .129 Es u u a Esc i a -.071 -.047 -.034 .001 -.087 RE Po uguês .247** . 143* .107 .270** .084 Média das No as . 320** .168* .192* .339** .090 Nº epe ências -.210** -.041 -.181** -.271** .112 Idade -.164* -.031 -.146* -.306** .066 *Co elação signi ica i a a ní el 0.05 (bidi ecional); ** Co elação signi ica i a a ní el 0.01 (bidi ecional). Fon e: dados da pesquisa. 16 Educ. Pesqui., São Paulo, . 44, e183430, 2018. Ma ia Isabel FESTAS; Ma ia José PRATA; Albe ina Lima de OLIVEIRA; Feliciano VEIGA MACARTHUR, Cha les; GRAHAM, S e e. W i ing esea ch om a cogni i e pe spec i e. In: MacARTHUR, Cha les; GRAHAM, S e e; FITZGERALD, Jill (Ed.). Handbook o w i ing esea ch 2. ed. New Yo k: Guil o d, 2016. p. 24-40. MARTIN, And ew J. Examining a mul idimensional model o s uden mo i a ion and engagemen using a cons uc alida ion app oach. B i ish Jou nal o Educa ional Psychology, Chiches e , . 77, n. 2, p. 413- 440, jun. 2007. NATIONAL CENTER FOR EDUCATION STATISTICS. The na ion’s epo ca d: w i ing 2011. Washing on, DC: Ins i u e o Educa ional Sciences; U.S. Depa men o Educa ion, 2012. 47 p. NEWTON, Rae R.; Rudes am, Kjell E. You s a is ical consul an : answe s o you da a analysis ques ions. 2. ed. Thousand Oaks: Sage, 2013. 356 p. PAYNE, Allison; GOTTFREDSON, Denise; GOTTFREDSON, Ga y. Schools as communi ies: he ela ionships among communal school o ganiza ion, s uden bonding, and social diso de . 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É in es igado a do Cen o de Es udos In e disciplina es do Século XX (CEIS20) da Uni e sidade de Coimb a. Feliciano Veiga é p o esso ca ed á ico no Ins i u o de Educação da Uni e sidade de Lisboa, onde é coo denado do dou o amen o em psicologia da educação, memb o do Conselho Cien í ico e p esiden e da Comissão de É ica. É memb o de jú is de a aliação da FCT e da A3Es.