Full text
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Educ. Pesqui., São Paulo, . 44, e183430, 2018.
En ol imen o, desempenho acadêmico e
composição esc i a
Ma ia Isabel Fes as1
Ma ia José P a a1
Albe ina Lima de Oli ei a1
Feliciano Veiga2
Resumo
O en ol imen o pode se conside ado um a o decisi o na manu enção da pa icipação dos
alunos na sua ap endizagem, sendo isso pa icula men e ele an e quando se a a de á eas
mui o exigen es, como a composição esc i a. É assim que a elação en e o en ol imen o
e o desempenho acadêmico em sido amplamen e documen ada, embo a o caso da esc i a
enha sido menos es udado. No p esen e abalho, p ocu ou-se sabe se o en ol imen o
escola se elaciona com o desempenho acadêmico e com a composição esc i a. A a és de
um es udo co elacional, 213 alunos do 9º ano de escola idade esponde am ao Ques ioná io
de En ol imen o dos Alunos na Escola, que inclui as dimensões compo amen al, a e i a,
cogni i a e agencia i a. Os mesmos alunos esc e e am um ex o a gumen a i o que oi
a aliado do pon o de is a da sua qualidade global e da sua es u u a. Recolhe am-se, ainda,
as no as ob idas em á ias disciplinas e dados ela i os às epe ências. Pelo es abelecimen o
de co elações, e i icou-se que o en ol imen o es á associado ao endimen o escola e à
esc i a, mas, nes e úl imo caso, apenas à sua qualidade global. Cons a ou-se, ambém, que as
di e en es dimensões do en ol imen o não se elacionam de igual modo com o desempenho
acadêmico e com a esc i a, des acando-se a ausência de uma associação com a componen e
agencia i a. Sendo possí el conclui -se pela exis ência de uma elação en e en ol imen o
e desempenho acadêmico e esc i a, apon am-se algumas das p incipais limi ações do
p esen e es udo e indicam-se linhas de in es igação u u a que ajudem a pe cebe alguns
dos esul ados encon ados.
Pala as-cha e
En ol imen o na escola – Composição esc i a – Desempenho acadêmico.
1- Uni e sidade de Coimb a, Po ugal. Con a os: [email p o ec ed]; [email p o ec ed]; [email p o ec ed]
2- Uni e sidade de Lisboa, Po ugal. Con a o: [email p o ec ed]
DOI: h p://dx.doi.o g/10.1590/S1678-4634201844183430
SEÇÃO: ARTIGOS
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Educ. Pesqui., São Paulo, . 44, e183430, 2018.
Ma ia Isabel FESTAS; Ma ia José PRATA; Albe ina Lima de OLIVEIRA; Feliciano VEIGA
Engagemen , academic achie emen and
w i en composi ion
Abs ac
Engagemen can be conside ed as a c ucial ac o in main aining s uden pa icipa ion in
hei own lea ning, mainly in demanding a eas such as w i en composi ion. I is his way
ha he ela ionship be ween engagemen and academic achie emen has been b oadly
documen ed, al hough he case o w i ing has been less s udied. This s udy in ended o
in es iga e i engagemen is ela ed o academic achie emen and w i en composi ion.
Th ough a co ela ional s udy, 213 nin h-g ade s answe ed o he Ques ionnai e on
S uden s Engagemen in School, which includes beha io al, a ec i e, cogni i e, and
agen ic dimensions. The same s uden s w o e an a gumen a i e ex ha was e alua ed
om he poin o iew o i s global quali y and s uc u e. Da a ela ed o s uden s’ g ades
in di e en subjec a eas and s uden s’ e en ions we e also collec ed. By es ablishing
co ela ions, i was obse ed ha engagemen is associa ed wi h academic achie emen
and also wi h w i ing, bu only wi h global quali y o w i ing. I was also ound ha he
di e en dimensions o engagemen we e unequally ela ed o academic achie emen and
w i ing, being pa icula ly no iceable he absence o an associa ion wi h agen ic dimension.
Conclusion was he exis ence o a ela ionship be ween engagemen and academic
achie emen and w i ing, some o he main limi a ions o he s udy we e indica ed as well
as lines o u u e esea ch ha would help unde s and some o he esul s ound.
Keywo ds
Engagemen in school – W i en composi ion – Academic achie emen .
In odução
O en ol imen o em sido concei uado como o g au de mo i ação e comp ome imen o
com a escola e com a ap endizagem acadêmica (SIMON-MORTON; CHEN, 2009). Tendo
uma na u eza mul i ace ada, o en ol imen o inclui as dimensões compo amen al,
a e i a, cogni i a e agencia i a (VEIGA e al., 2012). Embo a os au o es se di e enciem
quan o ao papel que a ibuem a cada uma des as dimensões, há, a ualmen e, um la go
consenso em o no da impo ância do en ol imen o, admi indo-se que se a a de um
a o es ei amen e elacionado com o desempenho acadêmico, sendo, em simul âneo,
p e en i o de mui os p oblemas como o abandono escola e a delinquência ju enil (e.g.,
APPLETON; CHRISTENSON; FURLONG, 2008; REEVE; TSENG, 2011).
Concebido como undamen al na manu enção da pa icipação dos alunos no p ocesso
da sua ap endizagem, o en ol imen o o na-se decisi o em a e as exigen es como são
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En ol imen o, desempenho acadêmico e composição esc i a
as escola es. Nesse sen ido, a composição esc i a, á ea ans e sal a oda a ap endizagem,
assume um luga de des aque, já que eque a mes ia de compe ências múl iplas ela i as
à o og a ia, ao léxico, às eg as de pon uação, sin á icas, mo ológicas e de cons ução
ex ual, implicando, igualmen e, um g ande domínio de es a égias de esolução de
p oblemas, como a plani icação e a e isão (c . KELLOGG, 1994). Dada a complexidade da
esc i a, acilmen e se en ende a impo ância dos aspec os mo i acionais e, em pa icula ,
do en ol imen o, que se á um elemen o essencial pa a man e a pe sis ência necessá ia
à p ossecução de uma a e a des a na u eza (c . BOSCOLO; GELATI, 2007; BRUNING;
KAUFFMAN, 2016). Assis indo-se, desde há alguns anos, a um in e esse c escen e no
papel da mo i ação na esc i a, é desejá el que esse in e esse se es enda ao en ol imen o,
aspec o ainda pouco es udado nessa á ea acadêmica especí ica (c . BOSCOLO; HIDI, 2007;
HIDI; BOSCOLO, 2007).
É nes e con ex o que, eco endo ao Ques ioná io de En ol imen o dos Alunos na
Escola (VEIGA, 2013; 2016), o p esen e abalho em como obje i o undamen al sabe
se, e e i amen e, o en ol imen o se elaciona com o desempenho acadêmico e com o
ní el de ealização da composição esc i a de alunos do 9º ano de escola idade. Uma ez
que o ques ioná io usado dá indicações sob e as componen es compo amen al, a e i a,
cogni i a e agencia i a, p e ende-se, igualmen e, pe cebe não apenas se o desempenho
acadêmico e a e iciência na composição esc i a se elacionam com o en ol imen o global,
mas ainda como é que nessa elação se di e enciam ou não as qua o dimensões.
Após uma b e e esenha sob e o en ol imen o e suas elações com o desempenho
acadêmico e com a esc i a, é ap esen ado o es udo de na u eza co elacional le ado a
cabo em escolas públicas po uguesas, desc e endo-se os pa icipan es, ins umen os,
p ocedimen o e esul ados. Po úl imo, é ei a uma discussão dos esul ados alcançados,
ap esen am-se algumas conclusões, bem como as p incipais limi ações des e es udo e
suges ões de in es igações u u as.
En ol imen o dos alunos na escola
O en ol imen o es á es ei amen e ligado à mo i ação, ha endo au o es como
Ande man e Pa ick (2012) que o azem depende dos mo i os, al como são de inidos na
Teo ia dos Obje i os de Ellio (1999) – obje i os de mes ia/compe ência/ap endizagem
e de desempenho. Segundo essa pe spec i a, a o ien ação pa a a mes ia es á associada
a compo amen os acadêmicos posi i os, à pa icipação em a i idades o a da escola
e à ausência de compo amen os dis up i os. Os obje i os de incen i o ado ados pelas
pessoas, in luenciados pelo alo subje i o a ibuído à a e a, con ibui ão, assim, pa a o
seu en ol imen o nes a mesma a e a (ECCLES e al., 1993; WIGFIELD; ECCLES, 2000).
Sendo a mo i ação uma condição undamen al, não é, con udo, su icien e, pois só a a és
do en ol imen o se o na possí el uma pa icipação e e i a na ap endizagem (SKINNER
e al., 2009). E e i amen e, o en ol imen o é concebido como sendo o esponsá el pela
iniciação e con inuidade das ações necessá ias à ealização das a e as.
Exis e um ala gado consenso quan o à na u eza mul idimensional do en ol imen o,
que inclui de duas a qua o dimensões. O modelo dual conside a a dimensões a e i a ou
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Ma ia Isabel FESTAS; Ma ia José PRATA; Albe ina Lima de OLIVEIRA; Feliciano VEIGA
emocional e a compo amen al (FINN, 1989; SKINNER e al., 2009), enquan o o modelo
ipa ido p opõe, pa a além das duas an e io es, a dimensão cogni i a (FREDRICKS;
BLUMENFELD; PARIS, 2004). Mais ecen emen e, alguns au o es in oduzi am uma no a
componen e, a agencia i a (REEVE; TSENG, 2011).
A dimensão a e i a, emocional ou psicológica (APPLETON; CHRISTENSON;
FURLONG, 2008; GLANVILLE; WILDHAGEN, 2007) diz espei o às a i udes, ao sen ido
de iden i icação e de pe ença dos alunos à escola, à ap endizagem, aos colegas e aos
p o esso es. A i ência da escola como uma expe iência sa is a ó ia e ag adá el e o
in e esse po aquilo que nela se passa azem pa e dessa dimensão (GOODENOW, 1993;
JOHNSON; CROSNOE; ELDER, 2001; SKINNER; BELMONT, 1993; VOELKL, 1997).
A dimensão compo amen al inclui as p á icas e os compo amen os ocacionados
pa a a ap endizagem, le ados a cabo em casa, na u ma e na escola. A ealização dos
abalhos de casa aduz o empenho que, o a da escola, os alunos colocam nas a e as
acadêmicas (SHARP; KEYS; BENEFIELD, 2001). A pa icipação nas a i idades da u ma,
a a és dos abalhos de g upo, da a enção e da discussão nas aulas, e a ausência de
absen ismo deno am o en ol imen o compo amen al dos alunos na classe e na escola
(REID, 2005; SKINNER e al., 2009). A ob enção de boas no as, a pa icipação em a i idades
ex acu icula es, a ausência de compo amen os dis up i os e a acei ação e o espei o das
eg as da escola ambém são aspec os conside ados como in eg an es dessa dimensão (c .
VEIGA e al., 2012).
A componen e cogni i a epo a-se às c enças dos alunos ace ca de si p óp ios e da
sua compe ência acadêmica e às suas pe cepções da escola, dos p o esso es e dos colegas
(JIMERSON; CAMPOS; GREEN, 2003; MARTIN, 2007). Es a dimensão inclui, igualmen e, o
in es imen o do es udan e, bem como o ecu so a es a égias de au o egulação necessá ias
à ealização de a e as in elec ualmen e complexas e exigen es (APPLETON e al., 2006;
FREDRICKS; BLUMENFELD; PARIS, 2004). Nesse sen ido, a componen e cogni i a dá
con a do g au de p o undidade do en ol imen o do es udan e na sua ap endizagem e nas
a e as acadêmicas.
A dimensão agencia i a, elacionada com a inicia i a e a ação po pa e dos alunos,
em sido e idenciada, po in es igações ecen es (REEVE; TSENG, 2011), como sendo uma
componen e impo an e do en ol imen o na escola. T a a-se da capacidade dos alunos de
in e i e in luencia o meio escola e o seu p ocesso de ap endizagem, con ibuindo de
o ma p oa i a e cons u i a pa a o desen ol imen o da ins ução que ecebem e pa a o
en iquecimen o das condições acadêmicas.
En ol imen o e desempenho acadêmico
O en ol imen o pode se um impo an e mediado en e a iá eis pessoais (po
exemplo, de o dem mo i acional, pe cepções) e con ex uais (po exemplo, ipo de ecu sos
exis en es), po um lado, e o desempenho acadêmico, po ou o (LI; LERNER; LERNER,
2010; WANG; HOLCOMBE, 2010). Es udos longi udinais, como os de Voelkl (1997), em
que se segui am alunos do 4º ao 8º ano, êm mos ado que a elação en e en ol imen o e
desempenho escola se man ém ao longo da escola idade, embo a se saiba que o p imei o
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En ol imen o, desempenho acadêmico e composição esc i a
ai diminuindo dos p imei os pa a os úl imos anos passados na escola (KLEM; CONNELL,
2004). As elações en e desempenho acadêmico e en ol imen o não se ão, ce amen e,
alheias à in luência do meio sociocul u al. Alunos de ambien es mais des a o ecidos
ap esen am isões mais nega i as de si p óp ios, da escola e da ca ei a (BORKOWSKI;
THORPE, 1994).
Es udando a in luência das á ias dimensões do en ol imen o na ealização
acadêmica, au o es como Finn (1989) conside am que a compo amen al, a a és da
pa icipação na escola e nas a i idades da classe, conduzindo a uma melho ealização e a
uma maio compe ência, ajuda á o aluno a desen ol e o sen ido de iden i icação com a
escola, con ibuindo, assim, pa a um aumen o do en ol imen o a e i o. Já ou os au o es
como Skinne e al. (2008) conside am que é o en ol imen o a e i o que de e mina á o
desempenho, sendo es a elação mediada pela dimensão compo amen al. Nes a pe spec i a,
alunos com a i udes mais a o á eis em elação à escola pa icipa iam mais das a i idades
da u ma e dos abalhos de casa, endo, assim, um maio ap o ei amen o escola . Do mesmo
modo, a i udes nega i as pa a com a escola conduzi iam a um maio absen ismo.
Que se dê maio ele ância a uma ou a ou a dimensão, há a ualmen e o e e idência
das elações en e, po um lado, o en ol imen o, e, po ou o, o desempenho acadêmico
(LI e al., 2008), a ap endizagem (AINLEY, 1993), as no as escola es e os esul ados em
es es es anda dizados (CARAWAY e al., 2003).
Sendo o en ol imen o um a o mui o impo an e nos bons desempenhos
acadêmicos, sabe-se que a sua ausência es á associada ao insucesso e abandono escola es.
Compa ando alunos com di e en es aje ó ias desen ol imen ais, Janosz e colabo ado es
(2008) e i ica am que aqueles que, en e os 12 e os 16 anos, man êm um en ol imen o
ele ado êm uma oco ência mínima de abandono, con a iamen e aos que, nessas mesmas
idades, diminuem os ní eis de en ol imen o e que ap esen am uma maio p obabilidade
de deixa a escola. Também em elação à delinquência e ao uso de subs âncias, em-se
encon ado dados que apon am no mesmo sen ido, is o é, o de uma associação en e
os pad ões de desen ol imen o – mesmos ní eis ou dec éscimo de en ol imen o – e,
espec i amen e, pe cu sos no ma i os e p oblemá icos (HENRY; KNIGHT; THORNBERRY,
2012). Na e dade, mui os es udos êm mos ado que os p oblemas de compo amen o
(FREDRICKS; BLUMENFELD; PARIS, 2004), a delinquência (PAYNE, GOTTFREDSON;
GOTTFREDSON, 2003) e o consumo de subs âncias (GUTMAN; MIDGLEY, 2000), odos
eles o emen e ligados a um aco desempenho acadêmico, es ão elacionados com baixos
ní eis de en ol imen o escola . Há dados pa icula es ela i os a algumas das dimensões
do en ol imen o que indicam que a emocional e a compo amen al são boas p edi o as de
uma ausência ou dec éscimo da delinquência e do uso de subs âncias (LI; LERNER, 2011)
e que, do mesmo modo, a cogni i a se elaciona nega i amen e com os compo amen os
dis up i os (HIRSCHFIELD; GASPER, 2011).
En ol imen o e esc i a
Esc e e eque não apenas o domínio de compe ências elacionadas com o og a ia,
pon uação, cons ução ásica, es ilo e es u u as ex uais, mas ambém a p ocessos de
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Ma ia Isabel FESTAS; Ma ia José PRATA; Albe ina Lima de OLIVEIRA; Feliciano VEIGA
p ocu a de in o mação, plani icação, adução e e isão, al como oi salien ado há já
alguns anos po Hayes e Flowe (1980). Equipa ada, po esses au o es, a uma si uação de
esolução de p oblemas, a esc i a exige, no momen o da plani icação, o es abelecimen o
de obje i os a que se de e subo dina a escolha das ações a emp eende , bem como a
e isão de aco do com o que oi p e iamen e de inido. A esc i a madu a, p essupondo
uma ans o mação dos conhecimen os que se p ocu a am in e na ou ex e namen e em
algo de mais elabo ado e/ou pessoal (SCARDAMALIA; BEREITER, 1986), cons i ui um
meio p i ilegiado de cons ução de conhecimen o e de ap endizagem (c . MACARTHUR;
GRAHAM, 2016). T a a-se, assim, de uma a e a mui o impo an e, mas ambém mui o
exigen e, o que es a á na o igem das di iculdades gene alizadas encon adas em alunos de
odos os ní eis de escola idade (po exemplo, GABINETE DE AVALIAÇÃO EDUCACIONAL,
2013; NATIONAL CENTER OF EDUCATIONAL STATISTICS, 2012), icando os esul ados
mui o aquém do que se ia de espe a (LANE e al., 2006).
Dada a complexidade da esc i a, acilmen e se comp eende a necessidade de um
en ol imen o po pa e do aluno. E e i amen e, a composição ex ual exige es o ço,
p á ica e comp ome imen o, não esul ando de uma a i idade aciden al. Pa a que alguém
man enha a sua pe sis ência, dedicando o empo e a ene gia necessá ios à esolução de
uma a e a desse ipo, p ecisa es a mo i ado e se sen i en ol ido nessa mesma a e a. No
en an o, apesa de nos úl imos anos as ligações da esc i a com a mo i ação e em susci ado
um g ande in e esse (c ., BRUNING; KAUFFMAN, 2016), o papel do en ol imen o nesse
domínio especí ico não em sido obje o de mui a a enção. A elação do en ol imen o
com uma abo dagem comp ome ida com a ap endizagem oi já documen ada em á eas
de li e acia, como a lei u a e a comp eensão de ex os (GUTHRIE; WIGIELD, 2000), sendo
de espe a que isso mesmo acon eça com a esc i a (po exemplo, BOSCOLO; HIDI, 2007).
De a o, endo Gu h ie e Wigield (2000) e i icado que os alunos que mais se en ol em
são aqueles que leem de o ma mais a i a, usando es a égias que lhes pe mi em adqui i
conhecimen os a ançados e ní eis de comp eensão mais p o undos, é expec á el que na
esc i a, a e a complexa e de li e acia como a da lei u a, o en ol imen o es eja, igualmen e,
associado a um in es imen o e es o ço e a uma maio capacidade pa a eco e e ge i os
p ocessos necessá ios à sua boa p ossecução, aduzindo-se em melho es desempenhos e
em composições de boa qualidade.
Mé odo
Nes a secção ap esen am-se a ca ac e ização da amos a, o p ocedimen o seguido,
desde as solici ações pa a a au o ização do es udo a é à ecolha dos dados empí icos, bem
com os ins umen os de a aliação u ilizados.
Pa icipan es
Pa icipa am no es udo 213 alunos com idades comp eendidas en e os 14 e os 18
anos (M = 14,56; DP = 0,70), endo maio i a iamen e 14 anos (n = 112), seguidos po
15 anos (n = 79) e po 16 ou mais anos (n = 22). Des es, 111 (52,1%) pe encem ao sexo
masculino e 102 (47,9%) ao sexo eminino.
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En ol imen o, desempenho acadêmico e composição esc i a
Os alunos encon a am-se a equen a o 9º ano de escola idade em ês escolas
da zona cen al de Po ugal, dis ibuídos po doze u mas. Nes as, o núme o de alunos
a ia a en e 14 e 22. Quan o às habili ações li e á ias dos pais, conside a am-se ês
ní eis de escola idade – básico (a é ao 9º ano), secundá io (a é ao 12º ano) e supe io
–, sendo que, no caso do pai, 89 ap esen a am uma o mação a é ao 9º ano (41,8%), 59
a é ao 12º ano (27,7%) e 51 (23,9%) inham uma o mação supe io . No caso da mãe, 75
(35,2%) inham o ní el básico, 57 (26,8%) o ní el secundá io e 71 (33,3%) o ní el supe io .
P ocedimen os e ins umen os
An es de o es udo começa , o am pedidas au o izações e ob ido consen imen o
da Di eção Ge al do Ensino Básico (DGE), dos di e o es das escolas, dos p o esso es, dos
enca egados de educação e dos alunos. Na ecolha de dados o am espei ados odos os
equisi os é icos necessá ios a es e ipo de in es igação.
O en ol imen o dos alunos oi a aliado a a és do Ques ioná io de En ol imen o
dos Alunos na Escola – Uma Escala com Qua o Dimensões EAE – E4D (VEIGA, 2013; 2016).
T a a-se de um ins umen o com in e ques ões que con emplam as qua o dimensões do
en ol imen o: cogni i a, a e i a, compo amen al e agencia i a. A dimensão cogni i a
compo a cinco ques ões (i ens 1 a 5) elacionadas com o in es imen o do aluno no
p ocessamen o de in o mação e com es a égias de au o egulação (po exemplo: P ocu o
elaciona o que ap endo numa disciplina com o que ap endi nou as; Re ejo egula men e
os meus apon amen os, mesmo que um es e ainda não es eja p óximo), incluindo um
i em de esc i a (Quando esc e o os meus abalhos, começo po aze um plano pa a
o ex o a edigi ). Os i ens da dimensão a e i a (i ens 6 a 10) incidem na ligação e no
sen ido de pe ença à escola (po exemplo: A minha escola é um luga onde me sin o
in eg ado; A minha escola é um luga onde aço amigos com acilidade). Na dimensão
compo amen al, os seus cinco i ens (11 a 15) a aliam aspec os ligados a condu as nas
aulas e na escola (po exemplo: Pe u bo a aula p oposi adamen e; Fal o à escola sem
uma azão álida). Po úl imo, a dimensão agencia i a inclui igualmen e cinco i ens (16 a
20) que se elacionam com a con ibuição cons u i a do aluno pa a a sua ap endizagem,
isando às suas inicia i as, in e enções, ques ões e suges ões (po exemplo: Falo com os
meus p o esso es sob e aquilo de que gos o e não gos o; Du an e as aulas, coloco ques ões
aos p o esso es). Pa a além das qua o dimensões, o soma ó io do EAE – E4D dá-nos uma
medida ge al do en ol imen o do aluno na escola.
O EAE – E4D é uma escala de ipo Like , com 6 pon os, os quais a iam en e
1 ( o al desaco do) e 6 ( o al aco do). A maio ia dos i ens es ão o mulados de modo
posi i o, embo a alguns es ejam em sen ido con á io (com os esul ados mais baixos a
indica em maio en ol imen o). T a a-se de uma escala que e elou boas p op iedades
psicomé icas, que em e mos de alidade, que de idelidade. Os alo es globais ob idos
na p esen e amos a a ia am en e 55 e 114 e e ela am um α de C onbach de .80. No que
espei a à dimensão cogni i a, os alo es si ua am-se en e 9 e 27, e a sua consis ência
in e na oi de .67. No caso da dimensão a e i a, encon a am-se alo es en e 12 e 30, e
a consis ência in e na ob ida oi de .78. Quan o à dimensão compo amen al, a ampli ude
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dos alo es si uou-se en e 10 e 30, com um α de C onbach de .89 e, no que espei a à
dimensão agencia i a, os alo es a ia am en e 5 e 30, sendo o α de C onbach de .87.
Tendo em is a a a aliação do desempenho acadêmico, uma bolsei a de in es igação
ecolheu, nos egis os escola es dos alunos, as no as ob idas no úl imo pe íodo de aulas do
ano le i o an e io , nas disciplinas de po uguês, língua es angei a, his ó ia, ma emá ica,
ciências na u ais, ciências ísicas e química e geog a ia. Foi ei a uma média das no as de
odas as disciplinas, com exceção de po uguês, que oi conside ada independen emen e
das ou as, já que, a ando-se da disciplina de língua ma e na, se elaciona es ei amen e
com a esc i a, á ea que in e essa pa icula men e no con ex o do p esen e abalho. Daqui
esul a am dois indicado es dos esul ados escola es: a no a de po uguês e a média das
no as do conjun o das ou as disciplinas. Conside ou-se, ainda, o núme o de epe ências
ap esen ado po cada aluno.
Com o obje i o de a alia a esc i a, oi pedido a odos os alunos que edigissem
um ex o a gumen a i o sob e o ema O papel do g upo de amigos, suas an agens e
des an agens. Esse ema oi escolhido po suges ão dos p o esso es, que o indica am como
sendo de especial in e esse pa a os alunos dessas idades. As composições o am esc i as
em sala de aula, no âmbi o da disciplina de po uguês.
Depois de e sido e i ada a iden i icação dos alunos, p ocedeu-se à a aliação dos
ex os. Uma medida da sua qualidade global oi ob ida a pa i da classi icação ei a po
dois p o esso es de po uguês. Es es, de o ma independen e, a ibuí am um alo , numa
escala de 0 a 5, à qualidade de cada composição, a endendo a c i é ios como o ganização
das ideias, cons ução ásica, espei o pela g amá ica e ocabulá io. A idelidade in e -
-co ado es (Kappa de Cohen) oi de .76.
T a ando-se de um ex o a gumen a i o, oi, ambém, a aliada a es u u a das
composições. Assim, oi con abilizado o núme o de elemen os es u u ais ca ac e ís icos
da a gumen ação p esen es em cada ex o: in odução, omada de posição, a gumen os a
a o , con a-a gumen os e conclusão (c . VAN EEMEREN; GROOTENDORST, 2004). Fo am
a ibuídos 0 e 1 pon os, espec i amen e, à ausência e à p esença de cada um dos seguin es
elemen os: in odução, omada de posição e conclusão. Po sua ez, cada a gumen o e
con a-a gumen o e e ido no ex o e a co ado com 1 pon o. O soma ó io de odos os
pon os deu uma medida ela i a à es u u a do ex o. Dois assis en es de in es igação,
p e iamen e einados, a alia am, de o ma independen e, odas as composições do pon o
de is a da sua es u u a. A idelidade in e -co ado es (Kappa de Cohen) oi de .95.
Resul ados
Os dados o am a ados com ecu so ao p og ama IBM SPSS, e são 22.
A maio ia dos alunos, co espondendo a 84,5% (n = 180) não ap esen a a epe ências,
19 ep o a am uma ez (8,9%), 13 duas ezes (6,1%) e um (0,5%) não espondeu.
A Tabela 1 ap esen a os alo es mínimos e máximos, a média, mediana e des io
pad ão do en ol imen o dos alunos na escola, do endimen o escola , a aliado a a és da
no a na disciplina de po uguês e da média das no as do conjun o das ou as disciplinas
(língua es angei a, his ó ia, ma emá ica, ciências na u ais, ciências ísicas e química e
9Educ. Pesqui., São Paulo, . 44, e183430, 2018.
En ol imen o, desempenho acadêmico e composição esc i a
geog a ia) e da classi icação ob ida na composição esc i a, que do pon o de is a da sua
qualidade global, que da sua es u u a.
Tabela 1 – Valo es mínimos e máximos, média, mediana e des io pad ão das a iá eis em es udo
Va iá eis N Min. Máx. Média Mediana DP
En ol imen o Ge al 213 55.00 114.00 87.62 88.00 11.05
D. Cogni i a 213 9.00 27.00 19.21 19.00 3.92
D. A e i a 213 12.00 30.00 25.04 26.00 4.21
D. Compo amen al 213 10.00 30.00 25.69 27.00 4.69
D. Agencia i a 213 5.00 30.00 17.68 18.00 5.37
RE Po uguês 213 2.00 5.00 3.33 3.00 0.78
Média das No as 213 2.00 5.00 3.44 3.29 0.65
Q. Global Esc i a 213 0.00 4.00 1.66 1.50 0.76
Es u u a Esc i a 213 0.00 11.00 1.44 1.00 2.19
Min.= Valo mínimo; Máx.= Valo máximo; DP= Des io pad ão; D= Dimensão; RE= Rendimen o Escola ; Q= Qualidade.
Fon e: dados da pesquisa.
Na Tabela 1 incluímos a mediana e não apenas a média, como medidas de endência
cen al, po que alguns esul ados es a am mui o concen ados em o no de um ou dois
alo es, sendo o caso da es u u a da esc i a, que embo a a iasse en e 0 e 11, e elou
que a g ande maio ia dos alunos ap esen ou pon uações mui o baixas (82,1% com 0 e 1
pon os), sem g ande a iabilidade nos ou os esul ados (3,4% com 2 e 3 pon os, 6,5% com
4 e 5 pon os, 3,7% com 6 e 7 pon os, 2,9% com 8 e 9 pon os, 1,4% com 10 e 11 pon os).
Na Tabela 2 ap esen am-se as co elações encon adas en e o en ol imen o ge al e
as suas di e en es dimensões, po um lado, e, po ou o, o desempenho na esc i a (qualidade
global e espei o pela es u u a a gumen a i a), os esul ados escola es (no a de po uguês
e média das no as nas ou as disciplinas), núme o de epe ências e a idade.
Tabela 2- Co elações do en ol imen o na escola com as ou as a iá eis
En ol imen o
Ge al
D.
Cogni i a
D.
A e i a
D.
Compo amen al
D.
Agencia i a
Q. Global .173* .270** .028 .008 .129
Es u u a Esc i a -.071 -.047 -.034 .001 -.087
RE Po uguês .247** . 143* .107 .270** .084
Média das No as . 320** .168* .192* .339** .090
Nº epe ências -.210** -.041 -.181** -.271** .112
Idade -.164* -.031 -.146* -.306** .066
*Co elação signi ica i a a ní el 0.05 (bidi ecional); ** Co elação signi ica i a a ní el 0.01 (bidi ecional).
Fon e: dados da pesquisa.
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Recebido em: 01.08.2017
Re isões em: 01.12.2017
Ap o ado em: 06.02.2018
Ma ia Isabel Fes as é p o esso a ca ed á ica na Faculdade de Psicologia e de Ciências da
Educação da Uni e sidade de Coimb a, onde é coo denado a do dou o amen o em ciências
da educação. É in es igado a do Cen o de Es udos In e disciplina es do Século XX (CEIS20)
da Uni e sidade de Coimb a.
Ma ia José P a a é es udan e de dou o amen o em ciências da educação na Faculdade de
Psicologia e de Ciências da Educação da Uni e sidade de Coimb a e in es igado a do Cen o
de Es udos In e disciplina es do Século XX (CEIS20) da Uni e sidade de Coimb a.
Albe ina Lima de Oli ei a é p o esso a auxilia na Faculdade de Psicologia e de Ciências da
Educação da Uni e sidade de Coimb a, onde é memb o da Comissão de É ica e Deon ologia
da In es igação. É in es igado a do Cen o de Es udos In e disciplina es do Século XX (CEIS20)
da Uni e sidade de Coimb a.
Feliciano Veiga é p o esso ca ed á ico no Ins i u o de Educação da Uni e sidade de
Lisboa, onde é coo denado do dou o amen o em psicologia da educação, memb o do
Conselho Cien í ico e p esiden e da Comissão de É ica. É memb o de jú is de a aliação
da FCT e da A3Es.