Arte e Medicina como instrumentos do poder: considerações em torno de um painel cerâmico de Manuel Lima para o Hospital do Ultramar em Lisboa (1973)
Abstract
Este texto pretende abordar o painel cerâmico realizado por Manuel Lima (1911-1991), em 1973, para decoração do então ampliado Hospital do Ultramar, em Lisboa (actual Hospital Egas Moniz). A análise da composição considera a conjuntura sociopolítica de então, cruzando-a com as opções iconográficas tomadas pelo artista e com a integração no espaço arquitectónico para o qual o painel foi concebido. É objetivo deste artigo contribuir para uma reflexão acerca da apropriação das artes plásticas pelo poder político para veiculação de mensagens ideológicas, concretamente no período do Estado Novo.
Full text
ARTE & PODER ART & POWER 147
n.º 7 2018
ARTE E MEDICINA COMO INSTRUMENTOS
DO PODER: CONSIDERAÇÕES EM TORNO DE UM
PAINEL CERÂMICO DE MANUEL LIMA PARA O HOSPITAL
DO ULTRAMAR EM LISBOA (1973)
ART AND MEDICINE AS TOOLS OF POWER:
CONSIDERATIONS ABOUT A CERAMIC TILE PANEL
BY MANUEL LIMA FOR THE HOSPITAL DO
ULTRAMAR IN LISBON (1973)
Ana Mehne Pascoal
ARTIS — Ins i u o de His ó ia da A e, Faculdade de Le as, Uni e sidade de Lisboa
[email p o ec ed]
RESUMO
Es e ex o p e ende abo da o painel ce âmico ealizado po Manuel Lima (1911-1991), em 1973, pa a deco ação
do en ão ampliado Hospi al do Ul ama , em Lisboa (ac ual Hospi al Egas Moniz). A análise da composição
conside a a conjun u a sociopolí ica de en ão, c uzando-a com as opções iconog á icas omadas pelo a is a e
com a in eg ação no espaço a qui ec ónico pa a o qual o painel oi concebido. É obje i o des e a igo con ibui
pa a uma e lexão ace ca da ap op iação das a es plás icas pelo pode polí ico pa a eiculação de mensagens
ideológicas, conc e amen e no pe íodo do Es ado No o.
PALAVRAS-CHAVE
Painel Ce âmico | Hospi al | Pode | Ul ama | Ideologia
ABSTRACT
This ex aims o add ess he ce amic panel c ea ed by Manuel Lima (1911-1991) in 1973 o deco a e he hen
expanded Hospi al do Ul ama (O e seas Hospi al; oday Hospi al Egas Moniz), in Lisbon. The analysis o he
composi ion conside s he socio-poli ical conjunc u e o he ime, c ossing i wi h he iconog aphic op ions aken
by he a is and wi h he in eg a ion in he a chi ec u al space o which he panel was designed. The pu pose o
his a icle is o con ibu e o a e lec ion on he app op ia ion o isual a s by poli ical powe in o de o con ey
ideological messages, speci ically du ing he Es ado No o egime.
KEYWORDS
Ce amic Panel | Hospi al | Powe | O e seas | Ideology
ART IS ON
148 n.º 7 2018
“Todas as a es êm uma in luência incalculá el em
qualque ag egado social humano, como agen e
sedimen ado , que são, de uma cul u a que g a-
dualmen e, insensi elmen e, sem apa en e es o -
ço objec i o, cada um e odos ão assimilando.”
(Melo, 1942: 18-19)
O p esen e ex o isa analisa um painel ce âmi-
co ealizado pa a o en ão designado Hospi al do
Ul ama , em Lisboa (ac ual Hospi al Egas Moniz),
assinado pelo pin o Manuel Lima (1911-1991) em
1973, p ocu ando in eg a -se no ema da mani es a-
ção ideológica do pode polí ico a a és das a es
plás icas. Execu ado no pe íodo inal do egime do
Es ado No o pa a deco ação de um equipamen o
hospi ala dedicado à medicina opical, impo a con-
ex ualiza o painel ce âmico nesse ambien e. Num
p imei o momen o do ex o, conside a-se o edi ício
pa a o qual o painel ce âmico oi c iado, a en ando
na e olução des e espaço no domínio das polí icas
de saúde igen es e no p og ama de deco ação a ís-
ica aplicado. Es e enquad amen o, maio i a iamen e
baseado em on es documen ais inédi as1, e es e-se
de impo ância ac escida. Po um lado, a bibliog a ia
ace ca da cons ução do complexo hospi ala cinge-
-se a on es coe as; po ou o, a documen ação a -
qui ís ica que pode ia supo a , de o ma p ecisa, as
e apas e os in en os da encomenda do painel es á
ausen e. Segue-se uma p opos a de lei u a da icono-
g a ia ep esen ada no painel. A endendo ao dimi-
nu o des aque con e ido ao pin o Manuel Lima no
seio da his o iog a ia a ís ica2, apesa da sua ecen e
eco dação a a és de uma exposição3, es a análise
in eg a alguns dados biog á icos pa a en endimen o
do seu pe cu so na conjun u a de omen o das a es
plás icas pelo Es ado No o.
As ligações en e pode e a e sob o egime do Es ado
No o, conc e amen e no que espei a à ap op iação
ideológica das a es plás icas pelo egime, êm sido
analisadas po di e sos au o es (Acciaiuoli, 1991;
Ó, 1999; Rosmaninho, 2006). Incluem-se, nes e con-
ex o, in es igações dedicadas à ep esen ação, com
ecu so a di e en es supo es a ís icos in eg ados na
a qui ec u a, de de e minados alo es que impo a-
am ao egime exal a e di undi , an o a a és de
monog a ias dedicadas a a is as (Leand o, 1998;
Mega, 2012; San os, 2017), como da análise de ca-
sos de es udo, como exposições (Acciaiuoli, 1998;
João, 1999; Ne o, 2017), encomendas de a e pú-
blica (Elias, 2006) ou di e en es ipologias de ob as
públicas o iciais (Bá olo, 1998; Rosmaninho, 2006;
B i es, 2014).
Po sua ez, os es udos dedicados à p odução a ís ica
como o ma de disseminação de alo es impe iais ou
coloniais pelo Es ado No o e elam-se mais ci cuns-
c i os. Pa a além da a enção dada às ep esen ações
o og á icas e cinema og á icas, e à ap esen ação de
na i os do ul ama em ambien es exposi i os (Ma os,
2012; Vicen e, 2014), e i am-se os es udos conce -
nindo o desen ol imen o a qui ec ónico e u banís ico
nas an igas colónias (Fon e 2007; Ma í, 2011; Mi-
lhei o, 2012a, 2012b; Tos ões, 2013), e a sal agua -
da pa imonial le ada a cabo pelo egime (Ma iz,
2016). A ques ão da implan ação e pe manência,
nos e i ó ios ul ama inos, de monumen os escul ó-
icos homenageando igu as e momen os his ó icos
des acados ambém oi abo dada (Ve heij, 2011,
2014). Re e encie-se, ambém, uma in es igação e e-
en e a Angola (Pe ei a, 2011), na qual se con ex ua-
lizam e examinam as elações en e Po ugal e Á ica,
pa icula men e a a és de ep esen ações pic ó icas
(e sua ligação com ou as mani es ações a ís icas),
que e lec em an o a i ência em ambien e colonial
como con es ações a essa ealidade, execu adas po
a is as po ugueses e angolanos que du an e a i-
gência egime, que após a independência do país.
INTRODUÇÃO
1. Alguns dados sob e a in es igação conce nindo es as ins alações hospi ala es o am publicados ecen emen e (Au o e al., 2018).
2. À semelhança de ou os a is as seus con empo âneos, Manuel Lima ca ece de um es udo monog á ico con ex ualizado, sendo ape-
nas pon ualmen e ci ado no âmbi o de es udos mais gene alis as, ou que abo dam assun os como exposições e deco ação de ob as
públicas. José-Augus o F ança, po exemplo, apenas lhe dedica uma b e e ci ação no con ex o da pa icipação na Exposição dos
Independen es (F ança, 1991: 197).
3. CS/GCI — “Exposição Mes e Manuel Lima no a anque das comemo ações do 32.º ani e sá io do IPL”, 2018.04.23. Disponí-
el em: h ps://www.ipl.p /iplisboa/comunicacao/no icias/exposicao-mes e-manuel-lima-no-a anque-das-comemo acoes-do-32o
(2018.09.12); Mo ais-Alexand e, Paulo — “Exposição Manuel Lima: Cenog a ia e Desenhos”, 2018.04.05. Disponí el em: h ps://
www.es c.ipl.p /exposicao-manuel-lima-cenog a ia-e-desenhos/ (2018.09.12).
ARTE & PODER ART & POWER 149
n.º 7 2018
No que se e e e à ixação da imagem do “ou o”
como ins umen o pedagógico pejado de in enções
ideológicas conc e as, mencione-se a a enção con e i-
da ao caso do Po ugal dos Pequeni os, em pa icula
à secção o iginalmen e designada como “Po ugal de
Além-Ma ” e à sua cenog a ia exposi i a, aba can-
do escul u as es e eo ipadas igu ando na i os a ica-
nos, pa ilhões das di e en es ex-colónias e éplica de
pad ões, que sublinha am as na a i as mi i icadas
ace ca das epopeias da expansão ma í ima di undi-
das pelo Es ado No o (Ma os, 2012: 228-239). A
manu enção da es u u a o iginal des e espaço em
sido al o de alguma e lexão, inclusi amen e na ob a
de a is as con empo âneos4.
Mais a os são es udos que conside am a análise de
ob as de a e igu ando ep esen ações do quo idiano
das populações, da auna ou da geog a ia dos e i-
ó ios ul ama inos5 [Fig. 01], ealizadas no pe íodo
do Es ado No o6. Es e ex o p e ende con ibui pa a
uma abo dagem des a na u eza, ocada na in e p e-
ação das opções iconog á icas.
O painel ce âmico de Manuel Lima localiza-se no ac-
ual Hospi al Egas Moniz, em Lisboa, num edi ício que
ampliou o en ão denominado Hospi al do Ul ama ,
a a és de uma in e enção deco ida en e o inal da
década de 1960 e inícios da seguin e.
Fig. 01· Painel ce âmico de Jo ge Ba adas, Paque e Uíge, c.
1954. Col. Es údio Má io No ais | FCG-Biblio eca de A e
e A qui os, co a: CFT003.102372.
4. Reco de-se a polémica ge ada em o no da ob a Pa que emá ico, de Vasco A aújo, en e 2016 e 2017. C . LUSA — “P oibido de
ilma no Po ugal dos Pequeni os, Vasco A aújo ap esen a ob a a neg o”. Público, 2016.05.31. Disponí el em: h ps://www.publico.
p /2016/05/31/cul u aipsilon/no icia/p oibido-de- ilma -no-po ugal-dos-pequeni os- asco-a aujo-ap esen a- ideo-cego-1733603
(2018.09.15); Cae ano, Ma ia João — “Bem- indos ao Pa que Temá ico de Vasco A aújo, ago a sem censu a”. Diá io de No í-
cias, 2017.03.04. Disponí el em: h ps://www.dn.p /a es/in e io /bem- indos-ao-pa que- ema ico-de- asco-a aujo-ago a-sem-censu-
a-5703285.h ml (2018.09.15).
5. Poucos e ão sido os a is as que assumi am a missão de ixa o ambien e na u al e humano nas denominadas p o íncias ul ama inas.
Nes e domínio, em sido sob e udo des acada a p odução plás ica na linha do discu so o icial po pa e de Jo ge Ba adas, Faus o
Sampaio, Edua do Mal a e Albano Ne es de Sousa (Cas o, 2007; Pe ei a, 2011).
ART IS ON
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A o igem do Hospi al do Ul ama emon a a 1902,
aquando da c iação do Hospi al Colonial. Ins alado
no edi ício da an iga Co doa ia Nacional, na Jun-
quei a, inha po missão o a amen o de “doen es mi-
li a es, ci is e eclesiás icos dependen es da Di ecção
Ge al do Ul ama ”7. O ensino da medicina opical
oi c iado em anexo ao hospi al, com inco po ação
da escola8 no mesmo edi ício em 1904. As ins i ui-
ções pa ilha am ins alações du an e alguns anos, e
os seus pe cu sos man i e am-se elacionados. A pa -
i de 1919, o hospi al oi ans e ido pa a edi ícios
localizados em e enos con íguos.
No con ex o da eo ganização dos se iços de saúde
do Impé io Colonial Po uguês9, em 1945, o hospi al
oi e o mulado10. Re i a-se que nes a al u a oi es ipu-
lada a o ganização hospi ala do país11, p ocu ando
colma a lacunas signi ica i as na p es ação de cuida-
dos de saúde à população. No ambien e que se se-
guiu à II Gue a Mundial, e pe an e a p essão in e na-
cional acompanhada da eme gência de mo imen os
de libe ação das colónias, o hospi al, na senda da
e isão cons i ucional e da al e ação de nomencla u a
do Minis é io que in eg a a12, ecebeu a designação
de Hospi al do Ul ama . O egime p ocu a a e o -
ça uma imagem de unidade en e a me ópole e as
p o íncias ul ama inas, legi imando a sua p esença
nesses e i ó ios.
Necessidades de mode nização das es u u as e dos
se iços, adap ando-se ao aumen o do in e namen o
hospi ala , le a am à cons ução de no as ins alações
pa a o hospi al. A emp ei ada oi acome ida à ecen-
emen e c iada Comissão de Cons uções Hospi ala-
es13, cujo a qui ec o A u E a is o Ben es (1921-?)
desenhou um conjun o de edi ícios, em es ei a cola-
bo ação com a di ecção do hospi al. En e 1953 e
1957, o am sucessi amen e inaugu ados o Pa ilhão
pa a In ec o-con agiosos, o cen al Pa ilhão de Me-
dicina e Ci u gia, o Pa ilhão de Física Médica e Isó-
opos Radioac i os, a capela, e o P ossec o ado de
Ana omia Pa ológica.
Apesa des as ampliações, as ce ca de 120 camas do
pa ilhão cen al não se iam su icien es pa a esponde
à c escen e a luência e i icada no dealba da década
de 196014. O ac éscimo e a pa icula men e e iden e
nas consul as ex e nas, is o que o hospi al ecebia
an o indigen es como uncioná ios das p o íncias ul-
ama inas e suas amílias, incluindo os sediados na
me ópole. Aco iam ambém na i os a icanos, o que
no en endimen o do Di ec o do hospi al lhes p o ia
os mais mode nos meios de acção e apêu ica e a a-
men o, e cons i uía uma mais- alia pa a o ensino e a
in es igação no campo da nosologia opical (Fa ia,
1966). O inc emen o da p ocu a do hospi al nes e
pe íodo pode á es a elacionado com o omen o do
po oamen o b anco das p o íncias a icanas15, pa -
icula men e no ó io após o eclodi das gue as em
1961 (Cas elo, 2014). Embo a uma das incumbências
do Gabine e de U banização Colonial (GUC), c iado
em 1944
16
, consis isse em supe isiona os planos das
AS INSTALAÇÕES DO HOSPITAL DO ULTRAMAR:
BREVE ENQUADRAMENTO
6. Na ealidade, excep uando casos como a deco ação a ís ica de pa ilhões exposi i os e a ilus ação de publicações pe iódicas como
O Mundo Po uguês e de li os (Ca alho, 2005), o impulso do egime à c iação a ís ica subo dinada a ais assun os e á sido dimi-
nu o (Cas o, 2007: 246, 255), pese embo a a exal ação coe a da necessidade de incen i a os a is as a iaja pa a as colónias po
o ma a coloca as a es ao se iço do Impé io (Jo ge, 1939: 361; Melo, 1942; Pe ei a, 2011: 194-195). Não obs an e, o Sec e a-
iado Nacional de P opaganda e a Agência Ge al das Colónias p omo e am algumas exposições com emá ica ul ama ina (Pe ei a,
2011: 54, 201).
7. Dec e o de 28 de Fe e ei o de 1903. Diá io do Go e no, n.º 85, 1903.04.20, pp. 100-120.
8. A Escola de Medicina T opical au onomizou-se em 1920 (Dec e o n.º 7096, 1920.11.06), sendo e o mulada como Ins i u o de Me-
dicina T opical em 1935 (Lei n.º 1920, 1935.05.29).
9. Dec e o n.º 34417. Diá io do Go e no, n.º 38, sé ie I, 1945.02.21, pp. 95-111.
10. Dec e o n.º 35913. Diá io do Go e no, n.º 241, sé ie I, 1946.10.23, pp. 981-983.
11. Lei n.º 2011. Diá io do Go e no, n.º 70, sé ie I, 1946.04.02, pp. 201-204.
12. Dec e o-Lei n.º 38300. Diá io do Go e no, n.º 121, sé ie I, 1956.06.15, p. 422.
13. C iada no seio do Minis é io das Ob as Públicas e Comunicações pela Lei n.º 2011, 1946.04.02 (base XXI).
14. A qui o His ó ico Ul ama ino (AHU), MU/DGSA/RSH14, Cx.15, PC.14/21. Lucínio C uz, An ónio Pin o Coelho, P ojec o de Amplia-
ção e Remodelação do Hospi al do Ul ama , Lisboa: Memó ia Desc i i a e Jus i ica i a, 1967.07.18, p. 1.
15. En e 1940 e 1960, a p esença eu opeia em Angola e Moçambique e á quad uplicado (Je ónimo, 2018).
16. Dec e o n.º 34173, Diá io do Go e no, n.º 269, sé ie I, 1944.12.06, pp. 1167-1168.
ARTE & PODER ART & POWER 151
n.º 7 2018
cons uções hospi ala es nas colónias, o in es imen o
na á ea da saúde nes es e i ó ios não oi conside ado
p io i á io (Pe ei a, 2012). O desen ol imen o, a a és
da edi icação de hospi ais e acesso a cuidados médi-
cos, ci cunsc e ia-se sob e udo aos núcleos u banos e
bene icia ia p imei amen e os eu opeus, apesa das
apa en es in enções de p omo e a igualdade en e odos
os habi an es das p o íncias ul ama inas. Ou o ac o
e á sido o eg esso de con ingen es mili a es e idos
ou acossados po doença, sem a amen o possí el nos
e i ó ios ul ama inos (Ba ocas, 2016: 89).
As di iculdades de uncionamen o do Hospi al do Ul a-
ma esul a am da al a de espaço, num momen o em que
as suas unções ha iam sido ala gadas, in eg ando ou as
especialidades que ex a asa am as pa ologias opicais.
Ademais, pa ilha a unções de p epa ação de pessoal
médico e auxilia com o Ins i u o de Medicina T opical
17
.
O a qui ec o Lucínio Guia da C uz (1914-1999) oi
incumbido dos es udos de ampliação do hospi al em
196418. O a qui ec o, au o do edi ício do Ins i u o de
Medicina T opical, inaugu ado em 1958 e localizado
nas imediações, labo a a no GUC, endo sido espon-
sá el po um conjun o de unidades hospi ala es no
con inen e a icano. A solução iá el pa a o hospi al
lisboe a consis iu na ex ensão em al u a do pa ilhão
cen al, calculando-se uma capacidade o al de 284
camas e a dis ibuição e icien e pelos di e sos pisos19.
As ob as i e am início em 1968 [Fig. 02]. O hospi al
apenas inicia ia o seu uncionamen o pleno nas no-
as ins alações em 1975. En e an o, o a enomeado
como Hospi al Egas Moniz20, in eg ando o Minis é io
dos Assun os Sociais21.
Fig. 02· Hospi al do Ul ama : ampliação, a q. Lucínio C uz. Fo og a ia de au o desconhecido, s.d. A qui o Municipal de Lisboa —
Fo og á ico, cód. e .ª PT/AMLSB/CMLSBAH/PCSP/004/PEL/009/000025.
17. Dec e o-Lei n.º 43353, a .º 19.º Diá io do Go e no, n.º 273, sé ie I, 1960.11.24, pp. 2584-2588.
18. AHU, MU/DGSA/RSH14, Cx.15, PC.14/21. Lucínio C uz, An ónio Pin o Coelho, P ojec o de Ampliação e Remodelação do Hospi al
do Ul ama , Lisboa: Memó ia Desc i i a e Jus i ica i a, 1967.07.18, p. 1.
19. AHU, IPAD, MU/DGOPC/DSUH, 9273. Lucínio C uz, P ojec o de emodelação e ampliação do Hospi al do Ul ama , A qui ec u a
( ol.1), 1967.
20. Po a ia n.º 623/74. Diá io do Go e no, n.º 277, sé ie I, 1974.09.28, p. 1156.
21. Dec e o n.º 506-B/75. Diá io do Go e no, n.º 216, sé ie I, 1975.09.18, p. 1426(2).
ART IS ON
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22. AHU, MU/DGOPC/SC, A1/Cx.100, OP11960. Leopoldo Ne es de Almeida, P opos a, 1952.03.07; P opos a de Joaquim Co eia
cons an e de o ício de João Ped o Fa ia pa a Di ec o Ge al do Fomen o do Minis é io do Ul ama , 1955.11.29.
23. AHU, MU/DGSA/RSH14, Cx.15, PC.14/21. Lucínio C uz, An ónio Pin o Coelho, P ojec o de Ampliação e Remodelação do Hospi al
do Ul ama , Lisboa: Memó ia Desc i i a e Jus i ica i a, 1967.07.18, p. 41.
24. Iden i icada no A qui o His ó ico Ul ama ino e no Sis ema de In en á io do Pa imónio A qui ec ónico — Di ecção Ge al do Pa imónio
Cul u al.
25. A exis ência de documen ação de supo e à peça pode ia elucida os in en os da sua execução, e e en uais o ien ações o necidas ao
a is a du an e o p ocesso de encomenda.
26. Es e es udo pin ado oi iden i icado num leilão on-line. Bes Ne Leilões — “Lo e Manuel Lima” (Leilão 1780, lo e 45284). Disponí el
em: h ps://www.bes ne leiloes.com/p /leiloes/a e-con empo anea-390/manuel-lima-10 (2018.08.13).
27. Ag adeço à D a. Ma ia Conceição Viei a, da Di isão de Biblio eca e A qui o da Faculdade de Belas-A es da Uni e sidade de Lisboa,
a disponibilização de in o mação sob e o pe cu so académico de Manuel Lima na Escola de Belas-A es de Lisboa (anos 1930-1938).
A DECORAÇÃO ARTÍSTICA COMO REFORÇO
DA MISSÃO HOSPITALAR
Nos edi ícios p ojec ados po A u Ben es já ha iam
sido in eg adas algumas ob as de a e. Os pa ilhões
de In ec o-con agiosos e de Física Médica ecebe-
am, espec i amen e, baixos- ele os dos escul o es
Leopoldo de Almeida (1898-1975) e Joaquim Co -
eia (1920-2013), que ap esen a am p opos as po
in e médio do a qui ec o22. O p imei o ma e ializou
uma alego ia à ma e nidade, a a és de uma igu a
eminina que acolhe c ianças desnudas de di e en es
e nias sob o seu man o de ca idade; o ou o inco po-
ou a igu a de uma doen e eclinada, obse ada po
um médico. A iconog a ia seleccionada eme e pa a
uma imagé ica de apologia à “missão ci ilizado a”
que o egime en endia como seu de e pa a com os
na i os das p o íncias ul ama inas, conc e amen e
no desen ol imen o da assis ência ma e no-in an il.
O ele o de Joaquim Co eia espelha, po seu u no,
a alo ização do a anço cien í ico e ecnológico da
medicina, colocado num edi ício dedicado a no os
meios de a amen o e à in es igação en ão em p o-
g esso no campo dos adioisó opos. A capela, pela
sua na u eza de cul o, ecebeu cuidada deco ação,
des acando-se o i al concebido po Euclides Vaz
(1916-1991), dedicado a São João de B i o, pa ono
do espaço, cujos milag es se elacionam com a cu a
de doenças.
Na memó ia desc i i a ela i a ao p ojec o de amplia-
ção do hospi al, Lucínio C uz demons a a in enção
de deco a o “aus e o” edi ício, que necessi a ia de
“uma no a de a e que se pode aduzi po um baixo
ele o si uado à di ei a da en ada p incipal dos se -
iços adminis a i os (...) e ainda no ‘hall’ de en ada
em painel ce âmico ou em azulejo polic omado”23.
Da documen ação consul ada ela i a ao p ocesso de
cons ução24, ao con á io das peças ealizadas pa a
os edi ícios p ojec ados po A u Ben es, não o am
iden i icadas p opos as ou no as de encomenda pa a
as ob as de a e mencionadas po Lucínio C uz25.
Não se encon ou es ígios, no hospi al, da exis ência
do ci ado baixo- ele o. No á io de en ada, p ese -
a-se o painel ce âmico ealizado po Manuel Lima
pa a o local, da ado de 1973.
A composição ep esen ada no painel ce âmico [Fig.
03], enquad ada po ege ação densa, in eg a uma
igu a eminina ao cen o, odeada po um an ílope e
po á ias igu as de o igem a icana. Duas mulhe es
es ão colocadas do lado esque do da composição,
como que agua dando, e do lado opos o encon am-
-se um homem e uma c iança, em onco nu e acompa-
nhados, espec i amen e, po um médico e po uma
en e mei a. O médico auscul a o adul o — endo sido
omi ido, na passagem à peça de ini i a, o es e oscó-
pio que cons a a do es udo26 –, e a en e mei a em
as mãos ocul adas pelo apaz. Jun o à en e mei a,
encon a-se um balde. A igu a eminina cen al cons-
i ui uma alego ia à medicina, os en ando a ibu os
comuns: a se pen e en olada no caduceu, e um pe -
gaminho que pende de um dos b aços.
O ac o de Manuel Lima demons a colabo ação de
longa da a em ob as pa ocinadas pelo egime, en-
con ando-se num momen o em que ealizou abalho
pa a edi ícios públicos e possi elmen e e ligação
a algum dos in e enien es, pode á conco e pa a
explica a sua p esença nes e hospi al. Fo mado em
Pin u a pela Escola de Belas-A es de Lisboa27, Ma-
nuel Simões F ei e de Figuei edo Lima pa icipou nas
Missões Es é icas de Fé ias (Cos a, 2016), in eg ou o
ARTE & PODER ART & POWER 153
n.º 7 2018
Fig. 03· Painel ce âmico de Manuel Lima, 1973, Hospi al Egas Moniz. Fo og a ia de Ana Mehne Pascoal, 2018.
G upo de A is as Po ugueses28 e pa icipou em múl i-
plas exposições colec i as, ob endo di e sos p émios.
Dedicou-se, desde a década de 1930, à pin u a ce-
nog á ica pa a ea o e ealizou ca azes pa a cine-
ma (T ancoso, 2018: 53). Nesse pe íodo colabo ou,
ambém, na deco ação mu al de salas da Exposição
His ó ica da Ocupação29 (1937), e de pa ilhões da
Exposição do Mundo Po uguês30 (1940) [Figs. 04,
05]. Com pa icula incidência a pa i dos anos 60,
Manuel Lima explo ou écnicas de deco ação mu-
al, designadamen e apeça ia, pin u a e ce âmica
(Pamplona, 1988: 207), acompanhando o impulso
dado à cons ução de de e minados equipamen os
públicos, como ibunais e hospi ais31.
À semelhança de di e sos a is as com quem e á con-
i ido, Manuel Lima desen ol eu g ande pa e da sua
ca ei a sob igência do Es ado No o. A ausência
de um me cado de a e p i ado es u u ado, capaz
de da espos a à p odução a ís ica, implicou que
os a is as se in eg assem no sis ema de exposições
e p émios implemen ado po acção do SPN/SNI, se
28. O G upo de A is as Po ugueses oi undado em 1945, no âmbi o da Sociedade Nacional de Belas-A es, com o objec i o de “con-
ibui [...] pa a a ele ação do seu ní el de cul u a a ís ica. Todos os a is as, assumindo a esponsabilidade das ob as en iadas, ali
podem expo , sem dis inção de ideais ou de escolas, desde o momen o que se man enha o equilíb io necessá io que de e p esidi a
oda a ob a de a e [...].” (Sociedade Nacional de Belas A es, 1945, s/paginação).
29. Manuel Lima pin ou uma ábua c onológica dos ei os le ados a cabo a ní el da ins ução, e concebeu, em colabo ação com João
Augus o Sil a, um painel mu al pa a a Sala da Ma inha ia, cuja composição in eg a a um conjun o de na egado es em o no do
In an e D. Hen ique (Agência Ge al das Colónias, 1937).
30. Na Exposição do Mundo Po uguês, Manuel Lima in eg ou o g upo de a is as que labo a am no conjun o dos Pa ilhões da Fundação,
da Fo mação e Conquis a, e da Independência. Adicionalmen e, oi au o , com Joaquim Rebocho, da composição dedicada à iagem
de Fe não de Magalhães pin ada na sala sob e a explo ação ma í ima do Pa ilhão dos Descob imen os (Cas o, 1940: 93), de “ele-
gan es echos de pin u a mu al” (Pamplona, 1940: 171) na Sala do O ien e localizada no Pa ilhão da Colonização (Cas o, 1940:
109), bem como do painel que celeb a a Oceânia, pin ado na sala que lhe é dedicada no Pa ilhão dos Po ugueses no Mundo.
ART IS ON
154 n.º 7 2018
Fig. 04· Pin u a mu al de Manuel Lima e Joaquim Rebocho, Pa ilhão
dos Descob imen os, Exposição do Mundo Po uguês,
1940. Col. Es údio Má io No ais | FCG-Biblio eca de A e
e A qui os, co a: CFT003.201740.
Fig. 05· Pin u a mu al de Manuel Lima, Sala da Oceânia, Pa ilhão
dos Po ugueses no Mundo, Exposição do Mundo
Po uguês, 1940. Col. Es údio Má io No ais | FCG-
Biblio eca de A e e A qui os, co a: CFT003.202011.
dedicassem à ilus ação de publicações ou de ca -
azes, e buscassem abalho jun o do Es ado. As en-
comendas o iciais cons i uíam uma pa e signi ica i a
do endimen o, e mui os a is as dependiam de me-
canismos in o mais, nomeadamen e o conhecimen o
e amizade com agen es o iciais, a qui ec os ou mi-
nis os. O e en ual limi e à c ia i idade, dada a ge-
ne alizada o ien ação, não só emá ica, das ob as
encomendadas, oi uma das consequências des a
conjun u a32.
31. Re i am-se, a í ulo de exemplo, a pin u a mu al in i ulada A Jus iça di ina sob epondo-se à Jus iça do Homem (1967) ealizada pa a o
Palácio de Jus iça de Almada (Nunes, 2003: 282, 408), e os ca ões pa a apeça ias mu ais execu adas na Manu ac u a de Tapeça-
ias de Po aleg e, des inadas ao Palácio da Jus iça de Alcáce do Sal (Nunes, 2003: 299, 407), e ao Hospi al Dis i al de Po aleg e,
ambas da adas de 1975. Ag adeço à Dou o a Rosá io Salema de Ca alho a pa ilha de in o mação sob e a apeça ia do hospi al
po aleg ense.
32. Sob e es e assun o, eja-se, po exemplo: Nunes, 2003: 232-258; San os, 2006: 85-108; Au o , 2012: 144-153.
33. Re i a-se, como exemplo, o conjun o de pos ais desenhados po Edua do Mal a, que ci cula am an o po ocasião da Exposição Colo-
nial do Po o (1934), como da Exposição His ó ica da Ocupação (1937).
“(...) a ixação do ou o numa imagem, o og a ia
ou g elha pode não nos dize an o sob e quem
es á aí ep esen ado, mas sim sob e quem es á a
di igi a ep esen ação.” (Ma os, 2012: 82).
Aquando da conc e ização do painel ce âmico, em
1973, o Es ado No o encon a a-se no seu momen o
inal. Desde 1968, a o ien ação do país o a assumida
po Ma celo Cae ano. As gue as no con inen e a ica-
no inham esgo ando os ecu sos nacionais e a popu-
lação. Impo a a ao egime man e a sua au a de ci ili-
zado capaz e sobe ano, ap o a comanda a e olução
e a con ibui pa a a sal agua da das populações sob
seu domínio. A ep esen ação a ís ica cons i uía um
meio p i ilegiado pa a cimen ação des as ideias, con-
o me já em décadas an e io es se e i ica a a a és
dos ac os p opagandís icos e de e o ço da imagem
de Po ugal enquan o po ência colonial, pa icula men-
e plasmados na imp ensa, e em ca azes e colecções
de pos ais33, associados às di e sas exposições, no
país e no es angei o, que in eg a am a emá ica co-
lonial (e.g. Ma os, 2012: 153-156, 162-247). Como
oi e e ido, Manuel Lima es a a amilia izado, desde
a década de 1930, com es a ideologia, a a és da
deco ação pic ó ica em exposições.
UMA PROPOSTA DE LEITURA DO PAINEL
ARTE & PODER ART & POWER 155
n.º 7 2018
P ocu a -se-á, de seguida, cla i ica como a iconog a-
ia seleccionada pa a o painel do Hospi al do Ul a-
ma ence a um in en o de ixação e comp o ação da
acção ci ilizado a pe pe uada na ase de adei a do
Es ado No o nas suas p o íncias ul ama inas a ica-
nas, ansmi indo uma imagem do egime como mo o
do desen ol imen o das populações locais a a és da
p es ação de cuidados de saúde.
A medicina — e, mais conc e amen e, a igu a do
médico — oi o icialmen e enca ada como um dos
pila es da colonização. Es a concepção e lec iu-se,
po exemplo, no Monumen o ao Es o ço Colonizado
Po uguês, execu ado pa a a Exposição Colonial no
Po o (1934), no qual uma das seis igu as es ilizadas
colocadas na base ep esen a o médico, iden i icá-
el pelo caduceu de Asclépio. No painel de Manuel
Lima, o médico e a en e mei a su gem como pe so-
nagens humanas, eais, en e gando ba as b ancas,
como mensagei os que di undem ques ões de higiene
e de saúde em p ol das populações.
Não deixa de se no ó io que, a ando-se de um pai-
nel des inado a deco a um hospi al localizado na “ca-
pi al do Impé io”, se enha ep esen ado a p es ação
de assis ência médica a na i os a icanos no que se
en endia se o seu ambien e na u al, e não em meio
hospi ala . Apesa da dis inção e iden e en e os es-
ádios e olu i os das igu as, a a és da oupa ou do
onco desnudado, dos ade eços como o po e de água
sob e a cabeça de uma das igu as, e do ambien e
de sel a como que in ocado (embo a o seu aspec o
pa eça idealizado, sem e e en es conc e os), pa ece
ha e , simul aneamen e, uma en a i a de demons a
o ca ác e benigno da colonização po uguesa, que
se desloca ia ao encon o das populações, espei an-
do a auna e a lo a. A muscula u a acen uada na i-
gu a masculina pode á, se assumíssemos uma análise
mais conjec u al, e idencia a alo ização do abalho
b açal e a necessidade de manu enção da saúde dos
na i os. Não se ol ide que o egime os conside a a
essenciais enquan o “ abalhado es nas azendas ou
ao se iço do Es ado — cons uindo pon es, es adas e
hospi ais no mundo ul ama ino.” (Ma os, 2012: 243).
Foi an e io men e e e ido que, mesmo desde a dé-
cada de 50 e a pa da p omulgação de planos de
omen o ul ama ino, o in es imen o na saúde e na
escola idade não oi p io i á io, e que a cons ução
de equipamen os hospi ala es se cen a a sob e udo
nas zonas u banizadas. Embo a o egime p opalasse
a noção de wel a e colonialism, is o é, de in eg ação
e assimilação das populações na i as, p o indo-lhes
bem-es a e desen ol imen o social de o ma iguali-
á ia, es a ideia não se e ec i ou, man endo-se uma
adminis ação di e enciado a e de a i ude pa e nalis-
a (Cas elo, 2014; Je ónimo, Pin o, 2015). A agenda
e a cla a: a p omoção da saúde in e essa a como o
o ma de con olo da mão-de-ob a, e i ando a p opa-
gação de doenças, ou seja, cons i uía um mecanismo
capaz de p o e segu ança e man e o s a us quo.
Impo a comp eende que, ao con á io do que suce-
deu em companhias p i adas como a Diamang, que
o ganizou os seus se iços de o ma au ónoma (Va-
anda, 2007), a implemen ação da assis ência mé-
dica o icial aos na i os em ambien e u al e elou-se
complicada. A di iculdade de pene ação e acesso
aos meios u ais, a al a de inanciamen o, equipa-
men o e pessoal quali icado, e o choque a ní el cul u-
al, pa en e na necessidade de con ence os habi an-
es — com concepções dis in as de doença e c enças
pa icula es, p i ilegiando cu andei os — a adop a
os p ecei os da medicina ociden al, de ini am o mo-
delo a segui (Ha ik, 2013; 2017). In en ou-se a di u-
são de b igadas i ine an es pa a as eios e p es ação
de se iços de assis ência, a pa de campanhas de
e adicação de doenças endémicas, como as dedi-
cadas à doença do sono, à malá ia e ao comba e
à lep a, almejando-se a educação sani á ia das po-
pulações, e ensaiou-se a cons ução de en e ma ias
in luenciadas na habi ação dos na i os, embo a com
ma e iais pe enes e baseadas em noções de higiene
coe as (Bas os, 2014).
A en ando na legislação ace ca dos se iços de saúde
ul ama inos p oduzida na década de 1960, deno a-se
a ónica na de esa da saúde pública e na p o ilaxia,
bem como na o gânica da ede sani á ia, cuja base
se iam os hospi ais, delegacias e cen os de saúde de
ca iz u al. Deseja a-se, ambém, inc emen a a o ma-
ção do pessoal médico e auxilia e as suas condições
de abalho, e assis iu-se à c iação de cu sos uni e si á-
ios médico-ci ú gicos em Angola e Moçambique.
A mensagem pa en e no painel ce âmico de Lisboa
é ele an e no con ex o em que oi p oduzido. O am-
bien e hos il das gue as em Á ica, ob igando a uma
coope ação en e os se iços de saúde e as adminis-
ações locais, sublinhou a necessidade de equipas
médicas mó eis que pudessem assis i as populações
mais emo as (Ha ik, 2017: 49). Os ela os e os