Full text
Con ins
Re ue anco-b ésilienne de géog aphie / Re is a
anco-b asile a de geog afia
31 | 2017
Núme o 31
En Lixboa sob e lo ma ( io Tejo). A o ganização e
a es u u ação do espaço u bano das o igens ao
século XIV
En Lixboa sob e lo ma (Tage) o ganisa ion e s uc u e de l'espace u bain des
o igines au XIVe siècle
En Lixboa sob e lo ma (Tagus i e ). O ganiza ion and s uc u ing o u ban
space om he beginning o he ou een h cen u y
Ca los Gua dado da Sil a
Edição elec ónica
URL: h p://confins. e ues.o g/12061
ISSN: 1958-9212
Edi o a
He é Thé y
Re ê encia ele ónica
Ca los Gua dado da Sil a, « En Lixboa sob e lo ma ( io Tejo). A o ganização e a es u u ação do
espaço u bano das o igens ao século XIV », Confins [Online], 31 | 2017, pos o online no dia 19 Junho
2017, consul ado o 20 Junho 2017. URL : h p://confins. e ues.o g/12061
Es e documen o oi c iado de o ma au omá ica no dia 20 Junho 2017.
Confins – Re ue anco-b ésilienne de géog aphie es mis à disposi ion selon les e mes de la licence
C ea i e Commons A ibu ion - Pas d’U ilisa ion Comme ciale - Pa age dans les Mêmes Condi ions
4.0 In e na ional.
En Lixboa sob e lo ma ( io Tejo). A
o ganização e a es u u ação do
espaço u bano das o igens ao século
XIV
En Lixboa sob e lo ma (Tage) o ganisa ion e s uc u e de l'espace u bain des
o igines au XIVe siècle
En Lixboa sob e lo ma (Tagus i e ). O ganiza ion and s uc u ing o u ban
space om he beginning o he ou een h cen u y
Ca los Gua dado da Sil a
En Lixboa sob e lo ma
Ba cas no as mandey [la a ],
Ay mha Senho eelida!
En Lixboa sob e lo lez
Ba quas no as mandey aze ,
Ay mha Senho [ eelida] [b]a quas no as mandey
la a
Ba cas no as mandei la a
E no ma as mandey aze dey a ,
Ay mha a cas no as mandey aze
E no ma as mandei me e ,
Ay mha [Senho eelida!]
João Zo o, En Lixboa sob e lo ma .
In “Cancionei o de Lisboa”: O os o ma í imo de
Lisboa.
Fon e: Cancionei o da Biblio eca Nacional - B 1151bis
[Biblio eca Nacional de Po ugal]
En Lixboa sob e lo ma ( io Tejo). A o ganização e a es u u ação do espaço u...
Con ins, 31 | 2017
1
Figu a 1 Em Lixboa sob e lo ma
1 En Lixboa sob e lo ma é o p imei o e so de uma can iga de amigo, do ‘Cancionei o de
Lisboa’, de au o ia de João Zo o, e al ez o melho pon o de pa ida pa a o es udo da
cidade, endo p esen e o en oque do V Seminá io I ine an e F anco-B asilei o ‘Cidades e
Rios na his ó ia do B asil: io A aguaia’, uma ez que aqui o sí io da cidade e o io se unem
e se explicam desde os empos p imi i os. Can iga celeb a i a, p o a elmen e, de um
ac o e ídico, como o lançamen o de um no o ba co ao ma , podendo, nes e caso
conc e o, ep esen a os ei os de Manuel Pessanha, o geno ês con a ado pela co oa
po uguesa em 13171. Já desde en ão o io Tejo, que ab aça Lisboa an es de desagua no
‘ma Oceano’, se designa a po ma , designação que man e e a é à a ualidade a es ada no
mic o opónimo ‘ma da palha’, cujo nome pa ece de e -se aos esíduos ege ais
En Lixboa sob e lo ma ( io Tejo). A o ganização e a es u u ação do espaço u...
Con ins, 31 | 2017
2
a as ados pelas águas do io e empu ados pelo en o, desde as lezí ias de Riba Tejo a é
es e ma in e io .
2 Fig. 2 Localização de Lisboa no e i ó io po uguês
3 Da undação do sí io e do nome
4 A cidade de Lisboa em uma ma iz undacional o ien alizan e, enícia, a es ada pela
p esença de ma e iais a queológicos, que emon a ao séc. VIII a.C.. O p óp io opónimo
Olisippo (nome la ino de Lisboa), de p o á el o igem enícia, pe mi e elaciona o nome
com o sí io p imi i o de Lisboa, bem como com o io Tejo, ainda que não se possa pensa
em odo o es uá io em en e de Lisboa, omado como g ande baía.
5 Fig. 3 Olisipo (Lisboa omana)
6 Fon e: Ilus ação de Césa Figuei edo pa a o documen á io Fundeadou o omano de Olisipo2
En Lixboa sob e lo ma ( io Tejo). A o ganização e a es u u ação do espaço u...
Con ins, 31 | 2017
3
7 Re e i -se-ia ce amen e ao es ei o pouco p o undo que en ão en a a na cidade ( isí el
na Fig. 3, do lado esque do). Pois a iden i icação de um som “ enício” Oliṣ ( e mo la ino
comp o ado no equi alen e heb aico ’alyṣ) no p imei o componen e do nome de Olisippo
é pe ei amen e plausí el. É um adje i o cujo signi icado se pode iden i ica com «aleg e,
ameno, ag adá el», co en e nas línguas semí icas do no oes e. O segundo elemen o, ippo,
que Bocha ansc e e po ubbo e que nos ca ac e es heb aicos que usa pa a g a a o
e mo enício con e ia a pala a ﭏעב, com a ansc ição ‘b’ (ayin, be , ale ), e ela-se
exp essão in e essan e, mas menos acessí el. Ela apon a ia pa a um luga elacionado
com pequenos ba cos e com a sua go e nação, assim como com águas de au (pouco
p o undas). Re e ência que se iden i ica mais com o sí io de Lisboa, o p óp io es ei o, e
não an o com uma g ande baía ou odo o es uá io do Tejo3.
8 De Olisipo a Lušbūna
9 En e 19 e 13 a.C., Olisipo ecebeu do impe ado omano Augus o o es a u o de
municipium ci ium Romano um (Município de cidadãos Romanos), endo-se o nado, a
pa i de en ão, a cidade mais impo an e da Lusi ânia, uma das ês p o íncias omanas
da Península Ibé ica. Po isso Olisipo é la gamen e e e ida nos i ine á ios de au o es
clássicos, com des aque pa a Es abão e Plínio, ‘o Velho’, pon o de pa ida e chegada de
impo an es ias omanas, documen adas nas on es la inas e á abes, que liga am capi ais
de con en ī e de p o íncias. O io Tejo e a a g ande “es ada”, que c uza a a Península de
ociden e pa a o in e io da Ibé ia, ia de comunicação de homens, me cado ias e ideias de
e pa a as cidades, algumas das quais ajudou a cons ui , assim como o seu imaginá io.
Fig. 4 As p o íncias omanas da Península Ibé ica sob o go e no de Augus o
10 Apesa de nunca e es ado na Península Ibé ica, Es abão deixou-nos uma suges i a
desc ição do Tejo, de onde se des aca o papel p eponde an e das cidades de Mó on4 (Chões
de Alpompé - Vale Figuei a, jun o a Scallabis = San a ém) e Olisipo, que, em conjun o,
En Lixboa sob e lo ma ( io Tejo). A o ganização e a es u u ação do espaço u...
Con ins, 31 | 2017
4
domina am o cu so lu ial assim como a bacia do Tejo, es endendo a sua in luência a oda
a Lusi ânia.
11 O geóg a o de Amásia desc e e, no li o III da sua Geog a ia, o io Tejo, in eg ando-o na
p o íncia da Lusi ânia:
12 «O Tejo, na oz, em ce ca de in e es ádios de la gu a e ão g ande é a sua p o undidade
que po ele na egam ba cos de dez mil ân o as (i.é de g ande calado). Nas planícies que
icam a mon an e, o ma, na ma é cheia, dois es uá ios que inundam uma supe ície de
cen o e cinquen a es ádios5 e o nam a planície na egá el. No es uá io, que ica mais a
mon an e, ci cunda uma ilho a com uns in a es ádios de comp imen o e pouco menos
de la gu a, cobe a de ege ação e de inhas. A ilha ica de on e da cidade de Mó on6 a
qual es á si uada numa ele ação pe o do io, a uns quinhen os es ádios do ma . À sua
ol a es ende-se um e i ó io é il. A subida do io a é lá pode aze -se du an e mui o
empo, em na ios g andes e o es o do pe cu so em emba cações lu iais. Pa a mon an e
de Mó on, o cu so na egá el é ainda maio . Se indo-se des a cidade como base de
ope ações, B u o, cognominado o Galaico, a acou os Lusi anos e subme eu-os. Fo i icou
Lisboa [Hólosis, Olisipón] pa a domina o cu so do io e, des e modo, man e li e a
na egação lu ial e o anspo e de abas ecimen os, a al pon o es as e am as cidades mais
impo an es das ma gens do Tejo7». (GUERRA ; BIOL e QUARESMA: 2000, p. 31)
13 Ainda que seja hoje unanimemen e acei e a iden i icação de Mó on com o oppidum de Vale
de Figuei a (jun o a San a ém), e e ido po Es abão a pa i das on es de Políbio, al
não acon eceu no passado. Ou as hipó eses o am colocadas, desde Almei im, de endida
po Da id Lopes, a Ab an es e Cons ância, quando não no planal o de San a ém,
localização de endida, po Mendes Co eia, si uando Scallabis na zona baixa.
14 Scallabis e a um nó iá io, posição es a égica que lhe pe mi ia con ola o
a a essamen o do io e que jus i icou a sua escolha como pla a o ma das mo imen ações
omanas no ociden e peninsula . Assim se en ende que jun o da cidade se enham
es abelecido os con ingen es que se i am as ope ações mili a es do início da pene ação
dos exé ci os de Roma. Si uação que jus i ica ia ambém a ápida p omoção à ca ego ia de
colonia, sede de uma das ês ci cunsc ições judiciais (con en ī) que se cons i uí am,
p o a elmen e ainda no p incipado de Augus o, na p o íncia da Lusi ânia8. Scallabis inha
o igem num acampamen o mili a , com uma população maio i a iamen e omana,
encon ando-se na dependência di e a de Roma. Assim se en ende que não enha sido
escolhida pa a capi al de con en ūs a ci i as de Olisipo, apesa da impo ância que de e ia já
na al u a.
15 Olisipo o nou-se, dada a sua localização an ajosa no amplo es uá io jun o da oz do io, in
emo is mundi inibus9, com ácil acesso ao ‘ma oceano’10, numa e dadei a capi al de
p o íncia c iada po Augus o, ampliando, cada ez mais, a sua impo ância como po o,
‘placa gi a ó ia dos p odu os de um as o hin e land’ (GUERRA ; BIOL e QUARESMA: 2000,
p. 31). Impo ância económica a jun a à polí ica, es emunhada pelo es a u o de
municipium ci ium Romano um (município de cidadãos omanos), o único assim iden i icado
po Plínio, ‘o Velho’, na Lusi ânia, que con e ia a Olisipo uma la ga au onomia.
16 Des e modo, pa ece cla a a desc ição excecional que Es abão az do io Tejo. Na e dade,
não se a a de um cu so de água qualque , mas de um io onde na ega am ba cos de
eno me calado, segundo as suas pala as, de dez mil ân o as. Impo ância come cial que
associa a à es a égica, condição de e minan e pa a o abas ecimen o do exé ci o omano
ixado na cidade de Mó on. Aspe o a e em con a, quando o anspo e a longa dis ância
En Lixboa sob e lo ma ( io Tejo). A o ganização e a es u u ação do espaço u...
Con ins, 31 | 2017
5
e a mais ápido e segu o po ma e io. Qual a o ma ou o ipo de emba cações? Se ia,
mui o p o a elmen e, de ‘na es one a ias’ da classe ‘co bi a’, cuja ep esen ação
encon amos em moedas de Ossonoba, que pe mi ia a na egação no A lân ico (GOMES:
1998, OSS 15.01 2A AE 23.1g.).
17 Rep esen ação de uma “na e one a ia” da classe “co bi a”
Fig. 5 Moeda de Ossonoba
18 A impo ância económica, es a égica e polí ica do Tejo, bem como da cidade de Olisipo
são co obo adas po Plínio, ‘o Velho’. P o a elmen e, Plínio nunca es e e na Lusi ânia,
soco endo-se das in o mações ecolhidas e compiladas po amigos e ou os au o es,
den e os quais [Lúcio11] Co nélio Boco, cuja p ocedência lusi ana é hoje um ac o acei e,
p o a elmen e na u al da Salacia, pa indo do es abelecido pa a um dos memb os des a amília
numa insc ição de Lisboa (FE 275) (CARDOSO ; GUERRA e FABIÃO: 2011, p. 171). Plínio usa o
e mo oppidum pa a Olisipo, enquan o sede de ci i as, independen emen e do seu es a u o,
equen emen e de p i ilégio, bem pa en e no exce o12 seguin e, cuja ca ego ia
municipal é con i mada pelo p óp io13:
19 «A p o íncia [da Lusi ânia] no seu conjun o di ide-se em ês con en ī: o Eme i ense, o
Pacense (colónia ins i uída po Césa ou Augus o) e o Escalabi ano; em no o al qua en a
e cinco po os, dos quais cinco são colónias, um é município de cidadãos omanos». (…) A
quin a [colónia] é Scallabis que se designa P aesidium Iulium. O município de cidadãos
omanos é Olisipo, cognominado Felici as Iulia.» [PLIN. 4, 117]
20 O a amen o excecional, que de Plínio, que de Es abão, esul a do econhecimen o da
impo ância de Olisipo como o oppidum mais impo an e do ociden e peninsula , de ido ao
seu pode económico, o nado o p incipal en epos o come cial do A lân ico. Pode
económico su icien e pa a a ai a Olisipo um g ande núme o de amílias omanas ou
omanizadas, o que pa ece suge i o conjun o de es emunhos epig á icos, azendo da
ci i as uma segunda capi al da Lusi ânia, segundo Hübne (1871).
21 Do seu imaginá io des acam-se mi abilia14 associadas ao Tejo, ais como a explo ação de
ou o nas a eias do io, a ecundação das éguas pela b isa dos en os, assim como a
undação de Olisipo pelo he ói g ego Ulisses.
22 O Tejo e a, pa a Plínio, como pa a di e sos au o es la inos, o io no qual co ia ou o,
como es emunham as mais de qua en a menções às suas a eias au í e as na li e a u a
la ina (GUERRA: 1995, p. 130). Re e ência ópica au i e Tagus (Tejo au í e o), que
En Lixboa sob e lo ma ( io Tejo). A o ganização e a es u u ação do espaço u...
Con ins, 31 | 2017
6
emon a a Ca ulo (84-54 a.C.)15, au o da menção mais an iga ao ou o do Tejo (NETO: 1996,
p. 86), a a és da iunc u a (combinação) epe ida em O ídio, Ma cial, Silo I álico, Es ácio,
Cláudio Claudiano, Solino e Isido o de Se ilha. Re e ência ao ou o que encon amos
ambém em ou os au o es como P udêncio (au i luus), Appendix Ve giliana, Lucano,
Ju enal, Séneca, Pompónio Mela, Cláudio Ru ílio Namaciano, Sé io, Jo dano, Ma ciano
Capela e Boécio (FERNÁNDEZ NIETO: 1970/71, p. 245-249). Tópico que os au o es á abes
como Ibn Ghālib, al-Zuh ῑ, al-Id ῑsῑ, al-Rāzi, o poe a Ibn Said al-Magh ibi e o c uzado
inglês R[aol] de Glan ille ep oduzi ão16.
23 A ecundação das éguas pelo en o a ónio17 emon a á a Va ão ( us . 2,1,19), uma das
p incipais on es da His o ia Na u al de Plínio. Tópico que se á epe ido po Vi gílio (Geo g.
3, 272-277), Columela (6,27), Silo I álico (3,378-383) e Jus ino (44,3,1), ma cando p esença
em au o es á abes e em au o es enascen is as como And é de Resende. Fenómeno
pe ce í el nes a ob a onde abundam mi abilia (ma a ilhas), cujo undamen o pa ece
en onca num mi o lusi ano de ma iz indo-eu opeia. Des e modo, mais do que pe an e
uma na a i a, es a passagem con e ia uma ‘ eo ia mi ológica e ilosó ico-cien í ica’,
segundo J. Be mejo Ba e a (1982, p. 99-100), que e le ia aspe os da es u u a social da
lusi ana. Ma a ilhoso, aqui, a pa de ou as e e ências de que são exemplos um T i ão
que oca a búzio numa g u a, episódio anunciado ao impe ado Tibé io po uma
embaixada de olisiponenses, bem como as ne eidas (Νηρείδες ou Νηρηίδες, em g ego
an igo), e dadei as nin as do ma 18 que lemb am ce amen e as Tágides de Os Lusíadas.
Gos o pelo in e osímil que emon a à G écia an iga, a es ado po exemplo em Teo as o,
An ógono, Plu a co e T ogo19.
24 Uma úl ima e e ência à undação de Lisboa po Ulisses, um ópico mais das ma a ilhas e
p odígios que cons i ui ão uma e dadei a g amá ica não apenas da li e a u a clássica,
mas ambém da li e a u a medie al, ópicos que ma ca ão p esença em mui os au o es
a é, pelo menos, ao século XVII.
25 A ideia de que Lisboa o a undada po Ulisses, ‘ma a ilha’ la gamen e di undida desde a
an iguidade, é um ópico a es ado pela p imei a ez em Solino e Ma ciano Capela (SOL
23,5 e MART. CAP. 6, 629) (FERNANDES: 1985, p. 139-161), essu gindo em au o es
mode nos po ugueses, ais como And é de Resende, Damião de Góis, Luís Vaz de Camões
e Diogo Mendes de Vasconcelos. Obse ação de ida na u almen e à semelhança do nome
das duas cidades do ociden e peninsula , Odisseia20 e Olysipón, opónimos egis ados po
Es abão (NASCIMENTO: 2003, p. 34).
26 Tópicos igualmen e e e idos pelos au o es á abes, de que des acamos al-Id ῑsῑ, que
começa po desc e e a dis ância, de duas jo nadas, en e Alcáce e Lisboa, seguindo o seu
i ine á io, si uando a cidade jun o do Tejo, onde a ma é se az sen i iolen amen e.
Desc e e as suas i udes, conside ando-a uma cidade bela, con inuando com uma
e e ência ace ca do u banismo e de esa, nomeadamen e a mu alha e a alcáço a
inexpugná el, aspe o ele an e quando os edi ícios do pode ma ca am simbolicamen e a
cidade, azendo-a. Depois des aca no cen o da cidade a exis ência de nascen es de água
quen e [al-ḥammāque no e ão que no in e no, enómeno que explica ,[ﺔّﻤﺤﻟا =
ce amen e a exis ência do mic o opónimo ‘Al ama’, a que alude igualmen e o c uzado R
[aol], au o do ela o de A conquis a de Lisboa aos mou os, com a exp essão balnea cálida
(NASCIMENTO: 2001, p. 76)21. E e e e igualmen e a exis ência de pepi as de ou o pu o
i adas do Tejo.
En Lixboa sob e lo ma ( io Tejo). A o ganização e a es u u ação do espaço u...
Con ins, 31 | 2017
7
27 Como geóg a o, desc e e ambém as ias de comunicação, po e a e pelo io, en e
Lisboa e San a ém, indicando, po ém, a dis ância de 80 milhas, exage ada quando
compa ada com as 42 milhas e e idas po al-Rāzῑ [888-955], au o que nos dá, nes e
aspe o, uma in o mação mais p óxima da ealidade. Assim, al-Id ῑsῑ si ua a cidade de
Lisboa no inal de um i ine á io, ambém mili a , como Lisboa se ia o pon o inal do
i ine á io da Segunda C uzada di ecionada pa a Lisboa desc i o po R[aol] de Glan ille.
28 Po úl imo, al-Id ῑsῑ con a-nos o ela o dos amosos a en u ei os, que pa i am de Lisboa
em di ecção ao ‘Ma Teneb oso’ [‘alā naḥ al-Baḥa al-Muẓlim], es emunho da na egação
a lân ica em ma al o, ela o que al-Ḥimya ῑ ep oduzi á, mais a de, quase na ín eg a.
T a a-se do es emunho de uma habi ual e dinâmica a i idade ma í ima, e ce amen e da
exis ência de um po o em Lisboa, apesa de es e não se e e ido pelo au o á abe22,
assim como de Ibn Abī ‘Āmi al-Manṣū e p e e ido a cidade em a o de Alcáce [do Sal]
pa a a ins alação de um a senal a lân ico, na ocasião da sua expedição con a San iago de
Compos ela, embo a o posicionamen o de Lisboa lhe pe mi isse assumi esse papel de
modo an ajoso.
29 Em suma, das on es an igas, que de au o es la inos, que de au o es á abes, ica-nos
pa a Olisipo (e mais a de Lušbūna), uma cidade cuja impo ância se de e à sua localização
es a égica, jun o do ma (que aqui é ambém o io), onde já se aziam emba cações pa a
na egação no ma al o, à exis ência de um po o em Lisboa, ainda que as on es o não
e i am, à p esença de uma a i idade ma í ima con ínua e dinâmica, des acando-se a
na egação e as a i idades ligadas ao ma , a base do desen ol imen o da u be que ajuda a
explica o c escimen o demog á ico da egião. A pa i do século IX, e i ica-se um
enascimen o económico de longa du ação, endo Lušbūna bene iciado do o e impulso
da na egação á abe. Po im, des aque-se ainda, pa icula men e nos au o es á abes
aspe os u banís icos, designadamen e os edi ícios do pode , os e e i os ‘ au o es’ da
cidade.
30 A ma iz u bana omana
Fig. 6 Olisipo (Lisboa omana)
Fon e: Ilus ação de Césa Figuei edo pa a o documen á io Fundeadou o omano de Olisipo
En Lixboa sob e lo ma ( io Tejo). A o ganização e a es u u ação do espaço u...
Con ins, 31 | 2017
8
à pi a a ia, e a im de o na a ila mays de esa e mais on ada e mays o elegada, o
mona ca e o Concelho de Lisboa decidi am cons ui uma mu alha na baixa, pa alela ao
Tejo, de que é possí el hoje isi a um echo no sí io da “no a” ig eja de São Julião, hoje
Museu do Banco de Po ugal30.
54 A sua cons ução e a pensada já, pelo menos, 126131, com o obje i o de e o ça a
segu ança da cidade, me ade po con a do sobe ano e a ou a me ade po con a do
concelho. Ao mona ca cabe ia a sua cons ução desde as casas dos pesos do concelho a é à
Rua No a32, e ao concelho desde o can o da o e da Esc e aninha... a é às casas dos pesos
(CASTILHO: 1936, ol. VI, p. 251-252). O concelho de e ia, ainda, ala ga em duas b aças o
echo en e a Casa dos Pesos e o can o das Fe a ias do ei, onde unda ia o mu o33.
55 Pa alela à mu alha encon a a-se a ua No a, que ica ia no in e io da cidade com a
edi icação da no a es u u a de ensi a. A abe u a da ua No a pa ece se uma undação
de D. Dinis, uma ez que não exis em e e ências documen ais à mesma, an e io es a
1294. Toda ia, os e mos do aco do en e o mona ca e o Concelho suge em se aquela
an e io . A mu alha já se encon a a em cons ução em 12 de ab il de 1295, o que se
dep eende da doação pelo Concelho de Lisboa a D. Dinis, de um e eno, onde es a am os
e ei os, pa a que cons ua mais casas na Rua No a34. Ao mu o del Rei na ua No a35, ao
mu o das minhas casas na ua No a, além da po a da [H]E a36, ao mu o que es a da
pa e da Ribei a37, ao mu o das casas da ua No a38 ou simplesmen e ao mu o39 e e em-se
á ios documen os. Des e modo, a mu alha dionisina e ia sido cons uída, mui o
p o a elmen e, en e 1294 e 1295 e, al ez, nos anos imedia amen e a segui .
56 O aco do en e D. Dinis e o Concelho de Lisboa pa a a cons ução da mu alha especí ica os
limi es da e e ida es u u a de ensi a, pa indo de o ien e, na minha o e da
Esc e anya, no ex emo sul da ua das As es e sudoes e da ce ca elha. Do lado ociden al,
a mu alha alcança a as Ta acenas, p op iedade égia onde o ei gua da a as suas galés,
em núme o de 12 em 1299, de endidas, do lado do io, po duas o es40.
57 Foi ambém no einado de D. Dinis, que Lisboa se a i ma a como po o in e mediá io
in e nacional, en e o Medi e âneo e o No e da Eu opa, com o desen ol imen o da
ma inha de gue a, no con ex o da de esa do eino, e do p óp io comé cio in e nacional.
Já exis ia ce amen e uma o ça na al. Toda ia, em 1307, D. Dinis c iou uma es u u a de
comando, nomeando almi an e Nuno Fe nandes Cogominho, que pe manece ia no ca go
a é 1316. No ano seguin e, e e luga o sal o quali a i o pa a uma e e i a polí ica de
de esa do eino com a nomeação do seu sucesso , o almi an e-mo do eino o geno ês
Mice Manuel Pessanha, que ecebe a com o ca go uma ença anual de 3 000 lib as, assim
como a doação he edi á ia do luga da Ped ei a, em Lisboa, aos quais di ei os se soma iam
pos e io men e ou os p i ilégios (PIZARRO: 2005, p. 188). Pessanha e ia um papel
undamen al na o ganização da nossa o a na al, especialmen e ocacionada pa a
de ende a cos a dos a aques da pi a a ia muçulmana (IDEM: 2005, p. 174), elegando pa a
segundo plano o o ício de alcaide do ma . Com Manuel Pessanha ie am in e cidadãos da
«comuna» de Géno a, que cons i ui iam, a pa i de 1317, um núcleo de geno eses
me cená ios com ce a impo ância na cidade de Lisboa, que a ai iam ou os ligados ao
comé cio, es abelecendo-se em Po ugal (SILVA: 2008, p. 286 ; MARQUES: 1944, p. 28-30)
uma “colónia” geno esa de alguma impo ância já no einado de D. A onso IV. O
desen ol imen o da ma inha, exigi ia o inc emen o da cons ução na al e, na u almen e,
a edi icação de no as e cenas na Ribei a, no e i ó io da pa óquia de São Julião, no
einado de D. Dinis41.
En Lixboa sob e lo ma ( io Tejo). A o ganização e a es u u ação do espaço u...
Con ins, 31 | 2017
15
58 Mais a de, en e 1373 e 1375, le an a -se-ia, em en e e pa alela à mu alha mandada
aze po D. Dinis, um amo da ce ca no a ou Fe nandina (SILVA: 1987, p. 33), ganhando a
cidade uma aixa de e eno ao io, nes e local, al como acon ece a com a cons ução da
mu alha dionisina. Ala gamen o do espaço que exigi ia a cons ução de uma ce ca no a,
no einado de D. Fe nando. A no a mu alha ele a a a supe ície da cidade islâmica de
meados do século XII de ce ca de 30 hec a es pa a ce ca de 104 hec a es, is o é, 3.5 ezes
supe io . Um espaço ‘no o’ já en ão densamen e po oado, que se encon a ia ago a
delimi ado pela ce ca e nandina, que de ini ia, de ce o modo, o espaço da cidade
medie al de Lisboa a é ao inal da p imei a dinas ia (1383).
59 Nas p aças da cidade mani es a am-se os ês p incipais pode es, ep esen ando as ês
unções indo-eu opeias de Geo ges Dumézil. Em p imei o luga , a unção eligiosa, po que
o peso monumen al e opog á ico da Ig eja impunha-se na cidade a a és da ocupação do
solo pelas ig ejas, capelas, mos ei os e con en os. Sendo cen os li ú gicos de g ande
a ação e de oção, espaços de pe eg inação e ce imónia, elicá ios, pon os de pa ida e de
chegada das p ocissões, a ida u bana g a i a em seu o no. Em segundo luga , a unção
económica, uma das ca ac e ís icas mais impo an es da cidade medie al, pois não são
apenas os edi ícios que ma cam a opog a ia, mas sob e udo as p aças e os me cados, as
uas dos a esãos e dos me cado es, os moinhos u banos ou subu banos, e, na u almen e,
o po o. Em e cei o luga , a unção polí ica. Em Lisboa apidamen e, e sob e udo a pa i
de D. A onso III, a igu a do ei impõe-se. O ei é o senho da cidade de Lisboa. Na alcáço a
impõe-se o Paço égio, dominando a cidade.
60 Fig. 14 Plan a de Lisboa (séc. XIV)
61 Conclusão
62 Lisboa é, no undo, uma ‘cidade eunida’, na exp essão de Y es Ba el ou uma ‘cidade
uni icada’, como p e e e Jacques Le Go (1992, p. 16). Uma cidade múl ipla, policên ica,
com inúme os pon os de e e ência, que se oi sob epondo no in e io das mu alhas,
En Lixboa sob e lo ma ( io Tejo). A o ganização e a es u u ação do espaço u...
Con ins, 31 | 2017
16
quando não da mesma mu alha que, unida no século IV e eunida no século X, i ia a
sepa a -se ao longo dos séculos XI a XIV, pa a ol a a uni -se, em 1373-75, no in e io da
‘ce ca no a’. As suas mu alhas con ibuí am ce amen e pa a a aquisição da consciência
da iden idade da cidade como uma unidade, sem qualque exigência de e ocação dos seus
cons i uin es. Assim se explica que os documen os mencionem, apenas o nome ‘Lisboa’,
ou a exp essão ‘cidade de Lisboa’, como um odo, dis inguindo-a do e mo. Lisboa, cen o
de consumo, a cidade-po o in e mediá ia in e nacional desde a segunda década do
século XIV, a pa i da inda de Manuel Pessanha pa a Po ugal.
63 Mas se a iden idade de Lisboa se o jou no in e io das suas mu alhas, e e ce amen e o
con ibu o do io Tejo, que di a ia, como imos, o seu p óp io nome, elemen o sup emo
da sua iden idade.
64 São no ó ias, po an o, as ca ac e ís icas da cidade medie al em Lisboa, que se sob epo ia
à ma iz u bana undacional omana. O cas elo senho ial, as ig ejas e o me cado. Es es
dois úl imos elemen os su gindo, po ezes, associados. A é meados do século XIII, es ão
in imamen e ligados na cidade de Lisboa, encon ando-se a zona come cial e a i a
p óximo da Sé. Depois a unção come cial p opende a p ocu a a baixa e o po o,
endência que se a i ma a pa i do p imei o qua el do século XIV, quando Lisboa se
começa a ab i aos me cado es es angei os, a i mando-se enquan o en epos o
come cial en e o Medi e âneo e o A lân ico.
BIBLIOGRAFIA
ALARCÃO, Jo ge. «O ea o omano de Lisboa». In: Ac as del Simposio El Tea o en la Hispania
Romana, Badajoz, 1982. p. 287-302.
ALMAGRO-GORBEA, Ma ín. «Lucio Co nelio Boco: u de ano de Salacia e au o da Idade da P a a
da li e a u a la ina». In: Es udos A queológicos de Oei as. 18, p. 407-552.
BERMEJO BARRERA, J. «Los caballos y los ien os: Un mi o lusi ano an iguo». Mi ologia y mi os de
la Hispania Romana. Mad id: Akal, 1982. p. 99-100.
BIRG, Manuela - «San a Ma ia Maio (ig eja de)». In: SANTANA, F ancisco ; SUCENA, Edua do
(di .) Dicioná io da His ó ia de Lisboa. Lisboa: Ca los Quin as § Associados – Consul o es, 1994.
CARDOSO, João Luís ; GUERRA, Amílca ; FABIÃO, Ca los. «Alguns aspec os da mine ação omana
na Es emadu a e Al o Alen ejo» = «On Roman mining in Po ugueses Es emadu a and Uppe
Alen ejo». Lucius Co nelius Bocchus: esc i o lusi ano na Idade de P a a da Li e a u a La ina.
Lisboa Academia Po uguesa da His ó ia ; Mad id: Real Academia de la His o ia, 2011.
CASTILHO, Júlio de. Lisboa An iga: Bai os O ien ais. 2.ª ed. e . e ampliada pelo au o e com
ano ações do Eng. Augus o Viei a da Sil a. Lisboa: S. Indus iais da Câma a Municipal
FABIÃO, Ca los. «o monumen o omano da ua da P a a». Lisboa Sub e ânea. Lisboa: MNA, 1994.
FARELO, Má io Sé gio da Sil a. A oliga quia cama á ia de Lisboa: 1325-1433. Lisboa: Uni e sidade
de Lisboa, 2008. Disse ação de dou o amen o em His ó ia Medie al ap esen ada à Uni e sidade
de Lisboa.
En Lixboa sob e lo ma ( io Tejo). A o ganização e a es u u ação do espaço u...
Con ins, 31 | 2017
17
FERNANDES, R. M. Rosado. «Ulisses e Lisboa». Euph osyne. s.s., 13, 1985, p. 139-161.
FERNÁNDEZ NIETO, F. J. «Au i e Tagus». Zephy us. Salamanca: Uni e sidad, 1970/71. p. 245-249.
GEGETTI, M. Zoologia e an opologia in Plínio. p. 117-118.
GÓIS, Damião ; AMARAL Ilídio do (in od.) ; NASCIMENTO, Ai es A. (ap esen ., ed. c í ica, ad. e
comen .). V bis Olisiponis Desc ip io = Elogio da cidade de Lisboa. Lisboa: Guima ães Edi o es,
2002.
GOMES, Albe o. Moedas do e i ó io po uguês an es da undação da nacionalidade: Hispano-
Romanas. Lisboa: Associação Numismá ica de Po ugal, 1998.
GUERRA, Amílca . Plínio-o-Velho e a Lusi ânia. Lisboa: Edições Colib i, 1995.
GUERRA, Amílca ; BIOL, Ma ia Luísa ; QUARESMA, José Ca los. «Pa a o enquad amen o do sí io
de Po os: um es abelecimen o omano no cu so in e io do Tejo». In: Senho da Boa Mo e:
mi os, his ó ia e de oção: Exposição. Vila F anca de Xi a: Câma a Municipal, 2000.
HÜBER, E. No ícias A cheologicas de Po ugal. 1871.
LE GOFF, Jacques. O apogeu da cidade medie al. São Paulo: Ma ins Fon es, 1992.
MACHADO, Inácio Ba bosa. His ó ia Panegí ica do Magní ico Aquedu o das Águas Li es.
MANTAS, Vasco Gil. A ede iá ia omana da aixa a lân ica en e Lisboa e B aga. disse ação de
Dou o amen o em P é-His ó ia e A queologia ap esen ada à Faculdade de Le as da Uni e sidade
de Coimb a. Coimb a: ed. policopiada, 1993.
MARQUES, An ónio Hen ique de Oli ei a (ed.). Chancela ia de D. A onso IV: 1325-1336. Lisboa:
Ins i u o Nacional de In es igação Cien í ica. Cen o de Es udos His ó icos da Uni e sidade No a
de Lisboa, 1990.
MARQUES, João Ma ins da Sil a. Descob imen os Po ugueses: Documen os pa a a sua His ó ia:
1147-1460. Lisboa: Ins i u o pa a a Al a Cul u a, 1944. ol. 1.
MENEZES, José de Vasconcelos e. Te cenas de Lisboa I. Lisboa: Re is a Municipal. Lisboa: Câma a
Municipal, 1986. Ano 47, 2.ª sé ie, n.º 16, 2.º Sem. 1986. p. 8.
MOITA, I isal a. «Das o igens p é-his ó icas ao domínio omano. O domínio omano». In: MOITA,
I isal a, (coo d.). O li o de Lisboa. Lisboa: Li os Ho izon e, 1994.
NASCIMENTO, Ai es A. (ed., ad. e no as). A conquis a de Lisboa aos mou os: ela o de um
c uzado. Lisboa: Vega Edi o a, 2001.
NASCIMENTO, Ai es A. «Os epónimos mí icos de Lisboa: Ulisses, Hé cules e ou os – í ulos de
nobili ação». In: VENTURA, An ónio (o g.). P esença de Vic o Jabouille. Lisboa: Faculdade de
Le as da Uni e sidade de Lisboa, 2003.
NETO, João Angelo Oli a ( ad., in . e no as). O Li o de Ca ulo. São Paulo, Edi o a da Uni e sidade
de São Paulo, 1996. p. 86.
PIZARRO, José Augus o de So o Mayo .D. Dinis. Lisboa: Cí culo de Lei o es, 2005.
RODRIGUES, Ad iano Vasco. «O ea o omano de Felici as Julia (Lisboa)». suplemen o de
Ingenium (Re is a da O dem dos Engenhei os), dezemb o de 1987.
SILVA, Augus o Viei a da. As Mu alhas da Ribei a de Lisboa. 3.ª ed. Lisboa: Câma a Municipal,
1987. ol. 1.
SILVA, Ca los Gua dado da. Lisboa Medie al: a o ganização e a es u u ação do espaço u bano. 2.ª
ed. Lisboa: Colib i, 2010.
En Lixboa sob e lo ma ( io Tejo). A o ganização e a es u u ação do espaço u...
Con ins, 31 | 2017
18
SILVA, Ca los Gua dado. «Lisboa nas na a i as es angei as do século XII». In: Lisboa: G upo de
Amigos de Lisboa (no p elo).
SILVA, Augus o Viei a da. A Cê ca Mou a de Lisboa: es udo his ó ico desc i i o. 3.ª ed. Lisboa:
Câma a Municipal, 1987.
NOTAS
1. Também AVALON – En Lixboa, sob e lo ma [em linha]. Disponí el no ende eço da URL em: <
h p://www.you ube.com/wa ch? =0HVUBo3zw8I> [consul . em 14 de Se . de 2016].
2. Ag adecemos a Césa Figuei edo a cedência gene osa das imagens 3D ela i as a Olisipo pa a o
p esen e a igo, elabo adas pa a o documen á io Fundeadou o omano de Olisipo, ealizado po Raul
Losada.
3. A es e p opósi o eja-se SILVA, Ca los Gua dado da – «Em busca das o igens do nome Olisipo».
In: Lisboa Medie al : a o ganização e a es u u ação do espaço u bano. 2.ª ed. Lisboa : Colib i, 2010. p.
35-37.
4. T a a, mui o p o a elmen e, do oppidum p é- omano, po oado o i icado que emon a ao
século V a.C., com uma ocupação omana dos séculos II/I a.C. Séc. II / I a.C. Es abão e e e-a, a
pa i de on es de Políbio, onde Iunius B u us es abeleceu, em 138 a.C. um acampamen o mili a
pa a apoio a Scallabis.
5. O es ádio e a uma medida de co espondia a ap oximadamen e 177 me os.
6. Cidade adicionalmen e iden i icada com Chões de Alpompé, Vale Figuei a, jun o a San a ém.
7. T ad. de Espí i o San o, A naldo. C . GUERRA, Amílca ; BIOL, Ma ia Luísa ; QUARESMA, José
Ca los – «Pa a o enquad amen o do sí io de Po os : um es abelecimen o omano no cu so in e io
do Tejo». In: Senho da Boa Mo e : mi os, his ó ia e de oção : Exposição. Vila F anca de Xi a : Câma a
Municipal, 2000. p. 31.
8. O con en us oi essencialmen e uma ci cunsc ição judicial, c iada com o obje i o de
acili a a adminis ação da jus iça, nas causas delegadas pelo go e nado p o incial ou
pelos lega i iu idici. A p o íncia da Lusi ânia oi epa ida po ês con en ī com as suas
espe i as capi ais: Pax Iulia (Beja), Scallabis (San a ém) e Eme i a Augus a (Mé ida).
9. Localização de Lisboa que se i a a U bano IV de a gumen o pa a au o iza o bispo de Lisboa,
D. Ma eus (1258-1282), a não se ap esen a em Roma pa a a isi a ad limina. C . FARELO, Má io
Sé gio da Sil a – A oliga quia cama á ia de Lisboa: 1325-1433. Lisboa: Uni e sidade de Lisboa, 2008.
Disse ação de dou o amen o em His ó ia Medie al ap esen ada à Uni e sidade de Lisboa. p. 2.
10. Dis in o do ‘ma da palha’. O seu nome pa ece de e -se aos esíduos ege ais a as ados pelas
águas do io e empu ados pelo en o, desde as lezí ias Riba Tejo a é es e ma in e io .
11. Fazendo co esponde L. Co nelius L. . Bocchus com o mais ecen e dos ês memb os
iden i icados, seguindo a p opos a de ALMAGRO-GORBEA, Ma ín – «Lucio Co nelio Boco:
u de ano de Salacia e au o da Idade da P a a da li e a u a la ina». In: Es udos A queológicos de
Oei as, 18, p. 407-552.
12. PLIN. 4,113 e 116; 8, 166.
13. PLIN. 4, 117.
14. Te mo la ino que signi ica ‘coisas admi á eis ou ma a ilhas’, do e bo mi a e (‘mi a ’,
‘olha ’), que endo designa os aspe os admi á eis, ma a ilhosos inse os nas ob as de au o es da
época clássica e medie al.
15. Ve ona, nascido en e 87 e 84 a.C e mo o en e 57 e 54 a.C.
16. SILVA, Ca los Gua dado - «Lisboa nas na a i as es angei as do século XII». In:
Lisboa: G upo de Amigos de Lisboa (no p elo).
En Lixboa sob e lo ma ( io Tejo). A o ganização e a es u u ação do espaço u...
Con ins, 31 | 2017
19
17. Zé i o, en o b ando do oes e, p óspe o.
18. «Com o co po cobe o po escamas, mesmo na pa e em que êm igu a humana». (PLIN, 9,9).
19. GEGETTI, M. – Zoologia e an opologia in Plínio. p. 117-118.
20. Cidade que se si ua a numa egião mon anhosa da Tu de ânia, na p o íncia de G anada, onde
exis ia um emplo dedicado a A ena, onde, segundo au o es an igos, es a am expos os os escudos
e espo ões dos na ios que Ulisses ali deposi a a.
21. No século XVI, ainda a água b o a a quen e numa on e jun o do Cha a iz d’El Rei,
e e ida po Damião de Góis, na sua U bis Olisiponis Desc ip io. C . GÓIS, Damião ; AMARAL
Ilídio do, in od. ; NASCIMENTO, Ai es A., ap esen ., ed. c í ica, ad. e comen . – V bis
Olisiponis Desc ip io = Elogio da cidade de Lisboa. Lisboa: Guima ães Edi o es, 2002.
22. Re e ido na His o ia Compos ellana e no ela o do c uzado R[aol].
23. CIL II 191.
24. In o mação ecolhida em linha, no ende eço da URL, em h p://www.museudelisboa.p /
equipamen os/ ea o- omano/ (consul . em 18.09.2016).
25. CIL II 183.
26. CIL II 191.
27. CIL II 175; Vasco Gil Man as, A ede iá ia omana da aixa a lân ica en e Lisboa e B aga,
disse ação de Dou o amen o em P é-His ó ia e A queologia ap esen ada à Faculdade de Le as
da Uni e sidade de Coimb a, Coimb a, ed. policopiada, 1993, pa icula men e p. 577-578.
28. C . MACHADO, Inácio Ba bosa - His ó ia Panegí ica do Magní ico Aquedu o das Águas Li es.
no a 57.
29. ANTT - Mos ei o de San a C uz de Coimb a. maço 3, n.º 18, 1148 Ab il; Pub. in A Conquis a de Lisboa
aos Mou o: Rela o de um C uzado. ed. ad. e no as de Ai es Augus o Nascimen o. Lisboa: Vega, 2000.
p. 202-205.
30. Mais in o mação disponí el em h ps://www.bpo ugal.p /p -PT/Se icosaoPublico/
Mu alhadeDDinis/Paginas/inicio.aspx [Conbsul . em 19.09.2016].
31. Um documen o do ca ó io do mos ei o de Chelas e e e a exis ência de dinhei o, ecolhido
a a és do lançamen o de uma in a lançada aos mo ado es de onze eguesias da cidade - San a
Ma ia Madalena, São Ma inho, São Jo ge, São Mamede, São C is ó ão, São Julião, São João [da
P aça], San a Ma ia Maio , São Lou enço, São Nicolau e San a Jus a - que saca e un p o ad mu os
Ulixbone cons uendos.
32. No sí io da a ual ig eja de São Julião, sede do Banco de Po ugal, onde ecen emen e se
encon ou um oço da mu alha que in eg a á o u u o Museu daquela ins i uição.
33. ANTT - Chancela ia de D. Dinis. Li . 2, l. 81 -82, 1294 Junho 4.
34. ANTT - Chancela ia de D. Dinis. Li . 2, l. 99 ., 1295 Ab il 12.
35. ANTT - Chancela ia de D. A onso IV. Li . 3, l. 28/1, 1331 Ma ço 8; pub. MARQUES, An ónio
Hen ique de Oli ei a, ed. - Chancela ia de D. A onso IV : 1325-1336. Lisboa : Ins i u o Nacional de
In es igação Cien í ica, Cen o de Es udos His ó icos da Uni e sidade No a de Lisboa, 1990, Vol. 1
doc. 238, p. 259-260.
36. ANTT - Chancela ia de D. A onso IV. Li . 3, l. 8/1 e 2, 1326 Se emb o 2.
37. ANTT - Chancela ia de D. Ped o. Li . 1, l. 48, 1361.
38. ANTT - Chancela ia de D. Ped o. Doc. 948, l. 440.
39. ANTT - Chancela ia de D. Dinis. Li . 4, l. 96/1 e 2, 1323 Agos o 28.
40. Habe dominus ex XIII a acenas cum XII galeis apud ipa iam. ANTT - Li o dos Bens dos
P op ios dos Reis e das Rainhas. l. 18 .
41. Li o dos Bens dos P óp ios dos Reis e das Rainhas. l. 18 ., 1299; ANTT - Colecção Especial, cx. 86,
1282 Ab il 5 ; Apud SILVA, Augus o Viei a da - As Mu alhas da Ribei a de Lisboa. 3.ª ed. Lisboa :
Câma a Municipal, 1987. ol. 1, p. 10. MENEZES, José de Vasconcelos e – Te cenas de Lisboa I.
En Lixboa sob e lo ma ( io Tejo). A o ganização e a es u u ação do espaço u...
Con ins, 31 | 2017
20
Lisboa : Re is a Municipal. Lisboa: Câma a Municipal, 1986. Ano 47, 2.ª sé ie, n.º 16, 2.º Sem. 1986. p.
8.
RESUMOS
O p esen e es udo, de na u eza quali a i a e supo ado em pesquisa documen al, analisa a
e olução e a es u u ação do espaço u bano de Lisboa, desde as o igens a é ao século XIV, na sua
elação es ei a com o io Tejo, en ão designado de ma jun o da cidade.
O es udo pa e da undação do sí io de Lisboa, no século VIII a.C., de ma iz o ien alizan e, de que
o p óp io opónimo de o igem enícia é iden i á io, seguindo-se a u be omanizada (Olisipo) que,
en e 19 e 13 a.C., ecebeu do impe ado omano Augus o o es a u o de municipium ci ium
Romano um (Município de cidadãos Romanos), omada pelos á abes, ainda que o maio
con ingen e osse be be e, po ol a de 714.
Em 1147, oi obje o de econquis a pelas opas de A onso Hen iques, o nando-se, a pa i de
meados do século XIII, a capi al do eino. Do a an e a cidade c esceu polí ica, economica e
geog a icamen e, semp e numa elação es ei a com o io e o ma (que aqui é ambém o io), a
que se de e a sua impo ância, dada a sua localização es a égica, onde já no pe íodo islâmico se
aziam emba cações pa a na egação no ma al o, com uma a i idade ma í ima con ínua e
dinâmica, des acando-se a na egação e as a i idades ligadas ao ma , a base do desen ol imen o
da u be que ajuda a explica o c escimen o demog á ico da egião. O es udo e mina com a
análise dos edi ícios do pode – eligioso, económico e polí ico – ão es u u an es quan o os
elemen os geog á icos, com des aque pa a o io Tejo, na o ganização do espaço u bano.
La p ésen e é ude, de na u e quali a i e e en s’appuyan su la eche che documen ai e, analyse
l’é olu ion e la s uc u a ion de l’espace u bain de Lisbonne dès les o igines jusqu’au 14e siècle,
e le lien é oi que la ille é abli a ec le leu e Tage, au e ois désigné de «me p oche de la
ille».
Le poin de dépa de no e é ude es le si e de Lisbonne au 8e siècle a . J.-C., de ma ice
o ien alis e, don le oponyme d’o igine phénicienne es la ma que iden i ai e. A ce e pé iode se
sui celle de l’u be omanisée (Olisipo), qui eçoi de l’empe eu omain Augus e, en e 19 e 13 a .
J.-C., le s a u de municipium ci ium Romano um (municipali é de ci oyens omains). La ille es
p ise pa les A abes aux en i ons de 714, bien que le con ingen le plus nomb eux soi composé
de oupes be bè es.
En 1147, Lisbonne u econquise pa les oupes d’A onso Hen iques (A onso I); elle de ien la
capi ale du oyaume dès le milieux du 13e siècle. Do éna an , le dé eloppemen poli ique,
économique e géog aphique de Lisbonne se ai en é oi e liaison a ec le leu e e la me (celle-
ci ne commence qu’en a al de Lisbonne, la ille é an enco e bo dée pa le Tage), lui de an son
impo ance s a égique. Déjà aupa a an , pendan la pé iode islamique, on y cons uisai des
emba ca ions pou la na iga ion en hau e me , e une ac i i é ma i ime s’y es déployée de açon
con inue e dynamique, en pa iculie la na iga ion e les ac i i és liées à la me , base du
dé eloppemen de l’u be. Ce e ela ion p i ilégiée au leu e e à la me pe me de mieux
comp end e l’acc oissemen démog aphique de la égion. L’é ude se e mine pa l’analyse des
édi ices du pou oi - eligieux, économique e poli ique - qui s’a è en ê e aussi s uc u an s
dans l’o ganisa ion de l’espace u bain que les élémen s géog aphiques, le Tage en pa iculie .
En Lixboa sob e lo ma ( io Tejo). A o ganização e a es u u ação do espaço u...
Con ins, 31 | 2017
21
This quali a i e s udy, based on documen a y esea ch, analyzes he e olu ion and he
s uc u ing o he u ban space o Lisbon, om i s o igins un il he 14 h cen u y, in i s close
ela ionship wi h he i e Tagus, a he ime designa ed by a sea nea he ci y.
The s udy s ems om he ounding o he si e o Lisbon, in he 8 h cen u y BC, wi h an
O ien alizing ma ix, an iden i y exp essed by he Phoenician o igin o his place-name, ollowed
by he Romanized ci y (Olisipo) ha , be ween 19 and 13 BC, ecei ed om he empe o Roman
Augus us he s a us o municipium ci ium Romano um (Municipali y o he Roman ci izens),
conque ed by he A abs, al hough he g ea e con ingen was Be be , a ound 714.
In 1147, i was econques ed by he oops o he Po uguese King A onso I, becoming, a e he
middle o he 13 h cen u y, he capi al o he kingdom. He ea e , he ci y g ew poli ically,
economically and geog aphically, always in close ela ion wi h he i e and he sea (which, in
his case is also he i e ), which suppo ed i s impo ance, gi en i s s a egic loca ion. This
impo ance da es back o he Islamic pe iod, when maid essels o na iga ion on he high seas
we e buil , in a con inuous and dynamic ma i ime ac i i y, specially na iga ion and o he
ac i i ies ela ed o he sea ha we e he basis o he de elopmen o he ci y ha helps
explaining he demog aphic g ow h o he egion. The s udy ends wi h he analysis o he
buildings o powe - eligious, economic and poli ical - as s uc u al as he geog aphical
elemen s, especially he Tagus i e , in he o ganiza ion o he u ban space.
ÍNDICE
Mo s-clés: ille, leu e, ille omaine, ille médié ale, Po ugal, Lisbonne, Tage
Pala as-cha e: cidade, io, cidade omana, cidade medie al, Po ugal, Lisboa, Tejo
Índice geog á ico: Lisboa
Keywo ds: ci y, i e , Roman ci y, medie al ci y, Po ugal, Lisbon, Tagus i e
AUTOR
CARLOS GUARDADO DA SILVA
Uni e sidade de Lisboa, Faculdade de Le as, (Cen o de Es udos Clássicos), Alameda da
Uni e sidade, 1600-214 Lisboa, Po ugal, ca los[email p o ec ed]
En Lixboa sob e lo ma ( io Tejo). A o ganização e a es u u ação do espaço u...
Con ins, 31 | 2017
22