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As “fontes inexauríveis dos escritores da Antiguidade” na História da República Romana (1885), de J. P. Oliveira Martins

Nobre, Ricardo Miguel Guerreiro

Abstract

Inserida na “Biblioteca das Ciências Sociais” (de que viria a ser o último volume, publicado em 1885), a História da República Romana responde ao objectivo específico delineado por Oliveira Martins: difundir conhecimento por um vasto público. Será, porventura, esse propósito que justifica alguma contenção e certa simplicidade com que se citam ou referem autores antigos, capacidade que neste ensaio se estuda para concluir acerca do proveito que Oliveira Martins tirou dos testemunhos da literatura greco-latina: verificar-se-á que a insistência com que se recorre a Valério Máximo ou Suetónio como fontes históricas é uma singularidade admirável, sobretudo em contraste com a parcimónia com que são mencionados quer historiadores como Tito Lívio, Dionísio de Halicarnasso ou Plutarco, quer testemunhos contemporâneos da última parte da História da República Romana como o de Júlio César; citações de Tácito e dos Evangelhos parecem deslocados do contexto e cronologia, enquanto Cícero configura um caso inteiramente à parte, pois a sua convocação é frequente, sobretudo para demonstrar antipatia pela personagem; identificam-se versões latentes de Apiano, Díon Cássio ou Séneca; e assinalam-se discursos poéticos de Horácio, Propércio, Virgílio e de Catulo usados como fonte histórica. Em muitos casos, porém, os contextos originais foram distorcidos ou manipulados.

Full text

Nuno Simões Rod igues Ália Rod igues (Coo ds.) Iden idade Romana e Con empo aneidade HVMANITAS SVPPLEMENTVM • ESTUDOS MONOGRÁFICOS ISSN: 2182-8814 Ap esen ação: es a sé ie des ina-se a publica es udos de undo sob e um leque a iado de emas e pe spe i as de abo dagem (li e a u a, cul u a, his ó ia an iga, a queologia, his ó ia da a e, iloso ia, língua e linguís ica), man endo embo a como denominado comum os Es udos Clássicos e sua p ojeção na Idade Média, Renascimen o e eceção na a ualidade. B e e no a cu icula sob e a Coo denação do olume Nuno Simões Rod igues é Dou o em Le as, na especialidade de His ó ia da An iguidade Clássica, é P o esso Associado da Faculdade de Le as da Uni e sidade de Lisboa, onde leciona ma é ias elacionadas com a An iguidade Clássica, em g aduações e pós-g aduações. In es igado dos Cen os de His ó ia e de Es udos Clássicos da ULisboa e de Es udos Clássicos e Humanís icos da Uni e sidade de Coimb a, em dedicado a sua in es igação à His ó ia Cul u al da G écia An iga (mi o, eligião e ea o) e à His ó ia Social e Polí ica da Roma An iga ( inais da República e inícios do P incipado). A eceção da An iguidade Clássica no cinema e na banda desenhada em ambém me ecido a sua a enção como in es igado . T aduziu Eu ípides (Alces e e I igénia en e os Tau os), Plu a co (Co iolano) e algumas da idas da His ó ia Augus a. De momen o, abalha na adução da Vida de An ónio de Plu a co. Ália Rod igues é dou o ada pela Uni e sidade de Coimb a em Es udos Clássicos e é a ualmen e in es igado a pós-dou o anda no P ojec o BioRom sediado no Cen o de Es udos Clássicos e Humanís icos. Nos úl imos anos em abalhado sob e udo na á ea de his ó ia in elec ual das ideias polí icas, ocando-se nas adições polí icas g ega e omana. Sé ie Humani as Supplemen um Es udos Monog á icos ESTRUTURAS EDITORIAIS Sé ie Humani as Supplemen um Es udos Monog á icos ISSN: 2182-8814 DIRETOR PRINCIPAL MAIN EDITOR Del im Leão Uni e sidade de Coimb a REVISÃO REVIEW Guilhe me Ma ques Uni e sidade de Coimb a COMISSÃO CIENTÍFICA EDITORIAL BOARD An onio Duplá Ansua egui (Uni e sidad del País Vasco) Cláudia A. Teixei a (Uni e sidade de É o a) Fe nando Wul Alonso (Uni e sidad de Málaga) José Ca doso Be na des (Uni e sidade de Coimb a) José Damião Rod igues (Uni e sidade de Lisboa) Ma ia Alexand e Lousada (Uni e sidade de Lisboa) Ma ia C is ina de Sousa Pimen el (Uni e sidade de Lisboa) Ma ia João Bap is a Ne o (Uni e sidade de Lisboa) Ma ia Manuela Ta a es Ribei o (Uni e sidade de Coimb a) Ma in M. Winkle (Geo ge Mason Uni e si y) Paola S. Sal a o i (Scuola No male Supe io e – Pisa e Uni e si à degli S udi Roma T e) Paula Mo ão (Uni e sidade de Lisboa) Raquel Hen iques da Sil a (Uni e sidade No a de Lisboa) Sé gio Campos Ma os (Uni e sidade de Lisboa) Todos os olumes des a sé ie são subme idos a a bi agem cien í ica independen e. Nuno Simões Rod igues Ália Rod igues (coo ds.) Iden idade Romana e Con empo aneidade Tí ulo Ti le Iden idade Romana e Con empo aneidade Roman Iden i y and Con empo anei y Coo d. Ed. Nuno Simões Rod igues Ália Rod igues Edi o es Publishe s Imp ensa da Uni e sidade de Coimb a Coimb a Uni e si y P ess www.uc.p /imp ensa_uc Con ac o Con ac [email p o ec ed] Vendas online Online Sales h p://li a iadaimp ensa.uc.p Coo denação Edi o ial Edi o ial Coo dina ion Imp ensa da Uni e sidade de Coimb a Conceção G á ica G aphics Rodol o Lopes, Nelson Fe ei a In og a ia In og aphics Jo ge Ne es Imp essão e Acabamen o P in ed by  ISSN 2182-8814 ISBN 978-989-26-2479-2 ISBN Digi al 978-989-26-2480-8 DOI h ps://doi.o g/10.14195/978-989-26-2480-8 © Ou ub o 2023 T abalho publicado ao ab igo da Licença This wo k is licensed unde C ea i e Commons CC-BY (h p://c ea i ecommons.o g/licenses/by/3.0/p /legalcode) POCI/2010 Imp ensa da Uni e sidade de Coimb a Classica Digi alia Vni e si a is Conimb igensis h p://classicadigi alia.uc.p Cen o de Es udos Clássicos e Humanís icos da Uni e sidade de Coimb a Sé ie Humani as Supplemen um Es udos Monog á icos T abalho p oduzido no âmbi o do p oje o Rome ou Home: (Au o)biog aphical T adi ion and he Shaping o Iden i y(ies) (PTDC/LLT-OUT/28431/2017). Financiado pelo P oje o Ge al do Cen o de Es udos Clássicos e Humanís icos da Uni e sidade de Coimb a (UIDB/00196/2020 e UIDP/00196/2020) Iden idade Romana e Con empo aneidade Roman Iden i y and Con empo anei y Coo denado es edi o s Nuno Simões Rod igues Ália Rod igues Filiação A ilia ion Uni e sidade de Lisboa Uni e sidade de Coimb a Resumo Es e conjun o de ensaios e de es udos p e ende o e ece ao lei o uma pe spec i a sis ema izada da p esença e in luência da cul u a omana, sob e udo ao ní el das p oblemá icas da iden idade, na con empo aneidade, en endendo-se aqui po “con empo ânea” a ealidade his ó ica que se segue à Re olução F ancesa, no inal do século XVIII. Des e modo, eúnem-se es udos que ab angem ealidades polí icas e ins i ucionais, mas ambém his o iog á icas e a ís icas, da Li e a u a, às A es Plás icas e ao Pa imónio. Os ex os eunidos cen am-se sob e udo na ealidade po uguesa, mas incluem-se ambém e lexões mais ab angen es que êm como ho izon e a Eu opa e os EUA. Pala as-Cha e Iden idade Romana, Es udos de Receção, Roma An iga, Con empo aneidade Abs ac This se o essays aims o o e he eade a sys ema ized pe spec i e o he p esence and in luence o Roman cul u e, especially a he le el o iden i y issues, in con empo anei y, “con empo aneous” being unde s ood he e as he his o ical eali y ha ollowed he F ench Re olu ion, a he end o he 18 h cen u y. The s udies b ough oge he co e poli ical and ins i u ional eali ies, bu also his o iog aphical and a is ic opics, om Li e a u e o Fine A s and He i age. The collec ed ex s ocus mainly on he Po uguese eali y, bu also include b oade e lec ions such as Eu ope and he USA. Keywo ds Roman Iden i y, Recep ion S udies, Ancien Rome, Con empo anei y 6 Coo denado es Nuno Simões Rod igues Dou o em Le as, na especialidade de His ó ia da An iguidade Clássica, é P o esso Associado da Faculdade de Le as da Uni e sidade de Lisboa, onde leciona ma é ias elacionadas com a An iguidade Clássica, em g aduações e pós-g aduações. In es igado dos Cen os de His ó ia e de Es udos Clássicos da ULisboa e de Es udos Clássicos e Humanís icos da Uni e sidade de Coimb a, em dedicado a sua in es igação à His ó ia Cul u al da G écia An iga (mi o, eligião e ea o) e à His ó ia Social e Polí ica da Roma An iga ( inais da República e inícios do P incipado). A eceção da An iguidade Clássica no cinema e na banda desenhada em ambém me ecido a sua a enção como in es igado . T aduziu Eu ípides (Alces e e I igénia en e os Tau os), Plu a co (Co iolano) e algumas da idas da His ó ia Augus a. De momen o, abalha na adução da Vida de An ónio de Plu a co. Ália Rod igues Ália Rod igues é dou o ada pela Uni e sidade de Coimb a em Es udos Clássicos e é a ualmen e in es igado a pós-dou o anda no P ojec o BioRom sediado no Cen o de Es udos Clássicos e Humanís icos. Nos úl imos anos em abalhado sob e udo na á ea de his ó ia in elec ual das ideias polí icas, ocando-se nas adições polí icas g ega e omana. Con en s Índice In odução 9 Nuno Simões Rod igues, Ália Rod igues I. DA HISTÓRIA Building a New Poli ical Model: Lessons om he Roman Republic 19 Clelia Ma inez Maza O eg esso às o igens do c is ianismo no al o do p o es an ismo po uguês: a p oblemá ica da iden idade omana na imagé ica p o es an e oi ocen is a 39 Ri a Mendonça Lei e Impe ialismo, La inidade e Romanidade no No e de Á ica ancês e i aliano 67 Vasco Man as II. DA HISTÓRIA E DA HISTORIOGRAFIA Os his o iado es oi ocen is as po ugueses e a omanização 133 And é Teixei a A ap op iação de Vi ia o (e dos Lusi anos) no séc. XIX em Po ugal 163 Amílca Gue a III. DA HISTÓRIA, DA LITERATURA E DA FILOLOGIA As « on es inexau í eis dos esc i o es da An iguidade» na His ó ia da República Romana (1885), de J. P. Oli ei a Ma ins 191 Rica do Nob e Es udos da ida omana e no as memo ialís icas em Os dois Plínios de Júlio de Cas ilho 219 Vi gínia Soa es Pe ei a Ca ão – Uma Memó ia na Ribal a. Abo dagem de Ca ão, uma T agédia de Joseph Addison 243 Adelaide Mei a Se as A agédia Ca ão de Almeida Ga e . O seu débi o a Plu a co 265 José Ribei o Fe ei a 196 As “ on es inexau í eis dos esc i o es da an iguidade” na His ó ia da República Romana (1885), de J. P. Oli ei a Ma ins dos “subsídios” da “e udição con empo ânea” e das “ on es inexau í eis dos esc i o es da An iguidade”19. Nes a omada de posição, Oli ei a Ma ins pa ece e seguido a suges ão que An e o de Quen al lhe de a em Ma ço de 1875; o poe a, a p opósi o de um a igo ace ca “Da Mo al Religiosa en e os G egos” (imp esso nesse ano na Re is a Ociden al), decla a a: “sou de pa ece que i e as ci ações de 2.ª mão, e deixe só as dos an igos”20. A His ó ia da República Romana, no en an o, não es á isen a de emis- sões bibliog á icas. Dos es udos c í icos, apenas são mencionadas, po no ma em odapé, ob as da p óp ia “Biblio eca das Ciências Sociais”21, po en u a com o in ui o de cimen a os concei os de Oli ei a Ma ins sob e os enóme- nos his ó icos a ados. Pa a isso, conco e a ideia de que “Si uações análogas p oduzem semp e esul ados idên icos; a na u eza humana é uma e a mesma, e o omano do ii século da sua e a o na a-se, sob o pon o de is a social e polí ico, idên ico ao eu opeu ociden al do xix século da e a de C is o”22. Assim, ais emissões pa a ou as ob as da “Biblio eca das Ciências Sociais” su gem em momen os em que se p e ende c ia uma ligação en e o passado omano e o p esen e (ou passado p óximo): os Romanos, no empo da omada de Veios, e am “uma gen e bisonha, c en e e pe inaz, que nos pa ece assime- lha -se à nossa gen e po uguesa a é ao x século, aos bu gueses que ize am ei D. João I e aos soldados que conquis a am a Á ica ma oquina”23; aspec os da expansão po uguesa se em pa a explica o papel de Ca ago nas éspe as da p imei a gue a con a Roma: “Lisboa oi no século x i da nossa e a a Ca ago da Eu opa”24. Mul iplicam-se exemplos com a F ança (“Olhe-se pa a qualque socie- dade mode na colocada em si uação análoga à da F ança no pe íodo 1851-70 e e -se-á, mudando os nomes, o quad o in ei o dos pa idos polí icos oma- nos nes e pe íodo”25), a Alemanha (“Roma […] em uma si uação análoga à da P ússia de hoje no impé io ge mânico”26), a Ingla e a (“As ei indicações aná quicas dos comícios pe an e uma cons i uição desconjun ada inham […] p epa ando assim, com o caos cons i ucional, uma si uação análoga à que em 19 Ma ins 1885: I. xxx ii. 20 Quen al 2009: I. 404. 21 O único au o mode no e ec i amen e ci ado, a p opósi o de Júlio Césa , é Mon es- quieu: “Nunca se o ende mais os homens […] do que quando se lhes a acam os seus usos e ce imónias. Op imi é mui as ezes uma p o a de conside ação, e i os usos é uma p o a de desp ezo” (Ma ins 1885: II. 409-410). A on e não é iden i icada, po ém a p imei a ob a indicada na bibliog a ia inal é G andeu e décadence des omains, de Mon esquieu. 22 Ma ins 1885: II. 7. 23 Id.: I. 106-107. 24 Id.: I. 185. 25 Id.: II. 144. 26 Id.: I. 172. 197 Rica do Nob e Ingla e a C omwell esol eu dissol endo o Longo-pa lamen o (1653)”27) ou a Espanha (“Os omanos ala am da Gália como os espanhóis mode nos do México e do Pe u”28). Ou a es a égia semelhan e a es a é a iden i icação de igu as an igas com mode nas: Má io es e e numa si uação idên ica ao do “nosso Saldanha em 1835”29, Gaio G aco é um Dan on30, Quin o Róscio um Talma31, Ma co C asso um Ro schild32, Ca ão um Alexand e He culano33, Cíce o um Cha eaub iand, um Thie s ou um Ga e 34, en e mui os ou os exemplos possí eis35. Em simul âneo, as e e ências aos au o es an igos na His ó ia da República Romana são mui o comedidas e sem pa icula elabo ação: numas ocasiões são ei as po pa á ases di usas, nou as po meio de ci ações em po uguês, a amen e apenas em la im, ha endo exemplos em que se ap esen a a ci ação la ina (amiúde com e os de o og a ia36) acompanhada de adução po uguesa. Mui as ezes não se menciona a ob a e, excep o num caso, nunca se indica o passo37. É, ainda assim, no ó io que exis em mui os ou os momen os em que a na a i a da His ó ia da República Romana é subsidiá ia de e sões an igas. Es e ensaio p ocu a es uda o p o ei o que Oli ei a Ma ins i ou dos au o es an igos pa a a elabo ação da sua ob a. O i ine á io a pe co e não igno a que, dos i ens omi idos na “Bibliog a ia”, se encon am “Os au o es clássicos, que se ão e e namen e lidos como esc i o es, mas que hoje não podem em g ande pa e oma -se como ex o his ó ico; sendo po ém as suas ob as e mui as das disse ações com que êm acompanhados nas edições mode nas a p incipal das on es pa a o his o iado ”38. 27 Id.: II. 11. 28 Id.: II. 43. 29 Id.: II. 69. 30 Id.: II. 22. 31 Id.: II. 128. 32 Id.: II. 149. 33 Id.: II. 146, 263. 34 Id.: II. 202, 247, 251. 35 Id.: II. 185, 201-202, 209, 225, 234-235, 236, e c. 36 Cla o que os e os podem se in e p e ados como g alhas, mas, nes e ensaio, as ci a- ções la inas são co igidas de aco do com as edições e e idas na bibliog a ia. A minha única in e enção uni icado a é a de u iliza o amis a em odas as ci ações. Além disso, são minhas as aduções cuja au o ia não es eja assinalada. 37 A excepção é uma ci ação da Eneida, como mais à en e se indica. 38 Ma ins 1885: II. 457. Conside o que as ci ações po uguesas dos ex os an igos, não indicando au o (e sem que eu enha iden i icado nenhuma adução na His ó ia da República Romana com as exis en es em 1885, como depois se pa icula iza á), são da es- ponsabilidade de Oli ei a Ma ins (se á pouco ele an e se o am ei as a pa i do o iginal g ego ou la ino ou de aduções es angei as). 198 As “ on es inexau í eis dos esc i o es da an iguidade” na His ó ia da República Romana (1885), de J. P. Oli ei a Ma ins Valé io Máximo exempli ica bem odos es es ipos de u ilização: no capí- ulo sob e o senado, es e é de inido (no co po do ex o, em adução) como “a alma da epública, a ca iel dos pensamen os mais p o undos, p o egido po um seg edo impene á el”39; em odapé, su ge o o iginal la ino acompanhado da au o ia, mas não do passo40. No início do capí ulo sob e Pi o, a o igem da ci ação é silenciada: Quando os embaixado es omanos o am a Ta en o pedi sa is ação pelo assal o b u al da esquad a, a u ba que eina a à sol a na cidade apinha a-se nas uas e p aças pa a os e passa , cump imen ando-os com assobios p olongados. O senado a en ino deu-lhes um banque e que e minou po um insul o imundo: um g ego le an ou-se indo, aos pulos, e u inou sob e a oga dum embaixado . “Ri”, disse-lhe es e, se eno e e í el; “ i u, que ainda me hás-de e a oga la ada com o sangue dos eus”41. O episódio (acon ecido em 282 a. C.42) é mencionado po Valé io Máximo43, que não log a se , po ém, a p incipal on e do que acaba de se ci a ; a espos a ansmi ida po Apiano, que nomeia o a en ino como Filó- nides e o omano como Lúcio Pos úmio, adequa-se mais li e almen e à e - são de Oli ei a Ma ins: “κλετε ἔ ττ αματ λλ ττ ρεσκμε γλωσ”44. Ou a possibilidade menos acei á el se ia a his ó ia de Díon Cássio45. No en an o, como nem Apiano nem Díon Cássio alam em u ina, a mediação de Valé io Máximo pa ece in luencia o con ex o da decla ação. Como se ê, quando não se iden i icam as on es, é possí el que as na a i- as sejam con aminadas po á ios es emunhos (seleccionando os po meno es a desc e e ). Ou o exemplo desse p ocesso é o seguin e; ao na a um episódio da ida de Má io, em Min u nas, Oli ei a Ma ins esc e e: 39 Ma ins 1885: I. 52-53 40 Val. Max. 2.2.1: Fidum e a e al um ei publicae pec us cu ia silen ique salub i a e muni um (“a cú ia e a o pei o iel e ilus e do es ado e p o egido pela salub idade do silêncio”). 41 Ma ins 1885: I. 146. 42 Reco de-se que es a c onologia co esponde à po ção pe dida da ob a de Ti o Lí io. 43 Val. Max. 2.2.5: cum g a issimas ibi iniu ias accepissen , unus e iam u ina espe sus esse (“ endo aí ecebido g a íssimas injú ias, endo a é um sido salpicado com u ina”). 44 App. Sam. 7.2: “‘la a eis is o’, disse, ‘com mui o sangue, ós que es ais g a os com os isos’”. 45 A espos a do embaixado omano em Díon Cássio (9.8) é: “γελτε ἔ γελτε ω ἔεστ μ κλασεσθε γρ  μακρτατ τα τ σθτα τατ τ αματ μ λτε” (“‘Ride’, disse, ‘ ide enquan o os é possí el! Po mui o longo empo cho a eis enquan o la a des es a es e com o osso sangue’”). 199 Rica do Nob e Pob e Má io sozinho e pe dido nos a olei os, endo a ba ca da sua sal ação a as a -se ao la go! Caído sob e o lodo, cho a lág imas de do e ai a! Todo ele é lama! Cha u da, opeça, asga-se, e e-se, desespe a, cai, le an a-se… Se ei cônsul uma ez ainda! Cônsul? não: um demónio!… Ia cismando des ai ado, a as ando o seu co po mise á el a é à cabana que além desco ina ao longe… Chega, ba e, ab em-lhe: Quem és u? Má io!… O camponês cai-lhe aos pés: e a um e e ano d’Á ica. Esconde-o; mas já e a a de. A gen e amo inada em co endo, oma-o, dei a-lhe uma co da ao pescoço e le a-o como se le a um boi laçado, pe an e o ibunal de Min u nas que o sen enceia à mo e…46 Su gem assim amalgamadas in o mações que se encon am an o em Valé- io Máximo (2.10.6) como em Plu a co (Má io, 38-39). Inse ido no subcapí ulo “A Vida Ai ada” da sociedade no im da epública, o acon ecimen o que es á na o igem de um dos di os céleb es de Júlio Césa em como p o agonis a Clódio, que, es ido de mulhe , “dis a çado em ocado a de li a”, se imiscuiu na casa daquele pa a celeb a a Bona Dea jun o de Pompeia, a quem ama a: Reconhece am-no: que escândalo! um homem no gineceu! Au élia[,] a sog a[,] g i a a açodada, as ce imónias in e ompiam-se, Clódio ugia a esconde -se no qua o de uma esc a a, onde as mulhe es o o am acha expulsando-o. Não se ala a em Roma nou a cousa no dia seguin e: os ca u as pediam o cas igo do sac ílego; mas o po o, in ei amen e ímpio, ia da a sa, indi e en e ao sac ilégio, com a sua simpa ia indis in a pelos ascá ios. Ainda assim, pa a se ob e a absol ição do éu[,] que e a ão ico como a e ido, oi necessá io comp a os juízes aus e os enchendo-lhes os bolsos e saciando-lhes a luxú ia: diz Valé io Máximo que as nou es desses juízes cus a am ios de dinhei o.47 Com e ei o, em Valé io Máximo, encon a-se es e es emunho sob e o julgamen o: P. au em Clodi iudicium quan a luxu ia e libidine abunda i ! in quo, u e i- den e inces i c imine nocens eus absol e e u , noc es ma ona um e adu- lescen ium nobilium magna summa emp ae me cedis loco iudicibus e oga ae sun . 48 Quão abundan e de luxú ia e lascí ia oi o julgamen o de P. Clódio! Nele, pa a que o éu osse conside ado culpado pelo c ime de inces o, com magnas somas, o am gas as pa a os juízes noi es de ma onas e de jo ens nob es como me cado ias comp adas. 46 Ma ins 1885: II. 91. 47 Ma ins 1885: II. 228. 48 Val. Max. 9.1.7. 200 As “ on es inexau í eis dos esc i o es da an iguidade” na His ó ia da República Romana (1885), de J. P. Oli ei a Ma ins A ci ação do di o que jus i icou o epúdio da mulhe – “Po que é necessá io que a mulhe de Césa nem seque seja suspei ada”49 – não az iden i icação da on e. Sue ónio, que ambém o menciona em discu so di ec o, ap esen a uma o mulação di e en e: “quoniam”, inqui , “meos am suspicione quam c i- mine iudico ca e e opo e e”50. Plu a co, que na a o acon ecimen o com bas- an e po meno 51, ci a a espos a que Césa deu no julgamen o quando lhe pe gun a am po que se inha di o ciado – “τ ἔ τ μ  μ θα”52 –, e es a e são pa ece es a mais p óxima ex ualmen e da de Oli ei a Ma ins53. Quando, depois da mo e de Cíce o, a sua cabeça oi en iada a Ma co An ónio, segundo Oli ei a Ma ins, es e e á exclamado ao examiná-la: Hunc ego no um non habui (com a cu iosa adução “Quem e conhece que e com- p e”54). A exp essão, que se encon a em Valé io Máximo (9.5.4), diz oda ia espei o ao senado Cesécio Ru o. Valé io Máximo ol a ainda a se ci ado no mesmo subcapí ulo: Ca ilina, pe dido de amo es po Au élia O es ila, quis desposá-la e, como o ilho des a se opusesse, co ia que Ca ilina o en enena a, “acendendo na pi a do ilho o acho do himeneu com a mãe”, assim o con a Valé io Máximo que ambém diz como em 651 Valé io Valen ino o a acusado po um poema po - nog á ico em que e am can ados o es up o de uma i gem e o des lo amen o de um apaz, com uma lub icidade genuinamen e ealis a.55 As e e ências são a 9.1.956 e 8.1.abs.857, espec i amen e, mas pode ia ainda menciona -se Salús io58 (que de e á se , pelo menos em pa e, on e de Valé io Máximo). 49 Ma ins 1885: II. 228. 50 Sue . Caes. 74: “po que penso que é p eciso que os meus es ejam ão longe da suspei a quan o do c ime”. 51 Caes. 9-10; . ambém Plu. Cic. 28-29. 52 Plu. Caes. 10: “‘Po que’, disse, ‘pensa a que ela não de ia es a sob qualque suspei a’”. 53 A e são de Díon Cássio, em discu so indi ec o, é mais gené ica: τ γρ σρα ρα μ μ μ μαρτάε λλ μ’  α ασρ κεσθα (“é neces- sá io que uma mulhe cas a não só não come a um e o, mas ambém não chegue a uma deson osa suspei a”). 54 C . Plu. Cic. 49. 55 Ma ins 1885: II. 234. 56 9.1.9: esano amo e Au eliae O es illae co ep us, cum unum impedimen um ide e quominus nup iis in e se iunge en u , ilium suum […], eneno sus uli p o inusque ex ogo eius ma i alem acem accendi ac no ae ma i ae o bi a em suam […] e oga i (“ omado pelo louco amo de Au élia O es ila, endo is o como único impedimen o que se unissem po núpcias en e si o ilho dela, subme eu-o ao eneno e da pi a une á ia dele simul aneamen e acendeu a ocha nupcial e pagou à no a esposa com a sua al a de descendência”). 57 8.1.abs.8: Vale i Valen ini accusa o is eius eci a um in iudicio ca men, quo pue um 201 Rica do Nob e 58 São poucas as ci ações em discu so di ec o no co po do ex o (com e são la ina e e en ualmen e o au o em odapé): a ci ação de uma ase do ac o Dí ilo59 não iden i ica Valé io Máximo (6.2.9), mas, na sín ese dos a aques a Pompeio, lêem-se os seguin es episódios, com iden i icação sis emá ica da on e em odapé: “Um o ado 60 e be a a-o da ibuna e o po o aplaudia com enesi: ‘Aclamai, cidadãos, aclamai, enquan o sois li es!’ Um dia Pompeu apa eceu com uma ligadu a b anca na pe na e Fa ónio disse logo: ‘Que impo a o luga onde põe o diadema?’”61 Re e em-se, espec i amen e, Valé io Máximo 6.2.6 e 6.2.7, e as aduções são iéis. A insis ência com que se eco e a Valé io Máximo como on e his ó ica é uma singula idade admi á el, sob e udo em con as e com a con enção com que, pa a o mesmo im, é mencionada a ob a de his o iado es como Ti o Lí io, au o de uma ob a que na a a his ó ia de Roma, com algum po meno , desde as o igens a é ao iun o de Emílio Paulo em Pidna (conside ando apenas os li os comple os que es am62), na qual se incluem ela os de g andes acon eci- men os his ó icos como a sedição da plebe, em 494 a. C., a segunda e a e cei a gue as púnicas, en e ou os. Con udo, Ti o Lí io é me amen e pa a aseado63, ci ado em la im sem iden i icação (nem de au o nem de passo64) e, ao disco e sob e o ambien e em que ai deco e a co upção de Ve es, e ocado nes es e mos: “Ti o Lí io disse que onde que que um publicano en a a, a jus iça e a libe dade ugiam logo co idas. E a que a ás dos exé ci os ma cha a o pelo ão p ae ex a um e ingenuam i ginem a se co up am poe ico ioco signi ica e a (“ oi eci ado em ibunal um poema do acusado dele, Valé io Valen ino, no qual exp imi a com uma g aça poé ica que um moço de p e ex a e uma menina de condição li e ha iam sido co - ompidos po ele”). Sublinhe-se que a exp essão “lub icidade genuinamen e ealis a” pa ece que e aduzi poe ico ioco. 58 Sal. Ca . 15.2: Pos emo cap us amo e Au eliae O es illae, cuius p ae e o mam nihil umquam bonus lauda i , quod ea nube e illi dubi aba imens p i ignum adul a ae a e, p o ce o c edi u neca o ilio acuam domum sceles is nup iis ecisse (“Po im, ca i o pelo amo de Au élia O es ila, de quem jamais alguém hones o lou ou senão a beleza, po que ela hesi a a em casa -se, emendo um en eado de idade adul a, c ê-se po ce o que, mo o o ilho, deixou a casa azia pa a as c iminosas núpcias”). 59 “São as nossas desg aças que o o nam g ande” (Mise ia nos a magnus es ) (Ma ins 1885: II. 258). 60 O o ado mencionado e a o p óp io cônsul. 61 Ma ins 1885: II. 272. 62 Reco de-se que es ão igualmen e em al a os li os que con a am a his ó ia dos anos 293 a 219 a. C., incluindo, po an o, a gue a con a Pi o, a conquis a de Ta en o e a p i- mei a gue a púnica. 63 A o mulação “O cônsul, in e ogando no silêncio da nou e (o iens noc e silen io) o seg edo dos agou os indica o di ado (dici dic a o em); o di ado escolhe o mes e da ca a- la ia (magis e equi um) dando-lhe pode es de cônsul, e goza de uma au o idade absolu a e i esponsá el” (Ma ins 1885: I. 58) é uma pa á ase de Li . 8.23.15. 64 Ma ins 1885: I. 156; a exp essão delec a manus impe a o is encon a-se em Li . 2.20.5. 202 As “ on es inexau í eis dos esc i o es da an iguidade” na His ó ia da República Romana (1885), de J. P. Oli ei a Ma ins dos homens de negócio caindo como ampi os sob e as populações, explo an- do-as como uma ciência ce a”65. Igualmen e mo i o de admi ação é a e e ência a Táci o numa ob a que nada diz ace ca da época sob e a qual es e his o iado esc e eu, is o é, a pa i da mo e de Augus o66. O au o do início do século ii da nossa e a, além de log a de Oli ei a Ma ins um elogio é ico ao compa á-lo a Ca ão, é me ecedo de uma ci ação: Os po os en eixados pelo cesa ismo sob o mando de um impé io p o ec o espi a am a inal da i ania epublicana. Di-lo o p óp io Táci o, po cuja pena ala a ainda o espí i o de Ca ão, quando nos a i ma que “enquan o às p o ín- cias a no a o dem de cousas es a a longe de lhes desag ada : o go e no do senado e do po o inha-lhes pesado assaz, com a i alidade dos g andes e a cobiça dos magis ados; as leis da epública nunca as inha p o egido, impo- en es como e am con a o dinhei o, con a as b igas, con a o despo ismo”. Nunca mais nas p o íncias hou e sedições; as al e ações pos e io es são ape- nas p onunciamen os mili a es. Nunca mais os po os buli am67. Ci am-se os Annales68, em con ex o da acei ação ge al do egime impe ial impos o po Augus o; na His ó ia da República Romana, no en an o, as a i - mações que as pala as de Táci o sus en am dizem espei o à polí ica de Júlio Césa . Au o de biog a ias da maio pa e das pe sonalidades mencionadas na His- ó ia da República Romana, se ia de espe a que Plu a co osse e e ido como au o idade em di e sos momen os da ob a de Oli ei a Ma ins. Além de uma e e ência sem menção da ob a69, exis em ci ações únicas da Vida de Camilo70, 65 Ma ins 1885: II. 180. 66 Lamen a elmen e, a “Biblio eca das Ciências Sociais” oi descon inuada an es de se publica o olume da His ó ia do Impé io Romano, anunciado desde cedo na colecção, pois o subsídio de Táci o pa a a composição de al ob a se ia hoje um excelen e ema de es udo. 67 Ma ins 1885: II. 372. Numa ou a si uação, ap esen a-se a damna io memo iae dos G acos – “a memó ia dos ibunos p osc i a, e sua mãe, cho osa, p oibida de dei a lu o” –, a que se ac escen a uma obse ação é ica que az lemb a Táci o: “eis aí a sen ença do Senado que, não con en e com ence no p esen e, que ia go e na o u u o, pa a semp e, condenando a memó ia dos he óis” (Ma ins 1885: II. 31); c . Tac. Ann. 4.35: quo magis soco diam eo um in ide e libe qui p aesen i po en ia c edun ex ingui posse e iam sequen is ae i memo iam (a p opósi o do caso de C emúcio Co do). 68 Ann. 1.2. Oli ei a Ma ins não eco e à adução de José An ónio Canu o de Fo jó (1821) nem à de José Libe a o F ei e de Ca alho (1830). 69 Ma ins 1885: I. 72. 70 “Camilo ia que o ce co de Fale os (358) du a ia la go empo, mas ag ada a-lhe e os omanos o a da cidade a im de lhes i a a ocasião dessas e ol as em que eles se empenha- am du an e a paz, à oz dos seus demagogos. Pois e a esse o emédio que emp ega am quási 203 Rica do Nob e da Vida de C asso71 e da Vida de B u o. Es a úl ima é a que ecebe o a amen o e ó ico mais in e essan e: nas éspe as de Filipos, B u o começa a sen i emo - sos po causa do assassínio de Césa e a e sonhos e isões: “O an asma que lhe apa ece a logo em seguida ao assassina o de Césa o nou a isi á-lo. […] De manhã, a e ado, con ou a isão a Cássio, que lhe espondeu se em ilusões dos sen idos, ecomendando-lhe que não i esse medo”72 – es a espos a de Cássio é um esumo de Plu a co, que Oli ei a Ma ins ci a em odapé73, depois de aze uma obse ação em que sublinha que ais pala as são “dignas de qualque psicólogo con empo âneo” e es emunhas “do es ado de lucidez a que o espí i o humano inha chegado an es da Idade Média”74. Po seu u no, Sue ónio é um esc i o mui as ezes mencionado e ex ual- men e ci ado nos capí ulos de que Júlio Césa é, pode dize -se, p o agonis a. Da ob a do bióg a o dos Césa es, ap o ei am-se sob e udo di os céleb es, po ezes ci ados, sem espan o, em con ex os di e en es daqueles em que as on es an igas os colocam. Um exemplo é o da eacção de Júlio Césa ao ac o de os seus sol- dados anda em pe umados; em Oli ei a Ma ins al su ge an es da na a i a da gue a con a Ve cingé o ix, como desc ição do ambien e dos acampamen os de In e no do gene al, que “ azia odos [os soldados que ecebia na enda] con en es: da a-lhes dinhei o quan o que iam, da a-lhes a madu as iquíssi- mas, e quando algum e e ano cabeçudo lhe objec a a o mal de os apazes se pe uma em an o, Césa e o quia ‘que impo a que se pe umem, se se ba em bem?’”75 Em Sue ónio, a ci cuns ância é ou a, sem e e anos cabeçudos como sujei o das objecções: Ac nonnumquam pos magnam pugnam a que ic o iam emisso o icio um mune e licen iam omnem passim lasci iendi pe mi eba , iac a e soli us mili es suos e iam unguen a os bene pugna e posse76. semp e os pa ícios, quais médicos hábeis, pa a pu ga em o co po polí ico dos humo es iciosos que lhe pe u ba am a economia” (Ma ins 1885: I. 119) é ci ado de Plu. Cam. 9.2. 71 “E a o exé ci o do gene al Su ena, ap esen ando aos omanos a sua en e de ca alei os cou açados de e o ‘como as íbo as e cí alas’, diz Plu a co, ‘céleb es pelo seu ex e io e í el, mas cujo en e só em pod idão e enenos’” (Ma ins 1885: II. 309); a e e ência diz espei o a Plu. C ass. 32.4. 72 Ma ins 1885: II. 433. 73 Ci o um pouco des a e são de Plu a co: “Nem semp e sen imos ou emos ealmen e o que ac edi amos e e sen i , pois os nossos sen idos, abe os a odas as imp essões, são enganado es e a nossa imaginação, mais móbil ainda, exci a-os sem cessa e imp ime-lhes uma soma d’ideas que nunca exis i am… Dis o são es emunho as di e sas imagens que se nos ap esen am em sonhos du an e o sono: a imaginação exci a-as com o mais le e mo i- men o; depois az-lhes oma oda a so e de eições ou igu as an ás icas…” (Ma ins 1885: II. 433-434). 74 Ma ins 1885: II. 433. 75 Ma ins 1885: II. 300. 76 Sue . Caes. 67: “Po ezes, após uma g ande ba alha e uma i ó ia, desob igando os seus homens de odo o se iço, deixa a-os, in ei amen e li es, dispe sa -se a abandona -se 204 As “ on es inexau í eis dos esc i o es da an iguidade” na His ó ia da República Romana (1885), de J. P. Oli ei a Ma ins Também pa a desc e e di e sos acon ecimen os que es emunham a sá i a anónima ei a a decisões polí icas (como a admissão de Gauleses no senado77) e à condu a sexual ( an o a p o agoniza adul é ios78 mas ambém a e elações homossexuais79) de Júlio Césa , Oli ei a Ma ins soco e-se amiudamen e de Sue ónio, que é ci ado em adução (com o la im em odapé). De igual modo, a mesma on e é con ocada pa a e e i en a i as anónimas de despe a B u o pa a a lide ança da esis ência à ascensão de Césa 80. Con udo, o episódio da insu eição das legiões que se ecusa am a pa i pa a a campanha em Á ica (em 47 a.C.) encon a-se cheio de po meno es (incluindo desc ição de mo imen os, ges os e diálogos). Embo a não sejam e e enciadas on es his o iog á icas an igas, Oli ei a Ma ins p oduz uma na - a i a81 (a que não al am conside ações sob e a psicologia de Júlio Césa mo i- aos p aze es, pois cos uma a dize ‘que os seus soldados, mesmo pe umados, sabiam ba e - -se’” ( adução de João Gaspa Simões). 77 “Co iam no a as can igas: “Césa ouxe os gauleses à Cú ia: despi am as b agas pa a sob aça o la iclá io”“ (Ma ins 1885: II. 361-362) é baseado em “can a a-se po oda a pa e: / Depois de e iun ado dos gauleses, Césa ab e-lhes a cú ia / Os gauleses la ga am os cuei os, pa a es i em o la icla e” (Sue . Caes. 80, adução de João Gaspa Simões); “os pasquins diziam: “A iso. Recomenda-se que ninguém ensine aos senado es no os o caminho da Cú ia”“ (Ma ins 1885: II. 362) eme e pa a “Sal e a odos! Roga-se que ninguém indique ao no o senado o caminho da cú ia” (Sue . Caes. 80, adução de João Gaspa Simões). 78 A in o mação de que “Ha ia pasquins pelas esquinas. ‘Cuidado com as esposas, cidadãos: azemos connosco o cal o galan eado que pagou com o osso dinhei o as suas opelias gaulesas” (Ma ins 1885: II. 375) em como on e “Ao que pa ece, nem mesmo espei ou o álamo das mulhe es dos p o inciais, como o az c e , po exemplo, esse dís ico, igualmen e en oado pelos seus soldados du an e o iun o das Gálias: / Cidadãos, cuidado com as ossas mulhe es: aqui ai o cal o adúl e o. / O ou o que na Gália despendes es em olias, a Roma o ies es busca ” (Sue . Caes. 51, adução de João Gaspa Simões). 79 A pa i de “du an e o iun o das Gálias, en e os e sos sa í icos que os seus sol- dados, como de cos ume, can a am à ol a do ca o do encedo , en oa am, mesmo, es es, mui o conhecidos: / Césa subme eu as Gálias, Nicomedes subme eu Césa , / Eis que hoje Césa iun a, po e subme ido as Gálias, / Mas não iun a Nicomedes po e subme ido Césa ” (Sue . Caes. 49, adução de João Gaspa Simões), Oli ei a Ma ins esc e e: “e os soldados aleg es can a am em coplas g o escas e obscenas como Césa conquis a a as Gálias, depois de Nicomédio o conquis a a ele, e como Césa iun a a e Nicomédio não” (Ma ins 1885: II. 375). 80 “Uma manhã no Fo o apa eceu a es á ua do B u o an igo com es a legenda: ‘Fosses u i o!’ e a es á ua de Césa com es a ou a: “B u o, o que acabou com os eis, oi o p imei o cônsul; es e que acabou com os cônsules é o úl imo ei” (Ma ins 1885: II. 408) em po base “Hou e quem insc e esse po baixo da es á ua de Lúcio B u o: ‘Ah! Se u osses i o!’ e po baixo da do p óp io Césa : / B u o, po e expulso os eis, oi o p imei o a se cônsul; / Césa , po e expulso os cônsules, é o úl imo a se ei” (Sue . Caes. 80, adução de João Gaspa Simões). 81 Imedia amen e an es, decla a-se que “Mandou [Césa ] Salús io (o his o iado ) de Roma à Campânia com á ios senado es pa a con ence em as legiões; mas elas insul a am o emissá io, ma a am alguns dos senado es, e ma cha am pa a Roma a eclama de Césa 205 Rica do Nob e adas pela sua p óp ia in e p e ação82) apa en emen e mais con o me Apiano do que Sue ónio: Júlio Césa “pe gun ou às legiões o que que iam. ‘As baixas!’ clama am a uma oz mui os mil soldados. Ele en ão disse-lhes com desp ezo que as inham já e e iam udo, absolu amen e udo o que lhes p ome e a –mas no dia do seu iun o… com ou as opas!”83. O momen o climác ico do episódio acon ece quando os soldados são cha- mados qui i es – que Oli ei a Ma ins aduz e in e p e a como “bu gueses, com desdém”84 –, pois a segui os soldados pedem desculpa, epondo a dispo- nibilidade pa a a campanha mili a no e i ó io onde es a a a mobiliza -se a esis ência sena o ial ao pode de Césa . Sue ónio a i ma a que, ao di igi -se às legiões, o gene al “não lhes chama a ‘soldados’, mas nome bem mais lison- jei o: ‘companhei os de a mas’”85, em ní ido con as e com o que, ao desc e e es e le an amen o, o mesmo bióg a o e e e ace ca do discu so de Júlio Césa : “não hesi ou em ap esen a -se dian e deles, […] licenciando-os; mas bas ou-lhe uma pala a – chamou-lhes ‘qui i es’ em ez de ‘soldados’ – pa a os e ga ”86. Oli ei a Ma ins en ende o oca i o da mesma o ma, pois deduz que “o nome de cidadão é uma o ensa”87. Apiano, po seu lado, ac escen a que a es a égia e ó ica e a “sinal de que inham sido libe ados do se iço e e am cidadãos p i ados”88. O mesmo his- as baixas e as e as p ome idas” (Ma ins 1885: II. 349). Díon Cássio (42.52) e e e que os soldados “quase ma a am Salús io, que o a nomeado p e o ”, e que acaba iam po ma a dois senado es. 82 A p opósi o des e le an amen o mili a a i ma-se que “O gene al não pe deu o ânimo: pa a cada c ise in en a a um expedien e no o; e a um g ande psicólogo e po igual sabia o meio de o ce um homem, de ence um obs áculo e de domina uma mul idão impon- do-se-lhe com a a e de ac o consumado de que de a p o as em Ra ena ao começa a gue a” (Ma ins 1885: II. 348). Nou os momen os, é e iden e a incisão nos pensamen os da pe sonagem: “Césa pensa i o, de pé, com o punho ce ado con a os lábios e a es a oda em ugas, cisma a… Depois, num ges o de decisão, dando um passo iolen o, dizia consigo: ‘Assim o quise am, assim o i e am… E a impossí el deixa de ealiza os meus planos, po que um isioná io [Ca ão] e um aidoso [Pompeio] se lhes opunham… Os meus planos são g andiosos, são nob es, são excelen es…’” (Ma ins 1885: II. 359). Es a úl ima ci ação, depois da ba alha de Fa salo, encon a pa alelo em Sue ónio: “Assim o quise am: após ão g andes ei os eu, Caio Césa , e ia sido condenado, se não pedisse soco o ao meu exé ci o”“ (Caes. 30, adução de João Gaspa Simões); c . Plu a co, Vida de Césa , 46. 83 Ma ins 1885: II. 349. Es a a i mação em App. BC 2.93. 84 Ma ins 1885: II. 349. 85 Sue . Caes. 67 ( adução de João Gaspa Simões). 86 Sue . Caes. 70 ( adução de João Gaspa Simões); c . Luc. 5.357 e Tac. Ann. 1.42. 87 Ma ins 1885: II. 349. Díon Cássio (42.53) conside a que “qui i es” oi um e mo exa- ó io e humilhan e ao se di igido aos mili a es. 88 BC 2.93; Díon Cássio (42.53) ci a a ase in eg ando o oca i o logo no início da es- pos a de Júlio Césa aos soldados (“ alais co ec amen e, Qui i es”), a quem se di ige “como se não i esse necessidade deles”. 212 As “ on es inexau í eis dos esc i o es da an iguidade” na His ó ia da República Romana (1885), de J. P. Oli ei a Ma ins Plínio-o-Velho pelo uso da exp essão “imensa majes ade da paz omana”129 e de Políbio, que, desc e endo os g upos e á ios do exé ci o omano, é ci ado em la im130. Pa a lá des es au o es, há a egis a os a os es emunhos poé icos que são ambém usados como on e his o iog á ica, sendo iden i icados Ho ácio131, P opé cio132, Vi gílio133 e Ca ulo134. Sob e o úl imo, conside e-se a simpa ia com que Oli ei a Ma ins az uso da poesia pa a delinea um es ilo de ida galan e no empo de Césa : Ca ulo, o poe a que não adula a ninguém, nem es endia a mão pedindo esmola […], a uinado pela ida dissipada que le ou com Clódia, a ex-aman e de Célio “achando no bolso eias d’a anha em ez de dinhei o”; Ca ulo […] deixa a-se i à oa na co en e da de assidão, a undando-se nela, mas indo-se e conhecendo-a: “Vi amos! amemos! minha Lésbia, indo-nos das ca u ices dos elhos se e- os e g a es. Mo e o sol pa a enasce ; mas nós, quando se nos apaga a nossa ida b e e, dei amo-nos a do mi um sono e e no de que se não despe a… Dá-me u mil beijos, depois cem, depois mil, mais cem ainda, po cima ou os mil, e no im um cen o… E quando nos i e mos ab açado um ao ou o mui- as mil ezes, ba alhemos a con a pa a esquece mos o núme o e pa a que os ciumen os não enham um p e ex o de nos in eja quando soube em os beijos que ocámos…”135 As ci ações epo am-se aos poemas 13136 e 5 ( espec i amen e) e dão um bom p isma da qualidade de adu o Oli ei a Ma ins. O po o es ebucha a!” (Ma ins 1885: II. 167). Em no a de odapé su ge a ci ação la ina das alas em discu so di ec o, p o enien es de Pompeio Fes o (285M.), cuja on e não se indica. 129 Na . His . 27.1: inmensa Romanae pacis maies a e. 130 Ma ins 1885: I. 155. Dando indicação de que se a a de Políbio não se iden i ica o passo (6.21). 131 “Ho ácio diz: ‘Em Roma não se conheceu du an e séculos ou o p aze nem ou o di e imen o que não osse o ab i a po a ao ompe do dia, explica a lei aos clien es, e emp ega endosamen e os dinhei os em emp és imos com bons penho es. Inqui ia-se dos elhos e ensina a-se aos moços a a e de eng ossa as economias e de ugi às loucu as uinosas’” (Ma ins 1885: I. 24-25). A ci ação é de Epis . 2.1.103-107: Romae dulce diu ui e sollemne eclusa / mane domo igila e, clien i p ome e iu a, / cau os nominibus ec is expende e nummos, / maio es audi e, mino i dice e pe quae / c esce e es posse , minui damnosa libido. A adução não é de An ónio Luís de Seab a (1846). 132 P op. 4.1.13 ci ado em odapé em Ma ins 1885: I. 60. 133 Ve g. A. 8.685-695 ci ado apenas em la im em Ma ins 1885: II. 447. 134 Há ainda uma e e ência a Pacú io, mas num con ex o di e so daquele que aqui se analisa (Ma ins 1885: II. 418). 135 O poema é ci ado em la im no odapé; Ma ins 1885: II. 229-230. 136 Ca ul. 13.7-8: nam ui Ca ulli / plenus sacculus es a anea um. 213 Rica do Nob e O cená io que acabou de se desc e e e ela que, embo a o au o enha in o mado o lei o de que a His ó ia da República Romana oi esc i a com base na his o iog a ia mais ecen e, esse con ibu o pe manece la en e, sendo ape- nas e eladas on es da An iguidade. Es e es udo p oblema izou semelhan e mé odo, ealçando que a ob a de his o iado es em uma u ilização bas an e acessó ia na His ó ia da República Romana, ao mesmo empo que ou os au o- es da An iguidade me ecem mais insis en emen e e e ência (como Valé io Máximo, Sue ónio, Césa , Cíce o, passando po Séneca, Ca ulo, Vi gílio e P o- pé cio), suge indo o ecu so a es as on es uma o ma de manipulação ou dis- o ção dos con ex os o iginais. Es e desequilíb io nas e e ências das on es é, nos dias de hoje, a maio agilidade da His ó ia da República Romana, que só com uma signi ica i a descon acção do igo que uma ob a des a na u eza impõe, se pode á conside a “uma peça da cul u a eu opeia”137, pelo menos seguindo os ac uais pad ões cien í icos. As c í icas que êm sido expos as ao longo des as páginas são comuns a algumas conside ações que, no seu empo, ize am An e o de Quen al138, Lobo de Mou a139 ou Eça de Quei ós. Na co espondência des e encon am-se, aliás, algumas obse ações que desc e em com pe inência o abalho de Oli ei a Ma ins enquan o his o iado 140 – e que cons i uem, p o a elmen e, o que com melho in uição e acuidade se em di o sob e ele: numa ca a esc i a em Pa is a 23 de Julho de 1891, Eça de Quei ós ala d’Os Filhos de D. João I como “ econs- ução do sen i passado, como a e, e como insu lação de ida a esse punhado de pó seco de que se compõe as nossas c ónicas. Rec ias e homens […]! O eu D. Ped o, o eu D. Dua e são c iações supe io es. E am assim? Se e am, ben- di a seja a ua a e de essusci a ! Se não e am, hon a à alma nob e que pôde in en a ais almas”141. A 26 de Ab il de 1894, ace ca d’A Vida de Nun’Ál a es, o 137 Ma ins 2003: 51. 138 An e o inha suge ido em 1880 co ecções a ob as como His ó ia da Ci ilização Ibé ica (Quen al 2009: II. 226-227). 139 João Lobo de Mou a en ia a a Oli ei a Ma ins uma lis a de e os e p oblemas na His ó ia de Po ugal (Mou a 2002: 50, 54, 58-66, 68-75), ob a ace ca da qual demons a mui as ese as. Sob e a His ó ia da República Romana, a i ma: “O 1.º olume em coisas de p imei a o dem, en e as quais ci a ei […] os p imei os capí ulos da o igem e o mação da cidade – o iun o de Paulo Emílio – Ca ão o jus o (ca ác e mui o bem es udado assim como o homem omano em ge al) e os úl imos capí ulos sob e inanças e cons i uição. É necessá io po ém co igi g a es inco ecções, e os de ci ações, e os de cálculo na edução da moeda omana aos nossos alo es mone á ios, e al a de es ilo que se o nam mais salien es numa ob a clássica como es a: assim o iun o de Paulo Emílio que é uma peça supe io es á deson ado pela ase ulga ou comum que a musa da his ó ia não admi e” (Mou a 2002: 96). 140 É, po isso, legí imo que se ala guem essas conside ações, ei as a ob as pos e io es, à His ó ia da República Romana, já conside ada uma ob a de ma u idade (Ma ins 2003: 51). 141 Quei oz 2008: II. 131. 214 As “ on es inexau í eis dos esc i o es da an iguidade” na His ó ia da República Romana (1885), de J. P. Oli ei a Ma ins omancis a, sem economiza elogios, insis e na ideia de que ais ob as essus- ci am os mo os: A sua beleza es á em não se quase um “li o”, uma coisa imp essa, mas uma g ande ealidade i a, em que nada é de papel e udo de subs ância i a. É mesmo mais que uma dessas essu eições his ó icas, nas quais se sen e sem- p e a cada linha a maes ia do essusci ado . A a és da Salambô, nunca se pe de de is a o génio e a ciência de Flaube . No Nun’Ál a es, a pe sonalidade do his o iado -a is a desapa ece na p imei a imp essão, e ica-se, ou pelo menos iquei, em comunicação di ec a, numa comunhão de con empo âneo, com as coisas e os homens e ocados142. Ou as ques ões que são e e idas po Eça de Quei ós dizem espei o à pe spec i a demasiado im-de-século que ca ac e iza algumas pe sonagens: “o Andei o me pa ece e aços demasiados do Ma iano de Ca alho […]. O ilus e che e da Casa dos Cas os, o pob e D. Ál a o, ambém me pa ece um pouco poussé à ca ica u a”143. E adian a que “Dece o, já no século x ha ia P udhommes: mas D. Ál a o é, an es do Conselhei ismo, quase um Conse- lhei o”, pa a conclui : “E aí es á o que é um g ande his o iado cha u da na Polí ica: insensi elmen e anspo a pa a os homens do passado a i onia ou o desdém que lhe inspi a am os homens na éspe a – e desaba a nas cos as dos mo os!”144. E no momen o mais amoso da ca a, que em sido ci ado amiúde, an o pela g aça da exposição como pela impo ância do p oblema que le an a, Eça ques iona: Também não me ag adam mui o ce as minudências do de alhe plás ico, como a no ação dos ges os, e c. Como os sabes u? Que documen o ens pa a dize que a Rainha num ce o momen o cob iu de beijos o Andei o, ou que o Mes- e passou pensa i amen e a mão pela ace?… Es a as lá? Vis e? Esses aços, penso eu, não dão mais in ensidade de ida, e c iam uma aga descon iança145. Menos ci ada é a ca a com que Oli ei a Ma ins esponde a Eça de Quei- ós a p opósi o des e ópico: “Tens oda a azão e quando eimp imi o Nun’Ál- a es elimina ei essas exc escências que êm do meu p ocesso psicológico. Eu ejo, sin o e i o as cenas que esc e o. Po isso al ez o Nun’Ál a es, esgo an- 142 Quei oz 2008: II. 260-261. 143 Id.: II. 261. 144 Ibid. 145 Ibid. A ca a con inua com elogios à a e e à composição de pe sonagens, que azem Oli ei a Ma ins quase iguala um dos mais impo an es omancis as da época (ibid.). É e iden e que es a pe spec i a se cen a mais na c iação e iccionalidade do que na edacção da his ó ia. 215 Rica do Nob e do-me os ne os me deu es a doença, epílogo de mui os meses de so imen o len o”146. Mais adian e, de ende uma ideia a que já aludi: o homem não se es uda senão in i o. A na u eza é pouco é il em combina- ções e com a di e ença dos empos os ipos epe em-se. Os homens de qualque época êm na ac ualidade os seus e a os. Po isso, oma a obse ação dos indi íduos i os como c i é io pa a a ap eciação dos mo os é p ocesso acon- selhado e seguido pelos mes es: Mommsen, Renan147. Depois de publicada a His ó ia da República Romana, Oli ei a Ma ins suspendeu a Biblio eca das Ciências Sociais pa a se dedica à polí ica. Eça de Quei ós es anha a ansição numa ca a148 e ol a ia a eco da essa ansição no In Memo iam de An e o de Quen al (publicado em 1896): Oli ei a Ma ins i ia en ão na sua linda e ecolhida casa das Águas-Fé eas […] – enquan o não eio ba e à po a a Polí ica […]. A biblio eca ica a em baixo, ab igada no silêncio p opício de ielas dese as: aí i eu Oli ei a Ma - ins os seus dias mais doces, e esc e eu os seus li os mais o es, numa eg a e concen ação de Benedi ino, co adas às ezes po umul uosas inspi ações de a is a, como quando ao e i e a His ó ia da República Romana, du an e qua en a ho as, sem descanso, sus en ado a ca é, ele oi empu ando com pena magní ica, a a és das uas de Roma, da po a Ca men al ao Capi ólio, o iun o de Paulo Emílio.149 Des e modo, é possí el le a His ó ia da República Romana como uma essu eição de Roma An iga, das mais emo as o igens a é à ba alha de Áccio, e conside a i as as pe sonagens desc i as e ib an es os acon ecimen os na - ados – pa a esse sucesso conco e am ce amen e as mui as lei u as, dis o cida e c ia i amen e in e p e adas, dos au o es da An iguidade. 146 Ma ins 1926: 265. 147 Id.: 265-266. 148 En iada de B is ol a 5 de Maio de 1885: “quando i e es empo, dize-me pois po que é que, indo uma a de pela ia Flamínia abaixo, de b aço dado com Césa , – abandonas e b uscamen e o ilus e au o dos Comen á ios e la gas e a co e como um pe didinho pa a o La go de Camões” (Quei oz 2008: I. 360). 149 Quei ós 2011: 315. 216 As “ on es inexau í eis dos esc i o es da an iguidade” na His ó ia da República Romana (1885), de J. P. Oli ei a Ma ins Bibliog a ia Appian (1972), Roman His o y. Vol. III [The Ci il Wa s, I-III]. T ad. Ho ace Whi e. Lond es: William Heinemann. Césa (1995), Gue e des Gaules. Ed. e ad. L.-A. Cons ans, e . A. Balland. Tome II (Li es V-VIII). Pa is: Les Belles Le es. Césa (1996), Gue e des Gaules. Ed. e ad. L.-A. Cons ans, e . A. Balland. Tome I (Li es I-IV). Pa is: Les Belles Le es. Cice o (1966), The Speeches P o Ses io and In Va inium. T ad. R. Ga dne . Cam- b idge, MA: Ha a d Uni e si y P ess. Cíce o (2017), Dos De e es (De o iciis). T ad. Ca los Humbe o Gomes. Lisboa: Edições 70. Dio (1969), Roman His o y. Vols. III e IV. T ad. Ea nes Ca y. Lond es: William Heinemann. Dionysius o Halica nassus (1968), The Roman An iqui ies. Vol. I. T ad. Ea nes Ca y. Lond es: William Heinemann. Ge aldes, A. A. (1855), “Ins ução Pública”, Re is a Académica de Coimb a: Jo nal Mensal II.1-4: 25-29. Ho ace (1978), Épi es. Ed. e ad. F ançois Villeneu e. Pa is: Les Belles Le es. 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Des e modo, eúnem-se es udos que ab angem ealidades polí icas e ins i ucionais, mas ambém his o iog á icas e a ís icas, da Li e a u a, às A es Plás icas e ao Pa imónio. Os ex os eunidos cen am-se sob e udo na ealidade po uguesa, mas incluem-se ambém e lexões mais ab angen es que êm como ho izon e a Eu opa e os EUA. OBRA PUBLICADA COM A COORDENAÇÃO CIENTÍFICA