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Somatizações de Aquiles: Aisthetikai da fúria nos vasos gregos (séculos VI-V a. C.)

Figueira, Ana

Abstract

Mediante a análise de um agrupamento de figurações de Aquiles, o presente ensaio discorre acerca da centralidade da noção de fronteira e de um agregado de concepções conexas operativas na diferenciação de expressões da fúria de Aquiles e actuantes na maneira como estas configuram homologias com a dinâmica do cosmo, contribuindo para a formação do sentimento de justiça, dike.

Full text

A FÚRIA DE AQUILES: AS FACES DA GUERRA 19 Soma izações de Aquiles: Ais he ikai da ú ia nos asos g egos (séculos VI-V a. C.)1 Achilles’ soma iza ions: Ais he ikai o he u y in G eek po e y (VI-V BC) Ana Ri a Figuei a Cen o de Es udos Clássicos - Uni e sidade de Lisboa ana i a iguei [email protected] Pala as-cha e: Es é ica, Ilíada, Aquiles, Vasos g egos. Keywo ds: Aes he ics, Iliad, Achilles, G eek Vases . In odução As na a i as ela i as a Aquiles mencionam episódios da ida do he ói desdeonascimen oa àmo edes e.Po m,apenasaIlíada o az median e a imp essãodeunidadeedeau en icidadecapazdeda signi icadoaoencadeado de con adições, ponde ações e excessos que, an es de mais, e elam o humano, po quan ocon e emampli udeàcapacidadedi e enciado adomesmodecons- ui nexos a pa i dos dessen idos. Tal ecido de au en icidade e de imaginação ambmganhasigni icadona ein ençãodocosmo,ede udooqueocompõe sob a designação ge al de ida, em e mos de p opo ções e dis ensões des as impo âncias, equilíb ios e in e dições. A igu ação, a ando-se,po e idência,deumamanei amaisimedia ade ansmi i um pensamen o, uma ideia ou uma concepção, con ibuiu pa a a expli- ci ação de nexos com on es esc i as que sem es a pe spec i a, au ónoma e inde- penden e, pe manece iam na obscu idade. E ec i amene e, os es udos dedicados aoexamedaiconog a iadeAquilesnãoa luem,apesa deasanálisesdesi uações pon uais,designadamen e,de igu ações espei an esà ecepçãodaembaixada deAgammnonededesc içõesiconog á icasdeou as ep esen açõesdohe ói nãoescassea em.Oes udoa iculado daiconog a iadeAquiles(Figuei a2020) com on es esc i as, designadamen e, a Ilíada, as na a i as suma iadas, a poe- Es aac i idade inanciadapo  undosnacionaisa a sdaFCT–Fundaçãopa aaCiênciaea Tecnologia, I.P., no âmbi o do p ojec o UIDB/00019/2020”. 1 Todas as da as nes e ensaio são an e io es a Jesus C is o, excep o quando al se encon a indicado. RECEBIDO01-02-2023·ACEITE10-03-2023•DOI:10.34624/FB.V0I19.34750 sia,a agdiaea iloso ia, eiop eenche aquela aga,con ibuindopa ano as abo dagense e isãodepe spec i asjáexis en es.Ain e acçãoen e igu ações e on esesc i asdeu isibilidadeàimpo ânciaeaoalcanceholís icodomi odo ilhodeT isedePeleu.Insc e endo-se ales udonossculosVI-Va.C.mais signi icadoganha amas igu ações,po quan oe oca amques ões,quepo  am - bém ocupa em o cen o das inqui ições dos pensado es coe os, di e enciando- -seenquan oexe cícios ilosó icos.De ac o,assi uações igu adase oca ama emá ica do gymnasion, designadamen e dos einos, askeses, em que se incluía a lu a co po a co po, agon,dandodes aqueà ensãoeàcomplemen a idadeen e o co po e a men e. Do mesmo modo, a na u eza no espaço gímnico ec iou-se na composição pic u al. Á o es, plan as, animais, mine ais e o ças2, se es híb idos, he óis e deuses compõem as cenas alusi as não apenas a compo amen os, emo- ções humanas e sen imen os, mas ambém a g andezas ac uan es no cosmo. A di e sidade cons i uin e des e ap esen ou-se na mesma elação de igualdade no quediz espei oàexis ência,suge indoanoçãodeque udoe odosseachamno cosmo sem que al lhes possa se impu ado, al i ando que udo e odos se igua- lam,comodi íamoshoje,nodi ei oàexis ência.De ac o,asacções ec iam-se nomomen odesuspensãoemqueog audeinde e minaçãoedeambi alência susci a o des oque do sen ido habi ual das mesmas, insc e endo-as na p oblemá- ica é ica. Comp o a am-no as ci cuns âncias e as si uações exigen es de ajui- zamen oque,almdisso, ambmcon igu a amhomologiasen eose humano e o cosmo, dando acen o ao sen ido engloban e de pa icipação e de medida. Deu-se, assim, con a do ag egado de ques ões espei an e ao inqué i o ao com- po amen o humano e ao cosmo, do qual o se humano az pa e, com des aque pa aamanei acomoumse e lec eesedis inguedoou o.Oapa a osenso ial eiculado nos asos aduziu is o mesmo, endo mo i ado as seguin es pala as condu o as, designadamen e, a noi e e o dia, as eo ganizações ec ónicas e as ees u u ações indi iduais, sociais e eligiosas, a ilegibilidade do ci cundan e, a con usão, a ansição, os sen idos a pe cepciona e, p incipalmen e o mundo a se ,median esome ú ia.Tudois odeu ealceàunidadeeà iquezadomi ode Aquiles,de inindo-onop ojec o ilosó icoa inen eaocons uc o ico. De ac o, en e os pensado es p eocupados com a na u eza, enquan o cadeia in ini adascoisas,a luidezdode i no empoenoespaço(Se ão,2011)ecomo uncionamen o das coisas como um odo, He acli o di e enciou-se ao decla a a impo ância do conhecimen o da alma pa a o conhecimen o da es u u ação do cosmo. Assim, no p esen e ensaio, apoiei-me na ma é ia suma iada no pa ág a o an e io e e omei-a,a imdeconcen a aanálisenanoçãode on ei a.Tal como p ocu ei mos a , es e oco iluminou o elo en e Aquiles e a o ganização docosmo,quan oàexis ênciadeumâmbi ocuja ansg essão azconsequên- 2 Oconcei ode o çanão emde inição empes i a.Semap o unda es aques ão,aquiinopo - una, é, po ém, ele an e obse a que o e mo engloba a noção de g andeza in ui i a associada a acções. Po isso, a opção po es e ocábulo p e ende da con a daquela conexão, aliás inaliená el das ú iasdeAquilesenquan ocon igu açõesdoau ên ico.P ecisamen epo quenaIlíada, al comonas igu ações,asacçõesdohe óienlaçam-senasmani es açõesdee os,designadamen e median eoamo po B iseidaepo Pá oclo,oau ên icosu geligadoaessas o ças. 62 AnA RITA FIGUEIRA cias eme osas com alcance uni e sal. O aso F ançois desempenhou um papel p eponde an e na iluminação daquele oco, susci ando a e isão da na a i a de Meleag o na Ilíada(9,529-600)e e o çando ambmacoe ênciadas igu ações indicado asdeDionisoedouni e sododeus.Asdi e sas e e ênciasda on- ei anas igu açõespossibili a am,almdisso,aobse açãodep opo ções,de mo imen osede o çasqueconduzi amàdis inçãodadúplicemani es açãoda ú ia de Aquiles, no adamen e, enquan o eacção imedia a ao es ímulo, de que cons i uiu exemplo a alusão ao a as amen o do co po de 'Hei o ' e enquan o a i- ude ep esen a i a de ponde ação, endo es a si uação sido deno ada median e a e ocação da e i ada do he ói do campo de ba alha pa a o in e io da enda. A conexãoen eaduplaexp essãode ú iadeAquiles unda-sena igu açãodas ci cuns âncias que sela am a união dos pais do he ói, a deusa ma í ima Té is e o e es e e mo al Peleu. A adição mais di undida e ele an e pa a es e ensaio con a que Posídon e Zeus p e endiam conquis a Té is, po ém, oi anunciado po umo áculodadeusadalei,Tmis,queo ilhonascidodeT issupe a ia o p ogeni o . Is o dissuadiu ambos de pe segui Té is, endo sido decidido que es a casa ia com o mo al Peleu, endo es e sido a isado pa a não la ga a deusa du an eassucessi asme amo osesdes aemanimaissel agens,a imde en a  escapa àuniãocomomo al.Es alu a essai,an esmais,comome á o ado ma eda e a,dando ele oàligaçãodi ec ado ilhodeambos,Aquiles,com os mo imen os eo ganizado es do cosmo, não obs an e a p esença de ou os nexos, ambém con emplados no p esen e ensaio, designadamen e com Á e- mis e com Dioniso. Tal desdob amen o do mundo ealizou-se nas soma izações de Aquiles, dando isibilidadeaos açosdis in i osdohumanoeàs o çasac uan esnocosmopo  meiodas igu asdoco po.Aminha inalidadenes eensaio oipô emdiscu so o elo salien e dos asos en e a concepção de Aquiles e a dinâmica es u u ado a do cosmo. O excesso, dis in i o des es ma e iais, mani es ou-se median e des- p opo ções,incong uênciaseassinc onias,a igu ando-secondiçãosu icien eà cons ução icaquenelessede iniu.Naausênciadesupe abundância,ocálculo da p opo ção se ia menos imedia amen e pe cebido pelo obse ado , po quan o a acção ep esen ada na jus a medida compo a ia um pon o de is a e elimina - -se-ia o impo an e oco de abso ção da a enção do obse ado . A ep esen ação de si uações de desmesu a e de desace o indicou o e ei o de espan o, hauma, des acandoduases a gias undamen aisno espei an eàsusci açãodeno as conexões imedia as. Deu-se, assim, ele o ao papel decisi o da ca i ação dos sen idos na c iação de pensamen o. Po conseguin e,as igu açõesexaminadasnes eensaio ep esen am a conexão en e a na u eza e o se humano median e elemen os alusi os ao conhecimen oimedia o,dando ele oàpe cepçãoins in i a.Po e idência,no pe íodo a que diz espei o es e es udo, o conhecimen o in ui i o, p o enien e daimp essãosenso ial, essaienquan omeiop imacialdisponí elàin eligên- cia humana pa a in e p e a o ci cundan e e o p óp io se humano. Po conse- guin e,acapacidadehumanade aduzi  al e elaçãodoau ên icodádes aque àhe menêu icaenquan osupe açãodojá e e idoe ei odeespan o,causado pelainin eligibilidadeincipien edocosmo.A igu ação,aoimpo -semedian eo 63 SOMATIZAçÕES DE AqUILES: AISTHETIKAI DA FÚRIA nOS VASOS GREGOS (SÉCULOS VI-V A.C.) aço,nadaa i ma.Po m,aoda  o maàimp essãosenso ial,desenhaahomo- logia desse ape cebimen o, endo is o esul ado is o numa me á o a. O alcance doenunciadopic u almos ou-se,assim,in ini o.Oobse ado se ácapazde disco e ede ansmi i coe ênciasem acedoqueobse a.Des amanei a,o que não es á di o ab e a po a ao se , pos o que despe a a cons ução do discu so, conduzindo ao diálogos. Não obs an e os elemen os de objec i ação que ligam a igu açãoasi uaçõesconc e asda idadiá ia,acomposiçãopic u alcompo a a inde e minação capaz de eicula e de conc e iza imp essões, pensamen os e ideias su gidas subi amen e, com a du ação ape cebida de um ins an e. Po conseguin e, dá a e ap eensões de e elações do ansien e, designadamen e, consegue aça ap esençaplu issigni ica i ae,po issomesmo,engloban ee inde e minada,apenasde inidaede e minadana elaçãodiscu si aehe me- nêu icacomoobse ado .Po es emo i o,a igu ação ealiza-senojogoen e o conhecimen o implíci o e a alusão, me ecendo ele o enquan o ins umen o p o ocado dopensamen o.Nes esen ido,a gumen oquea igu açãonos asos desempenha o papel undacional do an h opos, do se humano capaci ado pa a o espan oconducen eaoques ionamen o,designadamen enoque espei aà azão, a io, como capacidade singula pa a disco e ace ca da plu alidade p esen e aos sen idos, obse ando p opo ções, p opondo soluções e imaginando além do que oi apu ando. Ao p edispo o obse ado pa a o discu so e pa a a na a i a, a igu açãocon on a-ocomacondiçãohumana,que ambmasuaeadocosmo. Na Ilíada al pa hologia domina os símiles. Di o de ou a manei a, em ais cons uções ganha des aque o manancial de imp essões a inen e ao conhecimen o sensí elàdinâmicabidi eccionalen eocosmoeose humano,aliás,e iden e na lu a en e Aquiles e o io Escamand o (Il. 21). Em con o midade, mais ade- quado é nomea ais ape cebimen os de an h opopa heia, de manei a a da con a dos a ec os esul an es da au en icidade pa en e naquele poema de Home o. Es a a ec i idade ambmsedis inguiunos asosde igu as,assimindi idualizados como canais po á eis de comunicação da condição ágil, po ém elú ica, do se humano, enquan o c ia u a nascida no cosmo que en a cump i -se em ace das ad e sidades. Fig. 1–Ân o a, igu as-neg as,c.520- 500,B i ishMuseum1843,1103.60.©The T us ees o The B i ish Museum CC BY- -NC-SA 4.0. Fig. 2 – Pelike, igu as-neg as,c.520-500. B i ishMuseum,1864,1007.126.©The T us ees o The B i ish Museum CC BY- -NC-SA 4.0. 64 AnA RITA FIGUEIRA Assim,ap esen e e lexãosubsequen e unda-senama  iaindicadanos pa ág a osp eceden eseconcen a-senoscon ex os igu a i osquemaisa in o ma am, conc e amen e, as ci cuns âncias da união dos p ogeni o es de Aquiles,T isePeleu,designadamen ealu a( e  igs.1-3)eocasamen o( e  ig.6),a ú iadeAquilesculminan ena e i adades edague a(Il. 307-713; e igs.7-8),oa as amen odoco podeHei o ( e  ig.9),oca egamen odoco po deAquiles( e  igs.5;10-11),ain ânciadeAquiles( e  igs.12-14)eamo e dohe ói( e  ig.15).Nao demdeap esen açãodes escon eúdospa icula iza- -seacoe ênciain e naque undaomi odeAquilesnana a i acosmológica. Aiden i icaçãodepad õesnas igu açõesenos ex osconduziuaoachamen o de homologias en e a ag essi idade do compo amen o humano e a ag essi i- dade das eo ganizações cosmológicas, al como ambém consen iu a obse a- çãodasconsequênciasbidi eccionaisdeco en esdedesequilíb iosen epo - ções e ansg essões de on ei as. Po ém, não apenas is o. O nexo apa en e nos ma e iais examinados deu ambém ele o ao papel decisi o das emoções e dos sen imen os enquan o mo o es daqueles mo imen os e dis ensões. As p imei- as conc e iza am-se como eacções imedia as e os segundos como elabo ações dopensa ,assimindi idualizandoo ilhodeT isedePeleu.Po úl imo, alelo deu con a do p ocesso de se median e o múl iplo, o con adi ó io e o desace o, odos componen es do mi o de Aquiles. Em con o midade com os con eúdos p eceden es, nes e ensaio ocupei-me de con ex osedeconsequênciasda ú iadeAquiles,enquan o eacçãoemocional eenquan osen imen o.Re lic iace cadasnoçõesde on ei aedep opo ção, obse andohomologiascomp ocessos eo ganizado esdocosmo,com is aà explici açãodop ojec o icobidi eccionaldes acadonas igu ações.Nap i- mei a pa e obse o e a iculo con eúdos do mi o de Aquiles que dão des aque àconexãoen eagnesedohe óieocosmo;nasegundapa ep oponhoacen- alidade da na a i a de Meleag o (Il. 9, 529-599) na p oblema ização da noção de on ei ana ecusadeAquilesemcomba e .Na e cei apa e,a igu açãoda Senho a das Fe as, a mo e e o ca egamen o do co po de Aquiles de e minam a conexão en e a condição in ocá el de um pon o melind oso e a cons ução do sen imen o de jus iça, dike, imb icado na dinâmica do cosmo. O ensaio e mina com algumas conside ações que sin e izam e complemen am a emá ica sob e a qual se pensou. 65 SOMATIZAçÕES DE AqUILES: AISTHETIKAI DA FÚRIA nOS VASOS GREGOS (SÉCULOS VI-V A.C.) 1. O p incípio de Aquiles Fig. 3 – Pelike, igu as-neg as, c. 525-475, Texas, San An onio A Museum, 86.134.71.©SanAn onioA Museum. Fig. 4 – idem, ace B3 NosculoVInãopoucos asos igu amalu aen eosp ogeni o esdeAqui- les,PeleueT is( e  igs.1-3).A ó mula(Bakke 2003;Fonseca2018)pic u al ein en a o esquema nuclea da lu a e da me amo ose, endo po esul ado a eo ganização,aliása i madanocasamen odeambos,emp esençadosmais impo an es deuses. As múl iplas ans o mações da deusa do ma em animais sel agens epo am-seà ecusadesujeiçãoaomo al e es ee,empa icula , à enacidadedes e,queman m i meacomp essão,nãoobs an eomedoce - amen esen ido, alcomoindicaaexo bi ânciasines sicades as igu ações, sob e udo o uído ensu decedo , imaginá el median e a mis u a de ozes apa o- an es dos animais, do mo imen o empes uoso do ma , das colisões ec ónicas, da u ação da isão, e ocada pelo ne oei o de poei as e de en o. Tudo le a a c e queoobse ado con empo âneodes as igu açõesassimpode á e com- p eendido o emba e en e a deusa e o homem, dado o in e esse mani es ado po enómenos na u ais. Além disso, não se iam in equen es os abalos sísmicos com ma emo o, al como Tucídides na a nes e echo: No Ve ão seguin e, os Peloponésios com os seus aliados o am in adi a Á ica,sobocomandodeÁgis, ilhodeA quidamo, eidosLacedemónios,e chega am a é ao Is mo. [2] Tendo, po ém, su gido mui os emo es de e a, i e- am de ol a pa a ás, não se endo dado a in asão. Foi nessa época em que os sismos oco iam sis ema icamen e que O óbias na Eubeia oi in adida, desde a o la da cos a, pelo ma , na o ma de uma aga que subme giu pa e da cidade, icandoacob i umazonae e i ando-sedeou a,masago aháma ondean es ha ia e a. Ma ou oda a gen e que não ugiu a empo e co eu pa a as pa es 3  Aau o aag adeceaoSanAn onioA Museum(Texas)aco esiadoen iodas o og a iasea au o ização pa a a publicação das mesmas. 66 AnA RITA FIGUEIRA maisal as.[3]Tambminundaçãoidên icaoco euemA alan e,umailhape o da cos a de Lóc ios Opúncios, que a as ou pa e do o e cons uído pelos A e- nienses e despedaçou um dos dois na ios, que inham sido ebocados pa a e a. [4] Em Pepa e os hou e um ce o ecuo da água, mas não hou e inundação. Um sismo, con udo, ez ui pa e da mu alha, o p i aneu e ou as habi ações, mas poucas. [5] A causa des e enómeno, segundo c eio, oi o e amo o, pois onde ele se ez sen i mais iolen amen e, sucedeu aí que o ma ecuou e quando epen inamen edeno o ol ou,a ançoucom edob ada iolênciap o ocandoa inundação4. Sem que i esse ha ido o e amo o, pa ece-me que ais inciden es não se e iam dado (Tucídides, His ó ia da Gue a do Peloponeso 3, 89, adução deRosadoFe nandes,p.323). Fig. 5 – K a e de olu as, igu as-neg as,c.570-560.Flo- ença,MuseoA cheologicoE usco4209.©galica.bn . / BnF - Domínio Público. Fig. 6 – Idem 1º iso. A lu a en e os p ogeni o es de Aquiles é um mo i o equen e nos séculos VIeV,po m,as igu açõesmaisan igasdes a emá ica endemaaludi às o ças da na u eza, ao passo que as mais ecen es p opendem a e oca o gymnasion ( e igs.2-4),dandoambosospe íodossaliênciaà ensãomaisdis in i adacul u a g ega, o agon (Scanlon2002).Alia-sees a e e ênciaes u u ado aà idadiá ia median e o uso que é ei o des es ecipien es, designadamen e em es i ais, al como hoje ambém é cos ume. Es a pelike é pa adigmá ica de al si uação ( e ig.2).O aso,comga galoem o made e o,ap op ia-seàocasiãodese i  inho, endo ep esen ada a lu a en e Peleu e Té is en e inhas. A e se ido num es i al, al ez seja possí el da a a es a an es do início da P ima e a a é Se emb o,omêsdascolhei asdasu as,po quan ooscachoses ãoausen esda igu açãoeos amosaindanãope de amas olhasemconsequênciada indima. O início de Aquiles não pode desliga -se do casamen o de Peleu e Té is, que es á ep esen ado no monumen al k a e une á io conhecido po aso F ançois ( e ig.5).Es aob ade e e ênciapa aascenasmi ológicas igu aace imóniano p imei o iso do bojo, uma á ea de des aque, es ando p esen es os deuses mais impo an es. O início de Aquiles não só se unda no agon, mas ambém eme ge 4 Nãoobs an eaanálisedo enómenona u alnosdes ia mui odosobjec i osde inidospa aes e abalho,aimpo ânciades aa i maçãome ecedo adeno a,po quan oTucídides,a ondepude apu a , e á ino ado ao disce ni ace ca das condições de o mação do enómeno hoje designado po sunami, cons i uindo mais um exemplo do in e esse dos g egos an igos pela obse ação da na u eza. 67 SOMATIZAçÕES DE AqUILES: AISTHETIKAI DA FÚRIA nOS VASOS GREGOS (SÉCULOS VI-V A. C.) da noi e e da celeb ação das o ças inaliená eis de Dioniso, um deus ex ema- men ein luen e,con o meindicaa on alidadedo os o,poucohabi ualnes e pe íodo. O deus es á posicionado en e as Ho as e o g upo o mado po Hés ia, Ca iclo e Demé e e segu a uma ân o a de colo5. Fig. 7 – S amnos, igu as- e melhas,480-470,Leida,Na ionalMuseumo An iqui ies XVIIIG32©Na ionalMuseumo An iqui ies,Leiden,CC0licence. Fig. 8 – Kylix, igu as- e melhas,c.470,B i ishMuseum,1843,1103.61.©TheT us ees o The B i ish Museum CC BY-NC-SA 4.0. Sin oma icamen e, as ansas do k a e , cuja base se alinha com a p ocissão docasamen o, em ep esen adaaSenho adasFe as( e  ig.5)aaga a opes- coço de uma pan e a com uma mão e, com a ou a mão o pescoço de um eado. Sobes a igu ação,encon a-seÁjaxaca ega oco podeAquiles,di e indoa ansa di ei a da esque da, po quan o nes a os animais são ambos leões. O in e io das ansas e ela o ga galhadea da gó gona, o a alha das asas e o e umba da 5 T isanuncia áao ilhoquees eumse pa aamo e(μήτηρ […] μέ φησι θεὰ Θέτις […] διχθαδίας κῆρας φερέμεν θανάτοιο τέλος δέ, lI.9,410-416),en egando-lheosupos op esen edeDioniso,o asodou ado,comosímbolode ini ude(Il. 23, 93; Odisseia 24, 74-5. Todas as aduções da Ilíada e da Odisseia são de Lou enço 2010 2012, espec i amen e). Rela i amen e a on es a dias, po exemplo, Quin o de Esmi na 3, 804 ( e Hopkinson, Neil (2018). Pa a ou as on es a dias, ide Bu gess(2008,16-17;20-21;98-100). 68 AnA RITA FIGUEIRA co ida. A ca anca des a abs acção mos a a língua de o a e o olha eicula a imp essão de on alidade, colocando o obse ado numa posição de symme ia comes apo ência,deses abilizando-oein e ogando-o.Po isso,ex emamen e opo unaacompa açãocomoolha de inidonoco podasSi enes 6 . Es es génios ma inhos compósi os, ao empo me ade mulhe e pássa o, ec iam-se aqui enquan o me ade homem, me ade pássa o e ou o, me ade mulhe e me ade pássa o, assim suge indoa epe içãodopa PeleueT is( e  ig.1),posicionadoen eambos. A ensão eiculada median e a lu a dos p ogeni o es de Aquiles me amo oseia- -se enquan o co po duplo complemen a e on e de heo ia,de isão.Aalusãoà heo ia sai e o çada, po quan o es á ep esen ado um olho no co po das c ia- u asdimó icas.Aa ibuiçãode isãoaosel agemmais undaocasamen ode ambos na oscilação en e obscu idade e engodo, sendo es e salien e do can o dassi enes,eaau en icidade,enquan oumda -seàluz,queo ase e elao a se esconde, con ocando, des a manei a, a obse ação apu ada, al como indica ag andedimensãodosolhos,aquesejun a,Calíopea oca uma lau adupla, geminando o os o da Gó gona. Apesa de não simula a co ida e de a língua nãose  isí el,aúnica igu acomaapa ênciahumanacolocada on almen e pa a o obse ado é Dioniso. Po ém, o deus ep esen a-se com ba ba e longos cabelos ondulados, a ec- ando-lheaapa ênciasel agem,assimilá elàsGó gonas.Oolha  edizoaspec o indómi o, di igindo a sugado a no a de con i e ao obse ado , assim a i ado pa a o jogo ensional en e a angús ia e a ga galhada, a on alidade e a mons uo- sidade.Ao ansmi i aimp essãodeque i aoobse ado ,aquelas igu ações in ensi icama o ep esençadas o çasabissais7p esen esàuniãodane ade Ne euedone odeÉaco.A iliaçãodosp ogeni o esdohe óiimpo an epa a o açado de noções es u u ado as da e hica componen e da ú ia mo i ado a do ema da Ilíada, a menis de Aquiles. Ne eu, o a ô ma e no, nasceu de Pon o, o Ma , di e encia-se po não dize men i as, apseudes, po se e dadei o, ale- 6 As Si enes, ou Se eias, mencionam-se pela p imei a ez na Odisseia (Od. 12, 1; 200). Ou as e e- ências espei an esaospoemasdeHome oencon am-seemEus ácio(Comen á ioàIlíadaeà OdisseiadeHome o,ed.G.S allbaum,6 ols.Leipzig,1825-1830,p.1709). 7  Ve nan (1991[1965], aduçãopo uguesadeTelmaCos a,69-83)a i ma:“Omodeloplás ico da Gó gona […] não es á ep esen ado apenas na sé ie dos asos. Figu a ambém, desde a época a caica,no on ãodos emplos,bemcomoemac o  iosean e ixos.Encon amo-laaindaem escudos,emepisemas,adeco a u ensíliosdoms icos,pendu adonaso icinasdosa esãos, ixadonos o nos,e igidoemhabi açõesp i adas,en im,insc i oemmoedas.Tendo ei ooseu apa ecimen o no início do século VII a.C., oi no segundo qua el desse século que o modelo iu cons i ui -se, nas suas ca ac e ís icas essenciais, os seus ipos canónicos […] Podemos […] dis ingui duas ca ac e ís icas undamen ais na ep esen ação da Gó gona. Em p imei o luga , a on alidade.Con a iamen eàscon enções igu a i asque egemoespaçog ego,o os oda Gó gona es á semp e de en e pa a o espec ado que a con empla […] a Gó gona é semp e, sem a mínima excepção, ep esen ada de en e. […Em segundo luga ], a «mons uosidade». Quais- que quesejamasmodalidadesdedis o çãoescolhidas,a igu ase e-sesis ema icamen ede in e e ênciasen eohumanoeobes ial.[…]Pelape e sãodos aços[…]elaexp ime,a a s de um e ei o de inquie an e es anheza, um mons uoso que oscila en e dois pólos: o ho o do e í ico,o isí eldog o esco[e]o emo deumaangús iasag adaeaga galhadalibe ado a.” 69 SOMATIZAçÕES DE AqUILES: AISTHETIKAI DA FÚRIA nOS VASOS GREGOS (SÉCULOS VI-V A. C.) A igu açãodes e emanos asosdáais o ele o.A alênciaea obus ez doeno me ilhodeTlamonsus en amoco pomo odeAquiles,des inoaque ambém não escapa á. A dimensão a hle ica domina es a ob a, es abelecendo a conexão com o p i ilégio concedido ao encedo da k isis kallous, a p o a ealizada em Élis, pe o de Olímpia 36 , al como acon ece com as He maia 37 , em hon a do deus homónimo. O sen ido o i o es á ambém con emplado, po quan o en a iza a eu axia do he ói, ganhando des aque a beleza do es o ço38. Nes as igu ações,abelezasu gedojogodepala asqueques ionao en- ce . Na ida diá ia a unidade lexical ephed izo designa o jogo em que o encedo é ca egado pelo encido, po ém Aquiles es á mo o. P óxima daquela pala a, o ocábulo ephed iadesignaaemboscada.Nãopoucos asos igu amoca e- gamen o numa ace e na ou a ep esen am Dioniso 39 ou o uni e so do deus, susci andojun odoobse ado aacçãoes ó icaen eumaeou a ace,dando ele oà idaenquan oemboscadae es a,oscilan een eo a dodoca egoe a sedução dos sen idos. Fig. 12 – Ân o a, igu as- -neg as, c. 500-480, Lond es, B i ishMuseum1956,1220.1. ©TheT us eeso TheB i ish Museum CC BY-NC-SA 4.0. Fig. 13 – Oinochoe igu as- -neg as, c. 520-500, B i ish Museum1867,0508.1009.© The T us ees o The B i ish Museum CC BY-NC-SA 4.0. Fig. 14 – Idem. A acção do he ói oco e, ge almen e, em con ex o de missão e em conexão com mos as de au en icidade, não obs an e os inciden es em que se en eda, desig- nadamen e quando ma a Cicno aciden almen e. Po udo is o, o he ói Aquiles 36 Spi ey(2004,65)ab e iaa asedeA eneu(O Banque e dos Sábios 13.20), que diz o seguin e: “ἐν Ἤλιδι δὲ καὶ κρίσις γίνεται κάλλους”.Decke eThuillie (2004,86).Sob eap esençadeHe mes no con ex o a lé ico, ideHo nblowe (1996). 37 Pla ão, Lísias206d;Pínda o,Olímpica6,79;Pí ica, 2, 10. 38 Pínda o associa beleza ao es o ço, azendo es e memó ia: πολλοὶ δὲ μέμνανται, καλὸν εἴ τι ποναθῇ (“Mas mui os se lemb am quando algo de belo é ealizado com es o ço,” Pínda o, Olímpica6,11). 39  Designadamen e:Ân o adecolo, igu as-neg as,c.550-500,a ibuídoaoes ilodoPin o de Lisipo (manne o ),Munique,An ikensammlungenSL458;Ân o adecolo, igu as-neg as,c. 550-500,a ibuídoàsubclasseAdikia, Cabine des Medailles 218, Basel, An ikenmuseum und SammlungLudwig:BS1921.331;Ân o adecolo, igu as-neg as,úl imo e çodosculoVI,San Simeon(Cali ó nia),Hea s His o icalS a eMonumen 9815,BA3367;Ân o a ipoB,c.525-475, G upo de Leag o, Lond es, ma ke , So heby’s. 76 AnA RITA FIGUEIRA dis ingue-se enquan o concepção da na u eza, como se social, enquan o co po, po en u a o mais igo oso e belo, e enquan o alma, “magnânima e sel agem”, ambém “du a” 40ep opensaa emoe noco açãooquesea igu ainco ec o41, po ém capaz de “acalma a i a e e ea o co ação” 42 , de cho a , de ímpe os de iolênciacompa á eisaomenos 43 , ao p incípio ac i o, dinamizado dos mais de as ado es enómenos na u ais causado es da mo e de homens, animais e capazes de a anca as undas aízes do esis en e ulmei o e de a ea ogos. De ac o,ade as açãodesc i anocan odcimosex odásaliênciaàsconsequências úl imas das emoções humanas no es ado sel agem, is o é, não educadas e não educá eis. Median e a desc ição da lu a de Aquiles com o Escamand o, Home o es abelece o pa alelo en e o menos da na u eza e do Homem enquan o se da na u eza capaz de um menos deso denado e sob eabundan e, cujo esul ado é a des uição o al. Em Home o, a ú ia da na u eza ex ingue o alimen o, des uindo peixes e ege ação, não se de endo ao acaso a de as ação do ulmei o, a pe ene e esis en eá o ede u o.A esquidãoea empe ançadaá eageog á ica indicada po es a espécie são, assim, ex e minadas median e o ogo das “belas co en es que e iam.” 44 Se á, oda ia, o logos egen e da na u eza, assim pa ece indica aacçãodeHe aeaaquiescênciadeEscamand o— ozesdana u eza emque essoaap udênciadeNes o ,a oza isado adeA ena,jámencionada, e a missão de P íamo no can o igésimo qua o — , a a a a i acionalidade de al ac o, po quan o o e ei o, imp odu i o e in é il, causou a aniquilação dos seus semelhan es e demais c ia u as i en es da na u eza, ameaçando a p óp ia ida do cosmo. O espan o, age 45 , de Escamand o assim pa ece indica , po quan o a subs an i ação do e bo agamai compo a o sen ido de algo excessi o que de e se  e eado(Chan aine1968;Bailly2001;Liddell-Sco )equecausaho o ,sen- ido associado ao p esen e e so na Ilíada(Bailly2001).Os asosnão igu ames a lu a,po m,a o çades u i a ec ia-sena igu açãodoa as amen odoco po deHei o jámencionadaemos ada( e  ig.9).Aoin s, ec iamamplamen e a paideiadeAquilesnana u eza( e  igs12-14),dandocon ada o maçãodo se humano enquan o se da na u eza, cons i uindo “uma cosmologia, designa- damen e, uma en a i a de con ex ualiza o humano na moldu a do uni e so, possibili ando a cons ução da iden idade do homem adul o e a a ibuição de signi icadoàexpe iência i ida”(Figuei a2020:122-123). 40 Il.9,629-630. 41 Il.9,600. 42 Il. 1, 192. 43 Il. 21, 340. 44 Il.21,361. 45 Il. 21, 221. 77 SOMATIZAçÕES DE AqUILES: AISTHETIKAI DA FÚRIA nOS VASOS GREGOS (SÉCULOS VI-V A. C.) Fig. 15 – Ân o acalcídica, igu as-neg as,sculoVI,(pe dida).©Deu schesA chäo- logishes Ins i u C ea i e Commons 4.0. Quem é Aquiles? A pe gun a epe e-se e ein en a-se na di e sidade de ci cuns âncias e de si uações ci culan es nas na a i as e na poesia, p incipal- men eemHome oeemPínda o, econ igu ando-semedian eodesenho,que, mais imedia amen e, dá a e a plu alidade de compo amen os e de a i udes. Aiconog a iadeAquilessoma iza alo es,acções,pensamen os,imp essõesno al o doquese i iaadesigna po “in imidadedaconsciência”(Se a2018).Ao obse ado cabe aze coe ênciadas igu açõeseconhece apenaspa cialmen e o Homem, enquan o menos impulsionado pa a o ex emo, po ém ambém do ado dein eligênciaedesen imen oscapazesdeequilib a ademasia,deseespan- a edesusci a ânimo.A ú iamul íplicedeAquilesganhasaliênciaenquan o caleidoscópiodose humano, e lec indoaplu i o madaoscilaçãoeda lu- uação, alan usis, p incipalmen e o alen o, des a c ia u a da na u eza. Po isso, as ú ias de Aquiles soma izam, acima de udo, a espon aneidade dis in i a da pe plexidade e do hauma, ambos cons i uin es do pensa ainda sem concei os. Assim e mina Aquiles, posicionado de al manei a que eicula a imp essão de in e pela oobse ado .A lechanocalcanha ( e  ig.15)nãoma aeis onão se iadesconhecidoen ão.Assim,ao igu a amo edohe óides amanei adá-se signi icadoà agilidadeda idahumana,e,po ex ensão,aode ubeimedia oda es u u ade alo es,indi iduaisecolec i os,dequesãoexemploasconsequên- cias da acção de Agamémnon. Além disso, lança-se o obse ado no es ado de u gênciade aze coe ênciadaincong uência.Assimsendo,ocalcanha  ulne- á el de Aquiles indica a pe plexidade e o hauma,dando,inclusi e,des aqueà impossibilidadedeescapa aop ojec o ilosó ico.Suge emis omesmoasincon - g uênciasna igu ação46 da mo e de Aquiles, po quan o deno am exe cícios de lu a,sendoes econ ex op opícioàquedasúbi a.Aoe oca si uaçõeseci cuns- 46 Designadamen e,osgue ei osdescalços,umelmoque epousanochão,jun odeDiomedes(à esque dana igu a),que ecebeuma i a(?)deEs nelo,que o ap e enden eàmãodeHelena, seu escudei o (G imal, Pie e (2020), Dicioná io de Mi ologia G ega e Romana, adução po uguesa de Vic o Jabouille, Lisboa, Di el. O colo do aso em ep esen ados dois ca alei os e dois galos, dandosigni icadoà emá icadogymnasion. 78 AnA RITA FIGUEIRA ânciasinde e minadasemqueaacçãoa ealiza se ádecisi a,a igu açãodá des aqueamomen ossigni ica i osalusi osàanálisedaIlíada, no sen ido g ego depa e endoemcon ao odo.Po es emo i o,ascomposiçõesganhamsigni i- cado enquan o exe cícios, askeses, ilosó icos,àsemelhançadosseguin es e sos: De odas ós me despeço. Lemb ai- os de mim no u u o, odas ezes que ou o, qualque ou o Homem, dos que sob e a e a andam, e po aqui Anda e os pe gun- a : “Meninas, qual dos aedos Po aqui passou, qual é o homem com a oz doce E que mais os delicia? E ós odas a uma só oz, espondei, sob e nós, com lindas pala as: “É o homem Cego, que i e em Quios, essa ilha ugosa.” (Hinos Homé icos I,165-172, aduçãodeRosadoFe nandes,p.334). Conside ações inais Aquiles na Ilíadaenos asosde igu as econ igu a-sedemanei ap ismá ica suge indo complexas enunciações do p ocesso de se e do p óp io pensa sob e op ocessodepensa ose .De ac o,as igu ações o nammaisimedia amen e p esen eap oposiçãodoexe cício espei an eaoHomemenquan oexis ência dúplice, designadamen e, enquan o objec o de inqué i o e como alen o acessí- el po agmen os, não obs an e a qualidade ugidia dos mesmos. Tal duplici- dade incula-seàsbodasdePeleueT is.Apesa deosdeusesmaisimpo an es igu a emnaceleb açãodaquelaunião,Dionisodançan esob essai.Aoab igo das obse ações que o am sendo ei as nes e ensaio, salien o que a p esença dodeusnop incípioeno imdeAquilesdádes aqueàcondiçãooscilan ee ex ema da sociedade humana e do cosmo. O pensamen o pic u al mani es ado nas igu açõesexaminadasnes eensaio ein en aAquilesen eabes ialidade eahumanidade,dandoa e aca ni icinanoplano ác icoda ida.NaIlíada a acção de as ado a e aniquilado a da ida dos cons i uin es da p óp ia bios e a, ambmganhasaliência,p incipalmen esesea ende aonexoen eosdesas- es na u ais e a ú ia de Aquiles, al como, no adamen e, a lu a con a o Esca- mand o suge iu. Assim, dá ele o aos ho o es causados pela ag essi idade dos compo amen oshumanos,àsgue asquasecon ínuas i idaspelosG egose, sob e udo,à adicalidadedaexpe iência ela i aaosúbi oape cebimen oda al e idade, esul an enamo edaquiloque oi.A igu açãodamo edeAqui- les ezcoe ênciacomDionisodançan e, o mulandoa idamedian edíades insepa á eis, ais como a acionalidade e a pe plexidade, a o dem e a deso dem, si uandoa idana undação ica e elado adachegadaàpo adese humano, en e o a do e a es a. 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Abs ac Th oughase o  igu a ionso AchillesinG eek ases, hep esen pape  e lec son hecen- ali y o he no ion o bounda y and ha o a clus e o ela ed concep s pe aining o he dis inc iono exp essionso Achilles’s u yand o hecon igu a iono homologieswi h he dynamic o he cosmo, hus con ibu ing o he o ma ion o he sen imen o jus ice, dike. 80 AnA RITA FIGUEIRA