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Inventário de Crenças de Carreira e Empregabilidade

Barros, Alexandra

Abstract

O presente trabalho reporta o desenvolvimento do Inventário de Crenças de Carreira e Empregabilidade que permite avaliar crenças facilitadoras de comportamentos e atitudes adaptativos dos indivíduos face a transições de carreira. O ICEB tem 38 itens e seis escalas: Esforço/Realização, Proatividade/Iniciativa, Flexibilidade/Abertura às mudanças, Aceitação de desafios/Riscos, Otimismo e Autonomia. São apresentadas as etapas de construção e os dados referentes às características psicométricas do instrumento, com uma amostra de 395 estudantes, 206 do sexo masculino e 189 do sexo feminino, entre os 18 e os 26 anos com média etária de 21,21 anos. Os índices de consistência interna e os indicadores de validade são satisfatórios, posicionando o ICEB como um instrumento promissor, podendo fundamentar intervenções vocacionais que visem facilitar transições na carreira.

Full text

78 A aliação Psicológica, 2020, 19(1), pp. 78-86 ARTIGO – DOI: h p://dx.doi.o g/10.15689/ap.2020.1901.16140.09 RESUMO O p esen e abalho epo a o desen ol imen o do In en á io de C enças de Ca ei a e Emp egabilidade que pe mi e a alia c enças acili ado as de compo amen os e a i udes adap a i os dos indi íduos ace a ansições de ca ei a. O ICEB em 38 i ens e seis escalas: Es o ço/Realização, P oa i idade/Inicia i a, Flexibilidade/Abe u a às mudanças, Acei ação de desa ios/Riscos, O imismo e Au onomia. São ap esen adas as e apas de cons ução e os dados e e en es às ca ac e ís icas psicomé icas do ins umen o, com uma amos a de 395 es udan es, 206 do sexo masculino e 189 do sexo eminino, en e os 18 e os 26 anos com média e á ia de 21,21 anos. Os índices de consis ência in e na e os indicado es de alidade são sa is a ó ios, posicionando o ICEB como um ins umen o p omisso , podendo undamen a in e enções ocacionais que isem acili a ansições na ca ei a. Pala as-cha e: c enças de ca ei a; emp egabilidade; ansições de ca ei a. ABSTRACT – Ca ee and Employabili y Belie s In en o y The p esen s udy epo s he de elopmen o he Ca ee and Employabili y Belie s In en o y (In en á io de C enças de Ca ei a e Emp egabilidade – ICEB), which aims o e alua e belie s ha may co espond o he adap i e beha io s and a i udes o indi iduals acing ca ee ansi ions. The ICEB has 38 i ems and 6 scales: S i ing/Achie emen , P oac i i y/Ini ia i e, Flexibili y/Openness o change, Accep ance o challenges/Risks, Op imism, and Au onomy. We p esen he cons uc ion phases and epo da a ega ding he psychome ic cha ac e is ics o he ins umen , s udied wi h a sample o 395 s uden s, 206 male and 189 emale, wi h a mean age o 21.21 yea s. The in e nal consis ency and alidi y indica o s we e sa is ac o y, p esen ing he ICEB as a p omising ins umen ha suppo s he planning o oca ional in e en ions aimed a acili a ing ca ee ansi ions. Keywo ds: Ca ee belie s; Employabili y; Ca ee ansi ions. RESUMEN – In en a io de C eencias de Ca e a y Empleabilidad El p esen e abajo epo a el desa ollo del In en a io de C eencias de Ca e a y Empleabilidad (ICEB) que pe mi e e alua c eencias acili ado as que puedan co esponde a conduc as y ac i udes adap a i as de los indi iduos en e a ansiciones de ca e a. El ICEB dispone de 38 í ems y 6 escalas: Es ue zo/Realización, P oac i idad /Inicia i a, Flexibilidad/Ape u a a los cambios, Acep ación de e os/Riesgos, Op imismo y Au onomía. Son p esen adas las e apas de cons ucción y los da os e e en es a las ca ac e ís icas psicomé icas del ins umen o, es udiado con una mues a de 395 es udian es, 206 del sexo masculino y 189 del sexo emenino, con una media de edad de 21,21 años. Los índices de consis encia in e na y los indicado es de alidez son sa is ac o ios, posicionando al ICEB como un ins umen o p omiso io, pudiendo undamen a in e enciones ocacionales que busquen acili a ansiciones en la ca e a. Palab as cla e: C eencias de ca e a; Empleabilidad; T ansiciones de ca e a. In en á io de C enças de Ca ei a e Emp egabilidade Alexand a Ba os1 Uni e sidade de Lisboa, Lisboa, Po ugal 1 Ende eço pa a co espondência: Uni e sidade de Lisboa. Alameda da Uni e sidade, 1649-013, Lisboa, Po ugal. Tel.: ++35 19 1927-0789. E-mail: [email p o ec ed] Numa época ma cada pela pe ceção da ins abili- dade e da imp e isibilidade do u u o, os pe cu sos de ca ei a indi iduais deixa am de se linea es e p e isí- eis, passando a ca ac e iza -se po inúme as ansições ao longo da ida (Ba os, 2010; Chudzikowski, 2012). Deixou de ha e uma única ansição da escola ou da uni e sidade pa a o abalho mas á ias ansições du- an e a escola idade, po que o indi íduo é chamado a aze á ias opções pe an e a lexibilidade do sis ema de ensino, den o do espí i o de Bolonha, e du an e oda a ida p o issional. O p ocesso de adap ação ao con ex o a ual de um mundo globalizado e a possibilidade do indi íduo cons- ui uma ca ei a sa is a ó ia, lidando com as di e en es a e as ocacionais e com a imp e isibilidade das mu- danças que oco em no mundo do abalho no a ual con ex o econômico pode en ol e dimensões de em- p egabilidade (DiFabio, 2017; Fuga e & Kinicki, 2008; 79 ICEB A aliação Psicológica, 2020, 19(1), pp. 78-86 Fuga e, Kinicki, & Ash o d, 2004), ecu sos de adap a- bilidade (Hi schi, He mann, & Kelle , 2015; Rossie , 2015; Rossie , Gine a, Bollmann, & No a, 2017; Sa ickas, 1997, 2005; Sa ickas & Po eli, 2012), mas ambém a disponibilidade pa a lexibiliza os obje i os indi iduais ace à ealidade (Van Esb oeck, 2008), e a capacidade pa a ap o ei a e mesmo c ia no as opo u- nidades (K umbol z, 2009; K umbol z, Foley, & Co e , 2013; Mi chell, Le in, & K umbol z, 1999). Apesa das in luências con ex uais eais/obje i as e em um papel impo an e nos pe cu sos de ca ei a do indi íduo, es e é o agen e a i o na ap eciação e a ibuição de signi i- cado aos ecu sos exis en es no seu ambien e/con ex o (Len , 2013; Len , B own, & Hacke , 2002), mas am- bém aos seus p óp ios ecu sos pa a ge i as ansições de ca ei a nas di e en es ases da sua ida. Nesse sen- ido, os compo amen os adap a i os ou não adap a i- os são mediados pelas c enças do indi íduo sob e si p óp io, sob e o mundo e sob e o seu posicionamen o no mundo. Essas c enças, que es ão subjacen es à o ma como ele u iliza as suas compe ências e se compo a, podem unciona como acili ado as ou como ba ei- as aos compo amen os de adap ação a con ex os que exigem lexibilidade ace à ins abilidade e à mudança. Assim, quando as c enças dos indi íduos são consis- en es com a p oa i idade, a inicia i a, o o imismo, a lexibilidade e a assunção da esponsabilidade pela cons ução de um pe cu so sa is a ó io (K umbol z, 2009; K umbol z, Foley, & Co e , 2013; K umbol z & Le in, 2004; Mi chell e al., 1999; Tolen ino e al., 2014) ou com au ope ceções e e en es às disposições pessoais ge ado as de compo amen os adap a i os (Fuga e & Kinicki, 2008; Fuga e, Kinicki, & Ash o d, 2004) ou com o domínio de ecu sos de adap abilida- de (Del Co so, 2017; Del Co so, Reh uss, & Gal in, 2011; Sa ickas e al., 2009, 2010/2011; Sa ickas, 2013) podem se acili ado as das ansições de ca ei a e a é con ibui pa a compo amen os que pe mi em aos in- di íduos ans o ma acon ecimen os não planeados ou acasos em opo unidades a o á eis (K umbol z, 2009; K umbol z e al., 2013; K umbol z & Le in, 2004). Pelo con á io, as c enças de que exis em ba ei as in ans- poní eis podem bloquea as ações mais adap a i as pa a a cons ução de um pe cu so de ca ei a sa is a ó io. Conside ando a conceção ala gada dos obje i os do aconselhamen o ocacional de K umbol z e Chan (2005) e ha endo e idência (e.g., Ko alski & Ho an, 1999) de que c enças de ca ei a dis uncionais ou menos adap a i- as podem se ans o madas, a a aliação das c enças dos indi íduos sob e a ca ei a e a emp egabilidade o na- -se ú il pa a o planeamen o de in e enções ocacionais, que ajudem os clien es a desen ol e compo amen os e a i udes que a o eçam a sua p oa i idade e a cons u- ção do seu pe cu so de ca ei a. Tendo em con a essa necessidade de a aliação das c enças, a impo ância de in eg a di e en es modelos e concei os (Dua e, Sil a, & Paixão, 2017) e o econhecimen o da o e in luência dos con ex os cul u ais na adap abilidade (Ro ingaus, Falk, & Eshelman, 2017), oi c iado um ins umen o o iginal, em língua po uguesa, adequado à a ual eali- dade econômica e social: o ICEB: In en á io de C enças de Ca ei a e Emp egabilidade (Ca ee and Employabili y Belie s In en o y), supo ado no modelo disposicional de emp egabilidade (Fuga e & Kinicki, 2008; Fuga e e al., 2004), no modelo de adap abilidade (Sa ickas e al., 2009, 2010/2011; Sa ickas, 2013) e no modelo de casualidade planeada (K umbol z, 2009). Embo a exis a um ins umen o designado In en á io de C enças de Ca ei a (Ca ee Belie s In en o y) de K umbol z (1991), com uma es u u a em 25 escalas, as suas escalas não a aliam apenas c en- ças ou esquemas, mas an es cinco g andes emas que se elacionam com mo i ações, a ibuições, a i udes, in enções, alo es, disponibilidade pa a mudanças geo- g á icas, en e ou os: “A minha si uação a ual; De que p eciso pa a se eliz; Fa o es que in luenciam as mi- nhas decisões; Mudanças que es ou dispos o a aze e Es o ços que es ou dispos o a aze ”. Essas escalas êm dimensões mui o di e en es, sendo que dez delas só êm dois i ens, o que con ibui pa a coe icien es al a de C onbach mui o baixos, le ando alguns au o es a consi- de a que a u ilidade do in en á io é p incipalmen e a de se “um es ímulo pa a a discussão e au oexplo ação das es u u as cogni i as dos clien es” (Fuqua & Newman, 1994, p. 430). K umbol z (1991) si ua o undamen o eó ico desse ins umen o como uma aplicação da e- apia cogni i a (e.g., Beck, 1976; Ellis, 1967, ci ado po K umbol z, 1991), pe mi indo que o conselhei o inclua no p ocesso a explo ação de a i udes e assunções que podem bene icia de p ocessos de ees u u ação cog- ni i a. Ou os ins umen os que a aliam a iá eis e- le an es pa a a ges ão da ca ei a ocam-se em modelos mais ecen es, como o DME (Disposi ional Measu e o Employabili y, Fuga e & Kinicki, 2008), que pe mi e a a- lia as disposições de emp egabilidade ou como a Ca ee Adap -Abili ies Scale (CAAS) (Sa ickas & Po eli, 2012), que a alia as dimensões da adap abilidade. O ICEB p ocu a in eg a di e en es modelos e cen- a-se nas c enças de ca ei a acili ado as ou inibido as subjacen es aos compo amen os e às espos as adap a i- as exigidos aos jo ens nas múl iplas ansições de ca ei- a com que se ão depa a , incluindo a ansição da escola pa a o me cado de abalho. O p essupos o é que, sendo as c enças e as au ope ceções do indi íduo sob e as suas compe ências e ecu sos (ace ca das á ias dimensões da adap abilidade e da emp egabilidade) e as suas pe ceções sob e as exigências do ex e io que o ien am a endência de espos a do indi íduo ace às escolhas e às ansições com que se con on a, é nessas a iá eis que se de e oca a a aliação. O p esen e abalho isa desc e e a me odo- logia de cons ução da p o a e a análise das suas ca ac e- ís icas psicomé icas. 80 A aliação Psicológica, 2020, 19(1), pp. 78-86 Ba os, A. Mé odo Pa icipan es A e são inal do ICEB oi aplicada a 395 es udan es de escolas po uguesas, 206 (52,2%) do sexo masculino e 189 (47,8%) do sexo eminino, en e os 18 e os 26 anos com média e á ia de 21,21 e des io pad ão de 2,25, no i- nal da escola idade ob iga ó ia (12º ano de escola idade) ou a equen a o ensino supe io . Ins umen o Desen ol imen o do Ins umen o. Pa a ga an i um enquad amen o in eg ado de modelos eó icos de e e ência sob e adap abilidade, emp egabilidade e me- diação cogni i a, pa iu-se de uma e isão bibliog á ica sob e o modelo de Casualidade Planeada (Happens ance Lea ning Theo y, HLT; K umbol z, 2009), o modelo de adap abilidade (Sa ickas & Po eli, 2012) e o modelo de emp egabilidade (Fuga e & Kinicki, 2008). Pa a assegu- a ainda que as c enças a aliadas ep esen assem as a i- udes e compo amen os alo izados pelos emp egado es na con a ação de no os elemen os ou na decisão de p o- mo ê-los, o am conduzidas 15 en e is as semies u u- adas a ges o es de pequenas/médias emp esas. Alguns exemplos de ques ões o muladas “quando a alia um po encial candida o pa a a sua emp esa, que ca ac e ís i- cas p ocu a?”, “Que a i udes ace ao abalho alo iza nos abalhado es?”, “Desc e a o abalhado ideal pa a lida com a a ual ins abilidade do me cado”, “Conside ando a sua expe iência e as mudanças po que em passado no seu p óp io pe cu so p o issional, que compe ências e compo amen os lhe pa ecem mais impo an es pa a li- da com a mudança?”, “Na sua emp esa, quais os a o es de e minan es pa a a p og essão p o issional?”. A análise de con eúdo ei a po dois juizes indepen- den es, psicólogos, pe mi iu iden i ica ca ego ias que ep esen am ca ac e ís icas pessoais elacionadas com c enças e a i udes ace ao abalho. Analisou-se a coinci- dência dessas ca ego ias com as eme gen es da e isão de li e a u a e o am escolhidas seis dimensões pa a a cons- ução do in en á io: Es o ço/Realização, P oa i idade/ Inicia i a, Flexibilidade/Abe u a às mudanças, Acei ação de desa ios/Riscos, O imismo e Au onomia. T ês psicó- logos esc e e am, sepa adamen e, ês i ens pa a a alia cada uma dessas seis dimensões e a o alidade dos 54 i ens assim cons uídos oi aplicada a 38 es udan es uni e si- á ios, pa a se a alia a sua cla eza e adequação. A pa i dessa aplicação o am ei as algumas al e ações à edação dos i ens. Pos e io men e, pa a seleciona os i ens que o imiza iam as p op iedades psicomé icas do ins u- men o, o in en á io oi aplicado a 235 es udan es uni e - si á ios, com idades en e os 18 e os 26 anos (M=19,5; DP=1,85), 93 pa icipan es (39,6%) do sexo masculino e 142 (60,4%) do sexo eminino. Os es udan es de e iam classi ica numa escala de 1 a 5, de 1 – Disco do o almen- e, a 5 – Conco do o almen e, o seu g au de conco dância com cada uma das a i mações con idas nos i ens. Com base nos dados ob idos, o am e i ados os i ens que não e ela am capacidade de disc iminação ou cuja omissão bene icia a o al a de C onbach da escala a que pe ence. Ve são Final do Ins umen o. A e são i- nal do ICEB (In en á io de C enças de Ca ei a e Emp egabilidade – Ca ee and Employmen Belie s In en o y) é cons i uída po 38 i ens e seis escalas, assumindo-se a de inição de c enças de ca ei a de K umbol z (1994). A escala Es o ço/Realização inclui seis i ens e a alia o g au de aco do do indi íduo com a i mações sob e a impo ância do es o ço, da pe sis ência e da esiliência pa a a ingi obje i os de ca ei a. A escala P oa i idade/ Inicia i a inclui oi o i ens e a alia o g au de aco do do indi íduo com a i mações sob e a impo ância das suas p óp ias ações no sen ido de ap o ei a ou c ia opo u- nidades de abalho. A escala Flexibilidade/Abe u a às mudanças inclui se e i ens e a alia o g au de aco do do indi íduo com a i mações sob e a sua disponibilidade pa a lexibiliza os seus obje i os e pa a se adap a a di- e en es si uações e mudanças. A escala Acei ação de de- sa ios/Riscos inclui cinco i ens e a alia o g au de aco do do indi íduo com a i mações sob e a sua disponibilidade pa a co e iscos e acei a desa ios, enca ando-os como opo unidades de desen ol imen o pessoal e p o issio- nal. A escala O imismo inclui se e i ens e a alia o g au de aco do do indi íduo com a i mações que e le em expec- a i as posi i as ace ao seu u u o. A escala Au onomia inclui cinco i ens e a alia o g au de aco do do indi íduo com a i mações sob e a sua capacidade pa a desen ol e uma au onomia c escen e no abalho. O in en á io em o o ma o de uma sé ie de a i - mações em elação às quais os pa icipan es de em indi- ca , numa escala ipo Like de 5 pon os (desde “disco do o almen e” a é “conco do o almen e”) o seu g au de aco do com a a i mação enunciada. Os i ens que são o mulados de o ma in e sa, ep esen ando o polo nega i o de cada escala, são ecodi icados de o ma que, em odos os casos, um esul ado maio no o al da escala ep esen e maio g au de aco do com c enças acili ado as da adap ação a ansições de ca ei a. P ocedimen o Es e es udo cump e odos os p incípios deon o- lógicos e é icos de inidos pela O dem dos Psicólogos Po ugueses e oi ap o ado pela Comissão de Deon ologia da Faculdade de Psicologia da Uni e sidade de Lisboa. O es udo das ca ac e ís icas psicomé icas do ins umen o oi ei o com base em indicado es de p ecisão e de a- lidade. A análise da p ecisão dos esul ados ocou-se no es udo da consis ência in e na, com base nos coe icien es al a de C onbach, nas co elações i em- o al excluindo o i em e no compo amen o do al a de C onbach pe an e a omissão de cada i em. Foi ainda ealizada uma análise em componen es p incipais, com sc ee es , seguida de o- ação a imax da ma iz. No sen ido de con ibui pa a a 81 ICEB A aliação Psicológica, 2020, 19(1), pp. 78-86 alidação do ICEB – In en á io de C enças de Ca ei a e Emp egabilidade oi ambém aplicada a adap ação po - uguesa do DME – Disposi ional Measu e o Employabili y. A adap ação po uguesa do DME (F aga, 2012) em cin- co escalas: Abe u a a mudanças no abalho que a aliam o g au em que os indi íduos são ece i os ou desejosos da mudança, conside ando que as mudanças são, em ge al, posi i as; P oa i idade no abalho e na ca ei a, que a alia uma o ien ação p oa i a na ca ei a e e le e as endências e ações dos indi íduos pa a ob e em in o - mação que po encialmen e a e e as suas opo unidades de ca ei a; Mo i ação na ca ei a, que a alia o g au em que os indi íduos endem a o mula planos e es a égias de ca ei a especí icos e a es abelece obje i os elacio- nados com o abalho/ca ei a; Resiliência no abalho e na ca ei a, que a alia o g au em que os indi íduos são o imis as ace ca das suas opo unidades de ca ei a e do abalho e sen em que êm con ole sob e as suas ca ei- as; e Iden idade no abalho, que a alia o g au em que os indi íduos se de inem a si mesmos a pa i de uma o ganização, emp ego, p o issão ou á ea de a i idade em pa icula . Resul ados A análise da consis ência in e na e ela coe i- cien es al a de C onbach sa is a ó ios, a iando en e 0,68 e 0,86: escala Es o ço/Realização (0,86), esca- la P oa i idade/Inicia i a (0,68), escala Flexibilidade/ Abe u a às mudanças (0,71), escala Acei ação de de- sa ios/Riscos (0,81), escala O imismo (0,72) e escala Au onomia (0,77). As co elações i em- o al (se o i em o omi ido pa a e i a elações espú ias) são ambém mui o sa is a ó ias (Tabela 1). Escala Flexibilidade/Adap ação mudanças: coe icien e al a de C onbach=0,71 Escala O imismo: coe icien e al a de C onbach=0,72 Al a de C onbach se i em omisso i em Co elação i em- o al co igida Al a de C onbach se i em omisso i em Co elação i em- o al co igida 10,53 0,65 30,36 0,71 20,42 0,67 40,53 0,67 50,46 0,66 16 0,32 0,72 12 0,29 0,71 20 0,49 0,68 24 0,50 0,66 26 0,46 0,68 32 0,41 0,68 30 0,52 0,67 35 0,34 0,69 34 0,37 0,71 Escala Acei ação de desa ios/Riscos: coe icien e al a de C onbach=0,81 Escala Au onomia: coe icien e al a de C onbach=0,77 i em Co elação i em- o al co igida Al a de C onbach se i em omisso i em Co elação i em- o al co igida Al a de C onbach se i em omisso 10 0,61 0,76 11 0,57 0,72 15 0,66 0,75 19 0,51 0,74 18 0,58 0,77 27 0,50 0,74 28 0,60 0,77 37 0,59 0,71 36 0,53 0,79 38 0,55 0,73 Escala Es o ço/Realização: coe icien e al a de C onbach=0,86 Escala P oa i idade/Inicia i a: coe icien e al a de C onbach=0,68 i em Co elação i em- o al co igida Al a de C onbach se i em omisso i em Co elação i em- o al co igida Al a de C onbach se i em omisso 80,62 0,84 60,47 0,63 13 0,69 0,82 70,52 0,61 17 0,60 0,84 90,35 0,66 21 0,63 0,84 14 0,28 0,67 29 0,70 0,82 22 0,30 0,67 33 0,62 0,84 23 0,32 0,66 25 0,39 0,65 31 0,35 0,66 Tabela 1 Coe icien es Al a de C onbach dos To ais das Escalas do ICEB 82 A aliação Psicológica, 2020, 19(1), pp. 78-86 Ba os, A. A análise da Tabela 1 e ela que as co elações de cada i em com o o al co igido (excluindo o p óp io i em) da escala a que pe ence a iam en e 0,28 e 0,70 mas são quase odas supe io es a 0,30. Além disso, a omissão de cada um dos i ens, a e a ia nega i amen- e o alo do coe icien e al a de C onbach da escala a que pe ence. Foi ambém ealizada uma análise em componen es p incipais aos i ens, endo, após o sc ee es , sido es udado um modelo em qua o a o es que, no seu conjun o, ex- plicam 41,84% da a iância dos dados. A Tabela 2 ap esen- a as sa u ações dos i ens em cada a o , os eigen alues e a a iância explicada po cada a o . São ap esen adas a neg i- o as sa u ações mais ele adas em cada a o , e i icando- -se que no a o 1 sa u am com alo es mais al os os i ens das escalas Acei ação de Desa ios/Riscos e Flexibilidade/ Abe u a às Mudanças, no a o 2 os i ens da escala Es o ço/ Realização, no a o 3 os i ens da escala O imismo e no a- o 4 os i ens da escala P oa i idade/Inicia i a. Os i ens da escala Au onomia apa ecem com maio es sa u ações nos a o es 1 e 2. Assim, embo a a es u u a do in en á io não seja comple amen e eplicada a pa i da análise a o ial, os dados apon am pa a uma es u u a in e na que se ap oxima do modelo que se iu de base à cons ução das escalas. I em Fa o 1 Fa o 2 Fa o 3 Fa o 4 I em 8 0,42 0,60 0,01 0,11 I em 13 0,22 0,70 0,12 0,11 I em 17 0,37 0,59 0,07 0,06 I em 21 0,05 0,78 0,10 0,05 I em 29 0,11 0,72 0,23 0,04 I em 33 0,30 0,59 0,20 0,01 I em 10 0,61 0,22 0,05 0,12 i em 15 0,63 0,24 0,06 0,13 I em 18 0,61 0,12 -0,03 0,24 I em 28 0,65 0,29 0,11 0,01 I em 36 0,72 0,04 0,15 0,07 I em 3 0,18 0,30 0,38 -0,06 I em 4 0,22 0,28 0,60 -0,04 I em 16 -0,01 -0,12 0,63 0,15 I em 20 0,05 0,04 0,70 0,1 I em 26 -0,09 0,25 0,58 0,10 I em 30 0,12 0,25 0,58 0,03 I em 34 0,01 0,21 0,44 0,03 I em 6 0,14 0,16 -0,10 0,65 I em 7 0,04 0,05 -0,01 0,74 I em 9 -0,12 0,15 0,03 0,57 I em 14 0,15 0,05 0,18 0,35 I em 22 0,08 -0,04 0,31 0,41 I em 23 0,11 -0,07 0,28 0,42 I em 25 -0,03 0,25 -0,01 0,57 I em 31 0,17 -0,06 0,01 0,54 I em 11 0,29 0,63 0,14 0,14 I em 19 0,28 0,58 0,15 0,15 I em 27 0,54 0,38 0,09 -0,01 I em 37 0,63 0,31 -0,01 0,09 I em 38 0,48 0,34 0,09 0,03 I em 1 0,47 0,41 -0,02 0,14 I em 2 0,32 0,48 0,07 0,10 I em 5 0,54 0,09 -0,03 0,07 I em 12 0,23 0,14 -0,21 0,07 I em 24 0,53 0,28 0,02 -0,03 Tabela 2 Análise Fa o ial dos I ens do ICEB (N=395) 83 ICEB A aliação Psicológica, 2020, 19(1), pp. 78-86 Tabela 2 (con inuação) Análise Fa o ial dos I ens do ICEB (N=395) Tabela 3 Co elações en e as Escalas ICEB (N=395) Tabela 4 Co elações en e as Escalas ICEB e DME (N=395) No a. *p< 0,05; **p<0,01 No a. *p<0,05; **p<0,01 I em Fa o 1 Fa o 2 Fa o 3 Fa o 4 I em 32 0,59 0,11 0,17 0,05 I em 35 0,62 -0,01 -0,01 -0,04 Eigen alues 9,18 2,68 2,251 1,782 % Va iância explicada 24,16 7,06 5,92 4,69 A análise das co elações en e as escalas ICEB (Tabela 3) e ela coe icien es acima de 0,50 en e Es o ço/ Realização com Au onomia (0,69), com Flexibilidade/ Abe u a às Mudanças (0,50) e com Acei ação de de- sa ios/Riscos (0,52), en e Flexibilidade/Abe u a às Mudanças com Acei ação de desa ios/Riscos (0,63) e com Au onomia (0,64), e en e Acei ação de desa ios/ Riscos com Au onomia (0,63). Todas as co elações en e as escalas são iguais ou supe io es a 0,20 e são odas sig- ni ica i as a p<0,01. P oa i idade/ Inicia i a Flexibilidade Adap ação mudanças Acei ação de desa ios/Riscos O imismo Au onomia Es o ço/Realização 0,25** 0,50** 0,52** 0,39** 0,69** P oa i idade/Inicia i a 0,20** 0,26** 0,23** 0,27** Flexibilidade/Adap ação mudanças 0,63** 0,24** 0,64** Acei ação de desa ios/Riscos 0,25** 0,63** O imismo 0,34** A análise dos coe icien es de co elação de Pea son en e as escalas do ICEB e as escalas do DME (Tabela 4) pe mi e con ibui pa a a sua alidação. A escala de Es o ço/Realização ap esen a co elações posi i as, su- pe io es a 0,5 e signi ica i as a p<0,01 com Mo i ação na ca ei a (0,68) e Resiliência (0,63). A escala de P oa i idade/Inicia i a do ICEB ap esen a co elações posi i as e signi ica i as com odas as escalas da DME, mas a mais ele ada é de 0,5 p ecisamen e com a escala de P oa i idade no abalho e na ca ei a do DME. A escala Flexibilidade/Abe u a às mudanças do ICEB ambém ap esen a co elações posi i as e signi ica i as a p<0,01, com odas as escalas do DME, mas a mais exp essi a é com a escala Abe u a a mudanças no abalho do DME (0,6). O imismo, Au onomia e Acei ação de desa ios/ Riscos ambém ap esen am co elações posi i as e signi- ica i amen e es a ís icas com odas as escalas do DME, salien ando-se a co elação de 0,61 en e Iden idade e Au onomia, as duas escalas mais elacionadas com a ex- p essão indi idual. ICEB /DME Abe u a P oa i idade Mo i ação Resiliência Iden idade Es o ço/Realização 0,31** 0,15** 0,68** 0,63** 0,44** P oa i idade/Inicia i a 0,10* 0,50** 0,16** 0,14** 0,13** Flexibilidade/Adap ação mudanças 0,60** 0,15** 0,32** 0,35** 0,14 Acei ação de desa ios/Riscos 0,40** 0,17** 0,38** 0,42** 0,31** O imismo 0,16** 0,13** 0,35** 0,32** 0,24** Au onomia 0,44** 0,16** 0,48** 0,44** 0,61** 84 A aliação Psicológica, 2020, 19(1), pp. 78-86 Ba os, A. O es e de di e ença de médias pa a amos as in- dependen es e ela médias signi ica i amen e supe io- es pa a as mulhe es (a p<0,01) apenas nas escalas de Flexibilidade/Abe u a às mudanças e Acei ação de de- sa ios/Riscos. Nas ou as escalas, não se encon am di e- enças signi ica i as en e sexos (Tabela 5). Escalas ICEB NSexo Média DP p Es o ço/Realização 189 Feminino 4,36 0,64 206 Masculino 4,29 0,68 -10,02 0,31 P oa i idade/Inicia i a 189 Feminino 3,79 0,50 -0,8 0,42 206 Masculino 3,76 0,53 Flexibilidade/Adap ação Mudanças 189 Feminino 4,19 0,41 -30,43 0,001 206 Masculino 4,01 0,61 Acei ação de desa ios/Riscos 189 Feminino 4,34 0,46 -20,9 0,004 206 Masculino 4,18 0,60 O imismo 189 Feminino 3,55 0,68 206 Masculino 3,59 0,62 0,65 0,52 Au onomia 189 Feminino 4,44 0,70 206 Masculino 4,36 0,70 1,5 0,14 Tabela 5 Tes e S uden pa a Amos as Independen es pa a Di e enças en e Gêne os No a. *p< 0,05; **p<0,01 Discussão A análise aos dados ob idos com o ICEB e ela que es e possui p op iedades me ológicas adequadas, posicionando-se como um ins umen o p omisso pa a a alia o conjun o de c enças de es udan es e aba- lhado es sob e os compo amen os adequados pa a a adap ação às exigências a uais do mundo do abalho e sob e os seus p óp ios ecu sos pa a lida em com as ansições de ca ei a com que se i ão depa a . As su- bescalas do ICEB e elam boa consis ência in e na com co elações i em- o al e alo es do coe icien e al a de C onbach adequados. A análise a o ial aos i ens pe mi- e ep oduzi pa cialmen e a es u u a do ins umen o, com os i ens de cada escala a sa u a em no mesmo a o . Os indicado es de alidade e e en es ao c uzamen o com um ins umen o de a aliação das disposições pa a a Emp egabilidade: DME (F aga, 2012), já adap ado pa a a população po uguesa, e elam que as dimensões a aliadas pelos dois ins umen os (ICEB e DME) es ão co elacionadas posi i a e signi ica i amen e. A quali- dade de cons ução desse ins umen o pe mi e, assim, a alia , com igo , se os indi íduos possuem um con- jun o de c enças acili ado as das ansições de ca ei a ou, se pelo con á io, as suas c enças de ca ei a se cons- i uem como ba ei as que podem di icul a a cons u- ção de um pe cu so de ca ei a sa is a ó io. Conside ando que cada ez mais é o indi íduo que em a esponsabilidade de cons ui o seu pe cu so de ida, numa época em que o pe cu so de ca ei a já não se az de o ma linea com uma única ansição da escola pa a o abalho e oda a ida p o issional num emp ego es á el, os indi íduos, necessi am de man e uma emp egabilida- de lexí el, po meio da ap endizagem ao longo da ida e do desen ol imen o das suas compe ências (Amundson, Mills, & Smi h, 2014). De a o, o con ex o a ual, ca ac e i- zado pela pe ceção de ins abilidade e de imp e isibilidade do u u o, mas ambém de opo unidades de mobilidade em unção de uma economia e de um mundo globaliza- do, implica a agência do indi íduo e é nesse sen ido que as ca ac e ís icas disposicionais, as compe ências e as a i- udes que acili am os compo amen os adap a i os ace às ansições de ca ei a adqui em especial impo ância (Hi schi e al., 2015; Rossie e al., 2017). Admi indo que as omadas de decisão de ca ei a se ão equen es, as in- e enções ocacionais podem, assim, se undamen ais pa a p epa a os indi íduos pa a as ansições de ca ei a, de o ma a ajudá-los a desen ol e um mindse alinhado com as necessidades a uais do mundo do abalho. Sendo os compo amen os e as in enções mediados pelas c enças, as conceções adap a i as que os indi íduos êm sob e si p óp ios e sob e a ca ei a podem acili a as suas oma- das de decisão, in luenciando a sua o ma de lida com as ansições de ca ei a e le ando a escolhas mais sa is a ó- ias e iá eis (Bandu a, 1997; 2001; Hi schi e al., 2015; K umbol z & Le in, 2004). Nessa pe spe i a, a expansão do concei o de al o das in e enções, isando a mudança dos indi íduos e 85 ICEB A aliação Psicológica, 2020, 19(1), pp. 78-86 do meio, po meio de écnicas cogni i as e compo a- men ais adqui e especial ele ância, pe mi indo enqua- d a a p epa ação dos indi íduos pa a explo a em no os caminhos ou no as á eas de in e esse, pa a man e em o es o ço apesa de algumas ba ei as, pa a lexibiliza ob- je i os e se em capazes de co e iscos e acei a desa ios mesmo em con ex os de ince eza e se em capazes de econhece , ap o ei a e mesmo p o oca a oco ência de acon ecimen os inespe ados enquan o ci cuns âncias a o á eis (K umbol z, 2009; K umbol z & Le in, 2004). É assim ele an e a a aliação das c enças pa a ca ac e iza as necessidades de in e enção de indi íduos e de g upos, de modo a pode ajudá-los a desen ol e um sis ema de c enças compa í el com os ecu sos pessoais que p omo- em os compo amen os adap a i os ace às mudanças. Com base nessa a aliação, que pode se p opo cionada pelo ICEB, o aconselhamen o de ca ei a pode desenha in e enções ocacionais, indi idualizadas ou em g upo, que p omo am e omen em c enças que a o eçam a lexibilidade, a emp egabilidade e a adap abilidade quan- do os indi íduos en en am ansições no ma i as ou não no ma i as na ca ei a. O p esen e es udo oi ealizado com ecu so a amos as de con eniência, o que cons i ui uma limi a- ção. A explo ação da e são inal do ins umen o oi ba- seada numa amos a de dimensão azoá el, pe mi indo conclui da adequação das ca ac e ís icas me ológicas do ICEB com essa população de jo ens adul os. No en an- o, se ão necessá ios es udos subsequen es, com amos- as maio es e ab angendo indi íduos em á ias aixas e á ias e em ou os momen os do seu pe cu so escola e p o issional, pa a melho explo a as po encialidades desse ins umen o. Es udos pos e io es ambém pode ão basea -se em amos as di e enciadas a pa i de a iá eis como a á ea de es udos ou á ea p o issional, ou a á ea de esidência (li o al ou in e io , po exemplo), na medida que, a essas a iá eis, co espondem di e en es pe spe i- as de colocação no me cado de abalho. Re e ências Amundson, N., Mills, L., & Smi h, B. (2014). Inco po a ing chaos and pa adox in o ca ee de elopmen . Aus alian Jou nal o Ca ee De elopmen , 23(1), 13-21. doi: 10.1177/1038416213496760 Bandu a, A. (1997). Sel -e icacy: The exe cise o con ol. New Yo k: F eeman. Bandu a, A. (2001). Social cogni i e heo y: An Agen ic pe spec i e. Annual Re iew o Psychology, 52(1), 1-26. doi: 10.1146/annu e .psych.52.1.1 Ba os, A. (2010). Desa ios da Psicologia Vocacional: Modelos e in e enções na e a da ince eza. Re is a B asilei a de O ien ação P o issional, 11(2), 165-175. Chudzikowski, K. (2012). Ca ee ansi ions and ca ee success in he “new” ca ee e a. 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