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O papel das bibliotecas na investigação científica: um estado da arte

Revez, Jorge, 1980-,Borges, Maria Manuel,Silva, Carlos Guardado da, 1971-

Abstract

A necessidade do acesso à informação científica, enquanto condição indispensável para a geração de novo conhecimento, coloca o problema da informação num papel central na produção e disseminação da ciência. Com o intuito de analisar um dos atores principais envolvidos nesse processo, foi realizada uma análise da literatura internacional sobre o papel das bibliotecas na investigação científica. Na relação entre informação e ciência, interroga-se o lugar que as bibliotecas ocupam. Para tal, apresentam-se cinco dimensões que convergem para uma definição teórica do problema do papel das bibliotecas na investigação científica. O estado da arte sobre a relação entre as bibliotecas e a investigação demonstra a robustez e a pertinência desta linha de investigação, que permite uma aproximação à complexidade relacional presente na «vida do laboratório» (Latour & Woolgar, 1997).

Full text

A Ciência Abe a o con ibu o da Ciência da In o mação A as do VIII Encon o Ibé ico EDICIC Uni e sidade de Coimb a, 20 a 22 de no emb o de 2017 Ma ia Manuel Bo ges, Elias Sanz Casado Com a coo denação de A Ciência Abe a o con ibu o da Ciência da In o mação A as do VIII Encon o Ibé ico EDICIC Uni e sidade de Coimb a, 20 a 22 de no emb o de 2017 Com a coo denação de Ma ia Manuel Bo ges, Elias Sanz Casado COIMBRA 2017 TÍTULO A Ciência Abe a: o Con ibu o da Ciência da In o mação: a as do VIII Encon o Ibé ico EDICIC COORDENADORES Ma ia Manuel Bo ges Elias Sanz Casado EDIÇÃO Uni e sidade de Coimb a. Cen o de Es udos In e disciplina es do Século XX - CEIS20 ISBN 978-972-8627-76-8 ACESSO h ps://pu l.o g/sci/a as/edicic2017 COPYRIGHT Es e abalho es á licenciado com uma Licença C ea i e Commons - A ibuição 4.0 In e nacional (h ps://c ea i ecommons.o g/licenses/by/4.0/deed.p ) OBRA PUBLICADA COM O APOIO DE PROJETO UID/HIS/00460/2013 PERSPETIVAS DE INVESTIGAÇÃO: TENDÊNCIAS ATUAIS E PERSPETIVAS FUTURAS 943 O PAPEL DAS BIBLIOTECAS NA INVESTIGAÇÃO CIENTÍFICA: UM ESTADO DA ARTE Jo ge Re ez1, Ma ia Manuel Bo ges2, Ca los Gua dado da Sil a3 1Uni e sidade de Lisboa, Faculdade de Le as, 0000-0002-3058-943X, [email p o ec ed] 2Uni e sidade de Coimb a, Faculdade de Le as, 0000-0002-7755-6168, [email p o ec ed] 3Uni e sidade de Lisboa, Faculdade de Le as, 0000-0003-1490-8709, ca los[email p o ec ed] RESUMO A necessidade do acesso à in o mação cien í ica, enquan o condição indispensá el pa a a ge ação de no o conhecimen o, coloca o p oblema da in o mação num papel cen al na p odução e disseminação da ciência. Com o in ui o de analisa um dos a o es p incipais en ol idos nesse p ocesso, oi ealizada uma análise da li e a u a in e nacional sob e o papel das biblio ecas na in es igação cien í ica. Na elação en e in o mação e ciência, in e oga-se o luga que as biblio ecas ocupam. Pa a al, ap esen am-se cinco dimensões que con e gem pa a uma de inição eó ica do p oblema do papel das biblio ecas na in es igação cien í ica. O es ado da a e sob e a elação en e as biblio ecas e a in es igação demons a a obus ez e a pe inência des a linha de in es igação, que pe mi e uma ap oximação à complexidade elacional p esen e na « ida do labo a ó io» (La ou & Woolga , 1997). PALAVRAS-CHAVE P odução e Disseminação da Ciência, Biblio ecas, In es igação & Desen ol imen o, Sis emas de In o mação, Se iços de Apoio à In es igação ABSTRACT The need o access o scien i ic in o ma ion, as an indispensable condi ion o he gene a ion o new knowledge, places he in o ma ion p oblem in a cen al ole in he p oduc ion and dissemina ion o science. In o de o analyze one o he main ac o s in ol ed in his p ocess, an in e na ional li e a u e e iew was ca ied ou on he ole o lib a ies in scien i ic esea ch. In he ela ion be ween in o ma ion and science, we ques ion he place ha lib a ies occupy. To his end, i e dimensions con e ge o a heo e ical de ini ion o he p oblem o he ole o lib a ies in scien i ic esea ch. The s a e o he a on he ela ionship be ween lib a ies and esea ch demons a es he obus ness and ele ance o his line o esea ch, which allows an app oxima ion o he ela ional complexi y p esen in "labo a o y li e" (La ou & Woolga , 1997). KEYWORDS Science P oduc ion and Dissemina ion, Lib a ies, Resea ch & De elopmen , In o ma ion Sys ems Resea ch Suppo Se ices COPYRIGHT Es e abalho es á licenciado com uma Licença C ea i e Commons - A ibuição 4.0 In e nacional (h ps://c ea i ecommons.o g/licenses/by/4.0/deed.p ) INTRODUÇÃO A necessidade do acesso à in o mação cien í ica, enquan o condição indispensá el pa a a ge ação de no o conhecimen o, con e e à in o mação um papel cen al na p odução e disseminação da ciência. O p esen e ambien e in o macional pa ece indica que as biblio ecas cede am o seu luga adicional no o necimen o de se iços e p odu os in o macionais de alo ac escen ado. VIII ENCONTRO IBÉRICO EDICIC 2017, UNIVERSIDADE DE COIMBRA, 20 A 22 DE NOVEMBRO 944 O obje i o p incipal des e abalho é ap esen a a análise da li e a u a in e nacional ecolhida sob e o papel das biblio ecas na in es igação cien í ica. O con ex o des a ecolha oi a p epa ação de um es udo sob e a si uação de Po ugal em que se p e ende a e i a elação que exis e en e as biblio ecas, os in es igado es e as unidades de in es igação. Na elação en e in o mação e ciência, p ocu a-se in e oga o luga que as biblio ecas ocupam. P e ende-se demons a a obus ez e a pe inência des a linha de in es igação, que pe mi a uma ap oximação à complexidade elacional que es á p esen e na « ida do labo a ó io», pa a ecupe a a exp essão clássica de La ou e Woolga (1997). Es a ap oximação dá a conhece o papel das biblio ecas na in es igação cien í ica, o apoio que é p es ado, as suas ca ac e ís icas e esul ados, o nando o p esen e abalho um modo de a aliação do luga das biblio ecas enquan o elemen os decisi os pa a o desen ol imen o cien í ico. METODOLOGIA A o ganização coe en e e sis emá ica da li e a u a em o no do ema da elação en e as biblio ecas e a in es igação cien í ica incidiu, em pa icula , no modo como as biblio ecas apoiam e pa icipam na in es igação. Focando es e aspe o, a e isão p ocu a des aca não apenas os se iços exis en es e as expe iências que o am ela adas nos úl imos anos – gi ando em o no da pe gun a «o quê» - mas sob e udo en a comp eende o «po quê». Po que é que esse apoio e pa icipação são decisi os pa a os in es igado es e pa a as o ganizações que azem ciência? A a és dos di e en es au o es, mais do que cons ui um in en á io das p á icas e expe iências já desen ol idas, almeja-se o disce nimen o da in luência que as biblio ecas exe cem sob e o p ocesso cien í ico. A pesquisa sis emá ica oi e e uada en e se emb o e ou ub o de 2016, ainda que a ecolha de in o mação se enha iniciado um ano an es de uma o ma não o ganizada e enha na u almen e p osseguido depois desse pe íodo, pela co elação en e as di e en es e e ências analisadas. Fo am pesquisadas as bases de dados Web o Science, Lib a y and In o ma ion Sciences & Technology Abs ac s, DIALNET e Google Schola , bem como a consul a de di e sas on es disponí eis nas edes sociais Facebook, Twi e , Academia.edu, Resea chGa e e newsle e s de associações p o issionais, en e ou as. Após a ecolha explo a ó ia ealizada en e se emb o de 2015 e se emb o de 2016, a es u u ação da ecupe ação de in o mação oi ealizada median e o desenho de uma exp essão de pesquisa ep esen a i a dos p incipais concei os e ideias do ema. Depois de alguma expe imen ação, c iou-se uma exp essão de pesquisa complexa - (academic* OR uni e s*) biblio ec* (apoio OR uso OR supo e) in es ig* -, que oi depois aduzida e adap ada às di e en es pla a o mas. Tal exp essão p e endia esponde aos ês ocos p incipais: (1) o apoio à in es igação, (2) o uso que os in es igado es azem das biblio ecas e (3) as biblio ecas uni e si á ias, dado que es e ipo de se iços são os que maio i a iamen e apoiam a in es igação cien í ica. Foi usado como c i é io empo al a li e a u a publicada após o ano de 2006 (inclusi e), de ido à endência e i icada após a análise dos esul ados iniciais da Web o Science, que mos ou um c escimen o subs ancial do núme o de publicações a pa i des a da a. Is o não impediu que ou os a igos ele an es, an e io es a essa da a, ossem igualmen e conside ados no uni e so da e isão. Os PERSPETIVAS DE INVESTIGAÇÃO: TENDÊNCIAS ATUAIS E PERSPETIVAS FUTURAS O PAPEL DAS BIBLIOTECAS NA INVESTIGAÇÃO CIENTÍFICA: UM ESTADO DA ARTE 945 78 esul ados da pesquisa sis emá ica pe mi i am a ecolha pos e io de mais in o mação, após a lei u a dos a igos e das suas lis as de e e ências. No o al, a coleção da li e a u a egis a pe o de meio milha de a igos, o que é um núme o ele ado e po isso desa ian e em e mos de análise e sín ese. RESULTADOS Du an e o p ocesso de o ganização da in o mação ecolhida oi iden i icada uma segmen ação emá ica, que se pode sin e iza em g andes conjun os. São cinco dimensões que con e gem pa a uma de inição eó ica do p oblema do papel das biblio ecas na in es igação cien í ica: (1) a elação en e a in o mação e a ciência, no quad o da Ciência da In o mação; (2) o apa elho concep ual da iloso ia e da sociologia da ciência; (3) as ideias e os p og amas eó icos do Acesso Abe o e da Ciência Abe a; (4) as eo ias e os modelos de compo amen o in o macional e, po im, (5) as pe spe i as de mudança que igo am no discu so eó ico sob e as biblio ecas de in es igação. INFORMAÇÃO, CIÊNCIA, CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO O conhecimen o cien í ico é cons uído sob e o conhecimen o p é io, pelo que a sua na u eza cumula i a implica assegu a a sua comunicabilidade e acessibilidade. O acesso, a disseminação, a u ilização e a a aliação da in o mação cien í ica êm sido p oblemas es udados em di e en es á eas cien í icas, com pa icula incidência na Ciência da In o mação. A In es igação e Desen ol imen o (I&D) é o conjun o das a i idades que englobam: «Os abalhos c ia i os p osseguidos de o ma sis emá ica, com is a a amplia o conjun o dos conhecimen os, incluindo o conhecimen o do homem, da cul u a e da sociedade, bem como a u ilização desse conjun o de conhecimen os em no as aplicações» (Ca aça, 1993, p. 69). Fo a des e conjun o exis em as a i idades elacionadas com a I&D. Ca aça (1993) inclui nes e g upo a documen ação e a in o mação cien í ica e écnica e a sua di usão. Apesa de pa ece que a in o mação se si ua o a do e i ó io das a i idades de I&D, na ealidade exis e uma on ei a énue, pois a in o mação é a base essencial da ciência e o seu p odu o. No quad o eó ico da Teo ia Ge al dos Sis emas, desen ol ido a pa i dos anos 50 po Be alan y (2013), o sis ema cien í ico pode se comp eendido como um sis ema con endo di e sas pa es in e dependen es. Pode ainda se pe cecionado como pa e de um sis ema social onde in e a uam di e en es sujei os. Dado que a in es igação cien í ica é insepa á el do uni e so da in o mação, em sido es udado, no âmbi o da Ciência da In o mação, o papel que a in o mação desempenha nos modos de aze ciência (Bo ges, 2006). A cu ado ia dos dados de in es igação, a ecupe ação e a disseminação dos esul ados da in es igação, a cons ução e o acesso ao a qui o da ciência e a comunicação da ciência são alguns dos emas que elacionam di e amen e as biblio ecas com ques ões deba idas pelas ins i uições da ciência ao longo dos anos. A expe iência acumulada na o ganização da in o mação cien í ica e ela que as biblio ecas (uni e si á ias, de in es igação, especializadas) êm sido undamen ais no desen ol imen o de sis emas de espos a às necessidades dos p odu o es e dos consumido es da in o mação. Cons i uí am-se há á ias décadas como subsis emas de supo e da ciência com uma o e a ala gada de p odu os e se iços (Wilson, 1933). No en an o, nos úl imos 40 anos, po o ça da ecnologia digi al oi sendo len amen e modi icada a na u eza analógica das suas coleções e a pe ceção que os u ilizado es êm des es se iços, VIII ENCONTRO IBÉRICO EDICIC 2017, UNIVERSIDADE DE COIMBRA, 20 A 22 DE NOVEMBRO 946 colocando inúme os desa ios aos p o issionais que as inco po am. Um dos p incipais desa ios é eagi à c ise deco en e da ação da ecnologia digi al, pois es a, ao sub e e as eg as do acesso à in o mação, pode o na , de alguma manei a, as biblio ecas, enquan o espaços ísicos, dispensá eis no p ocesso de aquisição de in o mação. Es a c ise le an a di e sas ques ões: se a in o mação é hoje en endida como um elemen o de alo compe i i o em di e sos se o es, como, po exemplo, o emp esa ial, em que medida es ão os se iços de in o mação a ac escen a alo à in es igação cien í ica? Como é que as biblio ecas es ão a ans o ma a in es igação a a és da in o mação? Como é que os u ilizado es podem pe ceciona o alo das biblio ecas (Ande son, 2011)? Es a é ambém, no espe o ge al das biblio ecas, uma «c ise das mediações p o issionais», como chama Pacheco Pe ei a a p opósi o da p oli e ação de no ícias não con i madas, pois o alo da mediação é pos o em causa po uma «no a igno ância» undada na ilusão de uma ideologia associada às no as ecnologias, cujo «p imei o e ei o ne as o (…) é a c ença de que são as no as ecnologias que es ão a muda a sociedade. É o con á io. É a mudança da sociedade que po encia o uso de de e minadas ecnologias, que depois acen uam os e ei os de pa ida» (2016, p. 44). FILOSOFIA E SOCIOLOGIA DA CIÊNCIA Em 1933, Wilson a i ma a que as biblio ecas e am um labo a ó io de ideias e de mo i ações, onde se ans o ma am men alidades: sem a biblio eca, sem os seus ecu sos e se iços, sem os con ac os com biblio ecá ios, p o esso es, e es udan es, is o é, sem udo o que acon ece no espaço de pa ilha que é a biblio eca, essa mudança de a i ude não pode ia acon ece . As edes são, desde os anos 90, a ma ca mais signi ica i a da sociedade. Manuel Cas ells chama-lhe a «sociedade em ede». Es e espaço no o é habi ado pela ligação, a a és da ecnologia digi al, en e um núme o in ini o de pessoas, máquinas e núcleos de in o mação. É um empo de elação, de pa ilha e de oca, mas que não es á isen o de inúme as con adições e desequilíb ios. A in e ogação des e espaço social eme ge apoiada na ansdisciplina Ciência da In o mação, que pe mi e a in odução de concei os p o enien es de ou os sabe es, como a iloso ia da ciência e a sociologia da ciência. Es es concei os ajudam a comp eende melho o obje o de es udo, o necendo elemen os essenciais pa a o conhecimen o das condições sociais de p odução da ciência e pa a as on ei as des e enómeno. É o caso da c í ica de Bo dieu (1975) à sociologia «o icial» da ciência, que ap esen a a comunidade cien í ica de o ma hagiog á ica, negando os enómenos de dominação aí p esen es. P opondo a noção de «campo cien í ico» como um mundo social, de ine-o como um sis ema de elações en e posições sociais adqui idas e o luga da compe ição pelo monopólio da au o idade cien í ica (como capacidade écnica e como pode social). Nes a lu a, que é polí ica e cien í ica, a única especi icidade eside no ac o de coloca en e a en e os p odu o es da ciência. Es a pe spe i a, que ejei a a ideia de uma ciência como espaço pu o e idílico, é essencial pa a comp eende as ensões, as conco ências e os in e esses que a e am ainda hoje o uni e so das biblio ecas. Bo dieu elabo a o seu pensamen o no que Kno -Ce ina (1982) chama de economia de me cado capi alis a da ciência, pos e io às p opos as o iundas do sis ema de ocas p é-me cado, como a ideia que o p odu o da ciência é uma dádi a do cien is a que espe a em oca uma ecompensa (Hags om) ou o E ei o Ma eus (Me on) que pos ula que o econhecimen o é p opo cional à epu ação adqui ida, p omo endo-se uma es a i icação social da ciência. PERSPETIVAS DE INVESTIGAÇÃO: TENDÊNCIAS ATUAIS E PERSPETIVAS FUTURAS O PAPEL DAS BIBLIOTECAS NA INVESTIGAÇÃO CIENTÍFICA: UM ESTADO DA ARTE 947 Pa indo de um es udo empí ico de obse ação de in es igado es, Kno -Ce ina a i ma que o abalho cien í ico ex a asa o «labo a ó io». O abalho dos cien is as é ei o numa a ena de ação que chama de « ansepis émica» (Kno -Ce ina, 1982, p. 117). Pa a Jesuíno, a pe spe i a ino ado a de Kno -Ce ina em a an agem de ul apassa a ideia das comunidades cien í icas como e enos echados, e mos a como «é impo an e ala ga a análise aos ac o es con ex uais das p á icas de in es igação» (Jesuíno, 1995, p. 7). Es e é um dos con ibu os que a sociologia da ciência pode o e ece , p ocu ando in e oga os sis emas de in o mação enquan o pa e in eg an e e decisi a desse con ex o. ACESSO ABERTO E CIÊNCIA ABERTA G ande pa e do en usiasmo com o desen ol imen o cien í ico esul a do p ocesso acele ado de mudança que se es á a assis i . Es a mudança em um nome e uma a i ude: Open, Abe a. A Ciência Abe a (CA) ep esen a uma no a abo dagem do p ocesso cien í ico, com base no abalho coope a i o e nas no as o mas de di usão de conhecimen os a a és das ecnologias digi ais e das no as e amen as colabo a i as (Bueno de la Fuen e, 2016b). A CA esul a da aplicação do p incípio de abe u a (openness) a odo o ciclo de in es igação, p omo endo a pa ilha e colabo ação do início ao im do p ocesso, o que implica, assim, uma mudança sis émica da o ma como a ciência é cons uída (Open Science and Resea ch Ini ia i e, 2014). Es a dinâmica é possí el pela eme gência an e io da cibe ciência: «o espaço onde académicos e in es igado es usam um no o meio comunicacional, supo ado pela ecnologia digi al, pa a desen ol e as suas ac i idades» (Bo ges, 2006, p. 110). O pode polí ico, em Po ugal, alinhando-se com as o ien ações da União Eu opeia, lançou ecen emen e as bases pa a uma Polí ica Nacional de Ciência Abe a, a implemen a a é 2018. As biblio ecas su gem como um dos ipos de «pa cei os en ol idos na p omoção, p odução, cu ado ia e publicação de ciência em Po ugal» (Minis é io da Ciência, Tecnologia e Ensino Supe io , 2016). O Ho izon e 2020 ep esen a uma es a égia pa a uma economia in eligen e, sus en á el e inclusi a. Sublinha o papel cen al do conhecimen o e da ino ação na ge ação de c escimen o. O acesso ala gado e comple o às publicações e aos dados de in es igação pe mi i á: cons ui sob e os esul ados p é ios da in es igação; p omo e a colabo ação e e i a duplicações de es o ços; acele a a ino ação; e en ol e os cidadãos e a sociedade no p ocesso de in es igação cien í ica (Eu opean Commission, 2016). Veja-se o discu so ecen e do Comissá io Ca los Moedas que apon a p ecisamen e pa a a c iação u u a de uma nu em eu opeia da in es igação abe a e sublinha a impo ância de cla i ica a ques ão dos di ei os de au o e ainda de c ia e desen ol e in aes u u as de supo e (Moedas, 2016). Qual é en ão o papel das biblio ecas nes e quad o no o da CA? Em p imei o luga , é p eciso e em con a o papel desempenhado no passado ela i amen e ao acesso abe o às publicações (Open Access) e no acesso aos dados abe os (Open Da a). Es a expe iência coloca as biblio ecas numa posição p i ilegiada pa a in eg a es e no o mo imen o ou cul u a (Bueno de la Fuen e, 2016a). Pa a a OCDE, as biblio ecas são a o es-cha e na CA, na medida em que a ope acionalizam - « o make open science wo k» (2015, p. 76) - em conjun o com ou os s akeholde s como os in es igado es, as agências de inanciamen o, as uni e sidades, os edi o es, en e ou os. Como elemen os cen ais de uma «cul u a de dados abe os», as biblio ecas são sob e udo acili ado as da CA, a in aes u u a ísica que pe mi e aos cien is as pa ilha , usa e eu iliza o conhecimen o (OCDE, 2015). As ins i uições de acolhimen o da in es igação de e iam en ende as biblio ecas como azendo pa e da ca ego ia de medidas e polí icas a implemen a jun amen e com o que Bueno de la Fuen e chama de «paus» (ex. VIII ENCONTRO IBÉRICO EDICIC 2017, UNIVERSIDADE DE COIMBRA, 20 A 22 DE NOVEMBRO 948 eg as, polí icas, es a égias) e de «cenou as» (ex. incen i os inancei os). Daí que, segundo es a au o a, as biblio ecas possam desempenha qua o papéis dis in os na CA: ad ocacy e conscien ização; apoio a in aes u u as como os eposi ó ios; ges ão de dados de in es igação (RDM); o mação e apoio dos in es igado es ao longo do ciclo de ida da in es igação, incluindo os complexos p ocessos de a aliação da ciência. Es es papéis exigem que as biblio ecas conheçam bem as p á icas das comunidades e os seus p o issionais desen ol am um conjun o especí ico de compe ências (Bueno de la Fuen e, 2016a). COMPORTAMENTO INFORMACIONAL No con ex o da Ciência da In o mação, o ema do apoio das biblio ecas à in es igação cien í ica pa ece encaixa -se no domínio exclusi o do compo amen o in o macional, ainda que na ealidade acabe po es a do ado de componen es ans e sais às ês á eas da Ciência da In o mação: a ges ão da in o mação, a o ganização e ep esen ação da in o mação e o compo amen o in o macional (Obse a ó io de Ciência da In o mação da Uni e sidade do Po o, sem da a). Os es udos dedicados aos u ilizado es e à sua in e ação com a in o mação são designados na li e a u a cien í ica po Es udos de U ilizado (Use S udies). Com o deco e do empo, es a designação e oluiu pa a Es udos do Compo amen o In o macional (In o ma ion Beha io ), ap esen ando um espe o mais ab angen e que inclui a elação do u ilizado com o sis ema de in o mação e os aspe os cogni i os ine en es ao p ocesso de pesquisa e ecupe ação da in o mação (San os & Ma ins, 2016). O compo amen o in o macional pode se de inido como «o modo de se ou de eagi de uma pessoa ou de um g upo numa de e minada si uação e con ex o, impelido po necessidades induzidas ou espon âneas, no que oca exclusi amen e à p odução/emissão, eceção, memo ização/gua da, ep odução e di usão de in o mação» (Obse a ó io de Ciência da In o mação da Uni e sidade do Po o, sem da a). Wilson (1999), além de cunha a exp essão «compo amen o in o macional», analisou di e sos modelos e emodelou os seus p óp ios diag amas, o nando cada ez mais ab angen e a sua de inição. Fo d ambém de ende a necessidade desse ala gamen o mas, pa a e ei os de sín ese, esume a cinco as a i idades gené icas que cons i uem o compo amen o in o macional: ape cebe uma necessidade elacionada (in o ma ion- ela ed) com a in o mação (que inclui as necessidades de in o mação mas ambém a ejeição de uma in o mação); oma con ac o com in o mação po encialmen e ele an e pa a uma dada necessidade; a alia a adequação en e a in o mação e a necessidade elacionada com a in o mação; usa a in o mação; e o ganiza a in o mação pa a o seu acesso e uso (2015, p. 17). Vá ios au o es êm dedicado es udos ao compo amen o in o macional dos in es igado es. Sanz- Casado des aca que es e g upo de u ilizado es (jun amen e com os p o esso es) oi o mais p o undamen e es udado nes a á ea, o que explica a di e sidade das coleções e a complexidade dos se iços e p odu os disponibilizados pelas biblio ecas que os apoiam (1994). Aspe os ão di e sos como as necessidades de in o mação (G e sheim & Rankin, 2007; Kaye, 2014), a p ocu a de in o mação (Hemminge , Lu, Vaughan, & Adams, 2007; Jamali & Nicholas, 2010; Niu e al., 2010; Niu & Hemminge , 2011; Gómez Res epo, 2012) ou o uso da in o mação (Talja, Vakka i, F y, & Wou e s, 2007; Resea ch In o ma ion Ne wo k & B i ish Lib a y, 2009; Ambika & Kannan, 2016) são algumas das linhas desen ol idas com a população en ol ida no abalho cien í ico. O impac o dos no os compo amen os in o macionais nas biblio ecas é igualmen e um ema eco en e (Haglund & Olsson, 2008; Uni e si y College London (UCL) CIBER g oup, 2008; Haines, Ligh , O’Malley, & Delwiche,