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O manual de Latim: caixa de Pandora ou cornucópia da abundância?

Pimentel, Maria Cristina, 1954-

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, , AS LINGUAS CLASSICAS INVESTIGAÇÃO E ENSINO ACTAS Coimb a Ins i u o de Es udos Clássicos 1993 TíTuLo As Línguas Clássicas: in es igação e ensino -Ac as I" edição: Fe e ei o de 1993 COMPOSIÇÃO João Manuel Ca a ino Madei a Jo ge Manuel Dias Ga cia EDIÇÃO Ti agem: 750 exempla es Ins i u o de Es udos Clássicos ISBN -972-612- 039 - X Depósi o legal n° 63 196/93 CAPA Ca los Albe o Lou o Fonseca IMPRESSÃO Imp ensa de Coimb a, L.da Con ibuin e n° 500 137 625 La go de S. Sal ado , 1-3 - 3000 Coimb a DISTRIBUIÇÃO Li a ia Mine a Rua dos Ga os, 10 -3000 Coimb a © Ins i u o de Es udos Clássicos Índice índice 3 Sessão de Abe u a ... ............................ .. . .. . . .. .......... 5 João Manuel Nunes To ão , An e Rem ........... .. ... ............. 7 Ma ia Helena da Rocha Pe ei a, Po ugal e a he ança clássica 11 Au o es e emas dos p og amas ... .... .......... ... .. .. ...... 35 José Ribei o Fe ei a, Educação em Espa a e em A enas 37 Ma ia do Céu Fialho, Rei Édipo: agédia e pa adigma. Algumas e apas na his ó ia da sua ecepção ...... .... .. .. 67 Amé ico da Cos a Ramalho, No bimilená io da mo e de Ho ácio: Ho ácio em Po ugal no século XVI ........ ... 83 José Ge aldes F ei e, O la im de S. Agos inho nas suas Con essiones .......... .. .............................. .. .......... 107 F ancisco de Oli ei a, Tea o e pode em Roma .................. 121 Didác ica das línguas clássicas .... .. ...... .................. 143 Fe nando J. Pa ício de Lemos, A impo ância da ecepção como ema de ap o undamen o didác ico .... ...... ......... 145 Manuel Ce ejei a A. Ca nei o, Como Reno a o Ensino do La im. Algumas suges ões .................................. .. 157 José Adelmo G. B. Junquei o, Re lexão pa a a Au onomia: uma me odologia na o mação do aluno/ u u o p o es- so de Línguas Clássicas .. ...... .. ..................... .. . .. ... 167 Manuais escola es (Mesa edonda) ........ ................. 179 Ca los Ascenso And é, Ap esen ação ....... .. ........ .. ............. 181 Ma ia C is ina de Cas o-Maia S. Pimen el, O manual de la im: caixa de Pando a ou co nucópia da abundância? 189 An ónio A. Bo egana, A didác ica da língua la ina baseada na sua qualidade de língua-mãe do po uguês .. ........... 199 Ildo Rocha Sil a, Re lexão sob e manuais escola es ............ 7 7 Expe iências pedagógicas ............ .. .. ....................... 217 Isal ina Ma ins, Gue a e Paz. Um ema didác ico na aula de la im .. .......... .. ................ .. ................ ...... . 219 Ma ia Manuel P. d'Ab eu, Os clássicos na sala de aula ........ Z29 Ma ia da G aça G. Mendes P. da C uz, A língua e cul u a g egas e a in e disciplina idade .... .. .... .................. .... . 245 João Filipe Mendes de Oli ei a, Função do compu ado no p ocesso de ensino-ap endizagem ...... .. .... ................ 261 An ónio Manuel Ribei o Rebelo, Supo es lógicos na peda- gogia das línguas clássicas .... .......... ...... .. .............. 267 Sessão de ence amen o ................ .............. ............. 'lS7 Wal e de Medei os, O bom Can o e as suas alácias. A his ó ia da ma ona de É eso.... .. .. .. .... .. .......... .. .. .. 289 o MANUAL DE LATIM: CAIXA DE PANDORA OU CORNUCÓPIA DA ABUNDÂNCIA? Ma ia C is ina de Cas o-Maia de Sousa Pimen el* Num empo em que an o se ala de eno ação e p og esso, é chegado o momen o de euni mos es o ços no sen ido de que essa eno- ação e esse p og esso cheguem ambém ao ensino das línguas clássi- cas. O que hoje aqui nos eúne é a aplicação de uma no a concepção de ensino do La im e do G ego aos manuais. De o dize , oda ia, que a minha expe iência docen e me em le ado a e lec i p e e encialmen e sob e o ensino do La im e é, assim, do que penso de e ou pode se um manual pa a que se ensine e ap enda La im que enho ala - os. Que o le an a desde já uma p imei a ques ão: qual a elação en e esse manual e o p og ama em igo ? De e a sua elabo ação es a sujei a ao que o p og ama da disciplina p opõe? Co endo o pe igo de pa ece e- ac á ia a p essupos os legais, de o dize que me pa ece que, ao ma- nual, de e p esidi acima de udo o bom-senso de quem sabe o que pode e in e essa ap esen a , mui o mais que um alinha -quan as ezes in- co ec o, quan as ezes simples índice de g amá ica -de alíneas que di idem, quase semp e a bi a iamen e, a o alidade do que en endeu chama -se 'g amá ica da Língua La ina'. Julgo que nenhum p o esso de La im e á g andes dú idas, após dois ou ês anos de ensino, sob e ·quais são os aspec os imp escindí- eis, os aconselhá eis e os supé luos do que em a ap esen a , bem como aqueles que in e essam ou a as am os alunos. Pa ece-me, pois, de suge i desde já que sejam ou os os c i é ios subjacen es à ei u a de * Uni e sidade de Lisboa. Ma ia C is ina de Cas o-Maia de Sousa Pimen el um manual que não os que ob igam ao cump imen o de um p og ama com o qual mui as ezes es amos em comple o desaco do. Conside o, assim, que de e á ha e um manual pa a a iniciação do La im, ou o pa a cada um dos ní eis subsequen es. Tal a i mação pode pa ece u na banalidade mas não o é an o se pensa mos que, em cada um desses manuais, pode emos ensaia di e en es o mas de con- ac o com o La im, Língua, Cul u a e Ci ilização. No que espei a ao Cu so Complemen a do Ensino Secundá io, c eio, po exemplo, que ao 100 ano se de e á ese a um manual de iniciação que ab anja e- mas, ex os e au o es á ios; no 11 0 ano, o manual o ganiza -se-á em unção de emas, con emplando ex os de au o es que ilus em assun os an o do in e esse de jo ens como adul os, como é o caso da mulhe , a amília, a alimen ação, o casamen o, o nascimen o e a mo e, a eligião, a moda e o es uá io, a cidade, a p e- sença dos Romanos na Península ... No 120 ano, o ganiza -se- - ia en ão o manual em unção de alguns au o es de e minados, aqueles que se conside em mais pe inen es ou que cada p o esso possa esco- lhe , de um leque ela i amen e amplo de au o es, endo em con a a o ien ação p óp ia dos alunos e o cu so a que se des inam. Pa a cada ano de e á ainda elabo a -se, além do manual, pa a uso do aluno nas aulas e base de odo o seu es udo, ou os li os de apoio: em p imei o luga , um cade no ou li o de exe cícios e es es, que acompanhe os di e en es pon os abo dados e as di e sas alíneas es udadas, que g ama icais, que cul u ais e li e á ias, e si a ao aluno como meio de pode ele p óp io con ola o seu domínio das ma- é ias em es udo; a esse conjun o manual/li o de exe cícios com as espec i as soluções, ac escen a -se-á um li o do p o esso que, po sua ez, acompanhe o docen e na explo ação do manual; e en ual- men e, pode -se-á ainda elabo a um pequeno dicioná io que con enha odo o ocabulá io encon ado ao longo do manual e do li o de exe cí- cios, o que a á, se não ou as, pelo menos a an agem de oma me- nos espinhosa a p epa ação de ex os e abalhos. 190 o manual de la im: caixa de Pando a ou co nucópia da abundância? Assim sendo, deb uça - ne-ei ago a sob e o que en endo de e in- eg a o manual p op iamen e di o. Na iniciação, con empla -se-á, numa pa e in odu ó ia, aquilo que pode ei chama a e apa de sen- sibilização. Nela se p ocu a á Ca i a (no sen ido do pe i p ince de Sain -Exupé y) o aluno pa a e pelo La im, demons ando-lhe que essa língua -que ele p o a elmen e julga po comple o a edada do seu mundo -não só nele es á ainda p esen e como lhe in e essa uncionalmen e pa a o es udo de ou as ma é ias, pa a a comp eensão de de e minados concei os, pa a o co ec o uso e in e p e ação de ce as ab e ia u as ou exp essões do mundo cien í ico e ecnológico. Essa p imei a pa e do manual de e á con e p o usa documen a- ção sob e i mas, ma cas come ciaisl, emédios2, di isas de clubes, as- sociações, emp esas3 .. . que eco em ao La im pa a os seus nomes ou imagem de ma ca; ab ange á ambém exp essões que con inuamos a usa e a ou i no dia-a-dia4 e que são La imS, bem como a e imologia de alguns an opónimos6, opónimos e e nónimos7; ap esen a á um 1 A Secu i as, os ogões 19nis, as ba e ias Fulmen, os sabo- ne es Lux, o c eme Ni ea, os doces e sumos Linea, as Águas Vi alis e Vidago Salus, os chocola es Regina e os gelados Magnum, os d ops e gomas Dulcio a ... pa a não e e i os esquen ado es Vulcano ou o e niz Cibele (sic) ... 2 Co da one, Medipax; o que é um placebo ... 3 E plu ibus unum (Ben ica); p imus in e pa es (S .G.) ... 4 sine die; ad hoc; quo um; hic e Ilmc ; cu iculum i ae; hono is causa; ab o o; ab illi io; alibi; lIume us clausus; ipsis e bis; pe capi a; ex aequo; a is a a; g osso modo; habeas co pus; a p io i; ac simile; idem; sic; s a us quo; sui gelle is; u bi e o bi; ade e o ... S Consul em-se duas ob as ecen es: Cesa e MARCHI, Siamo u i La illis i. Milano, Rizzoli, 1992; Ge ha d FINK, Schimp und Schallde ( adução i aliana: Di elo iII La illo. Milano, Longanesi, 1992). 6 Cláudia, Cecília, Paulo, Flá io, Co nélia, Cla a, Le ícia, Dulce, Ví o , Rena a, Pa ícia, Es ela ... 7 Os nomes la inos de Cha es, San a ém, É o a... explicam os Fla ienses, os Escalabi anos, os Ebo enses ... 191 Ma ia C is ina de Cas o-Maia de Sousa Pimen el as o ol de ab e ia u as8 de que se o nece á a cha e e o signi icado; demons a á a u ilidade do La im pa a comp eende e ixa ce as noções da ciência9, da geog a ia 10, da iloso ia 11, da an opologia 12, da his ó- ia 13 , a é da in o má ica l4 , de que amiúde se ixa o signi icado de o ma mecânica e não po ecu so à e imologia. Não que dize que al ma é ia se concen e apenas na I a ase do manual e, consequen emen e, da ap endizagem. Ao longo do li o, semp e que opo uno, cada um desses ópicos de e á se e omado e ampliado. Em seguida, além dos ex os (de que me ocupa ei mais adian e em pa icula ), um manual de e á in eg a pequenos quad os in- odu ó ios pa a cada au o ou géne o de ex os: esses qua- d os con empla ão aspec os his ó icos, cul u ais e li e á ios e acul a ão ao aluno as indispensá eis coo denadas pa a que mais acilmen e com- p eenda o que ai le e es uda . Igualmen e em quad os que acompanha ão os ex os, de e se-á con empla amplamen e o que po con enção chamamos ' amílias de pala as'. Que os alunos ejam su icien es exemplos de elação en e e bos, subs an i os, adjec i os ... pa a que mais acilmen e ad- qui am ocabulá io e ambém comp eendam como, com poucos 8 a.m./p.m.; A.D.; P.S.; s. . ./..; R.l.P.; q.e.d.; INRI; e. g. ; u.g.; op.ci .; c .; V. ; i.e .... 9 O que é a ci culação enosa? E um habi a ? E uma equação? 10 O que é um me idiano? Um equinócio? Um sols ício? Po quê o ien e e ociden e? ... 11 O que é o niilismo? A Escolás ica? As eo ias eudianas do id, ego e supe ego? 12 O homo e ec us, o homo sapiens ... 13 O que e a o i ium e o quad i ium? O que ~igni icam í ulos como conde, duque, Dom, Dona? Po que se chamou Mussolini ii Duce? O que oi o Índex? O que é uma eg a monás ica? .. . 14 Po quê compu ado ( e o dina eu , em ancês)? O que é o p og ama No a Bene? Pa a que se e o comando dele e? E o que é o cu so ? 192