Relações externas do Egipto no período saíta
Abstract
O período de decadência que se seguiu à queda do Império Novo teve momentos em que se vislumbrou uma recuperação da grandeza egípcia mas de facto só se pode falar de verdadeiro renascimento com o período saíta. O Terceiro Período Intermediário (1070- -664 a. C.), que se poderá caracterizar por uma ausência de centralização do poder que é normalmente associada aos períodos conturbados, só terá de facto terminado, para uma parte considerável dos especialistas, com o reinado de Psametek I (664-610), fundador da XXVI dinastia.
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Relações ex e nas do Egip o no pe íodo Saí a
Au o (es): Ca mo, Filipe Ne es do
Publicado po : Cen o de His ó ia da Uni e sidade de Lisboa
URL
pe sis en e: URI:h p://hdl.handle.ne /10316.2/23722
DOI: DOI:h p://dx.doi.o g/10.14195/0871-9527_20_10
Accessed : 17-May-2019 11:24:28
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CADMO
Re is a de His o ia An iga
Cen o de His ó ia
da Uni e sidade de Lisboa
20
RELAÇÕES EXTERNAS DO EGIPTO
NO PERÍODO SAÍTA
FILIPE NEVES DO CARMO
Uni e sidade de Lisboa
ilca [email protected]
O pe íodo de decadência que se seguiu à queda do Impé io
No o e e momen os em que se islumb ou uma ecupe ação da
g andeza egípcia mas de ac o só se pode ala de e dadei o enas-
cimen o com 0 pe íodo saí a. O Te cei o Pe íodo In e mediá io (1070-
-664 a. C.), que se pode á ca ac e iza po uma ausência de cen ai¡-
zação do pode que é no malmen e associada aos pe íodos con u ba-
dos, só e á de ac o e minado, pa a uma pa e conside á el dos es-
pecialis as, com 0 einado de Psame ek I (664-610), undado da XXVI
dinas ia.
Na ealidade, os a aós núbios, ambém designados cuchi as, da
XXV dinas ia e ão impos o 0 seu domínio a odo 0 Egip o já desde
727 a. C. - p imei o com a incu são i o iosa de Pié nesse ano e de
no o com Chabaka doze anos depois - mas a e dade é que os
p íncipes libios ins alados no Del a pa ece, embo a de o ados, nunca
se e em e ec i amen e subme ido ao no o pode núbio. O e o ço do
cul o de Amon e á sido a p incipal p eocupação dos a aós des a di-
nas ia e 0 domínio de Mên is e do Baixo Egip o, designadamen e a a-
és de uma o e p esença em Tebas, 0 meio p i ilegiado de exe ce
al domínio.
O ano de 671, em que uma in asão assí ia conduziu a uma sé-
ie de de o as das o ças egípcias e à conquis a e saque de Mên is,
e á culminado um pe íodo de ce ca de ês ou qua o décadas de
elações ensas dos a aós com os sobe anos asiá icos. A subs i ui
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FILIPE NEVES DO CARMO
ção, a a és de odo 0 Egip o ocupado, p o a elmen e a é uma á ea
não mui o ao sul de Mên is, dos uncioná ios e adminis ado es de
Taha ka, 0 en ão a aó, po egípcios a o á eis aos in aso es, pode á
signi ica que os p íncipes do Del a p e e i am na al u a um suse ano
es abelecido em Nini e a um esiden e em Mên is. Taha ka não se
e á, con udo, dado po encido e, ap o ei ando a mo e de Assa a-
dão, 0 ei assí io, econquis ou Mên is e es abeleceu a sua au o idade
sob e 0 país. A eacção do no o ei assí io, Assu banípal, não se
limi ou a uma segunda in asão e à eocupação de Mên is: po um
lado, p osseguiu 0 seu a anço a é Tebas ob igando Taha ka a e ugia -
-se na Núbia; po ou o, no seu eg esso a Nini e, le ou consigo um
núme o conside á el de p isionei os, en e os quais se e ão encon-
ado um p íncipe de Tebas, mui os p íncipes e go e nado es das ci-
dades do Del a e, em pa icula , um pe sonagem, Necau, desc i o
como ei de Mên is e de Saís<1).
Os p íncipes e ou os nob es que apoia am os in aso es não demo-
a am mui o empo a ape cebe -se de que a no a suse ania ambém
lhes não ag ada a e e ol a am-se na p imei a ocasião, eco endo a
Taha ka. A eacção assí ia oi b u al, en iando mais p isionei os egíp-
cios e núbios pa a Nini e e exe cendo uma c uel ingança sob e os
habi an es de algumas das cidades do Del a. De odos os p isionei os
de idos em Nini e apenas Necau oi poupado e een iado pa a Saís,
apa en emen e com alguma delegação do pode . Também o seu ilho,
0 u u o Psame ek I, oi objec o de a o ecimen o simila , endo-lhe sido
a ibuído 0 p incipado de A h ibis. Opo unamen e assumi ia 0 manda o
do pai (que e á pe ecido em 664 a. C., em lu a con a Tanu amon,
cujo an ecesso , Taha ka, ambém e á mo ido nesse ano, da a que é
assumida como o momen o de inaugu ação da no a dinas ia e o iní-
cio do einado de Psame ek) e, não obs an e uma no a in asão de
Assu banípal pa a aze ace a uma en a i a de econquis a po pa e
de Tanu amon, 0 no o ei núbio, 0 seu papel de clien e do suse ano
assí io oi-se esba endo com 0 empo e 0 seu pode e ec i o aumen-
ando conside a elmen e.
O pe íodo que p ecede a XXVI dinas ia, o dos a aós kuchi as e
mesmo an e io men e, oi é il em episódios não só de in asões assí-
ias do Egip o mas ambém de p esenças de exé ci os egípcios no
Le an e, no malmen e em apoio às cidades locais con a 0 domínio
assí io. O in e esse es a égico das duas po ências nessa egião, de
con eúdo cla amen e económico, e á le ado a essas gue as e 0 que
se o na mais di ícil de explica é 0 ac o de os assí ios se e em is o
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RELAÇÕES EXTERNAS DO EGIPTO NO PERÍODO SAÍTA
«ob igados» a in adi 0 Egip o po á ias ezes. De ac o(2) a geog a-
ia e a incapacidade assí ia de domina as o as de comunicação po
e a e po ma en e os dois países nesse pe íodo o na am 0 Egip o
um país di ícil de conquis a , e a segui , dada ambém a sua dimen-
são e complexidade sociocul u al, de go e na . Po um lado, o acesso
po e a ao país do Nilo p essupunha a a essia do dese o do Sinai,
0 que não e a possí el sem eco e às ibos á abes que e am as
únicas a con ola 0 meio de anspo e adequado na época, 0 camelo.
Complemen a men e e a necessá io con ola as á ias cidades pales-
inas e sí ias que se encon a am no pe cu so e es e, o que de
ac o se e i ica a mas so ia pe u bações com as equen es e ol as
dessas cidades. Po ou o lado, 0 acesso po ma , dado que a Assí ia
não dispunha de po os de ma nem de ma inha p óp ia, exigia a coo-
pe ação dos po os da cos a le an ina, o que em p incípio e a ac í el
dada a sua inco po ação no impé io, mas es a a p ejudicado não só
pelo seu ca ác e indi ec o mas ambém pelas e ol as já e e idas,
que ab angiam igualmen e as cidades po uá ias.
Es es ac o es undamen almen e geog á icos não in luencia am
unicamen e as elações mili a es e polí icas. Também as elações eco-
nómicas e am se iamen e a ec adas e, dadas as ensões exis en es
en e as duas po ências, di icilmen e iam além dos mo imen os unidi-
eccionais de p odu os de e minados pelo saqueio associado à con-
quis a, pelo ibu o de i ado das si uações de dominio polí ico ou, ma -
ginalmen e, os ges os de boa on ade cons i uídos pelas o e as
unila e ais ou ecíp ocas (dom e con a-dom). É es e úl imo ipo de
ansacção que pa ece p edomina a é à p imei a conquis a do Egip o
po Assa adão, pe íodo em que os p esen es p o enien es do Egip o,
di ec amen e ou a a és das cidades enícias e cons an es dos egis-
os assí ios, incluem sob e udo animais exó icos ou ca alos em núme o
eduzido(3). Já com a conquis a de Assa adão, os egis os passam a
indica ca alos em g ande núme o (que os a aós apa en emen e im-
po a am da Ásia, ou pa cialmen e aziam c ia no Egip o, e que se
des ina am à o mação de uma o ça de ca os de gue a), es es já
ce amen e esul an es do saqueio e ec uado ou do ibu o impos o.
Ou os p odu os do Egip o cons am, a pa i dessa p imei a conquis a,
dos egis os assí ios, como ecidos de linho, ou o, algodão, alúmen,
na ão, papi o e conse as de peixe, embo a não enha sido possí el
de e mina se as impo ações esul a am de saqueio, ibu o ou co-
mé cio egula , e se e am di ec as ou e am ansaccionadas a a és
das cidades enícias e ilis inas(4).
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FILIPE NEVES DO CARMO
Nes e enquad amen o, não cus a a en ende que Assu banipal
enha passado a conside a os sobe anos núbios (os p omo o es de
ac o das in e e ências egípcias no Le an e nas úl imas décadas)
como o seu e dadei o inimigo(5) e po isso se e á limi ado a es abe-
lece um aco do de paz com alguns p íncipes do Del a, mesmo após
o esmagamen o da sua e ol a. Após á ias in asões, e á sido econ-
duzido a admi i como objec i o undamen al 0 exe cício da sua sobe-
ania sob e a cos a le an ina e as suas cidades me can is e aces-
so iamen e a p ocu a impedi que 0 eino do Nilo p ejudicasse al
exe cício. O pe dão concedido a Necau e ia de ac o ep esen ado,
assim, o es abelecimen o de uma aliança, o que é consis en e com o
compo amen o pos e io des e p íncipe e de Psame ek, quando da
incu são de Tanu amon.
De aco do com He ódo o (11.151), a aquisição de pode po pa e
de Psame ek começou após um exílio nos pân anos do Del a, local
onde e á eco ido ao auxílio de pi a as cá ios e jónios(6) com a pe s-
pec i a de esis i ou impo -se aos ou os p íncipes do Baixo Egip o,
com os quais se e ia incompa ibilizado ace às posições an agónicas
assumidas quando da en a i a alhada de Tanu amon, em que se e á
colocado do lado do suse ano assí io(7). Es e ecu so a me cená ios
g egos e -se-á e elado indispensá el dada a e i ada das opas in-
aso as assí ias (ou a insigni icância das gua nições deixadas) após a
i ó ia sob e Tanu amon. A u ilização dos me cená ios con a os di e-
en es p incipados do Del a, que enha sido e ec i a ou me amen e
i ual (ameaça de uso da o ça), e -se-á es endido po um pe íodo
ela i amen e longo (p o a elmen e se e ou oi o anos), no inal do qual
a suse ania de Psame ek nessa á ea e á icado bem es abelecida.
O no o sobe ano e -se-á en ão sen ido su icien emen e o e pa a
en a es ende 0 seu domínio ao sul do Egip o.
Toda a habilidade diplomá ica de Psame ek se e á en ão a i mado,
p imei o conseguindo um en endimen o com 0 senho local de He a-
cleópolis, p o a elmen e a a és de uma aliança conjugal p é ia, de-
pois conseguindo aze adop a a sua ilha Ni oc is po Ameni dis II,
ela p óp ia ilha adop i a de Chepenupe II, a di ina esposa de Amon
no pon i icado de Tebas. O simbolismo des e ac o de adopção, a u u a
assunção da posição de di ina esposa de Amon po pa e da sua
ilha, signi ica a de ac o a acei ação po pa e das au o idades eligio-
sas e ci is de Tebas de Psame ek como o suse ano do Al o Egip o.
De e -se-á sublinha que já os eis núbios da XXV dinas ia ha iam
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RELAÇÕES EXTERNAS DO EGIPTO NO PERÍODO SAÍTA
eco ido à adopção das suas ilhas pela esposa di ina de Amon pa a
assegu a em a espec i a sucessão e ga an i em assim a sua acei a-
ção como a aós.
De aco do com He ódo o (11.154), após e u ilizado os me cená-
ios cá ios e jónios con a os seus oposi o es no Del a, Psame ek ins-
alou-os em dois acampamen os si uados a no e de Bubãs is, no
amo pelusíaco do Nilo. Que es a ins alação osse mo i ada po a-
zões de segu ança in e na que pa a con ola a es ada de acesso à
Ásia, o ce o é que(8) o agen e pe u bado em pe íodos an e io es, os
libios, pa ece não e en ão cons i uído p eocupação su icien e pa a 0
no o a aó, o que dá uma ideia do g au de con olo en ão a ingido
sob e 0 país(9). A les e, po ou o lado, os Assí ios inham cla amen e
ou as p eocupações, a al a de inicia i as de Psame ek na egião
le an ina endo p o a elmen e ambém con ibuído pa a os man e
alheios ela i amen e aos acon ecimen os no eino do Nilo. Ainda de
aco do com James(10), pelo menos na ase inicial do einado des e
a aó, e á ha ido iden idade de in e esses en e as duas po ências,
que de ido á subsis ência da si uação de clien elismo já e e ida,
que a uma conce ação ac i amen e desejada ou me amen e de i ada
da incapacidade de assumi em iscos adicionais em ma é ia de ela-
ções in e nacionais. Isso e ia le ado a que o iongo einado de Psame ek
(54 anos) p osseguisse num ambien e ge al de paz in e na e ex e na
em que as únicas excepções conhecidas i essem sido cons i uídas
po uma in e enção na Pales ina (ce co e conquis a de Asdod, que
segundo He ódo o, em 11.157, e á du ado in e e no e anos e que
isa ia o con olo de uma ia come cial de ligação à Sí ia) e um en-
ol imen o ao lado dos assí ios, em 616 a. C., con a os babilónios.
Não há con udo unanimidade, po pa e dos académicos, quan o a
esse ambien e ge al de paz e de conce ação com os assí ios. Segundo
alguns au o es, que se baseiam sob e udo em on es assí ias, Psame ek
e -se-á li ado da assalagem a Assu banípal ce ca de dez anos
depois de e assumido o pode e pa a isso e á con ado com 0 apoio
dos hopli as g egos que Gyges, ei da Lídia, lhe ha ia en iado·11). Ou os
au o es limi am-se a dize que o sobe ano egípcio deixou de en ia
ibu o a Assu banípal. Psame ek e á, po ou o lado, assumido posi-
ções o ensi as ela i amen e a uma pa e do domínio ei indicado pelos
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FILIPE NEVES DO CARMO
assí ios, p ecisamen e a cos a le an ina, de que é exemplo 0 acima
e e ido ce co a Asdod (uma cidade si uada sob e a g ande es ada
que liga a Damasco ao Egip o e que e a uma posição mili a e co-
me cial da maio impo ância). Te á sido assim que já no inal do seu
einado e ia sub aído 0 domínio dessa cos a ao ei assí io, nomea-
damen e no que espei a às cidades enícias, gabando-se de que os
seus uncioná ios aí exe ciam con olo sob e a p odução e expo ação
de madei as(12). A inicia i a conjun a com os assí ios con a os babiló-
nios em 616 a. C. se ia assim 0 esul ado de uma aliança en e iguais,
a a és da qual Psame ek p ocu a a man e 0 equilíb io de pode na
Mesopo âmia com 0 objec i o úl imo de não e p ejudicado o seu domí-
nio (ou o e o ço desse domínio) na á ea le an ina*13*.
A manu enção, e p o a elmen e mesmo 0 e o ço, da o ça de
me cená ios g egos po Psame ek I após a sua i ó ia sob e os p ínci-
pes do Del a, pode á encon a explicação na oposição a e en uais
o ças assí ias de ocupação na década que se seguiu à sua omada
de pode e mais a de pa a 0 apoia nas suas inicia i as a les e. Há
que não esquece que as in asões assí ias inham deixado 0 Egip o
ex emamen e debili ado no que espei a à sua o ça de ca os de
gue a (ap op iação dos ca alos egípcios po Assa hadão) e que p e-
cisamen e os con ingen es g egos, sendo essencialmen e cons i uídos
po in an a ia pesada, dispensa am, pelo menos pa cialmen e, a econs-
i uição dessa o ça(14). A in an a ia g ega, cuja e iciência ha e ia de
se his o icamen e comp o ada nos séculos seguin es, ap esen a a
ainda a an agem de i comple amen e equipada com a mas e a ma-
du as p óp ias.
A emune ação dos me cená ios, se é que é adequado ala em
emune ação e em me cená ios, e a mui o p o a elmen e cons i uída
apenas pela concessão de e as. O pagamen o em moeda, pelo me-
nos em meados do século VII, es a ia comple amen e excluído dado
que as emissões egípcias só mui o mais a de é que se iam iniciadas
e a aquisição de moeda lidia ou g ega (es a úl ima ambém de du i-
dosa exis ência na al u a) pa a o e ei o não só não es á comp o ada
a queológicamen e como pa ece absu do admi i que um sobe ano
egípcio pudesse en ão concebe a espec i a u ilização. A concessão
de e as, di e samen e, e a o sis ema adicional u ilizado pelo Es ado
egípcio pa a e ibui a p es ação de se iços pela cas a gue ei a. Po
ou o lado, adequa a-se à si uação especí ica dos camponeses g e-
gos, empu ados pa a a colonização po uma demog a ia explosi a ou
expulsos das suas e as pelo uncionamen o de um sis ema económico-
182
RELAÇÕES EXTERNAS DO EGIPTO NO PERÍODO SAÍTA
-social que conduzia a uma ap op iação c escen e da e a po uma
oliga quia la i undiá ia. De ac o, os camponeses g egos, com 0 seu es-
a u o de cidadãos e pe dendo as suas e as, não acei a am abalha
pa a um senho - o que e a incompa í el com al es a u o e os eduzi-
ia à condição de se os - e op a am equen emen e pela pa ida em
busca de ou as e as que pudessem abalha como suas. Mais do
que me cená ios e am pois camponeses que p ocu a am e as.
De no o em 610 Psame ek en iou um exé ci o pa a a Sí ia com
0 objec i o de apoia os assí ios con a o nascen e Impé io Neo-babi-
Ionio. O seu ilho Necau II (610-594) con inuou a sua polí ica e logo
em 609 a ou com sucesso uma ba alha na Pales ina, na qual 0 ei de
Judá, en ão aliado da Babilónia, encon ou a mo e. O súbi o colapso
do domínio assí io após 609 e á esul ado05* num sé io azio de pode
que ameaça a se p eenchido pelos Babilónios, endo a in e enção
egípcia nes e pe íodo esul ado em á ios sucessos, en e os quais a
cap u a de uma cidade a sul de Ka kemich com a sua gua nição babi-
Iónica e a pe seguição de uma o ça inimiga pa a lá do Eu a es.
James chega aliás a a i ma que, du an e alguns anos, Necau e á
sido capaz de man e um ce o con olo sob e uma pa e conside á el
da Ásia Meno , que se es endia desde 0 Medi e âneo a é ao Eu a es
a no e de Ka kemich, e que incluía Judá e al ez mesmo alguns dos
an igos es ados ibu á ios da Assí ia que se encon a am na á ea.
Es a ase de in e enção e es e no Le an e e minou con udo com
uma pesada de o a de Necau em Ka kemich (605)(16), após 0 que os
sobe anos egípcios passa am a p i ilegia uma p esença ma í ima na
cos a le an ina, abandonando a Ásia Meno e pe mi indo a ocupação
de oda a egião pelos Babilónios. James(17) e e e ainda uma en a i a
de in asão do Egip o po pa e de Nabucodonoso , a ada po Necau
nas p oximidades da on ei a o ien al do país, com pe das impo an-
es pa a os dois lados.
Não é cla o que 0 objec i o inicial de Necau, com a sua no a
polí ica de cons ução de um pode na al, enha sido o de con inua
po ou os meios a sua oposição ao impé io neo-babilónico. Inicial-
men e o seu es o ço i ou-se pa a a cons ução de um canal en e 0
Nilo e o gol o de Suez, ob a (desc i a em He ódo o 11.158) que se ia
in e ompida e mais a de concluída no pe íodo pe sa po Da io I.
183
FILIPE NEVES DO CARMO
medo-pe sa. Em b e e os di e en es es ados es a am a p ocu a o -
mas de apoio mú uo pa a se de ende em da ameaça da no a po ên-
cia. De aco do com He ódo o (1.77), Amásis es abeleceu um a ado
de aliança com C eso, ei da Lídia, o qual, po ou o lado, i mou um
aco do semelhan e com Babilónia e Espa a. Em b e e, con udo, an o
a Lídia (546) como o Impé io Neobabilónio (539) cai iam em pode
dos Pe sas. As cidades enícias, an es po encialmen e inimigas dos
Babilónicos e expec an es do auxílio egípcio, ecebe am de bom g ado
os no os senho es e passa am a cons i ui um obs áculo conside é-
el pa a os na ios do país do Nilo. Amásis ainda es abeleceu uma
aliança com o i ano de Samos, Polic a es (535-522), que não pa ece
no en an o e sido du adou a, mas o des ino do Egip o oi adiado
pela mo e de Ci o (530). Con udo, o seu ilho Cambises, após e
pos o a casa em o dem na sequência da sucessão, a acou em 525
(He ódo o III.4-15), endo o exé ci o egípcio so ido ele adas pe das
na ba alha que lhe opôs e e i ado em deso dem pa a Mên is, cidade
que acabou po se omada sem g ande di iculdade. Psame ek III, que
ha ia sucedido a seu pai Amásis alguns meses an es, oi cap u ado
com a sua amília, endo na al u a sido poupado, mas pos e io men e
execu ado quando oi descobe a uma conspi ação que ama a con a
Cambises.
A ac i idade medi e ânica da o ça na al egípcia no einado de
Amásis pa ece e -se man ido com algum igo e e mesmo esul ado
na conquis a de Chip e (He ódo o 11.182). A ac i idade da o a de
Amásis(39) e á le ado 0 Egip o a es abelece elações come ciais e
diplomá icas com egiões que an es se encon a am o a da es e a
adicional de in e esses do país. Disso cons i ui iam p o as os a a-
dos acima e e idos e as elações de amizade com os g egos que
He ódo o an o e e e e que e á le ado Amásis a concede um g ande
núme o de dona i os e ou os a o es a emplos e san uá ios heléni-
cos. Não deixa po isso de se mo dazmen e i ónico que um a aó
que an o ez pelo ala gamen o dos ho izon es de um país essencial-
men e adicionalis a e a caizan e enha sido í ima, já depois de mo o
e po pa e dos conquis ado es do seu país, de p á icas al amen e
exa ó ias e sac ílegas sob e o seu cadá e (He ódo o, 111.16).
190
RELAÇÕES EXTERNAS DO EGIPTO NO PERÍODO SAIT A
No as
<1> JAMES 1982, p. 700
<2> ELAT 1978, pp. 20-1
<3> ELAT 1978, pp. 21-4
<4> ELAT 1978, pp. 24-6 e 30-1
<5> SPALINGER 1974, pp. 323-5
(6) Segundo Diodo o (I 66.7-12), Psame ek, senho das egiões cos ei as, ha ia es abele
cido elações come ciais com po os es angei os, sob e udo g egos e enícios. Ainda se
gundo Diodo o, a gue a com os ou os p íncipes do Del a de eu-se à in eja que es es
sen i am pelo en iquecimen o de Psame ek, endo en ão o u u o a aó mandado i me ce
ná ios da Cá ia e da Jónia.
<7> JAMES 1982, pp. 711-12
<8> JAMES 1982, pp. 713-714
(9) He ódo o (II.30) diz-nos que, além dos dois acampamen os e e idos, exis iam, no eino
de Psame ek, pos os mili a es em Da nas, ambém no amo pelusíaco do Nilo, em
Ele an ina, p óximo da on ei a com a Núbia, e em Má ea, a oes e da ac ual Alexand ia e
isando con ola a es ada da Líbia. He ódo o e e e gua nições egípcias pa a es es pos
os mas a exis ência de ambém opas g egas nes es locais não pode se excluída.
(10) Ibidem.
(11) Gyges, um dos p imei os i anos que a His ó ia egis a, e á p ocu ado jun o de
Assu banípal, sem sucesso, auxílio con a a ameaça cimé ia. De aco do com SPALINGER
1978, p. 405, desemba açou-se sozinho dessa ameaça e en ou pos e io men e uma ap o
ximação a Psame ek, endo-lhe en iado (en e 662 e 658) opas g egas do li o al da Ásia
Meno po ele con oladas. Não são ap esen adas azões cla as pa a es a ap oximação,
não sendo cla o se es as opas coincidem com os pi a as e e idos po He ódo o ou se se
a a de um ou o con ingen e. Gyges ha e ia de pe ece em 644, du an e um no o a aque
dos cimé ios a Sa dis, os quais e ão mais a de sido encidos e a as ados da Ásia Meno
pelos Ci as (SPALINGER 1978, p. 405). Te á sido, po an o, pos e io men e a es a da a
que es e no o in aso e á ameaçado o Egip o e sido a as ado pela acção conciliado a de
Psame ek que pa a o e ei o os e á cumulado de p esen es (He ódo o 1.105).
<12> CORRAL 2002, p. 77, ci ando REDFORD 1992.
(13) CORRAL 2002, p. 77. De aco do com um documen o egípcio, uma es eia da ada de
612, os eis enícios paga am ibu o a um ep esen an e do a aó no e i ó io le an ino.
Po ou o lado, mui as das p o as da p esença egípcia na á ea de i am de esca ações
sem da ação p ecisa, as quais, segundo CORRAL 2002, pp. 77-81, an o podem se in e
p e adas como esul an es de con olo polí ico di ec o como de simples ocas come ciais.
De aco do com o mesmo au o , REDFORD 1992 e SPALINGER 1977 de endem a p i
mei a hipó ese enquan o KATZENSTEIN 1997 e um ou o au o (Ashe ) se inclinam pa a a
segunda. VANDERHOOFT 1999 hesi a ia en e as duas.
(14) ELAT 1978, pp. 23-5 ap esen a uma discussão, não conclusi a, sob e a o igem dos
ca alos ap eendidos po Assa hadão, en e a sua c iação na Núbia ou p o enien es de
impo ações asiá icas, p o a elmen e de uma á ea si uada nas mon anhas da Capadócia.
Independen emen e da o igem, con udo, não e ia sido ce amen e ácil econs i ui num
cu o espaço de empo uma o ça com um g ande núme o de ca alos.
<15> JAMES 1982, p. 716.
191
FILIPE NEVES DO CARMO
(16) De acio exis em ainda e e ências em He ódo o (11.159) a i ó ias de Necau em
Magdolos (ou Migdo!) e Cady is, a p imei a e en ualmen e con undida com a i ó ia em
Megiddo sob e 0 ei de Judá, mas cuja c onologia e localização, e po an o 0 espec i o
signi icado, não são objec o de conco dância pelos académicos.
<17> JAMES 1982, p. 717.
(18) Segundo He ódo o (IV.42) es a expedição e ia sido bem sucedida e os na ios lança-
dos a a és do Oceano Índico e iam de ac o con o nado Á ica e, en ando pelas Colunas
de Hé cules, a ingido 0 Medi e âneo e eg essado ao Egip o. A e e ência a i emes po
pa e de He ódo o (11.159) pode á se anac ónica e e -se a ado de ac o de ou o ipo de
na ios.
<19> BRAUN 1982, p. 49.
(20) CORRAL 2002, pp. 80-1. Tan o a inicia i a de e ec ua a ci cum-na egação de Á ica
como a de cons ui o canal pa a e ei os come ciais pa ecem ul apassa em mui o 0 que
é no mal espe a de um sobe ano egípcio, mesmo nes a época já a ançada, o que em
le ado a especulações de que as mesmas enham de ac o ido luga mais a diamen e
sob o domínio pe sa (po exemplo, no caso do canal, He ódo o e ia in e p e ado e ada-
men e 0 início da cons ução do canal, que e ia oco ido ambém já no pe íodo pe sa).
<21> CORRAL 2002, pp. 79-85.
(22) Di e samen e ambém dos assí ios, que inham uma polí ica de depo ação c uzada de
populações, os babilónios limi a am-se a depo a massi amen e as populações conquis a-
das pa a a Babilónia. Is o conduzia a que não hou esse ocas come ciais en e os e i ó-
ios conquis ados e o país conquis ado , endo o luxo de p odu os e de homens um único
sen ido sob a o ma de ibu o. Só no inal do einado de Nabucodonoso , décadas mais
a de, ha e ia indícios de «comé cio bila e al», com o necimen o po an o de p odu os
babilónicos, o que con inua ia a e i ica -se nos einados dos seus sucesso es e p osse-
guindo sob o pe íodo pe sa.
<23> CULICAN 1982, p. 470.
<24> JAMES 1982, pp. 718-719.
<25) BRAUN 1982, p. 51, que ci a uma adução pa a g ego da Bíblia da época helenís ica.
Po ou o lado, JAMES 1982, p. 718, p ocu a explica a p esença dos me cená ios judeus
pela exis ência de um a ado com o eino de Judá que e ia conduzido ao o necimen o
de al con ingen e. É já di ícil comp eende es a incu são de Psame ek II e ainda mais o
apoio judeu, num momen o em que a ameaça babilónica es a a em ias de se conc e iza
sob e 0 p óp io eino de Judá com as consequências já e e idas.
<26> SAUNERON e YOYOTTE 1952, pp. 190-199.
(27) Es a hipo é ica in asão de Nabucodonoso , que e ia ido luga em 571, es á en ol a
em polémica, como esul a de JAMES 1982, p. 719, que se apoia em SPALINGER 1977.
Is o po que não há documen os con empo âneos, com excepção de um ex o incomple o
babilónico que a si ua em 568, que a a es em, esul ando o seu conhecimen o apenas de
adição mais a dia. Segundo essa adição a in e enção de Nabucodonoso e ia condu-
zido à mo e de Ap iés e à sua subs i uição po Amásis. James, con udo, não pa ece da
g ande c édi o a al hipó ese nem a uma suges ão no sen ido de Amásis e , logo após e
acedido ao pode , e ec uado uma incu são na Ásia que e ia le ado a um choque com
Nabucodonoso .
<28> JAMES 2003, p. 247, no a 63.
<29> JAMES 2003, p. 247
192
RELAÇÕES EXTERNAS DO EGIPTO NO PERÍODO SAIT A
<3°> JAMES 2003.
<31> Ci ado em JAMES 2003, p. 256.
<32> BRAUN 1982, pp. 43-52.
<33> BRAUN 1982, p. 39.
<34> BRAUN 1982, pp. 39-40.
<35> BRAUN 1982, pp. 38-39.
<36> JAMES 2003.
(37) Po o ade ou po de comme ce, espec i amen e em inglês e ancês.
<38> Ve MÖLLER 2000 e MAUCOURANT; GRASLIN 2005.
<39> JAMES 1982, p. 725.
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